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Desenho de projeto de Engenharia Civil

- Notas de Aula -

1◦ sem/2015
Atenção:
O presente material tem como objetivo servir como material de apoio a disci-
plina Desenho de Projeto de Engenharia Civil ministrada no curso de Enge-
nharia Civil do Centro Universitário de Barra Mansa-UBM. Ele não deve ser
encarado como completo. A bibliograa, as normas indicadas, os exercícios
propostos, as discussões e orientações em sala complementam o conteúdo
deste texto.

Sistema de avaliação:
Nota I: Uma prova com questões objetivas e subjetivas valendo 8,0 (oito)
pontos; Atividades práticas no valor total de 2,0 (dois) pontos.

Nota II Uma prova com questões objetivas e subjetivas valendo 6,0 (seis)
pontos; Uma avaliação multidisciplinar com valor de 2,0 (dois) pontos;
Atividades práticas no valor total de 2,0 (dois) pontos.

FINAL Prova com questões objetivas e subjetivas valendo 10,0 (dez) pon-
tos.

Bibliograa básica:
MONTENEGRO, Gildo A. Desenho de projetos em arquitetura, projeto de
produto, comunicação visual e design de interior. Porto Alegre: Editora Ed-

gard Blucher, 2010.


FERREIRA, Patricia. Desenho de arquitetura. São Paulo: Editora ao Livro
Técnico, 2011.
LEGGITT, Jim. Desenho de arquitetura - Técnicas e atalhos que usam tec-
nologia. São Paulo: Editora Bookman, 2011.

Bibliograa complementar:
NEUFERT, E. Arte de projetar em arquitetura: princípios, normas, regula-
mentos sobre projeto, construção, forma, necessidades e relações espaciais,

dimensões de edifícios, ambientes, mobiliário, objetos. 17 . ed. São Paulo:

G.Gilli, 2004.
MONTENEGRO, Gildo. Desenho arquitetônico. São Paulo: Edgard Blu-
cher, 2002.
MAGUIRE, D.; SIMMONS, C. Desenho Técnico: Problemas e Soluções Ge-
a
rais de Desenhos. 1 edição. Editora Hemus, 2004.
Sumário

1 O PROCESSO DE PROJETO 1
1.1 O inter-relacionamento entre a Engenharia e a Arquitetura . . 1
1.1.1 A importância da compatibilização de projetos como
fator de redução de custos na construção civil . . . . . 2
1.1.2 Compatibilização de projetos: Análise de algumas fa-
lhas em uma edicação pública . . . . . . . . . . . . . 13
1.1.3 Como a compatibilização de projetos pode diminuir
custos, gastos e retrabalhos na Construção Civil . . . . 29
1.2 Denições sobre o processo do projeto arquitetônico . . . . . . 52
1.3 Reexão sobre metodologias de projeto arquitetônico . . . . . 54
1.4 Roteiro para desenvolvimento do projeto de arquitetura da
edicação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 67

2 ATIVIDADES INICIAIS DO PROJETO 74


2.1 Programa de Necessidades . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 74
2.2 Fluxograma e Setorização . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 75
2.3 Partido Arquitetônico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 76

3 NORMAS TÉCNICAS PARA ELABORAÇÃO DE PROJE-


TOS DE EDIFICAÇÕES 79
3.1 NBR 10068 - Folha de desenho - Leiaute e dimensões . . . . . 80
3.2 NBR 13142 - Desenho técnico - Dobramento de cópia . . . . . 80
3.3 NBR 10582 - Apresentação da folha para desenho técnico . . . 81
3.4 NBR 6492 - Representação de projetos de arquitetura . . . . . 84
3.4.1 Carimbo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 84
3.4.2 Tipos de letras e números . . . . . . . . . . . . . . . . 86
3.4.3 Linhas de representação . . . . . . . . . . . . . . . . . 86
3.4.4 Escalas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 87
3.4.5 Cotas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 87
3.4.6 Numeração e títulos dos desenhos . . . . . . . . . . . . 88
3.4.7 Norte . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 88

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Desenho de projeto de Engenharia Civil

3.4.8 Indicação gráca dos acessos . . . . . . . . . . . . . . . 89


3.4.9 Indicação de sentido ascendente nas escadas e rampas . 89
3.4.10 Indicação de inclinação de telhados, caimentos, pisos,
etc. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 90
3.4.11 Marcação dos cortes gerais . . . . . . . . . . . . . . . . 90
3.4.12 Indicação das fachadas e elevações . . . . . . . . . . . . 90
3.4.13 Marcação de detalhes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 91
3.4.14 Designação das portas e esquadrias . . . . . . . . . . . 92
3.4.15 Representação dos materiais mais usados . . . . . . . . 92
3.5 Desenhos utilizados na representação do projeto arquitetônico
de uma edicação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 92
3.5.1 Planta baixa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 92
3.5.2 Cortes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 95
3.5.3 Fachadas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 98
3.5.4 Planta de situação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 98
3.5.5 Planta de cobertura . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 98
3.5.6 Planta de locação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 99
3.5.7 Organização das folhas . . . . . . . . . . . . . . . . . . 99
3.6 Índices e variáveis urbanísticas . . . . . . . . . . . . . . . . . . 101
3.6.1 Taxa de Ocupação (T.O.) . . . . . . . . . . . . . . . . 101
3.6.2 Coeciente de Aproveitamento (C.A.) . . . . . . . . . . 102
3.6.3 Taxa de Permeabilidade (T.P.) . . . . . . . . . . . . . 103
3.6.4 Gabarito . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 103
3.6.5 Afastamentos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 103
3.7 Topograa: informações necessárias . . . . . . . . . . . . . . . 104

4 NOÇÕES DE CONFORTO 106


4.1 Insolação e iluminação natural . . . . . . . . . . . . . . . . . . 106
4.1.1 Iluminação lateral . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 107
4.1.2 Iluminação zenital . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 109
4.2 Orientação das edicações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 110

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Capítulo 1
O PROCESSO DE PROJETO

1.1 O inter-relacionamento entre a Engenharia


e a Arquitetura
A construção civil brasileira tem experimentado uma evolução nas exigências
do mercado por obras com maior qualidade e rapidez visando reduzir custos
e viabilizar seus empreendimentos. Dentro deste paradigma o processo de
projeto tem sofrido as mesmas pressões, hoje não se tolera mais ajustes de
obra, espera-se que todos os projetos sejam compatíveis e completos. A
falta de compatibilidade entre o projeto arquitetônico, o estrutural e os de
instalações é de certa forma usual. Um reexo da falta de integração entre
os prossionais envolvidos.
Uma vez que o projeto arquitetônico é o primeiro a ser desenvolvido, ele
é o responsável pelo desenvolvimento de todos os outros. Como as outras
disciplinas não são, normalmente, de especialidade do projetista da arquite-
tura do edifício outros prossionais, obviamente, desenvolverão os projetos
complementares e necessários a construção da edicação. Deve-se, portanto,
haver um diálogo aberto entre todos os esses prossionais com o objetivo de
conceber o edifício, como um todo, o mais el possível ao que foi idealizado
e caso necessário, as mudanças necessárias a concepção inicial deveram ser
realizadas em consenso.
Este capítulo discutirá a questão de compatibilização de projetos e seus
impactos sobre o processo construtivo e ao negócio construção. Será abor-
dado, também, metodologias para o processo de projetar.

1
Desenho de projeto de Engenharia Civil

1.1.1 A importância da compatibilização de projetos


como fator de redução de custos na construção
civil

A importância da compatibilização de projetos como fator de redução de custos na construção civil


Julho 2014
A importância da compatibilização de projetos como fator de redução de
custos na construção civil
José Marcos do Nascimento - marcos_nascimento@ibest.com.br
Master em Arquitetura
Instituto de Pós-Graduação e Graduação – IPOG
Goiânia, GO, 08 de agosto de 2013

Resumo

Este artigo procura refletir sobre as perdas na construção civil e as possíveis reduções de custo,
embasada na baixa dos lucros ocasionados pelo desperdício relacionados a perda de materiais,
retrabalho e má gestão dos projetos. Procurou-se relacionar e discutir os problemas encontrados nas
obras através de um estudo de caso devido às deficiências de projetos, tomando-se como referência o
fluxo de processo de elaboração de projetos desenvolvido pelas empresas. Objetivando conscientizar
para a importância da compatibilização de projetos como fator primordial para diminuição de
retrabalhos e problemas durante a execução dos serviços, este trabalho pretende demonstrar os
benefícios da compatibilização de projetos em obras de construção civil, objeto de estudo e na
racionalização de seus processos a fim de aprimorar sua construtibilidade.

Palavras-chave: Construção civil, projetos, compatibilização, redução de custos.

1. Introdução

Este artigo foi construído objetivando analisar os conceitos de perda na construção civil que ocorrem
com freqüência e são em sua maioria associados ao desperdício de materiais. O conceito de perdas na
construção civil é, com freqüência, associado unicamente aos desperdícios de materiais. No entanto,
as perdas estendem-se além deste conceito e devem ser entendidas como qualquer ineficiência
que se reflita no uso de equipamentos, materiais, mão de obra e capital em quantidades
superiores àquelas necessárias à produção da edificação. Neste caso, as perdas englobam tanto a
ocorrência de desperdícios de materiais quanto a execução de tarefas desnecessárias que geram
custos adicionais e não agregam valor.
Tais perdas são conseqüência de um processo de baixa qualidade, que traz como resultado não só
uma elevação de custos, mas também um produto final de qualidade deficiente. Muitas vezes
ocasionados por processos que poderiam ser evitados fosse uma análise mais profunda na elaboração
dos projetos e fossem acompanhados de uma compatibilização adequada.
Os projetos arquitetônicos, segundo Adesse (s/d, p.2) precisam ser valorizados como a "espinha
dorsal" do processo de produção, na mesma proporção que se exige a melhoria da qualidade das obras,
considerando tanto os aspectos econômicos quanto funcionais, deixando, dessa forma, de serem
considerados como os “vilões da qualidade”.
Desta forma, arquitetos, engenheiros, fornecedores, agentes financeiros, investidores, entre outros, são
envolvidos nas fases do processo do projeto que teoricamente, termina no cliente ou usuário
final. Compõem esse processo os projetos de arquitetura, estrutura, instalações hidráulicas, elétricas,
telefonia, incêndio, ar condicionado, lógica, impermeabilização, alvenarias, fachadas, caixilharia,
paisagismo, comunicação visual, decoração de interiores, entre outros, de acordo com a necessidade
do empreendimento e as exigências do empreendedor destacando-se que esse processo se inicia no
promotor do empreendimento.(ADESSE, s/d, p.2)

ISSN 2179-5568 – Revista Especialize On-line IPOG - Goiânia - 7ª Edição nº 007 Vol.01/2014 Julho/2014

Disponível em: http://www.ipog.edu.br/revista-ipog/download/a-importancia-da-compatibilizacao-de-projetos-


como-fator-de-reducao-de-custos-na-construcao-civil

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Desenho de projeto de Engenharia Civil

A importância da compatibilização de projetos como fator de redução de custos na construção civil


Julho 2014

Enfocando a qualidade e efetivo sucesso nas obras, observa-se o crescimento na quantidade de


projetos das especialidades e especialistas. Cabe ressaltar que, por conta da importância do
projeto na execução da obra, verifica-se, para cada um desses projetos, o aumento das
exigências em relação à qualidade, o número de detalhes construtivos, padronização e
responsabilidade de seus projetistas. Observam-se empreendimentos multidisciplinares e complexos
com muitas informações, decisões, escolhas, tecnologias, prazos, custos, pessoas e procedimentos,
evidenciando a necessidade de coordenação e integração entre todos.

Breve relato da importância da compatibilização de projetos.

Nos últimos anos o Brasil vem passando por uma vertiginosa transformação na indústria da
construção civil. Como aumento na demanda de novas habitações e infra-estrutura, resultado das
políticas de expansão de crédito e programas de financiamento, o setor cresce a taxas acima do
PIB brasileiro. Este crescimento impulsiona o desenvolvimento de toda cadeia da construção civil,
como novas tecnologias, materiais e equipamentos, refletindo diretamente no processo de produção
dos empreendimentos.
Todo esse movimento gera mudanças, seja nos aspectos tecnológicos, culturais ou
mercadológicos, influenciando diretamente na concepção dos projetos. Estes devem, cada vez
mais, serem inovadores e adequados as necessidades atuais, atendendo a expectativas de
construtores, incorporadores e consumidor, não só em qualidade, mas também em eficiência e
produtividade.

De acordo com Ávila:


O processo projetual no Brasil era tratado de forma pouco investigativa pelos empreendedores,
desconsiderando questões fundamentais para o desenvolvimento do empreendimento. “Apesar
dessa importância, os projetos têm sido tratados pelas empresas de construção como uma
atividade secundária que é via de regra, delegada a projetistas independentes, contratados por
critérios preponderantemente de preço do serviço. Outra característica dos projetos no setor é
que eles são orientados para a definição do produto sem considerar adequadamente a forma e
as implicações quanto à produção das soluções adotadas. Mesmo as especificações e
detalhamentos de produto, muitas vezes, são incompletas e falhas, sendo resolvidas durante a
obra, quando a equipe de produção acaba decidindo sobre determinadas características do
edifício não previstas em projeto. (AVILA, 2011, p.12-13).

Dentro desta temática, os edifícios de múltiplos andares passam por uma padronização do partido
arquitetônico, devido a necessidades de mercado em tornar o produto final adequado ao maior
número de pessoas. Este nivelamento da organização espacial permite a utilização de soluções
coordenadas como shafts, prumadas, modulações e redes de distribuição, que imprescindivelmente
necessitam de uma análise mais apurada.
Assim cada novo empreendimento traz consigo especificidades, definidas por questões locais, de
implantação e entorno, ou imposições de mercado, gerando características construtivas específicas
que originam um conjunto de projetos único, de diversas especialidades, necessários para perfeita
execução da construção.
Segundo Callegari, quando a atividade de projeto é pouco valorizada, os projetos são entregues à
obra repletos de erros e de lacunas, levando a grandes perdas de eficiência nas atividades de
execução, bem como ao prejuízo de determinadas características do produto que foram idealizadas
antes de sua execução. Isso é comprovado pelo grande número de problemas patológicos dos edifícios
atribuídos às falhas de projeto. Callegari (2007).

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A importância da compatibilização de projetos como fator de redução de custos na construção civil


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De acordo com Callegari (2007) deve-se conscientizar de que o projeto tem autossuficiência e
informação de alto-nível para permitir eficientes planejamentos e programações, controle de
materiais, execução, tempo, mão-de-obra, bem como a qualidade destas, para subsidiar as
atividades de produção em canteiro.
Estes projetos quando desenvolvidos em um ambiente multidisciplinar, onde há a cooperação dos
diversos profissionais envolvidos na concepção do empreendimento, tendem a ser mais bem
resolvidos, diminuindo retrabalhos e problemas durante a execução.
A compatibilização é ferramenta fundamental no processo de desenvolvimento dos projetos,
detectando e eliminando problemas ainda na fase de concepção, reduzindo retrabalhos, o custo da
construção e prazos de execução, qualificando o empreendimento e aumentando sua competitividade
frente ao mercado.
Desta forma este trabalho pretende demonstrar os benefícios da compatibilização de projetos em
obras de construção civil, objeto do estudo, na gestão do seu processo de desenvolvimento e na
racionalização dos métodos a fim de aprimorar sua construtibilidade.
Desenvolvimento de projetos de acordo com a ISO 9001:2008

ISO 9001:2008 – 7.3.7. Controle de alterações de projeto e desenvolvimento

Eventualmente, um projeto ou desenvolvimento podem ter que se submeter à alteração. Essas


alterações devem ser feitas seguindo alguns critérios.

Segundo a NORMA ISO9001: 2008, durante, ou até mesmo após a conclusão de um projeto ou de um
desenvolvimento, podem ser identificadas oportunidades de melhoria daquilo que já foi realizado.
Quando isso ocorre, a ISO 9001:2008 no item 7.3.7 – Controle de alterações de projeto e
desenvolvimento exige da organização que essas alterações sejam devidamente controladas.

No dicionário, FERREIRA, (1988) encontramos que “controle” pode ser:

1. Ato, efeito ou poder de controlar; domínio, governo.


2. Fiscalização exercida sobre as atividades de pessoas, órgãos, departamentos, ou sobre produtos, etc.,
para que tais atividades, ou produtos, não se desviem das normas preestabelecidas.
O primeiro passo para se exercer tal controle é identificando cada alteração no projeto e
desenvolvimento. Os registros dessas alterações devem ser devidamente mantidos para consultas
futuras conforme reza o item 4.2.4 – Controle de registros da qualidade.
Antes da implantação das alterações identificadas, a equipe responsável pelo projeto e
desenvolvimento e, se for o caso, os responsáveis pelas alterações devem ser envolvidos na realização
da análise crítica das supostas alterações. Essa análise deve considerar os efeitos que essa alteração
pode vir a produzir nas partes componentes e no produto já entregue ao cliente. Após essa análise
crítica, a equipe deve providenciar a verificação e a validação das propostas no produto. Ou seja, deve
ser verificado se após as alterações, o produto atende aos requisitos a ele impostos e se o produto
atende às necessidades do cliente. Somente então, a equipe deve proceder com a aprovação ou não das
alterações.
Em suma, na eminência de uma alteração em um projeto e desenvolvimento, a organização deve:
 identificar e registrar as alterações;
 analisar os efeitos que essa alteração produzirá em partes componentes;

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 analisar os efeitos que tais alterações irão produzir nos produtos entregues ao cliente;
 verificar as alterações;
 validar as alterações; e
 aprovar, se for o caso.

Veja o que a ISO 9001:2008 nos tem a dizer:

As alterações de projeto e desenvolvimento devem ser identificadas e registros devem ser


mantidos. As alterações devem ser analisadas criticamente, verificadas e validadas, como
apropriado, e aprovadas antes da sua implementação. A análise crítica das alterações de projeto
e desenvolvimento deve incluir a avaliação do efeito das alterações em partes componentes e
no produto já entregue. Devem ser mantidos registros dos resultados da análise crítica de
alterações e de quaisquer ações necessárias (ver 4.2.4).(ISO 9001:2008)

Percebemos então que o processo de elaboração, controle e aprovação de projetos está intrinsecamente
ligado ao processo de gestão de qualidade. Desta forma fica assegurado a garantia de que falhas pela
elaboração dos projetos uma vez que se controlados pelo processo de controle de projetos
determinados pela NORMA ISO, não deverão nem poderão ocorrer durante a execução da obra.

O projeto

O início do processo de projeto é algo indefinido, ficando a critério da percepção do projetista e das
suas habilidades acumuladas ao longo do exercício da profissão (CROSS, 1999). Porém, há um
conjunto de informações que direcionam os projetistas, fazendo com que estes desenvolvam ou
excluam algumas soluções durante o processo de desenvolvimento da edificação (JACQUES, 2000).
Estas informações são absorvidas ao longo de todo o desenvolvimento do processo de construção da
edificação, sendo que na etapa de acompanhamento da obra o engenheiro é o principal responsável por
informar os projetistas sobre as falhas de projetos na obra, servindo como feedback para os mesmos e,
por conseguinte, serem utilizadas em empreendimentos futuros das empresas. O desenvolvimento dos
diversos projetos necessários para a construção do edifício deve ser visto como um investimento e não
como custo extra, visto que é nesta fase onde se pode antever dificuldades de execução eliminando
retrabalhos posteriores. Salgado (2007) afirma que o projeto executivo pode ser um eficaz instrumento,
capaz de otimizar o uso dos materiais, levando em conta suas dimensões, diminuindo desperdícios na
hora de sua colocação e de orientar/estudar as melhores soluções de integração dos sistemas
construtivos utilizados evitando, assim, incompatibilidades entre os mesmos.
Diante das constatações do setor, nos benefícios do desenvolvimento coordenado da construção, o
projeto passou a ser a “espinha dorsal” de qualquer empreendimento, devendo ser explorado ao longo
de seu desenvolvimento, com a finalidade de se equalizar as diversas especialidades envolvidas, a fim
de se racionalizar a construção.
Portanto, centralizando-se no engenheiro de obra como interveniente essencial para o feedback dos
projetos, propôs-se pesquisar o ponto de vista dos mesmos quanto à qualidade dos projetos recebidos.
Para tal, aplicou-se um questionário com alguns engenheiros de obras, tendo como objetivo contribuir
para a melhoria do processo de projeto através da avaliação dos problemas que ocorrem durante a
execução da obra ocasionada por falhas ou indefinições de projeto.

O questionário utilizado nas entrevistas teve como base as questões a seguir:

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1. Relatar os problemas construtivos ocasionados por indefinições ou falhas nos seguintes projetos:
Instalações elétrico-telefônicas, Instalações hidro-sanitárias, Instalações de gás e de combate a
incêndio, Arquitetura, Estruturas, Fundações, Drenagem e Luminotécnico.

2. Quais os demais projetos que você julga necessário para a execução de uma obra com qualidade?

3. Comentar sobre erros comuns em obras por falta de uma melhor compatibilização de projetos.

4. Comentar sobre erros comuns em obras por motivos de falta de detalhamento de projetos.

5. Como se dá a troca de informações entre a obra e o núcleo de projetos quanto à questão de sanar
uma dúvida ou resolver um problema (tempo de resposta, prontidão, visita a obra, envio da
informação, relacionamento)?

7. Ocorrem atrasos na execução de atividades por motivo de atrasos na entrega do projeto de


execução?

8. Quais os principais problemas relacionados com compras e projetos, como: erros de compras, atraso
nos pedidos, etc.

9. Há mudança de projeto feita diretamente na obra, sem consulta do projetista? Com que freqüência?
Em quais projetos isto ocorre?

2. Problemas construtivos ocasionados por indefinições ou falhas de projetos

Aqui serão apresentados os resultados sobre os problemas na execução das edificações,


especificamente na construção de condomínios residenciais, ocasionados por falhas no processo de
projeto.
Dividiu-se esta fase da pesquisa de acordo com os tipos de projetos executados. Assim tem-se:
Instalações Elétrico-Telefônicas
Nas entrevistas, detectou-se que alguns projetos de instalações elétrico-telefônicas possuem erros de
mau posicionamento de eletro dutos, com a locação dos pontos de luz e de tomadas não coincidindo
com a realidade de execução. Além disso, foi relatado que o projeto executivo, em algumas obras, não
foi disponibilizado em tempo hábil e a obra foi sendo realizada a partir do projeto legal, gerando erros
nos furos das passagens na laje, entre outros problemas.
Instalações Hidro-Sanitárias
Nos projetos de instalações hidro-sanitárias verificou-se a falta de detalhamentos. Outro problema
observado foi na locação dos pontos de passagem na laje, pois estes não coincidiam com a realidade de
execução.
Apesar de os projetos de instalações hidro-sanitárias e elétrico-telefônicas serem desenvolvidos,
geralmente, pelo mesmo fornecedor, estes apresentaram incompatibilidades entre si. Como exemplo,
tem-se que em um empreendimento, pôde-se verificar que no projeto de instalações o chuveiro é
posicionado de um lado do banheiro e no projeto elétrico o ponto elétrico deste fica em outra parede.
Instalações de Gás e de Combate a Incêndio
Estes projetos também apresentam alguns problemas de falta de compatibilidade. Além disso, de
acordo com alguns entrevistados, o projeto de instalações de gás é o que contém o menor número de
detalhes necessários a sua execução.

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Arquitetura
Juntamente com os projetos de instalações, estes são os que mais levam o engenheiro de obras a
consultar o núcleo de projeto para dirimir dúvidas.
Entre os problemas detectados verificou-se que os projetos de arquitetura apresentam erros de cotas,
falta de detalhamento em relação às cotas de nível do pavimento térreo. Além disso, não possuem, em
alguns empreendimentos, detalhes executivos da guarita (corte e fachada), que ocasionam dúvidas em
relação à construção deste ambiente no final da obra.
Além disso, o projeto de cobertura não vem sendo detalhado ocasionando dúvidas constantes quando
da execução desta fase da obra. Diante disso, o projeto de arquitetura deverá conter o detalhamento do
madeiramento, do chapim a ser colocado etc.
Os projetos antigos possuíam poucos detalhamentos, dificultando o trabalho do construtor. Entretanto,
o número de detalhamentos no projeto aumentou, possuindo, por exemplo, detalhes de peitoris,
esquadrias e contra-marcos, antes não existentes.
Estruturas
De acordo com o relato dos engenheiros entrevistados, este projeto apresenta, às vezes, erros de
desenhos, porém em quantidade menor que os demais apresentados. Um problema constantemente
verificado é o não detalhamento da cisterna em relação à laje de fundo e paredes, onde faltava o
detalhamento do tipo de laje a ser executada e o tipo de armadura. Os engenheiros detectaram também
a necessidade de um maior detalhamento da armadura e o tipo da laje da guarita.

3. Projetos necessários para a execução de uma obra com qualidade

Através das entrevistas feitas com os engenheiros de obra verificou-se que, em geral, os projetos
atendem suas necessidades. No entanto, os entrevistados citaram alguns projetos que podem contribuir
para a execução de uma obra com mais qualidade, como o projeto de passagens de instalações na
estrutura e o projeto de impermeabilização, que foram implantados recentemente na empresa, sendo
que estes projetos são conhecidos apenas por alguns engenheiros de obra.
Os demais projetos, ainda não desenvolvidos pela empresa como paginação da fachada, alvenaria e
paginação de piso, foram introduzidos recentemente no processo de projeto da empresa, sendo
verificada a opinião dos engenheiros quanto à implantação ou não dos mesmos:

Projeto de Passagens de Instalações na Estrutura

O projeto de passagens de instalações na estrutura é um projeto bastante útil para a execução correta da
previsão de furos nas lajes. Entretanto, este projeto conforme já citado anteriormente apresenta
problemas, ocasionando um posterior retrabalho e assim aumento de custo. Deste modo, este projeto
deveria ser entregue antes do início da obra para que fosse analisado detalhadamente pelo engenheiro
da obra.

Projeto de Paginação de Fachada

Este é um projeto que será de grande utilidade dependendo do tipo de empreendimento, visto que para
fachadas que não possuem um grande percentual de revestimento cerâmico não seria necessário. De
acordo com os engenheiros entrevistados, este projeto poderia conter o tipo, a localização e a espessura
das juntas de dilatação, bem como o tipo de argamassa a ser utilizada, a definição da colocação de tela
aramada etc.

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Desenho de projeto de Engenharia Civil

A importância da compatibilização de projetos como fator de redução de custos na construção civil


Julho 2014
Projetos de Alvenaria

O projeto de alvenaria, para um empreendimento em alvenaria estrutural, é essencial e já vem sendo


realizado pela empresa. Entretanto, para um prédio em estrutura de concreto, que trabalha apenas com
alvenaria de vedação, este projeto é necessário para reduzir os desperdícios dessa atividade, visto que a
execução desta atividade se dará de forma mais racionalizada, pois conterá o detalhamento da altura de
vergas, encunhamento, contra-vergas, quantidade de fiadas de tijolo, espessura da junta,
posicionamento das instalações e interruptores etc.

Projetos de Paginação de Piso

O projeto de paginação de piso já existe nos novos projetos de arquitetura, entretanto precisam ser
mais bem detalhados, pois os detalhes existentes mostram a partida da cerâmica, entretanto não
detalham o arremate do final do piso revestido.

Projetos de Impermeabilização

De acordo com as entrevistas, a criação de um projeto de impermeabilização terá importante papel na


execução da obra, porque, de acordo com os engenheiros entrevistados, o desenvolvimento deste
projeto apresentará detalhes, tais como: arremates de manta asfáltica, acabamento da manta em ralos
etc.

4. Incompatibilidade do projeto

Os entrevistados informaram que as falhas de projeto por motivo de problemas de compatibilização


são comuns. De acordo com os respondentes, é comum encontrar erros referentes a incompatibilidades
entre os projetos de estruturas e instalações, bem como entre os projetos de arquitetura e drenagem.
Entre os erros mais comuns pode-se relacionar a incorreta localização dos furos de passagens nas lajes
e a mudança no sentido dos pilares de um prédio.

Falta de detalhamento de projetos

Na opinião dos engenheiros entrevistados, as maiorias dos projetos não são feitos com os detalhes
necessários à sua execução. Entretanto, os projetos de instalações de gás são os menos detalhados.
Como exemplo, tem-se a indefinição do posicionamento da tubulação de gás, pois, muitas vezes, "não
se sabe se esta deverá ser executada por cima ou por baixo da manta de impermeabilização", como
mencionou um dos respondentes.
Outro problema constatado foi referente ao projeto de arquitetura ou ao de instalações hidro-sanitárias
que não contém detalhamento dos shafts, em relação, por exemplo, ao tipo de material que será
utilizado como fechamento da área de visita de manutenção neste shafts, a altura dessa visita, etc.
Apesar disso, os novos projetos estão sendo mais bem detalhados, ocasionando, por conseguinte, uma
redução do número de consultas ao núcleo de projetos

Atrasos na execução de atividades por motivo de atrasos na entrega do projeto de execução.

Durante as entrevistas realizadas com os engenheiros de obra procurou-se avaliar quais projetos
atrasam a obra por não serem disponibilizados em tempo hábil. Todos os entrevistados comentaram

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A importância da compatibilização de projetos como fator de redução de custos na construção civil


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sobre os atrasos dos principais projetos da edificação: arquitetura, estruturas e instalações e alguns
projetos de produção, ressaltando-se que o projeto de instalações contra-incêndio e de gás é
disponibilizado em tempo hábil visto que não possuem um projeto executivo, sendo utilizado nas obras
apenas o projeto desenvolvido para efeito de aprovação.

Núcleo de compras x obras

Durante as entrevistas, verificou-se que a falta de especificações em alguns projetos torna a solicitação
de compras ao setor de suprimentos um processo bastante complexo, ocasionando pedidos errados.
O projeto de instalações hidro-sanitárias poderia conter o quantitativo das conexões de cada isométrico
detalhado na prancha, bem como o quantitativo das tubulações constantes nas plantas baixas, com o
objetivo de uma melhor definição nas quantidades de compra destas peças.
A existência de falhas entre as especificações e o projeto de arquitetura, também ocasionam erros nos
pedidos de compra, visto que alguns detalhes existentes no projeto de arquitetura, às vezes, não estão
especificados.
Em resumo, a relação obra x suprimentos melhorou muito, mas ainda ocorrem alguns problemas que
precisam ser solucionadas através de especificações mais claras e detalhadas, bem como de um melhor
fluxo de informações, pois em alguns projetos não se especificam detalhadamente o material a ser
utilizado, acarretando problemas no momento da solicitação dos pedidos ao núcleo de suprimentos.

Resultados

No processo de projeto desenvolvido na empresa foi detectado que o engenheiro de obra não participa
ativamente do desenvolvimento dos projetos, participando apenas das reuniões com a equipe ampliada
interna da empresa, sendo esta uma das causas dos inúmeros problemas relatados pelos engenheiros
nas entrevistas.
Pode-se afirmar que uma das principais contribuições destas entrevistas foi o conhecimento das
principais falhas de projetos, na visão dos engenheiros, que, na empresa em estudo, não estão sendo
utilizadas pelos projetistas como feedback para empreendimentos futuros.

5. A compatibilização

De acordo com o SEBRAE (1995), compatibilização define-se como uma atividade de gerenciar e
integrar projetos correlatos, visando ao perfeito ajuste entre os mesmos e conduzindo para a obtenção
dos padrões de controle de qualidade total de determinada obra.

Segundo Picchi (1993), a compatibilização de projetos compreende a atividade de sobrepor os vários


projetos e identificar as interferências, bem como programar reuniões, entre os diversos projetistas e a
coordenação, como objetivo de resolver interferências que tenham sido detectadas.

Para Grilo (2002) a compatibilização tem como intuito subordinar os interesses individuais dos
projetistas às demandas do processo como um todo e salienta a necessidade que se trabalhe dentro de
uma visão sistêmica, onde todos os intervenientes passam a ter um papel fundamental no processo
tanto na participação cooperativa no desenvolvimento dos projetos quanto no próprio aprimoramento
contínuo deste processo.

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Já Salgado (2004) enfatiza que este procedimento deve ser realizado no âmbito da coordenação de
projetos, com o intuito de conciliar física, geométrica, tecnológica e produtivamente, os componentes
que interagem nos elementos verticais e horizontais das edificações. Ainda segundo o autor, estes
procedimentos constituem-se num importante fator de melhoria da construtibilidade e da
racionalização construtiva por promover a integração dos diversos agentes e especialidades com a
produção.

Embasados nestes conceitos procuramos apresentar algumas técnicas de compatibilização de projetos


utilizadas por empresas e profissionais que atuam na área e que servirão de base para orientar aqueles
que buscam a melhoria de seus processos.

6. Técnicas de compatibilização de projetos

A compatibilização, num sentido amplo, não ocorre isoladamente. São necessárias ferramentas que a
viabilizem. Estas ferramentas podem ser chamadas de “Técnicas de Compatibilização”, e são
estratégias adotadas que facilitam o trabalho do profissional responsável pela compatibilização.
Atualmente a Tecnologia da Informação oferece recursos que apóiam esta tarefa. Neste trabalho
serão apresentadas as seguintes técnicas: o uso de Extranets, a sobreposição de projetos e o uso de
listas de checagem (“check-lists”).
Extranets
As Extranets vêm sendo utilizadas na Construção Civil de modo a otimizar o trabalho do
coordenador de projetos.
De acordo com Soibelman (2000), os membros envolvidos no projeto se comunicam através de e-
mails e de um ambiente colaborativo, onde cada agente tem acesso individual e controlado, tendo a
possibilidade de transferir e compartilhar arquivos, sendo possível acompanhar um projeto desde
seu planejamento até a sua construção.
Além de suprir as necessidades inter organizacionais, a ferramenta ainda tem a função de um
arquivo virtual, que armazena o banco de dados de uma construção. Há, no entanto, problemas de
superlotação de informações, o que gera a necessidade de melhor organizar os dados do projeto.

Sobreposição de projetos

A sobreposição é uma técnica de apoio a coordenação utilizada para verificar a compatibilidade entre
projetos de diversas especialidades. O pressuposto do projeto simultâneo tem por objetivo integrar o
desenvolvimento do produto ao desenvolvimento dos outros processos envolvidos por intermédio da
cooperação entre os diversos agentes, de acordo com Fabrício (2002).
Algumas empresas utilizam-se de ferramentas de última geração para viabilizar a sobreposição de
projetos, principalmente com o advento da Tecnologia da Informação. Uma alternativa é o uso do
modelo 3D integrado e/ou único de projeto. Neste contexto a troca de informação entre projetistas e
suas respectivas ferramentas não se restringe ao desenho 2D e é ampliado para ou até mesmo focado
no modelo 3D (STAUB-FRENCH; KHANZODE, 2007). Entretanto, persiste o uso de técnicas
relativamente atrasadas, comparando prancha por prancha e detectando visualmente as
incompatibilidades. Vale a pena destacar que Ferreira e Santos (2007) há muito chamam a
atenção para as limitações da representação 2D na compatibilização em projetos de edifícios.
Estes autores identificam na representação 2D problemas como visão espacial restrita,
ambigüidade, generalização e simbolismos empregados são fontes de erro de construtibilidade,
especificação e compatibilização.

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De acordo com Junior (2000), há uma grande necessidade de um maior envolvimento do


projetista na interferência da sobreposição de projetos, principalmente de Arquitetura e Estrutura, já
que estes são os que mais interferem no sistema de processo e execução, por exemplo, de fôrmas
metálicas a utilizar na obra. Com pequenas modificações coerentes na concepção arquitetônica e
estrutural, consegue-se obter economias que podem representar até 20% no custo da estrutura, pois
antecipam questionamentos a suas respectivas soluções. Esta etapa pode ser considerada decisiva em
um projeto, pois poupa além de custos, prazos, uma vez que são evitados supostos re-trabalhos.
Listas de checagem
Uma lista de checagem é uma ferramenta utilizada na coordenação de projetos que tem como
objetivo a revisão das atividades do projeto, em todas as suas etapas. Como o próprio nome
enuncia trata-se de uma lista referente a informações que devem ser lembradas e checadas pelo
responsável a tal atividade.
Muitas vezes auxilia como método de prevenção de problemas ou interferências antes da obra ser
iniciada, pois a lista possui todos os requisitos necessários para minimizar ou até mesmo eliminar
possíveis erros no projeto, e ao inter-relacionar cada especialidade, os requisitos são então
repassados.
No geral, as listas de checagem são elaboradas baseadas em erros já ocorridos e experimentados,
o que aumenta ainda mais a sua credibilidade. Através desta experiência é possível utilizar
soluções que tiveram sucesso no passado para o presente.

CONCLUSÃO

Vimos que o processo de compatibilização de projetos é bastante complexo, porem se bem coordenado
trás grandes retornos positivos para as empresas de construção civil. É claro que os profissionais
responsáveis pela compatibilização devem possuir todos os atributos necessários para execução das
etapas, alem de ter que haver uma integração e interação entre os vários profissionais envolvidos no
processo, desde o estudo preliminar dos projetos, elaboração, suprimentos até os engenheiros
responsáveis para execução dos projetos. Todas as partes devem ser ouvidas para que todos os
problemas apresentados sejam solucionados nas compatibilizações.

As técnicas aplicadas aqui variam de acordo com o nível das equipes responsáveis para as
compatibilizações e com os recursos disponíveis. O importante é deixar claro que mesmo as técnicas
mais simples e talvez menos onerosas gerem um resultado bem satisfatório na redução de custo, pois já
eliminam consideravelmente os custos com retrabalhos gerando custos com material e mão de obra
bem como compras erradas de material. Os custos com os atrasos nos cronogramas são relevantes
quando se tem uma compatibilização mesmo que mais simples que seja.

Processos como atrasos na entrega de projetos, projetos errados ou que apresentem falhas de detalhes
executivos também devem ser considerados, pois esses atrasos apresentam resultados bem relevantes
nos custos da construção.

Referencias bibliográficas

ADESSE, E..-A importância do coordenador do projeto na gestão da construção: A visão do


empreendedor. (Dissertação) Programa de Pós-Graduação em Arquitetura PROARQ/FAU/UFRJ- Rio
de Janeiro, 2006, 10p.

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A importância da compatibilização de projetos como fator de redução de custos na construção civil


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ÁVILA, Vinícius Martins. A958c Compatibilização de projetos na construção civil [manuscrito]:
estudo de caso em um edifício residencial multifamiliar / Vinícius Martins Ávila. Monografia
apresentada ao Curso de Especialização em Construção Civil da Escola de Engenharia UFMG -- 2011.
84 f., enc.: il.

CALLEGARI, S; Análise da Compatibilização de Projetos em Três Edifícios Residenciais


Multifamiliares. Dissertação – Arquitetura e Urbanismo. Universidade Federal de Santa Catarina.
Florianópolis. 2007.

GRILO, LEONARDO_ Gestão do processo de projeto no segmento de construção de edifícios por


encomenda - Dissertação (Mestrado em Engenharia Civil) Escola Politécnica da Universidade de São
Paulo -2002,391 p

FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Dicionário Aurélio Básico da Língua Portuguesa. Rio de
Janeiro: Nova Fronteira, 1988, p. 214.

FABRICIO, M.M. Projeto simultâneo na construção de edifícios. 2002. Tese (Doutorado) – Escola
Politécnica, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2002.

JACQUES, J. J. Contribuições para a gestão da definição e transmissão de informações técnicas


no processo de projeto. Porto Alegre: Curso de Pós-Graduação em Engenharia Civil da Universidade
Federal do Rio Grande do Sul, 2000. Dissertação de Mestrado.

JÚNIOR, C. A importância das fôrmas para a qualidade da obra. TOR Engenharia, 2000.
Disponível em: <http://www.tqs.com.br/jornal/consulta/entrevistas/ent_clelio.htm>. Acesso em Julho
de 2007.

NORMA ISO 9001:2008 – 7.3.7. Controle de alterações de projeto e desenvolvimento.

PICCHI, F. A. Entrevista. Revista Téchne, São Paulo, mar. / abr. 1993


SALGADO, Mônica Santos. Gestão do Processo de Projeto na Construção do Edifício – revisão
1. Apostila. GEPARQ – Grupo de Pesquisa Gestão em Projetos de Arquitetura, Programa de
Pós Graduação em Arquitetura, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade Federal do
Rio de Janeiro, 2007.

SALGADO, Mônica Santos. Gestão do Processo de Projeto na Construção do Edifício – revisão 1.


Apostila. GEPARQ – Grupo de Pesquisa Gestão em Projetos de Arquitetura, Programa de Pós
Graduação em Arquitetura, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade Federal do Rio de
Janeiro, 2007.
SOIBELMAN, L. As perdas de materiais na construção de edificações: sua incidência e seu controle.
Porto Alegre, UFRGS, Curso de Pós-graduação em Engenharia Civil, 1993. Dissertação de mestrado

SEBRAE/ SINDUSCON – PR (Serviço Brasileiro de Apoio às Pequenas e Micro Empresas do Paraná)


Diretrizes Gerais para Compatibilização de Projetos, Curitiba, 1995, 120p.

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1.1.2 Compatibilização de projetos: Análise de algumas


falhas em uma edicação pública

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ISSN 1984-9354

COMPATIBILIZAÇÃO DE PROJETOS:
ANÁLISE DE ALGUMAS FALHAS EM
UMA EDIFICAÇÃO PÚBLICA

White José dos Santos


(EE/UFMG)
Luiz Antônio Melgaço Nunes Branco
(EE/UFMG)
Júlio Valter de Abreu Filho
(EE/UFMG)

Resumo
A construção civil nos últimos anos vive uma fase de aprimoramento
tecnológico em busca de ganhos de eficiência, redução do desperdício
e melhor qualificação dos empreendimentos. Para obter vantagens
competitivas é primordial um planejamentto bem executado e projetos
adequados e compatibilizados. Neste trabalho foram analisadas
diversas referências sobre o tema compatibilização de projetos e sua
relação com a execução da obra, o que permitiu avaliar um
empreendimento público, no qual este procedimento não foi realizado.
Constatou-se, pelo estudo de caso, a incidência de problemas, seus
custos e prazos no decorrer da obra, todos passíveis de serem
previstos, delineando assim a importância da compatibilização de
projetos. Diante dos resultados se propôs uma postura/”olhar” sobre
os elementos e as interferências encontradas em um empreendimento,
de forma a torná-lo mais eficiente.

Palavras-chaves: Compatibilização de Projetos, Eficiência, Postura


Adequada, Obra Pública.

Disponível em: http://www.excelenciaemgestao.org/

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1 INTRODUÇÃO
O Brasil vive nesta primeira década do século XXI um expressivo crescimento no setor da
construção civil e ao processo construtivo vem sendo imposto cada vez mais exigências
quanto à eficácia, eficiência, o dinamismo das interações entre os projetos/projetistas e a
execução da obra. Quando isto não se concretiza, observam-se falhas em projetos que
consomem recursos (tangíveis e intangíveis) e diminuem a competitividade da empresa.
Constata-se, nos últimos anos, que o setor da construção civil objetivando criar vantagens
competitivas e se adequar a padrões normativos e de desempenho, tem buscado
procedimentos/técnicas no sentido da padronização dos processos projetuais visando reduzir a
imprevisibilidade, eliminar os desperdícios e retrabalhos para atingir os melhores percentuais
de produtividade (SILVA; SOUZA, 2003).
Segundo Picchi (1993), a compatibilização de projetos compreende a atividade de sobrepor os
vários projetos e identificar as interferências, bem como programar reuniões, entre os diversos
projetistas e a coordenação, com o objetivo de resolver interferências que tenham sido
detectadas.
Fabrício (1999) define que, o desenvolvimento do projeto se dá a partir da sucessão de
diferentes etapas de projeto em níveis crescente de detalhamento de forma que a liberdade de
decisões entre alternativas vai sendo substituída pelo amadurecimento e desenvolvimento das
soluções adotadas ao mesmo tempo em que o projeto caminha da concepção arquitetônica
para o detalhamento dos projetos de especialidades.
Esse encadeamento é, conforme observa Melhado (1997), respaldado também pelas normas
técnicas em vigor, bem como pelos textos institucionais que tratam do assunto e que
consideram o projeto de arquitetura como o responsável pelas indicações a serem seguidas
pelos projetos de estruturas e instalações.
A fase da compatibilização de projetos, que vai além da simples compatibilização de
desenhos que compõem o projeto, acontece com integração das especialidades de projeto
entre si como procedimento que visa à identificação e resolução das interferências
previamente, para que os mesmo possam ser reduzidos a um percentual mínimo que não
dificulte a execução em obra. Desta forma, os três ganhos obtidos são refletidos em todos os
subsistemas que lhe fazem interface, possibilitando uma execução planejada, padronizada
que contribua para racionalização (GRAZIANO, 2003).

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2 COMPATIBILIZAÇÃO DE PROJETOS
A compatibilização de projetos é a atividade que compreende gerenciar e integrar os projetos
correlatos, visando o perfeito ajuste entre os mesmos e conduzindo para a obtenção dos
padrões de qualidade total de determinada obra (SINDUSCON PR, 1995 apud MIKALDO,
2006).
Compatibilizar projetos é verificar se os componentes dos sistemas ocupam espaços não
conflitantes entre si e, além disso, garantir que os dados compartilhados tenham consistência e
confiabilidade até o final do projeto (GRAZIANO,2003).
A Figura 1 traça as relações, inversas, entre a possibilidade de interferência em um
empreendimento com o custo acumulado de produção. A utilização de padrões de qualidade
como o ISO 9000 e/ou sistemas lean construction podem fazer a diferença nas fases iniciais
de projeto, diminuindo os custos e possibilitando a redefinição do programa do
empreendimento, caso se faça necessário, sem grandes atrasos.
O desperdício afeta o custo total do empreendimento e é ocasionado por falhas na
especificação de materiais; falhas de projeto; falhas de durabilidade dos componentes; da mão
de obra; do serviço terceirizado; da manutenção dos materiais utilizados nas obras, dentre
outros aspectos.

Figura 1: Capacidade de influenciar o custo final de um empreendimento de edifício ao


longo de suas fases.

Fonte: FABRICIO (2002)

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Como exemplo desta situação, pode-se observar na Figura 2 os percentuais das origens de
falhas registradas em 378 empresas ligadas ao setor da construção civil no Brasil, originado
do trabalho de MAWAKDYE (1993).
Figura 2: Origens dos problemas patológicos nas construções

Fonte: MOTTEU e CNUDDE (1989)

3 TECNOLOGIAS APLICADAS AO GERENCIAMENTO DE


PROJETOS
3.1. Extranets de projeto
O processo de comunicação tem apresentado diversos percalços em função dos modernos
empreendimentos da construção civil. Atualmente com a Internet torna-se fácil a
comunicação entre os participantes de um empreendimento mesmo que estejam em diferentes
partes do mundo. Cada vez mais aumenta a importância de comunicação clara e eficiente. A
Tecnologia da Informação aparece como potencial solução para a necessidade de
comunicação e integração (AHMAD et al, 1995; TANG et al, 2001).
Segundo Santos e Nascimento (2002) uma das principais tecnologias da Internet ligadas à
Construção Civil são os web sites (ver Quadro 1) para gerenciamento de projetos, chamados
Extranets de Projetos ou Sistemas de Gerenciamento de Projetos Baseados na Web. Estes
sistemas são baseados em tecnologias da informação que viabilizam a realização de
transações comerciais entre empresas através da Internet, prestação de serviços, troca de
informações estratégicas e a substituição de práticas como as de tirar fotocópias, envio de fax,
reuniões presenciais e uso de correio. Nestes sistemas, todos os documentos de projeto e o

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fluxo de trabalhos relativos a um empreendimento são gerenciados, compreendendo desde as


etapas iniciais de estudos de viabilidade até o término da obra, ou até mesmo operação do
edifício, proporcionando informações aos intervenientes a qualquer momento.
Quadro 1: Características da Internet, Intranet e Extranet
Internet Intranet Extranet
Usuários Público em geral Grupos ou equipes Membros de empresas
Compartilhada com
Informação Fragmentada Proprietário
confiabilidade
Acesso Irrestrito Privado Semiprivado
Firewall inteligente,
Mecanismo de Firewall,
Nenhum padrões para diversos
segurança encriptação
documentos
Fonte: PAKSTAS (1999) apud MIKALDO(2006)

4 ESTUDO DE CASO
4.1. Caracterização
A análise da compatibilização de projetos foi realizada em uma obra ainda em fase de
execução. Este empreendimento trata-se da Câmara Municipal em uma cidade do interior de
Minas Gerais, que está localizada a aproximadamente 60 km de Belo Horizonte. O projeto foi
licitado pela prefeitura e vencido pela AMECO(Associação dos Municípios do Médio Centro-
Oeste).
A elaboração dos projetos complementares teve seu início durante a execução do projeto legal
de arquitetura, sendo realizada em locais distintos. O projeto estrutural foi concebido em Belo
Horizonte e os demais projetos, elétrico, hidráulico e de incêndio, foram destinados a
projetistas locais. Durante essa etapa não ocorreu compatibilização dos mesmos devido à
pressão para rápida execução e entrega da obra. O Quadro 2 ilustra a sequência dos projetos.

Quadro 2: Características da execução do projeto e da obra.


Item Características

Projeto Sequencial –Projeto é feito e passado para o próximo


profissional, não existindo simultaneidade.

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Definições Cada profissional define suas especificações


Divulgações e Informações do Trocas de e-mail
projeto
Dimensionamento Projeto Estrutural: Auto – QI
Projeto Elétrico-Programa Eduardo Fernal
Projeto Hidráulico- Programa Eduardo Fernal
Canal de interação Apenas e-mail e telefonemas
Reuniões Primeira: Ajustes de preços/Prazo de entrega
Segunda: Licitação da obra
Obra - projetos AMECO(ASSOCIACAO DOS MUNICIPIOS)
EMPREITADA GLOBAL
ISO(NÃO UTILIZADO)

4.2. Compatibilização entre os projetos estrutural e arquitetônico


A verificação de compatibilidade entre os projetos arquitetônico e estrutural assim como as
demais foi realizada pelo arquiteto já na fase de execução. Através da sobreposição da planta
de fôrma da laje com a planta de arquitetura da edificação. Com o auxílio do software CAD –
Computer Aided Design, os arquivos digitais contendo os desenhos de cada especialidade
foram equalizados, tendo escalas de plotagem e cores dos layers ajustados para melhor
verificação. As Figuras 3 e 4 exemplificam incompatibilidades entre os projetos arquitetônico
e estrutural, nos casos abaixo os pilares foram posicionados sobre as esquadrias do projeto. A
solução adotada foi o deslocamento das esquadrias para um ponto mais próximo sem interferir
com o pilar, já que a mudança dos pilares exigiria uma nova verificação estrutural e portanto
seria de maior complexidade gerando mais despesas.

Figura 3: Arquitetura-Esquadrias em destaque

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Fonte: Ameco

Figura 4: Desenho de fôrma-Pilares P20 e P25 em destaque.

Fonte: Ameco

4.3. Compatibilização entre os projetos elétrico e estrutural


De forma análoga, os conflitos encontrados nesse caso também foram de fácil solução e
poderiam ter sido corrigidos antecipadamente com reuniões ou troca de informações.
Como pode-se perceber nas Figuras 5 e 6, a caixa elétrica foi colocada sobre o pilar P15
impossibilitando a sua construção.

Figura 5: Desenho de forma-Pilar P15 em destaque

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Fonte: Ameco

Figura 6: Projeto Elétrico-Detalhe da Caixa Elétrica sobre o pilar P15

Fonte: Ameco

A solução para o caso foi o deslocamento da caixa elétrica alguns centímetros na direção da
alvenaria, o que não ocasionou grandes alterações no projeto. Porém, o canteiro de obras foi
paralisado e os projetos finalmente foram conferidos pelo arquiteto responsável.

4.4. Impactos no cronograma financeiro da obra

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As falhas encontradas nos projetos foram notadas durante o inicio da execução da obra,
resultando na sua paralisação por cerca três semanas para leitura de todos os projetos e
readequações logo no primeiro mês de construção. Além do tempo perdido, a mão de obra
paralisada e a revisão dos projetos resultaram em gastos além dos previstos inicialmente,
como pode-se verificar no cronograma de obra mostrado na Figura 7. Como a empreitada foi
do tipo preço global o aumento do preço, em torno de 15mil reais, foi distribuído pela etapas
do projeto conforme mostra a Figura 8.
Convém lembrar que um bom planejamento físico começa muito antes do início da obra. A
quantidade e principalmente a qualidade das informações obtidas ainda na fase do
desenvolvimento dos projetos são fundamentais, porém muitas empresas cometem falhas
justamente nessa fase, por negligenciar informações e desprezar a possibilidade de ocorrência
de restrições. A etapa inicial para o desenvolvimento de qualquer cronograma é a definição
objetiva dos vários serviços (aí incluídos prazos e preços) que também serão os principais
pontos de controle e acompanhamento. A definição das atividades (escopo) é um processo
posterior e que visa um melhor detalhamento do trabalho a ser realizado, explicitando as
especificações de materiais e técnicas construtivas.

Figura 7: Orçamento previsto para a obra.

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Fonte: Ameco
O principal fator responsável pelos atropelos ocorridos no projeto foi a urgência no prazo para
celebração do convênio com o estado, como consequência do curto período estipulado para
entrega dos projetos, as análises e compatibilizações dos mesmos não foram feitas de maneira
adequada provocando reajustes no orçamento e modificação nos desenhos. Os atrasos no
inicio da obra tiveram que ser compensados para garantir que a entrega do empreendimento
ocorresse dentro do prazo determinado(dez/2012), data que corresponderia ao término do
mandato do prefeito. Essa necessidade de entrega com urgência provocou aumento de gastos
para acelerar os processos construtivos e também cobrir um aumento do efetivo na obra.
Seria interessante, então, lançar mão da estratégia da Engenharia Simultânea, que não é
apenas um conjunto de inovações tecnológicas, mas um modelo de gerenciamento de projetos
que, apesar de exigir um maior controle sobre o que se desenvolve, permite que os envolvidos
tenham maior liberdade no fluxo de informações e na tomada de decisões. Este arranjo
consiste na execução de várias fases do projeto interativa e simultaneamente, com o objetivo
de atender da melhor maneira possível às expectativas dos clientes internos e externos.

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Figura 8: Orçamento reajustado para a obra.

Fonte: Ameco

5 PROPOSTA DE POSTURA
Esse estudo permitiu que fossem analisados questões teóricas e práticas sobre a
compatibilização de projetos e sua implicação nos resultados e na execução de obras. Diante
disto, propõe-se algumas posturas/diretrizes para a adoção em empresas construtoras e
escritório de projetos (arquitetônico, estruturais, instalações, entre outros) para o
gerenciamento de projetos/empreendimentos que estejam em andamento ou que sejam
projetados no futuro, afim de otimizar sua elaboração e a execução e evitar
incompatibilização, com problemas construtivos e elevação dos custo.
A proposta de postura/diretrizes consiste em interações entre as etapas de desenvolvimento de
um empreendimento, conforme Figura 9. Estas interações são compostas por atividade e

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pessoas que devem se se articulam/trabalhar de forma integrada e sistêmica. A seguir,


detalham-se estes pontos e as interações existentes:
 Planejamento: é a etapa inicial do empreendimento e envolve as atividades de
elaboração do anteprojeto o qual se vislumbra o que se deseja edificar. Ao mesmo
tempo, deve ser realizado estudos de viabilidade (financeira, ambiental, logísticas,
legislativas, entre outras). Como resultado, tem-se a criação de memorial descritivo de
obra, definidos objetivos e viabilidades do projeto. É uma fase muito subjetiva, mas
com uma capacidade enorme de resolver os alguns problemas que podem surgir nas
fases seguintes, devendo para isto se basear em dados confiáveis e conter um equipe
bem engajada e conectada por ambiente colaborativo ou grupo de trabalho virtual para
facilitar a comunicação e o envio de informações.

 Projeto: a segunda etapa terá como base as informações e decisões elaboradas no


projeto. Nesta fase, tem-se o detalhamento dos projetos (que deve ser estruturado
pensado na obra como um todo, do projeto até a manutenção), sendo que o
arquitetônico é o primeiro a se iniciar, seguido pelos demais, contudo estes devem ser
confeccionados e terminar juntos. Estes projetos são criados de maneira
compatibilizada deste o inicio, tendo um profissional gestor (compatibilizador), com
conhecimentos de gerenciamento, técnicas projetivas e de execução como líder. Como
geralmente os projetistas não trabalham em um mesmo escritório pode-se usar
ambiente extranet, tecnologias BIM – Building Information Modeling, com a busca da
compatibilização (evitando falhas e interferências entre os projetos), por exemplo,
com o uso de ferramentas 3D e/ou maquetes eletrônicas, sobreposições de desenhos. O
compatibilizador deve possuir uma visão de todo as etapas projetivas e construtivas,
além de conhecer o empreendimento como um todo, seus fornecedores e objetivos.
Indica-se a produção de projeto de construção que reúna todas as informações básicas
necessárias para o desenvolvimento das atividades de execução da obra. Ressalta-se a
necessidade de representantes dos responsáveis pela construção participando na
elaboração dos projetos.

 Materiais e Componentes: esta etapa é elaborada juntamente com o projeto


permitindo assim que se possa tomar decisões nos projetos segundo os equipamentos,

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materiais e mão de obra disponíveis e necessários para a execução, uso e manutenção


do empreendimento. Nesta etapa, projetistas, construtores, orçamentistas e
fornecedores se juntam para fechar a parte técnica de modo a viabilizar a plena
execução da edificação. Para tanto são desenvolvidas especificações de técnicas
construtivas, materiais de construção, equipamentos e mão de obra que serão
utilizados durante a execução da obra e manual do usuário a fim de facilitar o uso e
manutenção do empreendimento.

 Execução: consiste na execução da edificação baseada nos projetos e especificações


elaboradas nas etapas anteriores. Constitui-se por diversas atividades (infraestrutura,
estruturas, acabamentos, entre outras) que são desenvolvidas/executadas de acordo
com cronograma/orçamento previsto anteriormente. Além da execução o controle de
obra também é muito importante nessa etapa, conferindo se o construído está
adequado ao projetado e dando retorno a equipe de gerenciamento para ajustes do
projeto/planejamento atual e de empreendimentos futuros.

 Manutenção: A manutenção é a ferramenta que garante uma vida prolongada e


funcional ao empreendimento. Atividades como limpeza e reformas e também
reposições de peças são realizadas afim de fornecer um bom funcionamento de todos
equipamentos ao usuário.Com o processo de manutenção pode-se coletar informações
sobre o funcionamento da estrutura permitindo que projetistas, construtores e
empreendedores possam criar um banco de dados que pode ser usado em construções
novas manutenções posteriores.

A proposta aqui exposta objetiva fornecer a empreendedores, projetistas e construtores uma


visão sistêmica do processo de construção e garantir que estes empreendimentos sejam
executados de forma eficiente, com resultados eficazes para todos os envolvido no processo,
desde o empreendedor até o cliente. Assim como, atender aos quesitos de segurança,
habitabilidade e ambiental.
Problemas como entulho (tema atualíssimo), layout inadequado, retrabalhos e outros,
provenientes de planejamento ineficiente e falta de coordenação entre os diversos projetistas,
poderão ser reduzidos através do uso de novas ferramentas de controle da produção, como a
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engenharia simultânea. Um bom gerenciamento de projetos produz resultados expressivos


para a sobrevivência e progresso das organizações.

Figura 9: Proposta de gerenciamento de compatibilização de projetos em


empreendimentos de construção civil.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS -
Através da revisão bibliográfica pode-se perceber o desenvolvimento histórico e a evolução
do processo de projeto até a chegada das ferramentas de informática que facilitaram os
caminhos e reduziram drasticamente os tempos de projeto de estruturas. Diversos autores
estudados enfatizam a grande importância da compatibilização de projetos na construção de
uma estrutura, seja ela qual for, como parte de uma melhoria contínua no setor da construção
reduzindo custos e desperdícios.
No estudo de caso apresentado o arquiteto foi a figura do compatibilizador, que por ser
responsável pelo projeto matriz, definidor das diretrizes para a inserção das demais
disciplinas, possui uma visão ampla do empreendimento, necessária para o ajuste entre os
projetos. Porém a compatibilização foi tardia provocando perdas financeiras e de tempo na
obra, conforme visto nos cronogramas financeiros.

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Durante a compatibilização foi possível reduzir-se grande parte das interferências entre as
especialidades, como conflitos físicos entre elementos da estrutura e hidráulica, e
posicionamento de pilares que comprometeriam a utilização do edifício. A sobreposição dos
desenhos CAD em 2D de arquitetura, estrutural, elétrico e hidrossanitário, foi o método para
verificação de conformidades entre os projetos.
A ausência de encontros entre os projetistas e a falta de um compatibilizador de projetos
talvez seja uma característica dos pequenos empreendimentos, onde pequenos escritórios
independentes, geralmente compostos por um número reduzido de profissionais, que se
envolvem em projetos de menor porte e também pela não remuneração deste serviço por
parte do cliente, que não visualiza os benefícios deste trabalho na execução do edifício.
A utilização de sobreposição como maneira de verificação poderia ser substituída com a
evolução para ambientes colaborativos com compartilhamento de informações e arquivos, e o
uso de ferramenta BIM, que facilitaria a padronização de informações e a integração dos
softwares utilizados por cada projetista. É interessante perceber que os conflitos resultantes do
trabalho em grupo podem gerar bons resultados. Um erro percebido na fase inicial de projeto
pode se transformar em um diferencial na qualidade do produto, no que diz respeito à sua
eficácia e inovação.

REFERÊNCIAS
AHMAD, I. U.; RUSSEL, J. S.; ABOUD-ZEID. A. Information Technology (IT) and
Integration in the Construction Industry. In: Construction Management and Economics, v. 13,
n. 2, mar. 1995.
DINSMORE, C. e CAVALIERI, A.; (2003). Como se Tornar um Profissional em
Gerenciamento de Projetos: Livro-Base de Preparação para Cerfiticação PMP_ - Project
Management Professional. Rio de Janeiro. QualityMark.
FABRICIO, M.M.; BAÍA, J.L.; MELHADO, S.B. Estudo de Fluxos de Projeto: Cooperação
Seqüencial X Colaboração Simultânea. In. Anais em CD-Rom: Escola Politécnica de
Pernambuco / ANTAC, Recife, 1999.
FABRÍCIO, Márcio Minto. O Projeto Simultâneo na Construção de Edifícios. Tese
(Doutorado em Engenharia) - Departamento de Engenharia de Construção Civil, Escola
Politécnica da Universidade de São Paulo, São Paulo, 2002.

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GRAZIANO, F. P. Compatibilização de Projetos. 2003. Dissertação (Mestrado


Profissionalizante) - Instituto de Pesquisa Tecnológica (IPT), São Paulo.
MELHADO, Silvio B. Tendências de evolução no processo de projeto de edificações a partir
da introdução dos sistemas de gestão da qualidade. In: Encontro Nacional de Engenharia de
Produção. Gramado, 1997
MIKALDO JR, Jorge. Estudo comparativo do processo de compatibilização de projetos
em 2D e 3D com uso de TI. Curitiba: 2006.
MOTTEU, H.; CNUDDE, M. La gestion de la qualité durant la construction: action menee
en Belgique par le comité "Qualité dans la Construction. In: CIB TRIENNIAL CONGRESS,
11., Paris, 1989. Quality for building users throughout the world. s.l., CIB, 1989. v.1, t.3,
p.265-76.
PICCHI, F. A. Entrevista. Revista Téchne, São Paulo, mar. / abr. 1993.
SANTOS, E. T. ; NASCIMENTO, L. A. . Recuperação de Informação em Sistemas de
Informações na Construção Civil: o Caso das Extranets de Projeto. In: Seminário de
Tecnologia da Informação e Comunicação na Construção Civil, 2002, Curitiba. Anais…
Curitba : UFPR, 2002.
SILVA, M. A. C.; SOUZA, R. Gestão do Processo de Projetos de Edificações. São Paulo:
O nome da Rosa, 2003.

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1.1.3 Como a compatibilização de projetos pode dimi-


nuir custos, gastos e retrabalhos na Construção
Civil

Como a compatibilização de projetos pode diminuir custos, gastos e retrabalhos na Construção Civil
Dezembro/2014

Como a compatibilização de projetos pode diminuir custos, gastos e


retrabalhos na Construção Civil

Guilherme Souza Santos – g_souzasantos@hotmail.com


MBA em Gerenciamento de Obras
Instituto de Pós-Graduação - IPOG
Florianópolis, Santa Catarina, 27/04/2014

Resumo
Com a ampla evolução da Indústria da Construção Civil, vemos ainda alguns ranços na
Construção, como obras em projetos, projetos defeituosos, e mão de obra de má qualidade, e
que essa nossa indústria apresentam características próprias, entre as quais destacamos a
necessidade de diferentes tipos de profissionais, alguns mais amadores, outros mais
industrializados. Dentre todas as etapas que envolvem o processo construtivo, destaca-se a
concepção como uma fase crítica. A etapa de concepção é responsável por uma pequena parcela
do custo do produto final (cerca de 3 a 5%), porém é apontada como uma das principais causas
de falhas nas edificações em uso. É nesta etapa que são definidos cerca de 70 a 80% do custo
total da edificação. Temos por objetivo neste trabalho, sistematizar as referências de melhorias
na gestão da etapa de projeto obtidas na literatura, e avaliar a presença destes aspectos par aos
dias de hoje. As análises de compatibilidade buscam apresentar através dos quadros
comparativos os elementos conflitantes nos projetos abortados. Desta forma, busca-se
proporcionar subsídios aos profissionais da área para a racionalização dos processos
projetuais, e a consequente redução de improvisações na obra, retrabalhos e desperdícios de
insumos na construção. A análise propõe, assim, uma otimização dos recursos que deverão ser
aplicados na elaboração da fase inicial deste processo, onde as soluções podem ser mais
eficazes e definidoras nas etapas subsequentes, conforme amplamente observado nos favoráveis
resultados obtidos nas análises avaliadas.

Palavras-chave: Projeto. Qualidade. Edificações. Compatibilização. Construção civil.

1. INTRODUÇÃO
Tendo em vista que muitos dos problemas relacionados à falta de qualidade em edificações têm
como causa principal a falta de qualidade no processo de projeto – normalmente desenvolvido de
forma não planejada, segmentada e sequencial, sem uma visão abrangente e integrada do
binômio projeto/execução, e com evidente ausência de interação e comunicação entre os diversos
agentes envolvidos –, construtoras e incorporadoras brasileiras, seguindo a tendência global,
começam a buscar, ainda que de forma incipiente, metodologias de gestão da qualidade do
ISSN 2179-5568 – Revista Especialize On-line IPOG - Goiânia - 8ª Edição nº 009 Vol.01/2014 Dezembro/2014

Disponível em: http://www.ipog.edu.br/revista-ipog/download/como-a-compatibilizacao-de-projetos-pode-


diminuir-custos-gastos-e-retrabalhos-na-construcao-civil

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Como a compatibilização de projetos pode diminuir custos, gastos e retrabalhos na Construção Civil
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projeto, no sentido de modificar o modelo tradicional e garantir a qualidade de seus produtos e
processos, e consequentemente a satisfação de seus clientes.
Nesse contexto, a incorporação da filosofia de trabalho da Engenharia Simultânea – tratamento
simultâneo de restrições de projeto e da manufatura; paralelismo das atividades de projeto; foco
na qualidade, custo e cronograma de desenvolvimento; ênfase na satisfação do consumidor;
configuração de equipe multidisciplinar; consideração do ciclo de vida do produto.
Alguns autores (Fabrício et alii, 1998a e 1998b; Andery, 2000) que defendem a mudança das
atuais formas de condução de projetos de edificações, acenam para: (i) a realização em paralelo
de várias etapas do processo, em especial, o desenvolvimento integrado de projetos do produto e
para produção; (ii) o estabelecimento de equipes multidisciplinares, formadas por projetistas,
usuários e construtores, em especial os engenheiros de obras; (iii) uma forte orientação para a
satisfação dos clientes e usuários; (iv) a padronização das formas de apresentação e
documentação do projeto; (v) a adoção de procedimentos para coleta de dados durante a
execução e após a entrega das obras, que torne possível a retroalimentação dos projetos. Ou seja,
apontam para um novo paradigma na construção civil: o desenvolvimento integrado de
edificações.
Contudo, para que essas mudanças possam ser implementadas com sucesso, a empresa – além de
um ambiente propício e de ferramentas, técnicas e metodologias de trabalho que suportem a
execução do processo – precisa antes de tudo, conhecer e ter explícito a forma com que o
processo é executado, ou seja, ter o seu desenvolvimento de produto modelado, permitindo, uma
visão global do mesmo: o que deve ser feito (projetos, etapas, atividades, tarefas), por quem (os
envolvidos, suas funções e responsabilidades, interações), quando (a que tempo e a que a hora,
relações de precedência), como (informações ou documentos de entrada; procedimentos,
ferramentas e/ou tecnologias utilizadas no processamento das informações; informações ou
documentos de saída; forma de controle), e onde (em que local, em que tipo de situação, por
quais meios).

2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
2.1 Projetos
Projeto possui uma diversidade de definições, variando de acordo com o contexto em que esteja
se referindo e quanto ao emprego desta palavra. Segundo a NBR 13.531 (ABNT, 1995), por
elaboração de projeto de edificação se entende como a “determinação e representação prévias
dos atributos funcionais, formais e técnicos de elementos de edificação a construir, a pré-
fabricar, a montar, a ampliar, etc., abrangendo os ambientes exteriores e interiores e os projetos
de elementos da edificação e das instalações prediais” (NASCIMENTO & SANTOS, 2002, p.1).
Conforme a NBR 5670 (ABNT, 1977) o conceito de projeto é sendo como “a definição
qualitativa e quantitativa dos atributos técnicos, econômicos e financeiros de um serviço ou obra
de engenharia e arquitetura, com base em dados, elementos, informações, estudos,
discriminações técnicas, cálculos, desenhos, normas e disposições especiais”.
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Falha de comunicação entre projetos inerentes pode causar, entre outros fatores, um aumento de
custo no produto final, e consequentemente um descontentamento do cliente, frustrando sua
expectativa. Através de muitas pesquisas (NOVAES, 1997; ARAÚJO, 2000; MARIA et al.,
2001) demonstraram que os erros ocasionados por falhas de projeto fazem parte da rotina da
maioria das construtoras e normalmente são descobertas apenas na hora da execução da obra.
Isto ocorre quando a elaboração de projetos e a execução têm tratamento dissociado e distinto
embora o mais importante seja que os dois caminhem lado a lado, pois são duas importantes
etapas da obra.
O projeto permite planejar não apenas a forma final do produto edifício, definindo uma série de
aspectos da edificação que influenciam na qualidade e produtividade do processo construtivo. A
partir de definições como formas geométricas da edificação, a sua localização no terreno, as
soluções estruturais, os materiais e o padrão de acabamento e detalhamento que são estabelecidas
as principais condições de execução (SCARDOELLI, 1995).
Souza; Abiko (1997) identificam que é na etapa de projeto que o produto é concebido e
desenvolvido e que deve ser baseado na identificação das necessidades dos clientes em termos de
desempenho e custos e nas condições de exposição a que está submetido o edifício na sua fase de
uso.
Melhado (1994) oferece várias de inúmeros autores para a palavra projeto e utiliza a seguinte
definição: “uma atividade ou serviço integrante do processo de construção, responsável pelo
desenvolvimento, organização, registro e transmissão das características físicas e tecnológicas
especificadas para uma obra, a serem consideradas na fase de execução”. Em outro capítulo, o
autor faz comparações das características de um projeto de edifício com as características
atribuídas a um serviço, encontrando muita coisa incomum, como: variabilidade de resultados; a
falta de especificação pelo cliente; produção e consumo desencadeados e não simultâneos; e
contato pessoal e direto com o cliente. Contanto, o autor enfatiza a necessidade de se estabelecer
padrões do projeto também como produto, definindo seu conteúdo mínimo e a forma de
apresentação das informações.
Para Andery (2003), “os dois aspectos da atividade de projeto são complementares e um enfoque
(projeto como processo) dá origem ao outro (projeto como resultado ou produto)”.
Considerando todos os conceitos citados ao projeto, pode-se afirmar que um projeto de
engenharia possui particularidades e características únicas que o singularizam quando
comparados aos projetos de indústrias e que influenciam na definição, obtenção e avaliação da
sua qualidade (AMORIM, 1998; BOBROFF, 1993; IBP, 1994 citado por Verdi,2000):

 A elaboração do projeto é uma atividade ainda essencialmente artesanal, onde cada produto é
produzido individualmente por uma ou mais pessoas. Mesmo a utilização de recursos
computacionais não altera o fato de que cada documento é uma entidade distinta e ainda que
se tenha um elevado grau de informatização na elaboração de um projeto, este não pode ser
comparado com uma linha de produção ou uma produção seriada típica de uma fábrica;

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 O resultado do processo de projeto não é um produto único como em uma produção seriada.
O produto resultante de um projeto é constituído por um conjunto de produtos:
especificações, desenhos, requisições e memoriais. Por esta razão, não basta que alguns
destes produtos tenham qualidade. A qualidade deve recair sobre todas as partes
constituintes;
 O projeto apresenta um caráter não homogêneo e não seriado do seu produto, estando na
dependência de encomendas que implicam na elaboração de um bem singular, não
reproduzível. Para garantir a qualidade deste produto é preciso conhecer e definir as reais
necessidades do cliente/contratante para poder atender aos seus requisitos;
 A qualidade final do objeto projetado revela-se na hora da sua execução. O projeto é posto à
prova pelos fornecedores, construtoras e demais participantes quando da implantação do
empreendimento. Ao receber um projeto, o cliente não consegue detectar todas as eventuais
falhas e, muitas vezes, as inadequações de projeto são identificadas em fases bastante
avançadas da obra, sendo normalmente solucionadas de forma insatisfatória ou com alto
custo;
 A dualidade de enfoques sobre o projeto, visto como uma prestação de serviço com o
fornecimento de produtos, apresenta dificuldades adicionais no que se refere à avaliação da
qualidade, que deve se aplicar tanto ao processo de prestação de serviço como aos produtos
resultantes;
 A atuação de grande complexidade inter-relacional, decorrente da diversidade e do número
de intervenientes no processo de projeto (usuários, clientes, projetistas, financiadores,
construtoras) com interesses nem sempre convergentes e relações contratuais informais e
pouco definidas, faz com que o julgamento sobre a qualidade do projeto fique na
dependência da avaliação de diversos usuários – ao contrário do que acontece com bens de
consumo, em que o comprador e o usuário final são geralmente a mesma pessoa;
 Pouco tempo é investido em planejamento e projeto para executar obras que tomam longo
tempo e pesados orçamentos. Como conseqüência, as atividades têm de ser revistas e refeitas
no canteiro, fazendo do improviso uma constante.

2.2 Importância do projeto na construção


O setor da construção é um dos setores mais sensíveis da economia, sendo considerado por
alguns autores como o pulmão da economia. Segundo Picchi (1993) apud Franco (1995), sua
participação decresce nos períodos recessivos, enquanto que seu crescimento é maior que a
média do país, em épocas de expansão.
Portanto é fundamental que o profissional da construção civil valorize a etapa de projeto, pois o
ela pode assumir o encargo fundamental de agregar eficiência e qualidade ao produto se for
incorporado adequadamente ao processo construtivo e explorado o seu caráter estratégico de
indutor da racionalização do processo construtivo e redutor dos custos dos empreendimentos
(MOURA, 1998).
Segundo Picchi (1993) apud Tavares Junior (2001, p. 53), “o projeto exerce uma considerável
influência sobre os custos da edificação, devido à grande possibilidade de alternativas existentes
nesta fase, na qual poucas despesas foram realizadas. Verifica-se que com a evolução do
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empreendimento, as possibilidades de influência no custo final do empreendimento diminuem
consideravelmente”, conforme mostrado pela Figura 1.

Figura 1 - Nível de influência sobre os custos do empreendimento. Fonte: BARRIE &


PAULSON (1978), apud TAVARES JUNIOR (2001, p.9).
As decisões tomadas nas fases iniciais do empreendimento são importantes, conforme mostrado
pela Figura 2, podendo-se atribuir a elas a principal participação na redução dos custos de falhas
do edifício.

Figura 2 - Capacidade de influenciar o custo final de um empreendimento de edifício ao


longo de suas fases.
Fonte: CII (1987), apud RUFINO (1999).
Ainda podemos destacar a importância dos projetos por constituírem, entre outros fatores, em
instrumento de garantia e controle de qualidade da edificação. Com isso, segurando que o projeto
tem qualidade, conseguiremos minimizar os problemas a serem definidos na obra, aumentando a
qualidade e reduzindo os custos dela. Para tanto, é importantíssimo conhecer e controlar cada
etapa do processo do projeto.

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2.3 Etapas do Processo de Projetos


Para termos a qualidade desejada do processo de projetos é de suma importância que
identifiquemos e analisemos todas as etapas dos processos. Apesar dessa importância de
identificação e análise dos conhecimentos das etapas ainda falta muita padronização nessas
definições.
Segundo TZORTZOPOULOS (1993, p.23) “tende a ser incrementada pelo fato dos
intervenientes do processo ser especializados no desenvolvimento de projetos específicos, e
terem uma compreensão diferenciada do conteúdo técnico de cada uma das etapas”.
Não há uniformidade entre os diferentes autores sobre quais são as etapas de projeto, mas é
quase que unânime entre eles, que a modelagem do processo é uma das primeiras ações a serem
realizadas para organizar, desenvolver e controlar o processo, permitindo a todos os agentes
envolvidos no mesmo tenham uma visão sistemática e detalhada de cada etapa.
Vários autores, baseados em pesquisas e trabalhos, sugerem a sua melhor maneira de divisão das
etapas de projeto, que iremos apresentar a seguir.
Para MELHADO (1994), o processo de projeto passa por etapas conceitualmente progressivas,
no qual a liberdade de divisão na escolha ou alternativas, vai sendo gradativamente substituída
pelo detalhamento das soluções adotadas. Essas etapas são: programa de necessidade, estudo
preliminar, anteprojeto, projeto executivo, projeto para produção, planejamento e execução,
assistência técnica.
Segundo a Norma NBR 13.531 (ABNT,1995) considera-se a seguinte divisão de processo de
desenvolvimento das atividades técnicas do projeto de edificações: levantamento, programa de
necessidades, estudo de viabilidade, estudo preliminar, anteprojeto, projeto legal, projeto básico
e projeto para execução.
SOUZA (1994) descreveu que as etapas do projeto de uma edificação são as partes sucessivas
nas quais poderá ser dividido o processo de desenvolvimento das atividades técnicas de projeto.
A subdivisão das etapas é feita da seguinte maneira: levantamento de dados, programa de
necessidade, estudo de viabilidade, estudo preliminar, anteprojeto, projeto legal, projeto pré-
executivo, projeto básico, projeto executivo, detalhes de execução, caderno de especificações,
gerenciamento de projetos, assistência à execução e Projeto As Built1.
PICCHI (1993) definiu que a nomenclatura das etapas de projeto não é consensual, sendo
geralmente no mínimo de três etapas: estudos preliminares, anteprojeto, projeto definitivo
(projeto executivo/detalhado). Outra etapa desenvolvida em paralelo ao anteprojeto, é a de

1
O projeto as built (como construído) é elaborado partir de informações de alterações do projeto executivo
coletadas durante ou após a execução da obra, tais como adequações de instalações elétricas e hidrosanitarias,
alterações de especificações de materiais, dimensões dos ambientes como revestimentos entre outro.
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“projeto legal”, elaborado para obter as aprovações necessárias em órgãos públicos e
concessionárias.
Com isso, podemos constatar que existem duas linhas de raciocínio para dividirmos as etapas de
processo de projeto: uma que é ligada ao conceito de que projetos são uma concepção e
especificação técnica o produto (projeto=produto), e outra linha ligada ao conceito de que
projeto é como um serviço. Neste caso, projeto não é apenas uma entrega de plantas, memoriais,
especificações, etc., mas sim o acompanhamento de todo processo de produção ate a entrega ao
usuário final.
Por todas essas divergências entre autores, quanto às etapas de processo de projeto, seguiremos
as seis etapas proposta por Melhado et. Al (2005, p.32) adaptado ao trabalho de MELHADO
(1994), que consiste em: idealização do produto, desenvolvimento do produto, formalização do
produto, detalhamento do produto, planejamento para execução e entrega final.
Na etapa de idealização do produto são escolhidas as definições preliminares e os programas de
necessidades do empreendimento, destinada à concepção, definições, analise e avaliações do
conjunto de informações técnicas e econômicas iniciais e estratégicas do empreendimento.
Visando constatar a viabilidade de um produto definido, seguindo as necessidades do mercado.
Segundo MELHADO (2005) podemos resultar no programa de necessidades se não houver
programa preestabelecido, onde as equipes de projeto e o cliente definem os rumos que o
empreendimento irá tomar.
A próxima etapa que é a de Desenvolvimento de produto, onde acontecem os levantamentos de
dados e o primeiro estudo preliminar. É feita a primeira avaliação nos aspectos mercadológicos,
econômicos e técnicos, junto com os custos, restrições legais, tecnologia e adequação ao usuário,
Melhado et. al. (2005). No final dessa etapa podemos chegar ao estudo preliminar.
Na etapa de formalização do produto chega-se no anteprojeto, projeto legal e projeto básico. O
anteprojeto é nosso produto final que desenvolvemos junto com as soluções dadas pelos
projetistas. Vai desde interfaces ocorridas nos projetos de instalações prediais, ate os mais
específicos projetos, tais como fundações, estrutura, esquadrias e ainda a parte de paisagismo e
interiores. Com todo o anteprojeto finalizado, passamos para o projeto legal e o básico. Esse
primeiro nada mais é que o projeto a ser aprovado pelos órgãos de administração publica, alem
de alvarás de construções e outras pendências. O projeto básico nos mostra as soluções
intermediárias das especialidades do projeto.
A etapa de detalhamento do produto é representada com todos os seus detalhes, informações,
especificações, memoriais tudo isso graficamente, deixando da maneira mais clara a edificação a
ser executada. Nesta etapa é que ocorrem as especificações dos componentes da edificação, sob
forma de desenhos, nos auxiliando na execução de cada serviço.
Etapa de planejamento para execução é uma etapa de transição entre as etapas de elaboração de
projeto e a entrega final. Nela esta a articulação entre os projetos, o planejamento e a execução
da obra. Segundo Melhado (2005) o planejamento para execução possibilita a simulação das

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alternativas técnicas e econômicas propostas pelo construtor ou pelo representante do cliente,
incrementando a racionalização da produção e adequando o projeto à cultura construtiva da
construtora, favorecendo a gestão de custos e prazos de projetos.
Entrega final é a finalização e revisões do projeto executivo, atualizando todas as informações
necessárias do projeto que tinha sido modificada durante a execução da obra. Essa etapa ocorre
com o desenvolvimento iterativo e a entrega de trabalhos finais, revisados pelas equipes de
projetos e de obra. O produto final desta etapa é o Projeto As Built, que contém informações do
projeto executivo, mostrando todas as suas modificações ao longo do período de execução de
obra.

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2.4 Diferentes tipos de Projetos numa Edificação
Baseado em MARQUES (1979) e MESEGUER (1991), traçou-se uma configuração para a
composição de um projeto, que está ilustrada na figura 3.

Figura 3 – Configuração para a composição de um projeto.


Fonte: Tavares Júnior (2001, p. 30).

Esta configuração para o projeto propõe uma divisão em duas partes. Na parte gráfica
colocaram-se as disciplinas básicas (Arquitetura, Estrutura e de Instalações) e as disciplinas
complementares (Sistemas mecânicos e de Produção). Na parte escrita, consideraram-se os
elementos que irão também complementar as disciplinas gráficas, tais como:

 Memorial Descritivo – é a descrição das soluções adotadas pelo projetista no seu trabalho;
 Memorial de Cálculo – é a justificativa matemática das soluções adotadas em projeto, sendo
necessária em algumas disciplinas gráficas (Estrutura, Instalações Elétrica, Hidráulica,
Sanitária e Sistemas Mecânicos);
 Caderno de Encargos – estabelece as condições indispensáveis para o processo construtivo
especialmente quanto à qualidade dos materiais e à tecnologia construtiva empregada;
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 Orçamento – é o elemento que relaciona o processo construtivo com a parte financeira,
tornando-se assim um item muito importante para o projeto.
Existem vários tipos de projetos na construção civil para uma edificação. Levantamento
Topográfico, estudo de solo, projetos estruturais, projeto de instalações (elétrico, telefônico,
hidrosanitário) projeto arquitetônico, projeto preventivo contra incêndio, entre outros. Aqui no
caso deste trabalho iremos estudar apenas alguns deles, os que achamos mais necessários para
desenvolvermos os estudos de compatibilização de projetos.

2.4.1 Projeto Arquitetônico


O projeto arquitetônico é o processo pelo qual uma obra de arquitetura é concebida e também a
sua representação final. É considerada a parte escrita de um projeto. O objetivo principal de
projeto de arquitetura de uma edificação é a execução da obra idealizada pelo arquiteto. Essa
obra deve se adequar aos contextos natural e cultural em que se insere e responder as
necessidades do cliente e futuros usuários do edifício. O projeto arquitetônico pode contar com
uma gama de projetos, plantas baixas, como fachadas, cortes, detalhes de acabamentos e
esquadrias, entre outros, só que no nosso caso iremos apenas analisar a planta baixa da
edificação do pavimento pilotis, pavimento tipo e da cobertura.

2.4.2 Projeto Estrutural


Elaborado por calculistas (Engenheiro de Estruturas), visa adaptar o projeto arquitetônico ao
sistema estrutural mais adequado. Através de criteriosos cálculos, o dimensionamento da
estrutura proporciona ao cliente ganhos como: rapidez na execução da obra, economia de
investimentos em materiais excedentes, facilidade de obtenção de orçamentos como ferragens e
concreto usinado através da quantificação dos mesmos. Além de proporcionar segurança para
operários e futuros moradores. Os projetos estruturais também possuem vários tipos como
projeto de fundações, formas, dimensionamento de pilares, de vigas, entre outros. Para facilitar o
estudo iremos utilizar apenas as plantas de formas dos pavimentos da edificação, onde
encontramos as vigas e seus pilares.

2.4.3 Projeto de Instalações Elétricas e Telefônicas


Como o próprio nome já diz, é o projeto elétrico de uma edificação. Nesse projeto que mostra
onde que vai cada tomada na edificação, quanto vai consumir de energia, a potência de cada ela,
onde que está ligada, a que circuito pertence, quadro de medidores, quadro de disjuntores, enfim
toda a parte elétrica da residência. Já o projeto telefônico, nos mostra onde que fica os pontos do
telefone, do interfone, da antena da televisão. No nosso trabalho consta um projeto elétrico e
telefônico da edificação.

2.4.4 Projeto de Instalações Hidrosanitário


O projeto de instalação hidrosanitário tem a nos informar toda a parte de água e esgoto da
edificação, entre plantas baixas, detalhes, descida de prumada de água, barriletes, entre outros.
Aqui neste trabalho iremos apenas usar as plantas baixas da edificação.

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2.5 Falhas mais freqüentes de Projetos
Foram demonstradas em pesquisas que os erros são ocasionados por falhas de projeto fazem, e
vêem fazendo partes da rotina da maioria das construtoras e, normalmente, e só são descobertos
na hora da execução da obra. Alguns dados são apresentados por Oliveira et al. (2001) nos
mostra que no Brasil 52% das falhas na construção civil se relacionam os erros de execução, e os
48% restantes se dividem em problemas com projeto e na qualidade do material, bem como na
má utilização dos equipamentos e dos edifícios. Estes dados deixam evidentes as falhas
existentes no processo produtivo da construção e apontam para a importância e a necessidade do
setor em tentar melhorar a qualidade das edificações brasileiras.
Atrasos na entrega dos projetos, inadequações de memoriais descritivos, soluções técnicas
inadequadas, falta de interesse de projetistas em conhecer elementos da obra e revisões feitas por
técnicos não habilitados, são alguns dos problemas recorrentes nas obras. Isso gera na obra re-
trabalhos, aumento de custos, interferências dos projetos, etc.
Conforme ABRANTES (1995), a qualidade de uma construção tem que ser entendida como
sendo a capacidade de satisfazer as exigências dos respectivos utilizadores, em condições de uso
para que fosse prevista, e resulta da soma de três qualidades: a do planejamento, a do projeto e a
da execução da obra. O autor também afirma que a não qualidade é muitas vezes mais
importante em fases anteriores do processo de construção, ainda que as conseqüências não sejam
imediatamente visíveis, sendo as formas mais correntes de não-qualidade os sinistros que
ocorrem durante a fase de uso da obra. As origens destes sinistros são indicadas na tabela 1.
Tabela 1 – Origens dos problemas patológicos na construção civil
ORIGENS DOS PROBLEMAS (%)

Projeto 60,0

Construção 26,4

Equipamentos 2,1

Outros 11,5

TOTAL 100,0

Fonte: Abrantes (1995).


Segundo NOVAES (1998), devido à subestimação da importância das etapas do processo de
projeto, é possível observar-se um conjunto de procedimentos que tem contribuído para a
elaboração de projetos e especificações inadequadas e imprecisas:

 Insuficiência de detalhes;
 Incompatibilização entre a concepção e o detalhamento;
 Falta de integração entre projetos distintos;
 Ausência de conformidade entre o projeto e a produção.
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Também, com base em entrevistas, NASCIMENTO & FORMOSO (1998) destacaram os


seguintes problemas de projeto como os de maior freqüência em obra:

 Peso excessivo dos componentes pré-fabricados;


 Detalhes de acabamento que ficam a critério do cliente;
 Nível de detalhamento do projeto insuficiente;
 Cruzamento de tubulações elétricas e hidráulicas;
 Posicionamento incorreto dos pontos elétricos;
 Falta de especificação para execução dos serviços;
 Falta de projeto executivo;
 Falta de medidas;
 Ferragens ou armaduras muito extensas que geram problemas de transporte;
 Utilização de materiais frágeis;
 Falta de informação quanto à utilização de novos materiais;
 Mudanças imprevistas de projeto.

Neste mesmo trabalho, os autores fizeram um levantamento dos retrabalhos acontecidos durante
a coleta e chegaram à conclusão de que a origem desses problemas era devido a:

 Erros de medida no projeto;


 Incompatibilidades entre elementos construtivos;
 Solicitações de modificações realizadas pelo cliente;
 Incompatibilidades entre projetos;
 Projeto não foi seguido ou ocorreu algum erro de leitura do projeto por parte da produção.

Melhado (1994) lembra ainda que, embora indesejáveis, podem ocorrer alterações nas
discriminações de materiais, cronogramas, métodos construtivos e até mesmo no projeto ao
longo da execução do empreendimento.
Formoso (1993) constatou, em sua pesquisa realizada sobre as dificuldades dos gestores
técnicos, que quase na totalidade das vezes, as reuniões realizadas entre projetistas e construtores
são feitas de maneira informal, através de visitas ou ligações telefônicas. Segundo o próprio,
apenas 11% das empresas adotavam comunicações por escrito. Mais de 90% das empresas
alteravam projetos durante a execução da obra, sendo que 22% delas revelaram que as obras
tinham início antes da conclusão dos projetos executivos.
Ainda podemos identificar alguns problemas comuns relacionados aos projetos, sendo que as
respostas mais freqüentes são complementares, como pode ser observado na Tabela 2, a seguir:
Tabela 2 – Falhas típicas de projetos apontados por construtoras
TIPO DE PROBLEMA (%)

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Incompatibilidade entre diferentes projetos 53,0

Erros ou diferenças de cotas, níveis, alturas 53,0

Falta de detalhamento dos projetos 48,0

Falta de discriminação de materiais e componentes 47,0

Detalhamento inadequado dos projetos 47,0

Discriminação falha de materiais e componentes 26,0

Fonte: FORMOSO (1993).

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2.6 Coordenação de Projetos
A coordenação de projeto é uma atividade de suporte ao desenvolvimento voltado à integração
dos requisitos e das decisões de projetos, ela tem que ser exercida durante todo o processo e o
seu objetivo é fomentar a interatividade, melhorando a qualidade dos projetos. Segundo o
professor da POLI-USP, Silvio Burratino Melhado em entrevista para Revista Téchne,
Abri/2006:
“As decisões tomadas nas fases iniciais do empreendimento têm grande participação na redução
dos custos e falhas do edifício e representam importante informação de apoio à produção”.
Portanto, Coordenação de Projetos, pode ser definida como uma função que faz parte da gestão
do processo de projeto que tem por objetivo garantir: o atendimento dos requisitos exigidos pelo
cliente, o fluxo de informações entre os participantes, o controle das mesmas e a compatibilidade
entre as soluções dos sistemas projetados.
De acordo com SOUZA et al (1994, p.142), “a coordenação é uma função gerencial a ser
desempenhada no processo de elaboração do projeto, com a finalidade de assegurar a qualidade
do projeto como um todo durante o processo. Trata-se de garantir que as soluções adotadas
tenham sido suficientemente abrangentes, integradas e detalhadas e que, após terminado o
projeto, a execução ocorra de forma contínua, sem interrupções e improvisos”.
Segundo ARANCIBIA, 2005, alguns autores identificam a coordenação de projetos num sentido
amplo como sendo a própria gestão do processo. Nesta dimensão, a mesma pode ser definida
como:

 Definição, organização e planejamento das etapas do desenvolvimento de projetos, definindo


prazos, responsabilidades e o alcance dos mesmos;
 Análise e controle das soluções técnicas propostas pelos projetistas, visando o melhor
desempenho da edificação, a racionalização de recursos e a adequação entre o projeto e a
prática construtiva do executor do empreendimento;
 Controle global do processo em nível de recursos, comunicações, qualidade, custos e riscos
entre outros;
 Integração geral e compatibilização entre os projetos de arquitetura e complementares.
As vantagens da coordenação de projetos é a redução de custos e a racionalização da obra. A
coordenação reduz ainda tempo de obra e melhora o desempenho do edifício. A qualidade dos
projetos tem impacto direto no orçamento, no planejamento e na execução da obra. Quanto
menos erros nos projetos, conceituais ou operacionais, menor a probabilidade de falhas na obra e
menores perdas financeiras. Uma coordenação bem executada melhora a qualidade dos projetos,
reduz custos, proporcionando um retorno do investimento realizado.
2.7 Compatibilização de projetos
Na construção de edificações, os projetos são geralmente desenvolvidos paralelamente pelos
diversos projetistas (arquitetura, estruturas e instalações), sendo reunidos somente na hora da
execução dos serviços (na obra). Este procedimento gera uma série de incompatibilidades que
comprometem a qualidade do produto final e causam perdas de materiais e produtividade. É
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fundamental que exista uma coordenação de projetos, que os compatibilize desde os estudos
preliminares (GOZZI & OLIVEIRA, 2001).
Marques (1979) apud Novaes (1997) entende caber distinção entre dois conceitos para projeto.
Um estático referente a projeto como produto, constituído por elementos gráficos e descritivos,
ordenados e elaborados de acordo com linguagem apropriada, destinado a atender às
necessidades da etapa de produção; e outros, dinâmicos, que confere ao projeto um sentido de
processo, através do quais as soluções são elaboradas e compatibilizadas.
Compatibilização de Projetos é a atividade de gerenciar e integrar projetos correlacionados,
tendo em vista o perfeito ajuste entre eles, conduzindo para a obtenção dos padrões de controle
de qualidade total de determinada obra. Também pode ser definida como: a análise, verificação e
correção das interferências físicas entre as diferentes soluções de projeto de uma edificação.
NOVAES (1998) afirmou que a compatibilização das disciplinas do projeto é uma ação
empreendida no âmbito da coordenação das soluções adotadas nos projetos do produto e nos
projetos para produção, assim como, nas especificações técnicas para a execução de cada
subsistema.
De acordo com Vanni et al. (1999), como princípio norteador do desenvolvimento do método de
compatibilidade de projetos, partiu-se da idéia básica de que as incompatibilidades entre os
diversos projetos – arquitetônico, estrutural, hidráulico, elétrico, etc., são decorrentes dos fluxos
ineficientes de informação nas diversas etapas de desenvolvimento do projeto. Mais ainda,
muitas das atividades desenvolvidas não agregam valor ao produto final, representando,
portanto, um desperdício.
Segundo Youssef (1994) apud Vanni et al. (1999), a compatibilidade de projetos é uma tarefa
voltada à execução de edificações, e tem de ser considerada como intrinsecamente interligada a
ela. Portanto, os projetos devem ser realistas, buscando adoção de medidas de racionalização
tanto no projeto como na execução, tendo em vista alcançar a construtibilidade do produto.
Segundo RODRÍGUEZ e HEINECK (2001), a compatibilização deve acontecer em cada uma
das seguintes etapas do projeto: estudos preliminares, anteprojeto, projetos legais e projeto
executivo, indo de uma integração geral das soluções até as verificações de interferências
geométricas das mesmas. Os mesmos autores indicam que a compatibilização fica facilitada na
medida em que ela é iniciada a partir dos estudos preliminares.
Para exemplificar, a compatibilização deve resolver as seguintes interferências entre um sistema
estrutural e outros sistemas: interferência como o layout de arquitetura (circulações espaços,
possíveis modificações), interferência da malha estrutural com espaços para garagens e
circulações de veículos ou interferência com caminhos horizontais e verticais das instalações, ou
encontro dos projetos elétricos e hidrosanitário, tal como quadro de disjuntores com tubulações
de passagens na laje.

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Silva (2004, p.59) diz que após a avaliação das soluções nos diversos projetos analisados, a
compatibilização se processa por meios manuais ou digitais. Esta autora diz que a
compatibilização de projetos é realizada através da superposição e análise de desenhos:

 Manualmente, analisando cada um dos projetos em desenhos impressos, em material


translúcido ou em plantas plotadas. As incompatibilidades podem ser destacadas com
“nuvens” de revisão e classificadas por cor e disciplina, colocando-se, ao lado do desenho,
uma lista por disciplina de projeto;
 Digitalmente, através de recursos de superposição de pranchas bidimensionais ou em 3D de
arquivos eletrônicos.

Aqui iremos analisar duas técnicas de compatibilidade, para que no final escolhermos não a
melhor, mas a que satisfaça o nosso trabalho.
2.8 Diferentes Técnicas de Compatibilidade
A primeira técnica de compatibilidade a ser estudada neste trabalho será a de Engenharia
Seqüencial, posteriormente falaremos da segunda técnica que é a Engenharia Simultânea.

2.8.1 Engenharia Seqüencial


Engenharia Seqüencial é baseada no modelo de conversão que é conceitualizado por KOSKELA
(1998) como uma conversão de entradas em saídas, sendo que seus princípios e suas deficiências
estão sendo explicados na tabela 3.
Tabela 3 - Princípios relacionados ao modelo de conversão e suas deficiências
PRINCÍPIOS DEFICIÊNCIAS

a
- O processo de conversão pode ser dividido em Oculta atividades de não-conversão (por vezes
subrocessos, que também são processos de chamadas perdas), conduz para pensamento que
conversão. todas atividades são similares.

b
- O custo de processo total pode ser minimizado Oculta a interdependência entre atividades;
pela minimização do custo de cada subprocesso. direciona a atenção para longe de possibilidades
para redução de custos completos, coordenados
e otimizados de atividades sucessivas.

c
- O método é vantajoso para separar o processo Sugere aumentar atividades de não-conversão
de produção do ambiente externo completo por causa de coordenação.
físico ou suporte organizacional

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d
- O valor da saída de um processo é associado Oculta a oportunidade de agregar valor para
com custos (ou valor) de entradas para atender às necessidades do cliente.
qualquer processo.
Fonte: (KOSKELA, 1998).
Assim como KOSKELA, TZORTZOPOULOS (1999) concorda com essa abordagem e aponta
que o projeto, bem como os outros processos de produção, são analisados e gerenciados como
um conjunto de conversões, no qual a atividade de projetar é encarada como uma transformação
de requisitos e necessidades dos clientes (internos e externos) em projetos satisfazendo essas
requisições.
Quanto à melhoria do processo, TZORTZOPOULOS (1999) comenta que o ganho em eficiência
e eficácia das atividades tem como embasamento o uso de ferramentas de projeto como o CAD2.
Em contramão à melhoria do processo, HUOVILA et al (1997), citados por TZORTZOPOULOS
(1999), apontam duas deficiências importantes no modelo de conversão:

 Neste modelo, na análise do processo de projeto não fica bem explicitada a existência de
atividades que não agregam valor ao produto;
 O modelo não identifica claramente os clientes específicos de cada etapa do processo, que
possuem requisitos diferenciados.
 Devido à contribuição destas deficiências, os mesmos autores apontam alguns problemas que
se mantém no processo:
 A existência de muitos requisitos que não são definidos no início do processo;
 Erros de projetos são detectados em fases avançadas, causando retrabalhos;
 A existência de poucas interações entre os projetistas;
 Esperas para aprovações, instruções ou informações tomam a maior parte do tempo dos
projetistas;
 As atividades do processo são desenvolvidas de forma seqüencial, e muitas vezes ocorrem
longos períodos de espera entre o desenvolvimento de ações subseqüentes;
 Longa duração, alto custo e baixa qualidade dos projetos em geral.

A deficiência do modelo de Engenharia Seqüencial também é enfatizada por LESSA et al (1999,


p.3), que afirmam: “no modelo seqüencial de projeto, as atividades de planejamento do processo
e de avaliação e testes são realizadas numa etapa avançada do desenvolvimento do produto.
Assim, qualquer modificação no projeto causa: aumento dos custos devido ao retrabalho, atrasos
no lançamento previsto dos produtos, alto custo de fabricação para os novos produtos devido ao
baixo volume de fabricação, etc.”.
Portanto, por várias deficiências que este modelo de Engenharia Seqüencial apresenta, gerando
em conseqüência vários problemas, e da evolução dos fatores de competitividade produzidos

2
CAD - computer aided design
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pela globalização dos mercados, este modelo de Engenharia Tradicional perdeu espaço para uma
nova forma de organização, que é a Engenharia Simultânea.

2.8.2 Engenharia Simultânea


Podemos chamar Engenharia Simultânea também de Engenharia Paralela que tem origem do
inglês concurrent engineering, também chamada de simultaneous engineering ou parallel
engineering.
Conforme Broughton (1990) apud Evbuomwan & Anumba (1998) define Engenharia Simultânea
como uma tentativa para otimizar o projeto de produtos e processos de manufatura, para reduzir
tempos e melhorar a qualidade e o custo, por meio da integração das atividades de projeto e de
manufatura e da maximização do paralelismo nas práticas de trabalho.
Para Lugli & Naveiro (1996) a Engenharia Simultânea é definida como a maneira de conduzir a
atividade de projeto de forma que as várias atividades relacionadas à progressão do projeto são
integradas e realizadas, sempre que possível, em paralelo ao invés de seqüencialmente. Mais
especificamente, “Engenharia Simultânea é a consideração, durante a fase de projeto, dos fatores
associados ao ciclo de vida do produto. Eles incluem fabricação, montagem, teste, manutenção,
custo e qualidade” (O’GRADY & YOUNG, 1991 apud LUGLI & NAVEIRO, 1996, p.3).
De acordo com Rufino (1999), para a elaboração de um projeto com base na Engenharia
Simultânea, denominado de Projeto Simultâneo, é necessário haver um desenvolvimento em
conjunto e integrado de todas as fases do produto (projeto), como mostrado na Figura 4. Pode-se
concluir, a partir desta Figura, que as bases do Projeto Simultâneo são (FABRICIO 1998 apud
RUFINO, 1999):

 Fomento à interatividade entre os participantes da equipe multidisciplinar, com ênfase para o


papel do coordenador de projetos como fomentador do processo;
 Integração no projeto de visões de diferentes agentes do processo de produção, através da
formação de equipes multidisciplinares;
 Forte orientação para a satisfação dos clientes e usuários (transformação das aspirações dos
clientes em especificações de projeto).

Realização em paralelo de várias etapas do processo de desenvolvimento de produto, em


especial, desenvolvimento conjunto de projetos do produto para a produção;

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Figura 4 - Interação de etapas no desenvolvimento de um novo empreendimento com


Projeto Simultâneo.
Fonte: FABRICIO (1998), apud RUFINO (1999).

Fazendo uma rápida comparação entre a Engenharia Seqüencial e a Engenharia Simultânea, o


primeiro aspecto a ser analisado será o processo de desenvolvimento do produto. Enquanto a
característica mais predominante do desenvolvimento de projeto pela engenharia tradicional é
justamente a sequenciamento das etapas constituintes de projeto, ocasionando algumas
deficiências, como: falta de integração entre as diversas etapas. Deficiência na troca sistemática
de informações e acréscimo de retrabalhos, TZORTZOPOULOS (1999), apud MELHADO
(1994), tem ainda outras deficiências relevantes, que são: o levantamento das necessidades dos
clientes para concepção do produto que é feita d maneira precária, BAIA & MELHADO, (1998),
ausência da coordenação de projetos, FABRICIO & MELHADO, (1998).
Já a Engenharia Simultânea aplica à execução de projetos, como seu próprio nome diz, executa
as etapas de projetos simultaneamente. Verifica-se também que o desenvolvimento do projeto do
processo de produção (definição do processo tecnológico, planejamento da produção, projeto
para produção) é feito em paralelo com o projeto do produto (briefing, estudo preliminar,
anteprojeto, projeto legal e projeto executivo).

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Com esse novo arranjo, propiciam-se melhores condições para uma maior integração entre as
etapas de projeto, melhorias na sistemática de informações e conseqüente diminuição de
retrabalhos, que são justamente os fatores em que o modelo tradicional apresenta deficiência.

3. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O processo de desenvolvimento de produtos na construção de edifícios apresenta uma série
de deficiências que vão repercutir negativamente na qualidade dos produtos gerados e na
eficiência da construção. O pobre desempenho dos projetos, frente a seus clientes internos e
externos, está intimamente associado a pouca interatividade entre os agentes envolvidos no
processo de projetos do setor. Como alternativa a este quadro, a utilização do conceito de
Projeto Simultâneo se mostra potencialmente promissor na busca por processos de projetos
orientados ao desenvolvimento integrado das várias especialidades de projeto, com
significativas repercussões na qualidade do projeto. Para operacionalização dos Projetos
Simultâneos foram propostas alterações no encadeamento das etapas de projeto de forma a
privilegiar o paralelismo entre etapas de projeto e a interatividade entre os executores destas
etapas, de forma a buscar um processo de projetos orientado à análise precoce das
repercussões das especificações adotadas e de alternativas que propiciem uma ampliação do
desempenho dos projetos segundo uma visão global do empreendimento.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Desenho de projeto de Engenharia Civil

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Como a compatibilização de projetos pode diminuir custos, gastos e retrabalhos na Construção Civil
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Desenho de projeto de Engenharia Civil

1.2 Denições sobre o processo do projeto ar-


quitetônico
Segundo alguns arquitetos, o projeto de arquitetura é o resultado de uma
parceria entre cliente e projetista. Através dessa parceria, ideias são mate-
rializadas em desenhos, unindo estética e funcionalidade de forma a suprir
as necessidades dos usuários nos espaços a serem construídos. Resumida-
mente, as principais etapas que envolvem o desenvolvimento do projeto de
arquitetura são:

Estudo Preliminar O projeto de arquitetura - seja ele residencial, co-


mercial ou, até mesmo, industrial - é o resultado de um esforço conjunto do
projetista e cliente. Por isso, é importante estabelecer desde o princípio um
diálogo aberto sobre expectativas, gostos e, principalmente, sobre a dispo-
nibilidade nanceira do cliente. O projetista deve, também, esclarecer suas
premissas de trabalho e, se possível, apresentar seu portfolio e/ou projetos
já realizados.
Através de uma entrevista preliminar, pode-se conhecer melhor o cliente,
seus hábitos e horários, como é seu dia-a-dia, sua estrutura familiar ou do
local de trabalho e, principalmente as atividades que o cliente pretende reali-
zar na edicação. Neste ponto, dene-se o escopo do trabalho a ser realizado
pelo projetista e o programa de necessidades. Então, apresenta-se um orça-
mento ao cliente e, após assinado um contrato de prestação de serviços, são
iniciados os trabalhos reativos ao projeto.
O projetista, usualmente, realiza uma visita ao local de implantação do
objeto a ser projetado, pelo menos uma vez. Nesta visita procura-se avaliar o
local e seu entorno, vericando as possibilidades de realização do programa de
necessidades, as dimensões do local, interferências (como lagos, rios, rodovias
e ferrovias dentre outras).
Com estas informações, começa o trabalho de criação, onde se elabora
um conceito a ser seguido e as soluções que irá apresentar no projeto em
questão. Esta fase chama-se Estudo Preliminar e aqui são executados os
esboços iniciais (croquis).
Uma vez que o cliente aprova os esboços iniciais, dá-se início a fase se-
guinte, Anteprojeto.

Anteprojeto Nesta fase, os desenhos gerados anteriormente são transfor-


mados em desenhos técnicos, com escala e dimensões precisas. Os cortes,
fachadas e as diversas plantas são criadas para se estudar a viabilidade de
cada detalhe do projeto: o tamanho dos ambientes, iluminação, ventilação...

Prof. M.Sc. Waldir Felippe 52


Desenho de projeto de Engenharia Civil

Pode-se, também, criar um modelo tridimensional no computador ou uma


maquete para melhor compreensão dos volumes e das proporções da constru-
ção, isso se o porte do projeto permitir.
Podem ser necessários ajustes na concepção inicial então, reuniões são
feitas com o cliente para que as decisões sejam tomadas em conjunto e que
ambas as partes estejam de acordo com as escolhas feitas. Uma vez que
todos os ajustes sejam resolvidos e aprovados pelo cliente, pode-se elaborar
o Projeto de Aprovação e, se for o caso, o Projeto Executivo.

Projeto de Aprovação Este é o projeto a ser apresentado a prefeitura


com as informações requeridas pelo município. Usualmente essas informações
são: planta de localização, planta de locação e implantação, plantas baixas,
cortes, fachadas, pers do terreno e planta de cobertura. Em casos especiais,
a aprovação do projeto pode car condicionada a apresentação dos projetos
estrutural, de incêndio e/ou instalações, dependendo do porte da edicação.
Uma vez aprovado o projeto, a prefeitura expede o Alvará de Construção.
Este documento permite que os serviços de construção sejam iniciados.

Projeto Executivo O projeto executivo apresenta os detalhes de execução


de cada item, como os acabamentos utilizados, indicações de materiais, o
sistema construtivo, os tipos de portas e janelas utilizadas, dentre outros
itens. Este projeto traz todos os sistemas da edicação compatibilizados e
as soluções para cada interferência.

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Desenho de projeto de Engenharia Civil

1.3 Reexão sobre metodologias de projeto ar-


quitetônico

Reflexão sobre metodologias de


projeto arquitetônico
A reflection on architectural design methodologies

Doris Catharine Cornelie Knatz Kowaltowski


Doris Catharine Cornelie Knatz
Kowaltowski Maria Gabriela Caffarena Celani
Faculdade de Engenharia Civil,
Arquitetura e Urbanismo
Daniel de Carvalho Moreira
Universidade Estadual de Campinas
Avenida Albert Einstein, 951
Silvia Aparecida Mikami G. Pina
Cidade Universitária Zeferino Vaz, CP
6021
Regina Coeli Ruschel
Campinas – SP - Brasil Vanessa Gomes da Silva
CEP 13083-852
Tel.: (19) 3788-2306 Lucila Chebel Labaki
E-mail: doris@fec.unicamp.br
João Roberto D. Petreche
Maria Gabriela Caffarena
Celani
Faculdade de Engenharia Civil,
Arquitetura e Urbanismo
Universidade Estadual de Campinas
E-mail: celani@fec.unicamp.br Resumo
ste artigo discute métodos de projeto arquitetônico à luz das

E
Daniel de Carvalho Moreira
Faculdade de Engenharia Civil, complexidades atuais do processo criativo, dos avanços tecnológicos e
Arquitetura e Urbanismo
Universidade Estadual de Campinas das mudanças sociais e econômica. Este panorama uma mudança de
E-mail: damore@fec.unicamp.br atitude e a aplicação de procedimentos mais sistemáticos durante o
Silvia Aparecida Mikami G. Pina processo de projeto. Vários métodos de projeto são apresentados, os quais
Faculdade de Engenharia Civil, discutem a síntese, a análise e a avaliação de importantes fatores arquitetônicos. O
Arquitetura e Urbanismo
Universidade Estadual de Campinas potencial destes métodos é analisado. Técnicas e procedimentos para avaliação do
E-mail: smikami@fec.unicamp.br desempenho de edifícios, avaliação de projetos e desenho são discutidos, assim
Regina Coeli Ruschel como o uso de modelos físicos e virtuais. Assim, o artigo faz uma reflexão sobre
Faculdade de Engenharia Civil, as formas e meios pelos quais os arquitetos organizam a busca das soluções de
Arquitetura e Urbanismo
Universidade Estadual de Campinas projeto de alta qualidade, que satisfaçam as necessidades humanas.
E-mail: regina@fec.unicamp.br
Palavras-chave: processo de projeto em arquitetura, métodos de projeto
Vanessa Gomes da Silva
Faculdade de Engenharia Civil,
Arquitetura e Urbanismo
Universidade Estadual de Campinas
E-mail: vangomes@fec.unicamp.br

Lucila Chebel Labaki


Faculdade de Engenharia Civil,
Abstract
Arquitetura e Urbanismo This paper discusses architectural design methods in view of the present day
Universidade Estadual de Campinas
E-mail: lucila@fec.unicamp.br complexities of the creative process, technological advances and social and
economic changes. This scenario demands a change in attitude and the
João Roberto D. Petreche application of more systematic procedures during the design process. Various
Departamento de Construção Civil
Universidade de São Paulo design methods are presented which discuss the synthesis, analysis and evaluation
Av. Prof. Almeida Prado, nº.83 of the important architectural factors. The potential of these methods are shown.
Edifício Paula Souza
Cidade Universitária Techniques and procedures for building performance assessment, design
São Paulo - SP – Brasil evaluation, and drawing and drafting are presented, as well as the use of physical
CEP: 05508-900
Tel.: (11) 3091-5468 and virtual models. Thus, the paper reflects upon the ways and means of how
E-mail: joao.petreche@poli.usp.br architects organize the search for high quality design solutions which satisfy
Recebido em 16/11/04 human needs.
Aceito em 24/01/06 Keywords: design process in architecture, design methods

Ambiente Construído, Porto Alegre, v. 6, n. 2, p. 07-19, abr./jun. 2006. 7


ISSN 1415-8876 © 2006, Associação Nacional de Tecnologia do Ambiente Construído. Todos os direitos reservados.

Disponível em: www.ceap.br/material/MAT03032010115338.pdf

Prof. M.Sc. Waldir Felippe 54


Desenho de projeto de Engenharia Civil

Introdução
É objetivo deste trabalho, por meio de uma breve São grandes as dificuldades de enquadrar as
revisão do estado da arte em metodologia de características do processo projetivo em
projeto, apresentar uma discussão sobre o processo metodologias de projeto, uma vez que o processo
de projeto em arquitetura. As investigações em de criar formas em arquitetura é, na maioria das
metodologias de projeto arquitetônico situam-se na vezes, informal, individual ou simplesmente
transversalidade de várias áreas, tais como: pertence a escolas de regras estéticas
qualidade do ambiente construído, conforto (KOWALTOWSKI; LABAKI, 1993). Estudos do
ambiental, psicologia ambiental, processo de processo criativo indicam pelo menos cinco tipos
projeto, informática aplicada e avaliações de de heurísticas aplicadas na solução de projetos
projetos e obras em pós-ocupação. (ROWE, 1992; LAWSON, 1997; HEARN, 2003):
Os avanços tecnológicos e as mudanças globais (a) analogias antropométricas: baseiam-se no
das relações sociais e econômicas influenciam os corpo humano e nos limites dimensionais;
trabalhos em arquitetura. Nos últimos anos, a (b) analogias literais: uso de elementos da
complexidade do projeto e a exigência da
natureza como inspiração da forma;
qualidade ambiental das construções de grande
porte têm aumentado. Cinco razões podem ser (c) relações ambientais: aplicação com maior
citadas em relação a esse aumento: avanço rápido rigor de princípios científicos ou empíricos da
da tecnologia; mudança de percepção e de relação entre homem e ambiente, tais como clima
demanda dos proprietários de edificações; aumento da região, tecnologia e recursos disponíveis;
da importância do prédio como facilitador da (d) tipologias: aplicação de conhecimento de
produtividade; aumento da troca de informações e soluções anteriores a problemas relacionados,
do controle humano; e a necessidade de criação de podendo-se dividir em modelos de tipos de
ambientes sustentáveis, com eficiência energética. construção, tipologias organizacionais e tipos de
Evidenciam-se também uma intensificação elementos ou protótipos; e
competitiva e a necessidade crescente de
colaboração dos agentes de um projeto para (e) linguagens formais: estilos adotados por
produzir com eficiência e qualidade. Essas grupos ou escolas de projetistas.
exigências sobre o trabalho do arquiteto Pode-se considerar o processo de projeto como um
demandam um aprimoramento dos procedimentos conjunto de atividades intelectuais básicas,
adotados e a aplicação de metodologias mais organizadas em fases de características e
sistemáticas de pesquisa e projeto. resultados distintos. Essas atividades são análise,
síntese, previsão, avaliação e decisão. Na prática,
Processo de projeto algumas atividades podem ser realizadas através da
intuição, algumas de forma consciente e outras a
Em arquitetura, o processo de criação não possui partir de padrões ou normas (LANG, 1974).
métodos rígidos ou universais entre profissionais,
muito embora possam ser atestados alguns O projeto arquitetônico faz parte da família de
procedimentos comuns entre projetistas. O processos de decisão. O processo de decisão em
processo é complexo e pouco externado pelo um projeto pode utilizar a descrição verbal, gráfica
profissional. O campo projetivo arquitetônico ou simbólica, isto é, vários mecanismos de
situa-se numa área intermediária entre ciência e informação, para antecipar analiticamente um
arte, tendo que responder a questões não modelo e seu comportamento (ROSSO, 1980).
perfeitamente definidas e permitindo múltiplas Podem-se ainda considerar as principais fases do
abordagens (DÜLGEROGLU, 1999; JUTLA, modelo geral da tomada de decisão, que,
1996). Há subáreas (representação da forma, traduzidas pela prática profissional dos projetistas,
história e teoria de construções e estudo das dividem-se em programa, projeto, avaliação e
estruturas, entre outras) que se desenvolvem de decisão, construção e avaliação pós-ocupação. Em
maneira independente, cada uma com um tipo de cada fase, pode ser realizada uma série de
dialeto, sendo necessário integrá-las na concepção atividades (LANG, 1974). Na rotina dos
do projeto. O campo também possui o escritórios de arquitetura, observa-se ainda a
conhecimento universal para fazer normas e divisão da fase de projeto em croquis, anteprojeto
padronizações e o conhecimento específico para e projeto.
cada caso. Assim sendo, todo problema é único e, De acordo com Mumford et al. (1994), o
portanto, cada solução está baseada em um pensamento criativo representa uma forma de
conjunto diferente de critérios. solução de problemas. Os estudos da capacidade
humana de buscar soluções de problemas enfocam

8 Kowaltowski, D. C. C. K. et al.

Prof. M.Sc. Waldir Felippe 55


Desenho de projeto de Engenharia Civil

elementos cognitivos (TORRANCE, 1962; estudos para a utilização de métodos racionais no


STEMBERG, 1988; BODEN, 1991). Podem campo do projeto arquitetônico.
existir barreiras que impeçam o florescimento da A metodologia de projeto, como um procedimento
criatividade no indivíduo, que podem ser
organizado para transportar o processo de criação a
perceptivas, culturais, ambientais, emocionais e certo resultado, procura racionalizar as atividades
intelectuais. De outro lado, há meios de estimular criativas e apoiar o projetista para a solução de
as atividades criativas, como, por exemplo, os
problemas cada vez mais complexos, uma vez que
métodos chamados de brainstorming (HYMAN, a tomada de decisão significa escolher um curso de
1998). Há ainda a Theory of Inventive Problem ação entre muitas possibilidades. As metodologias
Solving1, conhecida por “TRIZ”, criada por
de projeto que auxiliam o processo criativo podem
Altshuller em 1946 e recentemente aplicada ao ser vistas como abstrações e reduções utilizadas
projeto arquitetônico (ALTSHULLER, 1984; para compreender o fenômeno projetivo. Existe
MANN, 2001; KIATAKE, 2004). Esse método
um consenso entre os teóricos de que a intuição é
consiste essencialmente na reestruturação de um parte importante do processo e de que o modelo de
problema de projeto específico em um problema projeto não é uma seqüência linear de atividades
genérico cuja solução tenha princípios referenciais
exatas, uma vez que o projetista não possui a
consolidados. priori amplo conhecimento da natureza do objeto
A complexidade do processo de projeto pode ser de projeto, e seu processo de pensamento não pode
suportada mediante a utilização de métodos de ser considerado totalmente racional (LANG,
controle e planejamento do processo cognitivo. É 1974).
sabido que em arquitetura existem muitos aspectos Durante o processo de criação são efetuadas
conflitantes que necessitam de resolução. A
avaliações constantes de vários tipos. Existem
maneira criativa de solucionar esses conflitos é sistemas de avaliação abertos, os chamados
aquela que encontra no próprio conflito impulso métodos de argumentação, que enfocam e
para gerar inovações e descobertas (KIATAKE,
privilegiam certas soluções de projeto. O debate é
2004). Métodos que auxiliam esse processo influenciado por características pessoais, pela
buscam restringir o espaço ou escopo do problema experiência do projetista em relação ao problema,
para reduzir o tempo no desenvolvimento do
bem como pelo enfoque de sua formação diante do
projeto e aumentar a sua qualidade. Nessa linha projeto. Todos esses fatores, agora externados,
foram criados outros métodos, como, por exemplo, moldam o partido do projeto. É valioso e útil para
a “Metodologia Axiomática de Tomada de
arquitetos explorar várias maneiras de obter
Decisão” desenvolvida por Suh (1990, 1998, soluções de projeto de um aspecto específico,
2001). Esse método apóia a busca de solução de adotando diferentes ênfases durante o processo de
problemas de projeto com aplicação de lógica. A
concepção da solução. Muitas vezes são aplicadas
teoria baseou-se na afirmação de Suh que projetar três abordagens para um projeto com o enfoque
é um procedimento considerado solitário e que dirigido na avaliação por argüição. O fator imagem
engloba conhecimento multidisciplinar, o que faz
é aplicado quando a ênfase na abordagem é o
do projeto uma área em que a experiência é tão visual, o intuitivo. O programa do projeto pode
importante quanto uma educação formal. assumir ênfase na abordagem através do racional,
No projeto de edificações, é papel do projetista do funcional, e o sítio tem ênfase na abordagem
apresentar não um universo de soluções, mas através do seu meio ambiente.
aquelas que, em princípio, atendam ao programa
do cliente nos aspectos funcionais e técnicos e ao Avaliação Pós-Ocupação e a relação
enfoque econômico que o mesmo cliente propõe entre ambiente e comportamento
(ROSSO, 1980). È característica dessas soluções
respeitar uma das verdades absolutas no humano
desenvolvimento do processo mental de criação do Admitindo-se a falta de conhecimento total do
projeto: as idéias normalmente estão em diferentes problema a ser resolvido pelo projetista, as
estágios de definição e não seguem uma ordem metodologias de projeto com participação do
linear de seqüência de decisão (BROADBENT, cliente/usuário são vistas como uma maneira de
1970). Os diferentes estágios de definição dos reduzir os erros de trajetória do processo. A
elementos que compõem o projeto obrigam o autor inclusão da diversidade de opiniões e percepções
a trabalhar em ciclos simultâneos de decisão, de amplia a base de conhecimento da natureza do
acordo com a parte do sistema analisada, o que objeto de projeto. Esse procedimento de projeto
particularmente estimula o desenvolvimento de cria a necessidade de documentação profunda e
comunicação clara das decisões projetuais para um
1
Teoria da solução inventiva de problemas.
entendimento dos diversos atores do processo.

Reflexão sobre metodologias de projeto arquitetônico 9

Prof. M.Sc. Waldir Felippe 56


Desenho de projeto de Engenharia Civil

Surgem métodos participativos de projeto, como interação entre indivíduos e as suas condições
os jogos, modelos em escala real (mock-ups) e a físicas (GIFFORD, 1997).
aplicação de recursos visuais mais realistas, como O conforto ambiental, nos seus aspectos térmicos,
maquetes virtuais com passeios programados
acústicos, visuais e de funcionalidade, é um dos
(SANOFF, 1991). Surgem também visitas a elementos da arquitetura que mais influencia o
edifícios tipo, para a documentação de opiniões e bem-estar do homem. O processo de projetar deve
satisfações, tendo as avaliações pós-ocupação
criar ambientes que priorizem os aspectos de
(APO) um papel fundamental no processo de conforto, funcionalidade, economia e estética,
projeto. aplicando os conhecimentos artísticos, científicos,
Assim, as avaliações pós-ocupação de edificações técnicos e de psicologia ambiental. As
devem fazer parte das metodologias de projeto, constatações de falhas nas construções,
pois colaboram com as fases de síntese e correção especialmente no que diz respeito ao ajuste da
das falhas de projeto. Métodos e técnicas de função à forma, são freqüentes. O grande desafio
avaliação do ambiente construído são utilizados nas pesquisas em arquitetura tem sido, nos últimos
por pesquisadores vindos de diferentes áreas. A anos, a introdução sistemática de conhecimento de
avaliação pelo próprio usuário de uma edificação é fatores comportamentais no processo criativo.
considerada importante no levantamento da Estabelecer regras com profundo conteúdo
complexidade do uso e da satisfação do ambiente humanista e científico dentro de uma metodologia
construído. de projeto demonstra importante contribuição no
enriquecimento conceitual do processo criativo.
A existência de diferentes pontos de vista entre
pesquisadores, especialistas e usuários leigos levou A partir da análise dos dados coletados, as
os métodos APO a considerar que ambientes pesquisas de avaliação pós-ocupação podem gerar
construídos sejam submetidos não só às avaliações prescrições para a melhoria do ambiente já
comportamentais, mas também a avaliações construído, parâmetros de projeto e conhecimentos
físicas. Estas últimas utilizam instrumentos diversos de tipologias edificadas e seus usuários. É
técnicos de medição, ensaios de componentes, percebida a existência de problemas que podem ser
protótipos em laboratórios e observações técnicas evitados com a utilização de parâmetros de projeto
gerais. Podem ser feitos ainda cálculos e mais rigorosos. Existem tentativas na busca de
simulações, quando necessário, como balanço métodos para o processo projetual e a garantia da
térmico e aferição de consumo de energia elétrica, qualidade dos seus produtos. Uma vertente é a
entre outros (PREISER, 1988). especialização da profissão para projetos de
tipologias específicas, tais como hospitais ou
Destacam-se ainda os métodos e técnicas visuais,
que permitem associar as informações obtidas por indústrias. As metodologias participativas de
meio de diários ou listas de atividades, mapas projeto, cujo objetivo é amenizar o autoritarismo
do projetista no processo, são também
comportamentais, registros fotográficos, registros
em videoteipe, percepção visual e simulações contribuições positivas. Há ainda a criação de
(SANOFF, 1991; ITTELSON et al., 1970). Nesses profissões novas, como os programadores de
necessidades que atuam na preparação de material
métodos, são aplicadas muitas vezes as escalas de
diferencial semântico, criadas por Osgood, Suci e para o ato de projetar e na avaliação dos produtos
Tannenbaum (1957), em que se trabalha com com o intuito de criar um corpo de conhecimento
apropriado para direcionar e alimentar o processo
extremos opostos, como interessante e cansativo,
por exemplo, ou difícil e fácil. criativo (SANOFF, 1992).

A relação entre o ambiente construído e o Uma análise de trabalhos científicos da área de


avaliação pós-ocupação publicados no Brasil
comportamento humano está estreitamente ligada
às estruturas sociais e culturais e às tecnologias de mostrou que ainda há dificuldades nas
uma época. As condições geradas no ambiente contribuições desses trabalhos com possibilidade
direta de aplicação no processo criativo
alteram o modo de vida das pessoas, renovando-se
com as próprias transformações, ante as (KOWALTOWSKI et al., 2000). Os trabalhos
necessidades do usuário (ORNSTEIN, 1995). O analisados dividem-se de acordo com o seu
objetivo, tipologia arquitetônica estudada,
projeto arquitetônico deve responder mediante a
criação das formas e do detalhamento de uma metodologias aplicadas e forma de apresentação de
edificação para abrigar a relação entre ambiente e resultados.
comportamento humano e contribuir com Os resultados das avaliações no país apresentam
melhorias estéticas. É dentro desse universo que listas ou mapas de atividades, avaliações gerais
age a psicologia ambiental, definida como individuais do pesquisador, avaliações estatísticas,
descrições técnicas, levantamento de satisfação e

10 Kowaltowski, D. C. C. K. et al.

Prof. M.Sc. Waldir Felippe 57


Desenho de projeto de Engenharia Civil

de conforto pelo usuário, levantamentos de aplicação de descobertas técnicas aos projetos


alterações em projeto, listas de problemas técnicos, novos. As informações de falhas de projeto
listas de preferências e dimensionamentos de necessitam uma divulgação mais eficiente e em
áreas. A qualidade dos dados gerados nessas formato mais apropriado para a aplicação no
pesquisas, para uma aplicação direta e universal no processo projetual.
processo criativo, está relacionada às metodologias Existe também a demora na aplicação de
usadas nas práticas APO. A maioria dos trabalhos
conhecimentos novos. Métodos criativos de
de APO no país ainda aplica o questionário e as divulgação devem ser aplicados para reduzir esse
observações pessoais do pesquisador como meio tempo. Bancos de dados deverão ser criados e
de coleta de dados e resiste em usar um universo
associados às ferramentas de projeto, os programas
mais amplo de metodologias disponíveis. Há ainda CAD. Um importante acervo de informações pode
o problema da apresentação de resultados, que ser extraído das pesquisas APO, quando utilizadas
muitas vezes são descritivos ou muito específicos,
com o objetivo de sistematização do processo
o que dificulta a sua transferência ao processo de projetual. A aplicação dos levantamentos de dados
projeto em geral (KOWALTOWSKI et al., 2000). na relação entre homem e ambiente e seus
As técnicas que exigem medições com resultados devem ser disponibilizados para novos
equipamento e aplicam métodos com rigor projetos arquitetônicos também na World Wide
estatístico, bem como as metodologias Web, para um acesso mais ampliado. A realidade
consagradas tais como behavior setting2 virtual e as simulações de ambientes com
(BARKER et al., 1964), demonstram resultados representação gráfica devem ser aplicadas com
mais consistentes para uma aplicação universal em mais freqüência, para criar um acervo de
projeto. A análise dos trabalhos no país não está percepções e pesquisar reações controladas de
relacionada à confiabilidade dos dados, mas sim à usuários reais ou potenciais. A introdução de
sua potencialidade de tradução à prática em novos conhecimentos no processo de criação de
arquitetura. A confiabilidade está presente nos um projeto arquitetônico também necessita de
trabalhos de estudo de caso, cujos dados de retro- testes posteriores para verificação de sua
fit são os resultados principais3. confiabilidade e adequação específica.
Recomenda-se uma divulgação mais consistente Grandes bancos de dados, com mais de 20.000
das metodologias, com maior rigor estrutural e resultados de medições, estão disponíveis
estatístico, além das técnicas consagradas de atualmente. Algumas avaliações dos dados
pesquisas empíricas em conforto ambiental que apontam para modificações nos modelos de
usam equipamentos de medições. Essa divulgação conforto térmico, questionando o Voto Médio
deverá conter instruções detalhadas da prática da Estimado (VME) de Fanger e reforçando a
aplicação, com o intuito de aumentar o uso dessas necessidade de pesquisas no modelo adaptativo de
metodologias de potencialidade de resultados mais conforto (JONES, B. W., 2004). Outros bancos de
adequados. O formato dos resultados deve ser um dados, como o do Governo dos Estados Unidos
ponto de reflexão na direção de melhorar a relação através da US General Services Administration,
entre pesquisas APO e o processo criativo em usam uma estrutura de avaliação chamada
arquitetura. O ato de projetar apóia-se na sua Balanced Scorecard (KAMPSCHROER, 2004). O
comunicação, principalmente em representações método avalia a relação entre o espaço físico, o
gráficas, mas a análise dos trabalhos de APO em comportamento humano e mudanças
geral mostra que o desenho está presente apenas organizacionais no processo de trabalho nas
em um terço deles, e, em muitos casos, o conteúdo instituições federais dos Estados Unidos.
gráfico e técnico é pouco informativo para uma Uma das dificuldades em obter dados sobre uso e
aplicação universal ao processo criativo. A falta de ocupação de edificações é a falta de registros de
informações visuais precisas pode ser apontada
informações disponíveis na maioria das
com uma das causas principais do descompasso da construções no país e no mundo. Para viabilizar e
reduzir os custos de APOs em geral, recomenda-
2
A metodologia behavior setting, também conhecida por se, portanto, a introdução de logbooks, diários de
“cenários comportamentais”, classifica o ambiente em
categorias de acordo com o tempo de ocupação dos usuários, bordo, introduzidos no “habite-se” das edificações
com o envolvimento e o comprometimento dos ocupantes em e mantidos junto ao gerenciamento delas (JONES,
relação ao ambiente, com os aspectos comportamentais através
da freqüência, duração e intensidade de ações no local e com a
P. G., 2004). Recentemente, algumas metodologias
variedade de comportamentos possíveis nesse cenário de APO foram adaptadas para ferramentas WEB-
(BERNARDI, 2001, p. 13). based. O Center for the Built Environment (CBE)
3
A seqüência de um estudo de caso inclui a obra, o ajuste da
sua documentação (as built), a ocupação, APO e introdução de da Universidade da Califórnia, em Berkeley,
ajustes e melhorias (retro-fit). proporcionou a coleta de dados pela internet de
maneira eficiente e sem grandes custos

Reflexão sobre metodologias de projeto arquitetônico 11

Prof. M.Sc. Waldir Felippe 58


Desenho de projeto de Engenharia Civil

(ZAGREUS, 2004). Sabe-se que, principalmente As especificações são utilizadas a fim de descrever
no Brasil, muitas pesquisas de APO não são saídas aceitáveis na elaboração do projeto. É um
conduzidas pelo custo na aplicação de procedimento pelo qual o cliente define soluções
questionários e pela necessidade de dispor de mínimas para a sua aceitação. Assume-se que as
equipes e equipamento para as medições técnicas pessoas envolvidas na elaboração de tais
recomendadas. A nova possibilidade de conduzir especificações conhecem melhor as condições que
pesquisas APO a distância deve melhorar esse devem ser satisfeitas. As dificuldades referem-se
quadro. ao tempo de elaboração da relação dessas
especificações e ao nível de seu detalhamento
Avaliação de projeto (JONES, 1970).

Atualmente as pesquisas em APO concentram-se Os índices de confiabilidade permitem aos


nas falhas do ambiente físico pelas suas próprias projetistas inexperientes identificar componentes
evidências, talvez pela maior familiaridade em incertos ou inseguros sem a necessidade de testes.
lidar com fatores objetivos do que com a No caso do projeto arquitetônico, pode-se, por
complexidade de avaliação do comportamento exemplo, considerar como item de projeto as
humano. definições de orientação da fachada, tipos de
janela, tipos de acabamento, forma do ambiente,
Enquanto a área de APO desenvolveu métodos e entre outros. Nesse procedimento, o princípio que
conceitos próprios, a avaliação de projetos se apresenta é o mapeamento do julgamento
arquitetônicos tem sido feita pela crítica humano para um modelo aritmético. Para isso, é
arquitetônica e deve fazer parte da metodologia de preparada uma classificação descritiva que inclua
projeto de cada profissional. Essa avaliação tem todas as características ideais dos componentes do
sido feita, de um modo geral, através de métodos produto e todas as causas de inadequação. A partir
que englobam listas de verificação (checklists), dessa relação, é solicitada aos projetistas mais
seleção de parâmetros, classificação e atribuição experientes uma estimativa do grau de
de pesos, especificações escritas e índices de inadequação dos elementos classificados, para que
confiabilidade. As listas de verificação permitem a sejam selecionados e verificados em termos de
utilização de conhecimentos sobre os requisitos inadequação. Os componentes com alta pontuação
que foram considerados relevantes em situações serão alterados. No entanto, com esse método não
similares. As dificuldades de emprego de métodos se pode garantir que, por exemplo, um produto
que englobam checklists referem-se ao tempo constituído por grande número de componentes
necessário para a sua aplicação. O fato de as listas com índices baixos de segurança seja um produto
serem longas e o fato de basearem-se em seguro (JONES, 1970).
suposições criam situações que podem distanciar o
projetista de uma nova solução (JONES, 1970; A obrigatoriedade da avaliação da qualidade
AIA, 2004). ambiental das construções de grande porte tem
aumentado. O uso do computador para a avaliação
A seleção de parâmetros, que são utilizados do desempenho dos prédios entrou no processo
durante o processo projetivo, permite reconhecer como ferramenta de suporte. Na fase de avaliação,
um projeto aceitável. Esses parâmetros são as simulações permitem refletir sobre o impacto do
definições e exigências de projeto tais como projeto em diferentes campos. A maioria das
legislação, acesso, orientação, modulação, técnicas ferramentas de simulação foi desenvolvida para
construtivas e custos, entre outros. É importante uso específico, de modo a auxiliar o projetista na
lembrar que essa seleção partirá de enfoques e otimização de parâmetros prioritários. O processo
interpretações diferentes. Na seleção de parâmetros é caracterizado pela verificação do desempenho do
e na sua priorização, pode-se utilizar a atribuição projeto em vários aspectos. Muitas vezes, as
de pesos. Esse método, no entanto, possui como múltiplas hipóteses adotadas não são
dificuldade a rigidez numérica para representar representativas da complexidade dos fenômenos
zonas de incerteza, mas pode atenuar a envolvidos. Caso a proposta seja insatisfatória, são
subjetividade das decisões projetuais. Pode ser um feitas alterações, e o processo de simulação se
processo demorado e com custos elevados. A repete até ser encontrada uma solução satisfatória.
classificação e a atribuição de pesos a certo As decisões sobre o que e como mudar,
número de objetivos são utilizadas para comparar geralmente, dependem da experiência do
um conjunto de projetos alternativos, utilizando-se projetista. É sabido que existem limitações no uso
uma escala de medidas. Esse não é considerado um de programas de simulação. A maior deficiência é
método confiável, na medida em que se que as simulações produzem uma série de
classificam ou se atribuem pesos a objetivos nem informações sobre o desempenho de apenas uma
sempre comparáveis (SILVA, 2000). solução de projeto por vez e, desse modo, não

12 Kowaltowski, D. C. C. K. et al.

Prof. M.Sc. Waldir Felippe 59


Desenho de projeto de Engenharia Civil

proporcionam informação de como comparar o constância no uso dessa edificação (COOK, 2001).
desempenho de diversas soluções As avaliações ambientais dos edifícios
(KOWALTOWSKI; LABAKI, 1993). compreendem pelo menos cinco categorias:
utilização de recursos naturais; geração de
No processo do projeto arquitetônico, a
visualização de aspectos de conforto ambiental é poluição e emissões; comprometimento dos
tida como importante instrumento para uma clara agentes e qualidade do monitoramento da operação
do edifício; qualidade do ambiente interno; e
transferência de conhecimento das áreas da física,
engenharia e psicologia. Vislumbra-se, na área das contexto de inserção (SILVA, 2000).
pesquisas em conforto ambiental, a plena
visualização dos conceitos e das sensações dos Desenho como ferramenta de projeto
aspectos de conforto térmico, acústico, lumínico e Para apoiar o desenvolvimento do projeto são
funcional-ergonométrico (KOWALTOWSKI et utilizados procedimentos e ferramentas específicos
al., 1998). Para que a conexão dos indicadores de para externar o estágio de desenvolvimento do
conforto, oriundos da pesquisa científica, ocorra de projeto, tais como desenhos e maquetes. Existem
fato no projeto, é fundamental visualizar os alguns procedimentos característicos que
fenômenos atuantes por meio de imagens transparecem nos desenhos da criação, nos quais
estimulantes ao processo criativo. Assim, cada trabalhos em duas e três dimensões são usados
aspecto do conforto necessita de tradução com propósitos específicos. A manipulação do
específica dos conceitos e indicadores em imagens produto de criação diretamente em planta é comum
gráficas adequadas ao processo projetual. no processo, usando-se ainda grelhas e elementos
Recentemente, a computação gráfica tem fixos como, por exemplo, escadas para uma
contribuído na facilidade de manipulação de dados visualização melhor da escala do projeto. No
científicos e na interpretação mais amigável de momento do desenvolvimento da planta, o
resultados. Simulações com visualizações realistas projetista procura resolver os problemas
das variáveis de projeto já existem, principalmente funcionais, apresentados pelo programa de
na área do conforto visual. Por outro lado, necessidades e pelas restrições vindas do local de
representar graficamente calor, movimento de ar e implantação. A planta também serve para
ruído é mais complexo e exige novas formas e direcionar a opção formal do projeto. É nesse
conceitos de visualização. O desenvolvimento da momento que a terceira dimensão é usada como
realidade virtual vislumbra a simulação da referência de imagens, mas ainda sem preocupação
ocupação desse espaço onde o som pode ser de precisão. Os estudos volumétricos, comuns
ouvido, os impactos sentidos e a luz e as cores nessa fase, são um importante elemento, pois
percebidas. Habitam-se os espaços virtuais com servem para a avaliação formal do projeto e
sensações térmicas através da simulação das trocas verificação de interferências técnicas, das
de calor do corpo humano com o ambiente. Na superfícies da cobertura, por exemplo. Os estudos
representação gráfica tradicional em projeto em três dimensões também servem para estudos de
arquitetônico, no entanto, a tradução dos conforto térmico do projeto, das condições de
fenômenos do conforto ambiental ainda apresenta insolação e de sombreamento adequado.
grande dificuldade. Ilustrações muitas vezes são
criadas evocando sensações equivocadas não A introdução do desenho no processo de criação
realistas. distingue o projeto arquitetônico da criação
artesanal ou da construção vernacular. Nesse
A crescente preocupação com fatores ambientais processo a compreensão do problema e a solução
fez surgir a avaliação de desempenho ambiental emergem juntas. O ato de passar uma idéia da
dos edifícios ou de sustentabilidade do percepção visual, através do olho, para uma
empreendimento. Essa avaliação procura indicar cognição mental e pela mão no desenho amplia o
medidas para a redução de impactos a partir de conhecimento. A simples contemplação de uma
alterações na forma como os edifícios são fotografia, ou de um objeto ou uma paisagem, não
projetados, construídos e gerenciados ao longo do cria a mesma compreensão da complexidade do
tempo (YEANG, 1995). O parâmetro de objeto analisado.
sustentabilidade não exige mudança de estilo ou de
estilo de vida, mas sim uma mudança de Fraser e Henmi (1994) analisaram desenhos
paradigma. É uma construção alternativa da arquitetônicos e sugerem o seguinte sistema de
relação humana com o meio ambiente que, por classificação: desenhos referenciais; diagramas;
definição, requer uma nova forma de expressão. desenhos de projeto; desenhos de representação; e
Sustentabilidade implica oportunidades e desenhos visionários. Os desenhos referenciais são
acomodação a mudanças durante a vida da os registros de idéias de projetos percebidas pelo
edificação. Também implica continuidade e projetista, não necessariamente associadas a um

Reflexão sobre metodologias de projeto arquitetônico 13

Prof. M.Sc. Waldir Felippe 60


Desenho de projeto de Engenharia Civil

projeto específico. De acordo com Hertzberger dimensões do projeto. Perspectivas com vários
(1991), os desenhos de referência são importantes pontos de fuga podem expressar o ponto de vista
registros de conhecimento que cada projetista deve conceitual do projetista. Os desenhos visionários
estabelecer. O desenho de observação, por essa devem ser usados com precaução, já que não
razão, ainda faz parte da formação do projetista na representam o projeto com precisão e podem criar
maioria das escolas de Arquitetura. Os desenhos no observador entendimentos errôneos.
efetuados durante viagens por muitos arquitetos
No processo de projeto são produzidos ainda
são bons exemplos dessa tipologia de desenho e desenhos de representação de dois tipos distintos,
demonstram a importância desses registros de os desenhos de representação final, para o cliente
observação para o desenvolvimento da arte de
ou para a venda do produto, e os desenhos de
projetar. execução, para dar suporte à construção (execução
Diagramas, chamados de “infográficos” por Tufte da obra). Esses desenhos devem ser produzidos
(2001), são muitas vezes abstrações de idéias sem apenas após o desenvolvimento do projeto, quando
preocupação de fielmente representarem o mundo terminado a contento da equipe de projetistas e
real ou o projeto com precisão. O “diagrama de colaboradores técnicos (como engenheiros
bolhas”, para expressar as relações de espaços, é estruturais e de sistemas prediais), bem como
um dos diagramas mais utilizados no início do clientes e usuários. Na produção dos desenhos de
processo de projeto para externar o entendimento execução, no entanto, o projeto ainda passa por
do programa de necessidades. Muitos projetistas avaliações e manipulações para elevar a qualidade
utilizam diagramas para a própria compreensão de do produto e facilitar a sua execução. Os desenhos
um fenômeno no processo de projeto, e a sua de representação devem comunicar com precisão a
interpretação por terceiros pode ser errônea. intenção do projeto e como essa intenção se
Desenhos de projeto são os registros das soluções realizará. Nessa fase é de extrema importância
parciais encontradas. Os desenhos de projeto coordenar os vários agentes de projeto. Os novos
ambientes computacionais do projeto colaborativo
reduzem a escala do objeto e expressam a terceira
dimensão no papel através das projeções contribuem muito para essa afinação (SIMOFF;
ortogonais e perspectivas. O grande desafio no MAHER, 2000). As apresentações finais para o
cliente são menos precisas, mas devem criar uma
processo de projeto em arquitetura é a necessidade
de considerar fatores multifacetados ao mesmo imagem fiel do produto após sua execução no seu
tempo. Assim, o desenho “congela” um número de contexto real.
fatores, enquanto a mente trabalha outros aspectos
do projeto. São colocadas hipóteses sobre o estágio Maquete como ferramenta de projeto
do projeto e são produzidos e reproduzidos Desenhar, detalhar, analisar, descobrir, construir,
desenhos que analisam suposições. Por exemplo, testar e discutir são as atividades principais do
relações de ambientes são exploradas e o impacto processo de projeto em arquitetura. A maquete,
das novas organizações sobre a forma do projeto é assim como o desenho, tem um papel importante
analisado. Estudos de desenhos de projeto nesse processo. A maquete de escala reduzida, do
mostram que essa expressão deve-se limitar aos objeto sendo projetado, é uma representação mais
problemas postos e que a precisão do desenho deve fiel do objeto em relação ao desenho, já que a
estar relacionada ao nível de certeza da resolução terceira dimensão é real. O objeto pode ser
do problema (LAWSON, 1997). No ato do contemplado de vários ângulos e à luz do sol.
desenho existe uma interação entre o olho e a mão, Existem vários tipos de maquetes que devem fazer
entre a percepção e a criação. Schön (1983) parte do processo de projeto. Pode-se distinguir
descreveu essa atividade de “conversa” do três objetivos para o uso da maquete que se
projetista com o seu desenho. Quando o olho relacionam aos estudos da forma, do “fit” (do
interpreta e reinterpreta as formas e linhas, surgem encaixe dos elementos) e da função dos elementos
novas idéias e soluções projetuais. na montagem (RYDER et al., 2002).
Muitos arquitetos produzem o que pode ser Estudos tridimensionais diversos são importantes.
chamado de desenhos visionários. Essa tipologia A topografia deve ser estudada a partir de modelos
de desenho representa as qualidades que o projeto para otimizar os ajustes ao terreno para uma nova
deve possuir (LAWSON, 1997). Às vezes, intervenção construtiva. Na fase criativa são
aspectos do projeto são exagerados como, por importantes os modelos de massa, para analisar o
exemplo, a luminosidade dos ambientes previstos. conjunto da volumetria e seu impacto em relação à
Escalas variadas podem ser aplicadas aos implantação do novo objeto. Esse tipo de maquete
componentes arquitetônicos para enfatizar alimenta a discussão (interior ou individual) do
elementos específicos. A superposição de vistas projetista com o objeto em criação. A maquete
pode ser uma maneira de representar as várias

14 Kowaltowski, D. C. C. K. et al.

Prof. M.Sc. Waldir Felippe 61


Desenho de projeto de Engenharia Civil

nessa fase é útil para testar idéias globais formais predominantemente as projeções ortogonais dos
e, assim, enriquece o processo do desenho no objetos. A interpretação desses desenhos demanda
papel. A complexidade das relações espaciais grande experiência e conhecimento. Finalmente, a
muitas vezes demanda a construção de maquetes maquete como ferramenta de comunicação é usada
para melhorar a compreensão do sistema criado e para fins de apresentação do projeto ao público-
das interferências indesejadas que porventura alvo, cliente e usuários. Muitas vezes a maquete
surjam. Em etapas mais avançadas do processo serve para a arrecadação de fundos para viabilizar
projetual, a maquete pode servir como elemento de a execução da obra ou serve como instrumento de
estudo de detalhes específicos e sua execução. marketing para estimular a venda de apartamentos,
por exemplo.
A maquete é de grande importância na
comunicação de idéias no processo projetual. Ela
expressa mais diretamente a intenção de projeto, Projeto assistido por computador
principalmente para o cliente e usuários com pouca A introdução do computador ou CAD (computer
experiência na leitura de desenhos. A discussão aided design) no processo de projeto em
com o cliente ou os usuários é mais direta, arquitetura trouxe nova atenção do papel dado ao
evitando-se interpretações erradas ou equivocadas. desenho e maquetes no processo criativo. Os
Em processos projetuais participativos as maquetes sistemas CAD foram aperfeiçoados em paralelo ao
aumentam a percepção espacial dos usuários e desenvolvimento dos estudos em metodologia de
alimentam as discussões produtivas. projeto (KOWALTOWSKI, 1992). A rápida
Maquetes permitem estudos de fenômenos adoção dessa nova ferramenta de projeto deve-se a
específicos. As simulações de sombras com o uso vários fatores. A facilidade de manipular o objeto,
de um heliodon são importantes para definir a sendo projetado com precisão, e a visualização
orientação dos volumes e a localização das direta em várias projeções melhoram o processo
aberturas, bem como o detalhamento das proteções criativo. A detecção de interferências indesejadas é
de insolação (brises). ampliada. A rápida criação de alternativas é um
fator importante na adoção de sistemas de CAD no
Maquetes especiais para estudos dos sistemas
processo de projeto. Existe também a facilidade de
estruturais são de extrema importância e podem ser
criar maquetes eletrônicas em que é possível
evidenciadas na obra de projetistas como Da Vinci,
simular a realidade em uma representação
Gaudí e, atualmente, Sir Nicholas Grimshaw. Em
detalhada e quase fiel do objeto. A maquete virtual
muitos casos, testes podem ser efetuados com
serve para criar múltiplas vistas do objeto, cortes e
modelos de escala reduzida auxiliando o cálculo
ainda animações que simulam passeios dentro do
estrutural. Outros testes podem ser efetuados em
edifício. Além das facilidades de comunicação
túnel de vento para avaliar a estabilidade da
gráfica, pode-se estudar aspectos de conforto
estrutura. Mock-ups (maquetes em escala real) de
ambiental, principalmente sistemas de iluminação
componentes estruturais também são comuns em
variados com as maquetes virtuais.
projetos complexos. Esses modelos permitem
testes de montagem de componentes do processo Estudos do processo criativo com o uso de CAD
construtivo. O detalhamento das junções dos mostraram que as habilidades de mão e olho
elementos estruturais também é facilitado, e usadas com papel e lápis, que deram a gerações de
moldes são criados para a fabricação das peças da arquitetos um prazer especial no exercício da
estrutura. Tais maquetes de escala real são profissão, são substituídas, de certo modo, por
especialmente importantes para a produção em diferentes prazeres. Esses estudos também
série ou para construções em locais de difícil mostram que o uso de CAD como ferramenta no
acesso e podem evitar imprevistos no transporte e ensino não alterou a qualidade dos trabalhos
na montagem. desenvolvidos nas disciplinas de projeto
(KOWALTOWSKI et al., 2001). Além disso, a
Na fase da execução de obras a maquete é
experimentação da volumetria pode ser ampliada e
raramente utilizada, mas poderá ampliar a
a representação das idéias melhorada.
compreensão do projeto pelo engenheiro ou mestre
de obra, especialmente com projetos complexos. No desenvolvimento da arquitetura nos últimos
Surgem muitos problemas de execução na obra, anos, nota-se um aumento da complexidade de
como incompatibilidades e imprecisões formas propostas. Pode-se concluir que o uso de
dimensionais, que poderão ser evitados por meio sistemas CAD contribuiu para a experimentação de
de uma visão mais completa do projeto. A formas mais complexas, já que a sua representação
complexidade de coberturas, em especial, poderá e manipulação foram facilitadas. O aumento em
ser mais bem comunicada por maquetes, já que a complexidade nos projetos arquitetônicos ampliou
base de desenhos de execução são o uso de sistemas de CAD no processo de projeto e

Reflexão sobre metodologias de projeto arquitetônico 15

Prof. M.Sc. Waldir Felippe 62


Desenho de projeto de Engenharia Civil

paradoxalmente também impulsionou um retorno Conclusões


ao uso de modelos físicos nesse processo por
profissionais. Nos escritórios de arquitetos como Os estudos do processo de criação em arquitetura,
Frank Gehry e Sir Norman Foster, por exemplo, há na sua maioria, concentram a atenção sobre os
atualmente um espaço novo, o atelier da processos cognitivos do projetista e as várias
experimentação da forma (KJELDSEN; KISER, sistemáticas aplicadas para resolver problemáticas
1998). São produzidos modelos físicos que são urbano-funcionais e estéticas (AKIN, 1989;
interpretados por scanners tridimensionais e ROWE, 1992; MITCHELL, 1996; LAWSON,
especialistas em representação digital das formas 1997; BRAWNE, 2003). As teorias da cognição
complexas. As formas, às vezes, são discutem a natureza do processo mental na criação
parametrizadas para sua manipulação mais e demonstram que há entendimento mediante a
eficiente. Em seguida manipulam-se e interpretam- interpretação do objeto de maneira intuitiva e
se as formas para garantir que as estruturas físicas lógica (COYNE; SNODGRASS, 1991). Nos
e edifícios baseados nesses modelos possuam estudos desse processo é demonstrada a
viabilidade construtiva maior. São criados novos importância do desenho para facilitar a
modelos físicos para estudos da complexidade, interpretação sem, no entanto, detalhar a
funcionalidade e estética da forma. Assim, são importância da terceira dimensão dentro das várias
efetuadas várias passagens do papel (esboço) para fases de elaboração de um projeto. Os estudos
o modelo físico, para a interpretação geométrica da também pouco se debruçam sobre o impacto da
forma em CAD e de volta para modelos físicos maquete no processo, seja ele virtual ou físico
para avaliação e aprovação (SHELDEN, 2002). (real).
A técnica de prototipagem rápida cria novas A discussão do processo de projeto demonstra a
possibilidades de projeto em arquitetura e complexidade inerente ao processo. O objeto
influencia o processo criativo e a atividade (projeto), seja ele uma edificação, cadeira ou
profissional. Adicionam-se velocidade, parque, não é definido no ato, mas se constrói
versatilidade e precisão à manufatura de modelos através da evolução do processo de projeto. A
físicos. Novos avanços tecnológicos devem descrição parcial (no programa de necessidades)
diminuir o preço da aplicação dessa tecnologia em do objeto é transformada em desenhos. A
arquitetura e ampliar o seu uso. Os fatores de custo manipulação incremental do desenho do objeto
e tempo, que limitaram o uso da maquete física no adiciona informação e refina o produto. Nesse
projeto, devem ser superados. sentido, o processo de projeto é um processo de
aprendizagem. O projetista estuda o objeto e as
O uso exclusivo de CAD pode influenciar o
condições de uso dele. Esse estudo necessita de
projetista com pouca experiência na criação de
suporte de vários tipos, como sistemas de
formas simplificadas, devido à limitação do
informação (referências, códigos, manuais, entre
software usado ou à dificuldade de modelagem
outros), desenhos, modelos, cálculos, simulações e
digital (CELANI, 2003). O retorno do modelo
discussões (opiniões de cliente, usuário,
físico, através da prototipagem rápida, auxilia e
colaboradores, entre outros). A qualidade desse
estimula a experimentar formas de maior
sistema de suporte reflete diretamente no processo
complexidade. A captura digital da forma de
de projeto e (espera-se) na qualidade do produto
modelos físicos, através de scanners 3D, deve
(projeto).
ainda contribuir para enriquecer o processo de
projeto. As pesquisas em metodologias de projeto nos
últimos trinta anos procuram estruturar a
Mesmo que as possibilidades do CAD na
introdução do conhecimento científico e do
concepção, representação e desenvolvimento do
comportamento humano no processo criativo em
projeto arquitetônico ainda sejam questionadas por
arquitetura (BROADBENT, 1973). Estudos mais
profissionais e no ensino, é inegável o potencial
recentes, no entanto, mostram ainda uma
dessas ferramentas no processo de projeto. O
resistência dos profissionais ao enquadramento
domínio dos recursos se faz cada vez mais presente
metodológico, provavelmente conseqüência de um
para um uso criativo e eficiente na prática
ensino de projeto incipiente nessa área (ANAIS,
arquitetônica. São muitas as possibilidades de
1999). Recomenda-se que seja aplicada uma
simulação do projeto, estrutura de colaboração
combinação de várias ferramentas. Com isso,
entre os diversos profissionais envolvidos,
coloca-se um maior número de exigências sobre o
experimentação de formas inovadoras e
projeto, e assim é aprofundada a análise durante o
complexas, representação e ensaios estruturais que
desenvolvimento do produto. A concepção que
devem ser exploradas.
viaja várias vezes do papel para modelos digitais e
físicos deve ser estimulada com impactos positivos

16 Kowaltowski, D. C. C. K. et al.

Prof. M.Sc. Waldir Felippe 63


Desenho de projeto de Engenharia Civil

sobre o processo de projeto e sobre o produto final COYNE, R.; SNODGRASS, A. Is designing
nas tendências em arquitetura. Vislumbra-se uma mysterious?: challenging the dual knowledge
nova arquitetura, que abriga um ser humano, thesis. Design Studies, v. 12, n. 3, p. 124-131, jul.
“conectado” através dos sistemas wireless (sem 1991.
fio), em ambientes mais criativos, confortáveis e
belos. DÜLGEROGLU, Y. Design methods theory and
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Reflexão sobre metodologias de projeto arquitetônico 19

Prof. M.Sc. Waldir Felippe 66


Desenho de projeto de Engenharia Civil

1.4 Roteiro para desenvolvimento do projeto


de arquitetura da edicação

ROTEIRO PARA DESENVOLVIMENTO DO PROJETO DE ARQUITETURA DA EDIFICAÇÃO

SUMÁRIO
1. Introdução ........................................................................................................................................................... 5
2. Objetivo do Documento ....................................................................................................................................... 5
3. Conteúdo e Abrangências.................................................................................................................................... 5
3.1. Serviços incluídos.......................................................................................................................................... 5
3.2. Serviços excluídos......................................................................................................................................... 5
4. Documentos Relacionados................................................................................................................................... 6
5. Definições.............................................................................................................................................................. 7
5.1. Gerais............................................................................................................................................................. 7
5.2. Fases de Projeto.............................................................................................................................................7
5.3. Informações necessárias ao desenvolvimento do projeto .............................................................................9
5.4. Produtos finais / serviços básicos e opcionais .............................................................................................. 9
6. Roteiro Básico: informações necessárias e produtos finais / serviços, por fase de projeto ................................ 9

Documento aprovado na 77ª Reunião do Conselho Superior do Instituto de Arquitetos do Brasil, realizada
em Salvador, Bahia. Este documento substitui o anterior.

1. INTRODUÇÃO

A palavra projeto significa, genericamente, intento, desígnio, empreendimento e, em acepção, um conjunto de


ações, caracterizadas e quantificadas, necessárias à concretização de um objetivo. Embora este sentido se
aplique a diversos campos de atividade, em cada um deles o projeto se materializa de forma específica.

O objetivo principal do Projeto de Arquitetura da Edificação é a Execução da Obra idealizada pelo arquiteto.
Essa obra deve se adequar aos contextos naturais e culturais em que se insere e responde às necessidades do
cliente e futuros usuários do edifício.

As exigências do cliente e usuários se exprimem através do programa de necessidades que define


metodicamente o objetivo do projeto.

2. OBJETIVOS

O presente documento tem por objetivo:

a) estabelecer parâmetros – base para fixação dos honorários profissionais respectivos;


b) discriminar os serviços incluídos e excluídos nos contratos que tenham por objeto Projeto de Arquitetura da
edificação.
c) Definir e caracterizar os principais elementos técnicos relacionados ao projeto, em especial, as fases que o
compõem, as informações necessárias ao seu desenvolvimento e os produtos finais/serviços que o
caracterizam.

3. CONTEÚDO ABRANGÊNCIA

3.1. Serviços Incluídos


O presente documento roteiriza o serviço de Projeto de Arquitetura da Edificação inclusa a
coordenação/compatibilização dos projetos complementares listados nas letras E e F do item 3.2, abaixo.

3.2. Serviços Excluídos


Além do Projeto de Arquitetura da Edificação o arquiteto está técnica e legalmente habilitado à realização de
outros serviços, excluídos do presente roteiro, entre os quais;

a) pesquisas, elaboração de programa de necessidades e similares;


b) levantamento arquitetônicos, urbanísticos, topográficos e geológicos (sondagens);
c) estudos de viabilidade (técnico – legal) arquitetônica, planos diretores urbanísticos e similares;
d) projeto de reforma, revitalização e restauração de edificações;
e) projetos de reparo, conservação/manutenção e limpeza de edificações;
f) projetos complementares de estrutura instalação hidrosanitárias (água quente e fria, esgotos e águas pluviais),
de gás, de proteção contra incêndio e de coleta de lixo, instalações elétricas e telefônicas, conforto ambiental,
acústica, sonorização e luminotécnica, instalações de ar condicionado e exaustão mecânica, entre outros;
g) Projetos de paisagismo, arquitetura de interiores, decoração, mobiliário e comunicação visual;
h) Projetos de desenho urbano, loteamentos, remembramento / de terrenos e similares;

Disponível em: http://www.iab.org.br/sites/default/les/documentos/roteiro-arquitetonico.pdf

Prof. M.Sc. Waldir Felippe 67


Desenho de projeto de Engenharia Civil

i) Planos urbanísticos;
j) Estudos da viabilidade econômico – financeira, estimativas de custos, Orçamento e similares;
l) Vistorias / perícias, laudos / pareceres, assessoria / consultoria e similares;
m) Fiscalização (técnica) de projetos (realizados por terceiros), em nome do cliente;
n) Gerenciamento (técnico,administrativo e financeiro) de projetos (realizados por terceiros), em nome do cliente;
o) Fiscalização de execução de obras (realizadas por terceiros) ou fiscalização da construção / construtor,
montagem/montador, fabricação/fabricante em nome do cliente;
p) Gerenciamento da execução de obras (realizadas por terceiros) ou fiscalização técnica, administrativa e
financeira da construção/construtor, montagem/montador, fabricação/fabricante, em nome do cliente;
q) Execução de obras (construção/montagem/fabricação).

4. DOCUMENTOS RELACIONADOS

Os procedimentos, definições e serviços incluídos neste documento, configuram o parâmetro – Base para a
fixação dos honorários profissionais, conforme recomendado nas “Condições de Contratação e Remuneração do
Projeto de Arquitetura da Edificação”.

Os valores ali fixados não remuneram os serviços excluídos (item 3.2) e os produtos finais/serviços opcionais
(item 5.4) deste documento-roteiro.

5. DEFINIÇÕES

5.1. Gerais

a) obra: espaço/objeto a ser construído, fabricado ou montado;


b) projeto: conjunto de desenhos e documentos técnicos necessários à construção, fabricação ou montagem da
obra; 1ª etapa de realização da mesma;
c) execução: conjunto de ações técnicas, baseadas no projeto, necessárias à construção, fabricação ou
montagem da obra; 2ª etapa de realização da mesma;
d) arquiteto: técnico contratado, responsável pelo projeto e/ou execução da obra;
e) cliente: pessoa física ou jurídica contratante dos serviços do arquiteto;
f) usuário: cada um daquele que utilizarão a obra projetada e/ou executada pelo arquiteto. Em alguns casos
cliente e usuários coincidem;
g) programa de necessidades: documento que exprime as exigências do cliente e as necessidades dos futuros
usuários da obra. Em geral, descreve sua função, atividades que irá abrigar, dimensionamento e padrões de
qualidade assim como especifica prazos e recursos disponíveis para a execução. A elaboração desse
programa deve, necessariamente, proceder o início do projeto, podendo entretanto, ser complementado ao
longo de seu desenvolvimento.

5.2. Fases De Projeto

O projeto de arquitetura da edificação compreende as fases de Estudo Preliminar, Anteprojeto e/ou Projeto de
Aprovação, projeto de Execução e Assistência à Execução da Obra que se caracterizam como blocos
sucessivos de coleta de informações, desenvolvimento de estudos/serviços técnicos e emissão de produtos finais,
objetivando, ao término de cada um deles:

a) avaliar a compatibilidade do projeto com o programa de necessidades, em especial no que se refere a:

• funcionalidade;
• dimensionamentos e padrões de qualidade;
• custos e prazos de execução da obra;

b) providenciar, em tempo hábil, as reformulações necessárias à concretização dos objetivos estabelecidos no


programa de necessidades, evitando-se posteriores modificações que venham a onerar o custo do projeto
e/ou da execução da obra;
c) construir o conjunto de informações necessárias ao desenvolvimento da fase subsequente.

O Estudo Preliminar constitui a configuração inicial da solução arquitetônica proposta para a obra (partido),
considerando as principais exigências contidas no programa de necessidades. Deve receber a aprovação
preliminar do cliente.
O Anteprojeto constitui a configuração final da solução arquitetônica proposta para a obra, considerando todas as
exigências contidas no programa de necessidades e o Estudo Preliminar aprovado pelo cliente. Deve receber a
aprovação final do cliente.

Prof. M.Sc. Waldir Felippe 68


Desenho de projeto de Engenharia Civil

O Projeto de Aprovação é uma sub-fase ao anteprojeto, desenvolvida, conforme o caso anterior, concomitante
ou posteriormente a ele. Constitui a configuração técnico-jurídica da solução arquitetônica proposta para a obra
considerando as exigências contidas no programa de necessidade, o Estudo preliminar ou Anteprojeto aprovado
pelo cliente e as normas técnicas de apresentação e representação gráfica emanadas dos órgãos públicos (em
especial, Prefeitura Municipal, concessionárias de serviços públicos e Corpo de Bombeiro). Nos casos especiais
em que não haja necessidade de aprovação do, projeto pelos poderes públicos esta sub-fase deixa de existir.
O Projeto da Execução é o conjunto de documentos técnicos (memoriais, desenhos e especificações)
necessárias à licitação e/ou execução (construção, montagem, fabricação) da obra. Constitui a configuração
desenvolvida e detalhada do Anteprojeto aprovado pelo cliente.
A Assistência à Execução da Obra é fase complementar de projeto que se desenvolve concomitantemente à
execução da obra, não se confundindo com os serviços listados nas letras O, P e Q no item 3.2. Os serviços
correspondentes a esta fase estão discriminados no item 6.4.
A cada fase do projeto de Arquitetura da Edificação correspondem fases correspondentes dos projetos
complementares listados no item 3.2. letras E e F. A coordenação/compatibilização desses cabe ao arquitetos,
sendo considerada serviços incluídos no presente documento.
Dependendo da complexidade da obra e do acordo prévio entre arquiteto e cliente, o Projeto de Arquitetura da
Edificação poderá ser complementado pelos serviços listados no item 3.2.
5.3. Informações necessárias ao desenvolvimento do projeto
Para dar início a cada fase do projeto o arquiteto necessita de um conjunto de informações técnicas (dados,
desenhos e documentos) imprescindíveis ao desenvolvimento da mesma. Parte dessas informações é fornecida
pelo cliente, parte pesquisada pelo arquiteto, conforme especificado no item 6.
5.4. Produtos finais/serviços básicos e opcionais
Ao longo e/ou ao término de cada fase de projeto o arquiteto desenvolve estudos/serviços técnicos e emite e
fornece ao cliente produtos finais (desenhos, documentos e especificações) que caracterizam a solução
arquitetônica proposta para a obra.
Produtos finais/serviços básicos são aqueles indispensáveis à definição do projeto.
Produtos finais/serviços opcionais são aqueles que esclarecem, ilustram, elucidam e complementam o projeto.
Os honorários fixados nas “Condições de Contratação e Remuneração do Projeto de Arquitetura da Edificação”
não incluem a prestação/emissão desses serviços/produtos, devendo sua contração ser objeto de acordo à parte.
6. ROTEIRO BÁSICO
6.1. Estudo Preliminar
6.1.1. Informações
6.1.1.a. A cargo do cliente
a) programa de Necessidades, especificando:
• objetivo do cliente e finalidades da obra;
• prazos e recursos disponíveis para o projeto e a execução;
• características funcionais da obra, em especial:
- atividade que irá abrigar;
- compartimentação e dimensionamento preliminares;
- escala de proximidades espaciais;
- população fixa e variável (por compartimento);
- fluxos (de pessoas, veículos, materiais)
• mobiliário, instalações e equipamentos básicos (por compartimento);
• padrões de construção e acabamento;
• recursos técnicos disponíveis para a execução: materiais, mão–de-obra, sistemas construtivos;
• modalidade de contratação de execução e porte do construtor/montador/fabricante.
b) Informações sobre o terreno e seu entorno, em especial:
• Escrituras;
• Levantamento topográfico plani-altimétrico detalhado, em escala adequada, indicando os limites do terreno
(dimensões lineares e angulares), as construções vizinhas e internas ao terreno, o arruamento e as calçadas
limítrofes, os acidentes naturais (rochas, cursos d’água, etc.), a vegetação existente (locação e especificação
de árvores e massas arbustivas) e o Norte verdadeiro;
• Levantamento arquitetônico detalhado, em escala adequada, de construções porventura existentes no interior
do terreno;
• Sondagem geológica a dados sobre drenagem visando subsidiar a concepção estrutural e o projeto de
fundações da obra.

Prof. M.Sc. Waldir Felippe 69


Desenho de projeto de Engenharia Civil

6.1.1.b. A Cargo do Arquiteto

a) programa de necessidades:

• revisão e eventual complementação.

b) informações sobre o terreno e seu entorno, em especial:

• documento cadastrais (projetos de alinhamento e loteamento, levantamentos aerofotogramétricos e outros);


• fotos do terreno e seu entorno;
• dados geo-climáticos e ambientais locais, em especial, temperaturas, pluviosidades, insolação, regime de
ventos e marés (para terrenos a beira-mar) e níveis de população sonora, do ar, do solo e das águas);
• dados urbanísticos do entorno do terreno, em especial, uso e ocupação do solo, padrões arquitetônicos e
urbanísticos, infra-estrutura disponível, tendências de desenvolvimento e planos governamentais para a área
e, condições de tráfego e estacionamento.

c) legislação arquitetônica e urbanística (municipal, estadual e federal) pertinente, em especial:

• restrições de uso;
• taxas de ocupação e coeficientes de aproveitamento;
• gabaritos;
• alinhamentos, recuos e afastamentos;
• número de vagas de garagem;
• exigências relativas a tipos específicos de edificação e outras exigências arquitetônicas das Prefeituras
Municipais, Corpo de Bombeiros, Concessionárias de Serviços Públicos, Ministérios da Marinha, Aeronáutica,
Trabalho e Saúde e Órgãos de Proteção ao Meio Ambiente e Patrimônio Histórico, entre outros.

6.1.2. Produtos Finais / Serviços Básicos:

• memorial: descreve e justifica a solução arquitetônica proposta relacionando-a ao Programa de necessidade,


às características do terreno e seu entorno, à legislação arquitetônica e urbanística pertinentes e/ou a outros
fatores determinantes na definição do partido adotado;
• planta de situação: representa a implantação da obra no terreno indicado, em especial, acessos, posição e
orientação da(s) edificação (ões) e principais, elementos arquitetônicos (estacionamentos, piscinas, quadras
esportivas, castelos d’água e/ou outros), recuos e afastamentos, cotas e níveis principais e quadro, geral de
áreas (totais, por setor, pavimento e/ou bloco, úteis e/ou construídas, conforme o caso);
• plantas e cortes gerais: representam a compartimentação interna da obra indicando, em especial, a
localização, inter-relacionamento e pré-dimensionamento de ambientes, circulações (verticais e horizontais) e
acesso;
• fachadas principais: representam a configuração externa da obra indicando seus principais elementos, em
especial esquadrias;
• coordenação dos estudos preliminares complementares.

6.1.3 Produtos Finais / Serviços Opcionais:

• perspectivas e/ou maquete de massas: representam a configuração espacial global da obra, sua
implantação no terreno e relacionamento com o entorno construído;
• desenhos promocionais: perspectivas adicionais (internas e/ou externas) e plantas e/ou humanizadas (com
indicação de mobiliário e equipamentos básicos), entre outros;
• especificação preliminar dos principais materiais e acabamentos;
• estudos preliminares complementares: de Estrutura, Instalações, paisagismo e/ou Arquitetura de Interiores,
entre outros listados no item 3.2, letras F e G;
• estimativa preliminar de custos: baseada, em geral, nos custos correntes do metro quadrado da
construção, custos globais dos serviços ou critério equivalente, consideradas as características da obra.

6.2. Anteprojeto
6.2.1. informações:

a) Todas as informações listadas no item 6.1.1;


b) Os Estudos Preliminares aprovados pelo cliente.

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Desenho de projeto de Engenharia Civil

6.2.2. Produtos Finais / Serviços Básico.


• Plantas de situação: define a implantação da obra no terreno locando e dimensionado em especial, a(s)
edificação(ões), acessos, áreas livres e demais elementos arquitetônicos. Indica afastamentos, recuos,
investiduras, área “non aedificandi” e servidões, cotas gerais e níveis de assentamento, áreas totais e/ou
parcial, úteis e/ou construídas, conforme a necessidade;
• plantas baixas: definem, no plano horizontal, a compartimentação indicando a designação, localização, inter-
relacionamento e dimensionamento finais (cotas, níveis acabados e áreas) de todos os pavimentos,
ambientes, circulações e acessos. Representam a estrutura, alvenarias, tetos rebaixados, revestimentos,
esquadrias (com sistema de abertura), conjuntos sanitários e equipamentos fixos;
• planta(s) de cobertura: define(m) sua configuração arquitetônica indicando a localização e dimensionamento
finais (cotas e níveis acabados) de todos os seus elementos. Representa(m), conforme o caso, telhados,
lajes, terraços, lanternins, domus, calhas, caixas d’água e equipamentos fixos;
• cortes gerais: definem, no plano vertical, a compartimentação interna da obra e a configuração arquitetônica
da cobertura indicando a designação, localização, inter-relacionamento e dimensionamento finais (alturas e
níveis acabados) de pavimentos, ambientes, circulações e elementos arquitetônicos significativos.
Representam a estrutura, alvenarias, tetos rebaixados, revestimentos, esquadrias (com sistema de abertura)
e, conforme o caso, telhados, lanternins, “sheds”, domus, calhas, caixas d’água e equipamentos fixos;
• fachadas: definem a configuração externa da obra indicando todos os seus elementos, em especial, os
acessos. Representam a estrutura, alvenarias, revestimentos externos, esquadrias (com sistema de abertura)
e conforme o caso, muros, grades, telhados, marquises, toldos, letreiros e outros componentes arquitetônico
significativos;
• especificações: definem os principais materiais e acabamentos, em especial, revestimentos de fachadas e
pisos, paredes e tetos de todos compartimentos. A critério do arquiteto, porém ser apresentadas sob diversas
formas, por exemplo:
a) grafadas nos próprios desenhos (plantas, cortes e fachadas);
b) em um quadro geral de materiais e acabamentos e/ou;
c) sob a forma de texto (memorial de especificações);
• coordenação dos anteprojetos complementares
6.2.3. Produtos Finais / Serviços Opcionais:
• maquete;
• perspectivas;
• anteprojetos complementares de Estrutura, Instalações, Paisagismo e/ou Arquitetura de Interiores, entre
outros listados no item 3.2., letras F e G;
• orçamento estimativo: baseado nos Anteprojetos de Arquitetura e complementares, pré-dimensiona
quantidades e custos de materiais e serviços (mão-de-obra) necessários à realização da obra.

6.3. Projeto(s) de Aprovação


6.3.1. Informações:
a) todas as informações listadas no item 6.1.1;
b) os estudos preliminares aprovados pelo cliente, caso o Projeto de Aprovação seja desenvolvido anterior ou
concomitantemente ao Anteprojeto; ou (ver a definição de PA, no item 5.2.)
Os anteprojetos aprovados pelo cliente, caso o Projeto de Aprovação seja desenvolvido posteriormente ao
Anteprojeto.
c) as normas de apresentação e representação gráfica emanadas dos órgãos públicos.

6.3.2. Produtos Finais / Serviços Básicos:


Variáveis caso a caso, conforme as exigências dos órgãos públicos e concessionárias envolvidos. Inclui-se com
serviços básicos a coordenação dos Projetos de Aprovação complementares.
6.3.3. Produtos Finais / Serviços Opcionais:
• projetos de aprovação de estrutura, instalações e outros, quando exigidos;
• revisão do projeto de aprovação, conforme o executado (as built legal); ver item 6.5.3.
6.4. Projeto de Execução
6.4.1. Informações:
a) todas as informações listadas no item 6.1.1.;
b) os anteprojetos aprovados pelo cliente e os projetos de aprovação aprovados pelos órgãos públicos; ou
(ver item 5.2.)

Os anteprojetos aprovados pelo cliente, nos casos especiais em que não haja necessidade de aprovação de
projetos pelos poderes públicos.

Prof. M.Sc. Waldir Felippe 71


Desenho de projeto de Engenharia Civil

6.4.2. Produtos Finais / Serviços Básicos:

• planta de situação / locação: define detalhadamente a implantação da obra no terreno locando e


dimensionando todos os elementos arquitetônicos, em especial, edificação(ões), acessos, vias, áreas livres,
muros, piscinas, quadras e/ou outros, variáveis caso a caso.
Indica afastamentos, cotas gerais e parciais e níveis de assentamento;
• plantas baixas (ou de alvenaria): definem detalhadamente, no plano horizontal, a compartimentação interna
da obra indicando a designação, localização, inter-relacionamento e dimensionamento (cotas e níveis
acabados e/ou em osso) de todos os pavimentos, ambientes, circulações, acessos e vãos (em especial, de
esquadrias).
Representam a estrutura, alvenarias (em osso ou acabadas), tetos rebaixados, forros, enchimentos e,
conforme o caso, revestimentos, esquadrias (com sistema de abertura), conjuntos sanitários, equipamentos
fixos, de elementos dos projetos complementares, em especial, de instalações (tomadas, pontos de luz,
shafts, prumadas, etc.). Indicam todos os elementos especificados e/ou detalhados em outros
documentos/desenhos:
• planta(s) de cobertura: define(m) detalhadamente sua configuração arquitetônica indicando a localização e
dimensionamento (cotas e níveis acabados e/ou em osso) de todos os seus elementos. Representa(m),
conforme o caso, telhados, lajes, terraços, lanternins, domus, calhas, caixas d’água e equipamentos fixos.
Indicam todos os elementos especificados e/ou detalhados em outros documentos/desenhos;
• cortes gerais e/ou parciais: definem detalhadamente, no plano vertical, a compartimentação interna da obra
e a configuração arquitetônica da cobertura indicando a designação, localização, inter-relacionamento e
dimensionamento (alturas e níveis acabados e/ou em osso) de todos os pavimentos, ambientes, circulações,
vãos e outros elementos arquitetônicos significativos.
Representam a estrutura, alvenarias (em osso ou acabados), tetos rebaixados, forros, enchimentos e,
conforme o caso, revestimentos, esquadrias (com sistema de abertura), conjuntos sanitários, telhados,
lanternins, “sheds”, domus, calhas, caixas d’água, equipamentos fixos e elementos dos projetos
complementares (ar-condicionado e exaustão, por exemplo). Indicam todos os elementos especificados e/ou
detalhados em outros documentos/desenhos.
• Fachadas: definem detalhadamente a configuração externa da obra indicando todos os seus elementos.
Representam a estrutura, alvenarias, revestimentos externos (com paginação), esquadrias (com sistemas de
abertura) e, conforme o caso, muros, grades, telhados, marquises, toldos, letreiros e outros componentes
arquitetônicos significativos. Indicam todos os elementos especificados e/ou detalhados em outros
documentos/desenhos;
• Plantas de teto refletido: quando necessárias, definem detalhadamente a paginação de tetos rebaixados e
forros indicados os seus elementos. Representam, conforme o caso, a estrutura (pilares e vigamento)
alvenarias e elementos dos projetos complementares (luminárias, aerofusos e “sprinklers”, por exemplo).
• Plantas de piso: quando necessárias, definem detalhadamente a paginação de pavimentações e pisos
elevados indicando todos o seus elementos. Representam, conforme o caso, a estrutura (pilares), alvenarias
e elementos dos projetos complementares (tomadas de piso e raios, por exemplo.
• Elevações; quando necessárias, definem detalhadamente a paginação de revestimentos de paredes
indicando todos os seus elementos. Representam, conforme o caso, a estrutura (vigas e lajes), alvenarias,
esquadrias e elementos dos projetos complementares (quadros de luz, por exemplo).
• Detalhes: desenvolvem e complementam as informações contidas nos desenhos acima relacionadas.
Representam em plantas, cortes, elevações e/ou perspectivas, definindo-os, todos os elementos
arquitetônicos necessários à execução da obra. Em geral, compreendem:
- ampliações de compartimentos, em especial, banheiros, cozinhas, lavanderias, saunas, áreas molhadas.
- detalhes de construção, fabricação e/ou montagem de:
- quadras, pistas e campos de esportes;
- piscinas, lagos e fontes;
- muros, jardineiras, bancos e outros elementos paisagísticos;
- escadas e rampas;
- painéis de elementos vazados (cobogós), tijolos de vidros e alvenarias especiais;
- revestimentos e pavimentações;
- impermeabilizações e proteções (térmicas, acústicas, etc.);
- bancas e bancadas;
- soleiras, peitoris, chapins, rodapés e outros arremates;
- telhados (estrutura e telhamento);
- domus, lanternis e “sheds”;
- esquadrias;
- balcões, armários, estantes, prateleiras, guichês e vitrines;
- forros, lambris e divisórias;
- grades, gradis e portões;
- guardas-corpos e corrimãos.

Prof. M.Sc. Waldir Felippe 72


Desenho de projeto de Engenharia Civil

Em projetos mais complexos, alguns detalhes são objeto de projetos especiais, por exemplo:

- cozinhas industriais e lavanderias automatizadas (mobiliário, equipamento e instalações especiais);


- muros, jardineiras, lagos e campos esportivos (paisagismo) ;
- proteção térmo-acústicas (conforto ambiental, acústica);
- revestimentos internos (arquitetura de interiores).

Conforme a natureza dos materiais especificados, os detalhes são, em geral, agrupados em seções, a saber:

- detalhes gerais (em concreto, alvenaria, argamassa, mármores e granitos, materiais cerâmicos, plásticos
e borrachas, produtos sintéticos e outros;
- detalhes de carpintaria e marcenaria (madeira);
- detalhes de serralheria (ferro, alumínio e outros metais);
- detalhes de vidraçaria.

Conforme o grau de industrialização dos componentes, os detalhes podem ser:

- executivos
- esquemáticos

Neste último caso, os detalhes executivos são elaborados pelo fabricante do componente e aprovados pelo
arquiteto; por exemplo:

- esquadrias de alumínio
- forros industrializados

• especificações: definem detalhadamente todo os materiais, acabamentos e normas para a execução de


serviços, necessários à execução da obra. Em geral são apresentadas:

a) detalhadamente, em um caderno de encargos composto de:


- normas de contratação da execução da obra (direitos e deveres do cliente, fiscal ou gerente; do arquiteto
e do executor);
- especificação de serviços (normas de execução)
- coordenação dos projetos de execução complementares.

6.5.3. Produtos Finais / Serviços Opcionais:


• plantas e/ou cortes de terraplanagem;
• anteprojetos complementares de estrutura, instalações, paisagismo e/ou arquitetura de interiores, entre
outros listados no item 3.2, letras F e G;
• orçamento: define detalhadamente quantidade e custos de todos os materiais e serviços (mão-de-obra)
necessários à execução da obra.

6.5. Assistência à Execução da Obra

6.5.1. Informações:
a) todas as informações listadas no item 6.1.1;
b) os projetos de execução.

6.5.2. Produtos Finais / Serviços Básicos:


• visitas ao canteiro de obras e/ou participação em reuniões técnicas visando o esclarecimento de dúvidas
sobre o projeto e/ou sua eventual complementação;
• exame, para aprovação, de componentes manufaturados;
• substituição de desenhos e especificações, em caso de necessidade: falta de produtos no mercado, falência
de fabricantes, retirada de produtos de linha ou outras situações excepcionais;
• revisão do projeto de execução (apenas os desenhos gerais – plantas de situação, baixas e de cobertura,
cortes e fachadas, excluído o detalhamento) conforme o executado (“as buit” executivo), objetivando sua
atualização arquitetônica para fins de cadastro e manutenção, ao término da construção ou montagem da
obra.

6.5.3. Produtos Finais / Serviços Opcionais:

• revisão do projeto de aprovação, conforme o executado (“as built” legal), objetivando sua regularização junto
aos órgãos públicos, ao término da construção, fabricação ou montagem da obra.

Prof. M.Sc. Waldir Felippe 73


Capítulo 2
ATIVIDADES INICIAIS DO
PROJETO

O projeto arquitetônico é muito mais do que o desenho da edicação a ser


construída, trata-se do estudo e implementação de soluções das necessidades
e desejos do cliente e dos usuários do ambiente construído. Este estudo é
feito através de algumas ferramentas das quais se podem citar o partido
arquitetônico, o programa de necessidades e o uxograma da edicação.
Estas ferramentas serão apresentadas em detalhes nas seções a seguir.

2.1 Programa de Necessidades


EEm termos de planejamento do espaço a ser construído, um programa de
necessidades (também conhecido como programa arquitetônico ou simples-
mente programa) é um documento que qualica e descreve as necessidades do
cliente ou futuros usuários da edicação, sintetizando as necessidades funcio-
nais e sociais que caracterizam a edicação e seus espaços interno e externo.
Este é o usado durante o início do desenvolvimento do projeto arquitetônico,
sendo um dos principais determinantes do projeto, juntamente com o partido
arquitetônico, o lote e as restrições legais locais.
O programa vai além de uma simples listagem dos ambientes a serem cons-
truídos, seu tamanho e seus usuários (análise quantitativa), trata-se do estudo
do perl dos usuários da edicação e seus objetivos e/ou desejos quanto a
seu uso. Quanto a análise qualitativa, uma sugestão de sistematização para
sua denição no programa será descrita a seguir, segundo o prescrito por
1
Corrêa:
1 CORRÊA, P. O PROGRAMA DE NECESSIDADES: Importante etapa metodológica de aproximação e desenvolvi-
mento do projeto arquitetônico, AEdicanti, 2006. Disponível em: www.aedicandi.com.br/aedicandi/Número 1/1_ar-
tigo_programa_de_necessidades.pdf

74
Desenho de projeto de Engenharia Civil

Caracterização das atividades funcionais Muito além da nomenclatura


do ambiente deve-se caracterizar as atividades que ali serão desenvol-
vidas. Um dormitório pode ser utilizado somente para descanso, mas,
também, para estudo e/ou recreação.

Caracterização dos usuários Deve-se analisar o perl sócio-econômico-


cultural dos usuários, mesmo quando não se tem uma denição precisa
deste perl.

Ambientes complementares Com as informações até aqui apresentadas


deve-se proceder uma vericação complementar com o objetivo de iden-
ticar se há a necessidade de ambientes complementares para que as
funções e atividades caracterizadas sejam bem desenvolvidas.

Relações espaciais entre ambientes Trata-se de uma análise preliminar


de uma possível setorização de ambientes. Aqui se denem as primeiras
relações de continuidade, proximidade e separação dos ambientes.

As guras 2.1 e 2.2 apresentam um exemplo de um programa de necessi-


dades.

2.2 Fluxograma e Setorização


O Fluxograma ou funcionograma expressa as inter-relações dos elementos
do programa de necessidades, ele auxilia na organização espacial da edi-
cação (setorização), estruturados por zonas de uso e nas considerações dos
aspectos de acessibilidade e privacidade de todos os ambientes. Desta forma,
podem-se estabelecer os parâmetros de compatibilidade e de proximidade
das atividades a serem desenvolvidas nos ambientes. Um exemplo deste dia-
grama está apresentado na gura 2.3, tomando como referência o programa
de necessidades apresentado como exemplo na seção anterior.
Setorização é a divisão do espaço em regiões que possuem a mesma função
(ou função similar) ou que são utilizadas por um mesmo grupo de usuários.
Para o caso de edicações residenciais, pode-se dividir o ambiente construído
em três setores: Social, Serviço e Íntimo (ou privativo). Um exemplo de
setorização está ilustrado na gura 2.3, onde se destaca os setores social,
íntimo e de serviço da edicação em questão.

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Desenho de projeto de Engenharia Civil

PROGRAMA DE NECESSIDADES
A. IDENTIFICAÇÃO DO PROJETO
A.1 Identidade do projeto
A.1.1 Nome/título/número do projeto
Projeto Residencial Unifamiliar – Exemplo
A.1.2 Endereço
Rua Olavo Bilac, Lote nº 2, Volta Redonda – RJ
A.1.3 Categoria da edificação/tipo de uso
Residência unifamiliar
A.2 Propósito do projeto
A.2.1 Objetivos principais do projeto
Moradia de uma família composta por quatro pessoas (um casal e três filhos)
A.3 Escopo do projeto
A.3.1 Dimensões
Área construída máxima de 60 m².
A.3.2 Tipologia
Residência unifamiliar, térrea, padrão popular, sem laje de forro, coberta de telhas cerâmicas e garagem
descoberta.
A.4 Identificação dos participantes
A.4.1 Cliente
Maximiliano Ventura
A.4.2 Usuários
Maximiliano Ventura, esposa e filhos (2 meninos e uma menina)
A.4.3 Projetista
Aluno X
A.4.4 Construtor
O cliente
B. CONTEXTO, OBJETIVOS E RECURSOS
B.1 Legislação, normas e códigos
B.1.1 Planejamento Urbano
Zona R3
B.1.2 Restrições legais para o lote
Afastamento frontal: 4,00m; Afastamento lateral: 1,50m; Afastamento de fundos: 2,50m; Gabarito: 8,50m; TO:
40%; CA: 1,150.
B.1.3 Leis ocupacionais
Lei nº 15.987/87
B.1.4 Código de construção
Lei nº 9.872/98
B.1.5 Leis ambientais
Lei nº12.651/12
B.2 Influência do local e entorno
B.2.1 Comercial e social
Residências uni e multifamiliares, sem comércio nas ruas próximas.
B.2.2 Dados ambientais
Terreno plano em uma rua tipo alameda de um bairro residencial
B.2.3 Infraestrutura
Água potável; Esgoto; Energia elétrica; O lote não é servido por rede de telefone.
B.2.4 Edificações existentes
Nenhuma no lote.

Figura 2.1: Exemplo de Programa de necessidades.

2.3 Partido Arquitetônico


O partido arquitetônico dene as características plásticas do projeto, é uma
consequência do programa de necessidades. Entre as condicionantes ou de-
terminantes que norteiam o partido arquitetônico estão o clima, condições
físicas e topográcas do local escolhido, assim como seu entorno legislação
2
pertinente, as técnicas construtivas disponíveis e o orçamento pré-denido.
O partido arquitetônico pode surgir de um dos seguintes aspectos:

Da análise do relevo do lote sua localização, seu entorno, vistas, liga-


ções e/ou acessos;

2 SILVA, E. Uma introdução ao projeto arquitetônico. Porto Alegre: Ed. Da Universidade UFRGS, 1983.

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Desenho de projeto de Engenharia Civil

C. REQUISITOS DE PROJETO E DESEMPENHO


C.1 O Edifício como um todo
C.1.1 Características físicas
Casa com piso revestido de cerâmica nas áreas molhadas e nas áreas secas em tacos de madeira; paredes
revestidas com chapisco, emboço e reboco; pintura interna com tinta látex ou PVA e externa com tinta acrílica; laje
de forro somente sobre o banheiro para receber a caixa d’água; forro em madeira tipo lambri; telhado com
estrutura de madeira e telhas cerâmicas tipo mediterrânea; esquadrias em ferro e vidros lisos, com exceção
daquela localizada no banheiro que receberá vidro tipo fantasia; portas externas em aço e internas de madeira
folheada; soleiras em mármore branco.
C.1.2 Circulação e acesso
Acesso ao interior do lote para pedestres e automóveis, independente; 2 acessos a edificação: frente e fundos.
C.1.3 Estrutura
Estrutura em concreto armado.
C.2 Agrupamento dos ambientes
C.2.1 Setorização

Setor Ambiente Descrição


Varanda -
Social
Sala Sala destinada a estar e jantar.
Social/Íntimo Banheiro Banheiro social/íntimo
Quarto (casal) Dormitório para o casal..
Íntimo Quarto (meninos) Dormitório para os filhos (2 meninos).
Quarto (menina) Dormitório para a filha
Cozinha Cozinha simples com acesso a Área de serviço.
Serviço
Área de serviço Área de serviço com um tanque.
C.2.2 Relações espaciais

Ambiente Relações espaciais


Varanda Deve prover acesso a sala.
Sala Principal cômodo, liga a varanda, os quartos, cozinha e banheiro.
Banheiro Localizado próximo aos quartos e a sala.
Quarto (casal) Localizado o mais afastado do logradouro público e em local mais reservado.
Quarto (meninos) Pode ser voltado para o logradouro público e/ou em local mais devassado.
Quarto (menina) Não deve ser voltado para o logradouro público e em local mais reservado.
Cozinha Ligação direta com a Área de serviço.
Área de serviço Ligação direta com a Cozinha.
C.3 Ambientes em detalhes
C.3.1 Atividades relacionadas

Ambiente Atividades
Varanda Recreação e descanso.
Sala Lazer (TV), refeições e receber.
Banheiro Higiene dos moradores e visitas.
Quarto (casal) Descanso (duas pessoas).
Quarto (meninos) Descanso e estudo (duas pessoas).
Quarto (menina) Descanso e estudo (uma pessoa).
Cozinha Preparo de refeições por uma pessoa, duas no máximo.
Área de serviço Higienização de roupas de cama, mesa e banho.
C.3.2 Características físicas

Ambiente Características físicas Área mínima (m²)


Varanda Varanda protegida. -
Sala O ambiente deve permitir visão para o logradouro público. 10,00
Banheiro Piso e paredes revestidos com placas cerâmicas. 1,50
Quarto (casal) Ambiente com janela voltada para o interior do lote. 7,00

Figura 2.2: Exemplo de Programa de necessidades (continuação).

Do programa de necessidades da setorização, do arranjo entre os espa-


ços;

Da implantação orientação, insolação, entre outros;

Dos aspectos construtivos materiais, sistema estrutural;

Da forma pretendida fachada, transparências, cores, linhas;

Da distribuição espacial das atividades no ambiente construido e seu


entorno.

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Desenho de projeto de Engenharia Civil

Acesso Frente

Varanda
Quarto

Sala Quarto

Quarto
Cozinha Banheiro

Setor Íntimo

Setor Social
Acesso Fundos Á. Serviço

Setor Serviço

Figura 2.3: Exemplo de uxograma de uma edicação.

Cabe nota que estes itens listados são apenas alguns exemplos. A ori-
gem do partido pode ser inuenciadas por outros parâmetros que afetem o
projetista cliente e/ou usuários.
Uma vez denidos estes itens (programa, uxograma e partido), pode-se
proceder os primeiros esboços da edicação para aprovação do cliente.

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Capítulo 3
NORMAS TÉCNICAS PARA
ELABORAÇÃO DE PROJETOS
DE EDIFICAÇÕES

As normas brasileiras que denem os padrões a serem seguidos nos projetos


arquitetonicos são a NBR 6492 - Representação de projetos de arquitetura e
NBR 13532 - Elaboração de projetos de edicações - Arquitetura contudo,
outras normas relativas ao desenho técnico também são pertinentes, a saber:

• NBR 10068 - Folha de desenho - Leiaute e dimensões;

• NBR 10582 - Apresentação da folha para desenho técnico;

• NBR 13142 - Desenho técnico - Dobramento de cópia;

• NBR 10067 - Princípios gerais de representação em desenho técnico;

• NBR 8402 - Execução de caracter para escrita em desenho técnico;

• NBR 8403 - Aplicação de linhas em desenhos - Tipos de linhas - Lar-


guras das linhas;

• NBR 10126 - Cotagem em desenho técnico;

• NBR 8196 - Desenho técnico - Emprego de escalas;

• NBR 12298 - Representação de área de corte por meio de hachuras em


desenho técnico.

79
Desenho de projeto de Engenharia Civil

Estas últimas são trabalhadas nas disciplinas de Desenho Técnico e/ou


Representação Gráca. Muitas destas não serão apresentadas neste texto
por se entender que o aluno já tem o conhecimento necessário sobre essas
normas. Este texto tratará especicamente das normas: NBR 10068, NBR
13142, NBR 10582 e NBR 6492.

3.1 NBR 10068 - Folha de desenho - Leiaute e


dimensões
Esta norma xa, dentre outros parâmetros, a série de formatos para desenho
técnico, independente de sua nalidade, a série A. Cujo formato básico é o A0
2
com área igual a 1m e lados medindo 841 x 1189 mm. Deste formato básico,
o A0, deriva-se toda a série A pela bipartição sucessiva (coluna Dimensões
da tabela 3.1).
A posição da legenda deve estar dentro do quadro para desenho de tal
forma que contenha a identicação do desenho e esteja localizada no canto in-
ferior direito, tanto nas folhas posicionadas na horizontal quanto na vertical.
Sua largura também é padronizada (coluna Legenda da tabela 3.1).

Tabela 3.1: Padronização das folhas de desenho.


Margens
Formato Dimensões Linha de quadro Legenda
Direita Esquerda

A0 541x1189 25 10 1,4 175

A1 594x841 25 10 1,0 175

A2 420x594 25 7 0,7 178

A3 295x420 25 7 0,5 178

A4 210x297 25 7 0,5 178

As margens são limitadas pelo contorno externo da folha e o quadro.


O quadro limita o espaço para desenho, a espessura da linha do quadro e
as margens para os diferentes formatos estão listadas nas colunas Linha de
quadro e Dimensões da tabela 3.1, respectivamente.

3.2 NBR 13142 - Desenho técnico - Dobramento


de cópia
A NBR 13142 xa os procedimentos para dobramento de cópias de projetos.
De forma geral, procura-se dobrar os diferentes formatos de forma, que ao
nal, quem com as dimensões do formato A4. Outro objetivo ao realizar

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Desenho de projeto de Engenharia Civil

este procedimento é permitir que a cópia seja perfurada e encadernada e


ainda seja possível abrir e dobra-la novamente sem nenhum entrave.
Nas guras 3.1 a 3.4 estão ilustrados os procedimentos para cada formato
da série A.

Figura 3.1: Dobramento de cópia para formatos A3.

Figura 3.2: Dobramento de cópia para formatos A2.

3.3 NBR 10582 - Apresentação da folha para


desenho técnico
Esta norma xa as condições exigidas para a localização e disposição do
espaço para desenho, espaço para texto e espaço para legenda, e respectivos
conteúdos, nas folhas de desenhos técnicos. Uma das condições exigidas por
esta norma é o posicionamento relativo do espaço para desenho e do espaço
para texto, como se pode ver na gura 3.5.

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Desenho de projeto de Engenharia Civil

Figura 3.3: Dobramento de cópia para formatos A1.

Figura 3.4: Dobramento de cópia para formatos A0.

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Desenho de projeto de Engenharia Civil

Figura 3.5: Disposição relativa entre o espaço para desenho e para texto.

A disposição dos desenhos de ser feita na horizontal ou vertical e o desenho


principal, se houver, deve car localizado no canto superior esquerdo. Já o
espaço para texto deve conter as seguintes informações:

Explanação Informações necessárias a leitura do desenho, por exemplo:


Símbolos especiais, designação, abreviaturas e tipos de dimensões.

Instrução Informações necessárias a execução do desenho, por exemplo:


lista de material, estado da superfície, local de montagem, número de
peças

Referência Informações referentes a outros desenhos e/ou outros documen-


tos.

Planta de situação Ela deve ser colocada em local que permita sua visua-
lização após o dobramento da cópia.

Tábua de revisão Tábua usada para registrar correções, alterações e/ou


acréscimos feitos nos desenhos apos sua primeira aprovação. Esta tá-
bua deve apresentar as seguintes informações: designação da revisão
referencia de localização, assinatura do responsável pela revisão e data
de revisão.

Dispostos como o apresentado na gura 3.6.

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Desenho de projeto de Engenharia Civil

Figura 3.6: Disposição dos diferentes elementos do espaço para texto.

3.4 NBR 6492 - Representação de projetos de


arquitetura
A NBR 6492 traz uma série de denições de representação, requisitos a se-
rem representados nos desenhos e as informações mínimas que deve conter
a legenda (ou carimbo). Estes itens serão apresentados na sequencia desta
seção, com exceção dos conteúdos dos diversos desenhos usuais em proje-
tos arquitetônicos e seus requisitos, que serão apresentados em detalhe nas
próximas seções.

3.4.1 Carimbo
Segundo a NBR 6492, o carimbo (ou legenda) deve conter: Identicação da
empresa e do prossional responsável pelo projeto, identicação do cliente,
título do desenho, indicação sequencial do projeto (número da prancha),
escalas, data e autoria do desenho e do projeto. Será adotado neste curso o
carimbo apresentado na gura 3.7.
As dimensões e padrões de caligraa deste carimbo estão apresentados
nas guras 3.8(a) e 3.8(b), respectivamente.

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Desenho de projeto de Engenharia Civil

Figura 3.7: Carimbo, com exemplo de preenchimento, adotado neste curso.

2,7
1,0 1,0 1,0

8,7
5,0 2,5 5,0
3,0

14,5 3,0

17,5

(a) Dimensões
ALTURA 5mm
PENA 0,6mm

ALTURA 5mm
PENA 0,3mm
ALTURA 5mm
PENA 0,3mm ALTURA 4mm
PENA 0,6mm

ALTURA 5mm
PENA 0,3mm

(b) Caligraa

Figura 3.8: Dimensões e caligraa adotada no carimbo deste curso.

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Desenho de projeto de Engenharia Civil

3.4.2 Tipos de letras e números


As letras devem ser escritas sempre maiúsculas e não inclinadas, assim como
os números que também não são inclinados como pode ser visto na gura 3.9.
Deve-se observar também que os espaços entre linhas não deve ser inferior a
2mm.

Figura 3.9: Letras maiúsculas, minúsculas e números desenhados manual-


mente.

Quando desenhados por instrumentos, letras e números devem seguir as


observações contidas na gura 3.10.

Figura 3.10: Letras maiúsculas, minúsculas e números desenhados por ins-


trumentos.

3.4.3 Linhas de representação


As prescrições contidas na gura 3.18 são referentes a linhas desenhadas
manualmente ou por instrumentos. Deve-se observar que as indicações de
espessura devem variar de acordo com a escala e a natureza do desenho.
Apesar de não constar na norma, é costume adotar três espessuras de linhas,
principalmente em desenhos a grate: Linha grossa; Linha média (metade
da espessura da grossa) e; Linha na (metade da espessura da média).

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Desenho de projeto de Engenharia Civil

Linhas de contorno
(+/- 0,6mm)

Linhas internas
(+/- 0,4mm) Firmes, porém de menor valor que as linhas de contorno.

Linhas situadas além do plano do desenho


Mesmo valor que as linhas de eixo.
(+/- 0,2mm)

Linhas de projeção Quando se tratar de projeções importantes, devem ter o mesmo valor
(+/- 0,2mm) que as linhas de contorno. São indicadas para representar projeções
de pavimentos superiores, marquises, balanços, etc.

Linhas de eixo ou coordenadas Firmes, definidas, com espessura inferior às linhas internas e com
(+/- 0,2mm) traços longos.

Linhas de cotas Firmes, definidas, com espessura igual ou inferior à linha de eixo ou
(+/- 0,2mm) coordenadas.

Linhas auxiliares Para construção de desenhos, guia de letras e números, com traço; o
(+/- 0,1mm) mais leve possível.

Linha de interrupção de desenho


(+/- 0,2mm) .Mesmo valor que as linhas de exo

Figura 3.11: Tipos de linhas de representação.

3.4.4 Escalas
As escalas mais usuais para desenhos são: 1/2, 1/5, 1/20, 1/50, 1/75, 1/100,
1/200, 1/250, 1/500 e 1/1000. Devem-se observar também as prescrições do
código de obras municipal, que por vezes, estabelece padrões próprios para
as escalas a serem utilizados nos projetos a serem aprovados pela prefeitura.

3.4.5 Cotas
As cotas devem ser indicadas em metro (m) para as dimensões iguais e su-
periores a 1 m e em centímetro (cm) para as dimensões inferiores a 1 m, e os
milímetros (mm) devem ser indicados como se fossem expoentes, conforme
os exemplos na gura 3.12. As cotas devem, ainda, atender às seguintes
prescrições:

1. as linhas de cota devem estar sempre fora do desenho, salvo em casos


de impossibilidade;

2. as linhas de chamada devem parar de 2 mm a 3mm do ponto dimensi-


onado;

3. as cifras devem ter 3 mm de altura, e o espaço entre elas e a linha de


cota deve ser de 1,5 mm;

Prof. M.Sc. Waldir Felippe 87


Desenho de projeto de Engenharia Civil

4. quando a dimensão a cotar não permitir a cota na sua espessura, colocar


a cota ao lado, indicando seu local exato com uma linha;

5. nos cortes, somente marcar cotas verticais e;

6. evitar a duplicação de cotas.

(a) Desenho a grate (b) Desenho a tinta

Figura 3.12: Exemplos de cotagem.

Já as cotas de nível são sempre em metro e têm duas representações, como


as indicadas na gura 3.13. Nesta gura, N.A. é o nível acabado e N.O. o
nível em osso.

Figura 3.13: Cotagem de nível a grate.

3.4.6 Numeração e títulos dos desenhos


Em cada folha, todos os desenhos, sem excessão, devem ser numerados a
partir do número 1 até N, conforme os exemplos da gura 3.14.

3.4.7 Norte
A indicação do norte pode ser feita como os exemplos apresentados na -
gura 3.15, onde: N é o norte verdadeiro e; NM o norte magnético (utilizado
somente na fase de estudos preliminares).

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Desenho de projeto de Engenharia Civil

(a) Desenho a grate (b) Desenho a tinta

Figura 3.14: Exemplos de numeração e títulos dos desenhos.

(a) Desenho a grate (b) Desenho a tinta

Figura 3.15: Exemplos de representação da direção Norte.

3.4.8 Indicação gráca dos acessos


Os acessos (de pessoas, automóveis e outros veículos) a edicações devem ser
indicados de forma clara como o exemplo apresentado na gura 3.16.

(a) Desenho a grate (b) Desenho a tinta

Figura 3.16: Exemplos de indicação de acessos.

3.4.9 Indicação de sentido ascendente nas escadas e ram-


pas
Todas as escadas e rampas devem ter seu sentido ascendente cotados, como o
mostrado na gura 3.17.No caso das escadas, os degrais devem ser numerados

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Desenho de projeto de Engenharia Civil

no sentido ascendente. Já para as rampas, sua inclinação deve ser idicada


em porcentagem (%).

(a) Desenho a grate (b) Desenho a tinta

Figura 3.17: Exemplos de indicação de sentido ascendente nas escadas e


rampas.

3.4.10 Indicação de inclinação de telhados, caimentos,


pisos, etc.
Os telhados e superfícies planas inclinadas, devem ter seus caimentos cotados
em porcentagem (%) conforme o ilustrado na gura 3.18.

Figura 3.18: Exemplos de indicação de inclinação de telhados, caimentos,


pisos, etc.

3.4.11 Marcação dos cortes gerais


Ao idicar os cortes, a marcação da linha de corte deve ser sucientemente forte
e clara para evitar dúvidas e mostrar imediatamente onde ele se encontra,
como no ilustrado na gura 3.19.
Atenção: Quando o desenho indicado estiver na mesma folha, deve-se
deixar em branco o local designado para o número da folha.

3.4.12 Indicação das fachadas e elevações


Assim como no caso dos cortes, a indicação de fachadas e elevações deve
apresentar o número da folha e o do desenho, contudo, neste caso, a indicação

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(a) Desenho a grate (b) Desenho a tinta

Figura 3.19: Exemplos de marcação dos cortes.

é feita através de um triangulo como o apresentado na gura 3.20.

(a) Desenho a grate (b) Desenho a tinta

Figura 3.20: Exemplos de indicação das fachadas e elevações.

3.4.13 Marcação de detalhes


O mesmo raciocínio se aplica a marcação de detalhes, como mostra a -
gura 3.21.

(a) Desenho a grate (b) Desenho a tinta

Figura 3.21: Exemplos de marcação de detalhes.

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3.4.14 Designação das portas e esquadrias


As portas e esquadrias devem ter suas dimensões indicadas em planta, uma
das formas de se apresentar essa informação é da forma ilustrada na -
gura 3.22. Esta gura apresenta uma metodologia de contagem onde cada
porta e esquadria recebe uma identicação e as dimensões são apresentadas
em uma tabela na mesma folha.

(a) Desenho a grate

(b) Desenho a tinta

Figura 3.22: Exemplos de marcação de detalhes.

3.4.15 Representação dos materiais mais usados


As hachuras de alguns dos materiais mais usados em projetos arquitetônicos
estão apresentadas na gura 3.23.

3.5 Desenhos utilizados na representação do pro-


jeto arquitetônico de uma edicação
3.5.1 Planta baixa
A planta baixa de uma edicação é a representação da seção obtida ao passar
um plano horizontal localizado a 1,50m do piso do pavimento que se deseja

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Figura 3.23: Hachuras de alguns dos materiais mais usados.

representar. Tomando como exemplo a casa ilustrada na gura 3.24, pode-se


obter sua planta baixa seccionando-a, como o apresentado na gura 3.25(a).
Como o objetivo é representar o piso e não o teto do pavimento, remove-se
a parte acima do plano de seção como pode ser visto na gura 3.25(b).

Figura 3.24: Perspectiva da edicação exemplo.

Em seguida, executa-se o desenho deste corte, observando de cima para


baixo. Tem-se, então, o desenho ilustrado em 3.26(a). Alguns elementos
devem ser adicionados a este desenho como portas e janelas (inclusive aquelas
acima do plano de corte); louças e chuveiros; pias, fogões e geladeira; armários
embutidos. A representação destes elementos está ilustrada na gura 3.26(b).
Estes elementos devem ser incorporados devido a sua importância para os
outros projetistas, por exemplo os projetistas de instalações hidráulicas e

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(a) Posicionamento do corte longitudinal (b) Edicação seccionada

Figura 3.25: Edicação exemplo.

elétricas.

(a) Corte horizontal observado (b) Planta baixa com parte de seus ele-
mentos

Figura 3.26: Edicação exemplo.

Por m adicionam-se ao desenho cotas, projeções de telhados e/ou pa-


vimentos superiores, indicações das esquadrias, cortes e fachadas, além dos
nomes e áreas dos compartimentos. Desta forma, chega-se ao resultado nal,
que está ilustrado na gura 3.27.

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Figura 3.27: Plata baixa da edicação exemplo.

3.5.2 Cortes
Os cortes, ou seções, são obtidos através de planos verticais que interceptam
as paredes, janelas, portas, lajes e cobertura. Usualmente são feitos pelo
menos dois cortes na edicação, um transversal e outro longitudinal, onde

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pelo menos um deles secciona um dos compartimentes ladrilhados (área mo-


lhada), cujas paredes sejam revestidas por azulejos (1,50m no mínimo, em
geral).
Assim como no caso da planta baixa, os cortes são obtidos ao seccionar a
edicação por um plano, agora vertical, no local indicado na planta baixa e
observa-se na direção indicada neste desenho. Para o caso do corte longitudi-
nal da edicação exemplo, o plano de seção ca posicionado como o ilustrado
na gura 3.28(a) e observa-se a parte desejada da edicação, gura 3.28(b).

(a) Posicionamento do corte longitudinal (b) Edicação seccionada

Figura 3.28: Corte longitudinal da edicação exemplo.

A representação deste corte ca como o ilustrado na gura 3.29(a). Se-


guindo o mesmo procedimento da seção anterior, adicionam-se os elementos
apresentados em 3.29(b).

(a) Corte longitudinal observado (b) Corte Longitudinal com parte de


seus elementos

Figura 3.29: Corte longitudinal na edicação exemplo.

Adiciona-se a este último desenho as cotas (somente verticais) e os nomes


dos compartimentos, como o apresentado a gura 3.30.

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Figura 3.30: Corte longitudinal da edicação exemplo.

Adotando procedimento semelhante para o corte transversal chega-se ao


desenho da gura 3.31.

Figura 3.31: Corte transversal da edicação exemplo.

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3.5.3 Fachadas
Devem ser desenhadas as elevações correspondentes as fachadas voltadas aos
logradouros públicos, obrigatoriamente, e, caso necessário, aquelas voltadas
para o interior do lote. Nestes desenhos são indicados somente os elementos
visíveis externamente, com indicação complementar de hachuras para facili-
tar a compreensão dos desenhos. Pode-se acrescentar aos desenhos árvores,
arbustos, pessoas, carros, mobiliário, entre outros. As fachadas indicadas na
planta baixa da edicação exemplo estão representadas nas guras 3.32(a)
(fachada principal) e 3.32(b) (fachada lateral).

(a) Fachada principal (b) Fachada Lateral

Figura 3.32: Fachadas da edicação exemplo.

3.5.4 Planta de situação


Nesta planta, são apresentadas informações sobre o terreno e a edicação,
trata-se da vista superior lote com a edicação nele. Indicam-se dados do
logradouro público e do lote, o norte magnético, pontos de referência e as
dimensões da edicação e seus afastamentos. Na gura 3.33 encontra-se um
exemplo para esta planta tomando como base a edicação exemplo, deve-se
observar que a edicação a ser construída e as demais indicadas são repre-
o
sentados somente seus contornos (hachurado a 45 ).

3.5.5 Planta de cobertura


Neste desenho, é apresentado o telhado e seus elementos. Deve-se indicar,
e cotar, na planta de cobertura a projeção da edicação, espigões, rincões,
calhas, inclinação de cada água (plano do telhado), bem como suas inclina-
ções (em %). Na gura 3.34 está um exemplo de planta de cobertura neste
caso, a planta de cobertura da edicação exemplo.

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Desenho de projeto de Engenharia Civil

Figura 3.33: Planta de situação da edicação exemplo.

3.5.6 Planta de locação


Também chamada de Planta de implantação, esta planta apresenta a posição
da edicação em relação ao lote. Neste desenho são apresentados: muros,
portões, árvores existentes ou a plantar e os acessos (principal e de auto-
móveis). Usualmente são desenhadas as plantas de cobertura e locação em
um mesmo desenho, como o apresentado na gura 3.35 para a edicação
exemplo.

3.5.7 Organização das folhas


Caso, devido as dimensões do projeto, não seja possível desenhar todas as
plantas, cortes e fachadas em uma mesma prancha (folha) estes desenhos
deverão ser apresentados segundo uma ordem lógica, que permita ao leitor ter
1
uma ideia progressiva do projeto. Alguns autores, como Gildo Montenegro ,
sugerem a seguinte ordem:

• Situação

1 Montenegro, G. A., Desenho Arquitetônico. Edgard Blücher.

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Figura 3.34: Planta de cobertura da edicação exemplo.

• Locação

• Planta de cobertura

• Plantas baixas

• Cortes

• Fachadas

Em projetos onde uma planta não puder ser desenhada em uma única
prancha, pode-se dividir o desenho indicando, em cada prancha, a planta
completa, simplicada e em menor escala. Permitindo, desta forma, que
durante a leitura de cada prancha tenha-se, rapidamente, uma ideia do con-
junto.

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Figura 3.35: Planta de locação (ou implantação) da edicação exemplo.

3.6 Índices e variáveis urbanísticas


Os índices e variáveis urbanísticas são um conjunto de parâmetros que regu-
lam o dimensionamento das edicações em relação ao seu uso, terreno e ao
zoneamento urbano local. Estes índices são cinco, a saber: Taxa de Ocupa-
ção (T.O.), Coeciente de Aproveitamento (C.A.), Taxa de Permeabilidade
(T.P.), Gabarito e Afastamentos.

3.6.1 Taxa de Ocupação (T.O.)


A taxa de ocupação é a relação percentual entre a projeção horizontal da
edicação e a área do terreno, como mostrado na equação (3.1):

Aph
TO = × 100%, (3.1)
Aterreno

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onde Aph é a área da projeção horizontal da edicação e Aterreno a área do


terreno.
Na gura 3.36 estão representadas quatro edicações diferentes onde cada
pavimento tem a mesma área. Nas guras 3.36(a), 3.36(b) e 3.36(d) todas as
edicações possuem mesma T.O., já no caso da gura 3.36(c) a T.O. é maior
porque a projeção horizontal da edicação é maior. Pode-se armar, então,
que a T.O. não está ligada ao número de pavimentos de uma edicação, desde
que todos os pavimentos superiores estejam contidos dentro dos limites do
pavimento térreo. Caso algum pavimento possua um ou mais elementos que
se projetem para fora desses limites então, a T.O. será alterada.

(a) 1 pavimento (b) 2 pavimentos (c) 2 pavimentos (d) 5 pavimentos


sobrepostos

Figura 3.36: Edicações exemplo.

3.6.2 Coeciente de Aproveitamento (C.A.)


O coeciente de aproveitamento relaciona a área construída e a área do ter-
reno conforme apresentado na equação (3.2):

Aconst.
CA = , (3.2)
Aterreno
onde Aconst. é a área construída.
Analisando novamente as edicações ilustradas na gura 3.36 pode-se
armar que a edicação da gura 3.36(a) possui o menor CA, as representadas
nas guras 3.36(b) e 3.36(c) tem o mesmo CA e a edicação da gura 3.36(d)
possui o maior CA.
A áreas que devem ser contabilizadas para determinar a área construída,
Aconst. , é objeto de lei municipal portanto, deve-se consultar a legislação
municipal pertinente que descreve as áreas não computáveis para o cálculo
do CA.

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3.6.3 Taxa de Permeabilidade (T.P.)


A taxa de permeabilidade dene a relação percentual entre a área permeável
do lote e a área total do lote, como o apresentado na equação (3.3):

Aperm.
TP = × 100%, (3.3)
Aterreno
onde Aperm. é a área permeável do lote.
As áreas que devem ser contabilizadas para determinar a área permeável,
Aperm. , também são objeto de lei municipal portanto, deve-se consultar a
legislação municipal pertinente que descreve as áreas não computáveis para
o cálculo da TP.

3.6.4 Gabarito
O gabarito determina o número máximo de pavimentos ou altura máxima da
edicação (em metros) em uma dada zona ou rua. Usualmente os subsolos,
casa de máquinas e reservatórios não são considerados para determinar o
gabarito contudo, deve-se vericar o que pode ser descontado na legislação
municipal.

3.6.5 Afastamentos
Os afastamentos são os recuos, de natureza obrigatória, da edicação em
relação aos limites do lote (afastamentos laterais e de fundos) e em relação ao
logradouro (afastamento frontal) como o ilustrado na gura 3.37. Em certos
casos, são prescritos, também, afastamentos entre edicações no mesmo lote.

s Afa
ndo sta
e fu me
od nto
m ent late
sta ral
Afa
Afa
sta
m ent
o la
tera
al
ront l
ento f
stam
Afa

Área edificável

Figura 3.37: Posição dos afastamentos em relação ao lote.

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Os afastamentos permitem condições mínimas aceitáveis de ventilação e


iluminação. Os elementos que são computáveis para afastamentos devem ser
vericados na legislação municipal pertinente.

3.7 Topograa: informações necessárias


Um elemento que tem grande inuencia na concepção do projeto arquitetô-
nico é o relevo do lote que é obtido após se realizar o levantamento topo-
gráco. O resultado deste levantamento será representado em planta através
de curvas (curvas de nível) com mesma cota em relação a um plano horizon-
tal. O princípio básico desta representação consiste em seccionar a superfície
terrestre por planos paralelos e equidistantes, cujas interseções projetadas
2
ortogonalmente num plano horizontal irão determinar as curvas de nível.
A gura 3.38 apresenta um esboço de um morro seccionado por planos
horizontais equidistantes de 10m, produzindo as curvas de nível 20, 30, 40 e
50, que são representadas em planta na parte inferior da mesma.

Figura 3.38: Curvas de nível de um morro.

2 O conteúdo desta seção foi retirado de: ALVAREZ, A.A.M., et al. Topograa para Arquitetos. Booklink, 2003.

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A representação das curvas de nível deve ser tal que de 5 em 5 curvas


elas sejam desenhadas com traço mais grosso (curvas mestras), para melhor
leitura, como pode ser visto na gura 3.39.

Figura 3.39: Representação de curvas mestra.

Outra representação de grande utilidade para o projeto arquitetônico são


os pers da superfície do terreno, cortes do terreno. Para isso, considera-se
um plano vertical imaginário cortando esta superfície, onde a interseção da
superfície com o plano é denominada de perl longitudinal ou seção trans-
versal (dependendo da orientação do perl em relação ao lote). Um exemplo
do processo para determinar um perl está apresentado na gura 3.40.

Figura 3.40: Representação de curvas mestra.

Este processo consiste em traçar uma linha sobre as curvas de nível que
represente o perl de interesse para, então, projetar-se as interseções desta
linha com as curvas de nível conforme o ilustrado.

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Capítulo 4
NOÇÕES DE CONFORTO

4.1 Insolação e iluminação natural


A luz natural que é admitida no interior das edicações consiste na luz
oriunda diretamente do sol, da luz difundida na atmosfera e da luz ree-
tida no entorno da edicação. São vários os motivos para se utilizar ilumina-
ção natural em um projeto, dentre eles pode-se citar: redução do consumo de
energia, imposição da legislação, comunicação visual com o ambiente externo
e benefícios psicológicos e siológicos.
A iluminação natural deve ser estudada no inicio do processo de projeto,
levando em conta a variação diária e sazonal para fornecer uma iluminação
satisfatória na maior parte do tempo e com carga térmica razoável. Uma
grande abertura permite maior entrada de luz, contudo o aquecimento do
ambiente iluminado pode ser considerável e não desejável. Pode-se armar,
então, que um bom projeto de iluminação natural trata do controle da ad-
missão da luz e do calor.
O projeto de uma edicação visando a iluminação natural deve começar
pela identicação das atividades desenvolvidas nos ambientes onde, a eciên-
cia desta iluminação depende da iluminação da abóbada celeste, do ângulo
de incidência da luz, da cor do ambiente e do tipo dos vidros por onde a
luz penetra. Os sistemas de iluminação natural podem ser classicados em
lateral e zenital e serão discutidos nas seções a seguir.
Antes disso, serão apresentados alguns conceitos básicos para o bom en-
tendimento do texto. O primeiro conceito é o de Insolação, é a medida da
radiação solar em uma superfície, durante um período de tempo e é expressa
2
em M J/m . A Iluminância é o uxo luminoso que incide sobre uma su-
perfície situada a uma certa distância da fonte luminosa. Também dene a

106
Desenho de projeto de Engenharia Civil

1
quantidade de luz que incide sobre uma superfície .
A normatização brasileira dene a iluminância (E ) como a relação entre
a quantidade de uxo luminoso (Φ) que incide sobre uma superfície e a área
desta (S ):

Φ
E= , (4.1)
S
onde a unidade de E é lux, cujo o símbolo é lx; a unidade de Φ é o lumen
2
(lm) e; a área S é expressa em m .
2
Segundo Lamberts , os requisitos necessários para a boa ocorrencia do
processo visual são: iliminância suciente; boa distribuição de iliminâncias;
ausência de ofuscamento; contraste adequado e; bom padrão e direção de
sombras. É regulado por norma as iliminâncias mínimas a serem observadas
em função do tipo de tarefa executada em um ambiente.
Outro conceito importante é o de Luminância. Segundo Rozenberg, a
luminância (L) se refere a uma intensidade luminosa que atinge o observador
e que pode ser proveniente da reexão de uma superfície, ou de uma fonte
de luz, ou ainda simplesmente de um feixe de luz no espaço. Trata-se do
quociente entre a intensidade luminosa em dada direção e a área aparente da
2
fonte nesta mesma direção e sua unidade é: cd/m .
Uma vez conhecido estes conceitos pode-se inciar o estudo dos sistemas
de iluminação natural usuais em edicações. Esses podem ser divididos em
dois tipos, lateral e zenital, e serão abordados em detalhe nas seções aseguir.

4.1.1 Iluminação lateral


As aberturas laterais são as mais comuns e, normalmente, localizam-se nas
paredes verticais das edicações. A iluminação lateral é mais adequada às
regiões próximas às janelas, porém como a iluminância produzida reduz-se à
medida que se afasta da abertura, este sistema provoca uma distribuição de
iluminâncias inadequada na maioria dos casos. Em ambientes com ilumina-
ção lateral, o nível de iluminância decresce rapidamente com o afastamento
da janela, adimite-se que a porção do ambiente é iluminada satisfatóriamente
até uma distancia de aproximadamente 1, 5d, onde d é a altura da parte mais
alta da janela. Uma ilustração desta situação pode ser vista na gura 4.1.
Obviamente esta profundidade de iluminação não depende somente da
altura d mas também da largura da janela. Um exemplo deste efeito está

1 ROZENBERG,I. M. O sistema internacional de unidades. Instituto Mauá de Tecno-


logia. 1998
2 LMBERTS, R., DUTRA, L., PEREIRA, F.O.R. Eciência Energética na Arquitetura.
1997.

Prof. M.Sc. Waldir Felippe 107


Desenho de projeto de Engenharia Civil

região não atendida


pela abertura

d
1,5d

Figura 4.1: Eciência de iluminação lateral.

ilustrado na gura 4.2, ali mostra-se, através de curvas de isocontorno, o


padrão de penetração da luz em duas situações diferentes: uma janela estreita
e outra larga. Pode-se perceber também que em janelas mais estreitas o efeito
de ofuscamento tende a ser maior.

(a) Janela estreita (b) Janela larga

Figura 4.2: Curvas de isocontorno do padrão de penetração da luz solar


em duas situações diferentes. Fonte: BOUBEKRI, M. Daylighting, Architecture and Health.
Architectural Press, 2008.

O aumento da iluminância em função do aumento da área iluminante


ocorre até determinado limite. Um recinto com janelas de grandes dimen-
sões, porém com superfícies interiores escuras requererá grande nível de luz
incidente, que acarretará grande carga térmica. Por outro lado, um ambiente
com janelas de dimensões adequadas e superfícies interiores claras resultará
em uma combinação mais adequada de luz direta (em geral indesejada em
ambientes internos em países tropicais) e luz reetida, possibilitando uma
maior economia de energia.

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4.1.2 Iluminação zenital


As aberturas zenitais localizam-se nos planos horizontais ou de abertura das
edicações, são utilizadas quando se pretende obter uma iluminação mais
uniforme ou em casos no qual o uso das aberturas laterais é inadequado. A
iluminação zenital fornece, em geral, uma maior uniformidade na distribuição
da luz sobre o campo de trabalho, quando comparada a sistemas laterais
com menor área de abertura. No entanto, não fornece uma visão do entorno,
necessidade básica na grande maioria dos ambientes.
As tipologias de abertura zenital são: Domus (ou claraboia), Lanternim,
Teto com dupla inclinação e Sheds. Exemplos destas quatro tipologias podem
se vistos na gura 4.3. De forma geral, estas aberturas permitem a iluminação
do ambiente de maneira mais uniforme, sendo adequado para edicações mais
profundas, contudo seu custo inicial é mais alto e sua manutenção mais difícil
e frequente. Deve-se evitar, também, que a luz incida diretamente sobre as
superfícies de trabalho para evitar ofuscamento. Outra observação pode ser
feita em relação a proporção da área iluminante que não dever ser maior
que 10% da área de piso do ambiente iluminado, uma vez que pode-se ter
problemas de aquecimento excessivo do ambiente.

(a) Domus (b) Lanternin

(c) Teto com dupla inclinação (d) Shed

Figura 4.3: Exemplos de iluminação zenital.

Outra estratégia de iluminação zenital comum é o uso de Átrios, espaços


centrais a edicação com sua cobertura aberta. Exemplos de átrios podem
ser vistos na gura 4.4. Nestas guras, a utilização de átrios permite que
exista iluminação natural no interior de edifícios de múltiplos pavimentos.

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(a) (b)

Figura 4.4: Exemplos de átrios em edicações de multiplos pavimentos.

4.2 Orientação das edicações


Uma questão importante no desenvolvimento do projeto arquitetônico é a
orientação dos ambientes da edicação em relação ao movimento do sol.
Deve-se, sempre que possível, distribuir de forma conveniente as posições
mais privilegiadas em relação ao sol, isto é, orientar os ambientes conforme
suas necessidades e características.
Pode-se dizer que, em geral, no hemisfério sul a face norte de uma edi-
cação é a que recebe maior insolação e a face sul a que recebe em menor
quantidade. Já a face leste ca voltada para o sol da manhã e a oeste para
o sol da tarde.
Cabe ao projetista, então, denir quais ambientes devem receber maior
insolação, quais podem estar voltados para uma direção que recebe menor
insolação... Por exemplo, a área de lazer de uma residência poderia car
voltada para a face norte já que esta é a face que recebe maior insolação e
pode-se tirar maior proveito da área durante o dia. Pode-se também, se for
o caso, voltar os dormitórios para a face leste para receber o sol da manhã.
Não existem regras ou convenções para orientação dos ambientes, é de res-
ponsabilidade do projetista estudar cada caso e tentar tirar o maior proveito,
procurando atender os requisitos dos futuros usuários da edicação.

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