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Direito do trabalho é o ramo jurídico que estuda as relações de trabalho.

Esse direito é composto de conjuntos de normas, princípios e outras fontes


jurídicas que regem as relações de trabalho, regulamentando a condição
jurídica dos trabalhadores.
Surge como autêntica expressão do humanismo jurídico e instrumento de
renovação social. Constitui atitude de intervenção jurídica em busca de um
melhor relacionamento entre o homem que trabalha e aqueles para os quais
o trabalho se destina. Visa também a estabelecer uma plataforma de direitos
básicos. Portanto, a definição de direito do trabalho é o conjunto de normas
e princípios que regulamentam o relacionamento entre empregado e
empregadores.
Pode ser conceituado também segundo Hernainz Marques, professor de
direito do trabalho, como “Conjunto de normas jurídicas que regulam as
relações de trabalho, sua preparação, desenvolvimento, consequências e
instituições complementares dos elementos pessoais que nelas intervêm."
Não é apenas o conjunto de leis, mas de normas jurídicas, entre as quais os
contratos coletivos, e não regula apenas as relações entre empregados e
empregadores num contrato de trabalho, mas vai desde a sua preparação com
a aprendizagem até as consequências complementares, como por exemplo a
organização profissional.
A história da sociedade pré-industrial é marcada pela falta de legislação
trabalhista.

O trabalho escravo, predominante nessa época, é marcado pela


“coisificação” do escravo. Ou seja, este era tratado como uma mercadoria
não sendo sequer sujeito de direito - apenas obrigações -, e
consequentemente, não possuindo direitos trabalhista.
Assim como o escravo, o servo era um trabalhador preso a terra, dependente
do seu senhor e obrigado a pagar tributos. Logo, seus únicos direitos eram
suas casas e porção de terra que podia cultivar em dias determinados.
Porém, a sua dívida com o senhor feudal não o possibilitava de se
desvencilhar da terra.

As corporações de ofício da Idade Média davam mais liberdade ao


trabalhador e tinham um estatuto com as normas disciplinando as relações
de trabalho.

Dividiam as categorias entre os mestres (algo como os empregadores dos


dias de hoje), os companheiros (homens livres, como os empregados) e
aprendizes (menores que recebiam ensinamentos).
Assim, apesar de possuir um caráter autoritário e se preocupar mais com
seus próprios interesses do que com os dos trabalhadores, as corporações
apresentaram um avanço às questões trabalhistas.

Outra forma de relação trabalhista da sociedade pré-industrial era a locação,


ou seja, a prestação de serviço ou da construção de uma obra mediante
remuneração. Algo similar com o prestador de serviço autônomo dos dias
de hoje. Esse trabalhador não possuía direitos trabalhistas.

Sociedade Industrial e trabalho assalariado.


O Direito do Trabalho, como conhecemos hoje, surgiu com a Revolução
Industrial na Inglaterra. Esta por sua vez foi financiada pelos burgueses no
Século XVIII.

Ou seja, com a figura do proletariado assalariado (empregado, com vínculo


empregatício de subordinação) e a sociedade industrial. Por razões
econômicas, políticas e jurídicas.

A razão econômica dessa mudança é a Revolução Industrial do século


XVIII, ocorrida na Inglaterra. Graças ao uso do vapor como fonte de
energia surgiram as primeiras máquinas e indústrias, e para operá-las foram
contratos trabalhadores assalariados: os proletariados.

No plano político o que nos levou ao surgimento do Direito do Trabalho foi


a mudança do Estado Liberal para o Neoliberalismo. O primeiro pregava
uma ordem econômica auto-reguladora, na qual o capitalista podia impor
livremente suas obrigações sem a interferência estatal, quando uma “mão-
invisível” controlaria a economia e a sociedade. Em contrapartida, o
segundo prega a interferência do Estado nas questões econômico-sociais,
porém com certas limitações.

Logo, com o Neoliberalismo vão surgir uma onda de normas para


disciplinar as relações do empregador-empregado, impondo certos limites
àqueles e privilégios a estes. Visando equilibrar as diferenças.

No âmbito jurídico surgem as primeiras pressões em busca da união dos


trabalhadores, culminando no sindicalismo. Porém, no inicio essas
reivindicações organizadas eram mal vistas pelo Estado, uma fez que eram
consideradas como crime.
Igualdade Jurídica
A idéia de igualdade jurídica -pregada pelos burgueses da Revolução
Francesa - leva ao direito de contratos e convenções com força de lei. Uma
vez que, se os homens são iguais por natureza podem estabelecer contratos
de acordo com as suas vontades, e estes serão impostos e protegidos tal qual
uma lei é.

Porém, como a história havia mostrado, há um desequilibro gritante nas


relações de poder entre o empregador e empregado; ou seja a igualdade
jurídica não encontra seu reflexo na prática.

Essa realidade leva a necessidade da elaboração de leis que nivelem as


desigualdades, protegendo os empregados e limitando os poderes
arbitrários dos empregadores.

A ideia de justiça social, também, teve participação importante para as


modificações legais, incluindo as trabalhistas. Pois a defesa da justiça
social motivou o Estado a fazer os retoques jurídicos necessários para
equilibrar as relações sociais do trabalho, e acabar com situações
desumanas de emprego.

Primeiras leis trabalhistas.


Formalmente falando, as primeiras leis trabalhistas legisladas foram de
caráter ordinárias.

Uma lei importante que se aplicava na Inglaterra e em suas proximidades,


era a Lei Chapelier. Essa limitava o trabalho infantil a apenas 12 horas por
dia.

Outro marco importante é o Código de Napoleão, que distingui o Direito


Civil e o Direito do Trabalho.

Porém, após o Estado perceber a importância dessas na nova sociedade que


vinha se firmando, ocorreu o “constitucionalismo social”. Este foi um
movimento que visava incluir as leis trabalhistas em certas constituições,
uma vez que notava que as leis sociais deveriam se posicionar em um alto
grau na hierarquia judiciária.
Logo, como conseqüência desse movimento e da demanda da época, as leis
trabalhistas foram incluídas nas Constituições - leis máximas de um país.

“As primeiras leis trabalhistas, na Europa, foram motivadas pela


necessidade de coibir os abusos perpetrados contra o proletariado e, mais
diretamente, a exploração do trabalho dos menos e das mulheres”
(Nascimento, 2013). Sendo assim, as primeiras leis trabalhistas eram
baseadas nos direitos sociais e buscavam defender aqueles que estavam em
desvantagem nas relações de trabalho: os proletariados.
Em uma perspectiva geral, proibiam os menores de trabalhar, delimitavam
a jornada de trabalho, assim como, começaram a escrever o rascunho do
que viria a ser a seguridade e a previdência social.

Algumas Constituições representam um marco na discussão dos direitos


humanos, sociais e trabalhistas. Essas constituições são:
A ConstituiçãoPolítica dos Estados Unidos Mexicanos, A Constituição de
Weimar (Alemanha), e a Carta Del Lavoro (Itália).
A “Constituição Política dos Estados Unidos Mexicanos”, de 1917, inova
ao legislar sobre direitos humanos e trabalhistas. É uma constituição de
cunho social e marca o que seriam chamados os direitos humanos de
Segunda Geração.
Em seu artigo 123 disciplina a jornada de trabalho, o descanso semanais, a
proteção à maternidade, o salário mínimo, a igualdade salarial, a proteção
contra os acidentes no trabalho, direito a sindicalização, assim como o de
greve, de conciliação e arbitragem dos conflitos, indenização e proibi o
trabalho de menores de 12 anos.

Na Europa o marco inicial das leis trabalhistas, que possuiu grande


repercussão, foi “A Constituição Alemã de Weimar”, baseada nas
democracias sociais. Essa Constituição, tinha como objetivo a busca em
manter um equilíbrio entre a economia capitalista do país e os direitos
sociais, balanceando a necessidade de ambos, porém, sem comprometer a
supremacia burguesa.
Para atingir seus objetos a Constituição de Weimar “disciplina a
participação dos trabalhadores nas empresas, a criação de um direito
unitário do trabalho, a liberdade colisão dos trabalhadores para a defesa e
melhoria das suas condições de trabalho, o direito de um sistema de seguros
sociais, direito de colaboração dos trabalhadores com os empregados na
fixação dos salários e demais condições de trabalho e representação dos
trabalhadores na empresa.” (Nascimento, 2013)
Surge, então, na Itália facista governada por Benito Mussolini A Carta del
Lavoro, em 1927. Ela foi a base dos sistemas políticos corporativistas;
inspirando a Espanha franquista, Portugal de Salazar e o Brasil de Getúlio
Vargas.

Para entende-la devemos analisar o fasimso: regime político totalitarista,


nacionalista, idealista e militar, apoiado na figura de um grande líder que
intervem em todos os ambitos do Estado. Uma vez que, são essas
características que fizeram com que a Carta del Lavoro fosse apoiada na
ideia de intervenção do Estado na ordem econômica e política.
Controlando, assim, o direito coletivo do trabalho e dando, limitadas,
concessões legais aos trabalhadores.

Seu lema era “tudo dentro do Estado nada fora do Estado, nada contra o
Estado”.Sendo assim, apesar de ser de cunho paternalista e de possuir
inúmeras leis trabalhistas, A Carta del Lavoro impossibilitava a
organização sindical, fazendo com que os direitos coletivos fossem apenas
regidos pelo próprio Estado, de acordo com o seus interesses - restringindo
o direito de ação dos particulares.
História Contemporânea.
As leis trabalhistas regulam relações que são universais, uma vez que
derivam das relações econômicas de produção de bens e prestação de
serviço. Sendo assim, na atualidade, em todos os Estados,
independentemente da suar organização social, política, econômica e
governamental estão presentes as leis trabalhistas. Podendo ser observadas
em países totalitários, socialistas ou em países liberais e capitalistas.

Porém, a sua função restrita de tutelar o trabalhador foi com o tempo se


ampliando cada vez mais.

O dinamismo do mundo contemporâneo, assim como as crises sucessivas


criadas por eles, fizeram com que as leis trabalhistas adquirissem, também,
a função de coordenar os interesses entre capital e trabalho, de toda a
sociedade. Sendo assim, começaram a surgir leis que lidavam com a figura
do desempregado, do empregador e etc.

A sociedade pós-industrial.
“O nome sociedade pós-industrial aparece no livro de Alain Touraine, Le
Societé Post-Industrial (1969), é usado por Domenico de Mais, em A
Sociedade Pós-Industrial (1999), e tem por finalidade assinalar o
deslocamento do processo de produção da indústria para outros setores.”
(Nascimento, 2013)
No mundo contemporâneo o trabalho braçal, e até mesmo a propriedade,
estão perdendo força para uma nova arma economica: o conhecimento e a
informação.

A informatização e o desenvolvimento científico, assim como a


globalização, estão fazendo com que as relações de trabalho se transformem
e a sociedade necessite de pouca mão-de-obra para produzir. Assim, como
faz com que os países percam as suas fronteiras e que os trabalhadores
circulem com maior liberdade, ou que, pelo menos, o seu serviço o faça
(um trabalhador brasileiro pode ter seu serviço circulado por todo o globo,
quando conectado à internet).
Muitas vezes o trabalho humano é substituído pelo trabalho de
um software, acarretando uma onda de desemprego e de subemprego em
escala mundial. Sendo assim, o Estado, em destaque o de bem-estar social,
e as leis trabalhistas necessitam se modificar na mesma velocidade que
acontecem as modificações econômicas, em busca de comportar as crises e
as exigências sociais.

4. Princípios Gerais de Direito


Existem princípios que são gerais no Direito. Ex: dignidade da pessoa
humana, boa fé, da honra, do uso não abusivo do direito, enriquecimento sem
causa, ninguém poderá alegar desconhecimento do direito. Função social do
contrato, gerando direito e obrigações para as partes, busca-se a paz social
com o referido pacto. Razoabilidade esclarece que o ser humano deve agir
conforme a razão, de acordo como procederia qualquer homem médio ou
comum. consiste na seguinte orientação: nas relações de trabalho, as partes,
os administradores e juízes devem conduzir-se de uma maneira razoável na
solução de problemas ou conflitos delas decorrentes. Ex: o empregador é
quem deve provar a despedida por justa causa, pois normalmente o
empregado não iria dar causa a extinção do trabalho, sendo que é nele que
busca o seu sustento.
5. Princípios específicos do Direito do Trabalho
São várias as classificações acerca dos princípios do Direito do Trabalho.
Utilizaremos em linhas gerais a classificação adotada por Sérgio Pinto
Martins.
5.1 Princípio da proteção
Pode ser desmembrado em três: o in dubio pro operário; aplicação da norma
mais favorável ao trabalhador; aplicação da condição mais benéfica ao
trabalhador.
Em se tratando de aplicação da norma mais favorável ao trabalhador, pode-
se dizer que as novas leis devem dispor de maneira mais benéfica ao
trabalhador, tratar de criar regras visando à melhoria na condição social
deste.
A hierarquia das normas jurídicas, havendo várias normas a serem aplicadas
numa escala hierárquica, deve ser aplicada a que for mais benéfica ao
trabalhador. Temos como exemplo o art. 620 CLT, que diz "as condições
estabelecidas em convenção, quando mais favoráveis, prevalecerão sobre as
estipuladas em acordo".
A condição mais benéfica ao trabalhador deve entender-se por direito
adquirido, ou seja, vantagens já conquistadas, não podem ser modificadas
para pior.
De acordo com a Súmula 51 do TST, "as cláusulas regulamentares, que
revoguem ou alterem vantagens deferidas anteriormente, só atingirão os
trabalhadores admitidos após a revogação ou alteração do regulamente".
Quer dizer que, uma cláusula menos favorável aos trabalhadores só tem
validade em relação aos novos obreiros admitidos na empresa e não aos
antigos, aos quais essa cláusula não se aplica.
5.2 Princípio da Irrenunciabilidade de direitos
Temos como regra que os direitos trabalhistas são irrenunciáveis pelo
trabalhador. Poderá, entretanto, o trabalhador renunciar a seus direitos se
estiver em juízo, diante do juiz do trabalho, pois nesse caso não se pode dizer
que o empregado esteja forçado a fazê-lo. Feita transação em juízo, haverá
validade de tal ato de vontade.
O Princípio da Irrenunciabilidade dos direitos consiste na impossibilidade
jurídica de o trabalhador privar-se voluntariamente de vantagens a ele
conferidas pela lei trabalhista.
De fato, se tal Princípio não existisse, os direitos dos trabalhadores poderiam
ser facilmente reduzidos, dada a sua situação econômica e social menos
privilegiada, presente na grande maioria dos casos. Seria muito fácil para o
empregador eximir-se de cumprir suas obrigações legais, pois, para tanto,
bastar-lhe-ia obter um documento por meio do qual o trabalhador
renunciasse a determinados direitos, para não precisar satisfazê-los, fazendo
com que o empregado, na grande maioria das vezes pela necessidade do
emprego, renunciasse aos seus direitos.
Devemos observar que, aqui, há a inversão do princípio da renunciabilidade,
do Direito Comum, marcado pela idéia de que a autonomia da vontade deve
prevalecer.
A súmula 276 do TST mostra que o aviso prévio é irrenunciável pelo
trabalhador. Todas as verbas rescisórias são irrenunciáveis pelo trabalhador.
Pois inexiste res dúbia "dúvida", em relação a estas.
5.3 Princípio da continuidade da relação de emprego-Estabilidade do
Emprego
O objetivo do Princípio da Continuidade do vínculo empregatício deve ser
assegurar maior possibilidade de permanência do trabalhador em seu
emprego. Entende-se que o contrato de trabalho terá validade por prazo
indeterminado, ou seja, haverá continuidade na relação de emprego. Com
exceção dos contratos por prazo determinado, inclusive o contrato de
trabalho temporário. A proibição de sucessivas prorrogações dos contratos a
prazo e a adoção do critério da despersonalização do empregador, visa a
manutenção do contrato nos casos de substituição do empregador.
O fundamento do Princípio da Continuidade da Relação de Emprego é a
natureza alimentar do salário, já que o trabalhador é subordinado jurídica e
economicamente ao empregador e, do seu trabalho, retira o seu sustento.
De acordo com a súmula 212 do TST "o ônus de provar o término do contrato
de trabalho, quando negados a prestação de serviço e o despedimento, é do
empregador, pois o princípio da continuidade da relação de emprego
constitui presunção favorável ao empregado".
5.4 Princípio da primazia da realidade
A primazia da realidade nos transmite a idéia que no caso de desacordo entre
a realidade fática e o que nos transmite os documentos, deve-se privilegiar a
verdade real.
No Direito do trabalho, os fatos são mais importantes que os documentos,
sendo assim, o que deve ser observado realmente são as condições que de
fato demonstrem a existência do contrato de trabalho. "São privilegiados,
portanto, os fatos, a realidade, sobre a forma e a estrutura empregada".
Esse princípio é de grande relevância no Direito. Em vista de que a CLT
admite a possibilidade de um contrato tácito, tendo esse o mesmo efeito dos
demais nas relações de emprego.
PRINCÍPIO DA CONTINUIDADE

Em tese, todo contrato de trabalho deve ter prazo indeterminado, ou


seja, ele só cessa quando existe um motivo expresso em lei para que isso
ocorra. Nas palavras de Délio Maranhão:
“O contrato de trabalho caracteriza-se, em princípio, pelo sentido de
continuidade; vive enquanto não se verifica uma circunstância a que lei
atribui efeito de fazer cessar a relação que dele se origina”.
Temos, em alguns casos excepcionais, contratos por prazo determinado,
como no período de experiência, que não deve, em nenhuma circunstância,
exceder 90 dias. É vetado, claro, que o empregador recontrate o empregado
em novo período de experiência após o vencimento deste período.

6. Princípios fundamentais no trabalho segundo a Organização Internacional


do Trabalho (OIT).
Diante das mudanças que a conjuntura econômica impôs às relações de
trabalho, sobretudo na década passada (anos 90), a OIT editou uma
Declaração acerca dos Princípios e Direitos Fundamentais no Trabalho.

 LEITÃO, Luís Menezes, Direito do Trabalho, 2º Ed. Coimbra: Almedina, 2010.

 MARTINS, Sérgio Pinto. Direito do trabalho. 23. ed. São Paulo: Atlas, 2007.