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CAMPANHA NACIONAL DE ESCOLAS DA COMUNIDADE

FACULDADE CENECISTA DE CAPIVARI

CURSO DE GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO

EMPREENDEDORISMO: UM ESTUDO DE CASO COM


UMA EMPRESA DO RAMO MOVELEIRO

FLÁVIO CASTELO JÚNIOR

CAPIVARI-SP
2013

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CAMPANHA NACIONAL DE ESCOLAS DA COMUNIDADE
FACULDADE CENECISTA DE CAPIVARI

CURSO DE GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO

EMPREENDEDORISMO: UM ESTUDO DE CASO COM


UMA EMPRESA DO RAMO MOVELEIRO

Trabalho de Conclusão de Curso


apresentado ao Curso de Graduação em
Administração da FACECAP/CNEC
Capivari.
Orientador: Prof.Ms.Clever EduardoZuin
Lobo.

FLÁVIO CASTELO JÚNIOR

CAPIVARI/SP
2013
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3
Júnior, Flávio Castelo. Empreendedorismo: Um estudo de caso com uma
empresa do ramo moveleiro. Projeto de Pesquisa de Monografia de
Conclusão de Curso. Curso de Graduação em Administração. Faculdade
Cenecista de Capivari – CNEC. – 39 p., 2013.

RESUMO

O empreendedorismo trata-se de um tema que vem sendo bem


difundido nos últimos tempos, e que revela a necessidade nos dia de hoje de
se ter ações dentro da perspectiva do planejamento estratégico, firmando
assim a necessidade de se planejar em toda e qualquer situação, deixando de
ser alvo do insucesso e da decadência junto ao mercado competitivo. Este
trabalho tem por objetivo identificar quais têm sido os desafios e
potencialidades enfrentados ao longo dos anos por uma micro-empresa do
ramo moveleiro, fundada em 1990, que possui como objetivo empresarial a
obtenção de lucros, atendendo a clientes personalizados, através do
treinamento de seus colaboradores, excedendo as expectativas dentro de
normas, leis e padrões exigidos. Conforme o decorrer da pesquisa e a
entrevista com o empreendedor da empresa alvo, podemos identificar os
aspectos favoráveis e desfavoráveis de se tornar um empreendedor, se este
contou com algum tipo de ajuda e se utilizou alguma ferramenta específica de
apoio.

Palavras Chaves: 1.Empreendedorismo; 2. Empreendedor; 3. Planejamento;


4. Plano de negócios.

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ABSTRACT

Entrepreneurship is in a well that hás been widespread in recent times


theme, and that reveals the need in today to take action within the perspective
of strategic planning, thus firming the need to plan for every situation, ceasing to
be the target of failure and decay with the competitive market. This work aims to
identify what have been the challenges and opportunities faced over the years
by the furniture industry micro-enterprise, founded in 1990, which has as its
objective the attainment of business profits, serving clients customized, through
training its employees, exceeding expectations in standards, laws and
standards required. As the course of the research and the interview with the
entrepreneur of the target company we can identify the favorable and
unfavorable aspects of becoming na entrepreneur, if he had some kind of help
and used a specific tool support.

Keywords: 1. Entrepreneurship; 2. Entrepreneur; 3. Planning; 4. Business plan.

5
SUMÁRIO

INTRODUÇÃO .......................................................................................................................... 08

CAPÍTULO 1 – CARACTERIZAÇÃO DA PESQUISA ...........................................................10

1.1 – Caracterização do Problema ............................................................................................. 10


1.2 - Apresentação e Justificativa ...............................................................................................10
1.3 – Relevância do trabalho ..................................................................................................... 11
1.4 – Objetivos do Estudo ......................................................................................................... 11
1.5 - Estrutura do Trabalho ....................................................................................................... 12

CAPÍTULO 2 – REVISÃO DE LITERATURA ........................................................................ 13

2.1- Conceitos de Empreendedorismo ........................................................................................ 13

2.2- A História do Empreendedorismo ....................................................................................... 16

2.3- Empreendedorismo no Brasil .............................................................................................. 18

2.4- Características de um Empreendedor .................................................................................. 20

CAPÍTULO 3 – METODOLOGIA ............................................................................................ 26

3.1- Considerações Gerais .......................................................................................................... 26

3.2- Procedimento para obtenção de dados................................................................................. 27

CAPÍTULO 4 – EMPRESA ALVO ........................................................................................... 28

4.1- Caracterização da empresa alvo .......................................................................................... 28

4.2- Histórico da empresa ........................................................................................................... 29

4.3- Apresentação dos resultados da pesquisa ............................................................................ 31

CAPÍTULO 5 – CONSIDERAÇÕES FINAIS .......................................................................... 35

5.1 Considerações Finais ............................................................................................................ 35

Apêndice ..................................................................................................................................... 37

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA ............................................................................................ 41

6
LISTA DE ILUSTRAÇÕES

QUADRO 1 – Características dos empreendedores de sucesso ................................................. 20

QUADRO 2 – Empreendedores iniciais segundo motivação ..................................................... 24

QUADRO 3 – Taxa de empreendedores em estágio inicial segundo a faixa etária


..................................................................................................................................................... 24

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INTRODUÇÃO

O empreendedorismo nada mais é do que o envolvimento de pessoas e


processos que, em conjunto, levam à transformação de ideias em
oportunidades, e a perfeita implementação destas oportunidades leva à criação
de negócios de sucesso. O empreendedorismo envolve a criação de algo novo,
de valor, requer a devoção, o comprometimento de tempo e ter esforço
compensatório para fazer a empresa crescer.

O empreendedor é o sujeito que derruba a ordem econômica pela


introdução de novos produtos e serviços, pelo surgimento de novos modelos de
organização ou pela exploração de novos recursos e materiais. O
empreendedor é aquele que vê uma oportunidade e monta um negócio para
capitalizar sobre ela, assumindo riscos, fazendo com que o mercado
competitivo faça novos empresários.

Este trabalho tem por objetivo identificar quais têm sido os desafios e
potencialidades enfrentados ao longo dos anos por uma empresa do ramo
moveleiro, assim como identificar a utilização de ferramentas sugeridas pelo
empreendedorismo, como ocorre o processo de capacitações dos
colaboradores, analisar como o empreendedor decidiu-se pelo negócio, quais
as dificuldades encontradas no início do empreendimento e identificar se houve
algum planejamento para o negócio.

Esse processo inicia-se com uma pesquisa realizada com o empreendedor


de uma empresa do ramo moveleiro situada no município de Capivari, onde a
pretensão é de entender melhor como um profissional com visão
empreendedora se posiciona e age para que seu negócio dê certo diante de
vários desafios e potencialidades de sua empresa.

Segundo o que abrange a pesquisa, a empresa alvo foi fundada em 1990 e


foi ganhando novas formas e diretrizes, excedendo as expectativas dentro de
normas, leis e padrões exigidos. Com o decorrer do estudo, pretende-se

8
através da pesquisa, apontar a importância da formulação de estratégias no
planejamento futuro, assim como o interesse de abrir e administrar seu próprio
negócio, suas vantagens e desvantagens, tendo como foco o seu principal
objetivo.

Neste trabalho de conclusão de curso, o objetivo através da pesquisa


bibliográfica e de campo, é destacar como um empreendedor do ramo
moveleiro da cidade de Capivari, interior do Estado de São Paulo lidou com os
desafios e potencialidades e quais ferramentas utilizou para se tornar
competitivo no mercado de trabalho.

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CAPÍTULO 1 – CARACTERIZAÇÃO DA PESQUISA

1.1 Caracterização do Problema

Atualmente abrir uma empresa e mantê-la competitiva no segmento de


mercado escolhido, acaba se tornando uma tarefa difícil, uma vez que envolve
diversos desafios, além do enfrentamento de dificuldades e obstáculos de
ordem financeira, burocrática, administrativa etc. Manter uma empresa em
funcionamento demanda além de habilidades e competências, um
conhecimento detalhado das características do ramo de atividade e uma
postura empreendedora que é construída através de muita dedicação.

A criação, instalação e operação de empresas estão relacionadas


diretamente ao empreendedorismo e, em consequência, à figura do
empreendedor que é aquela pessoa que cria novos produtos, novos processos
e novos mercados. Depois de instaladas e em operação, o maior desafio de
uma empresa é saber lidar com os diversos obstáculos que poderão surgir,
conseguir contornar os problemas e ter a capacidade de competir em meio às
frequentes variações do mercado. Por isso o desafio do administrador é
constante.

Percebendo essas dificuldades, a pergunta problema dessa pesquisa é a


seguinte: Quais têm sido os desafios e potencialidades enfrentados ao longo
dos anos por uma empresa do ramo moveleiro?

A proposta desta pesquisa é entender melhor como um profissional com


visão empreendedora se posiciona e age para que seu negócio de certo diante
de vários desafios e potencialidades de sua empresa.

1.2 Apresentação e Justificativa

Este trabalho se justifica pela importância do tema apresentado,


servindo de apoio para futuros empreendedores que tenham interesse em abrir

10
uma empresa, mostrando quais são os desafios e potencialidades que esta
poderá apresentar.

Ainda, é uma oportunidade singular da empresa em estudo em


compreender suas possibilidades e limites, permitindo que ações sejam
tomadas em busca da elevação de suas atividades vigentes.

1.3 Relevância do Trabalho

A definição deste estudo teve como base tanto a relevância do tema,


como interesse acadêmico–científico e a contribuição prática tanto para a
organização envolvida como trabalho, como para outras empresas, mostrando
que é preciso saber como conduzir o negócio ao sucesso, superando os
desafios.

Trata-se de um tema que vem sendo bem difundido nos últimos tempos,
e que revela a necessidade nos dia de hoje de se ter ações dentro da
perspectiva do planejamento estratégico, firmando assim a necessidade de se
planejar em toda e qualquer situação, deixando de ser alvo do insucesso e da
decadência junto ao mercado competitivo.

1.4 Objetivos do Estudo

Tendo como ponto de partida a pergunta–problema, este trabalho tem


como objetivo geral: “Identificar quais tem sido os desafios e potencialidades
enfrentados ao longo dos anos pela empresa estudada”.

Existem também os objetivos específicos que são os seguintes:

Identificar a utilização de ferramentas sugeridas pelo


empreendedorismo, tais como: Plano de negócios e/ou planejamento
estratégico; dentre outras.

Identificar como ocorre o processo de capacitações dos


colaboradores.

 Analisar como o empreendedor decidiu-se pelo negócio.


11
Apresentar quais as dificuldades encontradas no início de
empreendimento.

Identificar se houve algum planejamento para o negócio.

A empresa que fará parte deste estudo é a Fábrica de Móveis Castelo,


localizada no município de Capivari, interior do Estado de São Paulo,
classificada como micro-empresa (ME).

1.5 Estrutura do Trabalho

Este trabalho está organizado em 5 (cinco) capítulos, dispondo de um


último para as considerações finais.

O estudo citado acima busca apresentar no primeiro capítulo a


caracterização do problema, além da justificativa e apresentação do tema
proposto, bem como sua relevância, e por fim, destaca os objetivos esperados
com este trabalho.

No segundo capítulo é apresentada uma revisão bibliográfica com o


propósito de fornecer o referencial teórico necessário para as análises
decorrentes do estudo de caso e, no terceiro capítulo é apresentada a
metodologia utilizada para coletar as informações necessárias.

No quarto capítulo está sendo apresentada a empresa alvo que fez parte
do tema deste trabalho, onde será abordado o estudo de caso, as perguntas e
suas respostas, e seu relacionamento com a pesquisa teórica. Por fim, no
quinto capítulo são apresentadas as considerações finais deste estudo, que
mostra todas as obras e fontes da pesquisa que contribuíram na elaboração do
presente trabalho.

12
CAPÍTULO 2 – REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

Para a melhor compreensão da problemática que será desenvolvida


nesta pesquisa e visando facilitar o entendimento e o aprofundamento deste
estudo de caso, será apresentado os conceitos de empreendedorismo, assim
como sua história no decorrer dos séculos, sua trajetória no Brasil e as
características de um empreendedor.

2.1 Conceitos de Empreendedorismo

O conceito de empreendedorismo vem sendo muito difundido no Brasil,


nos últimos anos, intensificando-se no final da década de 1990. Podemos dizer
que empreendedorismo nada mais é do que o envolvimento de pessoas e
processos que, em conjunto, levam à transformação de idéias em
oportunidades, e a perfeita implementação destas oportunidades leva à criação
de negócios de sucesso. (Sentanin e Barboza , 2005)

Porém, embora existam inúmeras definições para o empreendedorismo,


podemos citar que uma das mais antigas e que melhor nos mostra o espírito
empreendedor seja a de Joseph Schumpeter (1949) citado por Dornelas (2001,
p.37), onde para ele “o empreendedor é aquele que destrói a ordem econômica
existente pela introdução de novos produtos e serviços, pela criação de novas
formas de organização ou pela exploração de novos recursos e materiais”.

Ainda segundo Dornelas (2001, p. 37), uma outra abordagem diferente


sobre o empreendedorismo é a de Kirzner (1973), onde para este autor o
empreendedor é aquele que cria um equilíbrio, conseguindo encontrar clareza
em um ambiente de caos e turbulência, identificando oportunidades. Sendo
assim, pode se então entender que o empreendedor é aquele que vê uma
oportunidade e monta um negócio para capitalizar sobre ela, assumindo riscos
calculados. (Dornelas, 2001, p. 37)

Em qualquer definição de empreendedorismo, são encontrados alguns


aspectos referentes ao empreendedor como: ter a iniciativa para criar um
negócio e ter paixão pelo que faz; utilizar os recursos existentes de forma

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criativa modificando o ambiente social e econômico onde vive; aceitar assumir
os riscos e a possibilidade de fracassar. O empreendedorismo envolve a
criação de algo novo, de valor, requer a devoção, o comprometimento de
tempo e ter esforço compensatório para fazer a empresa crescer.
(Dornelas,2001, p. 38)

Nota-se que o empreendedor tem um espírito criativo e pesquisador,


está sempre em busca de algo inovador, novos caminhos, novos negócios e
oportunidades.

A ênfase ao empreendedorismo surge como uma conseqüência das


mudanças tecnológicas e sua rapidez, fazendo com que o mercado competitivo
faça novos empresários adotarem novas medidas. Por isso o momento atual
pode ser chamado de era do empreendedorismo, uma vez que são os
empreendedores que estão eliminando barreiras comerciais e culturais,
reduzindo distâncias, globalizando e renovando os conceitos econômicos,
criando novas relações de trabalho e novos empregos, quebrando paradigmas
e gerando riqueza para a sociedade. (Sentanin e Barboza, 2005)

Segundo Ferreira (2012), existe alguns sinais na rotina de um negócio


que indicam se a empresa não está indo bem, e que se o empreendedor não
agir rápido ou não os perceber, os riscos de prejuízos aumentam. Ao identificar
alguns desses sintomas e causas, o autor lista alguns exemplos mais comuns
como:

 Sintomas:

Movimento baixo e loja deserta: É necessário descobrir qual o motivo


que está levando a clientela a procurar outras empresas, uma vez que nenhum
negócio sobrevive sem clientes.

Produtos encalhados na prateleira ou no estoque: Produtos parados


nas prateleiras ou no estoque podem levar á sérios prejuízos ao
empreendedor, onde este precisa verificar o que provocou o problema, se o

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produto não é atrativo, se houve má gestão na aquisição de material, excesso
de produção ou a abertura de concorrentes que atraem mais o cliente.

Quedas seguidas de faturamento: Se o valor arrecadado apresentar


reduções seguidas, pode ser preço inadequado, mudanças nos hábitos de
consumo e a situação econômica do país.

Pedidos constantes de empréstimos bancários: Se o empresário


recorre a empréstimos bancários constantes para conseguir pagar os custos da
empresa, significa que esta gastando mais do que arrecada. O empreendedor
necessita descobrir onde está o rombo e assim analisar onde se pode
economizar.

Rotatividade alta de funcionários: Mudanças constantes de


funcionários é um alerta de que os profissionais não estão satisfeitos.
Demissões e contratações geram custos para o negócio e perda na produção.

 Causas:

Chegada de novos concorrentes: A abertura de negócios concorrentes


nas proximidades impacta em várias áreas de uma loja, como o faturamento e
a demanda que podem cair, caso o empreendedor não aumente a
competitividade da empresa.

Produto Obsoleto: Um produto pode ficar obsoleto uma vez que a


moda passou ou porque novos fornecedores entraram no mercado com
inovações, onde o empresário deve estar atento às novidades no setor e
renovar os produtos e serviços oferecidos constantemente.

Preço inadequado: Vender um produto ou serviço com preço


inadequado pode trazer prejuízos ou afastar clientes, uma vez que o preço alto
demais inibe as vendas e valores muitos baratos podem complicar o caixa da
empresa, sendo necessário revisar os cálculos e procurar descobrir o quanto
os clientes estão dispostos a pagar por um produto ou serviço.

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Falta de capital de giro e má gestão: A má gestão de um negócio pode
levar uma boa idéia a um fracasso, sendo que sem gerenciamento adequado,
pode faltar capital de giro, sobrar ou faltar produtos, o que favorece a operação
ou faz a empresa se endividar além do necessário.

Funcionários insatisfeitos e salários baixos do mercado: Quando


muitos funcionários não estão satisfeitos, a produtividade é prejudicada e o
clima da organização fica negativo, uma vez que salários abaixo da média,
longas jornadas de trabalho e falta de perspectiva na empresa geram
insatisfação, levando á alta rotatividade e gera custos para a empresa.

Sendo assim, teríamos como soluções: Inovar a linha de produtos e


serviços oferecidos; fazer promoções ou devolver produtos para o fornecedor;
revisar cálculos ou buscar novos fornecedores; vender bens ociosos da
empresa; oferecer plano de carreira e salários compatíveis. (Ferreira, 2012)

Nota-se que é necessário ter visão e habilidade para enxergar as


dificuldades e saber lidar com elas, agindo rápido e diminuindo a chance dos
possíveis riscos.

2.2 A História do Empreendedorismo

Segundo Dornelas (2001, p.27), o termo empreendedor (entrepreneur)


vem de origem francesa, tendo como significado “aquele que assume riscos e
começa algo novo”. Também é destacado pelo autor, um primeiro exemplo de
definição da palavra empreendedorismo dado por Marco Polo, onde este firmou
um vínculo empreendedor por meio da assinatura de um contrato com um
homem Capitalista, a fim de vender as mercadorias deste, ou seja, o capitalista
assumia riscos de forma passiva e Marco Polo assumia o papel ativo, ficando
com todos os riscos físicos e emocionais (Dornelas, 2001).

Ainda de acordo com Dornelas (2001, p.27), na Idade Média o


empreendedor era aquele que gerenciava enormes projetos de cunho
produtivo, não assumia riscos e apenas gerenciava projetos, utilizando para

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isto recursos que estava a sua disposição, vindo geralmente do governo do
país.

No século XVII, começou a surgir as primeiras relações entre


empreendedorismo e assumir riscos, onde o empreendedor firmava um acordo
com o governo para fornecer produtos ou realizar serviços, e assim qualquer
lucro ou prejuízo seria responsabilidade somente do empreendedor (Dornelas,
2001). Segundo Richard Cantillon, citado por Dornelas (2001, p.28), que é
considerado um dos responsáveis por criar o empreendedorismo, foi um dos
primeiros a diferenciar aquele que assumia riscos, ou seja o empreendedor,
daquele que fornecia o capital, sendo este o capitalista.

Já no século XVIII, finalmente o empreendedor foi diferenciado do


capitalista, sendo isso devido ao início da industrialização. No final do século
XIX e início do século XX, os empreendedores eram constantemente
confundidos com os gerentes ou os administradores, sendo aqueles que
organizam a empresa, mas sempre a serviço do capitalista. (Dornelas, 2001)

A fim de diferenciar os empreendedores e os administradores, Dornelas


(2001, p.28) faz uma análise, uma vez que se discute muito sobre o assunto:

Todo empreendedor necessariamente deve ser um


bom administrador para obter o sucesso, no entanto,
nem todo bom administrador é um empreendedor. O
empreendedor tem algo mais, algumas
características e atitudes que o diferenciam do
administrador tradicional. (DORNELAS, 2001,
p.28)

O mundo de hoje tem passado por muitas transformações, uma vez que
há novas invenções, novos estilos de vida, que acabam levando cada vez mais
a novas mudanças. Segundo Dornelas (2001, p.19), os empreendedores são
pessoas diferentes, que tem em sua essência a motivação, a paixão pelo que
faz, e por isso desejam ser reconhecidas e admiradas, querendo deixar um
legado, sendo assim, de acordo com este autor, “a ênfase em
empreendedorismo surge muito mais como conseqüência das mudanças
tecnológicas e sua rapidez, e não é apenas um modismo”.
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Dornelas (2001, p.21, 24), ainda ressalta que o contexto atual, que pode
ser chamado de a era do empreendedorismo, é propício para o aparecimento
de um número maior de empreendedores, fazendo com que a capacitação dos
candidatos a empreendedor seja prioridade em diversos países, incluindo o
Brasil, uma vez que “o empreendedorismo é o combustível para o crescimento
econômico, criando emprego e prosperidade”.

Pose-se dizer que o empreendedorismo contribui para o


desenvolvimento dos países, faz com que haja crescimento econômico e
diversos avanços tecnológicos, criando empregos e gerando melhor qualidade
de vida.

2.3. Empreendedorismo no Brasil

O empreendedorismo no Brasil começou a se destacar na década de


1990, quando houve o surgimento do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e
Pequenas Empresas (SEBRAE) e da Sociedade Brasileira para Exportação de
Software (SOFTEX), pois antes destas criações, não se ouvia falar em
empreendedorismo e em criação de pequenas empresas. (Dornelas, 2001)

O Sebrae é uma das entidades mais conhecidas do empresário


brasileiro de pequeno porte, que busca fornecer todo suporte que este precisa
para iniciar sua empresa, assim como resolver pequenos problemas de seu
negócio. Já a empresa Softex, foi criada com o objetivo de levar as empresas
de software do país ao mercado externo. (Dornelas, 2001)

Apesar do pouco tempo, o Brasil apresenta ações que tem por objetivo
desenvolver um dos maiores programas de ensino sobre empreendedorismo e
potencializa o país perante o mundo nesse milênio. Dornelas (2001,p.25) cita
alguns exemplos como a criação dos programas Softex e GENESIS que
estimulam a geração de novas empresas de software, programas EMPRETEC
e Jovem Empreendedor do Sebrae voltadas à capacitação do empreendedor,
dentre outros programas criados nas universidades brasileiras a fim de ensinar
o empreendedorismo.

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Essas iniciativas são muito importantes para os empreendedores
brasileiros que apesar dos percalços são necessários para a economia do país.
No entanto, é preciso que ações governamentais resgatem o avanço
proveniente da iniciativa privada e de entidades não-governamentais, valorizem
a capacidade empreendedora dos brasileiros e consigam solucionar os
problemas apontados no relatório Global Monitor (GEM)- Monitor Global do
Empreendedorismo,organizado pela Babson College, EUA, e London School of
Business, Inglaterra, e utilizado em 29 países, mostrou os seguintes resultados
para o Brasil em 2001 (Britto;Wever,2003,p.20):

 O Brasil possui um nível relativamente alto de


atividade empreendedora: a cada 100 adultos, 14,2
são empreendedores, colocando-o em quinto lugar
do mundo. No entanto, 41% deles estão envolvidos
por necessidade e não por oportunidade;
 As mulheres brasileiras são bastante
empreendedoras: a produção é de 38%, a maior entre
os 29 países participantes do levantamento;
 O tamanho do país e suas diversidades regionais
exigem programas descentralizados. As diferenças
regionais de cultura e infra-estrutura também exigem
uma abordagem localizada do capital de
investimento e dos programas de treinamento;
 O ambiente político e econômico tem aumentado o
nível de risco e incerteza sobre a estabilidade e o
crescimento. Sobreviver em uma economia
completamente instável é extremamente complicado,
devemos ressaltar ainda, que no Brasil não existem
políticas industriais concretas, as políticas aqui
existentes giram em torno de subsídios e tarifas,
políticas protecionistas são nocivas à economia, pois
agindo desta forma, o país pode ser vítima de
políticas intervencionistas por parte de outros países,
o que dificulta as exportações.
 Existe uma necessidade de aprimoramento no
sistema educacional como um todo o que estimulará
a cultura empreendedora entre os jovens adultos;
 Não há proteção legal dos direitos de propriedade
intelectual, altos custos para registros de patentes no
país e fora dele e parcos mecanismos de
transferência tecnológica. As universidades ainda
estão isoladas da comunidade de empreendedores.

19
Dolabela (2008, p.25) afirma que as grandes empresas tiveram que
produzir mais com poucos funcionários e o governo fez cortes para diminuir
seus déficits redimensionando o quadro de funcionários. A partir daí, quem
tinha como empregar o pessoal era as PMEs - Pequenas e Médias Empresas.

Sendo assim, percebe-se que o início da difusão do empreendedorismo


no Brasil, nasce por conveniência do governo e sobrevivência de um grande
número de trabalhadores que saíram das grandes empresas após o processo
de privatização. A partir disso, o governo se propõe a fornecer subsídios, para
que os trabalhadores tivessem a possibilidade de contribuir para o
desenvolvimento e a geração de emprego no Brasil.

Diante do que foi visto, o empreendedorismo é hoje um fenômeno


global, que se relaciona com o crescimento econômico e o desenvolvimento
tecnológico.

2.4. Características de um Empreendedor

Segundo Timmons e Hornaday, citado por Dolabela (1999, p.37), o


empreendedor de sucesso possui algumas características importantes e muito
relevantes para ter um ótimo desempenho, obtendo um “modelo” ou pessoa
que o influencia, tem iniciativa, autoconfiança, tem perseverança, o fracasso é
considerado por ele uma aprendizagem, é capaz de se dedicar intensamente
ao trabalho, sabe fixar metas e alcançá-las, ou seja, nada mais é do que líder.

De acordo com Dornelas (2001), o empreendedor possui características


extras e atributos pessoais, que somados aos atributos do administrador e
características sociológicas e ambientais, faz com que haja o surgimento de
uma nova empresa.

Características dos empreendedores de sucesso


São visionários Eles têm a visão de como será o futuro para seu negócio e sua vida e,
o mais importante: eles têm a habilidade de implementar seus sonhos.
Sabem tomar Eles não se sentem inseguros, sabem tomar as decisões corretas na
decisões hora certa, principalmente nos momentos de adversidade, sendo isso

20
um fator chave para o sucesso. E mais: além de tomar decisões,
implementam suas ações rapidamente.
São indivíduos Os empreendedores transformam algo de difícil definição, uma idéia
que fazem a abstrata, em algo concreto, que funciona, transformando o que é

diferença possível em realidade (Kao,1989;KetsdeVries,1997). Sabem agregar


valor aos serviços e produtos que colocam no mercado.
Sabem explorar Para a maioria das pessoas, as boas idéias são aqueles que as vêem
ao máximo as primeiro, por sorte ou acaso. Para os visionários (os empreendedores),

oportunidades as boas idéias são geradas daquilo que todos conseguem ver, mas não
identificaram algo prático para transformá-las em oportunidade, por
meio de dados e informação. Para Schumpeter (1949), o empreendedor
é aquele que quebra a ordem corrente e inova, criando mercado
comum a oportunidade identificada. Para Kirzner (1973), o
empreendedor é aquele que cria um equilíbrio, encontrando uma
posição clara e positiva em um ambiente de caos e turbulência, ou seja,
identifica oportunidades na ordem presente. Porém, ambos são
enfáticos em afirmar que o empreendedor é um exímio identificador de
oportunidades, sendo um individuo curioso e atento a informações, pois
sabe que suas chances melhoram quando seu conhecimento aumenta.
São Eles implementam suas ações com total comprometimento. Atropelam
determinados e as adversidades, ultrapassando os obstáculos, com uma vontade ímpar

dinâmicos de “fazer acontecer”. Mantêm-se sempre dinâmicos e cultivam um certo


inconformismo diante da rotina.
São dedicados Eles se dedicam 24h por dia, 7 dias por semana, ao seu negócio.
Comprometem o relacionamento com amigos, com a família, e até
mesmo com a própria saúde. São trabalhadores exemplares,
encontrando energia para continuar, mesmo quando encontram
problemas pela frente. São incansáveis e loucos pelo trabalho.
São otimistas e Eles adoram o trabalho que realizam. E é esse amor ao que fazem o
apaixonados pelo principal combustível que os mantém cada vez mais animados e auto

que fazem determinados, tornando-os os melhores vendedores de seus produtos e


serviços, pois sabem, como ninguém, como fazê-lo. O otimismo faz
com que sempre enxerguem o sucesso, em vez de imaginar o fracasso.
São Eles querem estar à frente das mudanças e ser donos do próprio

independentes e destino. Querem ser independentes, em vez de empregados; querem

constroem o criar algo novo e determinar os próprios passos, abrir os próprios


caminhos, ser o próprio patrão e gerar empregos.
próprio destino
Ficam ricos Ficar rico não é o principal objetivo dos empreendedores. Eles

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acreditam que o dinheiro é conseqüência do sucesso dos negócios.
São líderes e Os empreendedores têm um senso de liderança incomum. E são
formadores de respeitados e adorados por seus funcionários, pois sabem valorizá-los,

equipes estimulá-los e recompensá-los, formando um time em torno de si.


Sabem que para obter êxito e sucesso, dependem de uma equipe de
profissionais competentes. Sabem ainda recrutar as melhores cabeças
para assessorá-los nos campos onde não detêm o melhor
conhecimento.
São bem Os empreendedores sabem construir uma rede de contatos que os
relacionados auxiliam no ambiente externo da empresa, junto a clientes,

(networking) fornecedores e entidades de classe.

São organizados Os empreendedores sabem obter e alocar os recursos materiais,


humanos, tecnológicos e financeiros, de forma racional, procurando o
melhor desempenho para o negócio.
Planejam, Os empreendedores de sucesso planejam cada passo de seu negócio,
desde o primeiro rascunho do plano de negócios, até a apresentação
planejam, do plano a investidores, definição das estratégias de marketing do
negócio etc., sempre tendo como base a forte visão de negócio que
planejam possuem.
Possuem São sedentos pelo saber e aprendem continuamente, pois sabem que
conhecimento quanto maior o domínio sobre um ramo de negócio, maior é sua chance
de êxito. Esse conhecimento pode vir da experiência prática, de
informações obtidas em publicações especializadas, em cursos, ou
mesmo de conselhos de pessoas que montaram empreendimentos
semelhantes.
Assumem riscos Talvez essa seja a característica mais conhecida dos empreendedores.
calculados Mas o verdadeiro empreendedor é aquele que assume riscos
calculados e sabe gerenciar o risco, avaliando as reais chances de
sucesso. Assumir riscos tem relação com desafios. E para o
empreendedor, quanto maior o desafio, mais estimulante será a jornada
empreendedora.
Criam valor para Os empreendedores utilizam seu capital intelectual para criar valor para
a sociedade a sociedade, com a geração de empregos, dinamizando a economia e
inovando, sempre usando sua criatividade em busca de soluções para
melhorar a vida das pessoas.

Quadro1: Características dos empreendedores de sucesso. Fonte:Dornelas,2001,p.31-33

22
De acordo com Dolabela (2008 ,p.32), o “empreendedor com sucesso
significa ser capaz de desenvolver um potencial de aprendizado e criatividade,
junto com a capacidade de implementá-lo em velocidade maior que o ritmo das
mudanças do mercado”. Ainda segundo Dolabela (2008 ,p.32), existe o intra-
empreendedor que é aquela pessoa que possui capacidade de inovar,ele
precisa conceber um novo futuro e transformá-lo em realidade, devendo
introduzir inovações.

Segundo Ferreira (2012), ser observador não é a única característica


para o empreendedor de sucesso. Sendo assim, ele cita cinco passos para
virar patrão, incluindo a observação:

 Observação: É necessário observar tudo na empresa, todos os


procedimentos, desde o cartão de visita, até a execução do trabalho,
relação com os clientes, com os fornecedores, a divulgação da empresa
etc.
 Contatos: Um dos pontos importantes é o contato, relacionar-se com
pessoas de todas as áreas da empresa, vendas, produção, financeiro e
marketing, assim você adquire conhecimento em todas elas, e entende a
dinâmica entre estas áreas e a importância de cada uma para o negócio.
 Soluções: Sinta-se no lugar tanto do proprietário como no do cliente, e
tente visualizar necessidades e soluções para os problemas da
empresa, para possíveis falhas, para atender a demanda etc.
 Aplicações: De nada adianta uma idéia inovadora se ela não puder ser
implantada ou executada. Elas devem ser viáveis para saírem do papel.
As soluções precisam ser aplicadas, então, trace um plano de ação para
suas idéias.
 Saída: A saída da empresa atual para o seu negócio promissor, nem
sempre é fácil, mas você precisa deixar claro suas intenções, explicando
exatamente os motivos que o levaram a sair da empresa, e agradeça
pela oportunidade de aprendizado. Futuramente, esta empresa poderá
ser sua cliente ou parceira.

23
Pose-se dizer que o empreendedor de sucesso possui em si diversas
características que o torna uma pessoa diferente, com qualidades específicas e
que o fazem ter capacidade de superar os desafios.

O relatório executivo de 2011 do Global Entrepreneurship Monitor


(GEM,2011) diz que a razão entre empreendedorismo por oportunidade e por
necessidade no Brasil apresentou um pequeno aumento de 0,06 unidades de
2010 para 2011. Os resultados da pesquisa GEM 2011 mostram que o
empreendedorismo por oportunidade no Brasil de 2002 até 2011 vem oscilando
ano a ano, obtendo uma média proporcional de 7,83% por oportunidade e
5,52% por necessidade.

Quadro 2 – Empreendedores iniciais segundo motivação – Brasil – Comparativo 2010-2011

Motivação Empreendedores iniciais


2010 2011

Oportunidade 11,85% 10,23%


Necessidade 5,44% 4,56%
Razão oportunidade/ necessidade 67,71% 68,70%

Fonte: Pesquisa GEM Brasil 2011.

O GEM (2011), afirma também que o Brasil segue a distribuição do seu


grupo-eficiência ,concentrando o empreendedorismo na faixa dos 25 a 34anos.

Quadro 3 - Taxa de empreendedores em estágio inicial segundo a faixa etária – Brasil –2011

FAIXA ETÁRIA TAXA

18 A 24 anos 12,82 %
25 a 34 anos 17,85 %
35 a 44 anos 17,24 %
45 a 54 anos 13,06 %
55 a 64 anos 9,33 %

Fonte: Pesquisa GEM Brasil 2011.

24
Segundo a GEM (2011), acompanhar a mentalidade de uma população em
relação ao tema empreendedorismo é reconhecidamente importante, pois a mesma
revela a disposição dos indivíduos de um país com relação ao empreendedorismo e
seu potencial para empreender. Quando indivíduos são capazes de enxergar as
oportunidades de negócios no espaço em que atuam, e de perceber que possuem
capacidade para explorá-las, toda a sociedade ganha com isso, seja com o aumento
da criação de empregos, seja com o aumento da riqueza do país.

25
CAPÍTULO 3 – METODOLOGIA

3.1.Considerações Gerais

Este estudo iniciou com uma revisão bibliográfica, através do


levantamento de dados referenciais de diversos autores sobre o tema
empreendedorismo, onde levantou o interesse e desenvolvimento do presente
trabalho de conclusão de curso com o objetivo de aprofundar e discorrer sobre
o tema, identificando quais tem sido os desafios e potencialidades enfrentados
ao longo dos anos por uma empresa moveleira de pequeno porte, que será
apresentado a partir de um estudo de caso.
Para Lakatos e Marconi (2010) a pesquisa bibliográfica faz com que o
pesquisador tenha contato direto com tudo o que foi escrito sobre certo
assunto. Segundo Manzo (1971), citado por Lakatos e Marconi (2010), a
bibliografia “oferece meios para definir, resolver, não somente problemas já
conhecidos, como também explorar novas áreas onde os problemas não
cristalizaram suficientemente”.
Sendo assim, a pesquisa bibliográfica não é uma repetição do que já foi
dito ou escrito sobre um determinado assunto, mas proporciona o interesse de
um tema sob novo enfoque, fazendo com que se chegue a conclusões
inovadoras. (Lakatos e Marconi, 2010)
A formulação da pergunta que deu origem ao trabalho se deu em virtude
dos seguintes aspectos, destacados por Lakatos & Marconi (2001, p. 44-45):

a) selecionar um assunto de acordo com as


inclinações, as aptidões e as tendências de quem se
propõe a elaborar um trabalho científico;
b) optar por um assunto compatível com as
qualificações pessoais, em termos de background de
formação universitária e pós-graduada;
c) encontrar um objeto que mereça ser investigado
cientificamente e tenha condições de ser formulado e
delimitado em função da pesquisa.

Sendo assim, o estudo realizado tem o envolvimento direto do


pesquisador e seus resultados servirão como base para novas estratégias em

26
outras empresas, bem como de percepção dos conflitos do cenário em que se
encontra inserido.
A metodologia deste estudo será do tipo exploratória descritiva,
proporcionando uma visão geral do assunto, oportunizando a compreensão
daquilo que se quer investigar, a partir de um estudo de caso que utilizou do
levantamento de dados e pesquisa bibliográfica conforme o tema abordado.

3.2 Procedimento para obtenção de dados


O estudo terá como alvo o empreendedor da empresa Móveis Castelo,
atuante no ramo moveleiro, a mesma se encontra na rua João Soares da Silva;
n° 67; bairro Jardim Jatobá; Capivari-SP desde o ano de 1991.
A entrevista foi realizada a partir da aplicação de um questionário em 02
dias, na data de 10/10/2013 e 11/10/2013 , com duração de 2 horas por dia, em
uma das dependências da empresa.
O instrumento utilizado para a coleta de dados foi um questionário com
07 perguntas, que posteriormente será analisada através das respostas do
empreendedor da empresa em estudo, e comparada com o quesito teórico
apresentado nesta pesquisa, com o objetivo de fornecer os resultados sobre
quais tem sido os desafios e potencialidades enfrentados ao longo dos anos
por esta empresa.
Inicialmente foram explicadas e esclarecidas as questões a serem
abordadas ao pesquisado, o objetivo deste questionário, e assim para que ele
não fosse influenciado por terceiros para que pudéssemos coletar o máximo de
informações sem distorções.
Esse questionário teve por objetivo transmitir a realidade do entrevistado
sobre como é abrir e cuidar do seu próprio negócio, bem como destacar as
vantagens e desvantagens de ser um empreendedor.
Sendo assim, não havendo nenhuma dúvida sobre as questões, o
questionário foi aplicado e será apresentado em seguida com os resultados
obtidos necessários para a conclusão final deste trabalho.

27
CAPÍTULO 4 – EMPRESA ALVO

As informações fornecidas na pesquisa foram obtidas através da história


transcrita pelo empreendedor da empresa Móveis Castelo Ltda.

4.1. Caracterização da Empresa Alvo

Razão Social: Flávio Castelo e Cia Ltda

Nome Fantasia: Móveis Castelo Ltda

Endereço: Rua João Soares da Silva n° 67

Cidade: Capivari UF:SP CEP: 13360-000

Tel: (19) 3491-2420 Fax: (19) 3491-4571

E-mail: castelocapivari@uol.com.br

Ramo: Indústria e comércio de móveis com Predominância em Madeira

Objetivo Empresarial: Obter Lucros atendendo a clientes personalizados

Porte da Empresa: Micro-empresa

N° de Empregados: 20

Faturamento Anual: Dados não Fornecidos

Capital Social: Dados não Fornecidos

28
4.2. Histórico da Empresa

Fundada em 1990 a Empresa Móveis Castelo e Cia Ltda nasceu do


mínimo possível com o trabalho solitário de seu dono entre a cozinha e o
corredor interno de sua casa, ali aconteciam as primeiras confecções de
móveis residenciais encomendados por conhecidos que sabiam da facilidade e
pelo gosto do trabalho com madeira, herdado de vários antepassados.

Com resquícios da era Sarney (Plano Cruzado, Plano Bresser) e


Fernando Collor de Melo, a ideia pareceu promissora levando a novos passos
e novos espaços, primeiro um rancho no quintal, algumas máquinas para
trabalhar com a madeira e dois ou três funcionários.

Em 1992, a compra de um terreno e construção de um primeiro galpão,


sendo que as encomendas seguiram em bom ritmo.

Em 1994, em meio a uma obra observou-se que para um bom


marceneiro a montagem de divisórias e forros era um novo nicho a ser
vislumbrado e isto aconteceu, então fabricava móveis de madeira e montagem
de paredes divisórias e forros , ainda assim surgiu novas ideias, porque não
transformar a então numerosa concorrência em fiéis clientes? Começou ai
novas atividades de comércio de madeiras, ferragens e acessórios para a
fabricação de móveis, uma loja para os marceneiros da região. Contudo o perfil
de clientes precisava ser definido entre marceneiros e consumidor final, foi
optado por revenda a marceneiros e divisórias e forros que tinha a
particularidade de pessoas jurídicas em sua maioria.

Seguiu-se por oito anos até que em 2002 novas diretrizes se faziam
necessárias, juntava a dificuldade de atender marceneiros com o crescente
mercado aberto pelo trabalho nas empresas, com simples raciocínio de que
toda sala teria móveis, cadeiras etc. Focou-se então no mobiliário para
escritório em sua totalidade, desde revenda de produtos básicos a projetos
desenvolvidos com exclusividade para grandes empresas. Trabalho atendido
até os dias de hoje, onde em média vinte e cinco colaboradores são treinados e
trabalham direto para levar ergonomia, praticidade, equilíbrio, termo-acústico,

29
sofisticação, novidades do setor. Enfim, uma missão de exceder qualquer
expectativa dentro de normas, leis e padrões exigidos.

O estudo terá como alvo o empreendedor da empresa Móveis Castelo,


atuante no ramo moveleiro, a mesma se encontra na rua João Soares da Silva;
n° 67; bairro Jardim Jatobá; Capivari-SP.

A entrevista foi realizada a partir da aplicação de um questionário em 02


dias, na data de 10/10/2013 e 11/10/2013, com duração de 2 horas por dia, em
uma das dependências da empresa.

30
4.3. Apresentação dos resultados da pesquisa

Neste capítulo apresenta-se a análise dos dados coletados na pesquisa


de campo, a qual foi realizada na empresa Móveis Castelo com o
empreendedor responsável pela empresa mencionada. A seguir transcrevem-
se as respostas e a análise obtida através dos dados fornecidos.

4.3.1. Elenque os aspectos de 1 a 6, sendo 1 com maior grau de importância e


6 o menor grau de importância, o que pode ser considerado como desafio para
a empresa:

3 Gestão do pessoal

2 Administração dos recursos financeiros

6 Diversificação na prestação de serviços

1 Planejamento Estratégico

5 Conhecimento detalhado das características do ramo de atividade

4 Ser referência à clientes e fornecedores

De acordo com o empreendedor, dentre os fatores que são


considerados desafios para a empresa, o planejamento estratégico é o mais
importante a ser considerado, sendo seguido pelo desafio de se conseguir
administrar os recursos financeiros, realizar a gestão do pessoal, superar a
concorrência sendo referência à clientes e fornecedores, ter um conhecimento

31
detalhado das características do ramo de atividade e por último também sendo
um desafio para o empreendedor é lidar com a diversificação na prestação de
serviços.
De acordo com Dornelas (2001), o empreendedor possui características
extras e atributos pessoais, planejam cada passo de seu negócio, definem as
estratégias de marketing, sabem agregar valor aos serviços e produtos que
colocam no mercado, sabem construir uma rede de contatos, junto a clientes e
fornecedores, ou seja, para o empreendedor quanto maior o domínio sobre um
ramo de negócio, maior a chance de êxito, quanto maior o desafio, mais
estimulante a jornada empreendedora.

4.3.2. A empresa adota ferramenta de planejamento estratégico:

X SIM

NÃO

Se sim, qual a ferramenta utilizada: Sim, dentro do possível fomos


desenvolvendo ferramentas para medição e planejamento futuro, onde
planilhas e previsões são levadas diariamente com a máxima atenção.
Sendo assim, essa ideia esta de acordo com a literatura que mostra o
planejamento como um processo de formulação das estratégias
organizacionais, onde busca a inserção da organização e de sua missão no
ambiente em que atua, se relacionando com os objetivos estratégicos de médio
e longo prazo que afetam a direção e a viabilidade da empresa. No
planejamento estratégico são elaborados de maneira integrada e articulada os
planos táticos e operacionais da empresa, abrangendo toda à organização,
pois assim, todas as suas ações serão orientadas pelas diretrizes
estabelecidas, o que oportunizará mais chances de realização (CHIAVENATO
& SAPIRO, 2003).

32
4.3.3. De onde surgiu o interesse de abrir e administrar o seu próprio negócio:

Na família já havia o ramo de atividade com sucesso, onde aprendemos


a profissão e o gosto por ela.
Segundo Dornelas (2001), os empreendedores são pessoas diferentes,
que tem em sua essência a motivação, a paixão pelo que faz, e por isso
desejam ser reconhecidas e admiradas, querendo deixar um legado. Ainda
segundo este mesmo autor, uma das características de um empreendedor é
ser otimista e apaixonado pelo que faz, adora o trabalho que realiza, e é esse
amor ao que fazem o principal combustível que os mantém cada vez mais
animados e auto determinados, tornando-os os melhores vendedores de seus
produtos e serviços, pois sabem, como ninguém, como fazê-lo.

4.3.4. Quais as vantagens e desvantagens de ser um empreendedor:

Vantagens:
- Liberdade para apostar no mercado;
- Remuneração em aberto;
- Desenvolvimento pessoal, social;

Desvantagens:
- Ônus da inexperiência;
- Altíssima carga horária de trabalho;
- Responsabilidade jurídica, fiscal, trabalhista, sem preparação;

De acordo com Dornelas (2001), os empreendedores se dedicam 24 h


por dia, 7 dias por semana ao seu negócio, são trabalhadores exemplares,
encontrando energia para continuar , mesmo quando encontram problemas
pela frente.

33
4.3.5. Qual é o termo adotado pela empresa para o processo de capacitação
dos profissionais:

O termo é o treinamento dos profissionais, reuniões diárias, integrações


e acompanhamento que são indispensáveis.
Segundo Dornelas (2001), os empreendedores sabem que para obter
êxito e sucesso, dependem de uma equipe de profissionais competentes,
sabem recrutar as melhores cabeças para assessorá-los nos campos onde não
detêm o melhor conhecimento.

4.3.6. Como lidar com os desafios e obstáculos que surgem na empresa:

Transparência é a palavra chave, manter a tranquilidade e corrigir os


erros, falar a verdade sempre, mostrando o ângulo de visão do interlocutor.
De acordo com Dornelas (2001), os empreendedores não se sentem
inseguros, sabem tomar as decisões corretas na hora certa, principalmente nos
momentos de adversidade, sendo isso uma chave para o sucesso.

4.3.7. Qual o principal objetivo da empresa e qual a estratégia utilizada por esta
para alcançá-lo:

O principal objetivo é aproximar ao máximo da perfeição com qualidade,


fazendo a equação custo/benefício ser lucrativo, a estratégia é mecanizar,
treinar e acompanhar todos os colaboradores.
Segundo Sentanin e Barboza (2005), são os empreendedores que estão
eliminando barreiras comerciais e culturais, reduzindo distâncias, globalizando
e renovando os conceitos econômicos, criando novas relações de trabalho e
novos empregos, quebrando paradigmas e gerando riqueza para a sociedade.

34
CAPÍTULO 5 – CONSIDERAÇÕES FINAIS

5.1. Considerações Finais

De acordo com os diversos autores citados no trabalho, e com base em


todos os conceitos estudados, é possível concluir a importância do
empreendedorismo, não só para o empreendedor, mas também para toda a
sociedade em geral.

Fica evidente que cada vez mais surge o interesse nas pessoas de ter o
seu próprio negócio, seja para realizar um sonho, para dar continuidade a um
ramo já existente na família ou para se ter independência financeira.

Conforme o trabalho desenvolvido pode-se perceber que o


empreendedorismo vem mudando o mundo, as visões e definições de
empreendedorismo que são utilizadas até hoje e a importância de se planejar.
Mediante este trabalho pôde se perceber que mesmo se tratando de uma
microempresa, é plenamente possível adotar as ferramentas administrativas
mais avançadas, sendo a mais importante o planejamento estratégico.

No trabalho desenvolvido também foi levantada a importância de se


obter ajuda, seja através do SEBRAE e ou do plano de negócios.

Podemos perceber que a pergunta problema deste trabalho: “Quais têm


sido os desafios e potencialidades enfrentados ao longo dos anos por uma
empresa do ramo moveleiro?”, foi respondida através de todo o estudo feito no
trabalho, e com as respostas obtidas no questionário, sendo o principal desafio
encontrado neste estudo o planejamento estratégico, seguido da administração
dos recursos financeiros, gestão do pessoal, ser referência à clientes e
fornecedores, conhecimento detalhado das características do ramo de
atividade e diversificação na prestação de serviços.

De acordo com o estudo realizado em campo e com o objetivo geral,


percebemos que o empreendedor questionado possui estrutura e base
suficientes para superar os desafios e potencialidades que surgem, seguindo o
sonho de ter conquistado o seu próprio negócio. Um dos objetivos específicos
35
levantados pela pesquisa era a utilização de ferramentas como o planejamento
estratégico, e esta ferramenta segundo o empreendedor entrevistado é o fator
de maior importância a ser considerado como desafio para a empresa.

Diante do exposto chega-se à conclusão de que o empreendedor para


obter sucesso, deve ser ousado, estudar quais os desafios e potencialidades
de sua empresa, ter um plano de negócios, capacitar seus colaboradores, e se
manter no mercado competitivo, mesmo sabendo dos seus riscos calculados.
Sendo assim, com a adoção destes recursos, a referida empresa poderá se
nortear para conseguir atingir o seu objetivo, mostrando que este trabalho
constituiu-se como uma imensa oportunidade de aproximação entre teoria e
prática, onde aspectos teóricos foram vistos em situações reais.

Com base na pesquisa realizada, propõe-se como sugestão para


trabalhos futuros, que se aplique uma pesquisa mais abrangente, tendo como
alvo mais empresas do setor moveleiro, e que se faça um comparativo entre os
concorrentes na cidade de Capivari – SP, sobre as mesmas categorias
analisadas.

36
APÊNDICE

37
A Pesquisa de Campo

Questionário

Tema: Empreendedorismo : Um estudo de caso com uma empresa do ramo


moveleiro.

1-) Elenque os aspectos de 1 a 6, sendo 1 com maior grau de importância e 6


o menor grau de importância, o que pode ser considerado como desafio para a
empresa:

Gestão do pessoal

Administração dos recursos financeiros

Diversificação na prestação de serviços

Planejamento Estratégico

Conhecimento detalhado das características do ramo de atividade

Ser referência à clientes e fornecedores

2-) A empresa adota ferramenta de planejamento estratégico:

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SIM

NÃO

Se sim, qual a ferramenta utilizada:

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_______________________________________________________________

_______________________________________________________________

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_______________________________________________________________

3-) De onde surgiu o interesse de abrir e administrar o seu próprio negócio:

_______________________________________________________________

_______________________________________________________________

_______________________________________________________________

_______________________________________________________________

_______________________________________________________________

_______________________________________________________________

4-) Quais as vantagens e desvantagens de ser um empreendedor:

_______________________________________________________________

_______________________________________________________________

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5-) Qual é o termo adotado pela empresa para o processo de capacitação dos
profissionais:

_______________________________________________________________

_______________________________________________________________

_______________________________________________________________

_______________________________________________________________

_______________________________________________________________

_______________________________________________________________

6-) Como lidar com os desafios e obstáculos que surgem na empresa:

_______________________________________________________________

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_______________________________________________________________

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_______________________________________________________________

_______________________________________________________________

7-) Qual o principal objetivo da empresa e qual a estratégia utilizada por esta
para alcançá-lo:

_______________________________________________________________

_______________________________________________________________

_______________________________________________________________

_______________________________________________________________

_______________________________________________________________

_______________________________________________________________

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRITTO, Francisco; WEVER, Luiz. Empreendedores brasileiros: vivendo e


aprendendo com grandes nomes. Rio de Janeiro: Campus, 2003.

CHIAVENATO, I. & SAPIRO, A. Planejamento Estratégico: Fundamentos e


Aplicações. 1ª ed. São Paulo: Campus, 2003.

1ª ed. São Paulo: Campus, 2003.

DOLABELA, Fernando. Oficina do Empreendedor. Rio de Janeiro: Sextante,


2008.

DOLABELA, Fernando. O segredo de Luísa. São Paulo: Cultura Editores


Associados, 1999.

DORNELAS, José Carlos Assis. Empreendedorismo: Transformando idéias


em negócios. Rio de Janeiro: Campus, 2001.

FERREIRA, Afonso. UOL Notícias Economia. Veja 5 sintomas de que o


negócio vai mal e saiba remediá-los. Disponível em:
http://economia.uol.com.br/ultimas-noticias/redacao/2012/05/11/veja-5-
sintomas-de-que-o-negocio-vai-mal-e-saiba-remedia-los.jhtm acesso em 20 de
maio de 2013.

FERREIRA, Afonso. UOL Notícias Economia. Veja como usar a experiência


no emprego para virar patrão. Disponível em:
http://economia.uol.com.br/ultimas-noticias/redacao/2012/03/12/veja-como-
usar-a-experiencia-no-emprego-para-virar-patrao.jhtm acesso em 25 de maio
de 2013.

GEM – GLOBAL ENTREPRENEURSHIP MONITOR. Empreendedorismo no


Brasil. 2011.

LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Maria de Andrade. Metodologia do


Trabalho Científico procedimentos básicos, pesquisa bibliográfica ,
projeto e relatório, publicações e trabalhos científicos. 7 ed. São Paulo:
Atlas, 2010.

LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Maria de Andrade. Metodologia do


Trabalho Científico. 6ª ed. São Paulo: Atlas, 2001.

41
SENTANIN, Luis Henrique Valenciano; BARBOZA, Reginaldo José. Conceitos
de empreendedorismo. Revista Científica Eletrônica de Administração. Ano V,
Número 9, Dezembro de 2005.

42