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1BHJOB FN #SBODP

Capz'tulo 14

Circuitos de Proteção e Dispositivos de Controle

A eletricidade, quando devidamente controlada, é de vital importância para a ope·


raça-o dos equipamentos elétricos e eletrônicos. Quando indevidamente controlada, entre-
tanto, ela pode se tomar perigosa e destrutiva. Ela pode danificar componentes, ou uni-
dades completas, ferir pessoas ou mesmo causar mortes. :e de grande importância, por-
tanto, que sejam tomadas todas as necessárias precauçríes para proteger os circuitos, as
unidades e manter essa força sob correto e constante controle. Nesse capítulo serão dis-
cutidos alguns dispositivos que foram projetados com o propósito de proteger e controlar
os circuitos elétricos.

DISPOSITIVOS DE PROTEÇÃO

Quando uma unidade elétrica é fabricada, são tomados cuidados especiais no sen·
tido de assegurar que cada circuito elétrico fique completamente isolado de todos os
outros, de maneira que a corrente no circuito percorra apenas o caminho previsto. Uma
vez colocada a unidade em serviço, entretanto, muitas coisas podem acontecer capazes
de alterar o circuito original. Algumas dessas alteraçríes podem causar problemas sérios
se n:ro forem detetadas e corrigidas a tempo.
O problema mais sério que se pode encontrar em um circuito é a ocorrência de
um curto-circuito. O termo se refere a uma situação na qual algum ponto do circuito,
quando a tensão está presente, entra em contato direto com a terra ou com o lado de
retomo para a corrente do circuito. Isso estabelece um percurso para o fluxo da cor·
rente sem resistência a n:ro ser a específica dos condutores que é mínima.
Conforme estabelecido pela Lei de Ohm, se a resistência em um circuito for extre·
mamente pequena, a corrente será extremamente grande. Quando ocorre um curto-cir·
cuito, flui, através dos condutores, urna corrente excessiva. Suponha, por exemplo, que
dois condutores de uma bateria em um carro entrem em contato direto. Além de o motor
parar por falta de energia, em virtude da alta corrente de descarga, a bateria se descar·
regará rapidamente. A descarga rápida superaquece os elementos da bateria empenando-os e
destruindo-os. Há, inclusive, o perigo de incêndio.
Os cabos das baterias s:ro de grande diâmetro e conduzem grandes quantidades
de corrente com boa dissipaç:ro de cafor. Entretanto, a maioria dos fios empregados
nos circuitos elétricos s:ro consideravelmente mais finos e as suas capacidades de con-
duzir corrente são limitadas. O diâmetro dos fios usados em um determinado circuito é
determinado pela quantidade de corrente que os fios devem conduzir sob condições
normais de operaç:ro. Qualquer excesso de corrente, tal como o produzido por um curto
direto, causa uma rápida geração de calor. Se nã"o houver correção no sentido de impedir

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a corrente excessiva, o aquecimento no fio continua aumentando até que ocorra uma
avaria. Possivelmente urna porção do fio se fundirá e o circuito abrirá de maneira que a
avaria ficará limitada ao superaquecimento dos fios. Existe, entretanto, a possibilidade
de ocorrer avarias mais sérias. O aquecimento dos fios pode queimar o seu isolamento
e o dos demais fios nas proximidades, produzindo outros curto-circuitos em cadeia.
Se houver material combustível nas proximidades, pode ter início um incêndio de graves
conseqüências.
Para proteger os sistemas elétricos de avarias causadas pela corrente excessiva, são
usados, instalados nos sistemas, diversos tipos de dispositivos protetores, tais como fusí-
veis, disjuntores e protetores térmicos.

Descrição e fmalidade
Os dispositivos de proteção dos circuitos, como o próprio nome esclarece, têm
todos um propósito comum; proteger as unidades e os fios do circuito. Alguns são espe-
cíficos para proteger a fiação. Estes abrem o circuito de maneira a cessar o fluxo de
corrente quando o valor atinge um ponto que coloca em risco a segurança. Outros há
que protegem a unidade interrompendo o fluxo de corrente quando a unidade fica
excessivamente quente.

Fusí\'eis
O dispositivo de proteção mais simples é o fusível. Todos os fusíveis são classifi-
cados segundo a quantidade de corrente, que pode passar em segurança pelo elemento.
Comumente, a indicação de corrente é feita em ampêres, mas alguns indicam a corrente
em rniliamperes. Quando um fusível abre , ele deve ser substituído por outro de igual
capacidade de tensão e corrente, inclusive com a mesma característica tempo-corrente.
A característica mais importante de um fusível é a de tempo-corrente ou sua capaci-
dade de retardo. Grosso modo, pode-se considerar três faixas de tempo a sobrecarga.
RÁPIDA, de cinco microssegundos até meio segundo; MÉDIA, de meio a cinco segundos;
e RETARDADA, de cinco a vinte e cinco segundos.
Normalmente, quando o circuito entra em sobrecarga ou ocorre uma avaria, o
elemento fusível se derrete e abre o circuito sob sua proteção. Entretanto, nem todo
fusível aberto é resultado de uma sobrecarga de corrente ou avaria no circuito. A anor-
mal produção de calor, o envelhecimento do elemento fusível, mau contato produzido
por conexão frouxa, oxidação ou formação corrosiva dentro do cartucho do fusível,
e as condições de aquecimento na atmosfera ambiente, alteram as condições de aqueci-
mento e o tempo requerido para o elemento fusível fundir.

Fusí\'eis de ação retardada


Alguns equipamentos, tais como os motores-elétricos, requerem maior quantidade
de corrente durante a partida do que para o seu funcionamento normal. Assim, um fusível
com características de tempo RÁPIDO ou M DIO, que pode oferecer proteçlfo com o
motor acelerado, abre durante o período de partida quando o motor solicita maior cor-
rente de partida. Nessas situações, são usados fusíveis de ação retardada.
Um tipo de fusível com ação retardada é dotado com um elemento aquecedor em
paralelo com o elemento fusível que introduz o retardo. Durante a operação normal,
o aquecimento desenvolvido no fusível pela corrente nlfo é suficiente para derretê-lo.
A abertura do fusível depende da transferência de calor do elemento aquecedor para
o elemento fusível. Dessa forma, é necessário um maior tempo para derreter o fusível.

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Em virtude de os elementos aquecedor e fusível estarem em paralelo, a abertura
do elemento fusível faz com que a corrente total do circuito flua através do aquecedor.
A alta corrente faz com que o aquecedor queime, abrindo o circuito.
Um outro tipo de fusível com ação retardada tem o elemento fusível e aquecedor
ligado em série. As correntes com valor acima do valor normal que ocorram por um
pequeno período de tempo nâ'o afetam os elementos. Entretanto, uma sobrecarga pro-
longada faz com que a seçâ'o aquecedora aqueça o suficiente para derreter a junção
entre os elementos.Essa ação abre o circuito.
Os fusíveis de ação retardada sã'o comumente denominados fusíveis com retardo
de tempo e adotam os nomes de fabricaçã'o, "Sio Blo", "Fusestat" e "Fusetron".

Fusíveis tipo rosca


Os fusíveis tipo rosca sã'o fabricados de maneira a poderem ser rosqueados em um
soquete no painel de controle no centro de distribuição. O elemento fica alojado em
uma peça de louça ou vidro. O elemento fusível fica visível através de uma janela circular
de mica ou vidro. Assim, um elemento aberto pode ser localizado por simples inspeção
visual. Uma vez aberto, o fusível é jogado fora e substituído por um novo. O fusível tipo
rosca é usado para proteção de ci rcuitos de baixa tensão e baixa corrente. As faixas
de operação vâ'o de 0,5 a 30 ampêres e até 150 volts.

Fusíveis de cartucho
Quanto a funcionamento, o fusível de cartucho é exatamente igual ao fusível tipo
rosca. Em construçâ'o, o elo fusível está contido num tubo de material isolante com cas-
quílhos metálicos em cada extremidade (para contato com o soquete do fusível). As
dimensões dos fusíveis de cartucho variam com as tax.as de corrente e tensão.

Indicadores de fusível aberto


Nem sempre é possível localizar um fusível aberto por simples inspeção visual.
Os fusíveis sâ'o freqüentemente equipados com um dispositivo que fornece uma indica-
ção visual de maneira que a condição de fusível aberto pode ser rapidamente detectada
(figura 14-1). Esses dispositivos consistem dos indicadores de fusível aberto dos tipos
mola e lâmpada néon.
No indicador tipo mola (figura 14-1), quando o fusível abre, ele liberta uma mola
que é mantida sob tensão. Essa ação de mola liberada permite uma localização visual do
fusível aberto.

INDICADOR COM MOLA

INDICADOR NEON

Fig.14 1. - Indicadores de fusível aberto.

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O indicador tipo néon é projetado para ser montado no fusível. Quando o fusível
abre, urna lâmpada néon acende indicando que o circuito está aberto.
Quando nã'o há indicador das condições do fusível é necessário testar. a continui-
dade do mesmo com um ohmímetro, megger ou voltímetro. Os vários processos de
teste serã'o descritos posteriormente neste capítulo.
A maioria dos painéis de fusíveis e quadro de chaves é do tipo painel fechado.
O termo "frente morta" significa que todos os fusíveis e barras de coneo ficam prote-
gidos em um compartimento quando é fechada a tampa. O uso de painéis fechados reduz a
possibilidade do equipamento avariar e pôr em risco a vida do pessoal operador. Os qua-
dros de chaves modernos sã'o do tipo "frente morta". Entretanto, o completo fechamento
do equipamento dificulta o acesso para fins de teste. Por isso, a maioria dos quadros de
chaves é dotado com indicadores das condições dos fusíveis. O suporte do fusível consiste
de uma base fenólica moldada, um plugue e uma cobertura com uma lâmpada indicadora
interna. A lâmpada é comumente do tipo néon e normalmente é ligada em paralelo com o
fusível. Quando o fusível abre , a derivaçã'o é removida e aumenta a tensão aplicada na
lâmpada. A lâmpada acende, indicando que o fusível abriu.

Localização de avaria em fusí is


Um sistema elé trico pode consistir de um número relativamente reduzido de cir-
cuitos elétricos ou, nos sistemas maiores, a instalação pode ser tli'o complexa como as
encontradas nas grandes cidades. Independentemente do tamanho da instalação, um siste-
ma elétrico consiste de urna fonte geradora de potência (geradores ou baterias), e um
meio de entrega de potência às diversas cargas (iluminação, motores e outros equipa-
mentos elétricos).
A partir da fonte principal de energia, a carga elétrica total é dividida em diferentes
circuitos de alimen taçli'o e cada circuito é dividido em outros tantos. Cada ramo fmal
do circuito é protegido por um fusível de maneira a permitir um consumo de corrente
correspondente ao ramo. Os circuitos alimentadores são protegidos por fusíveis que per-
mitem a passagem de corrente para os diversos ramos. Essa prática reduz a possibilidade
de uma avaria em um determinado circuito implicar no corte de energia para todo o
sistema. As caixas de distribuiçã'o das linhas alimentadoras e as caixas de distribuição
dos ramais scro dotadas com os necessários fusíveis para a proteção dos diversos circuitos.
A figura 14-2 mostra um diagrama esquemático da fiação e conex!o de um sistema
de iluminaçã'o. Uma instalaçfo pode ter diversos circuitos alimentadores, cada um for-
necendo energia para seis ou mais circuitos ramais através das caixas de distribuição.
Os fusíveis F1 , F2 e F3 (figura 14-2) protegem a linha de alimentação principal
dos grandes surtos de corrente tais como os produzidos por curtos-circuitos ou sobre-
.carga no cabo de alimentaçfo. Os fusíveis A-AI e B-BI protegem o ramal n<? 1. Se ocorrer
algum problema e houver necessidade de reparar o ramal n<? I, a chave S1 pode serdes-
ligada para isolar o ramal. Os ramais n<?s 2 e 3 sã'o protegidos e isolados da mesma ma-
neira pelos seus respectivos fusíveis e chaves.

Testes nos circuitos dos ramais


Comumente, as tornadas para ligação de equipamentos e ventiladores ficam em
circuitos ramais separados dos ramais de iluminação. Os procedimentos para testes são
os mesmos para qualquer ramo do circuito. Assim, será feita apenas uma descrição para
(I) localização de circuitos defeituosos, e (2) acompanhamento no circuito para deter-
minar a causa.

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Suponha que, por alguma razão, diversas lâmpadas não estão acendendo em uma
determinada seção. Como são várias as lâmpadas não acesas é razoável admitir que foi
interrompido o fornecimento de tensão para aquele ramo do circuito. Para verificar
essa suposição, localize inicialmente a caixa de distribuição do circuito que se encontra
inoperante. Verifique em seguida se o circuito está sendo alimentado com a devida tensão.
A menos que os circuitos sejam identificados na caixa de distribuio, será necessário
medir todas as tensões dos diversos circuitos. Para o procedimento indicado a seguir,
utilize o circuito mostrado na figura 14-2.
ligue o medidor de tensão no lado de entrada de cada par de fusíveis do circuito
na caixa de distribuição. A falta de tensão entre os terminais indica a existência de um

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CAIXA DE DISTRIBUIÇÃO PARA OS RAMAIS
Fig.14-2.- Diagrama de distribuição trifásica.
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fusível aberto ou falta total de tensão para alimentar a caixa de distribuição. Para localizar
o fusível defeituoso, certifique-se de que a chave S1 está fechada e ligue o voltímetro
através dos temúnais dos fusíveis A-Al inicialmente, e em seguida aos terminais do
fusível B-Bl (figura 14-2). Um valor igual à tensão total da fase será indicado pelo me-
didor se o fusível estiver aberto, desde que haja continuidade no circuito. Se houver um
outro ponto aberto no circuito, interrompendo a continuidade, o teste não será con-
clusivo pois o voltímetro indicará tensão zero mesmo que o fusível esteja aberto. Se o
lado da carga de um par de fusíveis não tiver a tensão total da fase, ligue o voltímetro no
lado de alimentação. Se os fusíveis estiverem abertos, o medidor indicará tensão do lado
de alimentação e ausência de tensão no lado da carga. Se mesmo no lado de alimentação
faltar tensão, o problema está no circuito de alimentação da caixa de distribuição.
Suponha que você está testando os terminais A e B (figura 14-2), ou seja, o lado
de alimentação do ramal 1, e observe tensão normal nesse ponto. Mantendo uma das
ponteiras em B, desloque a outra ponteira da posição A para a posição Al. A presença
de uma tensão normal indica que o fusível A-AI está bom. Para testar o fusível B-Bl ,
coloque novamente as ponteiras em A e B. Desloque agora a ponteira B para Bl man-
tendo a outra ponteira em A. A ausência de tensão no ponto Bl indicará que o fusível
B-81 está aberto. A presença de tensão total indicará que esse fusível também está bom.
Esse último processo de trocar de posição das ponteiras do lado de alimentação para o
lado da carga é preferível ao processo de medir a tensão em paralelo com o fusível, já que
esse processo, como afirmado, depende de haver continuidade ao longo do circuito da
carga.

Interruptores de circuito {disjuntores)


Um interruptor de circuito é projetado para interromper o circuito e fazer cessar
o fluxo de corrente quando o valor da corrente exceder um valor predeterminado. O in·
terruptor de circuito ou disjuntor é comumente usado em substituição do fusível e pode
algumas vezes eliminar a necessidade de instalação de uma chave. Um disjuntor difere
do fusível porque interrompe o circuito e pode ser rearmado, restabelecendo a conti-
nuidade, ao passo que um fusível derrete e deve ser substituído.
Há diversos tipos de disjuntores. Um deles é o tipo magnético. Quando flui cor-
rente excessiva no circuito, o forte campo magnético criado aciona uma pequena arma-
dura e esta aciona o interruptor principal interrompendo o circuito. Um outro tipo é
o de sobrecarga térmica. Este tipo consiste de uma lâmina bimetálica que, quando super·
aquecida por excesso de corrente, dobra e se afasta do alojamento, permitindo que a
chave se abra.
Alguns disjuntores devem ser rearmados manualmente, mas há outros que se rear-
marn automaticamente. Quando o interruptor é armado, se persistir a condição de sobre-
carga, o dispositivo novamente atua no sentido de abrir o circuito para evitar a avaria.
Um tipo comum de disjuntor, presentemente em uso, é mostrado na figura 14-3.
O interruptor é projetado para ser instalado com ligações pela frente ou por trás e pode ser
substituído pela frente sem necessidade de se remover a tampa de cobertura. As carac-
terísticas de operação são: 500 volts CA, 60 hertz, ou 250 volts CC com uma capaci-
dade máxima de corrente igual a 250 amperes. Podem ser encontradas no mercado uni·
dades com limites de corrente iguais a 125, 150, 175,225 e 250 amperes.
As unidades disjuntoras alojam o mecanismo elétrico de interrupção, o elemento
térmico para acionar o circuito interruptor nas condições de sobrecarga, e um in rrup-
tor instantâneo para desligar instantaneamente o circuito para atender às condições de
curto-circuito. O dispositivo de interrupção automática de disjuntor independe da posi·

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ção da alavanca de ligaçã'o. Isso quer dizer que o disjuntor nã'o pode ser mantido na
condiçã'o de ligado se nouver urna condição impeditiva. Quando o interruptor é acionado
devido à sobrecarga ou curto-circuito, a alavanca repousa na posição central. Para rearmar,
a alavanca deve ser levada para a posição extrema de OFF e em seguida levada para a
posiçã'o ON. Essa operação rearrna o dispositivo automático. A unidade é dotada com
travas de metal que podem ser afixadas na alavanca para impedir a operaçã'o acidental.

1. Alavanca de operação. 4. Parafusos da tampa.


2. Capacidade em ampêres. 5. Placa de identificação.
3. Parafusos de montagem.

Fig.14-3. - Interruptor de circuito, vista


frontal.

Protetores térmicos
Um protetor térmico ou chave térmica é um dispositivo usado para proteção dos
motores. O protetor é projetado para interromper automaticamente o fluxo de corrente
quando a temperatura do motor fica excessivamente alta. O dispositivo tem duas posi-
ções: aberto e fechado. O emprego mais comum da chave térmica é no sentido de evitar
superaquecimento no motor. Se qualquer anormalidade no funcionamento do motor
produzir superaquecimento, a chave térmica abre o circuito intermitantemente. Se o pro-
blema for de um travamento no rotor, a operação intermitente de abrir e fechar ó êir-
cuito pode libertar o rotor e fazer com que o motor volte para a condição de operação
nonnal.
A chave térmica é dotada com um disco ou lâmina bimetálica que se dobra e inter·
rompe o circuito quando aquece. Isso ocorre porque um dos metais se expande mais

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h que o outro quando submetido a aquecimento na mesma temperatura. Quar{'do a
1âmina ou disco esfria, os metais se contraem e a lâmina retoma para a sua posição ori-
ginal fechando o circuito.

Dispositivo de sobrecarga
Uma sobrecarga prolongada em um sistema elétrico pode avariar irremediavel-
mente o circuito em virtude do aquecimento e produção de chamas. Assim, é impor-
tante usar um dispositivo que detecte uma sobrecarga antes que ocorra a avaria e avise
o operador da condição perigosa ou automaticamente desligue a alimentação. Foram
projetados relés capazes de exercer essas funções protetoras. Alguns desses relés comu-
mente usados como dispositivos de sobrecarga serlfo discutidos com maiores detalhes
posteriormente nesta coletânea.

DISPOSITIVOS DE CONTROLE

Denomina-se dispositivo de controle os acessórios elétricos que controlam (de uma


maneira predeterminada) a potência fornecida para qualquer carga elétrica.
Na sua forma mais simples, o controle aplica a tensãó ou a remove de uma carga.
Nos sistemas de controle mais complexos, a chave inicial pode colocar em ação outro
dispositivo de controle que comanda a velocidade de motores, servomecanismos, tempera-
tura e numerosos outros equipamentos. Na realidade, todos os sistemas elétricos e equi-
pamentos s[o controlados de uma maneira ou de outra por um ou mais desses controles.
Um controlador é um dispositivo ou grupo de dispositivos que servem para comandar,
de uma maneira predeterminada, o dispositivo ao qual o controlador está ligado.
Nos grandes sistemas elétricos, é necessário ter uma enorme variedade de controles
para operar o equipamento. Esses controles variam desde a simples chave de calcar até
os contatos especiais para altas cargas projetadas para controlar a operaçlfo dos grandes
motores. A chave de calcar é operada manualmente ao passo que os grandes contatos
são operados eletricamente.

Oiaves
Uma chave pode ser descrita como sendo um dispositivo usado no circuito elétrico
para ligar, interromper ou trocar conexões sob condições para as quais a chave foi proje-
tada. As chaves são classificadas em função da sua capacidade em arnpêres e volts. A clas-
sificação refere-se aos valores máximos de tensão e corrente que a chave pode suportar.
Em virtude de as chaves serem ligadas em série com o circuito, toda a corrente passa
através da mesma. Quando o circuito é interrompido, toda a tensão aplicada aparece
nos contatos da chave. Os contatos devem abrir e fechar rapidamente para minimizar
a presença de arco. As chaves normalmente são de ação instantânea.
Existem diversos tipos e classificações para as chaves. Uma classificação comum
se refere ao número de pólos, movimentos e posições da chave. O número de pólos
indica o número de terminais nos quais a corrente pode fluir ao entrar na chave. O movi-
mento da chave se refere ao número de circuitos que cada lâmina ou contato pode com-
pletar através da chave. O número de posições indica as posições na qual o dispositivo
fica em repouso. A figura 144 apresenta um diagrama esquemático de algumas chaves
mais usadas.
Um exemplo de classificaçlfo em função da posição é o da chave comum que tem

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duas posições de repouso. Uma posição é a de circuito aberto e outra posição é a de cir·
cuito fechado. Essa chave é denominada chave de duas posições. Uma chave que na posi·
ção de desligada é mantida por uma mola e para passar à posição de ligada deve ser cal·
cada é denominada chave de duas posições com contato momentâneo. Se a chave repousa
em três posições ela é denominada chave de três posições.
Uma outra maneira de classificar as chaves é segundo o método de acionamento,
isto é , de alavanca, de calcar, de sensibilidade, rotativa, etc. Uma complementação pode
ser feita pela descrição da ação da chave tal como liga-desliga, liga-momentâneo·desliga,
etc. As chaves do contato momentâneo mantêm o circuito fechado ou aberto durante
o tempo que o operador mantém a chave calcada.

MONOPOLAR
/_

UMA POSIÇÃO
(-
MONOPOLAR
DUAS POSIÇÕES
(SPST) (SPDT)

BIPOLAR BIPOLAR DUAS


U MA POSIÇÃO POSIÇÕES
lDPST) (DPDT)

Fig.144. -Diagrama esquemático de chaves simples. Fig.14·5. - Chave de alavan ca.

Chaves operadas manualmente


Um dos tipos mais comuns de chave é o tipo alavanca. As chaves de alavanca têm
as suas partes móveis localizadas no seu interior. Uma chave de pólo duplo, dois movi·
mentos e três posições, é mostrada na figura 14-5.
A chave mostrada é usada quando se deseja aplicar tensão a vários circuitos. O
ex·remo da alavanca é normalmente luminoso de maneira que a posição é visível no
escuro.
As chaves de calcar são dotadas com um ou mais contatos estacionários e um ou
mais contatos móveis. Os contatos móveis são afixados à chave por meio de um isolador.
As chaves de calcar são normalmente acionadàs por mola, são do tipo de contato momen-
tâneo e encontram grande aplicação como verificadora de luzes e indicação e rearmação
de circuito.
Uma chave seletora pode executar as funções de um número razoável de chaves.
Conforme uma haste de uma chave rotativa é girada, ela abre determinados circuitos e

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Fig. 14.- Olave seletora rotativa.

fecha outros. Isso pode ser observado examinando-se a figura 14-6. Algumas chaves rota-
tivas sâ'o dotadas com diversas pastilhas.Pela adição de pastilhas, a chave pode operar um
número maior de circuitos. As chaves de ignição dos automóveis e as chaves seletoras dos
voltímetros sã'o exemplos típicos de chaves rotativas.

Chaves operadas mecanicamente


As chaves operadas mecanicamente são de largo emprego nos equipamentos mais
sofisticados. O uso intensivo se deve ao fato de seu tamanho reduzido, pouco peso e
excelente confiabilidade. O termo MICROCHAVE, apesar de freqüentemente usado
indistintamente para as chaves deste tipo, é uma marca de fábrica para as chaves feitas
pelo Micro Switch Division de Minneapolis Honeywell Regulator Company.
As microchaves abrem ou fecham o circuito com um movimento angular bastante

CONTATOS
FECHADOS

Fig. 14-7.- Microchave.

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pequeno (1/16 da polegada ou menos). São normalmente do tipo de calcar e dependem
de uma ou mais molas para a sua ação de comutação. Por exemplo, o coração de uma
m.icrochave é uma bola de cobre berilo tratada a fogo para aumentar a sua durabilidade
e confiabilidade. A simplificação para uma peça com mola única contribui para um_
aumento na vida útil da chave. Uma chave do tipo micro básica é mostrada na figura 14-7.
A versatilidade da chave com ação instantânea é mostrada na figura 14-8 que mostra
como a chave básica pode ser usada com diferentes tipos de envoltório e alavancas. O tipo
para um emprego em particular depende da função que a chave vai exercer e sob quais
condições. A figura 14-8 (A) mostra um envoltório de alumfuio que pode conter uma ou
mais chaves básicas envoltas em um protetor plástico. O protetor plástico fornece isola-
mento elétrico entre o metal envoltório e as partes elétricas, serve de suporte para os ter-
minais, e funciona como uma caixa à prova de poeira para os contatos elétricos.
A figura 14-8 (B) mostra um dos vátios tipos de acionadores, que pode ser usado
com a chave básica quando não·se necessita um envoltório completo. O conjunto depen-
de do movimento de operação de uma carne que aciona a chave básica de maneira a asse-
gurar longa vida e grande grau de confiabilidade. A figura 14-8 (C) mostra um tipo com
alavanca que usa uma ou mais chaves básicas do tipo subminiatura. As chaves subminia-
turas são menores do que as m.icrochaves convencionais e encontram largo emprego em
várias disposições de comutação.

(A) ( 8) (C)
Fig. 14-8.- Chave de ação instantânea.

As chaves operadas por pressão comumente são dotadas com válvulas Bourdon,
sifões, ou diafragmas sobre os quais operam fluidos ou ar comprimido para acionar a
mesma. Alguns dos empregos das chaves de pressão estão relacionados com combustível,
óleo e sinais de pressão hidráulica, etc.
As chaves térmicas comumente têm incorporada uma folha bimetálica que se dobra a
uma determinada temperatura e aciona o dispositivo ou comutação. As chaves térmicas
são usadas freqüentemente como interruptores de circuito mas encontram aplicação no
controle de circuitos de ignição de tllamentos e operação de sinais de luzes em tempera-
turas críticas.

Manutenção de chaves
Apesar de as chaves serem relativamente simples de serem testadas, elas freqüente-
mente oferecem certa dificuldade de manutenção em virtude da sua localização em locais
de difícil acesso. Após uma inspeção visual das conexões e da chave, um teste de continui-

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dade indicará qualquer anormalidade no funcionamento. Quando o mecanismo da chave
se encontra defeituoso, normalmente a chave n!oé reparada mas sim substituída.
Quando s!ousadas chaves blindadas, urna má vedaçã"o pode causar problemas. A
mudança de altitude poderá fazer entrar ar úmido na blindagem através de urna má veda-
ção e o ar úmido poderá se condensar no interior da chave. A condensaçã"o pode produzir
um curto através dos terminais ou corroer os acionadores da chave de maneira a tomá-la
inoperante. Esse problema pode ser corrigido vedando-se cuidadosamente as aberturas de
entrada dos cabos ou usando-se chaves hermeticamente fechadas. As chaves herméticas
evitam também a entrada de poeira que podem se depositar nos contatos reduzindo-se
dessa forma a possibilidade de ser aumentada a resistência de contato.
- Algumas chaves se avariam durante a instalaçã"o, particularmente as alojadas em
envoltório plástico. Cuidados adicionais por ocasiã"o da instalaçã"o ou substituiçã"o desse
tipo de chave resolverão o problema.
Alguns conjuntos de chaves são ajustados de maneira a serem operados a um tempo
predeterminado ou pressã"o. Cuidados especiais devem ser tomados por ocasião das ajus-
tagens. Se a ajustagem nro for precisa, podem ocorrer avarias.

Relés
Os relés constituem um tipo especial de chave que é operado eletricamente e são
classificados segundo o seu emprego como relés de controle, relés de potência, ou relés
sensores. Os relés de potência são os de emprego geral nos grandes sistemas elétricos.
Como tais, eles controlam os circuitos de grande potência.
A função do relé de controle é sinalizar ou controlar urna grande quantidade de
potência, utilizando, para o seu funcionamento, urna quantidade relativamente pequena
de potência elétrica. Quando se usa relés rnultipolos, diversos circuitos podem ser contro-
lados simultaneamente.
O emprego de relés economiza espaço e peso pois permite o uso de chaves menores
nas estações de controle remoto. Estas chaves permitem que o operador controle grande
quantidade de corrente em locais distantes de maneira que os pesados cabos de energia
passam apenas pelos pontos necessários. As chaves sã"o ligadas a cabos de controles que
poderão ser relativamente leves. A segurança é também um fator importante a considerar
já que os circuitos de grande potência podem ser comutados remotamente sem perigÇ>
para o operador.
Os relés de controle, como bem informa o seu nome, são freqüentemente usados
para controlar outros relés; apesar dos pequenos relés de controle poderem ser usados para
outros fins, com um relé de controle , uma pequena quantidade de corrente pode contro-
lar grandes quantidades de correntes necessárias para operar dispositivos elétricos pesados.
Eles sã"o também freqüentemente empregados nos circuitos de relés automáticos onde
um pequeno sinal elétrico produz urna reação em cadeia acionando sucessivamente outros
relés que executam diversas funções. Os relés de controle podem também ser usados nas
ações denominadas travamento para evi tar que ocorram certas ações no tempo incorreto.
Várias operações elétricas nos equipamentos que não devem ocorrer simultaneamente
podem ser travadas pelos relés de controle. Uma outra importante função dos relés de
controle nos equipamentos é como sensores. Os relés são usados para "sentirem" uma
redução ou excesso de tensã"o, inversão do fluxo de corrente ou excesso da mesma.
Uma outra possível classificação dos relés está relacionada com a sua condição
de aberto, semi-selado ou selado. Os relés semi-selados são dotados com uma cobertura
e ficam protegidos contra a ação do sal, poeira e materiais estranhos que possam afetar

348
os seus contatos ou área do mecanismo. Esses relés são considerados satisfatórios para
certas aplicações nos atuais equipamentos. Os relés ábertos s!opresentemente pouco
usados a menos que fiquem instalados em caixas fechadas.
Para outras aplicações, nos complexos equipamentos atuais, é necessário, entre-
tanto, uma proteção superior à oferecida pelo tipo aberto ou semi-selado. Quando esses
tipos de relés são usados, uma rápida mudança de altitude ou temperatura pode causar
condensaça-o do vapor no interior da wúdade. Uma subseqüente baixa na temperatura
poderá gelar a água sobre o contato, inabilitando-o.
Os relés herméticos foram desenvolvidos para atender à demanda de equipamentos
delicados e complexos. Considera-se uma selagem hermética aquela que é feita de metal
com metal ou vidro com metal. A selagem plástico com plástico ou plástico com borracha
n!oé considerada hermética. Entretanto, ambos os tipos herméticos ou semi-herméticos
são usados com freqüência. Há aplicações nas quais um relé semi-hermético é adequado,
e outras nas quais há necessidade de um relé hermético. Independentemente de ser imwte
às variações de condições ambiente, os relés herméticos apresentam a vantagem de serem
ajustados corretamente na fábrica.
De um modo geral, os componentes básicos de um relé s!o: a bobina ou solenóide,
o núcleo de ferro, os contatos fixos e móveis e a armadura (se selado, a envoltória). Uma
chave manual, um potenciômetro ou um outro qualquer dispositivo de controle inicia
ou interrompe o fluxo na bobina magnética. O fluxo de corrente elétrica através da
bobina cria um forte campo magnético em tomo e dentro da bobina. Esse campo mag-
nético aciona uma armaçã'o móvel ou um pistão completa o circuito magnético. A figura
14-9 (A) mostra um relé básico. As linhas pontilhadas indicam as linhas de fluxo do
campo magnético.
O segundo tipo básico é um relé do tipo rotativo, mostrado na figura 14-9 (B).
Apesar desse tipo não ser tão comum como o primeiro, do tipo armadura, o tipo rota-
tivo apresenta maior resistência à vibraç!oe choque do que os de outros tipos. A des-
vantagem é que esse tipo requer maior potência para a sua operaç!o. Os relés rotativos
operam baseados no princípio do motor elétrico, girando ao longo de um pequeno arco.
Quando usado para acionar uma chave com pastilhas, esse tipo de relé permite a monta-
gem de uma chave com quálquer grau de complexidade.
Ocasionalmente, os relés operam ligados a uma fonte de CA. Os relés de CA depen-
dem dos mesmos princípios fundamen tais de operaçã'o dos relés de CC, isto é, do campo
magnético. Quando se aplica tensa-oCA a um eletroíma-, a corrente passa por zero duas

Armaduraç=)
Bobina

I BI

Fig. 14-9. - Tipos básicos de relês.

349
vezes em cada ciclo. Como o esforço de empurrar a armadura é proporcional à corrente
através do eletroímã, a armadura tende a abrir toda vez que a corrente se aproxima de
zero, produzindo vibração. Para corrigir, são usadas bobinas sombreadas (algumas vezes
denominadas pólos sombreados).
Uma bobina sombreada consiste de uma tira de cobre curto-circuitada e alojada em
tomo de uma parte do pólo do eletroímã. A espira de cobre em curto atua como o secun-
dário de um transformador em curto. A corrente na bobina principal atrasa de aproxima-
damente 90° da tensão aplicada e o fluxo fica em fase com a corrente. A tensão da bobina
sombreada é uma tensão induzida e se atrasa 90° da corrente na bobina principal. Em vir-
tude de a bobina sombreada se comportar como um secundário em curto (resistivo), a
corrente na bobina sombreada estã em fase com a tensão induzida. Assim, o campo mag-
nétido da bobina sombreada se atrasa do campo magnético principal de 90°. Isso signi-
fica que, com a bobina sombreada instalada, haverã fluxo no eletroímã mesmo quando
a corrente na bobina principal cruza o ponto de zero.
A disposiçlfo dos contatos do relé é feita de diversas formas. Comumente o número
e seqüência de comutaçlfo a ser executado dita a disposiçlfo dos contatos.
Comumente se deseja, nos equipamentos, introduzir um tempo de retardo antes
de aplicar a tensão a determinados circuitos. Isso é sempre feito mediante o uso de
relés térmicos. Devido à simplicidade do seu mecanismo, esse tipo de relê pode ser fabri-
cado com tamanho pequeno e ser hermético, fato que o toma ideal para o uso em aero-
naves. Em virtude de o relé térmico ser ativado pelo calor, ele pode ser usado tanto em
CA como em CC.

Manutenção de relés
O relé é um dos dispositivos mecânicos mais dependentes de manutenção, mas,
como os outros dispositivos eletromecânicos, os relês raramente envelhecem ou se des-
gastam. Quando for observado por inspeção que um relé excedeu o seu limite de uso,
ele deve ser imediatamente substituído. A substituição deve ser fei ta por um outro
relé exatamente igual ou com características físicas e elétricas iguais.
Para se localizar um relé potencialmente defeituoso , deve-se, por ocasião da manu-
tençlfo preventiva, adotar o seguinte procedimento: verificar o estado das partes isolantes e
os fios terminais. Indicações de queima ou empeno no isolamento e escurecimento nos
fios terminais indicam superaquecimento. Se houver qualquer indicação de que o relé
sofreu superaquecimento, ele deve ser substituído por urna nova unidade do mesmo tipo.
Uma das causas freqüentes de avaria nlfo se deve absolutamente ao funcionamento do
relé mas sim ao superaquecimento produzido por mau contato nos seus terminais. A aber-
tura dos parafusos nos terminais de contato deve ser feita periodicamente por ocasião da
manutençlfo preventiva.
Recomenda-se não remover a cobertura dos relés semi-selados. A remoção da
tampa, apesar de permitir um exame mais perfeito das condições do relé, implica a
entrada de poeira e materiais estranhos que poderão causar descontinuidade no con-
tato. A abertura de relés semi-herméticos deve ser feita em local especial, livre de poeira
em suspenslfo.

350
Ca pz'tulo 15

Instrumentos de Medidas Elétricas

No campo da eletricidade, como em todas as outras ciências físicas, medidas quanti-


tativas precisas são essenciais. Iito envolve dois itens importantes: números e unidades.
Na maioria dos casos é usada aritmética simples, sendo as unidades bem definidas
e de fácil compreensão. As unidades padrões de corrente, tensão e resistência, bem como
outras unidades são defmidas, na Marinha, pelo "Glossário Eletrônico".
Nas fábricas, os vários instrumentos produzidos são calibrados mediante compara-
ção com padrões estabelecidos. .
Os técnicos normalmente trabalham com amperímetros, voltímetros, ohmímetros
e testes de válvulas. Entretanto, ocasiões há em que necessitam utilizar também wattí-
metros, medidores de watt-hora, medidores de fator de potência, sincroscópios, medi-
dores de freqüência e pontes de capacitância-resistência-indutância.
Os equipamentos elétricos são projetados para operar em determinados níveis de
precisão e eficiência. Com o propósito de auxiliar o técnico nas operações de manutenção,
para cada equipamento da Marinha são preparados livros e folhas de instruções técnicas
que contêm informações sobre as condições de desempenho do equipamento tais como
tensões, resistências e outras características que devem ser encontradas quando o desem-
penho do equipamento é considerado ótimo.
Para o técnico, é muito importante o perfeito conhecimento das características,
funções e técnica de operação dos instrumentos elétricos utilizados nos trabalhos de
manutenção dos equipamen tos. Nos serviços de manutenção elétrica, um ou mais dos
seguintes instrumentos são utilizados na verificação do funcionamento dos equipamentos:
1. Amperímetro para medir a intensidade da corrente que flui no circuito.
2. Voltímetro para determinar o valor da tensão existente entre dois pontos de
um circuito.
3. Ohmímetro ou megômetro (megger) para medir a continuidade de um circuito
e a resistência parcial ou total do mesmo.

O técnico pode, também, achar necessário empregar um wattímetro para determinar


a potência total consumida por certos equipamentos. Se ele desejar medir a ENERGIA
consumida por um determinado circuito ou equipamento, utilizará um medidor de watt-
hora ou kilowatt-hora.
Para a medição de outras quantidades elétricas tais como o fator de potência e
a freqüência dos circuitos, operações que serão abordadas em capítulo posterior, o téc-
nico utilizará outros instrumentos mais adequados e específicos para essas operações.
Em cada caso, o instrumento indica o valor da quantidade medida e o técnico interpreta
a informação que o ajudará a entender a forma como o circuito está operando. Ocasional-

351
mente, o técnico necessitará determinar o valor de um capacitor ou de um indutor. Nesse
caso, utilizará as pontes de capacitância ou de indutância.
Um perfeito conhecimento das características de construção, operação e limita-
ções dos tipos básicos de instrumentos de medida elétricas, associado à teoria de opera-
ção do circuito, são essenciais na conservação e manutenção dos equipamentos elétricos
e eletrônicos.

MEDIDORES PARA CORRENTE CONTÍNUA

Neste capítulo é apresentada matéria relacionada com medidores tanto para CC


como para CA. Os medidores de CC serão analisados inicialmente já que são mais simples.
Alguns medidores de CC podem também ser utilizados para medir potencial CA.

Medidor D'Arsonval
O medidor com bobina móvel e ímã permanente estacionário é o tipo de movi-
mento básico usado na maioria dos instrumentos de medida para a manutenção de equi-
pamentos elétricos, especialmente os de corrente contfuua. Este tipo de movimento é
comumente denominado movimento D'Arsonval porque foi pela primeira vez empregado
pelo cientista francês D'Arsonval ao fazer medidas elétricas.
O movimento básico tipo D'Arsonval consiste num ímã permanente estacionário
e numa bobina móvel. Quando a corrente flui através da bobina, o campo magnético
prôduzido reage com o campo magnético fixo do ímã permanente e produz um movi-
mento de giro da bobina. Quanto maior for a quantidade de corrente que fluir através
da bobina, maior será o campo magnético produzido e maior o giro da bobina. Para se
determinar a quantidade de fluxo de corrente, deve ser estabelecida uma maneira para
indicar a quantidade de rotação da bobina. Dois processos podem ser usados: (I) o do
ponteiro, e (2) o da luz e espelho. No processo do ponteiro, uma extremidade domes-
mo é fixada na bobina girante de maneira que o ponteiro se desloca acompanhando o
giro da bobina. A extremidade indicadora do ponteiro se desloca ao longo de uma escala
graduada, indicando o valor do fluxo de corrente. Uma desvantagem na utilização do
ponteiro é que ele introduz o problema de balanceamento da bobina, especialmente se
o ponteiro for longo. Uma vantagem, entretanto, é que o processo é bastante simples.
O uso de um espelho e de um facho de luz simplifica o problema do balanceamento da
bobina. Quando esse processo é empregado para medir o giro da bobina, um pequeno
espelho é montado na haste suporte da bobina (figura 15-1) que gira com a mesma.
Um facho de luz gerado por uma fonte interna é então orientado para o espelho
que o reflete para a escala do medidor. O movimento da luz refletida, sendo proporcional
ao movimento da bobina, indicará o valor da corrente medida.
A figura 15-1 mostra um diagrama simplificado de um tipo de instrumento com
bobina móvel e ímã" permanente estacionário. Tal instrumento é comumente denomi-
nado GALVANÓMETRO. O galvanômetro indica valores muito pequenos (ou as gran-
dezas relativas de corrente ou tensã"o) e distingue-se dos demais instrumentos usados
para o mesmo propósito pelo fato de a sua bobina mover-se suspensa por fitas metálicas
ao invés de por um eixo e mancais de safira ou rubi.
A bobina móvel do galvanômetro mostrado na figura 15-1 fica suspensa entre os
pólos do ímã por meio de fitas finas achatadas de bronze fosforoso. As fitas proporcio-
nam o caminho de condução para a corrente entre o circuito sob teste e a bobina móvel.

352
Elas também provêm a força restauradora para a bobina. A força restauradora exercida
pela torção das fitas é a força contra a qual a força excitadora do campo magnético da
bobina (a ser descrita oportunamente) é cOnfrontada a fim de se obter a medida de inten-
sidade da corrente. As fitas tendem então a contrariar o movimento da bobina e serão
torcidas de um ângulo que será proporcional à força aplicada à bobina pela ação do seu
campo magnético contra o campo permanente do ímã. As fitas então proporcionam uma
força contrária à magnética atuando na bobina. Quando a força excitadora de corrente
na bobina é removida, a força restauradora desloca a bobina da sua posição original.
Se forem usados um feixe de luz e um espelho, o feixe se desloca para a direita
ou para a esquerda sobre uma tela translúcida onde o zero fica no centro da escala com
divisões uniformes. Se for usado um ponteiro, ele se deslocará num plano horizontal,
para a direita ou esquerda, sobre uma escala de zero no centro e também dividida uni-
formemente. A direção para a qual o feixe de luz ou o ponteiro se move dependerá do
sentido da corrente através da bobina.

de
corrente
Núcleo
-wiH---If-----1- ftxo de
ferro
Ferradura
de ímã
permanente

Fig. 15-1. - Diagrama simplificado de um gal·


vanômetro.

O galvanômetro é usado para medir diminutas correntes como, por exemplo, as


encontradas nos circuitos em ponte. Em forma modificada, movimento básico tipo
D'Arsonval apresenta a mais alta sensibilidade entre os vários tipos de medidores hoje
em uso.

Princípio de operaçfo
Para compreender o princ1p1o de operaçfo do medidor O'Arsonval é necessário
primeiramente considerar a força atuante sobre um condutor que conduz corrente quan-
do sob a açfo de um campo magnético. A grandeza da força é proporcional ao produto
das grandezas da corrente e da intensidade do campo. O campo existente entre os pólos
de um únã permanente com o formato de U é concentrado, através do condutor, por

353
meio de um elemento estacionário de ferro doce montado entre os pólos para completar
o circuito magnético. Dando-se ao condutor a forma de uma espira e montando-se a mes-
ma entre pinos, o condutor pode girar livremente em tomo do elemento estacionário
de ferro, entre os pólos do ímã. O método prático para determinar a direçlio do movi-
mento do condutor consiste no uso da REGRA DA MÃO DIREITA PARA MOTORES
(figura 15-2).
Para se determinar a direçlio do movimento do condutor, os dedos polegar, indica-
dor e médio da m!odireita slio estendidos de maneira a formarem ângulos retos entre si
como mostrado. O dedo indicador aponta na direção do fluxo magnético (para o pólo sul)
e o dedo médio aponta na direç!odo fluxo de elétrons no condutor. O polegar indicará
então a direção do movimento do condutor em relação ao campo. O condutor, o campo
e a força sã'o perpendiculares entre si.

Fig. 15-2. - Regra da mão diieita para motores.

A força atuante em um condutor que conduz corrente sob a ação de um campo


magnético é diretamente proporcional à intensidade do campo do ímã, ao comprimento
do condutor sob a açfo do campo, e à intensidade do fluxo de elétrons através do mesmo.
No medidor tipo D'Arsonval, são determinados o comprimento do condutor e a
intensidade do campo entre os pólos do ímã. Portanto, qualquer alteração na corrente
causuma variação proporcional na força atuante sobre a bobina.

354
O princípio do movimento de D'Arsonval pode ser mostrado mais claramente pelo
uso do diagrama simplificado da figura 15-3 que representa o movimento D'Arsonval
comumente usado em instrumentos de corrente contínua. Apenas urna espira é mostrada
no diagrama. Entretanto, em um medidor real são usadas muitas espiras de fio fino,
cada espira aumentando mais o comprimento efetivo do enrolamento. A bobina é feita
em torno de urna arrnaçã'o de alumínio na qual é ftxado um ponteiro. Em posições
opostas, molas do tipo cabelo de relógio (urna das quais é mostrada na figura 15-3) são
também fixadas à arrnaçã'o, urna em cada extremidade da mesma. O circuito do enrola-
mento é completado através dessas molas. Além de servirem como condutores, as molas
proporcionam a força restauradora que faz o ponteiro retomar à sua posição original
quando nã'o mais fluir corrente pela bobina.

Bobina móvel para


ponteiro e cabelo

Fi8.15-3.- Movimento D'Arsonval.

Conforme foi estabelecido, a força de deflexão é proporcional à corrente no enrola-


mento. A força de deflex!o tende a girar contra a força restauradora das molas. O ângulo
de rotaçfo é proporcional à força que as molas exercem contra o movimento da bobina
(dentro do limite elástico da mola). Quando a força de deflexão e a força restauradora
se equilibram, a bobina e o ponteiro ficam estacionários. Pelo fato de ser a força restaura-
dora proporcional ao ângulo de deflexão, segue-se que a força excitadora e a corrente na
bobina são proporcionais também ao ângulo de deflexão. Quando a corrente deixa de
fluir na bobina, a força excitadora cessa e a força restauradora da mola faz o ponteiro
retomar à posição inicial.
Se a corrente através da espira for no sentido indicado (afastando-se do observador
no lado direito e aproximando-se do mesmo no lado esquerdo), a direção da força, pela
aplicaçã'o da regra da mã'o direita para motores, será para cima no lado esquerdo e para
baixo no lado direito. O movimento da bobina assim como do ponteiro será no sentido
horário. Se o sentido da corrente for invertido, a direção do movimento da bobina e do
ponteiro também invertem.
Uma vista detalhada do movimento básico tipo D'Arsonval, tal como é comumente
empregado em amperímetros e voltímetros, é mostrada na figura 15-4. O instrumento é
essencialmente um MICROAMPERlMETRO porque a corrente necessária para ativá-lo
é da ordem de 1 (um) microampêre. O princípio de operação é o mesmo que o das versões
simplificadas discutidas anteriormente. O núcleo de ferro é rigidamente suportado entre
os pólos do ímã e serve para concentrar o fluxo no espaço estreito entre o núcleo de ferro
e a peça polar, ou seja, no espaço em que a bobina e a sua armação se movem. A corrente

355
entra por uma mola, atravessa o enrolamento e sai pela outra mola. Quando a corrente é
interrompida, a força restauradora das molas em espiral faz o ponteiro retomar à sua
posição original ou zero. As molas são ligadas por condutores aos terminais externos
do medidor.
Se o instrumento não for amortecido, isto é, se o atrito ou algum outro tipo de
perda não for introduzido para absorver a energia do elemento móvel, o ponteiro oscilará
em tomo de sua posição final antes de parar. Este comportamento faz com que seja
quase impossível fazer leitura perfeita, tomando-se, pois, necessária alguma forma de
amortecimento para tomar prático o medidor. O amortecimento é obtido em muitos
movimentos de tipo D'Arsonval por meio da ação de movimento da armação de alumínio
sobre a qual o enrolamento está montado. Quando a armação oscila no campo magnético,
urna força eletromotriz é induzida na mesma porque ela, ao se movimentar, corta linhas
de força do campo magnético. As correntes induzidas fluem na armação e contrariam a
ação do campo, fazendo com que a bobina pare sem oscilação.
Em aditamento a fatores tais como aumento de densidade do fluxo no espaço
de ar entre o núcleo e os pólos, a sensibilidade total do medidor pode ser aumentada
pelo uso de um conjunto rotativo leve (armação bobina e ponteiro) e de mancais de safira
ou rubi como mostrado na figura 154 B.
Os galvanômetros tipo D'Arsonval são usados nos instrumentos de laboratórios
para medidas de correntes extremamente pequenas. Eles não são portáteis, compactos,
nem bastante robustos para serem utilizados nos serviços de man utenção de equipa-

Núcleo
de ferro

( A)

par.! o
núcleo

CONJUNTO MONTADO

Mancai de safua
(c)
( 8) Fig. 15-4. - Vista detalhada de um movimento
D'Arsonval básico.

356
compensadora

Derivação
externa
Fonte de tensão tB) Vista externa

tA) Construção interna & circuito

Blocos de cobre

tC) Derivações externas típicas


Fig. 15-S. - Amperímetro Weston empregando o princípio D'Arsonval.

mentos militares. Como substituto, nos trabalhos de reparo, é usado o medidor com
movimento Weston.
O medidor usa o princípio do galvanômetro D'Arsonval, mas é portátil, compacto,
robusto e de fácil leitura. No medidor Weston, a bobina é montada em um eixo supor-
tado por dois mancais de safira ou rubi. Um ponteiro leve é fixado â bobina e gira com
a mesma. O ponteiro indica a intensidade do fluxo de corrente. A figura 15-5 A mostra
o medidor com movimento tipo Weston .
As molas de balanceamento em cada extremidade do eixo exercem forças que se
opõem ao giro da bobina. Pelo ajuste da tensão em uma das molas, o ponteiro do medi-
dor pode ser ajustado para a leitura de zero na escala do medidor. Uma vez que a variação

357
de temperatura afeta igualmente ambas as molas, este fator pode ser desprezado. Quando
a bobina gira, uma das molas distende estabelecendo uma força restauradora. Ao mesmo
tempo, a outra mola comprime, diminuindo sua tensão. Além de fornecer tensão, as
molas sã'o também usadas como condutores de corrente nos terminais do medidor para
a bobina móvel.
Para que a força de deflexão aumente uniformemente quando a corrente aumenta,
os pólos do ímã são moldados de maneira a formarem senúcírculos. O valor de corrente
necessário para girar o ponteiro do medidor para o mãximo de deflexão depende da inten-
sidade magnética e do número de espiras na bobina móvel. Este valor de corrente é o
VALOR MÁXIMO PERMISSfvEL do amperímetro. Um aumento de corrente além deste
valor avariará o medidor.

Amperímetro
O pequeno diâmetro do fio com o qual a bobina móvel de um amperímetro é
enrolada limita muito o valor da corrente que poderia passar através do enrolamento.
Conseqüentemente, o movimento básico D'Arsonval, discutido até aqui , só pode ser
usado para indicar ou medir pequenos valores de corrente, como, por exemplo, núcro-
amperes (10-6 ampêres), ou núliampêres (10-3 ampêres).
Para medir uma corrente maior, uma derivaçã'o deve ser usada com o medidor.
Uma derivação é urna resistência de baixo valor conectada em paralelo com os terminais
do medidor e pela qual passa a maior parte da corrente. A derivaçã'o deve ter o valor ade-
quado de resistência para que somente uma pequena parte da corrente total do circuito
flua através da bobina do medidor. A corrente do medidor toma-se assim proporcional à
corrente a ser medida. Se a derivação for tal que o medidor possa ser calibrado em mili-
amperes, o instrumento será chamado de MILIAMPEIÚMETRO. Se a derivação for tal
que o medidor venha a ser calibrado em amperes, ele será chamado de AMPERíMETRO.
Um único tipo padrão de movimento de medidor é geralmente usado em todos
os amperímetros, nã'o importando a escala do instrumento. Por exemplo, medidores
com escalas de zero a dez ampêres, todos usam o mesmo movimento tipo galvanômetro.
O projetista do amperímetro simplesmente calcula a resistência em derivação necessária
para estender a escala do movimento do medidor de 1 (um) miliampere para qualquer
outro valor de corrente desejado.
A derivação é então conectada através dos terminais do medidor. As derivações
podem ser colocadas no interior do invólucro do medidor (derivação interna) ou em
algum lugar fora dele (derivação externa). Um arranjo de derivação externa é mostrado
na figura 15-5 A. Algumas derivações externas típicas são mostradas na figura 15-5 C.
As lâminas de derivação mostradas são normalmente feitas com uma liga de man-
ganês cuja resistência possui um coeficiente de temperatura quase nulo. As extremidades
das lâminas de derivação são encaixadas em pesados blocos de cobre, aos quais são conec-
tados os fios condutores do medidor e os terminais da linha do circuito. Para assegurar
leituras exatas, os fios condutores do medidor de um determinado amperímetro não
devem ser trocados por outros de um medidor de escala diferente. Ligeiras diferenças no
comprimento e calibre dos fios podem variar a resistência do circuito do medidor e,
conseqüentemente, a sua corrente, causando uma leitura incorreta. As derivações externas
são geralmente usadas para medição de correntes superiores a 50 amperes.
importante selecionar uma derivação apropriada quando se usa um amperímetro
com derivação externa para que a indicação na escala seja lida facilmente. Por exemplo:
se a escala tem 150 divisões e sabe-se que a corrente de carga a ser medida é de valor
entre 50 e 100 amperes, a derivação apropriada é a de 150 ampêres. Se a escala é de

358
75 divisões e a corrente de carga é 75 ampêres, o ponteiro deflexionará metade da escala
quando se usar a mesma derivação de ISO ampêres.
Uma derivação com exatamente a mesma corrente nominal que a corrente de carga
normal estimada não deve ser selecionada porque qualquer anormalidade tendente a
aumentar a corrente leva o ponteiro para uma posição além do limite máximo da escala,
o que pode danificar o seu movimento. Uma boa escolha será urna derivação que leve
o ponteiro para uma indicação situada próxima ã metade da escala.

Multiplicação da escala pelo uso de derivações internas


Para escalas de correntes menores (abaixo de 50 ampêres) são mais freqüente-
mente empregadas as derivações internas. Desta maneira, a escala do medidor pode ser
facilmente mudada pela seleção da derivação adequada que tenha a corrente nominal
necessária.
Antes que a resistência apropriada de derivação, para cada escala, possa ser cal-
culada, a resistência do movimento do medidor deve ser determinada.
Por exemplo: suponha que se deseja construir um medidor com movimento
D'Arsonval de 100 microampêres e que tenha uma resistência de 100 ohms, para me-
dir correntes de até l ampêre. O ponteiro do medidor deflexiona para o máximo de
indicação da escala quando a corrente através do enrolamento de 100 ohms (bobina)
é de 100 microampêres. Portanto, a queda de tensão através do enrolamento do medidor
é IR, ou 0,0001 X 100 = 0,01 volt.
Em virtude de a derivação e a bobina estarem em paralelo, a derivação deve ter
também uma queda de tensão igual a 0,01 volt. A corrente que flui através da deriva-
ção deve ser a diferença entre a corrente correspondente ao máximo da escala do me-
didor e a corrente máxima a ser medida. Neste caso, a corrente do medidor é 100 X 10- 6
ou 0,0001 ampêre. Esta corrente é desprezível comparada com a corrente máxima a ser
medida, logo, a corrente de derivaçã'o é aproximadamente I ampêre. A resistência, Rs.
de derivação é determinada como sendo:

E 0,01
Rs = - = -= 0,01 ohm (aprox.)
1 1

Assim, a escala do medidor de 100 microampêres pode ser aumentada para medir
até 1 ampêre pela colocação, em paralelo com o mesmo, de uma derivaçã'o igual a 0,01
ohms aproximadamente. No instrumento não é colocado o valor resistivo aproximado
mas sim o valor real exato. Os resistores instalados nos medidores têm precisão de 1%
ou menos.
O medidor de 100 microampêres pode ser também convertido em uma outra deri-
vação apropriada. Para a deflexão correspondente ao máximo da escala do medidor, a
queda de tensão, E, através da derivação e através do medidor é ainda 0,01 volt. A cor·
rente do medidor é novamente considerada desprezível e a corrente de derivação é agora
aproximadamente 10 ampêres. A resistência, R 5, da derivação é, portanto:

E 0,01
Rx = -= --= 0001 ohm
I 10 '

359
O mesmo instrumento pode iguahnente ser convertido para um medidor de 50
ampêres pelo uso do tipo apropriado de derivaç!o. A corrente ls através da derivação
é aproximadamente 50 ampêres e a resistência Rs de derivação é:

E 0,01
Es = -=--= 00002ohm
ls 50 '

Vários valores de resistência de derivaç!o podem ser usados por meio de um arranjo
apropriado de seleçlo para aumentar o número de escalas de corrente que podem ser
cobertas pelo medidor.
Dois arranjos para seleçlo de escalas slo mostrados na figura 15-6 A é o mais sim·
pies dos dois no que diz respeito ao cálculo dos valores dos resistores, quando um grande
número de derivações é usado. Entretanto, apresenta duas desvantagens:
1. Quando a chave seletora é movida de um resistor para outro, a derivação é
momentaneamente removida e a corrente total de linha do circuito flui através do enrola-
mento do medidor. Mesmo um momentâneo aumento de corrente pode facilmente dani·
ficar o enrolamento.
2. A resistência de contato, isto é, a resistência entre as lâminas da chave quando
estio em contato, está em série ·com a derivação mas não com o enrolamento do medi-
dor. Nas derivações pelas quais passam altas correntes, a resistência de contato constitui
uma parte apreciável da resistência total de derivação. Como a resistência do contato
é de natureza variável, a indicaçlo do amperímetro pode não ser exata.

100 0

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Arranjo simples
. Arranjo preferido
(AI (8)

Fig. lS.(i. - Detalhes de conexões para deriva·


ções internas.

O método de seleçfo de escalas geralmente mais adotado é o mostrado na figura


15-6 B. Embora a figura mostre apenas duas escalas, poderão ser usadas tantas escalas
quantas necessárias. Neste tipo de circuito, a resistência de contato da chave seletora
de escala está fora da derivaçã'o e do enrolamento em cada posição da chave e, portanto,
nlo tem efeito sobre a precisã'o na medida de corrente.
Os INSTRUMENTOS DE MEDIDA DE CORRENTE DEVEM SEMPRE SER
LIGADOS EM S RIE COM O CIRCUITO E NUNCA EM PARALELO COM O MESMO.
Se um amperímetro for conectado através de uma fonte de tensão constante de valor
apreciável, a derivaçio de baixo valor permitirá a passagem de uma alta corrente e o me-
didor queimar-se-á.

360
Se, em um circuito, o valor aproximado da corrente não for conhecido, o melhor
é iniciar a medição usando a mais alta escala do amperímetro e, progressivamente, sele-
cionar as escalas mais baixas até que a leitura apropriada seja obtida.
Na maioria dos medidores, os ponteiros do amperímetro indicam a grandeza da
corrente deslocando-se da esquerda para a direita. Se o medidor for ligado com polari-
dade trocada, o ponteiro deflexiona em sentido contrário e esta ação poderá danificar
o movimento. Portanto, deve ser observada a polaridade correta ao inserir-se o medidor
no circuito. Em outras palavras, o medidor deve sempre ser ligado de maneira que o fluxo
de elétrons entre pelo terminal negativo e saia pelo terminal positivo.
A figura 15-7 mostra diversos arranjos com circuitos. O amperímetro ou amperí-
metros estão corretamente ligados para medir corretamente em diferentes partes do
circui to.

lA) Circuito em série lB) Circuito em paralelo

R2

lC) Circuito em paralelo lD) Circuito em paralelo

lE) Circuito série paralelo

Fig. 15-7. - Con exões características do amperím etro.

Voltímetro
O medidor de 100 microampêres com movimento D'Arsonval usado como medi-
dor básico para o amperímetro pode também ser usado para medir tensões nos voltí-
metros, desde que seja colocada uma alta resistência em série com a bobina móvel do
medidor a fim de limitar a passagem de corrente pela mesma. Para os instrumentos de
escalas baixas, esta resistência é montada no interior do invólucro. Normalmente, con-
siste de um resistor de fio com baixo coeficiente de temperatura e enrolado em carretel

361
ou rolo de papelão.Para as escalas mais elevadas de tensão, o resistor série pode ser ligado
externamente. Quando isso é feito, a unidade que contém o resistor é comumente cha·
mada unidade MULTIPLICADORA.
A figura 15-8 A mostra um diagrama simplificado de um voltímetro. As espiras
do resistor são tratadas de maneira tal que uma quantidade mínima de umidade será
absorvida pelo isolamento. A umidade reduz a resistência de isolamento e aumenta a
corrente de fuga, o que introduz erro nos valores indicados. As correntes de fuga através
do isolamento aumentam com o comprimento do fio e constituem um fator limite na
grandeza da tensão que pode ser medida. Uma vista externa do voltímetro é mostrada na
figura 15-8 B.

Resistores
em série
Tenslo
a medir

(A) Construçio interna & circuito (B) Vista externa

Fig.15 -8. - Circuito simplificado de voltímetro.

Multiplicação da escala
O valor da resistência série adequado é determinado pela corrente necessária para
provocar a deflexão total do ponteiro do medidor e pela ordem de grandeza da tensão a
ser medida. Como a corrente através do circuito do medidor é diretamente proporcio·
nal ã tensão aplicada, a escala do medidor pode ser diretamente calibrada em VOLTS
para uma determinada resistência série.

362
Por exemplo, consideremos que o medidor básico (rnicroamperímetro) seja empre-
gado como um voltímetro cuja leitura máxima seja um (1) volt. A resistência da bobina
de um medidor básico é de 100 ohms e a corrente de 0,0001 ampere (100 microampêres)
que flui pelas duas resistências provoca uma deflexão máxima do ponteiro. A resistência
total, R, da bobina do medidor mais a resistência do resistor série será:

E 1
R=- = = 10.000 ohms
I 0,0001

A resistência série será:

Rs = 10.000-100 = 9.900 ohms


Os voltímetros com várias escalas utilizam um medidor com os necessários resis-
tores série conectáveis através dos contatos de uma chave seletora. A figura 15-9 mostra

100 VOLT I
1VOLT I
I
I
L-.OlV-•
< 1000 VOLT
< o
< o o
o o a>
o O'! (1Í
a> a> a>
(1Í a> O'!
a> a>

Fig.15-9. - Voltímetro com escala múltipla.

um voltímetro com três escalas. A primeira efetua medidas até 1 volt, a segunda até
100 volts e a terceira até 1.000 volts. A resistência total do circuito, para cada uma das
três escalas, começando pela escala de 1 volt, é:

E 1
R=-= = 0,01 Megohm
I 100 X 10-6

100
= = 1 Megohm
100X 10"6

1000
= = 10Megohm
100 X 10-6

363
Os INSTRUMENTOS PARA MEDIDA DE TENSÃO DEVEM SER LIGADOS
EM PARALELO COM O CIRCUITO OU COMPONENTE QUE SE DESEJA MEDIR.
Se o valor aproximado da tensão a ser medida não é conhecido, é melhor iniciar com
a escala mais alta do voltímetro, e, progressivamente, abaixar a escala até que seja obtida
uma leitura apropriada.
Em muitos casos, voltímetro não é um instrumento de leitura com o zero no centro
da escala. Assim, toma-se necessário, da mesma forma que no caso do amperímetro CC,
observar a polaridade ao se ligar o instrumento ao circuito. Por ocasião da medida, a
ponteira positiva do voltímetro deve ser ligada ao terminal do lado positivo do circuito
e a ponteira negativa, ao terminal ou lado negativo do circuito. Em qualquer caso, o vol-
tímetro é ligado de modo que os elétrons entrem pelo terminal negativo e saiam pelo
terminal positivo do medidor.

Influência no circuito
A função de voltímetro é indicar a diferença de potencial existente entre dois
pontos de um circuito. Quando o voltímetro é ligado, ele fica em paralelo com o cir·
cuito. Se o voltímetro tiver baixa resistência, ele drenará uma apreciável quantidade
de corrente. A resistência efetiva do circuito diminui face ao paralelismo criado e a
indicação de tensão, conseqüentemente, será menor.
Quando são feitas medidas de tensão em circuitos de alta resistência é necessário
usar-se um voltímetro de alta resistência interna para evitar o efeito de derivação acima
descrito. Esse efeito é menos perceptível em circuitos de baixa resistência porque, nesse
caso, a influência do voltímetro, em paralelo, é menor.

Sensibilidade
A sensibilidade de um voltímetro é dada em ohms por volt e pode ser determinada
pela divisão da soma da resistência Rm do medidor mais a resistência série, Rs, pela lei·
tura em volts correspondente ã máxima deflexão. Assim,

Rm+Rs
Sensibilidade = ----
E

Isto é o mesmo que definir a sensibilidade como sendo o inverso da corrente (em
amperes). Assim,

ohms 1
Sensibilidade = -- = = - ---
volts volts amperes
ohms

Dessa maneira, a sensibilidade de um movimento de 100 microampêres é o inverso


de 0,0001 ampêre, ou seja, 10.000 ohms por volt.
A tabela 15·1 mostra como a sensibilidade dos voltímetros de bobina móvel e ím!r
permanente tem sido aumentado através dos anos. A tabela indica a sensibilidade de um
voltímetro com escala de O a 150 volts, sua resistência e a corrente necessária para pro-
vocar a máxima deflexão do ponteiro.

364
Tabela 1S-1. -Aumento na sensibilidade dos voltímetros

Corrente para
Ano de fabricação Sensíbilidade Resistência derivação total
da escala

Antes de 1924 .... . .. 10 n p/volt 1,5 k-ohms 100 ma.

Depois de 1924 . . .... 100 n p/volt 15 k-ohms 10ma.

1.000 n p/volt 150 k-ohms 1ma..


Hoje ... . ..... . .. 20.000 n p/volt 3 megohms 50 Ja.
200.000 n p/volt 30 megohms 5 Ja.

Precisão
A precisão de um medidor é geralmente expressa em porcentagem. Por exemplo,
um medidor que tenha uma precisão de 1% indicará um valor cuja diferença para o valor
correto nã'o seja mais que 1%. Isto significa que, se o valor correto é de 100 unidades, a
indicação do medidor poderá estar em qualquer valor entre 99 e 101 unidades.

Medidor do tipo eletrodinamômetro


O eletrodinamômetro difere
do galvanômetro por não usar ímã
permanente. Ein seu lugar, são uti-
lizadas duas bobinas fixas para pro-
duzir o campo magnético. Neste ti-
po de medidor são usadas, também,
duas bobinas móveis.
As duas bobinas fixas são li-
gadas em série e posicionadas em
paralelo no mesmo eixo axial com Eixo das bobinas
um espaçamento entre elas. As duas fixas
bobinas móveis são também conec-
tadas em série e posicionadas em ----\ ...... _
paralelo no mesmo eixo axial com
um espaçamento entre elas. As duas
bobinas móveis são também conec- Eixo das
tadas em série e posicionadas da bobinas
mesma forma. Os dois pares de bo- móveis
............ -
bina ( o flxo e o móvel) são ligados
em série um com o outro. O con·
junto das bobinas móveis é monta-
do no espaço entre as bobinas fixas
- /

e em sentido perpendicular confor-


me ilustrado na figura 15-10.
O eixo central no qual estão Fig. 15-J.&).- Detalhe da construção de wn
montadas as bobinas móveis está eletrodinamômetro.

365
sujeito à força de torção produzida por duas molas em espiral que mantém o ponteiro na
posição zero quando não flui corrente pelas bobinas. As molas servem também como
condutores para levar a corrente às bobinas móveis. Como as molas condutoras são fmas,
o medidor não pode suportar corrente muito elevada.
Nenhuma dificuldade de construção é encontrada quando o medidor é utilizado
como voltímetro porque a corrente necessária para a operação não é maior do que 0,1
ampêre. Este valor de corrente pode fluir pelas molas sem problema. A figura 15-11 A
mostra as ligações das bobinas quando o instrumento é usado como voltímetro. As
bobinas fixas "a" e "b" são enroladas com fio. fmo, pois a corrente através das mesmas,
como afinnado anterionnente, não será maipr do que 0,1 ampêre. Elas são conectadas
diretamente em série com as bobinas móveis "c" e com a resistência série limitadora de
corrente. Para uso como amperímetro, entretanto, um tipo especial de construção pre-
cisa ser usado já que não pode fluir corrente excessiva pelas bobinas móveis.
No amperímetro, as bobinas estacionárias "a" e "b" da figura 15-11 B são geral-
mente feitas com fio mais grosso para suportar até cinco ampêres. Em paralelo·com as
bobinas móveis é colocado um circuito indutivo que deriva a maior parte da corrente.
Dessa fonna, flui através da bobina móvel somente uma pequena parte da corrente total
que flui pelo instrumento. A corrente que flui através da bobina móvel é diretamente
proporcional à corrente total de entrada. O circuito paralelo tem a mesma relação rea-
tãncia-resistência que tem a bobina móvel, de forma que o instrumento é razoavelmente
correto para todas as freqüências das correntes medidas.
Volts

Ponteiro

Amperes

Ponteiro

Fig.15-11.- Arranjo de circuito de eletro-


dinamômetro tipo relógio.
(A) voltímetro; (B) amperímetro.

366
O medidor é mecanicamente amortecido por meio de palhetas de alumínio que se
movem dentro de uma câmara de ar. Embora os medidores do tipo eletrodinamômetro
sejam muito precisos, eles n:ro têm a sensibilidade do medidor com movimento tipo
D'Arsonval.Por isso, sua apücaçã'o se limita a alguns trabalhos de laboratório.

Medidores para medir resistência


Os dois instrumentos mais comumente usados para verificar a continuidade ou para
medir a resistência de um circuito ou de um elemento do circuito são o OHMIMETRO e
o MEGGER (megôhmetro). O ohmímetro é usado para medir valores ôhmicos de resis-
tores e verificar a continuidade de circuitos elétricos e componentes. Sua escala normal-
mente se estende a alguns poucos megohms. O megger (megôhmetro) é usado para me-
didas de resistência de isolamento como, por exemplo, a existente entre um fio condutor e
a superfície externa do seu isolamento, ou a resistência de isolamento de cabos e seus
isoladores. A escala de um megger pode estender-se a mais de 1.000 megohms.

Ohmímetro
O ohmímetro é essencialmente, com algumas alterações, um miliamperímetro CC
já discutido anteriormente neste capítulo. As alterações introduzidas são: (1) uma fonte
CC de potencial constante (normalmente uma bateria de três volts), e (2) um ou mais
resistores (um dos quais é variável). A figura 15-12 mostra o circuito simplificado de um
ohmímetro.

Ajuste de zero

Fig. 15·12. - Circuito simplificado de um


ohmímetro.

A deflexão do ponteiro do ohmímetro é função do valor da corrente da bateria que


flui através da bobina móvel. Antes de se medir a resistência de um resistor desconhecido
ou de um circuito elétrico, as ponteiras do ohmímetro devem ser curto-circuitadas con-
forme é mostrado na figura 15-12. Com as ponteiras em curto-circuito o medidor é ajus-
tado para uma correta operação na escala selecionada. Enquanto os terminais de entrada
estiverem em curto, o fluxo de corrente no medidor é máximo e máxima será a deflexão

367
do ponteiro, deslocando-se para uma posiçfo próxima da indicaçã'o zero na escala de
resistência (ohms). O resistor variável é então ajustado para urna posiçfo em que o P,OD-
teiro do medidor fique exatamente sobre a marea de zero na escala. Tal operação indica
RESIST NCIA ZERO entre as ponteiras de teste, o que é correto já que elas estão em
curto-circuito. O ZERO de um ohmúnetro tipo série fica na extremidade direita da
escala, pois representa o máximo. de corrente fluindo pela bobina móvel, ao passo que
nos voltímetros e amperímetros a posição zero de corrente e tensão fica à esquerda da
escala pois representa ausência de corrente fluindo na bobina móvel. Quando as ponteiras
do ohmímetro sfo separadas, o ponteiro do medidor retoma para a extremidade esquerda
indicando resistência máxima. O retorno do ponteiro para a esquerda ocorre devido à
interrupção da corrente e à tensfo das molas que atuam no conjunto da bobina móvel.

Circuito de

dbnM ·
A-.--4-------

Circuito
da fonte RI
de tensão
b

Fig.15-13. - Medição da resistência de um


circuito com um ohmímetro.

Após a ajustagem do zero do ohmímetro, ele estará pronto para ser ligado ao cir-
cuito a ser medido. A figura 15-13 mostra como um ohmímetro deve ser inserido em
um circuito para medir a resistência do mesmo. :e importante que o circuito a ser testado
esteja desalirnentado. Por isso, a primeira operação antes de efetuar qualquer medida com
o ohmímetro é sempre no sentido de desligar a chave de alimentaçã'o do equipamento
sob teste. Isto evita que a fonte de tensfo do circuito seja aplicada no medidor que pode-
ria, em virtude da tensão excessiva, provocar o fluxo de uma corrente excessiva no me-
didor avariando-o.
As ponteiras de teste do ohtÍlímetro sã'o ligadas em série com o circuito a ser me-
dido (figura 15-13). Dessa forma, a corrente produzida pela bateria de três volts do me-
didor flui pelo circuito sob ;este. Levando em consideraçã'o que as ponteiras de teste
do medidor estfo ligadas aos pontos "a" e ''b" (figura 15-13), o valor da corrente que
flui através da boba do medidor depende do valor das resistências R 1 e R 2 , mais a

368
resistência do medidor. Desde que o medidor tenha sido previamente ajustado (ajus·
tagem de zero), o deslocamento da bobina depende tão-somente das resistências R 1 e
R 2 • A inclusã'o de R 1 e R2 aumenta a resistência série total, diminuindo a corrente e,
conseqüentemente, tomando menor a deflexão do ponteiro. O ponteiro agora estacionará
em um ponto da escala que i_ndica a soma das resistências R 1 e R2 . Se R 1 ou R2 ou
ambos forem substituídos por um resistor com valor ôlu-nico maior, o fluxo de corrente
na bobina móvel do medidor será menor. A deflexão também diminui, e a indicação da
escala será correspondente a uma resistência maior. O movimento da bobina móvel é
proporcional ao valor do fluxo de corrente. A leitura na escala do medidor, em ohms,
é inversamente proporcional ao fluxo de corrente da bobina móvel.
O ·valor das resistências a serem medidas pode variar ao longo de uma larga faixa.
Em alguns casos, esse valor pode ser somente de uns poucos ohms. Em outros, pode ser
maior do que 1.000.000 ohms.Para que o medidor indique o valor medido com um mfui-
mo de erro, sã'o incorporados, na maioria dos ohrnúnetros, arranjos para a multiplicaçã'o
da escala. Por exemplo: um medidor típico terá quatro entradas marcadas como se segue:
COMUM, R X 1, R X 10 e R X 100. A entrada marcada COMUM é ligada, internamente,
através da bateria, a um dos lados da bobina móvel do ohrnúnetro. As entradas marcadas
R X 1, R X 10 e R X 100 são ligadas, como mostrado na figura 15-14, a três resistores
de valores diferentes, localizados dentro do ohrnímetro.
Alguns ohmúnetros são equipados com uma chave seletora para seleção da escala
de multiplicaçã'o desejada de maneira que somente duas entradas de teste são necessárias.
Os mais modestos, como o mostrado na figura 15-14, têm entradas separadas para cada
escala. A escala a ser usada para medida da resistência desconhecida (Rx na figura 15-14)

RX
Fig. 15.14. - Ohmímetro com jacks de multi·
plicação.

369
depende do valor ôlunico aproximado da resistência. Por exemplo, suponhamos que a
escala do ohmírnetro na figura 15-14 esteja calibrada de zero a 1.000. Se Rx for maior
que 1.000 ol:uns, a escala do R X 1 nã'o poderá medi-la. Isto ocorre porque a soma das
resistências em série dos resistores R X 1 e Rx é grande demais para permitir que flua
wna corrente de bateria suficiente para deslocar o ponteiro da posição de infinito (oo).
As ponteiras de teste teriam de ser inseridas na entrada da escala seguinte , R X 10. Isto
feito, consideremos que o ponteiro deflexione até indicar 375 ohms de resistência. A
mudança de escala possibilitou a deflexão porque o resistor da escala R X 10 tem somente
1f 10 da resistência de R X 1. Assim, a seleção de uma resistência menor permite a pas-
sagem de uma corrente maior com valor suficiente para causar a deflexão do ponteiro.
Se a escala R X 100 fosse usada para medir o mesmo resistor de 3.750 ohms, o ponteiro
deflexionaria mais, até a posição de 37,5 ohrns. Este aumento de deflexão ocorreria por-
que o resistor da escala R X 100 tem somente 1/10 da resistência do resistor de entrada
RX 10.
A disposiÇ[o do circuito permite que o mesmo valor de corrente flua através da
bobina móvel do medidor, esteja ele medindo 10.000 ohrns na escala de R X 1 ou 100.000
ohrns na escala de R X 1O ou 1.000.000 ohms na escala de R X 100.
É necessário sempre o mesmo valor de corrente para deflexionar o ponteiro para
wna certa posição na escala (por exemplo, na posição central da escala), independente-
mente do fator de multiplicação em uso. Visto que os resistores multiplicadores são de
valores diferentes, toma-se necessário, portanto, SEMPRE ajustar o "zero" do medidor
quando se trocar de escala. O operador do ohrnírnetro deve selecionar o fator de ampli-
ficação (escala) que produza uma indicação do ponteiro tão próxima quanto possível
da posiçã'o do eixo da escala. Isto possibilita ao operador ler com mais precisão a resis-
tência, porque as leituras feitas na metade da escala ou nas suas proximidades são mais
facilmente interpretadas.
Megger
Um ohmímetro comum não pode ser usado para medir resistências de muitos
milhões de ohrns como, por exemplo, as resistências de isolamento de condutores. Para
testar adequadamente wna resistência de isolamento é necessário o emprego de wn poten-
cial muito mais alto do que o fornecido pela bateria de um ohmímetro simples. Este
potencial é aplicado entre o condutor e a superfície externa do material isolante.
Um instrwnento denominado MEGGER (megôhrnetro) é usado para tais testes.
O megger (figura 15-15 A) é um instrumento portátil que consiste de dois elementos
principais:(1) um gerador CC de excitação manual, G, que supre a tensão necessária para
fazer as medidas, e (2), a parte instrumental propriamente dita, que indica o valor da
resistência sob medição. A parte instrumental é do tipo de bobinas opostas como mos-
trado na figura 15-15 (A). As bobinas "a" e "b" são montadas no elemento móvel "c"
com uma relaÇ[o angular fixa entre si e o conjunto gira livremente no campo magnético.
A bobina "b" tende a mover o ponteiro no sentido anti-horário e a bobina "a" no sen-
tido horário. .
A bobina "a" é ligada em série com R 3 e com a resistência desconhecida , Rx , a ser
medida. A combinação da bobina "a", R 3 e Rx forma um circuito série entre as escovas +
e - do gerador CC. A bobina "b" está ligada em série com R 2 e esta combinação está
também ligada ao gerador. Não há molas de retenção no elemento móvel para trazer o
ponteiro para qualquer dos extremos. Portanto, enquanto o gerador não é operado, o
ponteiro move-se livremente e pode vir a permanecer em qualquer posição da escala.
O anel de segurança intercepta a corrente de fuga. Qualquer corrente de fuga inter-

370
ceptada é colocada em paralelo com o circuito através do terminal negativo do gerador.
Não passando através da bobina "a", ela não afeta a leitura do medidor.
Se os terminais do teste estão abertos, nenhuma corrente flui através da bobina "a".
Entretanto, a corrente flui internamente através da bobina "b" e deflexiona o ponteiro
para a posição infmito, a qual indica urna resistência muito grande a medir. Quando uma
resistência tal como Rx é ligada entre as ponteiras de teste, a corrente também flui na
bobina "a", tendendo a mover o ponteiro no sentido horário. Ao mesmo tempo, a bobina
"b" tende a mover o ponteiro no sentido contrário. Por conseguinte, elemento móvel,
composto de ambas as bobinas e do ponteiro, permanecerá em urna posição na qual as
duas forças estarão equilibradas. Esta posição depende do valor da resistência externa,
a qual determina a intensidade da corrente na bobina "a". Em virtude de as variações da
tensão afetarem na mesma proporção ambas as bobinas, a posição do conjunto móvel é
independente da tensão. Se os terminais de teste estiverem em curto, o ponteiro per-
manecerá em zero porque a corrente em "a"será relativamente grande. Neste caso, o ins-
trumento não é avariado porque a corrente é limitada por R3 . A figura 15-15 (B) mostra
a vista externa de um tipo de megger.
Os meggers existentes a bordo comumente trabalham com uma tensão nominal
de 500 volts. Para evitar tensões de teste excessivas, a maioria dos meggers é equipada

Escala

(B) Vista externa

Circuito
Rx (A)

Fig. lS-lS. - tA) Circuito interno do megômetro; lB) Vista externa do megômetro.

371
com uma embreagem de fricção. Quando o gerador é girado mais rapidamente do que
sua velocidade nominal, a embreagem desliza e conseqüentemente, a velocidade do gera-
dor, e a sua tensão de saída, não excedem os valores nominais. Para medir isolamentos
cujos valores sejam extremamente grandes, existem geradores de 1.000 volts. No caso
de resistência extremamente altas, 10.000 megohms ou mais, por exemplo, é necessária
uma tensão mais alta para produzir uma corrente cujo fluxo seja suficiente para forçar
o movimento do medidor.

Multímetro
O multímetro é um instrumento de múltiplo emprego que pode medir resistência,
tensão ou corren te. A leitura é feita em um miliamperímetro. No mostrador do instru-
mento há uma chave de função que ajusta o medidor para a operação desejada. Uma
chave de escalas divide a escala total de uma determinada função em diversas seções para
facilidade de leitura. A figura 15-16 mostra um tipo de medidor de largo emprego no
serviço de reparos eletrônicos.
No painel frontal do medidor as entradas são identificadas de maneira tal que todas
as funções estão esclarecidas. Uma tomada marcada - CC ± CA OHMS é comum a todas
as funções e escalas. Uma das ponteiras de teste é sempre introduzida nesta tomada
comum e a outra é introduzida na tomada marcada com a função ou escala desejada.
O arranjo interno do circuito do medidor é controlado por meio da chave de FUNÇÃO.
Essa chave seleciona os elementos adequados do circuito para o tipo de medição dese-

Fig. 15-16. - Multímctro.

372
jada. A escala desejada de tensão, de corrente ou de resistência, é determinada pela ação
combinada do posicionamento das chaves de função e de escala, e da seleção da tomada
adequada. A chave de escalas seleciona a escala, se de resistência ou de corrente, e as
tomadas selecionam a escala de tensão. A chave de função seleciona o tipo de operação a
ser executada. Existem entradas separadas para a escala de ohms e para a de 10 ampêres.
Uma tomada identificada TERRA DO INVÓLUCRO (Case Ground) é ligada diretamente
ao invólucro de alumínio fundido.
O painel do medidor contém os seguintes controles de operação:
1. CHAVE DE FUNÇÃO (Function Switch). É uma chave giratória, de seis posi-
ções, marcadas claramente com o tipo de medida a ser feita. Está localizada no canto
inferior esquerdo do painel frontal.
2. CHAVE DE ESCALAS (Range Switch). É uma chave de doze posições usada na
seleção de uma das cinco escalas de resistência, ou uma das sete escalas de corrente. Está
localizada no canto inferior direito do painel frontal. Uma escala adicional de corrente
(lO ampêres) pode ser obtida através de uma entrada separada, isto por causa da grande
intensidade de corrente.
3. AJUSTAGEM DO ZERO (Zero Ohms Adj). Este controle é um reostado usado
para colocar a zero o ponteiro do medidor quando operando como ohmímetro. Com as
ponteiras de teste em curto, o reostado é ajustado até que o ponteiro se situe em zero.
O reostato serve também para compensar variações na tensão da bateria e está localizado
na região inferior, no centro do painel frontal.
Os seguintes procedimentos operacionais devem ser cumpridos ao se fazerem as
medidas:
1. MEDIDA DE TENSÃO CA. - Gire a chave de função para a posição VOLTS
(AC VOLTS). Introduza uma das ponteiras de teste na tomada ± CA (AC). Introduza a
outra ponteira na entrada de 1.000 OHMS POR VOLT, da escala desejada.
2. MEDIDAS DE OHMS. - Gire a chave de função para a posição OHMS. Intro-
duza as ponteiras de teste nas duas tomadas OHMS. Gire a chave de escalas para a escala
de resistência desejada. Coloque em curto as ponteiras de teste e ajuste o ponteiro do
medidor para zero ohms girando o controle de AJUSTAGEM DE ZERO OHMS.
3. MEDIDA DE CORRENTE CONTINUA. - Gire a chave de função para a posição
CORRENTE CC (DC CURRENT). Introduza a ponteira de teste preta na entrada -CC
(- DC). Para correntes máximas de 250 microampêres a 2,5 ampêres, introduza a pon-
teira vermelha na entrada da escala desejada.
4. MEDIDAS DE TENSÃO CC com sensibilidade de 1.000 OHMS POR VOLT.
Gire a chave de função para 1.000 OHMS/VDC. Introduza a ponteira preta na entrada
-DC. Introduza a ponteira vermelha na entrada da escala desejada.
5. MEDIDAS DE TENSÃO CC com sensibilidade de 20.000 OHMS POR VOLT.
Existe uma posição de inversão de polaridade nas medidas em 20.000 ohms por volt,
que pode ser selecionada pela colocação da chave de função em DIRETA (Direct) ou
INVERSA (Reverse). Isto permite a medida de tensões com polaridade negativa ou posi-
tiva, desde que o invólucro do instrumento e a entrada comum de CC (DC), sejam man-
tidos no mesmo potencial que o chassis do equipamento sob teste. Assim sendo, deve
ser seguido sempre o seguinte procedimento quando forem usadas as escalas de 20.000
ohms por volt e, particularmente, quando forem usadas as escalas de 1.000 ou 5.000 volt:
a - Introduza a ponteira preta na entrada - DC.
b - Ligue o outro extremo da ponteira preta ao chassis ou qualquer parte metá-
lica do equipamento sob teste.

373
c - Gire a chave de função para a posição "20.000 ohrns/VDC DIRETA", se a
tensão a ser medida for positiva em relação ao chassis.
d - Gire a chave de função para a posição "20.000 ohrns/VDC INVERSA", se a
tensão for negativa em relaçã:o ao chassis.
NOTA: A entrada TERRA DO INVÓLUCRO (Case Ground) é ligada diretamente
à caixa metálica. Não está conectada a nenhum ponto do circuito do multímetro. Para
proteção do operador deve ser ligada a um ponto de terra geral.

O multímetro apresentado foi ME 9 G/ U. Há, no reparo eletrônico, diversos outros


que sêfo ligeiramente diferen_tes. Basicamente sêfo iguais, diferindo, tão-somente, em deta-
lhes. É de toda conveniência que o técnico domine a operação do seu instrumento evi-
tando avariá-lo.

MEDIDOR COM PALHETA DE FERRO MÓVEL

O medidor com palheta de ferro móvel é outro tipo básico de medidor. Diferente
do medidor tipo D'Arsonval , que emprega ímãs permanentes, o medidor com palhetas
depende da indução magnética para o seu funcionamento. O medidor emprega o princí-
pio de repulsão entre duas palhetas concêntricas de ferro, uma fixa e outra móvel, colo-
cadâs no interior de uma bobina como mostrado na .figura 15-17 (A). Um ponteiro é
afixado à palheta móvel.
Quando a corrente passa através da bobina, as duas palhetas de ferro magnetizam
com pólos norte nos seus extremos superiores e pólos sul nos seus extremos inferiores
para um determinado sentido da corrente que flui na bobina. Uma vez que pólos iguais
se repelem, a componente das forças de repulsão, tangente ao elemento móvel, força
a sua rotação, mesmo estando presente a força exercida pelas molas.
A palheta móvel é de forma retangular e a palheta fiXa é afllada. Isto permite o
uso de uma escala relativamente uniforme.

lA) Construçio interna (B) Vista externa

Fia.15-17.- tA) Diagrama simplificado do medidor com palheta de ferro; tB) Vista externa.

374
Quando nã'o flui corrente através da bobina, a palheta móvel é posicionada em cor-
respondência com a porçã'o mais larga da palheta fixa, e a leitura é zero. A magnetizaçã'o
das palhetas depende da intensidade do campo, o qual, por sua vez, é função do valor
da corrente que flui pela bobina. A força de repulsã'o é maior quando a palheta móvel
se encontra na altura da extremidade mais larga da palheta fixa, e menor quando ela
está mais próxima da extremidade mais estreita da mesma. Conseqüentemente, a palheta
móvel se desloca em direção à extremidade mais estreita da palheta fixa de um ângulo
que é proporcional à intensidade da corrente na bobina. O movimento cessa quando a
força de repulsã'o é equilibrada pela força restauradora da mola.
Em virtude da força de repulsã'o ser sempre na mesma direção (extremidade mais
estreita da palheta fixa), independentemente do sentido da corrente através da bobina o
instrumento com palhetas de ferro móvel opera em circuitos de corrente alternada ou de
corrente contínua.
O amortecimento mecânico, neste tipo de instrumento, é obtido pelo uso de uma
palheta de alumínio fixada ao eixo (não mostrada na figura) de maneira que, quando o
eixo se move, a palheta se desloca dentro de uma câmara de ar.
Quando o medidor com palheta de ferro móvel é projetado para ser usado como
amperímetro, a bobina é enrolada com relativamente poucas espiras de fio grosso de
modo a suportar a corrente nominal.
Quando projetado para funcionar como voltímetro, o solenóide é enrolado com
muitas espiras de fio fmo. Os voltímetros portáteis são feitos com resistências em série
no seu interior, permitindo a leitura de tensões até 750 volts. Limites mais altos sã'o
obtidos pelo uso de resistores multiplicadores externos adicionais. Uma vista externa
de um medidor de palheta móvel é mostrada na figura 15-17 (B).
Os instrumentos com palheta de ferro móvel podem ser usados para medir cor-
rente contínua, mas apresentam um erro devido ao magnetismo residual nas palhetas.
O erro pode ser reduzido pela inversão das conexões e tirando-se a média das leituras.
Quando usado em circuitos de corrente alternada, o instrumento apresenta urna precisão
de 0,5%. Em virtude da sua simplicidade, seu custo relativamente baixo, e pelo fato de
o elemento móvel não conduzir corrente, este tipo de movimento é usado extensivamente
para medir corrente e tensão em circuitos de corrente alternada.
Entretanto, como a relutância do circuito magnético é alta, o medidor de palheta
de ferro móvel necessita de muito mais potência para produzir o máximo de deflexão do
ponteiro, do que a que necessita o medidor tipo
D'Arsonval de mesma capacidade. Por esta razão, o
medidor de palheta móvel de ferro é raramente
usado em circuitos de baixa potênciaalta resis-
tência.

Medidor com palheta de ferro e bobina inclinada


O mesmo princípio do mecanismo de palhe-
ta móvel de ferro é aplicado ao tipo de medidor com
bobina inclinada mostrado na figura 15-18. Este me-
didor possui urna bobina montada de maneira a
fazer um ângulo com o eixo. Fixadas obliquamente
ao eixo, e localizadas no interior da bobina, existem CONSTRUÇÃO INTERNA
duas palhetas de ferro doce. Enquanto não flui cor- Fig. lS-18. - Medidor com palheta
rente através da bobina, uma mola de controle segu- de ferro e bobina inclinada.

375
ra o ponteiro na posição zero e as palhetas de ferro permanecem em planos paralelos ao
plano da bobina. Quando flui corrente, as palhetas tendem a alinhar as linhas magnéticas
que passam pelo centro da bobina em ângulos retos com o plano da mesma. Como con-
seqüência, as palhetas giram contrariando a ação da mola e movendo o ponteiro ao longo
da escala.
As palhetas de ferro tendem a alinhar com as linhas magnéticas independente do
sentido do fluxo de corrente através da bobina. Assim, o medidor com palheta de ferro e
bobina inclinada pode ser usado para medir ambas as correntes, alternada e contínua.
Um disco de alumínio e os ímãs de tração possibilitam o amortecimento eletromagnético.
Da mesma forma que no medidor de palheta móvel de ferro, no medidor com bobi-
na móvel de ferro, o medidor com bobina inclinada necessita de um valor relativamente
alto de corrente para a máxima deflexã'o do ponteiro e por isso, também raramente é uti-
lizado em circuitos de baixa potência e alta resistência.
Como no instrumento com palheta móvel de ferro, o medidor com bobina inclinada
é feito com poucas espiras de fio relativamente grosso quando usado como amperímetro,
e com muitas espiras de fio fmo quando usado como voltímetro.

Medidor tipo par termoelétrico


Se as extremidades de dois fios de metais diferentes forem soldadas e a junção
aquecida, uma tensão CC é gerada entre as duas extremidades separadas. A tensão desen-
volvida depende do material com a qual os fios são feitos e da diferença de temperatura
entre a junção aquecida e os terminais separados no outro extremo.
No medidor tipo par termoelétrico, a junção é aquecida eletricamente pelo fluxo
de uma corrente que flui através de um elemento aquecedor. Não importa se a corrente é
alternada ou contfuua porque o efeito de aquecimento é independente do sentido da
corrente. A corrente máxima que pode ser medida depende da corrente nominal que
flui pelo aquecedor, do aquecimento que o par termoelétrico pode suportar sem avaria,
e da corrente nominal do medidor usado com o par termoelétrico. Pode-se também medir
tensões se forem colocados em série com o aquecedor resistores de valores adequados.
Um diagrama esquemático simplificado de um tipo par terrnoelétrico é mostrado
na figura 15-19. A corrente de entrada flui através da lâmina aquecedora por meio de
blocos terminais. A função da lâmina aquecedora é aquecer o par termoelétrico que é

aquecedora
Isolador
Bloco
terminal

Lâmina
compensadora
Fig. 15-19.- Esquema simplificado de um tipo de par tennoelétrico.

376
composto de uma junção de dois fios diferentes soldados à lâmina aquecedora. Os ter-
minais separados destes fios são ligados ao centro de duas lâminas de cobre de compensa-
ção. A função das lâminas é irradiar o calor para que as extremidades separadas dos fios
fiquem mais frias que as da junção. Conseqüentemente, isto permite a obtenção de uma
maior tensão a ser desenvolvida entre os terminais separados do par termoelétrico. As
lâminas de compensação são térmicas e eletricamente isoladas dos blocos terminais.
O calor produzido pelo fluxo de corrente através da lâmina aquecedora é propor·
cional ao quadrado da corrente de aquecimento (P = I2R). Por ser a tensão que aparece
entre os dois terminais separados proporcional à temperatura, o movimento do elemento
medidor, ligado aos terminais, é proporcional ao quadrado da corrente que flui através
do elemento aquecedor. A escala do medidor é comprimida próximo à extremidade do
zero e progressivamente mais expandida na direção da extremidade de valores máximos.
Por essa razão, a leitura na porção mais baixa da escala é menos precisa. Ao se fazer
uma medida, é aconselhável, para aumentar a precisão da leitura, escolher um medidor
no qual a deflexão atinja, no mínimo, a parte mais aberta da escala.
O medidor usado com o par termoelétrico deve ter baixa resistência para casar
com a baixa resistência do par, e deve deflexionar ao mínimo quando a corrente nominal
fluir através do aquecedor. Em virtude de a resistência ser baixa e a sensibilidade alta, o
elemento móvel deve ser leve.
Uma escala mais uniforme pode ser obtida se o ímã permanente do medidor for
construído de maneira tal que à medida que a bobina se move (o ponteiro se desloca ao
longo da escala), ela o faz dentro de um campo magnético de densidade gradativamente
menor. A força de torção passa então a aumentar aproximadamente com a corrente, ao
invés de com o seu quadrado, obtendo-se, assim, urna escala linear.
Se o par termoelétrico se queimar em virtude de corrente excessiva passando pela
lâmina aquecedora, ele pode ser substituído e o medidor recalibrado por meio do resis-
tor variável de calibragem.

MEDIDORES PARA CORRENTE ALTERNADA

Até este ponto foram discutidos instrumentos simples para medida de correntes.
Apenas alguns seriam capazes de fazer medidas em corrente alternada. A maioria desti-
nava-se apenas a medir correntes e tensões contínuas. Entretanto, é necessária ao técnico a
familiarização com instrumentos adicionais mais avançados, capazes de medir correntes e
tensões alternadas. Serão discutidos, a seguir, os seguintes:1) medidores CA com retifi-
cadores; 2) Wattímetros e medidores de watt-hora ; 3) instrumentos com transformadores;
4) medidores em ponte para avaliação de resistência, corrente , tensão, capacitância e
indutância ; 5) medidores de freqüência (freqüencirnetros); e 6) medidores monofásicos
de fator de potência.
Muitos dos instrumentos a serem discutidos nesta parte utilizam retificadores semi·
condutores; estes retificadores serão explanados inicialmente.

Retificadores
t> retificador é um dispositivo que oferece uma grande oposição à passagem de cor-
rente em um sentido e pequena oposiç!fo no sentido oposto. É, dessa forma, um condutor
unidireciohal utilizado em larga escala para converter corrente alternada em corrente
unidirecional (contínua).

377
Cada elemento retificador metálico, denominado célula, consiste de um bom con-
dutor e de um semícondutor (material de elevada resistividade) separados por uma bar-
reira isolante. O fluxo de corrente contúma na célula consiste de um fluxo de elétrons
do bom condutor pela barreira através do sernicondutor.
As células dos retificadores metálicos são normalmente feitas na forma de placas,
de forma circular ou quadrada, com um furo no centro. Um determinado número de
células com os necessários terminais, espaçadores e arruelas, é montado sobre um parafuso
isolado que passa através dos orifícios de cada uma dessas peças. O conjunto é denomi-
nado retificador. Alguns tipos são dotados de alhetas para evitar o superaquecimen to do
retificador. As alhetas contribuem com uma grande superfície para dissipar o calor pro-
duzido pela passagem da corrente. As células ou os retificadores já montados podem ser
ligados em série ou em paralelo, com as polaridades adequadas, para que se obtenham
determinadas correntes e tensões necessárias ao circuito a que se destinam.
Dois tipos de retificadores metálicos são usados na Marinha : (1) película de óxido
de cobre e cobre;e (2) selênio e ferro ou alumínio. O retificador metálico é representado
pelo símbolo esquemático mostrado na figura 15-20 (A). A seta no símbolo aponta no
sentido do movimento dos elétrons.
Corrente através
do retificador
+ e resistor em série
o......--..... .-.
- QôXidOV de Co

(L-
Cobre
Símbolo esquemático

+C\
Q
n
vv e=>\\)J
Saída de tensão
através do resistor
Tensão CA
Fluxo de elétrons a plicada +
(A)
(8)
Fig. IS-20.- (A} Símbolo de retificador metálico; tB) Forma de onda em um circu ito CA utilizando
um re tificador.

A figura 15-20 (B) mostra um circuito CA simples que utiliza o retificador metálico.
Este retifica a tensão CA e produz, na saída, uma série de impulsos de tensão CC.Embora
na figura seja mostrado o retificador de óxido de cobre , o de selênio pode ser usado com
a mesma fmalidade.
No retificador de óxidos de cobre, mostrado na figura 15-21 (A), o óxido é for-
mado sobre o disco de cobre antes da unidade retificadora ser montada. Neste tipo de
retificador, os elétrons fluem mais facilmente do cobre para o óxido do que do óxido
para o cobre. Ugações elétricas externas podem ser feitas conectando-se term inais; um

378
entre a placa de pressão esquerda e o cobre e o outro entre a placa de pressão direita e
a arruela terminal.
Para que o retificador funcione normalmente, a película de óxido tem que ser
muito fina. Por isso, cada célula pode suportar apenas uma baixa tensão inversa. Os reti-
ficadores projetados para uso com média e alta potência são formados por um grande
número dessas células montadas em série em um único suporte. A arruela terminal per-
mite a aplicação de pressão uniforme sobre as unidades, reduzindo, dessa forma, a resis-
tência interna. Quando as unidades são ligadas em série, elas normalmente apresentam
uma resistência relativamente alta à passagem da corrente. O calor desenvolvido nessa
resistência deve ser dissipado para que o retificador opere satisfatoriamente. Muitos reti-
ficadores comerciais possuem alhetas de cobre com o propósito de dissipar o excesso
de calor. A vida útil da unidade é aumentada se for mantida baixa (abaixo de 55 °C),
a sua temperatura de operação. A eficiência desse tipo de retificador é geralmente entre
60 e 70 por cento.

Cobre

Arruela de
isolamento

Tubo d e Tubo de
isolamento isolamento

Placas de pressão

(A) lBl
ÓXIDO DE COBRE SELÊNIO

Fig. 15-21. - Construção de retificadores metá-


lic<>s.

Os retificadores de selênio funcionam. da mesma maneira que os de óxido de cobre.


Um retificador de selênio é mostrado na figura 15-21 (B). O retificador é feito com um
disco de ferro coberto com fma camada de selênio. Neste tipo de retificador, os elétrons
fluem mais facilmente do selênio para o ferro do que do ferro para o selênio.
Este tipo de retificador pode ser operado em temperaturas mais elevadas do que
os de óxido de cobre de mesma capacidade de corrente. A eficiência dos retificadores
de selênio é de 65 a 85 por cento, dependendo do circuito onde é usado e da carga.
Os retificadores metálicos podem ser usados não somente como retificadores de
meia onda, como mostrado na figura 15-20, mas também em pontes e retificadores de
onda completa. Em cada uma dessas aplicações, a ação do retificador metálico é a mesma
da de um diodo.
Há diversos tipos de retificadores a diodo semicondutor. Os de germânio e silí-
cio são os de maior emprego. Esses retificadores variam em tamanho desde os menores
do tamanho da cabeça de um alfinete utilizado nos circuitos miniatura até .os maiores
capazes de retificar até 500 ampêres e usados nas grandes fontes de alimentação. Um
diodo retificador do tipo silício com dimensões em tomo de uma polegada pode formar

379
urna corrente CC de 50 amperes de pico com uma tensão inversa de pico igual a 60 volts.
Os retificadores germânio e silício operam de maneira similar aos retificadores metálicos
e são empregados nos mesmos circuitos.

Tipos de retificadores para medidores de CA


É possível acrescentar a um instrumento com movimento D'Arsonval, que mede
corrente contfuua, um retificador para que ele possa efetuar medidas de corrente alter-
nada. Os retificadores empregados são normalmente do tipo semicondutor dispostos
em um circuito ponte como mostrado na figura 15-22. Usando-se os retificadores na
ponte, observa-se que só poderá haver circulação de corrente em um sentido através do
medidor. Quando a tensão a ser medida tem uma forma de onda como o da figura 15-22,
o caminho do fluxo de corrente será do terminal de entrada mais baixo, através do reti-
ficador número três, através do medidor, e, através do retificador número dois, para o
outro terminal de entrada fechando o circuito da fonte. O semiciclo seguinte da voltagem
de entrada (indicado pela senóide pontilhada) fará a corrente circular pelo retificador
número um, através do instrumento e através do retificador número quatro fechando o
caminho para a fonte. Dependendo da freqüência da corrente medida, este tipo de ins-
trumento geralmente apresenta erros de leitura. Deverão ser feitas tabelas corretivas de
acordo com os dados fornecidos pelo fabricante. De um modo geral, entretanto, a maioria
dos instrumentos possui redes corretivas que fazem os instrumentos isentos de erros até
à freqüência de 100kHz. Um instrumento deste tipo requer, para deflexão total do pon-
teiro, uma corrente de um miliampêre. É de largo emprego como voltímetros CA especial-
mente com escalas baixas.

--....-

I \ Tennínais
de entrada CA

'\ II
\ I
\ I
'' .... _ _,/
/

-----
Fig.15-22. - Ligação simples de um retificador de onda completa de um instrumento CA.

Ocorre com o decorrer do tempo um certo envelhecimento nos retificadores, o


que provoca uma incorreção nas medidas. Devido a esse fato, tais instrumentos têm
que ser recalibrados periodicamente. Um instrumento com retificadores mede o valor
médio da corrente alternada. Entretanto, como o valor eficaz (RMS) é mais útil, os me-
didores CA são normalmente calibrados para indicar valores eficazes (1,11 vezes o valor
médio das correntes ou tensões medidas).

380
Wattímetros
A potência elétrica é medida por meio de wattúnetros. Este instrumento é do tipo
eletrodinamômetro. Consiste de um par de bobinas flxas, conhecidas como bobinas de
corrente, e de uma bobina móvel, conhecida como bobina de tensão (veja a figura 15-23).
As bobinas fixas sã"o feitas com poucas espiras de flo relativamente grosso. A bobina de
tensão é feita com muitas espiras de fio fino, e é montada em um eixo suportado por
mancais de pedras semipreciosas de tal modo que pode girar entre as bobinas fixas.
A bobina móvel desloca o ponteiro sobre uma escala graduada. Como visto anterior-
mente na figura 15-10, uma mola espiral leva o ponteiro para a posição zero na escala.
As bobinas de corrente (bobinas estacionárias) do wattúnetro são ligadas em série com o
circuito (carga) e a bobina de tensão (bobina móvel) é ligada em paralelo com a linha.
Quando a corrente da linha flui através das bobinas de corrente do wattímetro,
um campo é formado em torno dessas bobinas. A intensidade desse campo é proporcio-
nal à corrente da linha e está em fase com ela. A bobina de tensão é geralmente ligada
em série com um resistor de alto valor. Isto é feito para tornar o circuito da bobina de
tensíio do medidor o mais resistivo possível. Como resultado, a corrente no circuito da
bobina de tensão flca praticamente em fase com a tensão da linha. Assim sendo, quando é
aplicada tensíio no circuito da bobina, a corrente é proporcional e em fase com a tensão da
linha.

(A)
(8)
Fig. 15-23. - Circuito simplilicado de wattímetro ele trodi namô metro.

A força que atua no wattúnetro é derivada da interação do campo das bobinas


de corrente com o campo da bobina de tensão. A força agindo na bobina móvel, em
qualquer instante , tendendo a girá-la é proporcional ao produto dos valores instantâ-
neos da corrente e tensão da linha.
O wattúnetro consiste de dois circuitos e qualquer deles será danillcado se fluir
excessiva corrente pelos mesmos. Este fato é especialmente enfatizado no caso dos

381
wattímetros, porque a indicação do instrumento não serve para mostrar ao <?perador
que as bobinas estão se superaquecendo. Se qualquer amperímetro ou voltímetro for
sobrecarregado, o ponteiro indicará um valor além do limite superior de sua escala. No
wattímetro, entretanto, tanto o circuito de tensão como o de corrente podem estar
sobrecarregados ao ponto de torrar o isolamento, e ainda assim o ponteiro encontra-se
a meio da escala. Isto ocorre porque a posição do ponteiro depende, além da tensão e
da corrente, do fator de potência do circuito. Assim, um circuito com baixo fator de
potência indicará uma leitura baixa no wattímetro, mesmo quando circuito de corrente
e tensão estão carregados ao seu limite máximo permissível. Esse limite máximo é geral-
mente gravado na parte frontal do instrumento. O wattímetro é sempre calibrado de
maneira bem clara, não em watts, mas em volts-ampêres. A figura 15-24 mostra a ma-
neira correta de se ligar o wattímetro e vários tipos de circuito.

(A) Wattímeuo lCl Wattímetro


Corrente Corrente

Fonte Tensão
Carga Carga

CIRCUITO MONOFÁSICO

Wattimetro Fonte
(B)

Wattímetro
t
Carga
Tensão

:t
Corrente
Carga

SISTEMA BIFÁSICO

Wattímetro

SISTEMA DE TW FIOS
CIRCUITO MONOFÃSICO

Fig. 15-24. - Wattímetro ligado a vários circuitos.

Wattímetro-hora
O wattímetro-hora é um instrumento projetado para efetuar medidas de energia.
A energia é o produto de potência pelo tempo. O wattímetro-hora tem que levar em
consideração ambos os fatores.
Em princípio, o wattímetro-hora é um pequeno motor cuja velocidade instantânea
é proporcional à POTeNCIA que passa por ele. O número total de rotações, em um
tempo dado, é proporcional à ENERGIA total ou watt-horas consumidos durante aquele
período.
Como pode ser observado na figura 15-25, a linha é conectada a dois terminais
no lado esquerdo do medidor. O terminal superior é ligado a duas bobinas FF em série.
Essas bobinas são enroladas com fio suficientemente grosso para permitir a passagem
da máxima corrente absorvida pela carga. Elas são ligadas de tal forma que seus campos
magnéticos se somam. A armadura A gira dentro do campo produzido pelas bobinas FF.
O outro fio da linha vai diretamente à carga.
Um circuito de derivação é ligado ao terminal superior da linha, no lado esquerdo.
Este circuito passa através da bobina F, pelas escovas B, comutador C, através da arma-
dura A e do resistor R, e vai ao outro lado da linha (o resistor não existe em alguns wat-
tímetros-hora). Uma vez que a corrente de carga passa através das bobinas FF e não há
ferro no circuito, o campo magnético produzido por essa bobina é proporcional à cor-
rente de carga. A armadura, em série com o resistor, é ligada diretamente à linha. A cor-
rente na armadura do medidor é proporcional à tensão da linha. Desprezando-se.a peque-
na queda de tensão nas bobinas FF, o toque atuante sobre a armadura é proporcional
ao produto da corrente pela tensão na carga. Em outras palavras, é proporcional à potên-
cia que passa através do medidor para a carga.
Para que o medidor faça medidas corretas, deve haver um torque de retardamento
atuando sobre o elemento móvel. Esta força deve ser proporcional à velocidade de rota-
ção do elemento móvel. Para se obter esta condição, um disco de alumínio D é montado
no eixo da armadura. O disco roda entre os pólos de dois ímãs permanentes M e M.
Ao cortar o campo produzido por esses magnetos, são induzidas correntes parasitas no
disco que retardam o seu movimento. A intensidade dessas correntes é proporcional à
velocidade angular do disco. Uma vez que estão atuando conjuntamente com um campo
magnético de intensidade constante, seu efeito de retardamento é proporcional à velo-
cidade de rotação.
A fricção produzida pelo elemento giJatório não pode ser inteiramente eliminada.
Próximo à carga nominal do medidor, o efeito do torque de fricção é praticamente des-
prezível. Mas, com pequenas cargas, o torque de fricção que é aproximadamente cons-
tante para todas as cargas, representa uma grande porcentagem do torque da carga. Como
é provável que o medidor opere com pequenas cargas durante tempo relativamente
longo, é desejável que seja eliminado o erro devido à fricção. Isto é feito por meio da
bobina F', que é ligada em série com a armadura. A bobina F' é ligada de tal forma que o
seu campo age na mesma direção do campo das bobinas FF. Dessa maneira, ajuda a
armadura A a girar.Uma vez que
a bobina F' está ligada ao circui- G Para os dia.is
to na forma de derivação, sua de indicação
ação é contínua. A bobina F' é 8
móvel e sua posição é ajustada
para que o erro da fricção seja A
eliminado. Arma· R
F' FF dura
FF
Para reduzir a fricção e o
desgaste, o elemento giratório do
medidor é feito tão leve quanto /
possível. Esse elemento repousa
sobre um mancai de pedras semi- Fonte Carga
preciosas, J. Este mancai é de sa- Disco de rmã
fira nos medidores pequenos, e alumínio permanente
de diamante nos medidores mai-
ores. O mancai é sustentado por Fig. 15"25.- Conexões internas de um wattímetro·hora.

383
uma mola. Um eixo giratório de aço endurecido gira sobre o mancai. Com o tempo, a
ponta de aço toma-se robusta e a pedra desgastada, o que aumenta a fricção e faz com
que o med idor registre menos, a na-o ser que a bobina F' seja reajustada. O elemento
móvel aciona o sistema de contagem de tempo do medidor através do eixo G.
As seguintes regras devem ser seguidas quando se lêem os diais de um wattímetro-
hora. O medidor apresentado tem quatro diais.
O ponteiro do dial à direita (figura 15-26) registra 1 kw-h.r ou 1.000 watts-horas
para cada divisão. Uma rotação completa do eixo do segundo dial moverá o eixo do
terceiro dial de urna divisão e registrará 100 kw-h.r ou 100.000 watts-horas e assim por
diante.

Fig. 15-26. - Como ler o wattímetro-hora.

384
Da mesma forma, leia sempre as indicações da esquerda para a direita, e adicione
três zeros à leitura do dial de menor valor (extremo direito) para obter a leitura do wattí-
metro-hora em watts. Os diais devem ser sempre lidos pela indicaç[o do último número
que passou, e não do que está se aproximando.

Wattímetro-hora de indução monofásica


Como no caso de motores série, o wattímetro-hora Thompson pode ser usado com
corrente contínua ou alternada porque o fluxo da armadura e o do campo revertem ao
mesmo tempo, de modo que a armadura continua a girar no mesmo sentido. O wattí-
metro-hora de indução, entretanto, apresenta certas vantagens sobre o wattímetro-hora
tipo Thompson, razão por que é o mais comumente usado para medir energia CA.
O WATTIMETRO-HORA MONOFÁSICO DE INDUÇÃO inclui um motor simples
de indução que consiste de um disco de alumínio, um campo magnético móvel, íma"s,
bobinas de corrente e de tensão, diais integrados e engrenagens associadas. Um diagrama
simplificado de um wattímetro-hora de indução é mostrado na figura 15-27 (A).

tídde
travamento

LINHA CARGA

(A) (B)
DISPOSIÇÃO DO CIRCUITO VISTA FANTASMA

Fig.15-27. - Esquema simplificad.o de um wattímetro-hora de indução.

A bobina de tens[o ligada através da carga é composta de muitas espiras de fio rela-
tivamente fmo. Ela é enrolada num terminal do circuito magnético laminado. Devido ao
seu elevado número de espiras, a bobina tem alta impedância e elevada indutância. Essa
bobina está atrasada cerca de 90° em relação à tensá'o aplicada. As duas bobinas de cor-
rente ligadas em série com a carga s[o feitas com poucas espiras de fio grosso. Elas sfo
enroladas nas duas pernas larninadas do circuito magnético. Devido ao pequeno número
de espiras, as bobinas de corrente possuem baixas impedância e indutância.
As disposições da bobina de tensão, do disco de alumínio, das bobinas de corrente
e de um dos ímãs é mostrado na figura 15-27 (B).

385
O disco giratório de alumínio é a parte móvel que faz com que as engrenagens girem
e também com que girem os indicadores que marcam a quantidade de energia que passou
pelo medidor. A rotação do disco de alwnúúo é motivada pelas correntes parasitas que
são estabelecidas pelas bobinas de tensão e corrente. A velocidade de rotação do disco
de alumínio é proporcional à potência real suprida à carga pela linha. A energia total
entregue à carga é proporcional ao número de rotações do disco durante determinado
período de tempo. Um pequeno disco de cobre (não mostrado na figura) é colocado sob
urna parte da face do pólo de tensão e é usada uma montagem ajustável para desenvolver
um torque no disco de alurnúúo que contrabalance seu atrito estático. O disco de cobre
apresenta o efeito de um pólo redutor e prevê um ajuste para quando o medidor é utiliza-
do com pequenas cargas.
Os dois ímãs fornecem o torque de oposição contra o qual o disco de alumínio
atua quando girar. A ação de travamento desses magnetos é aumentada (reduzindo a velo-
cidade do disco) ao se moverem os ímãs na direção da borda do disco. Movendo-se os
ímãs na direçã'o do centro do disco, a ação de travamento é reduzida e, conseqüente-
mente, aumentada a velocidade do mesmo. O ajuste desses ímãs só pode ser feito por um
técnico autorizado com ajustagens de instrumentos e medidores.

Instrumentos de medida com transformadores

Medidas elétricas em alta tensão


Não é prático ligar instrumentos de medida diretamente nos circuitos de alta
tensão. A menos que o circuito tenha terra comum com o instrumento, uma perigosa
alta tensão com relação à terra pode existir na caixa do medidor ou em sua chave. Além
disso, os instrumentos tomam-se imprecisos quando ligados diretamente à alta tensão
por causa das forças eletrostáticas que atuam no elemento indicador. São fabricados
instrumentos especialmente projetados para serem ligados diretamente ao circuito de
alta tensão. Esses instrumentos, entretanto, têm pouca aplicação em virtude do seu alto
preço.
Por meio de transformadores es ciais, os instrumentos podem ser inteiramente
isolados do circuito de alta tensão e ailtda indicarem com precisão a corrente, a tensão
e a potência do circuito. Mediante o emprego desses transformadores, podem ser utiliza-
dos instrumentos comuns para baixa tensão na medida de tensão alta.

Transformadores de tensão
Os transformadores de tensão não diferem materialmente dos transformadores
de potência constante a serem discutidos no capítulo 16. Urna exceção é que a sua capa-
cidade de potência é pequena e eles são projetados para apresentarem o menor erro pos-
sível de razão e de ângulo de fase. Com fator de potência unitário, a variação de irnpe-
dância através do transformador entre a condição de sem carga e carga normal não deve
ser maior do que 1%. Pau se efetuar medidas abaixo de 5.000 volts, os transformadores
de tensão são normalmente do tipo seco. Entre 5.000 e 13.800 volts eles podem ser tanto
secos como imersos em óleo, e acima de 13.800 volts são sempre imersos em óleo.
Uma vez que somente os instrumentos, medidores e algumas vezes lâmpadas indi-
cadoras são ligados ao secundário do transformador, eles têm capacidade de potências
entre 40 a 500 watts. Para tensões primárias de 34.500 volts e acima, os secundários são
de 115 volts. Para tensões primárias menores do que 34.500 volts, os secundários são

386
de 120 volts. Por exemplo, um transformador de tensão para 14.400 volts teria uma rela-
ção de espiras de

14400 120
---= --
120

A relaçiio de espiras pode variar de até 1% desse valor sem afetar sensivelmente o
funcionamento sob carga. A figura 15-28 mostra uma ligaçiio simples para se medir tensão
em um circuito de 14.400 volts por meio de um transformador de tensiio. O secundário
deve estar sempre ligado à terra para eliminar a eletricidade estática do instrumento e para
segurança do operador.
Primário Secundário

14.400 VOLTS Caiga


120:1
Transformador
de tensão

Fig. 15-28.- Ligações de um transformador de tensão a um circuito de 14.400 volts.

Transformadores de corrente
Para evitar a ligação do amperímetro diretamente ao circuito a..:: alta tensão, são
utilizados transformadores de corrente. Além de prover isolamento das elevadas tensões,
eles baixam a corrente da linha numa raziio conhecida. Isto permite o uso de um amperí-
metro de menor escala do que a que seria necessária se o instrumento fosse ligado direta-
mente à linha primária.
O transformador de corrente ou transformador série tem um enrolamento primário
com pequeno número de espiras enroladas em um núcleo e ligadas em série com a linha.
A figura 15-29 mostra uma ligaçiio simples para medida da corrente em um circuito de
14.400 volts por meio do transformador de corrente.
O enrolamento secundário de praticamente todos os transformadores de corrente
é projetado para 5 amperes de corrente nominal, não importando o valor da corrente
primária. Por exemplo, um transformador de corrente para 2.000 amperes tem·uma rela-
ção de espiras de 400/1, e um de 50 amperes teria uma relação de 10/1.
O isolamento entre o primário e o secundário do transformador de corrente tem
que ser suficiente para suportar toda a tensão do circuito. O transformador de corrente
difere do transformador comum de potência constante pelo fato de ser a sua corrente
primária determinada inteiramente 'pela carga do sistema e não pela carga do seu pró-
prio secundário. Se o circuito do enrolamento secundário for aberto, uma alta tensão
aparecerá entre os fios de saída desse enrolamento porque a grande relação de espiras do
secundário para o primário leva esse transformador a funcionar como elevador de tensão.
Além disso, não mais existindo o efeito de reação do secundário, o fluxo do núcleo de-
pende tão-somente da ação dos amperes e espiras do primário. Isso provoca um aumento

387
sensível no fluxo, produzindo excessivas perdas e aquecimento no núcleo juntamente
com a presença de uma perigosa alta voltagem nos terminais do enrolamento secundário.
Por essa razão, O SECUNDÁRIO DE UM TRANSFORMADOR DE CORRENTE NUNCA
DEVE SER ABERTO.

14.400 VOLTS
Primário. . Transformador
Carga

de corrente

Secundário

Fig.15·29. - Ligações de um transformad.or de


corrente a um circuito de 14.400 volts.

A figura 15·30 mostra a maneira correta de se .ligar a carga de instrumentos nos


transformadores de corrente e tensão, e esses a uma linha de alta tensão. A carga dos
transformadores inclui um amperímetro, A, um voltímetro, V, um wattímetro e um
wattímetro·hora.

Transformador
Fonte de de tensão
corrente
alternada

Transformador de corrente

Fig. 15·30.- Ligações típicas de medidores


em circuito monofásico.

388
Marcação de polaridade
Os instrumentos, medidores e relés devem ser ligados de forma a guardarem rela-
ções de fase corretas entre a corrente e a te nsão em seus circuitos. Nos transformadores
para instrumentos é importante que a relação das polaridades instantâneas dos terminais
do secundário para os terminais do primário sejam conhecidas. Tomou-se regra normal
designar ou marcar os terminais do primário e do secundário que tenham a mesma polari-
dade instantânea.
Os terminais do primário são marcados como H 1 , H2 , etc., e os do secun.dário como
X 1 , X2 , etc. Nos diagramas de fiação, os terminais do primário e do secundário que pos-
suam a mesma polaridade instantânea são marcados com um ponto. A figura 15-30 mos-
tra a identificação de terminais dos transformadores.

Volt-amperímetro tipo alicate


O amperímetro CA tipo alicate consiste essencialmente de um trartsformador de
corrente com um núcleo dividido e de um medidor com retificador ligado ao secundário.
O primário do transformador de corrente é o fio através do qual passa a corrente a ser
medida. O núcleo dividido pemúte que a "garra" do instrumento se abra e feche sobre
o condutor sem desligá-lo. Dessa forma, a corrente que passa por esse condutor pode ser
medida com segurança e com um mútimo de inconveniências (sem abrir o circuito) con-
forme é mostrado na figura 15-31.

Ligar Desligar
Leituras de corrente
ou tensão

Fig. 15-31. - Volt-amperímetro tipo alicate.

O instrumento é normalmente construído de maneira a permitir também medidas


de tensão. Entretanto, para que se possa efetuar esse tipo de medida, a chave do medidor
tem que ser passada para a posição VOLTS, ligar os terminais do medidor através da fonte
de tensão a ser medida conforme pode ser observado na figura 15-31.

PONTESCA
As pontes CC, denominadas pontes de Wheatstone, foram explanadas no Capí-
tulo 6 deste livro. Antes de iniciar o estudo de pontes CA, o aluno deverá rever os princí-
pios de funcionamento das pontes CC naquele capítulo. Verifique, particularmente, o
método de relação utilizado para se determinar um valor não conhecido que esteja num
dos ramos da ponte..Lembre-se que a corrente varia na razão inversa da resistência, isto é,
se a resistência aumenta, a corrente diminui.

389
No mesmo circuito pode ser usado uma tensão CA de freqüência constante. A figu-
ra ·15-32 mostra um circuito ponte usando tensão CA. O circuito A é usado para se deter-
minar uma capacitância desconhecida, Cx. O circuito B é usado para se determinar o valor
de uma indutância desconhecida, Lx.

Ponte capacitiva
Será discutido inicialmente o circuito A. Lembre-se que o capacitar oferece uma
certa oposição à passagem da corrente alternada. Lembre-se também que quanto maior
for a capacitância, menor será essa oposição. A determinação do valor do capacitar desco-
nhecido é feita mediante a comparação com um capacitar de valor IGUAL E CONHE-
CIDO. Na figura 15-32 (A), Cs é o capacitar cujo valor conhecemos. A resistência de Cs é
mostrada como uma resistência equivalente, Rs. Este capacitar (com sua resistência série)
forma um dos braços da ponte. O capacitar de valor desconhecido, Cx, com sua resistên-
cia também desconhecida, Rx, forma o outro ramo da ponte.

Ponte capacitiva Ponte indutiva


(A) (B)

Fig.15-32. - Circuitos CA em ponte.

Os resistores de relação, R 1 e R 2 , são potenciômetros que podem ser variados para


trazer o circuito à condição de balanceado. Isto é, faz o fluxo de corrente ser de igual
valor nos dois lados da ponte. Quando o circuito é balanceado, fluirá uma corrente muito
pequena ou não fluirá qualquer corrente através do indicador de balanceio que pode ser
um par de fones ou um miliamperímetro CA. Os resistores R 1 e R2 são ajustados por
meio de diais cuidadosamente calibrados. Quando eles são ajustados para o mfuirno de
zumbido nos fones, a ponte estará balanceada e o valor desconhecido de capacitância
pode1 em seguida, ser calculado por meio da fórmula:

ou

390
Observe que a proporção é inversa porque a corrente varia inversamente com a
resistência e diretamente com a capacitância. Se a relação de reatância para a resistên-
cia é a mesma nos ramos capacitivos, existe a seguinte proporção direta entre os compo-
nentes resistivos:

Rt Rs
-=- ou
Rz Rx
Dessa maneira, os resistores e capacitores Rx e Cx, de valores desconhecidos, podem
ser calculados em função dos resistores R 1 , R2 e Rs e da capacitância Cs conhecidos.

Ponte indutiva
O valor de uma indutância desconhecida pode ser determinado da mesma maneira
que a capacitância conforme é mostrado na figura 15-32 (B). Tenha em mente que toda
indutância oferece oposiçã"o à passagem de corrente CA. Quanto maior for o valor da
indutância, maior será a oposição. Para se medir uma indutância DESCONHECIDA, Lx.
em um circuito ponte, deve haver, na ponte, um indutor de VALOR CONHECIDO, Ls.
Este indutor conhecido é comparado com o desconhecido. Os resistores de relaçã'o, R 1 e
R2 , são potenciômetros que podem ser variados para levar o circuito à condiçã'o de balan-
ceado. Quando um mínimo de zumbido é ouvido nos fones, a ponte está balanceada, e o
indutor desconhecido pode ser calculado pela fórmula:

Ponte de impedância
A figura 15-33 mostra o diagra-
ma de uma ponte de impedância. Ela
consiste de quatro impedâncias com
uma fonte de tensllo aplicada na
diagonal do quadrado e de um detec-
tor ou medidor (M) na outra diagonal.
A ponte está balanceada quando o
medidor indica zero, isto é, quando
não flui corrente pelo medidor. Assim:

A ponte de impedância é usada


para medir irnpedâncias de uma rede
que pode conter indutância, capaci-
tância e resistência. Fig. 15·33. -;- Ponte de impedância.

391
FREQÜENCIMETROS

Todas as pontes alternadas de tensão geram uma ou mais faixas de freqüências.


O freqüencímetro é um instrumento que permite determinar-se o valor numérico da
freqüência gerada. Dois tipos comuns de freqüêncímetros são:(1) o freqüencímetro com
lâminas vibráteis e (2) o freqüencímetro de disco móvel, ambos discutidos a seguir.

Freqüencímetro com lâminas vibráteis


O freqüencímetro do tipo com lâminas vibráteis é um dos dispositivos mais simples
para indicar a freqüência de uma fonte CA. Um diagrama simples desse tipo de freqüencí-
metro é mostrado na figura 15-34.
Armadura de 55 60 65
Bobina ferro doce hertz hertz hertz
: ...
· .: ' .$ I,
I
"" ".;:
s
§
··:
é.

1
..
?
i\

·
: :}.:·>
'f..
·'
. ,. :
'.

Corrente cuja
freqüência se Suporte {4 ·· f :
deseja medir flexível >.· 'i:
'· :

(A) (B)
Circuito Hastes

HERTZ

(C)
Dial indicador

Fig.15-34.- Esquema simplificado de um freqüencímetro com lâminas vibráteis.

392
A corrente cuja freqüência vai ser medida passa pela bobina e exerce máxima atra-
ção na armadura de ferro doce DUAS vezes por ciclo (figura 15-34 A). A armadura é
presa ã barra, que é montada em suporte flexível. É montado, na barra, um grupo de
lâminas com dimensões apropriadas para vibrarem nas freqüências de 110, 112, 114 e
outras até 130 ciclos por segundo (figura 15-34 B). A lâmina que tem a freqüência de
110 ciclos é marcada com o número 55. A que tem a freqüência de vibração de 112
ciclos é marcada com o número 56, etc. Quando a bobina é alimentada com uma cor-
rente de freqüência compreendida entre 55 e 56 hertz, todas as lâminas vibram leve-
mente; mas a lâmina que possui a freqüência natural de vibração mais próxima daquela
da corrente energizante (cuja freqüência queremos determinar), vibra com maior ampli-
tude. A freqüência é então lida em uma escala sob a lâmina cuja vibração é maior.
Em alguns freqüencúnetros as lâminas possuem o mesmo comprimento físico,
mas levam pesos de valores diferentes nos seus topos, de modo a terem razão diferente
de vibração.
Uma vista geral das lâminas é mostrada no dial indicador na figura 15-34 (C). Se a
corrente energizante tem a freqüência de 60 hertz, a lâmina marcada com 60 vibra mais
do que as outras como é mostrado na figura.

Freqüencímetro de disco móvel


Um freqüencúnetro de disco móvel é mostrado na figura 15-35 (A). Cada um dos
pólos do campo (figura 15-35 B) possui uma espira em curto-circuito (bobina de redu-
ção) em uma face do pólo, e uma bobina magnetizante ao redor do circuito magnético
associado.

Bobinas de redução

A seta indica
o sentido de
rotação
Circuito Bobina
(A) (8)

Fig. 15-35. - Esquema simplificado de um freqüencímetJ:o tipo disco m6vel.

393
Para uma determinada tensa-o, a corrente através da bobina A é praticamente cons-
tante. Entretanto, a corrente através da bobina B varia inversamente com a freqüência.
Nas freqüências mais altas, a reatância indutiva é maior, reduzindo a corrente através da
bobina B. O inverso é verdadeiro nas freqüências mais baixas. O disco gira no sentido
determinado pela bobina que estiver com o campo mais intenso.
Um disco perfeitamente circular tenderia a girar continuadamente. Isto não seria
interessante para o propósito que sdeseja alcançar. O disco é construído de forma a
girar se deslocando apenas uma pequena porção no sentido horário ou no sentido oposto
em tomo da posição central que, normalmente, nos equipamentos comerciais, é marcada
como sendo a oposição de 60 hertz. Para evitar que o disco gire mais do que o desejado, a
sua metade esquerda é montada de forma tal que, quando ocorre o movimento, ames- ma
porção de área do disco esteja sempre entre os pólos da bobina A. Assim, a força pro-'
duzida pela bobina A para girar o disco é constante para uma tensão aplicada constante.
A metade direita do disco é deslocada, como mostrado na figura. Quando o disco gira no
sentido horário, uma área crescente irá penetrando entre os pólos da bobina B. Quando
ele gira no sentido oposto, uma área decrescente deve existir entre os pólos da bobina B.
Quanto maior for a área entre os pólos, maior será a corrente do disco e a força tendendo
girá-lo. Se a freqüência que está sendo aplicada ao freqüencímetro decrescer, a reatân-
cia oferecida pela bobina L diminuirá e o campo produzido pela bobina B aumenta.
O campo produzido pela bobina A permanece o mesmo. Portanto, o torque produzido
pela bobina B tende a mover o disco e o ponteiro de um relógio até que a área entre os
pólos fique reduzida o suficiente para equilibrar os torques. A escala é calibrada para
indicar a freqüência correta.
Se a freqüência aumenta, a reatância oferecida por L aumenta e o campo produzido
pela bobina B decresce. O campo produzido pela bobina A permanece o mesmo. Assim,
a redução do torque produzido pela bobina B permitirá que uma grande área do disco
se mova sob a bobina, fazendo com que o disco e o ponteiro se movimentem no sentido
horário até que os torques fiquem balanceados.
Se a freqüência for constante e a voltagem variar, as correntes nas duas bobinas
(e conseqüentemente os torques em oposição) variarão da mesma quantidade. Assim
sendo, a indicação de freqüência do instrumento não é afetada por variações de tensão.

MEDIDOR DE FATOR DE POT.eNCIA MONOFÁSICO

O fator de potência de um circuito é a relação entre a potência verdadeira e a potên-


cia aparente.também igual ao co-seno do ângulo de fase entre a corren te e a tensão do
circuito. Uma resistência pura tem um fator de potência unitário (a corrente e a tensão
estão em fase e a potência verdadeira e a aparente são iguais). Uma indutância pura apre-
senta fator de potência igual a zero (a corrente está em atraso de 90° em relação à te n-
são), e uma capacitância pura também tem um fator de potência igual a zero (a corrente
está em avanço de 90° em relação à tensão aplicada).
O fator de potência de um circuito pode ser determinado pelo uso de um wattí-
metro, um voltímetro e de um amperímetro. O fator de potência pode ser obtido divi-
dindo-se a leitura de wattímetro pelo produto das leituras do voltímetro e amperímetro.
Isto, entretanto, é pouco prático. Foram projetados instrumentos que indicam continua-
damente o fator de potência e, ao mesmo tempo, indicam se a corrente está em avanço
ou em atraso com relação à tensão. O instrumen to que nos fornece essas indicações é

394
denominado MEDIDOR DE FATOR DE PO'ttNCIA e encontra grande emprego nas
usinas de força.

Medidor de fator de potência com bobinas cruzadas


Um tipo de medidor de fator de potência é mostrado esquematicamente na figura
15-36.
O instrumento consiste de duas bobinas móveis de tensão A e B, fixadas em ângulo
de 90° uma em relaça"o à outra, e de uma bobina estacionária de corrente, C. As bobinas
A e B são presas uma à outra, e o conjunto, juntamente com um ponteiro solidário, é
livre para se mover cobrindo um ângulo de aproximadamente 90°. A bobina A está em
série com o indutor L e a combinação é ligada através da linha. A bobina B está em série
com um resistor não indutivo R, e essa combinaça"o é também ligada através da linha.

Fonte
1
Carga

oo
c oo
00

Fig. 15-36. - Diagrama simplificado de um me-


didor de fator d e potência d e bobinas cruzadas.

A continuidade do circuito para as bobinas é feita por meio de três molas em


espiral não mostradas na figura, que exercem uma ação de força desprezível sobre as
bobinas. Quando não há corrente circulando pelas bobinas, o ponteiro pode permanecer
em qualquer posição de repouso. A bobina C, não representada em escala na figura, é
ligada em série com a linha. Em muitas instalações, as bobinas são alimentadas por meio
de transformadores para instrumentos, e, nesse caso, as correntes serão de valores pro-
porcionais aos da linha, porém não essencialmente iguais àquelas.
A corrente na bobina B está em fase com a tensão da linha. A corrente na bobina A
está em atraso com relação à tensão da linha de cerca de 90°. Quando a corrente da linha
estiver em fase com a tensão, as correntes em B e C estarão também em fase, e haverá,
entre as bobinas, uma força de torque alinhando seus eixos de maneira a fazer com que
o ponteiro indique o fator de potência unitário. O torque médio entre A e C é zero, por-
que suas correntes estão defasadas de 90° quando o fator de potência da linha é a uni-
dade.
Quando a corrente na bobina C estiver em atraso de 45° em relação à tensão da
linha, por exemplo, as correntes nas bobinas A e B estarão ambas fora de fase em relação
à corren te na bobina C. A corrente em A estará em atraso com relação à corrente em C
de 45°, e a corrente na bobina B estará em avanço de 45° em relação à corren_te em C.
O fluxo em tomo da bobina C reagirá com a resultante dos fluxos provenientes de A e

395
B que está em fase com a corrente da bobina C, e o ponteiro será movido para uma posi-
ção intermediária (4Sj entre os fatores de potência zero e unitário. Na maioria dos me-
didores de fator de potência, as correntes em atraso fazem com que o ponteiro mova-se
para a esquerda da posição central (marcada "1" na escala), e as correntes em avanço
fazem com que o ponteiro se mova para a djreita da posição cen tral.

Medidor de fator de potência com palhetas de ferro móveis


O diagrama de um tipo de medidor de fator de potência com palhetas de ferro
móveis é mostrado na figura 15-37. Na parte A da figura, a bobina de tensão A, em série
com a resistência R, comporta-se como um circuito resistivo que é ligado através da linha.
A bobina de tensão B, em série com o indutor L, comporta-se como um circuito indutivo
que é também ligado através da linha. A bobina de corrente C, que possui poucas espiras
de fio grosso, é ligada em série com a linha. Todas essas bobinas são fixadas nas posições
mostradas e somente as palhetas de ferro podem mover-se. A corrente em B está em
atraso de 90° com relação à tensão da linha. A corrente em A está em fase com a tensão
da linha. Dessa forma, a corrente em B está em atraso de 90° com relação à corrente
em A, e, uma vez que os eixos de A e B estão deslocados de 90° entre si, um campo mag-
nético girante é estabelecido quando essas bobinas são alimentadas. As palhetas de ferro
podem girar sobre o eixo da bobina C. Essas palhetas são magnetizadas alternadamente
com as polaridades norte e sul pela corrente de linha que passa pela bobina C.
Não flui corrente por nenhum componente móvel, e portanto não há necessidade de
molas. O movimento é livre para girar 360°, mas é impedido de girar junto com o campo
magnético girante por um disco de alumínio que gira em um campo produzido por ímãs
(o disco e os ímãs não sã'o mostrados).

Bobina de
corrente

Sentído de rotação
do eampo
---;----

--
(2)

Campo magnético
resultante

Vista superior instantânea


da posição do campo
magnético

Bobina de tensão
( 8)
Circuito
(A)

Fig. 15-37.- Circuito simplificado de um medidor de fator de potência tipo palhetas de ferro móveis.

396
Na figura 15-37 (B), um campo girante bipolar gira com velocidade síncrona no
sentido horário. As palhetas são atraídas ou repelidas por esse campo, dependendo do
sentido instantâneo do fluxo resultante produzido por A e B, e da polaridade ínstantânea
das palhetas de ferro, como determinado pelo sentido instantâneo da corrente através
de C. As palhetas assumirão uma posição fora de alinhamento com o campo (posição de
torque mútimo) quando o fator de potência da linha for unitário).
Se, no instante mostrado na figura 15-37 (B), a corrente na bobina C for máxima
e o fluxo resultante produzido pelas bobinas A e B passar através do elemento móvel em
ângulo reto com as palhetas (não exercendo portanto efeito sobre estas), o ponteiro indi-
cará fator de potência unitário. Noventa graus depois, a resultante do campo norte-sul
passará através das palhetas de ferro em alinhamento com elas. Nesse instante, a cor-
rente na bobina C será zero e o torque nas palhetas será novamente mínimo. Se a corrente
através de C estiver em avanço sobre a tensão da Unha de 45° (fator de potência de 70%,
de avanço), as palhetas mover-se-ão de 45° para uma nova posição de torque minimo. A
corrente na bobina C tomar-se-á máxima mais cedo no ciclo, e o campo girante ocupará
uma nova posição, novamente, fora de alinhamento com as palhetas.
Se a corrente de linha estiver em atraso em relação à tensã:o da linha, o ponteiro
irá para a posiçã:o de repouso no lado oposto da marca do fator de potência unitário
na escala.

397
1BHJOB FN #SBODP

399
Cap(tulo 16

Geradores e Transformadores de CA

GERADORES DE CA

A maior parte da energia elétrica atualmente utilizada é proveniente de geradores


de corrente alternada. Presentemente o seu uso está se estendendo a aviões e até a auto-
móveis.
Esses geradores são fabricados em vários tamanhos, dependendo do fim a que se
destinam; desde os enormes geradores de uma grande usina que pode produzir milhões
de volt-ampêres, até os pequenos geradores usados em aviões que produzem uns poucos
milhares de volt-ampêres.
Independentemente do tamanho, todos os geradores operam segundo o mesmo
princípio básico: um campo magnético cortando condutores; ou condutores passando
através das linhas de força de um campo magnético. Dessa forma, todo gerador tem
pelo menos dois conjuntos distintos de condutores: (I) um grupo de condutores no
qual a f.e.m. (força eletromotriz) é gerada ou induzida, e (2), um segundo grupo de con-
dutores pelos quais é feita passar uma corrente contínua para produzir um campo mag-
nético de polaridade fixa. Os condutores onde a tensão de saída é gerada, formam os
denominados ENROLAMENTOS DA ARMADURA. Os condutores onde se produz o
campo eletromagnético formam os ENROLAMENTOS DE CAMPO.
Além dos enrolamentos das armadura e do campo, é necessário que haja MOVI-
MENTO relativo entre os dois. Para se conseguir isto, os geradores de CA são construídos
em dus partes principais separadas: o ESTATOR e o ROTOR. O rotor gira dentro do
estator. Ele poderá ser acionado por qualquer uma das fontes de energia mecânica usadas
normalmente tais como: turbinas hidráulicas ou a gás, motores elétricos, máquinas a
vapor de combusta'o interna, etc.

Tipos de geradores CA
Há, presentemente, em uso, vários tipos de gerador CA, todos, entretanto, com
a mesma funça'o básica. Os tipos considerados nos parágrafos a seguir são os mais comu-
mente encontrados nas instalações elétricas.

Armadura girante
Nos geradores de CA com armadura girante , o estator fornece o necessário campo
eletromagnético estacionário. O rotor, atuando como armadura, gira dentro do campo
eletromagnético e corta as linhas de força, produzindo-se, dessa forma, a tensão de saída.
Nesse tipo de gerador, a tensão de saída da armadura é tomada através de anéis deslizan-
tes, mantendo-se assim as suas características alternadas.
Por muitas razões, os geradores de CA com a armadura girante são pouco utilizados.
A principal limitação é o fato de que sua tensão terminal é conduzida através de anéis
e escovas, os quais estã'o sujeitos a desgaste pelo atrito e centelhamento. Além disso, há
possibilidade de abertura de um arco voltaico entre eles. Como conseqüência, o emprego
desse tipo de gerador é limitado às aplicações de baixa potência e baixa tensã'o.

Campo girante
Os geradores de CA com campo girante (figura 16-1), são os de maior emprego.
Neste tipo de gerador, a corrente contfuua de uma fonte externa flui pelos enrolamentos
do rotor através de escovas e anéis. Isto mantém um campo eletromagnético girante de
polaridade fixa (sinúlar ao ímã de barra rotativa). O campo magnético girante, seguindo o
rotor, estende-se para fora e corta os condutores da armadura que ficam fixos no esta- tor.
Quando o rotor gira, uma f.e.m. alternada é induzida nos enrolamentos da armadura, já que
as linhas de força do campo magnético de diferentes polaridades cortarão alter- nadamente
os condutores do induzido na armadura. Uma vez que a potência de saída é retirada de
enrolamentos estacionário.s, ela pode ser ligada, através de terminais fixos, diretamente à
carga externa pelos terminais T1 e T2 conforme mostrado na figura 16-1. Isto é
vantajoso, pois não há contatos deslizantes, e o circuito externo permanece con-
tinuamente isolado, minimizando assim o perigo de arco voltaico.

TI

TZ

Enrolamentos
para o campo da annadura
Fig.16-1. - Partes principais do gerador CA
com campo girante.

São usados anéis e escovas para conduzir corrente CC ao campo. Não há maiores
problemas em usar esses elementos, já que a tensão para o campo é bem menor do que
a tensão no circuito da armadura.

Capacidade de um gerador de CA
A capacidade de um gerador de CA depende da potência que ele é capaz de for-
necer a uma carga. A capacidade normal é aquela que ele pode suportar continuamente.
Sua capacidade de sobrecarga é aquela acima da normal que ele suporta por um período
limitado de tempo. A capacidade de carga de um determinado gerador depende do aque-
cimento interno que ele pode suportar. Uma vez que o calor é causado principalmente

400
pelo fluxo de corrente, a capacidade de um gerador identifica-se em muito com sua
capacidade de corrente.
A máxima corrente que pode ser fornecida por um gerador depende:(I) da máxima
perda de calor (perda por efeito 12 R) que pode ser suportada pela armadura, e (2), da
máxima perda por calor que pode ser suportada pelo campo. A corrente na armadura
varia com a carga. Esta ação é similar àquela dos geradores de CC. Nos geradores de CA,
entretanto, as cargas com fator de potência em atraso tendem a desmagnetizar o campo,
e a tensã'o nos terminais só pode ser mantida com o aumento da corrente contúma que
o excita. Por isto as características de um gerador de CA são dadas pela corrente consu·
rnida pela carga e tensão terminal na armadura, ou saída em kilovolt-ampêre (kva) para
determinados valores de freqüência e fator de potência. O valor especificado para fator
de potência é, normalmente , de 0,8 em atraso. Por exemplo, um gerador de CA mono·
fásico, projetado para fornecer 100 ampêres a 1.000 volts de tensão, nos terminais de
saída é chamado gerador de 1.000 kva. Esta máquina poderia suportar 100 kw com um
fator de potência unitário ou 80 kw com um fator de potência igual a 0,8. Entretanto,
para que esse gerador fornecesse 100 kva com um fator de potência igual a 0,2, seria pre-
ciso aumentar em muito a corrente de campo necessária para manter a tensão de saída
no valor desejado. Tal situaçã'o provocaria um aquecimento excessivo nos enrolamentos
do campo.

Funções básicas das partes do gerador


Uma máquina típica CA de campo giiran te consiste de um gerador de CA e de um
pequeno gerador de CC montados numa mesma unidade. O gerador de corrente alter·
nada supre corrente alternada à carga que a ele for conectada. O único propósito do gera·
dor de CC é fornecer corrente contfuua para produzir campo do gerador de CA. A este
gerador de CC dá-se o nome de EXCITATRIZ. A figura 16-2 (B) mostra um diagrama
esquemático simplificado do gerador.

Tenninais de controle Tenninais de


do excitador saída CA

Fig.16·2. - Gerador CA e esquema.

Um gerador rotativo necessita de uma força motriz primária para girar o campo
de CA e excitar a armadura. Esta força motriz (rotativa) é transmitida ao gerador através
do eixo do rotor (fig. 16-2 A), e é normalmente obtida de uma máquina de combustão,
turbina ou motor elétrico. O campo SHUNT (paralelo) da EXCITATRIZ (fig. 16-2 B),
cria uma área de intenso fluxo magnético entre os pólos. Quando a ARMADURA da
EXCITATRIZ (3) gira dentro do campo, uma f.e.m. é induzida nos seus enrolamentos.
Do COMUTADOR e ESCOVAS (4) de saída da EXCITATRIZ sai a CC gerada na excita·

401
triz diretamente para a entrada do campo do gerador de CA (5). Uma vez que o forneci-
mento é feito através de anéis ao invés de comutador, a correrite no campo do gerador
de CA (6) fluirá sempre no mesmo sentido. Assim, um campo magnético de POLARI-
DADE FIXA é mantido nos enrolamentos de campo do gerador de CA. Quando no
gerador, o campo gira, seu fluxo magnético passa pelos e através dos enrolamentos da
ARMADURA do gerador de CA (7). Deve ser lembrado que uma f.e.m. será induzida
num condutor estacionário se o fluxo magnético de um campo cortá-lo, o mesmo acon-
tecendo no caso do campo estar parado e o condutor movendo-se. A tensão alternada
induzida nos enrolamentos da armadura do gerador aparece nos terminais ftxos de onde
é retirada para a carga.

Características físicas
Os geradores de CA (alternadores) usados na Marinha são divididos em três classes
de acordo com o tipo de máquina que o aciona:(I) acionado por máquina de baixa velo-
cidade, (2) acionado por turbina de alta velocidade, e (3), acionado por motor de alta
velocidade.
O estator, ou armadura, dos geradores de CA de campo no rotor é construído com
lâminas de aço. As lâminas do estator de um gerador de CA formam urri anel de aço que
é enchavetado ou aparafusado por dentro de uma estrutura de aço. A superfície interna
deste anel laminado possui entalhes nos quais são colocados os enrolamentos do rotor.

Fig. 16-3. - Gerador CA de baixa velocidade


acionado por motor.

O gerador de CA acionado por motor de combustão interna de baixa velocidade,


(fig. 16-3), tem campo girante de grande diâmetro e com muitos pólos, e uma armadura
estacionária relativamente curta no sentido axial. O estator (fig. 16-3 A) contém enrola-
mentos de campo de corrente contínua (ftg. 16-3 B). A armadura de excitatriz é a menor
unidade mostrada na figura e é montada 'numa extensão do eixo do gerador de CA.
O gerador de CA acionado por turbina de alta velocidade mostrado na figura 164
é conectada diretamente, ou através de engrenagens, a uma turbina a vapor. A estrutura

402
{A)
ESTATOR

{B)
ROTOR
Fig. 16-4. - Gerador CA acionado por turbina de alta velocidade.

404
de metal que envolve o gerador é parte de um sistema de ventilação forçada que retira
o calor desenvolvido por meio da circulação de ar através do estator (fig. 164 A) e do
rotor (fig. 164 B). A excitatriz é uma unidade separada (não mostrada). O conduto de
ar do estator dirige o ar de resfriamento e reduz os ruídos produzidos pela ventilação.
O gerador de CA de aeronave (figura 16-5) pode ser acionado diretamente pelo
motor do avião, por um mecanismo hidráulico de velocidade constante ou, ainda, por
uma turbina de ar.
Bloco tenninal
------------1/
saída do gerador
CA e entrada do
campo de excitação

Enrolamentos da
annadura do --UJ...I
gerador CA
(estator)

Internamente, enrolamento do
campo de controle derivação
da excitação

Eixo de tração do rotor Anéis de entrada


do campo CA
Comutador de saída do excitador
Enrolamento do
campo CA (rotor) -------- Armadura do gerador excitador

Fig. 16-S.- Gerador CA de aeronave.

Geradores monofásicos
Um gerador monofásico de CAtem um estator composto de vários enrolamentos
em série que formam um circuito único e no qual a f.e.m. é gerada. O princípio de fun-
cionamento do gerador monofásico será descrito primeiro e o do polifásico posterior-
mente.
A figura 16-6 mostra. o diagrama esquemático de um gerador monofásico de quatro
pólos. O estator tem quatro grupos polares igualmente distribuídos aos pares em volta
da estrutura do estator. O rotor tem quatro pólos, sendo os adjacentes de polaridades
opostas. Quando o rotor gira, uma f.e.m. é induzida nos enrolamentos do estator. Uma
vez que, por construção, qualquer um dos pólos do rotor ocupa igual posição em relação
403
Fig. 16-6.- Gerador CA monofásico.

aos enrolamentos do estator, todos os grupos polares do estator são cortados por iguais
quantidades de linhas de força do campo em qualquer instante. Como conseqüência, a
f.e.m. induzida em todos os enrolamentos têm a mesma amplitude em qualquer instante.
Os quatro enrolamentos do estator são ligados um ao outro de modo que estejam em
fase. Consideremos que o pólo 1 do rotor, pólo sul, induz uma f.e.m. na direção indicada
pela seta no enrolamento 1 do estador. Como o pólo 2 do rotor é norte , induzirá, na
bobina 2, uma f.e.m. de sentido oposto ao da bobina 1 do estator.
A fim de que as duas f.e.m. induzidas se somem, as duas bobinas são ligadas como
mostrado. Aplicando o mesmo raciocmio, a f.e.m. induzida na bobina 3 do estator (rota-
ção do campo no sentido horário) está no mesmo sentido (sentido anti-horário) da
induzida na bobina 1. Similarmente, a direção da f.e.m. induzida no enrolamento 4 é
oposta à direção da induzida na bobina 1. Todos os quatro grupos de bobinas do estator
estão ligados em série de modo que as f.e.m. induzidas em cada grupo se somam, dando
como resultado uma f.e.m. total quatro vezes maior do que a de um único grupo.

Geradores Bifásicos
Os geradores de CA polifásicos têm dois ou mais enrolamentos monofásicos sime-
tricamente distribuídos pelo estator. Num gerador de duas fases há dois enrolamentos
monofásicos fisicamente espaçados de maneira que a f.e.m. induzida em um, esteja 90°
defasada da induzida no outro. Os enrolamentos são eletricamente separados entre si.
Quando um enrolamento estiver sendo cortado por um fluxo máximo, o outro não
será cortado por nenhuma quantidade de fluxo magnético. Essa condição estabelece a
relaçã"o de 90° entre as duas fases.
A figura 16-7 apresenta um diagrama esquemático das ligações de um gerador
de CA de duas fases e quatro pólos. O estator possui dois enrolamentos monofásicos
(fases) completamente separados um do outro. Cada fase é composta de quatro comple-
mentos,_os quais se ligam em série a fim de que suas forças eletromotrizes se somem.
O rotor é idêntico ao do gerador monofásico. Na figura 16-7 A, os pólos do rotor estão
em posição oposta a todas as bobinas de fase A. Conseqüentemente, a f.e.m. induzida
na fase A é máxima e na fase B é nula. Conforme o rotor continua a mover-se no sen-
tido horário, seus pólos se afastam dos enrolamentos de fase A e se aproximam dos

405
'

·L.
P6los opostos fase A Pólos opostos fase 8 Formas de ondas Vetores
( A) ( 8) (C) (O}

Fig.16-7.- Gerador CA de quatro p6los duas


fases.

da fase B. Como resultado, a f.e.m. na fase A decresce de seu valor máximo e a da fase B
aumenta, deixando de ser zero. Na figura 16-7 (B), os pólos do rotor estã'o opostos aos
enrolamentos da. fase B. Agora, a f.e.m. induzida na fase B é máxima enquanto que
na fase A cai a zero. Pode-se dizer então que, num gerador de CA de 4 pólos, bifásico,
uma rotaçã'o de 45° mecânicos do rotor corresponde, eletricamente, a um quarto de
ciclo ou 90° elétricos. A figura 16-7 (C) mostra as formas de onda das f.e.m. induzidas
em cada uma das duas fases. Ambas são curvas senoidais e a de A está avançada de 90°
em relação à de B. A figura 16-7 (D) mostra os vetores representando as duas tensões
geradas. Observe o avanço de 90° do vetor A sobre o vetor B.
As duas fases de um gerador bifásico de CA podem ser ligadas como mostra a
figura 16-8 de modo que só existem três terminais de saída para a carga. Este gerador é
então identificado como bifásico a três fios. As duas fases para um gerador de CA de
4 pólos são mostradas na figura 16-8 (A). Na figura 16-8 (B) é mostrado um dia·
grama esquemático simplificado no qual o rotor está omitido, e cada fase é represen-

] v:
Grupo de pÓlos das fases Esquema Fonnu de ondas Vetores
( A) (8) (C) (0)

Fig. 16-8.- Gerador CA bifásico, sistema de


três fios.

tada por uma bobina única. As duas bobinas estão desenhadas fazendo um ângulo reto
a fim de que isto represente a defasagem de 90° entre as respectivas tensões. Os três
fios tomam possíveis três diferentes ligações para as cargas. A e B entre as fases A e B,
resr:ctivamente , e C entre ambas as fases em série. A terceira tensão está defasada de
45 das tensões das fáses A e B e é o vetor sorna dessas duas tensões mostrado na figura
16-8 (C) e (D). Se a tensão de cada fase tem um valor eficaz de 100 volts, o vetor sorna

406
dessas tensões será a hipotenusa de um triângulo retângulo cuja base e altura têm o valor
de 100 volts. Essa hipotenusa tem o valor de:

100 100
ou --= 141 volts
cos 45° 0,707

Geradores trifásicos
Um gerador de CA trifásico, conforme indica seu nome, tem três enrolamentos
espaÇados .de maneira tal que as f.e.m. induzidas ficam defasadas de 120° entre si. Um
diagrama esquemático de um estator trifásico mostrando todas as bobinas vem a ser
demasiado complexo, ficando difícil de se ver o que está realmente acontecendo. Um
diagrama esquemático simplificado, onde todos os enrolamentos de uma mesma fase
estã"o enlaçados como um único, é mostrado na figura 16-9 (A). O rotor foi omitido
para simplificar. As formas de onda das f.e.m. induzidas são mostradas ã direita desse
esquema. As três f.em. estão defasadas de 120° e são similares às que seriam geradas
por três geradores de CA monofásicos que estivessem defasados de 120°. As três fases
sã"o independentes entre si.

••

@ :· ç
Esquema simplificado e formas de ondas Ligação em Y
""'

Ligação em delta
••
••

(A ) (8) (C)

Fig. 16-9.- Gerador CA trifásico.

Ligação em estrela ou em ''Y"


Em vez de saírem seis terminais do gerador de CA trifásico, um dos terminais de
cada urna das fases pode ser ligado a um ponto comum. O estator será então denominado
como ligado em Y ou estrela. O terminal comum poderá ou não sair da máquina. Se ele
estiver fora da máquina chamar-se-á NEUTRO. O esquema simplificado (fig. 16-9 B)
mostra um estator ligado em Y com o terminal comum no interior da máquina. Cada
uma das três cargas está ligada entre duas fases em série. Assim, Rab está ligada entre
as fases A e B em série, Rac está ligada entre as fases A e C e Rbc está ligada entre as
fases B e C em série. Dessa maneira, a tensão aplicada a cada uma das cargas é maior do
que a tensã"o de uma só fase. Em um gerador de CA trifásico ligado em Y, os três ter-
minais de início de cada enrolamento monofásico sã"o ligados juntos em um ponto comum
neutro e os terminais opostos, ou do fim de cada enrolamento, são ligados aos terminais
da linha A, B e C. Estas letras são sempre as usadas para designarem as três fases de um
sistema trifásico ou os três condutores aos quais estão ligadas as fases do gerador. Um
gerador de CA trifásico ligado em Y, alimentando três cargas separadas, é mostrado na
figura 16-10 (A). Quando são usadas cargas desbalanceadas, pode ser adicionado um
neutro, como mostrado na figura, pela linha tracejada, ligando um ponto neutro comum
às cargas. O fio neutro serve como um circuito de retomo comum para todas as fases

407
li
E I,Z EI,Z = Eo e rb
E2,3 = E b e Ec
E3,1 = Ec 6 Eo
r. = II
r--- lb = I2
1
1
lc = Il
I
E1,2 = J3r.

1 EZ,3 = J3Eb
L. --- - ------------ _.__....__.... El,l
= .13Ec
El,l
Circuito
(A) Vetores
(B)

Fig.l6·10.- Sistema trifásico, ligação em Y.

e mantém uma tensão balanceada nos terminais das cargas. Nenhuma corrente passará
no fio neutro quando as cargas estiverem perfeitamente balanceadas. O sistema é conhe·
cido como um circuito trifásico a 4 fios e é usado para fornecer energia elétrica trifásica
a instalações localizadas em terra. Este sistema não é usado a bordo dos navios, mas o é
largamente na indústria e nos sistemas elétricos CA das aeronaves.
As relações de fase em um sistema trifásico a três fios, ligado em Y, são mostra-
das na figura 16-10 (B). Ao se construir um <liagrama vetorial de um circuito trifásico,
assume-se um sentido de rotação anti-horária a fim de manter-se a correta relação de
fase entre as tensões nas linhas e as correntes. Assim, supõe-se que o gerador gire em
sentido tal que as tensões sejam geradas na ordem Ea. Eb.Ec.
A tensão na fase b , Eb, está atrasada em relação à tensão na fase a, Ea. de 120°.
Da mesma forma, Ec está atrasada em relação a Eb de 120° e Ea está atrasada de 120°
em relação a Ec. Na figura 16-10 (A), os vetores Ea , Eb e Ec represen tam os sentidos
positivos das tensões induzidas no gerador de CA ligado em Y ou·estrela. Os vetores
11 , 12 e 13 representam . os sentidos positivos das correntes nas fases e nas linhas que
alimentam cargas com fator de potência unitário, balanceadas e ligadas também em Y.
Os três voltímetros ligados entre as linhas 1-2,2-3 e 3-1, respectivamente, in<licam valores
eficazes das tensões nas linhas. No circuito ligado em Y, a tensão na linha é maior do
que a tensão de uma fase porque há duas fases ligadas em série entre cada par de fios
das linhas, e suas tensões se combinam. Entretanto, a tensão das linhas não é o dobro
do valor da tensão de uma fase, isto porque as tensões das fases estão defasadas entre si.
A relação entre as tensões das linhas e das fases está mostrada no diagrama vetorial.
Os valores eficazes das tensões das fases estão indicados pelos vetores Ea, Eb e Ec. Os
valores eficazes das correntes nas linhas e nas fases estão indicados pelos vetores Ia, lb
e Ic. Como existe somente um caminho para a corrente fluir entre uma certa fase e a
linha a ela conectada, a corrente na fase é igual à corrente na linha. As respectivas cor-
rentes nas fases têm iguais valores, uma vez que estamos supondo que as cargas estão
balanceadas. Pela mesma razão, as correntes nas linhas são iguais. Quando a carga tem
fator de potência unitário, as correntes nas fases estão em fases com as suas respectivas
tensões.
Nas combinações de tensões alternadas, é necessário conhecer os sentidos em que
os máximos valores positivos das tensões atuam no circuito bem como as amplitudes
dessas tensões. Por exemplo, na figura 16.11 (A), a máxima tensão positiva induzida, nas
bobinas A e B, atua na <lireção das setas, e B está 120° avançada em relação a A. Este
arranjo pode ser obtido se considerarmos que as bobinas A e B estão em dois pontos

408
do enrolamento da armadura fisicamente afastados de 120°. Se cada tensão tiver o valor
eficaz de 100 volts, a tensão total será Er = 100 volts, conforme mostrado pelos vetores
na figura 16-11 (B).
Se as ligações da bobina 8 forem invertidas (figura 16-11 C), as duas tensões indu-
zidas ficarão em oposição, como pode ser visto se passarmos um traço em volta de todo
o circuito, na direção da seta da bobina A. O sentido positivo da tensão na bobina 8
é oposto ao sentido do traço, enquanto o sentido positivo da bobina A é o mesmo do
traço; assim, as duas tensões estão em oposição. Este efeito é o mesmo que o do valor
máximo positivo de Eb, quando está defasado de 60° de Ea. e Eb atuando no mesmo
sentido de Ea quando o ci rcuito foi executado (figura 16-11 D) para o vetor Ea é efe-
tuado pela inversão da posição de Eb mostrada na figura 16-11 (B) para a posição mos-
trada na figura 16-11 (D), completando o paralelogramo. Se atribuirmos a Ea e Eb o
valor de 100 volts, Er será fi X 100, ou 173 volts. O valor de Er pode ser conseguido
da seguinte maneira: Baixa-se uma perpendicular a Er que passe pelo vértice do parale-
logramo e têm-se dois triângulos retângulos de hipotenusas iguais a 100 volts e bases
iguais a 100 cos 30°, ou seja, 86,6 volts. O comprimento total de Er é 2 X 86,6, ou
seja, 173,2 volts.
Para se construir os vetores representativos das tensões de linha E1,2 • E2 ,3 e E3,1 ,
A 8

E0 = IOOV

Tensões positivas
(A) no mesmo sentido
( 8) Eb avança sobre Ea de 120°

E 0 =100V

Eo = IOOV

E r = 173V

Tensões positivas
(c) em sentidos opostos
{O)
Eb atrasado de Ea de 60°

FiJ. 16-11. - Análise vetorial de tensões em série aditiva e em oposição.


40181
na figura 16-10, é necessário primeiramente traçar um trajeto em tomo do circuito fe-
chado que deverá incluir os condutores da linha, os enrolamentos da armadura e um dos
três voltúnetros. Por exemplo, na figura 16-10 (A), considere o circuito que inclui o fio
do meio e o superior, o voltímetro ligado entre eles e as fases a e b do gerador de CA.
Passa-se um traço partindo do centro do Y, prosseguindo através da fase a do gerador,
da linha 1 e voltando pelo voltímetro, para a linha 2, e pela fase b do gerador, ao centro
do Y. Despreza-se a queda de tensão nos condutores da linha. O voltímetro indica um
valor eficaz igual ao vetor soma dos valores das tensões nas fases a e b. Este valor é a
tensão da linha, E1 2 . De acordo com a lei de Kirchhoff, a tensão fornecida entre as linhas
1 e 2 iguala a quedde tensão através do voltúnetro ligada entre elas.
Se o sentido do caminho traçado através do GERADOR for o MESMO do da seta,
o sinal de tensão será MAIS. Se o sentido for OPOSTO, o sinal será MENOS. Se o sentido
do caminho traçado através do voltúnetro for o MESMO que o da seta, o sinal de tensão
será MENOS. Se o sentido do caminho traçado através do VOLTIMETRO for o MESMO
que o da seta, o sinal de tensão será MENOS. Se o sentido for oposto, o sinal será MAIS.
As seguintes equações para tensões são baseadas nas regras precedentes:

Ea 0 (- Eb) = E1,2 ou E1,2 = Ea e Eb.


Eb 0 (- Ec) = E2,3 ou E2,3 = Eb e Ec.

Ec 01(-Ea) = E3,1 ou E3,1 = Ec 6 Ea.

Os sinais 0 e e indicam vetores que se somam e que se subtraem, respectivamente.


Para subtrair um vetor do outro é necessário girá-lo 180° e construir um paralelogramo
cujos lados será o vetor invertido. A diagonal do paralelogramo é o vetor diferença.
Estas equações se aplicam ao diagrama vetorial da figura 16-1O (B), no qual as
tensões nas linhas E1,2 , E2,3 e E3,1 são diagonais de três paralelogramos cujos lados
são as tensões nas fases Ea. Eb e Ec. Deste diagrama vetorial podem ser observados os
seguintes fatos:
(1) As tensões nas linhas são iguais e defasadas de 120°;
(2) as correntes nas linhas são iguais e defasadas de 120°;
(3) as correntes nas linhas estão 30° defasadas das suas tensões quando o fator de
potência das respectivas cargas for igual a 100%;e
(4) a tensão na linha é o produto da tensão na fase por ,;3.

Ligação em triângulo ou em delta


Um estator trifásico também pode ser ligado como mostrado na figura 16-9 (C).
Neste caso, tem-se a ligação em DELTA ou TRIANGULO. Num gerador de CA com liga-
ção em triângulo, a extremidade inicial do enrolamento de uma fase é ligada ao final do
enrolamento da outra. Os três pontos de união são ligados aos condutores da linha que
alimentam a carga. Um gerador de CA trifásico, ligado em triângulo, está representado à
esquerda da figura 16-12 (A). O gerador está conectado a um circuito trifásico de 3
condutores, alimentando uma carga também trifásica, à direita da figura. Como as fases
estão ligadas diretamente entre os condutores da linha, a tensão na linha é igual à tensão
na fase. Quando as fases do gerador estão ligadas corretamente em triângulo não há fluxo
apreciável de corrente no circuito do triângulo, desde que não exista carga externa ligada
ao gerador. Se qualquer uma das fases for invertida, uma corrente de curto-circuito cir-
culará dentro dele , causando avaria nos enrolamentos.

410
Para evitar a inversa-o das ligações de uma fase, é necessário testar o circuito antes
de fechar o triângulo. Isto pode ser feito colocando-se um voltímetro ou um fio fusível
entre as duas extremidades do triângulo antes de fechá-lo. As duas extremidades do tri-
ângulo nunca devem ser fechadas se houver indicação de apreciável corrente ou tensão
entre elas enquanto não houver carga ligada ao gerador.
As três correntes nas fases, Ia. lb e Ic. estão indicadas pelas setas nas fases do gera-
dor, ã esquerda da figura 16-12 (A). Os sentidos destas setas indicam os valores positivos
de corrente e de tensão de cada fase. Os três voltímetros ligados entre as linhas 1-2, 2-3 e
3-1, respectivamente , indicam os valores eficazes das tensões nas linhas e nas fases. A cor-
rente de linha 11 provém das fases a e c que estão ligadas ã linha 1. A corrente na linha
é maior do que a corren te na fase, mas não o dobro, pois estas correntes não estão em
fase. A relação entre as correntes nas·linhas e nas fases está mostrada na figura 16-12 (B).
Os valores eficazes das tensões nas linhas e nas fases estão representados pelos vetores
Ea, Eb e Ec. Note-se que o vetor soma de Ea, Eb e Ec é zero. As correntes nas fases são
iguais entre si , uma vez que as cargas estão balanceadas. Pela mesma razão, as correntes
nas linhas são iguais en tre si. Nas cargas com fator de potência unitário, o ângulo entre
a tensão e a corrente na fase é zero.

Circuito
(A)
II :I0 e I,
II
If: I et 0
li :I, e I
El,l = E0
E2,3:Eb
E 3,1 z; E,,
Il = ./3 Io
U:./3 I-
13 = .13 z.

I3
Vetores
(Bl
Fig. 16-12.- Sistema trifásico, ligação em delta.

Para se traçar os vetores das correntes nas linhas é neoessário, primeiramente , consi-
derar os sentidos das correntes nos pontos de ligação das fases do gerador com os con-
dutores das linhas. Considere-se o ponto de junção formado pelas fases a, c e pela linha 1.
De acordo com a lei de Kirchhoff, a corrente na linha 11 é igual ao vetor diferença entre
Ia e lc. Na figura 16-12 (B), o vetor corrente Ia está no mesmo sentido geral do vetor lt
(defasado de menos de 90° em relação a 11) e o vetor corrente lc está se opondo ao vetor

411
11 (mais de 90° de defasagem). I 1 é o vetor soma de Ia e - Ic. Os vetores Ia e Ic são iguais
em módulo, mas estão defasados de 60°. O vetor soma de todas as correntes que chegam
ou deixam o ponto de junção é zero. As setas que apontam para o ponto de junção são
consideradas representativas de correntes positivas. Aquelas que apontam em sentido
oposto representam correntes negativas. Com base nas regras precedentes, podemos escre·
ver as seguintes equações:

Ia <±> (-Ic) = I1,ou I1 = Ia e Ic


Ib <±> (-Ia) = l2 , ou 1z = Ib e la

lc 0(- lb) = h , oul3 = Ic e ib

Aqui também os sinais 0 e e designam os vetores adição e subtração, respectiva-


mente. Ainda aqui, o vetor subtraçlfo é obtido invertendo-se o vetor que está sendo
subtraído de 180° e combinando-o com o outro pelo método do paralelogramo, sendo a
diagonal o vetor diferença.
Se as equações acima forem aplicadas ao diagrama vetorial da figura 16-12 (B), as
correntes nas linhas, 11 , 12 e 13 , serão as diagonais dos três paralelogramos cujos lados
são as correntes nas fases Ia, Ib e Ic. Deste diagrama observamos os seguintes fatos:
(1) As correntes nas linhas são iguais e estão defasadas de 120°;
(2) as tensões nas linhas são iguais e defasadas de 120°;
(3) quando o fator de potência da carga for unitário, as correntes nas linhas ficam
defasadas de 30° das respectivas tensões; e
(4) a corrente na linha é igual ao produto da corrente na fase por ../3.

A potência fornecida por um sistema trifásico, balanceado, ligado em Y ou estrela


é igual a três vezes o valor de potência fornecida por uma das fases. A potência verdadeira
total é:
Pt = 3Efase X Ifase X cosO

Porque

Elinha
Efase = ../3 e lfase = Ilinha

A potência verdadeira total é:

Elinha
Pt = 3 ../3 ·Ilinha • cos O = ../3 ·Elinha • llinha • cos O

A potência fornecida por um sistema trifásico, balanceado, ligado em delta ou


triângulo é também igual a três vezes a potência fornecida por uma das fases.

Porque

Ilinha
Efase = Elinha e lfase = ../3 ,

412
e a potência verdadeira é:

Ilinha
Pt = 3Elinha • .J3 · cos O = .J3Elinha • Itinha • cos O

Assim, a expressão ftnal da potência de um sistema trifásico balanceado é a mesma


seja ele ligado em estrela ou triângulo. Dois exemplos são dados para ilustrar as relações
de fase entre corrente , tens[o e potência em (1) sistema trifásico ligado em Y ou estrela,
e (2) sistema trifásico ligado em delta ou triângulo.
Exemplo 1: Um gerador de CA, trifásico, ligado em estrela, tem uma tensão ter-
minal de 450 volts e fornece uma corrente a plena carga de 300 ampêres por terminal
com um fator de potência de 80%. Determinar: (a) a tensão na fase, {b) a corrente a
plena carga por fase, (c) os k.ilovolt-ampêres ou potência aparente, e (d), a potência
real de saída.

Elinha 450
a) Efase = = --= 260 volts
..J3 V3
b) Ifase = Ilinha = 300 ampêres

c) Potência aparente = v'3Elinha • Ilinha =

= v'3x 450 X 300 = 233600 va, ou 233,6 kva

d) Potência verdadeira= J3Etinha • llinha • cosO =

= V3 X 450 X 300 X 0,8 = 186.800 watts, ou 186,8 kw

Exemplo 2: Um gerador de CA, trifásico, ligado em delta, tem uma tensão terminal
de 450 volts e a corrente em cada fase é 200 ampêres. O fator de potência de carga é 75%.
Determinar: (a) a tensão na linha, {b) a corrente na linha, (c) a potência aparente, e (d),
a potência real.

a) Efase = E1inha = 450 volts

b) Ilinha = v'3Irase = 1,732 X 200 = 346 ampêres

c) Potência aparente = v'3E1inha • Ilinha =

= 1,732 X 450 X 346 = 269.000 va = 269 kva

d) Potência verdadeira= v'3E!inha ·Ilinha • cosO =

= 1,73 X 450 X 346 X 0,75 = 202.020 ou 202,02 kw

413
...
Medida de potência
As ligas do wattúnetro para medir a potência verdadeira num sistema trifásico
estã'o mostradas na figura 16-13. O processo mostrado na figura 16-13 (A) usa três wattí·
metros com suas bobinas de corrente inseridas em série com os condutores de cada linha
e suas bobinas de tensão ligadas entre as linhas e o condutor neutro. A potência verda·
deira total é igual à soma aritmética das leituras dos três wattúnetros.

Rl
I RI
I
I R2
I
I
I
Processo com dois wattímetros
L ------- - --------_ ..,__. .,.__, (8)
Processo com três wattímetros
(A)

Fig.16-13. - Ligação dos wattímetros para


medição de potência nos sistemas trifásicos.

O processo mostrado na figura 16-13 (B) usa dois wattúnetros com suas bobinas de
corrente ligadas em série com dois condutores das linhas e suas bobinas de tensão ligadas
entre os condutores destas linhas e os comuns, ou terceiro condutor que não está ligado
a nenhuma bobina de corrente. A potência verdadeira será a soma algébrica das duas lei-
turas obtidas nos wattúnetros. Se o ponteiro de um dos instrumentos mover-se em sen·
tido inverso ao sentido crescente da escala, deve-se inverter as ligações da sua bobina de
tensão para que o ponteiro passe a mover-se no sentido crescente da escala, e a potência
verdadeira total será igual à diferença das leituras obtidas. Se o fator de potência for
menor que 0,5 e as cargas forem balanceadas, a potência verdadeira total será igual à
diferença das duas leituras. Se for igual a 0,5, um instrumento indicará a potência ver·
dadeira total e o outro marcará zero. Se for maior do que 0,5, a potência verdadeira total
se rá igual à soma das duas leituras dos wattímetros.

Freqüência
A freqüência da tensão produzida por um gerador de CA depende da velocidade
de rotação do rotor e do número de pólos. Quanto maior for a velocidade, maior será
a freqüência; quanto menor a velocidade , menor a freqüência. Para uma determinada
velocidade, a freqüência será maior se for maior o número de pólos. Quando um rotor
gira de um ângulo tal que dois de seus pólos adjacentes (um N e outroS) passam por
um determinado enrolamento, a f.e.m. induzida neste enrolamento varia segundo um
ciclo completo. Para uma dada freqüência, quanto maior for o número de par de pólos,
menor será a velocidade de rotação. Um gerador de dois pólos tem que girar com o dobro
da velocidade do de 4 pólos para gerar a mesma tensão com a mesma freqüência. A fre·

414
qüéncia do gerador, em ciclos por segundo (hertz), é expressa pela seguinte equação,
em função do número de pólos e da velocidade de rotação:

P N PN
f = -X -= -
2 60 120

onde P é o número de pólos e N a velocidade de rotação em rpm. Por exemplo, um gera-


dor de 2 pólos, com uma velocidade de rotaçã'o de 3.600 rpm, gera uma tensão cuja
freqüência é :

2 X 3.600
= 60 hertz
120

Um gerador de 4 pólos, com velocidade de 1.800 rpm, gera uma tensão de igual freqüên-
cia, e um de 6 pólos com 500 rpm tem uma freqüência de:

6 X 500
---= 25hertz;e
120

um de 12 pólos e 4.000 rpm gera uma tensã'o cuja freqüência é igual a

12 X 4.000
= 400 hertz
120

Tensão gerada
Uma vez projetada e construída a máquina, a tensão do gerador é controlada, na
prática, pela variaçã'o da tensão de CC (excitaçã'o) aplicada ao enrolamento do campo.
No projeto, entretanto, muitos fatores devem ser considerados como ilustra o texto
seguinte.
Conforme mencionado anteriormente, os condutores ficam alojados na armadura
do gerador em um ou mais grupos chamados de fases, dependendo de como seja a má-
quina projetada para fornecer tensã'o monofásica, bifásica ou trifásica. A tensão eficaz E,
por fase, é:

onde <I> é o número de linhas de força magnéticl\ por pólo, Z o número de condutores
em série por fase , f a freqüência em ciclos por segundo, Kb um fator de distribuição do
enrolamento, e Kp um fator de espaçamento.
Geralmente , as bobinas de cada fase ficam distribuídas uniformemente em tomo
do estator. As f.e.m. induzidas nas várias bobinas nã'o estão em fase entre si por causa
do deslocamento das bobinas. O fator Kb leva em conta este deslocamento e reduz a
tensa-o total gerada por fase a um valor menor do que seria gerado se todos os condu-
tores ativos constituíssem um único enrolamento. Da mesma maneira, se duas metades
de uma mesma bobinestiverem defasadas menos que 180° elétricos, a f.e.m. induzida
na bobina será menor do que se fosse realmente de 180° elétricos. O fator de espaça-
mento, Kp, provoca esta redução na tensão gerada.

415
Por exemplo, um determinado gerador trifásico, de 60 Hz, tem 96 condutores
em série por fase , e o fluxo do campo por pólo é de 2,54 X 10 6 linhas por pólo. O fator
de distribuiçfo é 0,958 e o fator de espaçamento é 0,966.
A tens!oeficaz por fase é:

2,22 X 2,54 X 106 X 96 X 60 X 0,958 X 0,966


E= = 300 volts
108

Características
Quando se varia a carga aplicada ao gerador, sua tensã"o terminal também varia. A
grandeza da variaçã"o depende do tipo do gerador e do fator de potência da carga. Com
uma carga que tenha um fator de potência em atraso, a queda na tensão terminal; provo·
cada pelo aumento da carga, é maior do que com uma carga de fator de potência unitário.
Inversamente, com um fator de potência em avanço, a tensão terminal tende a aumentar.
AS cargas da variaÇ[o na tens!oterminal com a variação da carga, são: (1) resistência da
armadura, (2) reatância da armadura, e (3) reação da armadura.

Resistência da armadura
Quando circula corrente pelo enrolamento da armadura do gerador, ocorre uma
queda de tensfo IR em virtude da resistência nos enrolamentos da armadura. A queda
aumenta com o aumento da carga, e a tensfo terminal é reduzida. Esta queda é pequena,
pois a resistência da armadura também o é.

Reatância da armadura
A corrente na armadura de um gerador de CAvaria, aproximadamente, segundo
urna curva senoidal. A variação contfuua de corrente na armadura do gerador é acompa·
nhada por uma queda de tensã"o IXL em adição à queda IR. A reatância da armadura de
um gerador de CA pode variar de 30 a 50 vezes o valor da resistência da armadura por
causa da relativamente grande indutância das bobinas comparada com a sua resistência.
Um circuito série simplificado e equivalente a uma fase de um gerador de CA é
mostrado na figura 16-14. A tensfo induzida no enrolamento de fase é igual ao vetor
soma da tensfo terminal da fase, com as quedas IR na resistência da armadura e queda
IXL, devido à reatância da armadura, ambas relacionadas àquela fase. O vetor de tensã"o
para uma carga com fator de potência unitário está mostrado na figura 16-14 (A). A
queda IR na armadura está em fase com a corrente I e a tensão terminal E. Como a queda
IXL na armadura está 90° defasada da corrente , a tensão terminal é aproximadamente
igual à tensã"o gerada menos a queda IR na armadura.
Os vetores de tensa-o, para um fator de potência em atraso, estão mostrados na
figura 16-14 (B). A corrente de carga e queda IR estão em atraso, em relação à tensão
terminal, de um ângulo 8 . Neste exemplo, a queda IZ na armadura está mais em fase com a
tensã"o terminal e a tens[o induzida. Conseqüentemente , a tensão terminal é aproxima·
damente igual à tensfo induzida menos a queda IZ na armadura. Como a queda IZ é mui·
to maior do que a IR, a tensão terminal é muito mais reduzida.
Os vetores de tensão, para um fator de potência em avanço, estão mostrados na
figura 16·14 (C). A corrente de carga e a queda IR estão avançadas de um ângulo 8, em
relação â tensfo terminal. Desta condição resulta um aumento na tensão terminal acima
do valor de Eg. A tensfo total disponível na fase do gerador de CA é o efeito combinado

416
de Eg (induzida pela rotaçã'o) com a f.e.m. auto-induzida (não mostrada nos vetores).
A f.e.m. de auto-induçã'o, como em qualquer circuito de corrente alternada, é gerada pela
variaçã'o do campo (acompanhando a variaçã'o da corrente na armadura) enquanto suas
linhas de força cortam os condutores da armadura. A f.e.m. auto-induzida está sempre
atrasada de 90° em relaçã'o à corrente. Por conseguinte, quando I está avançada em rela-
ção a Et. a f.e.rn. de auto-induçã'o auxilia Eg, e Et aumenta.

I I

Er R

IR Er

CaJp com fator Carga com fator CaJp com fator


de potência unitário de potência em atraso de potência em avanço
(A) (Bl (C)
Fig. 16 14- Ca.ractemticas da tensão do gerador CA.

Reaçã'o da armadura
Quando um gerador de CA nã'o alimenta carga, o fluxo do campo de CC fica dis-
tribuído uniformemente através do entreferro. Quando o gerador alimenta uma carga
reativa, entretanto, a corrente, fluindo através dos condutores da armadura, produz nela
uma força magnetomotriz (fmm) que influencia a tensã'o terminal pela alteração da
grandeza do fluxo do campo através do entreferro. Quando a carga é indutiva, a fmm
da armadura opõe-se ao campo CC, enfraquecendo, reduzindo, portando, a tensão
terminal. Quando uma corrente em avanço circula na armadura, o campo CC é favorecido
pela fmm da armadura e o fluxo através do entreferro aumenta, aumentando assim a
tensão terminal.

Regulagem da tensão
A regulagem da tensão de um gerador de CA é a variaçã'o de tensão que ocorre
entre a condiÇ[o de plena carga (pc) e a de sem carga (nc), expressa em porcentagem de
volts à plena carga, quando são mantidas constantes a velocidade e a corrente contínua do
campo.
Enc-Epc
Percentagem de regulagem = X 100; onde Enc e Epc representam as
Epc
tensões sem carga e com plena carga respectivamente.

4.17
Por exemplo, a tensã"o temúnal de um gerador sem carga é 250 volts e a com plena
carga é de 220 volts. A percentagem de regulagem é:

250 -220
----X 100 = 13,6%
220

Princípios de controle da tensão CA


Num gerador de CA, é induzida uma tensã"o alternada nos enrolamentos da anna-
dura quando os campos magnéticos de polaridades alternadas passam pelos enrolamentos.
A quantidade de tensão induzida depende, principalmente, de três fatores:(1) do número
de condutores em série por enrolamento, (2) da velocidade com que o campo magnético
passa pelo enrolamento (rpm do gerador) e (3), da intensidade do campo magnético.
Qualquer um desses fatores poderia, teoricamente, ser usado para controlar o valor da
tensã"o induzida nos enrolamentos do gerador.
O número de espiras no enrolamento, naturalmente , é fixado desde que o gerador
é construído. Também a velocidade de rotação do gerador não deve variar, uma vez que
a freqüência da tensã"o gerada deve ser constante. Isto impede o uso da rotação do gerador
como um meio de controlar a tensã"o temúnal. Assim, o único método prático que resta
para obtençã"o do controle da tensão induzida é o controle da intensidade do campo
magnético. Em alguns casos porém, o campo magnético é fornecido por um ímã perma-
nente. O gerador de CA da figura 16-2 usa um campo eletromagnético ao invés de um
campo de ímã permanente. A intensidade desse campo eletromagnético pode ser variada
variando-se a quantidade de corrente que flui pela bobina. Isto é feito variando-se o valor
da tensã"o aplicada à bobina. A intensidade do campo do gerador de CAvaria se a tensão
CC gerada pela excitatriz f<Jf variada. Assim, a grandeza da tensão CA gerada depende
diretamente do valor da tensão de CC gerada pela excitatriz e aplicada ao campo do gera-
dor de CA. Essa relação permite que uma tensã"o de CA relativamente grande seja con-
trolada por uma tensã"o CC muito menor.
O próximo passo para entender-se o funcionamento do gerador de CA é saber
como a tens!o de CC da excitatriz é controlada. Este controle é obtido pela variação
da intensidade do campo paralelo (shunt) do gerador de corrente contfuua. Isto é feito
usando-se qualquer um dos diferentes tipos de reguladores de tensão existentes. Um
mecanismo que variará a corrente de excitaçã"o do campo paralelo da excitatriz de acordo
com as variações na tensã"o temúnal do alternador denomina-se regulador de tensão. O
mecanismo deve também manter correto o valor da corrente da excitatriz quando não
for necessária uma ação corretiva na tensã"o do gerador. Na figura 16-15, um par de
ligações leva a tensã"o temúnal do gerador para, através de um transformador, fazer tuar
no REGULADOR, uma tensão que é proporcional à tensão do temúnal. Observe que
uma parte da corrente de excitaçã"o que sai da armadura da excitatriz flui através
de um reostado de campo R.X da excitatriz, em seguida pelo enrolamento do seu campo
paralelo e, fmalmente, retoma à armadura. Obviamente, a excitatriz fornece a corrente
contínua para o controle do próprio campo em aditamento à fornecida ao campo do
gerador de CA, conforme detemúnado pela posiçã'o do braço do reostato R.X. A posição
do braço do reostato é controlada pela intensidade magnética da bobina e controle L.
Esta intensidade magnética, por outro lado, é controlada pela queda de tensão através
do resistor R. A tensão em R é retificada e é proporcional à tensão de CA na linha.
(Retificadores são elementos que transformam CAem CC).
Assim, a função essencial do regulador é usar a tensão de saída do gerador de CA,
421
a mesma que se deseja controlar, como agente de influência no controle da quantidade
de corrente contfuua que a excitatriz deve fornecer para o controle do próprio campo.
Uma queda de tensã"o terminal do gerador de CA mudará a ajustagem do reostato de
campo RX em sentido tal que provoque um aumento na corrente de campo. Um aumento
na tensão terminal do gerador mudará a ajustagem do reostato em sentido oposto, o que
produz uma diminuição na corrente de campo da excitatriz. Estas duas últimas carac-
terísticas são causadas pelas ações que ocorrem dentro do regulador. Estas caracterís-
ticas sã"o comuns a ambos os tipos de reguladores: resistivo e magnético (amplificador
magnético). Esses dois tipos de reguladores têm o mesmo propósito, mas o atin m
baseados em princípios diferentes de operação. Uma descrição detalhada da construção
e do princípio de funcionamento de qualquer tipo particular de regulador será feita em
curso posterior mais avançado.

Regulador de tensão CA
r---------,
I
I
I
Entrada de CA
I
de controle L I
I
I
I
I I
I Rx
I I
I I
L _ J

Terminais do
controle de
excitação

Gerador CA

Fig. 16·15.- Circuito simplificado de regulador de tensão.

418
Operação em paralelo de geradores de CA
Os geradores de CA são postós a funcionar em paralelo sempre que se deseja: (1)
aumentar a capacidade acima da de uma única wúdade, (2) ter uma reserva para um
possível aumento da demanda, e (3), pennitir a retirada de uma máquina e a colocação
de outra em funcionamento sem que haja interrupçã'o no fornecimento de energia.
Quando os geradores de CA slfo de grande porte e estiro operando em freqüências e
tensões terminais diferentes, poderá ocorrer urna séria avaria se eles forem subitamente
ligados um ao outro através de urna barra comum. Para evitar isto, os geradores devem
ser sincronizados ANTES de serem ligados à barra comum. Isto é feito conectando-se
iliicialmente um gerador à barra (denominada barra do gerador), e, em seguida, sincro-
nizando-se o segundo gerador de maneira a fazê-lo girar com a mesma velocidade do
primeiro, fecha-se o seu disjuntor ligando-o também à barra. Os geradores estarão sin-
cronizados quando satisfizerem simultaneamente as seguintes condições:
1. Tensões terminais iguais. As tensões terminais sâ"o ajustadas pelo controle da
intensidade do campo do gerador que vai ser posto em paralelo.
2. Freqüências iguais. O controle de freqüência é feito ajustando-se a velocidade
do acionador mecânico do gerador que vai ser posto em paralelo.
3. Tensões das fases na correta relação de fase. (As tensões das fases a serem ligadas
devem atingir seus valores máximos, com a mesma polaridade e.no mesmo instante).
Os geradores poderiam estar com a mesma freqüência mas fora de fase. Neste caso se os
dois geradores têm a mesma freqüência, mas um está atrasado em relação ao outro, o
gerador em atraso deve permanecer um certo número de graus junto ao primeiro, até
que seja acelerado ligeiramente para entrar em sincronismo.
4. As fases devem estar na seqüência correta. Um par de fases pode estar adequa-
damente ligado, enquanto os outros dois pares podem estar cruzados. Por exemplo, a
seqüência de fases de um gerador pode ser ACB enquanto a do outro é ABC, o que não
estaria correto.

Sincronizaçlfo de geradores CA
Todas as condições indicadas anteriormente podem ser verificadas pelo seguinte
processo: ·
A igualdade das tensões podem ser verificadás pelo uso do voltímetro. As cóndi-
ções restantes, ou seja, iguais freqüência, relações de fase e seqüência de fase, são verifi-
cadas tanto pelo uso de lâmpadas de sincronizaçã'o, quanto pelo sincroscópio. Existem
várias maneiras de se ligarem as lâmpadas de sincronização. O processo mais satisfatório
é o de duas ACESAS e uma APAGADA. Este arranjo de ligações é mostrado na figura
16-16. Observe que as lâmpadas estã'o ligadas diretamente entre as saídas das fases do
gerador que vai entrar em paralelo e as barras. Dessa maneira, as duas fontes de corrente
alternada podem ser sincronizadas antes de fechar o disjuntor do segundo gerador. No
instante em que os geradores estiverem em sincronismo,e 4 apresentarã'o o máximo
de brilho, e 1 1 estará apagada.
Supomos que o gerador que vai entrar esteja fora de sincronismo, atrasado, com
relaçã'o ao que está ligado à barra. As três lâmpadas apresentarão brilho constante por-
que a freqüência da tensão entre elas é a DIFERENÇA entre as freqüências dos gera-
dores, e portanto muito alta para que as alterações individuais possam ser observadas.
Entretanto, à medida que o gerador em atraso é acelerado, a freqüência diferença das
lâmpadas diminui até que suas luzes pisquem de maneira visível. As cinti.lações ocorrerão

420
numa seqüência rotativa se as ligações estiverem corretas e indicarão qual o gerador
que está gerando mais rápido.
Em um ponto próximo ao do sincronismo, a lâmpada L 1 apagará por estar ligada
entre fases iguais. Isto é, as tensões nas duas fases C estarão tão próximas da sincronizaÇ[o
que a sua diferença, aplicada à lâmpada L 1, é insuficiente para produzir um brilho visível.
Entretanto, esta diferença poderá ainda ser suficientemente grande para avariar os gera-
dores caso sejam conectados. Daí, a razão para o cruzamento das ligações dee L 3.
Sob condições de perfeita sincronizaÇ[o, as tensões das fases através dee L 3 est[o'
120° defasadas (por causa do cruzamento de suas ligações) e ambas apresentarão o
mesmo brilho. Caso os geradores não estejam em perfeito sincronismo mas próxim
dessa condição, o brilho mais forte de uma lâmpada em relação à outra mostrará existir
diferença entre as tensões aplicadas ae 4. Assim, a freqüência do segundo gerador
deve ser ajustada de maneira que nenhuma diferença exista entre os brilhos dee 4.
Quando ocorrer o sincronismo exato, o segundo gerador poderá ser ligado à barra.
Após usar as lâmpadas para levar os geradores tão próximo possível do sincro-
nismo visual, deve ser usado um sincrosc6pio para fazer a ajustagem fmal de freqüên-
cia do gerador por meio eletrônico para ser atingida a condiÇ[o de exato sincronismo,
ocasião em que o segundo gerador deverá entrar em paralelo. O sincroscópio é um ins-
trumento altamente sensível usado para detectar diferenças de freqüência entre as duas
fontes de CA.

Lâmpadas de
sincronização
L3

Fis- 16-16.- Ligação das lâmpadas de sincro-


nização para o processo DUAS ACESAS UMA
APAGADA.

421
TRANSFORMADORES
O tran,sformador é um dispositivo sem partes móveis que transfere energia de um
circuito para outro pela induça"o eletromagnética. A energia é sempre transferida sem
alteraçã"o de freqüência, mas, normalmente, com mudança no valor da tensã"o ou da
corrente. Um transformador que recebe energia elétrica com uma determinada tensão
e a fornece com uma tensã"o maior é denominado TRANSFORMADOR ELEVADOR.
Inversamente, um TRANSFORMADOR REDUTOR é aquele que recebe energia com
uma dada tensão e a fornece com uma tensão menor. Os transformadores requerem
pouco cuidado e manutenção por causa da sua simples, compacta e durável construção.
A eficiência é alta. Por isso, os transformadores são os responsáveis pela maior predo-
minância da corrente alternada sobre a contfuua. O . transformador convencional, de
potencial constante, é projetado para operar com o seu enrolamento primário ligado
a uma fonte de potencial constante e para prover, no seu enrolamento secundário, uma
tensão que é substancialmente constante desde a condição de sem carga até a de plena
carga.
Vários tipos de transformadores monofásicos pequenos são usados a bordo dos
navios. Em muitas instalações, os transformadores são usados nos quadros elétricos para
diminuir as tensões que serão aplicadas ãs lâmpadas indicadoras. Alguns painéis de con-
trole de motores possuem transformadores de baixa tensã'o que alimentam circuito de
controle ou operam relés de sobrecarga.
Os transformadores para instrumentos podem ser de tensão ou de corrente. Esses
transformadores são usados com instrumentos de CA quando se deseja medir altas tensões
ou corrente.
Os circuitos e equipamentos eletrônicos empregam vários tipos de transformadores
que fornecem as necessárias tensões para a operação correta das válvulas eletrôniCllf. São
usados vários tipos para acoplamento interestágios, para amplificação de sinais, etc. Estes
transformadores variam grandemente na sua característica física.
O transformador de alimentação usado nos circuitos eletrônicos é comumente um
transformador de tensão constante monofásico, com um ou mais enrolamentos secun-
dários, ou ainda com um secundário único porém com várias derivações. Estes transfor-
madores têm uma pequena capacidade em volt-ampêres e menor eficiência do que os
grandes transformadores de tensão constante. A maioria dos transformadores de ali-
mentação para os equipamentos eletrônicos a bordo é projetada para operar nas fre-
qüências de 50 a 60 hertz. Os transformadores empregados nos aviões são projetados
para operaçã'o em 400 hertz. A operação em freqüências mais altas permite uma redu-
ção no peso e no tamanho dos transformadores, bem como dos equipamentds a eles
associados.

Características físicas
O transformador típico tem dois enrolamentos eletricamente isolados um do outro.
Os enrolamentos são bobinados em um núcleo de ferro magnético comum feito de lâmi-
nas de aço. As partes principais são: (1) o núcleo que provê um circuito de baixa relu-
tância para o fluxo magnético; (2) o enrolamento primário que recebe a energia de uma
fonte CA; (3) o enrolamento secundário que recebe a energia por indução mútua do
primário e a fornece para a carga; e (4) o invólucro.
Quando um transformador é usado para elevar a tensão, o enrolamento de baixa
tensão é o primário. Quando um transformador é usado para reduzir a tensão, o enrola-
mento de alta tensão é o secundário. O primário é sempre conectado à fonte de energia

422
e o secundário é sempre conectado à carga.prática comum se referir aos enrolamentos
como primário e secundário ao invés de enrolamentos de alta e baixa tens[o.
Os principais tipos de transformadores no que se refere ãs suas características
físicas de construção s[o os tipos com núcleo envolvido e o tipo com núcleo envolvente
conforme ilustrado respectivamente na figura 16-17 (A) e (B). Os núcleos são feitos
com finas lâminas de aço-silício. As correntes parasitas, geradas no núcleo pelo fluxo
alternado que corta o ferro, s[o minimizadas pelo emprego de fmas lâminas e isolando-
se a lâmina adjacente com verniz isolante. As perdas por histerese, motivadas pela fricção
desenvolvida entre as partículas magnéticas conforme elas giram em cada ciclo de mag-
netização, são minimizad2S pelo emprego de lâminas de aço-silício submetidas a um trata-
mento térmico para orientação granular.
No transformador tipo núcleo envolvido, os enrolamentos de cobre envolvem o
núcleo de ferro larninado. No tipo com núcleo envolvente, o núcleo de ferro envolve os
enrolamentos. Os transformadores de distribuição são geralmente do tipo núcleo envol-
vido. Os transformadores maiores, de grande potência,s[o do tipo núcleo envolvido.
Se os enrolamentos dos transformadores do tipo de núcleo envolvido forem colo-
cados em diferentes terminais do núcleo, urna relativamente grande quantidade do fluxo
produzido pelo enrolamento primário n[o cortará o enrolamento secundário, o que

L-----------Enrolamento de - -----'
alta tensfo
Núcleo envol te Núcleo envolvido
(A) (8)
FiJ. 16-17.- Tipos de uansfonnadores.

424
resulta numa grande perda de fluxo. O efeito desta perda é que aumenta a queda de
tensã'o na reatância, IXL, em ambos os enrolamentos. Para reduzir essa perda de fluxo e
a queda de reatância, os enrolamentos são subdivididos, e metade de cada um deles é
colocada em cada um dos terminais do núcleo. Os enrolamentos podem ser de forma
cilíndrica e montados um dentro do outro, com o necessário isolamento conforme é
mostrado na figura 16-17 (A). O enrolamento de baixa (menor) tensão é instalado, com
uma grande parte da sua superfície, junto ao núcleo, e o de alta tensão envolve o de
baixa tensão a fim de reduzir os requisitos de isolamento dos dois enrolamentos. Se
o enrolamento de alta tensão fosse colocado junto ao núcleo, seriam necessárias duas
camadas de isolamento para alta tensão, uma junto ao núcleo e outra entre os dois tipos
de enrolamentos.
No outro processo, os enrolamentos são feitos na forma de finas seções de lâminas
achatadas denominadas bobinas laminadas. Essas bobinas são empilhadas, com o neces-
sário isolamento entre elas, conforme mostrado na figura 16-17 (B).
O conjunto completo de núcleo e bobinas (figura 16-18 A) é instalado dentro de
um tambor retangular de aço. Nos transformadores comerciais, o conjunto completo
normalmente é imerso em um óleo mineral especial isolante que refrigera o conjunto.

(A) Conjunto de bobina e núcleo


(8) Envoltório

Fig.16·18. - Transformador monofásico para uso a bordo.

423
As bancas de transformadores instalados em navios consistem normalmente de trans-
formadores monofásicos, refrigerados a ar, e montados em carcaças especiais.conforme
fig. 16-18 (B).
Os transformadores são fabricados tanto em unidades monofásicas como polifá-
sicas. Um transformador trifásico consiste de três enrolamentos isolados, enrolados num
núcleo comum com três terminais capazes de estabelecer três fluxos magnéticos com fases
separadas de 120°.

Relações de tensão e corrente


O funcionamento dos transformadores é baseado no princípio de que a energia
elétrica pode ser transferida eficientemente pela indução mútua de um enrolamento
para outro. Quando o enrolamento primário é alimentado por urna fonte de CA, um
fluxo magnético alternado é estabelecido no núcleo do transformador. Esse fluxo corta
as espiras tanto do enrolamento primário como as do secundário, induzindo neles urna
f.e.m. Como o mesmo fluxo corta ambos os enrolamentos, a mesma f.e.m. é induzida em
cada espira de ambos os enrolamentos. Portanto, a tensão induzida em cada enrola-
mento é proporcional ao seu número de espiras. Isto é:

onde E 1 e E2 são as tensões induzidas nos enrolamentos primário e secundário, sendo


N 1 e N2 , respectivamente , o número de espiras dos enrolamentos primário e secundário.
Nos transformadores comuns, a tensão induzida no primário é quase igual ã tensão nele
aplicada. Conseqüentemente, as tensões aplicadas ao primário e ao induzido no secun-
dário são aproximadamente proporcionais aos respectivos números de espiras nos dois
enrolamentos.
Um transformador monofásico, de potencial constante, está representado no dia-
grama esquemático da figura 16-19 (A). Para simplificar, o diagrama do primário é mos-
trado como estando em um dos terminais do núcleo e o do secundário na outra. A equa-
ção para a tensão induzida em um enrolamento do transformador é:

E = 4,44 BSfN
108

onde E é a tensão eficaz, B o valor máximo da densidade do fluxo magnético em linhas


por polegada quadrada do núcleo, S a área da seção reta do núcleo em polegadas qua-
dradas, f a freqüência em hertz, e No número total de espiras do enrolamento.
Por exemplo, se a máxima densidade de fluxo magnético for 90.000 linhas por
polegada quadrada, a área da seção reta do núcleo, 4,18 polegadas quadradas, a freqüên-
cia, 60 hertz, e o número de espiras do enrolamento de alta tensão igual a 1.200, a tensão
induzida neste enrolamento será:

4,44 X 90.000 X 4,18 X 60 X 1.200


E1 = = 1.200 volts
108

"425
I

Fonte Carga

{A)

o --I-o--- .

(8) (c) (O)

Fig. 16·19. - Transfonnador de potencial constante.

Se a relaç!fo entre o número de espiras dos enrolamentos primário e secundário é de 10


para 1, o número de espiras no enrolamento de baixa tensão será:

1.200
--= 120 espiras
10

e a tensã"o induzida no secundário será :

1.200
E2 =--= 120volts
10

As formas de ondas do transformador ideal operando sem carga estão mostradas


na figura 16-19 (B). Quando E 1 é aplicada ao enrolamento primário N 1 com a chave S
aberta, a corrente resultante, Ia é pequena e atrasada em relação a E 1 de quase 90°, pois
o circuito é altamente indutivo. A corrente que flui quando não há carga no secundário
é denominada CORRENTE EXCITATRIZ ou MAGNETIZADORA porque ela fornece
a força magnetomotriz que produz o fluxo ci> no núcleo do transformador. O fluxo pro-
duzido por Ia corta o enrolamento primário, N 1,e induz uma força contra letromotriz,

426
fcem, Ec, 180° fora de fase com relação a E 1 nesse enrolamento. A tensão E 2 induzida
no enrolamento secundário está em fase com a tensão Ec (fcem) induzida no enrola-
mento primário, estando ambas atrasadas em relação à corrente excitadora e ao fluxo,
cuja variação as produziu, de um ângulo igual a 90°. Essas relações estão mostradas em
forma vetorial na figura 16-19 (C). Os valores são aproximados e não estão desenhados
exatamente em escala.
Quando uma carga é ligada ao secundário mediante o fechamento da chave S (fig.
16-19 A), a corrente do secundário h, depende da grandeza da tensão secundária, E2 ,
e da impedância Z da carga. Por exemplo, se E2 for igual a 120 volts e a impedância da
carga for 20 ohrns, a corrente no secundário será:

Ez 120
l2 = -= --= 6amperes
Z2 20

Se o fator de potência no secundário for 86,6%, o ângulo de fase 8 2 , entre os valores


de corrente e de tensâ'o do secundário será o ângulo cujo co-seno seja 0,866 ou 30°.
A corrente da carga ligada ao secundário, passando pelas espiras do mesmó provoca
o aparecimento de uma componente de carga da força rnagnetomotriz, a qual, de acordo
com a lei de Lenz, tem um sentido tal que se opõe ao fluxo que a está produzindo. Essa
oposição tende a reduzir ligeiramente o fluxo do transformador. A redução do fluxo é
acompanhada de urna redução na tensão (fcem) induzida no enrolamento primário do
transformador. Como a impedância interna do enrolamento primário é baixa, e a cor-
rente do primário é limitada pela força contra-eletromotriz no enrolamento, a corrente
no primário do transformador aumenta quando a fcem é reduzida.
O aumento de corrente no primário perdura até que os amperes-voltas deste enrola-
mento igualem os amperes-voltas do secundário, desprezando-se as perdas. Por exemplo:
no transformador conside rado, a corrente de magnetização, Ia, é considerada como sendo
desprezível, em comparação com a corrente total do primário, I 1 +Ia, sob condições de
carga, porque Ia, em relação a I1, é pequena e atrasada de um ângulo de 60°. Portanto
os amperes-voltas do primário e secundário são iguais e opostos. Isto é:

Neste exemplo,

N2 120
lt = - · 1 = --X 6 = 0,6
2

amperes
Nt 1.200

Desprezando-se as perdas, a potência suprida ao primário é igual à fornecida pelo


secundário à carga. Se a potência da carga é P2 = Ez I2 cos 8 2 , ou 120 X 6 (cos 30° =
= 0,866) = 624 watts, a potência suprida ao primário deverá ser aproximadamente:
P1 = E1I 1 cos 8 , ou 1.200 X 0,6 (cos 30° = 0,866) = 624 watts

A componente de carga na corrente do primário, I 1 , aumenta com a carga do secun-


dário, e mantém o fluxo no núcleo do transformador aproximadamente constante no
valor inicial. Esta ação toma possível ao primário do transformador retirar energia da
fonte na proporção do aumento de carga, e manter a tensão terminal aproximadamente
427
constante. O diagrama vetorial da figura 16-19 (D) mostra essa situação. Observe que o
fator de potência é transferido do transformador para o primário e que e 2 é aproxi-
madamente igual a e.' sendo que a única diferença é ser e. ligeiramente maior que e2 por
causa da presença da corrente de excitação que flui no enrolamento primário, mas não
no secundário.
As perdas no cobre de um transformador variam com o quadrado da corrente de
carga; e ao mesmo tempo, as perdas no núcleo dependem da tensão terminal aplicada
ao primário, e da freqüência de operação. As perdas no núcleo de um transformador de
potencial constante são as mesmas, desde a condição de sem carga, até a de plena carga,
porque a freqüência é constante e os valores eficazes da tensão aplicada, da corrente de
magnetização e da densidade de fluxo, são também constantes.
Se a carga aplicada de um transformador tem fator de potência unitária, os kw de
saída {potência verdadeira) e os kva de saída (potência aparente) são iguais em valor.
Se a carga tem um fator de potência em atraso, os kw são proporcionalmente menores
que os kva fornecidos. Por exemplo: um transformador tendo, à plena carga, uma capaci-
dade de 100 kva, pode fornecer 100 kw para uma carga de fator de potência unitário, mas
somente 80 kw para uma de fator de potência em atraso igual a 80%.
Os transformadores são geralmente classificados em termos da capacidade de
kva que possam transferir continuadamente, sem exceder 80 °C de aumento na tempe-
ratura, mantendo-se a tensão secundária na freqüência recomendada e quando operando
na temperatura ambiente de 40 °C. O aumento efetivo de temperatura em qualquer parte
do transformador é a diferença entre a temperatura total dessa parte e a temperatura da
atmosfera que a envolve.
possível operar transformadores numa freqüência maior do que aquela para a
qual foram projetados, mas não é permissível operá-los a mais de 10% abaixo de sua
freqüência nominal, por causa do aquecimento resultante. A corrente de magnetização
no primário varia diretamente com a tensão aplicada e, como qualquer impedância
contendo reatância indutiva, essa corrente varia inversamente com a freqüência. Assim ,
com freqüências reduzidas, a corrente de magnetização fica excessivamente grande e o
aquecimen to que a acompanha pode avariar o isolamento e os enrolamento's.

Rendimento (ou eficiência)


O rendimento de um transformador é a razão entre a potência disponível nos ter-
minais do secundário e a fornecida aos terminais do primário.também igual à relação
entre a potência fornecida pelo secundário e a soma desta com as perdas. Isto é:

potência fornecida
pelo secundário saída potência fornecida pelo secundário
Rendimento ::: ::: :::
potência recebida entrada potência fornecida pelo secundário +
pelo primário +perdas no cobre+ perdas no núcleo

Os transformadores de força comuns apresentam um rendimento de 97 a 99 por


cento. A redução é decorrente das perdas no cobre dos dois enrolamentos e das causadas
pelos efeitos da histerese e das correntes parasitas no núcleo de ferro.
As perdas no cobre variam com o quadrado da corrente nos enrolamentos e com
a resistência dos mesmos. No transformador considerado como exemplo, se o primário
tiver 1.200 espiras de fios de cobre número 23, com comprimento total de 1.320 pés,
a resistência do enrolamento primário será de 26,9 ohms. Se a corrente de carga no pri-

428
mário for 0,5 ampêre, a perda no cobre do primário será (0,5)2 X 26,9 = 6,725 watts.
Similarmente, se o enrolamento do secundário for feito com 120 espiras de fio de cobre
n úmero 13 e comprimento total de aproximadamente 132 pés, a resistência do secundário
será de 0,269 ohm. A perda no cobre do enrolamento do secundário será 12 2 R2 , ou
(5? X 0,269 = 6,725 watts, e a perda no cobre total será 6,725 X 2 = 13,45 watts.
As perdas no núcleo, resultantes daquelas devidas â histerese e âs correntes para-
sitas provocadas pelo fluxo magnético alternado no núcleo, são aproximadamente cons-
tantes desde a situação de sem carga até a de plena carga, com a tensão nominal aplicada
ao primário.
Considerando o transformador da figura 16-19 (A), se as perdas no núcleo forem
10,6 watts, e as no cobre 13,4 watts, o rendimento será:

potência no secundário
Ren dimento = -------------- -----------------------------=
potência no secundário +perdas no cobre +perdas no núcleo

624 624
= = - - 0963
624 + 13,4 + 10,6
= 648 '

ou 96,3%. A capacidade do transformador será:

1.200 X 0,5
= ...:..._ = 0,60 kva
1.000

O rendimento do transformador considerado é relativamente baixo porque ele é


pequeno e as perdas são desproporcionalmente grandes.

Ligações monofásicas
Os transformadores de distribuição monofásica, normalmente têm seus enrola-
mentos divididos em duas ou mais seções conforme é mostrado na figura 16-20. Quando
os dois enrolamentos secundários são ligados em série (figura 16-20 A), as suas tensões
se somam. Na figura 16-20 (B), os dois enrolamentos secundários são ligados em para-

Primário Primário

2400 v 2400 v
HI H2
Fig. 16-20.- Ligações
no secundário de
transformador
monofásico.

1+---240 v - - 1+--- 120 v


- + Secundário
Secundário
(B)
(A)
429
leio, e as suas correntes também se somam. Por exemplo: se cada enrolamento secundá-
rio fornecer 120 volts e 100 amperes, a ligação série fornecerá 240 volts a 100 arnpêres ,
ou seja, 24 kva. A ligação em paralelo fornecerá 120 a 200 ampêres, ou seja, também ,
24 kva.
Na ligação em série deve-se tornar especial cuidado com a conexão do enrolamento
a fim de que suas tensões se adicionem. A disposição correta está indicada na figura. Um
traço feito através dos circuitos secundários, de X 1 a, está na mesma direção das setas
representativas das máximas tensões positivas.
Na ligação em paralelo deve-se ligar os enrolamentos de maneira que suas tensões
se oponham. A ligação correta está mostrada na figura. A direção do traço, feito através
dos enrolamentos secundários, partindo de X 1 ,passando por X2 3,X
e retomando
,e
até X 1, está na mesma direção das setas no enrolamento à direita. Esta condição indica
que as tensões secundárias têm seus máximos valores positivos em direções opostas, no
circuito fechado, o qual é formado pelo paralelismo dos dois enrolamentos secundários.
Assim, nenhuma corrente circulará nestes enrolamentos na situação de sem carga. Se
qualquer dos enrolamentos for invertido, circulará uma corrente de curto-circuito que
forçará o primário a exigir uma corrente de curto-circuito da fonte. Tal situação redun-
dará, obviamente , em avarias tanto para o transformador como para a fonte.

Ligações trifásicas
A energia elétrica pode ser fornecida através de circuitos trifásicos, contendo trans-
formadores, cujos enrolamentos primário e secundário são ligados em várias combinações
de triângulo e estrela. Por exemplo, três transformadores monofásicos podem fornecer
energia trifásica com quatro combinações possíveis de seus primários e secundários. Estas
ligações são: (I) primários em triângulo e secundários em triângulo; (2) primários em
estrela e secundários em estrela; (3) primários em estrela e secundários em triângulo; e
(4) primários em triângulo e secundários em estrela.
As ligações em triângulo e em estrela já foram estudadas no início deste capítulo,
quando se tratou dos "geradores trifásicos", e as relações entre as tensões e as correntes
de linha e de fase foram também mostradas. Essas relações são aplicáveis aos transfor-
madores assim como o foram aos geradores C.A.
Se o primário de três transformadores monofásicos forem corretamente conecta os
(tanto em triângulo como em estrela) a uma fonte trifásica, os secundários podem ser
ligados em triângulo, como mostra a figura 16-21. Um diagrama vetorial das tensões
trifásicas dos secundários é mostrado na figura 16-21 (A). O vetor soma destas três ten-
sões é zero. Isto pode ser visto pela combinação de qualquer dois vetores, por exemplo,
EA e Ea, e observando-se que o seu vetor soma é igual e oposto ao terceiro vetor, Ec.
Um voltímetro inserido no triângulo indicará uma tensão nula, como mostrado na figura
16-21 (B), isto quando os enrolamentos estão corretamente ligados.
Considerando que os três transformadores tenham a mesma polaridade, a ligação
em triângulo consiste em ligar-se o terminal X 2 do enrolamento A, ao terminal de X 1
do enrolamento B, o terminal X 2 do enrolamento B ao terminal X 1 do enrolamento C,
e o terminal X2 do C ao X 1 do A. Se qualquer um destes enrolamentos tiver suas liga-
ções invertidas em relação aos outros dois, a tensão total dentro do triângulo será igual
ao dobro do valor da tensão de uma fase, e , se o triângulo for fechado, a corrente resul-
tante será de curto-circuito, com conseqüente avaria nos enrolamentos e no núcleo do
transformador. O triângulo não deve nunca ser fechado antes que seja feito um teste para
se verificar se a tensão dentro do triângulo (entre os terminais a serem ligados) é zero ou
próximo desse valor. Isso pode ser feito com um voltímetro, um fio fusível, ou uma lâm-
430
pada de teste. Na figura, quando o voltímetro é inserido entre os terminais X 2 de A e o
X 1 de B, o circuito do triângulo é fechado através do medidor e a indicação seria aproxi-
madamente zero. Então, o triângulo pode ser fechado pela ligação do temúnal X 2 ,de A,
ao terminal X 1 de B.
Se os três secundários de uma banca de transformadores alimentados forem correta-
mente ligados em triângulo, e estiverem alimentando uma carga trifásica balanceada,
a corrente de linha será igual a 1,73 vezes o valor da corrente da fase. Se a corrente
nominal de uma fase (enrolamento) for 100 amperes, a corrente nominal da linha será
173 amperes. Se a tensão nominal da fase for 120 volts, a tensão entre qualquer dos
condutores das linhas será de 120 volts.
Os três secundários dos transformadores da banca podem ser religados em estrela a
fim de aumentar a tensão de saída. Os valores de tensão são mostrados na figura 16-21
(C). Se a tensão na fase for de 120 volts, a da linha será 1,73 X 120 = 208 volts. As

XI

Ec

Vetores de tensão X2
conexão delta
{A) Teste de tensão zero
{8)

/
/
/ V= '3 Ec
/
/
Xl
------
X2.
--2.
2

/
/
Vetores de tensão Teste para
conexão Y tensão na linha

E3,1 (C) {O l
Fig.16-21. - Secundário de transformador ligado em delta.

431
tensões de linha estão representadas pelos vetores E 1,2 , E2 3 e E3, 1 . Um teste de tensão
na linha com voltímetro é mostrado na figura 16-21 (D). Se os três transfor.,.madores
tiverem a mesma polaridade, as corretas ligações para os secundários da banca, em estrela,
estão indicadas na figura. Os terminais X 1 estão ligados para formarem um ponto comum
ou neutro, e os terminais X2 dos três secundários são ligados aos terminais das linhas.
Se as ligações de qualquer uma das fases for invertida, as tensões entre as três linhas
ficarão desbalanceadas e as cargas não receberão o valor correto de corrente de carga.
Também os ângulos de fase entre as correntes de linha serão mudados, e não mais estarão
120° fora de fase. Por isso, é realmente importante ligar corretamente os secundários
dos transformadores a fim de preservar a simetria das tensões e das correntes nas linhas.
Três transformadores monofásicos com ambos os enrolamentos ligados em deJta
(triângulo) são mostrados na figura 16-22. O terminal de H 1 de uma fase está sempre
ligado ao terminal H2 de uma fase adjacente. O terminal X 1 é ligado ao X2 da fase
adjacente correspondente, e assim por diante, sendo os terminais das linhas ligados a
esses pontos de junção. O arranjo mostrado se baseia na suposição de que os três trans-
formadores têm a mesma polaridade.

Alimentação
A
I B
c
HI ] Hz H TH2 H11 Hz

yy yyyyy l Iyyyyyyyyyy
YY"Y"Y:
carga Xz XI Xz r XI X2
A'
a'
c'

Fig. 16-22. - Ligações para delta-delta.

Uma ligação em triângulo aberto (em V) acontece quando qualquer um dos três
transformadores é retirado da banca de transformadores ligados em triângulo, sem que
sejam modificadas as ligações do sistema trifásico dos transformadores remanescentes.
Os transformadores manterão as relações de tensão e de fase corretas no secundário
para alimentar uma carga trifásica balanceada. A ligação em V, ou triângulo aberto, é
mostrada na figura 16-23. A fonte trifásica alimenta os primários dos dois transforma-
dores e os secundários fornecem uma tensão trifásica à carga. A CORRENTE DE LINHA
é igual à CORRENTE DE FASE do transformador na ligação em triângulo aberto. Na
ligação em triângulo normal, a corrente de fase do transformador é:

Ilinha
lfase = ,[3

Dessa forma, quando um transformador é retirado de uma banca de transforma-


dores ligados em triângulo, os dois remanescentes fornecerão uma corrente igual a:

v'3x lfase

432
Ilinha = I 92a ltinha = 346a
A A
X2

250V

B B

250V

c c
Fonte Transfonnadores Carga trifásica
trifásica delta-aberto 150 Kw fator de potência = 1
173 kw

Fig. 16·23. - Ligações delta·aberto.

Este valor se aproxima ao de uma corrente de sobrecarga, para cada transformador, de


1,73 vezes o valor da corrente nominal, ou seja, uma sobrecarga de 73,2%.
Assim, na ligação em triângulo aberto, a corrente de linha deve ser reduzida de
modo a não exceder a corrente nominal de cada transformador, individualmente, para
que não operem em sobrecarga. A ligação em triângulo aberto, conseqüentemente, resulta
numa diminuição da capacidade do sistema. A capacidade à plena carga em uma ligação
em triângulo com fator de potência unitário é:

Pt.. = 3 Ifase • Efase = v'3Elinha • Ilinha


Na ligação em triângulo aberto, a corrente na linha é limitada à corrente nominal de fase
igual a:

IJinha
V3
e a capacidade a plena carga do sistema em triângulo aberto ou em V é:

A relação entre a carga que pode ser suportada por dois transformadores ligados
em triângulo aberto e aquela que pode ser suportada por três transformadores ligados em
triângulo é:

Py
-----:E::!::in=:=ha=-----l-[=i=nh=a -- 1
= --= o 577
Pt.. v'3E!inha • I!inha .J3 '
ou 57,7% da capacidade de um sistema em triângulo.
433
Por exemplo, uma carga de 150 kw, trifásica, balanceada, operando com fator
de potência unitário, é alimentada com 250 volts. A potência exigida de cada um dos
150
três transformadores no sistema em triângulo é:-- = 50 kw, e a corrente de fase
50.000 3
é: = 200 amperes. A corrente da linha é 200v'3 = 346 amperes. Se um trans-
250
formador é retirado da banca, os dois remanescentes serão sobrecarregados de 346 -
146
- 200 = 146 amperes, ou seja: -- X 100 = 73%. Para evitar a sobrecarga nos transfor-
200
madores, a corrente de linha deve ser reduzida de 346 para 200 amperes e a carga total
para:

_.,;J, = 86,6 kw, ou seja:


86,6
X 100 = 57,7% de carga original.
3X 250 X 200 --
1.000 150

A capacidade de cada transformador no triângulo aberto necessária para alimentar


Efase • lfase 250 X 346
a carga original de 150 kw será: = = 86,6 kw, e dois trans-
1.000 1.000
formadores requerem uma capacidade total de 2 X 86,6 = 173,2 kw, comparados com
os 150 kw para três transformadores ligados em triângulo fechado. O aumento requerido
na capacidade do transformador é 173,2 - 150 = 23,2 kw, ou seja, 15,5%, quando dois
transformadores são usados em triângulo aberto para alimentar a mesma carga que os
três transformadores de 50 kw ligados em triângulo.
Três transformadores monofásicos com ambos os enrolamentos, primário e secun-
dário, ligados em estrela são mostrados na figura 16-24. Somente 57,7% da tensão da
linha E a são aplicados a cada enrolamento, mas toda corren te da linha passa por

estes enrolamentos.
Fig. 16-24. - Ligações Y-Y.
Alimentação
A 8 c

HI H2 HI H2 HI H2

.. . ..
, '

-yyy-y Y"YYY"YY YYYYYYYYYY' 'YYYYYY'Y Y'Y "("'

X2 XI X2 XI X2 XI

434
A' 8' c'
C
r
u
g
a
2400 A
tensão 6
da linha
c
24 00 volts
tensão da fase
do primário
em delta HI Hl HI H2 HI H2

20:1
120 volts
tensão da fase
X2 yyy yy XI X2 yyyyyy XI X·2 -T T· XI

do secundáno
cmY

A'
120/208
tensa:o da a'
linha 4 fios c'
N
- -
Fig.16-25.- Ligações delta-estrela.
4157 A
tensão 6
da linha C
2400 volts N
tensão da
fase do
primário
em y 20:t HI
. H2 HI
. . H2 HI
. ... H2

120 volts
tensão da
fase do secund ário
em delta " X3
X4 XI X3 X2
X2
"" X3 X2

120 A'
tensão s'
da linha c'
Fig.16-26.- Ligações es trela-<l elta.

Três transformadores monofásicos com os primários ligados em triângulo e os


sectm dários em estrela, estão mostrados na figura 16-25. Esta ligação propicia um ci r·
208
cuito trifásico, a quatro fios, com 208 volts entre as linhas A'B'C' e ..[3 = 120 volts
entre cada linha e o neutro N. O sectmdário, ligado em estrela, é comumente usado nas
instalações terrestres quando um grande número de cargas monofásicas deve ser alimenta·
do por uma banca de transformadores trifásicos. O fio ne utro, ou fio terra, é retirado do
ponto central da linha em estrela, permitindo que as cargas monofásicas sejam ctistribuídas
pelas três fases. Ao mesmo tempo, as cargas trifásicas podem ser conectadas ctiretamente
às linhas. As cargas monofásicas têm uma tensão nominal de 120 volts, e as trifásicas, de
208 volts. Esta ligação é muito usada nos transformadores de alta tensão. A tensão da
1
fase é --= 0,577 da tensão da linha.
I ,73
Três transformadores monofásicos, com os primários ligados em estrela e os sectm-
dários em triângulo, estão mostrados na figura 16-26. Esse arranjo é usado para reduzir

435
a tensão de , aproximadamente, 4.000 volts, entre as linhas do lado do primário, para 120
ou 240 volts, dependendo de estarem os enrolamentos secundários de cada transforma-
dor, ligado em paralelo ou em série. Na figura, os dois secundários de cada transformador
estão ligados em paralelo, de modo que a tensão de saída do secundário é de 120 volts.
Ocorre uma economia na transntissã"o de energia com os primários ligados em estrela
porque a tensã"o da linha é 73% maior do que a tensã"o da fase, sendo a corrente da linha
coerentemente menor. Assim, as perdas na linha são reduzidas, e o rendimento de trans-
missão aumenta.

Marcação de polaridades nos transformadores


É essencial que todos os transformadores sejam corretamente conectados. O técnico
deve , por isso, ter um conhecimento básico da codificação e marcas dos terminais de
transformadores.
Os pequenos transformadores de força, do tamanho usado em equipamentos eletrô·
nicos, são geralmente coloridos em código como mostrado na figura 16-27. Em um pri-
mário sem derivação, ambos os tenninais são pretos. Se o primário tiver derivação, um
tenninal é a massa e é colorido de preto, o terminal de derivação é preto e amarelo, e o
outro terminal é preto e vermelho.
No secundário do transformador, o enrolamento de alta tensão terá dois terminais
vermelhos se não houver, nesse secundário, qualquer de.rivação. Caso haja um terminal
de derivação, esse será amarelo e os outros dois vermelhos. Nos enrolamentos do fila-
mento da retificadora, os terminais são amarelos e no caso de haver uma derivação nesse
enrolamento, o terminal derivação será amarelo e azul. Os outros enrolamentos para fila-
mento, se existirem, serão verdes, marrons ou cinzas azulados. O fio de derivação, se
houver, será amarelo em combinação com uma das cores citadas, isto é, verde e amarelo,
marrom e amarelo, ou cinza azulado e amarelo.
Os terminais de transformadores de grande potência, tais como os usados no cir-
cuito de iluminação e utilidades públicas, são marcados com números, letras, ou a combi-

Preto(comum) Vermelho
Preto/ Vermelho
Alta-
amarelo Amarelo tensão
Preto/
vermelho Vermelho
Primário com Amarelo
I Am/azul Filam.
derivação
I -
Amarelo do retif.
Preto
Verde
Prun--::-1 Ve/ Am. Filam.
n<?l
Verde
Marrom
Mar /am. Filam.
n92
Marrom
Cinza
Filam.
n93
Fig.16-27. - Código de cores para za
pequenos tra nsformado res.

436
nação de ambos. Este tipo de marcação é mostrado na figura 16-28. Os terminais dos
enrolamentos de alta tensão são marcados H 1 , H2 , H3 • O aumento do número subscrito
indica um aumento de tensão. Assim, a tensão entre H 1 e H3 é maior do que a tensão
entre H 1 e H2 .
Os terminais dos secundários são marcados X 1 , X2 , X 3 ••• Existem dois tipos de
marcas que podem ser empregados nos secundários. Estão mostrados na figura 16-28.
Quando os terminais H 1 e X 1 saem do mesmo lado do transformador (figura 16-28 A),
a polaridade é chamada SUBIRATIVA. A razão do nome é a seguinte: se os terminais
H 1 e X 1 forem ligados e uma tensão for aplicada através dos ternúnais H 1 e H2 , a tensão
resultante que aparece através dos ternúnais H2 e X2 no circuito série, formado por esta
ligação, será igual à diferença entre as tensões dos dois enrolamentos. A tensão do enrola-
mento de baixa tensão opõe-se àquela do enrolamento de alta tensão, ocorrendo então
uma adição algébrica; daí, o termo polaridade subtrativa.

Hlt H2 Hl H2
( ( --
. ---+---') )
XIX2 X2 · Xl

Polaridade subtrativa Polaridade aditiva


{A) ( 8)

Fig. 16·28. - Marcas de polaridades pata trans·


formadores grandes.

Quando os terminais H 1 e X 1 saem de extremos opostos do transformador (figura


16-28 B), a polaridade é ADITIVA. Se os terminais H 1 e X2 forem ligados e uma tensão
for aplicada através dos ternúnais H1 e H2 , a tensão de saída através dos ternúnais H2 e
X 1 , no circuito série formado pelos enrolamentos, será igual à soma das tensões dos
dois enrolamentos. A tensão do enrolamento de baixa tensão acompanha a tensão do
enrolamento de alta tensão e soma-se a ela. Daí o termo "polaridade aditiva".
As marcas de polaridade não indicam a grandeza da tensão do enrolamento. São

437
úteis apenas para a ligação externa entre transformadores, conforme explicado.

438
1BHJOB FN #SBODP
Capítulo 17

Motores de Corrente Alternada

Em virtude de a tensão alternada poder ser facilmente transformada de baixa para


alta tensão e vice-versa, ela pode ser conduzida para locais distantes sem grandes perdas.
Por isso, a maioria dos motores elétricos atuais é projetada para operar com corrente
alternada. Entretanto, há outras vantagens no uso dos motores de CA além da versatili-
dade da corrente alternada. De um modo geral, os motores de CA são mais baratos do
que os motores CC. A maioria dos motores não usa escovas nem comutadores. Tal fato
elimina muitos problemas relacionados com a manutenção e desgastes. Em aditamento,
fica eliminado o perigoso problema de centelhamento.
Os motores CC se ajustam melhor para certas aplicações nas quais se requerem mo-
tores com velocidade variável. Entretanto, na maioria das aplicações, o motor CA é me-
lhor, e os projetos e largo emprego nos últimos anos dos controles de velocidade variável
para motores de indução que oferecem controle de velocidade cobrindo larga faixa de
operação, tem aumentado consideravelmente o uso de motores CA onde se requer con-
trole de velocidade.
Os motores CA são fabricados em diferentes tamanhos, formatos e capacidade
para uso em wn grande número de aplicações. Esses motores são projetados para serem
alimentados em sistemas de alimentação monofásica ou polifásica.

CAMPO ROTATIVO

O campo rotativo em um motor é estabelecido pelas correntes defasadas nos enrola-


mentos do estator. A figura 17-1 mostra a maneira pela qual o campo rotativo é pro-
duzido por bobinas ou enrolamentos estacionários quando eles são alimentados por uma
fonte de corrente alternada trifásica. Para fms de explanação, a rotação do campo se
desenvolve na figura em seis instantes selecionados. Esses instantes se repetem de 60
em 60 graus da onda senoidal nas três fases, A, B e C.
No instante 1, a corrente na fase B é máxima positiva (suponha um valor de mais
10 ampêres). A corrente é considerada positiva quando está fluindo no sentido de saída
do terminal do motor e negativa quando flui entrando no terminal do motor. Nesse
mesmo instante, flui corrente nos terminais A e C com valores iguais à metade do valor
máximo (menos 5 ampêres). Essas correntes se combinam no neutro (ligação comum)
para fornecer mais 1O ampêres saindo através da fase B.
O campo resultante no instante 1 se estabelece para baixo e para a direita conforme
mostrado pela seta NS. A maior parte do campo é produzida pela fase B (máximo de
intensidade neste instante) e é auxiliado pelas fases adjacentes A e C (metade do valor

439
máximo). As porções mais fracas do campo estão indicadas pelas letras "n" e "s". O
campo é bipolar e se situa no espaço que normalmente conteria o rotor.
No instante 2, a corrente na fase B é reduzida à metade do valor (mais 5 amperes
neste exemplo). A corrente na fase C inverteu o sentido do fl uxo de menos 5 ampêres
para mais 5 ampêres e a corrente na fase A aumentou de menos 5 para menos 10 amperes.
O campo resultante no instante 2 se estabelece agora para cima e para a direita
conforme mostrado pela seta NS. A maior parte do campo é produzida pela fase A
(máximo de intensidade) e a porção mais fraca é produzida pelas fases B e C (metade
da intensidade total).
No instante 3, a corrente na fase C é mais 10 amperes e o campo se estabelece na
vertical para cima. No instante 4, a corrente na fase B atinge o valor de menos 10 amperes
e o campo se estabelece para cima e para a esquerda. No instante 5, a corrente na fase A
atinge o valor de mais 1O amperes e o campo se estabelece para baixo e para a esquerda.
No instante 6, a corrente da fase C atinge menos 1O ampêres e o campo se estabelece no
sentido vertical para baixo. O instante 7 (não mostrado) corresponde ao instante 1 quan-
do o campo novamente se estabelece para baixo e para a direita.
Assim, ocorre uma rotação completa de um campo bipolar durante a presença de
um ciclo completo da corrente alternada trifásica fluindo nos enrolamentos.
O sentido de rotação do campo magnético rotativo pode ser alterado intercam-
biando-se qualquer dois fios dos terminais do motor. Por exemplo, na figura 17-2 A, se
a linha 1 é ligada à fase A, a linha 2 à fase B, a linha 3 à fase C e se a corrente da linha
atinge os valores máximos na seqüência I , 2 e 3, a seqüência da fase será A, B e C e a
rotação será, arbitrariamente, no sentido horário. Se as linhas 1 e 2 forem intercambiadas,
a seqüência da fase passará para B, A e C, e o campo rotativo gira no sentido anti-horário.
A maioria dos motores de indução presentemente em uso foi projetada para operar
em fonte monofásica ou em fonte trifásica. O campo rotativo gira de maneira semelhante
quando a máquina é ligada a uma fonte bifásica já que as correotes nessa fonte são defasa-
das de 90°. Quando é usada uma fonte monofásica, necessário se toma dividir o supri-
mento de .energia para dois grupos separados de bobinas. A necessária diferença de fase é
então obtida inserindo-se um capacitor em série com um dos grupos. Tal prática faz
com que o motor monofásico ou com fase dividida apresente características similares em
.diversos aspectos do motor bifásico.
Observe na figura 17-1 que as formas de onda de corrente foram analisadas ao longo
de 300°. Do mesmo modo, o campo gira 300°. Se a fonte de corrente for 60 hertz, o cam-
po girará 60 vezes por segundo {60 X 60 = 3.600 rotações por minuto). Entretanto, se o
número de bobinas do estator for dobrado, produzindo um campo de 4 pólos, o campo
girará com apenas a metade da velocidade. Assim, pode ser observado que a velocidade
de rotação varia diretamente com a freqüência da tensão aplicada e inversamente com o
número de pólos.
Assim, 120 f
N = --
p

onde N se refere ao número de rotações por minuto, f a freqüência da tensão aplicada


em hertz, e P o número de pólos produzidos pelo enrolamento trifásico.
A velocidade com que um campo do motor de indução gira é conhecido como
sua velocidade SINCRONA porque é sincronizada com a freqüência da fonte de energia.
Um motor de 2 pólos e enrolamentos trifásicos no estator ligado a uma fonte de 60 hertz
apresenta uma velocidade de rotação do campo magnético de 3.600 rpm. Um motor com

442
+10 ...

·si
Oloo z:::ç_ !120· ,ZS !240· ,ZJ30

- I
I
I
I I I I
I f I I I
f I f I

c c c c tf>c cf]c

o•
(I) (2) (3) (4) (5) (6)

Fig. 17-1.- Desenvolvimento do campo rotativo.


2 pólos, 25 hertz tem uma velocidade síncrona de 1.500 rpm. Aumentando-se o número
de pólos, a velocidade dirrúnui. Assim, um motor com 4 pólos, 25 Hz gira com velocidade
síncrona de 750 rpm. Um motor com 12 pólos, 60 Hz, tem velocidade síncrona igual a
600 rpm. Aumentando·se a freqüência da linha de alimentação, a velocidade de rotação
do campo aumenta. Dessa forma, se a freqüência aumenta de 50 para 60 hertz e o motor
tem 4 pólos, a velocidade de rotação do campo aumenta de 1.500 para 1.800 rpm.
A velocidade de rotação do campo é sempre independente das variações de valor
da carga do motor desde que a freqüência da linha se mantenha constante. O campo
magnético rotativo sempre gira na mesma velocidade, pólo por pólo, acompanhando a
tensão CA que lhe é fornecida. Se um gerador CA de 60 hertz e 2 pólos alimenta um
motor de 2 pólos, o motor terá uma velocidade síncrona de 3.600 rpm que é a mesma
velocidade do gerador CA. Se um gerador com 4 pólos, 60 hertz gira com 1.800 rpm e
alimenta um motor de 4 pólos, o motor gira também com 1.800 rpm. Se esse mesmo
gerador CA alimentar um motor de 60 hertz com 8 pólos, o motor girará com 900 rpm.

MOTORES POLIFÁSICOS DE INDUÇÃO

O torque dos motores CC e CA depende da reação apresentada pelos condutores


que transportam corrente dentro do campo magnético. Em um motor CC, o campo
magnético é estacionário, e a armadura, com os seus condutores onde flui corrente, é o
elemento girante. A corrente é fornecida à armadura por meio de comutadores e escovas.
Nos motores de indução, a corrente para o rotor é fornecida por indução eletro-
magnética. Pelos enrolamentos do estator fluem duas ou mais correntes defasadas que
produzem as f.m.m. correspondentes. Essas forças magnetomotrizes estabelecem um
campo magnético rotativo através do entreferro. O campo gira continuamente em veloci-
dade constante independente do valor da carga ligado ao motor. O enrolamento do
estator corresponde ao enrolamento da armadura de um motor CC ou ao enrolamento
primário de um transformador. O enrolamento de estator corresponde ao enrolamento
da armadura de um motor CC ou ao enrolamento primário de um transformador. O
rotor não é ligado fisicamente à fonte de energia. O motor de indução tem o seu nome
originário da indução mútua (ação transforrnadora) que ocorre entre o estator e o rotor
sob condições de operação. O campo magnético rotativo produzido pelo estator corta os
condutores do rotor, induzindo neles uma tensão. Essa tensão induzida faz com que flua
uma corrente no rotor, desenvolvendo nele urna força de torque pela interação da cor-
rente do rotor e do campo magnético rotativo.
A figura 17-2 (A) mostra o enrolamento de estator de um motor de indução tri-
fásico. A parte B mostra como os condutores ativos do estator produzem um campo
rotativo conforme descrito. A parte C mo tra as partes essenciais do estator e do rotor.
O propósito do núcleo de ferro no rotor é reduzir a relutância no en treferro e concentrar
o fluxo magnético nos condutores do rotor. As correntes induzidas fluem em um sentido
na metade dos condutores e no sentido oposto na metade restante. Os anéis de curto nos
extremos do rotor completam o percurso para a corrente do rotor. Na parte D, o campo
bipolar gira no sentido anti-horário na velocidade síncrona. No instante mostrado, o pólo
sul do campo corta os condutores superiores do rotor da direita para a esquerda e as
linhas de força se estabelecem para cima. Aplicando a regra da mão esquerda para ação
geradora a fim de determinar o sentido da tensão induzida nos condutores do rotor, o
polegar aponta na direção do movimento dos condutores com relação ao campo. Como o
campo se desloca da direita para a esquerda, o movimento relativo dos condutores com

442
Seção reta dos
3 c condutores ativos

(A)

I
Fonte
trifásica
N A
(8)
..

..
28 União

Estator ligado
em estrela
Anéis condutores

(C)
Enrolamentos ESTATOR
primários

Núcleo de ferro

Sentido da
força no
campo rotor
rotativo

(O)

Sentido de rotação do
rotor e do campo
Fig. 17-2. - Motor de indução trifásico.
443
relaçío ao campo é para a direita. Conseqüentemente, o polegar aponta para a direita.
O dedo indicador aponta para cima e o dedo médio aponta na direção da página, indican-
do que a tensã'o da página, induzida rotativa nos condutores superiores do rotor, é no
sentido de se afastar do observador.
Aplicando a regra da mão esquerda para os condutores da parte inferior do rotor
e considerando o pólo norte do campo, o polegar aponta para a esquerda, o indicador
aponta para cima e o médio aponta para o observador indicando que a direção da tensão
induzida é no sentido de sair da página. As barras do rotor são ligadas aos extremos dos
anéis para completar o circuito e a tensão induzida rotativa atua em série aditiva para
fazer com que as correntes do rotor fluam, no rotor, nos sentidos indicados. Para simpli-
ficar, admite-se que a corrente do rotor está em fase com a tensão do rotor.
A ação motora é analisada pela aplicação da regra da mão direita para motores na
figura 17-2 (D), para determinar a direção da força que atua sobre os condutores do
rotor. Para os condutores da parte superior, o dedo indicador aponta para cima, o médio
e o polegar apontam para a esquerda, indicando que a força sobre o rotor tende a fazê-lo
girar no sentido anti-horário. Esse sentido de rotação é o mesmo do campo rotativo. Para
os condutores da parte inferior do rotor, o dedo indicador aponta para cima, o médio
aponta para o observador e o polegar aponta para a direita, indicando que a força atuante
tende a fazer girar o rotor no sentido anti-horário, o mesmo sentido do campo.
O ESTATOR de um motor de indução polifásico consiste de aço com ranhuras na
circunferência interna. O enrolamento do estator do motor é similar ao enrolamen to
do estator do gerador CA e é geralmente distribuído em duas camadas.
Os enrolamentos das fases do estator são simetricamente ajustadas no estator e
podem ser ligados em delta ou estrela.
Há dois tipos de ROTOR:(1) rotor GAIOLA DE ESQUILO e BOBINADO.Ambos
os tipos são dotados com núcleo cilíndrico larninado com ranhuras paralelas na circunfe-
rência externa para alojar os enrolamentos. O rotor tipo gaiola é um enrolamento feito
cóm barras nã'o isoladas, ao passo que o rotor bobinado é constituído de enrolamento na
fonna de duas camadas com bobinas pré-moldadas iguais ãs da armadura dos motores CC.

Rotor gaiola de esquilo


Um rotor tipo gaiola de esquilo é mostrado na figura 17-3 (A). As barras do rotor
são de cobre, alumínio ou uma outra liga adequada, alojadas nas ranhuras do núcleo.
Essas barras condutoras conduzem grande quantidade de corrente com baixa tensão.
Conseqüentemente, não é necessário isolar as barras do núcleo porque a corrente flui
sempre pelo caminho de menor resistência.

Rotor bobinado
O rotor bobinado (figura 17-3 B) tem enrolamento similar aos enrolamentos de um
estator trifásico. Os enrolamentos do rotor são comumente ligados em estrela com os
terminais livres ligados a três anéis deslizantes montados no eixo do rotor. Um conjunto
externo com três resistores ligados em estrela (figura 17-3 C) é ligado ao circuito do rotor
pelos anéis deslizantes. Os resistores variáveis fornecem um meio de, aumentando a resis-
tência do circuito do rotor durante o período de partida, produzir um grande torque.
Conforme o motor acelera, o reostato é retirado do circuito. Quando o motor atinge a
velocidade normal, os anéis são curto-circuitados e a operação fica semelhante à de um
motor com rotor tipo gaiola de esquilo.

445
(AI ROTOR GAIOLA DE ESQUILO (B) ROTOR BOBINAOO

Resistor de partida
Estator Rotor

C- RESIS'ftNCIA VARIÁVEL EXTERNA

Fig. 17-3.- Rotores de motor a indução.

Iorque
Conforme descrito anteriormente, o campo girante produzido pelo rolamento do
estator corta os condutores do rotor e induz neles uma tensão. Flui corrente no rotor
porque as espiras do rotor estão em curto-circuito. O torque resultante tende a girar o
rotor no sentido de rotação do campo girante. O torque é proporcional ao produto da
corrente, da intensidade do campo e do fator de potência.
Uma seção reta simplificada de um rotor tipo gaiola de esquilo com d .: >Õlos é
mostrada na figura 174. O campo magnético gira no sentido horário. Aplicam.- regra
da mão esquerda para a ação geradora, observe que na figura 174 (A), as correo;·,j J •zi-
das fluem para fora na metade superior e para dentro na metade inferior dos ccn utot. 1
do rotor. Apliâmdo a regra da mão direita para a ação motora, observe que a força atuan-
te sobre os condutores do rotor é para a direita no grupo de cond utores de r:i ma e para a
esquerda no grupo de baixo.

444
Conforme afirmado anteriormente, um motor CC recebe a corrente na sua arma·
dura por meio de comutadores e escovas ao passo que o motor de indução recebe a cor-
renté por meio indutivo. Sob esse aspecto, o motor de indução é semelhante a um trans-
formador com um enrolamento secundário rotativo. O primário é o estator que produz
o campo rotativo e o secundário é o rotor. Na partida, considerado o motor parado, a
freqüência da corrente do rotor é a do enrolamento do estator. A reatância do rotor é
relativamente grande comparada com a sua resistência, e o fator de potência é baixo e
se atrasa de aproximadamente 90°. A corrente do rotor, dessa forma, se atrasa da tensão
no rotor de aproximadamente 90°, como mostrado na figura 174 (B). Em virtude de
quase a metade dos condutores sob o pólo sul conduzirem corrente no sentido de saída
e a parte restante conduzir corrente no sentido de entrada, o torque líquido no rotor,
como resultado da interação entre o rotor e o campo rotativo, é pequeno.

N N N
(A) (8) (C)
Fig. 114.- Desenvolvimento do torque.

Conforme o rotor acelera no mesmo sentido do campo rotativo, a razão de corte


das linhas diminui e a tensão no rotor e a freqüência da corrente no rotor são corres-
pondentemente reduzidas. Conseqüentemente, bem próximo da velocidade síncrona a
tensão induzida no rotor é bem baixa. A reatância do rotor, XL, também se aproxima
de zero, conforme pode ser observado pela igualdade:

onde f 0 é a freqüência da corrente do estator, L a indutância do rotor, e S a relação da


diferença na velocidade (entre o campo do estator e do rotor) para a velocidade síncrona,
isto é, o deslizamento.
O deslizamento é expresso matematicamente como:

onde Ns é o número de rotações .por minuto do campo produzido pelo estator, e Nr o


número de rotações por minuto do rotor. A freqüência da corrente induzida no rotor
é f0 S.
Na figura 174 (A), a corrente no rotor está aproximadamente em fase com a tensão
no rotor e o sentido do fluxo sob o pólo sul é o mesmo em todos os condutores. O torque

447
seria ideal e alto, não fosse reduzida a corrente no rotor, produzida que é por wna baixa
tensão induzida. A tensão no rotor é proporcional ã diferença de velocidade entre o rotor
e o campo rotativo, isto é, proporcional ao deslizamento.
A freqüência da corrente no rotor varia diretamente com o deslizamen to. Assim,
quando o deslizamento e a freqüência do rotor são quase zero, a reatância do rotor e o
ângulo de atraso ficam bastante pequenes. Quando o rotor está partindo, a diferença
na velocidade entre o rotor e o campo rotativo é máximo e, conseqüentemente, a rea·
tância do rotor é máxima porque a (reqüência da corrente no rotor é máxima e se aproxi-
ma do valor da corrente de linha fornecida ao primário.
A operação nonnal é a situada entre esses dois extremos de deslizamento do rotor,
isto é, quando o rotor está parado e quando ele·está girando na velocidade síncrona.
A velocidade do rotor sob condições de carga nomal é raramente mais do que 10% abaixo
da velocidade smcrona. No extremo de 100% de deslizamento, a reatância do rotor é tão
alta que o torque fica reduzido em virtude de baixo fator de potência. No outro extremo
de deslizamento zero, o torque é também reduzido em virtude da baixa corrente no rotor.
A equação do torque, T, é:

T = K <P Ir cosO r
onde K é wna constante, <P a intensidade do campo magnético rotativo, Ir a corrente no
rotor ecos 8r o fator de potência da corrente no rotor.
Na fórmula apresentada, o produto da corrente no rotor e o fator de potência
para uma dada intensidade de campo é máximo quando o ângulo de fase entre a cor-
rente no rotor e a tensão induzida no mesmo for 45° em atraso, conforme indicado na
figura 174 (C). Nesse caso, a reatância do rotor fica igual à resistência no circuito do
rotor e o fator de _potência é 70,7%. Essa condição de operação é denominada PONTO
IDEAL DE TRAÇAO. Além desse ponto, a velocidade no motor cai rapidamente quando é
adicionada carga e o motor pára.
Variações na amplitude da tensão aplicada ao estator afetam o torque do motor.
Essa tensão estabelece a f.m.m. que produz o campo rotativo. Esse campo, por sua vez,
estabelece a corrente no rotor. Face ao fato de o torque variar com o produto desses
fatores, o torque de um motor de indução varia numa razão quadrática da tensão apli-
cada ao enrolamento primário do estator.
O campo rotativo girando também passa pelo enrolamento do estator que o produz.
Essa ação induz no enrolamento uma f.c.e.m. Essa tensão se opõe à tensão aplicada e
limita a corrente no estator. Se a tensão for aumentada até o ponto de saturação mag-
nética, a força contra-eletromotriz é limitada e a corrente no primário ficará perigosa·
mente alta.

Velocidade síncrona e deslizamento


A velocidade, N, do campo rotativo é denominada VELOCIDADE SÍNCRONA
do motor. Conforme afumado anteriormente, o torque no rotor tende a fazer o rotor
girar no mesmo sentido do campo girante. Se o motor não estiver arrastando uma carga,
ele acelera até aproximadamente a velocidade síncrona. Durante o período de partida,
o aumento na velocidade é acompanhado por wna diminuição na tensão induzida no
rotor porque o movimento relativo entre o campo rotativo e os condutores no rotor é
menor. Se fosse possível para o rotor manter a velocídade smcrona, não haveria movi-
mento relativo. Sem movimento relativo, não seria induzida tensão no rotor, não fluiria
corrente e não haveria torque.

446
:h óbvio que um motor de indução não pode girar na exata ve.locidade síncrona.
O motor gira sempre com uma velocida próxima da velocidade síncrona quando sem
carga, de maneira a estabelecer corrente no rotor apenas para produzir o torque igual ao
suficiente para superar a resistência causada pelas perdas no rotor.
A freqüência da tensão alternada induzida no rotor depende da velocidade do
campo rotativo com relação ao rotor. Um ciclo de tensão alternada é induzido no rotor
quando o campo do estator passa pelo rotor uma vez. A freqüência no rotor, fr. é direta-
mente proporcional à percentagem de deslizamento:

Sfs
r-
r- 100

onde S é a percentagem de deslizamento e fs é a freqüência da fonte de alimentação.


Por exemplo, se a freqüência da fonte for 60 hertz, e o deslizamento for 5 por cento, a
freqüência no rotor será:

5 X 60
= 3 hertz
100

A freqüência e grandeza da tensão induzida no rotor diminui conforme o motor acelera.


Tanto a tenslfo no rotor como a freqüência tornam-se zero quando o rotor atinge a veloci-
dade síncrona.

Perdas e eficiência
As perdas em um motor de indução incluem:(1) perda no cobre (ls 2 Rs) do estator
e perda no cobre Or 2 Rr) do rotor;(2) perdas no núcleo do rotor e do estator; e (3) perda
por atrito. Para todos os flns práticos, as perdas no núcleo e no atrito são consideradas
constantes para todas as cargas de um motor de indução com pequeno deslizamento.
A potência de saída pode ser medida com um dispositivo mecânico para medir a potência,
ou calculada, quando se conhecem a potência de entrada e as perdas. A eflciência é igual à
relação da potência de saída para a potência de entrada, e, para carga total, ela varia entre
85% para motores pequenos até mais do que 90% para os motores de grande porte.

Características do motor com rotor tipo gaiola de esquilo


Como afirmado anteriormente, o motor de indução com. rotor tipo gaiola é com·
parável a um transformador com o secundário rotativo. Sem carga, o campo magnético
rotativo produzido pelo enrolamento estator primário corta as espiras do enrolamento
do estator. Essa ação produz uma força contra-eletromotriz no enrolamento do estator
que limita a corrente da linha a um valor baixo. Esse valor de corrente, na condição de
sem carga, é denominado CORRENTE DE EXCITAÇÃO. Em virtude de o circuito ser
altamente indutivo, o fator de potência do motor quando sem carga é baixo, em torno
de 30% atrasado. Como não há esforço mecânico, o rotor gira na velocidade próxima da
velocidade síncrona e a corrente de excitação no rotor é pequena. Conseqüentemente,
a reação da f.m.m. do rotor com relação ao campo girante é pequena.
Quando é acrescentada carga ao motor, o rotor diminui ligeiramente a velocidade,
mas o campo girante continua na velocidade síncrona, de maneira que a corrente do rotor
e o deslizamento aumentam. O torque do motor aumenta mais do que a redução de velo-

448
cidade e a potência mecânica de saída aumentam. A maior f.m.m. do rotor se opõe ao
fluxo do campo primário e o reduz ligeiramente. A f.c.e.m. no primário diminui ligeira-
mente e a corrente primária aumenta. O componente de carga da corrente primária man-
tém o campo girante e evita o seu enfraquecimento em virtude da oposição apresentada
pela corrente do rotor. Como a impedância interna dos enrolamentos do motor é relativa-
mente baixa, uma pequena reduçfo na velocidade e f.c.e.m. no primário pode ser acompa-
nhada por um aumento da corrente do motor, no torque e na potência de saída. Assim, o
motor tipo gaiola apresenta essencialmente características de velocidade constan te e tor-
que variável.
Se o motor de indução entrar em sobrecarga mecânica, o aumento resultante na cor-
rente do rotor reduz a f.c.e.m. no primário, o que produz excessiva corren te primária.
Essa corrente excessiva pode avariar o enrolamento do motor. Quando o rotor de um
motor de indução entra em sobrecarga, a tensão aplicada ao enrolamento primário não
deve exceder 50 por cento da tensão normal.
Quando o motor está operando com plena carga, o componente de carga da corren-
te do estator é mais próximo de fase com a tensão do estator em virtude da saída mecâni-
ca (componente de potência verdadeira) do motor. O fator de potência com carga é consi-
deravelmente melhor quando comparado com o fator de potência na condição de sem
carga.
As curvas de corrente e torque para um motor de indução trifásico com rotor tipo
gaiola são mostradas na figura 17-5 (A). A reatância do rotor aumenta com o desliza-
mento e afeta, com aumento considerável, a corrente do rotor e o fator de potência
conforme aumenta a carga mecânica sobre o motor. O ponto de tração ideal na curva
de torque ocorre em torno de 25 por cento de deslizamento. O máximo de torque nessas
condições é de 3,5 vezes o valor normal de plena carga e, conforme mencionado anterior-

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.. .... ,. .. .,. . ..
Porcentagem de deslizamento
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j....--""

Curvas de correntes e torque


1--v
1---' y lena carga
(A}
10 ,, 10 "

Saída de potência
Curvas de desempenho de 4 pólos, trifásica,
440 volts e 15 HP
(B}

Fia. 17-S.- Curvas características de motor


com rotor gaiola de esquilo.

'449
mente, corresponde ao fator de potência no rotor de 70,7 por cento. Para a condição de
tração ideal, a resistência do rotor deve ser igual à reatância no rotor e o ângulo do fator
de potência deve ser 45°. Qualquer carga adicional além desse ponto faz com que o motor
saia de sua velocidade normal e trave.
Na condição de travado, a corrente no estator é aproximadamente cinco vezes a
normal. Por isso, os circuitos de potencial constante que alimentam este tipo de motor
são equipados com dispositivos de proteção automáticos de sobreéarga controlado pelo
tempo. Uma sobrecarga sustentada faz com que o circuito abra, protegendo, dessa forma,
o motor e a fonte de tensão.
As curvas de desempenho de um motor com rotor tipo gaiola, de 4 pólos, trifásico,
alimentado com 440 volts e de 15 HP são mostradas na figura 17-5 (B). O deslizamento
com carga plena é de apenas 3,5 por cento. Na posição de parado, a reatância do rotor
deste tipo de motor é aproximadamente cinco vezes maior do que a resistência ôlunica
do rotor. Na condição de plena carga, entretanto, a reatância do rotor é menor do que a
resistência do rotor e quando o motor está girando, a corrente no rotor é determinada
principalmente pelo valor resistivo do rotor. O torque aumenta até o ponto de torque
ideal conforme o deslizamento aumenta. Além desse ponto, o torque diminui e o motor
trava. Em virtude de a mudança de velocidade da condição de sem carga para a condição
de carga plena ser relativamente pequena, o torque do motor e a saída de potência em HP
são consideradas diretamente proporcionais.
O motor de indução com rotor tipo gaiola funciona com um valor fixo de cor-
rente no rotor. A resistência e a indutância dos enrolamentos são determinadas quando
o motor é projetado e não podem ser alteradas após a construção. O motor com rotor
gaiola padrão é de emprego geral. É usado para acionar cargas que requeiram um torque
variável em velocidade aproximadamente constante com alta eficiência em plena carga
como ventiladores, bombas centrífugas, conjuntos motor-gerador e várias máquinas-
ferramentas.
Se a carga requerer características especiais de operação tal como partida com
grande torque, o rotor gaiola é projetado para apresentar grande resistência. A corrrente
de partida de um motor com um rotor de grande resistência é menor do que a de um
motor com rotor de baixa resistência. O motor com rotor de alta resistência, como o
motor composto CC acumulativo por exemplo, apresenta maiores variações de veloci-
dade do que o motor com rotor de baixa resistência. O rotor com alta resistência sofre
um aumento nas perdas de cobre no rotor, o que resulta em uma menor eficiência quando
comparado com o rotor de baixa resistência. Esses motores são empregados para acionar
guindastes e elevadores onde se exige grande torque e moderada corrente de partida, e
quando se deseja parar o motor sem drenar excessiva corrente da fonte.

Características do motor com rotor bobinado


O motor com rotor bobinado ou motor de indução com anéis deslizantes é usado
quando se tornar necessário variar a resistência do rotor a fim de limitar a corrente de
partida, ou quando se deseja variar a velocidade do motor. Conforme explanado previa-
mente, o torque de partida pode ser igual ao torque ideal aumentando-se a resistência
do rotor até o ponto em que a resistência fica igual à reatância quando parado. Pode-se
obter máximo torque na partida de um motor com rotor bobinado drenando cerca de
1,15 vezes a corrente com carga total, ao passo que um motor com rotor tipo gaiola
requer 5 vezes a corrente de carga total para produzir o torque máximo na partida. Em
virtude de as perdas de cobre no circuito do rotor ocorrer em grande parte do circuito

450
externo do enrolamento do rotor, o motor com rotor bobinado é preferível nas aplicações
em que se exige partidas freqüentes.
As vantagens do motor de indução com rotor bobinado comparadas com as do
motor de indução com rotor tipo gaiola são: (1) grande torque de partida com corrente
de partida moderada, (2) aceleração suave com cargas pesadas, (3) reduzido aquecimento
• interno durante a partida, (4) boas características de rotação, e (5) velocidade ajustável.
A principal desvantagem do rotor bobinado reside no fato de que o seu custinicial é
maior do que o motor com rotor tipo gaiola.

MOTORES SÍNCRONOS

Os motores síncronos diferem dos motores de indução sob diversos aspectos.


Os motores síncronos requerem uma fonte separada de corrente CC para o campo.
Requerem também componentes especiais para partida, incluindo um campo de pólo
saliente com enrolamento de partida em grade.
O rotor do motor síncrono de tipo convencional é essencialmente igual ao do gera·
dor CA de pólo saliente. Os enrolamentos dos estatores de um motor de indução e sín·
crono são exatamente iguais. A figura 17-6 (A) mostra um motor sfucrono.

Enrolamentos
da gaiola

Rotor

( 8)
Estator

( A) Fíg. 17. - Motor síncrono.

451
Se alimentado com a tensão correta, um gerador CC opera de maneira satisfatória
como um motor CC e praticamente não haverá diferenças nas características físicas e
de potência entre eles. De maneira similar, um gerador CAse comporta como um motor
síncrono se for fornecida potência elétrica externa aos seus terminais de saída. Os campos
rotativos do motor síncrono são geralmente do tipo pólo saliente conforme mostrado na
figura 17-6 (B).
Suponha, por exemplo, que dois geradores CA de tipo pólo saliente operam em
paralelo alimentando uma mesma barra. Se for desligada a conexão mecânica de tração
de um dos geradores, ele se tornará um motor síncrono e continuará a girar na mesma
velocidade anterior, drenando potência elétrica do outro gerador CA.
Com exceção de algumas modificações que tomam a sua operação mais eficiente
e também permitindo que tenha partida automática, o motor síncrono é bastante similar
ao gerador CA de campo rotativo com pólo saliente. Os campos do rotor de ambos são
excitados em separado i>or uma fonte CC e ambos giram na velocidade síncrona sob
condições de carga variável. Um gerador de 8 pólos com velocidade de 900 rpm gera uma
freqüência de 60 hertz. Da mesma forma, um motor síncrono com 8 pólos, alimentado
com freqüência de 60 hertz, girará também na velocidade de 900 rpm.

Princípios de operação
Uma corrente polifásica é fornecida ao enrolamento do estator de um motor sín-
crono e produz um campo magnético rotativo da mesma forma como em um motor de
indução. Uma corrente CC é fornecida ao enrolamento do rotor produzindo assim pola-
ridade fixa em cada pólo. Se admitirmos que o rotor não apresenta inércia e que nenhu-
ma carga é aplicada ao seu eixo, o rotor gira em sincronismo com o campo rotativo
enquanto for aplicada energia elétrica em ambos os enrolamentos. Esse, entretanto, não é
o caso na prática. O rotor tem inércia e há uma carga ligada ao eixo do rotor.
A razão de um motor síncrono dever ser levado a velocidade síncrona por meios
especiais pode ser compreendida observando-se a figura 17-7.

Rotor com tendência Rotor com tendência


para girar no sentido para girar no sentido
anti-horário horário
{A) (B)

Fig.17-7.- Princípios de operação do motor


síncrono.

452
Se os enrolamentos do rotor e do estator estão alimentados, conforme os pólos do
campo magnético rotativo se aproximam dos pólos do rotor de polaridade oposta (figura
17-7 A), a força de atração tende a girar o rotor em sentido oposto ao do campo rota-
tivo. Conforme o rotor parte nesse sentido, os pólos do campo rotativo deixam os pólos
do rotor (figura 17-7 B) e isso tende a atrair os pólos do rotor no mesmo sentido do
campo rotativo. Dessa forma, o campo rotativo atrai os pólos do rotor inicialmente em
um sentido e em seguida no outro, de maneira que o torque de partida é zero.

Partida
Conforme afrrmado, deve ser usado com o motor síncrono um dispositivo de par-
tida para levar o rotor à velocidade síncrona. Apesar de um pequeno motor de indução
poder ser usado para arrastar o rotor do motor síncrono, acelerando-o, isso não é comu-
mente feito. Às vezes, quando se dispõe de um motor CC acoplado ao eixo do rotor, ele
é usado para arrastar o rotor na partida levando-o até a velocidade síncrona. Após atingir
essa velocidade, o motor de arrasto tem as suas características elétricas modificadas e
passa a operar como um gerador, fornecendo a necessária corrente CC para o rotor do
motor síncrono.
Geralmente, entretanto, um outro processo é usado para dar partida ao motor sín-
crono. Um rotor tipo gaiola de esquilo é colocado no rotor do motor síncrono para fazer a
máquina ter partida automática como um motor de indução. Na partida, o campo CC do
rotor é desalimentado e uma reduzida tensão polifásica é aplicada aos enrolamentos do
estator. Assim, o motor parte como se fosse um motor de indução e atinge uma veloci-
dade bem próxima à da velocidade síncrona. O rotor é então excitado por urna fonte CC
(geralmente um gerador CC montado no mesmo eixo) e o reostato de campo é ajustado
para um mínimo de corrente de linha. ·
Se a armadura tiver a polaridade correta no instante em que é atingida a sincroniza-
ção, a corrente do estator diminui quando a tensã"o de excitação for aplicada. Se a arma·
dura tiver polaridade incorreta, a corrente do estator aumenta quando a tensão de exci-
tação for aplicada. Essa é uma condição transiente, e se a tensão de excitação é aumen-
tada, o motor desliza um pólo e entra em sincronismo com o campo rotativo do estator.
Se o enrolamento do campo CC do rotor da máquina síncrona abrir quando o esta-
tor for alimentado, uma alta tensão CA será induzida nele porque o campo rotativo estará
cortando um grande número de espiras na velocidade síncronan . ecessário, dessa forma, ligar
um resistor de baixa resistência através do enrolamento de campo CC do rotor
durante o período de partida. O enrolamento de campo CC é desligado da fonte e um
resistor é ligado aos terminais do enrolamento durante a partida. Tal prática cria um per-
curso fechado para a corrente. Em virtude da impedância do enrolamento ser alta com-
parada com a resistência externa inserida, a queda de tensã"o interna limita a tensão ter· .
minai a um valor reduzido.

Torque de partida
Tanto as correntes alternadas induzidas no enrolamento de campo do rotor como
no enrolamento do rotor tipo gaiola durante a partida são efetivas na produção do torque
de partida.Os torques produzidos pelo enrolamento do campo CC do rotor e enrolamento
tipó gaiola em diferentes velocidades sã"o mostrados na figura 17-8 pelas curvas Tr e T S•
respectivamente. A curva T é a soma de Tr e Ts e mostra o torque total em diferentes
velocidades durante o período de partida. Observe que Tr é bastante efetivo na produção
de torque conforme o rotor se aproxima da velocidade síncrona, mas ambos os enrola-

453
mentos contribuen. para o torque na velocidade síncrona porque a tensão induzida é zero
e nenhuma excitação é aplicada ao enrolamento CC.

Efeitos da variação de carga e de


% intensidade do campo
Torque
com O fator de potência em um
plena motor de induçã'o depende do
carga valor da carga e varia com ela. O
fator de potência de um motor
100 síncrono acionando uma carga
de valor definido pode ser unitá-
rio ou menor, em atraso ou em
avanço, dependendo da intensi-
o % Velocidade 100 dade do campo CC.
síncrona A f.c.e.m.induzida na bobi-
FÍ3. J 7·8. - Torque de partida de um motor
na C da armadura, mostrada na
síncrono. figura 17-9 (A), é máxima quan-
do as suas laterais estão opostas
aos centros dos pólos, e mínima
quando a meio caminho das pontas extremas do pólos. A variação é indicada pela curva
de linha sólida, E'c· Quando o motor nã'o arrasta carga, a f.e.m., E'c, flca praticamente
180° fora da fase com a tensão Ea aplicada (figura 17-9 A e B). Se o campo for ajustado
de maneira que Ec flque igual a Ea, a corrente no estator, I5, diminui e corresponde à cor-
rente de excitação em um transformador.
Quando é aplicada carga ao motor, a carga faz com que os pólos sejam deslocados
de a graus além das suas posições de sem carga, conforme indicado pela curva de linhas
tracejadas na figura 17-9 (A), e a f.c.e.m. ocorre a graus mais tarde. Isso é indicado pela
curva Ec na figura 17-9 (A) e pelo vetor Ec na figura 17-9 (C). A tensão resultante, E,
faz com que a corrente no estator, Is, se atrase com relação a Ea de um ângulo 8.

' ,,
·l
. [•

(B) Vetores sem carga {C) Corrente em atraso

Fator de potência (E}


(o) unitáxia
Corrente em avanço

(A) Formas de ondas

Fig.17-9.- Efeito da variação de carga e intensidade de campo de um motor síncrono.

454
Em um motor CC, a corrente de armadura é deterrrúnada pela equação:

Da mesma forma, em um motor síncrono, a corrente do estator é determinada pela


relaçã'o:

sorna dos vetores Ea e Ec


ls= ------------ --
Zs
onde ls e a corrente no estator, Ea a tensão aplicada, Ec a f.c.e.m. e Zs a impedância do
estator. A sorna dos vetores é indicada por E na figura 17-9 (C). A reatância do estator é
grande quando comparada com a sua resistência ôhmica e a corrente ls atrasa da tensão
resultante E de aproximadamente 90°. ls se atrasa de Ea do ângulo 8. Nessas condições, o
motor síncrono opera com um fator de potência em atraso. Se a carga é aumentada, os
pólos do rotor sli'o forçados mais para trás dos pólos do estator, o que faz com que Ec se
atrase mais e o ângulo o: aumente. Essa ação faz com que a tens[o resultante E e a cor-
rente do estator, ls, aumente.
Em virtude de a velocidade ser constante, se o campo de excitação dimimú, a
f.c.e.m., Ec, diminui e a tensão resultante, E, aumenta. A corrente no estator aumenta e
atrasa da tensão Ea aplicada de um grande ângulo. Por outro lado, se o campo de exci-
tação for aumentado até que a corrente ls entre em fase com a tensão Ea aplicada, o fator
de potência fica unitário para wna dada carga (figura 17-9 D). Para wna dada carga, com
fator de. potência unitário, E e ls ficam no seu valor mínimo. Se o campo de excitação for
aumentado ainda mais, 15 aumenta e avança sobre Ea (figura 17-9 E). Assim, para urna
determinada carga, o fator de potência é governado pelo campo de excitação, isto é, um
ca mpo fraco produz urna corrente em atraso e um campo intenso produz wna corrente
em avanço. A excitação normal
110
para uma carga é aquela na qual ,.., Fator de pot ência,
"'
",g., 100
ls fica em fase com Ea.
As denominadas curvas V
dos motores síncronos que indi- <>c.
õ 90 v .........
r\. I
plj"a carga 1--

.. 11 "*: /
=-
'O 80
cam as variações da corrente pa-
o ...... -
' :R. v
- n:·-
ra uma carga constante e excita- 70 1-- ator de potência
ção variável de campo são mos- '060 / . , sem carga ler-
tradas na figura 17-10. As cor- <f<
respondentes variações do fator I 50
'L \ 1>
to..

de potência são também mostra- "' 40 - r--91 f'.- ..\. !te \e J


das.
... .!:i'l ;_,..... ].(.:
Um motor síncrono é fre- .s
-630 "'!;' ...'_IJ

qüentemente usado em certos ,e


I 1 \ 'IJ
.,zo V', c..o
sistemas para variar o fator de c. 10 .......
potência do sistema ao qual ele 1"-./
está em paralelo, pela ajustagem o 2 4 s 8 w M w a zo
do seu campo de excitação. Se Campo de amperes
operado sem carga, o seu fator Fig.17-10.- Curvas "V" para wn motor sín-
de potência pode ser ajustado crono de 15 kva.

455
para um valor.tão baixo corno 10 por cento em avanço. Quando operado sob essas condi-
ções, o motor é conhecido corno capacitor síncrono porque a corrente em avanço'cria
urna situação análoga à existente no capacitor. Nesse caso, o capacitor síncrono consome
potência verdadeira apenas para suprir as suas perdas. Ao mesmo tempo, ele fornece urna
potência reativa altamente em avanço que cancela a potência reativa em atraso das cargas
indutivas em paralelo, melhorando, dessa forma, o fator de potência do sistema.

DISPOSITIVOS DE PARTIDA DOS MOTORES DE CA

Como nos casos dos motores CC, pode também ser empregado um dispositivo de
controle de partida nos motores CA para limitar a corrente inicial de partida.
Os dispositivos de partida EM PARALELO COM A LINHA são os de emprego mais
comum em virtude da sua simplicidade. Esse tipo de controle liga o enrolamento do esta-
tor do motor diretamente na linha de alimentação. Isso pode ser feito se o motor não for
de grande porte (5 HP ou menos) e se a capacidade geradora da linha comportar essa
carga.
Os dispositivos com RESISTOR PRIMÁRIO inserem um resistor no circuito
PRIMÁRIO (circuito do estator) do motor para dar a partida ou para controlar a sua
velocidade. Esse tipo de controle é usado quando se toma necessário limitar a corrente
de partida de um motor CA de grande porte para não se colocar urna grande carga no
sistema. Se o resistor for usado apenas durante a partida, o cálculo da sua dissipação será
baseado em operação intermitente e, nesse caso, a dissipação será relativamente pequena
com o resistor operando em alta temperatura. Se o resistor for usado também para con-
trolar a velocidade de pequenos motores, tais conio ventiladores, a sua capacidade de
dissi pação será calculada considerando a operação contínua. Nesse caso, o resistor será
relativamente grande e operará com baixa temperatura.
Os dispositivos de partida com RESISTOR SECUNDÁRIO inserem um resistor
no circuito do secundário (circuito do rotor tipo bobinado do motor de indução) para
dar partida e controlar a velocidade. Esse controle pode ser usado para limitar as correntes
de partida mas é usualmente encontrado nos casos em que se deseja controlar a velocidade
dos motores CA de grande porte, casos nos quais os resistores são calculados para opera-
ção contínua. Alguns exemplos desse emprego são encontrados nos elevadores e guindas-
tes equipados com tração direta feita por motor .elétrico de CA.
Os dispositivos do tipo COMPENSADORES ou AliTOTRANSFORMADORES
dão partida no motor com velocidade reduzida através de um autotransforrnador, e em
q
seguida aplicam ao motor a tensão total após a aceleração. compensador pode ser de
dois tipos:
1. De TRANSIÇÃO ABERTA, no qual durante o período de transição, quando
o motor é transferido do autotransforrnador para a ligação direta da linha, o motor deixa
de receber energia.
Sendo um motor do tipo síncrono, o motor poderá deslizar para fora de fase e
quando o motor é em seguida ligado a linha direta resulta na ocorrência de urna grande
corrente.
2. De TRANSIÇÃO FECHADA que conserva o motor ligado à fonte de alimen-
tação durante o período de transição, não permitindo, assim, que o motor desacelere,
evitando, dessa forma, alta corrente de transição.
O dispositivo de partida com AUTOTRANSFORMADOR é o tipo com forma mais
comum para reduzir a tensão na partida a fim de limitar a corrente. A transição aberta

456
é wna forma que apresenta a desvantagem de permitir a ocorrência de grandes correntes
@ transição que podern fazer os disjuntores do circuito abrir. A forma de transição
fechada é preferível, pois evita a presença de alta corrente.
Os dispositivos com REATOR DE PARTIDA inserem um reator no circuito ptimá-
rio do motor CA durante a partida e, posteriormente, o reator é curto-circuitado para
aplicar a tensão total no motor. Este tipo de partida não é de grande emprego presente-
mente, mas está se tomando mais e mais freqüente para dar partida nos motores de
grande porte porque não apresenta a inconveniência da grande corrente de transição do
compensador de transição aberta e é menor do que o compensador de transição fechada.
Um diagrama esquemático simplificado de um compensador ou dispositivo de
partida com autotransforrnador é mostrado na figura 17-11. Suponha que a tensão da
linha seja 100 volts e que quando os cursores do autotransformador estão posicionados
como mostrado (posição inicial de partida) sejam aplicados 40 volts no estator do motor
trifásico. Com a redução na tensão do motor, haverá uma correspondente redução na

A. _
PARA A LINHA CATRIFÁSICA

lOOv
-
lOO v
lOO v
Auto trans-
formador
trifásico

Movimento
do contato

-•4---4 0v _..,__. 4 0 v --.-


40v

Fig.17-11.- Diagrama simplificado de um dis·


positivo de partida com autotransfonnador.

457
corrente de partida drenada da linha. Ao mesmo tempo, a corrente suprida ao motor
pelo enrolamento de baixa tensã"o do secundário é proporcionalmente aumentada pela
açâ'o transformadora.
Após o devido tempo de intervalo, durante o qual o motor acelera, é aplicada
tensão total ao motor.
Um resistor de partida pode ser usado no lugar do autotransformador para reduzir
a tensão aplicada ao estator. O fator de potência pode ser melhorado, mas a corrente
da linha será maior. O autotransformador apresenta a vantagem de permitir que o motor
demande urna relativamente grande corrente de partida do secundário com urna pequena
corrente de linha.

MOTORES MONOFÁSICOS

Os motores monofásicos, conforme indicado pela sua classificação, operam em linha


de tensã"o monofásica. Esse tipo de motor é de grande emprego nas aplicações domésticas
e comerciais com potência fracionária. As vantagens no emprego de motores monofásicos
de tamanho pequeno são o seu baixo custo de fabricação e o fato de eliminar a necessi-
dade de fonte trifásica. Os motores monofásicos sã"o usados nos equipamentos de comuni-
cações interiores, ventiladores, refrigeradores, furadeiras portáteis, moendas, etc.
Um motor de indução monofásica com apenas um enrolamento no estator e um
rotor tipo gaiola é semelhante a um motor de indução trifásico com um rotor tipo gaiola,
exceto que o motor monofásico nã"o tem o campo magnético rotativo de partida e conse-
qüentemente não apresenta torque de partida. Entretanto, se o motor for acelerado por
urna força externa, as correntes induzidas no rotor cooperam com as correntes do estator
para produzir o campo rotativo fazendo com que o rotor continue a girar no sentido de
rotação em que foi acionado.
São usados diversos processos para fornecer torque de partida ao motor de indução
monofásico. Os processos identificam o motor como motor de fase dividida, motor capa-
citar, motor de pólo sombreado, motor de repulsão, etc.
Urna outra classe de motores monofásicos é o motor tipo série CA (universal).
Apenas os tipos de motores monofásicos mais comuns serão analisados neste capítulo,
ou seja:(1) de fase dividida, (2) capacitor, (3} com pólo sombreado, (4) com partida em
repulsão, e (5) motor série CA.

Motor com fase dividida


O motor com fase dividida (figura 17-12 A) é dotado de um estatorlarninado onde
ficam alojados, em ranhuras, um enrolamento auxiliar (de partida} e um enrolamento
principal (de funcionamento). Os eixos dos dois enrolamentos estão deslocados de um
ângulo de 90 graus. O enrolamento de partida apresenta um número reduzido de espiras e
o fio é mais fmo de que o empregado no enrolamento principal do funcionamento.
Conseqüentemente, o enrolamento de partida apresenta maior resistência e menor rea-
tância. O enrolamento principal ocupa a metade inferior das ranhuras e o enrolamento
de partida, a metade superior. Os dois enrolamentos são ligados em paralelo com a linha
monofásica que alimenta o motor. O nome do motor provém da ação do estator durante
o período de partida. O estator monofásico é dividido em dois enrolamentos (duas fases)
que sã"o deslocadas de 90° no espaço e que conduzem correntes defasadas em tempo em
um ângulo igual a aproximadamente 15° (figura 17-12 B). A corrente ls no enrolamento
de partida se atrasa da tensão da linha cerca de 30° e é menor do que a corrente do enrola-

458
Enrolamento I tinha
de partida Vetores de
Circuito partida
(A) (8) Análise de curso
(C)

Fig.17-12.- Motor de fase dividida.

mento principal em virtude da maior impedância do enrolamento. A corrente Im no


enrolamento principal se atrasa da tensão aplicada de aproximadamente 45°. A corrente
total, lliflha, durante o período de partida é a soma vetorial de ls e lm.
Na partida, esses dois enrolamentos ptoduzem um campo magnético rotativo que
gira em torno do espaço de ar do estator na velocidade síncrona. Conforme o campo
rotativo se desloca em tomo do espaço de ar, ele corta os condutores localizados no
rotor, induzindo neles uma tensão que é máxima na área de maior intensidade de campo
e, dessa forma, está em fase com o campo do estator. A corrente no rotor se atrasa da
tensão induzida no rotor durante a partida de um ângulo próximo de 90° em virtude da
alta reatância do rotor. A interação das correntes do rotor e o campo do estator faz com
que o rotor acelere no sentido de rotação do campo rotativo do estator. Durante a
aceleração, a tensão, a corrente e a reatância do rotor são reduzidas e as correntes do
rotor se aproximam de urna condiçã'o em fase com o campo estator.
Quando o rotor atinge cerca de 75 por cento da velocidade síncrona, uma chave
operada por força centrífuga desliga o enrolamento de partida da linha de alimentação e
o motor continua girando ligado apenas pelo enrolamento principal. A partir desse ins-
tante, o campo rotativo é mantido pela interação das forças magnetomotrizes do rotor e
do estator. &sas duas f.m.m. são representadas como vetores verticais e horizontais,
respectivamente, no diagrama esquemático da figura 17-12 (C).
Assume-se que o campo do estator esteja girando na velocidade síncrona no sentido
horário e as correntes do estator correspondem ao instante em que o campo é horizontal
e se estende da esquerda para a direita no espaço de ar. A regra da mão esquerda para a
polaridade magnética do estator indica que as correntes do estator produzem um pólo N
no lado esquerdo do estator e um pólo S no lado direito. O motor mostrado na figura é
dotado de dois pólos.
Aplicando-se a regra da mão esquerda para a tensão induzida no rotor (o polegar
aponta na direção do movimento do condutor com relação ao campo) o sentido da tensão
induzida é de volta ao lado esquerdo do rotor e no sentido de avanço no lado direito.
A tensão no rotor produz o deslocamento de uma corrente no mesmo que se atrasa da
tensão induzida no rotor de um ângulo cuja tangente é a relação entre a reatância e a resis-
tência do rotor. &se ângulo é relativamente pequeno porque a divisão é pequena. Apli-
cando a regra da mão esquerda para a polaridade magnética do enrolamento do rotor, o
vetor vertical apontando para cima representa a direção e grandeza da f.m.m. no rotor.
&sa direção indica a tendência para estabelecer um pólo N no lado superior do rotor e
um pólo S no lado inferior, conforme mostrado na figura. Assim, as f.m.m. do rotor e

459
do estator estão deslocadas no espaço de 90° e defasadas em tempo de um ângulo consi-
deravelmente menor do que 90°, mas suficiente para manter o campo magnético rotativo
e a velocidade do rotor.
O motor apresenta as características de velocidade constante e de torque variável
do motor de derivaçã"o. Muitos desses motores são projetados para operar em 120 ou 240
volts. Para os de menor tensão, as bobinas do estator são divididas em dois grupos iguais
que são ligados em paralelo. Para os de maior tensão, os grupos são ligados em série.
O torque de partida é cerca de 150 a 200 por cento do torque com carga plena e a cor-
rente de partida é de 6 a 8 vezes a corrente com carga plena. Os motores pequenos de fase
dividida com potência fracionária são usados em uma grande variedade de equipamentos,
tais como máquinas de lavar, queimadores de óleo e ventiladores. O sentido de rotação
dos motores de fase dividida pode ser invertido pela inversão dos condutores do enrola-
mento de partida.

Motor capacitivo
O motor capacitivo é uma forma modificada do motor de fase dividida. Nesse tipo
de motor, é inserido um capacitor em série com o enrolamento de partida. Uma vista
externa do motor é mostrada na figura 17-13. O capacitor produz uma maior .defasagem
entre as correntes dos enrolamentos de partida e principal do que no motor de fase divi-

Fig.17-13.- Motor capacitivo.

460
dida. O enrolamento de partida é feito com wn número maior de espiras e com fio mais
grosso e fica em série com o capacitar. A corrente no enrolamento de partida fica defa-
sada aproximadamente de 90° da corrente no enrolamento principal. Como o eixo dos
dois enrolamentos estão também deslocados de um ângulo de 90°, essas condições pro-
duzem wn maior torque de partida do que o motor de fase dividida. O torque de par-
tida do motor capacitivo pode ser tão grande quanto 350 por cento do torque em plena
carga.
Se o enrolamento de partida é retirado do circuito após o motor ter acelerado, o
motor é denominado MOTOR COM CAPACITOR PARA PARTIDA. Se o enrolamento
de partida e o capacitar são projetados para permanecerem no circuito mesmo após a
aceleração, o motor é denominado MOTOR COM CAPACITOR PERMANENTE. Os
capacitares eletrolíticos usados para dar partida nos motores variam entre 80 micro-
farads para motores com 1/8 de HP até 400 microfarads para os motores de 1 HP. Os
motores capacitivos de ambos os tipos são fabricados desde capacidade de potência
fracionária até cerca de 1O HP. São normalmente empregados para tracionar moendas,
máquinas de furar, compressor de refrigeradores e outras cargas que requerem partida
com torque relativamente grande. O sentido de rotação do motor capacitivo pode ser
invertido pela troca dos terminais do enrolamento de partida.

Motor com pólo sombreado


O motor com pólo sombreado emprega um estator de pólo saliente e rotor tipo
gaiola. Os pólos projetados do estator lembra os das máquinas CC exceto no fato de
que todo o circuito magnético é laminado e urna porção de cada pólo é seccionada para
alojar urna espira em curto-circuito denominada BOBINA DE SOMBRA (figura 17-14).
Este motor é geralmente fabricado em diversos tamanhos, com potência de até l /20 HP.
Um motor desse tipo com quatro pólos é mostrado na figura 17-14 (A). As bobinas de
sombra são localizadas em torno da ponta em avanço dos pólos e o enrolamento do pólo
principal é concentrado e enrolado em torno do pólo completo. As quatro bobinas que
compreendem o enrolamento principal são ligadas em série com os terminais do motor.

(A) (B)
Motor com quatro Motor com dois
pólos pólos
Fig. 17-14. - Motor de pólo sombreado.

461
Um motor de dois pólos de baixo custo empregando bobinas de sombra é mostrado na
figura 17-14 (B).
Durante a parte do ciclo na qual o fluxo do pólo principal está awnentando, a
bobina de sombra é cortada pelo fluxo e a tensão nela induzida tende a evitar que o fluxo
na bobina awnente instantaneamente. Assim, a maior parte do fluxo total awnenta
inicialmente na porção do pólo mais afastado da bobina de sombra. Quando o fluxo
atinge o seu valor máximo, a razão de variação do fluxo é zero e a tensão e corrente na
bobina de sombra são também zero. Nesse instante, o fluxo se distribui mais uniforme-
mente sobre a superfície total do pólo. Em seguida, conforme o fluxo principal diminui
para zero, a tensão induzida na bobina de sombra inverte a polaridade, e a f.m.m.resul-
tante tende a evitar que o fluxo entre em colapso através do ferro na região da bobina
sombreada. O resultado é que o fluxo principal cresce inicialmente na porção não som-
breada do pólo e posteriormente na porção sombreada. Essa ação é equivalente a wn
movimento de deslocamento do campo ao longo da face do pólo na direção do pólo som-
breado. Os condutores do rotor tipo gaiola são cortados por esse campo em movimento e
a força neles exercida faz o rotor girar no sentido de deslocamento do campo.
A maioria dos motores com pólo sombreado tem apenas um dos lados do pólo
seccionado e, dessa forma, o sentido de rotação não pode ser invertido. Entretanto, alguns
motores de pólo sombreado têm ambas as pontas extremas seccionadas para alojar bobi·
nas de sombra. As bobinas de sombra nas pontas em avanço formam uma série e as
bobinas de sombra das pontas em atraso formam uma outra série. Apenas as bobinas de
sombra de um grupo são simultaneamente ativas para wn determinado sentido de rotação.
As características de operação do motor de pólo sombreado são similares às do
motor de fase dividida. Ele apresenta as vantagens da simplicidade de construção e baixo
custo, não é dotado com contatos elétricos deslizantes e é de grande confiabilidade na
operação. Entretanto, esse motor apresenta baixo torque de partida, baixa eficiência, e
notável nivel de ruído. I! normalmente usado para acionar ventiladores de pequeno
torque de partida, baixa eficiência, e notável nível de ruído. I! normalmente usado para
acionar ventiladores de pequeno porte. As bobinas de sombra e pólos divididos .são
usados nos motores de relógios para fazê-los ter partida automática.

Motor de partida por repulsão


O motor de partida por repulsão é dotado com wn rotor bobinado, comutador
e escovas. O estator é laminado e suporta um enrolamento monofásico que cobre toda a
sua superfície. Na sua forma mais simples, o estator é semelhante ao estator de um
motor monofásico. Em aditamento, o motor é dotado com wn dispositivo centrífugo
que remove as escovas do comutador e coloca um anel de curto-circuito em tomo do
comutador. Essa ação ocorre quando é atingido 75 por cento da velocidade síncrona.
A partir dessa velocidade, o motor opera com as características do motor de indução
monofásico.
O torque de partida do motor de indução com partida por repulsão se desenvolve
pela interação das correntes do rotor e pelo campo monofásico do estator. De maneira
diferente do motor de fase dividida, o campo do estator não gira mas alterna na partida.
As correntes do rotor são induzidas por ação transformadora. Por exemplo, no motor de
2 pólos da figura 17-15 (A), as correntes do estator são mostradas no instante em que
se estabelece um pólo norte no lado superior do estator e wn pólo sul no lado inferior.
A tensão induzida no rotor produz uma corrente no rotor que flui no sentido de se
opor ao campo do estator. Essas correntes fluem em sentido oposto da esquerda para

462
no rotor
Sentido
das correntes
do estator
Campo
do estator

Corrente máxima do rotor Corrente zero do rotor Corrente do rotor


e torque zero e torque zero e torque
(A) (B) (C)
Fig.17-1S.- Motor de indução com partida a repulsão.

a direita sob porções do pólo norte, e, de maneira similar, sob o pólo sul. Dessa forma,
a força total para fazer girar o rotor é zero quando as escovas estão localizadas na posição
mostrada.
Na figura 17-15 (B), as escovas são deslocadas 90° das suas posições originais e
novamente não há esforço no sentido de fazer girar o rotor porque nesse caso a corrente
no rotor é zero. Não pode haver corre te nessa posição porque as tensões induzidas por
ação transforrnadora são iguais e opostas nas duas metades (superior e inferior) do enrola-
mento do rotor.
Na figura 17-15 (C), o eixo das escovas é deslocado do eixo polar do estator de wn
ângulo próximo de 25° e, nessa posição, se desenvolve o torque máximo.
O sentido das correntes induzidas no rotor sob o pólo norte e do estator é na
direção do observador e sob o pólo sul no sentido de afastar-se do observador. Apli-
cando a regra da mão direita para os motores, a força que atua nos condutores sob o
pólo nortê é para a esquerda e sob o pólo sul para a direita tendendo assim a fazer girar o
rotor no sentido anti-horário. Quando a polaridade do estator inverte, o sentido da
corrente no rotor também inverte, mantendo assim o mesmo sentido de rotação. A
função do comutador e das escovas é dividir a corrente do rotor ao longo de wn eixo
que está deslocado do eixo do campo do estator no sentido anti-horário. O motor recebe
o nome da repulsão existente eótre os pólos iguais do rotor e do estator. Assim, as cor-
rentes no rotor estabelecem os pólos N' e S' no rotor que são repelidos pelos pólos N e S
do estator.
O torque de partida é cerca de 250 a 450 por cento do torque com carga total e a
corrente de partida é 375 por cento da corrente com carga total. Esse tipo de motor é
fabricado nas capacidades desde frações de 1 HP até 15 HP, mas estão sendo substituídos
em grande parte pelos motores tipo capacitor mais baratos e mais resistentes. O motor
com repulsão na partida apresenta maior torque de funcionamento do que o motor com
partida por capacitor, mas o motor capacitivo, em contrapartida, pode acelerar cargas
até a velocidade plena, cargas essas que o motor de repulsão pode retirar da condição de
parado mas não as consegue acelerar.

Motor série CA
O motor série CA opera tanto em circuitos de alimentação CA como em CC. O sen-
tido de rotação do motor série CC independe da polaridade da tensão CC aplicada, desde

463
que as ligações do campo e da armadura não sejam trocadas. Conseqüentemente, se um
motor série CC for ligado a urna fonte CA, o torque que se desenvolve tende a fazer girar
a armadura em um determinado sentido. Entretanto, um motor série CC não opera satis-
fatoriamente quando ligado a urna fonte CA pelas seguintes razões:
1. O fluxo alternado provoca grande quantidade de correntes parasitas e perda por
histerese na porçlro não laminada do circuito magnético, o que provoca calor excessivo e
reduzida eficiência.
2. A auto-indução no enrolamento do campo e da armadura produz um baixo fator
de potência.
3. O fluxo do campo alternado estabelece grandes correntes nas espiras que estão
sendo curto-circuitadas pelas escovas. Essa ação provoca centelharnento excessivo no
comutador.
Para projetar um motor série com o propósito de obter operação satisfatória com
corrente alternada, as seguintes alterações devem ser feitas:
1. As correntes parasitas devem ser reduzidas pelo emprego de pólos laminados,
anel e armadura.
2. As perdas por lústerese sa-o minimizadas pelo uso de lâminas de aço-silício de
alta permeabilidade do tipo empregado nos transformadores.
3. A reatância dos enrolamentos de campo é mantida em valor satisfatoriamente
baixo usando-se peças polares estreitas, poucas espiras, baixa freqüência de operação,
comumente 25 Hz para motores de grande porte, baixa densidade de fluxo e baixa
relutância (pequeno entreferro).
Enrola-
mento de d:'l
Enrolamento
compen- t_j
sação
de compensação

(A) (B)
Compensação Compensação
condutiva indutiva

(C)
Bobinas preventivu

Fta. 17-16. - Motor série CA.

464
4. A reatância da armadura é reduzida pelo emprego de enrolamento de compensa-
ção alojado nas peças polares. Se o enrolamento de compensação for ligado em série com
a armadura (figura 17-16 A), a armadura é dita compensada CONDUTIVAMENTE. Se o
enrolamento de compensação for curto-circuitado (figura 17-16 B), a armadura é compen-.
sada INDUTIVAMENTE. Se o motor for projetado para operar tanto em circuito CA
como em CC, o enrolamento de compensação é ligado em série com a armadura. O eixo
do enrolamento de compensação é deslocado do eixo do campo principal de um ângulo
igual a 90°. Essa disposição é similar ao enrolamento de comP.ensação usado em alguns
motores e geradores CC para superar a reação da armadura. O enrolamento de compensa-
ção estabelece urna f.c.m.m. que neutraliza o efeito da f.m.m. da armadura, evitando
assim a distorção que ocorre no fluxo do campo principal e reduzindo a reatância da
armadura. A armadura compensada indutivamente atua como o primário de um transfor-
mador, atuando como secundário o enrolamento de compensação em curto. O secundário
em curto recebe urna tensão induzida pela ação do fluxo alternado da armadura e a cor-
rente resultante, fluindo através das espiras do enrolamento de compensação, estabelece a
força magnetomotriz que neutraliza a reatância da armadura.
5. O centelhamento no comutador é reduzido pelo emprego de CIRCUITOS PRE-
VENTIVOS P 1 , P2 , P3 ••• (figura 17-16C). Para simplificar, é mostrada urna armadura
em anel. Quando as bobinas em A e B são colocadas em curto pelas escovas, a corrente
induzida é limitada pela resistência relativamente alta dos fios. Os fios preventivos são
usados em alguns tipos de motor série CA antigos instalados em locomotivas elétricas.
O centelhamento nas escovas é também reduzido pelo uso, na armadura, de bobinas
feitas com uma única espira e campos multipolares. Obtém-se grande torque aumentando-
se o número de condutores na armadura e usando-se armadura com grande diâmetro.
Assim, os comutadores podem ser dotados com um maior número de barras que, sendo
relativamente finas, limitam a tensão da armadura para cerca de 250 volts.
As características de operação do motor série CA são similares às do motor série CC.
Nele, também, a velocidade aumentará até atingir um limite de desagregação das partes
se a carga for removida do motor.
Os motores série CA com capacidade de potência fracionária são denominados
MOTORES UNIVERSAIS. Esses motores não são dotados de enrolamentos de com-
pensação ou fios preventivos. São comumente empregados para acionar ventiladores e
ferramentas portáteis, tais como furadeiras, moendas e serras.

465
1BHJOB FN #SBODP

466
Cap ítulo 18

Geradores de Corrente Contínua

Os geradores podem ser projetados para suprir pequenas quantidades de energia,


desde alguns watts até centenas de kilowatts. Da mesma forma, eles podem fornecer
energia na forma de corrente contínua ou corrente alternada. Neste capítulo serão feitas
considerações gerais com relação às características físicas e elétricas dos geradores de CC.
Os geradores de CA foram analisados no capítulo 16.
O gerador CC é uma máquina rotativa que converte energia mecârúca em energia
elétrica. Essa conversão é feita pela rotação de uma armadura dotada com diversos con-
dutores que gira sob a ação de um campo magnético. Dessa forma é induzida nos con-
dutores uma fem. Conforme estabelecido em capítulo anterior, para que seja induzida
uma f.e.m. deve haver movimeno rotativo entre a armadura e o campo magnético de
maneira que o condutor da armadura corte as linhas de força do campo. Na maioria
dos geradores CC a armadura é a parte rotativa e o campo é estacionário. Uma força
mecârúca é aplicada ao eixo da parte rotativa para produzir o movimento rotativo. Dessa
forma, quando é ·aplicada na máquina uma energia mecânica na forma de torção no
eixo, fazendo com que o mesmo gire em uma deterrrúnada velocidade, é produzida
energia elétrica na forma de tensão e corrente para um circuito elétrico.
Deve ser aplicada energia mecârúca continuadamente en quanto o gerador estiver
fornecendo energia elétrica para o circuito. A fonte de energia mecânica usada para
girar a armadura é comumente denominada ACIONADOR PRIMÁRIO. Há diversas
formas de acionador primário. Turbinas a vapor, motores à gasolina e máquinas a vapor
são exemplos típicos.
Um gerador CC consiste essencialmente dos seguintes componentes:

1. Uma peça envoltória de aço que suporta as peças polares e os enrolamentos


do campo.
2. Uma armadura que consiste de um conjunto de condutores de cobre montados
em um núcleo cilíndrico ranhurado feito com finos discos de aço la minado.
3. Um dispositivo comutador para manter a corrente fluindo sempre em um mesmo
sentido no circuito elétrico externo.
4. Escovas com porta-escovas para transferir a corrente do comutador para o cir-
cuito elétrico externo.

Os geradores CC são fabricados em diversos tamanhos e formatos. Um gerador de


grande porte, como o mostrado na figura 18-1 (A), pode pesar centenas de quilos enquan-
to o pequeno gerador de aeronave mostrado na parte (B) da mesma figura raramente
excede 50 quilos.

467
Campo polar

(A) Entrada de ar para


refrigeração

Saída de ar de
refrigeração

(8)
Cobertura das
Extensão do eixo Envoltório escovas e do
de tração montagem comutador
Fig. 18-1. - Geradores CC.

468
CARACf ERfSTICAS FÍSICAS DE CONSTRUÇÃO

Os componentes básicos de um gerador típico consistem de wn envoltório, enrola-


mentos de campo, peças polares, uma armadura, um comutador, escovas e porta-escovas.
Esses componentes serão discutidos nos parágrafos a seguir.

Envoltório
O envoltório do campo de um gerador CC, também denominado ioque, é comumen-
te feito de aço temperado. O emprego do aço reduz a relutância oferecida ao circuito
magnético a wn baixo valor reduzindo assim o tamanho físico dos enrolamentos de
campo. O envoltório fornece o suporte mecânico para as peças polares e serve também
wna parte do circuito magnético, contribuindo para a presença total do fluxo através do
entreferro.
Os extremos na forma de sino são afixados à estrutura do envoltório e suportam os
rolamentos do eixo da armadura. Um dos extremos suporta também o anel das escovas
sobre o comutador.

Enrolamentos de campo
Os enrolamentos de campo são ligados de maneira a produzirem pólos norte e sul
em funções opostas (fig. 18-2 A e F) que determinarão o sentido da f.e.m. nos conduto-
res da armadura. Os enrolamentos do campo formam o eletroímã que estabelece o fluxo
de campo gerador. Esses enrolamentos recebem corrente de uma fonte CC externa ou
podem ser ligados diretamente na armadura. Devidamente alimentados, os enrolamentos
estabelecem o f1uxo magnético no campo do envoltório (ioque), peças polares, entreferro,
e n úcleo da armadura conforme mostrado à 18-2 (A).

Peças polares
As peças polares que suportam as bobinas de campo são afixadas no interior da
árcunferência do envoltório por meio de parafusos (figura 18-1). Essas peças polares são
normalmente feitas com lâminas de aço cravadas de maneira a formar wna peça única.
As faces dos pólos tomam wn formato que se ajustam à curvatura da armadura confor-
me mostrado na figura 18-2 (A). As bobinas de campo pré-moldadas mostradas na figura
18-2 (B) são montadas no núcleo pela parte posterior. A bobina é firmemente afixada
no local entre o envoltório e o extremo flangeado do pólo.

Armadura
A armadura (figura 18-2 C) é montada em wn eixo e gira dentro do campo mag-
nético. Se a saída da armadura for ligada em paralelo com os en rolamentos do campo,
quando a armadura gira é nela induzida uma pequena tensão porque os condutores da
armadura cortam o denominado campo residual existente nos pólos. A pequena tensão
gerada na partida alimenta as bobinas de campo e a corrente resultante reforça o campo
magnético residual, fazendo awnentar a tensão gerada. Dessa forma, conforme o gerador
acelera, a tensão cresce rapidamente para o valor nominal e diz-se que a máquina gerou
a sua própria tensão.
O núcleo da armadura é feito com lâminas de aço. Nas máquinas maiores, essas
lâminas são montadas em uma armação e o conjunto é então afixado diretamente no

469
Fio

Circu.ito magnético
de um gerador bipolar (B) Bobinaa peça
de campo sobre
polar

Mica
ma r-Ranhuras
Segmentos
de cobre

(C} Armadura completa (0) Construção do comutador

Rabicho

Escova
Porta-----..,=.,..
escova

Escova com rabicho Diagrama esquemático de


(E) e suporte (f ) fiação do gerador paralelo

Fig. 1 8-2.- Partes do gerador CC.

470
eixo. A 'superfície externa do núcleo cilíndrica é ranhurada para alojar as bobinas-da
armadura. Dutos radiais de ventilaçã"o são formados inserindo-se separadores entre as
lâminas a intervalos regulares. Esses dutos permitem a livre circulação de ar através dos
enrolamentos e núcleo da armadura retirando o calor produzido. As bobinas da arma-
dura na maioria dos geradores slfo peças pré-moldadas de tamanho e forma tais que se
ajustam perfeitamente por ocasião da montagem. É obtido isolamento adicional entre
o núcleo e o enrolamento inserindo-se um componente isolador nas ranhuras. Os enrola-
mentos são afixados firmemente nas ranhuras por blocos de fibras inseridos na parte
superior da ranhura. Os fios de saída dos enrolamentos da armadura são ligados aos
batentes das lâminas do comutador conforme mostrado na figura 18-2 (C).

Comutador
O comutador consiste de segmentos na forma de lâminas ou de barras de cobre
montadas em cilindro e mantidas unidas na posição por anéis em V conforme mostrado
na figura 18-2 (D). Os segmentos do comutador são isolados dos anéis suportes no eixo
por colares de mica. Em virtude de as escovas terem que deslizar pela face externa do
comutador, obtém-se melhor contato entre as escovas e os segmentos, menor centelha-
menta e ruído montando-se as folhas de mica que separam os segmentos 1/64 de pole-
gada abaixo da superfície do comutador.
A tensão e o número de pólos no gerador determinam o número de segmentos no
comutador. A fim de evitar romphnento por campos elevados entre os segmentos, os gera-
dores são projetados de maneira que a tensão não exceda 15 volts entre segmentos adja-
centes. Dessa forma, um gerador de tensão alta requer mais segmentos no comutador do
que um gerador de tensão baixa.

Escovas e suporte das escovas


As escovas transferem a corrente do comutador para o circuito externo. São nor-
malmente feitas com uma mistura de carbono e grafite. As máquinas de baixa tensão
usam escovas feitas com uma mistura de grafite com pó metálico. As escovas devem ser
instaladas de maneira a ficarem livres dentro dos seus suportes (figura 18-2 E) para acom-
panharem qualquer pequena irregularidade na curvatura do comutador. Em aditamento,
as escovas devem ser-pressionadas sobre a superfície que deslizam conforme vão sendo
desgastadas. Entretanto, não deve haver folga excessiva desses movimentos, pois poderão
ocorrer vibrações e desalinhainento das escovas com o eixo de comutação, o que resul-
tará em excessivo centelhamento. A pressão correta das escovas é exercida sobre o comu-
tador por meio de molas e não deve exceder 1,5 a 2 libras por polegada quadrada sobre a
área de contato das escovas. É mantida urna conexão de baixa resistência entre as
escovas e os suportes por meio de fios flexíveis de cobre. Os suportes das escovas mantêm
as escovas em posição correta sobre o comutador. O conjunto é preso a um braço suporte
que fica afixado na carcaça. Os geradores multipolares comumente têm tantos suportes
de escovas quantos são os pólos principais. Os suportes das escovas são alternativamente
de polaridade positiva e negativa. Os suportes de iguais polaridades são ligados em con-
junto conforme indicado na figura 18-2 F.

471
ENROLAMENTOS DA ARMADURA

Os tipos de enrolamentos para armadura dos geradores vão desde os mais simples
aos mais complexos. Serão estudados, a seguir, os tipos:
I. Armadura com bobina simples.
2. Enrolamento anel de Gramme.
3. Armadura em tambor.
4. Enrolamento de seqüência ou passo simples.
5. Enrolamento de seqüência simples em ondas

Annadura com bobina simples


O enrolamento de armadura na sua forma mais simples consiste de. uma única
espira. A rotação da espira dentro de um campo magnético faz com que seja nela induzida
uma f.e.m. cuja grandeza depende da intensidade do campo magnético e da velocidade
de rotação do condutor.
A figura 18-3 mostra um gerador com espira simples no qual os dois extremos da
espira estão ligados a dois segmentos de metal na forma de anel. Os dois segmentos são
isolados entre si e com relação ao eixo mecânico, constituindo a forma mais simples de
comutador. O comutador inverte mecanicamente as ligações da bobina na armadura com
relação ao circuito externo no mesmo instante em que a tensão do gerador inverte a pola-
ridade na bobina. Essa ação envolve o processo conhecido como comutação "â ser des-
crito posteriormente neste capítulo.
Quando a espira gira no sentido horário, partindo da posição mostrada na figura
18-3 (A), para a posição mostrada na figura 18-3 (B), é gerada na espira uma f.e.m. com
as polaridades indicadas, fluindo corrente pelo galvanômetro no sentido indicado pelas
setas e deflexionando o ponteiro para a direita. A corrente flui saindo da escova negativa,
através do medidor, e entrando na escova positiva, completando o circuito através da espi-
ra da armadura. Quando a bobina gira para a posição 18-3 (C), a tensão gerada e a corren-
te caem a zero pois nessa posição o fio da bobina não corta linhas do campo (fig. 18-3 A).
Nesse instante, as escovas fazem contato com ambos os segmentos do comutador, curto-

-
Fíg.18-3.- Gerador com bobina simples e
comutador.

472
circuitando a bobina. Conforme a bobina é deslocada para a posição mostrada na figura
18-3 (D), é novamente gerada urna f.e.m. na bobina, mas desta vez, com polaridade tro-
cada. A f.e.m. na figura 18-3 (D) tem polaridade invertida com relação à figura 18-3 (B).
Todavia, em virtude de os segmentos girarem acompanhando a bobina e estarem agora
ligados à carga com escovas trocadas, o sentido da corrente através do galvanômetro não
muda. Dessa forma, a f.e.m. entregue às escovas é pulsante e de um único sentido, varian-
do duas vezes entre zero e máximo para cada rotação da armadura.
A figura 184 apresenta um gráfico da f.e.m. pulsante e unidirecional correspon-
dente à rotação completa de armadura com uma espira. Uma tensão pulsante contmua
com essas características (denominada "ripple") é inadequada para a maioria das aplica-
ções. Tal tensão pode ser analisada matematicamente como sendo composta de uma com-
ponente CC e de uma componente alternada de freqüência igual ao dobro da velocidade
de rotação do gerador. Na prática, entretanto, os geradores são dotados de um número
maior de espiras e segmentos, de maneira a se obter na saída uma forma de onda com
tensão bem próxima da tensão contínua.

1ROTAÇÃO

Fig. 184.- Tensão gerada por uma bo bina d a armadwa.

Efeitos observados aumentando-se o número de espiras


A figura 18-5 mostra a redução que ocorre na componente alternada (ripple) da
tensão quando se usam duas bobinas ao invés de uma. Como há agora quatro segmentos
no comutador e as mesmas duas escovas, a tensão não cai abaixo do ponto A. Assim, a
tensão de flutuação (ripple) é limitada entre os pontos A e B. Pela adição de um número
maior de espiras, a tensão de flutuação pode ser reduzida a um valor mfuimo.

473
8
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I \ I \ I \ I \
I \ I \ I \ I \
11 w \V
'
ROTAÇÕES

Fig. 18·5.- Tensão gerada por duas bobinas na annadura.

Enrolamento tipo anel Gramme


O enrolamento tipo anel Gramme (figura 18-6) é basicamente constitu ído de um
fio isolado enrolado em uma forma metálica na forma de anel com derivações a inter-
valos regulares que são ligados aos segmentos. As partes do enrolamento localizadas no
interior do anel praticamente não cortam linhas do fluxo e atuam apenas como ligação
para as partes ativas localizadas na face externa do anel. Porque apenas uma pequena
fração do condutor é usada para gerar tensão, esse tipo de enrolamento requer urna gran-
de quantidade de espiras para produzir urna determinada tensão. O diagrama esquemá-
tico de um anel Gramme é freqüentemente usado como circuito equivalente simplificado
para os diagramas mais complexos de armatura tipo tambor. O enrolamento tipo anel
Gramme está sendo apresentado neste estudo apenas para simplificar a análise dos circui-
tos com enrolamento tipo tambor, feita a seguir.
No enrolamento com dois pólos da figura 18-6 (A), há entre as escovas dois per-
cursos paralelos para a corrente da armadura. Um caminho é através das espiras do lado
direito e o outro através das bobinas do lado esquerdo. A tensão entre as árvores é a soma
vetorial das tensões geradas em todas as bobinas de cada percurso. Não flui corrente entre
os dois percursos porque as tensões geradas em cada circuito são iguais e em oposição.
A polaridade das escovas pode ser determinada pela regra da mão esquerda para ação
geradora. O terminal negativo é aquele por onde saem os elétrons que fluem para a carga,
474
e o terminal positivo recebe elétrons que circulam pela carga.

475
Armadura tipo tambor
No enrolamento básico tipo tambor mostrado na figura 18-6 (B), todos os condu·
tores ficam alojados nas ranhuras e próximos da superfície da armadura. Os condutores
localizados à esquerda sâ"o marcados com wna pinta no interior do círculo para indicar
que o sentido da tensâ"o gerada é na direçâ"o do observador. As linhas tracejadas que ligam
os circuitos representam as conexões na parte traseira da armadura entre as duas metades
de cada bobina. As linhas sólidas entre os comutadores e os condutores da armadura
representam a ligação na parte fronteira da armadura entre as bobinas e os segmentos dos
comutadores.
Há oito bobinas, oito ranhuras e oito segmentos no enrolamento simplificado básico
tipo tambor do exemplo. Metade de uma bobina está alojada na parte inferior de uma
ranhura que fica aproximadamente na metade da armadura. Essa disposição permite
que as tensões geradas nas duas metades de uma bobina sejam máximas quase no mes·
mo instante porque a armadura está girando dentro de um campo bipolar. A polari·
dade das escovas pode ser determinada pela regra da mão esquerda para ação geradora.
As escovas sâ"o mostradas na face interior do comutador para simplicidade de represen-
tação no desenho. Normalmente, as escovas fazem contato com a superfície externa do
comutador.
Nas armaduras tipo tambor, com exceção das ligações terminais da bobina, todo
fio de cobre é usado para gerar a f.e.m. A distância entre os dois lados de uma bobina é
conhecida como PASSO DA BOBINA. Essa distância deve ser aproximadamente a
mesma existente entre os centros de pólos adjacentes.
A análise a seguir se refere a uma condição de sem carga. Há dois percursos para a
corrente na armadura no enrolamento tipo tambor; circuito a, b, c, d, e, f, g, h, e circuito
i, j, k, l, m, n, o e p. As tensões geradas em todos os condutores no primeiro percurso
têm o mesmo sentido da escova positiva para a escova negativa. As tensões geradas em
todos os condutores do segundo percurso.têm, também, o mesmo sentido da escova
positiva para a escova negativa. Os dois percursos formam um circuito fechado e as ten·
sões de cada percurso são iguais e em opcsição entre si.
Há certas semelhanças entre os enrolamentos tipo anel Grarnme (figura 18-6 A) e
o tipo tambor (figura 18-6 B). A distribuição de tensão gerada é a mesma, assim como o
número de percursos. Em ambos os tipos, quando uma escova faz contato com dois
segmentos, é feito o curto-circuito em uma bobina. Em ambos, as escovas ficam posicio·

-----
Rotação
Rotaç4o

Carga s

Q
Enrolamento tipo tambor
Enrolamento anel Grarnme (8)
(A)
Fig.18-{).- Enrolamentos Je armaduras d e geradores CC básicos.

476
nadas de maneira que somente as bobinas se deslocando em paralelo com o campo sejam
curto-circuitadas. Isto é, a bobina é curto-circuitada apenas no instante exato em que
não há tensão nela induzida. Dessa forma, é minimizado o centelhamento. Em ambos os
tipos, há oito segmentos no comutador, duas escovas, e as armaduras são envolvidas por
campos bipolares. Em ambos os tipos, há também bobinas de uma única espira e dezesseis
condutores ativos nos quais é gerada a tensâ"o.
A diferença existente entre os dois tipos de armadura está na posição do eixo das
escovas, na maneira de fixar as bobinas, e no percurso para o fluxo do campo magnético.
No enrolamento anel Gramrne o eixo da escova é perpendicular ao eixo do campo. No
enrolamento tipo tambor o eixo das escovas coincide com o eixo do campo. No anel
Grarnme as bobinas estão enroladas em um anel. No tipo tanque as bobinas são pré-
moldadas e inseridas em ranhuras. No tipo tambor, o campo cruza o entreferro e per-
meabiliza toda a seção reta da armadura, inclusive as porções internas e externas das
ranhuras. Finalmente, os extremos de conexão das bobinas no enrolamento tipo anel
Grarnme constituem urna maior percentagem do enrolamento do que no enrolamento
da armadura tipo tambor. g principalmente por essa razão que a armadura tipo anel
está sendo substituída pela armadura mais eficiente tipo tambor.

Enrolamento de passo simples imbricado


Conforme mencionado previamente, as armaduras para CC são geralmente pré-
moldadas como mostrado na figura 18-7. O termo "salto" se refere à distância guar-
dada entre um elemento ativo do enrolamento e outro da mesma bobina e é comu-
mente dado em número de ranhuras entre os enrolamentos. Um elemento de enrola-
mento é o lado de urna bobina que consiste de um ou mais condutores ativos em série e
envolvidos por uma fita para proteger a parte da bobina que é inserida na ranhura da
armadura. O salto deve ser igual à distância periférica entre os centros de campos polares
adjacentes de maneira que a tens!lo gerada nos dois lados da bobina ficam em série aditiva.
Essa distância é denominada "largura do pólo". Quando o salto de urna bobina é menor
do que a largura do pólo, o enrolamento toma o nome de enrolamento com largura de
pólo fracionária. A largura fracionária de urna bobina pode ser tão pequena quanto 0,8
da largura do pólo. As bobinas com largura fracionária apresentam reduzida f.e.m. por-
que as tensões nas bobinas não atingem o valor máximo no mesmo instante. Comumente, a
redução de f.e.m. é pequena e a economia em fio de cobre e encurtamento nas ligações
compensam essa perda.

Fios de ligações

FJa. 18·7, - Formato de armadura quadrlpolar para bobina.

477
Os enrolamentos de armadura para CC são geralmente na forma de duas camadas.
Com esse arranjo, as bobinas ficam localizadas na armadura com um lado da bobina
ocupando a parte superior de uma ranhura e o seu outro lado ocupando o lado inferior
de outra ranhura. A distância entre as ranhuras é aproximadamente igual a urna largura
polar. Essa disposição permite que os enrolamentos fiquem ajustados na armadura com
um número igual de bobinas e de ranhuras. Assim, cada ranhura aloja duas camadas de
condutores nos quais as tensões são geradas conforme a armadura gira passando pelo
campo. O processo de alojar duas bobinas em uma mesma ranhura é mostrado na figura
18-6 (B).

Enrolamento da armadura Circuito simplificado

C A> (8)
Fig.18-8.- Enrolamento de passo simples quadripolar.

A figura 18-8 mostra um enrolamento de passo simples quadripolar. Partindo da


barra 1 do comutador, o circuito pode ser traçado acompanhando a linha grossa que
representa a bobina até a barra 2 do comutador. O traço pode prosseguir continuando
o levantamento através de bobinas sucessivas até completar o circuito total da armadura
voltando no segmento 1. Observa-se dessa forma que as bobinas estão fechadas em um
circuito série, constituindo o que se denomina o enrolamento da armadura.
Há quatro grupos de bobinas gerando a mesma tensão entre as escovas de polari-
dades opostas no exemplo mostrado na figura 18-8. Um grupo consiste das bobinas que
ocupam os espaços 1, 12, 3, 14, 5, 16, 7, 18, 9 e 20. Um segundo grupo consiste de
bobinas que ocupam os espaços 11, 22, 13, 24, 15, 26, 17, 28, 19 e 30. Um terceiro
grupo ocupa os espaços 21, 32, 23, 34, 25, 36, 27, 38, 29 e 40. O quarto grupo ocupa
os espaços 31, 42, 33, 2, 35, 4, 37, 6, 39, 8, 41 e 10. Os quatro grupos de bobinas ficam
em paralelo pela conexlo feita pelas duas escovas positivas e duas escovas negativas con-
forme mostrado no diagrama esquemático da figura 18·8 (B). Nlo circula corrente entre

478
os quatro percursos paralelos quando não há carga ligada entre as escovas positivas e nega-
tivas porque a tensão em cada grupo é igual e de polaridade oposta.
A representação esquemática simplificada do enrolamento de passo simples quadri-
polar é mostrada na figura 18-9. Ugando-se uma carga entre as escovas positiva e negativa,
flui corrente pelo circuito através dos quatro percursos. A corrente se distribui igual-
mente já que os circuitos são iguais. Dessa forma, se a corrente total de saída da arma-
dura for 400 amperes, cada percurso fornecerá uma corrente de 100 amperes. No enrola-
mento em questão, há tantos percursos paralelos para a corrente através da armadura
quantos são os pólos do campo.
O enrolamento de passo simples descrito neste capítulo é o tipo mais simples de
enrolamento por passo.identificado pelo enrolamento simples que o distingue dos
demais nos quais há maior complexidade com enrolamentos duplos e triplos. Esse tipo
é de reentrância simples, isto é, o final do enrolamento fecha sobre seu início após uma
volta completa na armadura. Essa disposição difere da de outros enrolamentos mais
complexos nos quais o enrolamento fecha após uma, duas ou três voltas completas na
armadura.

Fig. 18·9.- Diagrama esquemático de um


enrolamento simples, imbricado, de quatro
pólos de armadura

As características dos enrolamentos de passo simples imbricado podem ser sumaria·


das conforme abaixo:
1. Há tantos percursos para a corrente quantos forem os campos polares.
2. Há tantas posições de escovas no comutador quanto forem os campos. polares.
3. Os dois extremos de cada bobina são ligados a segmentos adjacentes no comu·
tador.
4. O enrolamento da armadura forma um circuito fechado contínuo.

479
S. O enrolamento de passo simples é usado para alimentar cargas que demandem
corrente relativamente alta com baixa tensão.
6. A tensão gerada entre as escovas positivas e negativas é:

E=

onde E é a tensão gerada em volts, Z o númeroe condutores ativos na armadura, <I> as


linhas do fluxo magnético por pólo e N a velocidade da rotação da armadura por segundo.
O condutor ativo fica alojado na ranhura e gera a tensão conforme a armadura gira.
Uma bobina é feita com urna ou mais espiras, sendo que cada bobina tem um número
duplo de condutores ativos, urna metade em urna ranhura e a outra metade alojada em
outra ranhura. Os dois extremos de ligaçfo s!'o conectados a dois segmentos.
Exemplo: Um gerador CC com quatro pólos, enrolamento de passo simples com
106 linhas no fluxo magnético por pólo, tendo 440 condutores ativos e urna velocidade
de rotaçfo igual a 50 voltas por segundo {3.000 rpm) gera urna tensa'o igual a:

E= = 220 volts

Se a corrente solicitada pela carga for 1.000 ampêres, cada bobina de armadura
fornecerá 250 ampêres.

Enrolamento de onda simples


No enrolamento de onda simples (figura 18-10), os grupos de bobinas sob a aça'o
de pares de pólos similares, geram, em qualquer instante, tenstses iguais e estéo ligadas
em série. Esse enrolamento é também denominado ENROLAMENTO S RIE. Cada
bobina tem o seu extremo ligado ao segmento do comutador que fica separado do inicial
de dois passos polares. Essa distância é medida em torno da circunferência da armadura
partindo do centro de um campo polar para o centro do pólo seguinte de sinal igual.
Neste exemplo, a distância coberta por dois pólos polares é metade da volta completa.

Fia.18-10.- Enrolamento de onda simples.

480
Em uma máquina com 6 pólos, dois passos polares correspondem a um terço da circunfe-
rência do comutador, e em uma máquina com 8 pólos, correspondem a um quarto. No
enrolamento de onda simples há tantas bobinas ligadas em série entre barras comutadoras
adjacentes quantos forem os pares de pólos do campo. Neste exemplo, há dois pares de
pólos do campo, de modo que há duas bobinas em série entre os segmentos adjacentes.
Isso pode ser conferido acompanhando-se o circuito partindo do segmento 1 passando
pelas duas bobinas que ocupam o espaço do enrolamento 1, 10, 17 e 26 terminando no
segmento 2 do comutador.
O enrolamento de onda simples é também um circuito fechado, conforme pode
ser visto, partindo-se de uma bobina e seguindo-se o circuito completo até a posição de
partida. Na armadura com enrolamento de onda simples, há dois percursos para a cor-
rente, independentemente do número de pólos e do número de escovas. Iniciando na
escova positiva superior, um percurso inclui os condutores que ocupam os espaços 1, 10,
17, 26, 33, 8, 15, 24, 31, 6, 13, 22, 29, 4, 11, 20,27 e 2, retornando para a escova nega-
tiva superior. O outro percurso, partindo da escova positiva superior, inclui os condu-
tores que ocupam os espaços 28, 19, 12, 3, 30, 21, 14, 5, 32, 23, 16, 7, 34, 25, 18 e 9,
retornando também para a escova negativa superior.
Apesar de serem mostradas quatro escovas, apenas duas são necessárias. A tensão
total dos enrolamentos se desenvolve nas escovas superiores e também nas escovas
inferiores. A corrente da carga se divide igualmente entre os dois pares de escovas quando
estão em paralelo porque a resistência dos dois percursos é a mesma. Por exemplo, se a
armadura for ligada a urna carga que exige 20 amperes de corrente com tensão de 220
volts, as escovas superiores podem transferir 20 ampêres com 220 volts. A adição das
escovas inferiores reduz a corrente por escova para 10 ampêres. Se o comutador for proje-
tado para quatro escovas, a remoção de um par sobrecarregará as escovas restantes a me-
nos que a carga seja reduzida para a metade. Entretanto, nos casos em que o comutador é
inacessível, o enrolamento de onda permite o uso de duas posições de escovas indepen-
dentemente do número de pólos, de maneira que o reparo nas escovas e no comutador
é facilitado.
As características do enrolamento de onda simples podem ser resumidas como se
segue:
1. Há dois percursos paralelos independentes do número de campos polares.
2. Há um mínimo de duas posições de escovas independente do número de campos
polares.
3. Os dois extremos da bobina sã'o ligados a segmentos do comutador que ficam
separados dois passos polares (fig. 18-10).
4. O enrolamento normalmente é de alta tensão e baixa corrente.
S. O enrolamento forma um circuito fechado contínuo.
6. Há tantas bobinas em série entre comutadores adjacentes quantos são os pares
de pólos no campo.
7. A tensão gerada entre as escovas positiva e negativa é:

E=

onde P é o número de pares dos campos polares e os outros símbolos são os mesmos
usados na equação pára a tensão gerada no enrolamento de passo simples.

481
Por exemplo: Um gerador CC de 6 pólos, dotado com enrolamento de onda simples,
1,05 X 106 linhas de força por pólo, com 3.500 condutores ativos e velocidade de 10
rotações por segundo (600 rpm) gera uma tensão igual a:

<PZNP 1,05 X 106 X 3500 X 10 X 3


E= = _,;,_----- 8- ----= 1.100 volts
108 10

Se a armadura fornecer 200 ampêres para a carga, cada bobina da armadura contri-
buirá com 100 ampêres.

PERDAS NA ARMADURA

Há três tipos de perdas nas armaduras dos geradores CC.


1. Perda JlR ou perda no cobre do enrolamento.
2. Perda por corrente parasita no núcleo.
3. Perda por histerese devido a fricção produzida pela rotação de partículas mag-
néticas no núcleo.

Perda IzR
A perda no cobre é uma perda de potência na forma de calor produzido no enrola-
mento devido ao fluxo de corrente através do cobre das bobinas. Essa perda varia direta-
mente com a resistência do fio e com o quadrado da corrente. A resistência da armadura
varia diretamente com o comprimento dos condutores da armadura e inversamente com a
sua seção reta.
A seleção do diâmetro do condutor é feita dentro dos limites de 300 a 1.200 núlési-
mos circulares por ampêre. Por exemplo:Considerando um diâmetro de 800 núlésimos
circulares, uma armadura com dois pólos que fornece 100 amperes usa um fio de

100
-- X 800 = 40.000 milésimos circulares.
2

Esse valor corresponde ao fio número 4. Os enrolamentos feitos com fio fino usam a
referência de 300 milésimos circulares por ampêre, o que resulta em grande densidade de
corrente. Nos grandes geradores (5.000 kw) usam-se como referência 1.200 milésimos
circulares por ampêre fazendo-se, dessa forma, o gerador funcionar em regime de baixa
densidade de corrente por área nos enrolamentos. A escolha do fio, obviamente, é função
da refrigeração a ser adotada para os condutores da armadura.
Os condutores com diâmetro menor apresentam urna melhor relação superfície-
volume do que os condutores com grande diâmetro. Por exemplo: um condutor circular
de 0,1 polegada de diâmetro de um determinado comprimento apresenta urna relação
superfície-volume de

47TD 4
--ou-=40
1rDz ' 0,1

481
Um condutor de 1 polegada de diâmetro com o mesmo comprimento apresenta
uma relaçã"o de 4/1 = 4. Como a habilidade de irradiar calor de um condutor circular
varia em função da sua relação superfície-volume, o condutor de 0,1 polegada tem uma
capacidade de 40/4 = 1O vezes maior do que o condutor de 1 polegada considerando os
outros fatores iguais.
Os geradores que funcionam com alta velocidade usam como referência uma maior
densidade de diâmetro por ampêre do que um gerador de baixa velocidade, já que naquele
as condições de refrigeração são melhores. O aumento na temperatura é limitado por
dutos de ventilação, e , em alguns casos, pelo emprego de ventilação forçada como nos
geradores de CC de aeronaves.
A resistência de um condutor aquecido é maior do que quando o condutor está
frio. Um aumento de 2,5 graus centígrados na temperatura de um condutor de cobre
produz um aumento de aproximadamente 1 por cento na sua resistência específica.
Por exemplo: se a temperatura de um enrolamento na condição de sem carga for de 20 °C
e a sua temperatura na condiç!ode carga plena for 70 °C o aumento na resistência será:

70-20
---- = 20 por cento
2,5

Assim, se a resistência do condutor for 0,05 ohm, esse valor aumenta para 1,2 X 0,05 =
= 0,06 ohm quando o condutor aquece na condi ão de plena carga. Se a corrente na
armadura em plena carga for 100 ampêres, a perda I R será:

1002 X 0,06 = 600 watts

A perda no cobre da armadura varia mais sensivelmente com a variação da carga


elétrica sobre o gerador do que qualquer outra perda que possa ocorrer na máquina.
lsso acontece porque a maioria dos geradores são máquinas de potencial constante que
fornecem urna saída. O fator de limitação na carga de um gerador é a sua capacidade
máxima de fornecer corrente.
A resistência total do circuito da armadura inclui a resistência dos enrolamentos
entre as escovas de polaridades opostas; a resistência de contato das escovas e a resis-
tência específica da escova.

Perdas por correntes parasitas


Se a armadura de um gerador CC for feita com um bloco sólido de ferro (figura
18-11 A), a rotação rápida desse bloco sob a açã"o do campo produzirá nele um calor
excessivo mesmo na condiçã"o sem carga. Esse fato é resultado de uma tensão gerada
no próprio núcleo. Conforme o núcleo sólido gira, são cortadas linhas do campo mag-
nético. Assim é induzida uma tensão alternada no núcleo que produz deslocamento de
correnteerando calor.
Essa corrente induzida é denominada CORRENTE PARASITA. A corrente parasita
é mantida em calor reduzido montando-se o núcleo da armadura com lâminas isoladas.
Por. exemplo, se o núcleo for dividido em duas partes iguais (figura 18-11 B) isoladas
entre si , a tensão induzida em cada seção do ferro fica reduzida para a metade e a resis-
tência do percurso para a corrente parasita fica dobrada (a resistência varia inversamente
com a área da seção reta). Se for induzida uma tensão de 10 volts no núcleo da figura

482
18·11 (A) e se a resistência do percurso para as correntes parasitas for 1 ohm, a perda
por corrente parasita será:

E2 102
-= -- = 100 watts
R 1

Considerando a figura 18·11 (B), a tensã"o induzida em cada seção será 10/2 = 5 volts,
porque o comprimento ficou reduzido ã metade e a resistência no percurso para a cor·
rente parasita cresce para 2 ohms. A perda em cada seção será:

E2 52
-= -= 12 5 watts
R 2 '

e a perda total em todas as seções será 12,5 X 2 = 25 watts. Esse valor representa um
quarto da potência perdida no núcleo inteiriço da armadura mostrada na figura 18·11 (A).

H
I N
I I H
I
I
€1 .'!-
I s
sólido
I I s
lâmina
dupla
I s
várias
lâminas
CA) tl (C)

Fig. 18·11. - Correntes parasitas no núcleo da


armadura de gerador CC.

Reduzindo-se a espessura da lâmina do núcleo para a metade do seu valor original, a


perda fica reduzida a um quarto do valor original. As perdas por correntes parasitas
variam com o quadrado da espessura das lâminas do núcleo. Se o núcleo da armadura for
suficientemente subdividido em várias seções (figura 18·11 C), a perda por correntes
parasitas pode ser reduzida a um valor desprezível. A redução na espessura das lâminas
reduz a grandeza da tensã"o induzida f.e.m. em cada seção e aumenta a resistência ofere·
cida à passagem da corrente. As lâminas nos geradores de pequena potência têm 1/64 de
polegada de espessura. As lâminas sa-o isoladas entre si por uma fina camada de isolante ou
em alguns casos pela simples oxidaçã"o das superfícies devida ao contato com o ar durante
o processo de fabricação. O material isolante nã'o necessita ter grande capacidade isola·
dora, já que a tensão induzida é bastante pequena. Todas as máquinas elétricas rotativas
usam núcleo laminado para reduzir as perdas por correntes parasitas. Os núcleos dos
transformadores são também laminados pela mesma razão.
As perdas por correntes parasitas são também influenciadas pela velocidade e
densidade do fluxo. Em virtude de a tensão induzida que causa o fluxo de corrente
parasita variar com a velocidade e com a densidade do fluxo, a perda de potência E 2/R
varia com o quadrado da densidade do fluxo.

483
Perda por histerese
Quando uma armadura gira em um campo magnético estacionário, as partículas
magnéticas da armadüra são mantidas em alinhamento com o campo, dependendo o seu
número da intensidade do campo. Se o campo for o de um gerador bipolar, as partí-
culas magnéticas giram, com relação às partículas não alinhadas, uma rotação completa
para cada rotação da armadura. A rotação das partículas magnéticas na massa de ferro
produz fricção e calor.
O calor produzido dessa maneira denomina-se PERDA POR HISTERESE magné-
tica. A perda por hlsterese varia com a velocidade de rotação da armadura e com o volu-
me de ferro. A densidade do fluxo varia de aproximadamente 50.000 linhas por polegada
quadrada no núcleo da armadura até 130.000 linhas por polegada no ferro entre o cavalo
de ranhuras adjacentes. A maioria dos geradores CC usa na armadura aço-silício tratado
termicamente que ·apresenta baixa perda por hlsterese. Após as lâminas terem sido estam-
padas para a forma desejada, as lâminas são aquecidas ao rubro e em seguida esfriadas.
Esse processo de liga reduz as perdas por hlsterese a um baixo valor.

REAÇÃO DA ARMADURA

A reação da armadura em um gerador se refere ao efeito produzido no campo prin-


cipal pela armadura que atua como um eletroímã. Sem fluir corre11te na armadura, o
campo principal não sofre distorção conforme mostrado na figura 18-12 (A). O fluxo é
totalmente produzido pelos enrolamentos de campo. O plano neutro AB é perpendicular
ao sentido do fluxo do campo principal. Quando um condutor da armadura se desliga
cruzando esse plano, o seu percurso é paralelo às linhas não distorcidas do campo e o
condutor não corta nenhuma linha do fluxo. Dessa forma, nenhuma tensão é induzida.
As escovas ficam localizadas no comutador de maneira a curto-circuitar as bobinas que
passam pelo plano neutro. Não havendo tensão induzida nas bobinas, nenhuma cor-
rente flui pelo curto momentâneo produzido pelas escovas sobre o segmento. Assim, por
ocasião do circuito, não é produzido nenhum centelhamento.
Quando uma carga é ligada a uma saída, flui corrente na armadura e ela se torna
uma fonte de força magnetomotriz. O efeito da armadura atuando como um eletroímã
é considerado na figura 18-12 (B), assumindo-se que as bobinas do campo principal estão
desalimentadas e que a corrente de plena carga é aplicada ao circuito da armadura por
uma fonte externa de corrente. As correntes nos condutores localizados à esquerda do
plano neutro conduzem corrente no sentido do observador e os localizados à direita

1..

- :_f·f_i.. . ' - :_=.:_=


-_ \*; =-lf
I•
(A\ {8) (C)
Fluxo do campo Fiuxo da armadura Fluxo resultante

Fig. 18·12. - Distribuição do fluxo no gerador CC.

484
conduzem corrente no sentido de afastamento. Os sentidos são os mesmos que se obser-
varia se a armadura estivesse sujeita à influência de urna tensão geiada normalmente na
annadura com excitação normal de campo.
A corrente que flui nos condutores da armadura estabeleceu urna força magneto-
motr_iz que fica perpendicular ao eixo do campo principal e, na figura, a força atua na
direção para baixo. Essa ação magnetizadora pela corrente na armadura é denominada
MAGNETIZAÇÃO CRUZADA e está presente apenas quando flui corrente no circuito
da armadura. A quantidade de magnetização cruzada produzida é proporcional à cor-
rente da armadura.
Quando flui corrente no campo e no circuito da armadura, os dois campos resul-
tantes se distorcem. Ambos giram no mesmo sentido de rotação da armadura. O plano
neutro mecânico AB (figura 18-12 C) fica então avançado com relação ao plano neutro
elétrico A'B'.Quando os condutores da armadura transitam através do plano A'B' o seu
curso é paralelo às linhas de força distorcidas e os condutores não cortam as linhas não
ocorrendo portanto indução. As escovas devem por isso ser deslocadas para o novo plano
neutro. O deslocamento deve ser na direção do sentido de rotação da armadura. A ausên-
cia de centelhamento indicará a posição correta. A grandeza do deslocamento é propor-
cional à carga do gerador porque a quantidade de força magnetomotriz é diretamente
proporcional à corrente da armadura.
Quando as escovas são deslocadas para o plano neutro elétrico A'B', a direção
da força magnetomotriz da armadura é para baixo e para a esquerda conforme mos-
trado na figura 18-13 (A) ao invés de vertical para baixo. A força magnetomotriz da
armadura pode ser considerada como tendo dois componentes conforme mostrado na
figura 18-13 (B).

<A>
Fluxo da armadura

Fig.18-13.- Efeito do funcionamento das escovas na reação da armadura.

Os condutores localizados na parte superior e inferior da armadura dentro do


setor BB produzem urna força rnagnetomotriz que fica em oposição ao campo prin-
cipal e o enfraquece. Essa componente é denominada FMM DESMAGNETIZANTE
DA ARMADURA. Os condutores localizados à direita e esquerda dentro do setor AA
produzem urna fmm desmagnetizante cruzada em ângulo reto ao eixo do campo prin-
cipal. A força magnetizante cruzada tende a distorcer o campo no sentido de rotação.
Conforme mencionado previamente, a distorção do campo principal do gerador é resul-
tado da REAÇÃO DA ARMADURA. Ocorre reação na armadura de forma idêntica nas
máquinas multipolares.

485
Compensação para a reação da armadura
Os efeitos da reação da armadura sfo reduzidos nas máquinas CC pelo uso de:
(I) alta densidade de fluxo nas pontas do pólo; (2) emprego de enrolamento de com-
pensação;e (3) pólos de comutação.
A área da seção reta das pontas dos pólos é reduzida para aumentar a densidade
de fluxo nas pontas construindo-se os pólos com lâminas dotadas de uma ponta única.
As lâminas sa"o montadas alternativamente de maneira a deixar um espaço entre lâminas
nas extremidades dos pólos. A redução na seção reta da área nas pontas aumen ta a densi-
dade do fluxo de maneira que a região fica saturada e as forças desmagnetizante e cruzada
da armadura não afetam a distribuição do fluxo na face do pólo tanto quanto afetariam
com densidade reduzida.
O enrolamento de compensação consiste de condutores alojados na face do pólo em
sentido paralelo aos condutores da armadura. O enrolamento é ligado em série com a
armadura e é disposto de maneira que os ampêres-volta são iguais em grandeza e oposição
ao sentido do da armadura. A força magnetomotriz da armadura e a reação da armadura
são praticamente eliminadas. Em virtude do seu custo relativamente alto, os enrolamentos
de compensação são comumente usados apenas nos geradores de alta tensão, alta veloci-
dade e grande capacidade.
Os pólos de comutação serâ"o discutidos após a descrição do processo de comutação.

COMUTAÇÃO

A comutação é o processo de inversão da corrente nas bobinas individuais da arma-


dura orientando a corrente contínua para o circuito externo durante o breve intervalo
de tempo equerido para cada segmento do comutador passar sob a escova. Na figura
18-14 pode ser observado que a comutação ocorre simultaneamente nas duas bobinas
que estão sendo momentaneamente curto-circuitadas pelas escovas; a bobina B pela
escova negativa, e a bobina diametralmente oposta pela escova positiva. Conforme men-
cionado anteriormente, as c::scovas ficam localizadas sobre o comutador em uma posição
tal que curto-circuita as bobinas em trânsito pelo plano neutro elétrico. Nesse instante
não é induzida nenhuma tensão, de modo que não ocorre centelharnento entre as escovas
e o comutador.
Há dois percursos para o fluxo de corrente através do enrolamento da armadura.
Se a corrente de carga for 100 ampêres, cada percurso fornecerá uma corrente de 50
ampêres. Dessa forma, as bobinas do lado esquerdo fornecem 50 ampêres em um deter-
minado sentido e cada bobina do lado esquerdo fornece corrente no sentido oposto.
A inversão da corrente em urna dada bobina ocorre durante o instante em que essa
bobina está sendo curto-circuitada pela escova. Por exemplo, conforme a bobina A
se aproxima da escova negativa, ela está fornecendo o valor total de 50 ampêres que
flui através do segmento 1 e a metade â esquerda da escova negativa onde ela se une
aos 50 ampê1es fornecidos pela bobina C.
No instante mostrado, a escova negativa ocupa metade do segme nto 1 e metade
do segmento 2. A bobina B está sendo curto-circuitada e se desloca em sentido paralelo
ao campo de modo que a tensão nela induzida é zero, não fluindo corrente. Conforme a
rotação continua, no sentido horário, a escova negativa ocupa maior parte do seg-
mento I e menor área do segmento 2. Considere, por exemplo, o intervalo entre o ins-
tante em que a escova negativa ocupa apenas a área total do segmento 1. Durante esse

486
instante a corrente do segmento 1 aumenta de 50 para 100 amperes e a corrente no
segmento 2 diminui de 50 para O (zero). Quando o segmento 2 se desliga da escova, não
Bui corrente do segmento 2 para a escova e a comutação estará completada.
Conforme a bobina A se desloca para a posição da bobina B, a corrente em A
diminui para zero. Assim, a corrente nas bobinas que se aproximam da escova cai para
zero durante o breve intervalo de tempo necessário para a bobina A se deslocar para a
posição da bobina B. Durante esse tempo, o fluxo entra em colapso na bobina e induz
uma f.e.m. de auto·indução que se opõe à redução da corrente. Assim, se a f.e.m. de
au to·indução não for neutralizada, a corrente não diminui na bobina A e a corrente na
bo bina ligada ao segmento 1 não será zero o segmento deixar a escova. Esse retardo pro·
voca uma centelha entre a extremidade da escova e o extremo fmal do segmento. Con·
forme o segmento interrompe o contato com a escova, o arco queima e fura o corou·
tador.
A inversão de corrente nas bobinas ocorre muito rapidamente. Por exemplo, em um
gerador comum de 4 pólos, cada bobina passa pelo processo de comutação centenas de
vezes por minuto.importante que a comutação se processe sem centelhamento para
evitar desgaste excessivo do comutador.

Rotação

11 s

Carga

Fig.18·14. - Comutação no gerador CC.

Avanço das escovas


A f.e.m. de auto-indução nas bobinas da armadura é função da indutância das
bobinas e da variação da corrente que não podem ser eliminadas. Os efeitos dessa f.e.m.
podem ser entretanto neutralizados pela introdução na bobina, durante o processo de
comutação; de urna f.e.m. de valor igual e em oposição à tensão induzida. Essa neutraliza·
ção pode ser feita pelo deslocamento das escovas no sentido de rotação ou usando-se
interpólos (pólos de comutação).
Se as escovas forem deslocadas no sentido de rotação até que as bobinas sob comu·
tação cortem urna pequena quantidade do fluxo do pólo principal mais próximo, sufi·
ciente f.e.m. será induzida para neutralizar o efeito da auto-indução. Essa ação per-

487
mite que a corrente da bobina diminua para o valor desejado no sentido oposto sem
centelhar.
O fluxo necessário para gerar f.e.m. que neutraliza a f.e.m. de auto-indução é
denominado FLUXO DE COMUTAÇÃO. Esse processo de redução do centelhamento
é satisfatório somente sob condições de carga constante porque a quantidade de fluX:o
de comutação requerida varia com o valor de carga e, por isso, as escovas devem ser
novamente posicionadas com cada variação da carga.

Pólos de comutação
Os pólos de comutação, ou interpólos, fornecem a quantidade necessária de fluxo
para comutação sem deslocamento das escovas do neutro mecânico. Os pólos de comuta-
ção sa-o pólos auxiliares localizados a meio caminho entre os pólos principais conforme
mostrado na figura 18-2 (F). Os pólos estabelecem o fluxo no sentido correto e com
suficiente grandeza para produzir comutação satisfatória. Eles não contribuem para a
geração da f.e.m. da armadura no conjunto porque a tensão gerada pelos seus campos
se cancelam entre escovas de polaridades opostas.
A f.e.m. do interpólo neutraliza a porção da reação da armadura dentro das zonas
de comutação e produz o fluxo necessário para auto-induzida, evitando o centelhamento.
Em virtude de a reação da armadura e a f.e.m. de auto-indução nas bobinas de comutação
variarem com a corrente da armadura, o fluxo do interpólo varia com a corrente da arma-
dura. Essa condição é obtida pela ligação dos enrolamentos dos interpólos em série com a
armadura e operando o ferro do interpólo, com densidade de fluxo bem abaixo da
saturação. As polaridades magnéticas são tais que um interpólo sempre apresenta a mes-
ma polaridade do campo polar adjacente no SENTIDO DE ROTAÇÃO. Essa relação é
sempre verdadeira para os geradores CC.

REAÇÃO MOTRIZ NO GERADOR

Quando um gerador fornece corrente para urna carga, a corrente de carga cria urna
força de oposição â rotação da armadura do gerador. A figura 18-15 mostra a ação de um
condutor da armadura. Quando o condutor está parado, nenhuma tensão é gerada e não
flui corrente. Nessas condições, não há força atuando sobre o condutor. Quando o con-
dutor se desloca para baixo e o circuito se completa através da carga, flui corrente pelo
condutor no sentido indicado, criando linhas de força em torno do mesmo no sentido
horário.

Fia.18-15.- Reação motora no gerador.

488
A interação do campo de condutor e do campo principal do gerador enfraquece
o campo na área acima do condutor e intensifica na parte de baixo. O campo consiste
d.e linhas que atuam como tiras de borracha. Assim, é produzida urna força de reação
para cima que atua em oposição à força de tração para baixo exercida na armadura do
gerador pela força mecânica externa. Se a corrente no condutor aumenta, a força de
reação aumenta e uma maior força de tração deve ser aplicada ao condutor para evitar
redução na velocidade.
Sem corrente na armadura, nenhuma reação magnética existe e a potência mecâ-
nica de entrada é baixa. Conforme a corrente da armadura aumenta, a reação de cada
cond utor da armadura contra a rotação aumenta e a potência de tração para manter a
velocidade de rotação da armadura deve ser aumentada. Se a força primária de tração
que movimenta o gerador for motor a gasolina, esse efeito é obtido aumentando-se a
admissão de combustível no carburador. Se a máquina for uma turbina, a válvula prin-
cipal de admissão de vapor deve ser aberta, pernútindo que urna maior quantidade de
vapor flua através da turbina.

CARACTERíSTICAS DO GERADOR DE CC

Iigaçfo dos enrolamentos do campo


Comumen te, os geradores CC são classificados segundo a maneira pela qual os
enrolamentos do campo são ligados ao circuito da armadura (figura 18-16).
A figura 18-16 (A) mostra na forma de diagrama esquemático simplificado um
G ERADOR CC COM EXCITAÇÃO EM SEPARADO. Nesse tipo de máquina, os enrola-
mentos de campo são alimentados por uma fonte CC separada.

derivação s&ie Composto


<A> (8)
Excitação separada
Auto-excitaçio

Fig.18-16.- Tipos de geradores CC quanto à excitação do campo.

Um GERADOR PARALELO tem os enrolamentos do seu campo ligados em para-


Mllo com a armadura e com a carga conforme mostrado na figura 18-16 (B). O gerador
paralelo é de grande emprego na indústria.
O GERADOR SÉRIE tem os enrolamentos do campo ligados em série com a
armadura e com a carga conforme mostrado na figura 18-16 (B). Os geradores série não
são de emprego comum. Os GERADORES COMPOSTOS possuem enrolamentos de
campo em sérié e em paralelo com a armadura conforme mostrado na figura 18-16 (B).
Os geradores compostos são de largo emprego na indústria.

489
Curvas de saturação do campo
A intensidade de campo de wn gerador CC depende do número de ampêre-voltas
no enrolamento de campo e da relutância do circuito magnético. O número de espiras
é geralmente fiXO. Conseqüentemente, os ampêre-voltas variam diretamente com a cor-
rente do campo. A tensão gerada é diretamente proporcional ao produto da intensidade
do campo e da velocidade. Assim, se a intensidade do campo, ou a velocidade da rotação
for zero, a tensão gerada também será zero. Conforme a corrente do enrolamento de
campo awnenta, o fluxo no campo e a tensão gerada também awnentam. A intensidade
de campo entretanto não é diretamente proporcional à corrente do campo porque a
relutância do circuito magnético varia com o grau de magnetização. Quando a densidade
do fluxo awnenta no campo e no ferro da armadura a permeabilidade diminui, reduzindo a
relutância do circuito magnético, o que toma JllaiS difícil aumentar a tensão.
Certas características de operação do gerador CC estão bastante relacionadas com
as curvas de saturação do campo na condição de sem carga plena da máquina. A curva
de saturação sem carga é determinada na condição em que não flui corrente pela arma-
dura e a com carga plena é determinada na condição em que flui pela armadura a cor-
rente máxima. A velocidade é mantida constante durante o levantamento de ambas as
curvas e a corrente do campo é awnentada em etapas. A tensão gerada corresponde a
cada valor da corrente de campo plotada. Obtêm-se as curvas de saturação do campo
conforme mostrado na figura 18-17. A curva de saturação para a condição de sem carga é
feita preferivelmente com o campo sendo excitado em separado. Entretanto, para wn
gerador paralelo ou composto, essas curvas podem ser levantadas com a máquina sendo
auto xcitada porque a queda da tensão na armadura devido à corrente de campo em
derivação é desprezível.
Com uma determinada corrente de campo OA (figura 18-17) é gerada na condição
de sem carga uma tensão de grandeza AD em volts, mas a tensão nos terminais de saída,

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Ampêres no campo
Fig. 18-17.- Curvas de saturação do campo para os geradores CC.

491
para a condiçlo de plena carga, a tensã"o é AF. A diferença, DF, é motivada pela queda
de tensã"o IR na armadura e pela reaçfo da mesma. As curvas de saturação dobram para
a direita e tendem a nivelar com altos valores de correntes de campo. Dessa forma mos-
tram a tendência de saturação do campo. A curva de saturação sem carga é curva de
magnetizaçfo da máquina. Como a curva é obtida sem fluir corrente na armadura, a
tenslo obtida é a f.e.m. total da máquina. Observe que com corrente zero no campo,
a f.e.m. gerada na-o é zero devido ao fluxo residual existente na máquina. Esse fato é
importante porque um gerador auto-excitado depende desse fluxo residual para iniciar
a geraçlo da tensâ'o. Com baixos valores de corrente de campo o aumento de tensão
varia proporcionalmente, mas conforme a corrente aumenta, a parte metálica do cir-
cuito magnético fica parcialmente saturada e a tensão, nessas condições, aumenta mais
vagarosamente.
A dobra abrupta na parte superior da curva é denominada JOELHO da curva.
Os geradores paralelos sâ'o projetados para operar em um ponto ligeiramente acima do
joelho de maneira que uma pequena variação na velocidade não produz uma grande
variação na tensão gerada de saída. Os geradores compostos operam em um ponto ligeira-
mente abaixo a fun de evitar o emprego de enrolamentos de campo série de grandes
dimensões, pois o fio teria que ter maior diâmetro.

Gerador paralelo ou de derivação


O gerador paralelo (figura 18-16 B) é dotado de bobinas de campo construídas
com várias espiras e fio relativamente fmo que são ligadas em paralelo com a armadura e
com a carga. A corrente fornecida pela armadura é igual à sorna da corrente do cam- po
e da carga. A corrente do campo é pequena quando comparada com a corrente for-
necida à carga e é aproximadamente constante para variaÇ(Ses normais na carga. Assim, a
corrente na armadura varia diretamente com a variação da carga. O fluxo do campo
produzido pela corrente de campo é normalmente constante de maneira que a tensão
de saída não varia sensivelmente com a variação da carga. Assim, o gerador é essencial-
mente uma máquina de potencial constante que fornece à carga corrente variável de
acordo com a demanda.

Incremento da tensão
Após o gerador atingir a velocidade normal e antes de ser ligada carga aos ter-
minais da saída da armadura, o gerador deve incrementar a sua tensão elevando-a até
atingir o valor nominal (figura 18-18). A figura 18-18 (A) mostra um diagrama esque-
mático sem carga e com apenas algumas espiras da bobina de campo enroladas no pólo.
As polaridades dos pólos estão indicadas para simplificar a determinação do sentido
de corrente e a polaridade da tensã"o gerada no enrolamento da armadura.
A figura 18-18 (B) mostra a curva de saturação do campo para o gerador. A linha
OA representa a relação existente entre a tensâ'o e a corrente no circuito da bobina
de campo para determinado valor de resistência do circuito. A linha OA é denominada
curva de queda IR para o circuito do campo que se assume ser uma linha reta, consi-
derandó-se seja a temperatura de operação constante. O reostato de campo permite
ajustar o valor da corrente do campo dentro de uma faixa relativamente grande e é
projetado de maneira que a resistência seja pelo menos igual à do enrolamento de campo.
Inicialmente o gerador é levado a girar na velocidade normal. A carga é em seguida
ligada aos terminais de saída. Os condutores da armadura cortam as poucas linhas de
força do campo residual e é gerado cerca de 10 volts (ponto 1 da curva de saturação).

492
uo Tensfo no
tenninal
110 8

0.1 o.z o.l o.• o.5 o.a 0.1 o.e o.• t.o u 1.2
Diagrama esquemitico do eruolamento Curva de satulação do campo e queda IR
<A) (8)
Fig.18-18.- Aumento inicial de tensão no gerador paralelo.

A regra da mão esquerda para ação geradora indica que a tensão gerada é aplicada ao
enrolamento de campo em um sentido que reforça o campo residual. Os 1O volts apli·
cados ao circuito de campo produz uma corrente com valor aproximado de 0,07 ampêre,
corrente essa que flui através das bobinas do campo (ponto 2 na curva de queda IR).
Essa corrente intensifica o campo e a tensão na armadura aumenta para 30 volts con-
forme mostrado na curva de saturação no ponto 3. Durante o processo de crescimento da
tensão, o efeito da resistência do circuito da armadura na tensão de saída é despre- sível
porque a corrente de campo é apenas uma pequena fração de ampêre. Essa cor- ren te
flui através da armadura, mas a conseqüente queda IR é desprezível. Uma tensão gerada
de 30 volts aplicada ao circuito de campo produz urna corrente de 0,2 ampêre conforme
mostrado no ponto 4 da curva. Esse valor de corrente aumenta a intensi- dade do
campo e faz aparecer na saída uma tensão de 60 volts conforme indicado no ponto 5
da curva. Essa tensão aplicada ao campo faz fluir uma de 0,4 ampere e essa ação
aumenta a tensão terminal para 80 volts (ponto 6). O aumento na tensão continua até que
a corrente de campo tenha aumentado até 0,6 ampere e a tensão estabiliza em
90 volts (ponto A). Não ocorre mais aumento na tensão gerada a partir desse ponto
porque a quantidade de fluxo satt. rado é apenas o suficiente para gerar a tensão reque-
rida {90 volts), circulando uma corrente {0,6 ampere) nas bobinas de campo. Para essa
condição, a resistência de circuito de campo é 90/0,6 = 150 ohrns. A saturação do cam-
po limita a tensão gerada a esse valor conforme determinado pela ajustagem do reostato
de campo.
Para aumentar a tensão terminal do gerador paralelo, é necessário reduzir a resis-
tência do circuito de campo. Por exemplo, se a tensão terminal deve ser aumentada
para 110 volts, a corrente de campo correspondente deve ser 1,2 ampêres (ponto B).
A resistência do circuito de campo é agora representado pela inclinação da linha OB,
ou 110/1,2 = 91,8 ohrns. Assim, se a resistência de campo for reduzida de 150 para
91,8 ohrns, a tensão de saída aumenta de 90 para 110 volts.

Regulagem inerente do gerador paralelo


As variações internas, tanto elétricas como magnéticas que ocorrem automatica-
mente com a variação da carga, dão ao gerador certas características típicas pelas quais
ele pode ser identificado.

493
Essas variações internas sro conhecidas como características de regulagem do gera-
dor. Na condiça"o de sem carga, a corrente da armadura é igual à corrente de campo. Com
baixa resistência na armadura e baixa corrente de campo ocorre pequena queda lR e a
tensa-o gerada no enrolamento é igual à tensa-o nos terminais de saída. Com uma carga
aplicada, a queda lR na armadura aumenta, mas é relativamente pequena quando com-
parada com a tensão gerada. Da mesma forma, a perda de tensão por reação da arma-
dura é pequena. Assim, a tensão terminal diminui apenas ligeiramente desde que a velo-
cidade seja mantida no valor normal.
:e adicionada carga em um gerador paralelo ligado aos terminais do gerador. Essa
ação reduz a resistência total de carga do circuito representando um awnento na carga.
Como a tensão terminal é aproximadamente constante, a corrente da armadura aumenta
diretamente com a carga. Considerando que o campo em derivação é um circuito separa-
do, a tensão nesse circuito sofre apenas ligeira variação de maneira que a corrente não
varia sensivelmente.
Assim, com uma baixa resistência na armadura e um campo relativamente intenso,
há apenas uma pequena variação na tensão medida nos terminais de saída entre as con-
dições de sem carga e carga plena.

Características de tensão externa


Um gráfico da variação da tensão no terminal de saída sob a condição de com carga
de um gerador paralelo é mostrado na curva A da figura 18-19. A curva mostra que a
tensão no terminal de um gerador paralelo cai ligeiramente com o aumento de carga par-
tindo da condição de sem carga para a condição de carga plena. Ela mostra também que
sob a condição de forte sobrecarga a tensão no terminal cai rapidamente. A corrente de
campo em derivação é reduzida e a magnetização do campo cai para um baixo valor.
A porção pontilhada da curva A indica como a tensão no terminal cai além do ponto de
avaria. Nos geradores de grande porte, o ponto de avaria ocorre quando é excedida de
várias vezes a corrente normal. Os geradores não são projetados para operar com grandes
valores de corrente de sobrecarga e superaquecerão perigosamente mesmo com o dobro
do valor da corrente normal.
A curva B representa as características de tensão externa de um gerador paralelo
com corrente de campo constante considerando variações de carga entre zero e aproxi-

Queda IR na armadura
Reação da armadura
Queda devido à redução na
corrente do campo

Ponto de
I avaria
I
Carga calculada I
/
em arnpêres--j /
/
..--"
Corrente de carga

Fig.18-19.- Característica externa do gerador


paralelo.

494
madamente 25 por cento além da condição de carga normal. A curva C representa a carac-
terística de tensão externa para a mesma faixa de operação na condição simulada de
reação zero da armadura e corrente constante de campo. A divergência observada entre
as curvas C e D representa as variações de tensão resultantes da queda IR no circuito da
armadura. Conforme mencionado previamente, a tensão terminal do gerador paralelo
não varia sensivelmente entre as condições extremas de sem carga e carga plena em vir-
tude de: (1) baixa resistência da armadura, (2) campo principal intenso com baixa reação
da armadura, e (3) circuito de campo em separado.

Gerador composto
Os geradores compostos empregam um enrolamento de campo em série com a arma-
dura conforme mostrado na figura 18-16 (B). As bobinas em série do campo são feitas
com um número relativamente pequeno de espiras e condutor de diâmetro relativamente
grande. O enrolamento é instalado de maneira a ficar em série com o circuito da arma-
dura. As bobinas são montadas nos mesmos pólos nos quais estão instalados os enrola-
mentos paralelos e dessa forma contribuem para a formação da força magnetomotriz que
influencia o fluxo principal do gerador.

Efeito do campo série


Se os amperes-voltas do campo série atuarem no sentido de reforçar o campo pro-
duzido pelo enrolamento paralelo, a força magnetomotriz combinada será igual à soma
dos componen tes de campo série e paralelo. A carga é ligada ao gerador composto da mes-
ma maneira que no gerador paralelo, aumentando o número de caminhos paralelos
pelos terminais do gerador. Assim, a diminuição da resistência total da carga é acompa-
nhada de um aumento na corrente que flui no circuito da armadura e no circuito do
campo série.
O efeito da adição do campo série é o de aumentar o fluxo do campo quando
aumenta a carga. O aumento no fluxo do campo depende do grau de saturação do ferro
determinado pela corrente do campo paralelo. Assim, a tensão no terminal do gerador
pode aumentar com o aumento da carga ou pode diminuir dependendo da influência
das bobinas do campo série. Essa influência é conhecida como "grau de composição".
Por exemplo, um gerador de COMBINAÇÃO PLANA é aquele no qual as tensões
de saída para as condições de sem carga e carga plena são as mesmas. Um gerador SUB-
COMPOSTO é aquele no qual a tensão de carga plena é menor do que o valor de tensão
na condição de sem carga. A variação da tensão nos terminais de saída com o aumento
da carga depende do grau de composição.
Urna derivação variável é ligada em paralelo com as bobinas do campo série para
permitir um ajuste do grau de composição. Essa derivação é denominada DIFUSOR.
Reduzindo-se a resistência do difusor, aumenta a corrente no circuito da armadura que
é derivada das bobinas do campo série, reduzindo assim o grau de composição.
Um reostato de campo no circuito da bobina de campo em paralelo permite a
ajustagem da tensão na condição de sem carga do gerador composto. O difusor, em
paralelo com as bobinas de campo em série, permite a ajustagem da tensão na condição
de carga plena.

Características da Tensão Externa


A variação da tensão nos terminais de saída sob carga é indicada nas curvas carac-
terísticas externas, na figura 18-20. A curva A é o gráfico da voltagem de saída versus

494
a corrente da armadura para um gerador composto plano. As voltagens em vazio e carga
plena sa"o as mesmas. As posições do difusor e do reostato do campo não são alteradas
neste teste. A velocidade é mantida constante no valor nominal. O desvio da curva é
causado pela influência aumentada dos ampêre-espira do ferro e meia carga quando o
grau de saturaçfo é reduzido e a reação da armad ura e a queda resistiva da armadura são
aproximadamente a metade de seus valores normais.
A curva B é a característica externa de um gerador supercomposto. Aplicando-se
a carga a esta máquina, sua tensão de saída aumenta de modo que a voltagem do campo
é maior que o valor em vazio. Tal característica pode ser desejável quando o gerador está
a alguma distância da carga, e a elevação na voltagem compensa a perda de voltagem na
alimentação. Este efeito mantém a tensa-o de carga aproximadamente constante, de vazio
até carga plena, aumentando a tensro de saída do gerador de uma quantidade igual ã
queda de tensão na alimentaçfo sob carga plena.

Supercomposição

Corrente a .:
plena carga
1

Corrente da annadura

Fig. 18-20.- Características externas do


gerador composto.

A curva C representa a característica externa para um gerador subcomposto. Um


gerador em paralelo estabilizado tem um pequeno enrolamento de campo em série, de
algumas espiras, para compensar parcialmente a tensão perdida devido à carga resistiva
da armadura e sua irnpedância. Assim, a característica externa é quase a mesma que a de
um gerador em derivação ("shunt"), exceto pela voltagem de saída, que não cai tão
rapidamente com um aumento de carga.

REGULAGEM DA VOLTAGEM

A característica externa de um gerador é por vezes chamada CURVA DE REGULA-


CEM DE VOLTAGEM da máquina. A regulagem de um gerador refere-se ã VARIAÇÃO
DE VOLTAGEM que ocorre quando a carga é alterada. É usualmente expressa como a

495
variaçã'o de voltagem da tensão em vazio até à carga plena, em porcentagem da tensã'o
sob carga plena. Exprime-se pela fórmula:

E n L EfL
_ ..:::= - ==- · 100 = regulagem percentual
EfL

onde EnL é a voltagem de saída sem carga, e EfL é a voltagem de saída sob carga plena,
no gerador. Por exemplo, a regulagem percentual de um gerador com uma voltagem em
vazio de 237 volts e uma voltagem sob carga plena de 230 volts é:

237-230
X 100, ou 3%
230

Controle de voltagem
Os geradores compostos planos foram anteriormente usados para fornecer energia
de corrente contínua, porque davam uma voltagem mais constante sob condições de
carga variáveis. Os geradores ''shunt" ou em derivaÇ[o sã'o de desenho mais simples e são
mais confiáveis ao operar em paralelo. O gerador em derivação estabilizado representa um
ajuste entre os dois tipos. Como mencionado previamente, tem um enrolamento muito
pequeno em série, e uma característica de tensão levemente decrescente, geralmente
usada para suprir uma eventual demanda de tensão em CC.
O controle da tensã'o pode ser feito de forma: (1) manual, (2) automática. Na maio-
ria dos casos, o processo envolve a variação da resistência do circuito de campo. A cor-
rente de campo é controlada pela variação da resistência do circuito de campo. O con-
trole da corrente de campo permite o controle da tensão no terminal de saída. Dessa
forma, a maior diferença entre os vários sistemas de regulagem e tensão é meramente
um processo pelo qual a resistência do circuito e a corrente são controladas.
Quando a carga é do tipo que varia muito raramente e com pouca amplitude, o
controle manual é suficiente para manter a tensão do sistema no valor desejado. Quando
a carga varia muito freqüentemente e as variações são de grande amplitude, toma-se
necessário o emprego de uma forma automática de controle.
A regulagem inerente de tensão não deve ser confundida com o controle de tensão.
Conforme descrito anteriormente, a regulagem de tensão é uma ação interna que ocorre
dentro do gerador sempre que a carga varia. O controle da tensão é uma ação imposta
comumente por uma ajustagem externa. Alguns dispositivos eletrônicos são usados
freqüentemente nos reguladores automáticos de tensão. Tais dispositivos incluem sole-
nóides, relés, pilhas de carbono, transistores, discos de balanço e placas inclinadas.

Operação manual
Um reostato de campo operado manualmente (figura 18-21) ligado em série com
o circuito de campo paralelo consiste na forma mais simples de controlar a tensão no
terminal de saída de um gerador CC.
Uma forma de reostato de campo é dotada com resistores e derivações ligadas a
uma chave multiterminal. O braço da chave gira cobrindo um arco e faz contato com
as diversas derivações, variando assim a quantidade de resistência no circuito de campo.
A rotação do braço no sentido anti-horário aumenta a resistência e diminui a tensão de

496
saida. A rotação no sentido horário diminui a resistência e aumenta a tensão no ter-
minal de saída.
Os reostatos de campo para os geradores de tamanho médio empregam resistores
de fio com uma resistência específica alta e um baixo coeficiente de temperatura. Os
geradores de grande porte usam reostato de campo na forma de grades de ferro fun-
dido e uma chave mecânica operada por motor.

Fíg.18-21. - Reostato de campo operando manualmente.

Operação automática
Há diversos tipos de reguladores automáticos de tensão usados para cont rolar a
tensão de saída de um gerador CC. Um dos tipos mais antigos é o tipo de regulador por
vibração. Os tipos mais recentes incluem os reguladores com placa inclinada e o regulador
oom disco de balanço.
O regulador vibrátil opera baseado no princípio de que um curto-circuito intermi-
tente aplicado em paralelo com o reostato de campo do gerador fará a tensão no ter-
minal de saída pulsar dentro de limites estreitos de tensão e dessa forma poderá manter
um valor médio estável de tensão que é independente das variações de carga. Um cir-
cuito simplificado é mostrado na figura 18-22.
Com o gerador girando na velocidade normal e a chave K aberta, o reostato de
campo é ajustado de maneira que a tensão de saída seja cerca de 60 por cento da tensão
normal. O solenóide S fica sem força e o contato C é mantido fechado pela força da
mola. Quando o contato K é fechado, é feito um curto-circuito através do reostato de
campo. Essa ação faz com que a corrente de campo aumente e a tensão de saída aumente.

497
Quando a tensão no terminal de saída aumenta, excedendo um valor crítico, por
exemplo, 111 volts, a força do solenóide excede a tensão da mola e o contato C abre,
reinserindo o reostato no circuito de campo, reduzindo a corrente de campo e a tensão
no terminal de saída.
Quando a tensão no terllÚnal cai abaixo de um certo valor crítico, por exemplo,
109 volts, a tensão da mola fica maior do que a força de atração do solenóide e o con·
tato C abre. O reostato de campo é então curto-circuitado e a tensão no terminal de saída
começa a aumentar. O ciclo se repete e a ação é rápida e contútua. Dessa forma, uma
tensão média de 11O volts é mantida com ou sem variação de carga. ·
O êmbolo P permite uma
operação suave pois atua como
um amortecedor para evitar os·
cilação. O capacitor que deriva
o contato C elimina o centelha·
mento. A ação de aumentar a
carga faz com que o reostato
de campo seja curto-circuitado
durante um mais longo perío-
do de tempo fazendo com que
a armadura do solenóide vibre
mais rapidamente. Dessa for-
ma, o regulador mantém a ten-
Fig. 18-22.- Regulador de tensão do tipo são no terminal em um valor
vibrátil. estável para qualquer mudança
no valor da carga desde a con-
dição de sem carga·até a de carga plena no gerador.
O REGULADOR COM PLACAS INCLINADAS (figura 18-23) consiste de dois ou
mais conjuntos de placas de grafite montadas em suportes metálicos. Cada placa fica
em equilíbrio no seu suporte metálico localizado no centro da placa. As placas ficam

Linha

Reostato
de campo

Solenóide

Peso

Fig. 18-23. - Regulador de tensão com placas inclinadas.

498
JSoladas entre si por espaçadores de mica em um dos lados da pilha. No outro, as placas
ficam separadas por contatos de prata. Antes de os contatos de prata fecharem, o per-
curso para a corrente de campo é de uma placa de grafite à outra através do suporte no
centro do conjunto. Fntre as placas de grafite e os seus !>Uportes existe urna certa resis-
téncia de contato. Um peso, atuando sobre uma haste, inclina as placas de maneira a
fazer com que contatos de prata se fechem. Um solenóide que responde às variações na
tensão de saída inclina as placas em direção oposta. O fechamento dos contatos curto-
á rcuita a resistência do conjunto de placas empilhadas. Ã abertura dós contatos de prata
aumenta a resistência do circuito de campo.
O regulador responde às variações de carga e não é projetado para funcionar vibran-
do como o regulador anteriormente descrito. Por exemplo, na tensão nominal, o
solenóide fica em equilíbrio com o peso e o braço do peso não se move. Um aumento
na carga não diminui a tensão no terminal porque o peso imediatamente supera a força
do solenóide e inclina as placas no sentido de reduzir a resistência, aumentando dessa
forma a intensidade do campo e a tensão gerada. Essa ação corrige a queda de tensão
com o aumento de carga.
O REGULADOR COM DISCO DE BALANÇO (figura 18-24) é outro dispositivo
de ação rápida e sensível às pequenas variações de tensão no terminal de sa ída. O cir-
cuito pode ser projetado para operar em movimento constante controlando a tensão
de saída em cada ciclo de operação ou pode ser operado em uma condição estática na
qual a variação de carga faz o circuito operar.

Reostato
de campo

Resistência
do campo

Disco de
balanço
Borda
de
carbono
Fig.18·24.- Regulador de tensão com disco
de balanço.

Uma mola pressiona o disco de balanço contra a supe r fície plana de um comu-
tador com placas de prata. O segmento do comutador é ligado à derivações nos resis-
tores do circuito de campo. O disco é dotado de uma borda de carbono que faz con-
tato com os segmentos, um de cada vez, de cima até embaixo, conforme o disco balança.
Assim, uma pequena faixa de movimento é transformada em um longo movimento de
pontos em contato da borda de carbono com os vários segmentos no comutador. O peso
na haste tende a deslocar o disco para baixo. A atração do solenóide tende a puxar o
disco para cima. Com carga constante, o peso e a ação do solenóide ficam em um estado

499
de equilíbrio. Assim, a borda de carbono faz contato permanente com um segmento no
centro e uma parte do resistor de campo é curto·circuitada.
Quando a carga do gerador aumenta, a tensão no terminal de saída do gerador ten-
de a cair. O solenóide enfraquece e o peso balança o disco para baixo, curto-circuitando
uma maior parte dos resistores de campo, fazendo com que a tensão de saída aumente.
O aumento na tensão de saída coloca novamente o dispositivo em situação de equilíbrio,
ficando agora o peso em equilíbrio com o solenóide em uma nova posição onde o disco
faz contato com um novo segmento localizado pouco abaixo da posição anterior.
Uma redução no valor de carga faz a tensão de saída tender para um aumento
e tal ação intensifica a força do solenóide. O disco se desloca para cima e maior quanti-
dade de resistência é inserida no circuito de campo, diminuindo a intensidade do campo e,
conseqüentemente, a tensão gerada. A diminuição da tensão compensa a tendência de
aumento. Por exemplo: com uma determinada carga a tensão gerada é 120 volts, a perda
de tensão interna é 10 volts, e o terminal de saída é 120 - 10 = 110 volts. Com uma dimi-
nuição na carga, a queda de tensão interna pode diminuir para 5 volts e sem regulagem
automática, a tensão no terminal de saída aumentaria para 120 - 5 = 115 volts. Entre-
tanto, com a regulagem automática, a tensão no terminal de saída momentaneamente
aumenta para 111 volts e o regulador faz a tensão gerada cair de 120 para 111 + 5 = 116
volts, estabilizando em 115 volts quando a tensão no terminal de saída for novamente
115 - 5 = 110 volts.

REGULADORES PARA GERADORES DE VELOCIDADE VARIÁVEL

Regulador tipo vibrador


Se a velocidade de rotação de um gerador paralelo variar, a tensão de saída também
variará. Nos automóveis, caminh6es, embarcações pequenas e em algumas aeronaves, o
gerador é comumente tracionado pela fonte principal de potência que pode ser uma má-
quina de combustão interna de velocidade variável. Se o gerador for do tipo paralelo, é
empregado normalmente um regulador com três wúdades. Urna wúdade consiste de
tensão vibrátil que produz um curto-circuito intermitente através de um resistor que
fica em série com o campo. Essa ação é similar ã descrita para o regulador de tensão tipo
vibrátil analisado anteriormente neste capítulo. A segunda wúdade é um limitador de
corrente que limita a saída de corrente a um determinado valor imposto pela capacidade
do gerador.
O gerador com três wúdades (figura 18-25) é projetado para ser usado nos sistemas
que empregam urna bateria como fonte auxiliar de energia. A terceira wúdade no regula-
dor é um dispositivo de corte da corrente de retorno que evita seja a bateria utilizada
para acionar o gerador como motor quando a máquina de tração primária girar com baixa
velocidade. O dispositivo tem como função interromper a ligação elétrica entre a bateria e
o gerador quando a máquina girar a baixa velocidade ou parar. Se a tensão do gera-
dor cair abaixo do valor de tensão existente na bateria, esta passa a atuar como fonte
geradora e tende a acionar o gerador como se esse fosse um motor. Essa ação é deno-
minada "motorização do gerador" e, a menos que seja evitada, descarregará a bateria em
pouco tempo:
A ação de vibração do contato C 1 na unidade reguladora de tensão (figura 18-25)
coloca em curto-circuito intermitente em R 1 e L2 • Quando o gerador não está funcio-
nando, a mola SI mantém o contato c. fechado. c2 é também mantido fechado por s2 e
o campo paralelo é ligado diretamente na armadura.

500
Corte de
Regulador Limitador corrente
d e tensl:o de corrente invcrsa
r--- - --- ----
I I I I
: I I :
I
I C3 I
I I
.vmadura I I
I
+ I
I

r
Ca mpo I
paralelo
I Cl
I
I

Fig. 18-25.- Regulador para gerador de velocidad e variável.

Quando o gerador é acionado, a tensã'o no ternúnal aumenta conforme o gerador


acelera e o campo é fechado através dos contatos C2 e C 1 •
Conforme a tensão aumenta, o fluxo de corrente através de L1 aumenta e o núcleo
de ferro da bobina fica mais magnetizado. Com uma deternúnada tensã"o e velocidade,
quando a atraçã"o magnética sobre o braço móvel fica suficientemente forte para sobre-
pujar a tensã"o da mola S 1 , os pontos de contato C 1 são separados. A corrente de campo
agora flui através de R 1 e. Em virtude de ter sido adicionada resistência no circuito
de campo, ele fica momentaneamente enfraquecido e o aumento na tensã'o de saída é
compensado. Em aditamento, face ao fato de o enrolamento ficar em oposição ao
enrolamento L1 , a atração magnética de L1 contra S1 é parcialmente neutralizada e a
mola S 1 fecha o contato C 1 • R 1 e L2 sã"o novamente retirados do circuito e a corrente
de campo novamente aumenta. A tensã"o de saída aumenta e C 1 abre pela ação de L 1 •
O ciclo desses eventos ocorre muito rapidamente , diversas vezes por segundo. A tensã'o
no ternúnal de saída do gerador varia ligeira e rapidamente acima e abaixo de um valor
médio deternúnado pela tensã'o da mola S 1 que pode ser ajustada.
A função do linútador de corrente tipo vibrador é linútar automaticamente a cor-
rente de saída no seu valor máximo nominal afunde proteger o gerador. Conforme mos-
trado na figura 18-25, L3 fica em série com a linha principal e com a carga. Assim, a quan-
tidade de corrente que flui na linha determina quando C 2 deve abrir e colocar R2 em
sé rie com o campo do gerador. O regulador de tensão é acionado pela tensão da linha
e o linútador de corrente é acionado pela corrente da linha. A mola S.l mantém o con-
tato C2 fechado até que a corrente at ravés da linha principal e L3 exceda um certo valor
linúte deternúnado pela tensão mecânica da mola S2 e faz C2 abrir. O aumento na corren-
te ocorre em virtude de um aumento na carga. Essa ação insere R 2 no circuito de campo
do gerador e diminui a corrente de campo e a tensão gerada. Quando a tensão de saída
dimin ui, a corrente fornecida pelo gerador também diminui. O núcleo de L3 é parcial-
mente desmagnetizado e a mola fecha os pontos de contato. Isso faz a tensão e a cor-

501
rente do gerador aumentar até que a corrente atinja um valor suficiente para repetir o
ciclo novamente. É necessário um valor mínimo de corrente de carga para fazer o limi-
tador de corrente vibrar.
A função do relé de corte da corrente de inversão (figura 18-25) é desligar auto-
maticamente a bateria do gerador sempre que a tensão gerada for menor do que a tensão
da bateria. Se esse dispositivo não fosse usado no circuito do gerador, uma ação par-
ticularmente indesejável aconteceria se a máquina fosse desligada. A bateria se descar-
regaria através do gerador. Isso faria o gerador funcionar como motor, mas como o
gerador é mecanicamente ligado ao eixo do motor de tração primária, o gerador não
gira em virtude da carga ser muito pesada. Nessas condições, o enrolamento do gerador
pode ficar seriamente avariado pela corrente excessiva que flui pelo enrolamento.
Há dois enrolamentos, L4 e L5 , no núcleo de ferro. O enrolamento de corrente ,
L4 , consiste de umas poucas espiras de fio grosso e fica em série com a linha, conduzindo a
corrente total de linha. O enrolamento de tensão, L5 , consiste de um número relativa-
mente grande de espiras feitas com fio fino e fica em paralelo com a saída do gerador.
Quando o gerador não está operando, o contato C3 é mantido aberto pela mola
S3. Conforme a tensão do gerador cresce , L5 magnetiza o núcleo. Quando a corrente
(resultado da tensão gerada) produz suficiente magnetização, o contato C3 fecha, con-
forme mostrado. A bateria então entra em processo de carga. A mola S3 é ajustada de
maneira que o enrolamento de tensão não fecha o contato até que a tensão do gerador
exceda a tensão normal da bateria. A corrente de carga, passando através de L4 auxilia a
corrente em L5 na manutenção do contato firmemente fechado. De maneira diferente
de C 1 e C2 , 0 COntatO C3 nãO vibra. QuandO a velocidade de rotações de Um gerador
diminui ou, por qualquer razão, a tensão do gerador cai para um certo valor abaixo da
tensão da bateria, a corrente através de L4 inverte e os ampere-voltas de L4 se opõem aos
de L5 • Assim, um momentâneo processo de descarga da bateria reduz o magnetismo do
núcleo e c3 abre, evitando que a bateria se descarregue e motorize o gerador. o contato
C3 não fecha novamente até que a tensão terminal do gerador exceda a tensão da bateria
de um determinado valor.
Regulador tipo pilha de carbono
O regulador de tensão tipo pilha de carbono não é usado muito comumente mas
o seu princípio de funcionamento é basicamente comum à maioria dos reguladores. As
partes essenciais do regulador são mostradas na figura 18-26. Um conjunto de arruelas
r-------------- r----------. Puaa
carga CC

Pilha de
carbono

Bobina de
Armadura potencial
de ferro
Fig. 18-26. - Regulador
com pilha de carbono.

502
de carbono na forma de "pilha" fica em série com o campo paralelo. A resistência da
;ilha e, conseqüentemente, a corrente do campo, dependem da pressão mecânica aplicada
pilha pela mola tipo lâmina que atua através da armadura móvel. Na condição nonnal,
1força magnética da bobina de potencial atua no sentido de puxar a armadura para fora
êa pilha. Essa força é balanceada pela mola. Quando ocorre uma mudança da tensão da
tinha, devido â mudança na velocidade do gerador ou no valor da carga, a corrente na
bobina de potencial também muda, alterando a intensidade de magnetização. Como resul-
lado, a pressão da mola sobre a pilha AUMENTA com uma queda de tensão da linha e
DlMINUI com o aumento na tensão da linha. A conseqüente mudança produzida na cor-
rente do campo em paralelo aumenta ou diminui a tensão de saída conforme necessário.
As variações nas características de tensão por ocasião de ajustagens de bancada ou por
ocasião da instalação podem ser feitas ajustando-se o reostato que controla a corrente
da bobina de potencial.

OPERAÇÃO DE GERADORES EM PARALEW

A energia elétrica pode ser fornecida â carga por mais de um gerador. Quando
dois ou mais geradores alimentam uma mesma carga, diz-se que eles estão operando em
paralelo. Os geradores podem estar localizados em locais diferentes e distantes, ficando
entretanto ligados em paralelo através das linhas de alimentação.
Há inúmeras razões para operar geradores em paralelo. O número de geradores
usado pode ser selecionado de acordo com a demanda de carga. Dessa forma, a operação
de cada gerador tão próximo quanto possível da sua capacidade nominal permite a obten-
ção de eficiência máxima. Os geradores avariados ou a retirada de geradores pode ser feita
sem i nterrupção no fornecimento normal de energia.
Na maioria dos sistemas de potência elétrica CC, os circuitos de iluminação são
projetados para operar com a tensão de 115 volts enquanto a maioria dos motores e
outros dispositivos de consumo relativamente grande de potência funciona com 230
volts. Para evitar o uso de geradores separados, um para o sistema de iluminação e outro
para o sistema de força, é usado um gerador com saída a três fios capaz de alimentar
sim ultaneamente ambos os sistemas. O gerador com saída a três fios é semelhante ao
de dois fios, exceto que o enrolamento da armadura daquele é dotado com uma deriva-
ção em um ponto afastado 180 graus elétricos que é trazida para anéis deslizantes na
parte traseira da armadura. Esses anéis são ligados por meio de escovas a uma bobina
de reatância. A derivação central da bobina é ligada com o neutro ou terceiro fio do
sistema de três fios.
A bobina de reatância (ou bobina de equilíbrio) permite que se estabeleça o poten-
cial de fio neutro que deve ser 115 volts positivo com relação a um dos outros dois fios
externos e 115 volts negativo com relação ao outro. No interior da máquina geradora é
produzida uma corrente alternada que é retirada através de anéis deslizantes aos quais
está ligada a bobina de equilíbrio. A ação da corrente alternada na bobina de equilíbrio
é semelhante à que ocorre no enrolamento primário de um transformador monofásico.
Isto é, o potencial da derivação central na bobina de equilíbrio fica no centro elétrico
da tensão total gerada pela máquina. Conseqüentemente, esse ponto serve como neutro
o u centro entre as escovas positiva e negativa. A corrente do neutro flui através de uma
parte da bobina de equilíbrio que oferece baixa resistência à corrente contínua.
As ligações para operação estabilizada de geradores paralelos ligados em paralelo

503
o
e 2ã
ü

&. e
E
õ c

I I
Gerador n91 I I
Gerador n92
lo- l':iinel do gcr. n9 1 Poinel do gcr. n9 2

Fig. 18-27.- Operação em paralelo de geradores.

são mostradas na figura 18-27. Cada gerador fornece 230 volts pelos dois fios extremos
e o neutro. Comumente, um amperímetro e um voltímetro são instalados no quadro
para mostrar a tensão e a corrente fornecida por cada gerador.
Suponha que o gerador 1 esteja alimentando uma carga e que se deseja colocar
o gerador 2 em serviço. O processo para colocá-los em paralelo é o que se segue:
1. Os anéis das escovas e as armaduras do gerador que vão entrar em serviço devem
ser inspecionados no que concerne às folgas e o reostato de campo ajustado para a posição
de mais baixtensão.
2. A máquina de tração primária do gerador 2 que vai entrar em serviço deve ser
acelerada até atingir a velocidade normal.
3. A tensão do gerador que vai entrar em serviço deve ser ajustada de maneira a
ficar dois volts maior do que a tensão na barra de alimentação.
4. Fechando-se as chaves, o gerador é então colocado em paralelo com o gerador
número 1. O amperímetro indicará que o gerador número 2 está contribuindo com parte
da corrente para a carga.
5. O campo do gerador número 2 deve ser excitado de maneira a fazer com que o
gerador 2 contribua com a sua parte no suprimen to de corrente para a carga. No mesmo
momento, o campo do gerador 1 deve ser enfraquecido de maneira a fazer com que o
gerador 1 transfua parte da carga para o gerador 2.
O procedimento para retirar o gerador do circuito é o seguinte:
1. O campo do gerador a ser retirado de serviço deve ser reduzido e ao mesmo
tempo o campo do gerador que fica deve ser intensificado de maneira a fazer com que o
gerador que sai transfua a carga para o gerador que permanecerá na linha até que a má-
quina que vai sair seja 5 por cento da corrente normal da carga.
2. O circuito elétrico é então interrompido e a máquina desligada.

504
O sistema CC de dois fios é usado normalmente para suprir potência elétrica às
instalações especiais tais como as de aeronaves. Nas aeronaves tipo multimotor, os gera-
dores CC são normalmente operados em paralelo. A figura 18-28 é um diagrama esque-
mático das partes principais de um sistema típico de potência CC para aeronave. Ambos
os geradores são ligados à linha principal através dos seus respectivos relés de corte da
co rrente inversa.
Os reguladores de tensão das aeronaves são projetados e ajustados de maneira a
permitirem uma pequena variação na tensão de saída. Isto é, os reguladores de tensão
permitem que a tensão no terminal de saída dos seus respectivos geradores caiam ligeira-
mente conforme a carga aumenta. A grandeza da queda permitida nos geradores podem
não ser iguais devido às diferenças internas nos geradores ou ajustagens nos seus regula-
dores. Em tais casos, um gerador assume maior carga do que o outro conforme as cargas
são acrescentadas na linha. Para assegurar que os geradores assumam cargas iguais, um
circuito de balanceamento automático de carga é acrescentado no sistema de regulagem.
Carga

+ I +
!
·------------
Reg.de
Campo em tensão Campo em
paralelo paralelo
Chave de
equalização

Fig. 18-28.- Sistema de alimentação CC d e aeronaves.

Esse circuito é denominado equalizador. Conforme mostrado na figura 18-28, o circuito


de equalização consiste essencialmente de duas bobinas equalizadoras e uma chave
equalizadora em série ligadas entre os pontos A no gerador 1 e o ponto A no gerador 2.
Aui corrente através do circuito de equalização somente quando a queda de tensão nos.
campos de compensação A-B forem desiguais. Tal fato ocorre quando os geradores estão
contribuindo com correntes desiguais para a carga comum. As bobinas de equalização
se opõem ou auxiliam as bobinas de potencial do regulador dependendo do SENTIDO
da corrente do equalizador. Quando um gerador fica com maior parte da carga do que o
outro, a bobina de equalização no seu regulador AUXILIA a bobina de potencial. Isso faz
com que a pilha de carbono se descomprima, introduzindo mais resistência, e menor
corrente é fornecida ao campo de derivação. Menor será a tensão gerada e, conseqüente-
mente, menor será a participação desse gerador em alimentar a carga. A bobina de
equalização do outro gerador se OPÕE à sua bobina de potencial, aumenta a corrente do
campo em derivação, aumenta a tensão gerada e dessa forma aumenta a participação
desse gerador na alimentação da carga comum.
Quando apenas um gerador está ligado, a chave de equalização deve abrir o circuito,
retirando o equalizador. Se isso não for feito, fluirá corrente do gerador ativo através da
bobina de equalização e do campo de compensação do gerador desativado.

505
1BHJOB FN #SBODP

506
Ca pítulo 19

Motores de Corrente Cont ínua

No que concerne às partes estruturais, os motores CC são essencialmente iguais


aos geradores CC. O gerador CC converte energia mecânica em energia elétrica, e o motor
CC converte a energia elétrica novamente em energia mecânica. Um gerador CC pode
funcionar como um motor aplicando-se uma tensão contínua aos seus terminais de saída
elétrica.
Há vários tipos de motores CC (figura 19-1). Os tipos variam em função da maneira
pela qual são ligadas as bobinas de campo. Cada tipo apresenta características vantajosas
para determinadas condições de carga.
OS MOTORES SHUNT OU DERIVAÇÃO (figura 19-1 A) têm as bobinas de campo
ligadas em paralelo com o circuito da armadura. Este tipo de motor, com tensão constan-
te aplicada, desenvolve torque variável com velocidade constante, mesmo sob condições
de carga variável. Tais cargas são encontradas, normalmente , nos serviços de tração em
oficinas de máquinas onde são encontrados: tomos, máquinas de furar, moendas, plainas,
máquinas de estampar, etc.
OS MOTORES SÉRIE (figura 19-1 B) têm as bobinas de campo ligadas em série
com o circuito da armadura. Este tipo de motor, com tensão constante aplicada, também
desenvolve torque variável, mas sua velocidade diminui quando a carga diminui. Os moto·
res série são comumente usados para tracionar guindastes elétricos, guinchos e certos
tipos de veículos (viaturas elétricas, por exemplo).Os motores série encontram, também,
largo emprego como dispositivos de partida em máquinas de combustão interna.
OS MOTORES MISTOS OU COMPOSTOS (figura 19-1 C) têm um conjunto de
bobinas de campo em paralelo com o circuito da armadura e outro conjunto de bobinas
de campo em série com o mesmo circuito. Este tipo é uma combinação entre os motores
série e de derivação. O motor composto desenvolve maior torque de partida do que o
motor em derivação, e apresenta menor variação de velocidade do que o motor Série.
Os motores compostos, série e derivação, são todos motores CC projetados para funcionar
recebendo energia de uma fonte de tensão constante e corrente variável.
O MOTOR DERIVAÇÃO ESTABILIZADO (figura 19-1 D), tem um pequeno
enrolamento em série anexo ao campo de derivação. A ação é semelhante ao motor
derivação comum, apenas com a diferença de haver, no estabilizado, menos núcleo de
ferro, e ser, conseqüentemente, mais leve. Sem o campo série estabilizado, ele apresenta
as características dos motores em derivação com um campo intenso e baixa resistência
na armadura.
Os motores CC podem também ser classificados de diversas maneiras. Por exemplo,
a classificação pode ser de acordo com o grau de proteção das partes. ABERTO (figura
19-2 A), À PROVA DE RESPINGOS (figura 19-2 B), FECHADO (figura 19-2 C).
O tipo aberto mostrado na figura 19-2 (A) apresenta os extremos em forma de
sino, o que oferece pouca ou nenhuma restrição à ventilação. O motor à prova de res-

507
Pata!elo Série Composto Paralelo estabilizado
(A) {B) (C) (D)

Fig. 19-1. - Diagrama esquemático de quatro tipos de motores CC.

pingos, mostrado na figura I9-2 (B), é protegido contra umidade e pó provenientes de


qualquer direção até um ângulo de 45° da vertical. Este tipo tem todas as aberturas para
ventilação protegidas com tela de arame ou cobertura perfurada, conforme é mostrado
na figura. Um motor fechado, como o mostrado na parte (C) da figura, é totalmente
vedado, exceto por pequenas aberturas para admissão e descarga de ar. Essas aberturas são
ligadas a condutos de carga e descarga.
Outros tipos de motores incluem o tipo protegido contra borrifos. construído
de maneira que o jato de água de uma mangueira, dirigido contra o seu corpo, de qual·
quer direção, não provoca infiltração nas partes internas.
Um motor submergível é aquele que opera mesmo quando submerso em um líquido.
Com referência ã refrigeração, os seguintes tipos são encontrados a bordo:
I. MOTORES COM VENTILAÇÃO NATURAL, refrigerados pela circulação
natural do ar causada pela rotação da armadura.
2. MOTORES AUTOVENTILADOS, refrigerados por meio de um ventilador preso
ao eixo da armadura do motor.
3. MOTORES COM VENTILAÇÃO SEPARADA, refrigerados por .um ventilador
independente, separado do motor.
Com relação ã velocidade, os motores são classificados como:
I. MOTORES DE VELOCIDADE CONSTANTE, nos quais a velocidade varia
ligeiramente entre as condições de sem carga e carga plena. Os motores em derivação são
um exemplo de motores de velocidade constante.
2. MOTORES DE VELOCIDADES MÚLTIPLAS, que podem funcionar em dife-
rentes velocidades, sendo que a velocidade selecionada será constante para cargas variáveis.
Tais motores não podem operar em velocidades intermediárias. Motores com dois
enrolamentos na armadura são exemplos de motores de velocidades múltiplas.
3. MOTORES COM VELOCIDADE AJUSTÁVEL, cuja velocidade pode ser regu-
lada gradualmente por uma ampla faixa, mas quando ajustado, permanece a uma veloci-
dade quase constante, sem variação de carga.
4. MOTORES DE VELOCIDADE VARIÁVEL, onde a velocidade varia com a
carga. Geralmente, a velocidade decai com o aumento da carga. O motor em série é um
exemplo deste tipo de motor.

508
5. MOTORES AJUSTÁVEIS DE VELOCIDADE VARIÁVEL, onde a velocidade
pode ser ajustada por uma ampla faixa para qualquer carga, mas se a velocidade é ajus-
tada a uma dada carga, ela variará com qualquer variação de carga.
Os motores são também classificados de acordo com o tipo de trabalho a que se
destinam. Por exemplo, um MOTOR DE OPERAÇÃO CONSTANTE é capaz de fun-
cionar continuamente à sua sa ída nominal de potência, sem exceder os limites de tempe-
rat ura especificados. Um MOTOR DE OPERAÇÃO INTERMITENTE é capaz de ser
operado à sua sa ída nominal por um per íodo limitado sem exceder se u limite de tempe-
ratura especificado.
A maioria dos motores dos navios da Marinha são designados para operar em poten-
cial constante em circuitos bifásicos de 115 ou 230 volts. Estes ci rcuitos podem ser com-
binados com alimentação CC trifásica com 230 volts entre cada fio externo, e 115 volts
entre cada fio externo e fio central ou neutro.

Motor tipo aberto Motor à prova de respingo


(A) tB)

Motor fechado
(C)
Fig. 19-2.- Tipos de motores CC classificados segundo a proteção.

509
Os motores de CC têm uso extenso em aviação. Os motores usados em aviões
operam pelos mesmos princípios dos motores maiores. Porém, os motores para aviões
diferem consideravelmente em tamanho, características e aparência, como ilustrado na
figura 19-3. São também projetados para operar com uma fonte de CC de 24 a 28 volts.
A figura 19·3 (A) mostra motores de partida para avião. Os motores de partida
são motores em série, escolhidos para fornecer o torque tipicamente elevado reque·
rido para o acionamento do motor do avião. São, comumente, os maiores motores de
bordo com potência mecânica de 20 HP. Seu funcionamento é intermitente. A parte (B)
mostra um dos muitos tipos usados para acionar cargas mecânicas tais corno: flaps das
asas e caudas, trem de aterragem, nacele e portas de bombardeio. Esses motores são
também do tipo série, pois necessitam grande torque a fun de vencer a inércia do dis·
positivo mecânico que devem acionar. Muitos deles são do tipo série com campo dividido
de maneira que slfo reversíveis. A maioria é classificada para serviço intermitente. A parte
(C) mostra um motor para serviço contínuo. No caso, acionador do limpador do pára-
brisas. Os motores para serviço contínuo são normalmente do tipo composto. A mais
recente inovação a bordo de aeronaves é o emprego de motores CC para serviços inter·
rnitentes, e motores CA para serviços contínuos.

Fig.19·3. - Motores CC para aviões.

510
PRINC&IOS DE FUNCIONAMENTO DOS MOTORES CC

A força que atua no condutor


A operaçã'o dos motores CC baseia-se no princípio de que um condutor que con-
duz corrente, colocado em um campo magnético, tende a se mover em ângulo reto à
direç!o do campo, conforme é mostrado na figura 194. Este fato já foi descrito previa-
mente quando do estudo do princípio de funcionamento do medidor com movimento
D'Arsonval.
O campo magnético entre os pólos norte e sul de um ímã é mostrado na figura
194 (A). As linhas de força que formam o campo se estendem do pólo norte para o pólo
sul. A seção reta de um condutor conduzindo corrente é mostrada na figura 194 (B).
O sinal mais (+) no condutor indica que o fluxo de elétrons entra no papel se afastando
do observador. Como mostrado, a direçã"o dos círculos do fluxo em torno do condutor é
no sentido anti-horário. O sentido indicado concorda com a regra da mão esquerda para
o fluxo que estabelece:se o condutor é envolvido com a mão esquerda de maneira que
o polegar se estenda na direç!odo fluxo de corrente elétrica, os dedos envolverão o con-
dutor no sentido do fluxo magnético.

Fluxo do campo Fluxo em tomo


(A) dos condutores
(8)

Movimento ... Movimento para


para cima
(C)
baixo (0)
Fia- 194.- Força atuando em um condutor dentro do campo magnético.

Se o condutor (conduzindo corrente no sentido de afastamento do observador)


for colocado entre os pólos de um írn!, como na figura 194 (C), ambos os campos
sofrer!odistorçã"o. Na parte superior do condutor, a somaçã"o das linhas será tal que
o campo fica enfraquecido e o condutor tende a se mover para cima. A intensidade da
força que pressiona o condutor para cima depende da intensidade do campo entre os
pólos e da intensidade da corrente que flui no condutor.
Se o sentido da corrente no condutor for invertido, corno na figura 194 (D),
o sentido do fluxo em torno do condutor também será invertido. O enfraquecimento
do campo agora ocorrerá na parte de baixo do condutor e ele tenderá a se mover para
baixo.

511
Um método prático para determinar o sentido do movimento de um condutor no
campo magnético é pelo uso da regra da mão direita para motores. Na prática, os motores
CC dependem, para a sua operação, da interação entre o fluxo do campo e o grande
número de condutores que conduzem corrente dentro desse campo. Como nos geradores
CC, os condutores são enrolados e alojados em ranhuras na armadura; e esta é montada
em rolamentos de modo que pode girar livremente dentro do campo magnético. Urna
armadura com duas ranhuras e dois condutores (isto é, um único condutor enrolado em
duas ranhuras) é mostrada na figura 19-5.
A figura 19-5 (A) mostra a distribuição uniforme do fluxo no campo principal
quando os ímãs do campo são alimentados e não flui corrente na armadura. O fluxo
se concentra no espaço entre o campo e a armadura em virtude da permeabilidade rela-
tivamente alta do núcleo de ferro doce da armadura e da baixa relutância do circuito
magnético.
A figura 19-5 (B) mostra os campos magnéticos que envolvem os dois condutores
ativos quando flui corrente na bobina da armadura no sentido indicado e as bobinas do
campo nã'o estão alimentadas. O sentido dos campos magnéticos que envolvem os dois
condutores é determinado pela regra da mão esquerda para o fluxo.
A figura 19-5 (C) mostra o campo magnético resultante produzido pela interação
da força rnagnetomotriz do campo principal e da força rnagnetomotriz da armadura.
Observe que há urna intensificação de fluxo sob o condutor localizado próximo ao pólo
norte, o mesmo ocorrendo sob o condutor localizado próximo ao pólo sul. Tal fato
ocorre em virtude de as linhas estarem na mesma direção naqueles pontos. O campo é
mais fraco acima do condutor do pólo sul porque as linhas se estendem em direções
opostas e se cancelam. As linhas de força atuam como tiras de borracha que tendem a se
contrair, fazendo a armadura girar no sentido horário. Se o sentido da corrente que flui
na atmadura ou a polaridade de campo for invertida, o sentido de rotação da armadura
inverte. Se for invertida a polaridade do campo e também o sentido da corrente na arma-
dura, a rotação continua no mesmo sentido.
Um motor CC prático tem muitas espiras no enrolamento da armadura. A arma-
dura é dotada de diversas ranhuras nas quais são alojadas muitas voltas de fio. Isso aumen-
ta o número de condutores na armadura e produz um torque maior e mais constante.
A potência de sa ída é também aumentada aumentando-se o número de pólos no campo.
Corno nos geradores CC,o motor CC também possui comutador e escovas.
A força, F, que atua sobre um condutor que conduz corrente dentro de um campo
magnético é diretamente proporcional à intensidade do campo; ao comprimento do
condutor (parte do condutor dentro da ranhura da armadura e que se estende sob a
face do pólo); e à corrente que flui no condutor. A força, o condutor e o campo são
perpendiculares entre si. Essa relação é expressa matematicamente como:

F=_.:8..,.8. 5 XBLI
108

onde F é à força em libras, B a densidade do fluxo em linhas por polegadas quadradas,


L o comprimento do condutor em polegadas, I a corrente em ampêres que flui no con-
dutor, e 8,85 é urna constante que deve ser usada quando se empregam as unidades
indicadas.
Em um dado motor, é prefixado o comprimento do condutor; logo, as únicas
variáveis são a corrente e o fluxo. Se o fluxo do campo for constante, a força que atua

512
sobre o condutor varia diretamente com a corrente na armadura. Em outras palavras,
F é proporcional a I. O exemplo abaixo ilustra como é calculada a força que atua sobre
um condutor.
Se um condutor com comprimento ativo de 10 polegadas e corrente de 30 ampêres
é colocado em um campo wúforme de 37.700 linhas por polegada quadrada, a força
exercida sobre o condutor será:

8,85 XBLI 8,85 X 37.700 X 10 X 30


F=
108
= = 1libra
108

Se o condutor é enrolado em uma armadura (figura 19-5 C) e a corrente flui no


sentido mostrado, haverá uma força de 1 libra para cima do lado esquerdo da armadura
e 1 libra para baixo do lado direito. A força total que gira a armadura é a soma das forças,
ou seja, duas libras.

Força

Distribuição uniforme Fluxo em tomo Força


enue os pólos do campo dos condutores Campo magnético
(B) resultante
( A)
(c)

Ftg. 19-S.- Condutor enrolado em duas armaduras.

Torque
O TORQUE (ou torça-o) no eixo é o produto da força atuante na superfície da
armadura vezes a distância perpendicular ao centro de rotação da armadura. Supcodo-se
que o raio de urna dada armadura é 1 ,5 pés, o torque para cada condutor será 1 X 1,5 =
+
= 1,5 libras-pé; e o torque total sobre os dois condutores será 1,5 1,5 = 3libras-pé.
Os condutores da armadura de um motor são montados na forma de bobinas e
ligados ao comutador exatamente como no gerador. No motor de dois pólos (figura
19-6 A), a corrente na armadura se divide igualmente por dois caminhos. A corrente
flui em um sentido nos condutores sob o pólo norte e em sentido oposto sob o pólo
sul. Para que seja desenvolvido um torque con tínuo, a corrente na bobina deve inverter
quando a espira passa na posiçfo de ponto tnorto {pontos extremos superior e inferior).
A função do comutador é inverter a corrente no instante exato para manter o fluxo de
corrente no mesmo sentido em todos os condutores sob um dado pólo. O torque total
é a soma dos torques individuais destribuído por todos os condutores da armadura.
Se houver 200 condutores ativos desenvolvendo cada um a força de 1 libra, o torque
total será 200 X 1 X a média do momento do braço.

513
O MOMENTO MÉDIO DO BRAÇO é a média de todas as distâncias perpendiculares
dos condutores da armadura para o centro de rotação. Se o campo consiste de linhas
horizontais uniformemente espaçadas, o momento médio do braço será 0,637 do momen-
to máximo do braço, ou raio da armadura.
Se o raio da armadura for 1,57 pés, o momento médio do braço será 0,637 X 1,57 =
= 1 pé. O torque total exercido sobre os 200 condutores da armadura com torque indi-
vidual de 1 libra será:200 X 1 X 1 = 200 libras-pé.
No enrolamento em paralelo de uma armadura para 4 pólos, a corrente se divide
em quatro camí.nhos como mostrado na figura 19-6 (B). A corrente flui em sentido
oposto sob pólos alternados como na armadura para dois pólos, e desenvolve uma força
unidirecional em todos os condutores da armadura. O torque total produzido pela cor-
rente da armadura é igual ã soma dos torques individuais desenvolvidos por cada con-
dutor. Esse torque, T, é proporcioilal ao produto da corrente da armadura pela intensi-
dade do corpo.

T = Kt Ia (19-1)

onde Kt é uma constante que se refere ao número de condutores da armadura, número


de percursos elétricos e outros fatores que sa-o constantes para uma determinada máquina;
lP é o fluxo por pólo, Ia a corrente total da armadura. Quando a velocidade de um motor é
constante, o torque gerado pela corrente da armadura é exatamente igual ao torque de
retardo causado pelos efeitos combinados de perdas por atrito no motor e pela carga
mecânica. O torque desenvolvido pela armadura do motor é constante e não pulsante
como no caso das máquinas a vapor ou de combustão interna.

Cavalo-vapor (HP) de um motor


Se forem conhecidos o número de rotação da armadura, o raio efetivo da armadura
sobre o qual a força atua, e a força total que atua sobre a tangente do raio, a potência em

CC

t
Fonte CC

!
Armadura com 2 p6Jos
(A)

Armadura com 4 p6Jos


( I)
Fig. 1- - Torque desenvolvido na armadura do motor.
515
HP pode ser determinada. De um modo geral, a potência do motor, em HP, pode ser
determinada da seguinte maneira: ,
É executado um trabalho quando uma força atua sobre uma distância. Por exemplo,
quando uma força de 1 libra atua através da distância de um pé, foi executado o trabalho
correspondente a uma libra-pé. Se um trabalho de 33.000 libras-pé é executado em um
minuto, foi executado o trabalho de 1 HP.
Suponha que uma armadura gire com a velocidade de 100 rotações por minuto e
que o raio efetivo seja 1,59 pés. A circunferência (distância sobre a qual a força atua em
cada revoluçío da armadura), será:

C = 27Tr = 2 X 3,14 X 1,59 = 10 pés

Supondo-se que uma força total de 200 libras atua tangenciando a armadura de
circunferência de 1O pés, o trabalho executado em cada rotação será:

Trabalho = força X distância= 200 X 10 = 2.000 libras-pé

O trabalho executado em 100 revoluções por minuto será:

2.000 X 100 = 200.000 libras-pé

A potência em HP será:

HP lib-.r.a.:s:-_p.é..:p:_or minuto 200.000


---= 6,06HP
33.000 33.000

A potência desenvolvida pela armadura de um motor pode ser derivada da expressão geral:

FV
HP= (19-2)
33.000

onde F é a força total em libras, tangente à circunferência da armadura, e V a velocidade


de um ponto na circunferência em pés por minuto. A velocidade é determinada pela
expressro:

• (19-3)

onde r é o raio da armadura em pés e Na velocidade de armadura em rotações por minuto.


A circunferência é igual a 27Tr.
Substituindo a equaçío 19-3 na equação (19-2),

21rrNF
HP= (194)
33.000

O torque em libras-pé produzido pela armadura do motor é:

T= rF (19-5)

514
Substituindo a equação (19-5) na equaça'o (194) e dividindo-se o numerador e denomi-
nador por 2?T,

NT
HP = (19-6)
5.252

Substituindo na equação (19-6) os valores N = 100 rpm e T = 1,59 X 200 = 318libras-pé


do exemplo anterior, o resultado é:

100 X 318
HP = = 6,06
5.252

Assim, a potência (HP) desenvolvida por um motor depende da sua velocidade e torque.
Motores grandes de baixa velocidade podem desenvolver grande torque. Outros motores,
bem menores e de mesma potência, fWicionam com torque reduzido e maior velocidade.

Força contra-eletromotriz
A AÇÃO MOTRIZ de um gerador foi abordada no capítulo 18, a AÇÃO GERA-
DORA de um motor será agora analisada.Aplicando-se a regra da mlfo direita para moto-
res a uma annadura que conduz corrente no sentido indicado na figura 19-7, verifica-se
que o condutor é forçado para cima. Com o deslocamento do condutor para cima através
do campo, sro cortadas linhas de força e wna tensro é nele induzida. Aplicando-se a regra
da mão esquerda para geradores, verifica-se que essa tensão gerada se opõe â f.e.m. apli-
cada. Essa tensão em oposição é induzida nos enrolamentos de qualquer armadura giran-
te do motor, e sempre se opõe à tensão aplicada. Ela é denominada FORÇA CONTRA-
ELETROMOTRIZ (f.c.e.m.), e é diretamente proporcional à velocidade da armadura e
intensidade do campo. Isto é, a f.c.e.m. aumenta ou diminui com o aumento ou diminui-
ção da velocidade. O mesmo ocorre com o aumento ou redução da intensidade do fluxo
do campo.

Filo 19-7.- Ação geradora em um motor.

A TENSÃO EFETIVA (queda IR) na armadura é igual ã tensão aplicada menos a


f.c.e.m. A queda IR na armadura varia diretamente com a corrente que flui na armadura
e a resistência da mesma.
Para produzir corrente em uma armadura, Ia. em uma armadura de resistência, Ra.
é necessária uma tenslo efetiva igual a IaR.a.

516
A corrente que flui na armadura pode ser determinada pela seguinte equação:

Ea -Ec
Ia=---'-
Ra

onde Ia é a corrente que flui na armadura, Ea é a tensão aplicada, Ec a f.c.e.m. e Ra a


resistência da armadura. Pode ser feita uma transposição e a equação ser expressa como:

Ec = Ea -IaRa (19·7)

No caso do gerador, a f.e.m. gerada é igual à tensão nos terminais de saída mais a queda
de tensão na resistência da armadura. No motor, a tensão gerada ou f.c.e.m. é igual à
tensão nos terminais de saída menos a qued!a de tensão na resistência da armadura.
Expressando Ea em função de Ec e I31Ra temos que:

Ea = Ec +IaRa
Esta fórmula é válida para qualquer motor CC independentemente da sua velocidade ou
carga.
A f.c.e.m., Ec, induzida na armadura de um motor pode ser determinada por wna
equação semelhante à usada para determinar a tensão gerada em um gerador(capítulo 18):

Ec = (19·8)

onde 4> é o número de linhas de fluxo por pólo, Zé o número de condutores, N é a veloci·
dade de rotação da armadura em segundos, Pé o número de pólos no campo, e p o núme·
ro de percursos paralelos no circuito da armadura.

Reação da armadura
A corrente da armadura em um gerador flui no mesmo sentido da f.e.m. gerada.
No motor, a corrente da armadura é forçada a fluir em sentido oposto ao da f.c.e.m.
Suponha que o campo do motor (figura 19·8 A) é de polaridade igual à do campo do
gerador (figura 18-12 A). Para um mesmo sentido de rotação da armadura, o fluxo da
armadura do motor (figura 19-8 B) é oposto ao do gerador (figura 18-12 B). Em um
motor, o fluxo do campo principal é sempre distorcido em direção oposta ao sentido
de rotação (figura 19-8 C), ao passo que em um gerador, o fluxo do campo principal
sofre distorção (figura 18-12 C) na mesma direção do sentido de rotação. Observe que
o campo resultante no motor (figura 19·8 C), é intensificado no extremo anterior do
pólo e enfraquecido no extremo posterior. Tal fato desloca o ponto elétrico neutro
para o plano A'B'. Assim sendo, para se obter boa comutação em um motor não provido
de interpólos, é necessário deslocar-se as escovas do ponto neutro mecânico, AB, na
direção oposta ao sentido de rotação da annadura.
A correção da reação da armadura em um motor é feita da mesma maneira que
para o gerador, isto é, usando-se pólos laminados com extremos avançados e peças polares
com ranhuras, e enrolamentos de compensação. Em cada .caso, o efeito produzido é o
mesmo como no gerador, apenas que em sentido oposto.

517
Comutação
O eixo das escovas, A'B' (figura 19-8 C), pode ser levado a coincidir exatamente
oom o plano neutro do campo oombinado. Isso elinúnaria o centelhamento nas escovas
nfo fosse a f.e.rn. auto-induzida nas bobinas comutadas. Em virtude da necessidade de
se neutralizar essa f.e.rn. para elinúnar o centelhamento, as escovas, nos motores, devem

Fluxo do campo Fluxo da armadura


IA) (I )

Extremo do pólo / '\'


posterior '

••
\

!. ·
I
Fluxo resultante
(C)
Fig.19-8.- Reação da armadura no motor.

ser ajustadas em um ponto ligeiramente além do plano neutro. Assim, tanto nos geradores
como nos motores, as escovas devem ser deslocadas ligeiramente do plano neutro a fun de
se neutralizar o efeito da auto-indução.
Conforme as bobinas se movem sob pólos alternados, afunde manter um torque
unidirecional, a corrente que flui nas bobinas da armadura do motor (figura 19-9), deve
ser periodicamente invertida quando as bobinas sã"o curto-circuitadas pelas escovas.

518
Quando a bobina A é curto-circuitada por uma escova, sua corrente imediatamente
começa a cair para o valor zero. A corrente em seguida começa a aumentar, partindo
de zero, para um valor máximo em sentido oposto quando a bobina se desloca da posição
1 para a posição 2, posição essa em que deixa de haver o curto-circuito. Como resul-
tado da variação de corrente, uma tensfo é auto-induzida na bobina curto-circuitada.
Essa tensã"o tende a evitar variação no valor da corrente. Para se obter comutação livre
de centelhamento é necessário eliminar a tensfo auto-induzida.
Em qualquer motor, a corrente flui em virtude da aplicação de uma tensã"o, e a
f.e.m. se opõe ao fluxo de corrente. Quando a corrente na bobina comutada cai para
zero, a f.e.m. de auto-indução tende a manter o fluxo de corrente no mesmo sentido con-
forme é mostrado pela seta na posição 1. Assim, ela auxilia a tensão aplicada durante essa
porção do ciclo. Quando a bobina se desloca para a posição 2, a corrente aumenta no sen-
tido inverso, e a tensfo auto-induzida novamente se opõe a esse aumento da corrente.
Para eliminar a tenslfo auto-induzida, uma outra tensfo que se opõe a essa é introduzida
na bobina. A f.c.e.m. tem polaridade para fazer isso, mas a bobina que está sendo comu-
tada está no plano neutro e conseqüentemente não tem f.c.e.m. gerada nesse instante.
Quando as escovas são deslocadas na direção contrária a do sentido de rotação,
as bobinas que estio sendo curto-circuitadas pelas escovas ainda cortam algumas linhas
do fluxo do pólo norte anterior e apresentam, portanto, uma pequena quantidade de
f.c.e.m. Como essa tensfo se opõe à tensã"o aplicada, ela se opõe também à tensão auto-
induzida. A f.c.e.m. provoca uma inversfo rápida da corrente na bobina permitindo uma
comutaçfo sem centelhamento.
Quando a carga do motor aumenta, a reação da armadura aumenta e o plano neutro
elétrico se desloca mais na direção oposta ao do sentido de rotação da armadura. A fim
de ser mantida a comutaçfo sem centelhamento, o plano das escovas deve ser deslocado
para um ponto ligeiramente além do plano neutro elétrico. Quando a carga é reduzida,
as escovas devem ser deslocadas em direção oposta. Assim, para comutação livre de cente·
lhamento, necessário se toma uma correção manual na posição das escovas sempre que a
carga variar.

Pólos de comutação
Os pólos de comutação nos motores são tão importantes nos motores quanto nos
geradores. Quase todos os motores com capacidade maior do que 1 HP dependem mais
dos PÓLOS DE COMUI'AÇÃO, mais conhecidos como INTERPóLOS, do que do deslo-
camento das escovas para obter comutação sem centelhamento. A única diferença entre
o interpólo do motor é que no gerador o interpólo tem a mesma polaridade do pólo prin·

-- -
Ro tação

Fig. 19-9. - Comutador no motor.

519
cipal ADIANTE no sentido de rotação, e no motor e interpólo tem a mesma polaridade
do pólo principal POSTERIOR.
Sem interpólos, a f.e.m. auto-induzida é eliminada pela comutação da bobina
enquanto ela ainda estiver cortando as linhas do fluxo do pólo principal pelo qual acabou
de passar. Assim, se o interpólo deve cancelar a f.e.m. de auto-indução, ele deve ter a
mesma polaridade do pólo principal próximo passado no sentido de rotação, ou seja,
pólo norte no exemplo da figura 19-9.
A bobina do campo série do interpólo em um motor é ligada de maneira a conduzir
a corrente da armadura da mesma maneira que no gerador. Quando a carga varia, o fluxo
do interpólo varia e a comutação é automática com a variação da carga. Não há neces-
sidade de correção mecânica na posição das escoras quando há um aumento ou redução
na carga. As escovas são localizadas na posição de neutro sem carga e nela permanecem
para todas as condições de carga.
O sentido de rotação do motor pode ser invertido invertendo-6e o sentido da cor-
rente que flui na armadura. Quando a corrente na armadura é invertida, a corrente no
interpólo também inverte, de modo que o interpólo continua tendo polaridade correta
para manter a comutação automática.
O sentido da f.c.e.m. no interpólo de motor que gira no sentido horário (figura
19-10), mostra que as bobinas sob a influência dos pólos principais não contribuem para
a f.c.e.m. da armadura. A contribuição é feita apenas pelas bobinas sob os pólos princi-
pais. A tensão contra-eletromotriz total gerada nos condutores em cada metade da arma-
dura é igual â soma algébrica gerada em cada condutor entre as escovas superior e inferior.
Em virtude de os condutores sob o interpólo norte superior gerarem uma tensão igual e
oposta aos condutores sob o interpólo sul inferior, somente os condutores restantes sob a
ação dos pólos do campo principal geram a f.c.e.m. da armadura que controla a cor-

Fi3.19-10.- Efeito dos interpólos na f.c.e.m.da armadura.

520
rente de carga da armadura e as características de velocidade e torque do motor.É impor-
tante que as escovas sejam corretamente posicionadas no plano neutro exato. Do con-
trário, a comutação será prejudicada e as características do motor alteradas.

Regulage!D da velocidade
A REGULAGEM DA VELOCIDADE é a capacidade de um motor manter a veloci-
dade constante quando é aplicada ou retirada a carga. É uma característica inerente do
motor, e permanece a mesma para uma tensão constante aplicada, a menos que haja uma
mudança física ou mecânica na máquina. A regulagem da velocidade de um motor é uma
comparação da sua velocidade sob a condição de sem carga e a condição com carga plena,
e é expressa como uma percentagem da velocidade com carga plena. Assim:

velocidade sem carga -velocidade à plena carga


% de regulagem = X 100
velocidade à plena carga

Por exemplo: se a velocidade sem carga é 1.600 rpm, e a velocidade a plena carga
é 1.500 rpm, a regulagem da velocidade é:

1.600 -1.500
X ii.OO = 6,6 por cento
1.500

Quanto MENOR for o valor de porcentagem de regulagem de velocidade de um mo-


tor, mais constante será a sua velocidade sob condições de variação de carga e MELHOR
será a regulagem de velocidade. Quanto MAIOR for a porcentagem, PIOR será a regula-
gero de velocidade.
CONTROLES DE VELOCIDADE se referem aos meios externos para variar a velo-
cidade de um motor sob quaisquer condições de carga.

MOTORES EM DERIVAÇÃO

Regulagem de velocidade
O circuito do campo de um motor em derivação é ligado em paralelo com a linha,
estando, dessa maneira, ligado em paralelo com a armadura como no gerador em deriva-
ção (figura 18-16 B). Se a tensão da linha for constante, a corrente que flui nbobinas
de campo será também constante e , conseqüentemente, produzirá um fluxo constante.
Quando não há carga no motor em derivação, é necessário torque somente para
superar o atrito nos enrolamentos e a perda por atrito com o ar em ebulição. A rotação
das bobinas da armadura dentro do fluxo do campo estabelece uma f.c.e.m. que linúta
a corrente da armadura a um valor relativamente pequeno, e capaz de estabelecer o neces-
sário torque para girar o motor sem carga.
Quando uma carga externa é aplicada ao motor em derivação, a tendência será para
uma ligeira redução na velocidade. Essa redução na velocidade provoca uma correspon-
dente redução na f.c.e.m. Se a resistência da armadura for baixa, o resultante aumento
na corrente e torque será relativamente grande. Assim, o torque é aumentado até que se
iguale ao torque resistivo da carga. A velocidade do motor então permanece constante
no novo valor enquanto a carga for constante.

521
De maneira inversa, se a carga do motor em derivação é diminuída, a velocidade do
motor tende a aumentar ligeiramente. O aumento na velocidade causa um correspon-
dente aumento na f.c.e.m. e urna redução relativamente grande na corrente da armadura e
no torque.
Pode ser observado que a quantidade de corrente que flui através da armadura de um
motor em derivação depende da carga do motor. Quanto maior for a carga, maior será a
corrente e, inversamente, quanto menor a carga, menor a corrente. A variação na veloci-
dade causa uma modificação no valor da f.c.e.m. e corrente na armadura em cada caso.
A figura 19-11 mostra, na forma gráfica, o que ocorre quando é aplicada ou retirada
a carga em um motor em derivação. Assume-se que a intensidade do campo permanece
constante.

I I
R.P.M. I (Fluxo constante do campo}
1/
I
F.c.e.m. I
r'-- / .
j

Torque de carga
,,
Torque ,
, - -- '' ' ,_
Corrente
da
armadura
I
v
I
I
I ----
I
I
_j
. - - L - --
o 'l 's

Fig.19-11.- Relação carga-velocidade-torque-f.e.m.em função do tempo no motor.

Durante o intervalo de tempo entre O e t 1 , o motor funciona sob condições de equilí-


brio. Isto é, a velocidade, a f.c.e.m., o torque e a corrente da armadura têm valores cons-
tantes. No instante t 1 é aplicada urna carga no motor. Instantaneamente, a curva de
torque aumenta mas a inércia da armadura impede que o torque gerado aumente instan-
taneamente. Em virtude de o torque da carga exceder o torque gerado na armadura do
motor, a velocidade é reduzida até que se obtenha urna nova condição de equilíbrio.
Quando o torque gerado é novamente igual ao torque de carga, cessa a desaceleração e o
motor funciona em urna velocidade menor constante.
No tempo t 2 é alcançado o estado de equilíbrio, correspondente à nova carga. No
tempo t3 a carga é subitamente retirada. O torque da carga cai instantaneamente, mas
a inércia da armadura impede que o torque gerado caia instantaneamente com o torque
de carga. Da mesma maneira, a inércia da armadura impede um aumento instantâneo de
velocidade. Em virtude de o torque gerado exceder o torque da carga, o motor acelera.
Com o aumento da velocidade, a f.c.e.m. aumenta proporcionalmente. A f.c.e.m. se opõe à
tensão aplicada e a corrente é reduzida até que o torque gerado e o torque de carga
sejam novamente iguais e atinjam um estado de equilíbrio. A velocidade então se esta-
biliza em um valor constante.

522
As características de fWlcionamento de um motor em derivação estã"o discrinúnadas
na tabela 19-1. São mostradas a variação da corrente da linha, corrente da armadura,
f.c.e.rn., velocidade, torque e eficiência para condições variáveis de carga. Os valores
considerados sã"o os de um motor derivação para 100 volts, 1 HP, com corrente de campo
de 1 ampêre e resistência na armadura igual a 1ohm.

Tabela 19-1.- Características fWlcionais do motor em derivação.

•• Armadura
I*
F.c.e.m. Velocidade Torque
Saída Entrada Eficiência
CaJp
Linha (wlts)* (r.p.m.)* Ob/pé)* 0,142NT (watts) (percent.)
(amperes) (amperes) (watts)

2 1 99 990 0,7 98,4 200 49,2 Leve


4 3 97 970 2,1 289 400 72,2 -
6 5 95 950 3,5
4,9
472 600 78,5
80,8
-
8 7 93 930 646 800 -
10 9 91 910 6,3 815 1.000 81,5 Normal
21 20 80 800 14 1.590 2.100 76 Sobre-
*Suposto.
Quando a corrente da armadura é 1 ampere, a queda de tensão IR é 1 volt, e a
f.c.e.m. é a diferença entre a tens!o aplicada e a queda IR, ou seja, 100 - 1 = 99 volts.
Supõe-se que a velocidade com essa carga seja 990 rpm e que o torque do motor, nessas
condições, seja de 0,7libras-pé. A potência de saída, P 0, em watts é:

NT
P0 = X 746 = 0,142 NT = 0,142 X 990 X 0,7 = 98,4 watts
5.252

A constante 746 é usada para converter a saída em HP no seu equivalente numérico de


saída em watts (1 HP = 746 watts).
A corrente total de entrada no motor é igual à soma da corrente do campo e a
corrente da armadura, ou 1 + 1 = 2 amperes. A potência de entrada é o produto da
tensâ'o aplicada e a corrente total de entrada, ou 100 X 2 = 200 watts. A eficiência é:

saída 98,4
---X 100 = -- = 49,2 por cento com a carga considerada.
entrada 200

Os cálculos do torque para outros valores de carga são baseados na proporcionali-


dade entre a corrente da armadura e o torque. Por exemplo, se o torque é 0,7 libras-pé
quando a corrente da armadura é 1 ampere, o torque para uma corrente de armadura
igual a 2 ampêres será 2 X O,7 = 1,4 libra-pé.
Os cálculos de velocidade são baseados na proporcionalidade entre a velocidade e
a tens!ocontra-eletromotriz. Por exemplo, quando a corrente é 2 ampêres, a queda IR
na armadura é 2 X 1 = 2 volts e a f.c.e.m. é 100- 2 = 98 volts. Se a velocidade for 990
rpm quando a f.c.e.m. é 99 volts, a velocidade com f.c.e.m. igual a 98 volts será 980 rpm.
As curvas características de um motor em derivação de 230 volts, 5 HP, são mos-
tradas na figura 19-12. As curvas incluem velocidade, torque, eficiência e corrente de
entrada. A curva de velocidade é praticamente urna linha horizontal e a regulagem é boa.

523
O torque varia diretamente com a carga e com a corrente da armadura porque o campo
é praticamente constante dentro da variação da carga considerada.
A regulagem da velocidade de um motor em derivação é geralmente melhor do que a
regulagem da tens:ro de uma mesma máquina quando funcionando como um gerador em
derivação. Tal fato ocorre em virtude de a reação da armadura em um gerador enfra·
quecer o campo e diminuir a tens[o nos terminais, ao passo que a reação da armadura
em um motor enfraquece o campo, o que tende a aumentar a velocidade do motor.
A resistência da armadura é baixa e uma redução na intensidade do campo e f.c.e.m.
(de 5 por cento, por exemplo), pode resultar em um aumento na corrente da armadura
e força de aceleraÇ[o de 50 por cento nos condutores da armadura, o que resulta em um
aumento na velocidade da armadura. Em um motor, entretanto, a reação da armadura
enfraquece ligeiramente o campo e n[o causa aumento na velocidade com carga. A velo-
cidade diminui menos do que diminuiria se n:ro estivesse presente a reação na armadura.

Veloc.
(RPM)
24

22
elodad
v Jv 1.700

1.600

100 20 7V' 1 00

I I
-
18

L I
. o/ I I
'L
( i; c;, j

o ,._
1/ 7 -
()

I ;v =
g
20 4
/;I
ilL
o
2

0 v
o 1 2 3 4 5 6 7 8
Saída em HP

Fig.19-12.- Curvas características de wn


motor em derivação

Emprego dos motores em derivação


Das considerações anteriores, é evidente que um motor em derivação é, essencial·
mente, urna máquina de velocidade constante. Ainda que a velocidade possa ser variada
variando-se a corrente que flui no enrolamento de campo por meio de um reostato de
campo, por exemplo, a velocidade permanece razoavelmente constante para uma dada
corrente de campo.

524
A característica de velocidade constante toma o motor em derivação um motor de
freqüente aplicação como elemento de tração em ferramentas elétricas ou em qualquer
outro dispositivo que requeira uma fonte de tração com velocidade constante.
Nas aplicações onde a carga varia sensivelmente, ou onde o motor deve partir com
grande carga, os motores série apresentam as características desejáveis não encontradas
nos motores em derivação.

MOTORStRIE

Regulagem de velocidade
As bobinas de campo de um motor série são ligadas em série com a armadura, de
maneira semelhante ao gerador série da figura 18-16 (B). Com a relativamente baixa
densidade de fluxo no ferro do campo, a intensidade do campo série é proporcional à
corrente da annadura, Ia. O torque desenvolvido pela armadura do motor é propor-
cional a Iael> ; e, porque 4> é também proporcional a Ia, o torque é proporcional a Ia2 .
Se a tensão da linha for constante, a corrente da armadura e o fluxo do campo
somente o serão se a carga não variar. Se não houvesse carga (e isso nunca ocorre), a
armadura sofreria uma aceleração tal que os enrolamentos poderiam ser arrancados das
ranhuras e o comutador destruído pela excessiva força centrífuga. A razão pela qual a
velocidade se toma excessiva quando não há carga é explicada da seguinte maneira:
A velocidade do motor série pode ser expressa matematicamente como:

K[E - Ia (Ra + Rs)]


rpm = (19-9)
<I>
onde K é urna constante que depende dos fatores:número de pólos, número de percursos
na armadura e ntímero total de condutores da armadura; E é a tensão aplicada no circuito
total do motor ; Ia é a corrente da armadura; Ra é a resistência da armadura; Rs é a resis-
tência do campo série; e 4> é a intensidade do campo. O fator E - Ia (Ra + Rs) repre-
senta, matematicamente, a f.c.e.m. Ec. A tensão aplicada deve então ser igual à tensão
contra-eletromotriz mais a queda de tens!fo na armadura, ou seja:

E = Ec = Ia (Ra + Rs) (19-10)


A armadura sempre tende a girar em uma velocidade tal que a soma da tensão con-
tra-eletromotriz, Ec. e a queda IaRa na armadura, serão iguais à tensão aplicada, E. Se a
carga for retirada, a armadura acelera e uma maior f.c.e.m. será induzida na armadura.
Isso reduz a corrente da armadura e do campo. O campo mais fraco faz a armadura girar
com maior velocidade. A f.c.e.m. aumenta e a velocidade também aumenta.
O efeito é acumulativo até o ponto em que a máquina é destruída.Por essa razão, os
motores série nunca são ligados a sua carga por meio de correias. A correia pode escapar e
a máquina ser destruída pelo excesso de velocidade. Os motores série são sempre ligados à
carga diretamente ou através de engrenagens.
Quando a carga aumenta, a velocidade de rotação da armadura diminui e a f.c.e.m.
é reduzida. A corrente através da armadura aumenta e a intensidade do campo também
aumenta. Isso reduz a velocidade para um valor bem menor. A corrente da armadura,
entretanto, não será excessiva porque o torque desenvolvido depende da corrente da
armadura e TAMBtM do fluxo do campo.

525
As características de funcionamento do motor série estão relacionadas na tabela
19-2. São mostradas as variações da corrente da linha, f.c.e.m., velocidade e torque para as
diversas condições variáveis de carga. Os valores considerados são os de um motor série
de 0,5 HP, 100 volts, com resistência de campo igual a 1 ohm e resistência da armadura
também de 1ohm.

Tabela 19·2.- Características operacionais de um motor série.

I Armadura F.c.e.m. Velocidade Torque Saída 0,142 Entrada Eficiência


(amperes)* (volts)* (r.p.m.)* Ob/pé)• NT (watts) (watts) (percent.)

5 90 900 3 383,4 500 76


10 80 400 12 681,6 1.000 68
15 70 233 27 893,3 1.500 59
20 60 150 48 1.022,4 2.000 51
25 50 100 75 1.065,0 2.500 42
• Suposto.

Quando a corrente da armadura é 5 ampêres, a queda de tensão IR na armadura e


no campo é 10 volts, e a f.c.e.m. é a diferença entre a tensão aplicada e a queda IR, ou
seja, 100 - 10 = 90 volts. Com a carga considerada, assume-se que a velocidade de rota·
ção seja 900 rpm e o torque do motor seja 3 libras-pé. A potência de saída, P 0 , em
watts é:

P0 = 0,142 NT = 0,142 X 900 X 3 = 383,4 watts

A potência de entrada é o produto da tensão aplicada e da corrente que flui através da


bobina de campo e da armadura, ou seja, 100 X 5 = 500 watts. A eficiência (relação
entre a saída e a entrada), é

383,4
--ou 76,8 por cento.
500

Os cálculos de velocidade são baseados segundo as seguintes considerações: Como


já foi analisado (veja equação 19-8), a f.c.e.m., Ec, é determinada pela equaçfo:

Ec ==

Ec pode também ser expressa como:

Ec == E - Ia (Ra + Rf)
Essas equações podem ser resolvidas como:

== E - Ia (Ra + Rf)

526
Suponha que quando 5 ampêres flue m através da bobina (e da armadura) <I>= 106
linhas de força. Suponha ainda que Z = 600 condutores. Há 2 pólos (P = 2) e dois per·
cursos (p = 2) na armadura. Se N for dividido por 60, o número de rotações será deter·
minado para o intervalo de tempo correspondente a Iminuto. Assim,

106 X 600 X N X 2
= 100 - 5 (I + I)
108 X 60 X 2

logo:

N = 900rpm

Se a corrente for aumentada para 10 amperes (duplicada), o fluxo também duplica.


Assim,

2 X 106 X 600 X N
= 100-10{1 +I)
108 X 60

O número de rotações por núnuto cai para N = 400 rpm.


O torque varia com o quadrado da corrente. Assim, quando a corrente duplica, o
torque aumenta de quatro vezes.
As curvas características do motor série são mostradas na figura 19·13. Como no caso
do motor em derivação, essas curvas incluem velocidade, torque , eficiência e correntes de
entrada. Como afirmado previamente, o torque varia com o quadrado da corrente da
armadura (antes de ser atirtgida a saturação) e a velocidade diminui rapidamente quando
a carga aumenta.
Veloc.
(rpm )
100 2.000

90 45 1.800
Efiiê nc.l 1a _
"'80
i\ 40 1.600
/

c
"
"õ 70
\/ 35 1.400
1..,:
., 60
I
/ I Oc·
'<t 30 1.200

50
-'i
v e 25,., 1.000

40
:::1
> 0_
'/
- 20800
Q,

a'
õ 30 co(' / 15
f-o

20
o. Y 1o
10
v
v 5

./ ganorrru
2 3 4 5 6 7
Saída em HP
Fig.191·3.- Curvas características de um motor série.

527
Emprego dos motores série
Conforme é mostrado na figura 19-13, o torque aumenta com a carga. Quando a
carga em um motor série aumenta, a velocidade e a f.c.e.m. diminuem. A corrente da
armadura e a intensidade de campo aumentam. Há, dessa maneira, um aumento no torque
com redução de velocidade. Deve ser considerado que o aumento da carga no motor é
limitado pela redução na velocidade.
Quando uma carga pesada é subitamente aplicada ao motor em derivação, ele recebe
a carga e tenta manter a velocidade e f.c.e.m. O fluxo permanece essencialmente constante
e assim o aumento no torque é proporcional ao aumento na corrente da armadura. Com
sobrecarga, a corrente da armadura se toma excessiva e a temperatura aumenta para um
valor bastante alto. O motor tipo derivação não pode reduzir apreciavelmente a velocida-
de com carga pesada como ocorre com o motor do tipo série. Conseqüentemente, o
motor derivação é mais susceptível de sobrecarga.
Por exemplo: suponha que um motor CC é usado para tracionar um caminhão elé-
trico que se desloca em um plano inclinado. Se o motor for do tipo derivação, ele ten-
derá a manter a mesma velocidade para subir o plano inclinado que é usado para o plano
nivelado, e, conseqüentemente, urna corrente excessiva pode ser drenada pela armadura
já que o fluxo do campo permanece constante. Se o motor for do tipo série, a velocidade
diminui mais do que o aumento do fluxo a fun de haver urna redução na f.c.e.m. e um
<l>ZNP
aumento na corrente da armadura Ec - . A diminuição da velocidade protege
108 p
o motor série da sobrecarga excessiva, e a corrente na armadura é limitada pela tensão
contra-eletromotriz e pela combinação da resistência da armadura e campo série.

MOTOR COMPOSfO

Os motores do tipo misto ou composto, como os geradores desse tipo, têm um


campo em derivação e um campo série. Na maioria dos casos, o enrolamento série é ligado
de maneira que o seu campo auxilia o produzido pelo enrolamento em derivação, como é
mostrado na figura 19-14 (A). Os motores desse tipo são chamados motores tipo COM-
POSTO ACUMULATIVO. Se o enrolamento série é ligado de maneira que o seu campo se
oponha ao produzido pelo enrolamento em derivação, como é mostrado na figura 19-14
(B), o motor é chamado COMPOSTO DIFERENCIAL. Sob carga plena, os ampêres-voltas
da bobina derivação são maiores do que os ampêres-voltas da bobina série.
No motor COMPOSTO ACUMULATIVO, quando é adicionada uma carga, a veloci-
dade diminui mais rapidamente do que em um MOTOR EM DERIVAÇÃO mas menos
rapidamente do que no motor série. A intensidade do campo série aumenta como no
motor série. Transpondo a equação (19-10), a corrente da armadura pode ser determinada
pela equação:

E-Ec
Ia=
Ra +Rs

Para aumentar Ia, Ec deve diminuir. Como no motor série , a diminuição de velocidade é
necessária para permitir uma diminuição na f.c.e.m. no mesmo instante em que o campo
aumenta. Em virtude de o torque variar diretamente com o produto da corrente da arma-

528
+ +

l
Fonte de
tensão
t l
Fonte de
tensão
r

I- Acumulativo
I- Diferencial
( A) (8)
Fig. 19-14. - Tipos de motores compostos.

dura e o fluxo do campo (equação 19-1), é evidente que o motor composto acumulativo
apresenta maior torque de partida do que o motor em derivação para valores iguais de cor-
rente na armadura e intensidade do campo em derivação. O desempenho desse tipo de
motor se aproxima do de um motor em derivação conforme a relação amperes-voltas
do enrolamento em derivação e amperes-voltas do enrolamento série aumenta. A per-
formance se aproxima da do motor série quando a relação se toma menor.
Nesse tipo de motor, se a carga for removida, a velocidade tende para um aumento,
aumentando a f.c.e.m. A corrente no campo série é reduzida e uma maior porção do fluxo
do campo é produzida pelas bobinas do campo em derivação. O motor composto apre-
senta, assim, características semelhantes às do motor em derivação e, ao contrário do
motor série, há uma velocidade deftnida para a condição de sem carga.
Em virtude de haver um aumento total no fluxo quando há um aumento de carga,
haverá um aumento proporcional no torque maior do que na corrente da armadura.
Assim, para um dado aumento no torque, este tipo de motor requer menor aumento de
corrente na armadura do que o motor derivação, mas maior do que para o motor série.
Em determinadas situações, é desejável usar o enrolamento série acumulativo para
obter maior torque de partida;e quando o motor atinge a velocidade requerida, o enrola-
mento série é posto em curto-circuito. O motor apresenta, a seguir, a regulagem de veloci-
dade de um motor em derivação.
No motor composto diferencial, em virtude da oposição do campo série ao campo
derivaç!o, o fluxo diminui quando a carga e a corrente da armadura aumentam. Na equa-
ção (19-9) pode ser observado que uma diminuição no fluxo causa um aumento na velo-
E
cidade. Entretanto, como a velocidade é proporcional a. se ambos os fatores variam
<I>
na mesma proporção, a velocidade permanecerá constante. Isso pode ocorrer no motor
composto diferencial. Se forem adicionadas mais espiras ã bobina série é possível fazer
o motor girar mais rápido quando a carga aumenta.
Maior corrente de armadura é requerida pelo motor composto diferencial do que
o motor derivação para o mesmo aumento de torque. Isso resulta do fato de que um

529
aumento nas correntes da armadura e campo série reduz o fluxo do campo. Como o tor-
que que atua na armadura é proporcional ao produto da corrente da armadura e intensi-
dade do campo, uma redução na intensidade do campo deve ser acompanhada de um
aumento desproporcional na corrente da armadura a fim de que o produto aumente.
Sob condições de operação com grande carga, a velocidade do motor composto
diferencial é instável; e se a corrente de sobrecarga for grande, o sentido de rotação pode
ser jnvertido. A partir desse ponto, o motor girará como um motor série com o perigo
da velocidade excessiva na condição de sem carga, característica essa inerente aos moto-
res série.
As características do motor composto diferencial são aproximadamente semelhantes
às do motor em derivação. Assim, o torque de partida é bastante baixo, e a regulagem de
velocidade é boa se a carga não for excessiva. Entretanto, em virtude de algumas carac-
terísticas indesejáveis, este tipo de motor não encontra grande emprego.

Carga lcorrente na armadura)


Veloc.-<:arga Torque-<:arga
(A) (8)
Fig. 19·15. - Caracten'sticas de velocidade-carga c torque-<:arga
dos motores em derivação e compostos.

A figura 19-15 (A) mostra as características de velocidade com relação à carga dos
motores em derivação, composto acumulativo e composto diferencial. Embora as veloci-
dades de todos os motores diminuam quando a corrente através da armadura aumenta
(aumento na carga), a velocidade do motor acumulativo sofre maior redução. Da mesma
maneira, na figura 19-15 (B), esse motor é o que apresenta maior aumento de torque com
o aumento na carga.

DISPOSITIVOS MANUAIS DE PARTIDA


Em virtude de a resistência da armadura de muitos motores ser baixa (0,05 a 0,5
ohms), e porque a f.c.e.m. não existe até que a armadura comece a girar, torna-se neces-
sário o emprego de um resistor em série com a armadura para manter a corrente inicial na
armadura em um valor limHado. Conforme a armadura começa a girar, a f.c.e.m. aumenta.
Como a f.c.e.m. se opõe à tensão aplicada, a corrente na armadw-a é reduzida. A resis-
tência em série é , então, manual ou eletricamente retirada do circuito conforme o motor
atinge a velocidade normal, aplicando-se a tensão total na armadura.
As relações entre a corrente na armadura, Ia, a tensão aplicada, Ea, a f.c.e.m., Ec,
a resistência da armadura, Ra, e a resistência de partida, Rs. para um motor em derivação
são mostradas abaixo:

Ea - Ec
Ia = ----
Ra + Rs

530
Suponha que no motor mos-
trado na figura 19-16, Ea = 100
volts, Ra = 0,1 ohm, Rs = 0,9 ohm,
e a corrente da armadura normal
para a situação de plena carga é 10
ampêres. Sem o resistor de partida,
a corrente da armadura seria: 1
E0 =100v
Ea 100
= = =

I
Ia 1.000 ampêres Resistência
Ra 0,1 da armadura
Ra =0,1n
Esse valor de corrente é 100 vezes
maior do que o valor normal. Ob-
viamente, essa corrente excessiva
queimaria o isolamento da armadu- Fig. 19-16. - Motor em derivação
com resistência d e partida manual.
ra e provocaria forças excessivas de
aceleração.
A fim de limitar o crescimento inicial da corrente para um máximo de 100 amperes
{arbitrariamente, 10 vezes o valor da corrente em plena carga), a resistência de partida
será:

Ea - IaRa 100 1 0 0 X 0 ,1
Rs = --==-----=--=- ------.100
.. . ...: . . - = 0,9 ohms
Ia

A relação de Ea; Ia; a resistência de partida, R 5, a velocidade do motor e a f.c.e.m.


durante o período de aceleração são mostradas nas curvas da figura 19-17 e tabela 19-3.

Tabela 19-3.- Características de partida do motor em derivação.

Coaenteda Resistência Voltagem da


Velocidade F.c.e.m.em volts
armadura de partida armadura
{arnperes) (ohrns) <Ea- laRs>
{r.p.rn.) !Ea - Ia <Ra + Rs)J

100 0,9 10 o o
50 0,9 55 500 50
100 0,4 60 500 50
50 0,4 80 750 75
100 0,15 85 750 75
50 0,15 92,5 875 87 ,5
100 0,025 97,5 875 87,5
50 0,025 98,75 937,5 93,75
62,5 o 100 937,5 93,75
30 o 100 970 97

Inicialmente, a resistência total de partida de 0,9 ohm é inserida em série com a


resistência de 0,1 ohm da armadura. A velocidade e f.c.e.m. é zero, e a corrente da ar ma-
dura é limitada a 100 ampêres pela resistência de 0,1 ohm da armadura atuando em
série com o resistor de 0,9 ohm de partida. Conforme a velocidade e a f.c.e.m. aumen-
tam, a f.c.e.m. subtrai cada vez mais a tensão aplicada e a corrente da armadura é reduzida

531
F.C.E.M. RPM
100 WOOr--- --,--------y-------,
r------- -------r------

90

40 400 -----------+--------r-------4--------t------

30 0 --+---+-------4------- -------+-------i------

20 200
----+- o.4 n-------------+------ --------

10 wor+-------------+-------- ------ -------+------


0.15fi

o.o25 n
0
to

Fis. 19-17. - Cwvas de partida no motor em derivação.


de 100 ampêres para wn valor cada vez menor. Quando a velocidade é 500 rpm, a f.c.e.m.
é 50 volts e a corrente:

100-50
la = = 50 ampêres
0,1 +0,9

Suponha que no instante t 1, quando o motor atinge a velocidade de 500 r pm, a


chave de partida é passada para a posição de 0,4 obro. A f.c.e.m. de 50 volts se soma
algebricamente aos 100 volts aplicados, restando 50 volts que fazem a corrente da arma·
100 - 50
dura awnentar novamente para = 100 ampêres no tempo t 1 • A velocidade
0,4 + 0,1
da armadura e a f.c.e.m. não podem awnentar instantaneamente. O awnento é gradual
entre o intervalo de t 1 e t 2 . Assim, a corrente da armadura decresce gradualmente e no
instante t2 , quando a f.c.e.m. é 75 volts e a velocidade 750 rpm, a corrente será:

100-75
Ia= = 50 ampêres
0,4 + 0,1

Movendo-se sucessivamente a chave de partida para as posições de 0,15 ohrn, 0,025 obro
e O obro nos instantes t2 , t 3 e t4 , a velocidade do motor é acelerada para 970 rpm com
as varia es na corrente da armadura indicadas na figura e tabela.

DISPOSITIVOS DE PARTIDA AUTOMÁTICA

Se o motor estiver localizado em ponto distante ou se o motor for de grande porte,


geralmente se usa wn dispositivo automático para levar o motor ã sua velocidade de
operação. Os motores de pequenas dimensões podem ser comandados por meio da opera-
ção de dispositivos de partida manual. Todavia, há dificuldades outras para dar partida
em motores de grandes dimensões. No dispositivo de partida operando manualmente, a
perfeição na regulagem da corrente de partida depende da experiência do operador.
A operação pode tomar tempo excessivo no caso de wn operador muito cuidadoso ou
entâ'o a corrente máxima permissível para o motor pode ser excedida no caso de wn
operador descuidado. A fim de que na-o haja desperdício de tempo e o motor receba
corrente dentro da margem de segurança durante o período de aceleração, wn disposi-
tivo automático deverá ser usado para interpretar as condições de carga e atuará conforme a
necessidade.
Serão estudados os seguintes tipos de dispositivos automáticos de partida:(1) con-
trolado pelo tempo, (2) controlado pela f.c.e.m., (3) controlado pelo limite de corrente
em derivação, e (4) controlado pelo limite da corrente elétrica.'

Dispositivo de partida controlado pelo tempo


O dispositivo de partida controlado pelo tempo é wn tipo no qual a resistência em
série com a armadura é reduzida de urna certa quantidade decorrido cada unidade de
tempo independente da carga do motor. Um tipo de dispositivo controlado pelo tempo
é mostrado na figura 19-18. Inicialmente o valor total do resistor de partida é inserido
em série com a armadura, mantendo a corrente dentro dos limites de segurança. Quando

533
- Solenóide

Chave
o-.,--.----u
- - l_ de aceleraçro

Campo de
derivação
Tensão
a plicada
l
+
i l -
Fig.19-18. - Elemento de partida controlado pelo tempo.

a chave é fechada, toda a tensão da linha é aplicada sobre o solenóide de aceleração e


campo derivação em paralelo. O solenóide imediatamente começa a atrair o núcleo de
ferro para cima e a resistência de partida é gradualmente retirada do circuito da arma·
dura. A velocidade com que a resistência é retirada depende do tamanho do orifício
(abertura através da qual flui o óleo) no pistão perfurado. Quanto menor o orifício,
maior o tempo de retardo. O tempo de retardo deve ser tal que com o aumento da veloci-
dade e da f.c.e.m. a corrente inicial seja mantida dentro do valor máximo de segurança
durante o período de aceleraçã'o. Decorrido o tempo necessário para atingir a velocidade
de operação, a resistência é totalmente retirada do circuito.
As vantagens do dispositivo controlado pelo tempo são: baixo custo, simplicidade
e partida geralmente segura. As desvantagens são: o sistema não sente a grandeza de carga,
isto é, a resistência é removida na mesma razão, tanto para cargas leves como pesadas.
O motor não é protegido em caso de sobrecarga, e o êmbolo é uma fonte de problemas.

Dispositivo de partida controlado pela f.c.e.m.


O dispositivo controlado pela f.c.e.m.depende, para a sua operação, da f.c.e.m. que
se desenvolve na armadura. Como pode ser visto na figura 19-19 (A), o solenóide que
aciona o contato é ligado diretamente através da armadura. Ele depende, assi m, da tensão
na armadura que é ligeiramente maior do que a f.c.e.m.
Na partida (figura 19-19 B), tempo t0 , a corrente na armadura, fluindo através do
resistor de partida, causa urna redução na tensão que é aplicada ã armadura e o solenóide
de aceleração não fechará imediatamente seus contatos devido ã baixa tensão na bobina.
Com a aceleração do motor, a f.c.e.m. em ascensão causa uma redução na corrente da
armadura e queda de tenslfo através do resistor de partida. Ao mesmo tempo, a tensão
através da armadura aumenta. Quando essa tensão atinge determinado valor, tempo t 1 ,
o contato de aceleraçã'o fecha e põe em curto-circuito o resistor de partida, aplicando
assim toda a tensão na armadura. O aumento na corrente de partida causa urna acelera-
ção contínua até que o motor atinje a velocidade normal de operação e a corrente da
armadura é novamente reduzida ao valor normal. Para simplificação, somente um resis-

534
tor e contato de partida são mostrados. Os motores grandes normalmente usam diver-
sos contatos e resistores de partida. Se a carga é grande, a aceleração é mais lenta e o
aumento de tensão no solenóide de aceleração é retardado de modo que o resistor de
partida não é retirado até que o aumento na velocidade e da f.c.e.m. permita o fecha-
mento do contato.
As vantagens do dispositivo de partida controlado pela f.c.e.m. são: a carga é ele-
mento controlador, isto é, a carga é elemento ativo e o resistor é retirado de acordo com
a grandeza da carga; baixo custo;simplicidade na fiação e não emprega êmbolo.
Earm.

Tensão
aplicada
U) .g
._, -Th B"' -.o,
E "'
..----::-'R'
8 8..
Contatos para cortar
Armadura o resistor série
do contator
de aceleração

lz
Campo de derivação
Curvas de aceleração
Circuito {B )
l A)

Fig. 19-19. - Dispositivo de partida controlado pela f.c.e.m.

A desvantagem desse. tipo de dispositivo de partida é que se a tensão da linha variar,


a aceleração pode se tomar instável. Por exemplo: se a tensão aumenta, o resistor de
partida pode ser removido muito antecipadamente, e se cair, a bobina do contato de
partida pode não ser acionada. As bobinas são projetadas para fechar o contato com
um determinado valor de tensão e continuar atrasada se a tensão for superior ã neces-
sária para atracar. Elas são sensíveis ã variação de tensão e não funcionarão de maneira
correta se ocorrerem flutuações na tensão da linha.

Dispositivo de partida controlado pelo limite de corrente em derivação


As desvantagens do dispositivo de partida controlado pela f.c.e.m. são superadas
no dispositivo pelo limite de corrente em derivação. Este dispositivo emprega contatos de
aceleração acionados por bobinas de operação do tipo derivação que recebem a tensão to-
tal da linha. Cada contato de aceleração inclui um relé série que serve de interloque cuja
operação é limitada pela corrente de partida do motor. Quando o relé série fecha seus con-
tatos, a bobina em paralelo do contato de aceleração é alimentada e uma seção do resistor
de partida é retirada do circuito da armadura. Este tipo de dispositivo de partida tem seu
nome derivado do fato de que os contatos de aceleração são operados em derivação e o
fechamento dos relés em série é controlado pela grandeza da corrente da armadura.
A figura 19-20 é um diagrama esquemático simplificado do dispositivo de partida
controlado pelo limite de corrente em derivação, operando em conjunto com urna chave
de partida do tipo botão de calcar com contato de retenção. Quando o botão ON é

536
momentaneamente calcado, a bobina de liberação sem tensão é alimentada. Os contatos
do relé de retenção e os contatos da linha são fechados. Os relés série são mecanica-
mente libertados e seus contatos se fechariam não fosse o fato de que a corrente da arma-
dura que flui através da bobina série mantém atracado o seu núcleo, conservando os seus
contatos abertos. Observe que a corrente flui do terminal negativo da fonte de alimenta-
ção, através da armadwa, através do resistor de partida, através da bobina do relé série, e
de volta ao terminal positivo da fonte através do contato da linha.
Com o aumento de velocidade, a f.c.e.m. aumenta e a corrente da armadwa é re-
duzida. O campo do relé série é conseqüentemente enfraquecido. O relé desarma, e os
contatos são fechados.
Tensão aplicada +

r
Desl. Liga Sem tensão

I Contatos
do relé
Contatos de
aceleração Contatos
da linha
+---- -----...,-- Interloque
;_mecânico
,
I

L -J Relé série

Enrolamento
do campo

Fig. 19-20. - Partida controlada pelo limite de corrente em derivação.

A bobina do relé de aceleração é alimentada e o contato fecha, cwto-circuitando


o resistor de partida e o relé série. A tensa-o total da linha é então aplicada com segu-
rança na armadwa. Os contatos do relé série e de aceleração permanecem fechados até
que os contatos da linha sejam novamente abertos, o que ocorre quando for calcado o
botão OFF.
Pressionando o botão OFF, a corrente através da bobina do relé de partida é inter-
rompida e o relé desarma, abrindo-se o contatà tle retenção, o contato da linha e os con-
tatos do relé série. A tensão aplicada à armadwa ê removida quando se abre o contato
da linha. O motor pára e fica pronto para nova partida.
Para simplificação, somente um resistor é mostrado. Nos sistemas práticos, dois
ou três resistores são utilizados. Contatos de aceleração e relés série com interloque
são entâ"o usados para remover o resistor de partida em etapas conforme o motor acelera
até atingir a velocidade normal de operação.

535
A vantagem do dispositivo de partida pelo limite da corrente em derivação é que o
resistor de partida é retirado do circuito da armad ura somente após a aceleração, e ter
sido a corrente no motor reduzida a um valor de segurança, independente das flutuações
da tensão da linha. Se a carga for excessiva, fator impeditivo para uma aceleração normal,
a f.c.e.m. não pode crescer o suficiente para reduzi r a corrente através do relé série e
fechar os se us contatos. Dessa maneira, o resistor de partida permanece no circuito e a
armadura é protegida contra corrente excessiva.
A desvantagem do dispositivo é o alto custo e a complexidade das unidades de
aceleração.

Dispositivo de partida controlado pelo limite da corrente em série


O dispositivo controlado pelo limite da corrente em série foi projetado para acelerar
os motores e prover a mesma proteção oferecida pelo tipo de corren te em deriva ção,
executando essa tarefa com equipamen to menos complicado. Os relés interloques série
são omitidos e o relé de aceleração é projetado para ficar a berto com o curto inicial da
corrente de partida. Quando a corrente cai a um d eterminado valor, o relé atrasa , o
co ntato de aceleração fecha e curto-circuita o resistor o u resistores de partida.
No dispositivo de partida pelo limite de corrente em série, a bobina do relé que
opera o contato de aceleração é enrolado em série, isto é, é ligado em série com a arma-
dura. O circuito simplificado, mostrando somente um resistor de partida, é mostrado
na figura 19-21 (A).
Um tipo de chave operada por meio magnético que torna este tipo de dispositivo
de partida prático é mostrado na figura 19-21 (B). A corrente inicial através a bobina
mantém o contato de aceleração aberto. Quando a corren te cai a um certo valor pre-
determinado, a chave fecha.

lo ter-
minal
Tensão aplicada

Armad ura

Campo de derivação

CIRCUlTO
{ Al DETALHES DE CONTATO
{ Bl
Fig. 19-21. - Part ida pelo limite da corren te em série.

537
A bobina consiste de algumas poucas espiras de fio grosso. Quando a corrente flui
através da bobina, a armadura móvel é acionada por duas forças: Uma que atua através
do entreferro principal, e a outra entre o entreferro auxiliar. A força que atua através do
entreferro principal, tende a atracar o relé e a que atua no entreferro auxiliar tende a
desatracá-lo. Os percursos do fluxo são: primeiro: através dos pontos 1, 2, 3, 4, 5, 6 e 1;
segundo: através dos pontos 1, 2, 3, 7, 8, 9, 6 e 1. O primeiro percurso inclui somente
o entreferro principal. O segundo inclui os dois entreferros. Quando uma pequena quan-
tidade de corrente flui através da bobina, o percurso do fluxo é principalmente através
dos pontos 1, 2, 3, 4, 5 e 6, e a força exercida através do entreferro principal tende a
fechar o contato. Quando flui uma grande quantidade de corrente, o percurso do fluxo é
através dos pontos 1, 2, 3, 7, 8 e 9. Esse percurso inclui os dois entreferros. Em virtude de
o entreferro auxiliar ser menor, a força exercida nesse ponto para manter o contato do
relé aberto excede a força através do entreferro principal para fechá-lo. Dessa maneira, o
relé se mantém aberto.
A f1m de evitar que o fluxo flua pelo percurso mais curto, 4, 5 e 6, e feche o con-
tato antes que ele seja forçado a permanecer aberto, uma pequena bobina curto-circui-
tada (amortecedora) é colocada em tomo desse percurso do fluxo como é mostrado na
figura 19-21 (B). Quando o fluxo envolve essa bobina, a corrente induzida no cobre cria
uma força contra-magnetomotriz que se opõe ao fluxo que a criou, e força a passagem
pelo percurso 7, 8 e 9 durante o tempo em que a corrente está aumentando. Quando a
corrente da bobina atinge o valor normal, o fluxo no percurso 4, 5 e 6 satura e se esta-
belece fluxo suficiente através dos pontos 7, 8 e 9 para manter o relé na condição de
desarmado.
Este tipo de dispositivo é paticularmente satisfatório quando o motor está sempre
sob carga. A desvantagem principal é que o relé pode desarmar com carga leve. Para que
isso não ocorra, pode ser utilizada uma bobina em paralelo com a linha para sustentação.

EFICI!NCIA DO MOTOR

A eficiência de qualquer tipo de máqUina é a relação entre a potência de saída e a


potência de entrada. Esta relação é comumente expressa na forma de percentagem. Em
virtude de as máquinas apresentarem sempre alguma perda, e eficiência nunca será de
100 por cento. Expresso na forma de percentagem, a eficiência será:

saída
eficiência = X 100 ou
entrada
saída
eficiência = - - - ---- X
lOOou saída + perdas
entrada - perdas
eficiência =- - ---=---X
100
entrada

A primeira equação é geral. A segunda é aplicável quando se trata de geradores elétricos e


transformadores. A terceira é mais aplicável aos motores elétricos. A saída deve ser
expressa na mesma unidade da entrada. Se a saída for expressa em HP e a entrada em
watts, elas podem ser convertidas para uma mesma unidade comum por meio da relação :
746 watts = 1 HP.

538
Existem vários tipos de perdas mecânicas e elétricas nos motores CC, algwnas das
quais são comuns a outros tipos de motores.
Urna das perdas ocorre por força do ATRITO NOS ROLAMENTOS. Esse tipo de
perda pode ser reduzido pela lubrificação correta dos mancais e rolamentos. Os rola·
mentos oferecem menos perda do que os mancais. Todavia, em alta velocidade ou sob
carga excessiva, a perda devido ao atrito no enrolamento pode se tomar apreciável.
introduzida, também, a chamada perda por ATRITO NAS ESCOVAS. A perda por atrito
nas escovas pode ser reduzida mediante o emprego de comutadores perfeitamente lisos e
polidos e usando escovas perfeitamente ajustadas aos comutadores. A PERDA POR
ATRITO COM O AR é urna forma de perda motivada pela resistência oferecida pelo ar
à rotaçã"o da armadura. AS PERDAS NO FERRO incluem as perdas por correntes parasi-
tas e perdas por hlsterese no ferro da armadura. As PERDAS NO COBRE ou OHMICA
incluem as perdas por queda 12 R nos enrolamentos da armadura e no campo.
lO o

'
l.OO Ow

En trada
Ea =100v
R 0=lfl. Perda no campo
lOOw
8l w Perda R f =100 fl.
na
Velocidade armadura
910 rpm Perdas me-
cânicas = 9Õw

Saída do motor = 1.000 -(81+ 100 +90) = 729 w

Fig. 19-22.- Distribuição de perdas no motor.

Exemplificando, suponha que o motor mostrado na figura 19-22 é alimentado com


11O volts, 1O amperes.
A perda no cobre, no campo, é:
2
Il X Rr = 1 X 100 = 100 watts
A corrente na armadura é I O - I = 9 amperes. A perda no cobre na armadura é:
2
Ia X Ra = 92 X I = 81 watts

Suponha que a perda mecânica total (atrito, ar, etc.) seja de 90 watts. A PERDA
TOTAL será 271 watts. A potência de entrada é :
Ea X lL = 100 X 10 = 1.000 watts

A sa íd a é:
entrada - perdas= 1.000 - 271 = 729 watts

A eficiência é:
saída 729
- --XI OO= -X IOO= 72,9%
en trada 1.000
539
CONfROLE DE VEWCIDADE

A velocidade, N, de um motor CC é diretamente proporcional à f.c.e.m. da arma-


dura, Ec, e inversamente proporcional à intensidade do campo, 4>. Transpondo-se a equa-
ção (19-8) e resolvendo para N, temos que:

Os fatores tais como números de pólos, P, número de percursos para a corrente, p, e nú-
mero total de condutores na armadura, Z, podem ser agrupados e representados pela
constante K. Simplificada, a expressão se toma:

KEc
rpm=--
4>

No motor em derivação, Ec = Ea- IaRa

K(Ea - IaRa)
erpm = (19-11)
4>

onde Ea é a tensão aplicada na armadura. A situação é semelhante mas não idêntica à


equação (19-9) para o motor série.
Da equação (19-11), pode ser observado que a velocidade pode ser AUMENTADA,
reduzindo-se a intensidade do campo, e vice-versa, ou a velocidade pode ser aumentada,
aumentando-se Ea e vice-versa. Na prática, essas variações são introduzidas inserindo-se
um reostato de campo em série com o circuito de campo, ou um resistor variável em
série com o circuito da armadura.

Controle da velocidade utilizando resistores em série com a armadura


A figura 19-23 mostra como pode ser feito o controle da velocidade mediante o
emprego de um resistor em série com a armadura. O circuito é igual ao usado no cir-
cuito do dispositivo de partida na figura 19-16. Entretanto, a capacidade em watts é
diferente. O resistor de partida deve ser inserido somente por curto intervalo de tempo,
ao passo que o resistor de controle de velocidade pode permanecer no circuito por tempo
indetenninado.
K
No exemplo do motor mostrado na figura 19-23, suponha que -,como indi-
4>
cado na equação prévia, é substituída pelo número 10. A equação para a velocidade em
rpm se toma:

rpm = 10 [Ea - Ia (Rs- Ra)]

540
Quando Rs é ajustado em zero, a resistência Ra oferecida pela armadura é 0,1 ohm. e Ia
supõe-se ser 1O ampêres. Assim:

rpm = 10 [100 -10(0 + 0,1)] = 990


Quando Rs é aumentado para 0,1 ohm, Ia diminui. A velocidade do motor cai, a f.c.e.m.
diminui, e Ia é suposto como tendo o valor inicial de 10 ampêres. Nessa condição, a nova
velocidade será:
rpm= 10[100-10(0,1 + 0,1)]=980

As perdas no reostato, quando se utiliza este método de controle, são apreciáveis em


baixa velocidade e a resultante redução na eficiência toma esse tipo de controle indese-
jável se o motor vai ser operado em velocidade baixa constante durante o período de
tempo longo.

-
I
lOO v
l Io=lOo

Rs

I
o
o....
"
rr.-

Fig. 19-23. - Controle da velocidade por meio Fig.19-24. - Controle da velocidade pela varia·
de resistor em série com a armadura. ção da intensidade do campo.

Controle da velocidade pelo ajuste da intensidade do campo


Um método mais econômico de controle de velocidade é obtido pelo ajuste, por
meio de um reostato, da corrente do campo. Se a intensidade do campo é diminuída,
a velocidade do motor aumenta, e se a intensidade é aumentada, a velocidade do motor
diminui.
A figura 19-24 mostra um método para variar a intensidade do campo por meio
do reostato de campo. Quando o reostato é retirado, a corrente de campo é de 1 ampere.
A f.c.e.m. é 90 volts, e a corrente da armadura é de 1O ampêres. A velocidade MEDIDA é
900 rpm. Quando a resistência do reostato é aumentada para 11,1 ohms, a corrente do
campo diminui para 0,9 ampêres e o fluxo do campo também diminui. Isso causa uma
redução na f.c.e.m. e um aumento sensível na corrente da armadura, o que causa um
aumento na força da armadura e um aumento na velocidade. Com o aumento da veloci-
dade, a f.c.e.m. cresce novamente para 90 volts e a corrente da armadura é novamente
reduzida para 1O ampêres.
A velocidade correspondente ao campo com corrente de 0,9 ampêres pode ser cal-
culada se for recordado que a velocidade varia inversamente com o fluxo e que o fluxo

541
(abaixo da saturação) varia diretamente com a corrente. Assim, se a velocidade for 900
1
rpm quando a corrente de campo é 1 ampêre, ele será 900 X - = 1.000 rpm quando
0,9
a corrente for 0,9 ampêre.

VEWCIDADE CONTROLADA PELO SISTEMA WARD-LEONARD

Como foi analisado nos parágrafos anteriores, a velocidade de um motor CC pode


ser controlada por pelo menos dois métodos. Variando-se a tensão da armadura, como
na figura 19-23, ou variando-se a tensão do campo como na figura 19-24. O primeiro dos
métodos permite uma variação de velocidade abaixo da velocidade em carga plena. O
egundo permite uma variação de velocidade acima da velocidade em carga plena. O pri-
'Tleiro mé!odo apresenta as características de velocidade constante dos motores série
quando a carga varia. O segundo método permite o controle com um resistor fisicamente
menor e potência grandemente reduzida e apresenta características de velocidade cons-
t:..nte em qualquer ajuste de velocidade pelo reostado de campo desde que o campo não
esteja excessivamente enfraquecido. Com um campo de valor pouco intenso o motor
pode parar. Os problemas inerentes a ambos os métodos são solucionados pelo método
Ward-Leonard ilustrado na figura 19-25.
A armadura do motor CC cuja velocidade deve ser controlada é alimentada direta-
mente por um gerador CC tracionado com velocidade constante. A fonte de alimentação
CC para o campo do gerador é variável em grandeza e em polaridade por meio de um
re\ tato e uma chave inversora como é mostrado na figura. Dessa maneira, a armadura
do motor é alimentada por uma fonte geradora cuja tensão de saída varia muito ligeira-

Motor industrial cuja


velocidade e sentido de
rotação devem ser

Excitatriz
Fonte
trifásica
Conjunto motor-gerador

Campo do gerador
principal
Gerador
principal
I l
controlados

/
Campo do
interpólo

Reostato
do campo
da excitatriz
Reostato
de controle
I Chave de
da velocidade reversão

Fig. 19·25. - Sistema Ward·Leonard de controle de velocidade.

542
mente entre os valores de carga zero e plena. O campo do motor é alimen tado por uma
fonte de tensã'o constante, a mesma que alim nta os campos do gerador. A tração do
gerador pode ser feita por um motor CA monofásico ou trifásico, por máquina de com·
bustã'o interna, ou outra qualquer fonte motora de velocidade constan te. A fonte CC
pode ser um retificador, um excitador no extremo do eixo do gerador, ou qualquer
outro tipo de produtor de energia elétrica. Na figura, o excitador do campo é wna uni·
dade ligada diretamente ao eixo do conjunto motor-gerador. O motor de tração do
conjunto M·G (MOTOR-GERADOR) é um motor trifásico. Tanto o gerador principal
como o motor com controle de velocidade tem pólos de comutação e, em alguns casos,
enrolamentos de compensação.
As vantagens deste tipo de controle de velocidade são: (1} não há perdas no reos·
tato da armadura e (2) a velocidade é estável com cargas variáveis.
A desvantagem do método é o seu alto custo devido ao equipamento adicional
necessário, isto é, o grupo motor·gerador com o seu respectivo controle.

543
1BHJOB FN #SBODP

544
Capitulo 20

Atnplificadores Magnéticos

A amplificação de voltagem e potência pode ser feita por meio do amplificador


magnético, que emprega como elemento controlável, um reator saturável de núcleo de
ferro. A grandeza da impedância do reator saturável depende da faixa de variação de
fluxo que ocorre em seu núcleo, e esta ação, por sua vez, depende da grandeza da cor-
rente de controle. Se a corren te de controle é variada de uma pequena quantidade, a
potência aplicada a uma carga é variada por urna faixa muito maior, estando aqui a ação
da amplificação.
O termo "amplificação", em geral, refere-se ao processo de aumentar a amplitude
da voltagem, corrente ou potência. O termo "fator de amplificação" refere-se à razão
entre a saída e a entrada. A amplitude do sinal de entrada e o fator de amplificação
determinam o nível do sinal de saída.
Os amplificadores magnéticos nli'o sli'o dispositivos novos, de modo algum. Os prin-
cípios da amplificação magnética foram descobertos pelo fim do século passado, mas o
amplificador magnético só atingiu seu desenvolvimento atual e aplicação na década de 50.
Os primeiros tipos eram o que agora se chamam de reatores saturáveis. Seu uso era
limitado, na maior parte, ao controle de grandes máquinas industriais e cargas de ilumina-
ção, porque as válvulas a vácuo e a gás, em parte devido à sua nocividade, e atraírem os
engenheiros, ofereciam séria competição como amplificadores de baixa potência durante a
década de 20. Só depois do desenvolvimento do princípio de "a uto·saturação", na
década de 30, que o dispositivo começou a encontrar grande aplicação como amplificador
de baixa potência. Durante a 211 Guerra Mundial, os alemães usaram amplificadores mag-
néticos em grande variedade de equipamentos, e os Estados Unidos projetaram ou pro-
duziram servomecanismos e outros dispositivos eletrônicos onde eram usados. Ao fun
da guerra, o amplificador magnético era urna "estrela que sobe" na eletrônica.
Por algum tempo, na década de 50, parecia que o transistor acabaria com o ampli-
ficador magnético. Entretanto, percebeu-se que todos os tipos de amplificadores têm
vantagens e desvantagens, para diferentes aplicações. Hoje, o amplificador magnético
encontrou seu lugar apropriado em circuitos híbridos, e em muitos casos trabalhando
junto com transistores e válvulas.
O amplificador magnético combina muitas das vantagens tanto da válvula como
do tiratron (válvula a gás, com grade de controle) e ademais, contribuiu com várias de
suas características próprias para a boa manipulação de grandes quantidades de potência.
Muito embora esta característica seja importante, são apropriados e freqüentemente
usados em dispositivos que envolvem amplificaçã'o de sinais ou voltagem.usualmente
necessário ou desejável acrescentar correntes de controle de várias fontes diferentes.
Isto é facilmente conseguido com enrolamentos adicionais no núcleo do amplificador
magnético.

545
O amplificador magnético tem certas vantagens sobre outros tipos de amplifica·
dores. Estas incluem: (1) alta eficiência (90%); (2) confiabilidade Qonga vida, pouca
manutenção, redução da necessidade de peças de reposição); (3) solidez de construção
(resistência a choque e vibração, resistência à sobrecarga, isento de danificação por
umidade); (4) ausência de tempo de aquecimento. O amplificador magnético não tem
peças móveis e pode ser hermeticamente selado num recipiente semelhante ao trans·
formador seco convencional.
O amplificador magnético tem também duas desvantagens. Por exemplo, não
pode manipular sinais de baixo nível; não é útil a altas freqüências; tem um retardo
associado com efeitos magnéticos; e a onda de saída não é reprodução exata da onda
de entrada.
O amplificador magnético é importante, porém, em muitas aplicações, pois é um
dispositivo robusto, que não dá problemas: controle de carburação em motores, veloci·
dade, freqüência, voltagem, corrente e temperatura, em equipamentos auxiliares, con·
trole de incêndios, servomecanismos, estabilizadores e equipamento de sonar e radar.

CARACTERíSTICAS

O componente básico em qualquer circuito amplificador magnético é um reator


saturável. Qualquer reator de núcleo magnético pode ser saturado, se corrente suficiente
passa num enrolamento do núcleo. Assim, de certo modo, todos os reatores com núcleos
magnéticos poderiam ser classificados como reator saturável. No entanto, uma unidade
destinada a ser amplificador magnético tem um núcleo muito especial, em comparação
com urna unidade projetada para ser reator linear ou transformador.
Como amplificador, o reator não-linear é usado só ou com outros componentes
eletrônicos, para controlai a potência aplicada a uma carga. Em sua forma mais simples,
consiste de um núcleo magnético e dois enrolamentos - um enrolamento de carga, ou
porta, e um enrolamento de controle ou sinal. O enrolamento de carga é geralmente em
série com urna fonte de controle de CC. Em circuitos mais úteis e complexos, a unidade
tem núcleos múltiplos, enrolamentos adicionais para polarização e feed-back. Os retifica·
dores também são parte dos circuitos de 'auto-saturação, e de circuitos de reator saturável,
havendo carga de CC. Tais circuitos são classificados como amplificadores, porque são
usados para controlar a quantidade de potência aplicada a uma carga no circuito de carga,
por amplificação de uma quantidade menor de potência, no circuito de controle. Esta é
a defmição geral de um amplificador qualquer.
Muitos amplificadores magnéticos parecem transformadores. Algumas unidades
pequenas parecem relês pequenos e selados. Alguns têm enrolamentos num núcleo mag·
nético aberto, e parecem urna rosquinha. Muitos transformadores de alta qualidade, de
dois enrolamentos, poderiam ser usados como elemento básico de um amplificador mag·
nético grosseiro, mas não se costuma fazê-lo.

Revisão de magnetismo
Todo reator de amplificador magnético contém um núcleo de material magné·
tico. O formato do núcleo e as características do material do núcleo são análogos aos dos
núcleos usados em transformadores de núcleo de ferro e reatores lineares; mas o núcleo
usualmente tem características magnéticas especiais que dão ao reator uma extrema não·

546
linearidade, requerida pelos amplificadores magnéticos de alto ganho. Por causa deste
material especial do núcleo, o entendimento perfeito dos amplificadores magnéticos
requer mais do que um conhecimento da teoria do transformador linear e teoria dos
reatores; porém, o conhecimento dos princípios fundamentais é necessário antes de
aplicar corretamente certas alterações.
A inforrnaçã'o sobre magnetismo e circuitos magnéticos foi discutida pormenoriza-
damente no capítulo 8.
A discussão deste capítulo objetiva desenvolver o assunto da amplificação magné-
tica com base nestas considerações.

Variáveis Magnéticas
Se se quiser atingir uma boa compreensão dos circuitos magnéticos, as variáveis
magnéticas envolvidas e suas unidades de medida devem ser consideradas. Nos parágrafos
seguintes, algumas serão descritas.
INDUTÂNCIA. - Basicamente, o amplificador magnético nada mais é senão uma
indutância variável controlada, em série com uma fonte de energia de CA e uma carga.
Pode-se relembrar que qualquer bobina possui uma propriedade de inércia chamada indu-
tância. A indutância de uma bobina pode ser elevada dotando-a de um núcleo de ferro.
A indutância de bobinas com núcleos magnéticos pode ser determinada com uma precisão
razoável pela seguinte fórmula:

1,256N2 Ap X 1o-s
L=
1

L= Indutância, em henry

N = Número de espiras

A = Área do núcleo em cm 2

J.1 = Permeabilidade do material magnético

1 = Comprimento do núcleo em em

A permeabilidade é uma medida da facilidade de fluxo num material. A permeabili·


dade do ar é 1. A permeabilidade do núcleo de uma bobina pode ser aumentada se o ar
for substituído por alguma espécie de material ferromagnético assim como o ferro ou
aço. Pelo exame da fórmula precedente, pode-se ver que a permeabilidade (J.L) é aumen-
tada por 1.000 quando o núcleo de ferro é inserido, e a indutância é reduzida de 1.000
vezes em relaçã'o ã da mesma bobina com núcleo de ar.
A figura 20-1 mostra um amplificador magnético simples onde o núcleo de ferro é
fisicamente movido para dentro e para fora da bobina, para variar a indutância, e assim,
a reatância indutiva da bobina. Quando o núcleo de ferro está inteiramente dentro da
bohl.i1a, a indutância da bobina é máxima. Portanto, a queda de voltagem através da
indutância é máxima, reduzindo a voltagem através do resistor de carga RL a um valor
baixo. Porém, ao remover-se o núcleo da bobina, a indutância da bobina diminui (e assim, a
irnpedância do circuito), diminuindo a voltagem através da indutância e aumentando a
voltagem através da carga a quase 115 volts. Com efeito, este é o princípio de operação

547
de um amplificador magnético. Como requer relativamente poucos watts de potência
para mover o núcleo dentro da bobina, que por sua vez poderá talvez controlar vários HP,
o dispositivo é um amplificador.
CURVA DE MAGNETIZAÇÃO E PERMEABILIDADE. -Muito embora a disposi-
ção acima descrita seja eficaz, o controle da permeabilidade do núcleo da bobina é nor-
malmente obtido pela saturação do núcleo com uma quantidade relativamente pequena
de CC ou CA com a fase adequada. Um núcleo não-saturado dá uma impedância relativa-
mente alta ao circuito. Um núcleo saturado, porém, age como um núcleo de ar, ofere-
cendo praticamente nenhuma impedância, exceto pela baixa resistência à CC da bobina.

Carga de
saída

Aumento de energia Fonte de


115 VCA
-----o o-----
Fig.20-1.- lndutor variável.

Quando passa corrente por uma bobina, estabelece-se urna força magnética através
dela, cuja intensidade depende da quantidade de corrente que passa pela bobina. Esta
força num circuito magnético pode ser comparada com a voltagem de um circuito elétrico
comum. A força magnetomotriz estabelece um fluxo na bobina, comparável à corrente
de um circuito comum, e tem uma densidade que depende da relutância do núcleo da
bobina. A relutância do núcleo, que pode ser comparada à resistência de um circuito
elétrico, tem um valor que depende do material que forma o núcleo. A relutância de
um núcleo de ar permanece constante, independente da corrente. Isto resulta numa eleva-
ção da densidade de fluxo que é proporcional à elevação na corrente e na força magneto-
motriz.
Quando uma substância magnética constitui o núcleo, a relutância não é mais cons-
tante, independente da corrente. Ao invés disto, quando uma corrente começa a fluir, a
relutância é muito baixa e o fluxo é muito alto, em comparação com o que existe numa
bobina de núcleo de ar sob condições similares. Com um aumento na corrente, a relu-
tância gradualmente aumenta e o aumento do fluxo é reduzido. Depois que a corrente
atinge um certo valor, que depende do material usado no núcleo, a relutância aumenta
muito rapidamente até que seu valor se aproxime do do ar. Nesta região, em tomo do
ponto b na figura 20-2, qualquer aumento na corrente não produzirá qualquer aumento
apreciável no fluxo. Esta condição é conhecida como saturação.
Como foi dito previamente, uma bobina de núcleo de ferro saturada age analoga-
mente a uma bobina de núcleo de ar, pois praticamente não oferece impedância a altera-
ções na corrente, exceto a baixa resistência de CC da bobina. Isto se origina no fato de
que a indutância de urna bobina é proporcional à sua permeabilidade incrementai, que
é a relação de urna pequena variação na densidade de fluxo, 6B, por uma variação corres-
pondentemente menor na força de magnetização ou ampere-espiras, 6H. (J.t incrementai=
= 6B/MI).
Isto pode ser demonstrado graficamente considerando urna curva de magnetização
típica, como a da figura 20-2. A densidade de fluxo, B, é dada em quilogauss, e a força de
magnetização, H, em oersteds, que são proporcionais aos ampere-espiras. A indutância da

548
bobina é proporcional â taxa de variação da densidade de fluxo, B, em relação à força de
magnetização (ampere spiras), H. Veremos que a região da curva em tomo de um ponto
a, com uma pequena variação nos ampere-espiras, AH, teremos uma grande variação da
densidade de fluxo, L\B. Isto representa a condição não-saturada da bobina, e portanto.
sua indutância é grande.
Na região da curva em tomo do ponto b, a mesma pequena variação nos ampere·
espiras, H, agora produzirá uma pequena variação na densidade de fluxo, B. Isto repre·
senta a condição saturada da bobina, e sua indutância nesta região é muito pequena.
Uma aplicação do reator saturável básico pode ser encontrada num tipo especial
de ftltro "choque" comum em fontes de energia onde a demanda de corrente varia consi·
deravelmente. São chamados choques variáveis, e são designados para operar na porção
da curva entre os pontos a e b. Para baixos valores de corrente , seus valores de in du tância
são altos. Para altos valores de corrente, suas indutâncias são baixas, pois o núcleo ficou
aturado.
O espaço de ar no choque variável é muito menor que o ftltro choque ordinário e
conseqüentemente, a relutância total, ou oposição às linhas de forças magnéticas através
do núcleo, é pequena. Isto permite que o choque fique saturado para altos valores de
corrente. Este tipo de choque tem aplicações especiais em circuitos onde as variações
de CC s!fo grandes, pois descobriu-se que dão melhor regulação de CC com quantidades
variáveis de CC. Isto é, a queda de voltagem através do choque permanece quase cons-
tante mesmo se a quantidade de corrente varia por uma ampla faixa.

Cwva de magnetização

b d
I

',.,..._
\
Cwva de permeabilidade
\ ( 8/H )
\

''
' ... ... ...
-
-
Força de magnetização lH)
- ---
tem oersteds)
Fig.20-2.- Cwvas de magnetização e permeabilidade.

O amplificador magnético funciona pelo princípio que diz que variando a força
média de magnetização, a indutância varia. Referindo-nos de novo à figura 20-2, a curva
da origem até a região abaixo do ponto c é bem inclinada e aproximadamente reta. A
indutância nesta região é alta, mas constante, isto é, dadas as variações dos ampêres-
espiras, teremos variações altas porém constantes na densidade de fluxo. A operação
da bobina nesta região produzirá pouca ou nenhuma mudança na indutância para as
variações nos ampêre spiras, não resultando nenhuma ação amplificadora.
A região de saturação em tomo do ponto b é relativamente plana, de modo que a
549
indutância em tomo desta região é muito pequena, e muda muito pouco com as variações

549
(A) r ---- 1- ----,
I
i

'I w
I

h
.. I
...
'I N
:
I
I
_j

( 8) + --------- ::-_-:.-:.( 2)
---
+Bs

H= força de magnetização B = densidade de fluxo

Fig. 20-3.- Reator com excitação CC e curva de magnetização.

550
nos ampere-espiras. A operação da bobina nesta região também será inadequada para a
operação como amplificador.
Na porção curva, ou não-linear da curva em tomo do ponto c, a indutância muda
rapidamente com pequenas variações dos ampere-espiras, isto é, a taxa de variação da
densidade do fluxo em relação aos arnpere-espiras é grande. Esta região é a região de ope-
ração desejada para a bobina, para amplificação magnética, porque pequenas variações da
média de ampere-espiras produzem grandes e significativas variações na indutância, assim
produzindo um alto ganho.

Reator excitado por CC


A disposição elétrica de um reator é mostrada na figura 20-3 (A). O reator consiste
de um núcleo magnético lamin ado, um circuito magnético de comprimento unitário, uma
área de seção reta A (largura de um segmento vezes a altura do pacote de Lânúnas), e urna
bobina de N espiras excitada por urna fonte de CC. O comprimento do núcleo, sua lar-
gura e altura são usualmente medidos em centímetros, ou polegadas. A figura 20-3 (B)
mostra urna curva de magnetização em CC, com as características magnéticas estáticas
de um material de núcleo.
Presumindo nenhuma magnetização prévia e E tal que H esteja no ponto O, B estará
em O. O aumento de E aplicará urna força magnetizante H ao núcleo, devido ao fluxo de
corrente na bobina, e isto criará uma densidade de fluxo magnético B dentro do material
do núcleo. Assim, com H aumentando para + Hm. B aumenta para + Bm. Do ponto
O a (I) (figura 20-3 B), B aumenta rapidamente junto com H, e do ponto (L) a (2), um
aumento de H para + Hs causa apenas um pequeno aumento em B. No ponto (2) qual-
quer aumento em H causa aumento apreciável em B, sendo este o ponto de saturação
+Bs. Então, baixando E para que H se anule, B também decrescerá ; porém, a retentivi-
dade do núcleo não pemúte que B caia a zero como H. Com H caindo para zero, B
decresce para o ponto (3) (o nível de reroanência + Br). Para reduzir B a zero, seria
preciso aplicar urna força coercitiva de magnetização (invertida) -Hc.
A porção da curva entre O e (2) na figura 20-3 (B) é conhecida como curva de mag-
netização em CC. Mostra a relação estática B-H para um comprimento unitário e área
unitária da seção reta do núcleo. Não mostra o fluxo total <P estabelecido, nem a força
magnetomotriz F aplicada.

Reator excitado por CA


O reator da figura 20-3 é excitado por CC; e a menos que a polaridade de E possa
ser invertida, H pode ser aplicada apenas numa direção, e o fluxo estabelecido apenas
numa direção. Ambos são mostrados como positivos na figura 20-3.
Uma curva nos sentidos positivo e negativo será gerada com o reator excitado por
CA, como na figura 204 (A); e um ciclo B-H ou de histerese do material mostrará a rela-
ção entre B e H. A figura 204 (B) mostra um gráfico de E, B, H e I para o circuito, com
as relações de fase se o reator estivesse sendo operado linearmente apenas com indutância,
e sem resistência. Isto significaria que o ciclo 8-H teria de estar locaJizado simetricamente
ao longo da linha interrompida entre os pontos 1-4 e que nenhum grau de saturação do
núcleo seria atingido - condiça-o impossível, por causa da não-linearidade do material e da
resistência da bobina.
Se a densidade de fluxo do núcleo é nula, e E é aplicada ao ponto de 0° de seu ciclo,
o prinleiro quarto de ciclo de E fará com que uma corrente passe em N e aplique urna H,
estabelecendo B ao longo da linha pontilhada entre os pontos 0-1 . Esta porção, que é a

551
(A) ( 8) 8

lC)

+H

Fig.204.- Reator de excitação CA, ciclo B-H e ondas.


mesma para o reator excitado por CC, é a curva de magnetização. O próximo quar to de
ciclo reduzirá B ao ponto 2. Durante o próximo meio ciclo, B se deslocará do ponto 2
aos pontos 3, 4 e 5. A densidade de fluxo estará no ponto 5 no começo do próximo ciclo
de H. Após alguns ciclos, o ciclo dinâmico B-H estará estabelecido. Se rá um pouco mais
largo do que se estabelecido com excitação CC.
Como o circuito hipotético é totalmente indutivo, examinemos sua operação duran·
te um ciclo ulterior de E, começando no ponto 4 do ciclo. I, H e B estarão com 90° de
atraso em relação a E. O fluxo no núcleo sempre assumirá um formato, de pendendo das
características do núcleo, que tenderá a fazer com que a voltagem auto-induzid a da bobi-
na seja da mesma forma que E. H e I nem sempre são do mesmo formato ; mas neste caso
são, porque presume-se que o ciclo B-H não é como indicado, mas está ao longo dos
pontos 1-4, isto é , simétrico, e que o mesmo grau de saturação do núcleo exista durante
todo o ciclo de H.
De fato, para este ciclo B-H e sua operação, um pouco menos que a saturação é
mostrado na figura 20-4 (B). I e H serão uma senóide com picos agudos; mas B perma-
necerá uma senóide normal. B, H e I estarão atrasados em relação a E de 90°, por causa
de perdas resistivas, superficiais, e de histerese.

Efeitos do núcleo especial


Já foi mencionado que núcleos para amplificadores magnéticos deveriam ter carac-
terísticas especiais. Estas são melhor identificadas em termos de ciclo de histerese do ma-
terial. É desejável usar um material com uma histerese retangular BH, como mostrado nas
figuras 20-4 (C) e 20-5 (A).Porém, a retangularidade ilustrada, de fato, não pode ser atin-
gida; mesmo com os melhores materiais, o ciclo estaria levemente inclinado no sentido
horário. Se tal núcleo é usado na figura 20-4 (A), o que há de importante a ser notado de
204 (C) é que H e I são ondas quadradas, até que se atinja a saturação do núcleo; B e E
são senoidais; e se a carga aplicada a E é puramente indutiva, B, H e I se atrasam de 90°
de E. Mas mesmo que H e I sejam aproximadamente quadradas para núcleos de alta quali-
dade até atingir-se a saturação, os circuitos de amplificador magnético são principalmente
resistivos, após a saturação; e as variáveis estão quase em fase umas com as outras.
Vários tipos de ligas de níquel-ferro que têm propriedades magnéticas mais ade-
quadas que as anteriores para uso como material de núcleos para reatores saturáveis, já
foram desenvolvidos e podem ser encontrados no comércio. Estes materiais são (1) ligas
de alta permeabilidade e (2) ligas de grão orientado.
Os materiais de alta permeabilidade, assim como o Permalloy A, Mumetal, liga 1040
e equivalentes têm valores baixos e intermediários de densidade de fluxo de saturação,
mas ciclos de histerese relativamente estreitos e inclinados. Estes materiais são usados
extensivamente como núcleos, em estágios amplificadores com entrada de baixo nível.
Os materiais de grão orientado, como Orthonol, Deltamax, Hypernik V, Orthonik,
Permeron, e equivalentes, têm valores mais altos de densidade de fluxo de saturação, e
ciclos de histerese mais retangulares (figura 20-5 A) do que os materiais de permeabili-
dade elevada. Os materiais de grão orientado são chamados de materiais de ciclo quadra-
do, por causa do formato achatado da parte de cima e de baixo do ciclo de histerese. Na
figura 20-5 (B) temos um ciclo convencional. Estes materiais de grão orientado são usados
como núcleos em estágios amplificadores de saída de alto nível, onde a permeabilidade
máxima ocorre perto da densidade de fluxo de saturação, resultando num aumento subs-
tancial na capacidade de manipulação de potência para um dado peso de material do
núcleo.

553
Na manufatura de núcleos saturáveis, as características da estrutura granular do
material podem ser alteradas consideravelmente, com laminação e recozimento.
Um grande aperfeiçoamento nas propriedades magnéticas de alguns materiais é
obtido laminando o material a frio, antes de ser recozido. O processo de laminação a
frio desenvolve urna orientação do grão na direção da laminação. Se uma força magne-
tizante é aplicada ao material de modo que o fluxo esteja na orientação do grão, obtém-se
um ciclo de lústerese retangular. Assim, em certos materiais, a laminação a frio produz
urna permeabilidade quase infmita até o ponto de inflexão, e saturação completa além
deste ponto.
8 B

-
H H
o

(A) Ciclo quadrado (B) Ciclo convencional

Fig.20-S.- Ciclos de histerese.

Princípios do transformador
Há uma grande diferença entre a operação de um transformador e a operação de
um amplificador magnético. O transformador, exceto em aplicações especiais, é operado
tão linearmente quanto possível; é preciso reproduzir fielmente a forma de onda da vol-
tagem. Normalmente, usa um núcleo magnético a baixas freqüências para dar um bom
trajeto para o fluxo magnético, produzindo urna alta indutância com poucas espiras,
e com os enrolamentos bem apertados para alta eficiência. O amplificador magnético
também tem um núcleo magnético para dar um bom trajeto para o fluxo magnético e
permitir que o núcleo seja facilmente saturado, mas não reproduz fielmente as formas
de onda da fonte de potência. Até que se dê a saturação, porém, os amplificadores mag-
néticos, os transformadores e reatores lineares têm muito em comum, e deve-se recordar
os princípios fundamentais dos transformadores para se entender mais facilmente o
funcionamento dos amplificadores magnéticos.
O transformador mostrado na figura 20-6 (A) tem uma construção comum para
transformadores pequenos de dois enrolamentos para potência e áudio. Porém, presu-
me-se que este transformador tenha um núcleo de material de alta qualidade - um ciclo
retangular B-H levemente inclinado - e que E não tenha amplitude suficiente para
saturar o núcleo. Com a chave S 1 aberta, aplica-se E ao enrolamento primário, com
terminais 1 e 2. Isto fará com que uma pequena corrente, conhecida como corrente de
magnetização Im. passe no primário (v. figura 20-6 B). A corrente Im estabelece um

554
fluxo rotulado !pp, no núcleo.
Divide-se e circula pelos ramos
uniformemente, criando a
(A) ......
- p

mesma densidade de fuxo em •


todas as partes do núcleo. O llp

fluxo induz voltagens com a


mesma orientação, em ambos
os ramos, uniformemente, cri- 1--w.........
ando a mesma densidade de SI
fluxo em todas as partes do •
núcleo. O fluxo induz no
mesmo sentido, em ambos os
...
,, 4 .l
T
enrolamentos.
Os enrolamentos são
marcados com pontos, para
indicar as polaridades relati- (8)
vas entre os dois enrolamen-
tos. Os enrolamentos primá-
rio e secundário slro enrolados
no mesmo ramo, no mesmo
sentido; as voltagens induzi-
das são positivas nos extre-
mos superiores de ambos os
enrolamentos durante o semi-
-ciclo positivo de Ep. A vol-
tagem induzida no primário
opõe-se mais do que ajuda a
voltagem da fonte, E. Usual-
mente diz-se que a voltagem
induzida é igual e oposta ã
voltagem aplicada. Esta afir-
mação, de certa forma, é ver-
lp
dadeira, mas seria mais pre-
ciso dizer que é igual e oposta
ã voltagem aplicada. Para se
opor completamente à volta-
gem aplicada nos terminais,
teria de ser igual em fase e Fi:g.2 .
Transformador comwn
amplitude em cada ponto da
e formas de onda.
voltagem aplicada. Se fosse
aquele o caso, não haveria fluxo de corrente de magnetização.
A voltagem induzida no primário nunca pode igualar realmente a voltagem nos
terminais, por causa da queda resistiva e a necessidade de manter o fluxo estabelecido.
Portanto, a corrente de excitação é automaticamente regulada para um valor muito baixo,
usualmente menos de 10% da corrente de carga do secundário. A voltagem induzida do
secundário é também positiva pelas razões mencionadas acima (enrolamento no mes-
mo sentido, localizado no mesmo ramo do núcleo, e cortado pelo fluxo no mesmo sen-
tido), e por outras razões. Se o primário e o secundário são enrolados no mesmo sen-
tido, mas localizados em diferentes ramos do núcleo, a polaridade relativa das voltagens

555
induzidas será oposta. A razão entre as amplitudes das voltagens do primário e do secun·
dário depende da relação de espiras Np/Ns:

=
Es Ns
Fechando-se S 1 (figura 20-6 A) passa uma corrente no enrolamento secundário e
em RL, temos o seguinte funcionamento quando se transfere a potência do primário para
o secundário:- como a voltagem secundária é positiva no terminal 3 durante o semi·
ciclo positivo de E e é a fonte de voltagem para a carga, a corrente passará subirldo através
de RL, como irldicado na figura 20-6 (A), durante o semiciclo positivo da fonte de volta·
gemE. &ta corrente de carga através do secundário estabelecerá um fluxo <I>s, de sentido
oposto ao fluxo criado pela corrente de excitação do primário lm. Isto tende a cancelar
as voltagens induzidas do primário e do secundário, mas ao fazê-lo, causa uma elevação
na corrente do enrolamento primário. Assim, a corrente de carga é refletida de volta ao
primário devido ao acoplamento dos enrolamentos e à oposição proporcionada pelo fluxo
secundário. Esta elevação em lp depende do valor da corrente secundária ls e da relação
de espiras entre o secundário e o primário:

IpNp = lsNs
Esta é a lei dos ampere-espiras; vale sempre. A figura 20-6 (B) mostra as formas de onda.
Note que lp é a soma algébrica de Im e IRL.
Ao passo que muito mais poderia ser dito dos princípios dos transformadores, os
pontos acima dã"o alguma informação fundamental para a compreensão da operação dos
amplificadores magnéticos.

Ação do fluxo no material do núcleo


A chave real para a compreensão da operação do amplificador magnético está no
conhecimento da ação do fluxo nos materiais do núcleo dos amplifiéadores magnéticos.
Assim como a compreensão dos amplificadores eletrônicos requer a análise das curvas
características, a compreensão dos amplificadores magnéticos requer o exame das curvas
B-H para o material do núcleo. Como os materiais para os núcleos diferem consideravel-
mente dos normalmente usados em reatores lineares e em transformadores, um exame
mais minucioso destes materiais e uma introdução ao fenômeno da saturação seria valioso.
Presumindo que o reator da figura 20-7 (A) tem um material de núcleo com um
ciclo B-H característico como na figura 20-7 (B), o fornecimento de voltagem fará com
que o fluxo varie dentro de certos limites, que dependem da amplitude e freqüência de E,
da área da seção reta A e das características do material, e do número de espiras, NL. A
equação fundamental dos transformadores relaciona estas variáveis e diz que:

Erms = 4,44 NAfBs X 10-8

onde Bs é a densidade de fluxo, + Bs ou -Bs, requerida para a saturação de um dado


material.
A densidade de fluxo pode ser variada pela variação de E. Se E é urna quantidade
menor do que a requerida para satisfazer a equação acima, a densidade de fluxo durante
um ciclo de E variará entre limites menores. Os dois ciclos interiores pontilhados (figura
20-7 B) representam a operação para dois valores reduzidos de E. O material não atirlge

556
a saturação, e wna voltagem senoidal de valor bem baixo se estabelece em RL, porque
um pequeno valor da corrente de magnetização I m flui pelo circuito. O valor apropriado
de E mal chegará ã saturação do núcleo.
Aumentando-se E acima do valor eficaz (rms = root mean square) calculado para
a saturação do núcleo, teremos urna alteração na operação do circuito em relação ã de um
reator, onde um E reduzido é aplicado a um reator acentuadamente não-linear.
Suponha que já se passaram vários ciclos de E e que a densidade de fluxo esteja em
- Br ou no ponto 1, quando E começa um novo ciclo. Quando se aplica força magne-
tizante suficiente, a densidade de fluxo começa a se alterar, primeiro caindo para O e
então aumentando para +Bs. Como o fluxo varia entre os dois níveis de Br, a impedâhcia
de NL é muito alta, porque a permeabilidade do material nesta região é muito alta - até
um milhá'o - e a impedância de NL é aumentada por este valor de Jl acima do que seria
para o mesmo núcleo, com entreferro de ar, que tem Jl unitário. Como só um pequeno
valor da corrente de magnetização flui no circuito durante esse tempo, a alta impedância

(A)

8

(8)
• Bs
ENL o
,.-
: I
II
I I
I I
I I
I I f:R o
II L
H
Hc I'O
I I : I •
II I I
I
II :I I I
I
I I
II I I
I j

I
I I
' ·-- -·'
---
I 8 o

- Bs

Fig.20·7.- Reator de saturação, ciclo de histerese, e formas de onda.

557
de NL fará cair quase toda a voltagem do circuito. A um nível de densidade de fluxo de
+ Bs, o núcleo se satura; a permeabilidade efetiva fica muito baixa; a impedância de NL é
muito baixa; e a maioria da voltagem do circuito cai através de RL. Como os níveis de
Bs e Br são quase os mesmos para o material representado, o núcleo é basicamente satu-
rado para o resto deste meio ciclo de E. Note o formato das ondas através de NL e RL
(figura 20-7 C). Ao aplicar-se suficiente força magnetizante negativa, a densidade de fluxo
desloca-se entre + Br e· -Br, e NL retoma suas propriedades de alta impedância. Em
algum ponto do semiciclo negativo, a saturação é de novo atingida em-Bs;e RL faz cair
quase toda a voltagem do circuito. O nível da densidade de fluxo está em -Br no começo
do semiciclo seguinte.
Há vários tópicos importantes que devem ser evidentes, na figura 20-7. Um material
de núcleo com ciclo B-H retangular é altamente desejável para amplificadores magnéticos
de alto ganho, porque é preciso pouca força magnetizante para produzir abruptamente
a saturação. O núcleo, quando completamente saturado, tem permeabilidade muito baixa;
mas sua permeabilidade é muito alta quando não está saturado. A permeabilidade de um
material é a inclinação da tangente a um ponto do ciclo B-H e varia de um valor muito
alto ao longo da porção vertical até um valor muito baixo, na saturação. Também NL
é wna impedância não-linear que, para todos os fins práticos, pode ser desprezada, exceto
quando a densidade de fluxo está mudando de nível; urna bobina estacionária num núcleo
estacionário deve ser cortada por nível variável de fluxo, para apresentar a propriedade da
indutância.

Propriedades desejáveis para o núcleo


As propriedades desejáveis para o material de um núcleo são um ciclo de histerese
retangular, largura mínima, e alto nível de densidade máxima de fluxo. O alto grau de
retangularidade é necessário para proporcionar alterações abruptas dos estados insatura-
dos para os saturados, e vice-versa, ao passo que lados muito inclinados representam alta
permeabilidade; wna pequena largura para o ciclo B-H representa alta sensibilidade do
controle, e baixa hlsterese e baixa perda por corrente de Foucault; a alta densidade máxi-
ma de fluxo representa boa capacidade de manipulação de potência. Em outras palavras,
o ciclo B-H do material ideal deveria ser urna longa linha vertical que muda abruptamente
para urna horizontal na saturação.

Formatos do núcleo
Os núcleos para amplificadores magnéticos de alta qualidade e baixa potência são
usualmente toroidais, anelares, ou em "U". Os núcleos E-I e C são limitados a amplifi-
cadores de alta potência, mas podem ter aplicação se economia é um fator mais impor-
tante do que alto ganho (V. figura 20-8).
Por causa dos entreferros reduzidos, os núcleos toroidais e anelares têm as melho-
res propriedades magnéticas do grupo. O núcleo anelar é construído com arruelas estam-
padas a partir de folhas do material. O toroidal, de urna fita cortada do material, enrolada
no formato de urna rosca. O núcleo CA é enrolado com wna fita nwna espira elipsoidal
e então serrado em duas peças. As faces da junta são retificadas para reduzir o entreferro
quando são reunidos com urna fita do mesmo material. Os núcleos U e E-1 são feitos
empilhando lâminas. Os núcleos U em pequenos amplificadores magnéticos são geralmen-
te de material nero-direcional. O entreferro real é pequeno, porque os ramos terminais
têm o dobro da largura dos ramos laterais e o fluxo vai de lâmina para lâmina nos cantos;
porém, a área das seções retas dos ramos terminais e laterais é a mesma. Por esta razão,

558
I

---- - -
-·r
=
:'
I
'
' ' '

Fig. 20-8.- Alguns formatos típicos d e núcleo.

e por causa da economia na construça"o do enrolamento, o núcleo em U tem considerável


aplicaça-o de baixa potência. O núcleo E-1 tem o maior entreferro. Geralmente é usado
apenas em transformadores ordinários e em grandes amplificadores de baixo ganho. Qual-
quer entreferro pequeno tem o efeito de materialmente reduzir a permeabilidade, incli·
nando o ciclo de histerese.
Todos os núcleos dependem de óxidos depositados, ou residuais, para isolar as
arruelas, espiras ou fitas, ou lâminas, para reduzir as correntes de Foucault. Estas cor·
rentes efetivamente aumentam a largura do ciclo B-H. As fitas fmas ou lâminas, também
as reduzem. Como materiais mais fmos que 0,002 polegada têm tensões introduzidas
durante o corte e puncionamento, os núcleos sá"o geralmente feitos com 0,002" a 0,014"
de material. Por causa das perdas por corrente de Foucault, é preciso um material mais
fmo para amplificadores de 400 e 800 Hz, mais do que para os amplificadores d e 60 Hz.

AMPLIFICADORES MAGNÉTICOS BÁSICOS

O circuito básico para controlar a potência da carga por meio de um enrolamento


de controle está ilustrado na figura 20.9. Ambos os enrolamentos estão sobre um núcleo
comum;o primário é usualmente chamado de enrolamento de controle.
559
O enrolamento primário é alimentado com uma fonte de CC para fms de controle.
Um potenciômetro é ligado em série com este circuito e é usado para controlar a quan-
tidade de fluxo de corrente. Este fluxo de corrente estabelecerá um fluxo unidirecional
no núcleo a um nível que depende da quantidade de força magnetizante de CC. O segun-
do enrolamento é ligado em série com uma fonte de CA e a carga, que é mostrada como
sendo uma lâmpada.
As variações de corrente através do enrolamento de controle correspondem a varia-
ções na intensidade do campo magnético (ampêre-espira). Referindo-nos à figura 20-2,
estas variações na porção da curva entre a origem e o ponto a produzirão pouca ou ne-
nhuma mudança na indutância ou permeabilidade, devida ã característica quase reta da
curva. Para que estas variações na corrente produzam variações na indutância, elas devem
tomar lugar na porção encurvada do gráfico. Isto significa que deve fluir corrente sufi-
ciente pelo enrolamento de controle para colocar o ponto de operação na inflexão, como
o ponto c. Isto é análogo a acertar o ponto de funcionamento de uma válvula, por meio
de polarização.

Potenciômetro Circuito
de controle de carga
Núcleo
larninado
Fia. 20-9.- Um amplificador
magnético básico.

FontedeCA

Com a bobina operando no cotovelo da curva de magnetização, um pequeno


aumento na corrente pelo enrolamento de controle baixará a indutância da bobina, ou
permeabilidade do núcleo, por causa da orientação ou sua inclinação estarem se movendo
para a horizontal. Em resultado, a reatância CA do enrolamento de carga diminui. A
impedância diminuída, do circuito de carga então deixará passar uma corrente maior,
assim aumentando a potência consumida na carga. Com o núcleo completamente satura-
do, a reatância do enrolamento de carga cai quase a zero, deixando apenas a resistência
do fio de cobre para impedir o fluxo de corrente. Sob esta condição, a voltagem máxima
da fonte será aplicada à carga ; assim, a lâmpada brilhará mais. Inversamente, diminuindo a
corrente pelo enrolamento de controle, aumenta-se a reatância da bobina de carga, assim
diminuindo a potência desenvolvida através da carga.
Na região entre a origem ao ponto a na curva da figura 20-2, a permeabilidade do
núcleo (indutância da bobina) é máxima, resultando num mínimo de corrente de carga
e numa potência mínima de saída. Como a reatância da bobina de carga foi alterada
variando-se o grau de saturação do núcleo, o dispositivo é chamado de reator saturável.
A regra seguinte se aplicará a qualquer reator saturável ou amplificador magnético: uma
corrente de controle que tende a saturar o núcleo, aumentará a saída do amplificador.

AMPLIFICAOOR MAGNniCO APERFEIÇOAOO

O circuito básico do amplificador magnético, mostrado na figura 20-9 é muito ine-


ficiente, por causa da ação de transformador entre os dois enrolamentos. O fluxo alter-
nado do secundário induzirá uma voltagem no enrolamento primário do controle. Se o

560
enrolamento de controle tiver um grande número de espiras, a voltagem pode tomar-se
excessiva e pode mesmo romper o isolamento.
Outra razão por que esta forma de amplificador magnético é raramente usada é o
fato de que o enrolamento de controle agiria como um secundário curto-circuitado. Isto
dissiparia uma quantidade considerável de energia de CA aplicada ao enrolamento de
controle. g possível prevenir esta perda inserindo uma impedância de isolamento, na
forma de uma indutância, em série com o enrolamento de controle. Outro método de
evitar esta perda é utilizar um núcleo com três ramos. Este método será descrito em
pormenor.

N6cleo de três ramos


O efeito de transformador previamente mencionado também causaria um fluxo
alternado no núcleo e a curva de histerese do seu material seria percorrida durante um
ciclo inteiro da fonte de voltagem CA, como na operação de um transformador. Para que
este circuito funcione como amplificador, é preciso suficiente força magnetizante para
se contrapor ao fluxo de CA, e uma quantidade adicional de força magnetizante de CC
é preciso para ajustar o ponto de funcionamento.
Uma disposiçã"o muito mais satisfatória para um reator saturável é dada na figura
20-10. Esta figura mostra um núcleo de três membros com um enrolamento deCAem
cada ramo externo, ligado em série, e o enrolamento de controle de CC no ramo central.
No ramo central de um reator saturável deste tipo, qualquer fluxo alternado produzido
por um dos enrolamentos de CA é equilibrado pelo fluxo produziqo pela outra bobina
de CA. Isto vale apenas quando ambas as bobinas de CA têm número igual de espiras e
estli'o ligadas em série ou em paralelo, de modo que o fluxo dos campos produzidos
pelas duas bobinas opõem-se um ao outro pelo ramo central. Isto é mostrado pelas linhas
pontilhadas na figura 20-10.

Fonte de CA R L Carga

Durante Fig. 20·10.- Amplificador


o primeiro magnético
meio-ciclo (seta comna
sólida núcleo de três
fonte) da ramos.
tensão aplicada, o senti·

562
Como estas forças se opõem e são iguais, não passam pelo ramo central mas unem-se
numa trajetória comum pelos ramos externos do núcleo. Isto é mostrado pelas linhas
interrompidas na figura 20-10. A figura também mostra que a corrente pelo enrolamento
de CC no ramo central do núcleo produz um fluxo magnético tal como indicado pelas
setas nas linhas cheias. As linhas de fluxo são causadas pelo fluxo de CC em dois trajetos,
como mostrado, e magnetizam todo o núcleo. Muito embora a bobina de CC seja usada
para magnetizar os núcleos das bobinas de CA, não há voltagem de CA induzida no
enrolamento de controle quando se usa um reator de três ramos.
Durante a operação, a variação de corrente na bobina de controle variará a rnagne·
tização do núcleo. Como mostrado previamente, quando a força de magnetização é alte·
rada, a permeabilidade do núcleo varia e por sua vez, a indutância das bobinas de CA tam·
bém varia. Sob outros aspectos, o amplificador magnético de três ramos funciona tal
como o circuito básico.
Como mencionado previamente, as bobinas de CA podem ser ligadas em série ou
em paralelo. As bobinas de CA ligadas em série oferecem a vantagem de maior ganho
de voltagem e resposta mais rápida. As bobinas de CA ligadas em paralelo são capazes
de aceitar cargas com consumo médio a alto de corrente, conforme possa ser requerido
por grandes servomotores. O tempo de resposta é maior para os enrolamentos em para·
leio;entretanto, isto será discutido mais adiante.

Retificador de meia-onda
Outro aperfeiçoamento do amplificador magnético básico é o uso de retificadores
de meia-onda. Uma descrição de um circuito simples de meia-onda será dado (figura
20.11) como exemplo dos princípios de operação do amplificador magnético.
No exemplo da figura 20·11 (A), a seta sólida na fonte indica o sentido da cor·
rente através do circuito durante os meios ciclos positivos da voltagem aplicada, eca·
As marcas de polaridade (pontos nos extremos dos enrolamentos) indicam como as
espiras estão enroladas no núcleo. Os extremos marcados dos enrolamentos de um núcleo
são supostos com uma polaridade instantânea em relação aos extremos não-marcados.
Também os extremos marcados de dois ou mais enrolamentos num núcleo comum são
considerados com a mesma polarização instantânea um em relação com o outro. Por
exemplo, na figura 20·11 (A), se a voltagem aplicada ao enrolamento de controle é de
uma polaridade que num dado instante faz com que a corrente entre pelo extremo mar·
cado daquele enrolamento, a voltagem induzida do outro enrolamento será de urna polari·
dade (no mesmo instante) de modo a fazer a corrente sair do extremo marcado daquele
enrolamento. A voltagem de controle, ec é tornada corno tensão contínua. As setas do
retificador estão apontadas contra o sentido do fluxo eletrônico.

Função dos retificadores


Os retificadores são colocados nos circuitos de carga e controle para evitar que o
fluxo de corrente entre no circuito de controle durante o meio ciclo de porta e na carga,
ou circuito de porta durante o meio ciclo de retomada. O amplificador magnético não é
um amplificador no sentido de um transformador ampliador de voltagem. As voltagens
são geradas por indução mútua (efeito de transformador), entre os enrolamentos de con·
trote e de carga dessas bobinas, mas só têm um pequeno efeito no funcionamento do
amplificador sob as condições estabelecidas.

561
do das tensões induzidas nas bobinas de carga é negativo nos terminais com polaridãde
marcada.
Esta ação é no sentido direto do retificador, e contra eca. Assim, o retificador no
circuito de carga evita o fluxo de corrente através da carga, e está sujei to à diferença entre
eca e à voltagem mutuamente induzida no enrolamento de carga. O intervalo de tempo,
correspondente ao primeiro meio-ciclo, é chamado meio ciclo de zeragem. Este efeito
será descrito mais adiante.

Análise com voltagem de controle nula de CC


Como mencionado previamente, a figura 20-11 é usada na análise da ação do ampli-
ficador magnético básico de meia-onda. A figura 20-11 (A) representa este circuito básico.
A figura 20-11 (B) representa o ciclo de histerese quadrado para o material de núcleo usado

Fluxo remanente

Fonte - +

'\.o t., : Enro lamento


Porta l Zeragcm

de carga L
+ -
CR2

lo Partída

(A)
Ciclo de histerese

Reajuste

Fig. 20-11. - Amplificador magnético básico de meia-<>nda.

563
neste circuito. A figura 20-11 (C), (D) e (E) representa as ondas de corrente e voltagem
para três condições a serem consideradas. O símbolo que representa uma quantidade é
comum a todas as partes da figura. Por exemplo, a corrente de magnetização lm. está
representada na figura 20·11 (B), (C) e (E). O ciclo de histerese está ampliado para maior
clareza, e não está na mesma escala das partes (C), (D) e (E).
MEIO CICLO DE ZERAGEM. -A primeira condição a ser descrita é a voltagem de
controle ec, no zero. No começo deste meio-ciclo, presume-se que o núcleo tenha um
fluxo remanente residual ou de saturação C/>1 (figura 20-11 B). A orientação deste fluxo é
indicada pela seta, C/>1 na figura 20-11 (A). Com eca aumentando a partir de zero no sen-
tido positivo (indicado pela seta sólida na fonte, figura 20-11 (A) e pela parte da senóide,
do ponto 1 ao ponto 2 (figura 20-11 (C)), a corrente no enrolamento de controle estabe·
Ieee uma f.m.m. representada por metade da largura do ciclo de histerese + Im (figura
20-11 B). A voltagem aplicada estabelece urna f.m.m. que age no sentido oposto ao fluxo
residual do núcleo, C/>1, assim desmagnetizando o núcleo. A quantidade de variação do
fluxo dependerá da grandeza da voltagem aplicada através do enrolamento de controle
e do intervalo de tempo durante o qual esta voltagem é aplicada.
Neste exempl,o, o primeiro meio-ciclo de tensão aplicada é considerado como o que
inverte o magnetismo do núcleo e estabelece sua densidade de fluxo essencialmente no
nível de saturação positiva, C/> 2 (figura 20-11 B). Esta ação é a "zeragem".
Com eca aumentando a partir de O no sentido positivo nas vizinhanças do ponto 1
(figura 20-11 C), não há mudança no fluxo do núcleo até que a corrente suba ao valor
+ Im, correspondendo ã metade da largura do ciclo de histerese. Assim, sem variação de
fluxo, a corrente sobe abruptamente e é limitada apenas pela resistência do circuito e
baixo valor de eca·Quando a corrente atinge o valor +Im, o fluxo do núcleo começa a
mudar de nível C/>1 para o nível C/>2 (figura 20-11 B). A tensão auto-induzida que a acom·
panha se opõe a eca e limita a corrente a um valor pequeno constante durante a variação
de fluxo do nível C/> 1 a C/>2.
Esta variação de fluxo continua durante o intervalo de tempo entre o ponto 1 e 2
(figura 20-11 C). Ao continuar, a voltagem induzida continua a variar em grandeza com
eca e a se opor a eca de modo que Im permanece constante pelo intervalo do meio ciclo.
SEMICICLO DE PORTA. - O próximo semiciclo é chamado de "porta". Começa
no ponto 2 (figura 20-11 C) quando a polaridade da tensão aplicada se inverte. O sentido
da corrente para este semiciclo é indicado pela seta marcada (figura 20·11 A). Durante
este intervalo, o retificador no circuito de controle bloqueia o fluxo da corrente no cir·
cuito de ·controle. Porém, o retificador no circuito de carga permite que a corrente da
fonte passe por aquele circuito. Esta corrente magnetizará o núcleo no sentido negativo,
isto é, no sentido que muda o fluxo do nível C/> 2 ao nível C/>1• A voltagem aplicada é supos-
ta da grandeza correta para magnetizar o núcleo ao nível C/>1 (figura 20·11 B). Indica-se
uma condição de equilíbrio.
A grande variação de fluxo do nível C/>2 ao nível C/> 1 provoca urna voltagem auto-
induzida no enrolamento de carga L, e uma voltagem mutuamente induzida no enrola-
mento dcontrole C. A tensão auto-induzida na bobina de carga opõe-se a eca e a mutua·
mente induzida no enrolamento de controle também se opõe a eca. O retificador no
circuito de controle está sujeito a uma voltagem inversa igual à diferença entre eca e a
voltagem mutuamente induzida no enrolamento de controle. Por causa da mudança
máxima do fluxo no núcleo, o enrolamento de carga apresenta impedância máxima ao
circuito contendo RL através do meio ciclo de porta, e assim eca aparecerá através do
enrolamento de carga, e não através de RL. Para esta condição, a corrente através da
carga é limitada a uma componente de magnetização mfuima desprezível em compara-

564
ção a valores normais da corrente de carga. A porta fica fechada.
Análise com voltagem máxima de controle de CC
A segunda condição descrita é para ec igual ao valor de pico para eca. No ponto 1
(figura 20-11.0) o magnetismo remanente é de novo o nível 1 (figura 20-11 B).
PRIMEIRO MEIO·CICLO. - A voltagem aplicada, eca, sobe de O ao máximo
durante os primeiros 90° do ciclo, mas não tem efeito no núcleo porque a voltagem de
controle ec tem uma grandeza igual ao valor máximo de ecã. e polaridade oposta ã de
eca· Assim, o retificador evita o fluxo de corrente de controle da bateria durante o tempo
que ec é maior que eca· Como não há voltagem através da bobina de controle (o retifica-
dor é essencialmente um circuito aberto), não pode ocorrer variação de fluxo do ponto 1
ao 2 (figura 20-11 D). A figura 20-11 (B) não se aplica. Assim, não ocorre variação de
fluxo durante o meio ciclo de zeragem para esta condição hipotética.
SEGUNDO MEIO CICLO. - Quando eca inverte sua polaridade (seta sólida para
pontilhada), o retificador no circuito de controle continua a bloquear o fluxo de cor-
rente naquele circuito. No circuito de carga, a polaridade de eca durante o intervalo de -
porta, aponta de 2 para 3 (figura 20-11 0), é tal que o núcleo fica ainda mais saturado
negativamente (ponto Ia, figura 20-11 B). Como o núcleo já está saturado, não ocorrem
outras variações de fluxo, e eca aparece através de RL porque o enrolamento de carga não
oferece impedância a IL.
O valor total da corrente de carga passa, e sua grandeza é eca/RL. A porta está
aberta. A onda desta corrente -IL está ilustrada na figura 20-11 (0).
Análise com voltagem de controle parcial de CC
A terceira condição presume que ec é aproximadamente a metade do valor de pico
de eca· Durante o meio ciclo de zeragem, aplica-se voltagem ao enrolamento de controle
durante o intervalo de tempo do ponto 2 ao 3 (figura 20-11 E). A grandeza desta volta-
gem é eca - ec. Esta voltagem será inferior ao valor de pico de eca. mas maior que zero;
e um novo conjunto de condições será estabelecido.
PRIMEIRO MEIO CICLO. - O ciclo de zeragem está apenas começando. Durante
o intervalo de 1 a 2 (figura 20-11 E}, ec é maior que eca, e o retificador se opõe a qual-
quer fluxo de corrente no enrolamento de controle. Durante o intervalo de 2 a 3, eca
excede ec, e a corrente de magnetização passa pela bobina de controle. Como mencionado
previamente, a extensa-o da variação do flux9 no núcleo dependerá do intervalo de tem-
po e grandeza da voltagem aplicada na bobina de contato dentro do meio ciclo. Como o
intervalo de tempo é muito curto, e a voltagem líquida aplicada ao enrolamento de con-
trole é muito inferior a eca, o nível do fluxo no núcleo deve mudar de 1 ao nível ao
longo da linha, passando por 3 (figura 20-11 B). Durante o intervalo de 3 a 4 (figura
20-11 E), eca de novo fica inferior a ec, e o retificador evita qualquer outra passagem de
corrente de controle. Como nos exemplos prévios, o retificador no circuito de carga evita
que qualquer corrente passe naquele circuito durante o meio ciclo de zeragem.
SEGUNDO MEIO CICLO. - Quando eca se inverte, a corrente de magnetização
que passa pelo enrolamento de carga muda o fluxo do núcleo do nível do ponto 3 ao
nível do ponto 1 (figura 20-11 B). Esta mudança ocorre durante o intervalo de 4 a 5
(figura 20-11 E). A impedância do enrolamento de carga é alta durante este intervalo, e o
fluxo de corrente pela carga é restrito ã corrente de magnetização. Porém, no ponto 5,
o núcleo se toma saturado, e não ocorrem outras mudanças de fluxo. A impedância do
núcleo cai a zero, e a corrente eca/RL passa pela carga no intervalo de 5 a 6. A tensão da
carga está em fase com eca e tem a mesma forma da onda de eca para esta parte do ciclo.

565
Efeito da histerese no funcionamento
Até esta altura, para simplificar a introdução aos amplificadores magnéticos, o
efeito da histerese foi desprezado. Para entender inteiramente as características dos
amplificadores magnéticos, é importante saber como estas características são afetadas
pela forma do ciclo de histerese.
A curva na figura 20-12 (A) representa uma curva retangular típica B-H;as·curvas
em (B), (C) e (D) mostram a operação para várias quantidades de ação de controle.
Usa-se também a figura 20-11 para explicar os efeitos da histerese. Este circuito
tem dois períodos distintos de operação. O período durante o qual o retificador CR·2
conduz é conhecido como "período de operação"; o outro meio ciclo da corrente alter-
nada é conhecido como "período de controle".
Na explicação do efeito de histerese na figura 20-1 2 (A), vamos supor que a cor-
rente de controle seja nula e que o enrolamento de carga tenha corrente de amplitude
tal que sature o núcleo na condução de pico. Durante o primeiro período de operação,
a condução pelo enrolamento de carga fará com que o fluxo do núcleo se acumule ao
longo da linha pontilhada do ponto de origem O ao ponto de saturação, a. Ao fim deste
período, o nível de fluxo na bobina retoma ao ponto b e nã"o a zero por causa da retenti·
vidade do núcleo. É o chamado ponto de remanência magnético e deixa o núcleo numa
condição magnetizada, análoga a um magneto permanen te. Assim, sem corrente de con-
trole, o fluxo do núcleo permanecerá no ponto b e durante cada meio ciclo positivo o
núcleo se satura imediatamente. Sob esta condição, a corrente de carga será máxima,
pois não se exerce nenhum controle.
A figura 20-12 (B) mostra este efeito quando uma pequena corrente de controle
é acrescida. A operaçã"o durante o primeiro meio ciclo é análoga ao acima descrito em
relação à figura 20-12 (A), mas durante o segundo meio ciclo (período de controle), o
fluxo volta a zero do ponto b ao ponto c. Isto acontece porque a orientação do fluxo de
controle no núcleo é oposta à do fluxo de trabalho.

8
. ída : -
Região
Ida I
o

- c
H c
I

'
I
I
!
.' ... -.
I I
---'
I

(8) CC) (0)

b uO b cb cC ')b
Ondas de saída <:::> a b <::> a b < :::?

567
Saída grande Saída pequena Nenhuma saída

Fig.20-12.- Funcionamento de um amplificador magnético

mostrando os efeitos da histerese.

566
Este posicionamento do fluxo residual é chamado "zeragem". Durante o meió ciclo
seguinte, o fluxo começa a crescer do ponto c na figura e um pequeno período deste
meio ciclo é usadç antes que o fluxo atinja saturação no ponto a. A esta altura, o núcleo é
saturado e o retificador está na conduçlo máxima para o resto deste meio ciclo. Ao fim do
período de operação, o fluxo retoma ao ponto b, onde o período de controle começa a
zerar o fluxo no ponto c, onde o ciclo volta a repetir-se. A saída para esta condição é
mostrada na porç5o hachurada da onda da figura 20-12 (B). A figura 20-12 (C) e (D) mos-
tra a operação para quantidades crescentes da ação de controle. A operação em cada caso
é basicamente a mesma que para a figura 20-12 (B).
Pode-se ver que o sinal de controle ajusta o ponto de amplitude para o qual a tensão
da fonte provoca saturação do núcleo e reduz a irnpedância em série com o enrolamento
de carga a um valor muito baixo.

Uso de polarização para zeragem do fluxo


Quando o material do núcleo possui propriedades de histerese que produzem uma
curva B-H retangular, pode ser necessário polarizar o núcleo para conservar o controle.
Isto se consegue deixando uma corrente de polarização fluir pela bobina de controle ou
por um enrolamento separado, de polarização. Esta corrente de polarização dá um meio
de zerar o fluxo ao ponto de operação inicial durante o período de controle. Assim, não é
necessária corrente de controle para zerar o fluxo. A figura 20-13 mostra um enrola-
mento de polarização separado no ramo central de um núcleo de três ramos.

Enrolamento
de I
@nrol. ( polarizaçã

- h
d_de CA r--- Enrol.
' Enrolamen.b fde CA
to de
1-J controle l (
J

-
Fig.20-13.- Enrolamento d e polarização.

O núcleo é usualmente polarizado de modo que com corrente de controle nula,


o fluxo do enrolamento de carga satura o núcleo a meio caminho no ciclo de funciona-
mento. Esta polarização permite que a corrente de controle adiante ou atrase o ponto de
saturação. Em outras palavras, se a polaridade da corrente de controle é tal que o fluxo
produzido por ela soma-se ao fluxo de polarização, o ponto de saturação é atrasado.
(Os fluxos de controle e de polarização estão em oposição ao fluxo do enrolamento de
carga). Uma corrente de controle de polaridade oposta produz um fluxo que se opõe ao
fluxo de polarização, o que adianta o ponto de saturação.

567
A polarizaçã'o pode ser de corrente alternada ou contfuua. Na maioria dos casos,
a polaridade da polarização de CC é tal que se opõe ao fluxo da corrente de carga. A gran-
deza da polarizaçã'o pode ser tal que zeraria o fluxo num ponto entre a e c da figura 20-2.
Há algumas aplicações onde vale o oposto; nestas aplicações, o propósito da polarização
é dar uma saturação inicial de CC no núcleo, para obter urna maior amplificação dos
sinais fracos.

Retificador de onda completa


O amplificador magnético, que já foi discutido, produz uma saída pulsante, ou de
meia onda. Na maioria das aplicações dos amplificadores magnéticos, a operação em onda
completa é mais desejável, por ser mais eficaz, pois a carga é energizada durante ambas
as metades do ciclo de CA. A operação em onda completa pode ser obtida usando um par
de amplificadores simples de meia onda, operando em paralelo. Uma disposição de cir-
cuito típica está em (A) da figura 20-14.

Controle
+ deCC - +Controle de CC

Fonte Fonte de CA
de CA (A) 18)

!Cl 10)

Fig. 20-14.- Amplificador de onda completa e ondas de saída.

A corrente de carga é oontrolada por meio de dois enrolamentos de controle em


série. Cada unidade amplificadora contém um retificador, de modo que a corrente de
carga passa alternadamente nos dois amplificadores. Quando um conduz, o núcleo do
enrolamento em série no outro está zerado pela ação da corrente de controle. E com
cada amplificador conduzindo durante aproximadamente metade de cada ciclo da cor-
. rente de carga, as variações.de saída sã'o de onda completa.
As ondas de saída para duas correntes de controle diferentes estã'o em (C) e (D) da
figura 20-14. A onda em (C) é produzida quando a oorrente de controle polariza o núcleo
do ponto de saturaçã'o. Nesta condição, a saturação dos núcleos magnéticos dos amP.lifi-
cadores é logo atingida em cada meio ciclo, e a corrente de saída resultante varia de ma-
neira quase senoidal.
Quando a corrente no enrolamento de controle polariza o núcleo de modo a pro-
duzir a onda da figura 20-14 (D), o valor médio da corrente de controle é consideravel-
mente inferior do que quando a corrente de controle polarizou o núcleo perto da satura-

568
çào. Assim, como no circuito de meia onda, a potência de saída desenvolvida na carga
pode ser variada controlando-se a corrente de carga. A saída desenvolvida é uma corrente
alternada, e em fase com a voltagem da fonte. A figura 20-14 (B) mostra um amplificador
magnético que funciona analogamente ao mostrado em (A). A principal diferença é que
os dois núcleos mostrados em (A) foram combinados para formar um núcleo de três
ramos.

Enrolamentos cruzados
Ao discutir a teoria da operação do amplificador magnético de onda completa na
figura 20-14, foi presumido que os retificadores têm resistência nula no sentido positivo
e resistência infinita no negativo. Na prática, estas hipóteses não valem, pois os retifica·
dores nã"o têm resistência infinita no sentido inverso. Deve ser evidente que qualquer
corrente retrógrada fluindo pelos retificadores mostrados na figura 20-14 (A) durante
seu meio ciclo não-condutor, produzirá um fluxo magnético que tenderá a tirar o núcleo
da saturação. Durante o meio ciclo de condução, uma parte da corrente de carga seria
absorvida para trazer o núcleo de volta ao ponto de saturação, assim reduzindo o ganho
do amplificador.
Um método de contrabalançar este efeito é pela adição de um enrolamento cruza-
do aos dois núcleos do amplificador magnético. A figura 20-15 ilustra um amplifica-
dor que usa retificação de onda completa e enrolamentos cruzados. Deve-se notar que
este circuito é análogo ao mostrado na figura 20-14 (A) com a adição dos enrolamentos
cruzados.
O enrolamento cruzado consiste de umas poucas espiras que produzem uni campo
magnético num sentido oposto ao produzido pela corrente no sentido oposto, pelo
enrolamento de carga. Segundo a figura 20-15, considere a ação da carga e do enrola-
mento cruzado nos dois núcleos. Presuma que durante o primeiro meio ciclo da volta-
gem de CA da fonte, o retificador 1 esteja conduzindo no sentido positivo. A corrente,
através do retificador 1 e o enrolamento de carga no núcleo 1, também passa pelo enrola-
Núcleo 1 I

Fonte de
tensão CA

Rs
Tensão de
controle CC

Núcleo 2

Fig. 20-15. - Amplificador magnético de onda completa

569
usando enrolamentos cruzados.

mente inferior do que quando a corrente de controle polarizou o núcleo perto da satura-

568
mento cruzado do núcleo 2. Durante o mesmo meio ciclo, uma pequena corrente para
trás está passando pelo retificador 2, o enrolamento de carga no núcleo 2, e o enrolamen-
to cruzado no núcleo 1. Esta pequena corrente retrógrada, passando pelo número maior
de espiras no enrolamento de carga, produz wn campo magnético cancelado pela cor-
rente mais intensa que passa pelo pequeno número de espiras do enrolamento cruzado
no núcleo 2. Um cancelamento análogo é atingido no segundo meio ciclo da fonte de
tensão de CA pelo outro enrolamento cruzado.

PRINCIPIOS DOS CIRCUITOS DE REALIMENTAÇÃO

possível alterar algumas características de wn amplificador magnético pelo uso


de uma realimentação externa. (NOTA:- A ação dos retificadores em série com a cor-
rente de carga discutida anteriormente neste capítulo, constitui uma realimentação
interna).
A realimentação consiste em devolver uma porção da saída de um estágio amplifi-
cador à sua entrada, ou a wn estágio precedente, e pode ser positiva ou negativa, depen-
dendo do efeito desejado. A realimentação regenerativa ou positiva toma o circuito mais
sensível às variações na corrente de controle; assim, o ganho de potência de wn estágio
simples pode atingir de 40 a 50 db. Porém, este tipo de realimentação tem duas van-
tagens, pois aumenta as características de retardo do amplificador podendo também
causar instabilidade. A realimentação degenerativa ou negativa reduz o ganho do ampli-
ficador; porém, aumenta a linearidade da curva de magnetização e reduz o retardo do
amplificador.

+ Realimenta ção O Realimentação - Realim ent ação

o Corrente de controle de entrada

Fig. 20-16.- Efeitos da realim entação externa.

As curvas da figura 20-16 ilustram o efeito da realimentação, tanto positiva como


negativa, na corrente de carga, em função da corrente de controle de entrada. Deve-se
notar que a mesma quantidade de corrente contínua é necessária para saturar o núcleo,
independentemente da quantidade de realimentação aplicada. Entretanto, ao usar reali-
mentação positiva, é preciso menos corrente de controle de entrada para saturar o núcleo,
pois a corrente de realimentação ajuda a corrente de controle a fazer isto. As caracterís-
ticas de ganho de amplificadores magnéticos com realimentação negativa e positiva podem

570
ser comparadas estudando as curvas da figura 20-16.Tira-se a seguinte conclusão:
1. A corrente de saída é a mesma quando se atinge a saturação, independente da
realimentação.
2. A linearidade e a estabilidade melhoram com a realimentação degenerativa (ou
negativa).
3. O ganho melhora com a realimentação regenerativa (ou positiva).
Um diagrama esquemático de dois amplificadores magnéticos com realimentação
externa é dado na figura 20-17. A realimentação é proporcionada por um enrolamento
adicional no ramo central de cada núcleo. A corrente contínua que passa pelo enrola-
mento de realimentação cria um campo magnético que ajuda ou se opõe ao campo mag-
nético criado pela corrente de controle.
Em (A), da figura 20-17, a corrente de carga de CA é retificada antes de ser intro-
duzida no enrolamento de realimentação. Deve-se notar que a corrente de realimentação
consiste da corrente de carga total e sempre fltúrá no mesmo sentido, independentemente
do sinal de entrada. Para mudar a realimentação de regenerativa para degenerativa, ou
vice-versa, as ligações do enrolamento de realimentação devem ser invertidas.
A figura 20-17 (B) ilustra o uso de realimentação externa num amplificador mag-
nético alimentando uma carga de CC. A quantidade de realimentação é controlada em
ambos os circuitos pelo ajuste de um potenciômetro em paralelo com o enrolamento de
realimentação.
A realimentação externa, como aplicada aos amplificadores magnéticos, pode ser
dividida em duas categorias básicas: magnética ou elétrica. Estes tipos podem ser usados
individualmente ou combinados, dependendo dos resultados desejados, e também para
obter efeitos distintos de cada tipo. Ademais, na maioria dos casos, a realimentação mag-

Fonte de CA
( A)

FonteCA
(8)
Fig.20-17.- Amplificadores magnéticos usando realimentação externa.

571
nética é uma característica incorporada ao amplificador, ao passo que a realimentação
elétrica pode ser aplicada a qualquer amplificador.

Realimentação magnética
A realimentação magnética é feita alimentando de novo uma porção ou toda a cor-
rente de saída de modo a afetar diretamente o fluxo do núcleo. Isto, porém, não é cha-
mado ·de realimentação de corrente. A realimentaçã'o magnética é conseguida forçando a
corrente de realimentação por um enrolamento terciário colocado no núcleo. Se a saída do
amplificador é de CC, então esta corrente pode ser aplicada ao enrolamento de reali-
mentação sem necessidade de retificação. Se , entretanto, a saída do amplificador é da CA,
então a corrente deve ser retificada, e depois aplicada ao enrolamento de realimentação.
A corrente de realimentação então será contínua, proporcional â corrente de carga. Esta
corrente pode ser aplicada de modo a ser regenerativa ou degenerativa, dependendo da
ação do fluxo gerado em relaçã'o à ação do circuito.
A realimentação magnética é considerada externa, ao passo que o amplificador mag-
nético auto-saturável é considerado como de realimentação inerente. Deve-se notar a esta
altura, que ambos os tipos de realimentação, externa ou interna, podem ser aplicadas a
um mesmo amplificador. Como foi mencionado previamente, a realimentação magnética é
um dos tipos básicos de realimentação, o outro tipo sendo elétrico. Não é incomum
encontrar um amplificador que empregue realimentação interna tanto elétrica quanto
magnética.

Realimentação elétrica
Este tipo pode ainda ser dividido em duas classes: volt gem e corrente. Ambos os
tipos são conseguidos forçando toda a saída, ou parte dela, para fluir no circuito de con-
trole de modo a influenciar o sinal aplicado ao enrolamento de controle. O circuito de
realimentação é completamente externo ao amplificador; por conseguinte, não afeta o
ganho do amplificador em si, mas afeta o ganho do estágio.
As características da realimentação de tensão são:
1. A saída aparece como fonte de tensão constante.
2. A tensão de saída não é sensível a flutuações de carga.
3. A tensão de saída permanece relativamente constante.
4. A saída aparece como fonte de baixa impedância.

A realimentação de corrente tem as seguintes características:


1. A saida aparece como fonte de corrente constante.
2. A corrente de saída é insensível às flutuações de carga.
3. A corrente de saída permanece relativamente constante.
4. A saída aparece como fonte de alta impedância.
Em suma, o amplificador básico que emprega realimentação nenhuma, é raramente
encontrado nos circuitos atuais. Os amplificadores em uso hoje quase invariavelmente
empregarão alguma forma de realimentação. O tipo a ser usado será determinado pela
aplicação do amplificador.

572
APLICAÇÕES DOS AMPLIFICADORES MAGNÉTICOS

O amplificador magnético aplica-se a quase todos os circuitos a válvula, e em mui-


tos que na-o a usam. Podem ser usados em amplificadores de áudio, reguladores de vol-
tagem, servoamplificadores, circuitos somadores e divisores, e muitos circuitos de alta
freqüência.

Reguladores de tensão
Muitos equipamentos elétricos e eletrônicos contêm fontes de tensão reguladas.
A precisa-o da voltagem produzida por estas fontes é importante tanto quanto a operação
adequada e vida máxima do equipamento sejam consideradas. Os equipamentos eletrô-
nicos atuais contêm muitos circuitos críticos de sincronização, conformação de sinais,
que exigem uma fonte altamente regulada. O amplificador magnético pode ser usado para
se obter esta tensa-o regulada, sendo usado como o elemento regulador para a saída da
fonte de energia. O tipo de fonte regulada com amplificador magnético é muito confiável
sob condições variáveis de carga.

Servossistemas
Um uso comum dos amplificadores magnéticos em sistemas elétricos está associado
aos servossistemas. A figura 20-18 ilustra o uso de um amplificador magnético como
estágio de saída de um servoamplificador. A função do servoamplificador é amplificar o
sinal de erro do servo o bastante para acionar o servomotor. Os servossistemas serão dis-
cutidos mais adiante neste manual.
Tensão de
polarização
de CC

Sinal
de erro
de CC

í Wl

II
I Servomotor I
L-- - ----.J

Fig. 20-18.- Amplificador magnético usado como estágio de saída num seiVoamplificador.

A saída do servoamplificador é ligada a um dos enrolamentos do motor (enrola-


mento controlado Wl), ao passo que o outro enrolamento (enrolamento não-controlado
W2) é ligado através da fonte de CA em série com um capacitar. O capacitar propor-
ciona o deslocamento de fase de 90° necessário para causar a rotação do motor. A relação
de fase da corrente através dos dois enrolamentos determina o sentido de rotação do
servomotor.

573
O amplificador magnético consiste de wn transformador (TI) e dois reatores saturá-
veis (LI e L2), cada wn com três enrolamentos. Note que a corrente de polarização de CC
passa por um enrolamento de cada reator e os enrolamentos estão ligados em série no
mesmo sentido. &ta corrente de polarização é fornecida por wna fonte de polarização
de CC. Uma corrente de erro de CC também passa por wn enrolamento em cada reator;
entretanto, estes enrolamentos são ligados em série-oposição.
Os reatores LI e L2 são igual e parcialmente saturados pela corrente de polarização
de CC quando não se aplica sinal de erro de CC. A reatância de LI e L2 são agora iguais,
resultando nos pontos B e D com mesmo potencial. Não passa corrente pelo enrolamento
de fase controlada.
Se wn sinal de erro é aplicado fazendo o circuito saturar L2 ainda mais, a reatância
de seu enrolamento CA é diminuída. &ta corrente através de Ll tende a cancelar o efeito
da corrente de polarização de CC e awnentar a reatância de seu enrolamento de CA.
Dentro dos limites de operação do circuito, a alteração na reatância é proporcional à
amplitude do sinal de erro. Logo, o ponto D fica efetivamente ligado ao ponto C provo-
cando a rotação do motor. A inversão da polaridade do sinal de erro inverte o sentido de
rotação, p.:>is o ponto D está efetivamente conectado ao ponto A.

Sistemas computerizados
O amplificador magnético é encontrado em circuitos digitais. Quando usado em
circuitos somadores, são capazes de somar e subtrair correntes, sem interação entre fontes
de corr.:nte. Também podem ser usados para multiplicar, dividir, calcular potências, e
extrair raízes quando usado em conjunto com outros componentes.

574
Cap(tulo 21

Sincros e Servomecanismos

SINCROS

Os motores sincros são dispositivos eletromagnéticos utilizados para transferir


informações de posição angular. Os sincros s!o,em essência, transfonnadores monofásicos
cujo acoplamento entre o primário e o secundário pode ser variado pela mudança física
da posição relativa entre os dois enrolamentos.
Os sistemas sincro, na Marinha, sa'o usados como um meio de transmissão da posi-
ção de um dispositivo localizado â distância para um ou mais indicadores em posições
afastadas da área de transmissão.
A figura 21-1 (A) mostra um sistema sincro simples. O sincro transmissor (ou gera-
dor) emite um sinal elétrico aos sincros receptores (ou motores), pelos fios de conexão.
O sinal do transmissor sincro é gerado quando a manivela gira o eixo do transmissor.
O eixo do indicador girará de maneira a se alinhar com o eixo do transmissor.
A figura 21-1 (B) mostra um sistema mecânico simples que utiliza engrenagens e
eixos para transmitir informações de posições. Os sistemas mecânicos são freqüentemente
impraticáveis, em virtude do emprego de correias, polias e eixos rotatórios flexíveis.
No que conceme ao aspecto, os sincros têm a aparência de pequenos motores elé-
tricos. Consistem de um rotor (R) e um estator (S). As letras R e S são usadas para identi-
ficar as ligações dos rotores e estatores nos diagramas de fiação e cópias heliográficas.
Os sincros são representados esquematicamente pelos símbolos mostrados na figura 21-2.
Os símbolos nas partes (A) e (B) são usados quando se necessita mostrar somente as liga-
ções externas, e os mostrados nas partes (C), (D) e (E) são usados quando se deseja mos-
trar a posição relativa entre o rotor e o estator. A pequena seta no rotor indica o desloca-
mento angular do rotor. Nas ilustrações, o deslocamento é de zero grau.

Características de construção dos sincros

O conhecimento das partes estruturais e das características dos sinéros permitirá


uma melhor compreensão da operação dos mesmos. Como já foi afirmado, os sincros são,
na realidade, transformadores cujo acoplamento entre o primário e o secundário pode ser
variado fisicamente, mudando-se a orientação relativa dos dois enrolamentos. Isso pode
ser feito montando-se um dos enrolamentos de maneira que seja livre para girar dentro
do outro. O enrolamento interno, nonnalmente móvel, é chamado rotor, e o externo,
usualmente estacionário, é chamado estator. O rotor consiste de uma ou três bobinas
enroladas em folhas de aço lanúnado. O estator normalmente consiste de três bobinas
enroladas em ranhuras internas laminadas. Em algumas unidades, o rotor é o primário
e o estator, o secundário. Em outras, o inverso é verdadeiro.

575
Sincro
transmissor Fios de
ligação

Sincros
Manivela receptores

(A)

(8)
Fig.21·1. - (A) Transf rência de infonnações com sincros; (B) Transferência de infonnações por
meio de engrenagens.
Transmissores,
Receptores
transformadores Diferenciais
de controle

(A) (8)

53 SI
Transmissores Transformadores SI
e receptores de controle Diferenciais
(C) (O) (E)
Fig.21-2.- Símbolos esquemáticos usados para mostrar as ligações externas e a posição relativa dos
enrolamentos dos sincros empregados na Marinha.

Construção do rotor
As lâminas do núcleo do rotor são empilhadas e rigidamente montadas no eixo.
Os anéis coletores são montados no eixo, porém isolados do mesmo. Os extremos das
bobinas são ligadas aos anéis coletores. Escovas deslizantes sobre os anéis permitem um
contato elétrico permanente durante a rotação e rolamentos de esfera com baixo atrito
permitem ó giro suave e livre do eixo. Nos sincros padrões, os rolamentos devem per-
mitir rotações cujas velocidades variam desde os mais baixos valores até aquelas cujo
valor alcança 1.200 rpm.
Existem, presentemente, dois tipos comuns de rotor sincro em uso:(1) rotor de
pólo saliente, e (2) rotor do tipo tambor ou bobinado.
O rotor do tipo pólo saliente, freqüentemente denominado rotor "H", em virtude
do formato das lâminas do núcleo, é mostrado na figura 21-3.
O enrolamento consiste de uma única bobina cujas espiras estão em planos per-
pendiculares a uma linha que passa pelo centro da mesma, denominada eixo da bobina,
ao longo do qual se desenvolve a f.m.m. O eixo da bobina coincide com os dos pólos
salientes. Quando utilizado como transmissor e receptor de informações, o rotor funciona

577
como o enrolamento excitador ou primário do sincro. Quando alimentado, o rotor se
.torna um eletroímã' CA, assumindo os pólos polaridades magnéticas opostas. Durante
um ciclo completo de excitação, a polaridade magnética varia de zero, e, após inverter
a polaridade, novamente atinge o máximo e retoma a zero.
Rolamento de esferas

Enrolamentos
Fig. 21·3.- Rotor de pólos salientes.

O rotor do tipo tambor ou bobinado é mostrado na figura 214. Este tipo de rotor
é usado na maioria dos sincros do tipo transformador de controle. O enrolamento do
rotor pode consistir de três bobinas enroladas de maneira tal que seus eixos ficam des·
locados de 120°. Um extremo de cada úrna das bobinas é ligado a cada um dos anéis no
eixo, e os outros extremos são ligados a um ponto comum. Os sincros com esse tipo de
enrolamento são denominados sincros com ligação em Y. Em outros rotores do tipo
tambor, uma única bobina ou um grupo de bobinas são ligadas em série, para produzir
o efeito de um enrolamento concentrado, ou o mesmo efeito do enrolamento distribuído
como no rotor do tipo pólos salientes.

Fig.214.- Rotor do tipo tambor.

578
Construçâ'o do estator
O estator de wn sincro é uma estrutura cilíndrica de lâminas com ranhuras nas
quais três bobinas ligadas em Y sâ'o instaladas de maneira que seus eixos ficam deslo-
cados de 120°. A figura 21·5 (A) most ra um estator típico, e a figura 21·5 (B), a parte
laminada do estator.
Os enrolamentos do estator funcionam como enrolamentos secundários nos sincros
transmissores e receptores. Normalmente, os estatores não são ligados diretamente a uma
fonte CA. Sã'o excitados pelo campo magnético CA do rotor.
Alguns sincros sã'o constituídos de maneira que ambos, o rotor e o estator, po·
dem girar. As ligações para o estator, nesse tipo, sã'o feitas com anéis deslizantes e escovas.
Em algumas unidades, os anéis sâ'o presos à carcaça e as escovas giram como o estator.
Em outras, as escovas são fixas e os anéis são montados em uma placa isolada e presa ao
estator.

Ranhuras no
laminado no estator
são oblíquas
(A) (8)
Fig.21·5. - (A) Estator t{pico; (B) laminação do estator.

Montagem da unidade
O rotor é montado de maneira a poder girar dentro do estator. Uma carcaça cilín·
drica aloja o conjunto sincro. Os sincros padrões têm wn bloco terminal isolado, preso a
um extremo da carcaça ao qual vão ter as ligações internas para o rotor e o estator onde
são feitas as conexões externas. Alguns sincros de tipo especial não têm a barra de ter·
minais. As ligações internas desses sincros são trazidas diretamente para o exterior por
meio de pequenos fios.

Teoria de operação do sincro

Transnússor (gerador)
O sincro transnússor, ou gerador, convencional (figura 21·6), utiliza um rotor de
pólos salientes e um estator com ranhuras inclinadas (figura 21-5 A). Quando uma tensão
excitadora CA é aplicada ao rotor, a corrente resultante produz um campo magnético CA.

579
Bana terminal

Fig.21 . Sincro transmissor ou receptor.

As linhas de força, ou fluxo, variam continuadamente em amplitude e sentido e, por


efeito transformador, induzem tensões nas bobinas do estator. A tensão eficaz indu2ida
em qualquer bobina do estator depende da posição angular do eixo d a bobina com rela-
ção ao eixo do rotor.
Quando é conhecida a tensão máxima eficaz (rms) na bobina, a tensão induzida em
qualquer posição angular pode ser determinada. A figura 21-7 é uma seção reta de um
sincro transmissor e mostra as tensões eficazes induzidas em uma bobina do estator com
o rotor em diferentes posições.
A relação de espiras entre o rotor e o estator é tal que, quando uma tensão CA
monofásica de 115 volts é aplicada ao rotor, o mais alto valor de tensão eficaz que pode
ser induzida em qualquer bobina do estator é de 52 volts. Por exemplo: a mais alta tensão
eficaz que pode ser induzida na bobina A do estator ocorre quando o rotor é girado para
a posição do ângulo 8 mostrado (figura 21-7 (A)). Nessa posição, o eixo do rotor está
alinhado com o eixo do enrolamento A, e o acoplamento magnético entre o primário e a
bobina A secundária é máximo.

580
(A) (8) (C) (O) (E)

52V

300

Rotação
no sentido
anti-horário

Fig.21-7.- Seção reta de um sincro transmissor.

A tensão eficaz E5, induzida em qualquer dos enrolamentos secundários A, B


ou C, é aproximadamente igual ao produto da tensão eficaz Ep, no primário; a relação
de espiras entre o primário e o secundário, N ; e o acoplamento magnético entre o pri-
mário e o secundário, o qual depende do co-seno do ângulo 8 entre o eixo do rotor e o
eixo do secundário correspondente. A tensli'o Es pode ser expressa matematicamente
como:

Es = Ep X N X cos 8

Assim, em virtude de a tensão eficaz no primário e a relação de espiras serem constantes,


a tensão eficaz do secundário varia com o ângulo 8.
TENSÕES ENTRE OS TERMINAIS DO ESTATOR - Em virtude de a ligação
comum de um lado das bobinas do estator não ser acessível, só é possível medir as tensões
entre os extremos que vão à barra de terminais. Quando a tensão máxima eficaz entre
terminais é conhecida, pode ser determinada a tensão eficaz entre os terminais para qual-
quer posição do rotor. A figura 21-8 mostra como essas tensões variam em função do
giro completo do rotor. Os valores são representados acima da linha de referência quando
a tensão entre os terminais está em fase com a tensão entre R 1 e R2 , e abaixo da linha,
quando a tensão está 180° fora de fase com a tensão entre R 1 e R2 , ou seja, os valores
negativos representam uma inversão de fase. Por exemplo: quando o rotor é girado para
50° da posição zero de referência, a tensão entre S3 e S1 será por volta de 70 volts e em
fase com a tensão R 1-R 2 ; a tensão entre 82 e 83 será cerca de 16 volts, e estará também
em fase com R 1-R2 ; a tensão entre S1 e 82 será cerca de 85 volts e 180° fora de fase com
a tensão R 1 -R2 . Apesar das curvas da figura 21-8 se assemelharem aos gráficos de tempo
da tensão CA, elas mostram, tão-somente, a variação em amplitude e fase da tensão eficaz
em função da posição mecânica do rotor.

581
A tensão entre os
terminais é .a RI
53-SI SI·S2 S2-S3
soma das tensões
nas bobinas

R2
180°fora
Posição de de fase
referência comR 1-R,
11.8
- 90 P-...I."!:' ....1-....J
-'- --'..::::,._.I....:"':::J--L--l..:::....JL.....<::-'-
Deslocamento do rotor a partir
da posição de referência

Fig.21-8.- Tensão terminal a terminal.

Os sincros receptores ou motores são idênticos aos sincros transmissores ou gera-


dores de mesmo tamanho. Alguns sincros-padrões de 400 ciclos podem ser usados indis-
tintamente como transmissor ou receptor.
Normalmente, o rotor do receptor não tem restrições de movimento, exceto pelo
atrito das escovas e rolamentos. Quando, inicialmente, é aplicada energia ao sistema, a
posição do transmissor varia rapidamente. Se o receptor é ligado ao sistema, o seu rotor
gira para a posição correspondente ao rotor do transmissor. Esse movimento súbito pode
causar oscilação do rotor (movimento de vaivém) em tomo da posição smcrona. Se esse
movimento do rotor for excessivo, pode ocorrer rotação contmua. Deve ser adotado para
processo para evitar essa oscilação.
Nas unidades sincro de tamanho pequeno, uma ação de retardo pode ser produzida
por meio de um enrolamento curto-circuitado no eixo em quadratura, fazendo ângulo
reto com o eixo direto. Em unidades de tamanho regular, é usado um dispositivo amor-
tecedor mecânico. O tipo de amortecedor mecânico mais comum consiste de um disco
de bronze pesado que gira livremente em tomo de uma bucha presa ao eixo do rotor.
Uma mola de pressão na bucha atrita com o disco, de modo que ambos giram durante a
operação normal. Se o eixo do rotor girar subitamente ou tender a mudar sua veloci·
dade ou sentido de rotação, a inércia do disco amortecedor se oporá a essa mudança de
condição.

Sistema síncrono simples


Um sistema de transmissão síncrono simples consiste de um transmissor ligado a
um receptor, conforme é mostrado na figura 21-9. Os terminais R 1 do transmissor e do
receptor são ligados a um lado da fonte CA, e os terminais R 2 do transmissor e recep-
tor são ligados ao outro lado da fonte. Os estatores do transmissor e receptor são ligados
entre si; 81 com 81 , S2 com 82 e 83 com 83, de maneira que a tensão em cada bobina do
estator do transmissor se opõe à tensão na bobina correspondente do estator do eceptor.
A polaridade das tensões é indicada por setas para o instante de tempo mostrado pelo

582
( A) (81

Corrente zero

Corrente zero
Sistema em correspondência
oubabnceado( C-'--- ----------------------
Corrente zero

6Y

$1
Corrente zero
Corrente zero
Sistema novamente balanceado

Fig. 21-9. - Desenvolvimento da força de torque em um sincro.


ponto na onda senodal da tenslfo fornecida ao rotor. O símbolo de gerador CA, inserido
em série com cada um dos enrolamentos de sincro, indica a presença da tensão induzida
por ação transformadora.
O campo do transmissor está alinhado com o eixo de S2 (figura 21-9 A) porque
o eixo do rotor do transmissor está alinhado com a bobina S2 • Suponha que o rotor do
receptor não esteja ligado a uma fonte CA. Sob essas condições, a tensão induzida no
enrolamento do estator do transmissor será aplicada no enrolamento do estator do
receptor através os três fios que ligam os terminais s1' s2 e s3. As correntes de excitação
que são proporcionais às tensões no estator do transmissor fluirão no enrolamento do
estator do receptor e as forças magnetomotrizes, produzidas por essas correntes, estabe-
lecerão um campo bipolar que se auto-orienta no estator do receptor exatamente da
mesma maneira que o campo do transmissor é orientado em seu próprio estator. Assim,
se o campo do transmissor gira em virtude da rotação do rotor do transmissor, o campo
do receptor girará em sincrorúsmo com o rotor do transmissor.
Uma barra de ferro-doce, colocada no campo magnético, tenderá sempre a se
alinhar de maneira a que o seu eixo mais longo fique paralelo ao eixo do campo. Assim,
o rotor do receptor de pólos salientes também se alinhará com o campo do receptor, mes-
mo que o enrolamento do rotor do receptor esteja com o circuito aberto. A operação
com o circuito aberto não é desejável porque, para uma dada posição do rotor e campo
do transmissor, haverá duas posições afastadas de 180° nas quais o rotor de pólo saliente
do receptor poderá se alinhar com o campo do receptor. Esse problema é eliminado
alimentando-se o rotor do receptor com corrente alternada de mesma freqüência e fase
daquela que é fornecida ao rotor do transmissor. Assim alimentado, o eletroímã do rotor
do receptor se alinha com o campo do receptor de maneira a sempre auxiliar as forças
magnetomotrizes dos três enrolamentos do estator do receptor. Uma posição do rotor
em que a força magnetomotriz se opõe ãs forças magnetomotrizes do estator não seria
estável. Por exemplo: a agulha de uma bússola sempre se alinha com o campo terrestre
de maneira que o pólo norte da agulha aponta para o pólo sul magnético (pólo norte
geográfico).
Quando ambos os rotores estão deslocados de zero de um mesmo ângulo, eles
estão alinhados corretamente com os seus respectivos campos do estator. Sob essas con·
dições, eles estão em correspondência, e as tensões induzidas em cada um dos três pares
das bobinas correspondentes dos estatores são iguais e em oposição. Conseqüentemente,
não haverá tensão resultante entre os terminais correspondentes dos estatores, e nenhuma
corrente flui nas bobinas dos estatores.
Denomina-se SINAL o ângulo de que se desloca mecarúcamente o rotor do trans-
missor. Por exemplo: na figura 21-9 (B), o rotor do transmissor foi deslocado de 60°. Tão
logo o rotor do transmissor seja girado, a tensão na bobina S2 diminui, a tensão da bobina
S1 inverte, e a tensão na bobina S3 aumenta. Imediatamente, flui corrente entre os esta-
tores do transmissor e do receptor no sentido de maior tensão. As tensões desbalanceadas
são absorvidas na queda da linha e na irnpedância interna dos enrolamentos.
Quando o transmissor (figura 21-9 A) é girado de 60° no sentido horário de rota·
ção (figura 21-9 B), desenvolve-se no rotor do receptor um torque que o faz acompa·
nhar o movimento, deslocando-o de um mesmo ângulo. Quando o receptor e o trans-
missor estão alinhados na nova posição, o torque é reduzido para zero, conforme é mos·
trado na parte (C).
O alinhamento do receptor é mostrado na parte (D) da figura. O eixo do rotor coin·
cide com o eixo do campo do estator. Observe que as correntes no lado direito do eixo
vertical são para trás e as do lado esquerdo sã"o para diante. Essa ação produz um campo

584
magnético como o mostrado pelas letras S na parte superior e N na parte inferior do rotor
de pólos salientes. Observe, ainda, que a corrente do rotor provoca a mesma polaridade
(regra da ma-o esquerda).
Para a condição balanceada mostrada, as correntes nos condutores opostos aos
pólos salientes do rotor são iguais em grandeza e fluem para direções opostas em ambos
os lados da linha central dos pólos. As forças desenvolvidas são mostradas no desenho
detalhado acima da figura 21-9 (D). Elas se desenvolvem em virtude da concentração de
linhas magnéticas à direita do condutor A e à esquerda do condutor B. Como estão igual-
mente espaçadas da linha do centro, na-o haverá desbalanceamento e o torque no rotor
será zero.
Na figura 21-9 (E), o campo do estator do receptor é girado de 60° no sentido horá·
rio de maneira que o seu eixo coincide com o da fase A. O rotoé' deliberadamente man-
tido na posição vertical para mostrar o desenvolvimento do torque que nele aparece quan-
do os eixos do rotor e do campo do esta tor não estão alinhados. Observe que as correntes à
direita do eixo da fase A estão para trás e aquelas à esquerda do eixo estão para diante.
Esta ação faz aparecer o campo do estator através do rotor e se estende da parte direita
superior até a parte esquerda inferior do estator.
As correntes nos condutores do estator opostos aos pólos salientes do rotor estão
todas no mesmo sentido, em ambos os lados da linha central dos pólos. As forças estão
desbalanceadas, como mostrado pela concentração de linhas magnéticas de força na
porção direita dos condutores. (Veja detalhe acima da figura 21-9 E). Esta ação indica
a tendência para forçar os condutores do estator para a esquerda. A força de reação igual
e oposta no rotor tende a girá-lo no sentido horário.
A grandeza do torque desenvolvido varia com o seno do ângulo de deslocamento e
é máximo a 90°.
Na figura 21-9 (F), o rotor girou, no sentido horário, 60°, e o seu eixo está nova-
mente alinhado com o do campo do estator. O torque é novamente reduzido para zero.
Observe que a corrente nos condutores B está para diante e a dos condutores C está para
trás. As linhas de fluxos se concentram à direita dos condutores B (veja desenho detalha-
do à direita), e à esquerda dos condutores C. Como as correntes em B e C são iguais,
opostas em sentido e espaçadas simetricamente em tomo do eixo do rotor, a força do
rotor é zero.
Conforme o receptor se aproxima do ponto de correspondência, as tensões dos
estatores do transmissor e do receptor se aproximam da igualdade. Tal fato diminui as
correntes nos estatores e produz urna diminuição contútua no torque do receptor com
a aproximação do ponto de correspondência. Nesse ponto, o torque no rotor do receptor
é somente o causado pela tendência do rotor de pólos salientes para alinhar-se no campo
do receptor. Conseqüentemente, um receptor pode posicionar somente cargas bastantes
leves.
Os sistemas de transmissão por sincro são usados onde não se requer grande torque.
Quando se necessita de potência de tração maior do que a requerida para acionar um
simples dia! ou ponteiro, deve ser empregado algum meio de amplificar o fraco torque
do sincro. Dois métodos comuns, SISTEMA SERVO e AMPLIDINE, são usados para a
amplificação. Esses dois métodos serão discutidos em detalhe posteriormente neste
capítulo.
Muitas instalações ligam um transmissor a diversos receptores em paralelo. Esse
procedimento requer um transmissor de tamanho suficiente para conduzir a corrente
total de carga de todos os receptores. Todos os fios R 1 dos rotores são ligados a um lado
da fonte de alimentação CA, e todos os fios R 2 são ligados ao outro lado da fonte. Os

585
fios dos estatores dos receptores são ligados entre si e aos fios do estator do transmissor.
Os tamanhos dos sincros transmissores da Marinha são identificados por meio de
números. Os tamanhos de sincros transmissores de uso mais comum são os de número
1, 5, 6 e 7. Os sincros receptores mais comuns são os de tamanho 1 e 5. O sincro trans·
missor de tamanho 1 pode controlar um ou dois sincros receptores de tamanho 1. Um
sincro transmissor de tamanho 5 pode controlar dois receptores de mesmo tamanho.
O sincro transmissor de tamanho 6 pode controlar até nove receptores de tamanho 5,
e o transmissor de tamanho 7 pode controlar dezoito receptores de tamanho 6.
Os sincros empregados em equipamentos de aeronaves são usualmente projetados
para operar com 400 ciclos e, conseqüentemente, podem ser consideravelmente mais
leves e menores do que os que operam com tensão de linha cuja freqüência é igual a
60 ciclos.
INVERSÃO DO SENTIDO NA ROTAÇÃO DO RECEPTOR. - Se os dentes de
duas engrenagens são engrenados e uma força de torção for aplicada em um dos eixos,
as engrenagens giram em sentidos opostos. Se uma terceira engrenagem for adicionada,
a terceira girará no mesmo sentido da primeira. Essa consideração, aqui, é importante
porque os receptores sincros são, via de regra, ligados ao dispositivo a ser operado por
meio de um sistema de engrenagens e o fato de ser ou não aplicada força ao dispositivo
no mesmo sentido em que o rotor do receptor gira dependerá do número de engrena·
gens ser par ou ímpar.
O importante, certamente, é mover o dial ou qualquer outro dispositivo no sen-
tido correto. Mesmo quando não há engrenagens no sistema, esse sentido pode ser oposto
àquele em que o rotor do receptor giraria em um sistema conectado normalmente.
Às vezes é necessário fazer propositadamente o transmissor girar o rotor do receptor
em sentido oposto ao do rotor do transmissor. No sistema transmissor-receptor, isso
pode ser feito mediante a simples inversão das ligações entre s1 e s3. Isto é, o terminal
S1 do transmissor é ligado ao terminal S3 do receptor e vice-versa. Essa inversão nas
ligações é mostrada na figura 21-1O.
Com ambos os rotores em zero grau, as condições dentro do sistema permanecem
as mesmas como se as ligações do estator estivessem conforme normalmente efetuadas,
em virtude do acoplamento do rotor para S1 e S3 ser igual. Suponha agora que o rotor

Fig.21·10. - Efeito da inversão das correntes S, e S) entre transmissor e receptor.

586
do transmissor seja girado no sentido anti-horário para a posição de 60°, conforme é mos-
trado na figura 21-10. No transmissor, o acoplamento máximo do rotor induz o máximo
de corrente em S1 , o que faz fluir máxima corrente através de S3 no receptor. As forças
magnéticas produzidas giram o rotor do receptor no sentido horário para se alinhar com
S3 , ou seja, para a posição de 300°, posição essa em que, novamente, o rotor do receptor
induz tensões nas bobinas do seu estator, tensões essas que se igualam àquelas das bobinas
do transmissor ãs quais estão ligadas. Observe que somente o sentido de rotação foi inver-
tido. Não houve alteração angular. A posição de 300° é afastada da posição de zero grau
tanto quanto o é a posição de 60°.
:e importante enfatizar que as ligações SI e s3 são as úrucas que podem ser inver-
tidas em um sistema sincro-padrão. Como S 2 representa o zero elétrico, a troca dessa
conexão introduz um erro de 120° na indicação e inverte o sentido de rotação.
CORRENTES NO ESTATOR. - Sempre que os rotores de dois sincros interligados
estão em posições diferentes, flui corrente nos enrolamentos dos estatores. A quantidade
de corrente que flui em cada fio do estator depende da diferença entre as tensões induzi-
das nas duas bobinas a que o fio está conectado. Esse desbalanceamento de tensão, por
sua vez, depende de dois fatores:(1) da posição real dos motores, e (2) da diferença entre
as duas posições.
Para observar o efeito do último fator, suponha que um amperímetro seja inserido
em qualquer um dos fios do estator; por exemplo, S2 • Suponha também que os dois
rotores mantenham uma diferença constante enquanto sá'o girados para uma posição em
que o medidor indica o máximo de corrente no estator. Se a diferença entre as posições
dos rotores é aumentada, e a rotação repetida, é obtida uma leitura máxima diferente.
Cada vez que a diferença entre as posições dos rotores é alterada, a corrente máxima do
estator que pode ser obtida é variada. A figura 21-11 é um gráfico que mostra como os
valores da corrente máxima do estator dependem da diferença entre as posições dos
rotores em um caso típico.

0 -- ---L--L- -- --
O' SO' ISO' 90' 120' I ' 180'
Diferença de posições entre os eixos do TX e TR
Fig. 21-11. - Efeito da diferença de posição do rotor na corrente máxima do estator.

Observe que, na prática, em operação, a posição do eixo do receptor nunca deverá


ficar atrasada mais do que, aproximadamente, um grau em relação ao eixo do transmissor,
de modo que a corrente máxima do estator, sob condições normais, será menor do que
um décimo de ampêres, para os sincros usados neste exemplo.

587
Para ver como as posições reais do rotor, assim como a diferença entre eles, afetam
as correntes do estator, basta fazer uma comparação. Compare a corrente máxima em
cada fio do estator com a intensidade da corrente no fio do estator em estudo, enquanto
os dois rotores são girados através dos 360° do giro completo, mantendo a diferença de
posiçãQ, entre os rotores na qual se estabelece o máximo de corrente no estator.
Os gráficos da figura 21-12 mostram como a corrente máxima em cada um dos
três fios dos estatores depende da posição média entre a posição do rotor do transmissor
e do rotor do receptor.

em fase com a corre nteS, em o•.


Todas as correntes são em valores eficazes. A.s correntes mostradas acima da linha O estão
A.s correntes mostradas abaixo da linha O estão I so•defasadas com a corrente S 1 em o•.
100
v
v
Posição do ..........
eixo

v;
o
!.:;'
g

" "' "


o
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00 900 180' I/ 270°

v
100

100
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v """'
1'-.... ./

v Posição do
eixo

o o

-"" ...

'' ""1\1\ 900 180° 2700

l7
v
100
v
.............

o
00 900 I 1800 "" 3600

I \
v
"
Posição do
e1 o
../
100

Fi&.21-12.- Efeito da posição do rotor nas conentes individuais no estator.


CORRENTES NO ROTOR. - Um transmissor ou receptor sincro fWlciona corno
um transformador, e um aumento na corrente do estator, ou corrente do secWldário,
implica um aumento correspondente na corrente do rotor, ou corrente do primário.
Quando a corrente do rotor de qualquer das unidades é plotada em um gráfico, sob as
mesmas condições para as usadas na plotagern das correntes máximas dos estatores, ela
aparece corno é mostrada na figura 21-13.

I I I I
II SV

A-RI

.g
-f--
RZ TX
53
TR
..:::::::;./
R2

LV
./
--
.,
< I)

c; /
Fig. 21-13. - Efeito da
diferença de posição
2
c
t.O
,
dos rotores na corrente
do rotor. c l/
o
(.) o
O' 30 . 9()' .
120 150' 180'

60>
Diferença entre as posições dos eixos TX e TR

Mesmo que as três correntes nos estatores sejam zero quando os eixos estã'o na
mesma posição, a corrente do rotor nã'o o será. Como em qualquer transformador, o
primário drena alguma corrente mesmo que não haja carga no secWldário. Essa cor-
rente produz a magnetização do rotor e é equivalente à corrente de excitação nos trans·
formadores.
POR QUE NÃO HÁ TORQUE NA POSIÇÃO DE 180°. - Como a corrente nas
bobinas do estator aumenta com uma mudança na posição do rotor, e em virtude de o
campo de magnetização de cada bobina do estator aumentar de intensidade com a cor-
rente, é de se supor que o torque, ou força de torção no eixo do receptor, deveria ser
maior quando os rotores do transmissor e receptor estivessem 180° fora de fase. Entre-
tanto, ocorre exatamente o oposto. Nessas condições, o torque é zero. Para compre-
ender isso, considere inicialmente as condições de corrente no sistema sincro mostradas
na figura 21-14.

115V

Fig.21-14. -
Condições internas
no sistema TX-TR
quando os rotores R2
estão 180° defasados.

592
Como todas as tensões se auxiliam mutuamente, fluem correntes de grande intensi-
dade nos três fios dos estatores. Se as unidades forem do mesmo tamanho, as correntes
serão as mesmas que fluiriam se os três fios do estator fossem interligados.
óbvio que essas fortes correntes produzem campos magnéticos intensos. Para
constatar a ausência de torque, considere as polaridades existentes no sistema no ins-
tante mostrado na figura 21-15. Por mais intensas que sejam as forças presentes para a
torçã'o do rotor, elas produzem efeitos iguais e opostos. O torque resultante é zero. Em
situação real, os dois eixos permanecem nessas posições, a menos que a isso sejam for-
çados. Entretanto, o menor deslocamento em qualquer dos rotores destrói a condição
de equilíbrio, e os eixos são rapidamente levados para as posições de correspondência.

Torque nos sincros diferenciais


Nem sempre as necessidades de transmissão de movimento síncrono se restringem
ao simples posicionamento de um dispositivo indicador, em resposta à informação rece-
bida de urna fonte transmissora. Por exemplo: um detector de erro, usado na verificação
de equipamento de direção de tiro, emprega um sistema síncrono para determinar o erro
na posição de uma torre de canhão com relação à ordem de contagem fornecida pela alça-
diretora. Para essa indicaçfo, o sistema síncrono deve receber dois sinais: um contendo a
ordem de contagem, e o outro, correspondente à posição efetiva da torre. O sistema deve
então comparar os dois sinais e posicionar um indicador que mostrará a diferença entre
os sinais, ou seja, o erro de contagem.
Obviamente, o sistema síncrono transmissor-receptor já analisado não pode exe-
cutar tal tarefa. Necessita-se de um tipo diferente de sincro, capaz de recebei, simul-
taneamente, duas informações de posição, somar ou subtrair as informações e fornecer
urna saída proporcional à sorna ou diferença das duas. Esta é a hora em que o sincro
diferencial tem aplicação. O sincro diferencial pode executar perfeitamente essas ta-
refas.
No transmissor do sincro diferencial, os enrolamentos do rotor e estator consistem
de três bobinas ligadas em Y. O estator é normalmente o primário e recebe excitação de
um sincro transmissor. As tensões que aparecem através dos terminais do rotor diferencial
sã'o determinadas pelo campo magnético produzido pelas correntes do seu estator e,
TAMBM, pela posição física do seu rotor. O campo magnético criado pelas corren tes
do estator torna um ângulo correspondente ao do campo magnético do transmissor que
está fornecendo o sinal de excitação. Se a posição do rotor varia, as tensões induzidas
nos seus enrolamentos também variam, de maneira que as tensões presentes nos terminais
do rotor variam.
RECEPTOR DIFERENCIAL. - Assim como os receptores de torque foram com-
parados com os transmissores de torque, os receptores diferenciais de torque podem ser
comparados com os transmissores diferenciais de torque. Nos receptores do sincro dife-
rencial, o rotor e o estator são alimentados com correntes provenientes dos transmis-
sores de torque. Os dois campos magnéticos resultam em um campo que faz o rotor
do receptor girar.
Um sistema síncrono diferencial de torque pode consistir de um transmissor de
torque (TX), um transmissor diferencial de torque (TDX), e de um receptor de tor-
que (TR); ou de dois transmissores de torque (TX) e um receptor diferencial de tor-
que (TDR).
SISTEMA SÍNCRONO TX-TDX-TR. - Suponha que os fios do estator de um
transmissor de torque estejam ligados aos fios correspondentes do estator de uma uni-

589
dade transmissora diferencial de torque, como na figura 21-15. A f.m.m. resultante do
estator, indicada pelas setas brancas, produzida no TX se opõe diretamente à f.m.m. do
rotor no TX, indicada pelas setas pretas. As bobinas correspondentes dos estatores estão
em série , isto é, S2 do TX está em série com S2 do TDX, e o fluxo de corrente produz
uma f.m.m. resultante de estator de igual intensidade no TDX. Entretanto, as correntes
nas bobinas correspondentes do estator do TDX são de sentidos opostos. O sentido da
f.m.m. no TDX é, assim, oposto ao sentido da f.m.m. no estator do TX, mas é idêntica
ao sentido da f.m.m. do seu próprio rotor.
As bobinas do rotor do TDX guardam espaçamento angular de 120°, exatamente
como nas bobinas do estator do TX. A f.m.m. no estator do TDX é idêntica à f.m.m. do
rotor do TX, desprezadas que sejam as pequenas perdas do circuito.

,----oRI
:-:---o R3

SI 53 SI

Fig. 21-15.- Posição da f.m.m. no estator do TDX quando o rotor do TX está na


posição de zero grau.

Antes de entrar em qualquer consideração de tal arranjo, deve ser deixado claro
que a relação de controle no TDX é a posição do campo no estator do TDX com relação
ao seu rotor, e não com relação ao estator. Suponha que o rotor do TX, no exemplo
anterior, seja girado para 75°, e o rotor do TDX para 30°, como mostrado na figura 21-16.
O campo do estator do TDX está posicionado em 75° com relação a S2 , mas o ângulo
em que corta o rotor do TDX, é 45°, usando-se o eixo de R 2 como referência. Este é
o ângulo que determina o sinal de transmissão do TDX. Observe que, girando o rotor
do TDX de 30° no sentido anti-horário, fica diminuído o ângulo entre o campo no estator
do TDX e R2 da mesma quantidade.
COMO O TRANSMISSOR DIFERENCIAL SUBTRAI. - A maneira pela qual o
sistema de torque utilizando um TDX subtrai ou soma duas entradas pode ser descrita
pelo posicionamento daforças magnetomotrizes. A figura 21-17 mostra tal sistema
ligado para efetuar uma subtração. Uma entrada mecânica de 75° é aplicada ao TX e
convertida em um sinal elétrico que o TX transmite para o estator d·o TDX. O TDX
subtrai a sua própria entrada mecâníca do sinal e transmite o resultado para o TR, que
indicará a saída mecânica pelo posicionamento do seu rotor.

592
: Seta preta
I f.m.m. no rotor
I
1 Seta branca - F.m.m.
1 no estator
o----------------- -- 7' ----QSZ

53
TDX

Fig. 21-16.- Rotação do campo do estator TDX quando o rotor do TX gira.

Entrada 30°

\ I
\ I
\ I

Fig. 21-17.- Subtração angular com o TDX.

Para compreender como isso ocorre, considere inicialmente as condições em um


sistema TX-TDX-TR quando os rotores do TX e do TDX são girados para zero grau,
conforme é mostrado na figura 21-18.
Já foi analisado como se desenvolve, em um sincro receptor, uma força de torque
para levar o seu rotor para uma posiçã"o que corresponde ao do rotor de um transmissor
associado. As tensões do rotor do TDX dependem da posição do campo magnético em

591
O F.m.m.no estator
F.m.m.no rotor
s ---------------------Q
o•

53 SI SI

Fig. 21-18.- Posições das f.m.m. no sistema TX-TDX-TR com todos os rotores em zero.

relação aos enrolamentos desse rotor, da mesma maneira que as te nsões no estator de
um TR dependem da posição do campo magnético em relação aos enrolamentos deste
estator. O eixo do campo do estator do TDX se orienta neste estator na mesma posição
relativa que o eixo do rotor do TX é orientado no seu estator. O rotor do TR, assim,
acompanha a posição angular do campo no estator do TDX com relação ao R 2 do TDX.
Como esse enrolamento está a zero grau, o rotor do TR gira para essa posição e indica
zero grau.
COMO O TRANSMISSOR DIFERENCIAL SOMA. - Freqüentemente, é necessário
construir um sistema TX-TDX-TR para somar posições angulares. Isso é feito mediante a
inversão entre os fios S1 e S3 entre os estatores do TX e do TDX, e os fios R 1 e R 3
entre o rotor do TDX e o TR. Ligado dessa maneira, o sistema se comporta como ilus-
trado na figura 21-19. As entradas1 mecânicas de 75° e 30°, aplicadas respectivamente aos
rotores do TX e do TDX, são somadas e transmitidas ao TR, cújo rotor fornece a saída
igual à soma, girando para a posição de 105°.
Entrada 75• EntJ:ada 30°
Saída tos•
\ I
'
\ I
\ I

Fig. 21 19.- Adição com o 1úX. 593


Receptor diferencial
Como previamente analisado, o receptor diferencial difere do transmissor dife-
rencial, principalmente, na aplicaçã'o. O TDX, em cada um dos exemplos já dados, com-
bina sua própria entrada com o sinal de um sincro transmissor e transmite a soma, ou a
diferença, para um sincro receptor que fornece a saída mecânica do sistema. No caso
do receptor diferencial em um sistema de torque, a unidade diferencial fornece a saída
mecânica do sistema, usualmente na forma de soma ou diferença dos sinais elétricos
recebidos de dois sincros transmissores. A figura 21-20 ilustra essa operação em um sis-

Safda 4s• Entiada 30"


.,.,---;
\
\
' .
I
I

'

30°

O rotordo
TDRgira
Rotor do I para4s•
TXem 75• I

R2

S3

Fig.21-20. - Subtração com o TDR.

tema que consiste de dois TX e um TDR (Torque Diferencial Receiver) interligados


para efetuar a operaçã'o de subtração.

Sistema de controle por sincros


grande o emprego dos sincros como acionadores de sistemas automáticos de
controle. Os sincros, sozinhos, não possuem suficiente torque (força de torção) para

594
girar c:agas pesadas, tais como antenas de radares ou torres de canhões. Entretanto,
eles podem controlar dispositivos amplificadores de potência que acionarão essas cargas
pesadas. Nessas aplicações, são utilizados motores elétricos denominados servomotores.
Os servomotores fazem parte de um circuito fechado de servomccan.ismo que emprega
um tipo especial de sincro denominado sincro transformador de controle (CT), para
detectar a diferença de sinal (sinal de erro) entre a entrada e a saída do circuito. Um
diagrama em bloco usando tal tipo de sincro é mostrado na figura·21-21 (A). A figura
21-21 (B) é uma vista fantasma de um transformador típico (CT) com um rotor do
tipo tambor.

.Entrada cr Ampl. H Motor H Carga


I
I I
I I
------ -•--- ---- I

(A)

Bobina do
estator

Rotor tipo
tambor

(B)
Fia. 21-21.- (A) Diagrama em bloco com controle por transformador;(B) transformador de controle
típico.

595
O TRANSFORMADOR DE CONTROLE (CT). - O transformador de controle
é a unidade de destaque em qualquer sistema sincro de controle. O CT é projetado para
fornecer, através dos terminais do seu rotor, uma tensão CA cuja grandeza e fase depen-
dem da posiÇ[o do rotor e do sinal aplicado aos três enrolamentos do estator. O compor-
tamento do CT em um sistema difere em diversos e importantes aspectos do das outras
unidades sincro previamente consideradas.
Como o enrolamento do rotor nunca é ligado a uma fonte CA, nenhuma tensão
é induzida nas bobinas do estator. Conseqüentemente, as correntes no estator de um
CT são, apenas, função das tensões aplicadas às suas bobinas. O rotor, em si, é enrolado
de maneira tal que a sua posição tenha bem pouco efeito de reflexão nas correntes do
estator, assim como nunca há corrente apreciável fluindo no rotor, porque sua saída
é sempre aplicada a uma carga de alta impedância, 10.000 ohms ou mais. Dessa forma,
o rotor não gira para nenhuma posiÇ[o particular quando são aplicadas tensões ao estator.
O eixo do rotor de um CT é sempre acionado por uma força externa e produz uma
saída na forma de tensão variável que é tomada nos terminais do rotor. Como o sincro
transmissor, o CT não necessita disco de amortecimento. Todavia, diferindo dos sincros
transmissor ou receptor, o acoplamento do rotor para o enrolamento S 2 é mínimo
quando o CT está na posiÇ[o de zero elétrico. (Veja a figura 21-22).

Fig.21-22.- Condições existentes no sistema TX-CT quando os rotores estão em correspondência.

RELAÇÃO ENTRE AS TENSOES NO ESTATOR DO CT E O CAMPO MAG -


TICO RESULTANTE. - Quando flui corrente no circuito do estator de um CT, é pro-
duzido um campo magnético resultante. Esse campo magnético resultante pode ser girado
pelo sinal de um sincro transmissor, ou de um sincro transmissor diferencial, da mesma
maneira que gira o campo do estator do TDX previamente considerado. Quando o campo
do estator do CT está fazendo ângulo reto com o eixo do enrolamento do rotor, a tensão
induzida no enrolamento do rotor é zero. Quando o campo do estator e o eixo magnético
do rotor estio alinhados, a tenslo induzida é máxima. Como a saída de um CT é expre$$a
em volts, é de toda conveniência considerar a sua operação em função das tensões no

596
estator, assim como em função da posição do campo magnético resultante. Deve ser
lembrado, todavia, que é a POSIÇÃO ANGULAR, com respeito ao eixo do rotor, que
determina a saída do CT.
OPERAÇÃO DE UM TRANSFORMADOR DE CONTROLE COM UM SINCRO
TRANSMISSOR. - Considere as condições existentes no sistema mostrado na figura
2I -22, onde um CT é ligado para operar com um TX e os rotores de ambas as unidades
estã"o posicionados em zero grau. As fases relativas das tensões no estator de cada uni-
dade, com relaçã"o ao da tensa-o em R 1-R2 do transmissor, são indicadas pelas setas me-
nores. O campo resultante do estator do CT é mostrado da mesma maneira como o foi
para o TDX. Com ambos os rotores na mesma posição, o campo no estator do CT faz
ângulo reto com o eixo da bobina do rotor. Como nenhuma tensã"o é induzida em uma
bobina quando o campo magnético altemante está perpendicular ao seu eixo, a tensão
de saída no rotor do CT é zero. Suponha agora que o rotor do CT seja girado para 90°,
conforme é mostrado na figura 21-23, e o rotor do TX permaneça em zero. Como a
posição do rotor nã"o afeta as tensões e correntes no estator, o campo resultante no

RI

Fia.21-23.- Condições no sistema TX-CT com o rotor do TX a 0° e o rotor do CT a 90°.

estator do CT permanece alinhado com S2 • O eixo da bobina do rotor está agora ali-
nhado com o campo no estator. Como saída do CT, aparecem, nos terminais do rotor,
aproximadamente 55 volts, máxima tensa-o que pode ser induzida na bobina.
Suponha, em seguida, que o rotor do TX seja girado para a posição de 180°, con-
forme é mostrado na figura 21-24. As posições elétricas do TX e do CT estã"o 90° fora
de fase, o campo do estator do CT e o eixo do rotor estã"o alinhados, e a saída do CT
é novamente máxima, mas o sentido do enrolamento do rotor é inverso com relação
ao sentido do campo do estator. A fase da tensão de saída é, assim, oposta à do CT no
exemplo precedente. Isso quer dizer que a fase da tensão de saída do CT indica o sentido
em que o rotor do CT é deslocado com relação ao sinal de informação de posição que
foi aplicado nas bobinas do estator.

597
115V

<>
Fig. 21-24.- Condições no sistema TX-CT quando o rotor do TX está a 180° e o rotor do cr a 90°.

e óbvio que a saída do CT pode ser variada girando-se o seu rotor, ou pela varia·
çã'o do sinal de informação de posição aplicadó ãs bobinas do seu estator. Pode ser tam-
bém observado que a grandeza e fase da saída dependem mais da relação entre o sinal
e o rotor do que da real posição de cada um deles.

Sincro trigonométrico (resolver )


O sincro trigonométrico é um dispositivo eletromecânico usado para gerar funções
trigonométricas. Um sincro trigonométrico, da mesma maneira como os outros tipos de
sincros, funciona baseado no princípio do transformador com um enrolamento girante.
Na sua forma mais simples, ele consiste de um estator e de um rotor, cada um com enrola·
mentos constituídos de duas bobinas separadas localizadas exatamente em ângulo de 90°
entre si (figura 21-25). Os dois enrolamentos do estator (S 1 e S2 ) são normalmente esta-

R3 R4 Rl R2
) Rotor C)
R-2
-Rl

.. .. .. Rotor
R-1 Sl S3
CR2
S2 S4

53 54 R3 R4
(A) (B)
Fig.21-25.- S(mbolos típicos dos calculadores.

598
cionários e servem, na maioria das aplicações, como os enrolamentos primários. Entre·
tanto, esses enrolamentos podem ser usados como enrolamentos secundários em algumas
aplicações dos calculadores. Os enrolamentos do rotor (R 1 e R2 ) servem como secundá-
rios e primários dependendo da aplicação. O conjunto do rotor pode girar com relação
aos enrolamentos do estator. Assim, o rotor pode ser ajustado em qualquer ângulo com
relação ao estator. Cada enrolamento do estator e do rotor tem o mesmo número de
espiras de maneira que a relação é 1 :1. O deslocamento de 90° dos enrolamentos do
estator evitam qualquer acoplamento magnético entre os seus enrolamentos. Isso tam-
bém se aplica aos enrolamentos do rotor.
As entradas para o sincro trigonométrico são:(I) a grandeza de um determinado
valor, expresso na forma de tensão; e (2) a seu sentido, expresso na forma de posiciona-
mento mecânico. Como o valor tem grandeza e sentido, ele pode ser representado na
forma de um vetor. O sincro é basicamente um solucionador do triângulo retângulo
usando os enrolamentos para representar os catetos, e o fluxo magnético para represen·
tar a hipotenusa. A rotação do eixo corresponde a um dos ângulos agudos do triângulo
retangulo.
Os sincros trigonométricos são usados intensivamente nos computadores, conver·
sores de coordenadas, em alguns equipamentos especiais de radar, nos equipamentos
de orientação de balísticos, nos equipamentos de designação de alvos e na transmissão
de dados. Esses dispositivos executam cálculos elétricos envolvendo: (1) resolução, (2)
composição; e (3) combinaçlfo. A figura 21-26 mostra o rotor em três diferentes posi·
ções com relação ao estator. Como as ações são semelhantes em todos os enrolamentos,
para simplificar, apenas um conjunto é mostrado.

E0= E i cosa
9=0

<l>
......
I

I
I

·E
I

Eo= lxl=l Eo= lx.886= .886 E =1x0=0


0
{A ) {8) {C)

Fig. 21·26. - Princípio do calculador, rotor e estator.

Na figura 21-26 (A), os enrolamentos do rotor e do estator fazem um ângulo de


0° entre si. Com o rotor nessa posição, todo o fluxo estabelecido pela tensão no enrola·
mento do estator corta o enrolamento do rotor e a tensão induzida no rotor é máxima.
Por exemplo, com uma relação de espiras de 1 : 1 e uma entrada igual a 1 volt, ignorando·
se as pequenas perdas no transformador, a tensão de saída será 1 volt.

599
Na figura 21-26 (B), o rotor é girado de maneira que os dois enrolamentos ficam
deslocados de 30°. Agora, apenas uma parte do fluxo do estator corta o enrolamento
do rotor, e a tensão induzida no rotor é 0,866 volt.
Na figura 21-26 (C), o rotor é girado de maneira que os dois enrolamentos ficam
deslocados de 90°. Com esse ângulo hão há acoplamento magnético entre os enrola-
mentos e a tensão de saída é zero.
A tens!i"o de saída corresponde numericamente às funções do co-seno do desloca-
mento angular entre o rotor e o estator. Esse enrolamento do rotor é por isso denominado
enrolamento do co-seno. Com o segundo enrolamento do rotor deslocado de 90° do
enrolamento do co-seno, a tens!i"o induzida no enrolamento corresponde às funções do
seno do deslocamento angular entre o rotor e o estator. Esse, naturalmente, é denomi-
nado enrolamento do seno.
A seguir você encontrará alguns dos tipos de problemas que o sincro trigonométrico
é capaz de resolver. Inicialmente, o sincro pode determinar, de um vetor, os seus dois
vetores componentes do triângulo retângulo. Essa operação é denominada resolução.
A hipotenusa do triângulo na figura 21-27 é o vetor a ser decomposto. O ângulo A repre-
senta a direção do vetor ; e a tensão aplicada ao enrolamento do estator, com o valor uni-

Bobina
do co-seno

Fig. 21-27.- Resolução ng 1.

tário, representa a grandeza do vetor. As tensões de saída, Eo 1 e Ecn, são as respostas


ao problema vetorial. A grandeza de E 01 representa e componente horizontal e E 02 o
componente vertical do vetor.
Na figura 21-28 são dados valores práticos às entradas. O ângulo de 30° representa
a elevação do alvo. A hipotenusa representa a distâneia do alvo no plano inclinado. Neste
caso, a tensão unitária representa o alcance máximo do instrumento. A tensão aplicada
ao estator é diretamente proporcional à distância medida do alvo. A tensão induzida no
enrolamento do co-seno representa a distância horizontal do alvo, enquanto a tensão
induzida no enrolamento do seno representa o componente vertical do problema, isto é,
a sua altura.
A combinação de dois componentes para obtenção do vetor resultante é o segundo
tipo de problema que um sincro trigonométrico pode resolver. Tal operação é denomi-

600
"'o
c;=
:Õ R SIN E
o o
IXl..,

Bobina do
co-seno
R COSE

Fig. 21-28. - Resolução n9 2.

nada composição. Neste caso, os dois lados do triângulo retângulo são conhecidos e o
sincro determina a hipotenusa. As tensões A sen 8 e A cos 8 são aplicadas aos dois enrola-
mentos do estator conforme mostrado na figura 21-29. Cada enrolamento produz um
fluxo de campo proporcional à grandeza da tensão aplicada. Esses dois fluxos ficam em
ângulo reto porque os enrolamentos do estator estão posicionados em ângulo reto. Os
campos de fluxoem ângulo reto se combinam segundo a fórmula:

onde 1/>1 é a intensidadé de campo do enrolamento 1 do estator e (/> 2 é a intesidade de


campo do enrolamento 2 do estator. (A fórmula é similar à usada para determinar a
hlpotenusa do triângulo - a soma dos quadrados dos catetos é igual ao quadrado da
hipotenusa)_

Fig. 21-29.- Composição.

601
O rotor gira através do ângulo 8 de maneira que o eixo do enrolamento do rotor
fica alinhado com o eixo do fluxo resultante do estator. A tensão induzida no enrola-
mento do rotor é então proporcional ao valor da hipotenusa que é o vetór A. O ângulo 8
é dado pelo posicionamento do rotor.
Em um computador, o segundo enrolamento do rotor do calculador é usado para
fornecer um sinal ao servomecanismo para posicionar o rotor. O segundo enrolamento
do rotor tem tensão zero induzida quando ele fica exatamente a 90° do fluxo do campo
resultante. Assim, o rotor permanece nessa posição e o primeiro enrolamento do rotor
terá tensã'o induzida mínima.
Pelo uso de um número maior de sincros calculadores no circuito do computador,
uma combinação dos dois problemas básicos pode ser resolvido simultaneamente.

Manutenção corretiva nos sistemas sincro


Muitas vezes a pesquisa de avarias se limita a determinar se a avaria está no sincro
ou no sisteJDQ de conexões. Quando a avaria é no circuito, ela pode ser corrigida, mas
quando ela se localiza no sincro, a unidade deve ser substituída.
Quando a unidade ou sistema é de instalação recente, o problema pode estar loca-
lizado em uma ajustagem de zero incorreta ou troca nas conexões. Certifique-se inicial-
mente de que todas as unidades estlfo corretamente ajustadas em zero e, em seguida, veri-
fique a fiaçlfo. Não confie no código de cores dos fios; verifique a continuidade e o isola-
mento com um olunímetro.
Nos sistemas instalados já há algum tempo, as avarias mais comuns são:
Chaves: curto-circuito, má comutação, terra ou corrosão.
Equipamentos: entrada de água ou óleo no sincro motivado por avaria antes de
instalar um novo sincro.
Quadros de terminais: porcas ou parafusos soltos, fios partidos ou corroídos.
Ajustagem de zero: unidades com ajustagem de zero incorreta.

Os erros nas conexões e ajustagens incorretas do zero em qualquer sistema são


comumente resultado de trabalho negligente ou inadequada formação técnica. Não
depende da memória quando for remover ou instalar uma unidade sincro. Tenha sem-
pre à mão para consulta, o manual do equipamento.
Na maioria dos sistemas, as unidades estlfo instaladas bem distante uma das outras.
Se ocorrer uma avaria no sistema ela deve ser localizada o mais rapidamente possível.
Para economizar tempo, use os indicadores de sobrecarga e indicadores de fusíveis quei-
mados localizados nos painéis de controle para localizar uma unidade funcionando de
maneira anormal.
As tabelas 21-1 e 21-2 sumarizarn alguns indícios e possíveis causas de avaria em
um sistema transmissor receptor. Quando dois ou mais receptores estão ligados a um
transmissor, os indícios são similares em todas as unidades. Se todos os receptores apre-
sentam a mesma anormalidade, o problema está no transmissor ou nas ligações que são
comuns. Se o problema se apresenta em apenas um receptor, verifique a unidade e as suas
conexões. Os ângulos apresentados na tabela não se aplicam aos sistemas que usam sincro
diferencial ou aos sistemas nos quais as unidades não estão ajustadas em zero.

(Continua)

602
Tabela 21-1.- Avarias nos sincros

GERAL

Ações preliminares: Certifique-se de que a unidade receptora não está fiSicamente


emperrada.
Gire a unidade transmissora vagarosamente em wn sentido e
observe o acompanhamento do receptor.

IND(CIOS AVARIAS

Sobrecarga nas lâmpadas indicadoras. Circuito do rotor aberto ou em curto-


As unidades zumbem para quaisquer posi- circuito.
ÇÕes do TR TX.
Uma unidade superaquece.
O TR acompanha mas com leitura errada. Veja abaJXo.

Sobrecarga nas lâmpadas indicadoras. Circuito do estator em curto-circuito.


As unidades zumbem em todas as posi-
ÇÕes do TX exceto em duas posições
opostas. Veja tabela 21-2
Ambas as unidades TX e TR superaque-
cem.
O TR permanece em posição metade do
tempo, em seguida gira abruptamente
para a posição oposta. O TR pode osci-
lar ou se atrasar.

Sobrecarga nas lâmpadas indicadoras. Circuito do estator aberto.


As unidades zumbem em duas posições
opostas de ajustagens do TX. Veja tabela 21-2.
Ambas as unidades TX se aquecem.
O tR gira suavemente em wn sentido e
em seguida inverte o sentido de rota-
ção.

O TR fornece indicação errada de acom- Interconexão errada das duas unidades.


panhamento ou gira ao contrário mas Unidades nifo ajustadas corretamente a
acompanhando suavemente o TX. zero. Veja tabela 21-2.

(Continua )

603
Tabela 21-1.- (Continuação)

Rotor aberto ou curto-circuitado

Ação preliminar: Ajuste o TX em 0° e gire o rotor suavemente no sentido anti-horário.

INDfCIOS AVARIAS

O TR gira no sentido anti-horário de 0° a Rotor do TX aberto.


180° de maneira errática e aquece.
O TR gira no sentido anti-horário de 0° a Rotor do TR aberto.
180° de maneira errática, o TX aquece.
O TR gira no sentido anti-horário de 90° Rotor do TX em curto.
a 270° com torque normal, o TR
aquece, o fusível do TX abre.
O TR gira no sentido anti-horário de 90° Rotor do TRem curto.
ou 270°, o torque é normal, O TX
aquece, abre o fusível do TR

Tabela 21-2.- Avarias no estator

Estator em curto-circuito
IND(CIOS AVARIAS

Ajustagem ou condição Indicação

Quando o TX está em O indicador de sobrecarga acende


120° ou 3 00° mas o TR dá indicação correta.
Quando o TX fica entre As lâmpadas indicadoras de sobre· Circuito do estator
340° e 80° ou 160° e carga acendem, as unidades aque- com curto entre
260° cem e zumbem. O TR permanece s. e s2.
em 120° ou 300° ou oscila entre
uma posição e outra.

Quando o TX fica em 60° O indicador de sobrecarga acende


ou 240° e

Quando o TX fica entre As lâmpadas indicadoras de sobre- Circuito do estator


280° e 20° ou entre carga acendem, as unidades aque- com curto entre
100° e 200°' cem e zumbem e o TR permanece s2 e s3.
em 60° ou 240° ou pode oscilar
rapidamente de urna posição para
outra.
(Continua)

604
Tabela 21-2. - (Continuação)

Estator em curto-circuito

INDÍCIOS AVARIAS

Ajustagem ou condição Indicação

Quando o TX está em 0° As lâmpadas indicadoras de sobre-


ou 180° e carga apagam. O TR dá indicação
correta.

Quando o TX está entre Indicadores de sobrecarga acendem, Circuito do estator


40° e 140° ou entre as unidades aquecem e zumbem, com curto entre
220° e 320° o TR permanece em 0° ou 180° sl e s3.
ou pode oscilar rapidamente de
uma posição para outra.

Para todas as posições do Indicadores de sobrecarga acendem Os três fios do esta-


TX permanentemente, ambas as uni- tor em curto-cir-
dades aquecem e zumbem, o TR cuito.
não acompanha ou acompanha
com atraso.

Estator aberto

INDÍCIOS AVARIAS

Ajustagem ou condição Indicação

Quando o TX está em O TR inverte ou trava, indicadores de Circuito do estator


150° ou 330° sobrecarga acendem. sl aberto.
Quando o TX é mantido O TR se desloca entre 300° e 0° de
em0° maneira errática.

Quando o TX está em 90° O TR inverte ou trava, indicadores de Circuito do estator


ou 270° sobrecarga acendem. s2 aberto.
Quando o TX é mantido O TR se desloca para 0° ou 180° com
em0° torque próximo do normal.

Quando o TX está em 30° O TR inverte ou trava, indicadores de Circuito do estator


ou 210° sobrecarga acendem. s3 aberto.
Quando o TX é mantido O TR se desloca entre 0° e 60° de ma-
em0° neira errática.
(Continua)

605
Tababela 21-2.- (Continuação)

Estator em curto-circuito
INDfCIOS AVARlAS

Ajustagem ou condição Indicação

Quando o TX está em ao O TR não acompanha. Dois ou três fios


e em seguida é deslo- do estator estão
cado no sentido anti- abertos.
horário

Inversão de ligações no estator, instalação correta do rotor


AJUSTAGEM OU
CONDIÇAO INDICAÇÃO AVARIA

O TX é ajustado em ao. Indicaç§'o errada do TR. Gira no sen- Inversão entre S 1 e


Em seguida o rotor é gira- tido horário partindo de 240°. s2.
do no sentido anti-horário
lndicaç[o errada do TR. Gira no sen-
0
Inversão entre sl e
tido horário partindo de 12a • SJ.

Indicação errada do TR.Gira no sen- Inversão entre S1 e


tido horário partindo de ao. s3.
Indicação errada do TR Gira no sen- s. está ligado a s2'
0
tido anti-horário partindo de 12a • s2 está ligado
a s3 e s3 está
ligado a 81•

Indicação errada do TR Gira no sen- S1 está ligado a S3,


0
tido anti-horário partindo de 24a • s2 está ligado
a s. e s3 está
ligado a s2.

(Continua)

606
Tabela 21-2.- (Continuação).

Inversão de ligações no estator ou no rotor


AJUSTAy t!i OU INDICAÇÃO AVARIA
CONDIv AO
O TX é ajustado em zero e Indicação errada do TR. Gira no sen- Estator correto. In·
o rotor é girado suave- tido anti-horário partindo de 180°. versão entre R 1
mente no sentido anti- e R2 •
horário

Indicação errada do TR. Gira no sen- Inversão entre S1


tido horário partindo de 60°. e S1. Inversão
entre R 1 e R1.

Indicaça-o errada do TR. Gira no sen- Inversão entre s2


tido horário partindo de 300°. e s3. Inversão
entre Rt e R2.

Indicação errada do TR. Gira no sen- Inversão entre St


tido horário partindo de 180°. e S3 . Inversão
entre Rt e R2.

Indicação errada do TR. Gira no sen- S1 ligado a S2, S2


tido anti-horário partindo de 300°. ligado a s3, s3
ligado a S1 • In-
versão entre R 1
e R1.

Indicação errada do TR.Gira no sen- St ligado a S3, S1


tido anti-horário partindo de 60°. ligado a S1, S3
ligado a sl. In-
verslo entre Rt
e R2 •

SERVOMECANISMOS

Na operação de equipamentos el6tricos ou eletrônicos, 6 freqüentemente necessário


operar uma carga mecânica localizada à distância da sua fonte de controle. Exemplos
disso são os movimentos das pesadas antenas de radar ou pequenos motores indicadores.
A carga mecânica pode necessitar de grande ou pequeno torque, com velocidade e senti-
do variáveis. ·
Um servomecanismo pode ser deftnido como um dispositivo eletromecânico que
posiciona um objeto de acordo com um sinal variável. O sistema de servomecanismo pode
ser acionado com um sinal de pequena potência e opera de maneira a reduzir a diferença
(erro) entre duas quantidades. Essas quantidades slo, usualmente, a posição do DISPOSI-
TNO DE CONTROLE e a posição da CARGA.

(1)7
Os componentes essenciais de um sistema de servomecanismo são o CONTROLE
DE ENTRADA e o CONTROLE DE SMDA.
O controle de entrada fornece o meio pelo qual o operador humano pode acionar
ou operar uma carga remota. Isso pode ser feito por um meio mecânico ou elétrico. O
meio elétrico é o mais comumente usado. Os sistemas sincro e os circuitos em ponte
sâ'o os mais largamente empregados para controle de entrada dos sistemas de servo-
mecanismos.
O controle de saída de um sistema servomecânico é o componente, ou compo-
nentes, em que ocorre a amplificaÇ[o ou conversão de potência. A potência é usual-
mente amplificada por um amplificador a válvula ou por amplificadores magnéticos.
Em algumas aplicações, usa-se uma combinação desses amplificadores. A potência do
amplificador é então convertida pelo servomotor em movimento mecânico, no sentido
requerido para produzir a operaÇ[o desejada. Essa seqüência de funções é mostrada na
figura 21-30. A figura mostra um sistema servomecânico simples.

Controle de saída Eixo de


r------------- -------------- ----- saída
f
I
I Servomotor
I elétrico I
I I
I f
L__ _ ------ --- -- - -- +-- --'
f
f
Eixo de f
entrada
-if ---,
Getador
'I sincro
I

---------------------------
I

Controle de entrada
I

Fig.21-30.- Diagrama em bloco simplificado


de um servomecanismo.

Operação de um servomecanismo básico


O diagrama em bloco na figura 21-30 é mostrado em forma esquemática na figura
21-31. O seu princípio básico de funcionamento é como se segue:
· O CONTROLE DE ENTRADA, que consiste de um sincro transmissor (TX) e um
sincro transformador de controle (CT), origina ou comanda o movimento do sistema.
O rotor do TX é ligado a um eixo que é acionado manualmente ou por meio de um dis-
positivo de oontrole mecânico. O movimento do rotor do TX, tirando-o do seu ponto
de zero elétrico, causará um desbalanceamento das tensões nos enrolamentos do estator,
S2 , S1 e S3 . (Essa aÇ[o já foi discutida sob o título: Sistema de Controle por Sincro).
Uma tensão é então induzida no rotor do transformador de controle. Sua GRANDEZA
depende da QUANTIDADE do deslocamento do rotor do TX, e a sua FASE depende
do SENTIDO do deslocamento a partir do zero elétrico.
Essa tensâ'o representa TENSÃO DE ERRO. Como o transformador de controle
n!o é projetado para fornecer potência suficiente para acionar urna carga de qualquer
tamanho significativo, a tensâ'o de erro deve ser amplificada antes de ter potência sufi-
ciente para acionar o servornotor e assim mover a carga.
O servoamplificador, como afirmado anteriormente, pode ser do tipo que utiliza

608
válvula a vácuo, ou do tipo magnético. Em muitos casos, o servoamplificador é uma
combinação de ambos. No tipo combinado, a seção eletrônica amplifica a TENSÃO DE
ERRO, e essa tensã"o amplificada controla o amplificador magnético. A amplificação de
POTbNCIA é feita pelo amplificador magnético. O fWlcionamento dos amplificadores
é discutido no Capítulo 20, AMPLIFICADORES MAGNÉTICOS.
Independentemente do tipo de amplificador usado, a saída do amplificador de
potência é ligada ao campo de controle do servomotor. Nesta ilustração é usado um
motor de indução monofásico. O campo fixo é alimentado permanentemente, mas
nã"o pode partir sem um conjWltO de partida ou torque inicial. O campo de controle
é alimentado somente quando uma tensã"o de erro aparecer no transformador de con-
trole. Quando o campo de controle é alimentado, o motor opera.

R2

Controle de entrada

I ICampo
fiXO

Servoamplificador

Servomotor

Controle de saída

Fig.21-31. - Diagrama esquemático da figura 21-30.

O sentido de rotação do motor é determinado pela relação de fase da tensão apli-


cada ao campo fixo e a do campo de controle. Ocorrem variaçõs de fase somente no
campo de controle, porque a tensã"o a ele aplicada (grandeza e fase) é determinada pelo
sentido de deslocamento do rotor do transmissor de controle.
Uma vez que o controle de entrada no sistema discutido produz uma tensão de
erro, o servomotor continua a girar até que o rotor do transmissor de controle seja trazido
novamente para a posição do seu zero elétrico. Este sistema de controle é chamado

609
CIRCUITO ABERTO porque a saída do servo no tem meios de influenciar o sinal de
entrada durante a operação.
A figura 21-32 mostra o diagrama simplificado de um sistema servomecânico mais
largamente empregado. O sistema é denominado CIRCUITO FECHADO. Observe que é
semelhante ao sistema do circuito aberto, exceto por uma linha de função adicional que
liga o servo à entrada do amplificador.

Controle de saída

Eixo de
entrada

Fig.21-32. - Circuito fechado de um servo-


mecanismo.

No sistema de controle por circuito fechado, pode-se fazer o servomotor parar em


qualquer posição, sem retornar o rotor do transmissor a sua posição de zero elétrico. Para
isso, é necessária uma tensão de erro controlada pelo servo. Essa tensão é denominada
TENSÃO DE ACOMPANHAMENTO.
Para fornecer a tensão de acompanhamento, emprega-se, usualmente, um elemento
em ponte ou um transformador de 'controle acionado pelo eixo do servo. As ligações
elétricas são de maneira tal que a ponte, ou o transformador de controle, gerará uma
tensão que se opõe â tensão de erro do controle de entrada. A figura 21-33 mostra o
diagrama esquemático de um sistema de controle de circuito fechado.
O transformador de controle de acompanhamento é basicamente idêntico ao trans-
formador de controle discutido anteriormente. Observe que o estator é excitado pela
tensão CA que excita o rotQr do transmissor de controle. Essa tensão é ligada através de
somente dois enrolamentos do estator. Não é usado o terceiro enrolamento. Com urna
tensão aplicada aos dois enrolamentos 120° separados, um campo magnético resultante
aparece em torno de 60°, entre os dois enrolamentos. Se o rotor do transformador de
controle de acompanhamento for posicionado de maneira que o seu eixo esteja a 90°
do eixo do campo, a tensão induzida no rotor será zero. Pode ser visto que, se o rotor
for deslocado da sua posição de zero elétrico, será induzida urna tensão no rotor. A
grandeza e fase dessa tensão dependerão da quantidade do deslocamento e do sentido
de rotação do rotor, a partir da sua posição zero.
Quando em um sistema servo é usado um transformador de corrente de acompa-
nhamento, como ilustrado na figura 21-33, o rotor é usualmente acionado pelo eixo
de saída do servo, via um conjunto de engrenagens. A relação de engrenagens é tal que

610
o eixo do servo dá diversas voltas para deslocar um pequeno ângulo no eixo do rotor.
São comuns as relações de 1.500 para 1. O eixo do servo pode ser ligado diretamente à
carga, ou através de ur;n sistema de engrenagens elevadoras ou redutoras.
O princípio de operação de um sistema servo com circuito fechado é como se segue:
Na posição estática (zero elétrico), a tensão de saída do CONTROLE DE ENTRA-
DA será zero, e a tensão de saída do TRANSFORMADOR DE ACOMPANHAMENTO
será também zero. Assim, nenhuma tensão de erro é aplicada ao amplificador, e a tensão
para o campo de corrente do servomotor será zero.

52

Controle de entrada

115V CA i)C
CampoLJ Resistor de
t nsão de

Eixo de saída t====,;::: o fixo


Servoamplificador

acompanha-
mento

Servomotor

115V CA
A
I
,
I Trem de
/ engrenagem
I

Controle de saída

Fig. 21-33.- Sistema de controle com circuito fechado.

Quando Ô eixo do controle de entrada é girado (para a direita ou para a esquerda),


uma tensão é induzida no rotor do transformador de controle. Essa tensão é aplicada
através do resistor do acompanhador à entrada do amplificador, onde após ser ampli-
ficada, aciona o servomotor. O sentido de rotação do eixo do servo é determinado pelo
611
sentido de deslocamento do rotor do TX, que controla a relação de fase entre os dois
campos dos motores. O campo de controle variável sempre avançará ou atrasará 90° do
campo de controle fixo. Conforme o eixo do servo gira, ele arrasta a carga no sentido
determinado. O eixo aciona também o conjunto de engrenagem do rotor do transfor-

612
mador de controle de acompanhamento. O arrastamento do rotor do CT de acompa·
nhamento, tirando-o da sua posiça"o de zero elétrico, causa o aparecimento de uma
tensão induzida no rotor, em virtude da excitação existente no estator. Essa tensão
será sempre 180° FORA DE CONTROLE DE ENTRADA. (Tal arranjo é feito por meio
das engrenagens que acionam o rotor do CT acompanhador). A tensão do acompanha·
mento se desenvolve através do mesmo resistor por meio do qual o sinal de comando é
encaminhado ao amplificador. Conforme o servomotor gira, a tensão de acompanha·
mento aumenta. Quando essa tensão se torna igual à tensão de comando, sendo de polari·
dade oposta, elimina a tensão de erro. Na entrada do amplificador, a tensão total será
zero. O servomotor, então, pára de girar. Observe que é desnecessária ·a reposição do
rotor do transmissor de controle (controle de entrada) no seu zero elétrico para parar
a rotaçâ"o do servomotor. O servo gira e arrasta a carga, movendo-a para qualquer posi·
ção determinada pelo transmissor de controle. Na posição desejada, o sistema pára auto-
maticamente.

Sistema Ward-Leonard
Conforme afirmado anteriormente, um dos requisitos básicos de um servomeca·
nismo é ter o motor de tração velocidade variável e ser capaz de inverter o sentido de
rotaçâ"o. Tendo em vista que o motor CA trifásico é intrinsecamente um dispositivo de
velocidade constante, esse motor fica automaticamente eliminado. É usado comumente
como tracionador controlado um motor CC. O sentido de rotação do motor CC pode
ser prontamente invertido pela inversão do fluxo de corrente na armadura ou na cor·
rente de campo. A velocidade de rotação pode ser controlada pela tensão aplicada na
sua armadura.

Tensão de saída
'---- -- -t--t--t-t---' Velocidade
e sentido variável e rotação
reversível
constantes

Campo de alimentação CC

Fig.21-34. - Sistema Ward-Leonard.

O circuito mostrado na figura 21-34, comumente conhecido como sistema Ward-


Leonard, atende a todos os requisitos apontados. O motor CC é alimentado diretamente
por um gerador CC que opera com velocidade constante. A alimentação para o campo
CC do gerador é variável por meio de um reostato e a polaridade da tensão pode ser
invertida por meio de uma chave inversora conforme mostrado na figura. Dessa forma, a
armadura do motor recebe tens!o de um gerador que a fornece desde os valores mais
baixos até os valores mais altos.

613
O campo do motor é alimentado com tensão constante da mesma fonte que ali-
menta os campos do gerador. A energia de tração motora do gerador pode ser obtida
de um motor CA trifásico, de um motor a combustão ou qualquer outra fonte de velo-
cidade constante. Da mesma foffi!a, a alimentação para o campo CC do gerador pode
ser fornecida por uma fonte retificada, de uma máquina excitatriz presa ao eixo do
gerador ou por qualquer outra fonte de energia elétrica CC adequada.
A vantagem do sistema Ward-Leonard é que por meio de lll11il pequena variação
na corrente de campo, pode-se obter um suave, flexível e estável controle mecânico
sobre a velocidade e sentido de rotação do motor CC. Tais sistemas são aplicáveis na
propulsão de navios, guindastes, elevadores, equipamentos diesel elétricos, e rotação
de torres de canhões, antena de radar e outros equipamentos pesados similares. A ação
do sistema é bastante semelhante à de um amplificador, já que com uma pequena cor-
rente pode-se controlar grandes cargas que requerem grande potência elétrica.
Um tracionador simples Ward-Leonard para uma antena de radar é mostrado
na figura 21-35. O gerador de CC neste sistema é acionado por um motor CA mono-
fásico de 230 volts. A mesma tensão CA alimenta um retificador que fornece tensão
CC para ambos os campos do gerador e do motor. O campo do gerador é ligado a um

,I ,Retificador

+ -----'""""

I
Controle de
velocidade
I
+D-....;.. e sentido .
I

230V
LI J'-------------
F;,. 21-35.- Antena de radar simples.

614
.reostato de maneira tal que a grandeza e polaridade da tens{o aplicada pode ser variada.
Ajustando-se o controle que acionll o reostato, a antena pode girar nos dois sentidos
e em qualquer velocidade desde as mais baixas até a velocidade máxima normal.
O sistema mostrado é do tipo aberto e é aplicável a um radar no qual a velocidade
e sentido de rotação da antena devem ficar sob o controle do operador. O sistema podeser
modificado para ser usado como circuito fechado fazendo-se o mecanismo de tração da
antena fornecer uma realimentação de posicionamento para o reostato de velocidade e
sentido de rotação da antena de maneira que a tensão fornecida ao campo do gerador
CC pode ser reduzida a zero quando a posição da antena está em correspondência com
a ordem de entrada. Um método para prover a realimentação no sistema mostrado na f
gura 21-35 consiste na utilização de um sistema transmissor receptor simples e um dife-
rencial mecânico ilustrado na figura 21-36.

'JT_ -----, 1
: Velocidade constante i- ----;
, I ,
Antena móvel :
: motor-gerador
··--- -- --- - ! jl--- _
' do servomecanismo :
1

CC

TX

Manivela de
controle,
direçio e mecânico
velocidade
Fis.21·36.- Sistema de realimentação tipo Ward-Leonard.

Amplidines
Conforme foi afumado no início deste capítulo, os sincros são usados para a trans·
missão de movimento angular sem desenvolver grande quantidade de torque.
Os SINCROS DIFERENCIAIS slo usados para combinar, da maneira que se desejar,
movimento angular de duas fontes diferentes, também sem desenvolver grande quantidade
de torque.
Os SINCROS TRANSFORMADORES DE CONTROLE são empregados para pro-
duzir uma tensão de saída que é proporcional ã diferença angular entre os eixos de
entrada e saída de um servomecanismo. A tens§'o de erro do transformador de con-
trole é aplicada a um AMPLIFICADOR DE CONTROLE (que amplifica a saída do

615
.transformador de controle), aumentando a amplitude do sinal de erro. Em um sistema
acionado pela potência de um amplidine, a saída do amplificador de controle alimenta
as bobinas de campo do gerador amplidine. Uma pequena variação na intensidade da
corrente nas bobinas de campo do gerador amplidine causa uma grande variação na
potência de saída. O amplidine é, dessa forma, um amplificador CC. Assim, o sinal que
se desenvolve no amplificador de controle pode fazer o gerador amplidine fornecer grande
potência de saída para operar o servomotor CC que tem torque suficiente para mover uma
carga pesada.
r---- - - - - - - -- - - - ------------I
I I
I I
I I

...---- -
I
I

1
I
I
I
Para a carga Parao
campo CC

I
L -
,------
Campo de
controle
Parao
1 amplifi·
1 ficador de
J controle
I
I
I
: compensação ....,
I
I
L
Amplidine
8 ... ...

.M- t r5 e- ã J

Fig. 21 37.- Amplidine básico.

O amplidine, comumente usado como acionador de potência, consiste de um gera·


dor amplidine, um motor de arrasto e um servomotor CC, conforme é mostrado em forma
simplificada na figura 21-37. O gerador amplidine tem dois conjuntos de escovas no
comutador. Um conjunto é curto-circuitado e o outro fornece alimentação à armadura do
servomotor. O campo do servomotor e o campo de controle do amplidine são excitados
separadamente. O campo de controle do amplidine tem um enrolamento série de compen-
sação que será discutido posteriormente. O motor de arrasto do amplidine é, comumente,
um motor de indução trifásico.

Operação
O gerador amplidine é um pequeno gerador CC com excitação separada e cujo
campo de controle requer baixa potência de entrada. A tensão de saída da armadura
pode ser igual a 100 volts e a corrente de sa ída da carga é de 100 ampêres, fornecendo

616
assim uma potência de saída igual a 10 kW. O amplidine é , essencialmente, um disposi-
tívo de controle extremamente sensível. Por exemplo: um aumento de potência no
campo de controle, de zero para 1 watt pode causar, na potência de saída do gerador,
um awnento de zero a 10 kW. É, assim, uma amplificação igual a 10.000. A análise que
se segue mostra como ocorre essa alta amplificação.
Em um gerador comum de dois pólos (figura 21-38), o campo de controle, excitado
separadamente, pode exigir uma potência de entrada de 100 watts a fim de estabelecer
o magnetismo normal nos pólos do campo e uma tensão normal de armadura de 100
volts. Quando essa tensão é aplicada em uma carga de 1 olun, a armadura fornecerá uma
corrente de 100 amperes, ou seja, uma potência de saída de 10 kW. Os circuitos com
pontos representam os condutores da armadura conduzindo corrente no sentido do
observador. Os círculos com crases representam os condutores conduzindo corrente
que flui de maneira a se afastar do observador. O enrolamento do campo de controle
desenvolve um pólo norte (N) no pólo da esquerda do campo e um pólo sul (S) no pólo
da direita.
A intensidade relativa do campo de controle é representado pelo vetor OA na
figura 21-38 (B). A armadura, atuando como um eletroímã, estabelece uma força mag-
netomotriz em quadratura, cujo eixo coincide com o eixo das escovas. A intensidade
relativa e a posição dessa força magnetizante cruzada da armadura são indicadas pelo
vetor OB na figura 21-38 (B). Esse vetor tem, aproximadamente, o mesmo comprimento
do vetor OA do campo de controle e é perpendicular a este.
Se a intensidade do campo de controle, na figura 21-38 (A), for reduzida a 1 por
cento do normal, a tensão gerada na armadura cairá para 1 por eento do normal, ou
seja, para cerca de 1 volt. A corrente de saída da armadura, que flui através da carga de
1 olun, cairá também para 1 ampere.
A corrente normal da" armadura pode ser restabelecida curto-circuitando as esco-
vas, como é mostrado na f gura 21-39 (A).Um volt, atuando através da resistência interna
de 0,01 olun da armadura, fará circular entre as escovas uma corrente de 100 amperes.
A intensidade do campo de controle é, ainda, 1 por cento do seu valor normal (vetor
OA) figura 21-39 (B), mas a força magnetomotriz do campo cruzado da armadura é
mantida no seu valor normal, conforme é indicado pelo vetor OB.
O campo cruzado da armadura é cortado pelos condutores da mesma e pode ser
considerado responsável pela tensão normal na carga. Essa tensão é retirada através de um
par adicional de escovas, como é mostrado na figura 21-40 (A). O eixo dessas escovas
é perpendicular ao do das escovas curto-circuitadas. A carga é ligada em série com essas
novas escovas e também com um enrolamento de compensação, mostrado esquematica-
mente em tomo do pólo sul do campo.
A corrente de carga da armadura dirige-se no sentido do observador, em tomo da
metade superior do enrolamento da armadura, e afastando-se do observador, na parte
inferior. A armadura atua como um eletroímã que cria uma f.m.m. do campo de con-
trole e no mesmo eixo deste campo.
O propósito do enrolamento de compensação é criar uma f.m.m. em oposição, ao
longo desse mesmo eixo, para contrabalançar a f.m.m. da corrente de carga da arma-
dura. Essa compensação é feita automaticamente, para qualquer grau de carga, ligando-se
esse enrolamento em série com as escovas de carga e a carga propriamente dita. O vetor
OC (figura 21-40 B) representa a grandeza relativa e sentido da f.m.m. do enrolamento
de compensação com relação à f.m.m. do campo de controle OA; à f.m.m. da corrente
de carga da armadura OD;e à f.m.m. do campo da armadura OB.
Os pólos do campo principal são mostrados na forma de ranhura ao longo do eixo

617
lOOV
lOOA

Campo de controle
excitado---1
separadamente

lOOW de entrada

Gerador
(A)
or---------------
F.m.m.do campo
A
de controle

F.m.m. magnetizante
cruzada da armadura

B Vetores
lB)

Fig.21-38.- Gerador CC comum.

618
100 arnpêres

Fluxo do campo
de controle

Enrolamento do
campo de controle

Gerador
(A)
o-_..A f.m.m. do campo de controle

F.m.m.do campo
cruzado na annadura

8 Vetores
(B)

Fig.21-39.- Gerador com as escovas em curto-circuito.

619
lOO V
lOOA

Campo de
compensação

Gerador
(A)

O ------------ o A ---- 7:c


.A
..,r..madura \ F.m.m.do campo
f.m.m. da corrente compensador
de carga

F.m.m. do campo
de controle

Vetores

(8)
F.m.m. do campo
cruzado na
Fig. 2140. - Gerador amplidine.
armadura

620
das escovas de carga (horizontal), para indicar um método de comutação satisfatório das
bobinas que sifo curto-circuitadas por essas escovas. Uma restrição no tamanho do arnpli-
dine é a tensão auto-induzida nas bobinas que estão sendo curto-circuitadas e o resultante
centelharnento no comutador.
Em virtude de qualquer magnetismo remanescente, ao longo do eixo do campo de
controle, causar um efeito apreciável na saída do amplidine, necessário se toma desmag-
netizar o material do núcleo quando o enrolamento do campo de controle é desalimen-
tado. Essa desmagnetização é feita por meio de um pequeno gerador magnético CA (mon-
tado na carcaça do arnplidine) que excita um enrolamento desmagnetizante conveniente-
mente localizado, conhecido como ENROLAMENTO DESMAGNETIZADOR (figura
2140 A).
Um sumário da ação do amplidine é feito a seguir:
1. Uma pequena potência de entrada {1 watt) no campo de controle cria uma cor-
rente de 100 ampêres na armadura curto-circuitada, produzindo um campo cruzado rela-
tivamente intenso na armadura. Tal fato é responsável pela geração de urna tensão normal
de saída de 100 volts, através das escovas, para a carga. A carga de saída de 1 ohrn pode,
assim, ser alimentada com uma corrente de 100 ampêres e uma potência de saída de
10.000 watts.
2. Nos geradores amplidine de grande tamanho, urna entrada de potência igual a
4 watts, no campo de controle, desenvolverá uma tensão de saída de 200 volts e uma
corrente de carga na armadura de 200 ampêres, ou 40.000 watts de saída.
3. Em virtude da alta amplificação de potência, qualquer magnetismo remanes-
cente nos pólos interferirá sensivelmente na proporção entre a entrada e a saída. O mag-
netismo residual é removido por meio de um pequeno gerador magnético CA que ali-
menta um enrolamento desmagnetizante no mesmo eixo do enrolamento do campo de
controle.
4. A armadura laminada e o núcleo do estator funcionam com baixa densidade
de fluxo a fun de manter uma constante proporcionalidade entre a entrada e a saída.
5. Os geradores amplidine são tracionados em altas velocidades (1.800 a 4.000 rpm)
a fun de fazê-los pequenos e leves.
6. O gerador amplidine apresenta uma rápida resposta às mudanças de valor na cor-
rente do campo de controle. O lapso de tempo entre a mudança na grandeza da corrente
do campo de controle e a resposta na saída da carga é de, aproximadamente, 0,1 segundo.

Anti-oscilação
Um dos problemas no emprego dos servomecanismos é o da oscilação mecânica.
Referimo-nos ã tendência do sistema mecânico oscilar em tomo de urna posição normal.
Na figura 2141, a bola de aço, se retirada da sua posição normal, pressionada e repentina-
mente liberada, oscilará no sentido vertical em virtude da sua inércia e da ação das molas.
Com o decorrer do tempo, a oscilação tende a cessar em virtude das perdas por atrito no
sistema.
Apesar de haver outros fatores a serem considerados, um efeito semelhante é obser-
vado nos equipamentos de radares de artilharia (antenas, canhões, etc.). Em virtude da
ação dos circtútos elétricos e magnéticos envolvidos, a inércia desses equipamentos·faz
com que eles ultrapassem a posição correta. Ultrapassado o ponto, uma tensão de erro
com polaridade invertida se desenvolve no sistema servo e o equipamento inverte o
sentido de deslocamento. As sucessivas ultrapassagens do eqtúpamento tendem a ser
cada vez menores e a oscilação mecânica tende a parar a menos que outro fator, como,

621
por exemplo, um tempo de retardo
no sistema servo, provoque um esfor-
ço nas oscilações. Nesse caso, o equi-
pamento continuaria a oscilar em tor-
no de sua posição normal. Essa ação
causaria vibrações mecânicas danosas
ao sistema geral de tração.
A fim de eliminar a oscilação,
um dispositivo ou circuito ANTI-
OSCILANTE é usado. Ele consiste de
um arranjo para freiar o motor de Molas fornecem
tração conforme o equipamento a ser as forças de
movido se aproxima da posição fmal. restauração
Se a potência de tração for reduzida
com a devida antecedência, a inércia Esfera de aço
da carga móvel fará com que a posi- com inércia
ção fmal seja alcançada sem qualquer
ultrapassagem.
O circuito de anti-oscilação
comumente liga o servo ou motor de
acompanhamento ao amplificador
de controle. Nos equipamentos onde
o problema de oscilação é soluciona-
do eletricamente, um sinal de reali-
mentação (feedback) é fornecido ao
amplificador de controle. O circuito
de realimentação atua como um dis-
positivo de freio mecânico e elimina
a oscilação no sistema. Fig. 2141.- Demonstração mecânica de oscilação.

Servomotores
O servomotor, em um sistema servomecânico, deve ter potência de saída suficiente
para mover a carga, ser de fácil reversão, e sua velocidade deve ser controlável dentro de
urna faixa razoável. O motor CC apresenta características que tomam o seu uso vantajoso.
Entretanto, sob certas circunstâncias, o motor CA oferece melhores vantagens.

O servomotor CC
O servomotor CC usado com o gerador amplidine deve ter um campo magnético
constante, quando se pretende que a sua saída seja proporcional ã tensão aplicada na
armadura. Essa tensão é fornecida pela saída controlada do gerador amplidine. Um campo
constante pode ser produzido por um enrolamento de campo alimentado por uma fonte
CC de tensão constante, ou por meio de uma fonte CA devidamente retificada. Um mé·
todo mais simples é usar um ímã permanente que seja capaz de estabelecer o fluxo neces-
sário. O emprego de ímã é normalmente restrito aos motores de tamanho reduzido e de
pequena potência.
Uma desvantagem no emprego de ímãs permanentes é a possibilidade de sua des-
magnetização pela reação da armadura. Entretanto, essa condição pode ser contornada

622
pelo uso de enrolamentos de compensação. Esses enrolamentos são ligados em série com
a armadura e localizados em tomo da face do pólo de maneira tal que o efeito da reação
é completamente eliminado.

O servornotoi CA
Conforme afirmado, o motor de traç!oem um sistema servo deverá ser facilmente
reversível e ter controle de velocidade dentro de urna razoável faixa de velocidade. Comu-
mente, um motor CA nâ"o pode preencher as necessidades de um motor de tração servo,
como o faz o motor CC, porque a faixa de controle de velocidade é menor. Entretanto,
o uso de um motor CA permite o emprego de um sistema de tração mais simples, parti·
cularmente quando só se dispõe de fonte CA de energia e nos casos em que a faixa de
controle de velocidade pode ser sacrificada.
Um motor CA que pode ser adaptado para um sistema servo é o motor de indução
monofásico. Esse motor possui dois enrolamentos no estator. Os enrolamentos estão
90° fora de fase, sendo um para funcionamento normal e o outro para partida.Suas cor-
rentes estâ"o deslocadas em fase a fun de produzir um campo giratório. O rotor pode ser
do tipo BOBINADO ou do tipo GAIOLA DE ESQUILO. O último tipo é o mais comum.
Consiste de barras condutoras alojadas em ranhuras na armadura e ligadas nos seus extre-
mos por anéis condutores. Quando é aplicada energia no instante de partida, o campo
magnético giratório que se origina no estator corta o enrolamento do rotor, induzindo
nele uma tensão. A corrente resultante no rotor reage com relação ao campo e dá partida
ao motor no sentido de rotação do campo girante.
O enrolamento de partida é freqüentemente projetado para operar continua·
mente com um capacitor para aumentar o deslocamento de fase entre as correntes no
instante de partida e para melliorar o fator de potência quando o motor atinge a velo·
cidade normal. Quando se usa um capacitor para dar o conjugado de partida, 'diz-se que
o motor é CAPACITIVO. Afunde reduzir o tamanho do capacitor divisor de fase neces-
sário aos motores de indução (e para produzir essencialmente o mesmo resultado) são
empregados um capacitor de alta tens!o,baixa capacitância e um autotransformador.
A operação do motor capacitivo e o emprego do capacitor são analisados no Capítulo 17
desta coletânea.
A fun de se obter a necessária faixa de controle de velocidade e maior torque de
partida para determinadas apliéações, é possível modificar de outras maneiras o motor
de duas fases. Tais arranjos incluem o aumento da resistência nas barras e anéis extremos
do rotor e o uso de um autotransformador com derivações;um desses arranjos é mostrado
na figura 21-43. Neste circuito, o capacitor divisor de fase e o autotransforrnador são liga-
dos em paralelo com uma bobina, e a combinação é ligada em série com a segunda bobina.
A corrente através da bobina 1 é a soma vetorial da corrente em atraso através da bobina
2 e da corrente em avanço através do primário do autotransforrnador. Em virtude de a
corrente abrir a corrente da bobina 2, a corrente total através da bobina 1 está em avanço
sobre a que·flui através da bobina 2. O capacitor é escolhido de maneira a dar um desvio
de fase aproximadamente igual a 90° entre as correntes nas bobinas 1 e 2. Assim, é pro-
duzido um campo giratório. Entretanto, a eficiência desse tipo de motor é relativamente
pequena em virtude da alta resistência no rotor.
O SENTIDO de rotação do motor capacitivo é invertido pela inversão das ligações
de urna das bobinas do estator, ou mudando-se o capacitor de uma bobina para outra.
A VELOCIDADE do motor é variável sobre urna limitada faixa pela variação da tensão
aplicada ao motor. A tensão pode ser variada colocando-se uma impedância variável em
série com urna ou com ambas as fases. O efeito de tal impedância é baixar a tensão e,

623
oonseqüentemente, a corrente de entrada para os enrolamentos. Essa ação enfraquece
o campo e reduz a tensã'o induzida nas barras do rotor, reduzindo a velocidade e o torque
do motor. Os requisitos básicos deste sistema sã'o:(l) wn meio para usar um sinal de erro
que varie a impedância em série com o motor a fun de controlar a sua velocidade, e (2)
um meio de comparar a fase do sinal de erro com uma tensã'o de referência !l fun de.con·
trolar o sentido de rotaçã"o do motor.
TI

Fig.2142.- Motor capacitivo monofásico


com ligaçfo em série das bobinas do estator.

O diagrama em bloco de um sistema servo, no qual é usado wn motor capacitivo


para fornecer a potência de saída, é mostrado na figura 2143. Um sincro transformador
de controle é usado para fornecer um sinal de erro, o qual é proporcional à diferença
Carga
(antena)
Bobinas
de

Capacitor
de fase
dividida
Tensão de
referência
Sinao
transmissor
Sinao Para a
transmissor linha CA
Manivela de
controle

Fig.2143. - Sistema servo empregando motor


capacitivo.

624
entre a real posiçã"o da antena e a posiça-o desejada, representada pela posição da manivela.
O rotor do transformador de controle é engrenado à carga de maneira que a rotação do
mesmo gira o rotor para a posiça-o em que a tensã'o de erro é zero. A antena é posta a
girar mediante a rotaçã"o da manivela que é ligada ao rotor do transmissor sincro. O giro
do rotor muda a posiǧ'o do campo no estator do transformador de controle, causando a
indução no seu rotor de uma tensío de erro. A tensão de erro é aplicada ao amplificador de
controle, onde é amplificada e usada para baixar a impedância em série com o motor CA
a funde dar partida ao rotor e controlar (dentro dos limites) a velocidade de rotação. A
tensío de erro é simultaneamente aplicada à outra seǧ'o do amplificador, onde sua fase
é comparada com a fase da tensã'o referência, a fim de controlar o sentido de rota- ção.
A saída desta seçao do amplificador é levada para um relé que seleciona o enrola· mento
do estator com o qual o capacitor divisor de fase deve ser ligado em série.

625
Apêndice I

Alfabeto Grego
Nome Maiúscula Minúscula
Alfa. A a Ângulos.

Beta. B (3 Ângulos, densidade de fluxo.

Gama. r 'Y Condutividade.


Delta. .6. 6 Variação de uma quantidade, incremento.

psilon. E e Base dos logaritmos naturais (2,71828).

Dzeta. z t lmpedcia, coeficientes, coordenadas.

Eta H TI Coeficiente de lústerese, rendimento, força de magne-


tização.

Teta. e 8 Ângulo de fase.

lota. I
'
Capa K K Constante dielétrica, coeficiente de acoplamento,
suscetância.

Lambda 11. À Comprimento de onda.

Mü M IJ Permeabilidade, micro, fator de amplificação.

Nü N 11 Relutância.
Csi .:. t
Omícron. o o

Pi. n 1f
3,1416.
Rô p p
Resistividade.
Sigma. I: (J

Tau. T 'I'
Constante de tempo, deslocamento tempo-fase.
fpsilon T u

Fi. <I>
Ângulos, fluxo magnético.
Qui. X X

Psi. qt Vi Fluxo dielétrico, diferença de fase.


Omega. n w
Ohms (maiúscula), velocidade angular (2nf).

626
Apêndice 11

Abreviaturas Comuns e Símbolos

Abreviatura Abreviatura
Termo ou Termo ou
símbolo símbolo
corrente alternada...... . CA microarnpere. oa
arnpêre ....... . . . ..... ... . a microfarad . of
audiofreqüência ...... . AF microhenry I' h
capacitância ............ . c microvolt. I' V
capacitiva, reatância . . . . . . . . Xc microwatt . JlW
cavalo de força . . . . . . . . • . . HP miliampere. ma
centímetro. . ......•. •. . .... em milihenry. mh
condutância ........ ... . . .. . G milivolt. mv
coulomb ...............•. Q miliwatt mw
força contra-eletromotriz ...... . f cem picofarad. pf
corrente (valor CC ou eficaz- rms) .. I potência p
corrente (instantânea) ......... . i quilovolt. kv
corrente contínua...... . ..... . CC quilovolt-arnpêre kva
força eletromotriz.... . fem quilowatt. kw
freqüência ........ . f quilowatt-hora. kwh
henry ....•.•....... .. · · . · h resistência R
hertz . . . . . . . . . ... . .. . Hz rotações por minuto rpm
impedância. . . . . . .... . z root mean square - valor eficaz. rrns
indutância ... ... .... . ..... . L tempo t
indutância mútua .. ..... ..... . M torque T
indutiva, reatância . . . . . . . . ... . XL volt . v
magnético, intensidade do campo ... . H volt-ampêre va
magnetomotriz, força. ...•.. . .•. fmm watt. w

Para calcular a corrente ou potência em HP de um motor de CC, use a fórmula dada para o
monofásico, omitindo o fator de potência.

Para achar o valor de uma corrente alternada quando a voltagem, a potência (em watts) e o
fator de potência são conhecidos, use as fórmulas:

watts
amp = ,ou:
volts X f. potência

watts
amp = --- --- -
-
volts X 1,73 X f. pot. '

conforme o equipamento seja mono- ou trifásico.

627
Apêndice 111

Glossário

Agônica, Unha. Linha imaginária na superfície Barra ônibus. Ponto de distribuição primária de
terrestre, passando por pontos onde a decli· potência, ligada à fonte principal de energia.
nação magnética é 0°; isto é, pontos onde a Bateria. Duas ou mais células primáiias interli·
bússola indica o norte verdadeiro. gadas eletricamente. O termo não se aplica
Ampere. Unidade básica de corrente elétrica. a uma só célula.
Ampere-espira. Força de magnetização pro· Bobina choque. Bobina de baixa resistência
duzida por urna corrente de um ampere pas· ôhmica e alta impedância à CA.
sando por uma espira de uma volta.
Amperímetro. Instrumento pata medir a quan·
tidade de fluxo eletrônico, em amperes.
Amplid{narno. Amplificador rotativo magnético
ou dínamo-elétrico, usado em servomeca- Cabo coaxial. Linha de transmissão consistindo
nismos e circuitos-de controle. de dois condutores concêntricos e isolados
Amplif icaçio. Processo de aurnentat a intensi· um do outro.
dade {corrente, potência ou voltagem) de Campo. Espaço contendo linhas de força elé-
um sinal. tricas ou magnéticas.
Amplificador. Dispositivo usado pata aumentar Campo de fluxo. Todas as linhas de força elé·
a voltagem, corrente ou potência de um tricas ou magnéticas numa dada região.
sinal, geralmente composto de urna válvula, Campo magnético. Espaço onde há uma força
ou um transistor, e circuito associado, cha· magnética.
mado estágio. Pode conter vários estágios, Capacitor. Dois elétrodos, ou conjuntos de elé-
para obter um ganho desejado. trodos, na forma de placas, separ!)das entre
Amplificador magnético. Reator satwável usa- si por material isolante chamado dielétrico.
do num circuito amplificador ou de con- Carga espacial. Nuvem de elétrons que existe no
trole. espaço entre o cátodo e a placa, numa váJ.
Amplitude. Valor instantâneo máximo de vol· vula, formada pelos elétrons emitidos do
tagem ou corrente alternada, medido no cátodo, em excesso daqueles imediatamente
sentido positivo ou negativo. atraídos à placa.
Arco. Lampejo causado por urna corrente elé- Carga negatiw. Carga elétrica transportada por
trica que ioníza um gás ou vapor. um corpo que tem excesso de elétrons.
Armadura. Parte rotativa de um motor ou Carga positiva. Carga elétrica transportada por
gerador elétrico. Parte móvel de um relê um corpo que se tomou deficiente em elé-
ou vibrador. trons.
Atenuador. Rede de resistores usada pata redu· Cavalo de força. Unidade inglesa de potência.,
zir a voltagem, corrente ou potência apli· igual ao trabalho exercido a urna taxa de
cadas a uma carga. 550 libras-pé por segundo. Igual a 746
Auto-indução. Processo pelo qual um circuito watts.
induz urna f.e.m. em si mesmo, por seu pró- Ciclo. Uma alternância positiva e negativa com-
prio campo magnético. pletas de urna corrente ou voltagem.
Autotransformador. Transformador no qual o Chcuito magnét ico. Trajetória completa das
primáiio e o secundário estão interligados, linhas de força magnética.
num só enrolamento. Circuito-ponte. Termo referente a urna vari.e·
Avanço. O oposto do retardo ou atraso. dade de circuitos elétricos, onde um de seus

627
ramos, a ponte propriamente dita, liga dois Elétron. Partícula elementar da matéria, carre-
pontos de mesmo potencial, assim, não gada negativamente.
transportando corrente quando o circuito Elétrons livres. Elétrons fracamente ligados aos
está bem ajustado, ou equilibrado. átomos, com tendência a deslocarem-se ao
Orcular Mil. Átea igual à de um círculo com acaso entre os átomos de urna substância.
diâmetro de 0,001 polegada. t usada para Energia. A capacidade de executar trabalho.
medir a seção reta de fios. Enrolamento de campo. Bobina usada para pro-
Condutincia. Capacidade de um material de porcionar força de magnetização em moto-
conduzir ou transportar uma corrente elé- res e geradores.
trica e a propriedade recíproca da resistên- Enrolamento em série. Num motor, ou gerador,
cia do material, expressa em mhos. a armadura, enrolada em série com o enrola-
Condutividade. Facilidade com que uma subs- mento de campo.
tância transmite eletricidade. Enrolamento terciário. Um terceiro enrolamen-
Condutor. Qualquer material adequado para to num transformador, ou amplificador
transportar corrente elétrica. magnético, usado como segundo enrolamen-
Contator. Contato de material que abre e fecha to de controle.
um circuito, a intervalos detenninados. Escova. Material condutor, usualmente um blo-
Comutador. Segmento de cobre na armadura de co de carvão, seguro contra o contatar ou
um motor ou gerador. t de formato cilín- anéis deslizantes, através do qual a corrente
drico e usado para transmitir ou retirar passa para dentro ou para fora.
potência das escovas.
Cotrente contínua. Corrente elétrica que flui
apenas num sentido. Farad.Unidade de capacitância.
Coaente de Foucault. Correntes circulares, in- Fase. Condição na qual duas ondas de mesma
duzidas num material condutor, causadas freqüência passam por seus valores máxi-
por um campo magnético variável. mo e mínimo de mesma polaridade, no mes-
mo instante.
Fator de potência. Razão entre a potência real
Defasagem. O tempo, em graus elétricos, pelo de uma corrente alternada medida no wattí-
qqal uma onda se adianta ou atrasa em rela- metro, e a potência aparente, indicada por
çâ"o a outra. um amperímetro e um voltímetro. O fator
Dielétrico. Um isolante; tenno que se refere ao de potência de um indutor, capacitar, ou
material de isolamento entre as placas de um isolante é uma expressão de suas perdas.
capacitar. Feedback. V."Realimentação".
Diodo. Válvula de dois elementos que contém Ptuxo magnético. Número total de li.nhas de
um cátodo e uma placa; quando semicon- força saindo de um pólo de um magneto.
dutor, trata-se de gennânio ou silício prepa- Força oontra-eletromotriz (fcem). Força eletro-
rado de modo a deixar a corrente passar motriz induzida numa bobina ou armadura,
num só sentido. Os diodos são usados como que se opõe à tensão aplicada.
retificadores e detetares. Força eletromotriz (fem). Força produzida por
Disjuntor. Dispositivo eletromagnético ou tér- uma corrente elétrica num circuito.
mico que abre um circuito quando a cor- Freqüência. Número de ciclos completos por
rente nele excede uma quantidade pré- segundo em qualquer movimento ondulató-
detenninada. Os disjuntores podem ser rio; assim como o número de ciclos por
religados. segundo de uma corrente alternada.
Fusível. Dispositivo protetor, ligado em série,
com um circuito. Contém um metal que
derreterá, ou se romperá quando a corrente
Fleboúnl. Magneto criado pela passagem de passar além de um determinado valor, por
corrente por uma bobina de fio enrolado um determinado intervalo de tempo.
num núcleo de ferro doce.
Fletrólito. Uma solução de uma su bstância
capaz de conduzir eletricidade. Um eletró- Gahanômetro. Instrumento usado para medir
lito pode estar no estado Hquido ou pastoso. pequenas correntes cont ínuas.

628
Ganho. Razão da potência de saída, voltagem Magnetização. Convers!o de um material em
ou corrente e a potênCia, voltagem ou cor- ímã, reorientando suas moléculas.
rente de entrada, respectivamente. Magneto. Gerador que produz corrente alter·
Gerador. Máquina que converte energia mecâni- nada e tem um m38neto permanente como
ca em elétrica. seu campo.
Gnvidade específica. Razão entre a densidade Megohm. Um milhão de ohms.
de uma substância e a da água destilada a Megôhmetro. Instrumento de teste usado para
uma dada temperatura. medir a resistência de isolamentos, e outras
resistências elevadas.e um gerador manual
portátil de CC, usado como ohmímetro.
Helll)'. Unidade básica de indutância. Micro. Prefixo de um milionésimo.
Hertz. Unidade de freqüência igual a um ciclo Mili.Prefixo de um milésimo.
por segundo. Motor-gerador. Um motor e um gerador com
Hist«ese. Retardo do fluxo magnético numa um eixo comum usado para converter as
substância magnética, em relação à força voltagens da linha a outras vol138ens, ou
de magnetização que o está produzindo. freqüências.

lmpedância. Oposição total oferecida ao fluxo


de uma corrente alternada. Pode consistir de Nêutron. Partícula elementar da matéria, com
qualquer combinação de resistência, reatân- o peso de um próton, mas sem carga elé-
cia indutiva, e reatância capacitiva. trica. Está localizado no núcleo de um
Indução. Ação ou processo de produzir volta- átomo.
gem pelo movimento relativo de um campo Núcleo. Parte central de um átomo, principal·
magnético através de um condutor. mente composto de prótons e nêutrons.
Indutância. Propriedade de um circuito que Núcleo laminar. Núcleo composto de imas
tende a opor·se a uma variação na corrente follias de metal e usado em transformadores
existente. e relês.
Indutância mútua. Propriedade de circuitos,
que ocorre quando a posição relativa de dois
indutores faz as linhas magnéticas de um Ohm. Unidade de resistência elétrica.
concatenarem-se com as espiras do outro. Ohmímetro. Instrumento que mede diretamen·
lnvenamente. Diz-se de relação invertida ou te a carga de um dispositivo elétrico.
oposta, em eletromagnetismo.
180(1Õnica. Linha imaginária unindo pontos
da superfície da Terra, onde a declinação PerrnaDoy. Liga de níquel e feno com permea-
magnética é igual. bilidade magnética excepcional.
Permeabilidade. Medida da facilidade com que
as linhas de força magnética podem passar
Joule. Unidade de energia, ou trabalho. Um por um material, em comparação com o ar.
joule de energia é liberado por um ampere Polaridade. Característica de ter pólos, ou
fluindo por um segundo através de uma cargas magnéticas.
resistência de um ohm. Polifásico. Circuito que utiliza corrente alter-
nada com mais de uma fase.
Pólo. Seção de um magneto onde se concen-
Urnitador de corrente. Dispositivo protetor aná· tram as linhas de força; também é onde
logo a um fusível, usualmente destinado a entram ou deixam o magneto. Um elétrodo
circuitos de alta amperagem. de bateria.
Unha de força. Linha, num circuito elétrico ou Potência. Razão da execução de trabalho, ou
magnético, que mostra a orientação das taxa do gasto de energia. A unidade de
forças. potência é o watt, no SI.
Unha de trarumissio. Qualquer condutor, ou Potencial Quantidade de carga contida por um
sistema de condutores, usado para transpor- corpo, em comparação com outro ponto, ou
tar energia elétrica de sua fonte a uma carga. corpo. Usualmente medida em volts.

629
Potenciômetro. Divisor de voltagem variável; Saturaçfo. Condição existente em qualquer cir·
resistor com um braço, que é um contato cuito quando uma elevação no sinal de acio·
variável de modo que qualquer porção do namento não produz mais alterações no efei·
potencial aplicado entre seus extremos pode to resultante.
ser selecionada. Sen-o. Dispositivo usado para converter um
Próton. Partícula carregada positivamente, do pequeno movimento num movimento ou
núcleo de um átomo. força maior.
Senoomecanismo. Sistema fechado que produz
uma força para posicionar um objeto de
Quilo. PreflXo de mil. acordo com a informação originada na
entrada.
Sincro. Sistema elétrico que dá indicações à
Razão. Valor obtido pela divisão de um número distância, ou controle, por meio de motores
por outro, indicando suas proporções reia- auto·sincronizáveis.
tivas. Sincroscópio. Instrumento usado para indicar
Reatância. Oposição oferecida ao fluxo da cor· a diferença de freqüência entre duas fontes
rente alternada, pela indutância ou capaci- deCA.
tância, ou por ambos, num circuito. Sobrecuga. Carga maior que a carga nominal de
Reatância indutiva. Oposição ao fluxo de cor· um dispositivo elétrico.
rente alternada causada pela indutância de Solenóide. Bobina eletromagnética que contém
um circuito.É medida em ohms. um êmbolo deslocável.
Reator saturável. Dispositivo de controle que
usa uma pequena corrente contínua para
controlar uma grande corrente alternada,
pelo controle da densidade do fluxo do Tacômetro. Instrumento para indicar revolu·
núcleo. ções por minuto.
Relê. Dispositivo comutador eletromecânico Tertrfistor. Resistor usado para compensar as
que pode ser usado como controle remoto. variações de temperatura num circuito.
Relutância. Medida da oposição que um ma- Tenn9par. Junção de dois metais diferentes,
terial oferece às linhas de força magnética. que produz tensão, ao ser aquecida.
Rendimento. Relação entre a potência de saída Terra. Conexão metálica com a terra, para esta·
e potência de entrada, geralmente expressa belecer um potencial nulo. Também, um
percentualmente. retorno comum a um ponto de potencial
Reostato. Resistor variável. nulo.
Resistência. Oposição ao fluxo de corrente cau- Torque. O esforço de girar ou torcer, susten-
sada pela natureza e dimensões físicas de um tado por um eixo, ao transmitir potência.
condutor. Transformador. Dispositivo composto de duas
Resistor. Elemento de circuito cuja principal ou mais bobinas, unidas por linhas magné-
característica é a resistência; usado para se ticas, usado para transferir energia de um
opor ao fluxo de corrente. circuito para outro.
Retardo. Quantidade pela qual uma onda está
atrás de outra, no tempo ; expressa em graus
elétricos. VAR. Abreviação para volt-ampere reativo.
Retentividade. Medida da capacidade de um Vetor. Linha usada para representar módulo,
material reter seu magnetismo. direção e sentido.
Retificador. Dispositivo usado para mudar a Volt. Unidade de potencial elétrico.
corrente alternada para corrente unidirecio· Voltímetro• .Instrumento destinado a medir
na!. Podem ser válvulas, semicondutores, e diferença de potencial elétrico, em volts.
retificadores de discos secos, como selênio e
óxido de cobre.
Retificador de onda completa. Circuito que uti·
liza as alternâncias positivas e negativas de Watt. Unidade de potência elétrica.
urna corrente alternada, para produzir uma Wattímetro. Instrumento para medir a potência
corrente contínua. elétrica, em watts.

630
19 29 olerância
Cor

Preto
Marrom
D ígito Dígito
o
1
o
1
Mult iplicador

10
l%) Sentido da
leitura dos
pontos
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-:o;:-\
I
Vermelho 2 2 100
Luanja 3 3 1,000
Amarelo lo 4 10.000
Verde
Azul
Violeta
s
6

1
5

6
1
100.000
1.000.000
10.000.000
o
I
OI_) I o I

1.
Branco 9 9 1.000.000.000
Ouro 0,1 5

Prata 0,01 lO

Toleranc1a MWtiplioodo< . / )
Nenhuma 20
...._._
(A)

® Tolerância l%) Tipo I_ 10 2<? Multiplicador Tolerância Característica


Cor
pígito Dígito ou classe
l%)
JAN, MICA Preto o o 1,0 'I Aplica-se ao
Mar. 1 1 lO • 2
coeficiente de i
Verm. 2 2 100 • 3 temperatura
Laran. 3 3 1.000 • 4 ou método
Amar. 4 :. 10.000 • 5 de ensalo (j
Verde s s 100.000 • 6
I
o
Azul 6 6 1.000.000 • 1
I
I

!
o..
VioL 1 1 10,000.000 • 8
a> 29 Dígito
G) Multiplicador
® Tolerância(%)
Onza
ElA, MICA Branco
8

9
8

9
100.000.000
l. 000.000.000
• 9

o.. .S.
'ts

011 •lO

Papel
moldado
Ouro
Prata
Corpo
0,01 •20 g
""'
t B)
Código de cores para resistores Código de cores para capacitares de mica e papel
r,}
<
2<:> Dígito

CAPACITÂNCIA

l<:>Dígito
29Dígito

CAPACITANCIA FAIXA DE VOLTAGEM


MULTI- TOLERÃNCIA
COR 19DfGITO 29DfGITO PLICADOR (%) 19DÍGITO 29DÍGITO

PRETO o o 1 ±20 o o
MARROM 1 1 lO 1 1
VERMELHC 2 2 100 2 2

LARANJA 3 3 1.000 ±30 3 3

AMARELO 4 4 10.000 ±40 4 4

VERDE 5 5 100.000 ± 5 5 5

AZUL 6 6 1.000.000 6 6

VIOLETA 7 7 7 7

CINZA 8 8 8 8

BRANCO 9 9 ±10 9 9
C6digo de faixas cilíndricas para capacitares de papel.
8 - A - COEFICIENTE DE TEMPERATURA A 8 C D E A 8 C D E

8 - 19D(GITO

C - 29D(GITO
D - MULTIPLICADOR

E - TOLERÂNCIA CERÂMICOS COM TERMINAIS RADIAIS

A
A B C D E

CERÂMICOS COM TERMINAIS AXlAIS


E
MARCAÇÃO DE CAPACITORES CERÂMICOS DE DISCO

TOLERÂNCIA
MAIOR QUE MENOR QUE COEFICIENTE DE
19 29 MULTIPU- 10 pf 10 pf TEMPERATURA•
COR O(GlTO O(GITO CADOR (EM%) (EM pf)

PRETO o o 1,0 •20 •2,0 o


MARROM l l 10 t 1 -30

VERMELHO 2 2 100 • 2 -80


LARANJA 3 3 LOOO -150

AMARELO 4 4 10.000 -220

VERDE 5 5 t 5 •0,5 -330

AZUL 6 6 -470

VIOLETA 7 7 -750

CINZA 8 8 o,o1 •0.25 +30

BRANCO 9 9 0,1 '10 1 1,0 +120 A -750(ElA)

+500 A -330(JAN)

PRATA +101) (JAN)

OURO BYPASS, OU DE
ACOPLAMENTO
(ElA)

*Partes por milhão por grau Celsius.


FAIXA DE VOLTAGEM SEM COR 19D(GITO 29D(GITO

-TOLERÂNCIA

o o o
lo o C?J o o o
MULTIPLICADOR TOLERÂNCIA
29D(GITO SEM COR
FAIXA DE VOLTAGEM
19DÍGITO

29D(GITO MULTIPLICADOR TOLERÂNCIA FAIXA DE


COR 19DfGITO
(%) VOLTAGEM

PRETO o
- o 1,0
MARROM I I lO ±J 100
VERMELHO 2 2 10.0 ±2 200
LARANJA 3" 3 1.000 ±3 300
AMARELO 4 4 10.000 ±4 400
VERDE 5 5 100.000 ±5 500
AZUL 6 6 1.000.000 ±6 600 '

VIOLETA 7 7 10.000.000 ±7 700


CINZA 8 8 100.000.000 ±e 800
BRANCO 9 9 1.000.000.000 ±9 900
OURO 0,1 1000
PRATA 0101 ±1o 2000
NENHUMA ±20

*ONDE NÃO HÁ COR INDICADA. A FAIXA DE VOLTAGEMBAIXA,PODENDO CHEGAR A 300 VOLTS.


*
AZUL VERDE
AZUL VERDE PLACA OllADt
PLACA

fi
GRADE

li erde e preto
-- - - -
{Ondo
completa,
retorno
de c<ltodo

IH VERMELHO J lic:= PRETO {Grade

8+
VERMELHO c::; e PRETO CAS
ou
ou retorno
de c<ltodo

Terra
TRANSFORMADOR ES DE FI
TRANSFORMADORES INTERETAPA
DE AUDIO

Filamento da
retificadora

Placa da
retificadora As cores normalizadas usedas na fiação de chassi com o propósito de
identi ficação dos equipamentos sSo:

CI RCUITO COR
Fios terra,elemento é terra,e retornos.. Preto•
Aquecedores ou filamentos de terra Marrom
Enrolamento n9 1 do + B ou fonte de alimentação..••••••. Vermelho
filamento da amplificadora
Grades de tela ••••••••••••••••.•.•• Laranja
Cátodos . . . . . . • • • . . • • . • . . .•.... • Amarelo
Grades de controle • • • • . • • • • • . .•• . •.• Verde
Placas. • . • • . • . . • • . • • • • • • • •••.• .• Azul
Enrolamento n9 2 do Negativo fonte de alimentaçlo . . . . .. . ...• Vi oleta (púrpura)
filamento da amplificadora
Linhas de alimentação CA •••.•••••••••.• Cinza
Miscelânea, retornos d terra acima ou abaixo,CAS,
etc ...•.•••.• •• ..••.......... Branco
Enrolamento n9 3 do
filamento da amplificadora

TRANSFORMADORES DE POT NCIA Branco para outros simbolos eldtricos ou eletrônicos


Apêndice V

Capacidade de Condutores
Baseado no National Electrical Code,1951 ·
Capacidade, em ampêres
Tamanho AWG
ou milhares de Isolamento de borracha, Isolamento de papel, Isolamento de
Circular Mils ou termoplástico ou cambraia envernizada amianto impregnado

14 15 25 30
12 20 30 40
10 30 40 50
8 40 50 65
6 55 70 85
4 70 90 115
3 80 105 130
2 95 120 145
1 110 140 170
o 125 155 200
00 145 185 230
000 165 210 265
0000 195 235 310
250 215 270 335
300 240 300 380
350 260 325 420
400 280 360 450
500 320 405 500
600 355 455 545
700 385 490 600
750 400 500 620
800 410 515 640
900 435 555 ...
1.000 455 585 730
1.250 495 645 ...
1.500 520 700 ...
1.750 545 735 ...
2.000 560 775 ...
-
Notas: 1. Os valores são para não mais de três condutores num cabo ou sulco, com tempera-
tura ambiente de 30 °C, ou 86 "F.
2. As tabelas acima são para fios de cobre. Os valores para fios de alumínio são 84%
destes valores.
3. Consultar o "National Electrical Code", para mais informações. Por exemplo,
valores maiores são permitidos para condutores simples ao ar livre.
(Os dados a seguir sa-o valores aproximados da corren te sob carga plena para motores de vários tipos, f reqüência e veloci da des. Foram compi-
lados de valores médios para motores representativos de suas classes. As variações I 0% acima o u abaixo dos valores dados sA'o normais].

Ampêres -Corrente a plena carga

Motores de CA
Hp Motores
Motores Motores de indução tipo gaiola de esquilo Motores de induçá'o de anel deslizan te (j
do
motor
dCC

116- 230- 55().


mono-
fásicos
11().
--
2»- Jl(). m
Bi fásicos

44(}. 550- 12,3)().


I
I
11(}. m
Trifásicos

4-4(). 55(). 111().


I 2ID-
Bifásicos
I
44(). 55(). 2,3)(). 11(). m
Trifásicos

44(}. 55(). 2,:1l0-


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"'1
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... 8.4 4.2 1.7 11

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2

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1. 2 - - - -- 6.6
1.6 .. .
2.0 .. -- -
3 12.0
-- -
9. 4

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3. 3
4. 7
6
1.7 1.3
2. 4 2.0

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.....
3. 0 2. 4
...
.. .11.7
6.7

12. 5