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PRINCIPAIS CONCEITOS DA ANTROPOLOGIA

Natureza
A expressão natureza (do latim natura) aplica-se a tudo aquilo que tem como
característica fundamental o fato de ser natural: ou seja, envolve todo o meio ambiente que
não teve intervenção do homem.
Dessa noção da palavra, surge seu significado mais amplo: a Natureza corresponde
ao mundo material e, em extensão, ao universo físico: toda sua matéria e energia, inseridas
em um processo dinâmico que lhes é próprio e cujo funcionamento segue regras próprias
(estudadas pelas ciências naturais).
A etimologia da palavra, com origem no latim, é a seguinte:
Natus (particípio passado de nascere = nascer) + urus (sufixo do particípio futuro de
oritur = surgir, gerar). Assim, natureza = natus + urus = aquilo que surge, que se dá por
nascimento.

Cultura
Ciências sociais - Do ponto de vista das ciências sociais (isto é, da sociologia e da
antropologia), sobretudo conforme a formulação de Tylor, a cultura é um conjunto de ideias,
comportamentos, símbolos e práticas sociais artificiais (isto é, não naturais ou biológicos)
aprendidos de geração em geração por meio da vida em sociedade. De acordo com Ralph
Linton, “como termo geral, cultura significa a herança social e total da Humanidade; como
termo específico, uma cultura singifica determinada variante da herança social. Assim,
cultura, como um todo, compõe-se de grande número de culturas, cada uma das quais é
característica de um certo grupo de indivíduos”.
Por ter sido fortemente associada ao conceito de civilização no século XVIII, a cultura
muitas vezes se confunde com noções de: desenvolvimento, educação, bons costumes,
etiqueta e comportamentos de elite. Essa confusão entre cultura e civilização foi comum,
sobretudo, na França e na Inglaterra dos séculos XVIII e XIX, onde cultura se referia a um
ideal de elite. Ela possibilitou o surgimento da dicotomia (e, eventualmente, hierarquização)
entre “cultura erudita” e “cultura popular”, melhor representada nos textos de Matthew
Arnold, ainda fortemente presente no imaginário das sociedades ocidentais.
A etimologia da palavra tem origem no latim e vem do verbo colere = cultivar.
(do latim colere, que significa cultivar)

Determinismo geográfico, determinismo biológico e endoculturação


Em sentido amplo, o determinismo geográfico é a concepção segundo a qual o meio
ambiente define ou influencia fortemente a fisiologia e a psicologia humana, de modo que
seria possível explicar a história dos povos em função das relações de causa e efeito que se
estabeleceriam na interação natureza/homem.
Alguns discípulos do determinismo afirmavam que um meio natural mais hostil
proporcionaria um maior nível de desenvolvimento ao exigir um alto grau de organização
social para suportar todas as contrariedades impostas pela natureza. Seria esse o caso dos
povos que habitam regiões onde os invernos são muito rigorosos, já que isso os obrigaria a
trabalhar e armazenar muita comida para atravessar essa estação.
Desse modo, haveria uma explicação para o desenvolvimento das sociedades
européias, que não tiveram grandes dificuldades em subjugar os povos tropicais, mais
indolentes e atrasados, teoria que justificou o expansionismo neocolonial entre o fim do
século XIX e o início do século XX. Essas idéias seriam, mais tarde, aproveitadas pelos
cientistas da Alemanha Nazista.
O Conceito antropológico de cultura passa necessariamente pelo dilema da unidade
biológica e a grande diversidade cultural da espécie humana. Um dilema que permanece
como tema central de numerosas polêmicas e que aponta para a preocupação, há muito
presente, com a diversidade de modos de comportamento existentes entre os diferentes
povos. Desde a Antigüidade, foram comuns as tentativas de explicar as diferenças de
comportamento entre os homens, a partir das variações dos ambientes físicos. No entanto,
logo os estudiosos concluíram que as diferenças de comportamento entre os homens não
poderiam ser explicadas através das diversidades somatológicas ou mesológicas. Tanto o
determinismo geográfico quanto o determinismo biológico foram incapazes de resolver o
dilema, pois o comportamento dos indivíduos depende de um aprendizado chamado de
endoculturação, ou seja, um menino e uma menina agem diferentemente não em função de
seus hormônios, mas em decorrência de uma educação diferenciada. Da mesma forma, as
diferenças entre os homens não podem ser explicadas em termos das limitações que lhes
são impostas pelo seu aparato biológico ou pelo seu meio ambiente. A grande qualidade da
espécie humana foi a de romper em suas próprias limitações: um animal frágil, provido de
insignificante força física, dominou toda a natureza e se transformou no mais temível dos
predadores. Sem asas dominou os ares; sem guelras ou membranas próprias conquistou os
mares. Tudo isto porque difere dos outros animais por ser o único que possui cultura. Apesar
da dificuldade que os antropólogos enfrentam para definir a cultura, não se discute a sua
realidade. A cultura se desenvolveu a partir da possibilidade da comunicação oral e a
capacidade de fabricação de instrumentos, capazes de tornar mais eficiente o seu aparato
biológico. Isto significa afirmar que tudo o que o homem faz, aprendeu com os seus
semelhantes e não decorre de imposições originadas fora da cultura. A comunicação oral
torna-se então um processo vital da cultural: a linguagem é um produto da cultura, mas ao
mesmo tempo não existiria cultura se o homem não tivesse a possibilidade de desenvolver
um sistema articulado de comunicação oral. A cultura desenvolveu-se simultaneamente com
o próprio equipamento biológico humano e é, por isso mesmo, compreendida como uma das
características da espécie, ao lado do bipedismo e de um adequado volume cerebral. Uma
vez parte da estrutura humana, a cultura define a vida, e o faz não através das pressões de
ordem material, mas de acordo com um sistema simbólico definido, que nunca é o único
possível. A cultura, portanto, constitui a utilidade, serve de lente através da qual o homem vê
o mundo e interfere na satisfação das necessidades fisiológicas básicas. Embora nenhum
indivíduo conheça totalmente o seu sistema cultural, é necessário ter um conhecimento
mínimo para operar dentro do mesmo. Conhecimento mínimo este que deve ser
compartilhado por todos os componentes da sociedade de forma a permitir a convivência
dos mesmos. A cultura estrutura todo um sistema de orientação que tem uma lógica própria.
Já foi o tempo em que se admitia existir sistemas culturais lógicos e sistemas culturais pré-
lógicos. A coerência de um hábito cultural somente pode ser analisada a partir do sistema a
que pertence. Todas as sociedades humanas dispõem de um sistema de classificação para
o mundo natural que constitui categorias diversificadas e com características próprias.

Etnocentrismo
Etnocentrismo é um conceito antropológico, segundo o qual a visão ou avaliação
que um indivíduo ou grupo de pessoas faz de um grupo social diferente do seu é apenas
baseada nos valores, referências e padrões adotados pelo grupo social ao qual o próprio
indivíduo ou grupo fazem parte.
Essa avaliação é, por definição, preconceituosa, feita a partir de um ponto de vista
específico. Basicamente, encontramos em tal posicionamento um grupo étnico considerar-se
como superior a outro. Do ponto de vista intelectual, etnocentrismo é a dificuldade de pensar
a diferença, de ver o mundo com os olhos dos outros.
O fato de que o ser humano vê o mundo através de sua cultura tem como
consequência a propensão em considerar o seu modo de vida como o mais correto e o mais
natural. Tal tendência, denomindada etnocentrismo, é responsável em seus casos extremos
pela ocorrência de numerosos conflitos sociais.
Não existem grupos superiores ou inferiores, mas grupos diferentes. Um grupo pode
ter menor desenvolvimento tecnológico, se comparado a outro mas, possivelmente, é mais
adaptado a determinado ambiente, além de não possuir diversos problemas que esse grupo
"superior" possui.
A tendência do ser humano nas sociedades é de repudiar ou negar tudo que lhe é
diferente ou não está de acordo com suas tendências, costumes e hábitos. Na civilização
grega, o bárbaro, era o que "transgredia" toda a lei e costumes da época; este termo é,
portanto, etimologicamente semelhante ao selvagem na sociedade ocidental.
O costume de discriminar os que são diferentes, porque pertencem a outro grupo,
pode ser encontrado dentro de uma sociedade. Agressões verbais, e até físicas, praticadas
contra os estranhos que se arriscam em determinados bairros periféricos de nossas grandes
cidades é um dos exemplo.
Incluem-se aqui as pessoas que observam as outras culturas em função da sua
propria cultura, tomando-a como padrão para valorizar e hierarquizar as restantes.
Comportamentos etnocêntricos resultam também em apreciações negativas dos
padrões culturais de povos diferentes. Práticas de outros sistemas culturais são catalogadas
como absurdas, deprimentes e imorais.

Evolucionismo cultural
Na época histórica de seu aparecimento como ciência, a antropologia sofreu a
influência da idéia dominante no mundo científico: o evolucionismo, consagrado pela
publicação de A origem das espécies, de Charles Darwin, em 1859. Por isso, na segunda
metade do século XIX, a nascente ciência concebeu os diferentes grupos humanos como
sujeitos em desenvolvimento. As distintas sociedades evoluiriam todas na mesma direção,
passando por etapas e fases de desenvolvimento e diferenciação cultural inevitáveis e
escalonadas, seguindo uma transformação que levaria do simples ao complexo, do
homogêneo ao heterogêneo, do irracional ao racional. Para os antropólogos evolucionistas,
todos os grupos humanos teriam que atravessar necessariamente as mesmas etapas de
desenvolvimento, e as diferenças que podem ser observadas entre as sociedades
contemporâneas seriam apenas defasagens temporais, conseqüência dos ritmos diversos
de evolução.
Embora hoje em dia estejam muito superadas as principais teses evolucionistas, é
considerável a maneira pela qual continuam influenciando a linguagem vulgar e o próprio
vocabulário especializado da antropologia. Assim, às vezes fica difícil ao especialista
descrever fenômenos antropológicos sem ter que recorrer a vocábulos viciados pelo
conteúdo evolucionista que os impregnou durante muitos anos. Nesse sentido, a utilização
de conceitos como "sociedades primitivas", "civilizações evoluídas" etc. pressupõe uma
aceitação implícita de seu fundo ideológico evolucionista. Para evitar confusões, muitos
antropólogos falam hoje de "sociedades de tecnologia simples", ou "sociedades de pequena
escala", em oposição a "sociedade de tecnologia complexa" ou "sociedades industriais".
Os mais influentes antropólogos evolucionistas foram o americano Lewis Henry
Morgan e o inglês Edward B. Tylor. Morgan publicou em 1877 seu estudo Ancient Society (A
sociedade primitiva), no qual distinguia três etapas por que passaram, ou passarão, todas as
sociedades humanas: selvajaria, barbárie e civilização, numa seqüência obrigatória de
progresso. De igual forma, estabeleceu vários estágios sucessivos para a formação da
família, os quais iriam desde a promiscuidade primitiva à família bilateral moderna de tipo
europeu.
Tylor, por sua vez, realizou estudos comparativos das manifestações religiosas das
diferentes sociedades humanas, acreditando, depois disso, poder estabelecer três etapas na
evolução da ideologia religiosa dos povos: animismo, politeísmo e monoteísmo. Embora as
teses de Tylor tenham sido amplamente criticadas, suas concepções sobre a evolução das
religiões continuam presentes na linguagem vulgar.
A escola evolucionista mostrou-se consideravelmente carregada de preconceitos
etnocêntricos, o que levou seus representantes a considerarem a sociedade européia como
a mais evoluída e a acreditarem que todas as outras tenderiam a alcançar a mesma
perfeição. Se for levado em conta, além disso, que nem sempre se dispunham de conceitos
suficientemente diferenciados sobre sociedade e raça, compreende-se que a intenção de
encaixar as sociedades -- e as raças -- num quadro evolutivo gerasse conclusões
precipitadas e errôneas. No entanto, em defesa da escola evolucionista é preciso lembrar
que a antropologia era então uma ciência quase inexistente, cujo desenvolvimento muito se
beneficiou dos estudos e esforços dos adeptos dessa escola. Quando tais teses começaram
a ser abandonadas pela maioria dos antropólogos, os métodos e procedimentos da nova
ciência já estavam encaminhados e ela começava a dar seus frutos.
Relativismo cultural
O Relativismo Cultural é uma ideologia político-social que defende a validade e a
riqueza de qualquer sistema cultural e nega qualquer valorização moral e ética dos mesmos.
O relativismo cultural defende que o bem e o mal, o certo e o errado, e outras
categorias de valores são relativos a cada cultura. O "bem" coincide com o que é
"socialmente aprovado" numa dada cultura. Os princípios morais descrevem convenções
sociais e devem ser baseados nas normas da nossa sociedade.
Relativismo cultural é o princípio que prega que uma crença e/ou atividade humana
individual deva ser interpretada em termos de sua própria cultura. Esse princípio foi
estabelecido como axiomático na pesquisa antropológica de Franz Boas nas primeiras
décadas do século XX e, mais tarde, popularizado pelos seus alunos. A idéia foi articulada
por Boas em 1887: "...civilização não é algo absoluto, mas (...) é relativa, e, nossas idéias e
concepções são verdadeiras apenas na medida de nossa civilização".
Se tais afirmações necessitam ou não de uma postura ética é um argumento para ser
debatido. No entanto, o que é importante é que este princípio não seja confundido com
relativismo moral.