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segredos e virtudes das plantas medicinais

SELECÇÕES DO READERS DIGEST

Selecções do Reader's Digest
CONSULTORES DA EDIÇÃO PORTUGUESA

J. A. Borralho da GRAÇA, professor catedrático de Farmacognosia da 
Faculdade de Farmácia de Lisboa. 
Luís Filipe M. AIRES, assistente responsável pela cadeira de Botânica 
Farmacêutica da Faculdade de Farmácia de Lisboa.

REDACTORES DA EDIÇÃO ORIGINAL

Prof. Pierre DELAVEAU, Universidade René­Descartes,
Paris V, Faculdade >de Ciências Farmacêuticas e Biológicas: pp. 337­348.
Michelle LORRAIN, professor­assistente de Fisiologia
Vegetal e Farmacognosia, Instituto Europeu de Ecologia, Metz: pp. 11­15,
349­360. 
François MORTIER, Faculdade de Ciências Farmacêuticas
e Biológicas, Nancy I: pp. 8­10. 
Caroline RiVOLIER: pp. 43­46, 48­53, 55­60, 63­74,
76­84, 88­90, 92­95, 98, 99, 103, 106­108, 110,
112­114, 116, 117, 120­125, 128, 129, 131, 133­135,
137­140, 144­146, 148­166, 168­171, 173­182,
184­189, 192­196, 199­201, 203, 204, 216­218, 223,
227, 228, 231­234, 236­240, 242­252, 254­267,
269­282, 284, 286­290, 294, 299, 301, 303, 304. Doutor Jean RiVOLIER e 
Caroline RiVOLIER: pp. 362­441. 
Abade Rene SCHWEITZER, engenheiro­agrónomo: pp.
20­40, 47, 54, 61, 62, 67, 75, 185­87, 91, 96, 97,
100­102, 104, 105, 109, 111, 115, 118, 119, 126,
127, 130, 132, 136, 141­143, 147, 167, 172, 183,
190, 191, 197, 198, 202, 205­215, 219­222, 224­226,
229, 230, 235, 241, 253, 268, 283, 285, 291­293,
295­298, 300, 302, 442­453.

CONSULTORES DA EDIÇÃO ORIGINAL

Pierre BosSIaRDET, desenhador artístico, Centro Nacional
de Investigação Científica. 
Renê H. DELÉPINE, professor­assistente, Universidade
Pierre­et­Marie­Curie, Paris VI, director da equipa de biogeografia e 
ecologia bentónica. 
Michel GuÉDÈS, professor­assistente, Museu Nacional de
História Natural, Paris, laboratório de fanerogân­kas. Prof. Paul JOVET,
director (honorário) do Centro Nacional de Investigação Científica, 
Paris. Prof. René PARIS, Universidade René­Descartes, Paris
V, Faculdade de Ciências Farmacêuticas e Biológicas.

ILUSTRAÇõES

David BAXTER:  pp. 67, 72, 143, 209. FranÇoise BONVOUST: pp. 95, 96, 
115, 132, 150, 159,
192, 198, 269, 284, 286, 295. Luc BOSSERDET: Pp. 92, 107, 110, 120, 126,
138, 146,
149, 151, 154, 163, 164, 230, 245, 265, 268Pierre BROCHARD: p. 50. Jean 
COLADON: pp. 63, 70, 113, 148, 174, 205, 210,
211, 214, 226, 242, 252, 292, 442­452. François COLLET: Pp. 93, 158. 
Philippe COUTÊ PP, 82, 106, 121, 157, 176, 237, 267,
278. FrançoiSC DE DALMAS: Pp. 103, 119, 156, 170, 183. Maurice 
ESPÉRANCE: pp. 20­35, 47, 54, 61, 86, 87, 96,
111, 118, 132, 188, 197, 216, 219, 223, 227,     253,
289. lan GARRARD: pp. 53, 59, 79, 89,     122, 153, 171, 173,
184, 201, 271, 287. Odette HALMOS: pp. 177, 178, 229, 246,    276, 298. 
Madeleine HUAU: pp. 73, 147, 161,    162, 169, 172, 238,
279, 281, 304. Mette IVERS: pp. 49­51, 69, 97, 99,  109, 112, 124, 125,
129, 131, 141, 165, 166, 185, 186,     189, 200, 236,
239, 244, 255, 277, 305­336. Josiane LARDY: pp. 45, 57, 71, 77, 100, 
114, 117,   143,
167, 175, 182, 187, 196, 202, 208,     218, 248, 251,
258, 260, 263, 273, 296, 299, 300. Annie LE FAou: pp. 43, 44, 56, 90, 
108, 123,  130,  139,
144, 155, 190, 194, 207, 228, 254,     256, 264, 266,
272, 294. Yvon LE GALL: P. 102. Nadine LIARD: Pp. 193, 220, 222, 283. 
GUy MICHEL: pp. 60, 66, 91, 128, 133, 140, 142,     152,
168, 212­213, 232, 291, 297, 301, 302. Daniel MONCLA: Pp. 94, 134, 241, 
274. Marie­Claire Nivoix: pp. 64, 78, 116,     160, 203, 215,
217, 258. Alain d'ORANGE: p. 101. Charles PICKARD: pp. 75, 98, 221, 233.
Robert Rousso: pp. 48, 52, 180, 181. Jean­Paul TURMEL: pp. 58, 104, 141,
191, 195, 204,
206, 240, 243, 247. Denise WEBER: capa e   pp. 46, 55, 62,    65, 74, 
76, 80,
81, 83­85, 88, 127, 135, 179, 199,     224, 225, 231,
234, 249, 250, 257, 259, 261, 262,     269, 275, 280,
282, 288, 290, 303.

SEGREDOS E VIRTUDES DAS PLANTAS MEDICINAIS

uma edição de Selecções do Reader's Digest

 1983, Selecções do Reader's Digest, SARL.

Rua de Joaquim António de Aguiar, 43 ­ Lisboa

Reservados todos os direitos. Proibida a reprodução, total ou parcial, 
do texto ou das ilustrações, sem autorização, por escrito, dos editores.

Composição: Fototexto, Lda. ­ Lisboa Impressão: Lisgráfica, SARL. ­ 
Queluz de Baixo Encadernação: AMBAR ­ Porto
1.a edição, Maio de 1983. Depósito legal n.I 2130/83

PRINTED IN PORTUGAL
Índice

Prefácio

O reino dos simples
As plantas medicinais A fábrica vegetal Identificar, colher, conservar
Guia das plantas a conhecer
As plantas espontâneas As plantas cultivadas As plantas tóxicas As 
plantas exóticas
Os benefícios das plantas
O emprego do simples Dicionário da saúde
Os usos veterinários
Glossário

índice alfabético
Ao leitor

O aumento do consumo individual de medicamentos que se observa por todo 
o Mundo tem originado nos últimos anos um interesse renovado pelas 
plantas medicinais, um retorno às fontes naturais para o tratamento de 
doenças. Este fenómeno poderá explicar­se pelo facto de grande parte dos
medicamentos ter tido origem precisamente em espécies vegetais, pelo 
desejo de regressar à Natureza que se observa no homem moderno e por uma
certa desconfiança em relação aos medicamentos de origem sintética de 
produção industrializada.

Esta obra, que não pretende substituir a medicina tradicional, foi 
realizada sob a orientação de autores especializados que souberam pôr os
seus profundos conhecimentos nos campos da botânica e da farmacognosia 
ao alcance e ao serviço do grande público. Nela se explicam as 
possibilidades reais das plantas medicinais, se estimula a sua colheita 
no meio natural e, simultaneamente, se desmistificam as especulações 
pseudocientíficas que ensombram a divulgação séria da medicina pelas 
plantas.

A identificação e a colheita das plantas adequadas constituem um 
primeiro problema. Para o solucionar, recorreu­se a ilustrações de 
grande qualidade e a descrições morfológicas minuciosas que permitem 
distinguir as espécies benéficas das neutras e das nocivas. Oferecer 
mapas exactos com a localização dos lugares de colheita de cada planta 
seria pretensão irrealizável; mas o leitor encontrará descritos os 
habitats característicos das diferentes espécies. A obra assinala ainda 
em que altura e época devem ser colhidas as plantas espontâneas e 
cultivadas e quais são as suas partes úteis. E, uma vez colhidas e 
preparadas, ensina a conservar as substâncias vegetais com propriedades 
medicinais.

Atitudes menos cuidadas quanto à colheita e preparação e menos prudentes
quanto à dosagem podem conduzir a riscos que deverão ser evitados, para 
que, em vez de benefícios para a saúde e bem­estar, se não colham antes 
prejuízos. Assim, ficando um tanto à mercê do discernimento do leitor a 
maneira como aproveitar, com a maior utilidade, o conteúdo da obra, os 
editores não poderão ser responsabilizados pelas consequências que 
advenham da má utilização das informações ou da negligência em relação a
recomendações insistentemente referidas ao longo do livro.

SELECÇõES Do READER,s DIGEST
Prefácio

Para a importação de novas drogas medicinais oriundas do Oriente, há 
muito mantida pela Europa, deram os Portugueses uma contribuição 
notabilissima, tornando­a mais variada e abundante à medida que as foram
procurando nas regiões africanas, asiáticas e sul­americanas a que pela 
primeira vez aportavam.

Para além de quanto a África ia oferecendo de novidade, foi na índia que
se
encontrou maior variedade e riqueza desses produtos, os quais, 
comercializados pelos Portugueses, passaram a ser quer conhecidos pela 
primeira vez na Europa, quer mais abundantes e acessíveis.

Havia produtos que serviam de mezinhas, outros designados por 
especiarias, conjunto na quase totalidade de origem vegetal, embora os 
houvesse de origem animal ou mista, utilizados como condimentos, 
masticatórios, excitantes, estupefacientes, perfumes, unguentos e 
corantes, com propriedades exclusivas ou polivalentes.

Na preocupação que sempre existiu de ir descrevendo tudo quanto de útil 
se descobria, foram enviados boticários nas naus que partiam a caminho 
do Oriente, aos quais competia não só o desempenho das suas funções 
durante as viagens e nos locais onde as tripulações se instalassem, mas 
também a averiguação das mezinhas usadas nas diversas zonas visitadas ou
onde fosse possível obter notícia fidedigna, e ainda descrever a 
natureza e origem das *drogas e cousas medicinais+, as suas propriedades 
e aplicações. 
Distinguiram­se nessa tarefa, em grande parte original, em primeiro 
lugar Simão Alvares, boticário de profissão que chegou à índia em 1509, 
e Tomé Pires, feitor de drogas, que ali chegou em 1512 por mandato do 
rei D. Manuel I e que seguiu mais tarde para a China como embaixador, 
com a incumbência de procurar reconhecer as plantas daquela região úteis
para a medicina.

Mas foi Garcia de Orta quem mais se notabilizou no estudo das espécies 
medicinais e de outros produtos semelhantes da índia, para onde partiu 
em 1534, onde se fixou e onde morreu. Tendo nascido em Elvas, Garcia de 
Orta tirara o curso de Medicina nas Universidades de Salamanca e Alcalá,
tendo ainda regido uma cadeira na Universidade de Lisboa em 1530 antes 
de partir para o Oriente.

O seu livro Coloquios dos simples, e drogas he cousas mediçínais da 
Indía publicado em 1563 em Goa, adquirefama internacional, nomeadamente 
depois de ter sido traduzido em latim, francês e italiano. Nesta obra se
consignam, sob a forma de diálogo, todos os conhecimentos científicos e 
práticos que o autor conseguiu reunir sobre tais produtos e sua 
utilização.

O cientista francês Jules Charles de l'Écluse (Clúsio) publicou uma 
edição latina simplificada, com o título Aromatum et Simplicium Aliquot 
Medicamentorum Apud Indos Nascentium Historia, enriquecendo com notas 
pessoais e desenhos a obra original. 

Depois do que se ficou devendo a árabes, gregos e romanos, surge assim a
partir desta tão notável obra de Garcia de Orta a divulgação escrita, em
diversas línguas eformas, de quanto mais se passou a conhecer depois da 
chegada dos Portugueses ao Oriente.

Entretanto, nasce em África, em local não conhecido, mas possivelmente 
no Norte desse continente, um outro português, Cristóvão da Costa, o 
qual, depois de estudar Medicina na Universidade de Coimbra, parte para 
a índia, desembarcando em Goa em 1568, ainda a tempo de conviver com 
Garcia de Orta, de cujo saber muito aproveitou certamente. Regressando à
Europa, Cristóvão da Costa fixou­se em Burgos, onde foi médico e 
cirurgião e escreveu e imprimiu o seu Tractado Delas Drogas, y medicinas
de las Indias Orientales, con sus plantas debuxadas aí biuo por 
ChristouaI A Costa medico y cirujano que Ias vio ocularmente. En el qual
se verifica mucho de lo que escrivio el Doctor Garcia de Orta 
...,publicado em 1568, obra baseada na de Garcia de Orta que apresenta 
desenhos de todos os produtos, alguns dos quais mais
ricamente pormenorizados e documentados que no livro em que se 
fundamentou. Também a obra de Cristóvão da Costa foi traduzida em latim,
italiano e francês.

Entretanto, descoberto o Brasil, inicia­se também nos vastos territórios
sul­americanos uma primeira tentativa de inventário e descrição das 
plantas medicinais da região, em relação às quais, porém, não foi 
publicada qualquer obra em especial.

Sobre estudos de tal natureza no século XVII pouco haverá a dizer, para 
além do notável trabalho do médico alemão Gabriel Grisley intitulado 
Desingano para a Medícina ou Botica para todo o pai de família (1656), 
onde o autor refere a flora médica portuguesa, além de um outro, 
Viridarium Grísley Lusitanicum ... (1661), que constitui a primeira 
lista das plantas de Portugal. Tendo­se estabelecido em Portugal no
tempo do rei D. João IV, Grisley foi pelo monarca encarregado de 
organizar um horto botânico em Xabregas.

À mesma época pertence o boticário francês João Vigier, também radicado 
no
nosso país, autor da História das Plantas da Europa ... (1718).

São vários os nomes daqueles que no século XVIII se dedicaram à botânica
e deixaram obra com interesse para o estudo das plantas medicinais de 
África e do Brasil, embora englobadas em trabalhos menos especializados.
De destacar em relação ao Oriente o jesuíta João de Loureiro, que em 
1735 seguiu como missionário para a China, onde a necessidade de 
utilizar essas plantas no combate às doenças lhe despertou o interesse 
pelo seu estudo, de que resultou a célebre Flora Cochinchinensis, 
publicada em 1790 em Lisboa, onde são referidas plantas da Cochinchina, 
China e África, obra reeditada em Berlim em 1793.
Notabilizou­se sobretudo entre todos os botânicos portugueses do século 
XVIII o abade Correia da Serra, nascido em Serpa em 1750, que emigrou 
para Itália aos 6 anos com seu pai, fugido à Inquisição. Aí adquiriu 
conhecimentos científicos e relacionou­se com o duque de Lafões, com o 
qual, uma vez regressado a Portugal depois da morte de D. José, fundou a
Academia Real das Ciências.

Considerado pelo intendente Pina Manique como homem perigosíssimo, Já   
que dera guarida em sua casa a um francês jacobino, viu­se de novo 
obrigado a abandonar o País, passando parte da sua vida em Inglaterra, 
França e por fim na América do Norte. Em todos esses países o seu nome 
era altamente prestigiado pelas maiores celebridades científicas da 
época ligadas à botânica, nomeadamente em França, onde sempre recorriam 
ao seu conselho.

Mas foi na América que esse prestígio atingiu o expoente máximo, como 
raramente terá acontecido com qualquer outro cientista português. O 
desempenho da sua actividade pedagógica, os trabalhos científicos 
realizados e a ajuda prestada ao presidente Jefferson, de quem era 
íntimo amigo, na fundação da Universidade da Virginia valeram­lhe ser 
considerado * o estrangeiro mais esclarecido que jamais visitara os EUA 
+.

Surgira, entretanto, outro botânico português, Félix da Silva Avelar 
Brotero, nascido em Santo Antão do Tojal em 1744, e que da mesma maneira
fora obrigado a emigrar para França, fugindo à perseguição 
inquisitorial. Convivendo com os mais notáveis naturalistas franceses da
época, visitando a Holanda, Alemanha, Itália e Inglaterra, só regressa 
ao País em 1790, depois de terminado o período pombalino. A rainha D. 
Maria I nomeia­o professor da Faculdade de Filosofia da Universidade de 
Coimbra e encarrega­o da regência da cadeira de Botânica e Agricultura.

Todavia, em relação às plantas medicinais, as obras destes dois últimos 
botânicos portugueses, notáveis embora, não suscitam grande interesse, 
ao contrário de outras publicadas já no século XIX, da autoria do lente 
da Universidade de Coimbra Jerónimo Joaquim de Figueiredo, intitulada 
Flora Farmacêutica e Alimentar Portuguesa (Lisboa, 1825), do médico e 
lente da Universidade de Coimbra Francisco Soares Franco, Matéria Médica
(1816), e do professor da Universidade do Porto Agostinho Albano da 
Silveira Pinto, Código farmacêutico lusitano (1835).

Retomando o tema das plantas úteis do ultramar, o conde de Ficalho, 
professor de Botânica da Universidade de Lisboa, publica a célebre obra 
Plantas úteis da África Portuguesa (1884), culminando assim a lista das 
contribuições de carácter histórico dos cientistas portugueses para o 
conhecimento das plantas medicinais.

De então para cá têm sido publicados muitos outros estudos, de conjunto 
ou contribuições de extensão e valor variados, mas já sem a prioridade e
o cunho de originalidade daqueles outros que no século XVI nos colocaram
em posição ímpar no mundo da ciência no respeitante ao conhecimento dos 
produtos naturais aproveitados pela medicina.
O reino dos simples

As plantas medicinais                            8

A fábrica vegetal                               11

Identificar, colher, conservar                  16
As plantas medicinais

*O Senhor produziu da terra os medicamentos; o homem sensato não os 
desprezará+, aconselha o Eclesiástico, 38, 4; no entanto, muito antes 
desta alusão no texto sagrado à fitoterapia, ou medicação pelas plantas,
já fora criado, divulgado e transmítido, entre as mais antigas 
civilizações conhecidas, o hábito de recorrer às virtudes curativas de 
certos vegetais; pode afirmar­se que se trata de uma das primeiras 
manifestações do antiquíssimo esforço do homem para compreender e 
utilizar a Natureza, como réplica a uma das suas mais antigas 
preocupações: a que é originada pela doença e pelo sofrimento.

É admirável que todas as civilizações, em todos os continentes, tenham 
desenvolvido, a par da domesticação e da cultura das plantas para fins 
alimentares, a pesquisa das suas virtudes terapêuticas. Mas é talvez 
ainda mais admirável que este conjunto de conhecimentos tenha subsistido
durante milénios, aprofundando­se e diversificando­se, sem nunca, porém,
cair totalmente no esquecimento.

A utilização das propriedades do ópio obtido da dormideira, 4000 anos 
antes de se conhecer o processo de extracção da morfina, é, sob este 
ponto de vista, bem significativa da perenidade destes conhecimentos, 
que durante muito tempo permaneceram empíricos e que, desde há alguns 
séculos, o progresso das ciências modernas tornou mais rigorosos.

Mesmo actualmente, apesar do espectacular desenvolvimento da 
quimioterapia, a fitoterapia continua a ser muito utilizada, 
readquirindo até um certo crédito desde que foram divulgadas as 
consequências, por vezes nefastas, do abuso dos compostos químicos.

Para se ter uma visão de conjunto do progresso dos conhecimentos humanos
referentes às plantas medicinais, devem distinguir­se três grandes 
períodos. Durante as Antiguidades Egípcia, Grega e Romana acumularam­se 
numerosos conhecimentos empíricos que serão transmitidos, especialmente 
por intermédio dos Árabes, aos herdeiros europeus destas civilizações 
desaparecidas.

A partir do Renascimento, estes sábios ocidentais aproveitarão utilmente
a renovação do espírito científico e o surto das viagens dos 
Descobrimentos para desenvolver consideravelmente estes conhecimentos 
adquiridos e dar início a uma ordenação rigorosa de todos os elementos 
saídos da experiência do passado.

Finalmente, e sobretudo desde o final do século xviIi, o progresso muito
rápido das ciências modernas veio enriquecer e diversificar em 
proporções extraordinárias os conhecimentos sobre as plantas, os quais 
actualmente se apoiam em ciências tão variadas como a paleontologia, a 
geografia, a citologia, a genética, a histologia e a bioquímica.
Em 1873, o egiptólogo alemão Georg Ebers comprou um volumoso rolo de 
papiro; após ter decifrado a introdução, Ebers foi surpreendido por esta
frase: *Aqui começa o livro relativo à preparação dos remédios para 
todas as partes do corpo humano.+ Provou­se que este escrito era o 
primeiro tratado médico egípcio conhecido. Compunha­se de uma parte 
relativa ao tratamento das doenças internas e de uma longa e 
impressionante lista de medicamentos.

Actualmente, pode afirmar­se que, 2000 anos antes do aparecimento dos 
primeiros médicos gregos, já existia uma medicina egípcia, organizada 
como conjunto de conhecimentos e de práticas distintas das crenças 
religiosas. 
Duas das receitas incluídas no rolo de papiro de Georg Ebers são, 
efectivamente, consideradas como remontando à 6. a dinastia, ou seja a 
cerca de 24 séculos antes do nascimnento de Cristo! Sabe­se hoje que, na
época do antigo Império Egípcio, o palácio do faraó mantinha um corpo de
médicos, entre os quais se esboçavam já especializações como a 
odontologia e a oftalmologia. 

Muito tempo depois, em 450 a. C., Heródoto diria que *no Egipto cada 
médico só trata de uma doença, pelo que constituem uma legião ... +. 
Aproximadamente na mesma época, o Templo de Edfu desenvolveu uma escola 
de medicina e mantinha um importante jardim de plantas medicinais.

De entre as plantas mais utilizadas pelos Egípcios, é indispensável 
citar o zimbro, as coloquíntidas, a romãzeira, a semente do linho, o 
funcho, o bordo, o cardamomo, os cominhos, o alho, a folha de sene, o 
lírio e o rícino. Um baixo­relevo proveniente de Akhetaton ostenta uma 
planta medicinal que posteriormente desempenhou um papel fundamental na 
farmacopeia da Idade Média: a mandrágora. Os Egípcios conheciam també m 
as propriedades analgésicas da dormideira, utilizada na preparação do 
*remédio contra as
crises anormalmente prolongadas+.

Mais notável ainda é o conhecimento progressivamente adquirido das 
regras de dosagens específicas para cada droga; esta prática ampliou­se 
ao fabrico e à administração de todos os remédios e pode afirmar­se que 
nasceu assim a receita médica e a respectiva posologia.

Estes conhecimentos médicos iniciados no antigo Egipto divulgaram­se 
nomeadamente na Mesopotâmia. Em 1924, o Dr. Reginald
Campbell Thompson, do Museu Britânico, conseguiu identificar 250 
vegetais, minerais e substâncias diversas cujas virtudes terapêuticas os
médicos babilónios haviam utilizado, especialmente a beladona, 
administrada contra os espasmos, a tosse e a asma; os pergaminhos da 
Mesopotâmia mencionam o cânhamo indiano, ao qual se reconhecem 
propriedades analgésicas e que se receita para a bronquite, o reumatismo
e a insônia.

Foram sobretudo os Gregos, e mais tarde, por seu intermédio, os Romanos,
os herdeiros dos conhecimentos egípcios, desenvolvendo­os até um elevado
nível. 
Aristóteles, espírito universal, estudou história natural e
botânica; 

Hipócrates, frequentemente considerado *o pai da medicina+, reuniu com os
seus discípulos a totalidade dos conhecimentos médicos do seu tempo no 
conjunto de tratados conhecidos pelo nome de Corpus Hippocraticum: para 
cada enfermidade descreve o remédio vegetal e o tratamento 
correspondente. 

Catão, o Antigo, no século II a. C., mencionou no seu tratado De Re 
Rustica 120 plantas medicinais que cultivava no seu próprio jardim.

No início da era cristã, Dioscórides inventariou no seu tratado De 
Materia Medica mais de 500 drogas de origem vegetal, mineral ou animal; 
à semelhança dos seus predecessores, esforçou­se por ter em conta o 
maravilhoso e separar o racional do irracional. Esta preocupação 
científica nem sempre foi seguida por Plínio, o Antigo, cuja monumental 
História Natural contém por vezes descrições de algum modo fantasistas. 

Finalmente, o grego Galeno, cuja influência foi tão duradoura como a de 
Hipócrates, ligou o seu nome especialmente ao que ainda se denomina a * 
escola galénica+ ou *farinácia galénica+. Efectivamente, distingue­se o 
emprego das plantas *ao natural+, ou seja sob a forma de pós, das 
*preparações galénicas+, em que solventes como o álcool, a água ou o 
vinagre servem para concentrar os componentes activos da droga, os quais
serão utilizados para preparar unguentos, emplastros e outras formas 
galénicas.

O longo período que se seguiu, no Ocidente, à queda do Império Romano, 
designado universalmente por Idade Média, não foi exactamente uma época 
caracterizada por rápidos progressos científicos. Os domínios da 
ciência, da magia e da feitiçaria tendem frequentemente a confundir­se; 
drogas como o meimendro­negro, a beladona e a mandrágora serão 
consideradas como plantas de origem diabólica.

Assim, Joana d'Arc será acusada de ter *atormentado os Ingleses pela 
força e virtude mágica de uma raiz de mandrágora escondida sob a 
couraça+. Contudo, não é possível acreditar que na Idade Média se 
perderam completamente os conhecimentos adquiridos durante os milénios 
precedentes. Os monges, devido aos seus conhecimentos do latim e do
Grego, foram os detentores do saber da Antiguidade; grande número de 
mosteiros vangloriava­se dos seus *jardins dos simples+, onde cresciam as
plantas utilizadas para o tratamento dos doentes. 

Ainda actualmente se conserva a memória de Santa Hildegarda, a *santa 
curandeira+ , cujos tratados, conhecidos pelo nome de Physica, além de 
respeitarem os conhecimentos antigos, trazem à luz, pela primeira vez, 
as virtudes de algumas plantas como a pilosela ou a arnica. 

No entanto, a medicina da Idade Média foi sobretudo dominada pela Escola
de Salerno; os eruditos que ali trabalhavam deram a conhecer, por 
intermédio de sábios (Avicena, Avenzoar e lbn­el­Beithar) e dos textos 
ára bes, grande número de obras da medicina grega. 

Rogério de Salerno, no início do século XII, contribuiu para os 
consideráveis progressos da medicina do seu tempo.

Foi, no entanto, o Renascimento, com a valorização da experimentação e 
da observação directa, com o surto das grandes viagens para as índias e 
a América, que deu origem a um novo período de progresso no conhecimento
das plantas e das suas virtudes. 

No início do século XVI, o médico suíço Paracelso tentou descobrir a * 
alma+, a <quirita­­essência+ dos vegetais, de onde irradiam as suas 
virtudes terapêuticas. Não dispondo, evidentemente, dos meios de análise
que mais tarde seriam oferecidos pela técnica moderna, tenta aproximar 
as virtudes das plantas das suas propriedades morfológicas, da sua forma
e cor: é a chamada *teoria dos sinais+. 

O italiano Pier Andrea Mattioli, seu contemporâneo, comenta a obra de 
Dioscórides e descobre as propriedades do castanheiro­­da­índia e da 
salsaparrilha­da­europa e descreve 100 novas espécíes. 

Surgem os jardins botânicos: em 1544, Luca Ghini, professor em Bolonha, 
funda o de Pisa; em 1590, Veneza confia a Cortuso o de Pádua. Olivier de
Serres reforma a agricultura francesa no reinado de Henrique IV, criando
também, na sua propiiedade de Pradel, em Vivarais, um admirável jardim 
de plantas medicinais, imitado algum tempo depois por Luís XIII, que 
funda em
Paris o Jardim do Rei, predecessor do actual Museu Nacional de História 
Natural. 

É também nesta época que têm cátedra em Mont.pellier todos os grandes 
botânicos: MatIfias de Lobel, Guillaume Rondelet, Charles de l'Écluse, 
Jean e Gaspard Bauliiii, os quais impulsionam os grandes progressos da 
classificação sistemática dos vegetais, que se tornou cada vez mais 
indispensável pelo grande conjunto de conhecimentos adquiridos.

O desenvolvimento das rotas marítimas, abertas a partir do final do 
século XV, coloca efectivamente a Europa no centro do Mundo; os produtos
dos países longínquos abundam e, de entre eles, as plantas até aí 
desconhecidas, com virtudes por vezes surpreendentes; os conquistadores 
suportaram eles próprios a experiência das propriedades mortais do cura.
; a casca de quina é utilizada para fazer baixar a temperatura nas 
febres palúdicas muito antes de se ter conhecimento de como dela extrair
a quinina; a América dá ainda a conhecer as virtudes anestésicas e 
estimulantes da folha de coca. No encalce dos descobridores prosseguem 
os exploradores, missionários como o padre Plumier, botânicos como 
Tournefort, que, em 1792, regressa do Oriente com 1356 plantas então 
desconhecidas na Europa.

Finalmente, os esforços de classificação culminam em 1735 com a 
publicação do Systema Naturae, de Lineu. O grande naturalista sueco 
adopta como princípio de distinção e classificação a distribuição dos 
órgãos sexuais nas flores e as características dos órgãos masculinos, os
estames. Para ele, os dois grandes ramos em que se divide o reino 
vegetal são o das Criptogâmicas, em que os estames e o pistilo são 
invisíveis a olho nu, e o das Fanerogâmicas, em que estes são visíveis. 
Dentro destas últimas, por sua vez, estabelecem­se 23 classes, segundo 
critérios morfológicos. Depois de Lineu, os trabalhos dos irmãos 
Jussieu, Joseph, Antoine e Bernard, bem como os do seu sobrinho, Antoine
Laurent de Jussieu, desenvolveram ulteriormente a botânica descritiva e 
contribuíram para o aperfeiçoamento da classificação sistemática, sem 
terem esgotado todas as suas possibilidades.

Se se fizer uma retrospectiva do caminho percorrido desde as primeiras 
receitas conhecidas da época da 6.1 dinastia egípcia, verificar­se­á que
foi uma longa caminhada; contudo, comprovar­se­á que ela sempre se 
desenvolveu na mesma direcção, sem mudanças radicais. O catálogo das 
plantas medicinais enriqueceu­se, a descrição das características dos 
simples e a indicação das suas utilizações foram aprofundadas, a 
classificação das suas espécies foi feita com base científica. Todavia, 
nessa época continuam a desconhecer­se as leis da sua evolução e, o que 
é mais importante ainda, a sua estrutura íntima e os princípios que as 
fazem actuar no tratamento das doenças: sabe­se que têm determinados 
efeitos e pouco mais.

Esta revolução radical ­ o aprofundamento dos conhecimentos ­ vai 
realizar­se nos dois últimos séculos. O estabelecimento das grandes 
classificações, pondo em relevo as semelhanças que existem entre as 
várias espécies, apenas separadas por uma característica distinta, 
sugeria a ideia de uma evolução.

A paleontologia vegetal, ou estudo das floras antigas mercê dos restos 
fósseis, contribuiu, no início do século XIX, para numerosos 
conhecimentos de apoio a esta tese, conduzidos, nomeadamente, por 
Adolphe Brongniart. 

No final do século XIX, Gustave Thuret observava o processo da 
fecundação numa alga, a bodelha. Pouco tempo antes, ao fazer observações
na ervilheira, o monge Mendel descobrira as leis das transmissões e das 
mu­
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tações hereditárias; os seus trabalhos foram esquecidos, e as leis que 
têm o seu nome voltaram a ser descobertas no início do século XX: 
nascera a genética. 

Todas estas matérias esboçavam uma história do reino vegetal e das suas 
espécies, enquanto Alphonse de Candolle e Henri Lecoq lançavam as bases 
de uma geografia dos vegetais, ou fitogeografia.

A utilização de microscópios desde meados do século XVII proporcionava 
um melhor conhecimento da complexa estrutura dos vegetais. Porém, os 
seus progressos, desencadeando um aprofundamento das observações, vão 
possibilitar, no início do século XIX, a determinação da noção de 
célula, o elemento fundamental de todos os tecidos, animais ou vegetais;
são os primórdios da histologia, ou ciência dos tecidos. A partir de
1800, Lamarck passou a usar uma palavra nova ­ biologia ­, aplicando­a 
ao estudo dos processos vitais dos reinos animal e vegetal. Nomeadamente
os progressos da química, e em especial os da química da matéria viva, 
ou bioquímica, iriam possibilitar a identificação e isolamento dos 
componentes activos das plantas medicinais. Redescobrem­se a dormideira 
dos Egípcios e a quina dos Incas, mas conhecendo­se agora o segredo da 
sua acção sobre o corpo humano.

Assim, no começo do século XIX, o químico alemão Sertilrner isola a 
morfina do ópio extraído da dormideira; em 1817, os farmacêuticos Pierre
Joseph Pelletier e Joseph Bienaimé Caventou extraem a emetina da raiz da
ipeca; em 1818, a estricnina da noz­vómica, e, finalmente­­­em 1820, a 
quinina da quina. A partir de então, aprende­se a reconhecer as virtudes
terapêuticas de uma planta em função dos compostos químicos que contém, 
e não das semelhanças que Paracelso julgara ter notado.

Muitos destes compostos podem actualmente ser reproduzidos 
artificialmente por síntese. Quererá isto dizer que as plantas, ao 
perderem o seu mistério, perderam também a sua utilidade? Será crível 
que os esforços do Dr. Cazin, no século XIX, ou do Dr. Leclerc, no 
século xx, para defender e tornar célebre a fitoterapia, estão 
condenados ao malogro? Assim não será, por diversos motivos. Por um 
lado, determinados compostos químicos descobertos nas plantas e 
utilizados em medicina não podem, por vezes, ser reproduzidos por 
síntese; por outro, alguns produtos de síntese só podem ser obtidos por 
meio de *precursores+ vegetais. Assim, por exemplo, as plantas exóticas 
como o sisal e o inhame fornecem a matéria­prima básica indispensável 
para fabricar depois, por semi­síntese, algumas hormonas como a 
cortisona e os seus derivados. Finalmente, a droga vegetal é um produto 
vivo, de onde se deve concluir que esta *terapêutica suave+ é mais bem 
tolerada pelo organismo do que as substâncias inteiramente sintéticas.

A medicina pelas plantas: um longo percurso que não está ainda próximo 
do fim ...
A fábrica vegetal

As plantas verdes utilizam a água do solo, a energia solar e o gás 
carbónico (Co2) do ar para fabricar glúcidos (açúcares). Esta 
transformação de compostos orgânicos sob a acção da energia solar chama­
se fotossíntese e dá­se ao nível das folhas, nos cloroplastos, que 
contêm a clorofila. A partir dos glúcidos, formam­se as reservas 
energéticas e os compostos secundários: lípidos, essências e 
heterósidos.

A célula vegetal, como qualquer célula
viva, respira, absorvendo oxigénio (o2) e expelindo dióxido de carbono 
(Co2). Durante o dia estas trocas gasosas são mascaradas pelas da 
fotossíntese. Desta actividade resulta, de dia, uma forte emissão de 
oxigénio e, durante a noite, uma ligeira libertação de dióxido de 
carbono.

Por um outro processo, as plantas verdes utilizam sais minerais e 
nitratos, que absorvem pela raiz, para sintetizar prótidos e alcalóides.
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Os componentes activos das plantas

O metabolismo da planta verde produz principalmente glúcidos (açúcares) 
e prótidos. Uma fracção dos glúcidos é seguidamente transformada em 
diversos compostos, sendo os lípidos os mais importantes para a planta. 
Contudo, o metabolismo fornece também vários corpos secundários 
utilizados pelo homem para fins terapêuticos; trata­se dos heterósidos, 
dos alcalóides, dos óleos essenciais e dos taninos. Os vegetais fornecem
também vitaminas, oligoelementos e antibióticos.

Os heterósidos. Estes compostos são formados pela associação de um 
glúcido e de um corpo não açucarado chamado genina, ou aglícona. Pensa­
se que as geninas são meros produtos de excreção e, nesse caso, podem 
ser tóxicas para a planta, pelo que os glúcidos se lhes associariam para
as neutralizar, formando um heterósido não tóxico. Deste modo, o 
loureiro­cereja produz heterósidos cianogenéticos. A genina destes 
heterósidos, o ácido cianídrico, é um veneno violento para o ser humano 
e do qual se deve recear. Grande número de heterósidos tem aplicações 
medicinais: é o caso da digitalina, um cardiotónico muito eficaz, ou do 
salicósido, precursor da aspirina. Os heterósidos classificam­se segundo
a natureza da sua genina, como se indica no quadro a seguir.

Os alcaloides. São compostos azotados cuja função na planta está mal 
esclarecida, pois pensa­se que se trata de produtos de excreção. A sua 
química é complexa e classificam­se, segundo a composição do seu núcleo,
em cerca de 15 grupos diferentes. Encontram­se em diversas partes, 
consoante a planta: a nicotina é sintetizada nas raízes da planta do 
tabaco, mas acumula­se somente nas folhas. A dormideira contém os 
alcalóides no fruto, os da quina estão na casca e os do cafèzeiro na 
semente. Desde que se isolou a morfina do ópio, no início do século XIX,
os alcalóides (então chamados álcalis vegetais) suscitaram o interesse 
da medicina,pois a sua acção no organismo humano tem um efeito 
importante: actuam em doses reduzidas e de um modo muito específico 
sobre uma determinada função do organismo. Actualmente, conhecem­se mais
de 1000 e calcula­se que 15 a 20% das plantas com flores ,contêm 
alcalóides. Só o látex que escorre da cápsula imatura da papoila do ópio
contém mais de 25 de diversos tipos. Os alcalóides são frequentemente 
amargos. O seu forte efeito torna o seu uso perigoso, e a posologia deve
ser muito cuidadosa. Alguns gramas de folha de cicuta podem provocar a 
morte. Não deve esquecer­se a taça que foi fatal a Sócrates! Da 
estricnina à efedrina, da teofilina à emetina, os alcalóides constituem 
a mais importante fonte dos medicamentos naturais.

Os óleos essenciais. São também resíduos do metabolismo da planta. Podem
surgir como essências propriamente ditas ou misturadas com as resinas. 
Estas apresentam­se sob a forma de emulsões que tendem a formar pequenas
gotas. Frequentemente, a planta escoa­as para o exterior por meio de 
canais excretores. As essências, que são voláteis, difundem­se através 
da epiderme das folhas e das flores. Estas emanam por vezes um aroma 
muito forte e são responsáveis pelos perfumes dos vegetais. As essências
são compostos terpénicos, sendo os terpenos longas cadeias de um 
hidrocarboneto dietilénico, o

ALGUNS HETERóSIDOS E SUA CLASSIFICAÇÃO

Tipo de heterásido

Heterósidos cianogenéticos

Heterósidos fenólicos

Heterósidos cumarínicos

Heterósidos esteróides

Heterásidos flavónicos

Exemplo de heterásido

Amigdalósido

Salicásido

Melilotósido

Digitoxina

Quercetósido

Genina, ou aglícona

Nitrilo mandélico

Saligenina

Cumarina

Digitoxigenina

Quercetol

Origem >vegetal

Amendoeira (amêndoa amarga)

Salgueiro­branco (casca)

Meliloto (parte aérea)

Dedaleira (folhas)
Carvalho (casca)

isopreno. Como os isoprenos podem combinar­se uns com os outros de 
diversos modos, a variedade de essências é considerável. Quanto às 
resinas, estão normalmente dissolvidas nas essências e apenas aparecem 
sob a
forma de resíduo viscoso ou sólido quando estas se volatilizam. Por esta
razão, quando os óleos essenciais que exsudam naturalmente do tronco do 
pinheiro atingem o exterior, as essências volatilizam­se e deixam um 
resíduo viscoso ­ a resina. O haxixe é uma resina extraída do cânhamo 
indiano. Os óleos essenciais têm uma acção anti­séptica que retarda a 
putrefacção da madeira. São muito utilizados em farmácia, como, por 
exemplo,
os rebentos de pinheiro impregnados de resina, com acção eficaz na 
desinfecção das vias respiratórias. 

Os taninos. São compostos fenólicos bastante diversos que coram de 
castanho­avermelhado os órgãos que os contêm. Pensa­se que se trata 
também de resíduos do metabolismo. Algumas espécies acumulam grande 
quantidade de taninos: mais de 20% do peso seco do lenho de quebracho, 
árvore originária da América do Sul, são constituídos por taninos que, 
aliás, são utilizados na indústria de curtumes, pois têm a propriedade 
de tornar imputrescíveis as peles de animais. O tanino utiliza­se como 
reagente químico e, em medicina, como adstringente e antiveneno. Existem
outros corantes vegetais com propriedades medicináis. É o caso dos 
flavonóides, pigmentos amarelos afins dos taninos, utilizados para 
tratar a fragilidade dos vasos capilares. 

Vitaminas, elementos minerais, antibióticos. As plantas fornecem os 
catalisadores bioquímicos indispensáveis que o organismo humano não pode
sintetizar ­ as vitaminas. Encontram­se em misturas equilibradas nos 
frutos e legumes frescos.

Dos vegetais pode extrair­se também um grande número de elementos 
minerais indispensáveis ao organismo: azoto, cálcio, potássio, sódio, 
etc. Alguns destes elementos encontram­se em quantidades tão pequenas no
organismo humano, sem deixarem no entanto de ser necessários, que se 
chamam oligoelementos: é o caso do zinco, ferro, cobalto, cobre, 
manganés, lítio, césio, níquel, molibdénio, flúor, etc. Um homem que 
ronde os 70 kg de peso tem aproximadamente 4,2 g de ferro, dos quais 3 g
na hemoglobina, 2,2 g de zinco e O,28 g de manganés. As plantas fornecem
misturas equilibradas de quase todos os oligoelementos. Existem também 
diversos vegetais que produzem antibióticos: a penicilina extrai­se de 
um fungo. As essências sulfuradas do alho, alguns heterósidos da 
mostarda e alcalóides do golfão, também possuem propriedades 
antibióticas.

As partes das plantas utilizadas em terapêutica

As substâncias activas não se encontram uniformemente distribuídas pelas
diferentes partes da planta. As que são utilizadas designam­se por 
fármacos vegetais. A folha, base de todas as sínteses químicas, é a 
parte mais utilizada, pois produz os heterósidos e a maior parte dos 
alcalóides. O caule é apenas uma via de circulação entre as raízes e as 
folhas, podendo conter componentes activos, especialmente na casca. O 
alburno, parte do caule situada entre o cerne e a casca, tem normalmente
propriedades terapêuticas: é o caso da tília, em que tem uma acção 
hipotensora. O lenho também pode ser útil: o da bétula produz carvão 
vegetal. O caule termina numa gema onde se localizam todas as 
potencialidades vegetativas da planta, sendo esta um caule completo em 
miniatura. Algumas gemas são anti­sépticas, como, por exemplo, as do 
pinheiro. Ao nível do solo existem também caules especializados em 
armazenamento. São os rizomas, os tubérculos e os bolbos. A sua missão 
essencial é assegurar a sobrevivência das gemas durante o Inverno, após 
o desaparecimento das folhas. Os tubérculos das batatas aumentam de 
volume devido às moléculas glucídicas, o amido. As essências sulfuradas 
acumulam­se nos bolbos do alho e da cebola. A raiz absorve no solo a 
água e os sais minerais que envia para as folhas. Armazena com mais 
frequência açúcares, e também vitaminas, podendo ainda conter 
alcalóides. A flor possui a nobre missão de transmitir a mensagem 
hereditária. Como está frequentemente repleta de componentes activos, é 
muito apreciada em fitoterapia. As pétalas coloridas são ricas em 
pigmentos: a corola da giesta contém flavonóides, e a rosa­vermelha, 
taninos. As flores de alfazema são muito ricas em essências. Geralmente,
colhem­se as inflorescências terminais. A mistura das pequenas folhas e 
dos pedúnculos florais forma as sumidades floridas. Os pedúnculos 
florais também se chamam pés: os de cereja e os estiletes do milho sã o 
diuréticos. O pólen é rico em vitaminas e em oligoelementos. Se as 
flores não são colhidas, transformam­se em frutos. Os frutos das 
umbelíferas, os aquénios, contêm óleos essenciais. Além de outros, são 
normalmente utilizados os aquênios do funcho, do anis e do cominho. Os 
frutos carnudos constituem uma reserva de vitaminas, de ácidos orgânicos
e de açúcares. A cor violeta do arando, por exemplo, deve­se a um 
pigmento próximo dos flavonóides, com forte actividade de vitamina P. É 
também um antidiarreico com acção sobre certos bacilos intestinais. A 
semente é um reservatório autónomo que contém os alimentos necessários à
futura planta, e nela se distribuem harmoniosamente os glúcidos, os 
lípidos e os prótidos. A semente fornece o amido e a maior parte dos 
óleos vegetais. As plantas primitivas, que não têm flores, produzem 
esporos para se multiplicarem. Estes são pequenos grãos amarelados 
semelhantes ao pólen. Os esporos do licopódio, por exemplo, são 
utilizados em pomada para tratar as irritações da pele.

Nem sempre as drogas vegetais são plantas ou partes delas; podem ser 
secreções como as resinas e as gomas. A secreção viscosa alojada sob a 
casca do azevinho ­ o visco ­ usa­se na confecção de cataplasmas para 
produzir a maturação dos abcessos e dos furúnculos.
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Léxico das propriedades medicinais das plantas

Absorvente. Nome dado ao medicamento que absorve os líquidos ou os gases
tanto em uso interno (tubo digestivo) como externo (feridas 
supurativas). 

Adípógeno. Propicia a acumulação de gorduras e, consequentemente, o 
aumento do tecido adiposo. 

Adsorvente. Que fixa à superfície uma substância líquida ou gasosa, 
propiciando assim a sua eliminação. 

Adstringente. Contrai os tecidos, os capilares, os orifícios e tende a 
diminuir as secreções das mucosas. As plantas adstringentes são 
frequentemente anti­hemorrágicas e podem provocar obstipação. 

Afrodisíaco. Aumenta a potência e o desejo sexuais. Nenhuma planta é 
efectivamente afrodisíaca. 

Alérgeno ou alergénio. Susceptível de provocar reacções alérgicas. 

Amargo. Estimula o apetite e activa as funções gástricas. As chamadas 
plantas amargas também são aperitivas, tónicas e frequentemente 
febrífugas. Devem o nome ao gosto que possuem. 

Anabolizante. Promove o aumento de peso corporal por acréscimo do 
anabolismo proteico. 

Analéptico. V. Estimulante. 

Analgésico. Calmante da dor. 

Anestésico. Suprime a sensibilidade. A sua acção pode ser local ou 
geral; neste caso, a consciência enfraquece, podendo mesmo ser anulada. 

Anorexigénio. Que reduz o apetite. 

Antálgico. Combate a dor, quer ao nível do órgão dorido, quer do sistema
nervoso central. 

Antianémico. Combate a anemia mediante um fornecimento de vitaminas e 
minerais (ferro) que ajudam o sangue a reconstituir o seu teor em 
glóbulos vermelhos. 

Antidiabético. V. Hipoglicemiante. 

Antidiarreico. Combate a diarreia devido a uma acção adstringente, 
adsorvente, desinfectante ou moderadora do trânsito intestinal. 
Antiescorbútico. Combate o escorbuto por meio de vitaminas, 
especialmente a vitamina C. 

Antiespasmódico. Descontrai certos músculos doridos. Ao actuar sobre o 
influxo nervoso que comanda o ritmo da contracção muscular, acalma 
espasmos e convulsões. 

Antiflogístico. Reduz as inflamações, opondo­se às reacções naturais do 
organismo. 

Antigaláctico ou antilactagogo. Reduz a secreção do leite. 

Antigotoso. Combate a gota, impedindo a formação de ácido úrico ou 
baixando o seu teor sanguíneo. 

Anti­helmíntico. V. Vermífugo. 

Anti­hemorrágico. Impede a hemorragia,
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facilitando a contracção dos capilares sanguíneos ou favorecendo a 
coagulação do sangue. 

Anti­infeccioso. V. Anti­séptico. 

Anti­inflamatório. V. Antiflogístico. 

Antilitiásico. Impede a formação de cálculos nas vias biliares ou 
urinárias ou facilita a sua dissolução. 

Antinauseoso. V. Antivomitivo. 

Antinevrálgico. Combate as dores produzidas no trajecto dos nervos 
sensitivos. Existem antinevrálgicos específicos, como, por exemplo, a 
essência de cravinho, que, em aplicação externa, alivia as dores de 
dentes. 

Antipirético. V. Febrífugo. 

Anti­séptico. Destrói os germes ou inibe o seu desenvolvimento, pelo que
evita o contágio; serve para desinfectar as feridas e certos órgãos. O 
eucalipto e o pinheiro, por exemplo, são anti­sépticos das vias 
respiratórias. 

Anti­sudorífico. Diminui a secreção do suor. 

Antitérmíco. V. Febrífugo. 

Antiffissico. V. Béquico. 

Antiulceroso. Melhora o estado das úlceras digestivas, quer baixando o 
teor de acidez, quer protegendo a mucosa. 
Antivomitivo. Combate as náuseas de origem nervosa ou espasmódica. 

Aperitivo. Contém princípios amargos que estimulam o apetite e preparam 
as operações digestivas. 

Aromático. Contém óleos essenciais muito odoríferos. Os aromáticos são 
tónicos, estimulantes e algumas vezes também estomáquicos. 

Bactericída. V. Anti­séptico. 

Balsâmico. Contém bálsamos que suavizam as mucosas respiratórias. 

Béquico. Acalma a tosse e as irritações da faringe. 

Calicida. Em aplicação externa, amolece e
facilita a extirpação dos calos. 

Calmante. V. Sedativo. 

Cardiotónico. Reforça, retarda e regulariza os batimentos do coração. 

Carminativo. Favorece a expulsão de gases do tubo digestivo. As plantas 
carminativas são também geralmente aromáticas e estimulantes, 

Cicatrizante. V. Vulnerário. 

Colagogo. Contrai a vesícula biliar, estimulando a evacuação da bílis do
canal colédoco para o intestino. 

Colerético. Estimula a secreção da bílis pelo fígado, facilitando assim 
a digestão dos corpos gordos. 

Cordial. Activa a circulação do sangue e estimula as funções digestivas.

Depurativo. Purifica o sangue, facilitando a eliminação dos resíduos 
mediante uma acção diurética, laxativa ou sudorífica.

Desodorizante. Encobre ou remove os cheiros desagradáveis. 

Detersivo. Limpa as feridas e as úlceras, facilitando assim a sua 
cicatrização. 

Diaforético. V. Sudorífico. 

Digestivo. Auxilia a digestão, facilitando a actividade do estômago. 

Diurético. Favorece a depuração do sangue, eliminando as toxinas que 
este contém. Alguns diuréticos aumentam a excreção dos cloretos e são 
úteis em caso de edema, outros a da ureia e outros ainda podem 
simplesmente aumentar, durante algumas horas, o volume de urina. 
Drástico. Provoca contracções enérgicas do intestino, com forte 
evacuação de fezes. 

Emenagogo. Facilita ou aumenta o fluxo menstrual. 

Emético. Provoca vómitos, possibilitando o esvaziamento do estômago em 
determinados casos de envenenamento. 

Emoliente. Exerce um efeito calmante sobre a pele e mucosas inflamadas. 

Esternutatório. Provoca espirros. 

Estimulante. Excita a actividade nervosa e vascular. Há estimulantes 
específicos de certos órgãos, como, por exemplo, do tubo digestivo ou do
coração. 

Estomáquico. V. Digestivo, 

Eupéptico. V. Digestivo. 

Eupneico. Regulariza a respiração e desobstrui as vias respiratórias, 
Expectorante. Facilita a expulsão das secreçõ es brônquicas e faríngeas.

Febrífugo. Combate a febre ou evita os seus acessos. 

Fluidificante. Torna as secreções brônquicas menos espessas e, portanto,
mais fáceis de expelir. Alguns fluidificantes têm uma acção depurativa 
do sangue. 

Galactagogo. Facilita ou activa a secreção do leite durante a lactação. 

Hemolítico. Destrói os glóbulos vermelhos, provocando por vezes 
icterícia e anemia. 

Hemostático. Faz parar as hemorragias, quer por uma reacção 
vasoconstritora, quer por meio de factores coagulantes (vitaminas K e 
P). 

Hepático. Auxilia as funções digestivas do fígado e da vesícula biliar, 
especialmente a secreção e a evacuação da bílis. 

Hipertensor. Provoca a elevação da pressão sanguínea nas artérias, 
frequentemente devido a um efeito estimulante. 

Hipnótico. Causa sono, quer por acção directa sobre o hipotálamo, quer 
por uma acção sedante geral do organismo. 

Hipocolesterolemiante. Baixa o teor de colesterol no sangue, reduzindo 
os perigos da arteriosclerose. 
Hipoglicemiante. Faz baixar o teor de glicose no sangue. 

Hipotensor. Provoca um abaixamento da tensão arterial. 

Insecticida. Mata determinados insectos. Geralmente, os componentes 
activos estão contidos em óleos voláteis.

Laxativo. Facilita a evacuação, das fezes, quer aumentado o seu volume, 
quer estimulando o movimento peristáltico do intestino. 

Lenimento. V. Emoliente. 

Lenitivo. V. Emoliente. 

Mucilaginoso. Contém glúcidos que intumescem com a água, formando uma 
solução viscosa, a mucilagem. 

Narcótico. Provoca um sono pesado e artificial que frequentemente é 
acompanhado de um entorpecimento da sensibilidade. 

Oftálmico. Utilizado para tratar algumas afecções dos olhos e das 
pálpebras. 

Parasiticida. Que destrói parasitas (insectos, ácaros, vermes). 

Peitoral. Exerce uma acção benéfica no aparelho respiratório. As plantas
béquicas e expectorantes são peitorais. 

Purgante. Laxante forte que acelera o peristaltismo e irrita, por vezes,
a mucosa intestinal. 

Refrescante. Acalma a sede e baixa a temperatura do corpo. As plantas 
ácidas, que têm propriedades antiflogísticas, são também refrescantes. 

Relaxante muscular ou miorrelaxante. Descontrai os músculos, acalmando 
as contracções por acção revulsiva e antiespasmódica. 

Remineralizante. Que permite, pelo fornecimento de sais minerais e 
oligoelementos, reconstituir o equilíbrio mineral do organismo. 

Resolutivo. Facilita a resolução das tumefacções e inflamações, 
possibilitando que os tecidos do organismo regressem ao seu estado 
normal. 

Revulsivo. Em uso externo, provoca a vermelhidão da pele acompanhada de 
calor. Em uso interno, contribui para o descongestionamento dos órgãos. 

Rubefaciente. Produz a irritação e vermelhidão da pele. 

Sedativo. Acalma e regulariza a actividade nervosa. 
Sonífero. V. Hipnótico. 

Sudorífico. Estimula a transpiração. 

Tonicardíaco. V. Cardiotónico. 

Tónico. Exerce uma acção fortificante e estimulante sobre o organismo, 
diminuindo a fadiga. 

Tranquilizante. V. Sedativo. 

Vasoconstrítor. Provoca a contracção do calibre dos vasos sanguíneos. 
Vasodilatador. Dilata os vasos sanguíneos, provocando a turgescência dos
tecidos irrigados. 

Vermífugo ou vermicida. Expulsa os vermes do intestino. Utilizam­se 
diferentes espécies de plantas, consoante o tipo de verme que é 
necessário combater (áscaris, oxiúros ou ténia). 

Vesicante. V. Rubefaciente. 

Vomitivo. V. Emético. 

Vulnerário. Contribui para a cicatrização das feridas, bem como para o 
tratamento das contusões.
15
O reino vegetal compreende uma infinita variedade de formas, o que pode 
fazer supor que o seu surpreendente capricho impede qualquer 
classificação. Contudo, apesar da sua prodigalidade, a Natureza actua 
segundo determinados modelos: o conhecimento destes e a descoberta das 
suas relações mútuas são produto do estudo de gerações sucessivas de 
cientistas, cuja preocupação comum foi "compreender a ordem oculta sob a
aparente diversidade e interpretar a exuberante riqueza do reino 
vegetal.

Descartes, considerado, sob diversos aspectos, como o iniciador do 
progresso das ciências modernas, escreveu: *As longas cadeias de 
raciocínios, todos simples e fáceis, de que os geómetras costumam 
servir­se para efectuar as mais difíceis demonstrações haviam­me 
convencido de que todas as coisas que podem ser objecto do conhecimento 
dos homens se interligam do mesmo modo." 

A botânica seguiu a via indicada por Descartes para todas as ciências do
pensamento. O resultado deste longo esforço de classificação e de 
correlação pode resumir­se a um quadro classificativo.

Cada planta é considerada como pertencente a um certo número de 
categorias subordinadas hierarquicamente e em que a espécie constitui a 
unidade básica. As principais categorias são as seguintes: espécie, 
género, família, ordem, classe e divisão. Estas unidades podem definir­
se, dizendo que cada uma delas é um conjunto de unidades imediatamente 
inferiores. Exemplo: um gênero é um conjunto de espécies; uma família é 
um conjunto de géneros. Se nos limitarmos às plantas incluídas neste 
livro, não encontraremos mais do que uma centena de famílias: Labiadas, 
Umbelíferas, Compostas, Liliáceas, etc. A espécie, último termo da 
escala de classificação, estabelece a identidade de um vegetal, 
impedindo qualquer confusão com outra espécie. Os géneros de unia 
família têm um aspecto muito diferente, enquanto as espécies de um mesmo
género se assemelham, pelo que pareceu lógica a attibuição a cada planta
de dois nomes: um que define o género, e outro, a espécie.

Para saber efectuar estas classificações, isto e, identificar 
correctamente cada uma das plantas encontradas, é ainda necessário 
éstudar e saber distinguir as suas partes constituintes: raiz, caule, 
folha, flor, inflorescência e, finalmente, o fruto. As caracterís~ ricas
de cada uma destas partes, a sua disposição relativa, a eventual 
inexistência de uma ou de várias, possibilitarão o reconhecimento de 
cada espécie. Os fetos não têm nem flor nem fruto; as folhas da gíesta­
de­

16

­espanha são tão pequenas e dispersas que, à primeira vista, parecem não
existir; a cuscuta não lança as raízes no solo para se alimentar, 
implantando os sugadores noutros vegetais que parasita; uma determinada 
planta pode apresentar um caule oco e uma outra um caule maciço. há 
plantas com flores isoladas e outras com cachos, espigas e umbeIas. É 
necessária uma atenção extremamente minuciosa, embora, para além disso, 
e deva estar familiarizado com os segredos da organização vegetal.

Satisfeitas estas condições, será então possível ir para o campo, onde 
se fará uma vez mais a descoberta de que o acaso não é positivamente uma
lei do mundo vegetal. Não é por acaso que se realiza a distribuição 
geogr4fica das diferentes espécies, não é o acaso que controla a 
distribuição aparentemente infinita das formas, De facto, cada planta 
necessita, para se desenvolver, de condições de solo e de clima muito 
especiais. Se umas necessitam de sombra, outras, pelo contrário, 
procuram a luz. Não existe, aliás, nenhuma região do Mundo, tórrida ou 
fria, seca ou húmida, de planície ou de montanha, que não constitua o 
habitat privilegiado de qualquer espécie vegetal, e as substituições são
a maioria das vezes inviáveis. Assim, seria impossível transplantar para
regiões mais hospitaleiras espécies que procedem de zonas aparentemente 
áridas e hostis. Deverá, portanto, apreender­se os princípios rigorosos 
que regem a implantação geográfica das espécies e as suas migrações. 
Descobrir­se­ii que, tal como acontece

com as espécies animais, as espécies vegetais têm um habítat específico 
e rigorosamente circunscrito. Seria um erro supor       1

primeira vista que uma planta deixou o seu próprio habitat para escolher
outro. Seguindo estes princípios, evitar­se­ão graves confusões.

Cada espécie tem urna época própria colheita. Assim, determinados 
períodos d ano são propícios à recolha e outros não pelo que se inclui 
nesta obra um calendári de colheita que indica as estações mais fav 
ráveis, o qual poderá ser consultado nas pp
38­39.

0 estudioso pode agora situar uma plan não só no reino vegetal, pela 
determinaçdo seu gênero e espécie, como também

a n espaço geográfico, pelo conhecimento d seu biótopo, e até no tempo, 
utilizando calendário. Finalmente, deverá conhecer técnicas elementares 
de colheita e conseri, ção e os utensílios, tão simples, necessári para 
a colheita. Poderá então começar   o s trabalho.
16
As 100 famílias

Esta lista, baseada na classificação precedente, reagrupa por famílias 
as plantas espontâneas, cultivadas e tóxicas segundo o nome popular mais
conhecido.

O sinal a indica as plantas tóxicas
*//* deverá ser visto com o livro, a lista que se segue.
Abietáceas

Abeto­brart o Pinheiro­bravo Pinheiro­silvestre Acantáceas

Acanto Amarilidáceas

Narciso­trombeta Anacardiáceas
O Fustete Apocináceas
O Loendro

Pervinca Aquifoliáceas

Azevinho Aráceas

Cálamo­aronlâtico Diefenbáquia
O Jarro Araliáceas

Hera­trepadora Aristoloquiáceas

Aristolóquia Ásaro

Berberidáceas

Uva­espim Betuláceas

Armeiro Aveleira Bétula (vidoeiro) Borragináceas

Aljôfar Borragem Buglossa Cinoglossa Consolda­maior Não­me­esqueças 
Pulmonária Buxáceas

Buxo

Campanuláceas

Rapúncio Canabináceas

Cânhamo Lúpulo Caparldáceas

Alcaparreira Caprifoiláceas

Engos Madressilva Noveleiro Sabugueiro Viburno Carioffiáceas
Arenária Morugem Saboeira Celastráceas

Evónimo Cetrariáceas

Líquen­da­islândia Compostas

Abrotano Abrotano­fêmea Açafroa Alcachofra Alface Alface­brava­maior 
Almeirão Arnica Artemísia Arternísia­dos­alpes Avoadinha Baisamita 
Bardana Bonina

Cardo­de­santa­maria Cardo­estrelado Cardo­santo Carlina Çersefi Enula­
campana Escorcioneira Estragão Eupatória Fidalguinhos Girassol Lapsana 
Losna Maccia Maravilhas Matricária Milfálio Pé­de­gato Petasite­oficinal
Pilosela Piretro Santónico Tanaceto Taráxaco Tasneirinha Tupinambo 
Tussilagem Vara­de­ouro Convolvuláceas

Bons­dias Crassuláceas

Conchelos Erva­dos­calos Saião­curto Crticíferas

Agrião Bolsa­de­pastor Colza Couve Eruca Erva­alheira Erva­das­colheres 
Erva­de­santa­bárbara Erva­sofia Goiveiro Juliana Mastruço Mostarda­
negra Rabanete Râbano Rábano­rústico Rinchão Cucurbitáceas

Abóbora Coloquíntida Melão Norça­branca Pepino Pepino­de­são­gregório 
Cupressáceas

Cipreste Sabina Tuia­vulgar Zimbro Cuscutáceas

Linho­de­cuco

Dioscoreáceas

Norça­preta Dipsacáceas

Cardo­penteador Morso­diabólico Droseráceas

Rorela

Efedráceas

Éfedra Eleagnáceas

Hipofaé Equisetáceas

Cavalinha Ericáceas

Arando Arando­de­baga­vermelha Medronheiro Urze Uva­ursina 
Escrofulariáceas

Becabunga
O  Dedaleira

Escrofulária­nodosa Eufrásia Graciosa Verbasco Verónica Euforbiáceas
O Ésola­redonda

Eufórbia­marginada Mercurial Poinciana Rícino

Fagáceas

Carvalho Castanheiro Faia Fucáceas

Bodelha Fumariáceas

Fumária

Gencianáceas
Fel­da­terra Genciana Geraniáceas

Erva­de­são­roberto Gigartináceag

Musgo­da­irlanda Ginkgoáceas
O Ginkgo Globulariáceas

Globulária Gramíneas

Arroz Aveia Centeio Cevada Grama Milho Milho­miúdo Trigo

Hipericáceas

Hipericão Hipocastanáceas

Castanheiro­da­íridia,

Iridáceas

Açafrão Lírio­amarelo­dos­pântanos Lírio­ florentino

Juglandáceas

Nogueira

Labiadas

Agripalma Alecrim Alfazema Basílico Betónica Búgula Carvalhinha Dictamo­
de­creta Erva­cidreira Erva­férrea
Escórdio Estaque Galeopse Hera­terrestre Hissopo Hortelã Hortelã­pimenta
Manjerona Marroio Marroio­negro Melissa­bastarda Néveda Nêveda­dos­ 
gatos Orégão Salva Salva­esclareia Segurelha Serpão Tomilho Urtiga­
branca Larninariáceas

Laminárias Lauráceas;

Loureiro Leguminosas

Acácia­bastarda Alcaçuz Alfarrobeira
0Codesso

Cornichão Ervilha Fava Feijão Feno­grego Galega Gatunha Giesteira­das­
vassouras aGiesteira­de­espanha

Lentilha Meliloto Sene­bastardo Soja Tremoço Vulnerária Lentibulariáceas

Pinguícula Licopodiáceas

Licopódio Liliáceas

Açucena Alho Alho­porro Cebola Ceboleta Cebolinha
0Cólquico

Espargo­hortense Gilbarbeira Lírio­dos­vales
0Pariseta

Salsaparrilha­indígena Selo­de­salomão Veratro Lináceas

Linho Litráceas

Salgueirinha Lorantáceas

Visco

Malváceas

Alicia Malva Menjantáceas

Trevo­d'água Mirtáceas

Eucalipto Murta Moráceas

Amoreira Figueira

Ninfeáceas

Golfão

Olcáceas
Alfenheiro Freixo Jasmineiro Lilás Oliveira Onagráceas (Enoteráceas)

Epilóbio Onagra Orquidáceas

Satirião­macho osmundáceas

Feto­real Oxalidáceas
Aleluia

Papaveráceas

Celidónia Dormideira Papoila Passifloráceas

Passiflora Peoniáceas

Peónia Plantagináceas

Tanchagens Zaragatoa Poligaláceas

Polígala­aniarga Poligonáceas

Azedas Bistorta Labaçoi Pimenta­d'água Ruibarbo Sempre­noiva Trigo­
sarraceno Polipodiáceas

Avenca Escolopendra Feto­macho Polipódio Portulacáceas

Beldroega Primuláceas

Erva­dos­escudos Lisimáquia o Morrião

Primavera Punicáceas

Romãzeira

Quenopodiáceas

Acelga Armoles Beterraba Erva­formigueira Espinafre Quenopódio­bom­
henrique

Ranináceas

Armeiro­negro Espinheiro­cerval Ranunculáceas
0Acónito

Acteia Adónis­vernal Anémona­dos­bosques onsolda­real Erva­pombinha 
Ficária Hepática Malmequer­dos­brejos
0Poinciana

Pulsátila
0Ranúnculo­acre
Vide­branca Rodomeláceas (Algas)

Musgo­da­córsega Rosáceas

Abrunheiro­bravo Agrimónia Alperceiro Arneixoeira. Amendoeira Argentina 
Cerejeira Cerejeira­brava Cinco­em­rama Drias Erva­benta Erva­ulmeira 
Framboeseiro oLoureiro­cerejeira

Macieira Marmeleiro Morangueiro Nespereira Pé­de­leão Pereira 
Pessegueiro Pilriteiro Pimpinela Rosa­pálida Rosa­vermelha

Sanguissorba Silva Silva­macha Türmentila Tramazeira Rubiáceas

Amor­de­hortelão Aspérula­odorífera Erva­coalheira Ruiva­dos­tintureiros
Rutáceas
Arruda Bergamota Dictamo­branco Laranjeira­azeda Laranjeira­doce 
Limoeiro

Salicáceas

Choupo­negro Faia­preta Salgueiro­branco Saxifragáceas

Groselheira Groselheira­ negra Groselheira­vermelha Quaresmas Solanáceas

Alquequenje Batateira
0Beladona

Beringela Dulcamara
0Erva­moura
0Espinheiro­alvar
0Estramónio
0Mandrágora
0Meimendro­negro

Pimentão QTabaco

Tomateiro

Taxáceas
O Teixo Tiliáceas

Tília Timeicáceas G Lauréoia­macha
O Mezereão Tropeoláceas

Chagas

Ulmáceas

Ulmeiro Uinbelíferas

Aipo Aipo­silvestre Alcaravia Âmio Angélica Anis­verde Canabrás Cardo­
corredor Cenoura Cenoura­brava Cerefólio
0Cicuta QCicuta­menor

Coentro cominho
0Embude

Endro Funcho Funcho­marítimo Imperatória Levístico Pastinaga Pimpinela­
magna Salsa Sanícula Urticáceas

Parietâria Urtigão

Veticrianáceas

Alface­de­cordeiro Valeriana Verbenáceas

Lúcia­lima Verbena Violáceas

Amor­perfeito­bravo Violeta Vitáceas Videira
IDENTIFICAR, COLHER, CONSERVAR

O baptismo de uma planta

Os cientistas tentaram desde a Antiguidade classificar as diversas 
espécies vivas. Lineu, naturalista sueco do século XVIII, determinou a 
noção de espécie e de género; o género é formado por espécies que 
possuem características comuns e agrupam­se em famílias. As famílias 
foram em seguida reunidas em ordens, as ordens em classes, as classes em
subdivisões, as subdivisões em divisões, formando o conjunto o reino 
vegetal. Para a
nomenclatura, Lineu adoptou um sistema binário em que cada planta é 
definida pelo nome do género e da espécie.

A nomenclatura

No decorrer de numerosos congressos de botânicos foi elaborada uma 
nomenclatura, depois adoptada universalmente. Esta tem progressivamente 
vindo a substituir as designações locais, pouco concisas, permitindo uma
classificação dos vegetais susceptível de ser usada nas permutas 
internacionais. Adoptou­se o latim, que, sendo uma língua morta, não 
está sujeito a deformações. Assim, cada planta tem, actualmente, o seu 
nome erudito, possivelmente pouco express ivo, porém mais estável do que
as designações que lhe são atribuídas nas diferentes regiões pelos que 
assistem ao seu crescimento. Mesmo que se denomine, por exemplo, 
Arctosiaph ­vIos uva­ursi L. ou Taraxacum officinale Web., estes termos 
não perturbarão o vulgar caminhante, e nos meios rurais continuarão a 
chamar­lhe uva­ursina ou dente­de­leão. Porém, a designação dente­de­
leão não atravessa as fronteiras do território nacional, enquanto 
Taraxacum é reconhecido em todo o Mundo.

Ao nome latino da planta segue­se, em abreviatura, o nome do naturalista
que pela primeira vez a descreveu. Neste livro figura uma lista das 
abreviaturas dos nomes dos botânicos nele citados (v. p. 19).

Paralelamente aos nomes científicos, existem inúmeros nomes populares ou
vernáculos, possivelmente mais expressivos em relação à imaginação e à 
sensibilidade que o nome latino, uma planta pode ter um ou
mais nomes vernáculos em cada região e vários na mesma região, 
acontecendo ainda que um mesmo nome seja atribuído a várias plantas. Um 
erro ou uma confusão, a própria devoção popular, o arrebatamento de um 
doente confortado no seu sofrimento ou as semelhanças mesmo superficiais
estão frequentemente na origem de grande número de nomes vernáculos. O 
alquequenje é também conhecido em França por amor­prisioneiro, por ter o
fruto encerrado no cálice. À dedaleira também se chama luva­de­nossa­
senhora, porque a corola tem a forma do dedo de uma luva. Ao cornichão 
foi dado o nome de sapatos­do­menino­jesus, porque o seu botão floral é 
delicadamente curvado e bicudo. A Salvia sclarea L., outrora considerada
como uma panaceia, recebeu dos franceses o nome de boa­para­tudo; há, 
porém, outras plantas botanicamente muito diferentes, como, por exemplo,
espécies do género Chenopodium, que possuem a mesma designação. Por 
vezes, o humor também interfere: a norça­preta, Tamus comniunis L., foi 
baptizada com o nome de erva­das­mulheres­açoitadas, pois a sua raiz 
amassada curava as equimoses. Frequentemente, o nome popular é pouco 
específico. Por exemplo, chama­se erva­do­carpinteiro a
algumas plantas em que se reconheceram propriedades hemostáticas, porque
este artesão era muitas vezes ameaçado por golpes e
hemorragias. Com este nome são simultaneamente designados a erva­de­
santa­bárbara e o milfólio.

Algumas desilusões terapêuticas podem ser atribuídas a confusões 
provocadas pelos nomes populares. Para a erva­de­são­roberto, Geranium 
robertianum L., têm sido propostas diferentes origens. Segundo alguns 
estudiosos, o nome deriva da palavra latina ruber, vermelho, pois o 
caule e os pecíolos, uma parte da folhagem e as flores são avermelhados.
Na Idade Média, chamava­se herba rubra e mais tarde herba rubertiana; o 
u transformou­se em o, de onde herba robertiana, que depois se tornou 
erva­de­roberto e erva­de­são­roberto, em homenagem ao santo que no 
século XI fundou a Ordem de Cister. Na vida do santo atribui­se­lhe uma 
cura milagrosa, e a devoção popular deduziu que só com o Geranium 
poderia ter realizado tal prodígio. Assim, só por acaso e capricho da 
História esta planta pôde ser considerada como verdadeiramente 
medicinal.

Um outro ponto importante que merece uma explicação é o da origem do 
género gramatical ­ masculino ou feminino ­ dos nomes das plantas. Esse 
género não tem qualquer relação com o sexo das plantas, porque a maioria
possui estames e pistilo, sendo, pois, hermafroditas. No entanto, por 
antropomorfismo, tornou­se hábito atribuir o género masculino às 
espécies de aspecto sólido e maciço e o feminino às de aparência 
delicada e frágil. É, por exemplo, o caso dos
17
fetos: o feto­macho, Eiryopterisfilix­mas (L.) Schott., e o feto­fêmea, 
Athyrium filix­femina Roth. O erro é flagrante devido a uma outra razão,
pois um feto adulto não tem sexo; só os gametófitos (protalos) 
resultantes da germinaçáo dos esporos são sexuados. O aspecto das folhas
da segunda espécie citada, mais delicadamente recortadas que as da 
primeira, provocou esta atribuição do género feminino, e a nomenclatura 
latina, como frequentemente sucede, perpetuou este equívoco.

O modo científico de definir uma planta é atribuir­lhe o nome latino, 
que pode ter as mais diversas origens. Uma personagem da mitologia 
inspirou o nome do cardo­estrelado, Centaurea calcitrapa L., que, 
segundo uma lenda, teria curado o centauro Quíron dos seus ferimentos. A
carvalhinha, Teucrium chamaedrys L., evoca um homem da Antiguidade, 
Teucro, príncipe troíano a
quem se atribui a descoberta das virtudes medicinais da planta. Ao 
baptizar as plantas do género Bartschia L., Lineu decidiu imortalizar o 
nome do botânico holandês Bartsch, morto na Guiaria aos 28 anos, em 
1738. Lineu escolheu uma planta triste para expressar a sua mágoa. 
Algumas vezes, o nome actual de uma planta deriva directamente de um 
antigo nome vulgar. Ceterach officínarum Wil]. provém da palavra árabe 
ceterach. O nome destaca por vezes uma particularidade morfológica: o 
funcho, Foeniculum vulgare (Mili.) Gacrtn., vem da palavra latinafoenum,
feno, ou defuniculus, fio delgado, numa alusão às suas folhas 
filiformes. O nome pode também referir­se às virtudes medicinais: a 
tussilagem, Tussilagofarfara L., por exemplo, deriva do latim tussis, 
tosse, e ago, eu expulso. Uma infusão de flores de tussilagem acalma a 
tosse.

A classificação

Que espécie de planta é esta? Estas duas flores serão da mesma espécie? 
Eis duas perguntas que qualquer pessoa pode fazer. Para
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exemplificar, escolhemos uma planta bastante conhecida, o lírio­dos­
pântanos, com flores amarelas. Se colher alguns ramos, notará que não 
são todos exactamente iguais: alguns têm mais 15 cm do que outros; uns 
têm três flores abertas e dois botões, e outros têm apenas uma flor. 
Excluindo estas diferenças individuais, trata­se irrefutavelmente da 
mesma planta, também denominada ácor( ­bastardo. Estas variedades 
pertencem à mesma espécie, designada em latim por iris pseudacorus L., 
sendo Iris o nome do género epseudacorus o da espécie.

Ao percorrer outros locais húmidos ou, ao contrário, colinas áridas, e 
nas proximidades de locais habitados, encontram­se outras plantas com o 
mesmo aspecto geral, o mesmo porte, as mesmas folhas, a mesma curvatura 
para cima das três pétalas da flor. Porém, a cor das flores é diferente:
na espécie florentina é branca; violeta na Iris germanica; azul, violeta
e esbranquiçada na Iris spuria, e azul­clara na Iris pallida. Na 
totalidade, existem 17 espécies européias com mais semelhanças entre si 
do que com os
gladíolos, Gladiolus L., ou com o açafrão, Crocus L. A fim de reunir 
estas 17 espécies, constituiu­se o géneroIris L., que será definido o 
melhor possível pelos pontos comuns de semelhança ou pelo conjunto das 
características, sem, claro, mencionar a cor, visto que esta é um mero 
elemento específico. Deve frisar­se que a noção de semelhança tende cada
vez mais a ser encarada pelos especialistas num sentido lato, 
vinculando­a não apenas à morfologia externa, mas também a grande número
de características químicas.

O mesmo raciocínio é válido em relação a géneros próximos. Assim, 
atende­se a características de semelhança menos precisas entre os 
géneros Crocus L., Iris L. e Gladiolus L. para poder reuni­los 
logicamente numa só família, as lridáceas. Poderá supor­se que teria 
sido possível associar­lhes também os cólquicos, Colchicum L., que se 
confundem facilmente com os Crocus L.; porém, essas aparencias são 
ilusórias. Por outros motivos, os cólquicos estão agrupados na família 
das Liliáceas. Contudo, as lridáceas e as Liliáceas têm em comum um 
número suficientemente grande de características, o qual permite a sua 
reunião na ordem das Liliales. Subindo assim na escala da classificação,
da ordem para a classe, da classe para a subdivisão e desta para a 
divisão, poder­se­á estabelecer a ficha sistemática do lírio­amarelo­
dos­pântanos:

Espécie: pseudacorus L. (ácoro­bastardo, ou lírio­amarelo­dos­pântanos).
Género: Iris. 
Família: lridáceas. 
Ordem: Liliales. 
Classe: Monocotiledóneas. 
Subdivisão: Angiospérmicas. 
Divisão: Espermatófitas ou, segundo a designação antiga, Fanerogâmicas.
Para identificar uma planta desconhecida com a ajuda de uma obra de 
botânica ou de flora, é indispensável proceder em ordem inversa, isto é,
determinar primeiro a Adivisão, atendendo às características que a 
definem, seguidamente a classe, a ordem, a família e, por fim, no género
Iris L., escolher entre as 17 espécies existentes nas nossas regiões 
para encontrar o lírio­ amarelo­
dos­pântanos.

Lista dos nomes dos principais botânicos e suas abreviaturas

A, Br.                     BRAUN Alexandre, 1805­1877.

Alemanha. Ali.                       ALLIONI Carlo, 1725­1804. Itália. 
Andrz.                     ANDRZEIOWSKi Anton, 1785­1868.

Polónia. Aschers.                   AsCHERSON Paul Friedrich August,

1834­1913. Alemanha. Batsch                     BATSCH Auguste Johann 
Georg

Karl, 1761­1802. Alemanha. Beauv.                     BEAUVOIs Ambroise 
Marie François Joseph PALISOT DE, 1755­
1820. França. Benth.                     BENTHAmGeorge, 1800­1884. GB. 
Berrili.                   BERNHARDI Johann Jacob, 17741850. Alemanha. 
Boi kh.                    BORKHAUSEN Moritz Balthasar,

1760­1806. Alemanha. Br. R.                     BROWN Robert, 1773­1858.
GB. Burgsd.                    BURGSDORF Friedrich August Ludwig von, 
1747­1802. Alemanha. Chaix                      CHAix Dominique, 1730­
1800. Fr. Crantz                     CRANTz Heinrich Johann Nepom

von, 1722­1797. Áustria. Cronq.                     CRONQUIST Arthur 
John, nascido

em 1919. EUA. DC.                        DE CANDOLLE Augustin Pyramus,

1778­1841. Suíça. Desf.                      DESFONTAINES, Renê Louiche,

cognominado, 1750­1833. Fr. Duch.                      DUCHESNE Antoine 
Nicolas, 17471827. França. Ehrh.                      EHRHARTFriedrich, 
1742­1795. AI. Endi.                      ENDLICHER Stephan Ladislaus,

1804­1849. Áustria. Foslie                     FoSLIE Mikal Heggelund, 
18551909. Noruega. Gaertn.                    GAERTNER Joseph,          
1732­1791.

Alemanha. Gilib.                     GILIBERT Jean Etrimanuel, 17411814.
França. Guim.                      GUNNERUS J. E., 1718­1773. Nor. Haw. 
HAWORTH Adrian Hardy, 17681833. Grã­Bretanha. Hayek                     
HAYEK August, 1871­1928. Áust. Herm.                      HERMANN 
Johann,                 1738­1800.

Alemanha. Hili                       HILLJohn, 1716­1775. G13. Hoffin.  
HOFI`MANN Georg Frariz, 17611826. Alemanha. Houtt.                     
HOUTTIJY1,1 Martinus, 1720­1798.

Hotanda. Huds.                      HUDSON Williarti, 1730­1793. GB. 
Hull                       HULL John, 1761­1843. G13. kicci.            
JACQUIN Nicolaus Joseph, 17271817, Áustria. Koch       ou K.           
KOCH Karl Heiririch, 1809­1879. ou K.      Koch               Alemanha. 
Kth.                       KUNTH Carl Sigismund,                   
17881850, Alemanha. Kuntzc                     KUNTZE OttO, 1843­1907. 
AI. Kuitz                      KURTz Fritz, 1854­1920. AI.

LINNÉ Carl von, vulgarmente conhecido por Lineu, 1707­1778. Suécia. 
Libill.                    LABILLARDIÈRE Jacques                  Julien

HoUTTON DE, 1755­1834. Fr. Lam. ou Lamk.              LAMARCK, Jean 
Baptiste Antoine

Pierre de MONNET, cavaleiro de,
1744­1829. França. Larrix.                    LAMOUROUX Jean Felix 
Vincent,

1779­1825. França. Latouiette                 LATOURETTE Marc Antoine 
Louis

CLARET DE, 1729­1793. França. Leci s                     LEERS Johann 
Damel, 1727­1774.

Alemanha. L'Hérit.                   L'HÉRITIER DE BRUTELLE Charies

Louis, 1746­1800. França. Lindi.                     LINDLEY John, 1799­
1865. G13. Unk                        LINK Johann Heiririch Friedrich,

1767­1851. Alemanha.

Loisel. ou Lois,

Lyngb.

Maxim.

Med. ou Medik.

Merr.

Mili. Moench Murr.

Murray
Mue11. Neck.

Osbeck Pall.

P. B. Peis.

Poir.

Poit. Poli.

Pres1

Raeusch.

R. Br. Rchb. Reichb. ou

Rchb. Rich. Reci. R@ss. Roth

Rotimi.

S. F. Gray

S. e Sm.

Salisb.

Schricid.

Schrad.

Schott

scop.

Sibth. Sieb. e Zucc.

Stri.

Soland.

Somm. Spreng. Trev. Tul.

Vahl viii.

Vis. Web. Willd.

LoiSELEUR­DESLONGCHAMPS Jean

Louis Auguste, 1774­1849. Fr. LYNGBY1E Hans Christian, 17821837. 
Dinamarca. MAximowicz Karl Johann, 18231891. URSS. MEDIKUs Friedrich 
Casimir, 17361808. Alemanha. MERRILL Elmer Drew, 1876­1956.
EUA. MILLER Philip, 1691­177 1. GB. MOENcH Konrad, 1744­1805. AI. MURRAY
Johann Andreas, 17401791. Alemanha. MURRAY Ivan J­ cerca de 1898.

EUA. MUELLER 1., 1828­1896. Suíça. NECKER Joseph Noêl de, 17291793. 
França. OSBECK Pehr, 1723­1805. Suécia. PALLAS Peter Simon, 1741­1811.

Alemanha. V. Beativ. PERSOON Christian Hendrich, 17551837. Alemanha. 
POIRET Jean Louis Marie, 17551834. França. POITEAU Antoine, 1766­1854. 
Fr. POLLARD Charles Louis, 1872­­EUA. PRESI, Karl Boriwog, 1794­1852.

Checoslováquia. RAEUSCHEL Errist Adolpit, cerca de

1772. Alemanha. V, Br. R. V. Reichb, REICHENBACH Heiririch Goulieb

Ludwig, 1793­1879. Alemanha. RiCHAP,D Achille, 1794­1852. França. 
REQUIEN Esprit, 1783­1851. Fr. Pisso J. Antoine,tem 1889.França. ROTH 
Albrecht Wilhelra, 17571834. Alemanha. ROTHMALER Werner, 1908­1962.

Alemanha. GRAY Samuel Frederik, 1766­1828.

Grã­Bretanha. SIEiTHORP John, 1758­1796, e SMITH James Edward,         
1759­
1828. Grã­Bretanha. SALISBURY Richard Anthony,     17611829. Grã­
Bretanha. SCI1NEIDER Camillo Kari,       18761951. Alentanha. SCHRADER 
Heiririch Adolf,      17671836. Alemanha. SCHoTT Heiririch Wilheim,     
17941865. Áustria. SCOPOU Giovanni Antonio,       17231788. Itália. 
SIBTHORF, John, 1758­1796. G13 SIEBOLD Philipp Franz von, 1741866, e 
ZUCCARINI Joseph Gerhard, 1798­1848. Alemanha. SMITH James Edward, 1759­
1828.

Grã­Bretanha. SOLANDER Daniel Carl, 1736­1782,

Grã­Bretanha. SOMNIER Stefano, 1848­1922. It. SPRENGEL Kurt, 1766­1833. 
AI. TREVIRANus L. C., 1779­1864. Ai, TuLASNE Edmond Louis Rene,

1815­1885. França. VABI, Martin, 1749­1804. Din. VILLARs Dominique, 
1745­1814.

França. VISIANI,Roberto de, 1801­1878. lt, WEBER Friedrich, 1781­1823. 
AI. WILLDENow Karl Ludwig, 17651812. Alemanha.

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Zona de crescimento

A raÍz

É a principal parte subterrânea do vegetal. Tem como funções essenciais 
a fixação ao solo e a absorção da água com as substâncias minerais 
exigidas pelo metabolismo vegetal. Muitas vezes acumula reservas 
alimentares. Em certos casos, pode constituir a parte activa da planta 
medicinal. Seguem­se as diversas formas que uma raiz pode apresentar:

Sistema axial: raiz principal que emite raízes secundárias.
1. Raiz aprumada, em que se distinguem nitidamente uma raiz vertical 
mais importante do que as outras, a principal, ou mestra, que prolonga o
eixo do vegetal, e raízes secundárias, emitidas lateralmente e 
ramificadas em radículas. O colo é o ponto de união da raiz com o caule.
A coifa é a parte terminal das raízes e das radículas. A água e as 
substâncias minerais penetram na planta através de pêlos absorventes.
2. Raiz aprumada tuberosa ou tuberculosa, isto é, repleta de reservas 
alimentares, Ex.: a cenoura, o rabanete.
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3. Raiz aprumada velha. Ex.: o carvalho.

Sistema fasciculado ou fibroso: conjunto de raízes, todas mais ou menos 
do mesmo calibre, que partem do colo e se dividem em feixes.
4. A maioria das raizes das Gramíneas, cereais ou plantas forrageiras, 
são do tipo fasciculado. Ex.: o trigo. 
5. Algumas raízes fasciculadas acumulam matérias de reserva (raizes 
tuberosas). Ex.: a ficária, a dália.

Raízes adventícias: estas raizes desenvolvem­se directamente num caule 
subterrâneo ou aéreo, lateralmente, e não no prolongamento do caule ou 
sobre outra raiz.
6. Ao longo de um caule prostrado, as raízes adventícias desenvolvem­se 
ao nível de cada um dos nós. Ex.: o serpão, a verónica.
7. Num caule subterrâneo horizontal ou rizoma, as raizes desenvolvem­se 
nos nós. Ex.: a urtiga­branca, a grama, o selo­de­salomão.
8. As raizes adventícias desenvolvem­se numa estaca cravada na terra. 
Ex.: o salgueiro.
21
O caule

Suporte das folhas, o caule contém os vasos condutores, sendo 
essencialmente uma via de circulação através da qual se efectuam a 
subida e a descida da seiva na planta. Apresenta­se sob duas formas: 
aéreo e subterrâneo.

Caules aéreos: são o prolongamento da raiz acima do colo.
9. O caule aéreo erecto pode ser herbáceo e, portanto, flexível, frágil 
e efémero, ex.: o trigo, o milho; ou lenhoso e, portanto, rígido, 
robusto e perene como os das árvores, ex.: a faia, o castanheiro.
10. O caule aéreo trepador não tem por vezes resistência suficiente para
se manter sem apoio. Prende­se então de diversas formas, por gavinhas (a
videira), por raízes laterais (a hera) ou pelos pecíolos das folhas (a 
vide­branca).
11. O caule aéreo volúvel agarra­se a um suporte, enrolando­se à sua 
volta. Ex.: a madressilva.
12. O caule aéreo rastejante, ou estolho, alonga­se rente ao solo e 
enraíza nos nós, de onde nascem folhas, pedúnculos e inflorescências. 
Emite outros estolhos, os quais se desenvolvem do mesmo modo. Ex.: o 
morangueiro, a violeta, a búgula, a erva­de­são­lourenço.
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caules subterrâneos: são os rizomas horizontais ou oblíquos que todos os
anos produzem novos caules numa das extremidades e se extinguem na 
extremidade oposta. Podem ser tubérculos, partes dilatadas do caule 
repletas de reservas nutritivas, ou bolbos, cujo caule está reduzido a 
um núcleo fibroso (prato). Tanto uns como outros possuem as 
características que seguidamente se indicam.
13. O caule subterrâneo, também chamado rizoma, rasteja à superfície do 
solo. Ex.: a urtiga­branca.
14. No rizoma são visíveis as cicatrizes dos caules aéreos do ano 
anterior e o botão que dará origem aos caules do ano seguinte, os quais 
terminarão em inflorescências. Ex.: o selo­de­salomão.
15. Caule subterrâneo dilatado e transformado em tubérculos (a). Não 
confundir com raízes. Apresentam botões e pequenas escamas que são as 
folhas transformadas (b). Ex.: a batateira.
16. Bolbo sólido, não apresentando escamas carnudas (a). Corte de um 
bolbo (b). Ex.: a túlipa.
17. Bolbo com escamas carnudas. Ex.: a cebola.
23
A folha (1)

A folha é um órgão fundamental da planta, geralmente de forma laminar e 
de cor verde, que está intimamente ligado ao caule ao nível do nó. 
Devido ao seu pigmento verde, chamado clorofila, capta as radiações 
vermelhas do espectro solar, acumulando assim energia para a síntese dos
hidratos de carbono, ou glúcidos, e ainda dos prótidos o dos lípidos.

Os componentes activos das plantas medicinais são muitas vezes 
sintetizados pela folha. Todas as outras partes verdes da planta, caules
jovens, bainhas, estípulas e brácteas, participam nesta função foliar, 
mas em
menor proporção.

A folha pode apresentar­se sob diversos aspectos, entre os quais são 
ainda possíveis formas intermédias.

Para classificar uma folha, devem ter­se em consideração diversos 
aspectos como: situação, disposição sobre o caule, posição, 
diferenciação, divisão, forma do limbo, forma da base e do vértice, 
nervação, consistência, presença ou ausência de indumento.

A gema: é a origem de um rebento; contém um caule com folhas no estado 
rudimentar, protegido ou não por escamas.
19. A gema terminal está situada na extremidade do caule. o rebento ou a
inflorescência que o caule produz na Primavera prolongarão esse caule. A
gema axilar está situada no ângulo superior do pecíolo e do caule, isto 
é, na axila da folha. chegando a Primavera, tornar­se­á um ramo axilar 
folhoso ou transformar­ se­á num esboço de botão floral ou de 
inflorescência. Ex.: macieira, pereira.
Limbo
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Ligação da folha ao caule:
20. Tipo de folha inteira, simples, com um

pecíolo que a liga ao caule, o limbo e a sua face dorsal.
21. A folha já não é simples, mas trifoliada, isto é, composta por três 
folíolos. A base do pecíolo tem dois folíolos simplificados chamados 
estípulas.
22. Na folha invaginante das Gramíneas não existe pecíolo. Uma parte do 
limbo envolve o caule, ou colmo, numa extensão variável: é a bainha.
23. A folha sem pecíolo denomina­se séssil (a): o limbo pode prolongar­
se à volta do caule, formando uma espécie de orelhas ­

auriculada (h), ou ao longo do caule ­ decorrente (c).
24. 0 pecíolo da folha peltada une­se num

ponto central da face dorsal do limbo. Ex.: conchelos.

Nervação: o limbo é percorrido por nervu­

ras, prolongamentos e ramificações do pecíolo, mais ou menos salientes, 
que formam simultaneamente o seu esqueleto e o sistema de condução da 
seiva. A disposição das ner­

vuras é geralmente constante num género ou

numa família.
25. Disposição das nervuras mais ou menos paralelas (folhas 
paralelinérveas). Ex.: a tanchagem, plantas das famílias das Liliáceas e
das Gramíneas.
26. Uma só nervura no limbo, que ficou reduzido a uma agulha (folhas 
uninérveas). Ex.: o pinheiro, o zimbro, o abeto.
27. As nervuras estão dispostas como os

dentes de um duplo pente (folhas peninérveas). Ex.: a faia, o 
castanheiro.
28. As nervuras estão dispostas como os
dedos de uma mão aberta (folhas palminérveas). Ex.: a malva, o rícino.
25
A folha (2)

A forma do limbo e dos seus recortes serve de base à seguinte 
classificação:

Folhas simples: a folha comporta um só limbo, cuja margem pode 
apresentar recortes mais ou menos acentuados.
29. Limbo inteiro; bordo sem recortes. Ex.: o lilás.
30. Limbo dentado; margem apresentando recortes pontiagudos Ex.: o 
castanheiro, a urtiga.
31. Limbo crenado; margem com recortes arredondados. Ex.: o choupo­
negro.
32. Limbo lobado; margem com largos recortes que não atingem metade da 
aba da folha. Ex.: o carvalho.

As folhas simples penatipartidas e penatissectas distinguem­se pela 
maior ou menor profundidade dos recortes do limbo.
33. A folha penatipartida é peninérvea e os recortes ultrapassam metade 
do limbo.
34. Na folha penatissecta, o recorte atinge a
nervura central.
35. Esquema de uma folha com recortes triplos (tripenatissecta).

Folhas compostas: a folha diz­se composta quando cada um dos recortes, 
transformado

26
em folíolo, se mantém nitidamente individualizado em forma de uma 
pequena folha frequentemente provida do seu próprio pecíolo (peciólulo).
36. Diz­se penaticomposta quando os folíolos estão dispostos de cada um 
dos lados da nervura, à semelhança das barbas de uma pena de ave. Ex.: a
galega.
37. Diz­se palmaticomposta quando os folíolos se dispõem como os dedos 
de uma mão aberta. Ex.: o castanheiro­da­índia.

A disposição das folhas: as folhas podem estar dispostas ao longo do 
caule de diferentes modos: opostas, alternas e verticiladas.
38. Folhas opostas: dispostas aos pares ao nível de cada um dos nós em 
face umas das outras. Ex.: o buxo e plantas da família das Labiadas.
39. Folhas alternas: uma em cada nó, isoladas e dispersas pelo caule. 
Ex.: a tília.
40. Folhas verticiladas: dispostas em cada um dos nós em grupos de mais 
de duas folhas em volta do caule. Pode haver num mesmo verticilo três ou
mais folhas inseridas ao mesmo nível, formando uma coroa. Ex.: a 
aspérula.
41. Folhas em roseta: dispostas em círculos próximo da base ao nível do 
solo. Ex.: a pinguícula, a primavera.
27
Estigma

A flor (1)

Corola

Cálice

Calículo

Peciúriculo

A flor, espécie de botão muito especializado, é o órgão de reprodução 
sexuada de uma planta; é o principal meio, mas não o único, de perpetuar
a espécie. Provida de estames, órgãos masculinos, e de um pistilo, órgão
feminino, é hermafrodita, se bem que por vezes contenha apenas os órgãos
de um só sexo. Uma flor denomina­se completa quando é formada por 
cálice, corola, estames e um pistilo; se a flor não possui um destes 
elementos, denomina­se incompleta. Na base do seu suporte, o pedúnculo, 
encontra­se uma pequena folha, a bráctea, diferente das outras folhas. A
flor denomina­se séssil se não tem pedúnculo. Finalmente, uma flor 
denomina­se regular se a sua simetria é radial’ou irregular se a sua 
simetria é bilateral. As flores podem ser solitárias ou agrupadas, 
formando então inflorescências de formas variadas.

Flor completa:
42­43. Uma flor completa está provida de perianto, constituído pelo 
cálice e pela corola, de androceu, ou conjunto dos estames, e de 
gineceu, ou pistilo, composto pelo estigma, o estilete e o ovário.
44. A flor vista da parte inferior apresenta o perianto, conjunto 
formado pelo cálice, constituído por sépalas, e pela corola, formada por
pétalas, além do pedúnculo, ramo ou caule que lhe serve de suporte.

O cálice: invólucro mais externo da flor, é formado por uma ou várias 
sépalas, geralmente de cor verde, sendo por vezes reforçado por um 
calículo, ou epicálice. As sépalas da açucena são da mesma cor das 
pétalas, razão por que são denominadas petalóides.
28
45. Cálice dialissépalo: as sépalas apresentam­se livres em relação umas
às outras. Ex.: a morugem.
46. Cálice gamossépalo: as sépalas unem­se
num ponto do seu comprimento, formando um tubo. Ex.: a erva­saboeira.
47. Cálice em que uma das sépalas tem a
forma de capacete. Ex.: o acónito.

A corola: invólucro interno da flor, é formada pelo conjunto das 
pétalas. O papel da corola é importante: a coloração viva das pétalas, o
perfume que exalam e o açúcar dos nectários da base das diversas pétalas
atraem os insectos, que propiciam a fecundação. No entanto, os nectários
podem também situar­se nas folhas ou nos pecíolos.
48. Corola dialipétala: as pétalas apresentam­se livres. Ex.: a 
tormentila, a erva­benta.
49. Corola gamopétala: as pétalas estão unidas em todo o seu 
comprimento, constituindo uma corola em forma de funil. Ex.: os 
bons~dias, o lírio­ dos­vales.
50. Corola com uma pétala munida de esporão. Ex.: a ancólia, a violeta.

Flor regular: a que possui um eixo de simetria, isto é, todos os planos 
que passam por esse eixo dividem a flor em duas partes iguais (48). Ex.:
a erva­benta.

Flor irregular: apresenta uma simetria bilateral, isto é, em relação a 
um plano. Assim, apresenta um lado esquerdo e um lado direito (51, 52). 
Ex.: o amor­perfeito­bravo, o morrião­d'água.
53. Vista de frente, apresenta uma simetria bilateral.
54. Flor irregular com corola bilabiada, da qual duas pétalas formam o 
lábio superior e três o lábio inferior. Ex.: a urtiga­branca.
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A flor (2)
*//* esta página deve ser refeita
O androceu e o gineceu são os órgãos, respectivamente, masculino e 
feminino de reprodução da flor.
55. Corte de uma flor do abrunheiro­bravo. Vêem­se as sépalas, as 
pétalas, os estames e o pistilo. Os estames, cujo conjunto forma 
androceu, são formados por um filete e uma antera. No centro da figura 
observam­se o pistilo, ou gineceu, formado pelo ovário (parte 
arredondada que contém os óvulos), estilete e o estigma. Este androceu e
esta corola são perigínicos, porque os estames e as pétalas estão 
inseridos em volta do ovário, sobre o cálice (a). Se o cálice e o ovár 
estão soldados, o ová rio denomina­se ínfer( sendo as restantes peças 
florais epigínic@ (b).
56. O androceu e a corola são hipogínico porque os estames e as pétalas 
estão inser dos abaixo do ovário, que se denomina súper(

O androceu: os estames contém o pólen, o seu número é geralmente 
característica é uma família ou de uma ordem, Assim, m Dicotiledóneas, 
os números mais frequente são 2 e 5 e os seus múltiplos, enquanto m

Monocotiledóneas predominam o 3 e os seu múltiplos.
57. Um androceu é monadelfo quando c

filetes dos estames estão unidos quer na bas (a), quer em todo o seu 
comprimento (b).
58. Um androceu é diadelfo quando em 1 estames 9 estão unidos pelos seus
filetes e permanece livre. Ex.: o cornichão.
59. Um androceu é designado por poliadel fo quando os estames se 
encontram agrupa

30
dos em vários feixes. Ex.: o hipericão.
60. Um androceu é sinantérico quando os filetes estão livres e as 
anteras se unem, formando um invólucro que é atravessado pelo estilete. 
Flor ligulada do taráxaco (a); flósculo da bonina (b).
61. O androceu é didinâmico se apresenta 4 estames, dos quais 2 são 
pequenos e 2 grandes. Ex.: a dedaleira.
62. Diz­se que um androceu é tetradinâmico quando em 6 estames 4 são 
grandes e 2 pequenos. Ex.: plantas da família das Crucíferas.

O gineceu, ou pistilo, é um órgão mais variável e complexo que o 
androceu. Possuí, pelo menos, um carpelo (55), constituído por um 
ovário, um estilete e um estigma; porém, na generalidade, tem vários 
carpelos, livres ou unidos entre si.
63. Pistilo composto por numerosos carpelos livres como na ficária (a); 
na anémona (b), cada um deles termina por um longo estilete plumoso.
64. Pistilo composto por 5 carpelos, livres no vértice e unidos na base.
Ex.: o acónito (a), o heléboro­negro (b).
65. Pistilo composto por 5 carpelos com ovários soldados e 5 estiletes 
livres. Ex.: o linho­bravo.
66. Pistilo composto por 3 carpelos inteiramente unidos, como na 
açucena. O ovário com 3 lóculos prolonga­se por um estilete único que 
termina por um estigma globuloso trilobado Ex.: a túlipa.
67. Pistilo com estigmas radiantes sobre um disco séssil, chamado 
estigmatífero, que coroa o ovário. Ex.:+a a papoila ordinária.

Anteras soldadas
64 b

31
A inflorescência

A parte floral da planta é composta quer por flores solitárias, quer por
uma ou mais inflorescências. Este último termo designa um conjunto de 
flores suportadas por um pedúnculo comum. Se existir uma só flor na 
extremidade do pedúnculo, a inflorescência diz­se solitária; se houver 
várias, toma o nome de grupada. Alguns autores, porém, consideram 
inflorescências somente as gruPadas, Quanto ao tipo, as inflorescências 
podem ser definidas, ou cimeiras, e indefinidas. No primeiro caso, 
trata­se de uma

cujo eixo termina por uma flor, que é a primeira a abrir. No segundo, 
pode haver ou

não um eixo. Os tipos principais de inflorescências indefinidas são o 
cacho, a espiga, a umbela e o capítulo,
68. Planta com uma flor solitária.

0 cacho é uma inflorescência formada por um determinado número de flores
cujos pedúnculos são sensivelmente de igual comprimento e estão fixados 
sobre um eixo, ou caule, que prolonga o pedúnculo do cacho. Geralmente, 
não existem flores terminais.
69. Esquema do cacho (a). Exemplo de cacho com caule e pedúnculo: a 
groselheira­vermelha (b).
70. No cacho composto, os pedúnculos laterais podem apresentar­se também
ramificados em cachos e presos ao caule (pedúnculo ramificado) do cacho 
primário. Ex.: a videira.
71. Uma panícula é um cacho composto com pedúnculos muito compridos e 
desiguais, em forma de pirâmide. Ex.: a artemísia.

A espiga é formada por um grupo de flores sésseis, isto é, directamente 
unidas ao eixo,
72. Esquema de uma espiga simples.
73. Esquema de uma espiga composta.
74. A espiga pode ser densa, longa e pendente, chamando­se amentilho. 
Ex.: a aveleira.

0 corimbo é uma falsa umbela. Cacho cujos pedúnculos florais são de 
dimensões diferentes, sendo os da base mais compridos, mos­
trando as flores à mesma altura.
75. Esquema de uma inflorescência em corimbo simples, ex.: a pereira 
(a), e com corimbo composto, ex.: o milfólio (b).
32
A umbela é uma inflorescência em que todos os pedúnculos de igual 
comprimento se inserem num mesmo ponto do eixo principal. Por vezes, 
existe um invólucro na base.
76. Esquema de uma inflorescência com umbela simples. Ex.: a cerejeira 
(a), a hera (b).
77. Existem também umbelas formadas por umbelas mais pequenas 
(umbélulas), como na maioria das Umbelíferas. Ex.: o canabrás.
78. Na inserção dos pedúnculos da umbela, uma coroa de brácteas forma o 
invólucro. Ex.: a cenoura­brava.
79. A cúpula da glande do carvalho é um
invólucro formado por escamas resistentes situado na base do fruto para 
protecção.

Um capítulo é um grupo de pequenas flores, geralmente sésseis, reunidas 
numa dilatação do pedúnculo, o receptáculo.
80. Esquema de um capítulo (a); se a compararmos com a violeta (68), a 
bonina (b) apresenta­se não como uma flor solitária mas como um grupo de
flores: cada uma das lígulas brancas periféricas é uma flor, cada uma 
das papilas amarelas do centro é também uma flor. Só as amarelas têm 
estames, formando um androceu sinantérico (60 b).
81. Outra forma de capítulo: o dos fidalguinhos. Sob o capítulo, está 
uma folha de dimensões reduzidas ­ a bráctea. O invólucro do capítulo é 
formado por outras brácteas.

O espadice (82) é uma espiga com eixo carnudo, terminada no jarro por 
uma clava estéril e envolvida por uma bráctea membranosa, a espata.

A cimeira é uma inflorescência cujos eixos principais terminam numa 
flor, ramificando­se em um, dois ou mais ramos laterais.
83. Uma cimeira é unípara quando do eixo principal nasce um único 
secundário que termina numa flor e origina novo eixo que floresce. Se o 
desenvolvimento sucessivo dos eixos se faz sempre do mesmo lado, a 
cimeira é escorpióide. Ex.: não­me­esqueças.
84. Se o desenvolvimento se efectua alternadamente de ambos os lados, a 
cimeira é helicóide. Ex.: os lírios.
85. Uma cimeira é bípara quando cada uma das flores tem dois ramos 
laterais terminados por uma flor. Ex.: a morugem­vulgar.

Flores femininas

82

81

33
O fruto

0 fruto é o resultado final da maturação do ovário fecundado; contém os 
óvulos transformados em sementes aptas a germinar, pelo menos após algum
tempo, para dar origem a outra planta da mesma espécie. Há duas 
categorias de frutos: carnudos e secos.
Fruto carnudo: as sementes estão geralmente encerradas numa polpa 
suculenta rodeada por uma pele fina. A semente pode igualmente estar 
encerrada num caroço, por sua vez também situado no interior da polpa. 
Atingido o estado de maturação, o fruto desprende­se e cai.
86. Estes dois esquemas apresentam o core de dois frutos carnudos: são 
drupas, pois a
semente está inclusa no endocarpo, ou caro­

ço; este está por sua vez imerso no mesocarpo, ou polpa, e o fruto está 
rodeado por u epicarpo, ou pele. Ex.: a azeitona (a), a cereja (b).
87. Por vezes, o caroço tem uma parede dura. Ex.: o pêssego.
88. 0 endocarpo pode, em vez de apresentar­se duro, ser coriáceo. Ex.: a
maçã.
89. Quando as sementes, ou pevides, estão directamente incluídas na 
polpa, os frutos são bagas. Ex.: a uva.

Nos frutos secos, as sementes não estao geralmente imersas na polpa. 0 
invólucro seco e frequentemente duro protege o fruto e pode ou não 
abrir­se espontaneamente.

Fruto seco indeiscente: o fruto não se abre para libertar as sementes; 
desprende­se, por vezes, com a ajuda do vento, e cai ao solo. Após a 
deterioração do invólucro, surge uma plântula resultante da germinação 
da semente.
90. No aquênio, a semente única não adere à parede. 0 aquénio é, neste 
caso, como em muitas Compostas, encimado por um papilho que facilita a 
sua dispersão pelo vento.
91. Nas Labiadas, produzem­se quatro frutos por flor, formando um 
tetraquénio.
34
92. Nas Umbelíferas, os frutos são muitas vezes dois aquénios gemulados,
os diaquénios, provenientes de uma só flor.
93. A cariopse é um fruto cujas paredes aderem solidamente à semente 
única, como nas Gramíneas.
94. A sâmara é um aquénio rodeado por uma asa membranosa. Ex.: o 
ulmeiro.
95. Por vezes, duas sâmaras provenientes de uma só flor são gemuladas 
(dissâmara). Ex.: o bordo­comum.

Fruto seco deiscente­ abre­se espontaneamente na maturação para libertar
as sementes.
96. A vagem é um fruto seco deiscente proveniente de um só carpelo (a); 
na maturação, abre­se por duas fendas longitudinais (b); as sementes 
estão inseridas em cada um dos bordos da valva. Ex.: a ervilheira.
97. A síliqua tem no meio um falso septo que contém as sementes. A 
deiscência faz­se geralmente por quatro fendas longitudinais, duas de 
cada lado. Ex,: o goi v eiro­ amarelo.
98. A cápsula é um fruto seco que deixa sair as sementes quer por 
válvulas (a), ex.: a violeta, quer por poros (b), ex.: a papoila­
ordinária.

Frutos múltiplos: provêm de flores com carpelos livres que dão origem ao
mesmo número de frutos secos ou carnudos.
99. Corte da framboesa onde se distinguem as drupéolas ligadas ao 
receptáculo.
100. O morango tem um grande receptáculo com polpa espessa e suculenta 
quando maduro, sobre a qual afloram numerosos aquénios.

Infrutescências: provém de ovários mais ou menos concrescentes das 
flores de uma inflorescência.
101. Drupéolas da inflorescência da amoreira­negra.
102. Frutos unidos entre'si e com as suas brácteas. Ex.: o ananás.
103. O figo tem um receptáculo carnudo e suculento cuja cavidade está 
interiormente revestida de flores.

35
Onde encontrá­la?

As plantas estão estreitamente ligadas ao seu biótopo, ou meio ambiente;
por meio das raízes, utilizam os recursos do solo, e através dos caules 
e folhas, os da atmosfera. Existe um considerável número de factores com
grande influência no desenvolvimento da planta.

A natureza física do solo e a sua riqueza em elementos fertilizantes são
condições primordiais. Efectivamente, além do ar com o oxigénio e o dió 
xido de carbono, o solo é a fonte nutritiva da planta, que nele encontra
a água e os elementos minerais indispensáveis à sua vida. Assim, o 
regime das águas tem interesse essencial, devido às suas diversas fases,
como as precipitações (chuva e neve), a evaporação, a humidade 
atmosférica e o orvalho. A temperatura do ar é o outro ponto essencial, 
pois está sujeita a modificações consoante a exposição solar e a 
luminosidade, a duração dos dias e a acção do vento.

As plantas são, indubitavelmente, mais dependentes do meio ambiente do 
que os animais, pois estes podem deslocar­se para regiões mais propí 
cias quando a sua evolução biológica é dificultada por condições 
desfavoráveis. Contudo, a planta compensa quase sempre os inconvenientes
do seu imobilismo devido a uma grande capacidade de adaptação.

Quando necessita de resistir à aridez e pobreza do solo, as raízes 
desenvolvem­se a maior profundidade e ramificam­se mais, possibilitando 
assim a exploração de vastas camadas de terra e de subsolo. Se, pelo 
contrário, o solo tem um excesso de água, a planta reage por uma 
abundante transpiração e exsudação. A luta contra os ventos áridos e o 
frio traduz­se por uma diminuição do seu porte. Nas regiões onde o Verão
é curto e a neve permanece por longos períodos, como na zona alpina, há 
um encurtamento do ciclo vegetativo, que se completa mesmo sob a neve. 
Finalmente, algumas plantas lutam para evitar a sua extinção, produzindo
uma grande quantidade de sementes. Mesmo assim, há muitas espécies que 
desaparecem devido a biótopos demasiado ingratos, e por vezes é a 
presença do homem que contribui grandemente para acelerar este 
desaparecimento. Assim, os fidalguinhos, que cresciam nas searas e eram 
considerados uma erva daninha, foram sistematicamente combatidos com 
herbicidas, do que resultou a sua evidente rarefacção.

Para o desenvolvimento das plantas medicinais são necessárias condições 
de crescimento extremamente propícias, se bem que um crescimento muito 
intenso seja susceptível de conduzir a uma diminuição do teor de 
componentes activos.

As plantas medicinais devem ser procuradas e colhidas nos locais onde 
crescem espontaneamente e em abundância, apresentando todas as 
características de uma grande vitalidade. Citam­se alguns exemplos de 
biótopos: a calta, ou mal mequer­dos­brej os, adapta­se sobretudo às 
margens dos pântanos e aos prados muito húmidos, encontra do­se os seus 
caules quase sempre parcialmente imersos; a tussilagem procura os 
terrenos argilosos, como as bermas das estradas e as valas. As margens 
dos regatos tranquilos e dos pântanos são as zonas escolhidas pelo 
ácoro­bastardo. A Dryas octopetala encontra­se junto dos rochedos 
calcários das montanhas da Europa. A orvalhinha é uma planta carnívora 
das turfeiras e dos pântanos, onde encontra facilmente os insectos 
necessários ao seu desenvolvimento. 0 alecrim só se dá nas charnecas e 
nos matagais da região mediterrânica, pois é a aridez que mantém as suas
propriedades aromáticas, cultivando­se, no entanto, facilmente nos 
jardins de países tais como a França, Espanha, Portugal e Itália. Outras
plantas, como o visco, só se encontram nas árvores que parasitam.

A frequência de plantas medicinais nos diversos meios que habitam é 
variável. Em alguns casos é esporádica, sendo difícil prever a sua 
migração, como, por exemplo, o aljôfar, o licopódio e o feto­real. Estas
plantas povoam quase sempre abundantemente o
seu novo biótopo. Pelo contrário, há outras plantas que são’ 
sedentárias, como a parietária, o taráxaco e as tanchagens. A 
distribuição geográfica da planta pode ser um indicador do clima mais 
propício ao seu desenvolvimento. Se determinada planta apenas se 
encontra nas regiões mediterrânicas, pode concluir­se que este clima é 
necessário à sua sobrevivência, e seria inútil procurá­la no estado 
espontâneo num meio ambiente co o o da serra da Estrela; é possível que 
ali exista, mas cultivada.

Há climas locais mais favoráveis que o clima regional onde se manifesta 
uma ligeira diferença fenológica ou florística, isto >, uma antecipação 
da floração para as plantas da região ou o aparecimento de algumas 
espécies pouco frequentes que procuram beneficiar de um aumento de calor
e humidade.

0 teor em componentes activos nas plantas medicinais pode variar com 
diversos factores, como, por exemplo, o local, a natureza do solo, o 
perí odo de vegetação. É, assim, muito importante uma leitura atenta`dos
textos em caixa, a observação das fotografias do biótopo de cada uma das
plantas espontâneas estudadas nesta obra e uma
consulta cuidadosa do calendário da colheita: *As estações favoráveis+ 
(pp. 38­39). Se o leitor tomar em consideração todas estas indicações e 
características, ser­lhe­ão evitadas muitas hesitações.
36
Colheita, secagem e conservação

Em primeiro lugar, dever­se­á determinar quais os simples, as plantas 
medicinais que se desejam colher. A escolha da maioria das pessoas 
recairá sobre as plantas necessárias ao uso doméstico. Quem não prefere 
fazer
os seus próprios abastecimentos de tília, de hortelã­pimenta ou de 
macela e deixar de comprar os saquinhos de aroma duvidoso e de conteúdo 
suspeito?

Não seria lógico colher plantas sem utilidade e das quais algumas, para 
cúmulo, fossem perigosas. É necessário ainda prever as
possíveis alterações provocadas pelo tempo, se bem que uma conservação 
de vários anos se revele por vezes benéfica e quase indispensável, como,
por exemplo, a do amieiro­negro.

Assim, deverá colher todos os anos a quantidade a utilizar durante o 
Inverno e destruir o que restar do ano anterior. Convém saber se os 
simples que normalmente utiliza crescem perto da sua residência, pois 
poderá também aproveitar as férias para alargar a zona de colheita.

A colheita ­­ Após a escolha da colheita, é conveniente tomar um certo 
número de precauções, confirmadas pela experiência. É necessário 
identificar a planta sem hesitação quando esta ainda se encontra no 
solo. Determinados erros em que se incorre no campo da fitoterapia podem
ter graves consequências.

Para evitar o apodrecimento, é essencial escolher um dia de bom tempo e 
uma hora em que o orvalho esteja praticamente dissipado e as flores 
abertas, por exemplo cerca das 9 ou 10 horas da manhã, ou no fim do dia.

No desenvolvimento da planta há um período mais ou menos exacto em que 
cada uma das partes contém o teor máximo de princípios activos 
perfeitamente desenvolvidos.

De um modo geral, os caules colhem­se no Outono e os botões na 
Primavera; a colheita das folhas faz­se no período que precede a época 
da floração, altura em que são mais activas; as flores e as sumidades 
floridas devem ser colhidas no início do seu desabrochar, antes que as 
pétalas murchem e o
ovário dê origem ao fruto; os frutos carnudos e secos colhem­se na 
maturação; quando a planta está seca, colhem­se as sementes; as raízes 
desenterram­se fora do período de plena vegetação, isto é, no Outono ou 
na Primavera; a casca retira­se durante quase todo o ano.

A floração é um período extremamente flutuante de espécie para espécie. 
Assim, a tussilagem floresce entre Fevereiro e Abril, surgindo em 
seguida as folhas e os frutos, e não dá mais nenhum capítulo até ao 
Inverno seguinte, excepto em regiões de grande altitude.

Para se orientar, consulte o calendário da colheita, que indica os 
períodos favoráveis ou as *estações propícias+; podem ocorrer variações 
de um mês, consoante a latitude e a altitude a que as plantas se 
encontram.

Quando tiver identificado e referenciado a planta, é necessário não 
cometer erros quanto à parte do vegetal a utilizar. Por vezes, usa­se a 
planta inteira, mas geralmente apenas uma parte, como a raiz, o caule, 
as folhas, as flores, a casca ou os frutos.

Finalmente, antes de ir para o campo, deverá munir­se de uma boa faca de
lâmina de aço, de uma pequena tesoura de podar, de fio e de um cesto de 
vime sem tampa ou, em seu lugar, de um ou dois caixotes.

Simultaneamente à colheita, é necessário preparar a secagem em condições
apropriadas. As plantas que podem ser atadas em molhos, por exemplo os 
caules folhosos da hortelã­pimenta e da erva­cidreira, deverão ser 
preparadas do seguinte modo: atam­se cerca de 20 caules pela base com um
fio, deixando livre um pé que tenha pelo menos cerca de 20 cm. Deverá 
colocar cada um dos molhos no caixote, de preferência ao sol, pois é 
extremamente vantajoso acelerar o emurchecimento, primeira etapa da 
dessecação. Realizado rapidamente, este emurchecimento diminuirá os 
perigos de fermentação se for seguido de uma boa ventilação à sombra. 
Não é demais insistir que a acção do sol, frequentemente preciosa nesta 
primeira fase, deverá ser evitada, pelo menos no caso das plantas ricas 
em essências, como as Umbelíferas ou as Labiadas, que, expostas ao sol, 
perderiam muitos dos seus componentes.

A secagem ­­ À colheita sucede­se a secagem, que possibilita a 
eliminação de uma certa quantidade de água retida pela planta. É uma 
operação importante que deve ser realizada imediatamente. Assim, antes 
ainda de dar início a
uma colheita, é necessário procurar um local apropriado e preparar os 
meios para a secagem.

No decorrer desta operação, as espécies não devem ser misturadas; por 
exemplo, uma planta aromática como a hortelã­pimenta não deve juntar­se 
a uma planta sem perfume como o azevinho. As plantas tóxicas não devem, 
sob nenhum pretexto, ser guardadas em casa. É possível que um molho de 
plantas necessite de uma lavagem devido ao pó ou à lama na folhagem; 
nesse caso, deverá proceder­se imediatamente a uma seca
37
gem com ar quente, pelo menos até à fase do primeiro emurchecimento. As 
próprias raízes devem, indispensavelmente, ser lavadas com muito cuidado
antes de serem postas a secar e, enquanto ainda estão frescas, ser 
cortadas em fragmentos de 1 ou 2 cm. Esta operação deve ser executada 
por dois motivos: os troços secarão mais rapidamente que a raiz inteira 
e esta, depois de seca, seria muito difícil de cortar.

A secagem, após um emurchecimento rápido, far­se­á à sombra, num local 
bem arejado e seco. Um velho sótão, mesmo parcialmente repleto de 
mobílias, ou um celeiro são óptimos locais de secagem. Se pelas janelas 
ou frestas penetrarem na divisão alguns raios de sol, é conveniente 
colocar, a certa distância, algumas serapilheiras formando uma cortina 
que permita a circulação do ar, mantendo, no entanto, as plantas à 
sombra.

Os molhos de plantas ou os ramos de árvores e de arbustos devem ser 
pendurados, com a parte inferior para cima, em cordas ou arames 
estendidos através da divisão à altura de um homem. As folhas e as 
flores devem ser separadas do caule; os troços de raiz colocados, sem os
misturar, evidentemente, em caixotes cujo fundo foi previamente forrado 
de juta. Ao mesmo tempo que deixa circular o ar fresco vindo de baixo, 
este tecido segura os fragmentos, que facilmente passariam pelos 
interstícios das tábuas do caixote. E essencial que as camadas sejam 
finas; apenas devem ter 1 ou 2 cm de espessura.

As bagas poderão ser colocadas numa grande caixa de cartão pouco funda e
de bordos muito direitos. Na altura da colheita, ficaram certamente 
misturadas com restos de folhas; é fácil separá­las inclinando 
adequadamente a caixa para que as bagas rolem para a parte mais baixa e 
os detritos permaneçam no seu lugar. As bagas e os frutos esféricos não 
necessitam, geralmente, de ventilação inferior, pois a sua forma 
possibilita uma boa circulação do ar fresco em redor. No decurso da 
secagem, todos os dias devem remover­se levemente as camadas para que os
elementos colocados a maior profundidade entrem em contacto com ar 
renovado. A ventilação deve ser suave, não sendo indicada uma corrente 
de ar muito forte. As partes utilizáveis dos ramos deverão ser separadas
logo de seguida, especialmente no caso da tília, pois, devido às 
reservas de seiva contidas nos ramos, a flor poderá transformar­se em 
fruto em vez de murchar, o que seria desastroso, uma vez que a parte 
utilizada é a flor seca. O mesmo sucede com a tasneirinha, que, se for 
colhida antes de os capítulos estarem abertos e colocados em molhos 
invertidos, pode cobrir­se de pequenos penachos brancos, as sementes, 
que amadurecem rapidamente durante a agonia da planta. Depois de formado
o fruto, o vegetal perde grande parte do seu valor.

A secagem permite, portanto, eliminar uma certa quantidade de água. Uma 
planta de habitat terrestre contém cerca de 75 a
85% de água. Uma planta aquática pode ultrapassar os 90%. Evidentemente 
que não é possível eliminar toda esta água. De facto, mesmo quando se 
pensa que a planta está bem seca, contém ainda 10 a 12% de água, 
denominada de constituição, que só poderia ser eliminada por meio de 
forte aquecimento. Há que contar, em média, com uma perda de 50 a 90% em
relação ao peso inicial. Por exemplo, 10 kg de plantas frescas das 
espécies a seguir indicadas dão, após a secagem:

Golfão: 520 g; Borragem: 950 g; Tília: 3,200 kg; Sabugueiro: 3,300 kg; 
Verbena: 4,100 kg; Hipericão: 5 kg.

Além disso, a mesma planta colhida na Primavera perderá mais peso do que
se for colhida no Outono.
O tempo de secagem deve assim depender da quantidade de água a eliminar 
e também da resistência da planta à evaporação. Nas melhores condições, 
a secagem faz­se em 6 dias, e mais frequentemente entre 10 e 12. Se o 
arejamento for suave, o único inconveniente de prolongar a secagem é o 
perigo de acumulação de pó nas plantas, pelo que é preferível não 
ultrapassar as três semanas. Para avaliar o grau de dessecação das 
folhas e das flores, é necessário que, ao tocar­lhes, não se sinta 
qualquer humidade e que estejam rígidas, mas não quebradiças.

A conservação ­­ Quando estiverem bem secas, as plantas podem ser 
conservadas, ao abrigo do ar, da luz, da humidade e do pó, em caixas de 
**laU bem fechadas, em sacos de papel grosso fechados com uma fita 
adesiva ou em saco de plástico. Se adoptar este último modo de 
conservação, deverá ter muito cuidado e oito dias após a embalagem das 
plantas observá­la com atenção. O mínimo depósito de vapor na parte 
interna do saco indica que a dessecação não foi suficiente e terá de ser
concluída. Em cada uma das embalagen deverá colocar uma etiqueta bem 
visível com o nome da planta e a data da colheita.

Não é conveniente cultivar os simples em sua casa. No entanto, se tiver 
uma pequena horta, pode semear algumas plantas simultaneamente 
condimentares e medicinais, como o cerefólio, a cebolinha, o estragão, a
manjerona, a salva, a salsa e o tomilho. É ainda possível cultivar a 
macela, a hortelã­pimenta, e a erva­cidreira, além dos legumes 
medicinais e de muitas outras plantas que, embora menos activas do que 
as suas afins espontâneas, são de grande utilidade.
40
Guia das plantas a conhecer

As plantas espontâneas

As plantas cultivadas

As plantas tóxicas

As plantas exóticas

43

305

337

349
As plantas espontâneas

Como utilizar o dicionário

As plantas espontâneas são apresentadas, por ordem alfabética, pelo seu 
nom
vernáculo mais vulgarmente utilizado.

Sob esta designação figura, em itálico, o nome latino, seguido da 
inicial do botânico que descreveu e deu o nome à planta.

Seguidamente, indicam­se os nomes vernáculos mais frequentemente 
utilizados em Portugal e no Brasil.

A família a que a planta pertence está impressa a negro. Se quiser saber
quais as plantas afins de uma planta, consulte a lista de *As 100 
famílias>, (p. viI e viii >

A gravura representa a planta descrita ou uma parte desta, se as suas 
dimensões não permitem representá­la totalmente. A algumas ilustrações 
foi acrescentado um pormenor, folha, flor, floração, caule, semente, 
quando qualquer destes elementos constituía uma informação importante 
que facilitasse a identificação.

A fotografia representa o biótopo, ou habitat geográfico da planta, que 
possibi lita a sua procura e a sua identificação no meio onde é mais 
frequente. O texto refere­se à história da relação homem­planta.

No texto em caixa, na parte inferior da página, insere­se o *cartão de 
identidade+ da planta, onde poderá encontrar todas as informações úteis 
para a sua identificação e utilização, apresentadas do seguinte modo:

* Componentes: consultar, nas pp.
e 13, *A fábrica vegetal+ para suas funções e definição.
* Propriedades: consultar nas pp. 14
15 as suas definições. U.l.: uso interno. UX.: uso externo. + 
=utilização farmacêutica. V =utilização cosmética.
O =utilização veterinária. Ver: consultar, nas pp. 371­435,
termos inseridos no *Dicionário da saúde+.

O = Perigos, partes tóxicas, não confundir com ... Identificação: 
descrição botânica do vegetal, dimensões, descrição do caule, das 
folhas, das flores (cujo período de floração é indicado entre 
parênteses), do fruto, da raiz, cheiro e sabor. Para as explicações dos 
termos botânicos, consultar as pp. 20­35 do capítulo
"identificar, colher e conservar,> e, pp. 443­453, o *Glossário@>.
O Partes utilizadas: enumeração das partes utilizadas em fitoterapia (o 
período da colheita é indicado entre parênteses).

Se, na presença de um vegetal, tiver dificuldades em identificá­lo, 
deverá consultar em primeiro lugar o quadro dicotómico *As chaves da 
classificação+ (pp .    ), que, da morfologia da planta à família, lhe 
possibilitará orientar a sua pesquisa. Em seguida, será conveniente 
consultar o quadro *As 100 famílias+ finalmente, os dicionários das 
plantas espontâneas, cultivadas e tóxicas.

Para facilitar a utilização dos dicionários, foi estabelecido um índice 
(pp. onde se apresentam, por ordem alfabética, os nomes das plantas, os 
nomes latinos e ainda os outros nomes vernáculos de todas as plantas 
descritas ou citadas nestas três rubricas. As siglas empregadas nesta 
parte são comuns ao conjunto da obra.
Abeto­branco

Abie.@ alba Mili.

Abeto­pectinado

Abietáceas

O abeto­branco já povoava a terra há 55 milhões de anos, e, 
ultrapassando os formidáveis movimentos geológicos da era quaternária, 
de descendência em descendência chegou até aos nossos dias. Planta 
longeva que pode atingir os 800 anos, é uma magnífica conífera. Pelo seu
porte majestoso, o abeto­branco é sem exagero o rei das florestas, 
perfeitamente piramidal, com enormes
ramos opostos regularmente abertos, estreitando­se para o vértice. Estes
grandes abetos formam frequentemente nas vertentes sombrias dos maciços 
montanhosos cerradas florestas com sombras rectilíneas que se estendem 
pelas encostas sem contudo atingir as planícies. Outrora, os médicos 
utilizavam a terebintina com cheiro a limão extraída da sua resina, mas 
actualmente esta substância foi posta de parte, sendo substituída pela 
do pinheiro. Os fitoterapeutas mantiveram­se fiéis não só à resina 
recente do abeto, mas também às agulhas e aos gomos ainda fechados. 
Estes últimos, muito pequenos e tão activos como os do pinheiro, são 
bastante difíceis de secar e conservar, se bem que as suas importantes 
propriedades justifiquem as precauções necessárias e uma atenta 
vigilância durante a colheita. Têm cheiro levemente limonado e sabor 
ligeiramente acre.

Habitat: Europa Central e Meridional, montanhas; de 400 a 2000 m. 
Identificação: até 50 m de altura. Árvore; tronco erecto, casca lisa, 
esbranquiçada, seguidamente escurecida, ramos escalonados em plano 
horizontal, concentrando­se no vértice com o decorrer dos anos; gomos 
resinosos, agulhas simples, achatadas, dispostas em duas filas, verde­
escuras, lustrosas na página superior, persistindo entre 8 e 11 anos; 
flores (Abril­Maio), monóicas, amentilhos masculinos fixados na face 
interior dos ramos, amentilhos femininos primeiramente vermelhos e 
depois
verdes e castanhos, formando em seguida longas pinhas erectas (16 cm), 
com brácteas acuminadas que caem com as sementes. Partes utilizadas: 
agulhas, resina fresca, gomos (Primavera); secagem em camadas finas.
O Componentes: óleo essencial, terebintina, provitamina A O 
Propriedades: antiescorbútico, antiespasmódico, anti­séptico, diurético,
expectorante, revulsivo, sudorífico. U. L, U. E. + Ver: banho, 
bronquite, cistite, enfisema, frieira, leucorreia, menstruação, pé, 
sudação, úlcera cutânea, varizes.
43
Abrótano­fêmea

Santolina chama ecyparissus L. Guarda­roupa, pequeno­limonete, roquete­
dos­jardins

Bras.: santolina

Compostas

O aroma penetrante e intenso do abrótano­fêmea, a delicadeza do seu 
aspecto aveludado e a harmonia dos seus caules finos encimados por 
pequenos capítulos amarelos contribuíram para que os jardineiros o 
elegessem como flor ornamental. No estado espontâneo, prefere o sol 
mediterrânico, os rochedos e as encostas áridas, colonizando também as 
campas e a terra dos cemitérios. Os etimologistas encontraram para o seu
nome duas origens possíveis: da palavra italiana santo, santo, devido às
suas múltiplas virtudes, ou da palavra grega xanthos, amarelo, evocando 
a cor das suas flores. As sumidades floridas, que se colhem em Julho, 
possuem uma acção estimulante, estomáquica e emenagoga; são ainda 
antiespasmódicas, podendo também ser utilizadas em infusão para as 
cólicas de estômago. Além disso, a planta tem grande procura devido à 
acção vermífuga das suas sementes, que podem substituir o sémen­contra, 
ou santónico, medicamento obtido da variedade stechemanniana Besser de 
Artemisia maritima L., das estepes do Turquestão Russo. Cazan receitava 
o abrótano­fêmea para tratar a tinha. A denominação de guarda­roupa foi­
lhe atribuída porque, pendurado em ramos nos roupeiros e armários, 
protege a roupa e o vestuário das traças.

Habitat: Europa, região mediterrânica, rochedos, colinas áridas e 
calcárias; subespontâneo em algumas zonas da Beira Litoral, Estremadura 
e Alentejo litoral; até 1000 m. Identificação: de O,20 a O,50 m de 
altura. Vivaz, caule lenhoso na base, espesso, com numerosos ramos 
erectos e pubescentes; folhas vilosas, esbranquiçadas, pequenas, 
estreitas, penatifendidas, com dentes obtusos; flores amarelo­douradas 
(Junho­Agosto), tubulosas, em capítulos solitários, globosos, na 
extremidade dos ramos, receptáculo vestido de brácteas interflorais; 
aquénio calvo com 4 ângulos, dos quais 2 são mais salientes. Cheiro 
intenso, sabor amargo, acre e aromático. Partes utilizadas: sumidades 
floridas, sementes e folhas (antes da floração); secagem errramos 
suspensos.
O Componentes: óleo essencial, resina, tanino, principio amargo O 
Propriedades: antiespasmódico, emenagogo, estimulante, vermifugo@ LI. L,
U. E. + Ver: fadiga, insectos, parasitose.

44
Abrunheiro­bravo

Prunus spinosa L.

Ameixeira­brava, acácia­das­alemãs
Rosáceas

Os abrunheiros­bravos formam, a partir de Março, nas falésias marítimas,
magníficas moi tas cor de neve repletas de ninhos de ave, Plantas 
rústicas e invasoras, podem, se não forem controladas, anexar 
vastíssimas áreas. Como o fra mboesei ro­selvagem, o seu tempo de vida é
aproximadamente igual ao do homem.

Os abrunhos, pequenas drupas redondas e azul­escuras, quando maduras 
cobertas de uma pruína cerosa, são dotados de um encanto irresistivel. 
Estes frutos não são comestiveis, mas raramente alguém deixa de os 
provar, ao menos uma vez por ano, no Outono, para saborear a sua 
aspereza. É necessário esperar que as primeiras geadas moderem este 
gosto antes de colhê­los para a preparação de licores ou aguardentes; as
suas propriedades, adstringentes são utilizadas em medicina, sendo 
indiferente que os
frutos estejam verdes, frescos, secos ou maduros. As flores, cujo sabor 
a amêndoa amarga resulta da presença de uma substância geradora de á 
cido cianídrico, são também utilizadas. A casca e as folhas contêm 
igualmente esta substância; por esta razão, é conveniente respeitar as 
doses indicadas. As folhas secas deste arbusto são apreciadas por alguns
fumadores de cachimbo. As flores são colhidas em botão.

O Não ultrapassar as doses indicadas de cascas, flores e folhas. 
Habitat: Europa, sebes, bermas; até 1600 m. Identificação: de 1 a 3 m de
altura. Arbusto espinhoso; ramos patentes, vilosos quando jovens, depois
de um preto­brilhante; ramos espinhosos com folhas e grande número de 
raminhos patentes (em ângulo quase recto), folhas verde­escuras, 
pequenas, ovadas, serradas, pubescentes e em seguida glabras, com 
pecíolo curto e estipulas vilosas; flores brancas matizadas de cor­de­
rosa (Março­Maio), antes das folhas, numerosas, pequenas, pedunculadas, 
5 sépalas campanuladas, 5 pétalas brancas, 1 estilete, numerosos 
estames, drupa azul­escura, glabra, recoberta de uma camada cerosa 
(pruína), com caroço globoso quase liso; toiça com turiões. Cheiro 
agradável; sabor áspero. Partes utilizadas: casca, folhas, flores e 
frutos.
O Componentes: tanino, heterósidos, cianogenéticos, vitamina C O 
Propriedades: adstringente, depurativo, diurético, laxativo, sudorífico,
tónico. U. I., U. E. kyj Ver: acrie, boca, crescimento, cura de 
Primavera, fadiga, furúnculo,

45
Acácia­bastarda

Robinia pseudacacía L. Falsa­acácia, acácia­de­flores­brancas, robínia

Leguminosas

Em 1601, Jean Robin, jardineiro do rei Henrique IV de França, que 
tratava das plantas medicinais, recebeu, vinda dos montes Apalaches, na 
América do Norte, uma semente que enterrou na Praça Dauphine, em Paris. 
Trinta e cinco anos depois, a árvore nascida dessa semente foi 
transplantada para o Jardim Botânico de Paris. Lineu baptizou a planta 
com o nome de Robinia, em homenagem a Robin. Mais tarde, a árvore 
tornou­se espontânea e difundiu­se por toda a Europa, exceptuando o 
Norte, pois não suporta o frio, a humidade e sobretudo os ventos, que 
quebram facilmente os seus
ramos e agitam com violência a sua bela copa. Tem preferência pelos 
solos bem drenados, os quais, aliás, consolidam as suas raízes. As 
abelhas têm uma preferência especial pelo rico néctar das flores da 
acácia­bastarda. Com os cachos floridos podem preparar­se xaropes, uma 
agradável água de toilette e um vinho tónico obtido pela maceração de 15
a 20 g de flores em 1 1 de vinho tinto. As sementes e a casca não devem 
ser ingeridas. A raiz é tóxica, não obstante ter um sabor doce, pelo que
deve ser proibida às crianças.

O Utilizar as sementes, a casca e a raiz apenas com receita médica; 
cumprir as doses. Habitat: zonas temperadas da Europa, solos ricos e 
profundos: em Portugal, cultivada como planta ornamental; até 700 m. 
Identificação: de 10 a 30 m de altura. Árvore; tronco grosso, 
ramificando­se bastante em baixo, ramos patentes, casca profundamente 
gretada, ramos lisos; folhas grandes, imparipinuladas, com 9 a 25 
folíolos ovais, inteiros, tenros, com estipulas transformadas em 2 
espinhos persistentes entre os quais se dissimula a gema; flores brancas
(Maio­Junho), em cachos pendentes, cálice com 5 dentes, corola 
papilionácea vagem castanha, pendente, glabra, com 10 a l@ sementes 
duras; raizes vigorosas, que se prolon gam horizontalmente, invasoras, 
com nodosidades. Cheiro penetrante e aromático; sabor docE Partes 
utilizadas: flores (Maio­Junho) e folhas.
O Componentes: heterásido, óleo essencial, enzima, compostos cetónicos, 
tanino, pigmen tos flavónicos O Propriedades: antiespasmódico, colagogo,
emoliente, tónico. U. 1. + LN Ver: anemia, cefaleia, estômago, fígado, 
indigestão.

46
Açafroa

Carthamus tinetorius L,

Aç afrão­ bastardo, saflor, açafrol

Compostas
Planta tintorial tão importante como o índigo, esta espécie de cardo com
flores amarelo­alaranjadas, profusamente rodeadas de brácteas, foi 
progressivamente abandonada desde a descoberta dos corantes químicos. 
Originária do Oriente, subsiste no estado subespontâneo nas searas do 
Alentejo, do Algarve e da Madeira.

A palavra Carthamus deriva do árabe kurthum, que, por sua vez, deriva do
hebraico kartami, tingir. Das flores resulta um primeiro corante amarelo
que não é apropriado para a tinturaria; segue­se­lhe a cartamina, ou 
vermelho vegetal, que ainda é utilizado actualmente pelos pintores e, na
Argélia, para o fabrico de cosméticos. Sob a designação de açafrão­
bastardo, as flores da açafroa já foram utilizadas em falsificações de 
açafrão. As sementes, muito amargas, são, contudo, apreciadas pelos 
papagaios, pelo que são também conhecidas por sementes de papagaio. As 
folhas e as sementes contêm uma enzima que provoca a coagulação do 
leite. Das sementes extrai­se um óleo que em algumas regiões é utilizado
para a iluminação e como purgativo, Largamente cultivada na Índia, 
Hungria e Etiópia, é bastante rara no estado espontâneo.

Habitat: Europa Mediterrânica, cultivada no Sul de França; taludes e 
terrenos baldios. Identificação: de O, 10 a O,60 m de altura. Anual ou 
bienal, caule glabro, ramificado; folhas serradas, espinhosas, sésseis, 
ligeiramente amplexicaules, com rede de nervuras visível na página 
inferior; volumosos capítulos isolados amarelo­alaranjados (Julho­
Setembro), emergindo de numerosas brácteas terminadas por um apêndice 
celheado; aquénio escamoso­rugoso. Sabor amargo. Partes utilizadas: 
folhas, flores (Julho­Setembro), sementes (Outubro).

O Componentes: glúcidos, lípidos, prótidos, celulose, enzima, coagulante
do leite (sementes), vitamina C (folhas), duas matérias corantes, uma 
das quais a cartamina, ou vermelho vegetal (flores) O Propriedades: 
purgativo. U. 1. + o Ver: intestino.
Acanto

A(­anthus moffis L.

Erva­gigante, gigante, branca­ursina

Bras.: acanto

Acantáceas

Bastante raro no estado espontâneo, o acan­

to é muito cultivado nos jardins corno planta ornamental pela elegância 
das suas grandes flores brancas com veios apurpurados e das suas folhas 
grandes e profundamente fendidas. Diz­se que a forma das suas folhas, 
escuras e brilhantes, inspirou o escultor grego Calímaco quando criou os
motivos deco~ rativos do capitel coríntio. 0 acanto encon­

tra­se, aliás, em todo o litoral mediterrânico.
Os médicos da Antiguidade receitavam o

infuso da planta para numerosas finalidades. Dioscórides e Plínio 
consideravam­na diurética, eficaz contra as irritações das vísceras e 
até preventiva da tuberculose pulmonar. Na Idade Média, porém, o acanto 
parece ter caído no esquecimento. Actualmente, é muito utilizado para 
uso externo sob forma de banhos, cataplasmas, compressas e gargarejos. 
Para que as flores conservem a sua máxima eficácia, devem ser colhidas 
em plena antese e secas lentamente à sombra. Pelo contrário, as folhas e
as raízes devem ser secas em estufas bastante quentes.

Habitat: Europa Mediterrânica, solos rochosos, entulhos; até 300 m. 
Identificação: de 0,40 a 1,50 m de altura. Vivaz, caule florífero, 
erecto, robusto, com poucas folhas na base; folhas basais glabras, 
muiHabrtat’  Eur o’ entu’ h os,até Idenlifi caÇão vaz,  ca ulef1o cas f 
o 1has na to grandes, pouco rígidas, profundamente fendidas; flores 
brancas, frequentemente com estrias cor de púrpura (Julho­Agosto), de 5 
a 6 cm

de comprimento, sésseis, formando uma longa espiga de 4 a 6 fileiras 
verticais muito diferenciadas, providas de uma bráctea espinhosa e de 
duas bractéolas estreitas, cálice com 4 tobos desiguais, sendo o supe 
ior muito grande

e violáceo; corola com um lábio inferior,comprido, papiráceo, trilobado 
e 4 estames soldados à corola; cápsula castanha, lisa, de deiscência 
explosiva, com 2 a 4 sementes grandes, castanhas e brilhantes; toiça 
grossa com raizes grossas e esbranquiçadas. Partes utilizadas: folhas 
recentes, flores, raiz.
0 Componentes: sais minerais, mucilagem, giúcidos, tanino, substâncias 
amargas 0 Propriedades: aperitivo, colerético, emoliente, vulnerário. 
U . I., U. E. Ver: anginas, contusão, dartro, diarréia, digestão, 
picadas, queimadura.
Agrião

Nasturtium officinale R. Br.

Agrião­das­fontes, agrião­de­água

Para aproveitar ao máximo as importantes propriedades do agrião, é 
necessário Utilizá­lo muito fresco e verde e lavá­lo previamente, pois é
susceptível de transmitir ao homem uma doença parasitária, a 
distomatose. Se estas regras forem devidamente cumpridas, a planta 
merece indubitavelmente a designação de *saúde do corpo+, que lhe é 
atribuída nos meios rurais em França. É uma pequena planta vivaz, 
aquática, cujo cheiro picante determinou o seu nome científico 
Nasturtium, que deriva da expressão latina nasus tortus, nariz torcido.

O agrião é uma planta de grande valor medicinal, pois a sua riqueza em 
vitaminas e sais minerais confere­lhe propriedades de excelente 
estimulante e antiescorbútico. A espécie cultivada tem as mesmas 
propriedades. Para o encontrar em locais onde não é cultivado, são 
necessários longos percursos pelos prados húmidos, até conseguir colhê­
lo numa nascente, numa fonte ou num pequeno regato. É frequente 
encontrar próximo deste o falso­agrião, uma umbelífera afim do aipo 
(Heloscyadium nodiflorum) que não é venenosa, sendo, no entanto, 
aconselhável eliminá­la logo que identificada. As suas flores estão 
dispostas em umbelas, e os seus folíolos dentados adelgaçam­se 
progressivamente. Possui um sabor diferente do do agrião.

O Interromper a utilização se surgir uma irritação dolorosa da vesícula.
Habitat: Europa; em Portugal, nos locais húmidos, nascentes, regatos, 
valas; até 2000 m.

Identificação: de O,10 a O,80 m de altura. Vivaz, caule prostrado, 
redondo, carnudo, glabro, parte inferior rastejante na água; folhas 
verde­escuras, carnudas, glabras, pinuladas, com foHolos arredondados ou
ovais, sendo o terminal frequentemente maior; flores brancas (Maio­
Setembro), pequenas, em cacho denso, 4 sépalas iguais, 4 pétalas em 
cruz, 4 estames compridos e 2 curtos; síliqua curta contendo 4
fileiras de sementes; raizes adventícias nas zonas rastejantes dos 
caules. Cheiro picante; sabor picante. Partes utilizadas: caule com 
folhas (Maio­Setembro). * Componentes: fósforo, ferro, iodo, cálcio, 
heterósido sulfurado, vitaminas A, B2, C, E e PP O Propriedades: 
depurativo, diurético, estimulante, febrífugo. U.l., U.E. + O Ver: acne,
apetite, boca, bronquite, cabelo, convalescença, dermatose, escorbuto, 
fígado, pele, sarda.

49
AgrimÓNIA

Agrimonia eupatoria L. Eupatória, erv a­ dos­ gregos, erva­hepática
Bras.: agrimônia, eupatório

Rosáceas

Foram atribuídas ao nome do género várias etimologias gregas; de facto, 
esta palavra pode derivar de agros, campo, e monias, selvagem, em alusã 
o ao seu habitat, ou de argemone, mancha ocular, evocando as 
propriedades oftalmológicas da planta. A designação específica eupatoria
pode ser referente a Mitridates Eupator, rei do Ponto, que no
século 1 a. C. se supõe ter adoptado esta planta devido às suas virtudes
medicinais.

Conhecida desde a Pré­História, celebrizada na Antiguidade como curativa
dos venenos de serpente, das doenças de fígado, das perturbações da 
visão e das falhas de memória, a agrimónia foi, durante muito tempo, 
confundida nos textos escritos com a verbena. Foram, porém, 
diferenciadas no século XV. Progressivamente, a planta parece cair no

esquecimento, conservando, no entanto, até aos nossos dias os créditos 
dos europeus do Norte, que consideram a sua infusão como um tónico, e 
mantendo a reputação, entre actores e cantores, de ser o anjo­da­guarda 
das suas vozes. Uma planta afim, a Agrimonia odorata Mill., muito 
aromática, diferencia­se da agrimónia pela atracção por locais sombrios 
e por ser totalmente desprovida de propriedades medicinais.

Habitat: Norte da Europa, excepto nas regiões árcticas, solos argilosos 
expostos ao sol; até
1000 m. Identificação: de 0,30 a 0,70 m de altura. Vivaz, caule simples,
viloso, erecto e cilíndrico; folhas pubescentes e acinzentadas na página
inferior, com estipulas amplexicaules de 5 a 9 folíolos oval­ 
lanceolados, dentados, alternando com 5 a 10 mais pequenos; flores 
amarelas (Junho­Setembro), em espiga alongada, 5 pétalas, 10 a 20 
estames, 2 carpelos, cálice envolvido por um anel de sedas assoveladas e
gancheadas na extremidade, reunidas em vá~

rias ordens; 1 ou 2 aquénios cónicos; rizomas rastejantes grossos. 
Cheiro levemente aromático; sabor acistringente e amargo. Partes 
utilizadas: sumidades floridas, folhas mondadas (Junho­Agosto); secagem 
à sombra.
* Componentes: tanino, óleo essencial, goma
* Propriedades: acistringente, anti­inflarnatório, cicatrizante, 
diurético, resolutivo, vulnerário. LI. I., U. E. + o Ver: anginas, 
contusão, diabetes, diarréia, entorse, enxaqueca, ferida, greta, 
obesidade, rouquidão, voz.
Agripalma

Leonurus cardiaca L.

Cardíaca

Bras.: chá­de­frade, erva­rnacaé

Labiadas

O nome científico genérico da agripalma, Leonurus, é composto por uma 
palavra latina, leo, leão, e uma palavra grega, oura, cauda. Refere­se 
ao aspecto da sua inflorescencia. Quanto ao nome da espécie, cardiaca, 
deriva da sua muito antiga reputação como calmante das dores gástricas e
cardíacas. Supõe­se, no entanto, que a planta denominada kardiaca por 
Teofrasto não terá nada de comum com a agripalma. 

Oriunda, segundo se supõe, da Asia cerca do século Vii, a agripalma 
difundiu­se seguidamente por quase toda a Europa, com excepção da região
mediterrânica. Planta de óptima reputação, foi cultivada no século XV 
nos jardins dos mosteiros e mencionada por Ambroise Paré 100 anos 
depois; muito famosa e excessivamente louvada no século XVIII, caiu 
progressivamente no esquecimento. É, contudo, muito eficaz para 
perturbações cardíacas de carácter puramente nervoso como as 
palpitações. Planta vivaz que se desenvolve à sombra das sebes, tem 
porte erecto e piramidal e cresce nas casas em ruínas e até nas ruas das
aldeias, com as suas folhas verde­escuras escalonadas ao longo do caule.
O néctar das suas pequenas flores cor­de­rosa atrai as abelhas.

Habitat: Europa, rara em Portugal e nas regiões mediterrânicas, bermas 
dos caminhos, sebes, ruínas; até 1000 m. Identificação: de O,50 a 1,50 m
de altura. Vivaz, com caule rígido, de secção quadrada, muito ramificado
e folhoso; folhas verde­escuras por cima e acinzentadas por baixo, 
pecioladas, serradas, recortadas, possuindo as inferiores entre 5 e 7 
pontas e as superiores apenas 3; flores cor­de­rosa e púrpura (Junho­
Setembro), em verticilos densos ao longo de todo o caule, cálice com 5 
dentes, sendo os 2 inferiores curvados em forma de gancho, corola 
vilosa, com uma coroa interior de pêlos. Cheiro intenso e desagradável, 
Partes utilizadas: sumidades floridas (Junho­Setembro); devem ser 
utilizadas de preferência frescas, pois as folhas escurecem com a 
secagem, perdendo a eficácia.
O Componentes: óleo essencial, alcalóide, heterósidos, princípio amargo,
tanino O Propriedades: anti espasmódico, cicatrizante, detersivo, 
emenagogo, expectorante, tónico. U. L, U. E. Ver: bronquite, diarréia, 
ferida, menstruação, meteorismo, palpitações.
Aipo

Apium graveolens L.

A ipo­dos­ charcos, aipo­dos­pântanos, aipo­silvestre,

salsa­do­monte Bras.: aipo­do­rio­grande

Umbelíferas

0 aipo­silvestre, cultivado a partir do século XVI, deu origem a 
diversos produtos hortícolas conhecidos pelo nome de aipo e aipo­nabo. 0
nome latino do aipo, Apiuni, deriva da palavra celta apon, que significa
água; efectivamente, esta planta aclimata­se bem nos prados húmidos e 
nos solos impregnados de sal. Encontra­se na Europa nas

proximidades dos pântanos salgados do Mediterrâneo, do oceano Atlântico 
e no interior do continente próximo das fontes salinas. 0 aipo é 
conhecido desde a Antiguidade: os Egípcios, os Gregos, entre os quais 
Homero, que o cita na Odisseia, e os Romanos reconheciam as suas 
virtudes medicinais. Na Idade Média, foi progressivamente utilizado como
condimento, verdura e medicamento, pois acreditava­se que podia curar a 
melancolia, acalmar as dores de dentes e, sobretudo, beneficiar o 
funcionamento dos rins e do aparelho urinário. Ainda actualmente, é esta
a principal virtude atribuída à planta, sobretudo nos meios rurais. A 
sua raiz faz parte da composição de um xarope diurético, o xarope das 
cinco raízes, em associação com raízes de espargo, funcho, salsa e 
gilbarbeira.

0 Não consumir a planta fresca. Habitat: Europa, solos salgados e 
alagados até
100 m. Identificação: de 0,30 a 1 m de altura. Bienal, caule erecto, 
cilíndrico, profundamente sulcado, glabro, oco e ramoso; folhas verde­
escuras, brilhantes, sendo as basilares pecioladas, divididas em 5 
segmentos ovais, e as superiores sésseis, com 3 segmentos mais pequenos 
e estreitos; flores esbranquiçadas (Julho­Setembro), pequenas, em 
umbelas pouco apertadas desprovidas de invólucro, por vezes sésseis, com
6 a 12 raios desiguais, fruto cinzen­

to, glabro, com 5 costas filiformes; raiz aprumada, curta, castanha na 
parte exterior, esbranquiçada no corte. Cheiro intenso e característico;
sabor muito aromático. Partes utilizadas: raiz, folhas e frutos.
0 Componentes: óleo essencial, substâncias azotadas, oleorresina, 
açúcares, cumarina, vitaminas B e C 0 Propriedades: carminativo, 
depurativo, estomáquico, expectorante, febrífugo, resolutivo, tónico. U.
I., LI. E. + V Ver: albuminúria, artrite, contusão, lactação, litíase, 
meteorismo, tez, tosse.
Alcaçuz

Glyeyrrhiza glabra L. Regoliz, regaliz, regaliz4, pau­doce, raiz­doce

Bras.: madeira­doce, alcaçuz­ da­europa

Leguminosas

Muitas pessoas experimentaram já mastigar o chamado pau­doce, amarelo, 
fibroso e açucarado, obtido do alcaçuz. O género Glycyrrhiza é 
constituído por cerca de uma dúzia de espécies, distribuídas pelos cinco
continentes; o alcaçuz é, porém, uma planta mediterrânica, e os 
primeiros testemunhos da sua utilização medicinal remontam ao Egipto 
antigo. Os povos antigos chamaram­lhe raiz­doce, da palavra grega 
glukurrhidza, e apreciavam as suas propriedades calmantes e o seu gosto 
suave.

A partir de 1950, descobriu­se que o alcaçuz tinha uma acção benéfica 
nas úlceras do estômago. No entanto, os numerosos doentes que o 
ingeriram em doses elevadas por longos períodos foram vítimas de 
hipertensão arterial provocada pela planta. Para os grandes consumidores
de alcaçuz, geralmente os doentes de úlceras ou os fumadores e 
alcoólicos que desejam mitigar as suas carencias, existem comprimidos 
preparados em laboratório isentos da substância que provoca aquela 
acção, o ácido glicirrízico, Ingerido em doses moderadas, o alcaçuz não 
tem qualquer perigo.

O Não abusar do consumo. Habitat: Europa Meridional; em Portugal, Beira,
Estremadura e litoral do Alentejo; até 1000 m. Identificação: de O,30 a 
1 m de altura. Vivaz, caule erecto, estriado longitudinalmente, robusto 
e oco; folhas pecioladas, compostas por
9 a 17 folíolos ovais ou oblongos, inteiros, verdes, viscosos na página 
inferior; flores azul­claras ou lilás (Junho­Julho), em cachos 
espiciformes cilindricos, pedunculados na axila das folhas, cálice 
giboso, glanduloso, com 5 dentes, 2 lábios, corola papilionácea, quilha 
aguda,
10 estames, dos quais 9 soldados e 1 liberto, estigma oblíquo; vagem 
comprimida, linear, com 3 ou 4 sementes castanhas; rizoma tenhoso, com 
turiões espessos, raizes finas        > Partes utilizadas: raiz, rizoma 
(Outono do terceiro ano); secagem ao sol.
O Componentes@ glúcidos, tanino, flavonóides, glicirrizina, ácido 
glicirrízico, estrogéneos O Propriedades: antiespasmódico, béquico, 
depurativo, digestivo, diurético, emoliente, expectorante, peitoral, 
refrescante, tónico. U. I., U. E. + Lvi Ver: asma, boca, bronquite, 
cistite, conjuntivite, espasmos, estômago, obstipação, tosse.

53
Alcaravia
Caruin carvi L.

Alcarovia, alcorovia, cherivia, cominhos­dos­prados,

alchirivia, alquirivia

Umbelíferas

Pequena umbelífera branca a que os Gregos chamaram karon e os Árabes 
karwaia, e que na Idade Média era conhecida por carvi, encontra­se 
geralmente em climas frios. Conhecido na Antiguidade devido às suas 
virtudes carminativas, o fruto da alcaravia, de cheiro agradável, é 
muito usado nos países nórdicos para aromatizar produtos de pastelaria e
charcutaria, pão e queijos fermentados, especialmente a qualidade 
Munster. A planta inteira é uma boa forragem que deve ser incluída nos 
prados destinados a pastagens; quando seca, facilita a digestão e as 
secreções lácteas das vacas e das ovelhas; uma colher de sopa bem cheia 
de sementes misturadas, durante uma semana, à ração quotidiana de aveia 
é um tónico para os ca­

valos. Nociva para as aves pequenas, é tão apreciada pelos pombos que um
pouco de alcaravia adicionada à ração os conserva fiéis ao pombal. A 
alcaravia diferencia­se da cenoura­brava pelas suas flores brancas; as 
sementes são frequentemente confundidas com as dos cominhos.

0 A essência da alcaravia é tóxica para o homem. Habitat: Europa 
Setentrional e Central montanhas limitantes da Europa Mediterrânica, 
caminhos e prados; até 2100 m. Identificação: de 0,30 a 0,60 m de 
altura. Bienal ou plurianual, caule erecto, ramificado a partir da base,
glabro, canelado longitudinalmente; folhas recortadas em lacínias 
estreitas, sendo as inferiores pecioladas e as superiores sés@eis; 
flores brancas (Maio­Julho), em umbelas de 6 a 12 raios muito desiguais;
raiz fusiforme; fruto ovóide, acastanhado. Possui um

cheiro extremamente aromático; sabor picante. Partes utilizadas: fruto 
(Maio­Setembro, a partir do segundo ano), raiz; frutos colhidos na 
umbela e seguidamente secos.
0 Componentes: essência com carvona e limoneno, ácidos gordos, prótidos,
glúcidos, tanino, celulose 0 Propriedades: carminativo, digestivo, 
emenagogo, galactagogo. U. 1. + kli Ver: aerofagia, digestão, lactação, 
menstruação, meteorismo.

54
ALecrim

Rosmarinus officinalis L.

Alecrinzeiro

Bras.: alecrim­de­jardim

Labiadas

Os atributos do alecrim são tão importantes como os da a spéru 1 a­ 
odorífera; datam do século xvii e vêm da Europa Central. Diz­se que a 
rainha Isabel da Hungria, septuagenária e depauperada pela doença, 
recuperou a saúde e rejuvenesceu graças ao alecrim. A receita da água da
juventude, a água da rainha da Hungria, que ela própria preparava, está 
ao alcance de toda a gente, pois para a obter basta juntar e misturar os
alcoolatos de alfazema, alecrim e poejo.

Como muitas outras labiadas, o alecrim actua sobre o sistema nervoso, 
pois estimula os asténicos, fortalece as memórias enfraquecidas e eleva 
o moral dos deprimidos. A sua acção terapêutica inicia­se com a 
colheita, que pode ser efectuada em qualquer época do ano nas colinas 
meridionais. O estado espontâneo e a liberdade da planta conferem­lhe 
vigor; transplantado para um jardim, mantém­se bonito, conserva as suas 
características aromáticas, mas é menos eficaz que o alecrim espontâneo.
As abelhas que o visitam produzem um excelente mel, de gosto intenso, 
denominado mel de alecrim.

O Cumprir as doses e o tempo de duração dos

Habitat: Europa, litoral mediterrânico; charnecas e pinhais do Centro e 
Sul de Portugal; até 1500 m, Identificação: de O,50 a 1,50 m de altura. 
Arbusto; caules lenhosos e folhosos; folhas sésseis, coriáceas, 
estreitas, com bordos enrolados, e persistentes; flores azul­claras e 
esbranquiçadas (todo o ano), em pequenos cachos axilares, cálice curto, 
campanulado, com
3 dentes, corola longa, com 2 lábios, um com 2 lóbulos erectos e o outro
com 3 lóbulos, sendo o médio maior e côncavo, 2 estames. Cheiro a
incenso e cânfora; sabor aromático. Partes utilizadas: planta florida e 
folhas.
O Componentes: óleo essencial, ácidos orgânicos, heterósidos, 
saponósidos, colina O Propriedades: antiespasmódico, anti­séptico, 
colagogo, diurético, estimulante, estomáquico, tónico, vulnerário. U. 
I., U. E. + V IÍS Ver: asma, astenia, banho, cabelo, celulite, 
colesterol, convalescença, coração, dentes, depressão, edema, entorse, 
enxaqueca, fígado, frigidez, impotência, memória, nervosismo, pele, 
ruga, sono, torcicolo.
Aleluia

Oxalis acetosella L.

Bras.: três­corações, trevo­azedo, azeda­ de­três­ folhas

Oxalidáceas

Para encontrar a aleluia, é necessário procurar nos bosques húmidos ao 
nível do solo e identificá­la por comparação; as suas folhas, 
semelhantes às do trevo, Trifolium L.,
têm o sabor da azeda, e as flores, comparáveis às do linho­bravo, são, 
no entanto, cor­de­rosa. Desabrocham sempre pela Páscoa, parecendo 
querer celebrar a Aleluia! Aparentemente, a aleluia prevê as 
tempestades, pois afirma­se que à sua aproximação as folhas se erguem.

As utilizações domésticas e medicinais da aleluia são inumeráveis. Com 
esta pequena planta é possível preparar limonadas frescas e tisanas para
as pessoas febris. Adicionada às sopas, realça­lhes o sabor e substitui 
o sumo de limão para temperar as saladas. Como o ruibarbo, a azeda e o 
espinafre, a
aleluia contém ácido oxálico e está sujeita a idênticas regras de 
utilização. Outrora, era matéria­prima para a extracção do ácido 
oxálico, comercializado com o nome de sal de azedas, utilizado para 
tirar as nódoas de tinta e de ferrugem das roupas e também para limpar 
couros. É um mordente para as
tintas e óptimo para remover as incrustações dos radiadores dos 
automóveis, sendo assim inimaginável o efeito que produziria no estado 
puro sobre as paredes do estômago. No entanto, a posologia medicinal é 
muito inferior às doses tóxicas.

O Planta proibida aos doentes de gota e litíase; respeitar a posologia. 
Habitat: Europa, excepto na região mediterrânica, matas húmidas; em 
Portugal, a sua existência é assinalada no Minho, mais propriamente em 
Paredes de Coura; até 2000 m. Identificação: de O,05 a O,08 m de altura.
Vivaz, acaule; folhas verde­claras, todas basais, vilosas, pecioladas, 
com 3 folíolos cordiformes; flores brancas matizadas de cor­de­rosa, por
vezes de azul (Abril­Maio), apenas uma em cada pé, longamente 
pedunculadas, 5 sépalas curtas, 5 pétalas grandes, 10 estames e 5 
estiletes; cápsula ovóide acuminada, com sementes estriadas; rizoma 
delgado, rastejante, com escamas carnudas e vilosas. Sabor ácido. Partes
utilizadas: folhas e raízes frescas; perde as suas propriedades pela 
secagem.
O Componentes: oxalato ácido de potássio, vitamina C, mucilagem O 
Propriedades: antiescorbútico, depurativo, diurético, febrífugo, 
refrescante. U. L, U. E. Ver: boca, cura de Primavera, pele, sarna, 
sede.

56
ALFACE­BRAVA­MAIOR
*//* faltaM OS OUTROS NOMES)

Se bem que a maioria das pessoas conheça a alface cultivada, com 
interior frágil e tenro, o mesmo não sucede no caso da alface­brava­
maior. Em primeiro lugar, a alface­brava surpreende os que a não 
conhecem devido às suas dimensões, pois algumas variedades atingem 3 m. 
Seguidamente, porque esta planta robusta exala um cheiro algo 
desagradável. Caracteriza­se pelos seus capítulos amarelos bem elevados,
pelas grandes folhas ovais, recortadas e ligeiramente lobuladas, que 
crescem em todas as direcções. Se se quebrar um ramo ou uma folha, brota
das zonas feridas um leite branco, o látexI­ produto de sabor amargo que
contém todos os constituintes activos da planta. O suco extraído dos 
caules, que depois de seco se denomina lactucário, é conhecido desde a 
Antiguidade; faz parte, ainda actualmente, de algumas preparações 
daFarmacopeia Portuguesa, entre as quais um extracto e um xarope 
calmante onde é associado ao lúpulo. A alface­brava­maior pode ser 
substituída por uma outra espécie, a Lactuca scariola L., alface­brava­
menor, que apresenta propriedades terapêuticas idênticas. Esta espécie 
distingue­se pela original disposição das folhas, cujas faces estão 
orientadas para oeste­leste e cujos bordos têm a orientação norte­sul, 
engenhoso meio de protecção contra os efeitos do sol.

O Respeitar a posologia, pois em doses elevadas o suco é tóxico. 
Habitat: Europa Central e Meridional, solos calcários, terrenos incultos
e pedregosos, em Portugal, de Trás­os­ Montes ao Alentejo; até 1000 m. 
Identificação: de O,60 a 1,50 m de altura. Toda a planta contém um látex
branco. Bienal, caule verde, por vezes violáceo, erecto, robusto, 
ramificado; folhas verde­escuras, grandes, inteiras ou com lobos 
sinuosos, rodeando o caule por meio de 2 aurículas lanceoladas, com 
bordos dentados, providas de uma fila de acúleos sobre a nervura dorsal,
flores amarelas (Junho­ Setembro) em pequenos capítulos, agrupadas numa 
grande panícula frouxa; aquénio obovado­oblongo, de cor negro­púrpura 
com costas de bordos espessos, encimado por um rostro e por um papilho 
branco; raiz fusiforme. Cheiro desagradável; sabor amargo. Partes 
utilizadas: folhas, látex.
O Componentes: clorofila, sais minerais, vitaminas, ácidos, princípio 
amargo O Propriedades: balsâmico, hipnótico, sedativo. U. I., U. E. + V 
Ver: acne rosácea, insônia, nervosismo, pele, sono,tosse.

57
PLANTAS ESPONTÂNEAS

Alfazema

Lavandula officinalis Chaix

Lavândula

Labiadas

Os nomes botânicos Lavandula spica L. e Lavandula officinalis Chaix são 
sinónimos e indicam a mesma planta. A alfazema é uma das plantas mais 
raras e encantadoras da nossa flora. Perante a sua vitalidade, nas 
colinas calcárias é impossível deixar de admirar a sua resistência ao 
sol abrasador e à aridez da pedra. É preciso saber distingui­la do 
alecrim e do hissopo, além de outras plantas afins, muito susceptíveis 
de confusão. Nos Pirenéus, encontra­se uma variedade de alfazema mais 
pequena, com folhas mais estreitas e inflorescências maiores; nos 
terrenos siliciosos cresce a LavanduIa stoechas L., o rosmaninho, com 
flores cor de púrpura e aroma penetrante; subindo mais a norte, mas não 
ultrapassando 1000 m
de altitude, encontra­se a alfazema­brava, Lavandula latifolia Vill., 
maior, com folhas verdes, cheiro a cânfora e que floresce um
mês mais tarde do que as outras. As propriedades medicinais das 
alfazemas são, além da sua acção anti­séptica e insecticida, 
aproveitadas desde há séculos pelas donas de casa; as sumidades 
floridas, colhidas antes do desabrochar, constituem um dos mais 
preciosos componentes da farmácia caseira.

O Não ultrapassar as doses indicadas; incompatibilidade com o iodo e os 
sais de ferro. Habitat: Europa Mediterrânica, solos áridos, calcários, 
expostos ao sol; espontânea no Centro e Sul do País; até 1800 m. 
Identificação: de O,30 a O,60 m de altura. Subarbusto; frondoso na base 
com ramos nus, erectos, simples; folhas verde­acinzentadas, estreitas, 
lanceoladas, com bordos enrolados; flores azul­violáceas (Julho­Agosto) 
em espiga terminal de verticilastros, brácteas castanhas, largas, cálice
com 5 dentes, corola com 5 lóbulos de 2 lábios, 4 estames inclusos, 4 
carpelos;
aquénio com 1 semente preta, lisa. Cheiro penetrante, aromático; sabor 
ardente, amargo. Partes utilizadas: sumidades floridas, flores ripadas; 
secagem à sombra e ao ar livre.
O Componentes: princípio amargo, essência, cumarina O Propriedades: 
antiespasmódico, anti­séptico, carminativo, cicatrizante, colagogo, 
diurético, estimulante, insecticida, sudorífico. U. L, U. E. + V o Ver: 
acne, asma, banho, bronquite, cabelo, ferida, ftiríase, insectos, 
leucorreia, nervosismo, pulmão, reumatismo, tinha, tosse, vertigem.

58
Alfenheiro

Ligustrum vulgare L.

Santantoninhas, alferiu

Oleáceas

O alfenheiro é uma planta flexível com casca branda e cinzenta que os 
jardineiros talham e podam com facilidade. É também um arbusto rústico 
que cresce espontaneamente entre as sarças e nas orlas dos bosques. As 
folhas, verde­escuras, que se tornam víoláceas no Outono, permanecem nos
ramos durante todo o Inverno, bem como os frutos, pequenas bagas pretas 
cuja toxicidade implica a sua proibição às crianças. As flores 
desabrocham em Maio, amontoando­se em píramides brancas semelhantes às 
do lilás. Recém­cortada, a madeira do alfenheiro exala um cheiro 
intenso, o mesmo sucedendo com as flores, as folhas e os frutos quando 
esmagados entre os dedos.

us ramos são utilizados em cestaria; da casca obtém­se um corante 
amarelo, e as bagas possibilitam a preparação de uma tinta cor de 
violeta e um corante para os vinhos.

Os fitoterapeutas apenas utilizam as flores ou as folhas secas. 
Conhecido desde há séculos, o óleo de alfenheiro é ainda actualmente 
utilizado em fricções para as dores, especialmente as dores de celulite;
as folhas servem para preparar um gargarejo que trata as afecções 
crónicas da boca e da garganta, muito frequentes nos fumadores.

O Nenhuma parte da planta fresca é comestível, Habitat: Europa, matas; 
no Norte e Sul de Portugal surge espontâneo em sebes e bosques; 
cultivado como planta ornamental; até 800 m. Identificação: de 1 a 3 m 
de altura. Arbusto; lenho duro; ramos jovens, aveludados; folhas 
opostas, ovais, lanceoladas, inteiras, com pecíolo curto, glabras, 
verde­escuras e brilhantes na página superior, claras na inferior; 
flores brancas (Maio­Junho), em panículas, curtas, compactas, cálice 
pequeno com 4 dentes, corola tubulosa com 4 lóbulos côncavos, 2 estames 
inclusos e 1 estilete; baga globosa preta, persistente, Cheiro difícil 
de suportar e adocicado (flores); sabor amargo. Partes utilizadas: 
flores e folhas (Primavera); secagem à sombra.
O Componentes: tanino, resina, heterósido, invertase, açúcares, 
arsénico, vitamina C O Propriedades: adstringente, cicatrizante, 
detersivo, vulnerário. LI. I., U. E. + Ver: afta, anginas, boca, 
celulite, diarreia, escara, leucorreia, reumatismo, tabagismo,
59
PLANTAS ESPONTANEAS

Alforvas

Trigonella foenum­graecum L. Feno­grego, fenacho, ervinha, caroba, 
alforna, alfarva

Bras.: alforgas

Leguminosas

As alforvas são pequenas plantas anuais que se encontram nos campos, nos
rochedos e nas charnecas do Sul da Europa. A planta identifica­se pelos 
caules frágeis extremamente frondosos, pelas flores esbranquiçadas 
dissimuladas pelas folhas superiores e
pelas compridas e curvas vagens terminadas por uma ponta aguçada. No 
estado maduro, cada uma destas vagens abre­se em duas valvas, pondo a 
descoberto uma fileira de sementes comprimidas. O cheiro desagradável da
planta espalha­se em seu redor, e é tão persistente que se nota ainda em
plantas secas há um século conservadas em herbários. Para atenuar este 
cheiro nauseabundo, é necessário escaldar as sementes. A utilizaçã o da 
alforva como planta medicinal é conhecida desde a Antiguidade. Na Ásia 
Menor, de onde foi importada para a Europa cerca do século IX, as 
sementes são ainda utilizadas para conferir às mulheres um aumento de 
peso, muito apreciado; esta acção é determinada pela presença de uma
substância que actua sobre o metabolismo das gorduras. As sementes, 
aplicadas em cataplasmas, podem fazer desaparecer os abcessos e reduzir 
as placas de celulite.

Habitat: Europa Mediterrânica, campos; em Portugal, encontra­se em 
searas, terrenos incultos da Estremadura e do Alentejo. É também 
cultivada como forraginosa; até 1000 m. Identificação: de O,10 a O,50 m 
de altura. Anual, caule erecto e circular; folhas verdes, abundantes, 
erectas, com 3 grandes folíolos ovais, pecíolo curto; flores branco­
amareladas (Abril­Junho), sésseis de 1 a 2 na axila das folhas 
superiores, cálice pubescente, corola papilionácea, estames diadelfos; 
vagem muito comprida (de 8 a 10 cm), erecta, curva, terminada por uma 
ponta comprida de 2 a 3 cm, 1
fileira de 10 a 20 sementes comprimidas; raiz desenvolvida. Cheiro 
intenso e nauseabundo; sabor desagradável. Partes utilizadas: sementes 
secas, sumidades floridas (Abril­Junho).
O Componentes: substâncias azotadas e fosforadas, trigonelina, essência 
O Propriedades: aperitivo, emoliente, hipoglicerniante, laxativo, 
tónico. LI. I., U. E. + o Ver: anemia, apetite, astenia, celulite, 
convalescença, diabetes, frigidez, furúnculo, panarício.

60
Alga­perlada

Chondrus crispus Lyngb. Musgo­branco, musgo­da­ irlanda, botelho­crespo,

carragaheen

Gigartináceas

Sobre os rochedos dos litorais do canal da Mancha e do oceano Atlântico,
visível na maré baixa, encontra­se em grande abundância esta alga de cor
vermelha, muito
ramificada, com segmentos achatados e bordos crispos. É fácil de 
reconhecer devido à fronde, que pode medir entre 10 e 20 cm. O seu 
aspecto e coloração são extremamente polimorfos. A consistência 
cartilaginosa do talo conferiu­lhe o nome científico de género Chondrus,
que deriva do grego chondros, cartilagem.

As algas­vermelhas contêm nos seus tecidos corpúsculos clorofilinos como
os vegetais superiores, estando, no entanto, encobertos por células 
especiais, os cromatóforos, que encerram um pigmento, o qual, consoante 
a sua concentração e a intensidade da luz, modifica a coloração das 
algas, desde um vermelho intenso ao castanho­escuro.

Durante todo o Verão faz­se a colheita a bordo de embarcações, quando o 
tempo está húmido, utilizando ancinhos. Antes de utilizar a alga­perlada
é conveniente lavá­la na água do mar e deixá­la secar durante 24 horas 
ao sol. Esta operação deve ser repetida três vezes. A alga perde então a
sua linda cor, adquirindo um branco­acinzentado, quase translúcido. Como
muitas outras algas, a alga­perlada contém uma substância mucilaginosa 
que, após tratamento, é utilizada na indústria alimentar, especialmente 
no fabrico de chocolate de leite e cremes.

O Não consumir simultaneamente com plantas que contenham tanino. 
Habitat: costas da Mancha e do Atlântico, sobretudo Finisterra e ao 
longo da costa portuguesa. Identificação: de O,10 a O,20 m de altura. 
Talo homogéneo, achatado, cor de púrpura; disco basilar; fronde em forma
de leque, erecta, ramificada; ramificações dicotómicas, lobuladas, 
bordos crispados, sem nervura; lóbulo bífido; cistocarpos na face 
inferior e tetrasporângios na superfície do talo, alojados em 
protuberâncias ovóides.

Partes utilizadas: talo (Verão); secagem ao sol.
O Componentes: mucilagem, sais minerais, aminoácidos, iodo, provitamina 
D O Propriedades: béquico, emoliente, expectorante, laxativo. U. I., U. 
E. Ver: bronquite, conjuntivite, diarréia, obesidade, obstipação, 
raquitismo.

61
Aliária

Affiaria officinalis Andrz.

Erva­alheira, erva­dos­alhos

Crucíferas

A aliária parece não ter sido conhecida na Antiguidade. As suas flores, 
brancas, desabrocham na Primavera, invadindo as bermas dos caminhos e os
locais frescos. As flores são melíferas e muito apreciadas pelo gado, 
que ingere a planta completa. A aliária exala um cheiro a alho bastante 
intenso quando amachucada entre os dedos, devendo a este facto o nome do
género e alguns dos seus nomes comuns, visto que Alliaria deriva de 
allium, alho. As suas sementes substituem, por vezes, as da mostarda­
negra.

Não é essencialmente uma planta medicinal, podendo, no entanto, ser 
utilizada como anti­séptico, tanto para uso externo como interno. É 
preferível colher a planta no momento de utilizá­la, pois, como a 
maioria das crucíferas, perde as suas propriedades aquando da secagem. 
Para uso interno, recomenda­se sobretudo a decocção da planta fresca ou,
melhor, o seu suco recente. Porém, segundo H. Leclerc, os melhores 
resultados obtêm­se pela utilização de compressas de folhas esmagadas ou
alcoolatura de aliária.

Habitat: Europa, exceptuando a região mediterrânica, locais frescos, 
sebes, bermas dos caminhos; em Portugal, encontra­se em quase todo o 
País, excepto no Baixo Alentejo e Algarve; até 800 m. Identificação: de 
O,50 a O,80 m de altura. Bienal, caule erecto, simples, folhoso; folhas 
pecioladas, crenadas, sendo as basais reniformes e as outras 
cordiformes; flores brancas (Março­Junho) em cacho terminal que se 
alonga durante a floração, 4 sépalas, 4 pétalas, 6 estames, dos quais 2 
mais pequenos, 2 carpelos; síliqua comprida, erecta, sobre pecúriculos
espessos, abrindo­se por 2 válvulas com 3 nervuras, sementes estriadas, 
castanhas, dispostas em fileira. Cheiro a alho; sabor picante e aliáceo.
Partes utilizadas: planta inteira fresca ou seca, sem a raiz, o 
Componentes: um beterósido azotado, óleo essencial, enzimas O 
Propriedades: anti­séptico, detersivo, diurético, estimulante, 
expectorante, vulnerário. U. I., U. E. + Ver: boca, dentes, eczema, 
ferida, gengivas, pele.

62
Aljôfar

Lithospermuin offit­inale L.

Borragiináceas 

Segundo a tradicional teoria médica que atribuía aos vegetais virtudes 
de acordo com o aspecto ou cor que apresentavam, os frutos do aljôfar, 
nacarados e duros como pérolas, foram considerados durante muito tempo 
como as únicas partes úteis da planta, com propriedades para dissolver 
os cálculos.

No entanto, ao longo dos séculos, tanto o empirismo como os estudos 
sistemáticos foram insuficientes para confirmar as propriedades 
dissolventes destes frutos. A planta revelou­se, porém, verdadeiramente 
activa para outras perturbações renais e urinárias. Além disso, o estudo
de uma espécie exótica desta planta, Lithosperinum ruderale L., 
utilizada pelos índios como contraceptivo, permitiu detectar na planta 
substâncias inibidoras de determinadas hormonas hipofisárias.

Com as folhas e as sumidades floridas secas do aljôfar prepara­se um chá
refrescante que não deve ser confundido com o chá­da­europa, preparado a
partir de uma espécie próxima com grandes flores vermelhas que depois se
tornam azuladas, o Lithosperinum purpureo­caeruleuin L.

Habitat: Europa, solos calcários; em Portugal, surge espontâneo nos 
arredores de Bragança e Vimioso; até 1400 m. Identificação: de O,40 a 
O,80 m de altura. Vivaz, caule erecto, robusto, coberto de pêlos e 
ramoso; folhas verde­escuras na página superior, mais claras na 
inferior, alternas, sésseis, lanceoladas, ásperas, pubescentes, com 
nervuras laterais salientes na página inferior; flores branco­creme 
(Junho­Julho), pequenas, em compridos cachos folhosos em 2 filas, cálice
peludo com 5 divisões, corola tubular vilosa com 5 pregas pubescentes, 
ultrapassando ligeiramente o cálice, e 5 estames inclusos; tetraquénio 
branco­ nacarado, duro, brilhante, cor de pérola; raiz espessa, quase 
lenhosa. inodoro; sabor adstringente (planta) e adocicado (fruto). 
Partes utilizadas: frutos, folhas, sumidades floridas (Julho­Agosto). O 
Componentes: sais minerais, mucilagens, pigmentos O Propriedades: 
diurético. U. L, U. E. Ver: diurese, gota, olhos.
Almeirão

Cichorium int.\,bus L.

Chicória­do­café, chicória­brava Bras.: chicória­amarga, chicória

Compostas

Já conhecido em 4000 a. C., como refere o papiro Ebers, um dos mais 
antigos textos egípcios que chegaram até à actualidade, o almeirão 
permanece um remédio em que os médicos continuam a ter confiança. 
*Arnigo do fígado+, segundo Galeno, é absolutamente inofensivo, pelo que 
faz parte da composição de um xarope tradicional, frequentemente 
receitado às crianças. É uma planta vivaz cujas flores, de um azul muito
puro, se associam em belos capítulos que se abrem de manhã, cerca das 6 
horas, e se fecham durante a tarde. 0 almeirão contém um látex branco 
extremamente amargo, pelo que é conveniente colher as folhas antes da 
floração, apos o que deixam de ser comestíveis, A utilização alimentar 
desta chicória­brava data do século xvil; cultivada nas hortas, deu mais
tarde origem às inúmeras variedades hortícolas actualmente conhecidas, 
como as escarolas, ou endívias, as quais, devido a serem menos amargas, 
são também muito menos activas.

Habitat: Europa; Centro e Sul de Portugal, bermas dos caminhos, campos 
cultivados e incultos, solos secos, calcários e argilosos; é também 
cultivado; até 1500 m. Identificação: de 0,30 a 1 m de altura. Vivaz, 
caule rígido, anguloso, com numerosos ramos, hirtos, frequentemente 
divergentes na base; folhas inferiores profundamente divididas em dentes
agudos, folhas superiores pequenas, lanceoladas, semiamplexicaules, 
pubescentes, com lóbulos profundos; flores de um azul vivo (Julho­
Setembro), liguladas, em grandes capítulos; aquénio com curtíssimo 
papilho, coroado

por minúsculas escamas, raiz aprumada, látex branco. Sabor muito amargo.
Partes utilizadas: folhas (Junho­Setembro, antes da floração), raiz 
(Outono).
0 Componentes: sais minerais, glúcidos, lípidos, prótidos, vitaminas B, 
C, P e K, aminoácidos, inulina, heterósido amargo 0 Propriedades: 
aperitivo, colagogo, colerético, depurativo, diurético, estomáquico, 
febrífugo, laxativo, tónico. u, 1. + o Ver: anemia, apetite, astenia, 
cura de Primavera, diabetes, fígado, icterícia, obstipação, tez.
Alquequenje

Physalis alkekengi L. Erva­noiva, cerejas­dejudeu

Solanáceas

O alquequenje floresce a partir de Maio nos solos calcários e nas 
vinhas; durante o Verão, o cálice, inicialmente pequeno e verde, aumenta
de volume, adquirindo uma configuração semelhante à de uma lanterna de 
papel, e a sua cor torna­se simultaneamente vermelho­vivo. A esta 
característica se deve a designação do género, Physalis, que deriva do 
grego phusaô, eu incho. No interior destes leves invólucros, os frutos, 
que amadurecem em Setembro, assemelham­se a cerejas. Podem ser ingeridos
frescos, mas não mais de cerca de 30 por dia.

Conhecido de Dioscórides e Galeno, muito difundido na Ásia, Europa e 
regiões mediterrânicas, o alquequenje nunca deixou de ser utilizado para
o tratamento da gota, de cálculos e de alguns edemas. Actualmente, toda 
a planta, exceptuando a raiz, pode ser utilizada para preparar um vinho 
diurético. A conservação da planta, depois de colhida, é difícil, sendo 
necessário colocar as bagas em camadas finas num forno; as folhas devem 
ser secas, lentamente, à sombra. Depois de desidratadas, as bagas, que 
ficam muito enrugadas, devem ser colocadas em frascos de vidro 
hermeticamente fechados ou reduzidas a pó.

O Não confundir com a beladona, que é tóxica. Habitat: Europa 
Continental, Meridional, solos secos, vinhas, olivais; até 1500 m. 
Identificação: de O,20 a O,60 m de altura. Vivaz, caule erecto, simples 
ou ramificado, anguloso, ligeiramente pubescente; folhas glabras, aos 
pares, pecioladas, oval­ pontiagudas, com os bordos ondulados; flores 
esbranquiçadas (Maio­Outubro), isoladas, pêndulas, pequeno cálice 
pubescente; baga de um intenso vermelho­alaranjado, carnuda, lisa, com 2
lóculos e numerosas sementes, encerrada no cálice, que se desenvolve 
numa bolsa leve, com costela, que no Outono se cobre de uma ténue rede 
escarlate; rizoma rastejante. inodoro; a baga tem sabor ácido. Partes 
utilizadas: bagas libertas dos cálices, caules, folhas (Setembro­ 
Outubro). * Componentes: vitamina C, ácido cítrico, ácido málico, 
carotenóides, glúcidos, vestígios de alcalóides O Propriedades: 
depurativo, diurético, emoliente, febrífugo, refrescante, sedativo. U. 
1. + Ver: edema, gota, icterícia, litíase, reumatismo, ureia.

65
Alteia

Althaea officinalis L.

Malvaísco

Malváceas

A alteia é famosa pelas suas virtudes béquicas e emolientes. Assim, 
segundo algumas opiniões supera a malva nas suas virtudes. A designação 
de malvaísco sugere uma relação entre estas duas plantas. Efectivamente,
as utilizações medicinais da malva, que pertence também à família das 
Malváceas, são muito semelhantes às desta planta. Proveniente das 
estepes asiáticas muito antes da era cristã, a alteia aclimatou­se 
facilmente na Europa. Recenseada num dos capitulares de Carlos Magno, 
cultivada durante toda a Alta Idade Média, foi durante muito tempo 
aproveitada nos jardins dos mosteiros, de onde se evadiu, tornando­se 
espontânea, e sendo actualmente considerada como um dos simples mais 
apreciados. A malva­da­índia, Althaea rosea L., um dos parentes da 
alteia, é muito cultivada e conhecida; é a malva­real dos poetas, com 
folhas lavradas e grandes flores de cor intensa. As flores cor de 
tijolo­escura destas variedades podem substituir as flores da alteia; as
raízes e as folhas não são utilizadas.

O Incompatível com o álcool, o tanino e o ferro. Habitat: Europa, zonas 
costeiras, margens dos cursos de água; em Portugal, nos locais húmidos 
do Douro, Beiras e Estremadura; até 300 m. Identificação: de O,60 a 1,50
m de altura. Vivaz, caule robusto, cilíndrico, aveludado e pouco 
ramificado; folhas verde­esbranquiçadas, pecioladas, largas, espessas, 
lobadas, ovais, pontiagudas; flores brancas ou cor­de­rosa (Junho­
Setembro), em grupos de 3 na axila das folhas no cimo do caule, 
pedunculadas, cálice com 5 sépalas revestido de epicálice curto, corola 
com 5 pétalas cordiformes e numerosos estames; poliaquénio tomentoso 
( semente castanha; raiz aprumada, comprida e carnuda. Cheiro suave; 
sabor mucilaginoso. Partes utilizadas: raiz (Outono), flores (Julho 
­Agosto), folhas frescas ou secas (Junho) secagem à sombra ou em estufa.
O Componentes: mucilagem, sais minerais glúcidos e vitamina C O 
Propriedades: béqui co, calmante, emoliente. U. L, U. E. + V O Ver: 
abcesso, acne rosácea, afta, anginas, cisti te, dentes, diarreia, 
gengivas, obstipação, olhos, pele, sono, tosse.

66
Ami

Ammi majus L. Âmio­maior, âmio­vulgar

Umbelíferas

O ami é uma umbelífera bastante fácil de reconhecer devido às suas 
folhas, que são visivelmente diferentes umas das outras. As da base 
assemelham­se às folhas do trevo, e as da parte superior são recortadas 
em lacínias muito estreitas. O seu nome genérico, Ammi, deriva do grego 
ammos, areia, e indica a natureza dos solos de que a planta 
habitualmente necessita.
 
Ignora­se a origem desta planta, supondo­se que no século XVI se 
denominava assim a espécie egípcia afim, Ammi visnaga Lam., bisnaga, ou 
paliteira. Originária da índia e da Etiópia, encontrando­se actualmente 
muito difundida em Portugal, diferencia­se da anterior por apresentar 
todas as folhas em lacínias.

As sementes, quando maduras, constituem a parte activa do ami. O 
principal interesse desta planta, actualmente, consiste na sua acção 
fotossensibilizadora devida à amoidina. Esta propriedade da planta é 
especialmente utilizada pelos Árabes para tratar uma despigmentação 
cutânea, o vitiligo. O ami também é utilizado para um bronzeamento 
epidérmíco acelerado, sendo, no entanto, um processo arriscado.

O Ter em atenção as fotossensibilizações. Habitat: Europa Meridional e 
Ocidental, Centro e Sul do Continente e Madeira, locais arenosos, 
campos, culturas de luzerna e de trevo; até 800 m. Identificação: de 
O,20 a O,80 m de altura. Anual, caule glabro, glauco, esguio, florífero,
ramoso e estriado; folhas serradas, sendo as basais recortadas em 
segmentos bi ou trilobulados, ovais, as caulinares em segmentos 
estreitos, as superiores em lacínias; flores brancas (Julho­Setembro), 
em umbelas muito densas, com até 80 raios, com um enorme invólucro de 
brácteas recortadas em lacínias filiformes, 5 pétalas caducas, crenadas;
fruto    ovói  de e oblongo. Cheiro suave; sabor acre e picante. Partes 
utilizadas: sementes (quando maduras); secagem à sombra.
O Componentes: heterósido, composto cumarínico, amoidina O Propriedades:
carminativo, digestivo, emenagogo. U. 1. Ver: bronzeamento, digestão.
Amieiro

Alnus glutinosa (L.) Gaertn.

Amieiro vulgar

Betuláceas

O amieiro pertence à mesma família da bétula e da aveleira; todos têm 
flores masculinas e femininas que coexistem na mesma árvore. As raízes 
apresentam nodosidades que contêm bactérias, as quais possibilitam à 
árvore a fixação directa do azoto da atmosfera. Quando jovem, a árvore 
ergue­se direita, com casca cinzenta lisa. Ao envelhecer, estende os 
ramos, e a copa forma uma abóbada regular que se mantém verde até à 
queda das folhas. A madeira do amieiro geralmente não apodrece; nos 
países nórdicos, é utilizada para fazer tamancos. Com a serradura 
defumam­se peixe e carne; a casca, que serve para curtir os couros, 
produz, além disso, uma bela matéria corante cinzenta. Um ramo de 
amieiro colocado num galinheiro afasta os parasitas. As propriedades 
febrífugas da árvore conferiram­lhe a denominação de quina­indígena, e o
banho com folhas de amieiro, previamente aquecidas no forno, continua a 
ser um remédio popular eficaz para o reumatismo. Quanto à cataplasma de 
folhas frescas, já era apreciada no século xil por Santa Hildegarda como
remédio para activar a cicatrização das úlceras.

Habitat: zonas temperadas da Europa, bosques húmidos, margens de cursos 
de água; até 1200 m. Identificação: de 20 a 25 m de altura. Árvore; 
pernadas tortuosas com ramificações delgadas; folhas escuras na página 
superior, claras na inferior, dentadas, arredondadas, chanfradas no 
vértice, pecioladas; flores esverdeadas ou avermelhadas (Fevereiro­ 
Março), em amentilhos pedunculados, monóicos, os masculinos pendentes, 
caducos, com brácteas macias, apresentando 3 flores com 4 estames, os 
femininos ovóides, erectos, com brácteas apresentando 2 flores com 2 
estiletes cada uma;
fruto pequeno, achatado, monospérmico, castanho­avermelhado, com asa 
curta e coriácea; raiz com excrescências, as nodosidades de onde partem 
ramificações secundárias. Cheiro agradável; sabor acre, adstringente e 
amargo. Partes utilizadas: casca dos ramos jovens, folhas (Fevereiro).
O Componentes: tanino, lípidos, pigmentos O Propriedades: adstringente, 
cicatrizante, febrífugo, tónico. U. I., U. E. O Ver: anginas, boca, 
febre, ferida, lactação, úlcera cutânea.

68
PLANTAS ESPONTÂNEAS

Amieiro­negro

Frangula aInus Mili.

Sangui nho­de­ água, lagarinho, frângula, zangarinho,

zangarinheiro, sangarinheiro, sangurinheiro,

sanguinheiro, fúsaro

Ramnáceas

O amieiro­negro agrupa­se em formações pouco densas nas matas húmidas e 
próximo de pegos ou pântanos. Deve à fragilidade dos ramos o nome do 
género, do latimfrangere, partir. Esta planta apresenta semelhanças com 
o escambroeiro e o álamo. É, todavia, um arbusto fácil de reconhecer 
pelas suas folhas ovaladas, marcadas na página inferior por 8 a 12 pares
de nervuras salientes e paralelas, e pelos seus frutos vermelhos, do 
tamanho de ervilhas, que na maturação se tornam negros. Ignorado ou 
menosprezado na Antiguidade, o amieiro­negro é citado pela primeira vez 
num texto de Pietro Crescenzi, agrônomo italiano dos inícios do século 
Xiv. Dois séculos mais tarde, Mattioli codifica o seu uso com a 
indicação especial de não utilizar a droga fresca. A parte utilizada é a
segunda casca, outrora denominada casca interior, seca, reduzida a pó e 
tamisada. Se os modos de utilização e a posologia forem cumpridos, a sua
acção laxativa é constante e inofensiva.

Não comer a drupa; só utilizar a casca após um ano de secagem.

Habitat: Europa, solos ácidos, argilosos, siliciosos. Em Portugal, 
encontra­se do Minho ao Algarve, nas margens dos rios, locais húmidos e 
sebes; até 1000 m, Identificação: de 1 a 4 m de altura, excepcionalmente
6 m. Arbusto; tronco erecto; ramos horizontais flexíveis, alternos, não 
espinhosos; casca castanho­avermelhada quando jovem e mais tarde 
cinzento­escura com estrias brancas; folhas inteiras, membranosas, 
alternas, caducas, com 8 a 12 pares de nervuras salientes, paralelas, 
quase rectas; flores esverdeadas (Abril­Julho), hermafroditas, com 5 
sépalas, 5 pétalas ovais, 5 estames, estilete simples, reunidas de 2 a 
10 em cimeiras frouxas; drupa verde e depois vermelha, preta na 
maturação. Praticamente inodoro; sabor amargo e adstringente. Partes 
utilizadas: casca viva dos caules (Maio­Agosto) seca em pequenos 
pedaços,
O Componentes: tanino, heterósidos, antracénicos, mucilagem, goma 6 
Propriedades: cicatrizante, colagogo, laxativo, purgativo. U. I., U. E. 
+ O Ver: dartro, obesidade, obstipação, parasitose, sarna, 
vesícula.biliar.

69
Amor­de­hortelão

Galium aparine L.

Rubláceas

O amor­de­hortelão prende­se obstinadamente, por meio dos caules, das 
folhas e dos frutos, ao vestuário dos caminhantes desprevenidos e ao 
pêlo dos animais. Esta planta, graciosa, macia e leve, serve­se dos seus
acúleos recurvados para se erguer, agarrando­se aos arbustos próximos. É
uma planta anual, extremamente invasora, encontrando­se em todas as 
sebes e silvados, os quais cobre com as suas minúsculas flores brancas 
durante longos meses. Os povos da Antiguidade chamavam­lhe Apariné, que 
se agarra, palavra que se tornou o nome da espécie. Dioscórides explica 
nos seus textos como os pastores utilizavam os seus caules, atados em 
feixes, para clarificar o leite. Dos frutos faz­se um sucedâneo do café,
e a raiz torrada pode substituir a chicória. Da raiz extrai­se ainda um 
belo corante vermelho. Possui propriedades diuréticas e é eficaz nos 
problemas circulatórios das pessoas idosas.
O suco fresco ou uma cataplasma de folhas verdes esmagadas colocados 
sobre uma ferida, em caso de urgência, podem fazer parar uma hemorragia.

Habitat: Europa, orlas dos bosques, sebes, moitas; frequente em quase 
todo o território português; altitude média. Identificação: de O,20 a 
1,50 m de altura. Anual, caule delgado, ascendente ou trepador, 
quadrangular, com acúleos nas arestas, intumescido, viloso nos nós e 
ramoso a partir da base; verticilos de 6 a 8 folhas compridas, lineares,
com pontas rígidas, face superior e bordo providos de pêlos gancheados; 
flores brancas (Maio­Outubro), pequenas, em cimeiras pedunculadas na 
axila das folhas, corola com 4 pétalas, 2 carpelos unidos e com pêlos;
fruto de 3 a 4 mm, com pêlos, tuberculoso gancheado; raiz delgada. 
Cheiro suave. Partes utilizadas: planta fresca (Maio­Setembro) e seca, 
suco fresco; secagem rápida para evitar o enegrecimento das flores; 
conserva em lugar seco.
O Componentes: heterósidos (asperulósido) 4 Propriedades: anti­
inflamatório, aperitivo, cica trizante, diurético, sudorífico, 
vulnerário. U. L, U. E. + Ver: circulação, edema, icterícia, úlcera cutâ
nea.

70
Amor­perfeito­bravo

Viola tricolor L., ssp. arvensis Murr. Erva­da­trindade, amor­perfeito­
pequeno

Violáceas

O amor­perfeito­bravo, com as suas flores de tons escuros, é uma 
preciosidade dos terrenos baldios. Existe uma grande quantidade de 
espécies, às quais a infinita imaginação dos jardineiros acrescentou um 
grande número de híbridos. O amor­perfeito­bravo é uma violácea como as 
violetas, possuindo as
suas corolas cinco pétalas divididas em dois grupos; as quatro 
superiores apresentam­se erectas, e a inferior, esporoada. Colher o 
amor­perfeito revela­se uma operação delicada; é necessário colher as 
flores de manhã, logo que o orvalho desapareça, manipulá­las 
cuidadosamente e secá­las com rapidez para evitar que as flores murchem 
e as cápsulas amadureçam; o colorido das flores quando secas só se 
manterá se estas forem conservadas ao abrigo do ar.

A partir do Renascimento, o amor­perfeito, laxativo e depurativo, foi 
também utilizado para tratar doenças de pele, sendo da tradição tomar 
uma chávena de infusão e embeber uma compressa no mesmo preparado para 
passar pela pele. Os tratamentos com o amor­perfeito­bravo exigem 
perseverança, sendo ilusório esperar resultados antes de 15 dias.

O Fresco, proibido às crianças. Habitat: Europa; até 1800 m. 
Identificação: de O,05 a O,40 m de altura. Anual, caule erecto; folhas 
ovais ou lanceoladas, com bordos crenados, estipulas com 3 a 8 lóbulos, 
sendo o terminal foliáceo; flores brancas, amarelas ou cor de violeta 
(Abril­Outubro) com um comprido pedúnculo, pequenas, 5 sépalas verdes, 
desiguais, 5 pétalas, 4 erectas e 1 inferior, pendente, provida de um 
esporão curto, 5 estames com anteras amarelas, pistilo com estigma em 
forma de funil; cápsula glabra, abrindo­se por 3 valvas, e sementes 
castanhas. Cheiro suave; sabor amargo. Partes utilizadas: flores, suco 
fresco, planta florida (Abril­ Outubro); secagem rápida. * Componentes: 
ácido salicílico, tanino, sais minerais, saponinas, heterósidos 
flavónicos, mucilagem, vitamina C O Propriedades: antiespasmódico, 
cicatrizante, depurativo, diurético, emético, febrífugo, laxativo, 
sudorífico, tónico. U. I., U. E. Ver: acne, cura de Primavera, dartro, 
eczema, ferida, herpes, indigestão, pele, psoríase, reumatismo, tinha, 
urticária.
ANGÉLICA

Angelica archangelica L.

Erv a­do­espírito­ santo Bras.: jacinto­da­índia

Umbelíferas

É raro encontrar a Angelica archangelica em estado espontâneo, excepto 
em alguns vales dos Alpes e dos Pirenéus abrigados dos ventos, aquecidos
pelo sol e refrescados por um regato. Encontra­se com mais frequencia 
uma outra angélica, Angelica silvestris L., mais simples, menos 
perfumada, cujas folhas são verdes nas duas páginas. As propriedades das
duas especies são semelhantes; no entanto, não haverá possibilidades de 
erro se uma só vez se tiverem contemplado as magníficas umbelas amarelo­
esverdeadas da Angelica archangelica L. e aspirado o penetrante perfume 
almiscarado que exalam as suas folhas quando esmagadas entre os dedos.

Diz­se que teria sido o arcanjo Rafael quem deu a conhecer aos homens a 
angélica e as suas virtudes, enaltecidas pelos Antigos e consideradas 
outrora miraculosas. Segundo esta crença, a angélica afastava a peste, 
neutralizava o efeito dos venenos, prolongava a duração da vida. 
Actualmente, a angélica é considerada, com maior simplicidade, como um 
estimulante do aparelho digestivo e um anti­séptico.

O Não tocar com as mãos descobertas. Suco irritante para a pele e as 
mucosas. Habitat: Norte da Europa, Córsega, montanhas, solos pantanosos,
soalheiros; até 3000 m. Identificação: de 1,30 a 2,50 m de altura. 
Bienal, caule avermelhado, muito robusto, ramificado; folhas mais claras
na página interior com 2 ou 3 recortes em folíolos largos, dentadas; 
flores amarelo­ esverdeadas (Junho­Agosto), em largas umbelas 
hemisféricas, com 20 a 30 raios, vilosas na extremidade, estilete muito 
curto; diaquénio achatado com asas onduladas; raiz aprumada, volumosa, 
castanha, de fractura branca. Aromático; sabor acre. Partes utilizadas: 
folhas (Maio­Junho), caule (Junho­Julho), raiz (Outono), sementes 
(cortar as umbelas em Julho).
O Componentes: cumarina, ácidos, cera, tanino, glúcidos O Propriedades: 
anti­séptico, aperitivo, carminativo, digestivo, estomáquico, 
sudorífico, tó nico. U. L, U. E. + Ver: aerofagia, apetite, asma, banho,
cabelo, contusão, convalescença, coração, digestão, epidemia, fadiga, 
ferida, gravidez, gripe, magreza, menstruação, nervosismo, úlcera.

72
PLANTAS ESPONTANEAS

>

AntenÁria

Antennaria dioica (L.) Gaerm.

Pé­de­gato, griafálio

Compostas

Estas plantas dióicas, muito pequenas, formam por vezes nas montanhas 
enormes tapetes com flores cor­de­rosa e brancas. Tudo nelas evoca a 
graça e a suavidade, pois até o seu nome científico alude à extremidade 
dos seus pêlos florais, dilatados na ponta como as antenas das 
borboletas. As pequenas e fofas almofadas cor­de­rosa formadas pelos 
capítulos florais conferiram­lhe o nome de pé­de­gato. Estas plantas 
usufruíram outrora da reputação extraordinária ­ e totalmente imerecida 
­ de curar o cancro e os casos graves de tuberculose pulmonar. 
Actualmente, são consideradas menos eficazes e mesmo, segundo algumas 
opiniões, inactivas. Na realidade, a sua acção medicinal, como a sua 
imagem, é extremamente suave: lenitiva e emoliente, acalma a febre e a 
tosse e facilita a digestão. Apenas os capítulos cor­de­rosa, isto é, os
femininos, devem ser utilizados. A medicina homeopática utiliza a 
tintura da antenária e as suas flores, designadas por flores Pedis Cati.
Estas fazem ainda parte da composiçã o da tisana das quatro flores.

Habitat: Europa continental, montanhas, climas frios e temperados; de 
500 a 2800 m. Pouco frequente em Portugal. Identificação: de O,05 a O,20
m de altura. Vivaz, caule floral, simples, erecto e folhoso; folhas em 
numerosas rosetas basais, espatuladas, verde­esbranquiçadas na página 
superior, lanosas e acinzentadas na inferior, com bordos celheados, 
sendo as caulinares lanceoladas, aplicadas ao caule; flores (Maio­
Julho), em capítulos, dióicas, com brácteas brancas, obovadas nas 
masculinas, cor­de­rosa e lanceoladas nas femininas; aquénio glabro, 
liso, com 1 papilho
sedoso; toiça estolhosa que emite renovos formando extensos tapetes 
(Maio­Julho). Inodora; insulsa. Partes utilizadas: capítulos femininos 
secos (Maio­Julho); secagem rápida à sombra, em camadas finas.
O Componentes: tanino, resina, mucilagem, nitrato de potássio O 
Propriedades: anti­séptico, béquico, colagogo, emoliente, expectorante, 
febrífugo, vulnerário. U. L, U. E. + Ver: bronquite, febre, ferida, 
tosse, traqueíte, vesícula biliar.
PLANTAS ESPONTÂNEAS

AquilÉGía

Aquilegia vulgaris L. Erva­pombinha, aquilégia­vulgar, ancólia

Ranunculáceas

A aquilégia foi desde sempre alvo dos sonhos dos poetas, e nem Ronsard 
nem Chateaubriand conseguiram resistir ao sortilégio melancólico do seu 
nome. É uma planta romântica com folhagem delicada que se dá bem nos 
locais frescos e à sombra. Nos fins da Primavera, cobre­se de flores de 
cores suaves caprichosamente formadas por cinco peças, cada uma delas 
prolongada por um
esporão recurvado. Foi certamente este esporão que conferiu à aquilégia 
o nome do seu género, que deriva do latim aquila, águia, pois a 
extremidade dos esporões da aquilégia é recurvada, assemelhando­se ao 
bico e às garras dessa ave de rapina. Segundo outras opiniões, esta 
denominação deve­se à reputação que a planta tinha outrora de tornar o 
olhar mais penetrante.

A aquilégia foi utilizada intensamente e com sucesso, supõe­se, até ao 
século xix. Os fitoterapeutas procuravam obtê­la devido às suas 
numerosas propriedades; os homeopatas receitavam­na em alguns casos de 
desequilíbrios nervosos. Actualmente, a sua utilização é restrita, pois 
a planta, especialmente as partes aéreas e as sementes, contém uma 
substância prejudicial. Assim, excepto com indicação médica, só a raiz 
deve ser utilizada, e exclusivamente para uso externo.

O Uso interno exclusivamente sob prescrição médica. Habitat: Europa, 
bosques, prados, terrenos rochosos, sobretudo calcários; até 2000 m. 
Espontânea ou subespontânea na Beira Litoral Identificação: de O,60 a 
O,80 m de altura. Vivaz, caules erectos, pubescentes, ramificados, 
formando tufos; folhas ligeiramente glaucas na página inferior, sendo as
inferiores pecioladas, alternas, divididas em 3 a 9 folíolos lobulados, 
e as superiores sésseis; flores azul­violáceas, cor­de­rosa ou brancas 
(Maio­Julho), pedunculadas, em panícula pouco densa, 5 sépalas 
petalóides, 5 pétalas prolongadas por um esporão em forma de báculo, 
numerosos estames salientes; fruto com 5 volumosos folículos ventrudos, 
que se abrem pela face interior, numerosas sementes; rizoma subterrâneo,
espesso, oblíquo, raiz aprumada. Cheiro agradável. Partes utilizadas: 
sementes, flores, folhas, raiz.
O Componentes: heterósido cianogenético, lípidos, enzimas, vitamina C 4 
Propriedades: adstringente, anti­séptico, calmante, detersivo. U. L, U. 
E. + Ver: boca, sarna, tinha, úlcera cutânea.

74
Arando

Vaccinium myrtillus L. Uva­do­monte, mirtilo, erva­escovinha

Ericáceas

O arando, habitante dos terrenos siliciosos das florestas de montanha, 
desenvolve­se frequentemente em densas manchas, não deixando lugar para 
outras espécies vegetais. Os silvicultores consideram este arbusto, de 
bagas azuis e sumarentas, uma planta nociva, devido à rede formada pelos
seus caules subterrâneos e à densidade das suas partes verdes, que 
impedem o repovoamento das florestas. As bagas, ricas em vitamina C, 
colhem­se com um sedeiro, devem ser ingeridas aos punhados para melhor 
se apreciar o seu incomparável sabor e são utilizadas em pastelaria e em
compotas. Suportam bem a congelação, pois não sofrem alteração.

Nos Vosges obtém­se por destilação do arando uma bebida muito saborosa, 
o Heidelbeerwasser, semelhante ao kirsch. Outrora, extraía­se uma 
substância corante azul­escura desta planta que, aliás, deixa marcas
nos dentes e na língua dos seus apreciadores. Os Antigos não conheciam o
arando. Plínio fala de uma Vaccinia, que é uma planta diferente. Os 
autores da Idade Média referem­se­lhe, ignorando, no entanto, a sua 
principal acção, antidiarreica, que deve ter sido descoberta por 
empirismo popular e foi comprovada por análise científica.

Habitat: Europa; em França, Vosges, Alpes, Pirenéus; em Portugal, 
aparece nos pinhais e matos das montanhas desde o Alto Minho à serra da 
Estrela; entre 400 e 2500 m de altitude. Identificação: de O,30 a O,60 m
de altura. Subarbusto; caules ramosos verdes, ligeiramente angulosos, 
folhas caducas, ovais, serrilhadas e curtamente pecioladas; flores cor­ 
de­ rosa­ claras (Abril­Julho), com cálice reduzido a 5 dentes, corola 
gomilosa, caduca, solitária ou aos pares na axila das folhas; baga 
globosa, muito sumarenta, comprimida na extremidade, de cor negro­
violácea, pruinosa, erecta e sementes castanhas; rizoma enredado; sabor 
acidulado e açucarado (baga). Partes utilizadas: folhas frescas e secas,
bagas maduras (Julho a Setembro),
O Componentes: pigmentos antociânicos, sais minerais, tanino, vitamina 
C, provitamina A, ácidos (cítrico e málico) O Propriedades: 
adstringente, antidiarreico, anti­hemorrágico, anti­séptico, 
hipoglicemiante. U @ L, U. E. + V Ver: acne rosácea, afta, boca, 
circulação, cistite, colibacilose, diabetes, diarreia, eczema, 
hemorroidas, olhos, ureia.

75
Arando­de­baga­Vermelha

Vaccinium vitis­idaea L.

Arando­vermelho

Ericáceas

Este arando é uma pequena planta vivaz das montanhas que atapeta 
dispersamente o solo das florestas de coníferas, espalhando as suas 
manchas arbustivas pelos matagais e

campos de pastagem até ao limite das neves eternas. Assemelha­se à uva­
ursina, que pode, aliás, ser utilizada em seu lugar, sendo o arando 
facilmente reconhecível por uma pontuação existente na página inferior 
das suas folhas. Como o mirtilo, o arando pertence ao género Vaccinium. 
Segundo algumas opiniões, esta palavra deriva de vacca, vaca, pois estes
animais pastam a planta. Segundo outras, deriva de bacca, baga. De 
facto, os frutos são muito característicos; têm a forma e a cor de uma 
cereja pequena, mas são acídulos, farinhentos e muito refrescantes. As 
suas utilizações são inúmeras. Podem ser ingeridos frescos ou servir 
para fabricar um vinho muito agradável, conservados em vinagre e 
utilizados para fazer doce ou compota para acompanhar pratos de carne. 
As folhas são sobretudo utilizadas em medicina, apresentando, no 
entanto, em doses elevadas, alguma toxici­

a Em doses elevadas as folhas são tóxicas. Habitat: Europa, montanhas, 
solos ácidos, matagais, florestas, campos de pastagens; entre 300 e 3000
m. Identificação: de 0,10 a 0,30 m de altura. Subarbusto; caule 
prostrado arredondado, algo pubescente na planta jovem, ramos erectos; 
folhas verdes e brilhantes na página superior, esbranquiçadas e 
ponteadas na inferior, persistentes, coriáceas, com os bordos enrolados,
inteiras ou ligeiramente crenadas; flores brancas ou rosadas (Maio­
Julho), formando cachos terminais pendentes, pedunculados, cálice

com 5 lóbulos, corola campanulada com 5 pontas recurvadas; baga globosa,
vermelha, com várias sementes castanho­avermelhadas; rizoma ramificado. 
Inodoro; sabor ácido. Partes utilizadas: folhas (Maio­Agosto), fruto 
(Agosto­Setembro), planta inteira.
0 Componentes: ácidos orgânicos, vitamina C, provitamina A, tanino, 
heterósido 0 Propriedades: adstringente, aperitivo, anti­séptico, 
depurativo, diurético, hipoglicemiante. U. 1. + Ver: cistite, diarreia, 
gota, reumatismo.
Arenária

Spergularia rubra (L.) J. & C. Presi

Cariofiláceas

A Spergularia rubra, que pode encontrar­se em locais arenosos, mas não 
salgadiços, de algumas regiões de Portugal, é conhecida com o nome de 
arenária não só devido aos locais de crescimento, como também ao seu 
nome inicial, Arenaria rubra, dado por Lineu.

É uma planta anual ou bienal que se encontra disseminada nos solos 
arenosos de toda a Europa e, por vezes, nas costas marítimas. Os 
fitoterapeutas e os ervanários apreciam muito esta cariofilácea 
filiforme
com minúsculas flores vermelhas, que possui a importante virtude de 
acalmar as dores das vias urinárias. A planta inteira e seca é utilizada
numa infusão à qual se adicionam geralmente folhas de uva­ursina. Depois
de seca, reduzida a pó e incorporada em azeite, obtém­se uma pomada que 
atenua as manchas do rosto, nomeadamente as sardas.

Habitat: Europa, solos siliciosos e arenosos; até 2200 m. Identificação:
de O,05 a O,25 m de altura. Anual ou bienal, caule frágil, prostrado e 
seguidamente erecto; folhas lineares, pequenas, finas, estipulas 
prateadas, membranosas, soldadas umas às outras em cada um dos nós, 
flores cor­de­rosa (Abril­Setembro), pequenas, em cimeira frouxa, 
foliada, 5 sépalas obtusas, marginadas de branco, 5 pétalas um pouco 
mais curtas que as sépalas, com 7 a 10 estames e 3 estiletes; cápsula 
que se abre por 3 valvas, numerosas sementes negras não aladas. Esta 
planta tem um cheiro herbáceo e agradável. Partes utilizadas: planta 
inteira (Maio­Junho); secagem à sombra.
O Componentes: resina, sais minerais 6 Propriedades: diurético, 
sedativo. U. L, LI. E. + V Ver: cistite, gota, reumatismo, sarda.

77
Argentina

Potentilla anserina L.

Ansarinha

Rosáceas

Existem diversas espécies do género Potentilla; antes da frutificação, 
assemelham­se ao morangueiro, com o qual não devem, no entanto, ser 
confundidas. Apenas três possuem propriedades medicinais: o cinco­em­
rama, a tormentila e a argentina, que estão incluídas nesta obra. O nome
do género deriva da palavra latina potens, poderoso, pois a sua acção é 
extremamente enérgica. O nome específico, baseado na palavra latina 
anser, ganso, pode traduzir­se por erva­dos­gansos.

A argentina, pequena planta vivaz, vigorosa e sedosa, forma por vezes 
vastos tapetes prateadosà beira dos charcos, próximo das quintas. E uma 
erva daninha como tantas outras, muito resistente, que suporta sem

dano ser calcada pelos pés. Durante todo o

Verão as suas flores solitárias, de um arnarelo intenso, com cinco 
pétalas bem visíveis, abrem de manhã e fecham ao cair da tarde, 
mantendo­se fechadas quando está mau

tempo. Além dos gansos, todos os animais de capoeira e o gado a 
apreciam. A raiz mastigada faz bem às gengivas, pois facilita o 
nascimento dos dentes das crianças e protege os dos adultos da 
descarnadura.

O Não preparar ou conservar em recipientes de ferro. Habitat: Europa, 
excepto na região mediterrânica, solos ricos, terrenos baldios, húmidos,
bermas dos caminhos; assinalada em Portugal nas margens do rio Douro; 
até 1700 m. Identificação: de O,20 a O,40 m de altura. Vivaz, estolhos 
compridos e delgados; folhas radicais, por vezes verdes na face superior
e mais frequentemente prateadas, acetinadas em ambas as páginas, 
estipuladas, compridas, grandes, imparipinuladas, com 15 a 25 folíolos 
desiguais, serradas; flores de um amarelo intenso (Maio­Setembro), 
nascendo sobre as rosetas de folhas dos rebentos, pedunculadas, 
solitárias, cálice de 5 sépalas, calículo, 5 grandes pétalas patentes, 
numerosos estames e carpelos lisos; aquénio ovóide; rizoma lenhoso, com 
raízes adventícias. Inodora. Partes utilizadas: flores, folhas, raiz.
O Componentes: tanino, flavona, álcool, resina, amido, colina O 
Propriedades: acistringente, antiespas módico, estomáquico, tónico. U. 
L, U. E. + Ver: anginas, diarreia, estômago, ferida, hemorragia, 
leucorreia, menstruação, pulmão.
PLANTAS ESPONTÂNEAS

AristolÓquia

Aristolochia clematitis L.

Bras.: calungo, cipó­mil­homens

Aristoloqueáceas

Ao formar as flores amarelo­douradas da aristolóquia, a Natureza 
preparou uma perigosa armadilha. Logo que os insectos entram na corola, 
deslizam no revestimento ceroso que enche o seu interior e são impedidos
de voltar ao exterior por uma barreira de pêlos. Mais tarde, quando a 
flor murcha     > os pêlos secam e os prisioneiros, salpicados de pólen,
são libertados, podendo então garantir a fecundação. Planta vivaz que 
prefere o calor e os solos calcários, encontra­se frequentemente nas 
vinhas da região mediterrânica, onde é facilmente identificável devido 
às suas enormes folhas verde­claras em forma de coração e ao seu cheiro 
nauseabundo.

Várias espécies de aristolóquias, já descritas na Antiguidade, foram 
durante muito tempo utilizadas devido à sua pretensa acção estimulante 
do trabalho de parto. Deste facto lhe advém o nome de aristos, 
excelente, e lokia, parto. Além disso, as suas propriedades 
adstringentes e vulnerárias propiciaram a sua utilização em medicina até
ao século XVIII, e mesmo até aos nossos dias em alguns meios rurais. A 
sua raiz deve ser utilizada seca, pois é tóxica no estado fresco tanto 
para o homem como para os animais.

Habitat: Europa Central e Meridional; nos terrenos pedregosos do Centro 
de Portugal, vinhas, solos calcários; até 800 m. Identificação: de O,20 
a O,80 m de altura. Vivaz, caule erecto, simples; folhas grandes, com 
pecíolos compridos, cordiformes, com os bordos denticulados; flores 
amarelas (Maio­Junho), pediceladas, tubulosas, inchadas na base e 
linguiformes no cimo, de 2 a 8 na axila das folhas superiores, 6 estames
inclusos, anteras soldadas, 6 carpelos; cápsula pendente e carnuda; 
rizoma rastejante, profundo e frágil. Esta planta vivaz tem um cheiro 
nauseabundo; o seu sabor é acre. Partes utilizadas: folhas, rizorna 
(Outono); limpar o rizoma, deixar secar em troços.
O Componentes: alcalóide tóxico (aristoloquina), princípio amargo, óleo 
essencial, tanino, resina, glúcidos O Propriedades: acistringente, 
emenagogo, vulnerário. U. L, U. E. + Ver: artrite, ferida, gota, 
menstruação, prurido, reumatismo.
Arnica

Arnica montana L.

T abaco­ dos­ saboi anos, betónica­dos­saboianos,

dórico­da­alernanha, tabaco­dos­vosgos, tanchagem­dos­alpes, cravo­dos­
alpes, panaceia­das­quedas, quina­dos­pobres

Compostas

A origem do nome Arnica é bastante obscura. É possivelmente uma 
deformação da palavra grega ptarmica, que significa que faz espirrar. 
Desconhecida na Antiguidade, a planta foi pela primeira vez citada por 
Santa Hildegarda e mais tarde utilizada pela Escola de Salerno. No 
século Xvi, foi descrita e desenhada pelo médico e botânico italiano 
Mattioli. Seguidamente, os médicos começaram a receitá­la com critérios 
diversificados; simultaneamente, discutiam­se até à exaustão as suas 
virtudes e também os seus perigos. A planta, conhecida no século XIX

como a quina­dos­pobres devido às suas propriedades febrífugas, 
expressão maliciosamente deturpada pelos seus detractores em *pobre 
quina+ , é hoje considerada um tóxico violento que afecta quase todas as
vísceras e o sistema nervoso. Deste modo, a sua utilização deve limitar­
se ao uso externo, tanto para o homem como para os animais, excepto por 
indicação médica. A arnica é uma planta vivaz das montanhas cujas folhas
são de há muito fumadas pelos camponeses, sendo as­

sim um precioso auxiliar para uma cura de desintoxicação tabágica.

0 Excepto por receita médica, apenas uso externo. Habitat: Europa, 
montanhas, solos ácidos; em Portugal, nos prados e pauis de quase todo o
País; de 600 a 2800 m. Identificação: de 0,20 a 0,60 m de altura. Vivaz,
caule floral erecto, simples, pubescente, glanduloso; folhas basais em 
roseta, junto ao solo, ligeiramente consistentes, ovais, sendo as 
caulinares mais pequenas, lanceoladas; flores amarelo­alaranjadas (Maio­
Julho), em grandes capítulos isolados, que por vezes são completados 
inferiormente por 2 mais peque­

nos, opostos, com 15 a 20 flores liguladas na periferia, tubulosas no 
centro; aquénio papilhoso; rizoma oblíquo, castanho. Cheiro aromático; 
sabor muito amargo. Partes utilizadas: folhas secas, flores (Julho), 
raiz (Setembro); secagem rápida à sombra.
0 Componentes: óleo essencial, resina, tanino, ácido málico, cera, goma,
silício, pigmentos
0    Propriedades:    acistringente,    cicatrizante, esternutatório, 
sudorífico. U. L, U. E. + o Ver: acne, cabelo, contusão, entorse, 
ftiríase, tabagismo.
80
Artemísia

Artemisia vulgaris L.

Artemísia­verdadeira, artemísia­comum, flor­de­sãojoão, erva­de­fogo, 
erva­de­são­j.oão

Bras.: arternigem

Compostas

A artemísia cresce nas bermas dos caminhos florestais, ao longo dos 
regatos e das vias férreas, e até nas casas em ruínas. Esta planta vivaz
semelhante à losna distingue­se desta pelas folhas, pubescentes na 
página inferior. Supõe­se que a Artemisia, muito apreciada pelos médicos
da Antiguidade, não era a Artemisia vulgaris L.; na Idade Média, é 
realmente à artemísia que se referem o poeta Rutebeuf e, mais tarde, 
Ambroise Paré. A medicina oriental utiliza uma espécie de artemísia na 
moxibustão, técnica semelhante à acupunctura e que consiste em

atear pequenos montes de folhas colocados em pontos específicos do 
corpo. Durante muito tempo utilizada para tratar a epilepsia

e a dança de S. Vito, a planta é ainda actualmente usada nos meios 
rurais devido à sua acção no organismo feminino, propriedade comum a 
todas as plantas que têm como protectora a deusa Artemisa. No campo, 
suspensa em ramos nos estábulos e nas cavalariças, a artemísia atrai as 
moscas, protegendo assim os animais.

O Proibida às mulheres grávidas, tóxica em doses elevadas, o pólen é 
alergénico. Habitat: Europa, terrenos incultos. Em Portugal, sebes e 
bermas no Minho e Beiras; até 1600 m. Identificação: de O,50 a 1,50 m de
altura. Vivaz, caule avermelhado, herbáceo, ramoso; folhas recortadas em
lóbulos agudos, verde­escuras, glabras na página superior, tomentosas e 
esbranquiçadas na inferior; flores amareladas (Ju lho­ Outubro), 
tulbulosas, em pequenos capítulos erectos, com invólucro, reunidas em 
grandes panículas de espigas frouxas; aquénio glabro; toiça lenhosa, 
espessa, sem estolhos.

Cheiro a especiarias; sabor amargo. Partes utilizadas: folhas mondadas, 
sumidades floridas (Julho­Outubro), raiz (Outubro); reduzir a pó, 
conservar resguardada da luz (sumidades e folhas), secar no forno 
(raiz).
O Componentes: óleo essencial, resina, tanino, mucilagem, inulina. As 
folhas contêm vitaminas Al, B1, B2 e C O Propriedades: antiespasmódico, 
emenagogo, febrífugo, tónico, vermífugo. LI. L, U. E. + o Ver: apetite, 
epilepsia, febre, ferida, menstruação, parasitose, parto, pé, úlcera 
cutânea, vesícula biliar, vómito.
Artemísia­dos­alpes

a) Artemisia glacialis L. b) Artemisia mutellina Vill. c) Artemisia 
spicata Jacq.

Bras.: artemísia

Compostas

Existem várias espécies do género Artemisia que são anãs, vivem nas 
altas montanhas, onde servem de pastagem às cabras­monteses, e noutros 
locais. São espécies vivazes, com caules curtos e tomentosos, que 
florescem em pleno Verão e se assemelham muito, crescendo por vezes 
muito próximas nos entulhos e nos fragmentos de rochas desolados, 
formando manchas sedosas escondidas nas fendas das pedras. Aqui 
apresentam­se as três espécies que mais frequentemente se encontram nos 
Alpes. Como a maioria das plantas de alta montanha, estas artemísias 
foram, durante muito tempo, ignoradas na planície, só tardiamente sendo 
estudadas pelos botânicos, sempre ávidos de conhecer novas floras, que 
as descobriram em aldeias alcandoradas (uma delas atinge as altitudes 
mais geladas, por vezes até 3400 m nos Alpes), onde os camponeses as 
utilizavam para preparar licores e também, por vezes, com resultados 
funestos, como remédio para os resfriamentos. A sua acção, efectivamente
forte, impõe o cumprimento rigoroso das doses indicadas.

Actualmente, são muito pouco utilizadas, exceptuando nas suas regiões de
origem. São plantas raras, importantes e dispendiosas, que devem ser 
protegidas, se bem que, com muita facilidade e menor despesa, seja 
possível substituí­Ias por plantas mais vulgares, que produzem 
resultados idênticos.

O Seguir rigorosamente as doses. Habitat: rochedos; de 1800 a 3400 m. 
Identificação: de O,04 a O,15 m de altura. Três espécies herbáceas 
vivazes em pequenas moitas; caules floridos simples;  folhas laciniadas,
11S  eg  u,r r, g o'osamente asdo Habita   .   hed s  d e >800 a
1

tlf >’roco o 6 04 a   15 den      >caÇã de espé c@  es herbác ea  vvaz es
etas’ ca  u1es f1ondos  s,@p1es branco­acinzentadas, sedosas, em maior 
nú mero junto à base, e pecioladas; flores tulbulosas amarelas (Julho­
Setembro), em pequenos capítulos subglobosos. Cheiro intenso a absinto; 
sabor amargo. a) Rosetas de folhas com divisões trifurcadas; capítulos 
agrupados na extremidade superior dos caules curtos com raras folhas; 
invó lucro marginado de castanho;

b) folhas raras todas pecioladas, palmadas, com limbo curto; flores 
amarelo­claras em pequenos capítulos solitários, quase todos 
pedunculados; c) tufos isolados com 1 a 2 espigas compridas e curvas, 
unilaterais, com capítulos enegrecidos, pequenos e sésseis. Partes 
utilizadas: planta florida e raiz (Julho­Setembro); secagem à sombra.
O Componentes: óleo essencial, princípios amargos O Propriedades: 
aperitivo, emenagogo, estomáquico, sudorífico, tónico, vulnerário U. L, 
U. E. Ver: apetite, astenia, menstruação.

82
ÁZARO
*//* faltam os outros nomes

O ásaro é uma pequena e caprichosa planta, facilmente identificável 
entre as muitas

que atapetam o solo dos bosques de árvores frondosas. Floresce 
precocemente no fim do Inverno, dissimulando as suas flores campanuladas
solitárias sob as brilhantes folhas reniformes. Esmagada entre os dedos,
toda a planta exala um perfume semelhante à terebintina e o seu sabor 
acre provoca náuseas. A sua designação em francês, asaret, deriva de uma
palavra grega que significa desagradável. Outro dos seus nomes vulgares 
em

francês, cabaret, evoca a utilização que outrora lhe davam os ébrios 
para aliviar o estômago, dissipar a embriaguez e, por vezes, poderem 
continuar a beber.

Planta vivaz, o ásaro é conhecido desde tempos remotos devido à sua 
acção muito dinâmica, sendo classificado por Gilbert como *remédio que 
cresce em todos os canteiros+. Efectivamente, o ásaro é vomitivo, 
purgativo, diurético, expectorante e esternutatório. Para além das suas 
aplicações medicinais, que devem ser prudentemente vigiadas, o ásaro 
produz um corante de uma bonita cor verde­maçã que serve para tingir lã.

O Venenoso. Perde parte da toxicidade e da

eficácia após a secagem. Habitat: Europa Central, sobretudo nas 
montanhas, excepto na região mediterrânica, solos calcários, florestas 
de árvores frondosas; até

Venen oso ef"á',a após Hab tat. Eurol:

1700 m. Identificação: de O,10 a O,15 m de altura. Vivaz, caules 
rastejantes semi­subterrâneos, sendo os aéreos muito curtos e escamosos;
folhas verde­escuras, brilhantes, reniformes, com pecíolo comprido e 
viloso; flor castanha e cor de púrpura na parte interior (Março­Maio), 
solitária, pouco visível na base das folhas,

campanulada, Pubescente, pedunculada; cápsula rija, com 6 láculos 
contendo cada um 2 fileiras de sementes; rizoma castanho, sinuoso. 
Cheiro específico, apimentado, canforáceo; sabor acre e nauseabundo. 
Partes utilizadas: folhas (Verão), rizoma, fresco ou colhido há menos de
6 meses (Primavera ou Outono).
O Componentes: óleo essencial que contém asarona O Propriedades: 
emético, esternutatório, expectorante, purgativo. LI. L, U. E. + Ver: 
asma , bronquite, cefaleia.

83
Aspérula­odorífera

Asperula odorata L.

Rubiáceas

Esta graciosa planta dos frescos e sombrios bosques de faias tem, de 
certo modo, os seus pergaminhos. No século XVIII, Estanislau Leczinski, 
rei da Polónia, tomava todas as manhãs uma chávena de chá de aspérula e 
afirmava que a sua robusta saúde se devia a este simples hábito. Ainda 
hoje, na Alsácia, Bélgica e Alemanha o macerado de toda a planta serve 
para preparar um vinho reputado pelas suas virtudes tónicas e 
digestivas; é indispensável numa cura de Primavera para eliminar as 
toxinas acumuladas durante o Inverno. Misturadas com folhas de menta e 
de tussilagem, as folhas de aspérula proporcionam aos fumadores 
inveterados um agradável sucedâneo do tabaco que pode facilitar uma cura
de desintoxicação.

Nos bosques, a aspérula é pouco aromática, só se desenvolvendo o seu 
suave perfume após a secagem. Misturada com as forragens, a planta dá ao
leite das vacas um aroma delicioso. Os ramos de aspérula foram 
utilizados durante séculos para defumar os quartos, perfumar a roupa de 
casa e afugentar os insectos.

A a spéru 1 a­ odorífera é facilmente identificável: as suas folhas, 
opostas, formam estrelas com seis ou oito pontas, bastando fazer 
deslizar o dedo indicador ao longo dos bordos e sob a nervura central 
para sentir os finos relevos que inspiraram o seu nome; as pequenas 
flores brancas, têm a forma de campainhas.

Habitat: zonas temperadas da Europa, com excepção da região 
mediterrânica, bosques frescos, matas de faias, solos rochosos; até
1600 m. Identificação: de O,10 a O,30 m de altura. Vivaz, caule erecto, 
simples, quadrangular, liso, com um anel de pêlos sob os verticilos; 
folhas verde­escuras, lanceoladas, agudas, glabras, de 6 ou 8 em cada 
verticilo; flores brancas (Abril­Junho), pequenas, em corimbos 
terminais, em tubo curto com 4 lóbulos; fruto formado por 2 carpelos 
globosos, aderentes, eriçados de pêlos recurvados; parte subterrânea

delgada e rastejante. Cheiro aromático; sabor agradável e amargo. Partes
utilizadas: planta inteira (princípio da floração), excepto a raiz; 
fazer ramos e suspendê­los; escurece ao secar.
O Componentes: cumarinas, lípidos, vitamina C (folhas), pigmentos O 
Propriedades: anti­séptico, colagogo, depurativo, diurético, sedativo, 
tónico, vulnerário. U. L, U. E. + Ver: abcesso, cefaleia, cura de 
Primavera, digestão, insectos, litíase, nervosismo, palpitações, sono, 
tabagismo, vesícula biliar.

84
Aveleira

Corflus avellana L.

Avelaneira

Betuláceas

A aveleira é um dos vegetais mais antigos, pois já existia na era 
terciária, tendo sido encontrados numerosos fósseis de folhas; os povos 
pré­históricos ingeriam os seus frutos, que têm sido descobertos em 
alguns túmulos neolíticos. Este arbusto, que floresce em

Setembro e cujos amentilhos amarelos espalham, em pleno Inverno, o pó 
dourado do seu pólen, é muito conhecido.

A palavra Corflus deriva do grego corYs, elmo; a avelã está, com efeito,
encerrada numa bráctea verde, como uma cabeça dentro de um elmo.

Os médicos da Antiguidade tinham conceitos diversos sobre a aveleira. 
Dioscórides opinava que era nociva para o estômago, mas acalmava a 
tosse; Santa Hildegarda aconselhava­a como remédio para a impo~ tência; 
Mattioli receitava­a, depois de moída e misturada com gordura de urso, 
para o

repovoamento capilar; Amato Lusitano considerava­a infalível para curar 
a *doença da pedra+; Craton indicava­a para as cólicas nefríticas. Apesar
de tudo, há pelo menos

uma certeza: a avelã é extremamente nutritiva, estimulante e menos 
@ndigesta que a noz. A raiz com veios da aveleira é utilizada em 
trabalhos de embutidos, e dos seus ramos flexíveis faz­se uma vara 
bifurcada utilizada pelos vedores para descobrir veios de água, 
extremamente importante nos meios rurais.

Habitat: Europa, excepto no extremo norte, bosques, matas, sebes, 
jardins e parques, margens dos riachos; disseminada principalmente no 
Norte de Portugal; até 1500 m.

Identificação: de 3 a 5 m de altura. Arbusto, ou pequena árvore com os 
rebentos revestidos de pêlos glandulosos; folhas moles, ovais, 
terminadas em ponta, duplamente serradas, pubescentes quando jovens, 
alternas; amentilhos masculinos amarelo­dourados (Setembro), alongados e
pendentes, e amentilhos femininos (Janeiro­Fevereiro) apenas visíveis 
pelos estiletes salientes vermelhos; fruto seco indeiscente encerrado no
invólucro, cúpula foliacea, 1 semente e em alguns casos 2. InodoraPartes
utilizadas: amentilhos, casca dos ramos jovens, folhas, sementes.
O Componentes: flavon6ides, tanino O Propriedades: acistringente, anti­
hernorrágico, anti­sudorífico, depurativo, febrífugo, vasoconstritor. U.
I., U. E.   M Ver: circulação, edema, epistaxe, febre, ferida, flebite, 
obesidade, olhos, pele, varizes.

85
Avenca

Adiantum capiflus veneris L.

Capilária; avenca­de­montpellier Bras.: avenca­cabelo­de­vénus

Polipodiáceas

É um pequeno feto também conhecido por capilária devido aos seus 
pecíolos extremamente finos e ao seu suposto poder de impedir a queda do
cabelo. O nome popular de capilária foi também atribuído a outros fetos 
de pequeno porte, se bem que pertencentes a outro género. Quanto ao nome
científico Adiantum, deriva do grego adiantos, não molhado, pois as suas
folhas, quando mergulhadas em água, permanecem secas e as

gotas e c uva es izam so re elas sem as molhar. Em Portugal, encontra­se
nas fontes, poços e locais húmidos de quase todo o território.

Foi outrora tão obstinadamente admirada que, no século XVII, Pierre 
Formius a considerou *um segundo ouro+ que dominava todas as doenç as dos
pulmões; na realidade, é apenas um béquico ligeiramente diurético, 
próprio para crianças. Em França, no século XVIII, sob a Regência, 
popularizou­se uma

bebida, a bavaroise, feita com infusão de chá, xarope de avenca, leite 
quente e açúcar. Esta planta deve ser utilizada fresca, pois perde uma 
parte da sua eficácia quando seca.

Habitat: Europa Meridional, incluindo Portugal quase todo, Grã­Bretanha,
Sul de França, entrada de grutas, rochedos húmidos, nascentes, poços, 
solos calcários; até 1300 m. Identificação: de O,10 a O,40 m de altura. 
Feto em manchas pouco densas; pecíolos e respectivas ramificações muito 
finos, pretos ou castanho­escuros, lisos; frondes com folíolos 
triangulares, em forma de leque, chanfrados em lóbulos, na extremidade 
dos quais nascem os esporângios numa prega do bordo exterior, caules 
subterrâneos, cobertos de escamas. Cheiro suave; sabor ligeiramente 
amargo.

Partes utilizadas: frondes (Junho­Setembro).
O Componentes: tanino, mucilagem, açúcar, ácido gálico, vestígios de 
essência, capilarina, princípio amargo O Propriedades: béquico, 
diurético, emenagogo, emoliente. U. L, U. E. + Ver: anginas, bronquite, 
cabelo, tosse,
Avoadinha

Erigeron canadensis L. Bras.: cauda­de­raposa

Compostas Desconhecida na Europa até 1655, esta planta foi importada da 
América do Norte para um jardim botânico francês. Dali colonizou toda a 
Europa, pois encontra­se   muito disseminada, excepto nas florestas e 
nos prados naturais. Invade os terrenos e neles se instala, povoando­os,
por vezes, quase exclusivamente. Os seus pequenos capítulos, de um 
branco­baço, e o longo caule fusiforme não lhe conferem um aspecto 
agradável. Não obstante ser uma resinosa, a planta resiste 
admiravelmente às queimadas para limpeza dos terrenos.

Erigeron é o nome grego da avoadinha e

deriva de èr, Primavera, e de gêron, velho; é uma alusão à formação de 
penachos brancos nos indivíduos jovens logo que as flores murcham. Nos 
Estados Unidos e no Canadá, seus países de origem, a avoadinha é muito 
apreciada devido às suas virtudes medicinais, pois é um anti­hemorrágico
e um vermífugo; a planta é geralmente utilizada pelas suas propriedades 
diuréticas.

Habitat: Europa, extremamente vulgar, campos, terrenos baldios, areias 
das arribas, caminhos, vias férreas; frequente em Portugal, surgindo 
subespontânea nos campos cultivados, areias, entulhos e terrenos 
incultos, do Minho ao Algarve; até 1000 m. Identificação: de O,10 a 1 m 
de altura. Anual; caule erecto, único, peludo, muito ramoso; folhas 
alongadas, estreitas, inteiras ou serradas no vértice, verde­
acinzentadas; flores esbranquiçadas (Junho­Outubro), em longa panícula 
com grande número de pequenos capítulos, tulbulosas, amarelas no centro,
com lígulas curtas esbranquiçadas na margem; aquénio com papilho 
esbranquiçado, de pêlos unisseriados, Partes utilizadas: caule com 
folhas e flores e suco fresco.
O Componentes: tanino, resinas, ácido gálhico, óleo essencial O 
Propriedades: anti­inflamatório, diurético. LI. 1. + Ver: albuminúria, 
artrite, celulite, cistite, diarreia, gota, leucorreia.
Azedas

Rumex acetosa L.

Vinagreira Bras.: azedinha­da­horta

Poligonáceas

Aazeda pertence, como a bistorta e o labaçol, à família das 
Poligonáceas. Muito difundida nos campos, é familiar às crianças, que 
gostam de chupar as suas folhas ácidas, e nefasta para o gado, pois 
provoca­lhe diarreia. Existem várias espécies cultivadas, não ignorando 
os agricultores que as azedas que crescem ao sol são ainda mais ácidas 
do que as que se desenvolvem à sombra.

Devido às suas propriedades depurativas e digestivas, as azedas fazem 
parte da composição de um caldo de ervas, benéfico para pessoas febris 
ou após um período de purga, para o que basta ferver 40 g de folhas 
jovens de azeda, 20 g de alface e de alho­porro, 10 g de espinafres, 10 
g de cerefólio, 10 g de acelga e uma noz de manteiga. Apesar da sua 
grande utilidade, esta planta não é totalmente benéfica, pelo que não 
deve ser ingerida em excesso; os doentes de artrite, gota, litíase e 
reumatismo, além dos que sofrem de hiperacidez gástrica, não devem 
utilizá­la.

0 pólen produzido pelas azedas em grande quantidade é susceptível de 
causar alergias, podendo também provocar manifestações de polinose nas 
pessoas sensíveis.

0 Vedada aos doentes de artrite, gota, litíase e reumatismo; 
incompatível com as águas minerais; não utilizar recipientes de cobre. 
Habitat: Europa; em quase todo o País; até 2300 m. Identificação: de 
0,30 a 1 m de altura. Vivaz, caules avermelhados, estriados, ocos e 
ramificados; folhas grandes, verde­escuras na página superior, glaucas 
na inferior, lanceoladas, com aurículas acuminadas, estipulas soldadas 
formando bainha, folhas da base com pecíolos compridos; flores verdes ou
avermelhadas (Maio­ Setembro), em cachos compostos, pequenas, dióicas, 6
pétalas marcadas por estrias

vermelhas com 2 verticilos, 6 estames pendentes, 3 estiletes e estigmas 
em forma de pincel; aquénio trigonal e 1 semente; rizoma castanho­
escuro. Sabor ligeiramente ácido. Partes utilizadas: folhas e caule 
frescos e raiz.
0 Componentes: oxalato de potássio, ácido oxálico, ferro, clorofila, 
vitamina C 0 Propriedades: antiescorbútico, aperitivo, depurativo, 
digestivo, diurético, emenagogo, estomáquico, laxativo, refrescante, 
tónico. U. I., U. E. + o Ver: abcesso, acne, apetite, cura de Primavera,
obstipação, pele, picadas, sede.
Azevinho

flex aquifoflum L.

Pica­folha, visqueiro, azevinho­espinhoso, zebro,

pica­rato, aquifólio, espinha­ sempre­ verde

Aquifoliáceas 

Toda a gente conhece o azevinho, que normalmente ornamenta as decorações
das festas natalícias entrelaçado com o visco. É um dos arbustos 
ornamentais mais cultivados nos jardins e parques das regiões 
temperadas, onde, durante todo o Inverno, na axila das folhas coriáceas,
e parecendo encerados pela mão cuidadosa de uma dona de casa, brilham os
seus frutos maduros, semelhantes a pequenas bolas vermelhas. O azevinho 
parece sempre verde, pois as suas folhas, que têm mais de um ano de 
vida, não se renovam simultaneamente. Planta de crescimento muito lento,
pode tornar­se, em climas que lhe sejam propícios, como o da Córsega, 
uma bela árvore com cerca de 10 m de altura e viver até aos 300 anos. As
folhas das árvores jovens, sobretudo as dos ramos mais baixos, são 
terrivelmente agressivas e picantes; porém, com a idade, tornam­se 
macias e ovais e, à semelhança de todos os velhos, perdem os dentes. As 
bagas não devem ingerir­se, pois são um purgativo violento.

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O Não ingerir as bagas. Habitat: Europa temperada, matas; em todo o 
território português, em bosques, sendo mais abundante na zona norte; 
até 2000 m. Identificação: de 1 a 10 m de altura. Arbusto ou pequena 
árvore; caule com casca lisa, glabro e lenho duro; folhas verde­escuras 
na pá gina superior, mais claras na inferior, extremamente onduladas, 
dentado­espinhosas, brilhantes, cerosas, coriáceas e alternas, com 
pecíolo curto, persistentes, compridas, sendo as superiores 
frequentemente ovais, inteiras e planas; flores brancas ou cor­de­rosa 
(Maio­Junho), em corimbos na axila de folhas subsésseis, peças florais 
em grupos de 4 e mais raramente de 5; baga vermelha, madura em Setembro­
Outubro, contendo de 4 a 5 caroços triangulares. lnodoro; sabor amargo. 
Partes utilizadas: folha (todo o ano), casca (Primavera); secagem à 
sombra ou ao sol.
O Componentes: tanino, ilicina O Propriedades: antiespas módico, 
emoliente, febrífugo, tónico. U. L, U. E. + o Ver: bronquite, diarreia, 
febre.
PLANTAS ESPONTÂNEAS

Becabunga

Veronica beccabunga L.

Morrião­d'água Bras.: verónica

Escrofulariáceas

As espécies de Veronica distinguem­se facilmente de outras flores com 
quatro pétalas, principalmente das da família das Crucíferas, porque, ao
contrário destas, possuem duas pétalas de dimensões muito diferentes. 
Além disso, a sua cor azul ou lilás é a mais frequente.

Supõe­se que o nome do género é uma alusão à toalha com que Santa 
Verónica limpou o rosto de Cristo durante a sua Paixão e que conservou 
as marcas de um rosto humano; assim, com alguma imaginação, é possível 
observar, na corola bem aberta de certas espécies de Veronica, uma 
fácies humana.

A becabunga cresce nos regatos e em águas de fraca corrente. Os seus 
caules, primitivamente prostrados, tornam­se lentamente erectos. 
Considerada depurativa, pode substituir o agrião; aliás, o gosto das 
suas folhas frescas assemelha­se ao desta planta. Pode ser preparada em 
salada só ou misturada com beldroegas e agriões. Uma outra espécie 
aquática, a Veronica anagallis L., ligeiramente maior e com folhas mais 
pontiagudas, possui as mesmas propriedades.

Habitat: Europa, nascentes, regatos, valas, pântanos; em Portugal, surge
nos locais húmidos, fontes, ribeiros, lameiros, a norte do Tejo; até 
2400 m. Identificação: de O,10 a O,60 m de altura. Vivaz, caules 
prostrados, radicantes, seguidamente ascendentes, glabros, cilíndricos, 
maciços ligeiramente ramificados; folhas opostas, glaoras, com pecíolo 
curto, limbo carnudo, finamente crenadas, parte superior arredondada; 
flores azuJ­claras (Maio­ Sete m bro), em pequenos cachos frouxos na 
axila das folhas superiores, corola curta, 4 lóbulos desiguais, sendo

o superior formado pela união de 2 pétalas e o inferior mais pequeno que
os 2 laterais, 2 estames; cápsula arredondada, glabra, túrgida e 
chanfrada. Partes utilizadas: caule e sumidades floridas, folhas frescas
ou secas (início da floração); secagem à sombra.
O Componentes: tanino, heterósido, aucubósido O Propriedades: 
depurativo, detersivo, diurético, estimulante, resolutivo. U. I., LI. E.
+ V o Ver: dartro, hemorróidas, sarda, úlcera cutânea.

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Bérberis

Berberis vulgaris L. Uva­espim, espinheiro­vinheto

Berberidáceas

O gosto agridoce e acidulado das bagas da bérberis conferiu­lhe a 
designação de azeda­dos­bosques; é, no entanto, muito diferente da 
azeda, com os seus frágeis e débeis ramos, os seus cachos de flores 
amarelas que murcham rapidamente e as suas folhas pungentes que caem no 
Outono. Tal como a primavera, o epilóbio, a salva e outras, a bérberis 
faz parte do tipo de plantas que necessitam dos insectos para efectuar a
polinização; um leve atrito faz erguer os estames, colocando­os em 
contacto com o estigma. Qualquer pessoa pode fazer actuar este 
fascinante mecanismo com a ponta de um alfinete.

Este arbusto vivaz e ornamental era muito cultivado nos jardins até à 
descoberta do seu papel na transmissão de um fungo causador de uma grave
doença dos cereais, a ferrugem negra, ou alforra negra. Os seus usos 
dietéticos são variadíssimos, pois os frutos verdes, conservados em 
vinagre, consomem­se como as alcaparras e quando maduros servem para o 
fabrico de doces, geleias, pastilhas, antiga especialidade da cidade 
francesa de Dijon, muito apreciada por Voltaire, e xaropes.

Habitat: Europa, solos calcários, bosques, sebes, silvados; Norte de 
Portugal; até 1900 m.

Identificação: de 1 a 3 m de altura. Arbusto erecto, casca cinzenta; 
ramos canelados, lenho duro amarelo; folhas verde­claras rígidas, 
desiguais, obovadas, marginadas de cílios espinhosos, venadas na página 
inferior, reunidas em ramos ao nível de um espinho tripartido; flores 
amarelo­vivo (Maio­Junho), cada uma delas constituída por 6 sépalas, 6 
pétalas e 6 estames em volta de um carpelo encimado por um disco 
estigmatífero persistente, em cachos pendentes mais compridos que as 
folhas; baga

cor de coral, ovóide (5 mm), com 2 ou 3 sementes. Inodora; sabor 
extremamente ácido (baga) e amargo (casca). Partes utilizadas: fruto 
(Setembro), folhas (Maio­Junho), casca da raiz fresca (Outono).
O Componentes: alcalóides, vitamina C O Propriedades: aperitivo, 
colagogo, diurético, estomáquico, laxativo, tónico. U. 1. + Ver: 
apetite, astenia, circulação, escorbuto, fígado, gota, gravidez, 
hipertensão, litíase, menopausa, menstruação, obstipação, rubéola, 
varizes.
Betónica

Stachys officinalis (L.) T@ev.

Cestro

Labiadas

A betónica é uma graciosa planta vivaz cujo frágil caule está rodeado, 
na base, por folhas em forma de coração; a parte superior é guarnecida 
por uma espiga compacta de flores cor de púrpura. Encontra­se com 
frequência na Europa, exceptuando as regiões mediterrânicas.

Os Egípcios já lhe atribuíam virtudes mágicas. Os Gregos e os Romanos 
também a conheciam, e num texto atribuído ao médico de Nero enumeram­se,
pelo menos, 50 doenças que não resistiam à sua acção. Actualmente, de 
todas as virtudes que os nossos antepassados atribuíam à betó nica, 
muito poucas foram confirmadas. O uso interno da raiz, devido à 
violência da sua acção e às perturbações que pode provocar, ficou 
restringido a receita médica. No entanto, as cataplasmas de folhas 
frescas são muito eficazes para acelerar a cicatrização das úlceras. As 
folhas, fumadas em lugar de tabaco, podem facilitar uma cura de 
desintoxicação. hai ainda quem as coloque no forro dos chapéus para 
aliviar as dores de cabeça; para desencadear espirros benéficos para a 
desobstrução nasal, devem ser reduzidas a pó e inspiradas.

O A raiz provoca, por vezes, vómitos. Habitat: Europa, bosques claros, 
solos argilo~ sos, siliciosos; até 1700 m. Identificação: de O,30 a O,60
m de altura. Vivaz, caule erecto, delgado, quadrado, simples, pouco 
folhoso; folhas verdes nas duas faces, com nervuras nítidas, oblongas, 
as da base cordiformes, rugosas, recortadas, sendo as da roseta basal 
pecioladas, as caulinares espaçadas, progressivamente menos pecioladas, 
e as da espiga sésseis; flores cor de púrpura, por vezes cor­de­rosa 
(Junho­Setembro), espiga terminal densa, cálice curto, com 5 dentes,

corola tubulosa com o lábio superior longo e o inferior com 3 lóbulos; 
tetraquénio. Cheiro suave; sabor amargo e acre. Partes utilizadas: raiz,
folhas (Junho­Julho).
O Componentes: substância amarga, tanino, betainas, heterósido, 
saponósido O Propriedades: acistringente, aperitivo, emético, 
esternutatório, estomáquico, expectorante, purgativo, vulnerário. U. L, 
U. E. Ver: abcesso, constipação, ferida, gota, tabagismo, úlcera 
cutânea.
Bétula

Betula alba L.

Vidoeiro, bidoeiro, bédulo, vido

Betuláceas

A bétula é uma árvore muito conhecida, com cerca de 30 m de altura, 
folhagem pouco espessa e amentilhos flexíveis que se desenvolve nos 
terrenos frescos e arenosos entre outras espécies, das quais se 
distingue facilmente devido ao seu aspecto gracioso. Esta árvore, cuja 
origem remonta a mais de
30 milhões de anos, foi utilizada em todos os tempos para satisfazer as 
necessidades do homem. Inicialmente, foi alimento vegetal e, mais tarde,
satisfez as exigências da técnica; a sua madeira e a sua casca foram 
trabalhadas por tamanqueiros, carpinteiro@ carros, pedreiros, 
marceneiros, tinturei curtidores e perfumistas de todo o mu

ocidental. A sua ramagem é utilizada fabrico das varas com as quais se 
açoitar apreciadores de sauna. Apesar do seu @

quíssimo passado utilitário, as aplica( medicinais da bétula são mais 
recentes. ta Hildegarda, no século XII, citou pela meira vez a acção 
cicatrizante das suas

res. Actualmente, utilizam­se também as lhas, a casca, as gemas e a 
seiva. A seca

é realizada à sombra.

Habitat: Europa; até 2000 m. Identificação: de 20 a 30 m de altura. 
Árvore; tronco esguio, ramos flexíveis, sendo os jovens pendentes; casca
lisa castanho­dourada e mais tarde branca e acetinada; depois dos 20 
anos, abre gretas e desprende­se em lacínias na base; folhas glabras, 
brilhantes e escuras na página superior, triangulares ou romboidais, 
dentadas no ápice, com nervuras espaçadas, caindo a partir de Outubro; 
amentilhos masculinos (Abril­Maio), amarelo­alaranjados e compridos, 
amentilhos femininos pedunculados, curtos, com estigmas vermelhos, 
caducos na

maturação; aquénio pequeno e alado (a Cheiro levemente aromático e 
penetrant, Partes utilizadas: gemas, casca e seiva (Pr mavera), folhas 
(Junho­Setembro).
O Componentes: saponósido, tanino, resin óleo essencial, heterósidos O 
Propriedade anti­séptico, cicatrizante, colerético, depura] vo, 
diurético, estimulante, sudorífico. U. L, U. E. + V Ver: cabelo, 
colesterol, cura de Primavera, da tro, edema, ferida, gota, intoxicação,
litías obesidade, pele, reumatismo, sarda, sudaçã tez, ureia.
94
Bistorta

PolY,gonum bistorta L. Colubrina, serpentária­vermelha

Poligonáceas

A bistorta reconhece­se pelo caule simples e erecto, com nós bem 
marcados, típicos da família, e por longas espigas de flores cor­de­
rosa­pálidas. E uma planta vivaz em cujos maciços zumbem as abelhas. 
Abunda, a partir de 500 m de altitude, nas valas, nas margens dos pegos 
e dos pâ ntanos, ao longo dos rios e nos prados das montanhas. Procura 
os locais frescos e a sua própria presença indica a humidade destes. A 
bistorta é culti~ vada nas hortas devido às suas folhas, de gosto 
ligeiramente amargo, que são preparadas como os espinafres; porém, 
quando nascidas nos prados, o gado não as aprecia. As sementes 
constituem um alimento para as aves de capoeira.

As virtudes da planta são reconhecidas desde o Renascimento. O rizoma é 
utilizado em medicina; castanho e carnudo, muito difícil de arrancar, 
tem uma forma singular, sinuosa e, como indica o nome da espécie, duas 
vezes torcida, pois bistorta é uma palavra formada pelo prefixo bis, 
duas vezes, e torta, torcida. Antes da existência dos antibióticos, era 
utilizada como tónico preventivo e no tratamento da tuberculose. 
Arrancar o rizoma, lavar, cortar em rodelas; secar rapidamente ao sol.

O Não deve estar em contacto com o ferro. Incompatível com a quina e a 
cola. Habitat: Europa, excepto na região mediterrânica; próximo de 
Montalegre; de 500 a 2400 m. Identificação: de O,30 a 1 m de altura. 
Vivaz, caule simples, erecto, cilíndrico, estriado, nodoso, ligeiramente
folhoso; folhas basais verde­escuras e glabras na página superior, 
glaucas na inferior, grandes, oblongas ou lanceoladas, limbo com bordos 
ásperos, decorrente sobre o pecíolo, as folhas superiores são sésseis e 
invaginantes; flores cor­de­rosa­pálidas (Maio­Julho), em espiga 
terminal compacta, 5

divisões petalóides, 8 estames salientes, 3 es tiletes livres; aquénio 
trígono, castanho, liso; rizoma carnudo, profundo, bitorcido, castanho 
na parte exterior, avermelhado na interior. Inodoro; sabor ácido 
(folhas), amargo (rizoma). Partes utilizadas: rizoma (Outono).
O Componentes: tanino, glúcidos, vitamina C, ácido oxálico O 
Propriedades: acistringente, antidiarreico, tónico, vulnerário. U. L, U.
E. + o Ver: anginas, boca, diarreia, enurese, ferida hemorragia, 
hemorroidas, leucorreia.
Bodelha *//* refazer esta 

Fueus vesiculosus L.

Botelho, sargaço­vesiculoso, vareque­ve@

alga­vesiculosa, carvalho­rriarinhc carvalhinho­do­mar, botilhão­vesicul

Fucáceasp 

Euma alga castanha das baixas pri des marítimas, extremamente 
abun( rochedos, onde a sua acumulaçã vulgarmente de 15 a 20 cm de espe

Plínio descreveu a bodelha com de Quercus marina; era então utili2 as 
dores das articulações. Muito p( século Xviii para o tratamento dos 
escrofulosos, da asma e das doença@ o seu uso é abandonado nos inícios i

XIX, quando Courtois descobre o
1811. No entanto, em 1862, Duch parc apercebe­se de que a bodelha tc 
priedade de absorver as gorduras. mento faz­se por meio de pílulas, su: 
primeiros sintomas de emagrecin cabo de 15 dias, por meio de ba quais se
adiciona um grande pur bodelha,  ou ainda friccionando as z( das com   
um punhado de bodelha 1 Fucus é  arrancado aos rochedos pel cheias e de 
novo lançado sobre e populações anglo­saxónicas do litor@ vam­no na 
alimentação, e os Fr como adubo.

Habitat: costas do Atlântico e da Mancha; frequente nas praias de toda a
costa portuguesa. Identificação: de O,10 a 1 m de altura. Alga castanha;
talo achatado, foliáceo, regularmente dicotómico, com pequenas vesículas
repletas de ar dispostas ordinariamente aos pares e servindo de 
flutuadores; talo fixo ao rochedo por um disco basiliar provido de 
rizóides; quando se agitam os conceptáculos, situados nas extremidades 
dos talos, libertam uma mucosidade avermelhada ou amarelada, os 
anterídeos, elementos masculinos, e as oosferas, elementos femininos: a 
fusão faz­se na

água, produzindo uma germinação im Cheiro marinho; sabor salgado, 
insípido, laginoso. Partes utilizadas: talo inteiro (todo o an@ cagem ao
sol.
O Componentes: iodo, bromo, sais mi aminoácidos, oligoelementos, 
vitaminas E, provitamina A O Propriedades: depi. estimulante, laxativo. 
LI. I., U. E. + O Ver: arteriosclerose, banho, bácio, c obesidade, 
obstipação, psoríase.
Bolsa­de­pastor

Capsella bursa pastoris Moench.

Erva­do­born­pastor

Crucíferas

A bolsa­de­pastor floresce ao longo de todo o ano em todo o Mundo, 
exceptuando as

regiões áridas. Conhecida desde tempos muito remotos, as suas qualidades
foram mal definidas na Antiguidade e na Idade Média. No século XVI, 
Mattioli resumiu o juízo da época nesta afirmação: é um bom hemostático.
No decorrer da 1 Guerra Mundial, a medicina oficial interessou­se 
profundamente por esta planta, a fim de tentar substituir dois remédios 
clássicos: a cravagem do centeio e o hidraste. H. Leclerc cita o caso de
um pastor que curou uma jovem que sofria de hemorragias uterinas, dando­
lhe de hora a

hora uma colher de café de suco fresco de bolsa­de­pastor, o mesmo 
remédio com que tratava as ovelhas.

O nome de bolsa­de­pastor deve­se à forma dos seus frutos, que se 
assemelham à bolsa dos pastores, e Capsella deriva do latim e

significa pequeno cofre.

O Respeitar as doses. Habital: Europa; todos os terrenos não áridos, 
culturas, jardins, bermas dos caminhos, muros velhos, terrenos baldios, 
entulhos e interstícios do pavimento das ruas em quase todo o território
de Portugal; até 2300 m. Identificação: de O,08 a O,50 m de altura. 
Anual, caule florífero erecto, continuando a crescer durante a floração;
folhas da base em roseta junto ao solo; as caulinares quase inteiras, 
sésseis, amplexicaules; flores brancas (todo o ano, mesmo após a 
maturação dos frutos), pequenas, em cacho pouco denso; silícula 
triangular. Inociora; sabor ligeiramente salgado. Partes utilizadas: 
planta inteira sem a raiz, fresca ou seca (todo o ano).
O Componentes: saponósido, tanino, potássio, ácidos málico, acético, 
cítrico, fumárico, tiramina, colina O Propriedades: acistringente, 
hemostático, tónico. U. L, LI. E. + o Ver: epistaxe, ferida, hemorragia,
menopausa,

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Bonina

Bellis perennis L. Margarida, margarita Bras.: mãe­de­família, 
margaridinha,

malmequer­branco

Compostas

Pequena e omnipresente mesmo em pastagens a grandes altitudes, a bonina 
floresce a partir da Páscoa, muito antes das outras plantas e durante 
quase todo o ano. Apesar do seu pequeno porte e do seu aspecto frágil, 
suporta facilmente frios intensos, até aos 170C negativos; durante a 
noite, ou quando chove, pende e fecha­se; durante o dia segue o 
movimento do Sol, oferecendo­lhe os seus delicados capítulos brancos com
centro amarelo. 0 nome científico, tanto o genérico como o da espécie, 
descreve bem esta viçosa planta espontânea e as suas numerosas 
variedades cultivadas pelo homem: bela e graciosa, Bellis, e vivaz, 
perennis. Conhecida desde o Renascimento devido às suas virtudes 
medicinais, a bonina foi votada ao ostracismo na Alemanha no século 
XVIII e sistematicamente destruída, pois suspeitava­se, embora 
injustificadamente, dos seus efeitos abortivos. As flores e folhas 
frescas esmagadas aliviam as dores provocadas por contusões e entorses. 
A medicina homeopática utiliza, devido à sua acção tónica sobre a 
musculatura vascular, uma tintura preparada com a planta florida. Em 
casos de insuficiência hepática, utiliza­se uma mistura de bonina, 
taráxaco e fumária. 0 chá de bonina, tomado três vezes por dia, entre as
refeições, é óptimo para crianças débeis.

Habitat: Europa, bosques, taludes, relvados; frequente em Portugal; até 
2400 m. Identificação: de 0,04 a 0,20 m de altura. Vivaz, caule 
subterrâneo; folhas em roseta basal, pecioladas, largas, espatuladas, 
pouco e largamente serradas, com pêlos curtos e uma só nervura visível; 
flores amarelas e branco­rosadas (todo o ano), em capítulos solitários, 
gamopétalas, receptáculo cónico com flores tubulosas amarelas, rodeado 
por lígulas brancas matizadas de cor­de­rosa na página inferior, 
invólucro com brácteas ovado­oblongas e bisseriadas; aquénio oval seco, 
marginado,

isento de papilho, em que os da periferia são ligeiramente pubescentes; 
toiça vivaz, com numerosos rebentos. Sabor adocicado, tor­ nando­se 
amargo. Inodora. Partes utilizadas: folhas, flores (todo o ano).
0 Componentes: saponósido, óleo essencial, tanino, mucilagem, princípio 
amargo, ácidos orgânicos, resina 0 Propriedades: anti­infiamatório, 
depurativo, diurético, expectorante, sudorífico, tónico, vulnerário. U. 
L, U. E. + V o Ver: anginas, bronquite, edema, entorse, ferida, 
furúnculo, hipertensão, icterícia, sarda, rim.
Borragem

Borrago officinalis L.

Borrage

Borragináceas

O facto de esta planta não ser citada em qualquer texto da Antiguidade 
levou os historiadores a admitir que a borragem fora importada de África
na Idade Média. Alguns autores atribuíram­lhe uma etimologia árabe, de 
abou, pai, e rash, suor, devido ao

carácter sudorífico, das flores, mas esta fabulosa ideia não teve 
seguidores. Embora borragem proceda da palavra latina borrago, a sua 
origem permanece uma incógnita.

Planta anual, forma enormes manchas que apresentam durante todo o Verão 
as suas ingénuas flores azuis com estames escuros à beira dos caminhos, 
nos jardins abandonados, próximo de paredes velhas ou em ruínas.

A borragem é um remédio de acção­suave, muito apreciado na medicina 
popular. Activa quando fresca, deve colher­se apenas a quantidade 
necessária. As suas folhas podem ser ingeridas cruas em salada ou 
cozidas em sopas; trituradas juntamente com agrião e taráxaco, produzem 
um sumo depurativo excelente para a tez. Para aproveitar a acção 
calmante e emoliente das suas flores, fazem­se excelentes infusões para 
tratar a incómoda tosse das bronquites.

O Todas as preparações devem ser filtradas a fim de eliminar os pêlos; 
quando seca, a planta perde as suas propriedades. Habitat: Europa, 
escapada de jardins, terrenos incultos; frequente em quase todo o País; 
até 1800 m, Identificação: de O,20 a O,60 m de altura. Anual; eriçada de
pêlos, caule espesso, peludo, ramificado; folhas alternas ásperas e 
enrugadas, as basais pecioladas, as superiores amplexicaules; flores 
azuis (Maio­ Setembro), ligeiramente pendentes, com 5 pétalas soldadas 
dispostas em estrela, anteras em cone pontiagudo central cor de púrpura­
escura,

agrupadas em inflorescência cimeira frouxa; carpelo castanho e obtuso. 
Cheiro pouco intenso; sabor a pepino fresco. Partes utilizadas: flores, 
suco das folhas e dos caules (Junho­Agosto).
O Componentes: tanino, resina, mucilagem, saponósido, nitrato de 
potássio. O Propriedades: depurativo, diurético, emoliente, laxativo, 
sudorífico. U. I., + v IN Ver: cura de Primavera, edema, enfisema, 
febre, gota, gripe, herpes, litíase, reumatismo, rubéola, sudação, tez, 
tosse.
BugIossa

Anchusa officinalis L. Língua­de­vaca, oreaneta, borragern­bastarda,

erva­do­fígado, erva­sangue

Bras.: ancusa

Borragináceas

A palavra @<l3orragináceas+ sugere geralmente a @deia de plantas mais ou
menos guarnecidas de pêlos rígidos, corola em forma de tubo alargado nas
extremidades e lobulado em que se distinguem cinco pétalas e um cálice 
persistente que rodeia o fruto. As flores da bugIossa, ricas em néctar 
melífero, assemelham­se às da borragem, sendo, no entanto, extensamente 
tubuladas e pubescentes. A palavra *bugIossa+, de raiz grega, significa 
língua­de~vaca, aludindo assim à forma das folhas e à sua rugosidade. 
Quando ainda não existiam corantes químicos, extraía­se da raiz da 
buglossa uma tinta vermelha com a qual as mulheres pintavam o rosto. 
Deste facto deriva o nome de género Anchusa, da palavra grega ankousa, 
corar.

Esta planta com caule subterrâneo propaga­se em solos calcários ou em 
terrenos incultos, nas bermas dos caminhos ou nos entulhos, não se 
adaptando em altitudes. As suas folhas e flores possuem propriedades 
sudoríficas e emolientes.

Habitat: Sul da Europa; é frequente no Sul e Centro de Portugal, nas 
searas, vinhas, olivais, terrenos incultos; até 1800 m. Identificação: 
de 0,30 a 0,60 m de altura. Vivaz, áspera ao tacto, guarnecida de pêlos 
rígidos; caules floríferos ramosos; folhas oval­alongadas, sendo as 
superiores sésseis e as inferiores com ligeiro pecíolo; flores azuis 
(Junho­Agosto), cálice persistente, corola tubulosa do mesmo comprimento
do cálice; inflorescência escorpióide; carpelo negro, rugoso. Partes 
utilizadas: folhas, flores (Junho­Julho); secar com cuidado.

0 Componentes: mucilagem, colina, nitrato de potássio, alantoína, 
vestígios de alcalóides   o Propriedades: béquico, depurativo, 
diuréticI, emoliente, laxativo, sudorífico. LI. 1. + v kV@ Ver: cura de 
Primavera, diurese, gripe, nefrite. tez,tosse.
BTIGULA

Ajuga reptans L. Consolda­média, erva­de­são­lourenço, língua­de­boi,

erva­carocha

Labiadas

Esta pequena planta gozou de fama imerecida em relação às suas 
propriedades durante a Idade Média. Com efeito, nessa época era 
conhecida por esta frase: *Quem tem a btigula e a sanícula diz adeus ao 
cirurgião.+ Comparando este provérbio com os nomes ulgares, é fácil 
concluir que a btigula era

considerada como vulnerária e cicatrizante. De toda esta celebridade 
pouco resta actualmente. H. Lecierc considera­a como *a mais 
deliberadamente inerte das plantas+.

Na verdade, a btigula é ligeiramente tónica, acistringente e vulnerária,
propriedades compartilhadas por todas as plantas que contêm tanino. Uma 
espécie próxima, a Ajuga genevensis L., diferencia­se da btigula, Ajuga 
reptans L., por não possuir os estolhos compridos e estéreis fixados na 
base do caule. Planta melífera, tem ainda a propriedade de tingir o 
algodão de castanho na presença de sulfato de ferro.

Habitat: Europa; em Portugal, encontra­se nos locais húmidos, bosques de
toda a região norte; até 2000 m. Identificação: de O,10 a O,30 m de 
altura. Vivaz, estolhosa, com caules glabrescentes cilíndricos; caule 
florífico tetragonal, erecto, pubescente nas duas faces opostas, com 
alternância em cada um dos nós, pouco folhoso; folhas oblongas, 
arredondadas no cimo e crenadas, sésseis, sendo as inferiores pecioladas
e em roseta; flores azuis (Abril­Julho), com lábio superior muito 
reduzido, sendo o inferior trilobulado em

espiga interrompida na base, brácteas superiores azuladas, mais curtas 
que as flores. Partes utilizadas: planta inteira sem a raiz (Abril­
Julho).
O Componentes: tanino, saponósido, colina, heterósidos, sais minerais O 
Propriedades: acistringente, tónico, vulnerário. LI. L, LI. E. + Ver: 
anginas, diarréia, ferida, hemorragia, leucorreia.
Buxo

Buxus sempervirens L.

Buxo­arbóreo

Buxáceas

O buxo, planta muito conhecida, tem desde a Antiguidade uma óptima 
reputação, quer como planta ornamental, devido à sua bela folhagem 
persistente de cor verde­escura, quer pela sua madeira de fino grão, que
é utilizada na arte de gravar e no fabrico de objectos torneados.

As propriedades medicinais desta planta foram verificadas no século XII 
por Santa Hildegarda. No Renascimento, era considerada como remédio para
a calvície. Um autor da época citou o drama de uma jovem camponesa cujo 
crânio se tornou calvo como um ovo; a aplicação da loçã o de buxo 
devolveu­lhe a magnífica cabeleira, mas o rosto e o pescoço tornaram­se 
cabeludos como os de um símio. No século XVIII, um charlatão de 
nacionalidade alemã monopolizou os tratamentos com buxo, obtendo uma 
fortuna; José 11 comprou o seu segredo por 1500 fiorins e seguidamente 
divulgou­o, o que provou o total descrédito desta terapêutica.

Em doses elevadas, as preparações adquirem um gosto desagradável e a 
planta torna­se tóxica não só para o homem como também para alguns 
animais, como os camelos do Cáspio, que chegam a morrer em consequência 
da sua avidez por esta planta.

O Utilizar com muitas precauções; não ultrapassar a dose prescrita. 
Habitat: Europa Central e Meridional; charnecas e matagais de Trás­os­
Montes, Estremadura e Alentejo, cultivado em todo o País; até
1600 m. Identificação: de 1 a 6 m de altura. Arbusto de madeira dura, 
folhagem persistente; folhas sésseis, inteiras, cerosas, brilhantes e 
verde­escuras na página superior, verde­claras na inferior; flores 
amarelas (Março­Abril), pequenas, apétalas, pistiladas (a) ou 
estaminadas na axila das folhas; cápsula (b) trivalve, explosiva,

com 6 sementes (c) pretas e brilhantes. Sabor muito amargo. Partes 
utilizadas: casca da raiz, folhas.
O Componentes: alcalóides, vitamina C O Propriedades: colerético, 
depurativo, febrífugo, laxativo, sudorífico. U. I., U. E. + Ver: cabelo,
cura de Primavera, epilepsia, febre, fígado.

102
PLANTAS ESPONTÂNEAS

CÁLAMO­AROMÁTICO

Acorus calamus L.

Cana­cheirosa, ácoro­ verdadeiro, ácoro­cheiroso

Aráceas

Originário da Ásia, o cálamo­aromático foi introduzido na Europa 
Oriental no século XIII pelos Tártaros, que o utilizavam para 
desinfectar a água que bebiam. O cálamo adaptou­se e propagou­se 
seguidamente por toda a

Europa. É uma planta aquática semelhante à cana, como o indica o nome da
espécie, calamus, que deriva do grego kalamos, cana. O cálamo­ aromático
enraíza­se nos pegos ou nas margens das ribeiras de correntes 
tranquilas. É uma planta bastante rara, não devendo ser destruída. 
Efectivamente, nos climas europeus as sementes não conseguem atingir o

estado de maturação, pelo que a planta só pode reproduzir­se através das
ramificações do seu rizoma.

O cheiro agradável do cálamo­ aromático assemelha­se ao da tangerina, 
mas tem um sabor amargo e picante. Em alguns países, o

cálamo­aromático é utilizado para aromatizar a cerveja e a aguardente; 
também se faz doce com o rizoma. Crê­se que a planta afasta os 
percevejos e protege as peles de abafo. A sua

reputação medicinal é muito sólida, pois data dos mais remotos tempos e 
teve origem nos países mais longínquos, desde o Japão à índia e à região
siberiana.

O Em doses elevadas, o rizoma actua como emético. Habitat: Europa, 
pântanos, pegos, ribeiras; até
1000 m. Identificação: de O,50 a 1,50 m de altura. Vivaz, acaule; folhas
que partem da toiça, em forma de espada de dois gumes, compridas, 
estreitas, invaginantes, avermelhadas na face inferior; flores 
esverdeadas (Maio­Agosto), muito pequenas, em espadice lateral, 
implantadas na base de wma espata erecta semelhante a uma folha 
comprida, 6 estames e 1 estigma; cápsula pequena, em forma de pirâmide

invertida; rizOma rastejante verde­acastanhado e articulado. Cheiro 
agradável, semelhante ao

da tangerina; sabor picante e muito amargo. Partes utilizadas: rizoma 
(Setembro­Outubro); de conservação difícil, muito atacado por larvas.
O Componentes: amido, tanino, óleo essencial, heterósidos, colina, 
mucilagem, bases orgânicas, resina O Propriedades: aperitivo, 
carminativo, emenagogo, estomáquico, hemostático, sedativo, sudorífico. 
U.l., U.E. + O Ver: digestão, gengivas, gota, insectos, meteorismo, 
náusea, nervosismo, raquitismo, vómito, voz.
Camomila

Matricaria chamomilla L.

Camomila­vulgar, camomil a­dos­ alemães, camomila­alemã, margaça­das­
bolicas, mançanilha

Compostas

De entre as diversas plantas vulgarmente designadas por macelas e 
camomilas, e como tal utilizadas em farmacopeia familiar, são possiveis 
inúmeras confusões. Estas confusões não têm geralmente consequências 
graves, se bem que a camomila vulgar seja mais activa que as suas afins,
pelo que seria lamentável substituí­la por outra. É fácil distingui­la 
devido a três características: as lígulas brancas dos capítulos curvam­
se para baixo no final da floração; o receptáculo é cônico, oco e 
desprovido de brácteas entre as flores; as folhas são recortadas em 
finas lacínias. Muito divulgada em algumas regiões da Europa, é uma 
planta das searas, das bermas dos caminhos e dos terrenos baldios. Na 
Grécia, a camomila florescia abundantemente, distinguindo­se desde a 
Antiguidade pelo seu aroma peculiar. É curioso verificar que as 
descobertas empíricas de Dioscórides sobre a acção emenagoga desta 
pequena camomila foram confirmadas por trabalhos laboratoriais 19 
séculos mais tarde. As pessoas nervosas são susceptíveis de, ao ingeri­
Ia mesmo em doses pouco elevadas, sentir uma excitação generalizada e 
insônias.

O Só ingerir entre as refeições. Habitat: comum na Europa, campos, 
terrenos baldios, bermas dos caminhos; espontânea no Centro do País e 
arredores de Lisboa, nas searas, campos cultivados e bermas; até 160 m. 
identificação: de O,20 a O,50 m de altura. Anual, caule glabro, erecto, 
muito ramificado; folhas verdes, bipenalissectas, em delicadas lacínias 
lineares, lisas na página superior; flores brancas, amarelas no centro 
(Maio­Outubro), em capítulos pedunculados, tulbulosos no centro e 
ligulados na periferia, sobre um receptáculo cónico e oco; aquénio 
arqueado e pequeno, com 5 costas e encimado por uma coroa escariosa. 
Cheiro aromático e penetrante. Partes utilizadas: capítulos (Junho­
Julho).
O Componentes: óleo essencial com camazuleno, que se torna castanho com 
a luz, flavonóides, cumarina, álcool, ácidos gordos, heterósidos, 
potássio, vitamina C O Propriedades: antálgico, antiespasmódico, anti­
infiamatório, anti­séptico, emenagogo, eupéptico, sedativo, tónico. U. 
I., Li. E. Ver: boca, cabelo, cefaleia, ferida, gripe, insolação, 
menstruação, nevralgia, pele.
Canabrás

Heracleum sphondylium L. Brarica­ursina, esfondílio

Umbelíferas

Designado por variadíssimos nomes, o canabrás pode ser definido por cada
um deles. Pelo nome do género, a planta foi consagrada a Hércules numa 
evocação da sua robustez, da espessura do seu caule e das suas folhas. O
nome de espécie, sphondylium, que deriva de uma palavra grega que 
significa vértebra, refere­se à solidez do seu caule, semelhante à de 
uma coluna vertebral. O nome vulgar de branca­ursina por que também é 
conhecido, derivado do latim popular e do italiano, evoca a forma das 
suas folhas, semelhantes a uma pata de urso. É uma das umbelíferas mais 
fáceis de identificar. Os Polacos e os Siberianos fabricavam uma bebida 
ácida, o bartszcz, com semelhanças entre a cerveja e um caldo, fervendo 
e seguidamente deixando fermentar as folhas e as sementes. Pouco usado 
actualmente, mas muito famoso durante o Renascimento, em crises 
depressivas e nervosas o canabrás continua a ser utilizado nos países 
escandinavos. H. Leclere, em 1926, ao descobrir as suas virtudes 
excitantes, preparou a partir das suas sementes uma alcoolatura 
afrodisíaca. É, porém, necessário ter cuidado durante a colheita com os 
pêlos eriçados que cobrem o caule da planta e provocam reacções 
alérgicas.

O Evitar a exposição ao sol após o consumo da planta. Habitat: Europa, 
excepto na zona mediterrânica, prados, bosques húmidos; em Portugal, 
pode encontrar­se em locais húmidos desde o Minho ao Alto Alentejo; até 
1700 m. Identificação: de O,50 a 1,50 m de altura. Vivaz, caule erecto, 
rígido, canelado, oco, viloso; folhas verde­acinzentadas, grandes, 
recortadas em 5 a 9 segmentos, crenados e serrados; flores brancas 
(Junho­Setembro), em umbelas com 12 a 40 raios, invólucros e involucelos
reduzidos, pétalas maiores na margem das

umbélulas; diaquénio plano, chanfrado no vértice. Cheiro a formigas; 
sabor acre, picante e irritante. Partes utilizadas: raiz, folhas, 
frutos; secagem ao sol.
* Componentes: furocumarina, óleo essencial
* Propriedades: afrodisíaco, digestivo, emenagogo, estimulante, 
hipotensivo. U. 1. + o Ver: astenia, digestão, frigidez, hipertensão, 
impotência, menstruação.

105
Cardo­corredor

Eryngium campestre L. Bras.: gravatá­do­carripo, croatá­falso, caraguatá

Umbelíferas

0 cardo­corredor é uma planta estranha, pois, sendo uma umbelífera, 
assemelha­se a um cardo com umbelas brancas tão densas que mais parecem 
os capítulos das compostas. As brácteas rígidas, as folhas espinhosas, a
raiz profunda e comprida, a sua característica invasora e a tenacidade 
com que se

agarra aos solos despertam a inimizade dos agricultores.

Cardo rolante, cardo nómada, o cardo­corredor abandona, no Outono, os 
seus caules secos e leves ao sabor do vento, que os transporta para 
colonizar outros solos. É uma planta vivaz, muito apreciada pelos 
médicos da Antiguidade devido às suas múltiplas propriedades, de entre 
as quais apenas foram conservadas pelos modernos as acções aperitiva e 
diurética, confirmadas ao longo dos séculos pela experiência e mais 
tarde pela análise química das substâncias contidas nos seus tecidos.

0 cardo­corredor desempenha ainda um papel na alimentação, sendo também 
um condimento; dos jovens rebentos fazem­se saladas; as folhas jovens, 
conservadas em vinagre, têm uma utilização idêntica à do pepino e, 
conservadas em açúcar, são um manjar delicado. É muito pouco provável 
que o cardo­corredor possua as características afrodisíacas que lhe são 
atribuídas.

Habitat: Europa, planícies incultas, solos calcários, arenosos e áridos;
em quase todo o País, terrenos secos e incultos; até 1500 m. 
Identificação: de 0,30 a 0,50 m de altura. Vivaz, caule erecto, robusto,
muito ramoso; folhas verde­esbranquiçadas, coriáceas, onduladas, as 
basilares com o pecí olo comprido nu e os segmentos mais ou menos 
decorrentes fendidos ou partidos e dentado­espinhosos; flores brancas 
(Julho­Setembro), sésseis, em capítulos pedunculados, ovóides, globosos,
com invólucro espinhoso, de 3 a 6 brácteas abertas e pontiagudas, cálice
com dentes erec­

tos sobre o fruto, 5 pétalas chanfradas e 5 estames; diaquénio coberto 
de escamas pontiagudas; raiz comprida e rastejante. Cheiro a aimíscar; 
sabor primeiramente adocicado e depois amargo e acre. Partes utilizadas:
folhas (Julho­Agosto) e raiz (Pri mavera­ Outono).
0 Componentes: sais minerais (potássio, sódio e cálcio), óleo essencial,
saponósido 0 Propriedades: aperitivo, diurético, emenagogo. U. 1. + Ver:
albuminúria, apetite, diurese, edema, icterícia, ureia.
Cardo­de­santa­maria

Silybum marianum Gaertn. Cardo­leiteiro, cardo­mariano

Compostas

Vagabundo da Europa, o cardo­de­santa­maria, originário das regiões 
mediterrânicas, atingiu, através dos solos incultos e das bermas dos 
caminhos, as longínquas terras dinamarquesas. É uma planta robusta, com 
capítulos cor de púrpura, bem defendida pelas brácteas do seu invólucro,
curvadas em espinhos aguçados. Segundo a lenda, as manchas leitosas que 
assinalam as folhas junto das nervuras são vestígios de gotas de leite 
caídas do seio de Maria quando ocultava Jesus das perseguições de 
Herodes.

Desde tempos muito remotos, a planta é conhecida nos meios rurais pelo 
seu valor alimentar; das folhas jovens fazem­se saladas, e as raízes e 
os capítulos são preparados por cozedura em água; a planta inteira 
triturada serve de alimentação ao gado, e as aves de capoeira apreciam 
imenso as suas sementes. O e ardo­ de­ sant a­mari a, durante muito 
tempo preterido pelo cardo­santo, demonstrou recentemente o seu efeito 
benéfico no aparelho cardiovascular e na função hepática. Admite­se 
ainda que, ingerido oito dias antes de uma viagem, possui uma acção 
preventiva con   a os enjoos de transporte.

O Não usar as sementes sem indicação médica. Habitat: Europa Ocidental e
Meridional, solos secos e rochosos; frequente em quase todo o País, nos 
terrenos cultivados e incultos, sebes, entulhos, beira dos caminhos; até
700 m. Identificação: de O,30 a 1,50 m de altura. Bienal, caule erecto e
robusto; folhas grandes, brilhantes, verdes com manchas brancas ao longo
das nervuras, margens onduladas oriadas de espinhos e cílios; flores cor
de púrpura­violácea (Julho­Agosto), tulbulosas, em capítulos 
hemisféricos solitários, com brácteas coriáceas

terminadas em espinho; aquénio preto, brilhante ou matizado de amarelo, 
encimado por um papilho de pêlos denticulados; raiz aprumada e grossa. 
Inodoro; sabor a alcachofra. Partes utilizadas: folhas, raiz, sementes; 
secar e malhar os capítulos.
O Componentes: óleo essencial, princípio amargo, histamina, silimarina, 
tiramina O Propriedades: colagogo, colerético, diurético, hipertensor, 
tónico. U. 1. + o Ver: apetite, enjoo, fígado, hemorroidas, hipotensão.
Cardo­estrelado

Centaurea calcitrapa L.

Calcatripa, calcitrapa

Bras.: abrolho

Compostas

Os capítulos cor­de­rosa desta planta possuem espinhos longos e fortes, 
capazes de causar incómodas picadas aos passeantes que desprevenidamente
se aproximam das pequenas moitas que este cardo forma nos terrenos 
maninhos e nas bermas dos caminhos.

Os agricultores consideram­no, injustamente, uma planta indesejável; 
vive, pelo menos, dois anos, podendo ser útil por várias razões. A raiz 
e as finas escamas do seu invólucro, com gosto semelhante ao da 
alcachofra, são comestíveis; as folhas e as flores, com propriedades 
febrífugas e tó nicas, são medicinais, e as sementes, diuréticas, 
podendo ser incluídas na preparação de um vinho que se obtém pela 
maceração de 4 g de sementes por cada litro de vinho branco. A infusão 
das suas folhas adicionam­se, com frequência, angélica, losna ou casca 
de salgueiro.

Habitat: frequente em quase todo o País, à beira dos caminhos, muros e 
terrenos incultos; até 1000 m. Identificação: de 0,20 a 0,50 m de 
altura. Bienal; caule rígido, vigoroso, muito ramoso a partir da base; 
folhas verde­acinzentadas, ligeira­ mente vilosas, pendentes, rugosas, 
penatissectas; flores cor­de­rosa­violáceo (Agosto­Setembro), tubulares,
agrupadas em pequenos capítuios, subsésseis, solitários e numerosos, 
dispostos em cimeira bípara; brácteas do invólucro providas de um 
comprido e vigoroso espinho amarelo canaliculado e de 4 a 6 espínu­

Ias; aquénio esbranquiçado, glabro, marcado com pequenas linhas pretas; 
raiz robusta aprumada, Sabor das flores e folhas amargo, raiz adocicada.
Partes utilizadas: folhas, flores, fruto, suco (Agosto­Setembro); 
raizes.
0 Componentes: princípios amargos, resina, goma, potássio 0 
Propriedades: folhas e flores: aperitivas, febrífugas, tónicas, 
vulnerárias; raiz e fruto: diuréticos. U. 1. + Ver: febre.
Cardo ­pente ador­bravo

Dipsat us fullonum L.

Cardo­cardador

Dipsacáceas
O nome de cardo é vulgarmente atribuído às plantas com picos. O cardo­
penteador inclui­se nesse número. Esta planta possui grandes capítulos 
ovóides providos de brácteas com espinhos pontiagudos e curvos: o caule 
e as nervuras das folhas são espinhosos. O seu nome científico deriva 
das palavras gregas dipsan akeomai, mato a sede; as grandes folhas 
opostas que se soldam na base, formando um pequeno reservatório de água 
das chuvas, justificam esta designação

A floração do cardo­penteador tem uma particularidade interessante: as 
suas pequenas flores cor de malva surgem primeiro a meia altura do 
capítulo, abrindo­se em seguida, progressivamente, para cima e para 
baixo, pelo que a floração nunca é simultânea.

Outrora, os receptáculos dos capítulos de uma espécie cultivada, 
Dipsacus sativus (L.) Honck, eram utilizados para cardar, isto é, 
retirar o cardaço superficial dos tecidos e das lãs. Da utilização 
manual passou­se depois à industrial em máquinas de cardar; o cardo­
penteador, que apenas vive dois anos, foi então cultivado intensamente.

Habitat: Europa Central e Meridional; em Portugal, Minho, Trás­os­Montes
e Beiras, caminhos, valas, terrenos incultos, solos argilosos; até 800 
m. Identificação: de O,80 a 2 m de altura. Bienal, robusto, armado em 
toda a parte aérea de acúleos curtos, ramoso; caules erectos, pungentes,
terminados em cabeças eriçadas, ovóides, com invólucro de folíolos 
compridos; folhas inteiras opostas, nervuras com picos, soldadas à base 
pelo limbo, formando um recipiente que retém a chuva e o orvalho; flores
cor de maiva ou lilás (Julho­Agosto), curtas,

corola tulbulosa, 4 lóbulos, cálice muito reduzido; aquénio com 8 
costas. Partes utilizadas: raiz (fim do Verão); secar em fragmentos.
O Componentes: heterósidos, sais minerais O Propriedades: aperitivo, 
depurativo, diurético, sudorífico. U. 1. + o Ver: acne, eczema, pele.
Cardo­santo

Cnicus benedictus L.

Bras.: Cardo­bento

Compostas

Este cardo muito popular, importado da índia, no século XV, para tentar 
curar as terríveis enxaquecas de um imperador (Frederico 111 da 
Alemanha), possui uma estranha beleza que se revela nas enormes folhas 
recortadas e espinhosas.

À primeira vista, pode confundir­se com a

açafroa, à qual se assemelha; porém, o suco da açafroa é vermelho, as 
folhas, brandas e espinhosas, são mais pequenas, e as flores, douradas.

0 cardo­santo era outrora considerado *o refúgio dos doentes, o tesouro 
dos pobres, a panaceia dos pais de família+. Olivier de Serres, agrônomo
francês do século xvi, afirmava: *A semente do cardo­santo, em pequena 
quantidade em vinho branco, fortifica a memória.+ E Shakespeare 
celebriza­o na sua obra como calmante dos corações ansiosos. É ainda um 
excelente febrífugo e um anti­séptico para uso externo.

A planta, colhida em botão, deve ser reunida em ramos e suspensa em 
cordas ao abrigo da luz e do pó. As preparações são amargas e difíceis 
de beber; a mais aceitável é o vinho, do qual se pode tomar um copo 
antes das refeições principais.

0 Não ultrapassar as doses indicadas; interromper o tratamento em caso 
de náuseas ou de irritação do tubo digestivo. Habitat: Europa 
Mediterrânica; em Portugal, de Trás­os­Montes ao Alto Alentejo; até 1000
m. Identificação: de 0,10 a 0,60 m de altura. Anual, caule erecto e 
viloso; folhas verde­claras, compridas, lobuladas; flores       amarelas
(Abril­Julho), em capítulos solitários, providos de folhas e de brácteas
externas       foliáceas, sendo as interiores lanceoladas e amarelas, 
maiores que o capítulo e terminadas em espinho; aquénio castanho com 
costas finas e en­

cimadas por um curto papilho; raiz branca e aprumada. Cheiro suave, 
pouco agradável, desaparecendo com a secagem; sabor amargo. Partes 
utilizadas: sumidades floridas, folhas, caules descascados (no princípio
da floração); secar à sombra.
0 Componentes: princípio amargo, óleo essencial, mucilagem, sais 
minerais, tanino, vitamina B1 0 Propriedades: anti­séptico, digestivo, 
diurético, febrífugo, tónico. U. I., U. E. + Ver: apetite, 
convalescença, digestão, febre, ferida.
Carlina

Carlina acaulis L.

Compostas

Só é possível encontrar esta planta ao nível do solo, pois a carlina não
possui caule ou este mantém­se no estado embrionário. Os capítulos são 
rodeados por uma auréola prateada constituída pelas brácteas e 
enquadrados por folhas graciosamente recortadas e aderentes ao solo, que
lhes conferem o seu singular aspecto. Esta auréola permanece totalmente 
exposta ao sol quando o tempo está seco; porém, ao entardecer, ou quando
o tempo se torna húmido, as brácteas dobram­se em forma de tenda cónica 
sobre o capítulo. Deste fenômeno deriva o hábito, nos meios rurais, de 
observar a carlina para fazer a previsão do tempo, o que em adivinhação 
se denomina *botanomancia meteorológica+.

Esta planta foi tema das mais surpreendentes lendas: Carlos Magno, em 
algumas versões, ou Carlos V, noutras, teria sido avisado por um anjo de
que a carlina curaria da peste os seus exércitos. Admitia­se então que a
carlina transmitia uma força invencível, sendo utilizada em magia. 
Actualmente, apenas os burros comem a planta sem a arrancar, e a raiz é 
ingerida pelos porcos.

Habitat: Europa Central e Mediterrânica, bosques pouco densos, rochedos,
pastagens de montanha, de preferência solos calcários; de
400 a 2000 m. Identificação: O,05 m de altura. Planta plurianual 
reduzida a um grande capítulo de 6 a 12 cm de diâmetro, incluindo     as
brácteas, praticamente acaule; folhas     radiantes, extremamente 
espinhosas; flores   branco­ esverdeadas ou prateadas (Julh o­ Outubro);
aquénio coberto de pêlos amarelos prostrados, com papilho com o dobro do
comprimento; raiz arruivada, espessa, com látex. Raiz com cheiro 
repugnante.

Parte utilizada: raiz (Outono); secagem no forno.
O Componentes: óleo essencial, inulina, tanino, resina, substância 
antibiótica: o carlineno O Propriedades: cicatrizante, colagogo, 
detersivo, diurético, estomáquico, sudorífico. U. L, U. E. + Ver: acne, 
eczema, fígado, gripe.
CARVALHINHA
*//* FALTAM OS OUTROS NOMES
A carvalhinha deve o nome à semelhança das suas folhas com as do 
carvalho, sendo efectivamente esta característica, já assinalada pelos 
povos antigos, que exclui qualquer confusão com outras espécies do mesmo

género. A descoberta das suas propriedades é atribuída a Teucro, 
príncipe de Tróia.

Durante o Verão a carvalhinha cobre totalmente com as suas alegres 
flores cor de púrpura os montes de entulho e as fendas dos velhos muros.

Os povos antigos já lhe atribuíam propriedades febrífugas e digestivas. 
Faz ] da composição de um licor denomi, chartreuse, de vermutes e outros
lic digestivos, aperitivos e tónicos. Existe vinho tónico e depurativo, 
para ser ingi antes das principais refeições, obtido maceração, durante 
8 dias, de 50 g de c@

lhinha em 1 1 de vinho. Nas suas aplic­, medicinais a carvalhinha pode 
ser subs da pelo Teucrium inarum L., com c mentolado, que cresce nos 
rochedos do ral de algumas ilhas mediterrânicas.

Habitat: Europa, encostas calcarias, relvados, solos áridos; terrenos 
áridos da faixa marítima entre os cabos Mondego e Espichei; até 1500 m.

Identificação: de O,10 a O,30 m de altura. Vivaz, caule verde com 
estrias cor de violeta e

púrpura, prostrado e ascendente, delgado, lenhoso, ramoso e viloso; 
folhas muito verdes, coriáceas, brilhantes na página superior, vilosas 
na inferior, ovais, nervadas, crenadas e

com pecíolos curtos; flores purpúreas ou cor­de­rosa (Maio­ Setembro), 
agrupadas de 3 a 6 de um só lado, na axila das folhas em cachos 
terminais, cálice avermelhado, campanulado,

viloso, corola sem lábio superior, lábio inferi, com 5 lóbulos e 4 
estames salientes; fruto P piloso, castanho; caule rastejante. Cheiro an

mático e suave; sabor acistringente e amarg Partes utilizadas: sumidades
floridas, folh@ (Maio­Setembro); secagem à sombra. o Componentes: 
tanino, óleo essencial, pri cípios amargos O Propriedades: anti­séptic 
colerético, estomáquico, febrífugo, tónico, vi nerário. U. I., U. E. 
Ver: aerofagia, apetite, digestão, úlcera.

112
Carvalhos

Quercus robur L. (sensu lato)

Carvalho­comum, carvalho­alvarinho, roble,

carvalheira

Fagáceas

Os botânicos confundiram durante muito tempo, sob a designação de 
carvalho, duas espécies diferentes: o Quercus sessiliflora Salisti., com
folhas brilhantes e pecioladas, com os frutos sésseis aparentemente 
colados aos ramos, e o Quercus pedunculata Fhrh., cujas glandes se 
apresentam suspensas de um longo pedúnculo e com folhas baças e

quase sésseis, como o que é representado na

gravura. O seu tempo de vida é de, pelo menos, 500 anos, atingindo por 
vezes os

2000; a casca é extremamente dura, pelo que o visco, parasita de mais de
uma centena de árvores, só com enorme dificuldade consegue penetrá­la.

Os seus ramos eram utilizados na Roma antiga para coroar os cidadãos 
como reconhecimento dos seus méritos; houve épocas em que se fazia 
justiça sob a sua sombra. Mesmo na era do aço, a resistência da sua 
madeira continua a merecer confiança e esta

a ser utilizada em construções que suportam grandes pesos, nomeadamente 
em travejamentos na construção civil e em cascos de iates. Pertencem 
também ao género Quercus várias outras plantas frequentes em Portugal, 
algumas produtoras de frutos comestíveis, designadas não só por 
carvalhos, como o negral, Quercus toza Bosc., o português, Q. lusitanica
Lam., o anão, ou carvalhiça, Q. fruticosa Brot., mas também por 
sobreiro, Q. suber L., azinheira, Q. ilex L., e carrasqueiro, Q. 
coccifera L., quase todos com propriedades terapêuticas e aplicações 
semelhantes.

O Evitar o contacto com os recipientes de ferro; não misturar com o sal 
de cozinha, com plantas que contenham alcalóides ou com a alga­periada; 
utilizar a casca com prudência, pois é irritante para o tubo digestivo. 
Habitat: Europa, com excepção das regiões mediterrânica e norte, 
colinas, florestas. Identificação: de 35 a 40 m de altura. Árvore; 
tronco grosso, casca cinzento­acastanhada, escurecendo com a idade, 
fendas limitando escamas quadradas; folhas glabras, verde­escuras e 
brilhantes na página superior, mais claras na inferior, duras, obovadas 
com lóbulos

arredondados, caducas; amentilhos (Abril­Maio), sendo os masculinos 
agrupados, pendentes; cada uma das flores femininas possui um invólucro 
escamoso (Abril­Maio); glande ovóide encerrada numa cúpula escamosa. 
Partes utilizadas: casca dos ramos jovens (Primavera), folhas (Junho), 
giandes (Outono).
O Componentes: tanino * Propriedades: adstringente, anti­séptico, 
febrífugo, tónico. U. L, U. E. + V O Ver: alcoolismo, anginas, banho, 
cabelo, diarréia, epistaxe, frieira, gengivas, greta, hemorragia, 
hemorróidas, intoxicação, leucorreia, sudação.

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Castanheiro

Castanea saliva Miller

Castanheiro­comum

Fagáceas

Segundo se supõe, o castanheiro foi importado do Irão no século v a. C. 
Esta árvore propagou­se, por meio de cultura, através de toda a Europa, 
aclimatando­se principalmente nas montanhas siliciosas e em todos os 
locais onde as suas raízes encontraram um solo profundo e bem drenado, 
pois o solo calcário é funesto para esta árvore. O seu crescimento é 
primeiro lento, acelerando­se em seguida, e a

árvore adquire, por volta dos 50 anos, o seu

porte definitivo. Se estiver isolado, o tronco mantém­se baixo, a   copa
expande­se e a frutificação tem início aos 25 ou 30 anos. Se fizer parte
de uma floresta, cresce impetuosamente e dá frutos aos 40 ou 60 anos. As
castanhas, que surgem em grupos de duas ou

três no interior dos seus ouriços hirsutos, não devem ser confundidas 
com as castanhas­da­índia; comem­se assadas ou cozidas e têm um grande 
valor nutritivo. Um castanheiro pode viver muitos anos e em alguns casos

atingir 1000 anos de existência. Com o tempo, o tronco torna­se oco. Há 
alguns anos

existia ainda na Sicília, nas encostas do Etna, um castanheiro cujo 
tronco oco servia de abrigo a um rebanho de ovelhas e que, segundo os 
camponeses, devia ter 4000 anos.

G A castanha é contra­indicada aos diabéticos. Habitat: Europa 
Meridional, bosques, montanhas; em quase todo o País; até 1300 m. 
Identificaçã o: de 25 a 35 m de altura. Árvore, tronco maciço, madeira 
dura, casca jovem lisa e cinzenta, mais tarde castanha e gretada; folhas
pecioladas, compridas, de 10 a 25 cm, glabras, brilhantes, com nervação 
paralela; flores claras (Junho­Julho), perfumadas, dióicas; amentilho 
masculino, erecto; flores masculinas com 5 a 6 divisões, 8 a 15 estames;
flores femininas inseridas na base dos amentilhos masculinos superiores,
reunidas de 1 a 3

numa cúpula, cada uma com ovário com 6 1'culos e 7 a 9 estiletes, que 
evoluem em fruto (ouriço) espinhoso que se abre por 2 a 4 valvas. Partes
utilizadas: casca, folhas, amentilhos, frutos (Setembro­ Novembro). * 
Componentes: tanino (folhas, casca), glúcidos, lípidos, prótidos 
(fruto), sais minerais, vitaminas B1, B2 e C * Propriedades: 
acistringente, estomáquico, remi neralizante, sedativo, tónico. U. L, U.
E. + V O Ver: astenia, cabelo, convalescença, desmineralização, 
diarreia, esterilidade, faringite, tosse.
Castanheiro­da­Índia

Aesculus hippocastanum L.

Hipocastanáceas

Esta bela árvore, uma das primeiras a abrir as folhas e as flores na 
Primavera, é originária dos Balcãs, e não da índia. Bachelier importou­a
de Constantinopla, introduzindo­a em França em 1615. No decorrer do 
século xviii, difundiu­se intensamente pelas avenidas e parques, onde 
alguns exemplares têm actualmente mais de 250 anos de existência. É 
conhecido por hippocastanum, castanheiro­de­cav alo, porque os Turcos 
davam a comer as suas castanhas aos cavalos com afecções pulmonares; 
Aesculus é onome de um carvalho que produz glandes comestíveis. Apesar 
de ricas em amido, as castanhas frescas, de onde é possível extrair um 
óleo para iluminação e um álcool, não Nau comestíveis, devido ao seu 
intenso sabor amargo, apenas sendo apreciadas pelas cabras, porcos e 
alguns peixes; porém, quando libertas do seu constituinte amargo, 
fornecem um amido muito agradável. A farinha, obtida por moagem, é 
utilizada em cosmética, pois torna a pele brilhante, e a polpa, no

fabrico de sabões. Misturado na água das regas, o pó de castanhas afasta
as minhocas dos vasos de flores. Da casca da árvore obtém­se uma tinta 
vermelha.

Habitat: Europa, parques, avenidas; em Portugal, também como planta 
ornamental; até 800 m

identificação: de 10 a 30 m de altura. Arvore de copa regular; tronco 
relativamente curto, por vezes torcido, ramos principais geralmente 
horizontais; folhas opostas, com pecíolo comprido, palmadas, com 5 a 7 
folíolos oblongos e dentados; flores brancas manchadas de arnarelo e 
vermelho (Abril­Maio), grandes, em cacho composto, único, erecto, cálice
de 5 dentes desiguais, corola irregularmente enrugada com

4 pétalas desiguais, 7 estames e 1 estilete saliente, ovário com 3 
lóculos; cápsula com casca espinhosa abrindo­se por 3 valvas que contêm 
2 a 3 castanhas. Sabor amargo (castanhas). Partes utilizadas: casca, 
sementes (Outubro); secagem ao sol. o Componentes: tanino, saponósidos, 
flavonóides, heterósidos cumarínicos O Propriedades: acIstringente, 
anti­hemorrágico, anti­infiamatório, vasoconstritor. U. I., U. E. + O 
Ver: acne rosácea, banho, circulação, febre, frieira, hemorróidas, 
menopausa, obesidade, varizes.
Cavalinha

Equisetum arvense L.

Erva­carnuda, cauda­de­cavalo, cavalinha­dos­campos,

pinheirinha, rabo­de­asno, rabo­de­touro

Equisetáceas

Todaabiologia da cavalinha é surpreendente. Como os fetos e os 
licopódios, e por pertencer às criptogâmicas vasculares, possui raízes, 
nã o tendo flores e, consequentemente, sementes. A reprodução é 
assegurada por esporos contidos nos esporângios, situados na base de 
pequenos escudos agrupados numa espécie de espiga terminal. Os próprios 
esporos são dotados pela Natureza de um extraordinário sistema de 
propagação, pois o invólucro rasga­se em quatro faixas elásticas que, ao
deformarem­se por efeito do calor, provocam a dispersão dos esporos. Uma
outra particularidade da cavalinha é a sucessão na mesma planta de dois 
tipos de caules. Os primeiros, avermelhados e curtos, sem clorofila, 
brotam no início da Primavera e apresentam na extremidade a espiga 
produtora de esporos (estróbilo). Terminada a sua função, murcham e são 
substituídos por caules verdes canelados muito ramificados, mais altos e
divididos em segmentos separados por nós: são os caules estéreis, única 
parte da planta que possui propriedades medicinais. Devem ser colhidos 
na Primavera e secos ao sol ou no forno.

Habitat: Europa, bermas dos caminhos, solos siliciosos; Norte e Centro 
do País; até 2500 m. Identificação: de 0,20 a 0,65 m de altura. Vivaz; 
sobre o mesmo rizoma em Março e Abril, caules esporíferos de 10 a 25 cm,
simples, avermelhados, com bainhas castanhas, frouxas, com 6 a 12 
dentes, apresentando uma espiga obionga amarelo­acastanhada que 
desaparece no Verão; em seguida, de Maio a Julho, caules estéreis, 
verdes, sulcados, ocos, com verticilos de ramos delgados, simples, 
verde­claros, com 4 ângulos, ásperos e articulados; esporângios 
agrupados sob as escamas em

forma de escudo da espiga; esporos providos de elatérios, filamentos que
se desenrolam quando o ar está seco; rizomas profundos, até 2 m. Partes 
utilizadas: caules estéreis.
0 Componentes: sais minerais (silício), heterósidos, tanino, ácidos 
orgânicos, princípio amargo 0 Propriedades: acistringente, cicatrizante,
diurético, hemostático, remi neralizante. U. I., U. E. + V kvj Ver: 
aerofagia, afta, albuminúria, banho, cistite, dentes, desmineralização, 
epistaxe, estrias cutâneas, fractura, hemorragia, litíase, menstruação, 
panarício, pé, sudação, unha.
celidÓnia

Chelidonium majus L.

Erva­andorinha, erva­ da s­ verrugas, quelidónia, quelidónia­maior, 
grande­quelidónia, ceruda

Bras.: celidónia­maior

Papaveráceas

O género Chelidonium L. tem apenas uma espécie, que é a da celidónia, 
que cresce nas paredes velhas. O nome deriva da palavra grega chelidón, 
andorinha, pois a planta floresce na época da sua migração. É uma planta
vivaz que se desenvolve nas paredes, nos

entulhos e nos solos frescos. Nos meios rurais, todas as crianças a 
conhecem, designando­a por erva­das­verrugas, porque o seu suco faz 
desaparecer estas excrescências tão eficazmente como o poderoso azoto 
líquido, utilizado pelos dermatologistas, se

bem que mais lentamente. A celidónia já era

conhecida dos médicos da Antiguidade, que a consideravam salutar para as
doenças dos olhos. Foi muito utilizada na Idade Média, pois os 
alquimistas julgavam­na um dom do céu, coeli donum. Contudo, a planta 
não é inofensiva. Pertence à família das dormideiras e contém, como 
estas, alcalóides tóxicos, pelo que é absolutamente desaconselhável 
ingerir a planta, fresca ou seca, excepto por prescrição médica. Os 
homeopatas utilizam a raiz. O seu suco cáustico, ao queimar a verruga ou
o calo, pode atingir a

epiderme que o rodeia, pelo que não deve ser aplicado em chagas.

O Não utilizar para uso interno, excepto por prescrição médica. Habitat:
Europa, muros, entulhos, sebes, locais sombrios; do Minho ao Algarve, 
nos muros, sebes e caminhos; até 1500 m

Identificação: de O,20 a 1 m de altura. Vivaz, caule ramoso cilíndrico. 
viloso, frágil, quebradiço, nodoso, suco leitoso amarelo­alaranjado; 
folhas penadas, lobadas como as do carvalho, verde­claras na página 
superior, glaucas na inferior, moles; flores amarelo­douradas (Maio­
Setembro), 4 pétalas em volta do botão e

depois dispostas em cruz, agrupadas em umbelas paucifioras, com 
numerosos estames, 2 sépalas amarelas caducas; síliqua estreita (3 a
4 cm), abrindo­se de baixo para cima; rizoma grosso e numerosos caules. 
Cheiro nauseabundo; sabor acre e amargo. Partes utilizadas: folhas, 
raiz, látex fresco (antes da floração); a raiz escurece no decorrer da 
secagem.
O Componentes: 10 alcalóides, saponósido, pigmento O Propriedades: 
antiespas módico, cáustico, colerético, hipotensor, purgativo. U. I., U.
E. + Ver: calo, calosidade, verruga.
Cenoura­brava

Daucus carota L.

Umbelíferas

As Umbelíferas constituem uma família complexa, pelo que são possíveis 
algumas confusões. A cenoura­brava é fácil de distinguir devido à mancha
cor de púrpura que surge no centro das flores brancas, dispostas em 
umbela rodeada de brácteas. Esta flor central cor de púrpura impede que 
seja con­

fundida com a perigosa cicuta­menor Aethusa cynapium L. Após a 
fecundação das flores, quando os frutos ovais eriçados de acúleos 
amadurecem, os    raios das umbelas fecham­se em forma de ninho de ave. 
A raiz, branca, lenhosa, com   cheiro desagradável e

sabor acre, nada tem   de comum com a da cenoura cultivada, que se 
tornou comestível após um lento processo de aperfeiçoamento da espécie 
brava. Os povos antigos conheciam bem a cenoura e as suas virtudes 
diuréticas, atribuindo­lhe também propriedades de excitante; a palavra 
daucus deriva de daukos, nome dado pelos Gregos a algumas umbelíferas, 
que por sua vez parece derivar de daiô, eu excito. Plínio qualificou a 
sua raiz de pastinaca gaffica, alimento dos Gauleses, mas só na Idade 
Média foi considerada hortaliça comestível.

Habitat: Europa; em Portugal, em terrenos cultivados e baldios, excepto 
a grandes altitudes. Identificação: de 0,30 a 0,80 m de altura. Bienal, 
caule erecto; ramificado; folhas muito divididas, moles, mais compridas 
na base; flores brancas (Maio­Outubro), agrupadas em umbela, uma pequena
flor estéril cor de púrpura­escura sem estames nem pistilo no centro, 
invólucro com brácteas compridas e profundamente divididas; fruto com 
costas providas de picos assovelados; raiz aprumada fina, pouco corada. 
Cheiro pouco agradável (raiz). Partes utilizadas: raiz (fim do Verão), 
semen­

tes na maturação, folhas frescas.
0 Componentes: sais minerais, pectina, glúcidos, provitamina A, 
vitaminas B e C 0 Proprie~ dades: antidiarreico, carminativo, diurético,
emenagogo, galactagogo, hipoglicemiante, remineralizante. U. L, U. E. 
Ver: cólica, eczema, furúnculo, menstruação, meteorismo, prurido, 
queimadura.
Cerejeira

Prunus avium L.

Cerdeira

Rosáceas

A partir da cerejeira tem sido possível obter por selecção e enxerto 
numerosas variedades. Cresce espontaneamente nos bosques, pode atingir 
20 m de altura e viver 300 anos. As  suas flores são melíferas e as 
pequenas cerejas negras podem ser ingeridas cruas, em geléia ou em doce;
quando destiladas, utilizam­se no fabrico do kirsch. Se esta bebida 
alcoólica é natural, contém uma pequena quantidade de ácido cianídrico, 
pelo que não é tóxica em doses usuais. A sua madeira é utilizada pelos 
marceneiros e os torneiros; porém, a madeira clara, geralmente conhecida
como madeira de cerejeira, utilizada no fabrico de mobiliário rústico, 
é, na realidade, a madeira de uma outra espécie, Prunus mahaleb L. A 
casca, as folhas e as flores foram utilizadas em medicina doméstica, mas
apenas os pedúnculos dos frutos conservaram até aos nossos dias a sua 
reputação de diuréticos. A cerejeira é denominada em algumas regiões c 
erej eira­ brava; supôs­se durante muito tempo que a árvore era 
originária da Ásia Menor, mas numerosos factos demonstram a sua origem 
européia: efectivamente, têm sido encontrados em diversas estações 
neolíticas ocidentais alguns caroços intactos.

Habitat: Europa, excepto no extremo norte; florestas, sebes, colinas; O 
Prunus avium var. silvestris (cerejei ra­ brava) pode encontrar­se no 
Gerês, onde o fruto recebe o nome de agriota, e a variedade duracina 
(cerejeira­bical) é cultivada em várias regiões do País; até 1700 m. 
Identificação: de 10 a 20 m de altura. Árvore; tronco com casca 
acetinada, de cor castanho­brilhante, que se fragmenta em lacínias 
horizontais; folhagem pouco densa, ramos erectos; folhas verdes, baças, 
pubescentes na página inferior, serradas, elípticas, com pecíolos 
munidos de glândulas no cimo; flores brancas

(/Abril­Maio), pedunculadas, em cimeiras umbeliformes, 5 sépalas, 5 
pétalas; drupa pequena vermelha, tornando­se depois preta, monospérmica;
raiz desprovida de rebentões. Inodora; sabor doce, ligeiramente amargo. 
Partes utilizadas: frutos, suco, peclúnculo dos frutos (Junho­Julho); 
secagem à sombra.
O Componentes: ácidos orgânicos, tanino, enzima, provitamina A O 
Propriedades: diurético, laxativo, refrescante. U. 1. Ver: artrite, 
digestão, gota, obesidade, obstipaçao.

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Cersefi ­bastardo

Tragopogon pratensis L.

Compostas

O cersefi­bastardo reconhece­se nos solos húmidos pelas suas folhas 
compridas e estreitas, cujas bases rodeiam o caule, e pelas suas flores 
amarelas, que se abrem de manhã e se fecham à tarde. Era 
indubitavelmente conhecido pelos povos antigos, pois a sua raiz está 
representada num fresco de Pompeia; os Italianos foram os pioneiros da 
utilização da sua raiz castanho­clara na alimentação, tendo­lhe 
atribuído o nome de sassefrica, isto é, a que roça as pedras, pois a 
planta cresce nos solos pedregosos. A cultura do cersefi­bastardo data, 
sem dúvida, de 1500. No século XVII, Olivier de Serre, ministro do rei 
Henrique IV de França, distingue­a com o nome de sersifi. A planta não 
teve sucesso como legume comestível, sendo rapidamente substituída pela 
escorcioneira, Scorzonera hisparrica L. O cersefi­bastardo é uma planta 
depurativa, diurética e

sudorífica. A sua raiz faz parte de inúmeras e deliciosas receitas 
culinárias; a água da cozedura deve ser aproveitada, pois é uma

excelente base para sopa ou bebidas. O gosto das suas folhas preparadas 
em salada assemelha­se ao da endívida ou ao da chicória.

O Não usar as sementes. Habitat: Europa, prados húmidos, bermas dos 
caminhos; com o nome de cersefi, ou de barba­de­bode, ou barba­de­cabra 
cultiva­se em Portugal o Tragopogon porrifoluis L.; até 2000 m. 
Identificação: de O,30 a O,80 m de altura. Bienal, caule erecto, simples
ou ramificado e glabro; folhas ascendentes ao longo do caule, estreitas,
amplexicaules, mais ou menos dilatadas na base, muito pontiagudas; 
flores amarelas (Maio­Julho), liguladas, em capítulos solitários sobre 
pedúnculos, ligeiramente dilatados sob o invólucro, invólucro com 
compridas brácteas dispostas numa fila; aquénio praticamente liso, 
encimado por um papilho plumoso; raiz principal aprumada, fusiforme, 
grossa, casta­ nho­clara e látex branco. Inodoro; sabor agradável, 
ligeiramente amargo. Partes utilizadas: folhas, raiz, suco.
O Componentes: glúcidos, prótidos, lípidos, celulose O Propriedades: 
depurativo, diurético, sudorífico. U. L, U. E. V o Ver: astenia, 
crescimento, fígado, gota, pele, reumatismo, verruga.
PLANTAS ESPONTÂNEAS

Choupo­negro

Populus nigra L. Álaino­negro, olmo­negro, álamo­líbico

Salicáceas

Supõe­se que muitas pessoas conhecem o
longilíneo choupo­da­itália, Populus italica Moench, tradicionalmente 
plantado em alguns países quando nasce uma rapariga para lhe assegurar 
um dote. O mesmo não sucede talvez com o choupo­negro, que se aclimata à
beira de água, atingindo cerca de 30 m de altura, projecta os primeiros 
ramos para baixo e abre a ramagem para poder captar bastante luz. Planta
dióica, pelo que existem pés masculinos e femininos, pode viver 300 
anos. A sua utilização remonta à Antiguidade; a casca dos ramos jovens, 
pulverizada e misturada com a do carvalho e a do salgueiro­branco, 
constitui um excelente febrífugo, sendo, porém, as suas gemas, colhidas 
antes do desabrochar, no início dh­ Primavera, que têm maior número de 
aplicações. A madeira, da qual se obtém um carvão vegetal, é também 
utilizada na indústria de marcenaria e no fabrico de papel, nas 
indústrias de fabricação de celulose e de fósforos. O choupo­negro é, 
porém, uma árvore frágil, exposta a enfermidades provocadas pelo visco, 
por diversos cogumelos e por certos insectos que escavam galerias no 
interior do tronco e

nos ramos. Habitat: Europa, planícies, solos húmidos; encontra­se, quer 
espontâneo, quer cultivado, em quase todo o País; até 1800 m. 
Identificação: de 20 a 30 m de altura. Árvore; tronco grosso, ramagem 
esguia, irregular e aberta, casca gretada longitudinalmente, ge­ mas 
ovóides, curvas, com escamas viscosas e glabras; folhas alternas, 
pecioladas, glabras, brilhantes, mais claras na página inferior, 
delicadamente crenadas e limbo triangular; amentilhos (Março­Abril), 
dióicos, pendentes, tendo os masculinos estames vermelhos, 1 bráctea, e 
os femininos esverdeados, 1 bráctea; cápsuIa com 2 valvas, pequenas 
sementes com finos pêlos brancos. Cheiro baisâmico; sabor agridoce. 
Partes utilizadas: gemas (Março­Abril), casca dos ramos com 2 ou 3 anos;
secagem ao sol sobre caniços ou num local arejado.
O Componentes: heterósidos, tanino, cera, óleo essencial, derivados 
flavónicos O Propriedades: anti­séptico, digestivo, diurético, 
expectorante, febrífugo, sudorífico, tónico, vulnerário. U. L, U. E. + V
O Ver: bronquite, cabelo, dentes, fadiga, febre, greta, intoxicação, 
meteorismo, nevralgia, reumatismo, urina.

121
Cinco­em­rama

Potentilla reptans L. Potentila, quinquefólio

Bras.: cinco­folhas

Rosáceas

A pentaphy11on dos discípulos de Hipócrates e de Dioscórides era, sem 
dúvida, o vivaz cinco­ern­rama; esta erva daninha, inva­

sora e persistente, cobre os taludes e os canteiros mal protegidos com a
teia consolidada dos seus caules vermelhos. Muito vulgar, encontra­se em
toda a Europa, tendo prati­

ente colonizado o Mundo. Esta planta é considerada pelos botânicos do 
tipo 5, ou seja o calículo tem 5 divisões mais compridas que as 5 
sépalas do cálice e a corola é constituída por 5 pétalas amarelo­claras.
As folhas são também recortadas em 5 folíolos ovais e alongados. As 
flores persistem durante todo o Verão, por vezes até ao Outono, e 
pressagiam a chuva abrindo as pétalas.

Os fitoterapeutas utilizam sobretudo a raiz da planta, que pode ser 
colhida em qualquer estação do ano e utilizada fresca ou seca, 
indiscriminadamente para uso interno ou externo. É um excelente remédio,
dotado de propriedades adstringentes, podendo ser

associado à bistorta ou ao cardo­santo. A raiz, pulverizada e misturada 
com a gema de um ovo fresco até adquirir a consistência de

uma massa e seguidamente aplicada sobre um panarício, pode obstar ao seu
desenvolvimento.

0 Não preparar ou conservar em recipientes de ferro. Habitat: Europa, 
solos ricos; pode encontrar­se de norte a sul de Portugal, nos prados, 
locais húmidos e margens dos rios; até 1700 m. Identificação: até 1 m de
altura. Vivaz, caule prostrado, radicante, delgado, viloso, por vezes 
avermelhado; folhas longamente pecioladas, com 5 folíolos ovados ou 
lanceolados, ligeiramente vilosos, serrados, estipulas inteiras ou com 2
dentes; flores amarelo­claras (Junho­Outubro), solitárias, pedunculadas,
grandes, cálice com 5 sépalas, calículos com 5 grandes

lóbulos, 5 grandes pétalas cordiformes, numerosos estames, numerosos 
carpelos uniovulados; rizoma lenhoso, prostrado, castanho­escuro, 
radicante nos nós; raiz avermelhada em corte. Sabor azedo e 
acistringente. Partes utilizadas: rizoma, raiz (Outono); secagem à 
sombra.
0 Componentes: tanino, álcool (tormentol), glúcidos 0 Propriedades: 
adstringente, depurativo, febrífugo. U. L, LI. E. 0 Ver: afta, diarreia,
febre, ferida, panarício.
Cinoglossa

Cy,noglossum officinale L.

Língua­de­cão

Borragináceas 

Todas as cinoglossas possuem folhas moles, macias e compridas, às quais 
devem o nome de género; efectivamente, Cynoglossum deriva das palavras 
gregas kuón, cão, e glótta, língua. A cinoglossa distingue­se das 
espécies afins pelas suas cimeiras de flores cor de borras de vinho e 
pelos seus frutos unilaterais providos de espinhos recurvados. É uma 
planta bienal muito pouco comum e

mesmo rara em alguns locais; cresce nos entulhos, baldios e 
frequentemente próximo das tocas dos coelhos e das raposas, que não se 
interessam por ela, embora não pareça ser

tóxica para eles.

A cinoglossa era conhecida na Antiguidade; no século xvi, Ambroise Paré 
utilizava­a já como sedativo sob a forma de pílulas cuja utilização 
desafiou o tempo, pois contêm, além da cinoglossa, ópio, meimendro­
negro, açafrão, incenso e mirra.

Actualmente, a planta é vulgarmente utilizada para uso externo, devido 
às suas propriedades adstringentes, calmantes e emolientes. A raiz é 
utilizada fresca ou seca, e as folhas recentemente colhidas servem para 
preparar uma cataplasma que acalma as dores de queimaduras e de cieiro.

Habitat: Europa, excepto no litoral mediterrânico; Centro e Sul de 
Portugal, terrenos incultos e cultivados, margens dos campos e caminhos,
terrenos calcários, baldios, muros; até 2000 m. Identificação: de O,30 a
O,80 m de altura. Bienal, caule vigoroso, piloso, verde, ramificado na 
parte superior; folhas cinzento­esverdeadas, compridas, macias, pilosas,
sendo as inferiores ovais, grandes, pecioladas, com nervuras secundárias
distintas, e as superiores lanceoladas, semiamplexicaules; flores 
vermelhas cor de vinho (Maio­Julho), em cimeira espiralada, pedicelos 
curtos, cálice piloso com 5 divisões iguais, corola com tubo curto de 5 
lóbulos; tetraquénio coberto de espinhos curtos e recurvados; raiz 
preta, alongada e dura. Cheiro viroso; sabor fraco e depois amargo. 
Partes utilizadas: raiz (Outono do segundo ano), folhas frescas; secagem
rápida, conservação em frascos de vidro hermeticamente fechados.
O Componentes: 2 alcalóides, mucilagem, resina, tanino, óleo essencial O
Propriedades: adstringente, calmante, emoliente. U. L, LI. E. + Ver: 
boca, diarréia, greta, prurido, queimadura.
Cocleária

CochIearia officinalis L. Cocleária­maior, cocleária­oficinal, erva­das­
colheres

Crucíferas

Ao observar as folhas inferiores da cocleária, os botânicos do século 
Xvi estabeleceram o seu nome científico a partir da palavra latina 
cochIear, colher. Supõe­se que a planta não foi utilizada antes dessa 
época, não sendo possivelmente conhecida. E, no entanto, uma crucífera 
bastante difundida nas costas europeias e nas margens dos regatos de 
montanha, escondida no fundo dos ro­

chedos, onde, a partir de Março, se cobre de flores brancas, apesar dos 
aguaceiros e das rajadas de vento frio. Conhecem­se e utilizam­se várias
espécies, que apenas se distinguem por pequeníssimas características 
botãnicas. Os fitoterapeutas utilizam as partes aéreas da cocleária, 
sendo necessário colher diariamente a quantidade necessária, pois só 
devem ser consumidas frescas. 0 processo mais simples é mastigar todas 
as

manhãs uma folha de cocleária; também pode ser preparada em saladas, 
temperada com sumo de limão. A planta pode causar

surpresas, pois, quando amachucada, exala um cheiro intenso que provoca 
lágrimas e espirros.

Habitat: Europa Ocidental, costas rochosas do Atlântico e da Mancha, 
margens dos cursos de água de montanha, Pirenéus; até 1800 m. 
Identificação: de 0,10 a 0,25 m de altura. Bienal, caule erecto, glabro,
ramoso; folhas verde­escuras, carnudas, lisas, brilhantes, sendo as 
inferiores cordiformes, extensamente pecioladas, as da base em roseta e 
as superiores amplexicaules, com lóbulos irregulares; flores brancas ou 
cor­de­rosa (Março­Agosto), em cachos terminais curtos, 4 sépalas 
verdes, 4 pétalas em cruz, 6 estames, ovário globoso; silícula ovóide, 
quase esférica; raiz fina. Cheiro

irritante; sabor ardente, picante e acre. Partes utilizadas: planta 
inteira fresca (Março­Agosto).
0 Componentes: iodo, sais minerais, tanino, vitamina C, heterósido 
sulfurado 0 Propriedades: antiescorbútico, depurativo, detersivo, 
estomáquico, eupéptico, rubificante. U. L, U. E. + Ver: boca, dentes, 
digestão, escorbuto, úlcera cutânea.
124
Codesso­bastardo

Laburnum anagyroides Med. Codesso­dos­alpes, laburno, falso­ébano

Leguminosas

Os queijos outrora fabricados com o leite das cabras da ilha grega de 
Kithnos eram famosos pelo seu aroma e pela delicadeza do seu sabor, 
devidos, segundo se afirmava, aos codessos que abundavam na ilha. Se bem
que não haja a certeza de que o codesso celebrizado pelos Antigos 
corresponda ao actual codesso­dos­alpes, as cabras e os carneiros são 
sempre atraídos por ele, enquanto para outros animais, como os cavalos, 
que não o apreciam, é um veneno; a casca, as flores e as sementes são 
também perigosas para o homem. É necessário tomar precauções, pois o 
codesso, além de não ser raro na forma espontânea, é frequentemente 
cultivado nos jardins pela sua beleza e o seu perfume. As crianças, 
naturalmente destituídas do saber instintivo dos animais, confundem por 
vezes um ramo caído com um pau de alcaçuz; os adultos, por falta de 
atenção, não distinguem as suas flores depois de caídas das da 
giesteira­das­vassouras. Apenas as folhas secas são utilizadas em 
fitoterapia, embora com prudência, devido à sua acção sobre a vesícula 
biliar. Os médicos homeopatas receitam ainda o codesso para certos 
estados depressivos, sob a forma de uma tintura preparada a partir das 
flores e folhas frescas.

O Deve utilizar­se com prudência; toda a planta é venenosa, nomeadamente
as sementes, a casca e a raiz. Habitat: Europa Central e Meridional, 
solos calcários; até 2000 m. Identificação: de 3 a 10 m de altura. 
Arbusto; casca lisa, cinzento­esverdeada, lenho claro, tornando­se 
acastanhado com o tempo; ramos pendentes; folhas alternas com 3 folíolos
peciolados, ovais, pontiagudos, verde­escuros na página superior, verde­
glaucos e pilosos na inferior; flores amarelo­douradas (Abril­Junho), em
cachos multifioros pendentes, cálice campanulado e com 5 dentes 
desiguais, corola papilionácea com estandarte levantado, 2 pétalas 
inferiores soldadas, curvadas em bico, 2 pétalas laterais compridas, 10 
estames soldados pela base do filete; vagem castanha (5 a 6 cm), com a 
margem superior espessada contendo entre
2 e 7 sementes castanho­escuras. Cheiro suave; sabor adocicado. Partes 
utilizadas: folhas secas da árvore adulta.
O Componentes: alcalóides, sais minerais O Propriedades: colagogo, 
purgativo. U. 1. + Ver: vesícula biliar.

125
Coffitea

Colutea arborescens L.

Espanta­lobos, sene­bastardo, falso­sene

Bras.: cliantos

Leguminosas 

Quando se evocam recordações da infância, não deixará de pensar­se no 
estalido entre os dedos produzido pelas vagens ventrudas e
cheias de ar do espanta­lobos. Entre as espécies de Colutea, é a 
arborescens, como indica o nome, a que atinge maior altura, 4­5 m.

Nos meios rurais, a sua madeira é utilizada para fabricar cabos de 
ferramentas. A colútea é um belo arbusto muito decorativo devido às suas
flores amarelas, às suas vagens, que ao amadurecer passam da cor verde 
para o avermelhado, e às suas folhas compostas. Prefere os solos 
calcários expostos ao sol e cresce espontaneamente na Europa Central e 
Meridional.

A colútea não é mencionada nem na Antiguidade nem na Idade Média. Só em 
1554 o botânico Mattioli chama a atenção pela primeira vez para as suas 
virtudes. E difícil aproveitar os benefícios desta planta, pois as 
tisanas de folhas e sementes são difíceis de beber devido ao seu cheiro 
nauseabundo e sabor amargo. Para evitar este inconveniente, os médicos 
receitam o extracto da planta ou o pó da semente misturado com mel. A 
sua acção é relativamente fraca, pelo que pode ser facilmente 
substituída por outras plantas.

O Ingerir as sementes unicamente por receita médica. Habitat: Europa 
Central e Meridional; em Portugal, nos terrenos áridos, encostas 
calcarias, bosques expostos ao sol do Sul, proximidade de jardins e 
parques; pode encontrar­se espontânea ou como planta ornamental; até 
1500 m.

Identificação: de 1 a 5 m de altura. Arbusto; caule erecto; folhas 
imparipinuladas, baças, estipuladas; flores amarelas (Maio­Julho), em 
cachos, de 2 a 6 na extremidade de um pedúnculo comum, cálice curto com 
5 dentes desiguais; vagem vesiculosa; quando amadurece,

enche­se de ar contendo 2% de dióxido de carbono, pequenas sementes 
lisas. Cheiro nauseabundo; sabor amargo. Partes utilizadas: folhas, 
sementes (só com receita médica).
O Componentes: tanino, óleo essencial, ácido coluteico, sais minerais, 
vitamina C O Propriedades: laxativo. U. 1. Ver: obstipação.

126
PLANTAS ESPONTÂNEAS

Conchelos

Umbilicus rupestris (Salisbury) Dandy Sombreirinho­dos­telhados, umbigo­
de­vénus, orelha­ de­ monge, chapéu­dos­telhados, cauxilhos,

coucelos

Crassuláceas

Esta curiosa planta cresce em paredes velhas e em escarpas siliciosas e 
ensolaradas, onde pode constituir povoamentos bastante densos. O nome de
Umbilicus, ou umbigo­de­vénus, advém­lhe do aspecto singular das folhas,
que partem todas da base e cujo pecíolo se prende ao limbo pelo centro 
da face inferior. A folha apresenta­se encovada e

em forma de cratera, assemelhando­se a um

umbigo. O caule, erecto, é guarnecido em

quase todo o seu comprimento por flores e botões pendentes formando 
longos cachos branco­ amarelados; as flores, antes de desabrocharem, sã 
o horizontais; terminada a antese, ficam pendentes. A planta perpetua­se
mais pelos rebentos da raiz engrossada em tubérculo do que pelas 
sementes. Já utilizados como diurético, os conchelos revelaram­se no

século xix, segundo os autores da época, eficazes para certos casos de 
epilepsia rebeldes a outros tratamentos. Actualmente, a planta só é 
indicada para uso externo em feridas.

Habitat: Europa Meridional, Grã­Bretanha, paredes velhas, escarpas 
abruptas, fendas de rochas; muito vulgar em Portugal, nos muros, 
telhados e cascas de árvores; até 500 m. Identificação: de O,15 a O,50 m
de altura. Vivaz, planta suculenta, escapo floral praticamente sem 
folhas; folhas carnudas na base e extensamente pecioladas, peltadas, 
redondas, deprimidas, formando uma cratera central; flores branco­
brilhantes ou avermelhadas (Maio­Julho), pendentes, peclúnculo curto, em
longa espiga terminal, corola em tubo alongado com
5 dentes e 10 estames; toiça espessa, em tubérculo, perpetuando a planta
através dos rebentos. Inodoro. Partes utilizadas: folhas frescas, suco.
O Componentes: sais minerais (sobretudo de cálcio, de potássio e de 
silício), ferro, tanino, trimetilamina O Propriedades: detersivo, 
emoliente, resolutivo. U. E. Ver: calosidade, ferida, úlcera cutânea.
Consolda­maior

Symphytum officinale L. Grande­ consolda, con sólida­ maior, orelhas­de­
asno

Bras.: consól ida­ maior, língua­de­vaca

Borragináceas

Os caules vilosos e angulosos da consolda­Maior erguem­se à beira das 
valas, dos ribeiros, próximo dos pântanos e nos solos alagados.

O nome que lhe foi atribuído, Symphytum, deriva do grego symphuô, eu 
reúno, e alude à propriedade de consolidar e soldar os ossos fracturados
e os bordos das feridas, o que celebrizou a planta 20 séculos antes de 
Cristo. No entanto, só no século XX dois médicos ingleses, A. W. 
Thitherley e N, G. S. Coppin, procederam à sua análise, detectando no 
rizoma da consolda­maior a presença de alantoína, substância utilizada 
em dermatologia devido às suas propriedades cicatrizantes. O rizoma, que
contém uma mucila­ gem viscosa com propriedades emolientes, utiliza­se 
fresco, em cataplasma feita com a polpa, ou seco, em compressa para 
acalmar as dores das queimaduras e acelerar a cicatrização das feridas. 
Arrancados o rizoma e raiz, lavar, raspar, reduzir a fragmentos, secar 
rapidamente ao sol e conservar em caixas bem fechadas.

Habitat: Europa, excepto na região mediterrânica, solos húmidos; 
relvados e locais húmidos do Minho; até 1500 m. Identificação: de O,30 a
O,80 m de altura. Vivaz, caule robusto, erecto, quadrangular, ramoso; 
folhas ovais, longamente decorrentes, espessas, guarnecidas de pêlos 
ásperos, sendo as basais maiores; flores violáceas, rosadas ou 
amareladas (Maio­Julho), reunidas em cimeiras espiraladas e pendentes, 
corola campanulada com 5 dentes curtos, cálice com 5 sépalas 
lanceoladas; tetraquénio duro, brilhante, rodeado pelo cálice 
persistente; toiça grossa, carnuda, preta à superfície, branca e viscosa
em corte. Inodora, sabor adocicado, muito levemente acistringente. 
Partes utilizadas: rizoma e raiz (Primavera ou Outono), fresca ou seca.
O Componentes: tanino, mucilagem, óleo essencial, alantoína, glúcidos, 
alcalóide O Propriedades: acistringente, béquico, cicatrizante, 
emoliente, suavizante. U. L, U. E. + O Ver: anginas, dermatose, 
diarreia, entorse, estômago, greta, pele, psoríase, queimadura, úlcera 
cutânea.
Consolda­real

Consolida regalis S. F. Gray Consólida­real, espora­dos­jardins, 
papagaíto

Bras.: erva­do­cardeal, consólida

Ranunculáceas

Considerada pelos agricultores como uma erva daninha, a consolda­real é 
uma planta espontânea com um comprido esporão floral erecto, rica em 
néctar, originária da Ásia Menor, cuja variedade aperfeiçoada, a espora­
dos­jardins, é cultivada como planta ornamental.

Nas regiões mediterrânicas, existe no estado espontâneo o paparraz, 
Delphinium staphisagria L., planta perigosa e extremamente tóxica. A 
consolda­real foi outrora

utilizada como diurético e vermífugo; porém, a presença de alcalóides 
torna­a tóxica,

pelo que a fitoterapia clássica não a adoptou para uso interno; em 
homeopatia utiliza­se com uma certa prudência. As sementes e as

flores são ainda utilizadas como antiparasitários em uso externo. Esta 
consolda­real era

usada nas intervenções cirúrgicas de outrora, pois era considerada 
imprescindível para consolidar as fracturas e sarar as chagas; perdido o
hábito desta prática, a planta foi completamente abandonada, pois a sua 
toxicidade é elevada.

G Uso interno exclusivamente por indicação médica. Habitat: pouco 
frequente nas searas e campos d do Alentejo e do Algarve, mas muito 
cultivada nos jardins com fins ornamentais; até 1400 rn oUSo’n’ernoex cu
sivament’ mé dca Hab@tat poucofrequen te nass oAi enteloed’AIg  arve,mas
nos1ardnscomf,ns ornament’

a o  6 Identificação: de O,10 a O,60 m de altura. Anual, caule erecto, 
frágil, praticamente glabro e ramificado; folhas divididas em longas 
lacínias estreitas, brácteas simples e curtas; flores azuis (ju nho­ 
Outubro), longamente pedunculadas, agrupadas de 6 a 10 em cacho terminal
frouxo, 5 sépalas ovais e petalóides, corola com 4 pétalas soldadas e 
prolongadas Por um

esporão (2 cm); folículo glabro, simples, sementes pretas, enrugadas e 
escamosas;          raiz

sera’z
aprumada. Inociora; sabor acre e amargo. Partes utilizadas: flores, 
planta florida, sementes (Junho­Agosto).                          ^ @i;@
o Componentes: heterósidos, matéria gorda, alcalóides O Propriedades: 
anti­inflamatório, parasiticida. U. L, U. E. + Ver: ftiríase, olhos, 
sarna, urina.
Cornichão

Lotus corniculatus L.

Loto

Leguminosas

É uma das ervas mais vulgares nos nossos prados e uma das mais bonitas 
devido à sua simplicidade. As folhas são trifoliadas como

do trevo; as flores estão em verticilos amarelo­ alaranj ados; os 
frutos, em forma de vagem, terminam por um pequeno bico; este pormenor é
confirmado pelo seu nome latino: corni.culatus deriva do latim cornu, 
corno, ou chifre.

H. Leclerc descobriu por acaso as propriedades antiespas módicas do 
cornichão: aconselhou a uma camponesa que sofria de conjuntivite e 
simultaneamente de perturbações nervosas com insônias e palpitações o 
tratamento dos olhos com uma loção de meliloto. A doente, distraída, 
colheu o cornichão e fez uma tisana. Passados oito dias, tanto as 
perturbações nervosas como as insónias tinham desaparecido. Neste caso, 
foi um engano útil. 0 cornichão constitui uma óptima forragem e é muito 
alimentício, sendo frequentemente incluído nas misturas semeadas nos 
prados. É uma planta melífera quando cresce nas grandes altitudes; nas

planícies só excepcionalmente é procurada pelas abelhas.

/Z

>Q4

N@’

Habitat: Europa, terrenos cultivados, campos, bosques abertos, taludes, 
penhascos; em quase todo o território português, nos relvados, lameiros,
locais arenosos ou pedregosos, pinhais; até 3000 m. Identificação: de 
0,15 a 0,30 m de altura. Vivaz, caule ligeiramente prostrado ou 
ascendente, maciço, glabro, pouco ramoso; folhas trifoliadas, pecíolo 
curto, 2 grandes estípulas; flores amarelo­alaranjadas, por vezes 
manchadas de pú rpura (Maio­Agosto), de 3 a 6 em umbeIas mais ou menos 
pedunculadas; vagem alongada, terminada por um pequeno chifre;

abre­se e enrola­se em espiral quando está madura. Partes utilizadas: 
flores (Maio­Agosto).
0 Componentes: substâncias cianogenéticas, flavonóides 0 Propriedades: 
antiespas módico, sedativo. U. I., U. E. + Ver: angústia, depressão, 
nervosismo, palpitações, sono.
Drias

Drias <)<,topeiala L.

Rosáceas

A Dryas octopetala L. forma no Verão, na maioria das montanhas 
europeias, sobretudo nos Alpes, vastos tapetes brancos sobre a erva 
rasteira e os rochedos. É uma pequeníssima planta com raiz grossa e 
fibrosa, caules prostrados no solo, muito resistentes às baixas 
temperaturas, pois encontra­se desde as tundras boreais até às costas do
Árctico. Em

determinadas regiões tem uma duração de vida superior a 100 anos. As 
folhas verdes, coriáceas e dentadas, assemelham­se às dos carvalhos; as 
flores, se bem que muito diferentes, podem, vistas de longe, confundir­
se com as das anémonas; os frutos, que não se

abrem, são formados por numerosos carpelos, cada um deles encimado por 
um penacho branco e sedoso. As aldeias alcandoradas das montanhas de 
onde os primitivos apanhadores de plantas, nos meados do século XVI, 
trouxeram a drias legaram­nos ainda a utilização medicinal das suas 
folhas.

Estas são adstringentes e tónicas, e servem para preparar uma infusão 
denominada chá

suíço, com efeito benéfico nas cólicas.

Habitat: nas zonas elevadas, nos Alpes e Apeninos. Tem uma certa 
preferência pelos solos calcários a mais de 1200 m. ldentific@ção: de 
O,05 a O,15 nn de altura. Vivaz, caule prostrado, trepador, @enhoso, 
ramifi~ cado, folhas pecioladas, verdes na página superior, brancas e 
tomentosas na inferior, coriáceas, obiongas (de 2 a 3 cm), arredondadas 
na

base, regularmente crenadas, com estipulas soldadas no peciolo, flores 
brancas (Junho­Agosto), grandes (de 2 a 4 cm), solitárias no

vértice de compridos peclúnculos vilosos, cálice com 7 a 9 lóbulos, 
corola com 7 a 9 pétalas

ovais, numerosos estames, estiletes compridos, ovário livre; fruto seco,
composto Por numerosos carpelos, indeiscentes, terminado em aristas 
plumosas, reunidas em feixes num mesmo receptáculo; raiz grossa e 
fibrosa. Inodora, sabor acIstringente. Partes utilizadas: folhas (junho­
Agosto) o componentes: tanino, sais minerais O Propriedades: 
acistringente, digestivo, tónico U. L, U. E. Ver: afta, apetite, 
diarreia.
Dulcamara

Solanum dulcamara L.

Doce­amarga, uva­de­cão, erva­ moura­de­trepa, vinha­da­índia, vinha­da­
judeia, vide­da­judeia

Solanáceas

É natural que muitas pessoas tenham experimentado, pelo menos uma vez na
vida, mastigar um caule de dulcamara para sentir o seu inicial sabor 
adocicado, rapidamente substituído por um gosto amargo. A planta é 
lenhosa e trepadora. Apenas os ramos do ano são herbáceos. A dulcamara 
reconhece­se pelas suas flores cor de violeta em forma de estrela com um
centro amarelo e pelas bagas verdes, que se tornam vermelhas depois de 
maduras. Além da sua utilização como laxativo, vivamente recomendado 
desde a Antiguidade, as bagas eram muito apreciadas na Idade Média como 
produto de beleza; actualmente, porém, não são utilizadas, se bem que a 
sua toxicidade não esteja claramente definida. Os ramos jovens e as 
folhas secas há menos de um ano são vulgarmente utilizados. Devido aos 
alcalóides que contém, a planta pode tornar­se perigosa, sendo de toda a
conveniência não exceder as doses indicadas. Mantidas as devidas 
precauções, a dulcamara é um dos mais úteis remédios, eficaz sobretudo 
como depurativo.

G Não utilizar as bagas. Habitat: Europa, sebes, margens dos ribeiros, 
muros velhos; disseminada por quase todo o território português; até 
1700 m. Identificação: de 1 a 3 m de altura. Subarbusto; caule lenhoso, 
trepador, sem gavinhas, enrolando­se nos seus próprios suportes, folhas 
da base pecioladas, possuindo as superiores aurículas estipuliformes; 
flores violáceas (Junho­Setembro) em cimeira irregular, longamente 
pedunculadas, cálice com 5 dentes curtos, 5 pétalas maculadas em forma 
de estreia, estames com anteras amarelas soldadas: baga

ovóide, brilhan te, verde e mais tarde vermelha. Sabor doce e 
seguidamente amargo. Partes utilizadas: suco fresco, casca dos ramos 
jovens, folhas secas (Primavera e Outono); secagem ao sol.
0 Componentes: glúcidos, gluco­alcalóides, saponósidos 0 Propriedades: 
antigalactagogo, depurativo, diurético, laxativo, sudorífico. Li. I., J.
E. + V Ver: abcesso, acne, albuminúria, artrite, cura de Primavera, 
dartro, herpes, lactação, sarda.
Ébulo

Sambucus ebulus L.

Engos, sabugueirinho, erva­de­são­cristóvão

Bras.: sabugueiro

Caprifoliáceas

Existem na flora europeia três sabugueiros bastante diferentes, pois 
dois deles são árvores. O ébulo, se bem que vivaz, não é mais do que uma
planta herbácea alta; cresce na orla dos bosques, nos campos de solo 
fértil. Com efeito, quando da aquisição de um terreno, a presença do 
ébulo, denunciando a

excelência do solo, é tida tradicionalmente como indício de boa compra. 
O cheiro das folhas esmagadas do ébulo é intenso e nauseabundo, e o das 
grandes umbelas de flores brancas ou rosadas assemelha­se ao da amendoa 
amarga. Em Setembro, a planta cobre­se de bagas pretas matizadas de cor 
de púrpura, repletas de um suco vermelho­escuro do qual se pode extrair 
um corante conhecido desde a Antiguidade e citado por Virgílio como 
sendo utilizado na pintura do rosto do deus Pá. É necessário ter atenção
e

não confundir   as bagas do ébulo, extremamente nocivas, com as do 
sabugueiro­negro. Toda a planta é tóxica quando ingerida em doses 
elevadas ou tomada sistematicamente *I a posologia deve ser 
integralmente respeitada.

O Não consumir os frutos, respeitar as doses e a duração dos 
tratamentos. Habitat: Europa, solos argilo­calcários, frescos e húmidos;
até 1400 m. Identificação: de O,50 a 2 m de altura. Vivaz, caule 
herbáceo, simples, rígido, sulcado, medula branca; folhas verde­escuras,
opostas, grandes, com 7 a 11 folíolos lanceolados e serrados >flores 
brancas ou rosadas (Junho­Agosto), pequenas, em grandes corimbos, com 5 
sépalas curtas, 5 pétalas abertas, 5 estames com anteras cor de violeta,
ultrapassando as pétalas; baga preta, globosa, brilhante, com

suco corante, contendo 3 sementes; rizoma fibroso, rastejante, branco, 
extremamente invasor. Cheiro nauseabundo (toda a planta) a

amêndoa amarga (flores), sabor amargo. Partes utilizadas: raiz ou a 
casca desta fresca ou seca, flores (Junho­Agosto) e folhas secas.
O Componentes: óleo essencial, glúcidos, ácidos, tanino, enzimas, 
pigmentos antociânicos
O Propriedades: cicatrizante, purgativo, resolutivo, sudorífico. U. I., 
U. E. + Ver: contusão, edema, entorse, obstipação, olhos, rim, tosse.
133
Éfedra

Ephedra dista< h.va L. Bras.: morango­do­campo, cipó­da­areia

Efedráceas

Planta frágil, de aspecto singular e articulado, a éfedra, que se 
assemelha a uma pequena giesteira, prefere as dunas secas e os rochedos 
dos litorais atlântico e mediterrânico. Os amentilhos deste arbusto 
dióico não resinoso são amarelo­esverdeados e opostos dois a dois; os 
masculinos agrupam vários pares de flores, enquanto os femininos, 
compostos apenas por duas flores, se transformam no mês de Agosto em 
frutos vermelhos e globosos. Estas características confe~ riram­lhe o 
nome de espécie, distachya, que deriva do latim dis, duas vezes, e 
sta'chys, espiga. Em cada uma das suas articulações, o caule é rodeado 
por duas pequenas escamas opostas: são as folhas.

Existem em todo o Mundo várias espécies de éfedras, entre as quais a 
Ephedra, sinica, a célebre Ma Houang, droga utilizada pelos Chineses 
desde há milhares de anos para acalmar os ataques de asma e designada 
por efedrina.

Esta espécie exótica, importada para a Europa no século xVIII, satisfaz 
actualmente a maioria das necessidades da indústria farmacêutica. A 
efedrina natural, extraída dos seus ramos, é frequentemente utilizada em
medicina devido à sua acção, comparável à da adrenalina.

Habitat: lugares secos, areias do litoral mediterrânico e atlântico; em 
Portugal, em zonas litorais do Baixo Alentejo e Algarve, encon~ tra­se a
Ephedra fragilis Desf., conhecida vulgarmente por cornicabra, ou 
gestrela. Identificação: de O,40 a 1 m de altura. Arbusto: caule 
prostrado, ascendente; ramos verde­glaucos, opostos ou fasciculados, 
constituídos por artículos rígidos de 2 a 4 cm e estriados; folhas 
transformadas em 2 pequenas escamas opostas, situadas na articulação dos
ramos; flores amarelo­ esverd eadas (Maio­Junho), sem cálice nem corola,
mas com escamas florais

arredondadas, aglomeradas em amentilhos pedunculados, sendo o amentilho 
masculino ovóide com 4 a 8 pares de flores e o amentilho feminino com 1 
par de flores envolvido por escamas imbricadas; fruto carnudo e 
vermelho­vinoso, pseuclodrupa globosa que envolve uma semente nua. Sabor
ligeiramente ácido e aromático. Partes utilizadas: ramos.
O Componentes: efedrina, vitamina C O Propriedades: antiespasmódico, 
eupneico. U. I., LI. E. + Ver: asma, urticária.

134
Endro

Anethum graveolens L.

Aneto, funcho­bastardo

Umbelíferas

Originário da Ásia Menor, aclimatado e
cultivado em todo o Sul da Europa, o endro evadiu­se rapidamente das 
culturas para se disseminar e reproduzir. Prefere os solos áridos e 
soalheiros, as searas e bermas dos caminhos. É uma planta anual, muito 
aromática, cujo perfume se assemelha ao do funcho, com o qual é muitas 
vezes confundido. O endro floresce no Verão, sendo o seu néctar muito 
procurado pelas abelhas.

Conhecido desde a mais remota antiguidade, o endro figura na maioria dos
textos antigos e até no Evangelho segundo S. Mateus, onde se refere que 
durante o século 1 estava sujeito a um imposto, tal como o cominho e as 
mentas. Das suas sementes extrai­se um óleo essencial já conhecido pelos
gladiadores romanos, que com ele friccionavam os membros antes dos 
combates. Actualmente, para além das suas aplicações medicinais, 
semelhantes às do anis e do funcho, as sementes do endro são utilizadas 
como condimento nas choucroutes e nas marinadas; também servem para 
temperar os pickles em Inglaterra.

Habitat: Europa Meridional, pouco frequente em Portugal, surgindo em 
algumas regiões a sul do Tejo, terrenos baldios, secos, searas; até 600 
m. Identificação: de O,20 a O,50 m de altura. Anual, caule verde­escuro,
delgado, estriado e oco; folhas pecioladas, invaginando o caule, as 
superiores com bainha curta, divididas em lacínias filiformes; flores 
amarelas (Abril­Julho), em umbelas com 15 a 30 raios desiguais,
5 pétalas inteiras com a ponta curvada para o lado de dentro; diaquénio 
com 5 costelas de cada lado, 3 dorsais salientes e 2 marginais

mais claras em forma de asas, raiz delgada, aprumada e esbranquiçada: 
cheiro intenso, semelhante ao do funcho; sabor aromático e picante. 
Partes utilizadas: sementes (Setembro); secagem à sombra.
O Componentes: óleo essencial, matérias azotadas, mucilagem, resina, 
tanino O Propriedades: antiespasmódico, carminativo, estomáquico, 
resolutivo. U. 1. + o Ver: aerofagia, lactação, meteorismo, soluço, 
vómito.
Énula­campana

Inula helenium L.

Inula­campana Bras.: inula, inulina

Compostas

A énula­campana tem um passado maravilhoso. Teofrasto, Dioscórides e 
Plínio na Antiguidade, Alberto, o Grande, e Santa Hildegarda na Idade 
Média e Mattioli no Renascimento enalteceram os seus méritos, e a sua 
fama manteve­se até à actualidade. Apenas a raiz é verdadeiramente 
activa. Depois de colhida, é cortada em pedaços e seca ao sol. Outrora, 
na Alemanha, possibilitava o fabrico de um vinho de énula, também 
chamado *potio Paulina+, em memória da recomendação de S. Paulo a Timóteo
para beber um pouco de vinho a fim de curar a debilidade do seu 
estômago. Na Alsácia, o reps é ainda hoje obtido pela maceração da raiz 
de énula­campana em mosto.

O helenium deriva de helenion, nome grego da planta, que, por sua vez, 
parece derivar de Elené; segundo a lenda, a planta nascera das lágrimas 
de Helena, mulher de Menelau, causa da Guerra de Tróia.

A énula­campana é uma planta grande, outrora cultivada devido à sua raiz
medicinal; abandonou, porém, as antigas plantações, encontrando­se 
actualmente muito difundida, embora desigualmente distribuída.

Habitat: Europa, desigualmente distribuída, evadida das culturas 
antigas, valas, sebes; cultivada em Portugal como planta ornamental; até
800 m. Identificação: de 1 a 2 m de altura. Vivaz, caule robusto, 
erecto; folhas dentadas, espessas, esbranquiçadas na página inferior, 
sendo as caulinares sésseis, invaginantes, as da base muito grandes, 
pecioladas; flores amarelas (Maio­ Setembro), em grandes capítulos, 
invólucro com brácteas desiguais, lígulas compridas e numerosas; aquénio
castanho, com papilho simples, avermelhado; raizes grossas. Partes 
utilizadas: raiz.

O Componentes: inulina, matérias pécticas e resinosas O Propriedades: 
antiespasmódico, béquico, colerético, sedativo, tónico, vermífugo. LI. 
L, U. E. + O Ver: apetite, bronquite, dartro, estômago, tosse, ureia, 
vómito.

136
EpilÓbio

Epilobium angustiplium L.

Onagráceas

O epilóbio é uma planta histórica, pois em
1793 possibilitou ao botânico alemão Christian Conrad Sprengel enunciar 
a teoria da polinização das plantas pelos insectos, retomada por Darwin 
no século XIX. Nas regiões com clima temperado, existem cerca de 20 
espécies de Epilobium, além de numerosos híbridos. Todas dão flores de 
um cor­de­rosa intenso ou vermelho, ricas em néctar, e possuem frutos 
com 4 valvas, que ao abrirem libertam centenas de sementes leves 
encimadas por plumas sedosas. Plantas vivazes de extrema beleza, 
difundem­se nas areias húmidas e nas ravinas das montanhas, cujo frescor
apreciam.

A medicina popular utiliza esta planta para lavagens da boca e 
gargarejos, devido às suas propriedades adstringentes e tensoactivas.

Na Europa do Norte, os rebentos e a medula dos caules são utilizados em 
culinária para saladas ou cozidos como legumes. Com as folhas e flores 
secas preparam­se infusões doces, extremamente salutares.

Habitat: Europa, excepto na região mediterrânica, taludes, solos 
arenosos; até 2300 m. Identificação: de O,70 a 1,60 m de altura. Vivaz, 
caule simples, avermelhado, rígido; folhas sésseis, extensamente 
lanceoladas, inteiras, com nervuras salientes na face inferior; flores 
cor­de­rosa intenso (Junho­Outubro), pendentes, em comprida espiga 
terminal frouxa, cálice com 4 sépalas agudas, coradas, corola com
4 pétalas quase iguais, abertas num plano vertical, 8 estames e estilete
com 4 estigmas em cruz pendentes  > cápsula comprida e estreita, com 4 
valvas, que contêm várias centenas de

sementes providas de longos papilhos; toiça prostrada e longa. Sabor 
adocicado (raiz). Partes utilizadas: raiz, flores, folhas secas.
O Componentes: tanino, pectina, mucilagem O Propriedades: acístringente,
emoliente, hemostático, vulnerário. U. I., U. E. Ver: afta, diarréia, 
ferida.
Erva­coalheira

Galium verum L.

Erva­do­coalho, coalha­leite, galião

Rubiáceas

No leito de ervas espontâneas em que descansou Maria, mãe de Jesus, 
encontrou­se, segundo uma lenda, um pé de erva­coalheira; deste facto 
deriva um dos nomes da planta em língua inglesa, Lady's Bedstraw, palha 
do leito de Nossa Senhora. À planta são ainda atribuídos muitos outros 
nomes, geralmente ligados às suas propriedades: coalha­leite, porque 
coagula o leite e também o sangue; cardo­amarelo, devido aos seus cachos
erectos com flores douradas e aroma de mel. Planta vivaz, muito vistosa,
oscila ao

vento de Verão os finos caules floridos e os ramos de folhas estreitas e
brilhantes dispostas em estrela. Na Antiguidade, atribuíram­se à erva­
coalheira propriedades tintoriais; a raiz dava o vermelho, e as folhas, 
um amarelo­alaranjado. As sumidades floridas conferem ao queijo de 
Chester a sua apreciada cor e o seu sabor inimitável. Reabilitada no 
século XIX, após um longo período de abandono, a planta foi utilizada 
como remédio para as convulsões. Actualmente, reconhece­ se­ lhe menor 
número de propriedades, porém mais eficazes; a erva­coalheira é 
considerada acistringente e vulnerária para uso externo e 
antiespasmódica e diurética para uso interno.

Habitat: Europa, excepto na região mediterrânica, bermas das estradas, 
caminhos, campos, encostas; espontânea em Portugal, nos prados, campos, 
sebes, muros, de Trás­os­Monlés ao Alentejo; até 2500 m. Identificação: 
de O,20 a O,80 m de altura. Vivaz, caule erecto, frágil, circular, 
glabro e pouco ramificado; folhas estreitas, lineares, mucronadas, de 6 
a 12 em verticilos estrelados, brilhantes na página superior, 
pubescentes na inferior e com bordos enrolados; flores amarelas (Junho­
Setembro), numerosas e pequenas, em panículas densas erectas nas 
extremidades

superiores dos caules; fruto pequeno, liso, glabro; toiça grossa, 
horizontal. Cheiro pouco intenso e agradável (a mel); sabor muito 
particular, ácido. Partes utilizadas: sumidades floridas (Junho­
Setembro); secagem à sombra ou ao sol; a planta escurece rapidamente, 
perde o cheiro e as propriedades, pelo que deve ser conservada apenas 
algumas semanas.
O Componentes: ácidos, lípidos, vitamina C O Propriedades: adstringente,
anti espasmódico, colagogo, diurético, vulnerário. U. L, U. E. + Ver: 
dartro, diurese, epilepsia, nervosismo.
Erva­de­santa­bárbara

Barbarea vulgaris R. Br.

Erva­dos­carpinteiros 
Bras.: agrião­da­terra

Crucíferas

Esta planta foi consagrada ao culto de Santa Bárbara, padroeira dos 
artilheiros, dos mineiros e de todas as corporaçoes que se expõem aos 
perigos da pólvora e do fogo. Efectivamente, as suas folhas curam muito 
bem feridas, pelo que os carpinteiros antigos a utilizam frequentemente 
em cataplasma.

É uma crucífera vivaz, com pequenas flores am arelo­ douradas que 
desabrocham durante todo o Verão e se encontram em toda a

parte onde haja humidade e frescura. No Outono, a erva­de­santa­bárbara 
mantém­se verde, mesmo sob as primeiras neves, e até pelo menos ao dia 4
de Dezembro, festa da santa sua padroeira. O sabor da planta assemelha­
se ao do agrião, pelo que foi durante muito tempo cultivada nas hortas 
com o nome de agrião­da­terra. Deve ser utilizada

fresca, pois a secagem elimina a sua actividade. Com a erva­de­santa­
bárbara pode fazer­se uma salada de gosto levemente amargo ou um caldo. 
As suas folhas são consideradas medicinais, sobretudo devido ao seu 
elevado teor de vitamina C. As sementes, esmagadas e maceradas em vinho 
branco, produzem uma excelente bebida diurética.

Habitat: Europa; em Portugal, nos terrenos húmidos do Douro ao Mondego, 
bermas dos caminhos pedregosos, margens arenosas, solos argilosos, 
húmidos, azotados; até 1500 M.

Identificação: de O,30 a O,60 m de altura. BieHab tat’Eu >0 humdos do > 
camnho s p ed
1osarg,1os9s,
1dent fcaÇao

n       a nal, polimorfa, caule verde, erecto, canelado, quase glabro, 
folhoso; folhas lisas, brilhantes, oleosas, divididas em segmentos 
desiguais, tendo as inferiores lóbulo terminal arredondado, as 
superiores simples, fendidas, sésseis; flores amarelo­vivo (Abril­
Junho), em cacho terminal bastante grande, sépalas erectas e caducas; 
síliqua erecta, com 2 valvas contendo

cada uma 2 fileiras de sementes. Cheiro suave; sabor vagamente 
semelhante ao do agrião. Partes utilizadas: folhas frescas, sementes; 
quando seca, perde as suas propriedades.
O Componentes: vitamina C O Propriedades: aperitivo, detersivo, 
vulnerário. U. L, U. E. Ver: escorbuto, ferida, gota, litíase, úlcera 
cutân ea.
PLANTAS ESPONTÂNEAS

Erva­de­são­roberto

Geranium robertianum L.

Erva­roberta, bico­de­grou

Bras.: gerânio

Geraffiáceas

As plantas que habitualmente os jardineiros designam por gerânios 
pertencem, na realidade, ao género botânico Pelargonium, que, tal como o
Geranium, se integra na família das Geraniáceas. O género Geranium, da 
palavra grega geranos, grou, reúne na Europa cerca de 30 espécies cujas 
flores se assemelham muito, formando no centro um fruto composto por 5 
carpelos que sugerem o bico de um grou. A denominação robertianum é, 
segundo algumas opiniões, uma adulteração de rupertianum, evocando o 
nome de S. Roberto, bispo de Salzburgo no século vil, que teria 
descoberto as propriedades hemostáticas desta erva avermelhada; segundo 
outras, a origem da palavra deriva do latim ruber    > vermelho. No 
século Xii, fazia já parte dos remédios vegetais aconselhados pela 
erudita Santa Hildegarda, abadessa do Mosteiro Beneditino de 
Rupertsberg, próximo do Reno.

A erva­de­são­roberto não sobrevive à floração, secando em seguida. As 
suas folhas, de forma triangular e contorno profundamente recortado, não
devem confundir­se com as da cicuta. A parte aérea da planta (Maio­
Agosto), que tem cheiro intenso e acre e sabor amargo e adstringente, é 
seca em molhos pendurados em local coberto e arejado.

Habitat: Europa, terrenos baldios, matas, muros; frequente em quase todo
o País; até 1800 m. Identificação: de O,10 a O,40 m de altura. Anual, 
caule avermelhado, delgado, intumescido nos nós, sobretudo na base, 
viloso, ramoso e em moitas; folhas verde­claras, triangulares, palmadas,
com 3 a 5 segmentos lobados; flores cor­d e­ rosa­ maiva e violáceas 
(Abril­Setembro), 2 por cada pedúnculo, 5 sépalas erectas, 5 pétalas 
inteiras e estriadas, 10 estames com anteras alaranjadas, pistilo com 5 
carpelos, 5 estigmas cor de púrpura na extremidade de uma arista; fruto 
composto por 5 aquénios,

contendo cada um deles uma semente ejectada pela brusca divisão da 
arista    > raiz esbranquiçada, delgada e aprumada. Partes utilizadas: 
parte aérea, fresca ou seca.
O Componentes: tanino, óleo essencial, resina, substância amarga, 
vitamina C O Propriedades: acistringente, antiespasmódico, diurético, 
hemostático, hipoglicemiante, tónico, vulnerário. U. L, U. E. +   krJ 
Ver: afta, anginas, boca, cancro, dartro, diabetes, diarréia, ferida, 
hemorragia, nefrite, olhos, rouquidão, seio.
140
Erva­dos­escudos

LN,@iin,whia numinularia L.

Primuláceas

Para encontrar a erva­dos­escudos, é necessário procurá­la, pois todo o 
comprido caule rastejante desta pequena planta permanece colado ao solo 
e os pedúnculos florais não excedem 5 cm de altura. Cresce em locais 
frescos e húmidos, frequentemente ao abrigo de ervas de maior altura. 
Uma das suas particularidades botânicas consiste em que raramente produz
sementes, multiplicando­se por meio de estolhos. O nome de LNIsimachia 
advém­lhe provavelmente de Lysimachos, médico da Antiguidade, que, 
supõe­se, a descobriu e revelou as suas propriedades; numniularia, do 
latim numinula, pequena moeda, alude à forma das folhas, ligeiramente 
arredondadas como uma moeda. O nome vulgar, erva­dos­cem­males, que lhe 
é atribuído em França, lembra a fama

de panaceia de que a planta gozava na Idade Média e no século xvi. 
Votadas ao esquecimento no século XIX, as suas propriedades foram de 
novo reconhecidas por um

médico alemão. Os pastores dos arredores de Fleidelberga administravam­
na, depois de pulverizada, às ovelhas como preventivo da tuberculose. 
Esta planta possibilita aos fitoterapeutas a obtenção de curas 
espectaculares de doenças como a gota e o reumatismo.

Habitat: Europa, exceplo nas montanhas, prados húmidos, pomares, bosques
húmidos com clareiras, bermas de fossos; até 1200 m.

Identificação: de O,20 a O,70 m de altura. Vivaz. caule rastejante 
radicanie, folhas eliipticas, corditormes, opostas, subsésseis, 
dispostas horizontalmente, flores amarelo­douradas (Junho­Agosto), 2 em 
cada nó, grandes, pedunculadas, cálices com 5 sépalas cordiformes, 
corola de uma só peça com 5 lóbulos, 5 estames inseridos na corola, 
ovário unilocular, cápsu@a rara nas regiões do Sul, com numerosas 
sementes; multiplicação por fragmentação,

Partes utilizadas: planta inteira (Junho­Agosto), secagem à sombra.
O Componentes: anino, mucilagem, saponásido, enzima (primeverase), sais 
minerais, principalmente de silicio e de p1ótássio O Propriedades: 
acistringente, vulnerario. Li. I., LI. E. Ver: boca, diarréia, ferida, 
hemorragia, hemorróidas.
PLANTAS ESPONTÂNEAS

Erva­férrea

Brunella vulgaris L.

Bruncla, prunela

Labiadas

O género Brunella compreende várias espécies e subespécies muito 
semelhantes e que possuem as mesmas propriedades. Esta é uma planta 
pequena, de i5 a 25 em, com grandes flores labiadas azul­violáceas, cujo
excelente néctar atrai com frequência as abelhas. A erva­férrea 
confunde­se frequentemente com a búgula, de um género vizinho, se bem 
que se distingam por duas características essenciais: a búgula tem as 
flores verticiladas dispostas em vários planos, enquanto as da erva­
férrea se apresentam em cachos terminais; as folhas da búgula estão 
ligadas ao caule por um pequeno estreitamento do limbo, ao passo que as 
da erva­férrea são pecioladas. É possível que a origem do nome, do 
alemão Braun, castanho, se deva à cor castanha do cálice.

Esta planta foi sujeita a uma interessante experiência de adaptação à 
altitude. Exemplares da planície, levados para os Alpes e para os 
Pirenéus, produziram, ao fim de 20 anos, indivíduos mais fortes, com uma
cor mais viva e, sobretudo, anatomicamente mais bem organizados para 
intensificar a sua função clorofilina. As flores maiores possuíam cores 
mais intensas. A Antiguidade, a Idade Média e a época contemporânea não 
se interessaram pela sua função medicinal; porém, no século xvi foi 
largamente utilizada. Em alguns países, é hábito confeccionar saladas 
com os rebentos jovens.

Habitat: Europa; frequente em Portugal em

locais húmidos, pinhais, caminhos de quase todo o País; até 2000 m. 
Identificação: de O,05 a O,70 m de altura. Planta vivaz com poucos pêlos
> caule ascendente; folhas ovais, pecioladas, pouco recortadas; flores 
(Junho~Outubro), cálice castanho com 2 lábios distintos, corola azul­
violácea, 4 estames, o lábio superior em forma de elmo e o inferior 
trilobado, espigas providas na base de brácteas compridas e contíguas às
folhas superiores. Cheiro levemente aromático. Partes utilizadas: planta
inteira, sem a raiz

(Junho­Outubro); secagem à sombra em local

bem arejado.
O Componentes: tanino, vestígios de lípidos e

de essências, princípios amargos e resinosos
O Propriedades: acistringente, cicatrizante, detersivo, vulnerário. U. 
I., U. E. Ver: anginas, boca, diarreia, ferida, hemorróidas.
Erva­formigueira

Chenopodium ambrosioides L. (sensu lato) Ambrósia­do­méxico, chá­do­
méxico, quenopódio,

erva­formiga Bras.: erva­de­santa­maria

Quenopodiáceas

No século XVII, os Jesuítas importaram do México a erva­formigueira para
cultivá­la como sucedâneo do chá; algumas pessoas preferem­na ao chá 
verdadeiro. Pode associar­se à menta ou à quina. É uma planta muito 
aromática com perfume a cânfora e caule avermelhado. Sob as folhas 
encontram­se pequenas glândulas amarelo­douradas que exalam um agradável
perfume a erva­cidreira. Existe uma espécie americana afim, a

Chenopodium ambrosioides L., ssp. anthelininti(­u@n, com odor muito 
desagradável, que constitui um vermífugo poderoso. Devido à sua elevada 
toxicidade, é muito importante saber diferenciá­la da erva­formigueira. 
O seu caule é mais viloso, atingindo facilmente
1 m de altura; porém, a maioria das vezes basta cheirá­la para evitar 
qualquer confusão. Outrora, empregava­se a erva­formigueira para tratar 
as perturbações nervosas, histeria e algumas doenças de peito mal 
definidas.

No Sul de França, fabrica­se com a ambrósia um licor denominado moquine,
em homenagem ao sábio, poeta e naturalista occitano Alfred Moquin­
Tandon.

Habitat: zonas temperadas da Europa Meridional; em todo o território 
português, solos arenosos, entulhos; até 300 m. Identificação: de O,30 a
O,60 m de altura. Anual ou vivaz, caule erecto com estrias verdes, 
frequentemente vermelho e pubescente na base, ramificado; folhas 
obovadas inteiras ou com dentes irregulares e compridos, tendo na página
inferior glândulas com essência; flores esverdeadas (Julho­Outubro), em 
panículas, com folhas pouco visíveis, perianto com divisões e 6 estames;
fruto com 1 semente brilhante, castanha. Cheiro aromático e canforado.

Partes utilizadas: sumidades floridas, folhas secas.
O Componentes. óleo essencial que contém escaridol, saponósido O 
Propriedades: antiespasmódico, digestivo, emenagogo, tónico, vermífugo. 
U. 1. Ver: asma, menstruação, parasitose, pulmão.
Erva­sofia

Descurainia sophia (L.) Web.

Sofia­dos­cirurgiões

Crucíferas

Esta crucífera com um bonito nome cresce ao longo dos caminhos e entre 
os entulhos; necessita de grande quantidade de azoto, pelo que procura 
os locais habitados. Assim, é muito frequente observar a erva­sofia, que
se introduz no interior das povoações, nas

ruas, nas praças e nos pequenos jardins. Esta grande planta verde 
apresenta reflexos cinzentos devido aos pêlos curtos que a cobrem 
totalmente.

Muito apreciada outrora, com a designação de sofia­dos­cirurgiões, 
devido à acção eficaz das suas folhas frescas contusas na cicatrização 
das chagas e feridas de guerra, a erva­sofia tratava também as 
diarreias, as cólicas e os soluços. Era ainda muito apreciada pelas 
damas atenienses e romanas, pois tornava as peles sedosas e sem defeito.
A receita para obter o resultado desejado consistia na aplicação sobre o
rosto, durante quatro noites consecutivas, de uma máscara preparada com 
as folhas esmagadas. Actualmente, esta planta dos terrenos baldios foi 
suplantada por complexos tratamentos muito mais dispendiosos, mas nem 
sempre mais eficazes. As sementes têm um sabor acre e ardente, 
semelhante ao da semente da mostarda­negra.

Habitat: Europa, caminhos, terrenos baldios; espontânea em Portugal, em 
locais pedregosos e muros da bacia do Douro e alto Tejo; até
2000 m. Identificação: de O,30 a O,80 m de altura. Anual, caule erecto, 
descorado, verde­acinzentado, com pêlos estrelados, folhoso e ramoso; 
folhas verde­acinzentadas, profundamente divididas em lóbulos lineares 
muito finos; flores amarelo­claras (Abril­Setembro), pequenas, em cachos
terminais, 4 sépalas, 4 pétalas mais curtas e 6 estames; síliqua 
estreita, arqueada, erecta sobre os pedicelos afastados do eixo,

abrindo­se em 2 valvas trinérveas, sementes amarelas, lisas, 
unisseriadas e comprimidas. Inociora; sabor acre e picante. Partes 
utilizadas: planta sem a raiz e sementes.
O Componentes: derivados sulfurados O Propriedades: acistringente, 
vermífugo, vulnerário. U. L, U. E. V Ver: diarréia, ferida, pele.
escórdio *//* FALTAM OS OUTROS NOMES

Por vezes completamente submerso na água, o escórdio é uma planta 
herbácea e acetinada que enraíza no fundo dos pântanos e das valas, bem 
como nos prados húmidos. Teofrasto já o denominava Skordion, da palavra 
@_1reL,a skorodon, alho, devido ao cheiro aliáceo que as suas folhas 
exalam quando amachucadas entre os dedos. Muito famosa outrora, esta 
planta gozou da fama, provavelMente injustificada, de impedir a 
putrefacçao, fazia parte, juntamente com várias dezenas de outras 
plantas, carne de víbora e

Habitat: Europa Ocidental, Central e Meridional; valas, prados húmidos e
pantanosos; em Portugal, frequente nos locais húmidos do Minho ao 
Algarve; até 1000 m.

Identificação: de O,10 a O,20 m de altura. Vivaz, caule verde, matizado 
de uma cor violácea, viloso, acetinado, herbáceo e muito ramoso; folhas 
verde­ aci nzentadas, macias, vilosas, sésseis, oblongas e serradas; 
flores cor de púrpura ou violáceas (Ju nho­ Setembro), solitárias ou 
agrupadas de 2 a 6 na axila das folhas, ao longo do caule, cálice 
viloso, gilboso e com
5 dentes praticamente iguais; fruto castanho

Ossos de animais, da composição da famosa triaga de Veneza, que, segundo
se supunha, era um antídoto para grande número de doenças. Fracastório, 
no século xi, incluiu a planta no seu Electuário Diascordio, a qual, 
julgava­se, podia curar a peste. Presenteinente, a utilidade do escórdio
é muito mais

modesta. A planta deve ser utilizada fresca e

enquanto conserva o cheiro a alho. Em al­ ,,uns países serve para tingir
as lãs de verdecom a adição de sulfato de ferro consegue­se um belo 
verde­azeitona.

quando maduro, reticulado; estolhos que apresentam pequenas folhas, raiz
implantada no

lodo. Cheiro aliáceo; sabor aliáceo e amargo. Partes utilizadas: 
sumidades floridas (Junho­Setembro), folhas. o Componentes: princípio 
amargo, colina, tanino, essência O Propriedades: febrífugo, tónico, 
vulnerário. U. L, U. E. + Ver: astenia ,úlcera cutânea.

145
Escrofulária­nodosa

Scrophularia nodosa L.

Bras.: betônica­aquática

Escrofulariáceas

As escrofulárias pertencem à mesma família da graciosa e das belíssimas 
dedaleiras. Como estas plantas, contém substâncias que actuam sobre o 
coração; é, no entanto, conveniente não ultrapassar as doses. A planta, 
aliás, não estimula quaisquer excessos, pois, ao ser amachucada entre os
dedos, exala um cheiro repugnante; ingerida em doses elevadas provoca 
vómitos e violentas diarreias. A escrofulária­nodosa gozava outrora da 
fama de curar os tumores ganglionares crónicos da tuberculose. No século
XIX, ap,ós a descoberta da acção hipoglicemiante da raiz, a

planta foi incluída na lista dos medicamentos antidiabéticos. De entre 
as inúmeras escrofulárias medicinais outrora conhecidas, a flora 
portuguesa possui também a erva­das­escaldadelas, ou escrofulária, 
Scrophularia aquatica L. É uma planta vivaz, muito verde e robusta, com 
caule oco, glabro, com ângulos agudos e estreitamente alados, folhas com
bordos crenados e raiz desprovida de nós. Trata as mesmas doenças, 
aliviando­­as de modo semelhante, e a sua utilização deve ser igualmente
moderada.

­Habitat: Europa, excepto, na região mediterrânica, florestas húmidas; a
Scrophularia aquatica L. surge em quase todõ­o País; até 1800 m. 
Identificação: de O,60 a 1,50 m de altura. Vivaz, caule duro, compacto e
quadrangular; folhas simples, opostas, ovais, pontiagudas, cordiformes, 
truncadas na base, glabras, serradas; flores castanho­esverdeadas 
(Junho­Setembro), pequenas, em panículas terminais frouxas, 5 sépalas 
ovais com bordos frisados, coroIa bilabiada, sendo o lábio superior 
erecto com
2 lóbulos e o inferior mais curto, 4 estames e 1 estaminódio soldados à 
corola; cápsula ovóide,

pontiaguda, bivalve e sementes pequenas; rizoma volumoso, nodoso e 
castanho­acinzentado. Cheiro desagradável; amargo. Partes utilizadas: 
rizoma, sumidades floridas secas, folhas frescas. *Componentes: 
saponósidos, heterósidos, derivados antracénicos, ácidos paimítico, 
butírico e málico, vitamina C, alcalóide O Propriedades: cicatrizante, 
colerético, depurativo, diurético, hipoglicemiante, vulnerário. U. I., 
U. E. + V Ver: dartro, diabetes, diurese, edema, fígado, furúnculo, 
hemorroidas, sarda, sarna.

146
Espinheiro­cerval

Rhamnus cathartica L. Escambroeiro, espinha­cervina, espinha­de­veado,

espinheiro­cambra

Ramináceas

Este arbusto de porte irregular e frondoso, com ramos terminados em 
espinhos, desenvolve­se nas sebes e nos bosques. As folhas são opostas 
ou aparentemente opostas, largas e com nervuras arqueadas. As flores são
pouco visíveis devido às suas pequenas dimensões e à sua cor verde­
amarelada; os frutos são drupas negras quando maduros. Segundo uma 
antiga tradição, a coroa de espinhos de Cristo foi feita com ramos de 
escambroeiro; porém, segundo outras versões, tratar­se­ia de arbustos 
ainda mais espinhosos. Desconhecido na Antiguidade como

planta medicinal, o espinheiro­cerval é mencionado no século XVI como 
purgativo. Com as suas drupas fabrica­se, há muitos séculos, um xarope, 
medicamento purgativo, actualmente utilizado sobretudo em veterinária e

aconselhado por Alibert *aos homens robustos, difíceis de cornover+; é, 
na verdade, um medicamento violento ao qual se deve preferir uma planta 
da mesma família, o amieiro­negro. A sua madeira é utilizada no fabrico 
de pequenos objectos torneados e no trabalho de embutidos. Dos frutos, 
tratados com cal ou alúmen, extrai­se uma matéria corante.

O Respeitar as doses; não utilizar a casca antes de decorridos 2 anos de
conservaçao. Habitat: Europa, excepto no litoral do mar do Norte, 
florestas, matas, sebes, todos os terrenos; em Portugal, na Beira 
interior; até 1200 M.

Identificação: de 2 a 4 m, por vezes de 5 a
6 m, de altura. Arbusto; ramagem muito irregular, ramos espinhosos, 
cobertos por uma casca castanho­escura e lisa quando jovem, mais tarde 
fendida; folhas quase opostas, de 2 a

5 cm de largura e de 3 a 6 cm de comprimento, delicadamente serradas, 
com nervuras arqueadas e salientes, estipuladas; flores verde­amareladas
(Abril­Junho), pequenas, unissexuadas ou hermafroditas, na axila dos 
ramos jovens ou das suas primeiras folhas, 4 sépalas,
4 pétalas, 4 estames; drupas com 3 a 4 caroços enrugados. Cheiro 
nauseabundo (drupa); sabor adocicado e em seguida amargo (drupa). Partes
utilizadas: casca, fruto maduro (Setembro­Outubro), suco. o Componentes:
derivados antracénicos, heterósidos, vitamina C O Propriedades: 
depurativo, diurético, laxativo, purgativo, revulsivo. U. L, U. E. + O 
Ver: intestino.
Estaque

a) Stachys palustris L. b) Stachys silvatica L.

Labiadas

São plantas rústicas difundidas em toda a Europa. 0 nome de género, que 
alude à forma da sua inflorescência, deriva da palavra grega stakhy, 
espiga. Existem várias espécies de Stachys: algumas aclimatam­se nos 
pântanos e nas matas húmidas, como a Stachys palustris, com flores cor­
de­rosa manchadas de branco; outras, como a Stachys silvatica, com 
flores cor de púrpura e mau cheiro, preferem os terrenos mais secos. Em 
Portugal, encontram­se as duas espécies: a S. palustris, nos pântanos e 
vales da Beira Litoral; a S. silvatica, nas sebes e vales da região de 
Bragança.

São plantas pubescentes que atingem facilmente 1 m de altura e cujos 
caules angulosos apresentam na extremidade uma delicada inflorescência. 
Os carneiros e as cabras apreciam­nas como pastagem e são frequentemente
visitadas pelas abelhas.

Algumas delas têm propriedades alimentares devido às suas raízes 
carnudas e outras são medicinais. Efectivamente, a Stachys palustris é 
utilizada do mesmo modo que o marroio, pois tem uma acção 
antiespasmódica idêntica. É também um emenagogo, sendo geralmente 
aplicada no tratamento das perturbações da menopausa.

Habitat: a) Europa, excepto na região mediterrânica, locais húmidos; b) 
Europa, rara na região mediterrânica, bosques húmidos; em Portugal, 
existem as duas espécies; até 1400 m. Identificação: de 0,40 a 1 m de 
altura. Vivazes, caules com folhas pubescentes, folhas verdes: a) 
largas, cordiformes, pecioladas, b) dentadas, viloso­pubescentes, 
sésseis, tendo as inferiores um pecíolo curto; flores: a) cor­de­rosa­
claras salpicadas de branco, b) cor de púrpura­escura (Junho­Setembro), 
em espiga de verticilos folhosos: a) de 4 a 8 flores, b) de 3 a
6 flores, cálice viloso, a) 5 dentes iguais pican­

tes, b) glandulosos com dentes triangulares, corola com o dobro do 
comprimento, 4 estames; carpelos ovóides, pretos; toiça grossa, carnuda,
de onde crescem renovos. Cheiro: a) fétido, b) inodoro; sabor amargo. 
Partes utilizadas: sumidades floridas (Junho­Setembro).
0 Componentes: óleo volátil 0 Propriedades: a) antiespasmódico, 
diurético; b) antiespasmádico, emenagogo, sedativo. U. 1. + Ver: 
acufenos, espasmo, menopausa, menstruação.
Eucalipto

Eucalyptus globulus LabiII.

Bras.: eucaliptus

Mirtáceas

Existem no Mundo cerca de 600 espécies de eucaliptos, das quais 50 se 
aclimataram na bacia mediterrânica. Originário da Tasmânia, onde chega a
atingir 100 m de altura, o E. globulus foi introduzido na Europa nos
meados do século XIX com vista ao saneamento das regiões pantanosas. 
Efectivamente, as suas longas e sedentas raízes possibilitaram a 
drenagem destes solos. Além disso, esta árvore robusta é muito apreciada
devido

ao seu rápido crescimento, ao seu cheiro aromático e à aversão que a sua
presença provoca nos insectos.

As longas folhas falciformes dos ramos

mais velhos são de preferência utilizadas para fins medicinais, pois as 
folhas jovens são menos ricas em essência. De entre os componentes 
activos detectados nesta essência, um dos mais enérgicos é o euc­
aliptol, que faz parte de inúmeras preparações farmacêuticas, como 
pastilhas, xaropes, cál Ias, soluções injectáveis, supositórios e 
dentifrícios. Como a colheita das folhas se efectua no Verão, é apenas 
necessário, para que

as suas propriedades não se alterem, secá­las e conservá­las em frascos 
de vidro.

Habitat: bacia mediterrânica; cultivam­se em Portugal numerosas 
espécies; até 1000 m. Identificação: de 25 a 35 m de altura. Árvore; 
tronco direito, casca lisa acinzentada e lenho avermelhado; folhas das 
árvores jovens e dos rebentos da base oposta sésseis, claras e cerosas; 
folhas das árvores mais velhas alternas, falciformes, pecioladas, 
planas, pendentes, brilhantes; flores esbranquiçadas (Maio­Julho), 
cálice quadrangular encimado por um opérculo coriáceo que se destaca 
pela base após a fioração e numerosos estames formando um penacho; 
cápsula glauca, dura, angulosa, verrugosa, com 4 lóculos, que contêm 
numerosas sementes escuras. Cheiro activo extremamente aromático, sabor 
amargo e aromático. Partes utilizadas: folhas adultas (Junho­Setembro).
O Componentes: tanino, essência, resina O Propriedades: acIstringente, 
anti­séptico, aperitivo, bactericida, estimulante, febrífugo. U. I., LI.
E. + O Ver: asma, banho, boca, bronquite, cabelo, desinfecção, epidemia,
estômago, febre, feri­ da, gripe, insectos, sinusite.

149
Eufrásia

Euphrasia officinalis L. (sensu lato)

Consolo­da­vista

Escrofulariáceas

Existem numerosas espécies de eufrásias cuja maioria é tropical, se bem 
que se encontrem algumas nos climas europeus. De entre estas, destaca­se
a Euphrasia officinalis, conhecida por consolo­da­vista, que se 
desenvolve nas montanhas e nas pastagens até aos limites das neves 
eternas. A espécie E. officinalis subdivide­se, por sua vez, em diversas
variedades que se diferenciam pela forma do caule, pelo tamanho da flor 
e pela presença ou inexistência de glândulas; estas pequenas e delicadas
plantas cobertas de flores brancas raiadas de cor de violeta são 
parasitas de outras plantas, das quais se alimentam. Em grego, o nome 
genérico euphrasia significa alegria; assim, parece evidente que a 
utilização da eufrásia provoca júbilo. Como os fidalguinhos, é um 
*quebra­óculos+, já celebrado na Idade Média por Santa Hildegarda; o seu 
efeito analgésico e anti­inflamatório nos olhos irritados e 
lacrimejantes é incontestável. Toda a planta tem aplicações medicinais: 
além das infusões e decocções, existem numerosas preparaçoes 
laboratoriais, como a alcoolatura, o hidrolato e a tintura, sendo esta 
muito utilizada nos Estados Unidos, por deter o incómodo fluxo nasal 
provocado pelas constipações.

Habitat: Europa, prados, relvados, charnecas; em Portugal, nos lameiros 
da região de Vimioso encontra­se a E. hirtella Jord com pêlos 
glandulosos, os quais, segundo alguns autores, contêm os constituintes 
activos; até 3000 m. Identificação: de O,05 a O,30 m de altura. Anual, 
caule erecto, ramificado; folhas verde­acinzentadas, opostas, sésseis, 
ovadas, serradas e glandulosas; flores brancas maculadas de cor de 
violeta com o centro amarelo (Julho­Outubro), em cacho terminal, 
folhoso, corola com 2 lábios, tendo o inferior 3 lóbulos chanfrados e o 
superior em forma de elmo, tubo

que ultrapassa o cálice glanduloso e 4 estames; cápsula achatada, pilosa
e numerosas sementes; raiz provida de sugadores que se prendem às raizes
das plantas próximas. Sabor amargo e acre. Partes utilizadas: planta 
inteira (Julho­Outubro); secagem rápida.
O Componentes: óleo essencial, tanino, heterósido, resina, pigmento O 
Propriedades: adstringente, analgésico, anti­inflamatório. U. L, U. E. +
Ver: blefarite, boca, conjuntivite, constipação, faringite, oftalmia, 
olhos, terçolho.
evónimo *//* FALTAM OS PRIMEIROS NOMES

Constituído por minúsculas flores e folhas, que, no Outono, adquirem 
bonitas tonalidades vermelhas.

A toxicidade dos seus frutos parece ter sido conhecida pelos Antigos, 
pois, mesmo ignorando as suas virtudes medicinais, obstinaram­se em 
descrever os sintomas do envenenamento causado pela sua ingestão e o

modo de tratamento. Actualmente, o evónimo só é utilizado em uso interno
por receita médica. O uso externo restringe­se a uma fricção com frutos 
do evónimo para tratar a

sarna e a uma pomada caseira confeccionada

com o pó das sementes para matar piolhos. Da madeira carbonizada num 
recipiente fechado resulta o carvão para desenhar.

O Toda a planta é tóxica; utilizar apenas em uso externo. Habitat: 
Europa, sebes, matas, margens dos cursos de água; em Portugal, encontra­
se sobretudo em Trás­os­Montes. Identificação: de 2 a 4 m de altura. 
Arbusto; casca lisa, esverdeada, ramos jovens quadranguiares; folhas 
opostas, ligeiramente pecioladas, lanceoladas, serradas, azul­
esverdeadas na página inferior, amarelas ou vermelhas no Outono e 
caducas; flores verde­claras (Maio­Junho), reunidas de 2 a 5 em falsas 
umbelas com pedúnculo erecto na axila das folhas do

ramo florífero, de 4 a 5 sépalas, pétalas e estames; cápsula cor­ d e­ 
rosa­ coral, carnuda, com 4 a 5 lóculos que contêm de 4 a 5 sementes 
amarelo­alaranjadas. Cheiro nauseabundo e

desagradável; sabor acre. Partes utilizadas: sementes, folhas.
O Componentes: tanino, lípidos, ácidos orgânicos, pigmentos, vitamina C,
alcalóides O Propriedades: colagogo, detersivo, emético, insecticida, 
purgativo. U.E. O Ver: ftiríase, sarna, úlcera cutânea.

151.
Faia

Fagus silvatica L.

Faia­europeia

Fagáceas

As faias surgiram sobre a Terra na era terciária com o arrefecimento do 
clima e o desenvolvimento da humidade. Povoam as regiões temperadas 
frias do hemisfério norte, a cujas chuvas e brumas se aclimataram. Nas 
montanhas, crescem junto às coníferas ou ainda a maiores altitudes, 
formando então singulares bosquetes violentamente agitados pelos ventos.
Com grande frequência reunidas em florestas de altitude onde podem viver
três séculos, as grandes faias, de formas harmoniosas, abrem serenamente
a sua folhagem em copas ovóides e densas. A sua sombra refrescante foi 
cantada pelos poetas. *Feliz Títiro, assim deitado sob uma

grande faia, compões árias campestres com

a tua graciosa flauta pastoril+, escreve Virgílio no primeiro verso das 
Bucólicas; porém, esta sombra é fatal para toda a vegetaçao herbácea, e,
sob os seus ramos frondosos, a faia ocupa inequivocamente o seu

lugar, aniquilando rapidamente as anémonas, as primaveras e as aspérulas
que se

desenvolvam junto ao pé no início da Primavera.

O Não ingerir grande quantidade de frutos; não dar aos cavalos o bagaço 
dos frutos após a extracção do óleo. Habitat: Europa, excepto na regiã o
mediterrânica, solos frescos e profundos; até 1700 m. Identificação: de 
35 a 40 m de altura. Árvore; tronco erecto, cilíndrico até 20 m antes da
ramificação, casca lisa, verde­escura quando jovem e depois acinzentada;
folhas verde­claras, mais claras na página inferior, brilhantes, 
inteiras, ovais e pontiagudas, com nervuras rectilíneas e bordos 
ondulados providos de pêlos sedosos; amentilhos esbranquiçados

(Abril­Maio), monóicos, pedunculados, sendo

os femininos erectos, com 2 a 3 flores inseridas em 1 invólucro e ovário
com 3 lóculos; fruto trígono, oleoso, castanho, em grupos de 2 a
3 numa cúpula coriácea com espinhos flexíveis. Partes utilizadas: casca 
dos ramos com 2 a 3 anos (Fevereiro), lenho.
O Componentes: tanino (casca), creosota (lenho) O Propriedades: 
acistringente, anti­séptico, aperitivo, febrífugo. U. L, U. E. + o Ver: 
boca, desinfecção, febre, pulmão.
Faia­preta

Populus tremula L. Choupo­tremedor

Salicáceas

A faia­preta reconhece­se pelo seu tronco
claro e liso, pela sua copa graciosa, pelas suas folhas arredondadas que
vibram incessantemente ao menor sopro de ar. É uma espécie que dá 
preferência aos solos húmidos e às areias das planícies, mas suporta 
igualmente a aridez e os solos pedregosos. Nas montanhas, a árvore tem 
um desenvolvimento limitado em altura; as suas raízes penetram então 
profundamente nas fendas dos rochedos, e quando encontram um obstáculo, 
contornam­no ou elevam­se para se

expandir à superfície da terra.

Esta árvore multiplica­se e desenvolve­se rapidamente; porém, o tronco 
engrossa pouco, e cerca dos 50 anos torna­se oco. A madeira, desprovida 
de cerne, é macia e branda, sendo utilizada para o fabrico de fósforos e
papel; os pequenos roedores das florestas apreciam a sua saborosa casca.
A faia­preta suporta bem o frio, sendo possível encontrá­la nas 
proximidades do cabo Norte; a

árvore vive cerca de 100 anos.

A medicina recorre às propriedades adstringentes e anti­sépticas da 
casca e das folhas. Os Antigos já a conheciam. A faia­preta é o Cercis 
citado por Teofrasto, filósofo e

botânico grego do século iv a. C. Os Latinos, que a supunham originária 
da Líbia, chamavam­lhe choupo­líbio.

Habitat: Europa, florestas húmidas, margens dos rios; cultivada, 
subespontânea e espontânea, pouco frequente nas margens dos rios do 
Norte e Centro de Portugal; até 2000 m.

Identificação: de 20 a 30 m de altura. Árvore; tronco cilíndrico, casca 
cinzenta, lisa, fendendo­se depois em losangos; ramos patentes, gemas 
cobertas de escamas imbricadas e viscosas; folhas extremamente móveis, 
cinzento­esverdeadas, claras na página inferior, glabras, arredondadas, 
sinuosas, com pecíolo comprido, frágil e achatado; flores acinzentadas 
(Março­Abril), em grandes amentilhos dióicos, pendentes, formados por 
escamas incisas, celheadas, contendo os masculinos 8 estames vermelhos e
os femininos 4 estigmas cor de púrpura em cruz; cápsula glabra, ovóide, 
numerosas sementes com pêlos; raizes superficiais invasoras. Sabor 
amargo. Partes utilizadas: casca, alburno, folhas frescas.
O Componentes: heterósido, sais minerais, tanino, vitamina C O 
Propriedades: anti­inflamatório, anti­séptico, febrífugo. U. L, U. E. + 
Ver: cistite, escorbuto, febre, ferida.
Favária­maior

Sedum telephium L., ssp. purpureum Unk

Erva­dos­calos, favária­vulgar, teléfio

Crassuláceas

Cicatrizante, a bela favária­maior é uma planta suculenta com folhas 
carnudas repletas de um líquido transparente e insípido. Durante todo o 
Verão a planta exibe as suas pequenas flores de cores diferentes 
consoante as variedades: nesta página está representada a 
subespéciepurpureum, com flores cor de púrpura. A favária­maior utiliza­
se do mesmo modo que o saião.

As preparações destinadas a uso externo assemelham­se mais a receitas 
culinárias do que a fórmulas fitoterapêuticas; as folhas podem ser 
moídas com sal e vinagre, cozidas em leite ou ainda maceradas em óleo; é
o doce de favária dos ervanários. Da raiz, cozida em banha, faz­se um 
puré e sopas.

Existem outras espécies do género Sedum, entre as quais se salienta a 
pequena vermiculária, ou uva­de­cão, Sedum acre L., que cobre com o seu 
espesso manto os muros em

ruínas. Esta crassulácea identifica­se pelos caules folhosos, pelas 
flores em forma de estrela de um amarelo intenso e pelo sabor picante; o
seu suco destrói os calos e calosidades.

Habitat: Europa, especialmente nas regiões setentrional e central, 
terrenos baldios; surge nos locais áridos e pedregosos da Beira Alta e 
Estremadura; até 1800 m. Identificação: de O,30 a O,60 m de altura. 
Vivaz, caule erecto, duro, glabro, ligeiramente ramoso; folhas alternas 
ou opostas, sésseis, planas, polposas, ovais, ligeiramente dentadas; 
flores cor de púrpura nesta variedade, esbranquiçadas, amarelo­ 
esverdeadas ou rosadas noutras variedades (Ju nho­ Setembro), reunidas 
em corimbos, 5 sépalas curtas, 5 pétalas, 10 estames, 5 carpelos, 
sementes pequenas; rizoma robusto, curto, raizes frequentemente 
engrossadas. lnodora; sabor doce (folhas) e acre (raiz). Partes 
utilizadas: suco fresco, todas as partes da planta seca, folhas frescas 
ou conservadas em óleo; secagem difícil.
O Componentes: sais minerais, telefiósido, tanino, mucilagem, açúcares O
Propriedades: acistringente, detersivo, emoliente, vulnerário. U. E. 
Ver: calo, calosidade, contusão, dartro, ferida, greta, hemorroidas, 
queimadura, verruga.

154
Fel­da­terra

Erythraea centaurium Pers.

Centáurea­merior Bras.: chá­porrete

Gencianáceas

Ao considerar os nomes eruditos e vulgares do fel­da­terra, facilmente 
se deduzem as suas múltiplas aplicações: planta cicatrizante, ajudou, 
segundo a lenda, o centauro Quíron a curar a ferida de um pé, causada 
por inadvertência, a Hércules. Em uso interno é tónica e febrífuga. 
Conhecida por Dioscórides e Plínio, muito apreciada pelos Gauleses, 
cultivada durante toda a Idade Média, mantém­se extremamente popular nos
meios rurais, onde é com frequência utilizada como sucedâneo da 
genciana; entra na composição de alguns aperitivos; devido ao seu

acentuado sabor amargo, devem adicionar­se­lhe, nas tisanas, plantas de 
sabor mais agradável.

Nas regiões atlánticas é, por vezes, substituída pela centáurea menos 
perfolhada, Chlora perfoliata L., menos amarga, de porte mais humilde, 
flores de um amarelo intenso e folhas verde­claras aproximadamente do 
tamanho dos entrenós.

Para preservar a linda cor­de­rosa­clara das flores do fel­da­terra, 
estas devem ser

secas em pequenos sacos de papel. Conservadas depois em frascos de vidro
herméticos, mantém durante muito tempo o seu

aspecto agradável e as suas propriedades.

O Não exagerar: em doses elevadas é irritante p para o tubo digestivo 
Habitat: Europa, bosques, charnecas; frequente em Portugal, nos matos, 
bosques, pastagens, outeiros secos; até 1400 m. oNaoexag er a’aotubod 
Habital.Europ te emPortug gensoute,ros Identificação: de O,10 a O,50 m 
de altura. Biena], caule frágil, glabro, quadrangular, ramos erectos no 
vértice e muito floridos; folhas verde­claras, as basais em roseta, 
obovadas, as caulinares mais pequenas, opostas, oblongas, e as 
superiores lineares; flores cor­de_  rosa (J u nho­ Setembro), 
curtamente pediceladas, em corimbo denso, umbeliforme, cálice tulbuloso,

corola tubulada com 5 pétalas, 5 estames, anteras enroladas em espiral; 
cápsula com numerosas sementes. Cheiro suave; sabor muito amargo. Partes
utilizadas: caules, sumidades floridas (junho­Agosto). o Componentes: 
princípios amargos, resina O Propriedades: aperitivo, carminativo, 
colerético, depurativo, estomáquico, febrífugo, tónico, vermífugo. U. 
I., U. E. + Ver: apetite, cabelo, convalescença, diarréia, febre, ferida
Feto­macho

Dryopterisfilix­mas (L.) Schott

Dentebrura, fento­macho

Polipodiáceas

0 belíssimo feto­macho não pertence ao

sexo masculino, do mesmo modo que o feto­fêmea não é uma planta 
feminina. Distinguem­se nos bosques devido ao porte das frondes, 
vigoroso e viril no primeiro, elegante e delicado no segundo. 0 ciclo de
re­

rodução comum a todos os fetos realiza­se em duas fases. É surpreendente
ver surgir na Primavera ao nível do solo os tenros rebentos do feto­
macho em báculo e admirar a sua transformação em poucas semanas em 
feixes de admiráveis frondes. Seria difícil imaginar que as filas 
paralelas com manchas azuladas e salientes, visíveis em cada uma das 
divisões das folhas, são os reservatórios de esporos, sobre os quais se 
apoia todo o futuro da planta. Efectivamente, no fim do Verão, a 
membrana dos esporângios abre­se, espalhando milhares de esporos pelo 
solo. Se as circunstâncias são propícias, o esporo geriiiina, dando uma 
plântula portadora de elenientos sexuais aptos a dar origem a um futuro 
feto. 0 rizoma é utilizado em medicina desde a mais remota antiguidade 
como antiparasitário, pois contém uma substância que intoxica e paralisa
a ténia, facilitando a sua expulsão.

Q Não administrar a crianças; não ultrapassar as doses; não ingerir 
álcool durante o tratamento. Habitat: Europa, excepto nas montanhas a 
grande altitude, matas, em Portugal, no Norte e no Centro, em locais 
húmidos e sombrios; até
1600 m. Identificação: de 1 a 1,40 m de altura. Vivaz, frondes 
compridas, que atingem mais de 1 m, em tufo, e quando jovens em forma de
báculo, duplamente divididas em pínulas obtusas, ligeiramente dentadas, 
lanceoladas e terminadas em ponta; soros (Junho­Setembro), na página

inferior, alinhados em 2 fileiras, próximas da nervura; rizoma 
acastanhado, esbranquiçado no interior, horizontal, espesso, com raizes 
pretas. Cheiro característico. Partes utilizadas: rizoma, folhas (todo o
ano para utilização imediata e no Outono para conservação); limpeza sem 
água, secagem à sombra, ao ar livre.
0 Componentes: filicina 0 Propriedades: antiparasitário, detersivo, 
vermífugo. U. I., U. E. + kri Ver: ferida, gota, parasitose, pé, 
reumatismo.
Feto­real

Osmunda regalis L.

Fento­real

Osmundáceas

Apesar da designação de feto­florido que lhe é atribuída, o feto­real, 
como todos os outros fetos, não dá flores, merecendo, no entanto, a 
denominação de real devido ao seu magnífico porte. Da sua toiça, 
obliquamente implantada na turfa ou nas margens lodosas, nasce todos os 
anos, na Primavera, um pequeno feixe de croças claras, frágeis como fios
de vidro, que se desenrolam lentamente; porém, as frondes libertam­se 
progressivamente e algumas delas, depois de desenroladas, atingem 2 m de
comprimento, enquanto outras se curvam de novo delicadamente em direcção
ao solo. No fim do período de crescimento, surgem por vezes 
surpreendentemente, na extremidade de algumas delas, grandes espigas de 
cor bege­rosada, que se podem confundir com flores

e que são, no entanto, as folhas férteis; estas estão cobertas de 
esporângios que, no momento preciso, se abrem em duas valvas para 
libertar os esporos.

O rizoma do feto­real é adstringente, diurético, purgativo e vulnerário.
Em alguns meios rurais de França conserva­se o costume de encher com as 
magníficas folhas do feto­real os colchões das camas das crianças débeis
e dos doentes de reumatismo.

Habitat: Europa, pântanos e turfeiras; em Portugal, nos locais húmidos 
do Minho ao Algarve; até 1500 m. Identificação: de O,60 a 2 m de altura.
Vivaz, caule subterrâneo; frondes enroladas em báculo, robustas, verde­
avermelhadas, em seguida erectas, abertas, verdes, em moitas, pecíolos 
robustos, limbo glabro, duplamente dividido em folíolos inteiros ou 
delicadamente denticulados e praticamente opostos, arredondados no 
vértice, truncados obliquamente ou auriculados na base, pecíolos 
secundários com frondes férteis diferenciadas numa comprida panícula 
terminal castanha coberta por esporângios globulosos, tetraédricos, que 
se abrem em 2 vaivas iguais, e esporos globulosos; rizoma oblíquo, 
espesso, volumoso e provido de raizes. Partes utilizadas: rizoma e 
folhas; colher no fim do Verão, lavar, secar rapidamente no forno, 
conservar ao abrigo do ar.
O Componentes: tanino O Propriedades: acistringente, diurético, 
purgativo, tónico, vulnerário. U. L, U. E. Ver: diurese ,ferida, 
litíase, raquitismo, reuma tismo.

157
Ficária

Ficaria ranunculoides Roth.

Celi dónia­ menor, queledónia­rnenor, erva­hemorroidal, ervas ­das­
hemorrói das

Ranunculáceas

A ficária é muito vulgar na Europa, nos bosques e nos vales húmidos, 
onde se abriga frequentemente junto às sebes. É uma planta vivaz cujas 
flores estreladas, de um amare­

lo­brilhante, desabrocham a partir do mês de Março e cujas folhas se 
assemelham, se bem que mais claras e delicadas, às da hera. Os 
tubérculos asseguram a reprodução vegetativa, pois a maioria das flores 
é estéril. 0 nome da ficária deriva da palavra latinaficus, figo, 
provavelmente evocando o aspecto dos seus pequenos tubérculos de alguns 
centímetros de comprimento. Evoca possivelmente também a acção benéfica 
da planta sobre as volumosas verrugas dos bovinos, ou o seu efeito 
descongestionante sobre as

hemorróidas, conhecido desde o século Xvii. A ficária contém substâncias
venenosas, pelo que deve ser sempre utilizada com muita prudência; a 
raiz destina­se apenas ao uso

externo e, no caso de se ingerirem as folhas cruas, como é hábito em 
alguns meios ru­

rais, estas devem ser colhidas jovens, antes da floração.

0 Consumir apenas as folhas muito jovens e recentemente colhidas. 
Habitat: Europa, florestas, moitas, prados húmidos; frequente em 
Portugal, distribuída por quase todo o País, nos matos, sebes e campos; 
até 1600 m. Identificação: de 0,10 a 0,30 m de altura. Vivaz, caule 
prostrado, glabro, mole, oco, com folhas frequentemente com bolibilhos 
nos nós inferiores; folhas de um verde intenso, brilhantes, cordiformes,
inteiras, crenadas, nervadas, com compridos pecíolos invaginantes; 
flores amarelo­ brilhantes (Março­Abril), isoladas, pe­

dúnculo comprido, erecto e esbranquiçado, cálice com 3 sépalas verde­
amareladas, corola com 6 a 12 pétalas estreitas com nectários; aquénio, 
tubérculos alongados e intumescidos. Sabor acre e picante. Partes 
utilizadas: tubérculo (após a floração), suco fresco, folhas (antes da 
floração), secagem à sombra.
0 Componentes: óleo essencial, saponósido, vitamina C 0 Propriedades: 
analgésico, anti­inflamatório. U. L, U. E. + Ver: hemorroidas.
Fidalguinhos

Centaurea cyanus L. Locos­dos­jardins, saudades, loios, ambretas,

fidalguinhos­dos­jardins Bras.: escovinha, centáurea­azul, cinerária, 
centáurea,

sultana

Compostas

Os fidalguinhos pertencem ao género Centaurea, do qual apenas algumas 
espécies possuem propriedades medicinais. O nome
do género foi­lhe atribuído em homenagem ao fabuloso centauro Quíron, 
semi­hornem, semicavalo, sábio mestre de Aquiles e muito versado em 
medicina. Muito conhecidas, as suas flores, de um azul­forte, reservam 
frequentemente aos jardineiros a surpresa de se tornarem cor­de­rosa 
quando são cultivadas em canteiros. Esta planta tende a desaparecer 
devido à acção destruidora dos herbicidas.

Segundo a tradição, os fidalguinhos tratam os olhos azuis, enquanto a 
tanchagem é melhor para os olhos castanhos. Não caindo no exagero, é 
certo que a decocção das flores dos fidalguinhos é óptima para fazer 
recuperar a vivacidade e o brilho aos olhos cansados e cura a 
conjuntivite. Esta propriedade é partilhada com uma espécie próxima que 
cresce nas montanhas, a Centaurea montana L.

Habitat: Europa, campos de cereais, solos ricos e leves; em Portugal, 
aparecem subespontâneos nas searas; até 1800 m. Identificação: de O,30 a
O,80 m de altura. Bienal, caele erecto, estriado, ramoso, coberto por 
uma penugem cinzenta; folhas verde­acinzen­ tadas, vilosas­lanuginosas, 
sendo as superiores sésseis, inteiras, estreitas, e as inferiores 
pecioladas e divididas; flores azul­forte (Maio­Setembro), em grandes 
capítulos, com brácteas marginadas de celhas curtas, prateadas, 
tulbulosas, hermafroditas no centro, estéreis e dispostas em raios na 
periferia; aquénio claro,

com papilho curto e duro, de cor ruiva; raiz aprumada e delgada. Sabor 
amargo. Partes utilizadas: a planta inteira, flor, semente (Junho­
Agosto); secagem rápida ao ar livre.
O Componentes: tanino, heterósido, pigmento azul O Propriedades: 
acistringente, depurativo, diurético, emoliente, purgativo. U. L, U. E. 
+ V Ver: cabelo, conjuntivite, edema, gota, ol os, reumatismo, terçolho.
Framboeseiro

Rubus idaeus L.

Rosáceas

O framboeseiro é um arbusto de cuja toiça nascem todos os anos novos 
caules (turiões), os quais dão frutos no decorrer do segundo ano 
morrendo em seguida. Deste modo, é muito possível que, uma vez 
localizado um exemplar espontâneo, se consiga voltar a colher frutos 
regularmente na mesma moita. Existem, actualmente, várias centenas de 
variedades cultivadas, cujos frutos variam da cor vermelho­papoila ao 
branco.

A cultura do framboeseiro remonta à Idade Média, se bem que os nossos 
antepassados pré­históricos já apreciassem o seu fruto delicado.

As framboesas espontâneas, além de constituírem uma agradável sobremesa,
são refrigerantes e laxativas; muito utilizadas, servem frequentemente 
para aromatizar preparações farmacêuticas destinadas às crianças; fazem 
parte da receita de várias bebidas caseiras, como o vinho ou o vinagre, 
xarope ou licores. Confeccionam­se ainda com a framboesa excelentes 
doces e geleias. Como sucede com o morangueiro e as silvas, apenas as 
folhas e as flores desta planta são medicinais, se colhidas aquando da 
floração (Agosto­ Setembro). A secagem das folhas é feita à sombra.

Habitat: hemisfério boreal, florestas de planícies ou de montanhas; de 
400 a 2000 m. Identificação: de 1 a 2 m de altura. Arbusto com toiça que
emite estolhos e turiões bienais; caule azul­esverdeado, lenhoso, erecto
e provido de finos acúleos avermelhados; folhas verde intenso na página 
superior, brancas e tomentosas na inferior, imparipinuladas com 3 a 7 
folíolos dentados; flores brancas (Maio­Julho), pouco visíveis, em 
cacho, pedunculadas, com 5 sépalas separadas, 5 pétalas pequenas, 
erectas, numerosos estames e carpelos; fruto cor­de­rosa­ escuro, 
ovóide, composto de várias drupéolas aveludadas, destacando­se do 
receptáculo; toiça com estolhos subterrâneos. Cheiro agradável e 
penetrante; sabor adocicado e ácido. Partes utilizadas: flores, frutos, 
folhas.
O Componentes: ácido cítrico, vitamina C, açúcar, celulose, sais 
minerais O Propriedades: adstringente, antiescorbútico, aperitivo, 
depurativo, diurético, emenagogo, laxativo, refrescante, sudorífico, 
tónico. U. L, U. E. + o Ver: anginas, astenia, boca, menstruação, 
obstipação, olhos, pele, rim, seio.

160
Freixo

Fraxinus excelsior L.

Freixo­europeu

Oleáceas

O freixo cultivado pertence, como a oliveira, o lilás, o jasmineiro, o 
alfenheiro e o aderno, à família das Oleáceas, q@e é constituída por 
mais de 400 espécies. E uma bela árvore dos climas europeus, devido ao 
seu tronco esbelto, à sua casca branda e acinzentada, aos seus ramos 
frágeis e à sua folhagem graciosa. As folhas são características, isto 
é, dividem­se num número ímpar de folíolos não peciolados, e surgem 
tardiamente, no mês de Junho, muito depois das flores. É necessário 
colhê­las jovens, ainda recobertas pelo revestimento ligeiramente 
aderente e açucarado, e retirar o pecíolo antes de as secar; com as 
folhas prepara­se um chá considerado uma verdadeira bebida de 
rejuvenescimento. A casca e as sementes do freixo são adstringentes e 
febrífugas. Outrora, atribuía­se à sua madeira, aplicada sobre as 
mordeduras de serpente, o poder de evitar o envenenamento.

Eta madeira flexível e resistente serviu durante muito tempo de matéria­
prima para o fabrico de esquis; actualmente, é ainda muito utilizada em 
trabalhos de marcenaria.

Habitat: Europa, excepto na região mediterrânica, bosques húmidos, 
ravinas, solos férteis; em Portugal, existe em quase todas as regiões, 
sendo também cultivado; até 1400 m. Identificação: de 20 a 40 m de 
altura. Arvore; tronco erecto, nu, casca cinzenta e lisa que depois se 
fende, copa pouco fechada, ramos cinzentos, glabros, gemas negras, 
aveludadas, volumosas, quadradas; folhas pecioladas, imparipinuladas, 
com 7 a 15 folíoios sésseis, verde­escuras na página superior, mais 
claras na inferior, ovais e serradas; flores acastanhadas (Abril­Maio), 
em panículas; reduzidas a 1 estigma e 2 estames com anteras quase 
sésseis; sâmara simples, em feixes pendentes; raiz aprumada e robusta. 
lnodoro; amargo. Partes utilizadas: sementes, folhas, seiva, casca dos 
ramos entre 2 e 3 anos (Abril).
O Componentes: heterásidos, açúcares, resina, ácido málico, vitaminas C 
e P, tanino, sais minerais, pigmentos O Propriedades: acistringente, 
diurético, laxativo, sudorífico, tónico. U. I., U. E. + V O Ver: 
celulite, colesterol, dor, envelhecimento, gota, hálito, litíase, 
neviralgia, obesidade, obstipaçã o, reumatismo, ureia.
PLANTAS ESPONTÂNEAS

Fumária

Fumaria officinalis L. Erva­molarinha, erva­pombinha, moleirinha ­Bras.:
fel­da­terra, fumo­da­terra, molarinha, capnóida

Fumariáceas

É possível que o nome da fumária advenha da cor cinzenta e indistinta 
das  suas folhas, do seu sabor a fumo e fuligem     ou ainda da tradição
popular, que atribui o nascimento da planta não a uma semente,      mas 
a uma emanação da terra.

A planta é conhecida desde a Antiguidade devido às suas propriedades 
medicinais: Dioscórides, no século 1, e Galeno, no século li, citam a 
sua acçã o sobre a secreção biliar e a função hepática; no século x, os 
médicos árabes elogiam as virtudes da planta, e Mattioli, no século Xvi,
faz o seu panegí rico como remédio específico para as perturbações das 
vísceras abdominais. Porém, o seu mais importante segredo é que, além da
angélica e do freixo, é um dos simples que torna o homem centenário.

A fumária contém um alcalóide, a fumarina; é aconselhável usá­la sob 
controle médico, pois a sua acção varia com a intensidade e a duração do
tratamento. As folhas, que se partem facilmente durante a secagem, devem
ser guardadas em recipientes de cerâmica ou vidro.

O Evitar o contacto com o ferro. Habitat: Europa, terrenos baldios, 
taludes, campos, bermas dos caminhos; disseminada por quase todo o 
territó rio português; até 1700 m. Identificação: de0,1 5 a0,70 m 
dealtura. Anual, caule verde, frágil, glauco, erecto, ramoso; folhas 
cinzento­esverdeadas, 2­3 vezes divididas em segmentos delgados, 
glabros, peciolados; flores cor­de­rosa maculadas de cor de púrpura 
(Abril­Setembro), pequenas, alongadas, reunidas em epiga, 2 sépalas 
petalóides, pétalas irregulares prolongadas em esporão curto e 6 estames
em 2 feixes; fruto globoso, com vertice deprimido; raiz aprumada, de cor
branco­amarelada. Cheiro acre (suco); sabor muito amargo e salgado. 
Partes utilizadas: planta florida, excepto a raiz (M aio­ Setembro); 
secagem em cam ad as ou ramos. * Componentes: tanino, alcalóides, 
potássio, ácido fumárico O Propriedades: antiescorbútico, aperitivo, 
depurativo, detersivo, diurético, estomáquico, laxativo, tónico. U. L, 
U. E. + V Ver: arteriosclerose, astenia, cura de Primavera, dartro, 
eczema, obesidade, tez, urticária, vesícula biliar.
Funcho

Foeniculum vulgare (Mill.) Caertn.

Umbelíferas

Filho do sol, espontâneo nas colinas mediterrânicas, o funcho expandiu­
se com o decorrer dos séculos para oeste. Encontra­se geralmente nas 
bermas dos caminhos e próximo das povoações.

É uma grande umbelífera elegante e vivaz com largas folhas recortadas em
moles e finas lacínias e com pequenas flores amarelas agrupadas. As suas
características botânicas possibilitam a sua fácil identificação e mesmo
distingui­Ia do aneto, planta afim, cujos frutos são rodeados por uma 
margem alada e cujas folhas superiores estão providas de um limbo mais 
comprido que o pecíolo. Existem diversas variedades espontâneas de 
funcho com frutos ligeiramente doces, apimen tados ou amargos, e uma 
variedade cultivada, muito doce, da qual é comestível a base carnuda das
folhas. 0 perfume aromático e o sabor picante da planta devem­se a uma 
essência rica em anetol, substância estimulante e digestiva, existente 
sobretudo nas sementes. A sua utilização tornou­se clássica para 
aromatizar o peixe, as castanhas e as azeitonas. Nos textos da medicina 
antiga é citado como curativo.

0 Sementes: não ultrapassar as doses. Habitat: Europa Meridional, 
terrenos baldios, colinas secas; em Portugal, cresce especialmente nas 
regiõ es do Norte e Centro. Identificação: de 0,80 a 2 m de altura. 
Vivaz, caule ramoso, verde com estrias azuis, brilhante, compacto; 
folhas verde­ azul ado­ escuras, brilhantes, com bainha muito comprida e
limbo curto, divididas em lacínias filiformes; flores amarelas (Junho­
Agosto), pequenas, com grandes umbelas terminais; fruto cinzento­escuro,
fusiforme, estriado, glabro, 2 estiletes curtos; bainhas da base 
carnudas sobre uma toiça

grossa, lenhosa, vigorosa. Cheiro aromático; picante e amargo. Partes 
utilizadas: folhas frescas, raiz (fim do primeiro ano); frutos 
(Setembro­ Outubro). * Componentes: óleo essencial, sais minerais, 
provitamina A, vitaminas B e C 0 Propriedades: antiespasmódico, 
aperitivo, digestivo, emenagogo, expectorante, galactagogo, tónico, 
vermífugo, vulnerário. U. I., U. E. + o Ver: abcesso, aerofagia, 
bronquite,, diarreia, fadiga, frigidez, impotência, lactação, 
meteorismo, obesidade, olhos, rouquidão, tosse.
163
Funcho­marÍtimo

Crithmum maritimum L.

Perrexil­do­mar, funcho­marinho, funcho­do­mar,

bacila

Umbelíferas

O funcho­marítimo é uma pequena planta de caule estriado e carnudo cuja 
raiz penetra nas mais pequenas fendas dos rochedos, podendo atingir 5 m 
de comprimento. Necessita de grandes quantidades de humidade, ambientes 
salgados, bem como da suavidade dos climas marítimos, oceânicos ou 
mediterrânicos.

As suas folhas carnudas, espessas e brilhantes são utilizadas para fins 
medicinais; devem ingerir­se cruas para melhor beneficiar das suas 
acções aperitiva, tónica e antiescorbútica; porém, se os efeitos 
desejados são o depurativo e o diurético, a preparação mais indicada é o
infuso da planta fresca. No entanto, é mais agradável utilizar as folhas
deste funcho marinadas em vinagre e confeccionadas como os pepinos. Após
a

preparação, os boiões devem ser hermeticamente rolhados e conservados em
lugar seco. No século xix, comercializavam­se estas folhas em algumas 
aldeias mediterrânicas; os marinheiros levavam­nas para bordo, pois 
apreciavam o sabor ligeiramente amargo e salgado, mas extremamente 
agradável, do funcho.

Habitat: costas rochosas, ao alcance da brisa marítima; frequente sobre 
os rochedos de toda a costa portuguesa. Identificação: de O,20 a O,50 m 
de altura. Vivaz, caule prostrado ou ascendente, estriado e em 
ziguezague; folhas glaucas, difusas, carnudas, espessas, brilhantes, 
glabras, bi ou tripinuladas em folíolos lineares, erectas, pontiagudas; 
flores branco­esverdeadas (Julho­Outubro), em umbelas com peclúnculo 
curto, com 10 a 20 raios grossos, invólucro e involucelos com numerosas 
brácteas lanceoladas, pétalas arredondadas; fruto volumoso ovóide, 
esponjoso,

assinalado por 10 costas salientes e aquilhadas. Cheiro ligeiramente 
aromático; sabor amargo e salgado. Partes utilizadas: folhas. * 
Componentes: essência, óleo, sais minerais, iodo, bromo, vitamina C e 
Propriedades: antiescorbútico, aperitivo, depurativo, diurético, tónico.
U. L, U. E. Ver: apetite, escorbuto, obesidade, parasitose.
Galega

Galega officinalis L. Caprária, falso­anil

Leguminosas

O género Galega é constituído na sua totalidade por cerca de uma dezena 
de espécies cuja maioria se desenvolve na Europa e no Oriente; nas regiõ
es temperadas, apenas a

Galega offici,nalis se encontra no estado espontâneo. E uma bela planta 
vivaz, com

caule vigoroso, que forma volumosos maciços nos prados sombrios ou no 
fundo dos vales quentes, húmidos e bem abrigados. Os seus grandes cachos
floridos, ainda mais desenvolvidos do que as folhas muito recortadas, 
são cor­de­rosa, cor de malva ou azul­claros.

Desconhecida na Antiguidade, a galega parece ter sido utilizada no 
século xVI como remédio para diversas afecções; porém, os

resultados pouco concludentes da sua aplicação conduziram ao seu quase 
total descrédito. No entanto, um estudo sistemático empreendido no 
início do século XX detectou a sua acção estimulante sobre a glândula 
mamária e a secreção láctica, bem como o

efeito hipoglicemiante das suas sementes. Actualmente, a galega é 
utilizada racionalmente durante o aleitamento e mostra­se eficaz na 
redução do teor de açúcar nos diabéticos. Com a continuação, a planta 
provoca uma aversão difícil de superar.

O Não utilizar nenhuma parte da planta fresca, secar previamente. 
Habitat: Sudeste da Europa, solos profundos e húmidos; espontânea em 
Portugal, nas lezírias e locais húmidos do Centro e Sul; até 1000 m. 
Identificação: de O,50 a 1 m de altura. Vivaz, caule herbáceo, erecto, 
glabro, oco, tornando­se muito duro nas moitas; flores glabras, 
imparipinuladas, com 11 a 19 folíolos providos de uma pequena ponta fina
(mucromados), estípuIas livres e pontiagudas; flores azuladas ou, mais 
raramente, brancas (Junho­Agosto), em grandes cachos pedunculados na 
axila das folhas, cálice com 5 dentes finos, estandarte e quilha 
ultrapassando as asas; vagem muito estreita, com 2 a 3 cm de 
comprimento, estriada obliquamente e glabra; rizoma vigoroso. Cheiro 
aromático e desagradável; sabor doce, tornando­se acre. Partes 
utilizadas: planta florida seca, sementes (Ju lho­ Setembro). * 
Componentes: derivados flavónicos, alcalóide, vitamina C O Propriedades:
diurético, galactagogo, hipoglicemiante, sudorífico. U. 1. + o Ver: 
diabetes, lactação.
Galeopse

Galeopsis dubia Leers

Labiadas

O termo Galeopsis deriva das palavras gregas gale, lontra, e opsis, 
aspecto. Os povos antigos denominaram assim várias labiadas em cuja 
corola com dois lábios viam semelhanças com a boca aberta do pequeno 
carnívoro. Existem seis espécies do género Galeopsis na flora europeia. 
Todas elas são plantas anuais com flores cor­de­rosa ou cor de púrpura, 
por vezes amarelas e matizadas de branco, vermelho ou cor de violeta. A 
Galeopsis dubia Leers, uma das mais vulgares, reconhece­se pelo caule 
pubescente, que não apresenta intumescências ao nível dos nós, pelas 
folhas dentadas, sedosas e aveludadas, especialmente na página inferior,
e pela grande corola amarela manchada de verme­ lho no lábio inferior. A
espécie que mais se lhe assemelha é a Galeopsis ladanum L., cujo caule é
quadrangular e cujas folhas são estreitas e glabras. Uma outra espécie 
muito conhecida é a Galeopsis tetrahit L.; as suas corolas cor­de­rosa 
ultrapassam, por vezes, os cálices com dentes epinescentes, e o caule 
apresenta intumescências nos nós. Todas as galeopses possuem uma acção 
antianémica, remineralizante e acistringente, associada ao seu elevado 
conteúdo em sílica e tanino.

Habitat: Europa Ocidental e Central, solos siliciosos; a Galeopsis 
tetrahit L. surge em Portugal em algumas regiões      elevadas, 
especialmente no Minho; até 1300    m. Identificação: de O,10 a    O,50 
m de altura. Anual, caule pubescente,    com pequenos ramos ascendentes;
folhas opostas, pecioladas, lanceoladas, serradas, sedosas, com nervuras
muito salientes e próximas; flores amarelo­claras ou rosadas (Julho­
Outubro), em verticilos pouco densos, grandes, erectas, cálice 
aveludado, com 5 dentes espinescentes quase iguais, corola tubulosa 3 a 
4 vezes maior que

o cálice, lábio superior convexo ligeiramente abobadado, sendo o 
inferior provido de 2 dentes erectos. Cheiro intenso e pouco agradável. 
Partes utilizadas: planta florida seca (Julho­Outubro); a conservação 
dura no máximo 1 ano.
O Componentes: sílica, tanino, saponósidos O Propriedades: 
acistringente, antianémico, expectorante, remi n eralizante. U. 1. + 
Ver: anemia, bronquite.
Gatunha

ono@lis spinosa L. Unha­gata, resta­bOi, rilha­boi, gatinha

Leguminosas

A espécie O. spinosa é multiforme e agrupa@ pelo menos, seis 
subespécies, algumas das quais são desprovidas de espinhos. Esta planta 
cresce especialmente nas pastagens, nos taludes, nas encostas, nos 
diques marítimos, nos carreiros e nos terrenos incultos. Nas regiões 
alpinas e mediterrânicas, encontraril­se as outras subespécies. A 
gatunha é muito apreciada pelos burros, pelo que foi denominada Ononis, 
palavra que deriva do

grego onos, burro, e onimêmi, ser útil. Misturada com o feno seco, os 
seus espinhos ferem as mucosas da boca dos animais, Impedindo­os de 
pastar; as suas raizes, profundas e resistentes, bloqueiam as charruas, 
interrompendo o trabalho dos bois. Por esta , a planta é conhecida pelo 
nome de razão                      bois de trabalho resta­boi, se bem 
que os tenham praticamente desaparecido.     go do

Dioscórides, célebre botânico gre século i, escreveu a propósito da 
gatunha: *A

da raiz macerada em vinho aumenta as casca urinas, reduz as areias e 
limpa as margens das úlceras.+ Na Idade Média e no Renascimento, a 
gatunha foi também muito utilizada.
O pólen das suas flores é muito apreciado pelas abelhas.

Habitat: quase toda a Europa; preferentemente em solos argilo­calcários,
campos, planícies de montanha, encostas, Pastos áridos, bermas

dos caminhos e aeais  marítimos; frequente em

Portugal; até 1500 m  a O 80 m de altura SuIdentificação: de O,10    
­­barbusto; planta lenhosa na base; caules Prostrados ascendentes, 
ramosos, culos ramos

abortados se transformam em espinhos, que são geralmente geminadoS; 
folhas tdfoliadas, monofoliadas no cimo dos ramos; flores cor ­de­rosa 
(Abril­Setembro), isoladas na axila das folhas; vagem ovóide, Cheiro 
desagradável.

Partes utilizadas: flores, folhas, raiz (todo o

ano).                                 >do, hete­
9 Componentes: tanino    > resina, ami

rósidos anonina, onocol O propriedades: adstringen@e, anti­séptico, 
depuratiVO, diuréticO, sudorífico. W., U.E. Ver: anginas, cistite, 
eczerna, ederna, litíase.
Genciana

Gentiana lutea L.

Genciana­das­farmácias, argençana, argençana­dos­pastores, genciana­
amareia,

grande­genciana Bras.: genciana­dos­jardins

Gencianáceas

Afamília das Gencianáceas compreende várias centenas de espécies de 
Gentiana, das quais apenas cerca de 20 crescem na Europa. Crê­se que 
deve o nome a Gentius, rei da Ilíria, que, segundo a lenda, no século ti
a. C., teria revelado a acção benéfica da planta.

Esta genciana, uma das mais belas, é uma grande planta vivaz dos prados 
e das pastagens de alta montanha que cresce muito lentamente, dá a 
primeira flor aos 10 anos e pode viver cerca de 60, produzindo apenas, 
de 4 em 4 ou mesmo de 8 em 8 anos, um novo caule floral. É necessária 
uma extrema atenção, pois próximo da genciana, com folhas glabras e 
opostas, cresce uma liliácea Multo tóxica, o heléboro­branco, com as 
folhas alternas e vilosas na página inferior; é mais fácil distingui­Ias
na época da floração, pois as flores do heléboro são brancas. As suas 
propriedades medicinais, conhecidas desde tempos muito antigos, têm sido
consecutivamente confirmadas; a raiz seca (Setei­nbro­Novembro) é um 
poderoso febrífugo e um excelente estimulante das funções do aparelho 
digestivo.

O Não ultrapassar as doses indicadas ou o período recomendado para o 
tratamento. Habitat: Europa Central e Meridional, prados, pastagens; 
muito rara em Portugal, pode encontrar­se na serra da Estreia; de 700 a 
2400 m. Identificação: de O,50 a 1,30 m de altura. Vivaz, caule glauco, 
erecto, simples e oco; folhas verdes, opostas, largas e ovais, 
amplexicaules, com 5 a 7 nervuras convergentes; flores amarelas (Junho­
Agosto), pedunculadas, em grupos de 3 a 10 na axila das folhas, corola 
dividida em 5 a 9 lóbulos estreitos, abertos, cálice membranoso e 
estames com anteras vermelhas; cápsula ovóide, abrindo­se em 2 valvas, 
numerosas sementes aladas; raiz aprumada, robusta, comprida, ramificada,
amarela com casca cinzenta e enrugada longitudinalmente. Cheiro intenso 
e acre; sabor muito amargo. Partes utilizadas: raiz seca.
O Componentes: essência, alcalóide, pigmento, vitamina C, pectina, 
heterósidos amargos O Propriedades: aperitivo, estomáquico, febrífugo, 
tónico, vermífugo. U. I., U. E. + V O Ver: anemia, apetite, astenia, 
convalescença, digestão, fadiga, magreza, parasitose, sarda.

168
PLANTAS ESPONTÂNEAS

Giesteira­das­vassouras

Cytisus scoparius (L.) Link Giesta, giesta­ribeirinha, giesta­brava, 
giesteira­comum, retama, chamiça, maias

Bras.: codes so­ bastardo

Leguminosas

Para utilizar a giesteira­das­vassouras em aplicações medicinais, é 
indispensável saber identificá­la com exactidão. Para tanto é necessário
saber distingui­Ia de três plantas que pertencem à mesma família: são 
a,giesteira­de­espanha, o codesso­bastardo e o tojo­arnal, todos três 
tóxicos, embora em graus diferentes. Alguns pormenores, no entanto, 
permitem a sua distinção: as folhas do tojo (Ulex europaeus L.) são 
pontiagudas, o cálice das flores é bilabiado até à base, sendo o 
superior bifendido e o inferior trifendido; as folhas do codesso 
(Laburnum anagyroides Med.), descrito na p. 125, formam tufos na 
extremidade de compridos pecíolos e os cachos das flores são pendentes; 
a giesteira­de­espanha (Spartium junceum L.) dá pequenos ramos glaucos 
cilíndricos praticamente sem folhas e as vagens são desprovidas de 
pêlos.

A giesteira­das­vassouras não é totalmente inofensiva, pelo que apenas 
as flores ainda em botão podem ser ingeridas. As sumidades floridas 
fornecem à indústria farmacêutica a esparteína, substância tonicardíaca,
vasoconstritora e diurética, utilizada em medicina.

G Utilizar apenas as flores em botão antes do desabrochar. Não exceder 
as doses indicadas, Habitat: Europa, solos não calcários ou 
descalcificados; quase todo o País; até 500 m. Identificação: de O,60 a 
2 m de altura. Arbusto; caiWe verde, erecto, anguloso, estriado 
longitudinalmente, rijo, com ramos consistentes e flexíveis, folhas 
caducas, estipuladas, pequenas, pecioladas, trifoliadas, sendo as 
superiores sésseis e simples; flores amarelo­douradas (Maio­Junho), 
grandes, cálice glabro com 2 lábios curtos, corola papilionácea, 
estandarte largo, quilha pendente, 10 estames diadelfos;

vagem achatada, preta, hirsuta no bordo, com uma dúzia de sementes 
castanhas. Cheiro suave. Partes utilizadas: flores em botão, ramos 
jovens; secagem em forno tépido.
O Componentes: pigmentos flavónicos, alcaJóides, entre os quais a 
esparteína, sais minerais, óleo essencial O Propriedades: cardiotónico, 
depurativo, diurético, hipertensor, vasoconstritor. U. I., U. E. + in 
Ver: abcesso, albuminúria, edema, fígado, gota, hipotensão, litíase, 
mordedura, reumatismo, rim.
Gilbarbeira

Ruscus aculeatus L.

Gilbardeira, erva­dos­vasculhos, azevinho­rnenor

Liflúceas

Nas matas desoladas, distinguem­se ao longe, no Inverno, as manchas 
sombrias e brilhantes da gilbarbeira, animadas pelo vermelho intenso dos
seus frutos. É um arbusto vivaz que forma moitas espessas, 
frequentemente impenetráveis devido à rigidez dos seus ramos axilares 
foliáceos e espinhosos, em cujo centro se implantam as flores, aos quais
os botânicos chamaram cladódios. A planta adapta­se facilmente à aridez,
aos

solos calcários e pobres, não resistindo, porém, ao frio intenso.

A utilização medicinal da gilbarbeira já era conhecida de Dioscórides, 
que a denominava Ruscus. Os médicos clássicos, e também os 
fitoterapeutas, aproveitam as

propriedades terapêuticas da planta utilizando as folhas e especialmente
o rizoma. Este, oblíquo e nodoso, exala um cheiro pouco intenso a 
terebintina. É diurético, febrífugo e extremamente estimulante para o 
sistema venoso, sobre o qual exerce um efeito tónico ainda mais enérgico
que o do castanheiro­da­índia. Utiliza­se ainda na preparação do xarope 
das cinco raízes, do qual fazem parte também funcho, aipo, espargo e 
salsa.

Habitat: Europa Central e Meridional, solos calcários, bosques; em 
Portugal, cresce espontaneamente em quase todo o território; até 700 m. 
Identificação: de O,30 a O,90 m de altura. Arbusto; caule verde, erecto,
glabro, densamente provido de ramos foliáceos (cladódios) na 
extremidade, com folhas verde­escuras, coriáceas, alternas, sésseis, 
ovais, espinescentes; flores violáceas ou esverdeadas (Setembro­Abril), 
muito pequenas, de 1 a 2 na axila de uma pequena bráctea, situada no 
centro dos claciódios, dióicas, 3 sépalas, 3 pétalas livres e 
persistentes; flores masculinas com 3 estames

e femininas com 1 ovário de 3 lóculos; baga redonda, vermelha, com 1 a 2
volumosas sementes amarelas; rizoma oblíquo, rastejante, branco­
acinzentado, nodoso, guarnecido de raizes acastanhadas. Cheiro pouco 
intenso a terebintina; sabor adocicado e depois amargo. Partes 
utilizadas: rizoma e raiz (Outono), folhas.
O Componentes: óleo essencial, resina, saponósido, cálcio, potássio O 
Propriedades: aperitivo, diurético, febrífugo, vasoconstritor. U . I., 
U. E. + Ver: edema, flebite, gota, hemorróidas, icterícia, litíase, 
menopausa, varizes.
Globulária

Globularia vulgaris L.

Globulária­vulgar

Globulariáceas

Existem nas regiões europeias cerca de 15 espécies de globulárias, assim
denominadas devido às suas graciosas inflorescências em forma de globo 
azul. São plantas vivazes, com caules curtos e folhas glabras. De entre 
elas é útil saber identificar duas: a globulária­vulgar e a Globularia 
alypum L.; ambas dão flor de um azul forte, sendo no entanto plantas 
bastante diferentes do ponto de vista botânico. Porém, as suas 
propriedades medicinais são análogas, se bem que mais desenvolvidas e 
suaves no caso da primeira. A globulária­vulgar é uma planta herbácea 
cujo caule floresce entre Abril e Junho e se ergue no centro de uma 
roseta de folhas basilares de cor verde matizadas de vermelho.
O caule está envolvido por minúsculas folhas pontiagudas, apresentando 
na extremidade superior um capítulo azul característico do género. 
Prefere os solos calcários e áridos. A extensão geográfica da Globularia
alypum L., pelo contrário, é muito mais limitada: este pequeno arbusto 
encontra­se mais frequentemente nos rochedos mediterrimicos. As suas 
folhas, esparsas e mucronadas, persistem durante os meses frios e as 
flores, azuis, desabrocham no Inverno e na Primavera.

Foi erradamente denominada pelos povos antigos erva terrível, pois 
confundiam­na com uma outra planta com acção purgativa violenta, a 
Globularia turbith. A Globularia alypum L. é, todavia, muito menos 
activa que o sene, mas mais que a globulária­vulgar. Ao utilizá­la, é 
conveniente dosear moderadamente as preparações.

O Não exceder as doses indicadas. Habitat: Europa Central e Meridional, 
solos estéreis, calcários e rochedos; em Portugal, encontra­se na regiã 
o de Miranda do Douro; até 1500 m. Identificação: de O,05 a O,30 m de 
altura. Vivaz, caule floral erecto e simples, folhas verdes, em roseta, 
pecioladas, ovais, espatuiadas, chanfradas no vértice, sendo as 
caulinares numerosas, sésseis, pequenas, ovais ou lanceoladas; flores de
cor azul forte (Abril­Junho) em pequenos capítulos esféricos, terminais,
solitários, cálice hirsuto com 5 divisões, corola

tulbulosa com 3 divisões compridas e 2 curtas e 4 estames desiguais; 
aquénio incluso no cálice, 1 láculo e 1 semente; raiz aprumada, 
ligeiramente lenhosa. Cheiro intenso; sabor acre e muito amargo. Partes 
utilizadas: folhas.
O Componentes, heterósidos, tanino, resina, vitamina C O Propriedades: 
colagogo, estomáquico, purgativo, sudorífico. U. 1. Ver: obstipação.

171
Goiveiro­amarelo

Cheiranthus cheiri L.

Goivo­arnarelo

Crucíferas

O goiveiro­amarelo atapeta durante todo o
Inverno os cunhais dos velhos muros, e a partir do mês de Março surgem 
as suas flores douradas anunciando a Primavera. Muito abertas, as suas 
discretas corolas desenvolvem­se em cachos amarelos no cimo do caule, 
acinzentado, inteiramente revestido de finas folhas cinzentas. A partir 
desta espécie, os jardineiros obtiveram variedades com Ilores dobradas, 
muito ornamentais. O goiveiro espontâneo pode viver dois anos, devido às
gemas situadas na base dos seus numerosos caules lenhosos.

Se bem que muito utilizada na Grécia antiga e ainda pelos médicos árabes
como detersivo e emenagogo, supõe­se que a planta esperou séculos antes 
de encontrar o seu justo lugar na fitoterapia. Efectivamente, só no

limiar do século XX a análise química detectou a existência de uma 
substância cardiotó­ nica, a cheirotoxina, nas sementes, nas folhas e em
menor quantidade nas flores da planta. A presença desta substância impõe
a

maior prudência no consumo do goiveiro­amarelo, pelo que, excepto por 
receita médica, só devem ser utilizadas as flores.

O Conservar a planta ao abrigo da luz; não exceder as doses indicadas. 
Habitat: Europa Meridional e Central, solos áridos, muros, proximidades 
de casas; subespontâneo de norte a sul de Portugal, sendo também 
cultivado como planta ornamental; até 600 m. Identificação: de O,20 a 
O,60 m de altura. Bienal, caules angulosos, numerosos, cobertos de 
folhas com pêlos prostrados e ligeiramente lenhosos na base; folhas 
oval­ lan ceoladas, inteiras, verde­acinzentadas e vilosas com pêlos 
bipartidos; flores amarelas ou amarelo­alaranjadas a castanho (Março­
Junho), grandes

(2­5 cm), em cachos cimeiros, cálice com 4

sépalas verdes, erectas, livres, corola com 4 pétalas, 6 estames, dos 
quais 2 laterais mais curtos, com filete livre, estigma com 2 lóbulos 
arredondados; síliqua erecta, tetragonal, contendo sementes castanhas 
aladas. Cheiro suave e aromático; sabor picante. Partes utilizadas: 
sumidades floridas e frutos.
O Componentes: heterósido sulfurado, heterósidos cardiotónicos, vitamina
C * Propriedades: cardiotónico, diurético. U. 1. o Ver: diurese.

172
Golfões

ti) Nymphaea alba L, b) Nuphar luteum (L.) S. et Sm. a) GolTão­branco, 
golfo­branco, boleira, boleira­branca, lis­dos­tanques, nenúfar b) 
Golfão­amareio, golfo­amarelo, boleira­amarela

Ninfeáceas

As lindas flores brancas ou amarelas dos golfões que surgem à superfície
das águas dos lagos de quase todos os parques públicos são de extrema 
beleza. Embora pertencendo a dois géneros diferentes, Nymphaea e Nuphar,
têm propriedades comuns. Plantas de águas estagnadas de charcos e lagos,
o seu rizoma está mergulhado no lodo, sendo os pecíolos e os pedúnculos 
suficientemente compridos para que as folhas e as flores permaneçam à 
superfície das águas; as outras folhas, translúcidas, estão imersas e 
desaparecem durante o Verão. A palavra Nymphaea deriva de ninfas, 
divindades das águas; Nuphar, nenúfar, deriva de ninufar, o nome da 
planta em árabe. Os Turcos recolhem as flores do N. luteum na época da 
fioração, e com elas preparam uma bebida gelada a que chamam pufer. Os 
médicos da Antiguidade e da Idade Média deram muita importância à 
virtude anafrodisíaca do *golfão, amante da mansão húmida, destruidor 
dos prazeres e veneno do amor+. Mais tarde, ridicularizou­se este 
conceito; porém, actualmente, a maioria dos fitoterapeutas adoptou esta 
opinião, confirmada pelos estudos de Delphant e Balansard.

Habitat: Europa, charcos, lagos, ribeiras, águas paradas ou de corrente 
muito fraca; ambos são frequentes nas águas estagnadas desde o Minho ao 
Alentejo; (i) até 800 m, b) até 1100 m. Identificação: altura segundo a 
profundidade da água. Vivazes, aquáticas, caule subterrâneo, pecíolos 
muito compridos e cilíndricos; folhas cordiformes, abertas à superfície 
da água, carnudas, cerosas, de 10 a 30 cm; flores: ti) flor branca 
(Junho­Agosto), diâmetro de 10 a 12 cm,
4 sépalas curtas e verdes na parte superior; b) flor amarela (Abri I­ 
Setembro), muito aromática, de 3 a 7 cm de diâmetro, 5 sépalas grandes,

arredondadas, verdes na parte externa; fruto carnudo, indeiscente, 
maturescente: ti) no fundo, b) à superfície com numerosas sementes; 
rizomas mergulhados no lodo. Cheiro: b) intenso (flor). Partes 
utilizadas: a) flor (Junho­Agosto), rizoma; b) rizoma.
O Componentes: tanino, alcalóides O Propriedades: antiespasmódico, 
sedativo; b) antibiótico. U I., U. E.     LvJ Ver: acne rosácea, cabelo,
leucorreia, nervosismo, pele, sono, tosse.

173
Graciosa

Gratiola officinalis L. Gracíola, cinifólio, erva­do­pobre, pequena­
dedaleira

Escrofulariáceas

A graciosa é uma pequena planta vivaz cujo caule mergulha nas valas 
sombrias, onde aparece juntamente com grandes herbáceas, e também nos 
canaviais das margens dos pântanos.

É uma das muitas plantas espontâneas que devem ser utilizadas com 
prudência. Efectivamente, é um remédio muito violento, eficaz, mas 
perigoso, que em doses excessivas pode provocar envenenamentos mortais; 
não obstante, fazia outrora parte do arsenal farmacêutico com o nome de 
graç a­de­deus, indicativo de quanto era apreciada. No entanto, supõe­se
que nos séculos XVI e XVII, época áurea das sangrias, dos clisteres e 
das purgas, a planta tenha sido de algum modo responsável pela morte de 
um certo número de infelizes pacientes.

Nos meios rurais, a graciosa é conhecida por erva­do­pobre, pois outrora
apenas os pobres a utilizavam, por não poderem adquirir remédios mais 
caros. A graciosa, que, como as dedaleiras, pertence à família das 
Escrofulariáceas, contém substâncias que actuam sobre o coração.

O Utilizar apenas a planta seca; não ultrapassar as doses prescritas. 
Habitat: Europa Central e Meridional, à beira de águas paradas, costas, 
prados húmidos; em Portugal, surge nas margens dos rios e valas, 
sobretudo a norte do Teio; até 1500 m. Identificação: de O,20 a O,50 m 
de altura. Vivaz, caule erecto, oco, cilíndrico na base e anguloso no 
vértice; folhas verdes, opostas, sésseis, lanceoladas, mais ou menos 
serrilhadas, com 3 a 5 nervuras divergentes; flores amareladas, cor de 
maiva ou rosadas (Junho­Setembro), isoladas na axila das folhas, cálice

com 5 dentes, provido de 2 brácteas estreitas, corola vilosa no 
interior, lábio superior com 2 lóbulos e inferior com 3 lóbulos, 4 
estames; cápsula com 2 lóculos e numerosas sementes; rizoma estolhoso, 
rastejante e carnudo. Cheiro nauseabundo; sabor acre e amargo. Partes 
utilizadas: planta florida seca (Julho); secagem em estufa a 60'C.
O Componentes: heterásidos cardiotónicos O Propriedades: cardiotónico, 
diurético, emético, purgativo. ILI. I., U. E. + Ver: edema, intestino, 
úlcera cutânea.
PLANTAS ESPONTÂNEAS
GRAMA­FRANCESA *//* REFAZER todo o início da página, manualmente 
Habitat: todos os terrenos; até 2000 m. Identificação: de O,40 a 1,20 m 
de altura. Vivaz, caule rizomatoso, duro, glabro; folhas de um verde 
intenso e um verde­azulado, estreitas, planas, com nervuras, ásperas na 
página superior; longas espigas verde­claras, formadas por espiguetas 
sésseis, imbricadas, em 2 filas, alternas; flores verdes (Junho­
Setembro), de 4 a 6 por espigueta, cada uma delas encerrada no conjunto 
de 2 glumas, com 5 a 7 nervuras e de 2 glumelas e 3 estames; cariopse 
obionga, com vértice viloso, indeiscente; longos rizomas rastejantesÁ 
GRACIOSAPLANTA A SEGUIR , de cor branco­amarelada, coriáceos, providos 
de nós com raizes adventicias. Sabor adocicado. Partes utilizadas: suco 
da planta inteira, rizoma (Março­Abril ou Setembro­Outubro); lavar, 
secar ao sol e pequeno período de conservação.
O Componentes: sais minerais, óleo essencial, triticina (polissacárido, 
mucilaginoso) O Propriedades: depurativo, diurético, emoliente, 
suavizante. U. L, U. E. + kri Ver: celulite, cistite, eczema, icterícia,
litíase, menopausa, obstipação, rim.
PLANTAS ESPONTÂNEAS
GRANZA *//* REFAZER A PLANTA ANTES DA GROSELHEIRA ESPINHOSA

contido na raiz provocou a queda da sua

comercialização. Desde então, a planta deixou de ser cultivada, 
tornando­se progressivamente espontânea e difundindo­se por quase toda a
Europa.

Muito semelhante à granza devido à sua

acção medicinal, encontra­se nas regiões mediterrânicas uma planta 
próxima, a granza­brava, ou Rubia peregrina L., cujas folhas, providas 
de uma só nervura, persistem durante o Inverno. O conhecimento das 
virtudes medicinais da granza remonta à época de Hipócrates, que 
considerava a sua raiz diurética. Os Árabes utilizam­na actualmente para
facilitar o parto.

Habitat: Europa Meridional, subespontânea em França, solos calcários; a 
Rubia peregrina L. existe em quase todo o território português com os 
nomes de raspa­língua, ruiva­brava ou granza­brava; até 1000 m. 
Identificação: de O,60 a 1 m de altura. Vivaz, caule vermelho­
acastanhado, trepador, ramoso, quadrangular e provido nos ângulos de 
acúleos; folhas verticiladas em grupos de 6, gran­ des, lanceoladas, 
aculeadas nos bordos e na nervura central, nervuras secundárias formando
uma rede aparente; flores amarelas (Junho­Agosto), pequenas, dispostas 
em cimeira na

axila das folhas e na extremidade dos ramos, cálice com 5 dentes, corola
com 5 pétalas soldadas na base, 5 estames e 2 carpelos; baga 
arredondada, preta, do tamanho de uma ervilha; parte subterrânea, 
rastejante, vermelha, desprovida de renovos. Cheiro a losna; sabor acre.
Partes utilizadas: raiz.
O Componentes: heterásidos antraquinónicos
O Propriedades: acistringente, aperitivo, colerético, diurético, 
emenagogo, laxativo, tónico. U. 1. + Ver: menstruação, obstipação, 
parto, rim.
Groselheira­espiM

Ribes uva­crispa L.

Saxifragáceas

Jehan Froissart, nos alvores do século XV, falava já na *groselheira­
espinhosa+ e, efectivamente, a Ribes uva­crispa L. é a única planta 
desta espécie que possui espinhos. Outrora, na Suécia chamavam­lhe Rips 
e na Dinamarca Ribs, sendo a partir destas designações que, em 1584, lhe
foi atribuído o nome de género, Ribes. Arbusto de origem setentrional, 
inexistente na bacia mediterrânica, foi ignorado pelos gregos antigos. 

muito tempo que os horticultores diligenciam multiplicar as variedades 
hortícolas da planta. Assim, conseguiram obter frutos progressivamente 
maiores. Existe mesmo uma variedade denominada monstruosa com groselhas 
tão volumosas como as ameixas. É evidente que os frutos da planta 
espontânea são muito mais pequenos, aproximadamente do tamanho de uma 
ervilha. Devem procurar­se em Junho e Julho nos bosques, nas sebes e 
mesmo nas árvores ocas. Consomem­se frescos ou em sumo aquando de uma 
cura de Primavera. Podem ainda ser utilizados na preparação de óptimas 
geleias e compotas. Quando verdes, servem para confeccionar um molho 
muito apreciado para acompanhar cavalas. No entanto, a ingestão de bagas
não maduras é pouco aconselhável, pois podem provocar graves 
perturbações.

G Ingerir as bagas muito maduras. Habitat: Europa, rara na região 
mediterrânica, florestas, matas, sebes; até 1800 m. Identificação: de 
O,60 a 1,50 m de altura. Subarbusto; caule e ramos acinzentados e 
espinhosos; folhas largas, palmadas, com 3 a 5 lóbulos serrados, 
arredondados, que nascem na axila de espinhos tripartidos; flores 
esverdeadas ou avermelhadas (Março­Maio), solitárias, ou geminadas, ou 
em grupos de 3, cálice com sépaIas avermelhadas, corola com pétalas mais
pequenas que as sépalas, branco­amareladas,
5 estames; baga ovóicie, amarei o­ averm elh ada,

eriçada de Pêlos, contendo várias sementes; rizoma estolhoso. Sabor doce
(fruto). Partes utilizadas: folhas, raizes, frutos; secar em estufa e 
conservar em caixas.
O Componentes: sais minerais, vitaminas B e C, ácidos, glúcidos, 
lípidos, celulose, provitamina A O Propriedades: acistringente, 
aperitivo, depurativo, digestivo, diurético, laxativo, remi n 
eralizante. ILI. I., U. E. Ver: albuminúria, apetite, convalescença, 
cura de Primavera, diarréia, ferida, obesidade, obstipação, sede.

177
PLANTAS ESPONTÂNEAS

Groselheira­vermelha *//* REFAZER

Ribes rubrum L.

Groselheira­comum, groselheira­rubra,

groselheira­dos­cachos

Saxifragáceas

Pequeno arbusto desprovido de espinho com casca cinzento­clara, prefere 
os bo ques frescos. As groselhas vermelhas am

durecem geralmente nos fins de Junho, i dia de S. João, pelo que o seu 
nome popul na Alemanha é Johannisbeere, isto é, bag ­de­são­joão. São 
inúmeras as suas virtudi medicinais, conhecidas desde o século x'v 
Depurativas e refrescantes, podem, alé disso, ser consumidas pelos 
diabéticos, doe tes a quem são proibidos frutos muito doce Se forem 
secas num forno, conservam­: optimamente, podendo assim servir de bas no
Inverno, a infusões digestivas de agrad vel sabor. A geleia crua é uma 
iguaria de] ciosa e pouco vulgar que conserva qualid des idênticas às do
sumo fresco e que prepara do seguinte modo: esmagar suav

mente as groselhas vermelhas com um ga to, de modo a manter as sementes 
inteira peneirar e adicionar ao sumo obtido un quantidade de açúcar 
igual ao dobro do s( peso; colocar em boiões. No dia seguint, fechar 
hermeticamente; esta geleia deve s consumida rapidamente.

Habitat: Europa Continental e Setentrional; bosques frescos, abrigados, 
sebes e moitas; planta melífera cultivada em Portugal, embora com pouca 
frequência; até 2000 m. Identificação: de 1 a 1,50 m de altura. Arbusto;
caule desprovido de espinhos, casca cinzenta rasgada em lacínias nos 
troncos velhos; grandes folhas alternas, pubescentes na página inferior,
palmadas, com 5 lóbulos serrados, pecioladas e caducas; flores amarelo­
esverdeadas (Abril­Maio), em cachos pendentes, hermafroditas, cálice com
sépalas esverdeadas ou castanho­avermelhadas e com o dobro do

tamanho das pétalas; cachos com pequenas bagas vermelhas, brilhantes, de
polpa suculenta e contendo várias sementes; rizoma estolhoso. Cheiro 
suave; sabor ligeiramente ácido. Partes utilizadas: frutos (Julho­
Agosto).
O Componentes: vitamina C, ácidos málico, cítrico e tartárico, 
mucilagem, giúcidos O Propriedades: aperitivo, depurativo, digestivo, 
diurético, laxativo, refrescante, tónico. U. 1. Ver: apetite, 
artritismo, cura de Primavera, dartro, obesidade, obstipação, 
reumatismo, sede.
Hepática

Hepatica nobilis Mill.

A ném orta­ hepática

Ranunculáceas

A hepática é uma pequeníssima planta vivaz, muito rara nas planícies, um
pouco mais frequente nas montanhas cobertas de bosques, onde atapeta o 
pé das árvores frondosas, e na frescura das matas. Floresce logo que 
termina o Inverno, mas as suas graciosas corolas, de cor lilás­azulada, 
pendentes para o solo, só vivem oito dias. Esta planta é tão 
característica que não é possível confundi­Ia com qualquer outra.

Sem utilização e certamente desconhecida na Antiguidade, supõe­se que 
não foi considerada medicinal antes do século XV. Então,

a sua principal aplicação consistia no tratamento das doenças do fígado.
O nome de hepática advém­lhe desta qualidade, embora também possa ser 
devido à forma das folhas, que se assemelham aos lobos do fígado.

O Não utilizar nem a raiz nem a flor. Só utilizar a folha seca. 
Respeitar as doses. Habitat: Europa, excepio no extremo norte, sobretudo
em regiõ es montanhosas, solos húmidos, matas calcárias; entre 400 e 
2200 m. Identificação: de O,08 a O,20 m de altura. Vivaz, acaule; folhas
basilares, persistentes, com longo pecíolo, espessas, cordiformes, 
vilosas quando jovens e depois glabras, divididas em 3 lóbulos iguais 
não recortados; flores de cor lilás­azulada, por vezes cor­de­rosa ou 
brancas (Março­Abril), bastante grandes, isoladas, com invólucro em 
forma de cálice, 6 a 9 sépalas

petalóides, 20 estames, numerosos carpelos com rostro curto. Sabor 
amargo. Partes utilizadas: folhas (Maio­Julho).
O Componentes. heterósidos, enzimas, saponósido O Propriedades: 
acistringente, cicatrizante, diurético. U. I., U. E. + Ver: ferida, 
litíase.
Hera

Hedera helix L.

Aradeira, hereira, hedera, hedra, hera­dos­muros,

hera­trepadeira, heradeira

Araliáceas

À hera têm sido atribuídas as mais variadas designações, nomes populares
na sua maior parte femininos, como acontece em todas as línguas 
românicas, com excepção do francês, que deu à planta um nome masculino: 
lierre. Existem algumas pessoas que apreciam a hera, permitindo que 
adorne com o seu manto sussurrante os caramanchões, as grades ou as 
fachadas das suas casas; outras consideram­na uma planta prejudicial e 
destroem­na. É certo que a hera deteriora as paredes e que, quando 
invade o solo, nenhuma outra vegetação consegue encontrar o seu caminho 
para a luz. No entanto, não é parasita, pois, apesar de se agarrar às 
árvores, não se alimenta da sua seiva. Esta hera pode viver muito tempo:
conhecem­se alguns exemplares com 400 anos; então, por vezes o caule 
adquire a espessura de um tronco de árvore. Os frutos amadurecem na 
Primavera, aconselhando­se prudência, pois são tóxicos, não devendo ser 
consumidos.

Tradicionalmente, a hera escondia os duendes sob a sua folhagem, 
protegia as casas dos espíritos malignos e era tida como símbolo de 
fidelidade e longevidade. Juntamente com a vinha, associa­se ao deus 
Baco.

O Nunca consumir os frutos; quanto às folhas, respeitar sempre as doses 
indicadas. Habitat: Europa; frequente em quase todo o território 
portuguê s; até 1000 m. Identificação: de 3 a 50 m de altura. Arbusto, 
trepador ou rastejante; caule lenhoso, vigoroso, trepa aos muros e às 
árvores por meio de raízes laterais; folhas verde­escuras, brilhantes, 
coriáceas, alternas, pecioladas, persistindo cerca de 3 anos, de 
triangulares a palmatilobadas, ovais nas sumidades floridas; flores 
amarelo­esverdeadas (Setembro­ Outubro), em pequenas umbelas esféricas 
com numerosos

raios, cálice com 5 dentes curtos, soldados ao ovário, 5 pétalas 
lanceoladas, reflexas; fruto globoso, preto, com 4 a 5 sementes cor­de­
rosa. Cheiro aromático; sabor amargo. Partes utilizadas: folhas novas, 
frescas.
O Componentes: estrogéneos, hederina O Propriedades: analgésico, 
antiespasmódico, emenagogo. U. L, U. E. + V o Ver: banho, bronquite, 
cabelo, calo, celulite, edema, estrias, hipertensão, menstruação, 
queimadura, queimadura solar, reumatismo, tosse convulsa, traqueíte.
Hera­terrestre

Glechoma hederacea L.

Erva­de­sãojoão, malvela

Labiadas

bentos estéreis e igualmente prostrados. Espaçadamente, erguem­se ramos 
curtos providos de pares de folhas arredondadas e crenadas em cujas 
axilas desabrocham, a partir de Março, graciosas flores cor de violeta.

Conhecida desde a Alta Idade Média como planta medicinal, a hera­
terrestre foi muito apreciada por Santa Hildegarda, no século xii, 
devido a duas das suas actuais utilizações: peitoral e vulnerária. No 
século XVI, era utilizada para tratar feridas internas e externas e 
mesmo para combater a loucura. Cozida em leite, é ainda hoje um dos 
remédios utilizados nos meios rurais para as afecções dos brônquios.

A planta faz parte de uma preparação da Farmacopeia Francesa, o chá­
suíço, espécie de tónico fortificante, muito eficaz para recuperar de 
qualquer tipo de comoção.

Habitat: Europa, excepto na região mediterrânica; espontânea em locais 
húmidos e sombrios de Trás­os­Montes, Minho e Beiras; até 1600 m. 
Identificação: de O,05 a O,25 m de altura. Vivaz, caule prostrado, 
radicante, piloso, sendo os floríferos erectos, simples; folhas verdes, 
moles, crenadas, cordiformes,      arredondadas; flores azul­violeta 
maculadas de cor de púrpura, por vezes de cor­de­rosa (Março­Maio), 
unilaterais, entre 2 e 4 na axila das folhas superiores, cálice com 5 
dentes, tubuloso, corola com 2 lábios, sendo o superior chanfrado e o 
inferior trilobado, 4 estames, 2 maiores e 2

mais pequenos (didinâmicos), anteras com lóculos em ângulo recto; 
tetraquénio com aquénios ovóides, lisos, castanhos. Cheiro intenso, 
agradável; sabor quente, acre, amargo. Partes utilizadas: planta fresca 
ou seca, suco fresco, folhas (no princípio da floração).
O Componentes: princípio amargo, óleo essencial, tanino, glúcidos, 
potássio, resina O Propriedades: diurético, peitoral, tónico, 
vulnerário. LI. L, U. E. + o Ver: asma, bronquite, constipação, 
enfisema, estômago, furúnculo.

181
Hespere

Hesperis matronalis L.

Juliana, juliana­dos­jardins

Bras.: erva­alheira

Crucíferas

AHesperis matronalis L., de flores brancas, cor­de­rosa ou violáceas, é 
um habitante selvagem das clareiras, onde exala o seu perfume ao cair da
tarde. Cultiva­se nos jardins para fazer cercaduras nos canteiros, mas a
sua exuberância natural torna, por vezes, necessário limitar a sua 
propagação. Então, com a ajuda das abelhas que a procuram, ultrapassa 
facilmente as cercas e reconquista a sua liberdade ao longo dos 
caminhos. Na Antiguidade, os naturalistas confundiam­na

com o goivo, sendo, no entanto, bem descrita na Idade Média.

Introduzida na Áustria a partir da Turquia, passou no século XVII à 
França e depois à Itália.

No século XIX, o fitoterapeuta Cazin verificou as suas propriedades 
terapêuticas, confirmando que a planta é diurética, expectorante e 
sudorífica. O seu suco misturado com leite ou uma infusão das folhas ou 
o vinho em que estas foram maceradas são bebidas agradáveis. As cataplas
m as de folhas picadas aceleram a maturação dos abcessos. A sua eficácia
só é real quando utilizada no estado fresco.

Habital: Europa Central e Meridional, com excepção da região 
mediterrânica e da Córsega, solos calcários, sebes, moitas; até 1500 m. 
Identificação: de O,40 a O,80 m de altura. Bienal ou vivaz, caule 
erecto, cilíndrico, ramificado na parte superior; folhas simples, 
inteiras, lanceoladas ou oblongas, dentadas, hirsutas, rugosas, com 
pecíolo curto; flores branco­rosadas, cor de púrpura ou violáceas (Maio­
Setembro), agrupadas em grandes panículas, 4 sépaIas, 4 pétalas em cruz,
6 estames, estigma fendido em 2 lobos; síliqua comprida, erecta, glabra 
ou aveludada, abrindo­se em 2 valvas

contendo 1 fileira de sementes. Cheiro agradável, sobretudo à noite; 
sabor acre. Partes utilizadas: parte aérea da planta fresca (floração).
O Componentes: óleo, vitamina C O Propriedades: diurético, expectorante,
sudorífico. U. I., U. E. Ver: abcesso, gota, litíase, pele.

182
Hipericão

kypericum perforatum L.

Milfurada, erva­de­sãojoão

Hipericáceas

O hipericão cresce geralmente em maciços, e a densidade da sua floração 
é tão intensa que nas grandes extensões de terreno que ocupa faz surgir 
enormes manchas amarelo­douradas e avermelhadas. Na realidade, as flores
estão abertas apenas um dia e murcham no dia seguinte, adquirindo as 
pétalas sem viço a cor de ferrugem. Esta planta tem uma particularidade 
interessante: o parênquima das folhas está salpicado de pequenas 
glândulas de essência, translúcidas, que, observadas à transparência, se
assemelham a mil pequenos orifícios e às quais deve o nome de milfurada.
As flores contêm dois pigmentos, um amarelo e outro vermelho; este 
último, denominado hipericina, está encerrado em pequenos pêlos 
glandulosos presentes nas sépalas e pétalas. Tem a propriedade de tornar
a epiderme do animal que o ingere sensível à luz solar; as zonas 
despigmentadas do corpo expostas ao sol tornam­se um foco de pruridos. 
As folhas e sumidades floridas são secas em ramos a sombra.

O chamado hipericão­do­gerês, ou androsemo, é obtido de uma outra 
espécie, Hypericum androsaemum L., que pode ser encontrada nos locais 
húmidos e sombrios e margens dos rios do Minho, Beiras e Estremadura 
(Sintra).

Habitat: Europa, terrenos incultos, bosques pouco densos, clareiras, 
prados secos, muros velhos; presente em todo o País; até 1600 m. 
Identificação: de O,30 a O,80 m de altura. Vivaz, caule avermelhado, 
sub­roliço, com 2 linhas longitudinais salientes, abundantemente 
ramificadas; folhas opostas, sésseis, glaucas na página inferior, 
cobertas de numerosas pontuações transiúcidas e salpicadas de pontos 
negros; flores de um amarelo intenso (Junho­Setembro), grandes, em 
panículas corimbiformes, 5 sépalas, 5 pétalas assimétricas, com

ntuações negras que são glândulas com um

corante vermelho, estames em 3 feixes; cápsula ovóide, estriada e com 
vesículas; toiça com rebentos folhosos. Partes utilizadas: folhas, 
sumidades floridas.
O Componentes: óleo essencial, hipericina, resina, tanino, vitamina C O 
Propriedades: adstringente, anti­séptico, cicatrizante, diurético, 
sedativo, vermífugo, vulnerário. U. L, U. E. + V Ver: asma, banho, 
bronquite, cistite, entorse, enurese, ferida, frigidez, impotência, 
leucorreia, parasitose, pulmão, queimadura, queimadura solar, úlcera 
cutânea.
Hipofac

Hippophae rhamnoides L.

Eleagnáceas 

É um arbusto espinhoso a cuja vida a luz é tão indispensável que morre 
sob árvores de maior porte, e os seus ramos mais baixos definham à 
sombra das suas próprias ramificações superiores. Necessita de sol e de 
solos salgados, formando impenetráveis massas arbustivas nas costas do 
mar da Mancha e do mar do Norte, onde as suas raízes com numerosos 
rebentos se fixam no subsolo. É uma planta dióica, cujas flores 
masculinas e femininas são produzidas por pés diferentes. No Inverno, os
pés femininos reconhecem­se facilmente, pois os seus gomos florais são 
mais pequenos.

Na Antiguidade, devido à reputação tóxica dos seus frutos encarnados, 
tinha o nome de Hippophae, das palavras gregas hippo, cavalo, e phaó, eu
mato, mas, a partir da Idade Média, a inocuidade dos seus frutos foi 
reconhecida, descobrindo­se­lhes uma acção adstringente. A sua utilizaçã
o como remédio antiescorbútico e antigripal é muito mais recente, visto 
que só no século XX foi

escoberto o seu elevado teor em vitamina C. Com o fruto do hipofaé 
confeccionam­se compotas e doces caseiros, estando comercializado um 
xarope que se recomenda durante os meses de Inverno.

Habitat: Europa, dunas, solos arenosos, aluviões dos grandes cursos de 
água; até 1800 m. Identificação: de 1 a 3,50 m de altura. Arbusto; 
tronco espinhoso com ramos soltos, castanho­escuros; folhas alternas 
quase sésseis, aiongadas, verde­escuras na página superior, prateadas e 
salpicadas de escamas de cor ruiva na inferior; flores esverdeadas 
(Março­Maio), pequenas, dispostas na base dos ramos jovens, que aparecem
antes das folhas, dióicas, as masculinas em amentilhos laterais com
4 estames sésseis na axila das escamas e as femininas solitárias com 1 
estilete; fruto subgloboso, amarei o­ ala ranjad o, com 1 semente 
encerrada num cálice carnudo; estolhos subterrâneos com numerosos 
turiões. Sabor ácido (fruto). Partes utilizadas: frutos (Setembro­
Outubro).
O Componentes: ácidos orgânicos, heterásidos flavónicos, provitamina A, 
vitaminas B1, B2, B6, E e C O Propriedades: acistringente, 
antiescorbútico, anti­séptico, tónico, vermífugo. U. 1. + Ver: apetite, 
astenia, envelhecimento, escorbuto, gripe.
hissopo *//* refazer

áridas, tenha sido outrora tão venerada. O hissopo é, como a losna, uma 
planta ambivalente; simultaneamente benéfica e maléfica, bela e 
perigosa, está entre o número das plantas consideradas feiticeiras. De 
entre os

remédios mais divulgados em medicina popular, o hissopo era utilizado 
para tratar doenças como a asma e as afecções brônquicas e pulmonares. E
cultivado à escala industrial para uso farmacêutico. Serve ainda para 
aromatizar licores e aperitivos e, em

cosmética, para preparar uma loção refrescante para as pálpebras e 
tonificante para a

pele. Com 17 outras plantas, faz parte da composição do chá­suíço.

O As pessoas nervosas devem tomá­lo com precaução. Habitat: Europa 
Meridional, solos calcários, paredes expostas ao sol; em Portugal, 
cultiva­se como planta melífera e ornamental; até 2000 m. Identificação:
de O,20 a O,60 m de altura. Vivaz, caule ascendente e ramificado; folhas
pequenas, inteiras e com nervura saliente; flores azuis ou cor de 
violeta­escura (Junho­Setembro), em espiga unilateral folhosa, cálice 
com 5 dentes, corola com 5 lóbulos, 4 estames cor de violeta e 
salientes; tetraquénio contendo 1 semente preta e rugosa; raiz lenhosa.

Partes utilizadas: sumidades floridas, folhas mondadas (na época da 
florescência); secagem lenta à sombra; conservar em local seco em 
pequenos sacos de papel colocados em frascos bem rolhados.
O Componentes: óleo essencial, heterósido, tanino, colina O 
Propriedades: antiespasmódico, aperitivo, carminativo, depurativo, 
estimulante, estomáquico, resolutivo, vulnerário. U. L, U. E. + o Ver: 
asma, bronquite, contusão, cura de Primavera, digestão, meteorismo, 
olhos, pele, rouquidão, tosse.

185
Imperatória

Peucedanum ostruthium Koch. (= Imperatoria

ostruthium L.)

Umbelíferas

Aimperatória encontra­se nos caminhos de montanha, formando altas e 
espessas moitas extremamente aromáticas; o seu perfume assemelha­se ao 
do aipo e também vagamente ao da angélica. O próprio nome da imperatória
revela as suas importantes virtudes.
O nome de espécie advém, por sucessivas transformações, do termo alemão 
Meisterwurz, que foi traduzido para o latim medieval, magistrantia, de 
onde derivou astrantia, que se transformou em ostricium e finalmente em 
ostruthiuni.

No século xVII, a imperatória, então no

auge da sua fama, fazia parte da composição de uma das misturas mais em 
moda na Europa, o orvietão, ou orvietano, composto por 54 plantas 
diferentes amolecidas e amassadas com mel, ópio, vários óleos essenciais
e carne seca de víbora. Actualmente, a imperatória é um dos remédios 
populares mais utilizados na Suíça, onde a sua raiz cozida em vinho é 
considerada como um contraveneno e um tratamento eficaz para as 
mordeduras de cão. As suas propriedades aperitivas e expectorantes são 
indiscutíveis; mastigada, estimula a salivação. A planta, utilizada 
também em culinária, serve para aromatizar alguns tipos de queijo.

Habitat: Europa, montanhas, ravinas, prados húmidos, solos siliciosos; 
até 2000 m. Identificação: de O,30 a 1 m de altura. Vivaz, caule verde, 
erecto, cilíndrico, estriado, oco e folhoso; folhas verdes nas duas 
páginas, frequentemente mais claras e aveludadas na página inferior, 
moles, sendo as inferiores formadas por 3 a 9 segmentos compridos, 
triangulares, lobulados, serrados, e as superiores mais pequenas; flores
brancas ou cor­de­rosa (Junho­Agosto), em grandes umbelas planas, com
20 a 42 raios delgados, desiguais, sem invólucro de brácteas; fruto 
curto, extensamente alado, chanfrado em ambas as extremidades; rizoma 
anelado, castanho, estolhoso; suco leitoso. Cheiro aromático e 
penetrante; sabor acre. Partes utilizadas: folhas frescas, rizoma; na 
Primavera, secagem à sombra; no Outono, secagem ao sol.
O Componentes: óleo essencial, goma, resina, composto de natureza 
cumarínica O Propriedades: aperitivo, estomáquico, expectorante, 
sudorífico. U. L, U. E. Ver: apetite, bronquite, meteorismo, mordedura, 
picadas.

186
Labaçol

Rumex obtusifolius L. Labaça­obtusa, manteigueira, ruibarbo­seivagem,

erva­britânica, paciência­aquática

Poligonáceas

Parente das azedas com sabor desprovido de acidez, mas muito amargo, o 
labaçol espontâneo possui grandes folhas em forma de coração e pequenas 
flores com pétalas substituídas pelas três sépalas interiores do cálice;
as três sépalas exteriores, esverdeadas, formam o invólucro 
característico do fruto, que permite aos botânicos distinguir o labaçol 
das suas espécies próximas, dotadas de propriedades medicinais 
semelhantes. Além do labaçol espontâneo, podem encontrar~se nos jardins 
o Rumex patientia L. e nos cam~ pos o Rumex crispus L., cujos frutos 
estão aqui representados. São plantas vivazes, das quais se utilizam o 
suco fresco, as folhas e

as raízes secas, considerados remédios eficazes, só actuando, porém, a 
longo prazo; assim, é necessário suportar pacientemente, durante várias 
semanas, o repugnante sabor antes de sentir os seus efeitos. Os 
farmacêu~ ticos preparam cápsulas medicinais com o pó da raiz para 
engolir sem mastigar, destinadas às pessoas que não conseguem suportar o
sabor da planta. As folhas são depurativas, tónicas, diuréticas e 
ligeiramente laxativas; servem­se em salada ou cozidas.

Habitat: Europa, excepto certas regiões mediterrânicas, à sombra, bermas
dos caminhos; em quase todo o País; até 1600 m. Identificação: de O,50 a
1 m de altura. Vivaz, caule floral rígido, robusto, canelado, corado de 
vermelho; folhas inferiores alternas, pecioladas, de nervuras centrais 
avermelhadas, ovais e cordiformes; flores esverdeadas (Junho­Setembro), 
com pedicelos filiformes, reunidos em semivertici lastros, constituindo 
cachos interrompidos, 3 tépalas externas pequenas, 3 tépalas internas 
(valvas), incluindo o fruto, 6 estames e 3 estiletes com estigmas;

aquénio trigonal com 1 semente, protegido pelas valvas; raiz espessa, 
rugosa, castanha e amarela no corte. Cheiro acre; sabor amargo. Partes 
utilizadas: folhas, suco fresco, raizes secas (Outubro­Novembro); limpar
sem lavar e secar ao sol.
O Componentes: compostos de ferro e de fósforo, tanóides, heterósidos O 
Propriedades: acistringente, antianémico, depurativo, diurético, 
laxativo, tónico. U. L, U. E. + V o Ver: anemia, cura de Primavera, 
dartro, fígado, obstipação, pele, úlcera cutânea.
Laminárias

a) Laminaria saccharina Lam. b) Laminaria digitata (L.) Lam, c) 
Laminaria hyperborea (Gunner) Foslie a) rabeiro, c) folha­de­maio, 
chicote, taborro­de­pé

Laminariáceas

As laminárias surgem ao longo das costas da Europa, onde, na maré baixa,
é habitual vê­Ias brilhar sobre as rochas. Cientificamente, pertencem ao
grupo das algas­castanhas (feofíceas). Estas laminárias identificam­se 
facilmente ao examinarem­se os seus estipes, pseudocaules simples que se
ramificam na base, constituindo um órgão de fixaçao com aspecto de raiz,
e na parte superior se diferenciam dando uma fronde lamelar. O estipe da
Laminaria saccharina é curto e cilíndrico; a sua lâmina foliácea verde­
azeitona­escura, ondulada nos bordos, persiste e

cresce todos os anos ao nível da base. A Laminaria digitata possui um 
pseudocaule longo e flexível e uma fronde espessa verde­azeitona 
manchada de castanho. Na Laminaria hyperborea, o estipe é rugoso e 
espesso. Nenhuma destas três laminárias é perigosa; pelo contrário, a 
sua riqueza em sais minerais, em oligoelementos e em vitaminas justifica
as suas numerosas aplicações medicinais e a sua utilização na indústria 
farmacêutica e alimentar.

Habitat: Europa; na costa portuguesa há a L. hyperborea (Gunner) Foslie,
a L. ochroleuca De Ia Pylaie e a L. saccharina (L.) Lamour. 
Identificação: de 3 a 4 m de altura. Talo composto por um espique 
cilíndrico e por grande fronde, alongada, recortada consoante as 
espécies, contendo canais com mucilagem, cobertos por soros em 
determinadas épocas. Cheiro marinho; sabor salgado; a) estipe curto; 
fronde verde­azeitona­escura, comprida, achatada, apresentando à 
superfície uma fileira de soros; b) pseuclocaule comprido, flexível, 
coriáceo; fronde verde­azeitona manchada de

castanho, brilhante, espessa; apresenta soros ovais afastados uns dos 
outros; c) estipe volumoso, rugoso; fronde apresentando à superfície 
extensas fileiras de soros. Partes utilizadas: talo; arrancar e secar.
O Componentes: pigmentos, ácido algínico, alginatos, oligoelementos, 
vitaminas B, C e E
O Propriedades: anorexígeno, estimulante, remineralizante. U.l., U.E. V 
O Ver: arteriosclerose, banho, bócio, envelhecimento, fadiga, 
hipotireoidismo, menopausa, obesidade, pele, raquitismo.

188
Lapsana

Lapsana communis L.

Labresto

Compostas

A lapsana é uma erva daninha, vulgar à beira dos caminhos, que se apanha
nos campos, constituindo um óptimo alimento para os coelhos. Enorme 
planta anual, esbelta, as suas flores têm a característica fascinante de
abrir de manhã cerca das 6 ou 7 horas e de fechar ao entardecer. As 
folhas têm a forma de uma lira e o caule, viloso, contém um suco leitoso
de gosto inesperado, simultaneamente amargo e salgado, semelhante ao do 
taráxaco. Nos meios rurais, a lapsana é consumida crua, temperada como 
uma salada.

O nome da lapsana deriva do grego Iapadzô, eu purgo. Foram­lhe 
atribuídas propriedades emolientes. A planta é, de facto, utilizada em 
medicina popular para aliviar os seios encaroçados das mulheres que 
deixam de amamentar e também para curar as gretas cutáneas. Para este 
efeito, utiliza­se quer em pomada obtida pela mistura do suco fresco com
uma matéria gorda, quer numa cataplasma feita com folhas frescas 
picadas. A lapsana é utilizada num extracto fluido para fazer baixar o 
teor de açúcar no sangue.

Habitat: Europa, excepto na região mediterrânica, terrenos incultos ou 
cultivados, limites dos bosques, entulhos; bastante frequente em 
Portugal nos locais sombrios, sebes e campos cultivados; até 1800 m. 
Identificação: de O,20 a 1,20 m de altura. Anual, caule erecto, 
ramificado na extremidade superior, folhoso, com suco leitoso; folhas 
alternas, com dentes espaçados, as inferiores firadas, com grande lóbulo
terminal, as médias simples, ovais, pecioladas, e as superiores 
lanceoladas, sésseis; flores amarelo­claras (Maio­Setembro), de 8 a 12 
em pequenos capítulos, sobre pedúnculos delgados, dispostos em 
panículas, com 5 dentes; aquênio comprido, estriado, brilhante, 
arredondado no vértice, sem papilho; raiz aprumada, com raizes laterais.
Sabor amargo e salgado (suco). Partes utilizadas: folhas, suco.
O Componentes: princípio activo indeterminado O Propriedades: 
antidiabético, emoliente, laxativo, refrescante, vulnerário. U. L, U. E.
+ Ver: diabetes, fígado, greta, lactação, obstipação.
LevÍstico

Levisticum officinale Koch

Umbelíferas

Semelhante a um grande aipo­bravo devido ao seu aroma, dimensões e 
folhagem, o levístico é raro no estado espontâneo; geralmente evadido 
das suas antigas culturas, aclimatou­se nas montanhas, nas sebes, nas 
lixeiras e nos prados. Outrora célebre pelas suas virtudes medicinais, 
como indica o seu nome, Levisticum, que deriva do latim levare, aliviar,
esta planta foi provavelmente introduzida na Europa Central pelos monges
beneditinos. Cerca de 800, encontrava­se já nos jardins imperiais de 
Carios Magno, embora alguns autores suspeitassem que era

prejudicial à visão. Na Idade Média, atribuíam­se­lhe virtudes 
estomáquicas e calmantes e utilizava­se em preparados cosméticos. No 
século Xvi, a Escola de Salerno elogia as suas propriedades emenagogas. 
Actualmente, parece ter caído no esquecimento, a não ser nos países 
anglo­saxónicos, onde é uma hortaliça muito apreciada, e a raiz, 
reduzida a pó, substitui a pimenta.

Na Suíça e na Alsácia, o caule oco do levístico é utilizado como 
palhinha para beber leite quente para aliviar as afecções da garganta.

Habitat: raro na Europa, semiespontâneo nos Alpes e nos Pirenéus, solos 
incultos, sebes, planícies; até 1800 m. Identificação: de 1 a 2 m de 
altura. Vivaz, caule erecto, robusto, oco; folhas verdes, brilhantes, 
grandes, na base dos ramos, triangulares, 2 a 3 vezes recortadas em 
folíolos romboidais incisos; flores amareladas (Julho­Agosto), em 
umbelas de 8 a 15 raios, com invólucro e involucelos retroflectidos; 
fruto oval, com 10 costas aladas; raiz cinzento­acastanhada, casca 
espessa. Cheiro intenso a aipo. Partes utilizadas: raiz (Primavera), 
sementes,

por vezes as folhas (Setembro).
O Componentes: óleo essencial, cumarina, gomas, resinas, tanino, amido, 
vitamina C O Propriedades: carminativo, digestivo, diurético, emenagogo.
U. 1. + Ver: edema, enxaqueca, fígado, menstruação, meteorismo.
LicopÓdio

Lycopodium clavatum L.

Enxofre­vegetal

Licopodiáceas

As licopodiáceas são criptogâmicas, isto é, plantas sem flores que se 
reproduzem por esporos, os quais são provenientes de esporângios que 
surgem em forma de espiga terniinal num pedtInculo delgado e nu. 
Frequente na Europa Central, o licopódio raramente se desenvolve no 
litoral mediterrânico. No entanto, não é fácil encontrá­lo, pois 
esconde­se entre as urzes, os arandos e por vezes entre o musgo, apenas 
emergindo deste meio os esporângios, de uma bela cor amarelo­clara. O 
crescimento da planta é extremamente lento, podendo o caule rastejante 
atingir 1 m de comprimento. O nome de Lycopodium deriva das palavras 
gregas pus e lycos, que significam, respectivamente, pé e lobo, numa 
alusão ao aspecto dos ramos

jovens; clavatum deriva do latim clava, moca, pois os esporângios têm, 
nas sumidades dos caules férteis, a forma de mocas. O pó dos esporos é 
utilizado em farmácia como hidrófugo e em medicina para o tratamento de 
algumas dermatites causadas pela humidade. Recentemente, era ainda 
utilizado nas embalagens de pílulas para evitar a sua aglutinação.

Se um pouco deste pó for lançado sobre uma chama, deflagra, emitindo um 
clarão vivo; esta reacção é devida ao óleo essencial que contém. Por 
esta razão, é utilizado pelos pirotécnicos no fabrico de peças de fogo­
de­artifício com chama colorida.

O Não aproximar o pó de uma chama. Habitat: Europa Central, vulgar em 
França, bosques de solos siliciosos; em Portugal, na serra da Estrela; 
até 2500 m. Identificação: pode atingir 1 m de comprimento. Vivaz, caule
ramoso, rastejante, radicante, com ramos ascendentes, espaçados; folhas 
assoveladas, comprimidas, pequenas, irregularmente imbricadas, 
terminando por um comprido pêlo hialino; ramos férteis, folhosos, 
erectos, terminados por 1 a 3 compridas espigas de brácteas triangulares
que contêm os esporângios, amarelo­claros (Julho­Outubro),

reniformes, encerrando inúmeros esporos; raiz vigorosa, bifurcada. 
Partes utilizadas: esporos (Agosto­Setembro); peneirar o pó, conservar 
em lugar seco.
O Componentes: celulose, prótidos, glúcidos, lípidos, sais minerais O 
Propriedades: emoliente. U. E. Ver: eritema.

191
LÍNGUA­CERVINA *//* VER SE TEM OUTROS NOMES

A língua­cervina é um feto das paredes deterioradas, das abóbadas em 
ruínas e das sombrias entradas das grutas que expelem cheiros 
bolorentos. Esta planta, que deve ser protegida, mantém durante todas as
estações do ano as suas frondes, que no Verão se enchem de soros. Os 
Antigos, que muito apreciavam a língua­cervina, consideravam­na um

remédio para as obstruções intestinais e as

afecções do fígado e do baço; com os progressos da medicina, outros 
remédios, mais convenientes, foram postos em prática. Por esta

razão, actualmente a planta é sobretudo utilizada devido às suas 
propriedades emolientes, expectorantes e adstringentes. Os homeopatas 
receitam uma tintura preparada a partir da planta ­fresca e os 
fitoterapeutas aconselham uma infusão das folhas, frescas ou secas, em 
água ou, preferen temente, em leite. A língua­cervina faz parte, com 16 
outras plantas, todas espécies vulnerárias, da composição do chá­suíço e
é utilizada na preparação de um xarope de chicória composta.

Habitat: Europa, ruínas; em Portugal, encontra­se, durante todo o ano, 
nos locais húmidos e sombrios, poços, desde o Minho à Estremadura; até 
1800 m. Identificação: de O,20 a O,90 m de altura. Vivaz, frondes em 
moitas inteiras, grandes, serradas, verde­brilhantes, mais claras na 
página inferior, ligeiramente onduladas, cordiforme­auriculares na base,
com bordos lisos e pecíolos escamosos; soros lineares na face inferior 
(Junho­Setembro), paralelos entre si, obliquamente alinhados em relação 
à nervura média, cobertos por indúsios; rizoma subterrâneo, avermelhado,
espesso, escamoso, fibroso e vertical. Cheiro herbáceo, tornando­se 
aromático após a secagem; sabor doce. Partes utilizadas: folhas frescas 
e secas (todo o ano para utilização imediata, ou em Setembro para 
conservação).
O Componentes: mucilagem, tanino, glúcido, vitamina C, colina 6 
Propriedades: acistringente, antilactagogo, béquico, diurético, 
emoliente, expectorante, resolutivo, vulnerário. U. L, U. E. + Ver: 
boca, bronquite, diarreia, fígado, lactação, reumatismo.

192
Linho­bravo

Linum angustifoliuiv Huds.

Linho­galego­silvestre

Bras.: linho

Lináceas

A cultura do linho data dos primórdios da Humanidade. Desde então e até 
meados do século XIX, época em que foi enormemente suplantado pelo 
algodão, o homem cultivava o linho devido às suas fibras têxteis, que 
eram fiadas, tingidas e tecidas. No século vi a. C., o linho fazia parte
da alimentação, e

no século v a. C. foi citado como remédio por Teofrasto na sua História 
das Plantas.

Na Idade Média, os pintores substituíram uma parte do ovo, então 
utilizado na composição da têmpera, por óleo de linhaça cozido e 
decantado ao sol; este processo tornava as cores mais brilhantes e mais 
fáceis de

usar.

A água de linho conheceu grande voga no

século XVIII como bebida para conservar a saúde. Este linho de múltiplas
aplicações foi denominado pelos botânicos Linum usitatissimuin L., que 
quer dizer linho muito usado. Embora muito cultivado, não suplantou o 
espontâneo, o Linum angustifolium Hucis. Há ainda uma terceira espécie 
de linho medicinal, o linho­purgante, Linum (­atharticum L., que é uma 
pequena planta com minúsculas flores brancas.

O Nunca utilizar a farinha pouco fresca, bolorenta ou rançosa para 
cataplasmas. Habitat: Europa Meridional; frequente em quase todo o País;
até 800 m. Identificação: de O,30 a O,60 m de altura. Vivaz, caule 
erecto ou ascendente, sem nós, glabro, com bastantes rebentos basais, 
folhosos, estéreis; folhas verde­claras, lanceoladas, estreitas, 
alternas, assinaladas por 1 a 3 nervuras; flores azul­claras (Maio­
Julho), grandes, com pedicelo comprido, fechadas se está mau tempo, 5 
sépalas ovais, pontiagudas, com 3 nervuras, 5 pétalas denticuladas, 2 
vezes mais compridas, caducas, 5 estigmas, estreitos, capitados, 5 
estames férteis e 5 abortados sem antera; cápsula acastanhada, com 
septos ciliados vilosos libertando 10 sementes alongadas, castanhas, 
brilhantes e lisas. Partes utilizadas: sementes (Julho­Agosto).
O Componentes: mucilagem, pectina, lípidos, enzimas, heterósido, 
vitamina F O Propriedades: diurético, emoliente, laxativo, suavizante, 
vermífugo. U. I., U. E. + O Ver: abcesso, bronquite, congestão, 
furúnculo, obstipação, parasitose, pele.
Linho­de­cuco

Cuscuta epith@Imum Murr. Linho­de­raposa, cabelos, cabelos­de­nossa­
senhora

Bras.: cipó­chumbo

Cuscutáceas

O linho­de­cuco é uma planta parasita que, embora desprovida de 
clorofila, possui uma enorme vitalidade. No início do seu desen­ 
volvimento, uma minúscula raiz assegura as primeiras necessidades e, 
seguidamente, a planta recém­nascida procura um suporte, fixando­se 
fortemente e emitindo na direcção do sistema vascular do hospedeiro um 
fino sugador nutritivo. A partir daí, o seu desenvolvimento é rápido, os
caules filiformes crescem, esgotando e asfixiando algumas vezes a vítima
na sua rede funesta. De entre as 100 espécies do género Cuscuta 
existentes no Mundo, a Europa possui cerca de uma dezena. A espécie 
representada ao lado parasita a giesteira­das­vassouras, o

serpão e a urze. Todas as cuscutas são anuais, mas a Natureza dotou­as 
de milhares de sementes que garantem a continuidade de inumeras 
geraçoes. Os povos da Antiguidade confundiam várias espécies de cuscutas
sob a designação global de Epithvmon (epi, sobre, e thymon, serpão) e 
utilizavam­nas acireditando que elas absorviam as propriedades 
medicinais dos hospedeiros. Actualmente, há conhecimento de que o linho­
de­cuco possui as suas próprias virtudes.

Habitat: Europa; todo o território português; até 200 m. Identificação: 
altura indefinida. Anual, caule avermelhado ou amarelado, filiforme, 
liso, trepador, afilo, provido de sugadores com ramos entrelaçados; 
flores brancas ou rosadas (Junho­Setembro), pequenas (5 mm), dispostas 
em glomé rulos ou corimbos na axila de uma bráctea, cálice com 5 
divisões, corola campanulada com 5 lóbulos, com o tubo fechado por 
escamas, 5 estames curtos, 2 estigmas; cápsula arredondada contendo 4 
pequenas sementes esféricas; raiz reduzida que morre logo que

a planta começa a ser afimentada pelo seu hospedeiro. Cheiro pouco 
intenso; sabor amargo. Partes utilizadas: planta inteira; secagem à 
sombra.
O Componentes: heterósido, resina, tanino, goma, enzima O Propriedades: 
acistringente, carminativo, colagogo, detersivo, laxativo. U. L, U. E. +
Ver: abcesso, ferida, meteorismo, obstipação.
Líquen­da­islândia

Cetraria islandica L.

Musgo­da­islândia, musgo­amargo, musgo­islândico

Parmeliáceas

Se bem que alguns autores tenham escrito que o líquen­da­islândia não 
cresce no país cujo nome usa, encontra­se ali, bem como em toda a Europa
Setentrional até à Gronelândia e às Spitzberg. É uma pequena planta 
franzina, sem raiz nem folhas, com lâminas encarquilhadas, secas ao 
tacto e apresentando nas extremidades minúsculos discos; forma no solo, 
nos rochedos e nas árvores coberturas espessas, elásticas e resistentes.
Supõe­se que a palavra *líquen,> deriva do grego leikhô, eu roço; 
efectivamente, esta planta roça a terra ou qualquer suporte, ao

qual adere sem parasitar. Necessita apenas de um pouco de água, de ar e 
de luz. Extremamente robusta, respira e assimila mesmo a temperaturas 
muito afastadas das do seu

óptimo vital. Fica assim cada vez mais enrugada devido à aridez; um 
líquen pode permanecer em estado de vida latente durante cerca de um 
ano.

Desconhecido na Antiguidade, o líquen­da­islândia é considerado 
substância medicinal desde o século xvii. Hoje, pode ser utilizado no 
tratamento de diversas doenças, pois as suas propriedades curativas 
diferem consoante se eliminou ou não, por ebulição, o seu princípio 
amargo.

O Contra~indicado para pessoas que sofrem de úlceras. l Europa 
Setentrional, turfeiras, florestas, penhascos, árvores; em Portugal, 
principalmente na serra da Estreia; até 2600 m.

Identificação: de O,03 a O,12 m de altura. Talo erecto que se divide em 
lâminas achatadas, por sua vez divididas em numerosos lóbulos, 
fimbriados nos bordos; lóbulos desde a cor verde­azeitona à verde­
acastanhada na parte superior, verde­prateada ou verde­acastanhado­clara
na parte inferior, com manchas esbranquiçadas, base e bordos com 
tonalidade

parda; nos lóbulos terminais notam­se, na face superior, pequenos corpos
arredondados, amarelados, chamados apotécias, Cheiro suave a algas; 
sabor amargo. Partes utilizadas: talo seco, desprovido ou não dos seus 
componentes amargos (todo o ano).
O Componentes: ácidos, glúcidos, princípio amargo, mucilagem O 
Propriedades: antiemético, antiespasmódico, anti­séptico, emoliente, 
expectorante, tónico. U.1 + o Ver: convalescença, diarreia, enjoo, 
fadiga, náusea, pulmão, tosse, tosse convulsa, vómito.
195
Lírio­amarelo­dos­pântanos

Iris pseudacorus L. Ácoro­bastardo, lírio­bastardo, lírio­dos­charcos

Bras.: lírio­amarelo

lridáceas

O lírio­amarelo­dos­pântanos é uma belíssima planta espontânea que 
povoa, juntamente com outras ervas mais modestas, as margens dos 
charcos. O seu caule, alto e rígido, coberto de folhas cortantes como 
lâminas de espadas, orna­se a partir de Junho com, flores amarelas que 
florescem umas após outras, reflectindo no espelho das águas a sua 
beleza efémera. No seu habitat natural, esta planta não se confunde com 
nenhuma outra, supondo­se, no entanto, que outrora os médicos e os 
farmacêuticos a identificaram com o cálamo­aromático, do qual apenas 
conheciam a droga seca. Assim, a reputação medicinal deste lírio foi 
constituída a partir de um erro, aliás actualmente reconhecido, pelo que
a sua utilização é extremamente reduzida. O rizoma da planta, quando 
fresco, é de facto fortemente emético e purgativo; só deve ser utilizado
por receita do médico, pois este deverá adaptar as doses à constituição 
física do doente. O lírio­amarelo­dos­pântartos foi também utilizado nas

montanhas para tratar a tinha. O rizoma, fervido com limalha de ferro, 
fornece um excelente corante para tingir tecidos de preto e também para 
curtir couros.

G Não utilizar o rizoma fresco sem receita médica. Habitat: Europa, 
margens dos cursos de água; frequente em todo o território português, em
rios e pântanos; até 800 m. Identificação: de O,50 a 1,20 m de altura. 
Vivaz, caule erecto, duro, ramificado; folhas dísticas, rijas, quase tão
compridas como o caule, ensiformes, dobradas no sentido da nervura 
média; flores amarelas (Junho­Julho), em grupos de 2 ou 3 na axila das 
espatas, 3 grandes sépalas petalóides e pendentes, 3 pétalas estreitas, 
erectas, 3 peças estigmáticas escondendo 3 estames, cápsula volumosa 
abrindo­se por 3 valvas e contendo 6 séries de sementes castanhas; 
rizoma horizontal, vigoroso, carnudo, de fractura amarela, provido de 
numerosas raizes. Inodoro; sabor acre. Partes utilizadas: rizoma 
(Outono); torna­se vermelho ao secar.
O Componentes: tanino, lípidos, prótidos, glúcidos O Propriedades: 
emético, esternutatório, purgativo, rubefaciente. U. L, U. E. + Ver: 
cefaleia, ú lcera cutânea.
Lírio­dos­vales

Convallaria majalis L.

Convalária, lírio­de­maio, lírio­convale

Bras.: convalária, flor­de­rnaio

Lifiáceas

No 1.O de Maio, dia do trabalho, é tradição em França levar para casa um
pé ou um pequeno ramo de lírio­dos­v ales, símbolo da felicidade. Pode 
encontrar­se quer em grandes manchas, quer disperso, quase isolado. Se 
as condições de luz não são suficientes, não floresce, produzindo apenas
uma grande quantidade de folhas. O nome de Convallaria deriva da sua 
antiga designação latina, Lilium convallium, lírio­dos­vales­profundos. 
Lineu chamou­lhe majalis porque floresce no mês de Maio. Esta planta não
é citada nem pelos Gregos nem pelos Romanos; as suas flores são desde 
tempos muito remotos utilizadas pelos Russos como rernédio para 
determinadas afecções cardíacas, em França, até ao século XIX, apenas se
conheciam as suas propriedades esternutatórias e antiespasmódicas. O 
lírio­dos­vales contém uma substância que diminui e reforça o ritmo 
cardíaco, sendo vulgarmente utilizada na terapêutica moderna. O perfume 
desta planta pode causar perturbações; não introduzir na boca as flores 
nem ingerir as bagas.

O Não consumir as bagas; respeitar as doses. Habitat: toda a Europa, 
bosques frescos, matas de carvalhos e de faias; até 2000 m. 
Identificação: de O,10 a O,30 m de altura. Vivaz, com rizoma rastejante;
2 folhas inteiras, alongadas, agudas no vértice, largas, com nervuras 
não ramificadas, com pecíolo comprido e rodeado na base do caule por 
bainhas membranosas encaixadas umas nas outras; flor de um branco 
imaculado (Abril­Maio), dispostas num escapo em cacho unilateral, 
campanuladas, muito perfumadas; baga arredondada verde e mais tarde 
vermelha. Cheiro almiscarado,

adocicado e intenso. Partes utilizadas: as folhas e sobretudo as flores 
(Abril­Maio), no início da floração; secagem à sombra.
O Componentes: saponósidos, heterósidos (convalatoxósido) O 
Propriedades: antiespas~ módico, cardiotónico, diurético, emético, 
purgativo. U. 1. + Ver: cefaleia, hipotensão, palpitações.

197
Lisimáquia

LYsimachia vulgaris L. Lisimáquia­vulgar, erva­moedeira, grande­
lisimáquia

Primuláceas

A lisimáquia­vulgar prefere os locais húmi dos; misturada com as grandes
plantas qu( habitualmente vivem nos solos lodosos, seu aspec o imponente
é extremamente de corativo. O caule, consistente e erecto, é enci mado 
no Verão por uma inflorescência ama rela em panícula piramidal, como uma
man cha luminosa nos locais húmidos. Algumw espécies de Lysimachia são 
frequentement@ cultivadas como plantas decorativas nos jar dins e 
crescem à beira dos lagos. Supõe­s( que os povos da Antiguidade não a 
conhe ciam; Plínio, ao falar da lisimáquia, refe re­se na realidade à 
salgueirinha, Lythrun salicaria L. Sem utilização na Idade Média foi 
mais tarde empregada no tratamento da! febres e do escorbuto.

Todos os seus elementos são úteis aos tin tureiros: da raiz pode 
extrair­se uma bonffi tinta castanha; as folhas e o caule serverr para 
tingir de amarelo os tecidos de lã. @ semelhança da camomila, uma 
infusão mui to densa das suas flores é utilizada para acla rar os 
cabelos. As espécies de Lylsimachi(, cultivadas nos jardins distinguem­
se não s@ pelo porte herbáceo ou arbustivo, mas também pelas várias 
cores das suas flores.

Habitat: Europa, beiras dos pegos, charcos, ribeiros, fossos; de Trás­
os­Montes ao Alentejo, nas margens dos cursos de água e locais húmidos; 
até 1200 m. Identificação: de O,50 a 1,50 m de altura. Vivaz, caule 
erecto, pouco ramificado, folhoso, de secção quase quadrangular; folhas 
grandes, ovais ou oblongas, subsésseis, opostas ou verticiladas em 
grupos de 3 a 4; flores amarelas (Junho­Agosto), em panícula piramidal, 
5 sépaIas agudas, rodeadas de pétalas vermelhas soldadas na base, com 5 
lóbulos bem abertos, estames unidos pela base dos seus filetes e,

cada um deles, à base de cada uma das pétalas; 1 ovário súpero, sem 
divisões, 1 estilete,
1 estigma; parte subterrânea rastejante. Partes utilizadas: folhas e 
flores secas (Junho­Agosto); secagem à sombra e ao ar.
O Componentes: tanino, heterósidos, saponósido, enzima (primaverase), 
vitamina C, açúcares O Propriedades: acIstringente, vulnerário. U. I., 
U. E. Ver: afta, diarreia, hemorragia, leucorreia.
Losna

Artemisia absinthium L.

Absinto, sintro, grande­absinto, acintro, losna­maior,

citronela­maior Bras.: absíntio

Compostas

Planta vivaz que pode viver 10 anos, a losna é famosa desde tempos muito
antigos pelas suas virtudes medicinais. Efectivamente, é citada num 
papiro eg!pcio que data de
1600 a. C. Os Celtas e os Arabes aconselhavam o seu uso, e os médicos da
Antiguidade celebrizaram­na como panaceia. Em 1588, na sua obra Novo 
Herbário Completo, Tabernaemontanus, médico e botânico alemão, 
aconselhava­a até como remédio contra o mau gênio. No entanto, a losna é
de tal modo amarga que na Sagrada Escritura é citada como símbolo das 
dificuldades e tristezas da vida. O seu nome, traduzido do grego, 
significa *privado de doçura+, e, na

realidade, só com muita fé na sua eficácia é possível suportar o seu 
desagradável sabor.

O licor de absinto, outro nome da losna, era uma bebida muito em voga no
século XIX, como se pode verificar pelo quadro de Manet, pintado em 
1876, O Absinto. Porém, a losna contém um óleo essencial que, ingerido 
em doses elevadas, é um veneno cujo abuso provoca graves intoxicaçõ es. 
Manifestam­se convulsões tetânicas e perturbações psíquicas com 
alucinações. Por essa razão, o fabrico e comercialização deste licor são
proibidos em vários países europeus.

O Torna amargo o leite das mulheres que amamentam. A maioria das pessoas
não a tolera. Nunca prolongar o seu uso. Habitat: Europa, excepto no 
Norte; espontânea em Portugal, no Minho, Trás­os­Montes e Alto Douro, 
sendo também cultivada. Identificação: de O,40 a 1 m de altura. Vivaz, 
caule verde­prateado, pubescente, erecto e canelado; folhas cinzento­
esverdeadas na página superior, brancas na inferior, sedosas, 
pecioladas, profundamente fendidas em segmentos obtusos; flores amarelas
(Julho­Setembro), tubulosas, em capítulos pequenos,

globosos, pendentes, agrupados em panículas; aquénio liso. Cheiro 
aromático; amargo. Partes utilizadas: sumidades floridas, folhas.
O Componentes: óleo essencial, muito activo e tóxico, absintina, 
resinas, tanino, ácidos, nitratos. A absintina revelou ser uma mistura 
de, pelo menos, quatro substâncias com acção amarga O Propriedades: 
anti­séptico, digestivo, emenagogo, estimulante, tónico, vermífugo. U. 
I., U. E. + V o Ver: apetite, convalescença, digestão, dor, enjoo, 
febre, ferida, gripe, insectos, magreza, menstruação, parasitose, pele, 
picadas.
199
Loureiro

Laurus nobilis L.

Louro, sempre­verde, loureiro­comum,

loureiro­vulgar, loureiro­dos­poetas

Lauráceas

Oriundo da Ásia Menor, o melancólico e belo loureiro, ao passar pela 
Grécia, criou uma história e uma lenda: dedicado a Apolo, ele coroava os
heróis gloriosos. A partir do Peloponeso invadiu a Europa, e actualmente
encontra­se em quase todos os jardins, desde o Mediterrâneo às costas da
Mancha e do Atlântico. O loureiro é sobretudo conhecido pelo papel que 
desempenha na culinária, sendo conveniente não confundir as suas folhas 
com as do loureiro­rosa e do loureiro­cerejeira, que são plantas muito 
venenosas. Com o alho, a salsa e o tomilho constitui o chamado ramo de 
cheiros, ignorando­se por vezes que esta planta culinária é dotada de 
outras virtudes, para além da de estimular agradavelmente as papilas 
gustativas dos gastrónomos.

O loureiro é considerado um estimulante e um anti­séptico: as folhas em 
infusão facilitam a digestão. O óleo extraído das suas bagas, denominado
manteiga de loureiro, produz um efeito benéfico nas dores articulares. 
Em medicina veterinária é utilizado em fricções para o mesmo fim. Uma 
ligeira camada deste óleo aplicada sobre o pêlo de um animal protege­o 
das moscas.

Habitat: Europa, ravinas das montanhas da região mediterrânica; no 
Centro e Sul de Portugal, espontâneo e subespontâneo nos locais sombrios
e margens dos cursos de água; cultivado em quase todo o País; até 1200 
m. Identificação: de 2 a 10 m de altura. Arvore; caule glabro, de casca 
lisa e preta, madeira amarelo­pálida, ramos erectos; folhas verde­
escuras, brilhantes na página superior, baças na inferior, coriáceas, 
lanceoladas, onduladas nos bordos, alternas, persistentes; flores 
branco­amareladas (Abril­Maio), 4 a 6 por umbela na axila das folhas, 
pequenas, pedunculadas, 4

sépalas petalóides, dióicas, masculinas, 8 a 12 estames, femininas, 1 
carpelo com estilete curto; baga negra do tamanho de uma cereja contendo
1 semente. Cheiro aromático (flores); sabor aromático (folhas), acre, 
picante (fruto). Partes utilizadas: folhas sem pecíolos (Verão), fruto 
(Outubro­ Novembro). * Componentes: tanino, princípio amargo, lipidos O 
Propriedades: anti­séptico, estimulante, sedativo, sudorífico. U. I., U.
E. + o Ver: astenia, desinfecção, digestão, dor, fadiga, insectos, 
menstruação, reumatismo, sono.

200
Lúpulo

Humulus lupulus L. Vinha­do­norte, engatadeira, lúpulo­trepador,

pé­de­galo

Canabináceas

O lúpulo espontâneo é chamado em alguns países europeus pau­do­díabo 
devido à forma rápida como trepa às árvores, sempre em sentido inverso 
ao dos ponteiros do relógio. Prefere solos húmidos e sombrios e a 
proximidade dos amieiros. A raiz, vivaz, emite todos os anos um novo 
caule que, agarrando­se aos seus suportes, se eleva até 5 ou
6 m, murchando depois no fim do Verão. As folhas do lúpulo, ásperas ao 
tacto, assemelham­se muito às da videira, sendo o seu pecíolo mais fino,
a base menos chanfrada e desprovida de gavinhas. Apenas as 
inflorescências femininas desta planta dióica, os

cones, são utilizadas em medicina, além do pó dourado e resinoso que as 
cobre, a lupulina. O lúpulo foi introduzido nas regiões europeias no 
século xiii, passando a ser utilizado no fabrico da cerveja após 
pesquisas realizadas pelos monges. A lupulina é um sedativo poderoso. 
Aconselha­se às pessoas que sofrem de insônias a utilização de uma 
almofada bem cheia de cones de lúpulo. Em certas regiões, os jovens 
rebentos de lúpulo são servidos às refeições na Primavera preparados 
como os espargos.

O Na época da colheita, as pessoas sensíveis podem sentir sonolência ou 
cefaleias. Habitat: Europa, sebes, florestas, em culturas para a produçã
o de cerveja; em quase todo o País; até 1500 m. Identificação: de 5 a 7 
m de altura. Vivaz, caule volúvel, sinistrorso (enrolando da direita 
para a esquerda), anguloso e áspero; folhas verde­claras, opostas, 
pecioladas, estipuladas, recortadas em 3 a 5 lóbulos, ásperas, palmadas,
bordos serrados; flores verde­amareladas, dióicas, tendo as masculinas 5
tépalas, 5 estames, erectos em panícula na axila das folhas, e as 
femininas numerosas brácteas foliáceas, imbri   ca das, envolvendo cada 
uma delas 2 pistilos e formando cones pendentes cobertos por um pó 
amarelo­dourado e resinoso, a lupulina. Cheiro intenso e aromático; 
sabor amargo. Partes utilizadas: cones, lupulina (Setembro­Outubro); não
conservar durante muito tempo.
O Componentes: alcalóides, lupulina, estrogéneos O Propriedades: 
antálgico, antiespasmódico, anti­séptico, aperitivo, digestivo, 
sedativo. LI. L, U. E. + V N Ver: apetite, digestão, magreza, 
nervosismo, nevralgia, pele, sono.
Macela *//* PARA REFAZER

Anthemis nobilis L.

Macela­dourada, riríacela­galega, macelão, macela­flor, camomila­romana,
camomila­de­paris, falsa­carriomila, marcela

Compostas 

Com um aspecto muito diferente da can mila, os caules desta planta, 
primeiro pr, trados, erguem­se seguidamente, formar numerosas 
ramificações que se dispõem s rigidez e terminam em capítulos solitár 
brancos, muito odoríferos. Desconhece­s, sua origem. Não é mencionada 
pelos auto da Antiguidade nem pelos da Idade MéiÈ No século Xvi, em 
Londres, é referenci; como erva daninha.

Para corresponder a necessidades med nais, é cultivada em Anjou, França,
uma riedade de flores duplas, todas liguladas que conferiu celebridade à
região e aos h@ tantes de Chemillé, os quais asseguram ti a produção 
francesa.

Após a colheita, que deve ser feita c tempo seco, no início do Verão, e 
à med que os capítulos se entreabrem, deve prc der­se imediatamente à 
secagem à soni em lugar arejado; se esta é mal executada flores 
escurecem e perdem as suas proprie des estimulantes.

Habitat: Europa Ocidental, campos cultivados, relvados, margens arenosas
de rios, sobretudo siliciosas; frequente em Portugal, do Minho ao 
Algarve, nos campos cultivados e incultos arenosos; até 1000 m. 
Identificação: de O,10 a O,30 m de altura. Vivaz, vilosa, com aspecto 
verde­esbranquiçado; caules prostrados ou erectos; flores amarelas 
(Junho­Setembro), lígulas brancas, capítulo solitário na espécie 
espontânea, receptáculo cónico provido de pequenas brácteas entre as 
flores; folhas verde­esbranquiçadas, uma ou duas vezes divididas em 
lóbulos curtos e ostreitos; aquénio pequeno com 3 costas filiformes. 
Cheiro penetrante; sabor amargo. Partes utilizadas: capítulos, caules 
com folhas e flores (Junho­Setembro); secagem rápida.
O Componentes: óleo essencial, colina, enxofre, fósforo, ferro, ácidos 
gordos, inositol, esteroi O Propriedades: antiespasmódico, digestivo, 
emenagogo, estomáquico, febrífugo, vulnerário e, em doses elevadas, 
vomitivo. U. I., U. E. + o Ver: apetite, cefaleia, cólica, conjuntivite,
depressão, digestão, dor, irritabilidade, menstruação, nervosismo, 
olhos, pele, prurido.
Madressilva

Lonicera periclymenum L.

Madressilva­das­boticas Bras.: madressi Iva­ dos­j ardi n s

Caprifoliáceas

Amadressilva pertence à mesma família do sabugueiro e do noveleiro. É 
uma planta vivaz, cujos ramos volúveis se enrolam solidarnente em redor 
dos seus suportes e que pode viver 40 anos. A Lonicera é já citada nos 
textos de Dioscórides. Os Gregos designavam­na por periclymenon, do 
vocábulo perikIeio, eu agarro­me, com evidente referência à sua natureza
de arbusto trepador de ramos flexíveis que podem atingir 5­6 m.

Cresce na periferia dos bosques ou nas sebes de montanhas de baixa 
altitude, cujas imediações são, a partir de Junho, perfumadas pelas suas
flores. Durante toda a Antiguidade Egípcia, Grega e Romana, a sua casca 
foi utilizada, mas com o decorrer dos séculos perdeu importância, já não
sendo empregada na Idade Média. Actualmente, atríbuem­se às folhas e 
flores propriedades anti­sépticas e díurétícas. Em todas as suas 
utilizações, a madressilva pode ser substituída pela madressilva­dos­
jardins, Lonicera caprifolium L., que se evade frequentemente das 
culturas e floresce mais cedo que a espontânea, perfumando o ar, 
sobretudo ao entardecer.

G Não utilizar as bagas. Habitat: toda a Europa, extremidades dos 
bosques, solos argilosos, sebes; em Portugal, de Trás­os­Montes ao 
Alentejo; até 1000 m. Identificação: de 1 a 5 m de altura. Arbusto; 
caule volúvel; ramos jovens com extremidades pubescentes; folhas 
opostas, curtamente pecioladas, sendo as superiores sésseis, caducas, 
ovais, mais claras na página inferior; flores cor de marfim, estriadas 
de vermelho (Junho­Setembro), sésseis, agrupadas em glomérulos 
pedunculados; cálice curto com 5 dentes, coro~ Ia tulbulosa, bilabiada, 
com o lábio superior com

4 lóbulos curtos e o inferior inteiro, com 5 estames; baga vermelha, 
ovóide, com várias sementes; raiz com rebentos adventícios. Cheiro 
agradável. Partes utilizadas: folhas, flores (Junho­Julho); secagem à 
sombra.
O Componentes: ácido salicílico, mucilagem, essência, heterásido O 
Propriedades: acistringente, anti­séptico, detersivo, diurético, 
sudorífico. U. L, U. E. Ver: anginas, colibacilose, parto, tosse.

203
Malmequer­dos­brejos

Caltha palustris L. Calta, calta­dos­pântanos

Ranunculáceas

O malmequer­dos­brejos é uma planta vivaz, brilhante, mas nociva para os
prados, cujos caules, muito verdes, parcialmente imersos nos pântanos, 
nas margens dos cursos de água e nos solos alagados, florescem no início
da Primavera. Nos meios rurais, é frequentemente utilizado na alimentaçã
o; as folhas são utilizadas em saladas ou cozidas do mesmo modo que as 
hortaliças; as flores em botão, conservadas em vinagre, substituem as 
alcaparras. Os agricultores utilizam, por vezes, as flores, cor de ouro,
para corar a manteiga. O malmequer­dos­brejos pertence, como as 
anémonas, as clematites e os ranúnculos, à bela e perigosa família das 
Ranunculáceas e contém substâncias venenosas, pelo que não é 
conveniente, apesar das opiniões das pessoas dos meios rurais, ingeri­lo
fresco. Os homeopatas receitam­no para uso interno sob a forma de 
tintura, reservando­o a medicina tradicional para uso externo. Uma 
cataplasma de folhas secas provoca uma revulsão local que pode minorar 
algumas dores de origem reumática; no entanto, a sua mais importante 
propriedade é a de, como a arnica e a tussilagem, facilitar as curas de 
desintoxicação, como sucedâneo do tabaco.

O Uso interno apenas com receita médica. Habitat: toda a Europa, 
pântanos, bosques húmidos; em Trás­os­Montes e Minho, nos regatos e 
pauis; até 2500 m. Identificação: de O,20 a O,30 m de altura. Vivaz, 
caule carnudo, sulcado, glabro, oco, prostrado, ascendente, por vezes 
parcialmente imerso; folhas verde­escuras, grandes, brilhantes, 
carnudas, cordiformes ou riniformes, cenadas, pecioladas, sendo as da 
inflorescência sésseis; flores de um amarelo luminoso (Março­Junho), 
grandes, solitárias, muito abertas em forma de taça, 5 grandes sépalas 
petalóides, apétalas, numerosos estames, carpelos erectos e arqueados; 5
a 10 folículos membranosos, livres, verticilados, comprimidos, pros 
trados, enrugados transversalmente e conten    do cada um deles várias 
sementes; toiça curta e vertical. Cheiro ténue; sabor ardente. Partes 
utilizadas: folhas secas.
O Componentes: protoanemonina, flavonas, saponósidos O Propriedades: 
revulsivo. U. L, U. E. + Ver: reumatismo, tabagismo.

204
malvas *//* refazer

As malvas reconhecem­se pelas suas flores com cinco pétalas afastadas, 
estreitas na base, largas e chanfradas na parte superior, e pelos seus 
frutos rugosos, dispostos em

coroa no cálice persistente. A malva­silvestre, uma das mais comuns, 
desenvolve­se nos solos abundantemente azotados dos jardins, de antigas 
estrumeiras e nos baldios.

Esta planta é apreciada como hortaliça e

como remédio desde o século v111 a. C. Os rebentos, a parte comestível, 
provocaram indigestão a Cícero, que muito os apreciava; Marcial 
utilizava­os para uma dieta depois

das orgias, e, segundo Plínio, uma poção à base de suco de malva evita 
as indisposições durante todo o dia. Os pitagóricos consideravam­na uma 
planta sagrada que libertava o

espírito da escravatura das paixões; Carlos Magno não a dispensava como 
planta ornamental nos seus jardins imperiais. Em Itália, no século Xvi, 
denominava­se omnimorbia, isto é, remédio para todos os males. A tisana 
das quatro flores é constituída por sete espécies: a papoila, a 
tussilagem, a borragem, o verbasco, a alteia e a violeta, além da malva.

Habitat: comum na Europa, caminhos, lixeiras, solos ricos em azoto; 
frequente em Portugal do Minho ao Alto Alentejo; até 1300 m. 
Identificaçã o: de O,20 a O,70 m de altura. Bienal, caule parcialmente 
erecto, que se expande a partir do pé central, pubescente; folhas com 
longos pecíolos, palmatilobadas, serradas, com pêlos ásperos; flores cor
de malva com nervuras mais escuras (Maio­Agosto), grandes, em grupos de 
2 a 4, cálice com 5 lóbulos, epicálice com 3 folíolos estreitos, 5 
pétalas bilobadas no vértice, numerosos estames soldados pelos seus 
filetes, 12 estigmas; 12 carpelos que se

transformam em 12 aquénios reniformes. Sabor quase nulo. Partes 
utilizadas: raiz, folhas, flores (antes da abertura); secagem ao ar e à 
sombra, conservação difícil, tornando­se azuis com a secagem e 
descorando por acção da luz.
O Componentes: mucilagens, antocianinas O Propriedades: calmante, 
emoliente, laxativo. U. I., U. E. + V o Ver: abcesso, acne rosácea, 
afta, asma, banho, boca, bronquite, dentes, faringite, furúnculo, 
hemorróidas, nervosismo, obesidade, obstipação, olhos, picadas, tosse.

205
Marroio

Marrubium vulgare L. Marroio­branco, marroio­vulgar, marroio­de­frança,

erva­virgem Bras.: bom­homem, herva­virgem

Labiadas

Esta labiada apresenta grandes analogias com o marroio­fétido, que 
igualmente se desenvolve em tufos densos, por vezes quase arbustivos, 
nas ruas das povoações e nas encostas áridas. Necessitando de luz 
intensa, o marroio tem um aroma semelhante ao do tomilho. O seu sabor 
amargo determinou o nome científico, visto que a palavra marrubium 
deriva do heloreu inar, amargo, e rob, suco. O marroio é apreciado desde
épocas muito remotas devido às suas diversas virtudes medicinais; os 
antigos egípcios criam que era um remédio para as perturbações 
respiratórias; no século IV a. C., Teofrasto cita­o também, confundindo­
o, no entanto, com a Ballota foetida Lam., também denominada marroio­
negro. Dioscórides descobriu mais tarde as suas virtudes emenagogas, bem
como o perigo que representa em

caso de lesões renais. No século ix, Estrabão cultivou­o no jardim da 
Abadia de Reichenau, considerando­o *prodigiosamente forte+. Mattioli 
aconselhava­o em pomada para a desobstrução dos canais dos seios. Desde 
então, o

marroio não deixou mais de ser apreciado, utilizando­se a sua infusão 
como expectorante.

Habitat: Europa, ruas das povoações, terrenos baldios, esgotos, encostas
áridas; frequente em quase todo o território português; até 1500 m.

Identificação: de O,30 a O,80 m de altura. Vivaz, caule erecto, lanoso, 
ligeiramente ramoso; folhas esbranquiçadas, arredondadas, pecioladas, 
crenadas, bolhosas na página superior e lanosas na inferior; flores 
brancas (Junho­Agosto), em verticilos globosos, compactos na axila das 
folhas superiores, cálice tomentoso, com 10 dentes gancheados, 
bractéoIas assoveladas, corola com lábio superior ligeiramente chanfrado
e lábio inferior trilobado,

com 4 estames inclusos. Cheiro intenso e pouco agradável; sabor picante 
e amargo. Partes utilizadas: sumidades floridas (Julho­Agosto), folhas, 
secagem à sombra.
O Componentes: princípio amargo, colina, óleo essencial, saponósido, 
glucósido, tanino, potássio, cálcio, vitamina C O Propriedades: 
emenagogo, estomáquico, expectorante, febrifugo, sedativo, tónico, U. 1.
+ IN Ver: apetite, asma, bronquite, celulite, coração, enfisema, febre, 
menstruação, nervosismo, obesidade, paludismo, pulmão, sono, tosse.

206
Marroio­fétido

Ballotafoetida Lam.

Labiadas

Segundo alguns autores, o marroio­negro e o marroio­fétido são a mesma 
espécie; segundo outros, o marroio~fétido é uma subespécie do marroio­
negro. Na realidade, estas duas plantas apenas diferem em pequenos 
pormenores. No entanto, basta cheirá­las para as distin­uir. Muito 
intenso, mesmo a alguns passos de distância, no caso do marroio­fétido, 
esse cheiro a bolor e fuligem só é perceptível Do marroio­negro se for 
amachucado. Como todas as labiadas, as flores do marroio oferecem às 
abelhas um excelente néctar.

As duas plantas têm as mesmas propriedades terapêuticas. O marroio é 
especialmente um notável antiespasmódico, outrora utilizado contra a 
epilepsia e a hipocondria. É geralmente consumido em infusão, sendo, no 
entanto, uma experiência muito difícil abeirar­se dele e colhê­lo, 
quanto mais bebê­lo! Por vezes, para evitar o gosto e o odor 
desagradáveis, prepara­se uma alcoolatura. Sem dúvida devido a estas 
características, o marroio­fétido não é geralmente apreciado pelo gado.

Habitat: Europa, vulgar em França, sebes, ruas das aldeias, entulho, na 
parte inferior dos muros, todos os solos; frequente em Portugal; até 
1500 m. Identificação: de O,60 a O,80 m de altura. Vivaz, caule 
ascendente, ramificado, com muitas folhas; folhas pecioladas, rugosas, 
pubescentes, serradas; flores cor­de­rosa ou cor de púrpura (Maio­
Setembro), em verticilos nos nós das folhas, entremeadas por bractéolas 
curtas, cálice viloso, dilatado na fauce, com 5 dentes largos, corola 
com lábio superior aveludado. Cheiro a mofo de cave húmida; sabor acre e
amargo.

Partes utilizadas: sumidades floridas (Julho­Agosto).
O Componentes: tanino, saponósido, fitosterol, colina, lectona, sais 
minerais O Propriedades: antiespasmódico, colerético, sedativo. U. L, U.
E. Ver: acufenos, angústia, menopausa, nervosismo, sono, tosse convulsa.
Matricária

Chrysanthemum parthenium Bernh.

Arternísia­dos­ervanários, artemísia­bastarda­dos­ervanários, 
rnatricária­vulgar

Compostas
O nome do género, Chrysanthemum, que significa flor de ouro, não se 
aplica à matricária, cujas lígulas são de um branco imaculado; apenas o 
centro dos seus capítulos é amarelo. Originária da Ásia Menor, foi, em

épocas remotas, introduzida na Grécia, onde, sob o nome de parthenion, 
de parthenos, virgem, os Antigos a utilizavam para tratar as doenças 
tipicamente femininas. Na Idade Média, atribuíram­lhe propriedades de 
febrífugo, e desse facto deriva o seu nome em língua inglesa feverfew.

A matricária é frequentemente confundida com a macela e com a camomila 
devido à semelhança das suas flores; esta confusão pode ser evitada pelo
estudo das folhas da matricária, que se apresentam divididas em lóbulos 
largos, têm textura branda e perfume forte; as outras duas plantas, que 
pertencem aos géneros Anthemis e Matricaria, têm folhas delicadamente 
recortadas em lacínias estreitas.

O cheiro desagradável da matricária determina possivelmente a 
preferência que actualmente se dá à macela, cuja acção medicinal é 
análoga.

Habitat: Europa; em Portugal, desde Trás­os­Montes ao Alto Alentejo, nas
margens dos rios e nos rochedos. Identificação: de O,30 a O,80 m de 
altura. Vivaz, herbácea, erecta, formando manchas; folhas tenras 
recortadas em segmentos largos, sendo estes lobados, pecioladas, verde­
claras ligeiramente amareladas; flores centrais amarelas, tulbulosas, 
sendo as da periferia liguladas, brancas (Julho­Agosto), em capítulos de
12 a
15 mm de diâmetro, dispostos em corimbos com folhas; aquénio castanho 
quando maduro,
5 a 7 costas brancas longitudinais com coroa

membranosa crenada. Cheiro penetrante e desagradável. Partes utilizadas:
sumidades floridas (Junho­Agosto)
O Componentes: óleo essencial rico em borneol (cânfora de matricária), 
lípidos, glúcidos, sais minerais O Propriedades: antiespasmódico, anti­
séptico, emenagogo, febrífugo, insecticida, tónico. W., U.E. Ver: banho,
digestão, febre, insectos, raquitismo, sono.

208
Medronheiro

Arbutus unedo L.

Ervodo, ervedeiro, ervedo Bras.: árvore­de­ morangos

Ericáceas

Os Romanos chamaram ao abrunheiro Arbutus unedo. Virgílio, nas 
Geórgicas, chama a esta pequena árvore, muito frequente em Itália, 
arbustus; Plínio e alguns dos seus contemporâneos designam o 
medronheiro, unedo, por unum edo, eu como um só, fazendo assim 
referência ao gosto desagradável dos frutos. Abundante na região 
mediterrânica, incluindo Portugal, onde se encontra em todas as regiões,
estende­se para a Europa Central e dissemina­se até à Irlanda. Nas zonas
protegidas, pode atingir 6 e até 10 m de altura, mas a exploração e os 
incêndios das florestas mantêm­no entre 2 e 3 m, pois o seu crescimento 
é lento. O medronheiro é uma planta muito decorativa, apesar da sua 
silhueta tortuosa, devido à sua folhagem persistente e, sobretudo, aos 
seus frutos globosos de cor intensa, que produz durante quase todo o 
ano; os mais jovens são verdes, os mais maduros, vermelhos, e os 
intermédios, amarelos ou alaranjados, surgem ao mesmo tempo que as 
flores.

Os médicos interessam­se pelo medronheiro devido, sobretudo, ao seu 
elevado teor em tanino. Os seus frutos, considerados também diuréticos, 
servem para preparar bebidas caseiras tão agradáveis como úteis,

doces e saborosas compotas. A sua fina madeira é fácil de trabalhar e 
polir; é utilizada no fabrico de objectos torneados, para embutidos e 
marcenaria; além disso, é uma

óptima madeira para aquecimento e produz um excelente carvão de lenha. 
As abelhas retiram das suas flores um néctar de excelente qualidade.

Habitat: Europa Meridional; em quase todo o continente português, 
bosques, matas, solos áridos, siliciosos; até 600 m. Identificação: de 3
a 6 m de altura. Arbusto; caule tortuoso, erecto; ramos jovens 
avermelhados; folhas serradas, simples, persistentes, coriáceas; flores 
brancas e verdes (Outubro­Janeiro), em cachos pendèntes, corola gomilosa
com 5 dentes; fruto esférico, carnudo, denominado medronho, provido de 
saliências piramidais, vermelho no estado maduro, contendo de 20 a 25 
sementes; raizes profundas. Sabor farináceo, ligeiramente ácido e 
agradável

(frutos).

Partes utilizadas: raizes, folhas, casca, frutos.
O Componentes: tanino, arbutósido O Propriedades: acistringente, anti­
infiamatório, anti­séptico, depurativo, diurético. U. 1. Ver: 
arteriosclerose, diarreia, fígado, rim.

209
Meliloto

Me1i1otu,@ offi< inalis (L.) Pail.

Trevo­de­cheiro, coroa­de­rei

Leguminosas

O meliloto distingue­se facilmente das outras leguminosas. É uma planta 
herbácea que vive nos entulhos e nos terrenos cultivados, sendo comum em
solos calcários e arenosos; as folhas têm três folíolos serrados e as 
pequenas flores amarelas erguem­se em

extensos cachos; a floração é contínua, prolongando­se por um largo 
período. O nome

da planta deriva das palavras gregas mêli, mel, e Iótos, loto; na 
realidade, o meliloto é uma das plantas espontâneas mais procuradas 
pelas abelhas. Hipócrates e Teofrasto referem­se a um meliloto, 
desconhecendo­se se se trata desta planta. Na Idade Média não foi 
inventariada. Mais tarde, as opiniões dividem­se: enquanto, segundo 
algumas, o meliloto seria tóxico, segundo outras é considerado eficaz no
tratamento de cólicas e nefrites. Foi ainda reputado como remédio para a
embriaguez. A sua propriedade antiespasmódica deve­se ao seu teor em 
cumariria, mais elevado na planta fresca; a planta pode tornar­se 
perigosa para o gado se, quando deteriorada, for misturada com a 
forragem. O meliloto, tal como os fidalguinhos e a tanchagem, tem tido 
larga aplicação ocular; uma infusão quente da planta é benéfica para a 
vista cansada.

Habitat: Europa. solos calcários, campos, bermas dos caminhos, terrenos 
baldios, vinhas, vias férreas; até 600 m, Identificação: de O,50 a 1 m 
de altura. Bienal, caules erectos, muito ramificados, folhas com
3 folio@os serrados, sendo o central peduncWacio, com estipulas 
aderentes na base ao pecíolo, flores amarelas (Junho­Setembro), em 
longos cachos axilares. frouxos, cálice curto, com 5 lóbulos, corola 
papilionácea, asas mais compridas do que a carena pequena vagem curta, 
glabra, castanho­clara, @nrugada, pendente; raiz vigorosa e aprumada. 
Cheiro agradável,

Partes utilizadas: sumidades floridas (Junho­Setembro), secagem rápida 
ao ar livre e à sombra.
O Componentes: cumarina, heterósidos, resina, flavonóides, vitamina C O 
Propriedades: acistringente, antiespasmódico, anti­inflamatório, 
diurético, sedativo. U. I., U. E. + Ver: Wefarite, bronquite, cólica, 
conjuntivite, nervosismo, nevralgia, olhos, sono, varizes.

210
Melissa

Melissa officinalis L.

Erva­cidreira, limonete, chá­de­frança,

eitronela­menor

Labiadas

Amelissa, cujo nome evoca o mel, é efectivamente uma das melhores 
plantas melíferas. Cresce em tufos nos jardins ou nos seus arredores. 
Tem flores bastante pequenas de cor branca, que mais tarde se torna 
rosada. Exala, enquanto nova, um aroma suave semelhante ao do limão, que
depois se torna desagradável, desaparecendo com a secagem. Porém, após a
secagem, a planta apenas

conserva o aroma primitivo durante um ano    >

É mencionada pelos autores da Antiguidade, que aparentemente não 
apreciaram as

suas virtudes. Os Árabes, no século X, elogiaram a sua acção como 
cordial e remédio para a melancolia; este conceito é retomado por um 
fitoterapeuta nos inícios do século xx, que reconhece à melissa 
qualidades para fazer desaparecer as <@crises de mau humor nas jovens e 
nas mulheres débeis+. A essência de erva­cidreira pode ser considerada

como um estupefaciente ligeiramente tóxico; em pequenas doses provoca 
torpor e diminuição das pulsações. A melissa faz parte da composição de 
licores (chartreuse e beneditino) e da água de melissa dos Carmelitas.

V. Melissa ­bastarda, p. 214.

Habitat: Europa Meridional, escapada das culturas, sebes, próximo de 
muros; no continente e Madeira, disseminada nos locais sombrios e 
húmidos, sendo também cultivada; até 1000 m. Identificação: de O,20 a 
O,80 m de altura. Vivaz, caules em tufo, ramiticados a partir da base, 
erectos; folhas grandes, ovais, pecioladas, serradas, com nervuras 
salientes, reticuladas na página inferior; flores amareladas, tornando­
se brancas ou rosadas (Junho­Setembro), de 6 a 12 em verticilos ao nível
das folhas, cálice revestido de pêlos, com 2 lábios, sendo o superior 
plano com 3 dentes e maior, corola bilabiada e 4 estames; tetraquénio. 
Cheiro agradável, limonado; sabor ligeiramente amargo. Partes 
utilizadas: caule florido, folhas (Junho), secagem rápida,
O Componentes: óleo essencial, citroneial, tanino, resina, ácido 
succínico O Propriedades: antiespasmódico, carminativo, colerético, 
estomáquico, eupéptico, tónico. Li. I., U. E. + O Ver: acufenos, anemia,
apetite, asma, banho, estômago, fígado, gravidez, hálito, indigestão, 
lipotimia, memória, picadas, pulmão, sono, vertigem.
Mentas

a) Mentha rotundifolia L.

Mentastro, mentrastro b) Mentha viridis L.

Hortelã­vulgar b’) Mentha crispata Schrad.

Hortelã­crespa c) Meniha longifolia (L.) Hucis.

Hortelã­silvestre d) Mentha pulegium L.

Poejo e) Mentha arvensis L. f) Mentha aquatica L.

Hortelã­d'água

Labiadas

Apalavra *menta+ deriva de Mintha, nome de uma ninfa que a deusa grega 
Perséfone, por ciumes,   transformou em planta. Supoe­se que os povos da
Antiguidade utilizavam o poejo,  Mentha pulegium L., entrançando­o para 
fazer coroas que usavam em cerimônias e para fins medicinais. Outrora, 
os Chineses faziam a apologia das proprieHabital: Europa, Ásia, 
geralmente a baixas altitudes; não ultrapassam 1800 m. Identificação: 
vivazes, locais permanentemente húmidos; folhas planas, grandes e 
irregularmente serradas; numerosas flores cor­de­rosa (Verão), em 
verticilos, pequenas, cálices com 5 dentes, corola regular com 4 lóbulos
iguais ou praticamente iguais, 4 estames erectos, iguais, divergentes, 
salientes, 4 carpelos ovóides e lisos; parte subterrânea estolhosa. 
Mentas com espiga: até 1800 m; ultrapassam
1 m de altura. Caules erectos; folhas sésseis; flores em espiga de 
verticilastros terminais não folhosos, corola sem anel de pêlos no 
interior. a) Mentha rotundifolia L. Valas, caminhos; folhas oval­
arredondadas, espessas, enrugadas, bolhosas, ligeiramente serradas, com 
pêlos crespos, septados e ramificados; flores claras em espiga comprida,
estreita e pontiaguda, com grandes brácteas e cálice com dentes 
triangulares; estolhos folhosos. Cheiro intenso e desagradável. b) 
Mentha viridis L. Espontânea e rara nas montanhas, cultivada noutros 
locais; planta com poucos pêlos (glabrescente); folhas verdes nas duas 
páginas; flores em espigas frouxas e cálice glabro com dentes estreitos.
Cheiro suave e muito penetrante. b’) Mentha crispata Schrad. Híbrida da 
precedente; espécie cultivada; folhas curtas com bordos recortados, 
formando dentes curvos, acinzentados na página inferior. c) Mentha 
longifolia (L.) Hucis. Sebes e campos; folhas esbranquiçadas, 
tomentosas, lanceoladas, agudas; flores em espiga compacta com 
bractéolas estreitas e lanuginosas; cálice viloso com dentes compridos e
estreitos.
212
dades calmantes e antiespasmódicas das mentas. Hipócrates considerava­as
afrodisíacas e Plímo apreciava a sua acção analgésica. Actualmente, a 
menta é, além da verbena e da tília, um dos chás mais apreciados para 
terminar uma refeição.

O género Veniha é um dos mais complexos do reino vegetal devido aos 
inúmeros híbridos resultantes do cruzamento espontâneo das espécies, os 
quais podem sumariamente distinguir­se do seguinte modo: as

mentas em espiga, com flores dispostas numa espiga terminal não folhosa,
e as mentas rasteiras, com flores dispostas em verticilos, escalonados 
na axila das folhas pecioladas.

Na prática, todas as mentas têm virtudes medicinais semelhantes, as 
quais se devem c

sencialmente ao álcool extraído da essên­ %, cia, o nientol, que parece 
ter sido obtido pela primeira vez na Holanda nos finais do .século 
xviii. O mentol é um óptimo estimulante e,,tomáquico, um anti­séptico e 
um

analgésico; porém, em doses elevadas põe em perigo o sistema nervoso, 
pois pode causar a morte ao agir sobre o boibo raquidiano.

Mentas rasteiras: comuns em regiões de baixa altitude; até 1000 m; 
caules prostrados ou ascendentes, folhosos, não atingindo 1 m de altura;
flores em verticilos na axila das folhas pecioladas. d) Mentha pulegium 
L. Vales fluviais, locais inundados durante o Inverno; caule curto, 
ramos floridos praticamente desde a base até à extremidade; folhas 
pequenas, vilosas, acinzentadas, ligeiramente serradas e subsésseis; 
cálice bilabiado, muito viloso internamente, corola que se alarga 
bruscamente, gibosa de um lado, sem anel de pêlos. Cheiro agradável.

e) Meniha arvelisis L. Espécie polimorfa, ramos não floridos nas 
extremidades; folhas vilosas e largas; flores em pequenos verticilos 
compactos mais curtos que as folhas; cálice pubescente, campanulado, com
dentes iguais, largos e curtos; anel de pêlos na corola. J) Mentha 
aquatica L. Solos alagados; polimorfa, caules com pêlos eriçados, bem 
como as folhas ovais muito pecioladas; flores em verticilos pouco 
numerosos, globoso­capitados, cálice multinérveo pubescente com dentes 
estreitos e anel de pêlos na corola; carpelos verrucosos. Partes 
utilizadas: folhas e sumidades floridas (Julho­ Outubro); secagem em 
ramos.
O Componentes: mentol, tanino, d) carvona, mentona, pulegona O 
Propriedades: analgésico, anestésico, anti espasmódico, anti­séptico, 
carminativo, digestivo, estimulante, tónico. U. I., U. E. + o Ver: 
apetite, asma, banho, boca, convulsão, digestão, enxaqueca, hálito, 
insectos, lactação, nervos, nevralgia, pé, pele, pulmão, soluço, 
tabagismo, tosse.

213
Melissa­bastarda

Melittis melissophy11um L.

Betónica­bastarda

Labiadas

Os nomes dos géneros Melittis e Melissa derivam ambos do grego e 
significam abelha. Todavia, a melissa­bastarda e a erva­cidreira, embora
sejam duas plantas melíferas, poucas semelhanças apresentam sob o
ponto de vista botânico. Efectivamente, as

flores da primeira são bonitas, grandes, de um intenso cor­de­rosa, e 
agrupam­se duas a duas; as flores da melissa são pequenas, brancas e em 
verticilos. A melissa­bastarda desenvolve­se em bosques pouco densos, 
isolada ou em pequenos grupos, mas raramente em manchas como a melissa. 
É uma

lindíssima planta labiada expressamente cultivada para ornamentar 
jardins. As flores, ricas em néctar, são mais dificilmente atingíveis 
pelas abelhas do que pelas borboletas nocturnas, as quais, devido ao seu
extenso órgão sugador, conseguem ter acesso à tão apelecida reserva.

Os médicos da Antiguidade ignorara          m

esta planta, sendo mencionada pela primeira vez em 1542 pelo escritor 
Léonard Fuchs. Mais tarde, em 1715, Garidel tece­lhe enormes elogios, 
pois considera­a com poderes para restabelecer a secreção urinaria. A 
melissa­bastarda foi durante muito tempo um dos remédios mais utilizados
para o tratamento da gota e dos cálculos das vias urinarias.

Habitat: Europa meridional e Central, solos calcários, bosques pouco 
densos, ravinas, cotinas arborizadas, sebes do Minho ao Alto Alentejo, 
locais sombrio@ e húmidos, principaimente nas montanhas; até 7/00 m. 
Identificação: de O,20 a O,50 m de altura. Vivaz, caule erecto, viloso, 
simples, folhas pecioladas. serradas, grandes, com nervuras muito 
salientes, fiores de um cor­de­rosa intenso e brancas (Mato­Julho), 
muito grandes, unilaterats, de 2 a 5 por nó na axila das folhas, cálice 
amplo campanulado com 3 a 4 dentes largos, corola bilabiada, com tubo 
saliente, 4 eslames

paralelos, anteras em cruz, tetraquénio globoso arredondado no cimo; 
parte subterrânea rastejante. Cheiro intenso e desagradável sabor acre e
aromático. Partes utilizadas: toda a planta sem as raizes (início da 
fioração).
O Componentes: cumarina O Propriedades anti­séptico. diurético, 
emenagogo, sedativo. U. I., LI. E. Ver: angústia, conjuntivite, 
digestão, menstruação, sono, vertigem.
214
Mercurial

Mercurialis annua L.

Urtiga­morta, urtiga­bastarda

Euforbiáceas

Existem na Europa duas mercuriais muito vulgares: a mercurial­dos­
jardins­e­dos­campos, a única que é fármaco, e a mercurial­vivaz, 
Mercurialis perennis L., que habita as

matas. Ambas são dióicas e tóxicas. Distinguem­se do seguinte modo: a 
mercurial­vivaz tem uma toiça rastejante e o caule não é ramificado; a 
parte subterrânea da outra não se

estende horizontalmente e o caule é ramificado a partir da base. Exala 
um cheiro repugnante, pelo que Olivier de Serres afirmava que, quando a 
planta abundava nas vinhas, podia transmitir um aroma desagradável ao 
vinho. Outrora provavelmente cultivada como

hortaliça, evadiu­se progressivamente das culturas, tornando­se 
espontânea. No tempo de Hipócrates, a mercurial já era conhecida como 
laxativa e atribuíam­se­lhe, erradamente, propriedades ginecológicas. 
Dioscórides afirmava que a planta masculina, em decocção, facilitava a 
procriaçã o de meninos,

e a planta feminina, a de meninas. Porém, além de confundir as plantas, 
esqueceu­se de indicar qual dos cônjuges devia beber a tisana. Devido às
suas propriedades purgativas, esta planta deve ser utilizada com 
moderação e prudência.

O Não ultrapassar a dose prescrita. Habitat: Europa Central e 
Meridional, campos, jardins, vinhas, terras removidas, frequente em 
quase todo o território portugues, nos campos incultos, entulhos, muros 
e sebes; até 500 m. Identificação: de O,10 a O,50 m de altura. Anual, 
caule herbáceo, ramificado e com folhas a partir da base, nós bem 
marcados; folhas opostas com pecíolos curtos, oval­ lanceoladas, crenad 
o­ serradas; flores esverdeadas (Abril­Novembro), dióicas, cálice com 3 
sépalas, as flores masculinas em glomérulos formando uma espiga 
pedunculada, 10 estames, as femininas solitárias e subsésseis; ovário 
bilocular; cápsulas com 2 lóculos guarnecidos de pêlos, mais espessos na
base, e 2 sementes ovóides ci nz ento­ claras. Cheiro repugnante; sabor 
amargo e salgado. Partes utilizadas: a planta inteira fresca, com 
excepção da raiz, e o suco; secagem rápida.
O Componentes: óleo essencial, heterósido flavónico, sais de potássio O 
Propriedades: antilactagogo, diurético, purgativo. U. L, LI. E. + Ver: 
intestino, lactação, menopausa.
MilfÓlio

Achillea millefolium L.

Milfolhada, mil­folhas, mil­em­rama, erva­das­cortadelas, erva­
carpinteira, erva­dos­militares, erv a­dos ­soldados, erva­dos­golpes, 
erva­do­bom­deus, erva­de­sao­joao,

pêl o­de­ carneiro, prazer­das­damas,

salvação­do­mundo Bras.: botão­de­prata, mil­folhas

Compostas

Os múltiplos recortes das suas grandes folhas conferiram a esta planta o
nome de milfólio, e as suas propriedades medicinais são conhecidas desde
há muitos séculos. Deve o nome latino ao herói grego Aquiles, que, tendo
sido informado pelo centauro Quíron das virtudes terapêuticas da planta,
a utilizou, no decorrer de uma batalha, para curar

as feridas do rei Telefo. Era também conhecida pelos Celtas, que 
acompanhavam a sha colheita com ritos religiosos. Os caules de uma outra
espécie, que é esternutatória, a Achillea ptarmica L., outrora 
considerada medicinal, mas pouco utilizada actualmente, produzem os Che 
Pu, ou sejam as 50 varas utilizadas num método divinatório praticado na 
China há mais de 3000 anos.

O milfólio é uma das mais importantes plantas da Farmacopeia. Nos meios 
rurais, é utilizada não só devido às suas numerosas propriedades 
medicinais, mas ainda para conservar o vinho, introduzindo no tonel um 
pequeno saco com sementes.

o Evitar a acção do sol nas zonas da epiderme em contacto com o suco da 
planta fresca. Habitat: Europa, prados, bermas dos caminhos e das vias 
férreas; espontâneo no Norte e Centro de Portugal; até 2500 m. 
Identificação: de O,30 a O,70 m de altura. Vivaz, caule erecto, duro, 
folhoso; folhas pubescentes, compridas, tenras, com segmentos 
delicadamente divididos; flores brancas ou cor­de­rosa (Maio­Outubro), 
em corimbos densos, flores centrais tubulosas, entre 4 e 5 líguIas 
largas e curtas; aquénio esbranquiçado. Sabor acistringente e amargo.

Partes utilizadas: sumidades floridas, folhas, sementes (Ju nho­ 
Setembro).
O Componentes: óleo essencial, resina, tanino, alcalóide, heterósido, 
ácidos orgânicos, fósforo, potássio, matérias azotadas O Propriedades: 
acistringente, antiespasmódico, anti­séptico, carminativo, cicatrizante,
diurético, emenagogo, hemostático, tónico, vulnerário. U. I., U. E. + V 
o Ver: acne, banho, cabelo, celulite, circulação, ferida, greta, 
hemorroidas, menopausa, menstruação, pele, reumatismo, sarna, seio, 
varizes.
MoranGueiro

Fragaria vesca L.

Moranga, fragária Bras.: morango

Rosáceas

Antes da frutificação, esta planta é susceptível de ser confundida com 
uma outra rosácea, um falso morangueiro, Potentilla fragariastrum Ehrh.,
com folhas azuladas mais vilosas, pequenas pétalas brancas cordiformes e
que não produz frutos comestíveis. No entanto, toda a gente conhece os 
morangos, desde as variedades cultivadas até à mais delicada de todas, 
com cheiro debar e de rosa, o morango­silvestre. Em todos os tempos, as 
poesias, as canções populares e até os filmes homenagearam os morangos 
inspirando­se nos símbolos que estes representam. Os testemunhos das 
suas virtudes benéficas são imensos, pois os nossos antepassados pré­
históricos já os apreciavam; Fontenelle, que viveu 100 anos, adorava­os;
o célebre botânico Lineu utilizou­os no tratamento de uma gota dolorosa.
No entanto, do ponto de vista medicinal utilizam­se principalmente os 
rizomas e as folhas da planta; ricos em tanino, fazem parte de inúmeras 
preparações, pois têm'propriedades diuréticas e adstringentes. Com a 
infusão das folhas confecciona­se um chá muito agradável e refrescante.
 âm0 Não consumir os morangos logo que surjam sintomas de intolerância. 
Habitat: Europa, bosques, bermas dos caminhos; todo o território 
português; até 1600 m. Identificação: de O,05 a O,25 m de altura. Vivaz,
caule curto e viloso; folhas verde­claras, brilhantes na face superior, 
mais claras e pubescentes na inferior, trifoliadas, serradas e 
pecioladas; flores brancas (Maio­Junho), cálice de 5 sépalas, alternando
com os folíolos do epicálice, 5 pétalas obovadas, numerosos estames 
amarelos; carpelo cobrindo o falso fruto (morango) num receptáculo 
carnudo, vermelho

e ovóide rizoma castanho, estolhoso. Ch,,iro agradávei e suave 
(morango); sabor acIstririgente (rizoma e folha). Partes utilizadas: 
folhas (Primavera), frutos e rizomas (antes do aparecimento das folhas).
O Componentes: vitamina C, sais minerais, glúcidos, proteínas, tanino O 
Propriedades: acistringente, calmante, depurativo, diurético, tónico. U.
I., LI. E.  O Ver: acne rosácea, anginas, astenia, convalescença, 
dentes, diarreia, ferida, greta, leucorreia, litíase, pele, rim, sede, 
tez.

217
Morso­diabólico

Succisa praemorsa (Gilib.) Aschers.; sin.: Succisa

pratensis Moench

Morte­do­diaho, roída­do­diabo, morso­do­djabo,

escabiosa­mordida

Dipsacúceas 

Segundo conta uma lenda, o Diabo, enraivecido por ser obrigado a 
reconhecer as propriedades medicinais da planta, cortou­lhe a

raiz com uma dentada, dotando assim o morso­diabólico de um rizoma 
aparentemente seccionado a alguns centímetros do caule. Quanto ao nome 
de escabiosa que por vezes se lhe atribui, que deriva da palavra latina 
scabies, sarna, justifica­se pela utilização da planta na Idade Média 
para curar afecções da pele ou manifestações cutâncas de doenças mais 
genéricas, como a peste ou a sífilis. Desconhecido dos Antigos, o morso­
diabólico era no século XVI muito apreciado por Olivíer de Serres, que 
considerava úteis todas as suas partes. Actualmente, é receitado pelos 
homeopatas, sob a forma de tintura, para tratar certas dermatoses. Os 
fitoterapeutas utilizam as propriedades expectorantes e

fluidificantes das flores e folhas para o tratamento de bronquites e 
afecções das vias respiratórias. A raiz, depurativa e digestiva, pode 
servir de base a um excelente licor. O morso­diabólico é uma planta 
vivaz com

belas flores azuis que cresce nas pastagens húmidas, por vezes em 
grandes quantidades, sendo apreciado pelo gado quando tenro.

Habitat: Europa, solos húmidos; espontâneo em Portugal, nos arreivados e
solos húmidos do Minho, Beiras, Estremadura e litoral do Alentejo; até 
2000 m. Identificação: de O,30 a 1,25 m de altura. Vivaz, caule com 
ramos verticais, glabro ou pubescente; folhas opostas, ovaJ­oblongas e 
inteiras; flores azul­violáceas (Julho~Outubro), todas semelhantes, em 
capítulos solitários, globosos, com as brácteas do invólucro herbáceas e
receptáculo guarnecido por bractéolas interflorais, cálice com limbo com
4 ou 5 dentes aristados, corola tubulosa com 4 lóbulos e

4 estames  > aquénio; rizoma truncado junto do colo, escuro, não 
estolhoso. Cheiro fraco e agradável. Insípido. Partes utilizadas: suco 
fresco, capítulos, folhas e raiz seca.
O Componentes: heterósido (escabiósido), amido, sais minerais, 
saponósidos, tanino O Propriedades: acistringente, depurativo, 
estomáquico, expectorante, sudorífico, tónico, vulnerário. U. I., U. E. 
+ Ver: afta, asma, bronquite, dartro, pele, prurido.
Morugem­vulgar

Stellaria media (L.) Vill.

Morugerri­branca, morugem­verdadeira,

orelha­de­toupeira

Carriofiláceas

O nome desta planta é revelador de algumas das suas características: 
Stellaria deriva da palavra latina stella, estrela, pois as flores têm a
forma de estrelas brancas.

A morugem caracteriza­se pelos seus caules tenros, que permanecem rentes
ao solo se este não tiver outra vegetação, só se tornando erectos se a 
grande densidade da vegetação que os rodeia os comprime, forçando­os a 
procurar a luz. As flores são por natureza pouco visíveis, devido ao seu
pequeno tamanho, facto que é acrescido pela queda prematura das pétalas 
brancas, restando apenas o cálice verde confundido entre a folhagem; 
além disso, as flores fecham~se ao crepúsculo e em tempo chuvoso. A sua 
enorme vitalidade torna possível a

existência de cinco gerações instaladas no

mesmo pé no decorrer do ano.

Os autores da Antiguidade e da Idade Média desconheciam certamente a 
morugerri, pois não lhe fizeram qualquer referência; no século xix, o 
fitoterapeuta bávaro Kneipp considerou­a um calmante para as

afecções das vias respiratórias. Outrora, era muito utilizada nos meios 
rurais para saladas ou cozida como sucedâneo dos espinafres.

Habitat: vulgar na Europa, solos húmidos, campos, jardins, bermas dos 
caminhos, frequente em quase todo o território português; até 2000 m. 
Identificação: de O,10 a O,40 m de altura. Anuai, caules tenros, em 
tufos, rastejantes ou ascendentes, com nós bem definidos; folhas 
gialbras, inteiras, geralmente pecioladas e opostas; flores brancas 
(Fevereiro­Novemb@o), pedunculadas, na axila das folhas da extremidade 
do caule, em forma de estreia, 5 pétalas curtas, 3 estiletes, cápsula 
com 6 valvas. Sementes reniformes.

Partes utilizadas: planta fresca ou seca, suco fresco (todo o ano), 
secagem à sombra e ao ar.
O Componentes: sais minerais, principalmente de silício e de potássio O 
Propriedades: antilactagogo, diurético, tónico, vulnerário. U. I., U. E.
+ V O Ver: anemia, contusão, convalescença, estômago, hemorragia, 
hemorróidas, lactação, pele.
219
Mostarda­negra

Brassica nigra (L.) Koch (= Sinapis nigra L.)

Mostarda­preta, mostarda­ordinária

Crucíferas

Amostarda é um condimento muito conhecido e apreciado na culinária 
moderna; é obtida de uma grande planta crucífera actual~ mente muito 
vulgar no estado espontâneo em toda a Europa. Porém, em épocas 
anteriores à intervenção do homem na expansão da sua cultura só existia 
nos países mediterrânicos e no Oeste da Ásia. Teofrasto alude à sua 
cultura no século IV a. C.; é a mostarda do Evangelho; Columela refere­
se à sua

utilidade como condimento, que era então constituído pelas folhas 
conservadas em vinagre. O emprego da massa condimentar obtida pela 
trituraçã o das sementes em agraço ou em mosto de uvas difundiu­se cerca
do século XIII, e a palavra *mostarda+, mosto ardente, isto é, picante, 
surgiu pela primeira vez num texto datado de 1288. A mostarda é 
actualmente um dos mais divulgados condimentos no Ocidente; a espécie 
próxima Sinapis alba L., mostarda­branca      > com sabor menos intenso,
é cultivada para abastecer a indústria alimentar.

Em doses moderadas, este condimento estimula a digestão; deve ser 
excluído da alimentação dos dispépticos, pois é irritante.

C Não deve ser usada por doentes com infla~ mações das vias urinarias e 
do tubo digestivo, sendo proibida a dispépticos; a temperatura da água 
destinada à preparação dos sinapismos não deve ser superior a 50'C; 
conservar a farinha em local seco. Habitat: Europa Central, Ocidental e 
Meridional; em Portugal, além de cultivada, surge espontânea no Minho, 
Estremadura e Alentejo; até 1000 m. Identificação: de O,20 a 1 m de 
altura. Anual, caule erecto, ramos patentes; folhas pecioladas, liradas;
flores amarelas (Abril­Junho) em

cachos terminais em corimbo, abrindo­se uma a uma e precedendo o 
crescimento do escapo floral, que imediatamente se cobre de síliquas com
rostro curto e que contém várias sementes castanho­escuras. Partes 
utilizadas: sementes (maturação).
O Componentes: heterósido azotado (sinigrásido), mucilagem, alcalóides, 
enzima O Propriedades: mostarda­negra: revulsivo, vomitivo; mostarda­
branca: purgativo. U. L, U. E. + O Ver: banho, bronquite, congestão, 
intestino, nevralgia, pé, pulmão, reumatismo.
Murta

Myrtus communis (L.) Herm.

Murta­ordinária, murta­dos­j ardi n s, murteira

Mirtáceas

A murta é um arbusto muito glosado pelos poetas; é o myrtos dos Gregos, 
que o ofertavam aos seus mortos e que Electra reclamava para os manes de
seu pai, Agamémnon: *Nem libações nem ramos de murta ... +

Símbolo da glória e do amor feliz, com a

murta se entrançavam as coroas para os heróis que recebiam o ovatio e 
para as desposadas. É ainda a murta do Antigo Testamento, usada em 
grinalda nas bodas pelas jovens de Israel.

A madeira dos seus caules incensou inúmeras cerimônias religiosas. Das 
suas folhas e flores destiladas fazia­se uma água famo­ sa, a água­de­
anjo, utilizada como produto de beleza. Na Córsega, onde a murta cresce,
como em todas as regiões do Mediterrâneo, em matas ou em charnecas, é 
muito vulgar um licor com virtudes estomáquicas obtido pela maceração 
das bagas.

Este arbusto sempre verde desenvolve­se em moitas fechadas, cobertas de 
folhas brilhantes e aromáticas que, observadas à transparência, revelam 
a existência de pequenas glândulas; a partir de Maio, as flores brancas 
desabrocham, formando pequenas borlas perfumadas, e no Outono amadurecem
as bagas escuras.

Habitat: litoral da Europa Mediterrânica, matas, charnecas; espontânea 
nos matos, sebes, charnecas do Centro e Sul de Portugal; também é 
cultivada; até 800 m. Identificação: de 2 a 3 rn ou mais de altura. 
Arbusto; caule muito ramificado; folhas persistentes, coriáceas, 
brilhantes, opostas 2 a 2, raramente 3 a 3, lanceoladas, inteiras, 
subsésseis, providas na espessura do limbo de glândulas de essência, 
visíveis à transparência; flores brancas (Maio­Julho), pedunculadas, 
solitárias na axila das folhas, 5 pétalas e 5 sépalas, estames numerosos
e compridos, estilete saliente; baga negra. Cheiro aromático, apimentado
(flores); sabor desagradável e resinoso (bagas). Partes utilizadas: 
folhas (Agosto), frutos (Setembro­Outubro), essência, flores.
O Componentes: tanino, óleo essencial, resina, ácidos (cítrico, málico),
vitamina C O Propriedades: acistringente, anti­séptico. U. L, U. E. + 
Ver: banho, bronquite, constipação, contusão, ferida, hálito, 
hemorroidas, leucorreia, psoríase, sinusite, tosse.
Musgo­da­córsega

Alsidium helminthocorton (Latourette) Kurtz

Alga­da­córsega

Rodomeláceas

O homem dedicou­se desde os mais remo­ tos tempos à pesquisa de 
antiparasitários, nomeadamente para os vermes intestinais. O

reino vegetal forneceu­lhe um determinado número, como, por exemplo, a 
artemísia, o santónico, o tanaceto, alguns fetos e algas, de entre as 
quais o musgo­da­córsega, designação absolutamente errada, pois esta 
planta nada tem de comum com os musgos. A designação corresponde, na 
realidade, a um conjunto de 22 pequenas algas­vermelhas. Cresce em 
grande abundância nas costas mediterrânicas e tem o aspecto de uma 
almofada com filamentos delgados e emaranhados; a colheita deve ser 
feita, de preferência, com um ancinho, sendo conveniente em seguida 
libertar as algas de todas as conchas que a ela se prendem.

Já conhecido por Teofrasto, muito utilizado na Idade Média, este 
vermífugo parece ter caído no esquecimento no decorrer dos séculos 
seguintes, e só em 1775 um médico grego, Stephanopoli, chama de novo as 
atenções para o Alsidium helmiiithocortoti (Latourette) Kurtz e o 
divulga com o nome actual. Rico em iodo, é um óptimo estimulante para o 
funcionamento da tireóide. Segundo a tradição, era frequentemente 
utilizado por Napoleão.

O musgo­da­córsega é usado actualmente sob as mais diversas formas: em 
decoeção, em pó ou em leite vermífugo, sendo muito bem tolerado pelas 
crianças.

Habitat: rochedos das costas da Provença e da Córsega. Identificação: de
O,02 a O,04 m de altura. Alga, talo vermelho­escuro, ramificado em 
filamentos rastejantes, entrelaçados, e mais tarde erectos, frágeis, 
dicótomos, cilíndricos, carnudos; raros cistocarpos, subglobosos, 
colocados nas extremidades dos talos; provido de rizóides. Cheiro 
intenso a iodo; sabor salgado. Partes utilizadas: talo (todo o ano); 
secagem rápida ao sol; conservar seco em caixas de madeira.
O Componentes: substâncias mucilaginosas e

resinosas, iodo, ferro, cálcio, sódio O Propriedades: vermífugo, U. L, 
U. E. + Ver: bácio, parasitose.
Não­me­esqueças

Myosotis scorpioides (L.) HilI, ssp. palustris (L.)

Herm,

Bras.: miosótis

Borragináceas

Uma lenda persa narra que um anjo expulso do Paraíso por estar 
apaixonado por uma mortal teve como penitência a tarefa de semear o 
encantador não­me­esqueças em

todo o Mundo. Cumprida a penitência, regressou com a companheira coroada
com as mesmas flores que haviam espalhado pela Terra, e junto dela, 
tornada por sua vez imortal, reencontrou a paz eterna do Paraíso. E é 
certamente nesta lenda que se encontra a explicação para o nome vulgar 
da planta, comum a muitas línguas em todo o Mundo, evocação do amor fiel
e eterno: *Ame­me; não me esqueça. @> Ao longo de todo o Ve~ rão, o azul
singelo pontilhado do amarelo das suas corolas invade os solos húmidos. 
Muitos poetas cantaram esta flor pela sua beleza e pelo símbolo de amor 
que representa.

Além disso, o não­me­esqueças é útil sob outros aspectos; seco, revela­
se um excelente sucedâneo do meliloto para as inflamações dos olhos; nos
anos 60, o Prof. Léon Binet, da Faculdade de Medicina de Paris, 
recomendou­o como antiasténico eficaz nas manifestações funcionais de 
atonia, devido à sua riqueza em sais de potássio.

Habitat: comum na Europa, arribas e taludes, prados alagados; até 2000 
m. Identificação: de O,15 a O,40 m de altura. Vivaz, caule anguloso, 
muito folhoso; folhas tenras, obiongas, lanceoladas, com pêlos duros, 
extremidade obtusa, envolvendo o caule, flores azuis (Maio­Agosto), 
agrupadas em espigas terminais espiraladas, corolas com iimbo plano, com
5 lóbu@os. de 5 a 8 mm de largura, cálice coberto de pêlos curtos 
encostados, esWete comprido; ovário com 4 carpelos livres, trígonos 
lisos >torça oblíqua, rastejante, esbranquiçada, estolhosa. Cheiro 
herbáceo.

Partes utilizadas: folhas, sumidades floridas (Maio­Agosto), secagem em 
ramos suspensos.
O Componentes: potássio O Propriedades: anti­infiamatório, sedativo, 
tónico. U . L, U. E. Ver: astenia, conjuntivite, olhos, ouvido.
Narciso­trombeta

Narcissus pseudo­narcissus L.

Narciso­bravo Bras.: narciso­dos­prados, narciso

Amarilidáceas

O narciso­trombeta é uma flor primaveril e

das mais populares nas regiões onde cresce; a maioria das vezes o 
entusiasmo da colheita impede que se pense na toxicidade do seu

bolbo, que não deve ser arrancado com as mãos desprotegidas, pois é de 
facto um perigo real. O perfume das flores provoca também uma espécie de
sonolência que a

própria palavra *riarciso+ evoca, pois deriva do grego narkè, sono. 
Narciso é ainda o fascinante jovem que, ao contemplar­se na

água de uma fonte, se apaixonou pela sua própria imagem; desesperado por
não poder apoderar­se de si próprio, entristece e morre

de desgosto (só ressuscitando nas palavras dos poetas e nos conceitos 
dos psiquiatras e

dos psicanalistas).

Dioscórides foi, de entre os autores antigos, o primeiro a assinalar o 
poder vomitivo do bolbo do narciso; simultaneamente, aconselhava a sua 
utilização para tratar queimaduras, luxações e abcessos. Esquecido em 
seguida até ao século xix, o narciso entrou, embora tardiamente, na 
farmacopeia francesa devido às suas propriedades antiespasmódicas. 
Planta não melífera, cultivada para ornamentação, o seu esplendor 
decora, no estado natural, os prados e as matas.

O Não utilizar o bolbo, nem tocar­lhe com as mãos desprotegidas. 
Habitat: Europa Central e Meridional, prados e matas pouco densos; 
existe em Portugal em vários locais, desde o Minho ao Alentejo; até
2000 m. Identificação: de O,20 a O,40 m de altura. Vivaz, buiboso, 2 a 4
folhas em lacínias muito compridas, obtusas no vértice; flor amarela 
(Abril­Maio), solitária, grande, pendente, espata invaginante, cálice e 
corola soldados em tubo com a forma de um funil (infunclibuliforme), de 
cuja base irradiam 6 divisões petalóides, com coroa longa crenada, 
ovário ínfero; cápsula globosa­trigonal; boibo ovóide, liso. Inodoro; 
sabor amargo e acre (boibo). Partes utilizadas: flores secas (Março); 
secagem em tempo seco para não perder as propriedades.
O Componentes: matéria gorda, cera, caroteno, óleo essencial O 
Propriedades: antidiarreico, antiespasmódico, sedativo. U. 1. + Ver: 
asma, diarréia, nervosismo, paludismo, tosse convulsa.
Nespereira­da­europa

Mespilus germanica L.

Rosáceas

Não sendo o orgulho dos pomares, a nespereira é uma árvore de fruto, 
outrora muito apreciada, embora actualmente cresça apenas nas sebes. Não
deve ser confundida com a nespereira­do­japão, ou magnólio, Eriobotrya 
J.aponica L., que pertence à mesma

família botânica e de cultura mais frequente em Portugal. As suas flores
brancas são grandes e os seus frutos assemelham­se a pequenas maçã s 
castanhas encimadas por uma larga coroa de sépalas persistentes. Quando 
maduros, não são comestíveis, sendo necessário esperar que estejam 
sorvados, pois adquirem então um sabor agradável.

Muito pouco se sabe das utilizações da nespereira­da­curopa na 
Antiguidade, pois a árvore foi motivo de inúmeras confusões. A partir da
Idade Média. os seus frutos foram utilizados para tratar febres e 
diarreias; devido às suas propriedades acistringentes, são eficazes para
regularizar as funções intestinais; os frutos frescos são bem digeridos 
mesmo pelos estômagos delicados. Preparam­se com os frutos compotas e 
xaropes.

Habitat: Sul e Sudoeste da Europa, rara nas regiões mediterrânicas, 
florestas, bosques pouco densos, sebes; é uma planta pouco cultivada em 
Portugal; até 800 m.

Identificação: de 3 a 6 m de altura. Arbusto; tronco sinuoso, ramos com 
pêlos e espinhos; folhas grandes, simples, inteiras ou ligeiramente 
dentadas, com pecíolos curtos, baças e glabras na página superior, 
ligeiramente pubescentes na inferior; flores brancas (Maio­Junho), de 3 
cm de diâmetro, solitárias, subsésseis, rodeadas por folhas grandes nas 
extremidades dos ramos, 5 sépalas compridas, persistentes, e 5 pétalas 
onduladas, numerosos estames, ovário ínfero; pomo bronzeado, achatado na
extremidade, coroado pelas sépalas, 5 caroços com 1 semente ovóide e 
comprimida. Partes utilizadas: frutos (após as primeiras geadas), 
caroços, folhas, casca; apanhar os frutos sorvados.
O Componentes: tanino, ácidos (acético, cítrico, fórmico, málico, 
tartárico), matérias pécticas, açúcar, vitamina C O Propriedades: 
adstringente, diurético. U. L, U. E. V Ver: afta, boca, diarreia, 
estômago, ferida, pele.

225
Nieveda

Calaminiha officinalis Moench. Erva­das­azeitonas, calaminta

Labiadas

Da mesma família das mentas e dotada de um aroma semelhante, foram 
durante muito tempo confundidas; no entanto, as flores da nêveda são 
muito maiores e mais separadas umas das outras. Esta confusão é ainda 
justificada pela palavra Calamintha, que deriva do grego kalé, belo, e 
minthê, hortelã. A planta, muito conhecida na Antiguidade e na Idade 
Média, era usada como remédio para os zumbidos do ouvido, as eructações,
os soluços, as dores abdominais e os espasmos de origem nervosa, sendo 
também utilizada como tónico, digestivo e estimulante. Aemilius Macer, 
em 1477, louvava ingenuamente o efeito curativo da nêveda contra a 
elefantíase, <espécie de lepra que excede qualquer doença@, do mesmo 
modo que o elefante sobressai entre os outros animais, Em 1890, Cadéac 
nota que os animais que pastam a

nêveda *têm um aspecto animado e inteligente, parecem felizes com a sua 
vitalidade, deslocam­se com prazer, passeiam com orgulho, têm um porte 
altivo e domínador, A análise química da planta não revela qualquer 
substância susceptível de produzir tão espectaculares resultados.

Habital: Sul de Inglaterra, Europa Central; em Portugal, é frequente nos
locais secos e áridos; até 1500 m. Identificação: de O,15 a O,30 m de 
altura. Vivaz, ramificada; caule herbáceo; folhas pecioladas, finamente 
serradas; flores cor de púrpura (Julho), de 10 a 12 mm, pediceladas 
sobre um pedúnculo comum, cálice erecto com dentes desiguais, celheados,
corola mais comprida, com o lábio inferior trilobulado. Cheiro 
semelhante ao da hortelã e da erva­cidreira. Partes utilizadas: caule 
com folhas e flores (Julho); secagem à sombra.

O Componentes: essência, enzimas O Propriedades: antiespasmódico, 
estomáquico, tónico. U. 1. + Ver: acufenos, aerofagia, digestão, 
espasmo, estômago, fadiga, soluço.

226
Nêveda­dos­gatos

Nepeta caiaria L. Ervd­clos­gatos, erva­,­ateira, catéria

Bras.: mentrasto

Labiadas

A planta ­ cujo nome de espécie botânica, cuiaria, deriva do latim 
catus, gato ­ exerce uma irresistivel atracção sobre estes felinos, e, 
ao contrário da valeriana, que é dotada do mesmo poder, mas tem um 
cheiro desagradável, a nêveda­dos­gatos exala um perfume a hortelã muito
agradável.

Esta planta vivaz, originária do Mediterrâneo Oriental, foi durante 
muito tempo cultí~ vada para usos medicinais; mais tarde, escapou­se dos
jardins, disseminando­se caprichosamente por diversos locais. Encontra­
se facilmente nos entulhos, nas bermas dos cami:nhos. sebes e nos 
arredores dos cemitérios. A nêveda­dos­gatos assemelha­se à melissa, ou 
erva­cidreira, diferenciando­se, no entanto, facilmente devido às suas 
flores cor­de­rosa com cachos terminais e ao lábio inferior, concavo e 
trilobado das suas corolas. É uma planta calmante e digestiva, com a 
qual se preparam óptimas tisanas. Para aliviar uma dor de dentes, podem 
mastigar­se algumas folhas frescas de nêveda­dos­gatos. Em medicina 
popular, emprega­se em casos de bronquite crónica e para a diarreia. E, 
evidentemente i

se houver um gato em casa, é aconselhável esfregar com a planta o pedaço
de madeira onde se pretende que ele afie as unhas.

Habitat: Europa, excepto em altitude; em Por~ tuga), de Trás­os­Montes 
ao Alentejo; terrenos baldios, bermas, locais pedregosos. Identificação:
de O,50 a 1 m de altura. Vivaz; caule viloso, acinzentado, erecto, 
ramoso; folhas pecioladas, largas (2 a 5 cm), crenado­ ­serradas, verde­
acinzentadas na página superior, esbranquiçadas na inferior, cordiforme­
ovadas; flores brancas pontuadas de cor de púrpura (Junho­Setembro), em 
verticilos densos, cálice viloso quase recto quinquedentado ou 
quinquefundido, corola ultrapassando levemente o cálice, com lábio 
superior chanfrado,

lábio interior côncavo, trilobado, 4 estames, dos quais 2 mais 
compridos; 4 aquénios trigonos, castanhos, lisos. Cheiro forte; sabor 
amargo, picante e acre. Partes utilizadas: sumidades floridas (Junho­
Setembro), planta inteira (Verão).
O Componentes: carvacrol, timol, lactona, ácido nepetálico O 
Propriedades: antiespasmódico, carminativo, emenagogo, estomáquico, 
tónico, vulnerário. U. L, U. E. + o Ver: dentes, estômago, ferida, 
menstruação, nervosismo, soluço, sono, tosse, tosse convulsa.
Norça­preta

Tamus communis L.

Uva­de­cão, arrebenta­boi, ramo, baganha

Dioscoriáceas

Seria difícil imaginar, ao observar o frági caule da norça­preta 
enrolado em volta da árvores ou revestindo os pilares dos cara

manchões, que é a única planta europei aparentada com os inhames 
tropicais; as rai zes de ambos, semelhantes a volumoso nabos, são 
extremamente parecidas. Pc vezes muito carnudas, podem atingir várie 
quilos de peso. Como a raiz do inhame, muito tóxica quando crua; no 
entanto, é po@ sível ingeri­Ia sem consequências graves apé demorada 
cozedura em várias águas. D ponto de vista medicinal, apenas o uso ex

terno da planta foi mantido. O rizoma, mo

do, amassado, fervido e aplicado em cat@ plasma sobre as contusões, faz 
desaparece o rubor e os hematomas. Celso, médic latino contemporâneo do 
imperador Augustc

secava a planta, obtendo um pó insecticid@

Obedecendo ao princípio de tratar o m, com o mal em doses 
infinitesimais, os hc meopatas receitam por vezes, para as insc lações, 
uma tintura extraída da norça­pret@

Os frutos são pequenas bagas brilhante muito apreciadas pelos tordos e 
melros. absolutamente necessário avisar as crianç@ de que estas bagas, 
facilmente confundi& com groselhas, são venenosas e muito per gosas.

O Não engolir. Habitat: Europa Central e Meridional, orlas dos bosques, 
moitas; em quase todo o território português, nas margens dos campos e 
sebes; até 1200 m. Identificação: de 2 a 4 m de altura. Vivaz, caule 
herbáceo, cilíndrico, delgado, volúvel, sinistrorso, ramoso, desprovido 
de gavinhas; folhas alternas, pecioladas, simples, ovado­cordiformes, 
com a ponta para baixo, verdes, brilhantes, finas, com 5 a 7 nervuras; 
flores verde­claras (Março­Julho), dióicas, em espigas frouxas, na axila
das folhas, sendo as femininas curtas e as

masculinas compridas; baga vermelha e brilhante; raiz volumosa e 
tuberosa, napiforme, carnuda, escura externamente e de fractura 
esbranquiçada. Cheiro suave; sabor acre, amargo (raiz), acídulo e depois
ardente (baga). Partes utilizadas: rizoma (Dezembro); conservar no 
estado fresco, mergulhado em areia, ou cortado em rodelas e seco no 
forno.
O Componentes: oxalato de cálcio, substância de tipo histamínico, 
mucilagem, glúcidos O Propriedades: hemolítico, resolutivo. U. E. + Ver:
artrite, contusão.
Noveleiro

Vibiít­tití@?i opulus L.

Bola­de­neve, rosas­de­gueldres

Bras.: espinhei ro­ negro

Caprifoliáceas

Este arbusto de 3 a 4 m de altura reconhece­se facilmente devido às suas
flores desiguais, dispostas numa falsa umbela; as da periferia são 
bastante grandes, brancas e estéreis; as restantes são pequenas, porém 
completas e fecundas. Existe uma variedade hortícola de noveleiro cujas 
flores são todas grandes, estéreis e agrupadas numa inflorescência 
esférica: é o Viburnum opulus L., var.

sterile DC., cultivado nos jardins e parques.

Viburnum deriva da palavra latina vincio, eu entranço, eu ligo, e de 
facto certos ramos desta planta, extremamente flexíveis, podem ser 
utilizados como os do vimeiro. Opulus é o nome latino do ácer, existindo
na realidade uma analogia entre as folhas destes dois arbustos. Os 
frutos, que amadurecem em Setembro, de cor vermelha intensa e do

tamanho de ervilhas, são venenosos para o homem, sendo ingeridos pelas 
aves apenas em épocas de escassez. No entanto, em alguns países 
balcânicos são preparados em compota e utilizados como condimento. A sua
madeira só serve para aquecimento; os caules são utilizados no fabrico 
de tubos para cachimbos. O noveleiro não ocupa lugar de relevo na 
história da medicina. Apenas a casca e muito raramente a flor são 
utilizadas.

Habital: Europa, excepto na região mediterrânica, locais frescos, sebes,
bosques abertos, especialmente solos calcários; cultivado em Portugal; 
até 1400 m. Identificação: de 3 a 4 m de altura. Arbusto; casca 
cinzento­clara e seguidamente amarelo­acastanhada, fendida 
longitudinalmente; ramos frágeis e glabros; folhas opostas, pecioladas, 
com estipulas delicadas e 3 lóbulos dentados; flores brancas (Maio­
Junho), em falsa umbela, com 6 a 7 raios, sendo as exteriores estéreis e
as centrais pequenas e férteis; baga globosa com 1 semente vermelha 
quando

madura. Inodoro. Partes utilizadas: casca seca e, por vezes, as flores.
O Componentes: resina, ácidos, açúcares, tanino, heterásido, 
antocianina, princípio amargo
O Propriedades. antiespasmódico, sedativo. U. 1. Ver: menopausa, 
menstruação.

229
Onagra

Oenothera biennis L.

Erva­dos­burros, zécora, canárias

Bras.: minuana

Enoteráceas

Originária da América do Norte e importada da Virgínia, a onagra surgiu 
na Europa em 1619 num jardim de Pádua. A partir de então, difundiu­se 
por todo o continente, onde se adaptou tão bem como qualquer das plantas
indígenas. O seu único caule, erecto, ligeiramente ou nada ramificado, é
guarnecido por folhas alternas e possui longos escapos florais amarelos,
em forma de funil, que se abrem ao entardecer, assim permanecendo 
durante duas noites consecutivas, pelo que os Ingleses lhe chamam 
evening star, estrela da tarde. O pólen é transportado pelas abelhas e 
pelas borboletas nocturnas. A raiz, carnuda e avermelhada, é por vezes 
cozinhada do mesmo modo que a do cersefi; segundo um antigo provérbio 
alemão, uma

libra (cerca de 500 g) de raiz de onagra alimenta mais do que um quintal
de carne de vaca! A origem do nome Oenothera pode explicar­se de 
diversos modos: das palavras gregas onos, asno, e thera, presa, 
correspondendo assim ao nome vulgar de erva­dos­burros, ou ainda de 
oinos, vinho, e thèi­, anirinal selvagem, pois uma infusão da raiz em 
vinho amansava as feras. Os caracteres genéticos particulares da onagra 
tornaram­na útil para a investigação das leis da hereditariedade.

Habitat: Europa, jardins, escarpas, vias férreas, terrenos baldios, 
ribanceiras; cultivada e subespontânea em várias regiões de Portugal; 
até 1000 m. Identificação: de O,40 a 1,50 m de altura. Bienal, caule 
erecto, quase simples e folhoso; folhas pubescentes, ovais, aiongadas, 
pontiagudas, sé sseis, sendo as da base pecioladas; flores amarelas 
(Junho­Setembro), grandes, em espiga erecta de floração nocturna, 4 
pétalas em taça, chanfradas no vértice, 4 sépalas estreitas, 
permanecendo frequentemente soldadas pela ponta, 8 estames em forma de T
e 4

estigmas em cruz; cápsula espessa, erecta, séssil, 4 valvas, numerosas e
pequenas sementes; raiz carnuda e avermelhada. Cheiro suave (flor) a 
vinho (raiz); sabor agradável (raiz). Partes utilizadas: raiz e folhas.
O Componentes: mucilagem, tanino O Propriedades: antiespasmódico, 
depurativo. U. 1. Ver: espasmo.
Orégão­vulgar

Origanum vulgare L. Manjerona­brava, m anjerona­selv agem

Bras.: orégano

Labiadas

No estado espontâneo, o orégão é uma planta da montanha, como indica o 
nome, derivado das palavras oros, montanha, e ganos, esplendor; o orégão
chegou à actualidade através da história dos simples, porém sempre 
acompanhado de uma certa imprecisão científica; os textos médicos 
antigos fazem efectivamente numerosas referências a um oregão com flores
brancas cujas corolas são cor­de­rosa­púrpura, que não corresponde ao 
orêgão­vulgar. Além disso, é frequentemente confundido com a manjerona, 
que, no

entanto, só sobrevive nos climas europeus quando cultivada. Porém, as 
propriedades medicinais do orégão contidas nas sumidades floridas são 
irrefutáveis; os fitoterapeutas utilizam­nas, estando a maioria das suas
importantes virtudes ligada a uma acção estimulante sobre o sistema 
nervoso. Possuem ainda uma acção antálgica; uma pequena almofada feita 
com as sumidades floridas recentemente colhidas e aquecidas durante um 
breve momento numa frigideira alivia qualquer torcicolo. Destas 
sumidades floridas também se pode obter uma bebida doce, aperitiva, 
digestiva e béquica pela maceração de 50 g em 1 1 de vinho durante 10 
dias. Cheiro aromático, sabor amargo.

superior erecto e chanfrado, sendo o inferior trilobado, e 4 estames 
divergentes; tetraquénio, sendo cada uma das partes ovóide e lisa; 
rizoma rastejante, escuro e com raízes fibrosas. Partes utilizadas: 
folhas, sumidades floridas.
O Componentes: óleo essencial, tanino, resina, goma O Propriedades: 
antálgico, antiespasmódico, anti­séptico, emenagogo, estomáquico, 
expectorante, parasiticida, tónico. U. I., U. E. + V O Ver: aerofagia, 
apetite, boca, cabelo, celulite, dentes, epilepsia, estômago, ftiríase, 
menstruação, nevralgia, torcicolo, tosse, traqueíte.

231
Papoila

Papaver rhoeas L.

Papoila­ordinária, papoi 1 a­das­ searas, papoila­vermelha, papoila­
rubra, papoila­brava

Bras.: papoula

Papaveráceas

Os herbicidas selectivos expulsaram­na das searas, onde as suas frágeis 
pétalas de um vermelho intenso estremeciam entre as espigas douradas. 
Actualmente, a papoila acolhe­se ao longo das estradas e das vias 
férreas. Planta anual, tem uma vida curta e não tardará a tornar­se 
rara, como muitas outras ervas daninhas infestantes das searas.

Originária do Mediterrâneo Oriental, a

papoila parece ter sido introduzida na Europa com a cultura dos cereais.
Utilizada desde os mais remotos tempos, esta flor peitoral faz parte 
actualmente da mistura das sete plantas que constituem a *tisana das 
quatro flores, É conveniente respeitar as doses prescritas, pois em 
doses elevadas pode tornar­se tóxica.

Se bem que a atraente cor destas frágeis flores incite a colhé­las em 
ramos, é necessário identificar com exactidão as suas características 
distintivas, pois para fins terápétiticos não são indicadas as flores de
cor mais desmaiada e mais pequenas com cápsula pilosa ou estrangulada no
vértice.

O Respeitar as doses indicadas. Habitat: Europa; frequente em quase todo
o País; até 1700 m. Identificação: de O,25 a O,80 m de altura. Anual, 
caule erecto, piloso, ramoso, com látex esbranquiçado; folhas vilosas, 
recortadas em lóbulos lanceolados triangulares, sendo as inferiores 
muito recortadas; flores vermelhas, frequentemente maculadas de preto na
base (Maio­Julho), solitárias na extremidade de um comprido pedúnculo, 
efémeras, cálice com 2 sépalas, corola com 4 pétalas, com pré­floraçao 
enrugada, estames preto­azulados, cápsuIa curta, ovóide, glabra, 
deiscente por poros abertos sob o disco estigmatífero, numerosas 
sementes pretas. Cheiro pouco intenso, viroso; sabor amargo. Partes 
utilizadas: pétalas (na floração), dispor em camadas finas, conservar em
seco.
O Componentes: vestígios de alcalóides, pigmentos antociânicos O 
Propriedades: antiespasmódico, emoliente, hipnótico, peitoral, sedativo,
sudorífico. LI. I., LI. E. + V UZ Ver: anginas, bronquite, cólica, 
nervosismo, ruga, sono, tosse.
Parietária

Parietaria officinalis L.

Alfavaca­de­cobra, erva­das­muralhas, erva­fura­paredes, erva­dos­muros,
erva­de­santa­ana,

erva­de­nossa­senhora, erva­das­paredes, helxina,

cobrinha, pulitaina, pulitária

Bras.: erva­de­santa­ana

Urticáceas 

É uma planta vivaz, de origem mediterrânica, que seguiu o homem até ao 
extremo norte da Europa, vagueando de povoação em povoação e instalando­
se em moitas nas paredes deteriorada@. Em fitoterapia, são utilizadas 
duas variedades: uma delas com caules grandes e inflorescências densas e
uma outra com caules mais difusos e glomérulos pendentes. As suas 
propriedades medicinais são idênticas e ambas podem provocar 
manifestações de polinose. As virtudes da parietária são conhecidas 
desde a Antiguidade; no

século 1, Plínio relata a eficácia desta planta no tratamento de um 
escravo que caíra do cimo de um muro. Emoliente e diurética, é mais 
activa quando utilizada no estado fresco; seca, conserva apenas algumas 
das suas propriedades se for guardada num frasco hermeticamente fechado.
Adicionando à parietária a cavalinha, a urtiga­branca, a urze e

a barba de milho, prepara­se uma infusão de sabor desagradável, 
utilizada no tratamento da cistite. A planta tem cheiro insípido e

sabor a erva, ligeiramente salgado.

Habitat: Europa; em todo o País; até 700 m Identificação: de O,10 a O,30
m de altura. Vivaz, caule avermelhado, erecto ou difuso (isto é, com os 
ramos dispostos sem ordem e bastante abertos), por vezes pendente, 
pubescente; folhas alternas, pecioladas, inteiras, ovais ou em forma de 
losango, finas, com 2 ou
3 nervuras guarnecidas na página inferior de pêlos aderentes; flores 
esverdeadas (Junho­Outubro), com glomérulas em grupos de 5 a 6 na axila 
das folhas, pequenas, acompanhadas de brácteas inteiras ou celheadas, 
hermafroditas ou unissexuadas, estando as femininas sempre

situadas no centro, 4 sépalas, 4 estames, 1 ovário unilocular, 1 
estilete terminado por 1 estigma plumoso, aquénio pequeno, preto, 
brilhante e comprimido; toiça vivaz e robusta. Partes utilizadas: parte 
aérea da planta, folhas mondadas, suco; secagem rápida à sombra.
O Componentes: nitrato de potássio, cálcio, pigmentos flavónicos, 
enxofre, mucilagem O Propriedades: depurativo, diurético, emoliente, ref
rescante. U. L, U. E. + V o Ver: albuminúria, cistite, dentes, edema, 
hemorróidas, litíase, sarda.

233
Pé­de­leão

Alchemilla vulgaris L. (sensu lato)

Rosáceas

A abundância de orvalho que as grandes folhas do pé­de­leão retêm 
durante a noite torna­o facilmente reconhecível. Este orvalho era 
outrora muito apreciado pelos alquimistas, que o utilizavam com a 
designação de água celeste, além de muitos outros ingredientes, na sua 
infatigável procura da pedra filosofal. Actualmente, considera­se de 
grande requinte secar estas folhas sem quaisquer precauções e, 
juntamente com algumas folhas de primavera, adicioná­las ao chá da China
para lhe dar um paladar leve e refinado.

O pé­de­leão, pequena planta vivaz das zonas frescas e húmidas, não 
aparece na região mediterrânica. Encontra­se em Portugal, principalmente
no Alto Alentejo. Outrora considerado sagrado na Islândia, teve durante 
todo o Renascimento a fama de restituir a virgindade e devolver a beleza
aos seios flácidos devido à idade ou à maternidade. Embora seja 
improvável que o pé­de­leão produza estes resultados, a sua utilizaçao 
foi reconhecida pela medicina moderna para a solução de grande número de
problemas relacionados com a saúde e a beleza femininas.

Habitat: Europa, sobretudo nas montanhas, prados e clareiras; entre 100 
e 2600 m. Identificação: de O,10 a O,30 m de altura. Vivaz, caule verde­
claro raiado de vermelho, delgado; folhas grandes, quase circulares, de 
7 a
11 lóbulos serrados, plicados e com estipulas; flores verde­claras 
(Maio­Outubro), minúsculas, em cimeira corimbiforme difusa, apétalas, 
cálice com 4 sépalas simulando a corola, epicálice com 4 dentes, 4 
estames curtos e 1 estilete; fruto encerrado no cálice e 1 semente; 
rizoma enegrecido, forte, dando origem a vários caules. lnodoro; sabor 
ligeiramente azedo e acre.

Partes utilizadas: toda a planta (Junho­Agosto).
O Componentes: ácidos orgânicos, tanino, lilu nho­Ag  os3’ tann O,  lio 
p pidos, glúcidos, saponósidos, resina O Pro­ ;          ropriedades: 
acistringente, anti­inflamatório, cicatrizante, estomáquico, sedativo, 
vulnerário. U. I., U. E. + V O Ver: anginas, arteriosclerose, 
conjuntivite, contusão, diabetes, diarreia, enxaqueca, estrias cutâneas,
ferida, leucorreia, menopausa, menstruação, meteorismo, obesidade, 
parto, prurido, seio.
Pepino­de­são­gregÓrio

Fcbaliffim elaierium A. Rich.

Momórdica, pepino­selvageni

Cucurbitáceas

O Ecballium é citado nos manuais de botânica como exemplo da deiscência 
brusca de um fruto. Não é fácil imaginar uma cápsula verde, com o volume
de uma bolota grande, que bruscamente se separa do pedúnculo e

projecta ruidosamente a longa distância uma

substância mucilaginosa que contém as sementes, lançando simultaneamente
o invólucro vazio na direcção oposta, a 1 m de distância; este 
surpreendente fenômeno é causado pela pressão do gás contido no 
interior. Planta dos países mediterrânicos, era já utilizada pelos 
Egípcios, Gregos e Romanos como purgante drástico. O uso interno e mesmo
externo desta planta tem alguns riscos; assim, um certo Dr. Dickson 
relata, em
1888, que, por ter colocado um fragmento de pepino~de­são­gregório 
fresco entre a cabeça e o chapéu, foi acometido de fortes enxaquecas, 
seguidas de cólicas e diarreia, durante um dia; e não consumira, no 
entanto, a mínima parcela da planta! Actualmente, os fitoterapeutas 
raramente receitam esta planta, sendo, no entanto, utilizada, 
especialmente na Grã­Bretanha, numa preparação oficinal à base do fruto 
denominada Elaterium.

O Não ingerir sem indicação médica, nem lhe tocar sem as mãos 
protegidas. Habitat: Europa Mediterrânica, terrenos incultos, limites de
campos; Centro e Sul de Portugal em terrenos próximos de habitações, 
entulhos e muros; até 400 m. Identificação: de O,20 a O,60 m de altura, 
Vivaz, caule prostrado ou ascendente, glauco, coberto de pêlos ásperos, 
ramos floríferos erectos; foffias espessas, triangulares, sinuosas; 
flores amareladas, raiadas de verde (Maio­Setembro), monóicas; fruto 
esverdeado, verrugoso­híspido, alongado, pendente da extremidade do 
pedúnculo erecto, que expulsa as sementes ao desprender­se; raiz 
carnuda, comprida. Cheiro repugnante; sabor acre. Partes utilizadas: 
suco do fruto, raiz fresca, cozida ou seca.
O Componentes: elaterina, cucurbitacina, ácidos gordos O Propriedades: 
emético, purgativo, resolutivo, rubefaciente. U. I., U. E. + Ver: 
nevralgia, sarna.

235
Pervinca

Vinca ininor L.

Congossa, vinca

Apocináceas

Apervinca forma frequentemente Dos bosques vastos tapetes perpetuamente 
verdes de onde surgem, a partir de Fevereiro, curtos ramos sustentando 
flores solitárias com corolas de um raro azul. É a flor dos feiticeiros 
e dos poetas e, na Idade Média, fazia parte da composição dos filtros de
amor. A sua utilização em medicina é também muito antiga: Agricola, em 
1539, aconselhava­a para o tratamento de anginas, e Mattioli, em 1554, 
para as hemorragias nasais. Durante muito tempo acreditou­se na sua 
eficácia para o tratamento das doenças pulmonares. Efectivamente, a 
pervinca é um óptimo tónico amargo, justificando­se o seu uso para o 
tratamento de anemias vulgares, convalescenças difíceis ou falta de 
apetite. Modernamente, as investigações detectaram a acção de um 
alcalóide extraído da pervinca, a vincamina, que faz baixar a tensão 
arterial e dilata os vasos, pelo que foi imediatamente incluída no 
arsenal terapêutico. Além disso, certas substâncias extraídas de uma 
espécie exótica de Vinca demonstram actualmente grande utilidade na luta
contra diversas formas de cancro.

Habital: Europa Central e Meridional, florestas, sebes, solos argilosos 
ou calcários; em Portugal, sebes, margens dos rios, campos de Bragança, 
Buçaco, Fundão; cultivada também como planta ornamental; até 1300 m. 
Identificação: de O,15 a O,20 m de altura. Vivaz, caule prostrado de 1 a
3 m e radicante; folhas opostas, elípticas ou ovado­oblongas, brilhantes
e persistentes; flores azul­violáceas (Fevereiro­ Maio, por vezes uma 
segunda floração no Outono), solitárias, pedunculadas na axila das 
folhas, 5 sépalas pontiagudas, 5 pétalas cortadas obiiquamente, 5 
estames, 1 estilete, 1

estigma liso; raramente frutifica, folículo duplo com várias sementes. 
Partes utilizadas: folhas mondadas (todas as estações do ano, Março para
a conservação).
O Componentes: glúcidos, sais minerais, ácidos orgânicos, vitamina C, 
pectina, tanino, flavonõides, alcalóide (vincamina) O Propriedades: 
acistringente, antidiabético, antilactagogo, hipotensor, vasodilatador, 
vulnerário. U. L, U. E. + In Ver: anemia, anginas, apetite, contusão, 
convalescença, diabetes, hipertensão, indigestão, lactação, paludismo, 
vertigem.
Petasite

Petasites hybridus (L.) Gacrtri.

Compostas

A petasite forma grandes colónias junto dos regatos, à beira dos 
pântanos ou no lodo das valas, geralmente locais onde a sua vigorosa 
raiz encontra solos profundos e a humidade de que necessita. Esta planta
prefere os locais sombrios. O caule, oco, é guarnecido por escamas de 
cor ruiva e as flores, temporãs e cor­de­rosa, desabrocham em cachos no 
início da Primavera. São, porém, as enormes folhas, semelhantes às do 
ruibarbo e que surgem após a floração, que conferem à planta o seu 
aspecto característico e às quais deve o nome genérico: petasos, já que 
para os Gregos era o nome de um enorme chapéu.

Os fitoterapeutas utilizam diversas partes da planta para vários fins: a
infusão de folhas e flores secas alivia as irritações dos brônquios; as 
cataplasmas de folhas frescas acalmam algumas dores articulares e 
facilitam a cicatrização das feridas; a raiz é dotada de propriedades 
antiespasmódicas, sendo utilizada pelos homeopatas sob a forma de 
tintura para combater diversas formas de nevralgia. Também se atribuem 
ao extracto inúmeros sucessos no tratamento da gaguez.

Com o nome de sombreiro, aparece subespontáneo nas margens dos ribeiros,
charcos e matas das Beiras, Estremadura e Ribatejo o Petasites fragrans 
(Villars) Presl., que possui flores com cheiro a baunilha.

Habital: Europa, à beira de água, aterros; até
1400 m. Identificação: de O,20 a O,50 m de altura. Vivaz, escapo floral 
viloso, oco e guarnecido de escamas de cor ruiva; folhas basilares, 
surgindo após a floração, enorme limbo em forma de coração invertido, 
verde­acinzentado e lanoso na parte inferior, longo pecíolo em forma de 
goteira; flores cor­ de­ rosa­vi oláceas (Março­Maio), tubulosas, em 
capítulos agrupados em tirsos terminais, alguns pés com flores 
hermafroditas, outros com flores hermafroditas no centro e flores 
femininas na margem, receptaculo nu; aquénio encimado por um papilho 
sedoso; rizoma espesso, rastelante e raiz carnuda. Cheiro suave (raiz) e
repugnante (pecioto)’sabor amargo. Partes utilizadas: folhas e flores 
(Março­Maio) e raizes.
O Componentes: inulina, resina, mucilagem, tanino O Propriedades: 
adslringente, diurético, emenagogo, expectorante, sudorífico, 
vulnerário. U. L, U. E. + Ver: ferida, pele, tosse.

237
Pilosela

Hiera(ium pilosella L.

Pilosela­das­farrriácias, orelha­de­lebre Bras.: orelha­de­ lebre, 
orelha­de­rato, murugem

Compostas

O género HieraCium compreende mais de
100 espécies, subespécies e variedades muito difíceis de distinguir umas
das outras, todas plantas vivazes com flores amarelas. Apenas cerca de 
uma dezena de espécies possui propriedades medicinais, de entre as quais
a mais pequena é a frágil pilosela. Nos solos pedregosos e nos prados de
altitude, forma frequentemente enormes tapetes aveludados salpicados de 
capítulos amarelos, cujas flores são substituídas no Outono por frutos 
encimados por sedosos e macios papilhos. Esta planta, à qual nenhum 
texto antigo se refere, surge num documento do século xil escrito pela 
abadessa Santa Hildegarda, provavelmente a primeira mulher médica. A 
partir de então, a pilosela não mais deixou de ser utilizada, embora 
prudentemente devido à sua extrema adstringencia. Nos meios rurais, é 
hábito utilizar o

seu suco fresco para fortalecer a vista e curar as feridas. O nome do 
género . que pertence refere­se a esta virtude, pois Hieracium deriva de
hierax, gavião; segundo uma

crença popular, estas aves bebiam o suco da planta para fortalecer a 
visão. A planta fresca tem uma acção muito eficaz no tratamento da 
brucelose, tanto no homem como nos animais, e especialmente da febre de 
Malta. Reduzida a pó, detém as hemorragias nasais.

Habital: Europa, excepto na região mediterrânica, solos áridos, 
charnecas, aterros; em Portugal, encontra­se em terrenos secos, arenosos
ou pedregosos das zonas montanhosas de Trás­os­Montes, Minho e Beiras; 
até 3000 m. Identificação: de O,10 a O,15 m e excepcionalmente O,30 m de
altura. Vivaz, acaule, pedúnculo floral viloso e sem folhas; folhas em 
roseta, unidas ao solo, inteiras, oblongas, acinzentadas na página 
inferior, coroadas de pêlos setiformes e compridos; flores amarelo­
claras (Maio­Setembro), liguladas, em capítulo solitário e erecto e 
invólucro viloso; aquénio encimado por um papilho de sedas iguais, 
simples, cinzento­ esbranqu içado, com estolhos aéreos e folhosos. Sabor
amargo. Partes utilizadas: toda a planta fresca e suco fresco (Junho­
Outubro).
O Componentes: substância antibiótica, umbeliferona, mucilagem, tanino, 
flavona, resina, manganésio O Propriedades: acistringente, anli­
infeccioso, colagogo, diurético. U. L, U. E. + Ver: albuminúria, 
brucelose, celulite, convalescença, diarreia, edema, enurese, epistaxe, 
fadiga, hemorragia, hipertensão, ureia, urina.
Pimenta­d'água

Pol)Igonum hYdropiper L. Persicária­ mordaz, pensicária­urente Bras.: 
potincoba, erva­de­bicho, pimenta­aquática

Poligonáceas

A pimenta­d'água é, como a bistorta e a sempre­noiva, uma poligonácea; o
vínculo familiar reconhece­se facilmente devido aos caules nodosos e às 
folhas alternas e inteiras, providas, no ponto de inserção, de pequenas 
bainhas celheadas; as folhas são semelhantes às do pessegueiro. As 
minúsculas flores sem corola e inodoras da pimenta­d'água são picantes e
queimam a língua, aliás como toda a planta, que, seca e pulverizada, 
pode substituir para fins culinários a pimenta. Supõe­se que os homens 
da Pré­História já utilizavam as sementes para condimentar os alimentos.
Dioscórides e Galeno aconselhavam a sua utilização como revulsivo; no 
Renascimento, a medicina considerava que as manchas cor de ferrugem das 
folhas eram indicadoras de uma propriedade hemostática, curiosamente 
confirmada aquando de um estudo sistemático que detectou também uma 
acção vasoconstritora. A pimenta­d'água deve ser utilizada fresca. Para 
uso externo, as espécies Poly,gonum persicaria L. e Polygonum 
miteschrank, ambas insípidas, podem substituir a espécie acre.

O Em uso interno respeitar as doses. Habitat: Europa temperada, 
ribanceiras, à beira de água quase todo o País; até 1200 m. 
ldentific@ção: de O,20 a O,80 m de altura. Anual, caule florífero, 
erecto ou ascendente, avermelhado e nodoso; folhas alternas, lisas, 
verdes, por vezes manchadas de cor de ferrugem, lanceoladas ou lineares,
atenuadas na base, bainhas (ócreas) glabras com celhas curtas; flores 
branco­ esverdeadas ou rosadas (Julho­Outubro), pequenas, espigas 
delgadas, axilares, frouxas, arqueadas, inclinadas, 5 sépalas cobertas 
de pontos amarelos transparentes (glândulas), sem corola, com 6 a 8 
estames; fruto escuro, rugoso, ovóide ou trígono, pontuado, cálice 
persistente e 1 semente; raiz fibrosa. Sabor apimentado. Partes 
utilizadas: toda a planta, fresca (Verão).
O Componentes: tanino, óleo essencial, heterásidos, ácido gálico, ferro 
O Propriedades: acistringente, depurativo, diurético, hemostático, 
revulsivo, vasoconstritor. U. I., U. E. + Ver: bronquite, edema, ferida,
hemorragia, hemorróidas, litíase, menopausa, menstruação, reumatismo, 
varizes.

239
Pimpinela

Sanguisorba minor Scop. Pimpinela­hortense, pimpinela­menor

Rosáceas

Apimpinela foi desde sempre alvo de uma
certa confusão devido em parte às sucessivas designações que lhe foram 
atribuídas no decorrer dos séculos. Os Romanos já denominavam esta 
pequena rosácea Pimpinella, em alusão ao seu papel condimentar, de 
piper, pimenta. Mais tarde, Lineu retirou­lhe este nome, que destinou à 
Pimpinella magna (uma umbelífera), e chamou­lhe Poterium sanguisorba L.,
nome que conservou durante um determinado período. Tempos depois, 
pareceu lógico reunir no género Sanguisorba as duas espécies de 
pimpinelas, a menor e a

oficinal, tendo esta última adoptado o nome

de Sanguisorba officinalis L., enquanto a

menor conservava o de Sanguisorba minor scop.

Esta última, aqui representada na gravura, é uma planta espontânea e 
graciosa com as suas pequenas inflorescências compactas, verdes do lado 
da sombra e tornando­se púrpuras no lado virado ao sol; não tem néctar 
ou perfume. A pimpinela detém as hemorragias, sendo também diurética e 
muito útil em perturbações do aparelho digestivo.

Habitat: Europa, excepto no extremo norte, prados, solos incultos e 
áridos; frequente em quase todo o País; até 1800 m. ldentificaçâo: de 
O,20 a O,70 m de altura. Vivaz, caule anguloso, erecto, por vezes 
prostrado e frequentemente avermelhado; folhas verde­claras, compostas, 
com 9 a 25 folfolos ovais, e serradas; flores esverdeadas (Maio­Junho), 
monóicas, sem corola, com capítulos compactos, ovóides, terminais: num 
mesmo capítulo, flores superiores femininas, com 2 a 3 carpelos e 2 a 3 
estigmas plumosos cor de púrpura, sendo as médias bissexuadas, com 4

estames, e as inferiores masculinas, com 15 a
30 estames muito salientes; fruto indeiscente, com superfície enrugada, 
contendo 2 ou 3 sementes; toiça sublenhosa. Cheiro herbáceo e suave; 
sabor a pepino salgado. Partes utilizadas: planta inteira.
O Componentes: tanino, óleo essencial, vitamina C O Propriedades: 
adstringente, carminativo, digestivo, diurético, hemostático, 
vulnerário. U. L, U. E. + úy Ver: diarréia, ferida, hemorragia, 
hemorroidas, menopausa, meteorismo, queimadura.
Pimpinela­magna

Pimpinefia magna L.

Umbelíferas

O género Pimpinella é bastante complexo e

compreende dois grupos de espécies: as que possuem o vértice do caule e 
os frutos g    Iabros, como a Pimpinella magna L. e a Pinipinella sa­
vifraga L., e as que os apresentam cobertos de pêlos, como o anis­verde,
Pimpinella anisum L., que é uma planta cultivada devido às suas 
numerosas propriedades.

São plantas bastante frágeis, mas que se mantêm erectas, com umbelas 
brancas ou rosadas. As folhas são recortadas em lobos largamente 
dentados. com bainhas dilatadas e ligeiramente invaginantes. Uma roseta 
basal de folhas (v. gravura ao lado) subsiste no Inverno até à eclosão 
das novas folhas. A raiz torna­se azul em contacto com o ar e tem um 
característico cheiro a bode.

A pimpinela­magna foi mencionada pela primeira vez como planta medicinal
no século XVI, época em que gozou de uma grande faina, imerecida se 
tivermos em conta as suas reais propriedades terapêuticas; na Alernanha,
foram­lhe mesmo atribuídos, durante ai,gum tempo, poderes mágicos.

ra e Outono), sumidades floridas.
O Componentes: tanino, resina, óleo essencial, saponósido, princípio 
amargo O Propriedades: aperitivo, emenagogo, emoiiente, expectorante, 
galactagogo, sedativo, sudorífico, vulnerário. U. I., U. E. Ver: 
anginas, boca, diarreia, olhos, palpitaçóes, rouquidão, tosse.

241
Pingulicula *//* para refazer

Pinguicula vulgaris L.

Lentibulariáceas

Muito pequena, frágil e brilhante, oculta frescura das nascentes e das 
cascatas, a pi guícula faz lembrar a violeta pela sua c violeta e 
púrpura; no entanto, é uma plai carnívora, armadilha fatal para todos os
i sectos que consegue capturar.

Efectivamente, como a rorela, esta piar pode digerir, por meio das 
enzimas segre@ das pelas glândulas das folhas, os inseci que caem na sua
armadilha viscosa. Ao ( bater­se, a vítima despoleta o lento me( nismo 
do enrolamento das folhas; em horas fica encerrada e ao cabo de 3 dias e
saparece. Quando as folhas se desenrok pelo mesmo processo lento, do 
prisionei apenas restam as asas e as patas.

Um exame microscópico das folhas pinguícula possibilitou o cálculo do 
núme de glândulas digestivas, tendo revela
25 000 por centímetro quadrado. Agressi para os insectos no estado 
natural, a pingi cula é urna planta medicinal dotada das m: pacíficas e 
calmantes virtudes. Além dis@ o seu suco contém uma enzima análoga 
renina do estômago dos jovens ruminam( que tem uma acção coagulante 
sobre o lei

Habitat: Europa, prados húmidos, pântanos, turfeiras, nascentes de 
montanha; locais húmidos e margens dos cursos de água de Trás­os­Montes;
de 500 a 2300 m. Identificação: de O,05 a O,15 m de altura. Vivaz, caule
subterrâneo, curto, com escapos florais finos e frágeis; folhas 
amareladas ou verde­claras, em rosetas basilares, aplicadas ao solo, 
sésseis, ovais, viscosas, com a margem enrolada para a parte superior; 
flor cor de violeta e púrpura (Maio­Julho), solitária, quase horizontal,
cálice com 5 sépalas, bilabiado, corola bilabiada com fauce vilosa 
prolongada por um

esporão frágil e comprido, arqueado para a base, com 5 pétalas soldadas 
em 2 lábios, dos quais o superior tem 2 lóbulos e o inferior 3, 2 
estames e 2 carpelos; cápsula com 1 lóculo, piriforme, abrindo­se em 2 
valvas com numerosas sementes. Partes utilizadas: folhas frescas ou 
secas.
O Componentes: mucilagem, tanino, sacarose, enzimas O Propriedades: 
antiespasmódico, béquico, cicatrizante, emoliente, febrífugo. LI. L, U. 
E. + V O Ver: cabelo, nervosismo, tosse convulsa, úlcera cutânea.
Pinheiro­bravo

Pinus pinaster Soland. Pinheiro­marítimo, pinheiro­das­landes

Pináceas

O género Pinus, que faz parte da grande família das Pináceas, é o que 
conta maior número de espécies na Europa, pois existem cerca de uma 
dezena, incluindo os híbridos, cujas características bem distintas 
possibilitam identificá­las mediante alguma atenção. Apenas o pinheiro­
bravo e o pinheiro­silvestre possuem propriedades medicinais.

O primeiro, que cresce espontaneamente em todo o litoral mediterrânico, 
adapta­se a

solos pobres, necessitando, porém, de luz e

um mínimo de calor. Em tempos de D. Dinis passou­se à sementeira do 
pinheiro­bravo na mata de Leiria, onde até então predominava o pinheiro­
manso, de vegetação espontânea. Quer se deva a este rei, quer a seu pai,
D. Afonso 111, este famoso pinhal ocupa actualmente uma extensa área do 
litoral (cerca de 11 000 ha). É explorado para extracção da terebintina,
uma oleorre­ ,,iria localizada nos canais secretores do lenho que é 
recolhida por meio de incisões. Das gemas, frescas ou secas, preparam­
se, além de infusões, xaropes, pastilhas, muito utilizadas no Inverno 
para tratar as bronquites, e também banhos medicinais relaxantes. A 
secagem é feita sobre caniços, durante um ou dois meses, ou em forno 
tépido.

Habitat: Europa, litoral mediterrânico e atlântico; frequente em solos 
não calcários, até 1600 m.

Identificação: de 30 a 40 m de altura. Arvore, tronco direito, esguio, 
copa grande e arejada, folhas acerosas muito aiongadas (agulhas), 
rígidas, verde­esbranquiçadas, de 20 cm de comprimento, iigeiramente 
curvadas, aos pares, com base inclusa numa bainha membranosa; amentilhos
(Abril­Maio), monóicos, sendo os masculinos amarelados, com estames 
escamiformes, em espiga densa, e os femininos com escamas avermelhadas 
ou violáceas, cada uma delas contendo 2 óvulos; pinha castanho­
avermeihada­briihante, de 12 a 18 cm de comprimento, escudos das escamas
salientes e piramidais; semente grande e ovóide, com uma asa 4 ou 5 
vezes mais comprida. Partes utilizadas: agulhas (todo o ano), gemas 
(antes do desabrochar), seiva e lenho.
O Componentes: óleo essencial, resina, heterósidos, vitamina C O 
Propriedades: anti­séptico, baisâmico, diurético, excitante, 
expectorante, rubetaciente. U. I., U. E. + IN Ver: banho, bronquite, 
cabelo, cistite, fadiga, gota, pé, reumatismo, @udação.

243
Pinheiro­silvestre *//* para refazer

Pinus silvestris L.

Pinheiro­selvagem, pinheiro­de­riga, pinheiro­de­casquinha, pinheiro­
vermelho­do­báltic(

pinheiro­flandrês, pinheiro­da­escócia

Pináceas

O pinheiro­ silvestre é considerado o m@ importante de todos os 
pinheiros. Além i

oleorresina que dele se pode extrair, embo não seja explorada 
industrialmente, a mad< ra produz um alcatrão, as pequenas agulh 
perfumam, purificam e tratam e as gem são ricas em constituintes 
activos. Com( cialmente, foi­lhes erradamente atribuído nome de turiões,
renovos ou gomos. É n cessário arrancá­las dos ramos no mês Abril, antes
do desabrochar, colocá­las e caniços numa única camada fina e deixá­l 
secar, removendo­as com frequência, dura te um a dois meses. A secagem é
mais rá1 da quando efectuada num forno tépido. 1 tas gemas têm 
utilizações diversas: em ml são, em macerações, em vinho ou cerve       
>

decocção, inalação, fumigação, gargarejo@ em banhos, misturadas com 
casca de salgu ro­branco e de carvalho e folhas de nogu, ra. O pinheiro­
silvestre é uma bela e r@ árvore cultivada nas planícies, desenvolve do­
se espontaneamente nas montanhas, at( orla das florestas. Muito 
resistente às secz ao calor e ao frio, não suporta a carência luz, 
sobretudo quando jovem, pois mesm( sombra de outras ramagens lhe é 
prejudici

Habitat: Europa, nas montanhas espontâneo; no Geres; de 800 a 2100 m. 
Identificação: de 20 a 45 m de altura. Árvore; tronco erecto, copa 
jovem, cónica, desenvolvendo os ramos verticilados quando o ápice deixa 
de crescer, agulhas reunidas aos pares, curtas, de 4 a 6 cm de 
comprimento, verde­glaucas; amentilhos (Maio­Junho), monóicos, sendo os 
masculinos em espiga na base dos ramos nascidos no próprio ano e os 
femininos arredondados, violáceos, isolados nas extremidades dos 
rebentos  > pinha pequena de 3 a
6 cm, ovóide, baça, pendente; escudos das

escamas convexos com mamilos obtusos, maturação ao fim do 3.’ ano; 
semente pequena, com uma asa 3 vezes mais comprida; raiz aprumada, 
robusta, sendo as secundárias mais compridas. Partes utilizadas: seiva, 
lenho, agulhas, gemas (Abril).
O Componentes: óleo essencial, resina, heterósidos O Propriedades: anti­
séptico, baisâmico, diurético, estimulante, expectorante. U. I., U. E. +
V k"J Ver: asma, banho, bronquite, cabelo, cistite, gota, pé, 
reumatismo, rouquidão,
Pirliteiro

a) Crataegus monogyna Jacq. b) Crataegus oxyacantha L. Pifiriteiro, 
espinheiro­alvar, escambrulheiro, cambrocira, espinheiro­branco, 
abronceiro, espinheiro­ordinário, espinha­branca, estrepeiro,

escalheiro

Rosáceas

As duas espécies são belas plantas celebradas por poetas e romancistas 
sob os mais diversos nomes. Estes arbustos, apesar da idade avançada que
podem atingir ­ por vezes 500 anos ­, dos seus espinhos e da sua madeira
dura como o ferro, continuam a ser o símbolo da delicadeza e da mais 
viçosa beleza. Contudo, era da sua madeira dura como o ferro que outrora
se cortavam os cepos dos suplícios. As duas espécies aqui representadas 
desenvolvem­se nos mesmos

locais e possuem propriedades medicinais idênticas. Alimento para os 
homens da Pré­História, como o comprovam os vestígios de

caroços encontrados nas ruínas das cidades lacustres, os frutos 
vermelhos do pirliteiro são, desde há muito, utilizados pelas suas 
aplicações diuré ticas e acistringentes. Recentemente, médicos 
americanos puseram em

evidência a sua poderosa acção cardíaca.

Este género botânico possui várias espécies, todas próprias das regiões 
temperadas, que apresentam um lenho muito duro e têm crescimento lento.

O Respeitar as doses. Habitat: Europa, todos os solos; em Portugal, o 
mais frequente é o C.              até 1600 m.

Identificação: de 2 a 4 m de altura. Arbusto, casca jovem cinzento­
clara, lisa, mais tarde castanha, fendida; folhas caducas: a) com 3 a 7 
lóbulos muito profundos, não dentados; b) com
3 a 5 lóbulos pouco profundos, ligeiramente serrados; flores brancas ou 
rosadas (Abril­Junho), em corimbos, 5 sépalas, 5 pétalas livres: W 1 
estilete branco­esverdeado, estames violáceos; b) 2 a 3 estiletes, 
estames vermelhos; drupa ovóide, farinácea, vermelha: a) 1 caroço;

b) 2 a 3 caroços. Cheiro pouco intenso, b) pouco agradável; sabor doce. 
Partes utilizadas: flores em botão, drupas (fins de Setembro), casca dos
ramos jovens.
O Componentes: pigmentos flavónicos, aminas, derivados terpénicos, 
histamina, tanino, vitamina C O Propriedades: acistringente, 
antiespasmódico, diurético, febrífugo, hipotensor. U. I., U. E. + kvJ 
Ver: acufenos, anginas, angústia, arteriosclerose, banho, celulite, 
coração, diarréia, espasmo, hipertensão, litíase, menopausa, nervosismo,
obesidade, palpitações. sono.

245
Pollgala­amarga

Polygala amara L.; sin.: Polygala amarella Crantz

Polligaláceas

Apolígala, cujo nome deriva das palavras gregas pol@, muito, e gala, 
leite, era outrora administrada às vacas, às cabras e às amas para 
aumentar a secreção láctea, sendo, no entanto, duvidosa a sua acção 
galactagoga. Não está mesmo provado que as polígalas descritas pelos 
autores antigos correspondam às plantas actualmente conhecidas por esse 
nome. A polígala­amarga é muito rara na Europa, onde cresce cerca de uma
dúzia de espécies e diversas variedades da planta. Existem no Mundo mais
de 450 espécies, de entre as quais a polígala­da­virgínia, Polygala 
senega L, originária dos Estados Unidos e do Canadá, utilizada durante 
muito tempo pelos índios para tratar a tosse e as mordeduras de 
serpentes. A polígala­amarga utiliza­se na Europa devido às suas 
propriedades expectorantes. Planta bastante comum, identifica­se pelos 
belos cachos'compostos de flores de cor azul.

A planta tem ainda uma particularidade fisiológica: as suas sementes só 
germinam em contacto com a luz.

Em fitoterapia, utiliza­se toda a planta (Maio­Agosto), sobretudo em 
decocção, misturada por vezes com o hipericão, a hera­terrestre, o 
hissopo e a tussilagem. A medicina homeopática recorre ao emprego de uma
tintura preparada a partir da raiz.

Habitat: Europa, solos húmidos, sobretudo argilosos ou calcários; em 
Portugal, o nome de polígala aplica­se à Pol)Igala vulgarix L. 
Identificação: de O,05 a O,15 m de altura. Vivaz, caule prostrado, 
ascendente na floração, rígido, curto, não ramificado; folhas verde­
claras, inteiras, moles, sendo as inferiores em roseta basal abundante, 
ovais, arredondadas no vértice e afiladas na base, e as caulinares 
alternas, lanceoladas, pequenas, glabras, curtamente pecioladas; flores 
azuis e raramente cor­de­rosa ou brancas (Maio­Agosto), oblongas, 
pequenas, em cachos, 5 sépalas desiguais, sendo as 2 internas grandes, 
coradas, em forma de pétalas, marcadas com 3 nervuras; 3 pétalas 
desiguais, 8 estames; cápsula pequena, comprimida, abrindo­se por 2 
valvas que contêm 2 sementes pubescentes; raiz aprumada e delgada. Sabor
acre e amargo. Partes utilizadas: toda a planta e raiz.
O Componentes: saponósidos, óleo essencial, princípio amargo, resina, 
glúcidos O Propriedades: diurético, emoliente, estomáquico, 
expectorante, laxativo, tónico. U. 1. + in Ver: asma, bronquite, pulmão,
tosse.

246
PolipÓdio

Polypodium vulgare L. Poli pódio­do­carv alho, fentelha, filipode, feio­
doce

Polipodiáceas

Supõe­se que foi Teofrasto quem primeiro mencionou o uso do polipódio. 
Mais tarde, Dioscórides e Galeno, ao descreverem a planta de modo 
preciso e inequívoco, enumeraram as suas propriedades medicinais e

referiram as suas aplicações, nenhuma das quais sofreu alterações 
substanciais passados quase 2000 anos. O polipódio tem acção colagoga, 
laxativa suave e vermífuga, tornando­o o seu sabor a alcaçuz facilmente 
aceite pelas crianças. Este belo feto é uma

das raras espécies européias de um género que está representado no Mundo
por várias centenas. As suas frondes robustas cobrem os rochedos, 
agarram­se aos troncos gretados dos carvalhos, revestindo mesmo o cimo 
das paredes deterioradas no centro das cidades. À semelhança dos outros 
fetos, o polipódio não tem flor e, con s equente mente, pólen e 
sementes: reproduz­se devido aos

esporos contidos nos soros, pequenos reservatórios arredondados visíveis
na página inferior das folhas, onde se acumulam em séries paralelas. De 
cor amarela, que se torna depois castanha, libertam os esporos quando 
maduros.

Habitat: Europa, bosques, troncos, paredes deterioradas; vulgar em quase
todo o País, nos muros, rochas, árvores e sebes; até 2000 m. 
Identificação: de O,10 a O,50 m de altura. Vivaz, frondes primeiramente 
enroladas em báculo e ligeiramente coriáceas, aiongadas e triangulares, 
com pecíolo inserido sobre o rizoma, com 1 divisão quase até à nervura 
central, 20 a 40 segmentos lanceolados, dentados ou não, página inferior
com soros lenticulares em 2 séries de ambos os lados da nervura, 
primeiramente amarelos e depois castanhos, sem indúsio, esporângios 
pedicelados; esporos amarelados, dispersando­se na Primavera; rizoma 
espesso, carnudo, prostrado, coberto de escamas castanho­avermelhadas, 
esverdeado no corte. Cheiro desagradável: sabor semelhante ao do 
alcaçuz. Partes utilizadas: rizoma seco (Março­Abril e Setembro­
Outubro).
O Componentes: essência, lípidos, tanino, resina, saponósido, mucilagem,
sais minerais O Propriedades: colagogo, expectorante, laxativo, 
vermífugo. U. 1. + Ver: bronquite, fígado, obstipação, parasitose.

247
Primavera

Primula veris L.

Prímula

Primuláceas

Vivamente recomendada por Santa Hildegarda desde o século X11 como 
remédio para a melancolia, a primavera é na Europa uma das primeiras 
flores a abrir. Das suas flores secas prepara­se um chá de aroma 
incomparável, destituído de qualquer acção excitante. Esta planta serve 
ainda para perfumar a cerveja e melhorar o bouquet dos vinhos. 
Envolvidas em açúcar, as flores constituem ainda deliciosos rebuçados. 
Uma espécie próxima, a pri mavera­dos­j ardi ri s, Primula elatior 
Jacq., que se encontra aproximadamente nos mesmos locais e não 
ultrapassa em estatura a primavera, pode substituí­Ia. Distingue­se da 
primavera pelas corolas grandes e

de limbo plano, pelo cálice bicolor, verde­claro nos sulcos e escuro nas
arestas, pelas

folhas verdes em ambas as páginas e por ser completamente inodora. A 
partir destas duas espécies e de outras, os floricultores conseguiram 
obter, após demoradas selecções, variedades muito decorativas, de flores
grandes e de diversas cores, mas que não têm propriedades medicinais e 
possuem, como as urtigas, um revestimento de pêlos glandulosos cujo 
contacto provoca, na maioria das pessoas, uma erupção do tipo urticário.

Habitat: Europa, rara no litoral mediterrânico; Minho e Trás­os­Montes; 
até 2000 m Identificação: de O,08 a O,30 m de altura. Vivaz, escapo 
floral; folhas em roseta, ovais, verdes, acinzentadas na página 
inferior, rugosas e pecioladas; flores de um amarelo intenso (Abril­
Maio), agrupadas em umbelas simples sobre um pedúnculo radical nu, 
cálice intumescido, com 5 aristas e 5 lóbulos, corola pequena, côncava, 
5 pétalas amarelas maculadas de cor de laranja, estilete comprido com 5 
estames curtos, ou estilete curto com 5 estames compridos; ovário livre;
cápsula erecta, ovóide, inclusa no cálice, que se abre por 5 valvas e 
numerosas sementes; rizoma espesso. Cheiro suave, raiz com cheiro a 
anis; sabor agradável. Partes utilizadas: flores com o cálice (Abril­
Maio), folhas, raiz, rizoma (Inverno).
O Componentes: pigmentos flavónicos, heterósidos, enzimas, vitamina C, 
saponósidos, sais minerais O Propriedades: antiespasmódico, calmante, 
diurético, expectorante, febrífugo. U. L, U. E. + O Ver: bronquite, 
cefaleia, cólica, constipação, contusão, indigestão, reumatismo, tosse, 
tosse convulsa.

248
Pulmonária

Pulmonaria officinalis L. Erva­dos­bofes, salsa­dejerusalém,

erva­leiteira­de­nossa­senhora

Borragináceas

Da família do ri ão­me­ esqueças, da cinoglossa e da borragem, a 
pulmonária tem uma cobertura de pêlos ásperos e prefere a sombra ou os 
locais frescos. As suas flores, vermelhas, campanuladas, com cambiantes 
azul­violáceos, são semelhantes às da primavera. Aproximadamente no mês 
de Julho, o caule floral seca e desaparece, sendo substituído por uma 
roseta de folhas basais matizadas de branco, às quais deve o nome de 
pulmonária, pois, segundo os partidários da medicina dos sinais, 
representam a imagem de pulmões doentes. A pulmonária usufruía outrora 
de uma reputação exagerada e decepcionante, pois supunha­se que curava a
tuberculose, para a qual só se encontrou remédio na
2.a metade do século XX. Segundo se crê em alguns meios rurais, um 
tampão de folhas frescas esmagadas, colocado sobre a região do coração, 
é suficiente para abrandar o seu ritmo.

Do mesmo modo que a salgueirinha, a pulmonária foi dotada pela Natureza 
de uma particularidade extraordinária que consiste em oferecer aos 
insectos que a visitam três espécies de flores providas de estames 
desiguais e de estiletes com três comprimentos diferentes, ou sejam 18 
possibilidades de disseminação do pólen.

Habitat: Europa, bosques pouco densos, solos calcários; até 1000 m. 
Identificação: de O,15 a O,30 m de altura. Vivaz, caule simples e 
viloso; folhas manchadas de branco, mais claras na página inferior, 
sendo as radicais pecioladas, peludas, ásperas, ovadas ou cordiformes e 
as caulinares sésseis, ovais, ligeiramente decorrentes e vilosas; flores
primeiramente vermelhas, tornando­se depois azuis (Março­Maio), reunidas
em cimeiras terminais unilaterais, cálice com 5 lóbulos, coroIa tulbular
com 5 pétalas, 5 escamas, 5 estames, ovário com 1 estilete e 4 carpelos;
tetraquénio

ováide e pontiagudo; rizoma delgado. Sabor mucilaginoso. Partes 
utilizadas: sumidades floridas (Março­Abril), folhas da roseta (fim do 
Verão); secagem à sombra e ao ar; as folhas enegrecem.
O Componentes@ mucilagem, tanino, sais minerais, saponósido O 
Propriedades: acistringente, diurético, emoliente, expectorante, 
sudorífico. U. L, U. E. Ver: bronquite, dartro, frieira, greta, 
hemorróidas, palpitações.
Pulsátila

Pulswilla vulgaris Mifi. Anémona­pulsátila, anémona­dos­jardins,

flor­do­vento, flor­de­páscoa

Ranunculáceas

Se bem que exista de modo disperso na Europa, a pulsátila não é muito 
vul@gar, e sucede frequentemente procurar­se em vão

as suas campainhas de cor violeta que se agitam ao menor sopro de vento.
Qu2:ndo as

flores murcham, esta planta vivaz, sedosa e

frágil, cobre­se de enormes penachos formados pelos frutos plumosos que 
o vento destrói a pouco e pouco. O seu sabor é ião acre que mesmo os 
animais a evitam nos prados.

Outrora, era utilizada para tratar várias doenças, como a paralisia, a 
cegueira ou os

estados de melancolia. Actualmente, os fitoterapeutas receitam­na, por 
vezes, para os espasmos viscerais, e os homeopatas utilizam a sua 
essencia para tratar as varizes. As folhas, em cataplasma, actuam sobre 
as nevralgias e as dores articulares. As flores, secas num forno e 
pulverizadas, produzem um pó esternutatório, muito conhecido nos

nicios rurais, para aliviar as enxaquecas. Quando verde, a planta é 
tóxica.

O A planta verde é muito perigosa em uso interno. Habilat: Europa, 
excepto na região mediterrânica, pastagens, planícies secas, colinas; 
cultivada em Portugal; até 800 m. Identificação: de O,10 a O,30 m de 
altura. Vivaz, acaule; folhas em roseta, prateadas, vilosas, pecioladas,
profundamente divididas 2 a 3 vezes; flores violeta e cor de púrpura 
(Março­Maio, por vezes segunda floração no Outono), grandes, erectas e 
depois pendentes, sobre um peclúnculo radical, provido de um invólucro 
lacinioso, 6 sépalas petalóides, estames dourados; numerosos aquénios 
com cabeça esférica, oblongos, vilosos; toiça oblíqua, enegrecida, 
espessa, ramificada. Inodora; sabor ácido. Partes utilizadas: toda a 
planta (Maio­Julho).
O Componentes: anemonina, enzimas, tanino, saponina, esteróis, corpo 
gordo O Propriedades: antiespasmódico, diaforético, diurético, 
expectorante, revulsivo, sedativo. U. I., U. E. + V Ver: dartro, 
enxaqueca, espasmo, febre, menstruação, sarda, tosse.

250
Quaresmas

Sa­tifraga granulata L, Sanícula­dos­montes, saxífraga­branca

Saxifragáceas

O género Saxiftaga engloba diversas plantas ornamentais que se 
distribuem por numerosas espécies polimorfas. A mais utilizada em 
fitoterapia, que está representada nesta página, é característica: a 
base do caule está provida de boibilhos, os quais inspiraram 
provavelmente o seu nome específico e a sua utilização. Na verdade, a 
medicina dos sinais atribuía­lhe a faculdade de dissolver os cálculos da
vesícula. É uma planta das valas lodosas, totalmente revestida de pêlos 
viscosos.

Existem outras espécies que são também utilizadas como plantas 
medicinais. Assim, a Sa.vifraga trida(­tyylites L., pequena planta anual
com flores brancas, atapeta os muros deteriorados e os solos arenosos; 
muito famosa outrora como tratamento da icterícia, era administrada numa
infusão em cerveja. Outra espécie muito interessante, a saxífraga­da­
sibéria, Bergenia cordifolía Haw., encontra­se em estado espontâneo nos 
Alpes e é frequentemente cultivada nos jardins como planta ornamental. É
uma pequena planta vivaz com flores cor­de­rosa, cujas grandes folhas 
são consideradas antidiarreicas quando preparadas em infusão. Podem 
substituír a hera em tratamentos anti­sépticos.

Habitat: Europa, excepto a zona árctica, prados húmidos; em todo o 
território português, especialmente na zona norte, em muros, rochedos, 
locais húmidos e sombrios; até 800 m. Identificação: de O,20 a O,50 m de
altura. Bienal, caule floral simples, erecto, glanduloso­viscoso, 
boIbilhos na base; folhas basilares, pecioladas, grandes, palmadas, 
reniformes, com bordos crenados, sendo as caulinares superiores raras, 
subsésseis, trilobadas, e as inferiores com lóbulos pontiagudos; flores 
brancas (Abril­Maio), grandes, em corimbos terminais, 5 sépalas ovais, 5
pétalas muito

compridas, 10 estames e 2 carpelos; cápsula bicorne e numerosas 
sementes. Cheiro agradável (flor); sabor amargo e acre. Partes 
utilizadas: raiz, flores e folhas frescas.
O Componentes: vitamina C O Propriedades: acistringente, aperitivo, 
colagogo, diurético. U. 1. Ver: diurese, fígado.
QuenopÓdio­bom­henrique

Chenopodium bonus­henricus L.

Quenopodiáceas

Lineu designou esta planta em homenagem a Henrique IV de Navarra, 
protector dos botânicos. Aliás, dava­se outrora o nome de Henrique às 
plantas que escolhiam o seu

habitai próximo da habitação humana. O quenopódio­bom­henrique encontra­
se, pois, geralmente próximo de casas, muros, lixeiras e principalmente,
nas montanhas alpinas, nas imediações das cabanas de pastores: é

raro a altitudes baixas. Excelente sucedâneo dos espinafres e igualmente
rico em ferro, o quenopódio trata as anemias; é ainda um óptimo remédio 
emoliente e laxativo, sendo, no entanto, desaconselhável aos doentes de 
gota e dos rins. Em uso externo, aplicam­se as folhas frescas em 
cataplasmas nos abcessos, a fim de conseguir a sua maturação e acalmar 
as dores. O Chenopodium album L., com compridas folhas dentadas e 
inflorescências que parecem polvilhadas de açúcar refinado, frequente em
Portugal, tem propriedades medicinais muito semelhantes às do 
Chenopodium bonus­henricus L. e

pode perfeitamente substituí­lo.

Habitat: Europa, excepto nas baixas planícies, locais habitados. 
Identificação: de O,20 a O,60 m de altura. Vivaz, caule verde, glabro, 
canelado de castanho e avermelhado, folhoso; folhas verdes, grandes, 
carnudas, inteiras, pecioladas, triangulares, pontiagudas, lanceoladas 
na base, margens onduladas, folhas jovens farinhosas na página inferior,
ligeiramente viscosas; flores esverdeadas (Maio­Agosto), pequenas, 
numerosas, em cachos terminais especiformes, cónicos; fruto contendo uma
semente brilhante. Inodoro e insípido.

Partes utilizadas: toda a planta (Maio­Agosto).
O Componentes: saponósido, sais minerais (ferro), vitamina C O 
Propriedades: depurativo, emoliente, laxativo. U. L, U. E. + Ver: 
abcesso, anemia, obstipação.

252
Rapúncio

Campanula rapunculus L. Rapôncio, campainha­rabanete

Bras.: campainha

Campanuláceas

Facilmente reconhecível pelas suas flores campanuliformes azuis ou 
lilases, erectas OU pendentes, o rapúncio, robusto e decorativo, possui 
mais qualidades estéticas que virtudes medicinais.

A forma da corola inspirou o nome de género, Campanula, procedente do 
latim e

que significa pequeno sino. Em algumas regiões da Europa, é cultivado 
para consumo dos seus suculentos rebentos e, especialmente, da raiz, da 
qual se faz uma salada muito saborosa. O uso culinário das raízes 
conferiu­lhe o nome científico de espécie, rapunculus, que deriva da 
palavra latina rap@1, rábano.

E uma forragem sazonal muito apreciada pelo gado. Outrora, o rapúncio e 
outras espécies, como a Campanula trachelium L. e a Campanula cervicaria
L., foram utilizados em gargarejos para tratar as anginas. A razão por 
que o rapúncio está actualmente em

desuso deve­se sem dúvida ao pouco mérito das suas propriedades ou 
porque as mesmas se encontram muito mais activas noutras plantas, como a
agrimónia e a aspérula­odorífera.

O Destinado a uso externo. Habitat: Europa; frequente em quase todo o

País nos bosques, caminhos e locais húmidos; até 1000 m. Identificação: 
de O,40 a 1,80 m de altura. Bienal, caule viloso, alongado e anguloso; 
folhas estreitas e alongadas, sésseis, levemente onduladas, pecioladas; 
flores azuis ou violaceas (Maio­Agosto), pedunculadas, em cacho frouxo 
alongado, muito ramoso, com poucas folhas, de menos de 2 cm de 
comprimento, cálices com divisões assoveladas, corola mais comprida que 
larga, com lóbulos pouco separados, 5 estames livres com estiletes 
dilatados na base, 3 estigmas; cápsula erecta; raiz carnuda fusiforme. 
Partes utilizadas: raiz, folhas frescas (Maio­Agosto).
O Componentes: inulina, vitamina C O Propriedades: acIstringente, anti­
séptico, refrescante, vulnerário. LI. I., LI. E. O'J Ver: anginas ,sede,
verruga.
Rinchão

Sisymbrium officinale (L.) Scop.

Erva­dos­cantores, erísimo

Bras.: agrião

Crucíferas

Citado e utilizado desde a Antiguidade, só a partir do século XVI o 
rinchão foi definitivamente identificado. Efectivamente, as

provas irrefutáveis dos seus sucessos datam do Renascimento, descritas 
por Jacques Dalechamps, testemunha laudatória do seu confrade de 
Montpellier, Guillaume Rondelet, que, graças ao rinchão, restituíra a 
sua bela voz de anjo a um menino de coro. No século XVII, o próprio 
Racíne aconselhou este remédio a Boileau, que se lamentara de estar 
afónico. A partir de então, o rinchão tornou­se a planta dos oradores, 
actores e cantores. A sua acção sobre a voz deve­se à presença de 
compostos sulfurados; o enxofre é um medicamento frequentemente 
utilizado pela medicina clássica, sendo receitados tratamentos nas 
estações termais dotadas de águas sulfurosas para afecções das vias 
respiratórias superiores. O rinchão deve ser, tanto quanto possível, 
utilizado fresco, se bem que, quando seco, não perca os seus princípios 
activos. O seu sabor não é nada agradável, pelo que, se for necessário 
ingerí­lo, é preferível adicionar­lhe alcaçuz ou mel muito aromático.

Habitat: Europa, caminhos, entulhos; em quase todo o território 
português, em terrenos incultos, restolhos, entulhos, sebes e muws; até
1700 m. Identificação: de O,30 a O,60 m de aftura. Anual, caule rígido, 
erecto, viloso, ramos qua~ se perpendiculares ao caule (patentes); 
folhas da base pecioladas, muito recortadas, com lóbulos serrados, sendo
o terminal maior; flores amareio­claras (Maio­ Setembro), pequenas, 
reunidas em cachos, 4 sépalas, 4 pétalas e 6 estames; síliqua curta, 
erecta, com 2 valvas convexas trinérveas, contendo cada uma delas

1 série de sementes; raiz rija e branca. Inodoro. Sabor picante e acre. 
Partes utilizadas: sumidades floridas, folhas frescas, suco fresco 
(Julho­Agosto); secagem cuidadosa, conservação ao abrigo do ar, da luz e
da humidade.
O Componentes: derivados sulfurados, cardenólidos nas sementes O 
Propriedades: antiescorbútico, béquico, diurético, estomáquico, 
expectorante, tónico. U. I., U. E. + Ver: acne, bronquite, cura de 
Primavera, laringite, rouquidão, tosse, traqueíte, voz.

254
Rorela

Drosera rotundifolia L.

Orvalhinha, dróscru, orvalho­do­sol Bras.: drosera, erva­do­orvalho, 
rossolis

Droseráceas

As pequenas rorelas agrupadas sobre os

musgos nos pântanos e nas turfeiras desdobram ao nível do solo as suas 
rosetas de folhas redondas, das quais se destacam os frágeis caules 
florais. As folhas estão cobertas de cílios vermelhos, sensíveis e 
móveis, terminados por pequenas glândulas repletas de um suco brilhante,
aos quais a planta deve o encantador nome de orvalho­do­sol; foi outrora
muito utilizada pelos alquimistas e mais tarde, nos meios rurais, pelos 
bruxos e adivinhos. Contudo, é no seu meio natural que a rorela se 
revela verdadeiramente temível; efectivamente, esta planta carnívora 
pode capturar, segundo se crê, 2000 insectos num só Verão, pois as 
folhas viscosas e os cílios são uma armadilha mortal. A planta atrai, 
prende e seguidamente digere os insectos por meio de uma enzima análoga 
à pepsina do suco gástrico humano.

Na prática da medicina geral, todos os

médicos têm conhecimento da acção calmante da sua tintura nos acessos de
tosse convulsa. Uma infusão das folhas frescas produz um efeito análogo.
Nos meios rurais, o

seu suco é utilizado para tratar as verrugas.

Habitat: Europa, excepto na região mediterrânica; em Portugal, locais 
húmidos e pantanosos das montanhas elevadas de Trás­os­Montes, Minho e 
Beiras; até 2000 m, Identificação: de O,10 a O,20 m de altura, Vivaz, 
caule floral verde ou avermelhado, frágil, glabro, erecto; folhas 
longamente pecioladas, em roseta basilar aberta sobre o musgo, redondas,
cobertas de cílios tentaculares com glândulas arruivadas e viscosas mais
compridas nas margens; flores brancas (Julho­Agosto), pequenas (de O,5 a
O,8 cm), em cimeiras faucifloras, 5 sépalas, 5 pétalas, 5 estames e 3

estiletes; cápsula alongada, abrindo­se por 3 a
5 valvas, com numerosas sementes aladas; parte subterrânea frágil, com 
ordens anuais sobrepostas de delgadas raizes adventícias. Inodora; sabor
acistringente e amargo. Partes utilizadas: parte aérea da planta (Junho­
Setembro), fresca ou seca, suco fresco.
O Componentes: tanino, naftoquinona, pigmentos flavónicos O 
Propriedades: antiespasmódico, anti­séptico, béquico, febrífugo. U. I., 
LI. E. + O Ver: calo, pulmão, rouquidão, tosse, tosse convulsa, verruga.
255
Saboeira

Suponaria officinalis L. Erva­saboeira, saponária, saboneira

Cariofiláceas

A saboeira saltou as vedações dos jardins mediterrânicos onde outrora 
era cultivada e, vagabundeando pelas margens arenosas ou pedregosas dos 
rios, à beira das valas e dos cursos de água e pelas bermas dos 
caminhos, invadiu a Europa temperada. É uma

planta rústica, com belas flores de um cor­de­rosa muito claro que, à 
sombra, se torna ainda mais pálido. O ciclo vegetativo da saboeira 
conclui­se em Outubro, quando, destruídos os cálices, murchas as 
pétalas, se deixa desfolhar pelo vento e seca inteiramente. É nesta 
época que o rizoma desta planta, tão útil às lavadeiras e que já era 
utilizado muito antes de se conhecer o sabão para lavar as lãs, deve ser
colhido. O rizoma, que já era outrora conhecido, pois Hipócrates 
menciona­o quatro séculos antes de Cristo, é um remédio utilizado pela 
medicina após a secagem. A planta é depurativa, tónica, reanima as 
funções dos fígados lentos e confere beleza à tez, podendo associar­se, 
em infusão, às folhas do agrião e às sumidades floridas da centáurea­
menor. Uma água saponácea, obtida por decocção da planta, constitui um 
óptimo champô indicado para cabelos frágeis.

O Não macerar em água; preparar e utilizar. Habitat: Europa; Norte e 
Centro de Portugal, margens dos campos e dos rios; até 1600 m. 
Identificação: de O,30 a O,60 m de altura. Vivaz, numerosos caules, 
erectos, cilíndricos, dilatados nos nós, robustos e avermelhados; folhas
glabras, sésseis, verde­claras, grandes, ovais ou lanceoladas, com 3 a 5
nervuras; flores cor­ d e­ rosa­ claras (Junho­Setembro), grandes, 
pedunculadas, em cimeiras corimbiformes, cálice tulbuloso, 5 dentes, 5 
pétalas inteiras ou chanfradas, 10 estames, 2 estiletes; cápsula 
oblonga, abrindo­se por 4

valvas, numerosas sementes reniformes castanhas; rizoma prolífico 
castanho­avermelhado, amarelo no corte. Cheiro agradável (flores); sabor
amargo e desagradável. Partes utilizadas: caule folhoso (antes da 
floração), descora ao secar; rizoma (Outono), raiz.
O Componentes: saponósido, resina, vitamina C O Propriedades: 
colerético, depurativo, diurético, sudorífico, tónico. U. L, U. E. + V 
Ver: acne, anginas, artrite, cabelo, cura de Primavera, dartro, eczema, 
fígado, herpes, icterícia, psoríase, reumatismo.
Sabugueiro

Sambucus nigra L. S abugueiro­ negro Bras.: sabugueirinho

Caprifoliáceas

A história do sabugueiro é, sem dúvida, tão longa como a do homem, pois 
foram encontrados alguns vestígios desta árvore em estações 
arqueológicas da Idade da Pedra na Suíça e no Norte de Itália. Sabe­se 
também que os Gregos na Antiguidade a utilizavam vulgarmente, bem como 
os habitantes da antiga Roma. O sabugueiro encontra­se frequentemente na
Europa pró ximo das povoações, porque outrora era ali plantado para 
atrair os espíritos do bem. A partir do século XVI, popularizou­se como 
planta decorativa. Nos meios rurais, as crianças fazem apitos com a 
madeira quebradiça e leve do sabugueiro. Com os seus frutos preparam­se 
doces com uma bela cor vermelho­violácea. As suas propriedades 
medicinais são inúmeras: as flores, as bagas, as folhas e a segunda 
casca fazem parte de grande número de preparações. As flores são também 
utilizadas para a conservação das maçãs, devendo ser colocadas em 
camadas alternadas em caixas de cartão, que seguidamente se fecham.

Habitat: Europa Central, matas, sebes; em Portugal, é cultivado, 
surgindo também espontâneo. Identificação: de 2 a 5 m, por vezes 10 m, 
de altura. Arbusto ou árvore; caule com casca cinzento­acastanhada, 
verrugosa, ramos fracos e quebradiços, com medula branca; folhas 
pecioladas, com 5 a 7 folíolos compridos e serrados; flores brancas 
(Junho), pequenas, em cimeiras corimbiformes planas, com 5 raios 
principais, 5 sépalas, 5 pétalas, 5 estames com anteras amarelas, 3 
carpelos, 3 estigmas sésseis; baga preto­violácea, com 3 sementes. 
Cheiro intenso; sabor acíclulo.

Partes utilizadas: flores, folhas, frutos maduros, segunda casca seca; 
secar ao ar.
O Componentes: nitrato de potássio, óleo essencial, alcalóide, 
heterósido, tanino, mucilagem, vitamina C, pigmentos flavónicos e 
antociânicos O Propriedades: depurativo, diurético, emoliente, laxativo,
sudorífico. U. L, U. E. + V O Ver: abcesso, arteriosclerose, bronquite, 
cistite, coração, cura de Primavera, epistaxe, fígado, frieira, gota, 
hemorróidas, obstipação, olhos, pele, picadas, pontos negros, 
queimadura, rim, reumatismo, sudação, tabagismo, terçolho.

257
Saião­curto

Sempervivum tectorum L. Sempre­viva­dos­telhados

Bras.: saiao

Crassuláceas

O saião­curto é mais frequente nas planícies, embora surja por vezes nas
montanhas, alapardado nas cavidades dos penhascos, de onde os seus 
rebentos extravasam para colonizar tudo o que os cerca. Tem u   Iria 
preferência especial pelos muros velhos e sobretudo pelos telhados, aos 
quais se agarra, consolidando­os e protegendo­os do escoamento rápido 
das chuvas, como indica claramente o nome da espécie. A designação 
barbas­de­júpiter, que os Franceses lhe atribuem, deriva possivelmente 
da expressão latina Jovis barba, barba de Júpiter, deus dos céus, senhor
dos relâmpagos; assim, cria­se outrora que a sua presença nos telhados 
protegia as casas dos raios.

É uma planta vivaz, resistente, semelhante a uma alcachofra, muito 
conhecida, mas cujas importantes qualidades medicinais são, na maior 
parte dos casos, ignoradas. Não é necessário colhê­la numa data fixa, 
aplicar processos especiais ou tomar precauções na secagem: basta 
estender a mão e colher uma folha fresca. Não é possível imaginar uma 
terapêutica mais simples. O saião­curto é um calicida, tratando também 
dartros e queimaduras. Esta simplicidade de utilização harmoniza­se com 
a vida da planta, pois alimenta­se apenas de grande quantidade de sol, 
alguns gramas de terra ou de pó e de pequenas gotas de água. Melhor 
ainda, quanto mais árida for a terra, mais numerosas e belas são as suas
flores.

Habitat: Europa Central e Meridional, telhados, muros velhos, penhascos;
em Portugal, é espontâneo e subespontâneo e, por vezes, cultivado nos 
jardins; até 2800 m. Identificação: de O,20 a O,50 m de altura. Vivaz, 
caule floral erecto, carnudo, com muitas folhas; folhas da base em 
roseta, sésseis, densas, imbricadas, obiongas, com pontas aguçadas, por 
vezes vermelhas, faces glabras e bordos ciliados; flores cor­de­rosa 
estriadas de cor de púrpura (Junho­Agosto), subsésseis ou ligeiramente 
pecioladas em corimbo terminal, 8 a 20 sépalas, 8 a 20 pétalas abertas, 
2 vezes

mais compridas que as sépalas, 16 a 40 estames, 8 a 20 carpelos 
divergentes; folículo que se abre por uma fenda, contendo numerosas 
sementes dispostas em 2 fileiras: a toiça emite rebentos. Cheiro suave; 
sabor acidulado. Partes utilizadas: folhas frescas, suco fresco.
9 Componentes: tanino, mucilagem, ácidos málico e fórmico O 
Propriedades: acistringente, antiespasmódico, emoliente, vulnerário. U. 
L, U. E. + Ver: calo, dartro, diarréia, ferida, greta, hemorróidas, 
olhos, picadas, queimadura.
258
Salgueirinha

Lvthrum salicaria L. Erva­carapau, salicária

Bras.: erva­da­vida

Litráceas

Outrora, os Alemães chamaram à salgueirinha o altivo­henrique, enquanto 
o útil quenopódio era conhecido pelo bom­henrique. Nos meios rurais, 
acreditava­se então que a salgueirinha era o refúgio secreto dos duendes
que guardavam as minas de ouro. Actualmente, à semelhança de tantas 
outras plantas úteis, a salgueirinha é considerada pelos agricultores 
como uma erva daninha que deve ser destruída.

Cresce entre os salgueiros, e da semelhança das folhas de ambas as 
plantas lhe adveio o nome. Foi durante muito tempo confundida com a 
lisimáquia­vulgar. O primeiro autor que a identificou com exactidão foi 
Mattioli, no século xvi. Desde essa época, a salgueirinha manteve, sem 
qualquer declínio, o seu lugar entre as plantas medicinais. Muito eficaz
quer fresca, quer seca, esta planta, dotada de propriedades 
adstringentes e hemostáticas, é também considerada um óptimo remédio 
para as cólicas dos recém­nascidos. Geralmente, entra em preparações com
a papoila e a alteia. Algumas pessoas apreciam os seus jovens rebentos 
ou

a medula do caule cozidos à maneira de hortaliças e preparam um chá com 
as folhas. As flores são utilizadas como corante para os rebuçados 
vermelhos.

Habitat: Europa, beira de água, fossos, pântanos; em Portugal, margens 
dos rios, vales e locais húmidos; até 1400 m. Identificação: de O,50 a 
1,50 m de altura. Vivaz, caule erecto, robusto, quadrangular, 
pubescente, ramificado na parte superior; folhas com pêlos, oval­ lan 
ceoladas ou cordiformes, opostas ou verticiladas em grupos de 3, sendo 
as superiores alternas; flores cor­de­rosa­violáceas (Ju n ho­ 
Setembro), grandes, hermafroditas, verticiladas, em grupos de 3 a 10 
numa comprida espiga terminal, cálice pubescente com 8 a 12 dentes 
desiguais, corola com 6

pétalas alongadas, 6 estames curtos e 6 salientes; cápsula obionga 
contendo numerosas sementes; toiÇa espessa. Inodora; sabor mucilaginoso,
levemente acistringente e herbáceo. Partes utilizadas: sumidades 
floridas, caules jovens com folhas e suco fresco.
O Componentes: tanino, açúcares, heterósidos (salicarina), colina, 
provitamina A, ferro, oxalato de cálcio O Propriedades: acistringente, 
hemostático, tónico. U. I., U. E. + o Ver: diarréia, eczema, epistaxe, 
leucorreia, úlcera cutânea.
Salgueiro­branco

Salix alba L.

Sinceiro, vimeiro­branco

Salicáceas

Planta característica do hemisfério norte, o

género Salix é constituído por cerca de 200 espécies difíceis de 
determinar, das quais algumas, de menor porte, resistem ao frio e aos 
climas de altitude. De entre os salgueiros da Europa, o maior e o mais 
comum no estado espontâneo é o salgueiro­branco; porém, o mais conhecido
é uma espécie cultivada, o salgueiro­da­babilónia, Salix babvlonica L., 
ou chorão, com longa ramagem pendente. Os amigos do poeta romântico 
Alfred de Musset plantaram um salgueiro­branco, após a sua morte, junto 
do seu túmulo, no Cemitério do Père­Lachaise, em Paris, cumprindo um 
pedido que o poeta lhes fizera numa estrofe melancólica.

Os médicos da Antiguidade recorriam com frequência ao salgueiro, sem 
contudo precisar quais as espécies utilizadas; com efeito, todos os 
salgueiros de folhas estreitas têm na prática propriedades medicinais 
idênticas. Mattioli assinalava, no século XVI, a eficácia das folhas de 
salgueiro contra as insônias; no século XVII, a sua casca era utilizada 
como febrífugo. Sabe­se actualmente que este efeito se deve à sua 
riqueza em ácido salicílico; um seu derivado é um dos medicamentos mais 
utilizados no Mundo e universalmente conhecido pelo nome de aspirina.

Habitat: Europa, bosques húmidos, ribanceiras; em Portugal, sobretudo em
zonas do Centro e do Sul, margens dos rios, vales; até 1800 m. 
Identificação: de 6 a 25 m de altura. Árvore; casca gretada quando 
velha, ramos erectos, flexíveis, ramos jovens guarnecidos de pêlos 
finos; folhas com pecíolo curto, lanceoladas, acuminadas, acetinadas, 
prateadas pelo menos na página inferior, bordos inteiros ou serrados; 
flores amarelas ou esverdeadas (Abril­Maio), dióicas, com amentilhos 
erectos, sedosos, flor masculina reduzida a 2 estames e uma glândula 
nectarífera, flor feminina reduzida a um pistito, protegidas por uma 
escama celheada caduca; cápsula glabra, quase séssil, bivalve, e 
numerosas sementes tomentosas. Inodoro; sabor amargo. Partes utilizadas:
casca, folhas, amentilhos.
O Componentes: salicósido, tanino, sais minerais O Propriedades: 
acistringente, anestésico, antiespasmódico, anti­reumatismal, febrífugo,
hemostático, sedativo, tónico. LI. L, U. E. + Oli Ver: banho, dor, 
eritema, febre, gripe, nervosismo, pé, pele, psoríase, reumatismo, sono,
úlcera cutânea.

260
Salsaparrilha­bastarda

Smilax aspera L. Legação, alegra­campo, recama, salsaparrilha­indígena, 
alegação

Bras.: japecanga

Liliáceas

Existem cerca de 200 espécies do género Smilax difundidas pelas regiões 
quentes e

húmidas do Globo. Algumas delas são medicinais e fazem parte das plantas
exóticas importadas. Na Europa, encontra­se esta espécie, cujo nome 
científico a qualifica como rude e áspera. A planta prefere o calor e 
geralmente prende­se às árvores e aos arbustos na região mediterrânica. 
Para mais facilmente a identificar, é necessário examinar o seu caule 
anguloso e pungente, as folhas triangulares orladas de acúleos, as 
flores simples que subsistem até ao mês de Outubro e as bagas vermelhas 
com as dimensões de uma ervilha, muito semelhantes às da groselheira.

Como os seus parentes exóticos, a salsaparrilha­bastarda possui 
propriedades depurativas, diuréticas e sudoríficas, porém em menor grau.
No século XVI, Mattioli atribuiu­lhe uma acção anti­sifilítica que nunca

foi confirmada. A raiz, branco­acinzentada, seca e moída é indicada para
os asmáticos, que se sentirão confortados se a fumarem.

Q Não confundir a raiz com as das norças, branca e preta. Habitat: 
Europa Meridional; espontânea no Centro e Sul de Portugal, muros e 
bermas; até 300 m. Identificação: de 1 a 2 m de altura. Subaribusto; 
caule sarmentoso, sinuoso, anguloso e provido de acúieos; folhas 
persistentes, pecioladas, brilhantes, cordiformes, maculadas de branco 
ou preto, aculeadas, com 5 a 7 nervuras e 2 gavinhas na base do pecíolo;
flores branco­esverdeadas (Agosto­ Outubro), em umbelas paniculadas na 
axila das folhas e na extremidade dos ramos, 6 peças petalóides, 
patentes, flores

masculinas: 6 estames, flores femininas: ovário com 3 estigmas; baga 
vermelha com 1 a 3 sementes redondas e castanhas; rizoma ]enhoso, 
geralmente muito comprido, com raízes adventícias, raizes branco­
acinzentadas ou castanhas. Cheiro agradável. Partes utilizadas: raiz.
O Componentes: glúcidos, colina, saponósidos, tanino, sais minerais 
(potássio, cálcio) O Propriedades: depurativo, diurético, sudorífico. U.
1. + Ver: artrite, asma, gota, gripe, herpes, nefrite, pele, urina.
Salva

Salvia officinalis L.

Erva­santa, salva­mansa, salva­menor, salva­das­farmácias, salva­da­
catalunha, grande­salva,

chá­da­europa, chá­da­grécia, chá­da­frança

Labiadas

Segundo Saint­Simon, Luís XIV bebia todas as manhãs, ao levantar, duas 
chávenas de salva e verónica. A salva goza de enorme prestígio desde 
tempos imemoriais; a Escola de Salerno, que a denominou Salvia 
salvatrix, herdou­a de Santa Hildegarda, atribuindo­lhe este axioma 
exemplar: *Se existisse algum remédio contra o poder da morte, o homem 
não morreria no jardim onde cresce a salva.+ Todas as espécies de salva 
são extremamente aromáticas, e a officinalis é importante mesmo do ponto
de vista culinário. O nome Salvia deriva do latim salus, saúde, alusão 
às propriedades curativas da planta. Tem variadíssimas aplicaçõ es 
domésticas: para aromatizar os alimentos, sanear os armários e proteger 
as roupas, preservar a beleza e tratar as indisposições. Crê­se que cura
os ataques de melancolia e acalma as crises de asma. O cheiro e sabor 
aromáticos tornam­na muito agradável, mas

não convém abusar. Com efeito, a essência de salva contém a mesma 
substância tóxica que a losna, não sendo o seu uso aconselhado aos 
temperamentos sanguíneos e hipertensos.

O Mulheres que amamentam; evitar o contacto com o ferro. Habitat: Europa
Meridional; até 800 m. Identificação: de O,30 a O,70 m de altura. 
Subarbusto; caule ramoso e tomenlo@o­pubescente; folhas grandes, 
oblongas, pecioladas, verde­esbranquiçadas, persistentes, espessas, 
crenadas; flores azul­violáceas (Maio­Julho), em grupos de 3 a 6 por 
verticilo, em espigas terminais com brácteas violáceas caducas, cálice 
bilabiado, corola comprida com 2 lábios, sendo o inferior trilobado, com
o lobo médio maior. Partes utilizadas: folhas mondadas (antes da

floração), sumidades floridas.
O Componentes: ácido rosmarínico, flavonóides, saponósido O 
Propriedades: antiespasmódico, anti­séptico, anti­sudorífico, 
carminativo, colerético, emenagogo, estimulante, estomáquico, 
hipoglicemiante, vulnerário, U. L, U. E. + V O Ver: asma, astenia, 
banho, cabelo, convalescença, depressão, desinfecção, diabetes, 
enfisema, entorse, esterilidade, frigidez, gengivas, impotência, 
lactação, leucorreia, menopausa, menstruação, nervosismo, parto, pé, 
picadas, sudação, tabagismo, tez.

262
Salva­esclareia

Salvia selarea L.

Labiadas

A salva­esclareia é uma magnífica planta vivaz, alta e vigorosa, com 
grandes folhas ovadas, cujas flores com corola de lábios cor­de­rosa­
pálido são dotadas de brácteas cordiformes. Toda a planta é viscosa e 
odorífera, exalando um perfume a almíscar. Encontra­se nas colinas 
áridas, na base dos muros e ao longo dos caminhos, sendo cultivada desde
a Antiguidade, época em que a sua fama era idêntica à da Salvia 
officinalis L. Em 795, com o nome de Sclareiam, fazia parte das plantas 
cuja cultura era aconselhada no Capitular de Villis. Actualmente, é 
cultivada à escala industrial para extracção da sua essência. Em 
fitoterapia, a salva­esclareia é essencialmente emenagoga e estimulante 
e um óptimo remédio para o cansaço. Pode substituir a salva em todas as 
suas utilizações, porém em doses um pouco mais elevadas. Crê­se que a 
sua essência é menos tóxica, não apresentando a sua utilização qualquer 
perigo. A semente da salva­­esclareia, tal como a do aljôfar, é rica em 
mucilagem, podendo ser utilizada para extrair corpos estranhos dos 
olhos: colocada sob a

pálpebra, incha, atrai o pó e provoca lágrimas, arrastando assim o corpo
estranho.

Habitat: Europa Meridional, colinas áridas; em Trás­os­Monies, em 
lugares secos; até 1000 m. Identificação: de O,30 a 1,20 m de altura. 
Vivaz, caule robusto, quadrangular, viloso, ramoso; folhas pecioladas, 
grandes, ovadas, cordiformes, rugosas, vilosas, acinzentadas, 
crenuladas, rede saliente de nervuras; flores brancas maculadas de cor­
de­rosa ou azul (Maio­Setembro), em espigas de verticilastros, formando 
uma panícula densa e viscosa, com grandes brácteas cor­de­rosa­
violáceas, cordiformes, celheadas, cálice espinhoso, bilabiado, corola 
comprida, glandulosa, bilabiada, lábio superior

fauciforme, sendo o inferior trilobado, 2 estames; tetraquénio castanho,
brilhante, sementes brilhantes; toiça vivaz e raiz aprumada. Cheiro a 
aimíscar; sabor ardente e acre. Partes utilizadas: folhas (antes da 
floração), sumidades floridas e sementes.
O Componentes: óleo essencial, tanino, saponósido, colina, heterósido, 
mucilagem O Propriedades: antiespasmódico, anti­sudorífico, detersivo, 
emenagogo, estimulante. U. L, U. E. + Ver: convalescença, edema, 
menstruação, olhos, tosse convulsa, úlcera cutânea, vómito.
Sanamunda

Geum urbanum L.

Erva­benta, cariofilada, cravoila

Rosáceas

No Verão, é fácil reconhecer a sanamunda entre as outras plantas vivazes
nas bermas dos caminhos e nas orlas dos bosques. É uma pequena planta 
rústica, de porte erecto, ligeiramente túrgida, com folhas finas e 
tripartidas e discretas flores amarelas. Os frutos, encimados pelo seu 
estilete recurvado, formam, na extremidade dos caules, pequenas esferas 
cobertas de pêlos.

Muitos séculos atrás, acreditava­se que a presença de uma raiz de Geum 
em casa afastava o demónio e os animais peçonhentos. Supõe­se que as 
virtudes da planta foram pela primeira vez mencionadas na História 
Natural de Plínio, o Antigo. No século Xil Santa Hildegarda chamou­lhe 
Benedicta.

Quase abandonada pelos médicos a partir do século XVI, a sanamunda 
manteve­se muito popular nos meios rurais, se bem que, segundo uma 
lenda, a planta possa, por vezes, enfeitiçar o seu possuidor. 
Actualmente, bem estudada do ponto de vista químico, reconquistou a 
simpatia dos fitoterapeutas.

O Não utilizar recipientes de ferro e não ultrapassar as doses 
prescritas. Habitat: Europa, Norte e Centro de Portugal, especialmente 
nas regiões montanhosas, solos húmidos, sombrios; até 1300 m. 
Identificação: de O,20 a O,60 m de altura. Vivaz, caule erecto, ramoso, 
pubescente; folhas radicais, penatissectas, com 5 a 7 folíolos 
desiguais, sendo o terminal maior e serrado; flor amarela (Maio­ Sete m 
bro), solitária, calículo com 5 divisões, 5 sépalas pendentes após a 
fioração, 5 pétalas separadas, numerosos estames e carpelos; aquénio 
viloso, encimado por

um comprido estilete recurvado; rizoma curto, rugoso, castanho na parte 
exterior, roxo quase castanho no corte, Cheiro aromático a cravinho; 
sabor amargo e acistringente. Partes utilizadas: folhas (na floração); 
rizoma (antes da floração).
O Componentes; tanino, resina, princípio amargo, heterósido, vitamina C 
O Propriedades: acIstringente, febrífugo, estomáquico, sudorífico, 
tónico, vulnerário. U. L, U. E. + Ver: astenia, cefaleia, conjuntivite, 
depressão, diarréia, digestão, estômago, ferida.

264
Sanguissorba­oficinal

Sanguisorba officinalis L.

Rosáceas

A sanguissorba é uma rosácea vivaz que prefere os prados húmidos, os 
pântanos e as turfeiras. Permanece florida durante todo o Verão, 
difundindo o aroma suave das suas flores hermafroditas cor de púrpura­
escura, comprimidas numa densa inflorescência. A medicina dos sinais 
interpretava a rutilância das suas corolas como um sinal da sua acção 
sobre os derramamentos de sangue. Mais tarde, a análise química da 
planta revelou a presença de tanino, produto que poderá provocar esse 
efeito. A planta é eficaz em todos os tipos de hemorragias: dos 
aparelhos digestivo e respiratório, dos órgãos genitais e dos rins; 
também tem efeito benéfico nos casos de diarreia e leucorreia.

A sanguissorba serve de base a um exce~ lente chá digestivo, o qual pode
ser aromatizado adicionando­lhe anis­verde, mentas ou angélica. O seu 
sabor, extremamente suave, semelhante ao do pepino, torna mais gostoso o
tempero das saladas. Numa urgencia, a raiz fresca, descascada, pode ser 
aplicada numa queimadura recente para aliviar o ardor e facilitar a 
cura.

Habitat: Europa, prados húmidos (argila, turfa); até 1800 m. 
Identificação: de O,30 a 1,50 m, por vezes 2 m, de altura. Vivaz, caule 
erecto, ramificado, oco, glabro, ligeiramente folhoso; folhas de 30 a
40 cm, glabras, imparipinuladas, com 5 a 15 folíolos ovais, dentados, 
verde­claros na página superior e mais claros na inferior, flores 
vermelho­sanguíneo (J ulho­ Setembro), minúsculas, bissexuadas, 
agrupadas em espigas capitadas, ovóides, cálice viloso no vértice; fruto
liso, castanho, quadrangular, contendo 1 semente; toiça subterrânea, 
castanha e rastejante. Cheiro suave; sabor salgado e amargo. Partes 
utilizadas: toda a planta e raiz (antes da floração, no Outono), suco 
fresco; a conservação é impossível.
* Componentes: tanino, saponósido, flavonas
* Propriedades: acistringente, digestivo, estomáquico, hemostático. U. 
L, U. E. + Ver: diarréia, ferida, hemorragia, hemorroidas, leucorreia, 
menopausa, queimadura.

265
Sanícula

Sanicula europaea L.

Sanícula­vulgar

Umbelíferas

Denominada erva­de­são­lourenço em França devido às suas virtudes 
cicatrizantes, e invocando o mártir que foi colocado numa grelha de 
ferro em brasa pelo prefeito de Roma no século til, a sanícula foi muito
apreciada pela Escola Médica de Salerno. Se bem que o seu nome derive da
palavra latina sanare, curar, e a sua eficácia seja indubitável, é por 
vezes substituída pela agrimónia

ou a sempre­noiva. Não deve, no entanto, ser menosprezada.

Cresce nos bosques sombrios e frescos, sob as árvores frondosas, 
nomeadamente as faias. O caule, verde, apresenta na base folhas largas e
palmadas dispostas em roseta; as do vértice do caule são pequenas e 
sésseis. Permanecem verdes durante todo o ano, podendo ser colhidas em 
qualquer estação. Esmagadas cruas e aplicadas sobre contusões e 
hematomas, facilitam a sua reabsorção. A sua infusão serve para lavar as

feridas, que, deste modo, cicatrizam sem

supuração. Fervidas em leite e adoçadas com mel, estas mesmas folhas 
constituem um excelente gargarejo (que não deve ser engolido) para 
tratar as anginas.

Habitat: Europa, florestas de árvores frondosas; espontânea em Trás­os­
Montes, Minho e

Beiras; até 1500 m. Identificação: de O,20 a O,50 m de altura. Vivaz, 
caule erecto, glabro, frágil e simples; folhas verde­escuras, 
brilhantes, palmatipartidas, quase todas basilares, com pecíolo 
comprido, sendo as caulinares O, 1 ou 2, quase sésseis; flores branco­
rosadas (Maio­Julho), pequenas, sésseis, em capítulos reunidos em 
umbelas irregulares, com 3 ou 5 raios muito desiguais, 5 pétalas 
curvadas para o centro, hermafroditas, sésseis no centro, possuindo as 
da margem

estames; diaquénio globoso coberto de acúleos gancheados; rizoma 
castanho com raizes nodosas e fibrosas. Cheiro intenso; sabor amargo e 
acistringente. Partes utilizadas: raiz (Outono), toda a planta (Maio­
Julho) e suco.
O Componentes: saponósidos, tanino, óleo essencial, princípio amargo O 
Propriedades: acistringente, cicatrizante, detersivo, vulnerário. U. I.,
U. E. + Ver: anginas, contusão, diarreia, ferida, leucorreia.
SantÓnico

Artemisia inaritima L.

Barbotina, semencina, sérnen­contra,

sementes­de­alexandria Bras.: artemísia­marítima

Totalmente coberto por uma penugem branca, o santónico é, tal como o 
nome da espécie indica, uma planta das costas marítimas. Na Europa, 
encontra­se nos litorais da Mancha e do Atlântico, nos solos salgados e 
nos pântanos. É uma planta extremamente aromática. No Outono, exibe as 
suas flores amarelo­ acastanhadas, agrupadas em capítulos apenas num dos
lados dos seus ramos inclinados, formando cachos pouco densos. Os 
capítulos devem ser colhidos antes de as flores desabrocharem: devido às
suas pequenas dimensões, supôs­se durante muito tempo que eram sementes,
pelo que o santónico foi conhecido por semencina (do italiano semenzina,
diminutivo de semente).

É uma planta bastante activa e um vermífugo muito utilizado nas regiões 
litorais para as ascárides e os oxiúros. Estas propriedades são devidas 
à santonina que contém. Uma outra espécie, importada da Ásia, Artemisia 
cina Berg., possui virtudes idênticas; porém, quando utilizadas para o 
mesmo efeito, o santónico é mais bem tolerado. No entanto, para evitar 
riscos de toxícidade, não deve ser administrado a crianças. Em uso 
externo a planta é absolutamente inofensiva. Entra como componente de 
uma cataplasma que se

aplica sobre o abdômen de crianças portadoras de parasitas intestinais.

G Não ultrapassar as doses indicadas. Não deve ser administrado a 
crianças. Habitat: costas européias, excepto no litoral mediterrânico. 
Identificação: de O,30 a O,60 m de altura. Vivaz, caules herbáceos, 
floríferos, aveludados, vilosos, esbranquiçados, prostrado­ascendentes e
ramosos; folhas curtas, tomentosas, esbranquiçadas nas duas páginas, 
recortadas em lacínias estreitas, sendo as inferiores e as médias 
pecioladas e as superiores sésseis; flores amarelo­acastanhadas 
(Setembro­ Outubro), pequenas, em capítulos de 3 a 5 flores, ovójdes, 
unilaterais, inclinados, reunidos numa panícula de numerosos cachos 
arqueado­pendentes, pouco densos, com folhas simples; raiz delgada e 
lenhosa. Cheiro aromático e intenso; sabor amargo e canforáceo. Partes 
utilizadas: sumidades floridas secas.
O Componentes: santonina, sais minerais, colina, essência O 
Propriedades: vermífugo, vulnerário. U. I., U. E. Ver: ferida, 
parasitose.

267
Satirião­macho

Orchis mascula L.

Salepeira­maior, satírio­macho, salepo­maior,

pata­de­lobo, escroto­canino

Orquidáceas

As Orquidáceas constituem a mais numerosa família de todo o reino 
vegetal; a elas pertencem várias espécies espontâneas de Orchis muito 
disseminadas, sendo mais frequentes em terras altas. Se bem que seja 
difícil distingui­Ias entre si, é extremamente fácil identificar uma 
devido às suas flores irregulares, simetricamente dispostas segundo um 
plano vertical: três sépalas coradas e

três pétalas, das quais duas laterais e uma maior, o labelo, em forma de
avental com três lobos, um dos quais termina em esporão. O satirião­
macho possui um duplo tubérculo globoso subterrâneo que, não sendo 
bifurcado nem palmado, deu origem ao

nome de Orchis, testículo; as folhas da base apresentam frequentemente 
manchas castanho­avermelhadas, e as do caule não se desenvolvem, ficando
reduzidas às bainhas. Dos tubérculos das diversas espécies extrai­se 
desde épocas remotas uma farinha alimentar, o salepo, sahlap em língua 
árabe, muito famosa outrora, especialmente no

Oriente. Na realidade, o salepo e a excelente geleia de salepo não são 
mais nutritivos que a fécula de batata. O satirião­macho é uma planta 
refrescante com a qual os Orientais preparam uma bebida muito agradável.

O Planta rara que se desenvolve lentamente e não resiste às devastações.
Habitat: Europa, bosques, prados, pastagens; disseminado em     
Portugal; até 2000 m. Identificação: de O,15 a O,25 m de altura. Vivaz, 
caule espesso e suculento, com escapo floral; todas as folhas da base 
erectas, aiongadas, frequentemente    manchadas de castanho­avermelhado,
nervação paralela; flores cor de púrpura ou violáceas (Maio­Junho), em 
espiga cilíndrica, brácteas violáceas, 3 sépalas abertas, coradas, 
esporão comprido, inteiro e erecto, tabelo pontuado oe cor púrpura, 
levemente

chanfrado, pólen aglutinado em duas massas chamadas polinídias; 
tubérculos em grupos de
2, ovóides e acastanhados. Cheiro agradável; sabor amargo. Partes 
utilizadas: tubérculo (após a floração); escolher bem para apenas 
conservar os tubérculos intumescidos, escaldar, retirar a pele, secar 
sobre panos ao sol ou no forno.
O Componentes: mucilagem, amido, prótidos, lípidos, sais minerais, 
cumarina O Propriedades: antidiarreico, emoliente, refrescante. U. 1. 
Ver: convalescença,.fadiga, impotência.

268
Satureja­das­montanhas

Satureia montana L.

Bras.: segurelha

É uma planta soalheira que perfuma as colinas áridas de toda a região 
mediterrânica. Existe uma outra espécie, a segurelha, Satureia hortensis
L., planta herbácea, mais pequena e delicada, ligeiramente baça, evadida
das hortas e que apenas vive um ou dois anos. Estas duas plantas 
aromáticas têm propriedades semelhantes. Com efeito, contêm substâncias 
bastante activas, também presentes no tomilho, no eucalipto e no serpão,
que lhes conferem propriedades anti­septicas, expectorantes e tónicas. 
De há muito consideradas estimulantes psíquicos e físicos e até 
afrodisíacos, contribuíram para que alguns etimologistas associassem o 
nome

genérico Satureia com a palavra *sátiro+. A s aturej a­ das ­montanhas é 
um óptimo condimento devido às suas propriedades carminativas, que 
tornam os legumes que contêm féculas mais digeríveis; pelo seu valor 
antibiótico, permitem aos aparelhos digestivos mais delicados tolerar as
carnes de caça retardadas. Para obter melhores resultados, é necessário 
conservar a saturej a­das­ montanhas em ramos e moê­la sobre os 
alimentos na altura da preparação.

Habitat: Europa Meridional, encostas calcarias e áridas; até 1500 m. 
Identificação: de O, 10 a O,40 m de altura. Subarbusto; caule ascendente
ou erecto, com ramos rígidos; folhas coriáceas, brilhantes, glabras, 
estreitas, pontiagudas, celheadas; flores cor­de­rosa, brancas ou 
lilases (Julho­Setembro), em espiga folhosa, terminal, unilateral, 
cálice tulbuloso com 5 dentes quase iguais, corola saliente bilabiada, 
sendo o lábio superior erecto, o inferior trilobado e o médio maior, 4 
estames; tetraquénio preto. Cheiro aromático; sabor amargo e ardente.

Partes utilizadas: sumidades floridas (Verão); secagem em ramos sobre 
uma fonte de calor.
O Componentes: essência (carvacrol e cimeno), hidrocarbonetos, 
nitrofenol, enzima O Propriedades: antiespasmódico, anti­séptico, 
carminativo, estimulante, estomáquico, expectorante. U. L, U. E. + Ver: 
anginas, astenia, banho, bronquite, diarreia, espasmo, estômago, ferida,
frigidez, impotência, insectos, meteorismo, picadas.

269
Selo­de­salomão

Polvgonatum offi< inale Desf.

Lifiáceas

O vigoroso rizoma do selo­de­salornão dá origem todos os anos a um novo 
caule que, ao desaparecer antes do Inverno, deixa uma marca como a de um
sinete; esta cicatriz confere ao caule subterrâneo da planta um

aspecto muito peculiar. As partes aéreas são também de tal modo 
características que, depois de se ter visto uma vez esta planta

rígida à sombra de uma mata, não é possível deixar de reconhecê­la 
imediatamente. Em Junho, surgem os frutos, azul­escuros, do tamanho de 
ervilhas. Estas tentadoras bagas são perigosas para as crianças, tendo 
já provocado, como os frutos vermelhos do lírio­dos­vales, 
envenenamentos fatais.

No século 1, Dioscórides afirmava que o

selo­de­salornão activava a cicatrização das feridas e fazia desaparecer
os sinais do rosto. Na cosmética moderna, o rizoma serve de base a uma 
água de beleza indicada para peles sem brilho.

Este rizoma, depois de cozido e esmagado, tem um efeito benéfico quando 
colocado sobre contusões e inchaços, pois atenua as dores.

O Não utilizar as bagas. Habitat: Europa, solos frescos, florestas; nas 
regiões montanhosas de Trás­os­Montes e Alto Alentejo, em locais 
sombrios; até 2000 m. Identificação: de O,20 a O,50 m de altura. Vivaz, 
caule glabro, erecto, arqueado, anguloso, tolhoso; folhas alternas, 
erectas, ovais, subsésseis ou amplexicaules, com nervuras longitudinais 
convergentes, dispostas em 2 filas opostas; flores brancas orladas de 
verde (Abril­Junho), pedunculadas, pendentes, 1 ou 2 sob o caule na 
axila de cada uma das folhas, em tubo de 6 lobos formado por 3 sépalas 
petalóides e

3 pétalas soldadas, 6 estames glabros; baga azul­escura, redonda, 
pendente, contendo de
3 a 6 sementes, rizoma carnudo, horizontal, nodoso e fibroso. Cheiro 
agradável (flores), inodoro (rizoma); sabor amargo, acre e nauseabundo. 
Partes utilizadas: rizoma (Outono),
O Componentes: saponósido, mucilagem, tanino, oxalato de cálcio O 
Propriedades: hemolítico, hipoglicemiante, resolutivo. U. E. V Ver: 
abcesso, contusão, panaricio, pele, reumatismo, sarda.
Sempre­noiva

Polygonum aviculare L. Corriol a­bas tarda, erva­da­muda, persi cári a­ 
sempre­ noiva, erva­da­saúde, centinódia,

sanguinha, erva­ dos ­pas sari nhos, sanguinária, se mpre­ noiva­ dos 
­modernos, erva­das­galinhas

Poligonáceas 

Como a persicáría­mordaz, a bistorta, a azeda e o labaçol, a sempre­
noiva pertence à família das Poligonáceas e caracteriza­se pelos seus 
caules muito nodosos. Densa e resistente, propaga­se rapidamente, 
cobrindo vastas áreas e suportando, sem prejuízo, ser pisada.

Muito apreciada pelos agricultores, é o maná do gado e a erva dos 
porcos. As aves alimentam­se com as suas pequenas sementes castanhas. 
Para os apreciadores de simples, toda a planta é útil, devendo ser 
colhida durante o período de floração. Para a

medicina antiga, era um remédio hemostático, pelo que os Latinos a 
denominaram Sanguinaria. Durante muito tempo utilizada para conter as 
hemoptises e tratar a tuberculose pulmonar, foi objecto de um 
escandaloso comércio à custa da credulidade dos doentes. Actualmente, a 
sempre­noiva é utilizada para o tratamento da diabetes, pois faz 
diminuir a sede, um dos sintomas desta doença.

Habitat: Europa, terrenos baldios, ruas; frequente em quase todo o 
território português; até 2300 m. Identificação: de O,10 a O,50 m de 
altura. Anual, numerosos caules prostrados, delgados, estriados, verdes;
folhas alternas, sésseis, pequenas, lanceoladas, nervadas na página 
inferior, com a base rodeada por uma bainha membranosa prateada e com 
nervura; flores brancas ou cor­de­rosa (Junho­Novembro), pequenas, quase
sésseis, em grupos de 1 a 4 na axila das folhas, ao longo do caule, 5 
sépaIas sem corola, 8 estames, 3 estigmas; aquénio castanho pequeno, 
trígono, com 1 seme te. Sabor adstringente. Partes utilizadas: suco 
fresco, toda a planta (Junho­ Novembro), raiz (Outono); secagem em ramos
num local coberto.
O Componentes: tanino, resina, óleo essencial, silício, mucilagem, 
pigmentos flavónicos O Propriedades: acistringente, diurético, 
hemostático, laxativo, sedativo, vulnerário. U. L, U. E. + o Ver: 
celulite, diabetes, diarreia, diurese, epistaxe, ferida, gota, 
leucorreia, litíase.

271
Serpão

Thymus serpyllum L. (sensu lato) Serpilho, serpol, serpil, erva­ursa

Bras.: tomilho

Labiadas

O serpão é uma pequena labiada aromática como o alecrim, a erva­cidreira
e o hissopo que os botânicos classificaram, juntamente com o tomilho, no
género Thymus. Na Antiguidade, o nome Thymus referia­se a diversas 
plantas aromáticas das quais também fazia parte a segurelha; 
actualmente, abrange apenas algumas espécies, das quais as duas mais 
importantes, o tomilho e o serpão, se distinguem facilmente. Não 
obstante, os especialistas têm enormes dificuldades, pois o serpão é uma
planta polimorfa, diferente consoante as regiões e os climas. Assim, a 
sua altura varia, os ó rgãos modificam­se, as flores mudam de cor e até 
o perfume se altera, assemelhando­se ao da erva­cidreira, do orégão ou 
do limão. O serpão foi desde sempre utilizado pela medicina sem qualquer
receio. Supõe­se que o mais

indicado para este fim é o serpão com cheiro a tomilho. Esta planta é 
fácil de distinguir, pois os seus caules são longos, com raízes, e as 
folhas igualmente glabras em ambas as faces. No seu Terceiro Livro, 
Rabelais, que também se interessava pelos nomes das plantas, faz 
referência ao serpão. *0 serpão+, escreve, *rasteja pelo solo+, frase que
deu origem ao nome da planta. Efectivamente, herper, em francês arcaico,
derivava do grego herpein, rastejar, que foi traduzido para o latim por 
serpy11um, palavra já usada por Virgílio nas suas Éclogas.

Habitat: Europa, bosques, solos áridos; espontâneo no Norte e Centro de 
Portugal; até 2500 m. Identificação: de O,10 a O,50 m de altura. Vivaz, 
poiimorfo, caule prostrado, ascendente na extremidade superior, 
pubescente; folhas pequenas, inteiras, oblongas, planas ou com bordos 
ligeiramente enrolados, celheadas na base; flores cor­de­rosa­lilás 
(Junho­Outubro), pequenas, em espigas, cálice ligeiramente pubescente 
com 2 lábios, 3 dentes em cima e
2 em baixo, corola bilabiada, sendo o lábio superior erecto e o inferior
com 3 lóbulos e 4 estames; tetraquénio castanho; raiz delgada e lenhosa.
Cheiro e sabor agradáveis e aromáticos. Partes utilizadas: sumidades 
floridas (Julho­Agosto); secagem em ramalhetes.
O Componentes: óleo essencial, contendo timol e carvacrol, tanino, 
resina, saponósido O Propriedades: antiespasmódico, anti­séptico, 
carminativo, diurético, expectorante, hemostático, tónico, vermífugo. U.
L, U. E, + V Ver: artrite, asma, astenia, banho, bronquite, cabelo, 
convalescença, epistaxe, estômago, fadiga, meteorismo, obstipação, 
reumatismo, seio, tosse.

272
Silva

Rubusfruticosus L. (sensu lato)

Sarça Bras.: nhambuí

Rosáceas 

Somente os especialistas, munidos de minúsculas pinças, lupas e de todo 
o seu saber, podem reconhecer as subtilezas botânicas que diferenciam as
diversas silvas. Existem mais de 100 espécies diferentes e mais de
1000 variedades e híbridos. Todas estas formas intermédias têm a 
aparência de verdadeiras espécies, mas diferem de local para local. São 
plantas vivazes, vigorosas, exuberantes, de compridos caules arqueados 
providos de acúleos cruéis. As flores, pequenas, brancas ou levemente 
rosadas, são inodoras. Os frutos, as deliciosas amoras aromáticas e 
refrescantes, negras e brilhantes, são apreciados pelo homem desde a 
Pré­História; os frutos da Rubus caesius L. estão cobertos por uma 
pruína azulada. Independentemente de servirem para confeccionar doces e 
compotas, as amoras são a base de um xarope utilizado como adstringente.
Da infusão das folhas misturadas com as do framboeseiro obtém­se um chá 
delicioso. O seu cozimento constitui um adstringente muito enérgico; 
pode ser utilizado como loção para o rosto ou em gargarejos para as 
doenças da boca. Todas as preparações de vem ser cuidadosamente 
filtradas para eliminar os espinhos.

O Filtrar as preparações mesmo para uso externo. Habitat: Europa, sebes,
matas; presente em quase todo o território português; até 2300 m. 
Identificação: de O,20 a 2 m de altura. Subarbusto sarmentoso, aculeado,
rebentos (turiões) erectos; folhas estipuladas com 3, 5 ou 7 folíolos, 
serrados, peciolados, por vezes esbranquiçados na página inferior, 
pecíolos e nervuras aculeados; flores brancas ou cor­de­rosa (Maio­
Agosto), em cachos alongados ou piramidais, 5 sépalas frequentemente 
cinzento­esbranquiçadas, 5 pétalas enrugadas, numerosos estames e 
carpelos; fruto globoso, composto de drupéolas carnudas, preto­azuladas,
comprimidas sobre um receptáculo (amora). Sabor adocicado e levemente 
acistringente. Partes utilizadas: flores em botão, folhas (antes da 
floração), turiões, frutos (Setembro),
O Componentes: ácidos salicílico, oxálico, cítrico e málico, tanino, 
glúcidos O Propriedades: acistringente, antidiabético, depurativo, 
detersivo, diuré tico, tónico. U. I., U. E. + o Ver: afta, anginas, 
diabetes, diarréia, gengivas, leucorreia, rouquidão, úlcera cutânea.

273
Silva­macha

Rosa canina L.

Rosa­canina, roseira­de­cão, silvão

Bras.: roseira, rosa­bandalha

Rosáceas

A silva­macha aqui representada é uma das muitas espécies espontâneas 
que crescem nos campos europeus. Planta vivaz que pode atingir alguns 
metros de altura, forma nas orlas dos bosques barreiras impenetráveis. 
Os jardineiros constroem com ela sebes decorativas para embelezar e 
perfumar os jardins; os cultivadores de roseiras utilizaram­na como 
cavalo no enxerto para numerosas variedades de roseiras cultivadas. As 
flores e as folhas da silva­macha, bem como os frutos, denominados 
cinorrodos, e as galhas, excrescência que se desenvolve nos ramos apó s 
a picada de um insecto, são utilizados em medicina. Colhidos na 
Primavera e secos à sombra, os botões florais e as folhas são laxantes 
suaves; podem tamb       >em aplicar­se nas feridas como agentes 
cicatrizantes. As galhas, remédio muito vulgar desde a Antiguidade, são,
devido ao seu elevado teor em tanino, adstringentes e tónicas. Os 
cinorrodos frescos são, pela sua riqueza em vitamina C, a base de um 
tratamento para o cansaço e o escorbuto. Libertos dos pêlos internos, 
podem ser utilizados em compotas ou em tisanas.

Habitat: Europa; frequente em Portugal nos bosques e margens dos campos;
até 1600 m. Identificação: de 1 a 5 m de altura. Vivaz, caule 
esverdeado; ramos erectos e pendentes providos de acúleos; folhas 
pinuladas com 5 a 7 folíolos serrados, ovais, glabros, estipulas 
alongadas; flores cor­de­rosa­claro (Junho­Julho), solitárias ou em 
corimbo, grandes (de 2 a 8 cm), sépalas triangulares com estipulas 
compridas,
5 pétalas, numerosos estames; aquénio peludo com pericarpo duro, 
encerrado num falso fruto ovóide, vermelho quando maduro, carnudo e 
liso. Cheiro suave; sabor ligeiramente ácido.

Partes utilizadas: botões florais, folhas, fruto (Agosto­ Outubro), 
galhas; secagem rápida depois de ter aberto o fruto e retirado os pêlos;
longa conservação em local seco.
O Componentes: vitaminas B, C, E, K e PP, provitamina A, tanino, pectina
O Propriedades: aestringente, antiescorbútico, cicatrizante, diurético, 
laxativo, tónico. U. I., U. E. + o Ver: angústia, astenia, cura de 
Primavera, diarreia, fadiga, ferida, hemorragia, litíase, parasitose, 
queimadura.
Tanchagens

a) Plantago major L. b) Plantago lanceolata L.

c) Plantago media L. a) Tanchagem­ maior, chantage, tanchage b) 
Tanchagem­menor, corrijó, carrajó, erva­de­ovelha, calracho, tanchagem­
terrestre, tanchagem­das­boticas

c) Tanchagem­média Bras.: a) transagem

Plantagináceas
O nome do género desta planta, Plantago, alude à forma de um pé, 
semelhança difícil de encontrar. As três espécies aqui representadas 
fazem parte do grupo das tanchagens comuns e possuem propriedades 
idênticas. Os Antigos já as consideravam importantes e activas, quer 
para uso externo, quer para uso interno. Conhece­se há muito o efeito 
repousante de um colírio preparado com folhas de tanchagem para os olhos
cansados; nos meios rurais, é hábito encher o canal

auditivo com raiz de tanchagem ralada para acalmar as dores de dentes, 
embora a eficácia deste tratamento não esteja comprovada.

As folhas de tanchagem podem ser colhidas durante 10 meses por ano e 
utilizadas frescas em saladas ou sopas, e secas para fins medicinais. As
sementes, que devem ser colhidas muito maduras e em tempo seco, são 
apreciadas pelas aves domésticas.

O Não esquecer que o pólen das tanchagens é um dos mais propagados 
agentes da polinose. Habitat: Europa, bermas dos caminhos, solos áridos;
a tanchagem­maior e a menor são frequentes em Portugal; até 2000 m. 
Identificação: de O,10 a O,60 m de altura. Três espécies vivazes: as 
hastes florais ultrapassam as folhas; acaules; flores em espiga (Abril­
Novembro). Inodoras. a) Folhas espessas, ovais com pecíolos compridos e 
em roseta; corola acinzentada e avermelhada; b) folhas lanceoladas, 
pecíolos delgados; corola esbranquiçada;

c) folhas ovais com pecíolos curtos e em roseta; corola branca. Partes 
utilizadas: suco fresco, toda a planta, folhas (Primavera, na floração),
raizes (todo o ano), sementes maduras em tempo seco.
O Componentes: mucilagem, glúcidos, tanino, sais minerais, enxofre O 
Propriedades: adstringente, cicatrizante, depurativo, diurético, 
emoliente, expectorante, resolutivo. U. I., U. E. + V IN Ver: acne, 
bronquite, conjuntivite, constipação, dentes, diarreia, epistaxe, 
ferida, flebite, mordedura, obstipação, olhos, picadas.

276
Taráxaco *//* para refazer

Turaxacum officinale Web. (sensu lato) Dente­de­leão, coroa­de­monge, 
frango, quartilho

Bras.: alface­de­coco

Se o taráxaco tivesse sido coi)lie,­ido tia Antiguidade, é provável que 
zilLLiii,, ie o

mencionassem. Porém, neidium hoiani,@o ou médico cita esta planta 
aiiic,, tio ,ék,tilo \\ Para Bock, em 1546, é um diur@iiço. Para 
Tabernaemontanus, farma,@éulico ;ilciii,­'Ikl do século XVI, doutorado 
em Medicina em Paris, o taráxaco constitui um @u1ncrario. Único no seu 
género. A medi,:ina               de­preza­o, mas o taráxaco @oniinua a 
curar oficiosamente os doentes. \ti inicio do culo xx, foi bruscamente 
universal foi o reconhe,­ini,,nio kl;l, 1,11U1,

propriedades que todas as terapêuticas em que era utilizado passaram a 
chamar­se taraxacoterapias ... A partir de então, este prestígio não 
diminuiu, pois o taráxaco permanece um dos simples mais úteis e mais 
populares.

No taráxaco, a qualidade e a quantidade estão equiparadas: cresce em 
toda a parte, durante quase todo o ano, vivaz, fresco, fechando­se 
durante a noite e abrindo­se ao alvorecer. Oferece­se indistintamente às
abelhas, cumulando­as de néctar; às crianças, recreando­as; aos 
citadinos, fornecendo­lhes saladas, e aos apreciadores de plantas 
singelas. Embora existam muitíssimas espécies de taráxacos, de grande 
porte ou

anãs, com folhas ovais muito pouco desenvolvidas, com frutos brancos, 
vermelhos ou cinzentos, é impossível confundi­lo com

qualquer outra planta.

Habitat: Europa; frequente no País; até 2000 m. Identificação: de O,05 a
O,50 m de altura. Vivaz, folhas em roseta basilar densa, glabras, 
compridas, diversamente roncinadas (com os segmentos laterais virados 
para a base); flores de um amarelo intenso (Março­ Novembro), liguladas,
formando um grande capítulo num comprido pedúnculo radical, liso, oco, 
capítulo com invólucro duplo de brácteas externas mais curtas; aquértio 
cinzento­azu lado, ovóide, um pouco espinhoso na extremidade superior; 
rizoma espesso, grossa raiz aprumada, castanho­escura e esbranquiçada no
corte, látex branco.

Partes utilizadas: raiz, folhas (Primavera), suco (Outono); cortar a 
raiz em rodelas ou longitudinalmente, secá­la ao ar ou ao calor de um 
forno.
O Componentes: clorofila, alcalóide, óleo essencial, inulina, tanino, 
glúcidos, sais minerais, provitamina A, vitaminas B e C O Propriedades: 
antiescorbútico, aperitivo, colerético, depurativo, diurético, 
estomáquico, laxativo, tónico. UA., U.E. + V O Ver: arteriosclerose, 
astenia, celulite, colesterol, cura de Primavera, fígado, gota, 
hemorróidas,icterícia, litíase, obesidade, obstipação, paludismo, pele, 
reumatismo, sarda, tez, ureia, varizes, verruga.

277
Tasneirinha

Senecio vulgaris L.

Cardo­morto Bras.: senécio

Compostas

A tasneirinha prolifera em todos os locais habitados; para os 
jardineiros, é uma erva daninha fácil de eliminar que floresce em 
qualquer estação do ano e se propaga velozmente. Como a mercurial e a 
bolsa­de­pastor, a tasneirinha é uma planta adventícia que cresce e se 
propaga em solos recentemente arados,    especialmente nas hortas;

como a papoila, aparece nas searas ou procura ainda as     clareiras das
florestas, à semelhança do     morangueiro­ selvagem ou das giestas. O 
conjunto dos frutos da tasneirinha forma uma cabeça branca, desgrenhada,
como o crânio de um velho aureolado por cabelos frágeis e ralos; aliá s,
o seu nome latino deriva de senex, velho. Na Grécia antiga, gêraion 
significava velho, e gêreion, penacho, lembrando a cabeça branca da 
tasneirinha. Dioscórides chamava a esta planta erigeron, que se pode 
traduzir por velho primaveril.

Quando os textos antigos falam das aplicações medicinais da tasneirinha,
confundem frequentemente com a pequena tasneirinha uma espécie vivaz de 
caule alto e anguloso, a tasna, ou tasneira, Senecio jacobaea L., 
conhecida em França por erva­de­sant'iago, que floresce aproximadamente 
a
25 de Julho, dia da festa deste santo apóstolo. As duas plantas são 
principalmente emenagogas e aliviam as dores da menstruação, 
regularizando simultaneamente os períodos. Ingerida em doses elevadas, a
tasneirinha pode ser perigosa.

Habitat: Europa; todo o País; até 2000 m Identificação: de O,04 a O,60 m
de altura. Anual, caule erecto, folhoso em quase toda a sua extensão e 
ramoso; folhas espessas, recortadas em lóbulos desiguais e irregulares, 
dentadas, sendo as inferiores atenuadas em curtos pecíolos e as 
superiores sésseis e amplexicaules; flores amarelas (todo o ano), 
pequenas, tubulosas, em capítulos cilíndricos, reunidos em corimbos 
densos, invólucro com brácteas formando 2 séries, manchadas de preto na 
extremidade, sendo as superiores compridas e as inferiores curtas; 
aquénio costado, encimado

por um papilho peludo plurisseriado; raiz aprumada. Partes utilizadas: 
planta inteira florida antes do desabrochar dos capítulos, folhas e suco
(todo o ano).
O Componentes: sais minerais, mucilagem, tanino, resina, alcalóides O 
Propriedades: adstringente, emenagogo, emoliente, expectorante, 
vermífugo, vulnerário. U. L, U. E. + Ver: anginas, circulação, diarreia,
hemorroidas, lactação, mal da montanha, menstruação, nervosismo, 
picadas, tosse.
Tília

Tilia cordata MiII.

Tifiáceas

Árvore sagrada das antigas civilizações germânicas, dotada de uma 
longevidade pouco vulgar, a tília, como o carvalho, é uma árvore 
histórica e lendária. Para Siegfried, herói dos Nibelungos, desempenha o

mesmo papel nefasto da mãe de Aquiles ao pousar a mão sobre o calcanhar 
de seu filho; efectivamente, Siegfried, tornado invulnerável por um 
banho de sangue, morreu de uma ferida entre as omoplatas, no local onde,
no momento do banho, se fixara uma pequena folha de tília. Como o 
ulmeiro­campestre, a tília é uma imponente árvore venerada no centro das
povoações e frequentemente plantada em renques nas álcas dos parques e 
jardins públicos. Até à 11 Guerra Mundial, a cidade de Berlim orgulhou­
se da sua Unter

den Linden (Sob as Tílias), uma magnífica alameda de cerca de 1 km de 
extensão fianqueada por filas destas árvores seculares.

É uma das plantas mais solicitadas nas lojas de ervanário. É necessário 
trepar à árvore para colher as suas flores aromáticas, e seguidamente 
deixã ­las secar à sombra. As flores da Tilia platyphy11os Scop., a 
tília de folhas grandes, têm utilizações idênticas.

Habitat: Europa; cultivada em Portugal como árvore de sombra e 
ornamental; até 1800 m. Identificação: de 15 a 40 m de altura. Árvore; 
tronco erecto, casca lisa e gretada a partir dos
20 anos; folhas alternas, pecioladas, inteiras, cordiformes, serradas, 
glabras na página inferior e glaucas; gemas glabras, com 2 escamas; 
flores branco­baças (Junho­Julho), efémeras, em grupos de 5 a 10 num 
peclúnculo comum soldado a meio de 1 bráctea, 5 sépalas, 5 pétalas e 
numerosos estames; fruto globoso, com
4 ou 5 costas pouco salientes. Cheiro agradável; sabor mucilaginoso.

Partes utilizadas: inflorescências jovens com brácteas (Junho­Julho), 
casca, seiva e lenho; conservação ao abrigo do ar e da luz.
O Componentes: óleo essencial, mucilagem, tanino, pigmentos flavónicos, 
manganésio e Propriedades: antiespasmódico, colerético, emoliente, 
hipnótico, sedativo, sudorífico. U. L, U. E. + V Ver: acne rosácea, 
albuminúria, angústia, banho, cefaleia, convulsão, estômago, fígado, 
gota, indigestão, lumbago, nervos, nervosismo, olhos, palpitações, pele,
reumatismo, ruga, sarda, sono.

279
Tomilho

Thymus vulgaris L. Tomilho­vulgar, tomilho­ordinário, arçã, arçanha

Bras.: poejo, segurelha

Labiadas

O tomilho possui todas as propriedades terapêuticas do serpão, com acção
mais eficaz; a relação das suas propriedades medicinais é extensa. A 
dificuldade no seu uso não reside em saber quais os casos em que deve 
ser utilizado, mas em saber controlar as doses e a duração do 
tratamento.

Com efeito, o tomilho contém substâncias bastante activas, de entre as 
quais se salientam dois fenóis: um deles, o timol, anti­séptico, 
antiespasmó dico e vermífugo, faz parte da preparação de numerosos 
medicamentos comuns para usos interno e externo (é também um dos 
ingredientes utilizados pelos embalsamadores modernos); o outro, o 
carvacrol, é um anti­séptico muito utilizado em perfumaria. Em 
fitoterapia, utilizam­se. as sumidades floridas, que podem ser colhidas 
a partir do mês de Abril e durante todo o Verão.

O tomilho é originário da bacia mediterrânica ocidental; encontra­se 
abundantemente em todo o Sul de França, Espanha, Portugal e Itália, nas 
colinas áridas onde as suas moitas lenhosas e baixas com folhas 
perenemente verdes exalam ao sol o seu aroma. Faz parte, além do 
loureiro, do tradicional ramo de cheiros utilizado em culinária; o café 
e o chá podem ser agradavelmente substituídos por uma infusão de 
tomilho. Tem cheiro aromático e sabor amargo.

Habitat: Europa, região mediterrânica, colinas áridas; subespontâneo em 
Portugal; até 1500 m. Identificação: de O,10 a O,30 m de altura. 
Subarbusto; caules tortuosos, lenhosos, ramos acinzentados, erectos e 
compactos; folhas pequenas, sésseis, lanceoladas, tomentosas, 
esbranquiçadas na página inferior; flores rosadas ou brancas (Maio­
Outubro), pequenas, em espiga na axila das folhas maiores, cálice giboso
com pêlos duros, com 3 dentes superiores largos e 2 ínferos agudos, 
corola bilabiada e 4 estames; tetraquénio castanho e glabro. Partes 
utilizadas: caule florido e folhas.

O Componentes: óleo essencial, álcoois, hidrocarbonetos, resina, tanino,
saponósido O Propriedades: antiespasmódico, anti­séptico, aperitivo, 
béquico, carminativo, cicatrizante, colerético, desodorizante, 
diurético, emenagogo, estomáquico, hemolítico, revulsivo, tónico, 
vermífugo. U. L, U. E. + O Ver: anemia, apetite, astenia, banho, cabelo,
convalescença, dentes, epidemia, estômago, feridas, ftiríase, gripe, 
hálito, lumbago, menstruação, meteorismo, parasitose, picadas, 
reumatismo, sarna, sinusite, tosse, tosse convulsa.
Tormentila

Potentilla erecta (L.) Raeusch.

Tormentilha, tormentiria, sete­ern­rarna,

consolda­vermelha, solda

Rosáceas

Esta original Potentilla distingue­se dos seus parentes, o cinco­em­rama
e a argentina, pois as suas flores têm quatro peças, enquanto as dos 
outros dois possuem cinco. A origem dos nomes da planta indica a grande 
importância atribuída às suas propriedades medicinais. Potentilla deriva
da palavra latinapotens, poderoso. Tormentila deriva de tormen, cólica; 
este qualificativo é atribuído às plantas cujas propriedades 
adstringentes tratam as cólicas. Ignorada pelos Antigos, a tormentila 
foi considerada no século XVI de grande utilidade para diversas dores 
violentas, como as de dentes e, evidentemente, as cólicas. O rizoma é 
utilizável logo após a secagem, sendo portanto inútil guardar grandes 
quantidades. O seu elevado teor em tanino torna a tormentila 
incompatível com outras substâncias, como o ferro, os compostos 
alcalinos, o iodo, certos metais pesados, como o bismuto e o cobre, e 
com outras plantas medicinais, como o aloés­do­cabo, a macela e a alga­
perlada. Utilizada durante muito tempo como antidiarreico, a tormentila 
foi substituída pela ratânia, planta exótica que faz parte de numerosas 
preparações oficinais.

O Não utilizar recipientes de ferro na conservaçao ou na preparaçao. 
Habitat: Europa, rara na região mediterrânica; em quase todo o País; até
2200 m. Identificação: de O,10 a O,40 m de altura. Vivaz, caules erectos
ou patentes, delgados, ramosos, folhosos; folhas alternas, pecioladas, 
trifoliadas, serradas, tendo as caulinares pecíolo curto com 2 estipulas
incisas; flores amarelas (Maio­Outubro), pequenas, solitárias, 
longamente pedunculadas, epicálice com 4 divisões estreitas, 4 sépalas 
maiores, 4 pétalas pequenas e chanfradas, numerosos carpelos;

aquénio liso; rizoma espesso, curto, nodoso, acastanhado na parte 
exterior; de fractura é branco­ esverdeado, tornando­se rapidamente 
vermelho. Inodoro; sabor acistringente. Partes utilizadas: rizoma seco 
(Março­Abril); retirar as raizes e o caule, secar ao sol ou em estufa 
tépida,
O Componentes: tanino, tormentol, pigmento, amido O Propriedades: 
acistringente, cicatrizante, hemostático. U. L, U. E. + Ver: afta, 
diarreia, ferida, gengivas, hemorróidas, leucorreia.
Tramazeira

Sorbus aucuparia L. Cornogodinho, escancerejo, sorveira­dos­passarinhos

Bras.: sorveira­brava

Rosáceas

Não é necessário ser um subtil observador da Natureza para notar a 
sombra trespassada pelo sol das tramazeíras ao longo das estradas 
rurais. São pequenas árvores pouco densas cujas flores brancas cheiram a
pirliteiro. No decorrer do Verão, as flores são substituídas pelas 
bagas, semelhantes a pequenas maçãs ácidas, não comestíveis cruas, 
excepto pelas aves, para as quais constituem um autêntico manjar. Aliás,
os passarinheiros cultivam frequentemente a tramazeira para utilizar os 
seus frutos como engodo nas armadilhas. Os pássaros ingerem os frutos e 
asseguram a disseminação da planta ao expulsarem as sementes não 
digeridas. A sorveira, Sorbus domestica L., planta próxima da 
tramazeira, produz pequenos frutos em’ forma de pêra, semelhantes às 
nêsperas, que são comestíveis. As propriedades medicinais de ambas as 
espécies são semelhantes­. os frutos são adstringentes e têm as mais 
diversãs utilizações, servindo para preparar compota ou geleia e para 
decocções quando secos. Utilizam­se também na preparação de vinagre, 
aguardentes ou licores.

Habitat: Europa, excepto na região mediterrânica, especialmente nas 
montanhas; bosques das regiões montanhosas de Trás­os­Montes e Beiras 
interiores; até 2000 m. Identificação: de 2 a 8 m, por vezes 15 m, de 
altura, Árvore; casca cinzenta e lisa; gemas vilosas; folhas alternas, 
grandes, pinuladas, com 11 a 17 folíolos lanceolados, serradas, com 
bordos assimétricos; flores brancas (Maio­Julho), pequenas, em corimbos,
cálice com 5 dentes erectos, 5 pétalas, 3 estiletes; pomo alaranjado 
(Setembro), pequeno, globoso e liso. Cheiro suave; sabor açucarado, acre
e azedo. Partes utilizadas: folhas secas, frutos cozidos ou secos.
O Componentes: ácidos parassárbico, málico, cítrico e tartárico, açúcar,
pectina, vitamina C, tanino O Propriedades: acIstringente, 
antiescorbútico, anti­hernorrágico, diurético, emenagogo, laxativo. U. 
1. Ver: diarréia, tosse.

282
TREPADEIRA

Convolvulus sepiut?i L. = Cal)Istegia sepium (L.) R. Br. Bons­dias, 
trepadeira­das­balsas, trepadeira­ da s­ sebes,

trepadeira­dos­tapurnes

Planta volúvel com grandes flores brancas em forma de funil, invade as 
pequenas matas, as sebes e até as vedações gradeadas de arame; não tem 
gavinhas, mas enrola­se em volta dos seus suportes, sendo vulgar que se 
enlace também com uma congénere. Este facto explica, aliás, o nome 
científico da planta, pois Convolvulus deriva do latim convolvere, 
enrolar­se; sepiunt, sebe, indica o seu habitat preferido.

Se bem que pouco apreciada pelos jardineiros, esta planta deu origem a 
diversas variedades muito decorativas, com flores

coloridas. Desde tempos muito antigos, a trepadeira é apreciada devido 
às propriedades laxativas das suas raízes e folhas. Também os médicos á 
rabes da Idade Média utilizavam as suas raízes para tratar a icterícia. 
Um autor do século X1 descobriu nesta raiz um remédio contra as febres 
*pútridas e biliosas@>. Actualmente, os Alemães ainda utilizam uma 
infusão das suas folhas para tratar a leucorreia. Estes órgãos vegetais,
mesmo depois de secos e reduzidos a pó, conservam

durante muito tempo as suas propriedades curativas.

Habitat: Europa, excepto no extremo norte, locais frescos, jardins, 
pequenas matas dos taludes, matas, sebes vivas, caniçados; frequente em 
todo o território português, até
1500 m. Identificação: de 1 a 5 m de altura. Vivaz, caule trepador, 
volúvel, dextrorso (que enrola da esquerda para a direita), glabro, 
anguloso; folhas grandes, cordiformes, aurículas arredondadas ou 
angulosas, pecíolos compridos; flores brancas (Junho­Setembro), 
axilares, solitárias, 2 estigmas, cálice com 5 sépalas, oculto por 2 
brácteas opostas, grandes, corola 4 vezes mais comprida, afunilada, com 
5 pregas; cápsula semiglobosa, contendo 3 a 4 sementes; rizoma comprido,
branco, carnudo, da mesma grossura do caule aéreo. Partes utilizadas: 
raiz, folhas (Junho­Setembro); secagem à sombra.
O Componentes: resina, tanino, sais minerais, heterósidos O 
Propriedades: colerético, laxativo. LI. I., N Ver: fígado, obstipação.

283
Trevo­cervino

Eupatorium cannabinum L.

Eupatóri o­ de­avi cena Bras.: charrua, cipó~capa­de­horriem

Compostas

O eupatório dos Árabes não deve ser confundido com o eupatório dos 
Gregos, Agrimonia eupatoria L., que até ao século xVII conservou o nome 
de uma planta actualmente conhecida por agrimónia. O trevo­cervino, que,
como o nome da espécie indica, tem muitas semelhanças com o cânhamo, é 
de entre as cerca de 100 espécies de Eupatori um a única que cresce 
espontaneamente nas regiões europeias. Aclimata­se especialmente nos 
locais inundados, nos     prados alagados, nas margens dos regatos; a 
sua

presença numa mata é um indicador       de humidade. A maioria dos 
animais não aprecia as suas folhas amargas; só a cabra,     animal 
conhecido pela sua voracidade, as pasta com apetite. Quando frescas, as 
folhas têm uma acção cicatrizante, e supõe­se que os veados feridos as 
utilizam para tratar as chagas.

Os fitoterapeutas apenas utilizam as folhas e as raízes do trevo­
cervino; as raízes frescas são difíceis de suportar, pois têm um

cheiro e gosto muito desagradáveis. No entanto, devem ser utilizadas o 
mais rapidamente possível após a colheita, pois, quando secas, perdem as
propriedades.

Habitat: Europa, solos húmidos, matas; frequente nas margens dos rios, 
valas, lugares húmidos, bosques no Norte e Centro de Portugal; até 1700 
m. Identificação: de O,60 a 1,50 m de altura. Vivaz, caule folhoso, 
erecto, avermelhado, pubescente; folhas com 3 a 5 folíolos, opostas, com
bordos crenados, glanclulosas na página inferior, curtamente pecioladas;
flores vermelho­claras ou cor de púrpura (Ju lho­ Setembro), regulares, 
em minúsculos capítulos, agrupados em corimbos densos; aquénio preto com
5 ostas, com papilho; toiça ramosa, raiz branco­acinzentada, fibrosa, 
oblíqua, da grossura de um dedo. Cheiro repugnante (raiz); sabor amargo.
Partes utilizadas: folhas (antes da floração), raiz (Primavera ou 
Outono); lavar e cortar a raiz às rodelas. Iii Componentes: resina, 
tanino, essência, inulina, ferro, princípio amargo O Propriedades: 
aperitivo, colagogo, depurativo, estimulante, laxativo, vulnerário. U. 
L, U. E. + V Ver: acrie rosácea, colesterol, convalescença, ferida, 
fígado, obstipação, vesícula biliar.
Trevo­d’água

Menyanthes triftjliata L. Fava­d'água, trifólio­fibrino, fava­dos­
pântanos,

trevo­ dos­ch arcos, menianto Bras.: trevo­aquático, eupatário­de­
avicena

G encianáceas

Quem já teve oportunidade de contemplar um trevo­d'água não poderá 
esquecê­lo ou confundi­lo com qualquer outra planta. O caule 
subterrâneo, por vezes completamente coberto por 2 ou 3 ru de água, tem 
ramos florais extremamente elegantes e é desprovido de folhas, 
ostentando uma bráctea sob cada uma das flores. As folhas estão providas
de grandes bainhas e de um limbo trifoliado. E, por isso, frequentemente
cultivado para ornamentar lagos e jardins. O trevo­d'água só pode ser 
colhido introduzindo os pés na água, pois, no estado silvestre, não se 
desenvolve apenas nos meios húmidos, necessitando ainda de águas 
estagnadas, como as dos charcos, das turfeiras ou dos prados alagados. O
seu nome deriva das palavras gregas mén, mês, e anthos, flor, ou seja 
flor do mês. Segundo algumas opiniões, este nome é uma alusão ao tempo 
da floraçâo; para outros, refere­se à acção da planta sobre a 
menstruação. As suas virtudes para o tratamento da atonia digestiva e 
das febres foram progressivamente descobertas e confirmadas pela 
prática. Afirma­se ainda que uma chávena de trevo­d'água ingerida 
diariamente pode prolongar o tempo de vida.

Habitat: Europa Ocidental, charcos, pântanos, turfeiras, valas; 
espontânea no Alto Minho e na serra da Estreia. Identificação: de O,20 a
O,40 m de altura. Aquática, vivaz, caule grosso, rastejante, enterrado 
no lodo, com folhas escamosas e resíduos fibrosos dos órgãos precedentes
alongando­se por artículos; folhas grandes, trifoliadas, pecioladas; 
flores branco­rosadas (Abril­Junho), pediceladas, em cacho erecto sobre 
um escapo que sai do caule prostrado, cálice verde com 5 lóbulos, corola
caduca, dividida em. 5 pétalas cobertas por grandes cílios crespos,

anteras arroxeadas; cápsula com 2 valvas Sabor acre. Partes utilizadas: 
folhas (Abril­Maio); secagem rápida à sombra.
O Componentes: heterósido, meniantina, heterósidos flavónicos, colina, 
vitamina C, iodo, enzimas O Propriedades: antiescorbútico, aperitivo, 
depurativo, emenagogo, estomáquico, febrífugo, tónico. U. I., U. E. + 
Ver: apetite, asma, digestão, enjoo, febre, menstruação.

285
TussilaGem

Tussilagolárfiira L.

Unha­de­cavalo, unha­de­asno. erva­de­são­quirino,

farfara

Compostas

Filitis ante patrem, nome medieval da tussilagem, significa o filho 
antes do pai, e efectivamente os seus capítulos amarelos, que têm certas
semelhanças com os do taráxaco, nascem muito antes das folhas, a partir 
do mês de Fevereiro. A tussilagem é vivaz e

resistente. Desenvolve­se em locais frescos, à beira dos caminhos, em 
areias e argilas, desde as orlas marítimas até ao cimo das montanhas. As
suas flores, que desabrocham no Inverno, permitem reconhecê­la 
facilmente.

É uma planta extremamente útil. Utilizada em cosmética, faz desaparecer 
as rugas. Dá beleza à voz. Na verdade, uma infusão das flores é benéfica
para a tosse, do mesmo modo que a arnica cura os inchaços e a nêveda­
dos­gatos trata as cólicas.

Éconveniente coar as infusões de tussilagem para eliminar os pêlos dos 
papilhos, que  podem provocar irritações de garganta. Das  folhas obtém­
se um *tabaco+ delicioso que  ajuda os fumadores no decorrer de uma cura 
de desintoxicação difícil,

Habitat: Europa, solos argilosos ou calcários; em Portugal, sobretudo no
Minho; até 2400 m.

Identificação: de O,08 a O,30 m de altura. Vivaz, caules floridos, 
erectos, tomentosos, cobertos de brácteas, corados de vermelho; folhas 
em roseta, pecioladas, largas, espessas, poligonais, com bordos 
sinuosos, dentados, verdes na página superior, brancas na inferior; 
flores amarelo­douradas (Fevereiro­Abril), em capítulos solitários, 
sendo as do centro masculinas, tubulosas, e as da periferia femininas, 
muito numerosas, com compridas lígulas estreitas; aquênio castanho, com 
papilho sedoso; rizoma

carnudo. Cheiro apimentado; sabor amargo. Partes utilizadas: folhas, 
flores em botão, raízes e suco.
O Componentes: mucilagem, tanino, inulina, pigmentos, óleo essencial, 
sais minerais, especialmente potássio e também cálcio, enxofre, ferro O 
Propriedades: depurativo, emoliente, expectorante, resolutivo, 
sudorífico. U. L, U. E. + V O Ver: abcesso, asma, bronquite, entorse, 
ferida, pé, pele, ruga, tabagismo, tosse, traqueíte, voz.
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Ulmeira

Filipendula ulinaria (L.) Maxim. Erva­ulmeira, rainha­dos­prados, erva­
das­abelhas

Rosáceas

A ulmeira é uma planta altiva e delicada que prefere os solos húmidos e 
frescos. Não obstante já ser conhecida pelos botânicos medievais, as 
suas propriedades medicinais só foram descobertas no Renascimento. Após 
uma época de celebridade, seguida do total esquecimento, nos inícios do 
século XIX a planta é reabilitada por um pároco. Desde então, a sua 
importância terapêutica não mais deixou de se confirmar. Após 
persistentes estudos, descobriu­se na planta fresca a presença de 
compostos salicilados que lhe conferem uma acção benéfica nas dores das 
articulações. Além disso, é um vasodilatador, um tónico do coração e 
activa a diurese. Devido às suas numerosas propriedades, é ainda 
considerada um excelente remédio para a celulite e a obesidade.

A ulmeira deve ser utilizada fresca ou recentemente colhida e seca. A 
secagem deve ser rápida e a sua conservaçao não deve ultrapassar um ano.
As suas flores, muito perfumadas, conferem ao vinho comum aroma e sabor 
muito apreciados.

O Nunca ferver a planta. Habitat: Europa, excepto na região 
mediterrânica; até 1800 m. Identificação: de 1 a 1,50 m de altura. 
Vivaz, caule robusto, duro e sulcado; folhas grandes, verde­escuras na 
página superior, brancas na inferior, compostas por 5 a 17 folíolos, 
desiguais, serrados, sendo o terminal trilobado, estipulas em forma de 
meia­coroa e serradas; flores b ran co­ amareladas (Junho­Agosto), 
pequenas, em cimeiras paniculadas, 5 sépalas,
5 pétalas obovadas, estames mais compridos, 5 a 9 carpelos glabros; 
semente castanha; raizes fibrosas. Cheiro e sabor agradáveis e 
aromáticos. Partes utilizadas: sumidades floridas (antes do 
desabrochar), folhas e raiz.
O Componentes: tanino, sais minerais, aldeíclo salicílico, salicilato de
metilo, heterósidos flavónicos, vitamina C O Propriedades: 
acistringente, antiespasmódico, cicatrizante, diurético, sudorífico, 
tónico. U. I., U. E. + V o Ver: acne rosácea, arteriosclerose, banho, 
celulite, diarreia, diurese, edema, ferida, gota, hipertensão, litíase, 
obesidade, reumatismo, rubéola, ureia.
Ulmeiro

Ulmus campestris L.

Olmo, ulmo, negrilho, lamegueiro, mosqueiro

Umáceas

Na Gália Franca, no século v, era frequente fazer justiça sob os ramos 
do ulmeiro, e sabe­se que a partir do século IX esta árvore venerada 
abrigou à sua sombra as justas pacíficas dos trovadores. Era então 
costume plantá­la nas povoações, no centro das praças públicas, e desses
tempos longínquos ficou o hábito de as pessoas se reunirem à sua volta 
todas as tardes para comentarem os acontecimentos do dia. Existem na 
Europa três espécies de ulmeiros, que tendem a desaparecer: o u 1 meiro­
peduncu lado, o ulmeiro­de­montanha e o ulmeiro­campestre, aqui 
representado. Este ulmeiro, de madeira vermelha, é muito apreciado pelos
marceneiros. Encontra­se na orla dos bosques, onde a sua folhagem, 
disposta em mosaico, capta mais luz do que as de outras espécies.

O ulmeiro instala­se e desenvolve­se nos locais onde o vento dispersa os
seus frutos alados. Pode viver 500 anos, e é uma árvore apreciada pelas 
suas virtudes desde a Antiguidade; as folhas tinham a reputação de curar
o mau humor; supunha­se que a raiz fazia crescer o cabelo; mesmo as 
galhas, espécie de abcessos provocados pelas picadas de um insecto nas 
folhas, e a água de ulmeiro que estas contêm eram utilizadas para tratar
os olhos; os fitoterapeutas usam principalmente a casca e as folhas, 
cujas propriedades, embora não muito eficazes, são consideradas válidas 
para manter a boa aparencia e a saúde. As crianças gostam de roer os 
frutos do ulmeiro.

Habitat: Europa, planícies, solos frescos; espontâneo, subespontâneo ou 
cultivado em quase todo o País; até 1300 m. Identificação: de 15 a 35 m 
de altura. Árvore; tronco cilíndrico, erecto, casca escura, áspera e 
rugosa, com sulcos longitudinais, raminhos apertados, dispostos num 
mesmo plano; folhas pecioladas, dísticas com base assimétrica, ovadas, 
acuminadas, baças, duplamente serradas, mais claras e peludas na página 
inferior, na axila de nervuras bifurcadas; flores vermelho­escuras 
(Fevereiro­Abril), hermafroditas, quase sésseis, em pequenos fascículos 
alternados,

sépalas soldadas, 5 estames; sâmara arruivada, quase séssil, com 1 
semente excêntrica, rodeada de uma grande asa, plana, glabra e