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ESBOÇO DO SEMINÁRIO: ORIGINALIDADE DO 2014

GÉNERO LITERÁRIO NARRATIVO E SUAS


CARACTERÍSTICAS.

“O Conhecimento constroi-se partilhando para escolher outro destino”.


Kennexiz Xavier

OBJECTIVOS:

 Compreender a mensagem global de uma lenda, de uma fábula, de


um conto, de uma novela, de um romance ou uma epopeia.
 Reconhecer as personagens no seu espaço, no seu tempo e no seu
papel na economia da narrativa.
 Definir a estrutura interna/momentos da acção.
 Conhecer o estatuto do narrador;
 Descodificar o simbolismo dos elementos da acção;
 Considerar a actualidade ou o anacronismo da narrativa;
 Avaliar a expressividade da linguagem.

ORIGINALIDADE E DEFINIÇÕES

Uma narrativa é original quando é fruto da imaginação, criação, sonhos e


tendências do autor; sem ter traços de plágios ou de assuntos, elementos
linguísticos e textuais doutros autores.

NARRATIVA- É um texto, normalmente de ficção, que procura cumprir


as funções socioculturais das épocas em que surge. Este género literário
comporta os seguintes subgéneros literários:

1. A LENDA,
2. A FÁBULA,
3. O CONTO,
4. A NOVELA,
5. O ROMANCE
6. E A EPOPEIA.

A LENDA- é o facto histórico transficurado pela imaginação popular; é a


narrativa que pretende explicar a origem ou a razão de um fenomeno ou de
um facto geógrafico.

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A FÁBULA- é uma narrativa maravilhosa, que dá vida aos inertes,


personificafica os seres vivos, transfigurando os bichos em homens e os
homens em bichos.

O CONTO- é uma narrativa de pouca extensão, de um número reduzido de


personagens, de um tempo restrito e de uma acção muito simples. Esta
narrativa comporta dois subgéneros:

 O CONTO POPULAR- é uma narrativa voltada as origens de um


“povo”, circula de geração em geração.
 E O CONTO LITERÁRIO- é uma narrativa artistica e original,
voltada as tendências do “autor” , é tambem conhecida como conto
do autor.

A NOVELA- é uma narrativa, que na sua extensão é menor do que o


romance e maior do que o conto.

O ROMANCE – é uma narrativa que se destingue do conto e da novela


pela dimensão e pela profundidade da história em que a acção é extensiva e
complicada e as personagens são numerosas, complexas e atravessadas por
conflitos íntimos.

A EPOPEIA-é uma narrativa que se distingue do romence por ser seu


objecto o passado épico nacional, por ser sua fonte a tradição nacional, e
por estar o seu mundo separado do presente (tempo do autor) por uma
distância épica.

CARACTERÍSTICAS DA NARRATIVA

As características da narrativa são:

1. A ACÇÃO;
2. O ESPAÇO;
3. O TEMPO;
4. A PERSONAGEM;
5. O NARRADOR;
6. O NARRATÁRIO;
7. OS MODOS DE APRESENTAÇÃO;

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8. E O DISCURSO.

A ACÇÃO- é qualquer acontecimento que se desenrola num determinado


espaço e num tempo mais ou menos extenso, sem a vinculação a um
prein´cpio de causalidade e a um desenlace. Esta comporta a INTRIGA.

A INTRIGA- é uma forma de acção, mas difere desta na medida em que


se subordina ao princípio da causalidade e ao princípio do desenlace. Isto
significa que a intriga é uma acção fechada; o último acontecimento
inviabiliza qualquer continuidade. Esta por sua vez, divide-se por Intriga
Principal e Intriga Secundária.

Intriga Principal- é o conjunto de sequências narrativas que ocupam


maior parte do universo narrado e consequentemente detêm a maior
importância.

Intriga Secundária- é o conjunto de acontecimentos de menor relevo e


cujo interesse é definido em relação a intriga principal.

Lembrar que a construção da intriga comporta as seguintes sequências


narrativas:

Encadeamento, Encaixe e Alternância.

Encadeamento- é a sucessão dos acontecimentos como elos de uma


cadeia. Sendo visualizado da seguinte maneira: S1→S2→S… até a
sequência final.

Encaixe- é uma sequência narrativa encaixada dentro de uma outra.


Podendo visualizar-se assim: N1 e N2 que será = a Narrativas encaixadas.

Alternância- é a interrupção de uma sequência inicial para ceder o lugar a


outra que, por sua vez, fica em suspenso a primeira, e assim
sucessivamente. Lembre-se que nesta construção narrativa, pode verificar-
se que, no final, as várias sequências se fundem num único plano. Podendo
visualizar-se assim: N1→N2→N3→N1→N2→N3… ▲.

O ESPAÇO- é o meio ou local onde decorre a acção e a movimentação das


personagens. Ele pode ser:

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Físico, Social e Psicológico.

O Espaço Físico- é constituido por todos os elementos que servem de


Cenário ao desenrolar da acção e a movimentação das personagens.
Assim podemos falar em espaço exterior e em espaço interior.

Espaço Social- é composto pelas camadas sociais representadas na obra.


Nesta também se inclui o espaço cultural.

Espaço Psicológico- é a zona interior das personagens, isto é, toda a gama


de notações que nos deixam ver o páthos (estado da alma) dos
intervenientes da acção.

O TEMPO- é o processo temporal que qualquer acontecimento narrativo


dura a ser concretizado. Este pode ser:

1. Tempo da História,
2. Tempo do Discurso,
3. Ordem Temporal,
4. Ritmo Temporal,
5. Tempo Psicológico ,
6. e o Tempo Histórico.

Tempo da História-é a sucessão cronológica de acontecimentos


susceptíveis de serem adoptados com maior ou menor rigor. Todos
sabemos que qualquer acontecimento dura um determinado tempo.
Representa-se assim numa sequência linear: A→B→C→D→E→F→G…

Tempo do Discurso-é a elaboração do tempo da história levada a cabo


pelo narrador. Representa-se assim numa sequência linear:
B→A→C→D→F→E→A→F…

Ordem Temporal- implica-nos saber que, a disposição dos eventos pode


ser distribuida por ordem temporal linear. Neste caso podr-se-á falar em
isocronia. Mas podem ser distribuidos de forma diferente, como se pode
ver na segunda representação referida no Tempo do Discurso. A ordem
linear é alterada para dar lugar a uma anisocronia. Neste caso, a narrativa
inicia-se pelo segmento B, isto é, numa fase já adiantada, tendo o narrador

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de recuar para encontrar o segmento A. Assim estamos em presença de


uma analepse; ou, então, o narrador antecipa uma sequência (sequência F):
estamos em presença de uma prolepse.

Ritmo Temporal- mede-se pela relação entre a duração da história,


medidas em segundos, minutos, horas, dias, etc., e a do discurso, medida
em linhas e páginas.

Lembrar que, se a velocidade dos dois tempos for igual ou semelhante,


estamos perante uma isocronia; se não for semelhante e apresenta uma
desproporção apreciável, estamos perante uma anisocronia. Para a
construção desta, o narrador pode servir-se de elipses (omissão de
acontecimentos), de pausas (o tempo da história como que pára para dar
lugar às descrições e divagações), de sumários(resumos de
acontecimentos pouco relevantes ou preparação para eventos importantes).

Tempo Psicológico- é o tempo filtrado pelas vivências subjectivas das


personagens. Está directamente relacionado com a problemática existencial
da personagem, revelando a sua mudança, o seu desgaste, as suas
contradições e a sua erosão, tudo isto, provocado pela passagem do tempo e
as vevências felizes ou infelizes.

Tempo Histórico- é revelado pelos os acontecimentos de um certo período


da história de uma sociedade referidos no texto. Podemos assim falar de um
tempo medieval, de um tempo do Renascimento, de um tempo da
Revolução Socialista, etc.

A PERSONAGEM- é o actante, aquele que conduz as acções narradas e é


desta de quem o narrador fala. Ela pode ser:

1. Quanto a Composição,
2. Quanto ao Relevo,
3. Quanto a Caracterização.

Quanto a Composição:- temos personagens planas →sem evolução,


estáticas e sem vida interior.

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- Personagens modeladas (redondas) ou “caracteres”→dinámicas, dotadas


de densidade psicológica e de conflitos.

- Personagens tipo → as que representam um determinado espaço social.

- Personagens colectivas → as que representam um grupo, evidenciando a


desqualificação do indivíduo.

- Personagens individuais → as que configuram um heroi.

Quanto ao Relevo- as personagens têm papel diferente na economia da


narrativa. Assim sendo, temos personagem protagonista → tem papel
central, é o heroi da obra.

- Personagem secundária → o seu papel é de menor relevo na economia da


obra.

- Personagem figurante → tem um papel irrelevante no desenrolar da


intriga, mas para a acção pode desenpenhar um papel importante para
ilustrar uma atmosfera, uma profissão, uma ideologia, etc. Neste caso,
quase sempre se identifica com a personagem- tipo.

Quanto a Caracterização- temos a caracterização directa → consiste na


descrição das caracteristicas da personagem feita quer pela própria
personagem (autocaracterização) quer pelo narrador ou por outra
personagem (heterocaracterização). Esta modalidade de caracterização é
eminentemente estática.

- Caracterização indirecta → é aquela que resulta dos actos, dos discursos


e das reacções da personagem face aos estímulos que lhe são oferecidos por
outras personagens. É a mais dispersiva e dinámica.

O NARRADOR- é uma entidade fictícia a quem cabe o papel de enunciar


o discurso. E este pode ser:

1. Quanto a presença,
2. E quanto a posição.

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Quanto a presença- presença do narrador no universo narrado. E pode ser:


Narrador participante → na acção de que é personagem principal :
→Narrador Autodiegético.

- Narrador participante → na acção de que é personagem secundária : →


Narrador Homodiegético. Este narrador pode ser também testemunha
imparcial do que narra.

E Narrador não participante na acção: narrador heterodiegético.

Quanto a posição- narrador face ao universo narrado. E pode ser:


Narrador objectivo → se não faz comentários.

- Narrador subjectivo → se emite juizos de valor.

O NARRATÁRIO- é uma entidade fictícia, um “ser de papel”, implicado


necessariamente pela existência de um narrador. Este dirigi-se-lhe de forma
expressa ou tácita. É o destinatário de sua mensagem. Não se pode
confundir com o leitor real da narrativa, assim como não se pode confundir
o narrador com o autor. Pode dizer-se que o narratário está para o narrador
assim como o leitor está para o autor.

MODOS DE APRESENTAÇÃO- é a comunicação e a interacção


discursiva do universo narrativo. Comporta:

1. A Narração,
2. A Descrição,
3. O Diálogo,
4. E o Monólogo.

A Narração- é o acto e o precesso do discurso narrativo, implicando


necessariamente o narrador enquanto sujeito responsável por esse processo.
Neste modo de apresentação, há duas modalidades de narração: aquela em
que o narrador “mostra” os acontecimentos, usando a técnica da
representação dramatizada, e aquela em que o narrador resume, sumaria,
manipula a história.

Lembrar que, em oposição à descrição, a narração é o relato dos


acontecimentos necessários ao desenvolvimento da acção. É uma

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modalidade dinámica, servindo-se necessariamente dos verbos no pretérito


perfeito ou na sua variante estilística, o presente histórico.

A Descrição- é o processo de fornecer informações sobre as personagens,


sobre os objectivos, sobre o espaço e sobre o tempo.

Para a construção de cenários ou de retratos, o narrador tem de seguir uma


determinada técnica: do geral para o particular ou vice-versa, de cima para
baixo ou vice-versa, de grandes planos para pequenos planos, etc. Lembrar
que, a descrição assemelha-se à pintura. Por isso se tem dito que escrever
é “pintar com as palavras”.

A descrição pode assumir várias funções: decoração, criação de suspense,


acumulação de informantes, motivação de um percurso narrativo,
verosimilhança, etc.

A descrição serve-se de verbos no pretérito imperfeito, que, pelo seu


aspecto duractivo ou interactivo, contribui para o estatismo que lhe é
inerente e que a distingue da narração, e do adjectivo, destinado à
caracterização de pormenores ou à identificação de atributos.

O Diálogo- é a forma canónica da interação verbal, pressupondo a presença


do eu e do tu. Na narrativa, esta forma de expressão está ligada ao discurso
da personagem.

Monólogo- é a fala do sujeito consigo próprio: o emissor é


simultaneamente o receptor. No menólogo, o discurso, como é óbvio, é de
primeira pessoa e a sua estrutura poderá apresentar-se, por vezes, algo
dezordenada. Ainda podemos notar na narrativa, o monólogo interior; →
trata-se de uma técnica destinada a transmitir a corrente de consciência das
personagens, sem que estas a pronuciem. O narrador não intervém,
deixando fluir dos pensamentos em estado caótico, desorganizado, no caso
do monólogo interior directo. A sua função é transmitir conteúdos
mentais no seu estado embrionário.

O DISCURSO- é o conjunto dos elementos linguísticos que sustentam a


história que é narrada. Ao lermos um conto, uma novela ou um romance,
como também ao ouvir contar ou cantar uma história, apercebemo-nos que

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há modalidades discursivas diferentes, que servem objectivos também


diferentes. Assim, o discurso pode ser:

1. DIRECTO,
2. INDIRECTO,
3. E INDIRECTO LIVRE OU SEMIDIRECTO.

DISCURSO DIRECTO- é a “voz” das personagens que se assumem


como sujeitos da enunciação. Este discurso é habitualmente introduzido por
indicadores gráficos: dois pontos, travessão ou aspas. Apresença do eu é
imediatamente detectável através do uso da primeira pessoa verbal e de
expressões que localizam os acontecimentos em função do aqui e do agora
da enunciação da personagem.

DISCURSO INDIRECTO- é a representação do discureso das


personagens pelo narrador, que não obstante, procede às alterações que
quiser e que lhe são, além disso, impostas pelo uso obrigatório da terceira
pessoa. É, pois, um discurso “mediatizado”, deixando de estar presente a
qualidade “teatral” e actualizadora do discurso directo. Por isso, é habitual
a presença dos verbos declarandi ou introdutórios do discurso, como “(Ele)
disse que…, (Ele) declarou que…, etc.”.

DISCURSO INDIRECTO LIVRE OU SEMIDIRECTO- é um discurso


híbrido em que a voz da personagem e a do narrador confluem numa voz
“dual”. Explicando de uma forma mais simples, é um discurso que tem
marcas do discurso directo, como as interrogações, as esclamações, as
reticências, os deísticos (localizadores espaciais e temporais ligados à
presença eu) e marcas do discurso indirecto, como o uso da terceira pessoa
verbal, pronominal e os tempos da narração.

Lembrar que este tipo de discurso permite libertar a frase dos verbos
declarandi e da correspondente conjugação integrante (“disse” ou “disse
que”), aproxima a expressão literária dos processos da linguagem falada: ao
impersonalizar a narrativa, o leitor não sabe se é o narrador ou se é a
personagem que fala; tem a sensação de ouvir os dois exprimirem-se ao
mesmo tempo.

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Espero bem ter contribuido com alguma coisa.

OBRIGADO!

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