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O FIM DO REGIME SEMIABERTO NO BRASIL

Taline Lorrainne Silva dos Santos1

Resumo
Neste trabalho se objetiva avaliar os regimes prisionais no Brasil, com um especial
enfoque no Regime Semiaberto e as consequências que sua extinção traria para a
realidade carcerária no país. Para tanto, utilizou-se primeiramente de um estudo sobre
a função das sanções penalizadoras contemporaneamente. A seguir, explanou-se
acerca dos diferentes regimes prisionais do Brasil. Avaliou-se sobre os pontos
malignos e benéficos que o fim do Semiaberto acarretaria ao país, com o fim de
alcançar o objetivo geral do trabalho.

Palavras-chave: Pena, Regime Prisional, Semiaberto.

Introdução

Atualmente no Brasil, aquele que comete crimes e é condenado perante a


justiça com sentença transitada em julgado está sujeito a diversos tipos de pena, entre
elas, a privação da liberdade.
Para cumprimento desta reprimenda, existem três tipos de regimes prisionais:
fechado, semiaberto e aberto. O primeiro, mais rigoroso e o último, mais flexível,
sendo o mediano, uma transição entre os dois, no auxílio ao reestabelecimento do
preso na sociedade.
Ocorre que, em tese, os presos do Semiaberto deveriam ser cumprir sua pena
em colônia agrícola, sendo que este tipo de estabelecimento nunca foi criado,
ocorrendo um desvio na aplicação prática do regime. Os presos do Semiaberto
acabam cumprindo toda a sua pena em regime fechado, sem os benefícios do sistema
correto ou são transferidos para albergues, que se encontram geralmente no centro
das cidades e com segurança precária, local destinado ao cumprimento de pena dos
presos do regime aberto.

1 Graduada em Direito pela Unidade de Ensino Superior do Sul do Maranhão – UNISULMA. Pós-
Graduanda em Direito Penal e Processo Penal da Universidade Estácio de Sá. Email:
taline.lorrainne@hotmail.com

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Neste cenário, tramita o projeto de Lei nº 3174/2015, que pretende excluir o
regime semiaberto, estabelecendo o cumprimento de pena privativa de liberdade no
regime fechado em estabelecimento prisional e o regime aberto em prisão domiciliar.
Hoje, no Brasil, temos um déficit de mais 200 mil vagas nos presídios, conforme
dados do Conselho Nacional de Justiça (2014). O fim do regime Semiaberto agravaria
essa situação? Além disso, a reeducação do preso poderia ficar em segundo plano?
Surge assim o problema: o fim do regime Semiaberto no Brasil traria mais
benefícios ou malefícios ao sistema prisional?
O tema é de grande complexidade e ganha cada vez mais repercussão, ainda
mais agora com um projeto de lei em trâmite. É por tantos questionamentos que se
faz necessária, em vista do contexto social contemporâneo e do valor social do tema,
a sua exploração.
O objetivo principal deste artigo é analisar os regimes de cumprimento de penas
existentes no Brasil em consonância com a função da pena no mundo contemporâneo
e com os problemas carcerários que se enfrentam no país atualmente a fim de
descobrir se o fim do Regime Semiaberto seria benéfico ou maléfico ao sistema
carcerário.
Para isso foram realizados estudos sobre a função da pena atualmente, bem
como, sobre os problemas carcerários enfrentados no país, a fim de descobrir o
impacto que o Semiaberto causaria no sistema prisional. A seguir, traçou-se
considerações a favor e contra o fim do regime Semiaberto, a fim de balancear os
pontos favoráveis e contrários, com o fim de atingir o objetivo principal do artigo.
O percurso de análise constituído na presente pesquisa parte de obras
relacionadas à Teoria da Pena, bem como estudos sobre o sistema carcerário
Brasileiro e literaturas a respeito do Regime Semiaberto, portanto realizaram-se
pesquisas bibliográficas e documentais, com o escopo de expandir as perspectivas
acerca do tema, sendo relevantes para o desenvolvimento da pesquisa.
As pesquisas bibliográficas e documentais constituem excelentes meios para
o desenvolvimento desta pesquisa, ocorrendo posteriormente a análise de conteúdo,
tendo em vista que por este ser um tema bastante recente, exige uma visão ampliada
acerca do fim do Semiaberto no país.
O método de pesquisa utilizado foi o indutivo. Esse tipo de raciocínio utiliza
parte de fatos particulares e comprovados para generalizar uma conclusão. “O
objetivo dos argumentos indutivos é levar a conclusões cujo conteúdo é muito mais

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amplo do que o das premissas nas quais se basearam” (LAKATOS; MARCONI, 2003,
p. 92).

Desenvolvimento

O direito de punir é “o direito que tem o Estado de aplicar a pena cominada no


preceito secundário da norma penal incriminadora, contra quem praticou a ação ou
omissão descrita no preceito primário causando um dano ou lesão jurídica.”
(MARQUES, 2009, p. 3).
Mas afinal, qual é o objetivo da pena? Para definir o seu propósito no Estado
Contemporâneo é imperativo primeiramente analisar isoladamente este instituto
através da história, nos embasando por grandes pensadores, desde os primórdios
da consciência punitiva, até hoje.
A Teoria retributiva da pena, também chamada de teoria absoluta, foi
desenvolvida principalmente na época de transição da baixa Idade Média para a
sociedade liberal. No absolutismo monárquico, o ideal de justiça se concentrava no
rei, sendo que nesta era a punição servia tão somente para retribuir o mal que foi
causado a vítima.
Tal teoria tem como principais representantes Kant e Hegel. Para Kant, o
direito era baseado numa lei universal, em que toda ação que não conflitasse com o
arbítrio dos outros, era justa, aquele que conflitasse com isto, deveria ser punido.
Para Kant (1978, p.168, apud Bitencourt, 2010, p.103) “o mal não merecido
que fazes a teu semelhante, o fazes a ti mesmo; se o desonras, desonras-te a ti
mesmo; se o maltratas ou o matas, maltratas-te ou te matas a ti mesmo”. Assim, a
quantidade e intensidade da pena deveriam ser distribuídas de acordo com o mal
causado.
Já para Hegel, no Direito havia uma “vontade geral”, representada pela norma.
Se alguém a negasse, deveria ser castigado penalmente para que a aceitação desta
ressurgisse. Assim, a pena retribuía o ato praticado pelo delinquente de acordo com
a quantidade e intensidade da negação do direito.

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Bitencourt (2010, p.100) explica que “segundo este esquema retribucionista, é
atribuída à pena, exclusivamente, a difícil incumbência de realizar Justiça. A pena tem
como fim fazer justiça, nada mais”.
Ora, por tais definições remata-se que a pena retributiva servia apenas como
uma forma de contra atacar uma ofensa. Não se vê aqui função social na punição
imposta. Sendo assim esta teoria não deve ser considerada isoladamente para fins
de caracterização do objeto da pena.
A teoria preventiva da pena esboça outra ideia sobre o caráter da pena. Neste
caso, o fato de atribuir uma sanção a um delito serviria para coibir a sua prática. A
inibição da ação aconteceria pelo medo das consequências geradas pelo delito.
Gomes (2009, p.472) define que a prevenção almeja o futuro, ou seja, a pena
oprime novos delitos, não só de quem já cometeu um, mas também das outras
pessoas, que veem os criminosos respondendo por seus atos delituosos. A teoria da
prevenção pode ser esmiuçada em três espécies: geral negativa, geral positiva e
especial.
Conforme Dias (2007. p. 50-51) a prevenção geral negativa, defendida
principalmente por Feuerbach em sua doutrina da coação psicológica, consiste em
coagir psicologicamente a coletividade através das sanções conferidas nas penas em
abstrato das normas penais e a sua capacidade de execução.
Segundo Ferrajoli (2014, p. 255-259), há duas direções dentro da teoria da
prevenção negativa. A primeira é a pena exemplar, onde a sanção é um meio de
adequar à conduta humana ao Direito, evitando assim, que a natureza criminosa das
pessoas emergisse. A segunda seria a ameaça legal. Aqui, somente o fato de haver
uma cominação legal, já seria capaz de controlar as ações do homem dentro dos
limites estabelecidos pelo direito.
Em qualquer uma dessas correntes, o que se observa é a possibilidade de
implantação de um terrorismo estatal. O fato de cominar penas tão somente para
adequar a população às normas, não consolidando um perímetro de punibilidade,
poderia servir de escopo para implantar penas demasiadamente severas ou
exageradas. Apesar de se mostrar útil em alguns pontos, a aplicação isolada desta
teoria se mostra prejudicial aos direitos fundamentais humanos, de forma que esta
teoria não deve ser empregada para orientar a aplicação da pena.
A prevenção geral positiva, por outro lado, se dá quando um infrator do tipo
penal é penalizado. A partir do momento que a sociedade sabe que os criminosos

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estão sendo punidos, surge uma relação de confiança, se constata que o Estado está
aplicando o Direito e os protegendo desses violadores.
Leciona Queiroz (2001, p.40) que Durkheim foi importante precursor desse
pensamento, pois ele estabelecia o crime como uma injúria a consciência global, e
sendo assim, seria necessária uma sanção para que esta consciência fosse mantida
intacta.
Esta teoria é gravemente semelhante à teoria absolutista, sendo que o escopo
da pena aqui é o reparo da vigência normativa, embaraçada pela delinquência.
Por último, há a prevenção especial que busca agir no próprio indivíduo
transgressor, evitando a reincidência. É uma forma, portanto, de ressocializá-lo.
Bitencourt (2010, p.110) cita como principais precursores desse pensamento Marc
Ancel e Von Liszt. Essa prevenção se opera no momento em que o infrator é posto
em carceragem, para anular a ameaça que esse ser representa para a comunidade e
depois reeducando o mesmo no processo de execução da pena, para que possa ser
colocado novamente em contato com a sociedade.
Para Bittencourt (2010, p.112) o mérito desta teoria está em através da
ressocialização buscar uma prevenção de novos crimes, causando ainda, de certa
forma, uma intimidação na comunidade, por meio do modo de execução da pena. Por
outro lado, vendo indivíduos que não precisam de reeducação por que as chances de
reincidência são mínimas, a aplicação da pena nesse caso não se justificaria, de forma
que esse infrator sairia impune.
Como explanado, tanto as teorias absolutas quanto as relativas, não foram
suficientemente abrangentes a ponto de justificar a razão de ser da pena, se
consideradas isoladamente.
Surge assim uma teoria mista, iniciada por Merkel no início do século XX,
chegando a uma justificativa mais ampla e coerente, superando as falhas apontadas
em cada uma das teorias anteriores citadas. Bitencourt (2010, p. 106) aponta esta
como a teoria mais ou menos dominante contemporaneamente.
As teorias mistas vão balizar a pena a partir da culpabilidade e da retribuição.
A pena não poderia assim, ir além do encargo pelo dano ocasionado. Ainda, mesmo
como forma de retribuição, a pena atingiria os fins expostos nas teorias da prevenção.
Nesta teoria se cumulam todas as finalidades das outras teorias, explicando a
função da sanção penal como um instituto que visa retribuir o mal causado, impedir o

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cometimento de novos delitos através da intimidação da execução da pena e ainda
ressocializar o preso.
Para Ferreira (2000, p.29) “a pena tem duas razões: a retribuição, manifestada
através do castigo; e a prevenção, como instrumento de defesa da sociedade”.
Roxin vai além e expõe o seguinte:

Em uma teoria unificadora ou mista devidamente compreendida, a retribuição


não pode, no entanto, entrar em consideração, mesmo como um fim meritório
junto à prevenção. Contra os fundamentos básicos a favor deste veredicto,
como indicado às fls. 8-10, haverá ocasiões em que somente a teoria da
retribuição pode justificar o castigo aos criminosos nazistas, que atualmente
viviam socialmente integrados e já não representavam nenhum perigo. Mas
isso não está certo. Para a punição desses fatos é necessário de
fundamentos preventivos gerais, porque senão eles poderiam abalar
seriamente o exercício da consciência jurídica geral: se esses assassinatos
ficam impunes, é possível que se queira invocar o mesmo tratamento em
qualquer outro tipo de assassinato, em que não há perigo de reincidência,
exigindo-se para o mesmo a impunidade. Isso forçaria relativizar a validade
da proibição de matar e seu efeito preventivo de forma intolerável. (Roxin,
1997, p.95, tradução nossa).

Entretanto, apesar disso, reconhece um instituto previsto nas teorias


retributivas: a culpabilidade como limítrofe da aplicação da punibilidade. Por mais que
se queira ressocializar, intimidar, prevenir, não se pode ir além da culpabilidade do
delinquente, evitando excessos de punição.
A sua teoria é pautada principalmente na tutela dos bens jurídicos e na
subsidiariedade da tutela penal. Enquanto que as outras teorias colocavam a tutela
dos bens como consequência secundária da aplicação da pena, e colocavam a o
direito penal no centro, como principal forma de tutela.
Roxin (1997, p.98) ainda divide o momento em que o Estado irá agir com
determinado objetivo. Primeiramente, no momento de legislar o principal fim
observado seria a prevenção geral negativa, pois nesse momento, antes de
cometimento de crime, o que se pretende é coagir a sociedade, por meio da ameaça
legal e da pena exemplar.
Após o crime cometido, havendo condenação, a aplicação da pena teria uma
função de prevenção geral positiva, para que haja assim, a revalidação da norma
infringida.
Já no momento da Execução Penal, o principal escopo seria o da prevenção
especial. Ora, se posteriormente o preso será colocado em liberdade, é necessário
que haja uma ressocialização anterior a essa reinserção.

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A proposta de Roxin se resume da seguinte forma:

Se quiséssemos consagrar numa só frase o sentido e os limites do Direito


Penal, poderíamos caracterizar a sua missão como proteção subsidiária de
bens jurídicos e prestação de serviços estatais, mediante prevenção geral e
especial, que salvaguarda a personalidade no quadro traçado pela medida
da culpa individual. (Roxin, 1998, p. 43)

A teoria de Roxin é a mais completa, pois se preocupa com todas as fases da


pena, desde a criação da norma, até a execução. As outras teorias sempre parecem
incompletas, pois buscam caracterizar a pena com uma única função, quando na
verdade, deve ser desmembrada para podermos entendê-la.
Observando-se o Código Penal Brasileiro em seu artigo 59, denota-se que foi
adotada a teoria mista, com a função simultânea de punir, prevenir e reeducar o preso.
Assevera Luna (apud Mirabete, 2007, p.25) que a função da pena “é ressocializar,
recuperar, reeducar ou educar o condenado, tendo uma finalidade educativa que é
de natureza jurídica”.
Para penalizar o infrator, o sistema do Brasil, conforme artigo 33 do Código
Penal, adotou três espécies de regime de cumprimento de pena: fechado, semiaberto
e aberto.
O regime fechado, é o mais grave. Ainda, nos termos do Código Penal, o
condenado a mais de 08 (oito) anos deverá iniciar o cumprimento da pena
obrigatoriamente neste regime.

O regime Fechado se executa em penitenciária, em estabelecimento de


segurança máxima ou média. Os estabelecimentos de segurança máxima
caracterizam‐ se por possuírem muralhas elevadas, grades e fossos. Os
presos ficam recolhidos à noite em celas individuais, trancadas e encerradas
em galerias fechadas. Existem sistemas de alarmes contra fugas e guardas
armados. A atenuação dos elementos que impedem a fuga permite classificar
o estabelecimento como de segurança média. (FRAGOSO, 2006, p.256)

O regime semiaberto é o ideal para o cumprimento inicial de pena de não


reincidentes condenados a mais de 04 (quatro) anos e menos que 08 (oito) anos. No
caso, o preso realizará trabalhos diurnos em colônias agrícolas, industrial ou lugar
similar, sendo recolhido à noite. Há possibilidade ainda, que o preso saia durante o

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dia para trabalhar externamente ou para frequentar curso profissionalizante, de
segundo grau ou superior.
Conforme Neto (2014): “as instituições carcerárias semiabertas mostram-se
bem mais gratificantes para o preso que o regime fechado, tendo em vista que o
apenando, assim, retoma o gosto pela vida e cultiva os benefícios da convivência
social.”.
Deste modo, o semiaberto é de fundamental importância para a reeducação do
preso, auxiliando no desprezo a praticas delituosas, à medida que permite que o
mesmo frequente escola, faculdade e cursos profissionalizantes e os mantêm
ocupados trabalhando em ambientes agrícolas ou industriais, evitando o ócio e
incentivando o aprendizado.
Por último, o regime aberto é aplicado aos não reincidentes condenados à pena
igual ou inferior a 04 (quatro) anos a ser cumprida em Casa de Albergado. Gonçalves
(2012, p. 127) explica que este regime tem como suporte o senso de responsabilidade
e autodisciplina do agente criminoso. É permitido que ele trabalhe fora do ambiente
prisional sem vigilância, frequente cursos e outras atividades, sendo recolhido no
período noturno e nos dias de folga.
No regime aberto, o preso fica comprometido a certas condições, sendo legais
ou judiciais. As legais estão expressas no artigo 115 da Lei de Execução Penal, são
elas: permanecer no local que for designado, durante o repouso e nos dias de folga;
sair para o trabalho e retornar, nos horários fixados; não se ausentar da cidade onde
reside, sem autorização judicial; comparecer a Juízo, para informar e justificar as suas
atividades, quando for determinado. As judiciais ficam a critério do magistrado.
O ordenamento jurídico pátrio adotou a progressão de regime, podendo o preso
passar de um regime mais severo pra um mais brando, desde que preencha os
requisitos da lei, sendo vedada a progressão do regime fechado diretamente para o
regime aberto. No nosso país, adotaram-se dois critérios para ser possível a
progressão do regime: o comportamento do apenado e o cumprimento de uma fração
da pena – prevista na lei para cada caso.
Atualmente, enfrenta-se no país uma crise no sistema carcerário, sendo um
dos principais problemas a superlotação.

O Brasil como a maioria dos países latino-americanos, assiste imobilizado ao


desenvolvimento de uma crise crônica em seu sistema penitenciário.

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Especialmente nesta última década, os indicadores disponíveis a respeito da
vida nas prisões brasileiras demonstram de maneira inconteste um
agravamento extraordinário de problemas já muito antigos como a
superlotação carcerária, a escalada de violência entre os internos, as práticas
de abusos, maus-tratos e torturas sobre eles, a inexistência de garantias
mínimas aos condenados e o desrespeito sistemático e institucional à
legislação ordinária e aos princípios dos direitos humanos. (ROLIM, 2003,
p.121)

Conforme dados do ultimo relatório do Levantamento Nacional de Informações


Penitenciárias – Infopen (2014), em junho de 2014 no Brasil existiam 607.731 pessoas
presas, com o déficit de vagas de 231.062.
Atribui-se, entre outros motivos, a cultura do aprisionamento, uma vez que a
prisão tem deixado de se tornar a última ratio, ocorrendo um encarceramento
desenfreado.
Neste panorama, o Regime Semiaberto também acaba afetado, pois há falta
de vagas também nos poucos estabelecimentos existentes para o seu cumprimento.
Assim, os condenados ao regime inicial semiaberto, ante a ausência de vaga, muitas
vezes, são enviados ao recolhimento em regime fechado, em total confronto com a
Lei de Execuções Penais (art. 91).
Ocorre ainda, do preso passar toda a pena em regime fechado, e mesmo tendo
direito ao semiaberto, nunca usufruir dos direitos desse meio de execução de pena.
Conforme o professor Marcão (2009):

Diante da realidade em que vivemos, e considerando que a execução é pro


societate, e não pro reo, o melhor entendimento, e que deve ser seguido,
orienta-se pela não configuração de constrangimento ilegal na hipótese de
ausência momentânea de vaga em estabelecimento semiaberto e
consequente permanência no regime fechado no aguardo de vaga para
transferência.

Outras vezes, entretanto, como os estabelecimentos agrícolas, industriais são


precários, para não enviar o preso ao regime fechado, o magistrado acaba enviando-
os aos albergados, destinados ao cumprimento no regime aberto, que possuem pouca
segurança e ocorrem diversas fugas.

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Recentemente, foi proposto o projeto de lei nº Lei nº 3174/2015 pretende
acabar com o semiaberto, mantendo-se somente os regimes aberto e fechado. Os
defensores do fim do Regime Semiaberto aduzem que seria mais fácil a progressão
direta do aberto para o fechado, visto que esse regime intermediário acaba caindo em
falência, pelos motivos aqui já expostos.
Além do mais, há um clamor da sociedade, que acuada pela violência, acaba
por exigir do legislador uma pena mais severa ao criminoso.
Sérgio Harris, durante o “Fórum Mais Segurança” em Porto Alegre (Correio do
Povo, 2016), explicou que a “necessidade da punição é imperiosa para se mudar a
própria visão que se tem da segurança pública”. Segundo ele, o semiaberto “não serve
para fim nenhum nos moldes que está proposto”.
O juiz Sidinei Brzuska, que além do fim do semiaberto defende também o fim
do aberto, diz que esses regimes não funcionam e são uma falência total, se tornando
regimes perigosos. Segundo ele, 20% dos presos do Rio Grande do Sul estão nesses
regimes e em três anos produziram 22 mil fugas. (Peruzzo, 2013).
Apesar disso, há quem discorde da medida, seja pelo fato de que o Semiaberto
é fundamental para a reinserção de um preso na sociedade, seja por considerarem
que a medida agravaria a situação carcerária.

Em suma, a abolição pura e simples do regime semiaberto, resultaria num


déficit ainda maior de vagas, fruto de uma política equivocada de combate
a criminalidade que segue apostando apenas na lei e na pena de prisão.
(Oliveira, 2015)

Com efeito, o fim do semiaberto aumentaria em muito o problema carcerário


enfrentado no Brasil. Um sistema já superlotado teria que abrigar todos os presos do
semiaberto, em que pese alguns já estarem cumprindo pena em regime fechado,
como supracitado, outros cumprem em albergados ou nas poucas colônias existentes
e todos estes seriam jogados nos presídios comuns. Para tentar amenizar a
superlotação, a opção seria construir mais prisões que acarretaria grandes gastos ao
Estado.
Deste modo, mais fácil do que extinguir o regime semiaberto, seria investir, de
fato, nas colônias agrícolas e industriais, a fim de se ter um local adequado para o
cumprimento da pena.

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Nas poucas Colônias Agrícolas existentes percebe-se que é um bom sistema
eis que praticamente subsistente e ainda é possível gerar renda, expandir a
agropecuária e incentivar a indústria
Conforme Mesquita (2001), em Bauru, o Instituto Penal Agrícola conta com 666
(seiscentos e sessenta e seis) hectares onde trabalham 700 (setecentos) presidiários.
A colônia produz cerca de 7.000 (sete mil) quilos de hortaliças por mês e 30% (trinta
por cento) da produção é repassada a entidades filantrópicas. O custo para a
manutenção de um preso no local é de R$ 600,00 (seiscentos reais).
Na colônia agrícola de Santa Izabel (Cpasi), em Belém-PA, os presos
trabalham na criação de suínos e a produção é destinada a venda, sendo que todo o
recurso recebido é utilizado para manutenção do próprio projeto (Portal Amazônia,
2016).
No Paraná, a Colônia Penal Agrícola (CPA) foi além e introduziu a indústria em
sua atividade. Conforme pesquisa de Cornelsen (2002), os industriais fazem parceria
com o Fundo Penitenciário e a Secretaria de Segurança Pública, podendo usufruir do
trabalho dos presos e de diversas vantagens, como redução de impostos e isenção
de pagamento de água, aluguel e luz. Para mais, investiram em esportes, que auxilia
na reabilitação do preso. Quanto aos gastos, é praticamente autossuficiente, dado que
produzem sua própria comida.
Outra solução para o regime semiaberto seria a criação de mais Associações
de Proteção e Amparo aos Condenados (APAC). Esses institutos investem em
educação e trabalho ao preso, sendo forte instrumento na ressocialização. No local, o
uniforme dos presos e funcionários é igual e não há agentes penitenciários armados.
Conforme os dados divulgados pela BBC (2014), enquanto no sistema
penitenciário comum a reincidência é de 70% (setenta por cento), nas APAC’s a taxa
não ultrapassa o 15% (quinze por cento). O veículo de notícias informa também que
em 42 (quarenta e dois) anos de existência nunca houve rebelião ou assassinatos
dentro das instituições.
Além disso, o custo do sistema é inferior ao dos presídios convencionais,
enquanto neste o valor mensal de manutenção de um preso varia de R$ 1.800,00 (mil
e oitocentos reais) a R$ 2.800,00 (dois mil e oitocentos reais), nas APAC’s não
ultrapassa R$ 1.000,00 (mil reais).

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Por conseguinte, na ausência de estabelecimentos adequados para o
cumprimento de pena em regime semiaberto, o preso poderia cumprir sua pena nas
APAC’s.
Outrossim, o semiaberto é fundamental para a ressocialização do preso, parte
fundamental da função da pena, como já visto. Para funcionar de maneira
regeneradora, a progressão da pena precisa ter um estágio mediano, de forma que o
preso seja reinserido gradativamente na sociedade.
Sobre o sistema de progressão de pena Leciona Mirabete: (2007, p. 387)

Tendo em vista a finalidade da pena, de integração ou reinserção social, o


processo de execução deve ser dinâmico, sujeito a mutação ditadas pela
resposta do condenado ao tratamento penitenciário. Assim, ao dirigir a
execução para a “forma progressiva”, estabelece o art. 112 a progressão, ou
seja, a transferência de regime mais rigoroso a outro menos rigoroso quando
demonstra condições de adaptação ao mais suave

Assim, o sistema de regressão de pena:

[...] constitui importante estímulo à ressocialização, e foi instituído com vistas


à reinserção gradativa do condenado ao convívio social. Tem um caráter
reeducativo e possibilita ao condenado, de acordo com o mérito demonstrado
durante a execução, promoção a regime menos rigoroso, antes de atingir a
liberdade, ou seja, o preso cumprirá a pena em etapas e em regime cada vez
menos rigoroso, até receber liberdade. Durante esse tempo, o preso será
avaliado e só será merecedor da progressão caso a sua conduta assim
recomende. (BORGES, 2008, p. 1)

E completando tal pensamento:

Umbilicalmente ligada à própria pena, a progressividade do regime acena ao


condenado com melhores dias, incentiva-o à correção de rumo e, portanto, a
empreender um comportamento penitenciário voltado à ordem, ao mérito e a
futura inserção no meio social e familiar e da vida normal que tem direito um
ser humano. Somente com a progressão de regime o preso poderá freqüentar
cursos profissionalizantes, de instrução de segundo grau ou superior, exercer
atividade laborativa não disponibilizada pelo Estado, e estar próximo do
ambiente familiar, nos casos de trabalho extra-muros e de visitação
temporária ao lar. (BORGES, 2008, p. 1).

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Conforme Borges (2008, p. 2) a progressão de regime, tal qual conhecemos,
apesar da falência do sistema penitenciário, ainda representa a melhor forma de
alcançar a ressocialização do apenado para seu retorno ao seio social.
A ausência da fase intermediária, todavia, compromete completamente a
recuperação do indivíduo criminoso, uma vez que o tiraria de um regime gravíssimo
para um estado de quase total liberdade, sem que fosse preparado para o convívio
social. É no regime semiaberto que o transgressor desenvolve atividades laborais e
educativas, podendo frequentar um instituto de ensino, que contribui com a sua
reeducação.
Ao realizar uma pesquisa sobre os presos do Regime Semiaberto no Paraná,
avaliou Cornelsen (2010):

Os “operários” fizeram um curso de dois meses no Senai, para aprender o


ofício de soldador. Agora, também já estão entendendo da parte elétrica dos
caminhões que reparam, de ferramentaria, e desenvolvem outras atividades
necessárias ao bom funcionamento da fábrica. Quando terminarem de
cumprir suas penas, estarão aptos a ingressar no mercado de trabalho com
boa experiência. O trabalho honesto naturalmente os afastará da
criminalidade, resgatando a dignidade, a cidadania e reduzirá
consideravelmente o índice de reincidência.

Cornelsen (2010) completa ainda, expondo a importância da capacitação


profissional ao preso no semiaberto para sua posterior reinserção na sociedade.
Enfatiza que o Conselho Nacional de Justiça sugeriu aos empresários a contratação
de ex-detentos, a fim de contribuírem para a diminuição da marginalidade, mas que
sem a profissionalização do presidiário durante o cumprimento de pena, é
praticamente impossível que, quando egresso, ele possa competir em um mercado
de trabalho.
O fim do semiaberto é apenas mais uma tentativa de diminuir a criminalidade
de maneira imediatista, pois não foca no preso em si, mas nos anseios e clamores do
povo por um país menos violento.
Ocorre que é uma tentativa falida já que deixará de lado a reabilitação do preso.
Sem ressocialização, o que ocorrerá é uma enorme taxa de reincidência que afundará
o país cada vez mais na marginalidade.

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Conclusão

O presente trabalho de conclusão de curso teve como teve o fim do regime


semiaberto no Brasil.
A hipótese ao propor tal pesquisa foi analisar os regimes do sistema
penitenciário no país, bem como a progressão da pena e sua finalidade em
congruência com a finalidade do instituto da pena, somando-se à crise carcerária
enfrentada na nação, averiguando o impacto negativo ou positivo que o fim do sistema
provocaria no país.
Para alcançar o objetivo geral, foral pontuados os seguintes objetivos
específicos: examinar a função da pena, realizando um estudo histórico acerca do
instituto; ponderar sobre os tipos de regime prisional existentes no Brasil, suas
características e fundamentos; apreciar a crise carcerária nacional; mesurar as
consequências que o fim do regime semiaberto acarretaria no país.
Para desenvolver o exame da matéria, utilizou-se como metodologia a pesquisa
bibliográfica e documental, de forma que foi possível alcançar todos os objetivos
traçados.
Neste processo, a principal dificuldade encontrada na execução do cronograma
consistiu na dificuldade em encontrar documentos sobre o tema escolhido, em virtude
de sua atualidade.
Como resultado, detectou-se que, de fato, o Regime Semiaberto, nos moldes
de hoje, não vem funcionando em razão da ausência de local correto para seu
cumprimento e acaba atingindo não só a sociedade, pela facilidade de fuga nos
albergados, mas ao próprio preso, seja por podar seus direitos de progressão de pena,
de ter trabalho externo, ou por não conseguir reintegrá-lo de maneira eficaz à
sociedade.
No entanto, extirpá-lo, também não é a melhor solução. Ocorre que o
semiaberto é fundamental para a recuperação do preso, tendo em vista que este não
será simplesmente jogado no seio da comunidade, mas é uma fase de transição
fundamental para que ele volte ao corpo social, reabilitado.

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Cabe destacar que o Brasil adota a teoria mista da pena, assim, a sanção não
tem por escopo apenas punir o infrator pelo ilícito cometido, muito menos, somente
prevenir os crimes de maneira geral, mas sim, busca uma prevenção especial,
impedindo que o criminoso volte a delinquir.
Ao invés de se buscar eliminar o regime semiaberto, mais eficaz seria construir
os alojamentos destinados ao cumprimento de pena. Há onerosidade, claro, mas tanto
quanto a construção de mais presídios de segurança máxima e média, e, chegando
ao fim o semiaberto, mais presídios serão necessários para atender a demanda.
Ademais, o semiaberto tem um grande pró, além de atender ao fim da pena e
reabilitar o preso: gera renda ao país, seja pela produção realizada nos locais, seja
pelo incentivo aos empresários, com mão de obra gratuita e incentivos fiscais.
Posto isto, o fim do regime aberto não é solução, mas acarretaria um problema
ainda maior, visto que as cadeias, já superlotadas, não conseguirão abrigar todos os
delituosos, sendo necessário mais dispêndio de dinheiro para construção de
penitenciárias, além de influenciar negativamente na reabilitação do preso,
aumentando as taxas de reincidência e consequentemente, a criminalidade,
transformando tudo em um ciclo vicioso: mais cadeias, mais presos, mais
delinquência.
Ao invés, o país deve investir em mais colônias agrícolas, dando um oficio ao
preso que será posteriormente colocado em liberdade e ainda gerando renda ao país
que poderá ser utilizada para o próprio sustento do sistema.

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