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PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DA BAHIA

2ª TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS


Processo Nº. : 0001113-15.2015.8.05.0271
Classe : RECURSO INOMINADO
Recorrente(s) : BANCO SANTANDER S A

Recorrido(s) : TEORGENES SOUSA OLIVEIRA


Origem : VARA DO SISTEMA DOS JUIZADOS - VALENÇA

Relatora Juíza : MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE

VOTO- E M E N T A

RECURSO INOMINADO. CONSUMIDOR. CART;AO DE CRÉDITO. BANCO.. AUSÊNCIA DE


RECONHECIMENTO DE PAGAMENTO DE FATURA. COBRANÇA INDEVIDA. ENCARGOS.
INEXIGIBILIDADE DA DÍVIDA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA ENTRE TODOS OS
INTEGRANTES DA CADEIA DE FORNECIMENTO DO SERVIÇO. FALHA NA PRESTAÇÃO
DOS SERVIÇOS. RESTITUIÇÃO EM DOBRO. DANOS MORAIS NÃO CONFIGURADOS.
MERAS COBRANÇAS. AUSÊNCIA DE NEGATIVAÇÃO. EXCLUSÃO. SENTENÇA
PARCIALMENTE REFORMADA.
1. Trata-se de recurso inominado interposto contra sentença que julgou
parcialmente procedente os pedidos, nestes termos: “Ante ao exposto, julgo
PROCEDENTE EM PARTE os pedidos formulados na exordial para: I- Declarar a inexistência
do débito referente a fatura vencida em janeiro de 2015 objeto da lide e, consequentemente, dos
juros e demais encargos que nela incidiram; II- Condenar o Réu ao pagamento de indenização
por danos morais que arbitro em R$ 9.000,00 (nove mil reais), com a incidência de juros e
correção monetária a partir do presente arbitramento; III – Condenar o Réu a restituir à Autora o
valor indevidamente cobrado de R$ 689,01 (seiscentos e oitenta e nove reais e um centavo), em
sua forma dobrada, equivalente a R$ 1.378,02 (um mil trezentos e setenta e oito reais e dois
centavos), com juros a partir da citação e correção monetária desde o evento danoso..”
2. A parte recorrente busca a reforma da sentença, aduzindo, em síntese,
que não houve a prática de falha na prestação dos serviços, bem como que não há
que não foram demonstrados os danos morais na hipótese; em caráter eventual
pugna pela redução do quantum.
3. A demonstração do fato básico para o acolhimento da pretensão é ônus do
autor, segundo o entendimento do art. 373, inciso I, do NCPC, partindo daí a
análise dos pressupostos da ocorrência do fato gerador do dano alegado.

4. Em que pese o quanto alegado pelo réu, não consta dos autos a prova de
fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da parte autora. A versão autoral,
por seu turno, além de dotado de verossimilhança, está embasado por elementos
de prova que fortalecem a tese apresentada. Com efeito, a parte autora faz prova
da realização do pagamento da fatura com vencimento em Janeiro de 2015,
vencimento em 08/01/2015, no valor de R$ 570,81 ( quinhentos e setenta reais e
oitenta e um centavos ), valor este que não fora devidamente processado e
reconhecido pela empresa ré que manteve a cobrança na fatura com vencimento
em fevereiro de 2015, vindo a acarretar a cobrança indevida de encargos pela
mora, que em verdade inexistiu.

5. . Por seu turno, a empresa demandada ora recorrente limita-se a alegar que
não possui responsabilidade pelos eventos narrados , sem apontar contudo causa
suficiente que justificasse a cobrança.
1. Patente a falha na prestação dos serviços, tendo agido com acerto o
magistrado sentenciante ao declarar a inexigibilidade da dívida acrescida de
encargos, diante da comprovação da realização do pagamento da fatura em aberto
no presente caso.
2. . O art. 14 do CDC, dispondo sobre a responsabilização do fornecedor pelo
fato do produto ou serviço, preleciona que: “Art. 14. O fornecedor de serviços
responde, independentemente da existência de culpa pela reparação dos danos causados
aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços, bem como por
informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos.”
3. Devida, ademais, a restituição em dobro dos valores comprovadamente
pagos nos autos, sendo hipótese de aplicação do art. 42, parág.único do CDC, diante
da ciência da ré no que tange à cobrança indevida, e a manutenção de sua cobrança ainda
assim.
4. Inobstante isso, no concernente ao pleito indenizatório pelos supostos danos
morais sofridos, tenho que não há nos autos provas acerca da lesão a direitos
subjetivos, mas tão somente falha na prestação dos serviços consistente na
cobrança indevida, insuficiente, de per si, para embasar um édito condenatório.
Em que pese a conduta censurável da empresa demandada, que configura
evidente falha na prestação dos serviços, tenho que não restara comprovados nos
autos os elementos ensejadores do dano moral, inexistindo a comprovação de
fatos que tenham causado dor, ou aflição acima do que razoavelmente se espera
diante dos contratemos do dia a dia.
5. Não houve a negativação do nome da parte autora nos órgãos de proteção
ao crédito, e nem fora narrado ou comprovado constrangimento que tenha como
origem a conduta do réu. A situação narrada, portanto, enquadra-se na categoria
do ilícito, e gerou como consequência a restituição dos valores indevidamente
pagos , todavia, o ilícito em tela não se revelou suficiente para caracterizar o dano
moral.
6.
. ISTO POSTO, voto no sentido de CONHECER DO RECURSO INTERPOSTO E
DOU-LHE PARCIAL PROVIMENTO, tão somente para extinguir da sentença o
capítulo atinente aos danos morais, mantendo-a no mais pelos seus próprios
fundamentos. Sem custas processuais e honorários advocatícios, pelo êxito
da parte no recurso.

Salvador, Sala das Sessões, 06 de julho de 2017.


BELA. MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE
Juíza Relatora
BELA CÉLIA MARIA CARDOZO DOS REIS QUEIROZ
Juíza Presidente
PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DA BAHIA

2ª TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS

Processo Nº. : 0001113-15.2015.8.05.0271


Classe : RECURSO INOMINADO
Recorrente(s) : BANCO SANTANDER S A

Recorrido(s) : TEORGENES SOUSA OLIVEIRA


Origem : VARA DO SISTEMA DOS JUIZADOS - VALENÇA

Relatora Juíza : MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE

ACÓRDÃO
Acordam as Senhoras Juízas da 2ª Turma Recursal dos Juizados Especiais
Cíveis e Criminais do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, CÉLIA MARIA
CARDOZO DOS REIS QUEIROZ –Presidente, MARIA AUXILIADORA SOBRAL
LEITE – Relatora e ALBÊNIO LIMA DA SILVA HONÓRIO, em proferir a seguinte
decisão: RECURSO CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO . UNÂNIME, de
acordo com a ata do julgamento. Sem custas processuais e honorários
advocatícios, pelo êxito da parte no recurso.

Salvador, Sala das Sessões, 06 de julho de 2017.


BELA. MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE
Juíza Relatora
BELA CÉLIA MARIA CARDOZO DOS REIS QUEIROZ
Juíza Presidente