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UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA - UNAMA

CENTRO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE - CCBS


CURSO DE LICENCIATURA EM CIÊNCIAS BIOLÓGICAS

OCORRÊNCIA DA DEPRESSÃO EM LICENCIANDOS DE BIOLOGIA E A


INSTITUIÇÃO SENDO O PRINCIPAL AGENTE ADOECEDOR

THAIZE DOS SANTOS SOUZA


THAYS SANTOS VAZ

BELÉM (PA)
2018
Thaize dos Santos Souza

Thays Santos Vaz

Ocorrência da Depressão em Licenciandos de Biologia e a Instituição Sendo o


Principal Agente Adoecedor

Artigo apresentado ao curso de Licenciatura


em Ciências Biológicas da Universidade da
Amazônia – UNAMA como requisito exigido
para obtenção do título de Licenciado em
Ciências Biológicas.
Orientador: Prof.ª MSc. Silvany Ellen
Risuenho Brasil

BELÉM (PA)
2018
Thaize dos Santos Souza
Thays Santos Vaz

Ocorrência da Depressão em Licenciandos de Biologia e a Instituição Sendo o


Principal Agente Adoecedor

Artigo apresentado ao curso de Licenciatura


em Ciências Biológicas da Universidade da
Amazônia – UNAMA como requisito exigido
para obtenção do título de Licenciado em
Ciências Biológicas.
Orientador: Prof.ª MSc. Silvany Ellen
Risuenho Brasil

Aprovado em: ___/___/___

BANCA EXAMINADORA

_______________________________________
Prof. MSc. André Benassuly Arruda

_______________________________________
Prof. Dra. Isabela Guerreiro Diniz

BELÉM (PA)
2018
AGRADECIMENTOS

Agradeço, primeiramente, aos meus pais que estiveram do meu lado em todo
este processo e me incentivaram em todos os anos da minha graduação.
Reconheço a orientadora deste trabalho, Professora MSc. Silvany Brasil, pela
sua calma e integridade em nos corrigir e apoiar.
Gratifico a Professora Dra. Danielly Hashiguti, pela colaboração e paciência em
me auxiliar, mesmo não sendo sua incumbência.
Identifico a importância do Professor Lucas Henderson, por ser a única pessoa
que se dispôs a me ajudar passando de seu horário de serviços.
Cumprimento aos meus colegas Wendel Patrick, Guilherme Leite e Yasmim
Maciel, por me ajudarem a concluir este trabalho com breves cuidados, porém muito
importantes.
Por fim, agradeço a todos aos 120 estudantes que se disponibilizaram em
colaborar com esta pesquisa.
SUMÁRIO

INTRODUÇÃO ....................................................................................... 06
1. MATERIAL E MÉTODOS ...................................................................... 08
2. RESULTADOS ...................................................................................... 10
2.1. Inventário de Depressão de Beck (BDI) ................................................ 10
2.2. Questionário II (Q-II) .............................................................................. 11
3. DISCUSSÃO .......................................................................................... 12
3.1. Assédio .................................................................................................. 12
3.2. Abuso de Autoridade por Parte dos Docentes ....................................... 13
3.3. Pressão Familiar .................................................................................... 14
3.4. Suicídio .................................................................................................. 15
3.5. Sobrecarga de Trabalhos Acadêmicos .................................................. 16
3.6. Dificuldades Interpessoais ..................................................................... 16
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................ 17
REFERENCIAS ..................................................................................... 19
APÊNDICES .......................................................................................... 22
ANEXOS ................................................................................................ 24
Ocorrência da depressão em licenciandos de biologia e a instituição sendo o
principal agente adoecedor.

Occurrence of depression in biology graduates and the institution being the


main cause.
Thaize dos Santos Souza
Thays Santos Vaz
RESUMO
Estima-se que 15% a 25% dos estudantes universitários apresentam algum tipo de transtorno,
como depressão e/ou ansiedade durante seu período na academia. O objetivo principal deste
trabalho foi comparar, por meio da aplicação do Inventário de Depressão de Beck, a
quantidade de acadêmicos com sintomas de depressão cursando diferentes períodos da
graduação. Além de propor com essas informações, intervenções estruturais, didáticas e
metodológicas no atual sistema de ensino. Participaram da pesquisa 120 discentes do curso
de Licenciatura em Ciências Biológicas da UNAMA, divididos em três grupos: discentes no 1º,
5º e 7º semestre. Os alunos com escores igual ou superior a 20, foram selecionados para uma
nova pesquisa (Questionário II), a fim de obter respostas sobre a vivência de cada um dentro
da universidade, sendo as respostas analisadas por categorias. Os resultados do BDI
mostraram que os alunos do 1º, 5º e 7º semestre obtiveram escores depressivos de 20%,
22,5% e 40% respectivamente, mostrando o crescimento gradual dos sintomas desta doença
no decorrer do curso. Após a obtenção das respostas dos participantes, procedeu-se com a
análise de Qui-quadrado, no qual o valor de p = 0.0001, mostrando uma relação quantitativa
entre os resultados. Os resultados do Q-II evidenciaram que, aproximadamente, a metade
dos entrevistados de cada semestre, acham que Universidade influenciou nos resultados do
BDI. Os resultados obtidos requerem intervenções de urgência nas universidades, o presente
trabalho, sugeriu diversas soluções para os problemas apontados pelos alunos.
Palavras-chave: Depressão; Licenciandos; IDB; Ciências Biológicas.

ABSTRACT
It’s estimated that 15% to 25% of college students present some kind of disorder, such as
depression and/or anxienty during their academic time. The main goal of this paper was to
compare, through application of Beck’s Depression Inventory (BDI), the quantity of academic
students with symptoms of depression coursing different periods of graduation. Besides
propose with these information, Structure Interventions in the current teaching system. 120
students from Biologic Sciences Graduation of UNAMA participated, divided in three groups:
Students of 1st, 5th and 7th semester. The students with scores equal or above 20 were
selected to a new research (Questionary-II), with purpose of obtain answers about every ones
lives inside university which the answers were analysed by categories. The results of BDI
showed students of 1st, 5th and 7th semester had depressed scores of 20%, 22,5% and 40%
respectively, showing a gradual increase of symptoms of this disease through the course. After
obtain all answers of the participants, It was proceded an analysis of Chi-square, with value of
p=0.0001, showing a quantity relation between the results. The results of Q-II showed that,
aproximetely, half of interviewed of each semester thought that the university influenced the
results of BDI. The results require urgently interventions in universities, the present work,
suggested many solutions for the problems indicated by the students.
Key Words: Depression; Graduation; BDI; Biologic Sciences.
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INTRODUÇÃO
Sendo considerada como a doença da sociedade moderna, a depressão tem
características de uma patologia grave ou tristeza profunda que ocorre durante a vida;
pode indicar uma melancolia, que é um estado de tristeza profunda e apatia contínua,
sentimento de luto, ainda que nada, ou alguém, tenha sido perdido (ESTEVES e
GALVAN, 2006). De acordo com o DSM-5, Manual Diagnóstico e Estatístico de
Transtornos Mentais, 2014 (American Psychiatric Association, 2014), as
características principais da depressão são tristeza, insatisfação, irritabilidade,
acompanhado de mudanças no corpo (ganho ou perda de peso) e na aprendizagem
que afetam consideravelmente suas competências.
A depressão é uma situação médica corriqueira, crônica e presente (FLECK et
al., 2003). De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a depressão é uma das
causas líderes de incapacidade no mundo todo, e o suicídio associado à depressão
vitima cerca de 800.000 pessoas por ano, sendo essa a segunda principal causa de
mortes entre jovens de 15 a 29 anos de idade (World Health Organization, 2017).
De maneira geral, Furegato et al. (2005) afirmam que depressão patológica é
um processo que se caracteriza por distúrbios cognitivos (dificuldade de
concentração, desinteresse, desmedida infelicidade, lentidão de pensamentos e
pensamentos suicidas), humor depressivo e/ou irritável, redução de energia
(desânimo, cansaço fácil), incapacidade parcial ou total de sentir alegria e/ou prazer
(anedonia), desinteresse, e pensamentos de cunho negativo, com perda da
capacidade de planejar o futuro e alteração do juízo de realidade.
A depressão nas últimas décadas tem sido tema de grande destaque, havendo
com grande frequência publicações e pesquisas destinadas a tratar do assunto. Com
essas inúmeras pesquisas, houve um salto da indústria de psicofármacos em geral
(RODRIGUES, 2000). E ressaltando o uso de antidepressivos, Cordioli (2005) afirma
que os psicofármacos são de extrema importância no tratamento dos transtornos
mentais e antidepressivos e destaca também a importância da assistência da
psicoterapia neste tratamento.
A depressão pode ocorrer apenas uma vez na vida, porém é mais típico eventos
recorrentes. A Organização Mundial de Saúde – OMS – estima que 9,5% das
mulheres e 5,8% dos homens terão um evento depressivo no período de 12 meses,
mostrando uma tendência influente nos próximos 20 anos (WHO, 2001).
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Estima-se que de 15% a 25% dos estudantes universitários apresentam algum


tipo de transtorno, como depressão e/ou ansiedade durante seu período na academia
(CAVESTRO e ROCHA, 2006). Isto pode estar relacionado com a chegada da
responsabilidade profissional e com ela, o medo de não ser competente para exercer
suas funções (BUENO et al., 2004).
Segundo os dados acima citados, as altas taxas do transtorno ocorrentes na
academia se tornam preocupantes, uma vez que está diretamente associado a queda
do rendimento acadêmico, possíveis autoflagelações e, por vezes, o suicídio.
Segundo Chachamovich et al. (2009) 74,4% dos suicídios estão associados ao
primeiro episódio de depressão.
Realizando um mapeamento geral dos possíveis agentes estressores dentro
de uma universidade, foi observado, segundo Rezende et al. (2008), que o estudante
universitário está constantemente exposto a situações de estresse, como cobrança
dos pais, medo do fracasso e imposições do mercado de trabalho, nas quais, o
sistema adoecido hierárquico de cobranças, prazos e competição dentro das
universidades, pode resultar em quadros de depressão. Além dessas causas,
Coutinho et al. (2003) mostram que existe a total possibilidade de o universitário estar
passando por problemas do dia-a-dia, como conflitos, lutos, problemas familiares etc.;
inclui-se também a hereditariedade da doença, sexo e idade que podem influenciar
nesse conjunto de adversidades. Esses somatórios de perturbações vivenciado por
esses estudantes, dentro e/ou fora da universidade, acarreta no advento da depressão
e de outras doenças mentais (CERCHIARI, 2004).
Alguns autores acreditam que os professores também podem ter seus
momentos de esgotamento mental podendo adquirir esse transtorno, o que pode
influenciar diretamente no desempenho do aluno (CERCHIARI, 2004; GOUVEIA,
2010; LIPP et al., 2003). Os autores explicam que ocorre justamente uma queda na
didática e na metodologia de ensino, a qual influencia na aprendizagem e,
consequentemente, nas notas dos alunos, fazendo-os pensar então que a
incapacidade de aprender vem deles mesmos e isso pode acarretar em uma
desordem emocional seguida da depressão.
Hodiernamente, a relação professor-aluno é, e sempre foi, alvo de tensão,
principalmente com a função de preparar trabalhadores obedientes e dóceis, tornando
o ensino e a aprendizagem totalmente mecânicos (ENGUITA, 1989 apud DOS
SANTOS e SOARES, 2011). Sabendo disso, diversos fatores podem levar ao
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desenvolvimento de sintomas depressivos – como perda da liberdade pessoal, alto


nível de exigência e de conteúdo, sentimento de desumanização, falta de tempo para
o lazer, forte competição entre os colegas (CYBULSKI e MANSANI, 2017).
Visto as altas taxas de suicídio e sua relação com a depressão, o presente
estudo se propôs a pesquisar o que a Universidade garante, como forma de
acolhimento, para a demanda de alunos que possivelmente queiram ser ajudados,
como a clínica de psicologia, que disponibiliza atendimento psicológico mediante valor
simbólico. Visa também expor, em porcentagens, quanto a quantidade de alunos que
podem ter depressão no curso de Ciências Biológicas, avaliando suas causas e
efeitos, identificando a existência ou não de relação com a Universidade. Busca ainda
na obtenção de métodos que os ajudem a completar a graduação sem passar por
problemas psíquicos.
Assumindo, como objetivo principal analisar, por meio da aplicação do
Inventário de Depressão de Beck, a quantidade de acadêmicos com sintomas de
depressão cursando diferentes períodos da graduação. Além de propor com essas
informações, intervenções estruturais, didáticas e metodológicas no atual sistema de
ensino. Visando, assim, a redução da desumanização existente dentro da
Universidade perante os discentes com sinais desta doença.

1 MATERIAL E MÉTODOS

O estudo foi realizado em universitários do 1°, 5º e 7° semestre do curso de


Licenciatura em Ciências Biológicas na Universidade da Amazônia-PA no campus
Alcindo Cacela no ano de 2018, utilizando o Inventário de Depressão Beck (BDI – ver
Anexo I) para a investigação de sintomas depressivos. O teste não tem caráter
diagnóstico e serve como parâmetro de alerta para a procura de um profissional de
saúde mental e rastreamento da ocorrência da doença nos diferentes períodos da
graduação (BECK et al., 2011).
Segundo Gorestein e Andrade (1998, apud GARBI et al., 2014), o teste consiste
em 21 perguntas e mais um espaço, incluído pelos autores desta pesquisa, para o
aluno escrever situações cotidianas, sentimentos e/ou desabafos pessoais. Este teste
inclui sintomas e ações, cuja intensidade varia de 0 a 3. Os itens referem-se a tristeza,
desanimo, frustações, subtração de prazeres, sensação de culpa, autocondenação,
decepções, ódio, sentimento de culpa, pensamentos suicidas, choros periódicos,
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enraivecido, diminuição de interesses, dificuldade em tomar decisões, auto estima


baixa, esforço extra para trabalhar, insônia, cansaço, alteração no apetite, perda de
peso, preocupações e queda no interesse sexual.
Os alunos pesquisados não foram diagnosticados com depressão, uma vez que
o teste não possui caráter diagnóstico. Logo, o critério utilizado foi o seguinte:
pontuações a partir de 15 sugerem alguma alteração de humor, enquanto pontuações
a partir de 20 sugerem a presença da depressão (GORESTEIN e ANDRADE, 1998
apud GARBI et al., 2014).
Foi feito também um questionário (Q-II, ver Apêndice A) de cunho investigativo
pessoal para os alunos detectados com escores acima de 20, tendo como objetivo
analisar qual a causa de sinais da doença estar presente nesses alunos. O
questionário consiste em 5 perguntas; sendo 2 itens, cuja as respostas são SIM ou
NÃO, acompanhado de um espaço para respostas discursivas; e 2 perguntas apenas
discursivas. Este questionário inclui itens que se referem a saber ou não da presença
destes sintomas; se frequentam o psicólogo; se já foram diagnosticados com
depressão; e se eles acreditam que a universidade foi um dos fatores determinantes
no aparecimento ou agravamento dos sinais.
Elaborou-se um termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE, ver
Apêndice B), autorizando o uso estatístico dos resultados e esclarecendo que a
pesquisa é de caráter investigativo social, pessoal e psicológico, dentro da
Universidade. Foram excluídos os estudantes menores de 18 anos.
O BDI foi aplicado no total de 120 alunos do curso de Licenciatura em Ciências
Biológicas, curso escolhido pela ausência de pesquisas sobre a saúde mental de
graduandos em Biologia. Os alunos presentes em sala foram convidados a participar
da pesquisa e seus nomes e resultados individuais permanecerão anônimos. Foi
analisada a frequência de suspeita de casos de depressão e suas possíveis causas
justificadas no contexto acadêmico.
Para influenciar o mínimo possível nos resultados, o Inventário de Depressão
de Beck foi confiado aos alunos sem cobranças ou urgências em um período de 5
horas. Cada aluno realizou o teste neste meio tempo, para que fosse possível uma
reflexão profunda sobre a vivência acadêmica de cada um deles.
Para avaliar quantitativamente a relação entre os resultados do BDI, foi utilizado
o teste estatístico Qui-Quadrado (X²) com o auxílio do programa Statistica 10.0, na
qual as amostras, se significativas, obtiveram um valor de p < 0,05.
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2 RESULTADOS

2.1 Inventário de Depressão de Beck (BDI)


Dentro da Universidade da Amazônia – UNAMA, 120 alunos do curso de
Licenciatura em Ciências Biológicas foram entrevistados, sendo 40 alunos de cada
semestre aplicado (1º, 5º e 7º semestre). Do total de entrevistados, 61,81% eram
mulheres e 38,18% eram homens. A idade média foi de 24 anos, variando entre 18 a
54 anos.

Tabela 1. Distribuição dos alunos de Biologia, de acordo com a faixa etária e sexo, diferenciados
por semestres.
Variáveis 1° Semestre 5° Semestre 7° Semestre Total
N = 40 N = 40 N = 40 N = 120
Sexo
Feminino 19 (47,5%) 27 (67,5%) 22 (55%) 68 (61,81%)
Masculino 21 (52,5%) 13 (32,5%) 18 (45%) 53 (38,18%)
Idade
18 a 28 anos 32 (80%) 34 (85%) 36 (90%) 102 (85%)
29 a 38 anos 4 (10%) 4 (10%) 2 (5%) 10 (8,33%)
39 a 48 anos 3 (7,5%) 1 (2,5) 2 (5%) 6 (5%)
49 ou mais 1 (2,5%) 1 (2,5%) 0 (0%) 2 (1,66%)

Os resultados do Inventário de Depressão de Beck mostram um crescimento


significante dos sintomas depressivos no decorrer dos semestres. No 1º semestre
observamos que 20% dos alunos apresentam características depressivas e, no 7º
semestre este resultado duplica para 40%. Vemos também a queda da população
considerada saudável (p=0,0001) (Figura 1). Além disso, quanto ao total dos
resultados obtidos pelo BDI, expressam que 26,66% dos alunos entrevistados tem
ideias suicidas. Os discentes que mostraram estarem desanimados quanto ao futuro
resultou em 35%. Os que responderam que precisam de um esforço extra para
trabalhar totalizaram 52,5%. E, 52,5% dos alunos, também relataram estarem
preocupados com sua saúde.
11

Figura 1. Escores obtidos pelo BDI, analisando em porcentagens, alunos com sintomas
depressivos, sintomas disfóricos e os considerados saudáveis; diferenciados por semestres.

Avanço da doença no decorrer dos semestres


70% 65%
57.50%
60%
47.50%
50%
40%
40%
30% 22.50%20%
20%
20% 15% 12.50%
10%
0%
1º semestre 5º semestre 7º semestre

Sintomas depressivos Sintomas disfóricos Considerados saudáveis

Está disposto no final do BDI um espaço, opcional, para os alunos comentarem


a respeito do seu dia-a-dia, dentro e fora da universidade. De 120 pessoas
entrevistadas, apenas 49 pessoas utilizaram deste espaço. Foi selecionado alguns
comentários, importantes para a pesquisa, que se repetiram dentre os alunos (Tabela
2).

Tabela 2. Prevalência de alguns aspectos do dia-a-dia descritos pelos alunos

Número de
Comentários
pessoas

Sobrecarga 15

Pressão Social 11

Tristeza Constante 10

Ansiedade 7

Finanças 4

Somatório de Problemas 3

Luto 2

2.2 Questionário II (Q-II)


Dentre os 120 participantes, 33 pessoas obtiveram escores igual ou superior a
20 pontos, ou seja, estas pessoas foram selecionadas para responder o Questionário
II. Dentre elas, apenas 10 pessoas não compareceram no dia da aplicação. A pergunta
12

principal deste questionário foi em relação a uma possível parcela de


responsabilidade, que a universidade obteve nos resultados do BDI de cada aluno
(Tabela 3).

Tabela 3. Descrição dos alunos que concordam ou não com a influência da Universidade sobre
a doença.

RESPOSTAS DO Q- 1º SEMESTRE 5º SEMESTRE 7º SEMESTRE TOTAL


2 N=8 N=9 N = 16 N = 33

CONCORDAM 4 (50%) 4 (44,44%) 8 (50%) 16 (48,48%)


NÃO CONCORDAM 1 (12,5%) 2 (22,22%) 4 (25%) 7 (21,21%)
AUSENTES 3 (37,5%) 3 (33,33%) 4 (25%) 10 (30,30%)

3 DISCUSSÃO

Os dados obtidos neste estudo confirmam a relevância do tema depressão no


contexto universitário. O aumento gradual de alunos com sintomas depressivos a cada
semestre, demonstrou que o mal-estar causado pela universidade é um fato. As
relações na graduação e como elas se constituem, são eventos importantes na vida
de cada um dos sujeitos inseridos neste meio. Em função disto, a maioria respondeu
de forma clara e decisiva sobre o que achavam ter sido o gatilho para os sintomas
depressivos que apresentavam.
O BDI possibilitou categorizar os níveis de comprometimento da saúde
mental e, a aplicação do Q-II, permitiu a coleta de relatos que conduziram a
elaboração das categorias a seguir. Estas categorias foram escolhidas por terem sido
citadas pelos alunos como potenciais responsáveis pelo desenvolvimento de seus
sintomas depressivos.

3.1 Assédio
Após anos de negação a possibilidade de estudo e carreira, as mulheres vêm
tomando a frente em diversos seguimentos profissionais da sociedade, dados de uma
pesquisa realizada por Santana e Vannin (2017) mostram que a maioria dos
formandos na Universidade Federal da Bahia, são de mulheres, e apesar da boa
notícia, o artigo trata sobre a violência sofrida pelas mulheres no cenário acadêmico.
Em um ambiente dantes dominado pelo sexo masculino, a inclusão e
superação em quantidade pelas mulheres, trouxe à tona antigos problemas sociais,
13

hoje em evidência pela sua criminalização e não mais aceitação como algo natural, o
assédio. Em nossa pesquisa, quando questionados sobre o porquê do
desenvolvimento dos sintomas depressivos, uma aluna relatou situação de assédio
como elemento estressante no ambiente, tornando assim, sua rotina acadêmica
pesada e desconfortável. Adjacente a pesquisa, é frequentemente ouvido pelos
corredores da Universidade o assédio partindo dos professores da instituição.
Na Universidade Federal do Paraná, 3 alunos desenvolveram, em seu trabalho
de conclusão de curso, um Manual de Prevenção ao Assédio Moral em Universidades.
O manual desenvolvido por Mercer et al. (2015) é horizontal, abrangendo assédio
cometidos por alunos contra alunas de mesmo semestre, e também vertical, assédio
cometido por pessoa hierarquicamente superior. Usando como fonte livros de assédio
moral, que tratam sobre o assédio no ambiente de trabalho e realizando uma analogia
com o ambiente universitário, desenvolveu um material impresso com
esclarecimentos sobre as diferentes formas de assédio, produzindo um conteúdo
como ferramenta de combate desta prática. Sugerimos como solução desta questão,
a execução da distribuição deste material para alunos, professores e funcionários.

3.2 Abuso de Autoridade por Parte dos Docentes


Historicamente, a imagem do professor está associada a função de autoridade
diante dos alunos, por ser detentor do conhecimento e avaliador integral do
julgamento sobre a capacidade de um aluno estar, ou não, pronto para subir mais um
nível na escala educacional. Criados em meio a este contexto de organização social,
a ideia prossegue viva no ambiente acadêmico, e esta relação hierárquica pode ser
saudável e construtiva para a aprendizagem, porém, em meio aos depoimentos
colhidos durante a aplicação do Questionário-II, uma grande quantidade de alunos
acusou o abuso de autoridade por parte dos docentes, como item importante para o
desenvolvimento de seus sintomas depressivos.
Em abril de 2016, o site O GLOBO1 publicou a respeito de um movimento
organizado pela Direção Executiva Nacional dos Estudantes de Medicina (DENEM),
utilizando-se da hashtag #MeuProfDr acompanhado de atitudes inadequadas da parte
dos docentes, como um meio de denuncia a atitudes abusivas, autoritárias, pejorativas
e preconceituosas por parte dos professores universitários. Apesar do movimento ter
sido iniciado por alunos de medicina, ele foi utilizado por alunos de diversos cursos,
trazendo à tona o debate sobre a falta da humanização no contexto acadêmico.
O Globo – Universitários protestam na internet contra abusos de professores. 2016. Disponível
em: <https://oglobo.globo.com/sociedade/educacao/universitarios-protestam-na-internet-contra-
abusos-de-professores-19161497>. Acesso em: 06 Jun. 2018, 19:48:01.
14

Segundo Coleta e Miranda (2012), o docente pode constranger um aluno por


diversos motivos, incluindo a defesa, quando se sente questionado quanto ao domínio
do assunto ministrado, inseguro, leva qualquer crítica para o lado pessoal, tornando o
aluno ou os alunos, inimigos. Registros de subestimação de inteligência, esforço e
ameaças, foram descritos no formulário pelos discentes.
Como medida de prevenção ao abuso de autoridade na Universidade, além
do auxílio a vítima com esclarecimentos sobre como proceder em meios judiciais,
sugerimos a implantação de medidas internas punitivas e de educação, como
palestras, cursos sobre ética, psicologia da aprendizagem e didática, para professores
e alunos. Assim, haverá a possibilidade da construção de um espaço de
aprendizagem com medidas preventivas ao assédio moral.

3.3 Pressão Familiar


O ato de ingressar em uma universidade, pode ser, para muitos, o início de
uma nova e promissora etapa da vida. Porém, as mudanças no ambiente, relações,
tarefas, realidade financeira, podem vir acompanhadas de novos conflitos internos
com os quais alguns estudantes não conseguem lidar. Analisando as respostas
subjetivas dos alunos, notamos diferenças entre os semestres quanto ao tipo de
cobrança advinda dos familiares, em especial, dos pais.
Os alunos de 1º semestre, relataram se encontrar em uma situação de pressão
familiar recente, devido aos processos seletivos para ingressar em uma universidade,
o vestibular. Também, houve relatos da escolha displicente do curso, apenas para dar
aos pais resultados imediatos quanto a escolha da carreira. Em decorrência disto,
ocorreu comentários como "Não me identifico com o meu curso" ou "Tenho pouca
motivação em continuar esta graduação".
Em uma pesquisa feita por Peruzzo et al. (2008), sobre o estresse causado
pelo concurso de vestibular em jovens e adultos, demonstrou que 61,7% apresentou
sintomas de estresse em decorrência da rotina de estudos e pressão da família pela
aprovação. Os autores ainda subdividiram a porcentagem de alunos que
apresentavam sintomas de estresse em 3 grupos: Sintomas de prevalência física;
Sintomas de prevalência psicológica; O somatório dos dois. Uma maioria relevante
ocupou o grupo de estresse psicológico, somando 66,6%. Estes dados podem
comprovar a razão de inúmeros alunos estarem em um curso no qual não possuem
15

afinidade e/ou, ingressarem no curso de sua aptidão, porém adoecidos por estarem
em uma situação de pressão recente.
Os alunos de 5º semestre, expressaram predominantemente, o medo da
reprovação e das consequências que este fato carrega consigo, como as baixas
competencialidades no currículo e o custo financeiro associado a recomeçar a
disciplina não concluída. Em famílias de baixa renda, outras questões ainda estão
envolvidas, como o sentimento de culpa ou ainda a responsabilidade excessiva de ser
o futuro provedor de renda familiar e o seu desempenho na universidade vir a ser a
única perspectiva de futuro naquele grupo familiar.
O 7º semestre relatou a preocupação com o futuro profissional e a falta de
informações quanto ao seguimento da carreira após a formação. Mostrando uma
pressão familiar para se inscrever em concursos públicos indesejados, apenas para
obter uma renda futura, ou apresentou uma desorientação a respeito da área
escolhida para exercer após o título de graduado.

3.4 Suicídio
Em sua publicação na revista Espaço Acadêmico, Lima (2013) faz uma reunião
de fatos envolvendo o suicídio. Com dados alarmantes, é especulado mais uma vez
a razão do aumento desta prática entre universitários. Cita como potencial motivo o
individualismo; competição entre os colegas; alto produtivismo acadêmico; pavor de
ser julgado intelectualmente incapaz; bullying; solidão - para alunos que mudaram de
cidade e tiveram que morar longe da família pela primeira vez; o uso de drogas lícitas
e ilícitas. Além de assédio sexual ou moral de docentes, medo do futuro etc.
Como alternativa para o alívio do clima competitivo e produtivista nas
universidades, Lima (2013) sugere que a universidade seja pensada como espaço de
convivência social, com áreas para lazer e interação entre estudantes e professores.
Áreas de lazer estas, produzidas por arquitetos, promovendo a cultura de amizade e
equilíbrio entre trabalho e descanso.
Um espaço pensado para o âmbito da Universidade seria um local acessível,
para se entreter, em grupos ou individualmente, como sala de jogos e descanso.
16

3.5 Sobrecarga de Trabalhos Acadêmicos


Em sua dissertação, Rios (2006) descreve a nova configuração de tarefas no
mercado de trabalho, como um cenário complexo entre a especialização na sua área
e o conhecimento geral de mundo expandido, exigindo a construção de um intelecto
cada vez mais amplo. O ato de aprendizagem constante é a condição exigida para o
encaixe nas instituições trabalhistas e educacionais. Nas universidades, isso se aplica
a professores, com suas várias turmas e matérias para administrar e aos alunos, que
possuem tarefas múltiplas que vão além da admissão da carga horária exigida.
Os alunos do 7º semestre, demonstraram em suas respostas, sentimento de
desgaste físico e psicológico, advindo da rotina sobrecarregada de compromissos,
trabalhos, estágio ou monitoria acadêmica. Relataram falta de encaixe social,
sentimento de desumanização pela demanda de produção científica e prazos,
demasiadamente curtos, para a realização de um trabalho completo e bem
supervisionado.
A existência da disciplina Estágio Supervisionado, integrada ao último semestre
da graduação, deve ser analisada. Alunos do curso de Biologia, em sua maioria,
precisam se locomover para outras cidades ou municípios para desempenhar seus
projetos de conclusão de curso. Desta forma, não havendo tempo o suficiente para
cumprir a carga horária de Estágio Supervisionado, concomitante a apresentar-se em
estágios em suas respectivas áreas em outras instituições ou empresas; provas e
seminários das disciplinas do semestre; em empregos onde a presença é obrigatória;
etc. Pensando, a partir dos fatos descritos, se o Estágio Supervisionado se consta
como necessário no último semestre do curso.

3.6 Dificuldades Interpessoais


Alunos de todos os semestres, relataram vivências problemáticas fora da
universidade e que a instituição não é o único local que os causam problemas
psicológicos. Os ciclos de amizades e o familiar, como também o emprego e
atividades diversas são exemplos desses locais. Em suas respostas, alunos do 7º
semestre em especial, queixaram-se da falta de encaixe social e da solidão em sala
de aula. Relataram a falta de vontade de frequentar as aulas, por sentirem que existe
algum tipo de rejeição do restante da turma ou um clima de individualismo exagerado.
A falta de contato social foi apontada como causa da aversão ao ambiente acadêmico.
17

Em maio de 2015, na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), através


de um conjunto de iniciativas universitárias, foi realizada a IV Semana da Saúde
Mental e Inclusão Social², com o tema: "Por uma vida menos solitária". Diversas
pessoas relataram publicamente a solidão intensa vivida ao longo de sua formação
acadêmica e como isso ressignificou o espaço universitário em suas vidas pessoais e
profissionais.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Distúrbios na saúde emocional de universitários e suas raízes, protagonizaram
o presente trabalho, onde foi realizado um estudo através de questionamentos que
buscaram a identificação da presença da depressão e suas possíveis causas. O
resultado levou a uma série de discussões e trouxe à tona o questionamento quanto
a antigas organizações sociais, comportamento dentro e fora da sala de aula e a busca
pela felicidade idealizada.
O crescimento gradual de sintomas depressivos a cada semestre na turma de
Licenciandos em Ciências Biológicas, é uma estatística concreta, frente a falta de
informação e debate sobre os motivos pelos quais os universitários estão com
doenças psicológicas. Neste trabalho buscou-se indicar as vulnerabilidades e os
riscos inerentes a saúde mental no ambiente acadêmico, discutindo sobre o porquê
da situação de sofrimento psicológico em uma realidade onde deveria haver
perspectiva de sucesso para o futuro profissional.
Os resultados obtidos requerem intervenções de urgência nas universidades,
o presente trabalho, sugeriu diversas soluções para os problemas apontados pelos
alunos nesta pesquisa. As intervenções propostas, foram debatidas com o
coordenador do curso pesquisado para prevenir doenças psicológicas durante a
graduação. Para o sucesso profissional dos acadêmicos, é imprescindível que a
saúde mental esteja em plenas condições, isso se comprova nas entrevistas deste
trabalho e na extensa revisão de literatura que aqui apresentamos.
Certas pesquisas podem ser feitas a partir desta. Um exemplo é realizar uma
coleta de dados com professores de universidades, com o auxílio do BDI, como
hipótese de que, há uma relação, dos estudantes de licenciatura continuar com os
sintomas doentios após se formarem e conquistarem emprego como docentes.
Provando, por meio disso, que existe um ciclo dessa doença, no qual os professores
afetados, prejudicam mentalmente os alunos, futuros educadores. Outro exemplo é

² IV Semana da Saúde Mental e Inclusão Social. UFMG. 2016. Disponível em:


<https://quartasemanasmis.wordpress.com/sobre/>. Acesso em: 12 Jun. 2018. 15:37:12.
18

aplicar o BDI em todos os semestres de um curso a escolha e verificar se os sintomas


depressivos mantém um crescimento constante a partir de cada semestre.
Acredita-se que a disponibilidade deste trabalho para a sociedade, vem a
contribuir no processo de compreensão e investigação da presença significativa da
depressão em universitários.
19

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erior_Colleta_e_Miranda.pdf>. Acesso em: 27 maio. 2018, 10:31:36.

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http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs398/en/>. Acesso em: 20 nov. 2017,
14:55:23.
22

APENDICE A – Questionário II
Sexo: ______ Idade: _______ Curso: ______________________________
Semestre: ______ Sala: __________ Telefone: ______________________

QUESTIONÁRIO PARA ALUNOS COM ESCORES CONSIDERADOS ALTOS

1- Você já passou por alguma avaliação psiquiátrica ou psicológica?


( )Não
( )Sim Quando?_____________________________________

1.1. Se você respondeu SIM na 1ª questão, 1.2. Se você respondeu NÃO na 1ª


informe o motivo de você ter procurado questão, informe o motivo de ainda
por uma avaliação. não ter procurado uma avaliação.
(ex: luto, mudanças, etc...)
_______________________________ ( ) Não tenho tempo
_______________________________ ( ) Não acho necessário
_______________________________ ( )( ) Não sabia que tinha alguma
_______________________________ disforia, até ser informada pelos
_______________________________ membros desta pesquisa
_______________________________ ( ) Outro motivo.
Qual?_____________

2- Se você respondeu SIM na 1ª questão, informe, se por meio desta avaliação,


você recebeu algum diagnóstico.
( ) Não
( ) Sim, com diagnóstico de depressão
( ) Sim, com outro diagnóstico. Qual? ____________________________________

3- Se, na sua opinião, a universidade influencia você a ter adquirido algum grau
de depressão, de que forma esta (a universidade) lhe afeta?
(ex: cobranças intensas, prazos curtos, etc...)
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
23

APÊNDICE B
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO
Ocorrência da Depressão em Licenciandos em Biologia e a Instituição Sendo o Principal Agente
Adoecedor
Você está sendo convidado (a) a participar do projeto de pesquisa acima citado que será realizado no período
entre junho e julho de 2018. O documento abaixo contém todas as informações necessárias sobre a pesquisa
que estamos fazendo. Sua colaboração neste estudo será de muita importância para nós, mas se desistir a
qualquer momento ou se não quiser participar, isso não causará nenhum prejuízo a você e não será
necessária qualquer explicação a respeito.
O participante da pesquisa fica ciente que os dados obtidos nesta pesquisa serão reservados para registro
de modo que seu nome ficará em anonimato, apenas os responsáveis por essa pesquisa terão acesso e
apenas os resultados da pesquisa serão divulgados em publicações científicas. Os objetivos do estudo são
observar a ocorrência da depressão nos alunos do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas da UNAMA;
você será submetido ao Inventário de Depressão de Beck, que é um questionário com perguntas psicológicas
para podermos observar a ocorrência da doença. Em um outro momento você pode estar sujeito ou não a
um outro questionário, este para entender o real causador da doença e para observar os conhecimentos do
participante sobre a depressão. A finalidade deste trabalho é contribuir com a relação aluno-professor e
aluno-instituição e quais medidas poderiam minimizar a doença. Esta pesquisa será sujeitada a 120
participantes com idade igual ou superior a 18 anos.
Sua participação não o submeterá a nenhum tipo de tratamento e nem causará a você nenhum gasto
financeiro. Além de sua participação ser completamente voluntária sem nenhum tipo de recompensa ou
remuneração
Você tem o total direito a indenização (cobertura material para reparação a dano, causado pela pesquisa ao
participante da pesquisa) segundo o Item 2.7 da Res. 466/12, e Garantia de Ressarcimento (compensação
material, exclusivamente de despesas do participante e seus acompanhantes, quando necessário, tais como
transporte e alimentação) conforme o Item 2.21 da Res. 466/12.
Benefícios: O participante da pesquisa contribuirá para acrescentar à literatura dados referentes ao tema,
para que toda a comunidade acadêmica esteja ciente dos problemas que alunos sofrem no período da
graduação e para que a universidade como um todo saiba como se relacionar devidamente com este tipo de
aluno.
Riscos: A pesquisa poderá haver riscos, tais como:
a) A quebra de sigilo de informações, mas os dados obtidos ficarão armazenados em um local o qual
apenas os pesquisadores terão acesso e, com o máximo de cautela possível, para que essas informações
não se difundam;
b) O constrangimento nas abordagens, mas, para minimizar este risco, o participante responderá o
questionário individualmente, podendo pedir ou não o auxílio dos pesquisadores e o participante poderá
optar em não responder qualquer questão que o desconforte.
Nesta pesquisa, será obtida as assinaturas e as rubricas dos participantes e dos pesquisadores em todas as
páginas do TCLE. O participante receberá sua via do TCLE assinada e rubricada. Caso o participante
desejar, poderá entrar em contato com os pesquisadores, para conhecer seus resultados parciais e finais ou
para qualquer tipo de dúvida existente a respeito da pesquisa.
Eu, ________________________________________________, abaixo assinado, declaro que obtive todas as
informações necessárias, bem como todos os eventuais esclarecimentos quanto às dúvidas por mim
apresentadas. Desta forma concordo de livre e espontânea vontade em participar como voluntário(a) do estudo
acima descrito.
( ) Desejo conhecer os resultados desta pesquisa.
( ) Não desejo conhecer os resultados desta pesquisa.
Belém, _______ de ______________ de ______.

Assinatura do participante:______________________________________

________________________ ______________________ _____________________


Prof. Silvany Ellen Risuenho Thaize dos Santos Souza Thays Santos Vaz
Brasil Contato: (91) 98350-4556 Contato: (91) 99161-3503
Contato: (91) 988979856 thaize_souza@yahoo.com.br thaysvaz18@gmail.com
silvany.brasil@unama.br

Comitê de Ética em Pesquisa – CEP (UNAMA)


"Campus" Alcindo Cacela (Av. Alcindo Cacela, 287 – Umarizal - Bloco "D" 5º Andar – Sala - 502 PA – CEP:66.060-902
Fone: (91) 4009-3018 / (91) 99177-1348 'oi', E-mail: cep.unama@unama.br site: http://www6.unama.br/cep
Horário de Atendimento: 08:00 às 12:00 e 14:00 às 18:00 (segunda-feira a sexta-feira)
24

ANEXO I
Inventário de Depressão de Beck (BDI)

Idade:________ Sexo:________ Curso:____________________________________________


Semestre:_____ Turma:______ Sala:______ Data: ____/____/____
Este questionário consiste em 21 grupos de afirmações. Depois de ler cuidadosamente cada grupo,
faça um círculo em torno do número (0, 1, 2 ou 3) próximo à afirmação, em cada grupo, que descreve
melhor a maneira que você tem se sentido na última semana, incluindo hoje. Se várias afirmações
num grupo parecerem se aplicar igualmente bem, faça um círculo em cada uma. Tome cuidado de ler
todas as afirmações, em cada grupo, antes de fazer sua escolha.

1 5 9
0 0 Não me sinto especialmente 0 Não tenho quaisquer idéias de me
0 Não me sinto triste culpado matar
1 Eu me sinto triste
1 1 Eu me sinto culpado grande parte 1 Tenho idéias de me matar, mas não
2 Estou sempre triste e não consigo do tempo as executaria
sair disto
2 2 Eu me sinto culpado na maior 2 Gostaria de me matar
3 Estou tão triste ou infeliz que não parte do tempo 3 Eu me mataria se tivesse
consigo suportar
3 3 Eu me sinto sempre culpado oportunidade

2 6 10
0 0 Não estou especialmente
desanimado quanto ao futuro 0 0 Não choro mais que o habitual
0 0 Não acho que esteja sendo punido
1 1 Eu me sinto desanimado quanto ao 1 1 Choro mais agora do que costumava
futuro 1 1 Acho que posso ser punido
2 2 Agora, choro o tempo todo
2 2 Acho que nada tenho a esperar 2 2 Creio que vou ser punido
3 3 Costumava ser capaz de chorar,
3 3 Acho o futuro sem esperanças e 3 3 Acho que estou sendo punido mas agora não consigo, mesmo que o
tenho a impressão de que as coisas queria
não podem melhorar

3 7 11
0 0 Não me sinto um fracasso 0 0 Não sou mais irritado agora do que
0 0 Não me sinto decepcionado já fui
1 1 Acho que fracassei mais do que comigo mesmo
uma pessoa comum 1 1 Fico aborrecido ou irritado mais
1 1 Estou decepcionado comigo facilmente do que costumava
2 2 Quando olho pra trás, na minha mesmo
vida, tudo o que posso ver é um 2 2 Agora, eu me sinto irritado o tempo
monte de fracassos 2 2 Estou enojado de mim todo
3 3 Acho que, como pessoa, sou um 3 3 Eu me odeio 3 3 Não me irrito mais com coisas que
completo fracasso costumavam me irritar

4 8 12
0 0 Tenho tanto prazer em tudo como 0 0 Não me sinto de qualquer modo 0 0 Não perdi o interesse pelas outras
pessoas
antes pior que os outros
1 1 Não sinto mais prazer nas coisas 1 1 Sou crítico em relação a mim por 1 1 Estou menos interessado pelas
outras pessoas do que costumava
como antes minhas fraquezas ou erros
estar
2 2 Não encontro um prazer real em 2 2 Eu me culpo sempre por minhas 2 2 Perdi a maior parte do meu
mais nada falhas
interesse pelas outras pessoas
3 3 Estou insatisfeito ou aborrecido 3 3 Eu me culpo por tudo de mal que 3 3 Perdi todo o interesse pelas outras
com tudo acontece
pessoas
25

13 16 19

0 0 Consigo dormir tão bem como o 0 Não tenho perdido muito peso se
0 Tomo decisões tão bem quanto habitual é que perdi algum recentemente
antes
1 1 Não durmo tão bem como 1 Perdi mais do que 2 quilos e
0 1 Adio as tomadas de decisões costumava meio
mais do que costumava
2 2 Acordo 1 a 2 horas mais cedo do 2 Perdi mais do que 5 quilos
1 2 Tenho mais dificuldades de que habitualmente e acho difícil
3 Perdi mais do que 7 quilos
tomar decisões do que antes voltar a dormir
Estou tentando perder peso de
2 3 Absolutamente não consigo mais 3 3 Acordo várias horas mais cedo do propósito, comendo menos:
tomar decisões que costumava e não consigo voltar
a dormir Sim _____ Não _____

14 17 20

0 0 Não estou mais preocupado com


a minha saúde do que o habitual
0 0 Não acho que de qualquer modo 0 0 Não fico mais cansado do que o
pareço pior do que antes habitual 1 1 Estou preocupado com
problemas físicos, tais como
1 1 Estou preocupado em estar 1 1 Fico cansado mais facilmente do dores, indisposição do estômago
parecendo velho ou sem atrativo que costumava ou constipação

2 2 Acho que há mudanças 2 2 Fico cansado em fazer qualquer 2 2 Estou muito preocupado com
permanentes na minha aparência, coisa problemas físicos e é difícil pensar
que me fazem parecer sem atrativo em outra coisa
3 3 Estou cansado demais para fazer
3 3 Acredito que pareço feio qualquer coisa 3 3 Estou tão preocupado com meus
problemas físicos que não consigo
pensar em qualquer outra coisa

15 18 21
0 0 Posso trabalhar tão bem quanto 0 0 Não notei qualquer mudança
antes
0 0 O meu apetite não está pior do recente no meu interesse por sexo
que o habitual
1 1 É preciso algum esforço extra 1 1 Meu apetite não é tão bom como 1 1 Estou menos interessado por
para fazer alguma coisa sexo do que costumava
costumava ser
2 2 Tenho que me esforçar muito 2 2 Estou muito menos interessado
para fazer alguma coisa
2 2 Meu apetite é muito pior agora por sexo agora
3 3 Não consigo mais fazer qualquer 3 3 Absolutamente não tenho mais 3 3 Perdi completamente o interesse
apetite
trabalho por sexo

 Você gostaria de nos contar mais sobre sua vida ou como você se sente ou quer nos sugerir algo?
Aproveite este espaço para desabafar.
(ex: diagnósticos de depressão/ansiedade, idas ao psicólogo, sobrecarga de trabalhos, luto, autoflagelação, etc).

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