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PSICOLOGIA DA DUCAÇÃO Professor: Cláudio Guida de Sousa

PSICOLOGIA DA DUCAÇÃO

Professor: Cláudio Guida de Sousa

UNIVERSIDADE ESTADUAL DO MARANHÃO – UEMA NÚCLEO DE TECNOLOGIA PARA EDUCAÇÃO – UEMAnet UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL – UAB CURSO DE LICENCIATURA DE MÚSICA

ABERTA DO BRASIL – UAB CURSO DE LICENCIATURA DE MÚSICA

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PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

Cláudio Guida de Sousa

SUMÁRIO

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PSICOLOGIA E PSICOLOGIA EDUCAÇÃO

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1.1 Conceito de Psicologia

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1.2 Evolução Histórica e Abordagens Psicológicas

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1.3 Psicologia da Educação

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OS PROCESSOS DO DESENVOLVIMENTO HUMANO

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2.1 Identidade e adolescência

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2.2 Distúrbios no desenvolvimento humano e aprendizado

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2.3 As Oito Idades do Homem Segundo Erikson

23

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PSICOLOGIA DO APRENDIZADO

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3.1 Psicologia da Educação e Aprendizado

29

3.2 Teorias do Aprendizado em Rogers e Vygotsky

31

3.3 Aprendizagem e Desenvolvimento: interações sociais

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UNIDADE 1 – PSICOLOGIA E PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

3 UNIDADE 1 – PSICOLOGIA E PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

http://solariodeletras.blogspot.com/2017/03/as-politicas-higienistas-na-educacao.html

Objetivos

Compreender o conceito da Psicologia, enquanto ciência do comportamento;

Conhecer uma sinopse da evolução histórica da Psicologia e suas abordagens;

e

Compreender a aplicação da Psicologia na Educação.

1.1 Conceito de Psicologia

Quando pensamos em psicologia, trazemos à baila as mais diversas formas de relacionamentos humanos, sejam eles intrapessoais ou interpessoais. As relações Intrapessoais, envolvem a relação com o próprio ser, vale dizer, a relação com nossos próprios conflitos, sonhos, expectativas, tristezas, alegrias e as mais diversas sensações interiores. Já as relações interpessoais, envolve o outro, a família, os amigos, a escola, enfim a sociedade como um todo.

Em todos os momentos estamos nos relacionando, seja com o nosso eu, seja com outro. Ambos os relacionamentos são complexos e extremamente desafiadores.

A Psicologia tem como objetivos central, fazer com que os seres humanos se conheçam com mais profundidade e por uma ação reflexa, conheça também o

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outro. Essas relações entram em conflito, às vezes olhamos muito para nós mesmos, dando assim, vazão para um sentimento egocêntrico, narcisista, às vezes, olhamos muito para o outro, esquecendo de nós mesmos, desenvolvendo assim, uma empatia desregrada e causando uma baixa autoestima.

O objeto de estudo da psicologia é o comportamento do ser humano,

entendo que o comportamento do ser humano, jamais poderá ser sistematizado, sendo apenas estudado de forma teórica e empírica. Em outras palavras os comportamentos humanos, serão sempre imprevisíveis e polimodais.

A matéria-prima da Psicologia é o ser humano, seu comportamento, sua vida a partir do seu ser e, a partir do outro. A psicologia tem uma identidade própria, isto é, esta estuda os fenômenos psicológicos para uma profunda compressão da totalidade da vida humana.

Os fenômenos psicológicos acontecem dentro de cada ser humano, são construídos durante toda a nossa vida. Cada experiência, cada aprendizado, cada decepção, entre outras sensações interiores e exteriores, vão construído uma estrutura emocional que norteará o comportamento do ser humano.

Afinal de contas como podemos definir a Psicologia, enquanto ciência? A psicologia é a ciência que estuda os mais diversos processos mentais, com a seguinte tríade, pensamento, comportamento e emoções.

Quem primeiro definiu o termo psicologia, foram os gregos, nas palavras de Ana M. Bahia Bock, temos:

É entre os filósofos gregos que surge a primeira tentativa de sistematizar uma

Psicologia. O Próprio termo ‘Psicologia’, vem do grego psyche, que significa alma e de logos, que significa razão. Portanto, a etimologicamente, Psicologia significa ‘estudo da alma’. A alma ou espírito era concebida como

a parte imaterial do ser humano e abarcaria o pensamento, os sentimentos se amor e ódio, a irracionalidade, o desejo, a sensação e a percepção. (BOCK, 2015, p. 28).

O conceito de Psicologia é de forma direta e objetiva: o estudo do

comportamento humano em todas as suas dimensões, sejam elas intrapessoais ou interpessoais. Pensar Psicologia é analisar a complexidade das sensações humanas, que vale dizer, são cíclicas e não lineares.

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Figura 1 – Os gregos e a sensação do EU

5 Figura 1 – Os gregos e a sensação do EU A psicóloga Dinah Martins de

A psicóloga Dinah Martins de Sousa Campos, em seu livro, Psicologia e Desenvolvimento, escreve um conceito interessante e didático sobre Psicologia:

A psicologia pode ser entendida como a análise científica do comportamento dos seres animados, tanto do homem como dos animais, possibilitando a compreensão e predição de suas reações ao ambiente ou mudanças em sua maneira de reagir. (CAMPOS, 2011, p. 15).

O conceito da renomada autora, nos faz lembra que em regra o meio

ambiente influencia em nossos comportamentos. Este é um aspecto bastante peculiar dos processos psicológicos do ser humano. Aonde vivemos, como vivemos, com quem vivemos interferem na formação de nossa personalidade.

1.2 Evolução Histórica e Abordagens psicológicas

O fundo Histórico de uma determinada área do saber, é extremamente

importante, uma vez que possibilita o leitor a entender os mais diversos processos dialéticos de uma dada ciência. A Psicologia, enquanto ciência não foi diferente, ouve todo um processo historiográfico para sua consolidação como ciência. Vamos fazer uma pequena sinopse desse processo histórico.

Como de praxe, a história do pensamento humano, em regra, perpassa pelo pensamento dos gregos. Os gregos não se dedicaram apenas a política, a matemática, a mitologia, a arte e a filosófica, mas também ao comportamento humano. Além de Sócrates, Platão e Aristóteles se dedicaram a compreender o espírito grego, através da filosófica, a ideia dos pensadores era compreender a interioridade do homem.

Os filósofos pré-Socráticos, preocupavam-se em definir as sensações humanas, se ocupavam em explicar a relação com o homem com o mundo através da percepção. Realizavam exaustivos debates para responder a seguinte questão: o mundo existe porque o homem o vê ou se o homem vê o mundo que já existe? A discussão era entre os idealistas, que diziam que as ideias formam o mundo e pelos materialistas, que ao contrário dos idealistas, diziam que a matéria, dada pela percepção é que formaria o mundo.

Fonte:https://jornalhumanitas.blogspot.com/2014/02/o-que-e-

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Sócrates (469-399), Platão (427 – 347) e Aristóteles (384-322), que viveram antes de Cristo, teorizaram de forma lógica e didática a Psicologia. O primeiro pensador grego, consegue diferenciar o animal racional e o irracional, para Sócrates, apenas o homem é detentor da razão, em outras palavras, apenas o homem tem consciência de ser homem, diferentemente de um leão, por exemplo, que não tem consciência que é um leão.

Nosso segundo pensador, Platão, teve a responsabilidade de descobrir aonde fica a razão no homem. No coração? No Espírito? Na Alma? Nas palavras de Ana M. Bahia Bock:

O passo seguinte é dado por Platão (427-347 a.C.), discípulo de Sócrates.

Esse filósofo procurou definir um ‘lugar’ para a razão no nosso próprio corpo. Definiu esse lugar como sendo a cabeça, onde se encontra a alma do homem.

A medula seria, portanto, o elemento de ligação da alma com o corpo. Este

elemento de ligação era necessário porque Platão concebia a alma separada do corpo. Quando alguém morria, a matéria (o corpo) desaparecia, mas a alma ficava livre para ocupar outro corpo. (BOCK. 2015, p. 28).

Finalmente nosso terceiro pensador, provavelmente o mais importe para a compressão da unidade do corpo e da alma nos processos comportamentais, estamos falando de Aristóteles. Para o eminente pensador a alma é a causa de todos os processos do corpo. Aqui temos a relação entre razão e percepção humana, considerado o primeiro tratado de psicologia, propriamente dito.

Figura 2 – Agostinho e Tomás

propriamente dito. Figura 2 – Agostinho e Tomás Estudamos os Gregos vamos agora estudar os romanos.

Estudamos os Gregos vamos agora estudar os romanos. Os romanos, após a cristianização do Império, têm suas analises comportamentais e transcendentais a partir do cristianismo. A percepção do ser humano e do mundo, eram norteados pelos aspectos religiosos, fala-se de uma visão Panteísta, vale dizer, Deus é tudo e tudo é Deus.

Dois pensadores são importantes para explicar esse conturbado período que durou cerca de 1000 anos, são eles: Santo Agostinho (354-430) e Tomás de Aquino (1225-1274). Imagine, caro aluno, que nesse período, todos os comportamentos humanos, sejam eles políticos, religiosos, familiares, sexuais, bélicos, sociais, eram norteados pelos critérios religiosos determinados pela Igreja Medieval.

Fonte:https://i.ytimg.com/vi/c1xziYwzLW4/hqdefault.jpg

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Foi nesse período que o homem, entra em um processo de degeneração moral, segundo a percepção da Igreja Romana, o homem era visto como um ser

pecador e sem nenhum valor diante de Deus. Para resolver essa crise existencial a igreja cria as famosas indulgências e as relíquias. As Indulgências tinham o objetivo de perdoar os pecados e garantir a salvação dos pecadores e as relíquias, que eram

a sacralização de objetos de garantir a salvação de almas. Os dois foram uma fonte

de riqueza da igreja, para resolver as crises comportamentais e existenciais dos homens da Idade Média.

Pois bem, voltemos aos nossos dois pensadores. Santo Agostinho, deu continuidade ao pensamento de Platão, que fazia a separação entre o corpo e a alma. Entretanto, para o nosso ilustre pensador a alma, não era apenas a fonte da razão humana, mas também, a fonte transcendente do homem, dizia que alma liga o homem

a Deus. A Psicologia do século XXI, colabora veementemente com o pensamento de

Agostinho, uma vez que a transcendentalidade do homem o ajuda a lhe dar com as mais diversas crises comportamentais, pois a oração, o devocional e a obediência aos princípios de uma dada religião fazem bem ao emocional do homem, dando a este maior equilíbrio, em meio as crises emocionais e sociais.

É pela alma que sentimos as mais diversas sensações, sejam elas somáticas, emocionais ou espirituais. Agostinho resgata o pensamento cristão, que somos seres profundamente espirituais, vale dizer, existe uma necessidade do homem em se religar ao mundo metafísico.

Dando um salto de quase 1000 anos, vamos dialogar com o pensamento do famoso teólogo católico, Tomás de Aquino. Nosso pensador vive nos primeiros sinais da ruptura da Igreja Católica com a Reforma Protestante, encabeçada por Martinho Lutero, no século XVI.

Aquino, resgata o pensamento de Aristóteles para diferenciar entre a essência e existência. Aristóteles dizia que o homem, na sua essência, busca a perfeição por meio de sua existência. Entretanto, Tomas de Aquino, afirma que somente Deus tem a capacidade de reunir a essência e a existência, em termos de igualdade. Portanto, a busca de perfeição pelo homem seria a busca de Deus.

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Figura 3 – Descartes: separação da alma

8 Figura 3 – Descartes: separação da alma Fonte:https://pt.wikipedia.org/wiki/Ren%C3%A9_Descartes No renascimento o

Fonte:https://pt.wikipedia.org/wiki/Ren%C3%A9_Descartes

No renascimento o homem volta a ter o seu devido valor. Muitos pensadores começam a escrever diversas obras que exaltam o valor e a capacidade do homem, dentre eles: Dante escreve A Divina Comédia; entre 1475 e 1478, Leonardo da Vinci pinta o quadro Anunciação; em 1484, Boticelli pinta o Nascimento de Vênus; em 1501, Michelangelo esculpe o Davi; e, em 1513, Maquiavel escreve O Príncipe, obra clássica da política.

Descartes (1596-1659), um dos grandes pensadores da chamada modernidade, passou a discutir a separação entre alma, espírito e corpo, a camada visão tricotômica. Dizia que o corpo sem a alma não tem nenhum valor, se apenas uma máquina sem vida. Esse pensamento ajudou a diversas pesquisas fisiológicas do corpo humano.

A origem da Psicologia moderna foi a Alemanha do final do século 19. Wundt, Weber e Fechner que trabalharam juntos na Universidade de Leipzig. Seguiram para aquele país muitos estudiosos dessa nova ciência, como o inglês Edward B. Titchner e o americano William James.

Seu status de ciência é obtido à medida que se afasta da Filosofia, que marcou sua história até aqui, e atrai novos estudiosos e pesquisadores, que, sob os novos padrões de produção de conhecimento.

A seguir um Quadro Sinótico dos Cinco Movimentos da Psicologia, para que tenhamos uma visão mais objetiva e didática.

Quadro 1- Quadro Sinótico: pensadores da Psicologia

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Quadro 1- Quadro Sinótico: pensadores da Psicologia 9

Fonte:http://psicofadeup.blogspot.com/2011/03/as-escolas-de-pensamento-da-historia-

Figura 4 – Relação da Emoção e da Razão

Figura 4 – Relação da Emoção e da Razão

Fonte:ttp://www.galaxcms.com.br/imgs_redactor/327/files/seventhheartmi

1.3 Psicologia da Educação

Após enfrenta os aspectos Históricos da Psicologia, vamos entender como esse ramo do saber pode contribuir para a Educação.

Nós seres humanos somos detentores de quatro recursos naturais: o cognitivo, o emocional, o somático e transcendente. Todos os quatro recursos são delineadores para uma aprendizagem eficiente e eficaz.

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O recurso cognitivo é a capacidade de aprender, de saber de adquirir novos

conhecimentos, seja através dos aspectos empíricos, sejam dos aspectos da ciência

propriamente dita. A cognição é uma conquista do homem, requer deste, esforço, dedicação, disciplina e decisão. Não adquirimos conhecimento por osmose, mas por conquista e essa conquista é processual.

O emocional é tão importante como o cognitivo, o psicólogo humanista Carl

Rogers (1902-1987), dizia que a emoção é um aspecto preponderante para o processo ensino- aprendizagem, segundo ele, só há um verdadeiro ensino na escola, em regra, se o haluno conseguir se identificar com o professor emocionalmente, qualquer tipo de ruído emocional na sala de aula pode bloquear o processo de ensino.

Quando falamos em recurso emocional, falamos de pulsão de vida, de bem- estar, consigo mesmo e com os outros. Isto envolve relacionamentos saudáveis na família, nas amizades, na vida relação afetiva, na escola e porque não falar nas chamadas redes sociais.

O livro mais lido e pesquisado da História, a Bíblia, mostra através do sábio

Salomão a importância da emoção na vida do ser humano, então vejamos: “Sobre tudo que deves guardar, guarda o teu coração, porque dele procede as fontes da vida”. (Pv. 23:7). Metaforicamente, a palavra coração significa emoção. Guardar a nossa emoção implica decisivamente em qualidade de vida.

Um outro recurso que temos é o somático, isso mesmo, nosso corpo. Podemos gerar por meio de nosso corpo, os chamados “neurotransmissores do bem”, através de atividades físicas prazerosas, seja através uma atividade esportiva, uma boa noite de sono, uma vida sexual saudável, por exemplo. Os mais conhecidos são:

dopamina, quando vivemos situações de recompensa e de conquistas; Serotonina, quando nos sentimos significativos e importantes; Noradrenalina, nos traz animação, energia e bem-estar e o a ocitocina, que nos ajudar a lidar com a estresse e as ralações sociais.

Por fim nosso último recurso é a transcendentalidade, vale dizer nossa espiritualidade. Ter uma relação metafísica ajuda o ser humano nos momentos de crises. A História comprova essa realidade fática, a religião, digamos que seja um refugo para as grandes injustiças dessa vida.

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Harmonizar esses quatro recursos, oferece ao ser humano um estado de controle existencial. Mas o que isso tem a ver com a Psicologia da Educação? Tudo, uma vez que os processos educacionais perpassam por estas quatro áreas do ser humano.

A Psicologia da Educação se propões a estudar os processos intrínsecos

e extrínsecos, para a formação educacional do ser humano. Para isso muitas etapas

acontecem: a relação do sujeito com ele mesmo, com a família, com o meio social, com a escola, professores, alunos.

A Psicologia da Educação tem sua origem na fase do Funcionalismo, nos

Estados Unidos, em função das características próprias da sociedade americana, em especial o pragmatismo, onde só era valorizado aquilo que realmente era utilizado para a vida. Psicologia da Educação surge a priori para resolver as demandas da educação nos Estados Unidos, por volta de 1894.

No final do século XIX, o interesse pela Psicologia da Educação cresce de forma exponencial. Alguns pensadores começam a fazer as primeiras abordagens teóricas. Stanley Hall (1844-1924) e Edward Thorndike (1874-1949) aparecem com

destaque com mais contribuições para o desenvolvimento da Psicologia da Educação.

A partir de 1905, começam o uso de testes de inteligência para aferir o desempenho

dos alunos. O teste criado por Alfred Binet (1857-1911) e Théodore Simon (1873- 1961), tinha a proposta de conseguir separar os alunos que tinham um bom desempenho, daqueles que apresentavam dificuldades de aprendizagem.

Muitos problemas de ordem social, provocaram o surgimento de Psicologia

Educacional nos Estados Unidos, coma a crise de 1929, a Segunda Guerra Mundial,

a Guerra Fria, entre outros fenômenos, que afetaram emocionalmente os estudantes Norte Americanos e consequentemente, prejudicaram a qualidade do processo ensino- aprendizagem.

A Psicologia da Educação tem por objeto de estudo todos os aspectos das

situações da educação, sob a ótica psicológica.

Paulo Roberto Moreira, no Livro Psicologia da Educação diz que:

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A Psicologia voltada para a Educação reproduz algumas das dificuldades de definição da Psicologia. Como, por exemplo, o fato de a Educação ter como centro o educando que é, ai mesmo tempo, o sujeito e objeto de sua própria formação. Como Objeto da ação educacional, o aluno se constitui como sujeito capaz de reelaborar a realidade interna e externa. Sem o reconhecimento da subjetividade não é possível a objetividade. (MOREIRA, 2006, p. 17).

Interessante o pensamento do autor supracitado, uma vez que, o enfoque na Psicologia do Educação é a relação do sujeito emocional e do sujeito social. O meio social é um fenômeno estudado pela Psicologia da Educação, uma vez que esta influência de forma incisiva os indivíduos.

Infelizmente por muito tempo, nossas escolas avaliavam o aluno por aspectos meramente objetivos, analisemos a seguinte citação:

Na escola, a preferência pela objetividade gerou uma série de experimentos em laboratórios, centrado na medição, nos testes, e nos planos de aprendizagem encadeados sequencialmente. Tal análise do comportamento fragmenta a realidade, porque a soma dos elementos parciais não suficiente para uma compreensão do fenômeno como um todo. (MOREIRA, 2006 p.

17).

A Psicologia da Educação tem, como escopo, um olhar cabal nos processos educacionais, ela ajuda o professor perceber que em poucos casos um aluno com dislexia, discalculia, dislalia, tem como causa fatores emocionais, gerado pela família ou físicos, gerados pela fome.

SUGESTÃO DE LEITURA: Mostra de forma inteligente e didática o desenvolvimento da Psicologia escolar no Brasil: Disponível em:<

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RESUMO

Nesta Unidade, iniciamos falando sobre o conceito de Psicologia enquanto ciência.

Percebemos que essa ciência, tem como objeto de estudo o comportamento humano,

sendo, portanto, assistemática. Em seguida, adentramos sobre os aspectos históricos

e as abordagens psicológicas. Identificamos que a Psicologia por muito tempo foi

confundida com a Filosofia, vendo a se tornar ciência apenas no século XIX.

Finalmente, estudamos sobre a Psicologia da Educação, objeto do presente trabalho,

desenvolvendo a ideia que esta ajuda a perceber todos os processos de aprendizado,

inclusive a relação professora-aluno de forma subjetiva, logo a Psicologia da

Educação nos ajudar a compreender as causas de um processo educacional ineficaz

e sem resultados por meio de um olhar não apenas técnico, mas emocional.

REFERÊNCIAS

CAMPOS, Dinah Martins de Souza. Psicologia e Desenvolvimento Humano. 3. ed. Petrópolis: Vozes, 2003.

Psicologia da aprendizagem. 30. ed. Petrópolis: Vozes, 2000.

BOOK, M. Bahia Bock. Psicologias: uma introdução ao estudo de Psicologia. Ed. Saraiva, 2001.

BÍBLIA SAGRADA. Tradução de João Ferreira Almeida. Revista e Atualizada no Brasil. 2. ed. 2011.1280p.

MOREIRA, Paulo Roberto. Psicologia da Educação: interação e identidade. 4ª ed. São Paulo: FTD, 2006.

PENSADORES

da_1150.html.>. Acesso em: 30 jan. 2019.

DA

PSICOLOGIA:

Disponível

em:<

COLL, C. (Org.). Psicologia da Educação. Porto Alegre: Artmed, 2004.

GOULART, Iris Barbosa. Psicologia da Educação: fundamentos teóricos e aplicações à prática pedagógica. 16. ed. Petrópolis: Vozes, 2010.

JOSÉ, Elisabete da Assunção; COELHO, Maria Teresa. 12. ed. Problemas de aprendizagem. São Paulo: Ática, 2001.

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UNIDADE 2 – OS PROCESSOS DO DESENVOLVIMENTO HUMANO

Objetivos

Compreender os processos comportamentais do adolescente; Conhecer as teorias psicológicas sobre o desenvolvimento humano; e Analisar As Oito Idades do Homem, Segundo Erikson

Nesta Unidade, vamos abordar os processos do desenvolvimento humano, pois estes são extremamente complexos. Todos os seres humanos, são detentores de dois construtos, quais sejam, a personalidade e o temperamento. Sabe-se que a personalidade vai sofrendo mutações ao longo do tempo, uma vez que as experiências vão formatando a sua desenvoltura. É na construção da personalidade que em todo tempo estamos desconstruindo, reconstruído e construindo valores e hábitos que julgamos importantes. Já o temperamento ou humor dos seres humanos não mudam. A Teoria dos Quatro Temperamentos nasce com o Grego Hipócrates, que dizia que existem quadro temperamentos: Sanguíneo, Colérico, Fleumático e Melancólico. Os dois primeiros fazem parte do grupo das pessoas que são introvertidas e os dois últimos das pessoas que são introvertidas. Não existe a prevalência de um temperamento sobre o outro, na verdade todos os quatro temperamentos, são detentores de qualidades e fragilidades. Os temperamentos ao longo de nosso crescimento cognitivo vão melhorando, mas não se modificando. Podemos ter um temperamento primário e um secundário, mas sempre teremos um que nos caracterize nas relações interpessoais. Tanto a personalidade, como os temperamentos fazem parte da construção de nossas crenças nucleares, vale dizer da construção de nosso ser, de nossos valores e estilos de vida. Falar dos processos do desenvolvimento humano é falar de estudos assistemáticos, em regra, uma vez que a personalidade humana não obedece um padrão, ela é imprevisível. Vamos começar a falar sobre Identidade e Adolescência, para poder entender de forma objetiva e didática a desenvoltura emocional e cognitiva do ser humano.

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2.1 Identidade e Adolescência

A adolescência é marcada pelas mais diversas mudanças. São mudanças

somáticas e emocionais. Fala-se muito nesse período, na chamada puberdade. Mas

afinal de contas o que é a adolescência?

faz a seguinte contribuição para o conceito de

adolescência:

Matheus

(2007),

Etimologicamente, adolescência vem de adolescere, que significa desenvolver-se, ou crescer, entretanto, também guarda relação com addolescere, que significa adoecer. É devido a isso que se tem a ideia de crise para definir a adolescência. (MATHEUS, 2007, p. 21).

Definir o conceito de puberdade e adolescência se tornou algo

extremamente desafiado para os estudiosos do comportamento, temos aqui um caso

de conceitos que mudam de acordo com os contextos sociais.

Em tempos de pós-modernidade e mundo virtual, as relações e

interpessoais e intrapessoais se tornaram mais precoces. Talvez o conceito de

puberdade precise ser redefinido, uma vez que uma criança de 12 anos, em alguns

casos no Brasil, já teve sua primeira experiência sexual, provavelmente pela influência

dos dois paradigmas supracitados, estamos falando da relatividade dos valores e

verdades e do complexo, emocionante, excitante e perigoso mundo virtual.

A identidade é um construto que tem sua formação condicionada às nossas

experiências sociais e emocionais. Isso envolve a família, a religião, a escola, enfim

as mais diversas relações consigo mesmo e com o outro.

Erikson (1976) fez uma definição de adolescência bem interessante, então

vejamos:

A transição da infância à vida adulta basicamente marcada por uma moratória psicossocial, ou seja, pela liberdade para experimentar livremente papéis sexuais, sociais e ocupacionais até definir-se. Constitui-se como uma crise normativa que ocorreria entre os 12 e 18 anos, em que a pessoa em desenvolvimento teria de resolver o dilema central entre construir uma identidade e viver uma difusão de papéis, sendo o modelo de construção identitária marcado pela escolha e a reprodução de referências sociais (identidade como reprodução). (ERIKSON, 1976, p. 43).

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Figura 5 – Édipo e a Esfinge: o enigma

16 Figura 5 – Édipo e a Esfinge: o enigma Fontehttps://www.factum.edu.br/files/curso/banner/51/psicolo Fala-se de um

Fontehttps://www.factum.edu.br/files/curso/banner/51/psicolo

Fala-se de um mito antigo na Grécia Antiga, havia uma esfinge que

devorava os passantes que não decifrassem o seguinte enigma: qual o ser que pela manhã, anda com quatro pés, ao meio dia, com dois, e ao entardecer com três; e que contrariamente à lei, é mais fraco quando tem mais pernas? Segundo os relatos gregos o famoso Édipo desvenda o mistério pondo a mão no peito e dizendo: é o homem, claro! Mas, que é o homem? Quem sou eu? Questão decisiva, desafio presente quando nascemos, nos movemos até a

maturidades

A construção de nossa identidade, que em regra se desenvolve mais incisivamente na adolescência, envolve obrigatoriamente essas questões existenciais, que deu muito trabalho para os filósofos. Quem sou eu? Fazemos essa pergunta de forma habitual. A nossa vida tem fases, tanto no aspecto emocional, como no físico.

Caracterizar no século XXI a personalidade dos adolescentes tem sido algo profundamente desafiador para os estudiosos do comportamento. Marcelo Afonso Ribeiro e convidados no artigo intitulado “Ser adolescente no século XXI”, diz que:

até a morte!

Ser adolescente no século XXI tem se mostrado um desafio importante para todos: para o mundo adulto, no qual é necessário lidar com padrões de referência e modelos de ação no mundo muito distintos dos seus; para o Estado, que tem no adolescente um problema central em termos de formação, inserção no mercado de trabalho, sexualidade, saúde, segurança, consumo e família; e para o próprio adolescente, que tem de lidar com um mundo adulto que lhe dá poucas referências e modelos, que, muitas vezes, são confusos, ambíguos e contraditórios, e se vê compelido a praticamente

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criar referências e construir formas de ser em um mundo contemporâneo caracterizado como complexo, heterogêneo e flexibilizado. (RIBEIRO, 2014, p. 13).

São muitos os problemas emocionais e existências que o adolescente enfrenta em nossos dias, podemos exemplificar, crises na família, uma vez que a maioria são criados por mães solteiras ou pelos avós, esclarecendo que esses fatores não são determinantes para as crises, mas contribuem; experiências sexuais precoces pelo advento da pornografia na Internet e sua acessibilidade; envolvimento com drogas, talvez uma função de aspectos econômicos, entre outras questões. Hoje, os professores devem aprofundar seus estudos em Psicologia da Educação, uma vez que a os processos educacionais, como temos falado exaustivamente, envolvem aspectos subjetivos. O professor deve perceber em profundidade as crises emocionais dos alunos em sala de aula, em especial dos adolescentes, uma vez que as emoções instabilizados bloqueiam o processo de ensino-aprendizagem.

2.2 Distúrbios no desenvolvimento humano e aprendizado

Ouvi uma frase que dizia: “não é fácil ser, ser humano”. De fato, as complexidades do nosso ser e de outros seres humanos é uma realidade. O Manual de Transtornos Mentais, DSM5, apresenta centenas de anomalias emocionais, sendo as mais conhecidas, a depressão, a ansiedade, a bipolaridade, a fobia social, entre outras.

Grande parte das instabilidades emocionais e consequentemente de doenças mentais, tem sua origem nas relações sociais, mais precisamente na família. Quantas crianças por exemplo, não conseguem aprender, não por causa da dislexia ou discalculia, mas por um trauma emocional sofrido na violenta relação conjugal entre seu pai e sua mãe, por exemplo. O ser humano cresce biologicamente, psicologicamente, socialmente e espiritualmente. A família e a escola têm um papel preponderante para esse crescimento harmônico e saudável. Os professores passam a ser, de uma certa forma, a ponte entre o conhecimento e uma formação social e cognitiva saudável, mas entendo que a família deve sempre ser a protagonista da educação dos filhos.

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Mesmo nos primeiros momentos do nascimento do ser humano, este pode sofrer influência da mãe:

Na infância tem sido referido que alterações com a mãe no período da gestação podem contribuir para o aparecimento de neuroses posteriormente. Não se trata de deficiências mentais, síndrome de Down ou de problemas resultantes de anomalias nos cromossomos, formação do ovo, mas de situações ambientais determinando excesso de emoções e sofrimentos da mãe gestante. (CAMPOS, 2011, p. 99).

Figura 6- Crise emocional e solidão

(CAMPOS, 2011, p. 99). Figura 6- Crise emocional e solidão Fonte:

Fonte: http://www.folhape.com.br/obj/1/201407,475,80,0,0,475,365,0,0,0,0.jpg

O problema das instabilidades emocionais, não se limita apenas a fenômenos ultra interinos, mas principalmente a aspectos sócias, vale dizer os relacionamentos com a família, com a escola e sociedade. Em não poucos casos aspectos de limitação motora e emocional, limitam o processo de ensino- aprendizagem. Muitos diagnósticos de dislexia TDAH, por exemplo, não estão condicionados a limitações motoras ou sensoriais, mas a aspectos emocionais. É nesse ponto que a olhar psicológico do professor deve fazer valer, uma vez que ao detectar esse tipo de limitação deve encaminha ao psicólogo habilitado para fazer testes que identifiquem se o aluno tem ou não a dislexia, ou a sua improdutividade em sala de aula é causada pela fome, pela tristeza, pela angústia, gerados pelo seu ambiente familiar. Os distúrbios do ser humano são originados por diversas causas emocionais e motoras. Se essas anomalias persistem no processo de educação de uma pessoa, essa verdadeiramente não vai conseguir acompanhar as diversas fases da educação.

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Os transtornos do desenvolvimento humana, causam obviamente os transtornos de aprendizagem. O professor deve de forma tempestiva, perceber a limitação do aluno, para tentar resolver a situação que tem causado o bloqueio do aprendizado.

Se o professor souber como funciona a atenção e a memória nas diversas fases da vida, com certeza vai ensinar melhor. A aprendizagem está ligada ao processo de desenvolvimento biológico. A evolução é determinada pela genética da espécie. Nosso cérebro demora vinte anos para amadurecer. Nossa saúde mental depende da ampliação de experiências anteriores e de experiências práticas. A escola é o lugar de ampliação da experiência humana, o lugar onde gente como a gente constrói conhecimentos com o uso de diversas linguagens e da imaginação. Ela precisa preocupar-se com a formação humana. A semente da disciplina ou da indisciplina reside no clima escolar. Se esta não consegue impor seus valores entre alunos e professores, conseguir disciplina passa a ser uma proeza. Na escola em que há mais indisciplina o rendimento é pior, mas se ela for cativante terá poucos problemas. (EBAH, 2019).

Interessante transcrever o que diz o DSM5 (2014, p. 110) sobre distúrbios da aprendizagem:

Dificuldades na aprendizagem e no uso de habilidades acadêmicas, conforme indicado pela presença de ao menos um dos sintomas a seguir que tenha

persistido por pelo menos 6 meses, apesar da provisão de intervenções dirigidas a essas dificuldades:

1 Leitura de palavras de forma imprecisa ou lenta e com esforço (p. ex., lê

palavras isoladas em voz alta, de forma incorreta ou lenta e hesitante, frequentemente adivinha palavras, tem dificuldade de soletrá-las);

2 Dificuldade para compreender o sentido do que é lido (p. ex., pode ler o

texto com precisão, mas não compreende a sequência, as relações, as inferências ou

os sentidos mais profundos do que é lido);

3 Dificuldades para ortografar (ou escrever ortograficamente) (p. ex., pode adicionar, omitir ou substituir vogais e consoantes).

4 Dificuldades com a expressão escrita (p. ex., comete múltiplos erros de

gramática ou pontuação nas frases; emprega organização inadequada de parágrafos;

expressão escrita das ideias sem clareza);

5 Dificuldades para dominar o senso numérico, fatos numéricos ou cálculo

(p. ex., entende números, sua magnitude e relações de forma insatisfatória; conta com os dedos para adicionar números de um dígito em vez de lembrar o fato aritmético,

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como fazem os colegas; perde-se no meio de cálculos aritméticos e pode trocar as operações); 6 Dificuldades no raciocínio (p. ex., tem grave dificuldade em aplicar conceitos, fatos ou operações matemáticas para solucionar problemas quantitativos). As habilidades acadêmicas afetadas estão substancial e quantitativamente abaixo do esperado para a idade cronológica do indivíduo, causando interferência significativa no desempenho acadêmico ou profissional ou nas atividades cotidianas, confirmada por meio de medidas de desempenho padronizadas administradas individualmente e por avaliação clínica abrangente. Para indivíduos com 17 anos ou mais, história documentada das dificuldades de aprendizagem com prejuízo pode ser substituída por uma avaliação padronizada. As dificuldades de aprendizagem iniciam-se durante os anos escolares, mas podem não se manifestar completamente até que as exigências pelas habilidades acadêmicas afetadas excedam as capacidades limitadas do indivíduo (p. ex., em testes cronometrados, em leitura ou escrita de textos complexos longos e com prazo curto, em alta sobrecarga de exigências acadêmicas). As dificuldades de aprendizagem não podem ser explicadas por deficiências intelectuais, acuidade visual ou auditiva não corrigida, outros transtornos mentais ou neurológicos, adversidade psicossocial, falta de proficiência na língua de instrução acadêmica ou instrução educacional inadequada. Nota: Os quatro critérios diagnósticos devem ser preenchidos com base em uma síntese clínica da história do indivíduo (do desenvolvimento, médica, familiar e educacional), em relatórios escolares e em avaliação psicoeducacional. Nota para codificação: Especificar todos os domínios e sub-habilidades acadêmicos prejudicados. Quando mais de um domínio estiver prejudicado, cada um deve ser codificado individualmente conforme os especificadores a seguir. Especificar se:

315.00 (F81.0) Com prejuízo na leitura:

Precisão na leitura de palavras Velocidade ou fluência da leitura Compreensão da leitura

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Nota: Dislexia é um termo alternativo usado em referência a um padrão de dificuldades de aprendizagem caracterizado por problemas no reconhecimento preciso ou fluente de palavras, problemas de decodificação e dificuldades de ortografia. Se o termo dislexia for usado para especificar esse padrão particular de dificuldades, é importante também especificar quaisquer dificuldades adicionais que estejam presentes, tais como dificuldades na compreensão da leitura ou no raciocínio matemático.

315.2 (F81.81) Com prejuízo na expressão escrita:

Precisão na ortografia Precisão na gramática e na pontuação Clareza ou organização da expressão escrita

315.1 (F81.2) Com prejuízo na matemática:

Senso numérico Memorização de fatos aritméticos Precisão ou fluência de cálculo Precisão no raciocínio matemático Nota: Discalculia é um termo alternativo usado em referência a um padrão de dificuldades caracterizado por problemas no processamento de informações numéricas, aprendizagem de fatos aritméticos e realização de cálculos precisos ou fluentes. Se o termo discalculia for usado para especificar esse padrão particular de dificuldades matemáticas, é importante também especificar quaisquer dificuldades adicionais que estejam presentes, tais como dificuldades no raciocínio matemático ou na precisão na leitura de palavras. Especificar a gravidade atual:

Leve: Alguma dificuldade em aprender habilidades em um ou dois domínios acadêmicos, mas com gravidade suficientemente leve que permita ao indivíduo ser capaz de compensar ou funcionar bem quando lhe são propiciados adaptações ou serviços de apoio adequados, especialmente durante os anos escolares.

Moderada: Dificuldades acentuadas em aprender habilidades em um ou mais domínios acadêmicos, de modo que é improvável que o indivíduo se torne proficiente sem alguns intervalos de ensino intensivo e especializado durante os anos escolares. Algumas adaptações ou serviços de apoio por pelo menos parte do dia na

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escola, no trabalho ou em casa podem ser necessários para completar as atividades de forma precisa e eficiente. Grave: Dificuldades graves em aprender habilidades afetando vários domínios acadêmicos, de modo que é improvável que o indivíduo aprenda essas habilidades sem um ensino individualizado e especializado contínuo durante a maior parte dos anos escolares. Mesmo com um conjunto de adaptações ou serviços de apoio adequados em casa, na escola ou no trabalho, o indivíduo pode não ser capaz de completar todas as atividades de forma eficiente.

2.2 As oito Idades do Homem Segundo Erikson

O Psicanalista Erik Erikson, contribuiu sobremaneira para a sistematização do desenvolvimento humano, escreveu sobre oito estágios do seu desenvolvimento. Antes de apresenta as chamadas oito idades do Homem, vamos conhecer um pouco de sua biografia.

Figura 7 – Erik Erikson: oito idades do homem

biografia. Figura 7 – Erik Erikson: oito idades do homem

Fonte:http://1.bp.blogspot.com/-M-i3_ysKJpw/UwNsRWuYe4I/AAAAAAAAAvQ/C9GoKKD-

NTU/s1600/Erik+Erikson.jpg

Erikson nasceu em Frankfurt, Alemanha, em 1902 (vindo a falecer em 1994). Começo em carreira artística, foi convidado a laborar em uma escola para pacientes submetidos à psicanálise, entrando então em contato com o grupo de Anna Freud, a filha mais nova de Sigmund Freud. Em 1933, quando se casou com uma canadense, mudou-se para os Estados Unidos, continuando seus estudos em Psicanálise, tornando-se o primeiro psicanalista infantil americano.

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Para Erikson, a crise existencial está profundamente condicionada ao desenvolvimento humano. Em seu diagrama epigenético o autor apresenta sua teoria segundo a qual as pessoas passam por quatro estágios de infância antes da crise de identidade da adolescência e por três estágios posteriores. Transcrevemos as oito idades do site: www.revistaprosaversoearte.com.

O primeiro estágio – confiança/desconfiança (0 – 18 meses) A idade

em que a criança adquire confiança em si mesmo e no mundo ao redor, através da relação com a mãe. Se a mãe atende as necessidades do filho, a confiança está construída. Se não, medo, receio e desconfiança podem ser desenvolvidos pela criança. Virtude social desenvolvida: esperança.

O segundo estágio – autonomia/dúvida e vergonha (18 meses – 3

anos) A contradição entre o que a criança quer fazer (impulso) e o que as normas

permitem. A criança deve ser estimulada a fazer as coisas de forma autônoma, para não se sentirem envergonhadas. Os pais devem ajudar os filhos para terem vontade de fazer as coisas corretamente. Virtude social desenvolvida: desejo.

O terceiro estágio – iniciativa/culpa (3 anos- 6 anos). Neste estágio a

criança já tem a capacidade de distinguir as coisas que pode e as coisas que não pode fazer. Começando a tomar iniciativas, mas sem sentir culpa. A criança começa a assumir outros papéis, tendo noção de ‘outro’ e de individualidade, começando a se preocupar com a aceitação do seu comportamento. Virtude social desenvolvida:

propósito.

O pensamento é um tanto egocêntrico, mas aumenta a compreensão do ponto de vista dos outros. A imaturidade cognitiva resulta em algumas ideias ilógicas sobre o mundo. Desenvolve-se a identidade de gênero (PAPALIA, 2006, p. 40)

O quarto estágio – indústria (produtividade) / inferioridade (6 anos- 12

anos). A criança começa a se sentir como uma pessoa trabalhadora, capaz de produzir. A resolução positiva dos estágios anteriores é importantíssima, sem confiança, autonomia e iniciativa, não conseguirá se sentir capaz. O sentimento de inferioridade pode levar se sentir incapaz. Este é o momento de relações interpessoais importantes. Virtude social desenvolvida: competência.

O quinto estágio – identidade/confusão de identidade (adolescência).

Aqui se adquire a identidade psicossocial, o adolescente precisa entender seu papel

o mundo e reconhecer sua singularidade. Há uma redefinição nos elementos de

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identidade já adquiridos. Algumas dificuldades desse período são: falta de apoio no crescimento, expectativas parentais e sociais diferentes, dificuldades em lidar com as mudanças etc. Virtude social desenvolvida: fidelidade.

Quando um jovem não consuma essas relações íntimas com outros – e, acrescentaria eu, com os seus próprios recursos internos – no final da adolescência ou início da idade adulta ele poderá procurar relações interpessoais sumamente estereotipadas e acabar retendo um profundo sentimento de isolamento. Se os tempos favorecerem um tipo impessoal de padrão interpessoal, um homem pode ir longe na vida e, entretanto, albergar um grave problema de caráter, duplamente penoso porque ele nunca se sentirá realmente ele próprio, embora todos digam que ele é ‘alguém’(…) Assim a consequência duradoura da necessidade de distanciamento é a presteza em fortificar o território próprio de intimidade e solidariedade e em ver todos os estranhos com uma fanática “supervalorização das pequenas diferenças” entre o familiar e o desconhecido”. (ERIKSON, 1976, p.141).

O sexto estágio – intimidade/isolamento (25 anos – 40 anos). É essencial estabelecer uma relação íntima durável com outras pessoas, caso não consiga estabelecer essa relação se sentirá isolado. Virtude sócia desenvolvida: amor.

“A condição física atinge o auge, depois declina ligeiramente. O pensamento e os julgamentos morais tornam-se mais complexos. São feitas escolhas educacionais e vocacionais, após um período exploratório. Traços e estilos de personalidade tornam-se relativamente estáveis, mas as mudanças na personalidade podem ser influenciadas pelas fases e acontecimentos da vida. São tomadas decisões sobre relacionamentos íntimos e estilos de vida pessoais, mas podem não ser duradouros. (PAPALIA, 2006, p. 41)

O sétimo estágio – generatividade / estagnação (35 anos – 60 anos). A

necessidade de orientar a geração seguinte, uma fase de afirmação pessoal no trabalho e na família. Podendo ser produtivo em várias áreas. Existe a preocupação com as gerações futuras, educando e criando os filhos. O lado negativo é que pode levar a pessoa a parar em seus compromissos sociais. Virtude social desenvolvida:

cuidar do outro.

As capacidades mentais atingem o auge, a especialização e as habilidades relativas à solução de problemas práticos são acentuadas. A produção criativa pode declinar, mas melhor em qualidade. Para alguns, o sucesso na carreira e o sucesso financeiro atingem seu máximo, para outros, poderá ocorrer esgotamento ou mudança de carreira. A dupla responsabilidade pelo cuidado dos filhos e dos pais idosos pode causar estresse. (PAPALIA, 2006, p. 41)

O oitavo estágio – integridade/desespero (após os 60 anos) É a hora

da avaliação de tudo que se fez na vida, em caso de uma negação em relação ao passado, se sente fracassado pela falta de poderes físicos e cognitivos. O desespero para pessoas que acham o balanço de sua vida negativa e integridade para pessoas que sentem o balaço de sua vida positiva. Virtude social desenvolvida: sabedoria.

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Seja qual for o abismo a que as preocupações fundamentais possam conduzir os homens, (…) o homem, como criatura psicossocial, defrontar-se-á, no final de sua vida com uma nova edição da crise de identidade que poderíamos formular nas seguintes palavras: “Eu sou o que sobrevive de mim”. Das fases da vida, portanto, disposições tais como fé, força de vontade, determinação, competência, fidelidade, amor, desvelo, sabedoria – tudo critérios de força vital individual – também fluem para a vida das instituições. Sem elas, as instituições definham; mas sem que o espírito das instituições impregne os padrões de desvelo e amor, instrução e treino nenhuma força poderia emergir da sequência de gerações. (ERIKSON, 1976, p.141).

o final deste capitulo estaremos disponibilizando links para o aluno saber

mais SUGESTÃO sobre o que DE foi LEITURA: abordado. vai ajudar você a perceber e entender outros olhares

RESUMO

Nesta segunda unidade, falamos sobre os processos do desenvolvimento humano.

Começamos sobre a Identidade e Adolescência, deu “panos para a manga”, uma vez

que o conceito de “adolescência” se tornou em nossos dias polimodal, isto é com

vários conceitos, isso por causa dos novos paradigmas que temos enfrentado no

século XXI. Discorremos sobre os distúrbios no desenvolvimento humano e

aprendizado, foi bem interessante, uma vez que foi mostrado que a vida do ser

humano tem seus altos e baixos, em função de relações consigo mesmo e com o

outro, inclusive apresentamos o famoso DSM5, que mostra as mais diversas

anomalias mentais, focamos, entretanto, nos distúrbios do aprendizado. Encerramos

a Unidade falando sobre as famosas Oito Idade de Erikson, que demonstra as

diversas fases que temos em nossa jornada, com suas peculiaridades.

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REFERÊNCIAS

MATHEUS, T. C. Adolescência: História e política do conceito na psicanálise. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2007.

ERIKSON, Erik. Identidade, juventude e crise. 2. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1976.

RIBEIRO, M. A. Carreiras: Novo olhar socioconstrucionista para um mundo flexibilizado. Curitiba: Juruá, 2014.

AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. DSM-V. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. 5. ed. Porto Alegre : ARTMED, 2014.

COLL, C. (Org.). Psicologia da Educação. Porto Alegre: Artmed, 2004.

GOULART, Iris Barbosa. Psicologia da Educação: fundamentos teóricos e aplicações à prática pedagógica. 16. ed. Petrópolis: Vozes, 2010.

JOSÉ, Elisabete da Assunção; COELHO, Maria Teresa. 12.ed. Problemas de aprendizagem. São Paulo: Ática, 2001.

Conceito de Puberdade. Disponível em:<https://pt.wikipedia.org/wiki/Puberdade.>. Acesso em: 30 jan. 2019.

Biografia

Acesso em: 30 jan. 2019.

de

Erikson.

Disponível

em:

As oito Idades de Erikson. Disponível em:< https://www.revistaprosaversoearte.com/as-

jan. 2019.

Os

distúrbios

do

Aprendizado.

Disponível

em:<

em: 30 jan. 2019.

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UNIDADE 3 – PSICOLOGIA DO APRENDIZADO

Objetivos

Analisar conceitos e apontamentos sobre Psicologia do aprendizado; Entender as teorias do aprendizado em Rogers e Vygotsky; e Compreender aprendizagem e desenvolvimento nas interações sociais.

3.1 Psicologia da Educação e Aprendizado

A Psicologia da Educação é um olhar subjetivo e cabal em todos os processos que envolvem a dicotomia Ensino e Aprendizado. Esse processo envolve os alunos, os professores, a Instituição, como todo o seu corpo técnico. Silva (2015) descreve os primeiros passos da Psicologia da Educação na antiguidade:

As bases da Psicologia da Educação que dão fundamento à tradição ocidental foram constituídas na Grécia Antiga, cerca de cinco séculos antes de Cristo, e continuam fundamentais até a atualidade. Para se compreender melhor esses modelos paradigmáticos de Psicologia e a sua relação com os processos de aprendizagem é necessário conhecer o contexto em que se começou a teorizar sobre o homem e sua capacidade de aprender. O mergulho nesse contexto vai passar pelo modelo de Educação, pelo modelo de política e pela inauguração do antropocentrismo filosófico feito por Sócrates, pois tudo isso está intimamente relacionado com Psicologia e com aprendizagem. (SILVA, 2015, p. 11).

Como se percebe nas palavras do autor supracitado, o ato de sentir, pensar, discutir, interagir, são vetores que nos fazem compreender os processos comportamentais do eu e do outro. O mesmo autor continuando dizendo que:

A filosofia de Platão é a referência paradigmática para uma concepção psicológica de aprendizagem pautada pelo apriorismo, isto é, pela ideia de que o conhecimento ocorre previamente e de maneira natural, no Hiperurânio, e que a aprendizagem é uma memória de tal conhecimento. Por outro lado, a filosofia de Aristóteles dá base a uma concepção de aprendizagem calcada na experiência, a partir da qual as ideias se aprimoram; a isso chama-se empirismo (do grego empeiría, que significa experiência sensorial). (SILVA, 2015, p. 17).

Não temos como exaurir todos os autores da Psicologia da Educação, escolhemos apenas dois para aprofundarmos nossas discussões, Carl Rogers e

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Vygotsky, que discutiremos o próximo subcapítulo, mas antes um quadro sinótico para ser degustado, com os olhos, a razão e a emoção. O quadro a seguir mostra os vetores sobre Construção do Conhecimento, Interação Social e Afetividade. Encabeçado por três grandes pensadores, a saber Jean Piaget, Vygotsky, que será discutido mais tarde e Wallon. Quadro 2- Construção do Conhecimento

AUTOR

JEAN PIAGET

VYGOTYSK

WALLON

PERÌODO

1896 – 1980

1897 – 1934

1879 - 1962

PALAVRA-

Construção do

Interação Social

Afetividade

CHAVE

Conhecimento

 

Assimilação/Acomod ação/ Esquema/Equilibrio/ Estágios de Desenvolvimento

Mediação simbólica:

Movimento: Expressão Instrumental As emoções: afetividade A Inteligência:

VETORES

Instrumentos e signos, Zona de Desenvolvimento Proximal

TEÓRICOS

 

Sincrética A construção do Eu:

 

Imitação/negação

RELAÇÕES

Adaptação

Da parte para o todo:

Do todo para a parte:

INTERPESSOAIS

(conhecimentos

processo de socialização (Relação com o mundo)

processo de

prévios)

individualização

 

(Construção do

indivíduo)

PAPEL DO

“Desequilibrar” os esquemas dos alunos a partir de seus conhecimentos prévios

Intervir na ZDP, ou seja, na distância entre o que o aluno já domina e o que pode aprender

Considera: a história do aluno, demandas atuais e perspectivas

PROFESSOR

PERFIL DO

Participação do processo de construção do conhecimento, coautor, ativo e questionador

ALUNO

Fonte: Sousa, 2019.

3.2 Contribuições de Carl Roger e Vygotsky

Carl Rogers, formado em História e Psicologia, foi um desses inquiridores, ele entendia que o aluno deveria ser centrado no processo de ensino-aprendizagem, pelo contrário, não poderia haver nem um tipo de conhecimento sem essa premissa. Foi aluno de Kilpatrick que o colocou em contato com o pensamento de Dewey. Conhecido como o "pai" da educação não diretiva, enquanto Vygotsky compreendia que a linguagem e o pensamento não eram partes, mas o todo ser humano e que aquele era o efeito deste, ou seja, não se pode ensinar sem conhecer o quê e o porquê

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se ensina. Começaremos falando sobre o pensamento do Rogers e logo e em seguida de Vygotsky.

Figura 8 – Rogers: educação não diretiva

de Vygotsky. Figura 8 – Rogers: educação não diretiva

Fonte:https://www.transcend.org/tms/wp-content/uploads/2016/01/CARL-ROGERS-PIC.jpg

Rogers aplicou à educação princípios da Psicologia clínica. Trabalhou intensamente a questão da Psicologia aplicada na sala de aula. Para ele, o aluno deveria ser o centro e o professor um facilitador e bom comunicador, detentor de simpatia e empatia, além de tudo deveria ser autêntico, Gadotti, citando Roger disse que:

Talvez a mais básica dessas atitudes essenciais seja a condição de autenticidade. Quando o facilitador é uma pessoa real, se apresenta tal como é, entra em relação com o aprendiz, sem ostentar certa aparência ou fachada, tem muito mais probabilidade de ser eficiente. Isto significa que os sentimentos que experimenta estão a seu alcance, estão disponíveis ao seu conhecimento, que ele é capaz de vivê-los, de fazer deles algo de si, e, eventualmente, de comunicá-los. Significa que se encaminha para um encontro pessoal direto com o aprendiz, encontrando-se com ele na base de pessoa-a-pessoa. Significa que está sendo ele próprio, que não se está negando. (GADOTTI. 2001, p. 182).

Percebe-se, na dialética de Rogers, que a sua preocupação está, de uma certa forma, centrada no aluno, pois, ele não é compreendido como um objeto de estudo, mas como um sujeito e deve ser respeitado e conceituado como tal. As teorias

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de Rogers são focadas nas relações intrapessoal e interpessoal para que se alcance os objetivos propostos pelo processo ensino-aprendizagem.

Os seres Humanos têm natural potencial de aprender. A aprendizagem

significativa verifica-se quando o estudante percebe que a matéria a estudar

se relaciona com os seus próprios objetivos; A aprendizagem que envolve

mudança na organização de cada um – na percepção de si mesmo – é ameaçadora e tende a suscitar reações; As aprendizagens que ameaçam o

próprio ser são mais facilmente percebidas e assimiladas quando as ameaças externas se reduzem a um mínimo; Quando é fraca a ameaça do “eu” pode-

se perceber a experiência sob formas diversas, e a aprendizagem ser levada

a efeito; É por meio de atos que se adquire aprendizagem mais significativa; A aprendizagem é facilitada quando o aluno participa responsavelmente do seu processo; A aprendizagem autoiniciada que envolve toda a pessoa do aprendiz – seus sentimentos tanto quanto sua inteligência – é a mais durável

e impregnante; A independência, a criatividade e autoconfiança são

facilitadas quando a autocrítica e autoapreciação são básicas e a avaliação feita por outros tem importância secundária; A aprendizagem socialmente mais útil, no mundo moderno, é do próprio processo de aprendizagem, uma contínua abertura à experiência e a incorporação, dentro de si mesmo, do processo de mudança. (GADOTTI, 2001, p. 183).

Nestes princípios, é fácil de perceber que os aspectos da razão e da emoção andam de mãos dadas e que a significância do ato é o precedente absoluto para a sua grande realização. Existem, nas teorias de Rogers, um profundo interesse nos aspectos psicológicos e emocionais do aluno, sugerindo mudanças funcionais e estruturais da aprendizagem. Estes interesses se assemelham em número, grau e gênero com as propostas da Psicologia da Educação e da Neurolinguística. A análise da especialista em educação Yero (2003) foca os componentes de crenças e comportamentos dos professores na simbiose Educação e Neurolinguística:

As crenças podem ser pensadas como tendo três componentes. Aqui está

um dos muitos enredos que podem cercar uma determinada crença.

Cognitivo: Um professor diz com convicção que é importante para os alunos tirarem boas notas. O professor pode prover diversos argumentos cognitivos para apoiar sua crença, como a ênfase forte de que a política de admissão

na faculdade baseia-se nas notas. Afetivo: Quando as notas de um aluno

baixam, o professor sente uma urgência de fazer algo a respeito. Note a diferença entre esse sentimento e o exercício mais intelectual de explicar ao

estudante porque é importante estudar mais. O gatilho para esse componente afetivo provém do objetivo, necessidade ou valor que a crença suporta. Um professor pode interpretar as notas mais baixas em termos pessoais – ela não está fazendo seu dever. Outro professor pode preocupar-se com o estudante. Qualquer tipo de motivação engatilha uma resposta emocional ou afetiva. Comportamental: O que significa quando um estudante tira notas baixas? Que razões um professor pode atribuir àquele comportamento da parte do aluno? Uma resposta do professor – comportamento – vai depender das respostas a essas perguntas. Os conceitos mostram alguns dos

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significados possíveis que um professor pode atribuir as notas baixas é uma maneira possível do professor poder reagir a esse significado. (YERO, 2003).

As crenças apresentadas por Yero estão relacionadas com o perfil do professor e do aluno na sala de aula, pois o que é colocado em foco é exatamente a reação dos professores e dos alunos diante de uma determinada situação na sala de aula, seja ela boa ou não. A ação cognitiva, afetiva e comportamental, vai, em última instância, determinar o valor de cada situação. Quando um desses elementos não são bem compreendidos a didática, em questão não alcança os seus verdadeiros interesses. É preciso muita sensibilidade e compromisso para, de fato, produzir e gerir uma didática eficiente. O aspecto tecnicista da didática não deve ser encarado como um fim, mas como um meio. Rogers (apud GADOTTI, 1995, p. 82) diz que o facilitador deve envolver o aprendiz numa trilogia que implica profundamente no aspecto motivacional, isto é, apreço, aceitação e confiança. Rogers entende, que o aluno é o personagem principal em uma sala de aula, todavia, o facilitador deve ter uma visão holística do mesmo, para que não tome julgamento precipitado. A grande questão a ser refletida é como perceber as diferentes personalidades e os diferentes temperamentos em uma mesma sala de aula, para que o aprendizado se torne mais eficaz e significante? Pressupõe-se que a Psicologia da Educação, por meio das teorias comportamentais, pode oferecer uma direção aos facilitadores. Enquanto Rogers se interessou sobre como o professor deve entender como tratar o aluno, Vygotsky pesquisou quais são as causas e os efeitos do pensamento e da linguagem no processo Ensino-aprendizagem. A sua teoria teve como fundamento o desenvolvimento do indivíduo como resultado de um processo sócio-histórico, enfatizando o papel da linguagem e da aprendizagem nesse desenvolvimento, sendo essa teoria considerada histórico-social. São apresentados na teoria de Vygotsky alguns elementos que fazem com que se reflita a fundo uma didática muito mais consciente e diretiva. Para Vigotsky (1993), as origens da vida consciente e do pensamento abstrato deveriam ser procuradas na interação do organismo com as condições de vida social e nas formas histórico-sociais de vida da espécie humana e não, como muitos acreditavam, no mundo espiritual e sensorial dos homens, somente. Sendo,

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portanto, necessário analisar o reflexo do mundo exterior no mundo interior dos indivíduos a partir da interação destes com a realidade. O pensamento e a linguagem, para o eminente autor, devem processar a aprendizagem harmonicamente já que para este, a linguagem age decisivamente na organização do raciocínio, sendo que, a partir do momento em que ela assume a função planejadora, age decisivamente sobre a organização do raciocínio, reestruturando diversas funções psicológicas, como a memória, a atenção e a formação de conceito. Rego, faz a seguinte referência sobre o pensamento de Vigotsky nos parâmetros da linguagem e comportamento:

Vigotsky se dedicou, dentre outros aspectos, ao estudo das chamadas funções psicológicas superiores, que caracterizam o modo de funcionamento psicológico tipicamente humano, tais como o controle consciente de comportamento, a capacidade de planejamento e previsões, atenção e memória voluntária, pensamento abstrato, raciocínio dedutivo, imaginação etc. esses processos mentais são considerados superiores e sofisticados porque se referem a mecanismos intencionais, ações conscientes controladas, processos voluntários que dão ao indivíduo a possibilidade de independência em relação às características do momento e espaço presente. Segundo Vigotsky, estes processos psicológicos complexos se originam nas relações entre indivíduos humanos e se desenvolvem ao longo do processo de internalização de formas culturais de comportamentos. Vigotsky esclarece ainda, que a relação do homem com o mundo não é uma relação direta. São os instrumentos técnicos e os sistemas de signos, construindo historicamente, assim como todos os elementos presentes no ambiente humano impregnados de significados cultural, que fazem a mediação dos seres humanos entre si e eles com o mundo. A linguagem é signo mediador por excelência, pois ela carrega em si os conceitos generalizados e elaborados pela cultura humana que permitem a comunicação entre os indivíduos, o estabelecimento de significados comuns aos diferentes membros de um grupo social, a percepção e interpretação dos objetos, eventos e situações do mundo circundante. (REGO, 1995, p. 92).

No entendimento de Vigotsky, tanto os comportamentos como as linguagens são extremamente essenciais para a qualidade do ensino e da aprendizagem. A Psicologia da Educação trata de forma analítica e dialética estes dois focos que se tornaram objetos de estudo de Vigotsky, pois é da preocupação desta, que todos campos das relações humanas sejam precedidos por estes dois princípios necessários para atingir alvos direcionados e específicos na educação. Sua questão central é a aquisição de conhecimentos pela interação do sujeito com o meio. Para Vygotsky o cérebro é a base biológica, e suas peculiaridades definem limites e possibilidades para o desenvolvimento humano. Esse discurso fundamenta sua ideia de que as funções psicológicas superiores (por ex. linguagem,

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memória) são construídas ao longo da história social do homem, em sua relação com

o mundo. Desse modo, as funções psicológicas superiores referem-se a processos

voluntários, ações conscientes, mecanismos intencionais e dependem de processos de aprendizagem significativas para o indivíduo. Sem uma linguagem adequada não se concebe o conhecimento, haja vista, que a mesma está profundamente relacionada ao aspecto cognitivo. É imprescindível

que os professores ofereçam uma linguagem atingível para os alunos, caso contrário

o processo ensino-aprendizagem falhará na sua missão. Diga-se, de passagem, que essa linguagem deve ser verbal e não-verbal. Problematizando a questão da relação do pensamento e da linguagem Vygotsky faz o seguinte comentário:

O estudo do pensamento e da linguagem é uma das áreas da psicologia em que é particularmente importante ter-se uma clara compreensão das relações interfuncionais. Enquanto não compreendermos a inter-relação de pensamento e palavra, não poderemos responder, e nem mesmo colocar corretamente qualquer uma das questões mais específicas desta área. Por estranho que pareça, a psicologia nunca investigou essa relação de maneira sistemática e detalhada. As relações interfuncionais em geral não receberam, até agora a intenção que merecem. (VYGOTSKY, 1993 p. 1).

No início do capítulo do seu livro “Pensamento e Linguagem” o autor enfoca uma sensível preocupação com relação à linguagem e ao pensamento, afirmando

com bases experimentais que existe uma interdependência de tanto um, como outro. Para alguns teóricos esses elementos estariam separados. Em contrapartida é feito um arcabouço neste trabalho de Vygotsky, provando com bases teóricas e empíricas que não passa de especulações tais afirmações. É interessante que se analise, que

A Programação Neurolinguística (PNL) trabalha o ser humano como um todo, não há

elementos separados, tanto a palavra, como o tom de voz e a fisiologia, estão intimamente ligados. A linguagem reflete elementos culturais que fornece ao indivíduo os sistemas simbólicos de representação da realidade, ou seja, o universo de significações que permite construir a interpretação do mundo real. Ela dá o local de negociações no qual seus membros estão em constante processo de recriação e reinterpretação de informações, conceitos e significações. Para Vygotsky, o processo de internalização é a causa de uma boa linguagem e fundamental para o desenvolvimento do funcionamento psicológico humano. A internalização envolve uma atividade externa que deve ser modificada

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para tornar-se uma atividade interna, é interpessoal e se torna intrapessoal. Ele usa o termo função mental para referir-se aos processos de pensamento, memória, percepção e atenção. Coloca que o pensamento tem origem na motivação, interesse, necessidade, impulso, afeto e emoção. Tanto a afetividade como a intelectualidade são dois fatores preponderantemente eficazes para o processo ensino-aprendizagem. Sem a ação dos dois não há significância no processo.

A fertilidade de nosso método pode ser demonstrada também em outras questões concernentes as relações entre as funções, ou entre a consciência como um todo em suas partes. Uma breve referência à pelo menos uma dessas questões indicará a direção que nossos estudos futuros poderão tomar, e demonstrar a importância do presente estudo. Referimo-nos à relação entre intelecto e afeição. A sua separação enquanto objetos de estudo é uma das principais deficiências da psicologia tradicional, uma vez que esta apresenta o processo de pensamento como um fluxo autônomo de ‘pensamento que pensam a si próprios’, dissociado da plenitude da vida, das necessidades e dos interesses pessoais, das inclinações e dos impulsos daquele que pensa. Esse pensamento dissociado deve ser considerado tanto um epifenômeno sem significado, incapaz de modificar qualquer coisa na vida ou na conduta de uma pessoa, como alguma espécie de força primeira a exercer influência sobre a vida pessoal, de um modo misterioso e inexplicável. Assim, fecham-se as portas à questão da causa e da origem de nossos pensamentos, uma vez que a análise determinista exigira o esclarecimento das forças motrizes que dirigem o pensamento para esse ou aquele canal. Justamente por isso, a antiga abordagem impede qualquer estudo fecundo do processo inverso, ou seja, a influência do pensamento sobre o afeto e a volição. (VYGOTSKY, 1993, p. 7).

Entender os aspectos subjetivos do ser humano é, de fato, um grande desafio que deve perpassar por análises teóricas e empíricas, e foi exatamente essas análises que Vygotsky usava para chegar a essas conclusões que de uma certa forma demonstra a existência de um sistema dinâmico de significados em que o afetivo e o intelectual se unem. Mostra que cada ideia contém uma atitude afetiva transmutada com relação ao fragmento de realidade ao qual se refere. A aprendizagem interage com o desenvolvimento, produzindo abertura nas zonas de desenvolvimento proximal (distância entre aquilo que o aluno faz sozinho e o que ele é capaz de fazer com a intervenção do facilitador; potencialidade para aprender, que não é a mesma para todas as pessoas; ou seja, distância entre o nível de desenvolvimento real e o potencial) nas quais as interações sociais são centrais, estando então, ambos os processos, aprendizagem e desenvolvimento, inter- relacionados; assim, um conceito que se pretenda trabalhar, como por exemplo, a história, requer sempre um grau de experiência anterior para o aluno.

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A zona proximal fornece subsídios para reforçar o papel de desafiador que

o professor deve exercer em seu trabalho com os alunos. Diante de situações em que

precisa trabalhar conceitos e realidades que já conhece para chegar a saberes até então ignorados, o aluno sugere respostas e chega a resultados que lhe permitem alcançar novos níveis de conhecimento, informação e raciocínio. É na interação entre as pessoas que em primeiro lugar se constrói o conhecimento que depois será intrapessoal, ou seja, será partilhado pelo grupo junto ao qual tal conhecimento foi conquistado ou construído. Em Vygotsky os aspectos intrapessoal e interpessoal devem ser inteiramente relacionados para que se alcance um ensino muito mais envolvente e direcionada. Para ele, o sujeito não é apenas ativo, mas interativo. É na troca com outros sujeitos e consigo próprio que se vão internalizando conhecimentos, papéis e funções sociais, o que permite a formação de conhecimentos e da própria consciência. Trata-se de um processo que caminha do plano social. Quando se imagina uma sala de aula em um processo interativo, acredita-

se que todos terão possibilidade de falar, levantar suas hipóteses e, nas negociações, chegar a conclusões que ajudem o aluno a se perceber parte de um processo dinâmico de construção.

E nesse contexto que Psicologia da Educação, faz uma leitura dos alunos

através das leituras comportamentais, haja vista que o professor é o mediador do processo e como tal deve exercer uma congruência comunicativa, para que a zona proximal do aluno seja desenvolvida naturalmente. Assim, a escola é o lugar onde a intervenção pedagógica intencional desencadeia o processo ensino-aprendizagem. O professor tem o papel explícito de interferir no processo, diferentemente de situações informais nas quais os alunos aprendem por imersão em um ambiente cultural. Portanto, é papel do docente provocar avanços nos alunos e isso se torna possível com sua interferência na zona proximal.

O aluno não é tão somente o sujeito da aprendizagem, mas, aquele que

aprende junto ao outro o que o seu grupo social produz, tais como: valores, linguagem

e o próprio conhecimento.

A formação de conceitos espontâneos ou cotidianos desenvolvidos no

decorrer das interações sociais diferenciam-se dos conceitos científicos adquiridos pelo ensino, parte de um sistema organizado de conhecimentos.

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Em síntese, para Vygotsky a prática didática deve ter uma visão holística do processo ensino-aprendizagem, isto é, tanto o aspecto afetivo como intelectual devem ser observados pelo facilitador, pois a este cabe o papel inferi-los na zona proximal do aluno, como também fazer a relação do pensamento e a linguagem, para que se tenham respostas para determinados comportamentos e personalidades implicando, assim, na desenvoltura dos processos internos na interação com outras pessoas. Esses fatores aplicados em sala de aula irão criar um ambiente muito mais favorável, tanto para o facilitador como para os alunos.

3.3 Aprendizagem e Desenvolvimento: interações sociais

O desenvolvimento humano é um continuo processo, que envolve atos de reconstruções, desconstruções e construções, todos voltados a construtos emocionais e cognitivos. Os seres humanos na História, não foram apenas objetos dos processos transformacionais, não obstante, foram sujeitos desses processos, nos mais diversos campos do saber. Então levantamos a seguinte questão: até aonde o homem pode ir no que pese a sua capacidade cognitiva e criativa? Bem essa questão, entendo que não temos respostas, uma vez que o conhecimento humano após a Revolução Industrial na Inglaterra no século XVIII se desenvolveu sobre maneira. Hoje, as descobertas humanas à época da Idade Média, por exemplo, eram inimagináveis. O desenvolvimento da biologia, medicina, engenharia, espacial, robótica, comunicação, são imensuráveis. Sabe-se que a aprendizagem e o seu desenvolvimento perpassam por aspectos biológicos, emocionais e culturais. Campos (2011), em seu livro Psicologia do Desenvolvimento Humano, demostra a égide do desenvolvimento humano:

O desenvolvimento de cada ser humano inicia-se no momento em que o óvulo materno é fecundado pelo espermatozoide paterno, sendo formada uma célula única que imediatamente começa a subdividir-se. Num processo continuo são formadas milhões de células, que assumem funções altamente especializadas, convertendo-se em parcelas dos vários sistemas do corpo – nervoso, ósseo, muscular ou circulatório. (CAMPOS, 2011, p. 55).

Hughes e Noppe (1990), citados por Campos (2011), nos oferece uma cabal definição do desenvolvimento humano:

] [

morte, em uma perspectiva interdisciplinar. Também previnem contra a

O estudo do desenvolvimento de um indivíduo desde a concepção até a

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aplicação de normas que a sociedade criou para dirigir o comportamento de cada um que podem ser inteiramente sem valor. (CAMPOS, 2011, p. 55).

Os aspectos do desenvolvimento humano, envolvem dois modais psicológicos, a ralação intrapessoal, que a relação do sujeito com ele mesmo, isso evolve valores, crenças, verdades, princípios, que reflete nas chamadas Crenças Nucleares, que seria, digamos o DNA comportamental do indivíduo. O segundo modal às relações interpessoais, que envolve a relação com os demais indivíduos, família, amigos, escola, o bojo social em geral. Entendemos que esses dois modais, são eixos norteadores para o desenvolvimento humano, uma vez que as emoções e os mais diversos aspectos da cognição, são condicionados a eles, nós entendemos, ou pelo menos tentamos entender, o mundo e as sensações do mundo interior para pode explica e comunicar ao mundo exterior, como também queremos a todo tempo entender e infundir o mundo exterior, com suas informações e sensações para o nosso mundo interior. Sousa (2010) em sua Dissertação de Mestrado em Educação, apresenta a os Quatro Pilares da Programação Neurolinguística PNL, para demostrar o valor dos processos intrapessoais e interpessoais para o desenvolvimento cognitivo e emocional do homem.

Os quatro pilares da PNL refletem a qualidade do processo ensino aprendizado do professor em sala de aula, tendo em vista, que esses pilares proporcionam situações que vão ao encontro de cada aluno, independentemente de seu Sistema Representacional. O primeiro é o outcome ou resultados que são adquiridos mediante um ato ou uma atitude. Este pilar implica em uma ação desprovida de inseguranças ou fobias, que, de certa forma inibem a capacidade do professor em sala de aula. Mesmo quando seus resultados não são atingidos a sua atitude perpassa por um sentimento não de fracasso, mas de resultados que não foram inerentes a sua perspectiva inicial. A ideia, em outras palavras, é que não existem fracassos, mas resultados que vão de encontro com aquilo que se pensava que iria acontecer, mas por algum motivo interno ou externo não aconteceu. A PNL é uma âncora tecnológica que estabelece essa reciprocidade de sentimento, pensamento e ação. O segundo é o Rapport que é a facilidade de sincronizar uma pessoa ou grupo, mediante alguns atributos carismáticos. Para a PNL é a relação de mútua confiança e compreensão entre duas ou mais pessoa, sendo ainda a capacidade de provocar reações positivas nas mesmas. Também chamado de empatia, ou seja, é a capacidade de maximizar as similaridades e minimizar as diferenças entre as pessoas em um nível inconsciente. Esta é a ideia central de uma comunicação eficaz, sem ela, a comunicação pode falhar, conflitos podem surgir e todos tendem a

perder. Com ela, a comunicação é positiva e harmoniosa, e a satisfação é maior e tende a levar-nos a alcançar os nossos resultados. O terceiro pilar é

a acuidade sensorial que é perceber o que a outra pessoa está comunicando

– frequentemente não conscientemente – ou não verbalmente. Tem a ver com a observação cuidadosa e não tirar conclusões ou julgamento precipitados para que se possa responder apropriadamente e com o máximo

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de empatia, que é, em outras palavras, o estudo do Sistema Representacional usado pelo interlocutor que já fora comentado no primeiro capítulo. E finalmente o quarto pilar que é a flexibilidade. Que significa fazer algo diferente, se o que se está fazendo não funciona. É ter um rol de habilidades e técnicas para fazer algo diferente se aquilo não funcionar. O professor deve insistir sem desistir até que se estabeleça aquilo que a PNL chama de congruência. (SOUSA, 2010, p. 53).

Falar em desenvolvimento humano é falar em uma comunicação saudável, tanto no aspecto do eu, como no aspecto do outro. A Psicologia da Educação só terá razão de ser, se analisar com profundidade esses modais em profundidade na práxis educacional. Os Quatro Pilares nos ajudam a desenvolver a capacidade de ensinar e aprender.

Figura 9 – Os quatro pilares da Programação Neurolinguística

9 – Os quatro pilares da Programação Neurolinguística Fonte: Programação Neurolinguística aplicada ao Ensino

Fonte: Programação Neurolinguística aplicada ao Ensino (SOUSA, 2010)

As interações em sala de aula, não devem ser apenas verbais, mas também não verbais. Os seres humanos são comunicativos sob dois focos: o verbal e o não-verbal. Não se comunica apenas através da fala, mas também, dos gestos e da postura. O importante na comunicação em sala de aula não é simplesmente conhecer todo o conteúdo programático, mas saber como aplicá-lo a partir do contexto dos alunos e do estilo comunicativo de cada um. Através de sensibilidades a partir dessa compreensão o aspecto da comunicação em sala de aula pode se tornar mais eficaz, uma vez que haverá uma sincronia comunicativa, tanto do emissor como do receptor. Geralmente apenas a

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linguagem verbal é focalizada pelo emissor e a não-verbal passa despercebida, fazendo com que o processo comunicativo seja ofuscado para o receptor que não consegue fazer uma leitura harmônica e holística da comunicação, por causa da ausência da linguagem não-verbal.

SUGESTÃO DE LEITURA: levanta questões interessantes sobre a Psicologia Educacional nos processos de aprendizagem e comunicação. Disponível em:<

RESUMO

Nesta última unidade falamos sobre Psicologia da Educação e Aprendizado, instigando os educadores a terem um olhar mais subjetivo nos processos em sala de aula. Convidamos para a nossa discussão dois grandes pensadores, o psicólogo alemão Carl Rogers e grande pensador russo Vygotsky. O nosso primeiro pensador centrou suas pesquisas na relação do professor com om aluno em sala de aula e o segundo com a linguagem, que focava a famosa Zona Proximal. Finalmente no último momento apresentamos um assunto bem interessante, aprendizado e desenvolvimento nas interações sociais, discorremos esse tópico com alguns princípios e analise da PNL.

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REFERÊNCIAS

CAMPOS, Dinah Martins de Souza. Psicologia e Desenvolvimento Humano. 3.ed. Petrópolis: Vozes, 2003.

SILVA, Adnilson José da. Psicologia e educação: fundamentos para a aprendizagem. Guarapuava: Ed. Unicentro, 2009. (Coleção História em construção)

REGO, Tereza Cristina R. A indisciplina e o processo educativo: uma análise na perspectiva vygotskiana. São Paulo: Summus, 1996.

VIGOTSKY, L. Pensamento e linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 1988.

YERO, Judith Lloyd. PNL e educação uma mudança de foco. Disponível em:< https://golfinho.com.br/artigo/pnl-e-educacao-1-uma-mudanca-de-foco.htm.>. Acesso em: 30 jan. 2019.

GADOTTI, Moacir. História das ideias pedagógicas. 14. ed. São Paulo: Ática, 2014.

SOUSA, Cláudio Guida de. A programação Neurolinguística Aplicada ao Ensino de História na Educação Fundamental. Dissertação Mestrado. Uninorte, 2010.

Conceito

Educacional. Disponível

de

Psicologia