Você está na página 1de 108

ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF.

ARAGÃO 1

ENGENHARIA ELÉTRICA

ELETRÔNICA DE
POTÊNCIA I
Retificadores monofásicos e trifásicos

Prof. Wilson Aragão Filho

ISBN: 978-85-909910-3-8

[2012]

[EDIÇÃO DO AUTOR]
WILSON ARAGÃO FILHO

ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I
RETIFICADORES MONOFÁSICOS E TRIFÁSICOS

1ª Edição

Vitória – ES – Brasil
Edição do Autor
2012
©: 2012, Aragão Filho, Wilson

Formato: digital (pdf)

Capa: Microsoft Office (adaptada)

Dados Internacionais de Catalogação-na-publicação (CIP)


(Biblioteca Central da Universidade Federal do Espírito Santo, ES, Brasil)

Aragão Filho, Wilson Correia Pinto de, 1957-


A659e Eletrônica de potência I : retificadores monofásicos e
trifásicos / Wilson Correia Pinto de Aragão Filho. - 1. ed. - Vitória,
ES : Ed. do Autor, 2012.
107 p. : il. ; 29 cm

Inclui bibliografia.
ISBN: 978-85-909910-3-8

1. Eletrônica de potência. 2. Eletrônica industrial. 3.


Conversores à tiristor. I. Título.

CDU: 621.382
APRESENTAÇÃO

Eletrônica de Potência ou Eletrônica Industrial é um título comumente


utilizado para unidades curriculares de muitas universidades. Trata do estudo
dos dispositivos eletrônicos de potência, a base de semicondutores, e seus
circuitos retificadores de potência. Estes podem ser circuitos (ou topologias)
que constituem retificadores, ou conversores CA/CC (de corrente alternada,
CA, para corrente contínua, CC), monofásicos ou trifásicos, podendo, ainda,
ser constituídos por semicondutores do tipo DIODO ou TIRISTOR (SCR),
resultando em retificadores não controláveis ou controláveis,
respectivamente.

Tais conversores, operando como retificadores, são muito utilizados em


aparelhos e equipamentos tanto domésticos quanto industriais. As versões
industriais são as de maiores potências e tamanhos, e são, especialmente, os
objetos de estudo deste livro.

A eletrônica de potência se diferencia da eletrônica de sinais justamente


pelo qualificativo “potência”. Isto é, a potência associada a muitos aparelhos
eletrônicos de uso residencial é muito baixa, com valores de corrente elétrica
da ordem de menos de um ampère (1A), enquanto os aparelhos e
equipamentos da denominada eletrônica de potência têm potência da ordem
de alguns ampères. Em resumo: eletrônica ou eletrônica de sinais é um
termo utilizado para aparelhos eletrônicos domésticos tais como, televisores,
aparelhos de som, celulares, aparelhos telefônicos sem fio, etc., ao passo que
a eletrônica de potência está associada a aparelhos e equipamentos
industriais que drenam potências significativamente mais elevadas.

Eletrônica de Potência é um assunto que, no Departamento de Engenharia


Elétrica do Centro Tecnológico da Universidade Federal do Espírito Santo, é
oferecido por meio de dois níveis: Eletrônica de Potência I e Eletrônica de
Potência II. Esta última trata dos conversores chaveados, também
denominados de fontes chaveadas, com base nos dispositivos de potência da
família dos transistores, além de conversores especiais, como os
conversores duais, os cicloconversores e algumas topologias de inversores de
potência.
CONTEÚDO

Os cinco (5) capítulos em que se divide o livro cobrem os seguintes assuntos.

O primeiro capítulo trata dos principais dispositivos semicondutores de


potência: DIODO, TIRISTOR, GTO, BJT, MOSFET e IGBT. São
apresentados seu símbolo, seu princípio de funcionamento e suas
características estáticas ou de saída.

O segundo capítulo trata dos retificadores monofásicos de meia onda, tanto


a DIODO quanto a TIRISTOR, com cargas dos tipos R (resistor puro), RL
(resistor e indutor) e RLE (resistor, indutor e bateria). Analisam-se, também,
os circuitos com os denominados diodos de roda livre e os inversores ditos
não autônomos.

O terceiro capítulo trata dos retificadores monofásicos de onda completa,


tanto a DIODO quanto a TIRISTOR, com cargas dos tipos R, RL e RLE.

O quarto capítulo trata dos retificadores trifásicos tanto de meia onda


quanto de onda completa, a DIODO e a TIRISTOR, além de tratar da
questão ligada aos efeitos da denominada indutância de comutação.

O quinto capítulo trata do conceito generalizado de fator de potência


aplicado aos retificadores monofásicos e trifásicos, assunto muito relevante
para a boa compreensão dos fenômenos associados aos efeitos das cargas
não lineares (conversores em geral).

Ao final do livro encontram-se exercícios propostos ao leitor, cobrindo todo


o conteúdo apresentado, além de uma bibliografia recomendada.

Quanto à metodologia, cabe ressaltar que os retificadores foram abordados


numa metodologia comparativa, em que ambos os tipos não controláveis (a
diodo) e controláveis (a tiristor) são analisados um após o outro, em termos
de seu funcionamento, suas formas de onda e suas principais equações.

Finalmente, todas as figuras com formas de onda foram produzidas por


simulação numérica realizada por meio do software PSIM™, e os gráficos e
ábacos produzidos por meio do MATHCAD™.
SOBRE O AUTOR

Wilson Aragão Filho é professor Associado do Departamento de


Engenharia Elétrica do Centro Tecnológico da Universidade Federal do
Espírito Santo (UFES) desde 1984, tendo iniciado sua carreira de professor
federal em 1981, na antiga Escola Técnica Federal do Espírito Santo, atual
Instituto Federal de Ensino Tecnológico do Espírito Santo (IFES).

Obteve seu Mestrado em 1988 e seu Doutorado em 1998, tendo sido ambos
os cursos realizados na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), sob
a orientação do Prof. Ivo Barbi. Tanto sua dissertação de mestrado quanto
sua tese de doutorado trataram do mesmo tema: Eletrônica de Potência.

O Prof. Aragão interessa-se, também, pelos temas: instalações elétricas


residenciais e industriais, sistema de energia elétrica, auditoria energética e
conservação de energia, eficiência energética, segurança contra acidentes,
carga eletrônica regenerativa, língua portuguesa, e Esperanto – língua
internacional.

O currículo Lattes do Prof. Aragão pode ser acessado em:


http://lattes.cnpq.br/9279730500937858

O Blog do Professor pode ser acessado em:


http://mondaespero-blog-uilso.blogspot.com.br/

Dois livros já publicados pelo Prof. Aragão:

Curso básico bilíngue de Esperanto, cujo exemplar em formato


eletrônico (pdf) pode ser acessado, sem custo, no endereço:
https://sites.google.com/site/uilsoaragonolivrodeesperanto/.

Segurança na engenharia e na vida – consciência segura, cujo


exemplar, também, em formato eletrônico (pdf) pode ser solicitado, sem
custo, pelos e-mails: aragao@ele.ufes.br, uilso.arag@gmail.com.
SUMÁRIO

Capítulo 1 – SEMICONDUTORES DE POTÊNCIA

1. Introdução .................................................................................................................. 10
2. Semicondutores de potência mais comuns ................................................................ 11
2.1. Diodo ................................................................................................................. 11
2.2. Tiristor ............................................................................................................... 11
2.3. GTO ................................................................................................................... 12
2.4. BJT ..................................................................................................................... 12
2.5. MOSFET............................................................................................................ 13
2.6. IGBT .................................................................................................................. 13
2.7. QUADRO-RESUMO (Principais características): ........................................... 14
3. Em resumo ................................................................................................................. 14

Capítulo 2 – RETIFICADORES MONOFÁSICOS DE MEIA ONDA

1. Retificadores com carga R (resistiva pura) ............................................................... 15


1.1. Retificador a diodo ............................................................................................ 15
1.2. Retificador a tiristor ........................................................................................... 16
1.3. Equações básicas do circuito ............................................................................. 17
1.3.1. Para o retificador a diodo ............................................................................... 17
1.3.2. Para o retificador a tiristor.............................................................................. 19
2. Retificadores com carga RL ...................................................................................... 20
2.1. Retificador a diodo ............................................................................................ 21
2.2. Retificador a tiristor ........................................................................................... 22
2.3. Equações básicas do circuito ............................................................................. 22
2.3.1. Para o retificador a diodo ............................................................................... 22
2.3.2. Para o retificador a tiristor.............................................................................. 27
3. Retificadores com carga RL e Diodo de “roda livre” ............................................... 33
3.1. Retificador a Diodo e com “Roda livre” ........................................................... 34
3.1.1. Indutância crítica ............................................................................................ 36
3.1.2. Tensão média na carga ................................................................................... 37
3.1.3. Corrente média na carga................................................................................. 37
3.2. Retificador a Tiristor e com “Roda livre” ......................................................... 38
3.2.1. Tensão média na carga ................................................................................... 39
3.2.2. Corrente média na carga................................................................................. 40
4. Retificadores com carga RLE .................................................................................... 41
4.1. Retificador com carga RLE a diodo .................................................................. 41
4.1.1. Tensão média na carga ................................................................................... 42
4.1.2. Corrente média na carga................................................................................. 44
4.1.3. Potência consumida na carga ......................................................................... 44
4.2. Retificador com carga RLE a tiristor................................................................. 44
4.2.1. Tensão média na carga ................................................................................... 46
4.2.2. Corrente média na carga................................................................................. 46
4.2.3. Potência consumida na carga ......................................................................... 46
4.3. Retificador com carga RLE a tiristor – Inversor não autônomo ....................... 46
5. Retificadores com carga RLE e diodo de “roda livre” .............................................. 49
5.1. Retificador com carga RLE a diodo e roda livre ............................................... 49
5.2. Tensão média na carga ...................................................................................... 50
5.3. Corrente média na carga .................................................................................... 51
5.4. Potência consumida na carga............................................................................. 51

Capítulo 3 – RETIFICADORES MONOFÁSICOS DE ONDA COMPLETA

1. Retificadores com carga R (resistiva pura) ............................................................... 52


1.1. Retificador a diodo ............................................................................................ 53
1.2. Retificador a tiristor ........................................................................................... 54
1.3. Equações básicas do circuito ............................................................................. 54
1.3.1. Para o retificador a diodo ............................................................................... 55
1.3.2. Para o retificador a tiristor.............................................................................. 57
2. Retificadores com carga RL (resistivo-indutiva) ...................................................... 58
2.1. Retificador a diodo ............................................................................................ 58
2.2. Retificador a tiristor ........................................................................................... 60
2.3. Equações básicas do circuito ............................................................................. 61
2.3.1. Para o retificador a diodo ............................................................................... 61
2.3.2. Para o retificador a tiristor.............................................................................. 63

Capítulo 4 – RETIFICADORES TRIFÁSICOS

1. Retificadores de meia onda........................................................................................ 66


1.1. Retificador a diodo ............................................................................................ 66
1.2. Retificador a tiristor ........................................................................................... 68
1.3. Equações básicas do circuito ............................................................................. 70
1.3.1. Para o retificador a diodo ............................................................................... 70
1.3.2. Para o retificador a tiristor.............................................................................. 72
2. Retificadores de onda completa ................................................................................. 74
2.1. Retificador a diodo ............................................................................................ 75
2.2. Retificador a tiristor ........................................................................................... 76
2.3. Equações básicas do circuito ............................................................................. 78
2.3.1. Para o retificador a diodo ............................................................................... 79
2.3.2. Para o retificador a tiristor.............................................................................. 81
3. Indutância de comutação ........................................................................................... 82

Capítulo 5 – FATOR DE POTÊNCIA NOS RETIFICADORES

1. Conceito de Fator de Potência ................................................................................... 86


2. Conceito de Distorção Harmônica............................................................................. 89
3. Exemplo de cálculo de fator de potência ................................................................... 90
4. Retificadores Não Controlados .................................................................................. 92
4.1. FP no Retif. Monofásico de Meia onda com Diodo de Roda livre ................... 92
4.2. FP no Retificador Monofásico de Ponto-Médio a Diodo .................................. 94
4.3. FP no Retificador Monofásico em Ponte a Diodo ............................................. 95
4.4. FP no Retificador Trifásico de Meia Onda a Diodo .......................................... 95

EXERCÍCIOS PROPOSTOS .......................................................................................... 98


BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA........................................................................... 108
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 10

CAPÍTULO 1

SEMICONDUTORES DE POTÊNCIA

1. Introdução
Os semicondutores de potência são também chamados de dispositivos de chaveamento ou dispositivos
de comutação ou, ainda, dispositivos de potência (power devices).

Numa classificação quanto à aplicação em conversores, podem-se ter:

DIODOS e TIRISTORES  Conversores CA/CC

GTO, BJT, MOSFET, IGBT  Demais conversores (CC/CC; CA/CA, CC/CA)

O DIODO é um dispositivo ativo, mas não controlado. Os demais são ativos e controlados. Entenda-
se: não controlado ou controlado pelo usuário.

A controlabilidade do dispositivo é especialmente útil em fontes do tipo chaveada ou comutada. A


Fig.1, abaixo, ilustra um conversor CC/CC elementar, construído por meio de um transistor bipolar (ou
qualquer interruptor totalmente controlado).
A relação entre o tempo ligado (TON) e a soma do tempo ligado com o desligado (TON +TOFF), é
denominada razão cíclica (duty cycle):

D= TON/(TON+TOFF) = TON/T, onde T = período da frequência de comutação.

A tensão média sobre o resistor de carga (R) resulta igual a: Eo = D . Ei

Quando a razão cíclica é máxima (D = 1), tem-se a tensão de entrada (Ei) sempre aplicada à saída e
resulta: Eo = Ei. Quando se tem D = 0, a tensão de saída resulta nula, pois o dispositivo estará sempre
aberto (ou em estado de bloqueio), não deixando passar qualquer corrente.

Ei

S(switch : power device)

Eo
Ei
D (razão cíclica)
Ei

Eo
D = 0,5
(a) t
TON TOFF (b)

Fig. 1 – Conversor CC/CC elementar: (a) circuito básico; (b) formas de onda do comando e das tensões E i e Eo.
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 11

Esses dispositivos de chaveamento somente serão vistos em Eletrônica de Potência II. Neste curso de
Eletrônica de Potência I serão estudados todos os retificadores (ou conversores CA/CC) monofásicos e
trifásicos, não controlados e controlados.

2. Semicondutores de potência mais comuns

2.1. Diodo
DIODO, Fig. 2: é unidirecional em corrente e em tensão. Isto é: somente suporta corrente em um
sentido e, da mesma forma, somente suporta tensão com uma polaridade. Se uma tensão negativa for
aplicada ao anodo (A), este a suportará e não entrará em condução. Caso contrário, ele entrará em
condução, deixando-se percorrer por corrente.

Fig. 2 – DIODO, símbolo, modelo em condução e característica estática de saída.

2.2. Tiristor
TIRISTOR, Fig. 3: unidirecional em corrente e bidirecional em tensão, isto é, suporta a tensão em
ambas as polaridades: tensões positiva e negativa no anodo. É semicondutor de potência
semicontrolado, na medida em que o usuário somente tem controle sobre o disparo do dispositivo.

Fig. 3 – TIRISTOR: símbolo, modelo em condução e característica estática de saída.


ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 12

2.3. GTO
GTO (Gate Turn-Off Thyristor), Fig. 4: é um tiristor totalmente controlado: dispara sob pulso de
corrente positiva no gate e bloqueia sob corrente negativa. Não é tão rápido quanto o tiristor, nem é
capaz de manipular potências tão elevadas, em relação ao tiristor.

Fig. 4 – GTO: símbolo, modelo em condução e característica estática de saída.

2.4. BJT
BJT (Bipolar Junction Transistor), Fig. 5: é o conhecido transistor bipolar muito usado em circuitos de
eletrônica de sinal. Mas é também bastante usado, ainda, em eletrônica de potência chaveada. Está
sendo, paulatinamente, substituído pelo próximo semicondutor, o MOSFET. É unidirecional em
corrente e em tensão. Tensão reversa (positiva no emissor em relação ao coletor) é proibida!

Fig. 5 – BJT: símbolo, modelo em condução e característica estática de saída.


ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 13

2.5. MOSFET
MOSFET (Metal Oxide Semiconductor Field Effect Transistor) Fig. 6: Como o BJT, é unidirecional
em tensão e em corrente. É normalmente usado, em Eletrônica de Potência, como chave interruptora,
funcionando ou ligada ou desligada; ora em situação de quase saturação, ora em modo bloqueado.
Observação válida para todos os semicondutores de potência totalmente controlados.

Fig. 6 – MOSFET: símbolo, modelo em condução e característica estática de saída.

2.6. IGBT
IGBT (Insulated Gate Bipolar Transistor) Fig 7: É um híbrido entre o BJT e o MOSFET. Reúne as
melhores características desses últimos. Resulta um dispositivo de alta frequência de chaveamento (ou
de comutação), devido ao comando de gate por tensão (e não por corrente, como no BJT), e com
baixas perdas em condução (possui uma bateria equivalente, em estado de condução, como o BJT).
Além de tudo isso, pode ser fabricado para altas tensões e altas correntes. Tende a substituir os dois
transistores citados para aplicações de potências mais elevadas (superior a 3kW).
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 14

Fig. 7 – IGBT: símbolo, modelo em condução e característica estática de saída.

2.7. QUADRO-RESUMO (Principais características):

(Usuário controla...)

Semicondutor Freq. Contro- ON OFF Corrente Tensão


lável Unidirec. Unidirec.
1. Diodo * N – – S S
2. Tiristor (SCR) 5kHz S S N S N
3. GTO 3kHz S S S S N
4. BJT 10kHz S S S S S
5. IGBT 40kHz S S S S S
6. MOSFET 100kHz S S S S S
* Lentos, rápidos, e ultra-rápidos.

Os valores de frequência mostrados no quadro devem ser entendidos como valores típicos e
aproximados, apenas para dar uma ideia comparativa das faixas de aplicação em frequência dos
semicondutores analisados.

Os diodos são os semicondutores de potência mais versáteis, com grandes variações de tamanhos
(potência) e de frequência de comutação.

3. Em resumo
Os semicondutores de potência (ou power devices, pronuncia-se “páuer deváices”) ou dispositivos de
comutação ou dispositivos de potência são elementos a base de materiais semicondutores
desenvolvidos especificamente para se comportarem como elementos de controle em circuitos
eletrônicos de potência. Podem operar tanto como elementos lineares, que é caso de aplicações nas
chamadas fontes lineares (já ficando ultrapassadas) quanto como elementos não lineares, que é o caso
das denominadas fontes chaveadas (ou comutadas), que operam sob frequências de chaveamento
normalmente elevadas.

Os diodos são os elementos mais versáteis, no entanto não são controláveis pelo usuário. Já os demais
semicondutores estudados são controláveis, sendo os tiristores apenas semicontroláveis, já que o
usuário tem, somente, o controle do seu momento de disparo. Os demais, portanto, são totalmente
controláveis e podem ser denominados, genericamente, de “transistores” de potência.

Todos os semicondutores apresentados são unidirecionais em corrente, isto é, conduzem a corrente


apenas em um sentido. No entanto, em termos de tensão, somente os tiristores e os GTOs são
bidirecionais em tensão, sendo todos os demais unidirecionais. Isto significa que esses últimos,
unidirecionais em tensão, suportam a tensão, somente, em uma única direção; a tensão reversa pode
queimá-los!
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 15

CAPÍTULO 2

RETIFICADORES MONOFÁSICOS DE
MEIA ONDA

1. Retificadores com carga R (resistiva pura)


Caracterizam-se pelo uso de um diodo ou um meio de um potenciômetro, por exemplo, o
tiristor (SCR) como dispositivo de retificação, momento em que o tiristor é disparado (começa
permitindo a passagem da corrente em um a conduzir). O diodo sempre começa a conduzir
único sentido. O circuito a diodo não permite no instante em que a tensão da fonte se torna
controle sobre a retificação, enquanto o circuito positiva. A Fig. 8, abaixo, ilustra os circuitos
a tiristor o permite: o circuito auxiliar de não controlado e controlado, desses
comando permite que o usuário controle, por retificadores, com carga R.

Vc Vc

Ic Ic

(a) (b)
Fig. 8 – Retificador monofásico com carga R (resistiva pura): (a) a diodo; (b) a tiristor.

1.1. Retificador a diodo


As formas de onda para o funcionamento do A tensão na carga resulta, portanto, retificada
retificador a diodo e carga R são as da Fig. 9. em meia onda. A corrente na carga resistiva
pura é sempre uma “imagem” da tensão sobre
No momento em que a tensão da rede (V1) ela: a corrente resulta igualmente retificada de
torna-se positiva, o diodo fica polarizado meia onda. Somente a semionda positiva da
diretamente (tensão positiva no anodo) e tensão da rede passou, ou foi retificada. A
começa a conduzir: passa a funcionar como um porção negativa foi bloqueada pelo diodo, o
interruptor fechado, deixando passar a corrente qual, por si só, constitui o Retificador de meia
para a carga (R). Quando a tensão torna-se onda. O diodo atua, portanto, como um
negativa, o diodo fica polarizado reversamente elemento ativo, embora não controlável pelo
(tensão negativa no anodo) e entra em estado usuário. Daí denominar-se este circuito de
de bloqueio: passa a funcionar como um retificador não controlado
interruptor aberto.
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 16

Tensão na rede

Tensão na carga

Corrente na carga

Tensão no diodo

tempo: ms

Fig. 9 – Formas de onda para o circuito retificador monofásico de meia onda a diodo.

Verifica-se que a tensão sobre o diodo durante fonte (rede elétrica de CA). Para evitar este
o semiciclo positivo é nula: caso do diodo último fato, usa-se, normalmente, na prática,
IDEAL. No caso REAL, o diodo apresentará um transformador de isolamento, que terá a
uma queda de tensão em torno de um ou alguns função, dentre outras, de eliminar da rede a
volts. componente contínua da corrente retificada
(Ic).
Observa-se, ainda, que a corrente do circuito é
CONTÍNUA, embora pulsada, e atravessa a

1.2. Retificador a tiristor


As formas de onda para o funcionamento do retificador a tiristor e carga R são as da Fig. 10.

Tensão na rede

Tensão na carga

(45o)
Corrente na carga

Tensão no tiristor (VAK)

tempo: ms

Fig. 10 - Formas de onda para o circuito retificador monofásico de meia onda a tiristor.
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 17

Neste caso, como o dispositivo de potência também da tensão média aplicada ao resistor e
(power device) é um tiristor, elemento do fluxo de potência da fonte para a carga.
controlável pelo usuário, este pode definir o Verifica-se que o tiristor é “bidirecional em
instante de tempo, dentro do semiperíodo tensão”, pois suporta entre seus terminais (A e
positivo, em que o dispositivo será “disparado”, K) tensão tanto positiva quanto negativa. De
isto é, receberá um pulso de disparo que o fato, a tensão do tiristor, vista na Fig. 10 é
colocará em estado de condução. No instante tanto positiva (antes do disparo) quanto
correspondente a cerca de 45o, o tiristor do negativa. Esta última acontece quando a
circuito retificador correspondente às formas de corrente na carga se anula e o tiristor retoma o
onda da Fig. 10 foi disparado e passou a seu estado natural de bloqueio. Já o diodo é
conduzir: torna-se um interruptor fechado, um elemento “unidirecional em tensão” pois
deixando passar a corrente de carga (Ic), que somente suporta a tensão reversa aplicada em
resulta com a mesma forma de onda da tensão seus terminais.
na carga.
Pode-se afirmar que tanto o diodo quanto o
Esta possibilidade de o usuário controlar o tiristor somente entram em estado de bloqueio
instante de disparo do tiristor torna este quando a corrente através deles se anula. Se
retificador mais interessante do que aquele a esta corrente não se anular, mesmo que a
diodo. Pois, agora, o usuário terá o controle não tensão já tenha se tornado negativa (no
só da forma de onda da tensão na carga, mas anodo), o dispositivo continuará conduzindo a
corrente.

1.3. Equações básicas do circuito


Como os circuitos acima são retificadores, isto é, convertem corrente alternada (CA) em corrente
contínua (CC), então os valores que mais interessam no lado da carga (CC) são os seus valores
médios: tanto para a corrente quanto para a tensão. Isto porque tanto o voltímetro CC quanto o
amperímetro CC indicam os valores médios dessas grandezas!

No entanto, como as correntes de carga a serem estudadas serão sempre pulsadas (não lisas), o seu
valor eficaz torna-se muito importante para o cálculo da potência dissipada na carga (R.Ieficaz2).

Para obterem-se as principais equações dos circuitos acima, considere-se a tensão de entrada da forma:

V  2  Ve sen(t ) ou V  Vp sen(t )

onde Ve é o valor eficaz da tensão da rede elétrica e Vp , o seu valor de pico (ou máximo).

1.3.1. Para o retificador a diodo


1.3.1.1. Tensão média na carga R:

A tensão média na carga (Vcm) pode ser calculada pela aplicação adequada de um cálculo integral:


1
Vcm   2  Ve sen(t )d (t )  Vcm  2  Ve  Vcm  0,45  Ve
2 0 
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 18

1.3.1.2. Tensão eficaz na carga R:

A tensão eficaz na carga não é uma grandeza muito importante, já que se está no domínio da
corrente contínua. No entanto, é interessante comparar-se o seu valor com o valor médio dado acima, e
para o cálculo da corrente eficaz (à frente):

 

1 2 Ve 2  Ve V p
Vce  2  Ve sen(t ) d (t )  Vce     0,707  Ve
2 0 2 2 2

1.3.1.3. Corrente média na carga R:

A corrente média (Icm) é simplesmente a relação entre a tensão média e o valor da resistência da carga
(R):

Vcm 2  Ve 0,45  Ve
I cm   I cm   I cm 
R  R R

1.3.1.4. Corrente eficaz na carga R:

A corrente eficaz é definida como uma “raiz média quadrática”, ou: root mean square, do inglês. Para
o cálculo dessa corrente eficaz na carga (Ice) utiliza-se a conhecida expressão integral do seu valor
quadrático instantâneo, definida entre zero e  (pi) radianos (ou zero e 180 graus). Isto pode ser feito
porque tensão e corrente são “imagem” uma da outra. Portanto, seus valores eficazes são proporcionais
ao fator R.
2
1

 2  Ve 
I ce 
2 0  R
 sen(t )  d (t )

Como a corrente numa carga R é a imagem da tensão (mesma forma de onda), tem-se que,
alternativamente:

Vce 2  Ve 0,707  Ve
I ce   I ce   I ce 
R 2 R R

Observar que este valor eficaz de corrente na carga é muito significativo


(diferentemente da tensão eficaz na carga), pois a corrente na carga será sempre
considerada uma corrente pulsante, ou ainda: não lisa! Portanto, os seus valores médio
e eficaz serão sempre diferentes! Ainda: Ice > Icm , sempre! – Somente para o caso
particular de corrente de carga LISA (filtrada ou alisada!) é que: Ice = Icm !
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 19

1.3.1.5. Potência dissipada (consumida) na carga R:

Ve2
Pc  R  I ce2  Pc 
2 R

1.3.2. Para o retificador a tiristor

1.3.2.1. Tensão média na carga R:

Analogamente ao caso do diodo, obtém-se:


1
Vcm 
2 

2  Ve sen(t )  d (t )  Vcm  0,225 Ve (1  cos )

A novidade aqui é o ângulo alfa (): ângulo de disparo do tiristor, definido pelo usuário. A tensão
média, naturalmente, será dependente do valor desse ângulo, deixando claro o fato de que o usuário, no
caso do retificador controlado, tem o controle do valor da tensão média, desde um valor máximo (para
 = 0o) até um valor nulo (para  = 180o).

1.3.2.2. Tensão eficaz na carga R:

Como no caso do retificador a diodo, este valor não é tão importante em si, mas é útil para o cálculo da
corrente eficaz na carga (item à frente):

 

1 2 1  sen(2 )
Vce  2  Ve sen(t ) d (t )  Vce  Ve  
2  2 2 4

1.3.2.3. Corrente média na carga R:

A corrente média (Icm) é, analogamente ao caso do diodo, simplesmente a relação entre a tensão média
e o valor da resistência da carga (R). Tem-se então:

Vcm 0,225 Ve
I cm   I cm  (1  cos )
R R
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 20

1.3.2.4. Corrente eficaz na carga R:

Para o caso do retificador controlado, o cálculo da corrente eficaz na carga (Ice) é um pouco mais
complexo, embora utilize a mesma lógica. Agora a expressão integral fica definida entre o ângulo de
disparo () e o instante em que a corrente se anula: entre  e  (pi) radianos. Obtém-se:

Vce Ve 1  sen(2 )
I ce   I ce   
R R 2 2 4

1.3.2.5. Potência dissipada (consumida) na carga R:

A potência consumida na carga resistiva pura é dada por:

Ve2  1  sen(2 ) 
Pc  R  I ce2  Pc     
R  2 2 4 

2. Retificadores com carga RL


Introduzindo-se um elemento indutivo (L) em série com o resistor de carga (R), obtém-se uma carga
mista (RL). O comportamento do circuito é totalmente alterado, pois o indutor (ou reator, ou filtro
indutivo) impede que a corrente seja (como no caso da carga R) uma imagem da tensão. Enquanto a
corrente não anular-se, o dispositivo de potência (diodo ou tiristor) não se bloqueia e deixa passar à
carga (RL) uma parte da tensão negativa da rede elétrica. A Fig. 11, abaixo, ilustra os circuitos não
controlado e controlado, desses retificadores, com carga RL.

Vc Vc

VR
Ic Ic
VL

(a) (b)
Fig. 11 - Retificador monofásico com carga RL: (a) a diodo; (b) a tiristor.
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 21

2.1. Retificador a diodo


As formas de onda para o funcionamento do retificador a diodo e carga RL são as seguintes:

Tensão na rede
T
e
n
s
ã
oT Tensão na carga
e
nn
as
/ / 2/
ã
rTo Corrente na carga
e
e
dn
n
ea
s
ã
or tempo: ms
e
Fig. 12 – Formas
nd de onda para o circuito retificador monofásico de meia onda a diodo, carga RL.
ea
Esta figura apresenta as três principais curvas relativas ao circuito retificador monofásico, de meia
r
onda, a diodo (não controlado),
e com carga RL. O ângulo  (beta) é o ângulo de existência da corrente e
corresponde ao instante
d em que a corrente se anula. A figura abaixo mostra outras formas de onda do
mesmo circuito: e

Tensão na rede

Tensão no indutor (VL)

/ /
Tensão no diodo (VAK)

Tensão no resistor de carga (VR)

tempo: ms

Fig. 13 – Formas de onda para o circuito retificador monofásico de meia onda a diodo, carga RL

Verifica-se que o diodo permanece mais tempo em condução (do que no caso de carga R), porque o
indutor (L) tem a propriedade de se opor a qualquer variação da corrente: se ela tenta crescer
positivamente, ele se opõe a isto, atrasando o seu crescimento; se ela tenta decrescer positivamente, o
indutor se opõe, tentando impedir o seu decrescimento, retardando a sua chegada a zero. Isto só
acontece, portanto, certo tempo depois do instante /.
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 22

É importante notar que a tensão no indutor (que corresponde à derivada da corrente)


passa por zero no exato momento em que a corrente atinge o seu valor máximo
(=derivada nula da corrente!). Vide Fig. 13, onde o pico de VR coincide, no tempo, com o
pico da corrente (Ip).

2.2. Retificador a tiristor


As formas de onda para o funcionamento do retificador a tiristor com carga RL são as seguintes:

Tensão na rede

Tensão na carga

/ /
Corrente na carga

tempo: ms

Fig. 14 – Formas de onda para o circuito retificador monofásico de meia onda a tiristor, carga RL

O tiristor deste retificador está sendo disparado em cerca de 45o ( = 45o), que é aproximadamente
igual ao ângulo da impedância da carga ( = tg-1(L/R)). Mas a forma de onda da corrente varia de
acordo com a relação entre esses dois ângulos. A Fig. 15 ilustra tais variações.

Verifica-se que quando  =  a forma de onda da corrente resulta (teoricamente) senoidal!

2.3. Equações básicas do circuito


A seguir, encontram-se as principais equações relativas aos retificadores a diodo e a tiristor, com carga
RL.

2.3.1. Para o retificador a diodo

2.3.1.1. Tensão média na carga RL:

A tensão média na carga (Vcm) pode ser calculada pela aplicação adequada de um cálculo integral:


1 2  Ve
Vcm 
2 
0
2  Ve sen(t )d (t )  Vcm 
2
(1  cos  )  Vcm  0,225 Ve (1  cos  )
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 23

<

=

>

Fig. 15 – Variações da forma de onda da corrente de carga para diferentes relações entre  e .

Esta expressão indica que a tensão média retificada sobre a carga (RL) varia, agora, com o valor da
carga. Veja-se que para a carga R, a tensão média na carga era constante, não dependendo do valor da
carga! Agora depende do valor do ângulo !

Este ângulo de extinção da corrente () precisa ser calculado para que se possa utilizá-lo na expressão
acima, a fim de se chegar ao valor da tensão média na carga.

2.3.1.2. Corrente instantânea e ângulo 

Verifica-se, inicialmente, que a forma de onda da corrente (ic) não é mais uma “imagem” da tensão na
carga (RL), mas deve ser determinada por uma análise diferencial a partir da aplicação da LKV (Lei de
Kirchhoff das tensões) na única malha do circuito:

dic (t )
2  Ve sen(t )  L  R  ic (t )
dt

Resolvendo-se tal equação diferencial, chega-se ao seguinte resultado:

2Ve
ic (t )  sen(t   )  I t (0)  e t /  ou ic (t )  i1 (t )  i2 (t )
R X
2 2
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 24

onde:   tg 1 ( X R) ; X  L ;   L R ; i1(t) e i2(t) são as componentes de regime permanente e


transitória de ic(t), respectivamente. Ainda: It(0) é o valor inicial da componente transitória i2(t) e é
dado por:

2Ve
I t (0)  sen( )
R  X2
2

Interpretação: a componente transitória é da forma exponencial, iniciando-se, no instante t=0, com o


valor It(0) e decaindo exponencialmente, de acordo com a constante de tempo (), até anular-se. Já a
componente de regime permanente tem a forma de onda do tipo senoidal, apresentando um
defasamento, em relação à origem, dado pelo ângulo . (Vide Fig. 19 (a).)

Para o cálculo do ângulo , utiliza-se a expressão da corrente instantânea no instante em que ela se
anula. Tem-se, então:


ic (  )  0  sen(   )  sen( )  e  
0
Ou, ainda:


sen(   )  sen( )  e tg ( )
0

Esta é uma função implícita, só podendo ser resolvida por um processo numérico (iterativo). Um
programa como o Mathcad ou o MatLab pode traçar a curva correspondente, o que fornecerá o valor
de  para uma dada configuração de carga, em que o ângulo  fica determinado. Com o valor de 
identificado, pode-se calcular o valor da tensão média na carga.

A Fig. 16 apresenta a relação gráfica, calculada numericamente, entre  e .

A tensão média na carga RL é, teoricamente, a soma das tensões médias sobre o resistor e sobre o
indutor. No entanto, numa análise “dual”, verifica-se que, assim como a corrente média através de um
capacitor é nula (em regime permanente), pode-se concluir que para o seu dual (o indutor), a tensão
média é nula! Conclui-se, então, que o valor da tensão média retificada sobre a carga RL é apenas
devido ao resistor.

 (o)

 (o)

Fig. 16 – Relação entre ângulos  e 


ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 25

2.3.1.3. Tensão média no indutor na carga RL

A Fig. 13 esclarece tal conclusão: a tensão média da forma de onda do indutor (VL) é, de fato, nula,
uma vez que se constata – visualmente –, que a área positiva é igual à área negativa da curva,
resultando tensão média nula.

Uma análise gráfica pode ser feita relacionando a tensão sobre a carga (Vc) e as tensões sobre o indutor
(VL) e sobre o resistor (VR). Tal análise parte da expressão da tensão sobre a carga:

vc (t )  vL (t )  vR (t )  vL (t )  R  ic (t )

A Fig. 17 ilustra esta análise gráfica: nesta figura observa-se que a área dos vetores instantâneos
positivos de vL(t) é teoricamente (e visualmente) igual à área dos vetores negativos. Isto deve ser
interpretado como tensão média nula (ao longo de um ciclo da rede), já que a área positiva da tensão
ao longo do tempo compensará a área negativa. (Vide Fig. 13.)

Observar que os vetores de tensão instantânea positiva no indutor se anulam – e trocam de polaridade,
em seguida – no instante em que a corrente na carga passa pelo ser valor máximo (ponto preto na
curva de ic(t). Isto se explica: a derivada da corrente é nula nesse ponto, portanto a tensão no indutor
também é nula.

Vc(t) vL(t)
R.ic(t)

  t
ic(t)

Fig. 17 – Análise gráfica envolvendo as componentes de tensão na carga

2.3.1.4. Corrente média:

A corrente média (Icm) é simplesmente a relação entre a tensão média e o valor da resistência da carga
(R).

Vcm 0,225  Ve
I cm   I cm  (1  cos  )
R R
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 26

Uma forma alternativa para o cálculo da corrente média é aplicar-se o cálculo integral:


I cm 
1
2 
2Ve
sen(t   )  sen  e d (t )
t / 

0 R X2 2

Esta expressão pode ser “normalizada”, isto é, expressa em relação a uma norma (ou referência, ou
2Ve
base). Seja uma “corrente base” dada por: I b  . Portanto, ao dividir-se a corrente Icm por
R2  X 2
esta base, obtém-se:

 sen(t   )  sen  e d (t )


1  t /
I cm 
2 0

onde a barra sobre a variável Icm indicará um valor “normalizado”, expresso, portanto, em por unidade
(pu). Isto é útil para o traçado de gráficos ou ábacos “universais”, o que quer dizer, independentes de
valores particulares dos parâmetros e grandezas físicas do circuito (R, L, C, v, etc.). Tais gráficos serão
vistos à frente.

2.3.1.5. Corrente eficaz:

A corrente eficaz, definida como a “raiz média quadrática, em seu valor real (ampères), pode ser
calculada como se apresenta a seguir:

 2
1  
I ce   
2Ve
2 0  R  X
2 2

sen(t   )  sen  e t /  d (t ) 

A expressão normalizada resulta (expressa em “pu”):

 sen(t   )  sen  e 
1  2
I ce  t /
d (t )
2 0

Utilizando-se um “software” como o Mathcad, podem ser geradas as duas curvas apresentadas na Fig.
18. Conhecendo-se o valor do ângulo de carga , as correntes média e eficaz normalizadas podem ser
obtidas. Daí, através do valor conhecido da corrente de base, são obtidas as correntes reais em ampère.

Deve ser relembrado que o valor eficaz da corrente é muito importante para calcular-se o valor da
potência dissipada na carga (sobre o resistor).
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 27

pu

I ce

I cm

 ( o)

Fig. 18 – Curvas para determinação das correntes média e eficaz normalizadas para o retificador monofásico de
meia onda, a diodo, com carga RL

2.3.1.6. Potência dissipada (consumida) na carga RL:

Como já se sabe, a potência dissipada existe apenas sobre o resistor, estando associada ao valor eficaz
da corrente que o atravessa. Assim, tem-se:

Pc  R  I ce2

onde a corrente eficaz é obtida da Fig. 18, acima.

2.3.2. Para o retificador a tiristor


2.3.2.1. Tensão média na carga RL:

A tensão média na carga (Vcm) pode ser calculada pela aplicação adequada de um cálculo integral:


1
Vcm 
2 

2  Ve sen(t )d (t )  Vcm  0,225 Ve (cos  cos  )

onde:  min   e  max  2 .

2.3.2.2. Corrente instantânea e ângulo 

A corrente instantânea desse circuito deve ser calculada por uma análise diferencial a partir da
aplicação da LKV (Lei de Kirchhoff das tensões) na única malha do circuito:

dic (t )
2  Ve sen(t )  L  R  ic (t )
dt
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 28

Resolvendo-se tal equação diferencial, chega-se ao seguinte resultado:

ic (t ) 
R X
2
2Ve
2
sen(t   )  sen(   )  e  ou
t ' / 
ic (t )  i1 (t )  i2 (t )


onde:   tg 1 ( X R) ; X  L ;   L R ; e t '  t  é a nova variável tempo deslocada à direita

(pelo ângulo ) em relação à variável tempo original (t), isto é: a origem do tempo para esta equação
está deslocada de (/) em relação à origem da tensão da rede.

Ainda: i1(t) e i2(t) são as componentes de regime permanente e transitória de ic(t),


respectivamente.

2Ve 2Ve '


i1 (t )  sen(t   ) i2 (t )  sen(   )  e t / 
R2  X 2 R2  X 2

A Fig. 15 (p.23) ilustra três formas de onda diferentes para esta corrente em função de três relações
diversas entre os ângulos  (de disparo) e  (de carga). Já na Fig. 19 encontram-se ilustrações, para
esta mesma corrente instantânea, relativas aos retificadores a diodo (a) e a tiristor (b).

(a) Diodo (b) Tiristor


Fig. 19 – Corrente instantânea e suas componentes, para carga RL.

Importante notar que, no instante zero da corrente ic(t), os valores das suas componentes são iguais e
de sinais contrários de tal forma que a resultante dê corrente nula!

O ângulo de extinção  é encontrado por meio do Ábaco de Puschlowski, a ser aplicado a todo circuito
retificador a tiristor (ou a diodo) com carga RLE, entendendo-se esta abreviatura como: resistor,
indutor, bateria. Esta carga pode ser entendida como modelando um motor de corrente contínua.

Para o cálculo do ângulo de extinção faz-se a expressão para a corrente instantânea ser igual a zero
quando t = . Obtém-se, assim, a expressão abaixo,
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 29

R
(   )
0  sen(   )  sen(   )  e L

cuja solução analítica é impossível, acarretando uma solução numérica.

O princípio do Ábaco de Puschlowski pode ser entendido a partir da Fig. 20. O parâmetro “a” informa
o quanto próximo do pico da tensão da rede é o valor da tensão da bateria (E); é um valor escalar que
varia de 0 a 1. O primeiro valor da figura é a1 = 0 (circuito sem bateria). A cada valor de “a” (que
pode, também, ser entendido como o valor em “pu” da bateria, na base 2.Ve) tem-se um feixe de
curvas correspondentes a valores de cos , que crescem de cima para baixo. Conhecidos, por exemplo,
os valores de a2 , 2 e cos2 pode ser identificado graficamente o valor de 2. (Vide exemplo na
própria figura.) Verifica-se que, para a > 0 podem ser obtidos valores de  menores que 180o!

360o a=E/(2.Ve)
cos 1

cos n
cos 1

cos n
2

Exemplo de leitura
cos 2
180o a1 
o
0 2 180o
a2
= valores crescentes

Fig. 20 – Princípio do ábaco de Puschlowski

O gráfico real do ábaco de Puschlowski encontra-se disponível na Fig. 21 (pág.31), podendo ser
utilizado para os retificadores monofásicos de meia onda, a diodo e a tiristor, com carga RLE.
[Também poderá ser utilizado para circuitos retificadores monofásicos e trifásicos de ponto médio e
para retificador do tipo ponte de Graetz (neste caso: a = E/(23Ve)).]

2.3.2.3. Corrente média na carga RL:

A corrente média (Icm) é simplesmente a relação entre a tensão média na carga e o valor da resistência
da carga (R), já que o valor da “tensão média” no indutor é nulo!

Vcm 0,225  Ve (cos  cos  )


I cm   I cm 
R R

Uma forma alternativa para o cálculo da corrente média é aplicar-se o cálculo integral:
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 30

 (t  )
1

2Ve  
 sen(t   )  sen(   )  e tg  d (t )
I cm 
2  R 2  X 2  
 

Exatamente como foi feito no item 2.3.1.4 (pág.25), essa expressão pode ser normalizada em relação à
2Ve
corrente base: I b  . O resultado fica:
R  X2
2

 (t  )
1
  
 sen(t   )  sen(   )  e tg  d (t )
I cm 
2   
 

que pode ser resolvida computacionalmente e expressa graficamente conforme a Fig. 22 (pág. 32).
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 31

cos()=0
 ( o)

cos()=0,2

cos()=0,4

cos()=0,6

cos()=0,8

cos()=0,9

a=0

a=0,2
cos()=1,0
 (o)
a=0,4

a=0,6

a=0,8

a=1,0

Fig. 21 – Ábaco de Puschlowski.


[Fonte: BARBI, Ivo. Eletrônica de potência. Edição do autor, Florianópolis – SC, 2006]
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 32

1.2

I cm
1
 = 90º

0.8  = 85º

0.6  = 75º

 = 60º
0.4
 = 45º
 = 30º
0.2
 = 15º
 = 0º
0
0 20 40 60 80 100 120 140 160 180
α
Fig. 22 – Corrente média de carga, normalizada, parametrizada em .

2.3.2.4. Corrente eficaz na carga RL:

A corrente eficaz, analogamente ao que foi feito para o caso do retificador a diodo, pode ser calculada
pela expressão:

2
 
 2 Ve  (t  )

1  sen(t   )  sen(   )  e tg 
I ce 
2   R 2  X 2  
 d (t )
  

ou, de forma normalizada, como:

(t  ) 2
1 
 
  sen(t   )  sen(   )  e   d (t )
tg
I ce 
2 
 

2Ve
que também pode ser expressa graficamente, conforme a Fig. 23. (Corrente base: I b  .)
R  X2
2
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 33

2.3.2.5. Potência dissipada (consumida) na carga RL:

A potência dissipada, ou consumida, na carga é obtida, como já se sabe, pela expressão:

Pc  R  I ce2

onde a corrente eficaz é obtida a partir da Fig. 23.

1.4

I ce
 = 90º
1.2

 = 85º
1

 = 75º
0.8

 = 60º
 = 45º
0.6
 = 30º
 = 15º
0.4

0.2

0
0 20 40 60 80 100 120 140 160 α 180
Fig. 23 – Corrente eficaz de carga, normalizada, parametrizada em .

3. Retificadores com carga RL e Diodo de “roda livre”

Introduzindo-se um diodo em paralelo com a carga RL, obtêm-se os circuitos retificadores a diodo e a
tiristor, conforme a Fig. 24.

O funcionamento do circuito baseia-se no fato de que o indutor ainda tem corrente no instante em que
a tensão da rede entra no semiciclo negativo. Isto, associado ao fato de que a polaridade instantânea de
tensão do indutor é negativa (apontada para baixo, na figura), faz com que o diodo de roda livre fique
polarizado diretamente e assuma a corrente da carga. Isto ocorre no mesmo instante em que o diodo
principal se bloqueia, idealmente falando. Na prática, acontece um fenômeno de transição cruzada: a
corrente no diodo principal cai a zero, de forma praticamente linear, enquanto a corrente no diodo de
roda livre cresce, de forma análoga. Quando a corrente se anula no diodo principal este pode bloquear-
se, pois a corrente da carga foi totalmente transferida para o diodo de roda livre.
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 34

VR Vc Vc
IT VR
ID
IDRL

Ic IDRL Ic
VL VL

(a) (b)
Fig. 24 – Retificador monofásico com carga RL e diodo de roda livre: (a) a diodo; (b) a tiristor.

A função do diodo de roda livre é dupla:

a) elimina a parte negativa da tensão retificada, sobre a carga (RL);


b) possibilita que a corrente na carga entre no chamado “modo de condução contínuo” (MCC),
conforme se explica no quadro a seguir.

MCC ocorre quando a corrente na carga não toca o nível zero em nenhum momento.
Quando acontece de a corrente tocar, e permanecer algum tempo, no nível zero entra-se
no chamado “modo de condução descontínuo” ou MCD.

3.1. Retificador a Diodo e com “Roda livre”


A Fig. 25 apresenta as principais formas de onda relativas ao funcionamento do circuito retificador
monofásico, a diodo, com carga RL e diodo de roda livre: tensões na rede e na carga, e corrente na
carga.

Tensão na rede

Tensão na carga

Corrente na carga

MCD

Fig. 25 – Formas de onda para o retif. a DIODO com carga RL e diodo de roda livre (I).

A Fig. 26 apresenta a corrente na carga e suas duas componentes: a corrente no diodo principal e a no
diodo de roda livre.
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 35

Corrente na carga

Corrente no diodo principal

Corrente no diodo de roda livre

Fig. 26 - Formas de onda para o retif. a DIODO com carga RL e diodo de roda livre (II).

A Fig. 27 ilustra a corrente, suas componentes e a tensão retificada numa situação em que o indutor é
relativamente grande e leva o circuito para o modo contínuo (MCC).

Corrente na carga
MCC

Corrente no diodo principal

Corrente no diodo de roda livre (L muito grande!)

Tensão retificada

Fig. 27 – Retif. com carga RL e DRL: corrente em MCC, suas componentes e a tensão retificada.

OBS.: Circuito com L muito grande e R muito pequeno: sem diodo de roda livre o circuito não entra
em modo contínuo. Os resultados de simulação abaixo (Fig. 28) mostram o que acontece.

A explicação: por um raciocínio absurdo, imagine-se que a corrente no indutor (retificador de


meia onda a diodo, carga RL, sem diodo de roda livre) comece a crescer no primeiro semiciclo
positivo e não caia a zero ao final do semiciclo negativo; então ela iria continuar crescendo
indefinidamente, pois nenhum fator existiria para fazê-la estabilizar-se!... Este absurdo explica (ou
tenta explicar!) o fato de que o circuito não pode entrar em modo contínuo, pois o indutor deverá,
sempre, carregar-se e descarregar-se completamente a cada ciclo da rede.
Interpretação da figura: – O diodo conduz o tempo todo! A corrente resulta uma senoide
retificada, com valor médio não nulo! É um retificador de corrente, apenas!
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 36

Tensão na rede L = 300 mH; R = 1 m

Corrente na carga

Fig. 28 - Retificador de meia onda, a diodo, com carga RL, sem diodo de roda livre: L >> R.

3.1.1. Indutância crítica


Pode-se perguntar qual é o valor da indutância que coloca este retificador com diodo de roda livre em
modo contínuo! Este valor é conhecido como indutância crítica e caracteriza o modo crítico (MCr) de
funcionamento do circuito. Este modo está ilustrado na Fig. 29.

Tensão na rede Modo de condução crítico (MCr): a corrente na


carga RL (com diodo de roda livre) anula-se
justamente no instante 2/.
Corrente na carga

/ 2/

tc = /

Fig. 29 – Ilustração para o cálculo da indutância crítica (Lc ).

O cálculo da indutância crítica é feito a partir da consideração de que o tempo crítico (tc ) corresponde
exatamente a um semiciclo da tensão da rede, e este tempo pode ser igualado a cinco (5) constantes de
tempo () do circuito RL em roda livre. Tem-se, portanto:

 L  R
tc   5   5  c  Lc 
 R 5 
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 37

Este valor de indutância crítica serve como uma referência: um indutor de indutância menor que o
valor da indutância crítica do circuito coloca o retificador em modo de condução descontínuo (MCD);
no caso contrário, tem-se o modo de condução contínuo (MCC).

3.1.2. Tensão média na carga


Com base na Fig. 27 pode-se verificar que o valor da tensão média na carga volta a ser igual àquele
que ocorre para o retificador de meia onda com carga resistiva, pura:

2  Ve
Vcm   0,45  Ve

Esta tensão, retificada de meia onda, pode ser expressa por meio da série de Fourier, o que resulta:

2 Ve 2 Ve 2 2 Ve  cos(2t ) cos(4t ) cos(6t ) 


vc (t )   sen(t )      ...
 2   3 35 57 

Esta expressão poderá ser usada para o cálculo das componentes harmônicas da corrente de carga
instantânea, já que a corrente é a tensão dividida pela impedância (na frequência da harmônica
considerada).

3.1.3. Corrente média na carga


A corrente média na carga pode ser obtida a partir da tensão média da carga ou a partir da tensão
instantânea expressa pela série de Fourier. Tem-se, então:

2  Ve 0,45  Ve
A partir da tensão média: I cm  
 R R

A partir da série de Fourier da tensão: ic (t )  I cm  i1 (t )  i2 (t )  i4 (t )  i6 (t )  ...

cujos valores das componentes são:


2 Ve
i1 (t )  sen(t  1 )
2  Z1
 2 2 Ve
i2 (t )  sen(2t   2 )
  3 Z2
 2 2 Ve
i4 (t )  sen(4t  4 )
  3 5 Z4
 2 2 Ve
i6 (t )  sen(6t  6 )
  5  7  Z6
Em geral, para harmônica de ordem “n”:
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 38

 2 2 Ve
in (t )  sen(nt  n ) [n  1]
  (n  1)  (n  1)  Z n
OBS.: Para uma componente harmônica (n  1) ser inserida no mesmo gráfico da corrente
fundamental deve-se tomar o cuidado de se dividir por “n” o valor do seu defasamento n. Este será
marcado a partir da referência (zero grau) da tensão da rede (origem da simulação ou das correntes
do circuito real).

Se for necessário calcular-se o valor eficaz da corrente na carga faz-se:

I ce  I cm
2
 I c21  I c22  I c24  I c26  ...  I cn2  ...

onde:
Ve 2  Ve 2  Ve 2  Ve
I c1  , I c2  , I c4  , ... I cn  [n  1]
2  Z1 3   Z 2 15    Z 4 (n  1)(n  1)    Z n

Referência para os itens 3.1.2 e 3.1.3:


BARBI, Ivo. Eletrônica de potência. Edição do autor, Florianópolis – SC, 2006.

3.2. Retificador a Tiristor e com “Roda livre”


A Fig. 30 apresenta as principais formas de onda relativas ao funcionamento do circuito retificador
monofásico, a tiristor, com carga RL e diodo de roda livre: tensões na rede e na carga, e corrente na
carga.

Tensão na rede

Tensão na carga

Corrente na carga

MCD

Fig. 30 - Formas de onda para o retif. a TIRISTOR com carga RL e diodo de roda livre (I).

A Fig. 31 apresenta a corrente na carga e suas duas componentes: a corrente no tiristor e a no diodo de
roda livre.
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 39

Corrente na carga

( > )

Corrente no tiristor

Corrente no diodo de roda livre

d

Fig. 31 - Formas de onda para o retif. a TIRISTOR com carga RL e diodo de roda livre (II).

Observar que, neste caso, o ângulo  é dado por:  = 180o + d.

A Fig. 32 ilustra a corrente, suas componentes e a tensão retificada numa situação em que o indutor é
relativamente grande e leva o circuito para o modo contínuo (MCC).

O cálculo da indutância crítica, para este caso (retificador monofásico, carga RL, com diodo de roda
livre, a tiristor), é feito da mesma forma que para o caso a diodo (item 3.1.1 pág. 36), mas com o
 
cuidado de observar que, neste caso: t c  .

Corrente na carga

MCC

Corrente no tiristor

Corrente no diodo de roda livre (L muito grande!)

Tensão retificada  2 + 

Fig. 32 - Retif. com carga RL e DRL: corrente em MCC, suas componentes e a tensão retificada.

3.2.1. Tensão média na carga


Com base na Fig. 32 pode-se calcular o valor da tensão média retificada (na carga), a partir da integral:

1
2 
Vcm  2Ve sen(t )d (t )

o que resulta:
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 40

Vcm  0,225 Ve  (1  cos )

Isto significa que o valor médio da tensão retificada desse retificador não depende da carga (ângulos 
ou ), mas somente do usuário, através do ângulo de comando do tiristor (ou ângulo de disparo ).
Para o caso particular em que  = 0o, obtém-se, de novo, o caso do retificador a diodo: Vcm = 0,45.Ve.

3.2.2. Corrente média na carga


A corrente média na carga pode ser obtida a partir da tensão média retificada:

Vcm 0,225  Ve (1  cos )


I cm   I cm 
R R

Já a corrente instantânea na carga (em MCD) – necessária para obtenção de ambos os valores médio e
eficaz, normalizados – pode ser obtida como uma composição de duas correntes componentes da
corrente de carga: componente que atravessa o tiristor (ic1) e componente que atravessa o diodo de roda
livre (ic2). Portanto:

ic  ic1  ic 2

2Ve '

 Componente ic1: ic1 (t )  sen(t   )  sen(   )  e t /


R2  X 2


onde: t'  t  (A nova variável tempo, t’, está atrasada de / segundos em relação à variável

original, t. Isto é: a equação vale a partir do instante de tempo correspondente ao início da corrente no
tiristor.)

t ''

 Componente ic2: ic 2  I   e 

 (  )
2Ve
onde: I é dada pelo valor de ic1 no instante /: I (t )  sen(t   )  sen(   )  e  

R2  X 2


e t t
''
(A nova variável tempo, t’’, está atrasada de / segundos em relação à variável

original, t. Isto é: a equação vale a partir do instante de tempo correspondente ao início da corrente no
diodo de roda livre.)

Com os valores parciais de ic1 e ic2 a corrente instantânea de carga pode ser calculada e, a partir dela,
podem ser obtidos e traçados os valores das correspondentes correntes de carga média e eficaz.
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 41

4. Retificadores com carga RLE


A carga mais genérica é justamente a combinação dos três elementos passivos que podem ser ligados
em série: o resistor (R), o indutor (L) – que atuará, na prática, como um filtro de corrente – e uma
bateria (E). Tal carga genérica é adequada para representar (modelar) um motor elétrico de corrente
contínua. Em tal situação a bateria corresponderá à força contraeletromotriz (fcem) nos terminais das
escovas do motor; o resistor corresponderá à resistência total do circuito de armadura; e o indutor
corresponderá à indutância de dispersão associada aos enrolamentos do motor.

As topologias (circuitos) da Fig. 33 apresentam os retificadores a diodo e a tiristor com carga genérica
RLE.

VR Vc Vc

VL
Ic Ic

(a) (b)
Fig. 33 - Retificadores monofásicos com carga RLE: (a) a diodo; (b) a tiristor.

4.1. Retificador com carga RLE a diodo


As formas de onda para o funcionamento do retificador a diodo e carga RLE estão apresentadas na
Fig. 34.

Tensão na rede

Tensão na carga

E = 50V

Corrente na carga

1

Fig. 34 – Formas de onda para o circuito retificador monofásico de meia onda a DIODO, carga RLE.

A presença de uma bateria na carga faz com que o diodo apenas comece a conduzir quando a tensão na
rede iguala a tensão da bateria. Antes disso o diodo encontra-se polarizado reversamente e não pode
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 42

conduzir. A figura acima identifica tal ângulo como sendo o ângulo 1. Quando o diodo começa a
conduzir, a tensão na carga é, exatamente, a tensão da rede!

A tensão instantânea na carga (tensão retificada) apresenta, agora, uma característica notável: se a
corrente está no modo de condução descontínuo (MCD), durante os instantes em que a corrente é nula,
a tensão na carga resulta igual à da bateria, tal como seria medida por um voltímetro CC entre os
terminais da carga. Não tendo corrente na carga, não há quedas de tensão em R e L, resultando apenas
o valor da tensão da bateria!

O ângulo de extinção da corrente () será calculado a partir do Ábaco de Puschlowski (Fig. 21), a
partir do conhecimento dos três parâmetros disponíveis: ângulo de disparo (), cosseno do ângulo  e
valor por unidade da bateria (a). A Fig. 20 ajuda a revisar a interpretação e a utilização do ábaco de
Puschlowski.

Outro aspecto notável desse retificador é o fato de que a bateria influencia diretamente a
desmagnetização do indutor: quanto maior o valor da tensão da bateria, menor será o tempo de
existência da corrente e menor, portanto, o ângulo  (supondo mantidos constantes os demais
parâmetros). A Fig. 35 apresenta as formas de onda para o mesmo retificador da Fig. 34, mas com uma
bateria de 100V. Observa-se um ângulo  menor: correspondente a um tempo de 8,7ms. (Era um
tempo de aproximadamente 10ms!)

Este efeito explica-se pelo fato de que a integral da tensão ao longo do tempo tem dimensão de fluxo!
Portanto, a bateria funciona como um elemento desmagnetizador do (fluxo do) indutor: quanto maior o
valor da tensão da bateria, mais rapidamente será desmagnetizado o indutor, ou – o que é o mesmo –
tanto mais rapidamente cai a corrente do circuito.

Tensão na rede

Tensão na carga
E = 100V

Corrente na carga

1

Fig. 35 – Efeito do aumento do valor da tensão da bateria sobre o ângulo .

4.1.1. Tensão média na carga


A tensão média na carga RLE pode ser interpretada como sendo composta de duas partes: o efeito
médio da tensão da rede existente na carga entre 1 e  (Vcm1) e o efeito médio da tensão da bateria ao
longo do período (Vcm2), conforme se ilustra na Fig. 36.
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 43

Vcm1 Vcm2

1
(2–+1)

Fig. 36 – Cálculo da tensão média na carga: Vcm1 e Vcm2.

A tensão Vcm1 é calculada da mesma forma que se fez para o caso do retificador a tiristor com carga RL
(item 2.3.2.1 pág. 27). Tem-se então:


1
Vcm1 
2 

2  Ve sen(t )d (t )  Vcm1  0,225  Ve (cos1  cos  )
1

onde o valor de  é obtido pelo ábaco de Puschlowski (pág. 31).

A parcela Vcm2, correspondente ao efeito médio da tensão da bateria, é facilmente calculada, a partir da
Fig. 36, como sendo:
(2    1 )
Vcm 2  E
2
A tensão média na carga (Vcm) valerá então:

(2    1 )
Vcm  Vcm1  Vcm 2  0,225  Ve (cos1  cos  )  E
2

Pode-se questionar o fato de que não aparece na expressão para a tensão média na carga o valor da
tensão média sobre o resistor... Isto se explica da seguinte maneira: a queda de tensão média sobre R
está incluída na tensão média Vcm1, já que esta existe enquanto existe corrente circulando e provocando
queda de tensão no resistor. Pode-se verificar este fenômeno a partir da Fig. 37

Vcm

R.Icm
A1 = A2 E

Fig. 37 – Tensão média sobre o resistor (R.Icm).

Observe-se a igualdade de áreas (A1 = A2) no trecho que corresponde ao cálculo da tensão média Vcm1:
isto é interpretado como igualdade dos fluxos positivo (A1 = magnetização) e negativo (A2 =
desmagnetização) no indutor L. Se a área A1 (definida acima do nível da tensão média Vcm) iguala a
área A2 (definida abaixo de Vcm), então a diferença entre os níveis de Vcm e E é, exatamente, a queda de
tensão média sobre o resistor. De fato, se a resistência for considerada nula (caso R = 0; carga LE),
então as áreas A1 e A2 serão definidas acima e abaixo, respectivamente, do nível E, pois este coincidirá
com a tensão média na carga, já que não existirá tensão média sobre R!
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 44

4.1.2. Corrente média na carga


A corrente média na carga é facilmente calculada partindo-se da seguinte igualdade:

Vcm  E  R  I cm

Vcm  E
Conclui-se então que: I cm 
R

4.1.3. Potência consumida na carga


A potência consumida (ou absorvida) pela carga deverá ser entendida como sendo composta por duas
partes: a potência dissipada no resistor e a potência absorvida pela bateria. Se bateria representar, de
fato, uma bateria real, esta estaria sendo carregada; se representar um motor CC, este estará recebendo
potência e transformando-a em potência mecânica ao girar numa velocidade proporcional à tensão da
bateria (E). No caso do resistor, será necessário conhecer-se (por meio de um ábaco ou por simulação
numérica) o valor da corrente eficaz na carga. Tem-se então:

Pc  R  I ce2  E  I cm

4.2. Retificador com carga RLE a tiristor


Toda a análise realizada para o retificador a diodo, acima apresentada, pode ser aplicada ao caso do
tiristor. Isto acontece devido ao fato de que o ângulo 1 (caso do diodo) corresponde ao ângulo min ,
neste caso do retificador a tiristor.

As formas de onda para o funcionamento do retificador a tiristor, para um ângulo de disparo genérico
() e carga RLE, estão apresentadas na Fig. 38.

Tensão na rede

Tensão na carga

E = 50V

 = 45o 
Corrente na carga

Fig. 38 – Formas de onda para o circuito retificador monofásico de meia onda a TIRISTOR, carga RLE.
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 45

Todos os comentários feitos para o caso do retificador a diodo, carga RLE, aplicam-se para este
retificador a tiristor, de mesmo tipo de carga. A novidade aqui é a existência de uma variável de
controle (o ângulo de disparo ) que provocará alterações nas formas de onda de tensão e corrente na
carga.

De fato, ao aumentar-se o ângulo de disparo (), o ângulo de extinção da corrente () fica alterado
para menor. Comparando-se a Fig. 39 com a Fig. 38, observa-se que o ângulo  diminuiu, bem como
diminuiu o pico da corrente na carga. A corrente, na verdade, como que “encolheu” em consequência
do aumento do ângulo de disparo (). Há um fluxo menor de potência, da fonte para a carga RLE.

A Fig. 40 (mostrando apenas a tensão e a corrente na carga) ilustra uma situação-limite, em que o
ângulo de disparo foi tão aumentado que o fluxo de potência quase se anula. A corrente entra quase
em “colapso” e a tensão média na carga tende ao valor da tensão da bateria.

Esta situação é prevista pelo ábaco de Puschlowski (pág. 31). Por exemplo, observando-se no feixe de
curvas para a = 0,4: verifica-se que o min é cerca de 23o, enquanto o max atinge cerca de 155o e o
ângulo de extinção atinge o valor  = 158o. Nesta última situação, não haveria qualquer fluxo de
potência para a carga. A Fig. 40 corresponde a um caso muito próximo desta situação-limite, embora o
valor por unidade da bateria seja um pouco diferente do valor citado para o ábaco: a = 0,27 (=50/180).

Tensão na rede

Tensão na carga

E = 50V
 = 70 o

Corrente na carga

Fig. 39 – Circuito retificador monofásico de meia onda a TIRISTOR, carga RLE:  aumentado
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 46

Tensão na carga

 = 150o 

Corrente na carga

Fig. 40 – Situação-limite para o retificador a tiristor, carga RLE:  = 150o.

4.2.1. Tensão média na carga


De forma análoga ao que foi feito para o caso do retificador a diodo, obtém-se, para o presente caso do
retificador a tiristor, com carga RLE, a seguinte tensão média na carga:

(2     )
Vcm  Vcm1  Vcm 2  0,225  Ve (cos  cos  )  E
2

onde o ângulo 1 (caso do diodo) foi substituído pelo ângulo de disparo .

4.2.2. Corrente média na carga


Exatamente como no caso do retificador a diodo, carga RLE, a corrente média na carga pode ser
V E
calculada pela expressão: I cm  cm
R

4.2.3. Potência consumida na carga

Analogamente ao caso do retificador a diodo, obtém-se: Pc  R  I ce2  E  I cm

4.3. Retificador com carga RLE a tiristor – Inversor não autônomo


Ao se inverter a polaridade da bateria (-E), obtém-se uma situação muito interessante e, ao mesmo
tempo, muito importante, pois é a base conceitual que está por trás das linhas de transmissão em
corrente contínua em alta tensão (ATCC). O circuito de tal retificador – com carga RLE –, está
mostrado na Fig. 41.
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 47

Vc
VR

VL
Ic Ic
Ou: 

Fig. 41 – Retificador monofásico a tiristor com carga RLE – caso do INVERSOR NÃO AUTÔNOMO

As principais formas de onda para este retificador, ou melhor, “conversor”, funcionando como
INVERSOR NÃO AUTÔNOMO, estão apresentadas na Fig. 42, para uma situação em que a
resistência do resistor de carga é significativa.

vc Vcm

-E
VRm=R.Icm

ic

Fig. 42 – Formas de onda para o conversor no modo INVERSOR NÃO AUTÔNOMO.

Estas formas de onda mostram o funcionamento do conversor no chamado modo de operação


INVERSOR não autônomo. Isto significa que a bateria está fornecendo potência para a rede elétrica. O
que caracteriza um funcionamento em modo retificador ou inversor é, justamente, sempre, o fluxo de
potência: se o fluxo vai do circuito CA para o circuito CC, diz-se que o funcionamento do conversor é
modo retificador; se vai do circuito CC para o CA, diz-se que o funcionamento é modo inversor.

Sabe-se que o conversor está no modo de funcionamento INVERSOR porque a corrente Ic está saindo
do polo positivo da bateria, o que caracteriza fornecimento de energia por esta bateria.

Tal inversor é dito não autônomo pelo fato de que para funcionar como inversor o circuito depende da
pré-existência da tensão senoidal da rede elétrica, bem como de uma bateria com polaridade invertida,
em relação ao sentido da corrente retificada. Isto quer dizer: a onda de tensão senoidal de um inversor
AUTÔNOMO é produzida por este mesmo, ao passo que, para um inversor NÃO AUTÔNOMO, a
senoide de tensão não é produzida por ele, estando já disponível nos terminais do lado CA do
conversor.

A tensão média na carga (entendida como RLE) é mostrada na figura como sendo Vcm, representada
pela linha horizontal tracejada. Se esta é a tensão média, pode-se concluir que as duas áreas hachuradas
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 48

indicadas na figura, acima e abaixo desse nível Vcm, devem ser iguais! E como o valor médio da tensão
na carga é dado pela soma da tensão da bateria (-E) com o valor, sempre positivo, da tensão média no
resistor (VRm), conclui-se que a diferença entre os níveis da bateria e da tensão média deve
corresponder ao valor da queda de tensão média no resistor, conforme indicado na figura.

Considerando-se nulo o valor da resistência de carga, obtêm-se, para o mesmo conversor no modo
INVERSOR, as seguintes formas de onda (Fig. 43).

vc
Vcm = -E

ic

Fig. 43 – Formas de onda para o inversor não autônomo com carga LE (R = 0).

Verifica-se, inicialmente, que a potência entregue pela bateria à rede elétrica (fonte CA) foi
aumentada, tendo em vista a inexistência do resistor agora. Outra verificação é em relação à tensão
média na carga RLE, que se iguala ao valor da tensão da bateria, já que a tensão média sobre o indutor
é, como já se sabe, nula. Este fato faz com que a tensão média (Vcm , linha tracejada na Fig. 43)
coincida com o nível negativo do valor da tensão da bateria (-E).

Outra análise interessante é em relação ao valor mínimo do ângulo de disparo (min) tal que a estrutura
ainda funcione de forma estável. Observando-se atentamente a Fig. 43 verifica-se que as áreas acima e
abaixo do nível da tensão média devem ser iguais, já que não há mais a queda de tensão média sobre o
resistor, conforme acontecia no caso da Fig. 42, onde o resistor é não nulo. Ora, esta observação leva à
conclusão de que a área inferior ao nível da tensão média é limitada, embora não o seja a área acima.
Portanto, a diminuição do ângulo , em direção a um possível min , exige que a área superior ao nível
negativo da tensão média não seja maior que a máxima área inferior, conforme mostram as formas de
onda da simulação numérica da Fig. 44. Verifica-se nesta figura a potência máxima sendo transferida
da bateria para rede elétrica. Qualquer tentativa de diminuir ainda mais o valor do ângulo de disparo
redundará em perda de estabilidade do funcionamento do circuito: o disparo simplesmente não
acontecerá e o conversor não funcionará!
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 49

vc
Vcm = -E

min max

ic

Fig. 44 - Formas de onda para o inversor não autônomo com carga LE (R = 0): limite de estabilidade.

5. Retificadores com carga RLE e diodo de “roda livre”


Aplicando-se um diodo de roda livre aos retificadores com carga RLE são obtidas as seguintes
topologias (vide Fig. 45).

Vc
VR Vc

VL
Ic Ic

(a) (b)
Fig. 45 – Retificadores com carga RLE e diodo de roda livre: (a) a diodo; (b) a tiristor.

A principal consequência da inserção do diodo de roda livre é a eliminação da parte negativa da tensão
retificada, na carga, o que faz com que a tensão média torne-se independente das variações dos
elementos da carga. Além disso, surge a possibilidade de se obter o modo de condução contínuo
(MCC) para a corrente na carga.

5.1. Retificador com carga RLE a diodo e roda livre


As principais formas de onda do retificador a diodo, com carga RLE e diodo de roda livre estão
apresentadas na Fig. 46. O circuito simulado está no modo descontínuo, já que a corrente na carga
chega a zero e permanece nesse valor por algum tempo. Isto significa que o indutor utilizado está com
um valor abaixo do valor da denominada indutância crítica.

Deve-se observar que tal retificador, com o diodo de roda livre, não permite o uso do ábaco de
Puschlowski para a determinação do ângulo de extinção () da corrente na carga. Tal ábaco somente
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 50

pode ser utilizado para retificadores sem o diodo de roda livre e com carga genérica RLE, ou seus
casos particulares (RL, LE, ...).

A determinação do ângulo de extinção  deverá ser feita a partir da análise da corrente de carga
instantânea. Tendo-se obtido a expressão para tal corrente, pode-se chegar a uma expressão que
permita o cálculo desse ângulo. Outra forma, naturalmente, é a utilização de algum programa de
simulação numérica (PSPICE, PSIM, WORKBENCH, etc.).

Tensão na rede

Tensão na carga

1 E = 50V


Corrente na carga
MCD

Fig. 46 – Formas de onda para o circuito retificador monofásico de meia onda a DIODO, carga RLE e diodo de roda
livre: MCD.

5.2. Tensão média na carga


A tensão retificada média pode ser calculada a partir de uma análise análoga à que foi feita para os
dois casos anteriores. Tem-se então:


1
Vcm1 
2 
1
2  Ve  sen(t )d (t )  Vcm1  0,225Ve (1  cos1 )

que é a parcela da tensão média total devida à aplicação da tensão da rede sobre a carga RLE. Para o
cálculo da segunda parcela, que é o efeito da tensão da bateria ao longo do período, obtém-se:

(2    1 )
Vcm 2  E
2

A tensão média total resulta então:

(2    1 )
Vcm  Vcm1  Vcm 2  0,225  Ve (1  cos1 )  E
2
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 51

Obs.: O ângulo de extinção da corrente de carga () deverá ser calculado a partir de um
equacionamento que determine a expressão matemática para a corrente na carga. Veja-se
que esta é composta de uma parcela dada pela análise da malha externa (DRL aberto) e de
uma segunda parcela dada pela análise da malha à direita (DRL em condução). Os
resultados dessas análises estarão disponíveis em um anexo a ser inserido neste material,
oportunamente.

5.3. Corrente média na carga


Exatamente como nos dois casos anteriores, com carga RLE, a corrente média na carga pode ser
calculada pela expressão:

Vcm  E
I cm 
R

5.4. Potência consumida na carga

Analogamente aos casos dos dois retificadores anteriores, obtém-se: Pc  R  I ce2  E  I cm


ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 52

CAPÍTULO 3

RETIFICADORES MONOFÁSICOS DE
ONDA COMPLETA

1. Retificadores com carga R (resistiva pura)


Os retificadores monofásicos de onda completa, além de poderem ser controlados (SCR) e não
controlados (DIODO), podem ser formados, estruturalmente, de duas maneiras: retificador com ponto-
médio (ou com tap central) e retificador em ponte. A estrutura em ponto-médio, a diodo, está
apresentada na Fig. 47, enquanto a Fig. 48 apresenta o circuito em ponte completa, mas com tiristores.

vc
vc
ic ic
Ve

Ou:  Ve

(a) (b)
Fig. 47 – Retificador de onda completa com ponto médio: (a) com fontes; (b) com transfor. de tap central.

Verifica-se, nesta figura, que ao se utilizar uma segunda fonte de tensão CA, em fase com a já utilizada
para o retificador de meia onda a diodo, a carga passa a receber, também, a semionda negativa
retificada pelo diodo D2. Isto é, quando a tensão nas fontes é positiva no terminal superior, D1 conduz
e D2 está bloqueado; o inverso acontece quando a tensão nas fontes é negativa no terminal superior.
Portanto, as duas semiondas da tensão da rede são retificadas. Isto caracteriza um retificador de onda
completa. Como a utilização de duas fontes não é prática, prefere-se a utilização de um transformador
com tomada central (ou center tap, do inglês; pronuncia-se ‘tép’ e não, ‘teipe’).

O retificador de onda completa em ponte (Fig. 48) comporta-se de maneira idêntica ao retificador de
ponto-médio. Além das diferenças topológicas notáveis, verifica-se que este último exige apenas dois
diodos, mas que devem suportar tensão nominal com o dobro do valor da tensão de bloqueio dos
diodos do retificador em ponte. Este, embora necessite de quatro (4) tiristores ou diodos, pode utilizar
semicondutores mais baratos, por poderem ser especificados com a metade da tensão daqueles do
retificador de meia-ponte. Isto ficará mais claro à frente.
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 53

vc

Ve
ic

Fig. 48 – Retificador de onda completa em ponte.

As características comportamentais externas desses dois retificadores são absolutamente iguais! E o


que foi dito para tensões de bloqueio para os diodos vale para o caso do uso de tiristores.

1.1. Retificador a diodo


As formas de onda para o funcionamento desse retificador de onda completa, a diodo e carga R, estão
mostradas na Fig. 49. Na parte alta desta figura encontram-se as formas de onda da tensão retificada –
de onda completa – e a tensão reversa sobre o diodo D1. Observe-se que esta tensão reversa atinge o
dobro do pico da tensão eficaz de um secundário (22.Ve), já que os dois secundários ficam em série
sobre o diodo que se encontra bloqueado. Está sendo considerada uma relação unitária entre o primário
(ligado à rede elétrica) e cada um dos secundários iguais. Portanto, para uma rede de 127V eficazes, a
tensão de pico reversa sobre o diodo resultou, nos resultados de simulação apresentados, 2 x180V, isto
é: 360V de pico.

Este é um retificador de melhor qualidade que os anteriores (de meia onda), já que apresenta dois
pulsos retificados, ao invés de apenas um para o retificador de meia onda. Aliás, esses retificadores
também podem ser classificados quanto ao número de pulsos retificados: retificadores de um pulso
(meia onda) e de dois pulsos (onda completa).

A corrente retificada já se encontra, mesmo para carga R, naturalmente em modo de condução crítico
(MCr), conforme se pode observar na Fig. 49. Isto significa que a inclusão de um pequeno indutor, em
série com a carga R, já será capaz de colocar o conversor em modo de condução contínuo (MCC),
como será visto nas formas de onda relativas ao caso de carga RL.
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 54

Tensões na carga e no diodo D1


vc

vD1

Corrente na carga
ic

tempo: ms

Fig. 49 – Formas de onda para o retificador monofásico de onda completa com ponto médio a DIODO.

1.2. Retificador a tiristor


As formas de onda para o funcionamento do retificador de onda completa, com ponto médio, a
tiristor e carga R, são as seguintes:

Tensão na carga

Corrente na carga

 = 45o

tempo: ms

Fig. 50 - Formas de onda para o retificador monofásico de onda completa com ponto médio, a TIRISTOR.

Com o retificador sendo implementado com tecnologia tiristorizada, obtém-se uma tensão de valor
médio ajustável pelo usuário, de acordo como valor do ângulo de disparo () aplicado ao terminal de
comando (porta, ou gate) do dispositivo. As formas de onda esclarecem o comportamento da tensão
retificada: dois pulsos, mas com atraso no início da semionda da tensão retificada. Verifica-se, ainda,
que a corrente agora resulta em modo descontínuo. Isto é normal, na medida em que, tendo saído de
uma situação de disparo com ângulo nulo ( = zero), caso igual ao do retificador a diodo, a tensão
média fica diminuída, bem como a corrente, o que faz com que o conversor entre em modo
descontínuo. Este modo é próprio de circuitos de baixo fluxo de potência.

1.3. Equações básicas do circuito


Para obterem-se as principais equações dos circuitos acima, considere-se a tensão de entrada da forma:

V  2  Ve sen(t ) ou V  V p sen (t )


ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 55

onde Ve é o valor eficaz da tensão da rede elétrica e Vp , o seu valor de pico (ou máximo).

1.3.1. Para o retificador a diodo


1.3.1.1. Tensão média na carga R

A tensão média na carga (Vcm) pode ser calculada pela aplicação adequada de um cálculo integral:


2 2  2  Ve
Vcm 
2 
0
2  Ve sen(t )d (t )  Vcm 

 Vcm  0,90  Ve

Verifica-se que, comparando-se com o retificador de meia onda, este apresenta um “ganho” bem
superior: exatamente o dobro! Isto comprova, matematicamente, que este retificador de onda completa
tem uma qualidade, também, superior.

1.3.1.2. Tensão eficaz na carga R

A tensão eficaz na carga não é uma grandeza muito importante, já que se está no domínio da corrente
contínua. No entanto, é interessante comparar-se o seu valor com o valor médio dado acima, e é útil
para o cálculo da corrente eficaz (à frente):

 

2 2
Vce  2  Ve sen(t ) d (t )  Vce  Ve
2 0

Este resultado era de se esperar, visto que a forma de onda retificada, de dois pulsos, em termos de
valor da raiz média quadrática é igual ao da senoide!

1.3.1.3. Corrente média na carga R

A corrente média (Icm) é simplesmente a relação entre a tensão média e o valor da resistência da carga
(R):

Vcm 2  2  Ve 0,90  Ve
I cm   I cm   I cm 
R  R R

1.3.1.4. Corrente eficaz na carga R

Considerando-se que a tensão e a corrente numa carga R são imagem uma da outra, o valor eficaz da
corrente também pode ser obtido pela simples divisão da tensão eficaz pela resistência da carga.

Vce Ve
I ce  
R R
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 56

1.3.1.5. Corrente média em um DIODO

A corrente média em um dos diodos é dada, a partir da simetria do circuito, como sendo a metade da
corrente média na carga. Portanto

I cm 0,90  Ve
I Dm   I Dm 
2 2 R

1.3.1.6. Corrente eficaz em um DIODO

A corrente eficaz em cada um dos diodos, para carga R, é obtida a partir da constatação de que a
forma de onda de corrente através deles é uma meia onda retificada. Isto produz uma corrente
eficaz dada pelo pico da tensão da rede dividido por 2.R. Tem-se, então:

2  Ve Ve
I De  
2R 2R

A corrente eficaz em cada um dos diodos, e para corrente considerada LISA (isto é: corrente CC
constante, caso da carga RL, a ser visto à frente), é obtida partindo-se da constatação de que tal
corrente relaciona-se com o valor médio da corrente na carga (igual ao seu valor eficaz!) por meio
de uma forma quadrática, pela própria definição de corrente eficaz: raiz média quadrática.
Portanto, tem-se:

I ce
I ce  I De
2
 I De
2
 2  I De
2
 2  I De  I De 
2

Esta relação pode ser generalizada interpretando-se o denominador da expressão como sendo a “raiz
quadrada de um número de caminhos em paralelo, com correntes iguais”, conforme ilustra a Fig. 51.

. Ic1

Ic2
I
Ic3
..
IcN
.
Fig. 51 – Corrente eficaz e sua relação quadrática.

A expressão generalizada resulta:

I
I  I c21  I c22 ...  I cN
2
 N  I c2  N  I c  Ic 
N

onde I c  I c1  I c 2  ...  I cN .
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 57

1.3.2. Para o retificador a tiristor


1.3.2.1. Tensão média na carga R

A tensão média na carga (Vcm), para o caso do retificador de onda completa a tiristor, pode ser
calculada pela aplicação adequada de um cálculo integral:


2
Vcm 
2 

2 Ve sen(t )d (t )  Vcm  0,45 Ve  (1  cos )

Observa-se que, quando o ângulo de disparo for nulo ( = 0o), recai-se no caso do retificador de onda
completa a diodo: Vcm  0,90  Ve .

A Fig. 52 ilustra a variação da tensão na carga a partir da variação do ângulo de disparo . Verifica-se
que este retificador pode ter controlada a sua tensão média de carga desde o ângulo de disparo zero até
180o.

A tensão média normalizada, (𝑉 ̅̅̅̅̅


𝑐𝑚 = 𝑉𝑐𝑚 ⁄𝑉𝑒 ), isto é, a tensão média real (em volt) dividida pela
tensão eficaz da fonte (Ve) pode ser expressa em forma gráfica conforme a Fig. 52.

Vcm

/2  

Fig. 52 – Tensão média na carga, normalizada em relação à tensão eficaz da fonte de entrada (Ve).

1.3.2.2. Corrente média na carga R

A corrente média (Icm) é, mais uma vez, simplesmente, a relação entre a tensão média e o valor da
resistência da carga (R):

Vcm 0,45  Ve  (1  cos )


I cm   I cm 
R R

1.3.2.3. Correntes média e eficaz em um TIRISTOR

As correntes média e eficaz em um tiristor podem ser calculadas da mesma maneira que foi feita para o
caso do retificador a diodo, com o cuidado, agora, de que há um ângulo de atraso (devido ao ângulo de
disparo ) que deve ser levado em consideração.
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 58

2. Retificadores com carga RL (resistivo-indutiva)

Os retificadores monofásicos de onda completa alimentando carga RL, isto é, um resistor em série com
um indutor, estão apresentados na Fig. 53, para o caso a diodo, e na Fig. 54, para o caso a tiristor.

Quando a carga é RL a corrente não mais seguirá o formato da tensão na carga, tendo em vista que o
indutor, por meio de sua propriedade de indutância, irá opor-se a toda e qualquer variação de corrente
através dele. O resultado será que a corrente terá um formato mais suavizado em suas “quinas”, já que
o indutor age como um filtro de corrente (mas não de tensão!).

vc vc

Ou: 
Ve
ic ic

Ve

(a) (b)
Fig. 53 – Retificador de onda completa com ponto médio com carga RL:
(a) com fontes; (b) com transformador de tap central.

vc

ic
Ve

Fig. 54 – Retificador de onda completa em ponte com carga RL

2.1. Retificador a diodo


As formas de onda para o funcionamento desse retificador de onda completa, a diodo e carga RL, estão
mostradas na Fig. 55. Na parte alta desta figura encontram-se as formas de onda da tensão retificada –
de onda completa – e a tensão reversa sobre o diodo D1. Observe-se que esta tensão reversa, como no
caso da carga R pura, atinge o dobro do pico da tensão eficaz de um secundário (22.Ve), já que os
dois secundários ficam em série sobre o diodo que se encontra bloqueado. Está sendo considerada uma
relação unitária entre o primário (ligado à rede elétrica) e cada um dos secundários iguais. Portanto,
para uma rede de 220V eficazes, a tensão de pico reversa sobre o diodo resultou, nos resultados de
simulação apresentados, 2x311V, isto é: 622V de pico.
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 59

A qualidade desse retificador é claramente superior à do retificador de meia onda, já que sua corrente
de saída é, agora, alisada pela presença do indutor (L) em série com o resistor (R). Compare-se esta
Fig. 55 com a Fig. 49 e logo se verifica o que se está afirmando. Na Fig. 55, a corrente do diodo (iD1)
está apresentada com valor um pouco abaixo do valor da corrente de carga apenas para efeito de
visualização, já que, durante a condução do diodo D1, a corrente na carga é a própria corrente no diodo
que está em condução.

Pode-se dizer que este retificador, com carga RL, está no modo de condução contínuo (MCC), já que a
corrente na carga – através dos elementos R e L – nunca se anula. Neste modo, é uma corrente
ondulatória, com algum nível de ondulação (ou ripple, em inglês), que varia com os valores reais de R
e L, tendendo a ser tanto menor quanto maior for o valor da indutância L.

vc

vD1

Corrente na carga
ic

t1 t2
iD1

Fig. 55 – Formas de onda para o retificador monofásico de onda completa a diodo

A tensão na carga (vc) tem a mesma forma que para o caso de carga puramente resistiva (R), já que o
indutor não tem influência direta sobre a tensão, mas somente sobre a forma da corrente na carga.
Deve-se lembrar de que o elemento que define e altera a forma de onda da tensão na carga é o
capacitor, ligado em paralelo com esta, elemento que não está sendo considerado nos circuitos dos
retificadores tratados neste livro. Isto por que, se o capacitor fosse considerado, a forma de onda da
tensão, por ser alterada pela sua presença, não permitiria a visualização da forma natural da tensão
sobre a carga, resultante do processo de retificação promovido pelos semicondutores retificadores.
Sabe-se que o capacitor, em paralelo com a carga (R ou RL) funciona como um filtro de tensão,
enquanto o indutor, em série com a carga (R), funcionará como um filtro de corrente, isto é: afeta
somente a variável corrente na carga. O indutor, portanto, embora esteja sendo considerado um
elemento de carga, nas análises desses retificadores, constituirá, na prática, um elemento de filtragem
de corrente, sendo chamado de “reator de alisamento”, “bobina de filtro” ou termos semelhantes.

Interessante observar que os instantes t1 e t2, na Fig. 55, correspondem aos picos da tensão na carga e
da corrente nessa mesma carga, respectivamente. Esses momentos estão distanciados no tempo como
efeito da presença do indutor. Este tem a propriedade (indutância) de atrasar a corrente em relação à
tensão, em circuitos puramente senoidais, ficando o fasor (= vetor girante) corrente atrás do fasor
tensão; neste retificador de onda completa e carga RL a indutância provoca, não o defasamento (pois
isto só ocorre em circuitos com variáveis senoidais, de mesma frequência), mas um distanciamento no
tempo, ou melhor, um atraso, entre os picos da tensão e da corrente, ficando esta atrasada daquela.
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 60

2.2. Retificador a tiristor


As formas de onda para o funcionamento do retificador de onda completa, com ponto médio, a tiristor
e carga RL, são as mostradas nas figuras a seguir (Fig. 56 e Fig. 57).

No caso da Fig. 56, observa-se que a corrente na carga está no modo de condução descontínuo (MCD),
em que a corrente atinge valor nulo em algum ponto do ciclo da tensão da rede, permanecendo assim
por algum tempo. Isto se dá em função do baixo valor da indutância (L) do indutor de carga. O ângulo
de extinção da corrente (β) corresponde ao período de tempo entre o início da senoide da tensão da
rede e o instante em que a corrente se anula. Após esse período de tempo, ocorre um estado de
“suspensão”, em que a carga fica como que isolada da rede elétrica. Este estado inicia-se no instante
em que o tiristor se abre (entra em estado de bloqueio): a corrente está nula através dele e de sua tensão
está reversa; e termina no instante em que o circuito de comando aplica novo pulso de disparo no gate
do tiristor.

ic Tensões na rede (v1) e na carga (vc)


vc

 = 45o β v1

ic Corrente na carga

ic

Fig. 56 – Retificador monofásico de onda completa com ponto médio, a TIRISTOR, com carga RL: modo MCD.

ic
ic Tensões na rede (v1) e na carga (vc)
vc

T1 T2
v1
 = 45o

ic Corrente na carga

ic

t1 t2

Fig. 57 – Retificador monofásico de onda completa com ponto médio, a TIRISTOR, com carga RL: modo MCC.
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 61

No caso da Fig. 57, tem-se que a corrente não toca mais o zero, ficando com valores sempre não nulos.
Isto caracteriza o modo de condução contínuo (MCC), facilmente identificado pela natureza da forma
de onda da tensão na carga, que apresentará, sempre, uma descontinuidade (traço vertical) nos
momentos de disparo do tiristor. Explica-se: enquanto o tiristor T1 está sendo percorrido por corrente,
mesmo estando sob tensão reversa, não pode ir a bloqueio, o que somente ocorrerá quando o tiristor
seguinte (T2) for disparado. Tem-se, então, a denominada “comutação” entre os tiristores que
funcionam de forma complementar: enquanto um está ligado, o outro estará desligado.

Verifica-se, ainda, nesta mesma figura, o distanciamento entre os picos da tensão e da corrente
(instantes t1 e t2 , na Fig. 57), com a corrente em atraso, característica de carga indutiva.

2.3. Equações básicas do circuito


Para serem obtidas as principais equações dos circuitos acima, considere-se a tensão de entrada da
forma:
V  2  Ve sen(t ) ou V  Vp sen(t )

onde Ve é o valor eficaz da tensão da rede elétrica e Vp , o seu valor de pico (ou máximo).

2.3.1. Para o retificador a diodo

2.3.1.1. Tensão média na carga RL

A tensão média na carga (Vcm) pode ser calculada pela aplicação adequada de um cálculo integral,
tendo em vista a forma de onda apresentada na Fig. 55.


2 2  2  Ve
Vcm 
2 
0
2  Ve sen(t )d (t )  Vcm 

 Vcm  0,90  Ve

Verifica-se que o resultado do cálculo integral corresponde à expressão para a tensão média para o
caso de carga R pura. Isto ocorre porque já se sabe que o valor médio da tensão sobre o indutor, em
regime permanente, é sempre nulo. Sendo assim, a tensão média sobre a carga RL corresponderá,
exatamente, à tensão média sobre o resistor. Observe-se, ainda, que a tensão média deste retificador de
onda completa e com carga RL independerá dos valores particulares de R e L, para um caso ideal
(onde não são consideradas as quedas de tensão nem na fonte e nem nos semicondutores): é um
retificador, portanto, de regulação 100%, isto é, a tensão é constante e não depende dos valores da
carga, sendo uma fonte de tensão média constante.

2.3.1.2. Tensão eficaz na carga RL

A tensão eficaz na carga não é uma grandeza muito importante, já que se está no domínio da corrente
contínua. No entanto, é interessante comparar-se o seu valor com o valor médio dado acima.

 

2 2
Vce  2  Ve sen(t ) d (t )  Vce  Ve
2 0
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 62

Este resultado era de se esperar, visto que a forma de onda retificada, de dois pulsos, em termos de
valor da raiz média quadrática é igual ao da senoide!

2.3.1.3. Corrente média na carga RL

A corrente média (Icm) é simplesmente a relação entre a tensão média e o valor da resistência da carga
(R):

Vcm 2  2  Ve 0,90  Ve
I cm   I cm   I cm 
R  R R

2.3.1.4. Corrente eficaz na carga RL

Verifica-se, neste caso, que a corrente terá, necessariamente, uma forma de onda ondulada, com uma
ondulação tanto menor quanto maior for o valor da indutância (L) do indutor em relação à carga R, ou,
dito de outra maneira, quanto maior for a constante de tempo (L/R) da carga. Como a tensão na carga
tem formato de uma onda senoidal completamente retificada, e essa tensão aplica-se sobre a carga RL,
pode-se determinar uma expressão para a tensão instantânea, v(t), e encontrar-se a expressão da
corrente instantânea na carga dividindo-se essa tensão pela impedância da carga.

A expressão para a tensão instantânea da tensão na carga pode ser determinada a partir da aplicação da
Série de Fourier, o que dará:

2 4 4 
vc (t )  2Ve   cos(2t )  cos(4t )  ...
  3 15 

A corrente será dada, portanto, dividindo-se essa tensão instantânea sobre a carga RL pela impedância
adequada para cada componente de frequência harmônica.

2 4 4 
ic (t )  2Ve   cos(2t  2 )  cos(4t  4 )  ...
 R 3Z 2 15Z 4 

n L
Onde Z n  R2  (nL)2 e  n  tg 1 ( )
R

Considerando-se uma corrente de carga suficientemente alisada (ondulação muito pequena), devido a
uma constante de tempo da carga muito grande, podem ser desprezadas as harmônicas de ordem
superior à segunda (que é a fundamental, neste caso), podendo a corrente ser, então, considerada como
uma corrente formada por duas parcelas:

2 2Ve 0,9Ve
I cm  
R R

4Ve
Ic2 
3Z 2
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 63

onde Icm é a corrente média na carga e Ic2 é a corrente eficaz da componente de segunda ordem da
corrente na carga. Observar que esta última foi obtida dividindo-se por 2 o valor de pico da corrente
de segunda ordem.

A corrente eficaz total na carga será dada, portanto, como a composição dessas duas parcelas acima, o
que resulta:

 8Ve2 16Ve2 
I ce   2 2  2 2 
  R 9 Z 2 

2.3.1.5. Corrente média em um DIODO

A corrente média em um dos diodos é dada, a partir da simetria do circuito, como sendo a metade da
corrente média na carga. Portanto

I cm 0,45  Ve
I Dm   I Dm 
2 R

2.3.1.6. Corrente eficaz em um DIODO

A corrente eficaz em cada um dos diodos, para carga RL, pode ser obtida considerando-se que, na
prática, a corrente desses retificadores de onda completa é, quase sempre, uma corrente de ondulação
(ripple) muito baixa, o que resulta em correntes de carga praticamente lisas: verdadeiras correntes
contínuas constantes.

De acordo, portanto, com o que foi mostrado no item 1.3.1.6, e considerando-se a corrente média como
sendo o valor da corrente de carga LISA, tem-se:

I cm
I De 
2

Observar, aqui, que o valor Icm será igual ao valor Ice, para esta consideração de corrente de carga
LISA.

2.3.2. Para o retificador a tiristor

2.3.2.1. Tensão média na carga RL

A tensão média na carga (Vcm), para o caso do retificador de onda completa a tiristor, com carga RL,
pode ser calculada pela aplicação adequada de um cálculo integral, tendo em vista os dois modos
possíveis de operação: MCD (ver Fig. 56) e MCC (ver Fig. 57).

Para o MCD:

2
Vcm 
2 

2  Ve sen(t )d (t )  Vcm  0,45  Ve  (cos  cos  )
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 64

Esta expressão deve ser interpretada como sendo o dobro do valor da tensão média para o
correspondente caso do retificador monofásico de meia onda.

Para o MCC:
 
2
Vcm 
2 

2  Ve sen(t )d (t )  Vcm  0,90  Ve  cos

2.3.2.2. Tensão eficaz na carga RL

Novamente pode-se reconhecer que a tensão eficaz na carga, para este retificador monofásico de onda
completa, a tiristor, e com carga RL, não é uma grandeza muito importante, já que se está no domínio
da corrente contínua, onde o que interessará, de fato, é o valor médio da tensão na carga. No entanto, é
interessante comparar-se o seu valor com o valor médio dado acima.

  
 
2 2
Vce  2  Ve sen(t ) d (t )
2

2.3.2.3. Corrente média na carga RL

A corrente média (Icm) é simplesmente a relação entre a tensão média e o valor da resistência da carga
(R), já que o valor da tensão média sobre o indutor, em regime permanente, é nulo. A tensão média,
portanto, resulta aplicada somente sobre o resistor de carga.

Vcm
I cm 
R

Nesta equação, Vcm corresponderá à tensão média para o caso MCD ou o caso MCC.

2.3.2.4. Corrente eficaz na carga RL

A corrente deste retificador monofásico, de onda completa, a tiristor, de alta qualidade, normalmente
será considerada uma corrente de ondulação desprezível, isto é, uma corrente LISA. O indutor estará
atuando como um elemento de filtragem ou alisamento, e o retificador estará no modo MCC. A
corrente eficaz na carga, portanto, terá valor igual ao da sua corrente média, já que, como já se sabe, no
caso de corrente lisa, esses valores resultam iguais.

Vcm
I ce  I cm 
R

No caso de se projetar este retificador de onda completa para operar no modo MDC, a corrente eficaz
de carga resultará maior do que a sua corrente média de carga, já que a forma de onda da corrente,
sendo descontínua, provoca valores bem diferentes entre essas duas correntes. Para o cálculo do valor
eficaz dessa corrente de carga, há que ser recorrer ou a um cálculo integral adequado ou a ábacos
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 65

universais. Esses últimos são muito úteis e práticos para a avaliação da corrente eficaz de retificadores
em MCD.

2.3.2.5. Corrente média em um TIRISTOR

Sob a suposição de corrente LISA na carga, novamente tem-se a divisão igualitária dessa corrente
entre os dois tiristores. Isto permite calcular-se a corrente média a partir do valor da corrente média na
carga (ou da sua equivalente corrente eficaz), como sendo:

I cm
I Dm 
2

2.3.2.6. Corrente eficaz em um TIRISTOR

Repete-se aqui, o que já foi constatado para o caso do retificador a diodo. Referindo-se ao que já foi
mostrado no item 1.3.1.6, e considerando-se a corrente média como sendo o valor da corrente de carga
LISA, tem-se:

I cm
ITe 
2

Observar, aqui, que o valor Icm será igual ao valor Ice, para esta consideração de corrente de carga
LISA.
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 66

CAPÍTULO 4

RETIFICADORES TRIFÁSICOS

1. Retificadores de meia onda


Os retificadores trifásicos de meia onda, ou de três (3) pulsos, estão apresentados na Fig. 47, nas suas
versões não controlada e controlada, respectivamente.

vc vc

ic ic

(a) (b)
Fig. 58 – Retificador trifásico de meia onda: (a) a DIODO; (b) a TIRISTOR.

Verifica-se que tais retificadores são, de fato, de meia onda, já que cada fonte tem retificada apenas a
sua semionda positiva. É como se tivessem sido colocados, em paralelo, três retificadores monofásicos
de meia onda, e tendo sido as fontes defasadas de 120o entre si. Está apresentada a carga genérica
RLE, embora possam ser utilizados e analisados casos para cargas individuais (R ou L ou E).

1.1. Retificador a diodo


As formas de onda para o funcionamento desse retificador de meia onda a diodo e carga R estão
mostradas na Fig. 49. Na parte alta desta figura encontram-se as formas de onda da tensão retificada de
meia onda e as tensões na fonte trifásica. A parte inferior mostra a corrente na carga, imagem da tensão
retificada, já que a carga é uma resistência pura. Observe-se que a qualidade da corrente retificada é
muito boa, já que é modo contínuo e apresenta uma ondulação relativamente pequena.

Este retificador é, também, denominado de três (3) pulsos porque apresenta, durante um período da
rede elétrica, 3 pulsos na tensão retificada.

Verifica-se que cada diodo conduz durante 120o e tem o ponto de entrada em condução justamente no
instante em que se cruzam as tensões da fonte trifásica. Nesse ponto, um diodo estará entrando em
condução e um outro estará bloqueando-se: é a denominada “comutação” ou troca de estados entre
dois semicondutores. Pode-se dizer, alternativamente, que a corrente que estava atravessando um
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 67

diodo é “transferida” para outro semicondutor, na sequência. É uma comutação dita “natural”, visto
que é provocada pela oscilação natural entre as tensões da fonte trifásica.

Tensões na carga e nas fontes


vc
D1 D2 D3 D1

3 pulsos em um período

Correntes na carga e no diodo D1


ic

D1 D1

tempo: ms

Fig. 59 – Formas de onda para o retificador trifásico de meia onda a DIODO, com carga R.

Observa-se, ainda, que qualquer indutor que venha a ser colocado em série com o resistor irá provocar
um efeito de alisamento sobre a corrente, já que a função do indutor é, justamente, eliminar quaisquer
variações abruptas da corrente. Este efeito de “filtragem” da corrente é o principal objetivo da inserção
de indutores em circuitos retificadores: a corrente resulta mais próxima de uma forma contínua
constante (ou “lisa”). A Fig. 60 mostra as formas de onda de um retificador trifásico de meia onda, a
diodo, e carga RL.

A tensão reversa de bloqueio de cada diodo corresponde a uma tensão de linha, e não a uma simples
tensão de fase. Isto pode ser visto na ilustração da Fig. 61. Isto é facilmente constatável pela
consideração de que o diodo D2 esteja conduzindo: nesta situação, a tensão sobre o diodo D1, que está
bloqueado, resulta igual à tensão de linha V12. Esta situação permanece até que ocorra a próxima
comutação, D2  D3, quando então passa a ser a tensão de linha V13 aquela aplicada ao diodo D1, que
continua bloqueado.

Tensões na carga e nas fontes


vc

Correntes na carga e no diodo D1


ic

D1 D1

Fig. 60 – Formas de onda para o retificador trifásico de meia onda a DIODO, com carga RL.
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 68

Corrente na carga e no diodo D1


ic
D1 D1

Tensão sobre o diodo D1


(Momento da comutação D2  D3)

V12 V13

Fig. 61 – Formas de onda de tensão e corrente sobre um diodo.

1.2. Retificador a tiristor


As formas de onda para o funcionamento do retificador de meia onda, a tiristor e carga R, estão
apresentadas na Fig. 10.

Verifica-se que, para carga R, a corrente resulta com a mesma forma de onda da tensão na carga. E,
neste caso ( = 30o), o retificador atinge o modo de condução crítico, pois a corrente atinge o valor
nulo exatamente no momento da comutação. Conclui-se que, se o ângulo de disparo for ligeiramente
aumentado, o retificador entra, efetivamente, em modo de condução descontínuo (MCD), conforme se
observa na Fig. 63.

Verifica-se que, com carga R, a tensão na carga atinge o valor nulo e permanece nesse valor até o
próximo disparo. Se for acrescentado um pequeno indutor em série com o resistor de carga, de valor
insuficiente para recolocar o circuito em modo contínuo, obtêm-se as formas de onda da Fig. 64.

Tensões na carga e nas fontes


vc

 = 30o

Corrente na carga
ic

tempo: ms

Fig. 62 - Formas de onda para o retificador trifásico de meia onda a TIRISTOR, carga R.
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 69

Tensões na carga e nas fontes


vc

 = 60o

Corrente na carga
ic
MCD

Fig. 63 – Retificador trifásico de meia onda a TIRISTOR, carga R:  = 60o.

Tensões na carga e nas fontes


vc

Corrente na carga
ic
MCD

L = 50mH

Fig. 64 – Retificador trifásico de meia onda a TIRISTOR, carga RL:  = 60o, MCD.

Tensões na carga e nas fontes


vc

Corrente na carga
ic
MCC

L = 150mH

Fig. 65 – Retificador trifásico de meia onda a TIRISTOR, carga RL:  = 60o, MCC.
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 70

Se for agora acrescentado um indutor em série com o resistor de carga de valor suficientemente grande
para recolocar o circuito em modo de condução contínuo, obtêm-se as formas de onda da Fig. 65.
Observe-se que o traço vertical, indicando mudança abrupta de tensão de fonte sendo aplicada à carga,
corresponde a um caso de modo de condução contínuo. Isto significa que a corrente atravessando certo
tiristor (T1, por exemplo) não chega a anular-se até o momento em que o tiristor seguinte (T2) é
disparado, quanto então este “assume” a corrente daquele.

Se a carga contém uma bateria (E), de valor adequado, e está em MCC, é relevante perceber que o
nível da bateria não aparece na forma de onda da tensão na carga, visto que a comutação dos
semicondutores de potência é tal que mantém sempre sobre a carga a tensão de uma das fontes do
sistema trifásico! No entanto, a bateria joga um papel relevante no funcionamento do retificador, na
medida em que ela altera o nível de corrente média na carga.

1.3. Equações básicas do circuito


Para obterem-se as principais equações dos circuitos acima, considere-se a tensão de entrada, para a
fase A, da seguinte forma:

V  2  Ve sen(t ) ou V  Vp sen(t )

onde Ve é o valor eficaz da tensão da rede elétrica e Vp , o seu valor de pico (ou máximo).

1.3.1. Para o retificador a diodo


1.3.1.1. Tensão média na carga

A tensão média na carga (Vcm) pode ser calculada pela aplicação adequada de um cálculo integral entre
os ângulos 30o (/6 rad) e 150o (5/6 rad). Veja-se a Fig. 49 (p.67).

5 6
3 3  3  2  Ve
Vcm 
2 
6
2  Ve sen(t )d (t )  Vcm 
2
 Vcm  1,17 Ve

Comparando-se com o retificador monofásico de onda completa, este trifásico de meia onda apresenta
um “ganho” superior! Isto mostra que tal retificador, por ser trifásico, mesmo de meia onda, já é um
retificador de melhor qualidade que o melhor retificador monofásico.

1.3.1.2. Corrente média na carga

A corrente média (Icm) é simplesmente a relação entre a tensão média e o valor da resistência da carga
(R):

Vcm 1,17  Ve
I cm   I cm 
R R

Para o caso mais genérico de uma carga RLE, e sabendo-se que a tensão média sobre o indutor é nula,
em regime permanente, obtém-se a seguinte expressão para a corrente média na carga:
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 71

Vcm  E
I cm 
R

Para o caso em que se considere uma carga RL, mas com uma certa ondulação (não nula), a forma de
onda da corrente é aquela mostrada na Fig. 60 (p.67). Como a forma de onda desta corrente é muito
complexa, prefere-se calcular o seu valor eficaz a partir da tensão na carga (vide mesma figura), cuja
expressão matemática dada pelo desenvolvimento em série de Fourier, considerando-se apenas a
fundamental (onda de frequência tripla da frequência da rede), é como abaixo.

v c (t )  1,17  Ve  0,3  Ve sen(3t )

A corrente instantânea é obtida, portanto, dividindo-se a expressão da tensão instantânea (acima) pela
impedância oferecida pela carga RL na frequência considerada (3.). Tem-se:

1,17 Ve 0,3 Ve


ic (t )   sen(3t  3 )
R R  (3L) 2
2

 3L 
onde: 3  tg 1  
 R 

1.3.1.3. Corrente eficaz na carga

A partir do resultado apresentado na última expressão, obtém-se o valor eficaz da corrente na carga,
sabendo-se que o primeiro termo corresponde ao valor médio da corrente na carga e que o segundo,
corresponde a uma senoide no tempo. Assim:

I ce  I cm
2
 I 32e

1,17  Ve 0,3 Ve


onde: I cm  é a corrente média na carga e I 3e  é a corrente eficaz da
R 2 R 2  (3L) 2
fundamental da corrente instantânea na carga.

1.3.1.4. Corrente média em um DIODO

A corrente média em um dos diodos é dada, a partir da simetria do circuito, como sendo a terça parte
da corrente média na carga (esta se divide em três caminhos). Portanto:

I cm 1,17  Ve
I Dm   I Dm 
3 3 R
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 72

1.3.1.5. Corrente eficaz em um DIODO

A corrente eficaz em um diodo, para o caso de carga resistiva pura (R), pode ser calculada pela
expressão (vide Fig. 59, p. 67):

5 6 2
1  2 V 
I De 
2  6  R e sen(t )  d (t )
 

o que fornece: I De  0,59  I cm

A corrente eficaz em cada um dos diodos, para o caso de carga RL, em que a corrente na carga resulta
suficientemente lisa (corrente CC constante) é obtida conforme já explicado no item (1.3.1.6).
Portanto, tem-se:
I
I De  cm
3

FATOR DE ONDULAÇÃO: Define-se “fator de ondulação”da corrente na carga como sendo a


relação entre o valor eficaz da sua componente CA ( I cae ) e o seu valor médio( I cm ):
I cae
Kr  (‘r’, em Kr , vem de “ripple” = ondulação, em inglês)
I cm

0,3 Ve 1,17 Ve


Obtém-se: Kr 
2 R 2  (3L) 2 R

1.3.2. Para o retificador a tiristor


1.3.2.1. Tensão média na carga (R)

A tensão média na carga (Vcm), para o caso do retificador trifásico de meia onda a tiristor, com carga R,
pode ser calculada pela aplicação adequada de um cálculo integral que leve em conta se o modo de
condução da corrente é contínuo (MCC) ou descontínuo (MCD). Tem-se:

5

6
3
Vcm 
2 
 2  Ve sen(t )d (t )  Vcm  1,17 Ve  cos (MCC: 0 <  < /6)

6

Veja-se, para este caso, a Fig. 10.



3  
Vcm 
2 
 2  Ve sen(t )d (t )  Vcm  0,675  Ve 1  cos    (MCD: /6 <  < 5/6)
 6 

6
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 73

A Fig. 66 ilustra a variação da tensão na carga a partir da variação do ângulo de disparo , para o caso
de MCD. Verifica-se que este retificador pode ter a sua tensão média de carga controlada desde o
ângulo de disparo zero até 150o.

MCD
  
Vcm Vcm  0,675 Ve 1  cos   
 6 

/6 (= min)  5/6

Fig. 66 – Tensão média na carga, normalizada em relação à tensão eficaz da fonte de entrada (Ve): MCD.

1.3.2.2. Tensão média na carga (RL)

A tensão média na carga (Vcm), para o caso do retificador trifásico de meia onda a tiristor, com carga
RL e MCC, tem como resultado a mesma expressão encontrada para o caso carga R e MCC, pois as
formas de onda para a tensão na carga são semelhantes: compare-se a Fig. 10 com a Fig. 65. Tem-se,
então:

5

6
3
Vcm 
2 
 2  Ve sen(t )d (t )  Vcm  1,17 Ve  cos (MCC)

6

A Fig. 67, abaixo, ilustra a variação da tensão desde o ângulo de disparo zero até o ângulo máximo
180o.

Vcm Vcm  1,17 Ve  cos

/2  

Fig. 67 – Tensão média na carga, normalizada em relação à tensão eficaz da fonte de entrada (Ve): MCC.

1.3.2.3. Corrente média na carga

A corrente média (Icm) é, mais uma vez, simplesmente a relação entre a tensão média e o valor da
resistência da carga (R) ou a relação entre a diferença das tensões média e da bateria, se esta existir, e a
resistência R.

Vcm Vcm  E
I cm  ou I cm 
R R
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 74

1.3.2.4. Correntes média e eficaz em um TIRISTOR

A corrente média em um tiristor pode ser calculada a partir da divisão da corrente média na carga pelo
número de caminhos, que neste caso é três (3). Isto independentemente do modo de condução da
corrente na carga.

Para a corrente eficaz, utiliza-se o procedimento de dividir a corrente na carga (considerada sempre
uma corrente LISA) pela raiz quadrada do número de caminhos. Esta consideração de corrente lisa se
faz porque o conversor é de qualidade naturalmente tão boa que pequenos indutores de filtragem são
capazes de praticamente alisar a corrente, reduzindo sua ondulação (ripple, em inglês) a valores muito
pequenos.

2. Retificadores de onda completa


Os retificadores de onda completa, ou de seis (6) pulsos, ou em ponte de Graetz (pronuncia-se “gréts”),
estão apresentados na Fig. 68 nas suas versões não controlada e controlada, respectivamente.

vc vc

ic ic

(a) (b)
Fig. 68 – Retificadores trifásicos em ponte de Graetz: (a) a DIODO; (b) a TIRISTOR.

Este conversor é o mais utilizado industrialmente, devido á sua elevada qualidade natural na
retificação de onda completa. Apresenta uma onda de tensão retificada em seis (6) pulsos, daí a
denominação “retificador de seis pulsos”, conforme está sendo mostrada nas figuras abaixo.

Os semicondutores seguem uma sequência de comutação tal que um par de semicondutores estará
sempre em condução, um da parte superior e outro da inferior, conectando duas das fontes (ou das
fases) à carga. Daqui já se verifica que a carga receberá a tensão de linha da rede elétrica, o que
contribuirá muito para um nível de tensão retificada de elevado valor.

A sequência de comutação pode ser associada a um esquema denominado “duplo X”, tal como se
apresenta na Fig. 69. Os pares aí indicados (S1-S6; S2-S4; S3-S5) podem ser considerados os pares
primários. No entanto, na sequência de comutação, aparecem pares secundários. A sequência
resultante é mostrada na mesma figura, onde cada seta curva indica uma comutação.
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 75

S1 S2 S3

S4 S5 S6

S1-S6  S6-S2  S2-S4  S4-S3  S3-S5  S5-S1  S1-S6 ...

Fig. 69 – Esquema do Duplo X para sequência de comutação na ponte de Graetz.

Verifica-se que, apesar de seis (6) pulsos de 60o cada, cada semicondutor conduz por 120o, já que a
cada comutação, apenas um semicondutor comuta, permanecendo o outro em condução.

2.1. Retificador a diodo


O retificador trifásico em ponte de Graetz, a diodo, apresenta como resultado de simulação, as
seguintes formas de onda para tensão e corrente na carga mostradas na Fig. 70. Observe-se a excelente
qualidade da forma de onda da tensão na carga, bem como da corrente. Esta corrente de carga pode já
ser considerada praticamente lisa, visto que a diferença entre os seus valores médio e eficaz é muito
reduzida! Um pequeno indutor (dezenas de milihenries) apenas, em série com a carga, já será
suficiente para garantir uma corrente com ondulação tão pequena quanto se queira.

Tensões de linha (1-2) e na carga


D1- vc
o
D6 60

Corrente na carga, no diodo D1 e seqüência de comutação


ic
D
1
- D6- D2- D4- D5- D1-
D D2 D4 D3 D1 D6
6 iD1 iD1

Fig. 70 – Formas de onda do retif. ponte de Graetz a DIODO: carga R.

Inserindo-se um indutor no retificador acima considerado, obtêm-se as formas de onda apresentadas na


Fig. 71. Verifica-se que a corrente na carga resulta com menos “pontas”, isto é, com formato mais
arredondado, ou ainda, uma corrente mais “alisada”. Quanto ao modo de condução da corrente na
carga, pode-se afirmar que o retificador estará, sempre, em MCC.
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 76

Tensões de linha (1-2), na carga e através do diodo D1


vc
v12

D1 bloqueado D1 conduzindo
vD1 2.3.Ve

Corrente na carga
ic

Fig. 71 – Formas de onda do retif. ponte de Graetz a DIODO: carga RL.


Nesta mesma figura pode-se observar a amplitude da tensão reversa (de bloqueio) sobre um diodo: o
seu valor iguala o pico da tensão de linha da rede elétrica.

2.2. Retificador a tiristor


O retificador trifásico controlado (a tiristor) fornece as formas de onda mostradas na Fig. 72,
correspondentes a uma carga R e a um ângulo de disparo de 30o (trinta graus). Como era de se esperar,
a corrente na carga é uma imagem da tensão.
Tensões de linha e na carga
vc

 = 30o

Corrente na carga
ic

(Carga R – MCC)

Fig. 72 – Formas de onda do retif. ponte de Graetz a TIRISTOR: carga R,  = 30o, MCC.

Para o caso em que o ângulo de disparo seja 60o (sessenta graus), obtêm-se as formas de onda
mostradas na Fig. 73. Como a corrente na carga atinge o valor nulo, diz-se que o retificador está no
denominado modo de condução crítico (MCr), em que a corrente atinge o valor nulo, mas não
permanece nele. No entanto, se o ângulo de disparo for aumentado ligeiramente, o conversor já entrará
no modo descontínuo. Este caso será discutido mais à frente.
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 77

Tensões de linha e na carga


vc

 = 60o

Corrente na carga
(Carga R – MCr)
ic

Fig. 73 – Formas de onda do retif. ponte de Graetz a TIRISTOR: carga R,  = 60o, MCr.

Conclui-se, então, que para o retificador em ponte de Graetz, a tiristor, com carga R, esta pode ter a
corrente variando desde o modo descontínuo passando pelo modo crítico (carga R,  = 60o) e
chegando ao modo contínuo. Isto tudo dependendo apenas do ângulo de disparo.

As correntes nos tiristores, ilustrando a sequência de comutação, podem ser vistas na Fig. 74. Já a
tensão sobre um tiristor encontra-se na Fig. 75. Observam-se aqui os efeitos sobre a tensão em T1
provocados pelo processo de comutação entre dois outros tiristores, durante o funcionamento do
conversor.

Correntes em T1 e T4

Correntes em T2 e T5

Correntes em T3 e T6

Fig. 74 – Correntes nos tiristores para a ponte de Graetz : carga R,  = 60o, MCr.
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 78

Tensão reversa sobre T1

(Efeitos da comutação nos outros tiristores)

vT1

Corrente em T1

Fig. 75 – Tensão e corrente em T1, para a ponte de Graetz : carga R,  = 60o, MCr.

Se um pequeno indutor for colocado em série com o resistor de carga, obtêm-se as formas de onda
mostradas na Fig. 76 (carga RL). A corrente de carga resulta em MCC, já que o indutor atua como um
elemento de filtragem de corrente, alterando totalmente o seu aspecto.

Tensões de linha e na carga


vc

 = 60o
Corrente na carga
ic

(Carga RL – MCC)

Fig. 76 – Formas de onda do retif. ponte de Graetz a TIRISTOR: carga RL,  = 60o, MCC.

2.3. Equações básicas do circuito


Para serem obtidas as principais equações dos circuitos acima, considere-se a tensão de entrada, para a
fase A, da seguinte forma:

V  2  Ve sen(t ) ou V  Vp sen(t )

onde Ve é o valor eficaz da tensão da rede elétrica e Vp , o seu valor de pico (ou máximo).
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 79

2.3.1. Para o retificador a diodo

2.3.1.1. Tensão média na carga

A tensão média na carga (Vcm) pode ser calculada pela aplicação adequada de um cálculo integral sobre
uma tensão cossenoidal, entre os ângulos -30o (/6 rad) e +30o. Veja-se a Fig. 70 (p.75).

 6
6 3  3  2  Ve
Vcm 
2 

 6
3  2  Ve  cos(t )d (t )  Vcm 

 Vcm  2,34 Ve

Este é o maior valor de “ganho” de tensão de todos os retificadores fundamentais estudados. Para
obterem-se tensões maiores, somente utilizando-se estruturas individuais combinadas em série.

2.3.1.2. Corrente média na carga

A corrente média (Icm), conforme já discutido no item 1.3.1.2 (p.70), pode ser obtida das seguintes
maneiras:
V 2,34  Ve
I cm  cm  I cm  (carga R)
R R

Vcm  E
I cm  (Carga RLE)
R

Para o caso em que se considere uma carga RL, mas com certa ondulação (não nula), a forma de onda
da corrente é aquela mostrada na Fig. 71 (p.76). Como a forma de onda desta corrente é muito
complexa, prefere-se calcular o seu valor eficaz a partir da tensão na carga (vide mesma figura), cuja
expressão matemática dada pelo desenvolvimento em série de Fourier, considerando-se apenas a
fundamental (onda de frequência sêxtupla da frequência da rede), é como abaixo.

v c (t )2,34 Ve  0,134Ve cos(6t )

A corrente instantânea é obtida, portanto, dividindo-se a expressão da tensão instantânea (acima) pela
impedância oferecida pela carga RL na frequência considerada (6.). Tem-se:

2,34 Ve 0,134Ve


ic (t )   sen(6t  6 )
R R 2  (6L) 2

 6L 
onde: 6  tg 1  
 R 
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 80

2.3.1.3. Corrente eficaz na carga

A partir do resultado apresentado nesta última expressão, obtém-se o valor eficaz da corrente na carga,
sabendo-se que o primeiro termo corresponde ao valor médio da corrente na carga e que o segundo,
corresponde a uma senoide no tempo. Assim:

I ce  I cm
2
 I 62e

2,34  Ve 0,134Ve
onde: I cm  é a corrente média na carga e I 6e  é a corrente eficaz da
R 2 R 2  (6L) 2
fundamental da corrente instantânea na carga.

2.3.1.4. Corrente média em um DIODO

A corrente média em um dos diodos é dada, a partir da simetria do circuito, como sendo a terça parte
da corrente média na carga. Portanto

I cm 2,34  Ve
I Dm   I Dm 
3 3 R

2.3.1.5. Corrente eficaz em um DIODO

A corrente eficaz em um diodo, independentemente do tipo de carga, em que se considere, como é


usual para esta estrutura, uma corrente praticamente lisa, em que os valores eficaz e médio na carga se
equivalem, é obtida a partir da divisão da corrente média pela raiz quadrada de três (3) caminhos:

I cm
I De 
3

FATOR DE ONDULAÇÃO: Define-se “fator de ondulação” da corrente na carga como sendo a


relação entre o valor eficaz da sua componente CA ( I cae ) e o seu valor médio ( I cm ):
I cae
Kr  (‘r’ de “ripple” = ondulação, em inglês)
I cm

0,134Ve 2,34 Ve


Obtém-se: Kr 
2 R 2  (6L) 2 R
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 81

2.3.2. Para o retificador a tiristor

2.3.2.1. Tensão média na carga (R)

A tensão média na carga (Vcm), para o caso do retificador trifásico a tiristor, em ponte de Graetz com
carga R, pode ser calculada pela aplicação adequada de um cálculo integral que leve em conta se o
modo de condução da corrente é contínuo (MCC) ou descontínuo (MCD). Tem-se:

2

3
6
Vcm 
2 
 3  2  Ve sen(t )d (t )  Vcm  2,34  Ve  cos (MCC: 0 <  < /3)

3

Veja-se, para este caso, a Fig. 72.



6  
Vcm 
2 
 3  2  Ve sen(t )d (t )  Vcm  1,56  Ve 1  cos    (MCD: /3 <  < 2/3)
 3 

3

A Fig. 77 ilustra a variação da tensão na carga a partir da variação do ângulo de disparo , para o caso
de MCD. Verifica-se que este retificador pode ter a sua tensão média de carga controlada desde o
ângulo de disparo zero até 120o (2/3 rad).

3,51

Vcm   
Vcm  2,34  Ve 1  cos   
 3 
1,76
1,17 MCD

/3  2/3

Fig. 77 – Tensão média na carga, normalizada em relação à tensão eficaz da fonte de entrada (Ve): MCD.

2.3.2.2. Correntes na carga e no tiristor

Tudo o que foi discutido nos itens 2.3.1.2 até 2.3.1.5 pode ser aplicado nos cálculos de correntes média
e eficaz, tanto na carga como nos tiristores, desde que se façam as considerações adequadas quanto ao
modo de condução, ao tipo de carga e à expressão que calcula a tensão média.
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 82

3. Indutância de comutação
A indutância de comutação é a indutância associada, nos circuitos reais, às denominadas reatância de
dispersão, reatância síncrona e reatância de curto-circuito que caracterizam transformadores, geradores
síncronos e linhas de transmissão e distribuição. Localiza-se, sempre, em série com a fonte ideal que
representa a rede elétrica. Seu valor real situa-se entre 500 e 1.000 H por fase (para uma primeira
aproximação nos cálculos).

A indutância de comutação será representada por um indutor de comutação (Lc) colocado em série com
cada fonte de tensão da rede elétrica. Isto fará com que a forma de onda da tensão retificada de um
retificador seja alterada, com o aparecimento de uma queda de tensão devida ao processo de
comutação. Este processo de comutação real ocorrerá não mais de forma instantânea, mas demandará
um tempo finito, proporcional ao valor da corrente durante a comutação e ao valor da indutância do
indutor Lc.

Na Fig. 78 podem ser vistos os indutores de comutação em série com as respectivas fontes ideais da
rede elétrica trifásica, para o caso de um retificador trifásico de meia onda, a diodo, com carga RL.

vLc1

vc
vLc2

Fig. 78 – Retificador trifásico de meia onda, a diodo: indutores de comutação presentes.

Tensões na carga e sobre dois indutores de comutação


vc

vLc2
vLc1

(Processo de comutação)
Correntes na carga e nos diodos D1 eD2
ic

iD1 iD1 iD1


iD2 iD2 iD2

Fig. 79 –Processo de comutação: efeito das indutâncias de comutação (retif. a DIODO).


ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 83

A Fig. 79 apresenta as formas de onda de tensão retificada para um retificador trifásico de meia onda, a
diodo, em que se considera a existência do indutor de comutação em série com cada fase da rede
elétrica.

O processo de comutação é visto em detalhes na Fig. 80. Os seguintes comentários podem ser feitos
com relação a esta figura:

1. Durante o processo de comutação, ambos os diodos (D1 e D2) estão em estado de condução,
portanto, podem ser considerados com tensão nula entre seus terminais;
2. A tensão na carga (vc) resulta um valor médio instantâneo entre os valores das tensões de rede
v1 e v2;
3. A corrente através de D1 cai de forma quase linear, enquanto a corrente em D2 cresce, também
de forma quase linear.
4. A corrente na carga quase não varia durante o processo de comutação;
5. No início deste processo, a corrente de carga está em D1; ao final do processo, em D2;
6. O ângulo de comutação () é diretamente proporcional ao valor de Lc e ao valor médio da
corrente durante a comutação.
7. A tensão sobre cada indutor de comutação deve apresentar valor médio nulo; de fato é o que se
verifica com as tensões VLc1 e VLc2;
8. Durante um tempo muito breve os diodos em comutação e condução colocam as fontes da rede
elétrica em curto-circuito, limitado apenas pelas reatâncias dos indutores de comutação!
9.

Processo de comutação
v1 vc
v2

: âng. de comutação

iD1
iD2

Fig. 80 – Processo de comutação entre D1 e D2.

Para o caso de um retificador controlado, em ponte de Graetz, as principais formas de onda relativas ao
processo de comutação estão mostradas na Fig. 81. Na figura seguinte (Fig. 82) pode ser vista uma
ampliação do processo de comutação entre T1 e T2.
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 84

Tensões na carga e sobre o indutor de comutação Lc1


vc

vLc1

iT1 iT1
iT2 iT2

iT3 iT3

Fig. 81 – Processo de comutação: efeito das indutâncias de comutação (retif. a TIRISTOR).

vc

vLc1

iT1 iT2

Fig. 82 – Processo de comutação entre T1 e T2.

Note-se que durante o processo de comutação, a tensão na carga não é nem a tensão anterior nem a
posterior ao processo, mas uma tensão “média” entre elas!

A queda de tensão média, total, durante o processo de comutação é obtida a partir da expressão:

mLc I
VLc 
2

onde: m é o número de pulsos da estrutura; I é a corrente lisa na carga, ou a corrente média durante o
processo de comutação (entre o início e o fim deste).
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 85

O ângulo de comutação, para um conversor de três (3) pulsos, a DIODO ou a TIRISTOR com  = 0,
pode ser calculado por meio da expressão:

 2Lc I 
  cos1 1  
 3 2 Ve 

ou, genericamente, para um conversor de meia onda de m pulsos:

 Lc I 
  cos1 1  
 2  Ve  sen( / m) 

Para o caso de   0, ainda para o conversor de meia onda e m pulsos, pode-se utilizar a expressão:

Lc I
cos  cos(   ) 
2 Ve  sen( / m)

(Referência: BARBI, Ivo. Eletrônica de potência. Edição do autor, Florianópolis – SC, 2006, p. 125.)
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 86

CAPÍTULO 5

FATOR DE POTÊNCIA NOS


RETIFICADORES

1. Conceito de Fator de Potência


O denominado “fator de potência” é um conceito chave na interpretação do fluxo de cargas no sistema
elétrico, pois identifica a relação entre a potência ativa (kW) de um equipamento e a sua potência
aparente (kVA), total, efetivamente solicitada da rede elétrica.

Matematicamente o fator de potência pode ser definido como a relação entre a potência ativa solicitada
da rede e a potência aparente total:

P P
fp   ativa
S P
aparente

E, levando-se em conta a forma senoidal associada a todas as grandezas elétricas envolvidas, obtém-se
o denominado triângulo de potências:

S
Q
Vef 

 P
Ief

P=Vef.Ief.cos 
S=Vef.Ief
Q=Vef.Ief.sen 

Fig. 83 – Triângulo de potências.

onde: P = potência ativa (ou real); Q= potência reativa; S= potência aparente.

Este conceito de fator de potência e seu triângulo de potência aplicam-se, sem alterações, somente às
cargas ditas “lineares” (aquecedores, lâmpadas incandescentes, reatores, capacitores e motores
elétricos). Entretanto, a evolução da eletrônica de potência, nas últimas décadas, tem permitido a
fabricação e a crescente utilização de conversores estáticos a semicondutores de potência nos sistemas
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 87

de condicionamento de energia e em acionamentos de máquinas elétricas, em CC e CA, dentre outras


aplicações. Em consequência, tem-se hoje (2012), um elevado montante de equipamentos desse tipo
que se apresentam para a rede elétrica como cargas “não lineares”, opondo-se às convencionais cargas
“lineares”, acima citadas.

Uma carga não linear típica pode ser exemplificada como um simples retificador monofásico a diodo,
cuja corrente solicitada da rede ilustra bem esse comportamento dito não linear, comum aos
conversores estáticos de potência. A Fig. 84 apresenta a forma de onda típica da corrente de linha,
solicitada da rede, por tal retificador.

ie vca
ie
+

vca
 Co Ro
Vo vale
-

Fig. 84 – Retificador monofásico e corrente de linha.

Considerando-se a tensão da rede como perfeitamente senoidal, e aplicando-se a transformada de


Fourier à corrente pulsada solicitada da rede, obtém-se a seguinte expressão:

I ef ( total )  I o  I12ef  I 22ef ... I nef


2

onde I1ef é a componente fundamental eficaz da corrente de entrada (na frequência da rede), Io é a
componente de corrente contínua, ou componente de sequência zero (que é nula para uma corrente
alternada periódica, com simetria de meia onda), e I2ef ... Inef são os valores eficazes das componentes
harmônicas criadas pela distorção na corrente de linha.

O fator de potência, de uma forma mais generalizada, pode, então, ser calculado como:

P I1ef  cos 1
fp  
S I ef ( total )

onde 1 é o ângulo de defasamento entre a tensão da rede e I1ef.

Fazendo-se, agora, uma associação entre Ief(total) e uma grandeza elétrica senoidal na frequência da rede,
pode-se estabelecer uma relação angular () entre esta e a corrente eficaz fundamental (I1ef). O cosseno
deste ângulo resulta, portanto:

I1ef
cos 
I ef ( total )
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 88

e  estará ligado ao conteúdo harmônico da corrente de linha; à medida em que esse conteúdo
harmônico de Ief(total) se aproxima de zero,  se aproxima de zero e o cos () se aproxima de 1.

Levando-se em conta as duas últimas expressões, o fator de potência generalizado pode ser expresso
como:

fp  cos1  cos  K  K

onde K e K estarão representando o fator de deslocamento e o fator de distorção (harmônica),


respectivamente. A representação do novo “triângulo de potências” fica como na Fig. 85:

Vef I1efP P P=Vef.I1ef.cos 1


I1ef 1 I1efQ Q=Vef.I1ef.sen 1
 Q S1=Vef.I1ef
S1
Ief(total) 

S D D  Vef  I
n2
2
nef

S=Vef.Ief(total)
Fig. 85 – Triângulo de potências de cargas não lineares.

Nesta figura, 1 é o ângulo de deslocamento entre a tensão e a componente fundamental da corrente de


linha, o que leva a denominar-se o cos1 de “fator de deslocamento” (K). Já o ângulo  é o ângulo de
distorção causado pelo conteúdo harmônico da corrente e o cos pode ser denominado de “fator de
distorção” (K). Aumentar o fator de potência significa reduzir tanto a potência reativa (atraso ou
avanço da corrente em relação à tensão de linha), pela redução do ângulo 1, quanto a potência de
distorção (conteúdo harmônico), pela redução do ângulo .

Tanto o sistema elétrico de potência quanto os consumidores podem se beneficiar do aumento do fator
de potência. Supondo que sejam utilizados sistemas corretores de fator de potência (CFP) nos
conversores estáticos instalados, têm-se os seguintes benefícios.

As tomadas comuns em residências e no comércio são projetadas para fornecerem 15A de corrente
eficaz nominal. Contudo, uma fonte de alimentação chaveada para microcomputadores, por exemplo,
sem um CFP apresentará um fator de potência em torno de 0,6, reduzindo a corrente ativa disponível
para 9A. Ilustrando, verifica-se que uma dessas tomadas poderia suprir até quatro microcomputadores
de 280W, equipados com CFP, e apenas dois sem tal sistema de correção do fator de potência.

As companhias de eletricidade se beneficiam de um maior fator de potência, na medida em que a


menor corrente eficaz total drenada da rede significa aumento do rendimento do sistema de
transmissão/distribuição de energia elétrica. Os fios podem ter menor diâmetro para situação de
elevado fator de potência. As frequências (harmônicas) maiores que a frequência nominal presentes na
rede também causariam problemas ligados a sistemas de detecção do cruzamento por zero da tensão.
Além disso, gerariam sobrecorrentes no neutro e sobretensões ressonantes.
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 89

1. O uso específico de CFPs baseados em conversores pré-reguladores de fator de potência


ainda oferece a vantagem da redução dos custos de componentes nos conversores
alimentados a partir de tais CFPs. Para mesma potência de saída um conversor com CFP terá
economia no dimensionamento de transistores, transformador de isolamento e no capacitor
de saída da fonte.

2. Conceito de Distorção Harmônica


Para caracterizar o conteúdo harmônico de correntes de linha associadas a cargas não lineares, tem
sido utilizado, nas pesquisas e na literatura técnica, o termo Total Harmonic Distortion (THD), ou
“taxa de distorção harmônica” (TDH), em português. Este fator aparece a partir do desenvolvimento da
expressão (1.3), resultando:

I
n2
2
nef

TDH 
I1ef

onde o numerador representa a corrente harmônica eficaz total, a menos da fundamental. Ou, dentro da
expressão geral para o fator de potência:

cos 1
fp 
1  TDH 2

O valor ideal da TDH tenderá a ser o mais próximo de zero possível. Quanto menor o seu valor
numérico menor o conteúdo harmônico da forma de onda considerada. Através desta TDH pode-se,
portanto, expressar numericamente o conteúdo harmônico de formas de onda com vistas a
normalização, quantificação e comparação. Quanto mais distante da forma de onda senoidal for a
forma de onda da corrente de linha, maior será o seu conteúdo harmônico, pior sua distorção
harmônica e, consequentemente, sua TDH.

As causas do aparecimento das harmônicas na corrente de linha drenada da rede elétrica estão
associadas à presença de cargas não lineares, tais como circuitos retificadores em: fontes de
alimentação chaveadas, carregadores de bateria, reatores eletrônicos de lâmpadas fluorescentes,
conversores para acionamento de máquinas elétricas; controladores de potência por ângulo de fase;
lâmpadas de descarga de gás.

Os efeitos da presença da distorção harmônica na corrente de linha solicitada da rede elétrica podem
ser citados como sendo:

 distorção da tensão de linha (geralmente achatada no seu valor de pico);


 redução do fator de potência (com consequente redução da potência disponível e crescentes perdas
na fiação);
 grande corrente de terceira harmônica circulando no fio neutro da instalação;
 ressonâncias LC acarretando sobrecorrentes e sobretensões.
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 90

As razões pelas quais as harmônicas devem ser reduzidas são as seguintes.

 Principais:
 regulamentação imposta por instituições regulamentadoras (como, por exemplo: IEC, IEEE,
CENELEC, ANSI, dentre outras);
 especificações e expectativas do mercado.

 Secundárias:
 aumento do fator de potência, com consequente aumento da potência disponível;
 redução da corrente no neutro;
 redução da capacidade nominal necessária para sistemas ininterruptos de energia (UPS/no
breaks).

Referência para esses três itens acima:


REDL, Richard. Low-Cost Line-Harmonic Reduction, Seminário 7 do APEC’95.

3. Exemplo de cálculo de fator de potência


Para demonstrar-se que um simples retificador monofásico de meia onda, a diodo (não controlado|), e
com carga puramente resistiva (R) ainda assim não apresenta fator de potência unitário, considere-se o
seguinte circuito (Fig. 86).

iifr D iiLc

~ R
VV
o
e
1:1

Fig. 86 – Circuito retificador monofásico de meia onda, a diodo, e carga R.

O transformador, normalmente utilizado na prática, tem a função de eliminar o valor médio da corrente
de carga (ic), a chamada “componente CC”, na corrente refletida na rede elétrica. Isto se faz porque
não há qualquer interesse em se introduzir na rede elétrica componentes de corrente contínua, já que a
rede elétrica é essencialmente constituída de correntes alternadas, e em cujo domínio uma componente
CC não tem qualquer utilidade.

A forma de onda da corrente na carga (ic) bem como seus valores eficaz (Ice) e médio (Icm) estão
apresentados na Fig. 87. Já a forma de onda da corrente na rede elétrica (ir) pode ser vista na Fig. 88,
juntamente com o seu valor eficaz (Ire).

O cálculo do fator de potência (generalizado) faz-se como segue.


ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 91

P Vce  I ce
fp  
S Ve  I re

O valor eficaz da corrente na rede elétrica pode ser calculado como:

I re  I ce2  I cm
2

(Isto por quê: I ce  I cm


2
 I re2 , já que a corrente na carga é formada por duas componentes distintas: a
componente CC e a componente CA, cujos valores eficazes somam-se quadraticamente para constituir
o seu valor eficaz quadrático.)

1
iL
ic
0.5 IIefce
IILmed
cm

0
t

0.5
0 2 4 6 8

Fig. 87 – Corrente na carga R e seus valores eficaz e médio.

if 1
ir

0.5
Ire Ifef

0
t

0.5
0 2 4 6 8

Fig. 88 – Corrente na rede elétrica e seu valor eficaz.

Da relação entre os valores eficaz e médio da meia onda senoidal retificada tem-se:

I ce  2
  I cm   I ce
I cm 2 

Substituindo-se tal expressão na relação (1.9) tem-se:


ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 92

  2 
I re  1    I ce2  0,771 I ce
   

Sabe-se, ainda, que:


2  Ve 2
Vce   Ve   Vce
2 2

P Vce  I ce P Vce  I ce fp  0,917


fp    fp   
S Ve  I re S 2
Vce  0,771 I ce
2

Portanto: fp  0,92

Conclui-se que apesar de a carga ser apenas resistiva, o diodo torna o circuito retificador não linear,
fazendo com que haja distorção harmônica na corrente drenada da rede elétrica. Esta distorção é a
causa de o fator de potência tornar-se não unitário, apesar de não haver defasamento entre a
fundamental da corrente de rede e sua tensão.

Levando-se em conta a equação do fator de potência (fp, pág. 89) pode-se calcular o valor da THD
(distorção harmônica total), sabendo-se que o cos 1 = 1, já que não há qualquer deslocamento entre a
fundamental da corrente da rede e a sua tensão:
cos 1
fp   TDH  0,4256  TDH  42,6%
1  TDH 2

Verifica-se, ainda, que tal resultado independe do valor da resistência do resistor de carga, já que é a
forma de onda que importa na análise: qualquer que seja o valor numérico de R, as formas de onda
permanecem inalteradas!

Nos próximos itens, serão analisados alguns retificadores monofásicos e trifásicos do ponto de vista do
fator de potência da estrutura.

4. Retificadores Não Controlados


Como se concluirá mais à frente, os retificadores não controlados, isto é, aqueles que utilizam o diodo
como dispositivo de potência, não são capazes de provocar defasamento entre a tensão da rede e a sua
correspondente corrente distorcida. O fator de deslocamento será sempre unitário, ficando por conta do
fator de distorção toda a responsabilidade pelo fato de o fator de potência do retificador resultar menor
que a unidade.

4.1. FP no Retif. Monofásico de Meia onda com Diodo de Roda livre


Seja o retificador monofásico de meia onda, a diodo, com diodo de roda livre e carga RL, conforme a
Fig. 89. O transformador (1:1) visa a impedir que a corrente média não nula circulante no diodo
principal circule, também, no primário e na rede elétrica.
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 93

Neste estudo, a corrente na carga será considerada lisa, isto é, constante, sem qualquer ondulação
(ripple). Isto se faz, porque, na prática, todo retificador deve entregar à carga corrente elétrica da
melhor qualidade, ou seja, uma corrente lisa. Sendo assim, as principais formas de onda para o circuito
da Fig. 89 estão apresentadas na Fig. 90.

ic
ir is
iDRL

Fig. 89 – Retif. monofásico de meia onda, a diodo, com diodo de roda livre e carga RL.

ic=I

is
– (I)

iDRL

ir
– (I/2)
t

Fig. 90 – Correntes no retificador da Fig. 89.

Verifica-se, nessa figura, que a corrente na rede (ir) é uma onda alternada, visto que a componente CC,
que circula no secundário do transformador (is) não passa para o seu circuito primário. Observe-se,
aqui, que a corrente no secundário, por possuir um valor médio não nulo, acaba por estressar o
enrolamento secundário do transformador (podendo levá-lo à saturação). Isto exigirá que tanto o
dimensionamento da bitola do condutor secundário quanto o do pacote magnético sejam maiores do
que o que seria necessário num transformador que não tivesse tal valor médio circulante, como é o
caso do retificador de onda completa, a diodo, a ser analisado à frente.

Para a análise do fator de potência do retificador, visto pela rede elétrica, deve-se calcular tanto a
potência consumida pela carga quanto a potência aparente total fornecida pela rede. Para a potência
consumida na carga, sendo a corrente considerada lisa, tem-se:

Pc  Vcm  I cm  Vcm  I
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 94

Ora, o valor da tensão média (Vcm) de tal retificador é conhecido e dado por: Vcm  0,45  Ve , onde Ve é o
valor eficaz da tensão na rede elétrica.

Para a potência aparente, no primário do transformador, tem-se:

S p  Ve  I re

Mas a corrente eficaz na rede elétrica (ou no primário do transformador) é facilmente calculada como
sendo: I re  I 2 . Tem-se, portanto, para o valor do fator de potência:

Pc 0,45 Ve  I
fp    0,90
Sp Ve  ( I 2)

Conclui-se, então, que o fator de potência do retificador de meia onda, a diodo, em modo de condução
contínuo da corrente de carga (corrente lisa) é 90%. Observe-se que a corrente elétrica circulante na
rede apresenta uma componente alternada em fase com a tensão da rede, significando isto que o
retificador não exige da rede potência reativa. No entanto, devido à forma de onda quadrada circulante
na rede elétrica, pode-se dizer que esta fornece à carga uma espécie de potência reativa harmônica (D,
na Fig. 85, p. 88), além da potência ativa Pc, que pode ser entendida como potência consumida ou
potência média.

4.2. FP no Retificador Monofásico de Ponto-Médio a Diodo

O retificador monofásico de onda completa, de ponto-médio, ou de tap central, alimentando carga RL,
está apresentado na Fig. 91. A corrente na carga será considerada uma corrente lisa (sem ondulação).

As formas de onda das correntes no retificador encontram-se na Fig. 92. O cálculo do fator de potência
resulta:

Pc  Vcm  I cm  0,9 Ve  I ; S p  Ve  I re  Ve  I  fp  0,90

ir iD1

ic

iD2
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 95

Fig. 91 – Retificador monofásico de onda completa com tap central (ou ponto-médio).

ic=I

iD1
– (I)

iD2

ir
– (I)

– (-I) t

Fig. 92 – Correntes para o retificador da Fig. 91.

Verifica-se que o fator de potência desta estrutura é igual ao daquele da estrutura anterior (retificador
monofásico de meia onda, a diodo, com diodo de roda livre e MCC). Isto acontece em virtude do fato
de que as formas de onda das correntes na rede (ir) de ambos os retificadores são iguais.

4.3. FP no Retificador Monofásico em Ponte a Diodo


Para o caso do retificador monofásico de onda completa, em ponte, isto é, constituído por quatro (4)
diodos em ponte (também chamada de “ponte H”), constata-se que o fator de potência é igual ao da
estrutura do item 4.2, visto que as formas de onda das correntes na rede (ir) de ambos os retificadores
são, também, iguais. Deve ser lembrado, aqui, que a corrente na carga tem sido considerada como uma
corrente perfeitamente constante (lisa), sem componentes harmônicas.

O fator de potência para esta estrutura vale, portanto: fp  0,90 .

4.4. FP no Retificador Trifásico de Meia Onda a Diodo

Para o retificador trifásico de meia onda, a diodo, com carga RL (Fig. 93), em modo de condução
contínuo e corrente de carga lisa (a carga poderá ser considerada como uma fonte de corrente ideal, na
simulação), alimentado por transformador trifásico, de núcleo envolvido, /Y, com relação 1:1 entre
fases, têm-se as formas de onda de corrente conforme a Fig. 94.

ir

Fig. 93 – Retificador trifásico de meia onda, a diodo, com carga RL em MCC.


ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 96

Tensões na carga e nas fontes


vc
v1
vs1

Corrente na rede e sua fundamental


ir ir1

(ic = I=10A)
Corrente numa fase delta do primário
ir
2.I/3
-I/3

Fig. 94 – Formas de onda para o retificador da Fig. 93.

A Fig. 94 apresenta as formas de onda do retificador em foco. Verifica-se, de imediato, que o fator de
deslocamento da estrutura é unitário, visto que a tensão de fase da rede, v1 (no lado primário) está em
fase com a componente fundamental (ir1) da sua correspondente corrente de rede (ir). Isto tem a ver
com o fato de que todo retificador a diodo (não controlável) não é capaz de drenar potência reativa da
rede, pois somente o retificador a tiristor – como já visto –, por ser capaz de atrasar a corrente da rede
(e sua fundamental) da sua correspondente tensão de fase, tem a propriedade de alterar o fator de
deslocamento da estrutura.

Para o cálculo do fator de potência desse retificador deve-se buscar avaliar a potência ativa trifásica
relativa à carga e, também, a sua potência aparente trifásica de entrada.

A potência ativa trifásica na carga é dada por:

Pc  Vcm  I cm  1,17  Ve  I ; Pc  1,17  Ve  I

onde Vcm  1,17  Ve é o valor médio da tensão na carga, para o retificador trifásico de meia onda, a
diodo, conforme já visto.

A potência aparente trifásica, secundária, corresponderá a:

I
S s  3  V1Ye  I1Ye  3  Ve   3  Ve  I
3

onde V1Ye  Ve é o valor eficaz da tensão de uma bobina secundária do transformador, ligada em Y, que
por sua vez é igual ao valor eficaz da tensão de uma bobina primária, ligada em  ( V1e  Ve ).

A potência aparente trifásica, primária, corresponderá a:

2
S p  3  V1e  I re  3  Ve  I  2  Ve  I
3
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 97

2
onde I re  I é o valor eficaz da corrente no delta do primário, facilmente calculado, por meio de
3
um cálculo integral, a partir da Fig. 94.

A potência secundária é maior do que a primária pelo fato de que nos enrolamentos secundários circula
uma corrente com valor médio não nulo, o que provoca uma corrente eficaz maior e, portanto, uma
potência aparente maior do que aquela do primário, cuja componente média é nula.

Tem-se, portanto, para o valor do fator de potência, a relação entre Pc e S p :

Pc 1,17 Ve  I
fp    0,827  0,83
Sp 2 Ve  I

Deve-se lembrar que o conceito de fator de potência é, sempre, uma relação entre a potência ativa
drenada da rede elétrica, isto é, a potência ativa da carga (mais as perdas, se forem consideradas), e a
potência aparente total solicitada dessa mesma rede.

O fator de potência generalizado pode ser escrito, portanto, como:

fp  K  K  cos  cos  1,0  0,83  0,83

onde K  é o fator de deslocamento, K é o fator de distorção harmônica e a taxa de distorção


harmônica THD vale, aproximadamente, 69%.

Observe-se que, se a análise for feita para o retificador trifásico de meia onda, com o mesmo tipo de
transformador, mas em ligação Y/Y, obter-se-á a mesma resposta para o fator de potência. Isto é, neste
retificador, a ligação do primário não altera o fator de potência se o secundário estiver em ligação Y.
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 98

EXERCÍCIOS PROPOSTOS

1. Com relação ao estudo básico de Semicondutores de potência (Capítulo 1), pede-se:

a) Todos os semicondutores de potência são unidirecionais em corrente. Quais são os únicos que
são bidirecionais em tensão? Justificar.
b) Se a fonte chaveada ideal mais básica, constituída de uma bateria de 60V, uma chave ideal e
uma carga R for chaveada com frequência de 1kHz, com uma razão cíclica (D) de 30%, 50% e
80%, quais serão as tensões CC sobre a carga R, respectivamente? E a forma de onda da tensão
para o caso D = 0,30? (Indicar os valores notáveis.)
c) Desenhar as formas de onda da tensão e da corrente sobre a carga R para o retificador
monofásico a diodo mostrado na figura abaixo:

D
a
ic
v ~ R vc

2. Considere um retificador monofásico não controlado, com carga RL (R = 20 ohm; L = 250 mH),
alimentado por uma rede elétrica de 127V, 60Hz. Pede-se:

a) O ângulo da impedância de carga (), em rad e graus;


b) O ângulo de extinção (), em rad e graus;
c) As formas de onda da tensão e da corrente na carga;
d) As formas de onda da tensão sobre o tiristor e sobre o indutor;
e) A tensão média sobre a carga (Vcm);
f) A corrente média na carga (Icm).
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 99

3. Considere um retificador monofásico controlado, com carga RL (R = 20 ohm; L = 250mH),


alimentado por uma rede elétrica de 127V, 60Hz, e disparado por um ângulo de 50º. Pede-se:

a) O ângulo da impedância de carga (), em rad e graus;


b) O ângulo de extinção (), em rad e graus (Ábaco de Pushlowki);
c) As formas de onda da tensão e da corrente na carga;
d) As formas de onda da tensão sobre o tiristor e sobre o indutor;
e) A tensão média sobre a carga (Vcm);
f) A corrente média na carga (Icm);
g) A corrente eficaz na carga (Ice);
h) A potência fornecida pela fonte à carga (circuito ideal).
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 100

Considere um retificador monofásico controlado, de meia-onda, com um diodo de roda-livre e com


carga RL (R = 80 ohm; L = 120mH), alimentado por uma rede elétrica de 220V, 60Hz, e disparado por
um ângulo de 30º. Pede-se:

a) O ângulo da impedância de carga (), em rad e graus;


b) O ângulo de desmagnetização do indutor (d);
c) O valor da indutância crítica (Lc), indicando se a corrente está em modo contínuo ou
descontínuo;
d) As formas de onda da tensão e da corrente na carga e da tensão no indutor;
e) As formas de onda das correntes no tiristor e no diodo de roda-livre;
f) A tensão média sobre a carga (Vcm);
g) A corrente média na carga (Icm).

4. Considerando-se um autotransformador (como o usado no laboratório) cujos terminais de entrada


são marcados V e 0, e os terminais de saída são marcados E, 0 (comum à entrada e à saída) e S
(correspondente ao cursor do autotransformador), pede-se:

a) Desenhar o esquema do autotransformador, alimentando com cerca de 80% da tensão de saída


do autotransformador, um retificador de 1/2 onda, a diodo, com carga RL;
b) Desenhar o esquema do autotransformador, mas agora alimentando um retificador de onda-
completa, com tap central, a tiristor, com carga R;
c) Traçar as formas de onda da corrente para o retificador do caso “b)”, acima, e para o caso em
que se acrescenta a ele um indutor, L, em série com o resistor R, para a corrente de carga em
MCC.
d) Desenhar as formas de onda da corrente nos tiristores T1 e T2.
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 101

5. Tem-se um inversor não autônomo, monofásico, de meia-onda, alimentado por rede de 220V (fase
neutro), 60Hz, com L = 150mH, E = 150V, disparado por um ângulo de 140º. Pede-se:

a) Para as duas formas de onda da tensão na carga, determinar o valor da R para cada caso;
b) Traçar na figura o valor médio da tensão na carga (Vcm);
c) Determinar a potência fornecida pela bateria à rede elétrica para a figura da direita;
d) Marcar na figura à esquerda, a tensão na carga para o valor mínimo do ângulo de disparo,
justificando;
e) Traçar, na figura correspondente à carga R = 0, a forma de onda da tensão na carga para  =
180º.

6. Dado um retificador trifásico, controlado, de meia-onda, alimentado por rede trifásica de 60Hz e
de 220V de fase, sequência ABC, com carga do tipo “fonte de corrente” de I = 10A, pede-se:
[Usar as senoides disponíveis.]

a) Traçar na figura a tensão na carga para um ângulo de disparo de 60º;


b) Idem, mas agora considerando a existência de uma indutância de comutação que provoca um
ângulo de comutação de 15º;
c) Calcular a Vcm considerando a queda de tensão devida à indutância de comutação;
d) Desenhar as tensões nos indutores de comutação Lc1 e Lc2.
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 102

7. Dado um retificador trifásico, controlado, em ponte de Graetz, alimentado por rede trifásica de
60Hz e de 220V de fase, com carga do tipo “fonte de corrente” de I = 10A, pede-se: [Usar as
senoides disponíveis.]

a) Identificar nas senoides abaixo as tensões de linha e de fase e marcar os pontos de ângulo de
disparo nulo;
b) Traçar na figura a tensão na carga para um ângulo de disparo de 60º e calcular Vcm;
c) Traçar na figura a tensão na carga para um ângulo de disparo de 90º e calcular Vcm ;
d) Traçar na figura a tensão na carga para um ângulo de disparo de 120º e calcular Vcm ;
e) Se a carga é RL, em MCC e disparo de 90º, o circuito não funciona (tiristores não disparam). –
Explicar por quê.
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 103

8. Dado um retificador trifásico, controlado, de meia-onda, alimentado por rede trifásica de 60Hz e
de 220V de fase, sequência ABC, com carga do tipo “fonte de corrente” de I = 10A, pede-se:
[Usar as senoides disponíveis.]

a) Traçar na figura a tensão na carga para um ângulo de disparo de 60º e calcular Vcm;
b) Idem, mas agora considerando a existência de uma indutância de comutação que provoca um
ângulo de comutação de 15º;
c) Calcular a Vcm considerando, agora, a queda de tensão devida à indutância de comutação;
d) Desenhar as tensões nos indutores de comutação Lc1 e Lc2.
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 104

9. Considerando-se um retificador monofásico, controlado, de onda completa, com tap central,


alimentado por rede elétrica de 220V, fase neutro, 60Hz, com ângulo de disparo de 60º, e com
carga do tipo fonte de corrente com, Ifonte =10A, pede-se:

a) As formas de onda da tensão e da corrente na rede elétrica;


b) A potência (P) consumida pela fonte de corrente;
c) A potência aparente (S) fornecida pela rede elétrica (sem a componente CC);
d) Calcular o fator de deslocamento e o correspondente ângulo  de defasamento entre a tensão
senoidal da rede e a sua corrente fundamental;
e) Calcular o fator de distorção harmônica da corrente da rede (Ir);
f) Desenhar o triângulo de potências indicando os ângulos e as correntes e a tensão da rede (na
referência).

10. Seja um retificador monofásico de ½ onda a SCR submetido a uma tensão de 60 Hz de entrada, de
2x220.sen(t) V, com uma carga constituída por R = 5,0  , L = 150mH e E = 186,6V. Pede-se,
por simulação:

a) Formas de onda que comprovem que min = sen-1(a), onde a = E/(2.Ve) ;


b) Desenhar as formas de onda de tensão e corrente na carga para  = 60o;
c) Medir a Icm para um  = 90o;
d) As formas de onda de tensão e corrente na carga para R = 0 (R =10m, no PSIM) e 
e) s formas de onda de tensão e corrente na carga para o caso de inversor não autônomo:
E = –150V.
f) Encontrar os valores médios Vcm e VRm e mostrar que VRm = Vcm – E.
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 105

11. Considerando-se um transformador com dois secundários iguais (usar o modelo: 1-ph 3-w
transformer), alimentando, a partir de uma fonte v(t)= 2x127 sen(t) V, 60Hz, um retificador
de onda completa a dois tiristores, com R = 50  e L = 50mH, pede-se, por simulação:

a) As formas de onda de tensão e corrente na carga, para um ângulo de disparo  = 35o;


b) As formas de onda de tensão e corrente na carga, para um ângulo de disparo  = 35o com L = 1
pH (na teoria: L = 0);
c) As formas de onda de tensão e corrente na carga, para um ângulo de disparo  = 120o com L =
100mH e R = 10 .

12. Considerando um retificador monofásico de onda completa, controlado (4 tiristores), alimentado


por uma fonte v(t)= 2x220 sen(t) V, 60Hz, alimentando, por sua vez, uma carga RL (R = 10
; L = 10 mH), e sendo disparado por um ângulo  = 60o, pede-se, por simulação:

a) As formas de onda da tensão e da corrente na carga e o ângulo de extinção  para o


funcionamento do retificador em regime permanente (conferir pelo Ábaco de Pushlowski);
b) A formas de onda da tensão e da corrente n a carga para o ângulo de extinção crítico c, em
que o circuito fica no MCr (usar o ábaco de Pushlowski);
c) As formas de onda da tensão e da corrente na carga para um indutor (L) que coloque o circuito
em MCC.

2𝜋
Orientação para este exercício: Identifica-se o ângulo c: 𝛽𝑐 = 𝑚 +∝1 , onde m = no de pulsos
e 1 = é o ângulo contado a partir da origem da senoide de tensão de referência, que se inicia na
origem do eixo do tempo; 1 =  para m = 1 ou m = 2; 1 =  + 30o para m = 3; 1 =  + 60o
para m = 6. Ainda: com c identificado, busca-se no ábaco de Pushlowski o valor do cos 
crítico. Com este ângulo, pode-se calcular o valor da indutância crítica.

13. Utilizando-se os mesmos dados do exercício ‘2’, mas para um retificador sem trafo e com quatro
tiristores (retificador de onda completa em ponte), funcionando como inversor não autônomo (E =
-150V), pede-se, por simulação:

a) As formas de onda da tensão e da corrente na carga para um ângulo de disparo  = 130o;


b) A potência dissipada na carga R e a potência devolvida à fonte CA pela bateria;
c) As formas de onda para o caso R = 0 (R = 10m, no PSIM) e E = – 100V, e o ângulo de
disparo mínimo
d) (min = ?).

14. Simular o ‘dual’ do circuito retificador monofásico a diodo, com carga RL e diodo de roda-livre
(vide figura ao lado). Pede-se, por simulação:

a) As formas de onda da corrente da fonte de corrente de entrada juntamente com a corrente no


diodo D1;
b) As formas de onda das correntes na carga e nos dois diodos;
c) A forma de onda da tensão na carga R;
d) A forma de onda da corrente através do capacitor;
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 106

e) A potência dissipada na carga R;


f) A potência (aparente) fornecida pela fonte de corrente (fonte alternada!);

I =2.10.sen(377t) A C = 500F R = 10 

15. Considere um retificador trifásico, de meia-onda, controlado, alimentado por fonte trifásica,
sequência ABC, em que vA(t)=2x220.sen(t)V, 60Hz, controla um motor CC de excitação
independente, cujos parâmetros são: Ra = 0,02 (resistência da armadura), La = 1mH (indutância
da armadura). O motor, quando em funcionamento, desenvolve uma força contraeletromotriz dada
por: Ea = 1,2.m (m é a velocidade do motor em rad/s), drenando uma corrente média (LISA)
de 500 A. Pede-se, por simulação:

a) As formas de onda da tensão e da corrente na carga para operação nominal sob velocidade de
180 rad/s;
b) A potência mecânica desenvolvida pelo motor em seu eixo (em cv; 1cv = 736W).

c) Dado um retificador trifásico em ponte de Graetz semicontrolado (ou em ponte de Graetz


MISTA), com três diodos na parte inferior do circuito, com fonte trifásica como aquela do
exercício ‘6’, carga RLE (R = 20 , L = 50mH, E = 100 V), pede-se, por simulação:
d) As formas de onda da tensão e da corrente na carga para um ângulo de disparo de 30o;
e) As formas de onda da tensão e da corrente na carga para um ângulo de disparo de 60o;
f) As formas de onda da tensão e da corrente na carga para um ângulo de disparo de 120o.

16. Dado um retificador trifásico em ponte de Graetz, totalmente controlado, com fonte trifásica como
aquela do exercício ‘6’, carga RLE (R = 20 , L = 50mH, E = 200 V), pede-se, por simulação

a) As formas de onda da tensão e da corrente na carga para um ângulo de disparo de 30o;


b) As formas de onda da tensão e da corrente na carga para um ângulo de disparo de 60o;
c) As formas de onda da tensão e da corrente na carga para um ângulo de disparo de 120o (neste
caso, com R = 5, L = 200mH e E = 330V, bateria invertida, inversor não autônomo!)
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 107
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I – PROF. ARAGÃO 108

BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA

1. BARBI, Ivo. Eletrônica de potência. Edição do autor, Florianópolis – SC, 2006.


2. BRADLEY, D. A. Power Electronics. Chapman & Hall, 1995.
3. LANDER, Cyril W. Eletrônica industrial – teoria e aplicações. McGraw-Hill, 1988.
4. MOHAN, N. et al. Power electronics – converters, applications and design. John Wiley and
Sons, Inc. Nova York – EUA, 1989.
5. RASHID, M. Spice for power electronics and electric power. 1993.
6. PEREIRA DE MELO, Luiz F. Análise e projeto de fontes chaveadas. Érica Ltda, São Paulo,
2 ed.,1996.
7. KASSAKIAN, J. G et al. Principles of power electronics. Addison–Wesley Publishing
Company, Inc., 1991.
8. AHMED, A. Eletrônica de Potência. Prentice Hall, São Paulo, 2000.
9. ERICKSON, R. W. & MAKSIMOVIC, D. Fundamentals of Power Electronics. Kluwer
Academic Publisher, 2.ed., Norwel, MA, 2004.
10. REDL, Richard. Low-Cost Line-Harmonic Reduction, Seminário 7 do APEC’95.

Você também pode gostar