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Direito Empresarial

Lição 04

Junta Comercial

Índice
1. Introdução
2. Registro de Empresa Individual
3. Desconsideração da Pessoa Jurídica
4. Contrato Social
5. Cooperativas (Sociedade Simples)
6. Livros Empresariais (Livros Mercantis ou Comerciais)
6.1.Livro Diário
6.2. Livro de Registro de Duplicatas
6.3. Livro das Sociedades Anônimas (S.A)
6.4. Livros Empresariais Facultativos
6.5. O Poder Probatório dos Livros Empresariais
6.6. Atualização dos Livros Empresariais
7.Conclusão
8.Referências

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1. Introdução
A junta comercial é autarquia estadual que possui finalidade de deposito de
informações empresariais, como: matrícula, autenticação de documentos, de livros
empresariais etc.

É um ente regrado por legislação federal (L. 8934/94), porém possui administração
estadual. Cada estado e o DF da federação possui sua própria junta comercial, que
deve atender a todas as empresas e sociedades empresárias existentes no estado em
que atua.

A junta comercial não é ente fiscalizador. Por isso, nunca veremos um fiscal da junta
comercial fiscalizando os empresários. Por outro lado, isso significa que o empresário
deve buscar constituir uma boa assessoria jurídica e contábil, para que, possam fazer
sua matricula, ou autenticação de documentos de maneira correta.

Acesse o site https://www.jucees.es.gov.br (https://www.jucees.es.gov.br), e conheça a


junta comercial do Espírito Santo.

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2. Registro de Empresa
Individual
O empreendedor pode optar por registrar na junta comercial como empresário
individual, ou como empresário coletivo.

A legislação brasileira traz mais benefícios para as sociedades empresarias limitadas,


(LTDA, ou SA), do que para as empresas individuais. Isso ocorre, pois, empresa
individual não constitui pessoa jurídica, mesmo tendo CNPJ. Em outras palavras,
empresa individual é pessoa física. Isso significa que não há distinção entre os bens
patrimoniais do empresário e os bens patrimoniais da pessoa física.

Em caso de dívida empresarial, tanto o patrimônio da empresa individual, quanto o


patrimônio pessoal do empresário individual poderá ser penhorado pela justiça, pois
pertencem a mesma pessoa, ao empresário individual. Já nas sociedades empresariais
limitadas, em regra, o patrimônio do empresário coletivo não se confunde com o
patrimônio dos sócios, diminuindo os riscos do empreendimento.

Empresa individual não possui contrato social. O registro é feito com o preenchimento
de um formulário na junta comercial e com a entrega da documentação exigida.

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3. Desconsideração da Pessoa
Jurídica
Fábio Ulhoa Coelho define a desconsideração da seguinte maneira:

O juiz pode decretar a suspensão episódica da eficácia do ato


constitutivo da pessoa jurídica, se verificar que ela foi
utilizada como instrumento para a realização de fraude ou de
abuso de direito.

Assim, podemos definir a desconsideração da personalidade jurídica como a


retirada excepcional e momentânea da personalidade de pessoa jurídica que por
intermédio de seus administradores, sócios ou não praticou desvio de função,
fraude, ou abuso de direito (art 50, CC).

Se ocorrer a desconsideração, a responsabilidade pelos possíveis desvios de conduta


passará a ser dos administradores e sócios da empresa.

Hipóteses autorizadoras da desconsideração na legislação brasileira:

Art. 28 do Código de Defesa do Consumidor

Art. 28. O juiz poderá desconsiderar a personalidade jurídica da sociedade quando, em


detrimento do consumidor, houver abuso de direito, excesso de poder, infração da lei,
fato ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou contrato social. A desconsideração
também será efetivada quando houver falência, estado de insolvência, encerramento ou
inatividade da pessoa jurídica provocados por má administração.

§ 1° Vetado

§ 2° As sociedades integrantes dos grupos societários e as sociedades controladas,


são subsidiariamente responsáveis pelas obrigações decorrentes deste código.

§ 3° As sociedades consorciadas são solidariamente responsáveis pelas obrigações


decorrentes deste código.

§ 4° As sociedades coligadas só responderão por culpa.

§ 5° Também poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua


personalidade for, de alguma forma, obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados
aos consumidores.
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Importante lembrarmos que a desconsideração da personalidade jurídica de uma
sociedade empresaria deve ser considerada exceção à regra. O normal é a limitação
da personalidade jurídica das “LIMITADAS” ser respeitada.

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4. Contrato Social
O Contrato Social é o documento particular que estabelece vínculo entre
os sócios no âmbito da sociedade empresária.

Deve conter:
os dados de cada sócio;
o nome da empresa;
o título de estabelecimento;
as cotas dadas por cada sócio;
publicadas em valor e porcentagem;
a multa por desistência;
o foro competente para dirimir possíveis conflitos e etc.

Somente as sociedades empresárias previstas no código civil de 2002 possuem


contrato social. São elas:
sociedade limitada (LTDA);
sociedade em comandita simples (C/S);

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sociedade em nome coletivo (N/C).

Sobre tais sociedades, falaremos em capítulo posterior.


Mais informações sobre contrato social podemos encontrar em Modelo básico de
contrato social www.crasp.com.br

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5. Cooperativas (Sociedade
Simples)
O estatuto é documento obrigatório para o registro de uma sociedade anônima,
(S.A) e de sociedade em comandita por ações (C/A).

Essas duas sociedades possuem regras instituídas pela LEI No 6.404, DE 15 DE


DEZEMBRO DE 1976. (lei das S.As.)
(http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6404consol.htm ) por força dos arts. 1089
e 1090 do Código Civil.
Mais informações sobre estatuto social podemos encontrar em Modelo básico de
estatuto social
(http://lefisc.com.br/contratos/contratossociedadeanonimacompanhia/estatutosocial/estatutosocial2.h
).

Pelo que vimos, existem sociedades empresárias que possuem contrato social e
existem também sociedades empresárias com estatuto social.

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6. Livros Empresariais (Livros
Mercantis ou Comerciais)
Os livros empresariais são documentos exigidos pela legislação comercial dos
empresários, e se destinam a fiscalização estatal das atividades empresariais.

Tais livros devem ser autenticados na junta comercial devendo ser também
devidamente escriturados.

O contador é o responsável
pela escrituração destes
livros.
No final de cada balanço patrimonial da
empresa, o contador deve escriturar o
resultado nos respectivos livros, relatando o
que entrou, saiu, e o que ficou no estoque
da empresa no período.
Veja nos slides a seguir os livros empresariais obrigatórios!!!

6.1.Livro Diário
Este livro possui a finalidade de relatar tudo que entrou de mercadoria nos
estabelecimentos do empresário, através das suas compras, tudo o que saiu, através
de suas vendas, e o que ficou no estoque. É um livro completo, pois possui informações
suficientes para o auxílio da fiscalização quando necessária for.

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O livro diário, nas micro e pequenas empresas, poderá ser substituído por 2 livros
facultativos: o livro caixa e o livro de registro de inventário.

O livro caixa registra a entrada e saída de mercadorias.

Já o livro de registro de inventário registra o estoque da empresa.

6.2. Livro de Registro de Duplicatas


Este livro só será obrigatório para os empresários que trabalham com duplicatas. Os
empresários que não emitem duplicatas não necessitam desse livro.

Duplicatas são títulos de crédito, tal como o cheque, a nota promissória e a letra de
cambio. Possuem força executiva e podem ser protestados no cartório de protesto de
títulos.

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6.3. Livro das Sociedades Anônimas (S.A)
Estes livros só serão obrigatórios para as sociedades anônimas (S.A).

6.4. Livros Empresariais Facultativos


Todos os demais livros empresariais conhecidos serão considerados facultativos, posto
que a legislação não os exige..
Livro caixa;
Livro de registro de inventário;
Livro borrador.

6.5. O Poder Probatório dos Livros Empresariais


Os livros empresariais possuem força probatória a favor ou contra seus titulares.

Isso significa que sempre que um juiz, para resolver um conflito empresarial, pedir os
livros aos sócios, se estes livros não estiverem escriturados, ou estiverem escriturados
incorretamente, o juiz poderá considerar este fato como crime falimentar, ou seja, crime
de falência contra a empresa possuidora desses livros. Então, os livros escriturados de
maneira irregular fazem prova contra seu titular.
Os livros obrigatórios possuem maior força probatória que os livros facultativos.

6.6. Atualização dos Livros Empresariais


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Os livros empresariais sempre foram conhecidos como aqueles de capa dura preta ou
azul marinho, que ficavam com o contador, ou até mesmo em cima dos balcões dos
estabelecimentos empresariais de menor porte, principalmente em cidades do interior,
nas mercearias e armazéns.

Ocorre que com a modernização das atividades econômicas o livro empresarial ganhou
uma nova roupagem. Hoje em dia estes documentos encontram-se digitalizados e
armazenados em chips de computador. Às vezes não mais possuem forma de
livro.

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7. Conclusão
Esta semana teve como finalidade a sua orientação no que tange ao registro do
empresário na junta comercial. Para isso, como primeiro passo, foi importante
conceituarmos junta comercial. Analisamos também que é mais vantajoso, do sentido
legal, o registro de uma sociedade empresaria. Isso ocorre, pois, a empresa individual
é pessoa física e a sociedade empresaria constitui personalidade jurídica.

Entendemos também, que as pessoas jurídicas, se trabalharem com desvio de


finalidade ou abuso de direito, poderão perder o privilégio da limitação da
personalidade jurídica em função do instituto da desconsideração da personalidade
jurídica. Por fim, estudamos que os livros empresariais são documentos necessários a
cada empresa. Tais livros podem ser facultativos e obrigatórios e possuem força
probatória a favor de seu titular se devidamente escriturados. Já se irregulares, poderão
fazer prova contrária ao seu titular, levando até mesmo a empresa a falência.

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8. Referências
COELHO, Fábio Ulhoa. Curso de Direito Comercial. São Paulo: Saraiva, v. 1 e 2,
2008.

DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro. São Paulo: Saraiva, 2008.

MARTINS, Fran. Curso de Direito Comercial. Rio de Janeiro: Forense, 2008.

REQUIÃO, Rubens. Curso de Direito Comercial. São Paulo: Saraiva, v. 1, 2008.

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