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Resenha Crítica – Texto: Adeus ao trabalho - Ensaio sobre as

metamorfoses e a centralidade do mundo do trabalho Ricardo


Antunes

Com as reestruturações produtivas do capitalismo e a intenção de gerar cada vez mais


lucros, é possível observar mudanças no mundo do trabalho.

Tais mudanças nos mostram que no mundo do trabalho, não é possível a criação de elos
entre os colegas de trabalho, não há mais solidariedade, nem tão pouco compreensão, nos
deparamos hoje com um grande campo de disputa competitiva de promoções, melhores
lugares, melhores contratos e salários.

Tais mudanças ainda nos apresenta as terceirizações, que traz com ela as
desfragmentações das classes, enfraquece os sindicatos e o não mais reconhecimentos das
classes em si e para si. Isso ocorre uma vez que num mesmo local de trabalho podemos
nos deparar com diversas formas de formalizar ou não um trabalho, diversas formas de
salários para a mesma função, causando o não reconhecimento daquela classe em
especial, enfraquecendo as suas conquistas e apagando cada vez mais o seu referencial
teórico.

O trabalho sempre esteve como prioridade em nossas vidas, afinal, sem trabalhar não
temos salário, não temos dinheiro, não pagamos as contas, não nos alimentamos, e se
tivermos pessoas que dependem de nós então, a situação se complica muito mais. Porém,
chegamos ao ponto macro de nossas vidas, nosso trabalho toma conta de nossa vida de
tal maneira que não vivemos mais, não descansamos mais, não nos desligamos daquilo
que deveria ser o nosso ganho para viver, não o contrário.

Nas atuais circunstancias em que o capital se apresenta, temos o “dever” de nos


apresentarmos cada vez mais capacitado em conhecimentos, mais disponível e ser
completamente flexível para desenvolver nossas funções, custe esse esforço o que custar,
chegando a tornar a nossa vida pessoal, uma grande extensão de nossos trabalhos.

Em meio a era da informação, tecnologia e avanços do mundo, inclusive do mundo de


trabalho, estamos conhecendo a época da informalidade do trabalho, dos terceirizados,
mal remunerados, dos não respeitados como classe trabalhista.
Em meio a todo esse processo alienador, o trabalhador que se utiliza do trabalho com um
ponto de partida para o processo de humanização do ser social, acaba por ser
depauperado, afetado por sua acentuada exploração e quebra de direitos, tirando do
trabalhador aquilo que lhe é mais precioso, sua mão de obra, sua energia e sua vida,
levando este até o limite de seu esgotamento.

Esse capitalismo contemporâneo atual já se mostra em nossa sociedade com base em suas
novas reestruturações, a heterogenização do trabalhador é uma delas, um exemplo disso
é a crescente incorporação de uma grande massa feminina no mundo do trabalho, tendo
ainda uma grande tendência a subproletarização de um modo mundo visível a ser
enxergado com trabalhos parciais, precários, informais, subcontratados e os terceirizados.

Uma das consequências dessas transformações ou metamorfoses no mundo do trabalho é


a expansão crescente do desemprego que pode ser visto a nível global. Esse processo traz
com ele também a contradição onde se reduz o operário industrial e por outro lado
aumenta-se o trabalhador explorado que realiza trabalhos precários, a incorporação
feminina, a exclusão dos muitos novos e dos mais velhos, com isso torna-se cada vez
mais evidente o processo de heterogenização, fragmentação e complexificação da classe
trabalhadora.

O processo de redução do operário industrial da fábrica e outros trabalhos se dá por alguns


motivos, enxugamento nos quadros mediante a crises estruturais e cíclicas, a
implementação elevada de tecnologia, terceirizações, contratos desumanos, jornadas de
trabalhos abusivas e etc., esses acontecimentos refletem na grande crise de desemprego
que vivemos atualmente.

Essa exploração, subproletarização além de todo o rompimento com a classe trabalhadora


e a sua fragmentação, traz também a quebra dos direitos, a falta das garantias dos direitos
sociais, o cumprimento de políticas e o rompimento de todas as bases solidas que a
sociedade se apoia.

A acumulação produtiva exigida pelo capitalismo aumenta o processo de crescente


investimento no capital (tecnologias, maquinários e etc.), e traz com ele a diminuição de
investimento no capital variável, ou seja, na força de trabalho.
Neste momento o capital supre as suas necessidades de acumulação com a exigência de
uma classe trabalhadora multifuncional, polivalente, capaz de responder todas as
exigências e “necessidades” desse novo modo de exploração.

“(...) uma classe trabalhadora mais heterogênea, fragmentada, heterogeneizada e mais


complexificada, dividida entre trabalhadores qualificados e desqualificados, do mercado
formal e informal, jovens e velhos, homens e mulheres, estáveis e precários, imigrantes e
nacionais, brancos e negros etc., sem falar nas divisões que decorrem da inserção
diferenciada dos países e de seus trabalhadores na nova divisão internacional do
trabalho”. (ANTUNES, 2010, p. 198).

Essas questões estão cada vez mais visíveis pela fragilização da proteção social e pelo
questionamento natural de onde está e como se dá a intervenção do Estado, tal
questionamento traz com ele algo muito maior que imaginamos, o capitalismo se recicla
a cada crise para a sua própria reestruturação, e este está rompendo com todas as formas
de garantias de direitos dos trabalhadores.

Portanto segundo ROSANVALLON, 1998, a questão social hoje se manifesta também


na ruptura do compromisso do Estado de bem-estar social, manifestação essa que hoje é
indissociável da questão do emprego, pois repensar o Estado Providência implica
prioritariamente abordar uma nova forma de gestão social do desemprego.

O desemprego, a precarização, terceirização e desordem em nossas estruturas que


estamos nos defrontando hoje não é um acidente de alguns, não é algo impensado
vemos que hoje estamos diante de novas manifestações da mesma e antiga questão
social resultante da contradição das relações de capital e trabalho.

Para lidar com tais situações e até mesmo nos preparar para o que ainda pode vir, é
necessária uma enorme mudança de postura daqueles que estão envolvidos em meio a
esta exploração. É necessário que a população seja capaz de reconhecer a importância
das ações políticas que os envolve, se faz cada vez mais importante e necessária ações
junto à população vulnerável a fim de oferecer a esta condições de fortalecimento e
ferramentas para pensar sobre elementos de lutas e resistência.

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