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eBook

Sintetizadores
Como Funcionam?
Breve Histórico

Desde o final do século XIX, pesquisadores vinham


tentando criar instrumentos musicais que
produzissem som através da eletrificação de
instrumentos acústicos ou apenas através de circuitos
elétricos. A partir de 1897 chegaram a produção de
sons através de dínamos, mas logo estes
equipamentos caíram em desuso por conta dos
elevados custos, sonoridades insatisfatórias e o alto
consumo de energia.

Jornal anuncia invenção do Telharmonium

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Breve Histórico

Dínamos do Thelharmonium. Produtor elétrico de som de 1897

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Breve Histórico
No início do século XX, outros diversos instrumentos elétricos foram inventados e o princípio da
frequência de batimento ou osciladores heterodinâmicos foi descoberto. Alguns inventores
utilizaram deste mecanismo e o primeiro deles foi Leo Theremin, que trouxe à tona o Theremin ou
Thereminvox, em 1924. Ele utilizava alterações de capacitância causadas pela proximidade do corpo
humano às válvulas para causar variações de frequência no sinal.

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Breve Histórico
Nas décadas seguintes, outros vários instrumentos elétricos foram criados. Os mais inovadores e de
sonoridade mais bem aceita foram:

1929 – Coupleux-Givelet – Órgão elétrico inventado por Edouard Coupleux.

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Breve Histórico

No mesmo período, vários instrumentos acústicos com


captação elétrica também foram inventados, dentre
eles a guitarra e o piano elétrico.

1934 – Hammond Organ – Órgão elétrico inventado por Laurens Hammond.

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O Primeiro
Sintetizador
O Primeiro Sintetizador

No ano de 1951, os engenheiros Harry Olson e Herbet Bellar, da empresa RCA (um dos maiores conglomerados
de entretenimento dos Estados Unidos, na época), apresentaram o Mark II. Ele foi considerado o primeiro
sintetizador da história e este crédito lhe é atribuído devido a sua capacidade de criar eletronicamente qualquer
formato de onda. Operando através de válvulas, ele processava dados para gerar ondas elétricas que, através da
amplificação de som, se tornavam ondas sonoras. Este processo não acontecia em tempo real devido às
limitações eletrônicas do processamento de dados da época.

RCA Mark II Synthesizer, acompanhado de seus criadores Mark II nos dias de hoje

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O Processo
De Síntese
O Processo de Síntese

O sintetizador é um instrumento musical que cria e manipula vibrações de sinal elétrico, aumentando ou
diminuindo a velocidade destas vibrações a fim de obter sons mais graves ou agudos.

Para entender melhor os processos de síntese, precisamos entender primeiro alguns conceitos básicos de
eletricidade.

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Grandezas
Elétricas
Tensão Elétrica

A alternância de tensão elétrica é o fundamento mais básico da síntese. De uma maneira bem simples,
tensão é a diferença de potencial entre dois pontos sendo medida em volts. Popularmente chamada de
voltagem, a tensão é um dos fatores que determinam a potência elétrica que pode fluir pelo circuito.

Voltímetro, equipamento usado para medir a tensão elétrica

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Corrente Elétrica

Popularmente chamada de amperagem, a corrente elétrica é o fluxo ordenado de partículas portadoras


de carga elétrica (elétrons de cargas positivas e negativas). Ela representa a passagem de elétrons de um
átomo ao outro, responsáveis pela produção de energia elétrica.

Existem dois tipos de correntes elétricas: corrente contínua e corrente alternada.

•Corrente Contínua – É a corrente de tensão teoricamente constante e de polaridade contínua, isto é, não
inverte sua polaridade para o seu funcionamento. Baterias de carros e fontes de computador são
exemplos de dispositivos onde encontramos corrente contínua;

•Corrente Alternada – É a corrente onde as polaridades se alternam no tempo. Possui uma frequência de
alternância em sua polaridade e, consequentemente, em sua tensão. Esta frequência é medida em Hertz. É
a corrente fornecida nas tomadas residenciais e são exemplos de uso direto da corrente alternada os
motores elétricos e transformadores, assim como os sinais de áudio processados por um sintetizador.

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Corrente Elétrica

Uma vez que as correntes alternadas mudam sua tensão elétrica constantemente, medi-las com um
voltímetro não é a maneira mais adequada. Para termos uma imagem real do que acontece com o sinal na
corrente alternada é recomendado usar um osciloscópio.

O osciloscópio acima mostra o formato de onda de uma corrente alternada, onde a distância horizontal
representa o tempo e a distância vertical representa a amplitude da tensão elétrica, ou seja, a potência do
sinal.

Entender o formato de onda de uma corrente alternada é essencial para a compreensão da síntese.
Síntese, nada mais é do que a obtenção de diferentes sons através da manipulação de um sinal de
corrente alternada, amplificado e enviado a um auto-falante.

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Formatos
de Onda
Formatos de Onda

Nossa percepção de um som sintético, bem como de qualquer som que utiliza amplificação elétrica, se dá
através das variações de pressão sonora criadas pelos movimentos de um alto-falante, que é o agente
conversor de sinal elétrico em ondas sonoras.

Antes de entendermos os formatos de uma onda é importante entendermos melhor outras duas
grandezas comuns a todo sinal: a amplitude e a frequência.

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Frequência

Frequência é o número de oscilações que as ondas de um determinado sinal realizam em um


determinado tempo. Chamamos de período o ciclo completo que uma onda realiza indo de 0° até 360º,
bem como mostra a imagem abaixo:

PERÍODO

Quanto maior a quantidade de períodos por segundo de um determinado sinal, mais agudo ele será
quando amplificado e convertido em pressão sonora por um auto-falante.

MAIS AGUDO

MAIS GRAVE

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Amplitude

O período de uma onda pode ser dividido em 2 “fases” uma positiva e uma negativa onde a fase positiva
vai de 0º à 180º e a fase negativa vai de 180º à 360º. Confira na imagem que segue:

AMPLITUDE
FASE
POSITIVA
FASE
NEGATIVA

Em áudio, amplitude é a distância que temos entre o ponto 0º, neutro, e o pico da fase positiva, 90º

O formato de uma onda de corrente alternada depende de como a tensão elétrica muda com o tempo, o
que influenciará na característica do som (explicação a seguir). O auto-falante reproduzirá o formato de
onda gerado na corrente elétrica alternada. Existem diversos formatos de ondas gerados a partir das
variações de tensão elétrica. Antes de vermos os formatos de onda em si, precisamos entender o conceito
de harmônicos.

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Harmônicos

Todo som que ouvimos é composto por uma ou mais de uma frequências e isto ocorre devido à
ressonância dos corpos afetados por aquela onda. Os únicos sons que não produzem estas frequências
adicionais são as ondas puras que só podem ser geradas artificialmente. Chamamos estas frequências
adicionais de harmônicos.

Mesmo que em muitos casos possamos identificar somente uma nota, uma série de outros harmônicos
soam simultaneamente. Todo som de altura identificável (nota musical) possui a frequência chamada
fundamental e outras demais frequências que são múltiplos de números inteiros desta fundamental. Por
exemplo, a nota lá, de frequência 220Hz, também é composta pelos harmônicos nas frequências 440Hz,
660Hz, 880Hz e assim por diante.

Cada corpo que emite som tem alguns harmônicos mais intensos do que outros. É isto que dá origem ao
timbre. Visualmente, podemos perceber o timbre pelo formato de onda gerado

Formato de onde de um violino.

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Harmônicos

No caso dos sintetizadores não escolhemos diretamente os harmônicos, mas sim os formatos de onda
desejados. Estes formatos de onda gerarão diferentes harmônicos e, consequentemente, diferentes
timbres.

Aqui, podemos traduzir a diferença entre as formas de onda de uma forma visual, observando os
diferentes harmônicos produzidos por cada forma de onda.

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Sine Wave

O formato de onda gerado por uma alternância contínua da tensão elétrica, que parte do ponto zero, vai
para uma fase positiva, onde desce até a fase negativa e sobe novamente até o ponto zero. Aqui, temos
uma análise de frequência desta onda, que demonstra os harmônicos acontecendo. No caso de uma Sine
Wave (que é a simulação de uma onda pura) temos apenas um pico em 100hz (fundamental) e mais
nenhuma frequência com alta energia (harmônico).

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Square Wave (onda quadrada)

Este formato de onda é composto basicamente por fase positiva e uma negativa, passando rapidamente
pelo eixo 0°. Observe a análise de frequência abaixo:

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Triangle Wave (onda triangular)

Este formato de onda inverte sua orientação assim que atinge o seu auge da fase positiva, indo
diretamente para o auge da fase negativa, quando inverte novamente sua orientação assim que atinge o
topo da fase negativa. Observe a análise de frequência abaixo:

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Sawtooth / Ramp Wave (onda “dente de serra”)

Este sinal começa no topo de uma de suas fases, (positiva ou negativa), seguindo gradativamente até o
topo de sua outra fase. Análise de frequência:

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Ruídos

Os ruidos são sinais gerados por uma flutuação randômica do sinal de áudio.

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Criando Sons no
Sintetizador
Criando Sons no Sintetizador

Agora que já passamos pela parte elétrica e física e aprendemos alguns tipos de ondas que podem ser
escolhidas no processo de sintetização, fica fácil compreender os principais componentes que podem ser
usados no processo de sintetização.

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Partes do Sintetizador

Osciladores

Ganho
Oscilador Filtros Efeitos (fx) (amplificação
de sinal)

Modulador Ruído
Oscilador de
Baixa frequencia
(LFO)

São os geradores de som do processo de síntese. Ele produz uma ou mais notas num formato de onda
escolhido. Mais de um OSC pode ser usado ao mesmo tempo (e geralmente é). Este sinal percorrerá toda a
cadeia de componentes que o alteram para produzir o som desejado. Diferentes opções estarão
disponíveis nos osciladores, uma vez que existe uma grande variedade de produtos no mercado. Suas
funções básicas são apresentadas a seguir.

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Filtros

São, basicamente, equalizadores. Deixam algumas frequências passarem (parcial ou totalmente) e outras
não. São responsáveis por “moldar” características de amplitude de frequências do sinal dos osciladores e
excluir ou aumentar harmônicos no som geral. Os tipos mais comuns são:

Low pass filter: deixa as frequências abaixo de um valor escolhido passarem e bloqueia as que estão
acima. Exemplo de uso:
Permitir apenas as frequências graves de uma square wave para formar a parte grave do som, deixando a
média e aguda para outros osciladores.

High pass filter: ao contrário do low pass, deixa as frequências acima de um valor escolhido passarem e
bloqueia as que estão abaixo. Exemplo de uso:
Cortar o agudo de uma sawtooth wave para obter um som menos estridente, deixando a parte aguda
para um outro oscilador mais suave.

Band pass filter: é a combinação de um high pass filter e um low pass. Ou seja, deixa passar algumas
frequências acima e algumas abaixo de um valor escolhido, bloqueando o resto. Exemplo de uso:
Adicionar um OSC com uma square wave, passando por um band pass filter de 1000hz até 3000hz para
suprir uma área onde faltam harmônicos.

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Filtros

Noch filter: é o oposto do band pass. Exclui algumas frequências acima e algumas abaixo de um valor
escolhido, permitindo o resto. Exemplo de uso: para cortar frequências que estejam somando e
sobressaindo ao som geral.

Ressonance: é um controle (e não um tipo de filtro) que dá um boost nos harmônicos próximos ao valor
escolhido.

A Ossia tem um e-book gratuito sobre Filtros e Equalização que pode ser baixado em:
http://promo.ossia.com.br/ebook-equalizacao

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LFO - Low Frequency Oscilators

Os LFO (osciladores de baixa frequência) não geram som como os osciladores já vistos. Servem para um
propósito diferente: variam os parâmetros disponíveis em todas as partes no sintetizador, de acordo com
uma forma de onda específica. E não há limites para onde possam ser usados. Um LFO conectado no
controle de pitch do oscilador vai fazer este valor mudar entre um máximo e um mínimo escolhidos. Se
forem usados uma sine wave e um intervalo de pitch pequeno o suficiente, teremos um efeito de vibrato,
com a nota variando sua altura ligeiramente.

Qualquer parâmetro dos filtros pode ser usado para controlar os volumes de efeitos, dos geradores de
ruídos e até outros LFOs. Na verdade, são tão úteis e versáteis que até softwares de simulação de
amplificadores de guitarra disponibilizam LFOs para variar os parâmetros disponíveis nos efeitos,
amplificadores, tones e equalizadores presentes no software.

É, definitivamente, uma das partes mais importantes no processo de sintetização. É parte do processo
capaz de gerar movimentos internos no som e tornar o timbre único e, para isto, muita experimentação se
faz necessária.

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Efeitos

Adiciona efeitos como reverb, chorus e delay (entre muitos outros) ao som produzido. Uma explicação
mais detalhada de cada efeito não cabe no escopo desse eBook e uma pesquisa adicional será necessária.

Amp
Controla o ganho de saída da cadeia de componentes.

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Tipos de
Síntese
Tipos de síntese

Tendo estes componentes em mãos, pode-se organizar o processo de síntese de diferentes formas, onde
os componentes servem diferentes propósitos (guardado seu devido funcionamento).

Síntese subtrativa
A principal idéia por trás deste processo é geral sons via OSC, com uma carga alta de harmônicos e ir
subtraindo frequências não desejadas para “moldar” o som final. Para excluir sons, usam-se filtros e outros
osciladores em fases invertidas num processo chamado interferência destrutiva.

Síntese aditiva
Processo baseado na teoria de que qualquer som pode ser construído com uma soma de sine waves.
Como este formato de onda NÃO gera harmônicos, é possível escolher quais acontecerão, simplesmente
adicionando uma nova onda na frequência correta (para isso, usa-se o controle de pitch dos diferentes
osciladores). Novamente, muitas tentativas e experimentos devem ser aplicados aqui.

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FM Synthesis

Síntese FM: a modulação em frequência difere dos outros processos a cima. Os timbres são construídos
alterando o pitch de uma onda simples com vários LFOs para atingir um som mais complexo. Ideal para
construir sons com harmônicos parciais, cheios de frequências que não são múltiplos inteiros da
fundamental.

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É sua vez de praticar!

O processo de síntese tem se tornado mais acessível, assim como adquirir equipamentos e softwares.
Porém, ter acesso aos recursos não basta. É importante entendê-los e testá-los manipulando os
parâmetros, observando suas interações e a influência no som.

Estamos sempre postando materiais educativos novos no nosso blog: http://ossia.com.br/blog/

E caso você tenha uma questão ainda não respondida, nos procure pelo email: contato@ossia.com.br

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