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Formação de gestores da rede estadual de ensino do Maranhão sobre o tema do trabalho

escravo e temas correlatos

PASSO A PASSO nº 3.2


Plano de Ação das escolas

Introdução
A elaboração do Plano de Ação é o resultado da formação realizada pelo “educador multiplicador”
para os professores da escola. Esse documento servirá como uma “carta de navegação” para os
professores elaborarem, desenvolverem e avaliarem as atividades do projeto. Além da funcionalidade
para a comunidade escolar, esse documento será de fundamental importância para a URE. Ele deixará
claro para os “formadores de referência” do projeto na regional qual será o eixo de trabalho da escola
e o calendário proposto. Dessa forma, conhecendo de antemão o que se espera realizar, os técnicos
terão condição de realizar um acompanhamento mais efetivo e direcionado.

Etapa 3 – Mobilização nas escolas


Ação: Produção do Plano de Ação da escola
Objetivos: Elencar as atividades didáticas que serão realizadas com os alunos; Elaborar o cronograma
das atividades na escola; Definir o grupo de professores que atuarão no projeto.
Resultados esperados: Professores com planejamento inicial elaborado e atividades didáticas
elencadas
Prazo para início: 4 de maio de 2018
Prazo para envio do documento: 14 de maio de 2018
Cronograma geral do projeto

Ação Período Responsável


1º Encontro formativo ENP! em São 26 a 28 de março de 2018 Repórter Brasil e Seduc
Luís
Reunião interna das UREs sobre o 2 a 13 de abril de 2018 URE – “formadores de
projeto ENP! referência”
Articulação com os gestores 2 a 6 de abril de 2018 URE – “formadores de
escolares referência”
Formação dos educadores- 16 a 27 de abril de 2018 URE – “formadores de
multiplicadores das escolas referência”
Multiplicação do projeto ENP! nas 30 de abril a 4 de maio de Educadores-multiplicadores
escolas 2018 formados pela URE
Envio do plano de ação e do 14 de maio de 2018 Educadores-multiplicadores
relatório da multiplicação das escolas formadores pela URE ou
para as UREs equipe gestora das escolas
Envio do relatório das UREs para a 21 de maio de 2018 URE – “formadores de
equipe do ENP! referência”
2º Encontro formativo ENP! em São Junho de 2018 Repórter Brasil e Seduc
Luís
Atividades didáticas do projeto em Maio a Novembro de 2018 Professores - escolas
sala de aula
Envio dos dados parciais do Setembro de 2018 Coordenadores do projeto nas
desenvolvimento do projeto nas escolas
escolas para as UREs
Envio de relatório parcial das UREs Outubro de 2018 Coordenadores do projeto nas
para a equipe do ENP! escolas
3º Encontro formativo ENP! em São Outubro de 2018 Repórter Brasil e Seduc
Luís
Envio do relatório final das escolas Novembro de 2018 Coordenadores do projeto nas
sobre os resultados qualitativos e escolas
quantitativos do projeto para a URE
Envio de relatório final das UREs Novembro de 2018 URE – “formadores de
sobre os resultados qualitativos e referência”
quantitativos do projeto para o ENP!
Início da produção do relatório final Dezembro Repórter Brasil
e da publicação de resultados do
projeto
Fluxograma da implementação do projeto Escravo, nem pensar!
1) O tema do trabalho escravo contemporâneo nas escolas

1.1. Formas de abordagem

1.1.1. Atividades em sala de aula

Os professores abordam o tema do trabalho escravo e/ou assuntos correlatos, relacionando-os


ao conteúdo de suas disciplinas. Para que as atividades em sala de aula não sejam fragmentadas
e pontuais, é importante que a abordagem seja feita de forma orgânica e planejada, respeitando
o conteúdo programático. Como os temas do ENP! possuem pertinência em várias disciplinas,
o ideal é que as abordagens sejam feitas de forma interdisciplinar. Com a inserção dos temas, o
currículo obrigatório é enriquecido com leituras atuais da realidade local e nacional1. É
importante que as abordagens em sala gerem produções didáticas por parte dos alunos, como
forma de consolidar a compreensão.

1.1.2. Projetos pedagógicos

Os projetos são uma forma de orientar e planejar o desenvolvimento de atividades sobre um


determinado tema – neste caso, o trabalho escravo -, como uma ação institucional da escola,
por um período de médio prazo, como um mês ou um semestre. Nesse contexto, o projeto
pode ser transversal a mais de uma disciplina, contando com a colaboração e protagonismo
coletivo de vários professores e alunos de turmas e séries diferentes. O projeto possui sempre
um eixo norteador e atividades práticas por parte dos alunos. Os projetos podem ser realizados
por meio de atividades esporádicas, desenvolvidas paralelamente ao roteiro dos conteúdos
curriculares, exclusivamente na programação das disciplinas ou somando essas duas
modalidades. Os produtos desenvolvidos ao longo do projeto são expostos à comunidade
escolar e/ou extraescolar em um dia específico, durante evento de culminância. A escola pode
associar projetos tradicionalmente realizados na escola com as abordagens sobre trabalho
escravo, desde que isso não afete a abordagem coerente do tema.

O ideal é que a abordagem seja feita de forma interdisciplinar. Tendo esse pressuposto
metodógolico como referência, a Escola Estadual Jamil Gadia, produziu um planejamento
integrado. Como a escola oferece Educação Integral, os professores criaram uma disciplina
eletiva sobre o projeto ENP!. Os diversos aspectos ligados ao trabalho escravo foram
desmembrados em tópicos relacionados às diferentes disciplinas. Confira:

1
Como prevê o artigo 16º da Resolução CNE/CEB MEC nº7/2010 e reproduzido no documento Orientações Curriculares e
Subsídios Didáticos para a Organização do Trabalho Pedagógico no Ensino Fundamental de Nove Anos – 2013 – SEC BA “(...) os
componentes curriculares e as áreas de conhecimento devem articular, em seus conteúdos, a partir das possibilidades
abertas pelos seus referenciais, a abordagem de temas abrangentes e contemporâneos que afetam a vida humana em escala
global, regional e local, bem como na esfera individual.”
1.1.3. Envolvimento da comunidade

Garantir que os alunos compreendam o tema é fundamental, mas o Escravo, nem pensar! tem
ainda uma meta maior e mais abrangente: prevenir a comunidade extraescolar dos riscos do
trabalho escravo. Para fortalecer o combate ao problema é preciso levar as informações para
fora da escola, privilegiando grupos de trabalhadores e trabalhadoras mais vulneráveis ao
aliciamento. Essa ação social pode ser feito por meio de passeatas, atividades abertas na escola,
palestras com especialistas, feiras culturais, divulgação na mídia local, entrevistas com
moradores etc.
1.2. A política pública de prevenção ao trabalho escravo

Além de fortalecer as estratégias de ensino e aprendizagem e a Educação em Direitos Humanos, a


realização das atividades educativas sobre trabalho escravo atende a metas de políticas públicas de
combate ao trabalho escravo do Maranhão. Esse é um ponto importante a ser ressaltado para as
escolas. Veja como a ação do Escravo, nem pensar! está explicitada nos seguintes documentos:

1.2.1. Plano Estadual para a Erradicação do Trabalho Escravo

Prevenção

“Manter projetos, a exemplo do “Escravo, nem pensar!”, visando à capacitação de professores


e lideranças comunitárias em torno do tema em parceria com entidades da Sociedade Civil”,
página 18.

1.2.2. Plano Estadual de Educação – Maranhão – Lei nº 10.099/2014

Meta 7 - Garantir 100% das escolas da Educação Básica, níveis e modalidades, condições de
transversalidade para o desenvolvimento de práticas pedagógicas voltadas para as diversidades
e temas sociais (direitos socioeducacionais).

1.2.3. Orientações curriculares para o Ensino Médio

Desde 2017, o tema do trabalho escravo integra os conteúdos obrigatórios das disciplinas de
História e Sociologia do Maranhão. As “Orientações curriculares para o Ensino Médio”
trazem as indicações precisas para os educadores abordarem o tema com os alunos.

Disciplinas Série Página do Período Objetivos de Conteúdos básicos


Caderno aprendizagem
43 2º - Identificar Diversos itens
período permanências de
práticas de escravidão
no Maranhão,
2ª Série
diferenciando a
do
escravidão colonial da
História Ensino
escravidão
Médio
contemporânea;
44 3º - Conhecer e - Trabalho escravo
período reconhecer as formas contemporâneo
de escravidão moderna,
interpretando e
identificando seus
contornos no Brasil.
44 4º - Analisar as diferenças Diversos itens
período da escravidão nos
períodos colonial,
imperial e
contemporâneo;
3ª Série 45 2º - Conhecer e - A questão agrária
do período reconhecer as formas no Brasil e no
Ensino de trabalho escravo Maranhão
Médio contemporâneo;
- Problematizar a
incidência de trabalho
escravo contemporâneo
no Maranhão;
2ª Série 56 -- - Sequencia didática - A escravidão no
do sobre o trabalho Brasil
Ensino escravo no passado e - Características da
Médio atualmente escravidão
contemporânea no
Brasil
- Combate à
escravidão
Sociologia 1ª Série 42 4º - Identificar e discutir - O negro na
do período formas de preconceito, sociedade
Ensino racismo, discriminação, contemporânea:
Médio intolerância e estigma, novas e velhas
como resultado das formas de
relações e práticas escravidão
sociais estabelecidas (Projeto: Escravo,
historicamente; nem pensar!)

2ª Série 43 3º - Identificar processos Trabalho e


do período de modernização e sociedade (Marx,
Ensino transformações das Weber e
Médio relações de trabalho Durkheim,
Taylorismo,
Fordismo e
Toyotismo; novas
formas de
trabalho:
flexibilização;
trabalho análogo
ao escravo)

1.3. Planejamento das atividades didáticas sobre trabalho escravo

Após a formação interna na escola realizada pelo “educador multiplicador” é hora de aprofundar e
sistematizar as ideias para o desenvolvimento das atividades didáticas sobre trabalho escravo
contemporâneo e temas correlatos. Esse documento servirá como diretriz para a atuação dos
diferentes professores e como referência para o acompanhamento da URE.

Os professores podem utilizar as referências apresentadas nas páginas anteriores na redação da


proposta. Para aprofundar as orientações pedagógicas sobre a abordagem do trabalho escravo, confira
o “Passo a Passo nº3.1 - Experiências educativas sobre trabalho escravo com alunos”.

Utilize o seguinte modelo para a produção do Plano de Ação da escola. Deverão ser apresentadas
informações sobre a formação realizada, como um breve relatório. O documento deve ser elaborado
no papel timbrado da escola. Enviem o documento até o dia 14 de maio para a URE.

Plano de Ação - Escola


Nome da escola:
Município:
Educador Multiplicador ENP!:
Coordenador escolar ENP!:

I. Relatório da formação dos educadores na escola

i. Data(s):
ii. Carga horária:
iii. Número de participantes:
iv. Nome e cargos dos participantes:
v. Como foi realizada a formação (metodologia, temas abordados, dinâmicas realizadas, materiais
didáticos)?
vi. Qual foi a avaliação geral dos professores sobre o projeto e sobre a formação em si?
vii. Qual foi a sua avaliação do resultado da formação?
viii.Como você avalia as orientações apresentadas no documento “Passo a Passo nº3” para a realização
da formação?
ix. Outras informações e comentários:

II. Plano de ação

Título da ação/projeto:

1. Professores envolvidos no projeto: Quem são e quantos são os professores do projeto?


2. Objetivos: O que se esperar alcançar com essa ação?

3. Justificativa: Por que queremos fazer essa ação? Qual é a importância dela para nossa escola?
Como ela contribuirá para a prevenção ao trabalho escravo?

4. Público-alvo: Quais séries serão envolvidas nas ações? Qual é o número estimado de alunos
que participarão diretamente (realizando atividades sobre o tema) e indiretamente (como espectador,
atividades de apoio etc)? A comunidade extraescolar será envolvida?

5. Articulação com os conteúdos curriculares: Como será feita a articulação com os


conteúdos curriculares?

6. Produtos esperados: Quais são as produções didáticas esperadas dos alunos?


7. Metodologia e descrição das atividades: Como vamos fazer para alcançar nossos objetivos?
Por meio de que linguagens e de quais atividades iremos trabalhar os temas?

8. Materiais e recursos didáticos: Quais serão os materiais ENP! utilizados nessa atividade?

9. Divulgação: Como faremos a divulgação pública dessa ação? Como estimular os alunos a
registrar e divulgar informações sobre essa ação e sobre o tema abordado? Como impactar a
comunidade extraescolar?

10. Itens de avaliação: Como avaliaremos a compreensão e desempenho dos alunos?

11. Convidados e comunidade extraescolar: Teremos convidados/parceiros/especialistas para


as atividades escolares? Como a comunidade extraescolar será envolvida?

12. Período de execução: Quando começa e quando termina esse trabalho? Qual será o período
de execução de cada etapa do processo? Quando será a culminância? Destaque os meses em que serão
realizadas as diversas etapas do projeto. (para realizar esse planejamento detalhado, utilize como base o
cronograma geral destacado a seguir.)

Abr Mai Jun Jul Agos Set Out Nov


ETAPAS GERAIS
1. Formação com a URE X
3. Multiplicação com o corpo
X X
docente na escola – educadores
4. Relatório sobre a formação
X
interna – envio para a URE
5. Atividades didáticas com
X X X X X X
alunos
6. Acompanhamento das escolas
por parte da URE X X X X X X X
7. Culminância X X
8. Preenchimento e envio do X
X
relatório parcial para a URE
9. Preenchimento e envio do X
relatório final para a URE
Cronograma geral da implementação do projeto nos territórios