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Universidade Federal de São Carlos – UFSCar

Centro de Ciências Exatas e de Tecnologia – CCET


Departamento de Engenharia Mecânica – DEMec
Curso de Engenharia Mecânica

Fenômenos de Transporte 5

TRANSFERÊNCIA DE CALOR EM BARRAS (ALETAS) DE SECÇÃO


CIRCULAR UNIFORME

Profa. Gabriela Cantarelli Lopes

Nome RA
Gabriela Carolina Chaves 598488
Guilherme Cardamoni Vieira 595306
Higor Henrique Maciel Soares 727735

Maysa Freitas M. Nardy 594059


Paulo Henrique da Silva Rodrigues 627755
Thiago Koga Barros 727756

São Carlos, 24 de Abril de 2019


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SUMÁRIO

OBJETIVOS 3

MATERIAIS E MÉTODOS 3

RESULTADOS 4

DISCUSSÃO DOS RESULTADOS 11

CONCLUSÃO 1​3

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 13
3

1. OBJETIVOS

O objetivo deste experimento é determinar, por meio da medição da temperatura ao


longo de barras cilíndricas aquecidas em uma extremidade, variando tanto seu diâmetro,
quanto o material (alumínio e aço inox 304), o coeficiente médio de transferência de calor por
convecção, graficamente o coeficiente das aletas, como também a eficiência do mesmo e por
fim o calor trocado com o ambiente por tais barras.

2. MATERIAIS E MÉTODOS

Os materiais utilizados no experimento foram:


● 3 barras cilíndricas com diâmetros e materiais diferentes (alumínio e aço inox 304);
● Termopar;
● Paquímetro;
● Trena.

As barras cilíndricas, de mesmo comprimento, possuíam uma das extremidades (base)


em contato com um equipamento com temperatura superior à do ambiente, o qual forneceu
calor às aletas até se atingir o regime permanente, como pode ser observado na Figura 1:

Figura 1 – Disposição das barras cilíndricas

Ao atingir o regime permanente, a temperatura ao longo da aleta se estabilizou. Com isso,


o termopar foi utilizado para medir a temperatura, sendo esse alocado nos furos existentes ao
longo dos cilindros. Foram anotados os valores da distância do termopar à base da aleta com
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uma trena e da temperatura nos pontos. O processo foi repetido para os três cilindros, sendo
feitas duas escalas de medições e, por fim, mediu-se o diâmetro de cada um deles.
Por conveniência, adotou-se a temperatura ambiente como a temperatura medida no
ponto mais distante da aleta com relação à base, visto que poderiam haver erros na medição
da temperatura do ambiente com o termopar. Do mesmo modo, a temperatura na base foi
adotada como a temperatura no furo mais próximo à máquina responsável pelo aquecimento
dos cilindros.
Utilizou-se o paquímetro para medição dos diâmetros de cada uma das aletas e, a partir
desse valor, calculou-se os dados de área transversal (A) e perímetro (p). Além disso, os
dados de coeficiente de transferência de calor por condução do aço inox 304 e do alumínio
foram obtidos em [1] respectivamente.
​ xcel® para tratamento do mesmo.
Após a aquisição dos dados foi-se utilizado o ​software E

3. RESULTADOS

A partir dos dados obtidos experimentalmente, tem-se as seguintes informações:

Tabela 1 - Primeira escala de medições de temperatura para cada aleta.

Tamb [ºC] 27
Alumínio Inox 304 Inox 304
Barras
Ø 0,0122 [m] Ø 0,0122 [m] Ø 0,0254 [m]
Posição [m] T [ºC] T [ºC] T [ºC]
0,00 67 60 77
0,03 60 47 64
0,09 53 37 49
0,16 45 31 38
0,23 38 29 33
0,31 34 28 30
0,46 31 28 28
0,61 30 27 28
0,76 29 27 28
0,91 28 27 28
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Tabela 2 - Segunda escala de medições de temperatura para cada aleta.

Tamb [ºC] 27
Alumínio Inox 304 Inox 304
Barras
Ø 0,0122 [m] Ø 0,0122 [m] Ø 0,0254 [m]
Posição [m] T[ºC] T[ºC] T[ºC]
0,00 66 58 78
0,03 61 48 64
0,09 53 38 49
0,16 45 32 39
0,23 39 29 33
0,31 36 28 30
0,46 33 28 28
0,61 30 28 28
0,76 29 28 28
0,91 29 28 28

Tabela 3 - Média da primeira e segunda escala de medições de temperatura para cada aleta.

Tamb [ºC] 27
Alumínio Inox 304 Inox 304
Barras
Ø 0,0122 [m] Ø 0,0122 [m] Ø 0,0254 [m]
Posição [m] T [ºC] T [ºC] T [ºC]
0 66,5 59 77,5
0,03 60,5 47,5 64
0,09 53 37,5 49
0,16 45 31,5 38,5
0,23 38,5 29 33
0,31 35 28 30
0,46 32 28 28
0,61 30 27,5 28
0,76 29 27,5 28
0,91 28,5 27,5 28

Para iniciar-se o equacionamento das aletas do experimento realizado, foi necessário


tomar algumas hipóteses para simplificar o problema, são elas:
● Seção transversal circular uniforme;
● Temperatura ambiente constante;
● Regime estacionário;
● Condução unidirecional na direção axial das aletas;
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● Temperatura uniforme na seção transversal (não há calor trocado na direção radial);


● Coeficientes de condução (k) e convecção (h) constantes ao longo da aleta;
● Aleta infinita (L→∞).

Com isso, segundo [1] a solução geral para o equacionamento das aletas de seção uniforme é:
d²T hp
dx²
= k.A
(T-T∞) = 0​ ​(1)
Em que:
● h é o coeficiente de transferência de calor por convecção [W/m².K];
● p é o perímetro [m];
● k é o coeficiente de transferência de calor por condução [W/m.k]
● A é a área transversal [m²];
● T é a temperatura da aleta na superfície x [ºC];
● x é a posição em relação a base da aleta [m];
● T∞ é a temperatura ambiente [ºC].

Por tanto, para a resolução da equação diferencial (1), temos que adotar transformações de
variáveis, sendo elas:
● θ = T-T∞
dθ dT

dx
= dx
d²θ d²T

dx²
= dx²
hp
● m² = k.A ​(2)
Substituindo as transformações de variáveis, se tem a seguinte equação:
d²θ
- m²θ = 0 (3)
dx²
Aplicando as condições de contorno para x = 0 (base da aleta):
● T = Tb
● θ = Tb-T∞ = θb
E para x →∞ (Aleta infinita)
● T = T∞
● θ = T-T∞ = 0
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Obtemos os seguintes resultados:


−mx θ
● θ = θb e → ln ( θb
) = -mx → ln ( TTb−T
−T ∞

) = -mx (4)
● q inf = √hpkA . (Tb -T∞) (5)

Em que (5) é a taxa de transferência de calor a partir de uma aleta infinita e (4) nos fornece
uma relação dos dados de temperatura com relação às posições (x). Como mostra a tabela a
seguir:
Tabela 4 - Valores do Log de T para os valores obtidos da Tabela 3

Tamb [ºC] 27
Alumínio Inox 304 Inox 304
Barras
Ø 0,0122 [m] Ø 0,0122 [m] Ø 0,0254 [m]
Posição [m] Log de T Log de T Log de T
0 0 0 0
0,03 -0,1647552331 -0,4453110167 -0,3110554236
0,09 -0,4182041339 -1,114360646 -0,8309308829
0,16 -0,785928914 -1,961658506 -1,479626301
0,23 -1,233953637 -2,772588722 -2,130213867
0,31 -1,59685913 -3,465735903 -2,823361048
0,46 -2,066862759 - -3,921973336
0,61 - - -
0,76 - - -
0,91 - - -

Utilizando os resultados da tabela acima, é possível traçar uma curva de distribuição de


temperatura ao longo de cada posição para as três aletas estudadas.
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Gráfico 1 - Curva de distribuição de Temperatura x Posição - Alumínio Ø 0,0122 [m]

Gráfico 2 - Curva de distribuição de Temperatura x Posição - Inox 304 Ø 0,0122 [m]


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Gráfico 3 - Curva de distribuição de Temperatura x Posição - Inox 304 Ø 0,0254 [m]

Gráfico 4 - Curva de distribuição de Temperatura x Posição das três aletas para comparação

A partir disso, foi feita uma aproximação linear através dos pontos experimentais,
determinando a equação da reta resultante. Sendo assim, o valor de “m” corresponde ao valor
que multiplica “x” da equação obtida. Vale ressaltar que foi necessário descartar alguns
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pontos em que a temperatura foi a mesma ou próxima da temperatura ambiente adotada, como
também em conta da tolerância do equipamento utilizado sendo ​± 1ºC, logo correspondente às
últimas posições de medição da aleta.

Com a obtenção do valor experimental de “m”, viabilizou-se o cálculo do coeficiente de


transferência de calor por convecção (h) de cada aleta, através da relação (2) segundo [1], que,
por sua vez, permitiu o cálculo da taxa de calor trocado pela aleta com o ambiente, através da
equação (5) que serão mostrados e discutidos no próximo item. Após a obtenção de todos os
dados citados, tem-se o cálculo da eficiência da aleta, que segundo [1] é dado por:

qa
ɳ= qmax (6)

● ɳ eficiência da aleta;
● q a é taxa de calor real da aleta;
● q max é taxa de calor se ela estiver a temperatura da base;

Para aleta infinita utilizado no experimento como hipótese, temos como equação para a
eficiência o seguinte resultado:
qinf
ɳinf = hpLθb
(7)

Em que:
● L é o comprimento da aleta utilizado na distribuição das curvas de
temperatura;
● q inf é a taxa de transferência de calor da aleta infinita (5);

● ɳinf é a eficiência para aleta infinita;

Por fim, foi feita uma análise comparativa entre as aletas levando em consideração a
interferência do diâmetro e do material dos componentes nos resultados obtidos. Ainda,
verificou-se se as hipóteses adotadas no problema foram adequadas.
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4. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

A partir dos dados obtidos anteriormente, tem-se:

Tabela 5 - Parâmetros obtidos para as três aletas

Parâmetros Aleta 1 Aleta 2 Aleta 3


Material Alumínio Inox 304 Inox 304
Diâmetro Ø [m] 0,0122 0,0122 0,0254
Área transversal [m²] 0,00012 0,00012 0,00051
Perímetro [m] 0,0383 0,0383 0,0798
Coeficiente de Condução K
237 14,9 14,9
[W/(m.K)]

Em que:
Área transversal = ( D2 )²𝜋 [m²] (8)
Perímetro = 𝜋D [m] (9)

Mediante as curvas representadas no Gráfico 1, Gráfico 2 e Gráfico 3 tem-se uma


aproximação linear (linha azul pontilhada) para cada aleta satisfatória, ou seja, o indicador R
da equação mostrada na legenda está próximo do valor 1.
Portanto, em conjunto com a equação representada na legenda e os dados da Tabela 5, foi
possível obter os valores de “m”, sendo o negativo do coeficiente angular de cada uma das
equações achadas graficamente. Após achado os coeficientes das aletas, tem-se o coeficiente
de convecção por relação (2), taxa de calor trocada com o ambiente (5) e por fim suas
eficiências (7) para cada aleta.

Tabela 6 - Resultados obtidos para cada aleta


Resultados Aleta 1 Aleta 2 Aleta 3
Coeficiente Aleta [m⁻¹] 4,688 11,303 8,647
Coeficiente h convecção
15,89 5,81 7,08
[W/(m².K)]
Taxa de Calor q [W] 5,130 0,630 3,297
Eficiência da Aleta ɳ [%] 46,57 28,72 25,25
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Observando-se os resultados da Tabela 6, a aleta de alumínio (Aleta 1) se comportou


melhor diante ao experimento, pois de acordo com os cálculos realizados e parâmetros é a que
apresenta o maior coeficiente de convecção (h), como também a maior taxa de calor (q)
acompanhado de uma diferença bem superior nos coeficientes de condução (k) comparado
com o outro material utilizado no experimento (Tabela 5). Com isso, o material é o melhor em
quesito desempenho de taxa de calor trocado com o ambiente, objetivo principal das aletas.
Comparando isoladamente as Aletas 1 (Alumínio) e 2 (Inox 304) de mesmo diâmetro, vemos
a superioridade da taxa de calor presente no material de alumínio, como dito antes. Em
relação a geometria, analisando as aletas de mesmo material (Inox 304) com diâmetros
distintos, sendo Aleta 2 a de diâmetro menor e Aleta 3 de diâmetro maior, observa-se que a de
diâmetro maior tem o melhor quesito em taxa de calor trocado com o ambiente por conta da
área de contato da aleta com o exterior, ou seja, a taxa de calor é trocada proporcionalmente à
área de contato. Como as aletas possuem o mesmo comprimento, logo, tem-se que quanto
maior o diâmetro da aleta, maior o perímetro, consequentemente trocará mais calor, de fato,
como mostra os dados da tabela 6.
Como dito anteriormente, a temperatura ambiente constante foi tomada como hipótese
para o uso da resolução sem complicações da equação diferencial (1), pode-se dizer também
que foi devido a incertezas do equipamento utilizado e ambiente que se encontrava. Outra
hipótese adotada foi sobre a perda de calor por radiação térmica como sendo desprezível,
visto que esta só passa a ser significativa a altas temperaturas (> 500°C), sendo que as aletas
apresentaram, mesmo nos pontos de maior temperatura (base), valores sempre abaixo de
80°C. Por fim, a aleta de alumínio sendo escolhida como a que possui melhor desempenho
(como previsto) de acordo com os resultados obtidos (Tabela 6), confirma-se que as hipóteses
tomadas foram corretas para a resolução do experimento, com uma eficiência da aleta de
46,57%.
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5. CONCLUSÃO

Podemos concluir que a aleta de alumínio apresentou melhor desempenho, ou seja, foi a
que possuiu maior taxa de troca de calor, objetivo principal das aletas. Ainda, foi possível
constatar a interferência da geometria da peça, devido à variação da área de contato com o
ambiente – quanto maior a área de contato, maior será a quantidade de calor trocado.
A modelagem escolhida (aletas infinitas) para o problema se mostrou adequada uma vez
que as hipóteses adotadas foram constatadas durante a realização do experimento. No caso, a
temperatura da aleta foi estabilizada antes dos últimos pontos de medição, tornando a caso de
aletas infinitas válido.
Vale frisar que a modelagem de aletas pode variar dependo da situação e das condições
de contorno, sendo necessária realizar uma análise para identificar o modelo que melhor
representará o comportamento do componente. Por fim, a escolha da aleta também leva em
conta parâmetros de custo, massa e dimensão, sendo necessário verificar a aleta mais
adequada para a aplicação em questão.

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

[1] INCROPERA, Frank P.; DEWITT, David P. ​Fundamentos de Transferência de


Calor e Massa.​ 6ª ed. Rio de Janeiro: LTC, 2008

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