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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL

FACULDADE DE CIÊNCIAS SOCIAIS


POLÍTICA

Resumo do Capítulo 4, “O que é democracia?”


Livro “Sobre a Democracia” – Robert A. Dahl

Michele Savicki
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O capítulo inicia afirmando que alguns dos objetivos que não podemos atingir sozinhos
podem ser alcançados em parceria com pessoas que tenham os mesmos objetivos. A partir disso, e
supondo a criação de uma associação, o autor passa a se focar em responder a questão ‘O que é
Democracia’. Assim, supondo que essa associação fosse criar uma Constituição, a princípio, os
objetivos comuns seriam razoavelmente claros; no entanto, seria necessário decidir de que forma as
decisões seriam tomadas.
Uma das possibilidades seria a atribuição do poder de decidir questões mais importantes aos
membros mais sábios; tal escolha pouparia tempo e esforço aos demais. No entanto, pode-se
concluir que, no que tange às decisões mais importantes, ninguém é tão menos sábio que não possa
aprender o que precisa, assim como ninguém é tão mais sábio para ver automaticamente prevalecer
suas ideias. Conclui-se, assim, que todos podem tomar decisões políticas, as quais deverão ser
precedidas por debates quanto às decisões a serem tomadas. Assim, em tais termos, o que se busca é
uma democracia.
No entanto, sistemas democráticos também apresentam muitas distinções: podem ser
parlamentares, presidenciais, com poderes mais ou menos independentes, etc. Em meio a tantos
sistemas democráticos, o autor passa a elencar alguns critérios fundamentais para garantir a
igualdade política, ou seja, a capacidade de todos os membros tomarem decisões.
Primeiro, todos devem ter o direito de participarem efetivamente, ou seja, de expor suas
opiniões aos demais membros, de modo que a opinião de uma pessoa não prevaleça forçadamente.
Segundo, todos devem ter o direito ao voto, e os pesos de cada voto devem ser iguais, já que se
pressupõe que todos sejam igualmente qualificados. Terceiro, o entendimento deve ser esclarecido,
ou seja, todos devem ter chances reais de entender sobre o que estão decidindo, para que a
igualdade de qualificação seja uma realidade, e não um ideal. Quarto, deve haver um controle do
programa de planejamento, de forma que os membros possam decidir quais questões devem ser
avaliadas, a fim de impedir que determinado grupo limite os temas e proteja seus interesses. Por
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fim, todos ou a maioria dos adultos que residam no local de forma permanente devem ser incluídos
nos direitos anteriores. Tais critérios são necessários pois, se qualquer um for violado, os membros
deixarão de ser politicamente iguais.
Embora as questões acima indiquem um bom caminho para responder o que é democracia,
outras perguntas surgem, como a aplicabilidade de tais critérios ao governo de um estado –
entendendo aqui estado enquanto ente com poder de coerção suficiente para garantir obediência às
suas regras em determinado território. Tendo isso em vista, o autor conclui que os critérios já
apresentados certamente podem ser utilizados a um estado, afirmando que, inclusive, o foco
principal das teorias políticas é sobre o ente estatal. De qualquer forma, conforme o autor, nenhum
estado até hoje governou em pleno acordo com os critérios democráticos.
A segunda questão que se coloca, portanto, é se é possível que alguma associação aplique
adequadamente todos critérios, sendo, portanto, plenamente democrática. Conforme o autor, isso é
improvável. Defende, todo modo, que tais critérios, enquanto modelos ideais, proporcionam
padrões para avaliar a realidade, bem como para orientar a prática. Sendo assim, o autor apresenta
uma terceira questão: enquanto modelo de orientação, tais critérios são suficientes para que se
planejasse um sistema democrático? Conclui que não, pois seria essencial também conhecer a
realidade posta, de modo a adequar os critérios a sua finalidade, bem como resolver possíveis
conflitos entre critérios.
Por fim, diante de tantas respostas, ainda que parciais, o autor questiona o ponto primeiro de
que partiu o debate: seria a democracia realmente desejável, tendo em vista as dificuldades práticas
da igualdade política?

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