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APOSTILA Nº5

MATÉRIA: FILOSOFIA DA RELIGIÃO


CURSO DE FORMAÇÃO PASTORAL - CURSO DE PASTOR 2

© 2014, de Emerson Martins de Oliveira


Título do original

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INDICE
Relação entre a Religião e a filosofia

A religião – e o homem

A religião como oração do coração

Psicologia da religião e da revelação

Fases da revelação

A idéia da revelação dogmática

Conceito crítico da revelação

Processo da objetivação da revelação

Prova da revelação em nós

Noção psicológica do milagre e da inspiração

Noção primitiva de milagres

Noção de milagres na idade Média

Inspiração religiosa do ponto de vista psicológico

O progresso religioso na humanidade

O processo na forma externa da religião

O progresso na representação da divindade

O progresso na oração

As origens do Evangelho

Profetismo

Aurora do Evangelho

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A essência do cristianismo

Filosofia idealista e filosofia realista

Soluções oferecidas para o problema

O princípio cristão ou Cristianismo essencial

O Evangelho de Jesus

Distinções necessárias

As corrupções dos princípios cristãos

As grandes formas históricas do cristianismo

Cristianismo Judaico ou Messiânico

O Cristianismo católico

O cristianismo protestante

Estudo dos dogmas ou Teologia

O valor religioso do dogma

A vida dos dogmas ou a sua evolução histórica

A formação científica de dogmas ou Teologia

Teorias críticas do conhecimento religioso

A subjetividade do conhecimento religioso

Teleologia

Simbolismo

Teorias da filosofia da religião

A novidade perene de São Tomaz de Aquino

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Apostila de
Filosofia da Religião

INTRODUÇÃO

Este trabalho tem como alvo esclarecer os princípios filosóficos da religião,


levando em conta todas as formas em que a religião tem sido ativa, participante e
atuante em todos os povos, nações, raças, tribos. Como também em todas as classes
sociais, culturais, filosóficas e psicológicas.
A religião tem rompido os milênios, séculos e tem provado a existência de Deus
de forma imutável, indubitável e irrefutável.
As pesquisas para esse trabalho acrescentaram mais o meu conhecimento e me
deixando cada vez mais convicto de servir a Deus.

RELAÇÃO ENTRE A RELIGIÃO E A FILOSOFIA

A filosofia da Religião ou estudo filosófico da religião baseia-se na


pressuposição de que a religião e as idéias religiosas, pertencentes primariamente à
esfera do sentimento e a experiência prática, podem ser também objeto de interpretação
científica ou racional.
O estudo filosófico da religião pressupõe também que, embora a religião e a
filosofia estudem o mesmo assunto, a atitude do homem para com o mesmo é diferente
em cada caso. Na religião esses assuntos se apresentam como realidades imediatas e
objeto de devoção e de gozo espiritual; ao passo que na filosofia estes mesmos assuntos
se apresentam como objetivo da reflexão, apreensão intelectual e mesmo de pesquisa
especulativa.
Todos os sentimentos sejam: moral, estético, religioso, por sua natureza própria
já envolveu alguns conhecimentos, embora seja esses apenas implícitos ou virtuais.
Cabe a filosofia elucidar esse conhecimento implícito trazendo-o da esfera da intuição
imediata, na qual a mente ainda é inativa e unida ao seu próprio objeto, para uma esfera
mais elevada e consciente na quais as mentes se distinguiram do seu objeto e busca
unir-se ao mesmo de um modo mais profundo e indissolúvel. É mediante a uma

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interpretação racional que o homem entra na posse do conteúdo do seu próprio


sentimento ou da experiência empírica.

1- O objetivo da filosofia da religião é procurar alcançar a verdade absoluta que


está implícita ou oculta por trás dos fenômenos ou experiências religiosas.
2- A esfera da religião é a mais ligada a da filosofia. Ambas tratam do mesmo
objeto, embora os métodos e suas atitudes sejam diferentes em cada caso, daí o
motivo da existência da filosofia da religião cristã.
3- Observamos que haja objeção contra a pretensão da ciência ou da filosofia
procurar interpretar a experiência religiosa. Há pensadores, por exemplo, que
negam que a filosofia seja capaz de interpretar a religião em termos racionais,
afirmam que a realidade religiosa difere da realidade científica e filosófica.
Dizem que a ciência é natural, enquanto a religião é sobrenatural.

Admitimos que esses pensadores certamente tenham muita razão em fazer distinção
entre os dois campos de experiências e de conhecimento. Embora haja distinção entre o
natural e o sobrenatural. Pergunta-se como é que a nossa mente sabe o que é natural e
sobrenatural? Se a mente tem capacidade de conhecer a existência natural, como não
pode conhecer o sobrenatural? Como é que a nossa mente pode assumir na religião uma
atitude reverente, apropriada para com aquilo que desconhecemos por completo? Essas
perguntas e outras são esclarecidas quando estudamos a natureza do conhecimento
religioso.
Cremos que os problemas da natureza crítica só podem se solucionados através
de um estudo histórico e psicológico da experiência.

RELIGIÃO

ORIGENS PSICOLÓGICAS E A NATUREZA DA RELIGIÃO:


Partimos desta natureza religiosa do homem. Partimos do modo geral e
particular do método dedutivo. A religião na vida de todo homem. A religião cristã, dos
fenômenos religiosos para a formação de doutrinas. As expressões são fenômenos
visíveis da realidade. Quando vemos a conduta do homem vemos que ele tem uma
natureza religiosa. “A criação sempre busca o criador”.

1- Primeiras reflexões críticas do homem:


Porque somos religiosos? É uma necessidade moral, é um dever a cumprir e quando
não cumprimos achamos que estamos em falta conosco mesmo. É uma necessidade
subjetiva, coletiva é o proceder de um ser religioso.
2- Quando se manifesta o sentimento religioso?
Há uma distinção entre consciência da existência e consciência. Psicologicamente a
consciência é o conhecimento que o homem tem de si mesmo e do mundo exterior.
a) É o que distingue o homem do animal, é sua vida mental.
b) Consciência moral propriamente dita é julgar, aprovar ou desaprovar
moralmente, achar que convém ou não convém.

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c) Ter um juízo baseado em valores. Há um desencontro que vem de dentro do


homem o que ele é, e o que gostaria de ter é um desencontro entre o ego e o
universo exterior, o universo externo causa sofrimento ao homem.
d) Existe o conflito entre o atual e o ideal
e) A consciência psicológica nasce no meio da dor, do conflito, entre a miséria e a
grandeza que o homem imagina para si.
f) O homem quer fazer o bem mais algo o impede, a vontade está livre mais as
ações do homem estão escravizadas. No meio de tudo isso o homem exclama de
onde virá a salvação? Da ciência? Não ela é determinista.
g) É nesse conflito que o homem se manifesta religioso. O homem em contato com
o universo físico se manifesta religioso.
h) A fé se manifesta como um instinto de conservação. Ele chama por alguém
quando ele sente incapaz de dominar o universo em sua volta
i) A religião é exatamente a dependência de Deus. Todo homem por mais
rudimentar que seja, quando entra em contato com as forças do universo físico,
sente que depende de alguém.
j) O homem como ser religioso se submete a situação em que se acha. Não pode
controlar o frio, o calor, etc. vem os cata climas a morte, o homem não tem
saída, senão submeter-se.

A RELIGIÃO COMO A ORAÇÃO DO CORAÇÃO


A palavra coração é tomada como expressão do íntimo, do que o homem e em si.

1- A essência da religião é o intercambio do homem com Deus, por meio da


oração.
2- A oração é a religião em ato, é ação em verdade, o homem se expressa tal qual é.
Com sinceridade.
3- A oração é uma necessidade prática, essencial que procura uma resposta prática.
Quando a necessidade aperta a oração surge espontaneamente, o próprio ateu
quando age psicologicamente pede a Deus.
4- A história da oração é a melhor história da religião, elementos da oração como
fé, submissão e dependência surgem na vida do homem, lhe tornando livre para
adorar a Deus.
5- Adorar a Deus é tornar subjetivo consciente, é aceita-lo na própria
personalidade.
6- A religião chamada natural no terreno da idéia de interpretação não é realmente
religião, mas filosofia.
7- A oração é subjetiva e é também libertação, é pela oração que o homem se torna
livre.
8- Somos religiosos porque somos humanos, fomos feitos assim, somos portadores
da imagem de Deus.

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PSICOLOGIA DA RELIGIÃO E DA REVELAÇÃO

O ministério da vida religião. Pascal diz: “Tu não me procurarias se não


estivesse me achado”. O homem procura a Deus porque já o achou dentro de si. Se a
religião é a oração do homem, a revelação é a resposta de Deus, sendo que essa resposta
já está implícita na própria oração.
1. Nenhuma oração fica sem resposta porque foi Deus quem a inspirou.
2. Pascal definiu a piedade (Piety) ou religião: “Piedade é o Deus sensível ao
coração do homem”.
3. A revelação - ela é subjetiva de Deus no homem, e a religião objetiva em Deus.
4. A revelação é tão universal quanto é o sentimento religioso.
5. Não é necessário provar a revelação de Deus. O ímpio não pode encontrar a
revelação na sua religião.
6. A humanidade nunca esteve sem revelação. A idéia da revelação tem progredido
paralelamente com o desenvolvimento mental do homem.

FASES DA REVELAÇÃO

1- Características psicológicas:
a) Que é mito? Símbolo que apela a imaginação da criança, do homem primitivo, e
até do homem moderno. Porque a revelação simbólica apela à imaginação – toda
literatura começa com canções.
b) A história de qualquer nação começa com lenda
c) A religião começa com mito, linguagem simbólica. O mito só é fato na
aparência.
d) Onde há o símbolo existe também a verdade simbólica

2- A Evolução histórica da revolução simbólica.


Como é que as manifestações dos Deuses se apresentam inicialmente?
a) Progresso da revelação simbólica
b) Por meio de sinais materiais em termos físicos, visíveis e audíveis.
c) Por meio das manifestações da natureza – raios, trovões etc.

3- Revelação subjetiva:
A revolução tornou-se subjetiva e moral nos profetas de Israel. Nessa altura a
inspiração mística ou simbólica ainda persiste. A manifestação do Espírito era
conhecida primitivamente como:
a) Como física em Sansão
b) Como conhecimento, Samuel um vidente, ou aquele que conhecia mais do que
todos.
c) Saul profetizava e tinha coragem
d) Davi tinha coragem, Salmista, músico, etc.

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Nos profetas a revelação a revelação se torna mais adiantadas, ou interpretadas.


Anunciando as invasões e revelando as causas, afirmando que Deus era um Deus moral,
usava as nações com chicote.

Revelação simbólica completa em Jesus:


A revelação tornou-se completa em Jesus Cristo, o desenvolvimento chegou ao
grau mais alto, ao clímax. Em Jesus a revelação cessa de ser miraculosa, sem deixar de
ser sobrenatural. Os milagres de Jesus não era finalidade em si. Jesus não dava ênfase
aos atos miraculosos.
A religião em Jesus torna-se natural, normal, estudo permanente, não excepcional em
Jesus Cristo não temos teoria da revelação, mas própria revelação. Nele ela é livre de
qualquer coisa material, simbolismo. Era a própria revelação em pessoa. “Quem a mim
vê, vê o Pai”.

A IDÉIA DA REVELAÇÃO DOGMÁTICA

1- No catolicismo a revelação é interpretada com sendo dogmática; regras,


doutrinas.
a) Racional grego
b) Super naturalismo dos Hebreus.
2- A idéia católica resume: a revelação é a doutrina divinamente dada por
processos sobrenaturais, acompanhadas de sinais divinos ou milagres.
3- Os católicos dizem que a doutrina (conteúdo da revelação) dada de um modo
sobrenatural – transcende ao entendimento humano, portanto a mente humana
não pode entender. Nesse caso para ser reconhecida a doutrina precisa de provas
sobrenaturais (sinais e milagres).
4- No protestantismo a autoridade da revelação está na Bíblia. No catolicismo a
autoridade está na Bíblia também, mas supernaturalmente interpretada pela
igreja, divinamente constituída para isso. A noção escolástica da revelação
resume: se:
a) O dogma é o objeto da revelação
b) A Bíblia e a forma da revelação
c) Os milagres são provas ou evidencias da revelação
d) A interpretação católica da revelação e tão frágil que não resiste uma análise
crítica.
5- A idéia do dogma como objeto da revelação em termos racionais exclui dela o
seu caráter religioso, e coloca em conflito com a razão que está sempre em
progresso e o dogma sempre está o mesmo.
6- A fé neste caso torna-se uma aceitação externa, puramente formal, ao invés de
ser uma confiança em Deus. Torna-se a aceitação de uma formula doutrinária na
base do testemunho histórico, daí a força da sucessão apostólica, a história
aprova a revelação.

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7- A idéia de revelação dogmática é pagã, é filosofia não cristã. No cristianismo


não pode separar a revelação de Deus ao homem da salvação não há ligação
desse mesmo homem. A revelação é o próprio Deus habitando no homem.
8- A racionalização do dogma constitui a destruição do próprio doma em sua
essência. Na idade média essa racionalização do dogma trouxe o
enfraquecimento da igreja Católica Romana.
9- A intervenção do milagre como critério de interpretação da revelação não salva
o dogma de dificuldade. Pelo contrário, aumenta-lhe a dificuldade. Porque o
milagre para ser aceito temos que provar a autenticidade da história. Quando
apelados para escrituras, eles dizem: “A Bíblia foi escrita por homens, o
papel aceita tudo”.

CONCEITO CRÍTICO DA REVELAÇÃO

Estudamos já os fenômenos psicológicos da religião, voltamos agora ao estudo


da psicologia da revelação. Em toda piedade há uma manifestação positiva de Deus. Daí
resulta três conseqüências:
 A revelação é subjetiva
 A revelação torna-se evidente
 A revelação é progressiva

1- A revelação é subjetiva:
a) A piedade ou sentimento religioso é inspirado por Deus
b) Deus não tem existência fenomenal, sua existência não depende de fenômenos
para se manifestar.
c) Ele se revela ao nosso espírito diretamente, na piedade por ele criada.
d) Esta revelação subjetiva só se torna evidente em conexão com algum evento da
natureza física ou na história
e) A manifestação de Deus na natureza e na história constitui sempre para nós
matéria de fé, daí é que nos tornamos religiosos.
f) Fé é a aceitação espontânea daquilo que é necessário para a nossa vida ou
existência.
2- A revelação é evidente:
a) A revelação torna-se evidente, do contrário não seria revelação, haveria
contradição de termos.
b) Na revelação o véu é retirado; o que é subjetivo torna-se objetivo.
c) O mistério torna-se um mistério revelado.
d) O Evangelho torna-se como luz, concluindo de seus ensinos claros a respeito de
Deus e da sua comunhão com ele.

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“Quando tratamos do Evangelho não há nada que não possa ser compreendido,
embora nem todos compreendam, em Deus nada há de obscuro, não há problemas
relacionados com a sua criação”.

3- A revelação é progressiva:
a) A revelação é criativa porque se propaga.
b) O progresso da revelação aparece no padrão moral que ela exige do homem.
c) O progresso sempre passa do individuo para o mundo objetivo. Nasce no
individuo e se manifesta em suas relações externas.
d) Deus se revela na sua existência cheia do seu espírito e essa consciência então se
manifesta externamente como sendo possuída do Espírito Santo.

PROCESSO DA OBJETIVAÇÃO DA REVELAÇÃO

Como é que o que é subjetivo torna-se objetivo? Que leva o subjetivo a tornar-se
objetivo, concreto? Em que base ser verifica? Qual o princípio básico?

1- A base é a própria natureza do homem: ninguém vive ou morre para si.


2- Todos os valores morais são essencialmente universais, pertencem a todos.
3- A existência do profeta especial baseia-se na vocação profética universal.
4- Há filiações religiosas ou espirituais como há filiações genéticas.
5- Há uma encarnação objetiva da tradição religiosa. A tradição religiosa tenta se
encarnar nos ritos, nas instituições e em doutrinas.
6- Na Bíblia temos a encarnação objetiva da revelação
7- Toda revelação passou através da subjetividade do individuo.

PROVA DA REVELAÇÃO EM NÓS

Toda a revelação divina repete-se e continua sendo uma revelação autêntica.


 Cada um tem a sua própria experiência.
 O que houve nos outros, torna-se uma realidade também em nós.
 O que está em nós, também esteve nos outros.
 Para sabermos da verdade da revelação, o ponto de partida somos nós mesmos.
 A verdade religiosa não se transmite ou não se empresta com se fosse uma
história ou dinheiro, etc.
 O que não se realiza em nós, não existe para nós, nem existiu para os outros.
 A pessoa se converte não por causa do pregador, mas pela revelação que Deus o
usou.

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 Deus usa os cientistas atuais para beneficiar a humanidade.

NOÇÃO PSICOLÓGICA DO MILAGRE E DA


INSPIRAÇÃO

Nós já abordamos o milagre como um simples fato, sem entrarmos num exame
crítico. Precisamos apreciar o milagre em si ou o seu significado psicológico para nós.
A idéia da revelação está relacionada com a idéia do milagre e da inspiração.

1- A dificuldade em compreendermos a idéia do milagre está no fato de que cada


um se julga no direito de definir o que é milagre para depois dizer se crê.
2- Os defensores de milagres sempre se apegam as definições abstratas, ao invés de
se identificarem com os fatos.
3- A dificuldade não está em saber o que Deus pode fazer em abstrato ou
logicamente, mas em saber o que realmente faz na natureza e na história.
4- Admitamos logicamente que o crente pode se perder, mas na realidade isso não
acontece.
5- Admitamos que Deus seja todo poderoso, mas ele pode virar o mundo de cabeça
para baixo. Logicamente que sim, mas na realidade, isso não faz isto seria
incoerência.
6- Nós procuramos seguir o ponto de vista histórico, começando com as nações
antigas a respeito do milagre, depois na Teologia medieval, e então na Teologia
moderna, sob o ponto de vista da ciência e da piedade. Na inspiração religiosa o
milagre é particular de caráter psicológico.

NOÇÃO PRIMITIVA DE MILAGRE

A interpretação primitiva da natureza era Animística. Todas as experiências


sensacionais eram atribuídas a espíritos. Tudo era milagre. Não havia distinção entre o
natural e o sobrenatural. Tudo era maravilhoso na imaginação fértil do homem
primitivo. Daí a facilidade das invenções dos sacerdotes mágicos.

1- O problema para nós na interpretação de milagres, relatados pelo homem


primitivo é a realidade ou não dos fatos, mas pelo modo pela qual o homem
primitivo estava compreendendo e transmitindo esses fatos. Para eles esses fatos
não eram apenas impressionantes, mas também podiam ser interpretados e
produzidos por intervenção da vontade divina que às vezes contrariavam a
ordem natural das coisas. Para o homem primitivo tudo era milagre, para o
homem moderno não é assim, o homem primitivo não conhecia as leis da
natureza, mas acreditavam na ordem das coisas e origem divina.
2- Esta noção primitiva de milagre encontramos, tanto na Bíblia como na literatura
profana. Sendo que na Bíblia ela aparece menos que em outra literatura onde o
milagre é tido com a quebra natural das coisas. Agora na Bíblia essa idéia é
menos enfatizada do que nas literaturas profanas.

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3- O progresso na revelação tem sido a diminuição dessa idéia de milagre. Grandes


profetas não se concretizavam pelos milagres. Sua pregação, pelo contrário, era
moral. Os grandes milagres se deram na saída do Egito.
4- Jesus não estabeleceu a sua religião na base dos milagres. As suas obras eram
essencialmente de caridade e não para exibir o poder.
5- A noção antiga de milagres nota-se dois critérios de julgá-los:
a) Modo intelectual e científico – desconhecimento da natureza física, ascensão é
tido como ignorância e ingenuidade.
b) Modo religioso – atribui tudo o acontece a um Deus Onipotente.

NOÇÃO DE MILAGRE NA IDADE MÉDIA

A noção de milagre na idade média está relacionada principalmente com a idéia


de inspiração religiosa.
Como encarar a atitude do cientista moderno?

1- A ciência com tal é neutra nesta matéria. Não negam a existência de milagres.
Ciência é conhecimento sistematizado, é explicação de fatos.
2- Muitas pessoas religiosas esperam que a ciência se manifeste para dizer se elas
podem ou não aceitar os milagres.
3- A ciência não trata de assuntos particulares que não se verificam também nos
outros. A ciência só entende o que pé comum a todos.
4- É tolice esperar que a ciência interprete milagres com intervenção divina. Isto
não cabe ao cientista. O teólogo pode dizer isto como pessoa religiosa. Deus não
pertence às esferas dos fenômenos da ciência.
5- Interpretar a atuação de Deus no homem é tarefa do homem piedoso. A
interpretação do homem piedoso difere da interpretação científica.
6- Os Escolásticos estabeleceram um dualismo entre fé e a ciência, porque não
quiseram unir as duas. Esse dualismo causou a morte à Teologia escolástica. A
religião perdeu a vitalidade e veio a morte.
7- Esta separação não pode perdurar por muito tempo, porque o homem por sua
natureza busca unidade na sua experiência. Por essa razão veio a Renascença, a
forma. O homem busca harmonizar a razão e a fé.

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INSPIRAÇÃO RELIGIOSA DO PONTO DE VISTA


PSICOLÓGICO

Na inspiração profética a pessoa era possuída pelo poder divino; fisicamente,


mentalmente e moralmente.

1- No novo Testamento e Antigo Testamento nós encontramos os mesmos aspectos


na inspiração. Encontramos ambas as idéias.
2- Todas as manifestações religiosas eram tidas como manifestações sobrenaturais.
3- Antigamente os casos mórbidos eram dei ficados, as suas atividades eram
atribuídas a poderes sobrenaturais.
4- Os Escolásticos formaram uma teoria de inspiração dogmática. De acordo com a
igreja católica, a revelação foi dada por meio de dogmas.
5- O Apóstolo Paulo considerava a inspiração como obra do Espírito Santo.
6- A inspiração religiosa geralmente não difere dos outros tipos de inspiração;
poética, artística, etc. quanto ao método, mas quanto ao conteúdo sim.
7- Os grandes profetas como Isaías, Jeremias, Amós e os apóstolos eram homens
inspirados pelo Espírito Santo.
8- A inspiração tem com base ou raiz a piedade (natureza religiosa do homem), que
é comum em todos os homens, havendo diferença apenas em grau, na
intensidade.

O PROGRESSO RELIGIOSO NA HUMANIDADE

 A influência social da religião


 O progresso nas formas externas da religião
 O progresso na representação da divindade
 O progresso da oração

1- A influência social da religião:


a) A religião não é só individual, é também social e histórica.
b) A psicologia revela origens da religião
c) A história revela sua força e alcance na vida social
d) O homem é inicialmente social e não individual
e) A ação social da religião é uma conseqüência da própria natureza dessa religião.
f) O que une os homens uns aos outros é Deus ou a consciência de Deus, e em
Deus que o homem transcende a sua própria individualidade e procura
identificar-se com os seus semelhantes.
g) É na religião que se reúne as pessoas mais diversas, como se fosse uma só
família.
h) A religião constitui o laço mais forte que une os grupos sociais, naturais, tais
como: família, tribo e império.
i) A vida secreta de uma raça é a sua religião. E a sua vitalidade
j) Nas religiões há diferenças de grau e espécie.

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Quanto à espécie, as religiões Mongólicas, as Chinesas, os Mexicanos, Índia, Antigo


Egito, Antiga Grécia. Essas religiões não tem ligação entre si. Essas religiões
apresentam diferença de espécie, que não podem ser classificadas na mesma base ou
tidas na mesma categoria. Algumas destas tem desaparecido, outras tem ficado
estacionadas e outras estão desaparecendo. É impossível julga-las no mesmo padrão,
podemos aplicar um padrão só para as que são diferentes graus.

O PROCESSO NAS FORMAS EXTERNAS DA RELIGIÃO


O progresso religioso se manifesta nas formas externas da própria religião,
passando para particular, para universal. Aqui devemos estudar como se verifica esse
progresso.

1- A tendência de toda religião é propagar-se em toda sociedade


2- As origens das expressões religiosas são as mesmas em toda a parte
3- As primeiras manifestações religiosas são limitadas à família como impulso
natural
4- Depois passa a ser grupos sociais maiores, tribos, formados na base desse
sentimento religioso.
5- Temos a religião nacional, as formas de cultos das tribos tornam-se nacionais,
tende a transcender as fronteiras nacionais.
6- Temos a religião universal como resultado duma evolução espontânea.
7- O cristianismo não surgiu com conseqüência das escolas filosóficas nem na
Grécia, surgiu, porém do meio de um povo que era mais intolerante entre os
povos. E surgiu no coração de um filho de Israel.
8- A evolução espontânea ou inconsciente ou na base das leis externas,
circunstâncias externas. A religião universal foi uma criação individual. Toda
religião parece ser universal, mas precisa ser primeiro individual. Toda religião
que tem tendência para universalidade é uma criação individual, as religiões
missionárias começou na base do individuo.
9- Religião como criação individual: Budismo, Cristianismo, Maometismo, todas
com finalidade universal.

O PROGRESSO NA REPRESENTAÇÃO DA DIVINDADE

Para apresentar a divindade o homem depende de seus próprios recursos mentais


ou racionais, as sua representações variam conforme o progresso das experiências e
pensamentos do homem.

1- As religiões primitivas são Animistas, não são materialistas nem espiritualistas.


2- A evolução do uso de imagens e das noções religiosas tem por base a idéia que
o homem tem do espírito.

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3- O homem nunca adora uma coisa puramente material; mesmo que ele perceba
que o objeto de adoração seja inanimado.
4- O homem imagina que os seres divinos abandonaram o objeto – profeta de
Baal.
5- A multiplicidade de crenças em muitos Deuses, resultou na distinção entre
divindade e o objeto em que ele habita.
6- A idéia de Deus que o homem tem se liberta das suas relações materiais.
7- Embora exista o politeísmo, a tendência do sentimento religioso é para o
monoteísmo.
8- O monoteísmo moral ou ético só se completou na Palestina e não em outras
partes, mediante a fé dos profetas, o ELOHIM foi interpretado como sendo o
Deus que governava sobre todas as nações.
9- O próprio Deus se manifestou ao homem como Deus da salvação. O Deus forte,
o EL, passou a ser o Deus vivo YAWEH.
10- O Pai celestial veio habitar no filho do homem, que é o verbo de Deus, o dogma
de Deus, a palavra de Deus.
11- Diante disto ao invés do homem atribuir a existência apenas externas, ela
tornou-se o possuidor, a sede, a habitação desta mesma divindade.

O PROGRESSO NA ORAÇÃO

A oração é a alma da religião, que leva a Deus as misérias do homem e que trás
ao homem a comunhão e a ajuda de Deus.

1- A natureza da oração revela a verdadeira natureza e dignidade da religião, é na


oração que está o verdadeiro progresso da religião.
2- Quais são os dois extremos na história da oração:
a) Prática do feiticismo
b) Oração de Jesus cristo
3- O feiticeiro castiga o feitiço quando este não lhe atende. Nestas práticas
mágicas o homem se coloca acima de Deus, esse é um extremo. O outro é
quando se submete inteiramente a vontade de Deus.
4- A principio a oração aparece com mera confiança e esta assim mesmo fraca,
antes era até uma imposição do homem sobre o objeto da sua adoração.
5- O outro grau de desenvolvimento da oração é que foram acrescentadas as
palavras, ritos, cerimônias, gestos. Não bastava dizer era preciso a
formalidade.
6- A finalidade da oração era justamente agradar a divindade para alcançar um
favor.
7- Os princípios do ato religioso que diferem muito dos atos morais.
8- Na revelação de Deus dada aos profetas do V.T, nós encontramos um transição
do naturalismo para a esfera moral.

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9- A oração torna-se uma relação pessoal entre o homem e Deus e o homem a


oração, perde o seu aspectos natural e torna-se pessoal.
10- As palavras sagradas, os ritos, perdem seu valor, quando o homem se coloca
acima do natural e da lei.
11- A religião moral trouxe realmente a comunhão. A religião perfeita é a moral
perfeita, perfeição esta que se manifesta numa conduta moral.
12- A idéia da oração foi se transformando até se tornar, por esse processo, numa
confiança pessoal e num oferecimento de si mesmo a Deus.
13- A oração verdadeira torna-se assim uma derrota para o egoísmo que existe no
homem, e por outro lado liberta o homem daquilo que o separa de Deus.
14- Temos como ensino de Jesus, orar não em palavras, mas em espírito e em
verdade. Uma oração nem sempre precisa de palavras, a oração coletiva sim,
mas a individual não.
15- Nas religiões primitivas a oração era caracterizada pelo medo, tristeza e
necessidade pede porque precisa. Neocristianismo é caracterizado pela
confiança, alegria, louvor, comunhão pessoal. Na oração o órgão acha o seu
pai celestial e acha a sim mesmo como filho de Deus.

RESUMO:
1- A evolução religiosa do homem não é semelhante ao progresso da ciência.
2- Existe uma busca para a aproximação e busca de entendimento entre as
religiões.
3- Podemos atribuir tudo ao nome de Deus
4- Concordar na oração dirigida ao pai
5- Concordar com a pessoa histórica de Jesus
6- Concordar com a oração
7- Concordar com as interpretações teológicas
8- Ninguém pode ser profundamente religiosos se não for aos moldes do
cristianismo
9- Não podemos falar Pai que estás no céu, se não for profundamente religioso.
10- Desenvolve a fé como algo racional e sobrenatural

AS ORIGENS DO EVANGELHO

Para compreendermos o cristianismo precisamos vê-lo claramente num só golpe


de vista, na sua relação com a religião. Precisamos ver ainda a sua originalidade vital,
que destaca o cristianismo das outras religiões, e a sucessão de formas que tem
assumido na história.

1- Na história não há interpretações completas, cada fenômeno aparece no tempo e


espaço, tem os seus antecedentes que o produziram e condicionaram. O

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cristianismo não é uma exceção, surgiu da religião dos Israelitas, embora tendo a
sua própria vitalidade.
2- Qual é a prova desta relação do cristianismo para com o judaísmo? É a Bíblia,
onde temos as escrituras sagradas do Judaísmo.
3- As idéias primarias do cristianismo tem as sua origens no hebraico. É uma regra
de exegese bíblica, buscarmos as fontes da igreja cristã nas raízes da religião dos
israelitas, e considerar como elemento estranho e inaceitável que lá não se
encontra.
4- No nosso estudo de Judaísmo vamos notar com era este para uma preparação
para o nosso estudo de cristianismo:

PROFETISMO

1- O profetismo é o milagre na história da religião de Israel. É uma coisa


completamente diferente do gênio e tendências do povo.
2- O profeta não foi resultado do seu meio, do ambiente religioso. O profeta
sempre estava em conflito com o seu meio.
3- Os profetas não foram um processo automático ou mecânico.
4- Os profetas não foram produtos do seu meio social, religioso. A evolução, o
progresso veio por um esforço individual.
5- Os profetas falaram em nome de JEOVÁ, eles não eram a causam do que
diziam, mas sim Deus, o individuo se apresentou como um enviado.
6- Havia profetas na raça em geral, havia profetas em Israel, como também nos
Moabitas, e outros povos.
7- A educação do povo de Deus foi processo árduo e longo, encontramos o seu
processo não somente na pregação dos profetas, mas como também catástrofes
repetidas vezes na vida nacional.

A AURORA DO EVANGELHO

Não é fácil dizer o que é o cristianismo em si, separado da sua forma histórica,
separado de suas instituições, de seus rituais, de suas doutrinas, de sua Teologia. Isto
não faz parte do cristianismo essencial. Nós não podemos desprezar os aspectos
externos, o que é cristianismo em si?

1- Precisamos descobrir as origens das instituições ou da formas históricas ou a


raiz da qual elas procedem e da qual ainda depende a sua vitalidade.
2- Responder o que é o cristianismo, não podemos esperar das igrejas, pois estas
indicariam os seus credos, doutrinas e ritos como cristianismo. Para os Católicos
cristianismo está nos ritos, dogmas, instituição, etc. se pergunta a um teólogo ele
diz que cristianismo é doutrina.
3- Para o historiador e para o psicólogo a resposta torna-se mais fácil do que para o
teólogo. O historiador vai descobrir a origem histórica do cristianismo, o
psicólogo quem vai descobrir a origem da consciência.

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4- A história do cristianismo se apresenta com a culminação da evolução religiosa


da humanidade, culmina em Jesus Cristo.
5- A religião é a perfeita realização das relações entre Deus e o homem, a perfeita
satisfação das necessidades religiosas do homem.
6- A perfeição não é o que é ilimitado, infinito. Quando procuramos em metafísica,
se Deus é perfeito para ser perfeito, o homem precisaria ser igual a Deus. Essa
idéia de igualdade vem da matemática, pergunta-se uma criança é perfeita? Sim,
como criança. O termo é qualitativo e não quantitativo.
7- Perfeição é a harmonia quando nada existe que perturba.
8- O cristianismo é a religião final da humanidade. É o primeiro pronunciamento
da consciência do cristão.
9- O segundo pronunciamento da consciência do cristão é que nesta relação entre
homem e Deus, não há nenhum mérito próprio dele.
10- A relação de Jesus com Deus Pai, foi se projetando, não foram as suas obras,
nem doutrinas que se projetaram, mas a sua consciência com Deus. A coisa
principal foi ele mesmo.
11- O psicólogo descobre que o cristianismo não é apenas uma religião histórica,
mas também uma religião ideal, pessoal, relacionada não só com o ensino de
Jesus, mas também com a sua pessoa e a sua projeção permanente nos seus
discípulos, nos crentes até nós.
12- Esses dois fatos que revelam ser o cristianismo histórico, ideal e perfeito estão
presentes em cada cristão.
13- Surge então o problema teológico:
 Como se realizou na história aquilo que é ideal e perfeito?
 Como pode ser ideal e eterno aquilo que é histórico e temporal, e que está em
desenvolvimento?
 Como harmonizar o tempo com a eternidade?
 Como que o ideal pode ser progressivo?
 Como é que o temporal histórico pode ser eterno?
 Do finito para o infinito e vice versa?
Harmonizar estes fatos é o maior desafio para a Teologia. Com relação a esse problema
encontramos sua tendências correspondentes com dois tipos de mentalidades: filosofia
idealista – filosofia realista.

1- Filosofia idealista: No idealismo a realidade está nas idéias e não no mundo


objetivo, que percebemos pelos sentidos. Nós só conhecemos as idéias. Platão
era idealista por excelência. A realidade que existia para ele são as idéias
arquitetônicas.
2- Filosofia realista: afirma que só aquilo que percebemos através dos sentidos é
realmente ideal, se manifesta pelo concreto. Esses dois tipos de filosofia,
principais, tem influenciado muito as tentativas de soluções dos problemas do
cristianismo como religião histórica e perfeita.

a) A doutrina Idealista: A tendência idealista enfatiza no cristianismo, as idéias, os


dogmas, a Teologia como coisas principais; portanto, os teólogos desta corrente tem
enfatizado as idéias, os dogmas, etc. do cristianismo considerando a história apenas
como uma ilustração dessa idéias e dogmas. Orígenes é o principal representante
desta corrente, ele diz que o ideal do cristianismo está nos dogmas, que considera
intocáveis.

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b) A doutrina Realista: por outro lado, os teólogos realistas na filosofia tem feito o
contrário em materializado as idéias, atribuindo formas antropomórficas a tudo. Até
ao próprio Deus, interpretando assim a história como uma eterna metafísica. Uma
tendência despreza a história a outra a dignifica e glorifica, o principal desta é
Tertuliano.

SOLUÇÕES OFERECIDAS PARA O PROBLEMA

1- Racionalismo ou Escola idealista: os racionalistas julgam que a verdade impõe


a sua própria evidencia e clareza. Para eles não há diferença entre Jesus e Platão.
2- Realismo ou ortodoxia – Católica ou Protestante: o que é que se faz para
resolver esse problema? Toma a pessoa de Cristo Jesus e o transporta para o
terreno da metafísica? Glorifica-se como pessoa eterna? Deifica os fatos
históricos? Deifica a pessoa de Cristo Jesus e nega a sua significação histórica
ou prática. Esta escola separa o Cristo glorificado do Cristo histórico.
3- A harmonia do cristianismo como religião histórica: não podemos adotar a
posição racionalista que comete o mesmo erro do ortodoxo. Ambas cometem o
erro de desprezar a história no seu papel essencial. Se a essência do cristianismo
está na revelação de verdades naturais ou nos dogmas sobrenatural, então o
problema precisa ser examinado a luz da própria idéia da perfeição.
4- A perfeição quantitativa: a perfeição não é quantitativa, o cristianismo é
perfeito em Cristo Jesus. Sob a forma de quantidade ou de extensão. O
cristianismo progrediu na história em seus efeitos quantitativos, mas
qualitativamente já está perfeito em Cristo Jesus.
5- Precisamos fazer distinção entre perfeição quantitativa e qualitativa:
quando falamos em perfeição, falamos em qualidade; que diferença tem em 1
cm e 100 cm3. Nenhum mais qual a diferença entre o granito e o musgo que
cresce nesse mesmo granito? O musgo é outra espécie, o germes que produz o
musgo é diferente da pedra que está agarrado.
6- A evolução não é a causa de coisa alguma: apenas um método, um processo, o
desenvolvimento não acrescenta nada ao objetivo inicial.
7- Encontramos na pessoa do fundador do cristianismo: A perfeita relação entre
ele e Deus, relação esta que encontramos em todos os crentes, esta revelação
satisfaz, temos paz com Deus, este cristianismo se verifica na experiência, não
há acréscimo aqui, apenas propagação.
8- A matéria não produz o pensamento: para o materialista produz o cérebro não
produz pensamentos, são fatores independentes e até mesmo incomensuráveis.

Falamos de grandezas de Alexandre o Magno, da grandeza de Arquimedes, da


grandeza de Cristo na mansidão e humildade. São tipos de grandezas que nada tem
entre si, são grandezas diferentes.
Humildade diante de Deus é misericórdia para uns, condenação para outros.
Efeitos diferentes por causas das condições diferentes em que está o homem.

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O PRINCÍPIO CRISTÃO OU CRISTIANISMO


ESSENCIAL

O principio cristão é o próprio cristianismo em si, ou que se realiza ou se propaga:

1- Para conhecermos o principio cristão precisamos examinar a própria consciência


religiosa de Jesus, da qual procede ao cristianismo como religião histórica.
2- Que é consciência religiosa no homem? É o que ele sente e quer sentir na sua
relação com Deus, de quem depende e para com o universo no qual ele se acha.
3- Jesus sentiu-se estar na realização com o Pai, sentiu que Deus tinha para com ele
uma relação paternal, quando chamou a Deus como pai, ele revelou uma relação
de filho para com Deus.
4- O que encontramos na consciência de Jesus, Encontramos também na
consciência de todos os cristãos. Estes são cristãos na proporção em que a
piedade filial de Jesus se reproduz neles. Esse sentimento filial para com Deus e
esse sentimento fraternal para com os homens é o que faz do cristão, realmente
um cristão.
5- O cristianismo é uma religião perfeita, absoluta e final da humanidade, é
também um fato visível, uma relação histórica. É um fato presente na pessoa
histórica de Jesus e nos seus seguidores. Não é apenas uma idéias abstrata, mas
um fato positivo e histórico. Podemos dizer que o cristianismo é uma religião
absoluta e histórica, sem encontrar problemas.

O EVANGELHO DE JESUS

Que é Evangelho de Jesus?


1- O principio de Jesus em sua forma mais simples, encontra-se no sentimento e na
inspiração de Jesus.
2- O Evangelho de Jesus realmente nada mais é do que a interpretação e aplicação
imediata deste principio de piedade no meio social em que Jesus viveu.
3- Jesus não promulgou nenhum dogma, não estabeleceu nenhuma instituição que
pudesse chamar de oficial, nem deu ordens para tal, antes procurou despertar a
consciência moral dos homens.
4- Nunca uma pessoa falou com Jesus, no entanto cuidou menos da ortodoxia do
que qualquer outro, com referencia a instituições práticas.
5- No seu método de ensinar ele usou imagens, ilustrações, parábolas, paradoxos,
usou frases fechadas que obrigaram os homens a interpretá-las em suas próprias
palavras. O Evangelho de Jesus não estava na letra, mas no espírito.
6- Numa palavra só, o Evangelho de Jesus era a sua própria atitude para com as
coisas e pessoas. Nele se viu a atuação de Deus. Ele estava em casa, no universo,
em todos os lugares, sua Onipresença.
7- A formação de instituições surgiu com as necessidades humanas resultantes de
propagação desse princípios.
8- Estando em paz com Deus, Jesus esteve em paz com o universo todo, a natureza
física era para Jesus a revelação, a vontade, a providencia de Deus.

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9- O ambiente de Jesus com certeza não era o mesmo em que nós estamos. Ele
participou do ambiente do seu tempo, do seu povo. A sua piedade não dependia
dos conhecimentos científicos do universo.
10- Diante do universo e das suas leis, o individuo precisa se submeter e renunciar a
si mesmo, mas como? Não submeter-se a Deus impessoal, mas a um Deus que é
nosso pai celestial, de modo que o individuo precisa se entregar-se nas mãos
desse Deus.
11- Na sociedade a piedade de Jesus manifestou-se como piedade fraternal. O
primeiro mandamento. “Amarás o Senhor teu Deus”. “Amarás ao próximo”.
Para Jesus Deus não era apenas Pai, mas um pai de família e na paternidade de
Deus pode haver fraternidade.
12- Na sociedade dos homens Jesus reconheceu também a presença do pecado
como fator da deformação moral, e causa de sofrimento.
13- Para Jesus não era somente os indivíduos que precisavam ser salvo, mas
também toda família, toda a humanidade precisava ser salva.
14- Qual era o método para levar a efeito sua vocação ou para estender o reino de
Deus? Era o sacrifício próprio, de ser o servo sofredor. Ele teve que morrer para
dar vida, o Evangelho de Jesus era o da cruz. O reino de Deus tinha por base este
amor sofredor.
15- Jesus disse interpretando a realização da sua obra. “O sábio tira do tesouro do
seu coração coisas velhas e novas”. Nisto estava a revelação, a novidade no
método de Jesus.
16- Jesus não apresentou nenhuma interpretação do homem, nem de Deus, nem do
universo. Ele mesmo se colocou no centro da consciência humana, vinde a mim,
Jesus colocou o homem junto às fontes de vida.
17- Ele passou do ideal tradicional para o sentimento subjetivo. Considerou como
crime até o desejo de fazer o mal, passou dos atos externos para motivos.
18- Em Jesus a moralidade ascética tornou-se uma nova vida. Qual era o ideal do
farisaísmo? Era afastar-se, formalidades externas, mas o ideal moral é vida.
19- Analisar criticamente este Evangelho seria destruí-lo. Nós não o podemos
definir; podemos descrever. O Evangelho no seu ideal é para ser conhecido, não
experimentado cientificamente. O Evangelho não é para ser primariamente
interpretado, mas para ser experimentado. Toda interpretação surgiu depois por
necessidade.

DISTINÇÕES NECESSÁRIAS

Precisamos fazer distinção entre o cristianismo em si e as suas formas externas.

1- O cristianismo como todas as realidades vivas precisa de duas coisas:


a) Da vida propriamente dita, do poder, do ideal.
b) Das suas manifestações visíveis ou formas históricas
A vida tanto é um principio em si como também são manifestações externas. A vida só
se manifesta através do organismo que ela mesma cria ou estabelece. Isto em qualquer
realidade viva, os organismo não esgotam nem encarceram as potencialidades da vida.
O cristianismo é mais do que as formas históricas. As formas históricas não podem
enclausurar o cristianismo. O cristianismo é sempre maior que suas manifestações
históricas.

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1- As duas correntes conservadoras e modernistas (desenvolvimento) os


protestantes criticam os católicos porque identificam cristianismo com formas
históricas, mas cometem a mesma falta. Para os católicos o cristianismo está
limitado à igreja. Para o protestantismo a Bíblia, mas o cristianismo existia antes
da Bíblia. É muito difícil mudar uma confissão de fé.
2- Nos ensinos de Jesus há pontos mal interpretados, precisamos distinguir entre o
Espírito de Cristo e a letra dos Evangelhos. Devemos distinguir cristianismo de
Cristo e a sua aplicação dos apóstolos.
3- Essas distinções nos ajudarão a apreciar as variedades das formas históricas do
cristianismo.

AS CORRUPÇÕES DO PRINCÍPIOS CRISTÃOS


As diferenças que separam as várias formas históricas do cristianismo são de
duas categorias:
 As diferenças de espécie.
 As diferenças de grau.
1- Temos as diferenças que surgiram das diversidades de raças, línguas,
civilizações, temperamentos, etc.
2- Temos as diferenças relacionadas com a intensidade e pureza da fé e da própria
vida cristã. As igrejas e os povos se distinguem pelas suas constituições, pelo
seu grau cultural e moral.

AS GRANDES FORMAS HISTÓRICAS DO


CRISTIANISMO

Estudaremos o cristianismo nas sua formas Judaicas, messiânicas, católica e


protestante.
A evolução histórica da interpretação do principio do cristianismo:
1- O conhecimento da diferença entre o cristianismo em si ou essencial e as suas
realizações sucessivas na história que estudamos anteriormente, se faz
necessário compreendermos o problema do aperfeiçoamento da aplicação prática
do cristianismo na história.
2- Nós vimos que o cristianismo é a religião perfeita, comunhão pessoal do homem
com Deus.
3- A utilidade do conhecimento da diferença entre o principio de cristianismo e as
suas realizações na história, é que este reconhecimento da diferença entre o
principio do cristianismo e as suas realizações na história nos ajuda a fazermos
uma interpretação razoável das fontes da verdade e do amor. Todo esforço
sincero para expressar e ensinar o cristianismo de maneira que Deus o revela.
4- É um perigo colocar a verdade toda de um lado só – Fp. 3:13-15, se sentir uma
coisa de uma outra maneira o próprio Deus o revelará, não há lugar para o
desprezo. Cada um deve examinar a si mesmo e aos outros a luz do cristianismo
essencial.

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5- Partindo do ponto de vista superior, verificamos que o cristianismo tem passado


por três fases e tem assumido três formas muito distintas, a saber:
a) A forma Judaica ou messiânica
b) A forma greco-romana ou católica
c) A forma protestante ou moderna

CRISTIANISMO JUDAICO OU MESSIÂNICO

1- Esta forma de ou fase do cristianismo geralmente em sido ignorada tanto pelos


teólogos católicos, como protestantes. Isto constitui uma grande dificuldade para
a nossa interpretação. Os católicos, por exemplo, não sendo capazes de admitir
que o catolicismo não seja obra de Cristo, nem de seus apóstolos ou que a igreja
tenha mudado suas doutrinas ou instituições imaginam que as primitivas
comunidades religiosas, em Jerusalém ou Antioquia eram semelhantes a Roma.
Em Milão, em Lião no 4º. Sec. Por isso dizem que Pedro foi o primeiro Papa.
2- Este cristianismo histórico tem não só como defeito o basear-se em
preconceitos, como também tem revelado falta de conhecimento da forma inicial
do cristianismo. Pensar ou imaginar que o cristianismo inicial fosse o ideal é
falta de conhecimento. Houve constastes, paixões, tempestades, agitações e
divergências doutrinárias entre os apóstolos. viveram em ambientes ideal de paz,
Pedro, Tiago e Paulo, mas não estiveram divididos em doutrinas do que Lutero,
Zwinglio e Calvino.
3- Na forma primitiva do cristianismo houve uma espécie de Dualismo, que cedo
se transformou em conflito. Surgiu a luta entre o principio do cristianismo
essencial e a tradição do Judaísmo. A semente do cristianismo essencial ao
germinar teve que romper a casca do Judaísmo.
4- O cristianismo essencial pode assumir um corpo judaico na estrutura apenas, o
seu espírito era essencialmente novo. O seu corp era judaico em dois lados e em
dois sentidos.
a) A persistência da idéia da autoridade da lei mosaica por um lado
b) A persistência do Messianismo apocalíptico que havia dominado o pensamento
dos JuDeus desde o tempo dos Macabeus.
5- Na consciência dos primeiros discípulos a fé no Evangelho de Jesus e os seus
hábitos devocionais e a esperança messiânica formava uma mistura.
6- Estes elementos de valores não puderam de deixar de entrar em conflito no
mesmo tempo que o cristianismo apostólico. Foi esse conflito que pos em
atividade, em progresso o cristianismo.
7- Porque que Cristo não deixou de fora destes conflitos os seus discípulos, das
superstições e erros do passado?. Ele nunca aboliu nada por autoridade ou
declaração formal. Nada estabeleceu formalmente na base de sua autoridade por
decreto.
8- O método de Jesus foi o método do semeador, que lança a semente e deixa que o
tempo faça germinar, ele não declarou que a lei foi abolida, mas a semente do
cristianismo que lançou no decorrer do tempo, aboliu a lei.
9- Por esta razão os primeiros cristãos e princípios não romperam formalmente
com o Judaísmo, tiveram, no entanto em si uma nova vida. No fim do primeiro
século cristianismo e judaísmo já eram duas religiões separadas e antagônicas.

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10- O elemento mais difícil do qual o cristianismo essencial teve que se libertar era
o messianismo apocalíptico; tendo Jesus se apresentado como o Messias e tendo
inaugurado o reino de Deus, o seu Evangelho foi interpretado como messiânico
cristão.
11- Daí a liberdade do espírito de Jesus na interpretação dos eventos, na vida de
João Batista. Quando os filhos de zebedeu pediram lugar no futuro reino, falou-
lhe do seu próprio sofrimento e da soberania dos dons quanto à consumação do
reino.
12- Jesus não desfez o ideal messiânico dos JuDeus, mas também não ficou preso a
interpretação que os juDeus davam as idéias messiânicas. Não disse para deixar
as idéias, mas não se prende a elas.
13- Os apóstolos esperavam um volta de Jesus para breve, porque ainda não havia
se libertado das igreja judaicas. Esta esperança caracterizou-se a doutrina de
conduta de apóstolos, daí o motivo porque o cristianismo deve ser chamado de
cristianismo messiânico.
14- Esta idéia ou esperança, porem, cedo começou a receber uma interpretação
espiritual. A idéia de uma volta de Jesus para breve não aparece nas últimas
epistolas de Paulo, ele dizia perto está o Senhor.
15- O messiânico futuro e empolgante (histórico) deu lugar a uma meditação
santificadora da paixão de Cristo.
16- No fim do segundo século o messianismo judaico estava quase desaparecido
por completo. Os seus aderentes obstinados, os montanistas, já eram
considerados com heréticos. A igreja organizada como uma hierarquia tornou-se
para os Isaraelitas como verdadeira promessa. O advento da igreja católica sobre
todos os poderes do mundo. A teocracia messiânica passou a ser uma teocracia
eclesiástica. O messianismo cedeu lugar ao catolicismo.

O CRISTIANISMO CATÓLICO
1- Ao ser transportado do solo árido do Hebraísmo para o solo fértil da cultura
Greco-Romana, o cristianismo não poderia deixar de sofrer transformações
mútuas.
2- O catolicismo é pagão, como era judaico o messiânico apostólico. Isto devido às
mesmas causas e obedecendo as mesmas leis. O catolicismo tornou-se mais
Grego no oriente e mais Romano no ocidente.
3- Os dogmas dos concílios e a Teologia patrística eram gregos quanto à forma, por
isso nós encontramos ali termos abstratos usado tais como: substancia natureza,
pessoa, matéria, etc. Que vieram da filosofia grega. De onde receberam os pais
da igreja o conhecimento da igreja? De onde receberam as suas exegeses, sua
história, sua lógica, sua psicologia, metafísica? Que transformou o ambiente
profético do cristianismo num ambiente platônico? Tudo isso veio de Atenas,
Éfeso, Samos, Mileto, via Alexandria, e Roma? Seus teólogos tinham sido
educados desde a sua infância no ambiente de literatura grega latina. Leram os
escritores seculares, filosóficos mais do que o Novo Testamento, sua Teologia
tornou-se, portanto uma Teologia neo-platônica.

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4- Igualmente também a constituição da igreja é uma cópia do Império Romano. A


idéia da paróquia, diocese baseia-se na idéia de municipalidade, segundo a idéia
de província.
5- Quanto à conduta moral, durante as perseguições houve grande diferença entre a
conduta dos cristãos judaicos e a conduta da sociedade greco-romana.
6- A forma de culto o cristianismo católico adotou a hierarquia dos Deuses antigos,
semi Deuses, ninfas e Deusas. Tudo isso foi trazido para dentro da igreja com
outros nomes: o culto de Maria, cultos dos anjos, cultos aos santos, etc.
7- Estas são formas do catolicismo. O seu principio causativo que se encontra no
dogma central do catolicismo é que constitui sua unidade e força. Quais são
esses dogmas centrais: dogma da igreja, da sua infabilidade, tradicional,
continuidade, dogmas estes de acordo com os católicos.
8- A conseqüência imediata deste primeiro principio foi à separação, destruição da
união vital realizada com Cristo e a conduta moral entre os elementos religiosos.
9- No momento em que o principio do cristianismo ou o cristianismo essencial
apresentou-se como uma instituição visível. O elemento religioso passou a ser
imposto de fora para dentro, pela imposição sobra à mente dos fieis.
10- O catolicismo começou no cristianismo organizado (igreja) do segundo século,
quando sob a ação inconsciente da tradição e costumes pagãos sentiu a
necessidade de exteriorizar e de materializar o principio cristão para torná-los
em formas externas.
11- Nesta marcha o primeiro ato religioso tornou-se a submissão à igreja. A razão e
a consciência precisam abdicar. Assim a autoridade da igreja não pode
permanecer invisível ou indeterminada. Daí a idéia do dogma da infabilidade
Papal.
12- Duas conseqüências seguiram:
a) A igreja católica tornou-se inevitavelmente intolerante e intransigente para os
outros
b) É uma contradição esperar que surgisse qualquer reforma numa igreja nestas
condições. A igreja católica precisa ser tudo ou nada, dominar ou ser dominada.
Não pode haver igreja católica, se houver nela reforma.
13- Ao mesmo tempo a lógica das idéias não esgotou a realidade da vida ou do
cristianismo, como vida. Princípios abstratos estão às almas piedosas, no
catolicismo sempre tem existido um protestantismo latente. Na idade média
existiam místicos. O protesto silencioso ou revelado por parte dos princípios de
vida cristã contra as opressões da autoridade externa, da hierarquia católica.

CRISTIANISMO PROTESTANTE

1- O primeiro e quase único problema que preocupou os reformadores foi: o que


fazer para ser justificado diante de Deus? O problema da justificação esse
problema não surgiu de nenhum exame livre ou racional por parte dos
reformadores, não foi resultado de nenhuma influencia filosófica.
2- A volta dos reformadores ao passado (principio do Evangelho) foi uma
experiência nova e original. Foi uma experiência psicológica e não foi um novo
começo da história. Foi uma experiência deles com o cristianismo.

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3- Há uma analogia (semelhante em casos particulares) entre as experiências de


Lutero e a de Saulo. Lutero ingressou no convento com o propósito de alcançar
o céu pelo caminho do convento. Ele multiplicava os atos de devoção. A luta
que Lutero teve externa apenas aumentou o sentimento do pecado (fé e razão,
apenas buscava uma solução racional).
4- O catolicismo como caminho da salvação foi rejeitado pela consciência de
Lutero, antes que fosse pela sua exegese e raciocínio. Ele estava face a face com
a essência do Evangelho de Cristo. ele achou a paz na aceitação das boas novas
do amor de Deus.
5- Lutero descobriu o que é fé. Descobriu que a fé é um ato de confiança, ato de
um coração infantil, genuíno, sincero, que se lança nos braços de seu pai.
Descobriu que o justo viverá pela fé e não pelas submissão aos dogmas ou
autoridade da igreja.
6- Foi essa transformação na compreensão da fé a maior evolução religiosa desde
os tempos de Jesus.
7- Houve a oposição radical entre o principio católico e o principio protestante. E
para compreendermos a luta que surgiu entre as religiões, precisamos notar que
os homens possuidores das melhores intenções possíveis, procuram achar um
meio termo e não conseguiram. Tudo foi inútil porque um não pode subsistir
negando o outro.
8- A originalidade de Lutero foi que a sua revolução religiosa surgiu da sua própria
piedade, de seu próprio sentimento religioso; baseou-se na sua própria liberdade
de consciência, uma vez descoberto, não pode permanecer dentro do
catolicismo.
9- A luta ficou atenuada pelo fato de que no catolicismo existe sempre um
protestantismo latente, e de que em todo protestantismo existe um catolicismo
latente.
10- No protestantismo o cristianismo volta-se do exterior para o interior
11- A subjetividade do protestantismo torna-se uma espontaneidade e liberdade,
assim como a objetividade católica torna-se supernaturalismo e tirania clerical.
12- A nova vida espiritual do protestantismo elimina o ceticismo torna a religião
social.
13- Esse caráter subjetivo da religião caracteriza a doutrina, a Teologia protestante.
Não há lugar para dogmas.
14- É a Bíblia e o apelo que salvou a Teologia protestante do escolasticismo
(submissão da razão a fé).
15- A doutrinas da graça e da predestinação, centro do calvinismo são reconhecidas
hoje como abuso de uma autoridade cega. Para as almas irreligiosas, impiedosas
não há predestinação.
16- Como foi que os puritanos calvinistas tornaram-se fundadores da liberdade
moderna? Pela experiência, como foi que os Jesuítas, os admiradores e
racionalizadores da livre vontade, tornaram-se os precursores de toda espécie de
escravidão religiosa. Os puritanos embora cressem na predestinação
reconheciam a liberdade do individuo.
17- Jesuítas tornaram-se precursores da escravidão por causa da negação do
principio e da liberdade do individuo. A predestinação com causa externa, gera
despotismo.
18- A antítese entre o protestantismo e o catolicismo aparece de um modo mais
evidente na doutrina do sacerdócio. No catolicismo o sacerdócio torna-se uma

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função supernatural do clero, porque se consideram ministros representantes de


Cristo.
19- A idéia católica dos dogmas desaparece por completo, enfim, no protestantismo
a idéia de dogma infalível torna-se uma tolice.
20- O verdadeiro protestantismo não é um dogma em oposição a um outro dogma.
21- Esta forma de cristianismo só pode aparecer na história depois das outras
formas terem aparecido.
a) Surgiu o que é natural, depois o que é espiritual.
b) Sabitier caracterizou as formas históricas do cristianismo assim:
 Forma messiânica – é a infância
 Forma católica – é a adolescência, onde é difícil a educação onde a disciplina é
necessária.
 Forma protestante – é a forma da autonomia, da maturidade, da liberdade e da
direção Própria.
Nesta evolução do cristianismo sob a forma protestante, o cristianismo essencial
apenas voltou a sua expressão primitiva, não acrescentou nada qualitativamente.
Conclusão de Sabatier: o autor procurou mostrar apenas porque é ele religioso cristão e
protestante. “Sou religioso porque sou homem, sou cristão porque não posso ser
religioso de nenhuma outra forma”. Sou protestante porque só no protestantismo acho a
herança de Cristo, que é a liberdade, sem qualquer jugo externo.

ESTUDO DO DOGMA OU TEOLOGIA

1- Que é a Teologia?
2- A evolução histórica da Teologia
3- A ciência da Teologia dogmática
4- A critica do conhecimento religioso

Que é Teologia dogmática? O autor do livro coloca o dogma como Teologia


sistemática.

A definição do dogma:
1- No sentido restrito do termo, o dogma ou Teologia dogmática é uma ou mais
proposições doutrinarias que se tem tornado objeto de fé e regra prática para a
conduta de uma coletividade ou sociedade religiosa.
2- Em outras palavras a Teologia é uma definição da própria sociedade religiosa.
3- Dogma ou Teologia sempre representa três elementos:
a) O elemento religioso determinado pela piedade, pelo sentimento religioso.
b) Elemento intelectual que representa a interpretação da igreja
c) O elemento da autoridade baseado na igreja, na coletividade, esta autoridade é
moral, na Teologia evangélica. A Teologia é a doutrina constituída em lei pela
igreja e para a igreja.
4- Antigamente acreditava-se que toda legislação social era de origem divina.
5- Numa igreja não se pode esperar que a sua Teologia tenha mais autoridade do
que tem a própria igreja. Somente uma igreja que se julga infalível é capaz de
formular dogmas imutáveis.
6- No catolicismo a teoria da imutabilidade do dogma opõe-se a própria história.
No protestantismo a idéia da imutabilidade do dogma opõe-se a própria lógica.

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7- O dogma que caracteriza a união de uma igreja não é um principio, nem o


alicerce da religião cristã. O dogma apareceu tarde na evolução religiosa da
igreja. A igreja existiu antes da Teologia, os profetas sempre antecedeu os
escribas, a religião precedeu a Teologia.

AS ORIGENS DO DOGMA

A raiz principal do dogma está na própria religião, em todas as religiões positiva


há um elemento interno e outro externo. Há uma alma e um corpo, há uma piedade, o
sentimento e há também formas. A religião sem a alma é forma vazia, uma religião sem
corpo seria indeterminável e sem aplicação prática. Um elemento é vital e outro formal.
1- Qual desses elementos é o primitivo e criativo? É o sentimento, a piedade que
vieram tanto as abstrações como os atos visíveis.
2- Considerando a religião com instituição redentora na forma de uma igreja visível
o catolicismo culminou numa espécie de uma psicologia mecânica. (Que
contradição de termos) no catolicismo o que foi realçado foi à instituição o
elemento externo, atribuindo a ela a finalidade redentora.
3- Passando da interpretação intelectual para a expressão intelectual da religião, a
linguagem primitiva do homem é a da imaginação, depois vem à reflexão e as
imagens tornam-se idéias e neste caso o mito é substituído pela doutrina.
4- As interpretações a principio são puramente pessoais; no seu desejo de propagar-
se e sendo imperfeitas e confusas elas criam problemas, os mitos apelam só para
a imaginação.
5- Neste processo o novo elemento precisa intervir. Deve haver uma igreja com
fenômeno só aparece nas religiões universalistas morais.
6- Na sociedade antiga onde as igrejas (religião confundida com o estado ou com a
nacionalidade) a unidade religiosa era mantida pelos mesmos processos pelos
quais eram mantidas a unidade política.
7- O dogma só aparece quando uma coletividade religiosa separa-se da sociedade
civil e torna-se uma sociedade moral e procura recrutar adeptos, ou melhor,
aderentes voluntários.
8- É a igreja que forma então seus próprios meios de propagação, é assim que surge
a Teologia, o dogma, noção de ortodoxia, noção de heresia, a primeira é
coletiva, a segunda é individual.
9- Esse processo longo é plenamente justificável como coisa legitima e necessária.
10- O termo dogma precedeu o catolicismo, e teve dois sentidos na antiguidade
grega: sentido político, assembléias políticas, governos, autoridades constituídas,
esse é o assunto que domina o pensamento católico.

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O VALOR RELIGIOSO DO DOGMA

1- Devido à intolerância do catolicismo e aos conflitos que tem havido no


protestantismo, onde o dogmatismo tem reaparecido, muitos crentes tem
chegado a negar a necessidade do dogma no sentido mais amplo do termo.
Alguns tem até procurado evitar toda e qualquer definição da fé cristã, entre
esses os batistas principalmente. Todas as tentativas tem ficado sobre a mesa,
sem pronunciamento. O dogma tem tido a sua importância e ninguém pode
negar.
2- A fé religiosa é um fenômeno da consciência e tem com fatores todos os
elementos dessa mesma consciência: sentimento, a volição, pensamento ou
idéia. Esse elementos, porém não podem ser separados.
3- Na historia da igreja a doutrina é a última a ser formulada, e esta também precisa
amadurecer. Este amadurecimento não é para tornar-se imutável, pois a doutrina
não pode tornar-se imutável.
4- O dogma é de absoluta necessidade para a propagação e o desenvolvimento da
vida religiosa.
5- Se o dogma é uma herança do passado transmitido pela igreja, cabe aos
herdeiros, não só aceita-los como também acrescentar a ele a sua própria
contribuição.
6- Portanto o dogma é importante e necessário, e deve ser histórico e mutável. É
necessário e há mesmo tempo mutável quanto a sua forma.

A VIDA DOS DOGMAS OU A SUA EVOLUÇÃO


HISTÓRICA

Três falsos conceitos há que parecem ser os mais arraigados no mundo e precisam ser
definidos em relação aos dogmas:
1- Dogmas são imutáveis
2- Os dogmas fatalmente morrem quando são criticados e analisados
3- Os dogmas quanto ao conteúdo forma a essência da religião, portanto estão
identificados com a religião.

Dois elementos na constituição do dogma e sua evolução histórica:


O dogma é a linguagem da fé, tem dois elementos essenciais, a saber:
a) O religioso ou místico
b) O intelectual ou teórico – julgamento ou raciocínio.
A relação entre estes dois elementos não é arbitrária. O sentimento religioso ou a
dependência de Deus vem primeiro. Esse sentimento envolve também o pensamento.
Envolve a relação entre o sujeito e o objeto da experiência e esta desperta então a
formação do juízo. Juízo é a relação entre dois elementos; o pensamento do sujeito e a
idéia do objeto. Temos o objetivo e o subjetivo.
O elemento intelectual é apenas uma expressão da experiência religiosa, em um
pronunciamento racional em termos de pensamento. Este elemento intelectual é o
elemento variável do dogma. É como se fosse à matéria ligada ao germe da vida que

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está na semente, a qual está sempre, constantemente sendo transformada no processo


desta mesma vida.
A razão disto é muito simples, uma emoção religiosa transforma-se na mente e
uma emoção (idéia primaria) que estabelece a relação entre o sujeito e o objeto. O
elemento mental já está implícito no emotivo. A formula desta relação depende da
cultura intelectual, uma criança, por exemplo, falará da religiosamente como uma
criança.
O desenvolvimento do elemento intelectual na religião e da sua linguagem tem
seguido os mesmos passos do desenvolvimento do pensamento em geral. Que, crer que
a revelação de Deus veio em forma de dogmas será capaz de pensar também que
estamos negando esta relação quando afirmamos que o dogma é obra humana. Deus
nada faz daquilo que o homem mesmo ode fazer, o homem pode elaborar doutrinas ou
dogmas e, portanto, esta elaboração é obra humana.

A FORMAÇÃO CIENTÍFICA DE DOGMAS OU DE


TEOLOGIA

O caráter misto da ciência dos dogmas:


Mostramos que os dogmas necessitam de uma crítica livre. Quando religiosa
essa critica será positiva. Não irá destruir o dogma, antes vai distinguir nele entre o
elemento religioso e permanente e o que é filosófico e transitório. Esta é a finalidade da
dogmática ou da ciência dos dogmas. Resta agora definir agora esta sua tarefa e os
recursos que tem ao seu dispor. Estes elementos ambos se referem a sua relação com a
igreja e a filosofia. A ciência dos dogmas certamente tem acompanhado a vida daquela
e as vicissitudes desta.

A ciência dos dogmas e a igreja:


Uma sociedade religiosa não pode estar sem doutrina ou ensino doutrinário.
Quanto mais moral ela é no seu caráter, tanto mais ela precisa de pronunciamentos
doutrinários que a definam e a sua razão de ser. Precisa de doutrinadores, organismo
vivo em cada membro exerce uma função necessária de acordo com o dom especial que
recebeu. Torna-se necessário doutrinar os ignorantes, refutar os heréticos, curar as
divisões, usar de repressões, corrigir a interpretação de textos. Isto exige discussão,
raciocínio, exegese, e especulação.
A tradição que pretende ser absoluta, por não compreender a inspiração
individual, é usurpadora e falha no cumprimento da sua própria missão de levar os
cristãos a maturidade e autonomia. O catolicismo não pode ceder a favor deste ideal
sem sucumbir à morte. O protestantismo almeja este ideal, mas sem alcançá-los, no
entanto.
O principio básico para a critica dos dogmas cristãos só pode ser o principio do
próprio cristianismo, a moral ou algum exioma filosófico como critério, isto violaria a
autonomia da consciência religiosa. Uma vez estabelecido este principio criador da vida
e dos dogmas da igreja, e estabelecidas também a distinção entre o principio ideal e suas
realizações sucessivas na história, todas elas necessariamente incompletas, a critica dos
dogmas.

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A CIÊNCIA DOS DOGMAS E A FILOSOFIA

Embora seja menos agudo o problema das relações da dogmáticas com a


filosofia, é talvez, mais difícil para ser solucionado do que o problema anterior, ou das
relações com a igreja. Tem criado controvérsias tanto quanto o outro, o seu perigo é
duplo, de um lado está pretensão de determinada ortodoxia protestantes que diz que fora
da fé cristã a filosofia não existe. Do outro lado está o racionalismo que procura incluir
a religião cristã na ética e na filosofia. As relações da ciência dos dogmas com filosofia
tornam-se mais claras quando nos lembrarmos da seguinte distinção muito simples, hoje
a filosofia compreende duas partes diferentes em sua natureza.

TEORIAS CRÍTICAS DO CONHECIMENTO RELIGIOSO

Quando se fala da consciência (consciousness) fala-se da consciência do


conhecimento ou do seu começo, pelo menos. Consciência implica representação.
Nenhuma modificação do ego torna-se consciente, exceto pelo despertar na mente de
uma imagem representativa do objeto que a produziu e da sua relação para com o ego.
As mesmas sensações e sentimentos são acompanhados de imagens. O sentimento
religioso não alcança a luz do conhecimento por nenhum outro modo. É por ser um
estado ou movimento e cônscio da alma é que o mesmo torna-se também um principio
de conhecimento. Nenhuma vida mental começa com idéias claras e abstratas.
Teorias antiquadas do conhecimento:
Antigamente havia interpretações do conhecimento: a história da revelação
primitiva, a teoria idealista e a teoria sensualista. A primeira teve um avivamento há
quase um século passado com Ronald e Joseph de Maistre. Esta realmente não precisa
ser refutada. Segundo a mesma as nossas idéias não vem de dentro ou da capacidade
criadora da mente, mas vem de fora por uma comunicação sobrenatural.

A teoria de kant sobre conhecimento:


Hoje todos pensadores podem ser agrupados em duas classes: os que tiveram
antes de Kant e os que dela receberam a sua iniciação e o batismo filosófico de sua
critica. Ambas estas classes terão sempre trabalho para se entenderem entre si. Os
primeiros são os dogmáticos e cínicos, os outros não compreendem mais nem o
dogmatismo nem o cinismo. Para estes o ponto de vista foi deslocado. Graças a Kant,
nós julgamos tanto o objeto do nosso conhecimento como também a nossa capacidade
de conhecer. O que é inteligível certamente é real, mas nem tudo o que é real e
inteligível.
A teoria do conhecimento de Kant, enquanto satisfaz a mente, apresenta também
as antinomias essenciais desta, cujo jogo normal constitui a via do próprio ego e explica
as suas multiformes manifestações. O determinismo cientifico incompreensível a minha
atividade moral, esta entra em choque com determinismo da ciência. Se é verdadeiro o
determinismo então a minha vontade é nula, sou apenas autômato. Se é real a minha
responsabilidade, se não é ilusão.

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As duas categorias do conhecimento:


O ego só pode estar cônscio de si mesmo e de suas modificações, aquilo qual não lhe
toca permanece para ele desconhecido. As modificações do ego são de duas categorias:
1- Uma vem de fora; representam as atuações das cousas sobre ele, sãos às sensações.
2- As outras vem de dentro; representam a atuação do ego sobre as cousas, sua energia
espontânea, suas volições e atos.
Daí os dois elementos constituintes da consciência ou conhecimento, daí a
distinção entre o objeto e o sujeito, entre o não-ego e o ego; entre os eu pensamento e o
objeto. Nós chamamos de objetiva toda a idéia ou qualidade que só pode ser atribuída
ao objeto independentemente de ação ou disposição do sujeito. Ficaria muito
decepcionado que reduzisse esta diferença à mera oposição entre o que é físico e o que é
espiritual. Entre os fenômenos externos e internos. A sensação que o alicerce e o ponto
de partida do conhecimento objetivo é tão internos quanto à volição.
Por outro lado, consideremos as ciências da natureza que tratam dos objetos
mais distantes dos homens, da astronomia, geologia, etc. não consideremos
simplesmente os resultados externos; consideremos antes a força espiritual que
chamamos de pensamentos que tem a virtude de produzir essas ciências. Que são estas
senão a revelação do espírito ao espírito?
Embora distintas e frequentemente em conflitos, esta duas categorias do
conhecimento, são pelo menos solidárias, desenvolvem-se sempre pela ação de uma
sobre a outra; dirige-se para uma unidade mais elevada cuja necessidade desperta, de
tempo em tempo, tentativas renovadas para uma síntese metafísica.

A SUBJETIVIDADE DO CONHECIMENTO RELIGIOSO

O primeiro contraste que observamos entre o conhecimento da natureza e o


conhecimento religioso é que o primeiro é objetivo e que o segundo nunca pode sair da
subjetividade. Isto não significa que o segundo seja menos certo, mas que é de outra
categoria, que é produzido de outro modo e tem outras características. Num sentido
também o conhecimento da natureza é subjetivo, pois depende da nossa constituição
mental, e das leis de nossa faculdade congitativa. O conhecimento religioso, porem, é
moral, é subjetivo de modo diferente e por uma razão mais profunda, o objeto do
conhecimento cientifico está sempre fora do ego e é em conhecê-lo assim como objeto
fora do ego que esta a objetividade desse conhecimento. Mas o objeto do conhecimento
religioso ou moral – Deus, o bem o belo.

TELEOLOGIA

Sendo subjetivo em essência e na origem, o conhecimento religioso é teológico


no seu processo. Esta segunda característica vem da primeira, teleologia é a forma de
toda vida orgânica e atividade consciente. O conhecimento moral que é senão a teoria
da vida consciente do espírito. Se o principio de diretriz os fatos biológicos e psíquicos
não poderiam ser organizados em ordem hierárquica.

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Mecanismo e Teologia, pois são os dois novos termos para designar a antítese
formada pelo conhecimento da natureza e o conhecimento religioso. Seria porem, um
erro pensar que um excluo o outro ou o torne supérfluo. Para provar o contrário não
temos somente o exemplo de máquinas feitas pelo homem, temos também os seres
vivos em que diz Claube Bernard, a idéia da diretriz da vida realiza-se num
determinismo absoluto.
A interpretação mecanística dos fenômenos e o determinismo da ciência só
excluem a teleologia quando são transformados num materialismo metafísico, isto é,
quando se afirma a priori e por um ato subjetivo que há no universo senão a matéria e
seus movimentos.

SIMBOLISMO

Em terceiro e último lugar, o conhecimento religioso é simbólico, todos os conceitos


que ele forma e organiza, desde a primeira metáfora, criada pelo sentimento religioso
até a mais abstrata especulação teleológica, são necessariamente inadequadas para sua
própria finalidade. Não são equivalentes como isto acontece no caso das ciências exatas.
É difícil descobrir a razão disto, o objeto a nossa imaginação não tem outro meio a
dispor senão imagens fenomenais; as categorias lógicas e o nosso entendimento
limitados aos espaço e tempo. O conhecimento religioso é obrigado, portanto expressar
o invisível pelo visível; o eterno pelo temporal e as realidades espirituais por imagens
sensíveis.

TEORIAS DA FILOSOFIA DA RELIGIÃO

Nesta obra de cristianização do pensamento platônico e neoplatônico, merecem


menção particular os Padres Capadócios, Dionísio chamado o Areopagita e, sobretudo
Santo Agostinho. O grande Doutor ocidental contatara diversas escolas filosóficas, mas
todas o tinham desiludido. Quando se lhe deparou a verdade da fé cristã, então teve a
força de realizar aquela conversão radical a que os filósofos anteriormente contatados
não tinham conseguido induzi-lo. Ele mesmo refere o motivo: « Preferindo a doutrina
católica, já sentia, então, que era mais razoável e menos enganoso sermos obrigados a
crer o que não demonstrava, quer houvesse prova, mesmo que esta não estivesse ao
alcance de qualquer pessoa, quer a não houvesse. Seria isto mais sensato do que
zombarem da crença os maniqueístas, apoiados em temerária promessa de ciência, para
depois nos mandarem acreditar em inúmeras fábulas tão absurdas que as não podiam
provar». Quanto aos platônicos, que ocupavam lugar privilegiado nos pontos de
referimento de Agostinho, este censurava-os porque, embora conhecessem o fim para
onde se devia tender, tinham, porém, ignorado o caminho que lá conduzia: o Verbo
encarnado. O Bispo de Hipona conseguiu elaborar a primeira grande síntese do
pensamento filosófico e teológico, nela confluindo correntes do pensamento grego e
latino. Também nele a grande unidade do saber, que tinha o seu fundamento no

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pensamento bíblico, acabou por ser confirmada e sustentada pela profundidade do


pensamento especulativo. A síntese feita por Santo Agostinho permanecerá como a
forma mais elevada de reflexão filosófica e teológica que o Ocidente, durante séculos,
conheceu. Com uma história pessoal intensa e ajudada por uma admirável santidade de
vida, ele foi capaz de introduzir, nas suas obras, muitos dados que, apelando-se à
experiência, antecipavam já futuros desenvolvimentos de algumas correntes filosóficas.

Na Teologia escolástica, o papel da razão educada filosoficamente torna-se ainda mais


notável sob o impulso da interpretação anselmiana do intelectus fidei. Segundo o santo
Arcebispo de Cantuária, a prioridade da fé não faz concorrência à investigação própria
da razão. De fato, esta não é chamada a exprimir um juízo sobre os conteúdos da fé;
seria incapaz disso, porque não é idônea. A sua tarefa é, antes, saber encontrar um
sentido, descobrir razões que a todos permitam alcançar algum entendimento dos
conteúdos da fé. Santo Anselmo sublinha o fato de que o intelecto deve pôr-se à procura
daquilo que ama: quanto mais ama, mais deseja conhecer. Quem vive para a verdade,
tende para uma forma de conhecimento que se inflama num amor sempre maior por
aquilo que conhece, embora admita que ainda não fizera tudo àquilo que estaria no seu
desejo: Ad te videndum factus sum; et nondum feci propter quod factus sum. Assim, o
desejo da verdade impele a razão a ir sempre mais além; esta fica como que embevecida
pela constatação de que a sua capacidade é sempre maior do que aquilo que alcança.
Chegada aqui, porém, a razão é capaz de descobrir onde está o termo do seu caminho: «
Penso efetivamente que, quem investiga uma coisa incompreensível, se deve contentar
de chegar, pela razão, a reconhecer com a máxima certeza a sua existência real, embora
não seja capaz de penetrar, pela inteligência, o seu modo de ser. Aliás, que há de tão
incompreensível e inefável como aquilo que está acima de tudo? Portanto, se aquilo de
cuja essência suprema discutimos até agora, ficou estabelecido sobre razões necessárias,
ainda que a inteligência não o possa penetrar de forma a conseguir traduzi-lo em
palavras claras, nem por isso vacila minimamente o fundamento da sua certeza. Com
efeito, se uma reflexão anterior compreendeu de maneira racional que é
incompreensível (rationabiliter comprehendit incomprehensibile esse) o modo como à
sabedoria suprema sabe aquilo que fez, quem explicará como ela mesma se conhece e
exprime, dado que sobre ela o homem nada ou quase nada pode saber?

A NOVIDADE PERENE DO PENSAMENTO DE

S. TOMÁS DE AQUINO
Neste longo caminho, ocupa um lugar absolutamente especial S. Tomás, não só pelo
conteúdo da sua doutrina, mas também pelo diálogo que soube instaurar com o
pensamento árabe e hebreu do seu tempo. Numa época em que os pensadores cristãos
voltavam a descobrir os tesouros da filosofia antiga, e mais diretamente da filosofia
aristotélica, ele teve o grande mérito de colocar em primeiro lugar a harmonia que existe
entre a razão e a fé. A luz da razão e a luz da fé provêm ambas de Deus: argumentava
ele; por isso, não se podem contradizer entre si.

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CURSO DE FORMAÇÃO PASTORAL - CURSO DE PASTOR 36

Indo mais longe, S. Tomás reconhece que a natureza, objeto próprio da filosofia,
pode contribuir para a compreensão da revelação divina. Deste modo, a fé não teme a
razão, mas solicita-a e confia nela. Como a graça supõe a natureza e leva-a a perfeição,
assim também a fé supõe e aperfeiçoa a razão. Esta, iluminada pela fé, fica liberta das
fraquezas e limitações causadas pela desobediência do pecado, e recebe a força
necessária para elevar-se até ao conhecimento do mistério de Deus Uno e Trino.
Embora sublinhando o caráter sobrenatural da fé, o Doutor Angélico não esqueceu o
valor da racionabilidade da mesma; antes, conseguiu penetrar profundamente e
especificar o sentido de tal racionabilidade. Efetivamente, a fé é de algum modo «
exercitação do pensamento »; a razão do homem não é anulada nem humilhada, quando
presta assentimento aos conteúdos de fé; é que estes são alcançados por decisão livre e
consciente.

Precisamente por este motivo é que S. Tomás foi sempre proposto pela Igreja
como mestre de pensamento e modelo quanto ao reto modo de fazer Teologia. Neste
contexto, apraz-me recordar o que escreveu o meu Predecessor, o Servo de Deus Paulo
VI, por ocasião do sétimo centenário da morte do Doutor Angélico: « Sem dúvida, S.
Tomás possuiu no máximo grau, a coragem da verdade, a liberdade de espírito quando
enfrentava os novos problemas, a honestidade intelectual de quem não admite a
contaminação do cristianismo pela filosofia profana, mas tão pouco defende a rejeição
apriorística desta. Por isso, passou à história do pensamento cristão como um pioneiro
no novo caminho da filosofia e da cultura universal. O ponto central e como que a
essência da solução que ele deu ao problema novamente posto da contraposição entre
razão e fé, com a genialidade do seu intuito profético, foi o da conciliação entre a
secularidade do mundo e a radicalidade do Evangelho, evitando, por um lado, aquela
tendência antinatural que nega o mundo e seus valores, mas, por outro, sem faltar às
exigências supremas e inabaláveis da ordem sobrenatural.

Entre as grandes intuições de S. Tomás, conta-se a de atribuir ao Espírito Santo


o papel de fazer amadurecer, como sapiência, a ciência humana. Desde as primeiras
páginas da Summa theologia, o Aquinate quis mostrar o primado daquela sapiência que
é dom do Espírito Santo e que introduz no conhecimento das realidades divinas. A sua
Teologia permite compreender a peculiaridade da sapiência na sua ligação íntima com a
fé e o conhecimento de Deus: conhece por conaturalidade, pressupõe a fé e chega a
formular retamente o seu juízo a partir da verdade da própria fé: « A sapiência elencada
entre os dons do Espírito Santo é distinta da mencionada entre as virtudes intelectuais.
De fato, esta segunda adquire-se pelo estudo; aquela, pelo contrário, "provém do alto",
como diz S. Tiago. Mas é também distinta da fé, porque esta aceita a verdade divina tal
como é, enquanto é próprio do dom da sapiência julgar segundo a verdade divina. Mas,
ao reconhecer a prioridade desta sapiência, o Doutor Angélico não esquece a existência
de mais duas formas complementares de sabedoria: a filosófica, que se baseia sobre a
capacidade que tem o intelecto, dentro dos próprios limites naturais, de investigar a
realidade; e a sabedoria teológica, que se fundamenta na Revelação e examina os
conteúdos da fé, alcançando o próprio mistério de Deus.

Intimamente convencido de que «omne verum a quocumque dicatur a Spiritu


Sancto est, S. Tomás amou desinteressadamente a verdade. Procurou-a por todo o lado
onde pudesse manifestar-se, colocando em relevo a sua universalidade. Nele, o
Magistério da Igreja viu e apreciou a paixão pela verdade; o seu pensamento,
precisamente porque se mantém sempre no horizonte da verdade universal, objetiva e

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transcendente, atingiu « alturas que a inteligência humana jamais poderia ter pensado É,
pois, com razão que S. Tomás pode ser definido «apóstolo da verdade Porque se
consagrou sem reservas à verdade, no seu realismo soube reconhecer a sua objetividade.
A sua filosofia é verdadeiramente uma filosofia do ser, e não do simples aparecer.

SOLICITUDE DA IGREJA PELA FILOSOFIA

Magistério, porém, não se limitou a pôr em destaque os erros e desvios das


doutrinas filosóficas. Mas, com igual cuidado, quis confirmar os princípios
fundamentais para uma genuína renovação do pensamento filosófico, indicando mesmo
percursos concretos a seguir. Nesta linha, o Papa Leão XIII, com a carta encíclica
Æterni Patris, realizou um passo de alcance verdadeiramente histórico na vida da Igreja.
Efetivamente aquela constitui, até ao dia de hoje, o único documento pontifício
dedicado, a esse nível, inteiramente à filosofia. O grande Pontífice retomou e
desenvolveu a doutrina do Concílio Vaticano I sobre a relação entre fé e razão,
mostrando como o pensamento filosófico é um contributo fundamental para a fé e para a
ciência teológica. Passado mais de um século, muitas indicações, lá contidas, nada
perderam do seu interesse tanto do ponto de vista prático como pedagógico; a primeira
de todas é a que diz respeito ao valor incomparável da filosofia de S. Tomás. A
reposição do pensamento do Doutor Angélico era vista pelo Papa Leão XIII como a
melhor estrada para se recuperar um uso da filosofia conforme as exigências da fé. S.
Tomás escrevia ele, ao mesmo tempo em que, como é devido, distingue perfeitamente a
fé da razão, une-as a ambas com laços de amizade recíproca: conserva os direitos
próprios de cada uma e salvaguarda a sua dignidade.

A CIÊNCIA DA FÉ E AS EXIGÊNCIAS DA RAZÃO


FILOSÓFICA
A palavra de Deus destina-se a todo o homem, de qualquer época e lugar da
terra; e o homem, por natureza, é filósofo. Por sua vez, a Teologia, enquanto elaboração
reflexiva e científica da compreensão da palavra divina à luz da fé, não pode deixar de
recorrer às filosofias que vão surgindo ao longo da história, tanto para algumas das suas
formas de proceder como para realizar funções mais específicas. Sem pretender indicar
aos teólogos metodologias particulares — porque tal não compete ao Magistério —,
desejo, porém, lembrar algumas funções próprias da Teologia, onde, por causa da
própria natureza da Palavra revelada, se exige o recurso ao pensamento filosófico.

A Teologia está organizada, enquanto ciência da fé, à luz dum duplo princípio
metodológico: auditus fidei e intellectus fidei. Com o primeiro, recolhe os conteúdos da

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Revelação tal como se foram explicitando progressivamente na Sagrada Tradição, na


Sagrada Escritura e no Magistério vivo da Igreja. Pelo segundo, a Teologia quer
responder às exigências próprias do pensamento, através da reflexão especulativa.

A Teologia dogmática deve ser capaz de articular o sentido universal do mistério de


Deus, Uno e Trino, e da economia da salvação, quer de modo narrativo, quer, sobretudo
de forma argumentativa. Por outras palavras, deve fazê-lo mediante expressões
conceptuais, formuladas de modo crítico e universalmente acessível. De fato, sem o
contributo da filosofia não seria possível ilustrar certos conteúdos teológicos como, por
exemplo, a linguagem sobre Deus, as relações pessoais no seio da Santíssima Trindade,
a cação criadora de Deus no mundo, a relação entre Deus e o homem, a identidade de
Cristo que é verdadeiro Deus e verdadeiro homem. E o mesmo se diga de diversos
temas da Teologia moral, onde é preciso recorrer, de imediato, a conceitos como lei
moral, consciência, liberdade, responsabilidade pessoal, culpa, etc., cuja definição
provém da ética filosófica.

A Teologia fundamental, pelo seu próprio caráter de disciplina que tem por função dar
razão da fé (cf. 1 Ped 3, 15), deverá procurar justificar e explicitar a relação entre a fé e
a reflexão filosófica. Já o Concílio Vaticano I, reafirmando o ensinamento paulino (cf.
Rom 1, 19-20), chamara a atenção para o fato de existirem verdades que se podem
conhecer de modo natural e, consequentemente, filosófico. O seu conhecimento
constitui um pressuposto necessário para acolher a revelação de Deus. Quando a
Teologia fundamental estuda a Revelação e a sua credibilidade com o relativo cato de
fé, deverá mostrar como emergem, à luz do conhecimento pela fé, algumas verdades
que a razão, autonomamente, já encontra ao longo do seu caminho de pesquisa. A essas
verdades, a Revelação confere-lhes plenitude de sentido, orientando-as para a riqueza
do mistério revelado, onde encontram o seu fim último. Basta pensar, por exemplo, ao
conhecimento natural de Deus, à possibilidade de distinguir a revelação divina de outros
fenômenos, ou ao conhecimento da sua credibilidade, à capacidade que tem a linguagem
humana de falar, de modo significativo e verdadeiro, mesmo do que ultrapassa a
experiência humana. Por todas estas verdades, a mente é levada a reconhecer a
existência duma via realmente propedêutica à fé, que pode desembocar no acolhimento
da Revelação, sem faltar minimamente aos seus próprios princípios e autonomia.

A Teologia moral tem, possivelmente, uma necessidade ainda maior do contributo


filosófico. Na Nova Aliança, a vida humana está efetivamente muito menos regulada
por prescrições do que na Antiga. A vida no Espírito conduz os crentes a uma liberdade
e responsabilidade que ultrapassam a própria Lei. No entanto, o Evangelho e os escritos
apostólicos não deixam de propor ora princípios gerais de conduta cristã, ora
ensinamentos e preceitos específicos; para aplicá-los às circunstâncias concretas da vida
individual e social, o cristão tem necessidade de valer-se plenamente da sua consciência
e da força do seu raciocínio. Por outras palavras, a Teologia moral deve recorrer a uma
visão filosófica correta tanto da natureza humana e da sociedade, como dos princípios
gerais duma decisão ética.

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CURSO DE FORMAÇÃO PASTORAL - CURSO DE PASTOR 39

DIFERENTES ESTÁDIOS DA FILOSOFIA


Como consta da história das relações entre a fé e a filosofia, apontada acima
brevemente, podem distinguir-se diversos estádios da filosofia relativamente à fé cristã.
O primeiro é a filosofia totalmente independente da revelação evangélica: é o estádio da
filosofia, existente historicamente nas épocas que precederam o nascimento do
Redentor, e, mesmo depois dele, nas regiões onde o Evangelho ainda não chegou. Nesta
situação, a filosofia apresenta a legítima aspiração de ser um empreendimento
autônomo, ou seja, que procede segundo as suas próprias leis, valendo-se simplesmente
das forças da razão. Embora cientes dos graves limites devidos à debilidade congênita
da razão humana, uma tal aspiração deve ser apoiada e fortalecida. De fato, o trabalho
filosófico, como busca da verdade no âmbito natural, pelo menos implicitamente
permanece aberto ao sobrenatural.

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