Você está na página 1de 3

Trabalho dirigido

Tema: ceticismo de Hume

Resumo de Um tratado da natureza humana, Rio de Janeiro, ed. Paraula, 1994;


tradução: Rachel Gutiérrez e José Sotero Caio; revisão da tradução: Carmen Serralta
Hurtado.

“É evidente que Adão, com toda a sua ciência, jamais teria sido capaz de demonstrar que
o curso da natureza deve continuar uniformemente o mesmo, e que o futuro deve ser
conforme ao passado. O que é possível nunca pode ser demonstrado como falso; e é
possível que o comportamento da natureza possa mudar, uma vez que podemos
conceber tal modificação. Não é só isto; irei além e afirmarei que Adão não conseguiria
provar, por quaisquer argumentos prováveis, que o futuro deve ser conforme ao
passado. Todos os argumentos prováveis são construídos sobre a suposição de que há
esta conformidade entre o futuro e o passado, e, por conseguinte, nunca podem provar
tal suposição. Tal conformidade é uma questão de fato, e se deve ser provada, só
admitirá prova que resulte da experiência. Mas nossa experiência no passado nada
pode provar para o futuro, senão na suposição de haver semelhança entre um e outro.
Esse é um ponto, pois, que absolutamente pode ser comprovado e que assumimos como
certo sem qualquer prova.”
1) De acordo com o extrato acima seria correto afirmar que a conformidade entre
passado e futuro é uma “questão de fato”Ɂ Caso sim, segundo Hume, tal
conformidade pode ser provada Ɂ Justifique sua resposta.

*****************************************************
Leia o resumo esquemático da aula de 23/05/2018 e responda às seguintes
questões:
2) Quais são os tipos de raciocínios, segundo HumeɁ
3) Quais são as duas espécies de percepção, para HumeɁ
Resumo esquemático da aula de 23/05/2018
- Tipos de raciocínios

1
Em Uma Investigação sobre o Entendimento Humano, na secção “Dúvidas
céticas sobre as operações do entendimento”, conforme Hume mostrou, todos os
raciocínios podem ser divididos em:
a) “demonstrativos” (sobre relações de ideias);
E
b) “morais” ou “prováveis” (sobre questões de fato).
- Dois princípios do ceticismo
Apesar da óbvia conexão entre a noção comum de ceticismo e a filosófica, é
preciso distinguir dois princípios:
I. Não há fundamentos racionais para juízos do tipo A
II. Não se deve assentir a juízos do tipo A
O primeiro princípio expressa a posição de um ceticismo teórico, o segundo a
posição de um ceticismo prescritivo ou normativo.
-Um ceticismo prescritivo pode estar fundamentado num ceticismo teórico, mas
não precisa estar, exemplo: “pode-se recomendar a suspensão do juízo com base em
razões bíblicas e não teóricas, c. f. Eclesiastes 3:11 (Ele fez tudo apropriado a seu tempo.
Também pôs no coração do homem o anseio pela eternidade; mesmo assim este não
consegue compreender inteiramente o que Deus fez.).
-Também pode-se ser um cético teórico sem recomendar a suspensão do juízo,
exemplo: “argumentar que não há nada de errado em ter crenças pois não estão sob
nosso controle e, portanto, recomendações a seu respeito são vãs.
2)
- Percepção em Hume
Há duas espécies de percepção:
a) impressões
b) ideias
Percepção da mente (the perception of the mind) é impressão, palavra empregada por
Hume em um novo sentido, i.e. “quando sentimos qualquer tipo de paixão ou emoção,
ou captamos as imagens de objetos externos trazidas por nossos sentidos, (...)” c.f. p.
47.
“Quando refletimos sobre uma paixão, ou um objeto que não está presente, esta
percepção é uma ideia”. C.f. Ibidem.

2
“As impressões são, portanto, nossas percepções vívidas e fortes; as idéias são
percepções mais esmaecidas e fracas. Essa distinção é evidente; tão evidente como a
distinção entre sentir e pensar.” C.f. ibidem.
Para Hume, as impressões sempre antecedem às ideias, ou seja, “toda ideia que
preenche a imaginação, faz antes sua aparição em uma impressão correspondente.
Essas últimas percepções são todas tão claras e evidentes que não admitem
controvérsia; embora muitas de nossas ideias sejam tão obscuras que é quase
impossível, até para a mente, que as forma, dizer exatamente sua natureza e
composição". (C.f. p.p. 51-53)
*********************************************************