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3.1: “(i)De novo, Jesus entrou na sinagoga.

(ii)E estava ali um homem que tinha uma das mãos


ressequida”.

(i) Jesus visitava aos sábados a sinagoga, já que ele era um rabino, aplicava-se à leitura e ao
ensino das Escrituras. A disposição da liturgia da sinagoga era o assistente trazia o rolo, e ali o
rabino faria a leitura do dia, explicaria o texto e depois se realizariam orações.

Nos dias de Jesus o legalismo era a marca da religião, pois desta forma se comportavam os
fariseus e mestres da Lei, elevando as leis e tradições sobre a adoração a Deus e o amor ao
próximo (Mt 22.36-40, Gl 5.14). Quando examinamos mais profundamente esse período, vimos
que Jesus, o filho de Deus, com toda sua perfeição, santidade e poder, por meio de quem todas
as coisas foram criadas (Cl 1.16-17), deveria estar indignado com toda essa “religiosidade”,
pois Ele mesmo não se agradava daquilo e nem havia criado aquela religião, Jesus vive na
simplicidade. Na verdade foram os fariseus e mestres da lei que a transformaram nesse fardo,
com todos os preceitos impostos.

Embora Jesus tivesse todas as razões para abandonar a sinagoga, deixar de frequentar as
reuniões litúrgicas judaicas, mesmo sob hostilização e perseguição, ainda assim, Ele
permanece no meio da congregação atendendo a vontade do Pai, cumprindo as obras de Deus,
ensinando a Palavra e operando milagres. Isso deve ser um grande estímulo para todos nós,
igreja do Senhor, perseverarmos fazendo o que Jesus fez, embora para ele fosse bem mais
difícil, pois a sua perfeição torna a situação mais irritante e perigosa, mesmo assim se manteve
firme no alvo de cumprir a sua missão.

(ii) O médico Lucas é mais detalhista: “Estava ali um homem que tinha a mão direita ressequida.” (Lc
12.6). Aquele homem possivelmente era ignorado quanto à cura da sua enfermidade, não se
sabe quais traumas ela carregava, se era ele se sentia inferiorizado por aquela deformação ou
como estava a sua autoestima. Pode-se afirmar pela análise do termo grego trazer a ideia de
secar, ficar seco, murchar, pelo tempo imperfeito a indicação um estado ressequido e talvez
demonstre que não era de nascimento, mas que era o resultado de lesões causadas por
acidente ou por enfermidade.

Quando os nossos templos se tornam mais ambiente de tradições e rituais do que uma
comunidade de amor corremos um sério risco: na busca de preservar esses ritos nos
mantermos cegos para a real necessidade dos que nos cercam. Na ânsia de manter uma
posição abandonarmos a compaixão, de conservar a tradição desprezarmos a pregação, de
negligenciar a cura nos tonarmos enfermos. Jesus não está preocupado em desapontar os
religiosos em detrimento de realizar o correto, para Jesus que é o padrão no céu também deve
ser padrão na terra. Ele que é o pão vivo que desceu do céu para dar a sua vida em favor da
nossa cura (Jo 6.50-51).

3.2: “(i) E estavam observando Jesus para ver se curaria aquele homem no sábado, a fim de o
acusarem”.

(i) O motivo da observância está atrelado ao comportamento de Jesus que já havia segundo
eles violando o 4° mandamento (Ex 20. 8-11). É importante enfatizar que o zelo deles não era
pela Palavra de Deus, mas pela tradição dos homens. Eles haviam acrescentado 39 regras do
que não se podia fazer no sábado e entre elas estava o curar um enfermo. Só o perigo de vida
teria servido como exceção.

Isso leva a pensar que havia pessoas com diversas motivações na sinagoga, alguns pelo desejo
de aprender e se relacionar com Deus, se alegrar com a Sua palavra, outros para criticar,
acusar e perseguir.

Antes de defendermos nossas tradições, precisamos perguntar: elas servem aos propósitos de
Deus? Revelam o caráter de Deus? Ajudam as pessoas a entrar na família de Deus ou as
mantêm fora dessa relação? Têm fortes raízes bíblicas? Tradições saudáveis precisam passar
por esses testes.

3.3: “(i) Jesus disse ao homem da mão ressequida: — Venha aqui para o meio! (ii) Então lhes
perguntou: — É lícito nos sábados fazer o bem ou fazer o mal? Salvar uma vida ou deixar
morrer? Mas eles ficaram em silêncio”.