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DE VETERINÁRIO

PARA VETERINÁRIO
DIRETOR ADMINISTRATIVO
Diego Turri

Este sem
dúvida foi o ano
DIRETORA TÉCNICA E COMERCIAL
Marcia Faccioli
marcia@ciasullieditores.com.br

da Cardiologia
EDITORA CHEFE
Sthefany Lara (MTb. 81.112)
sthefany@ciasullieditores.com.br
REPÓRTER

no Brasil
Catarina Mosquete
catarina@ciasullieditores.com.br
EDITORA WEB
Cláudia Guimarães (MTb. 81.558)
claudia@ciasullieditores.com.br

A
REPÓRTER
Gabriela Salazar sequência de lançamentos de produtos destinados às cardiopa-
gabriela@ciasullieditores.com.br
tias só reforçou sua importância, que já era visível, tendo como
EDITOR DE ARTE
Daniel Guedes (MTb 33.657) base a frequência de palestras sobre o tema nos mais diversos
daniel@ciasullieditores.com.br
Congressos, Simpósios e cursos de especialidades Brasil à fora. Hoje, inter-
DIAGRAMAÇÃO
Rafael Leite venções como a implantação de marca-passo, ou valvoplastia aórtica ainda
rafael@ciasullieditores.com.br
ADMINISTRATIVO não são tão comuns em todo o território, mas já são muito bem executadas
Diego Turri
diego@ciasullieditores.com.br por equipe de veterinários por aqui, temos um potencial humano incrível
COORDENADORA à dispor desse atendimento especializado, profissionais capacitados e, na
DE PUBLICIDADE
Tatiane Amor minha opinião, impulsionados por uma associação forte, pró ativa e bastante
tatiane@ciasullieditores.com.br
comprometida com o desenvolvimento da especialidade no País.
PLANEJAMENTO,
CONTROLE E OPERAÇÕES Nossa revista tem uma forte parceria com a Sociedade Brasileira de
Monique Leite
monique@ciasullieditores.com.br Cardiologia Veterinária (SBCV), já estabelecida há alguns anos, pois
COLABORADORES DESTA EDIÇÃO acreditamos na força das associações como propulsoras do conhecimento
Caroline Fredrich Dourado Pinto,
Fabiano Cesar Sá, Guilherme Goldfeder, técnico dentro da Veterinária e os resultados colhidos na Cardiologia são
Jason Lang, José Luiz Tejon, Luciano
Trevizan, Matheus Matioli Mantovani,
os melhores exemplo disto.
Mayan Press Goldfreind, Nossa reportagem de capa, nesta edição, foi elaborada em conjunto com
Natalia Bianchi Lopes, Sebrae-SP,
Tim Hartter, Time de Inovação da Mars a diretoria da SBCV, para atender o gosto peculiar desta legião de veteriná-
Petcare, Victoria Pereira Cavalcante
rios que, além de seduzidos pelo desafiador mundo da Cardiologia, sempre
Administração, Redação e Publicidade buscam aprimorar seus conhecimentos.
Rua Paulo Antônio do Nascimento, 145,
Edifício Planeta Office - 13º andar
Sorocaba/SP - 18047-400
Fones: 55 (15) 3219-2540 Ótima leitura.
caesegatos@curuca.org
www.caesegatos.com.br
CIRCULAÇÃO DIRIGIDA
A Revista Cães&Gatos (ISSN 0103-278X) é uma
publicação brasileira e mensal. Seu conteúdo editorial
é focado na profissionalização do mercado pet. Os
artigos assinados não expressam necessariamente a
opinião dos editores. Não é permitida a reprodução
parcial ou total dessa publicação, por qualquer meio,
sem prévia autorização da editora, sob as penas de Lei
registrada no Regime Especial DRT-1 nº 011391/90.
Periodicidade: Mensal

Márcia Faccioli
Diretora Técnica e Comercial
NO MIOLO

ZOOM

Fotos: banco de imagens e C&G VF


16
“Medicina requer integração”
Fisioterapia: suas técnicas não
são utilizadas só na ortopedia

VETERIANÊS MERCADO IN LOCO


28 › CAPA 24 › É tudo de bom! 64 › Com amor,
Um doente cardiopata na emergência Campanha da Pedigree aos gatos
38 › TRABALHO CONJUNTO ‘Adotar é tudo de bom’ Conheça o trabalho
Benefícios da Associação Benazepril completa 10 anos do 4Cats, hospital
e Espironolactona no tratamento da ICC especializado em felinos
42 › DIABETES MELLITUS EM FELINOS PROCESSOS
Nessa espécie, os sinais clínicos 68 › Nutrir com
comumente encontrados são os 4 P´s 60 › Modular conhecimento
44 › NÃO É UM BICHO Extrusion Nefrologia foi o tema
DE SETE CABEÇAS Integration da segunda edição do
Entenda como se faz um exame ortopédico Mantém o Fórum Internacional
46 › ONDE ESTAMOS ERRANDO? equipamento em Royal Canin
A clínica de felinos é cheia de mitos, conheça-os condições operacionais
50 › ALIMENTAÇÃO DE superiores durante todo
FILHOTES DE CÃES E GATOS o seu ciclo de vida
Nutrição nessa fase do pet
52 › PAPEL FUNDAMENTAL
A importância do cálcio e do fósforo
para ossos e dentes fortes em cães
54 › TAURINA: FONTES
E EFEITOS DA SUA DEFICIÊNCIA
O que pode causar a ausência desse ingrediente
62 › VELHA CONHECIDA,
NOVAS DESCOBERTAS
O que é sabido ou não em relação
ao câncer de mama OUTROS AUTORES
PETBUSINESS 70 › Meu papagaio
tá maluco! E agora?
10 › Parceria de sucesso SEÇÕES A importância de se conhecer
VCA adquire parte da rede de hospitais Pet Care o comportamento dos psitacídeo
› Editorial 3
11 › MSD Intenational Congress
› On-line 6
Empresa farmacêutica realiza dia de atualização PONTO FINAL
› Cartas 7
12 › Destaque mundial
› Cursos&Eventos 8
Unesp está entre as melhores universidades do mundo 74 › Olhos coloridos
› Coluna do Tejon 26
15 › A sensibilidade dos bigodes felinos Heterocromia: Mutação genética
› Sebrae 72
A importância de se conhecer as que causa diferença nas cores dos
particularidades dos gatos olhos pode ser sinal de doença
c&Gon line
Cláudia Guimarães, da redação | claudia@ciasullieditores.com.br

Envolvimento O mês foi seu e o


presente foi nosso!
na fanpage
A C&G VF não seria a C&G VF sem seus
leitores e seguidores. Nossa página no Face-
book recebe interações e mensagens diárias,
Firmamos um acordo, nesta editoria, desses profissionais é, facilmente, abala-
com debates sobre notícias publicadas,
na edição de setembro: nos encontrar em da diante da alta demanda de trabalho,
sugestões de futuras pautas e pedidos de
caesegatos.com.br para tratar de temas fazendo com que o planejamento de uma
assinatura. Adoramos saber que nossa família
que acercam a sua saúde física, mental e dieta saudável seja fundamental. A nu-
– já tomando a liberdade de chamar assim
profissional, enquanto médico-veterinário, tricionista Funcional e Health Coaching,
– cresce a cada dia e gostamos, ainda mais,

#
para que possa cuidar, da melhor maneira da Carevolution Consultoria Saúde &
de expor nossas conquistas aqui para vocês.
possível, de seus pacientes. Mas, o que Bem-Estar (São Paulo/SP), Silvia Micelli,
A revelação de um veterinário sobre a
nós, da Revista Cães&Gatos VET FOOD, dá algumas dicas sobre essa questão.
eutanásia de pets emocionou os ativos na in-
não imaginávamos é que tantas pessoas,
ternet. Ele disse que, quando precisa “colocar
um animal para dormir” com remédios, 90%
como você, também topariam nos visitar e #máquinadotempo.
isso foi muito importante para nós! Profissional relembra os marcos históricos
dos proprietários não querem estar no mesmo
Não que nos outros meses não da Medicina Veterinária. Para entender
ambiente. Então, nos últimos momentos de
pensemos em te trazer as melhores re- a importância de uma decisão, fato ou
vida, os animais ficam procurando seus tutores
portagens – ao contrário! Mas, como se- situação, nada melhor do que mergulhar
freneticamente. Os seguidores de nossa fanpa-
tembro corresponde a 30 dias dedicados em seus dados e narrativas históricas.
ge, então, deram suas visões sobre o assunto:
ao profissional da Medicina Veterinária, Pudemos desbravar a história da profissão

#
ser sua leitura – nem que seja de uma no País, com a ajuda da médica-veterinária
Nunca faria isso. Quero estar perto até
reportagem – faz toda a diferença para e assessora Técnica, do Conselho Federal
nos seus últimos minutos, mesmo sofrendo
nós. Portanto, agora, damos destaque de Medicina Veterinária (CFMV, Brasília/DF),
junto com ele. Já passei por isso, fiquei muito
para as mais acessadas do mês: Erivânia Camelo. Empresas parceiras da
abalada, mas não saí de perto até que desse
C&G VF, como Alltech, Bayer, Ceva,
o último suspiro”, disse Sarah Santana.
Acho uma covardia e egoísmo deixar
#dietaequilibrada. PremieRpet, Vaccinar e Vetnil, apoia-
Plantões podem interferir na alimentação ram e patrocinaram nossas ações do Dia
o bichinho sozinho nesse momento final.
saudável de veterinários. A alimentação do Médico-Veterinário nas redes sociais:
Dizer que ‘não tem coragem’ desse último
gesto de amor é só pensar em si mesmo”,

Fotos: reprodução e fotomontagens C&G VF


opinou Regina Stevanato.
Infelizmente, já tive que eutanasiar
um cão, o Nico. Fiquei ali, abraçada a ele
o tempo todo. Custou-me muito, mas
Curta a
sei que foi embora sentindo-se amado”,
página da
compartilhou Marta Freitas.
C&G VF
Estou vendo que eu vou passar por
no Facebook
isso e, se for o caso, fico perto até o fim”,
você também
lamentou Jaime Ferreira.
e acompanhe
O tutor tem que ter lembranças boas
nossos
de seu eterno companheiro, realizar uma
conteúdos!
oração e/ou prece para o seu animal antes
de passar para o outro plano é a melhor
opção. Nunca realizei este procedimento
na presença do proprietário, pois vejo
desnecessário o sofrimento dos tutores
neste momento, principalmente quando
temos crianças presentes. Também nunca
observei ou acompanhei nenhum animal
eufórico nesta hora triste para todos. Com
excelentes orações, os irmãos do outro
plano sempre estarão os guiando neste
momento”, declarou Fabricio Prado.

6 • caesegatos.com.br
cartas/on
www.caesegatos.com.br
facebook.com/RevistaCaesGatos | twitter.com/caesgatos

“Parabéns pela matéria! Ficou linda” carinho, conforto e palavras bonitas”


veterinário e coach Marco Ana Carolina Tonin,
Antonio Gioso, sobre a matéria de sobre a notícia de como os tutores
superação de esgotamento mental. reagem à eutanásia dos pets,
via facebook.com/revistacaesegatos.

“Grata à jornalista Cláudia Guimarães,


pela oportunidade de colaborar com a “Sou a favor, sim, da dieta natural, seja
matéria. Parabéns, ficou bem completa” ela cozida ou crua e suplementada. Ne-
veterinária Renata Lins, nhum profissional da área recomenda a
sobre a reportagem alimentação natural sem suplementação”
de displasia coxofemoral, Franscine Bonatti,
via facebook.com/revistacaesegatos. sobre a reportagem do
documentário Petfooled,
via facebook.com/revistacaesegatos.
“Verdade. Eu mando foto deles o dia todo”
Camila Buogo,
sobre a notícia de que tutores A matéria ficou ótima! Adoramos! Vou
tiram mais fotos de pets do dividir com todos aqui na empresa.
que de seus companheiros, Diógenes Silva, da Equilíbrio, sobre
via facebook.com/revistacaesegatos. a reportagem “Nosso papel é
incentivar”, da edição 229

“Lembro até hoje como foi o pior dia da


minha vida, mas lembro, também, que, Mande sua opinião, sugestões e críticas
quando decidimos por isso, sentamos para nossa seção “cartas” pelo e-mail:
ao lado da nossa filhota e, mesmo com sthefany@ciasullieditores.com.br
muita dor no coração, enchemos ela de

caesegatos.com.br • 7
CURSOS&EVENTOS

Fotos: banco de imagens C&G VF


Por Catarina Mosquete | Envie-nos seu evento: catarina@ciasullieditores.com.br

CONGRESSO
DE CARDIOLOGIA
Entre 7 e 9 de novembro, a Sociedade Brasileira de
Cardiologia Veterinária (SBCV) realiza o III Congresso
Brasileiro de Cardiologia Veterinária (Cbcvet), no
Campos do Jordão Convention Center. A programação
contará com palestrantes nacionais e internacionais,
como o professor emérito do Departamento de
Medicina e Epidemiologia da Universidade de Davis
(EUA), Mark Kittleson, e o professor Associado
(Cardiologia) da Universidade de Virgínia (EUA),
Jonatham Abbott. Mais informações pelo e-mail
infocbcvet@sbcv.org.br ou site
sbcv.org.br/cbcvet2018.

CURSO DE
SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE LVC ECOCARDIOGRAFIA
Entre os dias 10 e 11 de novembro será realizado o XIX Simpósio Internacional de A Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias
Leishmaniose Visceral Canina, no auditório da Escola de Veterinária, da Pontifícia (FCAV), da Universidade Estadual Paulista
Universidade Católica (PUC), em Belo Horizonte (MG). O evento é organizado pelo (Unesp) realiza o Curso Avançado de Ecocardio-
Grupo de Estudos em Leishmaniose Animal (Brasileish) e terá assuntos relaciona- grafia em cães e gatos, de 17 a 21 de outubro.
dos à Saúde Única e a Leishmaniose Animal, aspectos epidemiológicos da doença, Nele, os alunos aprenderão conceitos ecocar-
panorama da leishmaniose no Continente Europeu, prevenção, vacinação, e temas diográficos básicos. Na abordagem didática,
como Leishmaniose Felina, discrasias sanguíneas na LV. Mais informações no site: trabalharão diretamente com os equipamentos
brasileish.com.br/page16.html. de ecocardiografia, sob supervisão de um moni-
tor. Informações e inscrições pelo site eventos.
funep.org.br/Eventos/Detalhes#/exibir/3268

I ENCONTRO SIMPÓSIO DE
SEMANA
DE CARDIOLOGIA ONCOLOGIA
ACADÊMICA
A UNG Campus Dutra recebe o I Encontro de O III Simpósio de Oncologia Veterinária, orga-
Cardiologia Veterinária nos dias 19 e 20 de nizado pelo Grupo de Estudos de Oncologia Entre 29 de outubro e 1º de novembro,
outubro. Organizado pelo Grupo de Estudos Veterinária (GEOV), da Universidade Cruzeiro a Universidade Paulista (UNIP, Cam-
de Pequenos Animais (GEPA), da Universi- do Sul (UnicSul, São Paulo/SP) será realizado pinas/SP) realiza a XVI Semana
dade de Guarulhos (UNG, Guarulhos/SP), no dia 10 de novembro, no Campus São Acadêmica de Medicina Veterinária
o encontro trará abordagens a introdução Miguel Paulista. Temas como “Endoscopia no (Semevuc). O evento será realizado
à Fisiologia Cardíaca e as particularidades diagnóstico das neoplasias do trato gastroin- no Hospital Veterinário da Universi-
anestésicas no paciente cardiopata, além testinal e “Limb Sparing como opção no tra- dade, das 8h30 às 17h30. O encontro,
de novidades no tratamento da Insuficiên- tamento de osteossarcoma” serão abordados. voltado para veterinários, zootecnistas
cia Cardíaca Congestiva; cardiomiopatia Ao final do dia, os palestrantes falarão sobre e biólogos, terá módulos de pequenos
dilatada em cães; dirofilariose; síndrome eletroquimioterapia e empreendedorismo animais e silvestres. Entre os temas
cardiorrenal; cardiomiopatia hipertrófica em na Oncologia Veterinária. Inscrições devem abordados na grade de animais de
felinos, entre outros. Para mais informações, ser realizadas pelo e-mail simposiodeonco- companhia está “Trauma crânio
acesse: facebook.com/gepavetung/. logiaveterinaria@gmail.com. encefálico”, “Ruptura do ligamento
cruzado cranial”. Já a grade de animais
silvestres conta com temas como
“Rotina clínica de pets exóticos”, “Me-
Para conferir mais cursos e eventos que acontecerão dicina Veterinária de primatas”. Para
em todo o Brasil em 2018, acesse a agenda completa mais informações, acesse a fanpage:
da CÃES&GATOS VET FOOD acessando o QR code ao lado. facebook.com/semevuc/.

8 • caesegatos.com.br
Edição 167 • 2013 • Cães & gatos • 9
Petbusiness
Petbusiness

Catarina Mosquete, da redação | catarina@ciasullieditores.com.br

ASSOCIAÇÃO

Parceria
de sucesso
› Catarina Mosquete, da redação
catarina@ciasullieditores.com.br

A rede de hospitais Pet Care, fundada em principal será a aquisição de hospitais, visan- de laboratórios da Pet Care no Brasil, esta-
1991, em São Paulo (SP), e referência no do acelerar o projeto de expansão. Este know mos confiantes que, além de criar ótimas
mercado pet nacional, anuncia associação how de aquisições, incorporação da nova oportunidades aos médicos-veterinários lo-
com a VCA Inc, maior operadora de serviços gestão e cultura de hospitais já maduros faz cais, vamos melhorar o nível de cuidados de
veterinários nos Estados Unidos e Canadá. parte do expertise da VCA”, comenta. saúde para os animais de estimação do País”,
De acordo com a sócia-fundadora da “Nós acreditamos que a sociedade com a Pet ressalta Claudio Peixoto, CEO da Pet Care.
Pet Care, Carla Alice Berl, é uma sociedade Care é o melhor caminho para trabalharmos Segundo Carla, atualmente, a Pet Care
estratégica de duas grandes forças e trará be- com os veterinários locais e construirmos a possui quatro unidades na cidade de São
nefícios para o mercado veterinário. “Com o missão da VCA de melhorar a qualidade e exce- Paulo, além de um centro de radioterapia,
conhecimento do mercado brasileiro na área lência em cuidados com animais de estimação”, também nessa capital, e oferece serviços ve-
de serviço veterinário para cães e gatos, a Pet afirma o co-fundador e COO da VCA, Art Artin. terinários 24 horas; serviços de diagnóstico
Care, ao se associar à VCA, cria uma força por imagem e laboratório; hospitalização e
motora de expansão dos nossos serviços no Crescimento UTI; centro de radioterapia para tratamen-
território nacional, focando em trazer o melhor “Nós estamos muito animados com as to de câncer e serviços de cirurgia de alta
em atendimento de saúde para os pets”, diz. oportunidades apresentadas pela parceria complexidade. “Agora, os serviços serão
Carla explica que a Pet Care tinha como com a líder mundial em serviços veteriná- expandidos para outras cidades do Estado
estratégia de operação iniciar novos hospi- rios. Por meio do trabalho conjunto para o de São Paulo e capitais brasileiras. Para o
tais do zero. “Agora, com a VCA, a estratégia crescimento da rede de hospitais e serviços futuro, almejamos crescimento rápido e que
continuemos a ser referência no mercado
pet nacional”, finaliza a sócia-fundadora. ◘
Fotos: divulgação e banco de imgens C&GVF

Carla Alice Berl


é sócia-fundadora
da Pet Care

A VCA é líder em serviços de


saúde para pets, com mais de 850
hospitais veterinários nos Estados
Unidos e Canadá. Possui um no-
tável sistema de laboratórios clí-
nicos que atendem a todos os 50
estados americanos e o Canadá.
Em fevereiro de 2017, foi adqui-
rida pela Mars Inc. É administra
pelos sócios fundadores Bob
Antin, CEO, e Art Antin, COO.

10 • caesegatos.com.br
CONGRESSO

MSD International
Congress
A MSD Saúde Animal realizou, em agosto, o
MSD International Congress 2018. O evento,
que ocorreu em Mogi das Cruzes (SP), reuniu
cerca de 500 médicos-veterinários, de todas
as regiões do País, para debater as inovações
voltadas aos tratamentos e cuidados preventi-
vos dos pets. Marcaram presença especialistas
nacionais e internacionais, entre eles, Gad
Banet, Kurt Pfister, Sonia Anticevic, Robert
Armstrog, Carlos
Eduardo Larsson, O MSD International
Cindy Lou Adans Congress 2018 contou
e Mary Marcondes. com a presença de cerca
A leishmanio- de 500 profissionais
se, que ainda é um
problema em muitas regiões do País, foi um gócios Pet da marca, Gustavo Moraes, o dos aos cuidados com os pets. “Permitir
dos temas abordados. Outro foco das apresen- encontro é uma iniciativa da empresa para que esses especialistas tenham acesso a
tações foi a importância do combate preven- estimular a promoção de conhecimento discussões tão importantes é uma forma
tivo e contínuo contra pulgas e carrapatos. entre os médicos-veterinários, que hoje de aproximá-los das inovações do setor,
Segundo o diretor da Unidade de Ne- dispõem de cada vez mais recursos volta- que hoje cresce expressivamente no Brasil”.

INOVAÇÃO

Pet transformado
em arte
Gabriela Rossato,
O médico-veterinário sofre junto aos 26 anos, fundou a
com o tutor quando um paciente falece e, startup Seu Pet Art
muitas vezes, precisa encontrar maneiras
de aliviar a dor de quem perdeu o ente
querido. A Seu Pet Art, startup fundada
pela estudante de arquitetura Gabriela
Rossato, pode auxiliá-lo nisso. A empresa
transforma a melhor foto do pet, à escolha
do tutor, em quadro. Assim, o bichano
continua a fazer parte do lar.
Formada em Design de Interiores, des-
de mais nova, Gabriela realizava pinturas
e esteve ligada ao mundo da arte. “Sempre
gostei de criar e inventar. Em uma dessas
distrações resolvi ilustrar nos desenhos os
meus amores: meus cachorros. Mas nunca
pensei isso poderia virar um negócio”,
conta. Segundo ela, o processo de compra
acontece online e é muito simples. O site
é o próprio e-commerce.
Em menos de sete meses, a empresa já
produziu mais de mil quadros e têm previsão
de triplicar este número até o final de 2017.
Para isso, Gabriela conta com a ajuda de
uma equipe de oito colaboradores, que se
dividem entre desenvolvimento, administra-
tivo e mídias sociais. A parte de produção é
terceirizada, assim como a entrega.

caesegatos.com.br • 11
Petbusiness

GESTÃO associados, como sala de Associados


jogos; massagem rápida e Mars em
RANKING
Empresa escritórios abertos, sem comemoração

Destaque dos sonhos


salas e mesas fixas, onde
os pets são bem-vindos.
mundial De acordo com o ranking do Instituto
Recentemente, a empresa criou a Escola de
Gatinhos, uma série de vídeos com objetivo de
Em agosto, o Shanghai Ranking's Great Place to Work 2018, a Mars foi eleita a orientar tutores na fase inicial da vida do pet.
Global Ranking of Academic Subjects 9ª Melhor Empresa para Trabalhar no Brasil. Nela, são abordados diferentes temas impor-
(GRAS) publicou a edição 2018. “É uma honra fazer parte de um grupo tão tantes sobre felinos, que surgiram a partir de
Cinquenta e quatro áreas foram seleto. Aqui, na Mars, temos como principais questionamentos mais buscados na internet.
avaliadas, dentre Ciências da Natu- ativos do nosso negócio o bom ambiente Um dos vídeos, por exemplo, mostra como
reza, Engenharia, Ciências da Vida, corporativo e o desenvolvimento profissio- ensinar o filhote a usar a caixa de areia, a fim
Ciências Médicas e Ciências Sociais. nal dos nossos mais de 2.500 associados no de manter o ambiente mais seguro e higiêni-
No total, mais de 4 mil universidades Brasil”, conta Simone Karpinskas, Diretora co para o seu bem-estar. Outro, tira dúvidas
do mundo foram ranqueadas. de Recursos Humanos da Mars Brasil. A sobre castração, mostrando os benefícios do
Nesta edição, na área de Vete- empresa conta com diversos programas procedimento, e pode ser acessado na página
rinary Sciences, a Unesp superou para qualidade de vida e bem-estar dos do Whiskas Brasil, no Toutube.
seu resultado do ano anterior em
duas posições, assumindo a 39 e se
Fotos: banco de imagens C&GVF e divulgação
mantendo entre as 50 melhores do Unesp está entre
mundo, dentre 300 instituições ava- as 50 melhores
liadas nessa área. Na área de Agricul- universidades do
tural Sciences, que avalia as áreas de mundo, na área de
Zootecnia, Agronomia e Engenharia Veterinary Sciences
Florestal, a instituição subiu nove
posições em relação a 2017, ficando
em 31º entre 500 instituições avalia-
das. Em sua metodologia, o ranking
considera o período de 2012 a 2016,
conferindo peso 100 para o número
de artigos publicados (apontados
pelo Web of Science), número de
citações de artigos publicados (apon-
tados pelo InCites) e número de
artigos publicados em revistas de alto
impacto e peso 20 para publicações
com colaboração internacional.

12 • caesegatos.com.br
BEM-ESTAR

A velhice exige
mais atenção
Como todos sabemos, os pets envelhecem
muito antes que nós, e aos seus sete anos,
geralmente, inicia-se o período senil, va-
riando um pouco de acordo com o porte
e a raça. A partir desse momento, cresce a
predisposição para o desenvolvimento de
doenças como artrites e artroses, cegueira,
surdez, além de quadros ainda mais sérios,
como insuficiência renal crônica, proble-
mas cardiovasculares e neoplasias.
Nessa fase, os tutores precisam se empe-
nhar ainda mais com os cuidados e se atentar
à qualidade da alimentação. De acordo com
a analista Técnica da Ourofino Pet, Stella da
Fonseca Rosa, as mudanças nos cuidados
com os animais idosos começam com um
maior acompanhamento veterinário, com muito importante que os exames de rotina A partir dos sete
a redução nos intervalos entre as consultas sejam realizados a cada seis meses em con- anos, os pets ficam
de rotina para o atendimento especializado, sultas de check-up, para que seja possível mais predispostos
principalmente por conta do caráter das detectar os problemas precocemente e a desenvolver
doenças mais comuns nessa idade. aconselhar medidas preventivas, antes que doenças e pedem
maiores cuidados
“Elas podem se desenvolver silencio- interfiram na qualidade de vida dos pets e
dos tutores
samente durante algum tempo, por isso é se tornem graves”, explica.

caesegatos.com.br • 13
Petbusiness

SAÚDE

Cigarro:
pets também
correm riscos
De acordo com o Instituto Fer-
nandes Figueira (Fiocruz), o nú-
mero de mortes causadas pelo
Fotos: divulgação e bando de imagens C&G VF

tabagismo no Brasil chega a 156


mil ao ano. Mas o cigarro não
Slim Pads possui afeta só a quem o fuma, os riscos
sete camadas de de problemas cardiorrespiratórios
absorção e atrativo
e pulmonares também aumentam
canino que direciona
o animal a fazer
para os fumantes passivos, inclu-
suas necessidades sive animais que convivem com o
no tapete fumante. Estes têm mais chances
de desenvolver problemas cardio-
vasculares e pulmonares, como
enfisema e câncer pulmonar.
De acordo com a médica-veteri-
nária e gerente de serviços técnicos
Pet da MSD Saúde Animal, Tatiana
HIGIENE japonesa que parte do conceito de aprovei- Braganholo, muitos estudos têm
tamento e eficiência máxima das matérias reforçado as constatações de que a
Tecnologia primas. Além de contar com sete camadas
de proteção, que absorvem até 2 litros e
proximidade dos pets com a fumaça

Japonesa
do cigarro pode ser tão prejudicial a
permitem que o animal utilize o tapete, em sua saúde como é para os humanos.
média, cinco vezes, também auxilia no ades- Isso acontece porque, além de inalar
Os cães têm o costume de marcar seu território tramento do cão, pois conta com atrativo a fumaça, os pets podem ingerir
por meio da urina. Isso se torna um transtorno canino exclusivo, de formulação especial da os vestígios de nicotina presentes
para o tutor, que precisa limpar diversos pontos Petmais, que é indicador olfativo e direciona em seu pelo durante sua rotina
da casa. Adestradores e especialistas de com- o pet afazer suas necessidades nele. de limpeza, quando costumam se
portamento animal recomendam que a melhor “O nosso time de P&D foi fundamental lamber. “Em muitos casos, os cães
forma de educar o pet a urinar no local deter- para finalizar um projeto rico em vantagens desenvolvem câncer de pulmão ou
minado, é por intermédio do reforço positivo. para os nossos consumidores. Finalmente, de cavidade nasal. Já os gatos têm
Pensando nisso, a Petmais criou o Slim democratizamos o tapete higiênico para to- mais chances de ter linfoma”, afirma
Pads, tapete higiênico, com tecnologia dos”, declara o diretor da Petmais, Odir Filho. a médica-veterinária.

Castração e a coagulação sanguínea. Estes, mostrarão


se o cão está apto ou não para a cirurgia,
Quais os cuidados checando se existem doenças, infecções,
problemas renais ou no fígado”, diz.
necessários? Após a cirurgia, é importante alertar o
tutor de que não dê nenhum medicamen-
A cirurgia de castração vai além da função to que não tenha sido prescrito e que, ao
contraceptiva, é importante para o bem-es- chegar em casa, evite o contato do cão com
tar do cão e contribui para a prevenção de outros animais. O cão castrado também
doenças graves. De acordo com o médico- não deve ter contato com a incisão, a fim
veterinário da Equilíbrio, Marcello Macha- de evitar que ele morda ou lamba. Pode
do, apesar de ser um procedimento simples, ser indicado o uso de um colar elizabetano
é indispensável que o tutor se atente a ou de uma roupa especial que proteja o
alguns detalhes antes e depois da cirurgia. corte. Por fim, é importante deixar claro
“É imprescindível que o animal passe por ao tutor que não estimule atividades físicas
uma avaliação veterinária completa. Nessa até que o animal esteja liberado. O cão
etapa, o cachorro passa por exames clínicos recém-operado não pode correr, pular e
e laboratoriais para avaliar a saúde cardíaca nem usar escadas.

14 • caesegatos.com.br
curiosidade e é devido à sensibilidade dessa área que

A sensibilidade dos
os gatos deixam toda a ração que fica na
beira do pote, afinal, eles evitam qualquer

bigodes felinos situação que possa mexer com os bigodes.


Não é nada agradável ficar amassando-os
nas laterais do pote para pegar os grãos de
Os bigodes felinos têm uma função que ração que ficam ali”, explica Machado
vai muito além da aparência. Segundo o Segundo o médico-veterinário, entender
veterinário da Max Cat, Marcello Macha- essa curiosidade sobre gatos é importante
do, os gatos possuem 12 pelos principais não apenas para conhecer melhor o ani-
de cada lado do focinho, com raízes pro- mal, mas também saber até que ponto esse
fundas e uma série de terminações ner- comportamento é normal e quando se torna
vosas. São pelos sensoriais de orientação prejudicial a ele. “Muitas vezes o animal
e possuem alta sensibilidade, podendo fica irritado e o momento da refeição vira
captar movimentos pela vibração do ar. sinônimo de estresse. Para tentar resolver
“A capacidade de captar movimentos o problema, você pode orientar o tutor a
por ondas sonoras é o que permite que trocar o pote de ração, buscando um que
os felinos se movimentem com precisão facilite o acesso ao alimento”, orienta.

caesegatos.com.br • 15
ZOOM / fisioterapia

MEDICINA
REQUER
INTEGRAÇÃO Técnicas fisioterapêuticas são aliadas em
tratamentos diversos, não só na Ortopedia
› CATARINA MOSQUETE, DA REDAÇÃO
catarina@ciasullieditores.com.br

Hoje em dia, com os tutores mais preocupa- a eletroterapia, que possui duas modalida-
dos com a saúde dos pets, a Fisioterapia tem des, a eletroneuroestimulação transcutânea
ganhado mais espaço e mostrado que pode (TENS), utilizada para analgesiar, e a esti-
ser uma grande aliada em tratamentos com- mulação elétrica neuromuscular (ENMS),
plementares de diversos problemas de saúde. que tem o objetivo de fortalecer a muscula-
De acordo com a médica-veterinária, especia- tura; a laserterapia, que atua como anti-in-
lizada em reabilitação animal e fisioterapeu- flamatório, analgesia, ajuda na cicatrização
ta da Fisio Care Pet, Marina Marques Bonan- e regeneração neurológica; a magnetoter-
do, a Fisioterapia Veterinária pode ser utiliza- pia, que proporciona relaxamento muscu-
da para auxiliar a recuperação dos pets com di- lar e acelera a cicatrização óssea; e, por fim,
versos tipos de enfermidade como, por exem- a hidroesteira, responsável por fortalecimen-
plo, problemas endocrinológicos, dermatoló- to muscular, melhora da amplitude de mo-
gicos, ortopédicos, neurológicos e em casos de vimento, auxílio no retorno à locomoção e
obesidade. “A Fisioterapia é de extrema impor- melhora do condicionamento físico.
tância como complemento no tratamento de
diversas doenças e síndromes, sendo, muitas ENDOCRINOLOGIA
vezes, a melhor escolha. Ela melhora a quali- Segundo ela, em casos de obesidade, de ori-
dade de vida por meio de técnicas menos in- gem endocrinológica ou não, a Fisiotera-
vasivas e com menores efeitos colaterais, mui- pia auxilia no condicionamento cardiorres-
tas vezes evitando uma possível cirurgia”, diz. piratório e no incremento do gasto calóri-
Segundo ela, as técnicas utilizadas na clí- co, possibilitado de uma forma mais segura,
nica são o ultrassom terapêutico, indicado com menor sobrecarga articular e redução
para contraturas musculares e aderências; dos impactos, como é o caso da utilização

16 • caesegatos.com.br
Foto: banco de imagem C&G VF
da esteira-subaquática, conhecida como hi-
droterapia. Outras enfermidades endócrinas
podem levar à hipotrofia e fraqueza muscu-
lar, e a Fisioterapia pode auxiliar no fortale-
cimento dessa musculatura e na manuten-
ção do seu tônus, prevenindo futuras com-
plicações. “Ajuda da mesma forma, na Ge-
riatria, em que, além de uma perda fisiológi-
ca da massa muscular, grande parte dos ani-
mais possuem alterações de origem osteo-
muscular, como as artroses”, complementa.
De acordo com a médica-veterinária, es-
pecializada em Endocrinologia, sócia e res-
ponsável Técnica da Clínica Snoopy Vete-
rinária, Tatiana Diniz dos Santos, embora o
uso mais frequente da Fisioterapia na Endo-
crinologia seja para pacientes obesos, tam-
bém há outras indicações clínicas, como em
pacientes diabéticos, para auxiliar o controle
da doença, melhorando o condicionamento
e resistência cardiovascular. As técnicas tam-
bém são utilizadas em pacientes com hipoti-
reoidismo que, entre outros problemas, cau-
sa frouxidão ligamentar. “Exercícios como
a hidroginástica e a caminhada em esteira,
aumentam o gasto calórico, devido a maior
disciplina e comprometimento do proprie-
tário em não falhar. Lembrando sempre que
a escolha da atividade deve respeitar o limi-
te do animal, principalmente nos pacientes
sedentários ou com problemas cardiorrespi-
ratórios e/ou ortopédicos associados. Sendo
indicada, em literatura, a natação e a hidro-
terapia para cães com problema ortopédico,
que muito comumente está associado ao so-
brepeso - afecção que causa dor e relutância
em se exercitar - já que a água reduz o im-
pacto sobre as articulações ao mesmo pas-
so que a resistência exercida peor ela au-
menta o trabalho muscular”, diz.
Ela esclarece que, para pacientes com
perda muscular ou atrofia, como ocorre
nos hipotireoideos, geralmente, a técnica
que mais indica é a eletroestimulação, para
promoção da contração do músculo. “A ele-
troestimulação pode se dar por meio do uso
de correntes elétricas externas para promo-
ver a contração do músculo, como tam-

caesegatos.com.br • 17
ZOOM / fisioterapia

bém por aparelho que não promove a con-

Fotos: divulgação
tração mas, sim, relaxamento muscular e
controle de dor por meio da utilização de
diferentes frequências de onda”, explica.

DERMATOLOGIA
Marina explica que na área da Dermatologia
Veterinária de pequenos animais, a Fisiotera-
pia ainda é pouco explorada, porém ótimos re-
sultados podem ser alcançados no tratamento
de feridas de difícil cicatrização e na resolução
de aderências em cicatrizes cirúrgicas. Diver-
sas são as técnicas que podem ser empregadas,
como a laserterapia e o ultrassom terapêutico,
além de técnicas de massoterapia.
A médica-veterinária, especializada em Lesão causada por laço decorativo em cabeça Placa eosinofílica na gata Miucha. Lesão
Dermatologia, Fernanda Oliveira Ramos, do Shit-zu Junior. Tratamento a laser com de cunho alérgico presente há mais de 1 ano.
conta que a ozonioterapia, muito utiliza- nascimento total de pelos em 15 dias Tratamento a laser com cicatrização em 30 dias
da na Europa e na Ásia, tem potencial anti-
bactericida, é uma terapia coadjuvante para que tem problema de paraplegia, por exem- tos que infeccionam. Por meio da lasertera-
analgesias e tem ação cicatrizante de feridas plo, acaba ficando muito tempo deitado. Por pia a gente consegue, também, eliminar essas
complexas. “Existem várias formas de apli- isso, fica propenso a desenvolver feridas, que infecções”. Alberto conta que a hidroterapia
cação do ozônio, dentre elas, via endoveno- chamamos de escaras de decúbito, são lesões é muito utilizada atualmente, mas causa al-
sa com soro ozonizado, bagging e pontos de graves, de muito difícil cicatrização, já que o guns problemas à pele do animal, porque re-
acupuntura. Eu utilizo para cicatrizar feri- animal continua sempre deixando a pressão move as camadas de proteção, a barreira cutâ-
das, em animais que têm dificuldade de cica- sobre aqueles pontos articulares. A pele for- nea, por isso é importante auxílio da Derma-
trização, como pets diabéticos e idosos”, diz. ma úlceras e é muito difícil o tratamento. tologia nestes casos. “Recentemente, eu tive
De acordo com o médico-veterinário, A laserterapia proporciona grandes resul- um caso de um animal que estava com perda
especializado em Dermatologia pela Euro- tados nesses casos, pois fecha essas feridas. total dos movimentos do membro posterior
pean School of Advanced Veterinarian Stu- Acaba sendo um tratamento complemen- e uma atrofia muscular muito grave. Ele foi
dies (ESAVS), Alberto David Cohen, uma tar aos processos fisioterápicos”, completa. tratado com hidroterapia, mas a água resse-
das técnicas que mais utiliza é a laserterapia, Segundo ele, outro problema tratado com cava muito a pele dele, além de ser um cão
que promove grandes resultados em proble- o laser são lesões infecciosas que, às vezes, que já tinha problemas alérgicos. Para que
mas de pele, alergias e otites. Segundo ele, por ocorrem em decorrência de doenças que a esse animal pudesse entrar na água diaria-
conta de alguns problemas ortopédicos, tam- Fisioterapia trata, como fraturas. “Esses ani- mente, eu trabalhei junto com fisioterapeu-
bém surgem os dermatológicos: “um animal mais se arrastam pelo chão, tendo ferimen- ta e acupunturista para manter o equilíbrio
total desse animal no sentido de pele, ossos
e controle de dor. É necessário, nesse caso,
realizar uma hidratação após cada banho,
para manter a barreira cutânea”, completa.
Marina “Medicina, hoje em dia é muito espe-
Marques Bonando cializada, seja Humana ou Veterinária, mas
é médica-veterinária, requer integração. Ninguém trata só osso,
especializada em só pele, ou só dor. Tem um contato de di-
reabilitação animal e
versos profissionais trabalhando pela me-
fisioterapeuta da Fisio
Care Pet
lhora do paciente”, finaliza.

GERIATRIA
De acordo com a médica-veterinária e vice
diretora científica da Sociedade Brasileira de
Geriatria Veterinária (SBGV), Caroline Mar-
ques Lemos, a Fisioterapia e a Geriatria são
duas áreas que se complementam, pois as
técnicas de fisioterapia auxiliam o geriátri-
co no controle de dor, manutenção da mus-
culatura, ligamento e articulações, aumen-
Tatiana Diniz tando, assim, a qualidade de vida do pacien-
dos Santos
te, o que é o objetivo principal da geriatria.
é médica-veterinária,
especializada em A principal importância da fisioterapia no
Endocrinologia, sócia paciente geriátrico é a manutenção e rees-
e responsável Técnica tabelecimento da qualidade de vida, usan-
da Clínica Snoopy do, principalmente, técnicas não invasivas,
Veterinária com o intuito de diminuir doses e frequên-
cia de medicações e evitar cirurgias, já

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ZOOM / fisioterapia

Fotos: divulgação

que esses animais, Alberto David mente do tratamento, já que é necessário rea-
normalmente, têm Cohen e Fernanda lizá-lo, diariamente, nesses pacientes”, relata.
as funções orgâni- Oliveira Ramos, Segundo ela, algumas das técnicas utili-
cas comprometidas. médicos-veterinários zadas são a cinesioterapia, que engloba exer-
Ela chama a atenção especializados em cícios ativos e passivos para reforço mus-
Dermatologia
para a importância cular, alongamento e estímulos neuromus-
de que pacientes ge- culares; a eletroestimulação, com vários ti-
riátricos passem por um check-up comple- pos de correntes elétricas, sendo mais co-
to para descartar algumas patologias que mum a euroestimulação elétrica transcutâ-
são incompatíveis com o tratamento de fi- nea (TENS), além de Estimulação Elétri-
sioterapia, como tumores malignos e doen- ca Funcional (FES) e corrente russa, que
ças que possam progredir com a estimula- são utilizadas com o intuito de fazer anal-
ção celular que a Fisioterapia proporciona. gesia e estimulação para reforço muscular.
Carolina diz que a maioria dos seus pa- “Também utilizamos a laserterapia que,
cientes são geriátricos e os tutores desses além de estimular o metabolismo, faci-
animais, geralmente, procuram tratamentos litando a cicatrização de lesões, também
menos invasivos, como em casos de artrose, é analgésico. Há, ainda, o ultrassom, que completa com a as- Caroline
ruptura de ligamentos, calcificação de dis- trata contraturas musculares”, completa. sociação da Fisiote- Marques Lemos
co, etc. “O tratamento consiste em, inicial- rapia do que a recu- é médica-veterinária
mente, tratar a dor, dar conforto e, após, re- NEUROLOGIA peração convencio- e vice diretora
forçar a musculatura, com alongamentos e A médica-veterinária, especializada em nal”, conclui. científica da
estimulações. Os tutores participam ativa- Neurologia e sócia-proprietária do Hospi- Sociedade Brasileira
de Geriatria
tal Veterinário Inova, Caroline Estanislau, ORTOPEDIA
comenta que a Fisioterapia pode ser utili- A fisioterapeuta Ma-
zada na Neurologia como auxiliar no pro- rina Marques Bonando conta que os proble-
cesso de reabilitação de animais acometi- mas ortopédicos são os que mais levam os tu-
dos, principalmente, por doenças neuro- tores a procurarem serviços fisioterapêuticos.
musculares e doenças medulares, que cau- Os casos mais tratados são doenças do disco
sam déficit de força e equilíbrio, além de intervertebral (protrusão e extrusão de dis-
dor e restrição de movimento. co), seguidas de alterações ortopédicas de joe-
“Na nossa casuística, a principal doença lho (luxação de patela, ruptura de ligamento
é a discopatia, sendo composta por casos ci- cruzado cranial) e quadril (displasia coxofe-
rúrgicos ou não cirúrgicos que são encami- moral). “A predisposição de algumas raças,
nhados para a Fisioterapia para retorno da o aumento da expectativa de vida e o modo
amplitude completa de movimento e for- de vida que os pets levam hoje em dia (cada
ça”, diz. Segundo ela, a escolha da técnica vez mais indoor, subindo e descendo de so-
depende do local, tipo e extensão da lesão fás e camas), propiciam o aumento do apa-
e, como atende muitos casos de coluna no recimento de diversas enfermidades”, afirma.
hospital, utiliza muito a terapia com esteira Marina explica que a luxação de patela
subaquática, além de técnicas que ajudam é uma desordem do desenvolvimento que
Caroline Estanislau no equilíbrio, como exercícios com bola, ocorre, na sua maioria, em raças pequenas de
é médica-veterinária, rampa e pista de obstáculos. “A Fisioterapia cães, caracterizada pelo deslocamento inter-
especializada em é de extrema importância para animais que mitente ou permanente da patela com relação
Neurologia e sócia- precisam da retomada da força muscular e ao sulco troclear. A Ruptura de Ligamento
proprietária do Hospital em problemas graves que levaram à parali- Cruzado Cranial (RLCCr) é a principal cau-
Veterinário Inova sia completa dos membros. Mesmo em ca- sa de doença articular degenerativa em joe-
sos cirúrgicos, considero a melhora da mo- lho de cães, sendo caracterizada pela instabi-
bilidade e da força de forma mais precoce e lidade da articulação femoro-tibial devido

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ZOOM / fisioterapia

à ruptura do ligamento cruzado cranial.

Fotos: divulgação
1 2 3
Já a displasia coxofemoral é uma
doença articular degenerativa, onde há
deformação acetabular, podendo levar a
subluxação da cabeça do fêmur, resul-
tando em osteoartrose e dor.

RELATO DE CASO
A Nala, uma filhote, SRD, de 1 ano,
chegou à clínica com intensa mioclonia
em todo lado esquerdo do corpo, como
sequela da Cinomose, sendo pior em
membro torácico direito, que encon-
trava-se com contratura muscular sig-
nificativa, levando a uma impotência
funcional do membro. No pélvico es- 4 5
querdo, também havia contratura, com
menor intensidade, mas impossibilita-
va que ela ficasse em estação.
O plano de tratamento de Nala in-
cluiu laserterapia e ultrassom terapêuti-
co sobre a musculatura encurtada, alon-
gamento de todos os membros, cinesio-
terapia, com diversos exercícios com
bola e a hidroterapia que, no início, ha-
via necessidade da utilização de guias
ao redor do corpo do animal para auxi-
liar na sua sustentação dentro da água. 6 7
Na 13º sessão, a paciente já conse-
guia ficar sentada e tentava se susten-
tar em estação, fazia hidroesteira sem o
auxílio de sustentação e se equilibran-
do muito bem. Em sua última sessão,
a mioclonia do membro membro pél-
vico havia desaparecido, restando ape-
nas o membro torácico, porém com me-
lhora da contratura e o quase toque da
pata ao solo. Nala teve alta já deambu-
lando, com reestabelecimento do equi- 8 9 10
líbrio próximo do normal e, segundo a
tutora, havia retomado suas atividades e
tinha sua independência novamente. ◘

1. Greg, 9 anos, fez reforço muscular auxiliado por ortese (cinesioterapia). Teve ruptura
do tendão de aquiles. 2. Luigi tratou o pós-operatório de ruptura de ligamento cruzado
cranial com hidroesteria para fortalecimento e correção da descarga de peso. 3. Marley tinha
ruptura de ligamento cruzado cranial. Foi utilizado disco de equilíbrio para exercícios de
fortalecimento. 4. Hercules teve fratura dista de fêmur por atropelamento. Foi realizada
TENS para analgesia. 5. Joca teve displasia coxo femoral bilateral e obesidade. Tratamento
com hidroesteira para fortalecimento e perda de peso. 6. Snow estava com subluxação
atlanto-axial. O tratamento foi magnoterapia. 7. O Nestor, 14 anos, com espondilose e
realizou laserterapia. 8. Mumu tinha espinha bífida e luxação de patela. Foi utilizada
Eletroterapia ENMS para fortalecimento. 9. O Whisky tem calcificação de disco e realizou
exercícios de reforço muscular com bola (cinesioterapia). 10 Mel, 16 anos.
Nala em uma sessão de hidroterapia Teve ruptura de ligamento cruzado. Fez ultrassom

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RADAR PET / campanha

ADOTE,
É TUDO
DE BOM!
A adoção de um pet é, frequentemente, tema de conversas entre
o tutor e o médico-veterinário. Há 10 anos, Pedigree Adotar
é tudo de bom incentiva essa causa do bem
› STHEFANY LARA, DA REDAÇÃO

A
sthefany@ciasullieditores.com.br

decisão consciente de adotar ção consciente e da educação da popula- abandonados a encontrarem um lar”, afirma.
um pet é, frequentemente, um ção sobre a posse responsável. Segundo ele, para a empresa o movimen-
assunto em pauta entre tutores O gerente de Marketing da Categoria Cães to é tão grande que vai além do estímulo à
e médicos-veterinários, seja da Mars Petcare, Valdir Nascimento, afirma adoção. “Temos uma grande preocupação
dentro da própria clínica ou que faz parte da natureza da empresa estar com a posse e a adoção responsável e, por
nas ONGs voltadas à adoção. Há 10 anos, atenta às situações que envolvem os cães. “A isso, nos unimos às maiores e mais respeita-
a Mars Petcare Brasil, dona da marca Pe- Mars Petcare tem o compromisso de fazer do das ONGs do País para disseminar a causa.
digree, abraçou essa causa e trouxe para mundo um lugar melhor para os pets e, nesse Revertendo parte do valor da venda dos ali-
cá o maior Programa focado no incentivo contexto, a adoção é uma causa social que foi mentos Pedigree ao Programa, promovemos
à adoção: Pedigree Adotar é tudo de bom. abraçada de uma forma muito genuína pela treinamentos para capacitação das ONGs,
Durante todo este tempo, o grande marca Pedigree. Há 10 anos, trouxemos para ajudamos com alimentação de qualidade e
objetivo do Programa é mudar a realidade o Brasil o ‘Adotar é tudo de bom’, que nas- fornecemos materiais para subsidiar feiras
dos cães abandonados por meio da sensi- ceu como um projeto pontual, mas ganhou de adoção em todo o Brasil. Nestes 10 anos,
bilização, conscientização e mobilização adesão de nossas equipes, parceiros e dos já doamos mais de 1,7 milhões de quilos
da população para a causa; do apoio aos consumidores. Hoje, é o maior Programa de de ração, alimentamos mais de 230 mil
abrigos que resgatam e promovem a ado- adoção do País e já ajudou mais de 70 mil cães animais, ajudamos mais de 880 ONGs e

LINHA DO TEMPO
DA CAMPANHA
2012
EDIÇÃO LIMITADA
2008 2010 DE PRODUTOS
LANÇAMENTO PARCERIA COM O PEDIGREE COM
DO PROGRAMA ESTILISTA ALEXANDRE CÃES PARA ADOÇÃO
NO BRASIL HERCHCOVITCH NAS EMBALAGENS

2009 2011
LANÇAMENTO DA A APRESENTADORA
CAMPANHA ‘EU XUXA MENEGUEL
SEI’ PARA DAR É NOMEADA
VISIBILIDADE À MADRINHA DO
CAUSA DA ADOÇÃO PROGRAMA

24 • caesegatos.com.br
Protetores e estimulamos a adoção respon-
NOVIDADES

Fotos: divulgação e banco de imagens C&GVF


sável de mais de 70 mil cães”, explica.
Para ele, grandes empresas, como a Mars,
têm um papel importante nas causas que NA CELEBRAÇÃO
envolvem seus negócios e, até em certo
grau, uma retribuição pela preferência que
tem dos seus consumidores. “Queremos
DOS 10 ANOS
E, para celebrar esses 10 anos, o programa
despertar nas pessoas a vontade de ajudar, aumenta o seu escopo de atuação:
estimulando a guarda e a posse responsável
e ressaltando os benefícios positivos desta › O número de ONGs parceiras dobrou
relação mágica entre o tutor e seu pet”.
De acordo com a Organização Mundial 30
da Saúde (OMS), estima-se que existe, no 60
Brasil, 10 milhões de gatos e 20 milhões
de cães abandonados. Em cidades grandes,
para cada cinco habitantes há um cachorro
e, destes, 10% estão abandonados. Já no in-
› Ampliação dos
eventos de adoção em 15%
terior, em cidades menores, em alguns casos, Valdir Nascimento é gerente de Marketing › Lançamento de vídeos profissionalizantes
o número chega a ¼ da população humana. da Categoria Cães da Mars Petcare para ONGs, que abordam variados temas
E diante da triste realidade de milhões de como: conscientização sobre castração,
animais em situação de abandono, Pedigree, O consumidor, quando compra um alimento bem-estar, vermifugação, vacinação; manual
há 10 anos, está comprometida a combater da marca Pedigree, garante que parte do valor prático de eventos de adoção; como captar
este cenário e promover a adoção responsável de venda do produto seja revertido ao Programa. recursos, gerar voluntários e fidelizar doado-
destes cães. Suas campanhas de marca, por Pensando nas necessidades dos pets que res; marketing digital no terceiro setor; dicas
exemplo, despertam nas pessoas a vontade de são mantidos em abrigos, o Programa conta
para a saúde dos animais e primeiros socorros;
ajudar, estimulando a guarda responsável e com um Plano de Excelência que tem como
assessoria contábil e jurídica; entre outros.
ressaltando os benefícios que os pets trazem objetivo a profissionalização das ONGs
para a saúde dos humanos, inclusive já cons- parceiras, difundindo boas práticas e estimu-
tatados em pesquisas. Desta forma, no ato da
adoção, o adotante faz o bem para o animal e,
lando a troca de informações entre elas, bem
como oferecendo palestras sobre o universo EM DEZ ANOS...
no final, acaba sendo recompensado e poden- canino, gestão financeira, orientações para Mais de
do usufruir de benefícios para a própria saúde
provenientes da relação entre eles.
castração, ajuda na comunicação através das
redes sociais de Pedigree, foto dos cães para 1,7 milhões
de quilos de alimentos Pedigree doados
adoção em campanhas da marca e doação
COMO FUNCIONA de medicamentos. Dessa maneira, é possível Mais de
230 mil
O PROGRAMA? garantir que os cães das ONGs parceiras do Mais de
Pedigree Adotar é tudo de bom existe em 28
países ao redor do mundo, entre eles, Estados
Programa sejam mantidos nos abrigos em
condições adequadas. ◘ animais alimentados
70
MIL
Unidos, Inglaterra, México, Tailândia, Colôm- Mais de
bia, Nova Zelândia, Austrália, França, Canadá.
880 ONGs cães adotados
e Protetores ajudados

2013 2016
› 1ª CÃOVENÇÃO - ENCONTRO › DIA DA ADOCÃO
DE GERENCIAMENTO DE ONGS - SHOPPING ELDORADO/SP
› INÍCIO DO PLANO DE › PARCERIA COM ZAP IMÓVEIS NO PROJETO
EXCELÊNCIA COM AS ONGS “PROCURANDO UMA NOVA CASA?
DO PROGRAMA ENCONTRE UM NOVO AMIGO!”

2014 2015 2017 2018


PRIMEIRO DIA › INÍCIO DA PARCERIA GRANDE DOAÇÃO CELEBRAÇÃO
DA ADOCÃO COM A AMPARA ANIMAL DE ALIMENTOS DOS 10 ANOS
- SHOPPING › DIA DA ADOCÃO NO PEDIGREE À E EXPANSÃO
VILLA LOBOS/SP RIO DE JANEIRO AMPARA/RJ DA COBERTURA
DO PROGRAMA

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TEJON
www.tejon.com.br | tejon@tejon.com.br | twitter.com/luiztejon | facebook.com/joseluiztejon

Universo
desconhecido
Colaboração Isadora Rodrigues

A
s crianças sempre observam os cães e gatos Os cachorros são muito carinhosos e, isso acaba
com muita admiração, e, por isso, é comum sendo transmitido para os bebês, que correspondem e se
pedirem um pet de presente. A fofura e bon- tornam mais afetivos. A parceria ainda prepara a criança
dade dos cães encantam a qualquer um, se para o convívio com outras pessoas, principalmente na
os adultos não são capazes de resistir, imaginem as crianças! escola, contribuindo para eliminação de pensamentos e
Mas, antes de se render à realização de desejos dos peque- atitudes egoístas e melhora na autoestima.
nos, surgem, nos pais, inseguranças em relação ao bem-estar e As atividades físicas com pets fazem parte da rotina e a
convívio da criança com o animal. O pet fará “muita bagunça”, chance de uma criança que tem cachorro ser sedentária é
“causará alergias?”, “ficará agressivo?”, “desenvolverá doen- mínima e, consequentemente, ela não sofrerá com a obe-
ças?”, dentre outras afirmações e indagações que aparecem. sidade. Devido ao grande tempo que ela passa brincando
A amizade entre a criança e o pet pode ser muito bonita, in- com o animal. Essa rotina faz com que a criança seja ativa
clusive deixará rastros na história de vida das pessoas ao redor. e ajuda no desenvolvimento muscular e respiratório.
Muitos benefícios foram comprovados; pesquisas Os cães possuem um senso de proteção, ainda mais
afirmam que bebês que convivem com cães possuem em casos de fêmeas que já tiveram filhotes. A convivência
uma tendência maior de serem saudáveis. Isso acontece desde criança com cachorro, constrói um laço afetivo
porque o sistema imunológico da criança é fortalecido, muito grande que faz dele um protetor dentro e fora de
pois, o animal está constantemente em contato com casa, sendo capaz de arriscar sua própria vida.
organismo desse bebê tem maior capacidade de combate A responsabilidade entra no pacote pois, crianças que
em casos de tosse, coriza e infecções, por exemplo. têm cachorro aprendem, desde cedo, a ter paciência, tole-
rância, compaixão, empatia e lealdade. Ter um animal que
Foto: banco de imagens C&G VF

precisa de sua atenção e depende da criança faz com ela


aprenda a pensar mais em suas atitudes para com o próximo.
Outro benefício é a redução de ansiedade e estresse.
Criança e cachorro apresentam poucos sinais de ansiedade
na companhia um do outro, suavizando angústias e medos.
Em relação às crianças autistas, que se afastam do con-
vívio social por sua maneira única de enxergar o mundo,
uma das vantagens de se ter cachorro é que a presença
de cães ajuda a reduzir o hormônio de estresse, trazendo
calma ao perceber que tem seu melhor amigo.
São muitos pontos positivos na relação entre cão e
criança. Agora não tenha dúvidas quando lhe solicitarem um
desejo como este, essa ação influenciará muito no desenvol-
vimento da criança em aspectos sentimentais e a tornará uma
pessoa responsável, bondosa, solidária, paciente e afetiva. ◘

José Luiz Tejon é jornalista, publicitário, mestre em arte e cultura com especializações em Harvard, MIT
e Insead e Doutor em Educação pela Universidad de La Empresa/Uruguai. Conselheiro do CCAS - Conselho Científico
Agro Sustentável; Colunista da Rede Jovem Pan, autor e coautor de 33 livros. Coordenador acadêmico de
Master Science em Food & Agribusiness Management pela AUDENCIA em Nantes/França e professor
na FGV In Company. Homenageado pela Massey Ferguson como destaque no agrojornalismo brasileiro 2017.
Conferencista com Prêmio Olmix – Best Keynote Speaker/Paris e Top Of Mind c/ prêmio Estadão RH. Presidente da
TCA International e Diretor da agência Biomarketing. Ex-diretor do Grupo Estadão, da Agroceres e da Jacto S/A.”

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CAPA / cardiologia

Q
Fotomontagem: C&GVF

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CARDIOPATA
EM EMERGÊNCIA

Q
RECEBER UM ANIMAL CARDIOPATA EM EMERGÊNCIA NA CLÍNICA PODE TRAZER DÚVIDAS
EM RELAÇÃO À CONDUTA E TRATAMENTO. COMO AGIR SEM COMETER ERROS?
› STHEFANY LARA, DA REDAÇÃO
sthefany@ciasullieditores.com.br

uando se inicia o dia de cina Veterinária, Guilherme Goldfeder, explica do Paraná (UFPR), e coordenador do Labora-
trabalho na clínica vete- que o animal cardiopata é aquele que possui al- tório de Cardiologia Comparada, Marlos Gon-
rinária, nunca se sabe, guma doença relacionada ao sistema cardiovas- çalves Sousa, pode parecer curioso, mas o pa-
ao certo, quais são as cular. “Essas doenças podem estar relaciona- ciente cardiopata pode até não apresentar ne-
situações que se irá de- das ao músculo e às valvas cardíacas, ao peri- nhum sinal clínico. “No entanto, quando se
parar durante o dia. A cárdio, doenças arteriais, hipertensão arterial, torna sintomático, costuma evidenciar can-
chegada de um pacien- arritmias e as cardiopatias congênitas”, afirma. saço fácil, tosse e dificuldade respiratória. Em
te em situação de emer- O médico-veterinário sócio proprietário alguns casos, também é possível que haja
gência pode trazer di- da Climev Especialidade Veterinária, profes- distensão abdominal e desmaios”.
versas dúvidas em re- sor de clínica médica da Universidade Pau- Guilherme Goldfeder afirma que o pacien-
lação à conduta, mas lista (Unip, campus Campinas), 2º diretor de te cardiopata pode ter três apresentações clini-
se esse animal for um Regionais da Sociedade Brasileira Cardiologia cas. “Ele pode ser um paciente com uma car-
cardiopata, o que mais Veterinária (SBCV) e vice-presidente da As- diopatia sem remodelamento e sem insuficiên-
é necessário fazer? sociação de Médicos Veterinários de Jundiaí cia cardíaca, pode ser um animal com uma car-
Muitas vezes, para e Região (Amvejur), Lucas de Carvalho Na- diopatia que progrediu para uma insuficiência
o clínico que não tem contato com a Car- vajas, completa que sinais como tosse, disp- cardíaca, mas que ainda não apresenta conges-
diologia, situações de emergência em que neia e cansaço ao exercício, associados à pre- tão e pode, também, evoluir para a 3º apresen-
problemas cardiológicos aparecem, podem sença de sopro ou arritmia na auscultação tação clínica, que é o paciente que apresenta
causar diversas dúvidas. É possível identi- são altamente sugestivos de cardiopatia, que insuficiência cardíaca com sinais de conges-
ficar um animal cardiopata a “olho nu”? pode ser confirmada com relativa facilidade tão, como o edema pulmonar cardiogênico”.
O médico-veterinário assistente de Cardio- através dos exames eletro e ecocardiográfi- Ainda sobre a classificação, Sousa detalha
logia do hospital veterinário da Universidade de cos, amplamente difundidos, atualmente”. que a maior parte das doenças cardíacas são
São Paulo (USP), e sócio proprietário da Gol- De acordo com o professor adjunto de Car- progressivas e vão se intensificando ao lon-
dfeder & Dos Santos Cardiologia e Telemedi- diologia Veterinária, na Universidade Federal go do tempo. “A doença degenerativa da

caesegatos.com.br • 29
CAPA / cardiologia

valva mitral, por exemplo, é considerada a cas, tais como o cavalier king charles spaniel, mão, interferindo diretamente com sua fun-
mais importante cardiopatia na espécie ca- que desenvolve doença degenerativa mitral, ção (troca gasosa), ou seja, prejudicando a
nina e é classificada em estágios. O estágio e o boxer, que, muito frequentemente, apre- oxigenação do organismo. “Cães e gatos em
A refere-se à predisposição (genética) ao senta cardiomiopatia arritmogênica. Portan- edema pulmonar, quase sempre apresentam
seu desenvolvimento; o estágio B represen- to, em pacientes das raças predispostas (ou um quadro clínico instável e grave, caracte-
ta pacientes que já possuem a doença, po- mestiços dessas raças), a prevalência das car- rizado por hipoxemia, com respiração rá-
rém permanecem assintomáticos; quando já diopatias tende a ser superior àquela cons- pida e superficial”, afirma, e completa que
existem sinais clínicos da doença, dizemos tatada na população de raças diferentes”. outra condição cardiológica que também
que ela está em estágio C; por fim, há o está- Ainda sobre a idade dos animais acome- costuma estar relacionada à emergência é
gio D, que retrata os pacientes sintomáticos, tidos por cardiopatia, Guilherme Goldfeder o tamponamento cardíaco. “Nessa situação
porém refratários à terapia convencional”. explica que a idade de apresentação depen- há acúmulo de líquido entre o coração e o
Se você possui dúvidas sobre a fase de vida de da doença. “Há doenças que acometem pericárdio, impedindo o correto enchimen-
dos animais em que há mais chance de se de- animais entre a fase adulta e senil, como a to cardíaco durante a diástole. Há, ainda, as
senvolver cardiopatias e quais raças são mais valvopatia mitral mixomatosa, cardiomio- arritmias cardíacas que, em alguns casos,
predispostas, Marlos Sousa afirma que as patia hipertrófica e dilatada. Há doenças podem requerer intervenção emergencial”.
doenças cardíacas congênitas, normalmente, congênitas, que acometem animais jovens, Para Goldfeder, o animal também vai che-
são diagnosticadas na fase juvenil. “Em mui- como a persistência do ducto arterioso, es- gar à emergência quando apresentar uma al-
tos casos, a identificação de um sopro cardía- tenose pulmonar e subaórtica”, afirma. teração por ordem elétrica importante, como
co já no primeiro atendimento para orienta- Um animal cardiopata pode chegar à quando o mesmo tem uma taquicardia ven-
ção neonatal e vacinação suscita a necessi- emergência, de acordo com Navajas, com tricular sustentada. Cães da raça boxer, por
dade de aprofundar a investigação diagnós- algumas complicações, como a principal exemplo, podem chegar com esse tipo de ar-
tica por meio de exames cardiológicos es- delas que leva os pacientes ao atendimen- ritmia onde a frequência cardíaca vai estar
pecíficos, como a ecocardiografia. Contu- to emergencial: edema pulmonar. “Assim, bem alta, fazendo com que diminua a quanti-
do, as doenças adquiridas – que são muito pacientes cardiopatas com dispneia inten- dade de sangue ejetado pelo coração. Ou, ain-
mais prevalentes na população canina e fe- sa devem ser cuidadosamente atendidos. da, quando falamos de arritmia, temos as bra-
lina como um todo – normalmente, se de- Outras situações que levam o cardiopata diarritmias como os bloqueios atrioventricula-
senvolvem na vida adulta e, assim, acabam para a sala de emergências são arritmias e res de 2º grau avançado e de 3 º grau, onde os
sendo identificadas em pacientes de idade hipotensão, levando a possíveis síncopes. impulsos elétricos que tem sua origem no átrio
mais avançada. Nos últimos anos, cada vez Ainda podemos pensar em crises de hiper- direito, não são totalmente conduzidos em di-
mais se reconhece a importância das carac- tensão arterial sistêmica, levando a quadros reção aos ventrículos. Como consequência do
terísticas genéticas no surgimento das car- neurológicos, como convulsões”, explica. baixo débito cardíaco, o paciente pode chegar
diopatias em animais. Hoje, já são reconhe- Ainda sobre edema pulmonar, Sousa afir- desmaiando e/ou prostrado, e o implante de
cidas diversas raças mais predispostas ao de- ma que esta condição clínica é caracterizada um marca-passo artificial, faz-se necessário.
senvolvimento de algumas doenças cardía- pelo acúmulo de líquido no interior no pul- Com tanta informação sobre os possíveis

ALÉM DO EXAME FÍSICO, EXPRESSÃO VISUAL


DO PACIENTE E DADOS DE RESENHA DELE PODEM
FAZER A DIFERENÇA IMPOSSIBILITANDO QUE
ALGUM DETALHE PASSE DESPERCEBIDO
GUILHERME GOLDFEDER É MÉDICO-VETERINÁRIO ASSISTENTE DE CARDIOLOGIA
DO HOSPITAL VETERINÁRIO DA USP, E SÓCIO PROPRIETÁRIO DA GOLDFEDER
Foto: divulgação

& DOS SANTOS CARDIOLOGIA E TELEMEDICINA VETERINÁRIA

tipos de emergências, pode acontecer de tam-


bém haver dúvidas em relação aos cuidados
que este paciente, em particular, deve rece-
ber. “De uma maneira geral, os pacientes na
sala de emergência têm que receber o atendi-
mento emergencial, por meio do protocolo,
fazer o ABC do trauma, onde se estabiliza a
parte de respiração e patência das vias áreas,
e se estabelece, pelo menos, um acesso veno-
so. Em seguida, investigar o que está levando
esse paciente a ter as manifestações clínicas
que fizeram ele chegar a uma emergência. Se
é um paciente que está desmaiando, ver as mu-
cosas, fazer uma auscultação minuciosa, para
verificar se o paciente tem frequência car-

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CAPA / cardiologia

díaca baixa, normal ou alta. Outro ponto im- das raças predispostas para a valvopatia mi-

Foto: divulgação
portante, além da presença do sopro, é verifi- tral mixomatosa, como o yorkshire, muitos
car a fonese das bulhas. Pacientes com efusão veterinários aplicam diurético pensando que
pericárdica têm hipofonese das bulhas cardía- esses pacientes apresentam edema pulmonar.
cas, já paciente com edema pulmonar têm hi- Muitas vezes isso não é verdade, pois quan-
perfonese”, comenta Guilherme Goldfeder. do o paciente apresenta, na inspeção, disp-
“Caso a causa da emergência seja o edema neia inspiratória, isso nos indica que a causa
pulmonar, a abordagem para tirá-lo da crise o para a 'falta de ar', é por alguma doença das
mais breve possível é essencial. Se a causa for vias aéreas anterior, como por exemplo, o co-
de outra origem, vale lembrar que, na depen- lapso de traqueia. Outro ponto importante, é
dência do grau de cardiopatia, alguns cuida- o grau do sopro cardíaco. Cães com valvopa-
dos devem ser levados em consideração. Fa- tia mitral mixomatosa, que progridem para
ses iniciais da valvopatia mitral mixomato- insuficiência cardíaca congestiva, apresen-
sa valvar, por exemplo, podem não represen- tam sopro em foco de mitral de grau III para
tar implicações adicionais nessa abordagem”, cima, em uma escala de VI. É muito pouco
explica Lucas Navajas. Outro exemplo dado provável que um paciente com essa doen-
por ele, é o caso de animais com Insuficiên- ça, que tenha um sopro grau II e esteja com
cia Cardíaca Congestiva (ICC) que devem re- dispneia expiratória, apresente essa altera-
ceber fluidoterapia apenas com cautela. “Por- ção, por um quadro de edema pulmonar car-
tadores de arritmias devem ser selecionados a diogênico. Nesses casos, doenças das vias
fim de evitar uso de drogas potencialmente ar- aéreas posterior, devem ser investigadas”.
ritmogênicas, como anestésicos e adrenalina”. O QUE O
Uma equipe médica multidisciplinar faz NÃO SE ENGANE
toda a diferença no atendimento de animais CARDIOPATA PRECISA Equívocos também podem acontecer du-
cardiopatas na emergência, opina Marlos
Sousa. “O paciente cardiopata em emergên-
NA EMERGÊNCIA rante a abordagem do paciente cardiopata, e
como estar preparado para não cometê-los?
cia requer atendimento especializado, pois É TER SUA CONDIÇÃO “Os principais cuidados ao se abordar um
apresenta um quadro clínico instável, poten-
cialmente fatal, que pode se deteriorar mui-
CARDIORRESPIRATÓRIA paciente cardiopata dizem respeito a verifi-
car se o quadro que ele apresenta é compa-
to rapidamente. Por isso, é fundamental que ESTABILIZADA PARA, SÓ tível com a gravidade de sua doença. É mui-
seja assistido por uma equipe multidiscipli- to comum supor que toda tosse, por exem-
nar que inclua intensivistas e cardiólogos ve- ENTÃO, SER SUBMETIDO AOS plo, que um cardiopata apresente é devido
terinários. O sinergismo desses especialistas
será mais eficaz para restabelecer o equilíbrio
EXAMES DIAGNÓSTICOS à sua cardiopatia. Isso nem sempre é verda-
de, pois cardiopatas sem aumento cardíaco
hemodinâmico fundamental ao paciente”. NECESSÁRIOS não apresentam motivo para tossir por con-
Ainda segundo Sousa, os cuidados são ta de sua doença; sempre deve ser procura-
diversos e variam conforme a cardiopatia e LUCAS DE CARVALHO NAVAJAS da outra causa para essa situação. Da mes-
sua gravidade, assim como a existência de É SÓCIO PROPRIETÁRIO DA CLIMEV ma forma, pacientes que não se encontram
comorbidades, tais como doença renal crô- ESPECIALIDADE VETERINÁRIA, PROFESSOR na fase de congestão pulmonar não devem
nica. “Contudo, é imperativo que a aborda- DE CLÍNICA MÉDICA DA UNIP/CAMPINAS), fazer uso de diuréticos, sendo essa uma das
gem emergencial seja, de fato, rápida e enér- 2º DIRETOR DE REGIONAIS DA SBCV principais causas para injúria renal no car-
gica, pois as principais situações que consti- E VICE-PRESIDENTE DA AMVEJUR diopata, por exemplo”, orienta Navajas.
tuem emergência médica na especialidade de Outro equívoco que, talvez, possa acon-
Cardiologia podem piorar rapidamente, colo- tecer, segundo Guilherme Goldfeder, diz
cando em risco a vida do paciente”. respeito à escolha do diurético. “Algumas
benéfico para minimizar a dispneia do car- pessoas utilizam manitol para o tratamen-
OS OLHOS NÃO VEEM, diopata em edema pulmonar”, diz Navajas. to de pacientes em edema pulmonar car-
MAS O CORAÇÃO SENTE Marlos Sousa completa que, do ponto de diogênico, essa escolha é errada, pois esse
Durante o dia a dia, pode acontecer do ani- vista clínico, alguns cães e gatos cardiopatas é um diurético osmótico, traz mais liqui-
mal não apresentar sinais de doença cardíaca podem manifestar a doença cardíaca eviden- do para o espaço intravascular, e isso pode
e, por conta disso, ela passar despercebida. ciando diminuição da tolerância a exercí- piorar ainda mais a gravidade do edema”.
“Caso o animal possua alguma cardiopatia cios, tosse, alterações do padrão respiratório Para Marlos Sousa, talvez, o maior equí-
desconhecida e assintomática, geralmente ou desmaios. “Quaisquer dessas caracterís- voco seja acreditar que doenças cardíacas
não haverá maiores implicações. O proble- ticas pode ser o pontapé inicial que aponta não sejam comuns. “De fato, as cardiopatias
ma maior é naqueles pacientes que são sin- para a necessidade de iniciar os procedimen- são muito frequentes no dia a dia da clíni-
tomáticos e que o problema pode ter passa- tos diagnósticos, os quais incluem exames ca de pequenos animais. Contudo, como os
do despercebido ou negligenciado. Assim, complementares especializados, tais como pacientes podem permanecer assintomáticos
qualquer paciente que apresente dispneia, radiografia torácica, eletrocardiografia, eco- por longos períodos e as manifestações clíni-
a maior causa de entrada do cardiopata na cardiografia e biomarcadores cardíacos”. cas são inespecíficas, muitos médicos-veteri-
sala de emergência, deve ser cuidadosamen- Para Guilherme Goldfeder, vale recordar nários deixam de investigá-las simplesmen-
te auscultado ou submetido à ultrassonogra- que a inspeção visual, somada aos dados da te porque o paciente está ‘normal’ naquele
fia torácica rápida, que auxilia na identifi- resenha e exame físico do paciente, fazem a momento. Dessa forma, perdem a oportu-
cação imediata do estado de cardiopata. Na diferença para um diagnóstico mais acurado. nidade de diagnosticar a afecção cardíaca
dúvida, o uso precoce de diuréticos pode ser “Ao se deparar com um paciente dispneico, numa fase inicial. Para algumas doen-

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CAPA / cardiologia

Fotos: divulgação e banco de imagens C&GVF


De modo geral,
as medicações usadas
em cardiopatas são
isentas de problemas
em interação
medicamentosa

ças, esse 'deslize' acaba por favorecer a pro-


gressão da doença. É o caso, por exemplo, da
estabilização do quadro clínico do paciente.
Exames como eletrocardiografia, que avalia
SUGESTÃO
doença valvar mitral. Dados científicos, pu- a existência de arritmias cardíacas, ecocar- PARA O MARLOS:
blicados recentemente, mostraram que ins- diografica transtorácica para avaliação foca-
tituir a terapia medicamentosa em um dado da (FATE), que investiga, pontualmente, de- COMO É UM TEMA
estágio da fase assintomática pode retardar o
aparecimento dos sinais clínicos, bem como
sordens estruturais e funcionais do coração,
além dos biomarcadores, que apontam para
BASTANTE COMPLEXO
prolongar a sobrevida do paciente”. lesão e/ou estresse das fibras miocárdicas, (E ESSENCIALMENTE
A edição da revista Cães&Gatos VET podem ser úteis para verificar se as manifes-
FOOD, de fevereiro de 2018, trouxe esse tações clínicas são, de fato, decorrentes de TÉCNICO), É FUNDAMENTAL
tema em sua reportagem de capa, acompa-
nhe pelo QR Code.
uma cardiopatia – ou se tais manifestações
devem ser atribuídas a outros problemas”.
QUE O PACIENTE SEJA
PRONTAMENTE ASSISTIDO
EXAMES, CADA COISA
EM SEU TEMPO
BASES PARA ESCOLHA
DA MELHOR TERAPIA
POR PROFISSIONAIS
Lucas de Carvalho Navajas comenta que é Alguns medicamentos devem ou não ser TREINADOS EM
importante lembrar que, diante de um qua- usados para o tratamento de cardiopatia, no
dro emergencial, a intervenção tem de ser entanto, cuidados com as interações medica- INTENSIVISMO E
imediata, o que, na maioria das vezes, impos-
sibilita a realização de exames no momento.
mentosas também devem ser tomados. “Se o
paciente tiver edema pulmonar, fazer uso de
CARDIOLOGIA. SÓ ASSIM
“Um grande número de pacientes em edema corticoide intra ingetável não trará benefício, SERÁ POSSÍVEL DEFINIR O
pulmonar acaba vindo a óbito por realiza-
ção de radiografias torácicas nesse momen-
pois retém excesso de líquido nos vasos. Outro
medicamento que deve ser evitado é o mani- CORRETO DIAGNÓSTICO
to, por exemplo. O que o cardiopata preci- tol, que trará mais líquido para esses vasos. O E A MELHOR ESTRATÉGIA
sa na emergência é ter sua condi- uso de furosemida, em doses muito
ção cardiorrespiratória estabiliza- elevadas, também, não é a melhor TERAPÊUTICA
da para, só então, ser submetido opção e, se esse paciente, por exem-
aos exames diagnósticos necessários. plo, tiver um bloqueio intraventri- MARLOS GONÇALVES SOUSA, PROFESSOR
Existem alguns exames que podem cular de terceiro grau, com frequên- ADJUNTO DE CARDIOLOGIA VETERINÁRIA NA
ser feitos em caráter de internação, cia cardíaca baixa, é contraindicado UFPR E COORDENADOR DO LABORATÓRIO
como a ultrassonografia torácica rá- fazer o uso de opioides, porque po- DE CARDIOLOGIA COMPARADA
pida (T-fast) ou a hemogasometria, que podem dem diminuir ainda mais a frequência car-
ser úteis, embora não essenciais para a abor- díaca” explica Guilherme Goldfeder.
dagem inicial do cardiopata descompensado”. Ainda segundo ele, medicamentos que, to, pode ser necessário. “Cardiopatas mais
Sousa, por sua vez, recorda que, a abor- realmente, não devem ser ministrados em graves podem necessitar de drogas vasoati-
dagem emergencial do paciente precisa ser paciente que tenha ICC descompensada na vas, como a dobutamina. Se disponível, o pi-
realizada de maneira mais assertiva. “Nesse emergência são os betabloqueadores, sejam mobendam injetável também é uma opção
sentido costumam ser realizados apenas os injetáveis ou via oral, é proibido. no atendimento emergencial. Pensando em
exames imprescindíveis para identificação Há casos, segundo Navajas, em que o arritmias, outra causa de emergência cardía-
pontual do problema e para garantir a pronta uso de vasodilatadores, como nitroprussia- ca, podemos pensar na lidocaína e amio-

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CAPA / cardiologia

darona, porém tais drogas devem ser usadas nicas de diagnóstico, bem como o crescente tar acometendo as vias áreas anteriores, com-
apenas se houver adequada monitorização número de estudos científicos, trouxe mais primindo ou obstruindo a passagem de fluxo
do paciente. Cuidados especiais devem ser entendimento sobre o comportamento bio- pela traqueia até chegar aos pulmões. Em pa-
usados caso o cardiopata necessite de adre- lógico das cardiopatias. Em termos práticos, cientes braquicefálicos, que possuem a síndro-
nalina ou de fluidoterapia agressiva, ambas a consequência dessa evolução é a otimiza- me do cão braquicefálico, com hipoplasia da
capazes de predispor o cardiopata a um qua- ção do tratamento e a maior longevidade dos traqueia, palato mole alongado, insinuose de
dro congestivo”, comenta e completa que, de pacientes cardiopatas”, conclui. narina e determinar se esse paciente que está
modo geral, as medicações usadas em car- Goldfeder também reforça que o médico- com dispneia, se a mesma é expiratória, inspi-
diopatas são isentas de problemas em inte- veterinário deve lembrar que o exame clínico ratória ou mista, que chamamos de restritivo,
ração medicamentosa. “Exceções são aque- deve começar antes de colocar a mão no pa- e então começa-se a pensar em diagnósticos di-
les pacientes que fazem uso de vasodilata- ciente. “Deve-se recordar que a inspeção visual ferenciais para, assim, chegar em um diagnós-
dores arteriais sistêmicos (p. ex. amlodipi- e a expressão auditiva fazem parte da semiótica tico de cardiopatia com ICC ou com um pa-
na) ou pulmonares (sildenafil), nos quais do paciente. É necessário olhar para o pacien- ciente que tenha uma pneumonia”.
um segundo vasodilatador pode ser con- te, porque é muito comum chegar um animal Lucas Navajas acredita que diante dos
traindicado. Na maioria das vezes, os pro- com uma dispneia inspiratória e serem tratados avanços e especialização que a veterinária
blemas de interação aparecem quando o pa- como sendo algo relacionado ao coração, quan- tem apresentado, o papel do intensivista é
ciente, além da cardiopatia, apresenta tam- do na verdade, isso denota que tal paciente tem fundamental na abordagem do cardiopata
bém comprometimento da função renal, o um problema extra torácico nas vias áreas, na em emergência. “Muitas vezes, vemos uma
que afeta a meia-vida das drogas utilizadas”. entrada de oxigênio. Então, o clínico tem que preocupação do colega clínico em subme-
Dessa forma, Marlos Sousa reforça que a pensar: o problema é extra torácico, então não ter cardiopatas instáveis a exames cardioló-
terapia farmacológica depende muito da car- está relacionada a nenhum problema cardía- gicos e avaliação pelo médico-veterinário
diopatia em questão, do estágio da mesma, co pulmonar, nem pleural. Deve-se investigar especializado em Cardiologia, porém, nes-
assim como das potenciais comorbidades colapso de traqueia importante, algum corpo se momento, a abordagem emergencial rápi-
que o paciente apresente naquele momento. estranho que está obstruindo as vias áreas an- da e eficaz pela equipe de intensivistas aca-
“Como é um tema bastante complexo (e es- teriores, alguma neoplasia pode também es- ba sendo essencial”, finaliza. ◘
sencialmente técnico), é fundamental que o
paciente seja prontamente assistido por pro-

Fotos: banco de imagens C&GVF


fissionais treinados em Intensivismo e Car-
diologia. Só assim será possível definir o cor- As doenças
reto diagnóstico e a melhor estratégia tera- cardíacas adquiridas,
pêutica – que é individualizada – com vistas normalmente, se
à estabilização do paciente. Em suma, nas si- desenvolvem na vida adulta
tuações emergenciais costumam ser utiliza- e, assim, acabam sendo
dos diuréticos, vasodilatadores, inotrópicos identificadas em pacientes
de idade mais
positivos e antiarrítmicos, mas a combinação
avançada
e as doses ideais variam conforme as necessi-
dades de cada paciente”, explica.
Ele recorda, ainda, que “de fato é impor-
tante considerar as possíveis interações medi-
camentosas no tratamento das cardiopatias. A
combinação de vasodilatadores, embora rea-
lizada em muitos pacientes, deve ser realiza-
da com bastante cautela para evitar a queda
acentuada da pressão arterial sistêmica, o que
prejudicaria a perfusão tecidual. Do mesmo
modo, o bloqueio sequencial do néfron com
diuréticos de classes distintas pode resultar
em grave desidratação e alteração na concen-
tração de eletrólitos no sangue. É importan-
te que as combinações de medicamentos se-
jam sempre avaliadas em consonância ao es-
tado clínico sistêmico do paciente e não ape-
nas considerando-se a cardiopatia”.

FICA A DICA!
Por fim, Marlos Sousa comenta que, embora
atraia grande interesse do clínico veterinário,
a Cardiologia é uma especialidade que requer
muita dedicação, perseverança e investimen-
to. É inegável, por exemplo, o elevado custo
da aparelhagem necessária para prover bons
exames complementares e, com isso, melho-
rar o diagnóstico das afecções cardíacas. Nos
últimos anos, a maior disponibilidade das téc-

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CLÍNICA MÉDICA / terapêutica

TRABALHO
CONJUNTO
Benefícios da associação Benazepril e Espironolactona
no tratamento da insuficiência cardíaca congestiva
› GUILHERME GOLDFEDER

A
E MATHEUS MATIOLI MANTOVANI

proximadamente 10% da rapias com o uso de inibidores da ECA e


casuística dos atendimentos antagonistas da aldosterona são benéficas,
clínicos realizados em cães pois esses fármacos podem bloquear ou
e gatos estão relacionados a modular a ação deletéria dos mecanismos
doenças cardíacas, sendo que neuro-hormonais envolvidos na ICC.
alguns desses casos podem
progredir para insuficiência ESTADIAMENTO DO
cardíaca congestiva (ICC). É importante PACIENTE CARDIOPATA
ressaltar que a ICC não é um diagnóstico O sistema de classificação da doença cardía-
etiológico, mas, sim, resultado do agra- ca proposto pelo American College of Vete-
vamento de alguma cardiopatia primária. rinary Internal Medicine (ACVIM) descreve
As cardiopatias primárias mais frequen- quatro estágios básicos da doença cardíaca
tes são a valvopatia mitral mixomatosa (Tabela 1) para realizar o estadiamento do
(VMM), a cardiomiopatia dilatada (CMD) paciente, com base na gravidade da ICC,
e a cardiomiopatia hipertrófica (CMH). além de auxiliar na escolha dos fármacos que
Independentemente da doença cardíaca pri- serão utilizados para o tratamento.
mária, o agravamento desta pode reduzir o
débito cardíaco, o que resulta na ativação de INIBIDORES DA
mecanismos neuro-hormonais (NH) com- ENZIMA CONVERSORA
pensatórios e no desenvolvimento da ICC. DE ANGIOTENSINA
A ICC é caracterizada por ser uma sín- Os inibidores da enzima conversora de an-
drome progressiva causada pela ativação giotensina (iECA) bloqueiam a conversão
excessiva de mecanismos NH, perante a da angiotensina I e II e, desta forma, mini-
redução do débito cardíaco. Os principais mizam os efeitos provocados pela ativação
são a estimulação do sistema nervoso sim- crônica do SRAA. Ao bloquear a formação
pático (SNS) e do sistema renina-angioten- de angiotensina II, os iECA promovem
sina-aldosterona (SRAA). Basicamente, esses vasodilatação, atenuam a atividade do SNS
mecanismos mantêm o débito cardíaco por e, principalmente, diminuem a liberação
meio da vasoconstrição periférica e pelo de aldosterona. Assim, os iECA reduzem
aumento na reabsorção de água e sódio pelos a reabsorção de sódio e água, a fibrose
rins. No entanto, a ativação crônica desses miocárdica e o remodelamento cardíaco.
sistemas aumenta o estresse cardíaco, favo- Os fármacos classificados como iECA
rece a progressão da cardiopatia primária e comumente utilizados são o enalapril,
agrava as manifestações relacionadas à ICC. benazepril, lisinopril e ramipril. Os efeitos
Fotomontagem: C&G VF

ocasionados pelos iECA são intercambiá-


MANEJO veis, sendo a principal diferença entre eles
TERAPÊUTICO DA ICC relacionada a fatores farmacocinéticos
O manejo clínico do paciente cardiopata como afinidade pela ECA, via de metabo-
é um desafio na rotina clínica, pois a es- lização e eliminação, duração do efeito e
colha dos agentes terapêuticos é feita com dose de administração (Tabela 2).
base na gravidade das manifestações. O O início do tratamento depende do
tratamento visa controlar a formação de estágio da ICC do paciente. As evidências
edemas e efusões, e retardar a progressão determinadas em estudos clínicos rando-
do remodelamento cardíaco. Assim, te- mizados (Tabela 3) recomendam o uso

38 • caesegatos.com.br
Tabela 1. Sistema de classificação das doenças cardíacas, segundo diretrizes propostas
pelo American College of Veterinary Internal Medicine (ACVIM)*

CLASSIFICAÇÃO DESCRIÇÃO
Pacientes que apresentam predisposição
Estágio A
a desenvolverem alguma cardiopatia

Pacientes que apresentam doença cardíaca estrutural, porém


Estágio B1 sem remodelamento cardíaco, histórico ou manifestações
clínicas de insuficiência cardíaca congestiva (ICC)

Pacientes que apresentam doença cardíaca estrutural


Estágio B2** com remodelamento cardíaco, mas sem histórico ou
manifestações clínicas de ICC

Pacientes que apresentam doença cardíaca estrutural


Estágio C com remodelamento cardíaco, mas sem histórico ou
manifestações clínicas de ICC

Estágio D Pacientes no estágio final da doença cardíaca, com manifestações


clínicas de ICC refratárias à terapia padrão

* Classificação inicialmente realizada para o estadiamento da valvopatia mitral mixomatosa. No entanto, esse
sistema pode ser utilizado para a classificação das demais doenças cardíacas.
** Nos pacientes com valvopatia mitral mixomatosa, o estágio B2 pode ser subdividido em B2 inicial e B2
avançado. A diferença entre esses estágios é que os pacientes do estágio B2 avançado apresentam maior grau de
remodelamento cardíaco (relação átrio esquerdo/ aorta ≥ 1,6 e diâmetro interno do ventrículo esquerdo normali-
zado ≥ 1,7) do que os pacientes do estágio B2 inicial. Esses critérios de diferenciação foram os mesmos utilizados
na seleção dos pacientes participantes do estudo EPIC (Avaliação do Pimobendan em Cães com Cardiomegalia).

Tabela 2. Características farmacocinéticas e dosagens


dos inibidores da enzima conversora de angiotensina (ECA)

FÁRMACO VIA DE ELIMINAÇÃO DOSAGEM RECOMENDADA


Benazepril Renal e hepática 0,25 - 0,5 mg/kg a cada 12/24h
Ramipril Renal 0,125 - 0,5 mg/kg a cada 24h
Lisinopril Renal 0,5 mg/kg a cada 24h
Enalapril Renal 0,25 - 0,5 mg/kg a cada 12h

Tabela 3. Estudos clínicos prospectivos realizados na Medicina Veterinária


com envolvimento de pacientes cardiopatas

ESTUDO NÚMERO DOENÇA FÁRMACO(S)


RESULTADOS
CLÍNICO DE ANIMAIS CARDÍACA UTILIZADO(S)
VMM e CMD Maior sobrevida dos animais
LIVE 110 cães (Estágio C) Enalapril vs Placebo tratados com enalapril

Maior sobrevida e melhor


VMM e CMD qualidade de vida nos
BENCH 162 cães (Estágio C) Benazepril vs Placebo animais tratados com
benazepril
VMM Não foi observado retardo
SVEP 229 cães (estágio B2) Enalapril vs Placebo no aparecimento da ICC

VMM Retardo de 3 meses para o


VETPROOF 124 cães (estágio B2) Enalapril vs Placebo desenvolvimento da ICC nos
cães tratados com enalapril

Redução do risco de morte


Espironolactona e melhora clínica dos cães
Espironolactona 212 cães VMM + terapia padrão*
(estágio C) que tiveram espironolactona
vs Terapia padrão adicionada ao tratamento

Espironolactona Segurança no uso de


CMH + terapia padrão*
espironolactona em
SEISICAT 20 gatos (estágio C) gatos e provável redução
vs Terapia padrão do risco de morte

caesegatos.com.br • 39
CLÍNICA MÉDICA / terapêutica

O estudo DELAY avaliou os benefícios

Foto: banco de imagens C&G VF


do bloqueio sequencial do SRAA, através
Em estudo, foi observado da associação de benazepril com espirono-
que a associação da lactona, em pacientes caninos com VMM
espironolactona à terapia
convencional demonstra-se no estágio B2 avançado, para verificar se
segura e, possivelmente, a associação desses fármacos retarda o
reduz o risco de mortalidade aparecimento das manifestações clínicas
em gatos com CMH da ICC. Os resultados desse estudo ainda
sintomática não são de conhecimento público. Caso
a existência desses benefícios seja confir-
mada, a realização do bloqueio sequencial
da SRAA em cães com VMM deverá ser
iniciada já no estágio B2 avançado.
Os efeitos da espironolactona em gatos com
CHM foram avaliados em dois estudos clíni-
cos. Um utilizou a espironolactona na dose
de 2 mg/kg a cada 12 horas em gatos da raça
maine coon com CMH assintomática, sendo
que não foi observado melhora da função
diastólica desses pacientes. Em contrapartida,
o estudo SEISICAT, avaliou durante 15 meses
os efeitos da associação da espironolactona,
na dose de 2 mg/kg a cada 24 horas, à terapia
convencional (iECA + furosemida + antiagre-
gante plaquetário) utilizada em gatos com
CMH sintomática. Nesse estudo, foi obser-
dos iECA no tratamento de cães e gatos ANTAGONISTAS vado que a associação da espironolactona à
cardiopatas com ICC sintomática. Os dados DA ALDOSTERONA terapia convencional demonstra-se segura e,
mostraram que os pacientes do estágio C, Os iECA nem sempre suprimem a síntese possivelmente, reduz o risco de mortalidade
que receberam iECA como parte da terapia de angiotensina II e, há liberação de aldos- em gatos com CMH sintomática.
tiveram redução das manifestações clínicas terona. Um estudo mostrou que 30% dos Com base nesses dados, pode se afirmar
e melhora da qualidade de vida. Segundo cães com ICC devido à VMM, tratados com que: a ativação crônica dos mecanismos
o estudo BENCH, o uso de benazepril no benazepril podem apresentar aumento nos NH, em especial do SRAA, é crucial para a
tratamento de cães com VMM no estágio níveis de aldosterona após o tratamento. progressão e surgimento das manifestações
C, reduziu em 44% o risco de morte devido Isso ocorre, pois existem vias metabólicas clínicas inerentes à ICC.
à doença cardíaca. Porém, os benefícios alternativas que auxiliam na formação da Embora o bloqueio do SRAA com ini-
da utilização dos iECA em pacientes do angiotensina II e são independentes da bidores da iECA seja benéfico, durante
estágio B2, possivelmente são influenciados ECA. Nos cães, esses caminhos envolvem o tratamento da ICC, alguns pacientes
pela doença cardíaca primária causadora da as quimases teciduais e a calicreína. As qui- podem apresentar inibição incompleta
ICC. O uso dos iECA em cães com VMM mases teciduais convertem a angiotensina desse sistema, o que resulta na liberação
pertencentes ao estágio B2 é controverso, I em II, ao passo que a calicreína transfor- de aldosterona, provoca o agravamento das
pois os resultados encontrados em dois ma diretamente o angiotensinogênio em manifestações clínicas e piora o prognóstico.
grandes ensaios clínicos multicêntricos e angiotensina II. Dessa forma, mesmo com O bloqueio sequencial do SRAA, por
randomizados foram conflitantes. a utilização de iECA ocorre a formação de meio da associação de benazepril com
A terapia com iECA, na Medicina angiotensina II e secreção de aldosterona. espironolactona, é recomendado em pa-
Humana, é altamente recomendada nos Por isso, é recomendada a terapia associada cientes com ICC, uma vez que melhora a
pacientes acometidos com CMD ou CMH de iECA e antagonistas da aldosterona para qualidade e expectativa de vida. ◘
assintomáticos, entretanto, no âmbito da realizar o bloqueio sequencial do SRAA.
Medicina Veterinária, a falta estudos clíni- A espironolactona é um antagonista da
cos randomizados dificultam essa recomen- aldosterona que reduz a formação de fibro- PARA TER ACESSO
dação com base em fortes evidências. Um se miocárdica, diminui o remodelamento A BIBLIOGRAFIA
COMPLETA,
trabalho retrospectivo indicou que o bena- cardiovascular e aumenta a sobrevida dos
ACESSO O QR
zepril, provavelmente, retarda a progressão pacientes com ICC. O estudo RALES,
da CMD assintomática em cães da raça realizado em seres humanos com ICC,
dobermann. Entretanto, o mesmo efeito demonstrou redução da mortalidade nos
Guilherme Goldfeder é médico-veterinário
não foi observado em um estudo prospec- pacientes que tiveram espironolactona as-
assistente do Serviço de Cardiologia
tivo que avaliou durante um ano gatos da sociada à terapia convencional com iECA, do Hovet-FMVZ/USP; Sócio da Goldfeder
raça maine coon com CMH assintomática, furosemida e digoxina. De maneira similar, & Dos Santos Cardiologia Veterinária;
tratados ou não com iECA. No estudo, ao um estudo multicêntrico envolvendo cães Sócio do Centro Diagnóstico Kether
contrário do observado em humanos, não com VMM no estágio C, a espironolactona - unidade Osasco
houve diferença significativa entre a massa na dose de 2 mg/kg a cada 24 horas, quando Matheus Matioli Mantovani é docente
ventricular, a função diastólica e os níveis adicionada a terapia padrão com iECA e do curso de Medicina Veterinária
séricos de aldosterona, quando comparados furosemida, diminuiu em 55% o risco de da UNIPAM-MG; Membro da Goldfeder
os gatos que receberam iECA ou placebo. morte relacionada à doença cardíaca. & Dos Santos Cardiologia Veterinária

40 • caesegatos.com.br
caesegatos.com.br • 41
clínica médica / endocrinologia

Diabetes
Mellitus
em felinos
Nos gatos diabéticos, os sinais clínicos comumente encontrados
são os 4 P´s: poliúria, polidipsia, polifagia e perda de peso

U
› Victoria Pereira Cavalcante

m gato, sem raça definida, úmida à vontade, pois estava abaixo do ocorrer em até 50% dos casos ainda nos três
de seis meses de idade, foi peso. Passou por retornos semanais, com primeiros meses de tratamento. Contudo,
atendido na clínica The ajustes da dose da insulina e avaliação de a remissão pode ser apenas temporária e
Cat Doctor, em São Paulo melhora clínica. Após um mês de trata- ocorrer somente quando o controle glicê-
(SP). A queixa principal mento, o animal chegou ao peso ideal e mico é adequado, o que diminui a resistên-
era perda de peso pro- teve remissão do quadro diabético. cia insulínica e, assim, recupera as funções
gressiva, associada à poliúria, polidipsia e das células ß pancreáticas. Outro fator
polifagia. O tutor relatava que as trocas da Diabetes Mellitus importante para uma possível remissão é
caixa sanitária se tornaram mais frequen- em Felinos o diagnóstico precoce da doença.

1
tes nas últimas semanas e que o animal A Diabetes Mellitus é uma doença endó-
comia exageradamente. Ao exame físico crina muito frequente nos gatos, similar Sinais clínicos
notou-se caquexia e desidratação a diabetes tipo 2 em humanos, Os sinais clínicos comumente encon-
leve. Foram solicitados hemo- ocorre por resistência insulíni- trados nos gatos diabéticos são os 4
grama, urinálise, ultrassom, ca e disfunção das células ß P´s: poliúria, polidipsia, polifagia e perda
bioquímico e frutosamina, pancreáticas. Estando entre de peso. Em casos avançados, podem estar
que apresentaram valo- as causas mais comuns associados sinais como o andar plantígrado
res aumentados de gli- de resistência insulínica e letargia. Muitas vezes, quando o animal
cemia 669 (77 – 153), em felinos a obesidade, chega à consulta com queixa de anorexia
alt 432 U/L (12 – 115), outras causas possíveis e apatia, devemos suspeitar de cetoacidose
colesterol 211 mg/dL (62 são o uso de corticoides diabética, nesse caso também é comum o
– 191) e frutosamina 582 e progestagenos. Porém, felino apresentar vômito e depressão.

2
μmol/L (191 – 349), além diferente dos cães e huma-
de glicosúria e diminuição nos, os felinos podem alcançar Fatores de risco
da densidade urinária. Assim, o a remissão da diabetes, isto é, o Os fatores de risco relatados são
animal foi diagnosticado com diabetes animal passa longos períodos sem a ne- obesidade e sedentarismo. Além
mellitus, tratado com insulina e dieta cessidade de terapia insulínica, o que pode disso, animais idosos e gatos machos têm

42 • caesegatos.com.br
maior chance de desenvolver a doença.
Ademais, é importante lembrar que a obe-
sidade é um dos fatores mais consideráveis,
pois causa à redução a sensibilidade insu-
línica. Portanto, gatos obesos têm quatro
vezes mais chance de ter diabetes mellitus
do que gatos com peso normal.

3
Diagnóstico
O diagnóstico é fechado quando
existe hiperglicemia persistente e gli-
cosúria, associada aos sinais clínicos. Além
dos achados do exame físico e a anamnese,
os exames laboratoriais necessários para o
diagnóstico são exames bioquímicos, uriná-
lise, cultura de urina, caso haja celularidade
na urinálise, hemograma e T4 total em gatos
idosos, visto que animais idosos podem
apresentar hipertireoidismo. Sabendo-se
que a hiperglicemia de estresse é comum
em gatos no atendimento veterinário e que
ela deve ser excluída antes do início do
tratamento, o exame que se utiliza para
esse fim é a frutosamina, pois, normal-
mente, não é afetada pela hiperglicemia de
estresse. Outras alterações que podem ser
encontradas são aumento de FA, Alt por
esteatose hepática e hipercolesterolemia.

4
Tratamento
O tratamento visa eliminar ou,
pelo menos, minimizar ao máximo
os sinais clínicos da doença e manter um
bom controle glicêmico, assim como
evitar complicações como cetoacidose
diabética e o andar plantígrado. Além
disso, outros objetivos importantes são
a perda de peso em gatos obesos, pois
Fotos: bnco de imagens C&G VF e divulgação

auxilia no controle da doença e aumenta


a chance de remissão do diabetes. ◘

Victoria Pereira Cavalcante


é médica-veterinária da Clínica Veterinária
The Cat Doctor, pós graduanda em Clínica
Medica e Cirúrgica de Felinos, membro
da Associação Americana de Clínicos
de Felinos (AAFP, sigla em inglês)

caesegatos.com.br • 43
clínica médica / ortopedia

Não é um bicho
de sete cabeças
Entender como se faz um exame ortopédico, bem como
e onde utilizá-los é importante para o clínico
› Sthefany Lara, da redação

O
sthefany@ciasullieditores.com.br

dia a dia de uma clínica vete- articular, por isso o treinamento deve ser Como se faz o exame?
rinária é repleta de situações contínuo. “Cães e gatos exigem exames clí- Silva explica que, na verdade, o exame orto-
em que, em cada caso, uma nicos iguais. Mas os felinos devem ter uma pédico se faz pela palpação. “O que se pode
especialidade é protagonista. atenção especial, pois muitos deles dificultam ter ‘em mãos’ são imagens como radiogra-
Quando “a atriz principal” é o manejo e, consequentemente, o exame”. fias, que auxiliam no diagnóstico, entretanto,
a Ortopedia, veterinários se Para que o médico-veterinário possa o clínico precisa saber qual membro e qual
deparam com fraturas, mas além delas, tra- pedir corretamente exames ortopédicos, articulação está com problema para, assim,
dicionalmente, os exames das articulações Silva orienta que, primeiro, o clínico pre- solicitar imagens radiográficas corretas”,
do ombro, cotovelo, quadril e joelhos são os cisa ver o paciente caminhado em uma área explica e completa que, por isso, esses
mais solicitados, conforme afirma o médico- externa, principalmente no caso de cães. exames podem ser realizados na própria
veterinário, pós graduado em cirurgia, mem- “Isso facilita muito o possível diagnóstico, clínica por um profissional treinado.
bro da Associação Brasileira de Ortopedia outra questão é saber fazer o exame espe- O médico-veterinário pode cometer
e Traumatologia Veterinária (OTV), sócio cífico para aquela possível doença, como alguns erros de interpretação de exames orto-
proprietário das empresas Cursos VetRL e por exemplo: cão claudicando do membro pédicos. “O principal problema que percebo
Freedom – Centro de reabilitação e hotel posterior direito, com suspeita de ruptura é que, eventualmente, o exame clínico não é
animal, Rodrigo Luís Morais da Silva. do ligamento cruzado cranial do joelho, o bem realizado e, consequentemente, a radio-
De acordo com Silva, de modo geral, o profissional tem que fazer teste de gaveta grafia pode não ajudar e, então, o diagnóstico
clínico tem dificuldade de examinar e diag- positivo para confirmar esta alteração. Isso passa despercebido, levando a maiores pro-
nosticar uma claudicação por um problema precisa ser treinado por toda a equipe”. blemas para o paciente”, afirma Silva.

44 • caesegatos.com.br
Se você se deparou com um animal que “Uma dica é treinar a equipe, o treina-
apresente alguma alteração ortopédica, talvez mento e repetição de manobras e compara-
fique em dúvidas e acabe pensando em procu- ções com a radiografia e entre os membros,
rar um especialista em Ortopedia. Na visão de auxiliam no diagnóstico e, consequente-
Rodrigo Luís Morais da Silva, este profissional mente, no tratamento. Com esta intenção,
pode ajudar no diagnóstico de problemas lançamos o livro 'Ortopedia Básica Veteriná-
complexos, como fraturas e luxações. “En- ria' – para clínicos e cirurgiões iniciantes,
tretanto, várias doenças como artrose devem que aborda exatamente este processo, desde
e podem ser tratadas pelos clínicos, pois são a chegada do paciente à clínica, passando
doenças que duram toda a vida do paciente pela avaliação da caminhada, realização dos
e, quando bem controladas, o médico-vete- exames ortopédicos, solicitação de exames
rinário se faz muito presente”, conta. radiográficos, diagnósticos e tratamento”.

Acontece

Fotos: divulgação e banco de imagens C&GVF


na clínica
Rodrigo Luís Morais da Silva exem-
plifica um exame ortopédico extraído
do livro “Ortopedia Básica Veterinária”.
“Imagem radiográfica de um pacien-
te canino da raça cocker spaniel, seis
anos de idade, pesando 8kg. Apresenta
ruptura do ligamento cruzado cranial
do joelho direito, repare o deslocamento
da tíbia cranialmente em relação aos
côndilos do fêmur. Abaixo, uma imagem
ilustrada do joelho para demonstrar o
Rodrigo correto posicionamento das mãos no
Luís Morais momento de diagnosticar tal lesão: pa-
da Silva é ciente em decúbito lateral, o examinado
autor do livro deve posicionar uma das mãos sobre o
Ortopedia Básica fêmur com o dedo indicador na patela
Veterinária, que
pode ser comprado e o polegar na fabela lateral. Com a
pelo site www. outra mão, o dedo indicador na crista
cursosvetrl.com.br tibial e o polegar na cabeça da fíbula. O
movimento de gaveta positivo acontece
quando a tíbia é deslocada cranialmen-
te, culminando, assim, na ruptura total
do ligamento cruzado cranial”. ◘

caesegatos.com.br • 45
felinos / atendimento

Onde
estamos
errand A clínica de felinos é cheia de mitos, se você atende ou não
exclusivamente gatos, pode ter tropeçado em algum
› Sthefany Lara, da redação
sthefany@ciausullieditores.com.br

r
eceber um gato pode ser, por exemplo, hiperglicemia, aumento ou
muitas vezes, uma tarefa diminuição de pressão sanguínea, linfopenia,
difícil para o veterinário, em etc. O aumento das dimensões da vesícula
especial para aqueles que biliar, bem como a presença de sedimentos
não atendem exclusivamen- na urina nos laudos ultrassonográficos de-
te os felinos. Dessa forma, vem ser avaliados à luz da clínica médica do
dentro dos consultórios podem haver muitos paciente e não imediatamente serem identi-
mitos em relação ao atendimento dessa espécie. ficados como sintomas já conclusivos e que
O médico-veterinário, sócio proprietário merecem atenção exclusiva”, explica.
da clínica exclusiva para gatos, The Cat De acordo com ele, além de serem sin-
From Ipanema, no Rio de Janeiro e doutor tomas de outras manifestações clínicas, a
em Ciências Veterinárias, Carlos Gabriel ancestralidade associada ao manejo nutricio-
Almeida Dias, explica que, historicamente, nal do cotidiano atual e jejum podem ser as
os gatos sempre receberam pouca atenção da justificativas para os achados anteriormente
população e também dos médicos-veteriná- citados, respectivamente. “Essas situações
rios por conta de fatores históricos e seus devem ser evitadas com a utilização de con-
impactos socioculturais atuais. “O número ceitos que permitem o reconhecimento das
de gatos vem aumentando e todos os flu- limitações emocionais de cada paciente feli-
xogramas operacionais para o recebimento no: perfil emocional (perfil comportamental
do paciente felino devem ser obrigatoria- espécie específico e, também, individual)”.
mente adaptados às exigências fisiológicas O comportamento sexual de gatas tam-
e emocionais desses indivíduos ainda não bém é pouco lembrado nas orientações
Foto: banco de imagens C&GVF

considerados domésticos”, explica. para esterilização cirúrgica por meio da


Dias aponta mitos relacionados ao aten- necessidade de aguardar que gatas entrem
dimento de felinos comum nas clínicas. Se- no anestro (ausência de comportamento
gundo ele, a maior parte deles diz respeito às estral/sexual). “Assim, esperar o cio pode ser
interpretações equivocadas de modificações uma sugestão, mas a ‘saída’ do ‘cio’ não é algo
da homeostase por estresse como alterações frequentemente observado. Dessa forma,
patológicas que merecem tratamento. “Como muitas gatas são submetidas a períodos

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felinos / atendimento

desnecessários de desconforto pelo compor-


tamento estral ininterrupto. A inclusão de
alterações comportamentais deve fazer parte
de todo leque de possibilidades diagnósticas,
assim alopecias poderão ser psicogênicas da
mesma forma como doenças dermatológi-
cas com origem física”, comenta.

Fotos: banco de imagens C&GVF e divulgação


Dias afirma que a inclusão das teorias
de síndrome de pandora propostas em
artigos e palestras deve fazer parte das
abordagens diagnósticas e terapêuticas
em gatos, bem como nas orientações para
o manejo adequado dos animais em seus
domicílios. “Incluímos também questiona-
mentos sobre redução de proteína em gatos
renais (que não deixam de ser carnívoros,
assim necessitamos entender mais pro-
fundamente essa indicação) e sarcomas de
aplicação (que poderão estar relacionados
a medicamentos e não somente vacinas). pouco expressivo dos pacientes felinos, seja, respeitando as particularidades metabó-
Todos os mitos ou questionamentos devem agindo como um antídoto para a pouca licas (limitações para prescrição de alguns
fazer parte da rotina do clínico porque o manifestação clínica exibida pelo paciente”, princípios ativos, por exemplo), bem como
paciente felino não foi objeto de muitas explica Carlos Gabriel Almeida Dias. suas peculiaridades emocionais que fazem
investigações científicas como o paciente Ele compartilha que, um dos mais frequen- do paciente felino um indivíduo bastante
canino, assim precisamos ficar atentos às tes casos clínicos, é o recebimento de animais peculiar. Assim, extrapolar informações e
atualizações e trabalhos científicos”. portadores de doenças pouco protocolos para cães em gatos
Para ele, a melhor maneira de se acabar expressivas. “O comportamento não é o ideal”, afirma.
com os mitos é a busca do conhecimen- estóico dos gatos (diante de es- Dias conclui ao afirmar
to. “Estudar, reconhecer e manejar ade- tado de vulnerabilidade exibem que, mesmo já amplamente
quadamente as peculiaridades clínicas e uma mimetização de controle divulgado, há, ainda, situações
comportamentais desses animais tão fiéis emocional) dificulta a utilização no cotidiano de atendimentos
a sua ancestralidade”, afirma. Na visa dele, do exame físico como única de gatos preocupantes. “Como
os tutores de gatos também têm buscado ferramenta. A abordagem am- por exemplo, prescrição para
mais conhecimento no que diz respeito à pla que inclui uma anamneses “gatos diabéticos” (hiperglicê-
espécie. “Os responsáveis pelos gatos são
cautelosos na observação pela própria natu-
adequada e considerações espé-
cie especificas podem ajudar
anote! micos por estresse), bem como
a precoce identificação de
Estudar, reconhecer e
reza da relação entre eles. Eles são animais um animal com pancreatite manejar adequadamente
trombocitopenia isolada já ser
mais independentes quando comparados crônica com pouca evidencia as peculiaridades clínicas
justificativa para prescrição de
com cães, assim o tipo de relação é repleto ultrassonográfica que estão e comportamentais
antibiótico classicamente pres-
de características próprias, sendo o prazer sendo manejados para cristalú- desses animais tão fiéis
crito para cães em uma situa-
de observar o animal em casa uma delas. E ria diante desse único achado a sua ancestralidade
ção clínica diferente, mas ainda
esse mesmo cuidado/prazer em observar o na pesquisa diagnóstica”. com a mesma apresentação
comportamento dos gatos também facilita a Na visão de Dias, os veteri- laboratorial. Essas situações
identificação de problemas”, comenta. nários que não atendem exclusivamente feli- são preocupantes e precisam ser evitadas na
“Costumamos observar um grande es- nos também têm buscado mais conhecimen- rotina de atendimentos mistos (cães e gatos).
tímulo iatrotrópico (motivação para levar to sobre a espécie. “Esse é o objetivo proposto Assim, o atendimento para gatos em clínicas
no veterinário diante de alguma suspeita) pela associação americana de prática felina mistas precisa ser direcionado para o paciente
maior do que responsáveis por cães. Isso é que divulga o conceito do atendimento Cat felino em acordo apenas com suas particula-
vantajoso diante do comportamento clínico Friendly (amigo do gato) (catvets.com), ou ridades metabólicas e emocionais”. ◘

Costumamos observar um grande estímulo


iatrotrópico (motivação para levar no
veterinário diante de alguma suspeita)
maior do que responsáveis por cães.
Isso é vantajoso diante do comportamento
clínico pouco expressivo dos pacientes felinos,
agindo como um antídoto para a pouca
manifestação clínica exibida pelo paciente
Carlos Gabriel Almeida Dias
é médico-veterinário do The Cat From Ipanema

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NUTROLOGIA / balanço

Alimentação de filhotes

Foto: banco de imagens C&GVF


de cães e gatos
Conhecer as fases de cada pet é importante para
que o animal receba nutrição adequada
› NATALIA BIANCHI LOPES

A
pós o nascimento, o neonato Figura 1. Curva de crescimento de cães mostrando
deve receber o colostro ma- as variações entre os diferentes portes
terno, como primeira fonte de
alimento. O colostro é uma
60
secreção láctea rica em imuno-
globulinas, água e nutrientes que suportam 50
Peso corporal (kg)

o desenvolvimento do recém-nascido, e a
absorção passiva das IgG no trato digestivo 40
ocorre somente nas primeiras 24 horas.
O leite materno será a alimentação 30
do filhote no primeiro mês de vida. Esse
20
alimento é rico em gordura, proteína, água
e lactose. A diminuição da capacidade 10
de digestão da lactose ocorre paralelo
ao aumento da demanda energética, por 0
volta da 5ª semana, e por isso, torna-se 0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24
necessário iniciar o período de desmame.
O desmame deve ser iniciado com a Idade (meses)
introdução de alimentação pastosa (“min-
gau”) ou úmida, intercalada com mamadas
esporádicas. O mingau deve ser feito com Figura 2. Curva de crescimento de gatos mostrando as variações
a reidratação de um croquete com a tecno- entre as duas fases (0-4 meses de vida e 4-12 meses de vida)
logia de reidratação, e sua consistência vai
ficando mais firme à medida que os dentes
decíduos do filhote emergem. O desmame é
CURVA
TEÓRICA DE PESO
concluído, normalmente, com seis semanas
de vida, embora algumas cadelas e gatas
Peso

VELOCIDADE
possam permitir que seus filhotes mamem TEÓRICA DE CRESCIMENTO
até oito semanas de vida ou mais. Após o
desmame, o filhote é submetido à alimen-
tação seca apropriada para filhotes. Nesse Meses
mesmo período, ocorre a fase de socialização
dos filhotes sendo da 4-12ª semana de vida 0 4 12
no cão e entre a 3-8ª semana de vida no 1a FASE 2a FASE
gato (Prats, 2005; Crespilho et al., 2006). Crescimento intenso Crescimento mais lento
Durante esse período, o tempo dedicado à
alimentação e ao sono se reduz progressiva-
mente, observando-se o início das atividades rendo um alimento mais energético. Dos Referências bibliográficas
dos filhotes como a interação intra-espécie quatro aos 12 meses de vida o gatinho CRESPILHO, A.M., et al. Abordagem terapêutica do
paciente neonato canino e felino: 1. Particularidades
e inter-espécie (Sorribas, 1995). ainda está crescendo, mas mais lenta e
farmacocinéticas. Rev Bras Reprod Anim, Belo Hori-
gradativamente, tornando-se necessária zonte, v.30, n.1/2, p.3-10, jan./jun. 2006.
CUIDADOS NUTRICIONAIS DOS uma alimentação com um teor energético PRATS, A. Farmacologia e terapêutica veterinária. In:
FILHOTES EM CRESCIMENTO moderado. Em cães, a variação é ainda Prats A. (Ed.). Neonatologia e pediatria canina e felina.
A curva de crescimento de gatos e cães é dife- maior. Cães pequenos crescem até os dez Madri: Interbook, p.270-3001,2005.
rente. Enquanto que em gatos há duas curvas meses de vida, cães médios até os 12 me- SORRIBAS,C.E.Elcachorro.In:Reproduccionenlosanima-
les pequeños. Buenos Aires: Intermédica, p.126-135, 1995.
características e distintas de crescimento, cães ses, grandes até os 15-18 meses e gigantes
já apresentam curvas específicas para cada de 18-24 meses. Com isso, os requerimen-
porte e até para cada raça (Figuras 1 e 2). tos nutricionais devem atender, especifi- Natalia Bianchi Lopes
Em gatos, até os quatro meses de vida, camente, cada curva de crescimento tão é coordenadora de comunicação
o crescimento é intenso e rápido, reque- própria e distinta de cada porte. ◘ científica Royal Canin do Brasil

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nutrologia / desenvolvimento

Papel

Foto: banco de imagens C&GVF


fundamental
A importância do cálcio e do fósforo para ossos
e dentes fortes em cães
› Time de Inovação da Mars Petcare

O
cálcio associado ao fósforo é fósforo, causando desequilíbrio no metabo- crescimento, sendo de ocorrência restrita a
responsável por tornar firme lismo. Por conta disso, pode-se dizer que filhotes), osteodistrofia fibrosa (resultante
e proporcionar estruturas re- essa relação entre cálcio e fósforo é impor- de desmineralização provocada pela retirada
sistentes para ossos e dentes tante. Uma das principais fontes de fósforo ativa de cálcio dos ossos) e osteomalácia
dos cães. O equilíbrio entre é a carne, enquanto o cálcio é encontrado (que resulta da não mineralização do tecido
o cálcio e o fósforo é de alta importância, em níveis consideráveis na farinha bovina osteóide decorrente da falta de fósforo ou
pois eles atuam de forma ativa no cres- de carne e ossos, ingrediente inserido na da deficiência de vitamina D em adultos).
cimento dos filhotes durante toda a fase formulação de alimentos manufaturados para O cálcio possui papel fundamental
de desenvolvimento. A deficiência desses cães e gatos. O equilíbrio entre esses dois mi- na coagulação sanguínea, transmissão de
minerais pode levar a anormalidades de neiras potencializa as funções do organismo impulsos nervosos, contração muscular e
dentes e ossos, o que pode resultar em e proporciona equilíbrio metabólico. atua como mensageiro secundário em várias
dores intensas ao animal durante sua vida. O fósforo está envolvido em quase todos reações intracelulares. Além disso, ajuda na
O organismo dos animais passa por um os aspectos do metabolismo animal, incluin- constituição de membranas celulares e é ne-
longo processo de transformação, que vai da do o metabolismo energético, contração cessário para produção de energia, presente
fase de filhote até a fase adulta e, durante este muscular, funcionamento do tecido nervoso, também na estrutura do DNA e RNA.
processo, que ocorre de uma maneira rápida, metabolismo dos carboidratos, gorduras e Para mantermos todo o organismo
se faz necessário o aumento da massa óssea e aminoácidos, equilíbrio acidobásico, trans- funcionando de forma adequada é neces-
sua densidade. É nessa etapa de crescimento
que ocorrem as mudanças ósseas na dentição,
sendo o cálcio, juntamente com o fósforo,
fundamental para essa transformação.
O cálcio é um dos elementos mais abundantes
O cálcio é um dos elementos mais no corpo dos mamíferos filhotes e tem sua maior
abundantes no corpo dos mamíferos filho-
tes e tem sua maior concentração, cerca de
concentração, cerca de 99%, nos ossos e dentes.
99%, nos ossos e dentes. Já o fósforo, tem Já o fósforo, tem 80% de sua concentração
80% de sua concentração presente nas mes-
mas estruturas. O total encontrado desses
presente nas mesmas estruturas
minerais varia nas diferentes fases da vida
e também em períodos de lactação. porte de metabólitos e estruturação de ácidos sário que a ingestão de cálcio e fósforo seja
As raças grandes e gigantes são as mais nucleicos e membrana lipoprotéica celular. suficiente para suprir as necessidades do
susceptíveis ao excesso de cálcio que, na O sistema músculo esquelético dos cães organismo nas diferentes fases, proporcio-
maioria das vezes, é proveniente de dietas apresenta elevada atividade metabólica du- nando uma vida saudável para os cães. ◘
mal elaboradas. Os cães se desenvolvem em rante os primeiros 12 meses de vida, período
ritmos diferentes e se tornam adultos em no qual o animal está mais suscetível às anor- Referências bibliográficas
http://www.fcav.unesp.br/Home/departamentos/clinica-
diferentes momentos da vida. Por exemplo, malidades de desenvolvimento. As alterações cv/AULUSCAVALIERICARCIOFI/macroelementos.pdf
uma raça miniatura está totalmente desen- do desenvolvimento acometem os ossos e as http://www.fcav.unesp.br/Home/departamentos/
volvida em menos de um ano, enquanto um articulações, sendo também denominadas al- clinicacv/AULUSCAVALIERICARCIOFI/doencas-
cão de raça gigante pode levar quase dois terações osteoarticulares do desenvolvimento. -metab-desenv-osseo-2017.pdf
anos para chegar ao seu tamanho adulto. Essas alterações podem estar diretamen- https://www.ufrgs.br/lacvet/site/wp-content/uploa-
Portanto, um controle rigoroso é neces- te relacionadas à ingestão de cálcio e fósforo ds/2014/11/fosforo.pdf
Livro de bolso do Centro de Nutrição e Bem-Estar
sário na formulação das dietas. O cálcio, quando consumidos em excesso ou abaixo Animal WALTHAM™ sobre Nutrição Essencial para
quando inserido em quantidades acima do do recomendado, doenças como raquitis- Cães e Gatos, 2ª edição - 2012 – Minerais
recomendado, pode reduzir a absorção do mo (alterações específicas à cartilagem de NRC 2006 p.152; 153; 154

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NUTROLOGIA / ingredientes

TAURINA:
FONTES
E EFEITOS
DA SUA
DEFICIÊNCIA
Em felinos, sua ausência pode causar problemas
cardíacos e danos reprodutivos

O
› CAROLINE FREDRICH DOURADO PINTO,
LUCIANO TREVIZAN

ácido 2-aminoeta-
nossulfônico, po-
pularmente conhe-
cido como taurina,
é um β-aminoácido
sulfurado livre es-
sencial para gatos e
não-essencial para
a maioria dos mamíferos. Sua estrutura foi
descoberta e isolada na bile de boi (Bos
taurus), em 1827, por pesquisadores aus-
tríacos (Demarcay, 1838), e por conta disso
foi atribuído o nome, taurina, à molécula.
Embora classificada como um aminoáci-
Foto: banco de imagens C&GVF

do, a taurina não possui a estrutura clássica


do grupo (Fig. 1), uma vez que o grupamento
amino está unido ao carbono β e não ao car-
bono α, e contém um grupamento sulfônico
(-SO3) ao invés do grupamento carboxílico
(COOH), como nos demais aminoácidos.
Além de diferir da estrutura básica aminoa-

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cídica, a taurina se destaca ainda por não
ser incorporada durante a síntese proteica.
Assim, circula livremente em abundantes FIGURA 1. ESTRUTURA Metionina
QUÍMICA E ROTA
concentrações no citosol, embora em quan-
METABÓLICA DA SÍNTESE
tidades variáveis nos tecidos e fluídos.
DE TAURINA Homocisteína
Elevadas concentrações são encon-
tradas em algas, como Rodophytas (algas
vermelhas), Phaeophyceae, (algas marrons),
e Chlorophytas, (algas verdes), (Kataoka Cistationina H2N
O
e Ohnishi, 1986), frutos do mar e tecidos
animais, como cérebro, retina, musculatura S
esquelética e vísceras como coração, fígado e rins Cisteína
HO O
(Tab. 1). Está ausente em plantas e presente CD
em quantidades mínimas nas bactérias. Deste Via alternativa
modo, dietas estritamente vegetarianas são PIRUVATO Cisteína sulfinato
Taurina
comumente deficientes em taurina. Atual- CSD
mente, existem fontes purificadas disponí-
veis na forma cristalina, capazes de suprir a Hipotaurina
exigência quando suplementada na dieta.
A quantidade de taurina nos tecidos
varia de acordo com o estágio de desen- Taurina
volvimento, sendo abundante em animais
neonatos com acentuada redução na idade
adulta. Em gatos, a concentração de taurina TABELA 1. CONCENTRAÇÃO DE TAURINA EM DIVERSOS ALIMENTOS
circulante diminui, gradualmente, em 75%
até a idade adulta (Sturman et al., 1988). Conteúdo de taurina (mg/kg na MN)
A síntese endógena de taurina ocorre
ativamente em diversos tecidos, mais inten- Alimentos Cru Cozido Assado
samente no fígado e cérebro. Os precursores
são os aminoácidos sulfurados metionina e Carcaça bovina 296 - -
cisteína que, após sucessivas conversões,
Farinha de carne e ossos 386 - -
resultam em taurina (Fig. 1). A biossíntese
é catalisada pela ação de diversas enzimas, Farinha de carne 1150 - -
com destaque para duas enzimas chave
do processo: cisteína dioxigenase (CD) e Coração bovino 652 - -
cisteína sulfinato descarboxilase (CSD). A
primeira, CD, catalisa a oxidação da cis- Rim bovino 225 76 138
teína à cisteína sulfinato, que em seguida Fígado bovino 688 73 141
é descarboxilada a hipotaurina pela CSD.
Por fim, a hipotaurina é oxidada a taurina. Rim de cordeiro 239 51 154
A capacidade de biossíntese de taurina é
avaliada pela ação de ambas as enzimas, em Perna de cordeiro 473 126 257
especial a CSD, enzima considerada fator
Fígado suíno 855 43 85
limitante na síntese de taurina a partir de
cisteína em felinos. Em gatos, a atividade en- Lombo suíno 610 118 219
zimática da CSD é extremamente reduzida no
fígado, chegando a ser 200-300 vezes menor Vísceras de frango 1004 - -
do que em ratos (Stipanuk, M. H., 1985). De
fato, a via preferencial seguida pelos precur- Coxa de frango 337 82 229
sores sulfurados é a via do piruvato, com Salmão defumado 651 - -
vista na produção de energia. Além disso, a
capacidade da CD também é reduzida. Ou- Farinha de salmão 3106 - -
tro fator que compromete a disponibilidade
de taurina em gatos é a baixa utilização de Proteína hidrolisada de peixe 7501 - -
cisteína como metabólito. Em ratos, 80%
Farinha de peixe 3201 - -
do pool de cisteína é destinado à síntese de
taurina, em gatos, esse percentual não passa Adaptado de Spitze et al. (2003). Dados na base da MN
de 20% do pool de cisteína. Para cães e ratos,
ambas as enzimas atuam com eficiência na de sais biliares, vitais para a emulsificação Grande parte dos sais biliares são reabsor-
produção de taurina, por consequência, são das gorduras durante a digestão. Além da vidos pela circulação enterohepática no jeju-
animais menos dependentes do consumo de taurina, a glicina também é utilizada para no e íleo. Entretanto, bactérias anaeróbicas
taurina na dieta para suprir a demanda diária. a produção de sais biliares, no entanto, presentes nestes segmentos intestinais podem
O papel mais conhecido da taurina, sem gatos não são capazes de utilizar a glicina, desconjugar os sais biliares, promovendo a
dúvidas, é a sua participação na conjugação mesmo quando deficientes em taurina. liberação da taurina. A taurina livre pode

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NUTROLOGIA / ingredientes

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NUTROLOGIA / ingredientes

ser reabsorvida ou degradada pelas bactérias,

Foto: banco de imagens C&GVF


resultando na perda de taurina. A utilização
de alguns ingredientes indigeríveis, como
fibras e proteínas, também pode ser fator
crucial para o favorecimento do crescimento
destas bactérias (Morris et al., 1994).
A soma destes fatores faz com que os
gatos sejam totalmente dependentes do
suprimento de taurina via dieta. Quando o
requerimento não é suprido, sintomas de
deficiência são evidenciados, em espaço
de algumas semanas ou meses a partir do
início do déficit. Tanto em gatos como em
cães, a deficiência de taurina está associada,
principalmente, à degeneração da retina e
cardiomiopatia dilatada, atuando ainda sobre
a função reprodutiva e neurológica.

DISTÚRBIOS ASSOCIADOS
À DEFICIÊNCIA DE TAURINA
As primeiras evidências científicas dos sinto-
mas associados à deficiência de taurina parti-
ram de Hayes et al. (1975), que reportaram a
ocorrência de degeneração central da retina
em gatos alimentados com dietas purificadas
livres de taurina. Os primeiros danos surgem
em menos de seis semanas após o início do
fornecimento de dietas isentas de taurina. mento seja descartada, as assadas apresentam
Por meio do eletrorretinograma é possível EM CÃES, A DEFICIÊNCIA DE maior taxa de retenção de taurina, porém
visualizar a redução da amplitude das on- TAURINA PROMOVE LESÕES com alguma perda no processo (Spitze et
das dos receptores do tipo cone. Anderson al., 2003). A recomendação é de 100 - 530
et al. (1979) observaram o surgimento de HIPERREFLECTIVAS mg / 1000 kcal em dietas purificadas com
manchas hiperreflectivas bilaterais em me- BILATERAIS SIMILAR A alta digestibilidade. Em dietas práticas, a
nos de quatro meses de consumo de dieta suplementação deve ser de 250 e 425 mg de
sem taurina. A progressão das lesões leva à DEGENERAÇÃO CENTRAL taurina / 1000 kcal para dietas extrusadas e
degeneração da área afetada, com posterior DA RETINA EM GATOS, NO enlatadas, respectivamente (NRC, 2006). O
atrofia generalizada, resultando em cegueira. guia europeu FEDIAF (2017) recomenda
Em cães, a deficiência de taurina promove ENTANTO APENAS ALGUNS 250 - 325 mg de taurina / 1000 kcal para
lesões hiperreflectivas bilaterais similares a
degeneração central da retina em gatos, no
ANIMAIS APRESENTAM A dietas extrusadas e 500 - 675 mg de taurina
/ 1000 kcal para dietas enlatadas para gatos.
entanto, apenas alguns animais apresentam SINTOMATOLOGIA Em resumo, a taurina não é sintetizada
a sintomatologia (Pion et al., 1998). eficientemente por gatos; há uma necessi-
Pion et al. (1987) foram os primeiros dade exclusiva dela para conjugar os sais
a associar a cardiomiopatia dilatada como predominante da deficiência de taurina em biliares, uma vez que gatos o fazem somen-
consequência da privação de taurina. A cães, com maior suscetibilidade em algumas te com taurina; há uma baixa reabsorção
condição está relacionada a sintomas se- raças, mas a causa permanece desconhecida. enterohepática da mesma, visto que os
cundários, como letargia, desidratação e A deficiência de taurina em gatos promove sais biliares são hidrolisados e a taurina é
hipotermia. A progressão do quadro pro- ainda danos reprodutivos, como reabsorção perdida via fecal. Como nutriente essencial,
move alteração no ritmo cardíaco, devido ao uterina, abortos e natimortos (Sturman et sua inclusão é fundamental para completar
aumento das câmaras cardíacas e afinamen- al., 1985; Sturman et al., 1986). Backus et al. as dietas e compensar as perdas nas fases
to das paredes, reduzindo a contratilidade (2003) observaram problemas reprodutivos reprodutivas, em filhotes e adultos. ◘
e desencadeando à inadequação do fluxo em cães newfoundland com baixos níveis
cardíaco, levando a congestão e edema. plasmáticos e totais de taurina. Danos neu-
A suplementação com taurina pode rológicos, auditivos, alterações na osmorre- PARA ACESSAR
controlar os sintomas da cardiomiopatia gulação e em algumas funções imunológicas ÀS REFERÊNCIAS
dilatada. Em estudo avaliando a taxa de podem ocorrer. No entanto, são mais sutis BIBLIOGRÁFICAS UTILIZE
sobrevivência de gatos com cardiomiopatia do que as observadas na retina e coração. O QR CODE
dilatada moderada a severa, com um grupo Os níveis de suplementação de taurina
suplementado com taurina e outro contro- variam com o processamento empregado Caroline Fredrich Dourado Pinto
le, foi observada sobrevivência de 60% para no preparo do alimento (Tab. 1). Devido à é zootecnista pela UFRRJ, mestranda
o grupo suplementado, enquanto o grupo sua elevada solubilidade em água, a taurina em Zootecnia pelo PPGZ/UFRGS
sem taurina apresentou taxa menor que pode ser dissolvida e perdida caso exposta à Luciano Trevizan é médico-veterinário,
20% (Pion et al., 1992a; Pion et al., 1992b). alta umidade. Dietas enlatadas estão sujeitas mestre e doutor em Zootecnia, professor
A cardiomiopatia dilatada é o distúrbio a maior perda de taurina caso a água do cozi- do Departamento de Zootecnia/UFRGS

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caesegatos.com.br • 49
pet food / fabricação

Modular Extrusion
Integration (MOXI)
Mantém o equipamento em condições operacionais superiores durante todo o seu ciclo de vida
› Tim Hartter, Jason Lang

E
Traduzido e adaptado por: Fabiano Cesar Sá

mpresas fabricantes de no local de instalação, para a maioria dos acesso para instalação e manutenção,
alimentos para animais de clientes. Equipes que trabalham em plan- onde o equipamento não é facilmente
companhia enfrentam, con- tas de fabricação de alimentos conhecem acessível, sendo que a tubulação e a fiação
tinuamente, uma pressão os problemas relacionados à são frequentemente instaladas
multifacetada e crescente, instalação e integração desses em locais indesejáveis, devido
para garantir que novas sistemas de extrusão do jeito a procedimentos de instalação
aquisições de equipamentos apoiem as “antigo”, modo este que espera abaixo do ideal. Além disso, o
demandas comerciais de uma produção o equipamento estar presente processo de instalação é mui-
segura de seus produtos alimentícios. no local para então começar tas vezes demorado, o que só
Historicamente, os fabricantes de o planejamento para ligar o aumenta o custo da instalação.
equipamentos remetem que a instalação e sistema de extrusão, desta Por último, mas não menos
a integração de seus novos equipamentos forma, isto causa distúrbios e importante, a instalação inadequa-
não atendem as expectativas e exigências atrasos na utilização do extru- anote da pode comprometer a seguran-
sor e consecutiva produção de Com o sistema ça dos alimentos bem como a se-
alimentos que, às vezes, levam MOXI, a quantidade gurança dos trabalhadores e pes-
um atraso no prazo original de exaustiva de soas que têm acesso ao mesmo.
mais de seis meses. tempo e recursos Uma vez que os sistemas
Em muitos casos, é a pri- para trabalhar de extrusão estão no centro
meira experiência da empresa com esse processo da maioria das instalações de
com instalação de equipa- não é mais processamento de alimentos
mentos de extrusão. Con- comprometida, pois para animais de estimação, é
sequentemente, por falta de muitas das soluções prontamente entendido que há
conhecimento para a devida da fábrica não um valor significativo em en-
instalação de um equipamento estariam associadas curtar os requisitos de tempo
extrusor em local adequado, entre si durante de instalação para o sistema de
podemos observar problemas este processo de extrusão. Também é de suma
relacionados à dificuldade de planejamento importância garantir que o sis-

Figura 1. Construção
modular centrado na
limpeza, segurança de
manuseio e alimentar

60 • caesegatos.com.br
tema de extrusão seja mantido nas melhores

Fotos: divulgação
condições operacionais durante a vida útil
do equipamento. Sabemos que equipamen-
tos são difíceis de limpar, manter, concertar,
etc. Geralmente, são equipamentos que
operam em um ambiente comprometido
durante todo o seu ciclo de vida.
Baseado nestas experiências do mer-
cado e aplicação de conceitos robustos e
aplicados de pura engenharia, é possível
desenvolver uma estrutura modular em
uma plataforma, que ofereça uma aborda-
gem de projeto de sistema econômico que
pode reduzir o tempo
de instalação em até Figura 2.
60%. Um dos pontos Equipamento
cruciais para essa agi- liberado para
inspeção externa
lidade na instalação
e interna (A).
no cliente é que o Equipamento
sistema é pré-proje- liberado para
tado, pré-montado, funcionamento (B)
pré-instalado e pré-li-
gado nas dependên- Figura 3.
cias do fabricante. Componentes
da extrusora
Essa abordagem montados
chama Modular Ex- suspensos,
trusion Integration facilidade para
(MOXI) que mantém o controle de
equipamento em con- manutenção,
dições operacionais su- limpeza e
sanitização
periores durante todo e segurança
o seu ciclo de vida, já alimentar
que o design modular é
centrado em torno da manutenção, limpeza
e acesso efetivo ao extrusor, figura 1.
Esta plataforma de design MOXI é
construída com principal objetivo de so-
lução de negócios sustentáveis que abor-
dam o processamento de alimentos segu-
ros, utilizando uma solução de processa-
mento de sistema de extrusão de última
geração, incorporada a uma configuração
de sistema modular, que garante a quali-
dade na funcionalidade de processamento
avançado, responsabilidade e satisfação do exemplo, o equipamento só pode ser ins- intuito de examinar expansões de plantas
cliente. Para isso, a construção modular é pecionado externamente e internamente ou considerar uma nova instalação de um
centrada em torno da manutenção, limpe- quando se retirar uma chave de segurança extrusor novo. No entanto, com o siste-
za, segurança de manuseio e alimentar, com que está presente em um painel de segu- ma MOXI essa quantidade exaustiva de
acesso efetivo ao extrusor para tais acessos. rança (figura 2). O mesmo estará liberado tempo e recursos para trabalhar com esse
O MOXI oferece, ainda, uma abor- para funcionamento quando todas as cha- processo, não estaria mais comprometida,
dagem mais econômica de design para ves estiverem em suas devidas posições. pois muitas das soluções da fábrica não
sistemas de extrusão. Este design elimina O design do MOXI também elimina a estariam associadas entre si durante este
a necessidade de projetar interconexão de necessidade de componentes da extrusora processo de planejamento.
tubulação e fiação entre os dispositivos montados no piso, deixando o canhão da ex- Desta forma, a Integração Modular de
do sistema, pois é totalmente integrado e trusora livre mas com todos os acessórios do Extrusão traz uma abordagem sem preocu-
inclui pré tubulação e pré fiação de todos sistema, enquanto fornece acesso imediato a pação com a instalação do projeto de extru-
os componentes do sistema, o que reduz todas as funções de manutenção, limpeza e são e sua implementação dentro de fábricas
a necessidade de contratados locais que sanitização e segurança alimentar, figura 3. de Pet Food e incorpora uma abordagem de
podem não estar familiarizados com o Vale perante a esta inovação do MOXI design modular exclusiva que oferece uma
projeto de montagem do extrusor. ressaltar que o processamento de alimen- solução “plug-and-play” real. ◘
O equipamento extrusor contempla tos para animais de estimação tem uma
normas de segurança internacionais ane- enorme quantidade de pressão e uma
xadas ao funcionamento do equipamento ampla quantidade de informações e op- Tim Hartter, Jason Lang e Fabiano
que contempla a NR12 brasileira. Por ções de fornecedores para trabalhar, no Cesar Sá, Wenger Manufacturing Inc.

caesegatos.com.br • 61
especialidade / oncologia

Velha
conhecida,
novas
Campanhas foram criadas para auxiliar em seu
combate e estudos são realizados para desvendar
cada vez mais o câncer de mama

descobertas
› Sthefany Lara, da redação

T
sthefany@ciausullieditores.com.br

odos os anos, durante o mês


de outubro, as atenções se vol-
tam para um tema importante
tanto na Medicina, quanto na
Veterinária: câncer de mama.
Nesta última, segundo o mé-
dico-veterinário oncologista
titular do Provet e Endoscopet (ambos em
SP), Rodrigo Ubukata, esse movimento tem
ocorrido nos últimos anos. “Mais importan-
te que uma campanha de marketing, conhe-
cida como Outubro Rosa, deve ser usada
para conscientização que este problema é
real em animais também e que a prevenção
e o diagnóstico precoce são fundamentais
para um controle mais efetivo da doença”.
Segundo ele, infelizmente no Brasil, a
incidência correta dos tumores de mama

62 • caesegatos.com.br
não existe devido à carência de estudos

Fotos: divulgação e banco de imagens C&GVF


multicêntricos. “Sabe-se que sua incidência
é alta na maioria dos hospitais veterinários
universitários, sendo a espécie canina
muito mais acometida que a espécie felina,
mas uma das explicações pode ser pela po-
pulação canina ser maior que a felina”, diz.
Ubukata explica que, em cães, qualquer
raça pode ser acometida pela neoplasia,
enquanto em gatos, observa-se uma maior
prevalência em siameses e sem raça definida
(visto que a maioria dos indivíduos deste gru-
po são mestiços descendentes de siameses).
“Geralmente, a faixa etária mais acometida
está entre sete e 13 anos, em cães, mas com
menor frequência pode ocorrer em animais
mais jovens ou até mais velhos. Em gatos, a
idade média está entre dez e 12 anos”, explica.
Um dos principais motivos para o núme-
ro, mesmo desconhecido, ser grande é a não
castração precoce das cadelas. “Desde 1969,
quando foi publicado o estudo de Schneider
e colaboradores, sabe-se que a castração
antes do primeiro cio de cadelas reduz a
incidência de tumores de mama em 99,5%.
Em gatas, o estudo de Overley e colaborado- Tratamentos quimioterápicos
res, em 2005, demonstrou que se a castração
ocorrer antes dos seis meses de idade, a
melhores, aperfeiçoamento
incidência de carcinomas diminui em 91%”. das abordagens cirúrgicas e,
Ainda segundo ele, muitas discussões
estão sendo levantadas sobre a castração,
finalmente, a radioterapia a
seus benefícios e consequências. “Estudos nossa disposição são algumas
estão sendo elaborados e muito está sendo
revelado, mas ainda a castração precoce é um
das novidades hoje disponíveis, principalmente para o
importante método de prevenção deste tipo de tratamento de tumores de mama de alta agressividade
neoplasia, que nada mais é que uma formação
maligna que acomete uma ou mais glândulas
e que pouco tínhamos a fazer
mamárias em diversas espécies de mamíferos, Rodrigo Ubukata é ONCOlogista veterinário
entre elas cães, gatos e o ser humano”.

Outro vilão?
Há um outro vilão que pode prejudicar Pesquisa, conhecimento novos métodos de diagnóstico e tratamen-
a saúde de cadelas e gatas, a ele damos o e tratamento to, Rodrigo Ubukata comenta que parcerias
nome de ‘mito’. De acordo com Ubukata, o Ubukata recorda, ainda, que o câncer de para pesquisa foram criadas entre a Medi-
principal dele é, sem dúvida, aquele que diz mama em animais é uma das principais preo- cina e a Medicina Veterinária. “Um grande
respeito à necessidade da fêmea de ambas cupações dos veterinários. “Por esta razão, exemplo disso são as pesquisas recentes
as espécies reproduzirem para evitar um uma iniciativa pioneira do Prof. Dr. Geovanni realizadas por médicos-veterinários dentro
tumor de mama. “Grande parte dos tutores Cassali, da Universidade Federal de Minas da Faculdade de Medicina, da Universidade
chegam com essa ‘lenda’ e o mais triste Gerais (UFMG), criou reuniões de Consenso de São Paulo (FM-USP), sob orientação da
é ouvir que essa informação foi passada em Patologia Mamária que agregam diversos Prof. Dr. Maria Aparecida Koike Folgueira,
por colegas. Acredito que a melhor forma pesquisadores de várias instituições de ensino em parceria com a Faculdade de Medicina
de desmistificar isso é a informação para e pesquisa do Brasil das mais diversas áreas Veterinária e Zootecnia da Universidade
tutores e atualização dos colegas. Hoje, já (patologia, clínica e cirurgia) para discutir os de São Paulo (FMVZ-USP)”, diz.
não vemos mais isso com tanta frequência, avanços dos estudos neste tema e, com isso, Com tanta pesquisa sendo desenvolvida,
mas, às vezes, ainda preciso desmistificar criar diretrizes para abordagem desta neoplasia os tratamentos também passam a se desen-
informações que são passadas”, conta. na espécie canina e felina. Dois consensos volver cada vez mais. “Tratamentos qui-
Entre os veterinários, o que não é sabi- já foram publicados na espécie canina e um mioterápicos melhores, aperfeiçoamento
do, ainda, é como cada câncer irá se com- na espécie felina. A formação de um grupo das abordagens cirúrgicas e, finalmente, a
portar. De acordo com Rodrigo Ubukata, multi-institucional de pesquisa é algo sem pre- radioterapia a nossa disposição são algumas
essa é uma doença muito heterogênea e, cedentes na Medicina Veterinária brasileira”. das novidades hoje disponíveis, principal-
diariamente, surpreende os profissionais Devido às similaridades com seres hu- mente para o tratamento de tumores de
com seus comportamentos. “Um caso manos e interesse na compreensão deste mama de alta agressividade e que pouco
nunca é igual ao outro”, recorda. tipo de neoplasia para desenvolvimento de tínhamos a fazer”, finaliza. ◘

caesegatos.com.br • 63
cobertura / hospital

Com amor,
aos gatos
Um dia no primeiro hospital 24h especializado em felinos da capital paulista
› Catarina Mosquete, de São Paulo (sp)

A
catarina@ciasullieditores.com.br

visita ao médico-veteri- mos com arranhador na recepção e desenhos para o jardim. Mas, segundo a médica-ve-
nário, às vezes, pode ser de gatos nas paredes. O ambiente é todo terinária do 4Cats, especializada em Clínica
estressante ao gato. Assim iluminado, com algumas paredes de vidro. Médica de Pequenos Animais, Kátia Haipek,
como os humanos e outros Como grades fazem barulho, as baias em nem todos os animais gostam de ficar ali,
animais, cada felino tem que os animais são abrigados também são de pois se sentem desprotegidos. Por isso, na
sua personalidade e é pre- vidro. De acordo com o médico-veterinário, parede oposta, as baias têm vidro de um
ciso se adaptar a eles. Hoje, esses pets têm especializado em Clínica Médica de Pequenos lado e parede do outro. “Alguns se sentem
ganhado mais espaço nas casas brasileiras Animais e sócio proprietário, Pedro Horta, o vulneráveis, então os colocamos nessas baias
e mais atenção da área veterinária, que se programa Cat Friendly recomenda dois tama- e, se precisar, até fechamos o vidro para eles
prepara e se especializa para cuidá-los da nhos de recintos para abrigo dos animais, um não se sentirem desprotegidos, porque, em
melhor forma. Exemplo disso é o 4Cats, pequeno para curtos períodos, com medidas alguns casos, se deixamos aberto, eles não
primeiro hospital 24h especializado em gatos 60x60x65 centímetros, e um maior, para lon- saem nem da caixinha”, explica.
da capital paulista, que foi estruturado de gas internações, de 90x70x65 centímetros. Segundo Kátia, é utilizado ferormônio felino
acordo com normas do padrão Cat Friendly “Nossas baias têm 110x70x75, as menores, e em todos os ambientes, para tranquilizar os
(amigável ao gato), da American Association 150x70x70 as maiores. Também pedem para pets. “Nós também fazemos o atendimento com
of Feline Practioner (AFFP). Para mostrar um evitar inox que, além de frio, é reflexivo - no toalhas. Instalamos caixas que eles podem se
pouco da rotina de atendimentos e cuidados 4Cats somente as mesas são de inox, por esconder; divisórias que podem separar a parte
aos felinos, a Cães&Gatos VET FOOD exigência das normas brasileiras”, diz. da caixa de areia da parte onde eles deitam nas
acompanhou um dia de trabalho do hospital. O hospital possui cinco consultórios e baias; prateleiras, para eles ficarem mais altos,
Inaugurado em maio, o 4Cats conta com recintos para internação de 35 gatos simulta- pois eles gostam de se esconder; arranhadores.
390m² e aposta em um ambiente totalmente neamente. De um lado da sala de internação, Tudo para ter um ambiente mais apropriado,
voltado aos gatos. Ao chegar, já nos depara- as baias têm vidros dos dois lados, com vista para que se sintam mais à vontade”, afirma.

Sala de cirurgia
do hospital recebe
luz natural de
parede de vidro

64 • caesegatos.com.br
Animais internados

Fotos: C&G VF
A Sophia e o Joaquim foram deixados pelos
tutores, para observação. Já Juquinha fez
uma operação e aguardava diagnóstico e
recuperação. Sophia, com perda de apetite
e diarreia. A suspeita era cistite. Já haviam
realizado alguns exames e ela esperava pela
ultrassonografia. A médica-veterinária do
hospital, especializada em Clínica Médica
de Felinos, Cristine Elizabeth Kirsten, disse
que, caso fosse mesmo cistite, o tratamento
dependeria do tipo a ser diagnosticado.
“Se tiver cálculo, tentamos fazer dieta tera-
pêutica, se o cálculo estiver muito grande,
precisamos fazer cirurgia, mas ficamos ainda
na dependência desses exames”, esclareceu.
Joaquim estava com uma suspeita de pan-
creatite. Cristine ex-
plicou que era preciso As paredes do
esperar para ver como hospital fogem do
seria a evolução e os padrão branco, com
figuras de gatos.
resultados dos exames Baias na sala
que foram enviados ao de cirurgia
laboratório. “Se come-
çar a ter vômito, tratamos isso. Se continuar
com o apetite meio caprichoso, controlamos a
náusea, ou fazemos um estimulante de apeti-
te. E, se confirmar essa inflamação, entramos
com medicação anti-inflamatória, para con-
trole”. Segundo ela, os médicos-veterinários
da clínica sempre fazem o que chamam de
‘painel’, que envolve hemograma; ver como
que está a função renal; as enzimas de fígado;
se tem alguma alteração em proteína e se há
alguma alteração em células de defesa.
O Juquinha precisou realizar enucleação
do olho esquerdo, por suspeita de tumor.
Ele, que também retirou o olho direito, em
2016, já tem 18 anos, diabetes e doença
renal. Por isso, o processo de recuperação, se-
gundo Cristine, é mais difícil. “Não sabemos

O Valdo tinha a
clínica dele, onde
o atendimento é
exclusivo a gato.
Fui trabalhar lá
e começamos a sentir a
necessidade de oferecer
mais serviços que não
estávamos conseguindo.
Os animais passam mal a
noite, em final de semana,
e não tínhamos para
onde encaminhar
Cristine Elizabeth Kirsten é médica-veterinária
Pedro Horta, médico-veterinário do hospital, especializada em Clínica Médica
e sócio proprietário do 4Cats de Felinos. Na foto, ela e Sophia

caesegatos.com.br • 65
cobertura / hospital

Fotos: C&G VF
Carmen e Juquinha, seu gato de 18 anos

direito o diagnóstico, mandaremos para análi- ter muita paciência, porque não é fácil lidar
se. A diabetes está descontrolada agora nesse
Nós também com esse senhorzinho de 18 anos, não. Mesmo
pós-operatório, a pressão estava meio baixa, fazemos o morando em Santo André e tendo que atraves-
então estamos fazendo acompanhamento atendimento com sar a cidade, os meus próximos gatinhos, com
de hora em hora, de pressão; da glicemia; de certeza, serão trazidos aqui”, finaliza.
temperatura, para tentar fazer com que ele se
toalhas. Instalamos
recupere o mais rápido possível”, diz. caixas que eles O hospital
Ela explicou que iria depender do exa- podem se esconder; divisórias De acordo com Pedro, a necessidade da cria-
me de biópsia para saber como tratar o ção do hospital surgiu naturalmente. Ele e o
Juquinha. “Precisamos saber o que é para
que podem separar a parte sócio, o também médico-veterinário, que já
direcionar o tratamento, se for um linfoma, da caixa de areia da parte trabalha com gatos há 30 anos, Archivaldo
ou um carcinoma, tudo depende do exame onde eles deitam nas baias; Reche Júnior, sempre tiveram a vontade de ter
histopatológico. Precisamos de, pelo menos, um negócio destinado aos felinos. “O Valdo
dez dias para sair o resultado para podermos
prateleiras, pra eles ficarem tinha a clínica dele, onde o atendimento é ex-
realizar esse direcionamento”, acrescentou. mais altos, porque eles clusivo a gato. Fui trabalhar lá e começamos a
gostam de se esconder; sentir a necessidade de oferecer mais serviços
Filho único que não estávamos conseguindo. Os animais
“Eu convivo com o Juquinha há 18 anos.
arranhadores. Tudo para passam mal a noite, em final de semana, e
Quando o peguei, ele deveria ter uns 15 ou 20 ter um ambiente mais não tínhamos para onde encaminhar”, conta.
dias. A minha ex sogra gostava muito de gatos apropriado, para que Segundo ele, no início, a ideia era criar
e ela o ofereceu para mim. No começo eu falei apenas uma internação, mas perceberam que
‘puxa, mas eu moro em apartamento. Como é
se sintam mais à vontade havia mais mercado. “O projeto começou a
que vamos fazer?’. Aí um dia, quando eu chego Kátia Haipek, médica-veterinária crescer ao longo dos meses, para virar um
em casa, meu ex marido aparece com ele na do 4Cats e especializada em Clínica hospital mesmo, com atendimento 24 horas,
porta, na palma da mão. Ele era pequenininho, Médica de Pequenos Animais do jeito que a gente queria fazer. Foram dois
não precisa nem dizer que eu me encantei com anos de pesquisa, preparo, até concretizar.
ele, não tem como. E ele era muito lindinho, Foi um belo caminho”. Em menos de quatro
como ainda é. Eu me apaixonei”, diz a ao mesmo tempo, eu não sou egoísta de querer meses, o 4Cats conta com, aproximada-
tutora do Juquinha, a advogada Carmen que ele viva para sempre. Ele tem 18 anos, en- mente, 500 animais cadastrados. “Estamos
Lara Epov, que o chama de ‘filho único’. tão seja o que Deus quiser. Eu sei que a equipe começando, engatinhando ainda. Temos
Carmen conta que o problema do olho médica está fazendo o possível e o impossível, muitos planos para o futuro. Precisamos
direito do seu gato foi apresentado em 2016. com muito empenho, e eu estou aqui para dar crescer, oferecer mais serviços, aprimorar
Teve uma úlcera com uveíte e, na época, o força ao meu bichinho. Como eu falo para ele, algumas coisas. Primamos muito por ofe-
tratamento foi realizado com colírios, mas eu não o deixo na mão, estou sempre aqui. Eu recer o melhor possível, sempre pensando
não deu resultado, pois o correto seria tra- digo ‘mamãe tá aqui’”, compartilha. no gato. Devagar chegaremos lá. O nome,
tá-lo com corticoide, porém, ele não pôde “O que me traz um conforto muito grande o lucro, tudo isso é consequência de um
por conta da diabetes. Em 2017, foi preciso é a dedicação dos funcionários do 4Cats. O trabalho bem feito”, conclui Pedro. ◘
retirar esse olho, pois infeccionou e já não atendimento é excelente. Até porque, não é
havia mais o que ser feito. Agora, com sus- fácil lidar com o Juquinha, em casa ele é um
O hospital recebe apoio da Royal
peita de tumor, foi retirado o segundo olho. gato maravilhoso, dócil, nós dormimos agar- Canin e os animais são alimentados
“Eu estou aqui, dando suporte a ele, porque radinhos, literalmente, porém, quando ele vem exclusivamente com dietas da marca
acho, realmente, que devemos fazer isso, mas, ao veterinário, vira uma fera. Então, é preciso

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cobertura / internacional

Nutrir com
conhecimento
Nefrologia foi o tema da segunda edição do Fórum Internacional Royal Canin.
Gestão de negócios também foi trazido para debate

› Sthefany Lara, de São Paulo (SP)

A
sthefany@ciausullieditores.com.br

Royal Canin realizou, no vezes, o tutor só irá perceber algum sinal doença renal: evidências e desafios” e “manejo
dia 2 de setembro, em São clínico quando esta estiver bem avançada”. nutricional do nefropata: o que há de novo?”.
Paulo (SP), a edição 2018 Ela recorda que a Royal Canin oferece O presidente da Royal Canin do Brasil,
do Fórum Internacional. solução nutricional para o manejo de nu- John Van Wyk, recordou sobre os 50 anos da
O encontro reuniu cerca de trição de animal com doença renal e reforça fundação da empresa e o todo trabalho que
250 médicos-veterinários e que, nesta patologia em especial, a nutrição tem realizado desde a fundação até os dias
colaboradores. Este ano, além da sessão de é fundamental. “A principal terapia é uma al- de hoje. “Somos uma empresa que nasceu
negócios, o tema debatido foi Nefrologia. teração nutricional, então, pela importância na França e que, há anos, traz o melhor para
A diretora de Marketing da Royal Canin, do assunto, esse ano, trouxemos esse tema o cães e gatos de todo o mundo”.
Glaucia Gigli, recorda que, em primeiro lugar, e lembramos que a Royal Canin trabalha
é objetivo da empresa oferecer uma nutrição com médicos-veterinários, conscientizando, Sessão negócio
mais precisa para cães e gatos, possibilitando, levando conhecimento, informação, justa- Sobre a sessão negócios, Glaucia recorda que
assim, que tenham uma vida mais saudável. mente, para fazer o diagnóstico precoce”. é papel da Royal Canin auxiliar os médicos-
“Ano passado trouxemos a temática da Der- Apresentaram a sessão renal o presidente veterinários não apenas na disseminação
matologia Veterinária - o segundo principal do colégio Brasileiro de Nefrologia e Urologia de conhecimento técnico-veterinário, mas,
motivo de ida aos consultórios veteriná- Veterinária (CBNUV), Luciano Giovaninni, também, sobre gestão de negócios.
rios -, não diferente estão os problema re- o tema “DRC: Diagnóstico precoce e esta- “No curso de Medicina Veterinária,
nais que possuem importância muito gran- diamento”; e o médico-veterinário da Royal aprendem-se a ser clínicos, fazer cirurgias,
de, tanto em cães como em gatos. Doença Canin, na França, Yann Queau, que trouxe tratar e fazer prevenção de doenças, mas não
renal é um problema silencioso e, muitas dois temas: “Alimentando o paciente com se ensinam a administrar seu próprio negó-

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Fotos: divulgação
(Da esq. à dir.)
Art Antin,
John Van Wyk
(presidente da
Royal Canin Brasil)
e Todd Tams

Cerca de
250 pessoas
acompanharam
o Fórum Acima, Luciano Giovaninni.
Internacional Ao lado (da esq. à dir.) Yann
Royal Canin Queau, Glaucia Gigli e
Carolina Padovani, comunicação
científica da Royal Canin

cio. E, hoje, o médico-veterinário tem que a história da rede e como atingiram um pa-
cuidar de tudo o que diz respeito à clínica:
A Royal Canin drão de excelência. Além de mostrar como
é o responsável pelo RH, por compras, pelo tem como objetivo aumentar a renda na clínica veterinária.
financeiro, e ainda precisa se comunicar
com o cliente, seja buscando novos, seja
divulgar A rede de hospitais VCA possui 880
hospitais de animais, em 44 estados e
mantendo os que já são”, comenta Glaucia. conhecimento, cinco províncias canadenses, 5000 dou-
Segundo ela, trazer pessoas ligadas à VCA está em nosso DNA tores e 18000 equipe de suporte (técnico
Animal Hospitals é uma oportunidade para os e administrativo). Cerca de 2.2 milhões
presentes poderem ter aceso a este case de su- o compartilhamento de de clientes e 3 milhões de pets.
cesso. “É um tema que trouxemos ano passa- informações, seja técnica Por fim, os participantes do Fórum Inter-
do e neste ano e, certamente, continuaremos nacional da Royal Canin puderam participar
trazendo. A equipe do VCA mostraram que
ou de gestão. Com isso de uma mesa-redonda com os palestrantes
atitudes simples como enviar um lembrete queremos enriquecer que sanaram dúvidas tanto sobre doenças
de vacina para o cliente faz a diferença”, diz.
A sessão negócios foi apresentada pelo
ainda mais a Medicina renais, como sobre gestão de negócios.
“A Royal Canin tem como objetivo
cofundador e diretor de operações VCA Veterinária divulgar conhecimento, está em nosso
Animal Hospitals, Art Antin, pelo diretor DNA o compartilhamento de informações,
médico principal VCA Animal Hospitals, Glaucia Gigli, diretora tanto técnicas como de gestão. Com isso,
Todd Tams, e pelo vice-presidente de Marke- de Marketing da Royal Canin queremos enriquecer ainda mais a Medicina
ting da rede, Sege Allard, que falaram sobre Veterinária”, conclui Glaucia Gigli. ◘

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pet silvestre / aves

Meu papagaio
tá maluco! E agora?
É necessário, primeiramente, conhecer o comportamento normal dos psitacídeos
para, assim, reconhecer e tratar um distúrbio comportamental

O
› Mayan Press Goldfreind

s distúrbios comportamentais com algum tempo depois do amanhecer, como uma vidade com um indivíduo da casa e agressivi-

Foto: banco de imagens C&GVF


psittaciformes podem surgir por manobra para ajustá-la à rotina desejada. Mas, dade com os outros. Uma solução é diminuir
diversos fatores, como a criação em se o animal apresentar um comportamento o tempo de convívio da ave com a pessoa
ambiente inadequado, deficiências de gritos que excedem a normalidade pode escolhida e mais com as outras pessoas, além
nutricionais ou, ainda, pela presen- ser por desejo de dominação, uma resposta de diminuir a altura da gaiola e poleiro, para
ça de alguma doença concomitante. a ambientes barulhentos ou por necessidade que a ave fique abaixo do peito do proprietário,
Um equívoco, comum na tentativa de corrigir de atenção. Neste último caso é importante lhe dando menos a sensação de dominância. Se
esses distúrbios, é a promoção de alterações não reforçar o comportamento, evitando o comportamento estiver sendo apresentado
direto no animal, quando, normalmente, é contato visual e verbal enquanto a ave grita. perante outras aves, o ideal é que elas sejam
mais efetiva a promoção de alterações no Em situações mais agravadas, pode-se cobrir separadas para evitar lesões graves.
ambiente ou no sistema de criação, visto a gaiola por alguns minutos e colocá-la em Em casos de medo e agitação excessiva,
que o problema está muito ligado ao manejo. um ambiente isolado, e quando a ave inter- essas aves tendem a buscar áreas de refúgio,
De qualquer forma, o primeiro passo romper os gritos, tirá-la deste “isolamento” ou se movimentarem de um lado para o ou-
para reconhecer e tratar um distúrbio com- e lhe dar atenção como um reforço positivo. tro, podendo se chocar contra a tela da gaiola.
portamental em psitacídeo é conhecer seu Deve-se evitar, ao máximo, repressões com É normal a demonstração de medo, por um
comportamento normal. Por exemplo, alguns tom agressivo, pois podem agravar o quadro. tempo, perante novos objetos ou alimentos
psitacídeos vocalizam com gritos agudos e Já o comportamento de bicadas é natural- na gaiola, mas se torna patológico quando
seguidos ao amanhecer e entardecer, e é um mente utilizado por estas aves para interações demonstrado de maneira excessiva.
comportamento natural, apesar de poder atra- sociais e procura de alimento. Para aves que Contudo, um dos distúrbios mais sérios é o
palhar a convivência da casa e da vizinhança. convivem com seres humanos, é ideal que arrancamento de penas ou autotraumatismo.
Nestes casos, pode-se manter a ave coberta por sejam treinadas desde filhotes para não usar Um comportamento repetitivo e crônico, que,
o bico em brincadeiras e demonstrações de normalmente, se inicia nas áreas de fácil acesso
afeição, pois o comportamento continua na fase como peito, virilha e face ventral das asas, poden-
Em casos de medo e adulta e pode causar lesões mais sérias. Bicadas do se estender para o dorso. A cabeça, porém, se
também podem estar relacionadas à uma res- mantém intacta pois não é de alcance do bico. As
agitação excessiva, posta agressiva gerada por medo ou ansiedade. causas podem ter diversas origens, como a manu-
essas aves tendem Desta forma, para evitar o comportamen-
to, é importante que a ave se sinta segura
tenção da ave em gaiolas muito pequenas, tédio,
ausência ou afastamento de uma pessoa íntima,
a buscar áreas no ambiente, e é interessante a oferta de mudanças bruscas de ambiente, principalmente
de refúgio, ou se brinquedos que possam ser explorados pela
ave. Já técnicas como assoprar a face da ave,
para locais agitados ou, ainda, a presença de
uma pessoa ou animal que estresse a ave.
movimentarem repreender com voz alta, bater ou ainda se- Desta forma, o tratamento que costuma
de um lado para gurar e balançar o bico com os dedos podem
resultar em aumento na agressividade.
ter mais sucesso é a mudança no ambiente
associado ao uso do colar protetor, os dois de
o outro, podendo Outro distúrbio é o comportamento de maneira gradual. ◘
se chocar contra a dominância, principalmente entre os 7 e 11
meses. Podendo, inclusive, apresentar, além da Mayan Press Goldfreind é membro do Grupo
tela da gaiola dominância, um comportamento de possessi- de Estudos de Animais Silvestre (Geas – USP)

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sebrae-sp
Bruno Caetano | www.sebraesp.com.br

Tudo na hora certa


T
empo é fator fundamental na vida de De qualquer forma, quem chegou tarde se deu mal.
qualquer empresa, tanto que pode O oposto também acontece. Adiantar a apresen-
determinar seu sucesso ou fracasso. tação de produto ou serviço sem que esteja bem
Comparando, é como o investidor da formatado pode queimar suas possibilidades, além
Bolsa de Valores: ele sabe que há a hora certa para de exigir um enorme esforço para despertar o desejo
adquirir ações e se desfazer delas. É a essência do e a necessidade na clientela pelo item em questão.
negócio comprar na baixa para vender na alta. Toda empresa obedece a um ciclo: desenvol-
Errar o momento é perder dinheiro ou, no míni- vimento da ideia e planejamento, lançamento,
mo, deixar de ganhar. Estamos falando de timing. crescimento, estabilização, ampliação, maturi-
No empreendedorismo, se a empresa colocar dade e, eventualmente, o fim. Porém, falhas na
um produto com atraso no mercado, vai encontrar gestão podem abreviar a vida do negócio antes
os concorrentes já estabelecidos e terá muito mais do cumprimento de tais etapas.
dificuldade para conseguir seu espaço. Em alguns Cada fase tem seu tempo e há empresas que,
casos, é revés certo. Vejamos o exemplo do ocor- por uma combinação de fatores, conseguem
rido há alguns anos, em São Paulo, com a febre de atingir o sucesso mais rapidamente.
abertura de sorveterias especializadas nas paletas Não há receita pronta para garantir o bom desem-
mexicanas (tipo de picolé). A onda durou pouco, penho, as variáveis são muitas, mas o empreendedor
a demanda não deu conta da grande oferta e boa que tomar medidas sólidas na direção certa aumen-
parte dos estabelecimentos fechou as portas não tará suas chances, sem dúvida. Planejar, calcular os
muito depois de começar. Houve quem não con- riscos, controlar as finanças com atenção total, estar
seguisse nem recuperar o valor gasto. Por se tratar aberto a aprender e fazer as mudanças necessárias
de um negócio da moda, é natural ter vida curta. são pontos essenciais para ir mais longe. ◘
Foto: banco de imagem C&G VF

Se a empresa colocar
um produto com
atraso no mercado, vai
encontrar os concorrentes
já estabelecidos e
terá muito mais
dificuldade para
conseguir seu espaço.
Em alguns casos,
é revés certo
Bruno Caetano é diretor superintendente do Sebrae-SP

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TOME NOTA / heterocromia

Caso de heterocromia
sendo acompanhado
por Jorge. Pode tratar-se
de inflamação crônica
ou melanoma de íris

tumores oculares”, ressalta.


A heterocromia em um
mesmo olho, segundo ele, é
mais comum do que os casos de
“olho impar”, quando cada olho apresenta
uma cor. “Normalmente, a heterocromia
em um mesmo olho ou em olho ímpar
não é de prognóstico ruim. Quando ligada
a outras doenças, dependendo da mesma,
pode ser de mau prognóstico se não tratada
corretamente”, pontua Pereira.

TRATAMENTO
– É NECESSÁRIO?
A heterocromia de íris congênita é de ordem

OLHOS COLORIDOS
genética, exceto nos casos onde existe uma
doença de base para que a íris desenvolva
uma cor anormal. “Nada mais é que uma co-
loração diferente entre as íris ou parte de uma
íris, não traz risco de morte ao animal e não
tem importância clínica. Porém, na forma
adquirida, onde uma doença sistêmica leva
ao processo inflamatório (uveíte), o óbito do
paciente pode ocorrer quando o diagnósti-
co precoce e o tratamento adequado não
A heterocromia em pets pode ser sinal de doenças são realizados. Normalmente, são doenças
› CATARINA MOSQUETE, DA REDAÇÃO
infecciosas, parasitárias, autoimunes e neo-
catarina@ciasullieditores.com.br plásicas, que levam ao desenvolvimento dos
quadros de uveítes”, explica Paula.

E
la apresenta variação da coloração entre e gatos, existe um exame chamado potencial Segundo ela, não existe tratamento para
duas íris ou em partes de uma íris e dá auditivo de tronco encefálico. É um teste apli- a surdez. Em casos de inflamação ocular,
aos cães e aos gatos uma aparência um cado sob sedação do paciente, para verificar o anti-inflamatórios tópicos e/ou orais são
tanto quanto diferente. Estamos falan- potencial auditivo ao estímulo sonoro. O exame prescritos. Nestes casos, é necessário in-
do da heterocromia. O problema é que é capaz de verificar déficit auditivo ou surdez. vestigação clínica para descartar doença
essa mutação genética, apesar de causar De acordo com o médico-veterinário oftal- sistêmica e instituição de
uma bela aparência, pode ser sinal de mologista, Jorge da Silva Pereira, quando há tratamento concomitante
algum problema de visão ou audição. um problema de audição, este pode ser perda para a doença de base, a
De acordo com a médica-veterinária, total ou parcial da mesma. “Com relação à qual estimulou a uveíte.
especializada em Oftalmologia, Paula Stie- visão, depende do tipo de heterocromia que Quando há suspeita
ven Hünning, o animal nasce com as íris de o animal apresente. Existem as de origem de que a melanose de íris
cores diferentes na forma congênita e pode hereditária e as adquiridas, que podem estar pode estar relacionada às
desenvolver uma coloração anormal diante ligadas às inflamações, infecções ou mesmo neoplasias, sejam benignas
de processos inflamatórios e/ou neoplásicos ou malignas, o tratamento
Fotos: divulgação e banco de imagens C&GVF

da íris. “A heterocromia decorre do amadu- através da ablação com la-


recimento incompleto ou da ausência de ser é indicado, segundo
grânulos de pigmento no estroma da íris ou Pereira. “Este pode ser
na camada pigmentar anterior”, acrescenta. curativo e eliminar a
A médica-veterinária explica que, nor- necessidade da perda
malmente, a heterocromia não tem relação do globo ocular”,
com perda auditiva ou visual, a não ser finaliza. ◘
que esteja relacionada a alguma síndrome
ou processo inflamatório ocular que leve à
perda de visão. “Os processos inflamatórios
(uveítes), as neoplasias da íris e do corpo Paula Stieven
ciliar ou o uso de medicações, como colírios Hünning é
antiglaucomotosos análogos de prostaglan- médica-veterinária,
dina, podem alterar a cor da íris”, diz. Jorge da Silva Pereira é especializada em
Segundo ela, para avaliar a audição em cães médico-veterinário oftalmologista Oftalmologia

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TOME NOTA / heterocromia

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