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Técnicas de Animação para Crianças e Jovens – UFCD

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I- Perfil do Animador
A figura do animador desempenha um papel central no método da animação. É ele quem assume a
responsabilidade de promover a vida do grupo ou do indivíduo, através do uso dos instrumentos que
dinamizam as pessoas envolvidas por este método.
Para que desempenhe eficazmente as suas funções, existem três áreas de competências fundamentais,
que o animador deve ter em conta:
O saber-saber;
O saber ser;
O saber-fazer;

- O ser, é constituído pela identidade pessoal, pelas nossas características próprias, ou seja, saber ser e
saber estar, diante das mais diferentes situações. É reagir de forma assertiva e com uma postura
exemplar às situações difíceis.

- O saber, refere-se aos conhecimentos que deve possuir para desempenhar convenientemente a sua
tarefa formativa. Além disso, um animador, conforme a área específica do seu desempenho, terá uma
formação consoante o seu sector, o contexto e o conteúdo respetivos. Aqui vamos tratar mais de
crianças, mas poderia ser idosos, adultos, grupos risco.

- O saber-fazer, reporta-se à metodologia que usa para dar vida ao grupo que anima, a qual é sempre o
reflexo do seu ser e do seu saber.
É complicado fazer uma única definição do perfil do animador social, visto que este não tem um perfil
perfeitamente delineado. Para referir o perfil do animador é preciso ter em conta as diferentes
classificações que lhe são atribuídas, ou seja, este pode ser visto como um animador generalista e/ou
animador especializado. Quanto ao primeiro pode dizer-se que é alguém possuidor de capacidades e
competências organizacionais que lhe faculta a coordenação de atividades numa equipa, de um centro,
de uma instituição, entre outros. O animador especializado é aquele que pelas suas competências de
formação está destinado e capacitado a trabalhar com um determinado grupo, como por exemplo: grupos
que envolvam pessoas da mesma idade ou grupos de risco.
Relativamente a este assunto podemos encontrar ainda outras propostas de definição do mesmo perfil,
tais como: o facto do animador ser de certo modo um irradiador de cultura e desenvolvimento crítico; o
animador como monitor, que tem como objetivo o desenvolvimento por via da representação pessoal; o
animador de grupo, que tal como o nome indica trabalha com e dentro de um grupo, atendendo às
dificuldades, problemas, necessidades desse mesmo grupo; o animador coordenador está ligado a uma
instituição e tem a função de coordenar as atividades ali desenvolvidas. Enfim, um animador poderá ser
chamado de “pau para toda a obra”.

Ao animador, compete dar tempo e espaço para que a vida desabroche nas crianças, jovens, adultos ou
idosos. Através das suas atitudes, o animador promove o protagonismo, a liberdade, a responsabilidade e
o crescimento do destinatário.
Tendo em conta que a animação socioeducativa/sociocultural abrange várias áreas de intervenção, o
animador tem também ele mesmo várias áreas de intervenção, logo a sua definição vai ser também muito
vaga. Seguindo este fio condutor, ligado à acão cultural, temos o animador que se dedica essencialmente
aos acontecimentos e atividades culturais; o animador que abarca as suas atividades ao extra-escolar,
está ligado à atividade de formação, por fim o animador que tem como objetivos as causas sociais, está
presente na animação/ação social.
Deste modo, podemos dizer que o animador é o pilar central de toda a atividade da animação, uma vez
que é ele quem assume a responsabilidade de promover a vida do grupo, dinamizando deste modo as
vidas dos “animandos”. Para que o animador possa desempenhar da melhor maneira as funções que lhes
estão determinadas devem ter em conta o ser, o saber e o saber-fazer, de que já falámos, os
conhecimentos que possui, que pode e deve partilhar e, claro, ter em atenção os métodos que irá utilizar
para atingir os seus objetivos através das atividades predefinidas. O animador é o indivíduo que deve
promover da melhor forma o bem-estar, o conhecimento, a responsabilidade, a autonomia, o sentido
crítico da vida e de tudo o que a envolve.
Com todas estas tarefas, só quem trabalha todos os dias no terreno é que se apercebe que às vezes são
exigidas muito mais do que atividades.
O animador é muitas vezes o confidente, o conselheiro, o amigo, e com o decorrer do tempo, torna-se em
alguém muito próximo (isto é mais notório, essencialmente quando se trata de idosos ou pessoas mais
carentes). É necessário que o animador tenha muita estabilidade afetiva e emocional, para poder
desempenhar este papel de disponibilidade e presença, atenção e afeto, que lhe é exigida.
Embora o trabalho de grupo seja muito importante, na animação o indivíduo é também muito importante.
Se houver um único que goste muito de fazer uma determinada coisa, o que fazemos? É preciso apoiar e
facilitar essa opção. É preciso o animador estar disponível e propor atividades adaptadas ao gosto e
desejos dos participantes.
II- Tipos de Animação

2.1- Animação Individual

2.1.1- Definição e Estratégia

A animação individual deve visar o desenvolvimento e a emancipação dos indivíduos e comunidades. É


feita em segmentos de idades: animação para crianças, adolescentes, jovens, adultos e adultos seniores,
sendo que toda a intervenção deve ser articulada de acordo com os objetivos definidos. É de salientar,
que a intervenção deve incidir em todas as áreas do desenvolvimento humano que divide os processos
de animação sociocultural a partir de dois polos: da comunidade local e do indivíduo. Estes dois polos
estes dois polos estão intimamente ligados a intervenção comunitária.
A nível de desenvolvimento comunitário devem-se tentar criar estruturas de participação e de relação dos
indivíduos de toda a comunidade. Estes projetos trabalham o indivíduo a (re) inserir e o grupo social de
acolhimento ou (re) acolhimento. Esta visão da relação indivíduo/meio tem de ser desejada de ambas as
partes, tornando-se mais fácil através da animação sociocultural. O animador deverá identificar o que a
comunidade tem para oferecer ao indivíduo e o que este tem para oferecer à comunidade, sendo estas as
duas linhas fundamentais da animação.
É de referir, que a resposta aos problemas da comunidade deve ser pensada e articulada entre os
indivíduos e a comunidade, só neste sentido a animação se torna emancipadora. Esta prática de
responsabilização é uma prática de cidadania, há uma partilha de poder que aproxima os cidadãos ao
poder político.

2.1.2- Atividades
As atividades a desenvolver na animação individual são:
- Leitura;
- Plasticina;
- Jogos de tabuleiro (Xadrez, Damas, Loto, Gamão e etc.);
- Jogos de estratégia (Batalha Naval, Sudoku, Monopólio, Cartas e etc.);
- Sopa de letras;
- Jogos de construção (Legos, Puzzles e etc.);
- Jogos de papel (Desenhar, Descobrir diferenças, Palavras cruzadas e etc.);
- Jogos de memória;
- Desenho;
- Pinturas;
- Colagem/Recortes/Dobragens (Origami);
- Ver filmes/TV;
- Jogos de consola/Computador/Tablet.

2.2- Animação de Grupos


2.2.1- Definição e Estratégia

Segundo estudos, o comportamento do indivíduo é diferente quando está sozinho e quando está
acompanhado. Nas crianças isto é ainda mais notório. A dinâmica de grupos estuda o funcionamento do
grupo, que não é só um conjunto de pessoas, mas sim estas e os seus objetivos e finalidades.
Dinâmica de grupo é uma ferramenta de estudo de grupos e também um termo geral para processos de
grupo. Em psicologia e sociologia, um grupo são duas ou mais pessoas que estão mutuamente
conectadas por relacionamentos sociais. Por interagirem e se influenciarem mutuamente, os grupos
desenvolvem vários processos dinâmicos que os separam de um conjunto aleatório de indivíduos. (No
final da missa… ou todos estes miúdos estão no mesmo jardim). Estes processos incluem normas,
papéis sociais, relações, desenvolvimento, necessidade de pertencer, influência social e efeitos sobre o
comportamento. O campo da dinâmica de grupo preocupa-se fundamentalmente com o comportamento
de pequenos grupos e um conjunto de outros indivíduos. Membros e grupo são indissociáveis e não
existem dois grupos iguais. Os membros de um grupo têm objetivos comuns, reconhecem quem pertence
ou não ao grupo, têm o seu estilo próprio de comunicação, desaprovam quem desrespeite as suas regras
e desenvolvem sistemas de hierarquização.
Todas as pessoas pertencem a grupos, e estes são usados para nos definirmos: “sou estudante do curso
de Animação”…Ser membro de um grupo é uma relação de influência recíproca entre um indivíduo e o
grupo.
As pessoas passam a maior parte do tempo em grupo, nascemos e vivemos em pequenos grupos mas a
educação e a socialização normalmente ocorre em grupos maiores, como as escolas, clubes, instituições
sociais e até o trabalho e as atividades são realizadas em grupo, exigindo uma grande interdependência.
No entanto, por vezes a integração não acontece de forma perfeita, devido a problemas de
relacionamento, que acontecem onde existe mais de uma pessoa.
O Homem é um ser social, a coexistência é a estrutura das relações humanas, mas poucas vezes
paramos para observar o que está a acontecer num grupo e reconhecer qual é o nosso comportamento
grupal.
A dinâmica de grupos pretende criar um clima de relações verdadeiramente humanas do indivíduo com o
grupo, e vice-versa, e dos indivíduos entre si, e também do grupo com outros grupos. OS Grupos podem
ser classificados como sendo de REFERÊNCIA E DE PERTENÇA.
Grupo de pertença: Pertence-se a um grupo, não só por o dizermos, mas sim se a globalidade dos
membros desse grupo nos reconhecer como um dos seus, o que acontece quando respeitamos todas as
normas e regras desse grupo.

Devemos ter sempre presente que somos um SER para os demais, um SER em relação, que depende
dos demais e que está feito para os demais. Disto temos muito pouca consciência, mas podemos adquiri-
la através da vivência e da convivência.

Grupo de referência: O Sujeito não pertence ao grupo, mas este influencia as suas atitudes, se houver
uma ou outra pessoa exterior ao grupo, que considere o comportamento destes para definir os seus
próprios. “Eu uso esta crista porque o tipo dos Morangos também usa”. “Aquele grupo é uma referência
para mim, quero ser como eles…”

Então o que é um grupo? É um conjunto de indivíduos que partilham os mesmos valores, que têm
objetivos comuns e em que todos interatuam para alcançar esses objetivos.
Existem diferentes técnicas que permitem animar os grupos, de acordo com os objetivos que se
pretendam alcançar. Estas são instrumentos de ajuda para conseguir o que nos propomos, mas não
existem técnicas infalíveis que resolvam todos os problemas

Técnicas de sensibilização e integração grupal


Destinada a todas as pessoas que se integram como novos membros na vida de um grupo. Na primeira
vez há sempre nervosismo, ansiedade e insegurança. O clima afetivo-social que se cria nas primeiras
sessões é fundamental e definitivo na futura marcha do grupo.

Técnicas grupais de dinamização e comunicação


A dinamização exige um conhecimento profundo das necessidades da comunidade e apoios
metodológicos, sendo a comunicação uma das vias mais válidas. Todos nós nos movemos motivadas por
algo, porém esse algo nem sempre aparece claro nas nossas atuações, necessitando da ajuda dos
demais. Dinamizar uma comunidade exige um grande esforço criativo por parte do animador. Sem
comunicação não é possível fazer qualquer avanço, por isso estas atividades para além da dinamização
têm que apostar na comunicação, utilizando audiovisuais, posters, colagens, teatro, música, etc.

Técnicas grupais de participação/cooperação


Implica maturidade nas relações humanas no grupo, para que sejam capazes de colaborar em assuntos
comuns mesmo que as opiniões sejam diferentes. Participar com os demais é sempre uma renúncia á
opinião pessoal em favor do bem do grupo, sendo por isso necessário, desprender-nos do individualismo
que tem minado as relações humanas.

Técnicas grupais para o desenvolvimento da criatividade


A criatividade exige abertura à novidade. O animador deve ser uma pessoa criativa, imaginativa e capaz
de improvisar. O temor do ridículo, a insegurança pessoal, inibe muitas vezes. Deve-se lutar contra o
conformismo, a passividade e a comodidade, buscando novas alternativas para a comunidade.

Técnicas grupais de avaliação de aprendizagens e da vida intra-grupal


Avaliação do grupo, da sua integração, da participação dos membros, das atitudes e do e interesse
demonstrado em todas as atividades que se executaram, ou seja, avaliar o clima social do grupo.
Também resulta interessante avaliar as aprendizagens, sempre que os conteúdos sejam propícios para
isso.
A avaliação da vida do grupo e de cada um dos seus membros, é o melhor termómetro para indicar como
temos caminhado, que tipo de dificuldades surgiram e como é que se resolveram. Podem avaliar-se os
conhecimentos apreendidos e também o clima social na vida interna do grupo.

MOTIVAÇÃO
As novas perspetivas sintetizam uma série de princípios psicopedagógicos comuns a todas as tarefas de
ensino-aprendizagem e chamam a atenção para a existência de diferentes tipos de aprendizagem
consoante a natureza da tarefa a aprender.

Estes princípios básicos são um esforço de conciliação entre as várias teorias, funcionando também
como estratégias de motivação:
 Estabelecer a ideia de conjunto da tarefa a aprender;
 Relacionar os conhecimentos e as habilidades a adquirir com os já adquiridos;
 Orientar a atenção das crianças para os elementos novos da tarefa a aprender;
 Fomentar a participação das crianças;
 Nos primeiros momentos da aprendizagem orientar as crianças, mas retirar progressivamente
essa orientação, a fim de permitir que se responsabilizem pela sua própria aprendizagem;
 Criar condições que desenvolvam a capacidade de transferência de conhecimentos e
habilidades para novas situações;
 Dar feedback desenvolvendo nas crianças a capacidade de se autoavaliarem;
 Criar um clima afetivo conducente à aprendizagem;
 Avaliar as aprendizagens das crianças e a eficácia do desempenho do educador/animador
2.2.2- Atividades
As atividades a desenvolver em animação em grupo são:
- Teatro;
- Dança;
- Conto (Histórias);
- Fantoches;
- Marionetas;
- Jogos tradicionais (Cabra cega, Lencinho, Apanhada, Escondidas, Macaquinho do Chinês, Telefone
estragado, Macaca, Elástico, Malha, Jogo das cadeiras e etc.
- Jogos de mesa (Dados e etc.).

III- Planeamento de Atividades

3.1- Objetivos e meios para promover o desenvolvimento e aprendizagem


da criança e do jovem

3.1.1- Elaboração de um Plano de Atividades


Um Plano poderá ser um instrumento muito útil quer no domínio da organização do tempo quer na
definição dos objetivos das atividades.
Deve conter uma série de elementos de fácil interpretação para quem lê e para quem o utiliza. Plano
anual e flexibilização.

ELEMENTOS DE UM PLANO

• Conteúdo da planificação: O Quê…?

• Objetivos: Para Quê…?

• Local: Onde…?

• Metodologia: Como…?

• Atividades e Tarefas: o que se pretende desenvolver;

• Calendarização, Cronograma: dias, horários, duração da atividade;

• Destinatários: sala, idades, número de participantes;

• Recursos Humanos: quem promove e participa na atividade;

• Recursos Materiais e Financeiros;

• Avaliação.

3.2 - Atividades

É usar procedimentos para introduzir organização e racionalidade à ação, com vista a alcançar
determinadas metas e objetivos.

AS ATIVIDADES DEVEM:

 Promover a inovação e novas descobertas;

 Valorizar a formação ao longo da vida;


 Proporcionar uma vida mais harmoniosa, atrativa e dinâmica com a participação e envolvimento
da pessoa;

 Incrementar a ocupação adequada do tempo livre para evitar que o tempo de ócio seja alienante,
passivo e despersonalizador;

 Rentabilizar os serviços e recursos comunitários para melhorar a qualidade de vida dos


beneficiários.

3.3- Equipamentos, Espaços, Recursos Humanos e Materiais

Na planificação de atividades, os recursos humanos e materiais têm que merecer uma atenção especial
por parte de quem programa as atividades. Se não é possível fazer tudo sozinha, é preferível contar com
a ajuda de uma colega ou funcionária, para que a atividade decorra sem percalços. Os materiais têm que
ser suficientes para todos os participantes, e atempadamente requisitados e adquiridos. (Se for um
passeio ao exterior, é necessário requisitar um autocarro e motorista). Muito importante também, é saber
qual a disponibilidade da instituição, relativamente a este assunto.
Para atividades de maior envergadura, algumas perguntas se impõem:
 Existem recursos necessários?
 É preciso recorrer a parceiros externos?
 Quais os recursos disponíveis na comunidade, próxima e alargada?
 Quais os recursos disponibilizados pelos parceiros, formais e informais?

Não esquecer que tem que existir sempre a possibilidade e a flexibilidade suficiente, para em caso de
necessidade, reformular o plano inicial.

3.4- Metodologias e Técnicas

A execução das diferentes técnicas e metodologias devem ser aproveitadas para trabalhar alguns
temas básicos por exemplo:

 Trabalhar os hábitos de higiene e limpeza;


 Utilizar diferentes materiais e técnicas;
 Estimular a atividade cognitiva através da observação direta, manipulação e experimentação;
 Reforçar a autonomia;
 Boa planificação da sessão, atividades e material a utilizar, muito importante;
 Motivar, explicar o que vão fazer e porquê;
 Tentar realizar as atividades no mesmo horário no mesmo dia, não alterando muito as rotinas;
 Criar um ambiente sereno, descontraído e aberto às experiências estéticas;
 Despertar a curiosidade e a vontade;
 Dar importância aos interesses, motivações e estado de espírito dos participantes. Não forçar.

3.5- Deveres do Animador

1. Entusiasmo: motivar idosos;


2. Empatia: compreender os idosos, colocar-se no lugar deles;
3. Atitude construtiva: ser positivo, demonstrar seriedade, comentários positivos;
4. Ter espírito de adaptação;
5. Organizar o espaço;
6. Possuir uma grande variedade de atividades/jogos;
7. Planificar e preparar os jogos /atividades com antecedência;
8. Apresentar os jogos/atividades com clareza;
9. Observar e acompanhar os idosos durante os jogos/atividades.

Bibliografia
O Método da Animação, In Jacinto Jardim, 2003.
www.catologo.anqep.gov.pt.