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UFCD TURISMO: EVOLUÇÃO, CONCEITOS E

4312 CLASSIFICAÇÕES
Turismo: Evolução, conceitos e classificações

Índice

1. Conceito de lazer, recreio e turismo………………………………………………………………….…2

2. Classificação do sujeito turístico………………………………………………………………………….5

3. Evolução do Turismo e suas características……………………………………………………..…26

4. Perspectivas de evolução do turismo…………………………………………………………………37

Bibliografia…………………………………………………………………………………...41

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Turismo: Evolução, conceitos e classificações

1. Conceito de lazer, recreio e turismo

A primeira definição de turismo foi proposta pelos Professores Hunziker e Krapf, em 1942,
sendo posteriormente adoptada pela Association Internationale des Experts cientifiques du
Tourisme (AIEST).

Naquela data, o turismo era definido como «o conjunto das relações e fenómenos originados
pela deslocação e permanência de pessoas fora do seu local habitual de residência, desde que
tais deslocações e permanências não sejam utilizadas para o exercício de uma actividade
lucrativa principal, permanente ou temporária».

Esta definição, que integra o conceito de visitante não fazendo a separação entre turistas e
excursionistas, destaca os seguintes elementos de interesse:
• O turismo é um conjunto de relações e fenómenos;
• Exige a deslocação da residência habitual:
• Não pode ser utilizada para o exercício de uma actividade lucrativa principal.

Em 1991, a Organização Mundial de Turismo (OMT) apresentou uma nova definição


entendendo que: «o turismo compreende as actividades desenvolvidas por pessoas ao longo de
viagens e estadas em locais situados fora do seu enquadramento habitual por um período
consecutivo que não ultrapasse um ano, para fins recreativos, de negócios e outros».

A expressão «enquadramento habitual», em substituição da “residência habitual”, foi


introduzida para excluir do conceito de visitante as pessoas que todos os dias se deslocam
entre a sua casa e o local de trabalho ou de estudo bem como as deslocações efectuadas no
seio da comunidade local com carácter rotineiro.

O conceito reveste duas dimensões:

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Frequência - na medida em que os locais frequentemente visitados por uma pessoa fazem parte
do seu enquadramento habitual;

Distância - na medida em que os locais próximos da residência também fazem parte do


enquadramento habitual mesmo se for raramente visitada.

Deste modo, o enquadramento habitual é uma certa zona em redor do local de residência bem
como os locais visitados com uma certa frequência.

Embora adoptada pela Comissão de Estatística da ONU, esta definição peca por imprecisão e por
privilegiar o lado da procura.

Mais completa e correcta é a definição de Mathieson e Wall que consideram que «o turismo é o
movimento temporário de pessoas para destinos fora dos seus locais normais de trabalho e de
residência, as actividades desenvolvidas durante a sua permanência nesses destinos e as
facilidades criadas para satisfazer as suas necessidades».

Esta definição – reforça / evidencia a complexidade da actividade turística e deixa perceber,


implicitamente, as relações que ela envolve.

Ora, a cada vez maior internacionalização das actividades económicas bem como as, também,
cada vez maiores deslocações no interior de cada país motivadas por razões profissionais,
esbatem as diferenças entre os movimentos turísticos e não turísticos a que acresce a
impossibilidade prática de separar uns dos outros. (acho este paragrafo confuso)

Excluem-se as deslocações do e para o local de trabalho exigidas pelo exercício de uma


profissão fora da residência habitual, como resulta da própria definição, bem como as pessoas
que se deslocam, habitualmente, da sua residência com o objectivo de adquirirem os produtos
ou serviços de que necessitam para seu consumo corrente (caso das compras habituais em
hipermercados situados fora da localidade de residência).

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Turismo: Evolução, conceitos e classificações

Vários estudos elaborados ao longo dos últimos anos sobre o turismo determinaram diversas
definições, mas segundo a Organização Mundial do Turismo (OMT):

“ Conjunto de actividade desenvolvidas por pessoas durante as viagens em locais


situados fora do seu ambiente habitual por um período consecutivo que não
ultrapasse um ano, por motivos de lazer, de negócios e outros”

Analisando esta definição podemos concluir que esta actividade implica:


• A realização de actividade por parte de visitantes que saem fora do seu ambiente
habitual. Com exclusão da rotina normal de trabalho e das práticas sociais;
• Estas actividades implicam a viagem e, normalmente, algum meio de transporte para
o destino;
• O destino é o espaço de concentração das facilidades que suportam aquelas
actividades.

Antes de avançar para o ponto seguinte, convém definir alguns outros conceitos importantes:

Os viajantes podem ser classificados em função dos motivos da visita que efectuam.

 Visitante: Toda a pessoa que se desloca para fora do se lugar habitual de residência
com um objectivo que não seja o de usufruir uma actividade remunerada. Pode ser
nacional ou internacional.
 Turista: Todo o visitante que fica pelo menos uma noite no local visitado. Pode ser
nacional ou internacional.
 Excursionista: Todo o visitante que não pernoita no local visitado. Pode ser nacional
ou internacional.

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2. Classificação do sujeito turístico

Os turistas podem ser classificados de acordo com os tipos psicográficos. Um dos modelos mais
importantes, que permite esta segmentação, é o Modelo Psicocêntrico-Alocêntrico de Stanley
Plog.

O termo psicocêntrico traduz a concentração do pensamento ou das preocupações nos


pequenos problemas da vida. O termo alocêntrico traduz o interesse de uma pessoa por várias
actividades.

De acordo com esta terminologia, Plog criou uma nova tipologia do carácter dos turistas que
identificam dois grupos opostos: os psicocêntricos e os alocêntricos:

 Psicocêntricos: Agrupam os turistas que concentram o seu comportamento nas suas


preocupações pessoais e têm um interesse limitado pelo mundo exterior. Em termos
turísticos, preferem viajar para locais familiares, muito frequentados e praticamente não
realizam actividades que os desviem da rotina. São mais passivos que activos.
 Alocêntricos: São os turistas que se interessam por um grande número de actividades,
desejam descobrir o mundo e manifestam uma curiosidade geral por tudo o que os
rodeia. Distinguem-se pelo desejo de aventura e pela curiosidade.

Entre estas duas categorias extremas, encontra-se a maioria dos turistas, que se reparte por
três categorias intermédias: os quase-psicocêntricos, os cêntricos e os quase-
alocêntricos. Os cêntricos representam a maior percentagem dos viajantes e caracterizam-se
pelo reduzido desejo de aventura e pela procura dos destinos mais na moda.

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Preferências dos turistas de cada tipologia:

Psicocêntricos:
 Destinos que não perturbem o seu modo de vida;
 Actividades recreativas pouco originais;
 Turismo sedentário;
 Destinos acessíveis por automóvel;
 Instalações e equipamentos turísticos tradicionais;
 Viagens organizadas, estruturadas e bem preparadas.

Quase-psicocêntricos:
 Satisfação do ego e procura de estatuto;
 Procura de conforto social;
 Visitas a locais muito frequentados ou mencionados pelos meios de comunicação social.

Cêntricos:
 Descontracção e prazer, diversão e entretenimento;
 Clima, sol, termas;
 Mudança durante algum tempo;
 Oportunidade de fuga aos problemas diários;
 Gastronomia, descanso, conforto, bebida;
 Prazer de viajar e apreciação da beleza: parques naturais, lagos, montanhas;
 Compras para recordações e ofertas;
 Prazer sentido antes e depois da viagem: planeamento da viagem, aprendizagem,
sonho e, depois, o prazer de mostrar fotografias, recordações e descrever a viagem.

Quase-alocêntricos:
 Participar em acontecimentos ou actividades desportivas;

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 Viagens desafiantes; explorações, alpinismo, passeios a pé, peregrinações;


 Viagens de negócios, congressos, reuniões, convenções;
 Visitas a teatros, espectáculos especiais;
 Oportunidade de experimentar um estilo de vida diferente.

Alocêntricos:
 Regiões não desenvolvidas turisticamente;
 Novas experiências e descobertas;
 Destinos diferentes;
 Viagens de organização flexível (oposto de pacotes turísticos);
 Atractivos educacionais e culturais;
 Procura do exótico;
 Satisfação e sensação de poder e liberdade;

Os grupos alocêntrico e quase-alocêntrico são os primeiros segmentos de mercado a serem


atraídos para um destino turístico que pretende crescer e desenvolver-se.

Relativamente aos destinos que visam um desenvolvimento turístico limitado, por possuírem
condições naturais e culturais que exigem cuidados especiais de preservação, o grupo
alocêntrico deve constituir o principal segmento de mercado.

Por isso, quando se pretende manter um centro turístico com pouca frequência de turistas, a
publicidade deve dirigir-se aos alocêntricos ou quase-alocêntricos.

Os cêntricos, que integram cerca de 60% dos turistas, são o grupo mais importante para
fomentar o desenvolvimento e crescimento dos empreendimentos turísticos de grande
dimensão.

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Os psicocêntricos despendem a quase totalidade do seu tempo e recursos nos


empreendimentos que utilizam e, em, geral, têm uma permanência mais reduzida e gastam
menos do que os outros segmentos. Não são o segmento adequado quando se pretende
desenvolver um destino turístico, mas pode contribuir para aumentar a sua frequência.

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3. Evolução do turismo e suas características

Do Século II a.C. ao Século XV d.C.


Os Gregos e Romanos, por serem grandes comerciantes viajam muito. Até ao início do século
XIX, o termo “turismo” não fazia sequer parte do vocabulário, contudo estas deslocações foram
a primeira forma de turismo. As viagens eram, até esta época, difíceis e arriscadas, uma vez
que as estradas se encontravam em mau estado, os meios de transporte eram inadequados e
existiam muitos perigos, nomeadamente de cruzadas.

Na Antiguidade Clássica, os gregos faziam viagens para assistir, participar e usufruírem de


espectáculos culturais, cursos, festivais e jogos que eram uma prova do seu destaque perante
as outras categorias sociais.

Os romanos foram os primeiros povos a criarem locais exclusivamente destinados ao repouso,


com finalidades terapêuticas, religiosas e desportivas. As arenas, palco dos maiores
espectáculos populares, as termas para resolver problemas de saúde, e as práticas desportivas
variadas, atraíam e concentravam inúmeros romanos em diversas partes do império.

Eles possuíam o gosto pelas viagens e passeios, permanecendo como uma marca do seu povo
a exploração de outras localidades para diversos fins, exclusivamente nas áreas litorais,
resultado da crença no poder das águas marinhas. Muitas estradas foram construídas pelo
Império Romano, possibilitando e determinando que seus cidadãos viajassem. De Roma saíam
contingentes importantes para o mar, para o campo, para as águas termais, templos e
festividades.

A partir do século VI, começaram a ser registadas as peregrinações e viagens a Jerusalém e, no


séc. IX, foi descoberto o túmulo de Santiago de Compostela, em Espanha. Neste momento
iniciaram-se as primeiras excursões pagas e organizadas pelos jacobeus, que dispunham de

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chefes de equipas que conheciam os principais pontos do caminho, organizavam o grupo e


estipulavam as regras de horário, alimentação e orações.

Na primeira metade da Idade Média, com a consolidação do feudalismo e do poder da Igreja, o


homem encontrava-se bastante ligado à terra, tornando-se essencialmente agrícola. Os feudos
tornaram-se no sistema económico vigente e eram auto-suficientes, tornando desnecessárias as
deslocações comerciais. Desta forma, as antigas estradas, construídas pelos romanos,
desgastaram-se e acabaram por ser destruídas.

As actividades comerciais na Idade Média eram constituídas em sua grande maioria pelas feiras,
que formavam verdadeira espécie de comércio internacional. Além do comércio, traziam junto
de si a cultura e política dos povos, tanto europeus como do Oriente.

Durante todo o século XIII e XIV, o que chamava a atenção dos habitantes eram os eventos,
visto que, no período de realização dos mesmos, as estalagens, pousadas e outros meios de
hospedagem ficavam lotados, gerando grande movimentação económica. Muitos, sem interesse
de realizar comércio, aproveitavam as feiras para passeio e como forma de descontracção.

Do século XVI ao XVIII d.C.


A segunda metade do século XV e todo o século XVI é marcado pelo considerável aumento das
viagens particulares. Essas viagens tinham como objectivo a acumulação de conhecimento,
cultura, línguas e aventuras.

No século XVII houve uma melhoria considerável nos transportes terrestres: foi inventada a
diligência, com serviços regulares de Frankfurt para Paris e de Londres para Oxford. Observa-se
que os caminhos estavam mal conservados. Na maioria das vezes a manutenção era feita pelos
donos da terra por onde o caminho passava e estes cobravam portagem pelos serviços.

A partir de meados do século XVIII, produzem-se grandes mudanças, tanto do ponto de vista
tecnológico, como do económico, social e cultural que introduzem alterações significativas no
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sector das viagens. É nesta época que se popularizam as viagens de recreio como forma de
aumentar os conhecimentos, procurar novos encontros e experiências.

Na segunda metade do século XVIII, algumas pessoas viajava por toda a Europa e realizavam
estadas de longa duração. Os diplomatas, estudantes e membros das famílias ricas inglesas
faziam a Grand Tour, viajando por Paris, Florença, Roma, Veneza, Alemanha, Suíça e
mediterrâneo. A Grand Tour passou a ser entendida como uma etapa importante e necessária
para a formação académica dos jovens de boas famílias. Esta viagem tinha uma duração
normal de três anos. Com a Grand Tour, nasce o conceito de turismo e, pela primeira vez,
começam a designar-se as pessoas que viajam por turistas, embora não se desenvolvesse da
forma como o turismo é conhecido actualmente.

Nesta altura, multiplicam-se os guias turísticos que fornecem informações e conselhos aos
viajantes. O vasto movimento dos ingleses para o continente europeu começou a influenciar o
desenvolvimento dos transportes, da hotelaria e da restauração.

Ainda no século XVIII ocorreu a “revolução termal”, quando a medicina comprova o valor da
água para a saúde. Nessa época houve uma intensa codificação de toda actividade lúdica e de
recreação. Os jogos de sorte e azar ganham espaço cada vez maior na sociedade, conseguindo,
por fim, apoio estatal ao ter a sua legalização. Com a legalidade dos jogos de fortuna e azar
nascem os casinos.

Por fim, nota-se no século XVIII a expansão dos hotéis, por toda a Europa.

Do século XIX ao séc. XX


O século XIX, marcado por um período de intensas transformações na economia, política e
sociedade em si, veio a representar para o turismo um verdadeiro avanço. Nesta época surge o
conceito formal de turista.

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Com a invenção da máquina a vapor de Watt, deu-se início ao processo conhecido por
Revolução Industrial. Através deste movimento, ocorreu o êxodo rural, a manufactura passou a
ser substituída pela maquinofactura na produção fabril.

O aumento da população nas cidades foi notório, a produção alimentícia triplicou e o


capitalismo industrial alcançou uma prosperidade sem tamanho. A revolução pela qual a Europa
passava tornou imperiosa a necessidade de se, bem como sua conservação. Isso porque elas
eram meio de escoamento da produção interna e também forma de se interligar os centros
industriais.

A melhoria na construção e manutenção das estradas, o desenvolvimento da ciência, a


revolução industrial, o aumento das trocas comerciais, o progresso nos transportes e a
generalização da publicação de jornais dão um novo impulso às viagens. Por volta de 1830,
surgem na Suíça os primeiros hotéis, que começam a tomar o lugar dos albergues e das
hospedarias.

Em 1841, nasce o turismo organizado com Thomas Cook. As suas iniciativas de criar viagens
organizadas marcaram uma das mais importantes etapas na história do turismo e estão na
origem do turismo moderno. Actualmente, a agência por ele criada continua a ser uma das
maiores organizações turísticas do mundo.

Também em Portugal nascem as primeiras agências de viagem, nomeadamente a Agência


Abreu, criada em 1840. Ao longo do século XIX, diversas foram as viagens realizadas, sempre
em busca de cultura e recreio, e os europeus passaram a visitar novos destinos. Observa-se,
neste período, um suave processo de democratização do turismo, ou seja, as viagens tornaram-
se mais acessíveis para o segmento da classe média da população.

Os comboios eram sinónimo de rapidez e elemento facilitador da actividade turística. Os navios


exerciam verdadeira atracção sobre a população. Surge a classe média, com salários melhores
e maior possibilidade de gastos com entretenimento.

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Na primeira década do século XX as inovações e transformações alteraram profundamente os


modos de vida, com a descoberta do telégrafo e do telefone, o alargamento da rede de
caminhos-de-ferro, a extensão das redes de estradas e o grande desenvolvimento industrial,
associado à racionalização do trabalho e às reivindicações sindicais. O tempo de trabalho
diminui e alcança-se o direito ao repouso semanal, pelo que o conceito de lazer surge como
uma nova noção.

O turismo transforma-se num fenómeno da sociedade, influencia o comportamento das pessoas


e começa a alcançar uma importante dimensão económica. O reconhecimento da importância
do turismo leva à criação de diversas instituições governamentais com o objectivo de o
promover e organizar.

Entretanto, o avião e o automóvel fazem a sua entrada no mundo das viagens, embora de
utilização reservada às elites. Estavam, assim, criadas as condições para a universalização do
turismo e para o seu crescimento como actividade económica. Surgem, também, as primeiras
estruturas de turismo.

Contudo, a II Grande Guerra representou nova estagnação para o turismo mundial. Toda a
actividade turística foi paralisada em função da guerra, uma vez que a Europa, o maior centro
do turismo até então, era o palco principal das hostilidades. Durante este período, o turismo
praticamente desapareceu. Durante a guerra e o período de recuperação económica que lhe
seguiu, o turismo sofreu grandes dificuldades.

Depois, entre 1945 e 1973, o progresso científico e técnico levou a um desenvolvimento


económico e atinge-se a estabilidade política internacional.

Ao nível do turismo, identificam-se as seguintes alterações:

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 Aumento do tempo livre (decorrente da diminuição do tempo de trabalho semanal e da


generalização das férias pagas);
 Aumento do rendimento disponível, que facilita a compra de viagens (adopção de
medidas sociais, como reformas, subsídios à família, pagamento de despesas com
doenças);
 Mudança das motivações, já que as pessoas passam a ter necessidade de compensar os
desequilíbrios psicológicos ligados à vida profissional através da evasão ao meio.

Também do lado da oferta se operou uma transformação das bases do turismo: as viagens
aéreas desenvolvem-se rapidamente e as viaturas individuais tornam-se mais frequentes. Os
organizadores de viagens (agentes de viagens e operadores turísticos) iniciaram a produção em
série de produtos de massa, tendo por base o avião fretado e as cadeias de hotéis no litoral. O
turismo passou a ser a procura do sol e mar.

Na década de 60 surgiram as primeiras operadoras turísticas, com pacotes partindo do norte


europeu, para a costa do Mediterrâneo. Na década de 70, a preocupação com o meio ambiente
tornou-se evidente, sendo necessário o cuidado e a preservação dos recursos naturais.

Os poderes públicos passaram a compreender o turismo não apenas numa perspectiva


económica, mas especialmente numa perspectiva social, política, ecológica, cultural e educativa.
Isto é, passa a ser entendido como uma forma de responder às necessidades humanas e
encetaram políticas de desenvolvimento de equipamentos e promoção do turismo dos nacionais
no interior dos seus territórios.

Foi assim que na segunda metade do século XX, a actividade turística se expandiu pelo mundo
inteiro e o número de agências de viagens aumentou consideravelmente.

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Evolução do turismo em Portugal

Os primórdios do turismo em Portugal (até final do século XIX)

É o período que vai até à institucionalização do turismo em Portugal, época romântica e elitista.

Nesta altura havia dificuldades em realizar viagens, só alguns é que as faziam; havia viajantes e
não turistas, por isso abundavam os livros de viagens nos séculos XVIII e XIX. Quem viajava,
fazia-o para se cultivar intelectualmente e não por prazer. Na segunda metade do século XVIII
e início do século XIX aparecem as primeiras viagens de recreio.

O mecanismo impulsionador do turismo era comandado da seguinte forma, por um lado


funcionava a velhíssima atracção causada pelo brilho da realeza e da sua corte, as quais
sempre talharam as modas e encorajaram o snobismo, do outro, com idênticos resultados
turísticos, a nova força difusora das ideias e das opiniões, representada pela nascente
comunicação social, ainda limitada ao livro e à gazeta.

A partir do momento em que, rendida aos efeitos de tamanho arsenal de seduções, foi
despertada a vontade de excursionar, restava apenas aguardar que aparecessem os meios
logísticos, cómodos e baratos, capazes de satisfazer tais intenções.

Como é natural, os progressos que este prototurismo foi absorvendo ao longo da primeira
metade do século XIX, tiveram em Portugal uma expressão consoante o seu próprio
desenvolvimento. Só após as invasões napoleónicas (1807-1810) e a absorção das convulsões
políticas e civis provocadas pelo ajustamento da sociedade às novas concepções liberais (1820-
1847) é que o país dispôs de condições propícias a um desenvolvimento sustentado e
abrangente que, por seu turno, irá permitir o anúncio de acalmia e estabilidade política e social
para os potenciais visitantes.

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O primeiro sinal concreto desta acalmia vital para o florescimento do turismo viria a ser dado
com a instalação em 1840, em Lisboa, de um grandioso hotel para o tempo: o Bragança.
Entretanto, dentro das estruturas pró-turísticas regista-se o passeio público de Lisboa (1764-
1870), os teatros líricos de S. Carlos (Lisboa, 1793) e de S. João (Porto, 1798), o Teatro
Nacional de D. Maria II (Lisboa, 1846), bem como o aparecimento dos cafés de estilo
parisiense.

Passando ao veraneio, a primeira metade do século fica-se pelo esboçar turístico de algumas
estâncias termais que, domesticamente, brilharão no final do século (Gerês, Vizela, S. Pedro do
Sul, Caldas da Rainha, Lisboa/Estoril), assentando todas elas em antiquíssimas fontes
medicinais, enraizadas na tradição popular.

Ao mesmo tempo, fluindo das cidades e do interior, vai tomando corpo o caudal de banhistas
que, em poucas décadas, passará a animar os humildes vilarejos piscatórios do litoral. Mas por
enquanto são ainda poucas: Póvoa de Varzim, Foz do Douro, Figueira da Foz, Pedrouços.

Havia outros locais de atracção turística, como o caso de Sintra, com a sua verdejante serra,
onde D. João I, no século XIV, tinha construído o seu palácio de Verão, era agora anunciada ao
mundo como um “éden glorioso” por Lord Byron, 1812. Em 1839-50, D. Fernando manda
construir o Palácio da Pena que se torna no Ex Libris turístico da instância. Seguindo-se a
construção de numerosas residências secundárias, ocupadas no Verão, pela aristocracia e
burguesia lisboetas.

Porém, só algumas décadas depois, com a chegada do caminho-de-ferro (1856-1887), é que


todos estes embriões turísticos (termas, praias, montanhas) passam a desfrutar de um genuíno
e continuado desenvolvimento que irá dar origem ao aparecimento de importantes centros
regionais, como sejam os casos de Espinho e Póvoa de Varzim.

Até meados de oitocentos, a difusão do fenómeno turístico, fora contida, essencialmente, pela
inexistência duma malha de transportes barata e operacional, circunstância que deste modo

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deixava inacessíveis aos potenciais turistas os múltiplos atractivos do país. Em pleno século XIX,
salvo a capital e duas ou três cidades, o resto do país vivia, ainda, em plena Idade Média.

Nesta altura, a Madeira gozava fama como instância climática, ficando consagrada por um ciclo
de estadas reais e imperiais, ficando conhecida como a «Pérola do Atlântico», vindo a assumir
um papel de relevo nas estâncias curativas recomendadas na Europa.

O alvorecer do turismo em Portugal (primeira metade do século XX)


O turismo expandiu-se no terreno, alargou-se à maioria dos estratos sociais, ampliou ao infinito
a gama temática da sua oferta. Contudo o turismo teve que ter na base uma motivação
fortemente recrutadora, nomeadamente as deslocações motivadas pelo bem-estar físico ou
espiritual, seja pela via do sobrenatural que ergueu a fama de santuários como Fátima, seja
pela força que levantaram as termas ou as praias. Nesta fase o turismo anda associado a um
sentido único: saúde, espiritual ou física.

A tuberculose pulmonar, consequência da miséria a que a Revolução Industrial deu lugar


atingiu o seu auge em finais do século XIX e princípios do século XX. Começando por atingir as
classes mais baixas devido às más condições de vida, rapidamente se alastrou a todas as
classes sociais, com sucessivo progressos no combate à doença, o pesadelo da peste branca ou
tísica, como era chamada, só terminaria em 1945, com a descoberta da estreptomicina pelo
Nobel americano Selman Waksman.

No início os preceitos clínicos receitavam o ar marítimo para a cura da tuberculose pulmonar,


mas a partir do último quartel do século XIX, os novos preceitos receitam os ares enxutos do
clima de altitude. É assim que em 1881, a Sociedade de Geografia de Lisboa, organiza uma
expedição científica à Serra da Estrela, com vista à posterior instalação de vários sanatórios
(Guarda, 1907).

Só que, na primeira metade do século XX, os avanços decididos da clínica médica, da


farmacopeia e da profilaxia social acabaram por dispensar toda essa parafernália de bem-

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Turismo: Evolução, conceitos e classificações

aventuranças e de “fontes de juventa” em que a natureza é pródiga, amputando ao turismo o


seu mais antigo e tradicional fim - o ramo curativo, reduzido a alguns testemunhos de terapias
termais ou sanatoriais, funcionando, não com um carácter curativo, mas preventivo.

Neste período, o litoral do Algarve, excêntrico por falta de acessos com Lisboa, mas com
excelentes condições climáticas para este tipo de clientela de época, deixara escapar a
possibilidade de antecipar a sua entrada nas lides turísticas.

Apontado já em 1898, por Anselmo de Andrade, como a actividade a desenvolver no sentido da


recuperação económica nacional, só em Maio de 1911, durante o Governo Provisório da
República, se instituíram as primeiras estruturas oficiais de turismo.

Com a abertura em Paris, em 1921, da primeira representação do turismo nacional no


estrangeiro, o Bureau de Renseignements, gerido pelo Estado e pela Companhia Portuguesa
dos Caminhos de Ferro, e com a criação das Comissões de Iniciativa, base das estruturas
orgânicas locais, no mesmo ano, completou-se em Portugal o primeiro aparelho administrativo
do turismo que se irá consolidar até meados da década de 30: desenvolvimento da
representação no estrangeiro, com destaque para a Feira Ibero-Americana de Sevilha (1929),
criação da FNAT e do Centro de Turismo Português, da responsabilidade do Automóvel Clube
de Portugal.

No mesmo período avultam algumas acções a nível regional como a criação da Zona de
Turismo do Estoril, onde se inaugura em Portugal a primeira linha electrificada de caminho de
ferro, cujo plano inicial se completa com a inauguração de um hotel de luxo, em 1930, e do
Casino, em 1931; a criação de duas zonas permanentes de jogo (Estoril e Madeira) e seis
temporárias (Espinho, Figueira da Foz, Praia da Rocha, Curia, Sintra e Viana do Castelo); o
lançamento de estruturas de acolhimento em Fátima.

Simultaneamente, organizam-se equipamentos complementares: estrutura-se o campismo


(1930), constituem-se os Serviços Aéreos Portugueses (1927) e a Companhia Aero-Portuguesa

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(1934) e iniciam-se os voos transatlânticos dos clipers para Lisboa (1931), linha aérea cujo
desenvolvimento permitiu apontar Lisboa no Programa Oficial das Comemorações dos
Centenários em 1940, como «novo cais da Europa, praia do ar do Ocidente».

O I Congresso Nacional de Turismo, realizado em 1936 na Sociedade de Geografia de Lisboa,


tem grande influência na municipalização do turismo local, implementada através das
Comissões Municipais e Juntas de Turismo.

A criação da Junta Autónoma de Estradas implementará a reconstrução das principais estradas


do país, dando origem ao turismo automóvel em Portugal, modalidade cujo desenvolvimento
criou condições à rápida progressão do excursionismo rodoviário em detrimento do ferroviário.

Em 1939, a tutela do sector é integrada num secretariado dependente da Presidência do


Conselho de Ministros, gerindo-se o turismo, a partir de então, como um projecto global
nacional.

Com o inicio da II Guerra Mundial, começa um período de dificuldades para o turismo


português, que vai até meados da década de 60. Durante esse tempo, Portugal comemora,
longe das hostilidades, os Centenários, promovendo a Exposição do Mundo Português. Enche-
se de refugiados e sofre, também por isso, um significativo choque que pôs em evidência a
precariedade da rede hoteleira que, à excepção do eixo Lisboa-Estoril, não tinha condições nem
dignidade.

A guerra civil de Espanha reduziu as entradas de turistas deste país e a II Guerra Mundial
contrariou as correntes europeias recreativas e culturais, mas aumentou o número de
refugiados a caminho da América ou de África. Todavia, o Estoril foi beneficiado com este surto
de refugiados. No pós-guerra os acréscimos do número de entradas de estrangeiros são
discretos.

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Turismo: Evolução, conceitos e classificações

Antes da Guerra predominava a clientela inglesa (que passava o Inverno no Estoril e na


Madeira), constituída por muitos reformados e a espanhola (em várias praias e termas).
Durante a guerra predominam os nacionais da área em conflito: Alemanha, Bélgica, Holanda,
França, Grécia, Itália; Polónia, Hungria, Roménia e Jugoslávia

Com o retorno da paz, estes últimos desapareceram por completo e recomeçaram as viagens
motivadas por negócios, desporto, cultura, reuniões científicas e políticas, a par de alguns
fluxos verdadeiramente turísticos, com relevo para os das Américas (EUA, Brasil, Argentina,
Colômbia, Venezuela, etc.).

Aumentaram também, de forma acentuada, as correntes de peregrinos para Fátima, que se


afirma como o maior centro religioso do país. Paralelamente renascia o excursionismo por mar,
com escala em Lisboa, e começa a afirmar-se um certo turismo popular internacional.

A posição marginal do país em relação aos principais centros emissores, tornava as viagens
longas, difíceis e caras, até à generalização da aviação comercial e do automóvel e da
modernização do caminho-de-ferro, que só vai acontecer no final da década de 50.

O processo de mudança desta estrutura conclui-se em 1950, através da acção do SNI, e passou
pelo enriquecimento do parque hoteleiro do país, com o relançamento do programa das
pousadas que envolvia o restauro, adaptação e equipamento dos edifícios de algum valor
histórico, dimensionados e decorados integralmente.

Outros esforços, para dotar o turismo nacional de meios capazes de acrescentar o seu
potencial, vão surgir até meados da década de 50 - reformulação da política de transportes
terrestres, com entrega exclusiva dos circuitos turísticos em autocarro às agências de viagens,
regulamentadas na mesma altura; tentativas de reanimação do transporte ferroviário;
relançamento da marinha mercante nacional; reapetrechamento do aeródromo de Sintra e
construção do Aeroporto de Lisboa, com a criação simultânea da TAP, Transportes Aéreos

20
Turismo: Evolução, conceitos e classificações

Portugueses, fechando, assim, um longo processo na evolução dos transportes aéreos em


Portugal.

São ainda postas em prática algumas, de certo modo derradeiras, tentativas de


reaportuguesamento de Portugal, em campos tão diversos como a música e o bailado: Verde
Gaio, ranchos folclóricos de índole realista, a instalação do Museu de Arte Popular em Belém;
concurso da «Aldeia Mais Portuguesa de Portugal».

Para efectivar o relançamento do turismo é promulgado um pacote legislativo ainda na década


de 50, que estabelece uma nova estrutura para a actividade, inicia a sua regionalização e cria o
Fundo de Turismo.

Na década de 60, a actividade é considerada fundamental nos Planos de Fomento: de 1965-67


(intercalar) como «valioso instrumento nacional»; no III, 1968-73, como «sector estratégico de
crescimento económico».

Os resultados são espectaculares, 250 mil turistas visitam Portugal em 1956, ano do
ressurgimento, 1 milhão em 1964, 2.5 milhões em 1968.

A afirmação de Portugal como país de destino do turismo internacional (a partir da


década de 1960)
Com o aparecimento da aviação comercial, com a reparação das estradas e das vias-férreas,
com o embaratecimento e popularização dos automóveis, que se tornaram acessíveis a pessoas
de médios e até de pequenos recursos, as vias de acesso a Portugal simplificaram-se imenso e
o fluxo de turistas começou.

De princípio timidamente, depois com mais vigor e a partir de 1964 em pleno desenvolvimento,
ressalvada que seja a fase de 1974/76 afectada pelos sobressaltos políticos e sociais que se
seguiram à Revolução de Abril, agravados pela crise económica mundial decorrente do choque
petrolífero de 1973. Mas em 1973 já se encetava a recuperação.

21
Turismo: Evolução, conceitos e classificações

O grande acréscimo foi posterior a 1958 e registou-se com um certo atraso relativamente a
outros países mediterrâneos, predominavam os turistas ricos (americanos e ingleses), por isso
as receitas por turista eram bastante elevadas e estadas médias de 3,7 dormidas. Havia uma
procura acentuada em estabelecimentos hoteleiros de luxo (1ª e 2ª classes), consequência da
péssima qualidade dos hotéis e pensões de 3ª classe.

Esboçava-se uma certa preferência pelas praias do Algarve, embora Lisboa e arredores
continuassem a ser a região de maior atracção turística e também a melhor apetrechada em
estabelecimentos hoteleiros. No entanto, em 1960, registavam-se algumas formas de turismo
barato, nomeadamente parques de campismo e de caravanismo, albergues de juventude,
aldeias de férias, etc.

Mas a política oficial continuava a ser a preferência pelo turismo de luxo em detrimento do
turismo de massas, tendo em conta que aquele deixa mais divisas por habitante e proporciona
maiores lucros.

Da mesma forma se desprezava o turismo interno, pois os potenciais turistas portugueses


frequentavam os parques de campismo, albergues de juventude, aldeias de férias, etc., então
em franco desenvolvimento, mas não originavam grandes lucros. As correntes recreativas mais
volumosas eram, todavia, desviadas para casas de familiares, residências secundárias,
apartamentos e quartos alugados, cuja capacidade se desconhece.

O turismo interno marginalizava ainda largos estratos da população portuguesa,


designadamente a das áreas menos urbanizadas, a menos instruída, a mais idosa e a de
menores recursos económicos. Por outro lado, e para muita gente, a possibilidade de fazer
férias em lugares distintos dos da residência habitual resulta apenas do facto de dispor de
alojamento económico, em relação com a sua origem rural.

Com a afirmação do turismo balnear litoral, as termas vão perdendo cada vez mais importância.

22
Turismo: Evolução, conceitos e classificações

A partir dos anos 30 o termalismo entra em crise por quase toda a Europa, perante a afirmação
da quimioterapia e de formas diversas de ocupação dos tempos livres. Portugal não fugiu à
regra, até pela insuficiente diversificação do equipamento recreativo e desportivo da grande
maioria das estâncias termais, que no caso inverso, teria desencadeado movimentos puramente
turísticos, e pela excepcional riqueza e diversidade das praias.

Outros factores reforçam a tendência evolutiva, designadamente o isolamento de algumas e a


sua localização em meios humanos pobres e tradicionais, de infra-estruturas e equipamentos
demasiado insuficientes perante as exigências de clientelas urbanas de nível económico médio e
superior.

Todavia, durante a II Guerra Mundial as termas portuguesas atraíram muitos estrangeiros,


provavelmente refugiados. No fim do conflito, esta clientela que foi comum a outros
estabelecimentos hoteleiros desaparecera. A partir de 1945, só alguns portugueses ou
emigrantes retornados do Brasil ou da Argentina é que as frequentam, sendo as dormidas de
estrangeiros quase insignificantes.

Em 1970, afirmava-se que as estâncias termais deveriam ser objecto de uma intervenção
cuidada, com vista à sua revitalização e aproveitamento para o turismo interno. Sendo os
únicos centros turísticos disseminados pelo interior, parecia poderem vir a desempenhar um
papel importante na atenuação dos desequilíbrios regionais.

Assim a nova moda é a da predominância da atracção litoral. Perante a tendência das principais
correntes turísticas europeias, que valorizou o Sul de França, o Sul de Espanha, a Itália, as ilhas
do Mediterrâneo e o litoral da África do Norte, e a procura de praias novas, desconhecidas,
ainda não saturadas, mas suficientemente cosmopolitas e em voga, a política nacional de
captação daquelas correntes, escolheu o Algarve como área de acolhimento nacional e,
consequentemente, como região de desenvolvimento turístico prioritário.

23
Turismo: Evolução, conceitos e classificações

Nesse sentido todas as iniciativas de construção de infra-estruturas de acolhimento foram


apoiadas. Além da qualidade das praias e da amenidade do mar, o Algarve possui um clima que
possibilita uma larga estação balnear, o que constitui condição essencial da viabilidade
económica dos necessários investimentos. Esta evolução traduz a decadência das estâncias
termais e dos centros menores da rede urbana do interior e a afirmação dos distritos do litoral.

Em termos espaciais, o turismo foi considerado como um instrumento capaz de atenuar os


desequilíbrios regionais (económicos, de emprego, equipamento, serviços, infra-estruturas,
etc.). Mas verifica-se que o turismo estrangeiro e nacional de maior nível económico se
concentram na fachada marítima do país, acentuando o contraste litoral-interior.

Isto observa-se também à escala regional, como acontece no Algarve, onde as incidências
directas do turismo quase não afectam o Barrocal e muito menos a Serra.

Alguns acontecimentos virão dificultar o seu percurso: por um lado, factores externos, como as
perturbações socioculturais de 1968 e a crise energética de 1973; por outro lado, factores
internos, dos quais a fundamental foi a Revolução de 25 de Abril de 1974, a partir da qual as
entradas de estrangeiros caíram, nos dois anos seguintes, para 50% da média de 1973.

Só em 23 de Dezembro de 1975, na vigência do VI Governo Provisório, se declara o turismo


como «actividade privada e prioritária», criando-se, na mesma oportunidade, uma entidade
para gerir o parque hoteleiro sob o domínio do Estado, a ENATUR.

A recuperação só se acentua a partir de 1980, ano em que se renova a política de incentivos


estatais, imprescindível ao crescimento e melhoria da qualidade das estruturas e dos produtos
turísticos.

O Plano Nacional de Turismo, iniciado em 1983, e aprovado em 1986 para um curto período de
vigência (1986-89), pretende relançar a actividade segundo uma óptica que reforça a
importância do turismo local.

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Turismo: Evolução, conceitos e classificações

O campismo, o turismo em espaço rural, as pousadas, o turismo ecológico, entre outros,


constituem campos de acção razoavelmente bem-sucedidos, a partir da década de 80.

Neste quadro, a actividade turística é hoje não só um sector fundamental na conjuntura


económica do país, mas principalmente um motor de desenvolvimento regional, especialmente
prometedor em regiões adormecidas, devido à sangria de populações e actividades a que se
assistiu nas últimas décadas.

Em 1998, Portugal ocupou o 15.º lugar do ranking mundial dos principais destinos turísticos
com cerca de 11,2 milhões de turistas, o que representa 2% do total mundial e quase 10% dos
visitantes estrangeiros na Europa meridional.

25
Turismo: Evolução, conceitos e classificações

3. Classificações do turismo

Estabelecidos os conceitos de turista e turismo, várias classificações deste se podem fazer


tomando como base as suas causas e influências e atendendo aos factores que interferem nas
deslocações de pessoas, tais como a sua origem, os meios de transporte utilizados, o grau de
liberdade administrativa, a época da deslocação, etc..

Deste modo, podem ter-se as seguintes classificações:

a) Segundo a origem dos visitantes

Atendendo ao facto de se atravessar ou não uma fronteira o turismo subdividir-se-á, de acordo


com as classificações metodológicas adoptadas pela OMT e pelo Eurostat, em:

Turismo Doméstico
Viagens dos visitantes
residentes no interior do
país de residência

Turismo Interior Turismo Nacional


+ +

Turismo Receptor Turismo Emissor


Viagens dos visitantes Viagens dos residentes
não residentes para e no + para outros países que
interior do país de não aqueles onde residem
referência

Turismo
Internacional

As três formas básicas podem ser combinadas de vários modos, resultando dessas combinações
as seguintes categorias de turismo:
26
Turismo: Evolução, conceitos e classificações

• Turismo interior que abrange o turismo realizado dentro das fronteiras de um país e
compreende o turismo doméstico e o receptor;
• Turismo nacional que se refere aos movimentos dos residentes de um dado país e
compreende o turismo doméstico e o turismo emissor;
• Turismo internacional que, por abranger unicamente as deslocações que obrigam a
atravessar uma fronteira, consiste no turismo receptor adicionado do emissor.

Embora as referências ao turismo evidenciem, normalmente, o turismo internacional e, quase


sempre, seja este que vem à mente quando se fala em turismo, o facto é que os movimentos
turísticos no interior de cada país são, regra geral, de dimensão superior aos fluxos
internacionais.

Na actualidade, estima-se que o turismo internacional pouco ultrapasse as mil milhões de


chegadas de estrangeiros, aos países de todo o mundo, enquanto que a nível interno ou
números ultrapassam as 6.000 milhões de chegadas, ou seja, seis vezes mais. No entanto,
pelos diferentes efeitos económicos que provoca, é, geralmente, dada maior ênfase e
importância ao turismo internacional.

De salientar que a expressão turismo abrange tanto o doméstico como o internacional.

b) Segundo a duração da permanência:

 Turismo de Passagem – Turismo itinerante caracterizado por um número reduzido de


noites (estada curta).
 Turismo de Permanência – A estada realiza-se no destino final da viagem e tem
maior duração.

Quer no turismo de passagem, quer no de permanência, o objectivo é atrair o maior número de


turistas pelo maior tempo possível. Para tal, os destinos têm que ser atractivos e criar condições
para que os turistas passem mais de uma noite.

27
Turismo: Evolução, conceitos e classificações

A duração da permanência depende de:


• Duração das férias;
• País de origem;
• Objectivo da viagem;
• Condições existentes no local visitado (condições naturais, investimentos realizados,
capacidade criativa…);
• Motivações.

A capacidade de atracção e retenção de uma região depende de muitos factores, uns ligados às
condições naturais existentes (paisagem, fauna, flora, praias, termas, neve, …), outros aos
investimentos realizados (infra-estruturas, alojamento, animação, parques de atracção, …) e
outros, ainda, à capacidade criativa (demonstrações culturais, informações sobre a zona,
organização de actividades para entretenimento e ocupação de tempos livres).

c) Segundo as repercussões na balança de pagamentos

As entradas de visitantes estrangeiros contribuem para o activo da Balança de Pagamentos de


um país, porque fomentam a entrada de divisas e que as saídas de residentes desse país têm
um efeito passivo sobre aquela balança por provocarem uma saída de divisas, divide-se em:
 Turismo de Exportação – Venda de bens e serviços turísticos a turistas
estrangeiros (entrada de divisas externas). “Incoming”.
 Turismo de Importação – Os turistas saem para o estrangeiro e levam para lá
dinheiro nacional. “Outgoing”.

d) Segundo a organização da viagem

O turismo, interno ou internacional, de acordo com a forma como é organizada a viagem, pode
ser dividido em turismo individual e turismo colectivo ou de grupo.

28
Turismo: Evolução, conceitos e classificações

Turismo Individual realiza-se quando alguém faz uma viagem cujo programa é fixado pelo
viajante, podendo modificá-lo livremente, com ou sem intervenção de uma entidade
distribuidora de viagens.

Turismo Colectivo/ de Grupo acontece quando uma agência de viagens ou operador turístico
oferece, contra o pagamento que cobre a totalidade do programa oferecido, a participação
numa viagem para um destino segundo um programa previamente fixado para todo o grupo.
São elementos deste tipo de viagem:
 a organização prévia;
 oferta de um conjunto de prestações;
 preço fixo.

As componentes da viagem são determinadas antes da sua oferta ao público integrando:


 um destino;
 meio de transporte;
 viagem de ida e volta;
 transfers dos pontos de chegada para o respectivo meio de alojamento e vice-versa;
 alojamento;
 alimentação;
 distracções e ocupação dos tempos livres;
 seguros;
 outras prestações particulares.

O turismo começou por ser fundamentalmente individual mas, sobretudo a partir da década de
sessenta, com o aparecimento dos voos fretados (charter flights), o acesso às viagens pela
generalidade das populações e a intervenção de organizações empresariais de grande
dimensão, as viagens organizadas passaram a ganhar cada vez maior importância.

e) Segundo a qualidade e caracterização socioeconómica

29
Turismo: Evolução, conceitos e classificações

As disponibilidades económicas dos turistas podem ser responsáveis por uma procura diferente
dos locais de turismo, embora se tenha pleno conhecimento de que as condições económicas já
foram um condicionalismo mais limitativo do que o é na actualidade. No entanto continua a
fazer-se a seguinte divisão:
 Turismo de Minorias – Turismo individual ou formado por pequenos grupos
caracterizando-se por um princípio de selecção económica ou cultural.
 Turismo de Massas – Realizado por pessoas com menor nível de rendimentos,
viajando, na maioria, em grupos. O turismo de massas é mais barato porque se atingem
economias de escala.

f) Segundo a natureza dos meios de viagem utilizados

 Turismo Terrestre – automóvel, autocarro ou comboio;


 Turismo Náutico – Barco, navios de cruzeiro;
 Turismo Aéreo – Avião;

A maioria dos turistas desloca-se de automóvel ou avião, embora as deslocações de comboio ou


barco também estejam a crescer em algumas viagens.

g) Segundo o grau de liberdade administrativa

Este critério resulta da diferenciação entre turismo dirigido e turismo livre, segundo as
regulamentações existentes nos países, quer emissores, quer receptores, quando limitam a
liberdade das deslocações de turistas ou lhes concedam inteira liberdade de movimentos.

Os países emissores, em situações de dificuldade das respectivas balanças de pagamentos ou


por razões políticas, podem limitar as saídas dos seus nacionais por vários meios: limitações na
aquisição de divisas; lançamento de impostos; obrigação de constituição prévia à saída, do
depósito de uma certa quantia de dinheiro; obrigação de vistos; restrições na concessão de
passaportes, etc.

30
Turismo: Evolução, conceitos e classificações

Também os países receptores limitam, por vezes, sobretudo por razões políticas, as entradas de
estrangeiros ou as suas deslocações no interior do país. Há países que impedem as visitas a
certas localidades e, outros, que condicionam a passagem de visto, ou mesmo das entradas,
através de pesados procedimentos administrativos e, outras vezes, não permitem a entrada de
nacionais de países com os quais não mantêm relações diplomáticas.

No entanto, pelo reconhecimento da importância do turismo para a economia de cada país e


pelo facto de os turistas se revelarem extremamente sensíveis a todo o tipo de limitações,
assiste-se, cada vez mais, a um abrandamento dos condicionamentos às deslocações turísticas.

h) Segundo as motivações

Diferentes tipos de

TURISMO

É a classificação segundo as motivações que levam as pessoas a viajar que transporta para o
ponto seguinte – os Tipos de Turismo.

Tipos de Turismo

A identificação dos tipos de turismo resulta da agregação das motivações e das intenções dos
viajantes. Desta forma, dada a grande variedade existente de motivações para viajar, surgem,
também, diversas tipologias de turismo.

31
Turismo: Evolução, conceitos e classificações

Esta é uma temática em constante crescimento e evolução. Dadas as crescentes exigências


dos visitantes e da sociedade em geral, vão surgindo cada vez mais tipos de turismo.

A diversidade de motivações turísticas traduz-se por uma diversidade de tipos de turismo. Como
as regiões e os países de destino apresentam também uma grande diversidade de atractivos, a
identificação dos vários tipos de turismo permite avaliar a adequação da oferta existente ou a
desenvolver às motivações da procura.

Aqui são apresentados alguns:

32
Turismo: Evolução, conceitos e classificações

Turismo de Recreio

Praticado pelas pessoas que viajam para “mudar de ares”, por curiosidade, ver coisas novas,
desfrutar de novas paisagens, das atracções que oferecem os destinos turísticos. Este tipo de
turismo é peculiarmente heterogéneo porque a simples noção de prazer muda conforme os
desejos, o cunho, o carácter ou o meio em que cada pessoa vive.

Turismo de Saúde e Bem-Estar

Os viajantes pretendem obter um relaxamento físico e mental, um benefício para a saúde, o


recobro de uma cirurgia ou de uma doença ou a recuperação física ou emocional do desgaste
provocado pela agitação da vida moderna e intensidade do trabalho.

Turismo Cultural

Alguns autores estabelecem uma diferença entre «turismo cultural» e «turismo histórico»,
reservando o primeiro para as relações das pessoas com os estilos de vida old style e, o
segundo, para as atracções provocadas pelas “glórias do passado”.

Dada a impossibilidade de separar a cultura da história, incluem-se no turismo cultural, as


viagens provocadas pela motivação de ver coisas novas, de aumentar os conhecimentos,
conhecer a vida e os hábitos doutros povos, civilizações e culturas diferentes, do passado e do
presente, ou ainda a satisfação de necessidades espirituais (religião), participar em
manifestações artísticas e as viagens de estudo ou para aprender línguas estrangeiras.

Incluem-se neste grupo as deslocações organizadas pelas empresas para os seus


colaboradores, como prémio ou para participarem em reuniões ou encontros com outros que
trabalham em locais ou países diferentes: as chamadas «viagens de incentivo».

Os centros culturais, os grandes museus, os locais onde se desenvolveram no passado as

33
Turismo: Evolução, conceitos e classificações

grandes civilização do mundo, os monumentos, os grandes centros de peregrinação ou os


fenómenos naturais ou geográficos constituem a preferência destes turistas.

Turismo de Negócios

As profissões e os negócios têm como consequência movimentos turísticos importantes e de


grande significado económico. Actualmente já se utiliza um termo especifico para designar este
conjunto de motivações, identificando-se um segmento MICE – Meetings, Incentives,
Congresses and Exhibitions ou RICE - Reuniões, Viagens de Incentivos, Congressos, Feiras e
Exibições).

Este tipo de turismo assume um elevado significado para os destinos visitados na medida em
que, por norma, as viagens são organizadas fora das épocas de férias, chamada época alta, e
pagas pela empresa, ou pela instituição a que os viajantes pertencem. Estes turistas possuem
elevado poder de compra, o que torna este tipo de turismo muito benéfico para a economia das
empresas turística e para os destinos.

Turismo Desportivo

Estas deslocações são justificadas pela participação num evento desportivo. A motivação pode
ser activa (participar num evento) ou passiva (assistir ao evento), mediante a actuação do
turista. Actualmente, a preferência pelas férias activas assume uma importância crescente, o
que obriga a que os centros turísticos se equipem com meios adequados à prática desportiva.

Turismo Político

Justificado pela participação em acontecimentos ou reuniões de carácter marcadamente


político. Representam um fluxo significativo de pessoas, já que por razões de promoção
mediática estes encontros trazem comitivas grandes de jornalistas e assessores dos políticos.
Tem características e efeitos semelhantes ao turismo de negócios e exige condições idênticas,

34
Turismo: Evolução, conceitos e classificações

obrigatoriamente aumentadas de uma organização mais cuidada por razões diplomáticas, de


protocolo e de segurança.

Turismo Étnico e de Carácter Social

Viagens realizadas para visitar amigos, familiares e organizações, para participar na vida em
comum com as populações locais, as viagens realizadas por razões de prestígio social. Alguns
autores defendem a inclusão das visitas que os emigrantes fazem ao país de origem e outros as
viagens que têm por fim observar as expressões culturais ou modos de vida dos “povos
exóticos”, incluindo as visitas às casas dos nativos, observação de danças e cerimónias bem
como a possibilidade de assistir aos rituais religiosos ou culturais.

Turismo Religioso

De forma a simplificar, pode afirmar-se que existem duas grandes correntes religiosas:
 As religiões para as quais a peregrinação faz parte integrante da prática religiosa
(católicos, muçulmanos e budistas). Estas religiões, em particular a católica, criaram
organizações para encorajar e facilitar a sua prática.
 As religiões para as quais a peregrinação não existe mas cujos crentes, praticam pelo
menos uma forma de turismo ligada à religião – os Judeus e os Protestantes visitam
locais que guardam as marcas dos seus correligionários: lugares de memória que são
em geral, lugares de peregrinação.

O Turismo religioso tem normalmente três tipos de abordagem:


 A abordagem espiritual – O participante encara a peregrinação como parte integrante
da sua prática religiosa e permite a aproximação com Deus. Aquele que realiza esta
viagem pode, a qualquer instante, tocado pela emoção do lugar ou pelo espírito que o
habita, converter-se a esta fé.
 A abordagem sociológica – o turismo religioso é um meio para o crente conhecer
melhor a história do grupo a que pertence.

35
Turismo: Evolução, conceitos e classificações

 A abordagem cultural – a visita a lugares de culto e a santuários é um modo do


crente ou não, compreender as religiões que influenciam as sociedades, no plano
histórico, sociológico e simbólico.

Turismo no Espaço Rural

A motivação passa pelo contacto com a natureza, com a paisagem, o clima, o repouso e
descanso que os destinos rurais permitem obter. Pode assumir cinco formas: Turismo de
Habitação, Turismo Rural, Agro-turismo, Turismo de Aldeia, Casas de Campo.

36
Turismo: Evolução, conceitos e classificações

4. Perspectivas de evolução do turismo

A actividade turística em Portugal, apesar de constituir um fenómeno relativamente recente


enquanto actividade económica organizada apresenta uma já considerável diversificação e
segmentação, ainda que continue a assentar fortemente no chamado turismo balnear litoral ou
turismo de sol e mar.

Este é, de facto, o sector mais massificado, aquele que mais nacionais faz deslocar dentro do
país e que maior número de estrangeiros atrai, sendo, portanto, o sector de mercado turístico
de maior significado económico e de maior relevância geográfica, quer pela importância de que
se reveste na mobilidade da população, quer pelo papel que desempenha na transformação dos
espaços e da paisagem, quer, ainda, pelos impactes ambientais e sociais que gera.

Para além do turismo de sol e praia, outros sectores relativamente importantes parecem ser o
termalismo, outrora de grande importância económica e geográfica e que hoje parece estar a
ressurgir, ainda que com motivações e características diferentes das que assumiu no passado e
o turismo religioso, nomeadamente para Fátima, que parece continuar a crescer em volume e
significado.

Além destas, outras formas de turismo, como o turismo em espaço rural, o turismo cultural ou
o turismo de eventos que, sobretudo a partir dos anos 80, começam timidamente a despontar,
podem vir a ganhar, num futuro próximo, uma relevância económica e geográfica que
ultrapasse o nível local e regional.

A par com a saturação da principal região turística do país – o Algarve – e com as deficientes
condições de acolhimento de grande parte das regiões costeiras do Oeste que parecem não
conseguir aproveitar os ensinamentos da má gestão do turismo algarvio, geram-se novas
formas de procura turística que aproveitam também a tendência para o aumento do número de
períodos de férias ainda que com a diminuição da sua duração (daí o slogan “faça férias
37
Turismo: Evolução, conceitos e classificações

repartidas”) e o aumento das operações de curta distância e de tráfego interno, de forma a


cativar os potenciais turistas nacionais (“vá para fora cá dentro”).

Entre esses novos rumos das práticas turísticas estão o turismo cultural, o turismo de eventos
ou de negócios, o turismo de saúde e repouso, o turismo itinerante e o conjunto de acções que
se conhecem sob a designação de Turismo em Espaço Rural e outras formas com elas
directamente relacionadas: turismo natureza, turismo aventura, turismo cinegético, etc.

A análise da evolução da procura turística, avaliada pela chegada de turistas e todos os países
do mundo e pelos respectivos gastos (receitas turísticas), permite destacar a conclusão de que
se tem registado um crescimento contínuo desde 1950.

Em 50 anos, a procura turística internacional multiplicou-se quase 28 vezes, e nos últimos 10


anos foi acrescida de mais de 20 milhões de novos turistas em cada ano.

Apesar da evolução da procura turística se ter alargado a todos os continentes e a todos os


pontos do globo, nem todas as regiões e nem todos os países beneficiam igualmente do
turismo. A procura turística internacional não se reparte igualmente por todas as zonas do
mundo. Algumas revelam grande capacidade de atracção dos fluxos turísticos enquanto que
outras têm uma fraca participação nessas correntes.

A evolução registada nos últimos anos revela alterações significativas da procura turística que
podem sintetizar-se do seguinte modo:

a) Planetarização – Até à década de 60 o turismo era um fenómeno ticipamente


europeu e norte-amerciano, mas nos últimos anos transformou-se a um fenómeno
universal;

b) Menor concentração – A procura turística tem-se orientado para destinos


diferentes do passado, tendo-se alterado e diversificados os principais destinos;

38
Turismo: Evolução, conceitos e classificações

c) Direcção: A procura turística começou por ser direccionada de Norte para o Sul da
Europa em busca de sol e mar, e do ocidente (América do Norte) para o oriente
(Europa), mas na actualidade, reparte-se por todas as direcções. A geografia da
procura turística alterou-se profundamente deixando de ter um sentido preciso.

De acordo com o plano Estratégico Nacional de Turismo (PENT), podemos identificar as


seguintes tendências de evolução da procura, que irão acentuar-se nos próximos anos:

Aceleração do crescimento do número de turistas internacionais em todo o Mundo


 O sector do Turismo cresceu a uma taxa de 8,0% ao ano, entre 2003 e 2005, superior
ao crescimento médio da economia mundial (3%) no mesmo período. A Organização
Mundial do Turismo prevê que até 2020 a tendência se mantenha, com o crescimento
médio anual do número de turistas a atingir os 4,4% entre 2006 e 2020, mais uma vez
superior às previsões para o crescimento da economia.

Envelhecimento da população europeia


 Ao nível da importância de cada escalão etário para o Turismo tem-se verificado uma
tendência para o envelhecimento do turista tipo, que se prevê que continue. Em 1992 o
segmento well established – 40 a 59 anos de idade – representava 30% dos turistas,
subindo para os 38% em 2001.
 Por outro lado, existe uma correlação positiva entre a despesa anual média em férias e
a idade. A despesa anual média per capita em férias na Europa atinge os 615A, sendo
que os turistas com mais de 50 anos têm gastos acima da média.

Aumento do número de viagens de curta duração


 À semelhança do que acontece com a idade média dos turistas, o número e a duração
das viagens têm sofrido uma evolução. A tendência que se observa neste ponto é a de
um aumento do número de viagens de curta duração.
 Assim, entre 2000 e 2004, o número de short trips cresceu a uma taxa anual de 13%,
face a um decréscimo anual de 4% dos turistas que apenas fazem uma viagem longa

39
Turismo: Evolução, conceitos e classificações

por ano. A combinação entre uma viagem longa e várias short trips também tem vindo a
aumentar, crescendo no período em análise a uma taxa anual de 4%.

Aumento dos gastos com a estadia e redução dos gastos com a viagem
 No que diz respeito à composição da despesa dos turistas, prevê-se que se mantenha a
tendência observada nos últimos anos de crescimento da despesa com a estadia em
detrimento da despesa com a viagem.

Procura de experiências diversificadas


 À semelhança do que acontece com a despesa, também os produtos e as experiências
procuradas pelos turistas têm evoluído. Neste ponto destaca-se a tendência para um
aumento da diversificação das experiências, que se reflecte naturalmente nas principais
motivações de viagem. Neste contexto, é cada vez mais importante a oferta de um
conjunto alargado de produtos que dê resposta a uma procura diversificada.

Aumento do DIY e diminuição das viagens organizadas


 Existe uma tendência para uma redução do peso das viagens organizadas, por oposição
ao crescimento do DIY (do it yourself). Utilizando como exemplo a forma de organização
das viagens dos turistas estrangeiros em Espanha, entre 2001 e 2005, verificamos, quer
em termos relativos, quer em valores absolutos, uma tendência para a diminuição das
viagens vendidas sob a forma de pacote turístico, – crescimento anual de -4% – por
oposição ao verificado nas viagens sem pacote turístico que têm crescido a um ritmo
anual de 9%.

40
Turismo: Evolução, conceitos e classificações

Bibliografia

Baptista, Mário, Turismo, Competitividade Sustentável, Lisboa, Verbo, 1997

Cunha, Licínio, Perspectivas e Tendências do Turismo, Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas,


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Cunha, Licínio, Introdução ao turismo, Ed. Verbo, 3ª edição, 2006

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