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Dimensionamento

de Estruturas em Aço
Parte 1
Prof. Yopanan C. P. Rebello

Coordenação Geral:
Sidnei Palatnik
www.cursoscbca.com.br
Sobre o autor:
Yopanan Conrado Pereira Rebello
é engenheiro civil pela Universidade Mackenzie (1971),
é mestre e doutor pela FAU-USP (1992).
Diretor Pedagógico da Ycon Formação Continuada
Diretor Técnico da Ycon Engenharia Ltda.
E autor de diversos livros, entre eles:
“A Concepção Estrutural e a Arquitetura”*
“Bases para Projeto Estrutural”*
“Estruturas de Aço, Concreto e Madeira”*
“Fundações”*
*títulos publicados pela Zigurate Editora – São Paulo

Colaboradores:
Sidnei Palatnik e Arquimedes da Silva Costa Filho

Ficha técnica:
Produção: CBCA – Centro Brasileiro da Construção em Aço
Coordenação Geral: Sidnei Palatnik
Projeto Gráfico: Caetano Sevilla (Hous Mídia Interativa) e Sidnei Palatnik
Editoração Eletrônica: Caetano Sevilla (Hous Mídia Interativa)
Ilustrações: Sidnei Palatnik e Arquimedes da Silva Costa Filho

Fotos: Conforme indicado

© 2010 INSTITUTO AÇO BRASIL/CENTRO BRASILEIRO DA CONSTRUÇÃO EM AÇO


Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida por qualquer meio, sem a prévia autorização desta
Entidade.

Ficha catalográfica preparada pelo Centro de Informações do IABr/CBCA

Rebello, Yopanan Conrado Pereira


R291s
Dimensionamento de estruturas em aço / Yopanan Conrado Pereira Rebello;
Coordenação de Sidnei Palatnik - Rio de Janeiro: Instituto Aço Brasil/CBCA, 2010.

Curso a distância – via Internet
Modo de acesso: www.cursoscbca.com.br

ISBN 978-85-89819-23-7

1.Perfis de aço 2. Dimensionamento de estruturas de aço 3. Mezaninos estruturados em


aço 4. Galpões estruturados em aço 5. Edifícios estruturados em aço 6. Curso a
distância I. Palatnik, S.

Instituto Aço Brasil / Centro Brasileiro da Construção em Aço


Capa: Av. Rio Branco, 181 / 28º Andar
Shopping Flamboyant Goiânia 20040-007 - Rio de Janeiro - RJ
Foto: Sidnei Palatnik e-mail: cbca@iabr.org.br
site: www.cbca-iabr.org.br
Sobre esta Apostila

O conteúdo desta apostila é parte integrante do curso a distância inti-


tulado: “Dimensionamento de Estruturas em Aço”, desenvolvido pelo
Professor Doutor Engenheiro Yopanan Conrado Pereira Rebello e pelo
Arquiteto Sidnei Palatnik, para o CBCA – Centro Brasileiro da Construção
em Aço - e oferecido no link www.cursoscbca.com.br.

Ao prepararmos esta apostila tivemos como único fim oferecer a possibi-


lidade de imprimir o conteúdo escrito do curso, de forma a facilitar
sua leitura.

Ressaltamos que inúmeros recursos multimídia disponíveis na internet


não se aplicam a esta versão. Ela também não incluiu todo o conteúdo
disponibilizado no curso, como fóruns de discussão, exercícios, testes
e vídeos, bem como o conteúdo desenvolvido pelos alunos durante
o curso.

Eventuais links para sites, ou outros, apresentados ao longo do texto,


só funcionarão se utilizados a partir dos links correspondentes das web
pages, no ambiente de estudo na internet. Da mesma forma, os vídeos
assinalados ao longo da apostila somente são disponibilizados através
do ambiente de internet do curso. Dependendo do tipo de conexão à
internet, banda larga ou não, recomendamos que seja feito o download
dos vídeos oferecidos durante o curso para que possam ser visualizados
a partir do computador do leitor.
Dimensionamento de estruturas em Aço
Parte 1
Sumário do Curso

Apresentação

Introdução O material Aço

Módulo 1 1ª Parte - Perfis de Aço - Tipos e Usos


2ª Parte - Dimensionamento de Estruturas de Aço

Módulo 2 1ª Parte - Mezaninos estruturados em Aço


2ª Parte - Dimensionamento de um Mezanino estruturado em Aço

Módulo 3 1ª Parte - Galpões Estruturados em Aço


2ª Parte - Dimensionamento de um Galpão estruturado em aço

Módulo 4 1ª Parte - Edifícios estruturados em Aço


2ª Parte - Dimensionamento de um Prédio com cinco pavimentos

Módulo 5 Considerações sobre o Dimensionamento de Estruturas de Aço


Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

Apresentação

Vídeo 1 – Apresentação assista on-line

Seja bem vindo ao curso de Cálculo de Estruturas em Aço, do CBCA.

Neste curso optamos por estabelecer três tipologias que utilizaremos


como base para o nosso estudo.

São elas:

1. Mezaninos
2. Galpões
3. Edifícios de até cinco pavimentos

Ao definirmos estas tipologias acreditamos que estaremos abrangendo grande


parte das estruturas de aço exe cutadas em nosso país.

Este curso não pretende esgotar o assunto, que é por demais vasto. Nosso
intuito é abrir um caminho inicial para que cada participante possa continuar
avançando por si mesmo, através de bibliografia, ou em outros cursos que
pretendemos desenvolver no futuro.

Nosso principal objetivo é que o conteúdo proposto seja, efetivamente, de or-


dem prática.

É importante esclarecer que não pretendemos tratar de noções básicas


para cálculo de esforços e reações de cargas, cálculos de momentos fletores
e forças cortantes, ou esforços axiais em pilares e em estruturas compostas
de barras.

Recomendamos que, se você estiver esquecido destas questões, estude um


pouco antes de começar o curso, para por em dia estes assuntos.
Retome os procedimentos de cálculo para esses esforços.
Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

Introdução

Vídeo 2 - O material Aço assista on-line

O aço é uma liga metálica constituída basicamente Cada um destes elementos altera as propriedades
de ferro e carbono. Dependendo do tipo de aço que físicas da liga, como sua resistência mecânica, re-
queremos obter, são adicionados outros elemen- sistência a corrosão, ductilidade e muitas outras.
tos, tais como: manganês, silício, fósforo, enxofre,
alumínio, cobre, níquel, nióbio, cromo e outros.

Figura 0 - Tabela de elementos de liga

A quantidade de carbono

A quantidade de carbono é de suma importância nas A ductilidade é um aspecto importante, pois permite
características mais relevantes do aço. que sejam visualizadas as deformações em peças
submetidas a grandes tensões, servindo como aviso
Aços com maior quantidade de carbono são mais antes da ruptura, ou permitindo a redistribuição dos
resistentes, porém pouco dúcteis e muito que- esforços.
bradiços. Com menos carbono são mais dúcteis,
mas com menor resistência. Esta propriedade também é importante para a
confecção de perfis de chapas dobradas, evitando
trincas ou quebra nas linhas de dobra.
Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

Em relação ao cálculo de dimensionamento, não se considera o limite de rup-


tura como limite de trabalho do aço e sim o limite de escoamento, pois a partir
deste ponto as deformações são permanentes e indesejáveis, podendo, inclu-
sive ocorrer a ruptura inesperadamente.

O capítulo referente às características de fabricação


do aço faz parte do curso Introdução ao uso do Aço Curso Introdução ao uso do Aço
na Construção Civil e aqui será oferecido apenas Módulo 1 - 2ª parte
como leitura complementar, não sendo nossa inten- (Material adicional disponível no curso on-line)

ção nos aprofundarmos nestas questões.


Leitura Complementar recomendada:
Caso tenha interesse em conhecer este material, “O Uso do Aço na Arquitetura”
faça o download da 2ª parte do módulo 1 daquele Prof. Aluizio Fontana Margarido - CBCA - 2008
curso. Aos que tiverem interesse em conhecer mais (Material adicional disponível no curso on-line)

sobre o uso do aço na arquitetura e construção, re-


comendamos fazer os dois outros cursos a distância
oferecidos pelo CBCA:

a. Introdução ao uso do Aço


b. Sistemas Estruturais em Aço
Dimensionamento
de Estruturas em Aço
Parte 1

Módulo 11 ª parte
Sumário Módulo 1 : 1ª Parte
Perfis Metálicos Tipos e Usos

1. Perfis Estruturais de Aço


página 10
1.1. Perfil Laminado
página 10
1.2. Perfil de Chapa Dobrada
página 11
1.3. Perfil de Chapas Soldadas
página 11
1.4. Principais aplicações dos perfis
página 12
1.4.1. Cantoneiras
página 12
1.4.2. Perfil “U”
página 15
1.4.3. Perfil “I”
página 17
1.4.4. Perfil “H”
página 20
1.4.5. Perfil “T”
página 20
1.4.6. Perfil Tubular
página 21
1.4.6.1. Usos estruturais de tubos de Aço
página 22
1.4.7. Chapas
página 23
1.4.7.1. A utilização das Chapas de aço
página 23
1.4.8. Barras redondas
página 24
1.5. Tabelas de Perfis de Aço
página 24
Modulo 1 : 1ª parte

Módulo 1 : 1ª Parte
Perfis Metálicos - Tipos e Usos

É importante esclarecer um aspecto fundamental nos perfis metálicos podemos ter uma gama mais
quando se pretende trabalhar com estruturas de variada de tipos de perfis, cada qual com caracter-
aço: os elementos com que trabalhamos, os perfis ísticas próprias, sejam elas de geometria, espes-
de aço utilizados como vigas e pilares, diferem bas- sura, tipo de fabricação e com indicação de uso
tante dos elementos da construção convencional. dife-renciado, além das próprias características
Em concreto armado, estes elementos estruturais do aço, de maior ou menor resistência mecânica, e
variam, principalmente, nas dimensões (Base e composição química.
Altura) e na quantidade de armadura utilizada. Já

1. Perfis Estruturais de Aço


Denomina-se perfil estrutural à barra de aço obtida Como resultado desta operação são obtidas placas
por diversos processos e que apresenta a forma ou tarugos de seção quadrada ou retangular. As
da sua seção com determinadas características placas são destinadas à fabricação de chapas
para absorver determinados esforços. e os tarugos à fabricação de perfis estruturais.

Os perfis estruturais de aço são obtidos a par- Os tarugos são processados, sob pressão, em má-
tir dos lingotes reaquecidos, que passam pelos quinas denominadas laminadores, em três fases:
laminadores-desbastadores, onde têm sua seção bruta, intermediária e de acabamento. Ao final
transversal alterada e a estrutura molecular do desse processo são obtidos os perfis com seções
aço trabalhada para atingir características físicas adequadas às solicitações estruturais.
apropriadas. (Ver figura 01)

Figura 01 – Laminador Universal Foto 01: Laminador de tiras a quente. Fonte: Usiminas

As chapas laminadas, por sua vez, podem resultar Os perfis estruturais podem ser de três tipos:
em outros perfis através de seu dobramento ou sol-
dagem com outras chapas, além de diversos outros • Perfis Laminados
produtos de aço, como telhas, fechamentos laterais • Perfis de chapas soldadas
e pisos. • e Perfis de chapa dobrada

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Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

1.1. Perfil Laminado

É aquele obtido a partir da laminação dos tarugos.


Suas dimensões são padronizadas e limitadas. Nor-
malmente é utilizado em obras de médio porte. Tem
como vantagem a redução do trabalho de transfor-
mação da chapa, pois já vem pronto. Os principais
perfis laminados fabricados no Brasil são:

• Perfil U
• Perfil I e H
• Cantoneira
Foto 02. Laminador de perfis visto da cabine de controle.
Fonte: Gerdau Açominas

1.2. Perfil de Chapa Dobrada


O perfil de chapa dobrada é obtido pelo dobramento Os perfis de chapa dobrada permitem variação
de chapas a frio. de forma e dimensões das seções, mas podem,
também, ser encontrados prontos e padronizados.
Quando as chapas são finas, entre 1,5 mm e 5 mm,
os perfis recebem a denominação de perfis leves. Os perfis de chapa dobrada mais comuns são:
Por serem muito esbeltos exigem cuidados especi-
ais na sua aplicação, tanto quanto à solicitação aos • Perfil U, simples e enrijecido
esforços como pela possibilidade de fácil • Cantoneira
deterioração.

Existe ainda, a modalidade de perfis muito leves,
como é o caso dos perfis utilizados na construção
em Light Steel Framing, cujas espessuras dos per-
fis de aço galvanizado variam de 0,8 a 1,5 mm.

Os perfis conformados a frio são atendidos pelas


normas NBR 14762:2001 Dimensionamento de es-
truturas de aço constituídas por perfis formados
a frio – Procedimento, e NBR 6355:2003 Perfis
estruturais de aço formados a frio – Padronização.

Os perfis mais pesados podem ser executados com


chapas que podem chegar à espessura de 25 mm.
Neste caso são exigidos raios de curvaturas míni-
mos na dobragem para evitar fissuração ou alte-
ração nas características do aço.

Os perfis leves são mais comuns e utilizados em ob-


ras de pequeno porte ou em elementos estrutu-rais
secundários. Em coberturas, o uso de perfil Foto 03 – Estrutura em light Steel Framing.
de chapa dobrada costuma ser o mais econômico. Fonte: Sidnei Palatnik

11
Modulo 1 : 1ª parte

1.3. Perfil de Chapas Soldadas

Perfil de chapas soldadas é o perfil obtido pela sol- Devido ao custo de fabricação mais elevado esse
dagem de chapas entre si. Permite grande varie- tipo de perfil é utilizado em obras de médio a grande
dade na forma e dimensões das seções; As chapas, porte. No entanto, quando o projeto exigir seções
com as mais diversas espessuras, variando entre com formas especiais, essa solução também pode
5 e 50 mm, e que podem, ainda, estar previamente ser usada em obras de menor porte.
dobradas, quando soldadas entre si originam as
mais diversas possibilidades de seções.

1.4. Principais aplicações dos perfis


Para escolher o perfil mais adequado para cada • O esforço de flexão exige formas de seção em
aplicação, é de fundamental importância lembrar que o material encontre-se longe do centro de
o princípio da distribuição das massas nas seções. gravidade, mas apenas em relação ao eixo em
Este princípio relaciona as formas das seções das torno do qual ocorre o momento fletor.
peças estruturais com os esforços a que são sub-
metidas. Nota: Para informações mais detalhadas sobre
este assunto recomendamos consultar o livro “A
Resumidamente esse princípio pode ser assim concepção estrutural e a arquitetura”, do Prof.
exposto: Yopanan C.P. Rebello, São Paulo, Zigurate Editora,
2003, p.61.
• O esforço de tração simples convive bem com
qualquer forma de seção. Se a intenção for trabal- A seguir serão apresentados os perfis estruturais
har com peças esbeltas é recomendado o uso de mais comuns, mostrando como são obtidos, e suas
seções em que o material esteja concentrado junto aplicações mais adequadas.
ao centro de gravidade da seção.

• O esforço de compressão simples pode provocar


flambagem, daí peças comprimidas exigirem seções
mais rígidas, ou seja, aquelas em que o material
esteja mais afastado do centro de gravidade, de
preferência em todas as direções.

1.4.1 Cantoneiras

As cantoneiras (ver figura 02) podem ser obtidas


por dobramento de chapa, ou laminadas (produto
de siderúrgica). São especificadas em projeto pela
letra L, seguidas das dimensões da seção, especifi-
cando primeiro as larguras das abas, seguidas da
sua espessura. As dimensões das cantoneiras lami-
nadas são expressas em polegadas e as de chapa
dobrada, em mm.

Figura 02

12
Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

Exemplo: L 4” x 4” x ½” ou L 100 x 100 x 12,5 mm.

Os usos mais comuns para as cantoneiras são apresentados a seguir:

a) Elemento de ligação entre peças (Ver figura 03)

Figura 03 Foto 04 - Cantoneira soldada em uma viga e parafusada


em outra. Fonte: Sidnei Palatnik

b) Barras de treliças, principalmente em tesouras de telhado (Ver figura 04)

Figura 04

É recomendável que as barras das treliças sejam A ligação entre as cantoneiras é feita através
formadas por cantoneiras duplas, para que o cen- de chapas nas quais estas são soldadas ou para-
tro de gravidade da força passe pelo c.g. da seção, fusadas.
evitando-se assim excentricidades que resultem
em esforços indesejáveis.

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Modulo 1 : 1ª parte

c) Composição de pilares (Ver figura 05)

Foto 05
Figura 05 – Pilar composto de cantoneiras e chapa Fonte: Sidnei Palatnik

Neste caso, com pequena quantidade de material É de capital importância que, para garantir que as 4
pode ser obtida uma coluna, bastante rígida e com cantoneiras não trabalhem independentes, mas sim
uma seção com grande momento de inércia. como uma única seção formada por 4 cantoneiras,
se evite o escorregamento relativo entre elas. Para
isso é necessário ligar as cantoneiras com trava-
mentos adequados, sendo o mais eficiente aquele
que forma triângulos, como aparece na Foto 05.

d) Reforços de chapas de piso ou vedação (Ver figura 06)

figura 06

As cantoneiras se comportam como nervuras


aumentando a rigidez da chapa. Caso a chapa não
fosse enrijecida pelas cantoneiras, sua espessura
teria que ser maior, resultando em peso e custos
mais elevados.

14
Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

1.4.2 Perfil “U”

Figura 07

O perfil U (ver figura 07) pode ser obtido por dobra-


mento de chapa ou por laminação em siderúrgica.
Foto 06 – Perfil U laminado
Sua especificação é feita pelo uso do símbolo
“ [ “, seguido das dimensões da seção e do peso
por metro linear.

No caso de perfis laminados é fornecida a altura A denominação 1a alma significa que foi escolhido,
da alma em polegadas seguida do peso por metro dentre os perfis de 8” de altura que aparecem no
linear; catálogo, aquele que apresenta espessura de alma
No caso dos perfis de chapa dobrada, são forneci- mais fina e que, portanto, aparece em primeiro
das todas as dimensões da seção em milímetros, na lugar no catálogo.
seguinte seqüência: altura, largura e espessura.
Os perfis “U” são comumente usados nas seguintes
Os perfis U de chapa dobrada podem ser enrijeci- situações:
dos para aumentar sua inércia em relação ao seu
eixo vertical (de menor inércia). Esse enrijecimento a) Barras de Treliças de grande porte (Ver figura 08)
é dado pelo dobramento de seus extremos. Este
dobramento recebe o nome de lábio. Neste caso o
perfil é especificado na seguinte seqüência: altura,
largura, espessura e lábio.

Exemplos:

[ 8” x 17,11 para perfil laminado


[ 100x50x3 para perfil de chapa dobrada
[ 100x50x3x 20 para perfil de chapa dobrada
enrijecido

Nos perfis laminados, para cada altura de alma são


fabricados diversos perfis com várias espessuras
de alma e mesa. Em vista disso pode-se, mais popu-
larmente, substituir a especificação através do peso
pela posição do perfil no catálogo de fabricação.
Figura 08
Exemplo: [ 8” x 17,11 ou [ 8” 1a alma

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Modulo 1 : 1ª parte

b) Composição de pilares através da soldagem dos Recomenda-se que as abas do perfil estejam volta-
perfis entre si ou com chapas ou cantoneiras. (Ver das para baixo, a fim de que não haja acúmulo de
figura 09) poeira ou água oriunda da condensação da umidade
do ar, o que pode provocar corrosão
Observe-se a intenção de jogar material longe do
centro de gravidade da seção com o intuito de di-
minuir o efeito da flambagem. d) Vigas para pequenas cargas e vãos (Ver figura 11)

Figura 09 Figura 11

c) Terças para apoio de telhas de cobertura O uso de um único perfil deve ser restrito a cargas
(Ver figura 10a e 10b) e vãos pequenos, pois devido a assimetria da seção
existe a tendência de ocorrer torção. Para melhor
As terças são vigas que apóiam as telhas e que desempenho, da viga, recomenda-se a composição
por sua vez apóiam-se nas tesouras. de dois perfis “U”, de forma a tornar a seção simé-
trica e não sujeita à torção. Esta solução permite o
seu uso em vigas com cargas e vãos maiores, mas
tem contra si um razoável aumento de custo, uma
vez que a alma passa a ser dupla.

Outro fator que torna a composição de perfis U


menos eficiente para uso em vigas é embasado no
princípio da distribuição de massa nas seções. As
vigas são submetidas predominantemente a mo-
mento fletor e, como foi visto, a melhor seção para
esse esforço é aquela que concentra material longe
do centro de gravidade na direção normal ao eixo
em torno do qual ocorre a flexão. Quando dois perfis
U são compostos, a concentração de material se dá
Figura 10a na alma, quando o melhor seria nas mesas.

e) Viga para apoio de degraus de escada


(Ver figura 12)

Figura 10b
Figura 11

16
Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

1.4.3 Perfil “I”

O perfil “I” (ver figura 13) pode ser obtido por lami-
nação na usina siderúrgica ou pela soldagem
de três chapas.

Os perfis “I” laminados, são especificados em


projeto, pela letra I acompanhada da dimensão da
sua altura em polegada ou milímetro, seja padrão
americano ou europeu, seguida do seu peso por
metro linear. No padrão americano, pode-se infor-
malmente substituir a especificação do peso pela
posição do perfil na tabela do catálogo
do fabricante (1ª alma, 2ª alma,...).

Os perfis de chapa soldada, quando não obtidos in-


dustrialmente, são especificados pela sigla VS (viga
Figura 13 soldada), seguida da sua altura em milímetro
e do seu peso por metro linear.

Alguns fabricantes têm suas próprias siglas. Os


perfis laminados produzidos pela Açominas são
especificados pela letra W. Os perfis soldados da
Usiminas pela sigla VE, onde a letra E indica que
são executados por eletrosoldagem. A Usiminas ai-
nda usa a sigla VEE para perfis I eletrosoldados que
têm as mesmas seções dos perfis laminados padrão
americano.

Exemplo:

I 12” x 60,6 x 60,6 kgf/m ou
I 12” - 1ª alma
VS 300 x 62
Foto 07 – Perfil I laminado
W 310 x 28,3
Fonte: Sidnei Palatnik
VE 250 x 19

Os perfis “I” podem ser usados como:

a) Viga

O uso como viga é a principal e mais importante


aplicação desse perfil. Sua forma de seção é ex-
tremamente adequada para absorver os esforços
de flexão, já que suas mesas constituem elementos
de grande quantidade de massa, afastados
do centro de gravidade da seção.

17
Modulo 1 : 1ª parte

Todos os perfis I, sejam laminados ou soldados, têm


a espessura da mesa maior que a da alma, e com-
patível com o princípio de distribuição de massa
na seção. (Ver figura 14)

Muito interessante é, também, o uso do perfil “I”


associado ao concreto, compondo vigas mistas
de seção “T”. Nesse caso o concreto absorve a
Figura 14 compressão e o aço a tração, devidas ao momento
fletor, resultando em vigas muito resistentes e com
pouca altura, pois os dois materiais são solicitados
dentro de suas melhores características mecânicas.
(Ver figura 15)

Figura 15

b) Viga vierendeel alveolar



Essa viga é obtida pelo corte da alma de um perfil
“I”, na altura conveniente, e posterior soldagem das
partes cortadas, resultando em uma viga de maior
resistência com a mesma quantidade de material.

Este tipo de viga permite a passagem de tubulações


através de sua alma. O uso deste tipo de viga deve
ser bem avaliado, pois o seu processo de obtenção
gera custos mais elevados. (Ver figura 16)

Figura 16

Figura 16b

18
Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

Foto 7a - Corte do perfil para fabricação de viga alveolar. Foto 7b - Montagem de viga alveolar.
Fonte: Gerdau Açominas Fonte: Gerdau Açominas

Nota: Para mais informações sobre o comportamento da


viga vierendeel recomendamos consultar o livro “Bases
para Projeto Estrutural”, do Prof. Yopanan C.P. Rebello,
São Paulo, Zigurate Editora, 2007, p. 80.

c) Pilar isolado para pequenas cargas. d) Composição de pilares.



A seção em I não é a melhor para forças de com- Pilares podem ser compostos através da soldagem
pressão, portanto para pilares, pois a forma da direta de dois perfis ou pela ligação de dois perfis
seção resulta em uma maior rigidez na direção por meio de chapas ou cantoneiras, de uma maneira
paralela à alma do que na direção normal a ela. semelhante à utilizada para perfis U. (Ver figura 17)

Essa característica impede o uso de perfis I para


pilares mais solicitados e mais longos.

Figura 17

19
Modulo 1 : 1ª parte

1.4.4 Perfil “H”

O perfil H (ver figura 18) pode ser obtido pela sol-


dagem de 3 chapas ou por laminação. Se diferen-
cia geometricamente do perfil “I” por apresentar
largura de aba igual à altura da alma.

As indicações em desenho são semelhantes às do


perfil “I”, exceto que os perfis não industrializados
de chapa soldada recebem a sigla CS, iniciais de
Coluna Soldada.

Os perfis laminados produzidos pela Gerdau Açomi-


nas recebem a sigla W ou HP. Os perfis eletrosolda-
dos, produzidos pela Usiminas, recebem a sigla CE,
de Coluna Eletrosoldada. Figura 18

Exemplos: CS 300 x 26 - W 310 x 93 - CE 300 x 76 O perfil “H”, pelas suas características geométri-
cas, é quase que unicamente utilizado como pilar,
Os perfis soldados, quando não são produzidos pois apresenta boa rigidez em ambas as direções,
industrialmente, podem ser especificados generi- respondendo bem ao esforço de compressão axial.
camente, seja perfil I ou H, pela sigla PS de Perfil
Soldado. Como estas seções não são tabeladas elas A inércia de sua seção faz com que o perfil “H” seja
deverão ser identificadas na prancha de desenho indicado, também, para pilares submetidos a flexo-
em tabela própria, onde todas as dimensões sejam compressão (flexão + compressão axial).
especificadas. Normalmente a ordem de identifica-
ção é: altura do perfil, largura da mesa, espessura
da mesa e espessura da alma.

1.4.5 Perfil “T”


O Perfil T pode ser obtido pelo corte de um perfil “I” ou de perfil “H”. Quando obtido por laminação apre-
senta dimensões bastante reduzidas. Por não ser muito econômico, o perfil “T” tem pouca utilização estru-
tural, sendo principalmente usado na composição de caixilhos. Sua indicação em desenho é semelhante à
da cantoneira, substituindo-se a espessura da alma pelo peso por metro linear.

Exemplo: T 4” X 4” X 20 kgf/m.

20
Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

1.4.6 Perfil Tubular


Os perfis tubulares podem ser obtidos pelo proces- No Brasil, os tubos sem costura são fabricados com
so de extrusão, quando não apresentam costura, ou dimensões que não ultrapassam 355 mm de diâ-
pela calandragem (processo para curvar chapas ou metro externo.
perfis) de chapas e posterior costura. Os primeiro
são chamados “tubos sem costura” e os últimos Nota:
“tubos com costura”. Para conhecer mais sobre o uso de tubos estrutur-
ais, recomendamos o livro eletrônico “Imagination
Não há diferença quanto às propriedades físicas de & Inspiração” publicado pela V&M e disponível em
um ou outro, mas apenas no processo de fabricação http://www.vmtubes.com.br/vmb/livro_vem/index.html
onde os tubos de maiores dimensões são obtidos
com costura e os de menores sem costura.

Os tipos de seções tubulares

As seções dos tubos podem ser circulares, quadradas ou retangulares.

Foto 08 Foto 09a

Os tubos são especificados em projeto pela dimen-


são externa seguida da espessura em milímetros.

Exemplos:
200 x 3 (tubo circular)
150 x 80 x 2 (tubo retangular)

Um sério problema dos perfis tubulares é a


possibilidade de sofrerem deterioração de dentro
para fora e que não pode ser detectada visualmente.
Por isso recomenda-se o uso de tubos em aços
de maior resistência à corrosão.
Fotos 09a e 09b – Calandragem de perfil tubular de seção
circular em seção retangular. Fonte: V&M

21
Modulo 1 : 1ª parte

1.4.6.1. Usos estruturais de tubos de Aço


Os Tubos de aço podem ser usados em: Além disso, sistemas computadorizados de corte
a plasma executam o recorte da seção dos tubos
a) Barras de treliças planas e espaciais. circulares de tal forma que os encontros de dois
tubos sejam exatos, permitindo ligações soldadas
Os perfis tubulares, por possuírem massas de grande qualidade.
igualmente distanciadas do centro de gravidade,
prestam-se bem à utilização em barras submetidas
tanto a tração como compressão, como ocorre nas
treliças.

Apresentam certas dificuldades em relação às


ligações entre as barras, embora já existam siste-
mas bastante eficientes para execução de nós em
treliças com tubos cilíndricos (ex.: Sistema Mero
para treliças espaciais).

Foto 10 – Treliça espacial. Fonte: Sidnei Palatnik

b) Barras submetidas à torção c) Pilares

Os perfis tubulares, principalmente os cilíndricos, Talvez seja essa a mais interessante aplicação dos
são os que melhor absorvem esforços de torção por perfis tubulares, pois apresentam maior eficiên-
possuírem massas igualmente distanciadas do cen- cia contra a flambagem com menor consumo de
tro de gravidade. Os perfis I, por exemplo, tem um material. São executados vazados ou preenchidos
desempenho fraco sob a ação de torção, pois a alma com concreto, quando então se obtém uma grande
concentra material próximo ao centro de gravidade. resistência com seções bastante esbeltas.

d) Vigas

Os perfis tubulares retangulares podem ser usados


como vigas. Do ponto de vista econômico os perfis
tubulares são menos eficientes que os perfis I, pois
ao contrário destes apresentam maior concentra-
ção de massa na alma, o que contraria o princípio já
bastante comentado.

Foto 11 – Centro Empresarial do Aço – CEA.


Fonte: Sidnei Palatnik

22
Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

1.4.7 Chapas
As chapas de aço são obtidas através da laminação As chapas grossas possuem espessuras que variam
dos lingotes ou placas. Classificam-se em finas e de 13/64” (5,2 mm) a 2 1/2” (63,5 mm) e são normal-
grossas, conforme suas espessuras. mente especificadas em polegada. São fornecidas
em peças de até 1,22 m de largura por até 10.67m de
As chapas finas variam de 0,31mm a 4, 76 mm de comprimento.
espessura e são fornecidas em peças de até 6.0m
de comprimento ou em bobinas.

Tipo de chapa de aço Espessuras Tamanhos

Chapa fina 0,31 a 4,76 mm 6,0m ou em bobinas

Chapa grossa 5,20 a 63,5 mm 1,22 m de largura por até 10.67m


de comprimento

1.4.7.1. A utilização das Chapas de aço

As chapas são utilizadas em:

a) Conformação de perfis estruturais (perfis de b) Elementos de ligação de perfis em nós de treliças


chapas dobradas). Para esta finalidade são usadas ou outros sistemas. A forma da chapa é função do
apenas chapas finas. tipo de ligação a ser executada.

c) Reforço de estruturas existentes.

A soldagem de chapas em perfis que necessitam de


reforço propicia um aumento bastante sensível na
sua resistência. (Ver figura 19)

Figura 19

No exemplo acima, foi obtido um aumento de 21%


na resistência da peça com apenas 10% a mais de
Foto 12 – Estrutura em perfis de chapa dobrada. peso.
Fonte: Sidnei Palatnik

23
Modulo 1 : 1ª parte

1.4.8. Barras redondas.


As barras redondas são obtidas por laminação. Seu diâmetro varia de ½” (12,5
mm) a 4” (102,0 mm). As barras redondas são, basicamente, usadas para con-
fecção de chumbadores, parafusos e tirantes.

1.5 Tabelas de Perfis de Aço


Além desta fonte, o site Metálica (www.metalica.
Leitura Recomendada : com.br) inclui, entre suas páginas, uma seção dedi-
cada a publicação de tabelas dimensionais forneci-
O uso do Aço na Arquitetura das pelos fabricantes de diversos tipos de perfis e
Cap. 3 : Perfis Metálicos: Métodos de Obtenção e produtos de aço.
Padronização, do Prof. Aluízio Fontana Margarido
Estão disponíveis para consulta e download no link:
Este capítulo contém as principais tabelas
http://www.metalica.com.br/pg_dinamica/bin/pg_dinami-
de perfis de aço utilizados.
ca.php?id_pag=1729
(Material adicional disponível no curso on-line)

Nota: Recomendamos sempre consultar os catálo-


gos dos fabricantes de perfis para verificação dos
dados técnicos.

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