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MEMORIAL DESCRITIVO

PROJETO: Segurança contra explosão em área classificada


CLIENTE:
ENDEREÇO:

O presente memorial tem por finalidade estabelecer as


características dos materiais e equipamentos e orientar a elaboração da execução
da obra, bem como completar as demais peças que compõem os projetos de
Segurança contra explosão e classificação da área da nova planta de produção de
álcool gel, na qual uma atmosfera explosiva está presente, ou pode estar
presente, em quantidade tal que requeira precauções especiais para a
construção, instalação e utilização de equipamentos elétricos, conforme norma
ABNT NBR IEC 60079-10-1:2009, com a finalidade da divisão de níveis de risco
pelo conceito de zonas (Zona 0, Zona 1 e Zona 2). Visa também a indicação dos
tipos de proteção específica aplicadas aos equipamentos elétricos de forma a
adequá-los ao uso em atmosfera explosiva, conforme a norma ABNT NBR IEC
60079-0 de 2013 e NBR 5418 Instalações elétricas em atmosferas explosivas.

1 GENERALIDADES

1.1 Princípios de segurança

Instalações onde os materiais inflamáveis são processados ou armazenados


necessitam ser projetadas, operadas e mantidas de modo que qualquer liberação de
material inflamável e, consequentemente, a extensão da área classificada seja
mantida como sendo a menor possível, seja em operação normal ou, de outra forma,
com relação à freqüência, duração e quantidade.

É importante examinar as partes de equipamentos e sistemas de processo, os quais


possam liberar materiais inflamáveis, e considerar modificações no projeto para
minimizar a probabilidade e frequência de liberação, a quantidade e a taxa de
liberação de material.

Estas considerações fundamentais necessitam serem verificadas nas etapas iniciais


do projeto de qualquer planta de processo e necessitam que recebam também
atenção especial ao realizar o estudo de classificação de áreas.

Os seguintes passos necessitam ser seguidos em uma situação em que possa haver
uma atmosfera explosiva de gás:

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a) eliminar a probabilidade de ocorrência de uma atmosfera explosiva de gás ao redor
da fonte de ignição, ou

b) eliminar a fonte de ignição.

Se estas medidas não forem possíveis de serem executadas, medidas de proteção,


equipamentos de processo, sistemas e procedimentos necessitam ser selecionados e
preparados de modo que a probabilidade de ocorrência simultânea dos eventos a) e b)
acima seja suficientemente baixa para ser aceitável. Tais medidas podem ser
utilizadas independentemente, se estas forem reconhecidas como sendo altamente
confiáveis, ou em combinação, para atingir um nível equivalente de segurança.

1.2 Objetivos da classificação de áreas

A classificação de áreas é um método de análise e classificação do ambiente onde


uma atmosfera explosiva de gás possa ocorrer, de modo a facilitar a adequada
seleção e instalação de equipamentos a serem utilizados com segurança em tais
ambientes. A classificação também leva em consideração as características de ignição
dos gases ou vapores, tais como energia de ignição (grupo do gás) e a temperatura de
ignição (classe de temperatura).

Quando necessário, recomenda-se que o projeto, a operação e a localização dos


equipamentos de processo assegurem que, mesmo quando estes estejam operando
de forma anormal, a quantidade de material inflamável liberado para a atmosfera seja
minimizada, de forma a reduzir a extensão da área classificada.

Uma vez que a planta tenha sido classificada e que todos os registros necessários
tenham sido efetuados, é importante que nenhuma modificação nos equipamentos ou
nos procedimentos de operação seja feita sem discussão prévia com os responsáveis
pela classificação da área. Ações não autorizadas podem invalidar a classificação de
áreas. É necessário assegurar que todos os equipamentos que afetam a classificação
de área e que tenham sido submetidos a procedimentos de manutenção sejam
cuidadosamente inspecionados durante e após a sua montagem, de forma a
assegurar que a integridade original de projeto, relativa à segurança, esteja mantida,
antes que os equipamentos retornem à operação.

2 INFORMAÇÕES TÉCNICAS SOBRE O ÁLCOOL GEL


2.1. Álcool etílico gel como produto saneante destinado a uso domiciliar:
a) Como saneante para limpeza geral – o produto é considerado de Risco I e é
obrigatória a sua notificação na ANVISA. A sua finalidade é para limpeza geral em
superfícies fixas e inanimadas, como piso, paredes, bancadas e similares.

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b) Como saneante desinfetante – é considerado produto de Risco II sendo
obrigatório o seu registro na ANVISA com comprovação da ação bactericida.
A concentração mínima desta apresentação deve ser de 70% p/p. Destina-se a
limpeza de superfícies fixas e inanimadas, como piso, paredes, bancadas e
similares. Este produto não é indicado para a higienização e desinfecção das mãos.
2.2 Álcool etílico gel como produto cosmético:
a) São considerados produtos de Grau II sendo registrados como antissépticos, com
finalidade de higienização das mãos, sem proposta de substituir o uso do sabonete
e nem a lavagem adequada das mãos. Não podem conter nenhuma indicação
terapêutica e nem atribuições como “bactericida”, “sanitizante” ou ser indicado para
“desinfecção das mãos”. Tais termos não são permitidos para produtos cosméticos.
O produto álcool etílico gel registrado na Gerência Geral de Cosméticos não
necessita informar/constar na rotulagem o percentual de álcool contido na
formulação. Os produtos podem ser identificados no mercado pelo seu número de
registro na ANVISA, que se inicia pelo numero 2.
2.3 Álcool etílico gel como medicamento (antisséptico degermante):
a) São considerados medicamentos farmacopeicos e devem ser notificados na
ANVISA, como antisséptico de mãos, ter a concentração 70% v/v com as seguintes
indicações na embalagem: uso externo; aplicar diretamente no local afetado,
previamente limpo, com auxílio, se desejar, de algodão ou gaze. Estes produtos são
indicados para a higienização e desinfecção das mãos e devem estar sempre na sua
embalagem original. São identificados no mercado pelo seu número de registro na
ANVISA, que se inicia pelo número 1.
2.4 Composição química do Álcool em Gel
Na formulação do Álcool em Gel são utilizados os seguintes componentes:
Substâncias nocivas Número CAS %
ÁLCOOL ETÍLICO 96º GL 64-17-5 70 - 90
ÁCIDO POLIACRÍLICO 9003-01-4 0,1 – 1,02.5
Natureza química do produto: Composto Orgânico

2.5 Classificação de perigo do produto químico


Líquidos Inflamáveis – Categoria 2
Lesões oculares graves/irritação ocular – Categoria 2B
Mutagenicidade em células germinativas – Categoria
Toxicidade sistêmica para certos órgãos-alvo espec. - Categoria 1

2.6 Medidas de combate a incêndio

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Meios de Extinção Produto Inflamável. Água em jato
neblina, pó químico seco, dióxido de
carbono ou espuma para álcool.
Meios de Extinção Inadequados Água pressurizada.
Procedimentos Combate ao Fogo Resfriar com neblina d’água, os recipientes
que estiverem expostos ao fogo.
Perigos específicos referentes às Remover os recipientes da área de
medidas fogo, se isso puder ser feito sem risco.
Os vapores podem deslocar-se até
uma fonte de ignição e provocar
retrocesso de chamas. Os recipientes
podem explodir com o calor do fogo. Há
riscos de explosão do vapor em
ambientes fechados ou rede de
esgotos.
Medidas de proteção da equipe de Utilizar vestimenta de segurança
combate a incêndio completa confeccionada em aramida
com isolamento térmico interno e anti-
chamas bem como proteção visual e
respiratória, luvas, botas e capacete
especiais para brigadistas.

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3 INFORMAÇÕES TÉCNICAS SOBRE O ÁLCOOL ETÍLICO
3.1 Composição e informações sobre os ingredientes
Substância: Álcool etílico extraído por fermentação da cana-de-açúcar, que no
processo de destilação fica com 96% de etanol e 4% de água.

Nome químico comum ou nome técnico: Etanol


Sinônimo: Álcool, Álcool Etílico, Etanol, Álcool Etílico Hidratado 92,8 °INPM, Álcool
Hidratado Industrial, Hidróxi-Etano.
Número de registro CAS: 64-17-5
3.2 Classificação da substância ou mistura
Líquido inflamável produto classificado de acordo com a diretiva 67/548/eec e com a
NR-20 da Portaria nº 3.214 de 08/06/78

3.3 Frases de precaução


3.3.1 Prevenção:
P210 Manter distante do calor/ de faíscas/ de chamas diretas/ de superfícies
quentes. - Não fumar.
P233 Mantenha o recipiente bem fechado.
P240 Ligar o contêiner e o equipamento receptor ao terra.
P241 Usar equipamento elétrico/ ventilação/ iluminação à prova de explosão.
P242 Usar apenas instrumentos que não produzam faíscas.
P243 Tomar medidas preventivas contra descargas eletrostáticas.
P261 Evitar respirar poeira/ fumaça/ gás/ névoa/ vapor/ borrifo.
P264 Lavar a pele cuidadosamente após o manuseio.
P271 Usar somente em áreas abertas ou bem ventiladas.
P280 Usar luvas de proteção/ roupa de proteção/ proteção para os olhos/ proteção
para o rosto

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3.3.2 Emergência:
P370 + P378 Em caso de incêndio: Use areia seca, produtos químicos secos ou
espumas resistentes ao álcool para extinção.
3.3.3 Armazenamento:
P403 + P233 Armazenar em local bem ventilado. Conservar o recipiente bem
fechado.
P403 + P235 Armazenar em local bem ventilado. Conservar em ambiente fresco.
3.4 Manuseio e armazenamento
Providenciar ventilação exaustora onde os processos assim o exigirem.
Elimine fontes quentes e de ignição.
Todos os equipamentos elétricos usados devem ser blindados e a prova de
explosão.
As instalações e equipamentos devem ser aterrados para evitar a eletricidade
estática. Não usar instrumentos que produzam faíscas. Não fumar.
O local de armazenamento deve ter piso impermeável, isento de materiais
combustíveis e com bacia de contenção para reter o produto em caso de
vazamento. Especificações de engenharia devem atender regulamentações locais.
As instalações elétricas e o material de trabalho devem obedecer às normas
tecnológicas de segurança.
- Condições adequadas: Mantenha o produto em local fresco, seco e bem ventilado,
distante de fontes de calor e ignição. Mantenha os recipientes bem fechados e
devidamente identificados.
- Condições que devem ser evitadas: Exposição das embalagens contendo o
produto sob o sol, chuva, temperaturas elevadas, fontes de ignição e contato com
materiais incompatíveis.
3.5 Medidas de combate a incêndio
- Meios de extinção apropriados: Espuma para álcool, pó químico seco, dióxido de
carbono (CO2) e névoa de água.
- Meios de extinção não recomendados: Jatos d’água de grande vazão.
Perigos específicos da substância ou mistura:
Líquido altamente inflamável.

O aquecimento aumenta a pressão interior do recipiente, risco de explosão.


Os vapores podem formar misturas explosivas com o ar.

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Medidas de proteção da equipe de combate a incêndio: Utilizar aparelhos de
proteção respiratória independente do ar e roupas de aproximação/proteção a
temperaturas elevadas.
Utilizar os meios adequados para combater os incêndios nas proximidades. Resfriar
os recipientes / tanques, pulverizando-os com água.

4. CLASSIFICAÇÃO DA ÁREA DE FABRICAÇÃO


O presente memorial descritivo apresenta orientações sobre o procedimento para a
classificação de áreas nas quais pode haver ocorrência de uma atmosfera explosiva
de gases inflamáveis, especificamente a nova planta de produção de álcool gel da
indústria Girassol Química, a partir das informações iniciais fornecidas pelo
proprietário com o fornecimento de croqui com a previsão da plataforma a ser
instalada no local.
Nas prancha PSE-01/03, PSE-02/03 e PSE-03/03, apresentamos a classificação da
área considerando hipóteses de situações em que os processos de fabricação podem
ser arranjados, levando a configurações de áreas de risco diferentes para cada caso.
Condição Atual - PSE-01/03
Tanque fixo em aço inox, situado em ambiente interno, capacidade para 2.000 litros,
com tampa superior fechada para mistura de processo, sendo aberta regularmente
por razões operacionais. A tampa superior é retirada para a introdução dos
componentes da formulação do álcool gel, sendo o recipiente de Álcool Etílico 96º
suspenso por meio de empilhadeira e derramado diretamente no tanque com a ajuda
de colaborador designado para a função.
Principais fatores que influenciam o tipo e a extensão das zonas

Planta e processo
a) Ventilação
Tipo................................... Nenhuma
Grau.................................. Baixo no interior do vaso; Médio no exterior do vaso
Disponibilidade. ................ pobre

(Conforme definição da norma ABNT NBR IEC 60079-10-1:2009:


Ventilação de grau médio (VM) – pode controlar a concentração, resultando em uma
situação estável de extensão da zona, enquanto estiver ocorrendo a liberação e onde
a atmosfera explosiva de gás não persiste desnecessariamente após ter cessado o
vazamento. A extensão e o tipo da zona são limitados pelos parâmetros do projeto.
Ventilação de grau baixo (VB) – não pode controlar a concentração enquanto ocorre o
vazamento e/ou não pode evitar a permanência indevida de uma atmosfera explosiva
de gás, após ter cessado o vazamento. Disponibilidade pobre é a ventilação que não

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atende ao padrão de ventilação boa ou satisfatória, mas não se espera que
descontinuidades ocorram por longos períodos).

b) Fonte de risco Grau de risco


Superfície do líquido no interior do tanque.................. Contínuo (liberação que é
contínua ou é esperada ocorrer frequentemente ou por longos períodos)
Abertura do tanque ......................................................... Primário (liberação que pode
ser esperada ocorrer periodicamente ou ocasionalmente durante operação normal)
Derrame ou vazamento de líquido próximo ao tanque .......Secundário (liberação que
não é esperada para ocorrer em operação normal e, se ocorrer, é somente de forma
pouco frequente e por curtos períodos)
Produto
a) Ponto de fulgor………………….... Abaixo das temperaturas de processo e
ambiente
b) Densidade de vapor……….……..... Mais pesado que o ar

Ventilação Geral Diluidora - PSE-02/03


Principais fatores que influenciam o tipo e a extensão das zonas
Planta e processo
a) Ventilação
Tipo................................... Ventilação artificial geral
Grau.................................. Baixo no interior do tanque; Médio no exterior do vaso
Disponibilidade. ................ satisfatória (espera-se que ventilação esteja presente sob
condições normais de operação)

Comentários:

A abertura do tanque para introdução dos componentes da formulação do álcool gel,


com o recipiente de Álcool Etílico 96º suspenso por meio de empilhadeira e
derramado diretamente no tanque com a ajuda de colaborador designado para a
função, resulta na dispersão do vapor de Álcool Etílico 96º no ambiente interno da
planta de produção, possibilitando o risco de formação de atmosfera explosiva pela
mistura do produto com o oxigênio do ar (zona 1 estimada na prancha PSE-02/03).
A ventilação artificial pode proporcionar um efetivo e confiável sistema de ventilação
em ambientes internos. Entretanto, um sistema de ventilação artificial que é projetado
para a proteção contra explosão necessita que sua efetividade seja controlada e

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monitorada. Deve-se levar em consideração a classificação de áreas no interior do
sistema de exaustão, imediatamente no lado externo do seu ponto de descarga e
outras aberturas deste sistema de exaustão. Além disso, para ventilação de uma área
classificada, o ar necessita ser normalmente captado de uma área não classificada,
levando-se em consideração os efeitos de sucção nas áreas adjacentes.
Adicionalmente, os seguintes fatores influenciarão na qualidade de um sistema de
ventilação artificial: os gases e vapores inflamáveis geralmente possuem densidades
diferentes da densidade do ar, desta forma estes tendem a se acumular próximo ao
teto ou piso em uma área fechada, onde o movimento do ar é geralmente reduzido;
mudanças na densidade do gás com a temperatura; barreiras e obstáculos podem
causar a redução ou até mesmo impedir movimento do ar, isto é, podem causar a não
ventilação em certas partes da área; turbulência e padrões de circulação de ar.

Conclusão

Numa sala de 5,56 m x 5,40 m o volume da mistura de vapor explosivo


correspondente a zona 1 pode se estender por uma área considerável e com tempo
de persistência significativo. Em determinadas circunstâncias, o grau de ventilação
pode até ser considerado como sendo baixo em relação à fonte de risco e à área sob
consideração, dependendo da disponibilidade de ventilação. Isto é inaceitável.
Medidas necessitariam ser adotadas para reduzir a taxa de dispersão ou melhorar o
sistema de ventilação, talvez com exaustão ao redor do tanque no momento da
introdução do Álcool Etílico 96º.

Exaustão Geral - PSE-03/03

Principais fatores que influenciam o tipo e a extensão das zonas


Planta e processo
a) Exaustão
Tipo................................... Exaustão artificial geral
Grau.................................. Baixo no interior do tanque; Médio no exterior do vaso
Disponibilidade. ................ satisfatória (espera-se que ventilação esteja presente sob
condições normais de operação)

Comentários:

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A automação do processo para introdução dos componentes da formulação do álcool
gel, com o Álcool Etílico 96º sendo bombeado remotamente por canalização
diretamente no tanque, sem a necessidade de abertura da tampa, resulta na
eliminação do risco de dispersão do vapor de Álcool Etílico 96º no ambiente interno
da planta de produção, eliminando o risco de formação de atmosfera explosiva pela
mistura do produto com o oxigênio do ar (zona 2 estimada na prancha PSE-02/03).
A exaustão artificial pode proporcionar um efetivo e confiável sistema de ventilação
em ambientes internos, eliminando eventuais emissões acidentais ou resultantes de
pequenas quantidades inerentes ao próprio processo.

Conclusão

Numa sala de 5,56 m x 5,40 m o volume da mistura de vapor explosivo do Álcool


Etílico 96º, correspondente a zona 1 não mais estará presente. Dessa forma, todo o
ambiente da planta de produção de álcool gel passará a ser classificada como zona 2
contendo uma mistura considerada não explosiva.

5 CONDIÇÕES GERAIS PARA INSTALAÇÕES ELÉTRICAS EM ÁREAS CLASSIFICADAS


5.1 Generalidades
5.1.1 Adicionalmente às recomendações da NBR 5410, as instalações elétricas em
atmosferas explosivas devem atender aos requisitos desta Norma. Para a seleção
dos equipamentos elétricos, as seguintes informações são necessárias:
a) classificação de áreas do local onde será feita a instalação, conforme a IEC 79-10;
b) temperatura de ignição do gás ou vapor envolvido;
c) classificação do gás ou vapor, em relação ao grupo do equipamento elétrico, se o
tipo de proteção for invólucro à prova de explosão ou segurança intrínseca;
d) influências externas, incluindo a temperatura ambiente.
5.1.2 Os equipamentos elétricos e suas interligações devem ser protegidos contra
influências externas de origem química, mecânica ou térmica, a que possam estar
sujeitos. Esta proteção deve garantir que o tipo de proteção seja mantido quando os
equipamentos elétricos e suas interligações forem utilizados sob as influências
externas especificadas.
5.1.3 Os equipamentos elétricos devem ser selecionados de tal modo, que sua
temperatura máxima de superfície não exceda a temperatura de ignição do gás ou
vapor que possa estar presente na atmosfera onde estes serão instalados.

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5.1.4 Os equipamentos elétricos para aplicação em Zonas 0 ou 1 devem ter
certificado de conformidade, como definido na Portaria INMETRO Nº 164/91. Na Zona
2, somente devem ter certificado de conformidade os equipamentos elétricos que
atenderem aos tipos de proteção definidos na NBR 9518.
5.1.5 Todos os equipamentos elétricos certificados por laboratório credenciado devem
ser marcados conforme a NBR 9518.
5.1.6 Os equipamentos elétricos, a menos que indicado de modo diferente, devem ser
usados dentro de uma faixa de temperatura ambiente de -20°C a +40°C.

5.2 Proteção contra centelhamento


5.2.1 Centelhamento devido a partes vivas
A fim de se evitar centelhamento capaz de inflamar uma atmosfera explosiva, devem
ser prevenidos quaisquer contatos com partes vivas, exceto no caso de circuitos de
segurança intrínseca (extra baixa tensão).

5.2.2 Centelhamento devido a partes condutoras estranhas


Sucintamente, os princípios básicos, dos quais a segurança depende, são:
a) limitação das correntes de falta ao terra (intensidade e/ou duração) em estruturas
ou invólucros;
b) prevenção de potenciais elevados em condutores eqüipotenciais.
5.2.2.1 Se for utilizado um sistema de potência com neutro aterrado, deve-se dar
preferência ao sistema TN-S, com o condutor neutro (N) separado do condutor de
proteção (PE). Em áreas classificadas, os condutores neutro e de proteção não
podem ser conectados, nem combinados em um único condutor. Sistemas de
potência do tipo TN-C, que utilizam um único condutor com função de neutro e
proteção, não são permitidos em áreas classificadas.
5.2.2.2 Se um sistema de potência do tipo TT, com aterramento separado para o
sistema de potência e com as partes condutoras expostas, for utilizado em Zona 1,
ele deve ser protegido por um dispositivo de proteção à corrente diferencial residual,
mesmo que o circuito tenha tensões inferiores a 50 V. O sistema de potência do tipo
TT não é permitido em Zona 0.
5.2.2.3 No caso de ser utilizado um sistema de potência do tipo IT, com neutro
isolado do terra ou aterrado através de uma impedância, deve ser utilizado um
dispositivo supervisor de isolamento, para indicar a primeira falta ao terra. Uma
instalação em Zona 0 deve ser desligada instantaneamente, no caso de uma primeira
falta ao terra, ou pelo dispositivo de supervisão da isolação ou então pelo dispositivo
de proteção às correntes residuais.
5.2.2.4 Quando for utilizado cabo armado e a armação servir como condutor de
proteção, sua seção deve estar de acordo com a NBR 5410.

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5.2.3 Equalização de potencial
5.2.3.1 A equalização de potencial é sempre necessária para instalações elétricas em
áreas classificadas. Seu objetivo é evitar o centelhamento perigoso entre as partes
metálicas de estruturas. Todas as partes condutoras expostas e estranhas devem ser
conectadas ao sistema de ligação equipotencial. Este sistema pode incluir condutores
de proteção, eletrodutos, proteções metálicas de cabos, armação metálica e partes
metálicas de estruturas, mas não deve incluir condutores de neutro.
5.2.3.2 Se os invólucros e carcaças estiverem firmemente fixados e em contato
metálico com partes estruturais ou tubulações que estejam ligadas ao sistema de
ligação equipotencial, não é necessária uma nova ligação independente a este
sistema. Esta condição deve ser especificada em projeto.

5.2.4 Eletricidade estática


Em superfícies não condutoras, sujeitas ao carregamento eletrostático por atrito, há
risco de ignição por eletricidade estática. Deve ser feita a equalização de potencial
entre o tanque onde será produzido o álcool gel e o tanque que contém o álcool etílico
96º durante o período de descarga de produto para a formulação do produto.
5.3 Condições específicas para instalações elétricas em Zona 0
5.3.1 Equipamentos elétricos para Zona 0
5.3.2.1.1 Somente os seguintes equipamentos elétricos, instalados e marcados
conforme os requisitos especificados nos seus certificados, podem ser usados:
a) equipamentos intrinsecamente seguros de categoria ia (conforme a NBR 8447);
b) outros equipamentos elétricos, projetados especificamente para utilização em Zona 0.
5.3.2.1.2 Mesmo os componentes que não geram ou armazenam mais do que 1,2 V,
0,1 A, 20µ ou 25 mW devem atender aos requisitos da categoria ia.
5.2.1.3 Sistemas intrinsecamente seguros constituídos por dois ou mais equipamentos
devem satisfazer como um todo os requisitos da categoria ia.
5.3.2 Fiação em Zona 0
5.3.2.1 Os requisitos mínimos para a instalação de circuitos intrinsecamente seguros
em Zona 0 são os mesmos adotados para Zona 1, acrescidos do seguinte:
a) cabos multipolares só podem utilizar condutores diferentes, interligando diferentes
circuitos intrinsecamente seguros, se a combinação das falhas entre os diferentes
circuitos não gerar nenhuma condição insegura;
b) quando por um determinado cabo multipolar passarem vários circuitos
intrinsecamente seguros, que são distribuídos pelas Zonas 0, 1 e 2, deve ser utilizada
uma barreira adicional para o circuito que será instalado em Zona 0.
5.3.2.2 Para instalações que não sejam intrinsecamente seguras os seguintes
requisitos se aplicam:

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a) os cabos devem ser usados com proteção adicional (mecânica, elétrica ou
ambiental), de acordo com as condições de uso;
b) devem ser levados em conta os efeitos de descargas atmosféricas e diferenças de
potencial de terra;
c) Devem ser usados eletrodutos metálicos rígidos roscados. Se forem de aço-
carbono, devem ser conforme a NBR 5597 ou a NBR 5598.

d) Deve ser aplicada uma unidade seladora em todos os eletrodutos que chegam a
invólucros à prova de explosão, contendo chaves, disjuntores, relés, fusíveis,
resistores ou outros equipamentos que possam produzir arcos, centelhas ou altas
temperaturas. Entre a unidade seladora e o invólucro, podem ser instalados
acessórios tipo união, luva e joelho, adequados ao invólucro à prova de explosão, e
conduletes à prova de explosão dos tipos L, T, X e C. Os conduletes não podem ter
tamanho nominal maior do que o tamanho nominal do eletroduto.
e) No caso de invólucros contendo apenas terminais, emendas e derivações, somente
é necessária a aplicação de unidades seladoras em eletrodutos de tamanho nominal
maior ou igual a 60 mm (2 polegadas).
f) É necessária a aplicação de unidade seladora em cada eletroduto que passe de
uma área classificada, como Zona 0 ou 1, para uma outra área não classificada. A
unidade seladora pode ser aplicada em qualquer um dos lados da fronteira que limita
as áreas. Não deve haver nenhum acessório (luva, união ou condulete) no eletroduto,
entre a unidade seladora e o ponto no qual o eletroduto muda de área.
g) Eletroduto metálico que passe completamente através da área classificada e que
não contenha união, luva, condulete ou acessório, no trecho da área classificada e a
30 cm antes e depois desta área, terminando em área não classificada, não necessita
de unidade seladora.
h) Todos os eletrodutos devem ter um mínimo de cinco fios de rosca e todos estes fios
devem ser encaixados entre o eletroduto e um invólucro ou conexão. O eletroduto
deve estar firmemente roscado em todas as conexões, mantendo a continuidade
elétrica.
i) Quando o sistema de eletrodutos for utilizado como condutor de proteção, todas as
junções roscadas devem ser adequadas para conduzir a corrente de falta que pode fluir
durante um defeito, desde que a seção equivalente atenda aos requisitos da NBR 5410.
j) Após os cabos serem instalados nos eletrodutos, as unidades seladoras devem ser
preenchidas com massa seladora, aprovada conforme ensaio de vedação da NBR
5363. A massa seladora deve ser impermeável, não retrátil e não afetada por produtos
químicos encontrados na área classificada. A profundidade da massa na unidade
seladora deve ser igual ao diâmetro interno do eletroduto, porém em nenhum caso
menor que 16 mm.
h) Se for necessário empregar eletrodutos flexíveis em Zonas 0 ou 1, estes devem ser
certificados por laboratório credenciado.

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5.4 Condições específicas para instalações elétricas em Zona 1
Os equipamentos elétricos usados em Zona 1 devem ser construídos de acordo com
os requisitos para Zona 0 ou devem possuir invólucro à prova de explosão (tipo de
proteção
roteção d, conforme a NBR 5363). Isso inclui motores, luminárias, interruptores, etc.

6. Conclusão
O presente memorial descritivo foi elaborado com o objetivo de classificar as áreas
com risco de explosão e orientar a instalação dos equipamentos elétricos da nova
planta de fabricação de álcool gel da indústria Girassol Química.
Apresentamos em anexo as plantas e planilhas utilizadas para a classificação das
áreas, bem como especificações de equipamentos e sugestões de instalações.
Na medida em que as obras aconteçam, nos colocamos à disposição para
acompanhamento e orientações específicas aos equipamentos e soluções que forem
fo
adotadas para a futura planta de fabricação de álcool gel da indústria Girassol
Química.
Porto Alegre, 15 de abril de 2019.

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