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22/05/2019 Fascismo – Wikipédia, a enciclopédia livre

Fascismo
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Fascismo é uma ideologia política ultranacionalista e  autoritária[1][2][3][4] caracterizada por poder ditatorial, repressão da
oposição por via da força e forte arregimentação da sociedade e da economia.[5] Embora os partidos e movimentos fascistas
apresentem divergências significativas entre si, é possível apontar várias características em comum, entre as quais nacionalismo
extremo, desprezo pela democracia eleitoral e pela liberdade política e económica, crença numa hierarquia social natural e no
domínio das elites e o desejo de criar uma comunidade do povo em que os interesses individuais sejam subordinados aos
interesses da nação.[6] Oposto ao liberalismo, ao marxismo e ao anarquismo, o fascismo posiciona-se na extrema-direita do
espectro político tradicional.[7][8][9][10][11][12]

O fascismo defende ser necessária a mobilização da sociedade sob um estado totalitário de partido único para preparar a nação
para o conflito armado e responder de forma eficaz às dificuldades económicas.[13] Acreditam que tal estado deva ser
comandado por um líder forte, como um ditador ou governo militarista constituído por membros do partido fascista, capaz de
forjar a unidade nacional e manter a ordem e establidade sociais.[13] O fascismo rejeita a afirmação de que a violência é
automaticamente negativa por natureza e acredita que a violência, guerra ou imperialismo são meios pelos quais se pode chegar
ao rejuvenescimento da nação.[14][15][16][17] Os fascistas defendem uma economia mista com o principal objetivo de atingir a
auto-suficiência económica do país por meio de políticas económicas protecionistas e intervencionistas.[18]

O fascismo ganhou destaque na Europa na primeira metade do século XX.[7] Os primeiros movimentos fascistas surgiram em
Itália durante a I Guerra Mundial, tendo-se posteriormente expandido para outros países europeus.[7] Os fascistas viam a I
Guerra Mundial como uma revolução que tinha trazido alterações massivas na natureza da guerra, da sociedade, do estado e da
tecnologia. O advento da guerra total e da mobilização total da sociedade tinham diluído a distinção entre civis e combatentes,
tendo-se desenvolvido uma "cidadania militarista" em que todos os cidadãos estavam envolvidos no esforço militar.[19][20] A
guerra tinha tido como consequência o nascimento de um estado poderoso, capaz de mobilizar milhões de pessoas para a linha
da frente e de organizar a produção económica e logística para as sustentar, e com autoridade sem precedentes para intervir nas
vidas dos cidadãos.[19][20]

Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, que poucos partidos se têm declarado abertamente fascistas. O termo é
usado frequentemente de forma pejorativa para descrever opositores políticos. Os partidos contemporâneos de extrema-direita
com ideologias semelhantes ou inspirados nos movimentos fascistas do século XX são denominados neofascistas.[7][21]

Índice
Etimologia e símbolo
Definições
Posição no espectro político
Características
Totalitarismo
Ultranacionalismo
Populismo
Violência e mobilização de massas
Economia
Sexualidade
Papel da mulher
História
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Fin de siècle a fusão do maurrasismo com sorelianismo (1880–1914)


Primeira Guerra Mundial e após (1914-1929)
Aumento internacional do fascismo e a Segunda Guerra Mundial (1929-1945)
Pós-Segunda Guerra Mundial (1945 - presente)
Cristianismo e fascismo
Conceito atual
Neofascismo
Fascismo de esquerda
Fundamentalismos religiosos
Fascista como insulto
Ver também
Referências
Bibliografia
Ligações externas

Etimologia e símbolo
O termo fascismo é derivado da palavra em latim fasces,[22] que designava um feixe de varas amarradas em volta de um
machado,[23] e que foi um símbolo do poder conferido aos magistrados na República Romana de flagelar e decapitar cidadãos
desobedientes.[24] Eram carregados por lictores e poderiam ser usados para castigo corporal e pena capital a seu próprio
comando.[25][26] Mussolini adotou esse símbolo para o seu partido, cujos seguidores passaram a chamar-se fascistas.[27]

O simbolismo dos fasces sugeria "a força pela união": uma única haste é facilmente quebrada, enquanto o feixe é difícil de
quebrar.[28] Símbolos semelhantes foram desenvolvidos por diferentes movimentos fascistas. Por exemplo, o símbolo da Falange
Espanhola é composto de cinco flechas unidas por uma parelha.[29]

Definições
Historiadores, cientistas políticos e outros estudiosos têm debatido por muito tempo a natureza exata do fascismo.[30] Cada
forma de fascismo é diferente, deixando muitas definições amplas ou restritas demais.[31][32] Contudo, um dos aspectos mais
consensuais entre os historiadores é o entendimento de que no fascismo um nacionalismo militante ocupa um lugar de primeiro
plano.[33][34][35] Também é largamente aceita a noção de que o fascismo promove um Estado autoritário, tirânico ou totalitário,
um dos seus aspectos mais criticados.[36][37]

Uma definição comum de fascismo se concentra em três grupos de ideias:

As negações fascistas de anti-liberalismo, anti-comunismo e anti-conservadorismo.


Objetivos nacionalistas e autoritários para a criação de uma estrutura econômica regulada para transformar as
relações sociais dentro de uma cultura moderna, auto-determinada.
Uma estética política usando simbolismo romântico, mobilização em massa, visão positiva da violência, promoção
da masculinidade e da juventude e liderança carismática.[38][39][40]
Roger Griffin descreve o fascismo como "um gênero de ideologia política cujo núcleo mítico em suas várias permutações é uma
forma palingenética de ultranacionalismo populista".[41] Griffin descreve a ideologia como tendo três componentes principais: "
(i) o mito do renascimento, (ii) populista ultra-nacionalismo e (iii) o mito da decadência".[41] O fascismo é "uma forma
verdadeiramente revolucionária, anti-liberal, multiclasse, e, em última análise, nacionalista anti-conservadora" construído sobre
uma complexa gama de influências teóricas e culturais. Ele distingue um período entre-guerras quando se manifestou através de
"partidos políticos armados" liderados por elites populistas se opondo ao socialismo e ao liberalismo e prometendo uma política
radical para salvar o país da decadência.[42]

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Robert Paxton vê o fascismo como "uma forma de comportamento político marcado pela preocupação obsessiva com o declínio
da comunidade, humilhação ou vitimização e pelo culto compensatório da unidade, energia e pureza, na qual um partido de
massas de militantes nacionalistas comprometidos, trabalhando em inquieta, mas colaborativamente efetiva com as elites
tradicionais, abandona as liberdades democráticas e persegue com violência redentora e sem restrições éticas ou legais de
limpeza interna e expansão externa".[43]

Para Umberto Eco, o fascismo se baseia no culto a tradição, a rejeição ao modernismo, o culto à ação pela ação, na comparação
forçada entre dissidência e traição, o medo da diferença, o apelo a frustração social, a obsessão pelo golpismo, na alta
expectativa quanto a força do adversário, na consideração do pacifismo como envolvimento com o inimigo, o desprezo pelo
fraco, a educação para o heroísmo, o patriarcalismo bélico, um populismo seletivo e o uso de novilíngua.[44]

Emilio Gentile descreve o fascismo com os seguintes dez elementos constitutivos:[45]

1. um movimento de massa de adesão multiclasse em que prevalecem, entre os líderes e os militantes, os setores
médios, em grande parte, novos na atividade política, organizados como uma milícia partidária, que baseiam sua
identidade não em hierarquia social ou origem de classe, mas em um sentido de camaradagem, acredita-se
investido de uma missão de regeneração nacional, considera-se em estado de guerra contra adversários políticos
e visa conquistar o monopólio do poder político por meio do terror, política parlamentar e acordos com grupos
maiores, para criar um novo regime que destrói a democracia parlamentar;
2. uma ideologia "anti-ideológica" e pragmática que se proclama antimaterialista, anti-individualista, antiliberal,
antidemocrática, anti-marxista, mas populista e anticapitalista em tendência, se expressando esteticamente mais
que, teoricamente, por meio de um novo estilo de política e por mitos, ritos e símbolos, como uma religião leiga
projetada para aculturar, socializar e integrar a fé das massas com o objetivo de criar um "Novo Homem";
3. uma cultura fundada no pensamento místico e o no sentido trágico e ativista da vida concebida como a
manifestação da vontade de poder, sobre o mito da juventude como artífice da história, e na exaltação da
militarização da política como modelo de vida e atividade coletiva;
4. uma concepção totalitária do primado da política, concebida como uma experiência de integração para realizar a
fusão do indivíduo e das massas na unidade orgânica e mística da nação como uma comunidade étnica e moral,
a adoção de medidas de discriminação e perseguição contra aqueles considerados fora desta comunidade quer
como inimigos do regime ou membros de raças consideradas inferiores ou perigosas para a integridade da
nação;[46]
5. uma ética civil, fundada em total dedicação à comunidade nacional, sobre a disciplina, a virilidade, a
camaradagem e o espírito guerreiro;
6. um Estado de partido único que tem a tarefa de prover a defesa armada do regime, a seleção de seus quadros de
direção e organização das massas no interior do estado, em um processo de mobilização permanente de emoção
e da fé;
7. um aparato policial que impede, controla e reprime a dissidência e a oposição, mesmo usando o terror
organizado;
8. um sistema político organizado pela hierarquia de funções nomeadas a partir do topo e coroado pela figura de
"líder", investido com um carisma sagrado, que comanda, dirige e coordena as atividades do partido e do regime;
9. defesa armada do regime, a seleção de seus quadros de direção e organização das massas no interior do estado,
em um processo de mobilização permanente de emoção e da fé;
10. organização corporativa da economia que suprime a liberdade sindical, amplia a esfera de intervenção do Estado,
e visa alcançar, por princípios de tecnocracia e solidariedade, a colaboração dos "setores produtivos" sob o
controle do regime, para alcançar seus objetivos de poder, ainda preservando a propriedade privada e as divisões
de classe;
11. uma política externa inspirada no mito do poder nacional e grandeza, com o objetivo de expansão imperialista.
Stanley G. Payne descreve o fascismo em três setores de características:[47]

1. Ideologia e objetivos

1. "Adoção de uma filosofia idealista, vitalista e voluntarista, normalmente envolvendo a tentativa de realizar uma
nova cultura auto-determinada, secular e moderna"
2. "Criação de um novo Estado autoritário nacionalista não baseado em princípios ou modelos tradicionais"
3. "Organização de uma nova estrutura econômica nacional integrada, altamente regulada, multiclasse; seja
chamada de corporativista nacional, nacional-socialista, nacional sindicalista"
4. "Avaliação positiva e uso, ou vontade de usar a violência e a guerra"
5. "O objetivo do império, expansão ou uma mudança radical na relação do país com as outras potências"

1. Negações:

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1. "Antiliberalismo"
2. "Anticomunismo"
3. "Anticonservacionismo (embora com o entendimento de que grupos fascistas estavam dispostos a realizar
alianças temporárias com outros setores, mais comumente com a direita)"

1. Estilo e organização

1. "Tentativa de mobilização de massas com a militarização das relações políticas e estilo e com o objetivo de
uma milícia de massa de partido único"
2. "Ênfase na estrutura estética em encontros, símbolos e liturgia política, enfatizando aspectos emocionais e
místicos"
3. "Estresse extremo no princípio masculino e na dominação masculina, enquanto defendendo uma visão
fortemente orgânica da sociedade"
4. "Exaltação da juventude acima de outras fases da vida, enfatizando o conflito das gerações, pelo menos, para
efetuar a transformação política inicial"
5. "Tendência específica em direção a um estilo autoritário, carismático e pessoal de comando, se o comando
for, em certa medida, inicialmente eletivo"

Posição no espectro político


O fascismo é comumente descrito como extrema-direita[48][49] embora alguns autores têm
encontrado dificuldade em colocar o fascismo em um espectro político esquerda-direita
convencional.[50][51][52][53][54] O fascismo foi influenciado pela esquerda e pela direita,
conservadores e anti-conservadores, nacionais e supranacionais, racionais e anti-racionais.[42] Um
número de historiadores têm considerado o fascismo ou como uma doutrina centrista
revolucionária, ou uma doutrina que mistura filosofias da esquerda e da direita, ou como ambas as
coisas,[50][54] não existindo assim, um puro centro, indistinto e não adjetivado, nem uma pura
posição extrema.[55]

O fascismo é considerado por alguns estudiosos como de extrema-direita por causa de seu
Logotipo do Partido
conservadorismo social e meios autoritários de oposição ao igualitarismo.[56][57] Roderick
Nacional Fascista
Stackleberg coloca o fascismo, incluindo o nazismo, que ele diz ser "uma variante radical do
fascismo", do lado direito, explicando que "quanto mais a pessoa considerar a igualdade absoluta
entre todos os povos para ser uma condição desejável, mais à esquerda vai estar no espectro ideológico. anto mais uma
pessoa considera a desigualdade como inevitável ou mesmo desejável, o mais para a direita será".[58]

O fascismo italiano gravitou para a direita no início de 1920.[59][60] Um elemento importante do fascismo, que tem sido
considerado como claramente de extrema-direita é o seu objetivo de promover o direito das pessoas alegadamente superiores
terem dominação enquanto removendo elementos ditos inferiores da sociedade.[61]

Benito Mussolini em 1919 descreveu o fascismo como um movimento que atingiria "contra o atraso da direita e a destrutividade
da esquerda".[62] Mais tarde, os fascistas italianos descreveram o fascismo como uma ideologia de extrema-direita em seu
programa político A Doutrina do Fascismo, afirmando: "Somos livres para acreditar que este é o século da autoridade, um século
tendendo para a 'direita', um século fascista".[63][64] No entanto, Mussolini esclareceu que a posição do fascismo no espectro
político não era um problema sério para os fascistas e declarou que:

Fascismo, sentado à direita, também poderia ter sentado na montanha do centro… Estas palavras, de qualquer caso,
não tem um significado fixo e imutável: eles têm um assunto variável em localização, tempo e espírito. Nós não
damos a mínima para essas terminologias vazias e desprezamos aqueles que são aterrorizados por essas palavras.
Benito Mussolini[65]

A posição de direita política no movimento fascista italiano no início de 1920 levou à criação de facções internas. A "esquerda
fascista" incluiu Michele Bianchi, Giuseppe Boai, Angelo Oliviero Olivei, Sergio Panunzio e Edmondo Rossoni, que estavam
comprometidos com o avanço do sindicalismo nacional como um substituto para o liberalismo parlamentar a fim de modernizar

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a economia e avançar os interesses dos trabalhadores e do povo.[66]

A "direita fascista" incluiu membros do paramilitar Squadristi e ex-membros da Associazione Nazionalista Italiana (ANI).[66] Os
squadristi queriam estabelecer o fascismo como uma ditadura completa, enquanto os ex-membros ANI, incluindo Alfredo Rocco,
procuravam um estado corporativista autoritário para substituir o Estado liberal na Itália, mantendo as elites existentes. No
entanto, após acomodar a direita política, surgiu um grupo de fascistas monarquistas, que procuraram usar o fascismo para criar
uma monarquia absoluta sob o rei Vítor Emanuel III da Itália.[66]

Depois que Vítor Emanuel III forçou Mussolini a renunciar como chefe de governo e o colocou na prisão, em 1943, Mussolini foi
resgatado por forças alemãs e então passou a depender da Alemanha para ter apoio. Mussolini e os demais fascistas leais
fundaram a República Social Italiana, com Mussolini como chefe de Estado. Mussolini procurou radicalizar o fascismo italiano,
declarando que o Estado fascista havia sido derrubado porque o fascismo italiano tinha sido subvertido pelos conservadores e a
burguesia italianos. Em seguida, o novo governo fascista propôs a criação de conselhos de trabalhadores e participação nos
lucros da indústria, no entanto a autoridade alemã que efetivamente controlava o território da República Social (norte da Itália),
neste ponto, ignorou estas medidas e não procurou aplicá-las.[67]

Uma série de movimentos fascistas descreveram-se como uma "terceira posição" fora do espectro político tradicional.[68] O líder
falangista espanhol José António Primo de Rivera disse:

Basicamente, a direita significa a manutenção de uma estrutura econômica, ainda que uma injusta, enquanto a
esquerda tenta subverter essa estrutura econômica, embora a subversão da mesma implicaria a destruição de muita
coisa que vale a pena.[69]

Na análise política contemporânea, pode-se caracterizar o fascismo por uma "especificidade perturbadora". Por um lado, trata-se
de doutrina claramente antimarxista, antidemocrática e que no regime italiano gerou a perseguição da classe operária. Por outro
lado, professou o antiliberalismo com uma retórica revolucionária anticapitalista e antiburguesa.[70]

Características
Apesar de não haver uma definição universalmente aceite de fascismo, é possível enumerar uma série de características comuns
dos movimentos fascistas entre 1922 e 1945, nomeadamente a oposição violenta a todas as formas de marxismo, a oposição à
democracia parlamentar, a oposição ao liberalismo cultural e económico, as ambições totalitárias, os programas económicos
conservadores ou corporativistas, as ambições imperialistas, o militarismo, a subordinação do indivíduo à vontade da nação, a
mobilização em massa da população, a crença num líder forte com poder absoluto, crença num Novo Homem e glorificação da
juventude, educação para a obediência inquestionável à autoridade e desencorajamento do pensamento crítico, o uso da
violência para repressão política, nacionalismo extremo, o recurso a bodes expiatórios e demonização de grupos sociais,
populismo, anti-intelectualismo, anti-urbanismo, sexismo e misoginia.[6]

Totalitarismo
O fascismo é deliberadamente e inteiramente não-democrático e anti-democrático.[71][72][73] Uma das críticas mais comuns e
pertinentes do fascismo é a tirania a si inerente.[74] O fascismo promove a implementação de um estado totalitário em oposição
à democracia liberal, rejeitando o pluripartidarismo e defendendo o estado de partido único.[75] Os estados fascistas promoviam
políticas de doutrinação social através de propaganda na educação e na comunicação social, ambas totalmente controladas pelo
estado.[76][77] A educação era concebida para glorificar o movimento fascista e informar os estudantes da sua importância
histórica e política para a nação. Ao mesmo tempo, dissuadia qualquer ideia que não fosse consistente com as crenças do
movimento fascista e ensinava aos estudantes a importância da obediência inquestionável ao estado fascista.[78]

Ultranacionalismo

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Um dos fundamentos do fascismo é o ultranacionalismo, geralmente associado a um mito de renascimento nacional.[33] Os


fascistas viam a nação como uma entidade única e orgânica que unia as pessoas em função da sua ancestralidade e que atuava
como força unificadora natural.[79] O fascismo procurava resolver os problemas económicos, sociais e políticos por via de um
renascimento nacional milenarista, exaltando a nação ou a raça acima de tudo o resto e promovendo o culto à unidade, força e
pureza.[6][43][80][81][82]

A generalidade dos movimentos fascistas europeus tinha uma concepção racista de povos não-europeus, que considerava
inferiores.[83] No entanto, as formas de racismo eram diferentes entre os vários movimentos fascistas europeus.[83] A maior
parte dos movimentos fascistas promovia o imperialismo, embora para alguns dos movimentos isso não fosse relevante nem
possuíssem novas ambições imperialistas.[83]

Populismo
A propaganda fascista enaltecia o povo e apelava ao anti-intelectualismo populista, alegando que o cidadão comum seria capaz
de julgar temas complexos do âmbito de especialistas. A propaganda Nazi apresentava Hitler como um "homem novo" com
origem no povo. Ao contrário do populismo de esquerda, o populismo fascista não atribuía as dificuldades dos trabalhadores às
grandes empresas ou aos grandes latifundiários nem defendia medidas como impostos progressivos, melhoria de salários,
proteção dos sindicatos ou direito à greve. Pelo contrário, o nazismo protegia a riqueza das elites económicas exceto a dos
judeus.[6] Muita da ideologia do fascismo italiano era simplesmente o resultado de oportunismo sem princípios por parte de
Mussolini. As suas posições alteravam-se constantemente de forma a reforçar as suas ambições pessoais, apesar de ele as
apresentar como benéficas para a população.[84]

Violência e mobilização de massas


Um dos fundamentos do fascismo é a ênfase na ação direta, incluindo apoio à legitimidade da violência política.[16][85] O
fascismo considerava a ação violenta na política uma necessidade, a qual denominava "luta eterna".[86] Esta ênfase no uso de
violência política teve como consequência a criação de milícias privadas na maior parte dos movimentos fascistas, como os
Sturmabteilung nazis ou os camisas negras da Itália fascista.

A base para o apoio do fascismo à ação violenta está associada ao darwinismo social.[86] Os movimentos fascistas tinham em
comum uma visão darwinista das nações, raças e sociedades.[87] Alegavam que as nações e as raças deviam eliminar os
indivíduos mais fracos em termos sociais e biológicos e as pessoas que consideravam "degeneradas". Ao mesmo tempo,
promoviam um ideal de pessoas fortes capazes de sobreviver num mundo que viam como em perpétuo conflito nacional e
racial.[88]

Economia
Os programas económicos da grande maioria dos movimentos fascistas eram extremamente conservadores e favoreciam muito
mais a elite económica do que as classes média e operária. Nos governos liderados por partidos fascistas, a distribuição de
riqueza e a estrutura tradicional de classes mantiveram-se praticamente inalteradas e as poucas alterações favoreceram apenas
as antigas elites e as lideranças partidárias. Do ponto de vista económico, a propaganda fascista que alegava anti-capitalismo e
socialismo nacional era uma fraude.[6] Embora o fascismo se opusesse ao socialismo marxista e internacionalista e denunciasse o
capitalismo parasitário, no seu programa económico estava disposto a acolher o capitalismo produtivo.[89]

Os fascistas opunham-se simultaneamente ao socialismo internacionalista e ao capitalismo de livre mercado, alegando que as
suas ideias correspondiam a uma terceira posição.[90] Os regimes fascistas favoreciam o corporativismo e a colaboração de
classes. Ao contrário dos socialistas, os fascistas acreditavam que a existência de desigualdade e hierarquia social era
benéfica[91] e, ao contrário dos capitalistas liberais, acreditavam que cabia ao estado mediar as relações entre classes.[92]

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O fascismo chegou ao poder tirando partido da crise política e económica das décadas de 1920 e 1930, em particular da profunda
polarização que existia em países democráticos como o Reino de Itália ou a República de Weimar. Os parlamentos destes países
eram dominados pela oposição entre partidos apoiantes do capitalismo de livre mercado e apoiantes do socialismo marxista, o
que tornava difícil a formação de governos estáveis.[93] Os fascistas exploraram esta situação como argumento contra a
democracia, que eles viam como fraca e ineficaz.[94] Os regimes fascistas geralmente ascenderam ao poder em tempos de crise,
quando as elites económicas, latifundiários e empresários temiam que estivesse iminente uma revolução ou revolta popular.[95]
Os fascistas aliaram-se às elites económicas, prometendo-lhes proteger o seu estatuto social e suprimir qualquer eventual
revolução.[96] Como contrapartida, pediam às elites que subordinassem os seus interesses a um ambicioso projeto nacionalsta.
Como resultado, as políticas económicas fascistas geralmente protegiam a desigualdade e os privilégios ao mesmo tempo que
defendiam uma ampla intervenção do estado na economia.[97]

"Terceira posição" e capitalismo produtivo


O fascismo promovia-se como sendo uma terceira posição, alternativa tanto ao socialismo internacional como ao capitalismo de
livre mercado.[98] Em vez disso, apoiavam aquilo a que chamavam de capitalismo produtivo.[89][99]

Embora o fascismo se opusesse às correntes de pensamento socialistas, em algumas situações apresentava-se como sendo um
tipo de socialismo nacionalista de forma a evidenciar perante o público o compromisso com a solidariedade e união
nacional.[100][101] Os governos fascistas alegavam que essa solidariedade poderia ser conseguida através da resolução do conflito
de classes.[102]

O conceito de capitalismo produtivo teve origem nas ideias de Henri de Saint Simon, que sublinhavam a necessidade de
solidariedade entre classes em vez de luta de classes. A sua concepção de agentes produtivos na economia incluía trabalhadores
e patrões produtivos, por oposição à influência da aristocracia e especuladores financeiros improdutivos.[103] Saint Simon
combinava as críticas tradicionalistas de direita da Revolução Francesa com uma posição de esquerda na necessidade de
associação ou colaboração entre os agentes produtivos da sociedade.[103] Enquanto o Marxismo condenava o próprio
capitalismo como um sistema de relações de propriedade exploradoras, o fascismo via como abusiva a natureza do controlo do
crédito e do dinheiro no sistema capitalista contemporâneo.[89]

Ao contrário do Marxismo, o fascismo não via o conflito de classes entre o proletariado e a burguesia como causa do
materialismo histórico.[89] Em vez disso, via os trabalhadores e os capitalistas produtivos como fazendo parte do mesmo grupo
de indivíduos produtivos e que estavam em conflito com elementos da sociedade que consideravam parasitários ou corruptos,
como partidos políticos , capital financeiro e pessoas fracas.[89] Os líderes fascistas como Mussolini ou Hitler salientavam a
necessidade de criar uma nova elite administrativa constituída por engenheiros e capitães da indústria, mas livre da liderança
parasitária das indústrias.[89] Hitler afirmava que o Partido Nazi apoiava o bodenständigen Kapitalismus ("capitalismo
produtivo"), que era baseado no lucro gerado pelo próprio trabalho, ao mesmo tempo que condenava o capitalismo financeiro,
cujo lucro era derivado da especulação.[104]

A economia fascista defendia a necessidade de dirigismo económico, em que o governo subsidia empresas favoráveis e exerce
uma forte influência no investimento, em vez de ter um papel meramente regulador. Embora a economia fascista se baseasse na
propriedade privada e livre iniciativa, estas deviam atuar num contexto de serviço à nação.[105][106] Os governos fascistas
encorajavam a obtenção de lucro e ofereciam diversos benefícios aos privados, exigindo em troca que toda a atividade
económica servisse os interesses da nação.[107]

Protecionismo
A ideologia económica fascista aceitava a motivação pelo lucro, mas sublinhava a necessidade da indústria em defender o
interesse nacional acima do lucro privado.[108] O fascismo defendia uma economia controlada pelo estado que aceitava uma
mistura de propriedade privada e pública dos meios de produção.[109] O planeamento económico dos governos fascistas incidia
tanto sobre o setor público como privado. A prosperidade da iniciativa privada dependia da sua aceitação em se alinhar com os
objetivos económicos da nação.[108]

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Ao mesmo tempo que aceitava a importância da riqueza material e do poder, o fascismo condenava o materialismo que alegava
estar presente no comunismo e no capitalismo, e que criticava por não ter em conta o papel do espírito.[110] Os fascistas
criticavam o capitalismo não por causa da sua natureza competitiva ou defesa da propriedade privada, que os fascistas também
apoiavam, mas sim devido ao seu materialismo, individualismo, alegada decadência burguesa e alegada indiferença à nação.[111]
Ao mesmo tempo, os fascistas criticavam o Marxismo pela sua defesa de uma identidade de classes materialista e
internacionalista, que os fascistas viam como um ataque às ligações emocionais e espirituais da nação e uma ameaça à obtenção
de genuína solidariedade nacional.[112]

Um dos principais objetivos da maior parte dos governos fascistas era atingir a auto-suficiência económica, denominada
autarquia.[113]

Direitos laborais
O fascismo operava a partir de uma visão de Darwinismo social das relações humanas, em que o objetivo era promover
indivíduos superiores e erradicar os que considerava fracos.[97] Em termos económicos, isto significava promover os interesses
de empresários bem sucedidos ao mesmo tempo que se destruía sindicatos e outras organizações que promoviam o interesse dos
trabalhares.[114]

Os governos fascistas ilegalizaram os movimentos sindicais e substituíram-nos por organizações denominadas "sindicatos
nacionais", controlados diretamente pelo governo, o que impedia os trabalhadores de realizar qualquer ação eficaz.[115] A
inscrição nestas organizações era obrigatória[116] e os líderes eram nomeados pelo partido fascista, e não pelos associados.[117]
Os fascistas alegavam que estas organizações serviriam para harmonizar os interesses dos trabalhadores e patrões.[118] No
entanto, na prática estas organizações serviam apenas os interesses dos grandes empresários, que assim conseguiam pressionar
o partido a nomear os líderes que pretendiam.[119]

De forma a manter e aumentar os lucros da indústria, os estados fascistas eliminaram a possibilidade de protestos em massa e
determinaram cortes salariais direta ou indiretamente.[120] As greves foram estritamente proibidas e qualquer grupo de
trabalhadores que parasse de trabalhar em simultaneo era condenado à prisão.[121]

O governo fascista italiano posterior à I Guerra Mundial era vincadamente anti-socialista, tendo banido todas as organizações
que considerava marxistas e substituído todos os sindicatos por uniões corporativas controladas pelo governo. Apesar da
retórica anti-capitalista, aos grandes industriais era permitido gerir as empresas com um mínimo de interferência do estado,
Mussolini reduziu os impostos para os mais ricos, foi decretada a redução salarial, foi abolido o limite de oito horas na jornada
de trabalho e permitida a formação de cartéis. Entre 1928 e 1932 os salários reais em Itália diminuíram para metade.[6] Da
mesma forma, embora Hitler alegasse que o Partido Nazi era mais socialista que os rivais conservadores, na realidade opôs-se a
qualquer nacionalização e aboliu os sindicatos. A retórica anti-capitalista aplicava-se apenas aos capitalistas judeus, enquanto
aos não-judeus era permitido continuar a gerir as empresas e manter a sua riqueza. Embora o desemprego na Alemanha tenha
diminuído durante o período nazi, esta diminuição foi conseguida com recurso ao recrutamento em massa para o exército,
salários mais baixos, por mais horas e em piores condições.[6] Embora muitos trabalhadores que habitualmente votavam à
esquerda tenham sido enganados pela propaganda dos partidos fascistas antes de estes subirem ao poder, muitos mantiveram-se
leais aos partidos antifascistas tradicionais à esquerda.[6]

Alegada igualdade social


Na retórica política do fascismo, os problemas económicos associados à grande disparidade de riqueza entre os ricos e os pobres
eram considerados um problema apenas de preconceito social. Em vez de atacar a concentração de riqueza das elites e de
promover a redistribuição de riqueza, os fascistas alegavam que estas diferenças eram subjetivas e pouco importantes. Para o
fascismo, o conceito de socialismo consiste em haver convivência e camaradagem entre ricos e pobres, e não na distribuição de
riqueza.[6]

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Os fascistas rejeitavam o igualitarismo, alegando que preservava os mais fracos, e promoviam ideias e políticas de Darwinismo
social.[122][123] Por princípio, o fascismo rejeitava a noção de assistência social, alegando que "encorajava a preservação dos
degenerados e dos mais fracos".[124] O Partido Nazi condenava não só a assistência social da República de Weimar, mas toda e
qualquer filantropia e instituições de caridade, por apoiarem pessoas que eles viam como inferiores e fracas que deveriam ser
erradicadas no processo de seleção natural.[125] No entanto, face ao acentuado desemprego e pobreza gerados pela Grande
Depressão, para manter o apoio popular os Nazis viram-se forçados a criar instituições de caridade para ajudar os alemães de
raça ariana. Face à contradição, os nazis alegavam que isto se tratava de entreajuda racial, e não de caridade indiscriminada ou
estado social universal.[126] Desta forma, os programas nazis de assistência social eram organizados como instituições quase
privadas que recebiam donativos privados, embora na prática quem se recusasse a doar enfrentasse graves consequências.[127]
Ao contrário da assistência social universal da República de Weimar e das instituições cristãs, a assistência social dos nazis
discriminava explicitamente com base na raça e da adesão ou não ao ideais do partido nazi. Os nazis apoiavam apenas aqueles
que consideravam racialmente puros, capazes de trabalhar, politicamente confiáveis e capazes de se reproduzir, excluindo os
não-arianos e os que consideravam pouco trabalhadores, associais ou geneticamente fracos.[128] Apesar do apoio a milhões de
arianos, as organizações de apoio nazis eram temidas e impopulares por recorrerem a questionamentos e monitorização
intrusivos para avaliarem quem era digno de apoio ou não.[129]

Privatizações
Os governos fascistas estiveram entre os primeiros em tempos modernos a levar a cabo privatizações em grande escala.[130] Em
várias ocasiões os governos fascistas italiano e alemão privatizaram empresas públicas.[131][132][133] Estas privatizações
representam uma inversão das políticas dos governos democráticos que os precederam. Os governos democráticos tinham
nacionalizado uma série de empresas, que os fascistas decidiram privatizar.[134] Ao fazê-lo, estavam a ir contra as principais
tendências económicas do seu tempo, numa época em que a maior parte dos governos ocidentais estavam a aumentar a
propriedade pública.[135][136] As políticas fascistas de privatização eram motivadas pela necessidade de obter o apoio da elite
industrial e aumentar as receitas do governo de forma a equilibrar os orçamentos.[137][138]

Sexualidade
O fascismo glorifica a juventude, tanto no sentido físico da idade como no sentido espiritual como associação à virilidade e
compromisso com a ação.[139] O fascismo identifica a juventude como o tempo fundamental para o desenvolvimento moral das
pessoas que irão afetar a sociedade.[140] O próprio hino político dos fascistas italiano era denominado Giovinezza
("Juventude").[139]

O fascismo italiano procurava aquilo a que denominava a "higiene moral" da juventude, sobretudo no que diz respeito à
sexualidade.[141] A Itália fascista promovia aquilo que considerava comportamento sexual normal na juventude, ao mesmo
tempo que denunciava aquilo a que considerava comportamentos sexuais desviantes.[141] Condenava como comportamentos
sexuais desviantes a pornografia, a maior parte das formas de controlo de natalidade e métodos contraceptivos (à exceção do
preservativo), a homossexualidade e a prostituição. No entanto, a aplicação das leis que proibiam estes comportamentos era
errática e em muitos casos as autoridades fechavam os olhos.[141] A Itália fascista via a promoção da excitação sexual masculina
antes a puberdade como a causa da criminalidade entre os jovens do sexo masculino, declarando a homossexualidade uma
doença e criando uma campanha para diminuir a prostituição entre mulheres jovens.[141]

Os nazis alegavam que a homossexualidade era degenerada, efiminada, pervertida e que subvertia a masculinidade por não
permitir a reprodução.[142] Alegavam que a homossexualidade podia ser curada através de terapia.[143] Os homossexuais
assumidos eram internados em campos de concentração nazis.[144]

Papel da mulher
Para Mussolini, o principal papel da mulher na sociedade era o da maternidade.[145] De forma a aumentar a taxa de natalidade, o
governo italiano oferecia incentivos financeiros às mulheres que criassem famílias numerosas e promulgou políticas destinadas
a diminuir o número de mulheres em situação de emprego.[146] O fascismo italiano consagrava o papel das mulheres como
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"reprodutoras da nação" e realizava cerimónias rituais para honorar esse papel na nação italiana.[147] Em 1934, Mussolini
declarou que o emprego das mulheres era um dos principais aspetos do problema do desemprego e que, para as mulheres,
trabalhar era incompatível com a maternidade e chegou a afirmar que a solução para o desemprego dos homens era o êxodo da
mulher da força de trabalho.[148]

O governo da Alemanha Nazi incentivava firmemente a mulher a ficar em casa a cuidar dos filhos e governar a casa.[149] O
governo chegou a atribuir uma medalha às mães racialmente puras que tivessem quatro ou mais filhos. A taxa de desemprego
diminuiu substancialmente, principalmente devido à produção de armas e ao facto das mulheres terem sido mandadas para casa
de forma a que os homens pudessem ocupar o seu posto de trabalho. A propaganda Nazi por vezes promovia relações sexuais
antes do casamento e extraconjugais, filhos fora do casamento e divórcio, embora em outras vezes se opusesse a tais
comportamentos.[150] Os nazis despenalizaram o aborto apenas para os casos em que os fetos possuíssem anomalias genéticas
ou pertencessem a uma raça não aprovada pelo governo. Para os alemães arianos, o aborto era estritamente proibido.[151] Para
os não-arianos, o aborto era muitas vezes obrigatório.[152]

História

Fin de siècle a fusão do maurrasismo com sorelianismo (1880–1914)


As raízes ideológicas do fascismo foram traçados em 1880, e em particular o tema do fin de siècle da época.[153][154] O tema foi
baseado na revolta contra o materialismo, o racionalismo, o positivismo, a sociedade burguesa e a democracia.[155] a geração do
fin-de-siècle apoiou o emocionalismo, o irracionalismo, o subjetivismo e o vitalismo.[156] A mentalidade do fin-de-siècle viu a
civilização como em crise e que exigia uma solução massiva e total; as escolas intelectuais do fin-de-siècle considerava o
indivíduo como apenas uma parte da colectividade maior, o que não deveria ser visto como uma soma numérica atomizada de
indivíduos eles condenaram o individualismo racionalista da sociedade liberal e a dissolução dos laços sociais na sociedade
burguesa.[155]

O ponto de vista do fin-de-siècle foi influenciado por vários desenvolvimentos intelectuais, como a biologia de Darwin biology; a
estética de Wagner; o racialismo de Arthur de Gobineau; a psicologia de Gustave Le Bon; e filosofias de Friedrich Nietzsche,
Fiódor Dostoiévski e Henri Bergson.[157] O darwinismo social, que ganhou ampla aceitação, não fazia distinção entre a vida
física e social, visto a condição humana como sendo uma luta incessante para atingir a sobrevivência do mais apto.[157] O
darwinismo social desafiou alegação de escolha deliberada e racional do positivismo como o comportamento determinante dos
seres humanos, o darwinismo social concentrou-se em hereditariedade, raça e meio ambiente[157] e a ênfase na identidade do
biogrupo e o papel das relações orgânicas dentro das sociedades promoveram legitimidade e apelo para o nacionalismo.[158]
Novas teorias da psicologia social e política também rejeitaram a noção de comportamento humano de ser governado por
escolha racional, e, em vez alegou que a emoção era mais influente em questões políticas do que a razão.[157] O argumento de
Nietzsche de que "Deus Está Morto" coincidiu com o ataque à "mentalidade de rebanho" do cristianismo, a democracia e o
coletivismo moderno, o seu conceito de übermensch (ver: Novo Homem) e sua defesa da vontade de poder como um instinto
primordial, tiveram grandes influências sobre muitos da geração fin-de-siècle.[159] A afirmação de Bergson da existência de um
"élan vital" ou instinto vital centrava-se na livre escolha e rejeitou os processos do materialismo e do determinismo, isto
desafiou o marxismo.[160]

Gaetano Mosca em sua obra A classe dominante (1896) desenvolveu a teoria que afirma que em todas as sociedades uma
"minoria organizada" vai dominar e governar sobre a "maioria desorganizada".[161][162] Mosca afirma que existem apenas duas
classes na sociedade "o governo" (a minoria organizada) e os "governados" (a maioria desorganizada).[163] Ele afirma que a
natureza organizada da minoria organizada a torna irresistível a qualquer indivíduo da maioria desorganizada.[163]

O conceito de propaganda da escritura do anarquista Mikhail Bakunin , salientou a importância da ação direta como o principal
meio das políticas, incluindo a violência revolucionária, isso se tornou popular entre os fascistas que admirava o conceito e o
adotaram como parte do fascismo.[164]

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O francês nacionalista e reacionário monárquico Charles Maurras influenciou o fascismo.[165]


Maurras promoveu o que chamou de "nacionalismo integral", apelando para a unidade
orgânica de uma nação, Maurras insistiu que um poderoso monarca era um líder ideal de uma
nação. Maurras desconfiava do que ele considerava a mistificação democrática da vontade
popular que criaria um sujeito coletivo impessoal. Ele alegou que um poderoso monarca era
um soberano personificada que poderia exercer a autoridade para unir as pessoas de uma
nação. O "nacionalismo integral" de Maurras foi idealizado pelos fascistas, mas modificado
para uma forma revolucionária modernizada.[165]

O revolucionário francês e sindicalista Georges Sorel promoveu a legitimidade da violência


política em sua obra Reflexões sobre Violência (1908) e outras obras em que defendeu a ação Charles Maurras
sindicalista radical para alcançar uma revolução e derrubar o capitalismo e a burguesia através
de greve geral.[166] Em Reflexões sobre Violência, Sorel enfatizou a necessidade por uma religião
política revolucionária.[167] Além disso, em sua obra As ilusões do progresso, Sorel denunciou a
democracia como reacionária, dizendo que "nada é mais aristocrático do que a
democracia."[168] Em 1909, após o fracasso de uma greve geral sindicalista na França, Sorel e
seus partidários deixaram a esquerda radical e foram para a direita radical, onde procuraram
mesclar catolicismo militante e patriotismo francês, com seus pontos de vista - defendendo
patriotas anti-republicanos cristão francês como ideais revolucionários.[169] Inicialmente Sorel
tinha sido oficialmente um revisionista do marxismo, mas em 1910 anunciou o seu abandono
da literatura socialista e afirmou, em 1914, usando um aforismo de Benedeo Croce que "o
Georges Sorel
socialismo está morto" por causa da "decomposição do marxismo".[170] Maurras teve interesse
em fundir seus ideais nacionalistas com o sindicalismo soreliano como um meio de enfrentar a
democracia.[171] Maurras afirmou "um socialismo liberado do elemento democrático e
cosmopolita se encaixa no nacionalismo como uma bela luva se encaixa uma bela mão."[172]

A fusão do nacionalismo maurassiano com o sindicalismo de Sorel influenciou o radical e


nacionalista italiano Enrico Corradini.[173] Corradini falou da necessidade de um movimento
de sindicalismo nacional, liderado por aristocratas elitistas e anti-democratas que
compartilhavam um compromisso sindicalista revolucionário para dirigir a ação e desejosos
por lutar.[173] Corradini falou da Itália como uma "nação proletária" que precisava perseguir o
imperialismo, a fim de desafiar a "plutocracia" francesa e britânica.[174] Pontos de vista de
Corradini faziam parte de um conjunto mais amplo de percepções dentro da direita Associação Enrico Corradini
Nacionalista Italiano (ANI), que alegou que o atraso econômico da Itália foi causado pela
corrupção da sua classe política, o liberalismo e a divisão causada por um "socialismo ignóbil", a ANI manteve laços e
influências entre os conservadores, os católicos e a comunidade empresarial.[174] Sindicalistas nacionais italianos realizaram um
conjunto de princípios comuns: a rejeição de valores burgueses , a democracia, o liberalismo, o marxismo, o internacionalismo e
o pacifismo, bem como a promoção de heroísmo, vitalismo e violência.[175] A ANI alegou que a democracia liberal não era mais
compatível com o mundo moderno e defendeu um Estado forte e o imperialismo, afirmando que os seres humanos são
naturalmente predatórios e que as nações estavam em uma luta constante, no qual apenas os mais fortes poderiam
sobreviver.[176]

O futurismo foi ao mesmo tempo um movimento artístico-cultural e, inicialmente, um movimento político na Itália, liderado por
Filippo Tommaso Marinei, fundador do Manifesto Futurista (1908), defendeu as causas do modernismo, a ação e a violência
política como elementos necessários de política, enquanto denunciava o liberalismo e a política parlamentar. Marinei rejeitou
a democracia convencional com base na regra da maioria e igualitarismo, promovendo uma nova forma de democracia que
descreveu em sua obra "A concepção futurista da democracia".[177]

O futurismo influenciou o fascismo em sua ênfase em reconhecer a natureza viril da ação violenta e a guerra como sendo
necessidades da civilização moderna.[178] Marinei promoveu a necessidade de treinamento físico aos jovens, dizendo que na
educação masculina, a ginástica deve ter precedência sobre os livros, e defendia a segregação dos sexos sobre esta matéria, em

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que a sensibilidade feminina não deve entrar na educação de homens que Marinei alegou devem ser "animados, belicosos,
musculares e violentamente dinâmicos".[179]

Primeira Guerra Mundial e após (1914-1929)


Com a eclosão da Primeira Guerra Mundial em agosto de 1914, a esquerda política
italiana ficou gravemente dividida sobre sua posição a respeito da guerra. O
Partido Socialista Italiano (PSI) se opôs à guerra por razões de internacionalismo,
mas um número de sindicalistas revolucionários italianos apoiaram a intervenção
contra a Alemanha e a Áustria-Hungria, alegando que os seus regimes reacionário
precisavam ser derrotados para garantir o sucesso do socialismo.[180] Corradini
apresentou a mesma necessidade para a Itália como uma "nação proletária" de
derrotar a Alemanha reacionária de uma perspectiva nacionalista.[181] As origens
do fascismo italiano resultou dessa divisão, primeiro com Angelo Oliviero Olivei
formando um pró-intervencionismo fasci chamado Fasci d'Azione Internazionalista
em outubro de 1914.[180] Benito Mussolini após ser expulso de sua posição como
editor-chefe do jornal Avanti! do PSI por sua postura pró-Entente, aderiu à causa
intervencionista em um fasci separado.[182] O termo "fascismo" foi usado pela
primeira vez em 1915 por membros do movimento de Mussolini, o Fasci d'Azione
Rivoluzionaria.[183]

Os fascistas viram a Primeira Guerra Mundial como uma forma para trazer
Benito Mussolini em 1917, como mudanças revolucionárias na natureza da guerra, da sociedade, do Estado e da
soldado na Primeira Guerra
tecnologia, como o advento da guerra total e da mobilização em massa havia
Mundial.
quebrado a distinção entre civis e combatentes, assim como civis tiveram um
papel crítico na produção econômica para o esforço de guerra e, assim, surgiu
uma "cidadania militar", no qual todos os cidadãos estavam envolvidos com os militares, de alguma maneira durante a
guerra.[19][20] A Primeira Guerra Mundial resultou na ascensão de um Estado forte, capaz de mobilizar milhões de pessoas para
servir na linha de frente, ou proporcionar a produção econômica e de logística para apoiar aqueles na linha de frente, bem como
tendo autoridade precedente para intervir na vida dos cidadãos .[19][20] Os fascistas viram o desenvolvimentos tecnológico do
armamento e a mobilização total do estado de sua população na guerra como simbolizando o início de uma nova era de fusão do
poder do Estado com a massa política, a tecnologia e particularmente o mito da mobilização que sustentavam havia triunfado
sobre o mito do progresso e da era do liberalismo.[19]

Um grande evento que muito influenciou o desenvolvimento do fascismo foi a Revolução de Outubro de 1917, em que
bolcheviques comunistas liderados por Vladimir Lenin tomaram o poder na Rússia. Em 1917, Mussolini como líder da Fasci
d'Azione Rivoluzionaria elogiou a Revolução de Outubro, no entanto Mussolini tornou-se menos impressionado com Lenin, ao
considerá-lo como apenas uma nova versão do czar Nicolau II.[184] Depois da Primeira Guerra, os fascistas comumente fizeram
campanhas com agendas anti-marxistas,[185] no entanto, tanto o bolchevismo e o fascismo mantiveram semelhanças
ideológicas: ambos defendiam uma ideologia revolucionária, ambos acreditavam na necessidade de uma elite de vanguarda,
ambos têm desprezo pelos valores burgueses e ambos tinham ambições totalitárias.[185] Na prática, o fascismo e o bolchevismo
comumente enfatizaram a ação revolucionária, as teorias de nação proletária, os estados de partido único e partidos-
exércitos.[185] Com o antagonismo entre os marxistas anti-intervencionistas e fascistas pró-intervencionistas completos até o
final da guerra, os dois lados se tornaram irreconciliáveis. Os fascistas se apresentavam como anti-marxistas e ao contrário dos
marxistas.[186]

O evento seguinte a influenciar os fascistas na Itália foi o ataque a Fiume (atual Rijeka) pelo nacionalista italiano Gabriele
d’Annunzio e da fundação da Carta de Carnaro em 1920.[187]

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Com a década de 1920, a atividade grevista de militantes por


parte dos trabalhadores industriais atingiu o seu auge na
Itália, onde 1919 e 1920 ficaram conhecidos como os "Anos
Vermelhos". Mussolini e os fascistas se aproveitaram da
situação, aliando-se com empresas industriais e atacando os
trabalhadores e camponeses em nome da preservação da
ordem e da paz interna na Itália.[188]

Os fascistas identificaram seus principais adversários como


uma maioria de socialistas de esquerda que se opunham a
intervenção na Primeira Guerra Mundial. Os fascistas e a
direita política italiana tinham em comum: o desprezo pelo Moradores de Fiume animam a chegada de Gabriele
d’Annunzio e seus nacionalistas camisas negras.
marxismo, a consciência de descontentamento das classes e
D'Annunzio e o fascista Alceste De Ambris
ambos acreditavam em um governo de elites; fascistas
desenvolveram a quasi-fascista Regência Italiana de
ajudaram a campanha anti-socialista se aliando a outros Carnaro, uma cidade-Estado em Fiume.
partidos e à conservadora direita em um esforço mútuo para
destruir o Partido Socialista Italiano e organizações sindicais comprometidas com a identidade de classe acima da identidade
nacional.[189]

Antes da acomodação do fascismo na direita política, o fascismo foi um pequeno movimento urbano italiano que tinha cerca de
mil membros; depois de sua associação com a direita, o número de membros passou de 250.000 por volta de 1921.[188]

Aumento internacional do fascismo e a Segunda Guerra Mundial (1929-1945)


Os movimentos fascistas cresceram com força no resto da Europa. O fascista
húngaro Gyula Gömbös subiu ao poder como primeiro-ministro da Hungria em
1932 e tentou consolidar seu Partido de Unidade Nacional em todo o país, ele
criou a jornada de trabalho de oito horas/dia, uma semana de quarenta e oito
horas de trabalho para a indústria e procurou consolidar uma economia
corporativista e perseguiu reivindicações irredentistas nos vizinhos da
Hungria.[190] O movimento fascista Guarda de Ferro da Romênia cresceram em
apoio político a partir de 1933, ganhando representatividade no governo romeno e
um membro da Guarda de Ferro romena assassinou o primeiro-ministro Ion
Duca.[190] Em 6 de fevereiro de 1934, a França enfrentou a maior crise política
interna desde o Caso Dreyfus, quando os fascistas do Mouvement Franciste e
vários movimentos de extrema-direita se revoltaram em massa em Paris contra o
governo francês, resultando em grande violência política.[191] Uma variedade de
governos para-fascistas que emprestavam elementos do fascismo foram formados
durante a Grande Depressão, incluindo os da Grécia, Lituânia, Polônia e
Benito Mussolini (esquerda) e Adolf Iugoslávia.[190]
Hitler (direita)
Os movimentos fascistas chegaram ao poder de forma endógena (ou seja, sem
imposição externa) em alguns países mas não em outros. Os diferentes níveis de
desenvolvimento econômico e a consolidação de um regime político dentro de um sistema político são bons indicadores para
isso: as democracias estáveis e economicamente desenvolvidas, com uma identidade nacional consolidada, não tiveram
movimentos fascista em potencial e de sucesso. Em contraste, a Alemanha e a Itália tiveram fraquezas nessas áreas: as
unificações nacionais eram muito recentes (1870), as economias industrializadas estavam atrasadas (em relação à Europa). A
Itália era ainda um país relativamente atrasado. A Alemanha havia introduzido um desenvolvimento econômico e social
marcadamente acelerado (cerca de 1914, às vésperas da Primeira Guerra Mundial) veio em condições particularmente duras

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através do Tratado de Versalhes, resultando em turbulência econômica séria durante todo o período entre guerras e um
profundo ressentimento. No entanto, o triunfo do nazismo teve que esperar o pior da Grande Depressão depois da Terça-feira
Negra de 1929.[192]

Pós-Segunda Guerra Mundial (1945 - presente)


Na sequência da Segunda Guerra Mundial, a vitória dos Aliados sobre as potências do Eixo levaram ao colapso vários regimes
fascistas na Europa. O Julgamento de Nuremberg condenou vários líderes nazistas por crimes contra a humanidade, envolvendo
o Holocausto. No entanto, ainda permaneceram várias ideologias e governos que foram ideologicamente ligados ao fascismo.

O Estado de um partido só do falangista Francisco Franco na Espanha ficou oficialmente neutro durante a Segunda Guerra
Mundial e sobreviveu ao colapso das Potências do Eixo. A ascensão de Franco ao poder tinha sido assistida diretamente pelos
militares da Itália fascista e da Alemanha nazista durante a Guerra Civil Espanhola, e tinha levado voluntários a lutar ao lado da
Alemanha nazista contra a União Soviética durante a Segunda Guerra Mundial. Após a II Guerra Mundial e de um período de
isolamento internacional, o regime de Franco normalizou as relações com as potências ocidentais durante a Guerra Fria, até a
morte de Franco, em 1975, e a transformação da Espanha em uma democracia liberal.[carece de fontes?]

Em várias democracias europeias coincide com a presença de extrema direita ou personalidades com um passado nazista ou
fascista ganharam posições políticas Kurt Waldheim para a presidência da Áustria (1996) ou a entrada no governo de Jörg
Haider, do Freiheitliche Partei Österreichs (Partido Liberal de Austria, FPÖ), em 1999. Na Holanda Lijst Pim Fortuyn (Lista Pim
Fortuyn, LPF) em 2002.[193][194] o Movimento Popular Nacional Hrisi Avgi ("Aurora Dourada" em grego) estando atualmente no
parlamento grego. O "Aurora Dourada" opõe-se à imigração e conquistou 18 dos 300 assentos no parlamento em junho de
2012.[195][196] Nas eleições municipais de novembro de 2010, a Aurora Dourada obteve 5,3% dos votos em Atenas. Em alguns
bairros o partido chegou a obter 20% dos votos.[197]

Outra ideologia fortemente influenciado pelo fascismo é o baathismo.[19] O baathismo é uma ideologia árabe revolucionária que
busca a unificação de todas as terras afirmadas árabes em um único Estado árabe.[19] Zaki al-Arsuzi, um dos principais
fundadores, foi fortemente influenciado e também solidário ao fascismo e ao nazismo.[198] Vários colaboradores mais próximos
do ideólogo chave do baatismo, Michel Aflaq, admitiram que Aflaq tinha sido inspirado diretamente por certos teóricos fascistas
e nazistas.[19]

O Iraque Baathista sob Saddam Hussein objetivou a limpeza étnica ou a liquidação das minorias, guerras expansionistas contra
o Irã e Kuwait, e gradualmente substituiu o pan-arabismo por um nacionalismo iraquiano que enfatizava a conexão do Iraque às
glórias dos antigos impérios da Mesopotâmia, incluindo a Babilônia.[199] Abertamente promoveu o sentimento anti-persa e anti-
semita, como o endosso da obra de Khairallah Talfah O Partido Baath do Iraque Deus não deveria ter criado: os persas, os judeus e
as moscas (1940), durante a Guerra Irã-Iraque, incluindo outros trabalhos alegando uma conspiração judaico-persa contra o
Iraque que remontaria aos tempos antigos, quando Nabucodonosor II perseguiu os judeus na Babilônia, enquanto a Pérsia
permitiu que os judeus da Babilônia tivessem refúgio em suas terras.[200] O historiador do fascismo Stanley Payne disse sobre o
regime de Saddam Hussein: "Provavelmente nunca haverá uma reprodução do Terceiro Reich, mas Saddam Hussein chegou
mais perto do que qualquer outro ditador desde 1945".[199]

Cristianismo e fascismo
Em 11 de fevereiro de 1929, Pietro Gaspari, Cardeal Secretário do Estado do Papa Pio XI e Mussolini, assinaram o Tratado de
Latrão que colocava um fim na estão Romana, a disputa de seis anos entre o papado e o reino da Itália.

O Tratado de Latrão de 1929 foi uma tentativa de acabar com um conflito que existia desde 1870-1871 entre o Estado italiano e a
Igreja Católica Romana. Entre 1870 e 1929, os papas eram "prisioneiros do Vaticano", e eram opositores do "liberal" Estado
italiano. A maioria dos políticos italianos eram abertamente anticlericais e procurou limitar o controle católico na educação e no
casamento.[201]
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Desde que Mussolini sabia ele não deveria atacar a Igreja Católica ou os seus
apoiantes camponeses, ele posou como o "protetor" dos católicos italianos. Ele
abriu negociações com o papado, em 1926, para curar a ferida entre a Igreja e o
"poder usurpador", como oficiais da Igreja que se referiam ao Estado italiano. As
negociações não foram fáceis, mas Mussolini logo mostrou que tinha vantagem
quando proibiu a organização da juventude católica Exploratori caolici.[202] A
hierarquia da Igreja foi dividida entre "católicos sociais" que se oponham ao
fascismo, e os conservadores e pragmáticos que aceitaram o governo de Mussolini
como desejável. A maioria dos católicos italianos não eram antifascistas, pois o
nacionalismo os empurrou contra o fascismo e muitos viram a questão como dos
males o menor, Mussolini era preferível à anarquia ou ao marxismo.[203]

Achille Rai, Cardeal Arcebispo de Milão, tornou-se o Papa Pio XI em 1922. Ele
havia testemunhado a luta dos comunistas e dos anarco-sindicalistas na área
industrial milanesa. Ele também testemunhou a ascensão do fascismo, já que
Milão foi um dos principais centros de atividade fascista.[204] Os fascistas
milaneses serviram como fura-greves, espancavam adversários políticos e
envolviam-se em brigas de rua com os comunistas. Mesmo assim, Pio XI, Papa Pio XI na inauguração da
aparentemente, estava convencido de que o fascismo era uma força menos rádio Vaticano acompanhado do
destrutiva do que o comunismo e que Mussolini seria um líder responsável.[205] cardeal Pacelli, futuro papa Pio XII,
Depois de se tornar Papa, ele ativamente promoveu uma frente política unida em 1931.
contra a Esquerda, repreendendo o Partito Popolari que queria se aliar-se com
socialistas e outros contra a rápida ascensão do partido fascista. Um pequeno número de líderes católicos - por exemplo, aqueles
em torno da revisão jesuíta La Civilità Caolica - clamou que o fascismo tinha efetivamente sintetizado os valores do Popolari,
tornado-o redundante.[205]

Recentemente a relação da igreja católica com o fascismo italiano voltou a ser discutido após uma reportagem investigativa do
jornal britânico e Guardian. A reportagem revela que por trás de uma estrutura de paraíso fiscal disfarçada de empresa, o
portfólio internacional da Igreja foi construído ao longo dos anos, usando o dinheiro originalmente entregue por Mussolini em
troca do reconhecimento papal do regime fascista italiano em 1929, o jornal cita como fonte das pesquisas, arquivos públicos
antigos e históricos de empresas, que indicariam que o início dos investimentos da Igreja aconteceu depois de milhões recebidos
do regime fascista em troca da independência do Estado do Vaticano - e do reconhecimento do governo do ditador. Após anos, o
capital se multiplicou e teria chegado a €680 milhões, cerca de US$ 904 milhões.[206][207] o Vaticano declarou que a reportagem
como "um conjunto de notícias imprecisas ou infundadas, reunidas de forma tendenciosa e pouco rigorosa"[208][209]

Conceito atual

Neofascismo
O fascismo em sua forma mais tradicional reapareceu nas décadas de 80 e 90 do século XX sob os nomes de fascismo e
movimento neonazista, que em suas forma mais marginais reproduz uma estética "retrô" e atitudes similares a violência juvenil.
Como movimento político de presença institucional, surgiu na Itália após a Segunda Guerra Mundial, sob a forma do partido
político Movimento Sociale Italiano (Movimento Social Italiano), que eventualmente buscaria uma forma mais acessível para o
regime político democrático, sob o nome de Alleanza Nazionale e foi redefinido como pós-fascista, atingindo o governo italiano
(Gianfranco Fini, sob a presidência de Silvio Berlusconi, 1994).[210][211]

Desde o final do século XX, aumentaram as chances eleitorais dos partidos que baseiam sua propostas políticas em distintas
ofertas de dureza contra a imigração e a favor de uma manutenção da personalidade nacional.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Fascismo 15/27
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Além da Itália, em várias democracias europeias coincide com a presença de extrema direita ou personalidades com um passado
nazista ou fascista têm chegado a causar inclusive problemas internacionais: como o caso do escândalo da chegada de Kurt
Waldheim para a presidência da Áustria (1996) ou a entrada no governo de Jörg Haider, do Freiheitliche Partei Österreichs
(Partido Liberal de Austria, FPÖ), em 1999, neste mesmo país. Na Holanda, um caso semelhante ocorreu com Lijst Pim Fortuyn
(Lista Pim Fortuyn, LPF) em 2002. Na França, a inesperada posibilidade de que Jean-Marie Le Pen (Front National, Frente
Nacional) pudesse chegar a presidência da República, reuniu votos de todo o espectro político de esquerda e de direita contra ele
nas Eleições presidenciais da França de 2002.[212]

Fascismo de esquerda
O conceito, tal como utilizado originalmente por Jürgen Habermas, designava os movimentos terroristas de extrema esquerda
dos anos sessenta.[213] Na década de 80, seu uso foi estendido para descrever pejorativamente a qualquer ideologia esquerdista
(especialmente nos EUA).[214]

Fundamentalismos religiosos
O aparecimento do fundamentalismo islâmico no cenário internacional depois da Revolução Iraniana (1979), sua extensão a
outras repúblicas islâmicas e o terrorismo internacional, revelaram a possibilidade de um totalitarismo religioso que emprega
técnicas violentas comparável ao fascismo, sendo assim, tais movimentos têm sido qualificados pejorativamente pelo termo
"Islamofascismo", embora tais movimentos ideológicos são muito distantes uns dos outros. Também é comum notar as
semelhanças ao fascismo de movimentos chamado de fundamentalismo cristão, que em alguns casos têm vindo a chamar
"cristofascismo".[215][216]

Fascista como insulto


Após a derrota das Potências do Eixo na Segunda Guerra Mundial, o termo "fascista" tem
sido usado como pejorativo,[217] muitas vezes referindo-se a grande variação de
movimentos em todo o espectro político.[218] George Orwell escreveu em 1944 que "a
palavra 'fascismo' é quase inteiramente sem sentido… quase qualquer inglês aceitaria
'valentão' como sinônimo de 'fascista'".[218] Richard Griffiths argumentou em 2005 que o
"fascismo" é a "a palavra mais usada e mais mal usada dos nossos tempos".[32] "Fascista" é
às vezes aplicado a organizações do pós-guerra e formas de pensar que os acadêmicos
mais comumente definem como "neofascista".[219]

Ao contrário do uso comum do termo pelo mainstream acadêmico e popular, os estados


Símbolo do Antifascismo.
comunistas têm sido por vezes referido como "fascistas", tipicamente como um insulto. A
interpretação marxista do termo, por exemplo, foram aplicadas em relação a Cuba sob
Fidel Castro e ao Vietnã sob Ho Chi Minh.[220] Herbert Mahews, do New York Times perguntou: "Será que devemos agora
colocar a Rússia stalinista na mesma categoria da Alemanha hitlerista? Devemos dizer que ela é fascista?"[221] J. Edgar Hoover
escreveu extensivamente "fascismo vermelho".[222] Os marxistas chineses usaram o termo para denunciar a União Soviética
durante a ruptura sino-soviética e, também, os soviéticos usaram o termo para identificar os marxistas chineses.[223]

Ver também
Lista de movimentos fascistas
Antifascismo
Democracia orgânica
Integralismo
Islamofascismo
Marcha sobre Roma
Carta do Trabalho
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support among this group for its policies. Privatization was also likely used to foster more widespread political
support for the party. Finally, financial motivations played a central role in Nazi privatization. The proceeds from
privatization in 1934-37 had relevant fiscal significance: No less than 1.37 per cent of total fiscal revenues were
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Ligações externas
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Biblioteca Digital da UNICAMP - Fascismo (http://www.bibliotecadigital.unicamp.br/cgi-bin/search.cgi?q=fascismo
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Repositório Temático da Universidade do Porto - Fascismo (http://repositorio-tematico.up.pt/simple-search?query=
fascismo&submit=Enviar)
Cultural and Technological Incubations of Fascism (http://www.stanford.edu/group/SHR/5-supp/text/toc.html) (em
inglês)

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