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CURSO TÉCNICO EM ENFERMAGEM

MÓDULO III

PSICOLOGIA APLICADA À ÉTICA


PROFISSIONAL II

2019
Estatuto da Criança e do Adolescente:

O que é o Estatuto:
▪ Estatuto é Lei orgânica de um Estado, sociedade ou organização. Nesse sentido, o Estatuto da
Criança e do Adolescente é uma Lei Federal, de nº 8.069, de 13 de julho de 1990 que regulamenta
os direitos das crianças e dos adolescentes inspirada pelas diretrizes fornecidas pela Constituição
Federal de 1988.
▪ O objetivo estatutário é a proteção dos menores de 18 anos, proporcionando a eles um
desenvolvimento físico, mental, moral e social condizente com os princípios constitucionais da
liberdade e da dignidade, preparando para a vida adulta em sociedade.
▪ Para o Estatuto, considera-se criança a pessoa de até doze anos de idade incompletos e adolescente
aquela compreendida entre doze e dezoito anos. Entretanto, aplica-se o estatuto, excepcionalmente,
às pessoas entre dezoito e vinte e um anos de idade, em situações que serão aqui demonstradas

Característica estrutural:
O Estatuto divide-se em 2 livros: o primeiro trata da proteção dos direitos fundamentais à pessoa em
desenvolvimento e o segundo trata dos órgãos e procedimentos protetivos.

Tópicos importantes do Estatuto do Idoso:


▪ Dispõe que nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência,
discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, por qualquer pessoa que seja, devendo
ser punido qualquer ação ou omissão que atente aos seus direitos fundamentais. Ainda, no seu artigo
7º, disciplina que a criança e o adolescente têm direito à proteção à vida e à saúde, mediante a
efetivação de políticas sociais públicas que permitam o nascimento e o desenvolvimento sadio e
harmonioso, em condições dignas de existência.
▪ As medidas protetivas adotadas pelo ECA são para salvaguardar a família natural ou a família
substituta, sendo esta última pela guarda, tutela ou adoção. A guarda obriga a prestação de assistência
material, moral e educacional, a tutela pressupõe todos os deveres da guarda e pode ser conferida a
pessoa de até 21 anos incompletos, já a adoção atribui condição de filho, com mesmos direito e
deveres, inclusive sucessórios.
▪ Cabe aos pais o dever de sustento, guarda e educação dos filhos, não constituindo motivo de escusa
a falta ou a carência de recursos materiais, sob pena da perda ou a suspensão do pátrio poder.
▪ Caso a família natural, comunidade formada pelos pais ou qualquer deles e seus descendentes,
descumpra qualquer de suas obrigações, a criança ou adolescente serão colocados em família
substituta mediante guarda, tutela ou adoção.

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▪ Toda criança e adolescente tem direito a ser criado e educado no seio da sua família e,
excepcionalmente, em família substituta, assegurada a convivência familiar e comunitária, em
ambiente livre da presença de pessoas dependentes de substâncias entorpecentes.
▪ É dever de todos prevenir a ocorrência de ameaça ou violação dos direitos das crianças e dos
adolescentes. Tanto que cabe a sociedade, família e ao poder público proibir a venda e
comercialização à criança e ao adolescente de armas, munições e explosivos, bebida alcoólicas,
drogas, fogos de artifício, revistas de conteúdo adulto e bilhetes lotéricos ou equivalentes.
▪ Cada município deverá possuir, no mínimo, um Conselho Tutelar composto de cinco membros,
escolhidos pela comunidade local, regularmente eleitos e empossados, encarregado pela sociedade
de zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente.
▪ O Conselho Tutelar é uma das entidades públicas competentes a salvaguardar os direitos das crianças
e dos adolescentes nas hipóteses em que haja desrespeito, inclusive com relação a seus pais e
responsáveis, bem como aos direitos e deveres previstos na legislação do ECA e na Constituição.
São deveres dos Conselheiros Tutelares:
▪ Atender crianças e adolescentes e aplicar medidas de proteção.
▪ Atender e aconselhar os pais ou responsável e aplicar medidas pertinentes previstas no
Estatuto da Criança e do Adolescente.
▪ Promover a execução de suas decisões, podendo requisitar serviços públicos e entrar na
Justiça quando alguém, injustificadamente, descumprir suas decisões.
▪ Levar ao conhecimento do Ministério Público fatos que o Estatuto tenha como infração
administrativa ou penal.
▪ Encaminhar à Justiça os casos que a ela são pertinentes.
▪ Tomar providências para que sejam cumpridas as medidas sócio educativas aplicadas pela
Justiça a adolescentes infratores.
▪ Expedir notificações em casos de sua competência.
▪ Requisitar certidões de nascimento e de óbito de crianças e adolescentes, quando necessário.
▪ Assessorar o Poder Executivo local na elaboração da proposta orçamentaria para planos e
programas de atendimento dos direitos da criança e do adolescente.
▪ Entrar na Justiça, em nome das pessoas e das famílias, para que estas se defendam de
programas de rádio e televisão que contrariem princípios constitucionais bem como de
propaganda de produtos, práticas e serviços que possam ser nocivos à saúde e ao meio
ambiente.
▪ Levar ao Ministério Público casos que demandam ações judiciais de perda ou suspensão do
pátrio poder.
▪ Fiscalizar as entidades governamentais e não-governamentais que executem programas de
proteção e socioeducativos.
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▪ Considerando que todos têm o dever de zelar pela dignidade da criança e do adolescente, pondo-os
a salvo de qualquer tratamento desumano, violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor,
havendo suspeita ou confirmação de maus-tratos contra alguma criança ou adolescente, serão
obrigatoriamente comunicados ao Conselho Tutelar para providências cabíveis.

Ainda com toda proteção às crianças e aos adolescentes, a delinquência é uma realidade social,
principalmente nas grandes cidades, sem previsão de término, fazendo com que tenha tratamento
diferenciado dos crimes praticados por agentes imputáveis.

▪ Os crimes praticados por adolescentes entre 12 e 18 anos incompletos são denominados atos
infracionais passíveis de aplicação de medidas socioeducativas. Os dispositivos do Estatuto da
Criança e do Adolescente disciplinam situações nas quais tanto o responsável, quanto o menor
devem ser instados a modificarem atitudes, definindo sanções para os casos mais graves.
▪ Nas hipóteses do menor cometer ato infracional, cuja conduta sempre estará descrita como crime ou
contravenção penal para os imputáveis, poderão sofrer sanções específicas aquelas descritas no
estatuto como medidas socioeducativas.
▪ Os menores de 18 anos são penalmente inimputáveis, mas respondem pela prática de ato infracional
cuja sanção será desde a adoção de medida protetiva de encaminhamento aos pais ou responsável,
orientação, apoio e acompanhamento, matricula e freqüência em estabelecimento de ensino, inclusão
em programa de auxílio à família, encaminhamento a tratamento médico, psicológico ou
psiquiátrico, abrigo, tratamento toxicológico e, até, colocação em família substituta.
▪ Já o adolescente entre 12 e 18 anos incompletos (inimputáveis) que pratica algum ato infracional,
além das medidas protetivas já descritas, a autoridade competente poderá aplicar medida
socioeducativa de acordo com a capacidade do ofensor, circunstâncias do fato e a gravidade da
infração, são elas:
▪ Advertências – admoestação verbal, reduzida a termo e assinada pelos adolescentes e
genitores sob os riscos do envolvimento em atos infracionais e sua reiteração,
▪ Obrigação de reparar o dano – caso o ato infracional seja passível de reparação
patrimonial, compensando o prejuízo da vítima,
▪ Prestação de serviços à comunidade – tem por objetivo conscientizar o menor infrator
sobre valores e solidariedade social,
▪ Liberdade assistida – medida de grande eficácia para o enfretamento da prática de atos
infracionais, na medida em que atua juntamente com a família e o controle por
profissionais (psicólogos e assistentes sociais) do Juizado da Infância e Juventude,

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▪ Semiliberdade – medida de média extremidade, uma vez que exigem dos adolescentes
infratores o trabalho e estudo durante o dia, mas restringe sua liberdade no período
noturno, mediante recolhimento em entidade especializada
▪ Internação por tempo indeterminado – medida mais extrema do Estatuto da Criança e
do Adolescente devido à privação total da liberdade. Aplicada em casos mais graves e
em caráter excepcional.
▪ Antes da sentença, a internação somente pode ser determinada pelo prazo máximo de 45 dias,
mediante decisão fundamentada baseada em fortes indícios de autoria e materialidade do ato
infracional.
▪ Nessa vertente, as entidades que desenvolvem programas de internação têm a obrigação de:
▪ Observar os direitos e garantias de que são titulares os adolescentes;
▪ Não restringir nenhum direito que não tenha sido objeto de restrição na decisão de
internação,
▪ Preservar a identidade e oferecer ambiente de respeito e dignidade ao adolescente,
▪ Diligenciar no sentido do restabelecimento e da preservação dos vínculos familiares,
▪ Oferecer instalações físicas em condições adequadas, e toda infraestrutura e cuidados
médicos e educacionais, inclusive na área de lazer e atividades culturais e desportivas.
▪ Reavaliar periodicamente cada caso, com intervalo máximo de seis meses, dando
ciência dos resultados à autoridade competente.
▪ Uma vez aplicada as medidas socioeducativas podem ser implementadas até que sejam completados
18 anos de idade. Contudo, o cumprimento pode chegar aos 21 anos de idade nos casos de internação,
nos termos do art. 121, §5º do ECA.
▪ Assim como no sistema penal tradicional, as sanções previstas no Estatuto da Criança e do
Adolescente apresentam preocupação com a reeducação e a ressocialização dos menores infratores.
▪ Antes de iniciado o procedimento de apuração do ato infracional, o representante do Ministério
Público poderá conceder o perdão (remissão), como forma de exclusão do processo, se atendido às
circunstâncias e consequências do fato, contexto social, personalidade do adolescente e sua maior
ou menor participação no ato infracional.
▪ Por fim, o Estatuto da Criança e do Adolescente institui medidas aplicáveis aos pais ou responsáveis
de encaminhamento a programa de proteção a família, inclusão em programa de orientação a
alcoólatras e toxicômanos, encaminhamento a tratamento psicológico ou psiquiátrico,
encaminhamento a cursos ou programas de orientação, obrigação de matricular e acompanhar o
aproveitamento escolar do menor, advertência, perda da guarda, destituição da tutela e até suspensão
ou destituição do pátrio poder.

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▪ O importante é observar que as crianças e os adolescentes não podem ser considerados autênticas
propriedades de seus genitores, visto que são titulas de direitos humanos como quaisquer pessoas,
dotados de direitos e deveres como demonstrado.
▪ A implantação integral do ECA sofre grande resistência de parte da sociedade brasileira, que o
considera excessivamente paternalista em relação aos atos infracionais cometidos por crianças e
adolescentes, uma vez que os atos infracionais estão ficando cada vez mais violentos e reiterados.
▪ Consideram, ainda, que o estatuto, que deveria proteger e educar a criança e o adolescente, na prática,
acaba deixando-os sem nenhum tipo de punição ou mesmo ressocialização, bem como é utilizado
por grupos criminosos para livrar-se de responsabilidades criminais fazendo com que adolescentes
assumam a culpa.
▪ Cabe ao Estado zelar para que as crianças e adolescentes se desenvolvam em condições sociais que
favoreçam a integridade física, liberdade e dignidade. Contudo, não se pode atribuir tal
responsabilidade apenas a uma suposta inaplicabilidade do estatuto da criança e do adolescente, uma
vez que estes nada mais são do que o produto da entidade familiar e da sociedade, as quais têm
importância fundamental no comportamento dos mesmos.

Estatuto do idoso

O que é o Estatuto:
▪ Estatuto é Lei orgânica de um Estado, sociedade ou organização. Nesse sentido, o Estatuto do Idoso é
uma Lei Federal, de nº 10.741, de 1º de outubro de 2003.
▪ Este Estatuto destina-se a regulamentar os direitos assegurados às pessoas com idade igual ou superior
a 60 (sessenta) anos que vivem no país.

Característica estrutural:
▪ Ao longo de seus 118 artigos são tratadas questões fundamentais, divididos em cinco títulos: Direitos
fundamentais; Medidas de proteção ao Idoso em estado de risco pessoal ou social; Política de
Atendimento; Acesso à Justiça e Crimes.

Tópicos importantes do Estatuto do Idoso:


▪ Atendimento preferencial, imediato e individualizado junto aos órgãos públicos e privados prestadores
de serviços à população;
▪ Fornecimento gratuito de medicamentos pelo Poder Público, especialmente os de uso contínuo, assim
como próteses, órteses e outros recursos relativos ao tratamento, habilitação ou reabilitação;

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▪ Proibição de discriminação do idoso nos planos de saúde pela cobrança de valores diferenciados em
razão da idade;
▪ Criação de cursos especiais para idosos, com inclusão de conteúdo relativo às técnicas de comunicação,
computação e demais avanços tecnológicos, para sua integração à vida moderna;
▪ Descontos de 50% em atividades culturais, de lazer e esporte;
▪ Proibição de discriminação do idoso em qualquer trabalho ou emprego, por meio de fixação de limite
de idade, inclusive para concursos, ressalvados os casos específicos devido à natureza do cargo;
▪ Fixação da idade mais elevada como primeiro critério de desempate em concurso público;
▪ Estímulo à contratação de idosos por empresas privadas;
▪ Reajuste dos benefícios da aposentadoria na mesma data do reajuste do salário mínimo;
▪ Concessão de um salário mínimo mensal para os idosos acima de 65 anos que não possuam meios para
prover sua subsistência, nem de tê-la provida por sua família;
▪ Prioridade na aquisição de imóvel para moradia própria, em programas habitacionais públicos ou
subsidiados com recursos públicos;
▪ Gratuidade nos transportes coletivos públicos aos maiores de 65 anos, com reserva de 10% dos assentos
para os idosos;
▪ Reserva de duas vagas no sistema de transporte coletivo interestadual para idosos com renda mensal
de até dois salários mínimos, com desconto de 50%, no mínimo, no valor das passagens, para os idosos
que excederem as vagas gratuitas;
▪ Reserva de 5% das vagas nos estacionamentos públicos e privados.

O Estatuto prevê ainda punição para quem:


▪ Discriminar pessoa idosa, impedindo ou dificultando seu acesso a operações bancárias ou aos meios
de transporte, por motivo de idade;
▪ Deixar de prestar assistência ao idoso, ou recusar, retardar ou dificultar que outros o façam;
▪ Abandonar idosos em hospitais, casas de saúde, entidades de longa permanência ou congêneres;
▪ Expor em perigo a integridade e a saúde, física ou psíquica, do idoso, submetendo-o a condições
desumanas ou degradantes, privando-o de alimentos e cuidados indispensáveis, quando obrigado a
fazê-lo, ou sujeitando-o a trabalho excessivo e inadequado;
▪ Apropriar-se ou desviar bens, proventos, pensão ou qualquer outro tipo de rendimento do idoso;
▪ Induzir pessoa idosa sem discernimento de seus atos a outorgar procuração para fins de administração
de bens ou deles dispor livremente;
▪ Coagir, de qualquer modo, o idoso a doar, contratar, testar ou outorgar procuração.

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Humanização em hospitais e clínicas especializadas

Definição
A definição geral do termo humanização é nada mais é que tornar mais humano, socializar, respeitar, ou
seja, reverenciar com educação. Remete às boas práticas que devem ser feitas considerando o ponto de
vista do paciente, para atingir um nível de satisfação alto no atendimento e consequentemente melhorar a
sua experiência facilitando o seu retorno, caso necessário.

Aspectos históricos:
▪ Antes do século XVIII, ou seja, antes do positivismo, o hospital era essencialmente uma instituição de
assistência dirigida aos pobres, já que os ricos levavam os recursos médicos para suas casas.
▪ De certa forma, não se pretendia a cura para o usuário do hospital até o século XVIII, mas sim uma
assistência material e espiritual, em alguns casos pretendia-se dar os últimos cuidados ou o último
sacramento.
▪ Depois do século XVIII, com a explosão do conhecimento e da técnica, com o aprimoramento
crescente dos meios de diagnóstico e tratamento, houve uma inversão no papel dos hospitais, quase
ou tão incômoda quanto à situação anterior, ou seja, ao se abordar técnica e cientificamente a doença,
confortar e consolar o doente passaram a ser coisas do passado. Trazendo essa questão aos exemplos
atuais, citamos algumas situações muito constrangedoras no cotidiano dos hospitais. Se no século
XVIII as pessoas ofereciam atenção e cuidados humanos aos pacientes porque a ciência não podia
oferecer mais nada, hoje a ciência tem muito a oferecer, mas as pessoas não oferecem mais nada além
da técnica.
▪ A visão marcantemente biológica (positivista) fez com que profissionais de saúde considerassem
como sofrimento exclusivamente o padecimento físico, deixando de considerar o sofrimento global
da pessoa.
▪ Por outro lado, o doente passou a representar algo além de uma pessoa digna de atenção, de cuidado
e assistência.
▪ Sem dúvida nenhuma os avanços do conhecimento e da técnica têm forte repercussão na área da saúde,
tanto no diagnóstico como no tratamento, tanto na prevenção como na cura das doenças, tudo isso
refletindo diretamente no conforto pessoal, na qualidade de vida e na longevidade das pessoas.
▪ Além da dimensão física, a pessoa deve ser atendida também em seu componente social, psíquico e
emocional.

Por que a humanização é importante?

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▪ Dialogar com o paciente é uma premissa básica para um atendimento eficiente, mas muitos
profissionais de saúde acabam se esquecendo disso. Tratando assim, todos os pacientes de forma
padronizada.
▪ Diversas pesquisas demonstram que o atendimento humanizado, com foco nas reais necessidades do
paciente, contribui de forma determinante no processo de cura e de ágil recuperação do paciente, dado
o forte fator psicológico envolvido no processo de recuperação. Pacientes que são atendidos com esses
preceitos têm mais confiança na equipe e respondem melhor aos recursos clínicos
▪ Uma vez que a internação é uma situação delicada para o paciente porque é sua saúde que está em risco
e em vários casos, há um forte fator psicológico envolvido no processo de recuperação. Pacientes que
são atendidos com esses preceitos têm mais confiança na equipe e respondem melhor aos recursos
clínicos.
▪ Todos os princípios da humanização hospitalar devem se concentrar no paciente em primeiro lugar. O
tratamento deve ser centrado em suas necessidades e o seu ponto de vista deve ser considerado ao
longo de toda a jornada do paciente.
▪ O ambiente físico também está altamente relacionado com a satisfação do paciente: coloque-se na
situação do paciente, caso houvesse opção, você iria a sua clínica/hospital?
▪ A comunicação com o paciente deve ser eficiente e a troca de informações precisa acontecer em
momentos chave, sem atrasos ou problemas. Para que o cuidado seja efetivo e traga resultados é
necessário ouvir, olhar, conversar, entender os hábitos e o histórico dos pacientes.
▪ É importante ter um bom processo de humanização hospitalar não somente focada no paciente, mas
também em todos os envolvidos no tratamento.
▪ A postura de humanização entre funcionários gera relações profissionais de confiança com os
colaboradores, colegas e gestores, aumento de produtividade e queda da rotatividade dos funcionários,
refletindo também na fluidez e eficácia dos tratamentos ofertados.

Política de humanização:
• A Política Nacional de Humanização da Atenção e Gestão no SUS, instituída em 2003, tem, segundo
as determinações do Ministério da Saúde – MS -, o objetivo de concretizar os princípios do SUS no
cotidiano das práticas de atenção e de gestão, estimulando as mudanças que envolvem trocas solidárias
entre gestores, trabalhadores e usuários para a produção de saúde. (BRASIL, 2004).
• E, no contexto, almeja como resultados práticos: a redução das filas e do tempo de espera, ampliando
o acesso; o atendimento acolhedor e resolutivo, baseado em critérios de risco e sendo feito a partir do
vínculo e da responsabilização do cuidado; a garantia dos direitos dos usuários; a valorização do
trabalho na saúde e a gestão participativa nos serviços (BRASIL, 2003).

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Paciente crônico: aspectos psicológicos e emocionais:

▪ A passagem do homem da situação de sadio para a de doente, seja de forma abrupta ou insidiosa,
modifica a sua relação com o mundo e consigo mesmo e implica sempre em repercussões
psicológicas, tanto nele quanto no seu círculo familiar e social.
▪ Mais de um quarto dos brasileiros sofre de doenças crônicas. Hoje, são cerca de 57 milhões de
pessoas, apenas no Brasil, que precisam lidar com patologias permanentes e progressivas.
▪ Entre os pacientes, indivíduos afetados pela imunodeficiência adquirida (provocada pelo vírus HIV),
diferentes formas de câncer e hipertensão arterial. Problemas renais, respiratórios e de coluna
também estão entre os mais comuns em todo o mundo. Contudo, nem toda doença crônica ocasionará
efeitos traumáticos sobre a vida e o bem-estar dos pacientes. Mesmo que exijam cuidados constantes,
alguns distúrbios provocarão sintomas mais brandos, sem afetar gravemente o indivíduo.
▪ A maneira como a enfermidade é vivenciada é sempre um acontecimento singular, uma experiência
pessoal, resultante da história de cada um:
– Há aqueles que frente a uma enfermidade entregam-se a ela, ficando dominados pela dor
e desespero, paralisados na sua capacidade de luta,
– Há os que conseguem fazer da doença uma possibilidade de repensar a própria
existência, de empreender mudanças.
– Por fim, aqueles que frente à doença, sintomas ou sinais, tendem a atuar sempre como
se sua doença fosse banal, mesmo quando ela é grave.

▪ Independente da natureza de uma doença, ela sempre representa um dano, uma sensação de certa
dependência em relação aos outros. Envolvem também sofrimento, frustrações e dependendo da sua
gravidade, limitações dos nossos projetos de vida, além de tornar-nos conscientes de nossa
fragilidade e nos surpreende com o sentimento ameaçador, raramente presente no nosso cotidiano,
de que somos mortais.

Manifestação do estresse psicológico sobre a doença aguda:

1. Ameaça à integridade narcísica: sensações de pânico, aniquilamento e impotência.


2. Ansiedade de separação: pessoas significativas, ambientes e estilo de vida.
3. Medo de estranhos: entregar a vida e o corpo aos cuidados de estranhos.
4. Culpa e medo de retaliação: doença como castigo por pecados e omissões.
5. Medo da perda de controle: das funções vitais, de sua função, papeis sociais desempenhado na
família, relações de trabalho.
6. Perda de amor e de aprovação: sentimento de autodesvalorização (dependência e sobrecarga
financeira).
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7. Medo da perda, dano ou parte do corpo: mutilações ou disfunções que alterem o esquema corporal
8. Medo da morte e da dor: história de perdas em hospitais.

▪ A instalação de uma patologia dá início a uma série de processos secundários a enfermidade, a qual
o paciente deverá se adaptar.
▪ A doença coloca em jogo não só mecanismos fisiológicos, mas também o aspecto psíquico,
mobilizando defesas psicológicas no intuito de enfrentar a ruptura do equilíbrio que é acarretada pela
eclosão da doença.
▪ Ainda que cada reação às doenças crônicas seja única, alguns comportamentos são identificados com
grande frequência. Diante desse quadro, ele pode disparar alguns mecanismos de defesa que o
ajudarão a lidar com suas angústias. Alguns dos mais comumente apontados são:
– Negação: é um recurso para evitar o medo, o sofrimento e o desespero. Pode abandonar o
tratamento por desacreditá-lo.
– Racionalização: discutir tecnicamente o diagnóstico e tratamento sem envolvimento
emocional.
– Banalização: pouca importância ao problema sério.
– Intelectualização: aceitando seu diagnóstico, o paciente pode adquirir uma postura de
investigação, explorando ao máximo os conhecimentos sobre a sua doença, sua condição
pessoal e suas perspectivas.

▪ A instabilidade afetiva, crises de choro, instabilidade e insônia, demanda exagerada de atenção são
indicativos da falência dos mecanismos de defesa e possibilidade de reorganização afetiva. É preciso
respeitar o "tempo interno" do paciente e não o forçar a encarar "verdades".

Atendimento humanizado e aspectos bioéticos

1. Eutanásia
▪ Ação médica pela qual se acelera o processo de morte de um doente terminal, seja a pedido do próprio
paciente ou de seus familiares.
▪ É legalizada em alguns países, tendo legislação própria. Para tal, algumas questões deverão ser
respeitadas: o paciente deve ter uma doença que no seu curso normal ou sem a utilização de medidas
extraordinárias acarretará sua morte; não deve haver qualquer medida que possibilite a cura do
paciente; o paciente deve estar mentalmente competente e ser capaz de tomar decisões livre e
voluntariamente; o paciente deve preencher o certificado de solicitação.
▪ Atualmente, no código penal brasileiro, a prática da eutanásia não é estipulada. Assim sendo, o médico
que termina a vida de um paciente por compaixão comete o chamado “homicídio simples”, indicado
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no artigo 121 e está sujeito a pena de 6 a 20 anos de reclusão, uma vez que o direito à vida é considerado
inviolável de acordo com a Constituição Federal. Apesar disso, este é um tema bastante complexo, e
tem sido abordado pela comissão de juristas que trabalha em um novo Código Penal.

Eutanásia: classificação quanto ao tipo de ação:

▪ Eutanásia ativa: acontece quando se apela a recursos que podem findar com a vida do doente, sem
acarretar sofrimento ao paciente (injeção letal, medicamentos em dose excessiva etc.).
▪ Eutanásia passiva (ou indireta): a morte do doente ocorre por falta de recursos necessários para
manutenção das suas funções vitais (falta de água, alimentos, fármacos ou cuidados médicos) ou pela
interrupção de medida extraordinária.

Eutanásia: classificação quanto ao consentimento do paciente:


▪ Eutanásia voluntária: quando a morte é provocada atendendo a uma vontade do paciente.
▪ Eutanásia não voluntária: quando a morte é provocada sem que o paciente tivesse manifestado sua
posição em relação a ela.

2. Mistanásia
▪ O termo mistanásia foi sugerido para denominar a morte miserável, fora e antes da hora. Esses fatores
estão relacionados a questões econômicas, sociopolíticas, problemas estruturais, como
indisponibilidade de leitos vagos, ausência de e/ou práticas inadequadas dos profissionais de saúde ou
mesmo porque o usuário não conseguiu ingressar efetivamente no sistema de atendimento médico.

3. Distanásia
▪ O termo distanásia possui o prefixo grego dis, com o sentido de "deformação do processo de morte",
de prolongamento, dificuldade.
▪ Na concepção de alguns autores, seria o "prolongamento exagerado do processo de morte de um
paciente e seria quase uma crueldade terapêutica, porque provocaria uma morte cruel ao doente".
▪ Na obstinação terapêutica, recorre-se a formas diferentes de tratamento cujo efeito é mais nocivo do
que os efeitos da doença, sendo necessário compreender que há casos em que a morte é inevitável, e
que prolongar o processo de morrer apenas promove uma vida sem qualidade, tendo como
consequência morte lenta, aumentando as chances de sofrimento, dor e agonia para o paciente e para a
família que acompanha este processo.

4. Ortotanásia:

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▪ O termo ortotanásia deriva do prefixo orto, dando o sentido de "morte digna". Sendo assim, a
ortotanásia significa a morte natural e a seu tempo, sem que sejam feitos tratamentos demasiadamente
fúteis, invasivos e artificiais para manter a pessoa viva.
▪ A adoção deste procedimento não significa que o paciente seja abandonado. Profissionais da saúde
continuam a conceder cuidados paliativos, no sentido de amenizar o sofrimento e permita que o morrer
chegue naturalmente a cada enfermo, procurando manter a qualidade de vida do paciente e de sua
família em caso de doenças graves e incuráveis, ajudando no controle dos sintomas físicos,
psicológicos, sociais e espirituais.

Cuidados Paliativos

Definição:
▪ “Cuidado Paliativo é a abordagem que promove qualidade de vida de pacientes e seus familiares diante
de doenças que ameaçam a continuidade da vida, através de prevenção e alívio do sofrimento. Requer
a identificação precoce, avaliação e tratamento impecável da dor e outros problemas de natureza física,
psicossocial e espiritual.” (OMS, 2002).
▪ O foco da atenção não é a doença a ser curada/controlada, mas o doente, entendido como um ser
biográfico, ativo, com direito a informação e a autonomia plena para as decisões a respeito de seu
tratamento. A prática adequada dos Cuidados Paliativos preconiza atenção individualizada ao doente
e à sua família, busca da excelência no controle de todos os sintomas e prevenção do sofrimento
▪ À medida que a doença progride e o tratamento curativo perde o poder de oferecer um controle razoável
da mesma, os Cuidados Paliativos crescem em significado, surgindo como uma necessidade absoluta
na fase em que a incurabilidade se torna uma realidade.
▪ O Cuidado Paliativo foi redefinido pela Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2002, como uma
abordagem ou tratamento que melhora a qualidade de vida de pacientes e familiares diante de doenças
que ameacem a continuidade da vida.
▪ Para tanto, é necessário avaliar e controlar de forma impecável não somente a dor, mas, todos os
sintomas de natureza física, social, emocional e espiritual.
▪ Este cuidado pode ser feito em domicílio ou no hospital.

Princípios dos cuidados paliativos:


▪ Promove o alívio da dor e de outros sintomas estressantes;
▪ Reafirma a vida e vê a morte como um processo natural;
▪ Não pretende antecipar e nem postergar a morte;
▪ Integra aspectos psicossociais e espirituais ao cuidado;

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▪ Oferece um sistema de suporte que auxilie o paciente a viver tão ativamente quanto possível, até a sua
morte;
▪ Deve ser iniciado o mais precocemente possível, junto a outras medidas de prolongamento de vida,
como a quimioterapia e a radioterapia, e incluir todas as investigações necessárias para melhor
compreensão e manejo dos sintomas;
▪ Oferece um sistema de suporte que auxilie a família e entes queridos a sentirem-se amparados durante
todo o processo da doença.

Princípio do controle dos sintomas:

▪ A prática dos Cuidados Paliativos baseia-se no controle impecável dos sintomas de natureza física,
psicológica, social e espiritual.
▪ Os princípios do controle destes sintomas se baseiam em: avaliar antes de tratar; explicar as causas dos
sintomas; não esperar que um doente se queixe; adotar uma estratégia terapêutica mista; monitorizar
os sintomas; reavaliar regularmente as medidas terapêuticas; cuidar dos detalhes; estar disponível.

Os estágios do luto – assistência da enfermagem perante a morte

▪ O luto é considerado um momento de dor e vazio, de despedida forçada e para sempre. Porém, ele é
um processo necessário e fundamental para elaborar qualquer tipo de perda, não apenas pela perda de
uma pessoa que estimamos, amamos, que faz parte de nós direta ou indiretamente, mas por qualquer
tipo de perda, como emprego, carreira, relacionamentos, etc.
▪ Na verdade, o homem não está preparado para enfrentar a morte, todos a temem, evitam discutir sobre
o assunto, ao invés de compreendê-la e aceita-la.
▪ Dentro da realidade hospitalar, os pacientes não têm oportunidade de falar sobre o que sente e sobre o
seu medo de morrer, enquanto os profissionais da área da saúde lidam rotineiramente com a questão
do luto: seja com paciente que se encontra fragilizado pela perda de sua saúde e na possibilidade
eminente de morte, seja no contato com os familiares que acabaram de perder seu ente.
▪ A morte é o acontecimento mais desesperador ao ser humano, desespero causado muitas vezes por
fortes vínculos familiares, filhos totalmente dependentes (portadores de necessidades especiais),
grandes responsabilidades impostas por cargo, ou pelo próprio temor de morrer.
▪ Assim como existe o ciclo da vida, segundo a biologia, que é Nascer, Crescer, Reproduzir e Morrer,
existem os ciclos da morte, definidos pela psiquiatra Elisabeth Kubler-Ross, que conseguiu identificar
a reação psíquica de cada paciente em estado terminal e elaborou o Modelo Kübler-Ross, que propõe
uma descrição de cinco fases (estágios) do luto, pelo qual as pessoas passam ao lidar com a perda, o
luto e a tragédia.

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PRIMEIRA FASE: negação
Nessa fase a pessoa nega a existência do problema ou situação.
PENSAMENTOS COMPORTAMENTOS

Buscar uma segunda opinião ou outras explicações para a


“Isso não é verdade!”
questão.

Continuar se comportando como antes (ignorando a


“Vai passar.”
situação).

“Sempre dou um jeito em tudo, vou Não aderir ao tratamento (no caso de doença) ou não falar
resolver isso também.” sobre o assunto (no caso de morte, desemprego ou traição).

SEGUNDA FASE: raiva


Nessa fase a pessoa expressa raiva por aquilo que ocorre.
PENSAMENTOS COMPORTAMENTOS
“Por que eu?” Perde a calma quando fala sobre o assunto.

“Isso não é justo!” Recusa-se a ouvir conselhos.


“Por que fizeram isso comigo?” Evita falar sobre o assunto.

TERCEIRA FASE: barganha / negociação


Nessa fase busca-se fazer algum tipo de acordo de maneira que as coisas possam voltar a ser como antes.

PENSAMENTOS COMPORTAMENTOS
“Vou acordar cedo todos os dias, tratar
bem as pessoas, parar de beber, procurar Rezar e fazer um acordo com Deus.
um emprego e tudo ficará bem.”

Vou pensar mais positivamente e tudo se


Buscar agradar (no caso de uma traição).
resolverá.”

“Deus, deixe-me ficar bem de saúde, só


Se alimentar com produtos lights e diets para compensar
até meu filho crescer.” (pessoa ao saber
os outros alimentos.
que está doente)

QUARTA FASE: depressão

Nessa fase ocorre um sofrimento profundo. Tristeza, desolamento, culpa, desesperança e medo são
emoções bastante comuns.

PENSAMENTOS COMPORTAMENTOS

“Não tenho capacidade para lidar com


Chorar
isso.”

“Nunca mais as coisas ficarão bem.” Afastar-se das pessoas

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“Eu me odeio.” Comportar-se de maneira autodestrutiva

QUINTA FASE: aceitação


Nessa fase percebe-se e vivencia-se uma aceitação do rumo das coisas.
PENSAMENTOS COMPORTAMENTOS
“Não é o fim do mundo.” Buscar ajuda para resolver a situação.

“Posso superar isto.” Conversar com outros sobre o assunto.


“Posso aprender com isto e melhorar.” Planejar estratégias para lidar com a questão.

▪ As pessoas não passam por essas fases de maneira linear, ou seja, elas podem superar uma fase, mas
depois retornar a ela (ir e vir), estacionar em uma delas, sem ter avanços por longo período ou ainda
suplantar todas as fases rapidamente até a aceitação.

Estratégias para lidar com as reações psicológicas:


1. Identifique a fase na qual o paciente se encontra e entenda que isto é o melhor que ele pode fazer neste
momento.
2. A segunda coisa a ser lembrada é que nenhum profissional tem o poder de fazer o paciente mudar de
posição se ele ainda não estiver pronto (condições psicológicas).
3. Se o paciente nega a doença, mas aceita bem o tratamento, não faça nada, deixe como esta.
4. Quando pela sua posição de negação, o paciente recusa o tratamento e isto coloca em risco sua condição
clínica, afirme a existência de um problema de saúde e a necessidade de tratamento.
5. Se a negação atinge não apenas a noção da doença, mas se estende os fatos concretos evidentes tais
como sangramentos, deformações, tosse, etc., convém solicitar avaliação de um psicólogo ou psiquiatra.
6. Diante de um paciente na posição da revolta procure focalizar “a verdade da pessoa” e não apenas “o
errado da situação”.
7. Revolta não é para ser subjugada, dominada a força, mas sim ultrapassada, tornada desnecessária pela
“ventilação” dos sentimentos do paciente; isto ajuda muito.
8. Para um paciente deprimido é muito melhor ser contagiado por um entusiasmo verdadeiro do que ser
“doutrinado” por uma lição de moral. Seja contagiante; não seja frio profissionalmente.
9. A depressão diante da doença é até uma reação esperada e cuide carinhosamente de seu paciente, sem
criticá-lo por estar deprimido.
10.Se a depressão se torna muito profunda, ou se prolongar muito no tempo, deixando de ser “fase” e
virando “estado”, ela deve então ser objeto de tratamento especializado: psicoterapia e/ou antidepressivos.
11. O enfrentamento geralmente é um “ponto de chegada” após longa jornada, e quase nunca é o “ponto
de partida”.

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12. Ao contrário do que pode parecer, quando o paciente se encontra na posição de enfrentamento, ele
ainda precisa de muita ajuda;
13. “Curar sempre que possível, aliviar a dor quase sempre, confrontar sempre” (Hipócrates)

Transtornos alimentares:

▪ Definição: são caracterizados por uma perturbação persistente na alimentação ou no comportamento


relacionado à alimentação que resulta no consumo ou na absorção alterada de alimentos e que
compromete significativamente a saúde física ou o funcionamento psicossocial.
▪ Não há uma única etiologia responsável pelos transtornos alimentares – participação de componentes
biológicos, genéticos, psicológicos, socioculturais e familiares.
– Fatores genéticos: pesquisas indicam maior prevalência de transtornos alimentares em algumas
famílias.
– Fatores biológicos: alterações nos neurotransmissores moduladores da fome e da saciedade.
– Fatores socioculturais: a obsessão em ter um corpo magro e perfeito é reforçada no dia a dia da
sociedade ocidental.
– Fatores familiares: dificuldades de comunicação entre os membros da família.
– Fatores psicológicos: algumas alterações características como baixa autoestima, rigidez no
comportamento, distorções cognitivas, necessidade de manter controle completo sobre sua vida,
falta de confiança podem anteceder o desenvolvimento do quadro clínico.

Patologias pertencentes ao Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais

Picacismo
▪ Ingestão persistente de substâncias não nutritivas, não alimentares que são inadequadas a seu estágio
de desenvolvimento.
▪ O comportamento alimentar não faz parte de uma prática culturalmente aceita.
▪ Não deve ocorrer no contexto de outro transtorno mental (transtorno do desenvolvimento intelectual,
transtorno do espectro autista, esquizofrenia) ou condição médica (incluindo gestação).

Transtorno de ruminação
▪ Regurgitação repetida de alimento durante um período mínimo de um mês. O alimento regurgitado
pode ser remastigado, novamente deglutido ou cuspido. O alimento parcialmente digerido é
regurgitado sem náusea, esforço para vomitar, repugnância ou transtorno gastrintestinal aparentes.
▪ A regurgitação repetida não é atribuível a uma condição gastrintestinal ou a outra condição médica.

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▪ Não ocorre exclusivamente durante o curso de anorexia nervosa, bulimia nervosa, transtorno de
compulsão alimentar ou transtorno alimentar restritivo/evitativo.
▪ Sintomas não devem ocorrerem no contexto de outro transtorno mental (deficiência intelectual ou outro
transtorno do neurodesenvolvimento), eles são suficientemente graves para justificar atenção clínica
adicional.

Transtorno alimentar restritivo/evitativo


▪ Uma perturbação alimentar (falta de interesse aparente na alimentação ou em alimentos; esquiva
baseada nas características sensoriais do alimento; preocupação acerca das consequências aversivas
alimentar) manifestada por fracasso persistente em satisfazer as necessidades nutricionais e/ou
energéticas apropriadas associadas a um (ou mais) dos seguintes aspectos:
– Perda de peso significativa (ou insucesso em obter o ganho peso esperado ou atraso de
crescimento em crianças).
– Deficiência nutricional significativa.
– Dependência de alimentação enteral ou suplementos nutricionais orais.
– Interferência marcante no funcionamento psicossocial.
▪ A perturbação não é mais bem explicada por indisponibilidade de alimento ou por uma prática
culturalmente aceita.
▪ A perturbação alimentar não ocorre exclusivamente durante o curso de anorexia nervosa ou bulimia
nervosa e não há evidência de perturbação na maneira como o peso ou a forma corporal é vivenciada.
▪ A perturbação alimentar não é atribuível a uma condição médica concomitante ou mais bem explicado
por outro transtorno.
→ Existe comorbidade com os transtornos de ansiedade, obsessivo-compulsivo e do
neurodesenvolvimento.

Anorexia nervosa
▪ A anorexia nervosa tem três características essenciais:
1. Restrição persistente da ingesta calórica em relação às necessidades;
2. Medo intenso de ganhar peso ou de engordar ou comportamento persistente que interfere no ganho
de peso;
3. Perturbação na percepção do próprio peso ou da própria forma.

▪ Sintomas associados: perda exagerada de peso em curto espaço de tempo sem causa aparente; queda
do cabelo; pesa 85% a menos do ideal para idade e altura; recusa em participar das refeições familiares;
interrupção do ciclo menstrual, com ausência de menstruação e diminuição das características
femininas; atividade física intensa e exagerada e visão distorcida do próprio corpo.

Bulimia nervosa
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▪ Episódios recorrentes de compulsão alimentar (grande quantidade de alimento em um período de
tempo determinado) associados a sensação de falta de controle sobre a ingestão durante o episódio.
▪ Comportamentos compensatórios inapropriados recorrentes a fim de impedir o ganho de peso, como
vômitos autoinduzidos; uso indevido de laxantes, diuréticos ou outros medicamentos; jejum; ou
exercício em excesso.

Complicações clínicas:
▪ Inchaço e dor nas glândulas salivares (por indução ao vômito);
▪ Úlcera estomacal;
▪ Desidratação;
▪ Arritmia cardíaca;
▪ Aumento da probabilidade de suicídio;
▪ Diminuição da libido;
▪ Sentimento de inferioridade;
▪ Autoestima baixa;
▪ O paciente reconhece o absurdo de seu comportamento, mas não tem domínio e autocontrole;
▪ Geralmente estão dentro do seu peso ou um pouco acima;
▪ Tentativas de dieta estão sempre sendo realizadas;
▪ Isolamento e distanciamento social;
▪ Não consegue se saciar com o que o meio oferece e depois rejeita aquilo que conseguiu colocar para
dentro.

Compulsão alimentar:

▪ Episódios recorrentes de compulsão alimentar (grande quantidade de alimento em um período de


tempo determinado) associados a sensação de falta de controle sobre a ingestão durante o episódio.
▪ Os episódios de compulsão alimentar estão associados a três (ou mais) dos seguintes aspectos: comer
mais do que o normal; comer até sentir-se desconfortavelmente cheio; comer grandes quantidades de
alimento na ausência da sensação física da fome; comer sozinho e com vergonha do quanto está
comendo, sentindo-se desgostoso, deprimido ou culpado em seguida.
▪ Os episódios de compulsão alimentar ocorrem, em média, ao menos uma vez por semana durante três
meses.

Patologias pertencentes ao Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais


Vigorexia

▪ Caracteriza-se por um exagero na quantidade e intensidade de atividades físicas praticadas por um


indivíduo;
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▪ Estudos demonstram que é uma doença bem comum entre os adolescentes e jovens adultos que
praticam atividades físicas, atingindo mais o sexo masculino.
▪ Para atingir seu objetivo (normalmente a hipertrofia e definição muscular), acabam por utilizar
suplementos alimentares e esteroides, associados a uma atividade física intensa.
▪ Sintomatologia associada: desgaste físico; má nutrição; dificuldade na execução de atividades físicas,
ou seja, apesar do alto treino a qualidade dos esforços físicos diminui; prática excessiva e descontrolada
de atividade física.

Ortorexia
▪ A ortorexia, apesar de ainda pouco conhecida, é preocupante, pois ameaça à saúde do corpo e a saúde
mental e emocional das pessoas.
▪ Indivíduo realiza análise pormenorizada das características de cada alimento.
▪ Pensar diariamente no conteúdo nutricional de cada alimento, preocupando-se quando come qualquer
coisa que não se enquadre nos parâmetros saudáveis.
▪ Comportamento alimentar rígido, radical associado a perda de muito peso sem seguir conscientemente
uma dieta.

Drunkorexia

▪ Termo criado nos EUA para definir o alcoolismo associado a distúrbios alimentares.
▪ Distúrbio muito comum entre jovens e adultos de idade entre 20 e 40 anos, que ingerem bebidas
alcoólicas no lugar da refeição, restringindo a absorção das calorias necessárias ao corpo humano,
fazendo uso abusivo do álcool a fim de obter ou manter uma imagem que considera adequada.
▪ O álcool anestesia emoções ruins como a frustração, e no caso da drunkorexia, reduz o apetite. No
funcionamento orgânico beber com estômago vazio acelera os efeitos do álcool.
▪ O tratamento da drunkorexia é integrado e considera tanto o problema da anorexia, quanto o da possível
dependência alcoólica.
▪ Normalmente são combinados medicamentos (no geral, antidepressivos), apoio familiar e terapia
cognitivo-comportamental.

Aspectos relacionados a psicologia organizacional

Importância de um bom currículo:


▪ O currículo é o primeiro contato que o empregador tem com o candidato;
▪ É o seu cartão de visitas, sua propaganda pessoal: é o que abre a porta para uma entrevista;
▪ Fornece informações importantes para que o entrevistador conheça um pouco sobre sua trajetória.

Fique atento:

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▪ Informações desatualizadas e/ou incompletas;
▪ Linguagem desapropriada, erros gramaticais e/ou de digitação;
▪ Colocar foto sem que tenha sido pedido no anúncio da vaga;
▪ E-mails pessoais inapropriados;
▪ Mentiras.

Formatando seu currículo

Dados iniciais
Nome completo, idade, estado civil, endereço residencial completo, telefone e e-mail
Objetivo
Escreva o nome do cargo a qual está se candidatando
Formação acadêmica
Mencione o nome do curso (seja técnico, profissionalizante, graduação, especialização...), seguido pelo
nome da instituição onde foi realizado, local e ano de conclusão. Importante que as informações
apareçam de forma decrescente (do mais recente para o mais antigo)

– Caso ainda não tenha concluído algum curso, cite o Ensino Médio acompanhado das mesmas
informações descritas acima.

Vida profissional
Cite o nome da instituição, seguido do cargo/função exercido. Posteriormente datas de admissão e
demissão (mês e ano). A descrição das atividades desenvolvidas é optativa (caso deseja fazê-lo, escreva
entre 3 a 5 linhas no máximo).

Cursos e capacitações

Citar cursos e capacitações realizados, seguido da instituição que realizou o curso/treinamento. Não
esquecer de mencionar a data da participação e a carga horária da atividade.

Informações gerais
Inserir informações importantes e que são seu diferencial para a vaga (ex. CNH AB)
Currículo para o primeiro emprego – dicas:

Dê ênfase aos cursos realizados. Informações sobre trabalhos temporários, voluntários, estágios e
eventos poderão ser um diferencial.

Entrevista de emprego
▪ A entrevista de empregos pode ser: coletiva (visa comparação dos candidatos e torna mais rápido o
processo seletivo) e/ou individual.

Atitudes que deverão ser evitadas


▪ Falar mal do último emprego e/ou do superior, chefia;
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▪ Chegar atrasado;
▪ Não desligar o celular;
▪ Demonstrar pressa;
▪ Não interagir com entrevistador: não fazer perguntas, não demonstrar interesse pela vaga;

Atitudes que deverão ser realizadas


▪ Antes da entrevista, busque informações sobre o local/instituição;
▪ Confirme se sabe o endereço e estime o tempo necessário de deslocamento até lá;
▪ Demonstre segurança: ser um bom ouvinte, manter contato visual, tenha atenção quanto a postura e o
vocabulário utilizado;
▪ Pense previamente em possíveis perguntas a serem feitas e reflita qual a melhor forma de responde-
las.

Imagem pessoal
▪ Evite: vestidos, saias, shorts, bermudas, jeans destroyed, roupas com brilhos, camisetas e
transparências;
▪ Prefira: calça jeans sem muitos detalhes, camisa em tons neutros e sapato fechado;
▪ Atenção: maquiagem e perfume forte, acessórios (cintos, cordões, colares, anéis, pulseiras, brincos,
relógios...);
▪ Conservação das roupas: botões, puídos...
▪ Aparência pessoal: manutenção das unhas, cabelo, barba.

Dinâmica de grupo:
▪ Serve como uma atividade a nível classificatório ou desclassificatório para a próxima etapa do processo
seletivo;
▪ Utilizada para acompanhar a reação dos cândida dos diante de um trabalho em equipe;
▪ Fornece uma estimativa de como o candidato irá se comportar em situações semelhantes no ambiente
de trabalho;
▪ Possível identificar habilidades, criatividade, desempenho nas tarefas em equipe, traços de liderança
entre outros.

Erros mais comuns:


▪ Atitude arrogante como consequência do empenho em demonstrar certa qualidade/habilidade;
▪ Demonstrar timidez demasiada, sem participação efetiva na tarefa;
▪ Fingir comportamentos;
▪ Boicotar algum membro do grupo;
▪ Buscar destaque em excesso;
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▪ Não permitir ou atrapalhar a participação de outros candidatos.

Dicas importantes:
▪ Aposte no autoconhecimento;
▪ Tenha iniciativa e criatividade;
▪ Busque bom relacionamento com o grupo;
▪ Informe-se sobre a instituição e cargo pretendido.

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