Você está na página 1de 22

1

CONCEITO E
HISTÓRICO
Precatório e RPV

(Atualizado 22/04/2019)

SGP 6 – Diretoria de Capacitação e Desenvolvimento de Talentos

CONCEITO E HISTÓRICO | Precatório e RPV


2

SUMÁRIO
1 - CONCEITOS ............................................................................................................................... 3

2 – BREVE HISTÓRICO.................................................................................................................... 4

3 – DOS REGIMES DE PAGAMENTO .............................................................................................. 6

4 – DO PROCEDIMENTO ................................................................................................................ 6

4.1 – PRECATÓRIO – PROCEDIMENTO NA COMPETÊNCIA ESTADUAL...................................... 7


4.2 – PRECATÓRIO – PROCEDIMENTO NA COMPETÊNCIA DELEGADA ................................... 11
4.3 – RPV – PROCEDIMENTO NA COMPETÊNCIA ESTADUAL .................................................. 13
4.4 – RPV – PROCEDIMENTO NA COMPETÊNCIA DELEGADA ................................................. 16
5 – NATUREZA ALIMENTAR E OUTRAS ESPÉCIES ........................................................................ 16

REFERÊNCIAS ............................................................................................................................... 20

Normas da Corregedoria: ........................................................................................................ 20


CRÉDITOS..................................................................................................................................... 21

CONCEITO E HISTÓRICO | Precatório e RPV


3

1 - CONCEITOS
Precatório e Requisição de Pequeno Valor (RPV) são ordens para pagamento de dívidas
da Fazenda Pública, suas Autarquias e Fundações Públicas, em razão de uma sentença
judicial transitada em julgado.

O STF, no julgamento do RE 1.009.828, RE 852.302 e RE 230.051, estendeu o regime de


precatórios para algumas empresas públicas e sociedades de economia mista, quando
estas forem prestadoras de serviços públicos em regime de monopólio e não sujeitas às
regras do mercado. Assim ocorreu, por exemplo, com os Correios e a Casa da Moeda.

As ordens de pagamento são de duas espécies: Precatório e RPV (Requisição de Pequeno


Valor).

Precatório é o meio pelo qual o Presidente do Tribunal, por solicitação do juiz do feito,
requisita ao ente público o pagamento da dívida oriunda de uma sentença judicial,
mediante a inclusão da provisão monetária no orçamento público anual (Art. 100, caput,
CF).

O juízo da execução expede o ofício requisitório, endereçado ao Presidente do Tribunal.


Este, por sua vez, de posse do ofício requisitório, faz as averiguações devidas,
principalmente em relação aos cálculos, e instrumentaliza a ordem de pagamento à
unidade devedora, o que é feito por meio do Precatório. Logo, ofício requisitório e
Precatório são coisas diferentes, tanto que o Artigo 267, III, do Regimento Interno do
TJSP, diz:

Art. 267, II, do Regimento Interno – “Regular o requisitório,


será expedido o precatório, relacionado em ordem
cronológica, para efeitos de precedência” (grifo nosso).

A Requisição de Pequeno Valor, por sua vez, é o meio pelo qual o próprio juiz do feito
requisita o pagamento do quanto devido diretamente à unidade devedora, em razão de
uma sentença judicial (Art. 100, §§ 3º e 4º, CF).

CONCEITO E HISTÓRICO | Precatório e RPV


4

Para fins de definição entre ofício requisitório de precatório ou RPV, em caso de


litisconsórcio, será considerado o valor devido a cada um dos litisconsortes. Assim,
poderá haver a expedição de requisição de pequeno valor e requisição de precatório em
um mesmo processo, se for o caso (Resolução 199/2005 – TJSP).

A lei não permite o fracionamento, repartição ou quebra do valor devido a um mesmo


beneficiário, ou seja, em favor da mesma pessoa não poderá haver, em um mesmo
processo, a expedição de parte do crédito em RPV e outra parte em precatório (Art. 100,
§ 8º, CF). Todavia, se a parte renunciar ao valor excedente, de modo que o crédito
requisitado fique dentro dos limites estabelecidos em lei como sendo de pequeno valor,
poderá ser expedido o ofício de RPV, não tendo mais direito de receber a quantia
renunciada.

O entendimento e a fixação destes conceitos são importantes para o desenvolvimento


deste curso, assim como para o próprio dia a dia prático de quem lida com o tema.

2 – BREVE HISTÓRICO
Sob o aspecto constitucional, o precatório foi primeiro tratado na Constituição Federal
de 1934, com o objetivo de se estabelecer uma ordem de pagamento dos débitos
judiciais não sujeita à vontade exclusiva de cada governante.

Dessa época para cá, tantos outros normativos, constitucionais ou não, passaram a
regulamentar o tema em questão.

Atualmente, a Constituição Federal 1988 trata do tema no artigo 100, que sofreu
inúmeras modificações com as Emendas Constitucionais 62/09, 94/2016 e 99/2017.
Estas, além de alterarem as disposições do referido artigo, acrescentaram outros no Ato
das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT), valendo o destaque para os artigos
101 a 105. Contudo, ainda é por bem salientar que as emendas não se excluem, mas sim
se completam, com o a fim de aprimorar a gestão da dívida decorrente de precatórios,
em especial após o julgamento da ADIN 4.357 – STF, que modulou os efeitos do

CONCEITO E HISTÓRICO | Precatório e RPV


5

julgamento referente à Emenda 62/09. Este é entendimento expresso na Nota Técnica


nº 05/2018, da Câmara Nacional de Gestores de Precatório.

Das disposições mencionadas no parágrafo anterior, os pontos principais são:

 1 – Intenção de liquidar todo o passivo de precatório até 31/12/2024;


 2 – Criação de dois regimes de pagamento: ordinário e o especial;
 3 – Garantir ao Poder Judiciário a Gestão dos pagamentos;
 4 – Dotar o Poder Judiciário de meios coercitivos para garantir o pagamento dos
precatórios, principalmente no caso do regime especial;

A Requisição de Pequeno Valor (RPV), também chamada por alguns de Ordem de


Pequeno Valor (OPV), foi inserida na Constituição Federal de 1988 pela Emenda
Constitucional nº 20/98, mais precisamente no artigo 100, § 3º. Desde então, a quantia
definida por lei como de pequeno valor não está mais sujeita ao regime de precatórios.

Entretanto, a lei que define o “pequeno valor” ficou a cargo de cada Ente Público (Art.
100, § 4º, CF), que se não a criar, ficará sujeito aos limites previstos no artigo 97, § 12,
do ADCT, que estabeleceu como pequeno valor quarenta e trinta salários mínimos,
respectivamente, para Estados (incluindo o Distrito Federal) e os Municípios. Quanto a
estes últimos, o TJSP também fixou o valor de 30 salários mínimos para quando não
houver lei específica (Resolução 199/2005 – TJSP) definindo a quantia.

A Constituição Federal se preocupou apenas em fixar um valor mínimo para o RPV, que
é o do maior benefício do regime geral de previdência social (Art. 100, § 4º, CF). Menos
do que isto nenhuma lei dos Entes Públicos poderá fixar como sendo pequeno valor.

Pois bem, se o crédito não estiver dentro dos valores fixados para a expedição do ofício
de RPV, ele estará, por exclusão, sujeito ao regime de pagamento dos precatórios.

CONCEITO E HISTÓRICO | Precatório e RPV


6

3 – DOS REGIMES DE PAGAMENTO


O Precatório está sujeito a dois regimes de pagamento:

A) - Geral, ordinário ou comum – neste regime os precatórios


apresentados até primeiro de julho de um ano, deverão ser pagos até o final do ano
seguinte (Art. 100, § 5º, da CF);
B) – Especial - em que os Estados, Municípios, suas Autarquias e
Fundações Públicas, que estavam em mora no pagamento de seus precatórios, terão
até 31 de dezembro de 2024 para pagamento das ordens vencidas e a vencer nesse
período (Art. 101, ADCT), com parcelas mensais a serem depositadas em conta do TJ
local, que gerenciará o pagamento dos precatórios. Em razão dessa regra, mesmos
os precatórios apresentados ao TJ até primeiro de julho de um ano, poderão ser
pagos até 31 de dezembro de 2024, sem aquele limite temporal do ano seguinte.

O ofício RPV, por sua vez, está sujeito a um único regime de pagamento, o qual deverá
ser feito no prazo de sessenta dias (Art. 17 da Lei 10.259/01 e Art. 13 da Lei 12.153/09)
ou dois meses (Art. 535, § 3ª, II, do CPC), contados a partir da data de sua entrega à
entidade devedora.

4 – DO PROCEDIMENTO
Existem procedimentos distintos para o Precatório e para o RPV, uma vez que o primeiro
é expedido por ordem do Presidente do Tribunal, enquanto o segundo por ordem do
juízo da execução.
Outra diferença de procedimento ocorre quando os requisitórios são expedidos em
relação às causas de competência delegada (Art. 109, §§ 2º e 3º, da CF), pois neste caso
o Precatório e o RPV irão tramitar no Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3).
Os incidentes de Precatório e RPV existirão nas competências Acidentes do Trabalho,
Execução contra a Fazenda Pública, Execução Fiscal, Fazenda Pública, Infância e
Juventude, Cível e Juizado Especial da Fazenda Pública.

CONCEITO E HISTÓRICO | Precatório e RPV


7

4.1 – PRECATÓRIO – PROCEDIMENTO NA COMPETÊNCIA


ESTADUAL
Quando a demanda se referir a uma matéria da competência originária (Art. 125, CF)
do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, a expedição do Precatório cabe ao seu
Presidente. Para se chegar a tal ponto, algumas fases processuais devem ser cumpridas.
Primeiro de tudo e como regra geral, deve existir uma sentença transitada em julgado.
A partir daí, a parte interessada ingressa com o cumprimento de sentença (Artigos 535
e 536, do CPC), oportunidade em que a Fazenda Pública será intimada para oferecer a
impugnação no prazo de 30 dias. Resolvidas as questões surgidas no decorrer do
cumprimento e homologado o cálculo, já é possível ingressar com o pedido de expedição
do Precatório, uma vez que apurado o valor da obrigação.
Então temos:

Processo com Cumprimento de Incidente de


sentença transitada Sentença com Precatório
em julgado cálculo
homologado

O Precatório será distribuído pela parte interessada como um incidente ao processo


principal, adquirindo o número deste, mas com acréscimo de barra e um dígito
sequencial (/01, /02, /03), de acordo com o número de incidentes.

Ao receber o Precatório no fluxo de trabalho do cartório, mais precisamente no subfluxo


de “Petição intermediária”, fila “Ag. Análise – Incidente Processual”, a unidade deverá
conferir a sua regularidade, em especial se ele está devidamente instruído com a
planilha de cálculo, se os dados dessa planilha estão devidamente preenchidos no
sistema SAJ e se o cadastro das partes possui todos os dados necessários. Do contrário,
a própria unidade judicial deverá proceder às correções cabíveis, de acordo com o
Comunicado Conjunto 703/2016.

É de extrema importância, também, conferir o conteúdo do pedido com a classe da ação


cadastrada no sistema, para que não haja divergência sobre eles, pois de acordo com a

CONCEITO E HISTÓRICO | Precatório e RPV


8

classe, o incidente percorre um caminho diferente no fluxo de trabalho. Outro ponto,


conferir se a entidade devedora cadastrada no sistema é mesmo aquela contra a qual a
parte está direcionando o seu pedido.
Pois bem, feitas as devidas conferências, o juiz profere a decisão inicial determinando o
processamento do precatório e, com base nela, a unidade judicial expede o ofício
requisitório. Para que este chegue ao Presidente do Tribunal de Justiça, é necessário que
a classe do incidente esteja correta, ou seja, Código 1265 – Precatório e o Ofício
Requisitório Expedido tem que ser o de Código 501028 – Ofício – Requisitório Eletrônico

– Precatório Inicial e Anexo II.

No caso do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, a competência relativa ao


trâmite e verificação de precatórios pode ser delegada pelo Presidente a um
Desembargador (Art. 270, Regimento Interno do TJSP), o que de fato ocorre. Assim, para
melhor estruturar o trabalho, foi criada a Diretoria de Execução de Precatórios e
Cálculos, conhecida como DEPRE, específica para lidar com a matéria, que está sob a
coordenação de um Desembargador.
Na configuração atual do sistema SAJ, expedido o ofício requisitório como referido logo
acima, ele ingressa no fluxo de trabalho da DEPRE, enquanto o incidente de precatório
fica no juízo da execução, mais precisamente no subfluxo de processo, na fila “Com o
DEPRE”, aguardando o processamento ou não do precatório.

1. Fluxo do Juízo de Execução 2. O Requisitório 3. Fluxo da DEPRE

Ofício
Requisitório
Precatório

CONCEITO E HISTÓRICO | Precatório e RPV


9

Na DEPRE, o ofício é recepcionado na fila do setor “DEPRE - Inicial – Ag. Análise do


Contador”, ganhando um número SAJ próprio, cujo final será sempre “0500” (xxxxxxx-
xx-xxxx.8.26.0500). Conferido e com tudo certo, o Desembargador determina o
processamento do precatório, ao qual é dado um número de ordem cronológica,
respeitando a data de sua apresentação à DEPRE. A entidade devedora é notificada
eletronicamente, assim como o juízo de execução, para que ele e as partes tomem
ciência do processamento.

Na execução, ao incidente de precatório é vinculado o número do processo DEPRE, bem


como o número de ordem do Precatório, o que pode ser visto na aba de “Dados do
processo”.

Após a expedição do Precatório pela DEPRE, no fluxo de trabalho da execução, o


incidente de Precatório é transferido automaticamente para a fila “DEPRE – Ag.
Pagamento” e na DEPRE segue para a fila “DEDPRE – Pendente de Pagamento”.

CONCEITO E HISTÓRICO | Precatório e RPV


1
0

1 . Fluxo do Juízo de Execução 2. Fluxo da DEPRE

Os incidentes ficarão nessas filas até que a entidade devedora deposite o valor para o
Tribunal de Justiça e este realize o pagamento ao credor. Assim que a entidade devedora
realiza o depósito, o setor DEPRE 5–Gestão faz as devidas averiguações e libera a quantia
para o setor de pagamento, para que este seja realizado de acordo com a ordem prevista
no Mapa Orçamentário de Credores, através de depósito judicial na conta do juízo da
execução.
Pois bem, efetuado o pagamento ao credor pela DEPRE, é expedido ofício ao juízo da
execução, juntamente com a planilha de cálculo
referente ao valor pago. A partir de agora, o
Precatório na DEPRE ficará apenas aguardando
a informação de extinção e trânsito em julgado,
a ser prestada por ofício pelo juízo da execução.
Na execução, ao receber o ofício de informação
de pagamento, o incidente sai
automaticamente da fila “DEPRE – Ag.
Pagamento” e ingressa na fila “DEPRE – Ag.
Análise de Pagamento Realizado”.

CONCEITO E HISTÓRICO | Precatório e RPV


1
1

Nesta fila de análise existem vários botões de atividade. Via de regra é expedido um ato
ordinatório para que a parte credora se manifeste sobre o pagamento e o cálculo.
Concordando com o valor depositado, o juízo da execução extingue o incidente em razão
do pagamento e depois do trânsito em julgado, informa à DEPRE sobre essa ocorrência,
que necessitará do conteúdo da sentença, mesmo que de forma sucinta no ofício, e a
data do trânsito em julgado. Feito isso, o incidente de precatório já pode ser arquivado,
anotando-se a movimentação de Código 61615 – Arquivado Definitivamente. O mesmo
deverá ser feito no cumprimento de sentença e no processo principal, lembrando que
neste último há momento próprio para tal lançamento, nos termos do Comunicado CG
1789/17.
Na DEPRE, com a informação de extinção juntada no processo do Precatório, o setor
também fará a sua extinção, anotando e arquivando como de praxe.
Este é o procedimento, considerado sem quaisquer intercorrências, uma vez que destas
trataremos em tópicos à parte.

4.2 – PRECATÓRIO – PROCEDIMENTO NA COMPETÊNCIA


DELEGADA
A competência delegada está prevista no artigo 109, § 3º, da CF. Em razão dela, matéria
originariamente submetida à Justiça Federal passa para competência da Justiça Estadual
de primeiro grau, mas em nada alterando a competência recursal e a competência
referente ao Precatório e RPV, que continuam sob a égide do Tribunal Regional Federal.
Assim, a fase de cumprimento de sentença é idêntica ao que foi visto no item 4.1.
Não existindo mais qualquer questão a ser decidida no cumprimento e com o valor certo
do crédito já estabelecido, basta à parte peticionar solicitando a expedição do ofício
requisitório. Este peticionamento não precisa ser feito na forma de incidente, mas como
uma simples petição diversa, a ser juntada nos autos, posto que o ofício requisitório não
será expedido pelo SAJ, e sim cadastrado em um sistema próprio da Justiça Federal da
3ª Região, chamado PrecWeb (Clique aqui para acessar a página).
Deferido o pedido de expedição do ofício requisitório, cabe ao servidor habilitado no
PrecWeb fazer o registro do precatório no sistema.

CONCEITO E HISTÓRICO | Precatório e RPV


1
2

PETIÇÃO JUNTADA AOS AUTOS -

REQUERIMENTO DE EXPEDIÇÃO

DO OFÍCIO REQUISITÓRIO

AO

TRF3

- Sistema PrecWeb.

CONCEITO E HISTÓRICO | Precatório e RPV


1
3

Para o juiz acessar o sistema, deve ser ele habilitado pela Corregedoria Geral de Justiça
do TJSP, cujo e-mail para solicitação é corregedoria.sistema@tjsp.jus.br (informar:
nome, matrícula, CPF, e-mail institucional, telefone, Vara e Comarca). Após habilitado,
ele pode cadastrar servidores para operarem o sistema, tanto com o perfil de Diretor,
quanto com o de Servidor. O Diretor também poderá cadastrar usuários, mas apenas
com o perfil de Servidor.
No sistema, o usuário deverá alimentá-lo com todas as informações necessárias,
identificadas com campos obrigatórios e tudo de acordo com o conteúdo do processo e
o cálculo homologado.
Não há a necessidade de se anexar qualquer documento, uma vez que o TRF3
considerará fidedignas as informações passadas pelo juiz da execução, já que o
requisitório é validado pelo Diretor e assinado pelo juiz, ou validado e assinado por este
último.
Finalizado o cadastro no sistema PrecWeb, um número de protocolo é gerado. Esse
protocolo deverá constar dos autos, que se não tiver mais nenhuma outra pendência,
como ciência das partes, por exemplo, poderá seguir para o decurso do prazo. Caso
digital o processo, encaminhar para a fila “Ag. Decurso de Prazo”, a fim de se aguardar
o pagamento.
O sistema permite a consulta de pagamento realizado, emitindo um extrato sobre o
mesmo, com número da conta judicial, banco, beneficiário e valor depositado.
Não existindo qualquer manifestação da parte credora contra o valor depositado, basta
ser expedido um alvará judicial para levantamento da quantia e, em seguida, extinguir
o processo pelo pagamento. Certificado o trânsito em julgado, arquivar o feito, lançando
a movimentação correspondente (Código 61615).

4.3 – RPV – PROCEDIMENTO NA COMPETÊNCIA ESTADUAL


Como já visto no item 4.1, o ofício de RPV também só será expedido após encerrada a
fase do cumprimento de sentença, em respeito aos artigo 534 e 535, do CPC.
O pedido de expedição do RPV será cadastrado no SAJ como um incidente ao processo
principal, com o Código 1266 – Requisição de Pequeno Valor e chegará na unidade

CONCEITO E HISTÓRICO | Precatório e RPV


1
4

cartorária no subfluxo “Petição Intermediária”, na fila “Ag. Análise – Incidente


Processual”. É nesta fila que a conferência deverá ser realizada, atentando-se para a
convergência entre a classe processual e o conteúdo do pedido, bem como para a
entidade devedora cadastrada no sistema e aquela indicada na petição, além dos demais
dados, como data base, valores dos campos do precatório e valores da parte, tudo nos
termos do Comunicado Conjunto 703/2016. Caso seja necessário, proceder às devidas
alterações antes da expedição do ofício requisitório.
Com tudo em ordem, o juiz determina a expedição do ofício requisitório de RPV, que
após assinado e liberado, será encaminhado diretamente à entidade devedora, através
do portal e-SAJ, do Tribunal de Justiça. É assim, porque em casos de RPV a ordem de
pagamento da quantia apurada cabe ao juízo da execução, e não ao Presidente do
Tribunal, como acontece com o precatório.
Para que o ofício requisitório de RPV chegue até o portal da entidade devedora, a classe
da ação só pode ser a de Código 1266 – Requisição de Pequeno Valor e o modelo de
ofício requisitório expedido deve estar dentre os de Código 501033, 501029, 50103,
501031 e 501032 (Comunicado Conjunto 1323/2018).

1 – Fluxo do juízo da execução 2 – Ofício RPV 3 – Fluxo DEPRE

Ofício
Requisitório

RPV

(Requisição de
pequeno Valor)

CONCEITO E HISTÓRICO | Precatório e RPV


1
5

4 – Portal e-SAJ Entidade Devedora

Pois bem, assinado e liberado o ofício de RPV na pasta digital do processo, este ingressa
na fila de “RPV – Ag. Envio do Ofício para Entidade Devedora” e uma cópia do processo
é lançada no fluxo de trabalho da DEPRE, para consulta e fiscalização de pagamentos.
Quando passada a rotina do sistema SAJ, o ofício é enviado para a notificação, via portal,
da Entidade Devedora, e o processo seguirá para a fila “RPV – Ag. Ciência Entidade
Devedora”, no juízo da execução.

A Devedora terá o prazo de 10 dias para receber a notificação. Recebida, o sistema lança
uma certidão de ciência. Não recebida, o sistema lança uma certidão automática de
ciência, nominada de “Certidão Automática do Recebimento do Requisitório”.

Em ambos os casos do parágrafo anterior, o processo seguirá para a fila de processo


“RPV – Ag. Pagamento Entidade Devedora”. Esta é uma fila de controle de prazo, pré-
configurada em 60 dias úteis, em respeito ao disposto no CPC, Art. 219. Há
entendimento no sentido de ser tal prazo de direito material, não se sujeitando,
portanto, ao caput do referido artigo. Além disso, há legislação falando em 60 dias para
pagamento (Art. 17 da Lei 10.259/01), enquanto outra fala em dois meses (Art. 535, §
3ª, II, do CPC). Para o SAJ, como já dito, a fila foi configurada para o controle de prazo
de 60 dias úteis.

Assim que confirmado o pagamento nos autos, não existindo mais nenhuma outra
questão pendente, o cartório expedi em favor da parte interessada o mandado de

CONCEITO E HISTÓRICO | Precatório e RPV


1
6

levantamento judicial e determina a extinção do feito, que deve ser comunicada à


DEPRE, para que o RPV que está no seu fluxo seja remetido para a fila de “RPV – Extinta”.

Não existindo mais nada a se fazer nos autos, basta remeter o processo ao arquivo,
lançando as movimentações cabíveis no principal – se ainda não feito - e nos incidentes
(Código 616015 – Arquivado Definitivamente).

4.4 – RPV – PROCEDIMENTO NA COMPETÊNCIA DELEGADA


O procedimento é o mesmo previsto para o precatório, na forma descrita no item 4.2.

Após encerrada a fase do cumprimento de sentença, o pedido de expedição do ofício


RPV é feito por petição e nos próprios autos, sem a necessidade de se instaurar um
incidente específico para tanto.

Deferido o processamento, cabe ao cartório providenciar o cadastro do RPV no sistema


PrecWeb do TRF3.

O próprio Tribunal adotará as providências cabíveis para o encaminhamento do ofício


requisitório de RPV para a Entidade Devedora.

No mais, as informações são as mesmas do item 4.2, que lá poderão ser consultadas.

5 – NATUREZA ALIMENTAR E
OUTRAS ESPÉCIES
O Art. 100, § 1º, da Constituição Federal, define os débitos de natureza alimentícia,
como segue:

CONCEITO E HISTÓRICO | Precatório e RPV


1
7

Art. 100, § 1º, CF – “Os débitos de natureza alimentícia


compreendem aqueles decorrentes de salários, vencimentos,
proventos, pensões e sua complementações, benefícios
previdenciários e indenizações por morte ou por invalidez,
fundadas em responsabilidade civil, em virtude de sentença
judicial transitada em julgado, e serão pagos com preferência
sobre todos os demais débitos, exceto aquele referidos no §
2º deste artigo”.

Por exclusão, o que não for de natureza alimentar (Código 339091-10), será de outras
espécies. Nestes se enquadram os débitos decorrentes de desapropriação (Código
449091-01) e todos os outros (Código 339091-20), que não os alimentares.

Os precatórios de natureza alimentar serão pagos com preferência sobre todos os


demais débitos, por isso chamados de créditos preferenciais.

Alguns questionamentos surgiram sobre o fato de o crédito alimentar estar ou não


sujeito ao regime de Precatório. Para consolidar um entendimento sobre, o STF editou
a Súmula 655.

CONCEITO E HISTÓRICO | Precatório e RPV


1
8

SÚMULA 655 – STF

“A exceção prevista no art. 100, caput, da Constituição, em


favor dos créditos de natureza alimentícia, não dispensa a
expedição de precatório, limitando-se a isentá-los da
observância da ordem cronológica dos precatórios
decorrentes de condenações de outra natureza”

No § 2º, do Art. 100, da CF, que teve a redação alterada pela EC 94/16, foi fixada a
preferência da preferência, ou seja, dentre os créditos alimentares, terão preferência
aqueles cujos titulares tenham completado sessenta anos, ou que sejam portadores de
doenças graves ou necessidades especiais. Nestes casos a prioridade ficará restrita ao
triplo do valor que é considerado para fins de RPV. Todavia, a EC nº 99/17 aumentou
este valor para o quíntuplo da quantia definida para fins de RPV (art. 102, § 2º, ADCT),
mas por um prazo certo (enquanto durar o regime especial fixado por esta emenda –
31/12/2024).

Assim, hoje há uma lista de credores organizada com base na natureza do precatório (os
alimentares vêm em primeiro, após os de outras espécies) e na ordem de apresentação
deles ao Tribunal (dentre os precatórios da mesma natureza, respeita-se a ordem
cronológica de apresentação). O mapa de credores terá dentre os primeiros, aqueles
titulares de créditos alimentares, organizados segundo a data de apresentação do
precatório no Tribunal de Justiça e, depois, os demais credores sem qualquer
preferência, também organizados conforme a ordem de apresentação.

Porém, no instante do pagamento desses precatórios, outro critério de preferência


deverá ser averiguado, isto é, se alimentar o crédito, ver se o seu titular já completou
60 anos ou se é portador de doença grave ou de necessidades especiais. Presente uma
ou mais dessas circunstâncias, haverá preferência deste precatório em relação a outro
de natureza alimentar, por isso chamado de precatório “super preferencial”, mas isto

CONCEITO E HISTÓRICO | Precatório e RPV


1
9

até o valor correspondente ao quíntuplo fixado para requisição de pequeno valor. O


restante será pago conforme a ordem cronológica de apresentação (art. 102, § 2º,
ADCT).

O STF decidiu que a preferência deverá ser considerada no instante do pagamento,


como segue:

“O pagamento prioritário, até certo limite, de precatórios


devidos a titulares idosos ou que sejam portadores de doença
grave promove, com razoabilidade, a dignidade da pessoa
humana (CF, art. 1º, III) e a proporcionalidade (CF, art. 5º, LIV),
situando-se dentro da margem de conformação do legislador
constituinte para operacionalização da novel preferência
subjetiva criada pela EC 62/2009. A expressão "na data de
expedição do precatório", contida no art. 100, § 2º, da CF,
com redação dada pela EC 62/2009, enquanto baliza
temporal para a aplicação da preferência no pagamento de
idosos, ultraja a isonomia (CF, art. 5º, caput) entre os cidadãos
credores da Fazenda Pública, na medida em que discrimina,
sem qualquer fundamento, aqueles que venham a alcançar
a idade de sessenta anos não na data da expedição do
precatório, mas sim posteriormente, enquanto pendente
este e ainda não ocorrido o pagamento. [ADI 4.425, rel. p/ o
ac. min. Luiz Fux, j. 14-3-2013, P, DJE de 19-12-2013.] (Grifo
nosso)

CONCEITO E HISTÓRICO | Precatório e RPV


2
0

REFERÊNCIAS
Normas da Corregedoria:
 CONSTITUIÇÃO FEDERAL;
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm
 CODIGO DE PROCESSO CIVIL;
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13105.htm
 LEI Nº 12.153/09;
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L12153.htm
 LEI Nº 10.259/01;
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LEIS_2001/L10259.htm
 REGIMENTO INTERNO DO TJSP;
https://esaj.tjsp.jus.br/gcnPtl/downloadNormasVisualizar.do?cdSecaodownloa
dEdit=10&cdArquivodownEdit=120
 ADIN 4.357 - STF;
http://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=3813700
 NOTA TÉCNICA Nº 05/2018;
https://api.tjsp.jus.br/Handlers/Handler/FileFetch.ashx?codigo=96673
 RESOLUÇÃO Nº 199/2005 - TJSP;
https://api.tjsp.jus.br/Handlers/Handler/FileFetch.ashx?codigo=37308
 COMUNICADO CONJUNTO Nº 703/2016;
http://www.tjsp.jus.br/Depre/Comunicados/Comunicado?codigoComunicado=
7316&pagina=3
 COMUNICADO CG Nº 1789/17;
https://api.tjsp.jus.br/Handlers/Handler/FileFetch.ashx?codigo=90893
 COMUNICADO CONJUNTO Nº 1323/2018.
http://www.tjsp.jus.br/Depre/Comunicados/Comunicado?codigoComunicado=
14939&pagina=1

CONCEITO E HISTÓRICO | Precatório e RPV


2
1

CRÉDITOS
SGP 6 – Diretoria de Capacitação e Desenvolvimento de Talentos

CONCEITO E HISTÓRICO | Precatório e RPV


2
2

CONCEITO E HISTÓRICO | Precatório e RPV