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15/05/2019 Caso 397731343732 de CREA RJ30995/D - Catálogo dos Profissionais do CREA - Engenharia Civil, Eletricista, Mecânica e metal…

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Laudo Pericial sobre acidente de veículo envolvendo


disputa sobre a atuação do air bag
14/02/2013

RICARDO SALOMAO
Engenheiro Naval / RJ - RIO DE JANEIRO

A autora ajuizou ação em face do fabricante do automóvel,


objetivando indenizações por danos diversos. Alega que o
airbag não abriu, quando deveria ter aberto, devido ao
impacto do choque, que resultou na morte de seu marido,
que estava ao volante.

Campo(s) de Atuação que o Presente Caso trata


Mecânica e metalúrgica

Tecnologia Mecânica
Veículos Automotivos

LAUDO PERICIAL

COMARCA DO RIO DE JANEIRO

JUIZ(A) DE DIREITO DA XXª VARA CÍVEL

PROCESSO Nº XXX

XXX

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XX S/A

Elaborado por:

Ricardo Salomão

Engenheiro

Crea 30.995-D/RJ

Novembro/2003

LAUDO PERICIAL

1. INTERESSADO

Juiz(a) de Direito da XXª Vara Cível.

2. OBJETIVO

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Analisar as características do acidente ocorrido com o


automóvel objeto desta lide e verificar se estiveram
presentes as condições que deveriam ter levado à abertura
(disparo) dos “air bags” .

3. METODOLOGIA DO EXAME PERICIAL

3.1 Preliminarmente, seria conveniente ressaltar que não


existem normas técnicas contendo diretrizes para a
realização de perícias desta natureza.

3.2 O trabalho pericial foi desenvolvido com base na


documentação contida nos autos, dos demais documentos
e informações fornecidos pelas partes, obtidos da literatura
técnica e também na vistoria do automóvel e do local do
acidente.

3.3 Considerando que o acidente ocorreu há cerca de


cinco anos atrás e que não há testemunhas, trata-se de
perícia indireta, onde as conclusões foram inferidas das
informações obtidas das fontes acima mencionadas, da
análise do automóvel e do local do acidente.

3.4 Finalmente, deve ser ressaltado que, neste laudo,


quando se menciona “air bags” deve ser entendido que
trata-se dos air bags frontais, pois o carro em questão está
equipado apenas com este tipo de air bags, embora o
modelo (ano 97, ainda importado) comporte,
opcionalmente, também os air bags laterais.

4. DADOS DO VEÍCULO

4.1 Volkswagen Passat Turbo, ano XXX, cor preta, chassi n


º XXXX, combustível gasolina, placa XXX.

5. INFORMAÇÕES TÉCNICAS SUCINTAS SOBRE O


FUNCIONAMENTO DE UM “AIR BAG”

5.1 É escassa a literatura técnica em português sobre air


bags. Há pouca pesquisa e a maioria dos veículos utiliza
equipamentos importados.

As melhores fontes para a obtenção de informações


sobre air bags (assim como para qualquer assunto
relacionado com automóveis) são as publicações
referendadas pela Society of Automotive Engineers (SAE).

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5.2 Através de contato telefônico com o Assistente


Técnico da parte Ré foi solicitado um conjunto de
informações que, entre outros objetivos, possibilitasse
identificar fatores diferenciadores entre um air bag
instalado no carro objeto desta lide e os air bags que
seguem o padrão normal na indústria automobilística.

O Ilustre Assistente Técnico informou que o air bag


instalado no veículo em tela segue o padrão normal do
equipamento, não havendo características específicas.

Portanto, as informações técnicas abaixo


apresentadas referem-se a air bags de uma maneira geral
e, presumidamente, aplicam-se também ao carro objeto
desta lide.

5.3 Qualquer objeto em movimento possui um


determinado “momentum” (equivalente ao produto da
massa pela velocidade do veículo). Se nenhuma força
externa atuar sobre o objeto este continuará a mover-se
com a mesma velocidade e direção.

5.4 Um veículo pode ser considerado como um conjunto


de diversos objetos, incluindo o veículo em si, objetos
soltos dentro do carro e, naturalmente, passageiros. Se
estes objetos não estiverem com um certo grau de
restrição, eles permanecerão em movimento com a mesma
velocidade com que o carro está se movendo, mesmo se o
carro é subitamente parado devido à uma colisão.

5.5 Para zerar o momentum de um objeto, há que se ter


uma certa força atuando durante um certo período de
tempo. Quando um carro colide, a força necessária para
parar qualquer objeto que seja parte deste carro é muito
grande, porque o momentum do carro alterou-se quase
que instantaneamente, mas o do passageiro não. A
finalidade de um carro possuir um sistema de segurança
passiva (basicamente, o cinto de segurança mais o air bag)
é exatamente auxiliar a parar o passageiro, preservando,
ao máximo, sua integridade física.

5.6 O air bag é, normalmente, feito de nylon fino e pode


ser armazenado em compartimentos na direção, no painel,
na porta e no banco. No caso em tela, estaremos tratando
dos dois primeiros

Um sensor comanda a abertura do air bag. Este se


abre (infla) quando a força (igual ao produto da massa
pela desaceleração, entendendo-se por desaceleração a
aceleração negativa) decorrente da colisão for equivalente
àquela que ocorre quando o carro se choca contra um
muro (supostamente inelástico) à cerca de 16 a 25 km/hr,
lembrando que, por se tratar de uma informação de
caráter geral, esta faixa pode variar, de modelo para
modelo.

Quando um objeto elástico, como um carro


estacionado, é colidido por outro veículo, usualmente, a
velocidade necessária para que o air bag deste último se
abra é de cerca de 32 a 48 km/hr, valendo para esta faixa
a mesma observação anterior.

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5.7 O sistema que faz inflar o air bag utiliza o rápido


impulso do gás de nitrogênio aquecido liberado pela reação
entre um composto de sódio (NaN3) e o nitrato de potássio
(KNO3), sendo também possível a utilizaçãod e outros
produtos.

Quando o air bag infla ele “salta” do compartimento


onde estava armazenado a uma velocidade superior a 300
km/hr. Daí a importância da utilização do cinto de
segurança que atuará como um freio ao movimento do
corpo do passageiro, impedindo-o de encontrar, em alta
velocidade, o air bag que vem em sua direção.

Assim, as atuações do cinto de segurança travando e


do air bag absorvendo o impacto decorrente da frenagem
do corpo do passageiro, constituem a parte mais
importante do sistema de segurança passiva de um
veículo.

5.8 Normalmente, além do critério da velocidade acima


mencionado (que busca traduzir, em termos de ordem de
grandeza, para valores de velocidade a expressão da
desaceleração, que é a real variável que o sensor está
medindo), para que um air bag possa se abrir, as seguintes
condições devem estar presentes:

a) A colisão deve se dar dentro de uma faixa angular de


30 º à direita ou à esquerda do eixo longitudinal do
veículo. Registre-se que colisões fora desta faixa também
podem chegar a fazer abrir o airbag, na medida em sua
componente longitudinal seja de uma ordem de grandeza
tal que produza os mesmos efeitos de uma colisão frontal;

b) A força decorrente do impacto deve ter um ponto de


aplicação dentro de uma certa faixa vertical que se inicia
na parte inferior do veículo e cuja extremidade superior
coincide, normalmente, com a extremidade superior do
painel interno do carro.

6. VISTORIA DO VEÍCULO

6.1 O veículo foi vistoriado em 25.10.2003, em um


depósito localizado na Estrada Rio Petrópolis, às 12:30 hrs.
Como o depósito possuía condições adequadas de
movimentação de cargas, foi possível levantar o carro e
vistoriá-lo também em sua parte inferior.

Seria conveniente ressaltar que, considerando o


tempo transcorrido, as movimentações que o veículo pode
ter sofrido e as eventuais deformações causadas pela
manipulação do carro para diversos fins, não se pode
afirmar que todas as deformações que foram constatadas
durante esta vistoria tenham sido causadas pelo acidente.
No entanto, comparando-se o estado atual do veículo com
as fotos de fls. 77 a 82, verifica-se que não houve
alterações externas significativas, pelo menos nas partes
aparentes.

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6.2 As seguintes observações puderam ser feitas durante


a vistoria:

a) Na parte dianteira:

- Marcas de impacto significativo na lateral esquerda,


na região inferior, que atingiu a longarina esquerda e
deformou o elemento de absorção de impacto, para cima e
para a direita. As deformações observadas demonstram
que o ângulo de impacto foi inferior a 30 º , pois a direção
da força provocadora das deformações situa-se dentro da
faixa angular horizontal hipotética que se inicia na linha
que representa o eixo longitudinal do carro e termina na
aresta externa do farol, conforme demonstra – de forma
apenas esquemática - o manual do fabricante, às fls. 73.

Provavelmente, de acordo com as descrições contidas


no laudo dos Peritos do Instituto Carlos Éboli, que
estiveram no loca do acidente cerca de 2:00 hrs após o
mesmo, este impacto deu-se contra o frade então
existente no local, visto que um impacto desta natureza
seria consistente com as deformações constatadas durante
a vistoria ora descrita;

- O compartimento do motor encontra-se intacto,


demonstrando que não houve nenhuma outra colisão
frontal;

- O para brisa está estilhaçado e arrancado;

- A lanterna direita está avariada;

- Quando se observa o veículo a uma certa distância,


verifica-se que a frente do mesmo sofreu uma torção para
a direita.

b) Na parte lateral direita:

- Há riscos longitudinais ao longo desta lateral;

- As portas estão ligeiramente empenadas para fora;

c) Na parte lateral esquerda:

- Há riscos longitudinais ao longo desta lateral;

- As portas estão danificadas, com diversas mossas;

d) Na parte traseira:

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- A parte traseira não apresenta avarias aparentes;

e) No teto:

- O teto está completamente danificado, tendo sido


arrancado e empurrado para a parte traseira, em diagonal,
da esquerda da frente do carro para a direita da traseira;

f) Na parte inferior:

- Esta parte pode ser observada, visto que uma


empilhadeira suspendeu o carro, permitindo uma ampla
inspeção:

- A deformação na parte dianteira esquerda pode ser


melhor observada, confirmando-se que a mesma atingiu a
longarina, que é um elemento estrutural;

g) Na parte interna:

- Os bancos dianteiros estão fora do lugar;

- O volante está trincado, deslocado na direção da


parte traseira e com uma ligeira deformação vertical, para
baixo;

- O painel foi encontrado completamente danificado;

- Não há vestígios de abertura dos air bags.

h) Nos pneus:

- Os pneus foram encontrados em bom estado, com


exceção do pneu dianteiro esquerdo, que está estourado,
apresentado “cortes” na borracha, típicos de um colapso
instantâneo

7. VISTORIA DO LOCAL DO ACIDENTE

7.1 O local do acidente foi vistoriado em 25.10.2003, por


volta de 16:00 hrs.

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7.2 As seguintes observações puderam ser feitas durante


a vistoria:

- Trata-se da Praia de Botafogo, pista central, sentido


Zona Sul à Centro, bem em frente ao Botafogo Praia
Shopping;

- A árvore que aparece perto do veículo na foto de fls.


78 – e que, aparentemente, teria sido atingida pelo mesmo
– foi cortada, o que pode ser constatado pela existência de
vestígios do tronco;

- Não foi encontrado o frade descrito no relatório dos


Peritos do ICE, o qual teria sido o ponto onde o veículo
teria sofrido o primeiro impacto, na lateral esquerda
dianteira;

8. ANÁLISE DO ACIDENTE OCORRIDO COM O


VEÍCULO

8.1 Do laudo elaborado pelos Peritos do Instituto


Carlos Éboli

8.1.1 Os Peritos o Instituto Carlos Éboli estiveram no local


do acidente por volta de 06:30 hrs do dia 20.11.1998,
sendo que o acidente teria ocorrido às 04:30 hrs (RO, fls.
14). Por eles foi elaborado o laudo de fls. 19 a 21. Os
trechos mais relevantes deste laudo, no que se refere ao
estabelecimento da dinâmica do acidente são:

a) “O local do acidente é a Praia de Botafogo, próximo


ao Botafogo Praia Shopping, na pista no sentido Zona Sul
à Centro. A pista é margeada à esquerda por uma calçada
arborizada”;

b) “ O veículo foi encontrado na posição transversa em


relação ao sentido do tráfego com a roda dianteira direita
sobre a calçada esquerda”;

c) “Externamente consideradas foram constatadas as


seguintes avarias típicas de impacto contra corpo rígido:
setor angular esquerdo, setor dianteiro, setor superior
(teto), setor lateral esquerdo, setor posterior, com
deslocamento dos bancos dianteiros de sua posição, painel
danificado”;

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d) “ O air bag não foi acionado”;

e) “Ao longo da calçada divisória foi encontrado um


veículo estacionado (Chevette de cor verde portando a
placa XXX – RJ) com avarias de choque contra corpo rígido
no setor lateral esquerdo”;

f) “Pista seca, sem deformidades dignas de nota”;

g) “ Havia um frade de concreto e uma árvore na


calçada divisória das pistas que apresentavam-se
danificados”;

h) “Os pneus do veículo apresentavam-se em bom


estado”;

i) “ Não havia marcas de rodas pneumáticas frenadas no


local”;

j) “O veículo trafegava pela Praia de Botafogo, sentido


Sul-Centro, quando ao atingir as proximidades do n º 400
sofreu um brusco desvio de direção, impactando um frade
de concreto subindo a calçada, chocando-se com uma
árvore que teve perda de parte de sua estrutura, rodando
e abalroando o veículo de placa XXX posicionado ao longo
da calçada divisória, na pista oposta, assumindo a posição
final de repouso ligeiramente transversal à pista com a
roda dianteira direita sobre a calçada e a roda dianteira
esquerda à guisa da calçada”;

l) “Apontam como causa determinante a perda de


direção por parte do condutor do veículo de placa XXX”

8.2 Da dinâmica do acidente

8.2.1 Para a modelagem de uma possível dinâmica do


acidente (ressalte-se, de plano, que, normalmente, são
diversas as alternativas de dinâmicas de acidente que
provocariam deformações semelhantes), optou-se por
dividir o evento em duas partes: a primeira que vai até o
momento em que o veículo sofre o impacto com o frade e
a segunda que vai até o final do evento, com a parada
definitiva do carro, na posição indicada pelas fotos de fls.
77 a 82.

8.2.2 Primeira fase:

a) As deformações observadas (de grande monta, vale


dizer, que demandaram uma significativa quantidade de
energia) permitem inferir que o veículo vinha em grande
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velocidade. O perfil das avarias constatadas no teto,


incluindo as quebras das soldas laterais, é um indicador
seguro de que a quantidade de energia necessária para
causá-las teria que ser significativa. E esta energia
somente poderia vir da transferência da energia cinética do
veículo, a qual é proporcional ao quadrado da velocidade.

Outra forma de analisar esta questão e confirmar este


aspecto – essencial para o entendimento do que poderia
ter sido a dinâmica do acidente – é abordá-lo sob a ótica
da quantidade de movimento (momentum), que é igual ao
produto da massa pela velocidade e traduz a energia (e
transferência de energia) dinâmica de um corpo. Este
tópico já foi mencionado no item 5 deste laudo.

b) Segundo informaram os Peritos do ICE – e este Perito


concorda com eles, com uma pequena diferença de
interpretação – o primeiro movimento que levou à
ocorrência do acidente teria sido um desvio para a
esquerda, que teria levado o veículo a subir na calçada
com, pelo menos, a roda dianteira esquerda. Nesta subida,
pode ter ocorrido o estouro do pneu esquerdo dianteiro e
também uma ligeira elevação do veículo, causada pela
reação da calçada aplicada sobre a roda. Assim, após este
primeiro movimento, o veículo estaria com a roda dianteira
esquerda ligeiramente elevada e prosseguindo em direção
ao frade.

A diferença em relação à descrição dos Peritos do ICE


está no fato de que eles entenderam que (ou, pelo menos,
assim o escreveram), primeiramente, teria havido o
choque com frade e depois a subida na calçada. No
entanto, como o frade está sempre situado na calçada, o
veículo teria que, necessariamente, primeiramente subir a
calçada para depois impactar o frade;

c) O impacto com o frade teria sido frontal (dentro do


ângulo de 30 º graus com o eixo longitudinal), pelos
seguintes motivos:

- O trecho onde ocorreu o acidente é reto, vale dizer, o


veículo vinha trafegando a 0 º graus em relação ao
alinhamento do frade com a calçada;

- Qualquer que tenha sido o motivo que levou o veículo


a subir na calçada, não teria sido possível mudar a direção
do mesmo de 0 º para um ângulo superior a 30 º em uma
fração de segundo. Uma coisa é guinar o volante
totalmente para um lado, objetivando-se
(intencionalmente ou não) fazer com que o veículo tome
uma outra direção, no caso com um ângulo superior a 30 º
em relação ao eixo longitudinal. Outra coisa é fazer com
que o veículo – principalmente quando está com muita
velocidade - se alinhe com esta nova direção, o que
sempre leva algum tempo. Caso se busque forçar uma
situação como esta, corre-se o risco de provocar uma
capotagem (se não for usado o freio), ou derrapagem (se o
freio for utilizado), com saída de traseira;

- Quanto maior o ângulo que se admitia para o impacto


com o frade, maior teria sido a probabilidade de fazer com
que o veículo girasse no sentido horário, após o impacto, o
que, pelas deformações constatadas, não ocorreu. Ao
contrário, quanto menor seja o ângulo que se admita,
maior a probabilidade de que o veículo tenha prosseguido,
de alguma forma (como será analisado mais adiante) , em
direção à árvore que se encontrava logo à frente, o que,
aparentemente, foi o que aconteceu;

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d) Pelas deformações constatadas na parte inferior do


carro, o impacto com o frade teria provocado no mesmo
uma reação frontal e, ao mesmo tempo, dois tipos de
momento (momento é o produto de uma força por uma
distância):

- O primeiro, no plano horizontal, tendendo a girar o


veículo no sentido anti-horário;

- O segundo, no plano vertical, visto que o ponto de


aplicação da força foi na parte inferior do carro, a cerca de
14 cm do centro de gravidade do mesmo. Este momento
tenderia a fazer com que o carro, praticamente, pivotasse
com a dianteira próxima ao solo, iniciando um giro na
direção longitudinal, com a sua dianteira voltada para
baixo e a traseira tendendo a levantar-se, sendo esta a
situação do veículo ao término do que foi denominado “1 ª
fase” do acidente;

e) Esta primeira fase está razoavelmente bem definida,


a partir as deformações encontradas no veículo e, em
termos da questão referente aos air bags, é a fase que
importa para a definição da existência ou não das
condições necessárias à abertura dos mesmos.

8.2.3 Segunda fase

a) Tendo em vista o perfil das deformações constatadas


no teto do veículo, a modelagem da dinâmica desta
segunda fase torna-se uma tarefa a ser desenvolvida de
forma absolutamente qualitativa, sendo certo que várias
alternativas poderiam ser geradas e que resultariam em
deformações semelhantes. Este Perito, a partir das
condições de contorno abaixo listadas, optou por
apresentar duas alternativas que parecem ser as mais
prováveis e consistentes com a dinâmica da primeira fase;

b) Os seguintes aspectos foram considerados para esta


modelagem:

- Os Peritos do ICE informaram que o veículo chocou-


se contra uma árvore, a qual teria perdido parte de sua
estrutura (item 7.1.j deste laudo);

- Na foto de fls. 77 a 82, principalmente nesta última,


há vestígios de partes da estrutura da árvore que teria sido
atingida;

- A mencionada árvore foi cortada (conforme


constatado na vistoria do local do acidente, acima
descrita), o que pode (trata-se apenas de uma suposição)
ter ocorrido devido a este acidente;

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- Não há, no presente, nem nas fotos de fls. 77 a 82 e


nem nas descrições dos Peritos do IEC nenhuma menção a
qualquer outro objeto que pudesse ter sido atingido pelo
veículo.

8.2.3.1 Primeira hipótese

Nesta hipótese, em princípio, a colisão que causou a


deformação no teto do veículo, somente poderia ter sido
contra a árvore. Para que isto pudesse ter acontecido, teria
sido necessário que o teto do carro tivesse se chocado com
a mesma. Assim, o veículo que, após a colisão com o
frade, encontrava-se submetido a dois momentos: um
horizontal, tendendo a girá-lo no sentido anti-horário e
outro vertical, tendendo a abaixar sua dianteira e elevar a
traseira, teria prosseguido neste movimento, pivotando
com a dianteira próxima ao solo, o que o levaria a chocar-
se contra a árvore, sendo o parabrisa e o teto do veículo os
pontos de impacto. Ou seja, nesta alternativa, o veículo
teria iniciado um movimento de rotação tendendo a dar
uma volta sobre si mesmo, no sentido longitudinal, não o
fazendo porque teria encontrado a árvore em seu
caminho;

Após o choque do para brisa e teto contra a árvore,


em diagonal (da esquerda para a direita, devido ao
momento no plano horizontal), o carro teria voltado ao
solo e, prosseguindo com o giro no sentido anti horário,
teria, já com baixa velocidade, atingido o Chevette com a
sua lateral direita ou com a sua frente, mais para a parte
direita - o que poderia ter ocasionado a quebra da lanterna
direita, conforme constatado na vistoria – até atingir a
posição de repouso, transversal à calçada. Considerando
esta modelagem, é possível que, caso o Chevete não se
encontrasse estacionado naquele local, o veículo teria
encontrado seu ponto de repouso dentro estacionamento,
mais ou menos na posição onde estava o Chevete.

8.2.3.2 Segunda hipótese

Esta segunda hipótese parte da premissa de que


poderia ter havido um outro elemento envolvido no
acidente. Este elemento – não descrito pelos Peritos do ICE
– poderia ser um outro veículo (provavelmente, mais
pesado e mais alto, por exemplo, um caminhão) ou algum
outro obstáculo fixo, alto, presente no local do acidente.

Neste situação hipotética, o veículo, saindo da


primeira fase, teria impactado este elemento, atingindo-se
(ou sendo por ele atingido) na altura do teto, sendo que a
árvore e o Chevette poderiam ter sido atingidos pelo
próprio veículo ou pelo outro elemento.

Trata-se de uma situação bastante complexa, visto


que não há nenhuma referência ao elemento hipotético
considerado. Há apenas a evidência do perfil da avaria
constatada no teto do veículo, a qual acontece,
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normalmente, quando um carro entra por baixo da traseira


de um caminhão em movimento. Daí a formulação desta
segunda hipótese.

8.3 Com relação às modelagens acima apresentadas,


referentes à segunda fase, seria conveniente destacar os
seguintes pontos:

- Em primeiro lugar, reiterar que trata-se, apenas, de


duas das dinâmicas possíveis para explicar a segunda fase
do acidente. Elas são consistentes com a primeira fase,
com as fotos acostadas aos autos e com as deformações
constatadas no teto do veículo e no Chevete;

- Com relação aos air bags, nenhuma das forças que


teriam atuado nesta segunda fase, teria preenchido as
condições que poderiam ter causado a abertura dos
mesmos. Portanto, apenas na primeira fase estiveram
presentes as condições para a abertura dos air bags.

8.4 Deve ser registrado que, durante a reunião de


conferência, realizada, por telefone, com o assistente
técnico da ré, foi por este aventada a possibilidade de a
colisão com o frade ter ocorrido após a colisão que
danificou a parte superior do carro.

Embora, em tese, tal fato possa ter ocorrido, não há


nenhum indício que aponte para o mesmo e, pelo menos
durante a reunião de conferência, não se conseguiu
formular uma dinâmica para o acidente que pudesse
atender às condições de contorno determinadas pelas
informações existentes nos autos.

8.4 Em resumo

a) Durante a primeira fase, por ocasião do impacto com o


frade, estiveram presentes as condições que deveriam ter
ocasionado a abertura dos air bags;

b) Durante a segunda fase – por mais que,


aparentemente, para um leigo, os danos no teto do veículo
possam ser considerados significativos - nenhuma das
forças que teriam atuado, de acordo com as dinâmicas
apresentadas, teria preenchido as condições que poderiam
ter causado a abertura dos air bags.;

9. CONCLUSÕES

9.1 Durante a primeira fase, por ocasião do impacto com


o frade, estiveram presentes as condições que deveriam
ter ocasionado a abertura dos air bags;

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9.2 Durante a segunda fase – por mais que,


aparentemente, para um leigo, os danos no teto do veículo
possam ser considerados significativos - nenhuma das
forças que teriam atuado, de acordo com as dinâmicas
apresentadas, teria preenchido as condições que poderiam
ter causado a abertura dos air bags.

10. RESPOSTAS AOS QUESITOS


OBS: Todos o grifos e realces contidos nas petições das
partes foram reproduzidos na apresentação dos quesitos.

10.1 Quesitos da Autora

A autora não apresentou quesitos.

10.2 Quesitos da Ré

QUESITO 1

Indique o Sr. Perito Judicial suas habilitações técnicas e


literárias.

RESPOSTA

Prejudicado. O Perito não é objeto da perícia.

QUESITO 2

Esclareça o Sr. Perito se é especializado em veículos


automotores.

RESPOSTA

Solicitamos reportar-se à resposta ao quesito anterior.

QUESITO 3

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Indique se tem conhecimento específico de mecânica


de automóveis, especialmente em segurança veicular.

RESPOSTA

Solicitamos reportar-se à resposta ao quesito 1.

QUESITO 4

Indique o Sr. Perito se já trabalhou diretamente com


veículos automotores. Se tem alguma vivência nessa
atividade. Se já trabalhou em atividades ligadas ou, de
alguma forma, relacionada a estilo, projeto,
desenvolvimento, fabricação ou comercialização de
automóveis, especialmente no que diz respeito a
equipamentos de segurança veicular e, sobretudo, air bag.

RESPOSTA

Solicitamos reportar-se à resposta ao quesito 1.

QUESITO 5

Informe o Sr. Perito se está sendo acompanhado pelo


Assistente Técnico da ré, conforme requerido nos autos.

RESPOSTA

Sim.

QUESITO 6

Informe o Sr. Perito a marca, modelo, ano de


fabricação e chassi do veículo periciado.

RESPOSTA

Solicitamos reportar-se ao item 4 do laudo.

www.creadigital.com.br/portal?txt=397731343732 15/27
15/05/2019 Caso 397731343732 de CREA RJ30995/D - Catálogo dos Profissionais do CREA - Engenharia Civil, Eletricista, Mecânica e metal…

QUESITO 7

Informe o Sr. Perito as condições gerais do veículo


periciado.

RESPOSTA

Solicitamos reportar-se ao item 5 deste laudo.

QUESITO 8

Informe o Sr. Perito se o veículo periciado sofreu


alguma alteração após o acidente noticiado nos autos.

RESPOSTA

Não é possível responder, com precisão, a esta


pergunta. Comparando-se a situação geral do veículo na
data atual com as fotos de fls. 77 a 82, aparentemente,
não houve alterações externas.

10.3 Quesitos suplementares da Ré

DO VEÍCULO PASSAT

QUESITO 1

Informe o Sr. Perito se o veículo periciado realizou as


revisões previstas no Manual de Instruções que o
acompanhou..

RESPOSTA

Este Perito não teve acesso ao manual de instruções e,


para o caso em tela, este aspecto não teria nenhuma
significância.

QUESITO 2

www.creadigital.com.br/portal?txt=397731343732 16/27
15/05/2019 Caso 397731343732 de CREA RJ30995/D - Catálogo dos Profissionais do CREA - Engenharia Civil, Eletricista, Mecânica e metal…

Informe o Sr. Perito quais as condições do dispositivo


de segurança airbag do veículo vistoriado..

RESPOSTA

Somente pode ser afirmado que os air bags não


abriram. Não foi possível ter acesso ao compartimento
onde estavam os air bags.

QUESITO 3

Informe o Sr. Perito se houve comprometimento do sensor


do airbag do veículo periciado..

RESPOSTA

Prejudicado, considerando que não houve acesso ao


sensor.

QUESITO 3a

Em sendo positiva a resposta ao quesito anterior,


informe o Sr. Perito:

a) a peça se encontra trincada ou parcialmente


desmontada?

RESPOSTA

Prejudicado.

b) apresenta outra característica qualquer que possa


oferecer evidência de descaracterização de sua blindagem?

RESPOSTA

Prejudicado.

QUESITO 4

Informe o Sr. Perito se existem e quais as deformações


sofridas pelo conjunto “sistema controle de direção” do
veículo Passat, especificamente nos seguintes itens:
www.creadigital.com.br/portal?txt=397731343732 17/27
15/05/2019 Caso 397731343732 de CREA RJ30995/D - Catálogo dos Profissionais do CREA - Engenharia Civil, Eletricista, Mecânica e metal…

a- volante de direção, informando qual a deformação


plástica sofrida no aro e corpo.

b- eixo principal da coluna de direção, informando qual o


deslocamento sofrido no sentido axial.

RESPOSTA

a- Foi verificada uma deformação no corpo, na direção


vertical, no sentido para baixo. O aro encontra-se trincado;

b- Não foi possível chegar a este nível de detalhe.

QUESITO 4 A( Foram apresentados dois quesitos


com a numeração “4”)

Informe o Sr. Perito se é possível definir quais


deformações ou quebras do painel de instrumentos foram
causadas por contato físico do ocupante do veículo
periciado e quais foram rompimento provocado pela torção
própria do veículo durante o impacto? Fundamente e
descreva.

RESPOSTA

Não foi possível caracterizar estes aspectos, visto que


as informações existentes não permitem chegar às
respostas pretendidas, dentro do grau de certeza que
possa ser apresentado para o Juízo e para as partes.

QUESITO 5

Houve desacoplamento ou rompimento dos coxins que


fixam o conjunto moto-propulsor por ação de
deslocamento do mesmo em virtude do acidente?

RESPOSTA

Não.

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15/05/2019 Caso 397731343732 de CREA RJ30995/D - Catálogo dos Profissionais do CREA - Engenharia Civil, Eletricista, Mecânica e metal…

QUESITO 6

Pelas características gerais da carroçaria do veículo


periciado, pede-se ao Sr. Perito informar se houve alguma
deformação das longarinas ou algum deslocamento destas.

RESPOSTA

Sim, conforme descrito no item 5.

QUESITO 6A

Em sendo positiva a resposta ao quesito anterior, pede-se


ao Sr. Perito indicar o sentido (longitudinal, transversal,
etc.) e se possível indicar o deslocamento.

RESPOSTA

As deformações observadas apontavam para um


ângulo de impacto inferior a 30 º graus.

QUESITO 7

Foram afetadas seriamente as longarinas dianteiras no


sentido longitudinal do veículo periciado?

RESPOSTA

Foi constatada uma deformação na longarina esquerda,


conforme relatado no item 5.

Da Dinâmica do Acidente

Acerca do acidente em que se envolveu o veículo


Passat objeto da perícia, o Laudo elaborado pelo Instituto
de Criminalística assim considerou (fls. 20):

“Tendo em vista os elementos assinalados são os


Peritos levados às seguintes considerações: Que o
veículo de plana XXX trafegava pela Praia de
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15/05/2019 Caso 397731343732 de CREA RJ30995/D - Catálogo dos Profissionais do CREA - Engenharia Civil, Eletricista, Mecânica e metal…

Botafogo, sentido Sul-Centro, quando ao atingir as


proximidades do nº400 sofreu um brusco desvio de
direção, impactando um frade de concreto, subindo
a calçada, chocando-se com uma árvore (seta na
foto 02), que teve perda de parte de sua estrutura,
rodando e abalroando o veículo de placa XXX
posicionado ao longo da calçada divisória, na pista
oposta (vide fotos 02 e 05), assumindo a posição
final de repouso ligeiramente transversal à pista
com a roda dianteira direita sobre a calçada (vide
foto 02) e a roda dianteira esquerda à guisa da
calçada (vide foto 04).”

Da referida narrativa, verifica-se que o veículo


Passat, conduzido pela vítima fatal, teve três (3) impactos,
a saber: (i) contra um frade de concreto; (ii) contra uma
árvore e (iii) contra um veículo Chevette. Diante de tais
impactos indaga-se ao Sr. Perito, com fundamento em
critérios científicos:

QUESITO 8

Após o desvio do veículo Passat ocasionado pelo “frade


de concreto”, informe o Sr. Perito se o mesmo estava em
posição de semi-capotamento, ou seja, inclinado à
esquerda, apenas sobre as duas rodas esquerdas.

RESPOSTA

Esta hipótese não seria consistente com as


deformações encontradas no teto do veículo.

QUESITO 9

Informe o Sr. Perito se, deslocando-se em direção à


árvore, o veículo Passat impactou o pára-brisas, a coluna
“A”, o painel de instrumentos, o volante de direção, o
motorista, a coluna “B” e a coluna “C” contra o tronco da
árvore, esmagando, nesse “processo”, a parte superior das
portas do lado esquerdo.

RESPOSTA

Aparentemente sim, porém não com o veículo sobre as


duas rodas esquerdas, pois assim não seria possível obter
as deformações encontradas no teto.

QUESITO 9A

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15/05/2019 Caso 397731343732 de CREA RJ30995/D - Catálogo dos Profissionais do CREA - Engenharia Civil, Eletricista, Mecânica e metal…

Em sendo positiva a resposta ao quesito anterior, informe o


Sr. Perito se a primeira parte do veículo Passat a impactar
contra a árvore foi o pára-brisas e em seguida (quase
simultaneamente) a lateral esquerda, na coluna “A”.
Fundamente.

RESPOSTA

Aparentemente, a primeira parte a impactar a árvore teria


sido o parábrisa, seguido do teto. Solicitamos reportar-se
às dinâmicas descritas no item 8.

QUESITO 9B

Em seguida, em virtude da posição de semi-capotamento e


da direção do deslocamento do veículo Passat (contra a
árvore), informe o Sr. Perito se o mesmo teve impactados
pela árvore o volante de direção, o motorista, a coluna “B”
e, finalmente, a coluna “C”. Fundamente.

RESPOSTA

Solicitamos reportar-se às dinâmicas descritas no item 8.

QUESITO 10

Informe o Sr. Perito qual a direção e sentido os esforços


solicitantes da carroceria estiveram dirigidos, em relação
aos eixos longitudinal e transversal do veículo Passat,
quando do impacto sofrido pelo mesmo contra a árvore.

RESPOSTA

Solicitamos reportar-se às dinâmicas descritas no item 8..

QUESITO 11

Diante de tais constatações, informe o Sr. Perito se é


possível afirmar que o “arrancamento” do teto do veículo
Passat ocorreu quando o mesmo se chocou contra a
árvore. Fundamente.

RESPOSTA

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15/05/2019 Caso 397731343732 de CREA RJ30995/D - Catálogo dos Profissionais do CREA - Engenharia Civil, Eletricista, Mecânica e metal…

Sim, de acordo com a dinâmica apresentada no item


8.2.3.1. Não, de acordo com a segunda hipótese formulada
em 8.2.3.2.

QUESITO 12

Considerando as deformações sofridas pelo veículo


Passat quando do impacto contra a árvore, informe o Sr.
Perito em qual nível de intensidade (baixo/médio/alto)
poder-se-ia classificar a solicitação sofrida pela parte
dianteira do veículo (pára-choque, pára-lamas, capô, grade
dianteira, faróis dianteiros até a região imediatamente
posterior à coluna “A”).

RESPOSTA

Alto.

QUESITO 13

Informe o Sr. Perito se nesta condição de impacto


(veículo contra a árvore) alguma das peças estruturais do
veículo Passat teriam sido solicitadas, tais como: as
longarinas dianteiras inferiores, superiores, conjunto moto-
propulsor e elementos de absorção de impacto estrutural a
partir do pára-choques dianteiros. Fundamente.

RESPOSTA

Não.

QUESITO 14

Informe o Sr. Perito se o motivo pelo qual o volante


de direção do veículo Passat se encontra deformado para
trás em direção ao motorista se deveu ao impacto do
mesmo contra a árvore. Fundamente.

RESPOSTA

Não. No entanto, a pequena deformação para baixo


pode ser atribuída ao impacto contra a árvore, admitindo-
se a primeira hipótese formulada para a segunda fase.

QUESITO 15

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Considerando: (i) o “Auto de Exame Cadavérico” da vítima


fatal do acidente em que se envolveu o veículo Passat que
assim atesta: “...traço de fratura linear no osso
occipital à esquerda e no andar médio à esquerda da
base do crânio.”, ou seja, que a vítima fatal teve um
choque em sua cabeça na parte lateral esquerda, acima da
orelha e (ii) a dinâmica do acidente e os impactos sofridos
pelo veículo Passat, especialmente quanto ao impacto
contra a árvore, informe o Sr. Perito se é possível afirmar
que a causa mortis “fratura de crânio com hemorragia
sub dural; ação contundente”, atestada na certidão de
óbito da vítima do acidente, encontra sua origem na ação
contundente ocorrida entre a árvore e a cabeça da vítima.

RESPOSTA

Não se pode afirmar que teria sido contra a árvore,


visto que também existe a possibilidade de ter sido
atingido por uma parte do próprio veículo. No entanto,
pode-se afirmar que o choque fatal teria ocorrido durante o
que foi denominado de segunda fase do acidente, durante
a colisão com a árvore ou com um outro elemento ou com
ambos.

QUESITO 16

Considerando-se o impacto entre a parte frontal do


veículo Passat e a lateral do veículo Chevette, informe o Sr.
Perito em que direção e sentido se dirigiram os esforços
solicitantes em relação à estrutura do Chevette,
considerando-se os eixos longitudinal e transversal do
veículo Chevette.

RESPOSTA

Transversal em relação ao Chevete e, possivelmente,


longitudinal em relação ao Passat.

QUESITO 17

Informe o Sr. Perito se o nível de resistência oferecida


pelo veículo Chevette nesta região (lateral) seria inferior,
superior ou próximo à resistência oferecida pelo mesmo
caso tivesse sido abalroada a sua dianteira ou traseira.

RESPOSTA

Inferior.
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15/05/2019 Caso 397731343732 de CREA RJ30995/D - Catálogo dos Profissionais do CREA - Engenharia Civil, Eletricista, Mecânica e metal…

QUESITO 17A

Tendo como certa a resistência inferior, pode-se


considerar este último impacto de baixa intensidade,
semelhante a um impacto frontal leve (de baixa monta)
comumente visto onde os prejuízos materiais se resumem
a reparação de pára-choques e lanternas?

RESPOSTA

Sim.

QUESITO 17B

Informe o Sr. Perito se seria este impacto (Passat x


Chevette) suficientemente forte para deslocar o motorista,
utilizando devidamente os cintos de segurança, em direção
aos demais componentes do habitáculo tais como volante e
painel, com real risco de lesões graves.

RESPOSTA

Não.

Do Equipamento de Segurança Airbag

QUESITO 18

Esclareça o Sr. Perito o que é airbg, qual sua função e se


esta é complementar à do uso do cinto de segurança;

RESPOSTA

Solicitamos reportar-se ao item 5 deste laudo.

QUESITO 19

Informe o Sr. Perito se é correto afirmar que o


acionamento do airbag depende, dentre outras
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15/05/2019 Caso 397731343732 de CREA RJ30995/D - Catálogo dos Profissionais do CREA - Engenharia Civil, Eletricista, Mecânica e metal…

considerações: (i)- se o choque envolve total ou


parcialmente a frente do veículo; (ii)- do ângulo de
impacto; (iii)- da altura do impacto; (iv)- da rigidez do ser
ou objeto impactado; (v)- da intensidade e duração da
desaceleração provocada pelo impacto no veículo.

RESPOSTA

Sim.

QUESITO 20

Onde ficam localizados os sensores de leitura do sinal de


acionamento do airbag do veículo Passat? Em componente
estrutural (chassi) ou em peça de revestimento
(carroceria)?

RESPOSTA

Em componente estrutural.

QUESITO 21

Não havendo impacto frontal violento, advindo de uma


força longitudinal, em partes estruturais principais do
veículo Passat, os sensores acionam a abertura dos airbags
frontais?

RESPOSTA

Os air bags são devem ser acionados quando


estiverem presentes as condições (vide item 5) para que
isto possa ocorrer.

QUESITO 22

Informe o Sr. Perito se no acidente noticiado nos autos


houve choque frontal violento, com a danificação de parte
estrutural do veículo periciado, advindo de uma força
longitudinal, dentro da zona de atuação ilustrada no
Manual de Instruções.

RESPOSTA

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15/05/2019 Caso 397731343732 de CREA RJ30995/D - Catálogo dos Profissionais do CREA - Engenharia Civil, Eletricista, Mecânica e metal…

Sim, durante o que foi denominado de primeira fase.

QUESITO 23

Informe o Sr. Perito, diante das constatações


realizadas, se o acidente em que se envolveu o veículo
periciado caracteriza hipótese de acionamento dos airbags
frontais. Justifique.

RESPOSTA

Sim, de acordo com o descrito no item 8 deste laudo.

11. ANEXOS

1 – Mensagens trocadas com as partes ;

2 - Informações básicas sobre Air Bags;

3 – Informações Técnicas fornecidas pela Ré;

12. ENCERRAMENTO

O presente Laudo Pericial consta de 16 (dezesseis)


páginas digitadas, rubricadas, sendo a última
assinada, 3 (três) anexos e 17 (dezessete) fotos.

Rio de Janeiro, 24 de Novembro de 2003.

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RICARDO SALOMÃO

Engenheiro

Crea 30.995-D/RJ

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15/05/2019 Caso 397731343732 de CREA RJ30995/D - Catálogo dos Profissionais do CREA - Engenharia Civil, Eletricista, Mecânica e metal…

RICARDO SALOMAO
Engenheiro Naval / RJ - RIO DE JANEIRO

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