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Sociedade Brasileira de Matemática

Mestrado Prossional em Matemática em Rede Nacional


MA11  Números e Funções Reais
Unidade 13  Funções Polinomiais
Roteiro de Estudos

Dando prosseguimento às últimas unidades, daremos continuidade ao estudo


de algumas idéias sobre funções ans e quadráticas, enfocando agora funções
polinomiais em geral.
Um primeiro resultado importante, apresentado na seção 7.1, Funções Poli-
nomiais vs Polinômios, é o fato de que um número real α é raiz de uma função
polinomial p : R → R se, e somente se, x − α é fator de p(x). Este resul-
tado, que relaciona raízes com fatoração, fornece uma ferramenta importante
 e muito utilizada  para determinar raízes: se conseguimos determinar, de al-
guma maneira (seja por algum método algébrico ou por inspeção) uma raiz de
um polinômio p, podemos fatorar p em polinômios de grau menor, o que pode
facilitar a tarefa de encontrar outras raízes. Decorre também deste resultado o
fato de que um polinômio de grau n com coecientes reais tem, no máximo, n
raízes. Do ponto de vista do ensino, essas propriedades têm grande importância.
De forma geral, na abordagem de polinômios no ensino básico, certas técnicas
particulares têm recebido muito mais ênfase do que aspectos mais conceituais
e qualitativos, como a aplicação da fatoração para a determinação de raízes e
a análise de sinais, o que possibilita o estudo de grácos em casos simples.
Ainda na seção 7.1, observe o comentário sobre a relação entre funções po-
linomiais e polinômios, já discutida na Unidade 9. Para entender a necessidade
desse comentário, é importante lembrar que, a princípio, funções polinomiais
e polinômios são objetos matemáticos de naturezas diferentes. Funções poli-
nomiais são, antes de mais nada, funções, portanto a igualdade entre funções
polinomiais (com mesmos domínio e contradomínio) é determinada pela igual-
dade de seus valores em cada elemento do domínio. Por outro lado, polinômios
são expressões formais e, portanto, sua igualdade é determinada pela igualdade
de seus coecientes. É claro que um polinômio não pode gerar duas funções
polinomiais diferentes. No caso de R, vale a recíproca: uma função polinomial
não pode ser gerada por polinômios diferentes (fato que pode não ser verda-

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deiro em outros corpos distintos do corpo dos números reais) Assim, há uma
correspondência biunívoca entre funções polinomiais reais e polinômios reais e
não há necessidade de fazer distinção entre eles.
A seção 7.2, Denindo um Polinômio a Partir de seus Valores, também
trata de um fato já abordado na Unidade 10 para o caso particular de funções
quadráticas, a saber,
dados n + 1 números reais x0 , . . . , xn , dois a dois distintos, e n + 1 números
reais y0 , . . . , yn , quaisquer, existe um único polinômio p, de grau ≤ n, tal que
p(xk ) = yk , ∀k = 0, . . . , n.
A unicidade de tal polinômio decorre do fato de que um polinômio de grau
n só pode ter no máximo n raízes. Para a existência, são apresentados dois
argumentos. O primeiro deles se baseia na análise das soluções de um sistema
linear. Nesse sistema, observe que os números x0 , . . . , xn e y0 , . . . , yn são
conhecidos e os coecientes a0 , . . . , an são as incógnitas.
Na seção 7.3, Grácos de Polinômios, são apresentados alguns fatos im-
portantes envolvendo o comportamento assintótico de funções polinomiais, isto
é, seu comportamento quando x tende a ±∞. Essencialmente, podemos dizer
que o comportamento assintótico de uma função polinomial é determinado pelo
seu termo de maior grau, pois para |x| sucientemente grande os demais termos
tornam-se desprezíveis
Ainda na Seção 4, é apresentado o método de Newton, que é um método
numérico para o cálculo de raízes, isto é, um método de cálculo de valores
aproximados de raízes. Para o ensino médio, o método de Newton pode não
ser adequado, pois envolve o conceito de derivada. Entretanto, o cálculo apro-
ximado de raízes de polinômios pode ser desenvolvido por meio de métodos
mais simples. Por exemplo, o método da bisseção é acessível ao ensino médio,
com a ajuda de uma calculadora de bolso simples, como descrevemos a seguir.
Se encontramos dois números x1 e x2 tais que p(x1 ) e p(x2 ) possuem sinais
distintos, digamos p(x1 ) < 0 e p(x2 ) > 0, podemos ter certeza de que existe
(pelo menos) uma raiz de p no intervalo ]x1 , x2 [ (isto é um resultado que de-
corre da continuidade das funções polinomiais, conceito que será estudado na
disciplina Fundamentos do Cálculo). Tomamos então um número qualquer x3
nesse intervalo. Se p(x3 ) = 0, temos a sorte de ter encontrado nossa raiz. Se
p(x3 ) > 0, existe (pelo menos) uma raiz no intervalo ]x1 , x3 [. Se p(x3 ) < 0,

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existe (pelo menos) uma raiz no intervalo ]x3 , x2 [. Podemos assim continuar
o processo indenidamente. O cálculo aproximado de raízes é importante e
acessível para aprofundar a ideia de raiz no ensino médio, bem como a de apro-
ximação, complementando e ampliando os métodos convencionais, que muitas
vezes são memorizados sem compreensão adequada.

Referências Bibliográcas
[1] Figueiredo, Djairo G. Análise I Rio de Janeiro: LTC, 1996.

[2] Lima, Elon Lages. Curso de Análise, Vol. 1. Rio de Janeiro: SBM,
Projeto Euclides, 1976.

[3] Roque, Tatiana. & Pitombeira, João Bosco. Tópicos de História da


Matemática Rio de Janeiro: SBM, Coleção PROFMAT, 2012.