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Centro de Fundamentação e Capacitação Ministerial

Igreja Ministério de Libertação Participativo


“Crescendo na Graça e no Conhecimento “

CAPACITAÇÃO DE PROFESSORES

Ensinando Crianças,
Adolescentes e Jovens

Salvador
2019
ENSINO PARA CRIANÇAS

AS FASES DE APRENDIZAGEM DAS CRIANÇAS

A Escola Bíblica é a reunião da igreja que melhor proporciona ambiente para que as crianças sejam
alcançadas para Cristo. As classes divididas por faixas etárias permitem que as crianças se integrem
ao seu meio e receba ensino compatível com a sua capacidade de assimilação.
A programação das aulas é variada, com cânticos infantis, histórias bíblicas e com fundo moral
positivo e atividades manuais que leve o aluno entender de forma mais fácil o que é viver a vida
cristã, além de se divertirem.

Por este motivo acreditamos que é importante que os professores tenham uma base teórica quanto
ao desenvolvimento das crianças, em seus aspectos cognitivos (“aquisição de conhecimento”),
afetivo e social, pois deste modo o professor poderá melhorar a maneira de atuar na classe ajudando
as crianças a tornarem-se cristãos mais conscientes, autônomos, críticos, criativos e felizes.

Esperamos com a Educação Cristã que nossas crianças façam parte da Missão, que tenham “uma
compreensão da vida e da sociedade, que sejam comprometidas c om uma prática libertadora,
recriando a vida e a sociedade segundo o modelo de Jesus Cristo e questionando os sistemas de
dominação e morte, à luz do Reino de Deus”.

Para atingirmos esse objetivo precisamos estabelecer um currículo de Educação Cristã para a Escola
Bíblica fundamentado nas Escrituras Sagradas, mas também que atenda as características do
desenvolvimento da criança e que proponha uma metodologia de ensino compatível com esse
desenvolvimento.

A criança, ao nascer, não traz hereditariamente formas prontas de conhecimento que evoluíram
através dos anos com a maturação. Tampouco, podemos considerar a criança uma “massa amorfa”
que vai saindo modelada aos poucos pela influência e reforços do mundo ao seu redor. A criança
constrói os seus conhecimentos interagindo com o mundo em que vive e que seu pensamento cresce
partindo de ações e não de palavras. O conhecimento não pode ser dado às crianças. Ele tem de ser
descoberto e reconstruído através das suas atividades. As crianças aprendem melhor partindo de
experiências concretas.

Por natureza, as crianças estão continuamente em atividade. Elas têm de descobrir e dar sentido ao
seu mundo. Quando elas estão fazendo isto, elas refazem as estruturas mentais que permitem tratar
de informações cada vez mais complexas. Este refazer de estruturas mentais torna possível a
genuína aprendizagem – aprendizagem que é estável e duradoura. Quando essas estruturas, que
são necessárias, não estão presentes, a aprendizagem é superficial.

O Desenvolvimento da Criança: de 4 e 5 anos

Características do crescimento e desenvolvimento Orientação

Melhor coordenação dos músculos grandes. Oferecer brinquedos para que


Pequenos músculos das mãos mais desenvolvidos. possa exercitar seus sentidos e
Capacidade para concentrar a atenção durante 15 – Músculos.
20 minutos, aos 4 anos. Contar histórias, ora reais ora
Imaginação muito fértil. fictícios, para que ela aprenda as
Tem senso de iniciativa; percebe que pode planejar, diferenças.
ter e executar ideias. Responder sempre as perguntas.
Afetuosa – Curiosa. Ajudar a aceitar os limites
É capaz de concentrar a atenção por períodos mais necessários.
longos, 20 – 40 minutos, a partir dos 5 anos. Dar oportunidade para
É mais seguro de si mesma, tem capacidade de compartilhar experiências com a
autocrítica. família.
Aparece o interesse pelo mundo fora do lar.

O Desenvolvimento da Criança: de 6 e 7 anos

Características do crescimento e desenvolvimento Orientação

Maior amadurecimento neuromuscular. Dar tempo para completar as


Vocabulário até 2.500 palavras. tarefas.
Faz perguntas sobre tudo que a rodeia. Dar oportunidades para usar a
Tem iniciativa. iniciativa, deixando-a agir por si
Distingue melhor a realidade da fantasia. mesma.
Curiosidade sexual mais acentuada. Encorajar a criança a tomar
Período de transição entre individualismo e posse em grupos, mas não forçar.
participação em grupos maiores. Contar e fazer contar histórias.
Mostra algum grau de pensamento abstrato. Evitar chamar atenção, procurar
Aumenta o poder de concentração da atenção. colocar a criança à vontade. Evitar
Conhece e usa palavras descritivas e de ação. discussões.
Maior capacidade de compreender, discutir e
enfrentar situações emocionais.

O Desenvolvimento da Criança: de 8 e 9 anos

Características do crescimento e Orientação


desenvolvimento

Aumento da coordenação dos pequenos Oferecer trabalhos manuais e brinquedos


músculos, apresenta maior habilidade / brincadeiras mais elaboradas.
manual. Proporcionar leituras selecionadas de
Demonstra maior habilidade em distinguir acordo com as preferências e capacidades.
fatos de ficção. Deve cuidar de objetos pessoais e do
Direito da propriedade bem definido. grupo.
Está desenvolvendo pensamento lógico. Orientar em generalizações, após várias
Maior habilidade em exprimir suas ideias, evidências terem se apresentado.
em definir seus problemas. Estabelecer clima que permita à criança
Maior capacidade em aceitar críticas e em concordar e discordar.
avaliar a si própria. Orientar na apreciação do valor do outro,
Tem interesse em pertencer a grupo. assim como no da própria criança.
Apresenta independência em relação à Estimular a aprendizagem de práticas
família. sociais.
O Desenvolvimento da Criança: de 10, 11 e 12 anos

Características do crescimento e desenvolvimento Orientação

Bom controle de grandes e pequenos músculos, Possibilitar recreação variada.


apresenta aumento acentuado da força manual. Orientar quanto à competição.
Coordenação visual e motora quase igual à do Procurar desenvolver atitude
adulto. científica: fato X opinião.
Aprecia medir força física e habilidade com os Dar oportunidade para organizar
outros. atividades / eventos.
Apresenta maior habilidade em generalizar e em Orientar para estabelecer seus
pensamento crítico. próprios objetivos e avaliar seu
Interesse em explorar e experimentar. crescimento e sucesso.
Está apta a planejar com antecedência. Conversar, discutir suas opiniões,
Pronta a assumir maiores responsabilidades. trocando ideias e sugestões.
Capaz de definir e compreender palavras Incentivar o diálogo com os
abstratas. colegas e outras pessoas.
Capacidade para generalizações mais rápidas, Orientá-la e apoiá-la em suas
segue mais facilmente argumentos lógicos. iniciativas, deixando-a assumir suas
Maior sociabilidade. responsabilidades.
Nova visão do mundo, mostrando maturidade
progressiva.

A base da personalidade é formada logo nos primeiros anos de vida. Assim como a criança está
aberta para conhecer a Jesus, ela também está para o mal. As crianças sempre foram alvos do diabo,
pois ele sabe a importância de investir nesta fase da vida do ser humano.
Temos a impressão que nossas crianças estão precoces, que a inocência está acabando mais cedo.
O inimigo tem usado a mídia como forte aliado para destruir a infância. Sabemos que nunca será
fácil, as pressões sempre serão grandes, mas “maior é o que está em vós, do que aquele que está
no mundo” (1 João 4.4). Diante disso e muito mais, conclui-se que o evangelismo e o ensino bíblico
deveriam ser prioridade nas igrejas. Todos precisam de Cristo, começando pelas crianças, Jesus nos
ordenou isso:

“Vão e façam discípulos de todas as nações... ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes
ordenei” (Mateus 28.19-20).

“Uma verdade colocada no coração de uma criança irá frutificar no presente e no futuro. Aquela
criança que ouve a voz gentil de seu professor pode virar um Lutero e ajudar o mundo com sua
proclamação veemente da verdade. Que nenhum homem despreze as crianças ou pense que são
insignificantes. Eu reivindico o lugar da frente para elas. Elas são o futuro do mundo. O passado já
se foi e não podemos alterá-lo. Até mesmo o presente já se foi à medida que o vivemos... As
crianças precisam do evangelho, o evangelho todo, o evangelho inalterado. Elas devem tê-lo, e se
forem ensinadas acerca do Espírito de Deus serão tão capazes de recebê-lo quanto pessoas
maduras. Ensine os pequeninos que Jesus morreu, o justo pelos injustos, para nos levar até Deus.
Coragem; o Deus que salvou tantas de Suas crianças ainda irá salvar muitas delas, e devemos ter
grande alegria a medida que virmos centenas sendo levadas a Cristo.” (Charles Spurgeon)

Invista tempo nessa terra fértil com o melhor que você pode oferecer: a Verdade de Jesus
Cristo que está na Bíblia. Ensine as crianças ao seu redor a amar a Palavra de Deus e
contemple o belo crescimento de um servo de Deus.
CRIANÇAS EDUCADAS, HOMENS USADOS POR DEUS

Podemos citar alguns exemplos relacionados ao assunto:

Adão - Entendemos pelas Escrituras que Adão ensinou aos seus filhos quando eles se propuseram
a oferecer suas ofertas a Deus (Gn 4.3-4).

Abraão - É certo que Abraão transmitiu os ensinamentos bíblicos a seu filho Isaque ainda pequeno.
A prova disso é que o jovem conhecia todo o ritual do sacrifício, e quando seguia para o monte
Moriá com seu pai, sentiu falta do cordeiro para o holocausto (Gn 22.7).

A educação de Moisés - Ele era o legislador de Israel, foi educado em toda a ciência do Egito como
filho de Faraó (Ex 2.10 e At 7.22). No entanto, sua meninice teve a influência dos ensinamentos de
sua própria mãe hebréia (Ex 2.8-9), que não descuidou de ensinar-lhe os princípios divinos. Isso lhe
ser viu de base para não se contaminar com a idolatria e guardar, no coração, o temor do Senhor e
a fé em um único Deus, criador de todas as c oisas.

O cuidado de Loide e Eu ice - Mesmo tendo um pai grego que certamente lhe ensinava acerca da
mitologia e da filos ofia da época, Timóteo recebeu também de sua avó e de sua mãe ensinamentos
das Escr ituras (2 Tm 1.5 e 3.14-15), desde a sua meninice. Tais fundamentos foram a base de sua
fé e conduta, o que o tornou grande evangelista ainda bem jovem.

Através dos tempos

Os ensinos do Antigo Testamento tiveram ressonância através dos tempos e a preocupação em


transmitir as verdades bíblicas às crianças foi um dos pontos observados nas sinagogas até mesmo
no tempo do cativeiro. Jesus nunca excluiu as crianças das multidões que vinham a ele ouvir os seus
ensinamentos (Mt 14.21). Ele repreendeu seus
Discípulos quando pretendiam excluir as crianças do seu convívio (Mc 10.13-14).

A continuidade do ensino

Lendo as cartas do apóstolo Paulo, entendemos que o ensino sempre foi assunto de relevância na
Igreja (Rm 12.7; Cl 1.28; 2Tm 2.2 e 3.14-15) e no lar. Através dos tempos, a Igreja passou por
muitas provações, perseguições e até mesmo profundas mudanças. Todavia, Deus sempre
continuou preocupado com a questão da transmissão dos seus preceitos e mandamentos.

Na Reforma

Através da História, constatamos que Deus sempre levantou homens preocupados e interessados
na educação. Martinho Lutero, o ilustre reformador protestante, por exemplo, empenhou-se em
promover a educação concentrada no lar, como registra o Antigo Testamento. Reconhecia, no
entanto, que as autoridades do Estado também deveriam desenvolver programas educacionais para
as crianças tomando para si a responsabilidade de ajudar os pais na educação dos filhos. Ele
sugeria um currículo que desse ênfase aos estudos bíblicos e à música (para isso, Bíblia deveria ser
traduzida para o vernáculo, proporcionando a facilidade da leitura da mesma), ao lado de outras
disciplinas.

Outro nome é João Calvino, fundador da Academia de Genebra, onde se ensinava a crianças e
adultos. Ele teve a grande preocupação de convocar a igreja para retornar à tarefa de ensinar às
crianças nos moldes do Antigo Testamento.
Os colonizadores

Da mesma forma como os hebreus nos tempos antigos, os colonizadores nos séculos passados,
quando vieram da Europa para habitar na América, não faziam distinção entre educação religiosa e
educação secular.

Quase todas as famílias, senão todas, eram protestantes. Vieram para o Novo Mundo fugindo das
perseguições religiosas, e m busca de liberdade para exercitar a fé em Jesus. A principal razão para
ensinar a seus filhos a ler era para que pudessem ler a Bíblia. Assim, procuravam transmitir de
modo simples, mas convincente, um patrimônio moral e espiritual e um viver de acordo com os
ditames bíblico s. Cada família tinha o cuidado de realizar o c ulto doméstico. Os pais chegaram até
a ser obrigados por lei a ensinarem os preceitos divinos aos seus filhos.

Surgimento das escolas - Caso os pais não cumprissem seu dever de ensinar, a comunidade se
responsabilizava por transmitir um ensino mais adequado e eficaz. Assim foram surgindo as
primeiras escolas para complementação do ensino no lar. Aos mais ricos era concedido o privilégio
de contratarem pessoas para irem à casa ensinar as crianças.

Atualidade

É fato incontestável que os judeus sempre primavam pela educação de seus filhos. Eles
consideravam a educação tão importante quanto a oração. Esse zelo pelo saber originou-se do
preceito bíblico registrado em Deuteronômio 11.1 9. Ainda hoje se pode observar o cuidado e
preocupação em transmitirem aos seus filhos a Lei do Senhor e os preceitos de Jeová. Consideram a
educação da criança prioritária.

Somos também o povo escolhido de Deus (Hb 8.10 e Tt 2.14). Assim, a educação cristã está
também embasada nos mesmos princípios e ditames expostos nas Escrituras.

A Igreja de Cristo tem como objetivo primordial a salvação do homem e o seu preparo para viver
Jesus eternamente. A educação é o agente de mudança.

Para isso, a Igreja se propõe a ensinar a Palavra de Deus de modo sistemático, prático e progressivo,
alcançando pessoas de todas as idades, principalmente as crianças. A instituição educacional da
igreja é a Escola Dominical. O ensino bíblico, ou melhor, a educação cristã deve ser compreendida
como uma tarefa que não se limita apenas a algumas horas de estudo aos domingos na ED. Mas,
como um processo, um contínuo aprendizado de crenças e valores, de hábitos, atitudes, maneiras de
sentir e de agir de acordo com o querer de Deus.

Cada cristão deve tornar-se uma pessoa zelosa, praticando boas obras com o objetivo de melhor
servir a Jesus e ser capaz de influenciar na vida da comunidade, da sociedade em que está
inserido. Nessa tarefa cabe aos pais a responsabilidade maior.

Dificuldades atuais

A sociedade atravessa um período de profundas mudanças. Em consequência, os lares são


abalados de forma preocupante, o que traz sérios problemas no que se refere à educação do
indivíduo. De um lado está a necessidade da busca de meios de sobrevivência colaborando para
que as mães também deixem o lar e se dediquem a algum trabalho para ajudar a sustentar a
economia da família. De outro, as mulheres que “vestindo a roupagem” do desejo da realização
pessoal e da procura de um “espaço” na sociedade, fogem das suas responsabilidades de esposa e
mãe. E ainda levando-se em consideração os desmandos dos pais, as brigas, as ocupações extras,
a separação dos cônjuges, que no final chegam ao divórcio na maioria das vezes.
Todos esses acontecimentos na vida familiar levam a criança ao abandono, à falta de orientação, a
necessidade de alguém para identificar-se, de ajuda para resolver seus problemas.
Falta a presença dos pais para incentivá-la a crescer, a desenvolver-se, quer elogiando-a ou
repreendendo-a, conforme a situação. Determinando e cobrando tarefas. Ensinando-a a respeitar
limites, a ser útil, a participar do grupo familiar. Dando-lhe oportunidade de partilhar das alegrias e
das dificuldades do dia-a-dia. Ensinando-a a fazer escolhas e a tomar decisões. Caminhando junto a
ela, apontando-lhe o caminho (Pv 22.6). Orientando-a a lidar com seus próprios sentimentos.

São os pais as pessoas responsáveis para “descortinar” conhecimentos. É a qualidade do mesmo


que determinará seus resultados. Sem dúvida, os ensinamentos bíblicos oferecidos ao indivíduo
desde a sua infância é que nortearão sua vida de modo eficaz tornando-o um cidadão honrado.
Capacitando-o a colaborar para o bem-estar da sociedade e da nação. E, acima de tudo, fazendo-o
um futuro cidadão dos céus.

ENSINANDO PARA ADOLESCENTES

CONHECENDO OS ALUNOS ADOLESCENTES / TEEN

A adolescência é uma fase muito importante n a vida de uma pessoa. É um período que não pode
ser considerado uma mera transição entre a infância e a fase adulta. É uma etapa onde ocorrem as
mais diversas transformações, sendo elas física, intelectual, emocional e social. A adolescência é um
processo dinâmico de metamorfose que transforma o ser.

DEFINIÇÃO DE ADOLESCÊNCIA

A adolescência é um período da vida que se estende entre a fase da infância e a fase adulta. Ela é
um processo dinâmico e não um estado. É um estágio onde acontece um período radical de
transição que deve ser vivido com naturalidade e intensidade pelo adolescente e um tempo
especial onde os adultos precisam compreendê-lo em suas inquietações. A adolescência é
considerada um fenômeno de caráter psicológico e social com diferentes particularidades que
variam d acordo com o contexto no qual o adolescente está inserido. A palavra adolescência deriva
do latim ad (a, para) e olescer (crescer), caracterizando, portanto, o processo dinâmico que o
indivíduo apresenta na sua aptidão de crescer. A adolescência também tem raízes na palavra
adolescer, de onde origina a palavra adoecer. Temos, pois, uma dupla etimológica: crescer no
sentido físico e psíquico e adoecer com as transformações biológicas e mentais que se sucedem
nesta fase da vida.

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), a adolescência compreende a faixa


etária que vai dos 10 aos 19 anos. Para o Estatuto da Criança e do Adolescente, a
adolescência compreende a faixa etária que vai dos 12 aos 18 anos.

ETAPAS DA ADOLESCÊNCIA

a) A adolescência inicial

Esta fase da adolescência tem o seu início em torno dos 10 anos estendendo-se até os 14 anos,
aproximadamente. A principal caracterização deste período é a transformação corporal com as
devidas alterações psíquicas.
Normalmente, nas meninas o amadurecimento ocorre mais cedo do que nos meninos. Esta fase é
também denominada d e adolescência puberal, por apresentar o início das mudanças da
puberdade com todas as modificações físicas e psíquicas da adolescência. Nesta etapa da
adolescência, má característica é o isolamento e há uma mudança no jeito afetivo do adolescente
ser: ele se torna explosivo, suscetível, mal humorado e dorme muito. Ele se fecha em seu quarto
ou até no banheiro por um vasto período. O adolescente torna-se monossilábico e a desobediência
passa a ser a tônica principal. Além disso, inicia a desordem, a falta de asseio e a despreocupação
de si mesmo.

b) A adolescência média

A presente etapa vai dos 14 aos 16 ou 17 anos, aproximadamente. Tem como característica principal
tudo que está relacionado com a sexualidade. Relevante também, nesta etapa, é o surgimento da
importância do aspecto grupal. O adolescente centra seu modelo no relacionamento que ele tem c om
o seu grupo de colegas e amigos.

c) Adolescência final

Esta fase da adolescência vai dos 16 ou 17 aos 20 anos. Nesta etapa se estabelecem os novos
vínculos com os pais e acontece a adaptação ao novo corpo aos processos psíquicos do mundo
adulto. Acontece também o rompimento da psicologia grupal e o adolescente busca uma maior
independência onde ele procura inserir-se na sociedade em que vive.

O DESENVOLVIMENTO MENTA L NA ADOLESCÊNCIA

Conhecer seu aluno é uma tarefa primordial para alcançá-lo, é desenvolver nele uma natureza
espiritual e influenciar sua vida em direção a Deus.

Um dos aspectos fundamentais que deve ser considerado pelo p rofessor é o desenvolvimento
mental na adolescência, a faculdade para estabelecer r elações e para resolver problemas de
complexidade cada vez menor.

Capacidade intelectual
A mente do adolescente é um poderoso instrumento, tornando-se muitas v ezes, para ele, uma
fonte de alegria, através da excitação da curiosidade, da sensação da descoberta, da sensação de
triunfo decorrent e de ter solucionado um quebra-cabeça ou de ter resolvido um problema
desafiante.
O professor deve aproveitar esse potencial e lavar o adolescente a adquirir uma visão significativa
de suas experiências subjetivas. Segundo Almy, “é essencial que não nos limitemos a en sinar os
jovens a repetir as respostas corretas das questões acadêmicas, mas que os ajudem os a
compreender o significado, o aprendizado não passa de um exercício mecânico, de um a exibição.”

Lidando com ideias abstratas

O adolescente tem capacidade para lidar com abstrações. É capaz de dominar uma maior
proporção de saber relacionado a símbolos e artes que a coisas concretas.

“A capacidade de lidar com abstrações surge tanto em relação às qualidades quanto às


quantidades e apresenta uma importância especial no tocante à busca de sentido, valor e
significado da pessoa em crescimento”.

O professor precisa desenvolve r métodos e técnicas adequadas que desperte m a atenção do


adolescente, e verá que possui um excelente aluno.
UM ALUNO MENOS APRECIÁVEL

O aluno é o elemento-chave d e uma escola. É a matéria-prima. A escola existe por causa do


aluno. É a escola que deve adaptar-se ao aluno, e não o aluno à escola.

É fundamental atentarmos para importância do aluno na escola, principalmente quando se trata da


criança e do adolescente, por ser u m campo mais fértil.
Ensinar ao adolescente tem sido um dos grandes desafios para muitos professores, tornando-o,
muitas vezes, menos apreciável. Alguns querem tratá-lo como crianças, esquecendo que um
adolescente pensa muito diferente dos pequenos. Essa diferença é consequência das
transformações corporais, dos novos estímulos ambientais, também de uma mudança quantitativa na
sua atividade cognitiva (pensamento, inteligência). O adolescente desenvolve a capacidade de
especular, obstruir, analisar, criticar. É uma verdadeira transformação na inteligência que afeta todos
os aspectos da sua vida. Outros professores cobram do adolescente como se ele fosse um ad ulto,
ignorando que, nesse momento da vida, o adolescente geralmente ainda desconhece a si mesmo e
as suas aptidões, desconhece o significado e a realidade da vida. E é exatamente nesse momento
que ele se vê pressionado pela família, pela escola e pela sociedade a agir de forma madura. Como
adolescente se sente inseguro, toma decisões muitas vezes sem reflexão (inclusive porque não há
base para refletir), em meio a angustia e a tensão. Decisões, nessas condições fatalmente gerarão
erros, às vezes bastante graves, deixando-o frustrado e, o que é pior, culpado.

O ENSINO BÍBLICO PARA ADOLESCENTES

Ensinar é proporcionar mudança de comportamento através de um despertamento da mente do


aluno, guiando-o no processo de aprendizagem.

O ensino bíblico é, sem dúvida, um meio eficaz de promover educação e instrução, visando,
prioritariamente, o coração do intelecto do aluno. Entretanto, de acordo co m o escritor da carta aos
hebreus, o ensino da palavra atinge o coração e a mente:]

“Porei nos seus corações as minhas leis, e sobre as suas mentes os inscrever ei” (Hb 10.16) Não
pode ria falar acerca do ensino bíblico sem destaca r as três peças fundamentais ou indispensáveis
para que se chegue ao processo de aprendizagem: a escola, o professor e o aluno.

PREPARANDO A AULA DA CLASSE TEEN

“Uma previsão bem-feita do que será realizado em classe melhora muito o aprendizado dos alunos
e aprimora a sua prática pedagógica” (Márcio Ferrari)

Por mais experiente que o professor seja, ele não deverá entrar em classe sem antes planejar a
aula. Por mais formal que a elaboração de um plano de aula pareça, ele não dispensa a oração
nem a direção do Espírito em sua elaboração. Agindo assim, tem-se uma garantia de que as aulas
vão ganhar qualidade e eficiência.

I - ELABORAÇÃO DO PLANO DE AULA

O plano de aula pode ser definido como a previsão dos conteúdos e atividades de uma ou de
várias aulas que compõem uma unidade de estudo (trimestres, no caso das lições bíblicas). Dessa
forma, “ele limita-se à previsão do desenvolvimento a ser dado ao conteúdo da matéria (lição) e as
atividades de ensino-aprendizagem proposta de acordo com os objetivos no âmbito de cada aula”.
(GIL, 2007, p. 40)
Não existe um padrão único na elaboração de um plano de aula. É preciso, no entanto, que um
mínimo de coerência seja percebido na sequência dos elementos a serem considerados no
processo ensino-aprendizagem.

Abaixo apresentamos o que a diretoria do CFCM definiu como essencial para o plano de aula.

Identificação do Plano. Nesta parte são indicados os seguintes dados:

NOME DA CLASSE:
NOME DO
PROFESSOR:
NÚMERO E DATA DA LIÇÃO
BÍBLICA: TEMA DA LIÇÃO BÍBLICA:

Objetivos. Os objetivos apontam para o elemento central do plano. Define aonde se quer chegar, o
que deseja ser alcançado. Os objetivos devem ser claros e bem definidos. As lições bíblicas de
mestre, para facilitar a vida dos professores, trazem os objetivos já definidos, o que não impede que
os mesmos possam ser redefinidos, à medida que o professor perceba tal necessidade.

Conteúdo. Os conteúdos neste caso, já são previamente estabelecidos, mediante uma análise
criteriosa de uma equipe devidamente qualificada, que compõem o setor de educação cristã da
editora responsável pela publicação e distribuição das lições bíblicas. Envolvem de forma geral,
temas relacionados à Bíblia sagrada, que incluem o estudo teológico sistemático, introdução e
comentários dos livros da Bíblia, Família Cristã, vida cristã e outros.

Estratégia ou Método de Ensino-Aprendizagem. Estratégias ou métodos s ão caminhos a serem


percorridos pelo professor, visando o alcance dos objetivos estabelecidos. Os procedimentos a
serem utiliza dos para facilitar o fazer pedagógico são aqui esclarecidos. Dentre os vários métodos
ou estratégias previstas, podemos citar:

- Aulas expositivas

- Perguntas e Respostas

- Seminários

- Júri Simulado

- Estudo de Caso

- Discussão

- Dinâmicas

Recursos Didáticos. Podem ser definidos como os meios que “servem para estruturar conceitos
necessários à compreensão do que está sendo estudado. Isto é , são recursos auxiliares do ensino
que facilitam a assimilação da mensagem que se pretende comunicar” (TULER, 2003, p. 39).
Existe um a grande variedade destes recursos, que vão desde o quadro branco com marcador, até
o uso de computadores e projetores de última geração. A previsão para o uso dos recursos
didáticos, precisa estar dentro da realidade e disponibilidade de cada classe e professor.
Consideramos recursos básicos para uma aula de qualidade para adolescentes: Bíblia, revista,
dicionário da língua portuguesa, dicionário bíblico, quadro branco ou lousa, dinâmica e perguntas
previamente preparadas.

Avaliação. Como podemos verificar a eficácia do processo ensino/aprendizagem, de que formar


podemos comprovar se os objetivos foram alcançados? A resposta é: avaliando os alunos. A
avaliação pode ser fe ita através da elaboração dos questionários (o da lição bíblica pode ser
utilizado), perguntas diretas, avaliação no final do trimestre, observação etc. No caso do ensino
cristão, uma vida transformada, que resulta numa mudança de caráter, comportamento,
envolvimento no serviço cristão e maior comunhão com Deus e com o próximo, é sem dúvida
alguma, a prova cabal que os objetivos de nossa prática pedagógica foram alcançados.

PASSO A PASSO DA AULA

1- Chegar antecipadamente para receber os alunos e visitantes e escrever o esboço da


lição

2- Orar

3- Apresentar os visitantes se houver

4- Quebra-gelo (Dinâmica para introduzir o tema e despertar o interesse d o aluno)

5- Exibição e discussão do tema (analisado e resumido procurando expor o conteúdo


dentro do tempo disponível para aula

6- Expor algumas frases de efeito

7- Aplicar os exercícios da revista e corrigi-los.

Princípios para Ensinar os Jovens

Preparação Espiritual

O Senhor ordenou: “Primeiro procura obter minha palavra” (D&C 11:21). Estudar sozinho a doutrina
que vai ensinar é parte da preparação espiritual. O Espírito vai orientá-lo(a) a ensinar o que será mais
relevante e útil para os jovens. Então, ao esforçar-se para viver o que ensina, você poderá prestar
testemunho da veracidade do evangelho por meio de sua própria experiência. (Ver Ensino, Não Há
Maior Chamado, pp. 12–20.)

Reunir-se em Conselho

Ajudar os jovens a converterem-se exige os esforços combinados dos pais, líderes, consultores e
professores, inclusive dos professores do seminário. Aconselhem-se sobre as necessidades dos
jovens. Descubra o que estão aprendendo em casa, na Igreja e no seminário para que possa reforçá-
los quando os ensinar. Com a participação de todos, você poderá criar uma experiência de
aprendizado muito mais vigorosa para os jovens do que conseguiria separadamente.
Há muitas oportunidades para os pais, professores, consultores e líderes se aconselharem. Aqui estão
alguns exemplos:

Reuniões de liderança, tais como o conselho da ala ou as reuniões do comitê da juventude do


bispado.

Reuniões breves e informais, antes ou depois das reuniões regulares da Igreja.

Comunicar-se por telefone ou e-mail.

Ministrar aos Jovens

Ensinar os jovens significa mais do que apenas transmitir informações. O ensino cristão envolve
orientação e incentivo aos jovens em seu esforço pessoal de viver o evangelho na vida diária. Isso
pode significar que precisarão de ajuda em outros momentos além das atividades agendadas, aulas e
reuniões regulares.

Tente amar os jovens como o Pai Celestial os ama. Ele vê o que há de melhor neles; Ele é paciente à
medida que crescem. Ele os incentiva, mesmo quando se esforçam para fazer o que é certo, e Ele
nunca desiste. (Ver Ensino, Não Há Maior Chamado, pp. 31–39.)

Ensinar o Evangelho

Em todo o ensino do evangelho, o Espírito é o verdadeiro professor. Se buscar a Sua orientação, Ele
vai tocar seu coração e inspirar seus alunos.

Uma das melhores maneiras de convidar o Espírito é envolver os jovens no debate sobre as
escrituras e nos mais recentes ensinamentos dos profetas vivos. Os esboços de aprendizado online
vão ajudá-lo(a) a encontrar os recursos mais importantes.

Muitas vezes os jovens têm suas próprias experiências espirituais e pontos de vista para compartilhar.
Eles podem fazer isso na noite familiar, nas aulas ou nas reuniões do quórum, nas atividades da
Mutual, como convidados na Primária, ou em muitas outras ocasiões formais e informais. Quando
compartilham seu testemunho uns com os outros, o Espírito presta testemunho, e todos são
edificados. (Ver Ensino, Não Há Maior Chamado, pp. 50–59.)

Edificando um ministério de jovens bíblico

Como começamos um ministério para jovens e adolescentes na igreja? Ou, como mantemos
ou revitalizamos um ministério para jovens e adolescentes na igreja? Quais são as estruturas
necessárias para garantir o sucesso do ministério com jovens e adolescentes? Ou ainda, o que é um
ministério para jovens e adolescentes bem-sucedido?
Essas são algumas das muitas perguntas que escuto sobre o ministério com jovens e adolescentes
no contexto da igreja local. Não sou um perito no assunto, mas me vejo na responsabilidade de tentar
responder algumas dessas perguntas simplesmente porque sou um dos pastores de uma igreja que
tem, inclusive, jovens e adolescentes.

Começando certo

O ponto de partida de qualquer reflexão irá conduzir seus esforços no pastoreio de jovens e
adolescentes. O ponto de partida errado pode comprometer a efetividade de um ministério, ainda que
pareça crescer ou “fazer barulho”! Por exemplo, é comum falarmos do ministério jovem como se
fosse um departamento a ser desenvolvido sem ou com pouca ligação com o restante da vida da
igreja local. Olhamos para os jovens e adolescentes da igreja como pessoas “em potencial” que
precisam ser entretidas ou distraídas para não caírem no mundo! Ironicamente, é justamente
abordagens assim que têm ofuscado a mensagem do Evangelho para os jovens e adolescentes,
empurrando-os para fora da igreja. Por isso, quero sugerir para você que a pergunta “como
desenvolver um ministério jovem?” não é abrangente o suficiente para o cuidado pastoral dos jovens e
adolescentes da igreja.
A Palavra de Deus estabelece parâmetros que levantam outras perguntas para a construção de uma
visão para o ministério jovem dentro da igreja local. Precisamos de uma visão de ministério jovem que
coopera com a missão específica da igreja: fazer discípulos de Jesus Cristo para a glória de Deus
(Mateus 28.18-20). Caso contrário, iremos cumprir objetivos diferentes, tirando uma geração inteira
da missão abrangente da Igreja: revelar a multiforme sabedoria de Deus (Efésios 3.10).
Portanto, o que está em jogo não é meramente uma questão administrativa da igreja. Pastores e
líderes de jovens bem-intencionados falham ao encarar o ministério jovem da igreja como um
departamento a ser desenvolvido. O ministério jovem não pode ser artificialmente separado do
cuidado pastoral da igreja. Trata-se de uma questão que precisa de lentes espirituais providas pelo
Espírito Santo na Palavra de Deus para uma abordagem ministerial correta.

Deixe-me sugerir três perspectivas bíblicas aplicadas ao ministério jovem que pastores e líderes
precisam considerar:

1) Perspectiva antropológica

O que a Palavra de Deus ensina acerca do jovem? Se não respondermos adequadamente a essa
pergunta, iremos direcionar esforços para solucionar um problema que a própria Bíblia nunca
levantou. Se o jovem é apenas o “futuro” da igreja, o ministério jovem não irá incentivar os jovens a
servirem nem assumirem responsabilidades diante da igreja local hoje. Ou ainda, se você acredita
que o jovem encontrará seu “potencial” ingressando num grupo que o aceite como é e que será
mantido com entretenimento, o ministério jovem irá focar em programações e eventos cujo foco
principal é a diversão, na melhor das hipóteses, livre das contaminações do mundo — ou seja, um
“clube Gospel”. Por isso, voltamos para a Palavra de Deus, e perguntamos: o que é o jovem?

Na perspectiva antropológica abrangente, o jovem faz parte da categoria única para todos os homens:
pecador. O jovem e o adolescente são carentes do Evangelho de Jesus Cristo, capaz de redimi-los da
condição caída em pecado. O jovem e o adolescente precisam ouvir as boas novas do Senhor Jesus.
Isso inclui uma visão de quem Deus é em Sua santidade, a realidade do pecado que nos separa de
Deus, o sacrifício substitutivo de Jesus Cristo e o chamado ao arrependimento e fé. O jovem precisa
do Evangelho.

Na perspectiva antropológica específica, o jovem é descrito com peculiaridades de sua faixa etária, ou
melhor, de seu estágio de vida. O livro de Provérbios foi escrito, entre outros objetivos, para dar
conhecimento e bom siso aos jovens (Provérbios 1.4). Por isso, podemos esperar informações acerca
do jovem nesse precioso livro de sabedoria divina. Muitas das informações acerca do jovem virão na
forma de exortação. Ou seja, a exortação de Salomão reflete uma preocupação com seu filho jovem.
Precisamos escutar a descrição implícita por trás da exortação explícita.
De acordo com Provérbios, o jovem tende a não valorizar a sabedoria e é carente de juízo (Provérbios
3.1-4 e 7.7). Não é à toa que Salomão insiste em mostrar o valor da sabedoria para seu filho. “Filho
meu” é uma expressão repetida inúmeras vezes para chamar a atenção de seu filho para o valor da
sabedoria e seus ensinos. O livro de Provérbios ainda descreve o jovem com dificuldades na escolha
de suas companhias (Provérbios 1.10ss) e mais suscetível à tentação sexual (Provérbios 2.16; 5;
6.20-35; 7). O livro mostra que o jovem não tem, de uma forma geral, uma perspectiva escatológica
madura. Ou seja, jovens tem dificuldades em entender consequências de longo prazo de suas
decisões de curto prazo. Muitos acreditam que serão jovens para sempre e que o amanhã não
importa. Por isso que grande parte do livro se volta para a construção de uma mentalidade capaz de
discernir o certo do errado, mostrando o relacionamento de causa e efeito na ordem criada por Deus.
No centro de tudo isso, o livro de Provérbios mostra que o jovem tende a por pouco foco no coração
(Provérbios 4.23). Por isso, gostam de testar seus limites numa visão legalista da lei. Jovens e
adolescentes tendem a fazer o mínimo necessário para não terem problemas com seus pais,
autoridades e igreja. Constroem um estilo de vida mais próximo de seus desejos, ainda que isso custe
o relacionamento com Cristo.

2) Perspectiva eclesiológica

Um ministério jovem fiel precisa de uma visão eclesiológica madura. É comum vermos “ministérios
jovens” fortes desligados da vida da igreja. Bem-intencionados, mas equivocados, líderes de jovens
criam um ambiente competitivo dentro da própria igreja. O ministério jovem, ao invés de servir a igreja
e seus propósitos de proclamação do Evangelho, cria um grupo fechado em si mesmo, repleto de
pessoas semelhantes. Isso é um erro que cometemos por décadas e que precisa de uma
reavaliação. O ministério jovem não é uma igreja numa versão mais legal (ou mais “descolada”)
dentro da igreja.

Ao isolarmos o grupo de jovens, tornamos a vida da igreja difícil de ser vivida dentro dos moldes
bíblicos. A unidade em meio a diversidade sofre um golpe brutal. Um grupo exclusivo de jovens
reunidos é incapaz de mostrar a beleza da diversidade que o Evangelho conquistou. Um grupo repleto
de pessoas da mesma faixa etária deixa de usufruir dos benefícios do ministério intergeracional.

Portanto, antes de definir o ministério jovem, é preciso uma definição madura e bíblica sobre a igreja
local. A Igreja Universal do Senhor Jesus Cristo é conhecida por meio de suas representações locais.
Por isso, qualquer proposta de igreja focada e fechada num grupo exclusivo erra em demonstrar a
diversidade do povo de Deus. O Evangelho criou a unidade rompendo a barreira de inimizade que
existia entre judeus e gentios (Efésios 2.13, 14). Essa unidade reflete o caráter de Cristo e, por isso,
deve ser diligentemente preservada (Efésios 4.1-6).

A preservação da unidade da igreja tem seu início no ministério da Palavra de Deus (Efésios 4.7-13).
A Palavra de Deus equipa a todos os ouvintes dentro da igreja para o desempenho do serviço e
edificação do corpo de Cristo. Quando a igreja vive isso, cada parte coopera para o mesmo objetivo:
edificação da igreja, santuário do Espírito Santo (Efésios 2.22).

Considere alguns sinais de que o ministério com jovens e adolescentes estão desligados da igreja
local e competindo com o restante da igreja:

 Uma valorização da reunião de jovens (células ou grupos pequenos de jovens) em detrimento do


culto público quando a igreja toda se reúne;
 Um apego a líderes carismáticos (líder da “pegada louca” apenas) em detrimento de líderes bíblicos
com caráter provado;
 Uma ênfase no entretenimento em detrimento da verdade;
 Construção de relacionamentos superficiais - não centrados em Cristo, mas simplesmente porque
“são legais” - em detrimento da graça e verdade dos relacionamentos que devem imperar nos
relacionamentos entre cristãos;
 Círculos de relacionamentos limitados a jovens;
 A mentalidade dos pais de que “enquanto estão na reunião de jovens, está bom”.
Sinais de que os jovens estão integrados ou caminhando para serem integrados no contexto da igreja
local como um todo:

 Participação ativa de jovens e adolescentes no culto público;


 Existe uma identificação do jovem com toda a equipe pastoral e diversidade de liderança bíblica
madura com acesso ao grupo de jovens e adolescentes;
 Isso não quer dizer que não possa haver uma referência entre o grupo de jovens na equipe
pastoral. O ponto é que não existe uma exclusividade artificial e o jovem compreende os líderes
reconhecidos como seus pastores.
 Interesse pela verdade bíblica e crescimento em discernimento;
 Existe uma disposição de servir o restante da igreja (em termos de faixas etárias);
 Existe uma disposição de criar relacionamentos com outros grupos da igreja, aprendendo com os
mais velhos e discipulando os mais novos;
 A mentalidade dos pais é de enxergar o ministério jovem como um apoio à responsabilidade bíblica
de criarem seus filhos, não de terceirização de seus papéis.

3) Perspectiva pastoral
O ministério jovem e adolescente precisa de uma “teologia pastoral” bíblica. O que significa
cuidar/pastorear ovelhas? O que significa pastorear ovelhas jovens e adolescentes? São perguntas
que precisam de respostas bíblicas. É comum reduzir o ministério com jovens e adolescentes a uma
mentalidade de “babá”, com bastante entretenimento e repleto de superficialidades que não
promovem maturidade.

O objetivo pastoral é a edificação da Igreja promovendo maturidade individual à semelhança de Cristo


(Colossenses 1.28, 29). O pastor faz isso ensinando e aconselhando. Expandindo um pouco a ideia, o
pastor precisa de uma visão ministerial centrada na Pessoa e obra de Cristo, anunciada por meio do
ensino e do aconselhamento. Tanto no ministério público como individual (Atos 20.20).

Como que isso acontece no contexto do ministério com jovens e adolescentes? A Bíblia aponta para a
responsabilidade dos pais na tarefa. Uma teologia pastoral bíblica irá funcionar numa eclesiologia
bíblica. Então, a prática do ministério dos pastores e líderes de jovens e adolescentes começa com
uma disposição em equipar os pais. Obviamente que estamos falando um conjunto amplo de
possibilidades uma vez que alguns jovens já são adultos formados e devem ser encarados como tal.
Mas, principalmente com adolescentes, o envolvimento com os pais precisa ser levado em
consideração.

Além do engajamento dos pais, devemos considerar o envolvimento de adultos maduros no


discipulado de jovens e adolescentes. Nem todos os jovens e adolescentes irão contar com pais
interessados no cumprimento de suas responsabilidades ou terão pais comprometidos com Cristo. Em
situações como essas, vemos a participação da igreja local como família espiritual de jovens e
adolescentes criando o ambiente propício para relacionamentos saudáveis intergeracionais (Tito 2; 1
Pedro 5.5).

Mãos à obra

Baseado nas 3 perspectivas acima, como você irá pensar o ministério Bíblico para o jovem? Veja,
não se trata apenas de um modelo a ser implementado, mas uma cultura a ser desenvolvida ao redor
das verdades da Escritura. Cada uma das perspectivas nos ajuda a construir uma mentalidade capaz
de enxergar o jovem e o adolescente de forma bíblica. O Evangelho deve ser visto na vida da igreja,
pregado para os jovens da igreja e cuidadosamente usado na construção de relacionamentos dentro
do contexto da igreja.

De forma prática, considere os seguintes passos iniciais:

 Ore para que Deus levante líderes (entre os jovens). Quando o trabalho pareceu maior que a
capacidade dos trabalhadores, Jesus nos chamou a orar.
 Treine homens líderes no grupo de jovens.
 Enfatize o estudo da Palavra de Deus de forma sistemática e relevante.
 Encoraje os jovens e adolescentes a viverem a Palavra de Deus, implementando mudanças em
suas decisões e relacionamentos.
 Ensine sobre a importância da igreja local.
 Reflita sobre as diferenças entre “reunião de jovens x culto público da igreja local”. As diferenças
irão ajudá-lo a aproveitar as oportunidades da reunião de jovens que não estão disponíveis no culto
local sem criar uma competição danosa para a unidade da igreja.

CONSIDERAÇÕES IMPORTANTES PARA CLASSE DE JOVENS / JVP

Evite trabalhar em cima de proibições, procure sempre discutir em cima de argumentação. Em vez
de dizer “Isso é errado…” procure levá-los a usar a razão, que está sendo rapidamente
desenvolvido nesta fase, tipo: “Por que você acha que isso não é errado?” “Você já pensou
nisso….?”. Ao discutir em cima de argumentos você se torna mais aceito e ouvido.

Procure manter-se atualizado e falar sobre qualquer assunto pela ótica dos jovens. Filmes, roupas,
artistas, etc. Mesmo que não façam sua cabeça, procure conhecer um pouco para não ficar
alienada do mundo deles. Estar atualizada com o que eles falam é a porta de entrada para levá-los
a ouvir o que você tem a dizer.

Demonstre interesse pessoal a cada um. Nesta fase a carência afetiva aumenta tremendamente e
o medo de rejeição também. Eles querem saber que t em valor como pessoa. Saiba seus nomes e
o s chame assim. Tome conhecimento de questões particulares de cada um, e procure sem pre
mostrar interesse pelo andamento destas questões, mostrando que os assuntos deles são
importantes para você. Eles precisam sentir que tem valor para você. Isso abre tremendamente as
portas.

Promova atividades que envolvam aventura e sociabilização. Eles têm energia para gastar, e
devem fazê-lo em atividades da igreja. Além disso, gostam de estar com a turma. Procure reuni-los
e tirar deles as informações sobre o que gostariam de fazer com os colegas da igreja.

Nunca os trate como criança s. Eles se sentem adultos e querem ser tratados como tal.

Lute por eles. Eles amam as pessoas que eles vêem fazendo o melhor por eles.

Organize programas na igreja onde eles sejam participantes e não espectadores. Evite tentar levá-
los a participar sozinhos nas atividades da igreja, tente sempre trabalha com grupos. Eles são
muito inseguros, e gostam de viver em turma. Um Teatro Jovem, por exemplo é um bom caminho p
ara envolver os jovens em uma atividade espiritual em grupo.

Ore muito por eles, e diga sempre isso para que eles saibam. Deu s os conhece particularmente, e
os quer firmes na igreja e na obra. (Fonte: Capacitando a sua liderança).