Você está na página 1de 182

Série Energia – GERAÇÃO, TRANSMISSÃO E DISTRIBUIÇÃO

COMUNICAÇÃO
ORAL E ESCRITA
Série Energia – GERAÇÃO, TRANSMISSÃO E DISTRIBUIÇÃO

COMUNICAÇÃO
ORAL E ESCRITA
CONFEDERAÇÃO NACIONAL DA INDÚSTRIA – CNI
Robson Braga de Andrade
Presidente

DIRETORIA DE EDUCAÇÃO E TECNOLOGIA – DIRET

Rafael Esmeraldo Lucchesi Ramacciotti


Diretor de Educação e Tecnologia

SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL – SENAI

Conselho Nacional

Robson Braga de Andrade


Presidente

SENAI – Departamento Nacional

Rafael Esmeraldo Lucchesi Ramacciotti


Diretor Geral

Gustavo Leal Sales Filho


Diretor de Operações
Série Energia – GERAÇÃO, TRANSMISSÃO E DISTRIBUIÇÃO

COMUNICAÇÃO
ORAL E ESCRITA
© 2017. SENAI – Departamento Nacional

© 2017. SENAI – Departamento Regional da Bahia

A reprodução total ou parcial desta publicação por quaisquer meios, seja eletrônico, me-
cânico, fotocópia, de gravação ou outros, somente será permitida com prévia autorização,
por escrito, do SENAI.

Esta publicação foi elaborada pela Equipe de Inovação e Tecnologias Educacionais do


SENAI da Bahia, com a coordenação do SENAI Departamento Nacional, para ser utilizada
por todos os Departamentos Regionais do SENAI nos cursos presenciais e a distância.

SENAI Departamento Nacional


Unidade de Educação Profissional e Tecnológica – UNIEP

SENAI Departamento Regional da Bahia


Inovação e Tecnologias Educacionais – ITED

FICHA CATALOGRÁFICA

S491c
Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. Departamento Nacional.
Comunicação oral e escrita / Serviço Nacional de Aprendizagem
Industrial, Departamento Nacional, Departamento Regional da Bahia. -
Brasília: SENAI/DN, 2017.
178 p.: il. - (Série Energia - Geração, Transmissão e Distribuição).

ISBN 978-85-505-0183-3

1. Comunicação verbal. 2. Comunicação escrita. 3. Formatação textual.


4. Pesquisa. I. Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. II. Departamento
Nacional. III. Departamento Regional da Bahia. IV. Comunicação oral e escrita.
V. Série Energia - Geração, Transmissão e Distribuição.

CDU: 811.134.3(81)

SENAI Sede
Serviço Nacional de Setor Bancário Norte • Quadra 1 • Bloco C • Edifício Roberto
Aprendizagem Industrial Simonsen • 70040-903 • Brasília – DF • Tel.: (0xx61) 3317-9001
Departamento Nacional Fax: (0xx61) 3317-9190 • http://www.senai.br
Lista de ilustrações
Figura 1 -  Comunicação profissional..........................................................................................................................17
Figura 2 -  Comunicação nas relações atuais...........................................................................................................18
Figura 3 -  Linguagem coloquial...................................................................................................................................20
Figura 4 -  Exemplo de neologismo.............................................................................................................................23
Figura 5 -  Gírias por região............................................................................................................................................24
Figura 6 -  Exemplo de regionalismo..........................................................................................................................25
Figura 7 -  Emissor e receptor........................................................................................................................................26
Figura 8 -  Elementos da comunicação......................................................................................................................27
Figura 9 -  Prática de leitura............................................................................................................................................31
Figura 10 -  Interpretação e compreensão textual.................................................................................................32
Figura 11 -  Relação entre cores e ideias....................................................................................................................34
Figura 12 -  Coerência textual........................................................................................................................................35
Figura 13 -  Análise temática..........................................................................................................................................37
Figura 14 -  Análise interpretativa................................................................................................................................38
Figura 15 -  Parágrafo........................................................................................................................................................43
Figura 16 -  Atenção à estrutura dos parágrafos.....................................................................................................44
Figura 17 -  Unidade interna - Parágrafos..................................................................................................................48
Figura 18 -  Diversidade...................................................................................................................................................53
Figura 19 -  Descrição objetiva e subjetiva...............................................................................................................55
Figura 20 -  Descrição de objeto...................................................................................................................................58
Figura 21 -  Descrição de processo..............................................................................................................................59
Figura 22 -  Descrição de ambiente.............................................................................................................................60
Figura 23 -  Contação de histórias................................................................................................................................63
Figura 24 -  Narração.........................................................................................................................................................64
Figura 25 -  Narração nas redes sociais......................................................................................................................67
Figura 26 -  Narração na pré-história..........................................................................................................................67
Figura 27 -  Elementos da narração.............................................................................................................................68
Figura 28 -  Discurso direto, indireto e indireto livre.............................................................................................70
Figura 29 -  Esquema de narração................................................................................................................................72
Figura 30 -  Dissertação....................................................................................................................................................77
Figura 31 -  O que é dissertar?.......................................................................................................................................78
Figura 32 -  Tema e tese....................................................................................................................................................81
Figura 33 -  Introdução à dissertação..........................................................................................................................82
Figura 34 -  Desenvolvimento da dissertação..........................................................................................................83
Figura 35 -  Conclusão da dissertação........................................................................................................................84
Figura 36 -  Processo de conclusão..............................................................................................................................85
Figura 37 -  Argumentação.............................................................................................................................................88
Figura 38 -  Mensagem.....................................................................................................................................................90
Figura 39 -  Relatório técnico.........................................................................................................................................93
Figura 40 -  Dados e estatísticas....................................................................................................................................94
Figura 41 -  Como fazer um relatório..........................................................................................................................95
Figura 42 -  Relatório de pesquisa................................................................................................................................97
Figura 43 -  Relatório de atividades escolares..........................................................................................................99
Figura 44 -  Relatório de contas................................................................................................................................. 100
Figura 45 -  Internet........................................................................................................................................................ 105
Figura 46 -  Rede de computadores......................................................................................................................... 106
Figura 47 -  Globalização.............................................................................................................................................. 107
Figura 48 -  Site de busca............................................................................................................................................. 110
Figura 49 -  Comunicação na internet...................................................................................................................... 111
Figura 50 -  Editor de textos........................................................................................................................................ 115
Figura 51 -  Barra e menu superior............................................................................................................................ 117
Figura 52 -  Pincel de formatação.............................................................................................................................. 120
Figura 53 -  Guia Inserir................................................................................................................................................. 121
Figura 54 -  Formatação de parágrafos.................................................................................................................... 124
Figura 55 -  Visualização de impressão.................................................................................................................... 126
Figura 56 -  Impressão de arquivo 1......................................................................................................................... 126
Figura 57 -  Impressão de arquivo 2......................................................................................................................... 127
Figura 58 -  Apresentação gráfica.............................................................................................................................. 131
Figura 59 -  Como fazer uma apresentação gráfica............................................................................................ 132
Figura 60 -  Dicas para uma boa apresentação.................................................................................................... 134
Figura 61 -  Recursos multimídia............................................................................................................................... 136
Figura 62 -  Gerenciamento de tempo.................................................................................................................... 137
Figura 63 -  Apresentação em slides......................................................................................................................... 141
Figura 64 -  Janela do PowerPoint............................................................................................................................. 143
Figura 65 -  Principais comandos............................................................................................................................... 143
Figura 66 -  Barra de acesso rápido........................................................................................................................... 145
Figura 67 -  Layout.......................................................................................................................................................... 146
Figura 68 -  Inserindo textos........................................................................................................................................ 147
Figura 69 -  Transições................................................................................................................................................... 148
Figura 70 -  Formatação de imagens........................................................................................................................ 149
Figura 71 -  Animação.................................................................................................................................................... 150
Figura 72 -  Formatação de slides............................................................................................................................... 151
Figura 73 -  Técnicas de apresentação oral............................................................................................................ 155
Figura 74 -  Falar em público....................................................................................................................................... 156
Figura 75 -  Clareza e coerência................................................................................................................................. 157
Figura 76 -  Planejamento da apresentação oral................................................................................................. 159
Figura 77 -  Medo de falar em público..................................................................................................................... 160
Figura 78 -  Reunião....................................................................................................................................................... 162
Figura 79 -  Seminário.................................................................................................................................................... 162
Figura 80 -  Organização da apresentação oral.................................................................................................... 164
Figura 81 -  Postura e aparência................................................................................................................................. 165
Quadro 1 - Linguagem verbal e não verbal..............................................................................................................19
Quadro 2 - Vocábulos aportuguesados......................................................................................................................22
Quadro 3 - Vocábulos sem aportuguesamento......................................................................................................22
Quadro 4 - Coesão textual – conectivos....................................................................................................................36
Quadro 5 - Tipos de parágrafos.....................................................................................................................................46
Quadro 6 - Gêneros textuais...........................................................................................................................................66
Quadro 7 - Discurso direto e indireto..........................................................................................................................71
Quadro 8 - Conjunções.....................................................................................................................................................79
Quadro 9 - Estrutura e elementos da dissertação..................................................................................................79
Quadro 10 - Estrutura do texto dissertativo.............................................................................................................80
Quadro 11 - Tipos de introdução..................................................................................................................................83
Quadro 12 - Esquema de dissertação.........................................................................................................................86
Quadro 13 - Classificação de relatórios......................................................................................................................96
Quadro 14 - Faixa de opções....................................................................................................................................... 117
Quadro 15 - Fontes......................................................................................................................................................... 119
Quadro 16 - Guia inserir ícones.................................................................................................................................. 122
Quadro 17 - Parágrafos.................................................................................................................................................. 123
Quadro 18 - Como elaborar uma apresentação gráfica.................................................................................... 133
Quadro 19 - Guias e ferramentas............................................................................................................................... 145
Sumário
1 Introdução.........................................................................................................................................................................13

2 Comunicação...................................................................................................................................................................17
2.1 Linguagem verbal e não verbal..............................................................................................................19
2.2 Linguagem coloquial..................................................................................................................................20
2.3 Linguagem padrão......................................................................................................................................21
2.4 Estrangeirismo...............................................................................................................................................21
2.5 Neologismo....................................................................................................................................................23
2.6 Gírias.................................................................................................................................................................24
2.7 Regionalismo.................................................................................................................................................25
2.8 Processo da comunicação.........................................................................................................................26
2.8.1 Elementos da comunicação...................................................................................................26

3 Técnica de intelecção de texto...................................................................................................................................31


3.1 Análise textual...............................................................................................................................................32
3.1.1 Visão global do texto................................................................................................................33
3.1.2 Ideias primárias e secundárias..............................................................................................33
3.1.3 Coerência textual.......................................................................................................................34
3.1.4 Coesão textual............................................................................................................................35
3.2 Análise temática...........................................................................................................................................37
3.3 Análise interpretativa.................................................................................................................................38

4 Parágrafo............................................................................................................................................................................43
4.1 Estrutura interna...........................................................................................................................................44
4.2 Tipos de parágrafos.....................................................................................................................................46
4.3 Unidade interna............................................................................................................................................48

5 Descrição...........................................................................................................................................................................53
5.1 Objeto, processo, ambiente......................................................................................................................57

6 Narração.............................................................................................................................................................................63
6.1 Elementos da narração...............................................................................................................................68

7 Dissertação........................................................................................................................................................................77
7.1 Estrutura..........................................................................................................................................................80
7.1.1 Introdução....................................................................................................................................82
7.1.2 Desenvolvimento ......................................................................................................................83
7.1.3 Conclusão.....................................................................................................................................84
7.2 Argumentação...............................................................................................................................................88

8 Relatório técnico.............................................................................................................................................................93
8.1 Estrutura..........................................................................................................................................................94
8.2 Tipos de relatórios........................................................................................................................................96
8.2.1 Relatório de pesquisa...............................................................................................................96
8.2.2 Relatório de ocorrência............................................................................................................98
8.2.3 Relatório de atividades escolares.........................................................................................99
8.2.4 Relatório administrativo....................................................................................................... 100

9 Internet............................................................................................................................................................................ 105
9.1 Pesquisa........................................................................................................................................................ 106
9.2 Comunicação.............................................................................................................................................. 110

10 Editor de textos.......................................................................................................................................................... 115


10.1 Digitação de textos................................................................................................................................ 117
10.2 Formatação............................................................................................................................................... 119
10.3 Inserções.................................................................................................................................................... 121
10.4 Parágrafos.................................................................................................................................................. 123
10.5 Impressão de arquivos.......................................................................................................................... 125

11 Apresentações gráficas........................................................................................................................................... 131


11.1 Estruturação.............................................................................................................................................. 132
11.2 Ferramentas de multimídia................................................................................................................. 136
11.3 Gerenciamento de tempo................................................................................................................... 137

12 Slides. ............................................................................................................................................................................ 141


12.1 Regras de estruturação......................................................................................................................... 142
12.2 Inserção de figuras e arquivos............................................................................................................ 147
12.3 Formatação............................................................................................................................................... 148
12.3.1 Cuidados na formatação de slides................................................................................. 151

13 Técnicas e estratégias de comunicação oral.................................................................................................... 155


13.1 Falar em público...................................................................................................................................... 156
13.1.1 Oralidade, clareza, concisão, coerência........................................................................ 157
13.1.2 Teoria e prática da oratória............................................................................................... 159
13.2 Apresentação........................................................................................................................................... 160
13.2.1 Planejamento e elaboração de reunões e seminários............................................ 161
13.2.2 Organização........................................................................................................................... 164
13.2.3 Postura e aparência............................................................................................................. 165

Referências......................................................................................................................................................................... 169

Minicurrículo da autora................................................................................................................................................. 173

Índice................................................................................................................................................................................... 175
Introdução

Prezado aluno,
É com grande satisfação que o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) apre-
senta o livro didático de Comunicação Oral e Escrita.
Este livro tem como objetivo permitir o aperfeiçoamento das competências necessárias
para desenvolver fundamentos técnicos e científicos relativos às técnicas de comunicação e
de redação de documentos técnicos, bem como as capacidades sociais, organizativas e meto-
dológicas, de acordo com a atuação do profissional no mundo do trabalho.
Sabemos que, atualmente, o mercado busca e valoriza de forma diferenciada o profissional
que consegue unir seus conhecimentos específicos às capacidades relacionadas à expressão
oral e escrita.
Pensando nesse contexto, este módulo apresenta importantes considerações sobre as di-
versas formas em que a comunicação se efetiva por meio da palavra que escrevemos ou fala-
mos.
Portanto, o foco desse estudo é compreender a relevância e premência da capacidade de
comunicação como um dos requisitos mais importantes para a conquista da excelência pro-
fissional.
Para isso, você terá a oportunidade de se aprofundar em conteúdos que despertarão suas
habilidades orais e escritas, através da promoção da leitura, produção textual, apresentações
orais e uso de tecnologias da informação e comunicação.
Além das habilidades supracitadas, esta unidade curricular despertará suas capacidades so-
ciais, organizativas, metodológicas e técnicas.
É importante que você as coloque em prática, pois, agregadas às capacidades comunicati-
vas, influenciarão de forma positiva na construção de sua imagem pessoal, além de contribuir
para o seu crescimento profissional e desenvolvimento da organização da qual você faz parte.
Comunicação oral e escrita
14

Os estudos desta unidade curricular permitirão que você desenvolva:

CAPACIDADES SOCIAIS, ORGANIZATIVAS E METODOLÓGICAS

a) Demonstrar atitudes éticas;


b) Demonstrar postura de cooperação;
c) Saber se informar, comunicar, argumentar, compreender e agir;
d) Ter proatividade;
e) Ter responsabilidade;
f) Demonstrar organização nos dados coletados;
g) Ter eficácia na coleta de dados e informações;
h) Cumprir normas e procedimentos;
i) Manter-se atualizado tecnicamente;
j) Ter capacidade de análise;
k) Ter senso crítico;
l) Ter senso investigativo;
m) Ter visão sistêmica;
n) Trabalhar em equipe.

CAPACIDADES TÉCNICAS

a) Decodificar e codificar informações;


b) Interpretar textos técnicos;
c) Produzir e estruturar textos técnicos (relatório);
d) Comunicar-se por meio eletrônico;
e) Decodificar e codificar informações;
f) Elaborar apresentações, inclusive em meio eletrônico;
g) Manipular textos eletrônicos.

Lembre-se de que você é o protagonista de sua formação profissional e isso inclui a realização de ações
indispensáveis, como:
a) Identificar e interpretar símbolos e signos do contexto social;
1 INTRODUÇÃO
15

b) Identificar e interpretar tipos de grafias;


c) Ler e interpretar texto;
d) Utilizar linguagens como meio de expressão, informação e comunicação.

O processo de aprendizagem depende de sua dedicação. Por isso, conecte-se aos estudos, articule suas
ideias no uso de habilidades comunicativas diferenciadas, transforme suas leituras em conhecimento sig-
nificativo. Assim, você será capaz de compreender e relacionar os conteúdos estudados.
Dedique-se, dê o seu melhor e não perca o foco dos seus objetivos!

Bons estudos!
Comunicação

É fato que não se pode viver isolado do restante do mundo e que precisamos conhecer
o que se passa ao nosso redor e fora do ambiente em que estamos inseridos, sejam espaços
profissionais ou pessoais.
Na vida pessoal, a comunicação constitui-se importante ferramenta para a troca de infor-
mações, desejos, ideias, o que estreita os laços e permite relacionamentos amorosos, fami-
liares e amigáveis. Em uma esfera organizacional não é diferente, mudam-se as formas de se
relacionar, mas a comunicação não deixa de ser fundamental para uma boa convivência entre
gestores, colaboradores e parceiros.
Nesse processo, comunicação eficiente é primordial para o desenvolvimento de todos. É a
ferramenta que torna possível transmitir os nossos pensamentos, sensações, discutir proble-
mas e dialogar sobre soluções.
Com base nessas informações e entendendo a importância da boa comunicação para a sua
formação profissional, esse capítulo foi construído para te ajudar a desenvolver habilidades co-
municativas, a fim de se expressar bem, utilizando e adequando as linguagens ao seu contexto
social, histórico e cultural.

Figura 1 -  Comunicação profissional


Fonte: SENAI DR BA, 2017.
Comunicação oral e escrita
18

As possibilidades de conhecimento sobre o bom uso da comunicação são muitas. Aproveite esta opor-
tunidade e faça do seu estudo um momento de reflexão e interação.

CONCEITUAÇÃO

Comunicar-se significa estabelecer contatos que permitem transmitir e receber informações com obje-
tivo de buscar entendimento e compreensão. É uma atividade essencial para a vida em sociedade e não é
privilégio apenas dos seres-humanos, pois todas as espécies precisam trocar informações para garantirem
a sua sobrevivência.

Figura 2 -  Comunicação nas relações atuais


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Quando nos comunicamos por meio da fala ou da escrita, utilizamos uma comunicação denominada
linguagem verbal, a mais importante nas sociedades humanas.
No entanto, existem outros meios de comunicação que se utilizam de sinais não linguísticos, como ges-
tos, expressões faciais, imagens etc. e são denominados linguagem não verbal.
Vamos conhecê-las mais especificamente?
2 Comunicação
19

2.1 LINGUAGEM VERBAL E NÃO VERBAL

Para iniciarmos nossa conversa, vamos pensar: o que é linguagem?


É a aplicação da língua para nos expressarmos e nos comunicarmos com as pessoas ao nosso redor. No
entanto, a linguagem não acontece apenas quando falamos ou escrevemos, mas também quando conse-
guimos compartilhar uma mensagem através de imagens ou gestos.
É justamente aí que encontramos a diferença entre uma linguagem verbal e não verbal. Continue sua
leitura e descubra!
Linguagem verbal é o uso das palavras quando se fala ou quando se escreve e tem como essência o
uso do verbo. Você já experimentou se comunicar falando sem usar os verbos? Difícil, não é mesmo? Sua
mensagem não fica clara. Por causa da necessidade da utilização do verbo é que a linguagem falada ou
escrita recebe essa denominação.
Já a linguagem não verbal independe da fala ou da escrita, ou seja, não precisa de palavras para trans-
mitir uma mensagem. Os meios comunicativos utilizados nesse tipo de linguagem são outros, como: pla-
cas, gestos, cores, figuras.
É interessante saber que as duas linguagens podem aparecer juntas na transmissão de uma mesma
mensagem, como é o caso das tirinhas, cartazes, charges, anúncios.
Para facilitar nossa compreensão, observe o quadro abaixo e constate a diferença:

linguagem verbal linguagem não verbal

Avançar no sinal verde no trânsito ou ficar


Enviar um e-mail ou falar diretamente com
nervoso ao ver um jogador de seu time ser
alguém pelo telefone é linguagem verbal,
expulso ao receber um cartão vermelho é
pois estamos usando as palavras para nos
uma forma de linguagem não verbal, já que
comunicar.
usamos uma simbologia.

Quadro 1 - Linguagem verbal e não verbal


Fonte: FREEPIK, 2015, 2016; SENAI DR BA, 2017.

As linguagens verbal e não verbal sofrem variações no modo como são usadas, dependendo do con-
texto em que são aplicadas.
Essas possibilidades de uso é o que estudaremos a seguir.
Comunicação oral e escrita
20

2.2 LINGUAGEM COLOQUIAL

Como já vimos, a comunicação é uma atividade inerente ao convívio em sociedade. Em todos os âm-
bitos sociais, você interage com pessoas que desempenham distintos papéis e funções e, para cada um
destes componentes e situações, é importante comunicar-se de forma eficiente para ser compreendido.
O principal objetivo da comunicação é transmitir mensagens e produzir entendimento, por isso ela é
dinâmica e atende a necessidades específicas.
Um exemplo dessa variação é o uso da linguagem coloquial, presente nas relações menos formais. É a
língua utilizada no cotidiano que não está preocupada com o uso de regras. Ao usá-la, o falante aplica ex-
pressões populares, gírias e orações elaboradas sem a preocupação de concordâncias verbais ou nominais.
É a língua que utilizamos com nossos familiares, amigos e em situações que não exigem uma formali-
dade com nosso interlocutor1.

E aí mano, estudou Estudei, não quero Depois da prova, bora


para a prova? levar bronca. pegar um cineminha!

Figura 3 -  Linguagem coloquial


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

A imagem anterior mostra uma conversa informal entre amigos, em um espaço que não exige formali-
dade. Já em um ambiente profissional, é preciso se atentar para o uso de uma linguagem mais elaborada,
coerente com o contexto.
A linguagem não deve ser empregada sempre da mesma forma, já que diversos fatores influenciam sua
construção. Ela também não pode ser classificada como certa ou errada, mas como adequada ou inade-
quada para determinado contexto. Por isso, fazemos uso tanto da linguagem coloquial quanto da lingua-
gem padrão, que iremos estudar em seguida.

1 Interlocutor: aquele que participa de uma conversa ou de alguma interação comunicativa.


2 Comunicação
21

2.3 LINGUAGEM PADRÃO

Assim como a linguagem coloquial atende às necessidades menos formais, a linguagem padrão é aque-
la que a escola, por meio do ensino da disciplina de língua portuguesa, nos ensina a dominar. O domínio do
uso da norma-padrão, nas mais diversas situações sociais em que ela é exigida, é de suma importância para
que possamos nos expressar da forma mais adequada ao contexto, seja falando ou escrevendo.
Para essa construção da língua, os falantes seguem a norma culta, usam em situações formais, sele-
cionam cuidadosamente as palavras, na tentativa de elaborar orações e frases que atendem às normas
gramaticais.

SAIBA Para aprofundar seus conhecimentos sobre as linguagens padrão e coloquial, consulte
a literatura: BAGNO, Marcos. A língua de Eulália: novela sociolinguística. São Paulo:
MAIS Contexto, 1997.

Lembre-se, a nossa língua é muito rica e está em constante transformação, modificando-se a fim de cor-
responder às nossas necessidades. Existem ainda outros processos que a compõem e nós vamos entendê-
-los na sequência.

2.4 ESTRANGEIRISMO

Estrangeirismo é o processo que adota palavras de outros idiomas e as introduz na Língua Portuguesa.
Esse processo pode acontecer de duas formas:
a) Com aportuguesamento: a escrita e a pronúncia são ajustadas para o português. Observe o qua-
dro:

Palavra origem

Baguete Do francês baguette

Abajur Do francês abat-jour

Ateliê Do francês atelier

Basquetebol Do inglês basket ball

Batom Do francês bâton

Xampu Do inglês shampoo

Currículo Do latim curriculum


Comunicação oral e escrita
22

Hambúrguer Do inglês hamburguer

Portfólio Do inglês portfólio

Quadro 2 - Vocábulos aportuguesados


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

b) Sem aportuguesamento: a forma original da palavra é conservada. Veja alguns exemplos:

Palavra origem

Internet Do inglês

Mouse Do inglês

Backup Do inglês

Jeans Do inglês

Reveillon Do francês

Croissant Do francês

Link Do inglês

Designer Do Inglês

Quadro 3 - Vocábulos sem aportuguesamento


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Em geral, estamos tão acostumados com o uso do estrangeirismo que, na maioria das vezes, desco-
nhecemos o fato de que uma infinidade de palavras ou expressões que usamos no nosso vocabulário são
originadas de outros idiomas.

O estrangeirismo é chamado também por alguns gramáticos de barba-


CURIOSIDADES rismo porque, para os romanos, qualquer povo que não falasse latim (ou
seja, estrangeiros) era considerado bárbaro.

Além do estrangeirismo, outros processos contribuem para a construção da nossa língua. Vamos co-
nhecê-los?
2 Comunicação
23

2.5 NEOLOGISMO

Neologismo é mais um fenômeno linguístico e acontece quando o indivíduo pretende se expressar,


mas não encontra a palavra ideal, então cria uma palavra, expressão ou atribui um novo sentido a uma
palavra que já existe.
A neologia da nossa língua só ocorre porque ela é viva e passa por constantes transformações. Um
exemplo claro dessa inovação é o uso da palavra “bico” para designar um trabalho temporário, quando na
verdade seu significado original é totalmente diferente do aplicado.
São também considerados neologismos as palavras originadas em outros idiomas e que são ajustadas à
nossa língua, a exemplo da expressão “deletar”. A figura a seguir mostra um exemplo de neologismo bem
prático nos nossos dias.

Vocês não Isso é muito fácil!


sabem o que O quê? É a língua que usamos na
é internetês! internet!

Então, digam o Quando alguém coloca isso,


? ? quer dizer que está triste!
que significa isso:
?
? ?? #fica a dica!

Figura 4 -  Exemplo de neologismo


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Veja na tirinha que o termo o internetês é criado e usado para aludir algo que não existe na nossa língua.
Diante do que foi exposto, fica fácil entender que neologismo é qualquer palavra ou expressão que não
existia, mas passou a existir para suprir alguma necessidade do nosso vocabulário.
Além dos processos linguísticos já estudados, podemos ainda citar o uso das gírias. Prossiga seu estudo
e entenda sua contribuição para nossa língua.
Comunicação oral e escrita
24

2.6 GÍRIAS

As gírias são uma linguagem de caráter popular, criadas por grupos sociais e são usadas para substituir
palavras ou expressões usadas tradicionalmente.
São vocábulos próprios de uma determinada época e, muitas vezes, deixam de existir quando caem
em desuso. Veja alguns exemplos de gírias que não são mais usadas atualmente e outras que ainda estão
presentes no nosso vocabulário:

Broca: fome.
Carapanã: mosquito
Água-dura: cachaça
Desembestar: correr
bastante

Camelo: bicicleta
De rocha: conversa séria

Bololô: confusão
Dar área: ir embora

Algumas gírias
por região Volteado: passeio rápido
Pau de virar tripa: pessoa
magra e alta

Figura 5 -  Gírias por região


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

FIQUE As gírias são interessantes e muito divertidas, mas tenha muito cuidado ao usá-las!
É importante analisar o contexto para adaptar sua linguagem à situação da fala (pa-
ALERTA drão ou coloquial). Nem sempre as pessoas reconhecem esse tipo de vocabulário.

A seguir, conheça outros processos linguísticos, como o regionalismo e entenda a complexidade da


Língua Portuguesa.
Atente-se para o fato de que muitas vezes regionalismo e gíria são confundidos como a mesma coisa,
mas não são! As gírias atribuem um novo significado a uma palavra já existente, no entanto ficam restritas
a grupos sociais, por exemplo, adolescentes.
2 Comunicação
25

Já o regionalismo são particularidades da linguagem em determinadas regiões, muitas vezes, são de-
signados de dialetos.

2.7 REGIONALISMO

O regionalismo caracteriza-se pela utilização de expressões típicas de determinada região e pode ser
identificado na forma como as orações são organizadas. Em algumas regiões, por exemplo, os falantes
usam “não vou”, já em outras “vou não”. Esse fenômeno também ocorre no nosso vocabulário quando um
mesmo objeto pode receber nomes diversos, dependendo do estado, cidade ou região. Observe:
c) No Rio Grande do Sul, a pipa é chamada de pandorga;
d) O semáforo pode receber o nome de farol em São Paulo e sinal no Rio de Janeiro. Pode ainda ter
outras variações, conforme imagem a seguir:

Semáforo
Sinaleira
Sinal
Farol

Figura 6 -  Exemplo de regionalismo


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Além da imensa extensão territorial, o Brasil ainda tem um fator muito importante que contribuiu para
essa variedade. Se analisarmos o nosso contexto histórico, perceberemos que a população do nosso país
é oriunda de povos de diversas nacionalidades e que se instalaram em várias regiões. Esse fato histórico
resulta em uma herança não só cultural ou étnica, mas também no nosso vocabulário.
Um exemplo dessa consequência, que originou o regionalismo no Brasil é a colonização feita por imi-
grantes vindos da Itália para São Paulo, onde podemos notar a influência do italiano em sua forma de falar.
O mesmo acontece nas outras regiões que foram povoadas por outras nações.
Vale ressaltar que a variação linguística torna a nossa língua mais rica e completa, portanto, não existe
uma forma de falar melhor, existe, sim, um processo que facilita a nossa comunicação, conforme veremos
a seguir.
Comunicação oral e escrita
26

2.8 PROCESSO DA COMUNICAÇÃO

A comunicação está presente em nossas vidas desde que nascemos, ela acontece em todo tempo inde-
pendente de idade, tempo ou espaço. Você já percebeu que ela é uma ferramenta muito importante para
nós, não é mesmo?
O sucesso de qualquer atividade pessoal ou profissional depende, primeiramente, da forma como nos
comunicamos. É através de uma comunicação eficiente que somos capazes de transmitir e receber men-
sagens, sejam elas compartilhadas por meio de uma linguagem falada ou escrita, sinais, gestos ou até
mesmo por comportamento e atitudes.

Figura 7 -  Emissor e receptor


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

É por meio da comunicação que podemos compreender as pessoas e o mundo que nos rodeia. No en-
tanto, é fundamental perceber que a comunicação não pode, de modo algum, se efetivar como um evento
isolado. Ela só acontece se houver, pelo menos, um emissor e um receptor desempenhando seus papéis
nessa dinâmica.
Agora é o momento de você entender qual é o seu papel na comunicação enquanto protagonista dessa
ação. Pronto para vislumbrar esse parâmetro e conhecer os elementos que contribuem para um processo
comunicativo eficiente?

2.8.1 ELEMENTOS DA COMUNICAÇÃO

Alguns elementos são essenciais para que a comunicação aconteça de fato. Muitas vezes não os perce-
bemos, mas todas as vezes em que estabelecemos contato com alguém, eles estão presentes.
Os elementos da comunicação nos permitem usar informação, expressão e significados para garantir
uma interação harmônica de ideias. Tais elementos estão classificados em:
a) Emissor: é aquele que emite a mensagem;
2 Comunicação
27

b) Receptor: é aquele que recebe a mensagem;


c) Referente: representa o assunto contido na mensagem;
d) Mensagem: são todas as informações enviadas pelo emissor;
e) Canal: é o meio pelo qual é transmitida a mensagem (livros, revistas, rádio, televisão);
f) Código: é o conjunto de sinais utilizados na comunicação para transmitir a mensagem, podendo
ser de várias maneiras, como os que vimos nos exemplos citados anteriormente. O código con-
templa as formas de linguagem, bem como as variações linguísticas que já foram estudadas;
g) Feedback: é o retorno dado pelo receptor ao emissor; uma resposta.

Observe na imagem a seguir os principais elementos presentes em um ato comunicativo:

Elementos da comunicação
Meu Deus,
Você vai ser vou ser
promovido! demitido!
Canal
Ruído

Mensagem

Feedback
Emissor Receptor

Figura 8 -  Elementos da comunicação


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Agora, imagine-se conversando com alguém. No momento que você emite a mensagem, você assume
o papel de emissor. A pessoa que recebe sua mensagem é o receptor, mas se torna emissor quando te dá
uma resposta. Então, o processo continua com base nessa troca de papéis, a fim de garantir que a comu-
nicação se estabeleça.
Leia o relato a seguir e note como a uma falha na comunicação pode gerar transtornos em diferentes
contextos da nossa vida.
Comunicação oral e escrita
28

CASOS E RELATOS

A sopa não é de letrinhas, mas traz problemas na comunicação.


Uma mulher estava em um restaurante e solicitou uma sopa ao garçom, que lhe atendeu, afastando-
-se em seguida. A mulher, então, o chamou novamente.
- Em que posso ajudá-la senhora? Perguntou o garçom.
- O senhor poderia tomar a sopa, por favor?
Confuso com o pedido, o garçom perguntou se a sopa não agradava à cliente.
- Não é o caso. Por favor, experimente a sopa. Insistiu a senhora.
Raciocinando, o garçom supôs que a sopa estaria fria e se desculpou:
- Desculpe pela sopa estar fria. Trarei outra sem problema algum.
- A sopa não está fria. Você pode experimentá-la, por favor?
Não era comum um garçom experimentar a refeição de um cliente, mas como a senhora insistia
demais, sem graça e sem saber qual era o motivo, perguntou:
- Se a sopa não está ruim e nem fria, diga-me o que a incomoda.
- Desculpe-me, mas para saber qual o problema da sopa, você deve tomá-la.
O Garçom, então, sentou à mesa, mas ao procurar uma colher não encontrou.
Antes que pudesse se pronunciar a mulher declarou:
- Falta a colher! Esse é o problema da sopa. Eu não posso tomá-la.
Esta história extraída do livro de Jorge Bucay mostra como algumas pessoas tornam o processo
de comunicação algo tão complicado, quando poderia ser algo muito simples. Imagine como uma
atitude parecida, em um ambiente organizacional, pode atrasar o trabalho em vez de otimizar o
serviço.
As pessoas pensam e entendem de maneiras diferentes, por isso a mensagem precisa ser a mais clara
possível para que a comunicação aconteça de forma eficiente, sem gerar situações desagradáveis.
(Fonte: BUCAY, 2011).

A forma como nos comunicamos nem sempre garante que nossa mensagem seja entendida como gos-
taríamos, por conta disso, é necessário estarmos sempre atentos às mensagens que enviamos e recebe-
mos.
2 Comunicação
29

Agora que você concluiu os seus estudos sobre comunicação, relembre os principais pontos desse ca-
pítulo. É o momento de tirar dúvidas e fortalecer seus conhecimentos.

RECAPITULANDO

No nosso estudo pudemos perceber como a comunicação é importante para a vida em sociedade.
Identificamos formas úteis de linguagem aos mais diferentes contextos, a linguagem padrão e a co-
loquial e como saber usá-las, o que pode nos diferenciar no meio profissional.
Além disso, entendemos que a língua é um organismo vivo e dinâmico e, por assim ser, sofre influên-
cias de outras culturas, outras línguas, outros grupos sociais, de regionalismos e neologismos.
Essas mudanças tornam nosso sistema linguístico mais rico e completo, de modo que suas variações
e processos não devem ser encarados com preconceito, mas de forma sempre muito respeitosa.
Você ainda teve a chance de entender que é responsável por manter sempre uma boa comunicação,
no intuito de melhorar as relações e enviar mensagens compreensíveis. Não se esqueça dos elemen-
tos que compõem o ato comunicativo e garanta sempre um bom resultado com seu interlocutor.
Agora, prepare-se para uma nova etapa. Nela, você terá a oportunidade de conhecer técnicas e es-
tratégias de leitura e interpretação de textos.
Boa sorte!
Técnica de intelecção de texto

Nas últimas décadas, percebemos que a capacidade de leitura e o domínio da escrita são
aspectos bem relevantes para uma boa colocação no mercado. Não é difícil comprovarmos
esse contexto. Você já experimentou ler jornais ou sites que disponibilizam vagas de emprego?
Para qualquer área de atuação, é bem comum visualizar exigências que expõem a necessi-
dade de colaboradores que demonstrem habilidades com a Língua Portuguesa. Boa leitura e
facilidade de comunicação em produções orais ou escritas, são algumas delas.
Por saber que a maioria de nós acha complicado entender e produzir textos, esse capítulo
foi dedicado à técnicas e estratégias que nos ajudem a compreendê-los e interpretá-los.
Para isso, é fundamental reconhecermos a importância da leitura, pois somente através dela
é possível desenvolver a capacidade de compreender e interpretar os textos escritos, identifi-
car possíveis incoerências, além de adotar uma postura crítica diante do que lemos.

Eu gosto de quadrinhos, mas


prefiro ler jornais. Fico atualizada
sobre tudo.
Vocês já experimentaram ler
Comprei uma revista livros? Também tem muita
em quadrinhos informação importante.
muito divertida.
Olha que interessante!
Cada um de nós gosta de um
tipo de leitura, mas o bom
mesmo é que estamos sempre
lendo alguma coisa!

Figura 9 -  Prática de leitura


Fonte: SENAI DR BA, 2017.
Comunicação oral e escrita
32

Compreender e interpretar textos não são tarefas impossíveis, antes de tudo, é um desafio. Descubra o
que você gosta de ler e comece a praticar!

3.1 análise textual

Para realizar a análise de um determinado texto, é preciso fazê-lo de modo que possamos compreendê-
-lo e interpretá-lo. Mas você pode estar se perguntando: qual a diferença entre compreender e interpretar
um texto?
É simples, para essas atividades, a prática da leitura é fundamental, através da leitura você terá a com-
preensão do texto, conseguirá decodificar e entender o que foi escrito, ou seja, assimilar a mensagem que
foi transmitida.
Já a interpretação vai um pouco além, significa que é preciso não só coletar as ideias apresentadas no
texto, mas estabelecer relações entre o texto e a realidade, é a capacidade de concluir e julgar algo a partir
das concepções apresentadas pelo autor.
Entenda que, enquanto a compreensão aborda os aspectos visíveis do texto, as frases e ideias escritas,
a interpretação atua com a subjetividade, aquilo que não é visto, mas é entendido, ou seja, é o seu enten-
dimento do texto.

INTERPRETAÇÃO TEXTUAL X COMPREENSÃO TEXTUAL

Interpretação
textual

Figura 10 -  Interpretação e compreensão textual


Fonte: GOOGLE; SENAI DR BA, 2017.

A leitura é uma excelente forma de estimular o cérebro. Ela amplia o vocabulário


FIQUE e desenvolve a capacidade de absorver e transmitir informações. A internet, livros,
ALERTA revistas e jornais disponibilizam muitas leituras interessantes! Descubra o seu estilo,
mas não deixe de buscar novos caminhos. Exercite essa prática!
3 Técnica de intelecção de texto
33

Ao analisarmos um texto, precisamos obedecer algumas etapas, o que possibilita a construção de uma
visão global, como veremos logo adiante. 

3.1.1 VISÃO GLOBAL DO TEXTO

Para efetivar a visão global do texto, primeiramente, você deve ler o texto do começo ao fim, com o
objetivo de obter uma primeira compreensão das ideias. Inicialmente, não há necessidade de uma leitura
profunda, pois servirá apenas como um primeiro contato. É nesse momento que podem ser feitas anota-
ções dos vocábulos desconhecidos, pontos não entendidos e dúvidas que prejudiquem o entendimento
da mensagem passada pelo autor.
Trata-se de uma leitura rápida para obter uma visão global e levantar elementos que precisam ser iden-
tificados e garantir um bom entendimento do texto, tais como:
a) Vocabulário utilizado;
b) Dados sobre o autor;
c) Ideologia dos autores;
d) Fatos abordados.
Você já tinha parado para pensar sobre isso? É muito importante aplicar esses questionamentos às suas
leituras, pois isso com certeza irá ajudá-lo bastante em seus estudos. Continue sua jornada e continue fa-
zendo novas descobertas sobre análises de textos.

3.1.2 IDEIAS PRIMÁRIAS E SECUNDÁRIAS

Para que um texto seja compreendido de fato, é fundamental examinar sua estrutura interna, onde
descobriremos suas ideias e como elas se relacionam.
As ideias principais, como o próprio nome já nos faz entender, remete a um tema principal. Elas são
complementadas pelas ideias secundárias, que só são importantes enquanto são somadas ao tema central.
Se há ideias principais e secundárias, como entender a relação entre elas? Não é complicado, vamos
fazer uma comparação das ideias com as cores?
Na imagem a seguir, veremos uma aquarela. Nela há somente cores primárias. Cores primárias são
aquelas capazes de originar outras cores, chamadas de secundárias. Se usarmos esse conceito para identi-
ficarmos as ideias existentes em um texto, podemos dizer que as ideias principais são aquelas que geram
as ideias secundárias.
Comunicação oral e escrita
34

Primária Figura 11 -  Relação entre cores e ideias


Secundária Terciária
Amarelo Fonte: SENAI DR BA, 2017.
Laranja Vermelho-arroxeado
Vermelho Violeta Vermelho-alaranjado
Azul Verde Amarelo-esverdeado
Amarelo-alaranjado
Azul-arroxeado
Azul-esverdeado
Portanto, as ideias principais são aquelas que apresentam a mensagem básica e dão suporte às ideias
secundárias.
No próximo item, estudaremos como a clareza e a objetividade podem caracterizar a estrutura do texto,
a fim de que as ideias nele contidas atinjam o objetivo da mensagem e garantam a coerência textual.

3.1.3 COERÊNCIA TEXTUAL

Como estudamos anteriormente, as ideias secundárias complementam as ideias primárias, dando sen-
tido ao texto. A forma lógica como essas ideias se relacionam e permitem a compreensão da mensagem
é chamada de coerência textual.
Para que a coerência textual aconteça, as ideias devem ser a continuação uma da outra. Caso não ocor-
ra uma organização das ideias entre as frases e elas quebrem uma linha de raciocínio, comprometendo o
entendimento de determinado texto, podemos afirmar que ele está incoerente.
É comum encontrarmos textos confusos, nos quais a coerência textual não é aplicada. Esse discurso
contraditório é facilmente percebido na imagem a seguir:
3 Técnica de intelecção de texto
35

A notícia diz que um homem foi Não gosto de saber que animais Mas não foi exatamente isso que
comido por um leão. comem uma vítima inocente. você fez ao comer aquela galinha
no almoço?

Figura 12 -  Coerência textual


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Percebeu a incoerência das ideias expostas na tirinha? Um discurso coerente deve estar presente não só
em produções escritas, mas também em nossas atitudes e comportamentos diários.
Analise, a partir dos exemplos a seguir, outros contextos em que podemos praticar a incoerência:
a) Carlos, aluno do curso de eletrotécnica, faltou à aula, entretanto estava doente.
(Existe uma incoerência na contradição apresentada pelo uso do conectivo entretanto. O esperado e
lógico é que Carlos tenha faltado à aula porque estava doente, uma explicação de sua ausência.).
b) Camisetas e bermudas são as roupas mais indicadas para se apresentar em uma entrevista de
emprego.
(Conforme o que sabemos e aprendemos sobre entrevistas de emprego, essa informação está incoe-
rente. Algumas incoerências existentes em discursos só são perceptíveis com base em nosso conhecimen-
to de mundo.).

Para um texto ser coerente, ele precisa obedecer a alguns princípios


básicos. Um deles é o princípio da não tautologia. Você conhece? É uma
CURIOSIDADES linguagem que consiste na repetição de palavras e muitas vezes não
permite que o autor alcance seu objetivo na mensagem.

Os dois exemplos, vistos anteriormente, demonstram contradições nas ideias expostas. Veremos em
seguida como podemos organizar essas ideias usando a coerência e a coesão textual.

3.1.4 COEsão TEXTUAL

Além da coerência, a coesão textual é também um recurso que garante uma relação harmoniosa entre
as ideias apresentadas em um texto. Ela exige que os vários elementos sejam aplicados de forma adequa-
da, conectando-os. Na frase “Carlos, aluno do curso de eletrotécnica, faltou à aula, entretanto estava doen-
Comunicação oral e escrita
36

te” poderíamos estabelecer a coerência sem coesão, da seguinte forma: “Carlos, aluno do curso de eletro-
técnica, faltou à aula. Carlos estava doente.” As ideias estariam coerentes, com sentido, mas sem conexão.
No entanto se a organizássemos assim: “Carlos, aluno do curso de eletrotécnica, faltou à aula porque
estava doente.” garantiríamos tanto a coerência quanto a coesão. O conectivo “porque” garantiria a união
entre as frases “Carlos, aluno do curso de eletrotécnica, faltou à aula” e “Estava doente”.
Alguns exemplos de como podemos conectar os nossos pensamentos, sem nos tornarmos repetitivos
estão apresentados no quadro a seguir:
função da
conectivos
conexão

e; além disso; não só... mas também; depois; finalmente; seguida-


mente; em primeiro lugar; em seguida; por um lado... por outro;
Adição
adcionalmente; ainda; do mesmo modo; pela mesma razão; igual-
mente; também; de novo;...
porém; contrariamente; em vez de; pelo contrário; por oposição;
Oposição ainda assim; mesmo assim; apesar de; contudo; no entanto; por
outro lado;...
logo; pois; assim; por isso; por conseguinte; portanto; enfim; em
Conclusão
conclusão; concluindo; em suma;...
apesar de; ainda que; embora; mesmo que; por mais que; se bem
Concessão
que; ainda assim; mesmo assim;...

Dúvida talvez; é provavel; é possível; provavelmente; porventura;...

é evidente que; certamente; decerto; com toda a certeza; natural-


Certeza
mente; evidentemente;...
pois, pois que; visto que; já que; porque; dado que; uma vez que; por
Causa
causa de; posto que; em virtude de; devido a; graças a;...
por exemplo; exemplificando; isto é; tal como; em outras palavras;
Exemplificação
em particular;...
da mesma maneira; da mesma forma; como; similarmente; corre-
Comparação
spondentemente; assim como;...

Quadro 4 - Coesão textual – conectivos


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Para ter mais informações sobre coerência e coesão textual leia: ANTUNES, Irandé.
SAIBA Lutar com as palavras: coesão e coerência. 1. ed. São Paulo: Parábola, 2005. Essa lei-
MAIS tura vai abrir um leque de informações importantes sobre a aplicação da Língua Portu-
guesa.

Quando falamos de coesão textual, nos referimos aos conectivos que permitem uma ligação entre as
partes de um texto, sejam eles palavras, frases ou parágrafos.
3 Técnica de intelecção de texto
37

Voltando aos exemplos mencionados anteriormente, analisemos o segundo exemplo:


“Camisetas e bermudas são as roupas mais indicadas para se apresentar em uma entrevista de empre-
go”. Você só consegue identificar a incoerência na sentença porque você possui esse conhecimento de
mundo e sabe que a informação está incorreta. É por causa dessas informações que é possível construir o
significado do texto.
Assim, podemos concluir que um texto se torna coerente ou incoerente para nós dependendo, tam-
bém, dos conhecimentos prévios que nós possuímos.
Prepare-se, pois é sobre isso que estudaremos agora.

3.2 ANÁLISE TEMÁTICA

Após a leitura inicial, que garante a visão global do texto, é preciso esclarecer as dúvidas encontradas
e fazer uma nova leitura, para compreender o todo e entender o pensamento do autor. Nesta segunda
leitura, o leitor a realiza de forma atenta a fim de fazer a análise temática do texto e levantar elementos que
precisam ser compreendidos:
a) Procure entender qual é o problema que motivou o autor a escrever o texto;
b) Entenda como o autor aborda o tema e fundamenta sua argumentação;
c) Identifique a linha de raciocínio do autor;
d) Avalie se você conseguiu compreender aquilo que o autor considera importante;
e) Encontre as ideias primárias e secundárias e como elas se relacionam;
f) Estabeleça um esquema que representa as ideias apresentadas pelo autor.

?? ?

Análise temática

É a segunda abordagem do texto

Procura-se ouvir o autor

Figura 13 -  Análise temática


Fonte: SENAI DR BA, 2017.
Comunicação oral e escrita
38

A análise temática permite uma compreensão mais profunda do texto, no entanto, não cabe nesse mo-
mento, ainda, a interpretação, mas a apreensão das ideias. Nesta etapa, você, enquanto leitor, não discute
o texto, não debate conceitos, seu papel é interrogar e procurar respostas.
Até aqui, ao analisar um texto, você se comporta como um ouvinte, apenas recebe as informações. Mas
a melhor parte está por vir! O tópico seguinte auxiliará você a interpretar e fazer inferências sobre o que
apreciou.

3.3 ANÁLISE INTERPRETATIVA

No início do nosso capítulo, você estudou o significado de interpretação. Lembra?


Quando você interpreta, desenvolve a habilidade de tomar uma posição própria diante das ideias apre-
sentadas pelo autor, consegue ler nas entrelinhas e formular suas próprias concepções, concordando ou
não com os pensamentos expostos.
Esse conceito pode ser facilmente detectado no diálogo existente na tirinha a seguir. Com base na
interpretação do que ouviu, o receptor tira suas próprias conclusões, mesmo de que forma inadequada.

Eu tenho
oitocentas cabeças Eu só tenho um boi,
de gado! mas ele tá inteirinho!
E você?

Figura 14 -  Análise interpretativa


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Pela comunicação exposta, é possível entender que nossa interpretação acontece baseada em referên-
cias daquilo que sabemos ou conhecemos. As informações que temos a respeito do que acontece ao nosso
redor são fatores relevantes para a compreensão das mensagens que recebemos.
É comum passarmos por esse tipo de situação, às vezes ouvimos ou lemos sobre algo que não conhe-
cemos, em algum momento isso vai acontecer. A questão importante é: podemos evitar? Claro que sim!
Vale seguir a dica: leia, pesquise, pergunte. O aprendizado acontece quando vamos em busca do conhe-
cimento.
Portanto, a análise interpretativa decorrerá das etapas de leitura anteriores. Nela, você deve exercer
uma atitude crítica com relação às posições do autor, verificar a coerência da argumentação, originalidade
do tratamento do problema, profundidade da análise, alcance das conclusões e suas consequências.
3 Técnica de intelecção de texto
39

Para ajudá-lo a compreender melhor, a história apresentada no “Casos e Relatos” ilustra um fato bem
interessante de como não realizar a análise interpretativa. Fique atento e não caia nas mesmas armadilhas
da nossa língua!

CASOS E RELATOS

Dois estagiários e um problema


Em uma empresa, líder no mercado de automóveis, havia dois estagiários disputando uma mesma
vaga de emprego.
Durante uma de suas apresentações sobre projetos inovadores que deveriam ser implantados na
empresa, Manoel realizou um trabalho idêntico ao de Cláudio. Muito surpreso e sem entender como
seria possível, Cláudio logo supôs que seu concorrente estaria trapaceando.
Então, preocupado com a situação e vendo a possibilidade de perder sua chance na empresa, além
de não conseguir a vaga, chamou um detetive:
- Siga o estagiário Manoel Lopes em uma semana, durante o horário de serviço. Se disfarce de ze-
lador, assim terá acesso aos diversos departamentos onde ele atua. Preciso saber o que ele está
aprontando contra mim.
O detetive, após cumprir as ordens, enviou um e-mail para Cláudio, contando os seguintes episódios:
“O estagiário Manoel Lopes entra normalmente em sua sala, checa seus e-mails, analisa os documen-
tos em sua mesa, realiza algumas ligações de seu telefone e sai para o almoço.”
Ao ler o e-mail, Cláudio ficou aliviado e respondeu ao detetive:
“Obrigada pelo serviço, não vejo nada de errado no que ele faz.”
Ao receber a mensagem tranquila de Cláudio, o detetive retorna:
“Desculpe, mas acredito que o Senhor não me entendeu, por esse motivo vou trata-lo como “tu”
para reenviar os acontecimentos: O estagiário Manoel entra normalmente em tua sala, checa teus
e-mails, analisa os documentos colocados em tua mesa, realiza algumas ligações do teu telefone e
sai para o almoço.”
Entendeu quanta confusão pode ser gerada por causa de uma interpretação errada? Uma simples
troca de pronomes mudou toda nossa compreensão do texto e a de Cláudio também, claro!

Para não seguir o exemplo de Cláudio, o estagiário da nossa história, alguns passos te ajudarão a realizar
a análise interpretativa de forma assertiva:
Comunicação oral e escrita
40

a) Relacione as ideias apresentadas pelo autor com outros contextos. Para isso, recorra a outras
fontes, outros autores;
b) Entenda o que não está escrito, leia nas entrelinhas, faça inferências do que está implícito e que
norteou o raciocínio do autor;
c) Adote uma postura de julgamento, seja capaz de concordar ou se opor, mas tenha como base
argumentos válidos, lógicos e convincentes.
Uma vez que você tenha conseguido realizar todas essas etapas, você será capaz de construir novos
conhecimentos e realizar uma análise textual brilhante.
Mas agora, para que todas as informações compartilhadas sejam consolidadas e você possa fazer novos
questionamentos, vamos relembrar o conteúdo estudado.
3 Técnica de intelecção de texto
41

RECAPITULANDO

Durante nosso estudo nesse capítulo, fomos conduzidos a entender que a intelecção textual envol-
ve várias técnicas e estratégias que nos ajudam a interpretar e compreender um texto.
Percebemos que a prática da leitura é a principal ferramenta na análise textual. Sem ela é impossível
avançar para outras etapas.
A leitura nos permite obter uma visão global do texto e encontrar suas ideias primárias e secundá-
rias, assim como identificar possíveis incoerências e falta de coesão na sequência de pensamentos
apresentados pelo autor. Também foi possível conhecer vários conectivos que podem nos auxiliar
na conexão das nossas ideias.
Mas não foi só isso. Conhecemos o caminho que nos guia a uma análise textual completa e eficaz.
Além da visão global, que é a primeira etapa quando examinamos um texto; temos ainda a análise
temática, que nos permite conhecer as ideias do autor sem, necessariamente, interpretá-las.
Através dela podemos desvendar o tema, o problema em questão, filosofia do autor, dentre outros
aspectos que contribuem para o bom entendimento do texto.
E para finalizar, visualizamos a relevância da interpretação, atividade que nos permite uma posição
crítica diante do ponto de vista do autor, nos conduz a ler nas entrelinhas e compreender o que está
implícito no texto. Toda essa percepção só é possível quando realizamos a análise interpretativa.

No próximo capítulo aprofundaremos nosso conhecimento e estudaremos os tipos de parágrafos, sua


estrutura e sua unidade interna. Pronto para encarar este novo desafio?
Parágrafo

Para iniciarmos o estudo deste capítulo, primeiramente, cabe-nos fazer uma pergunta mui-
to importante e que norteará nossa compreensão sobre o assunto: Por que devemos escrever
em parágrafos?
Como já vimos anteriormente, a produção de um texto envolve muitos elementos que es-
tabelecem a coerência e coesão das ideias apresentadas. Além disso, a estética na construção
escrita, também, é um meio de possibilitar a organização dessas ideias.
Assim, podemos afirmar que o parágrafo é uma ferramenta que o escritor utiliza, a fim de
garantir que a estrutura textual apresente pensamentos relacionados a uma ideia principal,
dotados de sentido e esteticamente organizados.
Durante nossa leitura, iremos entender quando usar parágrafos curtos ou médios e o por-
quê de não usarmos parágrafos longos. Outro ponto importante, para levarmos em considera-
ção e tornarmos nosso entendimento mais consistente, é compreendermos tanto a estrutura
do parágrafo, seus tipos e como é composta sua unidade interna.
Faça de sua pesquisa uma oportunidade de ampliar seus conhecimentos, trabalhe com
muita dedicação, não esqueça que sua aprendizagem depende de sua postura no processo.

Figura 15 -  Parágrafo
Fonte: SENAI DR BA, 2017.
Comunicação oral e escrita
44

Faça de sua pesquisa uma oportunidade de ampliar seus conhecimentos, trabalhe com muita dedica-
ção, não esqueça que sua aprendizagem depende de sua postura no processo.

4.1 estrutura interna

Um parágrafo é o conjunto de um ou mais períodos em que as orações se conectam pelas mesmas


ideias, o que resulta em uma unidade de sentido inserida em um texto coeso.
Para facilitar seu entendimento, vamos relembrar alguns conceitos:
a) Período: são orações compostas por mais de um verbo;
b) Oração: é qualquer enunciado que tenha sentido e seja composto por um verbo;
c) Frase: é todo enunciado de sentido completo, podendo ser formada por uma só palavra ou por
várias, o uso do verbo é facultativo.
Entender a diferença entre período, oração e frase é o primeiro passo para assimilar a estrutura de um
parágrafo, pois ele é um dos mais importantes componentes do texto.
Os parágrafos não são estáticos, eles podem variar de tamanho, conforme a necessidade do tipo de
texto, público-alvo, ou ainda, local onde será apresentado. A habilidade de perceber o tamanho ideal dos
parágrafos se desenvolve com a prática da escrita e pode ajudá-lo a conquistar o leitor.
Sabemos que escrever uma boa redação pode parecer um exercício complicado para alguns, por este
motivo veremos alguns passos que nos ajudarão a construir nosso texto, partindo de um entendimento
de como estruturar os parágrafos:

E N Ç ÃO!
AT

Figura 16 -  Atenção à estrutura dos parágrafos


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

a) É importante se atentar que um parágrafo é composto por uma ideia central chamada de ideia-
-núcleo, é ela que originará as ideias secundárias;
b) As ideias secundárias devem estar relacionadas com a ideia-núcleo, que é a principal;
4 Parágrafo
45

c) Para iniciar um bom parágrafo apresente o tópico frasal, que é a frase inicial de cada parágrafo.
Nele estará a ideia central; é uma introdução. É fundamental que o tópico frasal seja conciso e
objetivo;
d) Você pode se perguntar: qual o tamanho ideal de um parágrafo? Não existe uma quantidade exa-
ta que determine um tamanho padrão, o bom senso é sempre o melhor norteador, mas caso você
sinta dificuldades, cinco linhas é um número satisfatório;
e) Quando devo terminar um parágrafo? É uma dúvida comum e fácil de entender. Quando você
perceber que seu parágrafo concluiu a ideia-núcleo e está começando a desenvolver outras
ideias, é hora de finalizá-lo e partir e começar outro;
f) Além de garantirem uma boa estética do texto, outra função dos parágrafos é estabelecer um
limite entre uma ideia e outra dentro do mesmo tema;
g) Ao concluir seu texto, releia! Caso perceba que algumas ideias ficaram confusas ou desordena-
das em um mesmo parágrafo, reorganize seu pensamento e reescreva-as. O processo da escrita
envolve muita paciência. Ler, reler e reescrever são ações fundamentais para quem quer produzir
bons textos.

O tamanho adequado dos parágrafos permite uma boa organização e estruturação


FIQUE do texto, além de facilitar a leitura e entendimento. Quando escrever um parágrafo,
ALERTA releia e coloque-se no lugar do leitor: ele vai ficar cansado com sua redação? Se a res-
posta for sim, reescreva.

O estudo sobre parágrafos não para por aqui. Além da estrutura, existem outros aspectos bem interes-
santes que precisamos conhecer.
Comunicação oral e escrita
46

4.2 TIPOS DE PARÁGRAFOS

O assunto, na maioria das vezes, é o que determina a estrutura e o tipo de parágrafo que será usado na
composição do texto, pois os parágrafos possuem princípios que atendem às suas funcionalidades. Dentre
eles, podemos destacar o parágrafo narrativo, o parágrafo descrito e o parágrafo dissertativo.
Vamos entendê-los melhor, a partir da análise do quadro a seguir:

tipos de parágrafos

-- Os parágrafos desse tipo textual apresentarão ações e


diálogos relatarão fatos;
-- Haverá a presença de narrador, personagens, local, enredo,
Parágrafos Narrativos
tempo;
-- O diálogo direto e indireto, geralmente, estarão presentes;
-- Os verbos de ação farão parte de sua estrutura.

-- Estarão presentes: adjetivos, verbos de ligação, descrição de


algo, alguém ou espaços;
Parágrafos Descritivos -- As metáforas, comparações, ajudarão na construção das
descrições;
-- Resultará em uma imagem física ou psicológica.

-- A função desse tipo de parágrafo é apresentar, desenvolver e


defender uma ideia;
Parágrafos Dissertativos
-- Predominará o uso da linguagem objetiva;
-- Prevalecerá a denotação.

Quadro 5 - Tipos de parágrafos


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Que tal dominar a escrita de uma boa redação? Acesse o site da Revista Nova Escola e
SAIBA aprofunde seus conhecimentos sobre produção textual.
MAIS
Palavras-chaves: produção de texto, leitura, redação.

Estamos quase concluindo nosso desafio de compreender o parágrafo e seus principais fundamentos.
Leia a história apresentada a seguir e entenda a importância de uma boa organização dos parágrafos
para sua vida profissional.
4 Parágrafo
47

CASOS E RELATOS

O Jardineiro
Em um bairro do Rio de Janeiro, a maioria das residências, por tradição, têm em sua fachada um lindo
gramado. E para este serviço há diversos jardineiros autônomos que fazem reparos nestes jardins.
Um dia, um executivo de marketing de uma grande empresa contratou um desses jardineiros. Che-
gando em casa, percebeu que havia contratado um menino de apenas 13 anos e ficou muito sur-
preso.
Quando o garoto terminou o serviço, o executivo ficou tão satisfeito com o trabalho do rapaz que
perguntou se havia alguma forma de ajudá-lo.
O garoto, então, pediu que ele lesse e corrigisse o folheto de propaganda, que mandaria por um
colega para uma determinada pessoa. O folheto relatava as características de seu serviço, mas um
parágrafo chamou a atenção do executivo:
“Você está precisando de jardineiro além de aparar eu também tiro o lixo eu limpo e lubrifico todas
as ferramentas no final do serviço meu atendimento é o mais rápido meu preço é um dos melhores”.
Ao ler, o executivo explicou algumas formas de fazer um bom marketing, ressaltando que a escrita
era uma delas, então corrigiu o parágrafo de modo que as ideias fossem apresentadas de forma or-
ganizada e adequada:
“Você está precisando de jardineiro? Além de aparar, eu também tiro o lixo, eu limpo e lubrifico
todas as ferramentas no final do serviço. Meu atendimento é o mais rápido e meu preço é um dos
melhores”.
O executivo, por sua vez, intrigado, perguntou:
- Você precisa muito ganhar esta cliente?
- Não senhor, eu sou o jardineiro dela, eu apenas quero medir o quanto ela está satisfeita com meu
serviço.
O Executivo admirou a iniciativa e refletiu que aquele menino, para ser um profissional excelente, só
precisaria se dedicar à escrita, pois resto já possuía.

Assim como o garoto da nossa história, para fortalecer seus conhecimentos, você tem como tarefa con-
tinuar seu estudo e efetivar sua aprendizagem.
Comunicação oral e escrita
48

4.3 UNIDADE INTERNA

O parágrafo é uma unidade do texto que se caracteriza pela composição de ideias secundárias que
são desenvolvidas em função de uma ideia central. Quanto à extensão, vimos que não existe uma receita
pronta e acabada, visto que a habilidade de quem escreve determinará o momento de realizar a transição
entre um posicionamento e outro, permitindo que o discurso seja compreendido em sua totalidade.
Assim, entendemos que existem diferentes formas de organização de parágrafos, contudo, na maioria
das vezes, ele precisa seguir um padrão, que permite que as ideias sejam organizadas e encadeadas de
modo a tornar o texto coerente e coeso.
Esse padrão segue uma ordem lógica, tem início, com a introdução da ideia núcleo; desenvolvimento,
com a presença das ideias secundárias, e a conclusão. Vamos visualizar as etapas desse processo com mais
detalhes:
a) Introdução: pode ser denominada de tópico frasal; é a etapa responsável por introduzir a ideia
principal; apresenta o assunto que será desenvolvido pelas ideias secundárias;
b) Desenvolvimento: como o próprio nome já informa, sua função é desenvolver a ideia central do
texto. Nessa etapa, o tópico frasal é explanado, a ideia principal é reforçada pelas ideias secundá-
rias. Para isso, é necessário o uso de argumentos, conceitos ou pensamentos que fundamentam
o assunto que será tratado;
c) Conclusão: é o momento que você finaliza seu texto; essa etapa é caracterizada pela retomada
da ideia central e das ideias secundárias de forma sintetizada. O objetivo é arrematá-las de forma
coerente. Parágrafos curtos podem não apresentar conclusão.

Parágrafos
Parágrafo é uma estrutura composta por frases que dão
sentido a uma sequência lógica de ideias.

Em um texto, o parágrafo exerce a função de iniciar e


concluir um novo tema, é uma ferramenta que garante
a estética e organização da exposição do assunto.

Dependendo do tipo de produção textual, os


parágrafos podem ser narrativos ou descritivos.

Figura 17 -  Unidade interna - Parágrafos


Fonte: SENAI DR BA, 2017.
4 Parágrafo
49

Você já observou o símbolo §, que marca intervalos de ideias? E o espa-


CURIOSIDADES ço que damos na primeira linha à margem esquerda da folha? Estas são
formas de identificarmos um parágrafo.

Mais uma etapa vencida, não é mesmo? Você pode afirmar que compreendeu a importância do pará-
grafo para uma produção textual? Alie teoria e prática, alimente o hábito de ler, escreva textos, releia. A
prática da leitura e da escrita gera o aperfeiçoamento em seus trabalhos. Agindo assim, o resultado de seu
estudo será enriquecedor.
Ter aprendido como elaborar um parágrafo te ajudará a assimilar o conteúdo seguinte. Agora, você
está convidado a percorrer uma nova trajetória de aprendizado. Explore esse novo caminho com muita
curiosidade e dedicação.
Comunicação oral e escrita
50

RECAPITULANDO

Durante o processo de leitura desse capítulo, você foi conduzido a entender o quanto um parágrafo
é fundamental para uma construção escrita, seu papel na organização das ideias, tornando-as coe-
rentes e coesas, além de permitir uma boa aparência à estrutura textual.
Percebeu que não existe uma fórmula pronta a ser seguida na formação dos parágrafos, eles podem
ser curtos ou médios, entretanto, o uso de parágrafos longos pode provocar a dispersão do leitor,
por esse motivo, não são indicados.
Mas não foi somente isso.
Foi possível identificar os tipos de parágrafos e suas funcionalidades, entendendo que cada tipo
atende a um propósito específico. Aprendeu também como estruturá-lo, a fim de apresentar a ideia
principal e as secundárias em uma sequência que inicia com a introdução e se desenvolve até uma
conclusão.
Assim, podemos dizer que os parágrafos são microtextos que apresentam temas, sem se tornarem
cansativos e redundantes.
4 Parágrafo
51
Descrição

Descrição é a ação de descrever sobre algo ou alguém. Mas o que é descrever?


É exatamente sobre isso que iremos conversar neste capítulo. Veremos que, sempre que
você expõe com detalhes um objeto, uma pessoa, um processo ou um ambiente, está fazendo
uso da descrição. Estudaremos também suas características, estrutura, fundamentos e relevân-
cia; aspectos importantes para a construção de um bom texto descritivo.
Você vai entender que uma boa descrição depende do ponto de vista do observador, e cada
um a realiza de uma forma diferente, pois varia de acordo com seu grau de percepção.
É fundamental entender, ainda, que as minúcias são essenciais para um texto descritivo.
Assim, quando for descrever, tenha sutileza ao transmitir e leve em consideração todas as in-
formações que possam ser compartilhadas sobre o fato, objeto ou pessoa analisada: as cores;
altura; comprimento; dimensões; características físicas; características psicológicas; sensação
térmica; tempo e clima; vegetação; perspectiva espacial; peso; textura; utilidade; localização;
dentre outras.

Figura 18 -  Diversidade
Fonte: SENAI DR BA, 2016.
Comunicação oral e escrita
54

A descrição é o tipo de texto que nos ajuda a expor as diferenças existentes no mundo. Você vai en-
contrar neste capítulo subsídios para produzir descrições, inclusive técnicas. Claro que sua dedicação e
persistência o ajudará a adquirir essa habilidade.

CONCEITUAÇÃO

Enquanto a narração, assunto que veremos mais adiante, é o tipo textual responsável por relatar fatos
ou ações que acontecem com tempo e espaço determinados, a descrição é o relato de características de
um objeto, pessoa ou situação. Ao contrário da narração, esse tipo textual independe do tempo.
Descrever é a arte de ilustrar algo ou alguém, usando as palavras, de forma que essa imagem possa ser
visualizada pelo leitor.

FIQUE Um mesmo texto pode ter elementos da narração e da descrição. Para identificar
qual o tipo textual em questão, você deve entender a real intenção do autor. É contar
ALERTA uma história ou te apresentar características sobre algo ou alguém?

Ao ler ou ouvir uma descrição, o leitor ou ouvinte deve ter a sensação de que está vendo o objeto, a
pessoa ou local descrito, por isso, quanto mais minucioso e rico de detalhes, mais eficiente será o ato de
descrever.
Para nos ajudar a compreender melhor esse tipo textual, vamos ler a história a seguir. Examine o texto
e atente-se para as características já mencionadas sobre a descrição. Agora, seu exercício é percebê-las!

CASOS E RELATOS

Darcy Ribeiro
Um dos mais brilhantes cidadãos brasileiros, Darcy Ribeiro provou ao mundo que um homem de
nada mais precisa além da coragem e da força de vontade para modificar aquilo que, por covardia,
simplesmente ignoramos. Ouvi-lo, mesmo que por alguns instantes, nos levava a conhecer sua sa-
bedoria e simplicidade, era um verdadeiro intelectual cuja convivência com os índios o fez adquirir
invejável formação humanística.
Darcy tinha a pele clara, olhos negros e curiosos, lábios finos e trazia em seu rosto marcas de quem
já deixou sua marca na história, as quais harmoniosamente faziam-lhe inspirar profunda confiança.
Apesar de diabético e lutar contra dois cânceres, não fez disso desculpa para o comodismo ante a
seus ideais maiores, ele sabia o que queria, e não mediu esforço para conseguir.
5 Descrição
55

Com seu espírito jovem e obstinado, Darcy Ribeiro estava sempre aprendendo e ensinando, ele sa-
bia como ninguém pensar com serenidade e defender aquilo em que acreditava, porém era realista
o suficiente para não se perder em “devaneios utópicos”.
Acima de tudo, ele amava as crianças do Brasil, e em nome dessas fundou os CIEPs, no Rio de Janeiro,
tendo também participação fundamental na criação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação. Seus
esforços foram reconhecidos internacionalmente, valendo-lhe prêmios e homenagens por institui-
ções de diversos países. Devido ao seu carisma, destacou-se como etnólogo, antropólogo, político,
educador, escritor e historiador; tendo vários livros publicados.
Mais que uma sucessão interminável de adjetivos pomposos, Darcy Ribeiro representou um exem-
plo a ser seguido por qualquer um que tenha a consciência de seu dever para com a sociedade a que
pertence. Portanto, homenageá-lo é dever de cada brasileiro.
(Fonte: COSTA, [20--]).

Finalizou sua leitura? Percebeu como os elementos descritos no texto conseguem ser visualizados? Foi
possível imaginar aparência de Darcy Ribeira, suas características físicas e até psicológicas? Então, esse é o
papel da descrição, nos fazer entender, visualizar, imaginar aquilo que apresentamos a alguém.
Podemos ainda, identificar no texto dois tipos de descrição existentes:
a) Descrição objetiva:  acontece quando descrevemos um objeto, pessoa ou ambiente como ele
realmente é em seu aspecto visual. Essa descrição é feita de forma direta, clara, denotativa e con-
creta. Exemplo: “Darcy tinha a pele clara, olhos negros e curiosos, lábios finos...”;
b) Descrição subjetiva: acontece quando usamos a emoção para descrever um objeto, uma pes-
soa ou um ambiente. O discurso nesse tipo de descrição é subjetivo, marcado pela conotação. Há
a influência de sentimentos, é uma descrição abstrata. Exemplo: “...trazia em seu rosto marcas de
quem já deixou sua marca na história, as quais harmoniosamente faziam-lhe inspirar profunda
confiança.” Portanto, na descrição subjetiva há interferência emocional por parte de quem obser-
va, analisa.
Na tirinha a seguir, vemos a presença dos dois tipos de descrição. Você consegue identificá-las?

E lembro do sol entrando pela Lembra do seu cantinho


Foi nesta casa que você cresceu.
janela de manhã; de você, feliz, especial, onde você ficava
Lembro de como era espaçosa...
correndo pela casa. quando queria ler?

Figura 19 -  Descrição objetiva e subjetiva


Fonte: SENAI DR BA, 2016.
Comunicação oral e escrita
56

Você sabia que a descrição objetiva e a descrição subjetiva também po-


dem ser denominadas de descrição denotativa e descrição conotativa,
CURIOSIDADES respectivamente?
Independente da nomenclatura que usamos, é importante entender que
elas nos ajudam a construir um bom texto descritivo.

Para muitos, escrever um texto é uma atividade complicada. Mas pode ser simples saber se você fez
uma boa descrição. Leia, releia o seu texto e perceba se seus leitores visualizarão o que está sendo descrito.
Esse exercício pode se tornar ainda mais fácil. Atente-se para as características do texto descritivo apresen-
tadas em seguida e entenda sua composição:

CARACTERÍSTICAS DE UMA DESCRIÇÃO

a) Usamos verbos de ligação. Eles servem para ligar o sujeito às suas características;
b) Adjetivos ou locuções adjetivas estão sempre presentes. São responsáveis pela caracterização
que se dá ao objeto, à pessoa, ao processo ou ao ambiente descrito;
c) É um texto estático, parado. O que pode tornar o texto entediante, mas isso deve ser evitado
com caracterizações claras e utilização de características específicas. Essas estratégias tornarão
sua descrição rica e fará da imagem descrita atraente e incomum, o que pode garantir a atenção
do leitor;
d) A construção da imagem é feita através das palavras, por isso é denominada imagem verbal.
O principal objetivo da descrição é fazer com que a imagem descrita seja acessível ao leitor. Por isso, a
necessidade de retratar o espaço, a pessoa ou objeto com o máximo de detalhes.
A riqueza de informações sobre as características tornará a imagem clara, possível de ser visualizada.
Imagine que seu leitor precisa da ajuda de suas palavras para construir na mente o que você está vendo.
Pronto para exercitar a escrita descritiva? Atente-se para algumas dicas!

DICAS PARA UMA BOA DESCRIÇÃO

a) Utilizar linguagem clara, ser direto e dinâmico;


b) Descrever características incomuns que não estão em qualquer lugar ou objeto. É fundamental
que os traços que distinguem uma imagem de outra sejam identificados, assim fica mais fácil
visualizá-la como realmente é;
c) É preciso separar aspectos físicos e psicológicos;
-- Aspectos físicos: que são as características externas, como altura, peso, cores, textura, ou seja,
quaisquer aspectos que podem ser vistos;
5 Descrição
57

-- Aspectos psicológicos: são características mais abstratas, não podem ser vistas, mas são facil-
mente identificadas como caráter, temperamento, personalidade;
d) Na introdução deve ser apresentada a imagem a ser descrita. Isso se faz de forma bem direta e
específica, apresenta uma visão global do que será exposto;
e) O desenvolvimento consiste na explicação da visão global, em que as ideias secundárias com-
pletam a primária, existente na introdução;
f) A conclusão pode retomar uma característica que melhor identifica a imagem ou, ainda, pode
trazer uma impressão do autor sobre o objeto descrito. Mas lembre-se, nem sempre a conclusão
é necessária.
Pôr em prática essas dicas enriquece a descrição e torna o texto mais atraente.

SAIBA A descrição é um tipo textual muito rico. Para ter mais informações sobre sua estrutura,
aspectos e elementos, leia: ANTUNES, Irandé. Aula de português: encontro e intera-
MAIS ção. São Paulo: Parábola Editorial, 2003.

Todo o conteúdo estudado até aqui te ajudará a construir um bom texto descritivo, mas é preciso se
atentar para mais algumas informações. Lembre-se: a construção da aprendizagem é constante.

5.1 OBJETO, PROCESSO, AMBIENTE

O texto descritivo apresenta linguagem clara e precisa, ideias coesas e coerentes, organizadas em uma
sequência linear, na qual o discurso conduz o leitor a adquirir uma visão do que está sendo descrito. Atribui
características peculiares a um determinado objeto, processo ou lugar.
É importante considerar que observar algo envolve percepções intimamente ligadas aos nossos senti-
dos. A observação estimula a visão, audição, olfato, paladar e tato, eles absorvem a essência do que pre-
tendemos descrever e nos permitem alcançar um bom resultado na imagem que construímos usando as
palavras.

OBJETO

Para descrever um objeto é necessário observar o formato (redondo, triangular), a dimensão (largura,
altura, espessura), o material de sua composição, a aparência (cor, brilho, peso, textura), sua utilidade, seu
valor. Os objetos impressionam nossos sentidos com maior intensidade e provocam sensações visuais,
auditivas, táteis, olfativas e gustativas, segundo a situação. Na imagem a seguir, o pintor tenta representar
a imagem vista. É mais ou menos o que tentamos fazer com as palavras, quando descrevemos um objeto
para alguém.
Comunicação oral e escrita
58

Figura 20 -  Descrição de objeto


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

PROCESSO

A descrição técnica de processo tem o objetivo de apresentar os passos de um procedimento ou o


funcionamento de um aparelho. Esse tipo de descrição apresenta as seguintes características principais:
a) Exposição em ordem cronológica;
b) Objetividade;
c) Detalhamento das ações;
d) Indicação clara das diferentes fases do processo;
e) Ausência de suspense ou expectativa;
f) Predominância de orações coordenadas;
g) Impessoalidade na exposição.
Esse tipo de descrição engloba aspectos narrativos e vai exigir de você um conhecimento aprofundado
do assunto e observação apurada. Pode ser acompanhada de desenhos, mapas, fotos, diagramas, para evi-
tar faltas ou excessos. Descrição de experiências e receitas também são exemplos desse tipo de produção
de texto.
5 Descrição
59

O processo Cadeia de valor

Atividades Atividades Atividades Atividades

Recebimento Produção Vendas Expedição

Fornecedor Clientes

Informações
Figura 21 -  Descrição de processo
Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Entender a descrição de processos dará a você subsídios para construir textos técnicos.

AMBIENTE

Na descrição de ambiente, o importante é que o leitor se sinta no local descrito. Quando precisamos
descrever um ambiente, podemos nos deparar com a seguinte dúvida: ambiente é a mesma coisa que
paisagem? Designamos por ambiente um lugar fechado e paisagem um lugar aberto.
Ciente do que é ambiente e paisagem, atente-se para os detalhes na hora de construir seu texto. Mes-
mo se for um espaço fechado, há inúmeras percepções que podem ser levadas em consideração, fale das
cores, se há porta, o cheiro, como os objetos estão organizados, a luminosidade, dentre outros
Se aberto, fale sobre o pano de fundo local, se há árvores, animais, que tipo de animais, se há grama e
qual a sensação de pisar nela (se for o caso), se há frutos, o clima, os aromas, os sons.
Tais informações ajudam seu interlocutor a entender melhor o espaço, como mostra a imagem a seguir.
Comunicação oral e escrita
60

Quero que você conheça a


escola! À sua direita, fica a
quadra de esportes e à sua
esquerda, a sala de vídeos! Com audiodescrição entendo
melhor os filmes e posso
conhecer mais os lugares!

Figura 22 -  Descrição de ambiente


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Conhecendo todas essas formas de descrição, você poderá escrever diversos textos, com finalidades di-
ferentes. Explore todos os conhecimentos abordados até o momento, sua aprendizagem acontece quan-
do você se dispõe a ler e questionar. Alguma dúvida? Caso tenha, releia o capítulo, mas antes, veja se a
revisão a seguir pode te ajudar.
5 Descrição
61

RECAPITULANDO

Nesta unidade você teve acesso a muitas informações relevantes sobre a descrição. Essas informa-
ções tiveram o objetivo de te capacitar a ler, identificar, escrever e interpretar textos descritivos.
Dentre os conteúdos estudados, vimos que o ato de descrever remete à exposição de características
distintivas de pessoas, objetos, lugares, processos e que a ação requer muito cuidado, pois envolve
análise, observação e percepção aguçada sobre o que haverá de ser descrito.
Aprendemos que existem alguns tipos de descrição, dentre os quais podemos citar a descrição sub-
jetiva e objetiva. Cada uma tem uma finalidade específica, mas ambas, muito importantes para um
bom texto descritivo, apresentam os aspectos físicos, psicológicos e emocionais presentes na reda-
ção.
Assim, pudemos perceber que a descrição é uma tipologia de textual muito presente em nosso coti-
diano e que, inclusive, nos ajudará muito nas produções de textos técnicos.

Você concluiu essa etapa com sucesso! Agora estudaremos sobre a narração. Nós mencionamos esse
tipo de texto no capítulo. Lembra? Na próxima fase, você vai ampliar seus conhecimentos e conhecer mais
um tipo textual!
Narração

Você já deve ter notado que o nosso dia a dia está rodeado de momentos em que contamos
e ouvimos relatos ou histórias sobre os mais variados assuntos. Contamos como foi nosso dia,
ouvimos de nosso amigo sobre sua vida amorosa, compartilhamos o que ouvimos ou lemos
nos jornais. Gostamos de saber o que acontece com as pessoas que nos cercam e de contar o
que acontece conosco. Registramos, de forma oral ou escrita, as nossas vivências e as experi-
ências em todo o tempo.
Contar histórias faz parte da evolução do ser humano. Verídicas ou criadas, essas histórias,
na antiguidade, eram apenas contadas oralmente, depois começaram a ser escritas, mas sem-
pre com o intuito de permitir ao homem entender o mundo e entender a si mesmo. Assim, a
narração se tornou uma ferramenta capaz de estabelecer identidade entre as pessoas de um
mesmo grupo social. É por meio dessas histórias que somos capazes de transmitir nossos co-
nhecimentos.
Esta unidade vai abordar o tipo textual que construímos para evidenciar nossa realidade.
Vamos trabalhar com a narração, seus elementos, suas características e estrutura. Você está
convidado a participar desta aventura. Bom trabalho!

Figura 23 -  Contação de histórias


Fonte: WIKIMEDIA COMMONS, 2011.
Comunicação oral e escrita
64

CONCEITUAÇÃO

Mas afinal, o que é narrar?

Narração

Figura 24 -  Narração
Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Por ser considerado, em sua essência, histórico, o ser humano tem a necessidade de registrar a sua
existência e faz isso desde os tempos mais remotos: registra suas experiências, suas batalhas, sua cultura.
Dessa forma, passamos às gerações as nossas histórias. Então, pensamos: como isso é possível? Através
da produção de textos. Claro! Eles podem ser orais ou escritos, retratam nosso dia a dia e guardam nossa
cultura na memória, como lembrança.
Para entender melhor o conceito de narração, leia o texto a seguir.

CASOS E RELATOS

O grande problema de Guilherme


Guilherme era um jovem rapaz de dezoito anos, que sonhava com uma vaga como técnico em ele-
trotécnica, mas, para isso, precisava concluir sua formação no curso técnico. Enquanto não concluía
o curso, ele atuava como atendente de telemarketing numa empresa de Call Center que presta ser-
viços para uma empresa de telefonia. Durante o trabalho, a função de Guilherme era acompanhar as
dificuldades dos clientes com relação às instalações de roteadores para internet sem fio, resolvendo
possíveis problemas. Certo dia, surgiu uma situação desafiadora, quando um cliente entrou em con-
tato já muito irritado precisando solucionar seu problema.
Já no início da ligação, Guilherme pôde perceber que teria dificuldades, pois o cliente estava mui-
to exaltado. Justamente nesse dia, seu supervisor estava avaliando o desempenho dos atendentes
porque a empresa faria uma reformulação do quadro de funcionários devido a uma série de recla-
mações.
Com muita paciência e atenção, Guilherme fez seu atendimento:
6 Narração
65

– Central de Atendimento, Guilherme, boa noite!


De forma deselegante e agressiva, o cliente já relatou seu problema para a atendente.
– Guilherme, quero uma solução imediata para o meu problema ou entrarei em contato com a
administração.
Guilherme, já preocupado e com medo de receber uma avaliação negativa, tentou resolver o pro-
blema do cliente.
– Ok, senhor, tentarei solucionar o problema imediatamente, em que posso ajudar?
– Meu computador não consegue conectar à internet, pois esse roteador de vocês não funciona –
Disse o cliente.
– Ok, o senhor consegue ligar o aparelho ou ele não dá nenhum sinal? – Perguntou pacientemente
o jovem.
– Não, ele não liga, eu aperto o botão e ele não funciona, nenhuma luz nem nada. Quero uma solu-
ção imediata!
Guilherme, já nervoso, não sabia o que fazer. Tentou realizar testes remotos no aparelho do cliente,
mas de nada adiantou. Então, ele pediu ajuda ao seu supervisor que, por sua vez, não conseguia
realizar nenhum procedimento no roteador do cliente.
Passaram-se mais de 20 minutos entre perguntas e respostas e o cliente cada vez mais exaltado, já a
ponto de ofender Guilherme e questionar suas capacidades, avisou:
– Olhe, Guilherme, chega! Não farei mais teste nenhum! Vou entrar em contato com o Procon ime-
diatamente!
Em um ato de desespero, Guilherme perguntou:
– Sr., quando foi a última vez que o roteador funcionou?
O cliente, com um tom de voz bastante exaltado, respondeu:
– Foi anteontem, durante o dia quando desliguei o computador para a faxineira limpar o escritório,
e…
– Senhor, o roteador está ligado na tomada? – Interrompeu Guilherme inocentemente, não imagi-
nando que essa poderia ser a causa do grande problema.
– Só um minuto…. – Respondeu o cliente.
Minutos se passaram e o cliente permaneceu mudo, até que Guilherme perguntou:
– O senhor já verificou?
Do outro lado da linha uma surpresa:
– Tu… tu… tu…
Assim, Guilherme percebeu que nem todo grande problema é motivo para desespero, pois, às vezes,
a resposta é mais simples do que imaginamos.
Comunicação oral e escrita
66

Conforme podemos perceber, o texto conta uma história e apresenta fatos. Apesar de ter pontos descri-
tivos, o intuito do texto é relatar como os objetos descobriram a importância de trabalhar em equipe. Uma
das características da redação é nos permitir expor a outras pessoas o que aconteceu e como aconteceu.
Embora os textos narrativos tenham como prioridade narrar um acontecimento, eles podem ter objeti-
vos comunicativos diferenciados na apresentação dos fatos. Conforme sua intenção, a narração pode estar
presente em vários gêneros textuais, como vemos no quadro a seguir:

GÊNEROS TEXTUAIS
TIPO TEXTUAL PREDOMINANTE: NARRATIVO

Contos Relatos Depoimentos

Piadas Fábulas Crônicas

Romances Novelas

Quadro 6 - Gêneros textuais


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Dentre os gêneros textuais narrativos apresentados, encontramos a piada, que tem por propósito, por
meio do relato de uma situação engraçada, provocar riso no leitor. Já o conto é uma obra de ficção, um tex-
to ficcional que cria um universo de seres e acontecimentos de ficção, de fantasia ou imaginação. Classi-
camente, o conto se define pela sua pequena extensão. Mais curto que a novela ou o romance, o conto
desenvolve uma história sem muitos desdobramentos.

SAIBA Para saber mais sobre os gêneros textuais narrativos, suas estruturas, funcionalidades
e principais características leia: MARCUSCHI, Luiz Antônio. Produção de texto: análise
MAIS de gêneros e compreensão. São Paulo: Parábola Editorial, 2008.

Pelo que entendemos até aqui, narrar é relatar, contar fatos e episódios (reais ou fictícios), para que
experiências e vivências sejam compartilhadas com outras pessoas. Assim, narrar é contar uma história,
curta ou longa.
Quando exercitamos a narração?
a) Quando contamos o que aconteceu conosco. Os motivos podem ser variados: emocionar, sen-
sibilizar para a solidariedade, divertir, apresentar nossas concepções de mundo. Exemplos bem
práticos desse exercício no nosso dia a dia são as crônicas, conversas, confidências entre amigos
e até as fofocas;
6 Narração
67

b) Quando tentamos retratar a sociedade, sua estrutura, seu funcionamento e então criamos e re-
criamos realidades através de lendas, fábulas, crônicas, contos, romances;
c) Quando compartilhamos acontecimentos da atualidade e que se passam no nosso contexto so-
cial, daí usamos os textos narrativos; notícias transmitidas em telejornais e jornais escritos;
d) Quando queremos apenas tornar momentos divertidos e animados. Para isso, narramos usando
as piadas, as anedotas, as histórias em quadrinhos, os desenhos.
Como vimos anteriormente, o nosso dia a dia está marcado pela narração, em diferentes gêneros textu-
ais. Hoje, narramos o nosso dia em todo tempo, contamos por telefone a outras pessoas, escrevemos em
diários, noticiamos em jornais. Quem nunca narrou aventuras nas redes sociais? Na figura a seguir temos
um modelo de como a narração acontece nesse espaço.

Lia: Tô num esquema bem radical: comer e estudar !


#vestibular; #ENEM; #concurso

Beto: Uhuuul, é isso aí, bora passar!

Sara: Quero umas aulas!! hahahahaha

Figura 25 -  Narração nas redes sociais


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

No entanto, o ser humano tem a necessidade de deixar registrado o seu tempo, a forma como vive e faz
isso desde a antiguidade. A imagem, a seguir, nos mostra que, mesmo antes de nascer a escrita, o cotidiano
dos homens da pré-história já era narrado através de imagens.

Figura 26 -  Narração na pré-história


Fonte: SENAI DR BA, 2017.
Comunicação oral e escrita
68

Você sabia? Os relatos orais, passados de geração a geração são formas


de preservar a cultura de um povo. Com o surgimento da escrita e da
CURIOSIDADES imprensa, esses relatos puderam constituir um acervo para o conheci-
mento da história.

Até agora estudamos muito sobre os textos narrativos. Que tal entendermos um pouco sobre como
eles se estruturam, quais são seus elementos constitutivos e suas características?

6.1 ELEMENTOS DA NARRAÇÃO

A narração é um tipo textual caracterizado pelo relato de fatos reais, fictícios e é até possível que deter-
minadas narrativas mesclem dados verídicos e imaginários. Ao relatarmos um acontecimento, seja ele real
ou não, contamos com a participação de alguns elementos que dão sentido à narrativa e são fundamentais
para o enredo. Vamos conhecê-los?

Esquema da Narração

Narrador
Personagens
Discurso
Enredo
Foco narrativo
Tempo
Espaço
HB

.2

Figura 27 -  Elementos da narração


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

a) Enredo: é formado pela existência de um fato gerador, que desencadeia uma sequência de ações
que estruturam a história, a partir de uma organização dos fatos em uma ordem lógico-temporal.
Estes fatos geram uma sequência de outros fatos que, articulados entre si, dão vida ao enredo da
narração;
b) Personagens: você conseguiria contar uma história sem citar os sujeitos que vivem as ações apre-
sentadas? Impossível, não é mesmo? Esses sujeitos que vivenciam a história são chamados de per-
sonagens. Os personagens podem ser reais, aqueles que estão presentes em narrativas referenciais,
6 Narração
69

como notícias de jornal. Também podem ser criados pela imaginação de alguém, como acontece
nos relatos literários, contos, fábulas, novela, nas piadas. As personagens são o motivo das narrativas
existirem. Qualquer ser ou elemento, inclusive os imaginários, pode se transformar em personagem.

Dependendo da narração, somos capazes de identificar vários personagens. Eles são denomina-
dos: protagonista, secundário e antagonista. Vamos sintetizar essas informações para entender-
mos melhor cada um deles.
Chamamos de personagem protagonista aquela que é o principal da narrativa; secundário, é
aquela personagem que dá suporte aos acontecimentos que giram em torno dos personagens
principais. O antagonista é o personagem que se opõe ao principal, geralmente são os vilões da
trama.
c) Tempo e espaço: nos textos narrativos, a indicação do tempo e do espaço é fundamental. Toda
ação acontece em algum lugar e em determinado tempo. Eles estão presentes mesmo que de
forma implícita e às vezes só são percebidos à medida que que se lê ou se ouve a história. A narra-
ção, obrigatoriamente, acontece em um tempo que, dependendo da forma como aparece, pode
ser denominado:
-- Cronológico ou histórico: acontece de acordo com o ritmo do relógio, obedecendo ao
calendário, estação do ano. É um tempo objetivo e pode ser facilmente percebido até mesmo
pelo leitor desatento. No tempo cronológico os fatos podem ser contados no presente, no mo-
mento em que estão acontecendo, ou no passado, quando os fatos já ocorreram. Esse tempo
marca uma sequência lógica dos fatos, com início, meio e fim;
-- Psicológico ou metafísico: não obedece à cronologia, quer dizer, não está relacionado com
o tempo cronológico, ele acontece por meio do desejo ou imaginação, isso varia de person-
agem para personagem. É determinado pelo próprio personagem, de acordo com suas vivên-
cias subjetivas, angústias e ansiedades.
d) Narrador: o narrador pode ser um personagem que vive a história ou alguém que se coloca fora
da história e observa todos os acontecimentos. É por meio do narrador que conhecemos a his-
tória, por isso, é o grande responsável pela narração. Quando nos apresenta um fato, o narrador
escolhe um ângulo, um ponto de vista de onde ele quer nos contar os fatos.
Você conhece o papel de um diretor de filme? É dele a responsabilidade de nos apresentar a história
e nós só conseguimos ver o que ele permite. Assim também é o narrador, ele conta aquilo que considera
relevante e apresenta o que está no seu ângulo de visão.
Portanto, o narrador pode contar a história como um personagem, participando e interferindo nas ações
narradas, ou seja, como parte da história. Quando isso acontece, é chamado de narrador-personagem. Ou
pode aparecer apenas como observador, quando conta apenas o que vê, sem interferência nas ações dos
personagens e nos fatos. Nesse caso, dizemos que é um narrador-observador.
Comunicação oral e escrita
70

Um relato envolve a presença de um autor que não pode ser confundido com o nar-
FIQUE rador. O autor é aquele que cria a história, por meio dela manifesta intencionalidades
ALERTA e objetivos específicos. O narrador é a figura que assume o papel de porta-voz do
autor, aquele que apenas conta a história.

e) Foco narrativo: o foco narrativo pode acontecer em primeira ou em terceira pessoa:


-- Foco narrativo na primeira pessoa: o personagem principal conta sua história ou um person-
agem secundário, que está presente no enredo, conta a história do personagem principal.
Como o próprio nome nos indica, o narrador se torna também um personagem, assumindo a
condição de narrador protagonista ou narrador coadjuvante;
-- Foco narrativo na terceira pessoa: o narrador, que não está presente no enredo, conta a história
como observador. Nele, o narrador não participa ativamente dos fatos relatados. Nessa con-
dição, podemos afirmar que a narrativa assume um caráter mais objetivo, tendo em vista que
ele permanece “do lado de fora”, limitando-se somente a nos repassar o que vê.
f) Discurso: em uma narrativa, o narrador pode apresentar a fala das personagens através do dis-
curso direto, do discurso indireto ou do discurso indireto-livre.

Discurso direto, indireto e indireto livre

Figura 28 -  Discurso direto, indireto e indireto livre


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

-- Discurso direto: nesse discurso a fala dos personagens é manifestada da forma como são pro-
feridas. O narrador expõe a fala na íntegra, exatamente como ela acontece. Por esse motivo,
é necessário que o diálogo seja exposto através dos sinais de pontuação adequados e conte
com a ajuda de verbos de elocução que podem ser: falar, dizer, afirmar, interrogar, retrucar,
gritar, negar, sugerir, entre outros.
Exemplo:
Em um ato de desespero, Guilherme perguntou:
6 Narração
71

– Sr., quando foi a última vez que o roteador funcionou?


-- Discurso indireto: consiste no registro da fala da personagem sob influência do narrador.
No discurso indireto, os tempos verbais são modificados para que seja entendido o que foi
dito pela personagem. Além disso, costuma-se citar o nome de quem proferiu a fala ou fazer
algum tipo de referência.
Exemplo:
Guilherme, já nervoso, não sabia o que fazer. Tentou realizar testes remotos no aparelho do
cliente, mas de nada adiantou. Então, ele pediu ajuda ao seu supervisor que, por sua vez, não
conseguia realizar nenhum procedimento no roteador do cliente.

Observe no quadro abaixo como podemos transformar um discurso direto em um discurso indireto,
para isso vamos usar os exemplos anteriores:

DISCURSO DIRETO DISCURSO INDIRETO

Em um ato de desespero, Guilherme perguntou: Em um ato de desespero Guilherme perguntou ao cliente quando foi
– Sr., quando foi a última vez que o roteador funcionou? a última vez que o roteador funcionou.

O cliente, com um tom de voz bastante exaltado, respondeu: O cliente, com um tom de voz bastante exaltado, respondeu que tinha
– Foi anteontem, durante o dia quando desliguei o computa- sido anteontem, durante o dia, quando havia desligado o computador
dor para a faxineira limpar o escritório, e… para a faxineira limpar o escritório, e...

Quadro 7 - Discurso direto e indireto


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Ao ler os exemplos você conseguiu perceber a diferença? Saber moldar os discursos vai permitir que
você narre fatos e diálogos de diferentes formas e atenda aos objetivos de sua narrativa.

-- Discurso indireto-livre: nesse discurso, há uma mistura dos dois tipos de discursos menciona-
dos acima. O discurso direto e indireto se fundem. Quer dizer que as falas são manifestadas
tanto pelo narrador, quanto pelos personagens. Não existem marcas de sinais de pontuação
que identifiquem as falas.
O narrador conta os acontecimentos, entretanto os personagens têm voz ativa.
Exemplo:
Comunicação oral e escrita
72

Então Guilherme tentava, tentava o mais que podia para tentar resolver a situação. Logo a
mim, logo a mim isso tinha que acontecer! Ele não sabia se conseguiria resolver aquela confu-
são. Tomara que eu consiga!

Agora que você já estudou sobre os textos narrativos, suas características e estrutura, vamos apresentar
algumas questões que poderão nortear suas ideias quando for escrever uma narração. Não se esqueça de
fazer o seu plano de texto antes de iniciar a produção!
As perguntas a seguir poderão te ajudar bastante:
a) Quem são os personagens do seu texto?
b) Onde sua história acontece?
c) Em que tempo ocorrem os fatos?
d) Como o enredo se desenvolve?
e) Quem narra os acontecimentos?

Como o enredo Onde sua


Quem se desenvolve? história
acon nar acontece
tecim ra os ? Quem são os
ento personagens do seu
s?
texto?

Em que tempo
ocorrem os fatos?

Figura 29 -  Esquema de narração


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Lembre-se, quando for escrever sua história não tenha medo de utilizar a forma que melhor transmita
suas ideias e atinja seus objetivos. Você pode adotar a postura que achar mais conveniente, engraçada,
dramática, direta. Afinal, o texto é seu.
Você vai perceber que a narração atinge vários objetivos e nem sempre as histórias que precisamos
contar são fictícias ou para entretenimento, no ambiente organizacional, o uso do texto narrativo é muito
comum em relatórios para tratar de fatos que ocorrem dentro da empresa.
6 Narração
73

No entanto, a estrutura de uma narração mais profissional continua sendo a mesma. É necessário que
haja:
a) Um narrador, que pode ser um técnico responsável em fazer o relato;
b) Personagens, que nesse caso podem ser os colaboradores ou gestores;
c) Ambiente ou espaço; é importante determinar o local onde o fato aconteceu, se dentro ou fora
da empresa;
d) E o tempo, que é extremamente necessário para que se saiba o horário e dia do acontecido;
e) Quanto à linguagem, é importante lembrar: ambientes organizacionais sempre exigem uma
abordagem pautada no uso padrão da língua. Uma escrita clara o objetiva são elementos muito
importantes.
A narração, como também a descrição em relatórios ajuda a compreender melhor como acontecem
os processos dentro de uma empresa, permitem a identificação dos principais problemas e norteiam uma
busca por soluções.
Você vai compreender melhor como usar um texto narrativo em um relatório mais adiante, mas en-
quanto o conteúdo ainda não foi estudado, coloque em prática sua escrita e comece a produzir narrações
de fatos reais. Essa prática o ajudará a escrever bem e de forma profissional.
Um novo desafio espera por você. Não esqueça que nosso conhecimento depende da forma como nos
dedicamos ao estudo. Assuma uma postura questionadora e crítica, você vai precisar dessas características
para dominar o tipo textual da unidade seguinte.
Comunicação oral e escrita
74

RECAPITULANDO

Nesta unidade, você foi capaz de perceber que contar histórias não é um exercício atual, ele já faz
parte da nossa cultura há muito tempo.
Identificamos, no decorrer do nosso estudo, que as narrativas sofreram mudanças ao longo do tem-
po, mas continuam exercendo fascínio nas pessoas, pois é inerente ao ser humano a necessidade de
conhecer o outro, suas histórias, seus sonhos e a realidade da qual fazem parte.
Contar histórias é uma ferramenta eficaz na construção da nossa identidade, pois nos permite co-
nhecer, sentir e apreciar a sociedade na qual estamos inseridos.
Assim, desenvolvemos habilidades de identificar elementos da narração, compreender a estrutura
de um texto narrativo, além de elaborar narrativas que atendam aos nossos objetivos.
Foi possível, também, entender que a narração não é usada somente para o relato de histórias fictí-
cias, ou histórias reais, mas de cunho pessoal, são textos muito usados em relatórios nos ambientes
organizacionais. Eles apresentam de uma forma clara e objetiva os processos desenvolvidos em uma
empresa.
Com essa revisão do nosso conteúdo, com certeza, você ficará mais seguro nas diversas situações
do seu cotidiano, quando houver a necessidade de escrever uma narração. Dê liberdade à sua ima-
ginação!
6 Narração
75
Dissertação

O mundo e as pessoas estão sempre esperando de nós uma posição frente a diversos te-
mas. Em todo momento somos desafiados a expor ideias diante dos mais variados assuntos.
Nessas situações, somos motivados a organizar nossos pensamentos, argumentos e utilizar
a linguagem para produzir uma dissertação. Ou seja, por meio da organização de palavras, fra-
ses e textos, podemos apresentar ideias, desenvolver raciocínios, analisar contextos, dados e
fatos. Quando dissertamos, temos a oportunidade de argumentar para defender o que pensa-
mos. Por isso, precisamos fundamentar nosso texto, explicar e justificar nossas ideias, de modo
a persuadir nosso interlocutor. É muito importante também que apresentemos provas.
Vale lembrar que, para argumentar ou convencer alguém, é preciso ter informações que são
obtidas por meio da leitura, de conversas, de troca de experiências do cotidiano, de viagens e
de diversos veículos de informação e que, consequentemente, nos darão suporte ao produzir
um texto oral ou escrito.
Neste capítulo você vai estudar melhor sobre isso. Vai entender cada característica do texto
dissertativo, compreender seus elementos e sua estrutura. Vamos lá!

@
SMS

Figura 30 -  Dissertação
Fonte: SENAI DR BA, 2017.
Comunicação oral e escrita
78

CONCEITUAÇÃO

Dissertação é um texto que se caracteriza pela defesa de uma ideia ou pelo questionamento acerca de
um determinado assunto. É dissertar sobre um ponto de vista que se tem a respeito de um determinado
tema. Mas o que é de fato dissertar?

Preciso pesquisar mais


Disserte sobre sobre o assunto para
o ASSUNTO. falar com propriedade.

Figura 31 -  O que é dissertar?


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Você leu a gravura? Conseguiu entender? É exatamente isso. Dissertar é saber expor seus pensamentos
sobre algo de forma clara.
Mas é preciso ter cuidado e atentar para algumas características desse tipo textual.
A dissertação requer uma linguagem, na qual prevalece o sentido denotativo das palavras, ou seja, evite
usar gírias, palavras e expressões da linguagem informal, próprias da linguagem oral.
Nesse tipo de texto, a linguagem deve ser sempre mais elaborada, formal. Não entenda, com isso, que
a linguagem deve ser rebuscada, difícil, muito pelo contrário. Use vocabulário que você domina; não tente
impressionar com frases e orações complicadas. Inclusive, a simplicidade é uma qualidade bastante apre-
ciada nesse tipo de produção. Lembre-se: o seu texto deve ser claro e coerente, essa é a regra básica!
Para haver a coerência das ideias em seu texto, é necessária a utilização de elementos coesivos, que
são muito importantes em uma dissertação, pois eles fazem a conexão dos pensamentos e garantem a
unidade da escrita. Um exemplo desses recursos, responsáveis pela ligação das ideias, são as conjunções.
Coerência e coesão você já estudou? Recorda? Qualquer dúvida, leia o capítulo Técnicas de Intelecção
de texto. Quanto às conjunções, vamos lembrá-las a partir da leitura do quadro a seguir:
7 Dissertação
79

classificação conjunções EXemplos

Aditivas e, nem, mas também, como também, bem como, etc. Pedro é educado e gentil.

Não se esforçou muito, porém obteve um


Adversativas mas, porém, todavia, contudo, entretanto, no entanto, etc.
bom resultado.

Alternativas ou... ou; ora... ora; quer... quer; já... já, etc. Ou você estuda, ou trabalha.

Possui um bom histórico profissional, logo


Conclusivas logo, portanto, por isso, assim, por conseguinte, etc.
não ficarás desempregado.
Não compareci à festa porque não fui convi-
Explicativas que, porque, porquanto, pois, etc.
dada.

Quadro 8 - Conjunções
Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Existem muitas outras conjunções que podem ajudá-lo em suas produções textuais, além de unir as
ideias, conhecer e aplicar esses recursos evita repetições que tornam seu texto cansativo.

SAIBA Para conhecer mais conjunções e os papéis que podem desempenhar em um texto dis-
sertativo, pesquise em sites de busca pelas palavras chaves: conjunções coordenadas e
MAIS conjunções subordinadas.

Ao contrário da narração, a dissertação não apresenta uma progressão temporal, não se detém a uma
situação de tempo e espaço, por isso os verbos são empregados no presente.
Entretanto, há uma regra que se aplica a qualquer construção: o encadeamento de ideias e o emprego
dos conectivos são fundamentais para se obter um texto claro, coeso, elegante.
Em geral, para se obter maior clareza na exposição de um ponto de vista, costuma-se distribuir o texto
dissertativo em três partes: introdução, desenvolvimento ou argumentação e conclusão, estrutura que
você irá estudar logo em seguida.

estrutura do texto elementos do texto


dissertativo dissertativo

1. Introdução 1. Ponto de vista

2. Desenvolvimento +

3. Conclusão 2. Argumentos

Quadro 9 - Estrutura e elementos da dissertação


Fonte: SENAI DR BA, 2017.
Comunicação oral e escrita
80

O quadro anterior facilita o seu entendimento e apresenta um pouco do que foi estudado a respeito
do texto dissertativo. Continue seus estudos e conheça, mais profundamente, como ele se estrutura. Essas
informações, com certeza, irão te ajudar muito no seu dia a dia e na sua carreira profissional.

7.1 eSTRUTURA

A construção de uma dissertação exige uma escrita da língua que atenda aos padrões da norma cul-
ta. Quando falamos, podemos, devido aos contextos, utilizar uma linguagem mais informal, no entanto,
quando escrevemos, devemos nos atentar para uma ortografia correta, a utilização de um vocabulário
claro e o domínio do tema que será abordado.
Dissertar é diferente de narrar ou descrever; quando você narra ou descreve, você conta o que vê, dese-
nha com palavras fatos, pessoas ou objetos. Já quando disserta, você fala sobre o que pensa, defende um
ponto de vista. Essa atividade desenvolve o pensamento e nos impulsiona a questionar o mundo.
Portanto, a dissertação deve ser elaborada para satisfazer os objetivos que você pretende alcançar.
Conseguimos atingir esses objetivos quando organizamos as nossas ideias e argumentos, obedecendo
a uma ordem lógica: a introdução, o desenvolvimento e a conclusão, como já foi mencionado anterior-
mente.

estrutura do texto dissertativo

a) Apresentação do assunto (idéia principal a ser desenvolvida).


1. Introdução
b) Posicionamento do autor sobre o assunto.

a) Argumentos - Defesa do posicionamento do autor, através de argumentos. A argumentação para tornar-


se mais convincente e verdadeira pode valer-se de:
-- exemplos ;
-- citações ;
-- fatos acontecidos ;
-- dados comprovados ;
2. Desenvolvimento
-- causas / consequências;
-- enumeração, etc.

b) Contra-argumentos - Também pode haver contra-argumentos, ou seja, idéias contrárias aos argumentos
apresentados. No final, faz-se um balanço e os argumentos devem prevalecer. Na verdade, os contra-argu-
mentos também sustentam a idéia defendida, o posicionamento do autor.

a) Retomada de idéia principal e conclusão.


3. Conclusão
b) Podem-se apresentar sugestões sobre o assunto.

Quadro 10 - Estrutura do texto dissertativo


Fonte: SENAI DR BA, 2017.
7 Dissertação
81

Examinou o quadro? Conseguiu perceber como é possível organizar seus pensamentos em cada fase
do seu texto? Caso ainda reste alguma dúvida, não se preocupe, esse conteúdo será tratado minuciosa-
mente mais adiante. O propósito aqui é permitir que você entenda que a escrita de um texto dissertativo
precisa seguir um padrão que facilitará a exposição do seu raciocínio.
Cada etapa da estrutura de uma dissertação atinge um objetivo, fica mais fácil quando a dividimos des-
sa forma, pois assim não nos perdemos em meio às nossas ideias.
Agora, vamos estudar cada etapa separadamente, mas antes, iremos entender alguns conceitos funda-
mentais para que possamos ter uma compreensão mais aguçada do assunto.
No decorrer deste capítulo, as expressões “tema” e “tese” estarão bem presentes na nossa leitura. Você
sabe diferenciá-las? Iremos ajudá-lo nesta tarefa.
Muitos confundem o significado de tema e tese ao se depararem com um texto dissertativo. Essa difi-
culdade é encontrada já na introdução, quando tese e tema devem estar claros para que sejam desenvol-
vidos no decorrer da escrita.
É fácil identificá-los e diferenciar cada um. Tema é o assunto do texto, é sobre o que será tratado, é a
ideia núcleo de sua dissertação. Já a tese é o seu ponto de vista sobre o tema, é aquilo que você acredita, é
o seu posicionamento apresentado na introdução e que será defendido ao longo do texto. A tese pode ser
favorável ou contrária ao tema, é o reflexo do que você pensa.

Tema Tese
É a ideia que você vai
É o assunto que você irá discutir. defender em sua redação.
Exemplos: Ela deve estar relacionada ao
*O poder de transformação da tema e apoiada em
leitura. argumentos ao longo do
*Adoção, um ato de amor e texto.
solidariedade.
*O direito de votar.

A diferença
entre tema e tese
Figura 32 -  Tema e tese
Fonte: FREEPIK, 2016; SENAI DR BA, 2017.

Já que estudou e conseguiu identificar o que é uma tese e um tema, está pronto para continuar a enten-
der a estrutura de uma dissertação. Vamos lá?
No decorrer de sua leitura, perceba que essa estrutura permite que sua análise e comentários sobre
qualquer assunto estejam organizados e corroborem, de forma precisa, para que sua defesa seja clara e
focada no tema proposto.
Comunicação oral e escrita
82

Introduzir, desenvolver e concluir um texto não são etapas isoladas, ainda que cada uma tenha um ob-
jetivo específico, elas precisam estar unidas a fim de atender um mesmo propósito.

7.1.1 INTRODUÇÃO

A introdução, como o próprio nome nos induz a entender, é o início de seu texto. Essa etapa expõe
o seu ponto de vista sobre o tema a ser tratado. Nela, são apresentados, de forma clara, os argumentos
que serão desenvolvidos no decorrer da produção escrita. É neste momento que você formula uma tese
concernente ao assunto. Essa tese será discutida e provada no texto, por isso você precisa pensar em argu-
mentos contundentes que exponham e defendam o seu ponto de vista.
Você pode começar o seu texto de diferentes formas e apresentar sua tese, tendo como base os ele-
mentos a seguir:

EXEMPLIFICAÇÃO DEFINIÇÃO

CITAÇÃO
PERGUNTAS INTRODUÇÃO

NARRAÇÃO ALUSÃO HISTÓRICA

Figura 33 -  Introdução à dissertação


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Agora, entenda como utilizá-los a partir da análise do quadro:


Quando quiser usar uma narração para introduzir a sua disser-
tação, é preciso narrar um fato que ilustre a sua tese sobre o tema.
narração
O fato contado deve apresentar a problematização proposta pelo
assunto.
No caso da exemplificação, a introdução é conduzida pela
exemplificação exposição de dados, exemplos verídicos que embasem o seu
raciocínio com relação à tese.
A alusão histórica, como forma de introdução, deve rememorar
alusão histórica um evento, um período histórico, um fato antigo, no intuito de
fazer uma comparação com o presente.
A definição acontece quando, ao iniciarmos um texto, conceitu-
definição amos algo e defendemos essa definição através de argumentos.
No entanto, essa definição não pode ser feita de forma aleatória.
7 Dissertação
83

A citação pode ser usada na introdução ou no desenvolvimento.


citação Na introdução ela apresenta sua tese a partir da citação de outro
autor ou outra pessoa.

A pergunta colocada ao final do parágrafo de uma introdução


tem como objetivo estimular a argumentação que, por sua vez
dará origem ao próximo parágrafo. Uma pergunta deve ser em-
pregada como um “gancho”, um “elo” para o parágrafo seguinte.
pergunta É uma estratégia para chamar a atenção do leitor, incentivando-
o a continuar a redação e garantir um bom desenvolvimento.
Mas tenha cuidado ao utilizar esse recurso, você pode colocar a
pergunta na introdução desde que ela seja respondida ao longo
do texto.

Quadro 11 - Tipos de introdução


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Utilize esses recursos de forma assertiva e enriqueça sua dissertação. Com certeza, sua introdução guia-
rá um desenvolvimento harmônico e persuasivo.

7.1.2 DESENVOLVIMENTO 

É a parte do texto em que as ideias, pontos de vista, conceitos e informações são apresentadas e desen-
volvidas, desenroladas e avaliadas progressivamente. O desenvolvimento consiste em uma exposição que
defende a tese que, por sua vez, está relacionada ao tema.

Desenvolvimento
coerência,
coesão,
clareza,
precisão

Figura 34 -  Desenvolvimento da dissertação


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Existem algumas possibilidades interessantes de se desenvolver bem um tema:


a) Apresente os argumentos de forma organizada, examine minuciosamente suas ideias e as apre-
sente exemplificando de forma completa, seguindo a lógica do seu raciocínio. É preciso garantir
o elo entre os períodos, parágrafos e argumentos, para isso, deve-se usar os elementos respon-
sáveis pela coerência e coesão. Você já estudou sobre isso lá no capítulo Técnicas de Intelecção
Comunicação oral e escrita
84

de Texto. Em caso de dúvida, faça uma nova leitura. Não esqueça de seguir a temática. O texto
dissertativo deve permanecer na sua linha de pensamento, até chegar à conclusão;
b) Articule seu texto com base nas informações essenciais que apresentarão o tema proposto. Es-
teja focado no objetivo que deseja alcançar, por isso, dispense as ideias excessivas e periféricas.
Uma estratégia interessante para que você não se perca em informações desnecessárias é plane-
jar previamente a redação, definindo antecipadamente o que deve ser abordado;
c) Relembrar, consultar são passos importantes. Não confie somente em sua memória, listar as
ideias que surgirem sobre o tema é uma boa estratégia. Nesse momento, você já delimitou na
introdução a tese que irá defender, então, estabeleça as ideias e argumentos que ajudarão seu lei-
tor a entender o seu ponto de vista. Selecione cuidadosamente, dentre as ideias listadas, aquelas
que expõem o tema de forma clara, objetiva e evidenciam o seu posicionamento;
d) O desenvolvimento da sua dissertação é uma progressão textual e deve obedecer uma sequên-
cia lógica do pensamento. Já falamos sobre a importância de uma coerência satisfatória, correto?
Então, quando for feita a seleção dos argumentos e ideias, deve-se organizá-los conforme sua
força para convencer o leitor, partindo dos mais fracos para os mais fortes.
Seguindo essas orientações, você consegue chegar à sua conclusão com um discurso pautado em uma
argumentação consistente. Com certeza, a sua tarefa de concluir seu texto, será bem mais fácil e tranquila.

7.1.3 CONCLUSÃO

A conclusão é a parte final do texto. É nesse momento que você deve apresentar um resumo conciso e
claro de tudo o que já foi exposto, assim como uma avaliação final do tema discutido.
Não existe uma receita pronta de como devemos concluir uma dissertação argumentativa, mas pode-
mos pensar em algumas formas que facilitam essa tarefa. Não é complicado, no entanto, alguns cuidados
precisam ser tomados.
Você está convidado a conhecer alguns aspectos a serem observados em diferentes tipos de conclusão
dissertativa.

CONCLUSÃ
O

Figura 35 -  Conclusão da dissertação


Fonte: FREEPIK, 2016; SENAI DR BA, 2017.
7 Dissertação
85

Para concluir com sucesso uma dissertação, coloque-se no lugar do leitor. É possível que, ao terminar
a leitura, ele tenha total clareza quanto à tese ali defendida? Para garantir esse entendimento, o autor de
uma dissertação não pode perder a oportunidade de reforçar seu posicionamento no parágrafo final, en-
tão, é preciso retomar a tese de forma rápida e clara. Mas atenção: o que deve ser retomado é a essência do
que já foi apresentado, ou seja, evite a repetição de frases e expressões.
Durante a análise do tema, principalmente quando este tratar de um problema atual, a conclusão pode
se pautar em dados passados e presentes. Nesse caso, é possível identificar causas, fazer um paralelo his-
tórico, comparações.
É a hora de apresentar perspectivas futuras, que podem envolver uma proposta de solução ou apenas
uma projeção do que deverá acontecer. Nas duas situações, é preciso ter como base os conteúdos já dis-
cutidos.
Lembre-se: não é possível apresentar propostas de solução para problemas que não foram analisados.
Quanto às propostas de solução, elas precisam ser reais, ou seja, não dá para propor soluções impossí-
veis de serem concretizadas, ou ações que jamais poderão ser colocadas em prática. As propostas precisam
ser fundamentadas, possíveis, objetivas, não devemos apresentar propostas vagas, por exemplo, dizer que
o governo tem que “fazer alguma coisa” ou que a sociedade “precisa se conscientizar” de algo.
Uma saída para essas questões, é propor que leis que tratam do assunto em questão sejam reformula-
das ou que seja criado um órgão fiscalizador que faça cumprir essas leis. Dessa forma, você estará sendo
pragmático, apontando soluções e a forma como serão realizadas. Esse é o objetivo: resolver um problema.
Ou seja, você tem direito de defender seu ponto de vista em relação ao tema, mas é preciso apontar
sugestões específicas. Citar nomes, escolher uma linguagem precisa, evitar as generalizações que nada
acrescentam ao texto, tornam sua dissertação mais rica ou consistente.
Ainda abordando questões genéricas em uma conclusão, devemos levar em consideração a introdu-
ção. Como a conclusão retoma a tese que foi explicitada no início do texto, ela pode ser realizada seguindo
o raciocínio inicial. Vamos ser mais claros.

Ideia
Introdução Conclusão

Figura 36 -  Processo de conclusão


Fonte: SENAI DR BA, 2017.
Comunicação oral e escrita
86

Se a introdução tratar de um assunto genérico, a conclusão poderá ser genérica, mas se tratar de um
assunto específico, consequentemente, a conclusão deverá ser específica.
Vamos pensar em um exemplo. Talvez, a dissertação comece discutindo a falta de solidariedade do ser
humano nas suas relações sociais. Nesse caso, temos uma introdução genérica.
Claro que o texto não pode seguir com argumentos abstratos durante o desenvolvimento e será neces-
sário usar exemplos específicos, fatos históricos, estatísticas para comprovar a tese. Porém, na conclusão,
o texto pode voltar para a tese inicial, mais genérica, mostrando que os exemplos apresentados reforçam
a ideia do início do texto.
Já no caso de um início específico, pensemos em uma tese que aborde a falta de solidariedade das
nações com relação às vítimas de terremotos. Como se trata de uma introdução específica, a conclusão
também deverá proceder de forma específica, mostrando ações que podem ser adotadas, medidas que
podem ser tomadas para o socorro destas vítimas.
Esperamos que as informações aqui explicitadas o ajudem na organização e no modo de articular a
sequência de suas ideias, com clareza e coerência. É possível e bem mais tranquilo desenvolver um texto
dissertativo, com uma estrutura legal, a partir da elaboração de esquemas. Está disposto a conhecer?

SUGESTÃO DE ESQUEMA PARA DISSERTAÇÃO

Por mais complicado que pareça redigir um texto, a redação elaborada a partir de um esquema permite
que esta atividade se torne mais leve e tranquila. Um esquema facilita o desenvolvimento do texto por
meio de uma sequência lógica, obedecendo à temática e de acordo com os critérios exigidos, como, por
exemplo, quantidade de linhas.
Veja a seguinte sugestão de esquema:

SUGESTÃO DE ESQUEMA PARA DISSERTAÇÃO

1º parágrafo – Tema + argumento 1 + argumento 2 ou argumento 3*

2º parágrafo – desenvolvimento do argumento 1


3º parágrafo – desenvolvimento do argumento 2
4º parágrafo – retomada da tese + proposta de intervenção baseada
nos argumentos apresentados

*Caso houvesse o terceiro argumento, a redação teria 5 parágrafos.

EXEMPLO:

TEMA: A persistência da violência contra a mulher na sociedade


brasileira

Argumento 1 – legado histórico cultural


Argumento 2 – desrespeito às leis

Quadro 12 - Esquema de dissertação


Fonte: SENAI DR BA, 2017.
7 Dissertação
87

Veja como pode ficar o texto definitivo, a partir do esquema apresentado, no Casos e Relatos desse
capítulo.

CASOS E RELATOS

Aula sobre argumentação


Em uma aula sobre argumentação, alunos e professora realizaram um debate no qual expuseram
ideias sobre uma redação realizada no ENEM por Isadora Peter Furtado, de 17 anos, que tratou do
tema “A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira”. Confira o texto:
“A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira é um problema recorrente. Isso
deve ser enfrentado, uma vez que, diariamente mulheres são vítimas desta questão. Neste sentido,
dois aspectos fazem-se relevantes: o legado histórico-cultural e o desrespeito às leis.
Segundo a História, a mulher sempre foi vista como inferior e submissa ao homem. Comprova-se
isso pelo fato de elas poderem exercer direitos, ingressarem no mercado de trabalho e escolherem
suas próprias roupas muito tempo depois do gênero oposto. Esse cenário, juntamente aos inúmeros
casos de violência, corrobora a ideia de que elas são vítimas de um processo histórico-cultural.
Conforme previsto pela Constituição Brasileira, todos são iguais perante à lei, independentemente
de cor, raça ou gênero, sendo a isonomia salarial, aquela que prevê mesmo salário para a mesma
função, também garantidas por lei. No entanto, o que se vê em diversas empresas é a gritante dife-
rença entre salários de homens e mulheres. Esse fato causa decepção e constrangimento a elas, que
se sentem inseguras e sem ter a quem recorrer.
Desse modo, medidas fazem-se necessárias para corrigir a problemática. É dever do Estado proteger
as mulheres da violência, tanto física quanto moral, criando campanhas de combate à violência,
além de impor leis mais rígidas e punições mais severas para aqueles que não as cumprem. Somem-
-se a isso, investimentos em educação, valorizando e capacitando os professores no intuito de for-
mar cidadãos comprometidos em garantir o bem-estar da sociedade como um todo”.
Muito envolvidos com o assunto, cada participante expôs, de forma clara, argumentos a respeito do
tema e pensaram em possíveis soluções para o problema.
(Fonte: Adaptado de FURTADO, 2016.)

Conseguiu visualizar como o esquema norteou a escrita do texto? Seguir as orientações dadas por um
esquema permite que sua redação apresente as ideias organizadas, respeitando a sequência lógica que
tanto falamos, além de que seus argumentos não correm o risco de serem esquecidos, abandonados no
processo da escrita ou se direcionarem por outros caminhos que não abordam o tema.
Comunicação oral e escrita
88

Com essa noção clara de estrutura de texto, também é possível melhorar o seu desempenho na com-
preensão e interpretação de textos, tanto em vestibulares, quanto em concursos públicos. Sem contar que
escrever bem e saber argumentar são algumas das habilidades mais importantes encontradas em um bom
profissional de qualquer área.
A produção de textos dissertativos está ligada à capacidade argumentativa daquele que se dispõe a
essa construção e é sobre isso que trataremos agora.

7.2 ARGUMENTAÇÃO

É comum a dissertação e a argumentação aparecerem, na maioria das vezes, como se tratassem da mes-
ma coisa e tivessem a mesma finalidade. Entretanto, cada uma possui características próprias.
Como já vimos, a dissertação procura expor, explicar ou interpretar ideias. No texto dissertativo, tenta-
mos falar sobre o que conhecemos acerca um determinado tema. A opinião é dada sob um ponto de vista.
Já a argumentação não busca somente a exposição do assunto, sua finalidade também é formar a opi-
nião do leitor, persuadi-lo e convencê-lo de que o que falamos é verdadeiro.

Mãe, vamos Não filho, precisamos


almoçar fora? economizar, vamos
comer em casa
mesmo.

Ah, entendi! Então a Amor, vamos comer fora,


senhora prefere precisamos passear e nos divertir
passar a manhã de um pouco!
domingo cozinhando
e depois perder a
tarde lavando pratos!

Figura 37 -  Argumentação
Fonte: SENAI DR BA, 2017.
7 Dissertação
89

Você percebeu o poder da argumentação utilizado pelo filho na tirinha? Ele conseguiu alcançar seu
objetivo convencendo a mãe sobre seu ponto de vista. É isso que é preciso fazer em uma dissertação: usar
seus argumentos para que seu leitor se convença acerca da sua tese.

Você quer ser bem-sucedido nos vestibulares, concursos ou ENEM? En-


CURIOSIDADES tão, atente-se para a estrutura, características e elementos da disserta-
ção. Ela é modalidade de escrita mais cobrada nos processos seletivos.

Argumentar é apresentar argumentos, razões para que seu interlocutor se convença e aceite seu racio-
cínio. Claro que para conseguir a confiança dele é necessário mostrar evidências, provas conduzidas por
um discurso coerente e consistente.
É importante, então, pensar sobre o que seria uma evidência, na perspectiva de elaborar uma argumen-
tação assertiva.
Evidência é a apresentação dos fatos, independente de toda teoria. Para que seus argumentos sejam
persuasivos, dignos de credibilidade, precisam estar pautados em fatos, exemplos, ilustrações, dados esta-
tísticos e depoimentos.
a) Fatos;
b) Exemplos;
c) Ilustrações;
d) Dados estatísticos;
e) Depoimentos.
Aí, você pode começar a se perguntar: como conseguir evidências para escrever ou articular oralmente
uma boa argumentação?
Com certeza, você lembra que já falamos sobre a importância da leitura. Certo? Então, é nesse momen-
to que a leitura mostra sua grande contribuição, é ela que dá suporte às suas ideias, permite que você
compreenda vários temas e garante que seus argumentos sejam válidos.
Imagine como é difícil falar sobre algo que não conhecemos, não é mesmo? A leitura é a ferramenta que
mostra a realidade, apresenta teorias, explica acontecimentos. É ela que torna possível seu entendimento
sobre o mundo.
É impossível redigir uma redação sobre um tema totalmente desconhecido. Quer um conselho? Leia e
reflita. Formule suas ideias e busque sempre estar atualizado sobre os mais variados assuntos. Ler é uma
prática que exercita o cérebro e amplia sua capacidade argumentativa.
Comunicação oral e escrita
90

FIQUE Quando você precisar apenas expor ideias sem, necessariamente, precisar convencer
o leitor, não utilizará o texto dissertativo-argumentativo, mas o texto dissertativo-
ALERTA -expositivo.

Quando o texto, além de explicar, também persuade o interlocutor e modifica seu comportamento,
temos um texto dissertativo-argumentativo.
Suas palavras têm uma força muito grande e podem convencer qualquer pessoa, se forem usadas da
maneira correta. Para encerrarmos este capítulo, cabe uma mensagem bem pertinente ao nosso assunto.

“Meu pai sempre dizia:


Não levante a sua voz,
melhore os seus
argumentos.”

Desmond Tutu
Nobel da paz

Figura 38 -  Mensagem
Fonte: WIKIMEDIA COMMONS, 2004.
7 Dissertação
91

RECAPITULANDO

Nesse capítulo, estudamos sobre a dissertação. Percebemos que na nossa vida cotidiana estamos
sempre sendo solicitados a dar opiniões sobre os mais variados assuntos. Sobre todos esses assuntos
temos as nossas ideias, pontos de vista, nosso modo de encarar e julgar.
Percebemos que fazemos isso toda hora, em conversas, diálogos, entrevistas, e podemos fazer isso
tanto na fala quanto na produção de textos escritos, que são denominados dissertativos.
Esses textos são caracterizados pela exposição, defesa de uma ideia, que é analisada e discutida a
partir de uma tese formulada, de acordo a um tema proposto.
Apesar de estar bem presente no nosso dia a dia, a tarefa de dissertar de forma escrita exige uma
estrutura e possui características próprias, mas isso não vem para complicar, como tivemos a opor-
tunidade de entender, e sim para nos ajudar a organizar melhor o nosso raciocínio.
O interessante desse capítulo é que entendemos que, para conseguir defender uma ideia, o autor do
texto precisa ser persuasivo, então ele trabalha com argumentos consistentes que podem ser fatos
verídicos, dados estatísticos que são utilizados para reforçar ou justificar o desenvolvimento de suas
ideias.
É importante lembrar, dissertação nem sempre vem acompanhada de argumentação, o texto pode
apenas expor algo sem a necessidade de persuadir ou contrapor ideias.

No capítulo seguinte, você vai estudar os tipos de relatórios e, tenha certeza, ter estudado a dissertação
agora vai te ajudar muito na construção de seus relatórios. Um novo desafio espera por você!
Relatório técnico

Você já precisou relatar algo de forma escrita e sentiu dificuldade ao realizar esta tarefa?
Esse capítulo foi pensado para ajudar você a escrever relatórios técnicos, de modo a atender
suas necessidades quando precisar descrever um processo, apresentar o funcionamento de
um aparelho ou, ainda, expor um experimento.
Para iniciarmos nosso estudo, precisamos, primeiramente, entender o que é um relatório,
só assim poderemos avançar para as outras etapas.
Um relatório apresenta características da narração e da descrição; é uma ferramenta muito
utilizada pelas empresas, pois descreve de forma objetiva fatos ou atividades, permitindo uma
análise minuciosa, que orienta conclusões e decisões para resolução de problemas.

Figura 39 -  Relatório técnico


Fonte: WIKIMEDIA COMMONS, 2016.

Em sua carreira profissional, o relatório será muito utilizado, ele te ajudará a descrever de
modo objetivo e claro aquilo que observou ou que aconteceu em seu setor de trabalho, sem-
pre priorizando a exatidão dos acontecimentos.
Esse estudo, com certeza, oferecerá a você um conhecimento sólido e significativo.
Comunicação oral e escrita
94

8.1 estrutura

Relatório é um tipo de documento muito usado em ambientes organizacionais, como o próprio nome
já indica, tem como finalidade relatar ocorrências, atividades, funcionamento de máquinas, através de da-
dos ou estatísticas. É responsável por apresentar uma sequência de fatos, relacionados a um acontecimen-
to específico.

Figura 40 -  Dados e estatísticas


Fonte: FREEPIK, 2016.

Por ser uma ferramenta muito importante em um ambiente organizacional, pois é o documento que
expõe os resultados de atividades diversas, um relatório precisa apresentar algumas características:
a) Ser fiel aos fatos;
b) Seu objetivo e claro;
c) Ser exato no relato dos acontecimentos;
d) Ser analítico2;
e) Indicar propostas ou conclusões.
Relatar, apesar de parecer uma tarefa complicada, é simplesmente realizar uma descrição sobre um
determinado fato, destacando os aspectos mais importantes. Ao produzir um relatório, devemos pensar
sobre sua finalidade e a quem iremos atender. Por serem textos muito usados em contextos variados,
como empresas, escolas, igrejas, eles também variam quanto à sua estrutura.
Na área administrativa ou em qualquer realidade em que é aplicado, o relatório ganha um espaço muito
importante, pois é um recurso que permite ao administrador, técnico ou responsável, monitorar as ativida-
des realizadas por todos os setores, já que é impossível estar em diversos lugares ao mesmo tempo.
Portanto, o relatório é o documento que permite ao profissional de qualquer área relatar o modo como
desenvolveu um determinado trabalho ou apresentar outras solicitações, sejam elas sobre o funcionamen-
to de máquinas ou descrição de processos.

2 Analítico: responsável por análise; tem função de analisar; conduz análises.


8 Relatório técnico
95

O principal objetivo do relatório é compartilhar com o interlocutor a sua visão sobre a realização de
algum tipo de trabalho, os problemas identificados, os resultados que obteve e possíveis soluções.
Os resultados apresentados em um relatório, assim como em outros textos científicos, devem ser cons-
tatáveis, ou seja, todas informações devem ser verídicas e possíveis de serem analisadas. É preciso provar
que os resultados são válidos e que forma foram utilizados os métodos corretos para sua obtenção. Dessa
forma, é possível garantir que o que foi divulgado é cientificamente verdadeiro.

Para elaborar um bom relatório, você precisa ter bem delimitados o problema a ser
FIQUE relatado e uma possível solução. Fique atento às normas de um relatório técnico e ao
que exige a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Leia: ASSOCIAÇÃO BRA-
ALERTA SILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10719: informação e documentação: relatório
técnico e/ou científico: apresentação. Rio de Janeiro, 2005.

Um relatório apresenta uma realidade em busca de respostas para determinado problema. Não pode
apenas ser escrito para descrever um problema, é preciso que ele apresente uma resposta ou solução. O
problema e a resposta precisam estar bem claros na formatação de um relatório. Não vale a pena escrever
um relatório sem ter conhecimento de causa, pois ele ficará vago e com informações insuficientes.
Para escrever um relatório que atenda às necessidades solicitadas, é necessário, antes de qualquer coi-
sa, responder a algumas questões, como mostra a imagem a seguir:

Perguntas

O quê?

Por quê?

Onde?

Quando?

Como?

Solução

Figura 41 -  Como fazer um relatório


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Respondidas as perguntas, é hora de começar a redigir seu relatório. Mas atenção, como já foi mencio-
nado anteriormente, cada relatório tem uma finalidade específica, como mostra o quadro a seguir:
Comunicação oral e escrita
96

CLASSIFICAÇÃO CARACTERÍSTICAS

Analítico Relaciona, informa ou relata com todos os detalhes.

É o oposto do analítico, apresenta uma atividade de forma resumida, pode ser elaborado a partir de outros
Sintético
relatórios.

Crítico Apresenta como uma atividade foi desenvolvida, nesse tipo de relatório há intervenção do autor.

Formação acadêmica São elaborados durante um curso superior, técnico ou estágio.

Quadro 13 - Classificação de relatórios


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

SAIBA Para complementar seu estudo sobre relatórios e aprender como redigi-los, leia MEDEI-
ROS, João Bosco; TOMASI, Carolina. Redação técnica: elaboração de relatórios técnicos
MAIS científicos e técnica de normalização textual. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2010.

Percebeu como um relatório é uma ferramenta importante para os profissionais de todas as áreas?
Quando aparecer a oportunidade de redigir um relatório, pense nas questões abordadas anteriormente e
na finalidade que você deseja atingir. Obedecendo a esses passos, sua tarefa ficará mais fácil e consistente.

8.2 TIPOS DE RELATÓRIOS

Os relatórios são redações técnicas muito importantes e relatam as mais variadas atividades em diver-
sas áreas. Essas atividades podem ser uma participação em um evento, visita a um espaço cultural, ativida-
de em sala de aula. Eles podem, ainda, relatar uma experiência, uma pesquisa, tecer apreciação sobre um
livro ou sobre um filme. Esses relatos podem acontecer no trabalho, na escola ou na universidade.
Para atingir tantos objetivos diferentes, os relatórios também são diferentes. Dentre os mais utilizados
estão: relatório de pesquisa, relatório de ocorrência, relatório de atividades escolares, relatório administra-
tivo. Vamos conhecê-los?

8.2.1 RELATÓRIO DE PESQUISA

Os relatórios de pesquisa são construídos durante ou após uma pesquisa. Geralmente, são textos ela-
borados por pesquisadores graduados, mas isso não é uma regra, pois podem também ser utilizados por
estudantes, colaboradores de empresas, entre outros interessados em relatar uma pesquisa.
8 Relatório técnico
97

Empresas adotam esse tipo de relatório por ser um documento técnico que tem caráter investigativo.
Nele estão concentrados, de maneira lógica, a forma como o projeto foi executado, os dados que foram
coletados e suas análises. Esse modelo apresenta resultados e propõe soluções.

Figura 42 -  Relatório de pesquisa


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Um relatório de pesquisa é um documento que requer uma atenção especial quanto à sua metodolo-
gia, assim como todo relatório. Deve apresentar uma escrita baseada na modalidade padrão, clara, objetiva
e coerente.
É importante entender que ele precisa obedecer às normas previstas na Associação Brasileira de Nor-
mas Técnicas (ABNT) e tem uma estrutura padronizada que apresenta:
a) Capa: é a parte responsável por apresentar a identificação do autor e entidade ou instituição;
b) Folha de rosto: é quase uma cópia da capa, entretanto ela aborda informações mais detalhadas,
como a natureza do trabalho;
c) Sumário: é onde consta a enumeração das divisões, seções, capítulos e outras partes do trabalho.
Apesar de estar no início, o sumário é uma das últimas partes a serem realizadas no trabalho;
d) Resumo: o resumo deve apresentar os principais aspectos de sua pesquisa, ele vai mostrar a
quem tiver acesso ao seu trabalho que sua pesquisa é relevante;
e) Introdução: nesse espaço você vai explicar o seu objeto de pesquisa. Ou seja, a problemática a
ser discutida no desenvolvimento. Você pode elaborar um histórico conciso, mostre como a ideia
surgiu e porque é importante discutir sobre ela;
f) Desenvolvimento: cabe nessa parte de seu trabalho uma descrição de como o trabalho foi reali-
zado. Apresente dados, evidências, questione, sugira. É o momento oportuno para você mostrar
que conhece o assunto;
g) Conclusão: na finalização de seu relatório, relembre os objetivos apresentados no início do seu
trabalho, elabore uma síntese e exponha as suas conclusões ou considerações, aponte soluções,
propostas;
Comunicação oral e escrita
98

h) Anexos: qualquer material contido ou citado no trabalho e que seja importante para o enten-
dimento do trabalho apresentado. Os anexos são textos ou qualquer documento que não são
construídos pelo autor do relatório e sim por terceiros;
i) Apêndices: diferente do anexo, os apêndices são textos ou documentos elaborados pelo autor
do relatório e que foram importantes na pesquisa.
Lembre-se de incluir referências bibliográficas em seu trabalho científico, dessa forma você dará credi-
bilidade à sua produção.

8.2.2 RELATÓRIO DE OCORRÊNCIA

Relatório de ocorrência também pode ser denominado como Registro de Ocorrência e é usado no coti-
diano de algumas empresas como ferramenta de registro das atividades ou acontecimentos que estejam
relacionados ao seu contexto. Eles são usados para relatar acidentes, problemas em máquinas, situações
adversas ou, simplesmente, assegurar que a rotina de trabalho seguiu em sua normalidade.
Um relatório de ocorrência precisa ser claro e objetivo, assim como qualquer relatório; outra caracterís-
tica importante é ser conciso. Esse tipo de relatório tem como objetivo comunicar e esclarecer.
Lembre-se, nele você vai apresentar relatos a um gestor ou diretor de uma empresa. Esses profissionais
têm um tempo muito curto e estão sempre com pressa, por isso é importante elaborá-los de forma clara e
concisa, como mencionamos.
As informações presentes nesse relatório precisam ser detalhadas, é preciso identificar horário, data, lo-
cal e pessoas envolvidas. É importante, ainda, contar os fatos em ordem cronológica e muito bem descritos
para melhor entendimento do acontecimento.
Caso você queira dar mais credibilidade ao seu relatório, podem ser inseridas fotos que comprovem os
fatos relatados.
Para finalizá-lo, faça recomendações de como o problema pode ser resolvido, aponte soluções ou faça
propostas.
8 Relatório técnico
99

8.2.3 RELATÓRIO DE ATIVIDADES ESCOLARES

É bastante comum durante nossa trajetória estudantil escrevermos relatórios, você já fez algum?

Figura 43 -  Relatório de atividades escolares


Fonte: FREEPIK, 2016.

Relatórios de atividades escolares são os textos em que o estudante relata um evento, uma viagem, um
filme, um livro ou outra atividade proposta pelo professor.
A linguagem presente nesse tipo de relatório varia de acordo com a idade e o grau de escolaridade da
turma. Geralmente, um relatório de atividades escolares deve ter: capa, folha de rosto, sumário, introdu-
ção, desenvolvimento e conclusão, outras partes podem existir, mas isso varia de acordo às solicitações do
professor ou orientador.
O tipo textual mais presente nessa construção é a descrição, embora a narração também desempenhe
um papel importante.
Comunicação oral e escrita
100

8.2.4 RELATÓRIO ADMINISTRATIVO

Relatórios administrativos, são aqueles registros produzidos pelos colaboradores, mas solicitados por
um gestor de uma empresa, no qual constam informações organizacionais importantes.
Esses relatórios costumam ser realizados diária ou mensalmente, um exemplo são os relatórios de con-
tas.

Figura 44 -  Relatório de contas


Fonte: FREEPIK, 2016.

Você sabia? A organização de informações em relatórios, quando apre-


CURIOSIDADES sentam resultados positivos e apontam o crescimento da empresa pode
atrair novos investidores e gerar lucros para a organização.

O relatório administrativo  deve ser realizado pela pessoa responsável por aquilo que é apresentado
no relatório. Por exemplo, se existe um determinado problema em um setor, a pessoa que deve redigir o
relatório abordando tal problema, é quem está lidando diretamente com o problema.
Então, para iniciar o relatório, você precisa inserir um  cabeçalho  que apresente os dados que darão
credibilidade ao que for relatado:
a) Tipo de documento;
b) Data;
c) Departamento que o produz;
d) Empresa;
e) Destinatário.
As etapas seguintes compreendem a introdução, que aborda os motivos que conduziram à produção
do relatório; o desenvolvimento, onde deverão constar as informações mais relevantes, procedimentos
usados para colher os dados, problemas encontrados; e, por fim, a conclusão, onde serão feitas as reco-
8 Relatório técnico
101

mendações sobre possíveis soluções ou propostas que minimizarão ou resolverão os problemas aborda-
dos.
O Casos e Relatos desta sessão apresenta uma situação bem corriqueira em empresas que utilizam re-
latório administrativo.

CASOS E RELATOS

Relatório improvisado
João é um técnico em eletrotécnica e precisa relatar para seu supervisor, através de um relatório
administrativo, os principais problemas que ocorrem nas máquinas durante o seu turno de trabalho,
para que seja elaborada uma planilha para previsão de gastos do mês seguinte.
Para fazer esse relatório, o técnico precisa examinar os casos, procurar se informar com seus colegas
usando questionários e realizar observações que fundamentem as suas análises.
Mesmo sabendo dessa necessidade, João resolveu montar seu relatório baseado em suas lembran-
ças e em fatos isolados, além de confiar em sua experiência e descrever o que ele “achava” que iria
precisar.
Como as informações não foram pautadas em situações reais, o relatório apresentou resultados mui-
to incoerentes.
O responsável pelo estoque, a partir do relatório feito por João, realizou a compra de peças desne-
cessárias e acabou deixando de comprar o que realmente precisaria.
Essa situação deixou a empresa com as máquinas paradas por alguns dias, já que as peças nem sem-
pre são encontradas com tanta facilidade, o que acarretou prejuízos gigantescos para a empresa.
Depois desse fato, João passou a desempenhar melhor seu papel, pois percebeu que um relatório
não é somente um documento para ser arquivado e a tarefa de fazê-lo não é apenas o cumprimento
de um protocolo, mas uma ferramenta muito importante para o bom andamento de qualquer em-
presa.

Você viu como os relatórios são fundamentais para o bom andamento de qualquer empresa ou institui-
ção? São eles que norteiam todo o processo, pois deles dependem as principais tomadas de decisões. Com
base nesse contexto, percebemos a grande importância dos relatórios quando entendemos que, diante da
rotina acelerada das empresas, eles são as ferramentas mais eficazes na organização de informações.
Comunicação oral e escrita
102

RECAPITULANDO

Nesse capítulo, você estudou sobre os relatórios. Foi levado a perceber que os relatórios, assim como
os demais tipos textuais estudados anteriormente, possuem características e finalidades próprias.
Como o próprio nome já diz, os relatórios são documentos que relatam sobre algo e apresentam
informações muito importantes sobre fatos, processos, funcionamento de máquinas, viagens, traba-
lhos escolares, dentre tantas outras possibilidades.
Foi possível entender, ainda, que a linguagem usada para produzir relatórios não pode ser informal,
ou seja, a linguagem precisa ser cuidada, pautada na norma culta, além de permitir a coerência e a
coesão do texto.
Vimos que muitos são os contextos e situações nos quais um relatório pode ser aplicado e, por isso,
eles variam de acordo as necessidades a que atendem, podendo ser relatórios de pesquisa, ativida-
des escolares, de ocorrência e administrativos, que são os mais comuns.
Qualquer dúvida a respeito do tema exposto nessa unidade, releia o assunto e converse com seu
professor/tutor.
Aposto que depois de ter estudado esse capítulo, você não terá dúvidas a respeito dos tipos de re-
latório, não é mesmo?
8 Relatório técnico
103
Internet

Temos certeza absoluta de que você vai adorar estudar este capítulo. Não que os outros não
sejam bons ou importantes, mas este capítulo trata de algo você utiliza o dia todo, todo dia.
Não é verdade?
Até já sabe do que estamos falando. É isso mesmo: vamos realizar um estudo sobre a
internet.
Nesse capítulo você vai saber mais sobre o surgimento da internet e vai se surpreender ao
descobrir os reais motivos que levaram à sua criação.
Vai entender ainda como ela funciona, o que motiva sua utilização e como é possível que
essa rede consiga abranger os mais variados pontos do nosso planeta.
Que a internet faz parte da nossa vida, isso nós não podemos esconder – nas compras, nas
transações bancárias, nas relações, sejam elas pessoais ou profissionais – entretanto, o uso des-
sa ferramenta deve ser cauteloso e você vai entender o porquê, vai descobrir que não se pode
confiar em tudo que vê no mundo virtual.
A internet possui ainda outra finalidade muito interessante e que talvez seja a que você mais
utilize: a comunicação em rede. Através dela, é possível encontrar pessoas distantes, falar com
essas pessoas, enquanto as vê e ouve.

$ 15

Figura 45 -  Internet
Fonte: FREEPIK, 2015.
Comunicação oral e escrita
106

9.1 PESQUISA

Antes de falarmos especificamente sobre a pesquisa no mundo virtual, vamos tentar entender esse
mundo. Para isso, é imprescindível fazermos alguns questionamentos: O que é a internet? Quando ela sur-
giu? Por que ela surgiu?
Para iniciarmos, precisamos compreender que a internet é uma rede de comunicação que permite que
computadores ligados a ela disponibilizarem serviços variados. Esses serviços são dispostos em sites – pá-
ginas da internet que contém informações escritas, imagens, sons, vídeos e outras formas de promover a
interação.

Figura 46 -  Rede de computadores


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Atualmente, a internet é uma das ferramentas mais importantes para a comunicação e também a mais
democrática, pois pode ser usada por governos, empresas e, simplesmente, por pessoas.
Mas nem sempre foi assim. Inicialmente, a internet não vislumbrava um caminho tão abrangente, foi
criada apenas como estratégia de defesa dos países em guerra. É isso mesmo, ela surgiu nos Estados Uni-
dos, em meados dos anos 60, com o objetivo de implantar uma rede de computação que permitisse a co-
municação entre os militares, na qual fosse possível troca de informações sigilosas que poderiam salvá-los
de um possível ataque nuclear.

SAIBA Para ter mais informações de como os computadores eram importantes armas de defe-
sa em períodos de guerra, assista ao filme O Jogo da imitação (EUA, 2015). Este filme
MAIS conta a história do homem que salvou seu país na guerra por ter criado o computador.
9 Internet
107

Você já sabia disso? A internet está tão enraizada nos nossos hábitos atuais, que a usamos para tantos
fins, mas não nos damos conta de sua história e trajetória.

Olha só que interessante: desde que se tornou uma ferramenta acessível,


a internet precisou de apenas quatro anos para alcançar cinquenta mil
CURIOSIDADES pessoas. O fato se torna extraordinário se levarmos em conta que a te-
levisão precisou de treze anos, enquanto o rádio, trinta e oito anos para
atingir a mesma quantidade.

Hoje em dia, é impossível mensurar a quantidade de pessoas que utilizam esse recurso, também não
existem estimativas que identifiquem seu crescimento. Todavia, é inquestionável o espaço que ela con-
quistou e sua relevância para nossa sociedade.
É fácil comprovar essa afirmação. Basta apenas nos perguntarmos: Como seria nossa vida hoje sem a
internet? Complicada, não é mesmo?
Nos acostumamos a nos comunicar através dela, mas nossa dependência não se resume a mensagens
trocadas, tudo que fazemos necessita, direta ou indiretamente, da internet, e quem não estiver conectado
em pouco tempo estará.
Vamos pensar...
A internet está presente nas compras. É fácil e simples realizar compras em lojas virtuais e receber o ma-
terial desejado em casa. É possível e seguro realizar transações bancárias sem pegar filas, e o que é muito
melhor, sem sair de casa, apenas usando aplicativos conectados à internet. E com apenas alguns cliques,
podemos realizar pesquisas, ter acesso às mais variadas informações, através de notícias, livros, filmes, tra-
balhos acadêmicos e tantos outros materiais disponíveis nessa rede.
Estamos cada vez mais envolvidos com a globalização e isso só é possível através da internet, que se
tornou uma ferramenta acessível a quase todas as pessoas, devido ao seu custo baixo e sua abrangência
em vários cantos do planeta.

Figura 47 -  Globalização
Fonte: FREEPIK, 2017.
Comunicação oral e escrita
108

No entanto, é importante tomarmos alguns cuidados. Justamente por ser uma ferramenta de fácil ma-
nuseio e acesso, é mais seguro utilizá-la com cautela e não se expor. Nem sempre é possível saber se todas
as pessoas com quem interagimos possuem princípios e valores éticos e elas podem usar a internet para
fins prejudiciais.

Existe diferença entre hacker e cracker. Hackers usam seu conhecimento em compu-
FIQUE tadores para melhorar softwares3 , seja para aperfeiçoar funcionalidades ou desen-
volver outras, de forma legal e não invadem sistemas com intenção de causar danos.
ALERTA Já os crackers usam seu conhecimento de forma ilegal e, por isso, são considerados
criminosos.

Veja no Casos e Relatos desse capítulo como podemos ser enganados por pessoas que utilizam a inter-
net para fins criminosos e lesam suas vítimas tanto financeira quanto emocionalmente.

CASOS E RELATOS

Compra pela internet


Um vendedor de carros chamado Luiz Viana resolveu comprar um celular, o mais caro e tecnológico
do momento. Como ele morava em uma cidadezinha no interior de São Paulo, onde nem sempre é
possível encontrar o que se precisa, ele resolveu efetuar sua compra pela internet.
Luiz fez uma busca por sites de compra usando o Google; encontrou diversas páginas que vendiam o
celular tão desejado, mas uma em especial lhe chamou a atenção. O celular nesta loja virtual custava
40% a menos que nas demais.
O vendedor, pensando na quantia que iria economizar, nem pensou duas vezes, apesar de o site não
ser muito conhecido e não haver nenhuma referência sobre o mesmo, Luiz estava decidido a realizar
a compra.
Seguiu todos os passos que o site orientava para realizar a compra com sucesso. Por fim, realizou
o pagamento e estava feliz à espera do seu celular, que, segundo estimativas, chegaria em 30 dias.
Infelizmente, ao findar o prazo, o aparelho não chegou.
Luiz tentou contato com os números disponíveis para realizar uma reclamação, mas nunca era aten-
dido. Começou a ficar com medo e levou em consideração o fato de caído em um golpe.
Entretanto, após 40 dias, a encomenda chegou em sua casa. Luiz sentiu um alívio, seu celular havia
chegado, pensou.

3 Softwares: são programas armazenados em discos ou circuitos unidos ao computador.


9 Internet
109

Para sua surpresa, ao abrir a caixa, a mesma estava sem o produto pedido e com uma pedra em seu
lugar.
Com certeza não foi boa a sensação de ter sido enganado.
Depois dessa experiência, o vendedor não deixou de realizar compras pela internet, mas ficou mais
atento e cauteloso, buscando sites confiáveis e referências de pessoas que já teriam realizado com-
pra nos mesmos.

Como vimos, a internet engloba inúmeros sites que tratam de diversos temas e assuntos. No meio de
tanta informação, é difícil conhecer pelo nome todos os sites e saber, especificamente, o que cada um
aborda.
Diante dessa realidade, que envolve uma infinidade de sites, imagine o contexto: você está realizando
um trabalho acadêmico e precisa organizar suas referências. Mas o fato é que você não sabe ao certo como
fazer isso e surgem algumas dúvidas. Então, você lembra que pode consultar as normas da Associação
Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que estão disponíveis na internet. Certo?
Para chegar até o site que dispõe dessa informação, é preciso ter um endereço eletrônico, como, por
exemplo, http://www.abnt.org.br. Esses endereços são organizados da seguinte forma:
a) www: indica que o endereço está na World Wide Web;
b) abnt: é um domínio, ou seja, nome registrado do site;
c) org: indica que é um site não comercial, nem governamental, trata-se de uma organização;
d) br: indica que é um site registrado no Brasil.
Essa busca seria fácil e descomplicada se tivéssemos todos os endereços dos quais precisamos disponí-
veis na nossa memória ou anotados em algum lugar. Mas não é isso que acontece. Quase nunca lembra-
mos.
Pensando nessa dificuldade é que foram criados os sites de busca. Eles facilitam toda e qualquer pes-
quisa. Na falta do endereço eletrônico, basta abrirmos a página do site e colocarmos as palavras-chave que
norteiam nossa procura; ao fazermos isso, uma série de links são apresentados, daí, é somente escolher o
que melhor aborda o assunto em pesquisa. Prático não é mesmo?
Para facilitar nossa troca de informações e pesquisa, a internet dispõe de alguns mecanismos de buscas,
chamamos no Brasil de sites de buscas. Além do serviço de busca. Esses sites passaram a oferecer vários ser-
viços, dentre eles podemos apontar: armazenamento e compartilhamento de informações; comunicação
e interação entre as pessoas; entretenimento; compra, venda e propaganda. Dentre os usuários da web, o
Google é o site de busca que mais se destaca.
Comunicação oral e escrita
110

Figura 48 -  Site de busca


Fonte: GOOGLE, 2017.

Em sites de busca, como o Google, é possível encontrar absolutamente tudo o que você procura. Esses
mecanismos facilitam a pesquisa e intensificam o compartilhamento de informações, tornando a nossa
sociedade cada vez mais consciente dos fatos que acontecem ao seu redor e ao redor do mundo e, de certo
modo, aproximando-a destes fatos.

9.2 COMUNICAÇÃO

Diante de todas essas informações, é possível que você comece a se perguntar: Onde chegaremos com
o uso da internet, esse maravilhoso meio de comunicação que ultrapassou os limites das possibilidades até
então existentes de transmissão de informações?
Sabemos que depois de criada, a internet ganhou novos horizontes e é utilizada para fins nunca antes
imaginados. Um grande avanço desse recurso é possibilitar a comunicação entre pessoas que estão dis-
tantes fisicamente.
Entretanto, há visões que divergem que esse tenha sido um avanço, já que ao mesmo passo que a gran-
de rede liga as pessoas, quando rompe as barreiras de tempo e espaço, ela também pode causar um efeito
contrário, fazendo com que que as pessoas que estão próximas percam o contato físico nas conversas, nas
relações amorosas, familiares, ou até mesmo no aspecto profissional.
Essa teoria, que parte da observação do cotidiano, aponta que jovens e adolescentes, em sua maioria,
preferem estar em contato virtual, conversando através de chats, redes sociais e outras ferramentas que a
internet disponibiliza.
9 Internet
111

Figura 49 -  Comunicação na internet


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Contudo, não podemos deixar de ressaltar a grande importância da rede nas nossas relações e como ela
tem facilitado a interação das pessoas a um baixo custo. Para que o contrário não aconteça, é sempre bom
dosar o uso e ser consciente quanto aos benefícios e malefícios que toda e qualquer coisa pode nos trazer.
Todas as possibilidades até aqui apresentadas, relacionadas ao uso da internet, só são possíveis porque
existem navegadores (por isso a expressão “navegar na internet”) que oportunizam o acesso às mais varia-
das páginas que abordam diversos assuntos e temas relacionados às necessidades específicas de cada um.
Os navegadores mais conhecidos atualmente são:
a) Internet Explorer;
b) Google Crome;
c) Mozila Firefox;
d) Opera.
Eles são programas de computador que permitem que você acesse informações de diferente locais, na-
vegue por diversos sites buscando informações, lendo notícias, assistindo a filmes e comunicando-se com
várias pessoas de diferentes localidades e ao mesmo tempo.
Levando em consideração todas essas informações, não poderíamos deixar de mencionar o e-mail,
como um importante recurso, que possibilita a comunicação de forma rápida e segura, e que é o mais
utilizado nos espaços organizacionais.
Um endereço de e-mail é uma identificação virtual que você utiliza para entrar em contato com outras
pessoas. É uma espécie de carta, mas acontece em um ambiente virtual. Com ele é possível enviar e rece-
ber mensagens escritas, músicas, vídeos, fotos.
Comunicação oral e escrita
112

Caso você ainda não tenha um e-mail, não perca tempo e crie uma conta. Alguns sites disponibilizam
esse serviço de forma gratuita:
a) www.gmail.com;
b) www.hotmail.com;
c) www.yahoo.com.br.
Utilize os conhecimentos adquiridos nesse capítulo e busque outros sites que também podem disponi-
bilizar contas de e-mail para você.

RECAPITULANDO

Chegamos ao final desse capítulo


Nele você pôde entender toda a trajetória da internet, onde ela surgiu, porque foi criada e o modo
como ela ganhou espaço na nossa sociedade.
Vimos que o motivo de sua criação nada tem a ver com a forma com que mais a usamos, pois ela está
presente em nosso dia a dia na realização de compras, nas transações bancárias, nas comunicações
diárias, em estudos e também na nossa vida profissional.
Foi possível, ainda, entender como funcionam os mecanismos de busca e como eles facilitam o nos-
so acesso às informações. Com essas ferramentas fica mais fácil encontrar aquilo que procuramos.
O estudo desse assunto também abriu caminhos para algumas discussões, uma delas é o fato de
existirem algumas visões que são contra ao avanço da comunicação via internet, alegando que esse
recurso liga as pessoas distantes, mas afasta as pessoas que estão próximas. E você, o que achou
dessa problemática?
E não esqueça de fazer seu e-mail, caso ainda não tenha, pois será através dele que as portas do
mercado de trabalho se abrirão para você, já que ele possibilitará contatar empresas e enviar seu
currículo.

No capítulo a seguir, continuaremos nesse mundo tecnológico e estudaremos os programas responsá-


veis pelas edições de textos. Avance em seus estudos e construa conhecimentos sólidos e significativos.
9 Internet
113
Editor de textos

10

Vivemos em um contexto que a cada dia se torna mais digital, onde a escrita realizada com
caneta e papel acabou se tornando uma atividade secundária, dando lugar a uma comunica-
ção baseada em teclas, computadores e processadores de texto.
A comunicação em ambiente virtual, livros, correspondências e documentos em padrões
digitais expressam a força e a relevância dos editores de texto no cotidiano das pessoas.
O computador é a ferramenta que torna possível o uso de um editor de texto e otimiza as
atividades realizadas por diversos profissionais que atuam no mercado. Em cada contexto or-
ganizacional, esses profissionais utilizam os softwares para inúmeros fins, como: construção de
relatórios, memorandos, e-mails, ofícios, atas, cartas comerciais, procurações, atestados, currí-
culos, dentre outros.
Neste capítulo, você conhecerá as diversas ferramentas que compõem um editor de texto,
especificamente o Word, o editor de texto mais utilizado pelas pessoas em seu dia a dia. Vai
entender como funciona a digitação de um texto, a inserção de imagens, gráficos, tabelas – re-
cursos responsáveis por transmissão de mensagem, além da escrita – a formatação e impres-
são de documentos.

Figura 50 -  Editor de textos


Fonte: SENAI DR BA, 2017.
Comunicação oral e escrita
116

Com certeza, o estudo desde capítulo permitirá a você desenvolver algumas habilidades que te ajuda-
rão a crescer como profissional. Vamos lá?

Conceituação

O Word é o editor de texto mais usado, dentre os existentes no mercado. É um software integrante do
pacote Office, idealizado e criado pela Microsoft.
É fácil entender porque é o mais utilizado. É um editor que apresenta muitas funções que auxiliam e
otimizam as atividades de alunos, professores, empresários, técnicos, gestores, ou seja, de pessoas e pro-
fissionais em geral, que necessitam criar e editar textos de forma rápida e prática.
São tantas as funcionalidades do Word, que a grande maioria das pessoas as desconhece. Muitos dos
que usam esse programa não dominam todas as possibilidades que ele disponibiliza. Claro que isso acon-
tece por falta de treinamento e instrução.
Mas não fique preocupado, por meio deste estudo você será capaz de pensar e criar documentos den-
tro dos padrões exigidos pelos cursos, empresas e universidades.

informações Apresenta informações sobre o documento (data, tamanho, páginas, dentre outras).

novo Expõe os modelos de documentos existentes e permite abrir um documento novo.

abrir Permite abrir um documento que já foi salvo (Atalho: Ctrl+A).

salvar Através desse ícone, é possível salvar as alterações feitas no documento. (Atalho: Ctrl+B).

salvar como Permite escolher o local onde o documento será salvo e nomeá-lo (Atalho: F12).

imprimir Mostra as opções para impressão, basta selecioná-las (Atalho: Ctrl+P).

compartilhar Aqui é possível interagir com outras ferramentas da internet.


10 Editor de textos
117

exportar Permite salvar o documento em outros formatos, como PDF ou XPS.

fechar Fecha o Word, mas antes perguntará se não desejamos salvar o documento.

conta Permite que o usuário faça login com o onedrive e salve seu documento na nuvem.

opções Onde é possível efetuar alterações do programa (local padrão e extensão padrão).

Quadro 14 - Faixa de opções


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Vamos começar nosso desafio? Iniciaremos pela digitação de textos, mas, antes, vamos entender a faixa
de opções que aparece para nós quando usamos o Word.

10.1 digitação de textos

Ao iniciar o Word, um novo documento é aberto; é um processo padrão. Esse documento sempre é
denominando de Documento 1. Se forem abertos outros documentos, eles receberão os nomes seguindo
uma ordem numérica: Documento 2, Documento 3 e assim sucessivamente. Por isso, é importante nomear
o arquivo, clicando nele por duas vezes (lentamente) ou clicando com o botão direito e depois selecio-
nando a opção “Renomear”, quando estiver fechado; utilizando a tecla F2, quando o mesmo estiver sendo
usado por você.
Observe na figura a seguir como as barras e o menu superior que orientam a criação do documento são
organizados:

Figura 51 -  Barra e menu superior


Fonte: MICROSOFT OFICCE WORD, 2013.
Comunicação oral e escrita
118

Na barra e menu superior aparecem, por padrão, sete guias que substituem os menus, elas disponibili-
zam recursos que estão divididos em grupos e permitem acesso rápido à realização das tarefas. Conheça-
-as detalhadamente:
a) Página inicial: apresenta ferramentas que editam as fontes; localizam, substituem e selecionam
palavras; formatam os parágrafos e permitem recortar, copiar e colar textos;
b) Inserir: permite, como o nome já diz, realizar inserções. Inserir páginas, tabelas, ilustrações, links,
cabeçalho e rodapé, texto e símbolos;
c) Layout: exibe o grupo de tarefas que permite escolher temas, configurar página, plano de fundo
da página e organização da página;
d) Referências: esta guia subdivide-se em grupos de ferramentas, que são o sumário, notas de ro-
dapé, citações e bibliografia, legendas, índice;
e) Correspondências: agrupa os recursos para criação de mala direta, está organizada em cinco
grupos, que são: Criar, Iniciar Mala Direta, Gravar e Inserir Campos, Visualizar Resultados e Con-
cluir;
f) Revisão: é a guia que é responsável pelas ferramentas de ortografia e gramática, como idioma,
comentários, controle, alterações, comparação, proteção;
g) Exibição: trata sobre o modo como os documentos são exibidos para edição, apresenta os íco-
nes: Modos de Exibição, Mostrar, Zoom, Janela, Macros.
O Word é um programa muito intuitivo, cada ícone é responsável por realizar tarefas importantes no
processo de edição dos textos. Nesse capítulo você terá as informações primordiais, mas não deve deixar
de pesquisar e buscar aprofundar seus conhecimentos.
Agora, vamos estudar algumas ferramentas de formatação na digitação e edição de textos. A partir do
item a seguir, você vai entender como é possível realizar mudanças nas fontes (como são chamadas as
letras no computador).
10 Editor de textos
119

10.2 FORMATAÇÃO

O Word é um aplicativo utilizado para edição de textos e possui ferramentas que possibilitam uma for-
matação completa. 
Com o Word, é possível a criação e edição de documentos de forma mais simples ou documentos que
incluam uma formatação e elementos gráficos mais complexos.
Para formatar textos escritos, você pode escolher a fonte (tipo de letra), a cor, o estilo de letra que con-
diz com seu perfil ou com o perfil do documento, alinhamento, tamanho, dentre outras possibilidades.
Observe na imagem a seguir algumas ferramentas utilizadas para a formatação das fontes:

Quadro 15 - Fontes
Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Para realizar a formatação, é importante lembrar que o cursor do mouse deve estar inserido na palavra,
ou que ela esteja selecionada.
Os recursos disponíveis no Word estão dispostos de uma forma muito explicativa e, por isso, são bem
fáceis de serem compreendidos e utilizados. Claro que a teoria aliada à prática torna seu aprendizado mais
consistente.
Comunicação oral e escrita
120

O Word é um processador de texto do Office que é muito prático e fácil


de usar. Caso haja dúvidas quanto às tarefas que os ícones desempe-
CURIOSIDADES nham, basta colocar o cursor do mouse em cima do ícone, sem clicar,
que aparecerá uma janela explicando tudo para você.

Outra opção interessante para formatar textos é o Pincel de formatação.


Esse recurso possibilita que uma formatação seja copiada de um trecho do texto para outro. Veja como
é fácil realizar esta tarefa, observe a imagem e siga as instruções:

Figura 52 -  Pincel de formatação


Fonte: MICROSOFT OFFICE WORD, 2013.

a) Primeiro, você precisa selecionar o trecho que deseja copiar a formatação;


b) Em seguida, é necessário clicar em PÁGINA INICIAL + PINCEL DE FORMATAÇÃO;
c) Para concluir, basta selecionar o trecho do texto onde deseja inserir a formatação copiada.
Não pense que uma boa edição de textos precisa apenas de uma escrita esteticamente organizada e
clara, existem outros recursos que podem enriquecer seus trabalhos, quer sejam acadêmicos ou profissio-
nais. Vamos conhecê-los?
Continue seus estudos, você vai compreender como inserir, formatar imagens e assim tornar seus do-
cumentos cada vez mais interessantes.
10 Editor de textos
121

10.3 Inserções

Ao realizar um trabalho no Word, não temos acesso somente às ferramentas para edição de fontes, que,
como já vimos, são as letras que usamos para a construção do nosso texto.
O software disponibiliza outras ferramentas capazes de tornar a mensagem cada vez mais clara, dinâ-
mica e compreensível. Tais ferramentas estão estruturadas em guias de acesso, aquelas que estudamos no
início do capítulo e que nos ajudam a realizar diversas tarefas.
Na imagem a seguir, podemos visualizar essas guias, mas, especificamente, iremos tratar da guia
INSERIR:

Figura 53 -  Guia Inserir


Fonte: SENAI DR BA, 2017.
Comunicação oral e escrita
122

Como você pode perceber, ao clicar na guia INSERIR, um novo campo é aberto e nele aparecem outros
ícones, capazes de efetuar novas atividades. Iremos conhecer algumas dessas atividades a partir da análise
do quadro a seguir:

Quadro 16 - Guia inserir ícones


Fonte: MICROSOFT OFFICE WORD, 2013; SENAI DR BA, 2017.

As possibilidades de inserções tornam seu texto rico e interessante, possibilitam variar a forma de trans-
mitir uma mensagem. Em vez de usar somente palavras, o Word oportuniza aos seus usuários uma série de
ferramentas úteis, práticas e fáceis de usar.
As novidades não acabaram! Agora iremos estudar e compreender a função da ferramenta
PARÁGRAFO. É um recurso que irá ajudar você a formatar um texto de forma adequada, padronizada e
apresentável, características pertinentes aos padrões de comunicação escrita.
10 Editor de textos
123

10.4 PARÁGRAFOS

Continuando o estudo de como utilizar o Word para editar bem os nossos textos, abordaremos, agora,
as principais funções do grupo dos parágrafos. Sabemos como eles são fundamentais na organização es-
tética de um texto, estudamos isso no capítulo Parágrafos. Aprendemos que, sem essa organização estru-
tural, a escrita fica poluída e cansativa. No entanto, nesta sessão, estudaremos o uso dos parágrafos em um
processador de texto e entenderemos como funciona sua formatação.
Veremos que, ao formatarmos um parágrafo, podemos definir o alinhamento, o espaçamento e o avan-
ço das linhas, o que define as margens do documento. Essa formatação deve ser aplicada a todas as linhas
que compõem o parágrafo.
É importante entender que o parágrafo é responsável pela estética do texto. Ele pode ser alinhado à
esquerda, à direita, centrado ou justificado. A diferença entre essas possibilidades será descrita por meio
do quadro a seguir:

tipo de
ícone função
alinhamento

Esquerda Alinha o texto à margem esquerda da página.

Direita Alinha o texto à margem direita da página.

Centralizado Centraliza o texto ao meio da página.

Justificado Alinha o texto às margens esquerda e direita, paralelamente.

Quadro 17 - Parágrafos
Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Com a análise do quadro, você teve a oportunidade de visualizar os ícones e compreender suas funcio-
nalidades. Aprenda, agora, como fazer para alterar o alinhamento de um parágrafo. Siga os passos abaixo:
a) Primeiro coloque o cursor do mouse sobre o parágrafo que deseja alterar;
b) Depois, clique sobre o ícone que representa o alinhamento que corresponde a sua necessidade.
No entanto, para escrevermos trabalhos mais formais, é preciso estarmos atentos quanto à normatiza-
ção das regras que orientam esse espaçamento na escrita.

Para ter mais informações sobre como formatar de forma correta margens e espaça-
SAIBA mentos na realização de trabalhos escritos, consulte: ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE
MAIS NORMAS TÉCNIAS. NBR 14724: informação e documentação: trabalhos acadêmicos:
apresentação. Rio de Janeiro, 2011.
Comunicação oral e escrita
124

Além de alinhar os parágrafos, justificando-os e organizando-os em margens que atendem às normas


regentes da escrita, você já reparou que nos textos que você lê em sites da internet, em arquivos PDF ou
até em arquivos no próprio Word há uma variação do espaço que existe entre as linhas?
Em alguns as linhas estão mais juntas, em outros, mais afastadas. Vamos entender como realizar esse
processo?
Observe os tipos de espaçamento que o Word dispõe e aprenda como aplicá-los em suas redações.
a) Simples = 1,0 cm;
b) 1,5 Linhas;
c) Duplo = 2,0 cm;
d) Pelo menos;
e) Exatamente;
f) Múltiplos.
Observe, analisando a imagem a seguir, como definir a formatação do espaçamento dos parágrafos:

Figura 54 -  Formatação de parágrafos


Fonte: MICROSOFT OFFICE WORD, 2013.
10 Editor de textos
125

Para chegar no quadro apresentado, siga algumas orientações e aprenda, de fato, como definir o espa-
çamento entre as linhas:
a) Posicione o cursor sobre o parágrafo que deseja modificar e selecione-o;
b) Clique com o botão direito do mouse e selecione a opção Parágrafo;
c) Clique em Recuos e Espaçamento;
d) Em Espaçamento entre Linhas, clique na seta. Nela aparecerá uma lista com algumas opções, se-
lecione o espaçamento desejado;
e) Clique em OK.
Além de alterar o espaçamento entre as linhas, algumas vezes é preciso alterar, também, o espaça-
mento entre os parágrafos. A intenção desse espaçamento é afastar os parágrafos, o que facilita a leitura e
contribui com a estética do texto. Mas, como alterar o espaço entre os parágrafos?
a) Selecione os parágrafos que deseja alterar;
b) No menu Página Inicial, clique no ícone espaçamento de linha e parágrafo;
c) Escolha adicionar espaço antes do parágrafo ou depois do parágrafo.
É muito fácil de fazer e necessário aprender. Siga as orientações, ponha em prática e, então, construa
documentos esteticamente bonitos e que atendam aos objetivos para os quais foram criados.

Evite surpresas ao realizar seu trabalho. Salve seu arquivo a cada alteração feita. Mui-
FIQUE tas vezes somos surpreendidos com falta de energia, descarregamento de bateria ou
ALERTA até mesmo um erro de sistema, stiuações que provocam o desligamento do compu-
tador. Caso as alterações não estejam salvas, você pode perder tudo.

10.5 IMPRESSÃO DE ARQUIVOS

Depois de seguir todas as orientações estudadas e construir o seu documento, é hora de dar um destino
a ele. Ou seja, para quê e para quem ele foi criado? Seu documento poderá ser enviado para quem você o
criou e lido por e-mail ou outra ferramenta que não precise imprimir? Se a resposta for sim, opte por esse
caminho, até por uma questão sustentável.
Mas, caso não seja possível e você precise imprimir seu documento, atente-se para o caminho que deve
ser seguido até que todo seu trabalho seja finalizado.
Trabalho concluído? É hora de imprimir!
O primeiro passo ao realizar a impressão de um documento é visualizá-la. Isso pode ser feito na Guia
Exibição. Lá estão dispostas todas as ferramentas necessárias para exibição do documento.
Comunicação oral e escrita
126

Figura 55 -  Visualização de impressão


Fonte: MICROSOFT OFFICE WORD, 2013.

Visualizando o documento antes de imprimir, você contribui com a preservação do


FIQUE meio ambiente. Essa opção evita o desperdício de folhas de papel, pois permite que
ALERTA você analise e perceba se seu trabalho será impresso da forma que você espera. Caso
seja preciso, realize os ajustes necessários.

A visualização do documento te dará a visão geral do resultado do seu trabalho. Essa ferramenta aju-
dará você a perceber se seu documento está de acordo ao que você espera: margem, formatação, se está
legível ou ainda se falta alguma informação.
Realizada essa análise, é necessário ir até a aba Arquivo e clicar na opção Imprimir, como mostra a
imagem:

Figura 56 -  Impressão de arquivo 1


Fonte: MICROSOFT OFICCE WORD, 2013.
10 Editor de textos
127

Ao clicar em Imprimir, será aberta uma nova janela, bastante intuitiva, que irá direcioná-lo para uma
impressão eficiente e que atenda às suas necessidades, observe a ilustração:

Figura 57 -  Impressão de arquivo 2


Fonte: MICROSOFT OFFICE WORD, 2013.

Essa janela comporta todos os recursos necessários para que você conclua sua impressão, nela você
consegue definir a quantidade de cópias e escolher a impressora que realizará a tarefa.
Outra ferramenta muito importante é a Propriedade de Impressora, nela você determina se seu docu-
mento será colorido ou preto e branco, e ainda se será impresso na modalidade padrão ou rascunho. A
última opção permitirá a você economizar tinta.
Conheça uma história real, que aconteceu em uma empresa da área da educação que trabalha com cur-
sos profissionalizantes. Ela conta como colaboradores e gestores adotaram estratégias simples de econo-
mia, que, além de permitirem que suas atividades fossem realizadas de forma eficiente, ainda contribuíram
efetivamente com a sustentatilidade do nosso planeta.
Comunicação oral e escrita
128

CASOS E RELATOS

Empresa Sustentável
Quando o assunto é economizar, todas as empresas buscam medidas e soluções que erradiquem os
gastos desnecessários, acabem com os prejuízos e aumentem os lucros.
Baseada nessa ideologia, uma escola de cursos profissionalizantes percebeu, a partir de relatórios de
contas realizados todo mês, que o uso de papel ofício tinha aumentado consideravelmente, sem que
tivesse aumentado o número de alunos.
Diante dessa realidade, foi convocada uma reunião com a equipe de professores e coordenação
pedagógica, para que fossem pensadas e postas em prática medidas que minimizassem os gastos
com as folhas, que além de inflarem o orçamento, prejudicam o meio ambiente com o aumento de
lixo e devastação das florestas.
Então, no final do encontro, entre discussões e ideias, adotaram algumas medidas como: visualiza-
ção do documento antes da impressão, para que nada fosse impresso de forma errada; reutilização
das folhas que fossem impressas e que pudessem ser usadas novamente como rascunho, elas seriam
guardadas e estariam disponíveis para serem utilizadas por todos.
As medidas estavam sendo anotadas, quando o professor de informática apresentou uma informa-
ção importante. Segundo ele, existia uma fonte chamada Ecofont, que é uma alternativa para as pes-
soas que precisam usar a Arial, mas pensam em evitar o desperdício de tinta, que também é possível
com a prática de impressão no modo rascunho.
Com essas medidas simples, mas eficazes, a empresa evitou gastos desnecessários e serviu como
exemplo para outras empresas da cidade, já que expandiu essa iniciativa para outros setores e incen-
tivou a reutilização como forma de economia e cuidado com o meio ambiente.

Percebeu que aprender a utilizar bem um editor de textos pode não só torná-lo um profissional que de-
sempenha bem suas atividades técnicas, como também um profissional consciente e cidadão e que ainda
consegue gerar lucros para a empresa em que trabalha?
10 Editor de textos
129

RECAPITULANDO

Nesse capítulo você teve a oportunidade de conhecer a importância de um editor de texto para a
construção de documentos, mais especificamente, o Word, que é o mais utilizado nos dias atuais.
Além de ser apresentado ao Word, foi possível que você conhecesse suas ferramentas e funcionali-
dades, o que ampliou sua visão acerca da transmissão de mensagens, que pode se dar por meio de
recursos que vão além da escrita, como: imagens, tabelas, gráficos.
Esse conteúdo fará de você um profissional diferenciado, caso coloque em prática tudo que apren-
deu. Seus documentos terão uma organização estética que facilitará a leitura e o entendimento,
atendendo, dessa forma, às necessidades de seus clientes, gestores, colaboradores, parceiros.
Você viu, ainda, que poderá desempenhar seu papel de cidadão, praticando medidas simples de
economia e sustentabilidade.
Todas essas ferramentas, disponíveis em um editor de textos, permitirão que você aprimore suas
atividades como técnico em eletrotécnica, desenvolvendo relatórios e quaisquer redações técnicas
que lhe forem solicitadas.
Apresentações gráficas

11

A apresentação de qualquer trabalho solicitado por uma instituição acadêmica ou organi-


zacional exige alguns cuidados em sua elaboração, estrutura e exposição.
Diante do desafio de montar uma apresentação objetiva e atraente, alguns fatores são mui-
to importantes, como planejar o conteúdo, mas também traçar estratégias e buscar meios de
transmiti-lo da melhor forma possível, dentro do aspecto visual e da sua estética.
Participar de reuniões, seminários e workshops é atividade presente na rotina da grande
maioria dos profissionais que atua no mercado. Por isso, o planejamento é uma etapa muito
importante na elaboração de apresentações que serão realizadas em público. Além de garan-
tir um bom resultado, pode evitar que tais atividades se tornem enfadonhas, redundantes e
apáticas.
Por esse motivo, o capítulo atual traz um estudo muito interessante sobre formas de tornar
sua apresentação atrativa, lúdica, dinâmica, sem se distanciar do conteúdo.
Para isso, apresentaremos a você ferramentas que, combinadas ao texto escrito, enrique-
cem e transmitem sua mensagem de forma clara e interessante. Essas ferramentas podem ser
imagens, gráficos, tabelas, quadros ou ainda outros recursos multimídia que trazem uma série
de inovações para nossas exposições em público.
Não perca tempo, inicie já sua leitura!

Figura 58 -  Apresentação gráfica


Fonte: SENAI DR BA, 2017.
Comunicação oral e escrita
132

11.1 estruturação

Atualmente, os profissionais das mais diversas áreas têm, dentre as atividades de sua responsabilida-
de, a necessidade de realizar apresentações em reuniões, seminários, palestras, workshops e tantas outras
possibilidades de exposição oral.
Isso acontece devido a um processo cada vez mais acelerado, no qual as informações precisam alcançar
o maior número de colaboradores, gestores e parceiros em menor espaço de tempo.
Diante dessa realidade, a melhor forma de atingir esse objetivo é promover momentos em que seja
possível compartilhar essas informações entre grupos, sejam eles formados por poucas ou muitas pessoas.
Para isso, esses profissionais dependem de recursos que otimizem o tempo, ao passo que possam tor-
nar as apresentações mais dinâmicas, interativas e funcionais. Tais recursos podem variar entre imagens,
tabelas, gráficos, efeitos sonoros, que, aliados ao texto, permitem uma apresentação gráfica rica e interes-
sante.

Figura 59 -  Como fazer uma apresentação gráfica


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Com certeza você já teve a oportunidade de realizar algum tipo de apresentação ou de assistir a algu-
ma. Se não foi no ambiente de trabalho, pode ter sido em sala de aula, na igreja ou até mesmo em reuni-
ões de bairro. Daí, você já consegue perceber a importância de saber realizar uma boa apresentação. Elas
abrangem os mais variados contextos, é preciso estar preparado.
Apresentações longas, redundantes e sem atrativos se tornam enfadonhas e são mais comuns do que
se imagina. Mas, por que isso acontece?
Na maioria das vezes, o apresentador não delimitou as informações mais importantes que seriam com-
partilhadas e não foi cuidadoso em pensar nas estratégias que poderiam ser utilizadas para transformar
sua apresentação em uma exposição clara e atraente.
11 Apresentações gráficas
133

É importante entender que nem sempre se comete esses erros por negligência, preguiça ou falta de
conhecimento do assunto. Simplesmente, alguns profissionais não conhecem as ferramentas disponíveis
para uma boa apresentação ou não sabem como utilizá-las corretamente.
Por esse motivo, iremos conhecer alguns passos importantes que podemos seguir para realizar uma
apresentação gráfica eficiente e bem elaborada. Faça esse estudo a partir da análise do quadro a seguir:

Elabore um bom resumo.


Ele deve abordar os
pontos mais importantes
da sua apresentação.

Crie um material visual que


torne sua apresentação
atraente.

Desenvolva e ensaie sua


apresentação.

Quadro 18 - Como elaborar uma apresentação gráfica


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Como vimos no quadro apresentado anteriormente, o resumo é a primeira etapa de uma boa apresen-
tação gráfica, é responsável pela otimização da sua pesquisa, pois apresenta os objetivos que precisarão
ser alcançados.
Ele pode ser produzido por meio de tópicos, esquemas ou textos corridos, divididos por parágrafos, se
houver necessidade. Em um resumo, todas as informações são abordadas de forma sintetizada e apresen-
tam os aspectos significativos de seu estudo. Após a conclusão da síntese, é preciso avançar para a próxima
etapa, que é a construção do material visual. Como o próprio nome já diz, é a ferramenta que vai mostrar
visualmente as informações que foram apontadas no resumo.
Contudo, na elaboração desse material, pode ser banner, slides, website ou algum outro recurso a que
tiver acesso, você deverá desenvolver as ideias presentes no resumo. Nele você discorrerá sobre os objeti-
vos, resultados e conclusões da sua pesquisa.
Comunicação oral e escrita
134

No entanto, não esqueça que sua apresentação gráfica precisa de um material visual atraente, que
transmita as informações de forma clara e dinâmica. Vale relembrar: gráficos, quadros, tabelas, imagens,
efeitos sonoros, juntamente com uma boa produção escrita, ajudam muito.
Tudo pronto? Então é hora de ensaiar o que será apresentado e como será apresentado. Apenas um
bom material não vai garantir o sucesso de sua exposição, é preciso que você esteja seguro e à vontade
com relação ao assunto que será abordado.
Nessa hora, vale toda e qualquer estratégia que possa ajudar você. Existem várias alternativas, a sua
criatividade é que vai te orientar, no entanto, você pode usar alguns métodos, como: filmar a si mesmo,
treinar em frente ao espelho ou ainda permitir que outras pessoas, amigos ou familiares te assistam e co-
mentem. O feedback deles pode ajudar muito.

Então, me diz o que Eu achei legal! Você foi muito bem! Só


você achou da minha acho que se você olhasse mais para a
apresentação. plateia, facilitaria sua interação com ela!

Figura 60 -  Dicas para uma boa apresentação


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

FIQUE É importante que os aspectos orais, aliados ao material visual, auxiliem a sua apre-
sentação. Atente-se para a fluência e clareza da sua oratória. Além disso, a postura e
ALERTA gesticulação, se usadas de forma inadequada, podem prejudicar sua exposição.

Os estudantes ou profissionais que utilizam recursos gráficos em suas apresentações como incentivos
visuais injetam em sua plateia a motivação para estar atenta e participativa do início ao fim. Leia o Casos
e Relatos a seguir e observe a diferença dos resultados de uma apresentação bem planejada e outra sem
planejamento.
11 Apresentações gráficas
135

CASOS E RELATOS

Organização é tudo
Luciana tinha acabado de entrar em um curso técnico, era seu primeiro semestre e tudo ainda era
muito novo. Já nos primeiros dias de aula, a professora de Comunicação Oral e Escrita solicitou um
seminário sobre Variações Linguísticas.
Após determinar os conteúdos que seriam apresentados, a turma foi dividida em grupos de cinco
alunos, cada grupo ficou responsável por abordar um tema relacionado ao assunto.
Luciana e mais quatro colegas se reuniram na biblioteca para realizar algumas pesquisas, entretanto,
o tempo da aula acabou rápido e eles produziram pouco. Como todos trabalhavam e não tinham
tempo para se encontrar, subdividiram o conteúdo em cinco partes e cada um ficou responsável por
preparar seu material.
No dia da apresentação, a equipe, que não tinha se encontrado para planejar em mais nenhum mo-
mento, começou sua exposição.
A estudante apresentou seu trabalho em slides, já seus colegas, cada um apresentou de uma forma
diferente, por meio de banner e cartaz, mas nenhum deles utilizou recursos gráficos ou multimídias,
que tornassem a apresentação interessante.
Ao concluírem a apresentação, os alunos ouviram o feedback da professora, que apesar de apontar
poucos pontos positivos, ajudou muito na formação deles, pois usaram as dicas e ensinamentos
para uma próxima apresentação, que não demorou muito a acontecer.
Dessa vez, eles planejaram, pesquisaram e determinaram apenas uma única forma de apresentação,
o que demonstrava unidade na equipe. Acrescentaram ao texto escrito recursos gráficos e multimí-
dia, que enriqueceram a apresentação e atraíram a atenção não só dos colegas, mas da orientadora.
No final, o resultado não poderia ter sido outro, a equipe foi parabenizada e seu trabalho bastante
elogiado.
Além de se sair bem na apresentação, a equipe aprendeu uma lição: uma experiência ruim pode
ensinar muita coisa.

Percebeu como um planejamento faz toda a diferença em uma apresentação? A organização é fun-
damental para um bom resultado. Alie a teoria à pratica na elaboração de suas exposições e torne-se um
profissional diferenciado.
Comunicação oral e escrita
136

11.2 FERRAMENTAS DE MULTIMÍDIA

Para início de conversa, vamos pensar: o que são ferramentas de multimídia?


Ferramentas de multimídia são ferramentas que facilitam a comunicação e transmissão de mensagens
por meio de sons, vídeos, animações. Essas mídias são dinâmicas, pois possuem movimento e podem es-
tar aliadas às mídias estáticas, mapas, gráficos, imagens para facilitar a compreensão de um determinado
assunto. Elas são importantes para a apresentação oral de um trabalho, pois motivam os nossos sentidos
(audição e visão).
A expressão multimídia ganhou mais evidência depois da evolução do computador. Quando foram
criados, os computadores tinham um outro objetivo, você lembra? Caso precise recordar, consulte o capí-
tulo que fala sobre a internet, seu Saiba Mais tratou desse assunto.
Com o avanço da tecnologia, os computadores foram assumindo outras funções, que incluem edição
de textos, preparação de materiais gráficos, acesso à internet para diversos fins, e tantas outras.
Com perspectivas de atender a essas novas exigências do mercado e da sociedade, o computador, que
inicialmente, não permitia recursos de som, animação de imagens e gravação de arquivos, como é possível
hoje em dia, ganhou o Kit Multimídia, com caixinhas de som e CD-ROM.
Para os mais jovens fica até complicado visualizar essa realidade, visto que atualmente nem se sabe ao
certo quantas mídias estão disponíveis nas máquinas.

Figura 61 -  Recursos multimídia


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Entretanto, o termo multimídia não é atual, ele já era empregado para aludir aos mais variados meios
de comunicação que existiam antes do computador, podemos tomar como exemplo os projetores dos
cinemas e gravadores de sons.
11 Apresentações gráficas
137

Hoje em dia, a gama de recursos multimídia é extremamente grande e variada, o que permite aos usu-
ários criar, manipular, armazenar e pesquisar conteúdos através da web, que é um dos mais importantes
meios de multimídia.
Podemos destacar ainda as multimídias existentes nos CDs, DVDs, pendrives, aparelhos celulares, TVs,
ou seja, qualquer ferramenta que torne possível a criação de formatos diversos de apresentações pessoais
ou profissionais.

Você sabia? O trabalho com multimídias é tão importante para transmis-


são de informações que existe uma formação superior específica nesta
CURIOSIDADES área. O profissional em Comunicação e Multimeios atua com a comuni-
cação nos meios digitais.

A agilidade, inovação e interatividade presentes nas multimídias possibilitam a construção de expo-


sições interessantes e dinâmicas, por isso estimulam as habilidades de processar e reter as mensagens
compartilhadas.

11.3 GERENCIAMENTO DE TEMPO

Você está quase concluindo seus estudos sobre apresentações gráficas e depois desse conteúdo assimi-
lado, com certeza, você vai conseguir realizar de forma satisfatória as suas apresentações.
Diante de tudo que você viu até aqui, em algum momento pensou a respeito do tempo que será dis-
pensado para sua apresentação no dia da exposição? Pois é sobre isso que trataremos neste item.
Nos conteúdos anteriores, percebemos como um planejamento é importante para alcançar um bom
resultado. Durante esse planejamento, você deve levar em consideração o tempo que você terá para expor
suas ideias, isso é fundamental.

Figura 62 -  Gerenciamento de tempo


Fonte: FREEPIK, 2016.
Comunicação oral e escrita
138

Imagine que você tem muito tempo e faz uma apresentação muito curta, ou o contrário, você tem pou-
co tempo, mas não consegue concluir seu raciocínio porque seu material visual está extenso demais. São
duas situações bem constrangedoras, concorda?
Para evitar esse tipo de constrangimento, atente-se para algumas dicas:
a) Procure saber com antecedência o tempo disponível para você fazer sua apresentação;
b) Nos ensaios anteriores à apresentação, faça uso do cronômetro e veja se o tempo utilizado con-
diz com o estabelecido;
c) Ao iniciar sua explanação, apresente os motivos de sua apresentação, em seguida apresente os
tópicos de forma clara e objetiva, mantenha-se seguro e calmo. Não demonstre preocupação
com o tempo. Lembre-se, você está com tudo planejado;
d) Separe um tempo para responder perguntas, questões e dúvidas de sua plateia;
e) É importante estudar bem o conteúdo e estar seguro do que será apresentado, pois, havendo
algum imprevisto com o tempo, você será capaz de acrescentar informações ou resumi-las, ex-
cluindo as menos importantes.

SAIBA Para adquirir mais conhecimento sobre apresentações em público e como usar seu
discurso de forma clara e elegante leia: CÂMARA. J. M. A estratégia da palavra. São
MAIS Paulo: Gonçalves, 1992.

Ao concluir sua apresentação no tempo previsto, finalize sua exposição retomando os pontos mais
importantes de seu tema para que eles fiquem claros e bem assimilados pela sua plateia. Essa última etapa
deve ser concisa e impactante.
11 Apresentações gráficas
139

RECAPITULANDO

Esse capítulo te conduziu a entender a importância de uma boa apresentação e como construí-la.
Você verificou que é necessário um planejamento prévio, que exige organização das ideias, elabo-
ração de resumo, confecção de um material visual atraente e segurança na exposição do conteúdo,
adquirida através de estudo e treino.
Foi possível, ainda, conhecer ferramentas que, aliadas ao texto escrito, ajudam na idealização e cons-
trução de exposições gráficas, que são imagens, gráficos, tabelas, quadros.
Essas ferramentas são recursos multimídia, que contribuem para que as apresentações se tornem
casa vez mais interativas e interessantes. São ferramentas que podem se apresentar de forma es-
tática, ou seja, sem movimento, mas que, devido ao avanço tecnológico, também podem ser mais
dinâmicas, quando acompanhadas de som e mobilidade, como é o caso de animações, músicas,
vídeos e outros.
É importante relembrar que o planejamento inclui a preocupação com o tempo, ele nunca deve ser
desprezado, o orador deve saber ajustar sua apresentação ao tempo que lhe foi concedido.
Unindo todo esse conhecimento à prática, você vai conseguir fazer o que muito apresentador tem
dificuldade: permitir que a plateia entenda, participe efetivamente e se agrade de sua exposição.

No próximo capítulo, você aprofundará seu conhecimento sobre as formas de produzir seu material
visual para apresentações orais. Empenhe-se e encare esse novo desafio!
Slides

12

Hoje em dia, as apresentações em público são cada vez mais comuns.


Isso acontece porque as empresas, escolas, associações, universidades e tantas outras ins-
tituições, públicas ou privadas, entendem que as reuniões, seminários ou palestras alcançam
seus objetivos de forma mais rápida e objetiva, pois envolvem, na maioria das vezes, um gran-
de número de interessados em um mesmo propósito.
Embora esteja presente nos mais variados contextos, as apresentações nem sempre são
realizadas de forma assertiva. Essa é uma realidade atual, visto que as pessoas nem sempre têm
a oportunidade de conhecer os recursos que otimizam suas exposições e que podem torná-las
mais atraentes e interessantes.
Portanto, este capítulo visa apresentar de maneira clara o editor de apresentações mais usa-
do em nossos dias, o PowerPoint, software da Microsoft Office que disponibiliza ferramentas e
recursos práticos, que contribuem para a produção de slides dinâmicos e didáticos.

Figura 63 -  Apresentação em slides


Fonte: FREEPIK, 2017.
Comunicação oral e escrita
142

Se sua intenção é se tornar um profissional excelente e diferenciado, não perca a oportunidade de estu-
dar esse conteúdo com afinco e dedicação.

12.1 REGRAS DE ESTRUTURAÇÃO

O Microsoft PowerPoint é a ferramenta mais utilizada para edição de slides, atualmente. Suas versões
são sempre inovadoras e evoluem de forma a garantir aperfeiçoamento nas visualizações dos slides, a par-
tir de uma interface intuitiva.

Antes de ser chamado de PowerPoint, o software recebeu o nome de


Presenter. No entanto, devido a problemas com registro, passou a se
CURIOSIDADES chamar PowerPoint por causa do inventor do software de apresentação,
Robert PowerPoint Gaskins.

Como o PowerPoint pode ajudar você?


O PowerPoint é um editor que permite criar apresentações em slides de modo rápido e prático. Suas
ferramentas incluem diversos recursos de multimídia. Além dos textos, é possível acrescentar gráficos,
vídeos, sons e imagens.
As apresentações podem, ainda, se tornar mais divertidas e dinâmicas com os efeitos de entrada e saída
dos componentes e de transição dos slides.
Com certeza, o PowerPoint será muito útil em suas exposições, sejam elas realizadas em espaços aca-
dêmicos ou em sua empresa.
Com o estudo deste capítulo, você vai adquirir a habilidade para lidar com este software e perceber que
sua facilidade de execução está justamente na clareza como ele é organizado.
Para darmos início ao PowerPoint, é necessário ter o pacote Office instalado em seu computador. Após
a instalação, siga o passo a passo a seguir:
a) Clicar em Iniciar, buscar a opção Todos os Programas;
b) Selecionar Microsoft Office;
c) Em seguida, clicar em PowerPoint.
Finalizando esta etapa, a janela do editor será exibida, como mostra o modelo:
12 Slides
143

Figura 64 -  Janela do PowerPoint


Fonte: MICROSOFT OFFICE POWERPOINT, 2013.

A partir do modelo, é possível identificar, no lado esquerdo, as opções que mostram as possibilidades
de abrir documentos que já foram usados ou abrir um novo documento.
Do lado direito são exibidos modelos de apresentações que podem ser escolhidos segundo o gosto do
autor, eles podem ajudar muito, pela praticidade.
Entretanto, é possível usar a criatividade abrindo um modelo em branco e personalizá-lo segundo o
tema que será exposto. Essa opção será exibida da seguinte forma (ver imagem a seguir):

Figura 65 -  Principais comandos


Fonte: MICROSOFT OFFICE POWERPOINT, 2013.
Comunicação oral e escrita
144

Ao abrir a janela, você vai começar a montar seu slide. Essa construção exige uma série de formatações
que são feitas através das ferramentas dispostas em guias, logo acima da janela.
Você as identificará facilmente; analisando a imagem anterior, são elas: Página inicial, Inserir, Design,
Transições, Animações, Apresentações de slides, Revisão e Exibição.
O quadro a seguir mostrará, detalhadamente, suas principais funções:

guias funções ferramentas

Essa guia permite abrir, salvar, imprimir, compartilhar, enviar, Aparecem no painel à esquerda ao clicar na guia
Arquivo
exportar, converter ou proteger arquivos. Arquivos.

Nessa guia é possível editar texto (tamanho e formas), localizar


Página Inicial textos, substituir, inserir, organizar, inserir novos slides ou Slides, Fonte, Parágrafo, Desenho e Edição.
excluir.

Essa guia possibilita inserir tabela, imagens, slides, formas, Tabelas, Imagens, Ilustrações, Comentários, Texto
Inserir
gráficos, WordArt. e Mídia.

Nela você consegue modificar e personalizar o tema dos seus


Design Temas, Variantes ou Personalizar.
slides.

É a guia responsável por escolher os efeitos de transição de


Transições Transição e Intervalo.
slides.

Nessa guia é possível determinar e editar as animações usadas


Animações Animação, Animação Avançada e Intervalo.
no textos, objetos e imagens.

Apresentação A partir dessa guia, você pode configurar a apresentação, Iniciar Apresentação de Slides, Configurar e
de Slides como ela será apresentada, o tempo de cada slide. Monitores.
12 Slides
145

É a guia responsável por verificar a ortografia da apresentação,


Revisão Revisão de texto, Comentários e Comparar.
traduzir, adicionar comentário.

Modos de Exibição de Apresentação e Mestres,


Exibição Essa guia permite mudar o modo de exibição dos slides.
Exibir, Zoom, Janela e Macros.

Quadro 19 - Guias e ferramentas


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Além das guias, que apresentam uma infinidade de ferramentas capazes de realizar inúmeras tarefas,
assunto que estudaremos com mais afinco logo adiante, temos ainda a barra de ferramentas de acesso
rápido, que, como o próprio nome já diz, permite acesso mais rápido a alguns comandos.
Tais comandos são os mais frequentes, com relação ao uso, como: iniciar um novo arquivo, salvar um
documento, desfazer e refazer uma ação. Eles podem ser visualizados na ilustração a seguir, como também
outras tarefas que aparecem quando clicamos na seta ao lado:

Figura 66 -  Barra de acesso rápido


Fonte: MICROSOFT OFFICE POWERPOINT, 2013.

Agora que você já tem o conhecimento de alguns recursos básicos para a construção dos seus slides, é
preciso estudar outros, de forma minuciosa.
Comunicação oral e escrita
146

Vamos entender como funciona a guia Página inicial, ela traz subsídios importantes para o início de seu
trabalho. Nela, você encontra a opção layout, essa opção permite alterar a forma de organização dos slides.
Cada layout oferece um tipo de organização diferente.
Assim que eles aparecerem para você, é preciso escolher o que melhor se ajusta à sua proposta de tra-
balho, em seguida, basta clicar para que os slides sejam alterados automaticamente.

Figura 67 -  Layout
Fonte: MICROSOFT OFFICE POWERPOINT, 2013.

Escolhida a forma de organizar seu slide, você tem opções de temas diferentes para seu material, ou
seja, definir uma aparência que melhor condiz com o que pretende apresentar. A ferramenta capaz de
melhorar esteticamente o trabalho fica no grupo Temas, na Guia Design.
No início do estudo, você teve a oportunidade de conhecer tais temas. A opção na guia Design é outro
caminho, no qual você pode realizar esta escolha, caso não tenha feito ao abrir o PowerPoint.
O Editor é muito rico, possui vários recursos inovadores. O interessante é que tais recursos são expostos
de uma forma muito intuitiva, o que vai facilitar a sua aprendizagem.
Comece a colocar o que já foi estudado em prática, seu estudo tende a ficar cada vez mais envolvente
nos próximos conteúdos.
12 Slides
147

12.2 INSERÇÃO DE FIGURAS E ARQUIVOS

Tudo o que você estudou faz parte da introdução do seu trabalho, é a organização, uma preocupação
com estética e estrutura. Uma etapa muito importante.
Agora, você vai aprender a desenvolver suas ideias e apresentá-las de forma atrativa, dinâmica e inte-
ressante. Como fazer isso?
A guia Inserir é a responsável por enriquecer seu material. Lembra que no capítulo Apresentações Grá-
ficas você estudou sobre as multimídias e que elas auxiliam os recursos escritos a tornarem sua apresenta-
ção mais interativa?
Então, esses recursos podem ser incluídos em seu material. Quando você acessa a guia Inserir, visualiza
uma série de possibilidades. A ilustração a seguir, aliada a algumas informações, contribuirão para a sua
compreensão sobre o assunto.

Figura 68 -  Inserindo textos


Fonte: MICROSOFT OFFICE POWERPOINT, 2013.

A imagem é autoexplicativa, se você observar os ícones, vai entender a função de cada um. Inicialmen-
te, no canto esquerdo, temos a opção de inserir um novo slide, em seguida podemos inserir tabelas, e
dando sequência, seguindo um raciocínio lógico, podemos ainda inserir imagens, gráficos, textos, e muitas
outras opções que a aba INSERIR nos apresenta.
Mas vamos às informações, de modo mais específico.
a) Inserir textos: você pode inserir um texto clicando na guia Inserir e depois em Caixa de Texto.
Aparecerá no slide uma caixa, onde será possível expor, de forma escrita, suas ideias. Você pode,
ainda, inserir notas de rodapé, data e hora. Com a opção WordArt, você produz textos escritos
bem interessantes. É uma ferramenta que permite uma formatação mais decorativa do texto,
você pode escolher o tipo da fonte, tamanho e a cor do texto.  Essas ferramentas estão reunidas
no grupo Texto;
b) Inserir imagens: o PowerPoint possibilita a inserção de imagens de arquivos, da internet, além
de criar álbuns de fotografias, no qual é possível construir uma nova apresentação com base em
um conjunto de imagens. Essas opções estão agrupadas no grupo Imagens.
Comunicação oral e escrita
148

FIQUE Alguns usuários do PowerPoint inserem imagens com o recurso “copiar e colar”. Apa-
rentemente, esse caminho parece funcionar, mas se houver muitas figuras inseridas
ALERTA desse modo, algumas podem se corromper e se perder durante a apresentação.

a) Inserir tabelas: com o grupo Tabelas, é possível criar ou desenhar tabelas e até inserir planilhas
do Excel;
b) Inserir Ilustrações: acessando o grupo ilustrações é possível inserir gráficos, formas e SmartArt.
Esses recursos garantem uma boa apresentação visual;
c) Inserir Símbolos: símbolos e equações ficam organizados no grupo Símbolos, podem substituir
caracteres que não existem no teclado do computador e inserir equações matemáticas, respecti-
vamente. Eles são peças essenciais na transmissão de mensagens;
d) Inserir Mídia: no grupo mídia você tem a oportunidade de tornar sua apresentação mais dinâ-
mica e interativa, inserindo vídeos e áudios.
Os elementos inseridos em seus slides podem ser mais valorizados quando ganham uma formatação
bem elaborada. É sobre isso que trataremos no próximo item.

12.3 Formatação

Na guia Transições, você pode formatar o modo de passagem dos slides, ou seja, os efeitos de transição,
que definem a forma como o slide vai desaparecer e como o novo slide irá surgir.

Figura 69 -  Transições
Fonte: MICROSOFT OFFICE POWERPOINT, 2013.

Inserir elementos em sua apresentação é uma tarefa fundamental. É possível, além de inseri-los e deixar
sua apresentação colorida e lúdica, formatar tais elementos para que eles se tornem cada vez mais atrati-
vos.
12 Slides
149

Vamos continuar nossa jornada? Agora, você irá aprender a formatar as imagens, tabelas, textos, ilustra-
ções, vídeos e sons que foram inseridos em seus slides.
Analise a ilustração a seguir e perceba como formatar imagens em seu trabalho:

Figura 70 -  Formatação de imagens


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Para formatar uma imagem é preciso clicar na figura desejada. Perceba que na barra de ferramentas
aparece o ícone Ferramentas de Imagem, nessa opção você poderá colocar efeitos, bordas e ainda mo-
dificar o layout da imagem.
Para a formatação dos outros elementos, o princípio básico é o mesmo. Caso o elemento desejado para
uma formatação seja uma tabela, é preciso clicar na tabela e, em seguida, na barra de ferramentas, apare-
cerá o ícone Ferramentas de Tabela, onde é possível modificar leiaute e design.
Seguindo este raciocínio, siga o mesmo caminho para os outros elementos, sempre que você desejar
formatar algo, clique em cima do objeto desejado com o mouse. Na parte superior aparecerá, como apare-
ceu no caso da imagem anterior, a ferramenta responsável pela formatação, seja ela de texto, ilustrações
ou outros.

SAIBA Se você precisa aprofundar seus conhecimentos sobre Formatação ou outras ferramen-
tas do PowerPoint de forma rápida e prática, consulte os Guias Rápidos disponibiliza-
MAIS dos pela Microsoft. Pesquise em sites de busca pelas palavras: guia rápido PowerPoint.

Não pense que as alternativas acabaram. O PowerPoint é muito amplo e rico. Com ele, você pode, ainda,
animar os elementos inseridos em seu material.
Essa tarefa vai aguçar os sentidos de seus interlocutores, tornando sua apresentação mais dinâmica e
atraente.
Observe a figura a seguir. Ao clicar na imagem e depois na guia animações aparecem algumas possibi-
lidades de efeitos que movimentarão os elementos.
Comunicação oral e escrita
150

Figura 71 -  Animação
Fonte: MICROSOFT OFFICE POWERPOINT, 2013.

Ao colocar o mouse em cada ícone da guia animações, aparecerá uma janela explicando o que cada
guia realiza na imagem. Esses efeitos farão com que as imagens, tabelas, ilustrações ou textos surjam, flu-
tuem, girem, pisquem, dentre outras inúmeras possibilidades.
Examine o Casos e relatos e perceba a importância de entender como funciona um editor de apresen-
tações, especificamente o PowerPoint. Você vai perceber que saber lidar com esta ferramenta é mais que
uma questão de escolha, é uma necessidade que o mercado impõe. Esteja preparado!

CASOS E RELATOS

Trabalho em equipe
Uma empresa de Construção Civil implantou em sua rotina administrativa reuniões com a participa-
ção de colaboradores e gestores de todos os setores da empresa.
Essas reuniões não tinham outra finalidade, além de promover a interação entre os participantes dos
processos organizacionais.
O diretor geral acreditou que momentos de descontração, envolvendo palestras, brincadeiras e con-
versas informais, poderiam amenizar o estresse e aumentar a produção.
O ponto mais interessante desse projeto é que tanto colaboradores quanto gestores poderiam ser
escalados para ministrarem palestras e orientarem dinâmicas, dentre outras atividades.
Em um desses encontros, o colaborador escalado foi o mestre de obras Ricardo Rocha, ele iria falar
para os colegas sobre convivência e trabalho em equipe.
Ricardo ficou muito feliz com a ideia, mas admitiu que precisaria de ajuda para montar seu material,
pois tinha algumas dificuldades para trabalhar com o PowerPoint, editor que ele escolheu para or-
ganizar seus slides.
Ajuda não foi o problema. Ricardo contou com o auxílio de alguns colegas, que o orientaram. Apre-
sentaram as diversas ferramentas que poderiam tornar sua apresentação mais atraente, ensinaram
como inserir elementos, formatar e até como se portar bem em público.
12 Slides
151

Resultado: a apresentação de Ricardo ficou dinâmica e atraiu a atenção de todos. Ele utilizou mú-
sicas, vídeos e cada slide tinha uma animação que surpreendia os presentes. Na finalização de sua
exposição, Ricardo agradeceu e homenageou os colegas e amigos que o ajudaram. Ele apresentou
um trabalho teórico, mas pôde vivenciar na prática a verdadeira essência de um bom trabalho em
equipe.

Uma apresentação animada faz toda a diferença. Você, como aluno, consegue perceber isso durante as
aulas de seus professores. Elas atraem a atenção, despertam o interesse, no entanto, precisam ser bem pro-
duzidas e não fugir do foco do conteúdo. Por isso, vamos aprender como utilizar todos recursos do Power
Point na construção de slides eficientes e atrativos.

12.3.1 Cuidados na Formatação de slides

Durante o processo do estudo deste capítulo, percebemos que o slide é um recurso muito utilizado em
apresentações, sejam elas seminários, reuniões, palestras, workshops, dentre outras. A principal função dos
slides é socializar suas ideias por meio de textos escritos, imagens, gráficos, tabelas, recursos multimídia
que enriquecem e tornam a exposição mais clara e interessante.

Figura 72 -  Formatação de slides


Fonte: FREEPIK, 2016.

Agora que você já teve contato com o PowerPoint, ferramenta que o ajudará a construir seus slides,
vamos entender como elaborá-los de forma elegante e eficiente.
Para iniciar a produção de seus slides, você precisa saber o que vai apresentar, isso guiará a construção
do trabalho. Um bom planejamento é fundamental para uma boa apresentação, você precisa de tempo
Comunicação oral e escrita
152

para delinear as ideias e construir seu material visual. Para não cometer erros na realização dessa tarefa,
sugerimos que você siga algumas orientações muito importantes:
a) A apresentação em slides deve ser completa e criativa, no entanto a simplicidade tende a torná-la
mais elegante. Você pode construir um material claro, interessante e simples ao mesmo tempo.
Lembre-se que a função do slide é servir como um suporte para nortear o que o apresentador tem
a dizer;
b) Ainda tendo como base a simplicidade, característica de um bom slide, tenha cuidado para não o
tornar muito carregado. Ao elaborar seu material, pense no público para o qual você irá apresen-
tar e tente construir os slides segundo o seu perfil. Caso tenha dúvidas com relação à estética, opte
pelo tradicional. Branco com letra preta é o básico e atende a qualquer contexto ou necessidade.
Essa informação não exclui o uso de outros fundos ou cores. Claro que você pode inovar e cons-
truir uma apresentação mais colorida. Só tenha o cuidado de não ser exagerado;
c) Outro ponto muito importante é assertividade no uso dos elementos que compõem o slide. Não
use os recursos multimídia apenas para deixar a apresentação mais bonita, pense no objetivo
que você deseja alcançar com eles. Quando usamos imagens fora de contexto o máximo que
conseguimos é tornar a apresentação cansativa e poluída, mas, quando utilizadas com foco no
conteúdo, tornam a apresentação mais atraente;
d) O que você precisa falar deve ser previamente estudado e analisado, de forma que os slides ape-
nas funcionem como um apoio, já falamos sobre isso anteriormente. Por isso, não escreva tudo o
que você tem a dizer, muito texto faz a plateia ficar desinteressada. Uma boa apresentação apon-
ta somente as ideias principais. As outras informações são da competência do apresentador que
deverá complementá-las. Daí, voltamos a destacar a importância de um estudo e planejamento
antecipado;
e) É importante se atentar para o fato de que as letras não podem ser muito pequenas, elas precisam
ser lidas pelo público. O PowerPoint disponibiliza diversas fontes, você pode escolher aquela que
melhor traduz o assunto.
Em caso de dúvida, você também pode recorrer ao seu professor-tutor, com certeza ele irá ajudá-lo,
juntamente com seu módulo, a produzir slides usando o PowerPoint. Essa parceria é muito importante na
construção do seu aprendizado.
12 Slides
153

RECAPITULANDO

Você estudou nesse capítulo sobre o Editor de apresentação Microsoft PowerPoint e percebeu como
ele facilita e torna mais práticas as suas apresentações.
Várias ferramentas foram estudadas e cada uma possui uma função importante na construção de
seu material visual.
Por exemplo, a guia Layout é responsável pela organização dos seus slides, enquanto a guia Design
permite que seu trabalho tenha uma estética coerente com o tema proposto, ou seja, que ele alcan-
ce o perfil desejado por você.
Além de organizar e personalizar seus slides, existem outras possibilidades de tornar sua apresenta-
ção mais interessante, as transições e animações dos elementos são responsáveis por uma dinâmica
visual. Mas, cuidado, o exagero pode ter um efeito contrário e promover um cansaço dos sentidos.
Inserir elementos é uma boa alternativa para transmitir sua mensagem e você pode animar sua apre-
sentação com vídeos e músicas. Lembre-se, os recursos multimídia, aliados a mídias estáticas e texto,
costumam produzir um resultado bastante positivo.
Ponha seus novos conhecimentos em prática e, em caso de dúvida, releia o capítulo ou consulte seu
professor.
Sua trajetória nesse módulo irá te conduzir a um resultado excelente!
Até aqui você conheceu várias formas, ferramentas e recursos para fazer uma boa apresentação.

No capítulo seguinte, você terá a oportunidade de unir todo esse conhecimento e exercitar uma boa
apresentação em público.
Técnicas e estratégias de comunicação oral

13

Falar é um processo natural. Desde que nascemos somos motivados a usar a fala como o
meio de comunicação mais eficiente. No entanto, somente quando existe uma exigência é que
somos impelidos a aperfeiçoar essa habilidade.
Se comunicar e usar a fala para isso é tão inerente ao ser humano que raríssimas vezes nos
questionamos sobre sua importância na nossa vida pessoal e profissional. Dizer o que pensa-
mos e fazer isto de uma forma adequada, muitas vezes define se seremos bem ou malsucedi-
dos.
Você já parou para pensar no contexto atual das empresas? Observou que se comunicar,
falar sobre ideias, argumentar se tornaram atividades de responsabilidade de todos os colabo-
radores?
Com base nessa realidade, é fundamental que entendamos como podemos usar a nossa
oratória para nos apresentarmos bem, de modo que nos conscientizemos e reconheçamos
que nossa exposição oral, seja ela direcionada a poucas ou muitas pessoas, contribui efetiva-
mente para o nosso sucesso nas mais variadas áreas da nossa vida.

Figura 73 -  Técnicas de apresentação oral


Fonte: FREEPIK, 2016.
Comunicação oral e escrita
156

Neste capítulo, você vai compreender como uma apresentação oral bem estruturada pode ser um dife-
rencial na sua vida profissional, vai conhecer técnicas que ajudarão no desenvolvimento de suas habilida-
des, o que pode melhorar seu desempenho na empresa ou em espaços acadêmicos.

13.1 falar em público

Falar bem em público é, com certeza, um diferencial quando é preciso conquistar um espaço no merca-
do ou mesmo galgar novas funções na empresa onde você já atua.
No entanto, uma exposição realizada sem planejamento traz aspectos confusos, que podem tornar a
apresentação monótona, além de trazerem consequências ruins, tanto para a imagem da empresa, quanto
para o apresentador.
Daí  a necessidade de o orador conhecer previamente o público para o qual vai se dirigir, planejar
e construir um discurso que provoque bons resultados. Por isso, o comunicador deve demonstrar segu-
rança, domínio do conteúdo e empatia, características inerentes a um bom orador.

Figura 74 -  Falar em público


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Autoconfiança permite que em apresentações orais você identifique suas caracterís-


FIQUE ticas positivas, conquiste segurança e domine o nervosismo antes, durante e depois
ALERTA da exposição. Essas conquistas são possíveis quando você descobre e potencializa
suas habilidades comunicativas.

É impossível realizar uma boa apresentação se as ideias não forem transmitidas de forma adequada, é
preciso organizar o pensamento e saber compartilhá-lo, por meio de uma comunicação clara, persuasiva
e interessante.
13 Técnicas e estratégias de comunicação oral
157

Você pode alcançar esses objetivos caso faça uso adequado da expressão verbal e da expressão corpo-
ral, recursos que, aliados a um material visual atraente, potencializam suas reuniões, seminários, conferên-
cias ou palestras.
É importante saber que falar bem não é exatamente um dom, e sim uma habilidade que pode ser de-
senvolvida com o estudo das técnicas de comunicação oral, que conheceremos logo em seguida.

13.1.1 Oralidade, clareza, concisão, coerência

Ao organizar o discurso de uma apresentação em público, você precisa pensar em algumas estratégias
ou técnicas que permitam uma boa exposição das suas ideias. Frases sem nexo, sem sentido ou proferidas
sem autocrítica prejudicam o entendimento por parte da sua plateia.
Lembre-se, enquanto está no papel de apresentador, você se configura um formador de opiniões e,
sendo assim, seu público é constituído por pessoas que estão dispostas a ouvir a expressão do seu pen-
samento sobre determinada matéria, não perca a oportunidade de conquistá-las, persuadi-las, além de se
fazer entender.

Figura 75 -  Clareza e coerência


Fonte: FREEPIK, 2016; SENAI DR BA, 2017.

Para isso, é fundamental se atentar para a importância e uso da oralidade, clareza, concisão e coerência
como ferramentas que o auxiliarão nessa tarefa.
Vamos estudá-las detalhadamente para uma melhor compreensão?
Oralidade é a capacidade de transmitir oralmente os seus conhecimentos, essa habilidade, executada
em público pode ser designada pelo termo oratória, que, em sua essência, significa a arte de falar bem.
Um bom orador não é aquele que fala muito, mas aquele que une conhecimento à sabedoria e expõe suas
ideias de forma correta e no momento certo.
Comunicação oral e escrita
158

Portanto, tenha muito cuidado ao comunicar seus pensamentos a outras pessoas, falar em público não
é o mesmo que uma conversa informal, apesar de poder ser feita de forma descontraída e natural, requer
uma linguagem baseada na modalidade padrão da língua, o que determina a qualidade do discurso.
Afinal, nossa linguagem cotidiana é marcada por gírias, repetições, erros de concordância verbal e no-
minal, algumas vezes exageramos na gesticulação e na expressão do corpo. Tais atitudes são aceitas em
um contexto onde cabe a linguagem coloquial, entretanto, em exposições orais que envolvem um público,
seja ele de expectadores no trabalho ou numa sala de aula, prejudicam a troca de ideias, pensamentos ou
emoções. 

Você sabia? Saber de cor o que irá apresentar não é suficiente, nem é
indicado que você decore tudo o que irá falar. O mais importante é falar
CURIOSIDADES o que se sabe com tom de voz e eloquência adequados. Esses recursos
são altamente persuasivos e mais relevantes para o público.

Clareza é a característica do que é claro, atributo do que é inteligível. Realizar uma apresentação com
clareza é torná-la iluminada, fácil de ser compreendida. É fazer com que as ideias sejam transparentes,
nítidas. Representa a qualidade do discurso que possibilita uma melhor distinção dos argumentos, pensa-
mentos e do raciocínio, ou seja, permite uma compreensão integral do conteúdo da mensagem.
Ao realizar uma exposição, coloque-se no lugar da sua plateia, nem sempre é necessário utilizar pala-
vras rebuscadas, há grupos que não irão entender. Prefira um discurso claro, simples e impactante.
A concisão é a aplicação de palavras e frases com precisão e exatidão. Falar muito não quer dizer que se
fala bem. O que importa de fato é falar tudo o que é necessário em poucas palavras. Sintetizar a exposição
oral do discurso é uma alternativa para que não se perca o foco, nem o sentido da mensagem.
Um discurso prolixo pode resultar em uma apresentação enfadonha e não atrair a atenção da plateia.
Uma saída é evitar repetições de ideias, ambiguidades, informações desnecessárias. 
A coerência é a harmonia existente entre as ideias expostas em uma apresentação oral. Um discurso é
coerente quando uma palavra, frase ou oração se relaciona com o que foi pronunciado anteriormente e,
consequentemente, com os pensamentos que virão em seguida.
Assim, é possível desenvolver um pensamento até que ele se torne um texto oral com coerência. Daí
a importância de um planejamento prévio, de um estudo do conteúdo que será apresentado para que
o orador tenha facilidade em organizar sua mensagem, de forma que haja um elo entre a introdução e a
conclusão de suas ideias.
Alguns recursos linguísticos, que podem ser chamados de expressões de transição, auxiliam a continui-
dade da exposição oral. Exemplos dessas expressões, são: portanto, de modo que, além disso, por outro
lado, em contrapartida, dentre outras. O uso desses recursos na oratória torna o discurso mais limpo, orga-
nizado e esteticamente bonito.
13 Técnicas e estratégias de comunicação oral
159

SAIBA Para aprofundar seus conhecimentos sobre como falar bem em público leia: TELLES,
MAIS Ruy. A fácil arte de falar em público. São Paulo: Editora Ciência Moderna, 2003.

Uma apresentação que envolve uma boa oratória é clara, concisa e coerente. A presença desses recur-
sos em uma exposição oral, com certeza, irá promover resultados positivos tanto para quem ouve, quanto
para quem transmite.

13.1.2 TEORIA E PRÁTICA DA ORATÓRIA

Como já estudamos, a oratória é a arte de falar bem em público. Correto?


Até aí tudo bem. Mas você já parou para pensar como fazer para organizar o seu discurso de modo que
ele agrade sua plateia e resulte nos objetivos almejados?
Quando estiver na iminência de realizar uma apresentação oral, planeje sua exposição com antece-
dência. Ao estabelecer o conteúdo que será tratado, pense na melhor maneira de alcançar seu público,
coloque-se no lugar dele e responda às perguntas:

Quais objetivos pretendo alcançar?


Qual o perfil do meu público?
O que eles já sabem sobre o tema?
Qual a necessidade dos ouvintes?
Por que o assunto é importante para o
público?
Quais os recursos que estarão disponíveis
para a apresentação?
Quanto tempo eu tenho?

Figura 76 -  Planejamento da apresentação oral


Fonte: FREEPIK, 2016; SENAI DR BA, 2017.

Depois de ter pensado nessas questões, reserve um tempo para construir um texto escrito sobre o
assunto e ensaie. A escrita, o ensaio e a revisão do seu texto possibilitam a você que uma simples palavra
relembre outras ideias importantes no momento da apresentação.
Para embasar seu discurso e enriquecer sua mensagem, pesquise sobre o tema e o organize em tópicos,
essas atitudes darão a você mais segurança ao produzir sua oratória.
Comunicação oral e escrita
160

Seja interessante, inclua curiosidades, histórias, interaja com seu grupo.


É importante que, na prática, a oratória produza um discurso simples e conciso. O orador deve seguir
um raciocínio lógico, na perspectiva de alcançar a finalidade de sua mensagem sem fugir do foco. Para isso,
é necessário dividi-la em introdução, desenvolvimento e conclusão:
Na introdução, o orador prepara o público para o que vai ser exposto, é o momento de se apresentar,
comentar os objetivos e apresentar a metodologia.
No desenvolvimento, o público precisa compreender o que você apresenta e testificar com o que foi
mencionado na introdução. Os argumentos e ideias devem ser expostos de forma clara e lógica. Aqui você
pode lançar, questionar, contra-argumentar e confirmar suas ideias.
Na conclusão, você deve relembrar os principais pontos e fechar a apresentação de forma interessante,
retomando as ideias que lançou na introdução. Aqui você deve também responder às questões-chaves
que, por ventura, lançou no desenvolvimento e confirmar seus argumentos.
Todas as orientações contribuem para uma boa apresentação, mas nada substitui um planejamento
e um estudo consistente. O importante é ser você mesmo. Não monte um personagem, o seu público irá
perceber se seu discurso for falso. A sua naturalidade ajuda muito mais do que qualquer técnica.

13.2 APRESENTAÇÃO

Você já teve a oportunidade de se apresentar para um público ou conhece alguém que tenha passado
por essa experiência?
É bastante comum ter sentido algum receio, tanto você quanto a pessoa que talvez você conheça, não
é verdade? É por conta desse receio, medo ou vergonha, que muitas pessoas evitam realizar apresentações
orais.

MEDO de
FALAR em
Público ???

Figura 77 -  Medo de falar em público


Fonte: SENAI DR BA, 2017.
13 Técnicas e estratégias de comunicação oral
161

Talvez o problema não esteja na falta de domínio do conteúdo ou do tema que será tratado, mas na
forma como isso será feito. Pensar na audiência, na plateia, no modo como ela nos receberá ou como re-
ceberá a mensagem, nos olhares críticos e saber que estamos expostos a várias opiniões, com certeza nos
deixa tensos ou nervosos.
Entretanto, se mudarmos o foco da nossa tensão e pensarmos que todas essas sensações podem ser
controladas, já temos um ponto ao nosso favor. É preciso entender os nossos limites e ter consciência que
ninguém nasce sabendo apresentar bem. Nem os melhores palestrantes do mundo nasceram sabendo.
Tudo faz parte de um processo, que envolve a prática.
Cada vez que você realizar uma apresentação oral e fizer uma autorreflexão, você vai aprender muito,
vai conseguir identificar os deslizes, possíveis falhas e, claro, não vai querer repeti-las. Essa análise resultará
em apresentações cada vez melhores.
O fato é que as exposições orais vão acontecer, mais cedo ou mais tarde, por isso, o que nos resta é en-
cararmos o desafio e nos prepararmos para este momento. Elas estão presentes nos mais variados contex-
tos, tanto em ambientes organizacionais, quanto em ambientes acadêmicos, seja em reuniões, seminários,
conferências ou palestras.
Assim como é realidade que em algum momento vamos precisar realizar tais apresentações, devemos
lidar com o fato de que algumas reações físicas também são comuns: frio na barriga, tremedeira, garganta
seca, taquicardia, mãos suadas. No entanto, como já foi mencionado, elas podem ser controladas e, com
sabedoria, podem ser revertidas em entusiasmo e interações com o público.
Um exemplo bem comum é que quanto mais você permanece parado, mais aparentemente nervoso
você fica, então caminhe, olhe para seu público, converse com ele. Além de deixar você mais tranquilo e
seguro, vai estabelecer uma relação de parceria com seus interlocutores.
Claro que a prática vai ensiná-lo muito, mas, agora, vamos usar a teoria como o início do nosso aperfei-
çoamento para as apresentações em público.

13.2.1 planejamento e elaboração de reunões e seminários

Como já estudamos nos itens anteriores, são muitas as formas de se apresentar oralmente para um
público. O tipo de apresentação varia de acordo a necessidade ou contexto.
As reuniões são bastante usadas no caso de empresas ou instituições que precisam ter acesso a infor-
mações sobre os processos organizacionais, implementar novos projetos, dar feedbacks, realizar acompa-
nhamentos, avaliar resultados, traçar metas e objetivos, ou seja, comunicar e discutir algo relacionado à
empresa entre gestores e colaboradores.
Comunicação oral e escrita
162

Figura 78 -  Reunião
Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Geralmente, o número de participantes em uma reunião não é muito grande, abrange, na maioria das
vezes, os envolvidos mais diretos, visto que, mesmo havendo um mediador, a reunião permite uma in-
teração mais dinâmica, onde todos têm acesso à palavra. Na verdade, a reunião acaba se tornando uma
conversa, ainda que formal.
Um número muito grande de participantes pode provocar discussões desnecessárias, argumentos fora
de contexto e prejudicar a obtenção de resultados e soluções, ou seja, puro desperdício de tempo.
Já um seminário, que também se caracteriza como reunião, pois reúne pessoas, alcança uma quantida-
de grande de participantes. O objetivo desse tipo de exposição oral é despertar o debate de vários conte-
údos, no entanto, a exposição das ideias é realizada por um orador, que explana o tema e depois segue-se
um debate com o público.
A estrutura do seminário pode ser dividida em três fases: exposição, discussão e conclusão. Diferente
da reunião, a informação em seminários tem uma única fonte: o apresentador.

Figura 79 -  Seminário
Fonte: SENAI DR BA, 2017.
13 Técnicas e estratégias de comunicação oral
163

Para a realização dessas duas modalidades de apresentação oral, como para tantas outras, é necessário
planejamento. Estude com antecedência o tema que será exposto, prepare um esquema que conduzirá
seu raciocínio, monte um material visual interessante e atrativo.
Quanto à linguagem, esteja atento ao vocabulário, utilize uma linguagem culta e formal. Fale olhando
para seu público, procure demonstrar cuidado e preocupação com seu entendimento.
Para se tornar um exímio apresentador, você precisa colocar em prática o que viu até aqui e conhecer
mais algumas características inerentes a essa atividade. Observe na fábula apresentada no Casos e Relatos
como uma reunião pode resolver os problemas mais difíceis de um determinado grupo.

CASOS E RELATOS

Os três leões
Em uma floresta havia três leões. Um dia, o macaco, representante eleito dos animais, fez uma reu-
nião, mas antes elaborou um roteiro e destacou os itens mais importantes. Então, ele começou sua
exposição oral dizendo que eles precisavam de um líder e que todos sabiam que o Rei de uma Flores-
ta era um leão. Contudo, nessa floresta existiam 3 leões e era difícil saber qual deles seria o rei. Então,
precisando de uma solução, perguntou se algum dos animais tinha uma ideia.
Muitas sugestões surgiram, que os leões deveriam brigar entre si, apostar uma corrida, no entanto,
decidiram em comum acordo, que o leão que conseguisse subir a Montanha Difícil, seria o novo rei
da floresta.
O primeiro Leão tentou, mas não conseguiu. O segundo leão iniciou a subida, mas também não
conseguiu. Então, o terceiro leão começou a subida, foi até longe, mas, assim como os outros, não
conseguiu concluir a subida. Os animais ficaram desapontados, precisavam de um rei, mas não sa-
biam como conseguir um.
Foi então que a águia, que voava alto no céu, desceu até os animais e começou a falar para o público
em cima de uma pedra.
- Caros amigos, eu estava voando e consegui ver a reação de cada um dos leões quando foram derro-
tados pela montanha. E essa postura diante da adversidade, pode nos ajudar a escolher o nosso Rei.
Então ela continuou:
- O primeiro leão disse que tinha sido derrotado, o segundo leão disse que estava envergonhado,
mas o terceiro leão ao descer da montanha olhou para o alto e falou que tentaria outras vezes pois
as dificuldades não podem vencer um campeão.
Ao ouvirem aquilo, os animais bateram palmas para a apresentação da águia e elegeram o terceiro
leão como o novo Rei da floresta. Sabiam que estavam diante de um líder corajoso e determinado.
Comunicação oral e escrita
164

Como vimos no Casos e Relatos, a persistência é uma aliada quando buscamos por um objetivo, ain-
da que tenhamos dificuldades. A prática também contribui bastante para que você se aprimore nas suas
apresentações.
Outro elemento fundamental para que sua apresentação seja um sucesso é a organização. Assim como
em tudo na vida, a organização faz a diferença na realização de uma atividade. Veja a seguir.

13.2.2 Organização

As características de cada apresentação em público são elementos importantes para definir sua organi-
zação. Apresentações não são boas por si sós, elas dependem de inúmeros fatores que devem ser levados
em consideração em sua organização.
Nesse momento, você precisa definir qual será o tipo de apresentação, é uma reunião para poucas
pessoas ou um seminário? É importante saber quem será seu público, mesmo porque a mensagem deverá
atender ao seu perfil.
Já sabe quem é sua plateia? Agora organize suas ideias. Como já falamos, é importante fazer um resu-
mo, um esquema com os principais pontos que serão abordados. Organize o material visual de forma que
ele apresente de forma clara e interessante o tema proposto.

Figura 80 -  Organização da apresentação oral


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Discurso preparado? Ótimo! Então, é hora de organizar o espaço da apresentação. Para que sua expo-
sição tenha um bom resultado você não depende apenas de seus recursos humanos, é importante que
todos os fatores colaborem para uma atmosfera favorável.
13 Técnicas e estratégias de comunicação oral
165

É hora de pensar:
a) A iluminação é satisfatória? Lembre-se, você fará uso de material visual, imagine se seu público
não conseguir visualizá-lo? Sua apresentação ficará comprometida, concorda?
b) E a ventilação? Corresponde para tornar o ambiente agradável? Muito frio ou muito calor geram
incômodo e tendem a desestabilizar o público;
c) As instalações elétricas estão em prefeito funcionamento? Evite surpresas, analise se a voltagem
do lugar é compatível com a dos aparelhos que serão utilizados;
d) Você vai precisar de computador? Solicitou previamente?
e) O datashow ou retroprojetor estão funcionando bem?
f) Certifique-se de que todo material está organizado, inclusive se o seu arquivo está realmente
salvo em seu pendrive. Uma dica, salve seu material também em seu e-mail, se acontecer algum
problema no pendrive, você não ficará na mão.
Chegou o grande momento! Está na hora de colocar em prática tudo o que foi planejado. Veja como se
comportar na hora em que estiver se apresentando.

13.2.3 postura e aparência

Mostrar uma boa aparência e manter uma postura adequada são formas bem eficientes de conquistar
a confiança, a atenção e o respeito do seu público.
Sua roupa não deve ser mais atrativa do que a mensagem em questão, ou seja, o seu visual não deve
desfocar a sua plateia. Vista-se de forma coerente com o evento, seu cabelo e sua higiene também são
responsáveis pelo seu marketing pessoal.
Aliada à sua imagem, a postura que você adota também contribuirá de forma positiva, se usada de for-
ma correta. O corpo fala e a forma como ele se expressa não deve ser contrária à mensagem exposta ou à
imagem do apresentador. Atente-se para algumas dicas:

Figura 81 -  Postura e aparência


Fonte: SENAI DR BA, 2017.
Comunicação oral e escrita
166

a) Lembre-se, é impossível ser convincente se você fala de assuntos motivacionais, mas usa uma
expressão apática;
b) Movimente-se, caminhe, mostre disposição e interesse pelo tema que você está apresentando.
É complicado atrair a atenção da plateia, quando o próprio orador demonstra desmotivação du-
rante a apresentação;
c) Gesticule com harmonia, quando usados na dosagem certa, os gestos contribuem para exempli-
ficar o conteúdo. Uma dica: os gestos devem ser realizados acima da cintura, nunca abaixo. Evite
colocar as mãos no bolso ou permanecer com os braços cruzados;
d) Transmita tranquilidade, mesmo que o assunto seja sério, você não precisa ficar tenso, seja suave;
e) Mantenha altura, volume e intensidade de sua voz de forma condizente com a quantidade de
pessoas, tamanho e acústica do espaço.
Tais atitudes permitirão um visual atraente da sua apresentação, além de mostrarem domínio do as-
sunto e segurança em relação ao conteúdo apresentado. Não esqueça, todas essas técnicas são muito
importantes, mas nenhuma substitui a sua naturalidade.
13 Técnicas e estratégias de comunicação oral
167

RECAPITULANDO

Nesse capítulo você estudou muita coisa interessante, não é mesmo?


Aprendeu que oratória é a arte de falar bem e que o importante não é falar muito, mas falar correta-
mente e no momento certo.
Compreendeu que falar em público não é uma tarefa que já nascemos sabendo, e que é preciso
estudo e prática para se tornar um exímio apresentador.
Você também teve a oportunidade de entender que ficar nervoso, sentir medo ou frio na barriga são
manifestações normais do nosso corpo, mas que podem ser controladas e esse controle é adquirido
através de planejamento, ensaio e dedicação.
Embora a naturalidade seja a ferramenta mais importante em uma apresentação, você pôde perce-
ber que algumas técnicas relacionadas à oralidade, coerência, clareza, postura, aparência, aliadas à
organização da sua exposição, podem garantir um bom resultado, tanto em reuniões, quanto em
seminários.
Agora você já está pronto. Mas nunca deixe de estudar e se aperfeiçoar. Para falar de qualquer tema,
é preciso domínio do conteúdo e autoconfiança para que a plateia permaneça interessada em sua
apresentação.
Dedique-se sempre, pense nos detalhes, no que você vai falar e como vai falar. Pense em seu pú-
blico, no espaço, organize todos os fatores, tanto humanos (estudo, planejamento, organização)
quanto externos (equipamentos, espaço, tempo), que serão indispensáveis para um bom resultado.
Coloque em prática os conhecimentos adquiridos, não só nesse capítulo, como em toda a Unidade
Curricular e se torne um profissional excelente. Boa sorte!

Transforme seus estudos em instrumento de construção de uma aprendizagem significativa e evolua,


de modo que alcance a excelência na execução de suas atividades enquanto profissional.
REFERÊNCIAS

BAGNO, Marcos. Nada na língua é por acaso: por uma pedagogia da variação linguística.
São Paulo: Parábola Editorial, 2007.
BECHARA, Evanildo. Moderna gramática portuguesa. 37. ed. Rio de Janeiro: Lucerna,
1999.
BODMER, Frederick. O homem e as línguas. Rio de Janeiro: Globo, 1960.
BUCAY, Jorge. Contos para pensar. Campinas: Pergaminho, 2011.
CAMARA JUNIOR, J. M. Dicionário de linguística e gramática. 11. ed. Petrópolis: Vozes,
1984.
COELHO, Betty. Contar histórias: uma arte sem idade. 10. ed. São Paulo: Ática, 1999.
COSTA, André L. D. Darcy Ribeiro. [20--]. Disponível em: <https://www.algosobre.com.
br/redacao/descricao-com-exemplos.html>. Acesso em: 26 jan. 2017.
COUTINHO, I. L. Pontos de gramática histórica. 5. ed. Rio de Janeiro: Livraria Acadêmi-
ca, 1962.
DUBOIS, Jean et al. Dicionário de linguística. São Paulo: Cultrix, 1998.
FARACO, Carlos Alberto; TEZZA, Cristóvão. Prática de texto: língua portuguesa para
nossos estudantes. Petrópolis: Vozes, 1992.
FREEPIK. Dados e estatísticas. Figura 40. 2016. Disponível em: <http://br.freepik.com/
fotos-gratis/relatorios-de-negocios-e-laptop-close-up_854379.htm#term=corpora-
cao&page=1&position=28>. Acesso em: 13 fev. 2017.
______. Relatório de atividades escolares. Figura 43. 2016. Disponível em: <http://
www.freepik.com/free-photo/teammates-working-together_854386.htm>. Acesso em:
13 fev. 2017.
______. Gerenciamento de tempo. Figura 62. 2016. Disponível em: <http://www.
freepik.com/free-photo/woman-with-an-alarm-clock_978869.htm#term=quick&pa-
ge=1&position=1>. Acesso em: 13 fev. 2017.
______. Tema e tese. Figura 32. 2016. Disponível em: <http://www.freepik.com/free
-photo/pensive-boy-wearing-a-pullover_913422.htm#term=pensamento&page=2&po-
sition=31>. Acesso em: 14 fev. 2017.
______. Conclusão da dissertação. Figura 35. 2016. Disponível em: <http://www.free-
pik.com/free-photo/pensive-man-with-a-calculator_1007267.htm#term=duvida&pa-
ge=6&position=8>. Acesso em: 14 fev. 2017.
______. Internet. Figura 45. 2015. Disponível em: <http://www.freepik.com/free-vector/
internet-user-s-silhouette_746491.htm#term=internet&page=1&position=23>. Acesso
em: 14 fev. 2017.
______. Apresentação em slides. Figura 63. 2017. Disponível em: <http://www.freepik.
com/free-photo/happy-business-coach-consulting-team-in-boardroom_1022690.htm#-
term=working&page=4&position=24>. Acesso em: 14 fev. 2017.
FREEPIK. Técnicas de apresentação oral. Figura 73. 2016. Disponível em: <http://www.
freepik.com/free-vector/business-explanation-with-infographic-elements_872595.
htm>. Acesso em: 14 fev. 2017.
______. Clareza e coerência. Figura 75. 2016. Disponível em: <http://www.freepik.com/
free-vector/business-meeting_798219.htm#term=working&page=1&position=28>.
Acesso em: 14 fev. 2017.
______. Planejamento da apresentação oral. Figura 76. 2016. Disponível em: <http://
www.freepik.com/free-photo/pensive-boy-wearing-a-pullover_913422.htm#term=pen-
samento&page=2&position=31>. Acesso em: 14 fev. 2017.
______. Formatação de slides. Figura 72. 2016. Disponível em: <http://www.freepik.
com/free-photo/employees-working-with-a-graphics-tablet_962189.htm>. Acesso em:
14 fev. 2017.
______. Classificação de relatórios. Quadro 2. 2015. Disponível em: https://www.
pexels.com/photo/laptop-computer-macbook-apple-7361/. Acesso em: 14 fev. 2017.
______. ______. ______. 2016. Disponível em: <http://www.freepik.com/free-photo/
male-employee-executive-corporate-specialist_1022664.htm#term=red>. Acesso em:
14 fev. 2017.
FURTADO, Izadora P. Redação no Enem: leia textos que tiraram nota mil em 2015. G1.
2016. Disponível em: <http://g1.globo.com/educacao/noticia/leia-redacoes-do-enem-
2015-que-tiraram-nota-maxima.ghtml>. Acesso em: 30 dez. 2016.
GARCEZ, Lucília H. do C. O que é preciso para escrever bem. São Paulo: Martins Fontes,
2001.
GERALDI, João W. O texto na sala de aula: leitura e produção. Campinas: UNICAMP,
1984.
GOOGLE. Página inicial. 2016. Disponível em: <https://www.google.com.br/>. Acesso
em: 30 dez. 2016.
KLEIMAN, Angela. Oficina de Leitura: teoria e prática. Campinas: Editora da UNICAMP,
1993.
KOCH, Ingedore Villaça; TRAVAGLIA, Luiz Carlos. A coerência textual. São Paulo: Contex-
to, 2003.
KOCH, Ingedore V. Desvendando os segredos do texto. São Paulo: Cortez, 2002.
______. O texto e a construção dos sentidos. São Paulo: Contexto, 1997.
LÉVY, P. As tecnologias da inteligência: o futuro do pensamento na era da informática.
Rio de Janeiro: Editora 34, 1993
MANDRICK, David; FARACO, Carlos A. Prática de redação para estudantes universitá-
rios. Petrópolis: Vozes, 1987.
MARCUSCHI, Luiz Antônio. Gêneros textuais: definição e funcionalidade. In: DIONÍSIO,
Ângela et al. Gêneros textuais e ensino. Rio de Janeiro: Lucerna, 2002.
______. Produção de texto, análise de gêneros e compreensão. São Paulo: Parábola
Editorial, 2008.
MEDEIROS, João Bosco; TOMASI, Carolina. Redação técnica: elaboração de relatórios
técnicos científicos e técnica de normalização textual. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2010.
MEDEIROS, Maria A. A chave para um bom texto: revisão. Revista Nova Escola, n. 167, p.
30-31, nov. 2003.
MICROSOFT. OFFICE. [software]. 2013.
PIMENTEL, Ernani F. Intelecção e interpretação de textos. 17. ed. Brasília: Vestcon,
1999.
POLITO, Reinaldo. Super dicas para falar bem: em conversas e apresentações. São Paulo:
Saraiva, 2005.
SENAI. Departamento Nacional. Departamento Regional da Bahia. Inovação e Tecnolo-
gias educacionais. Brasília: SENAI DN; Salvador: SENAI DR BA, 2016.
______. ______. ______. ______. ______. ______. 2017.
PRESTES, Maria L. de M. Leitura e (Re)escritura de textos: subsídios teóricos e práti-
cos para o ensino. São Paulo: Respel, 1999.
SEVERINO, Antônio J. Metodologia do trabalho científico. 23. ed. São Paulo: Cortez, 2007.
SOARES, Maria do Carmo S. Atualização da comunicação escrita: redação oficial. São
José dos Campos: INPE, 1982.
TELLES, Ruy. A fácil arte de falar em público. São Paulo: Ciência Moderna, 2003.
TRAVAGLIA, Luiz Carlos. Um estudo textual-discursivo do verbo no português. 1991.
264 f. Tese (Doutorado em Linguística) – Universidade Estadual de Campinas, Campinas,
1991.
ULLMANN, Stephen. Semântica: uma introdução à ciência do significado. 4. ed. Lisboa:
Fundação Calouste Gulbenkian, 1964.
WIKIMEDIA COMMONS. Contação de histórias. Figura 23. 2011. Disponível em:
<https://commons.wikimedia.org/wiki/File:U.S._Navy_Utilitiesman_Construc-
tionman_Jordan_Delasalas,_foreground,_a_Seabee_assigned_to_Naval_Mobile_Cons-
truction_Battalion_74,_reads_to_children_at_the_library_at_Naval_Station_Rota,_
Spain,_March_30,_2011_110330-N-AW868-028.jpg>. Acesso em: 13 fev. 2017.
______. Mensagem. Figura 38. 2004. Disponível em: <https://commons.wikimedia.org/
wiki/File:Archbishop-Tutu-medium.jpg>. Acesso em: 13 fev. 2017.
______. Relatório técnico. Figura 39. 2016. Disponível em: <https://commons.
wikimedia.org/wiki/File:Elisa_Campbell,_O’Neill_Electric,_Journeyman_Electrician_
(32504489815).jpg?uselang=pt-br>. Acesso em: 14 fev. 2017.
YER, Juliano. Conectado: o que a internet fez com você e o que você pode fazer com
ela. Rio de Janeiro: Zahar, 2007.
MINICURRÍCULO DA AUTORA

HÉLLEN CRISTINA ARAÚJO RIOS SANTOS


Héllen Cristina Rios Santos é graduada em Letras Vernáculas pela Universidade Estadual da Bahia,
pós-graduada em Literatura, gramática e produção textual pela Faculdade de Tecnologia e Ciên-
cias de Candeias, atua como docente de Língua Portuguesa há 14 anos. Desenvolveu Projetos de
literatura e leitura, com foco em interpretação, expressão oral e corporal, como instrumento de
construção da cidadania em 28 escolas municipais da cidade de Valente (2009 a 2012), iniciativa
indicada pelo MEC como uma das experiências exitosas que fundamentou a elaboração de Orien-
tações Curriculares Nacionais de Educação do ano de 2011.
O trabalho realizado com a literatura também contribuiu para a conquista do SELO Unicef para a
sua cidade Natal, Valente - Bahia, em 2012, como Mobilizadora do Eixo Cultura e Identidade.
Atualmente, é pós-graduanda em Gestão Escolar, pela Faculdade de Faculdade de Tecnologia
e Ciências de Candeias e exerce a função de Coordenadora Pedagógica de Cursos profissionali-
zantes no Centro Brasileiro de Cursos (CEBRAC), além de ministrar aulas de Comunicação Oral e
Escrita, Fundamentos da Comunicação e Projeto de Pesquisa em cursos Técnicos do SENAI.
Índice

A
analítico 94

I
interlocutor 20

S
Softwares 108
SENAI – Departamento Nacional
Unidade de Educação Profissional e Tecnológica – UNIEP

Felipe Esteves Morgado


Gerente Executivo

Luiz Eduardo Leão


Gerente de Tecnologias Educacionais

Fabíola de Luca Coimbra Bomtempo


Coordenação Geral do Desenvolvimento dos Livros Didáticos

Catarina Gama Catão


Apoio Técnico

SENAI – Departamento Regional da bahia

Ricardo Santos Lima


Coordenador do Desenvolvimento dos Livros no Departamento Regional da Bahia

Hélen Cristina Araújo Rios Santos


Elaboração

Daiane Amancio
Revisão Técnica

Edeilson Brito Santos


Coordenação Técnica

Marcelle Minho
Coordenação Educacional

André Luiz Lima da Costa


Igor Nogueira Oliveira Dantas
Coordenação de Produção

Paula Fernanda Lopes Guimarães


Coordenação de Projeto

Bruno Pinheiro Fontes


Monique Ramos Quintanilha
Design Educacional
Daiane Amancio
Revisão Ortográfica e Gramatical

Alex Ricardo de Lima Romano


Antônio Ivo Ferreira Lima
Daniel Soares Araújo
Fábio Ramon Rego da Silva
Thiago Ribeiro Costa dos Santos
Vinicius Vidal da Cruz
Ilustrações e Tratamento de Imagens

Nelson Antônio Correia Filho


Fotografia

Alex Ricardo de Lima Romano


Antônio Ivo Ferreira Lima
Leonardo Silveira
Vinicius Vidal da Cruz
Diagramação, Revisão de Arte e Fechamento de Arquivo

Renata Oliveira de Souza CRB - 5 / 1716


Normalização - Ficha Catalográfica

Daiane Amancio
Revisão de Diagramação e Padronização

Edeilson Brito Santos


Flávio Roberto Chiapetti
Stuart Volkert
Comitê Técnico de Avaliação

i-Comunicação
Projeto Gráfico