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JANE VERÍSSIMO DA SILVA

EXEGESE DO ANTIGO TESTAMENTO


Isaías 1.18 -20

São Paulo
2018
JANE VERÍSSIMO DA SILVA

EXEGESE DO ANTIGO TESTAMENTO


Isaías 1.18 -20

Exegese apresentada em cumprimento


das exigências do Trabalho de
Conclusão do Curso Livre de Teologia
EAD-FECP sob orientação do professor
Dr. José Roberto Cristofani.

São Paulo
2018
DEDICATÓRIA

Ao Deus único e soberano, digno de toda honra;

Ao meu amado esposo Marcos Cardoso, agora companheiro de ministério;


Aos meus amados filhos Ruan Veríssimo e Rafael Veríssimo, companheiros
em todo o caminho; Aos meus pais José Leonardo e Josireni Veríssimo;
incentivadores de minha jornada; A minha amada igreja, Presbiteriana Unida
em Cabo Frio, intercessores pelos meus estudos; Dedico este trabalho.
SUMÁRIO

INTRODUÇÃO...................................................................................................... 3

1. DELIMITAÇÃO.................................................................................................. 4

1.1. Mudança de pessoa gramatical....................................................................... 4


1.2. Mudança de assunto..................................................................................... 4
1.3. Mudança de gênero literário.......................................................................... 5
1.4. Inclusão......................................................................................................... 5

2. TRADUÇÃO- COMPARAÇÃO DE TRADUÇÕES............................................ 5

2.1. Minha tradução.............................................................................................. 7

.3. ANÁLISE SEMÂNTICA..................................................................................... 7

3.1. Repetição de palavras e seus correlatos........................................................ 8


3.2. Oposição semântica........................................................................................ 8
3.3. Posição de determinados vocábulos.............................................................. 8
3.4. Eixos semânticos............................................................................................ 9

4. ANÁLISE CONTEXTUAL................................................................................... 12

4.1. Contexto histórico............................................................................................ 12


4.2. Reinos contemporâneos................................................................................. 13
4.3. Situação Espiritual do povo............................................................................. 14
CONCLUSÃO- ATUALIZAÇÃO DO TEXTO......................................................... 15

BIBLIOGRAFIA....................................................................................................... 19
3

INTRODUÇÃO

Como aluna de Teologia a escolha do texto de Isaías 1.18-20 tem uma grande
importância acadêmica, pois temos a necessidade de aprimorar o conhecimento
através de todos os passos e métodos que a exegese nos oferece. O trabalho
exegético de um texto nos permite tirar dúvidas quanto às palavras e seus sentidos,
que ás vezes não aparece no texto, assim como o seu contexto histórico e literário.

O texto escolhido para o estudo da exegese, mesmo sendo com finalidade


acadêmica nos chama a atenção pelo fato de que o texto, apesar de se passar num
período muito distante de nós, continua muito atual e de grande relevância para a
igreja. Ele nos mostra o amor grandioso do nosso Deus para conosco. Esse texto
mesmo tendo sido escrito no tempo da lei, onde ainda não conheciam o Redentor
Jesus Cristo, mostra a Graça de Deus que era atuante e maravilhosa. Se nesse tempo
da lei o Senhor concedia sua magnifica e perfeita graça a todos aqueles que o
buscassem. Quanto mais hoje nos nossos dias, o Senhor nos livra de toda escravidão
do pecado e da morte. Ele está pronto a nos perdoar e nos lavar de todo pecado.

Nesses versículos conseguimos ver o amor de Deus para com o seu povo,
quando nos chama para refletir juntamente com Ele para trazer a razão sobre o nosso
pecado, mesmo que sejam vermelhos como escarlate, que era um tecido de cor
vermelha intensa. Assim é o pecado, que muitas vezes parece ser como uma mancha
permanente, mas Deus diz que mesmo que as nossas vidas estejam dessa cor, Ele
as tornariam brancas como lã pura.

O destino do povo dependia da sua reação perante a oferta que Deus lhes
tinha feito, para que se afastassem da sua maldade e assim recebessem as suas ricas
promessas. Se eles fossem obedientes e se apresentassem como sacrifício vivo para
fazer a vontade de Deus, então Deus lhes concederia um selo de bênçãos. Mas se ao
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contrário, continuassem rejeitando a sua oferta de benevolência e persistissem em ir


contra a justa soberania de Deus sobre os seus corações e suas vidas, Deus iria
desatrelar o invasor gentio sobre eles, e haveria grande devastação no meio deles.

Na ultima parte do versículo 20 diz: Pois o Senhor é quem fala! Significa que
este pronunciamento é do próprio Senhor e este aviso preditivo realmente se
realizaria.

1. DELIMITAÇÃO

Uma vez que já determinamos a escolha do texto, passaremos, à


delimitação da perícope com a atenção embasada nos seguintes argumentos
literários: mudança de gênero literário/ assunto/pessoa gramatical/Inclusão.

1.1 .Mudança de pessoa gramatical: Vemos que ocorreu uma mudança da segunda
e da primeira pessoa dos versos (10) e (11) do mesmo capítulo 1.
Respectivamente houve uma alteração para a segunda pessoa no verso 18 que
é a nossa perícope, mostrando assim que o versículo (18) inicia um novo
parágrafo.

1.2 .Mudança de assunto: Outra evidência é a mudança de assunto percebida na


perícope anterior (v 17) onde temos um chamado de atenção por parte de Deus
para o povo. Já no versículo (18) Deus chama o povo para uma conversa e
reflexão sobre seus pecados. Comparando os versículos (20) e (21) vemos mais
uma vez a mudança de assunto, sendo agora no versículo (21) a Lamentação por
parte de Deus.

1.3 .Mudança de Gênero Literário: O gênero literário é de caráter profético, cuja


sentença trata-se de um oráculo de juízo. Definimos como oráculo, uma
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declaração feita em nome de Deus. Os versículos (18) e (19) consistem na


provisão para arrependimento e uma declaração de motivação, onde Deus chama
o povo para refletir sobre seus pecados e faz promessas, se o povo estiver
disposto á obedecer. No versículo (20) encontramos a sentença contra, que é
outra evidência da literatura profética.

1.4. Inclusão (ou envelope): Vemos outra evidência de mudança de perícope na


expressão: “Diz o Senhor” e “O Senhor é que fala” que inicia no versículo (18) e
termina a perícope no versículo (20) e consiste na fórmula do mensageiro. Assim,
temos a delimitação desta perícope compreendida nos versos (18-20) do capitulo 1.

2. TRADUÇÃO - COMPARAÇÃO DE TRADUÇÕES

Iniciaremos a tradução com a Bíblia de Jerusalém que corresponde a uma


tradução mais formal, quase literal, e desta forma podemos estudar os termos
semânticos de forma mais precisa. Na sequência trabalharemos com as Bíblias
Jerusalém, Almeida Revista e Atualizada e a Bíblia do Peregrino.

Bíblia de Jerusalém Bíblia Almeida Revista e Bíblia do Peregrino (BP)


(BJ) Atualizada (ARA)

18-Então, Sim, 18- Vinde, pois, e 18-Então vinde, e


poderemos arrazoemos,diz o senhor; litigaremos.
discutir, diz IAHWEH: Ainda que os vossos -diz o Senhor!
Mesmo que os vossos Pecados sejam como a Ainda que os
Pecados sejam como escarlata, eles se tornarão Vossos pecados
escarlate, tornar-se-ão brancos como a neve; Sejam como
alvos como a neve; ainda ainda que sejam Púrpura, ficarão
que sejam vermelhos vermelhos como o Brancos como a neve;
como carmesim tornar-se- carmesim, se tornarão Ainda que sejam
ão como a lã. como a lã. Vermelhos como
Escarlate, ficarão
Como lã.
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19. Se tiverdes dispostos 19. Se quiserdes 19. Se souberdes


ouvirdes, comereis o obedecer comereis o fruto
a ouvir, comereis o
melhor desta terra. saboroso da terra.
fruto precioso da
terra.
20. Mas se vos 20. Mas, se 20. Se recusais e vos
Recusardes e vos recusardes Rebelais a espada
Rebelardes, Vos devorará.
fordes rebeldes, sereis
Sereis devorados O Senhor o disse
devorados a
Pela espada!
espada;
Eis o que a boca de
porque a boca do senhor
IAHWEH falou.
o disse.

Com as três versões lado a lado iniciaremos a comparação das traduções, dessa
forma podemos analisar cada tradução feita pelos tradutores. Posteriormente a partir da
análise feita, concluiremos com a minha própria tradução, deixando o texto com uma
linguagem mais popular e com o português mais claro.

Versículo 18- A versão (BJ) inicia se diferenciando com uma afirmação: “Então, sim”
e não com um convite ou chamado. Nas versões (ARA) e (BP) Há uma semelhança
que traz o verbo vir, “vinde”, que está no plural do imperativo. Também vemos
diferença entre as três versões (ARA) usa o verbo arrazoemos, no Imperativo
afirmativo expressando uma ordem, um convite. A (BP) usa o verbo “litigaremos”, no
futuro do presente do indicativo, se referindo a uma ação futura. A (BJ) faz uso do
verbo “podemos”, no presente do indicativo que indica uma ação que ocorre no exato
momento. Em geral as versões trazem semelhança em boa parte do texto. Somente
no final da versão (BP) ela traz a cor “púrpura” diferenciando das versões (ARA) e
(BJ) que usam a cor do tecido “escarlate”.

VERSÍCULO 19 - Aqui as versões trazem diferenças nos verbos, a (BJ) usa o verbo
“estiverdes” e a (ARA) usa o verbo “quiserdes”, mas elas também têm semelhanças
no final da frase quando usam o verbo “ouvir”. Já a (BP) usa o verbo “saber” e
“obedecer” que diferencia bastante das anteriores. Em geral as semelhanças entre
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as três versões são bem claras, pois mantém praticamente a mesma ordem da
frase, Contudo a (BJ) e a (BP) usam o objeto direto “fruto”, e trazem a diferença
nos adjetivos “precioso” que é usado pela (BJ) e “saboroso” que é usado pela (BP),
enquanto a (ARA) usa o adjetivo “melhor”.

Versículo 20- A versão (ARA) se diferencia das outras versões pelo uso do verbo
“fordes”. Também há diferença na ordem das frases nas versões (BJ) e (ARA) que
trazem a mesma estrutura e ordem de frase, mas não estão na ordem direta.
Enquanto a versão (BP) traz a palavra “espada” como sujeito composto.

2.1. Minha tradução

18 Vinde, conversemos, diz o Senhor! Ainda que os vossos pecados sejam como
escarlate, eles ficarão brancos como a neve, ainda que estejam vermelhos como o
carmesim ficarão como a lã. 19 Se obedecerem comerão os bons frutos da terra.
20 mas se não obedecerem e forem rebeldes, sereis devorados a espada. Assim diz
o Senhor.

3. ANÁLISE SEMÂNTICA

Para melhor compreensão do sentido do texto, esta parte da Exegese


procurará pelo significado exato dos termos, ou expressões que são relevantes para
o nosso entendimento. Como critério iremos selecionar palavras, frases e ideias
repetidas e também com oposição para a análise semântica.
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3.1. Repetições de palavras e seus correlatos

Pecados- eles-tornarão

Vermelhos- escarlate-carmesim

‘Brancos-neve-lã

3.2. Oposição Semântica

Se obedecerem x se não obedecerem e forem rebeldes

3.3. Posição de determinados vocábulos no texto

A posição da palavra “obedecer” no versículo é muito importante, por que é o


que traz um diferencial na sentença dada por Deus para com o povo. Sabendo que
uma vez que a palavra (shamá) no Hebraico tem o mesmo significado de “ouvir” e o
mesmo significado para a palavra “obedecer”. Pois aqueles que quiserem “ouvir”,
“obedecer”, comerão o melhor da terra e aqueles que se recusarem e forem rebeldes
serão devorados pela espada.
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3.4. Eixos Semânticos

a) O primeiro eixo que faremos análise será o termo: “Vinde, conversemos -diz o
Senhor - a boca do Senhor disse”. Com estas palavras, apresenta-se ao povo
o ponto crucial da questão. Podemos notar a maneira como Isaías acentua o
poder da razão, “Deus discute com o homem”. Outras versões Bíblicas trazem
as expressões “vinde arrazoemos, diz o Senhor”, mas o sentido do texto não é
alterado. O profeta salienta o aspecto intelectual do sentido moral. No
comentário Bíblico o autor Russell Norman Champlin diz:

Yahweh deixou de lado, por um minuto, Suas terríveis ameaças


e convidou homens humildes a raciocinar com Ele. A ideia do
versículo é a correção através de uma discussão arrazoada na
qual a verdadeira natureza das coisas é exposta, e o desejo pela
mudança é instilado (20011, p.791, grifo nosso).

A expressão diz o Senhor – a boca do Senhor disse ou outras semelhantes


são usadas como uma reedificação da revelação divina. Isaías era o instrumento para
que a mensagem chegasse ao povo.

a) O segundo eixo que faremos a análise será a expressão: “ainda que os vossos
pecados sejam como a escarlate e vermelhos como a carmesim”. Vemos que
neste versículo o pecado é representado por duas tonalidades de vermelho, o
“escarlate” e o carmesim. Estas cores são derivadas de um inseto, chamado
“coccus ilicis” que quando morre a fêmea, o seu corpo fica ressecado e libera
uma substância corante, da qual se pode produzir uma tinta de tonalidade
vermelha muito forte, usada para tingimento de tecidos tornando a cor
impossível de ser retirada. E a cor “carmesim” é uma substância encontrada no
próprio corpo do inseto da fêmea ou da larva. Outras versões Bíblicas também
trazem as expressões “rubros como púrpura” que dão o mesmo sentido para o
texto. O comentarista Charles F. Pfeiffer, trás o sentido dessas palavras no
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texto, às manchas que o povo de Israel tinha em suas mãos. Vejamos o que
ele diz:

Por mais hediondos que fossem os seus crimes, embora eles


contivessem a culpa gritante do sangue derramado (e a tintura
escarlate e carmesim aqui mencionadas eram absolutamente
firmes e indesbotáveis), contudo a graça de Deus era capaz de
purificá-los completamente e restaurá-los à brancura imaculada
da inocência (1987, p.16, grifo nosso).

Os pecados do povo são vis, profundos e malignos, e é indicada pela palavra


escarlate, uma tintura de cor vermelha usada para tingir tecidos. A cor vermelha
subentende pecados de sangue (pecados verdadeiramente terríveis, (vs. 15)). E a
ideia de tintura implica algo penetrante na própria alma dos homens iníquos, algo que
não é fácil de sair, "carmesim escuro, cor da mancha de sangue”. Através dessas
palavras percebemos como o pecado é repugnante para Deus e trazem
consequências, ou seja, manchas que são impossíveis de serem removidas pelo
homem. Mas a promessa de Dele para seus filhos nos diz que; por mais que sejam
escuras como o vermelho escarlate ou carmesim, Ele os branqueará, e nos tornara
novamente limpos como a branca lã. A comparação que figura o pecado como algo
que se torna impossível de ser retirado pela ação do próprio homem; em contraste
aparece à beleza translucida da brancura da neve ao cair.

a) O terceiro eixo semântico que iremos analisar agora: perdão, “branca como a
neve e como a branca lã”: O comentarista Moody ainda traz em seu comentário
a maravilhosa graça de Deus que era, e é capaz de purificar completamente e
restaurar o povo à brancura imaculada da inocência. Torna-se muito
interessante o contraste feito pelas Escrituras, porque esse contraste também
expressa a “transformação”, ou seja, a mudança que ocorre na vida do
individuo através do poder salvador de Cristo Jesus. A neve, ocasionalmente,
é verdadeiramente branca, sendo composta de cristais de água, pura e
incontaminada. Os cristais de neve substituem o tecido tinto de vermelho. Está
em foco uma reforma total, uma purificação completa, uma mudança radical. O
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tecido que fora tingido de vermelho se tornaria branco como a lã, que provê
uma nova veste, de cor inteiramente diferente.

No dicionário Bíblico a cor branca é símbolo de pureza, santidade e justiça. A


Bíblia diz que a recompensa, ou seja, o ganho pela prática pecaminosa é a morte
espiritual. Podemos fazer uma comparação entre o texto de (Isaias1. 18-20) que
estamos analisando, com o texto de (Ezequiel 18.31,32), No versículo 31 diz: “Lançai
de vós todas as vossas transgressões com que transgredistes e criai em vós um
coração novo e um espirito novo; Porque não tomo prazer na morte do que morre, diz
o Senhor Jeová; convertei-vos, pois, e vivei”. Deus não tem prazer nem na morte do
ímpio, nem na morte do justo Ele prefere que deixem as suas transgressões, que
abandonem os seus caminhos de maldade e permaneçam vivos, que se arrependam
e vivam. Deus está pronto a nos perdoar, não importa o quão grande seja a maldade
dos nossos atos, quão sujas estejam as nossas mãos e a nossa vida, Deus quer não
só nos limpar, mas também nos purificar para que nos tornemos brancos como a neve
e mais branca como a mais pura lã.

b) O quarto eixo que analisaremos será: “se quiserdes - se recusardes-rebeldes-


espada”. Neste versículo quando Deus diz se quiserdes, vemos que o pecador
precisa estar disposto a fazer o que é reto e realmente obedecer à prática do
bem, e a Deus. O Comentarista Charles F. Pfeiffer diz em seu comentário:

O destino do povo dependia de sua reação diante desta oferta


que exigia que se afastassem de sua maldade para receber as
benévolas promessas do Senhor, e se fossem obedientes (isto
é, a apresentassem-se como sacrifícios vivos para fazer a
vontade de Deus, fazendo disso o propósito principal de suas
vidas), então seria certo e próprio que Deus lhes concedesse o
Seu favor. Ele indicaria e selaria o Seu favor concedendo-lhes
as bênçãos visíveis da prosperidade material, seguramente
protegida dos invasores. (1987, p.16-17, grifo nosso)

A alternativa à mudança de mente era ser devorado à espada. Os rebeldes,


que já estavam em profunda rebelião, podiam comer da terra, em meio à
prosperidade. Mas se eles continuassem rejeitando a benevolente oferta e
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persistissem em sua rebeldia contra a justa soberania divina, sobre os seus corações,
então seriam devorados pelas armas de algum inimigo estrangeiro.

Neste segundo passo da Exegese tivemos como objetivo buscar o sentido exato de
palavras ou termos que tem uma relação de significados entre si, mesmo não sendo
sinônimas, no entanto, explicam uma as outras. Para conseguirmos fazer uma boa
Exegese precisamos agora estudar o entorno do texto para melhor compreende-lo,
para isso o nosso próximo passo será análise contextual.

4. ANÁLISE CONTEXTUAL – CONTEXTO LITERÁRIO E HISTÓRICO

No passo anterior, abordamos a análise semântica, onde destacamos os


principais temas da nossa perícope.

Neste terceiro passo, trataremos da Análise Contextual com a finalidade de analisar


a situação histórica e social que levou o profeta Isaías a usar os termos que
destacamos no passo anterior, ou seja, procuraremos descobrir a relação entre o
entorno sócio-histórico do profeta e a sua pregação nessa perícope. Para isso
iremos proceder da seguinte forma: Iremos tratar do contexto histórico, ou seja, á
época em que o texto de (Isaías 1.18-20) foi escrito. Esse passo tem como objetivo
extrair do texto informações sociais e históricas.

4.1. Contexto Histórico


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Isaías profetizou durante os Reinados de “Uzias, Jotão, Acaz e Esequias” que foram
reis de Judá. Nesse período a nação estava dividida entre dois reinos: Israel no norte
e Judá no sul. A situação dos dois reinos era bem parecida, pecando em grande
maneira contra Deus, na perversão da justiça, opressão aos pobres, idolatria e
buscando ajuda nas nações pagãs em lugar de procurar em Deus. Isaías profetisa
primeiro a Judá, mas podemos notar o termo “O Israel” sendo usado algumas vezes,
referindo-se aos dois reinos Israel. Foi no ano em que o rei Uzias morreu que Isaías
iniciou seu ministério chegando a ver a destruição e o cativeiro do reino do norte em
722 a.C. O ministério de Isaías se estendeu por um período que foi desde a morte
do rei Uzias em 739 a.C. até a morte do Rei Ezequias no ano 686 a.C.

4.2. Reinos contemporâneos a Isaias

O rei Jotão governou durante dezesseis anos, neste período o império


Assírio começou a surgir como uma nova ameaça de grande potência. No final do
seu reinado, o seu filho Acaz passou a governar e acabou fazendo alianças políticas
que amarraram Judá á Assíria (2Rs 16). O rei Acaz dependia de uma aliança com a
assíria para se fortalecer, pois o reino de Judá constantemente recebia ameaças do
Egito e da Síria. Isaías advertiu ao Rei Acaz a respeito de alianças com os reinos
pagãos dizendo que eles deveriam confiar somente no Senhor Deus de Israel (Is 7).

Um dos grandes reis de Judá foi o Ezequias que reinou durante vinte nove
anos, e um dos seus importantes feitos foi fortalecer a cidade de Jerusalém e a
nação de Judá. Também levou o povo a se voltar para Deus; construiu um
importante sistema de fornecimento de água que existe até hoje em Jerusalém.
Mesmo Judá tendo vivenciado o reinado piedoso de Ezequias, os governantes
posteriores a ele não foram tementes a Deus, Isaías faz comparação aos
governantes e ao povo de Judá com os governantes e o povo de Sodoma e Gomorra
(v1. 10).
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4.3. Situação espiritual do povo

O povo não prestava atenção e nem estava disposto a obedecer a Deus, no


entanto praticavam os sacrifícios e realizavam as festas sagradas, mas seguiam
sendo infiéis. No entanto os seus sacrifícios e oferendas não significavam nada
diante de Deus, pois mantinham seus corações corruptos. No (v.18) a situação de
pecado do povo é comparada a cor vermelha intensa (carmesim) usada como tintura
que era impossível de retirar das roupas. Assim era comparado o pecado tanto dos
homicidas como da infidelidade do povo, como uma mancha que parece ser
permanente; entretanto Deus convida o povo ao arrependimento dando a
oportunidade de retirar a mancha do pecado deixando-os limpos como a branca lã,
além da promessa de desfrutarem das conquistas e vitórias sobre os povos inimigos.
Porém o requisito para receberem as bênçãos mencionadas seria através da
obediência incondicional; ou caso recusassem e permanecessem na rebeldia e
infidelidade Isaías apresenta uma alternativa de “comer” ou ser “comido”- a salvação
pela poderosa mão de Deus ou a destruição pela espada dos inimigos.

Neste terceiro passo onde apresentamos uma analise contextual podemos


concluir que o profeta Isaías anunciou esta mensagem devido o pecado de
infidelidade tanto do povo quanto dos seus governantes.

Tendo analisado o texto de (Isaías 1.18-20), o nosso próximo passo, é fazer


a transposição do seu sentido para os nossos dias e, para ouvi-la, vamos apresentá-
la em forma de Sermão. Passaremos, agora, para a Atualização do texto.

5. CONCLUSÃO – ATUALIZAÇAO DO TEXTO

SERMÃO - Texto: Isaías 1.18-20

Tema: Deus não mudou


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INTRODUÇÃO

Quando olhamos para esse texto e vemos o contexto em que vivia o profeta
Isaías, percebemos que a palavra do Senhor é verdadeira e atual. Nos nossos dias
temos visto cada vez mais a humanidade, a criação se distanciando do seu Criador.
As mãos cada vez mais manchadas de iniquidade e de pecado, o povo está doente,
sofrendo, está cheio de feridas, mas não entende que precisa se voltar para o Pai.
O povo de Deus tem se prostituído, colocando outras coisas no lugar que deveria
ser somente de Deus. Tem se corrompido, se misturando com ladrões, estão virando
as costas para aqueles que precisam, ao invés de levar o amor. Mas mesmo assim
continuam trazendo suas ofertas. Estão abusando da graça de Deus.

1. DEUS NOS CHAMA PARA CONVERSAR.

Deus nos chama diariamente para conversar, refletir junto com Ele e isso é
tão precioso. Sabemos que Ele ouve e também fala, mas às vezes parece que
achamos que Deus somente nos ouve ou então que Ele não gosta muito de falar.
Porque quando chegamos a Ele, sempre descarregamos todas as nossas
frustações e preocupações, oramos, falamos e falamos e pronto, mas dificilmente
damos tempo para Ele falar conosco. No versículo 3, Deus diz que até os animais
do campo conhecem o seu dono, mas que Israel não o conhece nem o entende. O
povo estava tão envolvido no pecado que não queria conhecer a Deus, nem mesmo
parar para ouvi-lo. Muitos na igreja hoje têm vivido da mesma maneira que o mundo,
e se consideram salvos pela graça, mas continuam tendo o prazer no pecado. Não
querem conhecer e nem ter intimidade com o Pai, acham que estão vivendo bem
dessa forma.
16

2- O PERDÃO SÓ VEM ATRAVÉS DO ARREPENDIMENTO E CONFISSÃO.

Não importa o quão grave e feio seja o seu passado, ou a sujeira que
estejam as suas mãos, Deus tem poder de transformar o mais escuro pecado numa
vida limpa, pura e branca como a neve. Nós precisamos reconhecer o pecado que
há em nós, por que o reconhecimento gera o arrependimento e a partir do
arrependimento sentimos a necessidade de confessarmos. Muitas vezes pessoas
se afastam da Igreja por um deslize, e com vergonha do que cometeu; é neste
momento que nós assumimos o papel de “juízes”, tomando o lugar de Deus para
julgar o nosso irmão, somos os primeiros a apontar e a julgar. Nos esquecemos de
que Deus não faz acepção de pessoas, todos foram criados por Ele e o seu amor é
imenso por todos. Deus não tem filhos queridinhos ou prediletos, Ele não afasta,
mas traz pra perto. Ele quer cuidar de nós.

Como todo Pai, Deus nos dar o poder da escolha, a liberdade de


escolhermos o caminho que queremos seguir. É como o Pai que diz ao seu filho:
Não passe por essa rua, porque é perigosa. E o filho não dá ouvidos as instruções
do seu pai, e muitas vezes esse filho acaba sofrendo as consequências da escolha
que fez. Assim é o nosso Pai Celeste, Ele nos ensina, nos mostra o caminho, e
assim temos a nossa escolha. No versículo (19), Deus diz ao seu povo: “se
quiserdes e me ouvirdes”. Deus quer nos perdoar, nos limpar e nos abençoar, mas
temos que fazer a escolha, se queremos viver para Ele ou se queremos viver para
o pecado.

3. QUERER ESCUTAR E OBEDECER

O terceiro ponto que aprendemos é que escutar e obedecer à voz de Deus


é fundamental para que tenhamos uma vida plena Nele. Interessante que na
psicanálise há uma diferença entre ouvir e escutar. Bom, (ouvir) tem mais o sentido
da audição, ou seja, entender, perceber pelo sentido do ouvido. Já (escutar) é dar
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atenção, prestar atenção para ouvir, ou seja, requer ouvidos mais apurados, atentos
ao que o outro fala. Podemos escutar Deus, estar atentos a ele e a sua palavra ou
simplesmente ouvi-lo. Nós ouvimos tranquilamente alguém falar conosco, mas
podemos não entender o que ela falou, por não estarmos atentos.

A palavra “obedecer” (shamá) no hebraico tem o mesmo significado para a


palavra “ouvir ou escutar”. Deus fala no versículo 19, “se quiserdes e me ouvirdes,
comereis o melhor desta terra”. Ele quer nos abençoar, mas precisamos obedecer
a sua palavra. A Bíblia retrata bem a vida do homem que obedece a Deus e diz
assim: “Como é feliz aquele que não segue o conselho dos ímpios não imita a
conduta dos pecadores, nem se assenta na roda dos zombadores! Pelo contrário,
sua satisfação está na lei do Senhor, e nessa lei medita dia e noite”. (Sl 1. 1-2) Feliz
é o homem que medita, e ouve os ensinamentos de Deus e o obedece.

CONCLUSÃO

Deus não mudou. Ele é o mesmo Deus do tempo do profeta Isaías e é o


mesmo Deus nos nossos dias. Ele continua nos convidando para conversar para
termos o arrependimento verdadeiro e para confessarmos os nossos pecados. O
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seu amor não mudou, continua o mesmo, ao ponto de enviar seu único filho Jesus
Cristo por nos amar. Para nos tirar da escravidão do pecado, do reino das trevas e
nos levar para o Reino de luz. As suas misericórdias não cessaram, porque elas são
infinitas. Mas precisamos reconhecer que somos inteiramente dependentes Dele e
sem Ele nada somos. Mas há uma escolha á fazer, viver para Cristo ou viver para o
pecado? Essa decisão somente nós podemos fazer.

BIBLIOGRAFIA
19

CRISTOFANI, Jose Roberto. Exegese do Antigo testamento guia de estudos. 1ª


Edição. São Paulo: Potyguara, 2017.

BÍBLIA. Português. A Bíblia de Jerusalém. Nova edição rev. e ampl. São Paulo:
Paulus, 1985.

BÍBLIA - Bíblia do Peregrino. Comentários de L. A. SCHÖCKEL. São Paulo: Paulus,


2002.

Bíblia, Português. A Bíblia Sagrada: Antigo e Novo Testamento. Tradução de João


Ferreira de Almeida. Edição rev. e atualizada no Brasil. Brasília: Sociedade Bíblica do
Brasil, 1969.
Bíblia de Estudo, temas em concordância, editora central gospel, 2005.

PFEIFFER. CHARLES F. E HARRISON, EVERETT F. Comentário Bíblico Moody.


Vol 3. São Paulo: Editora Batista Regular, 2010.

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Disponível em: http://hermeneuticareformada.blogspot.com.br/2011/10/generos-
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CHAMPLIN, Russell. Norman. O antigo Testamento Interpretado Versículo por


Versículo.Vol5.Editora:Hagnos.2001.