Você está na página 1de 29

DIREITO INTERNACIONAL

RESPONSABILIDADE INTERNACIONAL
Por Bruna Daronch
SUMÁRIO

1. CONCEITO: ...................................................................................................................3
2. NATUREZA JURÍDICA: ...................................................................................................4
3. CARACTERÍSTICAS E CLASSIFICAÇÃO: ............................................................................6
4. ELEMENTOS ESSENCIAIS: ATO ILÍCITO + IMPUTABILIDADE + DANO ................................8
5. MODOS DE DETERMINAÇÃO DE RESPONSABILIDADE: ................................................. 18
a) Modo unilateral (iudex in causa sua): ......................................................................... 18
b) Modo coletivo:........................................................................................................... 18
6. O ESTUDO DA PROTEÇÃO DIPLOMÁTICA: .................................................................... 19
7. DISPOSITIVOS PARA O CICLO DE LEGISLAÇÃO .............................................................. 28
8. BIBLIOGRAFIA INDICADA ............................................................................................ 28
ATUALIZADO EM 11/06/20171

RESPONSABILIDADE INTERNACIONAL

1. CONCEITO:

Segundo Portela, a responsabilidade internacional é o instituto que permite que o ESTADO OU


OI, que viole uma regra de DIP e cause dano a outro ESTADO OU OI, ou que provoque prejuízo a
outrem em decorrência de determinadas atividades lícitas, arque com as consequências do ato ou do
fato, devendo reparar os prejuízos eventualmente causados.

Podem gerar responsabilização internacional certos ATOS LÍCITOS com potencial de causar
dano a outros atores internacionais.
Como a responsabilização pode ocorrer a partir de ato lícito, o instituto nem sempre terá
efeito de sanção.

As OI podem ser responsabilizadas pela prática de um ilícito internacional ou figurarem como


vítimas, fazendo jus a uma reparação (ex.: reparação à ONU pela morte de Folke Bernadotte na
Palestina).

Caráter PATRIMONIAL e MORAL: é a “responsabilidade civil do Estado no DIP”, e, em geral,


não se reveste de aspecto penal ou repressivo. Dessa forma, André de Carvalho Ramos entende que os
fundamentos da responsabilidade são a IGUALDADE SOBERANA e a JURIDICIDADE DAS NORMAS
INTERNACIONAIS. Qualquer discussão de responsabilidade internacional está no coração do Direito
internacional. Por sua vez, Portela ensina que o fundamento da responsabilidade internacional
compõe-se de dois pilares: o dever de cumprir as obrigações internacionais livremente avençadas e a
obrigação de não causar dano a outrem. A responsabilidade internacional visa, portanto, a contribuir
para a aplicação prática das normas internacionais e a promover a eventual reparação dos prejuízos
sofridos pelos sujeitos de Direito Internacional.

1
As FUCS são constantemente atualizadas e aperfeiçoadas pela nossa equipe. Por isso, mantemos um canal
aberto de diálogo (setordematerialciclos@gmail.com) com os alunos da #famíliaciclos, onde críticas, sugestões e
equívocos, porventura identificados no material, são muito bem-vindos. Obs1. Solicitamos que o e-mail enviado
contenha o título do material e o número da página para melhor identificação do assunto tratado. Obs2. O canal
não se destina a tirar dúvidas jurídicas acerca do conteúdo abordado nos materiais, mas tão somente para que o
aluno reporte à equipe quaisquer dos eventos anteriormente citados.
A responsabilidade internacional se resolve, como regra geral, em reparação de natureza
civil e, em casos excepcionais, em sanções penais (papel secundário). A responsabilização
internacional, via de regra, culmina em obrigações de fazer e de pagar, com o escopo de reparar os
danos causados ou indenizar pelos danos irreparáveis. A responsabilidade internacional penal de
Estados é tema altamente controverso (parte da doutrina diz que não existe). Contudo, não se pode
esquecer-se da responsabilidade penal internacional dos indivíduos, pelos atos previstos no Estatuto
de Roma.

A Teoria Geral da Responsabilidade divide as normas em primárias e secundárias. A


responsabilidade internacional do Estado é uma obrigação secundária. As normas primárias de Direito
Internacional representam as regras de conduta, que se violadas, fazem nascer as obrigações
secundárias. As normas primárias contêm regras de condutas impostas aos Estados e as secundárias
visam determinar quando se dá o descumprimento da obrigação internacional e as consequências
desse descumprimento. Normas secundárias englobam elementos da responsabilidade, reparação e
sanção. Por isso, a Teoria da Responsabilidade é aplicada ao Direito Ambiental, aos Direitos Humanos,
ao Direito Econômico etc., porque basta que exista uma norma primária violada, aí todo arcabouço do
Direito Internacional se movimenta. Por fim, lembrar: a responsabilidade internacional reforça a
juridicidade do Direito Internacional. Caso ela não existisse, a própria juridicidade do Direito
Internacional seria abalada.

#PERGUNTA: Se está vigente um tratado e ele é descumprido, o que ocorre? Quais são as
consequências jurídicas? Há duas: (i) extinção do tratado pela violação do seu conteúdo pela outra
parte, mormente nos casos de tratados bilaterais. Nos tratados multilaterais a extinção pode ser
parcial. O art. 44 da CVDT traz o Princípio da Divisibilidade da Extinção dos Tratados: pode existir
extinção parcial se for possível; (ii) responsabilização internacional do Estado, caso verificados, além
do ato passível de responsabilização, que no caso é o descumprimento do tratado, os seguintes
requisitos: dano, nexo de causalidade entre o ato (violação do tratado) e o dano e a imputabilidade da
ação ou omissão ao Estado ou OI.

2. NATUREZA JURÍDICA:

Quanto à natureza jurídica da responsabilidade internacional, existem 3 teorias:


SUBJETIVA OBJETIVA MISTA
(“TEORIA DA CULPA”) (“TEORIA DO RISCO”)
Não basta a mera Exige-se apenas o NEXO Quando houver omissão do Estado ou
configuração do ilícito, CAUSAL ENTRE O ATO E A da OI, deve ser verificada a existência
exigindo-se a presença de LESÃO. Basta a afronta a de culpa, na modalidade negligência.
DOLO OU CULPA na ação ou uma norma de DIP e o Nos atos comissivos, basta haver um
omissão do sujeito de DIP. resultado (o dano para outro nexo entre a conduta e o prejuízo.
Estado ou OI).

#ATENÇÃO: A RESPONSABILIDADE OBJETIVA POSSUI CARÁTER EXCEPCIONAL EM DIP2. Dois


requisitos: PREVISÃO EM CONVENÇÃO + ATIVIDADE DE RISCO. Atualmente, existem tratados
prevendo a responsabilidade objetiva dos Estados nas áreas de meio ambiente, atividades nucleares e
atividades espaciais, podendo ser citadas: a) Convenção sobre responsabilidade civil por danos
nucleares (Viena, 1963); b) Convenção sobre responsabilidade civil no domínio da energia nuclear
(Paris, 1960); c) Declaração de Princípios Legais concernentes às atividades do Estado na exploração e
uso do espaço exterior (AGNU-1963); d) tratado para a exploração do espaço (ONU, 1967).

#JÁCAIU
QUESTÃO CESPE AGU (2004): O regime jurídico preponderante no sistema internacional de
responsabilidade por danos ambientais, previsto nas principais convenções internacionais relativas ao
tema, é o da responsabilidade objetiva. (CORRETA)

QUESTÃO CESPE: Entre os danos ambientais transfronteiriços, apenas aqueles causados por atividades
de risco proibidas pelo direito internacional geram para as vítimas direito de reparação dos prejuízos.
(errada, responsabilidade objetiva)

#APROFUNDAMENTO: Para André de Carvalho Ramos, há espaço para falar-se em uma


responsabilidade absoluta, consistindo naquela em que não permite alegação de excludentes.
Mesmo que na ocorrência de força maior ou caso fortuito, o Estado tem de reparar. É muito rara.
Somente é aceita nos casos extremamente perigosos. Ex.: a Convenção sobre Responsabilidade
Internacional por Danos Causados por Objetos Espaciais, da qual o Brasil é parte. Assim, um Estado

2
A banca FCC, na prova da DPE/BA de 2016, considerou correta a seguinte alternativa: “prevalece que, em
matéria de Direitos Humanos, a responsabilidade é objetiva, devendo haver a violação de uma obrigação
internacional, acompanhada do nexo de causalidade entre a mencionada violação e o dano sofrido.”
lançador será responsável absoluto pelo pagamento de indenização por danos causados por seus
objetos espaciais na superfície da Terra ou a aeronaves em voo. Essa Convenção é um exemplo de
aplicação excepcional da responsabilidade objetiva no âmbito do DIP.

A responsabilização do Estado ou da OI pode ser reclamada por intermédio dos mecanismos


de solução de controvérsias existentes no cenário internacional, que incluem desde meios
diplomáticos a órgãos jurisdicionais, que poderão apurar a imputabilidade do ato e determinar a forma
de reparação cabível. Também os Judiciários nacionais podem agir, à luz, porém, das regras relativas à
imunidade de jurisdição dos Estados e OIs.

Para a teoria tradicional, o instituto da responsabilidade não se referia diretamente ao


indivíduo, o qual, em caso de dano sofrido em decorrência do descumprimento de norma
internacional, podia, no máximo, recorrer à proteção diplomática do Estado do qual é nacional. No
entanto, atualmente, entende-se que já é possível a pessoa humana responsabilizar diretamente o
Estado ou OI. É o caso dos mecanismos existentes dentro da UE e da OEA, que permitem que
indivíduos pleiteiem as devidas reparações. Por outro lado, está em desenvolvimento a noção de que a
pessoa natural também pode ser responsabilizada diretamente por transgredir norma internacional,
não só no âmbito penal, dentro do qual essa ideia se encontra mais consolidada, mas também no
campo civil, não se descartando, por exemplo, que o patrimônio de um indivíduo responda pelo
pagamento de indenizações a vítimas de transgressões do DIP, especialmente no campo dos direitos
humanos.

3. CARACTERÍSTICAS E CLASSIFICAÇÃO:

A responsabilidade é, em regra, INSTITUCIONAL. Nesse sentido, os Estados e as OIs assumem a


responsabilidade pelos atos de seus funcionários, bem como de particulares para os quais tenham
concorrido.

A responsabilidade tem FINALIDADE REPARATÓRIA e NATUREZA CIVIL. Visa a reparar um


prejuízo, não a punir um Estado ou OI.

Até hoje, a maior parte das normas relativas à responsabilidade internacional é costumeira.

Comissional (ação) Convencional (tratado) Direta Atos ilícitos


Omissional (omissão) Delituosa (costume) Indireta Atos lícitos

Vejamos cada uma das classificações:

a) Quanto à posição do Estado:


a.1) Responsabilidade direta: aquela que nasce imediatamente das relações interestatais.
Estado alega que o outro descumpriu normas em relação ao primeiro;
a.2) Responsabilidade indireta ou proteção diplomática3: Aquela que nasce depois de uma
etapa anterior na qual não há uma relação direta entre um Estado e outro, mas sim entre um indivíduo
e um Estado. O Estado se responsabiliza por um evento que não é inicialmente no plano internacional,
mas no plano doméstico. Há um mecanismo, que é o endosso, que transforma esse litígio inicialmente
doméstico, em um litígio internacional.

Responsabilidade DIRETA Responsabilidade INDIRETA


- Atos do Poder Executivo, de seus órgãos ou de Decorre de atos de pessoas naturais ou jurídicas
seus funcionários ou, ainda, de particulares que protegidas por um Estadi e ainda que resultem de
exercem atividades em nome do Estado. violações das próprias normas de direito interno.
- Atos do Legislativo e Judiciário.
- Atos dos entes subnacionais (Estados,
municípios).

b) Quanto ao tipo de ato: comissivo e omissivo;

#ATENÇÃO: Por fim, a responsabilidade decorre, em regra, de atos ilícitos, mas pode também ser
consequência de atos lícitos.

c) Quanto à gravidade da conduta do Estado: nasce a responsabilidade internacional por crime


do Estado (responsabilidade penal do Estado). Há uma resposta internacional mais gravosa contra o
Estado que comete atos violadores dos valores essenciais.

Nesse ponto, convém distinguir responsabilidade convencional e delituosa e a diferença entre


delito internacional e crime internacional.

3
O assunto de proteção diplomática será aprofundado posteriormente (vide tópicos abaixo).
Responsabilidade Responsabilidade Delito internacional Crime internacional
convencional delituosa
Quando tem a sua Surge da violação de É todo fato É a violação de uma
origem na violação de uma norma internacionalmente obrigação internacional
um tratado consuetudinária, de ilícito que não seja para a salvaguarda de
internacional. um costume crime internacional. No interesses fundamentais da
internacional. caso de crime, a relação comunidade internacional,
de responsabilidade se e a sua violação é
estabelece com todos considerada crime (ex.:
os Estados, enquanto genocídio, apartheid,
no caso de delito só agressão, escravidão). É
com o Estado lesado. ligado à idéia de jus
cogens. Segundo Karl
Zemaneck, nem toda
violação do jus cogens é
crime internacional, mas
todo crime internacional é
violação do jus cogens. É de
se destacar que vários
Estados se opõem à
responsabilidade penal do
Estado (França, Israel,
Alemanha).

4. ELEMENTOS ESSENCIAIS: ATO ILÍCITO + IMPUTABILIDADE + DANO

Ato ilícito Imputabilidade Dano


Ação ou omissão que Vínculo entre a violação da Prejuízo causado a outro Estado, OI ou a
viola a norma de DIP. norma de DIP e seu pessoa protegida pelo Estado ou OI.
responsável. Pode ser material e moral, com ou sem
expressão econômica.
a) Fato ilícito/lícito internacional: O primeiro elemento é que tenha existido uma conduta omissiva ou
comissiva que seja uma violação ao direito internacional (elemento objetivo). Mas não basta isso. É
necessário que esse fato (essa conduta) seja imputado ao Estado ou OI (elemento subjetivo: quem
realizou a conduta). Essa imputação é uma operação normativa, não é naturalística.

Esse fato pode consistir em ato ilícito. O ato ilícito é a conduta comissiva (uma ação) ou
omissiva (um omissão contrária ao DI) que viola norma de Direito Internacional. Ainda, nesse ponto, a
doutrina faz uma importante observação: o fato de o ato ilícito à luz do direito internacional estar em
conformidade com o direito interno do Estado não exclui a transgressão e, portanto, a
responsabilidade estatal, a teor da Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados, de 1969, que
dispõe no art. 27: “Uma parte não pode invocar as disposições de seu direito interno para justificar o
descumprimento de um tratado”.

Esse fato pode consistir em um ato lícito. A responsabilidade internacional por atos lícitos é
também chamada, pela Comissão de Direito Internacional da ONU, de “responsabilidade por atos não
proibidos pelo Direito Internacional”. É um tipo de responsabilidade internacional OBJETIVA, a partir
da qual os Estados devem indenizar os prejuízos eventualmente causados por suas ações e omissões,
ainda que para tais danos não tenham concorrido. Trata-se de hipótese excepcional de
responsabilização e, por isso, segundo SOARES, “a responsabilização por atividades lícitas deve se dar
apensas diante da ocorrência de condições ‘objetivamente fixadas numa norma escrita’”. Ex.: energia
nuclear para fins pacíficos, uso do petróleo e derivados, exploração espacial etc.

Fato Ilícito Internacional = conduta (objetivo) + Estado infrator (subjetivo)


Conduta (objetivo) > Imputação > Estado Infrator (subjetivo) > Dano (prejuízo) > Responsabilidade
Internacional

#IMPORTANTE: RESPONSABILIDADE POR ATOS LÍCITOS: Como não é a hipótese tradicional de


responsabilidade internacional, a regulamentação deve ser precisa. Os requisitos são:

a) Definição clara do dano;


b) Concessão da faculdade de a vítima exigir reparação;
c) “Canalização da responsabilidade” (atribuição da autoria da lesão, de maneira inequívoca, a uma
pessoa ou ente, que terá o ônus de provar a inexistência da responsabilidade);
d) Obrigatoriedade da constituição de seguros e, eventualmente, de garantias suplementares para
as atividades de risco reguladas, a serem providenciadas pelos executores dessas atividades;
e) Fixação de explícita de causas de limitação ou exclusão da responsabilidade;
f) Indicação dos foros internos dos Estados onde as eventuais vítimas podem buscar a reparação
cabível.
Alguns tratados que regulam a responsabilidade objetiva por atos lícitos: Convenção de Viena sobre a
Responsabilidade Civil por Danos Nucleares (1963); Convenção de Bruxelas sobre Responsabilidade
Civil por Danos Causados por Poluição por Óleo (1969); Convenção de Bruxelas relativa à
Responsabilidade Civil no Estabelecimento de um Funo Internacional para Compensações por Danos
de Poluição por Óleo (1971); Convenção de Londres sobre Responsabilidade Civil por Dano decorrente
de Poluição por Óleo, resultante da Exploração de Recursos Minerais do Subsolo Marinho (1977);
Convenção sobre a Responsabilidade Internacional por Danos causados por Objetos Espaciais (1972).

#JÁCAIUEMPROVA: “Entre os danos ambientais transfronteiriços, apenas aqueles causados por


atividades de risco proibidas pelo direito internacional geram para as vítimas direito de reparação dos
prejuízos”. Está errada porque atividades não proibidas (lícitas, portanto) também podem causar
danos.
#JÁCAIUEMPROVA: “Se um satélite alemão adentrar a atmosfera e atingir avião da Air France, haverá
responsabilização internacional”. Está correta a alternativa.

#PERGUNTA:
A teoria do abuso de direito é aplicada ao Direito Internacional? Sim, o DIP tende a acolher a
ideia de abuso de direito, que permite que a norma não se desvincule da necessidade de resguardar os
direitos e liberdades das demais pessoas e de que haja o equilíbrio necessário entre interesses
individuais e sociais. Assim, o exercício de um direito com abuso no modo pelo qual é exercido gera
efeitos deletérios para terceiros.

Os atos comissos ou omissivos que podem ensejar a responsabilidade civil podem ser
oriundos:

 Poder Executivo: por exemplo, se um delegado de polícia torturou, o Brasil responde. Qual é a
defesa do Estado? Que ele não deu ordens (ato “ultra vires” – ato além do mandato), pelo contrário,
ele tem uma legislação contra a tortura, o delegado “agiu sozinho”. O Brasil não terá sucesso nessa
defesa. O Direito Internacional é pacífico: considera-se que o ato de um agente público vinculado ao
Poder Executivo consiste em uma violação de seus deveres de vigilância ou escolha, no mínimo in
vigilando ou in eligendo: o Brasil que contratou aquele delegado, o Brasil que devia vigiá-lo, o Brasil
que devia ter mecanismos internos que impedissem que ele torturasse.

 Poder Legislativo: também vincula. Pode ser lei, Emenda Constitucional ou até mesmo norma
do Poder Constituinte Originário. Não adianta o Estado buscar argumentos como Separação de
Poderes porque não haverá sucesso.

 Poder Judiciário: há dois momentos. A) denegação de Justiça: consiste na existência de


delonga injustificada ou de barreiras de acesso à Justiça. Então, por exemplo, o Brasil responde se não
tiver um número mínimo de defensores, se o trâmite processual for lento etc. Exemplo: os mensaleiros
peticionaram à Comissão Interamericana alegando que a AP 470 teria tido só um grau (competência
originária) – e o duplo grau de jurisdição? B) Decisão injusta: o Brasil responde também (e aí é
polêmico) pela decisão esdrúxula, a decisão violatória de direitos humanos, a decisão injusta. Ou seja,
eu vou me debruçar sobre a justiça da decisão local. Isso é muito polêmico, tanto no sistema europeu
quanto no sistema interamericano.

 Ente federado: Ato de ente federado é todo ato imputado a um elemento constitutivo da
Federação (Estados, Municípios e DF).

#OLHAOGANCHO: A “cláusula federal” é um dispositivo inserido em tratados que desonera o Estado


Federal de cumprir o tratado se aquela atribuição for do ente federado. Ela não é aceita no Brasil. Para
superar esse mal estar, não se aceita a cláusula federal nos Tratados de direitos humanos. O Brasil
responde por ato do Maranhão, São Paulo e qualquer outro Estado-membro.

 Particular: o Brasil responde desde que tenha uma conduta própria no contexto da realização
do ato de particular. Ou seja, em geral não vincula o Estado. Entretanto, é possível que o Estado
responda caso, no contexto da conduta, tenha violado os seus deveres de prevenção e repressão. Em
outras palavras, tal responsabilidade pode emergir se restar comprovado que o ente estatal deixou de
cumprir, como afirma Rezek, seus deveres elementares de prevenir o ilícito e de reprimi-lo
adequadamente. Exemplos: Atentados praticados por indivíduos contra chefes de Estado estrangeiros
ou contra seus representantes diplomáticos, insultos à bandeira ou aos símbolos nacionais de
determinados Estados.
#ATENÇÃO:
#OBS1: Em princípio, o Estado não responde pelos danos decorrentes de atos praticados por seus
cidadãos. Entretanto, o dever de reparar o prejuízo pode emergir se ficar provado que o ente estatal
deixou de cumprir seus deveres elementares de “prevenção e repressão”. Ex.: quando o Estado
concorda com ações de seus nacionais que configuram ilícitos internacionais ou se omite frente a tais
atos.
#OBS2: Prevalece que o Estado deve ser responsabilizado pelas ações de grupos de revolucionários
quando tiver concorrido para a ocorrência do conflito ou quando tiver faltado com a “diligência
devida” para impedir ou reprimir o fato.
#OBS3: O reconhecimento do caráter de beligerante ou de insurgente de um movimento
revolucionário por parte do ente estatal que tenha sofrido o dano exclui a responsabilidade do Estado
onde atua esse movimento, a qual passa a recair sobre o beligerante ou insurgente. Caso os revoltosos
assumam o governo, a responsabilidade por seus atos passa a caber ao Estado.

#APROFUNDAMENTO:
Só assim podemos entender por que o Brasil foi responsabilizado pela COMISSÃO INTERAMERICANA
pelo Caso Maria da Penha. O caso Maria da Penha vem da Convenção de direito Humanos e é fruto da
Convenção de Belém do Pará. Essa convenção completou 20 anos em 2014.
A convenção de Belém do Pará estabelece um Mandado de Criminalização. O Brasil tem que prevenir e
reprimir a violência doméstica. Quem atirou e tentou eletrocutar a senhora Maria da Penha? O marido,
ou seja, um particular. E por que o Brasil foi responsabilizado no caso? Pela OMISSÃO na repressão.
Houve tentativa de homicídio e ele quase prescreveu. O Brasil responde por ato do Poder judiciário
também e nesse caso houve omissão do Judiciário.
#CASCADEBANANA: Maria da penha é caso da COMISSÃO INTERAMERICANA. Não é Corte
Interamericana de Direitos Humanos.

 Ministério Público: O Brasil responde por eventual leniência, atuação negligente ou mesmo
inação do MP.

#JÁCAIUEMPROVA: O Estado cujo Poder Judiciário emita decisão contrária a norma incontrovertida do
DIP estará violando referida norma internacional, ato pelo qual poderá ser responsabilizado.
#JÁCAIUEMPROVA: O que se demanda de um Estado é que ele ofereça um tratamento de caráter
igualitário e não discriminatório entre seus nacionais e estrangeiros. Não se exige proteção especial e
diferenciada.

b) Imputabilidade ou nexo de causalidade: Trata-se do vínculo entre o fato internacionalmente


ilícito/lícito, a conduta imputada ao Estado e o dano. A imputabilidade refere-se à necessidade de que
o ato ilícito seja atribuído ao ente a ser responsabilizado. Deve haver, portanto, um vínculo entre a
violação da norma internacional e seu responsável. A imputabilidade pode ser direta ou indireta:
b.1) Responsabilidade (imputabilidade) internacional direta: quando se trata de ato ilícito
cometido pelo seu governo, um órgão ou seus funcionários ou por uma coletividade pública do Estado
que age em nome dele. Também quando se trata de ato de particular, quando sua atividade possa ser
imputada ao Estado (o qual será responsabilizado por não empregar a devida diligência para prevenir
estes atos).
b.2) Responsabilidade (imputabilidade) internacional indireta: quando o ilícito foi cometido
por simples particulares ou por uma coletividade que o Estado representa na ordem internacional (ex.:
Município). É o caso de um ilícito cometido por uma coletividade sob tutela ou um Estado protegido,
em que o responsável na ordem internacional é a potência administradora ou o Estado protetor. A
responsabilidade do Estado decorre da omissão em não advertir ou punir seus particulares pelos atos
praticados. Ex.: violação de um Estado Federado brasileiro a uma norma protetiva de direitos humanos
– responsabilidade da União na ordem internacional.

#PERGUNTA: Quais são os atos que excluem ou atenuam a responsabilidade internacional?

a) Legítima defesa: Trata-se da reação a um ataque armado, real ou iminente, tendo como
função protetora, punitiva e reparadora, estando voltado a interromper o ataque, a punir o agressor e
a reparar o dano causado. No entanto, os atos de legítima defesa devem ser proporcionais à agressão
ou ao perigo e devem ser praticados apenas até que o Conselho de Segurança tome as medidas
necessárias para a manutenção ou restauração da paz.
b) Represálias: Segundo Portela, a represália é a retaliação a um ato ilícito de outro Estado.
Normalmente, não é permitida pelo Direito Internacional, mas é admissível quando é uma RESPOSTA À
VIOLAÇÃO DE NORMAS INTERNACIONAIS por parte de outro ente estatal. Para que exclua ou atenue a
responsabilidade internacional requer ainda a ocorrência de um dano e deve ser proporcional ao
gravame sofrido pelo Estado que recorre à represália.
c) Contramedidas em geral: Configuram reação pacífica a um ato ilícito anterior, praticado por
outro Estado, e deve ser proporcionais ao agravo sofrido, devendo haver, ainda, a advertência prévia.
Todas as contramedidas – e não apenas a legítima defesa – têm função protetiva, punitiva e
reparadora. Por fim, a CONTRAMEDIDA é ATO DE ESTADO (relação horizontal), diferenciando-se assim
das sanções coletivas, que são medidas que também caracterizam reações a ilícitos, mas que são
tomadas por Organizações Internacionais.
d) Prescrição: Perda do direito de o Estado ou de a organização internacional reclamar a
reparação de um dano decorrente de ato ilícito de outro sujeito de direito internacional
e) Estado de necessidade: Trata-se da lesão à bem jurídico de outrem para salvar bem jurídico
próprio; O Esboço de Artigos sobre a Responsabilidade de Estados por Atos ilícitos Internacionais, da
Comissão de Direito Internacional da ONU, previu o estado de necessidade como excludente de
ilicitude internacional, desde que o ato aparentemente ilícito seja “a única maneira de salvaguardar
um interesse essencial do Estado contra um perigo grave e iminente.”.
f) Contribuição do Estado para o dano que sofreu: Pode excluir ou atenuar a responsabilidade
do Estado que violou a norma internacional;
g) Força maior, caso fortuito e perigo extremo;
h) Imprecisão da regra internacional;
i) Tomada, pelo Estado, de medidas cabíveis para evitar um dano;
j) Reconhecimento de beligerância ou de insurgência por parte do Estado que tenha sofrido
o dano.

#ATENÇÃO: Não exclui a responsabilidade o descumprimento da norma internacional por conta de sua
incompatibilidade com o direito interno. Previsão no art. 27 da Convenção de Viena, de 1969: "Uma
parte pode invocar as disposições de seu direito interno para justificar o descumprimento de um
tratado".

#JÁCAIUEMPROVA: A legítima defesa é a única excludente de ilicitude consagrada na Carta da ONU,


e implica uma reação proporcional à agressão sofrida pelo Estado vítima, podendo ser individual ou
coletiva, nos ditames do art. 51 da Carta.

c) Dano: Ele pode ser material ou imaterial. Segundo Rezek, só o Estado vitimado por alguma forma de
dano — causado diretamente a si, ao seu território, ao seu patrimônio, aos seus serviços, ou ainda à
pessoa ou aos bens de particular que seja seu nacional — tem qualidade para invocar a
responsabilidade internacional do Estado faltoso. Assim, no domínio dos tratados, a violação de norma
convencional só pode, em princípio, dar origem à reclamação das outras partes, não à de terceiros.

A reparação pode ou não ter expressão econômica. Em qualquer caso, a reparação deve
corresponder à natureza da lesão e a seus efeitos.

A responsabilidade internacional tem natureza cível, embora seus agentes do Estado possam
eventualmente responder pelos crimes internacionais.

#CURIOSIDADE: Um sujeito de DIP vitimado por DANO MORAL pode pleitear reparação. A primeira
vez que um tribunal reconheceu o pedido de danos morais em ilícito internacional ocorreu no caso
relativo às viúvas do navio americano Lusitana, em 1923, que fora bombardeado pela Alemanha.

As reparações dos danos podem dar-se das seguintes maneiras:

1) Restituição na Íntegra: consiste em espécie de reparação que objetiva o retorno ao status quo
ante (anterior à violação). É a melhor espécie de reparação. A Corte Interamericana usa muito, mas,
muitas vezes, é impossível no aspecto material. A restituição na íntegra nunca pode ser impossível
juridicamente: cabe ao Estado mudar as suas regras. Não é possível dizer: não vou libertar a Sra.
Tamayo (é um caso da Corte Interamericana) porque ela está presa por decisão judicial transitada em
julgado – impossibilidade jurídica. Isso é bobagem: se houver necessidade de soltura, deve-se rescindir
a sentença, criar uma norma que possibilite a rescisão de sentença transitada em julgado por
determinação de órgão internacional. A impossibilidade tem que ser material: a Sra. Tamayo está
morta, por exemplo (não foi o caso, ela foi solta).

2) Cessão do ilícito: É uma maneira de restituição na íntegra. A jurisprudência internacional, no


entanto, separa a cessão do ilícito da reparação na íntegra.

3) Indenização: se não for possível a restituição na íntegra, uma fórmula de reparação muito
utilizada pelas Cortes é a indenização. Danos morais: há presunção absoluta. É uma compensação
pelos danos causados (materiais e morais) por meio do pagamento de uma quantia em pecúnia.
4) “Projeto de vida”: uma forma nova de reparação. Vai muito além de indenização, vai muito
além de compensação dos danos, dos lucros cessantes. Vai, na realidade, tentar resgatar aquilo que a
pessoa seria se não houvesse a violação. É uma restituição na íntegra maximizada. Por exemplo: não é
só devolver a liberdade à Sra. Tamayo. A Sra. Tamayo era uma professora que foi acusada de crime de
agressão à Pátria, crime de terrorismo e, por isso, perdeu o cargo na Universidade etc. Não é só
devolver o cargo, é devolver o cargo e o posto, uma láurea acadêmica, que, eventualmente, ela teria
obtido se não fosse aquela interrupção do seu “Projeto de Vida”. Isso é muito interessante, mas, na
prática, é quase que uma futurologia, arbítrio.

#OLHAOGANCHO: O que se entende por “greening” (esverdeamento)? Ocorre quando se tenta


proteger direitos humanos de cunho ambiental nos sistemas regionais de direitos humanos, que são
sistemas aptos - em princípio - a receber queixas e petições que contenham denúncias de violação de
direitos civis e políticos. O caso Belo Monte acaba por tutelar, ainda que de forma indireta ou por
“ricochete”, interesses ambientais. Por isso, a doutrina diz que, no caso Belo Monte, houve um
verdadeiro “esverdeamento do direito à vida” ou ainda um “esverdeamento do direito à integridade
física das comunidades indígenas”.

5) Satisfação: espécie de reparação na qual se busca compensar o dano ao patrimônio imaterial


das vítimas. A satisfação é uma fórmula tradicional no direito internacional, não é novidade. É um
conjunto de medidas que visa reparar o chamado dano ao patrimônio imaterial. Essa é a forma de
reparação mais comum no mundo. Não é a indenização. É a satisfação na modalidade “desculpas”. É o
famoso pedido de desculpas. Quais são as formas tradicionais de satisfação? Publicação de sentença;
Dia de Homenagem aos Mortos; Feriado Nacional; Homenagem às Vítimas. Nos casos brasileiros, a
satisfação mais utilizada é a publicação da sentença em jornal de grande circulação nacional – “Gomes
Lund” foi no Jornal “O Globo”.

6) Garantias de não repetição: há um destaque para o chamado dever de investigar, perseguir em


juízo e punir criminalmente os violadores. Esse dever tem uma dupla natureza: o dever de investigar é
a garantia de não repetição mais conhecida na jurisprudência da Corte Interamericana de Direitos
Humanos – vide os primeiros casos hondurenhos: Vesláquez Rodrigues, Godines Cruz, Farem Garbi e
Corrales. Desde então, a Corte pede para que os Estados punam os violadores para prevenir novas
violações. É uma forma de reparação muito conhecida no direito internacional – a garantia de não
repetição. Entende-se que o lesado tem o direito de exigir essa reparação. Mas é também violação da
própria Convenção (CADH) a ausência desse dever. A natureza dúplice desse dever: a ausência do
dever de investigar é uma violação da obrigação de garantia em relação a atos de particulares. Ou seja,
caso um particular viole direitos, deve-se punir. Se não o fizer, o Estado estaria violando a Convenção
no tocante ao direito à verdade e ao direito de acesso à justiça. Além de ser também uma garantia de
não repetição. O Brasil agora tem reparações duríssimas a serem cumpridas.

#ATENÇÃO: O mero reconhecimento do ilícito não configura, por si só, espécie de reparação, podendo
se transformar em satisfação caso venha acompanhado de um pedido formal de desculpas.

#ATENÇÃO: O ente responsável pela reparação é o Estado ou a OI, cabendo a estes exercer o direito
de regresso contra o agente que efetivamente tenha causado o prejuízo.

#JÁCAIU
QUESTÃO TRF 5º: A responsabilidade internacional enseja a reparação de danos tanto da parte do
agente causador quanto da parte do Estado do qual esse agente se origine.
Comentário: Errada. O agente não responde diretamente pelo ilícito internacional. A responsabilidade
é do Estado Soberano ou da OI.

#JÁCAIUEMPROVA: A responsabilidade internacional é atribuída à pessoa jurídica detentora de


personalidade jurídica de direito internacional, ou seja, Estados e OIs, o que significa que os agentes
do Estado causador do dano não responderão em caráter pessoal pela violação internacional, pois
quem o fará será o Estado, podendo se aventar, no máximo, uma posterior ação regressiva deste
contra o agente que deu causa ao ilícito.

#CURSO DPU: Considere que o Estado “a” tenha adentrado o espaço aéreo do Estado “b” sem a sua
autorização, e que, após tratativas diplomáticas, ele tenha reconhecido que cometera uma violação ao
direito do Estado b, tendo apresentado pedido formal de desculpa pelo ocorrido. Nessa situação, de
acordo com os artigos da comissão de direito internacional da ONU sobre responsabilidade
internacional dos Estados, o reconhecimento da violação e o pedido de desculpas realizado pelo
Estado a caracterizam a forma de reparação denominada satisfação.

Perceba-se que a satisfação possui caráter excepcional, de cunho estritamente moral. Pode
consistir em um reconhecimento da violação, uma expressão de arrependimento, um pedido formal
de desculpas ou outra modalidade adequada. Uma das modalidades mais comuns de satisfação,
prevista nos casos de dano moral, é uma declaração da ilicitude do ato por uma Corte ou Tribunal
competente. Outra forma comum de satisfação é o pedido de perdão, que pode ser verbal ou escrito
por um Oficial apropriado, ou até mesmo pelo Chefe de Estado.

5. MODOS DE DETERMINAÇÃO DE RESPONSABILIDADE:

a) Modo unilateral (iudex in causa sua):

Esse é o modo mais comum, estando configurado quando o Estado lesionado exige reparação
do Estado infrator. O grande problema esse modo de determinação de responsabilidade é que o
Estado infrator não reconhece que violou Direito internacional, então ele vai receber a sanção como
sendo algo indevido. Com isso. há uma guerra de sanção. Toda vez que é aplicada uma sanção e o
Estado é inocente, há violação ao Direito internacional. Por exemplo, no congelamento de haveres,
nos embargos, etc., e isso só é devido se o Estado pretensamente infrator de fato tiver violado o
Direito internacional.

b) Modo coletivo:

Existência de terceiros para avaliar a responsabilidade internacional. Nesse caso rompe-se o


iudex in causa sua. Quais são os principais modos coletivos? Há diversas formas de intervenção de
terceiros para determinar a responsabilidade internacional. Pode ser por meio de mediação,
conciliação e pode ser pelos chamados métodos jurídicos, tais como a arbitragem.
b.1) Mediação: Os terceiros não fornecem uma solução, eles simplesmente tentam aproximar,
mostrar que os pontos não são tão divergentes. Esse é um meio político.
b.2) Conciliação: Aqui os terceiros apresentam uma solução que não é vinculante. O
conciliador apresenta uma solução, mas não a implementa. Esse também é um meio político.
b.3) Arbitragem e tribunais internacionais: Aqui, tem-se o típico caso de gramática dos
direitos. Não é considerado um meio político, mas apenas um modo jurídico.

#PERGUNTA: Qual a diferença entre arbitragem e tribunais penais internacionais? A arbitragem


existe desde o século XVIII no Direito internacional. Consiste na intervenção de terceiro, que é
escolhido com a confiança das partes para dirimir a controvérsia (que no caso é a determinação da
responsabilidade internacional). A decisão é VINCULANTE. Existem vários tipos de arbitragem, mas
podemos dizer que a arbitragem pode ser ad hoc (para o caso específico) ou arbitragem institucional.
A grande vantagem da arbitragem é que ela é barata e célere. A grande desvantagem é que ela NÃO
gera jurisprudência constante, não fornece segurança jurídica (formação de precedente), além de não
possuir força executiva.
O Mercosul vai acabar adaptando a arbitragem ad hoc. Gerou-se uma expectativa de que seria
superada rapidamente. Entretanto, veio o protocolo de Olivos, em 2004, e criou no máximo uma
segunda instância que é o Tribunal Permanente de Revisão. Então, o Mercosul é uma arbitragem
híbrida. O primeiro grau é “arbitragem”, mas tem ainda o “recurso de apelação para um tribunal
permanente de revisão”.

6. O ESTUDO DA PROTEÇÃO DIPLOMÁTICA:

Em princípio, não é possível que uma pessoa, natural ou jurídica, solicite qualquer indenização no
âmbito internacional, embora em geral possa acionar o próprio Judiciário do Estado que causou o
dano. Entretanto, nada impede que o ente estatal de origem da pessoa possa formular pedidos, a
outro Estado, de reparação em favor de seu nacional, configurando o instituto da proteção
diplomática, pelo qual o Estado decide acolher a reclamação apresentada por um nacional seu que
haja sofrido o dano, dirigindo contra o infrator o pedido de indenização. Ex.: desapropriação dos
bens do indivíduo, sob a forma de encampação ou de nacionalização.

#TENDÊNCIA: Indivíduo que sofre lesão: a quem recorrer? Prevalecia que o indivíduo que sofresse um
dano por violação de uma norma internacional poderia se valer, no máximo, dos instrumentos
jurídicos disponibilizados pelo Estado do qual fosse nacional, mormente pelo instituto da proteção
diplomática. Todavia, já se permite a postulação perante Organismos Internacionais, citando-se o
sistema de petições no âmbito da União Europeia e da OEA, com as devidas peculiaridades.

A proteção diplomática concretiza-se a partir do ENDOSSO, ato pelo qual o ente estatal do
qual o indivíduo ou entidade é nacional assume como sua reclamação de particular contra outro
Estado.

Há três condições para o requerimento de proteção diplomática:


 Nacionalidade do prejudicado (que deve perdurar durante toda a demanda);
 Esgotamento dos recursos internos (administrativos e judiciais);
 Conduta correta do autor da reclamação.
O indivíduo que tenha mais de uma nacionalidade pode requerer a proteção diplomática de
qualquer Estado de que seja nacional. Entretanto, o ente estatal não poderá oferecer proteção
diplomática para um polipátrida contra o Estado de que este também seja nacional (caso Canevaro).

A proteção diplomática só pode ser conferida se a nacionalidade do beneficiário for efetiva


(caso Nottebohm).

A nacionalidade do beneficiário deve ser contínua, devendo o vínculo com o Estado que
prefere a proteção existir desde a ocorrência do dano e durante toda a demanda.

#ATENÇÃO: A pessoa não pode mudar de nacionalidade após o fato que enseja a reclamação. A
demanda deve ser nacional desde sua origem.

A proteção diplomática não beneficia quem tiver contribuído para o ato ilícito, especialmente
pela violação de normas internacionais ou internas.

#IMPORTANTE: A CONCESSÃO DE PROTEÇÃO DIPLOMÁTICA NÃO É DIREITO DO NACIONAL, E SIM


ATO DISCRICIONÁRIO DO ESTADO. A proteção pode ser oferecida até mesmo independentemente de
pedido do interessado.

Uma vez concedido o endosso, o Estado assume a demanda como se fosse própria, podendo
exercer todos os poderes a isso inerentes, como o de conduzir o caso de acordo com seus interesses,
escolher os meios de solução da controvérsia, transigir ou até desistir.

O conteúdo da reparação pertence, em princípio, ao ente estatal, embora possa ser


repassado às pessoas protegidas, nos termos das normas cabíveis.

Dentro do instituto da proteção diplomática, desenvolveu-se a: “CLÁUSULA CALVO”, pela qual


os estrangeiros renunciavam à possibilidade de solicitar a proteção diplomática de seus Estados de
origem, aceitando os foros locais como os únicos competentes para apreciar as reclamações contra
atos estatais. A cláusula foi criticada, por significar renúncia a um direito que não pertence à pessoa, e
sim ao Estado, único ente capaz de conferir a proteção diplomática, inclusive independentemente de
pedido de interessado. Ao mesmo tempo, a concessão da proteção diplomática é ato discricionário do
Estado, fundamentada em seu direito interno.
Tecnicamente, as OIs não oferecem “proteção diplomática”, e sim “proteção funcional4”,
voltada a resguardar pessoas a seu serviço. A proteção funcional prefere à diplomática quando o
indivíduo está à serviço do OI e pode ser exercida contra o próprio Estado do qual o funcionário é
nacional, o que se deve à necessidade de assegurar a independência do agente e, em última instância,
da própria entidade.

#ATUALIZAÇÃOLEGISLATIVA:
#DIZERODIREITO:
#COMPLEMENTAÇÃO:
#ATUAÇÃOAGU:

A Lei 13.170/2015 (entra em vigor em 17/01/2016) passa a dispor sobre a ação de indisponibilidade
de bens, valores e direitos, das pessoas físicas ou jurídicas, submetidas a esse tipo de sanção por
Resolução do Conselho de Segurança da ONU.

NOÇÕES PRELIMINARES

Conselho de Segurança da ONU


O Conselho de Segurança da ONU (CSNU) é o órgão interno da ONU responsável por garantir a
manutenção da paz e da segurança internacional.
As decisões do CSNU são chamadas de “resoluções” e podem ser obrigatórias (vinculantes) ou
não-obrigatórias.
Caso o CSNU tenha editado uma decisão obrigatória, ela será vinculante para todos os Estados-
membros da ONU. Vale ressaltar que é possível até mesmo que o CSNU determine intervenção militar
em um Estado com o objetivo de garantir a execução de suas resoluções.
O Conselho de Segurança é composto por 15 membros, sendo 5 membros permanentes e 10
membros eleitos para mandato de 2 anos.
Os membros permanentes são os seguintes: EUA, China, Rússia, Reino Unido e França.

Brasil deve cumprir as Resoluções do CSNU


O Brasil é membro da ONU, tendo assinado e promulgado a Carta das Nações Unidas (Decreto
n.º 19.841/45).

4
A matéria está disciplinada no final do documento “sujeitos do DIP”.
Por essa razão, as resoluções do CSNU são obrigatórias para o Brasil, conforme previsto no
artigo 25 da Carta das Nações Unidas:
Artigo 25. Os Membros das Nações Unidas concordam em aceitar e executar as decisões do Conselho
de Segurança, de acordo com a presente Carta.

Incorporação e cumprimento das resoluções do CSNU


Importante esclarecer que a resolução do CSNU é um documento internacional que, para
produzir efeitos no Brasil, precisa ser previamente incorporado em nosso ordenamento jurídico. Antes
de sua incorporação, ela não tem como ser cumprida.
Agora veja que interessante: as resoluções do CSNU são incorporadas ao direito brasileiro por
meio de simples decreto presidencial, editado com base no art. 84, IV, da CF/88:
Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República:
IV - sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua
fiel execução;

Atente, portanto, para o fato de que, em regra, não é necessária nem mesmo a participação
do Congresso Nacional, bastando a edição do Decreto. Exceção: para a participação do Brasil em
operações de paz, enviando tropas, é necessária a aprovação do Congresso Nacional, por força da Lei
n.º 2.953/56. Neste caso, o Congresso precisará editar um decreto-legislativo autorizando.
Ressalte-se que alguns doutrinadores criticam essa não-participação do Congresso Nacional na
incorporação ao direito brasileiro das Resoluções do CSNU sob o argumento de que haveria violação
ao art. 49, I, da CF/88. No entanto, apesar do registro desta crítica, o certo é que, na prática, as
resoluções são incorporadas por Decreto presidencial, sem prévia participação do Parlamento.

Veja um exemplo recente:

DECRETO Nº 8.520, DE 28 DE SETEMBRO DE 2015

Dispõe sobre a execução, no território nacional, da Resolução 2174 (2014), de 27 de agosto de 2014,
do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que altera o embargo de armas aplicável à Líbia e
autoriza a imposição de sanções a indivíduos e a entidades.

O VICE-PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no exercício do cargo de Presidente da República, no uso da


atribuição que lhe confere o art. 84, caput, inciso IV, da Constituição, e tendo em vista o disposto no
art. 25 da Carta das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto nº 19.841, de 22 de outubro de 1945, e
Considerando a adoção pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas da Resolução 2174 (2014), de
27 de agosto de 2014, que altera o embargo de armas aplicável à Líbia e autoriza a imposição de
sanções a indivíduos e a entidades;

DECRETA:

Art. 1º A Resolução 2174 (2014), adotada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas em 27 de
agosto de 2014, anexa a este Decreto, será executada e cumprida integralmente em seus termos.

Art. 2º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 28 de setembro de 2015; 194º da Independência e 127º da República.

Sanções impostas pelo CSNU


O Conselho de Segurança da ONU pode impor sanções a países, bem como a pessoas físicas ou
jurídicas. Essas sanções são aplicadas por meio de resoluções.
Dentre as sanções existentes, o CSNU pode determinar a indisponibilidade de bens, valores e
direitos que pertençam à pessoa física ou jurídica punida.
Normalmente, o CSNU aplica tais sanções a pessoas que tiveram participação comprovada no
financiamento ou na prática de ações terroristas.

Cumprimento da sanção de indisponibilidade: processo judicial


Temos um problema no momento de fazer cumprir no Brasil a Resolução do CSNU que aplica
como sanção a indisponibilidade de bens, valores e direitos. Isso porque, em primeiro lugar, é
necessário, como vimos acima, editar um Decreto Presidencial determinando a execução e
cumprimento da medida no Brasil.
No entanto, mesmo após esse Decreto, a indisponibilidade dos bens não é imediata,
automática, uma vez que a CF/88 determina que ninguém pode ser privado de seus bens sem o devido
processo legal (art. 5º, LIV). Logo, um simples Decreto não tem o condão de gerar a indisponibilidade
dos bens de qualquer pessoa, sendo necessário processo judicial.

Ação de indisponibilidade de bens, valores e direitos


Antes da Lei n.º 13.170/2015, não havia um procedimento disciplinando o processo judicial
para decretação de indisponibilidade dos bens em cumprimento de resolução do CSNU. Diante disso, a
União tinha que ingressar com uma ação ordinária pedindo a indisponibilidade, sendo que esse
procedimento era demorado, custoso e não havia previsão de um regramento próprio.
A Lei n.º 13.170/2015 veio alterar esse cenário e criou, em nosso ordenamento jurídico, uma
ação de indisponibilidade a fim de dar cumprimento mais célere e simplificado às resoluções do CSNU
que imponham tal sanção. Veja o que diz o art. 1º:
Art. 1º Esta Lei dispõe sobre a ação de indisponibilidade de bens, valores e direitos de posse ou
propriedade e de todos os demais direitos, reais ou pessoais, de titularidade, direta ou indireta, das
pessoas físicas ou jurídicas submetidas a esse tipo de sanção por resoluções do Conselho de Segurança
das Nações Unidas - CSNU.

ANÁLISE DOS PRINCIPAIS ASPECTOS DA LEI

Resolução de indisponibilidade deve ter sido incorporada


Para que a ação de indisponibilidade seja proposta, é indispensável que tenha havido prévia
incorporação da Resolução no ordenamento jurídico nacional. Nesse sentido:
Art. 1º (...)
§ 1º A ação de que trata esta Lei decorre do ato que incorporar ao ordenamento jurídico nacional a
resolução do CSNU.

Comunicação à AGU
Depois de a resolução do CSNU ser incorporada ao ordenamento jurídico, o Ministério da
Justiça comunicará essa situação à Advocacia-Geral da União, que proporá, no prazo de 24 horas, a
ação de indisponibilidade de bens, valores e direitos (art. 4º).
A ação tramitará sob segredo de justiça.

Recebimento da Inicial e concessão de tutela provisória


Recebida a petição inicial, o juiz decidirá a tutela provisória no prazo de 24 horas (art. 5º).
Repare que a Lei nº 13.170/2015 corretamente emprega a expressão "tutela provisória",
considerando que esta é a nomenclatura adotada pelo novo CPC (art. 294 do CPC 2015).
O juiz providenciará a imediata intimação da União sobre a decisão tomada.

Administrador dos bens, valores e direitos bloqueados


Deferida a tutela provisória e executada a medida, o juiz designará uma pessoa para a
administração, guarda ou custódia dos bens, valores e direitos bloqueados, quando isso se revelar
necessário (art. 7º).
O juiz providenciará a imediata intimação da União sobre a decisão tomada.
Aplicam-se à pessoa designada, no que couber, as disposições legais relativas ao administrador
judicial.
Tratando-se de ativos financeiros, a sua administração caberá às instituições em que se
encontrem, incidindo o bloqueio também dos juros e quaisquer outros frutos civis e rendimentos
decorrentes do contrato.

Intimação do interessado
Depois de conceder a tutela provisória e executar a medida de indisponibilidade, o juiz
determinará a intimação do interessado para, em 10 dias, apresentar razões de fato e de direito que
possam levar ao convencimento de que o bloqueio foi efetivado irregularmente (art. 5º).
Efetivado o bloqueio, as instituições e pessoas físicas responsáveis deverão comunicar o fato,
de imediato:
• ao órgão ou entidade fiscalizador ou regulador da sua atividade (ex: a instituição financeira comunica
ao BACEN);
• ao juiz que determinou a medida;
• à Advocacia-Geral da União; e
• ao Ministério da Justiça.

Se a pessoa punida havia praticado atos de disposição de seu patrimônio, isso pode ser anulado
A declaração de indisponibilidade de bens, valores e direitos implicará a nulidade de quaisquer
atos de disposição, ressalvados os direitos de terceiro de boa-fé (§ 2º do art. 1º).
Assim, se a pessoa que foi punida pelo CSNU houver praticado atos de disposição de seu
patrimônio, tais negócios jurídicos serão anulados por decisão judicial, salvo se ficar demonstrado que
os adquirentes são terceiros de boa-fé.

Alienação antecipada
Deverá ser realizada a alienação antecipada dos bens que estiverem sujeitos a qualquer grau
de deterioração ou depreciação ou quando houver dificuldade para sua manutenção (art. 6º). Isso com
o objetivo de preservar o seu valor.
Antes da alienação, será feita uma avaliação dos bens e o interessado será intimado da
avaliação para, querendo, manifestar-se no prazo de 10 dias.
Será determinada a alienação dos bens em leilão ou pregão, preferencialmente eletrônico, por
valor não inferior a 75% do valor atribuído pela avaliação.
Realizado o leilão ou pregão, a quantia apurada será depositada em conta bancária
remunerada.
Serão deduzidos da quantia apurada no leilão ou pregão os tributos e multas incidentes sobre
o bem alienado.

Possibilidade de liberação parcial dos valores


Os recursos declarados indisponíveis poderão ser parcialmente liberados para o pagamento de
despesas pessoais necessárias à subsistência do interessado e de sua família, para a garantia dos
direitos individuais assegurados pela CF/88 ou para o cumprimento de disposições previstas em
resoluções do CSNU (§ 3º do art. 1º).

Ministério das Relações Exteriores comunicará ao CSNU as providências adotadas


O Ministério da Justiça comunicará ao Ministério das Relações Exteriores as providências
adotadas no território nacional para cumprimento das sanções impostas pela resolução. De posse
dessas informações, o Ministério das Relações Exteriores as repassará ao CSNU para que este fique
ciente das medidas empregadas (art. 3º).

Perdimento definitivo
Quando ocorrer o trânsito em julgado da sentença condenatória, será decretado o perdimento
definitivo dos bens, valores e direitos (art. 8º).
Essa decisão pode ocorrer em processo judicial nacional ou estrangeiro.
O juiz providenciará a imediata intimação da União sobre a decisão tomada.
A decisão transitada em julgado em processo estrangeiro que decretar o perdimento definitivo
de bens ficará sujeita à homologação pelo STJ (art. 105, I, "i", da CF/88).

Expiração ou revogação da sanção


Apesar de não ser comum na prática, pode ocorrer de, durante a tramitação da ação, haver
uma alteração na decisão do CSNU ou já ter expirado o seu prazo.
Pensando nisso, a Lei determina que, em caso de expiração ou revogação da sanção pelo
CSNU, a União solicitará imediatamente ao juiz o levantamento dos bens, valores ou direitos (art. 9º).
Considera-se também como revogação da sanção a comunicação oficial emitida pelo
Ministério das Relações Exteriores de que o nome de pessoa física ou jurídica foi excluído das
resoluções do CSNU.
O juiz providenciará a imediata intimação da União sobre a decisão tomada.

Aplicação subsidiária do CPC


A ação de indisponibilidade é uma ação cível, de forma que o CPC deverá ser aplicado
subsidiariamente quando não houver norma específica na Lei nº 13.170/2015.

Lei 13.170/2015 poderá servir também para demandas de cooperação jurídica internacional
As disposições da Lei nº 13.170/2015 poderão ser usadas também para atender a demandas
de cooperação jurídica internacional, advindas de outras jurisdições, em conformidade com a
legislação nacional vigente (§ 4º do art. 1º).

Intimação da União sobre sentenças condenatórias de terrorismo


A Lei nº 13.170/2015 determinou que o juiz deverá providenciar a imediata intimação da
União quando proferir sentenças condenatórias relacionadas à prática de atos terroristas.

O que é terrorismo?
O Min. Celso de Mello, de forma precisa, constata que até hoje, “a comunidade internacional
foi incapaz de chegar a uma conclusão acerca da definição jurídica do crime de terrorismo, sendo
relevante observar que, até o presente momento, já foram elaborados, no âmbito da Organização das
Nações Unidas, pelo menos, 13 (treze) instrumentos internacionais sobre a matéria, sem que se
chegasse, contudo, a um consenso universal sobre quais elementos essenciais deveriam compor a
definição típica do crime de terrorismo ou, então, sobre quais requisitos deveriam considerar-se
necessários à configuração dogmática da prática delituosa de atos terroristas” (STF PPE 730/DF,
julgado em 16/12/2014).
Em outras palavras, trata-se ainda de um tema polêmico.
Apesar disso, podemos citar uma definição feita por René Ariel Dotti e que é bastante
difundida no âmbito doutrinário:
“O terrorismo pode ser definido como a prática do terror como ação política, procurando alcançar,
pelo uso da violência, objetivos que poderiam ou não ser estabelecidos em função do exercício legal
da vontade política. Suas características mais destacadas são: a indeterminação do número de vítimas;
a generalização da violência contra pessoas e coisas; a liquidação, desativação ou retração da vontade
de combater o inimigo predeterminado; a paralisação contra a vontade de reação da população; e o
sentimento de insegurança transmitido principalmente pelos meios de comunicação” (Terrorismo e
devido processo legal. RCEJ, ano VI, Brasília, set. 2002, p. 27-30 apud LIMA, Renato Brasileiro
de. Legislação Criminal Especial Comentada. Niterói: Impetus, 2013, p. 58).
O terrorismo é tipificado como crime no Brasil?
Para a maioria da doutrina, a legislação brasileira ainda não definiu o crime de terrorismo.
“O elemento normativo atos de terrorismo constante do art. 20 da Lei nº 7.170/83 é tão vago e
elástico que não permite ao julgador, por ausência de uma adequada descrição do conteúdo fático
desse ato, enquadrar qualquer modalidade da conduta humana. Logo, o crime do art. 20 da Lei nº
7.170/83 não pode ser tratado como terrorismo, sob pena de evidente violação ao princípio da
taxatividade (nullum crimen nulla poena sine lege certa).” (LIMA, Renato Brasileiro de., p. 59).
É a corrente sustentada por Alberto Silva Franco, José Cretella Neto, Damásio de Jesus,
Gilberto Pereira de Oliveira.
Desse modo, para a maioria da doutrina, o terrorismo não é tipificado pela legislação
brasileira, não sendo válido o art. 20 da Lei nº 7.170/83 para criminalizar essa conduta.

#ATENÇÃO: Deve ser cuidado com essa temática, já que, em 16 de março de 2016, sobreveio a Lei
13.260/2016, que regulamenta o disposto no inciso XLIII do art. 5o da Constituição Federal,
disciplinando o terrorismo, tratando de disposições investigatórias e processuais e reformulando o
conceito de organização terrorista; e altera as Leis nos 7.960, de 21 de dezembro de 1989, e 12.850, de
2 de agosto de 2013. Assim, deve-se aguardar a nova posição do STF a respeito do assunto, já que, em
tese, com o advento da Lei estaria superada tal celeuma.

7. DISPOSITIVOS PARA O CICLO DE LEGISLAÇÃO

DIPLOMA DISPOSITIVOS
Decreto 7.030/2009 (Convenção de Viena Art. 27
sobre o Direito dos Tratados)
Decreto 19.841/1945 (Carta da ONU) Art. 51
Lei 13.170/2015 Integralmente

8. BIBLIOGRAFIA INDICADA

Foca no Resumo

Paulo Henrique Gonçalves Portela


Resumo do TRF5

Resumos do Ponto a Ponto Concursos (Danilo Guedes)

Material Especial do Ciclosr3 para a turma da 1ª Fase da DPU

Informativos do Dizer o Direito.

Anotações Pessoais.