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GESTÃO PARA
RESULTADOS
NA EDUCAÇÃO
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IZABELA LANNA MURICI

NEUZA MARIA DIAS CHAVES

GESTÃO PARA
RESULTADOS
NA EDUCAÇÃO

Rua Senador Milton Campos, 35, 7° andar


Vale do Sereno | Nova Lima | Minas Gerais | CEP 34000-000
Tel.: (31) 3289-7200 | Fax: (31) 3289-7201
<www.falconi.com>
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Ficha catalográfica

M977g MURICI, Izabela Lanna.


Gestão para resultados na educação / Izabela Lanna Murici;
Neuza Maria Dias Chaves. ¾ 2. ed. ¾ Nova Lima: FALCONI Editora,
2016.

199 p.: il.

ISBN: 978-85-5556-009-5

1. Administração ¾ Gestão educacional. 2. Sistema educacional ¾


Gestão ¾ 3. Gestão escolar. I. Chaves, Neuza Maria Dias. II. Título.

CDD: 371.207

Capa: África São Paulo Publicidade Ltda.


Editoração eletrônica: Jeferson Teixeira Soares
Revisão do texto: Dila Bragança de Mendonça
Ilustrações: Pallavra Certa Comunicação Integrada Ltda.

Copyright © 2016 by Izabela Lanna Murici / Neuza Maria Dias Chaves


Direitos comerciais desta edição: FALCONI Editora
Printed in Brazil ¾ Impresso no Brasil
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Agradecimentos

É um grande desafio compactar tantos anos de trocas e aprendizado na rota da


educação e, ao final, tentar listar o nome das pessoas que compartilharam
conosco dessa grandiosa experiência. Para não sermos injustas com essas pes-
soas, fazemos um agradecimento a todos os diretores, professores, secretários e
funcionários das redes estaduais do Ceará, Pernambuco, Sergipe, Bahia, São
Paulo, Alagoas, Rio de Janeiro e as equipes de todas as escolas com as quais tra-
balhamos sem estarem atreladas ao esforço da rede, tais como as dos municípios
de Poços de Caldas, Cataguases, Belo Horizonte, Camaçari/BA, São Luís, Cuiabá,
etc.
Nossos agradecimentos com um profundo respeito às escolas públicas, que fize-
ram acontecer os resultados, mesmo em situações difíceis e recursos restritos,
demonstrando que é possível vencer o desafio da melhoria da educação. Hoje
somos testemunhas do poder da liderança na mobilização das pessoas em torno
de uma meta, da disciplina na utilização do método e da grande alegria nos
momentos de colheita dos resultados.
Agradecemos também ao Cláudio Moura Castro e ao Ricardo Henriques pela
confiança, à Flavia Henriques por compartilhar conosco seu conhecimento
pedagógico e à Sônia Magalhães pela agregação de valor com a sua entrevista.
Finalmente, agradecemos a toda a equipe FALCONI, que apoiou este trabalho,
incluindo colegas consultores, equipe de editoração, comunicação, gestão do
conhecimento, aos diretores e, em especial, ao Mateus Bandeira pelo incentivo e
apoio.

Agradecimento especial
Se dependesse das ideias, do conhecimento e do trabalho árduo do Professor
Falconi, a educação brasileira estaria entre as melhores do mundo. O País teria
aproveitado melhor o potencial mental das crianças e jovens, e hoje teríamos
líderes e equipes alcançando resultados excepcionais, além do respeito aos va-
lores que enaltecem uma sociedade.
Há pelo menos 3 décadas o Professor Falconi tem se aproximado de várias for-
mas da educação no Brasil: sensibilizando secretários e governos, participando
ativamente como cidadão (via fundações e doações) ou apoiando os projetos de
consultoria.
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O Professor Falconi fica com os olhos em chamas quando afirma que é um crime
desperdiçar o potencial mental de um estudante. Como o potencial mental é a
capacidade do indivíduo de aprender na unidade de tempo, cada dia sem apren-
der é um desperdício irreparável. Também fica irradiante quando fica sabendo dos
bons resultados de uma rede de ensino ou de escolas.
Nosso agradecimento ao Professor Falconi pelos conhecimentos que nutrem a
nossa competência para trabalhar nesse segmento; pela inspiração que nos faz
ousar escrever para um público tão especial; pelo exemplo da humildade e sim-
plicidade e por nos demonstrar de forma coerente que o verdadeiro poder está no
conhecimento.

Izabela Lanna Murici e Neuza Maria Dias Chaves


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Sumário

1 Introdução ..............................................................................................13
1.1 Como vencer a batalha da educação? ..............................................14
1.2 Todas as partes cumprindo a sua função ............................................15
1.3 Diagnóstico – Identificando problemas e prioridades do sistema ..........18

2 Aplicando os fatores críticos ......................................................................25


2.1 Liderança ........................................................................................26
2.1.1 A liderança promove os valores na gestão ..............................33
2.2 Conhecimento técnico ......................................................................34
2.3 Conhecimento do método de gestão..................................................36

3 Utilizando o sistema de gestão educacional na rede e nas escolas ..............41


3.1 Aplicação do sistema de gestão na escola ..........................................43

4 Utilizando o método para alcançar as metas anuais ..................................49


4.1 Planejamento....................................................................................50
4.1.1 Identificação do problema ......................................................50
4.1.2 Análise do fenômeno..............................................................65
4.1.3 Análise do processo................................................................74
4.1.4 Plano de ação........................................................................95
4.2 Execução........................................................................................103
4.3 Verificação......................................................................................104
4.4 Ações (ações corretivas/padronização) ............................................111
4.4.1 Padronização das boas práticas ............................................111
4.4.2 Ações corretivas a partir de desvios de resultado ....................117
4.4.3 Conclusão do PDCA ............................................................119
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5 SDCA – Como manter as melhorias ........................................................123


5.1 Padronização (S) ............................................................................125
5.1.1 Definição dos indicadores dos processos da escola ................126
5.1.2 Definição da meta padrão ....................................................126
5.1.3 Elaboração dos padrões ......................................................126
5.2 Desenvolvimento (D)........................................................................128
5.2.1 Divulgação e treinamento nos padrões ..................................128
5.2.2 Execução dos padrões ..........................................................129
5.2.3 Gestão dos padrões ............................................................129
5.3 Verificação dos resultados................................................................131
5.4 Ação corretiva ................................................................................133

6 Gestão do ambiente da escola................................................................145


6.1 Como implantar o programa 5S ......................................................146

7 Impulsionadores da gestão para resultados ..............................................165


7.1 Gestão do clima da escola ..............................................................165
7.2 Como gerenciar o clima escolar ......................................................166
7.3 Gestão da mudança ......................................................................168

Referências ................................................................................................181
Anexos ......................................................................................................185
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Capítulo 1

Introdução
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Introdução

1 Introdução
O conhecimento sobre os problemas da educação não é novo e nos últimos anos
tem vindo à tona com mais frequência a cada vez que os resultados das avaliações
são divulgados, deixando sempre uma pergunta: por que as melhorias ainda são
tímidas, esparsas e tão distantes dos países desenvolvidos? Segundo os resultados
do Ministério da Educação, no IDEB 2011 (Índice de Desenvolvimento da
Educação Básica), em uma escala de 0 a 10, quase a metade das escolas do
Brasil não passa da nota 4, e apenas 3% no 2º ciclo do ensino fundamental têm
padrão da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento
Econômico) de 6 pontos.
Embora as causas do baixo desempenho sejam quase sempre as mesmas, por que
continuam impactando a aprendizagem dos alunos, a despeito dos recursos
disponibilizados? Esse assunto vem ocupando durante algum tempo a pauta das
mídias e debates entre especialistas e governantes.
O problema crônico do baixo desempenho não se resolve com boa vontade, dis-
cursos indignados e ações isoladas. Mesmo que essas ações ocorram em múlti-
plos pontos do País, o problema é sistêmico e não pode ser tratado de forma pon-
tual. Ações pontuais geram efeitos pontuais. Tal problema poderia ser revertido
por meio de uma política nacional abrangente e com uma gestão sistematizada.
Vale a pena recuar um pouco na história para relembrar o que os estatísticos
americanos Edward Deming e Joseph Juran conseguiram no Japão após a
Segunda Guerra Mundial. Utilizando a combinação do método de gestão com fer-
ramentas estatísticas, ajudaram a reerguer o país que se encontrava praticamente
destruído. Os bens materiais dessa nação estavam soterrados pelos entulhos, e
restavam a eles somente as pessoas, que, se por um lado, representavam um pro-
blema relativo à sobrevivência, por outro, eram a única solução para obtê-la.
Assim, vistos como alvos e como recursos, os japoneses tiveram que se mobilizar
em torno da única alternativa que tinham e, desprovidos do preconceito contra o
país que o havia atacado, deixaram o conhecimento dos americanos jorrar sobre
as suas mentes. Deve ter sido dolorido receber ensinamentos dessas pessoas, mas
a decisão foi guiada pela visão coletiva. O resultado, alguns anos depois, foi
superior ao objetivo de reconstruir o país, pois, além disso, melhoraram os seus
produtos e sua indústria, e passaram a ser uma referência em gestão em todo o
mundo.
Os japoneses se sentiam realizados ao serem procurados pelos americanos para
mostrar a sua estratégia de gestão e, quando perguntados sobre a origem daque-
le conhecimento, respondiam orgulhosamente: não criamos esse conhecimento;
dois americanos vieram aqui e nos ensinaram. O que fizemos foi colocar em práti-
ca.

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Gestão para Resultados na Educação

Esse método de gestão, construído sobre fundamentos científicos, vem sendo uti-
lizado mundialmente há décadas por organizações de diversos segmentos. Trata-
se de um método científico simples, apoiado por ferramentas estatísticas que pos-
sibilitam análises e melhorias pertinentes, e passível de ser amplamente aplicado.
Como foi demonstrado pelos japoneses, o diferencial está na maneira como é
praticado.

1.1 Como vencer a batalha da educação?

A educação é um patrimônio de riqueza incalculável, que impacta gerações e


repercute por décadas na saúde, na política, na segurança, na economia e na
qualidade de vida de um povo.
As perdas na educação brasileira podem não estar tão evidentes, pois, embora os
resultados das avaliações revelem o problema, ainda não há uma solução que o
trate sistemicamente. O agravante é que, sendo um patrimônio intangível, a maio-
ria não vê seus estragos em longo prazo, e há aqueles que os veem, mas lidam
com ele de uma forma imediata, atuando de forma paliativa sem utilizar um méto-
do adequado à sua complexidade.
Não há nada pior para um país do que a baixa percepção dos seus problemas
intangíveis. Para que a educação não seja um tesouro que a cada dia fica mais
soterrado, é urgente deter o discurso e ir para a ação, agindo de forma organiza-
da sobre as causas e utilizando o método de gestão em todos os seus níveis.
Há quem aposte que com a redução do número de nascimentos por lar brasileiro,
apontado nos dados do IBGE (CENSO 2010) e com o aumento do orçamento,
haverá mais recurso por aluno, o que melhoraria a educação. Entretanto, estudos
apontam que não é dinheiro que falta para melhorar a educação. Falta um obje-
tivo comum, uma diretriz, um esforço sistêmico, um método que possibilite esta-
belecer metas, planejar as estratégias, acompanhar e intervir para se ter certeza
do resultado. Em síntese, falta gestão.
Se a gestão contribuiu para a reconstrução de um país destroçado, por que não
conseguiríamos erguer o nosso maior patrimônio, que é a educação? Também
podemos sair mundo afora pelos congressos contando nossos bons resultados em
vez de justificar o baixo desempenho. Somente assim podemos mudar os temas
das nossas palestras e energizá-las com orgulho. Podemos dar ao jovem a alegria
de poder competir pela sua própria capacidade independentemente da sua
condição social, racial ou do tipo de escola. Podemos prover as empresas de
padrão mundial com talentos em vez de trazer os profissionais de outros países.
O Brasil tem condição de viver essa realidade. Já vencemos a batalha quantitati-
va de colocar as crianças na escola, e agora é o momento da batalha qualitativa.

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Introdução

“Se o país não for pra cada um, pode estar certo que não será prá nenhum”
(Esmola, Skank).

1.2 Todas as partes cumprindo a sua função

Para que o sistema de educação cumpra amplamente sua função de prover edu-
cação de qualidade para todos, é preciso que todos os elos estejam comprometi-
dos em desempenhar a sua responsabilidade específica, sem perder de vista a
conexão com o objetivo maior. Dessa forma, é indispensável que as responsabili-
dades sejam claramente definidas desde o primeiro nível e que haja gerencia-
mento dos processos e resultados.
De uma maneira geral, tais responsabilidades são atribuídas aos seguintes elos:

FIGURA 1 – Elos e responsabilidades no sistema educacional (continua)

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Gestão para Resultados na Educação

FIGURA 1 – Elos e responsabilidades no sistema educacional (termina)

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Introdução

As responsabilidades e atribuições sugeridas anteriormente são baseadas em


experiências nas várias redes de educação, porém não são prescritivas nem exaus-
tivas.
O objetivo é contribuir para uma visão sistêmica do segmento educacional, desta-
cando as responsabilidades e atribuições de cada elo, mostrando a inter-relação
entre eles, de forma que todos estejam focados no aluno.
Apesar da influência de diversos órgãos (elos do sistema) sobre a educação, o
foco deste texto é a atuação das Secretarias de Educação e, mais especificamente,
das escolas, na produção de melhores resultados do processo ensino-aprendiza-
gem e a importância da gestão para alcançá-los.
Em síntese, todos os elos, ao cumprir as suas responsabilidades, agregam valor à
cadeia e desempenham sua função até chegar ao aluno, conforme representado
a seguir:

FIGURA 2 – Agregação de valor até o aluno

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Gestão para Resultados na Educação

1.3 Diagnóstico – Identificando problemas e prioridades do sistema

Resultados de qualidade são obtidos quando cada parte do sistema exerce sua
função, ou seja, cumpre suas atribuições por meio da execução de processos e
atividades que agreguem valor. Quanto mais distante uma rede está do cumpri-
mento das suas funções, maiores as lacunas de desempenho e oportunidades de
melhoria nas dimensões que impactam os resultados. Para revertê-los é necessário
conhecer bem esses fatores, realizando um diagnóstico das dimensões críticas dos
resultados educacionais. Assim como um médico que analisa sintomas e busca as
causas, a melhoria de uma rede passa pelo entendimento dos seus resultados e
das disfunções do sistema, ou seja, o não cumprimento das diversas atribuições.
Assim, o diagnóstico deve contemplar os principais fatores que influenciam resul-
tados e que devem ser trabalhados com ações, programas e políticas específicas,
conforme exemplificado a seguir:

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Introdução

FIGURA 3 – Dimensões e fatores para diagnóstico

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Gestão para Resultados na Educação

Para cada dimensão/fator, devem ser levantadas questões específicas para avaliar
a qualidade das ações/políticas realizadas.
Tomemos como exemplo a aplicação de um currículo mínimo na rede. A avaliação
desta política passa pela existência de um currículo que especifique o que deve ser
ensinado em cada ano de ensino/etapa, a priorização de disciplinas como por-
tuguês, matemática e ciências, forma como foi elaborado e se está refletido no
plano de curso dos professores. Quanto mais a prática da rede for aderente em
relação aos itens avaliados, maior será a sua pontuação e menor a necessidade
de intervenção.
A partir do resultado do diagnóstico, devem ser priorizados os fatores com os
resultados mais baixos, correlacionando-os com os problemas específicos identifi-
cados (resultados) e definidas as ações/prioridades da rede.

Exemplo da aplicação:

Ao avaliar as dimensões críticas e seus fatores de uma rede educacional, foi obser-
vado que havia uma baixa pontuação na dimensão ensino e que esta deveria tam-
bém ser alvo de ações por parte da Secretaria de Educação.

FIGURA 4 – Resultado do diagnóstico das dimensões críticas do sistema

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Introdução

A partir dos desafios das metas e resultado da avalição das dimensões críticas,
foram priorizadas a seguintes ações:
u Desenvolver currículo mínimo e material estruturado para a aplicação na
rede (priorizado da dimensão ensino);
u Elaborar programa de correção de fluxo com foco na distorção idade-série;
u Desenvolver programas de formação de professores com base nos resulta-
dos das avaliações de proficiência em português e matemática;
u Desenvolver políticas específicas para escolas em áreas de vulnerabilidade
social.
Como pode ser verificado, ao planejar ações de intervenções em uma rede e
mesmo em uma escola, devem ser entendidos o que não está funcionando bem e
é crítico e, a partir daí, definir ações de melhoria.

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Capítulo 2

Aplicando os fatores
críticos
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Aplicando os fatores críticos

2 Aplicando os fatores críticos


Considerando os resultados educacionais, algumas escolas se destacam como
pequenas ilhas de notas azuis em um mar de notas vermelhas. Algumas delas
apresentam resultados comparáveis aos de países desenvolvidos e passam a ser
notícia, divulgadas algumas vezes como algo incomum. É louvável o papel da
imprensa que as coloca em evidência e faz com que elas se orgulhem pelo seu
destaque e comemorem a sua posição. Mas seria excepcional se essa situação
não fosse a exceção, e sim uma comemoração de todo o sistema educacional. A
pergunta é: por que algumas escolas que existem no mesmo meio de desigual-
dade social e submetidas às mesmas influências socioeconômicas conseguem ter
um desempenho superior?
Várias são as causas quando o problema é complexo, mas três fatores críticos têm
influência determinante sobre o sucesso dos resultados: liderança, conhecimento
técnico dos processos e método de gestão. Qualquer que seja a organização, a
liderança é o principal deles.

FIGURA 5 – Fatores que garantem resultados


Fonte: FALCONI, 2009.

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Gestão para Resultados na Educação

2.1 Liderança

A liderança na área educacional tem a função de obter resultados por meio das
pessoas e com base em valores. São líderes os secretários da educação, os
gestores regionais, diretores de escolas, os coordenadores, os professores e todos
aqueles que têm a responsabilidade de mobilizar pessoas para produzir os resul-
tados de uma educação de qualidade.
Para que a função da liderança na educação seja cumprida, é necessário alinhar
os interesses dos vários envolvidos em torno do aprendizado do aluno e fazer disso
o objetivo único, pelo qual todos devem se empenhar.
As necessidades atuais da sociedade exigem uma liderança que transcenda a
tradicional competência administrativa e passe pelo conhecimento no método de
gestão, pela atitude com a equipe, pelo exemplo de coerência entre discurso e
ação e nos valores demonstrados.
No âmbito das redes estaduais e municipais é imprescindível a inserção de técni-
cas e comportamentos de liderança no Programa de formação dos gestores e pro-
fessores. Essa é uma competência que não pode ser entendida como algo natu-
ral que se aprende a medida que se faz. Não existe mágica quando uma rede ou
escola apresenta bons resultados.
Como a rede estadual ou municipal podem fazer da liderança a sua marca?
1) Dando o exemplo – Se quer melhorar os resultados da rede pela qual é
responsável, o Secretário de Educação deve ter um sonho que inspire todos
os envolvidos a querer a grande mudança e se esforçar para buscá-la. Essa
inspiração é o princípio de tudo.
2) O sonho deve ser desdobrado em todos os níveis. Todos devem saber que
o Estado ou o Município depende do melhor desempenho para a grande
melhoria. Ao compartilhar do sonho, os gestores e professores receberão a
meta com um engajamento maior e terão entusiasmo para organizar os
recursos para obtê-la.
3) O sonho se materializa nos planos e nas atitudes dos líderes. O método
será um instrumento para garantir que as metas sejam alcançadas e manti-
das.
4) Tudo isso é possível. As redes precisam, além de colocar a liderança nos
Programas de Formação, dar suporte às escolas para reforçar a aplicação
e assegurar que os gestores estão apliquem o que aprenderam.
Para desenvolver estas competências nos líderes da rede, pode ser estruturado um
programa de formação de líderes. Sugere-se que esse programa trabalhe as

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Aplicando os fatores críticos

dimensões da liderança de uma forma prática e de fácil aplicabilidade. A ideia é


disponibilizar aos líderes os conhecimentos e ferramentas para que possa alcançar
metas, com o time, fazendo certo.

Exemplo de conteúdos de formação de líderes

FIGURA 6 – Exemplo de conteúdo para formação de líderes

Tem-se observado uma grande melhoria nos resultados e no ambiente das esco-
las, quando a direção exerce a liderança, deixando claras as metas, apoiando os
professores e cobrando firmemente os resultados.
A exemplo da direção, a liderança deve ser exercida na sala de aula pelos pro-
fessores. Eles devem focar nos resultados, ministrando as aulas de forma a obter
o melhor aprendizado, mesmo que as condições dos alunos ou da estrutura não
sejam as ideais.

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Gestão para Resultados na Educação

Com cada líder cumprindo seu papel, a escola terá um sistema de liderança que
mobilize todos os agentes a compartilhar visão de futuro e metas, criando e man-
tendo um ambiente adequado.
Nesse modelo é desenvolvida a responsabilidade de pais e alunos, em conjunto
com a escola, pelos resultados, que passam a ajudar a monitorar os desvios e
atuar em tempo hábil para que o resultado seja o esperado.
A seguir, apresentamos um instrumento que poderá servir ao líder para avaliar o
seu nível de liderança na escola e, com base no resultado, traçar o seu plano de
melhoria individual.
Essa avaliação foi inspirada no conceito de liderança desenvolvido pelo Prof.
Vicente Falconi de que liderar é alcançar metas consistentemente, com o time,
fazendo certo.

FIGURA 7 – Conceito de liderança

A agenda do líder a seguir é a versão original apresentada pelo Prof. Vicente


Falconi.

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Aplicando os fatores críticos

FIGURA 8 – Agenda do líder


Fonte: FALCONI, 2009.

O conteúdo dessa agenda foi adaptado para facilitar a autoavaliação do líder na


escola, conforme a FIG. 9.

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