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UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHÃO – UFMA

CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS – CCH


DEPARTAMENTO DE SOCIOLOGIA E ANTROPOLOGIA - DESOC
LICENCIATURA EM CIÊNCIAS SOCIAIS
MEIO AMBIENTE
PROF. MSc. RODRIGO THEOPHILO FOLHES

RESENHA CRÍTICA

O Usufruto do privilégio de ser humano: construção da relação homem e natureza a


partir das bases teológicas e empíricas da Inglaterra.

Wlisses Figueiredo Matos

THOMAS, Keith. O predomínio humano. IN: O homem e o mundo natural: mudanças


de atitude em relação às plantas e aos animais. Tradução; João Roberto Martins Filho –
São Paulo: Companhia das Letras, 1988, Cap. 1, p. 21-61.

Sir Keith Vivian Thomas fora um dos mais célebres e inovadores


historiadores britânicos da atualidade. Nascera em 02 de janeiro de 1933, em Wick,
Glamorgan, no País de Gales. Dentre as variadas obras escritas destacam-se “Religião e
o Declínio da Magia: Estudos de crenças populares na Inglaterra dos séculos XVI e
XVII”, na década de 70 e “O homem e o mundo natural”, escrito na década de 80, sendo
este último que o colocara como importante autor da chamada "antropologia histórica".
Nos anos 2000, ele obtivera duas grandes honrarias da sociedade britânica: fora intitulado
presidente da centenária Academia Britânica e recebendo também o título de Sir,
conferido pela rainha Elizabeth por "serviços prestados à história".

Num apanhado geral o livro O Homem e o Mundo Natural, disserta sobre


as atitudes dos homens da era pré-moderna e moderna em relação aos animais e à
natureza, mais precisamente durante os séculos XVI, XVII e XVIII. O autor explana
sobre as argumentações teóricas que deram alicerce às percepções, raciocínios e
sentimentos dos ingleses no início da época moderna ante aos animais, plantas e paisagem
física. Iniciando suas argumentações a partir da ênfase no ponto primordial da história
humana: o predomínio do homem sobre o mundo natural. Pergunte a qualquer um na
massa de gente obscura: qual o propósito da existência das coisas? A resposta geral é
que todas as coisas foram criadas para nosso auxílio e uso prático! (p.21) ]

Sob esta ótica que o autor estrutura suas argumentações justificadoras do


livre usufruto da natureza para o homem, sendo esta uma ordem dada diretamente de
Deus, tomando assim o item de partida: I. Fundamentos Teológicos. Neste Thomas

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enfatiza a Inglaterra dos períodos Tudor e Stuart, dominada pela visão tradicional de
existência de um mundo criado para usufruto hegemônico do homem ante à natureza,
subordinada aos interesses mais subjetivos deste. O mesmo destaca o esforço conjunto
dos teólogos, intelectuais e filósofos no enaltecimento desta percepção de subserviência
da natureza em relação ao homem (p. 21).

Repetidamente o autor afirma as bases teológicas cristãs que embasam


suas suposições, tais como a justificativa de um domínio mais difícil sobre a natureza
após a entrada do pecado. “Ao rebelar- se contra Deus, o homem perdeu o direito de
exercer um domínio fácil e inconteste sobre as outras espécies (...)” (p.21). Devido tal
mácula, a humanidade deveria a partir de então submeter os animais alterados pelo pecado
aos seu jugo de dominação (p.22). Seguindo esta lógica, o evento do Dilúvio marcara
novamente este usufruto do homem da natureza, devido a devastação das plantas o mesmo
passaria a se alimentar da carne de animais para sobreviver. “Doravante, os homens
seriam carnívoros e os animais poderiam ser abatidos e comidos legitimam (...)” (p.22).

Ainda neste contexto Thomas destaca o enaltecimento da figura do homem


pelos pregadores das dinastias Tudor e Stuart que liam o mundo sob a ótica
teologicamente ligada à mitologia cristã que resguardara o predomínio do homem e
constituíra os animais como um único propósito de “(...) prestar serviço ao homem, ‘para
cujo benefício foram feitas todas as criaturas que existem’ (p.23), numa equânime
distribuição geográfica de animais e plantas, atingindo um ápice no final do século XVII
e início do XVIII, quando o debate sobre a perfeição dos desígnios do Criador atingiram
suas formas mais engenhosas e extravagante (p.25).

Um contraponto relevante citado seria a intrínseca relação do homem com


a natureza nas religiões orientais, numa simbiose particular não difundida pela teologia
cristã ocidental. A comum veneração da natureza das religiões orientais era vista como
um “obstáculo desencorajador ao império do homem sobre as criaturas inferiores” (p.28)
e para alguns historiadores fora tido como “a religião mais antropocêntrica que o mundo
já viu”, culpabilizando a Igreja medieval pelos horrores da humanidade” (p.28).

Sobre o item II. A Sujeição do Mundo Natural o autor relaciona a


dependência essencial do homem com a natureza, que vincula a conceituação ‘civilização
humana’ como uma expressão sinônima de conquista da natureza”. “O Mundo vegetal
sempre foi fonte de alimento e de combustível; o acidente, por esta época, caracterizava-
se por sua dependência excepcionalmente alta dos recursos naturais, fosse para o trabalho,
o alimento, o vestuário ou o transporte (p.31)”. Além da utilização da carne como
alimento mais completo para enaltecer a virilidade masculina, passara usufruir de técnicas
de agricultura para “domar” o reino vegetal ao seu bel prazer (32-34).

Já no item III- A singularidade humana, Thomas retoma essencialidades


do que caracterizaria a humanidade, justificando primordialmente nas teses grega.
Enfatiza três características como essenciais: “A primeira era a fala, qualidade que John

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Ray descreveu como “tão peculiar ao homem que nenhum animal jamais poderia
consegui-la. (...) (p.38). A segunda seria a razão (distinta qualidade). O homem, como
afirmou o bispo Cumberland, “era um animal dotado de inteligência” (...) (p.38). Essa
exclusiva capacidade humana para a livre ação e a responsabilidade moral conduzia a
terceira e, na visão dos teólogos, mais decisiva diferença: a alma. (p.39).

Nesta lógica simplista os animais eram tidos como semelhantes à


máquinas, porém apesar de terem o corpo dotados de movimentos mecânicos e
involuntários, não possuíam a razão para se diferenciar do homem (p.42) ou como diziam
os pregadores na Inglaterra do ano de 1659 “o homem era “uma criatura de constituição
diversa do restante dos animais, tanto em alma como em corpo” (p.42).

Assim se fazia necessário conservar as fronteiras (item IV) entre os


homens e os animais, a ideia de civilização conseguia esta proeza fixamente. “Do mesmo
modo que a moral e a religião, a educação erudita, a “civilidade” e o refinamento também
tinham como objetivo elevar os homens acima dos animais” (p.44). Numa espécie de
higienização social, um refinamento do homem, um engrandecimento à a categoria de
maior estirpe na natureza, fazendo algumas críticas à alguns rituais ou brincadeiras em
que os homens se trajavam de animais, visto ser considerado “imoral vestir-se como bicho
no palco porque isso significava obliterar-se a gloriosa imagem do homem (p. 46)”.

Após a definição da linha tênue divisora da humanidade e dos animais


(civilidade), alguns seres humanos que não se enquadravam nos padrões dispostos pela
forma de viver da humanidade, seriam considerados como Seres humanos inferiores (item
V). E “Uma vez percebidas como bestas, as pessoas eram passíveis de serem tratadas
como tais. A ética da dominação humana removia os animais da esfera de preocupação
do homem. Mas também legitimava os maus-tratos àqueles que supostamente vivam uma
condição animal.” (p.53).

Estas conclusões culminaram no que os historiadores consideram


atualmente, como o processo de escravização de pessoas negras, que preceder das
categorizações dos indivíduos africanos à condição semi-animal. As teorias mais
desenvolvidas de inferioridade racial viriam depois. Entretanto, é difícil crer que o
sistema jamais tivesse sido tolerado se aos negros fossem atribuídos traços totalmente
humanos. A sua desumanização foi um pré-requisito necessário dos maus-tratos. (p.53).

Destarte dessas afirmativas que o processo abolicionista também seguia


está lógica dúbia da relação de homem e animal, às principais críticas eram ao modo de
tratamento dados aos escravizados. “A escravidão era atacada porque confundia as
categorias de homem e animal, enquanto se denunciava a tirania política com o argumento
de que era errado tratar seres humanos como se fossem animais” (p.58).

“Portanto, a principal discussão no decorrer do período deu-se entre


aqueles que sustentavam que toda a humanidade tinha o domínio sobre as criaturas
inferiores e os que acreditavam que os direitos do homem sobre as criaturas inferiores
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deviam ser confinados a um grupo privilegiado. As divergências sobre as leis de caça não
levaram a dúvidas sobre o direito humano de caçar as aves e os animais, pois as classes
baixas estavam tão comprometidas com as ideia da dominação humana quanto as outras
camadas. (p.59).

Neste capítulo Thomas expõe a visão mais recorrente na Inglaterra dos


séculos XVI, XVII e XVIII sobre o predomínio do homem sobre a natureza partindo dos
enfoque teológicos e filosóficos, encontrando sustentação teórica nas cientificidades da
época, influindo inclusive na categorização de pessoas no meio social. As percepções
deste capítulo são generalistas porém o autor detalha outros posicionamentos
diferenciados encontrados ao longo do livro.

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RESENHA CRÍTICA

Preservar ou não preservar, eis a questão: argumentações entre a preservação e a


destruição irrefreada do mundo natural.

Wlisses Figueiredo Matos

THOMAS, Keith. O dilema Humano. IN: O homem e o mundo natural: mudanças de


atitude em relação às plantas e aos animais. Tradução; João Roberto Martins Filho – São
Paulo: Companhia das Letras, 2010, Cap. 6, p. 343 - 428.

Sir Keith Vivian Thomas fora um dos mais célebres e inovadores


historiadores britânicos da atualidade. Nascera em 02 de janeiro de 1933, em Wick,
Glamorgan, no País de Gales. Dentre as variadas obras escritas destacam-se “Religião e
o Declínio da Magia: Estudos de crenças populares na Inglaterra dos séculos XVI e
XVII”, na década de 70 e “O homem e o mundo natural”, escrito na década de 80, sendo
este último que o colocara como importante autor da chamada "antropologia histórica".
Nos anos 2000, ele obtivera duas grandes honrarias da sociedade britânica: fora intitulado
presidente da centenária Academia Britânica e recebendo também o título de Sir,
conferido pela rainha Elizabeth por "serviços prestados à história".

No livro O Homem e o Mundo Natural, THOMAS disserta sobre as


atitudes dos homens da era pré-moderna e moderna em relação aos animais e à natureza,
mais precisamente durante os séculos XVI, XVII e XVIII. O autor explana sobre as
argumentações teóricas que deram alicerce às percepções, raciocínios e sentimentos dos
ingleses no início da época moderna ante aos animais, plantas e paisagem física. Iniciando
suas argumentações a partir da ênfase no ponto primordial da história humana: o

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predomínio do homem sobre o mundo natural e finalizando com o capítulo sobre o
Dilema Humano, em que enfatiza as questões humanas levantadas ante o
desenvolvimento irresponsável da indústria. É tão horrível as coisas precisarem ser
mortas para que nos alimentemos delas- parece tão perverso. E no entanto temos que
fazê-lo – ou morrer nós mesmos. (p.344)

Questionamentos e hesitações deste tipo permearam a cabeça de grande


parcela da humanidade nos séculos XVI, XVII, XVIII até a atualidade. Certa afinidade
peculiar do homem com a natureza fora um grande propulsor destas inquietações. Uma
nova preocupação com os sofrimentos dos animais viera à luz; e, ao invés de continuarem
destruindo as florestas e derrubando toda árvore sem valor prático, um número cada vez
maior de pessoas passava a plantar árvores e a cultivar flores para pura satisfação
emocional” (p.344)

Em seu primeiro item as questões giraram entorno da dicotomia Cidade


versus Campo. Thomas inicia seus argumentos retomando o ideal de civilidade que
rodeava as mentes do povo elisabetano, sintetizados num provérbio popular: “um fidalgo
criado na cidade seria mais ‘civilizado’ do que um educado no campo”, já que “a cidade
era o berço do aprendizado, das boas maneiras, do gosto e da sofisticação” (p.345).

No transcorrer das páginas 346 a 350, o autor mantera a argumentação


sobre a poluição nas cidades e de como isto dificultara o convívio sadio com o mundo
natural. As poluições variavam entre as fábricas de carvão, fermentação de cerveja, tintura
de roupas, fabricação de goma e de tijolos entre outras indústrias instaladas no interior
das cidades. “Imersos em fumaça, aturdidos com perpétuo barulho” (p.348)

Devido o desenvolvimento industrial demarcar ferrozmente o ambiente


natural circundante, criara-se a necessidade de fuga para um refúgio para a opressão
poluidora das cidades, indicando o ar campestre como principal solução. Assim, as
“excursões ou ‘perambulações’ campestres eram uma forma comum de descanso durante
o século XVIII (...) o retiro rural já não era uma simples defesa contra o mundo corrupto;
era o portão aberto para o Paraíso antes da Queda. (...) O campo era retratado como um
lugar mais virtuoso que a cidade” (p.353)

O autor por vezes evidencia a insatisfação dos moradores das cidades com
o ambiente urbano, marcado nas argumentações constantes nas páginas 354 a 359, em
que ocorre uma mudança de olhares em relação ao campo fica mais evidente e os artistas,
nobres e poetas passam a edenizar o mesmo, como um local de retorno para Deus.

Neste processo de transferência da população nobres das cidades para o


campo, novos olhares passariam a pairar também sobre as terras antes tidas como inférteis
e novos dilemas emergiriam, trabalhar na lavoura ou considerar a terra como inculta (item
2). No transcorrer das páginas 360 a 363 o autor dispõe acerca do cultivo como maneira
de regenerar as obras de Deus, terras dantes incultiváveis, neste contexto, seriam
adaptadas às culturas de hortaliças, frutas, trigo, e etc., numa exímio forma de restauração
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da natureza. “O labor humano, concordava Thomas Trahérne, podia restaurar “ a beleza
e a ordem do Éden”. (p.362)

Nos meandros da aplicação desta nova maneira de percepção da natureza,


novas tecnologias foram aplicadas em prol de um resultado mais favorável no cultivo
nestas terras, outrora vistas como descartáveis. “A prática de plantar cereais ou vegetais
em linhas retas não era apenas um modo eficiente de aproveitar espaços escassos; também
representava um meio agradável de impor a ordem humana ao mundo natural
desordenado” (p.362). Vale a pena destacar que estas alterações mantinham um padrão
de civilidade do homem culto tão venerado. “Esmero, simetria e padrões formais sempre
foram a maneira caracteristicamente humana de indicar a separação entre cultura e
natureza” (p.363)

Esta nova forma de percepção da realidade carregava consigo valores


teológicos de redenção da mácula do pecado, em que a “(...) paisagem agreste e estéril
deixara de ser objeto de aversão para se tornar fonte de renovação espiritual. (...) Quanto
mais selvagem a cena maior o seu poder de inspirar emoção. (...) As montanhas que, em
meados do século XVII eram odiadas como estéreis ‘deformidades’, ‘verrugas’,
‘furúnculos’, ‘monstruosas excrescências’, ‘refugo da terra’, ‘pudenda da Natureza’,
tinha-se transformado, cerca de um século depois, em objetos da mais elevada admiração
estética.” (p.366). Os olhares sobre os habitantes de áreas montanhosas também
j7receberam novos tons, a barbárie fora substituída pelo constante elogio por sua
inocência e simplicidade (p.368). Desde então a veneração era dada ao cenário selvagem
e romântico e a recorrente necessidade de retorno à terra selvagem em busca de
regeneração espiritual, que condicionará mais tarde os movimentos de preservação das
montanhas e terras incultos e pantanosas, antes de serem, todas tragadas pelo progresso
humano” (p.379-380)

As novas hesitações destacadas pelo autor se referiram ao dilema entre a


conquista ante à preservação (item 3). Nas páginas 380 a 390 o autor explicitara sobre a
alteração de um padrão de belo e feio/imundo, e as plantas passariam a ter outro valor
agregado, registradas como utilidade medicinal, cultivadas em Jardim com esta
finalidade. Os animais também receberam sobre si os impactos desta nova forma de
observar o mundo, alguns passariam a ser assimilados a elevada estirpe de civilidade,
alguns por exemplo eram estimados como presentes dignos de governantes e Reis tais
como: o boi branco, os cisnes e os animais exóticos, que quanto mais raros e excêntricos
fossem os animais mais valor agregado eles teriam.

Sob a égide destas novas formas de observar o mundo natural, a arquitetura


da sociedade civilizada ganha nova metamorfose pois “(...) sensibilidades privadas seriam
satisfeitas com a criação de reservas especiais, jardins paisagísticos, cinturões verdes e
santuários animais: oásis artificiais ou vislumbres de um mundo idealizado, cuja própria
existência sublinhava sua oposição fundamental com os valores essenciais da sociedade
em seu cotidiano” (p.406)

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O último dilema que Thomas sustenta seria o referente à matança de
animai, outrora visto como uma qualidade a receber honrarias por enaltecer a virilidade
dos homens, neste novo contexto, a permissão de comer carne passaria a ser “(...) vista
como concessão à fraqueza do homem” (p.409). Assim, emerge o penúltimo item supõe
questionamentos sobre: morte ou mercê? As argumentações dispostas entre as páginas
406 a 409 dispõem sobre críticas à criação/ domesticação de animais, conduzindo também
uma influente prática de vegetarianismo, além de elaborar uma forte crítica à utilização
de animais como alimento, agregando características negativas de caráter dos
açougueiros, por exemplo.

“O vegetarianismo era, para ele, um meio de refreara agressão, de vencer


“um espírito tumultuado e invejoso” (...) geralmente se admitia que a alimentação afetava
o caráter”. (p.412)

Nas páginas 410 a 421 fizera fortes argumentações sobre a matança de


animas ter sido veementemente condenada entre os séculos XVIII e XVIII, em que os
agentes desta prática era tidos como classe desmoralizada. Em meados de 1790
desenvolvera-se assim um movimento vegetariano mais articulado, com tonalidades
marcadamente radicais. Apesar de ainda haverem alguns pensadores utilitários que viam
na matança algo proveitoso para a alimentação humana. “O homem não podia sobreviver
sem ser um predador” (p.422)

“Matar animais para comida agora era uma atividade diante da qual um
número cada vez maior de pessoas sentia-se esquivo ou embaraçado. A ocultação dos
matadouros ao olhar público tornou-se um recurso necessário para evitar um choque
excessivamente forte entre a realidade material e as sensibilidades privadas”. (p.424)

5 – CONCLUSÃO

“Tal era o dilema humano: como reconciliar as exigências físicas da


civilização com os novos sentimentos e valores que essa mesma civilização tinha
engendrado”. (p.425)

“(...) as sensibilidades e a moral são mera ideologia: uma racionalização


conveniente do mundo tal como ele é”. (p.425)

“O crescimento das cidades conduziu a um novo anseio pelo campo (...) O


progresso da lavoura fomentou um gosto por ervas daninhas, montanhas e natureza não
dominada” (p.425)

“A recém-descoberta segurança diante dos animais selvagens produziu um


empenho cada vez maior em proteger aves e conservar criaturas selvagens no seu estado
natural. (...) uma visão cada vez mais sentimental dos animais enquanto bichos de
estimação e objetos de contemplação iria acomodar-se com a sombria realidade de um

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mundo no qual a eliminação de ‘pestes’ e a criação de animais para o abate ia-se tornando
‘cada dia mais eficiente’.” (p.425)

“(...) os parques naturais e as áreas preservadas cumprem uma função que


não é diferente da que os bichos de pelúcia têm para as crianças. São fantasias que cultuam
os valores mediante os quais a sociedade, como um todo, não tem condições de viver.”
(p.426)

Nas páginas 427 e 428 o autor ressalta a importância da preservação da


natureza, marcada temporalmente no ano de 1969 pelas Nações Unidas e União
Internacional de Preservação da Natureza. Expondo o conflito humano entre preservar e
dominar a natureza , “Uma combinação de compromisso e ocultamento impediu até agora
que tal conflito fosse plenamente resolvido” (p.428)