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17/03/2019 ANATOMIA, anatomia dental, coroa dental, dentina, esmalte, cemento, polpa

helion@hs-menezes.com.br

ANATOMIA DENTÁRIA

Generalidades

A palavra anatomia é originária do grego ("anatomé" significando 'incisão') e do


latim ("anatomìa-" significando 'dissecação do corpo'). Trata-se da ciência que,
tendo por base os métodos de dissecação e corte, estuda a organização estrutural
dos seres vivos, por isso também denominada morfologia interna.

3D Human Anatomy

Alguns animais possuem uma única dentição (se perderem algum dente não nasce
outro no lugar); outros possuem várias dentições e existem aqueles animais que,
como nós, humanos, possuímos duas dentições.

Os animais que possuem uma única dentição são denominados monofiodontes


(do grego "mónos", 'único’ + "phýo", 'nascer' + "odonto", 'dente') que, como
exemplos, poder-se-ia citar baleia, tatu e bicho-preguiça.
Os que possuem várias dentições são chamados de polifiodontes (do grego
“poli”, ‘muitos’ + "phýo", 'nascer' + "odonto", 'dente'). Entre estes estão, por
exemplo, peixes, que na maioria das espécies apresentam centenas de dentições e
os répteis como os crocodilos que apresentam cerca de 25 dentições.
Os animais que, como nós e os mamíferos domésticos, possuímos duas dentições
são conhecidos como difiodontes (do grego “di”, ‘dois’ + "phýo", 'nascer' +
"odonto", 'dente') .

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As duas dentições humanas

A primeira dentição, que começa a se formar por volta dos seis meses de idade
completando-se por volta dos três anos, é chamada dentição primária, decídua,
temporária, infantil, de leite, e outros.
Nota: o nome ‘de leite’ se deve à cor fortemente esbranquiçada destes elementos;
e o nome ‘decídua’ é inspirado em certas plantas das florestas temperadas, as
quais perdem suas folhas anualmente, no outono e inverno, renovando-as na
primavera e verão (Do latim "decidùu-", 'que cai; caído'). Nesta dentição existem
normalmente 20 dentes (sendo dez na arcada superior e dez na inferior).

A segunda dentiçao, que começa a formar-se por vota dos seis anos
completando-se aproximadamente aos treze anos, é denominada dentição
permanente ou secundária. Nesta dentição existem, normalmente, 32 dentes
sendo dezesseis em cada arcada.

HOMODONTIA E HETERODONTIA

Alguns animais possuem todos os seus dentes morfologicamente semelhantes e


são denominados homodontes (do grego “homos”, ‘semelhante’ + “odonto’,
‘dente’); e outros, como nós, temos dentes com formatos variados e somos
denominados heterodontes (do grego “hetero”, ‘diferente’ + “odonto’, ‘dente’).

Os animais homodontes (figura abaixo) apresentam, portanto, todos os dentes da


mesma forma, variando apenas pelo volume. Os dentes, nestes animais, servem
para apreender a presa e depois degluti-la. São exemplos de animais homodontes,
a maioria dos peixes, os crocodilianos, os ofídios e alguns mamíferos da
subordem Odontoceti (golfinho e o cachalote).

Os grupos dentários humanos


(incisivos, caninos, pré-molares e molares).

Nós humanos, que, como os mamíferos domésticos (gato, cachorro, etc), somos
heterodontes, apresentamos os dentes morfologicamente diferentes divididos em
grupos com funções diferentes para cada grupo. Trata-se, portanto, de uma
adaptação evolutiva..

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O ato de mastigar é como uma linha de produção. Cada um de nossos dentes, com
suas formas tão variadas e diferentes, têm funções específicas e distintas neste
ato. Uns são responsáveis por cortar em pedaços o alimento; outros são
responsáveis por picar estes pedaços; e, por fim, outros são responsáveis por
moer tais pedaços até transformar todo o alimento em uma pasta, saborosa e rica
em energia. A falta de um destes dentes ao "trabalho" leva, fatalmente, à má
formação do produto final (bolo alimentar), permitindo que parte do alimento seja
deglutido na forma de "pedaços", cujas porções internas não sofrerão a ação das
enzimas digestivas, sendo descartados pelo corpo com toda a sua riqueza
energética desprezada, vitaminas e sais minerais tão importantes para a vida.
Daí o prejuízo para a saúde total do indivíduo que representa a perda de um ou
mais destes elementos.
Por isso, costuma-se considerar dentro das funções dos dentes, quatro aspectos
característicos: preensão, incisão, dilaceração e trituração.
Os grupos dentais humanos especializados nas funções acima são denominados
incisivos, caninos, pré-molares e molares.
Vejamos agora, com desenhos esquemáticos, estes grupos funcionais dentários
especializados.

A incisão dos alimentos, ou ato de cortá-los em partículas menores, é realizado


pelas peças dentárias situadas anteriormente na boca, cujo conjunto é denominado
dentes incisivos. Os incisivos são dentes espatulados e cuneiformes, que possuem
uma borda cortante e situam-se imediatamente atrás dos lábios, os quais
funcionam como suporte, evitando que os incisivos se desloquem para adiante.

A dilaceração dos alimentos, ou o ato de rasgar e reduzir as substâncias


alimentares a partículas menos compactas, é realizada pelo grupo de quatro
dentes: os caninos, que seguem aos incisivos na seqüência normal dos dentes nas
arcadas dentárias. Os caninos possuem formas aguçadas e são de volume maior
que o dos incisivos. Distinguem-se destes por terem borda cortante dividida em
dois segmentos distintos por uma ponta nítida, que ultrapassa o plano incisal
normal dos dentes espatulados.

Observação: os dentes anteriores, incisivos e caninos, além das suas funções até
agora mencionadas, desempenham função importante na estética buco-facial. A
perda de parte ou de todos os dentes anteriores ocasiona profundas modificações

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não só no esqueleto facial como também nas partes moles que o recobrem. Os
lábios e as bochechas se introfletem para a cavidade bucal devido ao fato de
perderem seus elementos suportes, produzindo-se um característico pregueamento
vertical.

A trituração dos alimentos é feita pelos pré-molares e pelos molares. Se a


simplicidade de forma adaptada à função é uma característica dos dentes
anteriores, a complexidade é que se sobressai nos posteriores. A morfologia dos
dentes complica-se à medida que retrocedemos na arcada dentária. Este fato deve-
se à presença de saliências, sulcos e depressões mais ou menos acentuadas, que
tornam os pré-molares e molares aptos a desempenharem suas funções de
verdadeiras mós (daí o nome ‘molar’) ou de um pistilo no gral no ato de
reduzirem substâncias alimentares a partículas mais facilmente deglutíveis e
digeríveis.

As arcadas dentárias
(superior e inferior)

As faces de todos os dentes humanos voltadas para a bochecha, lábio ou língua


tem, cada face, uma morfologia curva que lembra a forma de um arco. Quando os
dentes estão em posição na boca eles se colocam lado a lado e o conjunto deste
arcos individuais forma uma curva denominada de arcada dental (o termo
“arcada” é usado para lembrar que tal curva é formada por um conjunto de
“arcos”).

A figura A abaixo mostra o arco dental inferior permanente completo.


Diferentemente do que ocorre em outras espécies animais, no ser humano, o
número de dentes em cada uma das duas arcadas é o mesmo (16 dentes). Como
todo indivíduo possui dois arcos dentais (superior e inferior) o número total de
dentes normalmente presente no indivíduo adulto é 2 X 16 = 32 (sendo 8
incisivos, 4 caninos, 8 pré-molares e 12 molares).

Note que as figuras B e C representam, respectivamente, as metades (hemi-arcos)


direita e esquerda do arco permanente. Observe que cada metado tem, portanto,
oito dentes cada (confira com a imagem). De fato, as imagens B e C foram
obtidas seccionando-se a figura A (que tem 16 dentes) ao meio (o corte seguiu a
linha mediana mostrada na figura) como, aliás, as figuras deixam claro. Isto quer
dizer que o hemi-arco direito (figura B) representa a imagem especular (no
espelho) do hemi-arco esquerdo (figura C).
O nome dos dentes permanentes, a partir da linha mediana em direção posterior,
são, para os dois hemi-arcos: incisivo central, incisivo lateral, canino
(popularmente chamado de ‘presa’), primeiro pré-molar, segundo pré-molar,
primeiro molar, seguindo molar e terceiro molar (dente do siso ou do juizo).

A dentição humana decídua completa possui ao todo 20 dentes sendo 10 em


cada arcada e, portanto, 5 em cada hemi-arcada. A figura ao lado mostra,
esquematicamente, os dois arcos dentários decíduos (superior e inferior). Repare
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que, nesta dentição, não existem terceiros molares e pré-


molares. Os cinco dentes temporários de cada hemi-arco, a
partir da linha mediana, que aparece tracejada na
figura, são: incisivo central, incisivo lateral, canino,
primeiro molar e segundo molar (confira com a figura).

FÓRMULA DENTÁRIA

Como vimos, o número total de dentes na dentição humana é, normalmente, 20 na


dentição decídua e 32 na permanente.
Para representar facilmente este número e os tipos de dentes usa-se a fórmula
dentária, isto é, a maneira suscinta de especificar a quantidade de dentes em cada
hemi-arcada.
Na fórmula dentária, a denominação de cada dente está representada pela letra
inicial, sendo minúscula para os decíduos e maiúscula para os permanentes.
Estas iniciais são colocadas em forma de fração que traduzem a separação das
arcadas dentárias duperior e inferior, tendo como numerador o número de dentes
da hemi-arcada maxilar (superior) e no denominador os dentes da hemi-arcada
mandibular (inferior).

Assim sendo, a dentição permanente é representada pela seguinte fórmula:

Repare que a fórmula dentária acima nos informa que em cada hemi-arcada
permanente humana completa temos: 2 incisivos, 1 canino, 2 pré-molares e 3
molares.

Analogamente, para a arcada decídua, temos a seguinte fórmula:

A figura acima relata que em cada hemi-arcada decídua humana completa temos:
2 incisivos, 1 canino e 2 molares.

NOTAÇÃO DENTÁRIA (REGISTRO)

O cirurgião-dentista tem necessidade de anotar todas as alterações que encontra


durante o exame clínico do aparelho dentário. Para tanto utiliza-se de uma ficha
onde assinala aquilo que corresponde ao estado atual dos dentes do seu paciente.
Este sistema de indicar, de maneira sumária e prática, os detalhes anatômicos das
arcadas dentárias, constitui a notação dentária. A compreensão por parte do
leitor desta notação o auxiliará a entender as anotações de seu dentista.

Cada profissional pode ter o seu modo pessoal de assinalar as peças dentárias,
porém o mais usado é através da notação internacional.

Para isso consideremos que cada uma das arcadas dentárias é determinada por três
planos a saber: horizontal, frontal e sagital (de acordo com a figura abaixo).

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Destes três planos o que mais vai nos interessar é o plano sagital mediando que
divide as arcadas dentárias em suas duas hemi-arcadas (direita e esquerda) a
partir do encontro dos dois incisivos centrais (como mostra a figura acima).

O leitor deve imaginar agora o indivíduo de frente conforme a figura abaixo.


Nesta figura, o plano sagital mediano aparece como um eixo vertical e o plano
horizontal (que passa entre as duas arcadas – superior e inferior – em contato) é
visto como um eixo horizontal.
Note que o lado direito do paciente aparece à esquerda da figura (como a nossa
imagem no espelho).

Dividimos, assim, a boca em quatro quadrantes numerados a partir do superior


direito em sentido horário. Portanto, temos:

a) Quadrante 1: superior direito


b) Quadrante 2: superior esquerdo
c) Quadrante 3: inferior esquerdo
d) Quadrante 4: inferior direito.

Numeramos agora os dentes de


cada hermi-arcada (de 1 a 8) a
partir do plano sagital mediano
(conforme figura ao lado).

Os dentes poderão ser agora


identificados, de acordo com a
notação internacional, por um
número de dois dígitos onde o
primeiro dígito se refere ao
quadrante e o segundo, ao dente.

Dessa forma para os dentes da hemi-


arcada superior esquerda temos os
seguintes números indicando os respecivos dentes (confira com a
figura):

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21 – Incisivo central superior esquerdo (quadrante 2, dente 1)


22 – Incisivo lateral superior esquerdo (quadrante 2, dente 2)
23 – Canino superior esquerdo (quadrante 2, dente 3)
24 – Primeiro pré-molar superior esquerdo (quadrante 2, dente 4)
25 – Segundo pré-molar superior esquerdo (quadrante 2, dente 5)
26 – Primeiro molar superior esquerdo (quadrante 2, dente 6)
27 – Segundo molar superior esquerdo (quadrante 2, dente 7)
28 – Terceiro molar suoperior esquerdo (quadrante 2, dente 8)

Dessa forma os dentes permanentes todos se identificam pelos seguintes


números visto na figura abaixo:

Para a dentição decídua, em que os quadrantes são numerados analogamente de 5


a 8.
Analogamente, os dentes decíduos são numerados de 1 a 5. Os números dos
dentes de leite são: os incisivos centrais 1, os incisivos laterais 2, os caninos 3, os
primeiros molares 4 e os segundos molares 5.

A figura abaixo mostra como fica, portanto, a numeração de todos os dentes


decíduos:

Na figura acima repare que, por exemplo, o dente 73 é o canino inferior


esquerdo decíduo.

AS CINCO FACES DOS DENTES

Generalidades.

Na descrição das faces e dos detalhes anatômicos dos dentes é muito usado os
conceitos de ângulos diedros e triedros. Vamos recordar esses dois conceitos.

A palavra diedro vem do grego ("di", 'dois', 'duas vezes' + "hedra", 'plano')
significando "que tem duas faces" e, em geometria, é "ângulo formado por dois
semi-planos com reta comum" ou "ângulo de duas faces" (dicionário Porto
Editora).

Analogamente “triedro é um ângulo formado por três semiplanos com ponto


comum”.
Cavidade bucal

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O único osso móvel da cabeça é a mandíbula. Quando elevamos a mandíbula de


tal modo que os dentes da arcada inferior tocam os dentes da arcada superior
dizemos que ocluimos as arcadas ou os dentes ou ainda que os dentes ou as
arcadas entraram em oclusão.

Quando as duas arcadas entram em oclusão o conjunto


forma como que uma muralha (figura ao lado) que
divide a cavidade bucal em dois compartimentos: um
situado entre os lábios e bochechas e os dentes que é
denominado vestíbulo bucal (a palavra ‘vestíbulo’ quer
dizer “entrada”); e outro localizado entre os dentes onde
se encontra a língua que é a cavidade bucal
propriamente dita.
Os dentes permanentes possuem uma coroa que pode ser inscrita num sólido
geométrico. Se considerarmos as formas geométricas que mais exatidão tem para
caracterizar as diferentes formas de coroas podemos dizer que os anteriores
(incisivos e caninos) se enquadram mais em sólidos cuneiformes (figura A da
imagem abaixo), enquanto que os pré-molares e molares se enquadram mais nos
sólidos rombóides (respectivamente figuras B e C da imagem abaixo).

As faces dos dentes posteriores (pré-molares e molares), que ocluem com os da


arcada antagônica, é denominada de face oclusal. Nos dentes anteriores (incisivos
e caninos) essa face não é tão evidente e, neste caso, é preferível falar em borda
ao invés de face para essa aresta cortante (que lembra um diedro) que lembra o
ápice de uma cunha.
Assim cada coroa de dentes posteriores tem 12 ângulos diedros e 8 ângulos
triedros (confira com as figuras B e C acima).

Dessa forma os dentes possuem cinco faces reais a saber:

1. Face vestibular (V): voltada para o vestíbulo da boca e que mantém


relação com os lábios e bochechas.
2. Face lingual (L): voltada para a cavidade bucal propriamente dita e que
mantém relação com a língua (nos dentes superiores essas faces são
também denominadas face palatina (P) devido às suas relações com o
pálato – o ‘céu da boca’).
3. Faces proximais: são as faces de contato entre dois dentes vizinhos na
arcada dentária, sendo:
· Face mesial (M): a mais próxima (ou voltada para) o plano sagital
mediano
· Face distal (D): a face oposta à mesial (de ‘trás’).
4. Face oclusal (O): são as faces que entram em contato quando os dentes
entram em oclusão.
Nota: para os dentes anteriores é comum chamar-se as faces oclusais de
bordas incisais ou caninas (conforme referir-se à incisivo ou canino), mas
continua-se a representá-las pela letra O.
A figura abaixo ilustra as cinco faces acima referidas:

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A figura abaixo mostra as cinco faces com o dente em posição na arcada


dentária (o quadrado da direita focaliza, em maior aumento, o mesmo campo
do quadrado da esquerda):

DIVISÃO DA COROA EM TERÇOS

As várias faces das coroas dentais (e as raízes) são divididas em segmentos ou


terços, tornando mais fácil a localização de certos detalhes anatômicos, a
descrição de lesões bem como a comunicação falada e escrita. Os terços são
denominados de acordo com a sua denominação. A figura abaixo, por
exemplo, mostra essas divisões em um dente posterior inferior e um dente
anterior superior:

Nota: a região do colo dental é denominada região cervical.

a) Face oclusal: no sentido mésio-distal: terços mesial, médio e distal;


no sentido vestíbulo-lingual: terços vestibular, médio e lingual.

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b) Faces vestibular e lingual: no sentido gêngivo-oclusal: terços


gengival ou cervical, médio e oclusal; no sentido mésio-distal: terços
mesial, médio e distal.
c) Faces mesial e distal: no sentido gêngivo-oclusal: terços gengival
ou cervical, médio e lingual; no sentido vestíbulo-lingual: terços
vestibular, médio e lingual.
d) Raízes: para as raízes só interessa a divisão no sentido vertical, isto
é, do longo eixo do dente: no sentido cérvico-apical: terços cervical,
médio e apical.

FACE OCLUSAL

Para as faces oclusais devemos atentar para as seguintes formações: CÚSPIDE,


SULCO, FOSSETA e CRISTA que serão agora examinadas.

Ao olharmos as faces oclusais dos dentes jugais (pré-molares e molares)


constatamos a presença de saliências (‘morrinhos’) que são denominadas
cúspides. Estas formações são separadas umas das outras por depressões que
simulam ‘vales’ denominados sulcos. Ao longo dos trajetos tortuosos dos sulcos
encontramos também escavações (‘buraquinhos’) chamados fossetas.
A figura abaixo permite a visualização destes elementos.

As três imagens acima representam a face oclusal do dente 36 (Primeiro Molar


Inferior). A imagem A foi obtida através de um aumento da imagem B. Na
imagem A as setas verdes apontam para as cinco cúspides normalmente
presentes neste dente: trata-se de um dente pentacuspidado. As setas azuis
apontam para sulcos e as setas vermelhas, para fossetas (repare que, embora só
duas fossetas estejam indicadas com setas, existem mais fossetas nesta face
dental).
A presença dos sulcos e fossetas tem implicações clínicas: os primeiros dentes a
serem cariados são os jugais (molares e pré-molares) devido a essas informações
que favorecem a implantação de lesões cariosas. Repare na presença de cáries na
figura C.

MORFOLOGIA DAS CÚSPIDES

É tal a importância das cúspides que dá origem à classificação dos dentes em bi,
tri, tetra e pentacuspidados, ficando reservado o nome unicuspidados para os
dentes caninos, os quais (segundo alguns) tem suas coroas constituídas por essa
formação.

As faces oclusais são verdadeiras faces de equilíbrio morfo-funcional e uma


das responsáveis pela integridade das arcadas dentárias, graças ao
engrenamento das cúspides antagônicas na oclusão normal. São elementos
funcionalmente valiosos na trituração dos alimentos. Elas tomam parte na
constituição de uma parte ativa da mastigação, a qual, paulatinamente, vai-se
desgastando.

Cada cúspide é uma pirâmide de base quadrangular e, assim sendo, tem detalhes
bem definidos que devem ser corretamente interpretados: quatro faces ou planos
inclinados, que se unem entre si por intemédio de arestas ou bordas, e que
convergem para um ponto comum ou ápice, o qual se localiza do lado oposto à
base.

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Na imagem acima temos:


A – a concepção morfológica piramidal de cada cúspide individualmente.
B – Início hipotético da construção da face oclusal de um dente bicuspidado:
primeiro secciona-se uma parte da cúspide da figura A segundo um plano
perpendicular a uma das arestas.
C – Depois junta-se duas destas pirâmides seccionadas pelo plano de secção e
temos a concepção morfológica de uma face oclusal bicuspidada.
D – Vista superior mostrando como é unida as duas cúspides para se formar a face
oclusal bicuspidada.
E – Vista superior da figura C.

Abaixo a concepção análoga da face de um dente tetracuspidado.

Deve-se notar que, quando o dente está em posição na arcada dentária, é a aresta
(e não a face) de cada cúspide que fica voltada para os lados lingual e vestibular.
A figura seguinte ilustra bem esse fato.

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CRISTAS MARGINAIS

As cristas são elevações lineares que unem cúspides ou que reforça a periferia
de certas faces dos dentes. Podem ser:

01. Cristas marginais. Estas se encontram sempre presentes nas faces


oclusais dos dentes jugais (são as cristas marginais mesial e distal); e
nas faces linguais dos dentes anteriores, são quase verticais, localizando-
se entre a face lingual e as faces de contato (figura abaixo).

01. Cristas longitudinais. Estas nem sempre presentes e quando


aparecem se situam nas faces oclusais unindo as cúspides linguais entre si
e/ou as cúspides vestibulares.

02. Cristas oblíquas (ou ponte de esmalte). Estas atravessam em


diagonal as faces oclusais dos molares superiores e unem as cúspides
mésio-lingual e disto-vestibular. A figura abaixo mostra o desenho
normal e estilizado da face oclusal do primeiro molar superior onde as
setas vermelhas apontam para a ponte de esmalte.

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DIVISÃO ANATÔMICA DO DENTE

Do ponto de vista anatômico e descritivo, o dente é formado por três partes


distintas: coroa, colo e raiz (figura seguinte).

A coroa dentária é a porção visível e funcionante na


mastigação e seu aspecto distingue-se de imediato
das demais partes. Ela é brilhante e permanece
acima dos ossos de suporte e gengiva (é o que a
gente vê quando olhamos nossos dentes no
espelho).

A fixação do dente no osso se dá através da raiz em


cavidades próprias (alvéolos) no interior do osso.
Sua forma de ser implantada, simulando um prego
encravado na madeira, fez com que durante muito tempo fosse chamada de
gonfose essa relação dente-alvéolo (do grego “gonphos” quer dizer ‘prego’).
Além de suas funções como elemento fixador, a raiz dentária suporta o impacto
das forças mastigatórias, graças às suas relações com as paredes do alvéolo
dentário através de fibras do desmodonto (tecido conjuntivo fibroso que une o
dente ao alvéolo). A raiz nem sempre é única e a variação no número de raízes
pode ser vista na figura abaixo.

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O colo é o segmento imediato entre a coroa e a raiz. É a parte mais estrangulada


do dente (o ‘pescoço’ do dente) e é limitado por uma linha
sinuosa que se interpõe entre as duas outras partes do dente
(figura ao lado).
É importante que se faça distinção entre o colo anatômico e
verdadeiro do dente e o colo cirúrgico.
O primeiro (colo anatômico) representa exatamente os
limites divisórios entre a coroa e a raiz, facilmente
perceptível pela diferença de cor (a coroa é ‘branca’ e a raiz,
‘amarela’) e pela sinuosidade (como na figura ao lado) que
apresenta em todas as faces do dente.
O colo cirúrgico, nada mais é do que a porção inicial ou basal da raiz que fica
sempre acima do alvéolo dentário e que, no indivíduo revestido de suas partes
moles, permanece revestida pela gengiva. A retirada cirúrgica da coroa dental é
feita sempre nesta parte basal da raiz, justificando plenamente o seu nome.

OS ALVÉOLOS

A figura acima mostra os alvéolos (cavidades ósseas onde se inserem as raízes)


das arcadas superior (maxilar) e inferior (mandibular).
Quando o dente possuir uma única raiz esta se insere nos alvéolos
denominados unilaculares (seta vermelha 3); quando o dente possuir duas raízes,
estas se inserem nos bilacunares (seta vermelha 1) e se tiver três raízes, estas se
inserem nos trilacunares (seta vermelha 2).
Os alvéolos bi e tri lacunares possuem divisões ósseas internas que são os septos
ósseos que separam a cavidade de cada raiz individualmente (seta verde).
A parte mais alta do alvéolo, próxima ao colo dentário, que contorna a entrada do
alvéolo, chama-se crista óssea alveolar ou simplesmente crista óssea. As setas
azuis apontam para duas destas cristas.

DIVISÃO ARQUITETURAL E ESTRUTURAL DO DENTE

Do ponto de vista arquitetural, e estrutural, o dente pode ser descrito com o


sendo formado de quatro partes: esmalte, dentina, cemento e polpa (figura
abaixo).

As três primeiras formações são duras, calcificadas, enquanto que a polpa é o


único tecido mole do dente.

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ESMALTE

Propriedades físicas

O esmalte forma uma capa protetora, de espessura variável, sobre a superfície


dental da coroa (o esmalte envolve a coroa).
Nas cúspides de molares e pré-molares o esmalte tem uma espessura máxima de
2 a 2,5 mm, aproximadamente, adelgaçando-se para baixo até quase o bordo de
uma navalha, aio nível do colo do dente.
Devido ao seu alto conteúdo de sais minerais e seu aspecto cristalino, o esmalte é
o tecido mais duro do organismo humano.
A função do esmalte é formar uma capa resistente para os dentes, tornando-os
adequados para a mastigação.
A estrutura e a dureza do esmalte tornam-no quebradiço. O peso específico do
esmalte é 2,8 g/cm3.
Outra importante propriedade física do esmalte é a sua permeabilidade. Com
traçados radioativos tem sido constatado que o esmalte funciona como uma
membrana semipermeável, permitido uma passagem completa ou parcial de
certas substâncias: uréia, etc. O mesmo fenômeno é demonstrado por meio de
substâncias corantes.
A cor da coroa coberta pelo esmalte vai do branco amarelado até o branco
acinzentado. Tem sido sugerido que as diferenças de cor se devem à translucidez
do esmalte, de tal modo que dentes amarelos tem esmalte fino e translúcido,
através do qual a cor amarela da dentina é visível e dentes acinzentados possuem
um esmalte mais opaco.

Propriedades químicas

O esmalte consiste principalmente de material inorgânico (96%) e somente


uma pequena porcentagem de material orgânico e água (4%). O material
inorgânico do esmalte é semelhante a um mineral denominado apatita
[3Ca3(PO4)2.2NaX] sendo que X pode ser cloreto (Cl-), fluoreto (F-) ou
hidróxido (OH-).

A natureza orgânica do esmalte é protéica e semelhante à queratina (proteína


que recobre a pele dos vertebrados).
O espaço relativo ocupado pela armação orgânica e o esmalte completo é quase
igual. A figura ao lado ilustra esse fato, pela comparação entre uma pedra e uma
esponja de tamanhos aproximadamente iguais. A pedra representa o conteúdo
mineral, e a esponja representa a armação orgânica do esmalte. Embora seus
tamanhos sejam quase iguais, seus pesos são muito diferentes. A pedra é 100
vezes mais pesada que a esponja, ou expressando em porcentagem, o peso da
esponja é quase que 1% do peso da pedra.

Estrutura

Da mesma forma que uma parede é formada por tijolos o esmalte dental é
formado por prismas ou bastões. Na constituição do esmalte entram também
bainhas dos prismas e, em algumas regiões, uma substância interprismática
cimentante.
O prisma é o componente mineral do esmalte e as demais formações são
orgânicas.

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Os prismas cobrem toda a espessura do esmalte desde o limite com a dentina até a
superfície coronária e se dispões num trajeto oblíquo e ondulado de forma que o
comprimento de um prisma é maior que a distância do limite da dentina até a
superfície.
É aceito que o diâmetro médio dos prismas é de 4 micra (4 milésimos de
milímetros), mas esta medida varia uma vez que a superfície do esmalte junto à
dentina é menor que no lado externo.

Embora muitas áreas do esmalte humano parecem conter


prismas envolvidos por bainhas dos prismas e separados por
uma substância interprismática, um modelo mais comum é um
prisma em forma de ‘buraco de fechadura’ quando cortados
longitudinalmente (figura ao lado).
A parte circular mais volumosa do prisma é denominada
‘cabeça do prisma’ e a parte mais estreita, ‘cauda do prisma’.

As figuras abaixo mostram essas imagens características ao microscópio


eletrônico.

Acima: a figura 1 representa os prismas em corte transversal e a figura 2. em corte


longitudinal; B representa a ‘cabeça ou corpo’ dos prismas e A, a ‘cauda’
(confronte a figura 1 com o desenho dos prismas mais acima).

DENTINA

Propriedades físicas

Nos dentes de indivíduos jovens, a dentina tem uma cor amarelo-claro. Ao


contrário do esmalte, que é muito quebradiço, a dentina está sujeita a deformações
leves. E é altamente elástica. É algo m,ais dura que o osso, mas mais mole que o
esmalte.

Propriedades químicas

A dentina consiste de 30% de matéria orgânica e 70% de material inorgânico.


A substância orgânica é constituída fundamentalmente de fibras colágenas (um
tipo de proteína fibrosa) e mucopolissacarídeos. A porção mineralizada é
composta de cristais de apatita como no osso, cemento e esmalte. Cada cristal de
hidroxiapatita é composta por milhares de unidades. Cada unidade tem a fórmula
química 3Ca3(PO4)2,Ca(OH)2. Os cristais são descritos em forma de placas e
muito menores do que os do esmalte.

Estrutura

Apesar de ser menos resistente do que o esmalte, a dentina tem a particularidade


de ser mais desenvolvida porque encontra-se na coroa e na raiz do dente,
formando como que o fuste dentário sobre o qual repousam o esmalte e o
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cemento.

Além do mais a dentina limita uma cavidade


onde se aloja a polpa dentária. Essa cavidade
denomina-se cavidade pulpar ou dentária.
A figura ao lado mostra a cavidade pulpar e é
possível perceber que esta descreve quase que
perfeitamente a morfologia externa do dente.
As células que produzem a dentina são
denominadas odontoblastos e estão localizadas
em torno da polpa junto à parede de dentina em forma de paliçada como se fosse
um epitélio. Estas células emitem prolongamentos citoplasmáticos para dentro
dos milhões de túbulos que percorrem a dentina em toda a sua extensão e
espessura.
A figura abaixo mostra uma fotografia da imagem microscópica da dentina
costada transversalmente onde se pode notar a abundância dos túbulos dentinários
onde a parte da direita representa a parte da esquerda em maior aumento.

Da superfície da cavidade pulpar até o esmalte (se for dentina coronária – que
forma a coroa) ou cemento (se for dentina radicular – que forma a raiz) o trajeto
dos túbulos dentinários é algo curvo e lembra a forma de um S.
A relação entre as áreas de superfície no lado externo e interno da dentina é cerca
de 5:1. Conseqüentemente os túbulos estão mais separados nas camadas
periféricas e mais justapostos nas camadas mais internas.
Além disso eles são mais largos perto da superfície pulpar (3 a 4 micra –
milésimos de milímetro) e se tornam mais estreitos em sua em suas extremidades
externas (1 mícron). O número de canalículos perto da cavidade pulpar da dentina
é variável e está entre 30 000 e 75 000 por mm2. Há mais túbulos por unidade de
área na coroa que na raiz. Cada túbulo tem mais ou menos 1 mícron de diâmetro.
Dentro deste canalículos encontra-se também prolongamentos de células nervosas
o que explica a alta sensibilidade da dentina.
Para que o leitor possa fazer uma melhor idéia do teor de substância
orgânica na matriz dentinária a figura ao lado é a imagem ao
microscópio eletrônico de varredura de um corte transversal do
canalículo e mostra a disposição irregular das fibras colágenas
calcificadas ao redor dos canalículos. (aumento de 15 000 vezes).

POLPA

A cavidade dentária (pulpar), com suas porções coronária e radicular, contém o


tecido mole do dente, a polpa dentária. Ambas as porções da cavidade pulpar
são limitadas pela dentina, a qual vai, durante a evolulção normal do dentes,
determinar a diminuição progressiva desta parte cavitária do dente.

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Na figura acima, a parte escura interna ao dente tanto representa a cavidade


pulpar como a polpa dentária. A parte desta cavidade que ocupa a coroa do dente
é denominada câmara pulpar (ou coronária); e a parte que ocupa o interior das
raízes, canal radicular. O canal radicular se abre na região do ápice da raiz
através de um orifício chamado forâmem radicular, cujo diâmetro varia entre 0,3
a 0,4 mm . É pelo forâmem que entram, para dentro
da cavidade pulpar, os vasos e nervos que vão irrigar
e enervar a polpa (figura ao lado).
O teto da câmara coronária corresponde à face
oclusal dos pré-molares e molares ou à borda incisal
dos dentes anteriores. Esta parte caracteriza-se pela
presença de depressões que nos moldes surgem
como elevações
correspondentes às cúspides ou às bordas incisais. Cada prolongamento pulpar, ou
corno pulpar, comunica-se amplamente com a cavidade central; e acompanha (o
corno pulpar) o maior ou menor aguçamento da cúspide. Se há desgaste nas
pontas das cúspides ou bordas incisais, o mesmo acontece com as pontas dos
cornos pulpares, devido à formação de novas camadas de dentina destinadas a
compensar o desgaste exterior. Os cornos pulpares são tantos quanto as cúspides.

Evolução das cavidades pulpares

O tamanho da câmara pulpar e o calibre dos canais radiculares sofrem influência


da idade do dente, da sua atividade funcional e da sua história clínica. A
deposição de dentina é contínua até o dente atingir o seu tamanho normal. Esta
recebe o nome de dentina primária.
Entretanto, devido aos fatores apontados, decorrentes da própria evolução dos
dentes e do indivíduo, novas camadas de dentina são depositadas sobre a dentina
primária, as quais podem ser divididas em dentina secundária e dentina
esclerosada.

A dentina secundária forma-se em condições normais, constantemente, devido à


atrição que as faces dentárias sofrem na mastigação; ou então, em condições
patológicas. Assim pode-se dividir a dentina secundária em dois tipos:
a) dentina secundária fisiológica
b) dentina formativa ou reparadora

a) A dentina secundária fisiológica vai se depositando sobre a dentina


primária, quer na câmara coronária, quer no canal radicular, acompanhando
a evolução do dente e, ao mesmo tempo, modificando o volume dessas
cavidades. Esta deposição dentinária serve para manter sempre uma
certa distância entre a superfície do dente e a polpa do órgão.
b) A dentina reparadora forma-se secundariamente a processos patológicos
que incidem sobre o dente, tais como erosão, cárie, briquismo ou irritação
por certas substâncias irritantes. Enquanto que a dentina reparadora é
semelhante à primária, esta é desorganizada.
A imagem abaixo realça estes dois tipos de dentina.

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Quer a neoformação dentinária se faça fisiológica ou reparativamente, a tendência


geral da câmara coronária é reduzir-se a ponto de desaparecer completamente.
Quando isso acontece o dente permanece vitalizado somente graças aos tecidos
vizinhos ao redor do dente (periodonto).

c) A dentina esclerosada ou transparente pode surgir em


qualquer outro tipo de dentina e em qualquer parte do dente.
Caracteriza-se por ser translúcidas e apresentar alto grau de
mineralização. Sendo mais mineralizada que a dentina primária,
a dentina esclerosada torna-se mais transparente, à semelhança
do esmalte. Ela é muito presente em lesões cariosas ou erosões
dentárias acentuadas, mas parece estar relacionada com a idade,
pois aparece mais em dentes de velhos. As setas vermelhas da
figura ao lado mostram como aparece a dentina esclerosada
quando colocada em cima de uma grelha.

Normalmente as pessoas tem um total de 52 órgãos pulpares, 32 nos dentes


permanentes e 20 nos decíduos. Cada um destes órgãos tem, evidentemente, uma
forma que coincide com a cavidade pulpar. Eles tem numerosos características
morfológicas que são similares. O volume total de todos os órgãos pulpares nos
dentes permanentes é 0,38 cm3 e o volume médio de cada polpa humana adulta
é 0,02 cm3. As polpas dos molares são três ou quatro vezes maiores que as dos
incisivos. A figura abaixo representa a morfologia das polpas dos dentes
permanentes.

A polpa é um tecido mesenquimal que contém, inclusive, células tronco e é – a


polpa - de grande potencialidade formadora de dentina. As células que produzem
a matriz dentinária são os odontoblastos cujos corpos celulares estão na
cavidade pulpar lado a lado forrando as paredes desta cavidade. Embora o
corpo celular esteja, portanto, dentro da cavidade pulpar e, portanto, na polpa,
estas células emitem prolongamentos citoplasmáticos que adentram os canalículos
dentinários. Portanto os odontoblastos estão presentes na polpa (corpo) e na
dentina (prolongamentos citoplasmáticos).

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Entretanto lembremos que no dente adulto essa capacidade de neoformação difere


quando se considera a função normal do dente (formando dentina primária) ou os
processos patológicos que podem afetar a superfície dentária (dentina secundária).
Estruturalmente, a polpa caracteriza-se pela presença de tecido conjuntivo frouxo
(que é um tecido mole) rico em células onde se destacam os fibroblastos, vasos,
nervos e os odontoblastos.
A polpa desempenha quatro funções importantes: formadora de dentina,
nutridora, sensorial e protetora.

A função nutridora toma-se importante no dente adulto porque ela mantém os


componentes orgânicos embebidos em substâncias vitalizadoras, além de
fornecer a nutrição indispensável à vida dos odontoblastos.
A função sensorial corre por conta de suas fibras sensitivas (fibras aferentes
somáticas) que dão a sensibilidade característica da polpa e da dentina, graças
aos prolongamentos dos odontoblastos. Ao lado destas fibras sensitivas, existem
fibras motoras (fibras eferentes viscerais) para a musculatura lisa dos vasos
pulpares, controlando o fluxo sangüíneo na cavidade dentária.
A função protetora evidencia-se nos processos inflamatórios que atingem a
polpa: formam-se exsudatos que aumentam a pressão intradentária e,
conseqüentemente, comprimem os filetes nervosos, aparecendo o sintoma dor.

CEMENTO

O cemento é o tecido dentário mineralizado que cobre as raízes anatômicas dos


dentes humanos. Começa na porção cervical do dente, na junção cemento-
esmalte, e se continua até o ápice. O cemento fornece um meio para a inserção
das fibras colágenas, que ligam o dente às estruturas circundantes. É um tecido
conjuntivo, especializado, que tem em comum algumas características físicas,
químicas e estruturais com o osso compacto. Ao contrário do osso, entretanto, o
cemento humano é avascular.
A dureza do cemento completamente mineralizado é menor do que a da dentina.
O cemento tem uma cor amarelo-clara, e pode ser distinguido do esmalte por sua
falta de brilho e seu tom mais escuro. O cemento é ligeiramente mais claro do
que a dentina. A diferença na cor, entretanto, é pouca, e sob condições clínicas
não é possível distinguir o cemento da dentina, baseado somente na cor. Sob
condições experimentais, o cemento tem sido mostrado como sendo permeável a
uma variedade de materiais.
Baseado no seu peso seco, o cemento de dentes permanentes completamente
formados contém cerca de 45 a 50% de substâncias inorgânicas e 50 a 55% de
material orgânico e água.

A porção inorgânica consiste principalmente de cálcio e fosfato na forma de


hidroxiapatita. Numerosos traços de elementos são encontrados no cemento em
quantidades variáveis. É interessante notar que o cemento, de todos os tecidos
mineralizados, tem o mais alto conteúdo em fluoretos.
A porção orgânica do cemento consiste principalmente de colágeno e proteínas
conjugadas a polissacarídeos. Analises dos aminoácidos do colágeno obtido de
cemento de dentes humanos indicam intimas semelhanças aos do colágeno da
dentina e osso alveolar. A natureza química das proteínas conjugadas aos
polissacarídeos ou substancia fundamental do cemento é virtualmente
desconhecida.
Ao microscópio distingue-se duas porções no cemento: cemento celular e
cemento acelular. A diferença está em que na porção celular a matriz mineral
incorpora as suas células típicas – os cementócitos. Na porção acelular os
cementócitos permanecem no ligamento alvéolo-dentário rente ao cemento.

O cemento é o tecido dentário mineralizado que cobre as raízes anatômicas


dos dentes humanos. Começa na porção cervical do dente, na junção cemento-
esmalte, e se continua até o ápice. O cemento fornece um meio para a inserção
das fibras colágenas, que ligam o dente às estruturas circundantes. É um tecido
conjuntivo, especializado, que tem em comum algumas características físicas,
químicas e estruturais com o osso compacto. Ao contrário do osso, entretanto, o
cemento humano é avascular.
A dureza do cemento completamente mineralizado é menor do que a da dentina.
O cemento tem uma cor amarelo-clara, e pode ser distinguido do esmalte por sua
falta de brilho e seu tom mais escuro. O cemento é ligeiramente mais claro do
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que a dentina. A diferença na cor, entretanto, é pouca, e sob condições clínicas


não é possível distinguir o cemento da dentina, baseado somente na cor. Sob
condições experimentais, o cemento tem sido mostrado como sendo permeável a
uma variedade de materiais.
Baseado no seu peso seco, o cemento de dentes permanentes completamente
formados contém cerca de 45 a 50% de substâncias inorgânicas e 50 a 55% de
material orgânico e água.
A porção inorgânica consiste principalmente de cálcio e fosfato na forma de
hidroxiapatita. Numerosos traços de elementos são encontrados no cemento em
quantidades variáveis. É interessante notar que o cemento, de todos os tecidos
mineralizados, tem o mais alto conteúdo em fluoretos.
A porção orgânica do cemento consiste principalmente de colágeno e proteínas
conjugadas a polissacarídeos. Analises dos aminoácidos do colágeno obtido de
cemento de dentes humanos indicam intimas semelhanças aos do colágeno da
dentina e osso alveolar. A natureza química das proteínas conjugadas aos
polissacarídeos ou substancia fundamental do cemento é virtualmente
desconhecida.
Ao microscópio pode-se distinguir dois tipos de cemento: um em que as células
típicas – os cementócitos – estão incluídos dentro de lacunas na matriz
calcificada que é o denominado cemento celular; e outro tipo em que os
cementócitos não estão incluídos na matriz calcificada do cemento, mas
permanecem rente a ele imersas no ligamento alvéolo-dentário e que é
denominado cemento acelular.
O cemento acelular pode cobrir a dentina radicular, desde a junção cemento-
esmalte até o ápice, mas está muitas vezes ausente sobre o terço apical da
raiz. Aqui o cemento pode ser inteiramente do tipo celular. O cemento é mais
delgado na junção cemento-esmalte (20 a 50 micra) e mais espesso perto
do ápice (150 a 200 micra). O forâmen apical é circundado por cemento.
Algumas vezes o cemento se estende até a parede interna da dentina por uma
curta distância, e assim é formado um revestimento do canal radicular.
Funcionalmente, o cemento é importante por causa da fixação que dá ao dente
no seu alvéolo (o ligamento alvéolo-dentário possui fibras colágenas quwe se
inserem no cemento e no osso alveolar fixando a raiz no alvéolo), além de per-
mitir o aumento compensador da raiz pela perda de material dentário durante o
desgaste natural e, por último, contribui para que o dente possa continuar a sua
erupção oclusal mais ou menos uniforme.

A junção esmalte-cemento

Sendo recoberta pelo esmalte na coroa e pelo cemento na raiz, a dentina pode,
entretanto, ser observada ao nível do colo dentário, na chamada junção cemento-
esmalte onde os dois revestimentos dentinários encontram-se, um revestindo o
outro ou tocando-se apenas por suas extremidades. Quando isto não acontece, o
esmalte e o cemento não entram em contato, ficando assim exposta a dentina,
dando ao dente grande sensibilidade ao nível do colo. Nestes casos, menos
freqüentes, a dentina entra em contato direto com o revestimetno epitelial da
gengiva que se insere ao colo dentário e que é conhecido, clinicamente, como
inserção epitelial. Estas quatro possibilidades de junção cemento-esmalte estão
representadas na figura abaixo.

Na figura acima temos: E – esmalte; D – dentina; C – cemento. Na figura 1 o


esmalte e o cemento se tocam topo a topo. Na figura 2 o esmalte recobre a
dentina. Na figura 3 o cemento recobre a dentina. Na figura 4 o esmalte e o

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17/03/2019 ANATOMIA, anatomia dental, coroa dental, dentina, esmalte, cemento, polpa

cemento deixam um espaço de dentina exposta que é causa de extrema


sensibilidade.

TECIDO ÓSSEO

A fim de facilitar a compreensão dos tópicos que serão vistos adiante é de suma
importância que agora nos alonguemos um pouco para analisar algumas
peculiaridades dos tecidos ósseos.

O tecido ósseo é um dos mais resistentes e rígidos do corpo humano. Como tecido
especializado em suportar pressões, sucede à cartilagem, tanto na ontogênese
como na filogênese. Constituinte principal do esqueleto, serve de suporte para as
partes moles e protege órgãos vitais, como os contidos nas caixas craniana e to-
rácica e no canal raquidiano. Suporta os dentes, aloja e protege a medula óssea,
formadora das célulasdo sangue. Além dessas funções, proporciona apoio aos
músculos esqueléticos, transformando suas contrações em movimentos úteis, e
constitui um sistema de alavancas que amplia as forças geradas na contração
muscular.

O tecido ósseo é formado por células e um material intercelular calcificado, a


matriz óssea. As células são: 1. os osteócitos, que se situam em cavidades ou
lacunas no interior da matriz; 2. os osteoblastos, produtores da parte orgânica da
matriz; 3. os osteoclastos, células gigantes multinucleadas, relacionadas com a
reabsorção do tecido ósseo e que participam dos processos de remodelação dos
ossos.
Como não existe difusão de substâncias através da matriz calcificada do osso, a
nutrição dos osteócitos depende de canalículos que existem na matriz. Esses
canalículos permitem a comunicação dos osteócitos com seus vizinhos, com as
superfícies externa e interna do osso e com os canais vasculares da matriz.
A presença da matriz mineralizada torna o tecido ósseo difícil de ser cortado no
micrótomo. Por isso, técnicas especiais são utilizadas para seu estudo. Uma das
técnicas usadas, que não preserva as células mas permite um estudo minucioso
da matriz com suas lacunas e canalículos, consiste na obtenção de fatias finas
de tecido ósseo, preparadas por desgaste.
Todos os ossos são revestidos em suas superfícies externas e internas por
membranas conjuntivas, o periósteo e o endósteo, respectivamente.

CÉLULAS DO TECIDO ÓSSEO

Osteócitos

São as células existentes no interior da matriz óssea, ocupando lacunas das quais
partem canalículos. Os osteócitos são células achatadas, com forma de amêndoa e
prolongamentos citoplasmáticos que, ao menos nos ossos recém-formados,
ocupam toda a extensão dos canalículos.
Os osteócitos são essenciais para a manutenção da matriz mineralizada do osso
e sua morte é seguida por reabsorção da matriz. Estudos histoquímicos recentes
demonstraram que os osteócitos e os osteoblastos contêm fosfato de cálcio unido
a proteína ou glicoproteína. As células do osso são, portanto, capazes de con-
centrar cálcio no seu citoplasma.

Osteoblastos

São as células que sintetizam a parte orgânica (colágeno e proteoglicanas) da


matriz óssea. Dispõem-se sempre nas superfícies ósseas, lado a lado, num arranjo
que lembra um epitélio simples. Possuem prolongamentos citoplasmáticos que se
prendem aos dos osteoblastos vizinhos. Esses prolongamentos se tornam mais
evidentes quando um osteoblasto é envolvido pela matriz, pois são responsáveis
pela formação dos canalículos que se irradiam das lacunas. Uma vez apri-
sionado pela matriz recém-sintetizada, o osteoblasto passa a ser chamado de
osteócito. A matriz se deposita ao redor do corpo da célula e de seus
prolongamentos, formando assim as lacunas e os canalículos,
respectivamente.
A matriz óssea adjacente aos osteoblastos ativos e que não está ainda calcificada
recebe o nome de osteóide ou pré-osso.
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17/03/2019 ANATOMIA, anatomia dental, coroa dental, dentina, esmalte, cemento, polpa

Osteoclastos

São células globosas, gigantes, móveis, contendo de seis a 50 núcleos ou mais,


que aparecem nas superfícies ósseas quando ocorre reabsorção do tecido. Nos
cortes histológicos, as áreas de reabsorção podem ser identificadas pela
presença de osteoclastos. Freqüentemente, os osteoclastos situam-se em depres-
sões da matriz, as lacunas de Howship.
Há evidências de que eles secretam uma colagenase que ataca a parte orgânica
da matriz óssea. Além disso, os osteoclastos englobam e solubilizam os cristais
contendo cálcio, que se destacam da matriz durante a reabsorção desta.

MATRIZ

A parte inorgânica representa cerca de 50% do peso da matriz óssea. Os íons


mais encontrados são o fosfato e o cálcio. Há também bicarbonato, magnésio,
potássio, sódio e citrato em pequenas quantidades. O cálcio e o fósforo for-
mam cristais que estudos de difração de raios X mostraram ter a estrutura da
hidroxiapatita, com a seguinte composição: (Ca)10 (P04)6 (OH)2. Esses cristais
se arranjam ao longo das fibrilas colágenas e são envolvidos por substância
fundamental amorfa. Os íons da superfície do cristal de hidroxiapatita são
hidratados, existindo, portanto, uma camada de água e íons em volta do cristal.
Essa camada é denominada capa de hidratação. A capa de hidratação facilita a
troca de íons entre o cristal e o fluido intersticial.
A parte orgânica da matriz é formada por fibras colágenas (95%) e por
pequena quantidade de substância fundamental amorfa que contém
mucopolissacarídeos ácidos e neutros associados a proteínas, uma das quais é
conhecida como osteomucóide.
Em virtude de sua riqueza em fibras colágenas, a matriz óssea descalcificada
cora-se pelos corantes seletivos do colágeno.
A associação de hidroxiapatita com fibras colágenas é responsável pela dureza
e resistência características do tecido ósseo. Após a remoção do cálcio, os ossos
mantêm sua forma intacta, porém tornam-se tão flexíveis quanto os tendões. A
destruição da parte orgânica, que é principalmente colágeno, pode ser realizada
por incineração e também deixa o osso com sua forma intacta, porém tão
quebradiço que dificilmente pode ser manipulado sem se partir.

ENDÓSTEO E PERIÓSTEO

As superfícies internas e externas dos ossos são recobertas por membranas


conjuntivas, que formam o endósteo e o periósteo, respectivamente. O
revestimento das superfícies ósseas é essencial para a manutenção do tecido,
pois áreas de reabsorção óssea aparecem nos locais que perderam o revestimento
conjuntivo ou a camada de osteoblastos. Por isso, nas cirurgias do osso dá-se uma
atenção especial ao endósteo e ao periósteo.
O periósteo é formado por tecido conjuntivo denso, muito fibroso em sua parte
externa e mais celular e vascular na porção interna, junto ao tecido ósseo.
Algumas fibras colágenas do tecido ósseo são contínuas com as fibras do
periósteo e recebem o nome de fibras de Sharpey. Essas fibras unem firmemente
o periósteo ao tecido ósseo.
As células do periósteo transformam-se muito facilmente em osteoblastos e têm
importante papel no crescimento dos ossos e na reparação das fraturas.
O endósteo é semelhante ao periósteo, sendo muito mais delgado. Nele não se
distinguem as duas camadas que geralmente são identificáveis no periósteo.
No tecido conjuntivo do periósteo e endósteo existem vasos sangüíneos, que se
ramificam e penetram nos ossos, através de canais encontrados na matriz óssea.
As principais funções do periósteo e do endósteo são nutrir o tecido ósseo,
pois dos seus vasos partem ramos que penetram nos ossos pelos denominados
canais de Volkmann, e servir de fonte de osteoblastos para o crescimento e
reparação dos ossos.

VARIEDADES

Observando-se a olho desarmado a superfície de um osso serrado, verifica-se que ele é formado
por partes sem cavidades visíveis, o osso compacto, e por partes com muitas cavidades
intercomunicantes, o osso esponjoso. Essa classificação é macroscópica e não

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17/03/2019 ANATOMIA, anatomia dental, coroa dental, dentina, esmalte, cemento, polpa

histológica, pois o tecido compacto e os


tabiques que separam as cavidades do
esponjoso têm a mesma estrutura
histológica básica.
Nos ossos longos, as extremidades ou epífises
(letra B, na figura ao lado) são formadas por osso
esponjoso com uma delgada camada superficial
compacta. A diáfise (parte cilíndrica, letra A) é
quase totalmente compacta, com pequena
quantidade de osso esponjoso na sua parte
profunda, delimitando o canal medular.
As cavidades do osso esponjoso e o canal
medular da diáfise dos ossos longos são ocupa-
dos pela medula óssea, da qual há duas varieda-
des. A medula óssea vermelha ou hematógena, que
é formadora do sangue, e a medula amarela,
constituída por tecido adiposo.

Histologicamente há dois tipos de tecido ósseo: 1. o imaturo ou primário e 2. o


maduro, secundário ou lamelar. Os dois tipos possuem as mesmas células e os
mesmos constituintes da matriz, porém, enquanto no tecido ósseo primário as
fibras colágenas formam conjuntos dispostos irregularmente, no tecido ósseo
secundário ou lamelar essas fibras se organizam de lamelas que adquirem uma
disposição muito peculiar.

Tecido ósseo primário

Em cada peça óssea é o primeira tecido ósseo a ser formado, sendo substituído
gradativamente por tecido ósseo secundário. No adulto é muito pouco freqüente,
persistindo apenas próximo às suturas dos ossos do crânio, nos alvéolos
dentários e em alguns pontos de inserção de tendões.

Tecido ósseo secundário

É o tipo geralmente encontrado no adulto.

Apresenta-se formado pelos mesmos


componentes do tecido primário. Sua
principal característica é possuir fibras
colágenas organizadas em lamelas de 3 a 7
micrômetros (1 micrômetro equivale a um
milésimo de milímetro) de espessura, que, ou
ficam paralelas umas às outras, ou se dispõem
em camadas concêntricas em torno de canais
com vasos, formando os sistemas de Havers.
(na figura da direita a seta
vermelha
aponta para o centro
dossistema de harvers
conforme visto ao
microscópio e a seta azul
para as lacunas onde ficam os osteócitos). As lacunas com os
osteócitos estão em geral situadas entre as lamelas ósseas (A
figura da esquerda mostra o sistema de harvers e dois
osteócitos e, à esquerda da imagem, dois osteócitos com seus prolongamentos
citoplasmáticos em posição típica no osso; perceba que nas lamelas contíguas as
fibras colágenas são cortadas segundo diferentes incidências. Os canalículos
estabelecem ligação entre as lacunas e entre essas e o canal de harcers), porém
algumas vezes estão dentro delas. Em cada lamela, as fibras colágenas são
paralelas umas às outras. Separando grupos de lamelas, ocorre freqüentemente um
acúmulo de proteoglicanas (proteínas + mucopolissacarídeos), que recebe o nome
de substância cimentante (ou cimento).
Na diáfise dos ossos, as lamelas ósseas se organizam num arranjo típico,
constituindo os sistemas de Havers, os circunferenciais interno e externo e os
intermediários). Estes quatro sistemas são facilmente identificáveis nos cortes
transversais à diáfise. O tecido ósseo secundário, que contém sistemas de Havers,
é freqüentemente chamado de tecido ósseo haversiano, sendo característico da
diáfise dos ossos longos, embora sistemas de Havers pequenos sejam
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encontrados, esporadicamente, no osso compacto de outros locais como, por


exemplo, nos ossos de sutentação dos dentes.

Cada sistema de Havers é constituído por um cilindro longo, às vezes bifurcado,


paralelo à diáfise e formado por quatro a 20 lamelas ósseas concêntricas. No
centro desse cilindro ósseo existe um canal, o canal de Havers, que contém
vasos, nervos e tecido conjuntivo frouxo. Os canais de Havers comunicam-se
entre si, com a cavidade medular e com a superfície externa do osso, por meio de
canais transversais ou oblí" quos, os canais de Volkmann. Estes se distinguem
dos de Havers por não apresentarem lamelas ósseas concêntricas. Os canais de
Volkmann atravessam as lamelas ósseas. Todos os canais vasculares existentes no
tecido ósseo aparecem quando a matriz óssea se forma ao redor dos vasos
preexistentes.
Numa mesma lamela, as fibrilas são paralelas umas às outras e seguem um curso
em hélice. Mas o passo da hélice varia de uma lamela para outra, de tal modo que,
em qualquer ponto considerado, as fibrilas das lamelas adjacentes se cruzam em
ângulo de quase 90° (parte superior esquerda da figura acima). Portanto, um corte
transversal, em qualquer altura do sistema de Havers, apanha as fibras colágenas
de uma lamela em corte transversal e as da lamela seguinte em corte oblíquo,
quase longitudinal.
O diâmetro dos canais de Havers é muito variável. Como cada sistema é
construído por deposição sucessiva de lamelas ósseas a partir da periferia, os
sistemas em formação têm canais mais largos. Estudos com raios X
(historradiografia) revelam que os sistemas de Havers mais jovens, com canais
amplos, são os menos calcificados. Mesmo no osso adulto, ocorre contínua
destruição de alguns sistemas de Havers e reconstrução de novos, de modo que é
comum encontrarmos nesse osso sistemas com apenas algumas lamelas e canal
central de grande diâmetro.
Os sistemas circunferenciais interno e externo, como seus nomes indicam, são
constituídos por lamelas ósseas paralelas entre si, formando duas faixas: uma
situada na parte interna do osso, em volta do canal medular, a outra na parte mais
externa, próxima ao periósteo (figura acima). O sistema circunferencial externo é
mais desenvolvido do que o interno.

ASPECTOS ANATÔMICOS DA MANDÍBULA

Tanto os maxilares quanto a mandíbula saõ ossos que sistentam o alvéolo dentário
e, por conseguinte, os dentes. Neste tópico faremos uma apresentação somente da
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mandíbula para não nos tornarmos excessivamente prolixos, já que os fatos de


interesse neste artigo apontados para a mandíbula apresentam-se também,
analogamente, nos maxilares.

Nos vertebrados, a mandíbula é o componente móvel (se movimenta nos três


planos: sagital, frontal e transversal) do crânio que forma a parte inferior da
cabeça. Por vezes, usa-se erradamente a palavra maxila (por exemplo, maxila
inferior, nos mamíferos) para designar a mandíbula.

Sua forma é semelhante a


uma ferradura horizontal com
abertura posterior (corpo), de
cujas extremidades livres
saem dois prolongamentos
(ramos).

O ramo da mandíbula é uma


das estruturas que compõe a
mandíbula. Tem forma
retangular e é mais alto do que largo, com obliqüidade póstero-lateral mais
evidente do que a do corpo da mandíbula. O corpo é a parte que contém os
alvéolos. Cada lado do corpo contém, da extremidade anterior à posterior, oito
alvéolos para a inserção dos dentes, respectivamente: dois alvéolos para o engaste
dos incisivos; um alvéolo canino, bastante profundo; dois alvéolos pré-molares e
dois ou três molares,dependendo da formação ou não do terceiro molar ou dente
siso. Estes números referem-se à boca do homem, nos restantes grupos de
mamíferos, os números variam, tendo evoluído de acordo com o tipo de
alimentação.

O Canal da mandíbula é uma estrutura que nasce no forame


mandibluar (a palavra “forâmem” quer dizer ‘buraco’, ‘orifício’),
situado na face medial do ramo 9figura ao lado), e atravessa o corpo
do osso com obliqüidade ântero-inferior, até a região dos dentes pré-
molars; aí se bifurca:

uma de suas bifurcações termina no forame mentoniano (imagem


acima); e a outra se ramifica na região anterior (dentes caninos e
incisivos), com difícil identificação anatômica.

Uma delgada lâmina de tecido compacto é o limite do canal, cuja parede


superior é perfurado por numerosos forames destinados aos vasos e nervos
para os dentes posteriores.

A figura ao lado mostra a trajetória do nervo


alveolar inferior (seta vermelha) em seu trajeto
desde um pouco antes de adentrar, pelo forâmem
mandibular, no canal mandibular, até sua
bifurcação na altura do forâmem mentoniano
(seta azul).

Note que o desenho mostra os ramos emitidos do


nervo alveolar que atravessam o teto do canal
mandibular e vão inervar os dentes molares e
pré-molares – a figura coloca em destaque a
ramificação que vai inervar a polpa do segundo molar.

A figura ao lado mostra a radiografia panorâmica em dois tamanhos: no maior


aumento (a de cima) pode-se notar o trajeto do canal mandibular apontada pelas
setas vermelhas; na imagem em menor aumento (a de baixo) vemos o trajeto do
canal mandibular destacado por linhas vermelhas.

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Uma conclusão já podemos


tirar: o dente, o cemento, o
osso de sustentação e o
ligamento periodontal estão
em tal grau de dependência
entre si que a falta de um
elemento acarreta no
desaparecimento dos
restantes. O equilíbrio é tão
perfeito, que na ausência de um
dente perdido por extração, as
outras estruturas - ligamento
periodontal e osso alveolar -
também desaparecem. Depois
de algum tempo de realizada a extração, urna radiografia do local mostrará o
desaparecimento completo da loja alveolar havendo aí apenas osso semelhante ao
da região.

O processo alveolar é constituído pelo osso alveolar e pelo osso de suporte da


maxila ou da mandíbula.

O osso alveolar (também dito lâmina dura pelo aspecto radiográfico)


corresponde à superfície interna da loja alveolar onde se localizam as raízes
dentárias. O osso de suporte, notadamente nas regiões posteriores, é constituído
por uma cortical externa, que à semelhança do osso alveolar, reveste uma zona
óssea compacta que se continua com uma zona óssea esponjosa e central.

A junção entre a cortical do osso de suporte e o osso


alveolar corresponde à região denominada crista
alveolar. Na figura ao lado vemos as cristas alveiolares
(setas vermelhas) e os septos intralveolares (setas azuis).
Apenas na cortical do osso de suporte o processo alveolar está
revestido por periósteo que apresenta, tanto em jovens quanto
em adultos, duas regiões distintas: a mais externa (distante do osso) é dita região
fibrosa por ser mais rica em fibras colágenas. A mais interna é chamada zona
osteogênica por ser mais rica em células potencialmente osteoblásticas. O
periósteo é, portanto, estrutura importante no crescimento da cortical óssea. Nos
indivíduos senis o periósteo perde sua zona osteogênica permanecendo, portanto,
apenas com sua região fibrosa.

O osso alveolar (lâmina dura), à semelhança de qualquer outro osso do


organismo, é variedade mineralizada do tecido conjuntivo, constituído por
substância mineral (fosfato de cálcio sob a forma de cristais de hidroxiapatita),
células (osteoblastos, osteócitos, osteoclastos) e substância intercelular (fibras
colágenas e glicosaminoglicanos).

O osso alveolar é constituído por lamelas ósseas paralelas entre si e à superfície


radicular e recebe a inserção perpendicular das fibras do ligamento periodontal
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(fibras de Sharpey) à semelhança do


cemento. Devido a esta inserção de
fibras o osso alveolar também é
denominado de fasciculado.

O osso alveolar é
perfurado por inúmeras
aberturas que dão
passagem aos ramos do
nervo interalveolar e
vasos sangüíneos e
linfáticos que tem como destino o
ligamento periodontal (a figura ao
lado mostra um alvéolo em corte
longitudinal –c: osso compacto; e:
osso esponjoso). Devido a essas
perfurações o osso alveolar também é
conhecido como lâmina crivada.

O processo alveolar sofre constantes modificações em sua estrutura e pode, assim,


ser considerado um tecido altamente plástico. Essas modificações são evidentes
especialmente durante a erupção, exfoliação da dentição decídua (primária) e
perda final dos dentes permanentes; claro está que se faz presente, em menor
grau, também com a abrasão e migração mesial. Os processos alternados de
osteogênese e osteoclasia são intermitentes, havendo períodos de repouso entre
eles.

Na figura acima o processo alveiolar em corte transversal: A: osso compacto, B:


osso esponjoso; C: osso alveolar; D: ligamento alvéolo-dentário.
Osso alveolar, ligamento periodontal e cemento constituem o denominado
periodonto de inserção e funcionam como uma unidade biológica.

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Na figura acima temos: G – grupo gengival; T – feixes transeptais; C – feixes da


crista alveolar; H – horizontais; O – oblíquas; A – apicais e em B – espaço apical
de Black.
Os grupos I e II incluem as chamadas fibras livres: ou ligamento. Para Orban (que
escreveu “Histologia e Embriologia Oral”), existiria, no agrupamento alveolar,
um grupo de fibras a que se denominou inter-radiculares.
I) Feixe gengival: formado por fibras, partindo do colo dental, irradiam-se para o
derma da gengiva, entre cruzando-se com as fibras do cório gengival. Algumas
destas fibras confundem-se com o periósteo das faces vestibular e lingual da
apófise alveolar.
lI) Feixe transeptal: ou interdental, tem suas fibras correndo por sobre o septo
alveolar em busca do colo do dente vizinho. Não poucas destas fibras fixam-se na
parte mais alta do contorno alveolar, confundindo-se algumas com o periósteo do
septo interal veolar.
Ambos os grupos de feixes assinalados exibem fibras, na sua maioria, com
disposição radiada e com características arquitetônicas semelhantes.
I1I) Feixe da crista alveolar: fixa-se, este feixe de fibras, na parte mais alta dos
septos interalveolares, daí dirigindo-se ao dente.
IV) Feixe horizontal
V) Feixe obllquo
VI) Feixe apical
Estas três ordens de feixes constituem o principal meio de união para o
dente. As fibras destes feixes, inserindo-se no cemento, cruzam o espaço alvéolo-
dental para se fixarem na parede alveolar, com implantação à maneira de fibras de
Sharpey. Estas fibras aderem mais ao cemento que ao osso, por isso, após
extrações, a raiz dental vem coberta por este tecido conjuntivo.
As fibras inseridas no cemento constituem feixes densos, porém ao se prenderem
na parede alveolar dissociam-se em leque, permitindo a passagem de vasos e
nervos entre seus grupos menores. A partir do cemento, as fibras podem assumir
diversas direções, horizontal, oblíqua ou tangencial, conferindo aos feixes IV, V e
VI suas respectivas denominações. Note-se que, no último agrupamento, as fibras
apicais fixam-se na proximidade do forâmen apical e daí dirigem-se ao osso
alveolar, limitando um espaço conhecido pelo nome de espaço apical de Black
ou coxim mucoso apical.
Os diferentes feixes de fibras assinalados deixam, no seu entrelaçamento, espaços
ou lacunas, mais numerosas e maiores junto à parede alveolar, comunicando-se
com a esponjosa óssea. A maioria das tais lacunas é preenchida por vasos, nervos
e espaços linfáticos, que funcionam como verdadeiros freios hidráillicos quando a
peça dental tende a se aprofundar no alvéolo. Destas lacunas, a maior é a do
espaço apical, onde a ausencia de fibras destina-se a permitir a livre entrada do
feixe vásculo-nervoso do alvéolo para a polpa, garantindo, por outro lado,
proteção a esses elementos e impedindo o choque do ápice contra o fundo do
alvéolo.
Outro fato que deve ser assinalado com respeito a estes feixes de fibras é a
disposição arquitetônica particular que cada uma delas assume, e também os
feixes em conjunto, disposição que garante uma certa elasticidade e este tipo de
tecido fibroso, ainda que aí não exista fibra elástica.
De fato, as fibras dispõem-se nos seus feixes, formando espirais alongadas ou
como cordas, capazes de ceder às forças de pressão que agem sobre o dente,
porém retomando ao estado primitivo quando cessada a força atuante.
O importante deste sistema é a transformação que se opera nas forças:
a) Força de pressão mastigatória: é transmitida como força de tração para as
paredes alveolares.
b) Outros elementos do espaço alvéolo-dental: ao lado do tecido conjuntivo
diferenciado que forma o ligamento alvéolo-dental, há que assinalar outras
estruturas no espaço entre a parede alveolar e o cemento da raiz, tais como:
fibroblastos típicos - encarregados da formação das fibras colágenas;
osteoblastos, cementoblastos e osteoclastos, com função na remodelação do
tecido ósseo e cemento. O tecido ósseo adapta-se, mediante contínuas aposiçoos e
reabsorções às necessidades funcionais do periodonto, ao passo que o cemento
responde a estímulos diversos, reabsorvendo-se ou apondo novas camadas às já
existentes;
c) Restos epiteliais (Mallassez): são formações epiteliais derivadas ou vestigiais
do órgão adamantino (estrura embriobária que forma o esmalte), que formam
grupos ou ninhos esparsos no seio do ligamento alvéolo dental. Para muitos

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autores, os cistos paradentais e os tumores epiteliais (adamantinomas) têm origem


nos restos epiteliais mencionados.

Funções do desmodonto (ligamento alvéolo-dentário)

O desmodonto, principalmente por intermédio de sua parte intra-alveolar, de


elevada complexidade no seu conjunto, apresenta as seguintes funções
primordiais: mecânica, biológica, formadora e táctil ou sensitiva.
A função mecânica, talvez a mais importante, subdivide-se em três, todas elas de
elevado valor na mecânica dentária:
1 - absorver parte das cargas transmitidas pelo dente durante o ato da
mastigação, limitando o discreto movimento que o dente realiza para o interior do
alvéolo, como se fosse um pistão em seu cilindro;
2 - transformar as forças de pressão exercidas sobre a parte coronária do dente
em forças de tração sobre o cemento e parede alveolar. Estas forças são
transmitidas assim para áreas mais amplas e daí para o trabeculado especial do
osso esponjoso das apófises alveolares e dos maxilares e mandíbula, por
intermédio das trajetórias ósseas. Graças a este conjunto, dente, desmodonto,
osso esponjoso e pilares do esqueleto facial, o impacto mastigador, de razoável
potência, será transportado à regiões mais afastadas do aparelho dentário,
perdendo-se na base do crânio, onde são anuladas;
3 - sustentar o dente no seu alvéolo, dando-lhe maior estabilidade mastigadora.
A função biológica está representada pelas condições nutricionais desta região. A
nutrição do dente processa-se mediante os sistemas sangüíneo e linfático do
desmodonto, e a vitalidade dos órgãos dentários é mantida mesmo em dentes
despolpados (desvitalizados segundo alguns) enquanto permanecer íntegro o
desmodonto. As periodontopatias ou doenças que afetam o periodonto tendem a
produzir lesões mais ou menos graves no desmodonto, levando, em muitos casos,
a extrusão do dente ou comprometendo bastante a sua estabilidade no interior do
alvéolo.
A função formadora corresponde à propriedade do desmodonto de estimular a
formação dos cementoblastos e osteoblastos, que são os elementos essenciais na
produção do cemento dentário e do osso alveolar e, também de continuar a manter
a integridade das fibras conjuntivas, graças aos fibroblastos que formam as fibras
do ligamento alvéolo-dentário.
A função sensitiva ou táctil é altamente desenvolvida no desmodonto hígido. O
mais leve toque na superfície da coroa dentária e do colo é localizado
imediatamente. Dentes despolpados por avulsão da polpa e infecção do
desmodonto perdem estas propriedades, porém, quando o dente está despolpado,
mas com o desmodonto íntegro, não perdem a sua alta sensibilidade. Experiência
fácil e elucidativa para demonstrar a função sensorial do desmodonto, é a de
colocar-se um relógio entre os dentes e tapar os ouvidos; ouvir-se-á, nitidamente,
o tic-tac do relógio.
Carneiro e Moraes verificaram que no desmodonto a gênese do colágeno se efetua
em ritmo bastante acelerado, o que aqui importa mais do que em outras regiões do
tecido conjuntivo (tendões, ligamentos, gengiva). Os resultados autor-
radiográficos demonstraram que o periodonto se caracteriza por uma
renovação constante do colágeno, o que explicaria a alta sensibilidade desses
tecidos nas perturbações metabólicas e nas deficiências alimentares.

MUCOSA
Mucosa é um tipo de tecido epitelial de revestimento interno das cavidades do
corpo que têm contato com o meio externo. O revestimento da cavidade bucal (ou
oral) é um exemplo.

A mucosa oral consiste em três zonas:

1. A gengiva e o recobrimento do palato duro, denominados mucosa


mastigatória.

2. O dorso da língua, recoberto por mucosa especializada.

3. A membrana mucosa oral que recobre o restante da cavidade bucal.

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A gengiva é a parte da mucosa oral que recobre os processos alveolares dos


maxilares e circunda o colo dos dentes.

Periodonto de Proteção

É a parte da mucosa bucal que recobre os arcos alveolares, nos quais estão
implantados os dentes. Reveste os espaços interdentais, protegendo os tecidos
de sustentação contra a agressão do meio externo. Didaticamente denominam-
se periodonto de sustentação (osso alveolar, ligamento e cemento), às estruturas
vinculadas à articulação dento-alveolar; e de periodonto de proteção à mucosa
gengival.

GENGIVA

É a associação de tecidos (epitelial e conjuntivo) que


circunda os dentes; encontra-se aderida ao osso
alveolar. A gengiva é limitada na sua superfície
vestibular (externa) de ambos maxilares pela junção
mucogengival (seta azul da figura) que a separa da
mucosa alveolar.
É de cor rosa pálida, firme, resistente e fortemente aderida ao
periósteo subjacente, através de feixes de fibras colágenas. A mucosa gengival consta de um
epitélio pavimentoso escamoso estratificado, com ou sem queratina. A queratinização da
gengiva, no adulto, é considerada uma adaptação funcional (queratina - do grego "kéras" que
significa 'chifre' - ou ceratina é uma proteína sintetizada por muitos animais para
formar diversas estruturas do corpo; trata-se de uma estrutura mecanicamente
resistente), tanto que não é encontrada no resto da mucosa bucal exceto o palato
duro.

No entanto, em condições normais, é nítida a transição


mucogengival, onde a gengiva apresenta-se em cor rosa pálida e
corrugada (na figura ao lado o ‘aspecto de casca de laranja’ =
"stipling", de toda gengiva sadia), a mucosa alveolar adjacente é
vermelha, lisa e brilhante.
A gengiva pode ser dividida topograficamente em: a) gengiva
marginal ou livre, b) gengiva aderida ou inserida.

GENGIVA MARGINAL OU LIVRE

Rodeia os dentes como um colar, com cerca de 0,5 a 2mm de altura; em


corte vestíbulo lingual tem a forma triangular. Apresenta-se duas vertentes:
vertente marginal, voltada para a cavidade bucal e vertente dentária voltada
para o dente.

Podemos na vertente dentária considerar duas regiões: uma que


forma a parede do sulco gengival (que é a fenda ou espaço em torno
do dente, limitado de um lado pela superfície dentária e do outro
pelo epitélio que reveste a margem livre da gengiva. O sulco
gengival tem o formato em "V"); e outra ligada ao dente, que forma
o epitélio juncional. Na figura ao lado temos: 1: gengiva; 2: sulco
gengival; 3: parede do sulco; 4: epitélio juncional.

A gengiva livre também é responsável pela formação da


papila interdentária, a qual preenche o espaço entre dois
dentes adjacentes. Na região anterior tem a forma
piramidal enquanto, entre os dentes posteriores, possui em
corte vestíbulo lingual a forma de uma tenda ou barraca,
onde os cantos lingual e vestibular são altos, enquanto que a porção central é
côncava. Esta depressão central encontra-se subjacente às superfícies de contato,
é denominada "col" (na figura ao lado p: papila; EJ: epitélio juncional; A: dente
anterior; B: dente jugal).

A figura ao lado representa a sondagem do sulco gengival. Trata-se de um exame


clínico de grande importância diagnóstica. Se a profundidade ultrapassar os
limites fisiológicos indica a presença da ‘bolsa periodontal’. Se a mucosa não
ficar branca (isquêmica) como mostra a figura e sangrar é sinal de inflamação da
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gengiva (gengivite).

Estrutura

Vertente marginal: o epitélio pavimentoso estratificado


apresenta-se queratinizado ou paraqueratinizado. A lâmina
própria (conjuntivo subjacente) apresenta papilas conjuntivas pouco numerosas,
baixas e espessas; as fibras colágenas presentes formam feixes que se dirigem em
várias direções, que, no seu conjunto, formam o já visto grupamento gengival.
As células do tecido conjuntivo presentes são os fibroblastos em sua maioria,
podendo estar presentes mastócitos, linfócitos, macrófagos e plasmócitos (células
implicadas na defesa).

Vertente dentária

a) epitélio da parede do sulco gengival: não apresenta queratinização e os


espaços intercelulares são amplos, promovendo alta permeabilidade a diferentes
substâncias quer do sulco para o tecido conjuntivo subjacente ou vice-versa. É
freqüente neste epitélio a presença de células sangüíneas infiltradas (neutrófilos).
Não apresenta papilas conjuntivas.
b) epitélio juncional: é derivado do epitélio reduzido do esmalte (tecido
embrionário). Ao irromper a coroa dentária (fase pré-funcional da erupção
dentária), os ameloblastos (células que sintetizam o esmalte) diminuem sua altura
rapidamente e, juntamente com os restantes componentes do órgão do esmalte
forma o epitélio juncional. É responsável pelo íntimo contato (aderência epitelial)
com a superfície dentária. Formado por algumas camadas de células (2 a 30
camadas), apresenta espessura variável. Exceto na camada basal, as células são
achatadas e paralelas a superfície dental. As células em contato físico com o
dente, produzem uma lâmina basal semelhante àquela encontrada normalmente
entre epitélio e tecido conjuntivo de suporte. Também encontram-se
hemidesmossomos (corpúsculos de adesão celular) entre as células superficiais e
lâmina basal, sendo provavelmente responsáveis pela estabilidade da junção.

GENGIVA ADERIDA OU INSERIDA

Esta é firme, resistente e fortemente inserida ao periósteo do osso alveolar,


através de fibras colágenas. Também conhecida como mucosa mastigatória .
Vai da gengiva marginal até a mucosa do soalho da boca (pelo lado
lingual) e da gengiva marginal até a união muco-gengival, pelo vestíbulo.
A gengiva aderida mais larga é encontrada na região dos dentes anteriores e
decresce desde a área do canino em direção aos dentes posteriores.

Estrutura

O epitélio é estratificado pavimentoso queratinizado


ou paraqueratinizado. A lâmina própria apresenta
altas papilas conjuntivas, elevando o epitélio cuja
superfície é granulada semelhante a casca de uma
laranja. Provavelmente são adaptações funcionais
aos impactos mecânicos. Este aspecto é de grande
importância sob o ponto de vista clínico, isto é,
quando diante de um processo inflamatório os
pontilhados desaparecem por causa do edema. É
uma expressão de um comprometimento da gengiva
aderida numa gengivite progressiva (figura ao lado:
A: gengiva livre; B: gengiva inserida; seta azul:
junção muco-gengival).
Embora o grau de pontilhação e a textura das fibras
colágenas variem em diferentes indivíduos, há também diferenças de acordo com
a idade e sexo. Nas pessoas mais jovens, do sexo feminino, o tecido conjuntivo
tem sua textura mais fina do que nas do sexo masculino. Entretanto, com o
avanço da idade, os feixes de fibras colágenas tornam-se mais grossos em ambos
os sexos.
A gengiva inserida aparece ligeiramente deprimida entre dentes adjacentes,
correspondendo a depressão sobre a apófise alveolar entre as eminências dos
alvéolos. Nestas depressões a gengiva inserida, muitas vezes forma pregas

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verticais, pouco acentuadas, chamadas de sulcos interdentários ou pregas


interdentais.

ANATOMIA RADIOGRÁFICA

Agora o leitor poderá facilmente visualizar as seguintes


estruturas nas radiografias odontológicas como a da
figura ao lado:
1. Esmalte, 2. Dentina; 3. Câmara pulpar; 4. Canal
radicular; 5. Osso alveolar (lâmina dura); 6. Ligamento e
7. Crista alveolar.

A cronologia de erupção dentária e


o reconhecimento dos dentes infantis pela idade e da idade
pelos dentes.
A erupção (nascimento) dos dentes ocorre numa ordem bem
definida e a seqüência em que cada grupo dentário começa a
nascer ocorre numa idade aproximadamente constante para
cada grupo.
Para a dentição decídua (de leite) a seqüência é a mesma para
ambas as arcadas (tanto para os maxilares como para a
mandíbula). É a seguinte: incisivos centrais >¨ incisivos
laterais >¨ primeiro molar >¨ canino >¨ segundo molar.

Ao lado os incisivos centrais decíduos,


os primeiros dentinhos a se
despontarem na boquinha do bebê.
Gracinha, né?

Para a dentição permanente a seqüência de erupção já é um


pouco diferente entre as arcadas a saber:
Mandíbula: 1º molares >¨ incisivos centrais >¨ incisivos
laterais >¨ caninos >¨ 1º pré-molares >¨ 2º pré-molares >¨ 2º
molares >¨ 3º molares.
Maxilares: 1º molares >¨ incisivos centrais >¨ incisivos
laterais >¨ 1º pré-molares >¨ 2º pré-molares >¨ caninos >¨ 2º
molares >¨ 3º molares.

Conhecendo-se a idade e a seqüência em que ocorre a erupção


de cada grupo fica fácil saber quais os dentes presentes na boca
de uma criança são de leite e quais são permanentes (e isso
interessa, em muito, também aos pais).
Por outro lado, sabendo-se quais os dentes são de leite e quais
são os permanentes (isso pode ser verificado através de
radiografias), fica fácil estimar a idade aproximada da criança.
As figuras a seguir ilustram bem esse fato. Essas figuras
permitem aos pais determinarem, em seus filhos, quais são os
dentes de leite e quais são os permanentes:
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O Repare, pela figura acima, que, a criança ao nascer, já


possui dentinhos com início da calcificação ainda que
nem tenham iniciado a erupção; e que os primeiros dentinhos
de leite começam a aparecer na boca do bebê
aproximadamente aos seis meses de idade. Durante a fase em
que só tenham nascidos os dentes de leite temos a dentição
decídua (aproximadamente dos seis meses até os seis anos).

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Aos seis anos começa irromper o primeiro molar permanente


(por isso esse dente é denominado molar dos seis anos). Desta
fase até que todos os decíduos tenham se esfoliado (caídos)
temos a dentição mista (dos seis aos dez anos
aproximadamente) e, a partir daí, dentição permanente.

O vídeo a seguir dramatiza a seqüência de erupção de todos


os dentes. Na parte inferior do vídeo o leitor verá a idade, em
que se sucede os acontecimentos, em meses. Para melhor
assimilação seria interessante que se parasse o vídeo para ir
comparando o filme com as imagens das duas figuras acima.

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17/03/2019 ANATOMIA, anatomia dental, coroa dental, dentina, esmalte, cemento, polpa

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