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D espedidas em B elém – Canto IV

Estrutura do episódio

1. Os que partem
- Referência ao estímulo dado pelo rei aos marinheiros (83)
- Vasco da Gama refere o entusiasmo de marinheiros e soldados em o acompanhar (84-85)
- Orações de despedida (86-87)

2. Os que ficam
- A gente da cidade deixa transparecer saudade e tristeza (88)
- Os mais chegados revelam a sua tristeza: os homens com “suspiros”; as mulheres, as mães,
as esposas e as irmãs “cum choro piadoso”(89)

Análise do episódio

Este episódio de Os Lusíadas corresponde ao momento da partida dos marinheiros da praia do


Restelo e da despedida dos seus familiares e amigos - início da viagem de Vasco da Gama à Índia.
O episódio está incluído apenas no canto IV. Seguindo o modelo das epopeias greco-latinas, a
narração não começa no princípio da acção (a partida das naus de Lisboa e início da viagem), mas já a
meio da acção (in media res): “Já no largo Oceano navegavam (Canto I, est. 19).

O episódio pode ser dividido em 3 partes:


Introdução – est. 83-86
Feita a referência a D. Manuel I, que pagou aos marinheiros e encorajou-os com palavras de
louvor, e localizada a acção no espaço e no tempo, observamos o alvoroço geral dos últimos preparativos
para o embarque da “gente marítima e a de Marte” (marinheiros e soldados). Prontas as naus, os nautas
reúnem-se em oração na ermida de Nossa Senhora de Belém.

Desenvolvimento – est. 87-92


Descreve-se a “procissão solene” do Gama e seus companheiros desde o “santo templo”
(ermida) até aos batéis, pelo meio da “gente da cidade”, homens e mulheres, velhos e meninos, com
relevo especial para as mães e esposas.
Tanto os que partiam como os que ficavam se entristeciam e a despedida assume grande
emotividade.
“Porque me deixas, mísera e mesquinha?
“Porque de mi te vas, ó filho caro”

Conclusão – est. 93
Refere-se ao embarque que, por vontade de Vasco da Gama, se fez sem as despedidas
habituais para diminuir o sofrimento, tanto dos que partiam como dos que ficavam.