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Enfermagem

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SANTA ISABEL
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Ciência e carinho
Ciência e carinho
dedicados à vida
dedicados à vida
Associação
AssociaçãoCongregação de Santa Catarina

pela excelência
Congregação Santa Catarina

Ano 7 / Número 7 - 2017


ISSN 2448-4490

SEGURANÇA DO PACIENTE:
O CUIDADO CENTRADO NA PESSOA

Auditoria da qualidade da assistência de enfermagem contribuindo


na educação e na prevenção de danos.

A ação do enfermeiro na segurança do paciente submetido a trombólise


em acidente vascular encefálico isquêmico.
Índice

Editorial
4

Artigo: Sistematizaçao da assistência de enfermagem:


uma ferramenta que garante a continuidade do cuidado. 5

Artigo: Prevalência da síndrome de burnout em 10


enfermeiros de um hospital de grande porte do médio
vale do Itajaí.

Artigo: Atuação dos enfermeiros frente a segurança do


paciente submetido a trombólise em acidente vascular 16
encefálico isquêmico.

Artigo: A importância da gestão de risco na segurança do


paciente.
23

Opinião: Ciência e carinho dedicado à vida. 28

Homenagem: Uma história de comprometimento. 29

Artigo: Prevenção de lesões por queda: uma questão de


segurança.
33

Opinião: Por um hospital seguro. 39


Notícia: Do discurso à prática: os valores da enfermagem.
40
Notícia: Hospital Santa Isabel no combate a sepse.
41

Notícia: O Cuidado centrado na pessoa. 42


Artigo: Auditoria de qualidade da assistência de
enfermagem: uma metodologia para prevenção e 44
educação.

Opinião: Segurança do Paciente e sua contribuição para


a análise da conta.
52

Opinião: Responsabilidade do Executivo no cuidado


centrado no paciente.
54
Editorial
Compreender o cuidado centrado no paciente é essencial para Expediente
que possamos entender suas necessidades, buscar ações que Diretora Geral
possam mitigar erros e diminuir seu sofrimento. Manter o coração Irmã Analuzia Schmitz
sempre animado e inspirado para exercer nossa profissão como
missão no cotidiano é nosso desafio enquanto cuidador, bem Diretor Executivo Regional
Juliano Petters
como de explorar as competências das pessoas para que possam
fazer boas ações, e se sustentarem na excelência. Em 1860, a Diretor Executivo
precursora da enfermagem Florence criou a primeira escola da Dirceu Rodrigues Dias
enfermagem, junto ao Hospital Saint Thomas em Londres, com
Gerente Administração e Apoio
a filosofia de que a enfermagem “ajuda a pessoa viver”. Adotou Maria Luiza Sônego
Enfermeira Márcia Regina Fidauza
critérios para sistematizar a assistência e estabelecer rotinas
administrativas, com grande preocupação em obter dados Gerente Assistencial
Associação Congregação de estatísticos para identificar a incidência e causa dos óbitos e com Márcia Regina Fidauza
Santa Catarina o intuito de atuar e planejar medidas para evitar casos de infecção.
Hospital Santa Isabel Diretora Técnica
Gerente Assistencial
Em nossa Congregação, o programa Salus Vitae nos ensinou Marianne Ramos de Lima e
Blumenau/SC como levar o melhor conhecimento cientifico disponível aos Silva
nossos pacientes. Sendo assim, o método adotado de envolver
Diretor Clínico
as pessoas, nos deu oportunidade para que todos ensinem, e Luís Renato Garcez de Oliveira
que todos possam aprender. Formou uma grande corrente de Mello
aprendizado. Esta ação teve seu início através da disseminação
da cultura de segurança do paciente. Por meio de treinamentos Projeto Gráfico/Design
Marcella Nunes
presenciais para a liderança de alto impacto (diretores e gerentes) 47 996218626
de todas as casas, com o propósito de apoiar o desenvolvimento
de estratégias para atingir metas relacionadas a segurança do Conselho Editorial
paciente em âmbito sistêmico. Tendo estes o apoio fundamental Juciane Rosa Gaio Fratini
Márcia Regina Fidauza
da direção/gerência para todo o planejamento. A partir deste
princípio tornou-se primordial envolver e comprometer todos os Fotos
profissionais em um único objetivo: ter o paciente como centro do Arquivo HSI
cuidado. Com o compromisso de mantê-los motivados e resgatar Internet
os desmotivados, estimulando-os a contribuir de maneira positiva. Revisão
Com isso conquistou-se a compreensão e sua importância. Juciane Rosa Gaio Fratini
Realizamos ações frequentes para desenvolver e disseminar essa Márcia Regina Fidauza
cultura, onde todos comungam as ideias, independentemente de
Orientação Científica
ter posição hierárquica e percebem a necessidade de ter o paciente Juciane Rosa Gaio Fratini
como principal individuo do cuidado. Em cursos ministrados pela
Direção Corporativa de Qualidade e Segurança do paciente pela Impressão
Associação Congregação de Santa Catarina, percebemos a Gráfica 3 de maio
Rua Bahia, 8945 - Passo
importância de reforçar nossas estratégias de gestão em relação a Manso, Blumenau/SC
este quesito. Envolveu uma mudança de cultura de cada profissional Fone 47 3328-3333
que aqui atua, sem receio de relatar as inconformidades e ter a www.3demaio.com.br
certeza que as mesmas serão “tratadas” de forma construtiva para
Hospital Santa Isabel
que possamos atuar nas mesmas e buscar o melhor resultado Rua Floriano Peixoto,300
com todos os envolvidos no processo. A transparência precisa 89010906 ,Centro
ser adotada por todos em sua rotina de trabalho, cientes de Blumenau/SC - Brasil
que “Todo sistema é perfeitamente desenhado para produzir os www.santaisabel.com.br
Fone 47 3321-1000
resultados que obtêm”. Compreendemos que gerimos pessoas Fone 47 3321-1001
e controlamos equipamentos, e que os envolvidos no processo
de cuidar sentem, pensam e tem atitudes, podendo apresentar
falhas que não condizem com a necessidade da instituição. Com
determinação, planejamento, foco e persistência para que todos
adotem a cultura de Segurança e assim reverter os pensamentos
e atitudes negativas possibilitando assim prestar um cuidado
Seguro, Efetivo e Eficiente e centrado na pessoa.

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SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DE
ENFERMAGEM: Uma Ferramenta que Garante a
Continuidade do Cuidado

RESUMO

A pesquisa busca verificar se Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) Diane Furtado dos Santos
elaborada pelos enfermeiros das Unidades de Internação atendem a necessidade de cuidado Mariana Marques**
dos pacientes internados. Trata-se de um estudo de caráter quali-quantitativo e descritivo. Michele dos Santos Mariano***
A pesquisa foi realizada em um hospital de grande porte, situado na região do Vale do Itajaí Maria Elvira de Oliveira
Petersen****
no Estado de Santa Catarina. A coleta de dados foi baseada na revisão de prontuários
dos pacientes internados nas Unidades de Internação, com análise dos seguintes dados: *Graduada em Enfermagem
**Graduada em Enfermagem
Quantidade de pacientes com presença da Sistematização de Assistência de Enfermagem ***Graduada em Enfermagem. Especialista
com curativo prescrito/executado, controle de diurese prescrito/executado, cuidados com em Gestão Hospitalar e Serviços de Saúde
****Graduada em Enfermagem. Especialista
dreno prescrito/executado, trocas de dispositivos prescrito/executado e aferição de sinais em Enfermagem do Trabalho e em Auditoria
dos Serviços de Saúde
vitais prescrito/executado. A análise da qualidade na assistência prestada a esses pacientes
se deu observando, se as prescrições atendiam a necessidade de cuidado do paciente,
confrontando as mesmas com as evoluções, e dessa forma qualificando a prescrição dos
cuidados do enfermeiro. Notamos que a enfermagem ainda necessita aprimorar a avaliação
do paciente, a prescrição e execução do cuidado, pois muitas vezes deixa de evidenciar por
falta de registros destas informações.

Palavras-chave: Sistematização. Assistência. Enfermagem.

INTRODUÇÃO

O Processo de Enfermagem é a dinâmica das ações sistematizadas e inter-


relacionadas, que viabiliza a organização da assistência de enfermagem. Representa uma
abordagem de enfermagem ética e humanizada, dirigida à resolução de problemas, atendendo
às necessidades de cuidados de saúde e de enfermagem de uma pessoa. No Brasil é uma
atividade regulamentada pela Lei do Exercício Profissional da Enfermagem, constituindo,
portanto, uma ferramenta de trabalho do enfermeiro. Na literatura, podemos encontrar outras
denominações para o processo de enfermagem, entre elas, Sistematização da Assistência de
Enfermagem (SAE)1,2.

A SAE tem demonstrado potencialidades e dificuldades nos serviços de saúde, uma
vez que faz parte da reorganização e sistematização das práticas em saúde. A finalidade de
implantar a SAE nas instituições hospitalares do Brasil é a de organizar o cuidado a partir
da adoção de um método sistemático, proporcionando ao enfermeiro a (re)definição do seu
espaço de atuação, do seu desempenho no campo da gerência em saúde e da assistência em
Enfermagem3.
O Conselho Federal de Enfermagem afirma que a SAE deve ocorrer em todas as
instituições de saúde brasileiras, públicas e privadas, considerando sua institucionalização
como prática de um processo de trabalho adequado às necessidades da comunidade e como
modelo assistencial a ser aplicado em todas as áreas de assistência à saúde pelo enfermeiro.
O Conselho considera que a implantação da SAE constitui, efetivamente, na melhora da
qualidade da assistência de enfermagem4.
Os diagnósticos de Enfermagem que compõe a SAE foram gerados, refinados e
classificados no decorrente da primeira conferência norte-americana realizada em 1973 na St.
Louis University. Em decorrência deste processo, em 1982, foi criada a North American Nursing
Diagnosis Association (NANDA). A NANDA, classificava os diagnósticos de enfermagem de
acordo com a Taxonomia, que era estruturada levando em consideração as necessidades
humanas5.
No final do ano de 2015, buscando se aprimorar e reestruturar o processo da SAE já

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existente na instituição estudada, contou-se com o trabalho de um grupo de enfermeiros que
fizeram a revisão dos diagnósticos e das intervenções dos cuidados de enfermagem, e ainda
com o auxílio da ferramenta “Tasy” que é um sistema de tecnologia da Informação, sendo
possível incluir e adaptar os principais diagnósticos do NANDA com a realidade dos pacientes
atendidos na instituição, seguido da criação da prescrições do cuidado a ser executadas pelos
profissionais da enfermagem. O presente estudo foi realizado nas Unidades de Internação
desta Instituição, que são compostas por 10 unidades clínicas, sendo que estas recebem o
maior número de pacientes internados, distribuindo-se entre enfermarias e apartamentos que
atendem SUS, convênios e particulares, totalizando 229 leitos.
O objetivo deste estudo é verificar se a SAE elaborada pelos enfermeiros das Unidades
de Internação atende a necessidade de cuidado dos pacientes internados.

MÉTODO

Trata-se de um estudo de caráter quali-quantitativo e descritivo. A pesquisa foi realizada


em um hospital de grande porte, situado na região do Vale do Itajaí Estado de Santa Catarina.
A coleta de dados foi baseada na revisão de uma amostra de 144 prontuários de pacientes
internados nas Unidades de Internação, porém, foram avaliadas apenas uma prescrição/
evolução de cada prontuário, sendo estas do mesmo dia de internação. Categorizamos
os dados em: Quantidade de prontuários com presença de SAE, prontuários com curativo
prescrito/executado, controle de diurese prescrito/executado, cuidados com dreno prescrito/
executado, trocas de dispositivos (equipos, intermediários e cateter de punção venosa)
prescrito/executado e aferição de sinais vitais prescrito/executado.
A análise da qualidade da assistência prestada a esses pacientes se deu observando,
se as prescrições atendiam a necessidade de cuidado do paciente, confrontando as mesmas
com as evoluções, e dessa forma qualificando a prescrição de cuidados do enfermeiro. Após o
levantamento de dados, os mesmos foram digitados em planilhas do Excel 2010, em seguida
convertidos em gráficos para melhor análise e discussão dos dados.

ANÁLISE DE DADOS

Ao término do levantamento de dados dos 144 prontuários, analisamos 144 prescrições


do mesmo dia, sendo uma de cada prontuário. Observamos nestas prescrições se as mesmas
atendiam a necessidade de cuidado do paciente. Pacientes que apresentavam curativo,
observava-se se o mesmo estava prescrito/executado, os que necessitavam de controle de
diurese se estava prescrito/executado, os cuidados com dreno que devem estar presente
em todas as prescrições em casos de o paciente ter algum tipo de dreno se foi prescrito/
executado, o mesmo ocorre com as troca de dispositivos (equipos, intermediários e cateter de
punção venosa) se foram prescrita/executada, e por fim a aferição de sinais vitais que deve
estar presente em 100% das prescrições, se foram prescrito/executado.
A figura 01 mostra o percentual de SAE realizadas pela enfermagem, apresentando
os seguintes dados: Dos 144 prontuários analisados 137 (95%) tinham SAE, e apenas 7 (5%)
não tinham. A instituição preconiza que 100% dos pacientes internados seja realizada a SAE,
porém salientamos que a implantação da SAE nas unidades de internação se deu há apenas
um ano, percebe-se que a equipe está aderindo esta prática institucional.
Confrontando este dado com a literatura, estudos ressaltam que a SAE é parte de um
processo que vem sendo desenvolvido ao longo do tempo por enfermeiros comprometidos em
melhorar cada vez mais o cuidado prestado ao paciente, pois vislumbram a necessidade do
cuidar interativo, complementar e multiprofissional6.

5%
Prontuários com
SAE
95% Prontuários sem
SAE

Figura 01 - Percentual de prontuários com SAE


Fonte: Pesquisa, 2016.

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Na figura 02 a aferição de sinais vitais aparece em 99 (68%) das prescrições, e ausentes
em 45 (32%) das prescrições. Já a Figura 03 apresenta que foram aferidos e registrados 117
(81%) dos sinais vitais, porém não havia registros de aferição em 27 (19%) das prescrições.
A aferição dos sinais vitais é um dos cuidados obrigatórios e fundamentais na
assistência ao paciente, os resultados mostram que precisa haver melhora na elaboração
da SAE, devendo a aferição dos sinais vitais estar presente em 100% das prescrições,
assim como seu registro no prontuário eletrônico do paciente para evidenciar a assistência
prestada, já que “os sinais vitais podem fornecer informações relevantes sobre o estado físico
e emocional dos pacientes, sendo importante conhecer como estes são controlados e quais
são as suas relações intrínsecas”7.

Prescrição com 9% Prontuário com


15%
aferição de sinais registro de sinais
vitais vitais
Sem prescrição de Prontuário sem
85% aferição de sinais 91 % registro de sinais
vitais vitais

Figura 02 - Aferição de Sinais Vitais Prescritos Figura 03 - Aferição de Sinais Vitais Realizados
Fonte: Pesquisa, 2016. Fonte: Pesquisa, 2016.

Referente a necessidade da prescrição de curativo, percebe-se que dos 144 prontuários


analisados, somente 55 (38%) prontuários analisados havia indicação da prescrição deste
cuidado e os demais 89 (62%) não havia esta necessidade. Estes dados estão representados
na figura 04. Dos 55 prontuários com a indicação da necessidade de curativo 51 (92%) dos
casos haviam prescrição para realização de curativo, porém 4 (8%) não haviam prescrições
de curativo, informação está apresentada na Figura 05.
O curativo é definido como um meio terapêutico que consiste na limpeza e aplicação
de material sobre uma ferida para sua proteção, absorção e drenagem, com o intuito de
melhorar as condições do leito da ferida e auxiliar em sua resolução8.
A prescrição do curativo é de fundamental importância no cuidado do paciente, a
mesma deve ser realizada após avaliação da ferida/lesão, observando a forma que este
curativo deve ser realizado, deixando prescrito a necessidade da sua realização, descrevendo
o local e tratamento a ser utilizado para este. Portanto a ausência da prescrição pode implicar
na descontinuidade da assistência do cuidado.

Com necessidade 8% Prontuário


da prescrição de prescrição de
38%
curativo curativo
72 % Sem necessidade 92 % Prontuário sem
da prescrição de prescrição de
curativo curativo

Figura 04 - Necessidade da prescrição de Figura 05 - Prescrição de Curativo nos prontuários


curativo Fonte: Pesquisa, 2016.
Fonte: Pesquisa, 2016.

Na figura 06 observamos que em 23 (16%) dos casos era necessário fazer controle
de diurese, já a figura 07 mostra que somente 10 (62%) dos casos foram prescritos esse
cuidado na SAE. O estudo indicou que esse manejo, não está totalmente incorporado à prática
clínica e que, mesmo quando as medidas eram prescritas pelos profissionais médicos, existia
deficiência na sua realização pela equipe de enfermagem.

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Com indicação de Com prescrição de


16%
controle de diurese controle de diurese
38%
Sem indicação de Sem prescrição de
84% controle de diurese 62% controle de diurese

Figura 06 - Necessidade da prescrição do Figura 07 - Prescrição de Controle de diurese


controle de diurese Fonte: Pesquisa, 2016.
Fonte: Pesquisa, 2016.

Visando diminuir o índice de infecção de corrente sanguínea por inserção de


dispositivos, temos a prescrição de troca destes, conforme a validade preconizada pelo Serviço
de Controle de Infecção Hospitalar. A figura 08 apresenta que houve a troca de dispositivos
em 50 (35%) das prescrições, os demais 94 (65%) não possuíam dispositivos ou não houve
registro de troca. A figura 09 mostra que em 49 (97%) dos casos que houve troca, esses
possuíam prescrição, apenas 1 (3%) não havia prescrição de troca. Esses dados apontam
que mesmo na ausência da prescrição, na maior parte dos casos a troca dos dispositivos era
efetuada.
A equipe de enfermagem é responsável pela inserção e manutenção do acesso
venoso periférico, sendo responsável aos cuidados técnicos recomendados e realizados
a fim de se prevenir e/ou reduzir as iatrogenias relacionadas à instalação do dispositivo9.

Com indicação de 3% Troca de dispositivo


troca de dispositivo com prescrição
35%
Sem indicação de Troca de dispositivo
65% troca de dispositivo 97% sem prescrição

Figura 08 - Pacientes com indicação da troca Figura 9 - Troca de dispositivo prescrita


de dispositivo Fonte: Pesquisa, 2016.
Fonte: Pesquisa, 2016.
A figura 10, mostra que 14 (10%) das prescrições apresentavam algum tipo de dreno,
e conforme a figura 11, destes 3 (70%) apresentavam prescrição de cuidados com drenos.
Os drenos são tubos ou materiais colocados no interior de uma ferida ou cavidade,
visando permitir a saída de fluidos ou ar. A utilização dos mesmos é indicada em cirúrgicas
para drenagem por sistema fechado10.

10% Com indicação de Prontuário com


cuidado com dreno 30% prescrição do
cuidado
Sem indicação de Prontuário sem
90% 70%
cuidado com dreno prescrição do
cuidado

Figura 10 - Necessidade de cuidados com Figura 11 - Cuidados com dreno prescrito


dreno Fonte: Pesquisa, 2016.
Fonte: Pesquisa, 2016.

A implementação de um modelo e/ou uma fórmula predeterminada de assistência, não


é garantia de maior qualidade na assistência em saúde. É preciso, também que se estabeleçam
novas e sempre mais complexas relações e interações profissionais para apreender o ser
humano de forma ampla e integral6.

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os resultados reconhecem a importância da SAE enquanto instrumento norteador


para o paciente e a equipe de enfermagem, ressaltando a importância das prescrições e
informações contidas no prontuário, reconhecendo a SAE como forma de organização
e orientação do cuidado de enfermagem, percebendo a SAE como garantia do cuidado
prestado, instrumento de satisfação do paciente, estratégia para melhorar a qualidade, facilitar
a interatividade e perceber a multidimensionalidade do cuidado nas práticas de saúde.
Evidenciou-se que a quantidade de pacientes com presença de SAE se aproxima
dos 100%, levando em consideração que a SAE foi implantada nas unidades de internação
há apenas um ano, esse resultado nos sugere que devemos buscar estratégias para que se
alcance a excelência na sistematização da assistência de enfermagem. Sabe-se que ainda há
muito para aprimorar, porém estes dados mostram que os enfermeiros estão comprometidos
a realizar suas atribuições com ênfase na integralidade do cuidado prestado.
O estudo nos permitiu verificar a qualidade das SAE elaboradas pelos enfermeiros
das Unidades de Internação, observou-se que as prescrições em sua maioria atendiam as
necessidades de cuidado do paciente, porém ainda necessitam de adequações, pois algumas
ações que são consideradas de fundamental importância na assistência ainda carecem maior
atenção, e devem contemplar todas as prescrições dos pacientes internados na instituição,
porém estratégias ainda se fazem necessárias para sanar as inconformidades encontradas.

REFERÊNCIAS

1 HORTA, Wanda Aguiar. Processo de enfermagem. São Paulo (SP): EPU; 1979.
2 COFEN. Conselho Federal de Enfermagem. Lei Nº 7498 de 25 de junho de 1986: dispõe sobre a regulamentação
do exercício da enfermagem e dá outras providências. Rio de Janeiro (RJ): COFEn; 1987.
3 CASTILHO, NC; Ribeiro PC; Chirelli MQ. [The implementation of nursing assistance systematization in Brazilian
hospital health care services]. Texto & Contexto Enferm [Internet]. 2009 Apr-Jun [updated 2015 Mar 24; cited 2013
May 10];18(2):280-9. Available from: http://www. scielo.br/pdf/tce/v18n2/11.pdf Portuguese.
4 COREN. Conselho Regional de Enfermagem do Estado de São Paulo. Resolução nº 272/2002: dispõe sobre a
Sistematização da Assistência de Enfermagem- SAE nas Instituições de Saúde Brasileiras. 2002.
5 (North American Nursing Diagnosis Association. Diagnósticos de enfermagem da NANDA: definições e
classificação 2005-2006. Porto Alegre: Artmed; 2006.)
6 NASCIMENTO, Keyla Cristiane do et al . Sistematização da assistência de enfermagem: vislumbrando um
cuidado interativo, complementar e multiprofissional.Rev. esc. enferm. USP, São Paulo , v. 42, n. 4, p. 643-648,
Dec. 2008 . Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342008000400005&ln
g=en&nrm=iso>. access on 26 Oct. 2016. http://dx.doi.org/10.1590/S0080-62342008000400005.
7 PUGGINA, Ana Cláudia Giesbrecht; SILVA, Maria Júlia Paes da. Sinais vitais e expressão facial de pacientes em
estado de coma. Rev. bras. enferm., Brasília , v. 62, n. 3, p. 435-441, June 2009 . Available from <http://www.
scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-71672009000300016&lng=en&nrm=iso>. access on 11 Dec.
2016. http://dx.doi.org/10.1590/S0034-71672009000300016.
8 HARDING, KG; MORRIS, HL; PATEL, GK. Science, medicine and future: hea - ling chronic wounds. BMJ.
2002;324(7330):160-3
9 Center for Disease Control and Prevention, Department of Health and Human Services. Guideline for the
Prevention of Intravascular Catheter-Related Bloodstream Infections Final Issue Review. 2010 maio 17 [citado em
2011 fev 04]. Disponível em: <http://www.cdc.gov/hicpac/pdf/BSI_guideline_IssuesMay17final.pdf>
10 COREN. Parecer Coren/SC Nº 007/CT/2015. Disponível em: http://www.corensc.gov.br/wp-content/
uploads/2015/07/Parecer-007-2015-retirada-ou-tracionamento-dos-drenos-portovack-e-penrose-CT-Alta-e-
M%C3%A9dia-Complexidade.pdf

Foto: Projeto Sistematização da


Assistência de Enfermagem. Hospital
Santa Isabel. Blumenau/SC

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PREVALÊNCIA DA SÍNDROME DE BURNOUT


EM ENFERMEIROS DE UM HOSPITAL DE
GRANDE PORTE DO MÉDIO VALE DO ITAJAÍ
RESUMO

O termo inglês Burnout significa “queimar-se” ou “consumir-se”, sendo utilizado para


Carolina Elise Moreira Alberton* caracterizar uma série de sintomas predominantemente evidenciados em profissionais da área
de serviços ou cuidadores. A Síndrome de Burnout é tipificada por três expressões de sofrimento
*Graduada em Psicologia pela PUCPR
(2005), pós-graduada em Gestão psíquico: Exaustão Emocional, Despersonalização e reduzida Realização Profissional. O
Estratégica de Pessoas pela UNIFAE
(2007), especialista em Terapia Familiar
objetivo desta pesquisa foi avaliar a prevalência da Síndrome de Burnout entre enfermeiros
Sistêmica Breve pela VINCULOVIDA (2010) de um hospital geral de grande porte localizado no município de Blumenau, em Santa
e em Psicologia Hospitalar e da Saúde
(2014). Catarina. Através de pesquisa quantitativa com delineamento transversal, foram aplicados um
instrumento de caracterização sociodemográfica e o Maslach Burnout Inventory (MBI) em 143
colaboradores do serviço de enfermagem, correspondendo a 63,5% desta categoria profissional
na instituição analisada. A coleta de dados ocorreu no mês de agosto de 2016. Predominaram
entre os pesquisados, mulheres (90,2%), com idade entre 20 e 30 anos (52,4%), solteiros
(59,4%). Quanto aos níveis individuais de cada dimensão, em Exaustão Emocional, 47,6%
pontuaram baixo; em Despersonalização, 36,5% pontuaram baixo; por fim, em Realização
Profissional, 35,7% pontuaram médio. Foram verificados 8 participantes (6,1%) com alterações
nas três dimensões avaliadas, sugerindo o desenvolvimento da síndrome. As acometidas são
todas do sexo feminino, com idades variando de 20 a 36 anos, sendo que duas possuem mais
de um emprego. Verificou-se também que 4 dessas enfermeiras trabalham em setores abertos
e 4 em setores fechados. Esta pesquisa confirmou a presença da Síndrome de Burnout
nos profissionais de enfermagem na instituição pesquisada de maneira discreta, entretanto
revelando a necessidade de intervenções em relação às condições de trabalho dos enfermeiros.

Palavras-chave: Burnout. Enfermagem. Saúde Ocupacional.

INTRODUÇÃO

A preocupação com o estresse é de extrema relevância nos tempos atuais, o que


levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a considerá-lo uma epidemia global. O estresse
é experimentado diariamente podendo ser vivenciado de forma positiva, quando age como
impulsionador para a vida, ou negativa, e que torna o indivíduo apático, sem iniciativa para
conquistar objetivos tanto laborais como afetivos ou emocionais13.
Para fins de esclarecimento entre os termos, o estresse é considerado um fenômeno
fisiológico, ocorre a partir de reações do organismo às agressões de origens diversas capazes
de perturbar o equilíbrio interno do ser humano. Já o estresse ocupacional é caracterizado por
um conjunto de perturbações, de ordem psicológica, associada à incapacidade de lidar com
as fontes de estresse no ambiente do trabalho. Quanto à diferença existente entre o estresse
ocupacional e a Síndrome de Burnout, ela está relacionada ao fato de que a síndrome é um
dos desdobramentos mais importantes do estresse ocupacional e pode ser causada pelo
estresse prolongado e crônico cujas situações de enfrentamento utilizadas foram falhas ou
insuficientes14.
O Burnout é compreendido como um risco ocupacional para profissões que envolvem
cuidados com saúde, educação e serviços humanos, ou seja, afeta, especialmente,
profissionais da área de serviços ou cuidadores. Nesse sentido, podemos destacar o trabalho
dos profissionais da enfermagem6.
Enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem, por serem os profissionais que
mais tempo passam em contato com o paciente e seus familiares, constituem um grupo com
ampla predisposição ao surgimento da síndrome. As implicações para a área da saúde devido
a esse fato são evidentes, já que o absenteísmo, a rotatividade e a degradação da qualidade
dos serviços têm impacto negativo sobre a efetividade da atenção oferecida aos pacientes10.

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A vivência profissional no cuidar gera uma tensão emocional permanente, grande
responsabilidade a cada gesto e o exercício constante da empatia. O fato de lidarem
cotidianamente com a dor, com o sofrimento e com a morte de pacientes, pode afetar os
trabalhadores de instituições hospitalares, propiciando o surgimento da Síndrome de Burnout6.
Quando acometido pela síndrome, constata-se que esse profissional perde o sentido de sua
relação com o trabalho; as atividades laborais deixam de ser importantes; e qualquer esforço
lhe parece inútil, levando a um colapso, que advém após o emprego de toda sua energia
disponível15.

O termo Burnout foi pela primeira vez utilizado na década de 70 nos EUA pelo
psicólogo Herbert J. Freudenberger, e surgiu a partir da observação de que alguns
profissionais que lidam com pessoas, especialmente com cuidados, buscavam meios
para não se envolver e minimizar essa pressão da responsabilidade sobre o outro15.
A síndrome pode ser entendida como um processo de três dimensões: exaustão
emocional, despersonalização e baixa realização profissional. A primeira é a exaustão
emocional (EE), caracterizada pela falta ou carência de energia e um sentimento de
esgotamento emocional; é considerado o traço inicial, sendo que a manifestação pode ser
física, psíquica ou uma combinação das duas6. As principais fontes dessa exaustão são a
sobrecarga e o conflito pessoal no trabalho, sendo descrita como o núcleo da síndrome e a
sua manifestação mais evidente14,10.
A segunda dimensão é a despersonalização, caracterizada pela insensibilidade
emocional do profissional, e a dureza ao responder às pessoas receptoras de seu serviço,6
com prevalência de condutas cínicas e de dissimulação afetiva, é uma reação imediata
após a instalação da exaustão,1 sendo primeiramente auto protetora, mas à medida que a
despersonalização vai se desenvolvendo, as pessoas deixam de tentar fazer o melhor,
passando a fazer o mínimo necessário14.
Por fim, a terceira dimensão é a baixa realização profissional, que se refere a uma
diminuição do sentimento de competência em relação ao trabalho com pessoas6, ou seja, uma
auto-avaliação negativa associada à insatisfação e desânimo com o trabalho, com sentimento
de que este não vale a pena10.
Há evidências de que o processo avança de modo sequencial, em que a ocorrência
de um componente precipita o próximo: a exaustão emocional acontece primeiro e conduz
ao desenvolvimento de despersonalização. Atualmente, considera-se que a baixa realização
profissional se desenvolve separadamente10.
A despeito da situação apresentada, poucas foram as pesquisas realizadas no
Brasil que enfocam a presença da Síndrome de Burnout em profissionais de enfermagem,
associando-os com as características dessa enfermidade. Esta pesquisa teve como objetivo
determinar a prevalência da síndrome de Burnout nos enfermeiros em um hospital de grande
porte localizado na Região Sul do Brasil, localizado em Blumenau, Santa Catarina. Foram
feitas associações deste quadro com os dados socioculturais dos entrevistados, verificando-
se a distribuição da síndrome entre os diferentes serviços do hospital6,10.

MÉTODO

Estudo descritivo, com delineamento transversal, com enfoque na Síndrome de


Burnout e nos aspectos sociodemográficos em profissionais de enfermagem de um hospital
de grande porte do município de Blumenau, em Santa Catarina. A instituição é filantrópica
e credenciada ao Sistema Único de Saúde, possui 260 leitos, com uma média de 15000
internações por ano e conta com uma equipe de cerca de 800 colaboradores da enfermagem
e serviços gerais, além do corpo clínico e dos profissionais de serviços terceirizados, como
laboratório de análises clínicas. O hospital caracteriza-se pela liderança nos serviços de
alta complexidade em Santa Catarina, tais como: urgência/emergência, cirurgias de alta
complexidade em neurologia, cardiologia, cirurgia geral, vascular e transplantes7.
Para inclusão do sujeito no estudo foi adotado como critério todos os enfermeiros que
se encontrassem em atividade e que aceitassem participar da pesquisa voluntariamente. Os
critérios de exclusão contemplaram aqueles que estavam em férias, em licença-médica para
tratamento de saúde, em licença-maternidade ou afastados para capacitação profissional, e,

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ainda os que não se dispuseram a participar da pesquisa.
Para a coleta de dados, utilizou-se como instrumento de pesquisa um questionário
autoaplicável composto por duas partes, sendo a primeira um questionário com perguntas de
abordagem sociodemográfica. Já a segunda parte do instrumento continha a versão validada e
adaptada para a língua portuguesa do Maslach Burnout Inventory (MBI). O inventário é composto
por 22 itens que identifica as três dimensões sintomatológicas da síndrome de Burnout, sendo
que as questões de 1 a 9 identificam o nível de exaustão emocional, as questões de 10 a 17
estão relacionadas à realização profissional e as questões de 18 a 22 à despersonalização8.
Cada item está acompanhado por uma escala de resposta de 6 pontos (sendo “0” corresponde
a “nunca” e “6” a “todos os dias”) que mensura a frequência de sentimentos relacionados à
síndrome. Segundo o manual do MBI, a obtenção inicial do diagnóstico de Burnout se dá a
partir de um nível alto para exaustão emocional e despersonalização e um nível baixo para
realização profissional8.
Os funcionários foram previamente comunicados e abordados durante o turno de
trabalho para o preenchimento da pesquisa. Foi solicitado o consentimento livre e esclarecido
para todos os indivíduos participantes. A amostra deste estudo foi composta por 143
enfermeiros. A coleta de dados ocorreu no mês de agosto de 2016.
Os dados foram tabulados em planilha Excel®, utilizando-se funções estatísticas
e lógicas, que permitiram criar tabelas, para qualificar e quantificar características
sociodemográficas e ocupacionais e as três dimensões da síndrome. Posteriormente,
analisaram-se os resultados à luz da revisão de literatura, destacando-se aspectos ligados à
organização do trabalho hospitalar e a síndrome de Burnout.
O projeto de pesquisa foi elaborado de acordo com o que preconiza a Resolução nº.
196/96 do Conselho Nacional de Saúde e segundo as normas do Comitê de Ética e Pesquisa
(CEP) da entidade em que se coletaram os dados, pelo qual foi avaliado e aprovado.

ANÁLISE DE DADOS

Considerando que o total geral de enfermeiros são 225 (segundo dados obtidos
através do Departamento de Recursos Humanos do local de coleta) e que 143 colaboradores
concordaram em participar do estudo e se enquadravam nos critérios do estudo, obtivemos
63,5% de taxa de resposta.

Abaixo na Tabela 01, os resultados quanto às variáveis sociodemográficas para


reconhecimento da população estudada.

Tabela 01 – Características sociodemográficas dos trabalhadores entrevistados.

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Fonte: Pesquisa, 2016.

Ao analisar os dados expostos quanto ao gênero, percebemos que 129 (90,2%) dos
que responderam o questionário, são trabalhadores do sexo feminino e 14 (9,8%) do sexo
masculino. De acordo com os dados de 2010 do Conselho Federal de Enfermagem (COFEN),
a enfermagem no Brasil é uma profissão predominantemente feminina, sendo que as mulheres
representam 87,24% dos profissionais no país. Tal predominância é histórica pelo fato de que
o cuidado é social e culturalmente atribuído às mulheres, como o cuidado de doentes, velhos,
crianças e parturientes. É possível perceber que os dados da amostra se assemelham aos do
COFEN6.
Quando analisada a faixa etária da população estudada, a idade variou entre 20 a 60
anos, sendo que 75 (52,4%) dos profissionais analisados, encontravam-se entre 20 a 30 anos,
52 (36,4%) entre 31 e 40 anos, 10 (7%) dos profissionais com idade entre 41 e 50 anos e 6
(4,2%) entre 51 e 60 anos. Diversos estudos identificam uma pequena variação entre a média
de anos nos achados dessa pesquisa, comprovando que a enfermagem é, nas instituições
hospitalares, um ofício cuja maior parte dos profissionais é composta por jovens9.
Já com relação ao estado civil, 85 (59,4%) são solteiros, 42 (29,4%) são casados e
16 (11,2%) vivem em união estável. Não há consenso na literatura entre o fato da condição
conjugal interferir ou desencadear a Síndrome. Certos autores afirmam que a vida marital
contribui para o desenvolvimento da mesma, outros afirmam que esta condição apresenta
menor disposição aos sintomas e ainda há alguns que acreditam que esta condição não tem
nenhuma relação com a Síndrome6.
Em consideração ao número de faltas justificadas no mês, constatou-se que a maioria
(65%) não teve faltas, 30% não responderam e somente 5% teve de 1 a 5 faltas naquele
mês. O estresse no trabalho tem se convertido numa das principais causas de afastamento
em vários seguimentos laborais. Sendo assim, causas estressoras presente no ambiente de
trabalho podem prosseguir para índices de absenteísmo12.
Os profissionais que possuem mais de um vínculo empregatício são pouco mais de
um quarto da amostra (n=37). Pesquisas apontam que trabalhar em mais de uma instituição
torna a responsabilidade dos trabalhadores maior e muitos aspectos da vida acabam sendo
renunciados, tais como a convivência familiar e a participação social9.
Os estudos iniciais de Freudenberger, em 1974, já apontavam para a importância
de se dedicar a um hobby e a exigência de férias regulares como elementos que poderiam
absorver o impacto de agentes estressores². No presente estudo, quanto à data das últimas

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férias, 39,1% (56 funcionários) usufruíram do seu direito às férias no ano de 2015, porém 40%
dos participantes (57 colaboradores) não responderam essa questão. Quanto aos hobbies,
foram citados como principais: dormir (63%), estar próximo de amigos ou família (49%) e
viajar/passear (30,1%). Também se levantou que a maioria dos entrevistados (66,5%) não
pratica atividades físicas regulares.
As características apresentadas na Tabela 01, por si só não desencadeiam os sintomas
da Síndrome de Burnout, mas podem facilitar ou inibir a ação dos agentes estressores. Para
se determinar o estado de Burnout é preciso estabelecer os níveis em que se encontram os
pesquisados em relação às três dimensões, de forma que apresentem alto nível de Exaustão
Emocional e Despersonalização, e baixo nível de Realização Profissional6. A Tabela 02
apresenta os resultados encontrados levando em conta todas as dimensões distribuídas por
níveis do MBI.
Tabela 02 - Distribuição dos resultados das dimensões do Maslach
Burnout Inventory (MBI)

Fonte: Pesquisa, 2016.

Quanto aos níveis individuais de cada dimensão, em Exaustão Emocional, 47,6%


pontuaram baixo, 21,4%, médio, e 31% pontuaram alto; em Despersonalização, 36,5%
pontuaram baixo, 33,3%, médio, e 30,2% pontuaram alto; por fim, em Realização Profissional,
31,7% pontuaram baixo, 35,7% pontuaram médio e 32,6%, alto.
O elevado índice na dimensão Exaustão Emocional (31%), pode indicar a existência
de um processo da síndrome em curso, por se tratar do traço inicial do Burnout, o qual decorre,
principalmente, da sobrecarga e do conflito pessoal nas relações interpessoais15.
Esses enfermeiros vivenciam uma situação que pode ser classificada como “sinal
de alerta”. Também se destaca que a Exaustão Emocional é considerada um preditor da
Despersonalização que, por sua vez, é uma dimensão preditora da baixa Realização
Profissional15. Esse “sinal de alerta” é importante para que a organização possa tomar
conhecimento do que está ocorrendo e assim, tomar providências antes que a Síndrome de
Burnout se instale15.
Da população estudada, de acordo com os níveis estabelecidos pelo NEPASB (Núcleo
de Estudos Avançados sobre a Síndrome de Burnout)², 08 indivíduos (6,1%) apresentaram
sintomatologia para a Síndrome de Burnout. As acometidas são todas do sexo feminino, com
idades variando entre 20 e 36 anos e somente duas possuem mais de um emprego. Verificou-
se também que 4 dessas enfermeiras trabalham em setores abertos (Unidades de Internação)
e 4 em setores fechados (Unidade de Terapia Intensiva, Central de Material Esterilizado e
Centro Cirúrgico).
Assim como no estudo de Bianchi, em que houve a comparação dos resultados dos

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profissionais de unidades fechadas e abertas, a distribuição dos escores padronizados entre
as unidades foi praticamente homogênea³.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A partir da investigação realizada pode-se concluir que a síndrome de Burnout acontece


de forma discreta nos enfermeiros pesquisados. Porém, diante da presença da síndrome
nessa amostra, ressalta-se a necessidade de estudos voltados para melhor compreensão da
doença quanto ao seu significado, sintomatologia e tratamento além de estimular a atenção
dos profissionais para os fatores de risco aos quais estão expostos no ambiente de trabalho.
A limitação do estudo está relacionada ao delineamento transversal, que não
possibilitou o estabelecimento de relações causais.
Destaca-se que o tratamento da síndrome de Burnout consiste em acompanhamento
psicoterápico e farmacológico, associado a intervenções psicossociais. Entretanto faz-se
imperativa a adoção de medidas de prevenção e promoção da saúde ocupacional, como
a diversificação de rotinas de trabalho, a prevenção do excesso de horas extras e/ou a
sobrecarga de atividades, suporte social aos funcionários, melhores condições sociais e
físicas do ambiente de trabalho e investimento no aperfeiçoamento profissional e pessoal dos
trabalhadores.

REFERÊNCIAS
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intensive care unit: a qualitative study. Online Brazilian Journal of Nursing, [S.l.], v. 8, n. 1, 2009.
2 - BENEVIDES-PEREIRA, A. M. T. Burnout: quando o trabalho ameaça o bem-estar do trabalhador. Casa do
psicólogo, 2002.
3 - BIANCHI, E.R.F. Enfermeiro hospitalar e o stress. Rev.Esc.Enf.USP, v. 34, n.4, p. 390-4, dez. 2000. Disponível
em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342000000400011&lng=pt&nrm=iso>. Acessos
em 08 fev. 2017.
4 - CARLOTTO, M. S.; CÂMARA, S. G. Psychometrics properties of Maslach Burnout Inventory in a multifunctional
sample. Estudos de Psicologia (Campinas), v. 24, n. 3, p. 325-332, 2007.
5 - CODO, W.; VASQUES-MENEZES, I. O que é burnout. Educação: carinho e trabalho, v. 2, p. 237-254, 1999.
6 - FRANÇA, F. M. et al. Burnout e os aspectos laborais na equipe de enfermagem de dois hospitais de médio porte.
Revista Latino-Americana de Enfermagem, v. 20, n. 5, p. 961-970, 2012.
7 - HSI. Hospital Santa Isabel. Sobre o Hospital. 2016. Disponível em: < http://www.santaisabel.com.br/sobre-o-
hospital.>. Acesso em: 10 nov.2016.
8 - JODAS, D. A.; HADDAD, M. C. L. Síndrome de Burnout em trabalhadores de enfermagem de um pronto socorro
de hospital universitário. Acta paul enferm, v. 22, n. 2, p. 192-7, 2009.
9 - MENEGHINI, F; PAZ, A. A; LAUTERT, L. Fatores ocupacionais associados aos componentes da síndrome de
Burnout em trabalhadores de enfermagem. Texto contexto - enferm., Florianópolis, v. 20, n. 2, p. 225-233, Junho
2011 .
10 - MOREIRA, D. S. et al. Prevalência da síndrome de burnout em trabalhadores de enfermagem de um hospital
de grande porte da Região Sul do Brasil. Cadernos de Saúde Pública, v. 25, n. 7, p. 1559-1568, 2009.
11 - MUROFUSE, N. T.; ABRANCHES, S. S.; NAPOLEÃO, A. A. Reflexões sobre estresse e Burnout e a relação
com a enfermagem. Revista Latino-Americana de Enfermagem, v. 13, n. 2, p. 255-261, 2005.
12 - PRIMO, G. M. G.; PINHEIRO, T. M. M.; SAKURAI, E. Absenteísmo no trabalho em saúde: fatores relacionados.
Ver Med Minas Gerais. V. 31080, p. 294, 2007.
13 - SANTOS, FE, et al. Síndrome de burnout em enfermeiros atuantes em uma Unidade de Terapia Intensiva.
Einstein. 2009; 7(1): 58-6.
14 - SCHMIDT, D. R. C. et al. Qualidade de vida no trabalho e burnout em trabalhadores de enfermagem de
Unidade de Terapia Intensiva. Rev. bras. enferm., Brasília , v. 66, n. 1, p. 13-17, fev. 2013 .
15 - TAVARES, K. F. A. et al . Ocorrência da síndrome de Burnout em enfermeiros residentes. Acta paul. enferm.,
São Paulo , v. 27, n. 3, p. 260-265, jun. 2014.

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ATUAÇÃO DOS ENFERMEIROS FRENTE A
SEGURANÇA DO PACIENTE SUBMETIDO
A TROMBÓLISE EM ACIDENTE VASCULAR
ENCEFÁLICO ISQUÊMICO

RESUMO

O estudo tem como objetivo, analisar os cuidados prioritários dos enfermeiros na


Andrea Santiago de Sousa* segurança dos pacientes com acidente vascular encefálico submetidos a trombólise no
Yan Kuchiniski Videira** serviço de emergência, bem como conhecer suas dificuldades durante este processo. Trata-
Aderson Ribeiro*** se de um estudo qualitativo, exploratório e descritivo, realizado no serviço de emergência de
*Graduada em enfermagem. Especialista um hospital de alta complexidade, referência em neurologia para toda a região do médio vale
em Gestão em Saúde.
**Graduado em enfermagem. Especialista
do Itajaí em Santa Catarina. Participaram do estudo 20 enfermeiros, que responderam a um
em Urgência e Emergência. questionário semiestruturado com 3 perguntas, perguntando quais os cuidados prioritários
***Graduado em enfermagem.
durante a trombólise, após a trombólise e dificuldades e sugestões de melhorias no processo.
O resultado contribuiu para mostrar a realidade investigada, como os pontos positivos,
fragilidades e potenciais de desenvolvimento de ferramentas para melhorar a segurança
do paciente, tendo por consequência uma assistência de qualidade com maior eficiência ao
paciente submetido este tratamento.

Palavras–chave: Trombólise. Segurança do paciente. Qualidade.

INTRODUÇÃO

As doenças Cerebrovasculares inviabilizam grande parcela da população em âmbito


nacional, em 2015 foram 32.700 óbitos em âmbito hospitalar no pais, no estado de Santa
Catarina o número chega a 1.256 óbitos decorrentes desta patologia. Um percentual alarmante
e crescente, a faixa etária com maior risco de incidência de AVE (Acidente Vascular Encefálico)
está em constante aumento alcançando a expectativa de 30 por cento a mais de indivíduos
com idade superior a 40 anos numa projeção para dez anos conforme dados obtidos no site
do IBGE amostragem do estado de Santa Catarina, isso ocorre devido melhora na qualidade
de vida, alcance facilitado aos centros de saúde, tratamento medicamentoso e diagnóstico
mais específico1,2.
O AVE é designado de forma geral ao se referir a um déficit neurológico agudo ou
tardio, decorrente da descontinuidade de fornecimento do aporte sanguíneo para a massa
cerebral especifica ou multifocal, este acontecimento se dá em duas modalidades³.
É definida a AVE hemorrágica quando ocorre o rompimento súbito de um ou mais vasos
sanguíneos encefálicos, sobre o tecido circundante, com 13% de incidência, AVE isquêmico,
maior índice com cerca de 87% dos casos diagnosticados e relatados, ocorre devido a
oclusão súbita ou parcial diminuição da luz do vaso arterial que irriga uma região encefálica4.
É notório que ambos os pacientes acometidos com AVE o tratamento é de suma
importância, porém o AVE isquêmico agudo será enfatizado neste estudo, devido seu
tratamento ser tempo-dependente, isto significa que, o tratamento tem um tempo máximo
para ser realizado. O prognóstico imediato e tardio do paciente com este diagnóstico, está
diretamente relacionado com o tempo porta-agulha, (tempo de chegada do paciente ao
serviço de emergência com o desfecho do tratamento medicamentoso indicado). Os casos
selecionados que estiverem aptos e dentro das recomendações do Instituto Nacional de
Doenças Neurológicas e AVE dos Estados Unidos (NINDS), poderão ser submetidos ao uso
de Trombolítico Alteplase (ativador do plasminogênio tecidual recombinante, RT-PA)3,5.
Até meados dos anos 90, não se tinha a cultura de tratar o AVE pelas casas de

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saúde devido à alta mortalidade e a complexidade intervencionista na faze aguda, a partir
desta década os estudos desencadearam uma nova visão sobre esta enfermidade e seus
tratamentos, sendo adotado a prática de considerar o Acidente Vascular Encefálico como
uma emergência médica, oportunizando para o paciente direito ao tratamento mais adequado,
estimulando os serviços de saúde implantar centros de terapia ao AVE, aos hospitais
adequarem seus serviços de Emergências, aperfeiçoando e atualizando os conhecimentos da
equipe multiprofissional.
Ao estopim destas mudanças pode ser referenciado o tratamento com a aprovação
do uso de Alteplase ou RT-PA para tratamento de AVE isquêmico agudo pelo Food and Drugs
Administration (FDA) em julho de 1996 nos Estados Unidos. A RT-PA tem melhor eficácia
garantida e constatada se administrada em até 4 horas e 30 minutos após o início dos sintomas6.
Visto a complexidade da enfermidade e que a enfermagem esta interligada diretamente
com a reabilitação do paciente, desde o momento em que este dá entrada nos serviços de
emergência pelos serviços de atendimento pré hospitalar, meios próprios ou acolhimento
por demanda, o enfermeiro atuando na Classificação de Risco (nas instituições que utilizam
protocolos), realizando a identificação precoce, articulando na investigação, diagnóstico e
tratamento definitivo deste cliente, gerando bons resultados na reabilitação do paciente.
Este estudo fez-se necessário para analisar e orientar o profissional enfermeiro quanto
a atuação da equipe de enfermagem frente a segurança do paciente com AVE isquêmico
agudo, submetido ao tratamento Trombolítico com Alteplase/RT-PA no Serviço de Emergência,
com isto este estudo tem como objetivo analisar e demonstrar os cuidados prioritários dos
enfermeiros na segurança do paciente submetido a trombólise, bem como conhecer suas
dificuldades durante este processo.

MÉTODO

Trata-se de uma pesquisa qualitativa, exploratória e descritiva, que visa demonstrar


os cuidados prioritários dos enfermeiros na segurança do paciente submetido à trombólise
por RT-PA, bem como conhecer suas dificuldades durante esse processo e sugestões de
melhoria.
O método qualitativo é o que se aplica ao estudo da história, das relações, das
representações, das crenças, das percepções e das opiniões, produtos das interpretações que
os humanos fazem a respeito de como vivem constroem seus artefatos e a si mesmos, sentem
e pensam. As abordagens qualitativas se conformam melhor a investigações de grupos e
segmentos delimitados e focalizados, de histórias sociais sob a ótica dos atores, de relações
e para análises de discursos e documentos. Caracteriza-se pela empiria e pela sistematização
progressiva de conhecimento até a compreensão da lógica interna do grupo ou do processo
em estudo. Por isso, é também utilizado para a elaboração de novas hipóteses, construção de
indicadores qualitativos, variáveis e tipologias7.
A pesquisa foi realizada no Serviço de Emergência dos dias 05/12/16 à 09/12/16, de
um hospital de alta complexidade, referência em atendimentos de alta complexidade, situado
em Blumenau-Santa Catarina.
A população foi composta por Enfermeiros que atuam no Serviço de Emergência. Os
sujeitos deste estudo foi constituído por 20 enfermeiros, a coleta de dados foi desenvolvida a
partir da aplicação de um questionário semiestruturado, e foi realizada no momento de maior
conveniência para os enfermeiros.
Foi motivo de exclusão os enfermeiros que se encontravam de férias, afastados
por motivos de saúde e os enfermeiros pesquisadores. O questionário era composto por 3
perguntas com a resposta em aberto, de forma descritiva a ser preenchida. Para facilitar a
análise dos dados foi dividido em pergunta 1, pergunta 2 e pergunta 3.
O roteiro da entrevista foi composto por dados de identificação, tempo que exercia
a atividade no setor, formação e qualificação, bem como questões referentes ao objeto de
estudo sendo elas três questões: Quais os cuidados que você considera importante para a
segurança do paciente durante a trombólise com RTPA no paciente vítima de AVEi; Quais
os cuidados de Enfermagem você considera fundamental ao paciente após o mesmo ser
submetido a trombólise com RTPA; Quais as dificuldades ou sugestões que você indicaria

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para melhorar a efetividade do procedimento e a segurança do paciente durante a terapia
com RTPA, no paciente vitima de AVEi, em tempo de janela no Serviço de Emergência em
que você atua.
Os dados foram analisados seguindo a análise de conteúdo de Minayo8, visando
verificar hipóteses e ou descobrir o que está por trás de cada conteúdo manifesto. Efetuou-
se a transcrição de todas as entrevistas na íntegra, seguida de leitura criteriosa, constituindo
o corpus do trabalho. Em seguida, delineou-se os resultados das principais perguntas,
possibilitando a exploração do material obtido que forneceram subsídios para análise desse
estudo, e que vão de encontro ao objetivo proposto.
Os resultados foram estratificados, tabulados, analisados e quantificados através de
gráficos.

ANÁLISE DE DADOS

A unidade aonde foi realizada a pesquisa é um serviço de emergência nível II,


onde atende toda região da AMMVI (Associação dos Municípios do Médio Vale do Itajaí)
para as referências de Neurologia, Neurocirurgia e Cardiologia. O serviço de emergência
tem a estrutura física para Atendimentos de Alta complexidade, e esse serviço é composto
por uma sala de emergência com 4 Leitos completos com todo arsenal de equipamentos
para atendimento de pacientes críticos, uma sala de observação com 8 e outra com 4 leitos
equipados com monitores multiparâmetros para monitorizar pacientes que aguardam vaga de
UTI ou necessitem de monitorização contínua. A equipe de profissionais é composta por 25
enfermeiros assistenciais, 30 técnicos de enfermagem, um médico cardiologista, dois clínicos
geral, e sobre aviso 24hs de diversas especialidades, inclusive neurologia e neurocirurgia.
Os pacientes que são admitidos no serviço de emergência com suspeita de acidente
vascular encefálico isquêmico (AVEi) em tempo de janela para trombólise, são inicialmente
avaliados pelo médico plantonista clinico geral na sala de emergência, e conduzido para
a tomografia, com o resultado da tomografia, o médico entra em contato com a equipe da
neurologia que está de sobreaviso, enquanto isso a equipe de enfermagem da início aos
primeiros cuidados intensivos ao paciente vitima de AVEi, conforme protocolo Clínico
institucional. Estudos realizado no hospital São Jose de Joinville, mostra que cerca de 25%
dos pacientes que chegam no serviço de emergência com início do déficit com menos de 3,5
horas9. Em contrapartida, tendo como parâmetro os pacientes que dão entrada no serviço de
emergência em um hospital referência em neurologia na Bélgica, mostra que dos pacientes
que chegam no serviço de emergência com suspeita de AVEi, 11,1% dos pacientes são
submetidos a trombólise10. Tendo a população em geral como parâmetro, nos Estados Unidos,
um estudo aponta que apenas 2% da população americana com AVEi consegue ser submetido
ao uso de alteplase11. No serviço de emergência aonde o estudo foi desenvolvido, apesar de
não ter indicadores quantificados sobre este dado, é um procedimento que acontece com
frequência, fazendo parte da rotina da equipe do serviço de emergência.
Com o objetivo de avaliar os cuidados prioritários dos enfermeiros na segurança
do paciente submetido a trombólise, bem como conhecer suas maiores dificuldades e ouvir
sugestões sobre o processo de trombólise destes pacientes, caracterizado por ser um
procedimento que exige conhecimento, agilidade na determinação de prioridades no manejo do
paciente, bem como uma série de cuidados específicos por parte do enfermeiro responsável.
Foi levantado os 5 principais cuidados que mais apareceram em cada uma das
perguntas, a fim de observar quais as ações que os enfermeiros priorizam na sua prática
durante a realização de trombolíticos no paciente com AVEi.

Resultados da pergunta número 1:


A figura 01 traz como ponto de destaque na avaliação dos dados foi que 100% dos
enfermeiros colocaram a monitorização constante da pressão arterial como cuidado principal
durante a administração de rtPA durante a trombólise, justificando por ser um dos principais
fatores excludentes de reperfusão que pode ser revertido, além do risco de sangramento caso
o paciente desenvolva um pico hipertensivo durante a terapia de reperfusão12.
Como cuidado destaque durante a trombólise apareceu em 80% dos enfermeiros a

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monitorização cardíaca.
Seguindo como terceiro cuidado mais citado na avaliação dos resultados, foi citado por
35% dos enfermeiros o acompanhamento do médico e do enfermeiro durante todo o tempo de
trombólise, tanto para manejo de eventuais instabilidades e eventualidades com equipamentos
e medicação, quanto para realizar o acompanhamento neurológico adequado durante a
terapia, tento em vista que o tempo de terapia com RTPA é pequeno (60minutos) e que cada
minutos de terapia de reperfusão efetiva é fundamental para um bom prognóstico do paciente.
Na sequência aparece cuidados com acesso venoso de grande calibre e pérvio,
justificado tanto pela necessidade de contraste caso necessário angiotomografia para o
diagnóstico, como pela garantia de infusão adequada de RT-PA.
Outro ponto levantado pelos enfermeiros foi referente aos cuidados relacionados ao
preparo e administração do RT-PA, como realizar a dupla checagem antes de iniciar, conferir
bombas de infusão e quantidade necessárias de frascos ampolas a serem utilizados durante
a administração, e o controle correto da infusão durante a terapia.
Monitorização da pressão arterial
Monitorização cardíaca
Acompanhamento contínuo do médico e do enfermeiro durante o
procedimento
Acesso venoso calibroso
100%
Cuidados com a administração do rtPA
80%

35%
30% 30%

Figura 01 – Cuidados de Enfermagem durante a administração de rtPA.


Fonte: Pesquisa, 2016.

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Resultados da pergunta 2:
Na avaliação da pergunta 2, vem com os dados representados na figura 02, e
tráz como item que mais apareceu como cuidados de enfermagem ao paciente após ser
submetido a trombólise foi de manter o paciente em monitorização contínua, citado por 90%
dos enfermeiros, pela necessidade de os pacientes necessitarem de observação e cuidados
intensivos nas próximas horas. Em seguida, apareceu em 70% dos enfermeiros o cuidado
de não realizar procedimentos invasivos, como sondagens, punções arteriais, bem como
quaisquer procedimentos que coloquem o paciente em risco de sangramentos, uma vez que
a RTPA como ativador do plasminogênio ativado recombinado tem como mecanismo de ação
alterar a cascata de coagulação, tranformando o plasminogênio em plasmina, destruindo as
fibrinas dos coágulos. Como consequência ocorrerá uma diminuição do fibrinogênio circulante,
normalizando em 80% após 24h. Com isso, acontece um aumento no risco de sangramentos,
tanto de sangramentos espontâneos, como no caso de hemorragias intracranianas (5% dos
casos), tanto como em sangramentos provocados por trauma de procedimentos13.

Monitorização multiparâmetros contínua
Não realizar procedimentos invasivos
Avaliação neurológica contínua (nível de consciência)
Observar sinais de sangramento
Manter o paciente em repouso absoluto nas próximas 24 h
90%

70%

60%

30%
25%

Figura 02 – Cuidados de Enfermagem após o paciente ser submetido ao


uso de rtPA
Fonte: Pesquisa, 2016.

Outro cuidado que vem citado por 60% dos enfermeiros é a avaliação neurológica
contínua deste paciente, a fim de observar a evolução, tanto da escala NIHSS, glasgow, e
demais ferramentas para avaliação da evolução neurológica a fim de mostrar a efetividade
da terapia com RT-PA. 35% dos enfermeiros colocaram específico como cuidados nesta fase
atentar para sinais de sangramento, devido ação do RT-PA conforme citado anteriormente.
Ainda em destaque, 25% dos enfermeiros trouxeram como cuidado após o paciente ser
submetido ação do RT-PA, manter o paciente em repouso absoluto nas próximas 24h,
evitando lesões e quedas que possam desencadear possíveis hematomas, e lesões por conta
do aumento do risco de sangramento, e a fim de reestabelecer a recuperação neurológica
completa14.

Resultados da Pergunta 3:
Como resultado das dificuldades e sugestões para melhoria do processo de assistência
a pacientes submetidos a trombólise, pode-se observar na figura 03 que mais de 50% dos
enfermeiros colocaram como sugestão de melhoria aumentar o número de treinamentos com
a equipe, para que todos saibam como agir, quais as prioridades a ser realizadas nestes
pacientes, permitindo com que a equipe toda fale a mesma língua no que se trata de assistir
os pacientes submetidos a trombólise. Ainda na mesma linha de pensamento de melhoria
40% dos enfermeiros trouxeram a sugestão de criação de um protocolo de trombólise da
instituição, a fim de guiar tanto a parte médica quanto a enfermagem nos procedimentos.
Outros enfermeiros trouxeram a sugestão da criação de um check-list para ser deixado
na sala de emergência no momento da chegada destes pacientes, para realizar a conferencia
e passo a passo dos procedimentos e passos a ser seguido, baseando o trabalho da equipe
que estará assistindo a este paciente durante o procedimento.

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Alguns enfermeiros ainda trouxeram como dificuldade a demora de resultado de
exames laboratoriais, quando o médico precisa de exames como TAP e KPTT para realizar
determinar a infusão do trombolítico, muitas vezes existe uma demora por parte do serviço de
laboratório e do setor de imagem dependendo do horário, muitas vezes atrasando o processo
de trombólise. Houve enfermeiros que trouxeram ainda como sugestão a criação de um sinal
de alerta no sistema de informação dos pacientes que foram submetidos a trombólise, a fim de
reforçar os cuidados específicos que a equipe de enfermagem deve ter com estes pacientes.

Maior número de treinamentos com a equipe


Criação de protocolo de trabalho
Criação de check list durante trombólise
Maior agilidade nos exames laboratoriais

55%

40%

25%
20%

Figura 03 – Sugestões de melhorias do processo.


Fonte: Pesquisa, 2016.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os resultados encontrados na pesquisa, aponta como aspecto positivo a coesão por


parte da equipe de enfermagem no momento de estabelecer prioridades no atendimento ao
paciente em tempo de trombólise para AVEi, pois a maior parte da equipe elencou os mesmos
cuidados, e dentre estes cuidados, todos visando além do maior ganho de tempo e efetividade
do procedimento, também a segurança do paciente.
Em contrapartida, a pergunta final nos mostra a grande necessidade de trabalhos a
ser desenvolvidos no serviço de emergência no que tange a assistência do paciente submetido
a trombólise. Mostra que os enfermeiros assistenciais por terem a vivência rotineira com o
procedimento, conhecem as fragilidades e, portanto, conseguem nos trazer muitas sugestões
de melhorias, potencializando a qualidade do processo.
A importância deste estudo, nos permite agregar os conhecimentos dos enfermeiros
e a experiência dos mesmos a fim de construirmos novos estudos, planos de treinamentos e
ações que nos permitam melhorar não somente a segurança do paciente que é submetido à
trombólise, mas também melhorar toda a qualidade do processo por consequência.

REFERÊNCIAS
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php?area=359A1B375C2D0E0F359G19HIJd2L2412M0N&VInclude=../site/infsaude.php. Acesso: 31/04/2006. http://
tabnet.datasus.gov.br/cgi/tabcgi.exe?sih/cnv/nruf.def. Acessado em 14/02/2017.
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Contagem Populacional. Disponivel em: <http://www.ibge.gov.br/apps/populacao/projecao>. Acesso em 15/02/2017.
3. American Heart Association. Suporte Avançado de Vida Cardiovascular – Manual para Profissionais de Saúde.
Impresso no Brasil: Artes Gráficas e Editora Sesil LTDA- Gráfica Bandeirantes, 2014.
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5. Mendes NT, Oliveira VL, Gonçalves VCS, ET AL. Manual de Enfermagem em Emergências. 1ª ed. São Paulo:
Atheneu Editora, 2014.
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7. MINAYO, Maria Cecília de Souza. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. 8. ed. São Paulo:
Hucitec, 2004. 269 p.
8. MINAYO, Maria Cecília de Souza. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. 8. ed. São Paulo:

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Artigo
Hucitec, 2004. Pg 74.
9. LONGO,A.L.; MORO,C.H.C.; CABRAL,N.L. Trombólise endovenosa com Alteplase em AVC Isquêmico
(Experiência em 27 casos) Revista Neurociências, V12 N3, JUL/SET 2004.
10. LALOUX P., et AL. Obstacles to the use of intravenous tissue plasminogen activator for acute ischemic stroke. Is
time the only barrier ?. Acta Neurolica Belgica.Vol.107Fev2007.<http://www.actaneurologica.be/acta/download/2007-
4/02-laloux%20et%20al.pdf> acessado 30.dez.2016.
11. BIRBECK G.L., et al. Intravenous Tissue Plasminogen Activator for Acute Stroke in Califórnia: Recipients and
Resources. Cerebrovasc Dis V17 Pg 341-343, Dez 2004;
12. FRIEDRICH M.A.G.; KLANT C.L.; OLIVEIRA.F.P. Aplicabilidade e segurança do nitroprussiato de sódio para
controle da pressão arterial durante trombólise no tratamento do acidente vascular cerebral isquêmico agudo,
Scientia Medica, Porto Alegre, v. 18, n. 3, p. 119-123, set 2008. < www.scielo.br/pdf/rbti/v20n3/v20n3a14.pdf>
acessado em 28.dez.2016.
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of Health and Human Services; Label for Activase, supplement 5203. Fev 2015. < http://www.accessdata.fda.gov/
drugsatfda_docs/label/2015/103172s5203lbl.pdf> acessado em 28.dez.2016.
14. Sociedade Brasileira de Doenças Cerebrovasculares. Primeiro consenso brasileiro para trombólise no acidente
vascular cerebral isquêmico agudo. Arq. Neuro-Psiquiatria. vol.60. 3ª: 675-80. São Paulo. Sept [periódico na
internet].2002 [acesso em 20 Novembro 2016]. Disponível em:< http://www.scielo.br/pdf/anp/v60n3A/11149.pdf>.

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A IMPORTÂNCIA DA GESTÃO DE RISCO NA


SEGURANÇA DO PACIENTE
RESUMO

As organizações de saúde do Brasil estão há mais de três décadas na busca pela


qualidade nos serviços, graças à elevação dos custos assistenciais, avanços tecnológicos e
mudança no perfil dos usuários dos serviços de saúde, que assumiram postura ativa exigindo
excelência, tanto dos profissionais como das estruturas organizacionais, e expectativas de Maura Fortes Braibante Kader *
tratamentos com menor risco4. O objetivo desta revisão bibliográfica é identificar as pesquisas
publicadas na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) sobre a importância da gestão de risco *Graduada em Enfermagem e Obstetrícia.
Mestre em Enfermagem pelo Programa
na segurança do paciente e, contribuir com o melhor nível de evidência para a tomada de de Pós Graduação em Enfermagem
da Universidade Federal de Santa
decisão na assistência de enfermagem. Os estudos desta revisão são categóricos em afirmar Catarina (UFSC). Especialista em
a falta de evidencias confiáveis para responder na plenitude os objetivos das pesquisas, Educação Profissional na Área de Saúde:
Enfermagem; pela Escola Nacional de
apesar do volume significativo de pesquisas publicadas, percebe-se ainda a fragilidade Saúde Pública Sergio Arouca, Fundação
Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro-RJ.
na comunicação dos protocolos justificando a implantação do Gerenciamento de Riscos. Especialista em Cuidados Pré-Natal
pela Universidade Federal de São Paulo
(UNIFESP) e Universidade Aberta do Brasil
Palavras-chave: Segurança do paciente. Garantia da Qualidade dos cuidados de saúde. (UAB). Enfermeira no Hospital Santa Isabel.

Gestão de riscos.

INTRODUÇÃO

As organizações de saúde do Brasil estão há mais de três décadas na busca pela


qualidade nos serviços, graças à elevação dos custos assistenciais, avanços tecnológicos e
mudança no perfil dos usuários dos serviços de saúde, que assumiram postura ativa exigindo
excelência, tanto dos profissionais como das estruturas organizacionais, e expectativas de
tratamentos com menor risco4; para garantir que esses processos estejam sendo melhorados,
destaca-se a aplicação de ferramentas de gestão da qualidade como o mapeamento
de processos, que tem como objetivo voltar à organização para uma visão processual da
sua atividade fim, conhecendo e desenhando todas as atividades dentro de um processo
produtivo, a fim de determinar atividades que não agregam valor, etapas críticas e atividades
chaves8. O conhecimento desses fatores, possibilitam melhores oportunidades para alcançar
os resultados esperados pela alta direção e a satisfação do cliente. O desenvolvimento de
estratégias de gerenciamento de riscos perpassam pelas técnicas aplicadas para identificar
os fatores de risco e medir a vulnerabilidade aos perigos potenciais10.
O risco é o efeito da incerteza sobre os objetivos da organização1, abrange eventos
positivos, com o potencial de agregar valor, e negativos, com a capacidade de destruir valor.
Os controles internos, por sua vez, são os instrumentos do processo de gestão de riscos
da organização e atuam na mitigação dos eventos indesejáveis6. Os objetivos de um bom
gerenciamento de riscos, são de melhorar a gestão de incidentes; melhorar a identificação
das oportunidades de melhorias e das ameaças; tomada de decisão e planejamento seguros;
pró-atividade da gestão e melhorar a conformidade com a legislação pertinente. Os erros
acontecem por falhas não percebidas, envolvendo múltiplos fatores7. Gerenciamento de Riscos
visa a aplicação de um conjunto de medidas para prever, identificar e minimizar a ocorrência
de eventos inesperados e indesejáveis, que podem causar dano físico ou psicológico aos
pacientes. O processo de gestão de riscos pode aplicar-se a qualquer situação que possa
gerar consequência ou um resultado não mapeado ou não esperado; e é parte integrante de
toda boa gestão19. A segurança do paciente é uma questão prioritária para a Organização
Mundial de Saúde (OMS), que em outubro de 2004 lançou a Aliança Mundial para a Segurança
do Paciente, com o objetivo de despertar a consciência para a melhoria da segurança na
assistência em saúde5. Seguindo essa tendência, o Ministério da Saúde e a Agência Nacional
de Vigilância Sanitária (ANVISA) criaram o Programa Nacional de Segurança do Paciente
(PNSP) em abril de 2013, que visa promover ações para a segurança do paciente nos serviços
de saúde do país13, 20. Os riscos podem ser classificados como clínicos e não clínicos. Como
risco clínico podemos entender todo risco associado à ação direta ou indireta dos profissionais
da área da saúde, resultante da ausência/deficiência de políticas e ações organizadas na

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prestação de cuidados de saúde. Como riscos não clínicos podemos apresentar aqueles
relacionados à segurança das instalações ou atendimento aos processos de prestação de
cuidados aos pacientes12.
O objetivo desta revisão bibliográfica é identificar as pesquisas publicadas na Biblioteca
Virtual em Saúde (BVS) sobre a importância da gestão de risco na segurança do paciente
e, contribuir com o melhor nível de evidência para a tomada de decisão na assistência de
enfermagem.

MÉTODO

Foram adotados os seguintes critérios para a inclusão dos estudos: somente Revisões
Sistemáticas, publicadas no período entre 2006 a 2016, com tema principal “Garantia da
Qualidade dos cuidados de saúde”, “Segurança do Paciente” e/ou “Gestão de Riscos”, texto
completo disponível na plataforma BVS.

ANÁLISE DE DADOS

Para o descritor “Quality assurance of health care” (Garantia da Qualidade dos


cuidados de saúde) foram identificados 8 estudos de revisão, destes, foram incluídas 2
revisões sistemáticas com os seguintes filtros: temas principais Garantia da Qualidade dos
Cuidados de Saúde, Melhoria de qualidade e prática profissional; as demais revisões não
atendiam o objetivo desta revisão.
Para o descritor “Patient Safety” (Segurança do Paciente) foram identificados 105.299
publicações, porém foram incluídos 4 estudos de revisão sistemática, com os seguintes filtros:
temas principais Gestão da Segurança; Gestão de Riscos e Segurança do Paciente; os demais
estudos não atendiam os critérios de inclusão desta revisão.
Para o descritor “Risk Management” (Gestão de Risco) foram identificados 373.072
publicações, destas 2.296 eram Revisões Sistemáticas, com assunto principal Gestão de
Risco foram 8.998, Gestão da Segurança 2731, dentre outros temas, porém foram incluídos 3
estudos de Revisão Sistemática, quando aplicado os seguintes filtros: temas principais Gestão
da Segurança; Gestão de Riscos e Segurança do Paciente; os demais estudos não atendiam
os critérios de inclusão desta revisão ou já haviam sido incluídos nas buscas anteriores.
A busca realizada para esta revisão de literatura incluiu 9 Revisões Sistemáticas como
segue no quadro 01 abaixo:
Quadro 01 - Revisão de literatura

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Risk
Management

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Fonte: Elaborado pela pesquisadora, 2017.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os estudos desta revisão são categóricos em afirmar a falta de evidências
confiáveis para responder na plenitude os objetivos das pesquisas, apesar do volume
significativo de pesquisas publicadas, percebe-se ainda a fragilidade na comunicação
dos protocolos justificando a implantação do Gerenciamento de Riscos, sendo que os

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principais incidentes que geram riscos estão relacionados a informação e conhecimento,
processos estratégicos e protocolos, documentação, procedimentos associados a riscos de
infecção, uso de medicamentos, uso de hemocomponentes, quedas, assistência nutricional,
equipamentos de suporte à vida, suporte de gases medicinais, infra-estrutura, modelo de
gestão e laboratório8. A realização desta revisão reforça a importância da implantação de
um programa de gerenciamento do risco que prevê a aplicação de um processo lógico e
sistemático de identificação, quantificação, análise do impacto do evento na assistência,
tratamento com implementação de medidas seguras e a comunicação eficaz dos riscos de
maneira a possibilitar que as organizações diminuam a ocorrência de efeitos indesejáveis19
e possam cumprir na plenitude a legislação que prioriza a segurança do paciente.

REFERÊNCIAS
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diretrizes, 2009. Disponível em: <http://www.abntcatalogo.com.br/norma.aspx?ID=57311>. Acesso em: 25 de junho
de 2014.
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colorectal cancer surgery. Cochrane Database of Systematic Reviews 2012, Issue 3. Art. No.: CD005391. DOI:
10.1002/14651858.CD005391.pub3.
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Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Escola de Administração. Curso de Administração. 2010.
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do Paciente (PNSP) [Internet]. Brasília; 2013 [citado 2014 jun. 9]. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/
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Opinião

“CIÊNCIA E CARINHO DEDICADOS À VIDA”

O nosso Hospital Santa Isabel se destaca pela qualidade de sua equipe multiprofissional.
O comprometimento em bem atender sempre foi um compromisso importante da equipe
multiprofissional do Hospital Santa Isabel. Ao longo dos anos de existência do nosso querido
Santa Isabel a “ciência e carinho dedicados à vida” se materializa e se perpetua. Isso somente
acontece porque o Santa Isabel tem como foco principal o paciente. A Vida humana. Nossos
valores, como o carisma e espiritualidade, a humanização e a solidariedade são cotidianamente
aplicados no atendimento de nossos pacientes. Toda a tecnologia, todo o conhecimento,
toda a estrutura de que dispomos é disponibilizada aos nossos pacientes para minimizar seu
sofrimento. A cada paciente que ajudamos a se recuperar escrevemos mais um gesto de
carinho nas páginas do nosso querido Santa Isabel. Ao multiplicar gestos em favor da vida
justificamos os 107 anos de existência de nossa instituição. O cuidado centrado no paciente
é um importante avanço na realização do atendimento multiprofissional com qualidade. Essa
atenção redobrada é um alerta da Organização Mundial da Saúde e também do Ministério da
Saúde com destaque para seis aspectos básicos principais: Identificação do paciente, cirurgia
segura, prevenção de úlcera por pressão, prática de higiene das mãos em serviços de saúde,
segurança na prescrição, uso e administração de medicamentos e prevenção de quedas.
Essa atenção centrada na pessoa também é recomendada na literatura: “Cada pessoa é
única, portanto deve receber um atendimento individualizado, quer ele focalize a nutrição, a
medicação, quer seja feito de exercícios ou de meditação (Maria Julia Paes da Silva, pag.79;
2.000)”. Por tanto a compreensão do cuidado centrado na pessoa envolve além das questões
de segurança física e da integridade da vida, aspectos relacionados à dignidade e intelecto do
paciente.
O grande desafio dos gestores empresarias é a busca da longevidade das empresas,
sua manutenção ao longo do tempo. Para isso precisam definir com clareza quais são os
seus principais objetivos, a sua essência. A do Hospital Santa Isabel é salvar vidas é cuidar
dos nossos pacientes com qualidade. Até mesmo o objetivo relacionado à sustentabilidade de
nossa instituição gira em torno da criação de condições adequadas para o atendimento dos
pacientes que nos procuram para cuidar de suas enfermidades. Pensando assim entendesse
que tudo o que se planeja em nossa instituição tem como objetivo principal a qualidade no
atendimento de nossos pacientes. Sabemos que muito são os desafios, porém as conquistas
já realizadas nos motivam.
Por fim quero destacar e parabenizar a nossa equipe multidisciplinar pelo resultados
alcançados na implantação do projeto salus vitae. A coragem e a pré-disposição de toda a
equipe diante das mudanças propostas pelo projeto foram determinantes para a melhora dos
indicadores de qualidade. Estejam firmes na manutenção e condução deste importante projeto
o qual é de suma importância para a consolidação dos nossos objetivos de bem atender. Muito
obrigado.

Silva, Maria Julia Paes de; O amor é o caminho: maneiras de cuidar; São Paulo Editora:
Gente, 2000.

Dirceu Rodrigues Dias


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Hospital Santa Isabel
Diretor Executivo
Blumenau/SC

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Homenagem
UMA HISTÓRIA DE COMPROMETIMENTO E
EVOLUÇÃO

Juciane Rosa Gaio
Fratini nasceu no
dia 19 de outubro
de 1968, na cidade
Concórdia – Estado
de Santa Catarina
– filha do casal
Foto: Juciane.
Evaristo Gaio e Ires
Fonte: Acervo pessoal. Maria Volpini Gaio.
Desta união foram
gerados nove filhos, sete do sexo feminino e
dois do sexo masculino.
Em 1988 iniciou as suas atividades
na área de enfermagem no Hospital São Foto: Pais da Juciane, Senhor Evaristo Gaio e Senhora,
Francisco – Concórdia/SC. Teve como Ires Maria Volpini Gaio-2015, Fonte: Acervo pessoal.
referência a sua tia, Irmã Alice, que
trabalhava no Hospital
na época, começou
como atendente
de enfermagem e
passou pelos setores
de Emergência, UTI
Geral e Neo pediátrica,
e Centro Cirúrgico.
Em sua formatura do
ensino médio conheceu
Foto: Irmã Alice – 2016 seu marido Idécio.
Fonte: Site www.brafil6. Buscando conquistar
com.br/servidor/hospital- seus objetivos no ano
saofrancisco/conteudo/ de 1990, ingressou no
responsabilidade.asp
curso de graduação
de Enfermagem na
Universidade do Contestado de Concórdia, Foto: Juciane e Lourdes, Formatura Graduação de
Enfermagem -UnC-1994, Fonte: Acervo Pessoal.
conhecendo aquela que seria sua grande
amiga de vida Lourdes Maria Klein. Foi um
cardápio foi uma galinhada.
período de grandes
Após a formatura no ano de 1994,
desafios, e batalhas a
ela deixou sua cidade para o seu primeiro
serem vencidas, pois
emprego como enfermeira no Hospital Nossa
para conseguir pagar
Senhora das Graças na cidade Marmeleiro,
a faculdade precisava
Estado do Paraná. Nesta fase da vida
conciliar o trabalho e
Juciane não estava sozinha pois seu marido
o estudo. Sendo que
a acompanhou para o novo Estado. Mais uma
a faculdade era de
vez encontrou grandes desafios, pois assumiu
tempo integral. Neste
como primeira Enfermeira da Instituição,
período de 3 anos e
sendo necessário lidar com divergências
Foto: Idécio Frattini – meio, houveram muitos
1999, Fonte: Acervo e desafios, contando com poucos recursos
momentos difíceis,
Pessoal tanto financeiro como humano, mas sempre
mas também muitos
encarando as dificuldades com muita ética,
momentos de descontração, como o dia em
justiça, profissionalismo e oportunidade
que não houve aula e todos da turma se

reuniram para um jantar, onde a cozinheira
era uma das colegas a Irmã Diva, neste dia o

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Homenagem
Em 1995 por indicação da sua amiga
Lourdes, a Irmã Analuzia na época Diretora
de Enfermagem do Hospital Santa Isabel
– Blumenau/SC, convidou Juciane para
trabalhar na instituição, onde Lourdes também
trabalhava. Na entrevista a Juciane aceitou a
proposta. A Irmã relata que observava seu
grande comprometimento e responsabilidade
desde então, pois, a mesma somente iniciou
no Hospital Santa Isabel após cumprir o aviso
prévio na Instituição atual que trabalhava.
Irmã Analuzia relata que o que mais chamou
Foto: Hospital Santa Isabel.Fonte: Arquivo comunicação.
sua atenção foi a timidez, mas o principal
foi a honestidade, e a presença forte. Após
30 dias da entrevista, especificamente
no dia 03/07/1995, a história da Juciane
efetivamente se iniciava em nossa instituição.
O primeiro cargo no Hospital Santa
Isabel foi como Enfermeira Coordenadora
do Serviço de Emergência, se destacou
pelo seu comprometimento, ética, firmeza
nas tomadas de decisões sempre com
responsabilidade não só na assistência que
era prestada ao paciente, mas também no
exercer da consciência financeira em relação
ao uso dos materiais/medicações.
Após 2 anos instalada na cidade
Foto:Juciane. Gazeta 03, Hospital Santa Isabel.
e acompanhada de seu marido, Juciane
recebeu o que ela hoje diz ser a razão da sua
vida, a filha Gabriela Gaio Fratini, nascida
no dia 28/05/1997. Gabriela atualmente tem 19 anos e estuda na Universidade do Vale do
Itajaí em Balneário Camboriú/SC. Como em todos os quesitos de sua vida, Juciane é muito
dedicada como mãe e esposa, e tem sempre a “Gabi” como sua prioridade.

Foto: Juciane e Gabriela 1996, Foto: Juciane e Gabriela, Foto: Juciane e Gabriela 2014,
Fonte: Acervo Pessoal Fonte: Acervo Pessoal Fonte: Acervo Pessoal

Foram oito anos de coordenação do Serviço de Emergência, com muitos desafios


enfrentados, mais uma vez se deparando com as adversidades que eram características
naquela época. Desde então não faltaram desafios que envolvessem coragem, determinação
e foco. Conciliando a coordenação com treinamentos e aperfeiçoamentos dos funcionários
da instituição. Esse período foi uma fase onde a sua evolução profissional estava em
constante crescimento. No ano de 2002 concluiu sua primeira especialização focada em
Terapia Intensiva. Em 2003 concluiu a especialização em Metodologia do Ensino Superior.

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Homenagem
Em busca de conquistas não se dedicava somente as atividades do Hospital, mas
desenvolveu o interesse na docência, começou lecionando em escolas de cursos técnicos, e no
ano de 2004 ingressou na docência acadêmica. Sempre muito dedicada, era conhecida pelos
seus alunos como uma professora muito exigente, dinâmica, e que era notório por todos sendo
nitidamente demonstrado pela sua grande preocupação em qualificar os futuros profissionais.
As universidades em que ela atuou foram: Uniasselvi-Blumenau, Furb-Blumenau, Univali-Itajaí.
Devido ao seu desempenho no setor de emergência após oito anos, foi convidada
pela Direção do Hospital para exercer um novo desafio. Assumiu o setor que na época
chamava-se Revisão de Prontuário, onde a função inicial era o processo do cartão vermelho ,
metodologia utilizada para controlar o tempo de permanência do paciente SUS. E em alguns
meses se fundiu com a Auditoria de Contas, onde ela reformulou. Até então sua vida tinha
sido de muitas lutas, conquistas, realizações e desafios sem nunca deixar se abater ou
desmotivar. Mas foi no ano de 2003 quando assumiu o setor de Auditoria, que outras virtudes
foram evidenciadas. Observando ser necessário adquirir aprimoramento, foi em busca de
novos conhecimentos sobre outras áreas mais
administrativas, como Auditoria de Contas Médicas,
contabilidade/financeiro, regras e sistematização de
informática. Foi no ano de 2008 que ela conclui sua
especialização em Auditoria de Sistemas de Saúde.
Perseverante como sempre, no ano de
2007 concluiu seu mestrado em Saúde e Gestão do
Trabalho pela Universidade do Vale do Itajaí. Sempre
conciliando o trabalho no Hospital Santa Isabel, com
docência, Mestrado e família. No ano de 2012 decidiu
que seria o último ano que lecionaria, resolveu dedicar
mais tempo para sua família. Mas, atualmente ministra Foto: Juciane e família - 2014, Fonte: Acervo
Pessoal
esporadicamente aulas para pós-graduações.
Em todos os anos que esteve à frente
do setor de auditoria, buscou aperfeiçoamento
e crescimento tanto do setor como dos
profissionais que faziam parte do quadro de
colaboradores. Muitas características são de
grande relevância para esta profissional que
não se ‘aquieta” e acredita que tudo podemos
quando temos foco e determinação. Em todos
os novos desafios está disposta a colaborar,
sempre atuando em diversas atividades
da Instituição. Como membro de diversas
comissões, onde podemos citar: Programa Foto: Jantar de Comemoração pelos 100 anos do HSI-
Cinco S, Comissão de ética de Enfermagem. outubro 2001 Fonte: HSI
Não somente em programas de qualidade,
mas em projetos assistenciais como o Salus
Vitae e tantos outros que são desenvolvidos
dentro do Hospital.
Muitas foram as conquistas durante
seu trajeto nesta Instituição. No ano de
2001 o Hospital Santa Isabel comemorou
seu centenário, e Juciane foi escolhida para
receber uma homenagem. Profissional de
extrema dedicação, focada em resultado,
sem nunca esquecer de valorizar seus pares
e lutar pela conquista de sua categoria.
Dentre todas as colaborações que a
enfermeira Juciane realiza com a Instituição,
não podemos deixar de citar o empenho que a
mesma tem para que a Revista “Enfermagem Foto: Revista Enfermagem pela Excelência. Fonte:
Acervo comunicação Hospital Santa Isabel.

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pela Excelência” seja publicada. Responsável pelo Conselho Editorial e pela revisão dos
artigos, muito se empenha para que a revista seja lançada, mesmo quando os envolvidos se
desmotivam. Presente e atuante impulsiona a todos, fazendo-os acreditar que quem sonha e
age, tudo alcança.
Neste ano de 2016, prossegue com os desafios que são natos em sua vida. Devido a
mudança de mantenedora do Hospital Santa Isabel, da qual a Sociedade Divina Providência
transferiu as três obras hospitalares do Sul, para Associação Congregação de Santa Catarina,
o serviço de auditoria passou por reestruturação, passando Juciane a coordenar o setor de
Contas Médicas Convênios e Particulares, extinguindo a Auditoria de Contas e agregando o
faturamento de contas de convênio e particular. Liderando uma equipe com seis Enfermeiras
Auditoras, dois Faturistas, dois Auxiliares de Faturamento, um Auxiliar Administrativo e dois
menores Aprendiz.

Foto: Equipe de Contas Médicas Convênios e Particulares e Gerente Regional Jeferson


Berlande Vicente-2016 Fonte: Acervo Pessoal
No Hospital Santa Isabel durante toda sua trajetória, a Enfermeira Juciane contribuiu
para o crescimento e desenvolvimento de diversos profissionais, abrindo oportunidades e
deixando seu legado. Toda sua contribuição para o desenvolvimento dos profissionais que por
ela passaram são nítidos, pois consegue transferir os seus valores para estes profissionais.
O que podemos confirmar com as integrantes da sua equipe nos depoimentos abaixo:

“Uma equipe não é uma equipe sem um líder. A Juciane é


assim, uma pessoa que nunca te deixa sem direção. Ela é
como uma mãe que cuida da sua equipe e nunca nos deixa
na mão, ela sem dúvida, é um exemplo a ser seguido. Muito
da profissional que sou hoje,
eu devo a ela e eu só tenho a
dizer “muito obrigada”!

“Trabalho com a Juciane há


Anna Flávia Hodecker Lima quase 6 anos, foi ela quem me
Enfermeira auditora deu a primeira oportunidade,
Admissão na Auditoria: 21/01/2014
que confiou, ensinou e ainda
ensina o ofício da profissão.Tenho ela como exemplo de Líder
e foi ela quem auxiliou a me tornar a profissional que sou hoje.
A ela eu só tenho a agradecer pela oportunidade e o exemplo
de Ética, Comprometimento e Liderança. ”
Mariane Soligo
Enfermeira auditora
Admissão na Auditoria 18/04/2011

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PREVENÇÃO DE LESÕES POR QUEDA: UMA
QUESTÃO DE SEGURANÇA
RESUMO

Quedas em pacientes hospitalizados são eventos frequentes com efeitos negativos


as instituições e pacientes. O objetivo é demonstrar a importância da segurança ao paciente
dentro de uma instituição hospitalar, evidenciando através de tabelas a redução do número
de eventos adversos, após ações preventivas realizadas por profissionais da comissão de
curativo. O presente estudo refere-se a uma pesquisa descritiva, de abordagem quantitativa,
realizado pela comissão de curativos em um hospital de grande porte no vale do Itajaí, a coleta Bruna Esmerio Flores*
de dados foi realizada através de um sistema de informação (tasy) nos meses de outubro de *Graduada em enfermagem.
2015 a agosto de 2016. As ações realizadas nos mostram uma diminuição no índice de quedas,
bem como nos permitiu redirecionar a assistência prestada aos pacientes mais susceptíveis,
reforçando a importância de tais ações educacionais.

Palavras-Chave: Segurança do paciente. Prevenção. Queda.

INTRODUÇÃO

As instituições hospitalares estão cada vez mais preocupadas em garantir um


atendimento de qualidade aos seus clientes. Nesse âmbito, a segurança do paciente, por meio
do gerenciamento de riscos, tem recebido destaque com a implementação de medidas de
prevenção, a exposição de risco, bem como aos danos ao cliente decorrente da assistência à
saúde. O enfermeiro permanece a maior parte do tempo na unidade de internação e em contato
com o cliente, portanto, ele é um dos principais profissionais engajados no gerenciamento de
riscos¹.
A queda é definida como o deslocamento de um indivíduo para um nível inferior em
relação a sua posição inicial. O risco que este indivíduo tem de cair aumenta conforme a idade,
desta forma a decorrência em idosos acaba sendo numerosa, também podemos encontrar
em pessoas que desenvolvem os distúrbios de marcha ou equilíbrio, o nível de consciência
rebaixado e por uso de medicamentos. Geralmente esta população acaba necessitando de
internação hospitalar².
Um estudo evidenciou várias consequências imediatas para o paciente que sofreu
esse evento adverso: traumas teciduais de diferentes intensidades; retirada não programada
ou desconexão de diferentes artefatos terapêuticos; alterações emocionais; piora das
condições clínicas; óbito; dentro e outras³.
Lesão é definida como qualquer dano a integridade corporal, atingindo tecidos epiteliais,
mucosas e órgãos. Que se torna responsabilidade da equipe de enfermagem a devida avaliação
e manutenção da integridade da pele do paciente, sendo necessário, prescrever o tipo de
tratamento e produto a ser utilizado, durante a estadia do paciente no ambiente do hospitalar4.
Dentre as responsabilidades do enfermeiro, zelar pela segurança do paciente
hospitalizado torna-se primordial, pois o mesmo deve-se manter atento para prevenir danos que
venham dificultar a recuperação do paciente. No acontecimento de algum desses danos, por
algum motivo, infelizmente a qualidade no atendimento ou falhas ficam em evidencia, fazendo
com que o cliente perca a credibilidade aos serviços prestados pela equipe multidisciplinar.
Assim o tempo de internação que o paciente recebe devido a quedas, é um assunto de saúde
pública, devido ao custo gerado com os cuidados5.
Em 2004 a organização mundial da saúde (OMS) divulgou uma aliança mundial
direcionado à segurança do paciente, que destaca as seis áreas mais propicias a colocar os
pacientes em risco. Dentre as seis metas, a sexta está ligada a redução do risco de lesões ao
paciente, decorrentes de quedas. As instituições de saúde devem implementar um protocolo com
o objetivo a prevenção de quedas, onde os pacientes sejam avaliados diariamente, na admissão
de acordo com a clínica e necessidade do paciente na unidade de internação, já nos ambulatórios

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e pronto atendimento, o risco será avaliado de acordo com o estado de cada paciente4.
Inicialmente temos que lembrar da importância da portaria 529/2013, que institui o programa
nacional de segurança do paciente (PNSP), que foi inspirado na lei orgânica de saúde a
lei 8080/90 com algumas considerações feitas pelo ministro da saúde, para assim formar a
portaria norteadora para o PNSP, em instituições. Assim é realizado a formação da comissão
interna de segurança do paciente, fazendo com que os profissionais da área da saúde e
suas respectivas instituições promovam o reforço de qualificação com a segurança do
paciente. Desta forma define-se por segurança do paciente a redução dos riscos de danos
desnecessários, sendo estes conhecidos como eventos adversos. Por isso a organizações
não governamentais, assim como a organização mundial da saúde, vem realizando projetos
para a melhoria da qualidade da assistência prestada, visando a diminuição de riscos e danos
ao paciente6.
Diante disso, a prática atual vivenciada na instituição onde está sendo realizado o
estudo, os pacientes ao passar pelo atendimento antes da sua internação ou até mesmo nas
visitas de rotina, realizadas pelo enfermeiro, são classificados de acordo com os riscos. O
risco de queda é identificado por um adesivo de cor amarela na pulseira de identificação do
paciente, com a intenção de chamar a atenção do profissional que está prestando o devido
atendimento, mesmo que o ambiente já seja projetado para a diminuição dos riscos de quedas.
No caso de restrições, as mesmas são passadas para haver adequação ao atendimento,
proporcionando bem-estar no período que este passar hospitalizado.
O que objetiva a realização do presente estudo é ressaltar a importância da segurança
ao paciente dentro de uma instituição hospitalar, demonstrando através de tabelas a redução
do número de eventos adversos, após ações preventivas realizadas por profissionais da
comissão de curativo de uma instituição de grande porte do Vale do Itajaí, prevenindo assim,
lesões que venham a ser adquiridas por estes danos.

MÉTODO

A instituição se adequou quanto a preocupação sobre a segurança do paciente,


conforme portaria 529/2013, voltada para a diminuição de lesões causadas por quedas.
No mês de março de 2016, aconteceu na instituição o primeiro mês interno de
conscientização sobre segurança do paciente, na qual a comissão de curativos realizou as ações
preventivas referentes a meta 06 (Reduzir o risco de queda e úlcera por pressão), no período de
15 a 18, de março. Dentre as ações foram realizadas dinâmicas interativas in locu e palestras.
Trata-se de um estudo descritivo, com abordagem quantitativa. Para embasamento ao
trabalho, foram coletadas informações do sistema de informação TASY, usado na instituição,
sendo filtrado os eventos de quedas, no período de 01 de outubro de 2015 a 01 de agosto de
2016, sendo estas informações divididas em duas etapas.
Os dados de 01 de outubro de 2015 a 01 de março de 2016 é apresentado na primeira
etapa, mostrando o quantitativo de eventos ocorridos antes das ações preventivas. Os dados
de 02 de março de 2016 a 01 de agosto de 2016 é mostrado na segunda etapa, o quantitativo
após as ações preventivas. Dos 12 setores de internação foi realizada uma filtragem de 08
setores, para compor o estudo, sendo estes de enfermaria e apartamentos, de clínicas mistas.
A análise de dados foi realizada por meio da construção de tabelas que contemplam
informações pertinentes ao evento de queda.

ANÁLISE DE DADOS

Dando seguimento, as figuras 01, 02, 03 e 04 evidenciam algumas das ações de


conscientização preventiva realizadas entre os dias 14 e 18 de março, onde a comissão de
curativos estava responsável pela meta 06.
Na busca da melhoria dos processos de enfermagem e visando contribuir com a
sistematização da assistência, uma das ferramentas utilizadas foi a realização da palestra
abrangendo o tema de prevenção de lesão e risco de quedas, salientando a importância do
uso dos protocolos para busca de excelência no cuidado, esta ação está representada na
figura 01.

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Figura 01 – Palestra sobre protocolos de risco de quedas e lesão


Fonte: Pesquisa, 2016.

Podemos ver um dos momentos em que a palestra é aplicada aos colaboradores,


abordando o tema de segurança do paciente e debatendo o assunto com duvidas apresentadas
e orientações de como proceder em determinados casos.
A figura 02 nos mostra as enfermeiras integrantes da comissão de curativos, em um
evento que foi realizado dentro do refeitório da instituição, sensibilizando os funcionários
sobre a importância dos cuidados quanto ao risco de lesão relacionado com a queda.

Figura 02 - Registro de evento realizado no refeitório da instituição


Fonte: Pesquisa, 2016.

Podemos perceber neste momento, que muitos profissionais ainda tinham dúvida
relacionada aos cuidados, dentre eles mudança de decúbito, uso correto do colchão
pneumático, entre outros, no tivemos a oportunidade de reorientar e ilustrar os cuidados.
A figura 03 e 04, ilustra imagens da dinâmica aplicada aos profissionais in locu, onde
os mesmos deveriam identificar as imagens apresentadas pela comissão de curativos e
relacionar o cuidado efetivamente realizado e não realizado, exemplo: Imagem 01 colchão
pneumático em uso inadequado correndo o risco de uma lesão, imagem 02 paciente idoso
deambulando no corredor sem auxilio e acompanhante tendo o risco de queda, dentre outros,
separando-as conforme a cor da estrutura montada, sendo verde para as certas e vermelho
para as imagens erradas, reforçando o embasamento científico representado nas figuras.

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Figura 03 – Dinâmica in locu Figura 04 - Registro da dinâmica realizada na


Fonte: Pesquisa, 2016. instituição
Fonte: Pesquisa, 2016.

Os dados no quadro 01 referem-se aos resultados quantificados em


relação ao número de quedas por gênero, e no quadro 02 será relacionado o
número destas mesmas quedas, porém que obtiveram o dano de lesões.
Percebe-se que na primeira etapa, onde os dados foram colhidos de
01 de outubro de 2015 a 01 de março de 2016, período retroativo as ações
preventivas, obteve-se uma quantidade de 30 eventos de queda. Destes, 10
são do gênero feminino e 20 do gênero masculino. Na segunda etapa, onde
os dados são de 02 de março á 01 de agosto de 2016, período em que mostra
os resultados obtidos após as ações preventivas, observamos uma redução do
número de quedas para 17, destes, 09 eram masculinos e 08 femininos.
A Literatura nos mostra que além do fator da idade e das doenças
neurológicas, há maior prevalência de quedas no sexo masculino quanto
comparado ao sexo feminino7.
Assim podemos ver através dos números, o quanto importante foi a
ação, realizada pelos profissionais na instituição, os números de quedas que
antes eram 30 no total, foram diminuídas para 17, estamos falando de mais de
64% a menos após a ação de orientação e sensibilização, demonstrando um
bom funcionamento da ação preventiva e adesão dos profissionais.

Quadro 01 – Distribuição do número de quedas quanto ao gênero

Fonte: Elaborado pela Pesquisadora, 2016.

A frequência de quedas varia em função de características dos pacientes e da


instituição, com índices que vão de 1,4 a 13,0 quedas para cada 1000 paciente-dia. As
lesões decorrentes de quedas ocorrem entre 15% a 50% dos eventos, resultando em grande
variedade de danos8.
No quadro 02 nos mostra a quantidade de lesões que foram causadas devido a estas
quedas, representando a primeira e a segunda fase da coleta de dados.

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Quadro 02 – Relação do número de quedas com número de lesões.

Fonte: Pesquisa, 2016.

Observamos no quadro 02 o quantitativo de lesões ocasionadas no ato da queda.


Sendo assim, na primeira etapa dos 30 eventos de queda registrados,15 obtiveram lesões de
alta e baixa complexidade, destes, 04 são femininos e 11 são do sexo masculino. Na segunda
etapa de 17 quedas, 06 obtiveram lesões, todas de baixa complexidade, sendo destas, 04
femininas e 02 masculinas.
Todos os pacientes, independente de serem acometidos com lesões, passaram por
avaliação imediata com o médico plantonista de andar. Os pacientes que obtiveram lesões
seguiram em regular acompanhamento com a comissão de curativos da instituição até mesmo
depois da alta hospitalar.
Diante do exposto, podemos observar a melhoria obtida pelo trabalho desenvolvido
pela equipe da comissão de curativos aos profissionais envolvidos no ato de cuidar, sendo o
número de lesões, que antes eram 15 na primeira etapa, diminuíram para 6, estamos falando
de mais de 71% a menos após a ação.
Um estudo apontou maior índice de risco de queda em pacientes com o sexo masculino
(57%), idosos, internados nas unidades clínicas (63,2%), com tempo mediano de internação
de 20 (10-24) dias, portadores de doenças neurológicas (26%), cardiovasculares (74,1%) e
várias comorbidades (3 ± 1,8). Os fatores de risco prevalentes foram alteração neurológica
(43,1%), mobilidade prejudicada (35,6%) e extremos de idade (10,3%). Concluindo assim que
a avaliação do paciente realizada pela enfermeira é etapa fundamental na prevenção da queda,
pois, mediante coleta de dados e aplicação de uma escala preditiva, é possível identificar a
presença de fatores de risco para esse evento e, a partir disso, estabelecer intervenções
preventivas apropriadas9.
De acordo com a pesquisa realizada, percebemos a prevalência no sexo masculino
de pacientes internados em unidades clinicas e cirúrgicas quando relacionado com o risco
de queda. Sendo que tanto na primeira etapa quanto na segunda etapa o sexo masculino
permaneceu com o maior número nos resultados adquiridos.
A literatura nos mostra a importância do uso de protocolos nas instituições com o
objetivo de monitoramento e implementação de medidas para prevenção de quedas em
pacientes internados, sendo atividade da equipe de enfermagem: implementar medidas de
prevenção para queda de acordo com a prescrição de enfermagem; revalidar as orientações
a cada plantão e checar a compreensão do paciente e acompanhante; realizar a anotação
de enfermagem, registrando as condições clínicas e neurológicas do paciente, orientações
fornecidas, bem como as medidas implementadas para a prevenção da queda10.
Outros estudos afirmam que a busca pela melhoria da qualidade do cuidado faz parte
da rotina diária dos profissionais de saúde e é uma obrigação legal em muitos países, sendo
assim, implementou-se e avaliou-se da eficácia de uma estratégia de prevenção, verificando
o conhecimento da equipe de enfermagem quanto aos fatores predisponentes à quedas,
implementando estratégias de prevenção, por meio de orientações individuais e aplicação
de um manual educativo e, após a implementação da estratégia, foi verificado novamente o
conhecimento dos enfermeiros quanto aos predisponentes à quedas11.
A instituição em estudo, possui e utiliza protocolos para prevenção de quedas e lesões.

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Sendo este, o assunto inicial da palestra realizada. Os protocolos contribuem para evidenciar
o quantitativo de pacientes que correm risco de queda, favorecendo no planejamento de
intervenções preventivas a esse evento adverso. Desta forma pode-se destacar a diminuição
no número de quedas, reforçando algumas atenções e cuidados com o paciente internado,
uma vez que a educação em saúde para os profissionais é extremamente importante na
prevenção de possíveis eventos adversos que possam ocorrer. A orientação dos profissionais,
além de identificar os fatores que podem oferecer riscos, tem melhor discernimento na escolha
da estratégia que melhor se adapta à determinado paciente.

CONSIDERAÇÕES FINAIS


Sabemos que as lesões causadas por queda trazem consequências tanto físicas,
quanto psicológicas aos pacientes, além de aumentar a permanência do mesmo em ambiente
hospitalar.
Constatou-se a importância de ações preventivas e da utilização do protocolo de prevenção
de riscos de quedas e lesão, pois contribuíram na redução do número de quedas e lesões.
Em relação aos eventos de queda do paciente, obtivemos 64% de melhoria após a
realização de ações preventivas, e 71% sobre as lesões ocasionadas por queda.
Os dados levantados nesta pesquisa, evidenciam que as ações preventivas são
importantes, visto que a quantidade de eventos relacionados a lesão diminuiu depois das
mesmas. Sugere-se a continuidade do acolhimento ao paciente e melhorando a qualidade do
cuidado, para que o mesmo se sinta seguro enquanto internado, estimulando mais estudos
envolvendo essa temática.

REFERÊNCIAS
1.FASCINI, P; HAHN, G. V. Riscos á segurança do paciente em unidade de internação hospitalar: concepções da
equipe de enfermagem. Revista de Enfermagem da UFSM, v.2, n. 2, p. 291, Ago. 2012.
2 MARIN, H. F. et al. Desenvolvimento de um sistema de alerta para prevenção de quedas em pacientes
hospitalizados. Revista Latino Americana de Enfermagem, v. 8, n. 3, p. 27-32, jul. 2000.
3.COSTA, S. G. F. Et al. Caracterização das quedas do leito sofridas por pacientes internados em um hospital
universitário. Revista Gaúcha de Enfermagem, Porto Alegre, v.32, n. 4, p.676-681, Dez. 2011.
4. GEOVANINI, T. Tratado de feridas e Curativos: Enfoque profissional. São Paulo: Rideel, 2014. p.71-88.
5.JORGE, Silvia A.; DANTAS, Sônia Regia P.E. Abordagem multiprofissional do tratamento de feridas. São Paulo:
Atheneu, 2003.
6.FABRICIO, S. C. C. et al. Causas e consequências de quedas de idosos atendidos em hospital público. Revista de
saúde pública, v. 35, n.1, p. 93-99, 2004.
7. CORREA, A. D. et al. Implantação de um protocolo para gerenciamento de quedas em hospital: resultados de
quatro anos de seguimento. Revista Escola de Enfermagem USP, v.46, n.1, pág. 68, 2012.
8.INOUE, K. C.et al. Risco de queda da cama. O desafio da enfermagem para a segurança do paciente.Rede de
revistas cientificas da América Latina, v.29, n.3, p. 463, 2011.
9. LUZIA, M. F. et al. Diagnóstico de enfermagem Risco de quedas: prevalência e perfil clínico de pacientes
hospitalizados. Revista Latino Americano de Enfermagem. V.22, n. 3, p.268, 2014. Mar. -abr.
10. SEVERO, I. M. et al. Fatores de risco para quedas em pacientes adultos hospitalizados: revisão integrativa.
Revista Escola Enfermagem USP. v. 48, n. 3, p. 540, 2014.
11. PASA, S. T. et al. Acidentes por queda no ambiente hospitalar: uma revisão de literatura. Revista Enfermagem
Integrada. v.3, n.8, p.454, ago, 2010.

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Opinião
POR UM HOSPITAL SEGURO

Como sempre Harvard, há 25 anos, foi a pioneira ao evidenciar que em trinta mil
pacientes atendidos em hospitais de urgência dos EUA, 3,7% das internações apresentaram
efeitos adversos que causaram 13% de mortes. Verificaram também que houve negligência na
conduta durante a internação em um terço dos eventos e, em dois terços, os efeitos adversos
eram evitáveis. Estudos realizados nos anos seguintes chegaram à conclusão que morriam
anualmente mais americanos devido a erros durante internações do que por acidentes de
trânsito ou câncer de mama.
A palavrinha inglesa harm, que significa dano, é o cerne do conceito de segurança
ao paciente Como evitar danos secundários, isto é, causar outro mal além da doença que as
pessoas carregam? Do no harm, (não cause dano) é a pregação quase bíblica, da corrente
atual de gestão da saúde. A estratégia da prevenção de efeitos adversos se define pelo
emprego de medidas adequadas, na ocasião correta, utilizando a melhor técnica, para evitar
o dano secundário ao paciente
Na época em que surgiu o trabalho raiz de Harvard, o Santa Isabel se debatia pela falta de
recursos, sobrevivia valentemente apesar de falhas estruturais, que desviavam nossa atenção.
Nos países desenvolvidos, no entanto, pesquisadores sobre o assunto se alarmaram ao
notar que a quantidade de erros chegou a 33% quando o método de rastreamento de danos
secundários se aperfeiçoou.
Mesmo sabendo que errar é humano, observou-se algumas tendências próprias de
estruturas passíveis de falhas como: culpar outrem pelo erro, silenciar, não reportar, não
utilizar protocolos e muitos outros. Ao propor a comunicação imediata para prevenir os erros,
os administradores verificaram que a imensa maioria dos eventos não eram reportados pelos
funcionários. O médico era um dos que menos comunicava.
Com a nova administração do HSI pela Congregação Santa Catarina, a bandeira da
segurança do paciente foi desfraldada, para que seja observada e respeitada. Evitar o dano
secundário, o harm, utilizando procedimentos padronizados, exemplarmente empregados
pela aviação, como o check list, é imperioso alguns colegas inicialmente não entenderam a
importância destas medidas, mas hoje é unânime o interesse na implementação das mesmas.
Os erros podem ser cometidos por negligência no atendimento, por procedimentos
inadequados e intempestivos, pelo uso de material impróprio ou de equipamentos sem a devida
manutenção. Uma vez verificado o erro, reconheça-o, procure saber como ocorreu, reporte-o de
imediato a seu superior e informe o paciente e os familiares. A verdade é fundamental. O hábito
de informar a comunidade sobre efeitos adversos como os índices de infecção e complicações
cirúrgicas, obrigatório em hospitais do primeiro mundo, quase inexiste nos hospitais brasileiros.
Algumas dicas úteis finais: não confie na memória, anote; pense sempre no conforto do
paciente, seja silencioso dentro do hospital, cumpra sua função e saiba trabalhar em equipe. Que
o Santa Isabel dê o exemplo de cumprimento às normas de segurança para mitigar o sofrimento.
Os pacientes agradecem!

Dr. Luís Renato Garcez de Oliveira Mello


Associação Congregação de Santa Catarina
Hospital Santa Isabel
Diretor Clínico
Blumenau/SC

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DO DISCURSO PARA A PRÁTICA: Exercendo os
valores da enfermagem
Na continuidade ao planejamento do departamento de enfermagem, foi revisado
o Projeto Rota de Ação no ano de 2016, reestruturando as ações para 2017 à 2019. O
planejamento contempla três grandes macro objetivos dentre estes resgatar os Valores da
Enfermagem, expandindo estes valores utilizando o HUMOR como referência para destacar
estes valores.
O objetivo é divulgar estes valores mensalmente, onde os coordenadores/
supervisores de enfermagem tem como obrigatoriedade de envolver os seus colaboradores e
em conjunto desenvolver uma ação educativa e interativa relacionada a palavra do mês. No
mês de outubro do ano que nos antecede, todos os setores/unidades trabalharam o valor
RESPONSABILIDADE, com intuito de promover uma reflexão sobre nossas ações em relação
ao exercício da profissão, resgatando a importância conforme os artigos do Nosso Conselho:
“Registrar no prontuário do paciente as informações
inerentes e indispensáveis ao processo de cuidar”
(art. 25) (É vedado) “Registrar informações parciais
e inverídicas sobre a assistência prestada” (art. 35)
“Recusar-se a executar prescrição medicamentosa e
terapêutica, onde não conste a assinatura e o número
do registro do profissional, exceto situações de
Fonte: Quadro Rota de Ação: urgência e emergência.(COFEN,2016). Cada setor /
Enfermagem 2017-2019: Unidade
de Terapia Intensiva, outubro de unidade desenvolveu ações utilizando de criatividade,
2016. sendo avaliado como resultado final muito positivo.
Constituiu assim, envolvimento de todos sendo
estas ações comprovadas através do resultado de melhoria que se teve na auditoria dos
prontuários.

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HOSPITAL SANTA ISABEL NO COMBATE A
SEPSE
A sepse resulta de uma complexa interação entre uma resposta sistêmica inflamatória e
anti-inflamatória a partir de uma doença infecciosa, seja ela causada por bactérias, vírus, fungos
ou protozoários. Apesar de sua importância e da demanda de recursos, seu reconhecimento
muitas vezes não ocorre em tempo hábil, ocorrendo disfunção de múltiplos órgãos e sistemas.
Considerada uma das doenças mais desafiadoras da medicina, a sepse afeta uma
porção significativa da população mundial. Além disso, a sepse é a principal causa de morte
em UTIs não cardíacas com elevadas taxas de letalidade.
Essas estimativas já justificam o planejamento de ações voltadas à redução da
mortalidade. Estudos realizados em outros países e mesmo no Brasil mostram que a efetiva
implementação de protocolos assistenciais gerenciados é capaz de melhorar a evolução
desses pacientes por essa grave síndrome.
Tanto o Surviving Sepsis Campaign quanto o ILAS (Instituto Latino Americano de
Sepse) não irão mudar os critérios usados para definir disfunção orgânica em seu programa
de melhoria de qualidade, apenas as terminologias serão uniformizadas. Assim: Sepse
(classificação atual) será classificada como Infecção sem disfunção: Infecção suspeita ou
confirmada, com ou sem sinais de SIRS (Síndrome da resposta inflamatória Sistêmica). Sepse
grave (classificação atual) será classificada como Sepse: Infecção suspeita ou confirmada na
presença de disfunção orgânica com ou sem sinais de SIRS. Choque séptico (classificação
atual) será classificado como choque séptico: definição mantida – Infecção suspeita ou
confirmada com hipotensão não corrigida com reposição volêmica (PAM menor ou igual a
65mmHg), independente do uso ou não de vasopressor, com ou sem sinais de SIRS.
Nossos principais objetivos com a implementação do protocolo de Sepse (inicialmente
na enfermaria Nossa Senhora de Fátima - FURB) são:
Reconhecer precocemente sinais de sepse / choque séptico;
Reduzir a morbidade dos pacientes acometidos por essa grave
síndrome com o manejo precoce e adequado; iniciar antibioticoterapia
eficaz na primeira hora após o reconhecimento de um quadro de
sepse/ choque séptico e reduzir gastos dispendiosos com tratamentos
incorretos.

Atenção aos sinais de SIRS:

• Temperatura central > 38,3º C ou < 34ºC (embora o ILAS recomende


<36°C);
• Frequência cardíaca > 90bpm;
• Frequência respiratória > 20 rpm ou PaCO2 < 32 mmHg
• Leucócitos totais > 12.000/mm³; ou < 4.000/mm³ ou presença de > 10% de formas jovens.

Atenção aos sinais de disfunção orgânica:

• Hipotensão (PAS < 90 mmHg ou PAM < 65 mmHg ou queda de PA >


40 mmHg)
• Oligúria (≤0,5ml/Kg/h) ou elevação da creatinina (>2mg/mL)
• Rebaixamento do nível de consciência, agitação ou delirium
• Relação PaO2/FiO2 < 300 ou necessidade de O2 para manter SpO2 > 90

VAMOS JUNTOS COMBATER A SEPSE!


Dra. Graziela Peluso Alba
Associação Congregaçao de Santa Catarina
Hospital Santa Isabel
Coordenadora Protocolo de Sepse
Blumenau/SC

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O CUIDADO CENTRADO
NA PESSOA!

atitudes e valores. Abaixo mencionamos uma


ação que comoveu a todos, acontecida no
Serviço de Emergência: Alzira Michelmann,
90 anos, divorciada, sem filhos, secretaria
aposentada, poliglota e autossuficiente até
o presente momento. A mesma morava
sozinha, e foi encontrada desacordada em
sua casa no dia 15 de fevereiro de 2016,
sendo encaminhada ao Hospital Santa Isabel
e admitida no Serviço de Emergência, logo foi
diagnosticada com AVCi (Acidente Vascular
cerebral isquêmico). Foram realizados todos
os cuidados para tal emergência clínica,
porém a paciente não tinha nenhum familiar
presente desde a chegada ao Serviço de
emergência. Dona Alzira foi recobrando a
Foto: Alzira
Michelmann. lucidez, e ao questionarmos sobre seus
Hospital Santa Isabel, 2016. familiares, a mesma relatou que seu único
Fonte: Acervo comunicação HSI. contato era seu amigo e vizinho Sr. Arno, que
a visitou no primeiro dia após sua internação,
porém no segundo dia este também foi
A Associaçã Congregação de Santa
atendido no Serviço de Emergência por IAM
Catarina aderiu e participou pela primeira vez
(Infarto agudo do Miocárdio). Os dias foram
da campanha internacional “What Matters
passando e dona Alzira foi recuperando a fala,
to You?” Ação realizada pela organização
os movimentos, e toda equipe de enfermagem
Healthcare Improvement Scotland, com
foi notando que havia muita tristeza em seu
o propósito de estimular conversas mais
olhar, e ela sempre “pedindo” que queria nos
significativas entre profissionais de saúde
ajudar, “a arrumar sua cama”, queria “varrer
e pacientes, com o intuito de aprimorar o
o chão”, e nós explicávamos que enquanto
cuidado tendo como base no que realmente
ela estivesse aqui conosco ela teria que
importa para o paciente. Todas as casas
manter o repouso, para se recuperar mais
aderiram a este movimento, e verificando o
rápido e retornar a realizar estas atividades
resultado positivo que esta ação refletiu, se
em sua residência. As enfermeiras traziam
deu continuidade a missão de perguntar, ouvir
revistas, livros em alemão, tudo para tentar
e fazer dentro do possível, o que realmente
distraí-la, porém logo ela perdia o interesse.
importa para melhorar o atendimento
Até que certo dia a Enfermeira Angélica do
prestado aos pacientes. A proposta era que
turno Vespertino, perguntou para a ela o que
os profissionais analisassem o paciente com
poderia ser feito para que a mesma ficasse
integralidade e de maneira mais humanizada,
mais feliz. Sua resposta foi: “Queria tanto ver
esta percepção é fundamental para que o
minha cachorrinha Nina”. Foi então que a
profissional da saúde construa uma relação de
equipe se reuniu e cogitou a possibilidade de
confiança com o paciente e adeque o cuidado
trazer a cachorrinha até a paciente. Entrou-
às reais necessidades e anseios daquela
se em contato telefônico com sua vizinha
pessoa, ajudando-a a seguir em frente. Em
para que ela pudesse ajudar nesta ação, o
nossa Instituição foram realizadas diversas
que foi prontamente aceito e viabilizado.
ações que refletiram de forma muito positiva
Dona Alzira foi levada numa cadeira de rodas
na assistência, pois os profissionais buscaram
até a recepção, foi um encontro memorável,
histórias para compartilhar. Experienciamos
toda equipe envolvida no atendimento
vários relatos que nos fizeram repensar em
veio presenciar esse momento, médicos,

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enfermeiros, equipe da higienização, todos aos pacientes, houve a sensibilização dos
se comoveram com o encontro. O olhar de profissionais onde todos os dias é o dia do
dona Alzira para a cachorrinha Nina, era que importa para o paciente, e a prática
um misto de doçura e saudade que tocou atual de toda segunda terça feira do mês a
o coração de todos que presenciaram a equipe assistencial deve elencar pelo menos
cena de amor, a Nina pulava, e ao mesmo um paciente e perguntar, ouvir e fazer o que
tempo se aninhava no colo da mesma, e importa para o paciente. Registrar com quem
ali se pode observar um ato de amor entre conversou, como foi a conversa, como se
dois seres, que conviviam juntos por tantos sentiu, se a ação trouxe alguma melhoria
anos, e que era a única companhia um para para o paciente e qual foi esta melhoria. Essa
o outro. Presenciar uma cena dessas nos faz ação é registrada através de textos, vídeos
perceber e acreditar que o nosso bem maior ou imagens, para isto deverá ter o termo de
sempre será a empatia que desenvolvemos utilização de imagem devidamente assinada
pelos pacientes e que um ato desses nos pelo paciente/responsável e encaminhar
remete a acreditar que sempre precisamos esta ação para a educação continuada,
desenvolver uma escuta qualificada do que para acompanhamento através de indicador.
realmente importa para nossos pacientes
que estão diariamente submetidos aos nosso
cuidados, e que para realizarmos boas
práticas em saúde é preciso sair um pouco do
“tecnicismo” e desenvolver o “humanismo”,
porque só assim... a partir dessa percepção,
será garantido o cuidado de excelência aos
pacientes, não esquecendo que lidamos com
pessoas repletas de sentimentos.
Com o objetivo de dar continuidade
a missão de perguntar, ouvir e fazer, dentro
do possível, o que realmente importa Foto: Salus Vitae. Associaçao Congregação de Santa
para melhorar o atendimento prestado Catarina. Fonte: http://congregar.acsc.org.br/o-que-
importa-pra-voce

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AUDITORIA DE QUALIDADE DA ASSISTÊNCIA
DE ENFERMAGEM: UMA METODOLOGIA PARA
PREVENÇÃO E EDUCAÇÃO

Mariana Marques * RESUMO


Diane Furtado dos Santos**
Maria Elvira de Oliveira Trata-se de uma pesquisa de abordagem quantitativa e descritiva. O estudo foi
Petersen***
desenvolvido em um hospital de grande porte da região do Vale do Itajaí, tencionando
*Graduada em Enfermagem descrever sobre a importância da auditoria de qualidade da assistência de enfermagem como
**Graduada em Enfermagem um meio de realizar a educação em saúde e prevenir falhas durante o processo de assistência
***Graduada em Enfermagem
ao paciente. A pesquisa retrata a enfermagem como um campo que necessita de atualizações
e treinamentos frequentes, bem como um eficaz método de avaliação de sua efetividade na
assistência. A auditoria de qualidade vem sendo cada vez mais utilizada nas organizações para
avaliar seus serviços, bem como para identificar as falhas de processos e agir na resolução
das mesmas.

Palavras-chave: Enfermagem. Auditoria de Qualidade. Educação em Saúde.

INTRODUÇÃO

A busca pela qualidade da assistência prestada aos pacientes tem conquistado


cada vez mais espaço nas instituições, visto que a enfermagem, assim como demais áreas
de conhecimento, necessita de aprimoramento contínuo do seu processo de trabalho. As
mudanças de comportamento da sociedade atual também influenciam diretamente na busca
pelo aprimoramento dos serviços prestados, sendo que o cidadão passou a ter maior facilidade
de acesso a informações relevantes, o que o leva a exigir mais qualidade nos serviços que o
mesmo faz uso15.
A qualidade da assistência de enfermagem transpassa por muitas variáveis, uma vez
que cada paciente ou familiar vêem a qualidade sob diferentes aspectos, isto é, cada indivíduo
tem para si o seu conceito de qualidade, podendo esta estar relacionada aos recursos
profissionais, à estrutura física, ao tratamento utilizado, entre outros8.
No âmbito de saúde, a qualidade define-se por um conjunto de particularidades que
inclui nível de excelência profissional, uso eficiente de recursos, mínimo risco ao paciente, e
alto grau de satisfação do paciente e familiares. Tais atributos conferem uma assistência que
corresponde às expectativas do usuário, dos profissionais envolvidos e das instituições, bem
como garantem a segurança ao paciente durante o tempo em que o mesmo necessita dos
cuidados de enfermagem. Portanto, a qualidade da assistência permeia por muitos aspectos,
sendo a segurança do paciente um dos mais pertinentes, visto que envolve os riscos que o
mesmo possa estar exposto14.
Embora nos últimos tempos o processo de trabalho das instituições de saúde tenha
alcançado avanços tecnológicos e científicos, ainda assim não é difícil encontrar evidências de
descaso, mau atendimento, desperdício de recursos, filas de espera, infecções hospitalares,
falta de capacitação de profissionais e outros contratempos que podem influir diretamente na
percepção de qualidade que os indivíduos têm sobre o aspecto de saúde6.
Uma das tangentes de maior impacto sobre a percepção de qualidade dos usuários dos
serviços de saúde é a qualificação profissional dos que prestam a assistência de enfermagem,
uma vez que os mesmos têm uma relação direta com o paciente, realizam a maior parte das
ações a ele voltadas e consequentemente estão expostos a análises mais acentuadas. Assim
sendo, os profissionais de enfermagem necessitam de maior atenção no que diz respeito a
treinamentos e ações de educação continuada voltadas ao atendimento e assistência integral
ao paciente5.

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A inserção do profissional de enfermagem no ambiente de trabalho permeia por
inúmeras inseguranças e aflições, uma vez que a prática de enfermagem é cercada de
grandes responsabilidades. A qualidade na assistência e a segurança do paciente dependem
diretamente da forma como estes profissionais são inseridos nos serviços de saúde e de como
ocorre o acompanhamento contínuo das suas atividades. É imprescindível que estes sejam
orientados sobre a forma correta de realizar suas ações, bem como sejam assistidos de forma
a aprenderem com suas próprias falhas sem que isto interfira na qualidade da assistência de
enfermagem prestada ao paciente7.
Atualmente, as instituições têm estudado meios pelos quais seja possível treinar seus
profissionais de forma a trazer satisfação no atendimento prestado aos seus clientes. No
âmbito da saúde, os treinamentos e capacitações podem gerar muito mais do que satisfação
dos clientes, mas também evitar que ocorram graves consequências em decorrência das
falhas dos profissionais1.
Levando em consideração as variáveis que podem intervir na qualidade da assistência
de enfermagem aos pacientes, e principalmente no que diz respeito à qualificação dos
profissionais envolvidos, a instituição abordada neste estudo desenvolveu uma estratégia de
qualificação de seus profissionais de enfermagem. Os novos profissionais que iniciam suas
atividades na instituição são acompanhados pelo serviço de Educação Continuada e recebem
orientações e informações necessárias para iniciar sua trajetória. As informações repassadas
a estes novos profissionais são padronizadas e contam com instrumentos normatizados que
as regulamentam. Estes profissionais são acompanhados pelo tempo necessário para sua
adaptação ao seu ambiente de trabalho e passam a desempenhar suas atividades sozinhos
apenas quando se sentem capacitados e seguros para tal.
Além das ações desenvolvidas para socialização e acompanhamento dos novos
profissionais de enfermagem, a instituição em questão considera o serviço de Educação
Continuada como uma importante ferramenta para o desenvolvimento e aprimoramento
dos profissionais que já trabalham na instituição há maior espaço de tempo, uma vez que a
enfermagem exige que as habilidades e entendimento dos profissionais estejam em constante
estado de melhorias, visto que frequentemente ocorrem importantes inovações tecnológicas
e mudanças de métodos para se realizar determinada atividade. Desta forma, a instituição
preconiza que sejam realizados treinamentos e capacitações a todos os profissionais de
enfermagem com o intuito de atualizar e esclarecer eventuais dúvidas a respeito da prática
diária. Os treinamentos seguem um cronograma prévio, com temas específicos escolhidos a
partir das principais dificuldades dos profissionais, sendo realizados cerca de dois treinamentos
teóricos e um treinamento prático por mês. Esta ação facilita a interação entre os envolvidos e
prioriza a qualificação profissional como estratégia para melhoria da qualidade da assistência
e para a segurança do paciente.
A avaliação destes profissionais e suas atividades desempenhadas na referida
instituição acontece através de avaliação periódicas de desempenho, bem como feedbacks
e a auditoria de qualidade. As avaliações de desempenho são realizadas após os quarenta
e cinco dias e aos noventa dias iniciais de trabalho dos novos profissionais, com o intuito de
identificar as principais dificuldades enfrentadas pelo profissional e quais suas perspectivas
em relação a atividade desempenhada. Após este período, os profissionais passam por
avaliações de desempenho a cada seis meses, visando dar continuidade a identificação de
qualquer impedimento de crescimento profissional.
Além das avaliações iniciais e de desempenho, os profissionais ainda recebem
feedbacks a respeito de seu comportamento e da prática de suas atividades. Os mesmos são
aplicados na instituição abordada no estudo podem ser com a finalidade de orientação ao
profissional ou de elogio ao mesmo, uma vez que é importante que se tenha uma devolutiva
a respeito do trabalho que se desempenha. Os feedbacks são aplicados nos momentos
oportunos, isto é, sempre que seja necessário realizar orientação ou reorientação ou sempre
que o profissional desempenhe ações que mereçam valorização ou elogio.
O feedback trata-se de uma informação repassada ao profissional, podendo ela ser
positiva ou negativa. Através desta ferramenta espera-se que o gestor consiga transmitir a
informação de forma precisa, que o profissional consiga compreender, interpretar e agir para
que os objetivos possam ser atingidos7.

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Opinião
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Estudos sobre a temática afirmam que todas as ações relacionadas ao cuidado
e a assistência ao paciente, bem como todas as propostas de melhorias, necessitam ser
avaliadas com periodicidade, a fim de que se tenha um diagnóstico preciso dos itens positivos
e negativos no método adotado, visto que será possível suprir as necessidades e dificuldades
encontradas no processo com maior precisão2.
A auditoria é entendida como uma forma sistemática de avaliar uma determinada ação.
Quando aplicada a área da saúde, a auditoria tem sido utilizada como meio de proporcionar
uma análise dos serviços prestados e de identificar ou prevenir possíveis falhas no processo
de assistência à saúde do paciente. Preconiza-se que a auditoria seja realizada por uma
pessoa que não esteja diretamente ligada às ações a serem avaliadas, para que seja possível
ter uma análise amplamente conforme e de maior controle dos processos8.
Mediante a preocupação constante das instituições em relação à melhoria da
qualidade dos serviços, se faz necessária a implementação de programas que auxiliem na
avaliação dos mesmos, com intuito de agir diretamente nos problemas encontrados a partir
da análise realizada12. A auditoria tem sido uma aliada importante na busca pela qualidade,
visto que tem suas etapas definidas de forma sistemática e seu principal objetivo é realizar
uma apreciação detalhada da atual situação em que se encontra determinada atividade. A
avaliação dos serviços prestados auxilia ainda em outros elementos, como a redução de
custos desnecessários ou excessivos e o aprimoramento dos profissionais envolvidos nos
processos3.
A auditoria de qualidade voltada aos serviços de saúde carece não apenas de uma
forma sistemática de avaliação, mas também de um importante aspecto que pode influenciar
diretamente na qualidade da análise a ser realizada: os profissionais que fazem parte da
prestação dos serviços de saúde. Isto é, os profissionais envolvidos em todos os processos
devem estar cientes da importância da auditoria, visto que desta forma será possível corrigir
as inconformidades nela encontradas9.
A auditoria é diretamente relacionada com o modo como os profissionais realizar suas
funções, tendo em vista que uma avaliação dos serviços não terá valia se a mesma não
trouxer melhorias no modo como se realizam as atividades2.
Atualmente, a auditoria de qualidade realizada na instituição de estudo aborda temas
específicos que visam avaliar de forma precisa os serviços prestados aos pacientes de forma
íntegra. Semanalmente, enfermeiras do serviço de Educação Continuada da instituição realizam
visitas aos quartos e leitos de todos os pacientes das unidades de internação, a fim de que
se possa verificar as inconformidades e realizar questionamentos aos pacientes e familiares a
respeito da qualidade da assistência prestada aos mesmos. As visitas e questionamentos são
norteados por um instrumento padronizado com informações relevantes a serem observadas,
como identificação do paciente, classificação de riscos assistenciais, identificação dos
dispositivos inseridos no paciente, validade e fixação corretas dos dispositivos, organização
do leito/quarto, cuidados gerais com o paciente, bem como organização também do posto
de enfermagem de cada unidade. Os resultados obtidos através da auditoria realizada são
computados e encaminhados às unidades para que seja possível realizar uma análise de
quais itens necessitam de melhorias e de maior atenção da gerência da unidade e demais
profissionais.
Os estudos realizados sobre esta temática ajudam a esclarecer que as instituições
devem sempre buscar aprimorar a qualidade da assistência e a segurança do paciente11. Desta
forma, o presente estudo buscou identificar e analisar o processo de auditoria de qualidade
realizada na instituição abordada, como um método de prevenção à falhas e acidentes e
educação continuada aos profissionais envolvidos, bem como relacioná-la com a importância
dos treinamentos e capacitações realizados e demais métodos de avaliação de desempenho
dos profissionais.

MÉTODO

O estudo busca conhecer a importância da Auditoria de Qualidade na assistência de


enfermagem como uma ferramenta imprescindível para a educação continuada em saúde dos
profissionais e para a prevenção de falhas ou inconformidades que possam vir a ocorrer, bem

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como relacionar a auditoria de qualidade com demais métodos de avaliação de desempenho
dos profissionais envolvidos.
Trata-se de uma pesquisa de abordagem quantitativa e descritiva e de campo. O
estudo foi desenvolvido em um hospital de grande porte da região do Vale do Itajaí, onde
foram analisados diversos aspectos de dez unidades de internação e seus pacientes.
O procedimento de levantamento de dados iniciou através das informações obtidas
através da Auditoria de Qualidade semanal realizada pelo serviço de Educação Continuada da
instituição, onde foram condensados e analisados os dados obtidos nas auditorias dos meses
de julho, agosto, setembro e outubro do ano de 2016, realizando-se um comparativo entre
os dados destes meses, relacionando-os com as capacitações e orientações realizadas aos
profissionais envolvidos. A análise e interpretação dos dados quantitativos deu-se através da
estatística descritiva, sendo utilizadas as modalidades da distribuição de frequência absoluta
e percentual, e as representações gráficas.

ANÁLISE DE DADOS

As informações obtidas a partir das auditorias realizadas resultaram na divisão dos


seguintes temas avaliados: Identificação do paciente e Classificação de Riscos Assistenciais;
Identificação dos dispositivos inseridos no paciente; Validade dos dispositivos inseridos no
paciente; Fixação correta dos dispositivos; Organização do leito/quarto; Cuidados em geral
prestados ao paciente; e Organização do posto de Enfermagem.
As auditorias foram realizadas semanalmente, porém, os dados mensais foram
condensados em um único valor de cada item para que fosse possível analisar de forma mais
sistemática a evolução das melhorias e inconformidades a cada mês. Os valores analisados
e comparados foram os que indicam as inconformidades relacionadas a cada tema abordado,
tendo em vista que a diminuição destes valores deve ser interpretada de forma positiva, uma
vez que os mesmos são referentes às irregularidades encontradas durante a avaliação.
Na figura 1, observa-se as inconformidades das unidades em relação à Identificação
do paciente e à classificação de riscos assistenciais do mesmo.

IDENTIFICAÇÃO DO PACIENTE
CLASSIFICAÇÃO DE RISCOS

7,00% 6,60%
6,00%
6,00% 5,60%
5,00%
4,00%
3,00%
2,00%
1,20%
1,00%
0,00%
Julho Agosto Setembro Outubro

Figura 1 – Inconformidades relacionadas à Identificação


do paciente e
Classificação de riscos Assistenciais
Fonte: Pesquisa,2016.

Ao analisarmos a figura, observa-se uma significativa queda dos índices de


inconformidades nos últimos meses analisados. Tal informação é relevante, visto que a
identificação do paciente trata-se de um importante item responsável por falhas no processo
de enfermagem. A identificação do paciente na instituição abordada é realizada a partir,
principalmente, do uso de pulseira de identificação do paciente, que contém os dados pessoais de
cada um, bem como a identificação das cabeceiras dos leitos dos pacientes com o primeiro nome.
A identificação do paciente é um dos itens de maior relevância na prevenção de
danos e acidentes, bem como importante meio de comunicação assertiva com o paciente,

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produzindo um sentimento de confiança e segurança no profissional que presta a assistência
de enfermagem. É imprescindível que a identificação do paciente seja realizada desde a
entrada do mesmo na instituição até o momento de sua saída, e que a mesma esteja com boa
visualização para facilitar as ações de enfermagem e demais profissionais. Muitos dos acidentes
que ocorrem relacionados a troca de medicamentos ou procedimentos entre pacientes ocorre
devido à identificação do mesmo ineficaz ou ausente, podendo gerar sérios riscos à sua saúde1.
A classificação de riscos assistenciais é um meio de categorizar os pacientes a
possíveis riscos que os mesmos possam extar expostos, isto é, cada paciente pode apresentar
uma predisposição a desenvolver algum tipo de limitação ou reação à determinada ação. Os
riscos mais comuns são de queda, lesão e alergia. O risco de queda geralmente é atribuído a
paciente que tenham alguma dificuldade motora que impossibilita ou prejudica sua capacidade
de deambulação. Os pacientes que apresentam risco de lesão são, em sua maioria, os que
evidencia-se uma maior predisposição a desenvolver lesões dos tecidos, como paciente
diabéticos, acamados ou com grande limitação de movimentos. Já o risco de alergia expressa-
se pelos casos em que os pacientes já apresentaram ou costumam apresentar algum tipo de
alergia a substâncias, medicamentos ou alimentos.
A classificação de risco na instituição é realizada a partir de pequenas placas que
identificam cada risco ao qual o paciente está exposto, com diferenciação de cores e dizeres.
As mesmas são acopladas à cabeceira, próximo à identificação do paciente. Além das placas,
são utilizadas ainda etiquetas adesivas que podem ser anexadas à pulseira de identificação,
com o intuito de informar a todos os riscos aos quais o paciente está exposto mesmo quando
o mesmo estiver fora do quarto/leito.
A identificação do paciente e classificação de riscos assistenciais são itens bastante
requeridos durante as auditorias de qualidade, sendo assim, observamos melhora significativa
em relação às primeiras auditorias realizadas, o que expressa o aumento da significância
desta exigência no olhar dos profissionais das unidades, os quais passaram a compreender a
importância da realização desta prática.
Abaixo, as Figuras 2, 3 e 4 representam a evolução relacionada aos dados obtidos
referentes à identificação dos dispositivos inseridos no paciente, validade, e fixação correta
destes dispositivos.
IDENTIFICAÇAO DOS VALIDADE DOS
DISPOSITIVOS DISPOSITIVOS

2,00%
1,90%
2,00% 1,40%
1,50% 1,30%
1,50% 1,00% 1,00%
1,00%
0,90% 1,00%
1,00%

0,50% 0,50%

0,00% 0,00%
Julho Agosto Setembro Outubro Julho Agosto Setembro Outubro

Figura 2 – Inconformidades relacionadas à Figura 3 – Inconformidades relacionadas à validade


Identificação dos dispositivos inseridos no paciente dos dispositivos inseridos no paciente
Fonte: Pesquisa,2016. Fonte: Pesquisa,2016.

FIXAÇÃO CORRETA DOS


DISPOSITIVOS

1,50%
1,20% 1,10%
0,90% 0,90%
1,00%

0,50%

0,00%
Julho Agosto Setembro Outubro

Figura 4 – Inconformidades relacionadas à fixação


correta dos dispositivos
Fonte: Pesquisa,2016.

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Os dispositivos inseridos no paciente em decorrência de suas terapias e tratamentos
de saúde, podem resultar em danos se não utilizados com responsabilidade e de forma
correta. Uma das maiores complicações relacionada a dispositivos são as infecções, visto que
os mesmos costumam ser sondas, cateteres, drenos, entre outros, que têm contato direto com
mucosas, corrente sanguínea e vias urinárias. O manuseio de forma inconsequente destes
dispositivos pode acarretar graves problemas ao paciente, podendo o mesmo regredir no
seu estado de saúde e até ocasionar o óbito. Os cuidados com os dispositivos são bastante
específicos, devido a variáveis como fabricante, utilização e o próprio paciente4.
Nas figuras 2 e 4 que ilustram as inconformidades referentes a identificação e fixação
dos dispositivos, pode-se afirmar que houve uma evolução em relação aos dois primeiros
meses auditados, o que é de suma importância, uma vez que a identificação destes dispositivos
possibilita que se consiga verificar a data de inserção de cada um deles e estipular uma data
para a troca dos mesmos. Já a fixação correta dos dispositivos, proporciona a prevenção de
lesões e infecções por meio de melhor posicionamento para conforto do paciente. É importante
que as equipes de enfermagem sejam orientadas em relação a estas informações, para que a
evolução dos índices permaneça com melhorias.
Na figura 3 é possível identificar uma regressão nos índices em relação aos dois
meses anteriores, ou seja, as inconformidades relacionadas aos cuidados com a validade dos
dispositivos aumentaram nos últimos dois meses. A validade é uma das variáveis que mais
deve ser avaliada em relação aos dispositivos, visto que a mesma determina o prazo de troca
de cada um deles e possibilita a prevenção de infecções. A validade dos dispositivos varia com
o tipo e o fabricante de cada um deles, porém, pode estar diretamente relacionada também
com a identificação destes dispositivos, isto é, para que se consiga ter uma certeza a respeito
da validade de cada um é necessário que o mesmo esteja devidamente identificado e que a
identificação esteja legível. É importante que as inconformidades que aumentam em relação
às auditorias realizadas anteriormente sejam repassadas a toda equipe e que sejam buscadas
estratégias de melhoria destes índices.
A seguir, as figuras que ilustram os índices de inconformidades referentes a
organização do quarto/leito do paciente, cuidados prestados ao mesmo e organização do
posto de enfermagem.
ORGANIZAÇÃO DO CUIDADOS EM GERAL COM O
QUARTO/LEITO PACIENTE

7,00%
6,00% 1,50%
4,70%
5,00% 1,50%
1,20%
4,00%
1,00%
3,00%
1,50% 0,50%
2,00% 0,50%
1,00% 0,80% 0,30%
1,00%
0,00% 0,00%
Julho Agosto Setembro Outubro Julho Agosto Setembro Outubro

Figura 5 – Inconformidades relacionadas à Figura 6 – Inconformidades relacionadas aos


organização do quarto/leito do paciente cuidados em geral prestados ao paciente
Fonte: Pesquisa,2016. Fonte: Pesquisa,2016.

ORGANIZAÇÃO DO POSTO DE
ENFERMAGEM

2,00% 1,70%
1,60%
1,50%

1,00%

0,50%
0,00% 0,00%
0,00%
Julho Agosto Setembro Outubro

Figura 7 – Inconformidades relacionada à


organização do posto de enfermagem
Fonte: Pesquisa,2016.

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Quando questionados a respeito do significado da qualidade da assistência de
enfermagem, muitos pacientes mencionam a organização como um dos fatores determinantes
para que os serviços prestados sejam considerados de qualidade. Isto ocorre porque
a organização de modo geral é capaz de promover bem-estar e conforto aos pacientes e
familiares10. Portanto, um ambiente organizado é também um ambiente acolhedor que pode
contribuir positivamente inclusive nas terapias e tratamentos6.
Os itens que avaliam organização do quarto/leito e dos postos de enfermagem foram
os que atingiram os menores índices de inconformidades, o que leva à suposição de que estes
elementos são satisfatórios e tiveram importante evolução em relação aos primeiros meses de
auditoria.
Os cuidados gerais prestados aos pacientes podem englobar toda a assistência
de enfermagem e suas práticas, porém, os principais itens avaliados pela auditoria são:
higiene pessoal do paciente, mudança de decúbito, terapia infusional instalada de forma
adequada, secreção de drenos e sondas desprezados de forma correta quando necessário,
entre outros cuidados de enfermagem rotineiros. Esta tangente da pesquisa apresentou um
resultado bastante satisfatório, uma vez que a cada mês foi possível evidenciar diminuição
das inconformidades. Esta pode ser considerado o mais importante elemento abordado na
pesquisa, visto que nos direciona aos cuidados básicos de enfermagem, mas de maior influência
no que diz respeito a qualidade da assistência. A equipe de forma geral deve ser estimulada
a manter os cuidados necessários para que as inconformidades continuem a diminuir a cada
auditoria realizada, de forma a garantir a segurança e qualidade nos procedimentos realizados.
É possível identificar a importância das orientações e capacitações realizadas
com a equipe de enfermagem, uma vez que a mesma tem maior proximidade e maiores
responsabilidades no que diz respeito ao paciente. Os profissionais de enfermagem podem
ser considerados a linha de frente de uma instituição, portanto, é de grande valia que os
mesmos passem por constante aprimoramento de suas práticas para que seja possível
alcançar importantes objetivos referentes a qualidade dos serviços.
A auditoria de qualidade auxilia de forma significativa na detecção de problemas e na
prevenção de possíveis falhas, porém, mais importante do que avaliação dos serviços e dos
profissionais, é imprescindível que haja o retorno aos profissionais sobre o seu desempenho,
através dos feedbacks13. Os resultados das auditorias devem sempre transferidos às equipes,
para que os profissionais possam sentir-se parte da mudança e esperada e das conquistas
que já foram alcançadas.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Através do presente estudo, foi possível compreender a relevância de se realizar com


frequência avaliações da qualidade dos serviços prestados em saúde, a fim de que se tenha
um diagnóstico preciso das principais dificuldades e falhas do processo que possam vir a
prejudicar a assistência de enfermagem aos pacientes.
A auditoria de qualidade demonstrou-se um método eficaz, técnico e sistemático
de avaliação dos serviços prestados aos pacientes, uma vez que possibilitou que várias
tangentes fossem avaliadas de forma detalhada, bem como contou com a participação de
todos os envolvidos, isto é, dos profissionais de cada unidade, dos gestores, do serviço de
Educação Continuada e dos pacientes e familiares. Desta forma, é possível avaliar de forma
ampla e garantir que se tenha realmente resultados que possam nortear a criação de projetos
de melhorias das inconformidades.
Os profissionais de enfermagem necessitam de contínuo aperfeiçoamento de suas
atividades, visto que desempenham ações de grande responsabilidade que podem vir a causar
graves danos caso sejam realizados de maneira insegura. Para evitar que haja desencontro
de informações ou que cada profissional realize as técnicas como ele mesmo considere mais
adequado, é necessário que seja realizada uma padronização dos processos, bem como
capacitar todos os profissionais para que detenham do mesmo conhecimento e capacidade para
desenvolver suas habilidades. A etapa de capacitação e orientação aos profissionais deve ser
procedida da etapa de avaliação, isto é, analisar os resultados obtidos após os treinamentos,
bem como mensurar a efetividade das ações de educação continuada realizadas. O processo

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de educação continuada aos profissionais de enfermagem é imprescindível para que se obtenha
efeitos positivos em relação à busca pela qualidade da assistência e segurança do paciente.
Os métodos de avaliação de desempenho e feedbacks, juntamente com os resultados
obtidos através das auditorias de qualidade, viabilizam o desenvolvimento da percepção
crítica dos profissionais envolvidos, o que possibilita a inserção dos mesmos no processo de
melhorias e os incentiva a almejar a excelência da assistência, bem como realizar ações que
torne esta meta mais próxima.
Considera-se que o objetivo principal deste estudo tenha sido alcançado, visto que
conseguiu-se compreender a importância da auditoria de qualidade como um fator determinante
para evitar falhas e auxiliar na educação continuada dos profissionais. Evidenciou-se que as
avaliações constantes direcionadas à assistência foram propulsoras de melhorias nos índices
analisados na pesquisa, o que leva a considerar as auditorias, juntamente com outros meios
de avaliar o desempenho da equipe de enfermagem, podem contribuir positivamente para
a missão de se obter melhor qualidade da assistência prestada aos pacientes. O estudo foi
de grande valia para que questionamentos sobre a qualidade da assistência e a prevenção
de danos e falhas fossem sanados, de forma a garantir a continuidade dos processos de
avaliação dos serviços para que ainda mais resultados positivos sejam alcançados.

REFERÊNCIAS
1. ANVISA, Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Assistência Segura: Uma Reflexão Teórica Aplicada à Prática.
Brasília: ANVISA, 2013.
2. BAZZANELLA, N. A. L.; SLOB, E. A Auditoria como Ferramenta de Análise para a Melhoria da Qualidade no
Serviço Prestado. Caderno Saúde e Desenvolvimento, São Paulo, v. 3, n. 2, p. 51-65, jul./dez. 2013.
3. BONATO, V. L. Gestão de Qualidade em Saúde: Melhorando a Assistência ao Cliente. O Mundo da Saúde, São
Paulo, v. 35, n. 5, p. 319-31, mar./mai. 2011.
4. CALORI, M. A. O.; GUTIERREZ, S. L.; GUIDI, T. A. C. Segurança do Paciente, Promovendo a Cultura da
Segurança. Saúde em Foco, Teresina, v. 2, n. 7, p. 226-35, out./nov. 2015.
5. CRUZ, C. A. B.; ARAÚJO, A. S.; OLIVEIRA, I. J. Avaliação de Desempenho como Ferramenta de Apoio ao
Desenvolvimento Profissional dos Colaboradores nas Organizações. Revista Científica do ITPAC, Araguaína, v. 7, n.
3, p. 11-7, mai./jul. 2014.
6. DIAS, O. V.; RAMOS, L. H.; COSTA, S. M. Avaliação da Qualidade dos Serviços de Saúde na Perspectiva da
Satisfação dos Usuários. Revista Pró-UniverSUS, Vassouras, v. 1, n. 1, p. 11-26, jul./dez. 2010.
7. FERREIRA, D. S. A Importância do Feedback no Processo de Avaliação de Desempenho Realizado nas
Organizações da Zona da Mata Mineira. Semana Acadêmica Revista Científica, Fortaleza, v. 1, n. 15, p. 1-13, mai./
out. 2013.
8. LIMA, E. C.; ANGELO, M. L. B.; DEMARCHI T. M. Auditoria de Qualidade: Melhoria dos Processos em um
Hospital Público. Revista de Atenção à Saúde, São Caetano do Sul, v. 15, n. 58, p. 14-8, jan./mar. 2013.
9. LIRA, A. A. et al. A Importância da Auditoria de Qualidade como Ferramenta de Gestão Empresarial e de
Responsabilidade Social. Revista Científica da Faculdade de Balsas, Balsas, v. 2, n. 2, p. 1-16, ago./nov. 2011.
10. NEVES, M. A. B. Avaliação da Qualidade da Prestação de Serviços de Saúde: Um Enfoque Baseado no Valor
para o Paciente. In: III CONGRESSO CONSAD DE GESTÃO pública, 9., 2014, Brasília. Anais... Brasília: CONSAD,
2014. p.1-18.
11. PAIM, C. R. P.; CICONELLI, R. M. Auditoria de Avaliação da Qualidade dos Serviços de Saúde. Revista de
Atenção à Saúde, São Caetano do Sul, v. 9, n. 36, p. 85-92, jul./set. 2007.
12. ROMUALDO, S. R. L. et al. Análise da Relação Entre o Processo de Feedback e o Desempenho Profissional.
Revista EDUC, Duque de Caxias, v. 1, n. 2, p. 1-16, jul./dez. 2014.
13. ROSA, F. OLIVEIRA, L. A. O Feedback Assertivo como Fato Motivacional. Revista de Ciências Empresariais,
Maringá, v. 9, n. 2, p. 29-38, jul./dez. 2012.
14. ROSSANEIS, M. A. et al. Indicadores de Qualidade Utilizados nos Serviços de Enfermagem de Hospitais de
Ensino. Revista Eletrônica de Enfermagem, Goiânia, v. 16, n. 4, p. 769-76, mai./dez. 2014.
15. VIEIRA, A. P. T. Enfermeira Auditora: Uma Ferramenta Importante para a Qualidade do Serviço em Saúde em
Hospitais Privados. Revista Científica Especialize, Goiânia, v. 8, n. 9, p. 1-13, nov./dez. 2014.

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Opinião
SEGURANÇA DO PACIENTE E SUA
CONTRIBUIÇÃO PARA ANÁLISE DA CONTA
Falar de segurança do paciente e o cuidado centrado nas pessoas, é uma ação que
exige grande atenção, pois com a globalização e os avanços tecnológicos, os pacientes se
tornam cada vez mais exigentes e informados, ao qual os profissionais da equipe multidisciplinar
precisam estar cada vez mais engajados e capacitados, garantindo atributos de conhecimento
explícito de todos os fatores que contribuem para a efetiva segurança do paciente.
O Programa Nacional de Segurança do Paciente tem como objetivo contribuir para
a qualificação do cuidado em saúde em todos os estabelecimentos de saúde do território
nacional. Para isso, cabe aos profissionais da área da saúde promover e garantir uma
assistência segura, através dos seis protocolos básicos instituídos e normatizados pela OMS
(Organização Mundial de Saúde), através dos seguintes protocolos: 1 - identificação correta
do paciente, 2 - melhorar a comunicação entre a equipe de saúde, 3 - melhorar a segurança
na prescrição, no uso e na administração de medicamentos, 4 - realização de cirurgias em
sítio cirúrgico, procedimento e pacientes corretos, 5 - higienizar as mãos para evitar infecções,
6 - avaliar os pacientes em relação ao risco de queda, úlcera de pressão, estabelecendo
ações preventivas.
Além das ações necessárias que irão promover e garantir efetividade na segurança do
paciente, a equipe multiprofissional deve buscar incessantemente um equilíbrio entre as ações
práticas e as ações que torne o cuidado centrado nas pessoas, um cuidado mais humano e
não simplesmente técnico. O paciente e seu familiar são carentes de informações diante de
tantas ansiedades que o levam até um ambiente hospitalar, por isso, somar esforços para
garantir uma assistência mais humanizada, é papel fundamental para todos os profissionais
da área da saúde.
A Segurança do Paciente também pode ser atrelada à preocupação referente a
qualidade de informações registradas pela equipe multiprofissional nos prontuários, que irão
reduzir riscos, tanto para os pacientes quanto para os profissionais e serviços de saúde, além
de promover maior qualidade na análise da conta, minimizar glosas, cobranças baseadas em
evidências e consequentemente maior confiabilidade nas cobranças das contas, sejam elas
no serviço privado ou público.
Atualmente os serviços de saúde não estão medindo esforços para garantir que as
metas sejam alcançadas, e com isso, proporcionando registros importantes nos prontuários
médicos pacientes que, contribuem de forma direta e indireta para a análise da conta,
garantindo informações e dados que serão transformados em indicadores, planos de ações e
qualidade na assistência.
Diante de tantos eventos adversos, todos os profissionais da saúde precisam
entender que a sua participação é fundamental para assegurar a qualidade na assistência
e minimizar as não conformidades. Por isso, o papel da auditoria e análise de contas
médicas tornam-se primordiais, afim de auxiliar todo o grupo gestor no desempenho das
suas funções e responsabilidades, fornecendo recomendações pertinentes à tarefa, baseada
nas evidências. Desta forma, todas as ações que permeiam as seis metas da segurança do
paciente, proporcionam uma relação importante para a análise do prontuário, ao qual trará
maior confiança, registro de informações, e em consequência, garantias de uma cobrança
fidedigna ao tratamento e os cuidados com o paciente.

Jeferson Berlande
Associação Congregação de Santa Catarina
Gerente Contas Médicas Região Sul

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Notícia
PARTICIPAÇÃO EM EVENTOS EXTERNOS

Enfermeiras Ivany e Kazuko. 10º Simpósio Internacional Enfermeiros Clóvis, Michele, Maria Júlia, Diane. Semana
de esterilização SOBECC. São Paulo/SP. da Saúde. Hospital Santa Catarinha. Blumenau/SC.

Enfª Juciane, Enfª Maria Lúcia, Sr. Juliano e Drª Enfermeiras Juciane, Márcia, Michele, Andrea e Diane. 1º
Marianne. Associação Congregação de Santa Catarina. Encontro Catarinense de Enfermagem. Joinville/SC.
São Paulo/SP.

Enfermeiros Marcos Aurélio, Gilson, Jéssica, Graziela Enfermeiros Aramis, Andreia Santiago, Andreia Vieira,
e Eduarda. XVII Curso Estadual de Formação de Cristian, Clóvis, Ivany, Kerllen, Kelly, Maria Lucia, Márcia,
Coordenadores Hospitalares de Transplantes de Santa Michele e Tatiane Baú. 1ª Conferência de Enfermagem de
Catarina. Balneário Camboriú/SC. Santa Catarina. Blumenau/SC

Téc Enfermagem Thaís,Enfermeiros Enfermeiros: Juliane, Letícia, Patrícia, Enfermeira Marilde. Evento
Cristian e Michele. 1º Simpósio Ivany, Kazuko, Micheli, Clovis. VII Simpósio Multi em Raras. São Paulo/SP.
Interdisciplinar: de Segurança do Paciente. Curitiba/PR.
Qualidade e segurança do paciente.
Blumenau/SC.

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Opinião
RESPONSABILIDADE DO EXECUTIVO NO
CUIDADO CENTRADO NO PACIENTE
O paciente é a principal razão da existência de um estabelecimento de saúde. O
foco do cuidado precisa estar centrado no paciente. Sendo assim, este cuidado deve ser
previsto, antevisto e prestado de forma segura e com qualidade. O executivo que gere tal
estabelecimento vai conseguir desempenhar seu papel neste tema e o próprio estabelecimento
a medida em que seu TIME acreditar que você executivo realmente está consciente que
qualquer dano ao paciente é de sua extrema responsabilidade também. Se analisarmos as
procurações tão cheias de responsabilidades em que tais executivos colocam seus nomes ao
gerir um estabelecimento de saúde, não vamos ter tão expressamente esta responsabilidade,
mas ela existe e tem que ser inicialmente assimilada por quem exerce esta função e depois
difundida a todos do TIME deste estabelecimento. Quando um paciente tem sua saúde
afetada por algum evento dentro do estabelecimento você executivo não pode apenas exigir
explicações ou melhorias da enfermagem, médicos e equipes multidisciplinares, envolva-se
no estudo de caso deste evento com ideias e também seja o patrocinador das soluções. Este
amparo do executivo fornece subsídios estruturados para a equipe multiprofissional que presta
assistência direta ao paciente de modo que esta equipe tenha um planejamento estruturado
no desempenho de suas ações. Não podemos pensar que somente quem está na assistência
direta é o responsável pelo paciente. Mas sim, precisamos analisar o contexto geral da
instituição onde todos que aqui estão são responsáveis pelo cuidado e segurança dos nossos
pacientes. Embora a gestão administrativa (executivos) esteja sempre muito preocupada com
a necessidade de auto sustentabilidade da casa, a percepção de que o cuidado centrado no
paciente é também sua responsabilidade, desperta no gestor a responsabilidade solidária
por cada paciente atendido. Ser um facilitador do processo de atendimento, no sentido de
fornecer aos profissionais diretamente envolvidos, as condições ideais para que o processo
de atendimento aconteça sem que nada ocorra ao paciente é um dos desafios também do
gestor.
Neste sentido o processo de atendimento precisa ser facilitado, a equipe precisa ser
treinada, os equipamentos precisam sofrer constante manutenção preventiva ou substituição,
o espaço físico de atendimento deve estar em condições de abrigar estes pacientes e
profissionais.
Ouvimos muitas vezes que a melhor forma de conhecermos nosso produto é ser o
próprio cliente, isto é, deveríamos ficar internados para conhecer melhor os processos do
nosso próprio estabelecimento, mas o incentivo aqui deste texto é de não precisarmos passar
por essa experiência, e sim conhecermos os caminhos do paciente de tal forma que possamos
contribuir no avanço do melhor tratamento possível ao paciente. São grandes os desafios
neste sentido, porém a inserção da cultura de dano zero ao paciente em um estabelecimento
de saúde trará o diferencial competitivo tão almejado por grandes organizações, indiferente da
estrura que você está à frente sinta-se co-responsável no tratamento do paciente.

Juliano Petters
Associação Congregação de Santa Catarina
Diretor Executivo Regional

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Nossa missão é oferecer serviços de excelência em saúde, com
ética, direcionados à promoção da vida, buscando inovação e
aperfeiçoamento humano.
“Realizar assistência de enfermagem com ética e humanização, de
forma integrada, em todas as etapas da vida, garantindo qualidade e
bem estar aos pacientes e familiares.”