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UNIVERSIDADE DO CONTESTADO - UnC

FLAVIA DE OLIVEIRA

ESTUDO SOBRE O IMPACTO DO SUICÍDIO DE PACIENTES PSICOTERÁPICOS


NA DINÂMICA DO PROFISSIONAL PSICÓLOGO

MAFRA/SC
2019
1

FLAVIA DE OLIVEIRA

ESTUDO SOBRE O IMPACTO DO SUICÍDIO DE PACIENTES PSICOTERÁPICOS


NA DINÂMICA DO PROFISSIONAL PSICÓLOGO

Projeto de Pesquisa apresentado como exigência


para obtenção de nota na disciplina de Trabalho
de Conclusão de Curso I, do curso de Psicologia,
da Universidade do Contestado – UnC, Campus
Mafra, ministrado pela professora Ms. Pollyana da
Maia Weber Pawlowytsch, sob Orientação da
Professora Esp. Kelly Andressa da Silveira Kaipers
Antunes. CRP 12/10051.

MAFRA/SC
2019
2

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO....................................................................................................04
1.1 APRESENTAÇÃO DO TEMA.......................................................................... 04
1.2 PROBLEMA..................................................................................................... 05
1.3 JUSTIFICATIVA............................................................................................... 05
1.4 OBJETIVOS..................................................................................................... 05
1.4.1 OBJETIVO GERAL....................................................................................... 05
1.4.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS........................................................................ 06
1.5 QUESTÕES NORTEADORAS........................................................................ 06
2 REFERENCIAL TEÓRICO................................................................................. 07
2.1 O SUICÍDIO..................................................................................................... 07
2.1.1 A Ideação Suicida......................................................................................... 08
2.1.2 O Impacto do Suicídio.................................................................................. 09
2.2 O PSICOTERAPEUTA DIANTE DO COMPORTAMENTO SUICIDA............. 10
3 METODOLOGIA................................................................................................. 13
3.1 CLASSIFICAÇÃO DA PESQUISA.................................................................. 13
3.2 DELIMITAÇÃO DE UNIVERSO E TIPO DE AMOSTRAGEM......................... 13
3.3 CRITÉRIOS DE INCLUSÃO E CRITÉRIOS DE EXCLUSÃO NO ESTUDO... 14
3.3.1 Critérios de Inclusão..................................................................................... 14
3.3.2 Critérios de Exclusão.................................................................................... 14
3.4 TÉCNICA E INSTRUMENTO PARA APLICAÇÃO E COLETA DE DADOS... 14
3.5 PROCEDIMENTO PARA APLICAÇÃO E COLETA DE DADOS.................... 15
3.6 PROCEDIMENTO PARA ANÁLISE DE DADOS............................................ 15
3.7 PRESSUPOSTOS ÉTICOS............................................................................. 15
3.8 RESUMO DA PESQUISA................................................................................ 15
3.9 DESENHO DO ESTUDO................................................................................. 16
4 RECURSOS........................................................................................................17
4.1 HUMANOS.......................................................................................................17
4.2 MATERIAIS......................................................................................................17
4.2.1 Materiais de Consumo.................................................................................. 17
4.2.2 Materiais Permanentes................................................................................. 17
4.2.3 Recursos Financeiros................................................................................... 17
5 CRONOGRAMA................................................................................................. 18
3

REFERÊNCIAS..................................................................................................... 19
APÊNDICE A – Roteiro Semiestruturado para Entrevista..................................... 21
ANEXO A – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido................................... 22
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1 INTRODUÇÃO

1.1 APRESENTAÇÃO DO TEMA

Segundo Durkheim (2000), o suicídio é definido como todo o caso de morte


que resulta, direta ou indiretamente, de um ato, positivo ou negativo, executado pela
própria vítima, e que ela sabia que deveria produzir esse resultado.
O suicídio é um ato abrangente que engloba não somente aquele que opta
por morrer, é um ato que contagia a família, amigos e sociedade, que além do
sofrimento, buscam por compreender os motivos que levaram o suicida a tomada de
decisão de retirar a própria vida (BTESHE, 2013).
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2015), o suicídio
está entre as 20 principais causas de morte no mundo para todas as idades, e todos
os anos cerca de 1 milhão de pessoas morrem pelo suicídio. Estima-se que 800 mil
pessoas morram desta forma anualmente, uma a cada 40 segundos, o que equivale
a 1,4% dos óbitos totais.
No caso de atendimento a pacientes com ideação ou tentativa de suicídio,
essa mobilização leva o profissional a entrar em contato com seus questionamentos,
angústias e dúvidas (BERTOLOTE; MELLO-SANTOS; BOTEGA, 2010).
Segundo Scarpato (2019) a Psicoterapia é um método terapêutico, uma
aplicação dos conhecimentos de diversas áreas da Psicologia. Um valioso recurso
para lidar com as dificuldades da existência em todas as formas que o sofrimento
humano pode assumir, como transtornos psicopatológicos, distúrbios
psicossomáticos, traumas, crises existenciais, conflitos interpessoais, estados de
sofrimento, dentre outros.
O terapeuta deve estar atento aos sinais sutis. É importante documentar
todas as sessões, contatos telefônicos, sessões extras com o cliente, além de incluir
no contrato terapêutico que o sigilo poderá ser quebrado em casos de risco de vida
do cliente ou de outra pessoa, sempre lembrando que o terapeuta ligará para a
família somente nesses casos e com o consentimento do cliente (FUKUMITSU,
2014).
FUNDAMENTAR O QUE É DINÂMICA (PESSOAL E PROFISSIONAL)
Lidar com pacientes que possuem ideação suicida na prática clínica mobiliza
o psicólogo tanto do ponto de vista pessoal quanto profissional. Segundo Bertolote,
5

Mello-Santos e Botega (2010), no caso de atendimento a pacientes com ideação ou


tentativa de suicídio, essa mobilização leva o profissional a entrar em contato com
seus questionamentos, angústias e dúvidas.
Hass (1999) apud (FUKUMITSU, 2014, p. 270) em uma entrevista sobre a
perda de um cliente suicida, afirmou: “perder um cliente devido ao suicídio era o meu
grande medo e então se tornou uma realidade. A perda de um cliente traz um
impacto devastador, em ambos os níveis: profissional e o pessoal”.

1.2 PROBLEMA

Qual o impacto do suicídio de pacientes psicoterápicos na dinâmica do


profissional Psicólogo?

1.3 JUSTIFICATIVA

O presente trabalho justifica-se pelo número significativo de suicídios no


mundo, sendo eles uma morte a cada 40 segundos (OMS, 2015). A presente
pesquisa tende a ajudar profissionais da Psicologia, considerando que lança um
olhar para o cenário do suicídio de uma perspectiva em que o profissional também é
estudado. Além disso, o assunto em vigência que ainda é considerado um tabu para
muitos, traz novos conhecimentos e dados no que diz respeito à morte por suicídio,
caracterizando a relevância social do estudo.
A justificativa científica se dá pela construção de conteúdo que poderá servir
de base para novos estudos, e também como propulsor de novas pesquisas a
respeito.
A justificativa pessoal se dá pelo interesse da acadêmica em estudar o
impacto do suicídio de um paciente psicoterápico na dinâmica do profissional
Psicólogo, considerando que se refere a um tema ainda pouco debatido, se
considerado ao número crescente de casos.
6

1.4 OBJETIVOS

1.4.1 OBJETIVO GERAL

Investigar o impacto do suicídio de pacientes psicoterápicos na dinâmica do


profissional Psicólogo.

1.4.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Identificar o impacto pessoal em profissionais Psicólogos diante do suicídio de


pacientes psicoterápicos;
Analisar o impacto na dinâmica profissional de Psicólogos, decorrentes do
suicídio de pacientes psicoterápicos;
Avaliar alterações na dinâmica pessoal de profissionais Psicólogos diante do
suicídio de pacientes psicoterápicos;
Identificar alterações na dinâmica profissional de profissionais Psicólogos
diante do suicídio de pacientes psicoterápicos.

1.5 QUESTÕES NORTEADORAS

Profissionais Psicólogos sofrem impacto pessoal decorrente do suicídio de


pacientes psicoterápicos?
Quais foram as emoções, sentimentos, frustrações e culpas quando soube do
suicídio?
O Psicólogo alterou a sua forma de trabalhar diante de pacientes com ideação
suicida?
O profissional apresentou alterações emocionais após a morte do paciente?
7

2 REFERENCIAL TEÓRICO

2.1 O SUICÍDIO

O suicídio vem originalmente do latim “sui caedere”; sui siginifca “si mesmo” e
caedes “ação de matar”. Podendo der nomeado como uma morte voluntária, ou
intencional (FERREIRA, 2008). A tentativa e o ato suicida são considerados
ideações suicidas, ou seja, “pensamentos que levam o indivíduo a planejar a própria
morte” (CARDOSO, 2012, p. 43).
Segundo a OMS (2015), o suicídio está entre as três principais causas de
morte entre pessoas de 15 a 44 anos de idade, este é responsável por um milhão de
óbitos anualmente.
Emilé Durkheim foi um dos principais pesquisadores do tema suicídio. Através
de alguns elementos, podendo ser eles psicológicos, biológicos, raciais, genéticos,
climáticos e geográficos. Este disse, “vulgarmente, o suicídio é, antes de tudo, o ato
de desespero de um homem que não faz mais questão de viver” (DURKHEIM, 2000,
p. 11). Além disso, “chama-se suicídio todo caso de morte que resulta direta ou
indiretamente de um ato, positivo ou negativo, realizado pela própria vítima e que ela
sabia que produziria esse resultado” (DURKHEIM, 2000, p. 14).
Assumpção, Oliveira e Souza (2017) disseram que o suicídio é um ato feito
pelos indivíduos que tentam solucionar ou eliminar problemas pessoais ou sociais.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS, 2015) os fatores que
podem levar a pratica do suicídio são: os transtornos mentais, relações familiares,
gênero sexual, faixa etária de vulnerabilidade, abuso de álcool, drogas ou fármacos
situações sociais desfavoráveis, como pobreza e desemprego.
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A morte por suicídio é quase sempre sentida como inesperada e


imprevisível. Apesar da existência de toda uma gama de sinais
potencialmente preditivos do risco (CÂNDIDO, 2011, p. 137).

Sendo assim Bastos (2009) conceitua o suicídio como um acontecimento


autodestrutivo caracterizado por diferentes graus de destrutividade. Este propõe
pensar que o é um acontecimento complexo que pode ocorrer tanto entre a vida
pessoal quando a vida coletiva de um indivíduo.

2.1.1 A Ideação Suicida

Ideação vem do verbo idear que é sinônimo de idealizar, em dois de seus


sentidos: fantasiar e projetar, conforme o Dicionário Aurélio. Ou seja, idealizar é
projetar e planejar.
Alguns autores tratam a ideação suicida como imagem ou projeto do próprio
suicídio que pode ser representada pela presença de pensamentos de morte, ou
pela ausência de pensamentos de vida (DYCK, 1991 apud SILVA, 2006).
Diferentemente deste conceito, Ayd (1995 apud SILVA, 2006) estaria descrevendo a
ideação suicida como pensamentos, ideias sobre o próprio suicídio ou ameaças
claras ou abertas de se matar. Já O’Carroll et al. (1996 apud SILVA, 2006) definiram
como qualquer pensamento que envolva comportamentos associados ao suicídio,
sem especificar se fazia referência ao suicídio em geral, ou ao próprio suicídio. A
American Psychiatric Association sugere referir-se à ideação suicida como a
presença de pensamentos em que o indivíduo é o autor da sua própria morte.
Os estudos sobre a ideação suicida podem a definir de diversas formas,
sendo eles desde pensamentos passageiros de que a vida não vale à pena ser
vivida até preocupações intensas sobre por que viver ou morrer (GOLDNEY et al.,
1989 apud SILVA, 2006).
As questões que definem ideação podem referir-se diretamente a ideias ou
pensamentos sobre suicídio, (SCHWAB et al., 1972 apud SILVA, 2006); cometer
suicídio (KESSLER et al., 1999 apud SILVA, 2006); sentimentos suicidas (PAYKEL
et al., 1974 apud SILVA, 2006); pôr fim à própria vida (CROSBY et al., 1999 apud
SILVA, 2006); respostas positivas a perguntas sobre pensamentos de que seria
melhor morrer (GOLDNEY et al., 2000 apud SILVA, 2006) ou ferir a si mesmo de
alguma forma (DUBOW et al., 1989 apud SILVA, 2006).
9

Quanto ao período em que ocorrem esses pensamentos, os estudos mostram


questões que transpassam a ideação ao longo da vida (KESSLER et al., 1999 apud
SILVA, 2006), nos últimos doze meses (CROSBY et al., 1999 apud SILVA, 2006), no
mês anterior (VANDIVORT; LOCKE, 1979 apud SILVA, 2006), na semana anterior
(SMITH E CROWFORD, 1986 apud SILVA, 2006) ou apenas recentemente
(GOLDNEY et al., 2000 apud SILVA, 2006).

2.1.2 O Impacto do Suicídio

Osmarin (2015) sugere que o fenômeno do suicídio é caracterizado como um


problema social, perturbador e traumático aos que ficam, o qual são chamados de
sobreviventes, pois foram afetados por perdas dos indivíduos suicidas.
O suicídio pode ser visto como um meio de remover o sofrimento interno do
indivíduo. Esta pode ser tida como o melhor escape aos que partem, porém deixa
um efeito devastador de dor a quem fica (CASSORLA, 1991 apud ZANA; KOVACS,
2011). A dor dos familiares se agrava quando pensam que poderiam ter evitado a
morte de seu ente querido identificando sinais de fragilidade e vulnerabilidade
aumenta assim a angústia. A morte é um vazio inexplicável que se intensifica
quando a perda é sem razão, sem motivo eminente, como as mortes por suicídio
(CREMASCO; BRUNHARI, 2009 apud GONÇALVES et al., 2018).
O suicídio é um ato que engloba além do que opta por morrer, os amigos, a
família e a sociedade que buscam compreender os motivos que levaram o indivíduo
a retirar a própria vida (BTESHE, 2013).
A família que vivenciou o suicídio em seu meio tem como consequência um
luto diferente, onde as probabilidades do impacto se tornarem complicações são
abruptas, pois há mudança na dinâmica familiar que junto a dor e o sofrimento
tornam o ambiente psicologicamente perturbador (KRÜGER, 2010 apud
GONÇALVES et al., 2018).
Além dos sofrimentos mentais, pode-se encontrar sintomas físicos, visto que
mente e corpo estão interligados. Neste observa-se: dormência física, fadiga,
cansaço, diminuição dos interesses dos afazeres cotidianos e fraqueza (SILVA,
2006).
10

Que tipo de sociedade é esta, em que se encontra a mais profunda solidão


no seio de tantos milhões; em que se pode ser tomado por um desejo
implacável de matar a si mesmo, sem que ninguém possa prevê-lo? Tal
sociedade não é uma sociedade; ela é como diz Rousseau, uma selva,
habitada por feras selvagens (MARX, 2006, p. 28 apud VIEIRA; ARAÚJO,
2016).

Diante da repercussão do suicídio no sistema familiar, outro fator grave e


importe é a predisposição a probabilidade de novos casos de suicídio entre os
sobreviventes. Carson (2010 apud GONÇALVES et al., 2018) diz que o suicídio
pode estar interligado a uma disfunção familiar que rodeia o sujeito tanto em seu
aspecto psicológico como em genético, enfatizando assim, a ideia traz que talvez
haja a presença de transtornos mentais, herdados ou desenvolvidos.

2.2 O PSICOTERAPEUTA DIANTE DO COMPORTAMENTO SUICIDA

Haas (1999) afirma: “Existem dois tipos de terapeutas: aqueles que perderam
um paciente por suicídio e aqueles que perderão” (p. 32). Quando há um
atendimento de pacientes com ideação suicida o profissional entra em contato com
seus questionamentos, angústias e dúvidas (BERTOLOTE; MELLO-SANTOS;
BOTEGA, 2010).
As razões que levam ao suicídio podem ser tão variadas, quanto o número de
pessoas que buscam essa alternativa (CARSON, 2010 apud ZANA; KOVACS,
2011).
Não se pode ligar de forma imediata o suicido a um acontecimento especifico,
é preciso compreender os motivos que levaram o sujeito ao ato, já que cada pessoa
experiência e atribui os fatos de sua maneira particular. Tal ato pode ser resultado
de uma rede de fatores, muitos deles inconscientes (CASSORLA, 1991 apud ZANA;
KOVACS, 2011).

O suicídio é um ato muito complexo, portanto não pode ser considerado em


todos os casos como psicose, ou como decorrente de desordem social.
Também não pode ser ligado de forma simplista a um determinado
acontecimento como rompimento amoroso, ou perda de emprego. Trata-se
de um processo, que pode ter tido o seu início na infância, embora os
motivos alegados sejam tão somente os fatores desencadeantes (KOVÁCS,
1992, p. 173 apud ZANA; KOVACS, 2011).

Cassorla (1991 apud ZANA; KOVACS, 2011) diz que é comum chegarem aos
prontos-socorros pacientes com tentativas de suicídio, porém a reação da equipe de
11

saúde é de despreza, pois, este ato não afeta somente a pessoa que o comete, mas
também as pessoas próximas. Esses profissionais foram treinados para salvar vidas,
quando se deparam com os pacientes que não desejam viver, sentem sua vocação
questionada.
E mesmo com todos os cuidados, alguns pacientes ainda conseguem
cometer o suicídio enquanto estão sob cuidados médicos, assim causando impacto
tanto em outros pacientes, quanto em familiares e na equipe que dava assistência,
provocando assim sentimentos como culpa, raiva e ansiedade (BERTOLOTE;
MELLO-SANTOS; BOTEGA, 2010).
Bertolote, Mello-Santos e Botega (2010), portanto, trataram de tentar
investigar como os Psicólogos percebem os cuidados e necessidades quando há
acompanhamento de pacientes com ideação suicida. A partir deste se observou que
o desejo de morte do paciente provoca sentimento de impotência no profissional.
Os cuidados psicológicos são fundamentais quando tradado da questão do
suicídio. Bastos (2009 apud ZANA; KOVACS, 2011) sugere que que as tentativas de
suicídio não devem ser supervalorizadas nem desvalorizadas, é preciso entendê-las
e acolhê-las verdadeiramente.
O atendimento psicológico a pacientes com ideação suicida traz
questionamentos quanto os aspectos éticos e a questão do sigilo. O Psicólogo deve
garantir a ética para uma relação adequada entre profissional e cliente (LEOPOLDO;
SILVA, 1998 apud ZANA; KOVACS, 2011).
Segundo o Código de Ética Profissional do Psicólogo (CFP, 2005), o
Psicólogo deve basear sua conduta em princípios fundamentais como, respeito,
liberdade, dignidade, igualdade e integridade do ser humano. Deve analisar crítica e
historicamente a realidade, e buscar contínuo aprimoramento profissional.
No Código de Ética (CFP, 2015) os artigos 6º, 9º e 10º apontam que o sigilo
profissional tem por finalidade proteger a pessoa atendida. Porém, diante de um
paciente com ideação suicida surgem muitas dúvidas de como agir, pois, somente
em casos excepcionais é considerada a possibilidade da quebra do sigilo.
Quando se há um paciente suicida em potencial, é importante não o deixar
sozinho, acompanhando-o dia-a-dia, por vezes sendo necessário acompanhantes
terapêuticos ou internações em instituições especializadas. Há também a
importância de se ampliar o sistema de apoio, procurando ajudar a família a
12

compreender que a pessoa que tenta ou comete suicídio pode não desejar a morte,
apenas viver de outra maneira (FUKUMITSU, 2014).
As condutas acima citadas cabem somente quando há potencial de suicido,
porém é complexo descrever quando se há um "potencial suicídio". O terapeuta
pode não perceber os indícios que o paciente tem esse potencial suicida e por vezes
ser pego de surpresa por uma tentativa de suicídio (FUKUMITSU, 2014).

O terapeuta deve estar atento aos sinais sutis, senão ele pode ser acusado
de negligência ou má prática. Também, para evitar acusações, é importante
documentar todas as sessões, contatos telefônicos, sessões extras com o
cliente, além de incluir no contrato terapêutico que o sigilo será quebrado
em casos de risco de vida do cliente ou de outra pessoa, sempre lembrando
que o terapeuta ligará para a família somente nesses casos e com o
consentimento do cliente (FUKUMITSU, 2014, p.32).

Sendo assim Fukumitsu (2014) aponta que a questão do sigilo é introduzida


desde que não haja risco a vida. Quando considerado esse risco, o Psicólogo pode,
com o consentimento do cliente, informar a família. A quebra de sigilo em casos
como este é um direito, não um dever.
O paciente que tenta o suicídio precisa de alguém em quem ele possa confiar,
por isso o vínculo com o terapeuta é importante. A atuação deste profissional deve
ser circundada de cuidados, tranquilidade e segurança. O tratamento deve ser feito
de forma franca, clara e honesta facilitando a comunicação e estabelecendo a
confiança, de modo que o paciente se sinta à vontade para entrar em contato com
seus sentimentos e conflitos (BERTOLOTE; MELLO-SANTOS; BOTEGA, 2010).
13

3 METODOLOGIA

3.1 CLASSIFICAÇÃO DA PESQUISA

Trata-se de uma pesquisa de natureza básica, que objetiva gerar


conhecimentos novos, úteis para o avanço da ciência sem aplicação prática prevista.
Envolve verdades e interesses universais (SILVA; MENEZES, 2005).
Do ponto de vista de seus objetivos refere-se a uma pesquisa descritiva, que
visa descrever as características de determinada população ou fenômeno,
estabelecendo as relações entre variáveis. Desse modo assume a forma de
levantamento, no que diz respeito aos procedimentos técnicos (GIL, 1991 apud
SILVA; MENEZES, 2005).
Quanto a abordagem do problema trata-se de uma pesquisa qualitativa;
considerando que há uma relação dinâmica entre o mundo real e o indivíduo, isto é,
um vínculo indissociável entre o mundo objetivo e a subjetividade, que não pode ser
traduzido em números (SILVA; MENEZES, 2005).

3.2 DELIMITAÇÃO DE UNIVERSO E TIPO DE AMOSTRAGEM

O universo da pesquisa será composto por profissionais da área de Psicologia


das cidades de Mafra/SC e Rio Negro/PR, desde que atendam aos critérios de
inclusão da pesquisa. O número da amostra se dará por saturação teórica, que
segundo Fontanella, Ricas e Turato (2008, p. 17) refere-se a “suspensão de inclusão
de novos participantes quando os dados obtidos passam a apresentar, na avaliação
do pesquisador, uma certa redundância ou repetição”.
O tipo da amostragem refere-se a não probabilística, onde segundo Mayer
(2016) a seleção da amostra depende do julgamento do pesquisador. O método
para coleta da amostra se dará por julgamento seguida de Snowball. No método por
julgamento (ou intencional) os participantes são selecionados a partir do julgamento
do pesquisador, que seleciona os membros da população que são boas fontes de
informação para a pesquisa (OLIVEIRA, 2001). Já no método Snowball (bola de
neve) os participantes iniciais de um estudo indicam novos participantes, que por
sua vez indicam novos participantes, e assim sucessivamente, até que seja
alcançado o objetivo proposto (BALDIN; MUNHOZ, 2011).
14

3.3 CRITÉRIOS DE INCLUSÃO E CRITÉRIOS DE EXCLUSÃO NO ESTUDO

Os critérios de inclusão descritos a seguir servem como base para seleção da


amostra.

3.3.1 Critérios de Inclusão

Ser profissional Psicólogo das cidades de Mafra/SC e Rio Negro/PR;


Estar atuando (ou já ter atuado) como Psicoterapeuta;
Ter vivenciado na prática profissional o suicídio de pacientes psicoterápicos;
Concordar em participar da pesquisa, assinando o Termo de Consentimento
Livre e Esclarecido (ANEXO A).

3.3.2 Critérios de Exclusão

Todos aqueles que durante a coleta de dados não tenham condições ou


interesse de continuar a participação, por quaisquer que sejam os motivos.

3.4 TÉCNICA E INSTRUMENTO PARA APLICAÇÃO E COLETA DE DADOS

A técnica para coleta de dados se dará através de entrevista 1, que se trata da


obtenção de informações de um entrevistado sobre determinado assunto ou
problema (SILVA; MENEZES, 2005).
O instrumento para coleta de dados será um roteiro semiestruturado
(APÊNDICE A), elaborado pela acadêmica e professora orientadora, cujo conteúdo
atende os objetivos dessa pesquisa. Entrevistas semiestruturadas são compostas
por perguntas abertas, onde o indivíduo pesquisado tem a possibilidade de discorrer
sobre o tema proposto (BONI; QUARESMA, 2005).

1 Entrevista será gravada com dispositivo gravador, para posterior transcrição e análise
15

3.5 PROCEDIMENTO PARA APLICAÇÃO E COLETA DE DADOS

A coleta de dados ocorrerá em um local previamente acordado com cada


indivíduo da amostra, em data combinada de acordo com a disponibilidade do
profissional, buscando espaços como o consultório do próprio Psicólogo ou outro
ambiente reservado, para que se preserve a ética durante o processo.

3.6 PROCEDIMENTO PARA ANÁLISE DE DADOS

O procedimento se dará através de Análise de Conteúdo de Laurence Bardin,


que segundo Campos (2004, p. 611) “constitui-se em um conjunto de técnicas
utilizadas na análise de dados qualitativos”; e segundo Bardin (2011) se refere a um
conjunto de técnicas que analisam o conteúdo comunicativo, através de descrição e
de levantamento de indicadores desse conteúdo.

3.7 PRESSUPOSTOS ÉTICOS

Para a realização da pesquisa serão respeitados os preceitos da Resolução


510/16 do Conselho Nacional de Saúde que dispõe de diretrizes e normas de
pesquisas envolvendo seres humanos, as quais devem atender aos fundamentos
éticos e científicos pertinentes. Desta forma, este projeto após sua qualificação em
banca, será encaminhado para o Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade do
Contestado, através do sistema Plataforma Brasil e terá sua execução somente
após sua aprovação neste órgão.

3.8 RESUMO DA PESQUISA

A presente pesquisa busca investigar sobre o impacto do suicídio de


pacientes psicoterápicos na dinâmica do profissional Psicólogo; identificar o impacto
pessoal em profissionais Psicólogos diante do suicídio de pacientes psicoterápicos;
analisar o impacto na dinâmica profissional de Psicólogos, decorrentes do suicídio
de pacientes psicoterápicos; buscar alterações na dinâmica pessoal de profissionais
Psicólogos diante do suicídio de pacientes psicoterápicos e identificar alterações na
dinâmica profissional de profissionais Psicólogos diante do suicídio de pacientes
16

psicoterápicos. Trata-se de uma pesquisa de natureza básica, do ponto de vista de


seus objetivos refere-se a uma pesquisa descritiva e do ponto de vista dos
procedimentos técnicos trata-se de uma pesquisa de levantamento. Quanto a
abordagem do problema trata-se de uma pesquisa qualitativa. A técnica para coleta
de dados se dará através de entrevista, com roteiro semiestruturado e o
procedimento para análise de dados se dará através de Análise de Conteúdo de
Laurence Bardin.

3.9 DESENHO DO ESTUDO

Primeiramente foi definido que o tema teria relação com o suicídio de


pacientes psicoterápicos na dinâmica do profissional Psicólogo. Após escolha do
tema que nortearia o estudo deu-se início ao levantamento bibliográfico, a fim de
coletar informações sobre o assunto e construção do referencial teórico.
Os profissionais de Psicologia das cidades de Mafra/SC e Rio Negro/PR se
mostraram os indivíduos mais adequados para seleção da amostra e aplicação da
pesquisa. Para tanto foi feito o devido contato prévio com alguns, os quais
mostraram-se disponíveis ao estudo.
A partir de então se deu a construção do projeto de pesquisa, delimitando os
detalhes a respeito do estudo que de princípio se baseavam no interesse de estudar
o impacto do suicídio de pacientes psicoterápicos na dinâmica do profissional
Psicólogo.
Diante disso foram refeitos pela acadêmica e professora orientadora os
procedimentos metodológicos, instrumentos e outros detalhes pertinentes da
pesquisa, que envolverá a coleta de dados via entrevista, com roteiro
semiestruturado; e o procedimento para análise de dados se dará através de Análise
de Conteúdo de Laurence Bardin. A coleta de dados ocorrerá em um local
previamente acordado com cada indivíduo da amostra, buscando espaços como
consultório do profissional ou outro ambiente reservado, para que se preserve a
privacidade e a ética durante o processo.
17

4 RECURSOS

4.1 HUMANOS

Acadêmica: Flavia de Oliveira


Professora orientadora: Especialista Kelly Andressa da Silveira Kaipers
Antunes CRP 12/10051.

4.2 MATERIAIS

4.2.1 MATERIAIS DE CONSUMO

Item Quantidade Valor unitário Valor total


Fotocópias/Impressão 200 R$ 0,20 R$ 40,00
Valor total R$ 40,00

4.2.2 MATERIAIS PERMANENTES

Item Quantidade Valor total


Dispositivo gravador 1 R$2.800
Pen drive 1 R$32,00
Notebook 1 R$1.500,00
Valor total R$4.332,00

4.2.3 RECURSOS FINANCEIROS

Valor já disponível: R$4.332,00


Valor ainda não disponível: R$40,00
Total do projeto: R$4.372,00
Os totais de despesas para elaboração da pesquisa são de inteira
responsabilidade da acadêmica.
18

5 CRONOGRAMA

2019

Ago

Nov
Mar
Fev

Out
Jun
Mai
Abr

Set
Jul
Orientações semanais
Pesquisa bibliográfica
Defesa do projeto em banca de qualificação
Submissão ao Comitê de Ética
Aplicação da pesquisa
Análise dos dados
Elaboração do artigo
Entrega ao orientador para correção
Revisão final
Entrega final
Defesa do artigo
19

REFERÊNCIAS

ASSUMPÇÃO, Glaucia Lopes Silva; OLIVEIRA, Luciele Aparecida; SOUZA; Mayra


Fernanda Silva. Depressão e Suicídio: uma correlação. 2017. Disponível em:
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21

APÊNDICE A – Roteiro Semiestruturado para Entrevista


22

ANEXO A – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido