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ANAIS

Volume 01

Gramado/RS, 2019
Copyright © 2019, by Editora GFM.
Direitos Reservados em 2019 por Editora GFM.
Editoração: Cristiano Poleto
Organização Geral da Obra: Cristiano Poleto; Felippe Fernandes;
Patrícia Diniz Martins
Diagramação: Espaço Histórico e Ambiental
Revisão Geral: Angela Gunther
Capa: Espaço Histórico e Ambiental

CIP-Brasil. Catalogação na Fonte

Cristiano Poleto; Felippe Fernandes; Patrícia Diniz Martins


(Organizadores)
ANAIS da 9ª Reunião de Estudos Ambientais - Vol. 1 / Cristiano Poleto;
Felippe Fernandes; Patrícia Diniz Martins (Organizadores) – Gramado,
RS: Editora GFM, 2019.
260p.: il.; 21,0 cm
ISBN 978-85-6030-886-6

É proibida a reprodução total ou parcial, por quaisquer meios, sem


autorização por escrito da Editora.

2
Comissão Organizadora

Dr. Cristiano Poleto – UFRGS (PRESIDENTE)


Dr. Felippe Fernandes – IPH/UFRGS
Dr.ª Patrícia Diniz Martins – UFTM

Comissão Científica

Afonso Augusto Magalhães de Araujo – UFRJ


Antonio Carlos Zuffo – UNICAMP
Cíntia Soares – UFSC
Cristhiane Michiko Passos Okawa – UEM
Cristiano Poleto – UFRGS
Edna Possan – UNILA
Elizabete Yukiko Nakanishi Bavastri – UFPR
Everton Skoronski – UDESC
Felippe Fernandes – UFRGS
Fernando Periotto – UFSCar
Fernando Oliveira de Andrade – UTFPR
Heloise Knapik – UFPR
Indianara F. Barcarolli – UDESC

3
Ismael Medeiros – UNISUL
Jackeline Tatiane Gotardo – UNIOESTE
José Antonio Tosta dos Reis – UFES
Joel Dias da Silva – FURB
Josiane Teresinha Cardoso – UDESC
Julio Cesar de Souza Inácio Gonçalves – UFTM
Larice Nogueira de Andrade – UFES
Luiz Felipe Silva – UNIFEI
Maria Cristina de Almeida Silva – UNIVATES
Maria de los Angeles Perez Lizama – UNICESUMAR
Marllus Gustavo Ferreira Passos das Neves – Ufal
Mauricio Vicente Alves – UNOESC
Michael Mannich – UFPR
Natan Padoin - UFSC; Neide Pessin – UCS
Patrícia Diniz Martins – UFTM
Roger Augusto Rodrigues – UNESP
Sandro R. Lautenschlager – UEM
Simone Andrea Furegatti – UNESP
Simone Ramires – UFRGS
Viviane Trevisan – UDESC

4
5
Lista dos RESUMOS dos Artigos
publicados nos ANAIS

ARTIGO TÍTULO AUTORES


CAPTAÇÃO E REÚSO DA ÁGUA DA CHUVA NO
PRÉDIO DA ESCOLA DE ENGENHARIA DA SIMONE RAMIRES; EVELYN DIERKS;
9REA101
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL JULIANO BRITO
- UFRGS

JOÃO CARLOS DE QUEIROZ NETO; ELTON


ALVES DE SOUZA FILHO; DAVID ROBERT
IMPACTOS FÍSICO- QUÍMICOS EM ÁREA DE
SANTOS DE SOUZA; GISELE DA SILVA
9REA103 ABATEDOURO BOVINO NO RIO PURAQUEQUARA
SARKIS; CARLOSSANDRO CARVALHO DE
NA CIDADE DE MANAUS- AM
ALBUQUERQUE; IEDA HORTÊNCIO
BATISTA

FERNANDA DE OLIVEIRA KUNZ; NATÁLIA


PAVIMENTOS PERMEÁVEIS: TIPOLOGIA, ESTEVES CARVALHO; SUELI DO CARMO
9REA104
VANTAGENS E DESVANTAGENS BETTINE; NÁDIA CAZARIM DA SILVA
FORTI

GISELE DA SILVA SARKIS; ELTON ALVES


CARACTERIZAÇÃO FÍSICO-QUÍMICA DAS ÁGUAS
DE SOUZA FILHO; DAVID ROBERT
EM ÁREAS SOB INFLUÊNCIA ANTRÓPICA E
9REA105 SANTOS DE SOUZA; JOÃO CARLOS DE
PRESERVADAS NO RIO PURAQUEQUARA, EM
QUEIROZ NETO; GISELLE LEÃO LIMA;
MANAUS–AM
IEDA HORTÊNCIO BATISTA

HISTÓRIA SINUOSA DO ARROIO DILÚVIO: UMA


9REA106 ANÁLISE SÓCIOAMBIENTAL NO PERÍODO CLAUDIO EVANDRO BUBLITZ
COLONIAL

SÍNTESE VERDE DE NANOPARTÍCULAS DE PRATA


CAMILA SULIANI RAOTA; THIAGO
A PARTIR DO EXTRATO DO BAGAÇO DE UVA E
9REA107 BARCELLOS DA SILVA; MARCELO
APLICAÇÃO NA DESINFECÇÃO DE EFLUENTES
GIOVANELA 92036392920
INDUSTRIAIS

6
UTILIZAÇÃO DE SERRAGEM DE PINUS ELLIOTTII
JORDANA BORTOLUZ; FABRÍCIO
9REA108 DA INDÚSTRIA MOVELEIRA PARA A REMOÇÃO DO
FERRARINI; MARCELO GIOVANELA
CORANTE AZUL DE METILENO

ANÁLISE TEMPORAL DA INCOMPATIBILIDADE


ENTRE COBERTURA VEGETAL E ÁREAS DE
JOÃO CÂNDIDO ANDRÉ DA SILVA NETO;
9REA109 PRESERVAÇÃO PERMANENTES FLUVIAIS NA
NATACHA CÍNTIA REGINA ALEIXO
BACIA HIDROGRÁFICA DO IGARAPÉ SÃO
RAIMUNDO, MANAUS-AMAZONAS-BRASIL

EVOLUÇÃO DA PRODUÇÃO AGRÍCOLA E


9REA111 IMPACTOS AMBIENTAIS NO MUNICÍPIO DE VIVIANE CAPOANE
PALMITINHO, RIO GRANDE DO SUL

SUSCEPTIBILIDADE A EROSÃO NA BACIA


9REA112 HIDROGRÁFICA DO CÓRREGO GUARIROBA, VIVIANE CAPOANE
CAMPO GRANDE, MATO GROSSO DO SUL

AVALIAÇÃO DA EFICIÊNCIA DOS SISTEMAS DE


TRATAMENTO DAS ÁGUAS DE LAVAGEM DE
SIMONE RAMIRES; KAREN REBESCHINI
9REA115 CAMINHÕES BETONEIRAS EM UMA CENTRAL
DE LIMA ROSSI
DOSADORA DE CONCRETO NO MUNICÍPIO DE
CUIABÁ/MT

SIMONE RAMIRES; CARLOS HENRIQUE


ÁRVORE SOLAR NA ESCOLA DE ENGENHARIA DA
9REA116 ARGUILAR; JOSÉ GIOVANI DOS SANTOS
UFRGS: UMA PROPOSTA SUSTENTÁVEL
OLIVEIRA

ÁLVARO JOSÉ BACK; GUSTAVO JOSÉ


CURVA DE PERMANÊNCIA DE VAZÕES DO RIO
9REA117 DEIBLER ZAMBRANO; CLÁUDIA WEBER
TIMBÓ, SC
CORSEUIL

SIMULAÇÃO NUMÉRICA DA ESTEIRA LEANDRO JOSÉ LEMES STIVAL; JOÃO


9REA118 TURBULENTA A JUSANTE DE UM AEROGERADOR MARCELO VEDOVOTO; FERNANDO
COM AUXÍLIO DE UMA ZONA PERMEÁVEL OLIVEIRA DE ANDRADE

DJAIR ALVES DE MELO; JOAB JOSEMAR


OS EFEITOS DA ESTIAGEM NAS ATIVIDADES
VITOR RIBEIRO DO NASCIMENTO; JOÃO
9REA119 AGROPECUÁRIAS DA REGIÃO DO CURIMATAÚ
PAULO DA SILVA MACÊDO; FLAVIANO
OCIDENTAL PARAIBANO
GUEDES DE ARAÚJO

MONALISA VERGINIA FELICIO FERREIRA;


A INTERFERÊNCIA DA CONCENTRAÇÃO DE FERRO FERNANDO BRAZ TANGERINO
9REA121 NOS CURSOS D’ÁGUA DA BACIA HIDROGRÁFICA HERNANDEZ; ALICE NARDONI MARTELI;
DO RIO SÃO JOSÉ DOS DOURADOS RENATA DANIELLE CARDOSO DELAZARI;
ADRIANA SANCHES BORGES

NATUREZA E CRIANÇA: USO DO DESENHO


KEILA CAMILA DA SILVA; RICARDO
9REA124 INFANTIL PARA REPRESENTAÇÃO DO MEIO
KUTSCHINSKY BASTOS;
AMBIENTE URBANO

7
AVALIAÇÃO PRELIMINAR DA ACUMULAÇÃO DE ANNA CLÁUDIA MORASHASHI; TATIANE
FÓSFORO EM BIOFILME UTILIZANDO FILME ARAÚJO DE JESUS; DERVAL DOS SANTOS
9REA125
POLIMÉRICO BIODEGRADÁVEL COMO MATERIAL ROSA; JÚLIO HARADA; DENISE DE
SUPORTE CAMPOS BICUDO

NANOARGILA NA REMOÇÃO DE ORTOFOSFATO


MARCIO YUKIHIRO KOHATSU; TATIANE
EM ENSAIOS DE BANCADA: CONTRIBUIÇÃO
9REA128 ARAÚJO DE JESUS; GABO MACHADO;
PRELIMINAR PARA A MITIGAÇÃO DO PROCESSO
JULIO HARADA
DE EUTROFIZAÇÃO

ORGANIC MATTER AND NUTRIENTS VARIABILITY RODRIGO FELIPE BEDIM GODOY;


9REA130 IN A WATER SUPPLY RESERVOIR: CASE STUDY OF HELOISE GARCIA KNAPIK; CRISTOVÃO
PASSAÚNA, CURITIBA-PR VICENTE SCAPULATEMPO FERNANDES

AVALIAÇÃO PRELIMINAR DA REMOÇÃO DE


ALDREW ALENCAR BALDOVI; TATIANE
FÓSFORO EM SISTEMA PILOTO DE WETLANDS
9REA131 ARAÚJO DE JESUS; ROSELI FREDERIGI
CONSTRUÍDAS CULTIVADAS COM EICHHORNIA
BENASSI
CRASSIPES

AGENTES DE SENSIBILIZAÇÃO E EDUCAÇÃO


AMANDA DALALIBERA; ANA CAROLINA
AMBIENTAL PARA MELHORIA DA GESTÃO DE
9REA133 WEIRICH; JÚLIA NERCOLINI GÖDE; LAIS
RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS (RSU) EM LAGES,
SARTORI; PAULA ANDRESSA ANDRADE
SC

A INFLUÊNCIA DA PRECIPITAÇÃO TOTAL MENSAL


IVAN MERÊNCIO; CARLOS ANTÔNIO
9REA135 NA DETECÇÃO DE CONGLOMERADOS DE AEDES
OLIVEIRA VIEIRA
AEGYPTI EM JOINVILLE-SC

UTILIZAÇÃO DA BIOMASSA DE UVA COMO


LARISSA FERNANDA FINAZZI DA COSTA;
9REA136 BIOSSORVENTE NA REMOÇÃO DE METAIS
DAIANA MAFFESSONI
PESADOS DE ÁGUAS RESIDUAIS

CARLA DENIZE VENZKE; ALEXANDRE


GIACOBBO; WILLIAN SONI DA SILVA;
TRATAMENTO DO CONCENTRADO DA OSMOSE
VICENTI PITHAN SOUZA; ADRIAN FELIPE
9REA138 REVERSA ATRAVÉS DA DESTILAÇÃO POR
SIMON SANTOS; MARCO ANTÔNIO
MEMBRANA
SIQUEIRA RODRIGUES; ANDRÉA MOURA
BERNARDES

CARACTERIZAÇÃO DAS ÁGUAS SUPERFICIAIS DO


THAYNA SUANE POLLHEIN; JOSIANE
PARQUE NATURAL MUNICIPAL JOÃO JOSÉ
9REA139 TERESINHA CARDOSO; VIVIANE
THEODORO DA COSTA NETO, LAGES – SC, POR
APARECIDA SPINELLI SCHEIN
MEIO DE ÍNDICES DE QUALIDADE

PROCESSOS ALTERNATIVOS DE TRATAMENTO DE


ESGOTO SANITÁRIO EM CONDOMÍNIOS E LIA BARRETO GEDOZ; ROMUALDO
9REA140
LOTEAMENTOS DE CAXIAS DO SUL – ANÁLISE DE NUNES VANACÔR
VIABILIDADE

9REA141 CARACTERIZAÇÃO DA TEMPERATURA MÍNIMA CAMILA BERMOND RUEZZENE; CÁSSIA


DO AR NO MUNICÍPIO DE PORTO VELHO – RO CORTES VALADÃO; RENATA GONÇALVES

8
NOS ANOS DE 1971 A 2016 AGUIAR

DIAGNÓSTICO E AVALIAÇÃO DA
SUSTENTABILIDADE DE SOLOS AGRÍCOLAS (DASS): ODILSON ARRUDA INOCÊNCIO; TÂNIA
9REA143
UMA FERRAMENTA DE GESTÃO AMBIENTAL NO LÚCIA GRAF DE MIRANDA
AGRONEGÓCIO

AVALIAÇÃO DE ESCOAMENTO PLUVIAL EM BRENDA MELLO FRANCO; CÁCIO


9REA145 MÓDULOS DE TELHADOS VERDES COM MIRANDA ANDRES; JÚLIA KONRAD;
DIFERENTES SUBSTRATOS RUTINEIA TASSI

MIKAELE SILVA KURIKI; ISABELA NAIA


PONTENCIALIDADE DE WETLANDS CONSTRUÍDOS
9REA149 TALHACOLI; FRANCISCO LLEDO DOS
NO ESTADO DE MATO GROSSO
SANTOS

AVALIAÇÃO DO POTENCIAL BIOQUÍMICO DE


RICARDO GONÇALVES DE MORAIS;
METANO DE DIFERENTES SUBSTRATOS E
9REA150 ELAINE CRISTINA LATOCHESKI; MARIA
ATIVIDADE METANOGÊNICA ESPECÍFICA DE LODO
CRISTINA BORBA BRAGA
DE REATOR UASB

ANDREI MIKOSKI ROSA; GABRIELA


AMEVIL: UTILIZAÇÃO DE CONTÊINERES PARA FREITAS GERHARDT; LAURA LAHIGUERA
9REA151
ESPAÇOS DE CONVIVÊNCIA E LAZER CESA; RENAN MELO MAGALHÃES DA
SILVA; THALES TUCHTENHAGEN PRESTES

ANÁLISE DA INFLUÊNCIA DO USO E OCUPAÇÃO VANIA ELISABETE SCHNEIDER; SOFIA


9REA153 DO SOLO NA QUALIDADE DA ÁGUA DA SUB- HELENA ZANELLA CARRA; GEISE
BACIA DO RIO TEGA – RS/BR MACEDO DOS SANTOS; BIANCA BREDA

ESTUDO FISIOGRÁFICO DE UMA SUB-BACIA


MORGANA VIGOLO; BIANCA BREDA;
9REA154 PERTENCENTE À BACIA DO RIO TURVO – SANTA
TAISON A. BORTOLIN
ROSA – SANTO CRISTO - RS

RESPOSTA DAS ASSOCIAÇÕES BÊNTICAS À


THÁBATA FERNANDES CÂNDIDO; DIOGO
DISPOSIÇÃO OCEÂNICA DE ESGOTO SANITÁRIO
9REA155 C. MORELLI; LUIZ AUGUSTO S.
PELO EMISSÁRIO SUBMARINO DA PRAIA DO MAR
MADUREIRA; SÉRGIO A. NETTO
GROSSO DE LAGUNA (SC, BRASIL)

INVESTIGAÇÃO PRELIMINAR DA QUALIDADE DA


MARILUCI PEREIRA; SERGIO LUCIANO
9REA156 ÁGUA DE CHUVA NO MUNICÍPIO DE CRICIÚMA,
GALATTO
SUL DE SANTA CATARINA

EFEITO DA APLICAÇÃO DE DIFERENTES DOSES DE MARCIA MATSUOKA; ADRIANE DA SILVA


9REA158 EFLUENTE DOMÉSTICO TRATADO NA POPULAÇÃO BORGES; CLAUDIA NOGUEIRA GOMES;
E ATIVIDADE MICROBIANA DO SOLO LUANA CRISTINA JANTSCH

DIAGNÓSTIO DA MICRODRENAGEM URBANA DE ANA CAROLINA DE MATOS E ÁVILA;


9REA160 UM TRECHO DA AVENIDA BELISÁRIO RAMOS KAROLINY DE SOUZA LIBARDO; LETÍCIA
(LAGES/SC) ZANETTI HAACK

9REA161 THAIS DE ARAUJO GOYA PEDUTO;


SENSIBILIDADE DE DIFERENTES SEMENTES EM
TATIANE ARAUJO DE JESUS; MÁRCIO

9
ENSAIO DE FITOTOXICIDADE YUKIHIRO KOHATSU

IMPACTOS AMBIENTAIS ENCONTRADOS EM MARIANA BORGES ALBUQUERQUE; ALEX


9REA162 FUNDOS DE VALE INSERIDOS EM AMBIENTES SIMÕES BOSSO; CRISTHIANE MICHIKO
URBANOS: BREVE REVISÃO TEÓRICA PASSOS OKAWA

FILIPE CARDOSO BELLATO; BRUNA


ÍNDICE DE ESTADO TRÓFICO (IET) DO CÓRREGO NASCIMENTO ROCHA; TATIANE ARAÚJO
9REA166
COMPRIDO (SANTO ANDRÉ – SP) DE JESUS; CAMILA CLEMENTINA
ARANTES

RICARDO ANTONIO MOLLMANN


JUNIOR; OSVALDO LUIS LEAL DE
SIMULAÇÃO NUMÉRICA DA CONCENTRAÇÃO DE
MORAES; RITA DE CÁSSIA MARQUES
9REA167 SO2 NA REGIÃO DE CANDIOTA- RS COM O
ALVES; GABRIEL BONOW MUNCHOW;
MODELO ATMOSFÉRICO WRF-CHEM
EDEON SANDMANN DE DEUS; RAFAEL
CORREA DE LIMA

COMPARAÇÃO ENTRE MÉTODOS DE ESTIMATIVA BRENDA MELLO FRANCO; CÁCIO


9REA168 DE EVAPOTRANSPIRAÇÃO POTENCIAL E DE MIRANDA ANDRES; JÚLIA KONRAD;
REFERÊNCIA FLÁVIA ANTUNES ZIANI

CLARIFICAÇÃO DE ÁGUA SUPERFICIAL COM


BAIXOS VALORES DE TURBIDEZ E COR APARENTE CRISTINA SATOMI YAMAMOTO EGUCHI;
9REA169
UTILIZANDO EXTRATO DE SEMENTES DE CAMILA CLEMENTINA ARANTES
MORINGA OLEIFERA E SULFATO DE ALUMÍNIO

PEDRO DE SOUZA LOPES SILVA;


INFLUÊNCIA DO ÁCIDO HÚMICO SOBRE O DEUSMAQUE CARNEIRO FERREIRA;
9REA170
COEFICIENTE DE REAERAÇÃO SUPERFICIAL MÁRIO SÉRGIO DA LUZ; JULIO CESAR DE
SOUZA INÁCIO GONÇALVES

EXTRATO DE SEMENTES DE MORINGA OLEIFERA KAMILA SUEMY TAKASSUGUI SATANI;


9REA171 ADERIDO À AREIA EM FILTROS OPERANDO COM CAMILA CLEMENTINA ARANTES;
TAXA TÍPICA DE FILTRAÇÃO LENTA TATIANE ARAÚJO DE JESUS

O SANEAMENTO BÁSICO E SUA RELAÇÃO COM A PEDRO ALVES DA SILVA FILHO; MÁRCIO
9REA173 INCIDÊNCIA DE DENGUE EM ÁREAS URBANAS DE GUSTAVO BORGES; LARISSA DE CASTRO
BOA VISTA - RR RIBEIRO

PROPOSTA DE METODOLOGIA PARA


MÍRIAM BAGGIO MERCALDI; SIMONE
9REA174 CLASSIFICAÇÃO DE FEIÇÕES EROSIVAS: UMA
ANDREA FUREGATTI
COMPILAÇÃO DA LITERATURA

JOÃO FRANCISCO VALENTINI; TAISON


DETERMINAÇÃO DA DESCARGA DE SEDIMENTOS
9REA175 ANDERSON BORTOLIN; VANIA ELISABETE
EM UM TRECHO DO RIO CAÍ
SCHNEIDER

KAREN AUXILIADORA GUIMARÃES;


APLICAÇÃO DO NDVI PARA ANÁLISE
9REA176 KLEBER BARCELAR SANTOS; LÍVIA ALVES
MULTITEMPORAL DA COBERTURA VEGETAL NO
SIQUEIRA; NÍVEA ADRIANA DIAS PONS;
MONUMENTO NATURAL ESTADUAL DA PEDRA
DANIELA ROCHA TEIXEIRA RIONDET-

10
DO BAÚ COSTA

MÁRCIA ROSA DE MELO; PAULO


CARACTERIZAÇÃO DE USOS OUTORGADOS NA HENRIQUE DE ALMEIDA; DIOGO
9REA177
REGIÃO DO MEIA PONTE EM GOIÂNIA - GO LOURENÇO SEGATTI; JOSÉ ALVES NETO;
LUCIJANE MONTEIRO DE ABREU

ELENICE HINTZE; JÚLIA NERCOLINI


AVALIAÇÃO DA PRODUÇÃO DE COMPÓSITO GÖDE; DIEGO HOEFLING SOUZA;
9REA178 MADEIRA-PLÁSTICO A PARTIR DE POLIPROPILENO MYLENA FERNANDES; RICARDO TERAN
(PP) E COLMO DE MILHO (CM) MUHL; JOCLEITA PERUZZO FERRAREZE;
DIEGO BITTENCOURT MACHADO

EDUCAÇÃO AMBIENTAL NÃO FORMAL REALIZADA


9REA179 PELO PROJETO BROTAR NASCENTES, GANA – MÁRCIA GONÇALVES BEZERRA
UMA PROPOSTA METODOLÓGICA

ESTUDO DE CONCENTRAÇÕES E INTERAÇÕES


FERNANDA BICOSKI; FELIPPE
9REA180 FÍSICO-QUÍMICAS DE CARBONO ORGÂNICO
FERNANDES; CRISTIANO POLETO
TOTAL EM SEDIMENTO DE REPRESA

USO DE FERRAMENTAS DE GEOPROCESSAMENTO MARCUS VINICIUS MAIDANA DE


9REA181 PARA ANÁLISE DA MICRO-BACIA HIDROGRÁFICA ANDRADE; ARTUR HENRIQUE FERREIRA
DO RIO JACUÍ GOMES; DOUGLAS STEFANELLO FACCO

A DIFERENCIAÇÃO FITOGEOGRÁFICA DO MORRO ELISSANDRO VOIGT BEIER; CRISTIANO


9REA182 TRÊS IRMÃOS: CAATINGA E CERRADO EM MEIO A POLETO; MARIA EUGÊNIA MOREIRA
FLORESTA ESTACIONAL COSTA FERREIRA

CARBONATAÇÃO E CAPTURA DE CO2 EM


EDNA POSSAN; ISABELA DE OLIVEIRA
9REA183 ARGAMASSAS AO LONGO DA VIDA ÚTIL DA
ANTONIO; LISSANDRA MAZURANA
EDIFICAÇÃO

INFERÊNCIAS DA QUALIDADE DOS SEDIMENTOS


9REA184 FELIPPE FERNANDES; CRISTIANO POLETO
EM RECURSOS HÍDRICOS

11
Lista dos ARTIGOS COMPLETOS
publicados nos ANAIS

ARTIGO TÍTULO AUTORES


AVALIAÇÃO DE ALTERNATIVAS DE DISPOSIÇÃO
JANAINA DEBACKER NUNES; VIVIANE
9REA110 FINAL DE LODO PROVENIENTE DO TRATAMENTO
TREVISAN
DE EFLUENTES EM LAGES, SC

RESÍDUO DE CONSTRUÇÃO E DEMOLIÇÃO (RCD) ELIZABETE YUKIKO NAKANISHI


9REA120
APLICADOS EM CONCRETOS BAVASTRI; THIAGO VERONEZ PEITER

APLICAÇÕES DE HIDROLISADOS PROTEICOS ANDRÉIA MONIQUE LERMEN; KELLY


OBTIDOS ATRAVÉS DA BIOCONVERSÃO CALLEGARO; LAÍS ANDRESSA FINKLER;
9REA122
MICROBIANA DE PENAS DE FRANGO: UMA BREVE NAIARA JACINTA CLERICI; DANIEL JONER
REVISÃO DAROIT

ESTUDO DA VIABILIDADE AMBIENTAL NA


IMPLEMENTAÇÃO DE CERTIFICAÇÕES BRENDA LUÁ BIAZUS; ANELISE SERTOLI;
9REA126
INTERNACIONAIS EM CONDOMÍNIOS IZIQUIEL CECCHIN
SUSTENTÁVEIS

OTIMIZAÇÃO ESPACIAL PARTICIPATIVA NA


AVALIAÇÃO DE ALTERNATIVAS LOCACIONAIS
IPORÃ BRITO POSSANTTI; VINÍCIUS
9REA127 PARA INSTALAÇÃO DE ATERROS SANITÁRIOS: UM
MONTENEGRO
NOVO PARADIGMA NO PLANEJAMENTO
AMBIENTAL

REMOÇÃO DE VERMELHO REATIVO 120 EM


IVONE VANESSA JURADO DÁVILA;
SOLUÇÃO AQUOSA USANDO HIDROTALCITA DE
9REA132 MORGANA ROSSET; OSCAR PEREZ;
MG-AL E HIDROXICARBONATO DE MG COMO
LILIANA AMARAL FÉRIS
SÓLIDOS SORVENTES

NAYARA FELIX BARRETO; ANA CAROLINA


REVISÃO BIBLIOGRÁFICA: INDICADORES DE
DA CONCEIÇÃO RODRIGUES; MARIA
9REA134 SUSTENTABILIDADE PARA IMPLEMENTAÇÃO DO
VICTÓRIA VALERIOLETE BANDEIRA
ODS6
DÁRIO; MARIA INÊS PAES FERREIRA

12
IVONE VANESSA JURADO DÁVILA; KEILA
REMOÇÃO DO VIOLETA CRISTAL POR ADSORÇÃO
9REA137 GUERRA PACHECO NUNES; LILIANA
UTILIZANDO CARVÃO ATIVADO
AMARAL FÉRIS

GERAÇÃO DE ENERGIA LIMPA E ACESSÍVEL NA


9REA144 JULIO CESAR SALECKER
COOPERATIVA CERTEL

ANÁLISE AMBIENTAL DA SUB-BACIA DO CÓRREGO


EDIU CARLOS LOPES LEMOS; DALVAN
9REA146 DO CABOCLO COM O USO DE SIG NO MUNICÍPIO
GONÇALVES MENDES
DE MONTANHA – ES

COMPARATIVO DE GERENCIAMENTO DE
RESÍDUOS DE CONSTRUÇÃO: ESTUDO DE CASO MAIZ INARA RECK; RUI A. F. DE
9REA147
EM CANTEIROS DE OBRA NO BRASIL E EM OLIVEIRA; ANDRÉ NAGALLI
PORTUGAL

CAMPANHA ÓLEO DE COZINHA “EU RECICLO”: YESLEI PAULINO DA SILVA; SOFIA


9REA148 DESTINAÇÃO ADEQUADA NO ANTÔNIO HELENA ZANELLA CARRA; DENISE
PRADO/RS PERESIN; VANIA ELISABETE SCHNEIDER

AGENDA 2030 E GESTÃO SUSTENTÁVEL DAS


RAFAEL PEREIRA MACHADO; JADE
ÁGUAS: APLICAÇÃO DA METODOLOGIA
9REA152 GOLZIO BARQUETA DONNINI; MARIA
“AVALIAÇÃO DE PROSPERABILIDADE” À BACIA
INÊS PAES FERREIRA
HIDROGRÁFICA DO RIO UNA-RJ

VIVIANE APARECIDA SPINELLI SCHEIN;


ANÁLISES FÍSICO-QUÍMICAS DAS NASCENTES DO
9REA157 JOSIANE TERESINHA CARDOSO; JOÃO
RIO CAVEIRAS
PEDRO STIPPE SCHMITT

ALINE DA NÓBREGA OLIVEIRA; MARIA


PROPOSTA DE DESENHO URBANO SUSTENTÁVEL
9REA159 ELISA LEITE COSTA; MARIA DO CARMO
PARA PROMOÇÃO DE INFILTRAÇÃO
DE LIMA BEZERRA; SÉRGIO KOIDE

MIRELLA MARIA NÓBREGA MARQUES;


POLÍTICAS PÚBLICAS E GÊNERO NA
9REA163 RAIANA SILVA DE ARRUDA FALCÃO;
AGROECOLOGIA NO SEMIÁRIDO
SORAYA GIOVANETTI EL-DEIR

SUBSTÂNCIAS COM POTENCIAL ESTROGÊNICO EM


CIBELE TREMEA; EDLA LETÍCIA ANTUNES
MEIO HÍDRICO E LEGISLAÇÃO BRASILEIRA
9REA164 BRIZOLA DOS SANTOS; MATHEUS
CORRELATA: UM PROBLEMA DE SAÚDE PÚBLICA
PARMEGIANI JAHN
E AMBIENTAL

SORAYA GIOVANETTI EL-DEIR; MIRELLA


9REA165 PRINCIPLES OF EDUCATION FOR SUSTAINABILITY MARIA NÓBREGA MARQUES; RAIANA
SILVA DE ARRUDA FALCÃO

BEATRIZ VOIDELLA SAVORDELLI; ANIELY


DEGRADAÇÃO DA QUALIDADE DA ÁGUA DO RIO
9REA172 RODRIGUES COSTA; TATIANE ARAÚJO DE
TAMANDUATEÍ, SP
JESUS

13
RESUMOS
publicados nos ANAIS da
9ª Reunião de Estudos Ambientais

Gramado/RS, 2019

14
9REA101
CAPTAÇÃO E APROVEITAMENTO DA ÁGUA DA CHUVA
NO PRÉDIO DA ESCOLA DE ENGENHARIA DA
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL -
UFRGS

Simone Ramires1, Evelyn Dierks2, Juliano Brito3


1
Universidade Federal do Rio Grande do Sul, simone.ramires@ufrgs.br; 2Universidade Federal do
Rio Grande do Sul, e-mail: dierks.evelyn@gmail.com, 3Universidade Federal do Rio Grande do Sul,
e-mail: juliano.limabrito@gmail.com

Palavras-chave: aproveitamento de água; sistema de captação; sustentabilidade.

Resumo
A necessidade de água está aumentando juntamente com sua indisponibilidade por escassez do recurso, por
degradação ambiental, por poluição, e com isso as técnicas de reaproveitamento devem ser aprofundadas. Ainda,
é importante constatar a desigualdade na distribuição dos recursos tanto no mundo, quanto no Brasil. O
aproveitamento da água da chuva depende da redução do consumo de água das concessionárias. A coleta da água
de chuvas e o seu devido aproveitamento traz inúmeros benefícios e utilidades como lavagens, dentre outras
atividades domésticas. Sendo assim, esse sistema de aproveitamento da água da chuva possui algumas etapas,
como a captação através de áreas de captação e o armazenamento em reservatórios de acumulação. A água deve
ser tratada com filtro preliminar para descarte de dejetos grosseiros, descarte da primeira água a entrar em
contato com o sistema, freio d’água, proteção da insolação direta e desinfecção (exigida pela norma brasileira,
NBR 15527/2007). Acerca da norma brasileira, relativa ao aproveitamento de águas pluviais, descreve que um
estudo deste âmbito deve conter primeiramente, a população que utiliza a água de chuva e a determinação da
demanda, bem como séries históricas e sintéticas das precipitações da região onde será feito o projeto de
aproveitamento de água de chuva. Esta, em sua maioria, não é aproveitada e acaba escoando pelos esgotos. A
partir desta lacuna, pretende-se realizar proposta de intervenção no Prédio Engenharia Nova localizado na Escola
de Engenharia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS com o objetivo de avaliar a
implementação de um sistema de captação de água da chuva para usos que requerem água não potável. Os
valores calculados no presente relatório foram obtidos com base no índice pluviométrico de Porto Alegre,
fornecidos pelo Centro Integrado de Comando - CEIC da prefeitura da cidade e pelas recomendações da ABNT.
Além de proporcionar a economia deste recurso tão essencial e de introduzir o conceito de sustentabilidade, o
projeto apresenta um baixo custo de instalação e uma ótima estimativa para retorno do investimento, sem precisar
de grandes ajustes no sistema hidráulico já instalado. Considerando que, em 2013, houve um total de 8.279
alunos matriculados nos 13 cursos de graduação em engenharia e que a maioria frequenta o prédio da Engenharia
Nova, estima-se que, por mês, sejam utilizados 600.000 litros de água para descargas no prédio de Engenharia
Nova da UFRGS. Logo, tratando-se de economia de água, o projeto apresenta quantitativamente os ganhos que a
EE vai ter com o investimento e, ainda apresenta tabela de investimento inicial e tempo de retorno do
investimento. Assim, a aplicação deste será algo extremamente positivo, visto que além de trazer ganhos, leva em
consideração fatores econômicos e ecológicos, ambos presentes no contexto de sustentabilidade, que, atualmente,
é tão discutida e importante.

15
9REA103
IMPACTOS FÍSICO-QUÍMICOS EM ÁREA DE
ABATEDOURO BOVINO NO RIO PURAQUEQUARA NA
CIDADE DE MANAUS- AM

João Carlos de Queiroz Neto1, Elton Alves de Souza Filho2, David Robert Santos de Souza3,
Gisele da Silva Sarkis4, Carlossandro Carvalho de Albuquerque5, Ieda Hortêncio Batista6
1
Universidade do Estado do Amazonas,e-mail:jcdqn.bio@uea.edu.br; 2Universidade do Estado do
Amazonas,e-mail: easf891@gmail.com ;3Universidade do Estado do Amazonas, e-
mail:david_robert_dessouza@hotmail.com; Universidade do Estado do Amazonas, e- mail:
gdssr.bio@uea.edu.br; 5Universidade do Estado do Amazonas,e-mail: cscarvalho@uea.edu.br;
6
Universidade do Estado do Amazonas, e- mail: ibatista@gmail.com.

Palavras-chave: Matadouro; Impactos antrópicos; Bacia Hidrográfica.

Resumo
O rio Puraquequara possui em seus limites bairros residenciais e áreas protegidas, como a Reserva Adolpho
Ducke, e a mesma é utilizada para fins recreativos (balneários e flutuantes) e comerciais (pesca, matadouro,
estaleiros entre outros). O objetivo deste trabalho foi analisar os possíveis impactos na qualidade da água em área
de abatedouro bovino e comparar os valores dos parâmetros obtidos com os estabelecidos na resolução do
CONAMA 357/2005 para águas doces de classe 1. Foram feitas amostragens em sete pontos, nos meses de
setembro à novembro de 2018 (período de vazante do rio). Os parâmetros analisados foram: pH, temperatura,
oxigênio dissolvido, condutividade, sólidos totais dissolvidos, turbidez, fósforo total, fosfato, pentóxido de
fósforo, nitrogênio total, nitrogênio amoniacal e nitrato. Os parâmetros físico- químicos analisados, com exceção
do oxigênio dissolvido, tiveram seus maiores valores obtidos nos pontos de 3 a 7 em comparação com os pontos
controles 1 e 2 que estão localizados mais a montante no rio. O mês de novembro se destacou com os maiores
valores dos parâmetros analisados, e também com a queda do valor de oxigênio dissolvido na água em alguns
pontos, porém, em todo o período analisado, não apresentou valores menores que 4,38 mg.L-1. Dos parâmetros
que constam na resolução CONAMA 357/2005, a turbidez, o fósforo total, a amônia e o nitrato tiveram valores
superiores ao limite da resolução para águas de classe 1 em alguns meses e pontos analisados, com exceção aos
pontos 1 e 2 que em nenhum mês ultrapassou o limite estabelecido. Apesar do aumento da concentração das
substâncias que alteraram os parâmetros analisados na área de estudo, os pontos mais distantes ao matadouro, o 6
e 7, já apresentavam menores valores que os pontos 3, 4 e 5, o que é um indício de que estas substâncias acabam
se diluindo.

16
9REA104
PAVIMENTOS PERMEÁVEIS: TIPOLOGIA, VANTAGENS E
DESVANTAGENS

Fernanda de Oliveira Kunz1, Natália Esteves Carvalho 2, Sueli do Carmo Bettine3, Nádia
Cazarim da Silva Forti 4

Pontifícia Universidade Católica de Campinas – Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em


Sistemas de Infraestrutura Urbana,
1
Mestranda: fernandakunz01@gmail.com; 2Mestranda: nataliaecarvalho@gmail.com; 3Docente
pesquisadora: subettine@hotmail.com ; 4 Docente pesquisadora: nadiacazarim@yahoo.com.br;

Palavras-chave: pavimentos permeáveis; manejo de águas pluviais; pavimentos de concreto

Resumo

O ritmo acelerado da ocupação dos solos, decorrente da urbanização e construção de maneira desarticulada de
novas infraestruturas, tem provocado inúmeros impactos ambientais. A impermeabilização do solo em áreas
urbanas altera o ciclo hidrológico e resulta em aumento de enchentes e degradação da qualidade das águas
pluviais. Não havendo o manejo adequado dessas águas ocorrerão consequências ambientais e sociais, como por
exemplo: o aumento dos riscos de desabamentos, inundações, erosões e assoreamento dos cursos d’água. Nesse
contexto, para compensar os impactos da urbanização no ciclo hidrológico, surgiram nos últimos anos algumas
medidas de controle localizadas e de pequena escala que promovem o aumento da capacidade de infiltração e de
armazenamento das águas pluviais, como forma de controle dos escoamentos superficiais e minimização das
enchentes urbanas. Como exemplo, a utilização de pavimentos permeáveis de concreto atua como uma técnica
compensatória do sistema de drenagem convencional, possibilitando a redução da vazão drenada
superficialmente, melhorando a qualidade da água e contribuindo com o aumento da recarga do lençol
subterrâneo. Nesse sentido, o presente trabalho teve como objetivo apresentar a caracterização e tipologias de
pavimentos permeáveis de concreto, baseando-se em pesquisas bibliográficas e na norma brasileira de pavimento
permeável de concreto ABNT NBR 16416:2015 para, na sequência, discutir a respeito das vantagens e
desvantagens quanto a utilização desses pavimentos como técnica de manejo sustentável das águas pluviais
urbanas.

17
9REA105
CARACTERIZAÇÃO FÍSICO-QUÍMICA DAS ÁGUAS EM
ÁREAS SOB INFLUÊNCIA ANTRÓPICA E PRESERVADAS
NO RIO PURAQUEQUARA, EM MANAUS–AM

Gisele da Silva Sarkis1, Elton Alves de Souza Filho2, David Robert Santos de Souza3, João
Carlos de Queiroz Neto4, Giselle Leão Lima5, Ieda Hortêncio Batista6
1
Universidade do Estado do Amazonas, e-mail: gdssr.bio@uea.edu.br; 2Universidade do Estado do
Amazonas, e-mail: easf891@gmail.com; 3Universidade do Estado do Amazonas, e-mail:
david_robert_dessouza@hotmail.com; 4Universidade do Estado do Amazonas, e-mail:
jcdqn.bio@uea.edu.br; 5Universidade do Estado do Amazonas, e-mail: gisellelima66@hotmail.com;
6
Universidade do Estado do Amazonas, e-mail: iedahbatista@gmail.com

Palavras-chave: Qualidade da água; Impacto Ambiental; Análise.

Resumo
Como resultado da expansão urbana desordenada da cidade de Manaus–AM, resíduos sólidos e efluentes
líquidos são despejados nos corpos hídricos alterando suas características físico-químicas e biológicas. O
objetivo deste trabalho é avaliar a qualidade da água através de parâmetros físico-químicos de pH, condutividade
elétrica, oxigênio dissolvido, temperatura, turbidez e sólidos totais dissolvidos em pontos sob influência
antrópica e avaliar pontos que mantém suas características preservadas na bacia do rio Puraquequara, zona
urbana da cidade de Manaus – AM. A fim de investigar possíveis impactos decorrentes da atividade humana,
foram realizadas três coletas ao longo dos meses de setembro, outubro e novembro de 2018. Selecionou-se
quatro pontos de análise: dois na margem direita (área antropizada) e dois na margem esquerda (área
preservada). Os dados foram comparados com aqueles estabelecidos pela Resolução CONAMA nº 357/2005. Os
níveis de pH na margem esquerda apresentaram características ácidas, entre 4,8 e 5,8 N/A. Dados analisados na
margem direira estão conforme o estabelecido pela Resolução CONAMA 357/2005, na faixa de 6,0 a 9,0 N/A,
embora a características das águas amazônicas seja comum apresentar pH na faixa ácida (pH <7,0). O nível de
turbidez atingiu até 44,3 NTU em ponto localizado na margem direita, dentro do máximo permitido para rios de
água doce de classe II. Os teores de oxigênio dissolvido, exceto para o mês de outubro, oscilaram entre 4,4 e 4.6
mg/L nos meses de setembro e novembro, respectivamente, para os pontos sob influência antrópica (margem
direita), e valores acima de 5 mg/L para os de característica preservada (margem esquerda). No que diz respeito à
concentração de sólidos totais dissolvidos, reportou variação entre 34,7 mg/L e 41,3 mg/L nos pontos avaliados.
No parâmetro condutividade elétrica a variação encontrada foi maior em pontos sob influência antrópica
(margem direita), entre 72,7 μS/cm e 82,7 μS/cm. Conforme análises foi identificado usuário de atividade bovina
localizado na margem do rio, que foi supostamente o mais impactado através da diluição de efluentes com
contribuição orgânica oriunda dessa atividade. O rio Puraquequara, apesar de evidenciar uma sensível
contribuição de usuários de recursos hídricos de atividade industrial e atividade bovina, apresenta características
preservadas e deve ser enquadrado em classes que evidenciam preservação de suas águas como Classe I e Classe
II da Resolução CONAMA 357/2005.

18
9REA106
HISTÓRIA SINUOSA DO ARROIO DILÚVIO: UMA ANÁLISE
SÓCIOAMBIENTAL NO PERÍODO COLONIAL
Claudio Evandro Bublitz1
1
Mestrando em Geografia Ambiental - Instituto de Geociências, Universidade Federal do Rio Grande
do Sul, e-mail: cbcbublitz@gmail.com

Palavras-chave: história do arroio Dilúvio; história ambiental no período colonial; geo-história do arroio
Dilúvio.

Resumo: Este artigo consiste em uma análise histórica espacial ambiental de um dos principais cursos d’água da
cidade de Porto Alegre durante a fase pré-colonial e período colonial, o arroio Dilúvio, originalmente
denominado de Jacareí. O objetivo principal é o de analisar as origens que irão transformar o arroio ao longo do
período proposto. Para lograr tal objetivo, buscamos compreender as formas de relacionamento homem/natureza,
em particular com o arroio, através de uma contextualização histórica e espacial em dois momentos distintos e
antagônicos no que se refere à conservação dos bens naturais, antes e depois da chegada dos “colonizadores
europeus". Para consecução dos objetivos propostos na presente pesquisa, estará se priorizando a utilização, com
as adequações necessárias, do método da geo-história, que busca a análise, interpretação e contextualização
histórica e geográfica da área de estudo. Para operacionalizar este estudo propõe-se, além de uma ampla revisão
bibliográfica, a consulta em documentos e registros variados, alguns ainda pouco explorados que envolvam a
área e o período de estudo em questão, que possibilitaram (re) construir as dinâmicas dos processos de interações
sócio espaciais temporais com o objeto de estudo, seus significados, ambiguidades implícitas, omissões e
ideologias. Priorizou-se a análise de diferentes funções dadas ao arroio ao longo do tempo, como das ideologias
que vieram a interferir de alguma forma em seu contexto histórico. Neste sentido se buscou uma análise deste
espaço em uma fase pré-colonial, caracterizando este ambiente e suas populações, como também uma
caracterização do mesmo ambiente no período de dominação colonial. Como resultados e buscando a gênese da
degradação do arroio Dilúvio podemos chegar a duas caracterizações importantes deste processo: a
desconsideração por parte dos “civilizadores” da cultura milenar autóctone e de suas relações com o meio
natural, negada pela ideologia do colonizador, carregada de estigmas e sedentas por recursos; e da função militar
inicial deste nucleamento urbano, que criou os fundamentos da concentração das atividades produtivas do
sistema colonial nesta área restrita, no caso em seu baixo curso sinuoso, limitando o sítio urbano e colaborando
com a degradação do arroio Dilúvio.

19
9REA107
SÍNTESE VERDE DE NANOPARTÍCULAS DE PRATA A
PARTIR DO EXTRATO DO BAGAÇO DE UVA E APLICAÇÃO
NA DESINFECÇÃO DE EFLUENTES INDUSTRIAIS
Camila Suliani Raota1, Thiago Barcellos da Silva2, Marcelo Giovanela3

Universidade de Caxias do Sul, 1e-mail: csraota@ucs.br; 2tbsilva6@ucs.br;


3
e-mail:mgiovan1@ucs.br

Palavras-chave: bagaço de uva; nanopartículas de prata; tratamento de efluentes.

Resumo
As metodologias tradicionais para a síntese de nanopartículas metálicas compreendem a utilização de reagentes
tóxicos que podem causar impactos negativos, tanto ao meio ambiente como à saúde humana. Desta forma, uma
alternativa mais segura para a produção desses nanomateriais baseia-se nos conceitos da Química Verde, onde
são utilizados reagentes menos nocivos e de fontes renováveis. Nesse contexto, o presente trabalho teve por
objetivo a síntese verde de nanopartículas de prata (AgNPs), a partir do extrato do bagaço de Vitis labrusca
(cultivar Ives), a sua caracterização e a posterior aplicação no tratamento terciário de efluentes industriais. Para
tanto, os parâmetros de extração dos compostos bioativos do bagaço de uva (concentração de etanol e pH da
solução extratora) foram previamente otimizados, e o sistema com o melhor desempenho, em termos da atividade
antioxidante, foi a extração com uma solução hidroalcoólica a 50% (v/v) utilizando o pH natural do bagaço. Os
parâmetros da síntese verde (concentração do extrato, concentração do nitrato de prata e pH do meio) foram
igualmente avaliados, e as AgNPs sintetizadas foram analisadas por meio das técnicas de espectroscopia de
absorção molecular na região do ultravioleta e visível (UV-Vis) e microscopia eletrônica de transmissão (MET).
Os resultados mostraram que, nas condições otimizadas (solução de AgNO3 em 2,5 mmol L-1, extrato na
-1
concentração de 50,0 mg mL e pH 10,0), as AgNPs apresentaram um diâmetro médio de 2,9 nm. A atividade
bactericida das AgNPs foi comprovada pela determinação da atividade mínima inibitória e pela formação dos
halos de inibição no ensaio de crescimento bacteriano por difusão de superfície, frente a bactérias Gram-positivas
(S. aureus e E. faecalis) e Gram-negativas (E. coli e P. aeruginosa). Além disso, os dados obtidos na etapa de
desinfecção revelaram que os pellets de quitosana-AgNPs são eficazes na remoção de bactérias, sendo que, após
1 h de contato, foram capazes promover uma redução na contagem das bactérias E. coli, possibilitando a sua
aplicação no tratamento terciário de efluentes industriais. Por fim, esse trabalho demostrou que é possível realizar
a síntese verde de AgNPs utilizando o extrato de bagaço de Vitis labrusca (cultivar Ives), e empregá-las como
auxiliares no processo de desinfecção de efluentes industriais.

20
9REA108
UTILIZAÇÃO DE SERRAGEM DE PINUS ELLIOTTII DA
INDÚSTRIA MOVELEIRA PARA A REMOÇÃO DO
CORANTE AZUL DE METILENO

Jordana Bortoluz1, Fabrício Ferrarini2, Marcelo Giovanela1


1
Universidade de Caxias do Sul; 2Universidade Federal do Rio Grande do Sul
e-mail: mgiovan1@ucs.br

Palavras-chave: Serragem de Pinus elliottii; Adsorção; Azul de Metileno.

Resumo
O descarte incorreto de águas residuais de processos têxteis tem chamado muita atenção nestes últimos anos,
visto que essa prática pode causar impactos ambientais gigantescos. Os efluentes gerados por esse tipo de
indústria têxtil se caracterizam por serem demasiadamente coloridos e altamente tóxicos. Desta forma, diversas
técnicas para a remediação desses efluentes têm sido desenvolvidas. Dentre essas técnicas, a adsorção com
carvão ativado é comumente utilizada pela indústria para tal finalidade, uma vez que apresenta alta eficiência na
remoção de corantes. Entretanto, o alto custo vinculado a esse material adsorvente é um problema. Sendo assim,
a busca por materiais alternativos com baixo custo e que possam ser aplicados em processos de adsorção tem se
intensificado nos últimos anos. Neste contexto, a serragem de madeira, gerada no processo produtivo da indústria
moveleira, apresenta-se como uma alternativa bastante atraente. A serragem é composta principalmente por
celulose, hemicelulose e lignina, e essas estruturas oferecem uma grande variedade de grupos funcionais, os quais
podem atuar como sítios ativos para a remoção das moléculas de corantes. Além disso, o setor
madeireiro/moveleiro é um dos principais geradores de resíduos de madeira e estes, nem sempre, têm uma
destinação ambientalmente correta. Assim, a utilização desses materiais como adsorventes pode contribuir para a
redução da disposição incorreta desses resíduos no meio ambiente, proporcionando um destino mais nobre para
os mesmos. Levando-se em consideração todas essas questões, esse trabalho teve por objetivo a utilização de
uma amostra de serragem de Pinus elliottii na remoção do corante azul de metileno (AM) de soluções aquosas
por meio da técnica de adsorção. Inicialmente, fez-se a remoção dos extrativos da madeira por meio da norma
TAPPI T204cm-97. O material obtido foi então caracterizado por meio das técnicas de espectroscopia de
infravermelho com Transformada de Fourier (FT-IR), microscopia eletrônica de varredura com emissão de
campo (MEV-FEG) e determinação do pH no ponto de carga zero (pH PCZ). Os ensaios de adsorção, por sua vez,
foram realizados em uma mesa orbital a 25 °C, com velocidade de agitação igual a 150 rpm e durante 4 h. A
influência de parâmetros experimentais no processo adsortivo, como a quantidade de massa de serragem de Pinus
elliottii tratada e o pH do meio, foram igualmente avaliados. Os resultados mostraram que, em relação ao
equilíbrio do processo de adsorção, o modelo de Freundlich foi o que melhor descreveu o comportamento dos
dados experimentais, apresentando um coeficiente de determinação (R²) igual a 0,9801. Em relação à cinética, o
modelo de pseudossegunda foi o que representou de maneira mais apropriada a taxa de remoção do corante AM.
Por fim, a serragem de Pinus elliottii tratada mostrou ser um adsorvente eficiente na remoção do corante AM,
com potencial para aplicação no tratamento de efluentes da indústria têxtil.

21
9REA109
ANÁLISE TEMPORAL DA COBERTURA VEGETAL E
ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTES FLUVIAIS NA
BACIA HIDROGRÁFICA DO IGARAPÉ SÃO RAIMUNDO,
MANAUS-AMAZONAS-BRASIL

João Cândido André da Silva Neto¹, Natacha Cíntia Regina Aleixo²

¹Universidade Federal do Amazonas, e-mail: joaokandido@yahoo.com.br; ²Universidade Federal do


Amazonas, e-mail: natachaaleixo@yahoo.com.br

Palavras-chave: Áreas de Preservação Permanente; Cobertura vegetal; Amazonas.

Resumo
O presente trabalho teve como objetivo analisar a relação da cobertura vegetal e as Áreas de Preservação
Permanentes (APPs) fluviais, numa perspectiva temporal, na bacia hidrográfica do igarapé São Raimundo
localizado na área urbana de Manaus-AM. Foram utilizadas ferramentas como os Sistema de Informações
Geográficas (SIG) e os produtos de Sensoriamento Remoto como as imagens de satélites Landsat 8 OLI e
Landsat 5 MSS. O processamento de dados em ambiente de SIG, iniciou-se com a delimitação das Áreas de
Preservação Permanentes fluviais, conforme previsto na legislação vigente, posteriormente utilizando-se o
software QGIS, onde foi gerado a partir da camada vetorial de drenagem, uma entidade polígono, contento
buffers de largura variável de acordos com as características da rede drenagem ou áreas de nascente e lago e
lagoas. A partir do resultado da análise da incompatibilidade entre uso da terra e cobertura vegetal e as Áreas de
Preservação Permanentes, observou-se o aumento de 43% para 54% das áreas que deveriam ser preservadas,
entretanto, apresentam usos diversos e inadequados.

22
9REA111
EVOLUÇÃO DA PRODUÇÃO AGRÍCOLA E IMPACTOS
AMBIENTAIS NO MUNICÍPIO DE PALMITINHO, RIO
GRANDE DO SUL

Viviane Capoane1
1
Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, e-mail: capoane@gmail.com

Palavras-chave: Sistemas intensivos; Degradação ambiental; Suinocultura.

Resumo
A recente intensificação da agricultura e as perspectivas de intensificação futura podem agravar os impactos nos
ecossistemas terrestres e aquáticos no mundo. Até 2050, levando em consideração que as projeções estimam uma
população de nove bilhões de pessoas, prevê-se que a procura por carne e produtos lácteos aumentem em cerca
de 70-80% e a procura de proteínas vegetais em 100-120%, consequentemente, isso aumentará a pressão sobre os
recursos naturais, principalmente o solo e a água. Na região noroeste do Rio Grande do Sul (RS) a produção
agrícola, especialmente a suinocultura intensiva, avicultura e a bovinocultura leiteira, é uma atividade importante
na economia dos municípios. Diante disso, este trabalho objetivou fazer um levantamento da produção agrícola
no período de 2000 a 2017 no município de Palmitinho, noroeste do RS e, analisar os impactos ambientais
associados a essa atividade. A evolução da produção agrícola foi analisada a partir de dados disponibilizados
pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (Produção Pecuária Municipal e Produção Agrícola
Municipal). Os resultados foram apresentados na forma de gráficos gerados no programa Excel. Mapas temáticos
de relevo e distribuição espacial das granjas de suínos e aviários foram gerados a fim de subsidiar a análises dos
dados levantados, o programa utilizado para tal foi o ArcGis 10.3. A área utilizada para o plantio de culturas
temporárias no município teve um decréscimo de 39,7% entre 2000 e 2017. Grande parte dessas áreas foram
convertidas em pastagens para alimentação do gado leiteiro. Das cinco principais culturas temporárias, milho,
soja, mandioca e feijão apresentaram redução significativa na área plantada e, o fumo apresentou aumento de
13,3% no período analisado, sendo que em 2017, a área plantada com estas cinco culturas correspondia a 93,3%
da área destinada às lavouras temporárias no município. Na pecuária, destacam-se: a produção de suínos, que no
período analisado teve um aumento de 500,3% no número animais; a bovinocultura leiteira com um aumento de
325,3% no rebanho e; avicultura com um aumento de 422,1% no plantel de aves. As atividades agrícolas
desenvolvidas no município, embora tenham grande importância econômica e social, têm provocado uma forte
pressão sobre os recursos naturais, principalmente sobre o solo e a água, que são impactados como resultado da
erosão do solo e do escoamento contendo fertilizantes (orgânicos e inorgânicos), pesticidas, drogas veterinárias e
agentes patogênicos.

23
9REA112
SUSCEPTIBILIDADE A EROSÃO NA BACIA
HIDROGRÁFICA DO CÓRREGO GUARIROBA, CAMPO
GRANDE, MATO GROSSO DO SUL
Viviane Capoane1
1
Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, e-mail: capoane@gmail.com

Palavras-chave: Índices Topográficos, Reservatório, Degradação.

Resumo
Reservatórios são corpos d'água formados ou modificados pela atividade humana para fins específicos, como
abastecimento doméstico e industrial, geração de energia, irrigação, regulação fluvial e controle de inundações,
pesca comercial e recreativa, lazer, além de atuarem como habitats aquáticos. No entanto, os usos antrópicos
intensivos nas bacias de captação colocam em riscos esses serviços. Na cidade de Campo Grande, a captação de
água para o abastecimento humano é feita de mananciais superficiais e de aquíferos. O reservatório localizado na
Área de Proteção Ambiental (APA) dos Mananciais do Córrego Guariroba é a principal fonte superficial de
abastecimento da cidade. Diante disso, o objetivo deste trabalho foi avaliar a susceptibilidade a erosão e o uso e
cobertura da terra na bacia hidrográfica (BH) do Córrego do Guariroba, a fim de subsidiar o planejamento e a
gestão ambiental. A susceptibilidade a erosão foi avaliada a partir de atributos topográficos primários
(declividade e hipsometria) e secundários (Índice Topográfico de Umidade - ITU, Índice Topográfico de
Potência de Escoamento - ITPE e, Índice Topográfico de Capacidade de Transporte de Sedimento - ITCTS),
extraídos de um modelo digital de elevação de cinco metros de resolução espacial. A análise do uso e cobertura
da terra teve como base o Índice de Vegetação por Diferença Normalizada (NDVI), gerado a partir de imagens
Sentinel 2B de 10 metros de resolução espacial, do período de verão e inverno de 2018. As cotas altimétricas da
BH variaram de 444 a 659 metros sendo a amplitude de 215 metros. O declive máximo encontrado foi 29,1%, e a
classe de relevo predominante, a suave ondulado (declive entre 3 e 8%) com 56,2% da área da BH, seguido do
relevo plano (declive entre 0 e 3%) com 39,4%, ondulado (declive entre 8 e 20%) com 4,4% e, forte ondulado
(declive entre 20 e 45%) com 0,01% da área da BH. O ITU variou de 2 a 12, com média de 5,4 e desvio padrão
de 1,1. As áreas com maior potencial de saturação hídrica, ou seja, áreas com maior potencial de acúmulo de
água e geração de escoamento superficial, típico de solos hidromórficos, encontram-se ao longo dos cursos
d'água e nas cabeceiras de drenagem. Estes locais são áreas sensíveis aos processos erosivos pela movimentação
da água em superfície, que causam carreamento de partículas de solo. O ITPE variou de 0 a 1.201.430, o desvio
padrão foi de 4.556 e a média 166. Os maiores valores do ITPE correspondem às áreas declivosas com vertentes
lineares, indicando locais na paisagem com maior risco de aparecimento de canais de erosão e ravinas. O ITCTS
variou de 0 a 11,4 com média de 0,39 e desvio padrão de 0,32. Os maiores valores do ITCTS foram encontrados
em vertentes côncavas convergentes. Nesses locais os fluxos superficiais têm maior energia, consequentemente, o
poder erosivo é maior, aumentando assim a susceptibilidade a perda de sedimento e poluentes. Os mapas
temáticos do NDVI mostraram que no verão, mês de janeiro, há uma predominância de valores superiores a 0,45
com máximo de 0,864158, ou seja, as plantas nesse período estão no máximo vigor, reflexo do período chuvoso
em Campo Grande. No período de inverno o valor máximo encontrado foi de 0,747459, o que se atribui a
intensidade pluviométrica, que começa a reduzir significativamente em maio, ou seja, as plantas estão com menor
verdor ou, com ausência de cobertura vegetal (solo exposto). Os mapas gerados permitem identificar na
paisagem os remanescentes de vegetação nativa e, as áreas de silvicultura. A fragilidade natural dos solos da BH
ao desenvolvimento dos processos erosivos (predomínio de Neossolos Quartzarênicos), aliado às atividades
antrópicas com manejo inadequado, podem colocar em risco o abastecimento de água em Campo Grande em um
futuro próximo, devido ao assoreamento do reservatório e aumento da transpiração pela inserção da silvicultura.
Os atributos topográficos primários e secundários e o NDVI gerados no presente trabalho constituem ferramentas
a serem utilizadas pelos gestores, uma vez que, possibilitam a definição das áreas prioritárias para a recuperação
e restrição de uso, a fim de proteger o reservatório tanto em termos qualitativos quanto quantitativos, pois este
manancial é a principal fonte de água superficial que abastece a cidade de Campo Grande.

24
9REA113
CONSEQUÊNCIAS DA URBANIZAÇÃO, NA DRENAGEM
URBANA DO MUNICÍPIO DE PANAMBI - RS

Bruna Viapiana Weinitschke Jacques1, Bruna Thaís Liesenfeld2, Andreia Balz3, Giuliano
Daronco4

1Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul – UNIJUÍ e-mail:


brunavjacques@gmail.com; 2Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul –
UNIJUÍ, e-mail: brunaliesenfeld@gmail.com; 3Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio
Grande do Sul – UNIJUÍ, e-mail: bzandreia@yahoo.com.br; 4Univesidade Regional do Noroeste do
Estado do Rio Grande do Sul, e-mail: giuliano.daronco@unijui.edu.br.

Palavras-chave: Urbanização; Drenagem; Enchentes.

Resumo
Em decorrência da urbanização descontrolada, atualmente encontram-se novos desafios a cada dia. Em um
pequeno município no noroeste do estado do Rio Grande do Sul, a principal consequência são os problemas na
drenagem urbana. A cidade de Panambi – RS tem um grande registro de enchentes causadas pela urbanização e
outras. Com isso, o presente trabalho traz variados problemas na drenagem urbana da microbacia hidrográfica do
Arroio Alagoas no município de Panambi – RS. É um trabalho baseado em bibliografia a respeito da
urbanização, drenagem urbana, mananciais urbanos e por fim uma análise de possíveis soluções de controle de
enchentes e também um levantamento das causas. Foi realizada uma pesquisa histórica sobre os casos de
alagamentos na cidade e também um detalhado estudo local do Arroio Alagoas. Assim, percebe-se que as causas
dos alagamentos na cidade de Panambi são diversas, dentre elas falhas na microdrenagem, inexistência de redes
de drenagem ou estrangulamento dos trechos existentes. Em alguns casos pela falta de educação ambiental da
população que não tem cuidado com os resíduos sólidos e também a forma como aconteceu a ocupação da
cidade.

25
9REA114
AVALIAÇÃO QUANTO AO SISTEMA SECUNDÁRIO DE
AQUECIMENTO SOLAR DA ÁGUA

Djenifer Andressa Buchholz1, Andréia Balz2, Bruna Thaís Liesenfeld3, Giuliano Crauss
Daronco4

1Univesidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul,e-mail:


djeni.and08@gmail.com; 2Univesidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul ,e-
mail: bzandreia@yahoo.com.br; 3Univesidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do
Sul, e-mail: brunaliesenfeld@gmail.com; 4Univesidade Regional do Noroeste do Estado do Rio
Grande do Sul, e-mail: giuliano.daronco@unijui.edu.br.

Palavras-chave: aquecimento à gás, eficiência energética, pesquisa de satisfação.

Resumo
Percebe-se atualmente a importância na utilização de novas fontes de energias sustentáveis, sendo essas
incentivadas por programas governamentais, visando à redução principalmente do consumo de energia elétrica.
Com isso, os sistemas de aquecimento solar da água propõem a substituição dos chuveiros elétricos. Dessa
forma, o estudo aborda a eficiência do sistema de aquecimento solar através do ponto de vista do consumidor em
dois edifícios residenciais na cidade de Santa Rosa- Rio Grande do Sul, com objetivo de avaliar a utilização do
sistema secundário e a satisfação dos usuários de sistemas de aquecimento solar de água através de pesquisa de
satisfação de clientes optou-se por uma pesquisa do tipo exploratória. Os resultados foram obtidos por meio de
revisão bibliográfica e dados levantados em campo através de questionários, considerando dois edifícios
residenciais com sistemas de aquecimento da água parecidos, porém com idades diferentes (1º com 4 anos e o 2º
com 8 meses). Assim sendo, verificou-se que o sistema de aquecimento solar da água, pelo ponto de vista dos
usuários é eficiente, pois este conta com um sistema secundário de aquecimento da água que supre a ineficiência
do aquecimento solar. No entanto, considerando os gastos gerados pelo sistema solar e pelo sistema secundário,
muitos usuários deixam de usar parcialmente o sistema de aquecimento solar da água, por considerarem que este
gera um desperdício de água potável e gera também gastos excessivos com o sistema secundário em períodos
frios e chuvosos.

26
9REA115
AVALIAÇÃO DA EFICIÊNCIA DOS SISTEMAS DE
TRATAMENTO DAS ÁGUAS DE LAVAGEM DE
CAMINHÕES BETONEIRAS EM UMA CENTRAL
DOSADORA DE CONCRETO NO MUNICÍPIO DE
CUIABÁ/MT

Simone Ramires1, Karen Rebeschini de Lima Rossi2


1
Universidade Federal do Rio Grande do Sul, UFRGS,e-mail:simone.ramires@ufrgs.br;
2
Universidade Federal do Mato Grosso, UFMT, e-mail: karen_rebeschini@hotmail.com.

Palavras-chave: Efluente Industrial, Bate Lastro, Sistema de Tratamento.

Resumo
As Centrais Dosadoras de Concreto chamadas de concreteiras realizam a dosagem dos produtos no pátio da
empresa, posteriormente este material é levado ao seu destino final pelos caminhões betoneiras, os quais após o
descarregamento do material é adicionado água no balão do caminhão, para evitar o endurecimento do material
aderido á parede do mesmo. Sabe-se que os principais constituintes deste efluente de lavagem do caminhão, são
os sólidos em suspensão, que confere á agua alta turbidez, podendo influenciar diretamente na fauna e flora dos
corpos receptores. No Brasil, a falta de investimento em tecnologias e a falta de recursos financeiros, fazem com
que diversas empresas de pequeno e médio porte não consigam estabelecer tratamentos eficientes para
inertização e minimização destes passivos ambientais. Em concreteiras são construídos sistemas de tratamento
conhecidos como bate lastro, que consiste em vários decantadores em séries para retenção do material sólido
presente no efluente de lavagem do caminhão betoneira. Porém, alguns especialistas acabam por afirmar que este
sistema é ineficiente no tratamento deste tipo de efluente. Visando este problema, o presente trabalho teve como
objetivo identificar a eficiência do sistema de tratamento por bate lastro, comparando as concentrações de saída
do sistema, com padrões estabelecidos em norma para lançamento nos corpos hídricos. O trabalho consistiu na
análise dos seguintes parâmetros: temperatura, oxigênio dissolvido, pH, turbidez, alcalinidade, dureza, demanda
química de oxigênio, óleos e graxas, condutividade e série de sólidos. Conclui-se que o sistema é altamente
eficiente na remoção de sólidos, sendo que toda a série de sólidos atingiu uma eficiência acima de 90%. Um fato
preocupante, refere-se aos parâmetros químicos como o pH, alcalinidade, DQO e dureza, visto que suas
concentrações na saída dos sistemas são altamente elevadas, estando em desacordo com os limites estabelecido
em norma. Este estudo para a avaliação da eficiência tornou-se um item inovador nesta linha de pesquisa para
análise dos principais constituintes das águas de lavagem de caminhões betoneiras e dos pátios de centrais
dosadoras de concreto.

27
9REA116
ÁRVORE SOLAR NA ESCOLA DE ENGENHARIA DA
UFRGS: UMA PROPOSTA SUSTENTÁVEL
Simone Ramires1, Carlos Henrique Arguilar2, José Giovani dos Santos Oliveira3

1
Universidade Federal do Rio Grande do Sul, UFRGS, e-mail:simone.ramires@ufrgs.br;
2
Universidade Federal do Rio Grande do Sul, UFRGS, e-mail: arguilar123@gmail.com;
3
Universidade Federal do Rio Grande do Sul, e-mail: giovani.oliveira@ufrgs.br
Palavras-chave: Sustentabilidade, Energia Renovável, Inovação.

Resumo
É antiga a discussão de ajuste da Engenharia às novas demandas da sociedade, ou seja, moldar as novas
descobertas cientifica e novas tecnologias de forma e aplicá-las no contexto da resolução de problemas práticos
dia a dia, ou ainda desenvolver aplicações que sejam úteis para outras necessidades atuais relacionadas a assuntos
como meio ambiente e sustentabilidade, como a redução do consumo de energia, reaproveitamento e reutilização
de materiais, redução do consumo de água, economia circular, logística reversa e análise do ciclo de vida. Nesse
sentido, o Núcleo de Engenharia Educacional (NEED) juntamente a Escola de Engenharia (EE), Instituto de
Física e Instituto de Pesquisa Hidráulica (IPH) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) instituiu
o projeto Acolhimento dos Calouros - “Como tornar a UFRGS mais sustentável” – 2018/1 que tem como
objetivo possibilitar aos calouros dos 13 cursos da EE, identificar lacunas acerca dos problemas encontrados no
cotidiano da Universidade como, por exemplo, captação da água da chuva, telhado verde, aproveitamento das
águas cinzas e negras, revitalização de áreas, energias renováveis, áreas de lazer, espaços de convivência, e,
também, reaproveitamento de materiais que são descartados pela Universidade. Portanto, resolve trazer esse
desafio para dentro da universidade como forma de incentivar os novos alunos a refletir e ter contato com esses
temas desde o início da graduação com a identificação dessas demandas, novas ideias e aplicações na área da
sustentabilidade. Alguns dos projetos apresentados por alunos em anos anteriores (2017/1) já estão em fase de
andamento, seja aplicando o projeto dentro da universidade utilizando como base a solução apresentada por eles,
ou com o refinamento do projeto, gerando novos temas de pesquisa e extensão dentro da universidade,
fortalecendo dessa forma o ensino e a produção de conhecimento na área do meio ambiente e sustentabilidade.
Todos os projetos do desafio têm também como base alguns dos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável
proposto pela Organização das Nações Unidas – ONU, que são diretrizes gerais que tem como objetivo o
direcionamento de programas e projetos de sustentabilidade. O desafio tem como objetivo também incentivar o
raciocínio critico e proporcionar experiências vivenciais que permitam a construção de conhecimentos para
fomentar a inovação, a criatividade e o espírito empreendedor nos alunos de diferentes cursos de graduação da
UFRGS, bem como suscitar o debate acerca das etapas para o empreendimento de um negócio, analisar os
elementos influenciadores neste processo e discutir questões de posicionamento em mercados como, por
exemplo, verificar o investimento inicial para iniciar o projeto, custos de manutenção, e também o retorno que
ele trará tanto financeiramente quanto ambientalmente. Tendo em vistas esses pontos discutidos e abordados pelo
desafio, uma das vertentes possíveis de ser explorada é a remodelação ou adaptação de tecnologias e dispositivos
já existentes a conceitos sustentáveis, ou seja, adaptar aplicações já existentes com alguma tecnologia ou
modificação que remeta e promova a preservação do meio ambiente e a sustentabilidade. Nesse sentido, surge o
projeto Arvore Solar na Escola de Engenharia com o intuito de trabalhar as lacunas quanto ao consumo de
energia, energias renováveis e possibilitar aos estudantes universitários aplicar teoria a prática. As árvores solares
são novas aplicações que vem ganhando destaque nos últimos anos, no contexto da geração de energia
fotovoltaica, pois ela tem o uso direto dessa tecnologia e são produtos que tem um design estético planejado de
forma a chamar a atenção do público para a nova tendência de geração de energia a partir de fontes sustentáveis
como a energia solar. O projeto tem como objetivo desenvolver uma árvore solar que possui as funções de
carregamentos de smartphones, iluminação local e iluminação de fachada de prédio. Além disso, haverá uma área
de convivência na base da árvore, de forma a incentivar o uso da árvore, e assim promover a divulgação da
utilização de energia solar que é observada na árvore. É nessa área de convivência que serão colocadas as
tomadas para o carregamento dos smartphones. As disposições desses elementos bem como o design em si da
árvore estão sendo elaborados pelo Laboratório de Design e Seleção de Materiais da EE/UFRGS, de forma a
serem mais atrativos ao público esteticamente.

28
9REA117
CURVA DE PERMANÊNCIA DE VAZÕES DO RIO TIMBÓ,
SC

Álvaro José Back1, Gustavo José Deibler Zambrano2, Cláudia Weber Corseuil3
1
Empresa de Pesquisa Agropecuária de Santa Catarina, e-mail: ajb@epagri.sc.gov.br; 2Universidade
do Extremo Sul Catarinense, e-mail: gdz@unesc.net; 3Universidade Federal de Santa Catarina, e-
mail: Claudia.weber@ufsc.br

Palavras-chave: Eventos extremos; vazões mínimas; outorga.

Resumo
O conhecimento da disponibilidade hídrica em uma bacia hidrográfica é de grande importância para o
gerenciamento e gestão dos recursos hídricos. Um dos instrumentos da gestão das águas é a outorga que, para seu
estabelecimento, requer critérios baseados na disponibilidade hídrica. No processo de outorga toma-se como
referência as vazões mínimas, ou vazões com alta probabilidade de superação. Esses valores podem ser obtidos
pela curva de permanência. No presente estudo foi avaliada e modelada a curva de permanência de vazões do rio
Timbó, localizado no Planalto Norte de Santa Catarina. Foram utilizados os dados diários de vazão da estação
fluviométrica Santa Cruz do Timbó (Código 65295000) referente ao período de 1975 a 2005. Desta forma, pode-
se estabelecer as curvas de permanência para vazões mensais e vazões diárias. Os valores foram
adimensionalizados pela vazão média de longo termo, e ajustados ao modelo Racional. Também foram
determinadas as curvas de permanência de vazões diárias para cada mês, e ajustados os modelos para estas
vazões adimensionalizadas pelas vazões médias mensais. Os resultados obtidos mostram que a utilização da
curva de permanência mensal superestima os valores de vazão com frequências superiores a 20%. Os modelos
ajustados permitem estimar a vazão com pequeno erro padrão de estimativa, sendo os valores do coeficiente de
determinação superior a 0,99. A determinação da curva de permanência mensal permite a flexibilização dos
critérios de outorga de uso da água, considerando a sazonalidade da oferta e da demanda de recursos hídricos,
melhorando a gestão de recursos hídricos.

29
9REA118
SIMULAÇÃO NUMÉRICA DA ESTEIRA TURBULENTA A
JUSANTE DE UM AEROGERADOR COM AUXÍLIO DE UMA
ZONA PERMEÁVEL

Leandro José Lemes Stival1, João Marcelo Vedovoto2, Fernando Oliveira de Andrade3
1
Universidade Federal do Paraná, e-mail:leandro.stival@ufpr.br; 2Universidade Federal de
Uberlândia, e-mail:vedovoto@ufu.br; 3Universidade Tecnológica Federal do Paraná, e-mail:
fandrade@utfpr.edu.br

Palavras-chave: Energia eólica; esteira turbulenta; modelagem computacional.

Resumo: A energia eólica adquiriu uma participação significativa na produção mundial de energia. No entanto,
a eficiência da produção média de energia eólica mundial é de cerca de 30% da energia cinética do vento. Por
esse motivo é essencial estudar a eficiência desses sistemas de geração de energia, avaliando os efeitos
aerodinâmicos ao redor de uma turbina eólica e em todo o sistema. Avaliações dos recursos eólicos são cruciais
para reter todas as vantagens dessa fonte renovável. Este estudo visa modelar a esteira turbulenta gerada a jusante
de um aerogerador, onde a turbina eólica foi modelada com base na teoria do disco atuador e a aerodinâmica
simulada a partir das equações de transporte médias de Reynolds (RANS), com uso do modelo de turbulência k-
. Os resultados demonstraram a existência de forte perda de energia cinética nas regiões imediatamente a jusante
das turbinas, principalmente para escoamentos com baixas velocidades de entrada. No entanto, nestes casos os
resultados demonstram alto padrão de recuperação de energia cinética ao final da esteira turbulenta.

30
9REA119
OS EFEITOS DA ESTIAGEM NAS ATIVIDADES
AGROPECUÁRIAS DA REGIÃO DO CURIMATAÚ
OCIDENTAL PARAIBANO

Djair Alves de Melo1, Joab Josemar Vitor Ribeiro do Nascimento2, João Paulo da Silva
Macêdo3, Flaviano Guedes de Araújo4
1
IFPB,e-mail: djairalves@hotmail.com; 2IFPB,e-mail: joabjosemar@gmail.com; 3IFPB,e-mail:
jp_agro@hotmail.com; 4IFPB,e-mail: guedesflaviano@hotmail.com

Palavras-chave: Pluviometria; Semiárido; Estiagem; Produção agropecuária

Resumo: A microrregião do Curimataú Ocidental está localizada na região Semiárida, dividido em 11 municípios,
caracterizado por clima quente, baixas precipitações pluviométricas e altos índices de evapotranspiração seguidos por
longos períodos de estiagem, o que influencia direta e indiretamente a produção de grãos e pecuária. Neste sentido, o
objetivo do trabalho foi fazer um comparativo dos dados pluviométricos no período de 2006 a 2015, com a produção
agrícola e pecuária. Os dados foram coletados através de informações de órgão oficiais, por meio eletrônica nos sites da
Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba (AESA), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística –
IBGE e Sistema de Integração Agropecuária, do estado da Paraíba (SIAPEC). Os resultados mostraram que a baixa
precipitação pluviométrica entre os anos de 2012 a 2016 na região do Curimataú ocidental afetou diretamente a produção
das culturas de feijão, milho e a redução do rebanho bovino.

31
9REA121
A INTERFERÊNCIA DA CONCENTRAÇÃO DE FERRO NOS
CURSOS D’ÁGUA DA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO SÃO JOSÉ
DOS DOURADOS

Monalisa Verginia Felicio Ferreira1, Fernando Braz Tangerino Hernandez2, Alice Nardoni Marteli3,
Renata Danielle Cardoso Delazari4, Adriana Sanches Borges5
1
Engenheira Agrônoma da CDRS e Mestranda no Programa de Gestão e Regulação de Recursos Hídricos –
ProfÁgua na UNESP Ilha Solteira (monalisaagr5@hotmail.com); 2Professor na UNESP Ilha Solteira
(fernando.braz@unesp.br); 3 Doutoranda na Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS
(alicenmart2@gmail.com); 4 Engenheira Agrônoma da Prefeitura de Guarani d’Oeste e Mestranda no
Programa de Gestão e Regulação de Recursos Hídricos – ProfÁgua na UNESP Ilha Solteira
(rdc.delazari@unesp.br). 5Engenheira Ambiental na Bunge e Mestranda no Programa de Gestão e Regulação
de Recursos Hídricos – ProfÁgua na UNESP Ilha Solteira (adriana.borges@unesp.br).

Palavras-chave: qualidade da água; irrigação; recursos hídricos

Resumo

Todos os ecossistemas aquáticos continentais estão submetidos a impactos resultantes das atividades humanas e
dos usos múltiplos das bacias hidrográficas. Os recursos hídricos superficiais são de suma importância para a
prática da irrigação e quando se utiliza um sistema de irrigação localizada, a qualidade da água é de extrema
importância, tanto na vida útil do sistema, como na uniformidade da distribuição da água de irrigação. Assim, a
qualidade da água de uma bacia hidrográfica é resultante de fenômenos naturais e antrópicos, sendo uma função
do uso e da ocupação do solo. Nas águas superficiais, o nível de ferro aumenta nas estações chuvosas devido ao
carreamento de solos e à ocorrência de processos de erosão das margens. A agricultura irrigada necessita de água
em quantidade e qualidade. O elemento químico ferro está entre os oito elementos encontrados em maior
quantidade na crosta terrestre, no entanto a maior parte na forma de íon de ferro, em compostos iônicos. Quando
encontrado em ambientes aquáticos é oriundo principalmente do intemperismo das rochas (processo de
desintegração das rochas) e através de processos erosivos (naturais ou intensificados pela ação antrópica) quando
o solo formado a partir destas rochas é carreado até o curso d’água. A principal causa de entupimento de
emissores de irrigação localizada, segundo Nakayama e Bucks (1991) são as elevadas concentrações de íons de
ferro total, quando solúveis (Fe+2) , presentes em diversas fontes de água, ou oxidados para a forma (Fe+3), que
precipitam, formando aglomerados sólidos, que aderem às paredes internas da tubulação dos sistemas de
irrigação ou nos emissores, causando aumento da perda de carga e perda de pressão ao sistema, ou mesmo,
obstruindo a passagem de água pelos bocais, mesmo estando após o sistema de filtragem. Há diferentes formas
de para a remoção de ferro, com diferentes investimentos e custos operacionais, conforme o usoq eu se dará a
água, mas o mais usado é através da aeração, passando o elemento para a forma insolúvel (LIBÂNIO, 2005). No
uso da água para irrigação, essa aeração deve ser realizada antes de entrar no sistema de filtragem. A Bacia
Hidrográfica do Rio São José dos Dourados está localizada na Região Hidrográfica do Rio Paraná, sendo
denominada pelo Sistema Estadual de Gerenciamento de Recurso Hídricos (SEGRH) de Unidade de
Gerenciamento de Recursos Hídricos 18 (UGRHI 18). A bacia está localizada na Região Noroeste do Estado de
São Paulo. Foram analisados os resultados de 120 análises, de ferro total, realizadas entre os anos de 2013 a
2017, sendo 20 análises para cada um dos seis pontos de monitoramento instalados na UGRHI 18, pertencentes à
Rede Básica Integrada da ANA/CETESB, localizados na Bacia Hidrográfica do Rio São José dos Dourados. As
concentrações de ferro nos pontos de monitoramento SJDO02150, SJDO02500 e BSJD02200 da (UGRHI 18)
apresentaram resultados acima dos ideais para a utilização da água para a irrigação, principalmente devido a
erosão. Os processos erosivos em áreas de cultivo podem ser reduzidos ou controlados com a aplicação de
práticas conservacionistas, que têm por concepção fundamental garantir a máxima infiltração e o menor
escoamento superficial das águas pluviais. O controle da erosão em áreas rurais destaca-se fundamentalmente
com a utilização adequada de práticas agrícolas de conservação do solo.

32
9REA124
NATUREZA E CRIANÇA: USO DO DESENHO INFANTIL
PARA REPRESENTAÇÃO DO MEIO AMBIENTE URBANO
Keila Camila da Silva1, Ricardo Kutschinsky Bastos2
1
Universidade Cândido Mendes,e-mail: keila_ambiental@hotmail.com; 2Faculdade de Tecnologia de
Jahu, e-mail: ricardokbastos@gmail.com;

Palavras-chave: Meio Ambiente; Educação Ambiental; Desenho.

Resumo
O presente estudo apresentou uma análise de percepção ambiental através do diálogo com a psicologia ambiental
aplicado com nove crianças através do uso de mapas mentais em duas escolas, localizadas no município de Jaú,
São Paulo visando a realização de desenhos para levantar o sentimento pelo ambiente natural no Bosque Campos
Prado. Observou-se que as crianças possuem pertencimento com o Bosque em si, porém possuem pertencimento
pelas árvores, casas, ruas, e outras áreas verdes, onde podem ao mesmo tempo estar ao ar livre e brincar, locais
que possuem formas diversificadas de diversão. Áreas verdes apareceram nos desenhos em 88,9% das crianças, o
que mostra que aqueles que vivem próximos, pensam próximo.

33
9REA125
AVALIAÇÃO PRELIMINAR DA ACUMULAÇÃO DE
FÓSFORO EM BIOFILME UTILIZANDO FILME
POLIMÉRICO BIODEGRADÁVEL COMO MATERIAL
SUPORTE

Anna Cláudia Morashashi1, Tatiane Araújo de Jesus2, Derval dos Santos Rosa3, Júlio Harada4,
Denise de Campos Bicudo5
1
Universidade Federal do ABC, e-mail: anna.morashashi@aluno.ufabc.edu.br; 2Universidade
Federal do ABC, e-mail: tatiane.jesus@ufabc.edu.br; 3Universidade Federal do ABC, e-mail:
derval.rosa@ufabc.edu.br; 4Universidade Federal do ABC, e-mail: harada.julio@terra.com.br;
5
Instituto de Botânica, e-mail: denisecbicudo@gmail.com

Palavras-chave: Eutrofização; Perifíton; Sistema de Engenharia Ecológica.

Resumo
A eutrofização é um dos principais problemas ambientais da atualidade e que vem afetando diversos mananciais
no Brasil e no mundo. O processo é caracterizado pelo aumento da biomassa dos produtores primários em
decorrência das altas concentrações de nutrientes, em especial, o fósforo (P), tendo como consequências: perda
da biodiversidade, deterioração do corpo d’água, redução do valor estético do ambiente, aumento dos custos para
o tratamento de água de abastecimento, problemas de gosto e odor. Com vistas à mitigação do processo de
eutrofização é imprescindível cessar as fontes externas de fósforo. Entretanto, mesmo após tal controle, os
ecossistemas aquáticos podem se manter eutrofizados por muitos anos, devido aos estoques de fósforo presentes
nos sedimentos. Desse modo, medidas de controle e remoção do aporte interno de nutrientes também se faz ser
necessárias. Apesar das consequências indesejáveis da eutrofização, o P é um elemento químico essencial à
produção de alimentos e suas fontes naturais estão se esgotando. Desse modo, o reaproveitamento do fósforo é de
extrema importância para a manutenção da vida. Assim, o presente estudo teve como objetivo avaliar a
acumulação de fósforo em biofilme formado sobre filme polimérico biodegradável com o intuito de desenvolver
tecnologia mitigadora do processo de eutrofização e que permitisse o reaproveitamento do fósforo usando
suporte biodegradável. Para tanto, lâminas de cada filme biodegradável e vidro (14 cm²) foram fixadas em
estruturas flutuantes (n = 3) instaladas na subsuperfície (25 cm) do Lago das Garças, SP, onde permaneceram por
um período de 30 dias (Jan-Fev/ 18). O Lago das Garças é um lago tropical raso hipereutrófico que apresenta
períodos de floração de cianobactérias. Foram determinados os teores de fósforo total do biofilme, bem como foi
realizado, o monitoramento de parâmetros de qualidade da água (temperatura, transparência, pH, condutividade
elétrica, clorofila-a, oxigênio dissolvido, fósforo total e nitrogênio total). Foram obtidos dados de variáveis
climáticas (temperatura do ar e índice pluviométrico) referentes ao período do experimento. Os resultados
mostraram que o acúmulo de fósforo sobre o filme polimérico biodegradável (24,41 mg g-1; 698,81 mg m-2) foi
superior ao do vidro (8,02 mg g-1; 169,05 mg m-2) e que as taxas de acumulação de P foram superiores aos
valores encontrados em literatura. Dessa forma, a tecnologia vem se mostrando promissora para a mitigação do
processo de eutrofização.

34
9REA128
NANOARGILA NA REMOÇÃO DE ORTOFOSFATO EM
ENSAIOS DE BANCADA: CONTRIBUIÇÃO PRELIMINAR
PARA A MITIGAÇÃO DO PROCESSO DE EUTROFIZAÇÃO
Marcio Yukihiro Kohatsu1, Tatiane Araújo de Jesus2, Gabo Machado3, Julio Harada4
1
Universidade Federal do ABC, e-mail: mykohatsu@gmail.com; 2Universidade Federal do ABC, e-
mail: tatiane.jesus@ufabc.edu.br; 3Universidade de São Paulo, e-mail: gabo.machado@gmail.com;
4
Universidade Federal do ABC e-mail: harada.julio@terra.com.br

Palavras-chave: nanoargila; controle da eutrofização; remediação ambiental.

Resumo

A eutrofização é um dos principais problemas ambientais globais. Em 2010, atingia cerca de 50% dos lagos na
Ásia, Europa e América do Norte, bem como 41% dos lagos na América do Sul e 28% dos lagos na África. De
acordo com uma modelagem realizada com acurácia de 92%, até 2058, na Ásia, 60% dos corpos d’água estarão
eutrofizados; na Europa, 60%; na América do Norte, 70%; na América do Sul, 55%; e na África, 60%.
Considerando o cenário local, a Represa Billings, localizada na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), foi
classificada como eutrófica e supereutrófica no período de 2011 a 2016. Este fenômeno é desencadeado pelo
enriquecimento das águas com nutrientes (compostos de nitrogênio e fósforo) e acarreta em diversas
consequências aos corpos d’água como a produção exacerbada de biomassa, redução dos níveis de oxigênio
dissolvido e aumento dos custos do tratamento das águas. O fósforo (P), em especial, é um elemento chave para o
controle da eutrofização. Além disso, este elemento é essencial para a manutenção da vida, visto que faz parte da
molécula que armazena energia, o trifosfato de adenosina (ATP), e suas fontes naturais estão se esgotando. A
principal fonte de P para os ecossistemas aquáticos é o lançamento de esgotos não tratados ou ineficientemente
tratados. Diante do exposto, a fim de controlar o processo de eutrofização em corpos d’água, é necessário
eliminar as fontes externas de nutrientes e controlar as fontes internas presentes nos sedimentos. Atualmente
existem tecnologias que removem nutrientes de efluentes. Um deles é a precipitação química do fósforo
utilizando sais metálicos. Outro processo é o de lodos ativados com adaptações ao fluxograma tradicional.
Entretanto, o custo associado e a geração de lodo em ambos os processos citados, dificultam a aplicação desta
metodologia em larga escala. Um composto que é de baixo custo, inerte e possui alta reatividade (alta superfície
específica) com componentes fosforados é a nanoargila. Assim, o presente estudo visou avaliar a eficiência de
remoção de ortofosfato por meio do uso de nanoargila sintetizada avaliando cenários com diferentes valores de
pH (7 a 10) com um efluente sintético composto de ortofosfato a 14 mg L-1. O preparo de cada amostra com
diferentes valores de pH foi executada através de um titulador, onde o pH foi aumentado pela adição de
hidróxido de sódio. Para as amostras com nanoargila, foram adicionados 0,03 g para cada 30 mL de amostra.
Para as amostras controles, não foram adicionados a nanoargila. As amostras foram acondicionadas em
erlenmeyers e deixadas em uma mesa agitadora por 48 horas a 100 rotações por minuto (rpm). Depois, as
amostras foram filtradas em filtros qualitativos. Para quantificação dos teores de ortofosfato, os ensaios foram
realizados em triplicata e seguiram a metodologia do Ácido Ascórbico (Método APHA 4500-P E). As amostras
foram diluídas para a análise. Os resultados apresentados mostraram-se promissores com remoções acima de
70% de ortofosfato para todos os pHs analisados, sendo maior na amostra com pH 8 (77%). Embora os
resultados sejam positivos, mais análises são necessárias para avaliar de maneira apropriada a eficiência de
remoção de ortofosfato pela nanoargila. Ensaios com o estudo da variação da temperatura, tempo de contato com
o material, interferência com outros compostos, dosagem de nanoargila são essenciais para o melhor
detalhamento da eficiência do material proposto. A nanoargila, apresentou ótima remoção (~70%) para um
intervalo de pH (7 a 10). Com isso, os resultados apontam um cenário promissor onde a nanoargila pode, no
futuro, ser utilizada em escala comercial, visando o tratamento de efluentes contendo P, bem como à mitigação
do processo de eutrofização in situ, dado seu potencial para a remoção de fosfato da água.

35
9REA130
ORGANIC MATTER AND NUTRIENTS VARIABILITY IN A
WATER SUPPLY RESERVOIR: CASE STUDY OF
PASSAÚNA, CURITIBA-PR
Rodrigo Felipe Bedim Godoy1, Heloise Garcia Knapik2, Cristovão Vicente Scapulatempo
Fernandes3
1
Universidade Federal do Paraná, e-mail: rodrigofelipe7@hotmail.com; 2Universidade Federal do
Paraná, e-mail: helogk@gmail.com; 3Universidade Federal do Paraná, e-mail:
cvs.fernandes@gmail.com

Key Words: Organic Matter, Water Quality, Water Supply Reservoir.

Abstract

Water resources are well known as a precious resource for human's life, industrial and agricultural processes and
for the all living organisms. However, over the years the environment has been degraded as a consequence of
population growth, fast urbanization as well as result of human exploration of natural resources. Facing this
scenario, water resources managers need to find properly strategies for better solutions to get protection for the
natural resources and also to have a properly management of these resources. Thus, we applied a complementary
strategy to assess quantitatively and qualitatively the organic matter and nutrients variability in a water supply
reservoir. Samples were collected in both surface and bottom layers in different sites of the reservoir.
Conventional parameters were analyzed over a hydrological year coupled with spectroscopic techniques for
organic matter sources evaluation. The results indicates that the nutrient concentration, such as Total Nitrogen,
Total Phosphorus, Orthophosphate and Nitrate, were higher at the more urbanized area (sampling sites P1 and
P2). Close to the dam (sampling sites P4 and P5), the results were consistent with the higher residence time,
indicating a higher photosynthesis rate at these two points. Beyond that, Dissolved Organic Carbon concentration
did not present a big difference along the reservoir sites, however, for P4 and P5 the mean values were higher at
surface than at the bottom. It could possibly indicate higher primary production rate than dissolved organic
matter sedimentation at these points. Considering the qualitatively organic matter indices (Suva 254 and
A285/DOC) the results presented trends to be more Allochthonous Organic Matter at P1 and P2 (located in
urbanized area and at riverine zone). The dissolved organic matter at P3, P4 and P5 showed to be more
influenced by internal factors, in other words, be more Autochthonous Organic Matter. The Fluorescence
excitation-emission matrix revealed the decreasing in the aromaticity degree for the organic matter composition
along the reservoir. In general, the water quality parameters presented good results compared to specific law
number 357/CONAMA.

36
9REA131
AVALIAÇÃO PRELIMINAR DA REMOÇÃO DE FÓSFORO
EM SISTEMA PILOTO DE WETLANDS CONSTRUÍDAS
CULTIVADAS COM EICHHORNIA CRASSIPES
Aldrew Alencar Baldovi1, Tatiane Araújo de Jesus2, Roseli Frederigi Benassi3
1
Universidade Federal do ABC, e-mail: ufabc.aldrey@gmail.com; 2Universidade Federal do ABC, e-
mail: tatiane.jesus@ufabc.edu.br; 3Universidade Federal do ABC, e-mail:
roseli.benassi@ufabc.edu.br

Palavras-chave: Engenharia ecológica; eutrofização; fluxo horizontal superficial.

Resumo
A eutrofização de corpos d’água é um dos principais problemas ambientais da atualidade e acarreta em diversas
consequências indesejáveis (e.g.: produção exacerbada de biomassa, depleção dos níveis de oxigênio dissolvido,
florações de cianobactérias, gosto e odor e aumento dos custos do tratamento das águas). Este fenômeno
caracteriza-se pelo aumento da produção de biomassa (algas e macrófitas aquáticas) devido ao enriquecimento
das águas com nutrientes, em especial o fósforo (P). Neste contexto, o presente estudo teve por objetivo principal
avaliar a remoção de P por meio de wetlands construídas de fluxo horizontal superficial cultivadas com
macrófitas aquáticas flutuantes (Eichhornia crassipes) em escala piloto com diferentes tempos de detenção
hidráulica (TDH = 3, 7 e 10 dias). O estudo foi conduzido nas dependências da Fundação Parque Zoológico de
São Paulo (FPZSP). O sistema foi composto por tanque pulmão (1.000 L) para regularização das vazões e
tanques de tratamento e controles, com capacidade de aproximadamente 1.000 L cada. O sistema foi monitorado
semanalmente e por dez meses, a fim de avaliar as variações na remoção de P. Este artigo abrange apenas o
período de dois meses de estudo, entre 03 de maio e 28 de junho de 2018. Os seguintes parâmetros foram
monitorados na entrada e saída do sistema (fase líquida): temperatura do efluente, evapotranspiração e série P
(fósforo total, PT; ortofosfato dissolvido, P-PO4; e fósforo particulado). Foi realizado manejo semanal das
plantas e determinação do balanço de massa. Os dados foram analisados estatisticamente através de ANOVA,
seguida do Tukey (P<0,05). Também foi realizada a correlação de Pearson entre as variáveis. O sistema
apresentou remoção média de PT entre 83,2 e 95,3% e de P-PO4 entre 49,5 e 75,3%. Além disso, ao
desconsiderar os efeitos de sedimentação, assimilação por algas e outros processos (sistema controle), o tanque
com menor TDH (3 dias), foi o que apresentou maior remoção média de fósforo total, o que pode ser atribuído
ao maior crescimento vegetativo observado, resultante da maior renovação do efluente. O balanço de massa de
PT no sistema mostrou que a sedimentação abrange a maior parcela da destinação do nutriente (entre 72,3% e
83,3%). Já as macrófitas contribuíram com a remoção de cerca de 14,4%, 13,0% e 12,0% de PT nos tanques com
TDH de 3, 7 e 10 dias, respectivamente. A correlação de Pearson mostrou que houve correlação inversa entre a
temperatura do ar e a concentração de PT da saída do sistema para os tanques T1 e T2 (iT1 = -0,51; iT2 = -0,17),
ou seja, quanto maior a temperatura, menor a concentração de PT na saída (maior eficiência de remoção com
maior temperatura). Enquanto que o T3 apresentou correlação direta (iT3 = 0,24). Isso significa que conforme
diminui o TDH, a correlação se perde. Desse modo, o estudo contribuiu com o aprimoramento da técnica de
wetlands construídas no tratamento terciário de efluentes com vistas ao reaproveitamento de recursos.

37
9REA133
AGENTES DE SENSIBILIZAÇÃO E EDUCAÇÃO
AMBIENTAL PARA MELHORIA DA GESTÃO DE RESÍDUOS
SÓLIDOS URBANOS (RSU) EM LAGES, SC

Amanda Dalalibera1, Ana Carolina Weirich2, Júlia Nercolini Göde3, Lais Sartori4, Paula
Andressa Andrade5
1
Universidade do Estado de Santa Catarina, e-mail:amandadalalibera@gmail.com; 2Universidade do
Estado de Santa Catarina, e-mail: acweirich@gmail.com; 3Universidade do Estado de Santa
Catarina, e-mail: julianercolini@hotmail.com; 4Universidade do Estado de Santa Catarina, e-mail:
lais.sartori@hotmail.com; 5Universidade do Estado de Santa Catarina, e-mail:
pawandrade@outlook.com

Palavras-chave: Reciclagem; RSU; Conscientização.

Resumo
A expansão desordenada das cidades, o crescimento acelerado das indústrias aliadas aos seus produtos, geraram
consequências notáveis ao meio ambiente, como a depleção dos recursos naturais, perda de habitats, extinção de
animais, alastramento de doenças epidemiológicas, poluição atmosférica, poluição do solo e água e uma geração
exponencial de resíduos sólidos (Siqueira e Moraes, 2009). Por este motivo se faz necessária a realização de um
estudo detalhado sobre os tipos de resíduos que estão sendo produzidos, para, posteriormente, efetuar sua
caracterização de maneira adequada. Não menos importante é a necessidade de conscientização da população,
evideciando os motivos pelos quais os resíduos devem ser dispostos em local adequado e a importância da coleta
seletiva. Isto se torna possível por meio da educação ambiental, especialmente nas escolas. Considerando-se que
as crianças de hoje são o futuro do país, acredita-se que é a partir delas que se deve principiar este processo de
mudança cultural, objetivando uma melhoria significativa na gestão de resíduos sólidos das próximas gerações.
Além disto, deve-se haver uma maior valorização das cooperativas de reciclagem de lixo, pois desempenham
papel fundamental na implementação da Politíca Nacional de Resíduos Sólidos através da gestão integrada dos
mesmos, agregando valor econômico aos resíduos e inclusão social de uma classe de trabalhadores considerada
marginalizada pelo restante da população, além de propiciar emprego e renda à muitos cidadãos brasileiros.
Diante deste cenário, elaborou-se um plano de conscientização ambiental com ênfase na importância da
separação dos resíduos domiciliares, o qual foi implementado em uma escola municipal localizada no bairro
Jardim Panorâmico, em Lages, Santa Catarina, com o intuito de melhorar a percepção ambiental dos moradores
do município, e, deste modo, melhorar sua qualidade de vida. O plano descrito pelo presente trabalho contou
com a aplicação de oficinas e dinâmicas para duas turmas de alunos da Escola Municipal de Ensino Básico
Suzana Albino França, do bairro Jardim Panorâmico. A verificação da eficiência do plano foi realizada por meio
de questionários e caracterização visual dos resíduos descartados em frente à 40 residências. Os resultados
demonstraram que a porcentagem de moradores do bairro que se preocupam em reduzir a quantidade de resíduo,
bem como sabem da existência da coleta seletiva diminuiu após a aplicação do plano de conscientização. Este
fato pode ser justificado devido à uma falta de entendimento adequado, ou descaso dos respondentes pelo
questionário, e/ou ineficácia do programa, o qual necessita de melhorias. No entanto, aumentou o número de
pessoas que separam o lixo em seus domicílios, segundo a análise dos questionários e a caracterização dos
resíduos.

38
9REA135
A INFLUÊNCIA DA PRECIPITAÇÃO TOTAL MENSAL NA
DETECÇÃO DE CONGLOMERADOS DE AEDES AEGYPTI
EM JOINVILLE-SC
Ivan Merêncio1, Carlos Antônio Oliveira Vieira2
1
Mestrando do Programa de Pós Graduação em Engenharia de Transportes e Gestão Territorial pela
Universidade Federal de Santa Catarina, e-mail: ivan.merencio@posgrad.ufsc.br;
2
Profº Dr. Do Programa de Pós Graduação em Engenharia de Transportes e Gestão Territorial pela
Universidade Federal de Santa Catarina, e-mail: aiana.vieira@ufsc.br

Palavras-chave: Estatística Scan; Saúde Pública; Gestão Territorial.

Resumo
O Aedes aegypti é o principal transmissor de dengue, aiana de a, zika e febre amarela urbana. Devido as
características entomológicas do vetor e sua relação com diversas variáveis ambientais e sociais, torna-se um
inseto de difícil controle. Nas duas últimas décadas foram realizadas diversas pesquisas com o objetivo de
compreender os fatores associados à infestação, principalmente envolvendo as variáveis climáticas, como
temperatura e precipitação. O controle da infestação é uma preocupação de vários países em desenvolvimento,
que têm aplicado recursos e métodos na tentativa de controlar a proliferação do mosquito. Assim, este artigo
teve como objetivo a aplicação do método de varredura de kulldorff (estatística Scan) para detecção de
conglomerados de focos de Ae. Aegypti na cidade de Joinville-SC e verificar se a ocorrência destes é explicada
pela co-variável precipitação total mensal. Para isso, utilizou-se os relatórios dos focos do mosquito
identificados no município no período de 2009 a setembro de 2018, que foram fornecidos pela Diretoria de
Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (DIVE-SC); dados vetoriais do cadastro territorial atualizados no
ano de 2010, que foram obtidos no Sistema de Informações Municipais Georreferenciadas (SIMGEO) da
prefeitura de Joinville; e os dados de precipitação total mensal do intervalo de 2009 a setembro de 2018, que
foram disponibilizados pela Agência Nacional das Águas (ANA), no sistema HidroWEB. O método iniciou
com o georreferenciamento dos focos, que abrangeu uma localização inicial com o programa Google Earth
Pro e na sequência a adequação destes ao interior dos lotes do cadastro territorial no Quantum GIS 2.18.9. Na
etapa seguinte ocorreu a classificação da co-variável precipitação em quatro classes, que foram associadas aos
focos do vetor e seus atributos descritivos no software LibreOffice Calc, o qual resultou em uma base
descritiva georreferenciada para inserção no programa SATSCAN 9.6. A aplicação da Estatística Scan foi
baseada no modelo de probabilidade permutação espaço-temporal, com o limite do raio de varredura de 500
metros e o limite temporal de até 50% da população no interior do cluster. Como o propósito do método era
trabalhar com os aglomerados ativos, optou-se pela utilização da análise prospectiva. Este processo ocorreu no
ambiente do SATSCAN 9.6. Por fim, os resultados foram aiana de ados através de tabelas e cartas que
foram produzidas no Quantum GIS 2.18.9. No período entre 2009 e setembro de 2018 foi notificado em
Joinville 1.846 focos do vetor, dos quais 840 foram no intervalo em que a precipitação total mensal estava na
faixa de 101 a 200 milímetros, o que corresponde a 45,50 % dos casos. A análise entre as cartas, com e sem o
uso da co-variável, apontou que dois aglomerados deslocaram o seu aiana de a partir da inclusão da mesma;
outro cluster que estava localizado no bairro Itaum foi extinto e houve a detecção de um novo agrupamento no
bairro boa vista, o que o caracterizou como o mais infestado para o período analisado. Desse modo, metade
dos conglomerados foram explicados pela pluviosidade, o que evidencia que a mesma influenciou na taxa de
infestação. Diante dessa realidade, demonstrou-se a importância da estatística Scan para detecção
agrupamentos prioritários de intervenção, inclusive através do ajuste do modelo considerando a precipitação.
Portanto, é necessário o aperfeiçoamento das estruturas de saneamento básico e conscientização dos habitantes
para que o descarte de resíduos sólidos seja adequado, e que a eliminação irregular propicia o aumento da
proliferação do Ae. Aegypti. Ademais, é necessário que a sociedade e o poder público atuem conjuntamente no
controle do inseto, pois desse modo a redução da população do mosquito será eficiente.

39
9REA136
UTILIZAÇÃO DA BIOMASSA DE UVA COMO
BIOSSORVENTE NA REMOÇÃO DE METAIS PESADOS DE
ÁGUAS RESIDUAIS

Larissa Fernanda Finazzi da Costa1, Daiana Maffessoni2


1
Universidade Estadual do Rio Grande do Sul , e-mail: larissa-costa@uergs.edu.br, 2Universidade
Estadual do Rio Grande do Sul , e-mail: aiana-maffesonni@uergs.edu.br.

Palavras-chave: uva; biossorção; remoção.

Resumo
O estudo de tecnologias alternativas e limpas para remover metais se faz cada vez mais presente, pelo
fato dos metais não se decomporem como a matéria orgânica, e acumularem-se nos níveis tróficos das
cadeias alimentares. Uma das tecnologias utilizadas é a biossorção ou bioadsorção que ocorre devido
a presença de diversos grupos funcionais que constituem a biomassa, tais como celulose, proteínas e
lignina. Um dos resíduos ricos em tais compostos e com grande geração na serra gaúcha é a biomassa
da uva. Em 2018, foram 663,2 milhões de quilos de uva que ingressaram nas vinícolas gaúchas,
partindo dos dados que cerca de 20% do total de uvas é resíduo gerado desde a colheita até o processo
de vinhos e seus derivados, o ano de 2018 gerou cerca de 132,6 milhões de quilos de resíduos sólidos
sendo que, em média, por 58% de cascas, 20% de engaços e 22% de sementes. Diante desse cenário, o
presente trabalho avaliou o potencial da biomassa de uva como biossorvente na remoção de metais
pesados em meio aquoso, assim como, as melhores condições de processo. A primeira etapa foi o pré-
tratamento na qual o engaço e bagaço foram lavados separadamente com água destilada e
posteriormente foram secos em estufa a 70°C por 24 horas e 48 horas respectivamente, a trituração foi
feita depois que as amostras estavam secas. Na etapa seguinte, a partir da técnica de
espectrofotometria determinou-se a melhor proporção entre engaço e bagaço para serem trabalhadas
utilizando uma solução sulfato de cobre II, onde obteve-se os melhores resultados para as proporções:
50% engaço/bagaço e ,25% bagaço e 75% engaço onde optou-se por trabalhar com a proporção
50/50.Posteriormente, determinou-se o ponto de carga de zero, utilizando soluções 1M de ácido
clorídrico e hidróxido de sódio sob agitação por 24 horas o resultado foi de 5,9. Os ensaios de
biossorção fizeram uso de solução de sulfato de cobre e analisaram os parâmetros a determinação do
pH ideal e tempo de agitação. O pH ideal encontrado foi 10, o mesmo apresentou 93,2% de remoção
de cobre porém a analise com pH 2 apresentou uma remoção de 91,2%, nesse ensaisooptou-se por
trabalhar com pH 2. A análise do tempo de agitação estudou os tempos de 30, 60 e 90 minutos e
obteve-se como resultado a remoção de 72%, 75% e 31% respectivamente, por uma questão de
viabilidade econômica definiu-se como o melhor tempo a ser trabalhado o 30 minutos. A partir da
otimização do processo seguindo os parâmetros e resultados citados acima foi possível por meio da
construção das isotermas de Langmuir e de Freundlich para determinar a relação entre a quantidade
do metal que é adsorvido por unidade de massa do biossorvente e a concentração do metal em solução
no equilíbrio a uma determinada temperatura. Verificou-se que o modelo de Freundlich foi o que
melhor se ajustou aos dados experimentais (r2 = 1). O modelo de Freundlich apresentou um
coeficiente de adsorção igual a 100.000, ou seja, mil miligramas de cobre foram absorvidos a cada 1
grama de biomassa. Tais resultados demonstram que a utilização da biomassa da uva é uma técnica
que pode ser utilizada para remoção de cobre em soluções aquosas com um alto de grau de eficiência
na remoção.

40
9REA138
TRATAMENTO DO CONCENTRADO DA OSMOSE
REVERSA ATRAVÉS DA DESTILAÇÃO POR MEMBRANA

Carla Denize Venzke1,2, Alexandre Giacobbo2, Willian Soni da Silva², Vicenti Pithan Souza2, Adrian Felipe
Simon Santos2, Marco Antônio Siqueira Rodrigues2; Andréa Moura Bernardes1

1
Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Minas, Metalúrgica e de Materiais, (PPGE3M),
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), e-mail: carladenize@gmail.com;
2
Universidade FEEVALE.

Palavras-chave: Destilação por Membrana; Efluente Petroquímico; Concentrado da Osmose Reversa.

Resumo
O presente estudo houve de investigar a aplicabilidade do processo de Destilação por Membrana de
Contato Direto (DMCD) no tratamento de efluente de uma indústria petroquímica, com o intuito de
recuperar a água do concentrado então produzido quando da utilização da Osmose Reversa (OR). Na
DMCD, os experimentos foram realizados, na água de alimentação e no permeado, com temperaturas
de entrada de 60 ºC e 20 ºC, respectivamente. Foram examinadas quatro membranas microporosas
hidrofóbicas de folhas planas em sua versão comercial, todas feitas de politetrafluoretileno (PTFE),
algumas com e outras sem camada de suporte, assim como laminadas ou não com hidroxianisol
butilado (BHA), com diferentes espessuras, tamanho de poro, porosidade efetiva e ângulo de contato.
Todas as membranas avaliadas apresentaram uma taxa de recuperação de água muito satisfatória
(~90%), obtendo altos fatores de rejeição (acima de 99,5%) para todos os parâmetros analisados, e
produzindo água de alta qualidade com baixa condutividade elétrica (em torno de 2 μS cm–¹). A
membrana com BHA em sua composição apresentou o menor decaimento do fluxo de permeado, o
que ocorreu gradualmente ao longo dos ensaios experimentais, representando uma perda de
produtividade de apenas 14% para uma taxa de recuperação de água próxima a 90%. Esses resultados
demonstram que essa membrana em particular, na utilização para o tratamento de efluentes com
características semelhantes àquelas avaliadas neste trabalho, apresenta baixa propensão a formação de
depósitos.

41
9REA139
CARACTERIZAÇÃO DAS ÁGUAS SUPERFICIAIS DO
PARQUE NATURAL MUNICIPAL JOÃO JOSÉ THEODORO
DA COSTA NETO, LAGES – SC, POR MEIO DE ÍNDICES DE
QUALIDADE
Thayna Suane Pollhein1, Josiane Teresinha Cardoso2, Viviane Aparecida Spinelli Schein 3
1
Universidade do Estado de Santa Catarina,e-mail: thay.pollhein@hotmail.com; Universidade do
Estado de Santa Catarina, e-mail: josiane.cardoso@udesc.br; 3 Universidade do Estado de Santa
Catarina, e-mail: viviane.schein@udesc.br

Palavras-chave: Macroinvertebrados bentônicos; IQA; BMWP’; Qualidade da água.

Resumo
As unidades de conservação exercem função de grande importância para manutenção da fauna, flora e
dos demais recursos ambientais, como a água. Estando a Mata Atlântica entre os biomas mais
degradados do Brasil, as unidades de conservação têm seu valor ainda mais acentuado, principalmente
quando presentes em zonas urbanas, ambientes esses muitas vezes carentes de áreas verdes. Para um
bom manejo destas unidades, é fundamental a realização de estudos que possam avaliar se a função
desta unidade está sendo cumprida, bem como auxiliar nos planos de manejo e gestão. Nos estudos
feitos em corpos hídricos tem sido utilizados de forma recorrente índices para estimar a qualidade
desse ambiente. Estes índices buscam avaliar através de parâmetros físicos, químicos e biológicos a
qualidade da água. Este estudo teve como principal objetivo avaliar a qualidade da água do Parque
Natural Municipal de Lages, SC, através de um índice de qualidade da água (IQA) baseado em
parâmetros fisico-químicos, e em índices biológicos, como o BMWP’ Diversidade de Shannon. Além
disso, objetivou-se também, comparar os resultados dos parâmetros físico-químicos e biológicos com
a legislação vigente, sendo escolhida como mais adequada a Resolução CONAMA n° 357. Coletou-se
água de oito pontos escolhidos estrategicamente para análise, sendo 7 deles dentro da unidade de
conservação e um fora. Sendo o IQA composto por nove parâmetros, cada um deles seguiu uma
metodologia específica, sendo o oxigênio dissolvido e temperatura da água, medidos in loco, e os
demais parâmetros em laboratório. A metodologia aplicada para realização dos índices BMWP’ e de
Diversidade seguiu as etapas de coleta de sedimento, triagem dos macroinvertebrados bentônicos,
identificação dos táxons, tabulação dos dados e aplicação dos índices. Os dados sugerem que há uma
contaminação das águas dentro do parque, sendo refletida principalmente nos pontos 1 e 2. Os pontos
3, 4 e 5, pertencentes a uma mesma vertente, encontram-se mais preservados. Os demais pontos
também apresentaram sinais de poluição. Sugere-se que as indústrias, os postos de gasolina, as
estradas e as casas de moradia do entorno no parque podem estar contribuindo para o carreamento de
poluentes para o seu interior. Também se pôde perceber a influência da mata ciliar para preservação
da qualidade da água. Concluiu-se que há a necessidade de um monitoramento contínuo da qualidade
da água dentro do parque, e investigação do entorno para averiguar as fontes de contaminação. Além
disso, ressalta-se a importância das unidades de conservação para preservação tanto da fauna e flora
como dos recursos hídricos e também a influência da zona de amortecimento.

42
9REA140
PROCESSOS ALTERNATIVOS DE TRATAMENTO DE ESGOTO
SANITÁRIO EM CONDOMÍNIOS E LOTEAMENTOS DE CAXIAS
DO SUL – ANÁLISE DE VIABILIDADE
Lia Barreto Gedoz1, Romualdo Nunes Vanacôr2
1
Universidade de Caxias do Sul, e-mail: lia_gedoz@hotmail; 2Universidade de Caxias do Sul, e-mail:
rnvanacor@ucs.br

Palavras-chave: Efluentes domésticos; Sistema de tratamento local; Tanques sépticos e filtros anaeróbios.

Resumo
O aumento populacional associado ao crescimento das cidades promove alterações no meio ambiente, refletindo
principalmente na deterioração da qualidade dos recursos naturais, em particular dos recursos hídricos. Com o
aumento da população, aumenta proporcionalmente a demanda de provisão dos serviços de saneamento básico. O
crescimento urbano, quando não planejado, pode representar ameaças à saúde e a preservação do meio ambiente.
Devido a isto, o tratamento adequado de esgotos se faz essencial. Segundo a Organização Mundial de Saúde
(OMS), saúde é um estado de completo bem-estar físico, social e mental, e não somente a ausência de doenças.
Define ainda que saneamento é o controle de todos os fatores do meio físico do Homem que exercem ou podem
exercer efeito contrário sobre seu bem-estar físico, social ou mental. Portanto, de acordo com estes conceitos pode-
se perceber que saúde e saneamento estão diretamente relacionados. No Brasil, o índice de esgotamento sanitário,
ou seja, a população que têm seus dejetos tratados em estações de tratamento de esgoto, é de 10%. O restante da
população brasileira, utiliza-se de outros métodos de tratamento, como os tanques sépticos e unidades
complementares. O acelerado crescimento das cidades trouxe consigo a real necessidade de que o sistema de
esgotamento sanitário seja adequado. O tanque séptico e o filtro anaeróbio são utilizados em locais remotos onde
não existem redes coletoras, assim se faz necessária a instalação de um sistema local de tratamento realizando o
tratamento apropriado dos efluentes domésticos. No entanto, têm sido frequentes relatos de problemas de
funcionamento destes sistemas, resultando, na maioria das vezes, em baixas eficiências de remoção de matéria
orgânica e decaimento da eficiência com a falta de manutenção, como por exemplo, a falta de limpezas periódicas.
Caxias do Sul está localizada na Serra Gaúcha no estado do Rio Grande do Sul. O crescimento da cidade não
ocorre de forma pontual. Em diversas áreas na periferia, há loteamentos novos sendo construídos. Estes
loteamentos, por serem afastados, não são contemplados pelas estações de tratamento de efluentes (ETE)
existentes na cidade. O plano diretor de esgotamento sanitário da cidade, institui a utilização de redes de sistema
do tipo separador absoluto, separando o efluente cloacal do pluvial e direcionando o esgoto sanitário para ETE. No
entanto, nestes loteamentos afastados, usualmente se faz necessária a utilização de tanques sépticos e unidades
complementares, tais como os filtros anaeróbios, como ETE local. Observa-se que, devido ao elevado número de
contribuintes à ETE local, normalmente são necessárias várias unidades subsequentes deste sistema, tendo estas
unidades, muitas vezes, volume elevado. A partir disto percebe-se a ineficiência tanto no tratamento como na
distribuição do efluente que será destinado aos tanques. Dentro deste contexto, observa-se que é necessário buscar
tecnologias de tratamento de efluentes, que possam representar alternativas ao sistema tradicionalmente adotado.
Estas tecnologias alternativas devem ser preferencialmente de fácil construção e manutenção, aliadas à
preocupação com a qualidade ambiental e de vida. O objetivo é conciliar o desenvolvimento socioeconômico e a
preservação dos recursos hídricos. Com base nisso, o presente trabalho tem como objetivo apresentar duas
alternativas de tratamento, buscando um melhor resultado nos sistemas locais de tratamento e melhorando a
qualidade dos efluentes tratados. Desta forma, propiciará uma maior proteção aos mananciais do município
agregando melhoria ao meio-ambiente e qualidade de vida à população. O sistema local de tratamento de efluente
(SLTE), usualmente utilizado em Caxias do Sul é o tanque séptico seguido de filtro anaeróbio. Assim, foi realizado
o dimensionamento de três SLTE sendo o primeiro o sistema tradicionalmente utilizado, o segundo um sistema
híbrido de tanque séptico e filtro anaeróbio e o terceiro sendo um reator UASB (Upflow Anaerobic Sludge
Blanket) seguido de filtro biológico aerado submerso, estes são comparados com o método de tratamento usual e
verificada a viabilidade das propostas. A análise de viabilidade foi realizada comparando os dois sistemas
alternativos ao tradicional. A partir disto verificou-se que os dois sistemas alternativos são viáveis. Sendo o reator
UASB viável tanto economicamente quanto ambientalmente, devido à sua maior eficiência de tratamento do
efluente. E o sistema híbrido apresentou-se viável somente financeiramente, pois a sua eficiência é similar à do
sistema tradicional de tanque séptico e filtro anaeróbio.

43
9REA141
CARACTERIZAÇÃO DA TEMPERATURA MÍNIMA DO AR
NO MUNICÍPIO DE PORTO VELHO – RO NOS ANOS DE 1971
A 2016

Camila Bermond Ruezzene1, Cássia Cortes Valadão2, Renata Gonçalves Aguiar3


1
Universidade de São Paulo, e-mail: camila.ruezzene@gmail.com; 2Fundação Universidade Federal
de Rondônia, e-mail: cassiacortes2@gmail.com; 3Fundação Universidade Federal de Rondônia, e-
mail: rgaguiar@unir.br

Palavras-chave: variabilidade da temperatura mínima; mudanças climáticas; séries climatológicas.

Resumo
A Amazônia desempenha um importante papel no ciclo hidrológico e energético global. Uma região
que vem sofrendo ao longo das últimas décadas intensas alterações do uso e cobertura da terra que
modificam não apenas sua integridade ecológica como a resposta ecossistêmica a elementos
climáticos. Compreender a variabilidade da temperatura mínima do ar torna-se fundamental frente as
fortes implicações na produtividade agrícola, segurança alimentar e bem-estar humano. Deste modo, o
presente estudo teve por objetivo caracterizar os padrões de variabilidade anual, sazonal e mensal da
temperatura mínima do ar no município de Porto Velho – RO nos anos de 1971 a 2016, uma região
que apresenta maior sensibilidade a mudanças climáticas devido à localização em zona de transição
climatológica e ecológica. As medidas de temperatura do ar foram obtidas por termohigrômetro
instalado na estação meteorológica de superfície do Aeroporto Internacional de Porto Velho,
Governador Jorge Teixeira. Foram utilizados dados médios diários para a obtenção de médias mensais
de temperatura. Utilizou-se séries climatológicas, de 1971 a 2006 e 1981 a 2016, para averiguação de
tendência de variabilidade da temperatura mínima do ar ao longo do período do estudo. A maior
média anual de temperatura mínima detectada foi no ano 2003 de 23,77 °C e intervalo de confiança de
[21,34; 21,70], já a menor média anual encontrada foi no ano de 1976 de 21,54 °C e intervalo de
confiança de [21,34; 21,70], essa podendo estar associada a variabilidade da temperatura da superfície
do mar (TMS) no oceano Pacífico, especificamente ao fenômeno oceânico-atmosférico La Niña. O
período úmido apresentou maiores médias de temperaturas mínimas comparadas ao período úmido-
seco, enquanto as médias de temperaturas mínimas no período seco foram inferiores ao período seco-
úmido. Após analisar o comportamento das séries climatológicas observou-se que não houve alteração
do comportamento mensal da temperatura mínima do ar no município, sendo perceptível, entretanto,
uma tendência de aumento no período de 1981 a 2016. Os resultados apontados pelo estudo podem
complementar estudos de modelagem atmosférica para previsões de cenários, e serem utilizados para
implementação de políticas públicas de mitigação dos efeitos das mudanças climáticas na região.

44
9REA143
DIAGNÓSTICO E AVALIAÇÃO DA SUSTENTABILIDADE DE
SOLOS AGRÍCOLAS (DASS): UMA FERRAMENTA DE
GESTÃO AMBIENTAL NO AGRONEGÓCIO

Odilson Arruda Inocêncio1, Tânia Lúcia Graf de Miranda2


1
Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento de Tecnologia, e-mail: odilsonauditor@gmail.com;
2
Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento LACTEC, e-mail: tania.miranda@lactec.org.br

Palavras-chave: Ferramenta Computacional WEB; Sustentabilidade; Solos Agrícolas.

Resumo
O trabalho apresenta a sua contribuição para a gestão do recurso natural solo, com o desenvolvimento de uma
ferramenta computacional web, com a qual o produtor rural poderá realizar diagnóstico e avaliação da
sustentabilidade de solos agrícolas de sua propriedade rural. A ferramenta, de caráter educativo, ao mensurar o
perfil de manejo dos solos agrícolas, atribui uma nota que irá estabelecer o nível de sustentabilidade de solos da
propriedade rural, enquadrando-o como crítico, atenção e sustentável. Os níveis visam alertar o produtor rural
sobre a necessidade de adotar ações voltadas à recuperação, preservação e a manutenção desses recursos
naturais, contribuindo para que a propriedade rural obtenha aumento de produção e de produtividade de grãos.
Para o seu desenvolvimento foram coletados e analisados dados históricos das safras brasileiras da soja no
período de 1976/77 a 2015/16, compostos por área cultivada, produção e produtividade, que subsidiaram a
identificação da necessidade do aumento da produção e produtividade de grãos. Foi desenvolvida a ferramenta
computacional web, denominada de DASS – Diagnóstico e Avaliação da Sustentabilidade de Solos Agrícolas.
No desenvolvimento da ferramenta computacional web foi utilizado o ambiente WEB, em linguagem de
programação PHP, tendo como base um banco de dados MySQL.

45
9REA145
AVALIAÇÃO DE ESCOAMENTO PLUVIAL EM MÓDULOS
DE TELHADOS VERDES COM DIFERENTES SUBSTRATOS
Brenda Mello Franco¹, Cácio Miranda Andres², Júlia Konrad³, Rutineia Tassi4
1
Universidade Federal de Santa Maria, e-mail: bremfr@gmail.com; ²Universidade Federal de Santa
Maria, e-mail: cacio.mandres@gmail.com, ³Universidade Federal de Santa Maria, e-mail:
juliabkorand@gmail.com, 4Universidade Federal de Santa Maria, e-mail: rutineia@gmail.com

Palavras-chave: Telhado verde; Escoamento; Substrato.

Resumo
As áreas verdes nos centros urbanos vêm sendo reduzidas ao longo dos anos e, nesse sentido, o uso de coberturas
verdes pode contribuir na minimização dos impactos associados a esta redução, além de trazer muitos benefícios
para as cidades e seus moradores. As coberturas verdes podem, por exemplo, proporcionar conforto térmico e
acústico, melhorar a umidade do ar e amenizam efeitos de ilhas de calor. Além destes efeitos benéficos, as
coberturas verdes contribuem para a redução do escoamento pluvial em áreas urbanas, aliviando as demandas por
instalação de obras de drenagem pluvial. Isso é possível pois as coberturas verdes atuam na minimização dos
picos de vazão durante os eventos de chuva, retenção do volume escoado na cobertura, podendo reduzir o
escoamento superficial em até 50% do total das precipitações anuais e, em alguns casos, contribuem para a
melhoria da qualidade da água. Com o intuito de avaliar a influência da composição do substrato de telhados
verdes na redução do escoamento pluvial, neste trabalho será realizado o monitoramento de eventos de chuva e
vazão em 40 sistemas experimentais de telhados verdes modulares, compostos por diferentes substratos. Os
substratos avaliados são compostos por diferentes materiais, como, substrato comercial, casca de arroz
carbonizada, casca de arroz in natura, vermicomposto, resíduo da construção civil, vermiculita e solo. Com isso,
este trabalho teve por finalidade, avaliar quais destes compostos possui a melhor capacidade de retenção hídrica.
O monitoramento se deu por um período de 6 meses, onde foram coletados resultados de escoamento de 25
eventos de chuva. Foram analisados os 40 módulos dos 10 tratamentos, com 4 repetições em cada, juntamente
com os dados de precipitação, no período de setembro de 2018 a março de 2019. Com isso pode-se calcular a
taxa de retenção de cada módulo, sendo que a capacidade de retenção de um substrato depende do volume de
chuva e do teor de umidade antecedente ao início do evento, além das condições ambientais e das características
do meio de crescimento. O cálculo foi realizado para cada evento do qual se obteve os dados de precipitação e
escoamento da água através dos módulos. Com os resultados obtidos dos cálculos da taxa de retenção para cada
evento coletado, calculou-se a taxa de retenção média de cada módulo. Ao todo, foram coletados dados de 25
eventos de precipitação pluviométrica. Alguns eventos foram desconsiderados em razão do extravasamento de
todos os recipientes coletores, de forma que 16 foram utilizados para o cálculo da média de cada um dos
módulos. As taxas de retenção média de cada módulo constam na Tabela 2. Com o cálculo da taxa de retenção
pode se verificar que o tratamento SC2, que possui 40% de casca de arroz carbonizada e 10% de solo e o SC4,
que possui 20% de casca de arroz e 30% de solo em suas composições apresentaram maior capacidade de
retenção dos eventos de precipitação, com uma taxa média de retenção de 77,07% e 75,45%, respectivamente,
sendo assim o mais indicado para compor telhados verdes seria o tratamento SC2. Cada substrato apresentou
particularidades em alguns aspectos analisados, logo, pode se verificar que é difícil obter um único substrato que
atenda a todas as características desejáveis para uso em telhados verdes. Portanto, é essencial que o meio de
crescimento apresente características básicas necessárias para um desenvolvimento duradouro e autossustentável
do sistema extensivo.

46
9REA149
PONTENCIALIDADE DE WETLANDS CONSTRUÍDOS NO
ESTADO DE MATO GROSSO

Mikaele Silva Kuriki1, Isabela Naia Talhacoli2, Francisco Lledo dos Santos3
1
Universidade do Estado do Mato Grosso - UNEMAT, e-mail: mikaele.kuriki@unemat.br;
2
Universidade Federal de Santa Maria - UFSM, e-mail: isabelanaia@outlook.com; Francisco Lledo dos
Santos 3e-mail: franciscolledo@unemat.br

Palavras-chave: Filtros plantados; Tratamento de Efluentes; Poluição das águas.

Resumo
O crescimento desordenado das cidades atrelado a falta de planejamento urbano, proporcionou uma série de
impactos ambientais. Deficiências no sistema de saneamento básico é uma das principais causas da poluição das
águas. As ações voltadas a maior inserção do saneamento nos munícipios são formas de intervenção voltadas à
preservação, manutenção e recuperação da qualidade do meio ambiente, afim de assegurar saúde a vida humana e
salubridade ambiental por meio da coleta e disposição dos resíduos sólidos, líquidos, gases e do abastecimento
de água potável. Nesse contexto, a escolha de um sistema adequado para o tratamento de efluentes, sobretudo em
regiões em desenvolvimento, como o Estado de Mato Grosso (grande influente na balança comercial brasileira
no ramo agropecuário) precisam estar alinhados aos custos com operação e implantação, assim como a
sustentabilidade da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE). Os sistemas de wetlands construídos têm se
mostrado eficientes e versáteis na redução de demanda bioquímica de oxigênio (DBO), demanda química de
oxigênio (DQO), sólidos em suspensão, nitrogênio, fósforo, organismos patogênicos e traços de metais. A
remoção desses poluentes se dá através de mecanismos de filtração, adsorção, sedimentação, decomposição,
metabolismo microbiano e do metabolismo das plantas aquáticas. O presente trabalho tem o objetivo de realizar
uma revisão bibliográfica a respeito dos sistemas de wetlands construídos da região Centro – Oeste,
principalmente no Mato Grosso, visto que há uma crescente demanda por tecnologias alternativas, mesmo que já
a tempos conhecida, pouco difundida no Estado, e que demandem de custos de implantação, operação e
manutenção acessíveis para o tratamento de efluentes, seja em uma ETE de uma pequena cidade ou em industrias
emergentes como pós-tratamento.
9REA150
AVALIAÇÃO DO POTENCIAL BIOQUÍMICO DE METANO
DE DIFERENTES SUBSTRATOS E ATIVIDADE
METANOGÊNICA ESPECÍFICA DE LODO
DE REATOR UASB

Ricardo Gonçalves de Morais1, Elaine Cristina Latocheski2, Maria Cristina Borba Braga3
1
Universidade Federal do Paraná e-mail: morathemora@gmail.com; 2Universidade Federal do
Paraná, e-mail: e.latocheski@gmail.com; 3Universidade Federal do Paraná, e-mail:
crisbraga@ufpr.br

Palavras-chave: Atividade metanogênica específica; Potencial bioquímico de metano; Resíduos orgânicos

Resumo
O tratamento anaeróbio é amplamente aplicado ao saneamento, devido ao potencial de degradação de matéria
orgânica e à consequente produção de biogás, podendo utilizar diferentes resíduos orgânicos como substrato e
gerar energia a partir deles. Nesta pesquisa, foram avaliados quatro substratos diferentes pelo teste de potencial
bioquímico de metano (PBM). Dois foram sintéticos, celulose microcristalina e gelatina, e apresentaram valores
de PBM de 266,8±56,9 e 298,3±118 mLCH4/gSVTsub, respectivamente. Outros dois foram naturais, cama de aviário
e ração com base de milho e farelo de soja, e apresentaram valores de PBM de 167,1±14,5 e 207,8±23,5
mLCH4/gSVTsub, respectivamente. Foi observado que a gelatina é que apresenta o maior potencial de produção de
metano, enquanto a cama de aviário, o menor. A atividade metanogênica específica (AME) do lodo, proveniente
de um reator UASB e incubado com os diferentes substratos, também foi avaliada. Os valores de AME
observados variaram entre 0,516±0,22 gDQO/gSVTlodo.d, com a utilização do substrato de gelatina, e 0,795±0,04
gDQO/gSVTlodo.d, para a celulose microcristalina. Essa faixa de valores de AME indica que o inóculo proveniente
de reator UASB pode ser utilizado para o processo de digestão anaeróbia desses substratos, sem a necessidade de
grande período de aclimatação. O método volumétrico utilizado nos testes da AME se mostrou eficiente e
adequado, com elevada reprodutibilidade e facilidade de montagem e operação do sistema.

48
9REA151
AMEVIL: UTILIZAÇÃO DE CONTÊINERES PARA ESPAÇOS
DE CONVIVÊNCIA E LAZER

Andrei Mikoski Rosa1, Gabriela Freitas Gerhardt2, Laura Lahiguera Cesa3, Renan Melo
Magalhães da Silva4, Thales Tuchtenhagen Prestes5
1
Universidade Federal do Rio Grande do Sul, e-mail: andreimkrosa@gmail.com; 2Universidade
Federal do Rio Grande do Sul, e-mail: gabrielagerhardt@live.com; 3Universidade Federal do Rio
Grande do Sul ,e-mail: laura.lahiguera.c@gmail.com; 4Universidade Federal do Rio Grande do Sul
,e-mail: renanmagalhaes360@hotmail.com; 5Universidade Federal do Rio Grande do Sul, e-
mail:thalestuchtenhagen13@gmail.com

Palavras-chave: Sustentabilidade, Contêineres, Universidade.

Resumo
O Núcleo de Engenharia Educacional – NEED juntamente com a Escola de Engenharia, Instituto de Pesquisas
Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e Instituto de Física da Universidade Federal do Rio
Grande do Sul (UFRGS) propõe o projeto Acolhimento dos Calouros - “Como tornar a UFRGS mais
sustentável” – 2018/1. O objetivo da proposta é de possibilitar aos calouros dos 13 cursos da EE, identificar
lacunas acerca dos problemas encontrados no cotidiano da Universidade como, por exemplo, captação da água
da chuva, telhado verde, aproveitamento das águas cinzas e negras, revitalização de áreas, energias renováveis,
áreas de lazer, espaços de convivência, e, também, pelo reaproveitamento de materiais que são descartados pela
Universidade. O NEED/EE está pautado em conduzir discussões e trocas de ideias sobre os desafios do ensino de
engenharia para o Século XXI e está focado para incentivar melhoria contínua e inovação do ensino de
engenharia, através do desenvolvimento de práticas inovadoras de ensino. Portanto, o desafio proposto
possibilita ao acadêmico interagir com outras áreas de conhecimento, buscar alternativas para os problemas
apresentados, visando intervenção, melhoria contínua e, propor soluções de sustentabilidade, onde o objeto é a
utilização de recursos já existentes ou aprimora-los. Sendo assim, os calouros de alguns cursos da Escola de
Engenharia (EE) propuseram ideias de como minimizar impactos ambientais causados pelo consumo de energia,
pela falta de espaços de convivência. Este projeto intitulado AMEVIL surgiu da junção dos calouros da
Engenharia Ambiental, Engenharia Metalúrgica e Engenharia Civil está em fase de andamento e pretende
alavancar a pesquisa na faculdade, ou seja, fortalecer o ensino, pesquisa e extensão, além de implementar o
conceito de sustentabilidade. Também tem como como base os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável
proposto pela Organização das Nações Unidas (ONU), e pretende desenvolver o conhecimento, o
empreendedorismo, a inovação, além da análise de lacunas. Através disso, buscou-se uma proposta para
solucionar os problemas diagnosticados nos campi, Centro e do Vale. Com a descoberta de contêineres
inutilizados pela instituição e a possibilidade da reutilização dos mesmos, surgiu à ideia da criação de espaços de
convivência e descanso alinhados com as questões ecológicas. Assim, sua base está fixada no conceito dos
“3R’s”, reduzir custos com matéria prima, reutilizar resíduos provenientes de empresas que não desfrutam
propriamente dos mesmos e reciclar utensílios que não poderiam ser mais utilizados na sua total integridade.
Portanto, objetiva-se evoluir os pensamentos e atitudes da sociedade a fim de expor a veracidade da criação de
ambientes de maneira ecológica, econômica e sustentável.

49
9REA153
ANÁLISE DA INFLUÊNCIA DO USO E OCUPAÇÃO DO
SOLO NA QUALIDADE DA ÁGUA DA SUB-BACIA DO RIO
TEGA – RS/BR

Vania Elisabete Schneider1, Sofia Helena Zanella Carra2, Geise Macedo dos Santos3, Bianca
Breda4
1
Universidade de Caxias do Sul, e-mail: veschnei@ucs.br; 2Universidade de Caxias do Sul, e-mail:
shzcarra@ucs.br; 3Universidade de Caxias do Sul, e-mail:gmsantos@ucs.br; 4Universidade de
Caxias do Sul, e-mail: bbreda@ucs.br

Palavras-chave: Recursos hídricos, parâmetros físico-químicos, uso e ocupação do solo.

Resumo
A alta concentração de poluentes na qual o Rio Tega é submetido diariamente está impossibilitando a sua
autodepuração, processo natural de recuperação de um corpo d’água que recebe lançamentos de materiais
biodegradáveis. Isso torna mais demorada e mais complexa a busca pelo estado inicial do rio, pois ocorre a
alteração física, química e biológica da composição da água. O objetivo deste trabalho é avaliar os impactos do
uso e ocupação do solo na bacia hidrográfica do Rio Tega, visto que estes afetam diretamente a qualidade e
disponibilidade dos seus recursos hídricos, através do aporte de nutrientes, contaminantes metálicos e o arraste
de sedimentos. Para este estudo, desenvolveu-se o mapa de uso e ocupação do solo da região de estudo, avaliou-
se em 5 pontos (P1 a P5) o Índice de Qualidade da Água (IQA) e classificou-se cada um conforme Resolução
CONAMA 357/2005. A amostragem foi realizada em 6 de outubro de 2018, e cada ponto de monitoramento foi
definido conforme ABNT NBR 9897/1987 e as coletas foram executadas segundo ABNT NBR 9898/1987. Os
resultados obtidos foram preocupantes. Analisando através do IQA, o ponto 5 apresentou melhor qualidade da
água e o ponto 2 apresentou pior qualidade, sendo que o último, localiza-se mais próximo de vias urbanas,
industrializadas e de maior densidade populacional, enquanto o outro, localiza-se em áreas rurais, com menores
interferências antrópicas e maior presença de matas nativas. Todos os pontos de monitoramento foram
classificados como classe 4, segundo CONAMA 357/2005, representando o pior resultado para enquadrar o
corpo hídrico, podendo apenas ser destinado a navegação e harmonia paisagística.

50
9REA154
ESTUDO FISIOGRÁFICO DE UMA SUB-BACIA
PERTENCENTE À BACIA DO RIO TURVO – SANTA ROSA –
SANTO CRISTO - RS

Morgana Vigolo1, Bianca Breda2, Taison A. Bortolin3


1
Universidade de Caxias do Sul, e-mail: mvigolo1@ucs.br; 2Universidade de Caxias do Sul, e-mail:
bbreda@ucs.br; 3Universidade de Caxias do Sul, e-mail: tabortol@ucs.br

Palavras-chave: Bacia hidrográfica; Características Fisiográficas; Rios Turvo-Santa Rosa-Santo Cristo.

Resumo
As características físicas das bacias hidrográficas são fundamentais para o entendimento do comportamento
hidrológico e possibilitam o planejamento econômico, social e ambiental em obras e eventos hidráulicos. Dentro
dessa visão, destaca-se a importância de preservar o meio ambiente e as bacias hidrográficas, pois a crescente
exploração dos recursos naturais, o aumento demográfico e as modificações do uso do solo impactam
diretamente no funcionamento do ciclo hidrológico. A sub-bacia de estudo pertence a bacia hidrográfica dos Rios
Turvo-Santa Rosa-Santo Cristo, inserida na região hidrográfica do Uruguai, localizada no município de Salvador
das Missões ao norte-noroeste do estado do Rio Grade do Sul/BR. Toma-se como objetivo desse trabalho
determinar e avaliar as características fisiográficas da mesma a partir do uso de ferramentas SIG, bem como
representar o uso e ocupação do solo na região. A partir da análise realizada, encontrou-se uma série de
informações, dentre elas destaca-se, a área de 31,40 km2, o perímetro de 34,60 km, o comprimento total do rio
principal de 9,96 km e o fator de forma de 0,40. O ordenamento dos rios de acordo com Strahler (1957) resultou
em ordem 3, com densidade de rios de 0,797 segmentos/km². Em relação à topografia, a declividade média do rio
principal foi determinada em 12,85%, resultando em um tempo de concentração de 2,07 horas. Define-se então a
sub-bacia como alongada, tendendo por um escoamento rápido, possuindo drenagem satisfatória e relevo
ondulado. O solo da região da sub-bacia hidrográfica é caracterizado por latossolo roxo distrófico, que consiste
em um solo menos permeável, arenoso, menos profundo e com capacidade de infiltração média. Os usos e
ocupações dos solos mais significativos foram: solo exposto com 38,54%, mata nativa com 37,52% e agricultura
com 23,95%. Esses resultados possibilitam inferir que a sub-bacia influencia consideravelmente nas condições
necessárias para o desenvolvimento da região, pois oferece disponibilidade hídrica para diversos usos, no qual
supõe-se, que a principal demanda de água seja em atividades agrícolas. Ainda, coloca-se que o estudo do
comportamento hidrológico de bacias hidrográficas consiste em uma das principais ferramentas na gestão dos
recursos hídricos, devido à possibilidade de prever eventos futuros e ter um planejamento adequado e seguro
para as obras hidráulicas.

51
9REA155
RESPOSTA DAS ASSOCIAÇÕES BÊNTICAS À DISPOSIÇÃO
OCEÂNICA DE ESGOTO SANITÁRIO PELO EMISSÁRIO
SUBMARINO DA PRAIA DO MAR GROSSO DE LAGUNA
(SC, BRASIL)

Thábata F. Cândido1, Diogo C. Morelli2, Luiz Augusto S. Madureira2, Sérgio A. Netto1

1
Laboratório de Ciências Marinhas, Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais,
Universidade do Sul de Santa Catarina, sergio.netto@unisul.br
²Departamento de Química, Universidade Federal de Santa Catarina, luiz.madureira@ufsc.br

Palavras-chave: emissário submarino; águas residuárias; Nematoda.

Resumo
Nas zonas costeiras, a urbanização e ocupação humana aumentaram nas últimas décadas gerando fortes
mudanças socioeconômicas e ambientais. Consequentemente, aumentou o volume de águas residuárias o que
demanda estratégias de planejamento e de infraestrutura nas cidades litorâneas. Os sistemas de disposição
oceânica ou emissários submarinos são alternativas eficazes para o destino final de águas residuárias em regiões
costeiras, desde que adequadamente instalados e monitorados. A eficiência deste sistema baseia-se na capacidade
potencial de autodepuração do oceano. No entanto, a resposta dos ambientes marinhos ao lançamento das águas
residuárias dependem das características do efluente lançado, da estrutura do emissário submarino e, da
morfologia, dinâmica e biodiversidade do corpo receptor. Em Laguna, sul do Brasil, um emissário submarino foi
implantado em 1986 na Praia do Mar Grosso e ao longo destes 30 anos de funcionamento não foram realizadas
qualquer tipo de monitoramento ou análise de seu potencial impacto sobre as associações bênticas. Neste estudo
avaliamos a resposta das associações bênticas ao lançamento de águas residuárias pelo emissário submarino de
Laguna. Para isso, foram amostrados 40 pontos concêntricos no entorno do emissário a cerca de 10 m de
profundidade em distâncias de 50, 100 ,250, 500 e 1000 metros do ponto de lançamento do emissário. A
amostragem foi realizada através de mergulho autônomo no verão após o período de veraneio onde a população
aumenta consideravelmente. Os resultados mostraram diferenças significativas na estrutura da fauna nos pontos
próximos ao emissário submarino. A densidade dos Nematoda diminuiu significativamente nos 50 metros e
aumentou nos 1000 metros. A diversidade foi consideravelmente maior nos pontos intermediários entre os 100 e
250 metros. Os resultados das análises mostraram que o emissário submarino possui um baixo impacto sobre os
indicadores analisados. Os resultados sugerem ainda que os efeitos da disposição oceânica de esgotos sanitários
são dependentes das condições intrínsecas da área (como padrões de circulação de água, vento, outras fontes de
contaminação diretas e biodiversidade local).

52
9REA156
INVESTIGAÇÃO PRELIMINAR DA QUALIDADE DA ÁGUA DE
CHUVA NO MUNICÍPIO DE CRICIÚMA, SUL DE SANTA
CATARINA
Mariluci Pereira1,2, Sergio Luciano Galatto1,1,3
1
Universidade do Extremo Sul Catarinense (UNESC) 2Curso de Ciências Biológicas (UNESC), e-
mail: marilucipereira@hotmail.com; 3Instituto de Pesquisas Ambientais e Tecnológicas – IPAT, e-
mail: sga@unesc.net;

Palavras-chave: Água de chuva; Qualidade da água; Poluição atmosférica.

Resumo
A poluição do ar tem aumentado em níveis críticos, vindo gerar consequências preocupantes a saúde humana e ao
meio ambiente. Estudos sobre a precipitação pluviométrica ácida têm sido aprofundados principalmente em regiões
mais industrializadas, onde se observa uma elevação do grau poluente no ar atmosférico devido à interferência das
ações antrópicas, a qual tem recebido atenção científica em diversos países em função dos danos ambientais
ocorridos. Portanto, a análise química da precipitação pluviométrica (chuva) é um importante mecanismo de
avaliação do nível de poluição do ar. Nesse aspecto, está sendo realizado um trabalho de iniciação científica com
intuito de avaliar de forma preliminar a qualidade da água da chuva no período de setembro de 2018 a julho de
2019, na região de Criciúma, sul de Santa Catarina. A amostragem de água da chuva ocorreu em eventos
pluviométricos com intensidade suficiente em termos de volume para determinação dos indicadores analíticos
investigados. O local da amostragem é junto ao pluviômetro convencional instalado na Estação Meteorológica na
área do Parque Científico e Tecnológico (iParque) da Universidade do Extremo Sul Catarinense (UNESC), em
convênio com a Epagri/Ciram, no período de setembro de 2018 a fevereiro de 2019. Os parâmetros analíticos
monitorados a cada evento chuvoso são o pH e condutividade elétrica, e com frequência mensal a dureza, turbidez
e acidez total. As medidas de pH, condutividade, acidez e turbidez foram realizadas no Laboratório de Águas e
Efluentes Industriais do iParque, utilizando os equipamentos pHmetro, condutivímetro, turbidímetro e titulação.
Dureza foi determinada por cromatografia iônica. Durante o período monitorado foi analisada um total de 33
amostras. O volume total de chuva nesse período que compreendeu seis meses foi de 1068,60 mm. O mês que
apresentou o maior volume de chuvas foi em outubro, com um total de 247,10 mm, sendo que em três de outubro
ocorreu o maior índice de chuva (84,6 mm) registrado no período. Os valores de pH das amostras variaram de 5,02
(mínimo) a 7,36 (máximo), com média de 6,40. Nos dois primeiros meses (setembro e outubro), os valores de pH
foram menores, com média de 5,95 em setembro, descendo para 5,93 em outubro. Os menores valores de pH (5,02
e 5,19) no período ocorreram em setembro, ambas nas primeiras parcelas coletadas, representando 6,06% das
amostras. Nas amostras dos meses seguintes, o pH apresentou-se na faixa da neutralidade. Valores de pH igual ou
acima de 5,7 são considerados normais devido à absorção de CO 2 e concentração natural de H2CO3 na água. A
condutividade se mostrou muito variável, com média 31,59 µS/cm-1, variando de 7 a 89 µS/cm-1. O mês que
apresentou o menor valor de condutividade foi em outubro, sendo este o mês que apresentou a amostra com maior
volume de chuva (84,6 mm). Para os parâmetros pH e condutividade elétrica, foi utilizado o cálculo da média
ponderada pelo volume (MPV), na forma de evitar erros de obtenção de média. Os valores de MPV para o pH
apresentaram uma variação de 5,86 (mínimo) a 7,20 (máximo). A MPV da condutividade variou de 10,55
(mínimo) a 35,00 µS/cm-1 (máximo). A dureza média das amostras foi de 3,81 mg.L-1, com mínimo (<1,0 mg.L-1) e
máximo (5,94 mg.L-1). A dureza é a concentração de cátions multimetálicos em solução, frequentemente
associados à dureza são Ca2+ e Mg2+ (USEPA, 2015). A média da turbidez foi de 2,95 NTU, variando de 1,0
(mínimo) a 6,20 NTU (máximo), indicando pouca presença de partículas em suspensão e matéria orgânica na baixa
atmosfera. Em relação à acidez, a média foi de 4,25 mg.L-1, com mínimo de 2,40 e máximo de 6,40 mg.L-1. Os
resultados obtidos no período monitorado permitiram encontrar valores médios de pH na faixa de neutralidade,
porém em períodos isolados com pH levemente ácido. A falta de um monitoramento contínuo torna difícil afirmar
se existe ocorrência de chuvas ácidas na região, uma vez que a determinação do índice de acidez da chuva depende
de vários fatores meteorológicos (movimentos atmosféricos, massas de ar, correntes de ventos ascendentes,
períodos de chuva e estiagem, tipologia de fontes de emissão atmosférica antropogênica, entre outros). Estudos que
tratam da qualidade da água de chuva são de extrema relevância, principalmente no contexto da climatologia
urbana, onde-se tem um maior grau de ocupação humana, locais com expansão industrial e um grande fluxo de

53
veículos automotores, ocasionando uma maior emissão de gases atmosféricos poluentes. Assim torna-se importante
novos estudos, que tratam da qualidade das chuvas na região de estudo.

54
9REA158
EFEITO DA APLICAÇÃO DE DIFERENTES DOSES DE EFLUENTE
DOMÉSTICO TRATADO NA POPULAÇÃO E ATIVIDADE
MICROBIANA DO SOLO
Marcia Matsuoka1, Adriane da Silva Borges2, Claudia Nogueira Gomes3 Luana Cristina Jantsch4

1
Universidade Federal de Santa Maria, e-mail: "Marcia Matsuoka" marciamatsuoka@yahoo.com.br;
2
Universidade Federal de Santa Maria, e-mail: "Adriane Borges" adrianeborges14@yahoo.com.br;
3
Universidade Federal de Santa Maria, e-mail: “Cláudia Gomes”gomes.nogueira@outlook.com;
4
Universidade Federal de Santa Maria, e-mail: "Luana Jantsch"lu_jantsch@hotmail.com;

Palavras-chave: Águas residuárias, Qualidade do solo, Reuso da água.

Resumo
Esta pesquisa teve como objetivo avaliar o carbono da biomassa microbiana e a atividade microbiana do solo
com aplicação de diferentes doses de efluente doméstico tratado e verificar a sensibilidade dessas características
microbiológicas como indicadores da qualidade do solo. O delineamento utilizado foi o inteiramente casualizado
com cinco tratamentos e quatro repetições. Foi avaliado a aplicação de 4 doses de efluente doméstico tratado
(25%, 50%, 75% e 100%) e um tratamento somente com aplicação de água de poço, utilizado como testemunha.
As características microbiológicas avaliadas foram a respiração basal por 35 dias de incubação, o carbono da
biomassa microbiana e a mineralização de nitrogênio do solo. A aplicação de efluente doméstico tratado afetou
negativamente as características microbiológicas do solo reduzindo a população microbiana, sua atividade e sua
eficiência na utilização dos substratos orgânicos disponíveis.

55
9REA160
DIAGNÓSTIO DA MICRODRENAGEM URBANA DE UM
TRECHO DA AVENIDA BELISÁRIO RAMOS (LAGES/SC)

Ana Carolina de Matos e Ávila1, Karoliny de Souza Libardo2, Letícia Zanetti Haack3
1
Universidade do Estado de Santa Catarina, e-mail: anacmavila@gmail.com; 2Universidade do
Estado de Santa Catarina,e-mail:karolibardo@gmail.com; 3Universidade do Estado de Santa
Catarina,e-mail: leticiazhaack@gmail.com.

Palavras-chave: microdrenagem; precipitação; alagamento.

Resumo
Os alagamentos tentem a aumentar com a ocupação desordenada nas grandes cidades, esse fato em conjunto com
a falta de manutenção ou até falta das redes de microdranagem ocasionam transtornos aos moradores da cidade.
Seguindo esse pensamento, o presente artigo tem como objetivo realizar o diagnóstico da microdrangem urbana
de um trecho da Avenida Belisário Ramos e apresentar possíveis soluções nos locais que não estiverem
adequados. O diagnóstico da microdrenagem foi realizado com vistorias no local em dois cenários: período seco
e chuvoso. No período seco foram medidos alguns parâmetros para o cálculo da vazão das caixas com grelhas e
bocas de lobo (totalizando em 6 dispositivos). Já no período chuvoso, foi observado o funcionamento dos
dispositivos da microdrangem. Observou-se no período seco que os dispositivos não apresentam
dimensionamento padrão, além de que, havia muito acúmulo de sedimentos e perceptível falta de manutenção
dos mesmos. As bocas de lobo 2, 3 e 4 possuem a área do orifício muito grande, podendo causar risco a
população, pois a abertura pode-se passar uma criança. No período chuvoso o sistema de microdrenagem não
consegue captar o volume de água que escoa pelas vias, além de apresentar considerável quantia de resíduos
sólidos ao longo do trecho. Pode-se concluir que o sistema de microdrenagem no trecho Belisário Ramos não
está funcionando de forma adequada, pois nos dias chuvosos a água não escoa diretamente para os dispositivos
ocasionando, assim, alagamento na via e transtornos a população. As recomendações seriam a colocação das
grades nos locais onde as bocas de lobo apresentaram risco a população, realização da manutenção mais contínua
para que se possa remover os resíduos sólidos e consertar os dispositivos que acabam sendo danificados.

56
9REA161
SENSIBILIDADE DE DIFERENTES SEMENTES EM ENSAIO
DE FITOTOXICIDADE

Thais de Araujo Goya Peduto¹, Tatiane Araujo de Jesus², Márcio Yukihiro Kohatsu³
1
Universidade Federal do ABC, e-mail: thais.goya@ufabc.edu.br;
2
Universidade Federal do ABC, e-mail: tatiane.jesus@ufabc.edu.br;
³Universidade Federal do ABC, e-mail: mykohatsu@gmail.com.

Palavras-chave: Bioindicadores vegetais; Ecotoxicologia; Ensaio de germinação.

Resumo
A Ecotoxicologia estuda a contaminação ambiental e visa prever os efeitos das substâncias químicas em seres
vivos e comunidades naturais, investigando se as substâncias naturais e contaminantes são passíveis de causar
danos aos organismos, levando em conta a sensibilidade dos diferentes tipos à exposição por agentes tóxicos. Os
testes de ecotoxicidade com organismos vegetais, ou seja, ensaios de fitotoxicidade, possuem vantagens
destacadas como: a simplicidade na realização do ensaio, baixo custo, baixa manutenção, sensibilidade na
indicação qualitativa da presença de substâncias tóxicas ou inibidores biológicos, alta correlação com outros
dados, método reprodutível, não requer grandes equipamentos, sem sazonalidade, fácil aquisição das sementes no
comércio, requer uma amostra pequena e rápida germinação. Como limitações, estas análises não permitem
identificar quais são os contaminantes que causam a toxicidade especificamente, e o fato de ainda não existir um
método universalizando os testes de fitotoxicidade para o composto analisado origina em conclusões diferentes
dependendo do momento da avaliação. Dessa forma, visou-se neste estudo analisar e comparar os parâmetros
macroscópicos que demonstram alterações no crescimento inicial e na germinação de seis espécies vegetais
fortemente empregadas como bioindicadoras de toxicidade, a fim de contribuir com informações para a
padronização de bioensaios de fitotoxicidade. Eles consistiram em incubar a 20ºC +/- 2ºC e umidade relativa de
60%, por períodos de horas diferentes de acordo com cada espécie, as sementes de cebola (Allium Cepa) – 168
horas, pepino (Cucumis sativus) – 96 horas, rúcula (Eruca sativa) – 120 horas, Alface (Lactuva sativa) – 120
horas, Agrião do jardim (Lepidium sativum) – 96 horas, mostarda (Sinapis alba) – 72 horas, em contato com três
soluções, estimulante (Água ISO), neutra (Água Destilada) e inibidora (Dicromato de Potássio) frequentemente
adotadas na literatura. Em seguida, foram determinados os comprimentos das radículas com auxílio de
paquímetro digital. Foram realizados os cálculos do índice de germinação. Os ensaios de germinação
apresentaram diferentes respostas, no entanto, as que mostraram melhores resultados quanto a sensibilidade e
germinação absoluta das sementes (100%) para os diferentes controles empregados, maior comprimento relativo
das raízes e melhor trabalhabilidade em laboratório foram as sementes de rúcula (Eruca sativa) e de agrião do
jardim (Lepidium sativum). Ressalta-se que os ensaios de fitotoxicidade com sementes carece da padronização
dos protocolos dos testes de toxicidade, para que esses possam vir a serem utilizados como limites guia para a
tomada de decisões, contribuindo para estudos já existentes e com a reprodutibilidade dos ensaios.
9REA162
IMPACTOS AMBIENTAIS ENCONTRADOS EM FUNDOS DE
VALE INSERIDOS EM AMBIENTES URBANOS: BREVE
REVISÃO TEÓRICA
Mariana Borges Albuquerque1, Alex Simões Bosso2, Cristhiane Michiko Passos Okawa3
1
Universidade Estadual de Maringá, e-mail: bgsalbuquerque@gmail.com; 2Universidade Estadual de
Maringá, e-mail: alexbosso@gmail.com; 3Universidade Estadual de Maringá, e-mail:
cmpokawa@uem.br

Palavras-chave: Impactos antropogênicos e rios urbanos; gestão de recursos hídricos; gestão de rios urbanos.

Resumo
A construção de cidades provoca uma intensa impermeabilização do solo, aumento na geração de residuos
sólidos, aumento na velocidade e quantidade de água da chuva escoada superficialmente, necessidade de coleta e
tratamento de esgotamento sanitário, ainda que por meio de fossas sépticas, entre outros problemas de
infraestrutura urbana. Os fundos de vale inseridos em ambiente urbano são impactados pela construção de
cidades, sendo os principais fatores: a erosão e o assoreamento no leito do rio, presença de resíduos sólidos,
inexistência de dissipador de energia na descarga de águas pluviais, ocupação das margens por população
ribeirinha, presença de animais usados na pecuária, inexistência de vegetação de mata ciliar na largura exigida
por lei, presença de vegetação exótica, descarga clandestina de esgotamento sanitário sem tratamento e
degradação da qualidade da água. Neste contexto, o objetivo desse trabalho é descrever os principais impactos
ambientais que podem ser encontrados em fundos de vale inseridos em ambientes urbanos. Para isso, foi
realizada uma revisão de literatura utilizando dissertações, teses, livros e majoritariamente artigos científicos de
alta qualidade. Os resultados comprovam a existência desses impactos antropogênicos em diversos rios ao redor
do mundo. Conclui-se que o planejamento do uso e ocupação do solo e a execução de uma boa infraestrutura
urbana associados com políticas públicas de promoção da educação ambiental são essenciais para a conservação
dos fundos de vale urbanos.

58
9REA166
ÍNDICE DE ESTADO TRÓFICO (IET) DO CÓRREGO
COMPRIDO (SANTO ANDRÉ – SP)
Filipe Cardoso Bellato1, Bruna Nascimento Rocha2, Tatiane Araújo de Jesus3, Camila
Clementina Arantes4

1Universidade Federal do ABC,e-mail: filipecbellato@hotmail.com; 2Universidade Federal do ABC,e-mail:


bruun.rocha@gmail.com; 3Universidade Federal do ABC,e-mail: tatiane.jesus@ufabc.edu.br; 4Universidade
Federal do ABC, e-mail: camila.arantes@ufabc.edu.br

Palavras-chave: Eutrofização, nutrientes, qualidade de água.

Resumo
O processo de urbanização traz consigo a necessidade de água para atender diversos usos, e ao mesmo tempo, os
corpos hídricos são utilizados para a diluição de rejeitos líquidos gerados pelas diferentes atividades
desenvolvidas nestas regiões, o que gera uma crescente pressão sobre os corpos hídricos que pode resultar na
perda de qualidade das águas, tornando a relação do ser humano com os recursos hídricos cada vez mais
complexa. No Brasil, a elevada disponibilidade hídrica em algumas regiões converge, muitas vezes, com a
cultura do desperdício e ausência da adoção de medidas que preservem este recurso. Neste cenário se insere o
Córrego Comprido, afluente do Rio Tamanduateí (de grande importância para o estado de São Paulo,
principalmente para a região do ABC paulista) que vem sofrendo pela ausência de infraestrutura adequada,
comprometendo, assim, a qualidade de suas águas. Dentre os principais índices de qualidade da água tem-se a
avaliação dos níveis de trofia de corpos hídricos, que indicam a qualidade da água considerando a presença de
nutrientes e o efeito relacionado ao crescimento excessivo de algas e de plantas aquáticas. Alterações
significativas neste índice implicam na instabilidade do ecossistema, causando tanto a morte de peixes e de
outros animais quanto à perda de características naturais do meio aquático, decorrentes do processo de
eutrofização. Diante disso, o presente trabalho avaliou o nível de trofia do Córrego Comprido por meio da
determinação do Índice de Estado Trófico - IET (P). Foram realizadas oito coletas de amostras de água em três
pontos (A, B e C) ao longo do eixo longitudinal do córrego, e analisadas em duplicata. Os resultados apresentam
variação do IET (P) entre 57,2 e 66,4, o que classifica a maioria das amostras avaliadas como eutrofizadas. Não
foram observadas diferenças significativas entre os resultados para os pontos de coleta mesmo que entre os
pontos A e B o resultado indique a possibilidade de diferença estatística (p = 0,0576). Observou-se que a
variação do índice convergiu com os principais resultados da literatura para ambientes similares a este. Assim,
medidas de recuperação deste córrego devem ser realizadas visando contribuir com a melhoria da qualidade da
água local.

59
9REA167
SIMULAÇÃO NUMÉRICA DA CONCENTRAÇÃO DE SO2 NA
REGIÃO DE CANDIOTA- RS COM O MODELO
ATMOSFÉRICO WRF-CHEM
Ricardo Antonio Mollmann Junior1, Osvaldo Luis Leal de Moraes1, Rita de Cássia Marques
Alves2, Gabriel Bonow Munchow2, Edeon Sandmann de Deus2, Rafael Correa de Lima2

1Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais – CEMADEN, e-mail:


mollmannr@gmail.com, osvaldo.moraes@gmail.com; 2Universidade Federal do Rio Grande do Sul, e-mail:
rita.cma@terra.com.br, gabrielgmw@gmail.com, sandmann.edeon@gmail.com, rafael.correa@ufrgs.br.

Palavras-chave: Modelagem Atmosférica, Dispersão de Poluentes, Qualidade do Ar.

Resumo
Neste trabalho utilizou-se modelo atmosférico de mesoescala Weather Research and Forecast coupled with
Chemistry (WRF/Chem) para simular a dispersão do poluente dióxido de enxofre (SO2) no mês de janeiro de
2016 emitido a partir de uma fonte emissora na Região de Candiota, localizado no Sul do estado do Rio Grande
do Sul. Para as emissões antrópicas no modelo foi utilizado um programa capaz inserir os volumes do poluente
SO2 de forma horária expelidos pela chaminé, de acordo com as taxas de emissão medidos diretamente na fonte.
O programa representou a emissão do poluente no ponto de grade correspondente a localização e a altura acima
da superfície da chaminé da fonte. Os resultados da simulação do WRF/Chem foram comparados aos dados
medidos em duas estações de qualidade do ar localizadas ao redor da fonte. Foi constatado que o modelo
WRF/Chem foi capaz de representar o transporte do poluente da fonte emissora até as estações de qualidade do
ar em Candiota. No entanto, o modelo demonstrou diferente desempenho de simulação conforme a direção de
transporte do SO2. As simulações das concentrações de SO2 sobre a estação do Aeroporto, localizado a noroeste
da fonte de emissão, foram melhores representadas em comparação as concentrações simuladas para a estação de
Candiota, localizada a oeste da fonte. Estes resultados foram observados tanto de forma horária quanto em
relação média diária e, por conseguinte, sugerem que o modelo pode ter apresentado dificuldades para
representação das condições atmosféricas (como direção e velocidade do vento) necessárias para o deslocamento
do poluente até estação de Candiota.

60
9REA168
COMPARAÇÃO ENTRE MÉTODOS DE ESTIMATIVA DE
EVAPOTRANSPIRAÇÃO POTENCIAL E DE REFERÊNCIA

Brenda Mello Franco1, Cácio Miranda Andres2, Júlia Konrad3, Flávia Antunes Ziani4

1Universidade Federal de Santa Maria, e-mail: bremfr@gmail.com; 2Universidade Federal de Santa Maria, e-
mail: cacio.mandres@gmail.com; 3Universidade Federal de Santa Maria, e-mail: juliabkonrad@gmail.com;
4Universidade Federal de Santa Maria, e-mail: eng.ziani@gmail.com.

Palavras-chave: Evapotranspiração potencial; Evapotranspiração de referência; Balanço hídrico.

Resumo
O balanço hídrico climatológico é uma das informações básicas para o planejamento racional das atividades
agrícolas e florestais, pois esta técnica consiste em contabilizar a evapotranspiração com a precipitação,
considerando-se uma determinada capacidade de armazenamento de água no solo, de forma a determinar a
disponibilidade de água às culturas, nas diferentes épocas do ano e a melhor estação de cultivo para uma
determinada região. A evapotranspiração (ET) é a variável mais ativa do ciclo hidrológico e a principal
componente no balanço hídrico em ecossistemas agrícolas. Portanto, ela é um parâmetro chave para estudos de
avaliação ambiental e de manejo de bacias hidrográficas, para a estimativa da necessidade hídrica das culturas e
para projetos e manejo de sistemas de irrigação. Recentemente, os consultores da Food and Agriculture
Organization (FAO), revisaram os métodos de estimativa da Evapotranspiração de referência (ETo), deliberando
que a fórmula de Penman-Monteith deve ser utilizada como método padrão para a estimativa da ETo, porque é
baseado em processos físicos e incorpora parâmetros fisiológicos e aerodinâmicos. Porém, para a utilização da
equação de Penman-Monteith há necessidade de se obter algumas variáveis meteorológicas que podem não estar
disponíveis no local de sua aplicação. Nesse sentido, o método de Thornthwaite é mais prático, tendo em vista a
sua simplicidade de aplicação e o reduzido número de dados meteorológicos necessárias, apesar de apresentar
certa limitação de estimação. Nesse sentido, esse trabalho tem como objetivo comparar os valores de ETo
calculados por meio do método de Penman-Monteith com os valores de ETp calculados por meio do método de
Thornthwaite com dados de três estações meteorológicas situadas na região da bacia hidrográfica do rio
Ibirapuitã e avaliar as estimativas obtidas. O rio Ibirapuitã corresponde a um dos principais afluentes do rio
Ibicuí, um dos mais importantes do oeste do Rio Grande do Sul. A bacia hidrográfica do Ibirapuitã é de 7ª
ordem, com área da bacia correspondente a 7978,70 km² e o perímetro 646.120 km. A Evapotranspiração de
Referência foi determinada através da aplicação do método de Penman-Monteith-FAO e para tal, foram
utilizados dados climatológicos de três estações meteorológicas do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET):
Santana do Livramento (83953), Alegrete (86975) e Quaraí (86992). Estes dados foram então comparados com
os dados de Evapotranspiração Potencial do Atlas Climático da Fepagro, calculada pelo método de
Thornthwaite, e também com os dados de precipitação. A análise dos dados foi feita de acordo com o ano
hidrológico para a região. Na análise dos resultados foi feito uma comparação da evapotranspiração de referência
do método de Penman-Monteith e a evapotranspiração potencial de Thornthwaite para as estações
meteorológicas citadas. Foi calculada a ETo com o método de Penman-Monteith e a ETp com o método de
Thornthwaite e realizou-se uma comparação entre elas. O método de Penman-Monteith foi usado como método
de referência por ser indicado pela FAO e estar embasado nos processos físicos os quais envolvem a
evapotranspiração. Os resultados obtidos mostram que o método de Thornthwaite, apesar de ser mais
simplificado, mostrou um bom ajuste com relação ao método de Penman-Monteith. Os dados de
evapotranspiração mostraram-se próximos, um método do outro, o que pode ser confirmado por meio do
coeficiente de determinação, o qual inclusive teve um ótimo resultado de 0.96 para uma das estações estudadas.
O método de Thornthwaite pode ser usado para estimativa de dados de evapotranspiração em locais os quais não
há medição desse parâmetro ou que não há medição das variáveis meteorológicas necessárias à aplicação do
método de Penman-Monteith.

61
9REA169
CLARIFICAÇÃO DE ÁGUA SUPERFICIAL COM BAIXOS
VALORES DE TURBIDEZ E COR APARENTE UTILIZANDO
EXTRATO DE SEMENTES DE MORINGA OLEIFERA E
SULFATO DE ALUMÍNIO
Cristina Satomi Yamamoto Eguchi1, Camila Clementina Arantes2

1Universidade Federal do ABC, e-mail: satomi.cristina@hotmail.com; 2Universidade Federal do ABC,


e-mail: camila.arantes@ufabc.edu.br

Palavras-chave: coagulante natural; coagulação; tratamento de água.

Resumo
A água bruta presente em corpos hídricos superficiais pode conter partículas, microrganismos, sólidos e outras
substâncias que a torna inadequada para o consumo humano, requerendo tratamento para se adequar ao padrão
de potabilidade previsto pela Portaria de consolidação n° 5/2017. Em uma das etapas do tratamento de água, os
coagulantes são utilizados para desestabilizar sólidos suspensos presentes na água bruta, propiciando a formação
de flocos passíveis de remoção pelo processo de decantação. Além dos coagulantes tradicionais, como os sais
metálicos a base de alumínio e ferro, há polímeros sintéticos e naturais que podem ser utilizados como
coagulantes, como as sementes de Moringa oleifera. Este projeto teve como objetivo comparar o uso do sulfato
de alumínio com o extrato de sementes da Moringa oleifera na clarificação de água. Utilizando água bruta
superficial com cor aparente e turbidez média de 12±6 uH e 11±2 NTU, respectivamente, foram realizados
ensaios de coagulação (100 RPM por 1 minuto), floculação (20 RPM por 15 minutos) e sedimentação (30
minutos) em equipamento jar-test. Foram testadas dosagens dos dois coagulantes variando entre 10 a 50 mg L-1
na clarificação de água bruta com pH de coagulação igual a 7,0. Constatou-se que dosagem mais eficiente do
extrato de sementes Moringa oleiferas foi a de 10 mg L-1, resultando em eficiências de 41% e 19% para cor e
turbidez, respectivamente, e para dosagens acima de 40 mg L-1 não houve redução para tais parâmetros. Já o uso
do sulfato de alumínio resultou em reduções acima de 80% para tais parâmetros. A realização deste trabalho
permite concluir que, para água bruta com baixos valores de turbidez e cor aparente, as dosagens mais elevadas
de Moringa oleifera ocasionam menores reduções nos valores de tais parâmetros. Além disto, o coagulante
natural apresenta baixa eficiência se comparado ao sulfato de alumínio.

62
9REA170
INFLUÊNCIA DO ÁCIDO HÚMICO SOBRE O COEFICIENTE
DE REAERAÇÃO SUPERFICIAL
Pedro de Souza Lopes Silva1, Deusmaque Carneiro Ferreira2, Mário Sérgio da Luz3, Julio Cesar
de Souza Inácio Gonçalves4

1Universidade Federal do Triângulo Mineiro, e-mail: pedro.s.ls@hotmail.com; 2Universidade Federal do


Triângulo Mineiro, e-mail: deusmaque.ferreira@uftm.edu.br; 3Universidade Federal do Triângulo Mineiro, e-
mail: mariosergiodaluz2013@gmail.com;4Universidade Federal do Triângulo Mineiro, e-mail:
sig.julio@gmail.com

Palavras-chave: Tensoativo; Tensão superficial; coeficiente volumétrico de transferência de


oxigênio.

Resumo
A reaeração superficial é um importante fenômeno de reposição de oxigênio dissolvido (OD) para os
escoamentos naturais, esse fenômeno pode ser quantificado pelo coeficiente volumétrico de transferência de
massa de oxigênio da atmosfera para superfície líquida ( . Os modelos utilizados para previsão e avaliação
da concentração de OD, são na maioria dos casos sensível ao , logo, uma estimativa incorreta desse
coeficiente pode conduzir a prejuízos de natureza econômica e ambiental. Diversos estudos mostram como
diferentes variáveis e processos podem interferir na quantificação do , dentre eles são encontrados estudos
que fornecem evidências de que a presença de tensoativos (ou surfactantes) tende a reduzir a transferência de
massa devido à formação de um filme superficial que dificulta a difusão do oxigênio. Porém ainda não foram
encontrados trabalhos no qual avaliam o efeito de substâncias com características tensoativas naturalmente
presentes em escoamentos naturais sobre o coeficiente , como exemplo, o ácido húmico (AH). Essa classe
de estudo é relevante uma vez que corpos hídricos com semelhanças hidráulicas, hidrodinâmicas, fatores
ambientais e sem contaminação antrópica podem divergir quanto ao potencial de autodepuração por
apresentarem naturalmente substâncias com características tensoativas. O presente trabalho avaliou a influência
do ácido húmico em 15 concentrações diferentes (0,0; 0,5; 1,5; 2; 3; 4; 5; 6; 8; 10; 12; 14; 16; 18; 20 mg L-1)
para 3 níveis de turbulência diferentes (número de Reynolds do equipamento). A geração de turbulência foi
realizada por meio de um tanque de grade oscilante, com as seguintes dimensões: base de 0,5 m por 0,5 m e 1 m
de altura, o nível da lâmina d’água foi 45,5 cm. Uma grade com malha quadrada, M, de 3,5 cm foi utilizada,
resultando em uma solidez de 37,4 %. Também foi estudado o amortecimento da turbulência, para sua
quantificação utilizou o 3D micro ADV (Acoustic Doppler Velocimeter) Vectrino Velocimeter 10 MHz (Nortek
AS). Os resultados obtidos foram: os valores máximos de redução foram de 11%, 16% e 17% para números de
Reynolds do equipamento de 5.116, 10.316 e 15.433, respectivamente; O efeito barreira, produzido pela
ocupação das moléculas de ácido húmico na interface, foi o principal fenômeno responsável pela redução da
reareação. Praticamente 93% da superfície foi ocupada pelo filme superficial quando a concentração de ácido
húmico atingiu 8 mg L-1; o filme superficial produzido pelo ácido húmico reduziu a velocidade turbulenta
horizontal. A intensidade de redução foi maior quanto mais fraco era o nível de agitação da interface (menor
número de Reynolds da grade). O ácido húmico é um composto presente naturalmente em corpos d’água,
principalmente no Brasil, onde os escoamentos possuem elevada massa de matéria orgânica natural. Este estudo
mostrou que a presença desse composto deve ser considerada na estimativa do fenômeno de reaeração. Modelos
que levam em consideração apenas parâmetros hidrodinâmicos provavelmente superestimam o coeficiente de
reaeração quando aplicados em corpos d´água com a presença de ácido húmico.

63
9REA171
EXTRATO DE SEMENTES DE MORINGA OLEIFERA
ADERIDO À AREIA EM FILTROS OPERANDO COM TAXA
TÍPICA DE FILTRAÇÃO LENTA
Kamila Suemy Takassugui Satani1, Camila Clementina Arantes2, Tatiane Araújo de Jesus3

1Universidade Federal do ABC, e-mail: kamilasuemy@hotmail.com; 2Universidade Federal do ABC, e-mail:


camila.arantes@ufabc.edu.br; 3Universidade Federal do ABC, e-mail: tatiane.jesus@ufabc.edu.br

Palavras-chave: redução de cor aparente; redução de turbidez; tratamento de água.

Resumo
A problemática do acesso a recursos hídrico de qualidade, especialmente para consumo humano, vem crescendo
ao longo das últimas décadas. Apesar da existência de técnicas e tecnologias aplicáveis na melhoria da qualidade
da água, verifica-se que, de forma geral, estas são dirigidas para grandes volumes de água e grandes centros
urbanos, com sistemas centralizados, onde predominam o tratamento de água do tipo convencional. Uma
alternativa simplificada ao sistema convencional, com baixo custo e facilidade de operação, é a filtração lenta,
técnica esta na qual não é necessária a utilização de produtos químicos ou equipamentos sofisticados. Neste
contexto, o presente trabalho teve como objetivo avaliar e comparar a eficácia de um sistema operando com taxas
típicas de filtração lenta (média de 5,8 m³ m-² dia-1), utilizando três meios filtrantes compostos por areia própria
para filtração, seguindo as seguintes configurações: (1) areia (FA) – configuração convencional deste tipo de
filtro; (2) extrato filtrado de Moringa oleifera aderido à areia (FA + EMOF); e (3) extrato peneirado de Moringa
oleifera aderido à areia (FA + EMOP). A água bruta sintética foi produzida com bentonita e apresentou valores
médios de turbidez e cor aparente de 9,68 ± 2,45 UNT e 2,94 ± 0,98 uC, respectivamente. Os filtros com extrato
de Moringa oleifera proporcionaram valores mais reduzidos para os parâmetros turbidez e cor aparente ao longo
da filtração, porém, a análise de variância seguida do teste de Tukey, com nível de significância de 5%,
demonstrou que não há diferenças significativas entre as médias quando se compara os 3 tratamentos. Com base
nos resultados obtidos, conclui-se que, considerando a redução de turbidez e cor aparente, não seria viável o uso
dos filtros com extrato de sementes de Moringa oleifera, já que não há diferenças significativas entre os três
tratamentos e a adição do extrato ao material filtrante representa mais uma etapa no processo, o que pode
desestimular o uso da tecnologia.

64
9REA173
O SANEAMENTO BÁSICO E SUA RELAÇÃO COM A
INCIDÊNCIA DE DENGUE EM ÁREAS URBANAS DE BOA
VISTA - RR
Pedro Alves da Silva Filho1, Márcio Gustavo Borges2, Larissa de Castro Ribeiro3

1Universidade Federal de Roraima, e-mail: pedro.filho@ufrr.br; 2Universidade Federal de Roraima, e-mail:


mgustavob@hotmail.com; 3Universidade Federal do Rio Grande do Sul, e-mail: larissa.ribeirocr@gmail.com

Palavras-chave: Saneamento básico; dengue; saúde pública.

Resumo
No ano de 2010 a prefeitura municipal de Boa Vista e o Governo do Estado de Roraima iniciam através de
recursos do PAC – programa de aceleração do Crescimento obras de saneamento básico em toda a cidade, fato
este que coincide com a diminuição acentuada dos casos de dengue na capital. Tendo em vista, os altos índices
de infestação de dengue, que são proporcionados devido à falta e/ou deficiência de saneamento eficiente e uma
mobilização social, sendo de grande importância a utilização da pesquisa e a influência que esta mesma exerce na
sociedade contemporânea, na educação e na formação de cidadãos para o desenvolvimento de atividades
voltadas ao estudo da engenharia ambiental, saneamento, educação em saúde e epidemiologia, a fim de subsidiar
dados para uma tomada de decisão política, econômica e ambiental. O presente trabalho tem o interesse de
responder a seguinte problemática: qual seria a participação da introdução do saneamento básico na diminuição
dos casos de dengue em áreas urbanas de Boa Vista/RR? Em função desse questionamento o presente trabalho
fará uma análise direta dos dados das etapas de execução de obras de saneamento em detrimento aos dados de
notificação de casos de dengue em áreas urbanas da capital do estado de Roraima. Nesta perspectiva o presente
trabalho expõe, de forma introdutória, algumas reflexões acerca das inter-relações entre os aspectos históricos,
políticos, urbanos e ambientais que podem estar influenciando na expansão e retração da incidência de doenças
nas duas regiões analisada, com ênfase para dengue e sua correlação com o saneamento. Em se tratando de uma
abordagem introdutória, envolvendo as questões de saúde coletiva, epidemiologia, geografia, saneamento,
engenharia ambiental e desenvolvimento urbano, os procedimentos metodológicos adotados envolveram a
realização de levantamentos bibliográficos em fontes diversas para construir o suporte teórico-prático da
argumentação aqui apresentada. A análise serve-se também de avaliações casuísticas e estatísticas na perspectiva
de ilustrar a discussão desenvolvida, valendo-se, sobretudo, de fontes primárias de dados do sistema nacional de
notificação de agravos e do mapa de etapas de saneamento da cidade de Boa Vista/RR. Para a ilustração dos
fatos referenciados, os dados envolvidos provêm da tabulação dos casos de dengue em duas regiões avaliadas e
de resultados de pesquisas em outros veículos de divulgação da ciência, sendo aqui empregados para
consubstanciar a argumentação elaborada. Mesmo que em vista da migração desenfreada de pessoas de outros
estados, em busca de melhores condições de vida para a suas famílias, os órgãos executores têm cumprido seu
papel de forma a evitar maiores danos. Contudo o aumento da população formando as áreas de invasão, acabou
gerando um problema de saúde pública, deixando os moradores à mercê não só da dengue, mas de uma série de
riscos diante da precariedade em que vivem e isso acabou por desmerecer o trabalho paulatino realizada nas
áreas planejadas e delimitadas pelo plano diretor. Por tudo isso é de suma importância a conscientização das
pessoas em geral, sejam elas cidadãos, sejam elas entes públicos, privados ou políticos, através do saneamento e
da educação ambiental. O saneamento, o desenvolvimento urbano e a saúde são fatores interligados, tendo o
poder público, o dever de distribuí-las adequada e satisfatoriamente a toda população. Falhas nesse processo
causam segundo a organização mundial da Saúde algo em torno de 5 a 10 milhões de mortes de pessoas por ano,
com dengue e outras por doenças relacionadas a qualidade da água e péssimas condições de saneamento. O
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística aponta que as mortes por Dengue são verificadas no Brasil como
um todo; porém o índice é mais expressivo nas Regiões Norte e Nordeste onde o saneamento é mais precário, por
isso essa diminuição considerável nos casos de dengue após a realização das obras de saneamento da área
delimitadas refletem a importância da administração correta dos recursos públicos. O setor público em nosso
estado pretende finalizar o ano de 2019 com 98,7% da capital saneada. Boa Vista está em uma situação um
pouco melhor que nos últimos anos ocupando hoje a 56º lugar no ranking do cenário brasileiro do saneamento, o
que não é ainda uma colocação privilegiada, mas em relação aos investimentos, ocupa o segundo lugar quando

65
relacionamos arrecadação versus investimento.

66
9REA174
PROPOSTA DE METODOLOGIA PARA CLASSIFICAÇÃO DE
FEIÇÕES EROSIVAS: UMA COMPILAÇÃO DA
LITERATURA
Míriam Baggio Mercaldi1, Simone Andrea Furegatti2

1 Faculdade de Engenharia de Bauru (UNESP), Bauru, Brasil,e-mail: miriambaggiom@hotmail.com; 2Faculdade


de Engenharia de Bauru (UNESP), Bauru, Brasil, e-mail: simone.furegatti@unesp.br

Palavras-chave: Erosão do solo, Feições erosivas, Processos erosivos, Fatores de influência

Resumo
A Erosão é um processo natural vigente e um dos problemas mais iminentes da sociedade, arruinando grande
parcela das terras cultiváveis e levando ao esgotamento total do solo em algumas situações. Em grande parte dos
casos está intimamente ligada à agricultura e é agravada pela ação antrópica com o mau uso do solo devido aos
métodos de trabalho empregados. A consciência sobre a conservação do solo é relativamente recente, o solo
apesar de ser um dos mais importantes recursos da natureza, tem sido prejudicado com o mau uso. O mecanismo
da erosão ocasiona prejuízos muito grandes, mas que, todavia, podem ser controlados com o uso de técnicas
simples, para isso é preciso que se compreenda o processo erosivo, desde a sua origem. Há uma enorme
divergência entre os autores a respeito da classificação das erosões do tipo linear, as denominações entre sulcos,
ravinas e voçorocas variam de acordo com as dimensões longitudinais e das seções transversais além de suas
formas. Alguns autores levam em consideração também o aparecimento ou não de água para a diferenciação de
ravinas ou voçorocas. O presente trabalho busca classificar feições erosivas, avaliando os fatores que exercem
maior influência em cada de processo erosivo. Para a elaboração da metodologia proposta, efetuou-se um
levantamento bibliográfico sobre diferentes classificações de feições erosivas adotadas por autores brasileiros e
estrangeiros. Além disso, realizou-se uma análise dos fatores que influenciam os processos erosivos encontrados
na literatura e em estudos acadêmicos, que possuam informações sobre a ocorrência e o desenvolvimento da
feição erosiva. Os dados obtidos possibilitaram a elaboração de quadros que facilitarão a identificação do
processo erosivo.

67
9REA 175
DETERMINAÇÃO DA DESCARGA DE SEDIMENTOS EM UM
TRECHO DO RIO CAÍ
João Francisco Valentini1, Taison Anderson Bortolin2 e Vania Elisabete Schneider3

1Universidade de Caxias do Sul, e-mail: jfvalentini@ucs.br; 2Universidade de Caxias do Sul, e-mail:


tabortol@ucs.br; 3Universidade de Caxias do Sul veschnei@ucs.br

Resumo
Erosão, transporte e deposição de sedimentos são algumas das etapas que fazem parte do ciclo
hidrossedimentológico. Essas etapas são processos lentos e naturais que estão condicionados a diversos fatores
agravantes, dentre eles a ação antrópica. A água é o principal agente deste ciclo, sendo fundamental no transporte
dos sedimentos. O software HEC-RAS é uma importante ferramenta que auxilia na modelagem
hidrossedimentológica, contendo em si uma série de funções de transporte, dentre elas a de Yang. O estudo deste
trabalho foi conduzido em um trecho de aproximadamente 3km do Rio Caí, na altura do município de São
Sebastião do Caí, RS. A bacia do trecho é caracterizada por ser de solo argiloso sobre uma camada de basalto
impermeável. Foi feito um levantamento topobatimétrico do canal para definir a geometria do mesmo, além de
ensaios granulométricos do material do leito. Todas essas informações foram lançadas no software e foi feita uma
simulação para um período de janeiro de 2017 a dezembro do mesmo ano utilizando a função de transporte de
Yang. Obtiveram-se resultados de descarga sólida do leito negativa nas seções à montante e positiva à jusante,
indicando erosão e deposição respectivamente. Observou-se também o comportamento de alteração de cada
seção ao final do período de tempo. Verificou-se que os resultados foram coerentes com a descarga sólida.
Verificou-se também que os períodos de maior vazão foram os que causaram maior impacto nos valores de
descarga sólida do leito. Para estudos futuros sugere-se a comparação com outros métodos de transporte.

68
9REA176
APLICAÇÃO DO NDVI PARA ANÁLISE MULTITEMPORAL
DA COBERTURA VEGETAL NO MONUMENTO NATURAL
ESTADUAL DA PEDRA DO BAÚ
Karen Auxiliadora Guimarães1, Kleber Barcelar Santos2, Lívia Alves Siqueira3, Nívea Adriana
Dias Pons4, Daniela Rocha Teixeira Riondet-Costa5

1Universidade Federal de Itajubá, e-mail: kguimaraes16@gmail.com; 2 Universidade Federal de Itajubá, e-mail:


kbarcelarsantos@gmail.com; 3 Universidade Federal de Itajubá, e-mail: siqueiraliviaalves.26@outlook.com;
4Universidade Federal de Itajubá, e-mail: npons@unifei.edu.br; 5 Universidade Federal de Itajubá, e-
mail:daniela.unifei@gmail.com

Palavras-chave: NDVI; Análise multitemporal; Monumento Natural.

Resumo
O Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC) é o instaurador das Unidades de
Conservação no Brasil, que são responsáveis pela conservação e proteção dos recursos ambientais da federação.
Uma das categorias previstas de UC é o Monumento Natural (MONA), incumbida de preservar sítios naturais
raros, singulares ou de grande beleza cênica. O escopo deste trabalho consistiu na realização da análise
multitemporal da cobertura vegetal no Monumento Natural (MONA) Estadual da Pedra do Baú por meio da
determinação do Índice de Diferença Normalizada da Vegetação (Normalized Difference Vegetation Index –
NDVI) e classificação do nível de degradação. A metodologia empregada teve como base a utilização de
geotecnologias, como o Sistema de Informações Geográficas QGIS e o Sensoriamento Remoto, para
mapeamento das mudanças na área de estudo entre os anos de 2014 a 2018. O cálculo do NDVI permitiu avaliar
o vigor da vegetação natural, o qual facilita a identificação de áreas influenciadas negativamente, como por
exemplo, áreas afetadas por ações antrópicas. Os resultados apontam que 4,8% da UC apresenta-se em situação
de degradação elevada. Com base nos dados obtidos, espera-se que a pesquisa auxilie no estabelecimento de
medidas de preservação, recuperação e conservação de cobertura vegetal e na melhor utilização do MONA, além
de incentivar futuras medidas mitigadoras dos efeitos provocados pela ação antrópica no meio.

69
9REA177
CARACTERIZAÇÃO DE USOS OUTORGADOS NA REGIÃO
DO MEIA PONTE EM GOIÂNIA - GO
Márcia Rosa de Melo1, Paulo Henrique Almeida2, Diogo Lourenço Segatti3, José Alves Neto4

1Universidade de Brasília (UNB),e-mail: marciarosa030@gmail.com; 2 Universidade de Brasília (UNB),e-mail:


eng.pauloalmeida@hotmail.com; 3 Universidade de Brasília (UNB),e-mail: segatti_geografia@hotmail.com;
1Universidade de Brasília (UNB), e-mail:alvesnetobiologo@yahoo.com.br

Palavras-chave: Outorga; Disponibilidade Hídrica

Resumo
A Lei nº 9.433/1997 que institui a Política Nacional de Recursos Hídricos, em sua Seção III trata da Outorga de
Direitos de Uso de Recursos Hídricos. Em seu Art.12 discorre que estão sujeitos a outorga pelo Poder Público os
direitos de lançamento em corpo de água de esgotos e demais resíduos líquidos ou gasosos, tratados ou não, com
o fim de sua diluição, transporte ou disposição final. Pela importância que a outorga exerce em seu meio, veio a
necessidade de levantar uma pesquisa dos usos outorgados da região do Meia Ponte em Goiânia, Goiás Goiás e a
disponibilidade hídrica na bacia hidrográfica em questão.

70
9REA178
AVALIAÇÃO DA PRODUÇÃO DE COMPÓSITO MADEIRA-
PLÁSTICO A PARTIR DE POLIPROPILENO (PP) E COLMO
DE MILHO (CM)
Elenice Hintze1, Júlia Nercolini Göde2, Diego Hoefling Souza3, Mylena Fernandes4, Ricardo
Teran Muhl5, Jocleita Peruzzo Ferrareze6, Diego Bittencourt Machado7

1Instituto Federal de Santa Catarina, email: elenicehintze@gmail.com; 2Universidade do Estado de Santa


Catarina, e-mail: julianercolinni@hotmail.com; 3Universidade do Estado de Santa Catarina, e-mail:
diego.hoefling@gmail.com; 4Universidade Federal de Santa Catarina, email: mylena.fernandes@gmail.com;
5Instituto Federal de Santa Catarina, email: ricardo.muhl@ifsc.edu.br; 6Instituto Federal de Santa Catarina,
email: jocleita.ferrareze@ifsc.edu.br ; 7Instituto Federal de Santa Catarina, e-mail: diego.machado@ifsc.edu.br

Palavras-chave: Compósito; Polipropileno; Colmo de milho.

Resumo
Atualmente vêm sendo estudadas inúmeras formas de combinar materiais para produção de um novo objeto que
será empregado, na maioria das vezes, industrialmente, com o objetivo de, por meio da reutilização e recilcagem,
reduzir a depleção de recursos naturias, economizar matéria prima virgem, reduzir custos e, sobretudo, melhorar
suas características mecênicas. Tais materiais são conhecidos como compósitos, os queis também podem
propiciar um destino adequado à resinas plásticas e resíduos agroindustriais, na combinação madeira-plástico. No
presente trabalho foram confeccionados três compósitos do tipo madeira-plástico a partir de polipropileno
(tampas de plástico de garrafas PET - PP) e colmo de milho (CM), nas proporções 90% PP + 10% CM; 80% PP
+ 20% CM; e 95% PP+ 5% CM, em dois tipos de moldes, quadrados e retangulares, os quais foram submetidos à
testes de absorção e torção, a fim de se realizar uma análise da eficiência dos mesmos. Obtiveram-se os
resultados de resistência à torção de um ponto de ruptura de 2,5 Kgf.m nos molde retangulares de concentrações
90% PP + 10% CM e 95% PP + 5% CM, e nos moldes quadrados, apresentou um ponto de ruptura de 3,5 Kgf.m
para a concentração de 90% PP + 10 % CM, e de 3,6 Kgf.m para a concentração de 95% PP + 5% CM. Os
compóstidos demonstratam ser resistentes, e também apresentarem baixos teores de retenção de umidade em seus
testes de absorção, sendo que os melhores resultados em ambos os testes foram obtidos nos corpos de prova
referentes às proporções de 100%PP e 95%PP+10%CM, por apresentarem as maiores concentrações de material
plástico.

71
9REA179
EDUCAÇÃO AMBIENTAL NÃO FORMAL REALIZADA
PELO PROJETO BROTAR NASCENTES, GANA – UMA
PROPOSTA METODOLÓGICA
Márcia Gonçalves Bezerra1

1Faculdade de Ciências e Empreendedorismo, e-mail:marcia.bezerrag@gmail.com

Palavras-chave: Educação Ambiental; Projeto Brotar Nascentes; Zona Rural.

Resumo
Vivemos o desejo de resolver uma crise socioambiental que se configura em todo o mundo e que é fruto,
essencialmente, do modelo de produção e consumo instalado que dissemina o uso indiscriminado e irresponsável
dos recursos naturais, a degradação ambiental e a desigualdade social. Neste cenário complexo, a Educação
Ambiental, formal ou não formal, destaca-se como ferramenta que apresenta resultados a longo prazo, porém
significativos, pois desenvolve a sensibilidade e a percepção sobre a necessidade de repensar este modelo
impulsionando para a construção de uma nova realidade, que não mais seja a do consumo excessivo, desperdício
de recursos naturais e injustiça social. O presente estudo se destina à apresentação discutida da metodologia em
Educação Ambiental do Projeto Brotar Nascentes - PBN da ONG denominada GANA, patrocinado pela
Petrobras, executado em 16 comunidades rurais do Município de Santo Antônio de Jesus, Bahia, nos anos de
2014 e 2015. Além de levantamento bibliográfico e documental sobre o tema foram realizadas observação direta
e encontros com professores, estudantes da zona rural e integrantes da equipe de execução do projeto. Percebe-se
neste trabalho a importância da realização de ações em Educação Ambiental participativas, comunitárias e
práticas para que resultados efetivos nas condições socioambientais de uma cidade mudem de fato. A análise dos
dados colhidos permite conhecer uma proposta metodológica original e autêntica, em que há efetividade real nas
ações de Educação Ambiental para a recuperação e manutenção de áreas recuperadas de mata ciliar do projeto e
que as ações em Educação Ambiental de fato promovem conservação ambiental e colaboram para alcançar o
ODS 4 da Agenda 2030, educação de qualidade para todos.

72
9REA180
ESTUDO DE CONCENTRAÇÕES E INTERAÇÕES FÍSICO-
QUÍMICAS DE CARBONO ORGÂNICO TOTAL EM
SEDIMENTO DE REPRESA
Fernanda Bicoski1, Felippe Fernandes2, Cristiano Poleto3

1Universidade Federal do Rio Grande do Sul, e-mail: fbicoski@gmail.com; 2Universidade de São Pulo, e-mail:
fernandes_felippe@hotmail.com; 3Universidade Federal do Rio Grande do Sul, e-mail:
cristiano.poleto@ufrgs.br

Palavras-chave: Hidrossedimentologia, Carbono Orgânico Total, Barragem Mãe D’Água.

Resumo
A busca do equilíbrio na relação do homem com os recursos hídricos vem sendo estudada há vários anos.
Identificar poluentes e a forma de interação com os sedimentos significa compreender para melhor inferir sobre
suas consequências no meio ambiente e à qualidade de vida. O carbono orgânico total (C.O.T.) é um dos
parâmetros compostos mais significativos na avaliação da poluição orgânica dos recursos hídricos. As
determinações de carbono orgânico total podem fornecer evidências diagnósticas valiosas da extensão da
contaminação da água no solo por compostos orgânicos e associação com metais pesados e outros poluentes. A
determinação dos níveis de C.O.T. é extremamente importante para o entendimento dos processos de adsorção de
metais em sedimentos, porque a matéria orgânica é o principal ponto de interesse na conexão do mesmo em
corpos d’água. O local amostrado para este estudo localiza-se no estado do Rio Grande do Sul, região
metropolitana de Porto Alegre, mais precisamente no município de Viamão. A represa Mãe D'Água é um
afluente do Arroio Dilúvio, importante curso de água que segue para a cidade de Porto Alegre, cortando o
sentido leste e foi construída em 1962, porém, devido à falta de planejamento urbano nos últimos quarenta anos,
recebeu grandes descargas de sedimentos e contaminantes (orgânicos e/ ou inorgânicos). Nesse contexto, o
presente trabalho investigou o enriquecimento dos sedimentos produzidos na bacia Mãe D’Água por acúmulo de
Carbono Orgânico Total e buscou inferir, aliado ao enriquecimento por metais e reconstituição geocronológica
por 210Pb, sobre a influência do processo de urbanização da área, correlacionando estas concentrações. Para
realização deste estudo foram coletados três testemunhos em pontos distintos no lago da barragem. A técnica
empregada foi o amostrador de núcleo (Core Sampling). Para análise de C.O.T utilizou-se o analisador elementar
Thermo Scientific Flash 2000- NC Soil Analyzer, que necessita de apenas alguns miligramas de amostra para
análise. Para a abertura e digestão das amostras de sedimentos foi utilizado o método de digestão total EPA-3052
e a geocronologia foi realizada baseada na separação radioquímica sequencial do 226Ra e 228Ra por co-
precipitação com sulfato de bário e rádio e do 210Pb por co-precipitação com cromato de chumbo, seguida das
contagens alfa e beta total. Os resultados de C.O.T. mostraram que há uma tendência de aumento no teor deste
composto na superfície dos core’s, e associado a este, ocorre também um enriquecimento dos metais níquel e
zinco. O estudo do teor de C.O.T correlacionado com a geocronologia demonstrou tendência de enriquecimento
por este composto com o passar do tempo. Este estudo, através das análises realizadas, busca auxiliar na
implementação de instrumentos e ações que corroborem para uma melhor gestão do uso dos recursos hídricos
nesta bacia hidrográfica, uma vez que, seu potencial hídrico é de suma importância para os usos relacionados a
potabilização da água e recreação. Ações, como por exemplo, um desassoreamento, devem ser bem avaliadas,
pois poderá haver liberação dos poluentes acumulados, na forma de íons livres, acarretando em prejuízo aos
mananciais a jusante desta represa.

73
9REA181
USO DE FERRAMENTAS DE GEOPROCESSAMENTO PARA
ANÁLISE DA MICRO-BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO
JACUÍ
Marcus Vinicius Maidana de Andrade1, Artur Henrique Ferreira Gomes2, Douglas Stefanello
Facco3

1Universidade Federal De Santa Maria – Curso superior em Tecnologia em Geoprocessamento e-mail:


maidanavinicius@gmail.com; 2Universidade Federal De Santa Maria – Curso superior em Tecnologia em
Geoprocessamento e-mail: artur.ferreiragomes@hotmail.com; 3Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Doutorando no PPG em sensoriamento remoto e-mail: douglas.s.facco@hotmail.com

Palavras-chave: Área de Preservação Permanente; Geoprocessamento; Sensoriamento Remoto.

Resumo
O crescimento desordenado da população vem alterando os cenários urbanos e rurais de forma desordenada
causando impactos ambientais provocados pelas ações antrópicas. Entre eles destacam-se o desmatamento de
florestas, reservas de água contaminadas por agentes químicos provindos das áreas agriculturáveis, emissões
excessivas de carbono que provocam chuvas ácidas estando diretamente ligado ao aquecimento global e às
mudanças climáticas. As áreas de preservação permanente possuem a função de proteger os recursos hídricos.
Entretanto essas áreas têm sido progressivamente invadidas pela expansão urbana, por ocupações rurais e
industriais. Dessa forma, é de grande importância estudos que visem o monitoramento e preservação das APPs
para entender os conflitos presentes nas bacias hidrográficas. Ferramentas de geotecnologias como os Sistemas
de Informações Geográficas e o surgimento de ferramentas de representação do relevo, como o Modelo Digital
do Terreno (MDT); Modelo Digital do Terreno Hidrológicamente Consistente (MDT-HC) e demais ferramentas
e métodos para análise de bacias hidrográficas, possibilitam diagnosticar diversos eventos proporcionando a
tomada de decisão. Nesse sentido, o presente trabalho tem como finalidade, analisar as áreas de conflito
presentes nas áreas de APPs, geradas através do MDT-HC, visando a obtenção de informações confiáveis, e
caracterização da micro-bacia hidrográfica do Rio Jacuí. Para realização dos objetivos foi gerado o MDT-HC
através de dados disponibilizados pelo Banco de Dados Geográfico do Exército (BDGEx) no software ArcGis.
Também foi utilizado imagem do satélite RapidEye, com resolução espacial de 3 metros do dia 19 de novembro
de 2018 para mapeamento do uso e cobertura da terra utilizando classificação supervisionada na micro-bacia.
Entre as classes de uso e cobertura que foram classificadas estão: Florestas Nativas; Campos; Áreas com
Culturas; Solo exposto e Águas. Os resultados revelaram que as áreas de florestas são predominantes nas áreas de
preservação permanente com 40,29% da área total o que traz diversos benefícios para essas áreas como, redução
do processo erosivo, aumento da infiltração de água no solo e consequentemente, na preservação dos mananciais,
na qualidade dos recursos hídricos e cumprimento da legislação. Porem a classe campo ocupa 36% da área total
das APPs mostrando-se predominantes nas regiões centrais da bacia sendo áreas suscetíveis a erosão nas margens
do Rio Jacuí principalmente nos eventos de enxurradas. As áreas de solo exposto e culturas quando somadas
contabilizam 18,48% da área total das APPs, essas áreas são as mais preocupantes e causadoras de impactos
ambientais, desrespeitando a legislação ambiental vigente. As áreas urbanas apresentaram 2,84% da área total, as
maiores ocorrências se deram nas áreas próximas as nascentes a noroeste da micro-bacia, o que reflete nas ações
antrópicas, descuido e mau uso dos recursos hídricos. O uso de softwares de SIG facilitaram as etapas do
trabalho de maneira satisfatória, agilizando os processos de geração de informações. Os autores recomendam
algumas medidas de controle e prevenção para recuperar as áreas de preservação permanente da micro-bacia do
Rio Jacuí que apresentam conflitos com o uso e cobertura da terra, entre elas recomenda-se recuperação vegetal
com práticas de reflorestamento nas áreas de cultivo e solo exposto, e maior fiscalização dos órgãos ambientais,
com o intuito de prevenir e multar os possíveis infratores.

74
9REA182
A DIFERENCIAÇÃO FITOGEOGRÁFICA DO MORRO TRÊS
IRMÃOS: CAATINGA E CERRADO EM MEIO A FLORESTA
ESTACIONAL
Elissandro Voigt Beier1, Cristiano Poleto2, Maria Eugênia Moreira Costa Ferreira3

1Universidade Estadual de Maringá, e-mail:elissandrovoigt@hotmail.com; Universidade Federal do Rio Grande


do Sul: cristiano.poleto@ufrgs.br; 3Universidade Estadual de Maringá, e-mail: eugeniaguart@hotmail.com

Palavras-chave: Vegetação relictual; Paleo transformações; Floresta Estacional Semideciadual.

Resumo
O presente artigo trata de um projeto em fase inicial de desenvolvimento, que visa levantar as características
fitogeográficas de uma área com características de vegetação de clima semiárido e semiúmido inserida na atual
formação fitogeográfica da Floresta Estacional Semideciadual no noroeste do estado do Paraná, município de
Terra Rica. A área em que se insere a pesquisa compreende a uma formação geológica testemunho,
especificamente, o Morro dos Três Irmãos, que por sua declividade e característica geológica manteve
preservados fragmentos da originária formação vegetal que compreende a Floresta Estacional Semidecidual, com
característica de sazonalidade que afeta o dossel mais elevado, quer por condições climáticas atuais e pretéritas e
de apresentar espécimes ameaçados de extinção como a Peroba rosa e o Cedro. A cobertura originária quando da
chegada dos colonizadores europeus correspondia a uma floresta de dossel alto, entre 20 e 30 metros de altura no
dossel superior, marcado pelas Aspidosperma polyneuron Müll. e Cedrela. O área que compreende o Morro dos
Três Irmãos, sendo designado como parque municipal pela prefeitura de Terra Rica, após pesquisas revelarem
sua notável formação geológica, sendo utilizado por praticantes de esportes radicais para saltos e voos livres,
desta forma a área do Morro que esta envolto a fazendas e que preserva fragmentos da floresta Atlântica foi
tomada como área de preservação. A formação geológica do noroeste do estado do Paraná consiste em arenitos
da Formação Caiuá, de ambientes desérticos do cretáceo, estes por sua vez sofreram um processo de ascensão de
fluídos hidrotermais, direcionada por zonas fraturadas do embasamento basáltico da bacia do Paraná,
silicificando o arenito friável em rocha resistente ao intemperismo, resultando neste marco visual na paisagem do
noroeste do Paraná. O Morro apresenta três formações contínuas, com topo levemente aplainado onde ocorrem
espécies vegetais de formação do Cerrado e cactáceas relictuais de clima semiárido e semiúmido em meio a
cobertura residual da Floresta Estacional Semidecidual. A proposta da pesquisa visa analisar a distribuição das
distintas formações fitogeográficas ao longo da vertente, caracterizar sua espacialização em contexto ambiental,
analisar como ocorre a densidade de espécies, grau de sociabilidade, abundancia-dominância e identificação das
espécies vegetais que compunham as distintas formações fitogeográficas. A metodologia proposta é a
implantação de transectos longitudinais em meio a formação fitogeográfica fechada como a floresta, com
dimensão de 10 m. de largura por 20 m. de extensão, implantando a pirâmide vegetacional para análise de
estratos e cobertura em superfície das copas projetadas. Para as áreas de cobertura fitogeográfica aberta
(cerrado), implanta-se o perfil transecto em dimensão longitudinal de 10 m. de extensão por 5 m.de largura,
considerando o menor diâmetro basal e a menor cobertura projetada desta formação fitogeográfica. Em ambas as
amostragens é estipulado um dap (diâmetro a altura do peito) mínimo para amostragem dos espécimes inseridos
na área, a localização é por meio de posicionamento por Gps dos exemplares e sua representação cartografada
nos eixos x, y e z é posteriormente espacializada em software ArcGis 10.5®. A implantação dos transectos é
acompanhada da tomada de informações em campo por meio das fichas de Bertrand e Küchler, que somam
informações relevantes quanto a condições da paisagem em que foram implantados os diferentes transectos
vegetacionais. Como etapa resultante da análise dos dados fitogeográficos coletados nos transectos, será possível
estimar a cobertura vegetal de cada formação fitogeográfica e suas relações, predominâncias e dinâmicas com a
paisagem e a vertente, resultando em um mosaico de espécies e suas relações com cada setor da paisagem para a
formação geológica do Morro Três Irmãos. Como etapas futuras da coleta de espécimes vegetais, corresponde a
identificação dos indivíduos coletados até sua espécie, ou ao menos a família pertencente, quantificação de
espécies vegetais, delimitação de espécies invasoras e suas implicações para a área de preservação; relação do
efeito de borda sobre a área de preservação, seu entorno com áreas de agricultura e análise das políticas de
visitação enquanto Parque municipal e os reflexos desta interferência sobre as distintas formas de vegetação e a

75
dinâmica do Parque como um todo.

76
9REA183
CARBONATAÇÃO E CAPTURA DE CO2 EM ARGAMASSAS
AO LONGO DA VIDA ÚTIL DA EDIFICAÇÃO
Edna Possan1, Isabela de Oliveira Antonio2, Lissandra Mazurana3

1Universidade Federal da Integração Latino Americana, e-mail: epossan@gmail.com; 2Universidade Federal da


Integração Latino Americana, e-mail: sabelaoliveira10@gmail.com; 3Universidade Tecnológica Federal do
Paraná, e-mail: lissandramazurana@hotmail.com

Palavras-chave: Captura de Carbono; sustentabilidade da construção; metidas mitigatórias.

Resumo
Os materiais a base de cimento, como concretos e argamassas, podem capturar dióxido de carbono (CO2) devido
à reação química de carbonatação. Tal processo ocorre ao longo da vida útil e após o processo de demolição da
construção/estrutura, onde é intensificado devido à elevação da área superficial em contato com o CO2. As
argamassas em especial são utilizadas para revestimento de paredes, muros, fachadas, entre outros; como são
aplicadas em finas camadas, apresentam elevadas áreas de exposição, propiciando condições ideais para a
captura de CO2 em curtos períodos de tempo. Neste sentido, este estudo objetiva avaliar o potencial de captura
de CO2 devido à carbonatação de diferentes argamassas de revestimento, sem proteção superficial, considerando
o período de vida da edificação (20 anos para paredes de vedação internas e 40 anos para paredes de vedação
externas). Para tal, foram produzidas argamassas com e sem cal hidratada, avaliando-se as principais
propriedades no estado fresco e endurecido. Corpos de prova das argamassas em estudo foram submetidos à
carbonatação natural em ambiente interno de laboratório. Para o estudo do sequestro de CO2 empregou-se uma
equação matemática específica, fundamentada em cálculos estequiométricos, a qual leva em consideração a
profundidade de carbonatação das argamassas em diferentes idades de exposição natural ao CO2 (28, 56, 84, 95,
167, 195, 202 dias). Os resultados experimentais indicam que as argamassas de revestimento têm velocidade de
carbonatação elevada podendo carbonatar 20 mm em menos de 200 dias, capturando durante este período até 40
kgCO2/m³. Sendo assim, por meio da reação de química da carbonatação inerente aos produtos à base de
cimento, o ambiente construído pode capturar CO2 deste a fase de construção até o pós-demolição
construção/estrutura, contribuindo para a mitigação das emissões associadas a este gás, sendo um processo chave
para edificações mais sustentáveis.

77
9REA184
INFERÊNCIAS DA QUALIDADE DOS SEDIMENTOS EM
RECURSOS HÍDRICOS
Felippe Fernandes1, Cristiano Poleto2

1Universidade Federal do Rio Grande do Sul, e-mail: fernandes_felippe@hotmail.com 3Universidade Federal do


Rio Grande do Sul, e-mail: cristiano.poleto@ufrgs.br

Palavras Chave: Hidrossedimentologia, Qualidade dos sedimentos; Bacias hidrográficas Urbanas.

RESUMO
As modificações antropogênicas em áreas urbanas podem implicar em diversos passivos ambientais no aspecto
hidrológico e hidrossedimentológico, onde a qualidade da água seja ela superficial ou subterrânea e do solo
estarão sujeitos a degradação. Ao instalar/construir um reservatório em um determinado recurso hídrico, este terá
suas seções transversais aumentadas, enquanto as velocidades de corrente decrescem, criando as condições ideais
para o depósito de sedimentos e para os contaminantes. Tal fato irá inferir sob a qualidade dos sedimentos e dos
ecossistemas, uma vez que, tais perspectivas estarão sujeitas as características físicas e químicas do solo local,
dos fatores socioambientais e econômicos, pertinentes a sua aplicação. Recentemente, no Brasil, tivemos duas
tragédias oriundas do rompimento de barragens para fins de depósito dos rejeitos, ocorrendo nas cidades de
Brumadinho e Mariana. Em ambos os casos uma grande quantidade de rejeito foi escoada assoreando os recursos
hídricos e recobrindo o solo da bacia hidrográfica ocasionando a contaminação da área. A onda de rejeitos
consequentemente percorre a área da bacia hidrográfica onde ocorreu o desastre, tendendo a ocasionar perda de
biodiversidade ao ecossistema, aterro de reservas legais, áreas de preservação permanente, perda da qualidade da
água e solo, assoreamento dos córregos e rios, morte de pessoas, perdas econômicas, socais e entre outras
fatalidades. É possível observar que, quando um poluente entra em um corpo d’água e/ou solo este estará sujeito
a inúmeros processos físicos, químicos e biológicos controlados pela hidrodinâmica local, por exemplo: pH, Eh,
quantidade de matéria orgânica, capacidade de adsorção e sorção, efeitos de mistura e ressuspensão e entre
outros que possam resultar na mudança da sua partição geoquímica. Assim, este material particulado, pode servir
como fonte de metais dissolvidos e/ou outros contaminantes para coluna d’água, ou como removedor por
adsorção no material particulado em suspensão. As características dos sedimentos frente aos problemas
ambientais irão depender da área que estiverem localizados e sob o efeito do das condições/concentração dos
elementos químicos presente na área da bacia hidrográfica, (solo e água), levando em consideração a formação
dos subprodutos oriundos do revolvimento do solo e da água ao qual foram misturados, e das características
químicas, físicas e biológicas. Todas essas características podem influenciar na qualidade do solo, na água e no
ecossistema como um todo, além de afetar a saúde e bem-estar da população. Este artigo objetiva apresentar as
inferências da qualidade ambiental dos sedimentos em bacias hidrográficas frente as contaminações por ações e
modificações de características antropogênicas.

78
ARTIGOS COMPLETOS
publicados nos ANAIS da
9ª Reunião de Estudos Ambientais

Gramado/RS, 2019

79
9REA110
AVALIAÇÃO DE ALTERNATIVAS DE DISPOSIÇÃO FINAL
DE LODO PROVENIENTE DO TRATAMENTO DE
EFLUENTES EM LAGES, SC

Janaina Debacker Nunes1, Viviane Trevisan2


1
Universidade do Estado de Santa Catarina, e-mail: janainadebacker@hotmail.com;
2
Universidade do Estado de Santa Catarina, e-mail: viviane.trevisan@udesc.br

Palavras-chave: lodo; efluente; disposição final.

Resumo
O tratamento de efluentes tem aumentado e se tornado mais eficiente. A implantação de um sistema de
tratamento de esgoto sanitário envolve finalidades baseadas em três aspectos: higiênico, social e econômico.
Partindo do ponto de vista higiênico, o objetivo é a prevenção, o controle e a erradicação de doenças de
veiculação hídrica. Do ponto de vista social, o objetivo é a melhoria da qualidade de vida da população, através
da eliminação de odores desagradáveis, bem como a recuperação de cursos d’água. Sob ponto de vista
econômico, o objetivo está relacionado a questões como a produtividade industrial e agropastoril, devido a
melhoria da qualidade ambiental de áreas urbanas e rurais, à proteção dos rebanhos e produtividade dos
trabalhadores (NUVOLARI et al., 2003). A expansão do tratamento de efluentes promove o aumento da geração
de lodo, o resíduo final do tratamento. O lodo pode tornar-se um problema, caso não tenha a gestão e disposição
correta, sendo necessário encontrar alternativas de disposição adequadas e seguras ao meio ambiente e à
sociedade. O lodo passa por tratamento, envolvendo as etapas de adensamento, estabilização, condicionamento,
desidratação e disposição final. Após a desidratação, deve-se buscar a alternativa mais adequada de disposição
final para cada local. É necessário determinar a quantidade de lodo produzido, sendo este o principal fator para a
escolha da forma mais viável a ser adotada como disposição final, juntamente com a composição do lodo. A
disposição final pode representar até 60% dos custos de uma estação de tratamento de efluentes. O lodo é um
material rico em nutrientes, e uma alternativa que os aproveita é a compostagem. Além de ser uma forma de
aproveitamento de resíduo, ela é segura por atingir até 65ºC e promover a esterilização do lodo, eliminando
organismos patogênicos presentes neste material, permitindo sua aplicação no solo. No Brasil, a alternativa mais
utilizada é a disposição em aterro sanitário, sendo co-disposto com resíduos sólidos urbanos. Neste trabalho,
objetiva-se avaliar os custos de duas alternativas de disposição final de lodo proveniente do tratamento de
efluentes, aterro sanitário e a compostagem. Foram buscados os custos relacionados aos materiais necessários e
com base na literatura verificou-se os custos de cada processo. Em análise simples de custos envolvidos nos
processos, nota-se que a disposição em aterro sanitário tem maior custo que a compostagem.

Introdução
Sabe-se que o consumo médio de água no país é 160 L/hab.dia e a partir dessa informação deve-se considerar o
volume de esgoto que será produzido e que deverá passar por tratamento antes do lançamento no curso hídrico.
De acordo com Silva (2001), as atividades domésticas como higiene pessoal, lavagem de utensílios de cozinha,
cocção de alimentos, etc., produzem as chamadas águas servidas. Estas formam o esgoto sanitário, composto por
cerca de 99,9% de água e 0,1% de impurezas físicas, químicas e biológicas. As impurezas de natureza física
compreendem as partículas sólidos dissolvidas e em suspensão; as de natureza química são as substâncias
orgânicas (incluindo proteínas, gorduras, carboidratos, hidratos, fenóis) e inorgânicas (nitrogênio, fósforo,
enxofre, metais pesados); e entre as de natureza biológicas estão os vírus, bactérias, leveduras, vermes e
protozoários (SILVA, 2001).
O tratamento de efluentes gera grandes quantidades de lodo, que deve ser tratado e disposto de forma adequada,
por ser um resíduo sólido. Essa disposição é responsável por boa parte dos custos de manutenção de uma estação
de tratamento de efluentes e utilizar alternativas que reduzam este custo é interessante, desde que sejam seguras
ao ambiente e à população. Desta forma, possibilidades como disposição em aterros sanitários, incineração, uso
agrícola e compostagem devem ser avaliadas, com base nas vantagens e desvantagens de cada uma.

80
A partir destas observações, nota-se a necessidade de avaliar os prós e contras de cada solução, para verificar a
melhor alternativa de disposição, comparando disposição em aterro sanitário e compostagem, em relação aos
custos de cada uma.

Revisão bibliográfica
De acordo com Leite (2015), a composição do efluente é altamente variável, por depender de condições sociais,
econômicas, dos hábitos da população, da época do ano, do processo de tratamento adotado e do local de onde é
proveniente, que vai caracterizá-lo como doméstico ou industrial.
Bettiol (2006) comenta que os esgotos urbanos são os principais agentes poluidores de mananciais. Devido a isto,
o esgoto deve ser tratado, mas ao final do processo gera o lodo, rico em matéria orgânica (BETTIOL, 2006;
PEREIRA, 2017) e nutrientes, e sua disposição deve ser preocupação na etapa de planejamento de estações de
tratamento de efluente. A disposição final adequada é fundamental, devido aos problemas ambientais que podem
ser ocasionar, principalmente relacionados a contaminação de água e do solo (AFÁZ, et al., 2016). No Brasil, a
produção de lodo está estimada entre 150 e 220 mil toneladas de matéria seca ao ano (LEITE, 2015).
Levantamentos apontam que o volume de lodo produzido em uma estação de tratamento de efluentes representa
cerca de 1-2% do volume de esgoto tratado, e sua disposição final atinge entre 30 e 50% do custo operacional da
estação de tratamento (SANEPAR, 1999). Na Europa, cerca de 50% dos custos de uma estação de tratamento é
relacionada aos custos de tratamento e disposição (KACPRZAK et al., 2017). No Brasil, segundo o Sistema
Nacional de Informações sobre Saneamento - SNIS (2019), cerca de 46% da população tem seu esgoto tratado, o
que equivale a cerca de 3,8 bilhões de m³. Esse volume produz, consequentemente, grande quantidade de lodo, o
que dificulta a destinação.
Geralmente a composição do lodo é 40% de matéria orgânica, 4% de nitrogênio 2% de fósforo, demais micro e
macronutrientes, além de outros compostos com potencial tóxico. Pedroza et al. (2010) salienta que a produção
de lodo estimada no Brasil é de 150 a 220 mil toneladas ao ano, o que torna o tratamento e a disposição deste
altamente importantes por ser uma geração contínua de resíduo com potencial patogênico. O mesmo autor ainda
comenta que o sistema que produz menor volume de lodo no tratamento são as lagoas aeradas, ao passo que o
sistema de lodos ativados convencional produz o maior volume a ser tratado e disposto.
Atualmente, o tratamento do lodo antes de sua destinação final é parte importante no projeto de estações de
tratamento de efluentes, e seu objetivo é tornar o lodo mais estável e com menor volume a fim de facilitar seu
manuseio e disposição final. O tratamento de lodo envolve as etapas de adensamento, estabilização,
condicionamento, desidratação e disposição final. A desidratação pode ser feita de forma diversas, como leitos de
secagem, filtros prensa, filtros de esteira e centrífugas. Deve-se considerar a necessidade de encontrar a melhor
forma de disposição final do lodo, que está sendo considerada como um dos problemas ambientais urbanos mais
relevantes da atualidade, e em crescimento diário em países desenvolvidos e naqueles em desenvolvimento, como
resultado da ampliação das redes de coleta de efluentes urbanos e aumento dos níveis de tratamento (PEGORINI,
2002).
As principais alternativas para tratamento e destinação final de lodos de esgoto incluem além da disposição em
aterros sanitários, incineração, disposição oceânica e disposição no solo, tais como a recuperação de áreas
degradadas, uso como fertilizante em grandes culturas, reflorestamento, land farming (FERNANDES E SILVA,
1999; BETTIOL, 2006) e reuso industrial (produção de agregado leve, fabricação de tijolos, cerâmica e cimento)
(BETTIOL, 2006).
A disposição mais utilizada no Brasil e tida como mais segura é aquela feita em aterro sanitário, porém, o custo
acaba sendo alto devido ao grande volume que deve ser disposto. Essa forma de disposição, se não feita de forma
adequada pode não resolver os problemas relacionados à contaminação de água e solo (AFÁZ, et al., 2016).
Silva (2001) comenta que em países como Inglaterra e Japão as alternativas mais empregadas são a reciclagem e
o retorno do lodo, tornando possível sua aplicação na agricultura, como fertilizante e para recomposição da
camada superficial de solos esgotados. O lodo pode ser utilizado como fertilizante alternativo em áreas agrícolas
e como agente de recuperação de solos degradados, por fornecer nutrientes e ser um condicionador do solo, que
facilita a formação de agregados e assim melhora a aeração, infiltração e retenção de água no solo (AFÁZ, et al.,
2016; PAREDES FILHO, 2011; BETTIOL, 2006), além da incorporação de macronutrientes (nitrogênio e
fósforo) e micronutrientes (zinco, cobre, ferro, manganês e molibdênio) (BETTIOL, 2006; PAREDES FILHO,
2011; FERNANDES E SILVA, 1999).
A Comunidade Econômica Europeia reconhece a reciclagem como opção preferencial em relação à incineração
ou disposição em aterros sanitários. Esta, aliada a pressão ambiental nos países europeus relacionada a criação de
restrições cada vez maiores às atividades que afetam o meio ambiente, auxiliam na tendência de crescimento das
alternativas de reciclagem de lodo, tanto na Europa quanto no EUA, diante da crescente valorização ambiental

81
dessa alternativa e dos altos custos envolvendo outras modalidades de disposição (SCHEER, CARNEIRO e
SANTOS, 2012; PEGORINI, 2002).
Ainda que insuficientes, pesquisadas realizadas no Brasil apontam que o lodo é um resíduo potencial de uso
agrícola. Porém, a aplicação direta do lodo pode não ser segura, uma vez que este pode conter metais pesados e
patógenos (como coliformes fecais, salmonela, vírus e helmintos), sendo necessário analisar a concentração e
presença destes para verificar a viabilidade do uso (SILVA, 2001; BETTIOL, 2006).
A disposição do lodo em aterro sanitário é muito empregada, porém tem custo elevado. Para esta forma de
disposição, é necessário que o lodo passe por uma desidratação maior do que em outras formas. Existe ainda o
custo relacionado ao transporte, se a distância for muito grande esta alternativa é inviável (RICHTER, 2001).
Como o lodo deve ser estabilizado antes de ser disposto em aterro, é possível fazer sua co-disposição com
resíduos sólidos urbanos, dispensando a utilização de um aterro exclusivo. De acordo com Bettiol e Camargo
(2000), os resíduos orgânicos urbanos apresentam características de umidade e relação carbono/nitrogênio
adequadas para a bioestabilização. No entanto, quando são incorporados a massa orgânica resíduos como poda
ou restos de feiras, a relação C/N aumenta, o provoca a dificuldades e pode até mesmo interromper o processo de
degradação. Através da incorporação de lodo, com umidade em torno de 60 – 70%, promove-se o
restabelecimento de umidade adequada, além de corrigir a relação C/N. Bettiol e Camargo (2000) ainda
comentam que a degradação de resíduos sólidos orgânicos em aterro é bastante lenta, fato comprovado pela
liberação de metano em aterro já encerrados. Quando feita a incorporação de lodo, previamente submetidos à
degradação anaeróbia, este serve como inóculo e de material de aceleração do processo, diminuindo o tempo de
partida da célula do aterro.
Uma alternativa para destinação do lodo de esgoto é a compostagem. A compostagem é um processo biológico
aeróbio, que acelera a decomposição da matéria orgânica com a ação de microrganismos e enzimas (AFÁZ et al,
2016), e pode ser definida como sendo a bioxidação exotérmica de um substrato heterogêneo, no estado sólido
(BETTIOL e CAMARGO, 2000). Durante o processo de decomposição, ocorre o desprendimento de gás
carbônico e água, na forma de vapor e energia. Uma parte da energia é consumida pelos microrganismos e o
restante liberado na forma de calor, que permanece na pilha de material. Essa pilha atinge, portanto, temperatura
elevada, resfria e atinge o estado de maturação (humificação). Durante a compostagem, ocorre a elevação da
temperatura. Quando a temperatura atinge 45ºC, os microrganismos mesófilos têm sua atividade biológica
reduzida, e são substituídos pelos organismos termófilos. Estes, por sua vez, são altamente ativos e provocam
rápida e intensa degradação da matéria, promovendo grande liberação de calor e aumentando ainda mais a
temperatura, inativando os microrganismos patogênicos (LEITE, 2015; PEREIRA et al., 2013), o que torna mais
segura a aplicação do lodo no solo. Dessa forma, a compostagem é considerada um processo de higienização do
lodo, como os processos de digestão, secagem, irradiação, calagem entre outros (PEGORINI, 2002). O composto
resultante do processo de compostagem altera as características do solo onde é aplicado, contribuindo para a
melhoria da estrutura de seus agregados através da ação de matéria orgânica; o que por consequência aumenta
sua infiltração e capacidade de retenção de água, por melhorar sua porosidade; por ser mais poroso, o solo tem
mais aeração permitindo melhor respiração das raízes (TORRES et al, 2005).

Metodologia
A revisão bibliográfica para a elaboração deste trabalho foi feita com base em bancos de dados de revistas e
universidades, reunindo artigos, teses e dissertações acerca do tratamento de efluentes e assuntos correlatos.
Os dados utilizados nos cálculos foram obtidos através de bancos de dados de órgãos como o Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE) e da Secretaria Municipal de Água e Saneamento do município de Lages.
Lages é um município do estado de Santa Catarina, localizado na região serrana do estado. De acordo com IBGE
(2018), sua área é de 2.631,504 km². Seu clima é quente e temperado, apresentando temperatura média de 16,6º
C e pluviosidade média anual de 1441mm.
A cidade tem população estimada de 157.743 habitantes, apresentando densidade demográfica de 59,56 hab/km²
(IBGE, 2018). Dos 157.743 habitantes, 25% tem seu esgoto tratado (PREFEITURA MUNICIPAL DE LAGES,
2018).
O tratamento em Lages utiliza o método de lodos ativados. Foram obtidas informações sobre o projeto da
Estação de Tratamento de Efluentes Caveiras, unidade de tratamento do município, a fim de trabalhar com
valores reais.

Resultados e discussão
Considerando que a o tratamento de efluentes gera grandes volumes de lodo, e que este deve ter tratamento e
disposição adequados, neste capítulo é proposta uma avaliação da forma mais economicamente viável de
disposição final do lodo gerado no tratamento de efluentes do município de Lages, Santa Catarina.

82
O tratamento em Lages utiliza o método de lodos ativados e a desidratação do lodo é feita em leitos de secagem,
sendo possível obter teor de sólidos de até 40%.
A Tabela 1 apresenta um resumo dos dados do projeto e que serão utilizados nas seções seguintes.

Item Unidade Valor


População do projeto hab 60.000
População atendida hab 39.500
Massa de lodo (matéria seca) t.mês-1 15
Teor de sólidos no lodo fresco % 1
Teor de sólidos no lodo adensado % 4
Teor de sólidos no lodo desidratado % 40
Tabela 1 – Dados do projeto da ETE Caveiras. Fonte: Lages, 2018.

Compostagem
Para a realização de compostagem, são necessários dois materiais básicos: um material estruturante e um
biossólido. Se a relação C/N for muito baixa pode ocorrer grande perda de nitrogênio pela volatização da
amônia. Se a relacão C/N for muito elevada os microrganismos não encontrarão N suficiente para a síntese de
proteínas e terão seu desenvolvimento limitado, o que resulta num processo mais lento de compostagem.
Segundo Fernandes e Silva (1999), o lodo é um material rico em nitrogênio e apresenta relação C/N entre 5 e 11.
É necessário, portanto, adicionar um resíduo complementar, rico em carbono e pobre em nitrogênio, para que a
mistura apresente relação C/N entre 20 e 30. Aqui, sugere-se o uso de lodo proveniente de tratamento de
efluentes como biossólido, por ser um material rico em nitrogênio, e resíduos de poda da cidade, material rico em
carbono. A combinação destes promove boa relação C/N, fator determinante da eficiência do processo.
A utilização de resíduo de poda em processo de compostagem, além de dar destinação correta a este resíduo,
ainda pode contribuir com a população, que teria a opção de fornecer esse material ao governo municipal e não
ter que pagar o aluguel de caçambas de entulho.
Sabe-se que o resíduo de poda apresenta relação C/N em torno de 46 e que o lodo proveniente de lodo ativado
convencional tem relação C/N 5,3 (FERNANDES E SILVA, 1999). Se for considerado a proporção 1:1 de lodo
e resíduo de poda, a relação C/N é 11,69, considerada muito baixa, implicando em excesso de nitrogênio na
mistura final e volatilização de amônia (FERNANDES E SILVA 1999). Fixando a relação C/N em 25, e
mantendo-se 1 parte em peso de lodo para “x” partes de resíduos de poda, obtém-se uma equação de primeiro
grau que resulta em 1 parte de lodo, em peso, para 4,24 partes de resíduo de poda. Portanto, para atingir a relação
C/N ideal de 25/1, são necessárias 15 t.mês-1 de lodo e 63,63 t.mês-1 de resíduo de poda triturado.
Recomenda-se a adoção do sistema de compostagem em leiras revolvidas, em área coberta, devido às vantagens
que este método apresenta, como o baixo investimento inicial necessário, flexibilidade de processar volumes
variáveis de resíduos, a simplicidade de operação, utilização de equipamentos simples, produção de composto
homogêneo e de qualidade, rápida diminuição do teor de umidade das misturas devido ao revolvimento
(BETTIOL E CAMARGO, 2000).
Os custos para o processo de compostagem estão descritos na Tabela 2 considerando resíduo de poda triturado.
Para a estimativa de custo do transporte, considerou-se que a usina de compostagem esteja localizada junto ao
aterro sanitário municipal, e então foi adotada a distância da estação de tratamento de efluentes até o aterro para
os cálculos.

Item Unidade Valor


Massa de lodo t.mês-1 15
Massa de resíduo de poda t.mês-1 63,63
Transporte do lodo* (capac. 10 t) R$/viagem 302,00
viagens 2
R$ 604,00
Transporte resíduo de poda triturado* (capac. 10 t) R$/viagem 302,00
viagens 6
R$ 1812,00
Custo total R$/mês 2416,00
Tabela 2 – Custos relacionados à compostagem. Fonte: os autores.

83
*Os custos de transporte foram estimados conforme a Resolução nº. 5.820/2018 da Agência Nacional de
Transportes Terrestres (ANTT, 2018), que dispõe sobre os preços mínimos de frete referentes ao quilômetro
rodado por eixo carregado.

No Brasil, a compostagem de lodo de tratamento de efluentes é praticada no município de Jundiaí, São Paulo. A
cidade trata 100% do esgoto produzido, cerca de 80.000 m³.dia -1. O efluente é tratado através de processo
biológico, e produz 2100 t.mês-1 de lodo .O lodo é desidratado e segue para a compostagem, onde é misturado
com sobras de agroindústria alimentícia e da torrefação de café, cavacos de madeira bruta de eucalipto e pinus,
sendo transformado então em fertilizante orgânico de classe D, que é todo fertilizante que utiliza em sua
produção qualquer quantidade de matéria-prima oriunda do tratamento de despejos sanitários, resultando em um
produto de uso seguro na agricultura. O composto produzido é registrado no Ministério da Agricultura, Pecuária
e Abastecimento e aplicado nas culturas de café; cana-de-açúcar; plantações de uva, caqui, pêssego, citros;
plantas ornamentais; produção de tapetes de grama e eucaliptos (TERA AMBIENTAL, 2013).
A cidade de Jundiaí é pioneira nesse tipo de disposição final, apresentando-se como uma alternativa mais barata
que quando comparada a alternativa convencional que é a disposição em aterro, além de ser uma importante
forma de reciclagem de nutrientes e evitar a criação de passivos ambientais (TERA AMBIENTAL, 2013).
A fim de avaliar a possibilidade de compostagem, realizou-se uma comparação entre os municípios de Lages
(SC) e Jundiaí (SP), em relação a dois fatores com potencial de interferir na eficiência do processo, a temperatura
média a pluviosidade, descritos na Tabela 3.

Parâmetro Lages Jundiaí


Temperatura média anual (ºC) 16,6 18,5
Pluviosidade média anual (mm) 1440 1334
Tabela 3 – Dados dos municípios de Lages (SC) e Jundiaí (SP). Fonte: IBGE, 2018.

Nota-se que os valores para temperatura e pluviosidade não apresentam grande diferença, o que sugere a
viabilidade da aplicação da compostagem no município de Lages.
É possível ainda estimar o volume de composto produzido a partir da mistura de lodo e resíduo de poda. O
rendimento varia de a do volume inicial, dependendo do material de origem e teor de umidade
(OLIVEIRA, SARTORI E GARCEZ, 2008). Neste trabalho foi considerado o rendimento de do volume
inicial.
Segundo os cálculos realizados, deve-se utilizar 15 t de lodo de efluente misturadas a 63,63 t de resíduo de poda
triturado. Isso resulta numa mistura de 78,62 t. Considerando a densidade 577 kg.m-3 (MATOS et al., 2012) e
fazendo a conversão da massa de composto em volume, isso resulta em 136,3 m³ de composto. Considerando
do volume inicial, será produzido 173,97 m³ de composto.
De acordo com Tchobanoglous e Kreith (2002), o composto produzido pode ser comercializado a US$9,00/yd³,
o que resulta em US$11,77/m³. Considerando dólar a R$3,71 (em 20 de fevereiro de 2019), a venda do composto
produzido renderia, portanto, R$168,52. Esse composto pode ser aplicado nas culturas agrícolas da região, como
uva, pêssego, maçãs e pinus.
No Brasil, a regulamentação acerca de reciclagem agrícola de biossólidos não está definida. No entanto, os dados
apresentados pelas Normas dos Estados Unidos, França e pela proposta da SANEPAR podem ser utilizados
como referenciais.
O estado do Paraná, através da SANEPAR, criou uma Instrução Normativa para a Reciclagem de Biossólidos.
Esta Instrução determina critérios básicos para a reciclagem agrícola de lodo, da produção do biossólido à sua
incorporação no solo, delimitando parâmetros e restringindo a aplicação em áreas onde saúde humana e animal
possa ser posta em risco, bem como a degradação ambiental minimizada. Seguindo esta proposta de Norma, o
lodo produzido nas ETE brasileiras vem sendo aplicado na agricultura (PEGORINI, 2002).
Nos Estados Unidos, a Agência de Proteção Ambiental (EPA) criou a Norma 40 CFR/1993, onde os processos
de tratamento de lodo são divididos em dois grupos: PFRP (Process to Further Reduce Patogens) e PSRP
(Process to Significantly Reduce Patogens), Processo para Reduzir os Patógenos e Processo para Reduzir
Significativamente os Patógenos, respectivamente (BETTIOL e CAMARGO, 2000).
No PFRP, os processos são descritos da seguinte forma:

84
Em processos aerados (reator biológico e leiras estáticas aeradas), a temperatura
deve ser igual ou superior a 55º C por pelo menos três dias. Para o sistema de leiras
Compostagem
revolvidas, a temperatura deve ser igual ou superior a 55º C por quinze dias, e nesse
período deve haver no mínimo cinco revolvimentos.
Para os processos de contato direto ou indireto com o ar, o teor de água no lodo seco
Secagem térmica deve ser igual ou menor a 10%. A temperatura do lodo deve ser superior a 80º C ou
a temperatura dos gases na saída do sistema superior a 80º C.
O lodo líquido deve ser aquecido a uma temperatura igual ou superior a 180º C,
Tratamento térmico
durante pelo menos 30 minutos.
O lodo deve ser misturado e aerado mantendo as condições aeróbias durante, pelo
Digestão aeróbia termófila
menos, dez dias a 55 – 60º C.
O lodo deve receber raios Beta através de acelerador capas de fornecer no mínimo
Irradiação Beta
1m à temperatura de 20º C.
O lodo deve receber raios Gama por meio de isótopos como cobalto 60, césio 137, à
Irradiação Gama
temperatura de 20ºC.
A temperatura do lodo deve ser mantida em 70º C, no mínimo, durante pelo menos
Pasteurização
30 minutos.
Tabela 4 - PFRP (Process to Further Reduce Patogens). Fonte: BETTIOL e CAMARGO, 2000.

No PSRP, os processos são descritos da seguinte forma:

O lodo é misturado e recebe aeração, mantendo condições aeróbias por 40


Digestão aeróbia
dias a 20º C ou 60 dias a 15º C.
O lodo é disposto em leito de secagem, por no mínimo três meses, sendo
Secagem ao ar que durante esse período deve haver dois meses com temperatura superior
a 0º C.
O lodo é digerido na ausência de oxigênio por pelo menos 15 dias a
Digestão anaeróbia
temperatura de 35 – 55º C ou 60 dias a 20º C.
A temperatura deve ser superior a 40º C por pelo menos cinco dias.
Compostagem Durante quatro horas nestes cinco dias a temperatura deve ser superior a
55º C.
Calagem O lodo deve receber cal até que atingir pH 12, após duas horas de contato.
Tabela 5 - PSRP (Process to Significantly Reduce Patogens). Fonte: BETTIOL e CAMARGO, 2000.

A Norma 40 CFR ainda distingue o lodo em duas classes (BETTIOL e CAMARGO, 2000):
• Lodo classe A: pode ser aplicado sem restrições, inclusive em horticultura. Deve apresentar as seguintes
características sanitárias: teor de coliformes fecais < 1.000 NMP/g de lodo seco, ou teor de Salmonella <
4NMP/4g de lodo seco. São exigências complementares: enterovírus < 1PFU/4g de lodo seco e ovos viáveis de
helmintos < 1 ovo/4g de lodo seco.
• Lodo classe B: uso mais restrito, aplicado em grandes culturas como reflorestamentos e em outras situações
onde o risco pode ser controlado. As exigências são coliformes fecais < 2.106 NMP/g de lodo seco.
A França aplica uma distinção entre lodo tratado, que é lodo estabilizado (referindo-se ao lodo digerido) e lodo
higienizado (referindo-se ao lodo higienizado por calagem ou compostagem). A Norma 01/1998 torna
obrigatório o processo de higienização para que o lodo seja aplicado para fins agrícolas. Os limites da
normatização francesa são os limites de detecção dos métodos analíticos, e são os seguintes (BETTIOL e
CAMARGO, 2000):
• Salmonellas < 8NMP/10g de lodo seco;
• Enterovírus < 3 NMPUC/10g de lodo seco;
• Ovos viáveis de helmintos < 3 ovos/10g de lodo seco.

Disposição em aterro sanitário


Sabe-se que o lodo é um resíduo sólido, sendo classificado de acordo com a NBR 10.004 (ABNT, 2004), na qual
os resíduos são divididos de acordo com o risco que apresentam ao meio ambiente e à saúde pública como:
• Classe I: Resíduos perigosos: apresentam inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade e
patogenicidade;
• Classe II: Resíduos não inertes: aqueles que não se enquadram nas classes I e III, e possivelmente apresentam
propriedades como combustibilidade, biodegradabilidade e solubilidade em água;

85
• Classe III: Resíduos inertes: aqueles que em contato com a água não solubilizam qualquer de seus
componentes.
O lodo de ETE é classificado como resíduo classe II, quando apresentam contaminação por metais pesados
passam a ser classe I.
A disposição em aterro sanitário é a alternativa mais empregada como destinação final de lodo de tratamento,
tanto para estações de tratamento de água como para efluentes. É uma alternativa ambientalmente segura, mas
seus custos não envolvem apenas a disposição, mas também deve ser considerado o custo dos processos de
adensamento do lodo, uma vez que para ser disposto em aterro recomenda-se que sua umidade seja de 35%.
Com as informações necessárias, o custo de disposição em aterro foi estimado, e está descrito na Tabela 6.

Item Unidade Valor


-1
Massa média produzida t.mês 15
Custo de disposição R$/t 100,00
R$ 1500,00
R$/viagens 302,00
Transporte* (capac. 10 t) viagens 2
R$ 604,00
Custo total R$/mês 2104,00
Tabela 6 – Custos relacionados à disposição do lodo em aterro sanitário. Fonte: os autores.

*Os custos de transporte foram estimados conforme a Resolução nº. 5.820/2018 da Agência Nacional de
Transportes Terrestres (ANTT, 2018), que dispõe sobre os preços mínimos de frete referentes ao quilômetro
rodado por eixo carregado.

Sabe-se que a massa de lodo produzida é de 15 t.mês-1. Para transportar essa massa, com um caminhão com
capacidade de 10 t, são necessárias 2 viagens, e cada uma custa em torno de R$302,00. Assim, multiplicando o
número de viagens pelo custo década viagem, obteve-se o valor de R$453,00. Multiplicando o custo de
disposição por tonelada pela massa a ser disposta obteve-se como resultado R$1500,00 como custo para
disposição do lodo. Somando, portanto, os valores para disposição e transporte, tem-se o custo total de
R$2104,00 para dispor em aterro as 15 t.mês-1 produzidas.
É interessante ser considerado nesta alternativa, a disposição do resíduo de poda, que pode ser aproveitado no
processo de compostagem, uma vez que este resíduo também é atualmente disposto em aterro sanitário. Esta
disposição ainda pode ocorrer com o resíduo triturado ou não, o que altera os valores de custo final.
Os custos de disposição em aterro sanitário para resíduo de poda triturado estão descritos na Tabela 7, enquanto
os custos de disposição em aterro sanitário para resíduo de poda não triturado estão descritos na Tabela 8. A
principal diferença está no volume a ser transportado, onde o resíduo não triturado apresenta volume maior e
necessita de mais viagens para ser levado ao aterro, e consequentemente o valor de sua disposição é afetado. Foi
considerado o volume a ser utilizado para compostagem, 63,63 t.mês-1.

Item Unidade Valor


Massa média produzida t.mês-1 63,63
Custo de disposição R$/t 100,00
R$ 6363,00
R$/viagens 302,00
Transporte* (capac. 10 t) viagens 6
R$ 1812,00
Custo total R$/mês 8175,00
Tabela 7 – Custos relacionados à disposição de resíduo de poda triturado em aterro sanitário. Fonte:
os autores.

86
Item Unidade Valor
Massa média produzida t.mês-1 63,63
Custo de disposição R$/t 100,00
R$ 6363,00
R$/viagens 302,00
Transporte* (capac. 10 t) viagens 12
R$ 3624,00
Custo total R$/mês 9987,00
Tabela 8 – Custos relacionados à disposição de resíduo de poda não triturado em aterro sanitário.
Fonte: os autores.

*Os custos de transporte foram estimados conforme a Resolução nº. 5.820/2018 da Agência Nacional de
Transportes Terrestres (ANTT, 2018), que dispões obre os preços mínimos de frete referentes ao quilômetro
rodado por eixo carregado.

Com estes resultados, observa-se que o custo para dispor também o resíduo de poda é considerável.
A partir dos dados obtidos, sobre a disposição de lodo e do resíduo de poda, obtém, se que a disposição do lodo
junto ao resíduo de poda triturado apresenta custo de R$10279,00, e para lodo e resíduo não triturado o valor é
de R$12091,00.
Dessa forma, recomenda-se que o lodo, juntamente com o resíduo de poda, seja aproveitado para outros fins,
como a compostagem, considerando o alto custo para a disposição desses materiais e seu potencial para produção
de composto rico em nutrientes.

Comentários finais
A proposta deste trabalho foi avaliar os custos de duas alternativas de disposição final do lodo, em aterro
sanitário e compostagem, sendo este lodo proveniente do tratamento de efluentes por lodos ativados
convencional. Sabe-se que tecnicamente as duas formas são viáveis, sendo executadas em diversos locais do país
e do mundo. Esta avaliação foi feita com base em dados da Estação de Tratamento de Efluentes Caça e Tiro no
município de Lages, SC, e estimativas de custos de insumos dos processos abordados.
Como conclusão da avaliação das alternativas de disposição final, o aterro sanitário mostrou-se a alternativa com
maiores custos. Ainda que a disposição em aterro possa contribuir para o processo de degradação da matéria
orgânica dos resíduos sólidos urbanos, a compostagem é mais indicada por promover o aproveitamento de dois
resíduos, o lodo e o resíduo de poda. A partir do comparativo do município de Lages (SC) com a cidade de
Jundiaí (SP), onde a compostagem de lodo de efluente é realizada, observou-se que os principais fatores que
poderiam interferir na eficiência do processo não apresentam grande diferença entre os municípios, e isto sugere
a viabilidade do processo na cidade de Lages.
Esse estudo contribui com a busca por alternativas sustentáveis em relação ao gerenciamento de resíduos sólidos.
Sugere-se que sejam feitos estudos utilizando também a caracterização do lodo produzido por estações de
tratamento de efluentes, com o objetivo de expandir o conhecimento sobre o processo de compostagem deste
material, bem como auxiliar no estabelecimento da regulamentação do processo através da obtenção de critérios
básicos para a reciclagem de lodo, produção e incorporação do biocomposto de acordo com a realidade
brasileira.
Por fim, conclui-se que a metodologia foi adequada e possibilitou atingir os objetivos propostos.

Referências bibliográficas
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mínimos vinculantes referentes ao quilômetro rodado na realização de fretes. Brasília: ANTT.
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BETTIOL, W. ; CAMARGO, O. A. de (Ed.). 2006. Lodo de esgoto: impactos ambientais na agricultura.
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87
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88
9REA120
RESÍDUO DE CONSTRUÇÃO E DEMOLIÇÃO (RCD)
APLICADOS EM CONCRETOS
Elizabete Yukiko Nakanishi Bavastri1, Thiago Veronez Peiter
1
Universidade Federal do Paraná, e-mail: elizabete.nakanishi@ufpr.br

Palavras-chave: Reaproveitamento de resíduo sólidos; Resíduo de construção e demolição (RCD).

Resumo
Durante a história do desenvolvimento da humanidade, a visão do crescimento urbano estava atrelada ao uso e
transformação da natureza, os recursos naturais eram vistos de forma ilimitados, portanto, a sua preservação era
vista de forma adversa ao desenvolvimento. Com o passar do tempo, essa visão foi dada como equívoca, e a
poluição se tornou um assunto de diversos debates e discussões, assim estabelecendo legislações referentes a
emissão de poluentes, se tornando cada vez mais rigorosas. Segundo Amadei (2011), após a explosão
demográfica que aconteceu no início do século XX, houve o crescimento das construções civis nos centros
urbanos, e, com isso, a geração de Resíduos de Construção e Demolição (RCD) também aumentou, tornando-se
um grave problema socioambiental. Esses resíduos ganharam atenção após a 2ª Guerra Mundial, pois muitos
países utilizaram esses materiais como base de matéria-prima para reconstrução. De acordo com isso, Levy e
Helene (2000) consideram o ano de 1946 como o início do desenvolvimento da reciclagem de Resíduos de
Construção e Demolição (RCD) na construção. Esses resíduos têm se tornado, ao longo dos anos, uma difícil
problemática para as administrações municipais, pois coletar, transportar e dispor esses resíduos sólidos têm se
tornado cada vez mais difícil, isso devido à dificuldade de encontrar espaços adequados para sua destinação nos
centros urbanos, pois as deposições dos resíduos elevam os custos de transporte devido as grandes distâncias
para a correta destinação final. A problemática em relação aos resíduos gerados através das atividades da
construção civil são que geralmente não se tem conhecimento dos volumes gerados, e de seus impactos, não
recebendo a solução adequada e causando problemas de saneamento nas áreas urbanas. Desse modo, na busca
pelo bem estar ambiental, a reciclagem dos resíduos da construção civil surge como uma alternativa sustentável,
tanto para suprir a demanda dos agregados como para a preservação do meio ambiente. Grande parte das
atividades da construção civil geram resíduos, portanto a utilização desses resíduos para a produção de um novo
material é uma forma sustentável de se destinar esses entulhos, que normalmente seriam depositados
inadequadamente na natureza, podendo ocasionar inúmeros problemas ambientais. Na região de Toledo em que
se é realizado o presente estudo, se encontra grande dificuldade de obter areia grossa no comércio local, pois a
Pedreira Municipal de Toledo, localizada na Rodovia PR 317 produz apenas areias de granulometria média e
fina. No entanto, é sabido que para a utilização de agregados (areia e brita) são recomendados uma granulometria
bem graduada (distribuição contínua dos grãos, ocasionando melhor empacotamento granular). Em vista disso,
busca-se a introdução do Resíduo de Construção e Demolição (RCD) na substituição parcial e/ou total no
agregado miúdo natural. A substituição do agregado miúdo natural por RCD pode ser realizada para substituir a
areia ou a brita. Além disso, o RCD provém de entulhos de concreto, telhas, blocos, argamassas e etc,
produzindo uma enorme variabilidade na composição, característica e propriedade destes resquícios. Assim, para
limitar estas variabilidades o resíduo a ser utilizado nesta pesquisa, contemplará apenas dos refugos de ensaios
em corpos-de-prova de concreto e ainda, a substituição será realizada nos grãos da areia natural. Além disso,
após pesquisa local realizada, verificou-se que na cidade de Toledo o cimento Portland disponível é o CP II Z 32,
portanto, para facilitar a prática da substituição da areia natural por RCD no concreto com cimento,
normalmente, utilizado na região, o cimento escolhido será o CP II Z 32. Nesse sentido, o presente trabalho trata
da reutilização dos resíduos de construção e demolição (RCD) como agregado miúdo. Inicialmente, fez-se
revisão bibliográfica sobre o assunto abordado, bem como sobre os métodos de ensaios, referente a
caracterização dos materiais (agregados, aglomerantes, RCD, entre outros), no concreto no estado fresco
(densidade de massa, teor de ar, slump test) e, no concreto no estado endurecido (ensaios mecânicos, absorção,
densidade de massa, teor de ar, absorção por capilaridade), com o objetivo de analisar o comportamento físico e
mecânico do concreto sem e com RCD. Dessa forma comparar o concreto padrão ou de referência (sem a
substituição do RCD, com resistência média mínima de 20 MPa), com o concreto com a substituição do agregado
reciclado (com substituição de 25%, 50%, 75% e 100%). Neste contexto, a preservação do meio ambiente e a
busca pelo desenvolvimento sustentável tem estimulado a realização de diversas pesquisas relacionadas ao uso de
agregados reciclados (advindos da construção civil). Portanto, esta pesquisa tem o objetivo da reutilização do

89
resíduo da construção, o material ao invés de ser disposto em lugares inapropriados ou em aterros, acaba tendo
um novo aproveitamento, contribuindo assim para um desenvolvimento sustentável, além de uma economia de
insumos para a construção civil e a preservação dos recursos naturais finitos.

Materiais e Métodos
A metodologia empregada na realização deste trabalho foi de forma laboratorial, com a realização de variados
ensaios físicos e mecâncios, iniciando-se com os ensaios de caracterização dos materiais constituintes, como
agregados e aglomerantes e, após, os ensaios nos corpos de prova de concreto, tanto no estado fresco como no
endurecido. Inicialmente, houve a seleção dos corpos de prova - resíduos de construção e demolição (RCD) - que
foram coletados, proveniente do laboratório de materiais da UTFPR - Campus Toledo. Após a seleção desse
entulho, foi realizado a britagem desse material reciclado. A britagem foi feita no moinho de bolas, até que o
RCD estivem comunuídos. O intervalo de substituição entre o agregado miúdo natural e o agregado miúdo
reciclado foi de 0% (Traço padrão), 25%, 50%, 75% e 100%, e que teve como objetivo investigar qual o teor de
substituição mais adequado para a utilização do agregado miúdo reciclado de RCD. A dosagem dos corpos de
prova de concreto foi através de pesquisas em obras, onde procurou-se utilizar um traço de obra, sendo este
determinado na proporção de 1:3:3:0,61 (cimento, agregado miúdo, brita e água). Além do traço padrão (sem
utilização de material reciclado), houve-se a substituição do traço com as taxas de substituição do agregado
miúdo de 25% 50%, 75% e 100% (areia natural por RCD), mantendo a relação água/cimento do concreto padrão.
Ao decorrer dos ensaios do estado fresco, percebeu-se então que o adensamento era bem menor para o traço que
tinha a substituição do RCD (agregado miúdo reciclado), e portando, houve a realização do traço que além de ter
a substituição do agregado miúdo, manteve como parâmetro o adensamento inicial do traço padrão, fazendo
correções na quantidade de água para manter sua trabalhabilidade.

Resultados e Discussões
A seguir, apresentar-se-ão os resultados e as análises dos ensaios de caracterização dos agregados, aglomerantes
e do RCPC, dos concretos no estado fresco e dos concretos no estado endurecido, e por fim os resultados obtidos
nos corpos de prova de concreto sem e com o RCD.

Determinação da Composição Granulométrica


Para a realização dos ensaios de granulometria de agregados, conforme os procedimentos da ABNT NBR NM
248, devem ser realizados duas vezes para cada amostra, após ensaios da composição granulométrica, os
resultados encontram-se na Figura 1.

(a) Areia natural x RCD (b) Brita


Figura 1: Composição granulométrica.

Através da análise dos resultados das distribuições granulométricas, observa-se que os grãos das amostras (areia
natural e RCD) tendem a um a curva granulométrica graduada (contínua). No entanto, verifica-se uma grande
quantidade de grãos uniformes na peneira 0,3mm para a areia natural e, grande quantidade de grãos uniformes na
peneira de 0,6mm para o RCD. Percebe-se ainda que em ambas amostras (areia natural e RCPC) encontram-se
dentro das zonas utilizáveis (inferior e superior) recomendada pela Norma. Dessa forma, utilizou-se esses
agregados miúdos para a confecção de concretos sem correções desses grãos.
Em geral, a areia natural utilizada na região de Toledo/PR para a confecção de concretos e/ou argamassas são
utilizadas na forma em que se encontra no mercado local, sem a realização de correções granulométricas. Assim,
para tornar-se mais realísticos as amostras trabalhadas neste trabalho, optou-se, também, por não realizar

90
nenhuma correção na areia natural. Além de não ser proposta deste trabalho a realização das correções
granulométricas dos grãos dos agregados miúdos utilizados neste.
Analisando a distribuição dos grãos da brita (b), observa-se que a distribuição granulométrica encontram-se
dentro dos limites recomendados pela Norma. Existe uma grande quantidade de grãos uniforme retidos na
peneira 12,5mm. O que não é interessante, pois acarretará em um índice de vazios maiores entre os grãos. Da
mesma forma, os grãos dos agregados graúdos, também não foram corrigidos, optando-se pelo emprego direto
deste no concreto, deixando-o da forma em que são utilizados na região.

Determinação de Finos que passam através da Peneira 75 µm


É sabido que para a produção de concretos, deve-se controlar a quantidades de material pulverulento, pois
absorve grandes quantidades de água de amassamento, prejudica a trabalhabilidade do concreto entre outros
efeitos negativos. Além disso, a Norma NBR 7211 estabelece um limite máximo de 5% de material pulverulento
em agregados miúdos. Os resultados nos ensaios obtidos pela lavagem dos agregados com água encontram-se na
Tabela 1. A realização deste, fez-se duas vezes para cada amostra, iniciando-se com cerca de 500 gramas da
massa seca (areia natural e do RCD) que são lavados com água e passados pela peneira de 75 m. Então, após a
lavagem as amostras são novamente secas em estufas (T=105°C/24h) e pesadas.

Tabela 1: Material Pulverulento – Areia Natural e RCD


Massa Seca Massa Seca Material
Qtde de Mat.
Amostras Inicial Após lavagem Pulverulento
Pulverulento (g)
(g) (g) (%)
Areia natural 1 500,29 480,7 19,59 3,92
Areia natural 2 500,17 479,4 20,77 4,15
média 4,03
RCD 1 500,01 447,63 52,38 10,48
RCD 2 500,12 449,18 50,94 10,19
média 10,33

Conforme os resultados da Tabela 1, observa-se que a taxa de material pulverulento é elevada, tanto para a areia
natural quanto para o RCPC. No entanto, existem uma quantidade maior de finos presentes no RCPC (10,33%).
Devido ao processo de obtenção da amostra de RCPC ser realizada pela moagem de resíduos de concretos no
moinho de bolas, é esperado que este material resultante tenha uma grande quantidade de finos embutidos neste
material. Assim, utilizou-se o RCPC mesmo com grandes quantidades de finos presentes e, um aumento da
quantidade de água foi acrescida na confecção dos variados concretos, ou seja, manteve-se constante o
abatimento (slump test), variando-se a quantidade de água de amassamento.

Determinação da Massa Específica e Absorção de Água de Agregados Miúdos


O ensaio da taxa de absorção dos agregados miúdos (areia natural e RCD) foram determinados através da
obtenção da massa saturada superfície seca (Msss) e da massa seca (Ms), tendo duas vezes a repetição para cada
amostra. Os resultados estão na Tabela 2 e, seguiram os procedimentos da Norma ABNT NM 53.

Tabela 2: Massa Específica e Absorção de Água– Areia Natural e RCD


Massa Saturada
Massa seca (Ms) Absorção de água
Amostras Superfície Seca (Msss)
(g) (%)
(g)
Areia natural 1 421,61 423,12 0,36
Areia natural 2 426,04 427,8 0,41
média 0,39
RCD 1 413,68 451,45 9,13
RCD 2 411,8 443,98 7,81
média 8,47

91
Analisando os resultados da Tabela 2, observa-se claramente a grande quantidade de água que será absorvida
pelo RCD (8,47%), enquanto a areia natural absorve em torno de 0,4% de água. Tal resultado, deve-se levar em
conta quando na dosagem do concreto, pois este irá absorver uma grande quantidade de água de amassamento,
diminuindo a trabalhabilidade, deixando o concreto mais rijo. Tal resultado se justifica, pois, o agregado
reciclado (RCD) é proveniente de corpos de prova rompidos, ou seja, de uma mistura de diversos materiais, que
absorvem uma quantidade maior de água se comparado a areia natural. Além disso, como já mostrado
anteriormente, o resíduo reciclado (RCD) tem cerca de 10,33% (Tabela 1) de material pulverulento em sua
composição, provocando assim, uma taxa de absorção de água elevada, pois quanto maior a quantidade de finos
presentes, mais água é solicitada para molhar todos os grãos pequenos presentes.

Determinação do Abatimento do Tronco de Cone (slump test)


Inicialmente, realizou-se a confecção dos corpos de prova de concretos onde a relação água/cimento (a/c)
manteve-se constante (cte). Assim, ao realizar o ensaio de abatimento pelo tronco de cone (ABNT NM 67),
observou-se que o aumento das substituições da areia natural por RCPC reduzia o abatimento, como se observa
na Tabela 3.

Tabela 3: Ensaio de Abatimento de Tronco de Cone – Corpos de concreto


Traço Relação agua/cimento (a/c) Abatimento (mm)
Padrão – Ref (0%) 0,61 90
Relação a/c cte em 0,61
Sub. 25% agregado miúdo 0,61 80
Sub. 50% agregado miúdo 0,61 65
Sub. 75% agregado miúdo 0,61 40
Sub. 100% agregado miúdo 0,61 25
Tabela 3: Ensaio de Abatimento de Tronco de Cone – Corpos de concreto - CONTINUAÇÃO

Traço Relação agua/cimento (a/c) Abatimento (mm)


Slump cte em 9±1mm
Sub. 25% agregado miúdo 0,63 90
Sub. 50% agregado miúdo 0,67 95
Sub. 75% agregado miúdo 0,77 95
Sub. 100% agregado miúdo 0,88 90

Ao analisar os resultados do ensaio de abatimento pelo tronco de cone dos variados concretos (Tabela 3),
observa-se que o concreto produzido com 100% de RCD e 0% de areia natural (a/c cte) teve seu abatimento
baixo (25mm) e, foi necessário “imprimir maior força” para manipular este concreto, pois mantendo-se a mesma
quantidade de água para molhar todos os materiais pulverulentos tornou-se dificultoso e a trabalhabilidade no
concreto muito rijo, ou seja de “difícil” manipulação, onde a massa “mostrava-se” muito áspera. Também,
verificou-se que no momento de adensá-las nos moldes dos corpos de prova cilíndricos (10x20cm), ouve maior
dificuldade em relação as outras substituições menores, bem como do concreto padrão (sem substituição). Nesse
sentido, mudou-se a constante da relação água/cimento, mas mantendo-se o abatimento do tronco de cone, para
prover melhor a trabalhabilidade do concreto. Assim sendo, ao realizar a correção de água de amasamento nos
variados concretos, a trabalhabilidade melhorou bastante, em relação aos concretos que mantiveram a relação a/c
cte, para todas as substituições. Porém, é sabido que elevadas taxas a/c diminui drasticamente a resistência
mecânica do concreto, ou seja, a resistência é inversamente proporcional a quantidade de água acrescentada. Por
outro lado, a baixa quantidade de água, também não “mostrou-se” eficiente, pois a trabalhabilidade é diminuída,
e sua resistência poderá ser diminuída pela dificuldade na trabalhabilidade desse.

Determinação da Massa Específica pelo Método Gravimétrico.


A seguir os gráficos 2 e 3 apresentam-se os resultados para os ensaios de Índices de vazios e Teor de ar
incorporada, conforme prescritos através da NBR 9833.

92
a/c cte Slump
a/c cte Slump
cte
cte

Figura 2: Índice de vazios Figura 3: Teor de ar incorporado

Conforme os resultados obtidos (Figuras 2 e 3) verifica-se que o concreto padrão (sem RCD) possui menor
porcentagem de vazios e do teor de ar na massa do concreto produzido com areia natural. Observa-se que em
todas as substituições da areia natural por RCD esses dois parâmetros aumentam numericamente ao concreto de
referência.
O comportamento do índice de vazios com o teor de ar também segue as mesmas tendências para os concretos
com RCD, ou seja, ao substituir a areia natural por RCD e mantendo-se a quantidade de água (a/c cte), tanto os
vazios como a quantidade de ar aumentam com o aumento da porcentagem de RCD substituídos. Por fim,
constata-se claramente que em qualquer concreto produzido com RCD ocorrerão um aumento do índice de
vazios e aumento do teor de ar na massa do concreto.

Determinação da resistência à compressão axial simples


Para o ensaio de resistência à compressão axial simples foram moldados 4 corpos de prova (CP) de concretos
para cada substituição de areia natural por RCD, além do concreto padrão (sem substituição). As moldagens
seguiram as recomendações da NBR 5738. A idade de rompimento escolhida foi aos 28 dias. Assim, a Figura 4
mostra os resultados de resistência à compressão axial obtidos nos variados concretos.
Analisando o resultado da Figura 4, verifica-se visivelmente que os variados concretos, mantendo-se a relação
água/cimento (a/c) constante, tiveram resistências inferiores aos concretos de referência (padrão). Além disso,
quando comparado com o concreto padrão, somente o concreto com 75% de areia e 25% de RCPC teve
resistência superior, nas demais, foram inferiores. Já para os concretos mantendo o slump test constante, estes
atingiram resistências superiores ao padrão para todas as substituições. Para verificar o comportamento variável
de resistência mecânica com o acréscimo de água de amassamento na massa de concreto, a Figura 5 mostra os
resultados obtidos no concreto padrão e nos concretos com as variadas substituições de areia natural por RCD na
idade de 28 dias.

Figura 4: Resistência a compressão axial.

93
Figura 5: Resistência à compressão axial simples, de acordo com relação a/c utilizada.

Observa-se o decréscimo acentuado da resistência à compressão (Figura 5) com o aumento da quantidade de


água na massa dos variados concretos, para manter uma massa trabalhável, sem aspecto áspero/rijo. Através
deste é possível observar que a resistência à compressão do concreto com a taxa de substituição de 75% de areia
natural e 25% de RCD se mostrou com uma resistência superior às demais, mostrando que apesar de aumentar a
relação a/c, a utilização moderada desse material tende a aumentar a sua resistência, porém, quando a relação a/c
é demasiadamente alta, há a tendência de reduzir sua resistência conforme o aumento dessa relação água/cimento
(a/c). Portanto, deve-se optar por um traço que não tenha uma relação a/c tão elevada, pois este acaba reduzindo
drasticamente a resistência, além disso, deve-se observar a trabalhabilidade deste concreto, pois as substituições,
por exemplo de 100% de RCD e 0% de areia natural, tornou pouco trabalhável a massa do concreto.
O traço de concreto que se apresentou com valores de resistência melhores foi a de 25% de substituição do
agregado miúdo natural por RCD, mantendo-se a relação a/c constante, tendo um abatimento de 80mm. Outro
traço do concreto que se mostrou resultado interessante foi de 50% de substituição do agregado miúdo natural e
50% de RCD, tendo um pequeno aumento em sua resistência mecânica, porém teve-se um decréscimo no valor
do abatimento de 65mm, prejudicando na trabalhabilidade do concreto. Fazendo uma análise dos dois traços que
se mostraram mais eficientes, pode-se dizer que a taxa de substituição de 25% do agregado miúdo natural por
reciclado seria satisfatório, pois teria uma resistência próxima a máxima atingida, e ainda assim manteria o seu
abatimento de 80mm, porém, com taxas maiores de substituição o abatimento seria reduzindo-o, visto que a
quantidade de material pulverulento do resíduo reciclado absorve grande quantidade de água.

Absorção de água por imersão.


O ensaio de absorção de água por imersão foi realizado em corpos de prova cilíndricos (10x20cm) com os
variados concretos, conforme descritos na NBR 9778. Os ensaios foram realizados com idades superiores aos 28
dias. Estes ficaram em cura imersa em água até as datas de realização desses ensaios. Sendo assim, para os
concretos onde a quantidade de água (relação água/cimento constante) permaneceu constante (a/c cte) e para o
concreto padrão foram ensaiados 3 corpos de prova e, para os concretos onde o abatimento do tronco de cone
permaneceu constante em 90±1mm (slump test cte) foram ensaiados 2 corpos de prova. Os resultados encontram-
se nas Figuras 6 e 7.
De acordo com os resultados obtidos (Figuras 6 e 7) o traço do concreto que mostrou-se com o maior percentual
de absorção de água foi o composto por 100% de RCD, resultado semelhante do concreto onde manteve-se a
relação a/c constante. Tal comportamento no aumento de vazios e maior absorção de água foi também
encontrado nos estudos realizados por Nakamura e Iurk (2010), donde utilizaram resíduo de construção e
demolição (RCD) e o concreto com proporcionamento de 100% com o RCD utilizado, também teve maior índice
de vazios e absorção de água. Além disso, verificou-se na prática que quanto maior é a taxa de substituição da
areia natural por RCD no concreto, maiores foram as dificuldades de adensamentos desses concretos nos moldes,
tanto aqueles com a relação a/c cte como os de slump cte.

94
Figura 6: Absorção de água por imersão – a/c cte Figura 7: Absorção de água por imersão – slump test cte

Conclusão
De uma forma geral, os resultados obtidos neste trabalho foram satisfatórios, podendo comprovar através dos
ensaios laboratoriais, os mesmos conceitos encontrados nas bibliografias existentes, chegando assim, a um
consenso referente as propriedades do material reciclado em estudo.
Os resultados obtidos nos ensaios do concreto no estado fresco, demonstraram que a trabalhabilidade é bastante
influenciada pela inserção do material reciclado (RCD), sendo que, altas taxas de substituição desse agregado
reciclado interferem negativamente na trabalhabilidade, fazendo com que os excessos de partículas finas, não se
obtenham facilidades nos adensamentos.
Através dos resultados obtidos nos variados concretos no estado endurecido, observou-se que o traço que
manteve a relação a/c constante, com composição de 75% de areia natural e 25% de RCD e no concreto com
50% de areia natural e 50% de RCD, apresentaram os resultados maiores de resistência axial do que as outras
substituições.
Para os ensaios realizados referente ao índice de vazios, observou-se que as substituições de 25%, 50% e 75% se
mostraram semelhantes, porém a taxa com 100% de substituição do agregado miúdo natural por reciclado,
apresentou elevado índice de vazios, demonstrando assim, a falta de adensamento do material.
Referente aos ensaios de absorção por imersão, verifica-se que para o traço com a/c cte, a absorção de água com
a taxa de substituição de 100% foi demasiadamente alta comparando-se com as outras taxas de substituição, já
para o traço com slump cte, apesar da taxa de substituição com 100% ser a maior, não apresentar grande
diferença em relação as outras taxas de substituição, visto que este traço já tem em sua composição, quantidade
superior de água em relação ao traço com a/c cte.
De modo geral, os resíduos de corpos de prova possuem grande potencial para serem utilizados, devendo-se
ainda analisar sua viabilidade econômica, verificando custos para sua reciclagem. Ainda assim, apresenta boa
viabilidade para sua utilização, gerando uma redução na utilização da areia natural, e também, destinando o
material de forma adequada, visto que, grande parte desse material acaba sendo destinado a aterros sanitários,
sem nenhum tipo de reciclagem. Contribuindo desta forma, para que este resíduo não impacte de forma negativa
no ambiente urbano, reduzindo assim, problemas de saneamento. Sendo assim, os agregados reciclados não
devem ser vistos como material de qualidade reduzida, mas sim, como materiais que apresentam propriedades
diferentes dos agregados naturais, e com sua utilização de forma equilibrada pode se tornar interessante.
Portanto, existe a viabilidade técnica da utilização do material na prática, podendo ser destinado a utilização em
pisos, como o paver, por exemplo.

Sugestões para trabalhos futuros


Após análise dos resultados verificou-se que este trabalho apresentou algumas diferenças entre os agregados
naturais e o reciclado, embora sua utilização tenha se mostrado de forma positiva. Desta forma, é interessante que
mais pesquisas sejam realizadas para sua utilização no Brasil, sendo ou não para fins estruturais. Abaixo são
sugeridas algumas linhas de pesquisas para prosseguimento do tema desta pesquisa:

95
• A influência na durabilidade do concreto com a utilização dos agregados reciclados.
• A viabilidade econômica do material reciclado, seja na substituição do agregado miúdo, ou do agregado
graúdo.
• Realização de dosagem com a utilização de aditivos, verificando assim, sua possível melhoria nas
características do material reciclado do concreto no estado fresco.

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97
9REA122
APLICAÇÕES DE HIDROLISADOS PROTEICOS OBTIDOS
ATRAVÉS DA BIOCONVERSÃO MICROBIANA DE PENAS
DE FRANGO: UMA BREVE REVISÃO

Andréia Monique Lermen1, Kelly Callegaro², Laís Andressa Finkler3, Naiara Jacinta Clerici4,
Daniel Joner Daroit5
1
Universidade Federal da Fronteira Sul, e-mail: andreiamoniquelermen@hotmail.com;
²Universidade Federal da Fronteira Sul; e-mail: kellycallegaro@hotmail.com; 3Universidade
Federal da Fronteira Sul, e-mail: laisandressa26@hotmail.com; 4Universidade Federal da Fronteira
Sul, e-mail: naiaraj.clerici@gmail.com; 5Universidade Federal da Fronteira Sul, e-mail:
djdaroit@gmail.com;

Palavras-chave: penas; bioconversão microbiana; hidrolisados proteicos

Resumo
A indústria avícola vem crescendo continuamente no Brasil e no mundo, o que resulta no aumento da produção e
geração de resíduos provenientes do abate e processamento de frangos para a obtenção de carne. Dentre os
principais resíduos sólidos oriundos destas atividades estão as penas, constituídas basicamente por proteínas
fibrosas e recalcitrantes, que devem ser corretamente manejadas para evitar a poluição ambiental. Na atualidade,
os destinos finais das penas de frangos são aterros sanitários, incineração ou a aplicação em rações animais após
tratamento hidrotérmico. No entanto, as elevadas demandas de área no caso de aterros, e de aportes energéticos
no caso da incineração e processos hidrotérmicos, indicam a necessidade de alternativas tecnológicas para o
manejo das penas de frango. A bioconversão microbiana das penas surge como estratégia explorada a fim de
aumentar o valor dos produtos finais no contexto da necessidade de encontrar uma destinação apropriada e viável
para estes resíduos. Microrganismos queratinolíticos são investigados para a hidrólise de penas visando a
obtenção de enzimas proteolíticas com aplicação biotecnológica e, mais recentemente, hidrolisados proteicos. Os
hidrolisados proteicos vêm sendo postulados como ingredientes para rações animais, fertilizantes nitrogenados,
substratos para a produção de biocombustíveis, e mesmo sua aplicação na nutrição e saúde humanas pela
observação de que estes hidrolisados podem apresentar atividades antioxidantes, anti-hipertensivas e
antidiabéticas. Esta breve revisão apresenta um apanhado geral sobre as diversas aplicações possíveis para os
hidrolisados proteicos obtidos a partir da bioconversão das penas de frango.

Introdução
O consumo mundial de carne de aves vem crescendo gradativamente, uma vez que é uma fonte de proteínas
animais essenciais à dieta humana e alimento acessível a todas as classes sociais. Os países considerados os
maiores produtores de carne de frango são os Estados Unidos, Brasil e China. No cenário mundial, o Brasil
alcançou o posto de maior exportador de carne de frango no ano de 2016. De acordo com dados do Relatório
Anual da Associação Brasileira de Proteína Animal (2017), o país atingiu a produção de 12,9 milhões de
toneladas de carne de frango, sendo que 66% são destinadas ao mercado interno e os 34% restantes a exportação.
Apesar destes números serem promissores, conforme ocorre o aumento do consumo e da exportação, há o
aumento proporcional da produção e geração de resíduos pela avicultura. O abate e o processamento de aves
geram subprodutos, como vísceras e penas. As penas são compostas basicamente por queratinas (90%, m/m) e
representam em torno de 5 a 10% do peso corporal das aves (Brandelli, 2008). De acordo com o Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no ano de 2017, foram abatidos em torno de 5,8 bilhões de frangos,
totalizando 13,6 bilhões de toneladas de carcaças de frango. Estima-se, a partir destes indicadores, que foram
produzidas em torno de 680 mil toneladas de penas como resíduos sólidos pela indústria avícola nacional em
2017.

98
Devido à composição das penas e as elevadas quantidades que vêm sendo geradas como resíduos sólidos, é
necessário destinar corretamente este resíduo, tendo em vista que o manejo incorreto pode resultar em problemas
ambientais e desperdício de uma fonte de proteínas. Atualmente, aterros sanitários têm sido o destino final das
penas de frango; no entanto são necessárias grandes áreas (Bose et al., 2014). A decomposição lenta e
descontrolada das penas acumuladas no ambiente, principalmente em zonas anaeróbias, tende a ocasionar a
produção de gases tóxicos, como sulfeto de hidrogênio (H2S) e amônia (NH3) (Daroit et al., 2011). Há indústrias
que utilizam o processo de incineração que, apesar de reduzir o volume de resíduos, demanda elevados aportes
energéticos, além de potenciais impactos ao ambiente e à saúde humana, devido à eventual emissão de gases
tóxicos (Savitha et al., 2007). Ainda, uma estratégia muito utilizada é o processo hidrotérmico, intensivo em
energia, que resulta em produtos de baixo valor nutricional aplicados como ingredientes na ração animal
(Lasekan et al., 2013; Sharma e Gupta, 2016).
Mais recentemente, resíduos ricos em queratina, como as penas, vêm sendo submetidos a diversos
processos para a obtenção de hidrolisados proteicos. Estes hidrolisados são produzidos a partir da clivagem de
ligações peptídicas em substratos proteicos, gerando peptídeos de diversos tamanhos e composição de
aminoácidos (Sarmadi e Ismail, 2010). A hidrólise de substratos queratinosos pode ser realizada por meio de
métodos enzimáticos, microbianos ou químicos. Destaca-se particularmente a hidrólise microbiana, que se baseia
no crescimento dos microrganismos queratinolíticos e na secreção de proteases que agem sobre o substrato
proteico, resultando em sua hidrólise (Sinkiewicz et al., 2018).
Há diversos microrganismos, isolados a partir de variadas condições ambientais e ecológicas, que são
capazes de decompor proteínas recalcitrantes (Gupta e Ramnani, 2006). Dentre os microrganismos dos três
Domínios de seres vivos (Eukarya, Bacteria e Archaea), bactérias do gênero Bacillus destacam-se como
proeminentes degradadoras de penas. Linhagens de Bacillus licheniformis e Bacillus subtilis já foram descritas
como queratinolíticas (Zhang et al., 2010), além disso, outras espécies, como Bacillus pumilus e Bacillus cereus
também produzem queratinases (Werlang e Brandelli, 2005; Kumar et al., 2008) para a degradação de materiais
queratinosos.
O processo de bioconversão microbiana representa uma alternativa para manejar uma grande quantidade de
resíduos da produção avícola e, concomitantemente a esse processo, obter produtos que possuem valor agregado,
como hidrolisados proteicos e proteases microbianas, investigados em diversas aplicações (Brandelli et al.,
2010). Neste estudo, realizou-se uma revisão de literatura com o objetivo de demonstrar as diferentes aplicações
dos hidrolisados de pena obtidos por bioconversão microbiana.

Material e Métodos
Este estudo caracteriza-se como uma revisão bibliográfica narrativa e não exaustiva acerca da bioconversão
microbiana de penas de frango e potenciais aplicações dos hidrolisados proteicos. Foi realizado estudo
exploratório da literatura científica sobre a temática, compreendido pela criação de protocolo de busca, análise e
seleção dos trabalhos encontrados. A coleta de dados foi realizada utilizando as bases de dados SCOPUS,
abrangendo artigos publicados de 2005 a 2019. Os descritores utilizados foram “feathers”, “bioconversion”,
“protein hydrolysates” e “microbial protease”, com a inclusão dos operadores AND e OR. A busca na literatura
foi realizada através da leitura e análise dos títulos e resumos e os artigos que não tinham conexão com a
temática proposta foram removidos da seleção.

Resultados e Discussão
Hidrolisados de materiais queratinosos, especialmente de penas, produzidos a partir de bioconversão
microbiana, possuem diversas aplicações. Tais aplicações encontram-se sumarizadas na Tabela 1.

Ração animal
Dentre os componentes proteicos mais empregados em rações animais estão as proteínas de origem vegetal.
De acordo com Freeman et al. (2009), a conversão de resíduos proteicos de origem animal, com foco no seu
aproveitamento para a alimentação animal, é uma das formas mais eficientes para a reciclagem de nutrientes. A
queratina de penas contém níveis elevados dos aminoácidos alanina, glicina, valina e cisteína; em contrapartida,
possui deficiência de lisina, metionina, histidina e triptofano. Tradicionalmente utiliza-se a farinha de penas
comercial, resultante do processamento hidrotérmico das penas, como ingrediente em rações. Contudo, este
produto apresenta reduzida digestibilidade, o que limita seu uso. Neste contexto, a bioconversão microbiana pode
auxiliar no aumento do teor de aminoácidos limitantes dos hidrolisados e no aumento da digestibilidade de
componentes proteicos em relação à farinha de penas comercial. Desta forma, hidrolisados de pena podem
substituir parcialmente proteínas de custo mais elevado, como as proteínas da soja (Grazziotin et al., 2006;
Kumar et al., 2012).

99
Diversos estudos destacam a potencialidade do uso de hidrolisados de penas como ingredientes em rações
(Tabela 1). Especificamente, Bertsch e Coello (2005) indicaram maior digestibilidade real de aminoácidos para
hidrolisados de pena do que para a farinha de penas comercial em estudo in vivo com galos. Grazziotin et al.
(2008) reportaram que hidrolisados de pena suplementados com metionina poderiam substituir até 20% da
proteína de soja usada na dieta de ratos Wistar. Já Fakhfakh et al. (2012) demonstraram que a adição de
hidrolisados de pena a dietas padrão aumentaram o crescimento de ratos Wistar.

Tabela 1. Hidrolisados de penas de frango produzidos por bioconversão microbiana e suas potenciais aplicações.
Aplicação Agente de bioconversão Referência
Ingredientes em ração animal Vibrio sp. kr2 Grazziotin et al. (2008)
Kocuria rosea LPB-3 Bertsch e Coello (2005)
Bacillus pumilus A1 Fakhfakh et al. (2012)
Fertilizantes nitrogenados Streptomyces sampsonii GS 1322 Jain et al. (2016)
Paenibacillus woosongensis TKB2 Paul et al. (2013)
Stenotrophomonas maltophilia DHHJ Cao et al. (2012)
Chryseobacterium sp. RBT Gurav e Jadhav (2013)
Bacillus amyloliquefaciens 6B Bose et al. (2014)
Thermoactinomyces sp. RM4 Verma et al. (2016)
Amycolatopsis sp. MBRL 40 Tamreihao et al. (2017)
Bacillus polymyxa B20 Kucinska et al. (2014)
Aspergillus niger Adetunji et al. (2012)
Bacillus pumilis KHS-1 Kim et al. (2005)
Consórcio de Thermoactinomyces spp. 3H, 8H e M4 Gousterova et al. (2011)
Produção de biogás Bacillus sp. C4 Patinvoh et al. (2016)
Bacillus megaterium recombinante Forgács et al. (2011)
Bacillus licheniformis KK1 Mézes e Tamás (2015)
Produção de biohidrogênio Bacillus licheniformis KK1 Bálint et al. (2005)
Atividades biológicas Chryseobacterium sp. kr6 Fontoura et al. (2014)
Bacillus pumilus A1 Fahkfahk et al. (2011)
Fervidobacterium islandicum AW-1 Yeo et al. (2018)
Bacillus sp. P45 Lemes et al. (2016)
Bacillus sp. (CL18, CL14, CL33A) Callegaro et al. (2018)
Bacillus subtilis S1-4 Wan et al. (2016)
Kocuria rhizophila p3-3 Łaba et al. (2018)
Chryseobacterium sediminis RCM-SSR-7 Kshetri et al. (2019)
Formulação cosmética Fervidobacterium islandicum AW-1 Yeo et al. (2018)
Formulação cosmética Bacillus subtilis AMR
Villa et al. (2013)
capilar

Fertilizantes
O nitrogênio (N) é o principal nutriente limitante para o crescimento vegetal. A partir do processamento
microbiano das penas, resíduos ricos em nitrogênio devido à sua constituição proteica, é possível obter
hidrolisados com N mais disponível para absorção por parte dos vegetais, apresentando assim potencial para uso
agrícola (Tabela 1). Tal observação vai ao encontro da constante demanda para a redução dos impactos
ambientais causados por fertilizantes sintéticos; logo, o uso de fertilizantes orgânicos ricos em nitrogênio pode
representar uma prática agrícola mais sustentável (Paul et al., 2014, Rai e Mukherjee, 2015).
Conforme Colla et al. (2015), devido à baixa relação de carbono-nitrogênio dos hidrolisados, ocorre a
rápida mineralização do nitrogênio orgânico pela microbiota do solo, que libera nitrogênio mineral passível de
absorção vegetal. Ressalta-se que, peptídeos e aminoácidos podem ser absorvidos diretamente pelas folhas e
raízes das plantas, que então são transferidos para outros tecidos vegetais. Efeitos benéficos indiretos às culturas
vegetais, relacionados à estimulação da microbiota e dos processos mediados pela microbiota dos solos, também
vêm sendo associados à aplicação de hidrolisados de penas (Paul et al., 2013; Bose et al., 2014; Jain et al., 2016).
A aplicação de hidrolisados de penas como fertilizantes possuem efeitos positivos quando comparados à
ausência de fertilização e mesmo quando comparados ao uso de fertilizantes comerciais. Resultados promissores
vêm sendo descritos na literatura científica para cultivares como couve chinesa (Cao et al., 2012), grão de bico
(Paul et al., 2013; Verma et al., 2016), banana (Gurav e Jadhav, 2013), feijão mungo (Bose et al., 2014), trigo
(Jain et al., 2016) e arroz (Tamreihao et al., 2017).

100
Produção de biocombustíveis
Dentre os biocombustíveis, a produção de biogás é uma das mais exploradas, pois associa a degradação de
resíduos orgânicos à produção de energia. O biogás é uma mistura de gases, majoritariamente metano e dióxido
de carbono, resultante da conversão biológica de materiais orgânicos em ambiente anaeróbico, sendo que o
metano é componente energético do biogás. Contudo, diversos materiais orgânicos não são adequados à digestão
anaeróbia, especialmente devido à dificuldade de biodegradação. Dentre os exemplos estão as penas de frango.
Embora a digestão anaeróbia seja uma potencial alternativa considerando o rendimento teórico de metano a partir
das penas, sua baixa biodegradabilidade pode afetar negativamente a digestão anaeróbia (Patinvoh et al., 2017).
Tecnologias de pré-tratamento das penas, especialmente a hidrólise, podem tornar o conteúdo orgânico das
penas mais acessível à microbiota que realiza a digestão anaeróbia, potencialmente acelerando e aumentando a
produção de metano. Neste sentido, hidrolisados de penas produzidos por microrganismos queratinolíticos vêm
sendo investigados quanto ao rendimento de metano (Tabela 1). O pré-tratamento de penas com Bacillus sp. C4
resultou em hidrolisados utilizados para a produção de biogás, sendo observada maior produção de metano em
comparação a penas não-tratadas (Patinvoh et al., 2016). Resultados similares foram reportados por Forgács et al.
(2011), utilizando hidrolisados de pena produzidos por uma linhagem recombinante de Bacillus megaterium, e
por Mézes e Tamás (2015), usando hidrolisado produzido por Bacillus licheniformis KK1. Assim, o pré-
tratamento microbiano das penas pode representar estratégia promissora, economicamente viável e
ambientalmente adequada visando explorar a produção de biogás a partir de penas de frango (Forgács et al.,
2011).
Bálint et al. (2005) investigaram um sistema de fermentação com dois estágios. Hidrolisados de pena foram
produzidos por Bacillus licheniformis KK1 no primeiro estágio e, após complementação com minerais
essenciais, os hidrolisados foram adequados à produção de biohidrogênio por Thermococcus litoralis no segundo
estágio.

Atividades biológicas
Hidrolisados obtidos através da hidrólise de proteínas podem apresentar atividades biológicas, como
capacidades antioxidante, anti-hipertensiva, antidiabética, entre outras. Isto se deve aos peptídeos liberados
durante a hidrólise, visto tais peptídeos não demonstram bioatividades enquanto parte da proteína precursora
(Sarmadi e Ismail, 2010; Oliveira et al., 2015).
Um antioxidante é qualquer substância, natural ou sintética, que se opõe aos efeitos prejudiciais de reações
de degradação oxidativa promovidas por agentes oxidantes a uma determinada molécula. Os antioxidantes são
normalmente reconhecidos, quimicamente, pela capacidade de atuarem como doadores de elétrons ou de átomos
de hidrogênio, que eliminam a condição descompensada dos radicais através de sua conversão em moléculas
mais estáveis. Assim, moléculas antioxidantes podem agir na prevenção da formação de espécies reativas, que
são capazes de iniciar ou acelerar processos de estresse oxidativo, ou na interrupção de reações já estabelecidas
por radicais e seus intermediários (Huang et al., 2005; López-Alarcón e Denicola, 2013). A atividade
antioxidante de peptídeos e hidrolisados proteicos pode ser explicada pela capacidade de sequestrar radicais
livres, quelar íons metálicos, inibir a peroxidação lipídica ou uma combinação destas propriedades (Sarmadi e
Ismail, 2010).
A capacidade anti-hipertensiva de peptídeos se dá pela inibição da enzima conversora de angiotensina-I
(ACE). A ACE catalisa a conversão da angiotensina I em angiotensina II, que é um potente vasoconstritor. Aida,
a ACE degrada a bradicinina, que possui propriedades vasodilatadoras. Logo, inibidores da ACE podem diminuir
a hipertensão, sendo úteis para sua prevenção e tratamento (Möller et al., 2008). A capacidade antidiabética
baseia-se na capacidade de inibir a enzima dipeptidil peptidase IV (DPP IV). Na diabetes tipo 2, observa-se a
depressão do efeito incretina, mas a atividade anti-hiperglicemiante do peptídeo-1 semelhante ao glucagon (GLP-
1) é preservada. Como a DPP IV hidrolisa o GLP-1, inibidores da DPP IV podem aumentar a meia-vida do GLP-
1, contribuindo para o efeito insulinotrópico e controle glicêmico (Power et al., 2014).
Embora a produção e as bioatividades de hidrolisados proteicos e peptídeos sejam majoritariamente
investigadas no contexto de proteínas alimentares, como caseínas e proteínas da soja (Sarmadi e Ismail, 2010),
crescente atenção vem sendo dedicada à obtenção a partir de resíduos agroindustriais ricos em proteínas, como é
o caso das penas. Atividades antioxidantes de hidrolisados de penas produzidos utilizando linhagens microbianas
queratinolíticas vêm sendo recentemente descritas (Fakhfakh et al., 2011; Lemes et al., 2016; Wan et al., 2016;
Łaba et al., 2018; Yeo et al., 2018; Kshetri et al., 2019).
Mais especificamente, Fontoura et al. (2014) observaram, in vitro, potenciais antioxidantes, antidiabéticos e
anti-hipertensivos em hidrolisados de penas produzidos por Chryseobacterium sp. kr6. Tais potenciais também
foram reportados in vitro para hidrolisados de penas produzidos por três linhagens queratinolíticas de Bacillus

101
sp. (Callegaro et al., 2018). Em testes in vivo, a adição de hidrolisados de penas à dieta de ratos Wistar resultou
na redução de indicadores relacionados ao estresse oxidativo em diversos órgãos destes animais (Fahkfahk et al.,
2012). Desta forma, a conversão microbiana pode representar uma importante tecnologia para a obtenção de
hidrolisados e peptídeos bioativos com potencial relevância para a saúde humana a partir de penas de frango,
materiais abundantes e de baixo custo (Lemes et al., 2016; Callegaro et al., 2018).

Comentários finais
A indústria avícola gera enormes quantidades de resíduos, que devem ser adequadamente geridos devido às
preocupações ambientais, mas também para gerar produtos de valor agregado. Levando em conta as informações
coletadas, uma melhor compreensão da degradação biológica de materiais ricos em queratina vem sendo
construída, conduzindo ao desenvolvimento de produtos e processos associados ao gerenciamento adequado e
reciclagem destes resíduos sólidos.
Constatou-se, com base no ano de publicação dos materiais consultados, o caráter recente de investigações
sobre o uso de penas de frango como substratos para o crescimento de microrganismos queratinolíticos e a
consequente obtenção de hidrolisados, bem como acerca das potenciais aplicações tecnológicas dos hidrolisados
de penas. A partir do processamento microbiano é possível obter hidrolisados proteicos potencialmente
aplicáveis em diversos setores, especialmente em setores agroindustriais e relacionados à saúde humana.
Há vasto horizonte para pesquisas nesta temática, potencialmente permitindo avanços significativos que
ampliem o entendimento das penas como matérias-primas amplamente disponíveis e de baixo custo para
abordagens de biorrefinaria.

Agradecimentos
Os Autores gostariam de agradecer à CAPES, CNPq e FAPERGS, pelo apoio recebido.

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104
9REA126
ESTUDO DA VIABILIDADE AMBIENTAL NA
IMPLEMENTAÇÃO DE CERTIFICAÇÕES
INTERNACIONAIS EM CONDOMÍNIOS SUSTENTÁVEIS

Brenda Luá Biazus1, Anelise Sertoli2, Iziquiel Cecchin3


1
Universidade de Passo Fundo, e-mail: brendaluabiazus@gmail.com; 2Universidade de Passo Fundo,
e-mail: anelise.sertoli@upf.br; 3Universidade de Passo Fundo, e-mail: iziquielc@gmail.com

Palavras-chave: Condomínios Verdes; Certificação Ambiental; Viabilidade Econômica.

Resumo
O desenfreado aumento populacional de séculos passados ainda reflete dificuldade de manejo dos recursos que
foram devastados. Uma das soluções encontradas para minimizar esse impacto passado e diminuir os futuros
encontra-se dentro da construção civil. Dentre as técnicas mais conhecidas existem os chamados condomínios
verdes ou sustentáveis, os quais têm sua eficiência ambiental comprovada por selos, como LEED e AQUA. Neste
contexto, a instalação de um condomínio verde poderá ocasionar em significativa melhora da qualidade de vida
de seus moradores, além de não deixar em débito quesitos como segurança, localização estratégica e claro,
comprometimento com o meio ambiente. De modo a atender todos os itens para que se garanta uma certificação
em categoria base do selo AQUA SGE e LEED ND, fora estudada a fase de instalação de um Condomínio
Verde. Esta análise qualitativa fora realizada com base em revisão bibliográfica e conhecimentos técnicos dos
ramos acerca do assunto. Para obter-se conhecimento do real diferencial ambiental da implementação dos selos,
fez-se uso da matriz de interação MATRIZ PIER, na qual avaliou-se qualitativamente, através de comparação de
um condomínio hipotético sustentável com a situação atual do município de Tapejara-RS, o diferencial ambiental
adquirido com atendimento aos selos, tornando possível, a avaliação da viabilidade, ou seja, do diferencial,
ambiental do uso de tais. O Resultado nos revela que o ganho extravasa o meio ambiental, atingindo também o
meio social, através da melhora significativa da qualidade de vida da população além da redução de vetores
geradores de doenças urbanas.

Key words: Green Condominiums; Environmental Certification; Economic viability.

Abstract
The rampant population growth of past centuries still reflects the difficulty of managing the resources that have
been devastated. One of the solutions found to minimize this past impact and decrease future ones, lies within the
construction industry. Among the most well-known techniques, there are the so-called green or sustainable
condominiums, which have their environmental efficiency proven by seals such as LEED and AQUA. In this
context, the installation of a green condominium should lead to a significant improvement in the quality of life of
its residents, as well as avoiding debits such as safety, strategic location and of course, commitment to the
environment. In order to meet all the items to guarantee a certification in the base category of the seal AQUA
SGE and LEED ND, the phase of installation of a Green Condominium was studied. This qualitative analysis was
carried out based on bibliographical review and technical knowledge of the branches on the subject. In order to
obtain knowledge about the real environmental differential of the implementation of the stamps, the MATRIZ
PIER interaction matrix was used, in which it was evaluated qualitatively, through a comparison of a hypothetical
sustainable condominium with the current situation of the municipality of Tapejara-RS , the environmental
differential acquired with service to the seals, making possible the evaluation of the viability, that is, of the
environmental differential of the use of such. Not surprisingly, the result reveals that the gain goes beyond the
environment, also affecting the social environment, through a significant improvement in the quality of life of the
population, besides the reduction of vectors that generate urban diseases.

105
Introdução
Passado o nomadismo que prevalecia a aproximadamente 4000 a.C., por meados do século XIX,
pensadores como John Ruskin e George Perkins Marsh, começaram a cogitar a possibilidade de esgotamento dos
recursos naturais, que até então vinham sendo utilizados indiscriminadamente, já que na época, tinha-se como
conceito a infinidade destes recursos. Com esta visão futurística, esses visionários deram suporte para ideias
sobre o assunto que vieram a ser discutidas muito tempo depois, nos anos 1972, em uma das Conferências das
Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano em Estocolmo, cujas discussões englobavam poluição hídrica,
do ar e também o crescimento populacional indiscriminado.
Os países de primeiro mundo, como os Estados Unidos e Canadá, iniciaram práticas sustentáveis e
aumentaram a fiscalização para tais quesitos. Junto com estes, o resto do mundo começou a se mobilizar e então
ONGs e empresas, supostamente preocupadas começaram a surgir. Ainda nesta época, porém, a preocupação
destes líderes econômicos era com o melhor custo – benefício, o que foi revisto no próximo encontro da ONU,
em 1992, na Rio-92. Neste encontro houve a Declaração do Rio e da Agenda 21, que relatam sobre utilização de
energias renováveis, reflorestamento e sustentabilidade do desenvolvimento humano, bem como o surgimento de
princípios para manejo e conservação de florestas. Estes até hoje sendo utilizados como balizadores para o então
conhecido ordenamento e planejamento ambiental.
O crescimento desordenado de anos atrás tem seus frutos sendo colhidos no agora. Os problemas
ambientais são inúmeros e crescem todos os dias. A teoria do desenvolvimento sustentável mais do que nunca,
deve ser colocada em prática para garantirmos os recursos ainda restantes para as futuras gerações.
Além disso, práticas ambientalmente corretas podem exigir um pequeno esforço e investimento inicial,
mas resulta em um grandioso bem estar, deixando o homem mais próximo do seu habitat natural e apresenta um
excelente custo – benefício.
Uma das práticas saudáveis ao ser humano e que visa bom convívio com a natureza são os condomínios
verdes ou sustentáveis. Estes por sua vez são implantados com o intuito de direcionar ao homem o bom convívio
com a natureza e vem ganhando espaço no mercado por mostrar a real eficácia e simplicidade em termos de
união de construções, ordenamento de crescimento populacional e ambiental e sofisticação. É necessário, porém,
que sejam corretamente titulados de condomínios verdes. Isso é realizado através de certificação ambiental. As
certificações mais conhecidas e procuradas no Brasil são os selos LEED, AQUA e a nova ISO 37120:2017.
Para tal, o objetivo geral deste trabalho foi avaliar a viabilidade e o diferencial ambiental de instalação
de condomínios sustentáveis que atendam aos parâmetros mínimos da certificação AQUA-HQE e LEED ND.
Isso foi realizado através de:
a) Realização do levantamento de todas as técnicas mínimas necessárias para enquadramento nas certificações de
estudo;
b) Verificação do diferencial sustentável do condomínio em sua fase de operação em relação a situação atual do
município de Tapejara, através da matriz PIER;

Material e Métodos

Condomínios Sustentáveis e Certificações Ambientais


Os índices de degradação ambiental vêm aumentando constantemente, o tema sustentabilidade tem
ganhado espaço no setor civil, de modo que várias alternativas visando a minimização dos impactos antrópicos
começam a surgir. Para cada nova construção surgem novas soluções adaptadas à realidade de tal
empreendimento produzindo um bom custo benefício e que tenham preocupação com o meio ambiente, bem-
estar da sociedade e sejam aceitos culturalmente (CÂMARA DA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO, 2019),
conceituando o comprometimento com o desenvolvimento sustentável.
Para que seja considerada sustentável, a arquitetura deve levar em consideração o conceito de
desenvolvimento sustentável, ou seja, satisfazer as necessidades do presente sem comprometer a das gerações
futuras. Para tal, arquitetura sustentável implica em elaborar estratégias arquitetônicas a fim de reduzir consumo
energético, otimizar os recursos e materiais necessários, buscar uso de energia renovável, reduzir volume de
resíduos e emissões, melhorar a qualidade de vida de seus ocupantes entre outros. (GARRIDO, 2010, apud
VITRUVIS, 2019)
Buscando melhorias na qualidade de vida e meio ambiente, devem ser estabelecidos critérios e
condições, com âmbito legal e também técnico e então possibilitar a identificação de produtos e serviços que
atendam padrões contidos no conceito de desenvolvimento sustentável. Então, foram criadas formas de
identificar estes critérios. Seus diferentes nomes como “selo verde”, “rótulo ecológico” etc, (BIAZIN; GODOY,
2019) representam a mesma ideia: certificar sustentabilidade e eficiência em processos.

106
Para gestão ambiental, existem atualmente como normas balizadoras as ISSO 14000. São uma séria de
normas, todas visando auxiliar em quesitos de gestão ambiental. Dentre estas, as ISO 14020:2002, 14024:2004
tratam exclusivamente de rotulagem ambiental e podem ser utilizados em certificações ambientais de edifícios
sustentáveis (MEDEIROS, 2013).
Então, uma certificação ambiental acaba por tornar-se de grande interesse econômico uma vez que a
população vem mudando seus conceitos e preocupações ambientais e “selos verdes” lhe chamam atenção.
Carvalho (2013), espera que de certo modo o próprio mercado acabe por impulsionar o desenvolvimento
sustentável. Isso será realizado através da preferência dos consumidores que fará com que empreendimentos
sustentáveis ganhem voz e competitividade no mercado.
Os selos de certificação ambiental mais utilizados e conhecidos no Brasil, importados e adaptados, são o
LEED aplicado pelo Green Building Council, e o AQUA, que internacionalmente é conhecido por HQE este
adaptado pela Fundação Vanzolini (AGOPYAN; JOHN, 2011 apud CARVALHO, 2013).
De âmbito nacional, o Selo Procel Edifica da ELETROBRAS/PROCEL e programas de certificação de
alguns municípios como Belo Horizonte são alguns exemplos. Também, a NBR ISO 37120 de Janeiro de 2017,
foi recentemente publicada pela ABNT, ficando esta conhecida pela primeira norma técnica para cidades
sustentáveis.

AQUA (Alta Qualidade Ambiental) - HQE (Haute Qualité Environmentale)


O HQE é a versão francesa do selo criado em 2002 baseado em indicadores de desempenho criados pelo
Centre Scientifique et Technique du Bâtiment (CSTB) (VALENTE, 2009). Já o AQUA, versão brasileira do selo
HQE foi desenvolvido pela Fundação Vanzolini no ano de 2008. Esta fundação é uma instituição privada, porém,
sem fins lucrativos, mantida por professores da Escola Politécnica de São Paulo (FUNDAÇÃO VANZOLINI,
2019).
Esta é mais uma certificação que visa garantir qualidade ambiental de empreendimentos novos ou em
reabilitação. Elas levam em consideração a localização do empreendimento e suas necessidades, com o intuito de
atingir conforto ao morador, mas sem desrespeitar o meio ambiente e sem deixar de atender legislações e
viabilidade econômica (FUNDAÇÃO VANZOLINI, 2019).
O AQUA é bem aceitado pela população brasileira pois apresenta melhores adaptações à realidade do
país e suas características individuais de cada região, como clima, legislações locais e nacionais. A certificação
AQUA pode ser utilizada para edifícios residenciais, não residenciais, escritórios, hotéis, restaurantes e até
aeroportos. No Brasil esta certificação iniciou em 2013 quando passou a ser parte da Rede Internacional de
Certificação HQE, certificado pela Cerway, tornando a Fundação Vanzolini sua representante no país e
modificando seu nome para AQUA-HQE, para ser uma certificação com valor internacional (FUNDAÇÃO
VANZOLINI, 2019).
A certificação avalia dois processos de certificação: a Qualidade Ambiental do Edifício (QAE), que leva
em consideração projeto arquitetônico e técnico do edifício; e o Sistema de Gestão do Empreendimento (SGE),
que tem seu foco no sistema de gestão a ser implementado, considerando todas as etapas do desenvolvimento do
projeto (FUNDAÇÃO VANZOLINI, 2019).
A qualidade ambiental desejada, portanto, é definida pelo SGE. Este sistema está dividido em cinco
etapas (FUNDAÇÃO VANZOLINI; CERWAY, 2019):
- Comprometimento: Tanto do empreendedor como de todos os envolvidos com o perfil de QAE almejado;
- Implementação e Funcionamento: Estrutura, competência, contratos, comunicação, planejamento,
documentação para todas as fases da obra;
- Gestão do Empreendimento: Acompanhamento e análise, avaliação da QAE, correções e ações corretivas;
- Aprendizagem: Balanço do empreendimento;
- Serviços Relacionados a Edifícios Habitacionais (apenas para essa tipologia de edifícios): Venda e aluguel de
unidades.
Para possibilitar uma certificação AQUA-HQE, a equipe Vanzolini realiza o processo de certificação de
acordo com a figura 1 a seguir. Além disso, todas as 14 categorias citadas no quadro acima devem ser atendidas.
O processo permite que o enquadramento seja realizado em três níveis: Base, Boas Práticas ou Melhores
Práticas. No momento de solicitação de auditoria, quem escolhe em qual nível o empreendimento se encontra é o
empreendedor. Posterior a isso a Fundação Vanzolini irá realizar três auditorias no empreendimento, que se
estendem desde o pré-projeto até sua execução. Para garantir o selo, o empreendimento deve possuir no mínimo
três categorias em Melhores Práticas, 4 em Boas Práticas e 7 em Base (FUNDAÇÃO VANZOLINI, 2019)

107
Fonte: Adaptado de Vanzolini, 2019.
Figura 1: Procedimento de Certificação AQUA-HQE

Avaliação de Indicadores de Sustentabilidade – Matriz PIER


Na matriz PIER os indicadores de Pressão são relacionados as pressões e potenciais agravos que podem
ocorrer sobre sistemas ambientais. Indicadores de Estado, representam o estado do sistema ambiental atual,
permitindo refletir a qualidade ambiental em certo período de tempo. Já os indicadores de Resposta, são
relacionados a análise de respostas da sociedade sobre as alterações e preocupações ambientais. A figura 2 a
seguir representa a relação da matriz.

Fonte: Adaptado de SIDS, 2019.


Figura 2: Procedimento Matriz PIER

108
A utilização da matriz permite organizar e agrupar de forma lógica fatores que incidem sobre o
ambiente, os efeitos produzidos pelas ações humanas nos ecossistemas e recursos naturais e o impacto gerado à
natureza e saúde humana (PNUMA, 1996). Neste projeto, para a utilização da matriz PIER foram analisados
indicadores relacionados aos aspectos Pressão, Estado, Resposta e Impacto, como descritos na revisão
bibliográfica. Em seguida foram explícitos seus subtemas selecionados.
Para a seleção e obtenção dos indicadores analisados, os dados foram fornecidos pela prefeitura
municipal de Tapejara e também obtidos online, através do IBGE. Deste modo, se tornou possível realizar a
comparação do diferencial sustentável entre a situação atual do município e a situação do período de
implementação do empreendimento verde.
De modo a elaborar as respectivas matrizes a serem posteriormente comparadas, a seguir foram
dispostos os indicadores levantados junto a prefeitura municipal, sendo esta a “Matriz PIER do Município” e os
indicadores hipotéticos selecionados de modo a ter-se um condomínio verde que atendesse todos os padrões
mínimos dos selos verdes em estudo, sendo esta a “Matriz PIER do Condomínio”.

Matriz PIER do Município


A matriz PIER municipal, recebeu como itens de pressão, as quais indicam pressões sobre o meio
ambiente, derivadas de atividades humanas. Para o item “estado”, o qual diz respeito às condições do ambiente
resultantes das atividades listadas no item anterior. No que diz respeito ao “impacto”, relacionados aos efeitos
adversos à qualidade de vida, ecossistemas e economia local. Os indicadores de “resposta” levantados, indicam
as ações do município com intuito de melhorar, minimizar, mitigar e prevenir a geração dos mesmos e então,
otimizar os impactos e também as pressões. Os dados levantados podem ser observados no quadro 1 a seguir.

Matriz PIER do Município


Disposição inadequada de esgoto doméstico;
Emissões atmosféricas em âmbito industrial;
Disposição inadequada de resíduos sólidos;
Consumo indiscriminado de água potável para
fins não nobres;
Impermeabilização do solo;
PRESSÃO Manutenção inadequada de bueiros;
Falta de um sistema de drenagem superficial;
Utilização de energia não limpa;
Qualidade da água;
Qualidade do ar;
Qualidade do solo;
Quantidade de água;
Infiltração de água;
ESTADO
Qualidade das habitações;
Escassez de recursos naturais;
Continuação do quadro.
Impacto sobre a qualidade do solo;
Impacto sobre a qualidade do ar;
Impacto sobre a qualidade da água;
Impacto sobre a qualidade de vida;
IMPACTO
Impacto sobre os recursos naturais;
Impacto sobre os ecossistemas;
Transporte público;
Saneamento básico;
Áreas verdes;
Saúde pública;
Controle de vetores;
RESPOSTA
Palestras;
TACs
Fonte: O autor, 2019.
Quadro 1: Indicadores da Matriz PIER do município

109
Matriz PIER Condomínio
De mesmo modo, os mesmos itens de Pressão, Estado, Impacto e Resposta, foram avaliados para a
operação do condomínio, com intuito de observar o diferencial sustentável do mesmo.
Neste, as condições de emissões atmosféricas serão controladas como exigência da certificação
ambiental. No quesito consumo de água, todas as residências devem respeitar o parâmetro de 45% da utilização
ser proveniente de água da chuva.
Os resíduos sólidos gerados serão devidamente separados, coletados e destinados, de modo a gerar
rende para catadores e compostagem do orgânico, dando 100% de tratamento aos resíduos recicláveis e
orgânicos. Os rejeitos, serão adequadamente encaminhados a aterro juntamente com o restante do resíduo
municipal.
No que diz respeito ao uso de fontes não renováveis, será instalado junto ao condomínio uma pequena
usina de energia solar, a qual abastecerá toda a iluminação pública e também fornecerá a energia necessária aos
moradores. Porém esta não será a única fonte de energia, considerando-se que é de suma importância a
disponibilidade de energia em dias ensolarados e não ensolarados. A instalação bivolt, também propiciará a
venda de energia à concessionária e o acúmulo de crédito em caso de geração excedente de energia.
Visando minimizar a impermeabilização do solo, a ciclovia e as vias públicas serão à base de inter
travados. O caminhódromo, já que não receberá carga ergonômica considerável, será à base de pavers drenantes.
Ou seja, a infiltração de água também será otimizada.
A legislação AQUA exige que haja drenagem superficial, sendo obrigatória a instalação da mesma e
portanto, não acarretando em problemas relacionados ao acúmulo de água e consequente geração de vetores.
Os bueiros por sua vez, serão construídos à base de prolipropileno em um sistema de caixote, facilitando
a manutenção dos mesmos e não gerando dificuldades à drenagem superficial.
Os itens de pressão que podem vir a ocorrer durante a operação estão relacionados a consumo de
recursos, em casos de épocas de seca e períodos longos sem boas condições solares. Outro problema pode vir a
ocorrer caso o município cesse a coleta ou tratamento do esgoto, uma vez que o mesmo será lançado na rede
pública, já que é algo que a certificação AQUA permite. Então, os itens levantados são hipotéticos e podem ser
observados no quadro 2 a seguir.

Matriz PIER do Condomínio Verde


Consumo de água;
Consumo de energia não renovável;
PRESSÃO
Disposição inadequada de esgoto doméstico;
Qualidade da água;
Qualidade do solo;
Quantidade água;
ESTADO
Escassez de recursos naturais;
Impacto sobre a qualidade do solo;
Impacto sobre a qualidade da água;
Impacto sobre os recursos naturais;
IMPACTO
Impacto sobre os ecossistemas;
Construção de ETE própria do condomínio;
Avaliar a viabilidade de instalação de uma
segunda fonte de energia alternativa, como eólica;
Aumentar o potencial de armazenamento de água
da chuva através de uma instalação conjunta no
RESPOSTA
condomínio e criar uma rede de distribuição aos
moradores;
Fonte: O autor, 2019.
Quadro 2: Matriz PIER do Condomínio

Resultados e Discussões

Diferencial sustentável
Para facilitar a visualização do diferencial sustentável entre o condomínio e o município, a matriz píer
foi elaborada para ambos, e pode ser observada, na figura 3 a seguir. Este nos permite enxergar que os pré-

110
requisitos exigidos pela certificação ambiental AQUA, justamente por serem mais restritivos, nos permitem
otimizar todos os parâmetros em que problemas são encontrados no município.

Fonte: Elaborado pelo autor, 2019.


Figura 3: Matriz PIER do Município

O município de Tapejara gera pressões em todos os compartimentos ambientais, provenientes da


disposição inadequada de resíduos por parte da população e realização de coleta e tratamento do esgoto
doméstico em apenas um dos bairros municipais. Há falta de penalidades para emissões atmosféricas industriais,
e não há nenhuma exigência no controle de fração de área construída pelos moradores, piorando a situação de
impermeabilização a qual vem a ser agravada pela falta de manutenção e limpeza dos bueiros.
O estado mais prejudicado por estas pressões é a qualidade da água e a qualidade das habitações
principalmente no bairro Centro do município situado em uma das cotas mais baixas do mesmo. Em dias de
chuva todo o volume de água é direcionado ao centro da cidade, onde acaba gerando inundações devido à falta
de manutenção dos bueiros. A proliferação de vetores acaba por ocorrer uma vez que o volume inundado une-se
a um arroio que atravessa o município, o qual recebe efluente doméstico de várias residências que o circulam.
Os impactos provenientes dos estados citados na matriz de PIER, são relacionados a qualidade do solo,
ar, água, vida dos moradores locais, recursos naturais e ecossistemas. Uma vez que há a falta de controle e
medidas que evitem estes impactos as respostas municipais são em sua maioria mitigatórias e não preventivas.
As respostas consideradas preventivas consistem na realização periódica de palestras. Quanto a medidas
mitigadoras encontram-se penalidades administrativa e fornecimento de saúde pública para controle de doenças
provindas de vetores entre outros. Todas as demais medidas citadas podem até ser iniciativas municipais mas o
serviço encontra-se terceirizado.
O fornecimento de transporte público, o saneamento básico e o controle de vetores realizado através da
coleta de resíduos sólidos periódica, já são serviços terceirizados no município e a população percebe sérios
problemas de prestação de serviços por parte destas.

111
Outras iniciativas como palestras e exigir áreas verdes em novos loteamentos ou então, disponibilizar
áreas verdes para que entidades municipais sejam responsáveis por estas, são iniciativas interessantes, que por
outro lado não possuem boa efetividade uma vez que não há monitoramento por parte do município.
A imagem a seguir (figura 4), representa os dados obtidos para a matriz PIER do condomínio,
lembrando que os dados inseridos na mesma são inteiramente hipotéticos, uma vez que a obtenção da
certificação AQUA faz exigências as quais se cumpridas, não deixam possibilidade de problemas detectáveis
pela Matriz PIER.

Fonte: Elaborado pelo autor, 2019.


Figura 4: Matriz PIER do Condomínio.

A pressão relacionada ao consumo de água em excesso, virá a ocorrer caso tenha-se um período de seca
muito longo e não seja possível o armazenamento de água da chuva das residências. Inevitavelmente a
quantidade de água e escassez de recursos naturais serão estados afetados e implicarão em impactos sobre os
ecossistemas e recursos naturais. Em resposta, a possibilidade de instalação de um reservatório de água maior o
qual armazenaria mais água e poderia ser distribuído ao longo dos dias de seca entre as residências.
O consumo de energia não renovável em excesso, ocorrerá caso tenham-se muitos dias sem insolação
suficiente para suprir a demanda energética das vias públicas e residências particulares. Isso implicará na
escassez de recursos naturais e gerará um impacto direto sobre os ecossistemas e recursos naturais. Em resposta,
intui-se avaliar a instalação de uma segunda fonte de energia renovável, como a eólica em escala compatível, por
exemplo.
Já a disposição inadequada de efluente, virá a ocorrer caso a prefeitura municipal ou a operadora
responsável, CORSAN, para de coletá-lo, trata-lo ou dispô-lo corretamente. Isso afetará a qualidade água e do
solo e terá impacto direto sobre os ecossistemas e qualidade da água e solo. Em resposta, encontra-se a
possibilidade de instalação de uma ETE própria do condomínio

112
Considerações Finais
Fazendo uso da Matriz PIER como critério para análise de sustentabilidade, foi possível observar que o
atendimento dos pré-requisitos estabelecidos pela certificação AQUA-SGE e consequentemente LEED ND
melhoram as condições sociais e também ambientais não apenas do empreendimento certificado, mas do todo
que o cerca.
A Matriz nos permite mensurar tecnicamente, quais pontos municipais afetam de forma precária o
município em questão, e ainda, qual o resultado que isso terá para a sociedade e as atividades feitas pela cidade
em prol da otimização deste cenário. Por outro lado, também torna-se notável a diferença que um
empreendimento certificado propicia. Todas as pressões listadas foram hipotéticas, pois sendo projetado desde
sua base, todos os itens mínimos de certificação baniriam qualquer uma pressões já citadas pela população local.
Sendo assim, foi possível concluir que a aplicação da certificação ambiental é eficiente no âmbito de
sustentabilidade e que otimiza não só padrões ambientais, mas se preocupa inclusive com o bem estar da
população que ali habitará, considerando seu bem estar, segurança e qualidade de vida.

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113
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114
9REA127
OTIMIZAÇÃO ESPACIAL PARTICIPATIVA NA
AVALIAÇÃO DE ALTERNATIVAS LOCACIONAIS PARA
INSTALAÇÃO DE ATERROS SANITÁRIOS: UM NOVO
PARADIGMA NO PLANEJAMENTO AMBIENTAL

Iporã Brito Possantti1 e Vinícius Montenegro2


1
Universidade Federal do Rio Grande do Sul, e-mail:possantti@gmail.com
2
Universidade Federal do Rio Grande do Sul, e-mail:eng.cart.montenegro@gmail.com

Palavras-chave: otimização espacial; aterro sanitário; mapeamento participativo.


Resumo
A disposição final de resíduos sólidos em aterros sanitários consiste em uma crescente problemática na Região
Metropolitana de Porto Alegre, relacionada principalmente com a falta de alternativas locacionais e poucos
avanços sobre os processos de redução da produção de resíduos. Essa situação agravou-se no início de 2019 com
a pressão causada por um empreendimento de aterro sanitário no município de Viamão. Nesse caso, apesar das
diretrizes de licenciamento ambiental instituídas preverem “baixa” sensibilidade ambiental, uma grande
mobilização social denunciou impactos não previstos pelas diretrizes, como a questão de segurança hídrica, e
conseguiu da Prefeitura de Viamão o sinal de que é preciso avaliar de forma mais detalhada a aptidão locacional
no município e na região como um todo. Nesse contexto, o presente estudo objetiva contribuir com uma
proposição de metodologia de mapeamento participativo das alternativas locacionais. O método proposto
consiste em um modelo de aptidão locacional baseado em indicadores espaciais de aptidão, que por sua vez são
calibrados e validados com pesos relativos entre si. A aptidão locacional, assim é calculada pela média
ponderada dos indicadores através de álgebra de mapas com software de geoprocessamento. O elemento
participativo do método é que a calibração dos indicadores e a definição de seus respectivos pesos poderão ser
realizadas em oficinas, conselhos, audiências e outros instrumentos de controle social, com diversos atores
sociais validando o processo de mapeamento. Como resultado, é apresentado o produto de uma simulação
realizada com 11 indicadores de aptidão locacional e pesos relativos iguais entre os indicadores. Esse resultado
foi analisado tanto pela visualização na forma bruta quanto pela agregação pela média zonal de municípios e pela
média zonal de uma grade regular hexagonal. As formas agregadas de visualização permitiram perceber o padrão
espacial da aptidão locacional na escala regional e municipal. Em termos regionais, o município de Viamão foi
identificado como aptidão média “baixa”, em contraste com Eldorado do Sul, Triunfo, Montenegro e Capela de
Santana, com aptidão média “muito alta”. Na escala municipal, o município de Viamão apresentou um núcleo das
melhores áreas na sua porção leste, nas imediações da RS-040 a caminho de Capivari do Sul. Por fim, foi feita
uma comparação do resultado simulado com o mapa de sensibilidade ambiental da Portaria 018/2018, em que foi
percebido que o resultado demonstrou um grau médio ligeiramente mais permissivo que o mapa de sensibilidade
ambiental. Apesar disso, diversas discrepâncias foram observadas, em especial em áreas que o mapa de
sensibilidade ambiental é indiferente à dinâmicas de natureza social e política, tais como a densidade
populacional e proximidade de áreas prioritárias para a conservação da biodiversidade.

Introdução
A disposição final de resíduos sólidos urbanos em aterros sanitários consiste em uma crescente problemática para
os municípios do estado do Rio Grande do Sul. Na Região Metropolitana de Porto Alegre, aqui considerada em
destaque, a grande maioria dos municípios exportam seus resíduos para fora de seus limites, enviando-os para
disposição final em aterros regionais, como o de Novo Hamburgo e de Minas do Leão.Apenas de ganhos de
escala alegados, essa situação vai, em geral, de encontro aos princípios e objetivos da Política Nacional de
Resíduos Sólidos, que coloca a disposição final como última instância do ciclo de vida dos resíduos (BRASIL,

115
2010) e prioriza a redução da produção de resíduos.
No sentido de instrumentalizar a política de resíduos sólidos no Rio Grande do Sul, o governo estadual publicou,
em 2014, o Plano Estadual de Resíduos Sólidos (PERS-RS). A partir dos estudos de áreas potencialmente
favoráveis para instalação de aterros sanitários delimitados no PERS-RS, o governo executivo do estado
regulamenta por meio da Portaria 018/2018 critérios e diretrizes para licenciamento ambiental de aterros
sanitários. Com isso, é instituído um mapa de sensibilidade ambiental com o propósito de indicar a localização
viável de empreendimentos, conforme expresso na Portaria:
Art. 3º (...) § 1º A FEPAM deverá disponibilizar o “Mapa de Diretrizes para o
Licenciamento Ambiental de Aterros Sanitários no Estado do Rio Grande do
Sul” em seu site na internet, em escala que permita ao empreendedor a exata
localização dos empreendimentos.
Nessa ótica, o governo do estado estabelece uma fórmula supostamente facilitadora do licenciamento ambiental
de aterros sanitários através de um instrumento técnico, que divide o território em zonas com diferentes classes
de aptidão.
Em Janeiro de 2019, menos de um ano após a sua publicação, a Portaria 018/2018 entrou no debate público que
surgiu em torno de um empreendimento de aterro sanitário no município de Viamão. A área desse
empreendimento, em destaque na Figura 1, chamada de “Fazenda Montes Verdes”, consiste em uma propriedade
rural de aproximadamente 180 hectares localizada na zona rural de Viamão, próxima às comunidades do
Cantagalo, Passo da Areia e de aldeia Guarani. O que chama a atenção, no entanto, é que a área da propriedade é
zoneada em sua maior parte como “baixa” sensibilidade ambiental pelo mapa da Portaria 018/2018. À medida
que a comunidade do entorno foi tomando consciência da magnitude dos impactos potenciais do
empreendimento, um movimento preservacionista autointitulado de “Não ao Lixão” foi sendo expandido a partir
de moradores e lideranças do município (REDAÇÃO SUL 21, 2019). Entre diversas outras bandeiras, foi
destacada pelo movimento a questão da contaminação potencial da água subterrânea, que a totalidade da
comunidade do entorno depende para seu consumo doméstico – fato não diagnosticado pelo mapa de
sensibilidade ambiental.
O movimento fez uso de sua força em Fevereiro de 2019, quando uma audiência pública foi realizada na Câmara
de Vereadores de Viamão (Figura 2), reunindo uma diversidade ampla de movimentos sociais, comunidades,
entidades e representações políticas (BRITTO, 2019a). Em seguida, reuniões com a Secretaria de Meio
Ambiente e Prefeitura de Viamão confirmaram o peso político da campanha, culminando na manifestação formal
do Prefeito (Sr. André Pacheco) de que a área do empreendimento não é própria e de que “um grupo de trabalho
multidisciplinar” deverá ser criado para encaminhar a questão dos resíduos sólidos no município (BRITTO,
2019b).
Sob esse contexto, o presente estudo objetiva contribuir na metodologia de definição de alternativas locacionais
aptas a para instalação de aterros sanitários no município de Viamão e, dada a extensão do debate público,
também na Região Metropolitana de Porto Alegre. Com isso, buscamos trazer uma metodologia de mapeamento
da aptidão locacional que, apesar de lançar mão de técnicas de geoprocessamento, é aberta para os diversos
atores sociais exercerem sua influência de forma participativa. Partimos da premissa de que o princípio de
controle social, estabelecido na Política Nacional de Resíduos Sólidos, deve ser o fio condutor das decisões
tomadas nesse setor e poderá ser fortalecido com a metodologia proposta. Como resultado apresentado, foi
realizada uma simulação da metodologia em dois cenários e seu produto foi comparado ao mapa de sensibilidade
ambiental instituído pela Portaria 018/2018.

116
Figura 1: Mapa de sensibilidade ambiental usado nas diretrizes de licenciamento de aterro sanitário na
Região Metropolitana de Porto Alegre e destaque para o local de empreendimento de aterro sanitário na
Fazenda Montes Verdes. (fonte: adaptado de SEMA/RS, 2018)

Figura 2: Audiência pública realizada no dia 12/02/2019 na Câmara de Vereadores de Viamão, onde
entidades e movimentos sociais se manifestaram contrários à instalação do aterro sanitário na Fazenda
Montes Verdes. (fonte: reprodução Facebook)

Materiais e Métodos
A aptidão locacional para instalação de aterros sanitários foi definida por um modelo de otimização espacial
baseado em indicadores de aptidão espacial. O modelo, assim, calcula a aptidão locacional, através da
sobreposição espacial dos indicadores de aptidão para cada unidade espacial e então acusa desde as melhores até
as piores alternativas locacionais em uma área de interesse. Nesse processo, cada indicador de aptidão possui um
peso em relação aos demais, o que permite uma ampla gama de resultados possíveis, de acordo com a
distribuição de pesos entre os indicadores. Matematicamente, o modelo de aptidão locacional consiste em uma
média ponderada de indicadores de aptidão:
n

 p I i i
A= i =1
n (1)
p
i =1
i

Onde A é a aptidão locacional, Ii é a aptidão locacional do indicador i, pi são os pesos relativos à cada indicador i
e n é o número de indicadores de aptidão.
Na prática, o modelo de aptidão locacional consiste em aplicar a formulação matemática às camadas de

117
indicadores por álgebra de mapas com software de geoprocessamento. O elemento participativo do método está
na calibração e validação do modelo realizadas em uma ampla discussão pública. Em outras palavras, os
indicadores de aptidão (calibração e qualificação) e seus pesos relativos (qualificação e validação) devem ser
elencados e definidos democraticamente com os atores sociais por meio de conselhos, oficinas, grupos de
trabalho, audiências públicas e demais instrumentos de participação e controle social. Esse processo participativo
é facilitado pela flexibilidade do modelo proposto, que não limita a quantidade de indicadores nem exige temas
específicos para esses, de forma que as proposições advindas do processo participativo não são cerceadas por
características desse.
A presente análise, portanto, realizou uma simulação do modelo considerando dois cenários: (1) sem zonas de
exclusão e (2) com zonas de exclusão. As zonas de exclusão foram definidas por determinados indicadores de
aptidão que anulam a aptidão locacional em partes específicas do espaço (Unidades de Conservação, por
exemplo). Para ambos os cenários, foram simulados 11 indicadores de aptidão com pesos iguais (ou seja, o
modelo foi simulado como uma média aritmética). Os indicadores usados são listados na Tabela 1.

Peso Função de Limiarsimula Zona de


Indicador de aptidão Fonte
simulado afinidade do exclusão
Proximidade de Unidades
1 Linear e negativa 1 km Sim MMA, 2019
de Conservação
Proximidade de Terras
1 Linear e negativa 1 km Sim FUNAI, 2019
Indígenas
Proximidade de
comunidades
1 Linear e negativa 1 km Sim INCRA, 2019
remanescentes de
quilombolas
Proximidade de áreas
prioritárias para 1 Linear e negativa 1 km Sim MMA, 2007
conservação
Proximidade de zona de
1 Linear e negativa 1 km Sim SEMA, 2014
segurança aeroportuária
Proximidade de cobertura Cordeiro e
do solo sensível (urbana, 1 Linear e negativa 100 m Sim Hasenack,
florestal, banhado e água) 2009
Proximidade de cursos
1 Linear e negativa 30 m Não SEMA, 2018
d’água
Proximidade de rodovias
1 Linear e positiva 3 km Não SEMA, 2018
asfaltadas
Densidade populacional 1 Linear e negativa 20 hab/ha Não IBGE, 2010
Densidade de poços 1 Linear e negativa - Não CPRM, 2019
Litologia aflorante 1 Por classes - Não CPRM, 2014
Tabela 1: relação de indicadores usados nas simulações do modelo.

Os indicadores de aptidão foram gerados a partir de dados vetoriais e aplicando-se lógica fuzzy. Os dados foram
convertidos no formato matricial, processados e padronizados em uma escala de aptidão de 0 a 100, onde 100 é o
valor de aptidão locacional máximo. O processamento de cada indicador lançou mão de parâmetros de limiar
saturação (ver Tabela 1) definidos por opinião especialista (KRUEGER et al., 2012). Esses parâmetros consistem
no processo de calibração do indicador e, em uma aplicação real, devem ser avaliados de forma democrática
pelos atores sociais envolvidos, que também devem, ao longo do processo de participação, qualificar os
indicadores e pesos. Por simplicidade, foram empregadas funções de afinidade fuzzy lineares na construção dos
indicadores. A única exceção de relação foi da litologia aflorante, que foi empregada uma função de afinidade
baseada em classes.A Figura 3 apresenta um exemplo do processo de construção de indicador de aptidão.
A área de análise escolhida foi a extensão territorial da Região Metropolitana de Porto Alegre. Dada a
problemática recente quanto à instalação de aterro sanitário, foi dada ênfase ao município de Viamão. Como
método de visualização e agregação dos resultados, se empregou mapas coropléticos tanto dos municípios quanto
de uma grade regular hexagonal. Essa mesma grade regular hexagonal foi empregada na comparação entre o
resultado do modelo e o mapa de sensibilidade ambiental usado pela SEMAcomo diretrizes de licenciamento
ambiental para aterros sanitários (SEMA/RS, 2018). Nessa última análise, foi realizada a diferença entre o

118
modelo de aptidão e a sensibilidade ambiental, ambos padronizados em uma escala de 0 a 100, onde 100
representa a melhor aptidão e a pior sensibilidade ambiental.

Figura 3: Fluxograma para construção de indicador por geoprocessamento a partir de dado espacial no
formato vetorial.

Resultados e Discussão
Como resultado intermediário, foram obtidas 11 camadas matriciais dos indicadores de aptidão locacional
(Figura 4). A aplicação do modelo com pesos iguais para todos os parâmetros (média aritmética) resulta na
simulação de aptidão locacional, que pode ser visualizado na Figura 5. Por outro lado, na Figura 6 pode ser
visualizado o resultado da simulação do modelo considerando as zonas de exclusão. A principal diferença entre
esses dois resultados foi a alteração dos valores de máximo e mínimo calculados pela média, o que comprimiu o
intervalo de valores da matriz resultante. Por consequência, as faixas de menores aptidões são deslocadas para
locais que no modelo sem as zonas de exclusão seriam de aptidão moderada, sendo por isso um cenário mais
restritivo.
Sob um olhar metropolitano, o cenário com zonas de exclusão elimina a possibilidade de alternativa locacional
de aterro sanitário na totalidade dos municípios de Porto Alegre, Alvorada, Canoas, Cachoeirinha, Esteio e
Sapucaia do Sul, especialmente em razão da zona de aproximação aeroportoviária. Outro destaque é o impacto
da APA do Banhado Grande sobre os municípios de Viamão, Gravataí, Glorinha e Santo Antônio da Patrulha,
reduzindo drasticamente a disponibilidade alternativas locacionais em termos de área percentual desses
municípios.
No município de Viamão, em destaque na Figura 5, a sobreposição dos indicadores de aptidão produziu três
núcleos de aptidão muito baixa, inclusive na localidade da Fazenda Montes Verdes, alvo de empreendimento de
aterro sanitário. Um núcleo que acusa alta e muito alta aptidão locacional no município foi identificado na porção
leste do município, nas imediações da RS-040, a caminho de Capivari do Sul. A região plana dominada por
lavouras de arroz na porção leste e sudeste do município foi classificada nas faixas de aptidão moderada e alta.
As representações coropléticas da média zonal por municípios e pela grade regular hexagonal são apresentados
nas Figuras 7 e 8, respectivamente. Essas figuras permitem visualizar o resultado do cenário sem zonas de
exclusão de forma agregada e identificar padrões espaciais em nível local e regional.
Os municípios que, em termos médios, apresentaram as melhores aptidões locacionais na Região Metropolitana
de Porto Alegre foram Eldorado do Sul, Triunfo, Montenegro, Capela de Santana e Dois Irmãos. Porto Alegre,
Canoas e Cachoeirinha apresentam-se com as piores alternativas locacionais (nas faixas de muito baixa aptidão).
O município de Viamão, por sua vez, compõe o bloco de municípios com baixa aptidão. O padrão da média
zonal municipal pode ser melhor elucidado pelo exame da amostragem da grade regular hexagonal, que acusa os
núcleos das melhores e piores alternativas locacionais.
A comparação pela diferença entre o modelo de aptidão locacional e a sensibilidade ambiental usada nas
diretrizes de licenciamento (SEMA/RS, 2018)pode ser visualizada de forma espacial na Figura 9. Nessa figura, o
mapa apresenta os locais que o modelo de aptidão foi mais restritivo, mais permissivo ou semelhante à escala de
sensibilidade ambiental das diretrizes de licenciamento. O histograma da Figura 10 permite confirmar que o
modelo de aptidão simulado na presente análise foi relativamente bem equilibrado com uma média zonal de 6,
um valor relativamente próximo à zero na escala de análise (-100 a 100).Ainda assim, o resultado manteve um
ligeiro desvio para o lado positivo, ou seja, foi ligeiramente mais permissivo em termos totais que o modelo de
sensibilidade ambiental da SEMA.

119
Nessa ótica, o modelo de aptidão simulado no município de Viamão (ver destaque da Figura 9) produziu dois
grandes núcleos de diferenças em seu território: um núcleo relativamente mais restritivo na porção oeste e um
núcleo relativamente mais permissivo na porção leste. Essas duas discrepânciasdecorrem do modelo de aptidão
locacional não ser apenas um modelo de fragilidade do meio físico ou biótico, como o modelo de sensibilidade
ambiental da SEMA,mas por incorporar diversas variáveis espaciais de natureza social e política, tais como a
proximidade de terras indígenas, a densidade populacional, as áreas prioritárias para conservação, etc. Dessa
forma, áreas tidas como altamente sensíveis pelo modelo da SEMA podem ser classificadas como altamente
aptas em termos locacionais pelo modelo de aptidão por estarem, por exemplo, distantes dos núcleos densamente
habitados e próximas de uma rodovia asfaltada.
Destaca-se também que o modelo resulta em uma informação espacialmente contínua classificada em valores de
aptidão que serve não somente ao apontamento de áreas aptas ou não, mas também à hierarquização dessas, que
pode ser realizada através de médias zonais ou outro método que permita quantificar aptidão e comparar
diferentes áreas propostas.

Figura 4: Simulação de indicadores espaciais de aptidão locacional para a instalação de aterro sanitário
na Região Metropolitana de Porto Alegre.

120
Figura 5: Simulação do modelo de aptidão locacional de aterros sanitários na Região Metropolitana de
Porto Alegre considerando os indicadores propostos e peso igual para todos os indicadores.

Figura 6: Simulação do modelo de aptidão locacional de aterros sanitários na Região Metropolitana de


Porto Alegre considerando os indicadores propostos, peso igual para todos os indicadores e zonas de
exclusão.

121
Figura 7: Representação coroplética da média zonal por municípios da aptidão locacional de aterros
sanitários

Figura 8: Representação coroplética da média zonal por grade regular hexagonal da aptidão locacional de
aterro sanitário

122
Figura 9: Representação coroplética da diferença entre a simulação do modelo de aptidão e o modelo de
sensibilidade ambiental das diretrizes de licenciamento da SEMA (SEMA/RS, 2018)

Figura 10: Histograma das diferenças zonais entre o modelo de aptidão locacional simulado e o modelo de
sensibilidade ambiental

Considerações Finais
O presente estudo apresentou uma metodologia de mapeamento da aptidão locacional para a instalação de aterros
sanitários passível de calibração e validação pelos atores sociais envolvidos, fazendo um contraponto a
instrumentos de mapeamento rígidos e cegos à dinâmica social e política, como atualmente é o mapa de
sensibilidade ambiental instituído pela Portaria 018/2018 da SEMA. Em um sentido mais amplo, o estudo
contribui em termos metodológicos para encaminhar a questão de instalação de aterro sanitário no município de
Viamão e, por extensão, na Região Metropolitana de Porto Alegre. A metodologia foi simulada considerando-se
onze indicadores de aptidão locacional, peso relativo igual entre os indicadores e cenários com e sem zonas de
exclusão. Em relação ao mapa de sensibilidade ambiental instituído pela Portaria 018/2018, o resultado da
simulação foi ligeiramente mais permissivo em termos médios. No entanto, em se tratando de nível municipal, o
resultado simulado acusou discrepâncias significativas, especialmente restringindo áreas em que se acumulam,
além das variáveis ambientais, dinâmicas sociais e políticas, tais como alta densidade populacional, proximidade
de terras indígenas, áreas prioritárias para conservação, etc.
Recomenda-se que a metodologia seja aprimorada com a concepção de um processo de calibração e validação
participativo que não perca sua dimensão técnica. Por exemplo, que o processo inclua um conselho técnico de
diversas entidades para decidir como ajustar os parâmetros das relações de proximidade entre os indicadores. Por
fim, espera-se que o método proposto seja ou incorporado ou transforme-se em fonte de inspiração nos
encaminhamentos da questão do município de Viamão.
Como proposição de atividades futuras, propõe-se avaliação de um terceiro cenário em definidas zonas de

123
exclusão, como no cenário 2, sejam gerados gradientes lineares a partir dos limites dessas, inserindo a distância
dessas no indicador e também a diferenciação entre unidades de conservação de proteção integral e uso
sustentável na geração desse cenário.

Referências
BRASIL. Lei Nº 12.305 de 02 de Agosto de 2010. Institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos; altera a Lei
no 9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras providências. Diário Oficial da República Federativa do
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03Agosto de 2010.

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Disponível em: http://www.funai.gov.br/index.php/shape. Acesso em: 10 de Fevereiro de 2019.

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Dispõe sobre o reconhecimento de áreas prioritárias para conservação, utilização sustentável e repartição de
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Brasília, DF, 24 de Janeiro de 2007.

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Fevereiro de 2019. Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/porto-alegre/noticia/2019/02/prefeito-admite-
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124
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SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL (CPRM). Mapa Hidrogeológico do Brasil ao Milionésimo. Disponível


em: http://cprm.gov.br/publique/Hidrologia/Mapas-e-Publicacoes/Mapa-Hidrogeologico-do-Brasil-ao-
Milionesimo-756.html. Acesso em: 10 de Fevereiro de 2019.

125
9REA132
REMOÇÃO DE VERMELHO REATIVO 120 EM SOLUÇÃO
AQUOSA USANDO HIDROTALCITA DE Mg-Al E
HIDROXICARBONATO DE Mg COMO SÓLIDOS
SORVENTES
Ivone Vanessa Jurado Dávila1, Morgana Rosset2, Oscar Perez3, Liliana Amaral Féris4
Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 1e-mail: vannessa_jd@hotmail.com; 2e-mail:
morgana_rosset@hotmail.com; 3e-mail: perez@enq.ufrgs.br, 3e-mail: liliana.feris@gmail.com.

Palavras-chave: Vermelho reativo 120; adsorção; hidrotalcita.

Resumo
O descarte de efluentes de origem industrial em corpos receptores consiste em uma das principais causas da
contaminação ambiental. Diferentes tipos de efluentes são produzidos em grandes quantidades contendo diversos
compostos químicos. A procura de novas metodologias eficientes e econômicas para seu tratamento é contínua,
assim como alternativas para sua minimização. O vermelho reativo 120 é um corante sintético muito usado na
indústria têxtil. Os efluentes industriais contendo este tipo de composto, podem causar importantes problemas
ambientais e de saúde. Neste contexto, o presente trabalho avalia a eficiência do processo de adsorção do corante
Vermelho Reativo 120 que é um corante muito usado na indústria têxtil que causa elevados porcentagens de
contaminação ambiental, usando dois diferentes tipos de sólidos: hidrotalcita e hidroxicarbonato para fins de
comparação da efetividade do processo e de fazer um estudo mais detalhado para dito corante com os sólidos
sorventes de interesse. Assim, tem como objetivo estudar a remoção do vermelho reativo 120 em soluções via
adsorção, devido a que é uma das técnicas que tem merecido destaque já que apresenta como vantagens alta
eficiência, facilidade de operação e recuperação/reutilização do adsorvente. Neste estudo, foi usado dois tipos de
sólidos: hidrotalcita de magensio-aluminio (HDL-MgAl) e hidroxicarbonato de magnésio (HC-Mg); que foram
preparados pelo método de coprecipitação e caracterizados por difração de raios X (DRX) e medidas de área
específica (área BET). Posteriormente foram realizados experimentos de adsorção em batelada a fim de
determinar as condições operacionais mais adequadas para a remoção do corante vermelho reativo 120 nos dois
sólidos. Em cada ensaio, o sólido foi introduzido na solução e foram avaliados os parâmetros de processo
(concentração dos adsorventes e tempo de contato), todos os experimentos foram realizados em duplicada. Para
tal, foi avaliada a influência dos parâmetros concentração de sólido sorvente (0.05, 0.1, 0.15, 0.2, 0.25, 0.3 e 0.35
g em 100 mL) e tempo de residência (5, 10, 20, 40, 60, 90 e 120 min). Ainda, para as melhores condições
experimentais obtidas de concentração dos sólidos e de tempo de contato, foram construídas as isotermas numa
tempertarura de 25ºC através de realização de experimentos com variação da concentração da solução do
poluente (10, 20, 30, 40, 50, 60, 70, 80, 90, 100, 200, 300, 400 e 500 mg.L-1) e ainda foram avaliados os
modelos cinéticos de pseudo-primeira e pseudo-segunda ordem de reação. A concentração do corante vermelho
reativo 120 foi determinada pelo método de espectrofotometria na região do ultravioleta no comprimento de
onda de maior absorbância do poluente; 535 nm. A remoção foi analisada através da diferença entre a
concentração da solução inicial e a concentração da solução final tratada com os sólidos adsorventes. Os
resultados do trabalho mostram uma boa cristalização e uma estrutura entre camadas caraterísticas da estrutura
das hidrotalcitas e do hidroxicarbonatos similares aos reportados na literatura. As áreas superficiais BET dos
sólidos avaliados foram de 74,8 e 67,3 m2/g para HDL-MgAl e HC-Mg respetivamente. Os resultados da análise
do efeito da concentração dos sólidos sorventes na remoção do corante mostraram que na concentração de sólido
sorvente de 2,5 g.L-1 foi alcançado o valor próximo ao 90% de remoção do corante para HDL-MgAl e HC-Mg.
Na remoção do corante vermelho reativo 120 em diferentes tempos de adsorção foi evidenciado que a
hidrotalcita e o hidroxicarbonato apresentam uma cinética muito rápida para o processo de remoção do corante já
que num tempo de 5 minutos foi adsorvido mais do 60%. Além disso, o equilíbrio foi atingido num tempo de 60
minutos que foi o tempo determinado mais adequado para a remoção do vermelho reativo 120 para os dos
sólidos adsorventes. De acordo com isotermas de adsorção os modelos que melhor descreveram os dados de
equilíbrio do corante vermelho reativo 120 na remoção com o sólido HDL-MgAl e HC-Mg foram Langmuir e
Redlich-Peterson. De acordo com o estudo da cinética do processo, o modelo que melhor descreveu os dados de
equilíbrio do corante vermelho reativo 120 na remoção com o sólido HDL-MgAl e HC-Mg foi o modelo de
pseudo-segunda ordem de reação.

126
Introdução
O descarte de efluentes de origem industrial em corpos receptores consiste em uma das principais causas da
contaminação ambiental. Diferentes tipos de efluentes são produzidos em grandes quantidades contendo diversos
compostos químicos. A procura de novas metodologias eficientes e econômicas para seu tratamento é contínua,
assim como alternativas para sua minimização.
Segundo Lemlikchi et al., (2015) os efluentes das fábricas têxteis apresentam um maior potencial de
contaminação e risco para a saúde. Portanto, precisam de tratamento prévio antes de voltar ao meio ambiente. Os
corantes sintéticos são tóxicos e podem causar alergias, dermatites, irritação da pele ou podem ser cancerígenos,
além de gerar uma redução na penetração da luz do sol na flora aquosa, fato que pode inibir o processo de
fotossínteses (Machado et al., 2011).
O Conselho Nacional do Meio Ambiente do Brasil - CONAMA, mediante a legislação 430 de 2011 regulamenta
que os efluentes não devem causar ou possuir potencial para causar efeitos tóxicos aos organismos aquáticos no
corpo receptor. Porém, os efluentes industriais que possuem corantes geram um efeito altamente tóxico em
organismos aquáticos. Ainda, corantes têxteis têm um alto grau de aromaticidade e baixa biodegradabilidade
(Uddin, Islam, Mahmud, & Rukanuzzaman, 2009). Destaca-se que mais de 7.105 toneladas e aproximadamente
10.000 diferentes tipos de corantes e pigmentos são produzidos anualmente no tudo o mundo. É estimado que 10-
15% do corante consiste em resíduo formado durante o processo de tintura (Garg, Gupta, Bala Yadav, & Kumar,
2003).Logo, há um alto risco de poluição na atividade citada.
Existe uma variedade muito grande de tratamentos disponíveis para os efluentes, dependendo do tipo de
contaminante presente. Há processos físicos nos quais os compostos não alteram sua estrutura; tratamentos
químicos onde há uma mudança nas propriedades químicas do composto e também há tratamentos de tipo
biológico, no qual microrganismos atuam na mineralização dos compostos indesejáveis. Entre as diferentes
técnicas encontram-se a ozonização, processos eletroquímicos, , separação por membranas e troca iônica. Alguns
destes métodos têm limitações na eliminação dos poluentes das águas residuais devido aos elevados custos
econômicos e complexidade (Nguyen & Juang, 2013) e também os métodos convencionais de tratamento
biológico, físico e químico têm como inconveniente a baixa eficiência na degradação completa de compostos
orgânicos (Grassi, Kaykioglu, Belgiorno, & Lofrano, 2012).
Uma das técnicas que tem merecido destaque é a adsorção, que apresenta como vantagens a alta eficiência, a
facilidade de operação e recuperação/ reutilização do adsorvente. Entre os materiais adsorventes utilizados,
destacam-se resíduos industriais, carvão ativado, sílica gel, e nanoparticulas com carga. Entre estes as
hidrotalcitas têm sido estudadas.
As hidrotalcitas são hidróxidos duplos lamelares sintéticos, os quais podem eliminar espécies carregadas
negativamente mediante adsorção superficial e também por troca aniônicaAs hidrotalcitas podem apresentar uma
grande variedade de aplicações dependendo de suas propriedades (composição, cristanilidade, estabilidade
térmica e outras propriedades físico-químicas)(Conceição, Pergher, Moro, & Oliveira, 2007). Dentre as
principais aplicações podem ser citadas a utilização como catalisadores heterogêneos, trocadores aniônicos, na
indústria farmacêutica e como adsorventes de poluentes em efluentes (Vaccari, 1998; Xu et al., 2011; Rives et
al., 2013; Fan et al. 2014, Zubair et al., 2017, Bharali e Deka, 2017).
Neste contexto, o presente trabalho objetiva avaliar a eficiência do processo de adsorção do corante Vermelho
Reativo 120, amplamente utilizado na indústria têxtil com a aplicação de hidrotalcita a base de magnésio-
alumínio e hidroxicarbonato a base de magnésio (HC-Mg) como sólidos sorventes. Observa-se que, embora os
materiais à base de Mg sejam amplamente utilizados, não há comparação de LDH com materiais à base de
magnésio puro.

Materiais e métodos
Especificações dos reagentes e dos adsorventes
Foram utilizados como sólidos adsorventes: hidrotalcita a base de magnésio- alumínio e um hidroxicarbonato a
base de magnésio (HC-Mg). Como sorvato foi utilizado o corante vermelho reativo 120 (reativo SIGMA-
ALDRICH RO 378).
Sólidos adsorventes
Os sólidos adsorventes estudados foram preparados pelo método de coprecipitação. Foram preparadas as
seguintes soluções aquosas: Solução “A”, composta pela mistura de Mg(NO3)2.6H2O (0,667M) e Al(NO3)3.9H2O
(0,333M) para HDL-MgAl. Para a síntese do HC-Mg a Solução “A” foi composta por Mg(NO3)2. 6H2O (1M) e a
Solução “B” por Na2CO3 (2M).
Em seguida, com o auxílio de duas bombas peristálticas operando com velocidade de adição de 1 mL/min,
misturaram-se as duas soluções num reator contínuo encamisado e de vidro, em temperatura de 50 °C, com pH

127
constante e sob agitação vigorosa. Ambos os catalisadores foram envelhecidos durante 1hora, em 50 °C e sob
agitação. O precipitado formado foi filtrado, lavado com água deionizada para a remoção dos íons e seco em
estufa a 80°C durante uma noite.

Caracterização
Os sólidos foram caracterizados por difração de raios X (DRX) e medidas de área específica (área BET).
Os difratogramas dos materiais foram obtidos por um difratômetro de raios-X Bruker modelo D2 Phaser, com
radiação Cu-kα, empregando-se o método do pó avaliado para o ângulo de difração 2θ, onde θ é o ângulo de
incidência da radiação medido em graus (°), entre 5 e 70°.
O método BET foi utilizado para determinar a área específica e as medidas foram utilizando um equipamento
NOVA 1000e, Surface Area e Pore Size Analyzer, da Quantachrome Instruments, usando nitrogênio como gás
inerte. Foi feito um pré-tratamento com vácuo por um tempo de 1h a uma temperatura de 300 graus.

Ensaios de adsorção
Foram usados volumes de 100 mL de solução contendo vermelho reativo 120. Em cada ensaio, o sólido foi
introduzido na solução e foram avaliados os parâmetros de processo (concentração dos adsorvente e tempo de
contato) a fim de obter as melhores condições experimentais. Todos os experimentos foram realizados em
duplicada.

Estudo do efeito da concentração dos sólidos adsorventes


Para a realização deste estudo foram utilizadas diferentes concentrações dos sólidos adsorventes (HDL-MgAl, e
Hg-Mg); (0.05, 0.1, 0.15, 0.2, 0.25, 0.3 e 0.35 g) em 100 mL de solução do vermelho reativo 120 (30 mg.L-1)
num tempo de sorção de 30 min e com agitação. Após as soluções foram centrifugadas e analisadas no
espectrofotômetro num comprimento de onda de 535 nm.

Estudo do efeito do tempo de contato e cinética de adsorção


Com a concentração de sólido adsorvente fixada conforme item anterior, foram realizados os ensaios de
determinação do tempo de contato para a remoção do vermelho reativo 120. Os ensaios foram feitos com um
volume de 100 mL de solução do vermelho reativo 120 (30 mg.L-1) em tempos de agitação de 5, 10, 20, 40, 60,
90 e 120 minutos. Após, as soluções foram centrifugadas e analisadas no espectrofotômetro a 535 nm. Os
resultados foram utilizados para avaliar os modelos cinéticos de pseudo-primeira-ordem e pseudo-segunda-
ordem.

Isotermas de equilíbrio de adsorção


Para as melhores condições experimentais obtidas de concentração dos sólidos e de tempo de contato foram
construídas as isotermas através de realização de experimentos com variação da concentração da solução do
poluente (10, 20, 30, 40, 50, 60, 70, 80, 90, 100, 200, 300, 400 e 500 mg.L -1). A seguinte equação representa o
balanço de massa do sorvato utilizada para determinar a concentração de soluto sorvido na fase sorvente:
Qe,exp=(Ci-Ce)xV/Ms
Onde:
Qe é a quantidade de soluto sorvido na fase sólida expressa em mg.g-1
Ci a concentração de sorvato inicial expressa em mg.L-1
Ce a concentração de equilíbrio ou final do sorvato expressa em mg.L-1
Vo volume da solução
Ms a massa de sorvente expressa em g.
Os dados experimentais se ajustaram aos modelos das isotermas de Langmuir, Freundlich e Redlich-Peterson.

Determinação da concentração do poluente


A concentração do poluente foi determinada pelo método de espectrofotometria na região do ultravioleta no
comprimento de onda de maior absorbância do poluente (535nm). A remoção foi analisada através da diferença
entre a concentração da solução inicial e a concentração da solução final tratada com o sólido adsorvente.
Com os dados experimentais foi obtida curva de calibração. A equação obtida para a regressão linear foi A =
0,0233 x C. Onde: A é a absorbância e C a concentração do corante vermelho reativo 120 em solução aquosa.

Resultados e discussão
Primeiramente são mostrados os resultados para a caracterização dos sólidos testados, após são apresentadas as

128
condições mais adequadas de concentração dos adsorventes e de tempo de adsorção. Finalmente são mostrados
os ensaios para obtenção das isotermas de adsorção e os modelos avaliados.

Caracterização
Os materiais foram caracterizados mediante as técnicas de DRX e área BET. Os difratogramas da hidrotalcita e
do hidroxicarbonato de magnésio podem ser observados na Figura 1.

Figura 1: Difratogramas de raios-X dos sólidos adsorventes.

Como pode ser observado na Figura 1, o gráfico que corresponde a hidrotalcita HDL-Mg mostra três picos
principais de reflexão em aproximadamente 11º, 22º e 35º que representam as separações entre camadas
características deste tipo de sólidos. Estes materiais apresentam características comuns como a presença de picos
intensos e agudos para valores baixos de ângulo e picos menos intensos a valores de ângulo maiores que
geralmente são assimétricos (Cavani, Trifirò, & Vaccari, 1991). Portanto, a HDL sintetizada apresentou uma boa
cristalização e uma estrutura entre camadas similar ao reportado na literatura (Conceição et al., 2007; Shan et al.,
2015; Tsyganok & Sayari, 2006).
No difratograma correspondente ao HC-Mg mostra os picos a uma intensidade característicos do sólido similares
aos reportados pela literatura por Alvarado, Torres-Martinez, Fuentes, & Quintana., (2000). Estes dados
confirmam a boa cristalinidade da estrutura devido a que apresentam três picos de reflexão a aproximadamente
15º e 30º.
As áreas superficiais BET dos sólidos avaliados foram comparados com as de outros sólidos adsorventes usados

129
nos processos de remoção de poluentes como pode ser observado na Tabela 1.

Sólido adsorvente Área superficial (m2g-1) Referência


HDL-MgAl 74,8 Presente estudo
HC- Mg 67,3 Presente estudo
zeólita de cinzas de carvão 53,4 De Carvalho et al., 2010
Argila in natura 97,7 Oliveira et al., 2010
Carvão ativado 717 Guilarduci et al., 2006

Tabela 1. Dados de área BET para diferentes sólidos adsorventes

Na Tabela 1 podem ser observados os valores da área superficial de diferentes tipos de compostos mais
comumente usados nos processos de adsorção (Zeólitas, Argilas e carvão ativado) de poluentes em solução
aquosa, mesmo assim como os valores de área superficial dos sólidos avaliados. Os valores de área BET obtidas
para os sólidos testados possuem valores característicos das estruturas das hidrotalcitas já que estes tipos de
compostos geralmente apresentam valores menores a 100 m2.g-1 (OCAÑA, 2005). Pode ser observado na Tabela
1, que o valor de a hidrotalcita possui uma área superficial similar à do hidroxicarbonato, além disso, os valores
são similares aos sólidos como zeólitas e argila, mas é muito menor que o carvão ativado o que está de acordo
com a maior cristalinidade deste material. Este fato é importante devido a que a capacidade de remoção do soluto
está relacionada com a área superficial disponível no material e com o tamanho da molécula do adsorvato.

Determinação das condições experimentais de adsorção

Determinação da concentração de sólido adsorvente


A influência da concentração dos sólidos na remoção do corante vermelho reativo120 em solução via sorção foi
estudada.

30
Concentração do corante (mg.L )
-1

25

20

15

HDL-MgAl
10
HC-Mg

-0,5 0,0 0,5 1,0 1,5 2,0 2,5 3,0 3,5 4,0
-1
Concentração do sólido adsorvente (g.L )

Figura 2: Efeito da variação da concentração dos sólidos sorventes na remoção de vermelho reativo 120.
Condições: tempo de sorção 30 min, pH natural e concentração inicial de aproximadamente 30 mg.L-1 do
corante.

A Figura 2 mostra que a concentração do corante adsorvida aumenta com o aumento da concentração dos sólidos
adsorventes nos dois casos avaliados. Assim, a concentração residual do corante vermelho reativo 120 diminui
gradativamente. Observa-se que a remoção depende da concentração inicial do corante que no presente estudo
foi de aproximadamente 30 mg.L-1. Além, a figura 2 mostra que após 1 g.L-1 para HDL-MgAl e HC-Mg o
equilíbrio inicia até atingir a saturação da superfície do sólido.
Segundo ZANELLA. et al, (2012), os resultados obtidos podem ser explicados por avaliação do comportamento

130
da área total de sorção. O aumento da quantidade de sólido adsorvente no sistema possibilita o aumento da área
de sorção, desta forma, o teor do corante na solução residual é reduzido. A porcentagem de remoção máxima foi
atingida na concentração de 3,5 g.L-1 para os dois sólidos testados com um valor de 93,4% de remoção para o
caso do sólido de HDL-MgAl 96,9% e 95% para HC-Mg, mas desde o ponto de vista econômico do processo e
tendo em conta o equilíbrio evidenciado na Figura 2, com a concentração de sólido adsorvente próximo a 2,5
g.L-1 foi alcançado o valor próximo ao 90% de remoção do corante que é muito próxima à remoção máxima
atingida nos ensaios.

Determinação do tempo de adsorção


Posteriormente, a influência do tempo de adsorção na remoção do corante for determinada.

35

30
Concentração do corante (mg.L )
-1

25

20

15
HDL-MgAl
10 HC-Mg

0 20 40 60 80 100 120

Tempo de adsorção (min)

Figura 3: Efeito do tempo de adsorção na remoção de vermelho reativo 120. Condições: concentração
inicial de aproximadamente 30 mg.L-1 do corante, pH natural e concentração de 2,5 g.L-1 para HDL-MgAl
e HC-Mg.

A Figura 3 pode ser observada a remoção do corante vermelho reativo 120 em diferentes tempos de adsorção
para os sólidos testados. O gráfico evidencia que a hidrotalcita e o hidroxicarbonato apresentam uma cinética
muito rápida para o processo de remoção do corante já que num tempo de 5 minutos foi adsorvido mais de 60%
do corante, fato que é muito importante devido a que uma remoção rápida do adsorvato e o alcance de equilíbrio
em um período curto de tempo indicam que os adsorventes usados são eficientes. A porcentagem máxima de
remoção do corante vermelho reativo 120 atingido foi para o tempo de 120 minutos com um valor de 98,2% de
remoção para o caso do sólido de HDL-MgAl, 95,4% e 97,7% para HC-Mg.
Nos sólidos testados, a cinética de remoção do corante é mais rápida até aproximadamente 20 min. Após um
tempo de 60 minutos a remoção do corante ocorre lentamente e a variação de concentração não é relevante ao
longo do tempo. Isto acontece devido a que inicialmente têm-se todos os sítios ativos livres na superfície dos
sólidos adsorventes resultando em uma rápida sorção. Ao serem ocupados pelo sorvato, estes sítios livres tendem
a diminuir, levando ao ponto de saturação dos sólidos (ZANELLA, 2012). Portanto, foi determinado que a
condição mais adequada para a remoção do vermelho reativo 120 é dada num tempo de 60 minutos para os três
sólidos adsorventes.

Estudo da cinética de adsorção


A partir dos dados obtidos nos experimentos de determinação do tempo de adsorção foi realizado um estudo da
cinética do processo. A comparação dos modelos cinéticos de pseudo-primeira e pseudo-segunda ordem e os

131
valores dos parâmetros cinéticos, e coeficiente de determinação apresentados na Tabela 2

Modelo de pseudo primeira Modelo de pseudo segunda


Sólido Adsorvente
ordem ordem

q1 (mg g-1) 27,0688 q2 (mg g-1) 27,1000


HDL-MgAl
k1 (min-1) 2,2056 k2 (min-1) 45566,3838
qe=27,8464 mg g-1
R2 0,9934 R2 0,9954

q1 (mg g-1) 34,0720 q2 (mg g-1) 35,1312


MgO
k1 (min-1) 0,3794 k2 (min-1) 41792,0325
-1
qe=34,9205 mg g
R2 0,9894 R2 0,9979

Tabela 2. Parâmetros calculados para los modelos cinéticos de pseudo-primeira ordem e pseudo-segunda
ordem para a remoção de Vermelho reactivo 120 usando HDL-MgAl e Hg-Mg

A tabela 2 mostra os parâmetros calculados dos modelos cinéticos e o coeficiente de determinação. Os valores de
qe para HDL-MgAl e MgO foram 27,8464 e 34.9205 mg. g-1 e os coeficiente de determinação foram 0,9954 e
0,9979 respectivamente. Na tabela pode ser observado que o modelo que melhor se ajusta aos dados
experimentais foi o modelo cinético de pseudo-segunda ordem. Este modelobaseia-se na capacidade de adsorção
e ajuda a prever o comportamento de adsorção em toda a faixa de concentração através da quimissorção como
mecanismo de controle. Os resultados concordam com os apresentados em outros estudos para a remoção do
corante vermelho reativo 120 usando sólidos como quitosana-Fe(III)-reticulada e cetilpiridinium-bentonita
(Demarchi, Campos, & Rodrigues, 2013; Tabak et al., 2010).

Estudo das isotermas de adsorção


A isoterma de sorção representa a relação de equilíbrio existente entre o soluto na solução e o sorvato retido no
sorvente. Para estabelecer a correlação mais adequada para as curvas de equilíbrio e estimar os parâmetros das
isotermas, foram ajustados os dados experimentais utilizando os modelos de Langmuir, Freundlich e Redlich-
Peterson.
A Figura 4 mostra a comparação entre os valores preditos pelos modelos das isotermas de Freundlich, Langmuir
e Redlich-Peterson bem como os dados experimentais do equilíbrio de sorção do corante.

132
Figura 4: Comparação entre os valores preditos pelos modelos das isotermas de Langmuir, Freundlich e
Redlich-Peterson e os dados experimentais de sorção de vermelho reativo em (A). HDL-MgAl, (B). HC-
Mg. Condições: pH natural, tempo de sorção 60 min, concentração de sólido sorvente 2,5 g.L -1.

Na Figura 4 pode ser evidenciado que a capacidade de adsorção aumenta com a concentração de equilíbrio do
corante na solução devido à saturação progressiva da monocamada para os sólidos avaliados. De acordo com os
modelos de isoterma propostos por GILES et al., (1974), as isotermas para os sólidos testados podem ser
classificadas como de Tipo L, indicando a formação de uma monocamada saturada de moléculas do soluto sobre
a superfície do adsorvente onde a afinidade de adsorção aumenta com o aumento da concentração do adsorvato
até a saturação do adsorvente e depois, possuem uma inclinação aproximadamente constante e que não aumenta
com a concentração de soluto na solução, o que indica alta afinidade do sorvente pelo soluto a baixas
concentrações. Ainda, a Figura 4 mostra os três modelos de Freundlich, Langmuir e Redlich-Peterson para os
adsorventes testados na remoção do corante vermelho reativo 120. Inicialmente, pode ser observado que os
sistemas tem uma forma favorável ao processo uma vez que os modelos se ajustaram aos dados experimentais de
forma satisfatória. Os valores estimados dos parâmetros das isotermas de Freundlich, Langmuir e Redlich-
Peterson e os valores da análise estatística para a sorção do corante em solução aquosa são apresentados a seguir.

133
Redlich-
Freundlich Langmuir Peterson
kF qmax qm
16.481 45.943 43.875
n kL kR
5.2305 0.2747 0.2983
n
0.9910
R2 R2 R2
0.8660 0.9831 0.9832
Error Error Error
1.272 0.153 0.152
Tabela 3: Parâmetros das isotermas de Freundlich, Langmuir e Redlich-Peterson e análise estatística para
a sorção do corante vermelho reativo em HDL-MgAl.

A Tabela 3 mostra que os modelos que melhor descreveram os dados de equilíbrio do corante vermelho reativo
120 para o solido de HC-Mg foram Langmuir e Redlich-Peterson, por presentarem valor de R2 mais próximo de
1 e menores erros. Mesmo assim, como no caso do HDL-MgAl, também não foi possível estabelecer só um
modelo como preferencial,porque os valores de R2 para os dois modelos são muito próximos.

Redlich-
Freundlich Langmuir Peterson
kF qmax qm
28.379 108.829 120.038
n kL kR
3.6967 0.2832 0.2459
n
- - 1.021
R2 R2 R2
0.9067 0.9859 0.9862
Error Error Error
3.470 0.465 0.4543
Tabela 4: Parâmetros das isotermas de Freundlich, Langmuir e Redlich-Peterson e análise estatística para
a sorção do corante vermelho reativo em HC-Mg.

Como pode ser observado na Tabela 4, os modelos que melhor descreveram os dados de equilíbrio do corante
vermelho reativo 120 na remoção com o sólido HDL-MgAl foram Langmuir e Redlich-Peterson, pois tiveram um
valor para R2 mais próximo de 1 e menores erros.
Os resultados para as isotermas para os sólidos sorventes testados (hidrotalcitas e hidroxicarbonato) mostram
resultados similares em relação aos modelos de isotermas avaliados, sendo o modelo de Redlich-Peterson o
modelo presente em todos os sistemas avaliados, além do modelo de Langmuir estar presente para HDL-MgAl e
HC-Mg. Estes tipos de modelos indicam que os processos ocorreram em sítios homogêneos e específicos dos
sólidos. Os resultados concordam com os apresentados em outros estudos (Demarchi et al., 2013; Kittinaovarat,
Kansomwan, & Jiratumnukul, 2010; Shan et al., 2015; Tabak et al., 2010).

Considerações finais
Neste trabalho foram obtidos dados experimentais para a adsorção do corante vermelho reativo 120,
empregando-se como sólidos sorventes HDL-MgAl e HC-Mg. Os resultados da análise do efeito da concentração
dos sólidos sorventes na remoção do corante mostraram que na concentração de sólido sorvente de 2,5 g.L-1 foi
alcançado o valor próximo ao 90% de remoção do corante para HDL-MgAl e HC-Mg. Na avaliação do processo
em diferentes tempos de adsorção foi evidenciado que a hidrotalcitas e o hidroxicarbonato apresentam uma
cinética muito rápida para o processo de remoção do corante já que num tempo de 5 minutos foi adsorvido mais
do 60% do corante. Além disso, a cinética de remoção do corante foi mais rápida até 20 min e após um tempo de

134
60 minutos a remoção do corante for mais lenta, portanto, foi determinado que a condição mais adequada para a
remoção do vermelho reativo 120 é dada num tempo de 60 minutos para os sólidos estudados.
De acordo com o estudo da cinética do processo, o modelo que melhor descreveu os dados de equilíbrio do
corante vermelho reativo 120 na remoção com o sólido HDL-MgAl e HC-Mg foi o modelo de pseudo-segunda
ordem de reação já que se ajusta aos dados experimentais, mostram uma forte relação entre os parámetros o que
indicou um processo de quimissorção na remoção do corante.
Os resultados das isotermas obtidas para os sólidos sorventes testados na remoção do corante vermelho reativo
120 mostram resultados similares. O modelo de Redlich-Peterson foi o modelo presente em todos os sistemas
avaliados, enquanto que o modelo de Langmuir foi presente para HDL-MgAl e HC-Mg. Estes modelos indicaram
que os processos de adsorção ocorreram em sítios homogêneos e específicos dos sólidos.
Os resultados da análise de DRX evidenciaram que os sólidos obtidos apresentam alta cristalinidade e uma
estrutura tipo hidrotalcitas apresentando três picos principais de reflexão que mostram as separações entre
camadas características deste tipo de composto. Os valores obtidos de área superficial específica BET dos três
sólidos avaliados foram 74.8 e 67.3 m2/g para HDL-MgAl e HC-Mg respetivamente, o qual concorda com a
similitude dos resultados obtidos no estudo já que no apresentaram uma diferencia significativa entre a
hidrotalcita e o hidroxicarbonato na remoção do corante.

Agradecimentos
Os autores agradecem à UFRGS, CAPES e CNPQ.

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137
9REA134
REVISÃO BIBLIOGRÁFICA: INDICADORES DE
SUSTENTABILIDADE PARA IMPLEMENTAÇÃO DO ODS6
Nayara Felix Barreto1, Ana Carolina da Conceição Rodrigues2, Maria Victória Valeriolete
Bandeira Dário3, Maria Inês Paes Ferreira4
1
Instituto Federal Fluminense, e-mail: eng.nayarafelix@gmail.com; 2 Instituto Federal Fluminense,
e-mail: carol.portirrera@gmail.com; 3 Instituto Federal Fluminense, e-mail:
vick.valeriolete@gmail.com; 4 Instituto Federal Fluminense, e-mail: ines_paes@yahoo.com.br

Palavras-chave: agenda 2030; ODS6; indicadores de sustentabilidade.

Resumo
Na presente revisão de literatura objetiva-se apresentar, analisar e debater acerca dos estudos existentes sobre
Indicadores de Sustentabilidade associados à implementação do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável de
número seis (ODS 6). O ODS 6, visa assegurar a disponibilidade e a gestão sustentável da água e saneamento
para todas e todos. Com base nos artigos pesquisados, apresentam-se considerações e relações importantes, numa
reflexão sobre metodologias de avaliação e implementação indispensável para o alcance da sustentabilidade das
gerações presentes e futuras. Nesta revisão serão feitos o aprofundamento e a comparação entre diferentes pontos
de vista sobre as questões relacionadas aos ODSs, sistematizando e integrando idéias, conhecimentos e estudos
de vários autores. Pode-se dizer que os ODSs são indivisíveis, interagindo uns com os outros. Nesse contexto, o
ODS 6 é de fundamental importância, pois influencia diretamente a população e representa peça-chave para
implementação de vários outros ODSs. O estudo e desenvolvimento de indicadores de sustentabilidade
relacionados ao ODS6 ainda precisa avançar rumo à implementação bem sucedida do mesmo, em níveis local,
regional, nacional e global.

Introdução
O termo sustentabilidade encontra-se muito presente em discussões diversas atreladas à educação, à economia, às
questões sociais e ambientais. De acordo com Bell e Morse (2008), as palavras sustentáveis e sustentabilidade se
tornaram não só atrativos para agências de financiamento, como também comuns em discursos de políticos,
artigos de economistas e propostas políticas.
Em seu sentido mais amplo, o “componente sustentável” do paradigma do desenvolvimento sustentável implica
que tudo o que é feito agora não deve prejudicar as gerações futuras. No entanto, o significado preciso de
sustentável, e o que ele abraça, varia dependendo de quem está usando e em que contexto (BELL; MORSE;
2008).
Manifesta-se a nível global a necessidade de promoção do desenvolvimento sustentável, materializada
inicialmente na pactuação das nações para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, propostos
pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 2000 (MACHADO; 2018), que apesar de não terem sido
alcançados nem no nível nacional nem no planetário, inspiraram a construção da Agenda 2030, aprovada em
2015, a ser materializada por meio das metas ousadas dos ODS.
A Agenda 2030 da ONU, para o Desenvolvimento Sustentável, é uma declaração internacional, um acordo
político assinado por todos os membros das Nações Unidas. Apesar de seu caráter não vinculante juridicamente,
pretende incitar compromissos ambiciosos e orientar políticas, e, para tanto, estabelece um conjunto de metas e
objetivos universais (ONU, 2015). São 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e 169 metas que
tem como finalidade a prosperidade, o bem-estar e a superação da pobreza extrema (ONU, 2015).
O ODS 6 aborda a gestão sustentável das águas, substância sem a qual a vida, de uma forma geral e a
prosperidade das populações humanas no planeta é inequivocamente inviável (MACHADO; 2018). O Ministério
do Meio Ambiente coloca a água na centralidade da Agenda, entendendo o ODS 6 como promotor da
“prosperidade sustentável” das sociedades humanas (MMA, 2018), sendo a água em si a substância propulsora
da vida, em suas mais variadas formas, que ao ser utilizada nas diversas atividades humanas passa então a ser
considerada como recurso hídrico.
No Brasil, os recursos hídricos têm sua gestão organizada por bacias hidrográficas e corpos hídricos de
dominialidade da União ou dos Estados (BRASIL, 1997). Ao adotar a bacia hidrográfica como delimitação

138
territorial para a gestão das águas, respeita-se a divisão espacial que a própria natureza fez e proporciona-se uma
efetiva integração das políticas públicas e ações regionais, o que por si só teria um caráter positivo (TONELLO;
2017).A Política Nacional de Recursos Hídricos (PNRH) confere aos Comitês de Bacia Hidrográfica (CBH) o
papel de espaço colegiado deliberativo onde a sociedade civil organizada, os usuários e o setor público
compartilham a governança das águas (BRASIL, 1997; MACHADO; 2018).
Na Gestão Integrada dos Recursos Hídricos (GIRH), a formulação de estratégias promotoras da sustentabilidade
deve considerar os seus múltiplos aspectos e, portanto empregar uma abordagem integradora e sistêmica, que
contemple não só o caráter multidimensional do conceito, como também questões institucionais e de governança
que sejam indutoras de uma mudança societária global, com um olhar semelhante ao da Agenda 2030
(COSTANZA et al., 2018), porém a ela anterior. Uma vez que os ODS estão inter-relacionados e que não é
possível medir a sustentabilidade de forma a direta, novas metodologias de avaliação precisam ser desenvolvidas.
O uso de indicadores como meio de medir a sustentabilidade torna-se extremamente popular, com muitos
governos e agências dedicando recursos substanciais para o desenvolvimento de indicadores e testes (HAK et al.,
2007). A ideia central por trás do uso de tais indicadores é muito simples, e essencialmente eles são projetados
para responder à pergunta: "Como eu poderia saber objetivamente se as coisas estão melhorando ou piorando?”
(LAWRENCE; 1997). Dado que os indicadores têm sido amplamente utilizados pelos biólogos há muitos anos
para avaliar a saúde dos ecossistemas, não é de surpreender que os indicadores (e índices, que são sistemas de
indicadores com dados agregados) tem sido visto por muitos como “elemento nucleador” para a
operacionalização da sustentabilidade. No entanto, ao contrário biótipos, os indicadores de sustentabilidade são
frequentemente agrupados de várias maneiras, dependendo de qual componente de sustentabilidade que eles
estão tentando avaliar (BELL; MORSE; 2008).
Objetiva-se com o presente trabalho sistematizar e integrar conceitos e idéias apresentadas em estudos
publicados na literatura acadêmica, abordando estudos realizados sobre indicadores de sustentabilidade que
possam ser associados à implementação do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável de número seis (ODS 6).
Na revisão bibliográfica apresentada confirma-se a existência de forte a interação entre os ODS e a natureza
reforçante do ODS 6 relativamente aos demais ODS.

Metodologia
Uma revisão de literatura e pesquisa bibliográfica foram adotadas como metodologia com propósito de encontrar
e colocar em destaque os estudos relevantes existentes revistos por questões de pesquisa previamente formuladas
e avaliar suas respectivas contribuições relacionadas aos Indicadores de Sustentabilidade e a implementação dos
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável criados pela ONU.
Para realização da pesquisa, foi utilizado o Portal de Periódico da Capes (periodicos.capes.gov.br), por meio da
“Busca Avançada “. Em seguida, pesquisou-se no tipo de material artigos em qualquer idioma, com data de
publicação de cinco anos (2014 à 2019) nos campos “busca no assunto” e “busca qualquer”.
A busca inicial consistiu em pesquisar primeiramente pelas seguintes palavras sozinhas: “Agenda 2030” / “ODS”
/ “ODS6” / “Sustentabilidade” / “Prosperalibilidade” / “Água”; em artigos publicados nos últimos cinco e dois
anos.
Em seguida essas palavras foram pesquisadas com a adição de outras palavras-chave, fazendo a relação entre
elas. Foram utilizadas as seguintes palavras: “Água” / “Indicador” / “Gestão Integrada em Recursos Hídricos” /
“Meio Ambiente” / “Serviços de Ecossistema” / “Gestão Baseada em Ecossistemas” / “Governança das Águas” /
“Indicadores de bem-estar” / “Holística”. Essa pesquisa foi feita tanto em “busca qualquer” e “busca no assunto”,
também sendo feitas para os últimos cinco e dois anos, para que os resultados de pesquisa pudessem ser
relacionados e comparados, entre palavras-chave e anos de publicação.
Após feita a comparação dos resultados entre os anos, pôde-se perceber o aumento de artigos publicados com
assuntos ligados as palavras-chave utilizadas, esses resultados mostram o aumento de interesse, de pesquisas e
investimentos para com o ambiente e assuntos relacionados a esse no passar dos anos. Três combinações de
palavras-chave de pesquisa orientaram na nova busca: “Agenda 2030” / “Gestão Integrada em Recursos
Hídricos”, “Agenda 2030” / “Gestão Baseada em Ecossistemas” e “Agenda 2030” / “Governança das Águas”
para saber o número de artigos disponíveis no período dos últimos dois anos.
Em seguida, encontrou-se 38 artigos na combinação de “Agenda 2030” / “Gestão Integrada em Recursos
Hídricos”, 19 artigos em “Agenda 2030” / “Gestão Baseada em Ecossistemas” e 38 artigos em “Agenda 2030” /
“Governança das Águas”. Após essa contagem, iniciou-se uma seleção de artigos válidos e artigos repetidos para
não correr o risco de baixar artigos iguais. Esse processo foi importantíssimo, pois viu-se que tinham 18 artigos
repetidos e tirando essa quantidade formou-se um total de 77 artigos válidos na busca.

139
Posteriormente, no detalhamento da pesquisa pegou-se o nome das revistas e fez-se o somatório do número de
artigos respectivamente, para analisar qual revista tem maior quantidade de artigos e assim selecioná-las. As
revistas selecionadas foram: “Water” com 10 artigos e “Sustainability Science” com 5 artigos.
Por fim, fez-se a análise dos artigos completos a fim de formular a estrutura conceitual dos ODS como resultados
preliminares da revisão de literatura, apresentados na Figura 1.

Figura 1: Esquema metodológico da revisão de literatura.


Fonte: Adaptado de CAIADO, R et al. 2018
ODS e Agenda 2030: arcabouço conceitual e desafios à implementação
A Agenda 2030 da ONU para o Desenvolvimento Sustentável é uma declaração internacional assinada pelos
membros das Nações Unidas. (ONU, 2015). Trata-se de um conjunto de programas, ações e diretrizes
construídos após anos de debates (Figura 1), que orientarão os trabalhos das Nações Unidas e de seus países
membros rumo ao desenvolvimento sustentável. (NAHAS e HELLER; 2016). Construídos a partir de 2013
(figura 01), os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável deveriam ser implementados entre 2016 e 2030 (UN,
2014 b; UN, 2015).

Figura 2: Processo de construção da agenda pós 2015.


Fonte: Plataforma AGENDA 2030 (2018).

140
Assinando essa declaração, os Estados se comprometeram a alinhar suas prioridades nacionais com os 17
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs), trabalhando em conjunto com o setor privado e a sociedade
civil (DENNY et.al., 2017). Com 169 metas, que serão avaliadas e monitoradas por 231 indicadores sociais,
selecionados em diversas etapas. (NAHAS e HELLER; 2016). A Figura 3 mostra os 17 ODSs da Agenda 2030.

Figura 3: Os 17 ODSs da Agenda 2030.


Fonte: Plataforma AGENDA 2030.

Os 17 Objetivos são integrados e indivisíveis, e mesclam, de forma equilibrada, as três dimensões do


desenvolvimento sustentável: a econômica, a social e a ambiental. São como uma lista de tarefas a serem
cumpridas pelos governos, a sociedade civil, o setor privado e todos cidadãos na jornada coletiva para um 2030
sustentável. Nos próximos anos de implementação da Agenda 2030, os ODS e suas metas irão estimular e apoiar
ações em áreas de importância crucial para a humanidade: pessoas, planeta, prosperidade, paz e parcerias
(Plataforma AGENDA 2030, 2019). A implementação é complicada pelo fato de que os alvos e os objetivos
interagem e impactam uns aos outros de diferentes maneiras; na retórica da ONU, a agenda é "indivisível" e os
países devem implementar a agenda como um todo (ONU, 2015).
A Agenda 2030 pretende articular a governança socioambiental global, integrando diversas arenas de autoridade
transnacional, internacional, nacional e subnacional com empresas, organizações, indivíduos e outros atores
(DENNY et al, 2017).
A proposta de uma grande “missão coletiva”, comprometida em “não deixar ninguém para trás”, reconhecendo
que a dignidade da pessoa humana é fundamental, faz com que os Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável
(ODS) tenham de ser buscados para todas as nações e povos e para todos os segmentos da sociedade (DENNY et
al, 2017).
Ao combinar os processos dos Objetivos do Milênio e os processos resultantes da Rio+20, a Agenda 2030 e os
ODS inauguram uma nova fase para o desenvolvimento dos países, que busca integrar por completo todos os
componentes do desenvolvimento sustentável e engajar todos os países na construção do futuro que queremos.
(Plataforma Agenda 2030).
No entanto, quando se trata de ação, governos e outros os atores têm prioridades competitivas e orçamentos
limitados. A maioria dos governos não está efetivamente organizada para lidar com questões multi-setoriais,
multi-escalas, multi-atores como os ODS. Além disso, a base de conhecimento necessária para abordá-los de
maneira efetiva é insuficiente. Enquanto os 17 ODS e suas 169 metas são bastante diretos, se encarados como
metas isoladas, as propriedades dos sistemas socioambientais são usualmente mal compreendidas em seu todo
(WEETZ et al. 2018).
Na lógica dos ODSs está implícita a interdependência entre os objetivos. Porém, negociações internacionais
encobrem trocas complexas (NILSSON, et al. 2016). A integração entre diversos atores e entre os ODSs é a
chave do sucesso na implementação dos mesmos. Uma ação descoordenada pode criar conflitos internos
(SMITH et al. 2017) e de nível internacional. Se os países ignorarem as sobreposições entre os ODS e
simplesmente começarem a tentar atingir suas metas isoladamente, eles correm o risco de obter resultados
perversos, como os descritos por NILSSON et al (2016). Por exemplo, o uso do carvão para melhorar o acesso à
energia na Ásia (meta 7) aceleraria a mudança climática e acidificaria os oceanos (prejudicando o alcance dos
objetivos 13 e 14), além de agravar outros problemas como danos à saúde da população (interrompendo a meta
3). Se ações de reforço mútuo forem tomadas e as compensações minimizadas, a agenda será capaz de alcançar
seu potencial. Por exemplo, os esforços educacionais para meninas (meta 4) na África Austral aumentariam a
saúde materna (parte do objetivo 3) e contribuíram para erradicação da pobreza (meta 1), para a igualdade de
gênero (meta 5) e para o crescimento econômico (meta 8) localmente. Os autores também ressaltam a
importância da escala temporal: intensificar a alimentação produção para acabar com a fome em lugares onde
recursos são escassos pode ser viável a curto prazo, mas com o tempo pode esgotar a pesca e florestas. E a escala
espacial também é importante: para por exemplo, o desenvolvimento industrial pode causar poluição e afetar
adversamente o meio ambiente local e a saúde das pessoas, mas também gerar riqueza que possa apoiar
infraestrutura de saúde. (NILSSON, et al. 2016).
Como a busca do alcance de certas metas gera “efeitos ondulatórios” ao influenciar outras metas, esse fato foi

141
reconhecido como uma lacuna crítica de conhecimento para a implementação dos ODS. No entanto, quando se
trata de preencher tal lacuna, os avanços tem sido relativamente limitados, apesar da importância sistêmica destes
impactos para a eficácia das ações e progresso dos ODS em geral. A dinâmica de como exatamente as metas
interagem umas com as outros é uma questão empírica e a resposta será diferente em diferentes contextos
(WEETZ, et al. 2018). Depende, por exemplo, da base de recursos naturais (como terra ou disponibilidade de
água), dos arranjos de governança, de quais tecnologias estão disponíveis, e das idéias políticas dos caminhos
futuros para a sustentabilidade e o desenvolvimento (NILSSON, et al. 2016), que possam promover a
prosperidade para todos no planeta, aqui denominada “prosperabilidade” (FERREIRA et al, 2017).
Entender as interações entre metas requer informações bastante detalhadas, mas também requer a capacidade de
manter uma visão holística do sistema como um todo, já que é possível que uma política em mudança pode
mudar a dinâmica de todo o sistema. Pesquisa que desemaranha a interação entre os ODS pode apoiar políticas e
tomadores de decisões que buscam garantir implementação eficaz e coerente em toda a esfera governamental
(WEETZ, et al. 2018).
Nilsson, et al. (2016), propuseram uma escala de interações de ODSs com o objetivo de organizar provas e
apoiar tomadas de decisões, ajudando legisladores e pesquisadores a identificar e testar caminhos de
desenvolvimento que minimizam as interações negativas e melhoram as positivas. O Quadro 1 mostra essa escala
de interações.

Interação Nome Explanação Exemplo


Acabar com todas as formas de discriminação
Ligado inextricavelmente à contra mulheres e meninas é indivisível com
3 Indivisível
realização de outro objetivo. garantir a participação feminina e a igualdade de
gênero.
Ajuda a alcançar outro Fornecer o acesso a eletricidade reforça o
2 Reforça
objetivo. bombeamento de água em sistemas de irrigação.
Garantir o acesso à eletricidade em zonas rurais
Cria condições que mais possibilita indiretamente a melhoria da educação,
1 Possibilita
outro objetivo. porque torna possível fazer as lições de casa
durante a noite
Garantir a educação para todos não interagi de
Nenhuma interação
forma significativa com a infraestrutura
0 Consiste significativamente positiva
desenvolvimento ou conservação dos
ou negativa.
ecossistemas.
Limita as opções de outro Melhorar a eficiência em relação ao uso da água
-1 Restringi
objetivo. pode restringir a irrigação agrícola.
Confronta com outro Aumentar o consumo pode neutralizar a redução
-2 Contrapõe
objetivo. de resíduos.
Torna impossível alcançar Proteção integral das reservas naturais exclui o
-3 Cancela
outro objetivo. acesso público para recreação.
Quadro 1: Escala de interações dos ODSs.
Fonte: Adaptado de NILSSON, et al. (2016).

Os países devem interpretar os ODS de acordo com suas especificidades e seus níveis nacionais de
desenvolvimento. Assim, diferenças na geografia, governança e tecnologia generalizações seriam consideradas
inadequadas, uma vez que as pontuações das interações apresentadas no Quadro 1 poderiam variar (NILSSON,
et al. 2016). Ainda de acordo com a proposta de Nilsson et al. (2016), existem quatro considerações principais
em relação à escala. Primeiro, a interação seria reversível ou não? Por exemplo, falhando educação (meta 4)
poderia danificar irreversivelmente inclusão social (meta 8). A perda de espécies devido a falta de ação sobre as
mudanças climáticas (meta 13) é irreversível. Por outro lado, converter usos da terra de agricultura para
produção de bioenergia (meta 7) pode prejudicar a segurança alimentar (objetivo 2) e consequentemente a
redução da pobreza (meta 1), mas poderia ser revertido (NILSSON, et al. 2016). A segunda consideração é: há
interação indireta entre os ODS? Por exemplo, fornecer energia para as casas das pessoas não beneficia a
educação, mas melhora a educação de forma indireta. Uma terceira consideração relaciona-se à força da
interação: uma ação em um objetivo tem um impacto grande ou pequeno em outro? Interações negativas podem
ser toleráveis se forem fracas, tais como as restrições que os usos da terra podem colocar no desenvolvimento de
transporte a infraestrutura. Por fim, a quarta consideração enumerada por Nilsson, et al. (2016) é: quão certa ou
incerta seria a interação e se há possibilidade de acontecer.

142
Os ODS são ambiciosos, abrangentes e indutores de mudanças no modelo de desenvolvimento atual
(COSTANZA et al, 2016; HUSSEIN et al., 2018), e o ODS 6 ocupa reconhecidamente um papel de centralidade
para o alcance dos demais ODSs (MMA, 2018; NHAMO et al., 2018; NILSSON et al, 2016). Destaca-se aqui o
papel da água, não só como alicerce da vida e do sustento, mas também como chave para o desenvolvimento
sustentável, em suas três dimensões, ambiental, econômica e social. O acesso ao consumo adequado da água e
saneamento foram declarados um direito humano pelas Nações Unidas (2010). Além disso, o sucesso, a
integração e a gestão da água servem de base para a conquista de muitos dos 17 Objetivos de Desenvolvimento
Sustentável (ODS), assim como para o "objetivo da água", ODS 6: assegurar disponibilidade e gestão sustentável
de água e saneamento para todos. (GUPPY et al. 2019).
Os recursos hídricos, bem como os serviços a eles associados, sustentam os esforços de erradicação da pobreza,
de crescimento econômico e da sustentabilidade ambiental. Contudo, a escassez de água afeta mais de 40% da
população mundial, número que deverá subir ainda mais como resultado da mudança do clima e da gestão
inadequada dos recursos naturais. O acesso à água e ao saneamento importa para todos os aspectos da dignidade
humana: da segurança alimentar e energética à saúde humana e ambiental. (Plataforma AGENDA 2030, 2019).
Advoga-se que o ODS 6 é fundamental interação para implementação de diversos ODSs (MMA, 2018;
NILSSON et al, 2016). Em uma recente discussão sobre os ODSs advoga-se que a abordagem integrada a gestão
de água doce oferece a melhor forma de conciliar as demandas, fornecimento a um quadro em que podem ser
tomadas medidas operacionais eficazes (HARMANCIOGLU1, 2017).
No caso brasileiro, a GIRH está estabelecida como modelo a ser seguido (BRASIL, 1997), sendo contudo
necessária a adequação das metas globais dos ODS, a qual foi realizada por grupos de trabalho interministeriais
(IPEA, 2018). Relativamente às oito metas que compõem o ODS 6, sendo cinco finalísticas e três de
implementação, todas as metas foram consideradas aplicáveis e nenhuma foi criada, mas cinco delas foram
adequadas. Observou-se que as adequações efetuadas nas metas brasileiras (6a, 6b e 6.3 a 6.5) reforçam a
importância da GIRH, da participação de atores locais e do controle social.
Contudo, ocorre atualmente no país o debate acerca da criação dos “mercados da água” por meio do Projeto de
Lei PLS 495, de 2017, que se contrapõe à leitura biopolítica das narrativas da água em relação à sustentabilidade
social, que sugere que o foco na melhoria das condições de um indivíduo, como a implantação dos serviços
básicos de água, não é suficiente, uma vez que a sustentabilidade social não implicaria simplesmente na garantia
da sobrevivência dos indivíduos e populações mais vulneráveis, sem condições de pagar pelo acesso á água
dentro de uma lógica mercadológica, Numa visão mais abrangente, a sustentabilidade social “inclui lutar por
vidas a serem vividas além da mera sobrevivência” (HELLBERG, 2017), ou seja pela prosperidade, objetivo
final da Agenda 2030.

Indicadores de sustentabilidade e operacionalização dos ODS


Desde a Conferência das Nações Unidas sobre Ambiente e Desenvolvimento que decorreu em 1992, no Rio de
Janeiro, vários países defendem o "desenvolvimento sustentável" como conceito que integra as vertentes
ambiental, econômica e social. (Departamento de Ambiente e Qualidade de Vida, 2005). Nos últimos anos, a
busca pelo equilíbrio entre o crescimento econômico e a manutenção dos recursos naturais tem fortalecido o
paradigma do desenvolvimento sustentável, e para tal tem-se procurado estabelecer mecanismos capazes de
subsidiar as ações da sociedade que conduzam na direção do desenvolvimento sustentável (COUTO, 2007).
A sustentabilidade é algo que não pode ser obtido instantaneamente, ela é um processo de mudança, de
aperfeiçoamento constante e de transformação estrutural que deve ter a participação da população como um todo,
e a consideração de suas diferentes dimensões (BENETTI, 2006) e a construção de um modelo de
desenvolvimento, sob novas bases econômicas e em harmonia com a capacidade de suporte dos sistemas
naturais, faz com que os agentes responsáveis por sua concepção necessitem de um amplo levantamento de dados
e informações representativas das diversas dimensões envolvidas nos processos produtivos, bem como da
condução de investigações que possibilitem um melhor entendimento dos sistemas ambientais (COUTO, 2007).
Para auxiliar nas avaliações sobre a sustentabilidade ambiental os indicadores são considerados como ferramenta
para estabelecer uma visão de conjunto necessária ao processo de avaliação de resultados em relação às metas de
sustentabilidade estabelecidas, provendo às partes interessadas condições adequadas de acompanhamento e
dando suporte ao processo decisório (MALHEIROS et. al, 2008). A utilização de indicadores tem por objetivo
reunir e quantificar informações de um modo que sua importância se destaque, simplificando informações sobre
fenômenos complexos tentando melhorar com isso o processo de comunicação (VAN BELLEN, 2006).
Indicadores são compostos por parâmetros selecionados e considerados isoladamente ou combinados entre si,
sendo especialmente úteis para refletir sobre determinadas condições dos sistemas em análise. Têm a capacidade
de descrever um estado ou uma resposta dos fenômenos que ocorrem em um meio. Ou seja, um indicador
representa uma forma de percepção da realidade que se dá através de um conjunto de dados representativos de

143
parâmetros capazes de traduzir o estado de um ambiente (SANTOS, 2004). A par com os indicadores, surgem
neste âmbito os conceitos de sub-índices (constitui uma forma de agregação intermédia entre indicadores e
índices) e de índices (corresponde a um nível superior de agregação, onde após aplicado um método de
agregação aos indicadores e/ou aos sub-índices é obtido um valor final) (Departamento de Ambiente e Qualidade
de Vida, 2005).
Segundo a ONU, os indicadores não devem servir apenas aos interesses do Poder Público, para avaliar a
eficiência e eficácia das políticas adotadas, mas também aos interesses dos cidadãos, tornando-se instrumento de
cidadania, pois eles podem informar o estado do meio ambiente e da qualidade de vida (CÂMARA, 2002).
Os indicadores ambientais começaram a ser utilizados durante a década de 70 e 80, como resultado de esforços
de governos e organizações internacionais na elaboração e divulgação dos primeiros Relatórios sobre o Estado
do Ambiente (FRANCA, 2001).
A busca por indicadores de sustentabilidade ambiental cresceu bastante durante a última década, particularmente
em sua segunda metade, principalmente por parte de organismos governamentais, não-governamentais, institutos
de pesquisa e universidades em todo o mundo. Muitas conferências já foram organizadas por entidades
internacionais, bem como outras iniciativas de pesquisadores ligados a algumas instituições governamentais e/ou
universitárias (MARZALL; ALMEIDA, 2000).
Os indicadores de sustentabilidade são ferramentas utilizadas para auxiliar no monitoramento da
operacionalização do desenvolvimento sustentável, sendo a sua principal função fornecer informações sobre o
estado das diversas dimensões (ambientais, econômicas, socioeconômicas, culturais, institucionais, etc.) que
compõem o desenvolvimento sustentável do sistema na sociedade (CARVALHO, et al., 2011). Por meio da
utilização de indicadores ambientais deve ser possível a análise das condições, mudanças da qualidade ambiental,
além de favorecer o entendimento das interfaces da sustentabilidade, bem como de tendências, como uma
ferramenta de suporte no processo de tomada de decisão e formulação de políticas e práticas sustentáveis
(GOMES; MALHEIROS, 2012).
A dificuldade do desenvolvimento e do emprego dos indicadores de sustentabilidade é que não existe a
possibilidade de medir a sustentabilidade de uma determinada escala considerando apenas um indicador que se
refira a apenas um aspecto, pois a sustentabilidade é determinada por um conjunto de fatores (econômicos,
sociais, ambientais, culturais e institucionais) e todos devem ser contemplados simultaneamente. Dessa forma, ao
se avaliar a sustentabilidade deve-se usar sempre um conjunto de indicadores (MARZALL; ALMEIDA, 2000).
Apesar das dificuldades, muitos esforços têm sido efetuados na tentativa de buscar metodologias capazes de
mensurar o desenvolvimento sustentável e a sustentabilidade (MACHADO; 2018). Centenas de pesquisas
relacionadas aos índices e indicadores de desenvolvimento sustentável foram realizadas (BOHRINGER;
JOCHEM, 2007).
No caso do ODS6 (ODS da ONU em que o presente trabalho se enquadra), o uso de um painel de indicadores
aplicados em uma escala temporal, pode refletir diferentes graus de avanços no cumprimento dos direitos
humanos à água e esgoto (DHAE) (NAHAS e HELLER; 2016).
Tal seleção foi feita pelo Grupo de Peritos e Interagências sobre Indicadores de Desenvolvimento Sustentável
que, no período de junho/2015 a Janeiro/2016, promoveu rodadas de consultas a especialistas dos diversos
países. Inicialmente tais especialistas avaliaram uma listagem preliminar de indicadores considerando: sua
adequação e relevância; a existência de metodologia para sua formulação pelos países; disponibilidade de dados;
qualidade da fonte de dados (cobertura e periodicidade) (NAHAS e HELLER; 2016).
Até outubro de 2015, a listagem estava composta por 310 indicadores, classificados em três grupos: indicadores
apoiados majoritariamente pelos países (verdes ou “green”); indicadores sem apoio da maioria ou divergentes
entre os países (amarelos ou “yellow”); indicadores que apresentavam pendências metodológicas ou conceituais,
ou que tiveram avaliação insuficiente (cinzas ou “grey”) (NAHAS e HELLER; 2016). De acordo com IAEG-
SDG (2016), houve um refinamento e no fim do processo foram selecionados 231 indicadores aprovados em
março/2016, pela 47ª Sessão da Comissão de Estatística da ONU. Tais indicadores foram classificados em três
grupos (ou camadas – “tiers”): “Tier I” - existe metodologia padronizada e há dados disponíveis para o
indicador; “Tier II” - existe metodologia padronizada, mas não há dados disponíveis ou regularmente produzidos
para o indicador; “Tier III” - não há metodologia internacionalmente acordada e não há dados disponíveis
(UNESC, 2016).
Para o ODS6, foram estabelecidas seis metas selecionando-se um conjunto de indicadores para avaliação e
monitoramento das mesmas. (NAHAS e HELLER; 2016). O quadro 2 mostra os indicadores globais relacionados
à temática ambiental para as metas do ODS6.
A possibilidade da elaboração de linhas de base de países do ODS 6 para o continente africano foi avaliada por
Nhamo et al. (2019). Três objetivos foram definidos no trabalho de revisão: (1) estabelecer tendências em
serviços básicos de água potável e saneamento por um período de 16 anos (2000 a 2015); (2) determinar o status

144
quo, a partir de 2015, em um índice composto (CI) que usa indicadores selecionados sujeitos a dados
disponibilidade; e (3) estabelecer se os países da amostra serão capazes de atingir componentes das metas do
ODS 6 (das quais os indicadores foram sorteados) até 2030. Dos 12 indicadores retirados do SDG 6, apenas três
possuíam dados disponíveis para 53 dos 54 países africanos e foram utilizados no estudo, cujos resultados
revelaram tendências de declínio dos serviços básicos de água potável em Camarões e no Zimbabué, assim como
nos de saneamento básico no Chade, na República Democrática do Congo, na Guiné, em Gâmbia, no Quênia, na
Nigéria, na Somália e no Zimbábue.
Os desafios relacionados ao monitoramento e implementação das metas do ODS 6 da ONU na Índia foram
estudados por Roy e Pramanick (2019), que destacaram a pequena disponibilidade de dados de consumo de
recursos biofísico e a pequena abrangência da maioria dos indicadores existentes, em níveis estadual, distrital ou
mesmo local, dificultando não só o estabelecimento de cenários futuros a nível nacional, mas também a, análise
estatística dos dados disponíveis. Os autores apontam que a necessidade de redesenhar a estrutura de políticas ou
reestruturar a governança deve ser pautadas em bases científicas, ressaltando a necessidade de realizar um
esforço de pesquisa significativo para subsidiar decisões no contexto local na Índia.
A partir da análise dos requisitos necessários aos indicadores da Agenda 2030, propõe-se que o quadro de
indicadores para avaliar e monitorar o alcance das metas do ODS6 seja composto por indicadores que: avaliem
“compromissos-esforços-resultados”; refiram-se aos atributos dos direitos humanos à água e ao esgotamento
sanitário (DHAE), contemplando os princípios comuns e todos os direitos humanos; sejam “quantitativos” e
“qualitativos; “objetivos” e “subjetivos”; sejam georreferenciados em diferentes escalas; reflitam o cumprimento
progressivo dos DHAE e refiram-se a diferentes períodos de tempo. É desejável ainda que estejam entre os
indicadores das Metas da Agenda 2030 (NAHAS e HELLER; 2016).
Apesar da possibilidade de aplicar indicadores que possam contribuir para a orientação, avaliação e
monitoramento do cumprimento das metas de universalização do acesso à água potável e ao esgotamento
sanitário do ODS 6, sob a perspectiva dos direitos humanos (NAHAS e HELLER; 2016).

Metas do ODS6 Indicadores Globais Sugeridos Interações


6.1 Até 2030, alcançar o acesso Percentual da população que ODS 1 (meta 1.4 e 1.5) ODS 3
universal e equitativo à água utiliza fontes de água potável (meta 3.3, 3.8 e 3.9)
potável segura e acessível para melhorada.
todos.
6.2 Até 2030, conseguir o acesso ao Proporção de população usando ODS 1 (metas 1.4,e 1.5) ODS
esgotamento sanitário e à higiene serviços de saneamento 3 (metas 3.3, 3.8 e 3.9) ODS 5
adequada e equitativa para todos e gerenciados de forma segura (meta 5.c)
extinguir com a defecação a céu incluindo uma instalação de
aberto, com especial atenção às lavagem das mãos com sabão e
necessidades das mulheres e água.
meninas e grupos em situação de
vulnerabilidade.
6.3 Até 2030, melhorar a qualidade Proporção de águas residuais ODS 3 (metas 3.3, 3.8 e 3.9)
da água, reduzindo a poluição, tratadas com segurança. ODS 9 (metas 9.4 e 9.5) ODS
eliminando despejo e Proporção de corpos de água 11 (metas 11.6 e 11.b) ODS
minimizando a liberação de com Boa qualidade da água 12 (metas 12.2, 12.4, 12.5,
produtos químicos e materiais ambiente. 12.a e 12.b) ODS 14 (metas
perigosos, reduzindo à metade a 14.1, 14.2) ODS 15 (metas
proporção de águas residuais não 15.1, 15.3)
tratadas e aumentando
substancialmente a reciclagem e
reutilização segura globalmente.
6.4 Até 2030, aumentar Mudança na eficiência do uso ODS 1 (meta 1.5) ODS 2
substancialmente a eficiência do da água. (metas 2.3 e 2.4) ODS 3 (meta
uso da água em todos os setores e Nível de estresse hídrico: água 3.8) ODS 7 (metas 7.2 e 7.3)
assegurar retiradas sustentáveis e doce retirada como proporção ODS 8 (meta 8.4) ODS 9
o abastecimento de água doce de disponibilidade recursos de (metas 9.4 e 9.5) ODS 11
para enfrentar a escassez de água, água doce. (metas 11.6 e 11.b) ODS 12
e reduzir substancialmente o (metas 12.2 e 12.4) ODS 13
número de pessoas que sofrem (metas 13.1, 13.2 e 13.b) ODS
com a escassez de água. 15 (meta 15.1) ODS 17 (meta

145
17.4)
6.5 Até 2030, implementar a gestão Grau de recursos hídricos ODS 9 (metas 9.4 e 9.5) ODS
integrada dos recursos hídricos integrados implementação de 11 (metas 11.6 e 11.b) ODS
em todos os níveis, inclusive via gerenciamento (0-100). 12 (metas 12.2, 12.a e 12.b)
cooperação transfronteiriça, ODS 13 (metas 13.1, 13.2,
conforme apropriado Proporção de bacia 13.a e 13.b) ODS 14 (meta
transfronteiriça área com um 14.1) ODS 15 (meta 15.a)
arranjo operacional para ODS 17 (metas 17.6 e 17.16)
cooperação em água.
6.6 Até 2020, proteger e restaurar Mudança na extensão da água ODS 2 (meta) 2.4) ODS 7
ecossistemas relacionados com a relacionada. (metas 7.2 e 7.3) ODS 8 (meta
água, incluindo montanhas, 8.9) ODS 9 (metas 9.4 e 9.5)
florestas, zonas úmidas, rios, ODS 11 (metas 11.5, 11.6 e
aquíferos e lagos. 11.b) ODS 12 (metas 12.2 e
12.b) ODS 13 (metas 13.1 e
13.2) ODS 14 (meta 14.1)
ODS 15 (metas 15.1, 15.2,
15.3 e 15.4) ODS 17 (meta
17.4)
6.a Até 2030, ampliar a cooperação Quantidade de água e ODS 12 (meta 12.a) ODS 13
internacional e o apoio à saneamento relacionados a (meta 13.b) ODS 17 (metas
capacitação para os países em assistência oficial ao 17.4, 17.6, 17.7 e 17.16)
desenvolvimento em atividades e desenvolvimento. Isso é parte de
programas relacionados à água e um governo coordenado plano
saneamento, incluindo a coleta de de gastos.
água, a dessalinização, a
eficiência no uso da água, o
tratamento de efluentes, a
reciclagem e as tecnologias de
reuso.
6.b Apoiar e fortalecer a participaçãoProporção de administração - ODS 5 (metas 5.5 e 5.a)
das comunidades locais, para local, unidades com ODS 11 (meta 11.b) ODS 12
melhorar a gestão da água e do estabelecido e operacional (meta; 12.2 e 12.b) ODS 13
saneamento. políticas e procedimentos de (meta 13.b) ODS 16 (metas
participação das comunidades 16.5, 16.6 e 16.7)
locais na água e gestão de
saneamento.
Quadro 2: Os indicadores globais relacionados à temática ambiental para as metas do ODS6.
Fonte: Adaptado de MMA (2018) e IPEA (2018).

GUPPY et al. (2019) definem duas grandes lacunas associadas ao estabelecimento de tais indicadores: a primeira
lacuna é entre as principais metas do ODS6 e os principais indicadores atualmente empregados, a segunda é entre
o que será medido para implementação do ODS6 e quais países precisam de adaptar para implementação do
mesmo. O estudo do IPEA (2018), que fornece subsídios para a definição dos indicadores brasileiros, em
construção lista as interconexões entre as metas do ODS 6 e as dos demais, sem contudo ser sugerida o tipo e o
grau de interação. Esse contexto ainda é dinâmico e passível de críticas quanto à inadequação metodológica
acerca da medição de padrões de qualidade associados ao acesso universal á água e ao saneamento, que abordem
simultaneamente questões de gênero, à carência de definição de parâmetros de eficiência no uso da água que
transcendam a perspectiva econômica, à necessidade de aprimoramento da avaliação da escassez e dos impactos
humanos na disponibilidade hídrica, notadamente quanto à lacuna lógica entre redução do estresse hídrico
nacional e redução do sofrimento devido à escassez de uma determinada população ou grupo vulnerável. Os
autores ressaltam que quando foram acordados internacionalmente, os indicadores eram em grande parte novos,
evidenciando o caráter inovador e abrangente da recente agenda de desenvolvimento. Apenas as metas 6.1 e 6.2
do SDG refletem parcialmente metas anteriores dos ODSs, e mesmo para estas, existem diferenças entre as
ambições dos ODSs.
Considerando metas específicas, destaca-se que a meta 6.5 é monitorada por duas agências da ONU, a Comissão
Econômica das Nações Unidas para Europa (UNECE) e a Organização das Nações Unidas para a Educação, a

146
Ciência e a Cultura (UNESCO). A metodologia de monitoramento passo a passo do Indicador 6.5.2 destaca que
acordos específicos ou outros arranjos concluídos entre países são uma pré-condição chave para assegurar a
longo prazo, cooperação sustentável (HUSSEIN et al., 2018), de forma semelhante aos subsídios sugeridos pelo
IPEA (2018) para a adaptação ao caso brasileiro. Ressaltamos que a revisão de literatura evidencia que a
complexidade relacionada à gestão sustentável das águas não se limita aos corpos hídricos transfronteiriços.
Limitações relativas à simplificação de sistemas socioambientais e à quantificação ou mesmo caracterização das
interações entre seus elementos em um único indicador ou índice são atribuídas à complexidade inerente aos
sistemas de gestão integrada de recursos hídricos, tanto no âmbito das diferenças entre os arranjos de governança
em vigor formalmente, como no da sua operacionalização e funcionamento práticos.

Comentários finais
No desenvolvimento deste artigo foram apresentadas alguns estudos sobre os objetivos para o desenvolvimento
sustentável da ONU propostos pela Agenda 2030, a interação entre os ODSs, a importância do ODS6 para o
desenvolvimento humano e sobre indicadores de sustentabilidade para implantação do ODS6. Indicadores e
índices para avaliar a sustentabilidade são importantes instrumentos para compreender as tendências e condições
ambientais e socioeconômicas de uma região a ser avaliada e servem como apoio para políticas de
desenvolvimento. Ressaltamos que a literatura consultada aponta para a possibilidade de trilhar um novo
caminho que leve à realização do ODS6, envolvendo a cooperação internacional, a proteção às nascentes, rios e
bacias hidrográficas e o compartilhamento de tecnologias de tratamento de água. O presente trabalho evidenciou
a necessidade de avanços nos estudos e desenvolvimentos de indicadores de sustentabilidade para alcançar o
ODS 6, dado seu caráter central e integrador para o alcance dos demais ODSs, sendo reportadas suas interações
positivas com todos os demais ODSs.
A indisponibilidade de dados, as limitações e os vieses associados às de visões de especialistas, a
comparabilidade dos dados no espaço e no tempo e a dificuldade para estabelecer relações de causalidade entre
as políticas e seus resultados representam os principais desafios no campo dos indicadores de governança e
gestão das águas. Contudo, evidenciou-se a importância de estabelecer mecanismos de monitoria e sistemas
indicadores para verificar se os países estão no caminho para cumprimento das metas e o consequente alcance
dos ODS da Agenda 2030. Nesse sentido, consideram-se promissores os sistemas holísticos de suporte à decisão
como a “avaliação da prosperabilidade”, que incorpora dados secundários a dados primários de percepção
ambiental, contemplando as múltiplas visões dos atores sociais envolvidos na GIRH. Em âmbito nacional, com
exceção das metas 6.3 (“melhorar a qualidade da água nos corpos hídricos, reduzindo a poluição”) e 6.6
(“proteger e restaurar ecossistemas relacionados com a água”), a adaptação dos ODSs ao caso brasileiro sugere
parâmetros que podem subsidiar o monitoramento da implementação das metas do ODS6, mas sistemas de
indicadores compostos a partir dos parâmetros de acompanhamento sugeridos ainda se encontram em construção.

Agradecimentos
Ao Programa Cátedra Brasil da ENAP, ao CNPq, ao CBH Macaé, ao CILSJ e a todas as representações sociais
atuantes no SINGRH-RJ pelo apoio à pesquisa sobre gestão sustentável das águas e ODS em execução no
Instituto Federal Fluminense.

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150
9REA137
REMOÇÃO DO VIOLETA CRISTAL POR ADSORÇÃO
UTILIZANDO CARVÃO ATIVADO
Ivone Vanessa Jurado Dávila*1, Keila Guerra Pacheco Nunes*2, Liliana Amaral Féris*3
*
Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 1e-mail: vannessa_jd@hotmail.com; 2e-mail:
keila@enq.ufrgs.br; 3e-mail: liliana.feris@gmail.com

Palavras-chave: violeta cristal; adsorção; carvão ativado.

Resumo
Os corantes são atualmente um grave problema ambiental devido ao enorme volume de efluente
industrial gerado por diferentes indústrias de papéis, plásticos, tapete, couro, destilaria, impressão e
têxtil. Neste quadro, a indústria têxtil é uma das maiores contribuintes no que se refere ao lançamento
destes poluentes na natureza sem o tratamento apropriado. Ao entrarem em contato com os recursos
hídricos, os corantes restringem a passagem da luz e diminuem a oxigenação da água. Além disso,
quando o corante não é tóxico, seus subprodutos provenientes da degradação contêm em sua
composição molecular aminas e anéis aromáticos, tornando-o problemático. O corante Violeta Cristal
(VC) é amplamente usado pelas indústrias têxteis e de couro. Contudo, quando em contato com o ser
humano, pode causar danos à saúde como irritação nos olhos e no trato gastrointestinal podendo, em
certas situações, ser mutagênico. Entre as várias técnicas de tratamento de efluentes existentes, a
adsorção é um processo que possui como vantagem o baixo custo inicial e de funcionamento,
simplicidade e flexibilidade de design, fácil operação e baixo custo de mão-de-obra. Assim, mesmo o
Violeta Cristal possuindo alta solubilidade e grau de ionização, a adsorção tem a capacidade de
removê-lo eficientemente. Um dos sólidos adsorventes de interesse e mais usado é o carvão ativado
devido a sua alta área superficial e estrutura de poros. Neste contexto, o presente trabalho buscou
elucidar quais são as melhores condições operacionais para remoção do Violeta Cristal (VC)
utilizando carvão ativado granular (CAG) como adsorvente. Para isso, foram feitos ensaios de
adsorção objetivando determinar as melhores condições de processo avaliando a influência dos
seguintes parâmetros: pH, tempo de contato, concentração do sólido adsorvente em uma concentração
inicial de corante de 100 mg.L-1. O pH foi variado entre 4 e 9, a quantidade de adsorvente foi variada
entre 0,5 e 3 g, o tempo de contato foi estudado em diferentes intervalos, entre 5 e 480 min.
Posteriormente, de modo a ser obter os dados necessários para a construção das isotermas, a
influência da concentração inicial da solução de VC foi variada entre 100 e 1000 mg.L-1 e os modelos
matemáticos utilizados para descrever os dados de equilíbrio foram os modelos de Langmuir e
Freundlich. Os resultados indicaram que o pH 6 apresentou um dos maiores índices de remoção. Os
dados obtidos no estudo da variação da concentração de adsorvente, onde foi utilizado concentração
inicial de 100 mg.L-1 de solução do corante violeta cristal em pH 6 com tempo de contato de 150
minutos, mostraram que a massa de 2 g de CAG em 100 mL de solução apresentou os menores
valores de concentração residual. Para determinar o tempo de contato mais apropriado, utilizou-se
solução de mesma concentração anterior em pH 6 e 2 g de CAG. O tempo de contato determinado foi
de 270 min. Após, variou-se a concentração inicial de Violeta Cristal em 100 mL de solução em pH 6,
o tempo de contato utilizado foi de 330 min para garantir o equilíbrio e 2 g de CAG. Com esses dados,
ajustou-os as isotermas de Langmuir e Freundlich. A que melhor descreveu os dados experimentais
foi a isoterma de Freundlich com um coeficiente de determinação de 0,9933. Com base na pesquisa
realizada pode-se concluir que o processo proposto apresenta viabilidade técnica para aplicação do
processo de adsorção na remoção do corante Violeta Cristal de efluentes têxteis, contribuindo para o
avanço nos estudos da área já que foi alcançado uma taxa de remoção de aproximadamente o 90 % do
corante cristal violeta nas condições operacionais estabelecidas.

151
Introdução

O crescimento populacional somado ao processo acentuado de industrialização do século passado além de


proporcionar um melhor padrão de vida trouxe consigo como herança a problemática relacionada à poluição dos
recursos hídricos. Aliado a isto, o aumento da atividade industrial gerou vários tipos de poluentes tóxicos
(Anastopoulos & Kyzas, 2014). Torna-se importante considerar que, apesar da água ser um recurso renovável,
caso ela não tenha a qualidade adequada para consumo, ou seja, esteja poluída, ela deixa de estar disponível.
Assim, este bem tão precioso pode passar a ser não renovável. Desta forma, o tratamento de efluentes torna-se
uma ação imperativa principalmente para a indústria têxtil a qual se destaca tanto pelo crescimento quanto pela
geração de resíduos.

Os corantes são uma importante classe de poluentes devido a sua imensa empregabilidade: indústrias têxtil, de
papéis, de couro e de tintas (Anastopoulos & Kyzas, 2014). Em relação ao impacto ambiental causado,
estimativas recentes indicam que, aproximadamente, 12 % dos corantes têxteis usados a cada ano são perdidos
durante a manufatura e o processo de operação, e 20 % destes acabam entrando no ambiente através dos
efluentes. Acredita-se, ainda, que 50 % dos corantes são perdidos no processo de tingimento devido ao baixo
nível de fixação do corante à fibra (Gandhimathi, Ramesh, Sindhu, & P.V., 2012; Guaratini & Zanoni, 2000;
Salleh, Mahmoud, Karim, & Idris, 2011; Zanoni & Carneiro, 2001). Tamanha perda é preocupante, apesar de os
corantes, em sua maioria, serem essencialmente não tóxicos e inertes. Eles são constituídos por moléculas
aromáticas de estruturas complexas, o que os torna resistentes à luz, à temperatura, ao calor, aos agentes
oxidantes e à digestão aeróbica. Porém, mesmo em baixas concentrações, causam o bloqueio da passagem de luz
afetando a vida aquática e podem causar bioacumulação e biomagnificação (Annadurai, Juang, & Lee, 2002;
Gandhimathi et al., 2012; Mohan, P. Singh, Singh, & Kumar, 2002; Saikia, Sikdar, & Das, 2013; Salleh et al.,
2011).

Além disso, os corantes são conhecidos, em sua maioria, por causar dificuldades no tratamento de efluentes pelos
métodos convencionais (físico-químicos e biológicos) devido a sua resistência à biodegradação, ao calor e a
agentes oxidantes (Annadurai et al., 2002). Quando identificados em soluções aquosas, os corantes são
facilmente perceptíveis pela coloração que conferem à solução. Os corantes podem causar irritação nos olhos e
no trato gastrointestinal, sendo que alguns subprodutos gerados podem ser cancerígenos (Malarvizhi & Ho,
2010). Constitui objeto desse estudo o Violeta Cristal (VC), um corante catiônico que possui uma alta
capacidade de conferir cor, o que ocorre mesmo a concentrações abaixo de 1 mg.L-1 (Çoruh et al, 2012).

Apesar de outros processos removerem de forma satisfatória os corantes, a adsorção se apresenta como um dos
meios mais efetivos, principalmente pela alta solubilidade e grau de ionização do VC. No processo de adsorção
pode ser usado como adsorvente alumina, sílica em gel e carvão ativado sendo esse último o mais utilizado. Isso
se deve ao fato de poder ser obtido através de uma grande variedade de matérias-primas como carvão mineral e
rejeitos da agroindústria (Gupta & Suhas, 2009).

Neste contexto, o presente trabalho avaliou a eficiência do uso do carvão ativado comercial granulado de origem
mineral como adsorvente na remoção do corante Violeta Cristal. Para tanto, foram estudados o efeito do pH, da
concentração de adsorvente, do tempo de contato e da concentração inicial de corante determinando assim as
melhores condições de operação do processo. Ao final, os dados de equilíbrio foram ajustados pelas isotermas de
Langmuir e Freundlich para melhor compreensão de como o processo de adsorção ocorre.

Materiais e métodos

Especificações dos reagentes e dos adsorventes


Para os estudos de adsorção em batelada foram utilizados:

• Carvão Ativado Granular (CAG): granulometria entre 9 e 12 Mesh fornecido por Synth (Diadema,
São Paulo, Brasil);
• Corante Violeta Cristal (CV) fornecido por Synth (Diadema, São Paulo, Brasil) com 97,8 % de
pureza;
• Espectrofotômetro UV/VIS: Thermo Scientific modelo Genesys 10S no λmax = 590 nm;
• Agitador Wagner Marconi;

152
• pHmetro digital: Ohaus modelo Starter 3100;
• Frascos Schott.

Solução Sintética do sorvato


A solução-mãe de 1000 mg.L-1 foi preparada a partir de 1 g do corante dissolvido em 1000 mL de água destilada.
A partir dessa solução-mãe, foram obtidas as soluções de 100 a 900 mg.L-1 por diluição.

Ensaios de adsorção
Para os ensaios de adsorção as soluções foram colocadas em frascos Schott de 250 mL. Em cada frasco tinha-se
uma quantidade conhecida de adsorvente, a qual foi colocada em contato com 100 mL de solução de corante. As
amostras foram agitadas em um agitador de Wagner a 28 rpm por tempos pré-determinados. Para quantificar a
concentração residual do sobrenadante a solução foi analisada em espectrofotômetro UV/VIS. Quando
necessário as amostras foram diluídas antes da medição para se adequarem as condições da curva de calibração.
Todos os ensaios foram realizados em duplicata.

O percentual de corante removido foi calculado de acordo com a equação:

𝑅 = porcentagem de remoção (%);


𝐶𝑖 = concentração inicial antes da adsorção (mg.L-1);
𝐶𝑓 = concentração final após a adsorção (mg.L-1).

Efeito do pH na adsorção
Os ensaios para o estudo do efeito do pH foram realizados com uma concentração inicial de corante de 100
mg.L-1. O pH foi variado entre 4 e 9, uma vez que soluções fora desta faixa apresentam alterações na intensidade
da coloração da solução. Os valores de pH foram ajustados utilizando solução de NaOH e HNO 3 (0,5 mol.L-1).
Para este estudo, 1 g de carvão ativado comercial foi colocado em contato com 100 mL de solução de corante.
As amostras foram agitadas por 150 min e então analisadas no espectrofotômetro UV/VIS.

Efeito da quantidade de adsorvente na adsorção


Para se analisar o efeito da quantidade de adsorvente no processo de adsorção do VC utilizando CAG a massa de
adsorvente foi variada entre 0,5 e 3 g. O tempo de contato do adsorvente com a solução de corante com
concentração de 100 mg.L-1 sob agitação foi de 150 min.

Efeito do tempo na adsorção


O tempo de contato foi estudado em intervalos entre 5 e 480 min. Para a análise da cinética de reação uma massa
de 2 g de CAG foi colocada em contato com 100 mL da solução de corante VC com uma concentração de 100
mg.L-1.

Isotermas de sorção
De modo a ser obter os dados necessários para a construção das isotermas, a influência da concentração inicial da
solução de VC foi variada entre 100 e 1000 mg.L-1. As demais condições, como pH, quantidade de massa de
CAG e tempo de contato, foram obtidas a partir dos melhores resultados obtidos nos ensaios anteriores,

A capacidade de adsorção foi determinada pela equação:

Onde:
Qe = quantidade de soluto adsorvido na fase sólida (mg.g-1);
Ci = concentração inicial de soluto (mg.L-1);
Ce =concentração de soluto no equilíbrio (mg.L-1);
M = massa de adsorvente (g);
V = volume de solução (L).

153
Os modelos matemáticos utilizados para descrever os dados de equilíbrio foram os modelos de Langmuir e
Freundlich.
Resultados e discussão

Efeito do pH na adsorção
O pH é um dos fatores mais importantes nos processos de adsorção, pois além de afetar os sítios ativos na
superfície do adsorvente, grandes quantidades de H+ ou OH- podem competir pelos sítios ativos diminuindo
assim a capacidade de adsorção do adsorvente, além de estar diretamente relacionado ao grau de ionização dos
corantes (Annadurai et al., 2002; Çoruh et al, 2012).

Na Figura 1 pode-se observar o percentual de remoção do Violeta Cristal na faixa de pH entre 4 e 9 utilizando o
CAG.

Figura 1: Efeito da influência do pH no percentual de remoção do corante VC utilizando 100 mL de


solução com 1 g de CAG, tempo de contato deFigura 1Figura 1Figura 1Figura 1Figura 1 150 min e
corante a 100 mg.L-1.

Observa-se na Figura 1 que o pH 9 apresentou o maior teor de remoção de corante: 56,52 %. Contudo optou-se
por utilizar o pH 6 (remoção de aproximadamente 44,77 %) para os demais ensaios. Tal decisão foi baseada nos
seguintes fatos: I) a diferença nos percentuais de remoção de 6 a 9 não justifica incorrer em diluir a solução
devido a correção do pH, além de, adicionar ao sistema íons OH -, os quais podem competir com o VC na
adsorção, II) a proximidade deste com o pH natural da solução de Violeta Cristal Figura 1que é 5,5 e III) o pH 9
se encontra perto do limite superior onde há mudança na coloração da solução, provavelmente devido à mudança
da molécula com o pH.

Efeito da massa de sólido adsorvente na adsorção


A quantidade de sólido adsorvente está diretamente relacionada à área superficial total, ou seja, a quantidade de
sítios ativos disponíveis para se ligarem ao corante. Para tanto, variou-se a massa de modo a entender essa
relação. Na Figura 2 é possível observar a influência da quantidade de CAG com a remoção percentual.

154
Figura 2: Efeito da quantidade de massa de sólido adsorvente no teor de remoção utilizando 100 mL de
solução em pH 6, tempo de contato deFigura 1Figura 1Figura 1Figura 1Figura 1 150 min e corante a 100
mg.L-1.

Pode-se observar que o incremento de CAG aumenta o teor de remoção do corante até atingir o equilíbrio entre a
concentração adsorvida e a concentração na fase líquida.

Apesar da massa de 3 g apresentar uma melhor porcentagem de remoção (78,26 %), se deu continuidade aos
testes com uma quantidade de 2 g de sólido. Se observou que uma quantidade de CAG acima de 2 g lança na
solução uma grande quantidade de partículas finas devido ao processo de cisalhamento. Portanto, para os testes
subsequentes foi utilizada a massa de 2 g de CAG, que apresentou remoção de 72,10 %. Pode ser observado na
Tabela 1 as concentrações residuais de VC de acordo com as quantidades de sólido sorvente utilizadas.

Tabela 1: Concentração residual de Violeta Cristal em solução de acordo com a massa de CAG utilizada
(solução inicial 110 mg.L-1).

Concentração
CAG
Residual (mg.L-1)
0,5 101,97

1,0 71,54

1,5 58,33

2,0 34,29

2,5 32,88

3,0 26,94

Estudo Cinético
Para avaliar a influência do tempo na interação adsorvente-adsorvato foram realizados estudos cinéticos que
tiveram o objetivo de obter o melhor tempo de contato para o ponto ótimo de remoção.

155
Figura 3: Efeito do tempo de contato no percentual de remoção do corante utilizando 100 mL de solução
em pH 6, massa de CAG de 2 g e concentração de corante 100 mg.L-1.

A Figura 3 apresenta o resultado do teor de remoção de VC em função do tempo de contato. É possível observar
uma elevada taxa de remoção nos primeiros 30 min. Após esse tempo a taxa de remoção se torna mais lenta até
atingir a estabilidade, a qual se dá a partir dos 270 min (remoção de 89 %). Portanto, para garantir um teor de
remoção do corante de no mínimo 89 %, é aconselhável a utilização de 330 min de contato. Após esse período a
concentração residual é de aproximadamente 11 mg.L-1.

Isotermas de adsorção
As isotermas têm por finalidade avaliar a relação entre a capacidade de adsorção (Qe) com a concentração de
soluto no equilíbrio (Ce) a uma dada temperatura. Seus parâmetros são utilizados para se obter informações
sobre o mecanismo de adsorção e as propriedades de superfície.

Os dados experimentais de equilíbrio foram ajustados pelos modelos de Langmuir e Freundlich. A Figura 0
mostra a isoterma de adsorção para o corante VC utilizando como adsorvente CAG. A

Tabela 2 apresenta os parâmetros obtidos para os modelos analisados.

20

15
Qe(mg.g )
-1

10

5 Pontos experimentais
Langmuir
Freundlich
0
0 200 400 600 800 1000
-1
Ce (mg.L )
Figura 0: Ajuste dos modelos de isotermas de adsorção para os dados experimentais para o corante VC
utilizando CAG como adsorvente.

156
Tabela 2: Parâmetros das isotermas de adsorção do corante VC utilizando CAG como adsorvente.
Modelos Parâmetros
Langmuir
Qmax (mg.g-1) 26,36
KL (L.mg-1) 0,0028
R2adj 0,9590
Freundlich
KF (mg.g-1(mg.L-1)-1/nF) 0.7802
nF 2.11798
R2adj 0,9933

Pode-se observar na

Tabela 2 que o modelo de Freundlich foi o que melhor se ajustou aos dados experimentais, uma vez que
apresentou os maiores valores de coeficiente de determinação (R2). Esse resultado indica que houve formação de
multicamadas de moléculas de soluto sobre a superfície do adsorvente e que a afinidade de adsorção aumentou
proporcionalmente com a elevação da concentração do adsorvato até a saturação.

Considerações finais
O presente trabalho buscou elucidar quais são as melhores condições operacionais para remoção do Violeta
Cristal (VC) utilizando carvão ativado granular (CAG) como adsorvente, e como esse processo de adsorção
ocorre.

O estudo inicial foi de avaliação da influência do pH do meio para remoção do VC. O pH 6 foi escolhido
considerando fatores de viabilidade técnica e econômica. Nesse pH, diminui-se o gasto que se teria na correção
do pH da solução, havendo economia nos custos do processo chegando-se a um índice de remoção equiparável
ao obtido com os demais valores de pH aplicados.

No estudo de avaliação da quantidade de adsorvente, o aumento para 3 g de sólido em solução, apesar de


fornecer melhor teor de remoção (78,26 %) gerou como inconveniente uma alta carga de particulados finos em
suspensão. Por isso, determinou-se como melhor resultado a aplicação de 2 g de CAG, onde se atingiu uma
remoção de 72,10 %.

O tempo de contato é uma variável importante para o processo, pois há um tempo mínimo para que o equilíbrio
seja alcançado. Aos 270 min observa-se uma tendência de estabilidade, confirmada aos 300 min. Para garantir
que que se esteja trabalhando dentro do intervalo de equilíbrio o tempo de 330 min foi escolhido para os demais
ensaios de adsorção.

No estudo do equilíbrio da adsorção o modelo matemático de Freundlich foi o que melhor descreveu os dados
experimentais

Agradecimentos

Os autores agradecem à UFRGS, CAPES e CNPQ.

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158
9REA144
GERAÇÃO DE ENERGIA LIMPA E ACESSÍVEL NA
COOPERATIVA CERTEL

Julio Cesar Salecker1


1
Universidade UFRGS, e-mail: juliosalecker@gmail.com

Palavras-chave: Cooperativa; Energia; ODS7.

Resumo
Gerar energia “Limpa e Acessível”, aproveitando as potencialidades de nosso território e de fato
disponibilizar ao associado da cooperativa uma matriz energética mais limpa e com melhor acesso
físico-financeiro, alinhando-se ao ODS7 da ONU para 2030, tem sido prática diária na CERTEL. Para
a ONU todo empreendimento hidrelétrico que tenha a relação da potência instalada pela área alagada
maior que 4 MW/km2 é mecanismo de desenvolvimento limpo – MDL, no Brasil, de grande potencial
hidrelétrico, temos as pequenas centrais hidrelétricas – PCH’s e centrais geradoras hidrelétricas –
CGH’s como fontes alternativas ao modelo de grandes hidrelétricas. Com foco em energias limpas,
renováveis e alternativas, a cooperativa vem desenvolvendo, implantando e operando projetos de
geração em sua área de atuação que abrange 48 municípios do RS, tendo em operação 4 hidrelétricas,
4.512 km de rede de distribuição de energia com 69.769 postes de concreto e 7.801 transformadores.
A CERTEL iniciou suas atividades em 1956, sendo a forma empresarial cooperativa escolhida pelos
174 pioneiros para gerar e distribuir energia de uma pequena hidrelétrica de 75 kVA no distrito de
Teutônia, hoje é a maior e mais antiga cooperativa de infraestrutura do Brasil alcançando com energia
à 64.895 consumidores, universalizando o acesso. Como parte dos frutos de sua política de
investimentos em energias limpas, fornece energia a custos em torno de 33% a menos que outras
concessionárias, gera emprego e renda em suas localidades, mantém o sistema elétrico mais confiável,
reduz o lançamento de CO2 na atmosfera e potencializa a sustentabilidade com geração de energia
própria, buscando a autossuficiência energética.

1. Introdução
A CERTEL iniciou suas atividades em fevereiro de 1956, como cooperativa de energia, para dar
continuidade e melhoria ao acesso à energia elétrica, possibilitando o desenvolvimento das comunidades locais e
interação com o sistema energético nacional. Em 1956 não havia energia elétrica em boa parte do Rio Grande do
Sul, especificamente, no distrito de Teutônia, onde havia necessidade crescente de demanda e falta de
organização institucional e populacional. Desta forma, 174 pioneiros se somaram ao empreendedorismo do Sr.
Reinoldo Aschebrock que, em 1950, havia implantado a primeira hidrelétrica no Morro da Harmonia (Meire,
2006). Nota-se que já no primeiro empreendimento houve a busca pela produção de energia elétrica renovável
disponível na forma hidráulica, opção de aproveitamento ideal dada às características regionais (relevo,
hidrologia, precipitação, etc) em gerar energia limpa, atrelado ao domínio de tecnologia de implantação e
operação da época (Figura 5).

159
Figura 5: Passado e presente - CERTEL.

Como cooperativa todos seus movimentos são decididos em assembleias gerais de seus cooperados, e
quando na década de 90 o Brasil se regulou para desverticalizar o sistema elétrico nacional, a Certel novamente
decidiu investir em geração de energia, para garantir o produto principal do ato cooperativo, iniciando uma nova
fase de investimentos em sua área de abrangência
Os principais marcos históricos da CERTEL estão apresentados na tabela 1.

Tabela 1 – Marcos históricos da CERTEL


Ano Descrição
1950 Aschebrock & Cia Teutônia/Estrela - construção de uma usina hidrelétrica com 75 kW;
1956 Fundação da Cooperativa de Eletricidade Rural de Teutônia Ltda. CERTEL;
1958 Nova unidade geradora de 75 kW;
1998 Inventário Hidrelétrico do Rio Forqueta;
2002 Operação da PCH Salto Forqueta, com potência de 6.124 kW;
2005 Operação da CGH Boa Vista, com potência de 700 kW;
2013 Operação da PCH Rastro de Auto, com potência de 7.020 kW;
2016 Operação da PCH Cazuza Ferreira com potência de 9.100 kW;
2017 Início de operação da Usina Solar FV, com potência de 20,67 kW.

Hoje a CERTEL conta com 01 CGH, 03 PCHs. 01 Usinas Solares Fotovoltaicas, totalizando 22.964,67 kW
de potência instalada.
Este artigo visa apresentar as práticas de geração de energia elétrica limpa na cooperativa CERTEL -
Cooperativa Regional de Eletrificação Teutônia, demonstrando nexo entre sua política de investimentos e o
desenvolvimento energético sustentável em sua área de atuação para a produção de energias renováveis através
de PCH’s (Pequenas Centrais Hidrelétricas) e CGH’s (Centrais Geradoras Hidráulicas). Desta forma serão
apresentadas as principais metodologias de decisão adotadas na manutenção e implementação de seus sistemas

160
de geração de energia elétrica. Objetiva-se, com estre trabalho, contribuir profissionalmente em debates e
discussões técnicas na 9ª Reunião de Estudos Ambientais, a partir da experiência da cooperativa.

2. Metodologia
A lógica de gerar seu próprio produto é irrefutável, mas isto não poderia ser de qualquer forma, sem
avaliação criteriosa, primando pelos princípios basilares do cooperativismo e também de preservação ambiental.
Desta forma buscou-se investimentos regionais, financiados por BRDE, BADESUL e recursos próprios, para o
desenvolvimento das localidades, ambientalmente sustentáveis e que trouxessem economicidade, na obtenção de
energia pelo associado/consumidor. A tabela 1 apresenta os valores relativos aos últimos leilões de energia
elétrica da ANEEL, com destaque para as PCHs, uma vez que esta é a principal fonte de energia da cooperativa.

Tabela 2 - Valores dos últimos leilões de energia - ANEEL.

Para a sustentabilidade ambiental foram voltados os esforços de geração com foco na energia renovável
através de suas diferentes matrizes energéticas, tais como, energia solar (sol), eólica (vento) e hidráulica (rios e
correntes de água). A energia maremotriz (mares e oceanos); a biomassa (matéria orgânica) e a energia
geotérmica (calor da Terra) são outras formas de energia renovável.Aumentar a oferta de energia é um dos
muitos desafios que os profissionais do setor vêm enfrentando nos últimos anos. É preciso ampliar a capacidade
de geração, melhorando o aproveitamento de fontes convencionais como água, carvão e gás, através de
melhoramentos em seus sistemas convencionais, desenvolvendo assim, novas tecnologiasaos sistemas já
existentes por meio de inserção de novas turbinas, de melhor eficiência, reaproveitamento de materiais de
combustão com maior capacidade calorifica do que o carvão, ou mesmo através da produção de bio-gás
considerando fontes de produção agrícola.
As energias renováveis são consideradas como "energias alternativas" ao modelo energético tradicional,
tanto pela sua disponibilidade garantida (presente e futura), diferente dos combustíveis fósseis que precisam de
milhares de anos para a sua formação, como pelo seu menor impacto ambiental, sendo representadas
principalmente pelas hidrelétricas de pequeno, médio e grande porte.
No âmbito do Desenvolvimento Regional, as pequenas hidrelétricas contribuem através das seguintes
características;

161
- Os pequenos lagos formados pelas PCHs propiciam retenção de água no ciclo terrestre e possibilitam
usos múltiplos (lazer, pesca ecológica, reserva de água para uso humano / animal, dentre outros);
- As áreas no entorno dos lagos são preservadas e monitoradas (Área de Presernvação Permanente);
- Criam-se postos de trabalho em locais geralmente de difícil acesso ajudando na fixação de população
local;
- Regionaliza investimento e desenvolvimento (reduz evasão de recursos financeiros);
- Melhora e consolida o "Moral" regional;
- Melhora o orçamento do município de instalação (na forma de ISSQN na obra, ICMS sobre o valor
agregado e CFURH);
- Reduz perdas nas redes de distribuição de energia;
- É elegível como mecanismo de desenvolvimento limpo - MDL em créditos de carbono (condição de
todo aproveitamento com mais de 4 MW/km2).
Os lagos podem ter uso paralelo a irrigação de culturas à jusante;
- Na emissão de CO2 (gás de efeito estufa) para geração de eletricidade conforme a fonte (Convênio
ECV DTP 001/2012 Eletrobrás/UFSC):
Gás natural ciclo simples 0,532 t.CO2/MWh
Gás natural ciclo combinado 0,367 t.CO2/MWh
Carvão pulverizado 1,099 t.CO2/MWh
Carvão leito fluidizado 0,873 t.CO2/MWh
Óleo diesel 0,762 t.CO2/MWh
Óleo combustível 0,774 t.CO2/MWh

PCH 0,010 t.CO2/MWh


UHE 0,003 t.CO2/MWh

Conforme evidencia-se as vantagens do Brasil em aproveitar seu potencial hidrelétrico, mesmo com
movimentos contrários aos barramentos, a preocupação deve ser de reduzir os combustíveis fósseis de nossa
matriz energética. A energia elétrica corresponde a 17,5% da matriz energética nacional, sendo somente 65,2%
oriunda do aproveitamento de recursos hídricos, conforme Figura 2.
A ONU, através do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 7 (ODS 7) reconhece a importância e
traça metas focadas na transição energética de fontes não renováveis e poluidoras para fontes renováveis limpas,
com especial atenção às necessidades das pessoas e países em situação de maior vulnerabilidade.
Com base neste ODS 7, a CERTEL conclui o entendimento, com a diretriz de investimentos e a atual
universalização do acesso físico a energia elétrica, a preços atualmente inferiores em 33% do praticado pela
concessionaria.

162
Figura 2 - Matriz energética e elétrica – EPE (2018).

163
3. Resultados e Discussões
A partir da metodologia de investimentos e priorização de fontes energéticas renováveis por parte da
CERTEL, foi constituído o atual parque gerador, o qual é apresentado pela descrição dos empreendimentos em
operação.

3.1. Pequena Central Hidrelétrica Salto Forqueta – PCHSF


Potência Instalada: 6,124 MW
Energia Média/Ano: 32.197,38 MWh
Fator de Capacidade: 0,60
Queda Bruta: 33,50 m
Área Inundada: 0,34 km²
Rio: Forqueta
Municípios: Putinga/São José do Herval
Densidade de Potência: 18,01MW/km²
Energia para aproximadamente 18.000 pessoas
Entrada em operação: Dezembro/2002
Índice de Mérito: R$ 2.293,76/kWi
CRÉDITO CARBONO: 8.545,18 ton de CO2 evitados por ano.

Figura 3 - Imagens Hidrelétrica Salto Forqueta - CERTEL.

3.2. Central Geradora Hidrelétrica Boa Vista – CGHBV


Potência Instalada: 0,700 MW
Energia Média Ano: 4.237,00 MWh
Fator de Capacidade: 0,69
Queda Bruta: 7,62 m
Área Inundada: 0,06 km²
Rio: Arroio Boa Vista

164
Município: Estrela
Densidade de Potência: 11,67MW/km²
Energia para aproximadamente 2.000 pessoas
Entrada em Operação: Outubro/2005
Índice de Mérito: R$5.001,91/kWi
CRÉDITO CARBONO: 1.124,50 ton de CO2 evitados no ano.

Figura 4 - Imagens Hidrelétrica Boa Vista - CERTEL.

3.3. Pequena Central Hidrelétrica Rastro de Auto – PCHRDA


Potência Instalada: 7,020 MW
Energia Média Ano: 38.027,16 MWh
Fator de Capacidade: 0,62
Queda Bruta: 43,2 m
Área Inundada: 0,28 km²
Rio: Forqueta
Municípios: São José do Herval/Putinga
Densidade de Potência: 25,07 MW/km²
Energia para aproximadamente 21.000 pessoas
Entrada em operação: Julho/2013
Índice de Mérito: R$7.546,06/kWi
CRÉDITO CARBONO: 10.092,41 ton de CO2 evitados por ano.
REGISTRO APROVADO NA ONU EM 07/01/2010.

165
Figura 5: Imagens Hidrelétrica Rastro de Auto - CERTEL.

3.4. Pequena Central Hidrelétrica Cazuza Ferreira – PCHCF


Potência Instalada: 9,1 MW
Energia Média Ano: 49.231,20 MWh
Fator de Capacidade: 0,55
Queda Bruta: 90 m
Área Inundada: 0,22 km²
Rio: Lajeado Grande
Município: São Francisco de Paula
Densidade de Potência: 41,3 MW/km²
Energia para aproximadamente 28.000 pessoas
Entrada em operação: Março/2016
Índice de Mérito: R$3.376,49/kWi
CRÉDITO CARBONO: 12.504,72 ton de CO2 evitados no ano.
REGISTRO APROVADO NA ONU EM 07/01/2010.

166
Figura 6 - Imagens Hidrelétrica Cazuza Ferreira - CERTEL.

3.5. Usina Fotovoltaica Iniciador


Potência – 20,67 kWp
Área – 204 m² - 20,60 m comprimento e 9,90 de largura;
78 módulos fotovoltaicos policristalino;
25º de inclinação com direção ao norte;
1 inversor trifásico;
1 módulo de monitoramento;
16 conjuntos conectores fotovoltaicos;
Município: Teutônia
Entrada em operação: Dezembro/2017
Energia Média Ano: 27,70 MWh
Fator de Capacidade: 0,17
Índice de Mérito: R$3.3850,00/kWi
CRÉDITO CARBONO: 7,35 ton de CO2 evitados no ano.

167
Figura 7 - Imagens UFV Iniciador - CERTEL.

A PCH Salto Forqueta foi o marco de retorno a geração de energia e pioneira no envolvimento da
comunidade regional, com a universidade local integrada na execução do projeto ambiental. A CGH Boa vista
foi uma repotencialização de uma hidrelétrica de 1946, nesta a vantagem foi aproveitar o impacto já existente no
meio ambiente, já que não foi necessário ampliação das estruturas. A PCH Rastro de Auto manteve e divulgou o
patrimônio popular no meandro e foi a primeira a realizar o registro de MDL na ONU. A PCH Cazuza Ferreira
aproveitou a cachoiera do meandro, implantando um programa de visitação a paisagem natural e tem o maior
índice de densidade de potência. A Usina fotovoltaica introduziu a cultura solar na cooperativa, demonstrou
necessidade de viabilidade financeira com redução dos custos de implantação. Todos empreendimentos cumprem
com a meta de redução de custos na aquisição de energia, ajudam na preservação do meio ambiente e reforçam o
sistema energético da cooperativa, mas as hidrelétricas PCH tem melhor rendimento face ao fator de capacidade
e possibilidade de pequena gestão dos lagos.

4. Comentários Finais
Com aderência ao tema “Fontes de Energias Renováveis e novas possibilidades de aplicação” este artigo
apresentou os empreendimentos da mais antiga cooperativa de infraestrutura do Brasil numa demonstração
prática da ocorrência e implementação de um sistema de cooperativa vinculado a geração de energia em nível
regional, comprovadamente aplicando a produção energética a fontes de energia limpa e renovável, de maneira a
propiciar o acesso físico e econômico à energia gerada, com sustentabilidade e praticidade.

Agradecimentos
À Cooperativa CERTEL, na pessoa de seu presidente Erineo Hennemann, pela disponibilidade e acesso
as informações necessárias para a execução deste trabalho.
Ao prof. Dr. Cristiano Poleto pelo incentivo e desafio à participação ao 9º Reunião de Estudos
Ambientais.

168
O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal Nível
Superior - Brasil (CAPES) - Código de Financiamento 001, agradeço também ao Programa de Mestrado
Profissional em Rede Nacional em Gestão e Regulação de Recursos Hídricos - ProfÁgua, Projeto CAPES/ANA
AUXPE Nº. 2717/2015, pelo apoio técnico científico aportado até o momento.

Referências bibliográficas
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TÉRMICA EM ENERGIA PRIMÁRIA E EM EMISSÕES DE DIÓXIDO DE CARBONO A SEREM USADOS
NA ETIQUETAGEM DE NÍVEL DE EFICIÊNCIA ENERGÉTICA DE EDIFICAÇÕES RELATÓRIO
INTERNO: RI 61/2017 Elaborado por (equipe): Coordenação: Prof. Roberto Lamberts, PhD NC – Núcleo de
edificações comerciais: Pesquisador B: Ricardo Forgiarini Rupp Florianópolis, 07 de abril de 2017.

169
9REA146
ANÁLISE AMBIENTAL DA SUB-BACIA DO CÓRREGO DO
CABOCLO COM O USO DE SIG NO MUNICÍPIO DE
MONTANHA – ES

Ediu Carlos Lopes Lemos1, Dalvan Gonçalves Mendes2


1
Instituto Federal do Espírito Santo,e-mail: ediulemos@hotmail.com; 2Instituto de Defesa
Agropecuária e Florestal do Espírito Santo,e-mail: dalvangmendes@gmail.com

Palavras-chaves: abastecimento de água; Montanha; recuperação nascente.

Resumo
O presente trabalho faz uma análise da situação ambiental da sub-bacia relacionando a forma de uso e ocupação
dos solos principalmente nas áreas de APP com a conservação e proteção dos recursos hídricos. Na metodologia
da pesquisa foi utilizado o SIG, através do tratamento digital de imagem, dados e informações vetoriais da
hidrografia, MDE tendo como produto a elaboração de mapas temáticos através do software Quantum GIS. Os
resultados obtidos indicam que 84% das áreas de APP hídrica estão em uso e desprovidas de qualquer proteção,
foram identificadas 50 nascentes das quais apenas 8 apresentam vegetação nativa em estágio inicial ou
intermediário de regeneração. Os cursos d’água e nascentes da sub-bacia não dispõem de sua vegetação ciliar,
induzindo ao assoreamento e a contaminação do principal recurso hídrico que atualmente abastece a cidade a
Montanha/ES.

Keywords: water supply; Mountain; Recovery.

Abstract
The present work analyzes the environmental situation of the sub-basin, relating the form of land use and
occupation, mainly in the areas of APP with the conservation and protection of water resources. In the
methodology of the research, the GIS was used, through the digital image treatment, data and vector information
of the hydrography, MDE, with the production of thematic maps through Quantum GIS software. The results
indicate that 84% of the water APP areas are in use and devoid of any protection, 50 springs were identified, of
which only 8 present native vegetation in the initial or intermediate stage of regeneration. The watercourses and
springs of the sub-basin do not have their ciliary vegetation, inducing silting and contamination of the main water
resource that currently supplies.

Introdução

A crescente pressão sobre os recursos de água doce, causada pelo aumento da demanda, pelo
desperdício e progressiva degradação em nível planetário, é tema de profunda preocupação na atualidade. Neste
contexto, a bacia hidrográfica tem-se revelado importante unidade espacial utilizada para gerenciar as atividades
de uso e a conservação dos recursos naturais, de modo que estes satisfaçam, sem impactar negativamente a
Natureza, as necessidades sociais, em consonância com o suporte para o ordenamento territorial e ambiental
(Corrêa Filho et al., 2004).
A água é um recurso essencial para todas as espécies, pois mantém a vida no planeta, sustenta a
biodiversidade, a produção de alimentos, dentre outros. Portanto, tem grande importância ecológica, econômica
e social. Infelizmente, é generalizado os problemas relacionados à escassez de água devido ao mau uso dos
recursos hídricos (Molinario & Freitas, 2006).
Conforme o relatório Mundial das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento dos Recursos Hídricos
(UNESCO, 2015), 748 milhões de pessoas em todo o mundo ainda não têm acesso água potável; estima-se que a
população mundial deverá enfrentar um déficit de 40% no abastecimento de água até 2030 caso não tome
medidas drásticas para melhorar a gestão dos recursos naturais.

170
A análise ambiental pode se definir como o conhecimento de todos os componentes ambientais de uma
determinada área, para a caracterização da sua qualidade ambiental (Ivone Rodrigues et al., 2005). Portanto,
elaborar uma análise ambiental é interpretar a situação ambiental problemática dessa área, a partir da interação e
da dinâmica de seus componentes relacionada aos elementos abióticos e bióticos. O SIG é uma ferramenta que
auxilia no planejamento, servindo de base para o conhecimento e o exame da situação ambiental (Rodrigues &
Carneiro, 2012).
A necessidade de se captar informações geográficas e trabalha-las de forma que elas possam ser uteis no
estudo ambiental de uma determinada área, origina a importância da utilização dos Sistemas de Informações
Geográficas- SIG, que são equipamentos e meios tecnológicos para se estudar o espaço terrestre. São utilizadas
por pesquisadores, empresas, ONGs, governos, serviços de inteligência, entre outros (Brito et al., 2013).
Azemoy, Smith e Sicherman (1981), define SIG como:

“Conjunto de funções automatizadas, que fornecem aos profissionais,


capacidades avançadas de armazenamento, acesso, manipulação e
visualização de informação georreferenciada”.

O SIG nasce nos Estados Unidos e No Reino Unido entre 1950 e 1975, no início há poucos dados em
máquinas e são ações individuais, até 1982 foi realizado um grande esforço por parte da iniciativa privada para o
seu desenvolvimento, e desenvolvimento de bases de dados geográficas em grande escala. A partir daí até os dias
atuais os SIGs disponibilizam dados centralizados, acessíveis através das redes de telecomunicações (Barros &
Freitas, 2012).
Os estudos de Mapeamento Temático visam a caracterizar e entender a organização do espaço, como
base para o estabelecimento das bases para ações e estudos futuros. Como exemplo pode-se citar levantamentos
temáticos como: geologia, geomorfologia, solos, cobertura vegetal. No Brasil esse estudo é incipiente,
especialmente em escalas maiores. “Como o caso da Amazônia, onde o mais abrangente conjunto de dados
temáticos existente é o realizado pelo projeto RADAM, no qual os dados foram levantados na escala 1: 250.000
e compilados na escala 1:1. 000.000” (Câmara & Medeiros,1998).
Um grande exemplo da utilização do SIG como forma de análise ambiental no estado do Espirito Santo
é o seu uso como instrumento de suporte à gestão e planejamento ambiental, chamado de Geobases (Sistema
Integrado de Bases Geoespaciais do Estado do Espírito Santo). O SIG é constituído por um conjunto de
“camadas” de informações de múltiplo uso, devidamente preparada para operações, formando uma base de uso
comum para ser usada por pessoas e instituições que tenham interesse em processamento espacial de informações
em várias áreas do conhecimento.

Material e Métodos

Para realizar a análise ambiental da micro bacia do córrego do caboclo foram realizadas vistorias a
campo e complementado com geoinformações do Sistema de Informação Geográfica (SIG) e bancos de dados
geoespaciais disponibilizado pelo GEOBASES.
Para o levantamento dos dados secundários foi realizada uma revisão bibliográfica sobre a bacia
hidrográfica do Rio Itaúnas. Os dados primários foram obtidos por visitas in loco, no qual se observou as áreas
de APP, fragmentos florestais, tipo de uso do solo, e sinais de erosão. A partir do banco de dados de informações
geoespaciais disponibilizados pelo GEOBASES, procedeu-se a delimitação das áreas identificadas como
remanescentes florestais por vetorização manual. Esse método exige uma maior capacidade de interpretação por
parte do operador, posto que cada fragmento de vegetação deva ser trabalhado individualmente. Foi usada a
técnica de vetorização manual, já que as classificações automáticas e semiautomáticas incorrem, frequentemente,
em erros de interpretação, sobretudo quando há imagens de distintos sensores. Os fragmentos florestais nas
bandas das imagens selecionadas podem ser distinguidos prioritariamente a partir de sua cor, textura e forma.
A partir dos dados coletados foram calculados: a) área total da micro bacia, b) extensão da rede e
densidade de drenagem, c) áreas inundadas por represas, d) área de Área de Preservação Permanete-APP, e)
áreas de uso do solo; f) áreas de vegetação nativa, g) número de nascentes, h) tipo de vegetação nas APPs das
nascentes, i) relevo da micro bacia e sistema de drenagem. Então, todas as informações obtidas foram
interpretadas e os dados analisados.

171
Resultados e Discussão

Área de Drenagem da Micro Bacia

A micro bacia de contribuição à montante da principal captação de água para abastecimento público de
Montanha/ES possui uma área de drenagem (A) de 3564,36 ha ou 35,64 km².
A área da micro bacia é de extrema importância para o abastecimento da cidade de Montanha por estar
localizada logo acima da cidade. Ela alimenta a barragem utilizada pela CESAM (Companhia Espírito Santense
de Saneamento - ES) para o abastecimento local.

Rede de Densidade e Drenagem

A rede de drenagem foi delimitada, perfazendo um total de 47,42 km de cursos d’água, isso justifica a
classificação da área como micro bacia já que se trata de uma rede de drenagem menor que 100 km ².
A densidade de drenagem calculada foi de 1,33 km de cursos d ‘água / km² de área da bacia.

Áreas Inundadas por Represas

Um total de 24,50 ha é ocupada por represas em toda área da micro bacia, correspondendo a 0,69% da
sua área total. As áreas estão estratificadas quanto ao seu tamanho assim como demonstrada o gráfico na
Figura 1.

Figura 1 - Área inundada por represas de acordo com o tamanho das mesmas em hectares

Área de Preservação Permanente (APP)

As APP delimitadas foram classificadas em 2 tipos são elas: APP hídrica e APP por declividade /Topo
de morro. A hídrica foi delimitada a partir 30 m das margens dos cursos d’água e de represas acima de 1 ha de
área inundada e 50 m de raio no entorno de nascentes totalizando 256,46 ha. Já a APP por declividade
determinada áreas de encosta superior a 45°, equivalente a 100% (cem por cento) na linha de maior declive e
topo de morro com altura mínima de 100 (cem) metros e inclinação média maior que 25°, as áreas delimitadas a
partir da curva de nível correspondente a 2/3 (dois terços) da altura mínima da elevação sempre em relação à
base, sendo está definida pelo plano horizontal determinado por planície ou espelho d’água adjacente ou, nos
relevos ondulados, pela cota do ponto de sela mais próximo da elevação, elas somaram juntas 74,25 ha. Segue
demonstração no gráfico na figura 2.

172
Figura 2- Área de APP por origem, em hectares.

Área de Uso do Solo

As áreas de uso do solo foram determinadas como: áreas ocupadas por represas, às áreas em uso
(pastagem ou plantios) e as áreas de vegetação nativa, sendo elas apresentadas com a distribuição demonstrada
na Figura 3.

Figura 3- Uso e ocupação do solo da micro bacia.

A predominância da pecuária de corte extensiva na micro bacia é evidente, como se pode notar na figura
4, ela tem acarretado grandes impactos ambientais sobre a bacia já que a grande maioria das propriedades não se
preocupam com a preservação das áreas de preservação permanente e nem praticam nenhuma ação que minimize
os impactos gerados pela atividade. Algunss impactos podem ser notados como erosão no solo e o assoreamento
dos córregos e nascentes.

173
Figura 4- Uso e ocupação do solo na área da bacia, em hectares.

Vegetação: Estudo das fisionomias

A maioria da área de estudo está inserida sobre a Formação Barreiras (Tabuleiros Terciários) cuja
vegetação enquadra-se na Região da Floresta Ombrófila Densa Sub-Montana (IBGE, 1987; Veloso et al., 1991),
também denominada Floresta Atlântica dos Tabuleiros (Rizzini, 1997; Peixoto et al., 2008).
A maior parte da vegetação original na bacia hidrográfica foi substituída por atividades antrópicas e as
diferentes tipologias vegetais podem ser identificadas:

Pastagem: Fisionomia mais frequente na bacia, formada pelo plantio de espécies herbáceas de gramíneas
exóticas, principalmente dos gêneros Urochloa, para alimentação do gado bovino por meio do pastoreio. Em
meio a essas forrageiras, ocorrem indivíduos isolados de espécies nativas arbustivo-arbóreas como Astronium
graveolens (aderne), Attalea dubia (indaiá), Stryphnodendron barbatimam (barbatimão) e Macaherium hirtum
(angico roxo); representando processos de regeneração natural, normalmente por rebrota, ou são remanescentes
do ambiente floresta grandis), dendê (Elaeisguineensis), jamelão (Syzygium cumini) e manga (Mangi ferainidca)
(Souchie & Pinto, 2015).

Brejo: Vegetação paludícola de fisionomial que outrora ocupava essas áreas. Além desses também ocorrem
táxons exóticos como eucalipto (Eucalyptus herbácea localizada na margem de córrego, formada principalmente
por espécies hidrófilas como Typha domingensis (taboa), Nymphea ampla (aguapé), Ludwigia octovalvis (salsa
do brejo), Acrostichum aureum (samambaia do brejo) e várias Cyperaceae, além da própria Urochloa spp que
invade esse ambiente aquático proveniente das pastagens do entorno (Souchie & Pinto, 2015).

Macega: Agrupamentos vegetacionais de porte herbáceo-arbustivos resultante da cessão de atividades


agropecuárias, permitindo o crescimento de espécies herbáceas exóticas, como o capim-colonião (Mega
thyrsusmaximus) e braquiárias (Urochloaspp) e subarbustos nativos considerados plantas daninhas (Lorenzi,
2000), tal como Ricinuscomunis, Sida cordifolia, Lantanacamara, Urenabulata. Nessas macegas ocorrem
indivíduos isolados de espécies arbustivo-arbóreas pioneiras (Lorenzi, 2000) como Schinusterebinthifolius
(aroeira), Bougainvilleaspectabilis s (capa garrote), Psidium guajava (goiaba), evidenciando processos
sucessionais naturais. São comuns também nessa tipologia, elementos alóctones, sobretudo frutíferas ou plantas
ornamentais, um reflexo da antropização da área de estudo, nesse contexto destaca-se a Mangifera indica
(manga), Muntigiacalabura (calabura), Licania tomentosa (oiti), Terminaliacattapa (castanheira) e
Syzygiumcumini (jamelão), dentre outros (Lorenzi, 2000).

Áreas de Vegetação Nativa

A vegetação original da área abrangente da micro bacia faz parte do bioma da Mata Atlântica e
corresponde a 158,20 ha, que equivale a apenas 4,44 % da área total da bacia de acordo com os dados obtidos
através de fotos de satélite a cobertura de mata nativa. Comparativamente com as demais coberturas superficiais,
as áreas florestais apresentam, na imagem, coloração muito escura, alguns níveis de cinza abaixo das sombras e
dos corpos d’água. A textura é áspera, apresentando ligeiras rugosidades, demonstrando um padrão heterogêneo

174
de dossel. Por último, sua forma, na maioria das vezes não é definida, sendo que as bordas são irregulares.
As áreas de vegetação nativa foram ainda estratificadas quanto ao estágio de recuperação que
apresentavam, sendo suas áreas demonstrada na Figura 5.

Figura 5- Composição da vegetação nativa da Micro Bacia Nascentes

Foram identificadas 50 nascentes, sendo elas estratificadas quanto ao estágio de recuperação que suas
APPs apresentavam como pode ser visto na Tabela 1 a seguir:

Nascentes com tipos de vegetação no entorno Quantidade %

- com APP com vegetação nativa em estágio inicial a Intermediário 8 16


- com APP com vegetação nativa ausente ou insignificante 42 84

Total 50 100

Tabela 1 – Nascente com estágio de recuperação e suas APPs

Relevo da Micro Bacia

A região é caracterizada por um relevo suave ondulado segundo o Instituto Jones dos Santos Neves
(2009). O ponto mais alto da micro bacia está a 298 m acima do nível do mar e o ponto mais baixo a 215 m no
exutório, gerando um desnível de 83 m, considerando uma distância de 6,54 km de distância do ponto mais alto
ao exutório, resulta um desnível de 1,27%, como pode ser observado na Figura 6.

175
Figura 6- Mapa de elevação da micro bacia.

Sistema de Drenagem

O sistema de drenagem foi avaliado pelos parâmetros de Coeficiente de Compacidade (Kc), Densidade
de Drenagem (Dd), Sinuosidade (Sin), Coeficiente de Manutenção (Cm) e o Tempo de Concentração Hidráulica
(Tc).
Conforme a classificação hierárquica utilizada de Strahler (1964, citado por Martins, 2012), verificou-se
que a micro bacia de contribuição até o local de captação para o abastecimento da cidade de Montanha é
apresenta uma classificação de terceira ordem conforme a classificação dos cursos d’água. Mostrando que o a
micro bacia é de porte médio.
A Densidade de Drenagem (Dd) é obtida através da relação entre os comprimentos total dos cursos
d’água (L) e a área total (a) através da fórmula Dd = L/A. A extensão da rede de drenagem e área da bacia foram
calculadas utilizando o software QuantumGIS versão 2.14.0, perfazendo um total de 47,42 km de cursos d’água
em 35,64 km² de área da bacia.
Os valores de densidade de drenagem variam de 0,5 a 3,5 ou mais (Villela & Matos, 1975, citado por
Martins, 2012), sendo os valores inferiores a 0,5 km/km² indicam bacias com drenagem pobre, valores entre 1,5
e 2,5 km/km² indicam bacias com drenagem regular, valores entre 1,5 e 2,5 km/km² indicam bacias com boa
drenagem e o valor entre de 2,5 e 3,5 que indicam bacias bem drenadas. Substituindo os valores na fórmula tem-
se: Dd = 47,42/35,64 e se obtém o seguinte resultado Dd = 1,33.
Esse valor, segundo Villela & Matos (1975, citado por Martins, 2012) note, indica uma bacia com
densidade de drenagem regular. A demonstração da rede de drenagem da micro bacia pode ser vista na figura 7.

176
Figura 7- Rede de drenagem da micro bacia.

QUALIDADE AMBIENTAS DOS PRINCIPAIS RECURSOS NATURAIS DA MICRO BACIA

As matas ciliares dos cursos d’água e nascentes são praticamente inexistentes na área da micro bacia,
dando lugar à agricultura e às pastagens. As matas ciliares são extremamente importantes, pois, exercem o papel
de proteger os corpos d’água do assoreamento e da contaminação com defensivos agrícolas, além de
contribuírem com a preservação da fauna. No levantamento realizado na micro bacia através de visitas in loco e
de imagens de satélite foram detectadas 50 nascentes.

Atividades Potencialmente Poluidoras

São consideradas como atividades potencialmente poluidoras na micro bacia:

Pecuária e Agricultura:
Predominantemente grande parte da bacia é ocupada por pecuária, com vasta extensão de pastagem. O
desenvolvimento de atividades agropecuárias implicou no uso de pesticidas e fertilizantes. O uso de tais
compostos químicos pode ocasionar alterações das propriedades físicas, químicas e hidráulicas do solo. Como
consequências, os processos de infiltração, de escoamento superficial e subterrâneo são significativamente
afetados, podendo causar a poluição dos corpos hídricos. O efeito indesejável desses eventos é o
comprometimento da qualidade das águas da bacia. O pisoteamento do solo causado pela pecuária, causa sua
compactação, isso diminui a infiltração da água no solo e consequentemente compromete a alimentação dos
lençóis freáticos, além e elevar o escoamento superficial e contribuir para a aceleração dos processos erosivos.

Conclusão

Em vários lugares já se pode ver a dificuldade das pessoas em ter acesso à água. Esse problema não se
deu unicamente pela variabilidade do clima, embora seja este um dos principais fatores. Sem dúvidas o sistema
de bacias de contribuição tem grande influência nesta questão, principalmente pela falta da vegetação ciliar, cuja
falta afeta diretamente os cursos d’água tanto em relação à quantidade como à qualidade da água.
Apesar de a micro bacia em estudo estar localizada no interior do estado do Espírito Santo, onde se tem
um consumo de água menor por conta do tamanho da população, as pessoas não estão livres de sofrerem com a
falta d’água.
Pode-se concluir que a micro bacia que contribui no abastecimento da cidade de Montanha/ES possui
boas características geomorfométricas, porém, o uso da área da bacia é inadequado.
Analisando as nascentes e os cursos d’água da micro bacia pode-se ter uma visão da gravidade da
situação, que pode vir a gerar uma escassez de água para o abastecimento: mais de 80% das nascentes e dos

177
cursos d’água não possuem nenhuma vegetação ciliar e os prejuízos já podem ser notados, como por exemplo,
várias nascentes e cursos d’água extintos, estão afetando a vazão da micro bacia.
Recomenda-se, portanto, o desenvolvimento de propostas que visem à adequação ambiental das áreas
protegidas, em especial as matas ciliares. Também é de extrema importância realizar um trabalho de educação
ambiental com toda a população situada na micro bacia em estudo. É imprescindível a adoção de uma postura
rígida no sentido de preservar as florestas que ainda restam através de uma fiscalização adequada, não só no
sentido de repreensão, mas também de conscientização. Por fim, um tratamento adequado dos efluentes
domésticos deve ser realizado tanto nas cidades quanto nas residências rurais.

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178
9REA147
COMPARATIVO DE GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS DE
CONSTRUÇÃO: ESTUDO DE CASO EM CANTEIROS DE
OBRA NO BRASIL E EM PORTUGAL

Maiz I. Reck1, Rui A. F. de Oliveira2, André Nagalli3


1
Instituto Politécnico de Bragança, e-mail: maizreck@gmail.com; 2 Instituto Politécnico de
Bragança, e-mail: roliveira@ipb.pt; 3Universidade Tecnológica Federal do Paraná, e-mail:
nagalliutfpr@gmail.com

Palavras-chave: Resíduos de construção e demolição; gerenciamento de resíduos.

Resumo
A indústria da construção é uma das mais representativas na economia do Brasil e de Portugal. Esse mercado
expande conforme se dá o crescimento populacional dos países, requerendo a utilização de recursos naturais que
geram resíduos. A partir desses fatos, surge legislação governamental para impor ao setor da construção a
preocupação com o meio ambiente. Dessa maneira, torna-se importante o estudo das medidas de gestão de
resíduos implantadas pelos governos brasileiro e português em relação ao gerenciamento em específico de
resíduos de construção e demolição. Com as restrições normativas, surge a necessidade do aperfeiçoamento do
gerenciamento de resíduos de construção gerados na execução de empreendimentos, desde sua fase de concepção
até a efetiva execução. Com este intuído, podem ser utilizadas práticas de gerenciamento associadas à redução da
geração de resíduos de construção, envolvendo desde a não geração, reuso, reciclagem e encaminhamento dos
mesmos. Para estudar este âmbito de maneira prática, realizou-se um levantamento de dados a respeito do
gerenciamento e geração de resíduos de construção em canteiros de obras de edificações residenciais no Brasil e
em Portugal. Os dados foram obtidos a partir de resultados de inquéritos dirigidos a empresas, tendo sido
recebidas respostas de 18 obras brasileiras e 6 portuguesas. Esses dados mostram que, os dois países possuem
características de projeto similares quanto à utilização de concreto armado para execução de elementos
estruturais, porém, no Brasil foi identificada a construção de edifícios residenciais de maior porte, enquanto que
em Portugal a construção é orientada mais horizontalmente e sem tanta expressão em altura. Quanto a geração de
RCD por metro construído, os valores portugueses apresentam menores quantidades de resíduos, de apenas 4,84
kg/m² comparado a 51,65 kg/m² no Brasil. No entanto, os resultados das obras portuguesas não são de acordo
com o encontrado na pesquisa bibliográfica e estudos previamente realizados. A tipologia de resíduos
identificada com maior percentagem de geração é a de mistura de concreto, tijolos, ladrilhos, telhas e materiais
cerâmicos (53% no Brasil e 52% em Portugal), seguida por concreto (12% no Brasil e 24% em Portugal) e
madeira (9% no Brasil e 10% em Portugal). Quanto à destinação dos resíduos, no Brasil são utilizadas mais
opções de encaminhamento, como para olarias e usinas de reciclagem, as quais são de difícil acesso em Portugal
e acabam não sendo destinações economicamente viáveis para os geradores. Essa área pode ser influenciada pela
interferência dos governos através da instituição de legislação mais restritiva, que demande mais
comprometimento dos geradores em relação ao gerenciamento de resíduos de construção e demolição nos
canteiros de obra. Através disso, é incentivada a introdução de medidas voltadas para o âmbito ambiental, que
sensibilizem os envolvidos no setor da construção e diminuam a geração de resíduos como, por exemplo a
análise do ciclo de vida de materiais de construção e de edificações, a utilização de opções de pré-fabricação e
padronização através dos conceitos de Lean Construction, bem como a boa prática de certificações ambientais
por parte de empresas e dos próprios empreendimentos.

Introdução

O contexto dos resíduos de construção e demolição (RCD) é gerido por dois conceitos básicos: gestão e
gerenciamento.
A gestão trata de políticas públicas e da atuação dos agentes do setor da construção, enquanto que o

179
gerenciamento envolve as ações diretamente ligadas à geração de resíduos e abrange estratégias de não geração,
minimização, reutilização, reciclagem e correto descarte de RCD (NAGALLI, 2014).
Tratando-se da gestão de resíduos no Brasil, a legislação vigente é a Resolução Conama n° 307/2002, que institui
conceitos básicos para a área, define a hierarquia do gerenciamento de resíduos, com enfoque na minimização e
redução de RCD desde a sua fonte de geração. Além disso, separa os resíduos de construção e demolição em
quatro classes, conforme a destinação que lhes pode ser dada e a aplicabilidade dos RCD para reuso ou
reciclagem (CONAMA - CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE, 2002).
De maneira a atualizar a Resolução Conama n° 307/2002, instituiu-se no ano de 2012 a Resolução Conama nº
448, que trata das responsabilidades dos agentes do processo de geração de resíduos e a introduz a necessidade
da elaboração de Planos Municipais de Gestão de Resíduos da Construção Civil (PMGRC), que devem ser
elaborados pelos municípios brasileiros e Planos de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil (PGRCC),
de responsabilidade dos grandes geradores de RCD (CONAMA - CONSELHO NACIONAL DO MEIO
AMBIENTE, 2012).
Em Portugal, através do Decreto-Lei n.º 178/2006 de 5 de setembro, implantou-se o conceito de resíduos de
construção e demolição, bem como as prioridades no âmbito do gerenciamento de resíduos. O DL n° 178/2006
trata sobre como evitar e reduzir a geração de RCD, promover a reutilização e incentivar a reciclagem, tornando
a deposição em aterros a última opção na hierarquia de destinação dos RCD (PORTUGAL, 2006). A necessidade
de controle de RCD por parte dos geradores deu-se a partir do Decreto-Lei n.º 46/2008, de 12 de março e
respectivas alterações, que instituem a obrigatoriedade da elaboração do Plano de Prevenção e Gestão de
Resíduos (PPGR) e passa a desconsiderar solos como resíduos de construção e demolição (PORTUGAL, 2007).
Por fim, instituiu-se o Decreto Lei n° 74/2011, de 17 de junho, que reforça os ideais de prevenção da geração de
resíduos e incentiva a sua reutilização e reciclagem, de maneira a prolongar seu uso na economia antes de
devolvê-los ao ambiente (PORTUGAL, 2011).
Através desse tipo de medidas de gestão implantadas tanto pelo Brasil quanto por Portugal, impele-se a
implantação de sistemas de gerenciamento de resíduos em canteiros de obra. Para cumprir as demandas
normativas podem ser adotadas medidas de gerenciamento básicas, como a triagem de resíduos em obra e o
encaminhamento para aterros. Entretanto, para melhoria de desempenho existem no mercado tecnologias
conjuntas que colaboram com o aperfeiçoamento do gerenciamento de resíduos (HUANG et al., 2018; STYLES;
SCHOENBERGER; ZESCHMAR-LAHL, 2018).
Uma medida que pode ser implantada é a Lean Construction, que é uma metodologia para projetar sistemas de
construção voltados à minimização do desperdício de materiais, tempo e esforço, com o intuito de gerar a
quantidade máxima de valor (KOSKELA et al., 2002). Um estudo neste âmbito, realizado no Reino Unido,
indica que a utilização do design para padronização, pré-fabricação e colaboração entre participantes do
empreendimento são considerados como os principais impulsionadores da minimização de resíduos de
construção. Isso confirma a importância dos princípios da Lean Construction, que defende o aumento do uso de
pré-fabricação, padronização e melhoria do processo colaborativo (AJAYI; OYEDELE, 2018).
Outra estratégia que pode colaborar com a redução da geração de RCD é a adoção da análise do ciclo de vida de
produtos e da edificação como um todo. Que tem como intuito a otimização do uso de recursos naturais, a
minimização de perdas e desperdícios, a reciclagem dos resíduos e sua reincorporação na cadeia produtiva para o
mesmo fim ou de outro diferenciado (SANTOS et al., 2011).
Podem ser utilizados também sistemas de gerenciamento ambiental (SGA), que facilitam o cumprimento de
regulamentações ambientais, reduzem os custos ambientais, colaboram com o desenvolvimento de indicadores de
impacto, bem como melhoram o desempenho ambiental de empresas (CHRISTINI; FETSKO; HENDRICKSON,
2004). Um estudo realizado por Rodríguez, Alegre e Martínez (2007) revela que quanto à questão de reuso de
RCD, 11,8% dos resíduos inertes de canteiros com SGA são utilizados em outras construções, enquanto que em
obras sem SGA, isso ocorre com apenas 5,8% dos resíduos.
Por esse motivo, um número crescente de empresas de construção está obtendo certificações de acordo com
padrões internacionais em todo o mundo, que influenciam na implantação de sistemas de gerenciamento
ambiental (RODRÍGUEZ; ALEGRE; MARTÍNEZ, 2007). Algumas dessas são a certificação dos processos pela
norma ISO 14001, cuja implementação se revelou ser eficaz em relação à redução de custos relacionada com a
minimização da geração de resíduos em canteiros de obra (TSE, 2001), e a certificação LEED (Leadership in
Energy and Environmental Design) que sendo aplicada ao empreendimento, vincula a obtenção do certificado à
adoção de estratégias para reduzir o descarte a aterros e incineração através da recuperação, reuso e reciclagem
de materiais (USGBC - U. S. GREEN BUILDING COUNCIL, 2019). Existem outros métodos de certificação
ambiental utilizados em Portugal, tais como BREEAM, SBTool, assim como no Brasil também existe a
certificação AQUA-HQE.
Além disso, outra medida paliativa à geração de RCD e que pode ser adotada em canteiros de obra é a

180
reutilização de resíduos no próprio canteiro, que foi indicada por um estudo brasileiro como uma técnica eficaz
para reaproveitamento de resíduos de construção. Através da utilização de resíduos de tijolos, e revestimentos
cerâmicos como substitutos de agregados, obteve um resultado econômica e ambientalmente eficaz
(EVANGELISTA; COSTA; ZANTA, 2010). Formas de madeira destinadas a concreto armado são outro
componente que podem ser reutilizadas com a mesma função dentro do canteiro de obras (STYLES;
SCHOENBERGER; ZESCHMAR-LAHL, 2018).
A implantação de medidas de gerenciamento de resíduos de construção pode representar grande colaboração à
redução da geração de resíduos em canteiros de obra, que conforme estudos previamente realizados, geralmente
apresenta variações entre 48kg/m² construído e 190,3kg/m² construído, conforme tabela 1.

m³/m² kg/m² Fonte


150 PINTO, 1999
50 SOUZA et al., 2004
0,12 REIXACH et al., 2000
190,3 BRITO; COELHO, 2011
48 - 135 MÁLIA et al., 2013
0,13 158 DE MELO et al., 2011
100 - 120 CARELI, 2008
122 BRITO; COELHO, 2008
Tabela 1 - Indicadores de geração de resíduos em construções a cada metro quadrado construído

Material e Métodos

Para realização deste estudo, foi elaborado um questionário com abrangência ao gerenciamento de resíduos em
canteiros de obras de novas edificações de habitação. O intuito do mesmo era a coleta de dados referentes às
medidas de gerenciamento de resíduos utilizadas nos empreendimentos brasileiros e portugueses, bem como das
medidas de encaminhamento de resíduos adotadas. Considerando as diferenças linguísticas e construtivas dos
dois países, elaborou-se duas versões do questionário, cada uma a ser aplicada a cada um dos países.
A partir disso, iniciou-se o contato com empresas brasileiras e portuguesas que têm como parte de seu escopo a
construção de edifícios habitacionais. A distribuição do questionário para as mesmas foi realizada e, após o
recebimento dos dados, deu-se a compilação e análise dos dados.
Tratando-se do conteúdo do questionário, elaborou-se perguntas para que fossem abrangidos os seguintes
tópicos: (I) características construtivas do empreendimento; (II) medidas adotadas para reduzir a geração de
resíduos de construção; (III) triagem dos resíduos gerados em obra e sua subsequente destinação; (IV) valores de
geração total e por tipologia de resíduos no canteiro de obra.
A abordagem desse conteúdo teve como objetivos: (I) quantificar e tipificar os resíduos de construção que são
produzidos nos empreendimentos; (II) identificar as medidas de gerenciamento de resíduos utilizadas; (III) ter
conhecimento sobre as práticas de encaminhamento de resíduos adotadas.
Em Portugal, inicialmente foram contatadas empresas localizadas na região de Bragança, bem como empresas
que possuíssem alvará de empreiteiro em todo o território nacional, portanto registradas no Instituto dos
Mercados Públicos do Imobiliário e da Construção (IMPIC). Destas, foram selecionadas organizações com
classe de alvará entre 6 e 9, que executam obras em valor monetário até 5.312.000€ (classe 6), até 10.624.000€
(classe 7), até 16.600.000€ (classe 8) e sem limite de valor para a classe 9, respectivamente.
Após a realização de múltiplos contatos solicitando a colaboração de empresas da área da construção, sem
obtenção de respostas, foram adotadas medidas complementares para coleta de dados. Assim, contatou-se outras
fontes, como empresas que realizam serviço de coleta de resíduos, que também não puderam fornecer dados,
talvez pelo compromisso com seus clientes ou por não possuírem os dados solicitados. Além disso, foram
contatados investigadores da área, porém os mesmos não possuíam dados que pudessem colaborar com a
pesquisa. Por fim, para viabilizar a execução do estudo, reiterou-se a importância da colaboração para empesas
com as quais se tem contato direto com engenheiros, na área de Bragança. Ainda assim, foram recebidas apenas 6
respostas ao questionário, das quais, 5 estão localizadas na região de Bragança e 1 em Lisboa. Sendo assim,
apesar da insistência para a obtenção de dados referentes à geração de resíduos em construções habitacionais,
nota-se então a dificuldade de obtenção desse tipo de informação em Portugal.
No Brasil, foram contatadas inicialmente construtoras localizadas na região de Curitiba-PR e posteriormente uma
seleção de empresas localizadas em todo o território nacional, que possuem certificação ISO14001. Obteve-se
maior facilidade na obtenção de respostas em Curitiba, pela maior facilidade de contato direto com profissionais

181
responsáveis pela consultoria no gerenciamento de resíduos em canteiros de obra e pelo envio do formulário a
engenheiros encarregados da execução de obras. Tendo sido recebidas 18 respostas, dentre as quais, 2 respostas
não foram utilizadas para a análise da geração total de resíduos e 4 respostas não foram utilizadas para a análise
de geração de resíduos por tipologia, por não apresentarem dados suficientes.

Resultados e Discussão

Características construtivas

Dentre as 18 respostas obtidas para o questionário brasileiro, 17 são de empresas que realizaram edificações
residenciais, sendo essas 14 de prédios de até 26 pavimentos e 3 de casas geminadas ou sobrados, e 1 resposta ao
questionário referente a dados de uma edificação comercial. Tratando-se das respostas portuguesas, todas são
referentes a prédios residenciais de até 7 pavimentos.
Através da análise das respostas ao questionário aplicado na região de Curitiba, conclui-se que o principal
material construtivo utilizado nos projetos estruturais é o concreto, tendo sido utilizado na forma armada em 50%
dos projetos de pilares e vigas (9 obras) e 67% para lajes (12 obras). O mesmo também é aplicado na forma pré-
moldada, mas com baixa frequência. Além disso, existe utilização de estruturas mistas de concreto e aço (3
obras) e concreto, aço e madeira (1 obra) e de alvenaria estrutural para execução de pilares e vigas (4 obras).
Os projetos das edificações portuguesas apresentaram grande consistência de respostas, de maneira que todos
aplicam o concreto armado como base estrutural, utilizando lajes aligeiradas de vigotas pré-esforçadas, sendo
que apenas uma obra fez uso de lajes de concreto armado para a execução de lajes. Quanto à fundação, em 83%
das obras são compostas por concreto armado, sendo que apenas um projeto utiliza concreto ciclópico.
Nota-se então que nas amostras de Curitiba e Bragança, a maioria das edificações têm sua estrutura executada em
concreto armado, tanto para fundações, como para pilares, vigas e lajes. Entretanto, nas amostras de Curitiba há
uma maior tendência à utilização de métodos construtivos diferenciados, como a construção em aço ou alvenaria
estrutural, evento que não acontece na região de Bragança.

Medidas de gerenciamento de resíduos

Através da análise das medidas de gerenciamento de resíduos utilizadas, em obras da região de Curitiba, observa-
se que, em todas as 18 obras pesquisadas, adotaram-se medidas com o intuito de reduzir a geração de resíduos de
construção. Em Bragança, uma das obras alegou não ter utilizado medidas paliativas. Entretanto, em geral, as
obras bragantinas tendem a adotar sistemas internos de gestão, tais como a reutilização de resíduos na própria
obra, isto sobretudo em materiais inertes e em solos.
Nas amostras coletadas na região de Curitiba, adotou-se em predominância a gestão de estoques, conforme figura
1, que representa a percentagem de adoção de diferentes medidas de gerenciamento de resíduos nos canteiros de
obra pesquisados. A gestão de estoques pode ter sido adotada pelo fato de influenciar no âmbito organizacional
do canteiro de obras e do organograma de construção. Neste contexto, se encaixa o planejamento do canteiro de
obras, prática adotada por 61% das empresas da região de Curitiba e 83% das empresas de Bragança. Esses
fatores têm influência nos trajetos realizados pelos trabalhadores para a execução de serviços, envolvendo os
materiais empregados na execução dos mesmos, a geração de resíduos de construção e a disposição correta dos
mesmos (YU et al., 2013).

182
Figura 6 - Aplicação de medidas de gerenciamento de resíduos em obras brasileiras e portuguesas. CP -
Compatibilização de projetos; CT – Conscientização dos trabalhadores; UPF - Utilização de elementos
pré-fabricados; PC - Planejamento do canteiro de obras; GE - Gestão e organização de estoques; PPO -
Preparação prévia da obra; SP – Soluções de projeto; N – Nenhuma; O – Outros.
Fonte: autoria própria

Pode-se também perceber, dentre as construtoras das duas amostras, a preocupação com a conscientização dos
trabalhadores envolvidos na obra em relação à geração de resíduos de construção, de maneira que essa é uma
medida sem custos significativos e que pode gerar bons resultados (POON et al., 2010), mas por outro lado
difícil de implementar.
Entretanto, na amostra de Bragança, observa-se maior atenção à compatibilização de projetos, medida que
proporciona a interação entre diferentes grupos de especialistas durante a fase de delineamento da edificação,
colaborando com um sistema de design colaborativo, que é uma importante medida para atenuação da geração de
resíduos de construção (AJAYI; OYEDELE, 2018). Nesse mesmo âmbito, se enquadra a preparação prévia da
obra, que envolve o estudo das características do projeto bem como o entendimento do seu fluxo de construção e
é observada com maior frequência em canteiros de obras na região de Curitiba (83%) do que em Bragança
(33%).
Por fim, é evidente a maior utilização de sistemas construtivos de pré-fabricação em obras na região de Curitiba
(28% dos casos) em comparação às utilizadas em obras em Bragança (0%). Este fator deve influenciar
positivamente no gerenciamento de resíduos em nos canteiros de obra da amostra brasileira, pelo fato de que essa
medida decresce a geração de resíduos de concreto e madeira e colabora para diminuição do desperdício geral
em construções (JAILLON; POON; CHIANG, 2009).

Geração de resíduos por tipologia

Tratando-se dos resíduos de construção gerados em obras da região de Curitiba pode-se destacar a geração de
solos escavados em 87,5% dos casos. Considerando a influência desses valores na geração total de resíduos e que
em Portugal os solos não são considerados como resíduos de construção, eles são excluídos do cálculo de
geração de resíduos por metro quadrado deste estudo. Em termos quantitativos, através do cálculo da média
aritmética dos valores de geração de resíduos de construção por metro quadrado construído das 6 obras da
amostra portuguesa, tem-se valores de geração de RC médios de 4,84kg/m² com desvio padrão de 5,82kg/m², em
canteiros de obra na região de Bragança. Se excluirmos da amostra a obra C (que possui valores
desproporcionais face aos restantes), o desvio padrão tem valor de aproximadamente 0,9kg/m2, o que se traduz
num resultado de maior proximidade entre as quantidades obtidas nas restantes 5 obras. No entanto, estes valores
são significativamente menores do que 101,14kg/m², valor médio calculado através da geração de RC por metro
quadrado nas 16 obras brasileiras que forneceram dados de geração total de resíduos. Para a amostra da região de
Curitiba, o desvio padrão é de 165,05kg/m². Esses valores de desvio padrão indicam a alta variabilidade dos
dados coletados, o que é esperado, de maneira que a execução de atividades de construção é influenciada por
vários fatores, como a equipe de trabalho, os projetos e seu detalhamento, a qualidade dos materiais e até mesmo
os dados fornecidos não serem de todo reais e falíveis.

183
O baixo valor de geração de resíduos de construção em Portugal pode ter como explicação a taxa de reutilização
de resíduos em obra e a eficácia do gerenciamento de resíduos. Entretanto, os valores de resultados em Portugal
são substancialmente menores do que encontrados em estudos realizados por Symonds (1999) de 211kg/m² e
Brito e Coelho (2008) de 122kg/m². Além disso, a dificuldade de coleta de dados junto às construtoras
portuguesas pode indicar que há falta de controle em relação à geração de resíduos em canteiros de obra e que os
dados obtidos não representam a real situação do quantitativo de resíduos gerado no país. Assim como, em
alguns casos, os dados possam não ter sido fornecidos por receio de que sejam publicados e associados às
empresas, o que poderá indicar desconformidade em relação ao modo correto de gerenciamento.
Os dados de geração de resíduos de construção brasileiros foram majoritariamente coletados em m³. Através da
média de resíduos gerados de 0,1217m³/m² nas 16 obras da amostra da região de Curitiba, excluindo solos
escavados e, considerando o valor para densidade aparente de resíduos de construção misturados de 830,6 kg/m³
(MÁLIA; BRITO; PINHEIRO, 2013), obtém-se valores médios de geração de resíduos em canteiros de obra
brasileiros de 101,14 kg/m², os quais condizem com quantidades apresentadas por estudos previamente
realizados, variando de 48kg/m² a 190,3kg/m².
Esses dados podem ser comparados com um estudo realizado por Pinto (1999), abrangendo novas edificações
residenciais brasileiras, que evidencia taxa de geração de resíduos de 150kg/m². A taxa média de 101,14kg/m²
obtida nesse estudo representa a evolução do gerenciamento de resíduos na região de Curitiba, enaltecendo seu
desenvolvimento a partir do estabelecimento da Resolução Conama n° 307/2002 e o aumento da utilização de
medidas paliativas em relação à geração de RCD em canteiros de obra. Além disso, como em 81% das respostas
de empresas brasileiras tem-se edifícios residenciais, pode ser considerada também a utilização da padronização,
conceito que remete à Lean Construction e colabora para a melhoria do gerenciamento e redução da geração de
resíduos de construção.
Analisando-se a geração de resíduos de construção por tipologia, constata-se a prevalência da tipologia de
misturas de concreto, tijolos, ladrilhos, telhas e materiais cerâmicos nos dois países (52% em Bragança e 54% em
Curitiba), como apresentado na figura 2. Essa predominância foi identificada também por outros estudos
envolvendo construções de concreto armado que utilizam alvenaria de vedação e é dada pelas perdas na
execução, bem como no transporte e estocagem de material (MÁLIA et al., 2013; POON; YU; JAILLON, 2004).
Quanto à geração de resíduos de concreto, as respostas ao questionário indicam uma diferença de 50% entre a
geração das duas amostras (24% em Bragança e 12% em Curitiba). Existem algumas possíveis justificativas para
esse fato, como a utilização de estruturas de aço em 25% das obras curitibanas, que diminui a utilização de
concreto e por consequência a geração de RCD dessa tipologia (MASS; TAVARES, 2016). Além disso, deve ser
considerado que a execução de concreto se dá no canteiro em obras na região de Bragança, enquanto que em
obras na região de Curitiba, que são de grande porte, ocorre a utilização de concreto betonado em usinas de
concreto. Outra diferença é a utilização do sistema de lajes aligeiradas com vigota pré-moldada em construções
em Bragança, que diminuem a precisão em relação à quantidade de material utilizado para execução dos
elementos construtivos. Desse modo, aumenta-se o desperdício por perda de material, uma das principais causas
geração de resíduos em edificações (MÁLIA et al., 2013; STYLES; SCHOENBERGER; ZESCHMAR-LAHL,
2018).
Como terceira tipologia com maior representatividade, tem-se os resíduos de madeira (10% nas duas amostras),
que são originados principalmente pela utilização de formas para realização de trabalhos moldados, como a
execução de elementos estruturais de concreto. Esse tipo de resíduos pode ter sua geração reduzida através da
utilização de formas compostas por outros materiais, como PVC, EPS, papelão ou metal (ANGULO, 2000;
MÁLIA; BRITO; PINHEIRO, 2013; OSMANI; PRICE; GLASS, 2006; POON; YU; JAILLON, 2004). Além
disso, a utilização de técnicas como a Lean Construction, que influencia a utilização da pré-fabricação de
elementos estruturais favorecem a subtituição da concretagem in loco e colaboram para redução da geração de
resíduos de madeira (AJAYI; OYEDELE, 2018; POON; YU; JAILLON, 2004).

184
Figura 7 – Tipologias de resíduos produzidas em obras brasileiras e portuguesas. C – Concreto; RC –
Resíduos cerâmicos; MI – Misturas de concreto, tijolos, ladrilhos, telhas e materiais cerâmicos; MA –
Madeira; V – Vidro; P – Plástico; ME – Metais; RMI – Resíduos de materiais de isolamento; G – Gesso e
gesso cartonado; EPC – Embalagens de papel/papelão; EM – Embalagens de metal; SC – Sacos de
cimento.
Fonte: autoria própria

Como terceira tipologia com maior representatividade, tem-se os resíduos de madeira (10% nas duas amostras),
que são originados principalmente pela utilização de formas para realização de trabalhos moldados, como a
execução de elementos estruturais de concreto. Esse tipo de resíduos pode ter sua geração reduzida através da
utilização de formas compostas por outros materiais, como PVC, EPS, papelão ou metal (ANGULO, 2000;
MÁLIA; BRITO; PINHEIRO, 2013; OSMANI; PRICE; GLASS, 2006; POON; YU; JAILLON, 2004). Além
disso, a utilização de técnicas como a Lean Construction, que influencia a utilização da pré-fabricação de
elementos estruturais favorecem a subtituição da concretagem in loco e colaboram para redução da geração de
resíduos de madeira (AJAYI; OYEDELE, 2018; POON; YU; JAILLON, 2004).
Importa ainda ser realizada a análise geral dos dados recebidos e enfatizar a dificuldade da obtenção de
resultados referentes à geração de resíduos de construção separados efetivamente pelo material que o compõe, de
maneira que a tipologia de resíduos mais gerada foi a mistura de concreto, tijolos, ladrilhos, telhas e materiais
cerâmicos. Esses resíduos são provavelmente originados pela execução de alvenarias de vedação e pela
instalação de revestimentos cerâmicos com argamassa cimentícia.
Nota-se então, que não é dada a correta importância para a separação/triagem de materiais nos canteiros,
propiciada pela facilidade da opção de descarte desses como mistura. Sendo assim, ocorre falha da prática de
triagem em obra, pois há despreocupação com a separação de resíduos que são verdadeiramente de tipologias
diferentes.
Isso pode ser dado pelo fato de que, no mercado da construção em Portugal, há mais facilidade para venda de
metais e no Brasil, há espaço também para a venda de resíduos recicláveis além do metal. Entretanto, como não
há grande oportunidade para obtenção de lucros através da destinação de resíduos cerâmicos ou de concreto,
opta-se pelo descarte da maneira mais prática, por mais que essa não seja a mais ambientalmente correta.
Uma possibilidade para amenizar esse problema seria a instituição de políticas mais restritivas e taxas a serem
pagas ou o aumento do custo de recolha dos RCD. Entretanto, esse cenário poderia desencadear duas situações,
controversas uma à outra, que seria o aumento da aplicação do gerenciamento de resíduos e a preocupação com a
geração dos mesmos, ou o retrocesso à destinação ilegal dos mesmos e omissão de informações relacionadas à
geração de RCD.

Destinação de resíduos de construção

Tratando-se da destinação dos resíduos de construção gerados em canteiro de obras, em Bragança existe maior
reutilização de resíduos em obra, prática que diminui a geração final de resíduos e, como consequência, a
necessidade de destinação dos mesmos a locais especializados. Em contrapartida, na região de Curitba, está
presente a utilização de meios de encaminhamento de resíduos diferenciados, que não são verificados na amostra

185
portuguesa, como apresentado na figura 3.
Dentre essas opções de destinação diferenciadas, encontra-se o encaminhamento para olarias. Essa opção de
destinação pode ter sido implementada pelas construtoras pelo fato de que, na região metropolitana de Curitiba,
existe grande quantidade de olarias, que podem receber os resíduos de madeira. Entretanto, na região de
Bragança, encontra-se maior dificuldade de realização desse tipo de destinação, pois onde não são encontradas
empresas desse tipo com facilidade. O mesmo acontece com usinas de reciclagem, que têm utilização nula como
destinação de resíduos em Bragança, enquanto que é utilizada por 44% dos casos na amostra brasileira.
Através desse estudo, pode-se confirmar a opção das empresas pela não implantação de práticas diferenciadas
associadas ao gerenciamento de resíduos, sendo que as medidas adotadas são as que envolvem menos
investimentos, confirmando a tendência do mercado da construção voltado a fatores econômicos STYLES;
SCHOENBERGER; ZESCHMAR-LAHL, 2018; YUAN; SHEN; LI, 2011).
A implementação de legislação menos brandas nos dois países pode ser eficaz para corroborar com esse quesito,
de maneira que as construtoras seriam obrigadas a investir no gerenciamento de resíduos, passando a utilizar
medidas com certo custo de implantação, mas que trazem benefícios à qualidade da edificação e ajudam a reduzir
impactos ambientais. São exemplos disso, a implantação de sistemas de certificação em projeto como LEED,
BREEAM, SBTool, entre outros e certificação de empresas pela norma ISO 14001, bem como da Lean
Construction e pré-fabricação e da análise do ciclo de vida de produtos (dada através da Environmental Product
Declaration - EPD) e edificações.
Além disso, a introdução de medidas governamentais podem colaborar para que a indústria da construção possua
um sistema de geração de ciclo fechado, colaborando também para a adoção de soluções de economia circular
por parte do setor da construção (STYLES; SCHOENBERGER; ZESCHMAR-LAHL, 2018).

Figura 8 - Opções de destinação de resíduos de construção utilizadas no Brasil e em Portugal. RRO –


Reutilização de resíduos em obra; RROO – Reutilização de resíduos em outras obras; CS – Coleta
seletiva; DA – Depósito em aterros; EUR – Encaminhamento para usinas de reciclagem; EUC –
Encaminhamento para usinas de compostagem; EO – Encaminhamento para olarias.
Fonte: autoria própria

Considerações Finais

Através do estudo de caso revelou-se que, o concreto é o material mais utilizado para execução da estrutura de
edificações de habitação, tanto em Curitiba, quanto em Bragança. No entanto foi apresentada em
empreendimentos brasileiros a iniciativa da utilização de outros sistemas estruturais, como aço e alvenaria
estrutural.
Tratando-se das medidas de gerenciamento de resíduos utilizadas em canteiros de obra, as mais comuns em
Bragança são a preparação prévia da obra, planejamento do canteiro de obra, conscientização dos trabalhadores e
compatibilização de projetos, com 83% de utilização. A três ultimas são também comuns na amostra curitibana,
destacando-se, no entanto, nesta, a implementação do gerenciamento de estoques com maior frequência (72%).
Quanto a geração média de resíduos de construção, na região de Bragança tem-se 4,84 kg/m² construído e de
101,14 kg/m² construído nos casos brasileiros. Entretanto, os dados portugueses são consideravelmente menores

186
do que os obtidos em estudos anteriores (211kg/m² e 122kg/m²). Este fato, somado à pequena amostra de dados
coletada, afeta a confiabilidade deste valor.
Tratando-se das tipologias de resíduos de construção, a com maior representatividade foi o de misturas de
concreto, tijolos, ladrilhos, telhas e materiais cerâmicos (54% em Curitiba e 52% em Bragança). Em sequência
tem-se a geração de concreto (12% em Curitiba e 24% em Bragança) e madeira (10% nos dois casos).
Nos canteiros de obra localizados na região de Curitiba, o depósito em aterros licenciados apresenta-se como a
opção de destinação mais utilizada (83% dos casos). Em sequência tem-se a utilização de coleta seletiva em 61%
das obras, o encaminhamento para olarias, presente em 56% dos casos e para usinas de reciclagem (44%). Em
contrapartida, em Bragança, foram observadas menos opções de encaminhamento, sendo que a reutilização de
resíduos em obra e a separação de resíduos por gestão seletiva foram as medidas mais adotadas (83% das obras)
seguidas pelo encaminhamento para aterros em 67% dos casos.
Através da tentativa de coleta de dados de geração de resíduos, fica evidente a instabilidade do sistema de
gerenciamento de resíduos de construção em canteiros de obra portugueses, pela dificuldade em obtenção de
respostas ao questionário. Além disso, nos dois casos nota-se uma falha na separação dos resíduos conforme seu
efetivo material, sendo que foram obtidos valores com maior representatividade para misturas de resíduos.
Com o intuído de diminuir a geração de resíduos de construção pode ser considerada a aplicação de medidas de
gerenciamento desde a fase de concepção dos empreendimentos, através da análise do ciclo de vida dos produtos
e da edificação como um todo. Na fase de projeto, a possibilidade da utilização de conceitos da Lean
Construction, como a utilização de sistemas baseados na pré-fabricação e na padronização corroboram a
minimização da geração de resíduos de concreto, madeira e materiais cerâmicos.
Na fase de execução, momento em que são efetivamente gerados os resíduos de construção, práticas como o
planejamento do canteiro de obras e sua adequação à realização de serviços reduz a geração de resíduos. A
colaboração das equipes de trabalho também se faz importante, influenciando na não geração, na triagem e
reutilização de resíduos gerados no canteiro de obras. Além disso, pode ser utilizado o apoio de certificações
ambientais, que compelem a aplicação de medidas de gerenciamento, através da implantação de sistemas de
avaliação e da fiscalização periódica.
Por parte dos governos, nos dois países podem ser implantados critérios de gestão mais restritivas quanto à
quantidade de resíduos que se permite gerar em canteiros de obra e as tipologias geradas.
Para trabalhos futuros, pode-se realizar o estudo em projetos que não utilizem o concreto armado como
tecnologia construtiva principal para elementos estruturais, para que seja estabelecida comparação em relação à
geração de resíduos. Cabe também o estudo da implantação de novas medidas de gerenciamento de resíduos em
empreendimentos e como essas irão afetar a geração de resíduos no canteiro de obras.

Agradecimentos

Os autores são gratos a todos as empresas pela sua colaboração no preenchimento do questionário e aceitação
para fornecimento de dados.

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188
9REA148
CAMPANHA ÓLEO DE COZINHA “EU RECICLO”:
DESTINAÇÃO ADEQUADA NO ANTÔNIO PRADO/RS
Yeslei Paulino da Silva, Sofia Helena Zanella Carra, Denise Peresin, Vania Elisabete Schneider

Universidade de Caxias do Sul, e-mail: ypsilva@ucs.br, Universidade de Caxias do Sul, e-mail:


shzcarra@ucs.br, Universidade de Caxias do Sul, e-mail: deniseperesin@gmail.com, Universidade de Caxias
do Sul, e-mail: veschnei@ucs.br

Palavras-chave: Óleo de cozinha.

Resumo
O descarte incorreto do óleo de cozinha causa sérios problemas ambientais, como a retenção de sólidos causando
obstrução e problemas de drenagem quando lançados junto ao efluente sanitário e dificulta a troca gasosa
causando mortandade da fauna e flora nos córregos. Neste contexto este trabalho apresenta a reestruturação da
campanha de coleta e destinação do resíduo de óleo de cozinha intitulada “Óleo de cozinha: Eu reciclo!”,
realizada na cidade de Antônio Prado. A reestruturação da campanha iniciou no ano de 2014, por meio do poder
público, a fim de incentivar engajamento da comunidade, a redução dos impactos ao meio ambiente e promover a
destinação adequada deste resíduo. A partir da definição de PEV’s, o recurso arrecadado com a venda do óleo de
cozinha passou a ser destinado aos próprios PEV’s, contribuindo com as escolas e entidades locais. Entre os anos
de2012 e 2017 foram coletados e destinados mais de 34 mil litros de óleo de cozinha usado. Conclui-se que a
campanha é de grande relevância para o meio ambiente e para o município uma vez que se trata de uma ação
contínua e somando esforços da comunidade e entidades para gerar recursos próprios além da preservação do
meio ambiente.

Abstract
The uncorrect discart of kitchen oil can cause serious ambiental problems, as a retention of solids causing
obstruction and drainage problems when released with sanitary effluents and hinders gas exchange, causing
mortality of fauna and flora in the streams. In this context, this paper presents the restructuring of an
environmental campaig for the collection and disposal of residues of kitchen oil entitled: “Kitchen oil: I
recycle!”, helded in the city of Antônio Prado, located in the southern os Brazil. It has began in 2014, through
political decision, in order to encourage community engagement, the reduction of ambiental impacts and
promoting the proper disposal of this waste. From the definition of Voluntaries Delivery Points (VDP), the
resources collected from the sell of the kitchen oil began to be destined to the owns VDPs, contributing with the
schools and local entities. Between the years of 2012 and 2017, it was collected and destined more than 34 mil
liters of used kitchen oil. It is concluded that the campaign is of great relevance for the environment and for the
municipality since it is a continuous action and adding efforts of the community and entities to generate own
resources beyond the preservation of the environment.

Introdução
O consumo de óleo faz parte do dia-a-dia das famílias, restaurantes, indústrias e com ele o descarte
incorreto, após seu uso, se torna um grave problema ambiental (MARTINS et al, 2016). Segundo Gomes et al
(2013), por não ser biodegradável, o óleo de cozinha, e seus derivados, leva muito tempo para se degradar no
ambiente, se descartados incorretamente.
Conforme Lopes et al (2009), em muitas residências e estabelecimentos comerciais, o óleo de cozinha é
descartado no ralo da pia ou diretamente no solo, causando problemas ao meio ambiente. Se lançado junto ao
efluente sanitário, por ser menos denso que a água, o óleo forma uma película que provoca a retenção de sólidos
causando obstrução e problemas de drenagem nas redes coletoras de esgoto. Quando se trata de rios ou córregos,
o problema se torna ainda maior, visto que a película formada pelo óleo na água dificulta a troca de gases e,
como consequência, pode causar a mortandade da flora e fauna aquática.
O óleo de cozinha usado pode servir como matéria-prima na fabricação de diversos produtos, tais como
biodiesel, tintas, óleos para engrenagens, sabão, detergentes, entre outros. O ciclo reverso desse produto pode
trazer vantagens competitivas e evitar a degradação ambiental e problemas no sistema de tratamento de água e

189
esgoto (PITTA et al, 2009).
Conforme definido pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (BRASIL, 2012), é de responsabilidade
do poder público, da iniciativa privada e da coletividade a efetivação das ações que incluem o estímulo à adoção
de práticas sustentáveis, incentivo à indústria de reciclagem, redução do volume de resíduos gerados e
capacitação contínua sobre os resíduos sólidos.
Tendo em vista os impactos ambientais associados à destinação inadequada do óleo vegetal usado, bem
como, a potencialidade da reciclagem deste resíduo, observa-se uma participação tímida da sociedade no que
tange ao seu gerenciamento adequado. Por isso, a sensibilização da sociedade é essencial para o sucesso de
campanhas e redução dos impactos ambientais.
Entre os anos de 2012 e 2013, o município de Antônio Prado, localizado na Serra Gaúcha, no Estado do
Rio Grande do Sul, iniciou uma campanha de sensibilização ambiental com vistas à destinação adequada do óleo
de cozinha pós-uso. Na ocasião, o resíduo era coletado nos estabelecimentos do ramo alimentício, como bares,
restaurantes e indústrias, e posteriormente destinado para a fabricação de biodiesel. Na época o valor arrecadado
com a venda, correspondia a R$ 0,10 por litro de óleo coletado, e este era destinado para a manutenção da
própria campanha.
No ano de 2014, observando a necessidade de expansão da campanha de coleta e destinação adequada
de óleo de cozinha usado, bem como, a sensibilização da comunidade, a campanha foi reestruturada e intitulada
“Óleo de Cozinha: Eu reciclo! ”.

Objetivo
Este trabalho tem como objetivo apresentar a reestruturação da campanha de coleta e destinação do
resíduo de óleo de cozinha, realizada no Município de Antônio Prado/RS, bem como os resultados obtidos.

Metodologia
O município de Antônio Prado está localizado na região nordeste do Estado do Rio Grande do Sul e
possui uma população estimada de 13.055 habitantes (IBGE, 2010). A figura 1 representa a localização do
município de Antônio Prado.

Figura 1. Localização do município de Antônio Prado


Fonte: Elaborado por Geise Macedo dos Santos – ISAM (2019)

A reestruturação da campanha de coleta de óleo de cozinha usado iniciou no ano de 2014, por iniciativa
do poder público municipal, visando a sustentabilidade do projeto a longo prazo, bem como incentivar o

190
engajamento da comunidade e das entidades locais.
A estruturação da campanha foi realizada de forma participativa, contemplando os membros do
Conselho Municipal do Meio Ambiente, Escolas e Entidades locais. Além da nomenclatura e objetivo, foram
avaliados e redefinidos os Pontos de Entrega Voluntária (PEVs), bem como a logística de armazenamento, coleta
e destinação. Depois de estruturada a campanha, foi elaborado o panfleto de divulgação.

Resultados e discussões
A partir da reestruturação da Campanha, esta passou a se chamar “Óleo de Cozinha: eu reciclo!”. Como
parceiros para atuar como PEVs, foram escolhidas: 02 escolas estaduais, 02 escolas municipais, 01 escola
particular, a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) e a Proteção e Apoio ao Taxicômano
Reviver (PATRE).
Cada parceiro recebeu 1 bombona de 200L para armazenamento do óleo de cozinha entregue pela
comunidade. Com frequência mensal, o parceiro terceirizado (responsável pelo transporte e transformação)
realiza a coleta do óleo de cozinha, junto as escolas e entidades, além de coletar em mais 28 estabelecimentos
que atuam no ramo alimentício, como restaurantes e empresas.
A mobilização da comunidade foi realizada através do material educativo apresentado na Figura 2,
distribuído em escolas, associações de bairro, comércio local além do conteúdo ser divulgado nos jornais e rádio,
além de redes sociais. Esse contemplou informações gerais sobre os impactos ambientais associados a destinação
inadequada deste resíduo, bem como incentiva a reutilização do óleo de cozinha através de receitas de sabão e
detergentes caseiros e orienta a comunidade sobre o armazenamento do óleo até a entrega nos pontos de coleta.

Figura 2 – Material Educativo - Óleo de Cozinha: Eu Reciclo!


Fonte: Prefeitura de Antônio Prado (2018)

Desde a implementação da campanha, o município de Antônio Prado coletou e destinou, de forma


adequada, mais de 34 mil litros de óleo de cozinha usado, conforme observado na Figura 3.

191
Figura 3 - Volume (L) de óleo de cozinha usado coletado e destinado a partir da reestruturação da
campanha - Fonte: Prefeitura de Antônio Prado (2018)

Conforme observado na Figura 3, entre os anos de 2012 e 2017, houve um aumento de 64% no volume
de óleo de cozinha coletado. Considerando o valor de R$ 0,50 por litro, estima-se que tenham sido arrecadados,
ao final do ano de 2017, R$ 4.137,00.
Na Figura 3 é apresentada a entrega do valor mensal arrecadado com a venda de óleo de cozinha usado
para uma das entidades locais e a bombona utilizada para o armazenamento do óleo.

Figura 4 – Coleta de óleo de cozinha - Fonte: Prefeitura de Antônio Prado (2018)

Ressalta-se que apesar da estimativa de valor arrecadado, o valor final lucrado com a comercialização
do óleo não foi divulgado. No entanto, os PEV’s recebem o recurso arrecadado com a venda do óleo entregue no
seu ponto de coleta. O valor arrecadado com a comercialização do óleo gerado nos estabelecimentos do ramo
alimentício, localizados no município, é compartilhado de forma igualitária entre os PEV’s.

Considerações finais
A Campanha “Óleo de Cozinha: eu reciclo!” destaca-se por se tratar de uma campanha contínua, que
contempla toda a comunidade local e beneficia o meio ambiente, as escolas e entidades do município. O
engajamento da comunidade no sentido de beneficiar as entidades e escolas locais com os recursos advindos da
destinação do óleo de cozinha reflete-se nos resultados significativos observados desde o início da campanha.

192
Iniciativas como esta servem de exemplo as demais municipalidades e auxilia a comunidade a gerar recursos
próprios para as entidades locais associado aos benefícios intangíveis que se referem a preservação do meio
ambiente.

Agradecimentos

Universidade de Caxias do Sul, Instituto de Saneamento Ambiental (ISAM/UCS), Prefeitura de Antônio


Prado

Referências
Martins M.; Isabel M et al. 2016. Reciclo-óleo: do óleo de cozinha ao sabão ecológico, um projeto que gera
educação para uma cidade saudável. Cinergis, Santa Cruz do Sul, v. 17, n. 4.
Gomes, A. P.; Chaves, T. F.; Barbosa et al. 2013. A questão do descarte de óleos e gorduras vegetais
hidrogenadas residuais em indústrias alimentícias. XXXIII Encontro Nacional de Engenharia de Produção,
Salvador, BA.
Lopes, R. C.; Baldin, N. 2009. Educação ambiental para a reutilização do óleo de cozinha na produção de sabão
– Projeto “Ecolimpo”. IX Congresso Nacional de Educação - EDUCERE. III Encontro Sul Brasileiro de
Psicopedagogia. PUCPR.
Pitta J, O. S. R.; Nogueira N, M. S et al. 2009. Reciclagem do óleo de cozinha usado: uma contribuição para
aumentar a produtividade do processo. Keyelements for a sustainable world: Energy, water and climate change.
2ns International Workshop –Advences in Cleaner Production. São Paulo, Brasil.
Brasil. 2012 Política Nacional dos Resíduos Sólidos. Brasília, DF: Câmara dos Deputados. Série Legislação, 2°
edição, 73 p.
Instituto brasileiro de geografia e estatística (IBGE). 2010. Antônio Prado. Disponível em:
<https://www.ibge.gov.br/cidades-e-estados/rs/antonio-prado.html? >

193
9REA152
AGENDA 2030 E GESTÃO SUSTENTÁVEL DAS ÁGUAS:
APLICAÇÃO DA METODOLOGIA “AVALIAÇÃO DE
PROSPERABILIDADE” À BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO
UNA-RJ

Rafael Pereira Machado1, Jade Golzio Barqueta Donnini2, Maria Inês Paes Ferreira3
1
Instituto Federal Fluminense, e-mail: rafa-pmachado@hotmail.com; 2 Instituto Federal Fluminense,
e-mail: jadegolzio@gmail.com; 3Instituto Federal Fluminense, e-mail: ines_paes@yahoo.com.br

Palavras-chave: Objetivos do Desenvolvimento Sustentável; Recursos Hídricos; Comitês de Bacia Hidrográfica.

Resumo
Adotada em 2015, a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável consiste em uma declaração constituída por 17
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e 169 metas. Com ela espera-se ser possível a construção de um novo
modelo global para acabar com a pobreza, promover a prosperidade e o bem-estar de todos, proteger o ambiente e
combater as alterações climáticas. O conjunto de objetivos e metas comprovam a sua característica holística. Os ODS
propostos se inter-relacionam e o sexto (6º) aborda a gestão sustentável das águas como encadeamento dos ODS. Nesse
sentido, muitos esforços convergiram para a construção de estratégias de mitigação do risco de escassez hídrica, dentre
as quais destacam-se a governança democrática e participativa e a gestão integrada de recursos hídricos (GIRH). No
Brasil é conferido aos Comitês de Bacia Hidrográfica (CBH) o papel de espaço colegiado deliberativo onde a sociedade
civil organizada, os usuários e o setor público compartilham a governança das águas. Mas sabe-se que é complexo
viabilizar a conciliação da conservação da natureza com o uso ininterrupto dos bens e serviços ecossistêmicos pelas
populações humanas do planeta e medir a sustentabilidade de forma direta. Portanto, avaliar a sustentabilidade de
sistemas socioambientais (SSA) envolve a investigação de relações complexas entre sociedade, economia e ecologia. Na
prática, entre os desafios planetários da atualidade está a compatibilização da conservação da natureza com o uso
sustentável dos seus bens e serviços ambientais e o estabelecimento de estratégias baseadas em processos participativos
e arranjos de governança democrática afinados com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) propostos
pela Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU). Objetiva-se com este artigo, apresentar “avaliação de
prosperabilidade”, que adere aos ODS e constitui-se como ferramenta com potencial de avaliação ambiental integrada,
tendo como foco a gestão participativa dos recursos hídricos. A metodologia baseia-se numa abordagem conceitual
alternativa e holística, já que concilia fatores associados à resiliência ecossistêmica com princípios de sustentabilidade
em gestão ambiental, de governança democrática e de redução da pobreza, encontrando-se em desenvolvimento para
avaliação ambiental integrada em níveis local e regional. O artigo contempla um exemplo de aplicação desta
metodologia, tendo como recorte um sistema socioambiental (SSA) situado no bioma da Mata Atlântica, a Região
Hidrográfica VI do estado do Rio de Janeiro (RH-VI), detalhando-se o caso da bacia hidrográfica do rio Una. Os
resultados evidenciaram que os SSA em estudo apresentam aspectos positivos, mas também fragilidades em relação aos
princípios de sustentabilidade que compõem a avaliação de prosperabilidade e consequentemente ao alcance dos ODS
da ONU.

Introdução
Nas decisões de caráter ambiental, convivemos com o desafio de promover a compatibilização da conservação da
natureza com o uso continuado dos bens e serviços ecossistêmicos pelas populações humanas do planeta. Neste cenário,
a nível global, manifesta-se a necessidade de promoção do desenvolvimento sustentável, materializada inicialmente na
pactuação das nações para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, propostos pela Organização das
Nações unidas (ONU), em 2000. Popularizada a partir do Relatório Brundtland, a expressão “desenvolvimento
sustentável” foi sendo gradualmente substituída no debate acadêmico pelo termo sustentabilidade, que é objeto de
abordagens diversas, em função da ótica pelo qual é apresentado (FROEHLICH1, 2014). Observa-se porém que, tanto
na visão corporativa e econômica, quanto na social ou na ecológica existe o reconhecimento de que o conceito em
construção envolve múltiplas dimensões associadas a sua complexidade inerente, e deve considerar, em seu local de

194
promoção, elementos estratégicos de gerenciamento de recursos hídricos diante do risco da escassez de água no mundo
(PINSKY et al., 2013; BENITES; POLO, 2013), uma vez que sua disponibilidade em termos quali-quantitativos é
fundamental para a promoção da saúde, da sustentabilidade e da resiliência socioambiental (FERREIRA; LERNER,
2016; PARKES et al., 2010). O cenário torna-se desafiador na medida em que os usos múltiplos da água têm crescido e
a ação humana tem alterado significativamente o ciclo hidrológico (FULGENCIO, 2012). Pondera-se que a adoção dos
princípios da gestão integrada dos recursos hídricos (GIRH) seria uma forma de assegurar a manutenção de bens e
serviços ecossistêmicos a eles associados (SAKAMOTO et al., 2018), promovendo sua preservação, uso, recuperação e
conservação em condições satisfatórias para os seus múltiplos usuários e de forma compatível com a eficiência e o
desenvolvimento equilibrado e sustentável de uma região (YASSUDA, 1993). Não obstante as críticas acerca da
efetividade e dos resultados concretos da GIRH (GIORDANO; SHAH, 2014), muitos países adotaram sistemas
organizacionais integrados e descentralizados, impulsionados pelos crescentes e graves problemas relacionados com a
escassez hídrica, pelos conflitos pelo uso da água e pelas mudanças climáticas (ONU, 2008; MOSTERT, 2018;
TONELLO, 2017; JACOBI et al., 2014; ONU, 2018). No Brasil, os recursos hídricos têm sua gestão organizada por
bacias hidrográficas e corpos hídricos sob controle da União ou dos Estados (BRASIL, 1997). Ao adotar-se a bacia
hidrográfica como delimitação territorial para a gestão das águas, respeita-se a divisão espacial que a própria natureza
fez e proporciona-se uma efetiva integração das políticas públicas e ações regionais, o que por si só teria um caráter
positivo (TONELLO, 2017). Todavia, ao se empregar esse recorte geográfico como base da gestão das águas, isso
implica complexidades uma vez que os recursos hídricos exigem a gestão compartilhada com a administração pública,
órgãos de saneamento, instituições ligadas à atividade agrícola, gestão ambiental, entre outros, com competências
referentes às divisões administrativas distintas (PORTO, 2008). Tal complexidade sistêmica inerente à gestão das águas
(CAMPOS; FRACALANZA, 2010) pode ser contornada pela adoção de processos descentralizados e arranjos de
governança democrática, estruturados de forma a mediar conflitos de uso, estimular a integração da comunidade e dos
órgãos institucionais, os quais são delimitados política/administrativamente (TUNDISI, 2003; SILVA et al., 2017;
ALEXANDRE; FERREIRA, 2015) A Política Nacional de Recursos Hídricos (PNRH) confere aos Comitês de Bacia
Hidrográfica (CBH) o papel de espaço colegiado deliberativo onde a sociedade civil organizada, os usuários e o setor
público compartilham a governança das águas. No entanto, a qualidade dessa participação e do controle público nas
políticas hídricas depende do diálogo democrático, inclusivo e das ações formativas da educação ambiental,
capacitação, comunicação e mobilização social (WOLKMER; PIMMEL, 2013). Assim como na GIRH, a formulação de
estratégias promotoras da sustentabilidade deve considerar os seus múltiplos aspectos e, portanto, empregar uma
abordagem integradora e sistêmica, que contemple não só o caráter multidimensional do conceito, como também
questões institucionais e de governança que sejam indutoras de uma mudança societária global (COSTANZA et al.,
2018). Tendo em vista que, de uma forma geral, os ODM da ONU não foram alcançados, em 2015 uma nova pactuação
entre as nações resultou na Agenda 2030, composta por 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e 169
metas que tem como finalidade última a prosperidade e o bem-estar para todos no planeta e a superação definitiva da
pobreza extrema (ONU, 2015). Uma vez que os ODS estão inter-relacionados (COSTANZA et al., 2016; FERREIRA et
al., 2017) e que não é possível medir a sustentabilidade de forma a direta (MORSE; BELL, 2008; COSTANZA et al.,
2016), novas metodologias de avaliação precisam ser desenvolvidas. Dentre os ODS o 6° deles versa sobre a gestão
sustentável das águas, substância sem a qual a vida, de uma forma geral e a prosperidade das populações humanas no
planeta é inequivocamente inviável. Portanto, considerando a água como bem de uso comum, a gestão sustentável das
águas como eixo para os ODS e a dificuldade de avaliar a sustentabilidade de sistemas socioambientais (SSA) de forma
integrada e holística para subsidiar gestores ambientais nos processos de decisão alinhados à Agenda 2030, parte-se da
hipótese de que a metodologia de “avaliação da prosperabilidade” apresenta-se como uma ferramenta potencial de
avaliação ambiental integrada, tendo como foco a gestão participativa dos recursos hídricos (FERREIRA et al., 2017). O
termo “prosperabilidade” (thrivablity) é um neologismo resultante da junção das palavras prosperidade e
sustentabilidade, que incorpora princípios fundamentais da Agenda 2030: redução da pobreza e adoção de práticas
sustentáveis. Objetiva-se com o presente artigo apresentar a aplicação da metodologia à bacia hidrográfica do rio Una,
sistema socioambiental (SSA) situado no bioma da Mata Atlântica, na Região Hidrográfica VI do estado do Rio de
Janeiro (RH-VI). A figura 1apresenta a localização da área do estudo.

195
Figura 1: Mapa da Bacia Hidrográfica do Rio Una-RJ.

Material e Métodos
A metodologia emprega subindicadores obtidos via dados secundários e primários, associados às sete dimensões de
sustentabilidade propostos por Ostrom (2004) combinadas aos princípios de governança das águas descritos por Larson,
Wiek e Keeler (2015) e a testes de aderência aos interesses comuns em processos decisórios conforme especificados por
Clark e Vernon (2015). Os dados primários que compõem os subindicadores baseiam-se em observação participante e
em pesquisa de percepção ambiental que inclui a aplicação de questionário semiestruturado aos representantes de
diversas organizações atuantes na governança colaborativa da região e no Subcomitê do rio Una, que compõe Comitê
Lagos-São João. O modelo conceitual proposto por Anderies, Janssen e Ostrom (2004) para governança e gestão
ecossistêmica considera que o funcionamento adequado dos SSA está associado a sete (7) princípios ou dimensões de
sustentabilidade: 1- Integridade do sistema socioambiental; 2-manutenção e eficiência dos recursos; 3- Existência de
meios de subsistência e oportunidades suficientes; 4- engajamento da sociedade civil e governança democrática; 5-
equidade inter e intrageracional; 6- interconectividade entre as escalas local, nacional e global; e 7- precaução e
adaptabilidade. A partir de características importantes para a gestão sustentável, integrada, descentralizada e
participativa dos recursos hídricos, para cada um dos sete princípios de sustentabilidade Ferreira et al. (2017)
propuseram um conjunto de quatro componentes e três testes de interesse comum descritos por Larson, Wiek e Keeler
(2015), resultando num total de 49 parâmetros necessários à avaliação. Uma atribuição de notas variando de 0 a 20 é
feita para cada componente. No caso dos parâmetros associados aos testes de aderência aos interesses comuns, a
pontuação 20 é obtida apenas quando há aderência aos três testes, pontuação 10 para aderência a dois testes e pontuação
0 nos outros casos. A pontuação conferida a cada um dos sub-componentes das múltiplas dimensões da sustentabilidade
resulta da integração entre os resultados da pesquisa de percepção ambiental e informações de fontes secundárias. Na
figura 2, pode-se observar uma representação simplificada e funcional da metodologia descrita.

196
Figura 2: Esquema metodológico da avaliação de prosperabilidade.

Os componentes associados ao princípio “integridade do SSA” são: 1- Fronteiras oficialmente definidas; 2 - Extensão
territorial expressiva das bacias hidrográficas coberta por áreas protegidas; 3 - Boa qualidade da água nas cabeceiras
das bacias hidrográficas, devido à falta de fontes de poluentes e à expressiva área com cobertura florestal conservada; e
4 - Baixo nível de ocupação em regiões de mata ciliar; baixa ocorrência de, desmatamento das nascentes e de desvio
irregular de água. Os três (3) testes de interesse comum são: Teste A- Participação da sociedade na elaboração de planos
diretores; Teste B- Mecanismos de comando e controle da política ambiental implementados e funcionando
adequadamente; Teste C- Dados sobre a qualidade das águas superficiais e subterrâneas disponíveis para o público em
geral. Os componentes associados ao princípio “manutenção e eficiência dos recursos” são: 1-Número suficiente de
estações hidrométricas públicas e privadas em operação; 2-Cadastro e outorga de usuários de água existente e
disponível para consulta do público, sistemas de cobrança pelo usos da água implementados e funcionando
adequadamente; 3-Sistemas de tratamento de esgoto e instalações de saneamento básico dos núcleos urbanos
implementados e operando com eficiência adequada para: toda a população urbana (20 pontos), ou para mais de 50% da
população (10 pontos), ou para menos de 50% da população (0 ponto), e 4- Estratégias de enfrentamento de condições
de escassez hídrica sazonal elaboradas pelo Poder Público com a participação da população. Para este princípio foram
definidos os seguintes testes: Testa A- Grandes e pequenos usuários autodeclaram seu consumo de água para o Estado;
Teste B- Montante expressivo do valor arrecadado com impostos e taxas gastos na manutenção e operação de sistemas
de água e esgoto e; Teste C- Instalação e manutenção de instalações de monitoramento públicas e privadas realizadas
com celeridade e periodicamente. O princípio “existência de meios de subsistência e oportunidades suficientes”
apresenta os seguintes componentes de avaliação: 1- Elevado IDH e bom nível de empregos formais; 2- Famílias
dependentes do extrativismo e populações tradicionais com bom nível de trabalho e renda; 3- Baixo percentual da
população urbana vivendo em habitações subnormais, sem saneamento básico e 4- Pequena ocorrência de êxodo rural
devida à falta de oportunidade e de meios de subsistência suficientes nas zonas rurais. Para este princípio foram
definidos os seguintes testes: Teste A- Orçamento participativo para decidir sobre os investimentos públicos de
desenvolvimento; Teste B- Atividades econômicas sustentáveis associadas à renda e oportunidades suficientes para
pequenos proprietários rurais e, Teste C- Empreendedores privados apoiando inciativas governamentais e/ou da
sociedade civil para melhoria de qualidade de vida e enfrentamento das mudanças climáticas. Ao princípio
“engajamento da sociedade civil e governança democrática” são apresentados os seguintes componentes: 1- Arranjos de
governança colaborativa induzidos pelas políticas públicas, com forte influência dos movimentos sociais; 2-
Participação social inclusiva na gestão de bacias hidrográficas, mecanismos de cobrança pelo uso da água regulados por
lei, com recursos da arrecadação destinados para aplicação por parte dos comitês de bacia;3- Envolvimento de todos os
setores da sociedade (Poder Público, usuários e sociedade civil) na mediação de conflitos sobre direitos de uso e acesso
aos recursos hídricos; comitês de bacia hidrográficas paritários e deliberativos implementados e funcionando
adequadamente; e 4- Comunicação eficiente dos comitês de bacia e de outros organismos de gestão ambiental com

197
público em geral. Os testes correspondes a este princípio são: Teste A- Comitês de bacia deliberativos e conselhos
consultivos de Unidades de Conservação participando ativamente da sua gestão; Teste B- A importância dos comitês de
bacia para a gestão das águas é reconhecida pela sociedade do SSA, e Teste C- O repasse dos recursos da cobrança pelo
uso da água é feito para os comitês de bacia. No princípio “Equidade inter e intrageracional” foram estabelecidos os
seguintes componentes: 1-Meio ambiente e os recursos hídricos legalmente considerados como bens comuns; 2-
Populações tradicionais com o direito de manter e reproduzir suas práticas culturais em territórios especialmente
protegidos definidos por lei; 3-Benefícios derivados dos processos de planejamento ambiental justificando seus custos
(eficiência econômica) e benefícios dos bens e serviços ecossistêmicos igualmente distribuídos entre os setores sociais e,
4- Projetos de Educação Ambiental e mecanismos de mediação de conflitos ambientais em funcionamento. Para esta
dimensão de sustentabilidade, os testes são: Teste A - Existência de mecanismos de estímulo à participação da juventude
em comitês de bacia e em conselhos de Unidades de Conservação; Teste B- Ausência de injustiça ambiental no território
do SSA e, Teste C -Interesses públicos norteando a gestão dos recursos hídricos e ambientais, em detrimento dos
interesses privados. Para o princípio “Interconectividade entre as escalas local, nacional e global” foram especificados
como componentes de avaliação: 1- Existência de programas específicos para educação, estímulo à ciência cidadã nas
ações de monitoramento ambiental construídos coletivamente em oficinas, de forma a envolver parcerias nacionais e/ou
internacionais; 2 - Promoção de ações conservacionistas e práticas agrícolas ambientalmente “amigáveis”; 3 - Não
ocorrência de escassez hídrica em áreas densamente povoadas devido ao uso inadequado do solo nas regiões de
cabeceiras dos corpos hídricos nem a mudanças climáticas ou secas sazonais, e 4 - Rede hidrométrica e estações
fluviométricas conectadas a sistemas interligados de informações regionais/nacionais de recursos hídricos. Os testes
estipulados são: Teste A- Atores locais, nacionais e globais participam ativamente em atividades de gestão das águas e
de conservação dos recursos naturais da bacia hidrográfica; Teste B- Trocas comerciais entre pequenos produtores
rurais locais e mercados externos contribuem substancialmente para o sustento familiar, e Teste C- Dados dos sistemas
de informação sobre recursos naturais a níveis local, regional, nacional e mundial são compatíveis e disponíveis para o
público em geral. O princípio de sustentabilidade “Precaução e adaptabilidade” foi associado aos seguintes
componentes:1-Planejamento ambiental ocorrendo como um processo contínuo de tomada de decisões, adaptável a um
futuro incerto; 2 - Planos de bacias hidrográficas robustos, considerando diferentes cenários de desenvolvimento; 3 -
Instrumentos de planejamento urbanos e rural contemplando estratégias para enfrentar a escassez hídrica e as mudanças
nas condições ambientais; 4 - Os limites das Unidades de Conservação estrategicamente definidos para proteger as
bacias hidrográficas e seus Planos de Manejo contemplando alternativas para promoção de prosperidade das
comunidades locais. A esta dimensão de sustentabilidade foram relacionados os seguintes testes: Teste A - Planos
Diretores municipais atualizados, focando ações sustentáveis e construídos com a participação da sociedade local e com
base em atributos ambientais do território do SSA; Teste B - Planos de recursos hídricos, de manejo de Unidades de
Conservação e planos diretores urbanos sendo implementados, e Teste C – Capacidade de rever rapidamente os
produtos do planejamento territorial em função da alteração das condições socioambientais. A obtenção dos dados
primários baseou-se em atividades de campo contemplando observação participante (QUEIROZ et al., 2007) em
reuniões do CBH Lagos São João e do Subcomitê do rio Una e no Conselho de Meio Ambiente de São Pedro da Aldeia,
e em pesquisa de percepção ambiental, que incluiu a aplicação de 41 questionários semiestruturados a informantes-
chave e aos representantes de diversas organizações atuantes em fóruns de governança ambiental colaborativa da região.
Do total de questionários, vinte foram aplicados ao Comitê de bacia Lagos São João e vinte e um ao Subcomitê da bacia
hidrográfica do rio Una. Dois modelos de questionário de estruturas semelhantes foram elaborados: um sobre a Região
Hidrográfica Lagos São João (RH-VI) e outro sobre a bacia hidrográfica do rio Una. Os dados secundários para
validação da pesquisa de percepção ambiental foram obtidos por meio de pesquisa a documentos oficiais tais como o
Plano Estadual de Recursos Hídricos do Estado do Rio de Janeiro, o Plano da Bacia Hidrográfica da Região dos Lagos
e do Rio São João, Relatórios, Resoluções ( CERHI n.º107, de 22 de maio de 2013) e Decretos como o que regulamenta
o Programa Estadual de Conservação e Revitalização de Recursos Hídricos – PROHIDRO, Decreto Estadual nº 36.772
de 08 de dezembro de 2004, Decreto nº 42.029, de 15 de junho de 2011, Relatórios e Boletins do Instituto estadual do
Ambiente (Inea-RJ), websites, artigos, etc. Para a RH-VI as principais fontes de informação foram o Plano de Bacia,
Consórcio Intermunicipal Lagos São João (CILSJ), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Instituto
Estadual Do Ambiente-RJ (INEA) e Plano Estadual de Recursos Hídricos do estado do Rio de Janeiro, Plataforma
Agenda 2030; e para a BH do rio Una o (PERHRJ) = CILSJ, Atlas do desenvolvimento Humano do Brasil (ADHB),
Planos Diretores Municipais, Política Nacional de Recursos Hídricos- PNRH). Os dados primários da pesquisa de
percepção em conjunto com os dados secundários foram analisados estatisticamente e sistematizados. Para a formatação
do trabalho foi utilizado o pacote Libre Office.
Resultados e discussão
O ponto de partida para a atribuição de pontuação às sete dimensões da sustentabilidade que compõem a avaliação de
prosperabilidade foi a tabulação dos aspectos ambientais e dos impactos negativos a eles relacionados relatados pelas
representações do CBH Lagos São João e do Subcomitê do rio Una (figuras 3 e 4, respectivamente). Tais resultados
indicam que os maiores impactos percebidos no território dos dois SSA afetando negativamente as bacias hidrográficas
estão relacionados à perda de biodiversidade e/ou habitat e à poluição das águas e dos solos (figura 3).

198
Figura 3: Aspectos ambientais e impactos negativos que afetam as bacias hidrográficas da RH-VI e do Una

A forma como são praticadas as atividades econômicas na região também foi apontada entre os principais aspectos
causadores de impactos ambientais negativos. Soffiati (2015) relata o aumento populacional e o processo desordenado
de urbanização nos últimos anos na área da bacia do Una. Esta dinâmica sugere uma retroalimentação positiva entre
crescimento demográfico e intensificação das atividades econômicas. Portanto, é preciso pesquisar mais profundamente
para verificar se os vínculos diretos percebidos são corroborados pelos dados de crescimento. Na figura 4 é possível
verificar que, na visão dos entrevistados, o uso e a ocupação inadequados de terras, a poluição doméstica e
desflorestamento constituem os principais impactos negativos sobre as áreas protegidas da bacia do rio Una, incluindo-
se entre elas as UC.

Figura 4: Impactos negativos sobre as áreas protegidas das bacias hidrográficas (BH) da RH-VI e da BH do rio
Una

Quanto à RH-VI os dois impactos ambientais mais percebidos pelos entrevistados foram a ocupação de margem de rios
e a poluição doméstica. Embora a erosão e/ou o assoreamento sejam citados na literatura técnica como os principais
impactos ambientais negativos na região (OLIVEIRA; MELLO, 2016), tais itens não foram percebidos pelos atores
sociais entrevistados como ameaças à integridade das áreas protegidas nos dois SSA em estudo. Porém, sabe-se que é
possível estabelecer uma relação entre a ocupação das margens de rios, processo que leva a retirada da mata ciliar e
desencadeia a erosão, e consequentemente o assoreamento (CASTRO et al., 2013). As notas conferidas aos
componentes e testes associados aos sete principios de sustentabilidade, já contemplados os resultados da pesquisa de
percepção validados pelos dados secundários da pesquisa documental, permitiram uma análise comparativa entre os dois
SSA. Na comparação entre as duas regiões é possível notar que a RH-VI apresenta, de forma geral, uma pontuação
maior do que a região da bacia do rio Una. Os maiores valores atribuídos à Bacia Hidrográfica Lagos São João (RH-VI)
estão basicamente relacionados aos princípios: (1º) integridade do Sistema Socioambiental (SSA), (6º)
interconectividade entre as escalas local, nacional e global e ao princípio (7º) precaução e adaptabilidade. Valores
similares para os dois SSA foram obtidos no que tange ao engajamento da sociedade civil e governança democrática e à
equidade inter e intrageracional (4º e 5º princípios, respectivamente). Uma hipótese para justificar tal superioridade da

199
RH-VI em relação á da Bacia do Una é que a primeira tem uma significativa parcela do seu território protegida por
quarenta Unidades de Conservação (UC), sendo quatro de proteção integral e trinta e seis de uso sustentável, enquanto a
segunda tem um número muito pequeno dessas unidades em seu território, apenas 4, quando comparada com a RH-VI.
Uma vez que as UCs têm o objetivo básico de compatibilizar a conservação da natureza com o uso sustentável de
parcela dos seus recursos naturais; sua presença contribui decisivamente para a integridade do sistema socioambiental e
ajuda a conter os danos aos recursos naturais cooperando simultaneamente para a manutenção dos bens e serviços
ambientais. Segundo o PERHRJ, a RH-VI se destaca, entre as outras, pelo maior percentual de suas florestas em UC
(78%) e pelo segundo maior percentual de área coberta por UC (48%). Embora a maior parte das UCs da RH-VI seja do
grupo de Uso Sustentável, destacando-se a APA do Rio São João/Mico-Leão Dourado, a região conta com importantes
Reservas Biológicas que protegem parte do pouco que resta de florestas aluviais e de restingas no estado - as reservas
federais de Poço das Antas e União e as reservas estaduais de Massambaba e Jacarepiá. Ressalta-se que a ausência
generalizada de matas ciliares nos rios e canais e nas margens do reservatório de Juturnaíba é um aspecto prioritário
para a gestão das águas de abastecimento público desta região. O rio São João é o que apresenta os menores índices de
violação de classe 2 (CONAMA, 2005), no que diz respeito à qualidade da água para todos os parâmetros analisados.
As condições mais críticas verificadas no rio Una são relativas com o parâmetro coliformes fecais (PERHRJ, 2014).
Outro fator que pode explicar as diferenças de notas entre os dois sistemas socioambientais em foco é a ausência do
Plano de Bacia do rio Una. Tal documento tem um peso relevante na atribuição de notas, uma vez que constitui um dos
instrumentos de gestão da Política de Gestão de Recursos Hídricos, que tem como objetivo definir a agenda de recursos
hídricos para as bacias hidrográficas, identificando ações de gestão, programas, projetos, obras e investimentos
prioritários, com a participação dos poderes públicos estadual e municipal, da sociedade civil e dos usuários, tendo em
vista a sustentabilidade da região (PBLSJ, 2005). Com relação às notas atribuídas ao princípio 2 (manutenção e
eficiência dos recursos), verifica-se que apesar do monitoramento da qualidade das águas vir sendo realizado pelo
governo do Estado, no Boletim Consolidado de Qualidade das Águas da RH-VI não há registros correspondentes ao ano
de 2017. O INEA também faz o registro dos dados meteorológicos, constituindo uma rede de dados
hidrometeorológicos, sendo responsável pela operação de sete estações fluviométricas e seis pluviométricas. Na Bacia
do Una só há registro de duas estações hidrométricas e não houve a produção de dados em 2017. Essas lacunas de
informação explicam as notas dos dois SSA, muito próximas para a segunda dimensão de sustentabilidade. Na dimensão
que avalia a existência de meios de subsistência e oportunidades suficientes para a população (3º princípio de
sustentabilidade), a maior nota foi dada para a RH-VI, porém, vale ressaltar que a Bacia do Una possui um IDH
ligeiramente maior nos municípios que compõem a sua área em comparação com aqueles que integram a RH-VI. Todos
os municípios que integram esses dois sistemas socioambientais possuem IDH com valores maior ou igual a 0,700 até
0,799 o que os caracteriza como tendo um IDH alto. Porém, a exceção fica por conta do município de Silva Jardim que
tem a maior área territorial e o menor IDH da RH-VI (0,654) dentre os municípios que integram a região (IBGE
/PNDU, 2010). Como pôde-se observar em visita a campo e participação das reuniões do CBHLSJ e do subcomitê do
rio Una, ressalta-se como importante a mobilização das representações do subcomitê do Una no sentido de promover a
elaboração de planos que visam o emprego de recursos públicos destinados a projetos socioambientais em todo o
território da bacia. Nesta mesma linha de análise, vale destacar que embora tenha apresentado o menor IDH entre os
municípios que compõem a bacia do Una (ATLAS DO DESENVOLVIMENTO HUMANO DO BRASIL, 2013), São
Pedro da Aldeia vem implementando importantes iniciativas envolvendo parcerias entre o poder público e a sociedade
civil, como no caso do manejo florestal sustentável de aroeira (Schinus terebinthifolius) que beneficia os lavradores de
assentamento rural no município e potencializa não só a geração de renda às famílias da comunidade, como também a
utilização de práticas agrícolas sustentáveis (PMSPA, 2018). Políticas de incentivos à instalação de empresas na área da
bacia oportunizaram maior oferta de empregos e melhorias de infraestrutura (implantação da rede de esgoto
pavimentação e a instalação de rede elétrica subterrânea etc.) teoricamente elevando a qualidade de vida da população
local. Todavia, de acordo com o Plano Estadual de Recursos Hídricos do estado do Rio de Janeiro, Cabo Frio é o
segundo município com o maior percentual de população residindo em aglomerados subnormais (30%) e o 6º maior em
número total de pessoas nessa condição (cerca de 42 mil). Araruama também está entre os 15 maiores municípios nesse
aspecto, com 19% de sua população em aglomerados subnormais. Tais dados sinalizam uma grave situação que, se não
for contida e revertida tende a comprometer ou mesmo a impossibilitar a redução da pobreza e consequentemente a
prosperidade e o bem-estar a nível local. Com base nestas informações a nota foi menor para o SSA do Una em relação
a RH-VI. A sistematização das notas atribuídas a cada um dos componentes dos sete princípios de sustentabilidade de
avaliação de prosperabilidade sob a forma de gráfico radial permitiu uma comparação entre os dois SSA analisados
(figura 5).

200
Figura 5: Avaliação comparativa de prosperabilidade para a RH-VI e a BH do rio Una

O gráfico exprime a situação da RH-VI e da BH do rio Una em comparação com a de um sistema ideal, ou seja, aquele
em que a prosperabilidade, teoricamente, atingiria o seu estágio máximo. Atingir este estado seria basicamente alcançar
os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), conforme propostos pela ONU, os quais estão associados aos
subcomponentes da metodologia aqui apresentada. Os ODS são: 1. Acabar com a pobreza em todas as suas formas, em
todos os lugares; 2. Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhoria da nutrição e promover a agricultura
sustentável; 3. Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades; 4. Assegurar a
educação inclusiva e equitativa e de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos;
5. Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas; 6. Assegurar a disponibilidade e gestão
sustentável da água e saneamento para todos; 7. Assegurar o acesso confiável, sustentável, moderno e a preço acessível
à energia para todos; 8. Promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno e
produtivo e trabalho decente para todos; 9. Construir infraestruturas resilientes, promover a industrialização inclusiva e
sustentável e fomentar a inovação;10. Reduzir a desigualdade dentro dos países e entre eles;11. Tornar as cidades e os
assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis; 12. Assegurar padrões de produção e de consumo
sustentáveis; 13. Tomar medidas urgentes para combater a mudança do clima e seus impactos; 14. Conservação e uso
sustentável dos oceanos, dos mares e dos recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável; 15. Proteger, recuperar
e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a
desertificação, deter e reverter a degradação da terra e deter a perda de biodiversidade; 16. Promover sociedades
pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir
instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis e 17. Fortalecer os meios de implementação e
revitalizar a parceria global para o desenvolvimento sustentável. Ressalta-se que todos os componentes de avaliação de
prosperabilidade estão relacionados aos ODS. A figura 6 esquematiza essa relação. Sendo assim, pode-se perceber que
nos dois SSA estudados, RH- VI e BH do Una, foi evidenciada a existência de iniciativas por parte do poder público e
da sociedade civil para promover a melhoria da qualidade de vida da população e consequentemente a redução da
pobreza.

Figura 6: Relação entre os componentes de prosperabilidade e os ODS

Contudo, foram detectadas fragilidades que precisam ser enfrentadas por meio de investimentos em infraestrutura e no

201
fortalecimento das instituições públicas, privadas e da sociedade civil atuantes nos dois SSA, no sentido de estabelecer
estratégias de desenvolvimento a favor dos grupos sociais como quilombolas, agricultores familiares e outros menos
favorecidos da região. Deve-se frisar que erradicar a pobreza em todas as suas múltiplas dimensões é uma meta
ambiciosa. Sabe-se que todo ano, milhões de pessoas morrem de desnutrição e doenças causadas por extrema pobreza.
Apesar de alguns países serem prósperos, grande parte da humanidade ainda vive na pobreza e isso tem sido um
problema constante entre as sociedades. O competitivo sistema econômico mundial produz não apenas ganhadores que
prosperam, mas também perdedores que sofrem (ONU, 2018). Os dois SSA avaliados apresentam uma parcela
significativa de suas populações vivendo em áreas rurais. Por meio da observação participante e visita de campo
confirmou-se que há iniciativas e programas que promovem ações conservacionistas e práticas agrícolas sustentáveis
para as populações tradicionais e pequenos agricultores (PMSPD, 2018). Mas, neste aspecto, os dois SSA têm muitos
desafios a superar. À luz do nexo existente entre o ODS 2 e de suas inter-relações com os ODS 7 e ODS 6 (BIGGS et
al., 2015), o qual foi a base conceitual para o desenvolvimento da metodologia de avaliação aqui descrita, afirmamos ser
determinante estabelecer estratégias para que haja avanços na agricultura sustentável, com perspectiva de aumento da
produtividade e da renda dos pequenos produtores agrícolas e das populações tradicionais. Isto pode ter um impacto
direto na diminuição da pobreza e consequentemente no aumento do acesso aos alimentos e na promoção de uma
economia mais sustentável, uma das bases para se alcançar a segurança alimentar. Nos dois SSA avaliados há de se
incentivar e fortalecer os circuitos locais e regionais de comercialização para valorizar a produção familiar, em
organizações cooperativistas, por exemplo. Entende-se que a universalização dos serviços de água e esgoto é
fundamental, pois está diretamente relacionada com a melhoria de qualidade de vida da população, se desdobrando em
benefícios socioeconômicos. Apesar da elevada cobertura de redes de coleta e tratamento de água e efluente doméstico
dos municípios que integram na RH-VI, se comparada a de outros municípios do estado do Rio de Janeiro (ANA, 2018),
os dois sistemas SSA apresentaram deficiências nesses componentes. Além da previsão de ampliação do sistema
convencional de tratamento de efluente doméstico na região (PROLAGOS, 2018), vale destacar as iniciativas de caráter
sustentável, como o uso de plantas aquáticas e cascalhos para o tratamento de esgoto, sem uso de produtos químicos na
Estação de Tratamento Esgoto (ETE) em Araruama. O emprego de soluções baseadas na natureza em conjunto com
“tecnologias cinzas” constitui-se como uma das alternativas recomendadas para o alcance do ODS 6, combinando
inovação técnica, comercial, financeira, de governança, regulatória e social (RAYMOND et al., 2017). Adicionalmente,
adotar medidas que assegurem o acesso ao saneamento se reflete em saúde, educação e na promoção do turismo. Mas
não adianta melhorar o serviço de coleta se não houver, em paralelo, um planejamento que impeça o crescimento
desordenado das favelas, com a expansão de habitações subnormais, como verificado em campo nas regiões estudadas e
confirmadas pelos dados secundários como no PERHRJ. A associação dos subcomponentes de cada princípio de
sustentabilidade pontuado na avaliação da prosperabilidade aos ODS permite afirmar que a implementação de políticas
públicas inclusivas e indutoras de um modelo desenvolvimento orientado à geração de emprego e renda, mas que, ao
mesmo tempo possa deter os impactos ambientais negativos nas duas regiões. Para além da atuação do Poder Público,
os princípios 4 (engajamento da sociedade civil e governança democrática) e 6 (interconectividade entre as escalas
local/regional e global) apontam para a importância do engajamento da população e do setor privado em ações
sustentáveis. Superar este desafio parece ser uma questão mais crítica para a BH do rio Una do que para a RH-VI como
um todo. Tal afirmativa é evidenciada pela diferença de pontuação entre os dois SSA em todos os componentes da
avaliação (Quadro 1 e gráfico 3), com exceção dos princípios 4 e 5 (equidade inter e intrageracional). Ponderamos,
contudo, que os sub-componentes associados ao princípio 5 possuem em geral uma tendência a gerar pontuação igual ou
superior a 50, tendo em vista a estrutura dos sistemas de gestão de recursos hídricos a níveis estadual e federal e o
caráter de dominialidade pública das águas no estado do Rio de Janeiro e no Brasil. A elevada pontuação no princípio 4
ressalta o envolvimento dos atores sociais regionais de ambos os SSA com ações sustentáveis e de gestão integrada das
águas e do ambiente. Considerando que um SSA ideal possuiria pontuação igual a 100 em todos os princípios, o
contínuo fortalecimento dos mecanismos de gestão ambiental democrática e participativa, de forma a garantir
sustentabilidade forte (BELL; MORSE, 2008) a nível regional é um passo sem o qual torna-se inviável alcançá-la nas
escalas local, nacional e global, consequentemente impossibilitando à nação brasileira cumprir os compromissos
pactuados como signatária da Agenda 2030 da ONU.

Considerações finais
O presente trabalho expôs a metodologia de avaliação de prosperabilidade, uma abordagem conceitual alternativa e
holística para além da sustentabilidade já que agrega uma avaliação sistêmica acerca da resiliência ecossistêmica com os
princípios de sustentabilidade em gestão ambiental, de governança democrática e de redução da pobreza, desenvolvida
para aplicação em níveis local e regional. O emprego da metodologia de avaliação de prosperabilidade à RH-VI e à
Bacia hidrográfica do rio Una comprovou a hipótese de que ela pode considerada como uma ferramenta avaliação
ambiental integrada, tendo como foco a gestão participativa dos recursos hídricos, sendo capaz de subsidiar gestores
ambientais nos processos de decisão alinhados à Agenda 2030 da ONU. Isso pôde ser constado por meio dos resultados
obtidos nos dois sistemas socioambientais nos quais a metodologia foi testada.

202
Agradecimentos
Os autores gostariam de agradecer ao Programa Cátedra Brasil da ENAP, à CAPES, ao CNPq, ao Programa de Pós-
Graduação em Engenharia Ambiental (PPEA - Instituto Federal Fluminense), ao Comitê de Bacias Hidrográfica Lagos
São João (CBHLSJ), ao Subcomitê de Bacia do rio Una, ao Consórcio Intermunicipal Lagos São João (CILSJ) e ao
Conselho Municipal de Meio Ambiente e Saneamento de São Pedro da Aldeia-RJ (COMASPA) pelo apoio recebido.

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205
9REA157
ANÁLISES FÍSICO-QUÍMICAS DAS NASCENTES DO RIO
CAVEIRAS

Viviane Aparecida Spinelli Schein1, Josiane Teresinha Cardoso2, João Pedro Stippe Schmitt 3
1
Universidade do Estado de Santa Catrina,e-mail:viviane.schein@udesc.br; 2Universidade do Estado de
Santa Catarina, e-mail: josiane.cardoso@udesc.br; 3Universidade do Estado de Santa Catarina, e-mail:
joao.schmitt@edu.udesc.br

Palavras-chave: análises físico-químicas; rio Caveiras; nascentes.

Resumo
A água é essencial para a vida e tem um papel vital no funcionamento apropriado dos ecossistemas terrestres. Sua
poluição cria um sério impacto em todas as criaturas vivas, e pode afetar negativamente o uso da água para beber,
necessidades da casa, recreação, pesca, transporte e comércio. Apesar da necessidade deste recurso para a sobrevivência
e para o desenvolvimento econômico, o homem continua degradando o meio ambiente (solo, ar, água, seres bióticos).
Na região sul do Brasil, em particular, a intensidade e grande diversidade de impactos antrópicos é possivelmente o
principal desafio para a gestão dos recursos hídricos. Para a resolução dos problemas ambientais, é necessário que se
desenvolvam métodos de avaliação confiáveis, de modo a se encontrar formas rápidas e seguras para se diagnosticar a
qualidade desses corpos hídricos (Buss et al., 2003). O monitoramento da qualidade da água é de suma importância
nesse processo e pode ser feito através da análise de parâmetros físico-químicos e biológicos que possibilizam
determinar o grau de poluição e de contaminação da água quando associados às atividades antrópicas (Ortiz et al.,
2008). A preservação das áreas de nascente são de vital importância para se manter a integridade e qualidade dos rios.
Em função disso é de extrema importância a realização de um monitoramento das nascentes, bem como a realização de
análises físico-químicas uma vez que estas permitem avaliar se água está poluída ou preservada. Este estudo visou fazer
um levantamento da qualidade da água nas nascentes do Rio Caveiras presentes na Reserva Particular do Patrimonio
Natural (RPPN) Complexo Serra da Farofa de propriedade da Empresa Klabin SA. Para isso foram realizadas análises
físico químicas da água das nascentes do Rio Caveiras com objetivo de monitorar sua qualidade bem como como
verificar em qual classe este corpo hídrico se encontra, de acordo com a Resolução CONAMA 357/05. A coleta de água
foi realizada na Fazenda Santo Antônio, área pertencente à Reserva Particular do Patrimonio Natural (RPPN) Complexo
Serra da Farofa de propriedade da Empresa de Papel e Celulose Klabin S.A., onde estão presentes quatro das cinco
nascentes que formam o Rio Caveiras, abrangendo os municípios de Painel, Rio Rufino e Urubici. Dentro da área da
RPPN escolheram-se cinco pontos (P1 a P5) para coleta e análises fisíco-químicas da agua e ainda foi selecionado um
ponto fora da área da RPPN (P6) que encontra-se em uma Vila Rural presente na calha principal do Rio Caveiras para
análise da agua. Foram determinados os parâmetros físico-químicos pH, temperatura, condutividade elétrica, oxigênio
dissolvido, cor, turbidez e DBO. Após a obtenção dos dados das análises físico-químicas foi realizado o tratamento de
dados através de métodos de estatística multivariada, utilizando o software Minitab 16. Foram feitos os processos de
análise de agrupamento e análise dos componentes principais. De acordo com os resultados obtidos para o pH, turbidez,
oxigênio dissolvido e DBO as águas dos seis pontos analisados pertencentes ao Complexo Serra da Farofa indicaram
pertencer a Classe 1 de acordo com a Resolução CONAMA 357/05. Com as análises estatísticas foi possível discretizar
em três grupos os seis pontos de coletas, sendo o grupo composto pelo ponto seis (P6) o mais antropizado. Os outros
cincos pontos estão bem preservados, indicando uma agua de boa qualidade. Sendo assim a RPPN Serra da Farofa está
cumprindo seus objetivos, promovendo a proteção de recursos hídricos, a conservação da diversidade biológica, bem
como a preservação de belezas cênicas e ambientes históricos.

1. Introdução

A água é um bem indispensável à manutenção dos ecossistemas e sobrevivência das populações humanas, as
quais fazem uso deste recurso para diversos fins, podendo estes ser classificados em econômicos, sociais e tecnológicos
(Araújo et al., 2007). A qualidade dos recursos hídricos é fortemente influenciada por aspectos ambientais como o
desmatamento, uso indevidos, construções como barragens e o despejo de efluentes, transformando os rios em
reservatórios de resíduos e provocando impactos como assoreamento, salinização e contaminação das águas superficiais
que pode ser potencializada pelo consumo exagerado das águas, o que promove aumento da concentração dos

206
contaminantes presentes no meio (Konig et al., 2008).
Apesar da necessidade deste recurso para a sobrevivência e para o desenvolvimento econômico, o homem
continua degradando o meio ambiente (solo, ar, água, seres bióticos). Essa degradação aumenta com o crescimento
populacional e industrial observados nas últimas décadas (Cavalcanti da Cunha et al., 2005).
Para a resolução dos problemas ambientais, é necessário que se desenvolvam métodos de avaliação confiáveis,
de modo a se encontrar formas rápidas e seguras para se diagnosticar a qualidade desses corpos hídricos (Buss et al.,
2003). O monitoramento da qualidade da água é de suma importância nesse processo e pode ser feito através da análise
de parâmetros físico-químicos e biológicos que possibilizam determinar o grau de poluição e de contaminação da água
quando associados às atividades antrópicas (Ortiz et al., 2008).
Para o monitoramento físico-químico da água, a Resolução 375/05 do CONAMA apresenta vários parâmetros
importantes para a classificação de um corpo de água, tais como o OD (Oxigênio Dissolvido), o pH (Potencial
Hidrogeniônico), a temperatura da água, a DBO (Demanda Bioquímica de Oxigênio), a turbidez, a cor, e a
concentração de fósforo e nitrogênio. As análises físico-químicas são de extrema importância, uma vez que permitem
avaliar o tipo de poluição e de contaminação da água associados às atividades antrópicas.
Na região sul do Brasil, em particular, a intensidade e grande diversidade de impactos antrópicos é
possivelmente o principal desafio para a gestão dos recursos hídricos. Dentre as diversas bacias hidrográficas do
Estado de Santa Catarina, destaca-se a do rio Canoas. Esta bacia possui uma área de 22. 808 km² e uma área de
drenagem de 15.012 km², pertencente à região RH4 de Santa Catarina, a maior em extensão no estado. Nesta bacia,
encontramos o rio Caveiras, em parte abastecido pelas águas do Aqüífero Guarani. Suas nascentes encontram-se em
território do município de Painel/SC, na região da Serra Geral, área de grande incidência do arenito Botucatu,
elemento essencial de formação do Aqüífero Guarani, sendo este um manancial de água doce subterrânea. Correndo
para oeste, deságua no rio Canoas, próximo à cidade de Abdon Batista/SC. É um rio importante por abastecer a
cidade de Lages/SC com 156.727 habitantes. A preservação das áreas de nascente são de vital importância para se
manter a integridade e qualidade dos rios. É muito importante a realização de um monitoramento das nascentes, bem
como a realização de análises físico-químicas uma vez que estas permitem avaliar se água está poluída ou preservada.
Devido à presença de poucos estudos visando o monitoramento das nascentes do rio Caveiras, esta pesquisa
teve como objetivo geral determinar os parâmetros físico-químicos da água de quatro das cinco nascentes que formam
o Rio Caveiras abrangendo os municípios de Painel, Rio Rufino e Urubici no estado de Santa Catarina.

2. Materiais e Métodos

O estudo foi realizado na Fazenda Santo Antônio, área pertencente à Reserva Particular do Patrimonio Natural
(RPPN) Complexo Serra da Farofa de propriedade da Empresa de Papel e Celulose Klabin S.A., onde estão presentes
quatro das cinco nascentes que formam o Rio Caveiras, abrangendo os municípios de Painel, Rio Rufino e Urubici
(Figura 1). A área é formada por 165,16 ha de áreas nativas com altitude média de 1.300m; a vegetação é composta por
um mosaico de distintas fases de sucessão florestal, nas antigas áreas de criação de gado da Fazenda e remanescentes de
Floresta Ombrófila Mista Altomontana com a presença de espécies endêmicas e ameaçadas de extinção (FLORIANI,
2015).

207
Figura 1 - RPPN Complexo Serra da Farofa
Fonte: Empresa de Papel e Celulose Klabin S.A, 2018.

Dentro da área da RPPN escolheram-se cinco pontos (P1 a P5) para coleta e análises fisíco-químicas da água.
A escolha dos pontos P1 a P4 se deu porque correspondem a quatro nascentes diferentes presentes na área da RPPN e o
P5 foi escolhido porque ocorre a confluência de algumas dessas nascentes nesse ponto. Foi selecionado também para
análise um ponto fora da área da RPPN (P6) que encontra-se em uma Vila Rural presente na calha principal do Rio
Caveiras. A Figura 2 ilustra os seis pontos de coleta.

Figura 2 - Locais de coleta da água na RPPN Complexo Serra da Farofa, SC.


Fonte: Fonte Google Earth, 2018.

A amostragem aconteceu bimestralmente, iniciando no mês de agosto de 2014 até julho de 2015, totalizando
seis coletas durante o período de um ano. Para a coleta da água, utilizou-se frascos de polietileno de um litro os quais
foram lavados com água corrente por três vezes, detergente neutro e água destilada antes de cada coleta. Os parâmetros
oxigênio dissolvido e temperatura da água foram medidos in loco através de um oxímetro portátil modelo DO-5519 da
Cienlab. Para as medidas de pH e condutividade utilizou-se um pHmetro e um condutívimetro de bancada ambos da
Tecnopon. A cor e a turbidez foram determinados com um fotômetro Spectroquant NOVA 60, da Merck. A
determinação da demanda bioquímica de oxigênio foi realizada de acordo com os procedimentos descritos no “Standard
Methods for the Examination of Water and Wastewater”, que consistiu no condicionamento da água em garrafas

208
OxiTop IS 12 (WTW®, Alemanha) e permaneceram em incubação com temperatura controlada de 20°C, por um período
de 5 dias. A leitura da DBO5 foi feita diretamente no visor do equipamento.
Após a obtenção de todos os resultados de cada parâmetro, das seis coletas, foi possível fazer o tratamento de
dados através de métodos de estatística multivariada, utilizando o software Minitab 16. Foram feitos os processos de
análise de agrupamento e análise dos componentes principais. A análise de agrupamentos, conhecida também como
cluster, teve como objetivo dividir os elementos das amostras em grupos, de forma que esses elementos fossem similares
entre si e formassem grupamentos, com respeito aos parâmetros que foram medidos. A análise dos componentes
principais teve por finalidade reduzir, eliminar sobreposições e resultar de forma mais representativa os dados, a partir
de combinações lineares das sete variáveis iniciais.

3. Resultados e Discussão

Todos os resultados das análises físico-químicas realizadas para os seis pontos de coleta estão ilustrados
na Tabela 1:

Pontos DBO Oxigênio


Temperatura Turbidez Cor Condutividade
de Coleta (mg/L) Dissolvido pH
(oC) (UNT) (Hz) (µS/cm)
(mg/L)
1 1,73 ± 3,16 8,81 ± 0,32 12,98 ± 2,37 0,62 ± 0,34 13,98 ± 10,72 6,5 ± 0,40 19,91 ± 0,62
2 1,07 ± 0,85 8,66 ± 0,35 13,18 ± 2,54 1,61 ± 0,58 24,02 ± 15,46 6,88 ± 0,59 25,03 ± 3,51
3 1,07 ± 0,85 8,62 ± 0,23 13,11 ± 1,76 1,02 ± 1,66 10,53 ± 13,96 6,86 ± 0,52 22,23 ± 4,68
4 1,57 ± 1,36 8,68 ± 0,46 13,41 ± 2,64 2,57 ± 4,66 18,29 ± 12,29 6,93 ± 0,48 17,71 ± 4,33
5 1,73 ± 6,90 8,60 ± 0,59 13,95 ± 3,25 2,15 ± 1,53 27,89 ± 18,94 6,95 ± 0,50 31,74 ± 4,99
6 2,00 ± 1,15 8,18 ± 0,77 16,53 ± 4,80 4,26 ± 3,8 31,48 ± 26,94 6,94 ± 0,54 37,31 ± 8,29
Tabela 1 - Resultados das análises físico-químicas com os valores de média ± Erro Padrão (Parâmetros
estimados a partir de um IC de 95%).

O pH manteve-se relativamente constante em todas as coletas, permanecendo em um intervalo de 6 a


7,5, indicando que o pH da agua está entre levemente ácido e levemente básico. Essa variação pode ser devido a
maior ou menor presença de ácidos orgânicos dissolvidos na água que podem ter suas concentrações diminuídas
devido ao fator de diluição causado pela chuva ou concentrações aumentadas em períodos de maior estiagem.
Segundo a Resolução do CONAMA 357/05 as águas de Classe 1 são aquelas que podem ser destinadas: a) ao
abastecimento para consumo humano, após tratamento simplificado; b) à proteção das comunidades aquáticas; c)
à recreação de contato primário, tais como natação, esqui aquático e mergulho; d) à irrigação de hortaliças que
são consumidas cruas e de frutas que se desenvolvam rentes ao solo e que sejam ingeridas cruas sem remoção de
película; e e) à proteção das comunidades aquáticas em Terras Indígenas. De acordo com essa resolução se o pH
estiver na faixa de 6 a 9 as águas se enquadrarem em Classe 1. Para os seis pontos estudados os valores de pH
ficaram na faixa de 6 a 7,5 estando, portanto, as águas analisadas classificadas como de Classe 1.
A condutividade está relacionada ao poder da água em conduzir eletricidade, ou seja, na quantidade de
íons dissolvidos na agua e quanto maior a condutividade elétrica, maior é a quantidade de íons dissolvidos. Os
valores de condutividade de nascentes são considerados referência aos valores de condutividade de água que não
pertencem à nascentes. Deste modo, os pontos 1, 2, 3, 4 e 5 por serem águas de nascentes são considerados
pontos referência aos valores de condutividade do ponto 6. Para as nascentes os valores de condutividade foram
na maioria dos pontos menores que o ponto 6, variando de 13,38 a 36,73 µS/cm. Para o ponto 6 os valores de
condutividade variaram na faixa de 29,02 a 45,60 µS/cm, indicando um possível lançamento de matéria orgânica
no corpo hídrico uma vez que era o único ponto fora da RPPN e com presença de animais de criação e de
moradores no entorno.
Os parâmetros de oxigênio dissolvido e temperatura foram observados conjuntamente, visto que a
temperatura afeta diretamente a concentração do oxigênio dissolvido na água. Quanto menor a temperatura,
maior será a quantidade de oxigênio visualizada. As coletas realizadas em dezembro de 2014 e em fevereiro de
2015 resultaram nas maiores temperaturas da água e menores valores de oxigênio dissolvido, fator influenciado
pela estação do ano no qual esses meses se encontram, neste caso, verão. Foi verificado também que em cada dia
de coleta a temperatura da agua foi aumentando do ponto 1 ao ponto 6, isso por que as coletas geralmente se
iniciavam ao amanhecer, quando estava mais frio, e finalizava perto do meio dia, quando estava mais quente.
Para o oxigênio dissolvido observou-se que o ponto 6 apresentou os menores valores de OD para a maioria do
período estudado. Isso pode ser justificado pelo fato do ponto 6 ser o único ponto localizado fora da RPPN e
estar recebendo lançamento de matéria orgânica advinda dos animais de criação e moradores que estavam em seu
entorno. Apesar dessa observação, para o ponto 6 e os demais pontos observou-se que os valores de OD ficaram

209
próximos aos valores de saturação em água, e de acordo com a Resolução CONAMA 357/05 as águas analisadas
em todos os pontos pertencem a Classe 1, pois possuem OD superior a 6 mg/L O2.
Para o índice de turbidez os valores variaram de 0,28 a 8,06 UNT, sendo que os maiores valores foram
registrados no mês de fevereiro de 2015, pois anteriormente a data da coleta de água, no mês de janeiro e início
de fevereiro houve vários episódios de chuva de acordo com dados obtidos pelo INMET/EPAGRI/CIRAN e
deste modo houve um aumento na quantidade de sólidos em suspensão aumentando assim os valores de turbidez.
De acordo com os valores de turbidez obtidos para todos os pontos estudados a agua pertence a Classe 1 segundo
a Resolução CONAMA 357/05 que diz que deve ter um valor máximo de turbidez de até 40 UNT.
Para o parâmetro de cor os valores variaram de 3,43 a 58,42 Hz sendo os maiores valores encontrados
para o ponto 6, sendo este localizado fora da área da RPPN. O ponto 6 apresentou para a maioria dos períodos
estudados um maior valor de cor devido a influência de moradores e animais de criação ao seu entorno o que
favorece o aumento de matéria orgânica, além da presença de ácidos húmicos e fúlvidos causando um aumento
na cor.
Os baixos valores obtidos para a DBO na maioria dos pontos e períodos estudados conforme ilustrou a
Tabela 1 é devido aos valores de oxigênio dissolvido estarem em seus níveis de saturação, indicando que a agua
nos pontos estudados está com boa qualidade. De acordo com os valores obtidos para a DBO no período
estudado a água pertence a Classe 1 segundo a Resolução do CONAMA 357/05.
A análise estatística possibilitou separar os seis pontos em três grupos (Figura 3) e determinar qual dos
sete parâmetros fisíco-químicos mais influenciavam nessa separação.

Dendrogram
Ward Linkage; Euclidean Distance

-39,47

7,02
Similarity

53,51

100,00
1 3 4 2 5 6
Observations

Figura 3 - Dendograma gerado com os seis pontos estudados


Fonte: Elaborada pela autora, 2018.

A geração dos três grupos se deu por proximidade dos dados, o grupo que compreende os números 1, 3
e 4 são os pontos que correspondem as águas de maior fluidez, já o grupo representado pelos números 2 e 5
retratam águas mais remansas, o que ocasiona o maior acúmulo de matéria orgânica e apresentam maiores
valores de cor e condutividade. O terceiro grupo é composto pelo número 6, e apresenta os maiores valores para
a maioria dos parâmetros físico-químicos, isso se deve à antropização desta área, já que é um local que
apresentam moradias e presença de animais de criação.
A análise de componentes principais permitiu determinar qual dos sete parâmetros físico-químicos teve
maior influencia na separação dos três grupos (Figura 4).

210
Biplot of pH; ...; DBO (mg/L)
4

3
C or (uH)

2
Second Component

1
DBOpH (mg/L)
Temperatura
Oxigênio dissolv ido (mg/L) (C °)
Turbidez (uT)
0

-1

-2

-3

-4 C ondutiv idade (µS)

-5
0 50 100 150 200 250
First Component

Figura 4 - Análise dos componentes principais


Fonte: Elaborada pela autora, 2018.

De acordo com a figura 4, a cor e condutividade foram os parâmetros que influenciaram


significantemente na separação dos pontos de amostragem em grupos distintos. Para confirmar essa hipótese,
refez-se o método de agrupamento selecionando apenas os dois parâmetros (Figura 5).

Dendrogram
Ward Linkage; Euclidean Distance

-40,54

6,31
Similarity

53,15

100,00
1 3 4 2 5 6
Observations

Figura 5 - Separação dos grupos com os parâmetros cor e condutividade


Fonte: Elaborada pela autora, 2018.

Com a geração do segundo dendograma, somente com os parâmetros cor e condutividade, obteve-se a
mesma separação dos três grupos que foi obtida com os sete parámetros fisíco-químicos, afirmando assim, que a
condutividade e a cor são realmente os parâmetros que definem a fragmentação em três grupos distintos. O grupo 1
pertencente aos pontos 1,3 e 4 com valores de cor e condutividade mais baixos indicando estarem mais
preservados. O grupo 2 pertencente aos pontos 2 e 5 com valores de cor e condutividade maiores que os pontos 1,3
e 4 porém menores que o ponto 6, indicando estarem mais preservados que o ponto 6. O grupo 3 pertencente ao
ponto 6 apresentou maiores valores de cor e condutividade que os demais pontos, indicando ser o ponto mais
poluído por estar fora da RPPN e ter ao seu entorno presença de animais de criação e moradores.

211
4. Considerações Finais

A preservação das áreas de nascente são de vital importância para se manter a integridade e qualidade
dos rios. É muito importante a realização de um monitoramento das nascentes, bem como a realização de análises
físico-químicas uma vez que estas permitem avaliar se água está poluída ou preservada. De acordo com os
parâmetros físico-químicos pH, turbidez, oxigênio dissolvido e DBO as águas dos seis pontos analisados
indicaram pertencer a Classe 1 conforme Resolução CONAMA 357/05.
Com as análises estatísticas foi possível discretizar em três grupos os seis pontos de coletas, sendo os
parâmetros físico-químicos cor e condutividade os parâmetros que influenciaram significativamente na separação
dos pontos de amostragem. O grupo composto pelo ponto 6 indicou ser o mais antropizado, sendo este ponto o
único que está fora da RPPN e com presença de animais de criação e de moradores no entorno do corpo hídrico.
Os pontos que se encontram mais preservados dentro da RPPN foram os pontos 1,3 e 4 porém os pontos 2 e 5
também apresentaram bons resultados de cor e condutividade indicando que todos os pontos estudados dentro da
RPPN apresentaram uma boa qualidade para a água. Sendo assim a RPPN Serra da Farofa está cumprindo seus
objetivos, promovendo a proteção de recursos hídricos, a conservação da diversidade biológica, bem como a
preservação de belezas cênicas e ambientes históricos.

5. Agradecimentos

Os autores gostariam de agradecer a Empresa de Papel e Celulose Klabin S.A pelo apoio recebido.

6. Referências bibliográficas

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Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental, Universidade Federal de Minas Gerais, 2 ed.

Viana, G. M. 1997. Sistemas públicos de abastecimento de água. João Pessoa.

213
9REA159
PROPOSTA DE DESENHO URBANO SUSTENTÁVEL PARA
PROMOÇÃO DE INFILTRAÇÃO

Aline da Nóbrega Oliveira1, Maria Elisa Leite Costa 2, Maria do Carmo de Lima Bezerra3,
Sérgio Koide4
1
Universidade de Brasília/Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, e-mail: aline.no@hotmail.com;
2
Universidade de Brasília/ Programa de Tecnologia Ambiental e Recursos Hídricos, e-mail:
mariaelisa@unb.br; 3Universidade de Brasília/Programa de Pós Graduação da Faculdade de
Arquitetura e Urbanismo: mdclbezerra@gmail.com; Universidade de Brasília/ Programa de
Tecnologia Ambiental e Recursos Hídricos, e-mail: skoide@unb.br

Palavras-chave: PCSWMM; modelagem hidrológica; urbanismo.

Resumo
A relação entre padrões de ocupação urbana e o ciclo da água nas cidades brasileiras é uma temática ainda pouco
explorada. Muito se fala dos alagamentos urbanos provenientes das grandes áreas impermeabilizadas e da
necessária ampliação de redes para captação do volume excedente, que escoa sobre os grandes centros urbanos,
mas raro são os estudos que buscam a compreensão e correlação entre a forma que se urbaniza as áreas de
expansão e a manutenção do ciclo hidrológico, o qual teria como essencial a promoção da infiltração natural das
águas e o não escoamento sobre as superfícies. Por isso, foi estudada parte de uma área de importância para
recarga de aquíferos na região do Distrito Federal, a qual enquadra-se como área de expansão urbana. Essa área
já possui projetos urbanos, mas que estão em análise pelos órgãos responsáveis com propósito de atestar sua
adequabilidade ambiental. O intuito do estudo é compreender como a alteração de elementos urbanos- tamanho
de lotes, vias, áreas permeáveis – auxiliam na promoção da infiltração das águas em maior escala, em detrimento
do projeto unifamiliares sem conexão com os recursos hídricos locais. Essa análise dos padrões urbanos foi
realizada por meio programa de modelagem hidrológica pelo PCSWMM® como ferramenta de simulação em
diferentes cenários: o existente, considerado pré-desenvolvimento; projetado, com lote unifamiliares e rede de
drenagem urbana; e resiliente, com lote multifamiliares e a inserção de técnicas compensatórias para incentivos
de manutenção de áreas mais permeáveis. Como resultado, obteve-se que o cenário 1 apresentou a maior parcela
da água da chuva infiltrada, com uma pequena lâmina de água escoada superficialmente, enquanto que o cenário
2 levou à maior parcela da chuva transformada em escoamento superficial, e somente uma pequena parcela
infiltrada. O cenário 3 mostrou melhorias em relação ao cenário 2, porém, mesmo com a inserção das técnicas
compensatórias não se conseguiu reestabelecer as taxas de infiltração de pré-desenvolvimento e ainda seria
necessária a inclusão de bacias de detenção para o amortecimento da vazão de pico para o atendimento da
legislação. Neste estudo, pode-se afirmar que os padrões convencionais de urbanização produzem conflitos e
impactos no ciclo hidrológico da região e que mesmo com a implantação de estratégias de redução de impactos é
difícil atingir os valores de infiltração e de geração de escoamento encontrados na situação natural (pré-
desenvolvimento). Diante disso, a ocupação do solo em suas diferentes versões e, em especial no caso da
urbanização, necessita de estudo sobre padrões de ocupação que propiciem melhor compatibilização entre
ocupação urbana e a água.

Introdução
A ocupação urbana e sua crescente expansão são fatores que contribuem para a degradação do meio físico, pois o
modelo predominante de ocupação do solo urbano se preocupa com o atendimento das demandas sociais e
econômicas, desconsiderando em sua totalidade, ou parcialmente, os impactos causados ao meio ambiente.
Porém, os urbanistas defendem que o desenvolvimento de diagramas urbanos garante a qualidade de vida nos
espaços de convivência, por meio de uma ocupação urbana ambientalmente sustentável que busca o maior
equilíbrio entre as estruturas existentes com intervenções de menor impacto ambiental (Ribeiro e Gonçalves,
2018; Agudelo - Vera et al., 2011).

214
A ideia de promover o desenvolvimento sustentável da cidade, como conceitos de “cidades sensíveis as águas”,
proporciona não só uma melhor bem-estar a população, como também previne de eventuais desastres naturais,
como os alagamentos e inundações. Portanto, exige uma visão integrada entre o planejamento urbano e a gestão
dos recursos hídricos nos processos de urbanização, a fim de promover à água em quantidades e qualidades a
todos os cidadãos, como direito, conforme institui a Política Nacional de Recursos Hídricos.

Como a urbanização é um fenômeno que impacta o ciclo hidrológico, as grandes parcelas afetadas por esse
processo correspondem a infiltração e ao escoamento superficial, devido a impermeabilização do solo (Righetto,
2009; Tucci, 1993). As mudanças do uso e ocupação do solo em regiões transformadas em grandes centros
urbanos causam alterações na capacidade de infiltração natural, com a mudança da camada superficial do solo,
que impede a recarga natural, e reflete no fluxo de base dos reservatórios superficiais durante os períodos de
estiagem, pode provocar situações de escassez, como vivenciado em São Paulo em 2015 ou no Distrito Federal
em 2017.

A deficiência no planejamento nas cidades reflete em serviços de infraestruturas essenciais aos cidadãos, como
no manejo das águas pluviais. Por muito anos, via-se os sistemas de drenagem urbana como o conjunto de
estruturas construídas por onde as águas pluviais são transportadas o mais rapidamente a jusante, reduzindo o
tempo de concentração das águas nas bacias e ampliando os picos de vazão dos rios (Lucas, 2011). De acordo
com Pompêo (2000), somente a partir do século XXI que os debates sobre a drenagem urbana passaram a
incorporar o conceito de sustentabilidade.

Portanto, são necessárias medidas sistêmicas, integradoras e preventivas que permitam condições de escoamento
das águas pluviais próximas às condições naturais ou anteriores à ocupação, compensando os efeitos da
urbanização e da impermeabilização do solo (Ribeiro e Gonçalves, 2015). A fim de reduzir os impactos da
urbanização, são inseridas nas estruturas métodos conhecidos como LIDs – Low Impact Developmet, ou seja,
Desenvolvimento de Baixo Impacto, que tem objetivo de remover, reduzir, retardar o escoamento superficial e
evitar que os poluentes destas águas cheguem às águas receptoras, criando também uma paisagem multifuncional
(Strecker et al, 2001; Baptista et al, 2011).

Este artigo faz parte de um projeto em parceria entre a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo do grupo Gestão
Ambiental Urbana e o Programa de Tecnologia Ambiental e Recursos Hídricos que busca promover o diálogo
entre a cidade e os recursos hídricos por meio do estudo e sistematização de padrões de ocupação adequados a
áreas de recarga de aquífero e também a fim de evitar o aumento da geração de escoamento superficial além do
existente na fase anterior de ocupação (pré-desenvolvimento). Para este estudo foi proposta a utilização de
tipologias de desenho urbano mais resilientes ao processo de infiltração das águas em uma área ainda a ser
ocupada no Distrito Federal e de grande interesse ecológico, e com o uso da modelagem hidrológica foi possível
analisar os volumes infiltrados, escoados e as vazões de pico geradas.

Metodologia
O estudo foi realizado em parte do projeto de loteamento do bairro do Setor Habitacional Taquari (Figura 1),
pertencente a Região Administrativa do Lago Norte no Distrito Federal, que ainda não foi ocupado. Essa região
tem previsão de ocupação para os próximos anos, adiada diversas vezes devido a intervenções do Ministério
Público devido a críticas aos possíveis impactos ambientais dos projetos urbanísticos para a sua construção. A
região encontra-se em uma área de elevado potencial de recarga de aquíferos, com a presença de nascentes
conservadas pelo cerrado nativo ao redor, com o corpo receptor final o Lago Paranoá. O solo encontrado possui
à alta condutividade hidráulica e resistência para edificar, a região está locada sobre uma topografia de plano
elevado que retrata uma maior facilidade para implantar as redes viárias e de infraestruturas.

215
Figura 1: Projeto Arquitetônico Proposto pela Terracap para a região do Taquari, composta de lotes
unifamiliares, vias e calçadas convencionais, com a implantação de bacias de detenção no exutório; a área
em destaque é a parcela simulada pelo modelo hidrológico neste artigo.

O projeto urbanístico proposto para região (Figura 1) indica o uso de bacias de detenção no exutório da região,
com o objetivo de reduzir a vazão de lançamento nos corpos hídricos, afluente do Lago Paranoá, a fim de atender
a legislação local da ADASA, que limita esse parâmetro. Porém esse amortecimento, apesar de importante, pode
não ser a melhor solução para a área, tendo em vista que não favorece a infiltração, tampouco a recarga natural
para as águas subterrâneas.

A partir do desenvolvimento das informações espaciais no campo do geoprocessamento e dos modelos


hidrológicos, é possível realizar pesquisas para conservação dos recursos hídricos e do solo. Neste trabalho, foi
utilizado o programa de modelagem hidrológica PCSWMM ® como ferramenta de simulação, desenvolvido pela
CHIWATER, é um modelo dinâmico de chuva-vazão que modela a rede de transporte de drenagem por meio de
uma rede de nós e condutos (Rossman, 2016). Apesar de ser uma simulação de uma área pequena, o modelo
representa o escoamento da precipitação pela superfície do terreno, interceptação, infiltração, evapotranspiração
e como esses processos interagiram com a rede drenagem de águas pluviais (Cabral et al., 2009).

Para realização das simulações foram definidos três cenários de acordo com alterações no uso e ocupação e no
desenho urbano. São eles (Figura 02):

(i) Cenário pré – desenvolvimento: área sem parcelamentos urbanos, com cobertura vegetal, tipo campo;
como a área está hoje;

(ii) Cenário Padrão Projetado: parcela do projeto elaborado pela TERRACAP, como está prevista a
implantação do bairro;

(iii) Cenário Padrão Resiliente: simulação de novos padrões de urbanização com a inserção de técnicas de
desenvolvimento de baixo impacto (LIDs).

216
a) Cenário 1 b) Cenário 2 c) Cenário 3

Figura 2: Ilustração dos cenários desenvolvidos: a) Cenário atual da região de estudo; b) Cenário Projetado para a
ocupação da área sem o uso de técnicas que promovam a infiltração na fonte de geração do escoamento superficial;
c) Cenário proposto com um padrão Resiliente, adensando mais as ocupações a fim de fornecer espaços com áreas
permeáveis.

Foi considerada uma chuva de projeto para simulação com tempo de retorno (TR) de 10 anos, conforme
recomendação do Plano Diretor de Drenagem Urbana do Distrito Federal (2009) e do Termo de Referência da
Novacap (2012) para análise e dimensionamento de sistemas de drenagem urbana. Em relação a geração do
escoamento foi adotado o método SCS (Soil Conservation Service) que utiliza o parâmetro da Curva Número
para cálculo de infiltração. O CN é um índice que representa a combinação empírica de três fatores: grupo do
solo, cobertura do solo e condições de umidade antecedente do solo (Tucci, 1993). Baseado nos levantamentos
de características pedológicas, o tipo de solo encontrado na área é o Latossolo Vermelho que se classifica, no
método, como solo tipo “A”: solos que produzem baixo escoamento superficial e alta infiltração (Tucci et al,
1993).

Para simulação do Cenário 1, foi considerada a área da parcela do loteamento sem nenhum tipo de ocupação
urbana, com cobertura vegetal tipo cerrado nativo. Esse cenário representa o processo de infiltração natural, ou
seja, como ocorre a infiltração sem alterações no solo, nenhuma impermeabilização ou compactação, tampouco
alteração na cobertura vegetal. O CN utilizado neste cenário corresponde a 30. Neste cenário, a vegetação presta
serviços ambientais fundamentais para o controle das águas pluviais e conservação do solo, pois grande parte das
águas das chuvas fica retida nos húmus do solo, no qual as raízes dos vegetais formam fissuras, permitindo a
infiltração dessas águas e a consequente recarga dos aquíferos subterrâneos, contribuindo para a regularização
das vazões fluviais (Souza e Otoni, 2018).

Para o Cenário 2, foi utilizado os padrões urbanísticos projetados por instituições governamentais do Distrito
Federal, neste caso, a TERRACAP - Agência de Desenvolvimento do Distrito Federal, compreendendo os
seguintes elementos urbanos básicos: vias, calçadas, lotes. Em cada lote foi considerada a área ocupada pela
edificação e as áreas que não devem ser ocupadas, que se enquadram nas taxas de permeabilidade do solo de
acordo com as Normas de Gabarito da região 111/99.

Para o Cenário 3, os lotes, vias e calçadas foram alterados. Essas alterações basearam-se em estudos de
desenvolvimento de baixo impacto, os quais salientam a importância da diminuição das áreas viárias e de
calçamento, que aumentam o escoamento; o uso de construções verticais, que concentram uma maior quantidade
populacional em menores áreas; a implantação de áreas verdes para amortecimento das chuvas antes de escoar
para as vias, ou seja, áreas impermeáveis diretamente conectadas em áreas permeáveis. Sendo assim, a área que
abrigaria residências unifamiliares foi transformada em uma parcela de ocupações multifamiliares com redução
das áreas impermeabilizadas que possuem uma elevada taxa de CN de acordo com a classificação SCS. Somente
a alteração no modelo de padrão unifamiliar para multifamiliar ocasionou o aumento das áreas permeáveis e
também da densidade populacional. Também foi considerada uma alteração no CN dos pavimentos das calçadas,
vias coletoras e locais e estacionamentos, pois foram consideradas a implantação de pavimentos com maior
permeabilidade que os propostos no parcelamento do cenário 2.

217
Na tabela 1 estão os CN utilizados para cada uso e ocupação adotado em cada região.

Tabela 1: Ilustração dos cenários desenvolvidos.

USO E OCUPAÇÃO CN UTILIZADO

LOTE UNIFAMILIAR 800 m2 77

ÁREAS PERMEÁVEIS NO LOTE 49

PROJEÇÃO MULTIFAMILIAR 77

ÁREAS PERMEÁVEIS (ANTES OCUPADA POR


39
LOTES)

ESTACIONAMENTOS 76

VIA COLETORA 98

VIA LOCAL 98

CALÇADA – TIPO 1 98

CALÇADA – TIPO 2 76

Resultados e Discussões
É importante quantificar o que se perde de recarga natural de águas subterrâneas com os diferentes tipos de
ocupação do solo para que se possa utilizá-la na gestão integrada do planejamento urbano, tendo em vista os
impactos nos recursos hídricos, ainda pouco estudada no cerrado (Santos e Koide, 2016).

Portanto, foi elaborado a Figura 3 com a comparação dos três cenários simulados para a chuva de projeto
escolhida. Nesta figura, percebe-se que a lâmina precipitada simulada corresponde a 97,57mm, igual em todos os
cenários, variando as parcelas que infiltram e que escoam de acordo com o uso e ocupação estabelecido.

Figura 3: Resultados das porcentagens nos volumes de escoamento superficial e infiltração para a chuva
de projeto simulada em cada cenário analisado.

218
Comparando os três cenários, percebe-se que o Cenário 1 é o que apresenta a maior parcela da água da chuva
destinada a infiltração e uma pequena lâmina de água escoa superficialmente. Este cenário é que o está
acontecendo atualmente na área de estudo, portanto, a condição ótima de ocupação seria a que estabelecesse
essas mesmas condições hidrológicas ou as mais próximas possíveis a essa, tendo em vista que o
reestabelecimento igual a este cenário pode ser difícil de ser atingido após a ocupação urbana.

O cenário 2 foi o que exibiu a maior porcentagem de volume correspondente ao escoamento superficial, tendo
em vista o arranjo urbanístico simulado. Neste cenário existem Áreas Impermeáveis Diretamente Conectadas
(AIDC), ou seja, a chuva atravessa áreas impermeáveis e se deslocam direto para os sistemas de drenagem, sem
possibilidade de passassem por áreas permeáveis que promovesse a sua infiltração (Barbassa e Campos, 2010),
fazendo com que a maior parcela de chuva simulada se transformasse em escoamento superficial, e somente uma
parcela infiltraria, aquela em que a chuva caísse exatamente em cima das áreas permeáveis.

No cenário 3, foram realizadas modificações do cenário proposto, conforme exemplificado, com transformação
de lotes para o aumento das áreas permeáveis e conexão de áreas impermeáveis com as permeáveis. Comparada
ao cenário 2, houve melhora nas duas parcelas analisadas: reduziu-se o escoamento superficial e aumentou a
infiltração. Porém, ainda não foram atingidos os índices da área para o cenário de pré-desenvolvimento, tendo em
vista que, mesmo com a inserção de padrões urbanos com técnicas de baixo impacto, a infiltração reduziu em
1/3, enquanto que o escoamento superficial dobrou. Enfatiza-se que este cenário ainda pode ser melhorado,
porém, foi possível ter claramente a ideia da complexidade em ocupar sem impactar o ciclo natural das águas.

Gonçalves et al (2018) estudaram a implantação de Vala-Trincheira, Plano de Infiltração e Poço de Infiltração,


em escala real, em microbacias dentro do Campos da Universidade Federal de São Carlos e perceberam a
necessidade da redução nas Áreas Impermeáveis Diretamente Conectadas (AIDC), o que pode auxiliar na
diminuição das águas pluviais que chega à rede convencional, além disso houve uma redução de 41,93% da
vazão de pico em relação ao sistema de drenagem convencional. É interessante destacar que a implantação das
técnicas não necessitou de grandes movimentações de terra, garantindo melhorias na relação com os parâmetros
hidrológicos. Estas técnicas, como já exposto, poderiam integrar-se ao cenário que simulou um novo padrão
urbano.

Na modelagem hidrológica é possível analisar também a taxa de infiltração e a vazão de pico gerado em cada
cenário, conforme demostrado na Figura 4 e na Figura 5. Nestas figuras percebe-se os benefícios que a vegetação
do tipo cerrado apresenta para a hidrologia local, tendo em vista, que mesmo para uma parcela do projeto
urbanístico a ser implantado, o cenário 2, apresentou uma redução em 64% da taxa de infiltração, com um
aumento na vazão de pico em mais de 2.000%, que seria amortecido com a bacia de detenção a ser implantado
no exutório. O cenário 3, não dispensaria a bacia de detenção, visto que, somente com a alteração dos padrões
urbanos e a diminuição das áreas impermeáveis diretamente conectadas, aumentaria a vazão de pico em 1.444%,
reestabelecendo somente 50% da taxa de infiltração apresentada no cenário 1.

219
Cenário 1

Vazão (m³/s)

a)Cenário 1
Cenário 2
Vazão (m³/s)

b)Cenário 2
Cenário 3
Vazão (m³/s)

c)Cenário 3
Figura 4: Análise dos hidrogramas gerados em cada cenário.

220
Cenário 1

Taxa de Infiltração (mm/h)

a)Cenário 1
Cenário 2
Taxa de Infiltração (mm/h)

b)Cenário 2
Cenário 3
Taxa de Infiltração (mm/h)

c)Cenário 3
Figura 5: Análise dos hidrogramas gerados em cada cenário.

221
Com estes resultados nota-se que o cenário 2, a ser construído, não é o melhor para manutenção dos serviços
ecossistêmicos hidrológicos. O cenário 3, proposto por estes autores, corresponde somente a um trecho pequeno
de ocupação, e se faz necessário a continuidade dos estudos para que se possa fazer um desenho urbano em
maior harmonia com questões hidrológicas em toda a área de estudo.

Portanto, para prosseguimento dos estudos será reformulado um projeto de ocupação da região, a fim de
favorecer ainda mais a infiltração local para a recarga das águas subterrâneas e a redução da geração superficial.
A seguir serão apresentadas algumas dessas estratégias:

• Na região, encontram-se algumas áreas demarcadas como Áreas de Preservação Ambiental, pretende-se
expandir esses locais no cenário urbano (Ribeiro e Gonçalves, 2015), além do leito dos rios e corpos
d ́água, bem como as nascentes, como forma de evitar a erosão, preservar as matas ciliares e proteger a
integridade do corpo hídrico e manter produção de serviços ambientais;
• Desconexão e redução das áreas impermeáveis: a urbanização convencional consome grande quantidade
de terra para a implantação do sistema viário (vias, calçadas e estacionamento), além dos impactos
causados pela compactação do solo durante sua concepção. Deve-se propor uma redução destes
espaços, por meio de padrões mais resilientes à agua, assim como o simulado na parcela: com a
diminuição da caixa viária; a implantação de calçadas conectadas à dispositivos promotores do manejo
das águas pluviais que, devido à alta permeabilidade e rugosidade da superfície, possibilitam retardar e
diminuir o volume do escoamento superficial (Barbassa e Campo, 2010), como valas e trincheiras de
infiltração, jardins filtrantes e revestimento de piso permeável, além de contribuir efetivamente com a
redução das cargas de poluição de origem pluvial, a continuidade do desenvolvimento sem gerar custos
excessivos e permite a modulação do sistema de drenagem em função do crescimento urbano, além do
tratamento combinado das questões de drenagem pluvial com as questões urbanísticas e paisagísticas
(Baptista et al, 2014).

O planejamento da drenagem urbana precisa ser entendido como uma parte do abrangente processo de
planejamento urbano, visto que a drenagem urbana está diretamente relacionada aos aspectos do uso da terra e
ocupação do solo, do saneamento básico e da infraestrutura de transportes. Nesse sentido, no planejamento da
drenagem urbana é importante considerar as medidas não estruturais, como: o zoneamento urbano, as ações de
regulamentação da ocupação do solo e as atividades de educação ambiental (Canholi, 2014).

Considerações Finais

A ocupação do solo em suas diferentes versões e, em especial no caso da urbanização, necessita de estudos sobre
os padrões de ocupação que propiciem o melhor diálogo entre ocupação urbana e a água.

Entretanto, usualmente se vê tanto na ocupação formal, como informal das cidades uma desvalorização dos
recursos ambientais, como as águas subterrâneas, que com a elevada impermeabilização do solo, há mais
dificuldade da infiltração das águas, que iriam garantir o abastecimento dos aquíferos. Esta por imposição de
modelos de urbanização sobre o território que não dialogam com as especificidades do sítio e que negligencia a
dimensão ambiental, acarretam em episódios como a crise hídrica vista nos últimos anos em diversas cidades
brasileiras.

Neste estudo, pode-se afirmar que os padrões convencionais de urbanização produzem conflitos e impactos no
ciclo hidrológico da região e que mesmo com a implantação de estratégias de padrões de baixo impacto é
complexo atingir os valores de infiltração e de geração de escoamento encontrados na situação natural (pré-
desenvolvimento). Com a criação de cenários, foi possível quantificar que o cenário de pré-desenvolvimento é o
que possui os menores valores de geração de volume de escoamento superficial e maiores taxas de infiltração,
possibilitando a recarga das águas subterrâneas e a manutenção de nascentes. O cenário projetado para a região
de estudo é o que apresenta os maiores impactos hidrológicos, reduzindo os volumes infiltrados, ameaçando o
escoamento de base dos rios, e podendo provocar alagamentos da região devido aos grandes picos de vazões
gerados, que só seriam amortecidos no exutório com a presença das bacias de detenções.

O cenário alternativo criado, com a inserção de técnicas de desenvolvimento de baixo impacto, reduzindo as
taxas de impermeabilização, melhoraram as taxas de infiltração e com isso reduziu os volumes no escoamento
superficial. Porém, ainda não foi possível reestabelecer as condições de pré-desenvolvimento existentes
atualmente.

222
Com isso, mais estudos serão realizados na região, a fim de que mais técnicas compensatórias possam ser
implementadas, e menores impactos possíveis sejam causados ao meio ambiente com a implantação deste novo
loteamento.

Agradecimentos
Agradecemos a CHIwater, por fornecer a licença do programa PCSWMM para realização deste estudo
acadêmico; como também agradecemos a ADASA, NOVACAP e TERACAP pelo fornecimento dos dados base
de elaboração desse estudo.

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Tucci, C. E. M.1993. Hidrologia: Ciência e Aplicação. 1. ed. [s.l.] ABRH.

224
9REA163
POLÍTICAS PÚBLICAS E GÊNERO NA AGROECOLOGIA
NO SEMIÁRIDO

Mirella Maria Nóbrega Marques1, Raiana Silva de Arruda Falcão2, Soraya Giovanetti El-Deir3
1
Universidade Federal Rural de Pernambuco; e-mail: mirellanmarques@outlook.com; 2Universidade
Federal Rural de Pernambuco, e-mail: raiana_saf@hotmail.com; 3Universidade Federal Rural de
Pernambuco, e-mail: sorayaeldeir@pq.cnpq.br, sorayageldeir@gmail.com.

Palavras-chave: Empoderamento; Feminismo; Agricultura familiar; Ecofeminismo.

Resumo
A questão ambiental preocupa cada vez mais o ser humano dado que, atualmente, muitos problemas alteram o
meio e prejudicam a qualidade de vida das espécies, pondo em risco a vida das futuras gerações. Entre as
atividades causadoras de diversos impactos ao meio ambiente destaca-se a agricultura. Entretanto, esta prática é
indispensável em razão de ser a responsável pela alimentação dos seres humanos. Dentre os tipos de agricultura,
a Agricultura Familiar ressalta-se por produzir a maior parte dos alimentos que chegam à mesa da população
mundial. Por ser vital, mas ao mesmo tempo agredir o meio ambiente, alternativas ao modelo tradicional são
necessárias, sendo uma destas a Agroecologia. A ciência aparece como uma alternativa para problemas
ambientais, uma vez que objetiva uma produção agrícola voltada para a biodiversidade, sem a utilização de
produtos químicos e buscando qualidade nutricional. Esta está estreitamente ligada à Agricultura Familiar, tendo
como uma das características o processo de empoderamento social feminino, com a presença de mulher na
produção. Esta presença vem se intensificando ao longo do tempo, graças a lutas de grupos sociais, ação das
organizações não governamentais e políticas públicas que auxiliam e ratificam este processo. Visando
compreender tais processos, o presente artigo faz uma reflexão com dados demográficos e análise documental e
levantamento bibliográfico, buscando analisar a contribuição das políticas públicas na questão de gênero na
agricultura e na Agroecologia. Compreende-se que como estratégia operacional para o empoderamento feminino,
é necessária à inserção da mulher na produção agrícola, tanto como produtora quanto responsável pela gestão do
estabelecimento agrícola, assim como para o aumento do impacto das políticas públicas, dos movimentos rurais e
da atuação dos órgãos não governamentais que lidam que estas questões demonstraram-se eficientes e essenciais
para o empoderamento da mulher e, consequentemente, para uma maior expansão da Agroecologia. Neste
sentido, vislumbra-se uma elevação ainda maior da participação feminina nos espaços rurais, assim como o
fortalecimento da Agroecologia como prática rural de produção agrícola. Por fim, recomenda-se que trabalhos
adicionais sejam realizados para verificar se o processo observado no semiárido pernambucano se replica em
outras locais.

1. Introdução

Com o crescimento populacional e a consequente necessidade de produzir um maior número de


alimentos, num menor período de tempo, tem ocorrido o uso excessivo de produtos químicos na agricultura.
Segundo Zamberlan et al. (2014), este atual modelo de produção agrícola vem causando uma série de danos ao
meio ambiente, destacando-se desmatamentos para expansão de novas fronteiras agropecuárias, queimadas em
pastagens e florestas, poluição por agroquímicos, erosão, degradação de solos, contaminação das águas e perda
da biodiversidade. Este modelo tem como base o monocultivo, o latifúndio e o agronegócio, características que
formam o pilar do desenvolvimento rural capitalista, gerador de exclusão social.
Dentre os tipos de agricultura no Brasil, destaca-se a Agricultura Familiar. A Lei Federal n. 11.326

225
(BRASIL, 2006, Art. 3º) ressalta como características primordiais dos agricultores familiares (i) não possuírem
área maior do que quatro módulos fiscais; (ii) a mão de obra utilizada nas atividades econômicas ser
predominantemente familiar e (iii) o maior percentual da renda ser obtido das atividades econômicas do
estabelecimento, sendo de grande importância na geração de trabalho e renda nos espaços rurais, na produção de
alimentos de qualidade, no uso sustentável dos recursos naturais e na manutenção da biodiversidade no campo.
Este modelo de agricultura é responsável por 80% dos alimentos consumidos no mundo (FAO, 2014),
responsável por 70% dos alimentos que vão para mesa dos brasileiros (MDA, 2013). De acordo com Garcia
(2014), pode-se definir esta agricultura como a que oferece garantia de segurança alimentar e nutricional, com
expectativa de melhoramento econômico e social para o pequeno agricultor familiar, além de produzir de forma
sustentável, estando atualmente intimamente atrelada à Agroecologia.
Segundo Ferreira (2016), o termo Agroecologia se refere a uma ciência e a um movimento social,
sendo uma forma de prática agrícola que agrega o uso de tecnologias para a preservação ambiental, revendo
aspectos predominantes no meio rural tradicional. Ao longo das últimas três décadas, a Agroecologia vem
proporcionando ambiente favorável para que as mulheres agricultoras enfrentem a condição de vulnerabilidade e
conquistem mais poderes nas esferas pessoal, produtiva, familiar e política (MOREIRA; FERREIRA;
SILIPRANDI, 2018). Deste modo, a Agroecologia objetiva o reestabelecimento das relações de equilíbrio com
meio, minimizando o impacto ambiental ocasionado pelas atividades agrícolas, com ampliação dos benefícios
sociais (NODARI; GUERRA, 2015).
De acordo com Shiva (2016), um sistema centrado em mulheres mudaria o sistema atual de uma
maneira ecologicamente positiva, pois seriam baseados na biodiversidade, na produção sem uso de produtos
químicos, em produzir mais, com melhor nutrição, qualidade e sabor. Deste modo, a relação entre a mulher e a
Agroecologia torna-se um importante caminho para o enfrentamento político e científico de questões
socioambientais (FERREIRA; MATTOS, 2017).
Na população mundial, o quantitativo de homens e mulheres é praticamente proporcional; entretanto, a
participação destas é recente, em alguns casos, e ainda muito restrita na maioria dos cargos (LAZZARINI, 2018).
As relações entre os sexos, no decorrer do processo histórico, foram determinadas por padrões impostos pelos
homens, que ficaram encarregado dos espaços públicos, com base em critérios sexistas, classista e racista. Já a
mulher ficou incumbida do espaço privado, trabalhando para cuidar da casa e da prole. Dessa forma, a
construção social histórica foi composta por hierarquias desiguais, com a predominância da subordinação
feminina ao masculino (SILVA, 2015; CHAVES CASTRO, MENEZES, 2018). Esta divisão sexual também
ocorreu no campo, ficando a casa para mulher e o roçado, para o homem. Muitas das atividades produtivas
realizadas pelas mulheres passaram a ser consideradas apenas uma extensão do trabalho doméstico, mesmo
quando estas trabalhavam mais horas que os homens (FARIA, 2007).
Na fase de pós-democratização do Brasil, as mulheres rurais alcançaram um caminho de crescente
inserção nos espaços públicos. Isto suscitou que estas deixassem a posição de invisibilidade que ocupavam na
sociedade, passando a reivindicar políticas públicas que apoiassem uma autonomia econômica e um
reconhecimento social aos governos (SILIPRANDI, 2017). Com o decorrer dos anos, as mulheres vêm se
estabelecendo em lideranças sociais e políticas, buscando superar o modelo patriarcal que a todo o momento

226
esteve presente no país e, principalmente, no meio rural (SANTOS et al., 2016). Ultimamente, tem-se percebido
uma evolução positiva da inserção feminina na Agricultura Familiar, direcionada à redução do quadro de
desigualdade de gênero presente neste meio.
No estado de Pernambuco, em particular no município de Ibimirim, esta desigualdade está sendo
reduzida, a partir do trabalho de órgãos não governamentais e da criação de políticas públicas. Uma maior
inclusão da mulher na Agricultura Familiar significa a adoção de um novo sistema agrícola, o qual se preocupa
mais com a segurança alimentar e com o meio ambiente. Deste modo, o presente trabalho tem como objetivo
analisar a contribuição das políticas públicas na questão de gênero na agricultura e na Agroecologia.

2. Material e Métodos

2.1. Caracterização da área de estudo

O estado de Pernambuco está localizado no centro-leste da região Nordeste, apresenta limites com os
estados da Paraíba, Ceará, Alagoas, Bahia e Piauí. Este Estado ocupa uma área de 98 149,119 km² e totaliza
8.796.448 habitantes (IBGE, 2010). Foi o primeiro núcleo econômico do Brasil no processo de colonização
portuguesa, devido à extração de pau-brasil. Na região do semiárido do Estado, os solos em geral são arenosos
derivados dos sedimentos da Bacia do Jatobá, pobres em nutrientes, que geram solos de baixa fertilidade natural,
de baixo teor de matéria orgânica, e relevo suave-ondulado com altitudes entre 350 e 700 metros. A presença de
solos cristalinos limita o acesso à água existente nos aquíferos subterrâneos. Nas vertentes dos vales predominam
os solos cascalhentos, porém mais férteis (CPRM, 2005; MALVEZZI, 2007; GUIMARÃES, 2015). Entre os
principais solos habituais da região semiárida pernambucana, destacam-se os Neossolos Regolíticos, os quais
recobrem importantes áreas voltadas à produção agrícola, especialmente à agricultura familiar. A textura
predominantemente arenosa, os baixos teores de matéria orgânica e bases trocáveis, associados ao clima
semiárido, são os principais fatores limitantes à produção agrícola dos Neossolos (SANTOS et al., 2012). A
vegetação predominante é do tipo caatinga xerófila, com bromeliáceas e cactáceas (LEAL et al., 2000). Segundo
Malvezzi (2007), a vegetação da caatinga tem três níveis, pelo menos. O porte arbóreo, com altura variada de
oito a doze metros; o porte arbustivo, com uma altura de dois a cinco metros; e o porte herbáceo, com menos de
dois metros. Possui vegetação adaptada ao clima (ALVES, 2007; GUIMARÃES 2015).
O clima dominante da região é o semiárido, que segundo a classificação de Köppen é BShW, com
temperatura média anual de 25°C. A temperatura mínima é atingida nos meses de julho e agosto, correspondendo
a aproximadamente 23°C. Enquanto a máxima ocorre no mês de novembro, atingindo até 40°C. A precipitação
média anual é cerca de 500 mm, com período chuvoso de janeiro a abril (TAVARES FILHO, 2010). A
distribuição das chuvas é irregular durante o ano, o escoamento das águas superficiais é do tipo torrencial e de
curto período (LEAL et al., 2000). Apresenta uma intensa atuação da evapotranspiração (BARROS et al., 1994;
SILVA 2006). A umidade relativa do ar apresenta comportamento diversificado relacionado à continentalidade e
a topografia, apresentando, segundo dados do Laboratório de Meteorologia de Pernambuco (Lamepe), a umidade
relativa média anual gira em torno de 64 a 68% (SILVA, 2006).

227
O município de Ibimirim está situado em Pernambuco (Figura 1). Este encontra-se localizado a 333
km, a oeste da cidade de Recife, capital do estado de Pernambuco. Limita-se ao norte com os municípios de
Sertânia e Custódia; ao Sul com Inajá e Manari; a leste com Tupanatinga; a oeste com Floresta (CONDEPE,
2014). Segundo o IBGE (2010), a área municipal é de 1.906,436 km2. Este município está em região semiárida
do Estado.

Figura 9. Mapa de localização do município de Ibimirim no Estado de Pernambuco.

Fonte: Santos (2016)

A vegetação predominante do município é a caatinga hiperxerófila, uma vegetação característica da


região semiárida do Sertão, com xerofitismo acentuado. De acordo com Veloso et al. (1991) é caracteriza-se pelo
predomínio da savana estépica, uma tipologia marcada por espécies vegetais com alta capacidade de retenção de
água durante a estação mais quente. Ibimirim está entre os 12 munícipios pertencentes à Bacia do Rio Moxotó,
esta possui área territorial de 9.744,01 km², dos quais 8.772,32 km² (8,92%) pertencem ao estado de
Pernambuco. Situa-se entre 07º 52’ 21” e 09º 19’ 03” de latitude sul, e 36º 57’ 49” e 38º 14’ 41” de longitude
oeste, estando a maior parte no Sertão do Moxotó (SANTOS, 2016). Este município foi escolhido como área de
estudo devido ao Perímetro irrigado do rio Moxotó, também chamado de Perímetro irrigado de Ibimirim, o qual
apresenta áreas ocupadas por muitas propriedades, sendo a maioria destas ligadas à Agricultura Familiar.

2.2. Levantamento documental e de dados

Foram realizadas pesquisas bibliográficas em artigos científicos, livros, sites institucionais, teses e
dissertações que discutem temas relativos à Agroecologia, Agricultura Familiar, emponderamento da mulher,

228
desigualdade de gênero e políticas públicas. Dados secundários foram obtidos no Censo Agropecuário do
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e no Sistema de Recuperação Automática (Sidra), além de
publicações da área.

3. Resultados e Discussão

De acordo com os dados do Censo Agropecuário (IBGE, 2006), cerca de 16 milhões de pessoas estão
ocupadas em estabelecimentos agropecuários no Brasil, destas, aproximadamente 12 milhões correspondem à
Agricultura Familiar (Tabela 1), sendo a principal geradora de postos de trabalho no meio rural do país
(WANDERLEY, 1996; ALMEIDA et al., 2018). No estado de Pernambuco e no município de Ibimirim, a
Agricultura Familiar corresponde a 83% e 89% do total das atividades agrícolas, respectivamente, demonstrando
a predominância deste tipo de prática.

Tabela 1. Pessoal ocupado em estabelecimentos agropecuários por tipo de atividade agrícola em 2006.
Sexo Brasil Pernambuco Ibimirim (PE)
Homens 8.173.357 509.295 3.824
Agricultura familiar Mulheres 4.149.753 270.614 2.077
Total 12.323.110 779.909 5.901
Homens 11.515.717 637.582 4.342
Todas as atividades
Mulheres 5.052.488 307.327 2.077
agrícolas
Total 16.568.205 944.909 6.596
Fonte: IBGE (2006)

Em relação aos gêneros, observa-se que o número de homens é, aproximadamente, o dobro do número
de mulheres. Entretanto, quando se observa o número de pessoas que estão à frente do estabelecimento de acordo
com o sexo (Tabela 2), a quantidade de homens chega a ser 7 vezes maior que a quantidade de mulher, no
cenário agrícola geral, e 6 vezes maior quando se trata da Agricultura Familiar. Estes valores comprovam que há
uma acentuada desigualdade de gênero na agricultura.

229
Tabela 2. Produtores na direção dos trabalhos dos estabelecimentos agropecuários por tipo de atividade agrícola
em 2006

Estabelecimentos agropecuários Sexo Brasil Pernambuco Ibimirim (PE)


Homens 3.765.785 222.785 1.415
Agricultura familiar Mulheres 600.482 52.935 388
Total 4.366.267 275.720 1.803
Homens 4.519.381 249.148 1.505
Todas as atividades agrícolas Mulheres 656.255 55.642 405
Total 5.175.636 304.790 1.910
Fonte: IBGE (2006)

Entretanto, o panorama da desigualdade de gênero vem aos poucos sendo alterado. Esta mudança pode
ser observada se comparados os dados dos Censos Agropecuários de 2006 e 2017 (IBGE, 2006, 2017). Em
2006, 13% do total de estabelecimentos agropecuários eram dirigidos por mulheres, já em 2017, passou a ser
19%, do total de 5.046.390 estabelecimentos agropecuários. Também em Pernambuco houve aumento da
representação feminina, pois em 2006 eram 18%, ao passo que em 2017, 27% (Gráfico 1). É possível verificar
que o estado de Pernambuco e o município de Ibimirim, quando se trata de mulheres dirigindo estabelecimentos
agrícolas, apresentam médias maiores do que a média do Brasil.

De acordo com Siliprandi (2009), no início do século XXI, as agricultoras começaram a organizar
encontros e fazer questionamentos sobre a posição ocupada pelas mulheres nos movimentos rurais de que faziam
parte, a partir disto deixando clara a força político-social que possuem. Em Pernambuco, a inserção das mulheres
no controle dos estabelecimentos agrícolas pode ser explicada pela ação de políticas públicas e de órgãos não
governamentais. Uma das organizações não governamentais presente no estado é o Movimento da Mulher
Trabalhadora Rural do Nordeste (MMTR-NE), que nasceu na década de 80, criado por trabalhadoras rurais do
estado de Pernambuco e da Paraíba que sentiram a necessidade de um espaço onde pudessem ser ouvidas. As
mulheres que participam do movimento buscam pelos seus direitos, objetivando construir um mundo mais
igualitário.
Assim como ocorre em Pernambuco, no município de Ibimirim há órgãos não governamentais, como é o
caso do Serviço de Tecnologia Alternativa (Serta), que tem como missão formar jovens, educadores/as e
produtores/as familiares, para atuarem na transformação das circunstâncias econômicas, sociais, ambientais,
culturais e políticas, na promoção do desenvolvimento sustentável, com foco no campo – é responsável por
realizar palestras sobre o envolvimento da mulher no campo e capacitação das mesmas, aumentando a
consciência da população rural sobre a importância e o poder das produtoras. Além disto, por objetivar uma
produção sem adição de produtos químicos, o Serta comprova a ligação das mulheres com a Agroecologia e,
consequentemente, com um desenvolvimento mais sustentável. Esse órgão também busca influenciar na
efetivação de políticas públicas. Movimentos como o MMTR e o MMTR-NE, políticas públicas e organizações
não governamentais são grandes colaboradores para a luta contra a desigualdade de gênero na Agricultura

230
Familiar.

Gráfico 1. Porcentagem do número de estabelecimentos agropecuários por gênero do produtor no Brasil, no


estado de Pernambuco e no município de Ibimirim.

Fonte: Baseado no Censo Agropecuário (IBGE, 2006, 2017).

Se observada a estruturação das Políticas Públicas, entre a década de 80 e 90, o meio rural brasileiro
foi marcado por movimentos sociais que levaram à representação na esfera pública de interesses, até então
desvalorizados. A partir daí, o Brasil passou a ocupar um papel de pioneiro por definir agricultor familiar na
operacionalização da ação pública. Com os anos, devido aos movimentos políticos, a Agroecologia passou a ser
reconhecida em algumas esferas do país. No âmbito nacional, o Ministério de Agricultura, Pecuária e
Abastecimento (MAPA) e o Ministério de Desenvolvimento Agrário (MDA), atualmente integrado ao Ministério
da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MDH), vem tendo ações direcionadas para o fortalecimento da
Agricultura Familiar e em particular, a Agroecologia. Enquanto o MAPA atende à agroindústria de grande escala
para a exportação e mantém o Departamento de Agroecologia e Agricultura Orgânica para a regulamentação do
mercado de produtos orgânicos, o MDH executa diversos programas voltados à Agricultura Familiar.

O Brasil vem sendo reconhecido internacionalmente pela criação de um amplo aparato institucional
que reconhece a Agricultura Familiar, promovendo as formas familiares de produção (GRISA; SCHNEIDER,
2015). A existência de políticas públicas, como o Programa Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos
Territórios Rurais (Pronat), Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), o Programa
Garantia Safra, o Programa Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Pronater), o Programa de
Aquisição de Alimentos da Agricultura Familiar (PAA), o Programa Nacional de Habitação Rural, o Seguro da
Agricultura Familiar (SEAF), o Selo da Agricultura Familiar, a aquisição de alimentos da agricultura familiar
para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e o Programa de Garantia de Preço da Agricultura
Familiar (PGPAF), destacam o país do contexto internacional, aproximando vários países que buscam conhecer

231
as ações brasileiras e adequá-las às suas respectivas realidade. Esta peculiaridade brasileira reflete uma posição
particular no desenvolvimento rural.

Esses programas atuam principalmente no âmbito da produção agropecuária dos estabelecimentos


rurais, buscando adaptar instrumentos e políticas agrícolas, existentes desde a década de 1960, à realidade da
Agricultura Familiar (GRISA; SCHNEIDER, 2015). Alguns dos desafios atuais relacionam-se justamente com as
dificuldades em romper com normas e práticas anteriores. Um exemplo disso foi a introdução de normas voltadas
à valorização do papel da mulher na Agroecologia. No âmbito federal, por exemplo, algumas políticas tiveram
extensões para o público feminino, buscando promover maior autonomia e valorização deste. A “Campanha
Nacional de Documentação da Trabalhadora Rural”, em 1977, garantiu às mulheres o acesso à documentação,
tendo seus nomes incluídos nas notas dos produtores rurais e à declaração que eram trabalhadoras rurais ou
agricultoras, em vez de “donas de casa” ou “domésticas” como ocupação laboral.

Muitas outras políticas foram criadas ou reformuladas a partir de processos semelhantes, saltando aos
olhos a modificação da institucionalização do Governo Federal, de modo a acrescentar departamentos
permanentes, através dos quais essas demandas possam ser canalizadas, a exemplo da Secretaria Especial de
Políticas para as Mulheres (SPM), com status de Ministério. Estas mudanças institucionais representaram um
aumento de poder e um reconhecimento, no âmbito daquelas instâncias de governo, da importância de ações
afirmativas. Essas novas modificações institucionais resultaram em arcabouços normativos e permitiram uma
prática cotidiana de diálogo e sociedades envolvendo os diferentes órgãos governamentais e entidade
representativa das mulheres. Este arcabouço deverá propiciar uma maior elevação da participação feminina no
meio rural e em particular, na Agroecologia.

4. Considerações finais

Com a produção agrícola sendo a fonte de segurança alimentar, porém uma das principais atividades
causadoras de problemas ambientais, alternativas sustentáveis devem ser implantadas, sendo a Agroecologia uma
destas. A Agricultura Familiar representa parcela significativa da ocupação das pessoas do meio rural, tendo
destaque como geradora de trabalho e renda. A presença feminina é marcante, entretanto, quando analisada a
gestão dos estabelecimentos, há um predomínio masculino, havendo acentuada desigualdade de gêneros na
Agricultura. Entretanto, com a ação de Políticas Públicas, este quadro vem se alterando ao longo do tempo, com
uma elevação da representatividade feminina nos espaços de decisão na ruralidade. Para além das Políticas
Públicas, a ação de organizações não governamentais e processos endógenos de empoderamento da mulher
também estão tendo lugar.
Como estratégia operacional para o empoderamento feminino, é necessária à inserção da mulher na
produção agrícola, tanto como produtora, quanto como responsável pela gestão do estabelecimento agrícola. O
aumento do impacto das políticas públicas, dos movimentos rurais e da atuação dos órgãos não governamentais
que lidam que estas questões demonstraram-se eficientes e essenciais para o empoderamento da mulher e,
consequentemente, para uma maior expansão da Agroecologia. Neste sentido, vislumbra-se uma elevação ainda

232
maior da participação feminina nos espaços rurais, assim como o fortalecimento da Agroecologia como prática
rural de produção agrícola.
Recomenda-se que trabalhos adicionais sejam realizados em diversas regiões do país para verificar se o
processo observado no semiárido pernambucano também se replica em outras localidades, assim como
identificação das estratégias para o empoderamento social das mulheres e o fortalecimento da Agricultura
Familiar e da Agroecologia.

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235
9REA164
SUBSTÂNCIAS COM POTENCIAL ESTROGÊNICO EM
MEIO HÍDRICO E LEGISLAÇÃO BRASILEIRA
CORRELATA: UM PROBLEMA DE SAÚDE PÚBLICA E
AMBIENTAL

Cibele Tremea1, Edla Leticia Antunes Brizola Santos2, Matheus Parmegiani Jahn3
1
Universidade de Caxias do Sul, ctremea1@ucs.br; 2Universidade de Caxias do Sul,
brizolaleticia@gmail.com; 3Universidade de Caxias do Sul, mpjahn@ucs.br.

Palavras-chave: Recursos hídricos; estrogênio, legislação brasileira.

Resumo
A gestão correta e cuidadosa dos recursos hídricos é um assunto atemporal, visto que as atividades antrópicas
realizadas ao longo dos anos interferem diretamente no futuro e qualidade do meio ambiente, manutenção dos
recursos naturais e saúde da população. Somado à problemática da gestão inadequada dos recursos hídricos no
Brasil, está a escassa regulamentação acerca da presença de substâncias com potencial estrogênico nos corpos
d’água e o alto custo nos processos capazes de degradar parte desses compostos. Apesar de já possuírem seu nome
atrelado a diversos problemas relacionados ao desenvolvimento, reprodução e fertilidade, por exemplo, ainda cabe
à legislação brasileira adequar seus pontos falhos quanto ao uso, comercialização e até mesmo limites de emissão
de substâncias com potencial atividade estrogênica e desreguladores endócrinos como um todo. Ainda hoje,
mesmo após vários anos desde as primeiras resoluções que em teoria propiciariam grande melhoria na qualidade
dos corpos hídricos quando aplicadas corretamente, o Brasil encontra-se estagnado em relação às iniciativas dos
outros países envolvendo propostas, estudos e ações para remoção de compostos estrogênicos do meio. Tratar da
problemática mundial envolvendo desreguladores endócrinos certamente é um desafio para um país que ainda não
possui saneamento básico disponível para boa parte da população.

Introdução
A gestão adequada de recursos hídricos é uma pauta inquestionável ao abordar sustentabilidade e meio ambiente.
A água, além de elemento essencial para a sobrevivência, manutenção e qualidade de vida, é capaz de interferir
positiva e negativamente nas atividades econômicas, industriais e/ou agrossilvopastoris, e portanto é considerada
um fator de grande impacto sobre a saúde ambiental e pública. Dessa forma, faz-se necessária não apenas uma
gestão bastante cuidadosa e focada na preservação da integridade dos recursos hídricos, mas também, na
atualização ou criação de novas leis, normas, decretos ou diretrizes que regulamentem o uso moderado e adequado
das substâncias, que de certa forma alteram e modificam as características originais dos recursos hídricos e sua
qualidade, além de prever medidas punitivas para os infratores (Neto; Ferreira, 2007).
Uma parte da problemática envolvendo a poluição do meio hídrico está relacionada com as substâncias com
potencial de interferir no funcionamento do sistema endócrino humano e animal, chamadas de desreguladores
endócrinos, e entre essas substâncias, estão aquelas com propriedades estrogênicas.
A exposição a estas substâncias gera alto risco para a saúde ambiental e pública, pela facilidade de dispersão das
mesmas através do meio hídrico, pela a interação delas com os organismos do meio e pelas capacidades de
absorção, bioacumulação e biomagnificação.
Dentre os vários micropoluentes já designados como desreguladores endócrinos, um dos mais preocupantes é o
estrogênio sintético (17α-etinilestradiol), que segue sendo o principal composto estrogênico presente nos
contraceptivos orais, que estão entre os medicamentos mais utilizados do mundo. Os estudos ficam ainda mais
alarmantes quando entende-se que a introdução deste composto no meio hídrico se dá basicamente através de duas
vias: pela excreção e pelo descarte, ou seja, formas extremamente familiares e comuns à população e indústria
(Cunha et al., 2016).

236
Presença de desreguladores endócrinos no meio ambiente
Em alguns estudos os desreguladores endócrinos foram citados como disruptores endócrinos, perturbadores
endócrinos, interferentes hormonais, entre outras definições. Mas de forma geral, todos podem ser caracterizados
como sendo substâncias, agentes ou compostos exógenos capazes de alterar uma ou diversas funções do sistema
endócrino, e consequentemente podendo interferir na síntese, secreção, transporte, ligação, ação e eliminação de
hormônios naturais do corpo que são responsáveis, entre outras funções, pela manutenção da homeostase,
reprodução, desenvolvimento e comportamento dos organismos (CEC, 1999; USEPA, 1997).
No meio ambiente, estas substâncias podem ter origens naturais ou sintéticas, e apesar de comportarem-se de
formas bastante distintas, ambas possuem alta capacidade de fixação e bioacumulação (Meyer; Sarcinelli; Moreira,
1999) e diversas rotas e formas de introdução (Figura 1).

Figura 1: Possíveis rotas de fármacos no meio ambiente.

Obviamente são vários os poluentes responsáveis por prejudicar a qualidade das águas, não podendo toda a
responsabilidade recair sobre os desreguladores endócrinos. Mas ainda assim, eles frequentemente estão presentes
em afluentes e efluentes de estações de tratamento de esgoto, lodos biológicos, sedimentos marinhos, solos, águas
superficiais, subterrâneas e potáveis, podendo também ser encontrados em produtos naturais ou comercializados
(Castro, 2002). Toda a situação de contaminação ambiental torna-se ainda mais complexa quando assume-se que a
indústria que utiliza parte dos recursos hídricos em seu processo produtivo e para consumo, acaba o devolvendo ao
meio em condições extremamente nocivas.
No caso de águas que serão destinadas ao consumo humano, que previamente necessitam de tratamento para
atingir a potabilidade, o próprio tratamento pode condená-las quando se faz necessária a adição de produtos
químicos em etapas como coagulação, floculação, decantação, filtração, desinfecção e fluoretação, por exemplo,
que acabam deixando resíduos ao final do processo (Pádua; Ferreira, 2006; Heller et al., 2005).
Nos EUA, o que prevalece nos ambientes aquáticos são contaminantes advindos principalmente de detergentes e
fármacos, incluindo hormônios sintéticos (17α-etinilestradiol) e naturais (17β-estradiol). Apesar disso, outros têm
igual importância, como por exemplo o dicloro-difenil-tricloroetano (DDT), bifenilas policloradas (PCB), bisfenol
A, alquifenóis-polietoxilados, p-dioxina e dibenzenofurano (Kolpin et al., 2002; Gascon; Oubina; Barcelo, 1997).
Lopes (2008), alerta sobre fármacos, nos casos específicos tratando de anticoncepcionais, onde indica que quando
eliminados pelo corpo humano, geralmente através da urina, perdem a capacidade de ligação ao receptor de
estrogênio por estarem conjugados e portanto, tornam-se inativos. Porém, em determinado momento do percurso
esgoto-residências ou até mesmo dentro de ETEs, devido à alta taxa de Escherichia coli e, consequentemente,
produção de enzimas glucuronidase e arilsulfatase, ocorre o processo de quebra de conjugação, e a partir deste
momento, a forma inativa (conjugada) passa a se transformar em ativa (livre).
Em hospitais, por exemplo, considerados principais geradores de fármacos no meio ambiente, a contaminação das
águas pode se dar através de várias fontes, dentre elas excretas de pacientes, processos de produção e descarte

237
inadequados, ou até mesmo tratamentos físico-químicos ineficientes, atingindo de forma potencialmente nociva
todo e qualquer recurso hídrico próximo (Petrovic; Cruz; Barceló, 2005).
Ainda neste contexto de fármacos é importante citar que as farmácias magistrais (estabelecimentos que manipulam
fórmulas magistrais) também têm papel importante quando geram resíduos desta linha, considerados como
“emergentes”. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa, já divulgou estudos onde o Brasil destaca-se
como grande gerador de lixo, contabilizando cerca de 120 mil toneladas/dia, onde 1 a 3% deste total é produzido
por estabelecimentos de saúde e sendo que de 10% a 25% dos resíduos da saúde representam risco ao meio
ambiente e à população, estando inclusos os medicamentos (Anvisa, 2012).

Efeitos dos desreguladores endócrinos


Os efeitos dos desreguladores endócrinos a um determinado organismo ou grupo dependem diretamente da dose,
carga genética, forma, duração e período de exposição ao poluente. Podem estar associados principalmente a
diversos tipos de cânceres, desenvolvimento sexual anormal, redução nos níveis de fertilidade, alteração de
glândulas tireoides, supressão da imunidade e efeitos neurocomportamentais.
Em organismos aquáticos, por exemplo, são descritos efeitos como desenvolvimento anormal da função tireoide
em peixes até a diminuição da fertilidade, alterações sexuais e imunológicas em crustáceos, peixes, répteis e
mamíferos (Castro, 2002).
Gilbert (2012) descreve as consequências da desestabilização do sistema endócrino às alterações bioquímicas e
histopatológicas (fígado, gônadas e rins), modificações no processo reprodutivo e no desenvolvimento, mudanças
comportamentais entre outras.
Reforçando a teoria, Torres (2009) discute que considerando a grande capacidade de bioacumulação de
determinadas substâncias em tecidos de plantas e animais, todo o meio hídrico torna-se totalmente capaz de
veicular, tanto em médio quanto em longo prazo, micropoluentes passíveis de causar problemas muito similares às
doenças transmissíveis pela água, que já foram responsáveis por milhares de mortes e até hoje atingem o
ecossistema como um todo.
O hormônio sintético 17α-etinilestradiol que está presente tanto nos contraceptivos quanto nos medicamentos de
reposição hormonal pós-menopausa, por exemplo, pode afetar o sistema reprodutivo de diversos organismos
aquáticos, já tendo sido documentados inclusive casos de feminização de peixes (Ueda et al., 2009; Hugget et al.,
2002). Os peixes são um dos principais organismos aquáticos utilizados em conjunto aos testes de perturbação
endócrina, sendo importantes indicadores de potenciais efeitos de desregulação endócrina já que seu sistema
reprodutivo é regulado por estrogênios similares aos dos mamíferos (Johns et al., 2011; Maruska; Gelsleichter,
2011; Moraes et al., 2008).

Formas de remoção
De forma geral, a maior parte dos processos com capacidade de biodegradar desreguladores endócrinos exigem
alta tecnologia de performance e, portanto, alto custo de execução. Nestes casos, os países menos desenvolvidos
permanecem utilizando tratamentos convencionais (coagulação, floculação, sedimentação, etc) em estações de
tratamento de efluentes e esgotos (ETE) e estações de tratamento de água (ETA), ou então descartando seus
efluentes sem tratamento algum, trazendo o alerta não apenas para a ineficiência dos processos mais rentáveis,
como também para a dificuldade de acesso aos mesmos. (Ternes et al., 2002; Suarez et al., 2008). Alguns dos
meios de remoção descritos como eficientes em bibliografias são ainda extremamente custosos, envolvendo
processos oxidativos avançados, ozonização, operações com peróxido de hidrogênio, sonólise, fotocatálise,
reatores com luz ultravioleta e processos de adsorção em carvão ativado (Virkutyte; Varma; Jegatheesan, 2010;
Souza, 2009).
Há ainda alternativas envolvendo biorremediação, onde micro-organismos têm sua função natural utilizada como
auxílio na degradação dos poluentes. O custo operacional tende a ser mais baixo que os processos envolvendo alta
tecnologia e a aplicação acaba por ser bastante simplificada, porém existe a necessidade de estudar as
especificidades de cada um dos contaminantes e as possíveis interações com o ecossistema no território brasileiro,
pois percebe-se que há poucas pesquisas publicadas no Brasil nesta temática (Freire et al., 2000; Kunz et al.,
2002). Tratando especificamente da remoção de estradiol, poucos estudos mostraram-se 100% eficazes. No
processo de ozonização observou-se a remoção de 99% do composto enquanto outros resultados demonstraram
que para o bisfenol A, outro desregulador endócrino, o tratamento com ultravioleta (UV) sozinho, apresentou-se
ineficiente, mas teve remoção significativa se associando ao peróxido de hidrogênio (Bila; Dezotti, 2007).
De qualquer forma, pouquíssimos métodos são 100% eficientes quando se fala em remoção de desreguladores
endócrinos e/ou poluentes persistentes, e se tratando de processos biológicos a eficiência de degradação é
fortemente influenciada pela presença de outros macroconstituintes, tornando a degradação dos fármacos ocasional
e apenas parcial (Cruz et al., 2010).

Regulamentação brasileira: Parâmetros para emissão de efluentes


Num contexto geral, antes de inserir a legislação na discussão é importante colocar que há basicamente dois tipos

238
de normas aplicáveis ao quesito água: aqueles que focam na qualidade da água perante a proteção à vida aquática,
e aqueles que visam a proteção da saúde dos seres humanos para seu uso e consumo.
O Ministério do Meio Ambiente, por meio do Conselho Nacional do Meio Ambiente - CONAMA, responsabiliza-
se pelas principais referências legais relacionadas à qualidade da água. Assim, no Brasil, o CONAMA utiliza-se de
sua resolução nº 357/2005 (que em 2011 foi complementada com a Resolução CONAMA nº 430/2011), para
classificar corpos d’água superficiais e definir diretrizes para seu enquadramento, além de estabelecer condições e
padrões de lançamento de efluentes. Ela define 4 classes principais, sendo que a I, II e III são as designadas para
abastecimento para consumo humano (após desinfecção, tratamento simplificado, convencional ou avançado).
Além disso, esta resolução ainda é responsável por determinar valores limite de alguns parâmetros específicos
orgânicos e inorgânicos para relacionar à qualidade de cada uma das classes de água. Complementar à Resolução
Conama nº 357/2005 e à nº 430/2011, está a Resolução CONAMA nº 396/2008, que é responsável por definir a
qualidade da água subterrânea inclusive para uso humano direto ou indireto (Brasil, 2005, 2008, 2011a).
No Estado do Rio Grande do Sul, o Conselho Estadual do Meio Ambiente - CONSEMA, Resolução nº 355/2017,
dispõe sobre os critérios e padrões de emissão de efluentes líquidos para as fontes geradoras que lancem seus
efluentes em águas superficiais, não sendo aplicada para os lançamentos no mar e infiltrações no solo, que serão
objeto de avaliações independentes no licenciamento pelo órgão ambiental competente. Ainda, comenta da
possibilidade de o órgão ambiental competente, mediante parecer técnico circunstanciado, fixar padrões de
emissão para outros parâmetros não previstos na presente resolução, em função do contínuo desenvolvimento de
novas substâncias tóxicas, bem como a alteração do enquadramento de substância/elemento tido por não tóxico
para tóxico, e fixa que não podem ser lançadas em corpos d’água superficiais, direta ou indiretamente, efluentes
líquidos que contenham quaisquer dos poluentes orgânicos persistentes, os originários da manipulação ou
descontaminação de passivos ambientais, incluindo remediação de áreas degradadas, sendo destacado o Aldrin,
Bifenilas Policloradas (PCBs), Clordano (cis + trans), DDT (4,4’DDT+4,4’DDE+4,4’DDD), Dieldrin, Endrin,
Heptacloro e Heptacloro epóxido, Hexaclorobenzeno, Mirex (Dodecacloro Pentaciclodecano) e Toxafeno,
devendo os responsáveis das fontes geradoras de Dibenzo-p-dioxinas Policloradas (Dioxinas) e Dibenzofuranos
Policlorados (Furanos), implementar e melhorar tecnologia disponível visando a redução desta emissão até a
completa eliminação (Rio Grande do Sul, 2017).
Pelo Decreto Legislativo do Senado Federal, nº 204/2004, os parâmetros adotados como base são os mesmos
estabelecidos pela Convenção de Estocolmo sobre Poluentes Orgânicos Persistentes (Cunha et al., 2016; Brasil,
2001).
Ainda que estas resoluções definam limites para várias substâncias do grupo responsável por interferências no
sistema endócrino, como Aldrin, DDT, Heptacloro e PCBs, e que a Resolução CONAMA nº 357/2005 e
CONSEMA n° 355/2017 prevejam que o poder público possa incluir substâncias que possam comprometer o uso
da água para os fins previstos, mediante fundamentação técnica, o 17α-etinilestradiol não está incluso (Cunha et
al., 2016). A resolução do CONSEMA nº 128/2006, define que não podem ser lançados em corpos hídricos
superficiais, seja direta ou indiretamente, efluentes líquidos que contenham poluentes orgânicos persistentes
(POPs), geralmente presentes em agroquímicos, e define alguns POPs com relevância para este estudo, como
bifenilas policloradas (PCBs) e DDT), mas igualmente não indica nenhuma informação a respeito de fármacos
(Rio Grande do Sul, 2006).
Quanto à Política de Recursos Hídricos, esta visa assegurar a adequada disponibilidade de água para o consumo
humano enquanto a Portaria 2.914/2011, do Ministério da Saúde, define os padrões de potabilidade para o
consumo da água. Esta mesma Portaria define apenas parâmetros como: micro-organismos, cianotoxinas,
radionuclídeos, além de diversos compostos químicos orgânicos e inorgânicos, como pesticidas, desinfetantes e
produtos secundários da desinfecção, novamente sem contar com a inclusão do hormônio sintético17α-
etinilestradiol ou outras substâncias com potencial semelhante de interferir no sistema endócrino (Brasil, 1997,
2011b).
De forma geral, as normas são responsáveis por estabelecer parâmetros físico-químicos, substâncias químicas
orgânicas e inorgânicas, algas e micro-organismos no monitoramento da qualidade das águas, assim, as
concentrações estabelecidas para cada uma das substâncias em específico variam de acordo com a classe onde o
corpo hídrico em questão se enquadra.
Pensando em toda esta problemática, a Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental do Estado de
São Paulo (ABES/SP), em 2012, disponibilizou o Guia de Potabilidade para Substâncias Químicas, onde
apresenta uma lista contendo 291 substâncias prioritárias pendentes de regulamentação e presentes na água. A
partir da lista inicial, foram estabelecidos critérios para exclusão ou permanência de substâncias, e apesar de
incluso na lista geral, após combinação de alguns critérios o 17α-etinilestradiol foi excluído da lista principal, que
contém 72 substâncias químicas (Umbuzeiro, 2012). Dentre todos os dados revisados, faltam medidas
regulamentadoras para outros compostos de grande importância ambiental. Há uma grande lista de substâncias com
essas caraterísticas que nem ao menos são citadas na regulamentação brasileira, tendo-se como exemplo o
nonilfenol, bisfenol A, ftalatos e novamente o 17 α-etinilestradiol.
Segundo o Instituto Trata Brasil (2015), somado a todo este tema, o Brasil ainda possui o desafio do saneamento

239
que igualmente não foi superado. O sistema atende 82,7% dos brasileiros e menos da metade da população possui
esgotos coletados (48,3%). Não menos preocupante, apenas 38,7% de todo este esgoto produzido é tratado antes
de ser lançado nos corpos hídricos.
Apesar de que muito cautelosamente algumas legislações estejam chegando perto de incluir determinados
poluentes orgânicos considerados desreguladores endócrinos em seus parâmetros de emissão, aparentemente a
forma mais clara de relacionar algum deles com regulamentação, aproxima-se do caso dos agrotóxicos/
agroquímicos. A legislação brasileira proíbe o uso de agroquímicos que possam ter como características a
teratogenicidade, carcinogenicidade ou mutagenicidade, ou que provoquem distúrbios hormonais e danos ao
sistema reprodutor – características específicas dos desreguladores endócrinos. E ainda que permita o
cancelamento ou impugnação de substâncias que se encaixem nas características acima, não define limite algum
para lançamento das mesmas (Brasil, 1989). Em sumo, fica explícito que no Brasil o descarte de medicamentos
apesar de ser regulamentado, não é específico, o que comprova que os efeitos nocivos ao meio ambiente e a
abordagem em relação à toxicidade ambiental é quase sempre desconsiderada, em comparação com os órgãos
como a União Europeia (EU), Agência de Proteção Ambiental do Norte da América (EPA) e a Organização
Mundial da Saúde (OMS) que já desenvolveram e publicaram diretrizes e leis alertando e discutindo os riscos da
presença de fármacos em águas, além de exigir estudos que promovam a remoção destes no meio hídrico (Esplugas
et al., 2007).
Vidor & Jahn (2015), citam em seu estudo um compilado de convenções e conferências mundiais realizadas com o
intuito de estabelecer medidas de proteção em relação ao meio ambiente, que consequentemente trazem benefícios
aos seres humanos. A Convenção de Estocolmo (1972), a Conferência Internacional Sobre Gestão de Substâncias
Químicas (2006) e a Convenção de Roterdã (1988), por exemplo, compartilham de um mesmo objetivo comum:
minimizar os danos causados ao meio ambiente e à saúde humana, dividindo as responsabilidades a nível
internacional e alertando para a gestão adequada de produtos químicos durante todo o seu ciclo de vida. Os autores
ainda apresentam pareceres referentes à União Europeia, Japão e Estados Unidos sobre regulamentações e
orientações territoriais, reforçando e tornando ainda mais evidente a premissa que de o Brasil além de não
mencionar em sua legislação substâncias já descritas em legislações internacionais como sendo nocivas ao meio
ambiente e saúde humana, pouco desenvolve estudos a respeito dos verdadeiros malefícios destes contaminantes,
comprometendo a saúde e o futuro do ecossistema e da população.

Conclusão
Há estudos suficientemente conclusivos de que todo e qualquer ecossistema pode ser comprometido de forma
altamente nociva quando exposto aos desreguladores endócrinos. Mas ao mesmo tempo não existem
regulamentações ou normativas brasileiras suficientemente fortes, que discutam acerca de padrões, limites ou
tolerâncias específicas para emissão dos mesmos no meio hídrico.
Direcionando o olhar ao estrogênio 17α-etinilestradiol, cujo mundo todo está familiarizado, é fácil perceber que o
avanço tecnológico e intelectual nos permitiu conhecer mais acerca dos efeitos e possíveis formas de remoção e
trouxeram à tona preocupações que antes não eram objeto de estudo. Ainda assim, nem todos os países possuem
acesso ao que se faz necessário para controle desta problemática. Os processos que buscam a degradação destes
compostos, por exemplo, em sua maioria são de alto custo e difícil acesso em países menos desenvolvidos. Por
esse motivo é fácil compreender o porquê do atraso em relação ao controle de poluentes nas águas, quando
expomos o perfil de um país cuja população não é totalmente atendida pelo saneamento básico e que ainda permite
a entrada de produtos já proibidos em diversas partes do mundo.

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243
9REA165
PRINCIPLES OF EDUCATION FOR SUSTAINABILITY
Soraya Giovanetti El-Deir1, Mirella Maria Nóbrega Marques2, Raiana Silva de Arruda Falcão3
1
Grupo de Pesquisa Gestão Ambiental em Pernambuco (Gampe) da Universidade Federal Rural de Pernambuco
(UFRPE), e-mail: sorayaeldeir@pq.cnpq.br, sorayageldeir@gmail.com, 2Gampe /UFRPE; e-mail:
mirellanmarques@outlook.com; 3 Gampe /UFRPE, e-mail: raiana_saf@hotmail.com

KEYWORD: Enviromental Education, Eco-sustainability, Environmental Management, Sustenaibility


Development Goals.

ABSTRACT
After Industrial Revolution, Education was directing to understand the use of technologies. Understand the
Principles of a new education is necessary to structure the pillars for a knowlegde focused the Sustainable
Development Goals. The Education for Sustainability requires an articulation of several areas, being a basic
condition to promote better undertand about the environmental limits, where the teaching-learning process must
integrate the environmental theme in all disciplines. This education has to have emancipatory content, where the
people involved in the process acquire new knowledge and develop critical vision about values. One of the main
pedagogical tools is the theory previously discussed in the classroom, associated with practical factors of
individual experience, which experimental activities. Reflection on the content, associating theory with practice,
could be a possibility of building a relationship based on the dialogue of knowledge in which the joint growth of
the individuals involved is indispensable. The dialectical reference to education is conceived as an individual and
collective process of constitution of a new social consciousness, acting in the integral education of all those
involved in the process.

1. INTRODUCTION

Education has been shaping itself to support the challenges of the ruling classes. Since the Industrial
Revolution in the mid-18th century, education has incorporated the challenges of this new economic and social
reality and focused on the understanding of the use of technologies to increase the efficiency of the productive
system, ratifying the interests of the ruling classes. The educational process focused on technologies and adaptation
to the means of production, adding value to agriculture, in a new productive logic, adding value to the products of
the primary sector of the economy. The technological education was establishing, having wide support in the
results coming from the production of consumer goods. The livelihoods of the traditional extractive populations
become the focus to respond to the demands of the productive units, just as in Education there was a deep
knowledge of technological knowledge.
The existence of communities that maintain a tradition of sustainable customs distanced itself from the
mercantilist economic logic and the search of the maximum antropic gain of the natural assets. The dominant view
was of the supremacy of the Economy over Ecology, of money over environmental quality, and of false modernism
over secular traditions. Environmental quality has begun to be compromising. In this relation between the demand
of society and the market for Education, it´s observed that the understanding of the bases of the educational process
is necessary to have paradigms aimed at structuring the pillars of a knowledge focused on sustainability, and can
help in the discussion of a society inclusive, fair and balanced, generating less potential environmental impact and
making a natural use of natural resources in a parsimonious way. In this way, Education for Sustainability must be
in line with the Sustainable Development Objectives (ODS), promulgated by the United Nations (UN), with new
guiding principles.

2. A QUICK LOOK AT DIFFERENT TYPES OF EDUCATION

Educational choices was studing in a search model and correspondence of two sectors, where qualifications
are necessary for access to good jobs or for the desired social insertion (GAVREL, LEBON, REBIÈRE, 2016). In
this way, the educational process responded to different challenges, over time and the evolution of societies. In
Traditional Education, also called education of school benching (FREIRE, 2007) teaching is focusing on a list of
contents that are identifyding in the syllabus of the course, which should be taught to the student. The structure and

244
organization of the classroom are decisive because they establish differences between the position of the teacher
and the students, delineating limits of interaction and making it difficult to exchange knowledge. This approach
seeks to respond to a specific need and to deal with a restricted set of variables and abilities (FELGUEIRAS,
ROCHA, CAETANO, 2017), with a broader social, economic and political connection (MOFFATT et al., 2018).
Later including the gender issue (BOWEN; MILLER, 2018). These are confining to knowledge-transmission-only
spaces, far from the guideline pointed out by Barth, Rieckmann (2012) and Caniglia et al. (2018) for a process that
discusses the development of society. The teacher is the transmitter of knowledge, the students, whom is only
receptor of the content, passive individuals of the educational process. These characteristics demonstrate an
education focused on the internalization of decontextualized theoretical concepts, realization of programmatic
contents, with unidirectional communication from the teacher to the student (Table 1).

Table 1. Summary characteristics of Traditional Education, based on the type of school, education, pedagogical
principle and training.

Characteristic Described
Traditional school, focused on the conceptual internalization of
theories proposed in the classroom by professionals who form
School
opinions, not having a deepening through discussion and
contextualization of the subject.
Education focused on content, in which theories do not present a
Education practical approach to action, with the concern focused on the
fulfillment of the programmatic content.
Pedagogical Theories without dialogical action between the actors involved (faculty
principle and student) about the environment, unidirectional communication.

Conducive formation of pre-established concepts, without a critical


Formation
analysis of the subjects worked in the room.

This conception contrasts with constructivist approaches, where knowledge is the result of student
motivation and effort, promoting a connection between previous experiences and future expectations. There is a
need for the teacher to place himself as the subject of the historical reality in which he has inserted, engaging in the
struggle for freedom, against social alienation and the simple accumulation of capital (BAUER, 2008). In
Problematic Education, teaching-learning is connected in social habits, acting in the integral formation of all
involved in the process (teachers, students, technicians, family and community).
The Environmental Education requires an articulation of several areas focuses on environmental issues in
the formation of ecocultures and can provide greater knowledge, change of principles and improvement of
qualities. This education, as a pedagogical strategy, articulates new curricular contents that can structure new
knowledge and sustainable actions (RODRIGUES, 2014). This education must have emancipatory content, where
the dialectic between form and content implies individual and collective changes, local and global, structural and
conjunctural, economic and cultural. A context adjustment is fundamental, as it influences the environmental
attitudes and allows rethinking the posture in relation to a specific theme (PIENAAR et al., 2013). There is clearer
interaction with the environment in order to maintain or increase environmental quality and the development of
societies based on a holistic agenda. The school that has environmental discussions as a transversal theme, but with
content formation, can be characterizing as a model that is closer to the ideal for eco-citizenship training (Table 2).

245
Table 2. Summary characteristics of Environmental Education from the type of school, education, pedagogical
principle and training.

Characteristic Described
School with environmental education developed in the
School pedagogical political project of the institution, in a transversal
way, articulating knowledge.
Aimed at theories about the environment, merely discoursed
Education by teaching professionals, without a practical approach to
action.
Theories with dialogic and interactive action on the
Pedagogical principle environment, establishing the dialogue between teacher and
student.
Conducive training with environmental themes conceptually
Formation
discussed in classroom, focusing on environmental themes

Educational practices must go beyond theories, with experimentations and observations in educational
space, cultural and philosophical studies, perception of science and how the knowledge acquired in the classroom
can be transmit at the society by the students, become multipliers of knowledge (FREIRE, 2007). Experience-based
Education and Environmental Technology, regardless of conservationist, pragmatic, critical or humanistic macro-
trends (LAYRARGUES, LIMA 2014), presents a dichotomy between theory and practice. Theoretical knowledge,
coupled with experimental practices and independent living, make teaching focused on sustainability as something
more concrete, facilitating the teaching-learning process and training on the subject. Emerging issues such as
sustainability have already raised controversy, as governments in developed countries and multilateral
organizations such as Unesco have initiated a debate aimed at replacing environmental education with Education
for Sustainable Development (STEIL, 2014).
To achieve this goal, experimental activities should have multiple formats, reflection on the knowledge
acquired, association of theory with practice, non-standardization of scientific procedure steps, respect for the
influence of external factors and problematization. Caniglia et al. (2018) talks about proposing a glocal education,
combining the use of digital technologies for global collaboration with experiences and engagement for local
learning and impact. This model provides new concepts (the theory) and presents an exemplary (practice)
implementation for the curriculum and the teaching-learning environment of transnational collaboration for
sustainability. Thus, each individual can be added new forms of approach and planning for concrete and
emancipatory sustainability, as pointed out by Cincera et al. (2018), where it is relevant to share and process
experiences, mental models and interpretations about concepts, ideas and perspectives, and new entry within the
group. The incorporation of clean and innovative technologies in the school space serves as an example of
sustainable practice, to be replicating by society, allowing a theoretical analysis with a practical character.
For such experimentation, Social Technologies (NORD et al., 2016) can be using. These are traditional
technologies adapted to the needs of communities and provide many answers to the contemporary challenges of the
sparing use of natural resources, which are present in rural communities in underdeveloped and developing
countries. They are characterized by "low investment by employment, low capital invested per unit produced, job
creation potential, organizational simplicity, small scale of production, high degree of adaptability to the socio-
cultural environment, local and regional self-sufficiency, preference for the use of renewable resources and social
control "(RODRIGUES and BARBIERI, 2008). These include social transformation, direct participation of the
population, social inclusion, improvement of living conditions, technological innovation, organization and
systematization of technology, dialogue between different academic and popular knowledge, accessibility and
appropriation of knowledge, diffusion and action education, shared power, democracy and human and
environmental rights, among others (FBB, 2014). Environmental education using social technologies will establish
a theoretical-practical articulation of socio-environmental themes, in an emancipatory way, leading to eco-urban
formation (Table 3).

246
Table 3. Summary characteristics of Experimental Environmental Education from the type of school, education,
pedagogical principle and training.

Characteristic Described
School with education and practices related to the social,
economic, political, historical-cultural, natural and philosophical
School
environment with the effective participation of the actors involved
in the discussions.
Emancipatory and participatory education of opinion formers and
the student body, with a practical and experimental approach
Education
focused on the application of social technologies focused on
internalization, in the process of teaching learning.
Exemplification and experimentation and / or observation of the
Pedagogical
various themes, with technological practices related to the contents
principle
developed in the room.
Eco-citizen training and emancipation of the actors, through
Formation concepts acquired, observed and practiced by the adoption of
social technologies in the school environment.

For Barth and Rieckmann (2012), this practice facilitated the personal competence of the faculty and
changing the teaching practice and influenced the overall organizational development of the teaching unit. The use
of didactic strategies that privilege dialogue between the different knowledge (everyday, scientific, cultural and
others) should be the focus of the educational process (CAVALCANTI NETO, 2011). Critical education can be a
facilitator of this process, for the formation of a society based on the principles of sustainability, where the social,
economic and environmental dimensions can have real meaning and be present in the critical thinking of all, in
order to improve the environmental quality and people's lives.
For Nasibulina (2015), Education for Sustainable Development (ESD) contributes to making education
more efficient, since it does not focus on the simple reproduction of acquired knowledge, but in its practice,
especially for the solution of ecological and social problems. Problematic education necessarily requires
overcoming the contradiction between educator and learner, because only then will the possibility of building a
relationship based on the dialogue of (dialogical) knowledge in which the joint growth of the subjects involved is
indispensable. This education structure a permanent legacy from one generation to another, allowing the
maintenance and maintenance of sensitive natural resources in the environment (BARBIERI, 2007). For this,
contemporary society advances in scientific-technological studies that strengthen the capacity to use, recompose
and conserve these resources. At school, sustainable projects must involve different actors in the construction of
proposals, aiming to discuss, rebut and theoretically improve the subject, contributing to the transmission and
multiplication of knowledge.
In this scenario, Baker-Shelley et al. (2017) argue that universities will play a profound role in the century
in which society will be judge for its capacity for self-transformation in response to pandemic crises of climate
change and capitalism. Structures of sustainability analysis in organizations could benefit from tangible systemic
headings for transformation. To do so, the criteria were intertwined in a framework that has value as a diagnostic
tool, covering three scales (education, extension and research) and five theoretical perspectives (behavioral
science, governance, corporate responsibility, organizational change management, socioecological systems and
sustainability).

3. EDUCATION AND THE SUSTAINABLE DEVELOPMENT GOALS

According to Chin and Jacobsson (2016), the United Nations General Assembly's Sustainable Development
Goals (SDG), launched on 27 September 2015, will only succeed when all citizens of the world have knowledge of
them and when all have the power to become agents of change. For Aleixo, Leal and Azeiteiro (2018), higher
education institutions play an important role in promoting sustainability and increasing the number of stakeholders
for interaction to create sustainable organizations; however, this would be achieve when barriers are met and
challenges overcome. For Salvia et al. (2019) did a survey with 266 specialists from North America, Latin America
/ Caribbean, Africa, Asia, Europe and Oceania who demonstrated a high priority for the goals 4 (Quality
Education), 11 (Sustainable Cities and Communities) and 13 (Climate Action). Acoording Global Partnership for
Education (2019), are 17 ways to education influence the Sustainable Desevlopment Goals (Table 4).

247
Table 4. The 17 ways to education influence the Sustainable Desevlopment Goals (SDG).
Goals Descriptions Education Actions
1: No Poverty End poverty in all its forms everywhere If all student left schools with basic reading skills,
171 million people could be lifted out of poverty
2: No Hunger End hunger achieve food security and A mother´s education improves her children´s
improved nutrition and promote nutrition, especially as she seeks highr levels of
sustainable agriculture scholling
3: Good Health Ensure healthy lives and promote well- A child whose mother can read is 50% more likely
being for all at all ages to live past age five
4: Quality Ensure inclusive and equitable quality Education builds on itself, creating to educate
Education education and promote lifelong learning capacity to educate others and nurture a culture
opportunities for all thar values learning
5: Gender Achieve gender equality and empower all One additional school year can increase a
Equality women and girls woman´s earning by up to 20%;
6: Clean Water Ensure availability and sustainable As communities became butter educated about the
and Sanitation management of water and sanitation for links between their sanitation and helath, they see
all substantial improvement insanitation
7: Renewable Ensure access to affordable, reliable, Educated citizens will likelu be more inclined to
Energy sustainable and modern energy for all recognize and adopt new practices and
technologies that will help them and their
communities prosper
8: Good Jobs Promote sustained, inclusive and Each additional year of scholling raises average
and Economic sustainable economic growth, full and annual, gross domestic product (GDP) growth by
Growth productive employment and decent work 0.37%;
for all
9: Innovation Build resilient infrastructure, promote With education, countries have a greater capacity
and inclusive and sustainable to assemble and maintain the physical building
Infrastructure industrialization and foster innovation blocks of progress, helath and securitu
10: Reduced Reduce inequality within and among A 0.1% improment in a country´s education
Inequalities countries equality can, over 40 years, raise its per capita
income by 23% higher
11: Sustainable Make cities and human settlements Wit education, people are more likely to stand
Cities and inclusive, safe, resilient and sustainable behind creative solutions thar ensure sustainable
Communities cities and communities ar in place
12: Responsible Ensure sustainable consumption and Education raises the odds thar people will use
Consumption production patterns energy and water more efficiently and recycle
houhold waste
13: Climate Take urgent action to combat climate with higher levels of education, people across
Action change and its impacts many different societies show greater concern
about the well-being of the environment
14: Life Below Conserve and sustainably use the oceans, with higher levels of education, people across
Water seas and marine resources for sustainable many different societies show greater concern
development about the well-being of the environment
15: Life on Protect, restore and promote sustainable with higher levels of education, people across
Land use of terrestrial ecosystems, sustainably many different societies show greater concern
manage forests, combat desertification, about the well-being of the environment
halt and reverse land degradation and
halt biodiversity loss
16: Peace and Promote peaceful and inclusive societies Increasing enrollment rate in secondary education
Justice for sustainability, provide access to by 10% can reduce the risk of war by 3%;
justice for all and build effective,
accountable and inclusive institutions at
all levels
17: Partnerships Strengthen the means of implementation The Global Partnership for Education is a
for the Goals and revitalize the global partnership for prominent example of how working in a
sustainable development collaborative partnership can enhance progress in
education and in the other development sectores

248
Certainly, this listing is preliminary, needing to be expanded and deepened. Some initiatives to drive action
for sustainability have taken place, such as thegoals.org (ISYMP, 2017), which uses the Crowdlearning method to
engage young people around the world in problem solving, co-creation and knowledge sharing, all to accelerate the
way of the world towards sustainability. This site is a free global education and learning portal for sustainable development
solutions. It seeks to connect young people from all over the world with the goal of building an understanding and cooperation network
for the implementation the SDG of the United Nations.
If we only observe the SDG relative to education (SDG 4 - Quality Education), there are several guiding
goals. This goal aims to promote quality education is fundamental to improving people's lives and promoting
sustainable development (UNESCO, 2014), focusing on Education for Sustainable Development (UN, 2015, p.21).
It is intended that by 2030 all students acquire the knowledge and skills necessary to promote sustainable
development including, but not limited to, ESD and sustainable lifestyles, human rights, gender equality,
promotion of a culture peace and non-violence, global citizenship and the enhancement of cultural diversity and the
contribution of culture to sustainable development.
According to the United Nation Developmkent Program (UNDP, 2018) and the Global Education
Monitoring Report (UN, 2017) specifies its 10 targets, as well as other related education targets in the SDG
agenda. This document also seeks to respond to responsibility in education by analyzing how relevant
stakeholders can contribute to the educational process more effectively, efficiently, and equitably through
different accountability mechanisms that are used to hold governments, sc hools, teachers accountable,
parents, the international community and the private sector for inclusive, equitable and quality education.
Based on a global assessment of the state of education conducted by the Global Partnership for Education
(WORLD BANK GROUP, 2017), can take a stand on the challenge of this issue, based on a comprehensive set of
data, focusing on 37 relevant indicators, directly linked to SDG 4. There are major challenges that must be faced
by education, which already have promising results, but that actions at these points should be intensified so that to
create a more stable and prosperous world for all. One of the highlights of this document is to understand the crisis
of learning around the world (LIN et al., 2016; CHATZIS et al., 2018; BROEKEMA et al., 2019). The key to this
is to get the correct data on how and how much children are learning, which is lacking in many countries for the
establishment of a real monitoring process. All these are indicators that must be considering when trying to
establishing the bases for education to be structuring in all countries and that can be aligning with the SDG, in
order to reach the goals of Agenda 2030.

4. PRELIMINAR PRINCIPLES OF EDUCATION FOR SUSTAINABILITY

According to Swee-Hin (2006), there are several thematic currents in education, which direct the teaching-
learning process to focus such disarmament; nonviolence and conflict resolution; a culture of peace or education
for peace; the development; to social justice; human rights; gender equality or non-sexist; multicultural or
intercultural; even for sustainable development or sustainability. It stresses that the issue must be to fulfill the
objectives of building a peaceful, just and sustainable world order, rests o under n common principles and
pedagogical processes. With the emergence of Education for Sustainability, it will need to integrate an
understanding of various paradigms of sustainable development and sustainability in its structures and programs,
and there is a need to establish guiding principles.
For Swee-Hin (2006), the establishment of paradigms for the assembly of a curriculum is a critical way of
positioning and a challenge to establish educational processes that stimulate the student and the teacher to rethink
the ideology of progress and can be a process that drives consumer societies technologically to move towards
sustainability. They also need to strongly emphasizing the concept of "green justice"; to catalyze personal and
social action for sustainability; to encourage the learner to rethink unsustainable consumer lifestyles and to practice
sustainable consumption; making the school more inclusive and based on human rights. This educational process
should be promoted and defended at individual, community, national and international levels. This has to be based
in Human Right and need to be promoted and defended at individual, community, national and international levels,
also need to be especially attentive to the human rights of marginalized and vulnerable groups, including women,
children, refugees and indigenous peoples. This education has to (vi) teacher that cultural diversity is a core value,
with a (vii) holistic understanding.
Established by Unesco (2009), the SDG has to be (i) interdisciplinary and holistic, not as a separate issue,
were identified as relevant and essential for ESD; (ii) guided by humanistic values; (iii) developing critical thinking
and problem solving: leading to confidence in addressing dilemmas and challenges of sustainable development (iv)
being multi-method; (v) focus on participatory decision making; (vi) to be applicable, being the learning
experiences integrated into the daily personal, community and professional life and (v) being locally relevant,
addressing local and global issues.
According Barth and Rieckmann (2012), a program guided by sustainability education needs to establish
individual competencies of academic teaching staff members, the discussion of existing values, norms and

249
assumptions, aiming at developing competencies and skills to operationalize changes in the institutional modus
operandis, professional performance and impacts on the organization as result of a social learning process. This
affected teaching practices and routines, making academic staff development program supports the integration of
sustainability issues in the teaching routines of academic staff and leads to the development of new and innovative
pedagogical approaches. For Sidiropoulos (2014), the operational steps for this paradigm shift are escalating the
level of integration into courses increases student engagement and results in stronger impacts on students'
sustainability views, attitudes and to lesser extent their behavior; the impact on students varies by age, gender and
culture; and increasing student knowledge and attitudes towards sustainability, while necessary, is not sufficient to
stimulate more sustainable behaviors.
It is also determinant that the personal interest and motivation to engage in ESD, factors such as the lack of
time and financial resources, as deep understanding of sustainability, current curriculum structures and ways of
delivery, academic pressures, external factors, lack of organizational support and existing organizational conditions
block their engagement, as pointed out by Cebrián et al. (2015). For these authors, seven key implications for
action for universities can engage the academics. The Universities need to provide clear vision and strategy and
build sustainability through clear dissemination and communication strategies and the creation of professional
development programs for staff and they need to create interdisciplinary and collaborative research and learning
processes is critical to developing new understandings and practices of education, to embed this topic in the
curriculum. The organizational leadership and support can identifying existing role models would engage ESD as
this would facilitate learning from existing practice, the exchange of resources and having support and guidance to
academics. It´s necessary providing staff with time and financial resources is necessary in order to embed ESD
within the curriculum and create rewarding systems that recognize and reward good practice. Finally, it´s necessary
embedding sustainability into academic processes and research structures and make of sustainability a requirement
of the internal and external quality assurance processes and benchmarking of Hight Education institutions.
Understand the “Principles of a new education” is necessary to structure the pillars for a knowlegde focused on
sustainability, could help the discussion of an inclusive, fair and balanced society, with less impact potential and
use of natural resources, under the focus of the Sustainable Development Goals. Education for Sustainability
requires somes characterists.

4.1. Articulation of several áreas


For Annan-Diab and Molinari (2017), an interdisciplinarity is a precept for the emancipatory educational
process. MacLeod and Nagatsu (2018) identified four common and cognitive modeling stratéges: data-driven
modeling, modular model coupling, integral modeling, and substitutive modeling, and integrative strategies
provide a more concrete meaning to the term 'integration' than is often not analyzed in the interdisciplinary
literature. In addition to interdisciplinarity, transdisciplinarity is considering a competence for sustainability in
technological curricula (TEJEDOR; SEGALÀS; ROSAS-CASALS, 2018). However, in recent years, there have
been transdisciplinary practices aimed at increasing efficacy, engagement, perception and more lasting results in
ethics education which has provoked an increase in eco-citizenship awareness (MARQUES, 2019).
For Findlow (2019), holistic or ecological concepts of development are essential for social transformation
towards sustainability. This approach includes the perspectives of social sciences and humanities, ignoring the
frontiers of disciplines or areas of knowledge. Education requires the creation of new, solution-oriented,
participatory education programs and programs, such as platforms to recognize and engage with macro-ethical,
adaptive, and interdisciplinary challenges involved in professional and everyday issues. It should also focus on
environmental issues in the formation of eco-culture, and can provide greater knowledge, change of principles and
improvement of qualities, being a basic condition for the construction of sustainable solutions.

4.2. Observation of nature's operation


To promote a better knowledge on the environmental limits and the way of observing the biogeochemical
ecocycles of nature, understanding that the neestite sustainability of cyclical processes and the internalization of the
cleaner production. To have spaces of observation and experimentation of these natural processes, seeking to
quantify the ecosystem services and limiting factors of living beings, including the human species. Environmental
limits and trophodynamic processes between different trophic levels and between adjacent ecosystems should be
studing by all disciplines in a transdisciplinary view.
For Nasibulina (2015), iIntegrate the teaching of the subjects with all disciplines, through the understanding of
environmental ethics. It deals with the moral relations of man and nature, having the perception of nature as a
moral partner, equivalence and equality of right to life and preservation, seeking to find a solution to the
parsimonious use of natural resources. According to the ethos-environmental concept of the noosphere, the main
objective of sustainable development for a society can be considering to seek the full application of sustainability
concepts.

250
4.3. Integrate environmental theme of all disciplines subjects
The teaching-learning process must integrate the environmental theme in all disciplines, besides using
formal and informal methods as effective means of communication to increase efficiency and effectiveness in
rethinking glocal reality. In some cases, even if the theme is based on the understanding of sustainability, as is the
case with Economics (BRADLEY, 2019), even if there are barriers, it is noted that there is interest for such
internalization. To have a critical view of how to develop activities together with the other disciplines, where the
subject of sustainability, in particular the environmental theme, is became treating by all teachers collectively in
order to understand the various facets of ecosystem functioning, articulating them. Such a teaching strategy is
already observed in schools in China (CHU et al., 2017), with the structuring of Project-based learning as an
instructional method to introduce such a practice to the discussion of social media environment issues, in order to
facilitate the process collaboration between teachers and students.

4.4. Eco-citizen training


Marques (2019) points out that there seems to be confusion and misconceptions in concepts taught as ethics,
morality and law; ethical relativism and moral relativism; corporate ethics and corporate social responsibility,
which compromises the citizen attitude. A more complex formation on the social issues that pr