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VENTILADORES

1 - Terminologia e definições

Ventiladores são estruturas mecânicas utilizadas para converter energia mecânica de rotação,
aplicada em seus eixos, em aumento de pressão do ar.

Capacidade (Vazão), Q - é o volume de ar deslocado por unidade de tempo

Pressão total do ventilador, PTV - é a diferença entre a pressão total do ar na saída e na entrada
do ventilador. A Figura 2, abaixo, mostra um diagrama esquemático para medição da pressão total.

Presão de velocidade do ventilador, PVV - é a pressão cinética correspondente à velocidade


média do ar na saída.

Pressão estática do ventilador, PEV - é a pressão total do ventilador, PTV, menos a pressão de
velocidade, PVV.

PEV = PTV - PVV (01)

onde

PTV = PT(saída) - PT(entrada) (02)

PTV = PE(saída) + PVV - PT(entrada) (03)

substituindo (03) na equação (01), resulta:

PEV = PE(saída) - PT(entrada) (04)

A pressão, p, (ou mais exatamente o seu aumento),


criada por um ventilador (Figura ao lado) operando
com ar é:

(05)
ou ainda,

(06)

onde

p1 = pressão no ambiente do qual o ventilador retira o ar, Pa


p2 = pressão no ambiente no qual a ventoinha entrega o ar, Pa
Dp e Dpd = perdas de pressão nas linhas de sucção e de descarga, Pa
v = velocidade do ar à saída da instalação, m/s
pst,d e pst,s = pressões estáticas diretamente depois do soprador e antes dele, Pa
vd e vs = velocidades do ar nas tubulações de descarga e de sucção, m/s
r = densidade do ar, kg/m3.

A equação (05) é semelhante a equação (8-1) para uma bomba e a equação (06) é semelhante à
equação (8-2) para uma bomba.

Se em vez de ar, o soprador entrega um gás diferente, cuja densidade não é a mesma do ar
circunvizinho, então, nas fórmulas precedentes r é a densidade do gás, e torna-se necessário
somar, ao lado direito da equação (05), a quantidade

Dpelev = (r - rar)gZ (07)


A pressão estática num ventilador pode ser obtida por meio do arranjo mostrado na Figura-3
(Clique na figura para aumentar seu tamanho).

A potência, P [kW], necessária para instalação de um soprador é:

A potência, P [kW], necessária para instalação de um soprador é:

(08)
onde:

Q = Vazão do soprador, m3/s

Dp = aumento de pressão criado pelo soprador, Pa


= eficiência global da instalação do soprador [veja a eq. (5) na seção
Bombas]

Pressão no eixo, Peixo - é a potência necessária no eixo do ventilador, para impor ao escoamento
os parâmetros PTV, PEV e Q:

(09)

ou ainda,

(10)

onde

Peixo = potência no eixo, W

Q = vazão, m3/s

PTV = pressão total no ventilador, Pa

PEV = pressão estática do ventilador, Pa

hvt = eficiência total do ventilador

hve= eficiência estática do ventilador

Potência sonora do ventilador, Ws - potência sonora total irradiada pelo ventilador, (expressa em
watts)

Nível de potência sonora, NWs (em decibéis, dB)

(11)

Curvas características de ventiladores

As curvas características de um ventilador expressam o seu desempenho para uma dada massa
específica do ar. A Figura ao lado mostra um arranjo típico para determinação destas curvas em
laboratório.

Para uma dada rotação, são efetuadas determinações de Peixo, hvt (ou hvt) e Q, para diversas
posições da válvula cônica.

Os resultados são apresentados em gráficos onde os valores de PTV (ou PEV), Peixo e hvt (ou hve)
são plotados em função de Q. Um conjunto típico de curvas características é mostrado na figura
abaixo.
Curvas características de ventiladores

As curvas características de um ventilador expressam o seu desempenho para uma dada massa
específica do ar. A Figura ao lado mostra um arranjo típico para determinação destas curvas em
laboratório.
Para uma dada rotação, são efetuadas determinações de Peixo, h vt (ou h vt) e Q, para diversas
posições da válvula cônica.
Os resultados são apresentados em gráficos onde os valores de PTV (ou PEV), Peixo e h vt (ou h ve)
são plotados em função de Q. Um conjunto típico de curvas características é mostrado na figura ao
lado. (Clique na figura para ampliar seu tamanho).

Perda de Carga

A perda de carga de um sistema de ventilação industrial pode ser expressa em função da vazão do
ventilador, Q, pela equação:

DP = KsvQ2

Ksv = coeficiente de perda do sistema de ventilação.

A equação acima representa a família de curvas parabólicas conhecida como curvas características
do sistema.

A resistência ao escoamento apresentada por um sistema, não é obrigatoriamente fixa. A adição de


novos componentes, a variação da abertura de válvulas reguladoras, a deposição de material
particulado em meios filtrantes, são alguns dos fatores que alteram esta resistência, modificando,
portanto, o coeficiente Ksv.

As características gráficas de um soprador centrífugo, assim como as de uma bomba centrífuga,


mudam de posição quando a velocidade muda. A relação entre antigos e novos parâmetros de
operação de um soprador centrífugo, quando a velocidade varia dentro de limites pequenos, é
determinada pelas expressões

A Figura 5 mostra um exemplo das características de um soprador centrífugo para várias


velocidades n (rpm).

2 - Tipos de ventiladores
Classificação geral dos ventiladores:

centrífugos

axiais

Principais ventiladores centrífugos:

Ventilador centrífugo de pás inclinadas para frente

em eficiência mais elevada que o ventilador de pás retas, mas não é adequado para trabalhar
com ar contendo material particulado.
Ocupa pouco espaço
É bastante utilizado na ventilação geral diluidora e na ventilação para conforto ambiental, pois
o ar insuflado para dentro do ambiente está praticamente isento de partículas.

Ventilador centrífugo de pás inclinadas para trás

Trabalha com velocidades maiores que os anteriores e possui duas características importantes:

Apresenta a eficiência mais elevada


Tem autolimitação de potência decorrente da forma de sua curva de potência

Se o motor de acionamento for selecionado para o pico da curva de potência, não existirá perigo de
ocorrer sobrecarga

Ventiladores axiais:

1. Ventilador axial propulsor

Indicado para movimentar grandes vazões de ar, com pequenos diferenciais de pressão.
Vantagem: construído com grande simplicidade e, conseqüentemente, baixo custo.
Normalmente é instalado sem duto
Muito utilizado na ventilação geral diluidora

2. Ventilador de tubo axial

Trabalha com pressões maiores que o ventilador axial propulsor, com um rendimento maior. Isto é
possível devido ao rotor com pás de melhor perfil aerodinâmico que o anterior e a presença do tubo
axial.

Para aumentar ainda mais a eficiência, podem ser afixadas no interior do tubo axial, aletas
estabilizadoras do fluxo.

3 - Leis dos ventiladores

As leis dos ventiladores são decorrentes da aplicação da teoria da similaridade às máquinas de fluxo.
Elas são resumidas a seguir.
1. Ventilador trabalhando com ar, com massa específica ( r ) constante e rotações
diferentes

As equações de similaridade, anteriormente aplicadas às bombas,

para os ventiladores são escritas como:

, , e

n1, n2 = rotações dos ventiladores, rpm.


2. Ventilador trabalhando com mesma rotação (n = cte.) mas com massas específicas
diferentes para o ar.
e

r 1, r 2 = massas específicas do ar

3. Ventiladores geometricamente semelhantes, trabalhando com mesma rotação (n = cte.)


e com massas específicas iguais (r = cte.)

D1, D2 = diâmetros dos rotores dos ventiladores

Estas leis devem ser aplicadas com cautela pois, para grandes variações de vazão e rotores de
tamanhos muito diferentes, a similaridade deixa de existir.

Um ventilador conectado a um sistema de dutos, apresenta uma vazão proporcional à perda de


carga produzida pela tubulação de acordo com a equação:

DP = KsvQ2

Quando plotamos as curvas características do ventilador e do sistema de dutos em um único


diagrama, a vazão de ar fornecida pelo ventilador corresponderá ao ponto de interseção das duas
curvas (Figura abaixo). Neste ponto, o acréscimo de pressão produzido pelo ventilador equilibra a
resistência ao escoamento oferecida pelo sistema de dutos.

Obviamente, as condições reais de operação de um ventilador conectado a um sistema de


tubulações podem ser bem diferentes das condições de teste em laboratório, muitas vezes fazendo
com que o seu desempenho seja diferente do previsto. A principal causa desta divergência é a
instalação de acessórios como curvas, variações de diâmetro do duto, etc., próximo à sucção do
ventilador. A presença de acessórios próximos à descarga também afeta o desempenho, embora em
menor intensidade.

4 - Associação de ventiladores
Associação em série
Dois ventiladores ligados em série têm a mesma vazão e suas pressões totais são somadas. Na
figura abaixo, as curvas características típicas de um ventilador e a resultante da associação de dois
ventiladores, em série.

Associação em paralelo
Quando dois ventiladores são associados em paralelo, a pressão total produzida pelos ventiladores é
única e as suas vazões individuais se somam.

Algumas aplicações requerem uma vazão variável. O controle de vazão de ventiladores usualmente
é feito por:

Variação da rotação do ventilador

Estrangulamento do fluxo de ar por registros na sucção

Estrangulamento do fluxo de ar por registros na descarga

Comentários e sugestões