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UEG - Universidade do Estado de Goiás

Pólo Universitário de Santo Antônio do Descoberto - GO

RESUMO
O QUE É POLÍTICA CULTURAL?

SANTO ANTÔNIO DO DESCOBERTO


2008
UEG - Universidade do Estado de Goiás
Pólo Universitário de Santo Antônio do Descoberto - GO
Curso de Letras – Disciplina de Cultura Brasileira

Acadêmicos:
JÚLIO CÉSAR MARQUES
LUCIANO LOPES ZANIZ

Resumo
O QUE É POLÍTICA CULTURAL?

Este trabalho destina-se à avaliação da


receptividade de conteúdos expostos na disciplina
de Cultura Brasileira, foi orientado pela professora
Jurema da Rocha Moreira em sala de aula.

Santo Antônio do Descoberto – GO, 23/07/2008


BIBLIOGRAFIA

O QUE É POLÍTICA CULTURAL?


Martin Cezar Feijó
Editora Brasiliense, 3ª Edição
O que é política cultural?

Antes de mais nada, é necessário definir o que seja política e o que seja
cultura. Todos nascem com a necessidade de um relacionamento interpessoal, por
isso o homem é capaz de se organizar, de construir uma sociedade, e sendo
participante dessa sociedade é capaz de influenciar nas decisões desta, e isso é a
essência da palavra “política”. Já a cultura é definida como sendo as características
de um determinado povo, em uma determinada região, é aquilo que diferencia um
grupo de pessoas dos demais.
É importante destacar que a cultura foi censurada pela política, vários
pensadores, e cientistas não puderam expressar suas idéias, devido a imposição de
um poder absolutista. Muitos pensadores buscaram soluções para a crise em que
estavam envolvidos politicamente, e gastaram muito tempo em achar respostas
racionais para o problema.
Desta importante busca por respostas surge a uma obra literária intitulada
“Encyclopedia”, pois deu-se muito valor ao aprendizado das idéias racionais e às
novas experiências.
Por causa das novas práticas empregadas ao trabalho, com o surgimento
da indústria que se utilizava de máquinas e mão-de-obra barata, é estabelecida uma
nova classe: o operariado. Então, essa nova classe, tida como inculta, procurou o
conhecimento e começou a perceber que seu interesse ia de encontro ao interesse
daqueles que se diziam “culto” e impediam a classe do operariado de participar das
decisões políticas que lhes envolviam.
Desta percepção, deste conhecimento, a classe dos operários tinha agora
poder para compreender e discernir o mundo e começar a transformá-lo.
Duas dimensões históricas contribuíram para isto: o marxismo, que
defende o papel do Estado na sociedade como agente transformador em fase de
transição para o comunismo; e o anarquismo, defendendo a total ausência do
Estado como condição necessária para transformações revolucionárias. Ambas,
defendendo algo em comum: o esclarecimento da classe operária sobre seus
próprios interesses como condição para a transformação da sociedade.
Três significativos momentos revolucionários socialistas ocorreram na
Rússia, China e Cuba. Esses países fecharam as portas comercias e políticas para
o mundo acreditando que com o próprio esforço poderia se desenvolver.
Mas muita coisa foi escondida para justificar a forma de governo, muita
arte foi impedida de ser apresentada ao público devido a uma censura imposta por
quem detinha o poder político.
A política da cultura está internamente na própria produção cultural,
mesmo quando o artista não tem consciência disso; o que é pior, pois aí ele passa a
ser mais facilmente manipulado pelos interesses dominantes.
Para Gramsci, o processo de transformações sociais exige a luta por uma
nova cultura.
A organização cultural depende muito dos intelectuais, assim como sua
elaboração.
No Brasil questão da relação entre cultura e política nasceu com a
República, e a situação brasileira no inicio da republica era a seguinte: uma
população rural miserável, ex-escravos marginalizados, uma classe média tímida e
provinciana e no comando do país uma elite governante completamente alheia a
esse destino.
A cultura brasileira era importada do exterior, não havia nada nacional, ou
o que havia não era valorizado. Até que os intelectuais do mais alto nível se
revoltaram contra esta situação e investiram esforços na literatura a qual deram uma
característica: denunciar para transformar. Por causa dos textos que continham em
si uma revolta contra as condições econômicas, sociais, políticas e culturais, esses
escritores não eram bem vistos por parte daqueles que detinham o poder político no
país, e eram exclusos do meio político, da mesa de decisões.
Começava a engatinhar a indústria no Brasil, a maior parte da mão-de-
obra era estrangeira, surgia então, o movimento operário dentro do país, que se
utilizava da doutrina anarquista: sem pátria e sem patrão; e isto contribuiu para o
desenvolvimento da cultura no país, pois valorizava o aprendizado da população,
não somente da minoria privilegiada.
O momento mais importante nesses acontecimentos foi o de 1922,
quando o movimento dos operários se politizava e quando foi fundado o Partido
Comunista do Brasil (PCB). Nesse período destaca-se dois contribuintes para a
intelectualidade: Mário de Andrade no âmbito cultural e Astrojildo Pereira ligado a
questão operária.
O Estado Novo foi o período ditatorial assumido por Getúlio Vargas, um
homem pessoalmente simpático. Mas para defender esta “política cultural” o ditador
teve que destituir de cargos e funções além de perseguir, prender e expulsar os
grandes intelectuais do Brasil para fora do país.
Na atualidade a discussão sobre política cultural atinge outros universos.
Esforços são empregados na concepção de cultura e da sua importância. E mesmo
que uma cultura seja diferente, ela não se anula, pelo contrário, só tende a
fortalecer-se.
Hoje o país não é o mesmo, e nem por isso deixou de ser o Brasil, porém
um Brasil mais consciente de si e de suas diferenças culturais em relação aos outros
países, mas há processos iniciados que jamais se encerrarão, assim é a cultura.
Num âmbito mundial, após a Segunda Guerra, houve um clima de que o
mundo não pudesse mais existir, daí buscou-se outros meios, novas alternativas
para a continuidade do ser. Houve mais valorização das diferenças culturais,
passou-se então, a ser incentivada a conscientização de uma identidade cultural.