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Artigo - Questões Comentadas de

Controle de Constitucionalidade
Prof. Frederico Dias

Controle de
Constitucionalidade
ProfessorFrederico Dias

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Artigo - Questões Comentadas de
Controle de Constitucionalidade
Prof. Frederico Dias

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Olá, caros amigos!


Sejam bem-vindos, mais uma vez, ao Blog do Ponto!
Continuo naquela minha saga de vir aqui no Blog comentar alguma coisa que
considero importante dentro do Direito Constitucional.
Depois de passar pelo tema que considero mais espinhoso em direito
constitucional, qual seja, a chamada ―interpretação constitucional‖ (você
encontra esses textos aqui no site), resolvi voltar num assunto que assusta
muitos candidatos: o controle de constitucionalidade.
Minha ideia é simples: resolver questões interessantes de controle de
constitucionalidade. Questões que me permitam treinar o tema com você. Na
verdade, minha ideia inicial é dividir essas questões ao longo de mais de um
artigo...
Mas já adianto que não tenho aqui a pretensão de resolver as questões mais
recentes (isso é até uma preocupação que temos nos nossos cursos no Ponto,
mas não neste artigo especificamente). Estou me pautando pela utilidade da
questão em me permitir comentar determinado tema com vocês.
Já aviso, em complemento, que nesses artigos, conversaremos em alto nível
sobre controle de constitucionalidade... Portanto, se prepare!
E, se você ainda tiver dificuldades com esse assunto, hoje é o dia de você
superá-las e chegar muito bem preparado para sua prova. Comprometo-me a
fazer o possível para deixar o tema bastante ―mastigado‖ para você; e, de tanto
resolver exercícios sobre o tema, você acabará aprendendo, não tem jeito...
Estamos combinados?
Bem, então, vamos começar essa nossa conversa partindo da premissa de que
a nossa Constituição dispõe de supremacia formal sobre todas as demais
normas existentes (princípio da supremacia da Constituição).
O que eu quero dizer é que essa supremacia posiciona a nossa Constituição
Federal no vértice, no topo do ordenamento jurídico. Por conseqüência, todos
os atos e manifestações jurídicas, para permanecerem no ordenamento jurídico,
devem estar de acordo com a Lei Maior.
Pense assim: se a Constituição está no topo, ela é quem manda! E qualquer
conflito entre leis e a Constituição será resolvido em favor desta última. Por
quê? Porque todas as leis devem respeitar a Constituição; do contrário, serão
inválidas.

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Daí a necessidade da existência de um sistema que verifique a compatibilidade


desses atos e manifestações com as regras e princípios da Constituição Federal.
E qual é esse sistema? O controle de constitucionalidade.
Enfim, podemos dizer que o controle de constitucionalidade resulta do confronto
entre leis, atos e comportamentos, de um lado, e a Constituição, do outro, a
fim de verificar a compatibilidade dos primeiros com esta última.
É isso! Estudaremos os mecanismos, os efeitos e os contornos da fiscalização
de constitucionalidade das normas.
Pois bem, ao final desses artigos, você deve ser capaz de responder: quais são
os sistemas, modelos e momento do controle? Quem pode provocar o controle
de constitucionalidade? Quem tem competência para julgar a
constitucionalidade de leis e atos normativos? Quais os efeitos da declaração de
inconstitucionalidade? E por aí vai...
Para iniciar, e antes mesmo da resolver a primeira questão, vejamos alguns
pontos importantes sobre o controle de constitucionalidade, alguns lembretes
dos quais você não pode se esquecer:
I) temos controle abstrato em duas dimensões distintas: uma perante o STF, a
fim de proteger a Constituição Federal; outra perante o TJ, para proteger a
Constituição estadual;
II) ADC: somente leis e atos normativos federais; ADI: leis e atos normativos
federais e estaduais, ou do DF, desde que relativa ao desempenho de atribuição
própria dos Estados; e ADPF: leis e atos normativos federais, estaduais,
distritais e municipais;
III) o direito pré-constitucional (anterior a 5/10/1988) não pode ser objeto de
ADI ou ADC perante o STF, mas pode ser objeto de ADPF perante o mesmo
Tribunal;
IV) são legitimados especiais para impetrar ADI: governador; Assembléias
Legislativas ou Câmara Legislativa do DF; e confederação sindical ou entidade
de classe de âmbito nacional. Eles devem demonstrar pertinência temática
para entrar com a ação;
V) quanto à legitimidade dos partidos políticos no controle abstrato, é
importante saber que a perda superveniente de representação no Congresso
Nacional não prejudica o julgamento de ação do controle abstrato já proposta
pelo partido político perante o STF;
VI) a ADI (incluindo a medida cautelar) dispõe de efeitos repristinatórios: a
decisão torna aplicável a legislação anterior acaso existente, salvo manifestação
expressa do STF em sentido contrário;

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VII) não há prazo prescricional ou decadencial para a propositura das ações do


controle abstrato; e essas ações não admitem desistência;
VIII) no julgamento de uma ação do controle abstrato, o STF vincula-se ao
pedido, mas não se vincula à causa de pedir (isto é, a causa de pedir é aberta);
ademais, não se admitem as hipóteses de intervenção de terceiros, mas
admite-se amicuscuriae;
IX) no âmbito do controle incidental (via difusa), qualquer juiz ou tribunal do
Poder Judiciário (inclusive os juízes e tribunais estaduais) podem declarar a
inconstitucionalidade de leis federais, estaduais ou municipais; mas os tribunais
devem respeitar a reserva de plenário (CF, art. 97 e súmula vinculante 10).
Vamos às questões.
Ah! Só mais uma coisa. Iniciarei, neste primeiro artigo, com questões do Cespe.
Mais pra frente darei sequência comentando, também, questões da Esaf. Mas
faça todas as questões, independentemente da banca do seu concurso!
1. (CESPE/MS/2008) A manutenção da supremacia da CF é o objetivo das
ações de fiscalização abstrata de constitucionalidade das leis e deve
nortear a interpretação destas.
O objetivo do controle de constitucionalidade é exatamente verificar a
observância da Constituição por parte das demais normas. Assim, as ações de
fiscalização da constitucionalidade verificam a compatibilidade das demais
normas frente à Constituição.
Tudo isso decorre da situação de superioridade da Constituição sobre todo o
ordenamento jurídico, funcionando como fundamento de validade das normas
inferiores.
É dizer: todo o ordenamento jurídico deverá estar de acordo com a norma
superior (Constituição), sob pena de nulidade.
Portanto, está correta a questão. Mas você se lembra o que é a chamada
―fiscalização abstrata‖?
Lembre-se de que uma lei pode ser impugnada perante o Poder Judiciário em
concreto (diante de ofensa a direito, em determinado caso concreto submetido
à apreciação do Poder Judiciário), ou em abstrato (quando a lei é impugnada
―em tese‖, sem vinculação a um caso concreto).
E qual a diferença?
No controle concreto (via incidental ou de exceção), qualquer pessoa
prejudicada por uma lei pode requerer, em qualquer processo judicial concreto
submetido à apreciação do Poder Judiciário, perante qualquer juiz ou tribunal, a

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declaração da inconstitucionalidade dessa lei, com o fim de afastar a sua


aplicação (com efeitos restritos a esse caso concreto - eficácia inter partes).
No controle abstrato (via principal ou de ação direta), só é dado a
determinados legitimados argüir o órgão de cúpula do Judiciário, a respeito da
constitucionalidade ou inconstitucionalidade de uma lei. Nesse caso, a análise
se dá em tese, com o fim de proteger a harmonia do ordenamento jurídico
(independentemente de um problema concreto ou de um interesse próprio do
autor). Esse julgamento ocorre mediante uma ação especial, que trará efeitos
para todos (eficácia geral ou erga omnes).
Repare que o nome via principal (via de ação ou controle abstrato) decorre
exatamente do fato de que nessa ação não há lide: o pedido principal é
precisamente a declaração de inconstitucionalidade ou de constitucionalidade da
lei. Ao contrário, na via incidental o pedido principal é a satisfação de um
direito do impetrante, e a questão de inconstitucionalidade surge apenas
incidentalmente no julgamento do caso.
Controle concreto Controle abstrato
(via incidental ou de exceção) (via principal ou de ação direta)
I) Qualquer prejudicado é legitimado I) Os legitimados ativos se restringem
ativo; aos indicados na CF/88 (art. 103);
II) Qualquer juiz ou tribunal está apto II) Somente os órgãos de cúpula do
a deixar de aplicar a lei naquele caso Judiciário julgam essas ações;
concreto;
III) Não há ação específica, pois III) Há ações específicas: ADI, ADC,
ocorre em qualquer processo ADO e ADPF;
submetido à apreciação do Judiciário;
IV) eficácia inter partes. IV) eficácia geral ou erga omnes.
Item certo.
2. (CESPE/AUDITOR INTERNO/AUGE/MG/2008) No Brasil, o controle exercido
pelo Poder Judiciário sobre a constitucionalidade das leis e dos atos
normativos, ocorre tanto pela via difusa quanto pela via concentrada.
O controle de constitucionalidade pode se dar: (i) de forma difusa ou (ii) de
forma concentrada.
De forma difusa, o controle é atribuição de todos os membros do judiciário.
Esse modelo, também conhecido como ―aberto‖, é baseado no controle de
constitucionalidade dos Estados Unidos da América.

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De forma concentrada, a atribuição de fiscalizar a constitucionalidade é


restrita ao órgão de cúpula do Poder Judiciário. O modelo concentrado, ou
reservado, originou-se na Áustria, sob a influência do jurista Hans Kelsen.
No Brasil, esses modelos são combinados, no sentido de que há controle de
constitucionalidade difuso, mas também controle de constitucionalidade em sua
forma concentrada, ações, desde o princípio, de competência do órgão de
cúpula do Judiciário.
Item certo.
3. (CESPE/AUDITOR INTERNO/AUGE/MG/2008) Compete ao tribunal de
justiça de cada estado-membro exercer o controle concentrado da
constitucionalidade das leis e dos atos normativos estaduais e municipais
perante a CF.
Em âmbito federal (tendo a CF/88 por parâmetro), a jurisdição
constitucional concentrada se dá apenas no Supremo Tribunal Federal. Na
verdade, temos o controle concentrado no Tribunal de Justiça apenas na esfera
estadual (tendo a Constituição Estadual como parâmetro).
Portanto, fique atento! São dois tipos distintos de controle abstrato no Brasil:
um perante o Supremo Tribunal Federal (STF) e outro perante os Tribunais de
Justiça (TJ). O primeiro protegendo a supremacia da CF/88, este último
garantindo a supremacia da Constituição Estadual. E é relevante que você cuide
de separá-los bem ao estudar esse assunto (e na prova também).
Em suma:
I) STF→ controle abstrato em face da Constituição Federal
II) TJ →controle abstrato em face da Constituição Estadual
Mas (pra dar um nó geral na sua cabeça estressada de concurseiro...) podemos
concluir que o TJ não realiza controle de constitucionalidade tendo a
Constituição Federal como parâmetro?
Não, não podemos. Por quê? Porque, incidentalmente, no controle difuso,
poderá o TJ desempenhar o controle concreto das leis em face diretamente da
Constituição Federal.
Item errado.
4. (CESPE/ANALISTA DE GESTÃO CORPORATIVA:
ADVOGADO/HEMOBRÁS/2008) O controle de constitucionalidade
preventivo pode ser exercido pelas Comissões de Constituição e Justiça da
Câmara dos Deputados e do Senado Federal, e pelo veto do presidente da
República.

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E aí, exercício do controle de constitucionalidade é função exclusiva do Poder


Judiciário? Bem, essa é uma boa assertiva para revisarmos outros aspectos
introdutórios sobre o controle de constitucionalidade no Brasil.
Vimos como se origina o controle de constitucionalidade: na fiscalização da
conformidade das leis e atos normativos com a Constituição.
Logo de início, você tem de ter em mente que esse controle de
constitucionalidade nem sempre é atribuído ao Poder Judiciário (chamado
sistema jurisdicional). Na verdade, há ainda os chamados sistemas de controle
político e misto. Trata-se de diferentes sistemas de controle.
O mais óbvio é o controle jurisdicional, em que a Constituição outorga
competência ao Judiciário para realizar o controle de constitucionalidade das
leis. Segundo a doutrina, atualmente, a maioria das Constituições adota esse
modelo, incluindo a brasileira.
Já o sistema de controle político ocorre quando essa competência é atribuída a
órgão externo ao Judiciário, de natureza política (por exemplo, quando, na
Europa no século passado, o controle era função do próprio Poder Legislativo).
Ocorre o controle misto quando a Constituição submete determinadas
categorias de leis ao controle político e outras ao controle jurisdicional.
Bem, apesar de, em regra, no Brasil, o controle de constitucionalidade ser
função do Judiciário (sistema jurisdicional), você deve ter em mente que
convivemos com exemplos de controle não-jurisdicional, em que, de forma
excepcional, os poderes Executivo e Legislativo exercem controle de
constitucionalidade.
No que se refere ao Poder Legislativo, o controle de constitucionalidade é
exercido:
a) na apreciação preventiva da Comissão de Constituição e Justiça – CCJ das
proposições legislativas;
b) na sustação dos atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder
regulamentar ou dos limites da delegação legislativa (CF, art. 49, V); e
c) na apreciação das medidas provisórias.
O Poder Executivo também realiza controle de constitucionalidade ao:
a) vetar projetos de lei inconstitucionais (veto jurídico, nos termos do art. 66,
§1°);
b) determinar aos órgãos a ele subordinados que deixem de aplicar
determinada lei por considerá-la inconstitucional; e

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c) determinar a intervenção a fim de restabelecer a obediência à Constituição


Federal.
Outro aspecto importante que você já deve ter observado: o sistema de
controle de constitucionalidade brasileiro inclui manifestações não só
repressivas, mas também preventivas (como o veto jurídico do Presidente da
República e a atuação da Comissão de Constituição e Justiça das Casas
Legislativas).
Item certo.
5. (CESPE/PROCURADOR/AGU/2010) De acordo com entendimento do STF, o
controle jurisdicional prévio ou preventivo de constitucionalidade sobre
projeto de lei ainda em trâmite somente pode ocorrer de modo incidental,
na via de exceção ou defesa.
Enquanto o controle repressivo tem por finalidade afastar a aplicação de uma lei
ou retirá-la do ordenamento jurídico, o controle preventivo visa a impedir a
entrada em vigor de uma norma inconstitucional.
Bem, sabemos que as leis devem estar de acordo com Constituição para terem
validade. E devem estar de acordo não só quanto aos aspectos materiais
(substanciais), mas também no que se refere a aspectos formais ou
procedimentais (iniciativa, competência, quorum qualificado etc.).
Se um projeto de lei inconstitucional estiver tramitando no Congresso, pode um
parlamentar impetrar mandado de segurança para assegurar seu direito líquido
e certo de não participar da elaboração de uma norma inconstitucional. Nesse
caso, poderá o STF sustar a tramitação daquele projeto de lei (repare que se
trata de um controle preventivo exercido pelo Poder Judiciário).
Vamos aproveitar e apresentar de forma sucinta, esquematizada, as
classificações do controle de constitucionalidade.

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Sintetizando:

Item certo.
6. (CESPE/AGENTE ADMINISTRATIVO/DPU/2010) O sistema jurisdicional
instituído com a CF, influenciado pelo constitucionalismo norte-americano,
acolheu exclusivamente o critério de controle de constitucionalidade difuso,
ou seja, por via de exceção.
Realmente nosso controle de constitucionalidade é influenciado pelo sistema
norte-americano. Afinal, inicialmente, nosso sistema de controle ocorria
exclusivamente na via de exceção. Todavia, atualmente, dispomos também do
controle abstrato, em que a constitucionalidade da lei é analisado em tese, sem
relação com um caso concreto.
Item errado.
7. (CESPE/AGENTE DE POLÍCIA CIVIL SUBSTITUTO/PCRN/2008) As decisões
definitivas de mérito proferidas pelo STF, nas ações declaratórias de
constitucionalidade, produzirão eficácia contra todos e efeito vinculante
relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário, Poder Legislativo e à
administração pública direta e indireta, em todas as esferas.
De acordo com o art. 102, § 2º da CF/88, as decisões de mérito do STF na Ação
Declaratória de Constitucionalidade – ADC produzirão:
I) eficácia contra todos ou erga omnes (na medida em que alcança a todos,
não apenas as partes de um determinado processo); e
II)efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à
Administração Pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual, distrital

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e municipal (pois nenhum outro órgão do Poder Judiciário ou da Administração


Pública poderá desrespeitar a decisão).
O mesmo ocorre com as decisões em ADI e ADPF proferidas pelo STF.
Em suma: se o STF declarou a inconstitucionalidade, não poderão os demais
órgãos do Poder Judiciário ou a Administração Pública dar aplicação à lei.
Se a manifestação foi pela constitucionalidade, eles não poderão negar
aplicação à lei.
Observe que o efeito vinculante dessas decisões do STF não alcança o próprio
STF. Também não se aplica ao Poder Legislativo, no tocante à função
legislativa.
Ou seja, em tese, o próprio STF poderá posteriormente rever o seu
entendimento sobre a respectiva matéria. Ademais, a declaração da
inconstitucionalidade de uma lei pelo STF nas ações do controle abstrato não
impede que o Poder Legislativo edite posteriormente nova norma de igual
conteúdo.
Item errado.
8. (CESPE/ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO/DIREITO/TCE/AC/2009)
Podem propor ação direta de inconstitucionalidade e ação declaratória de
constitucionalidade, entre outros legitimados, o presidente da República, o
procurador-geral da República e o advogado-geral da União.
A lista dos legitimados à interposição de ADI está expressa no art. 103 da
CF/88:
“Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade e a ação declaratória de
constitucionalidade:
I - o Presidente da República;
II - a Mesa do Senado Federal;
III - a Mesa da Câmara dos Deputados;
IV - a Mesa de Assembléia Legislativa ou da Câmara Legislativa do Distrito
Federal;
V - o Governador de Estado ou do Distrito Federal;
VI - o Procurador-Geral da República;
VII - o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil;
VIII - partido político com representação no Congresso Nacional;
IX - confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional.”

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De se observar que o Advogado-Geral da União não dispõe de competência para


a proposição de ADI. Daí o erro da questão.
Bem, você precisa lembrar que isso não significa que qualquer legitimado possa
propor ADI sobre qualquer norma. Com efeito, há os legitimados universais e os
legitimados especiais.
Os legitimados universais não sofrem restrição quanto à interposição de ADI
no Supremo. É dizer: podem propor a ação independentemente do assunto
sobre o qual trate a norma, desde que ela esteja entre os objetos da ADI.
Diversamente, os legitimados especiais devem cumprir o requisito da
pertinência temática, ou demonstração do interesse de agir. Ou seja, para
ser cabível a ação, a norma impugnada deve ter alguma relação de pertinência
com a função desempenhada pelo órgão ou entidade.
E quais são esses legitimados especiais? Os governadores, as confederações
sindicais ou entidades de classe de âmbito nacional e as Mesas de Assembléia
Legislativa (ou da Câmara Legislativa do Distrito Federal).
Por fim, vale ressaltar que a ampliação da legitimação ativa em ADI foi uma
inovação da CF/88. Na Constituição anterior, a interposição dessa ação era de
competência única e exclusiva do Procurador Geral da República.
Item errado.
9. (CESPE/AGENTE ADMINISTRATIVO/DPU/2010) O controle difuso (ou
jurisdição constitucional difusa) e o controle concentrado (ou jurisdição
constitucional concentrada) são dois critérios de controle de
constitucionalidade. O primeiro é verificado quando se reconhece o seu
exercício a todos os componentes do Poder Judiciário, e o segundo ocorre
se só for deferido ao tribunal de cúpula ou a uma corte especial.
De fato, temos o controle concentrado quando o controle de constitucionalidade
é de competência exclusiva do órgão de cúpula do Poder Judiciário. Já o
controle difuso ocorre quando todos os integrantes do Poder Judiciário podem
apreciar a constitucionalidade das leis.
Item certo.
10. (CESPE/PROCURADOR/TCE-ES/2009) O ajuizamento da ADI sujeita-se à
observância do prazo decadencial de dez anos.
Não há prazo decadencial para a impetração de ADI, tendo em vista que a
nulidade não se convalida. Assim, enquanto estiver em vigor, poderá a lei
ser impugnada em sede de ADI.

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Lembrando que não se admite a impugnação em ADI de leis anteriores à


Constituição de 1988.
Item errado.
11. (CESPE/AGENTE ADMINISTRATIVO/DPU/2010) Qualquer ato normativo que
desrespeite preceito ou princípio da CF deve ser declarado inconstitucional,
por possuir vício formal insanável.
Quem é afoito erra uma questão como esta. Bem, para respondê-la, preciso,
primeiramente, explicar as espécies de inconstitucionalidade.
A inconstitucionalidade pode originar-se do conteúdo da lei ou do seu
processo de formação.
É que uma lei pode ter o seu processo de formação totalmente correto e ser
considerada inconstitucional por apresentar conteúdo incompatível com a
Constituição. Outra lei pode ter um conteúdo adequado, mas apresentar um
vício no seu processo de formação; ou seja, será inconstitucional por
desrespeitar as regras do processo legislativo de formação das leis. São duas
hipóteses distintas que resultam em espécies distintas de inconstitucionalidade.
A inconstitucionalidade material ocorre quando o conteúdo da lei desrespeita a
Constituição (por exemplo, uma lei que permitisse a contratação de servidores
sem concurso para cargos efetivos estaria contrariando o art. 37, II).
A inconstitucionalidade formal ocorre quando o processo de elaboração da
norma contraria as regras estabelecidas pela Constituição. A título meramente
exemplificativo podemos mencionar as seguintes hipóteses de
inconstitucionalidade formal:
a) uma lei municipal trata de matéria de competência privativa da União (ou
seja, assunto que pode ser regulado apenas por lei federal) – trata-se da
inconstitucionalidade formal orgânica;
b) uma lei ordinária trata de assunto reservado à lei complementar – trata-se
de vício formal objetivo;
c) uma lei resultante de iniciativa parlamentar trata de assunto cuja iniciativa
privativa compete ao presidente da República – trata-se de vício formal
subjetivo, ligado à pessoa.
Nessas três hipóteses acima (―a‖, ―b‖ e ―c‖) a lei é inconstitucional.
Agora, sim, vejamos a questão. Ela está incorreta; afinal, a lei pode
desrespeitar a Constituição e não ter um vício formal. É o caso de uma norma
que respeita todas as regras relativas ao processo de formação das leis, mas
permite a tortura, por exemplo. O problema é de conteúdo. Trata-se, portanto,

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de um caso de inconstitucionalidade material (por ofensa ao art. 5°, III da


CF/88).
Item errado.
12. (CESPE/PROCURADOR/TCE-ES/2009) Compete originariamente ao STF
julgar a ADI ajuizada em face de lei ou ato normativo do DF, praticado no
exercício de sua competência estadual ou municipal.
Assunto bastante cobrado em concursos. Veja como é fácil... Em ADI, o STF
aprecia leis e atos normativos federais e estaduais. Já a ADC não admite lei
ou ato normativo estadual como seu objeto, mas somente leis ou atos
normativos federais (CF, art. 102, I, a).
Assim, de acordo com o art. 102, I, ―a‖:
I – é cabível ADI para leis e atos normativos federais ou estaduais; e
II – é cabível ADC apenas para leis ou atos normativos federais.
Bem, você já aprendeu que o DF acumula as competências estaduais e
municipais. Pois bem, sendo assim, será cabível ADI de leis ou atos normativos
distritais apenas no exercício da sua competência estadual. Vamos a um
exemplo.
Imagine que a Câmara Legislativa do DF aprove duas leis. A Lei ―A‖ modifica as
regras relativas ao IPTU (imposto de competência municipal). A Lei ―B‖ trata de
ICMS (imposto de competência estadual). A pergunta é: qual delas poderia ser
questionada perante o STF, em sede de ADI?
Apenas a Lei ―B‖, pois ICMS é tributo de competência estadual. A Lei ―A‖ trata
de assunto de competência municipal (IPTU) e, por isso, não pode ser objeto de
ADI no Supremo.
Por fim, mais uma questão, considerando a mesma situação hipotética: qual
das leis poderia ser impugnada no Supremo em sede de ADC? Você acertou se
respondeu: ―nenhuma das duas‖, tendo em vista que o STF só julga ação
declaratória de constitucionalidade de leis ou atos normativos federais.
Agora, para tirar nota dez com louvor: podemos dizer que não seria possível
então o controle abstrato da Lei ―A‖, por tratar de assunto de competência
municipal?
Não, não podemos. Em primeiro lugar, em sede de ADPF, poderão ser
impugnadas as leis municipais ou distritais no exercício da competência
municipal. Ademais, frente à LODF, poderá essa lei ser questionada no controle
abstrato perante o Tribunal de Justiça.
Item errado.

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13. (CESPE/AGENTE ADMINISTRATIVO/MS/2008) O autor de ação direta de


constitucionalidade deve demonstrar a existência de controvérsia, quanto à
constitucionalidade da norma, entre os órgãos competentes para a sua
aplicação ou entre os julgadores de sua validade no ordenamento jurídico.
Para que uma ADC seja conhecida pelo STF é imprescindível que o seu autor
demonstre na inicial a existência de relevante controvérsia judicial sobre a
validade da lei.
Ora, se a lei foi publicada e não há nenhuma controvérsia sobre a sua validade,
prevalece o princípio da presunção de constitucionalidade das leis (ou
seja, a princípio, até que se constate o contrário, a lei deve ser considerada
constitucional).
Para quê então provocar o STF (a mais alta Corte do país) a fim de fazê-lo
declarar o óbvio, isto é, que a lei é constitucional?
Daí é que vem a necessidade de demonstração dessa ―relevante controvérsia
judicial‖ sobre a validade da lei. Ou seja, demonstrar que há decisões
divergentes entre juízes e tribunais pelo país.
Atenção! A controvérsia para legitimar a propositura da ADC deve ser judicial
(perante os órgãos do Poder Judiciário, em casos concretos, na via difusa). A
comprovação da existência de mera controvérsia doutrinária sobre a validade
da lei não é suficiente.
Item certo.
14. (CESPE/ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO/DIREITO/TCE/AC/2009) O STF,
por decisão de dois terços de seus membros, poderá deferir pedido de
medida cautelar na ação declaratória de constitucionalidade, consistente na
determinação de que os juízes e os tribunais suspendam o julgamento dos
processos que envolvam a aplicação da lei ou do ato normativo objeto da
ação até seu julgamento definitivo.
A medida cautelar (concedida mediante liminar) é aquela concedida antes da
apreciação do mérito do pedido principal e consiste no provimento judicial
imediato, visando garantir a utilidade da futura decisão definitiva. Assim,
aplica-se a situações em que o transcorrer do tempo entre o pedido e a decisão
definitiva poderá acarretar a ineficácia da prestação jurisdicional.
Pois bem, a medida cautelar ou liminar será concedida mediante voto da
maioria absoluta dos ministros do Supremo, havendo necessidade da
presença de pelo menos oito ministros na seção.
Pois é, a questão foi considerada errada pelo Cespe, já que menciona quorum
de dois terços quando a lei exige maioria absoluta. O estranho é que se é

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possível conceder-se cautelar com voto da maioria absoluta, é também possível


que essa medida seja concedida com quorum de dois terços, que é superior,
você não acha?
Como você sabe, os pedidos em ADI e ADC são distintos. Enquanto na primeira
objetiva-se a declaração de inconstitucionalidade da lei, na segunda visa-se
à confirmação de sua constitucionalidade.
O mesmo raciocínio deve ser utilizado para se distinguir os efeitos da cautelar
em ADI e ADC. Em sede de ADI, a concessão de cautelar acarreta: (i) a
suspensão da eficácia da norma; (ii) a suspensão do julgamento de processos
envolvendo sua aplicação; e (iii) a repristinação (ou o retorno da eficácia) da
legislação anterior, que tinha sido revogada.
Por outro lado, se na ADC o pedido é pelo reconhecimento da validade da
norma, não faz sentido que a cautelar resulte na suspensão de sua eficácia.
Assim, o efeito da cautelar em ADC será o de suspensão dos processos que
envolvam a aplicação da lei ou ato normativo objeto da ação.
Outros aspectos da cautelar:
I) a regra de concessão da cautelar por maioria absoluta não se aplica nos
casos de urgência e no período de recesso do STF, em que será concedida
monocraticamente (decisão sujeita à confirmação do Plenário);
II) ao contrário da decisão de mérito, a medida cautelar terá, em regra, efeitos
ex nunc ou prospectivos (dali pra frente). Mas caberá a modulação dos efeitos
temporais (outorgando-se a ela eficácia retroativa), como na decisão de mérito;
III) a medida cautelar também é dotada de alcance geral (erga omnes) e efeito
vinculante.
Item errado.
15. (CESPE/PROCURADOR/BACEN/2009) É possível a declaração de
inconstitucionalidade de norma editada antes da atual Constituição e que
tenha desrespeitado, sob o ponto de vista formal, a Constituição em vigor
na época de sua edição, ainda que referida lei seja materialmente
compatível com a vigente CF.
Algumas questões desse assunto devem ser resolvidas observando a divisão
temporal dos eventos. Vejamos essa assertiva fantástica do Cespe com um
exemplo. Afinal, primeiro você precisa entender o que está sendo perguntado.
A situação que ela apresenta é como se estivéssemos, hoje, analisando a
compatibilidade formal de uma lei editada em 1970 com a Constituição de sua
época (Constituição de 1969).

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O controle de constitucionalidade é muito rico! Há vários aspectos a serem


considerados apenas com esse pequeno exemplo. Vou mencioná-los como
forma de revisão... Vamos lá?
I) Como vimos, a inconstitucionalidade pode ser material ou formal. No caso da
questão o vício na norma decorre do desrespeito à forma (por exemplo, uma lei
ordinária que disponha sobre assunto reservado à lei complementar, segundo a
regra da Constituição de sua época).
II) No Brasil, não há a chamada inconstitucionalidade superveniente. É dizer, a
inconstitucionalidade de uma lei só pode ser verificada frente à Constituição de
sua época. Alguns alunos podem pensar: ―mas eu aprendi que a ADPF serve
também para verificar a compatibilidade de uma norma anterior à CF/88 frente
à própria Constituição de 1988”... Se você pensou isso, você está certo. É isso
mesmo, mas esse confronto se resolve pela recepção (se a lei antiga for
compatível com a CF/88) ou revogação (se a lei antiga for incompatível com a
CF/88), e não pela constitucionalidade ou inconstitucionalidade.
III) De qualquer forma, é possível analisar hoje se uma lei é compatível com a
Constituição de sua época, a fim de se verificar se naquele tempo ela tinha um
vício de inconstitucionalidade. Entretanto, essa análise se dará apenas no
âmbito do controle concreto, incidentalmente.
IV) Observe, por fim, que para se analisar a compatibilidade de uma lei frente à
Constituição de sua época, tanto os aspectos materiais quanto os formais são
analisados. Ao contrário, na análise de compatibilidade entre uma lei pré-
constitucional e a Constituição atual, só interessam os aspectos materiais.
Assim, é cabível a avaliação da compatibilidade do direito pré-constitucional
tanto em confronto com a Constituição de sua época, como também em
confronto com a Constituição atual. No nosso exemplo, a lei de 1970 poderia
ser examinada pelo Poder Judiciário, hoje, tanto em confronto com a
Constituição de sua época (CF/1969), quanto em confronto com a Constituição
vigente hoje (CF/1988).
No confronto com a Constituição de 1969, o Poder Judiciário examinará as
compatibilidades material e formal, decidindo pela constitucionalidade ou
pela inconstitucionalidade da lei. Como comentado, esse controle poderia se
dar apenas no controle incidental, diante de casos concretos.
No confronto com a Constituição de 1988, o Poder Judiciário examinará
somente a compatibilidade material, decidindo pela recepção ou revogação.
Esse controle pode se dar não só em sede de controle concreto, mas também
por meio de Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF).

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Em suma, independentemente da compatibilidade material com a Constituição


atual, aquela norma pré-constitucional poderá sim ser declarada
inconstitucional hoje frente à Constituição de sua época, desde que no controle
concreto.
Item certo.
16. (CESPE/OFICIAL DE JUSTIÇA/TJ/CE/2008) O autor de uma ação direta de
inconstitucionalidade pode dela desistir até a intimação dos requeridos no
processo.
Devido à natureza objetiva das ações do controle abstrato de
constitucionalidade, não se admite a desistência no âmbito de ADI (nem de
outras ações do controle abstrato).
Como se trata de um processo de natureza objetiva, não se busca tutela de
interesses pessoais, subjetivos do autor. O que se busca é a proteção do
interesse público, da Constituição e do ordenamento jurídico como um todo.
Como esse interesse público protegido é indisponível não se admite a
desistência.
Em suma, o papel do autor é acionar o Supremo. Suscitada a controvérsia na
Corte Maior, perde o legitimado a disposição sobre aquela ação. Não se admite
nem mesmo o pedido de desistência de medida cautelar em sede de ADI.
Trata-se do chamado ―princípio da indisponibilidade‖, ao qual se submetem
todas as ações do controle abstrato perante o STF.
Item errado.
17. (CESPE/OFICIAL DE JUSTIÇA/TJ/CE/2008) Como a causa de pedir é aberta,
o STF pode julgar ação direta de inconstitucionalidade por outros
fundamentos que não os alegados na petição inicial.
Guarde o seguinte bordão: em ação direta de inconstitucionalidade, o Supremo
Tribunal Federal vincula-se ao pedido, mas não à causa de pedir, pois esta
é aberta.
I) Vinculado ao pedido→ isso significa que o Supremo está condicionado à
análise daqueles artigos que estão sendo impugnados pelo autor. Ou seja, a
atuação do STF restringe-se àqueles dispositivos questionados pelo autor; não
pode a Corte declarar a inconstitucionalidade de outros artigos não impugnados
na inicial.
II)Causa de pedir aberta→ isso significa que o STF não se vincula à causa de
pedir, ao parâmetro. Nesse sentido, pode o Supremo declarar a

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inconstitucionalidade de um artigo de uma lei, mas por motivo totalmente


diverso daquele manifestado pelo autor na inicial.
Em primeiro lugar, o autor (legitimado) fundamentará juridicamente a alegação
de inconstitucionalidade. Entretanto a análise do Supremo será sobre a
compatibilidade daquele dispositivo impugnado com toda a Constituição,
podendo até mesmo declará-lo inconstitucional, mas por motivo diverso
daquele alegado inicialmente.
Item certo.
18. (CESPE/ADVOGADO/IPAJM/2010) A expressão ―no todo ou em parte‖ —
nos termos do art. 52, X, da CF — deve ser interpretada como sendo
possível o Senado Federal ampliar, interpretar ou restringir a extensão da
decisão do STF, de forma que, caso tenha toda a lei sido declarada
inconstitucional pelo STF, em controle difuso, de modo incidental, é
possível que o Senado Federal, por entender conveniente a suspensão da
lei, faça-o apenas em parte, como manda a CF.
Vimos que os efeitos da decisão do STF no âmbito do controle difuso afetam
apenas as partes do processo (efeitos inter partes).
Todavia, pode o Senado Federal ampliar os efeitos da declaração incidental de
inconstitucionalidade; e, nesse caso, aquela decisão do STF no controle
concreto atingirá terceiros que não sejam parte da ação.
Com efeito, nos termos do art. 52, X da CF/88, compete ao Senado Federal
suspender a execução de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do
Supremo Tribunal Federal.
Assim, declarada a inconstitucionalidade pelo STF de determinada lei, no âmbito
do controle difuso, a decisão é comunicada ao Senado, a quem caberá
afaculdade de suspender a execução da lei, conferindo eficácia erga omnes à
decisão do Supremo. Se o Senado suspender a lei (ato discricionário), a
declaração de inconstitucionalidade alcançará outros (e não só as partes),
adquirindo eficácia geral (erga omnes).
Mas o Senado não poderá alterar a decisão do Supremo. Sua competência é
exclusivamente dar efeitos erga omnes àquela decisão proferida no controle
incidental. Assim, se o Supremo só declarou inconstitucional um dos incisos (ou
parte dele), o Senado deverá seguir estritamente aquela decisão, não podendo
interpretá-la ou ampliá-la, por exemplo, declarando inconstitucional toda lei, ou
outros artigos não impugnados pelo STF.

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Então, a expressão ―no todo ou em parte‖ quer dizer que o Senado Federal
deve seguir a decisão do STF, tendo a Corte pronunciado a
inconstitucionalidade total ou parcial da norma.
Enfim, a suspensão pelo Senado Federal poderá se dar em relação a leis
federais, estaduais, distritais ou municipais, desde que tenham sido declaradas
inconstitucionais pelo STF, de modo incidental.
Vejamos alguns detalhes concernentes a essa competência do Senado:
I) o exercício dessa competência é facultativo; ou seja, o Senado não está
obrigado a suspender a execução da lei;
II) não há prazo para que o Senado possa suspender a execução da lei; mas,
suspensa a lei, o Senado não poderá voltar atrás (a decisão é irretratável);
III) a espécie normativa utilizada é a resolução; e ela também está sujeita a
controle de constitucionalidade normalmente.
Item errado.
19. (CESPE/ADVOGADO/IPAJM/2010) A suspensão de lei considerada
inconstitucional em controle difuso, de regra, acarreta efeitos extunc. Tais
efeitos atingem somente as partes do processo. Todavia, se o Senado
Federal, por resolução, usar a prerrogativa constante do art. 52, X, da CF,
qual seja, a de suspender, no todo ou em parte, a execução da lei tida por
inconstitucional, desde que a decisão tenha sido definitiva e deliberada
pela maioria absoluta do pleno do tribunal, os efeitos serão erga omnes,
porém valerão a partir do momento em que a resolução do Senado Federal
for publicada na imprensa oficial.
A ampliação dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade por parte do
Senado faz com que uma decisão que, inicialmente, era inter partes passe a
alcançar a todos, ganhando eficácia erga omnes.
Entretanto, sempre foi grande a controvérsia sobre os efeitos temporais dessa
decisão do Senado. Ela retroage, alcançando fatos passados (extunc)? Ou não,
só vale para o futuro (ex nunc)?
Segundo o STF, os efeitos da suspensão da norma pelo Senado são para frente
(ex nunc). Portanto, a questão está correta.
Cabe mencionar que, exclusivamente no âmbito da Administração Pública
Federal direta e indireta, tais efeitos são retroativos ou extunc, por força do que
determina o Decreto 2.346/97.
Item certo.

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20. (CESPE/DELEGADO DE POLÍCIA/POLÍCIA CIVIL/PB/2008) As decisões


definitivas de mérito, proferidas nas ações diretas de inconstitucionalidade
e na ação declaratória de constitucionalidade, produzem eficácia erga
omnes e efeitos vinculantes aos três poderes.
Questão batida... A decisão não vincula nem o STF, nem o poder legislativo em
sua função típica.
Item errado.
21. (CESPE/DEFENSOR PÚBLICO da UNIÃO/DPU/2007) Decisão que declara a
constitucionalidade ou a inconstitucionalidade de norma pode ser atacada
por embargos de declaração, mas não poderá ser desconstituída em ação
rescisória.
A decisão de mérito que declara a constitucionalidade ou a inconstitucionalidade
em sede de ADI é irrecorrível mediante a interposição de ação rescisória ou
qualquer outro recurso. A única exceção feita é a referente à interposição de
embargos declaratórios, visando sanar omissões, obscuridade ou contradição
contida no acórdão.
Assim, são admitidos embargos de declaração, mas não ação rescisória contra
acórdão proferido em ação direta de inconstitucionalidade no STF.
Item certo.
22. (CESPE/OFICIAL DE JUSTIÇA/TJ/CE/2008) A reclamação é instrumento
processual adequado para se exigir de autoridade o cumprimento de
decisão proferida em ação direta de inconstitucionalidade.
A reclamação visa à preservação da competência do STF e à garantia da
autoridade de suas decisões. Assim, sempre que descumpridas as decisões do
STF em sede de ADI, ADC ou ADPF ou sempre que descumprido o enunciado de
uma Súmula Vinculante será cabível a impetração dessa ação.
Vale destacar que razões de segurança jurídica impedem a utilização da ação
reclamatória para desconstituir decisão que transitou em julgado:
“Não cabe reclamação quando já houver transitado em julgado o ato judicial
que se alega tenha desrespeitado decisão do Supremo Tribunal Federal.”
(Súmula 734)
Item certo.
Observe o esquema abaixo, ele sintetiza diversas informações relevantes sobre
a ADI.

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Sintetizando:

23. (CESPE/AGENTE ADMINISTRATIVO/MS/2008) O governador do DF não


detém pertinência temática para propor ação direta de
inconstitucionalidade contra lei estadual paulista que conceda isenção de
imposto sobre circulação de mercadorias e serviços (ICMS) a empresa
instalada no DF.
Primeiramente, cabe comentar que o Governador do DF é um dos legitimados
para a propositura das ações do controle abstrato perante o STF (CF, art. 103,
V).
Todavia, os governadores classificam-se como legitimados especiais: aqueles
que devem cumprir o requisito da pertinência temática para o cabimento da
ação.

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É dizer: para o Governador do DF ter interesse de agir nessa ação, ele deve
demonstrar que a lei afeta de algum modo os interesses do Distrito Federal.
Assim, pode ser até uma lei editada em São Paulo, desde que a referida lei
esteja afetando os interesses do DF. No caso da questão, está bem clara essa
hipótese, tendo em vista que a lei afeta comerciantes instalados no DF.
Vale lembrar quais são os legitimados especiais: os governadores, as
confederações sindicais ou entidades de classe de âmbito nacional, e as Mesas
de Assembléias Legislativas ou a Câmara Legislativa do Distrito Federal.
Lembre-se ainda que os legitimados universais não sofrem restrição quanto à
interposição de ADI no Supremo, pois podem propor a ação independentemente
do assunto sobre o qual trate a norma, desde que ela esteja entre os objetos da
ADI.
São legitimados universais: o Presidente da República, a Mesa do Senado
Federal; a Mesa da Câmara dos Deputados; o Procurador-Geral da República; o
Conselho Federal da OAB; e os partidos políticos com representação no
Congresso Nacional.
Item errado.
24. (CESPE/JUIZ/TRF-5REGIÃO/2011) Nenhum órgão fracionário de tribunal
dispõe de competência para declarar a inconstitucionalidade de leis ou atos
normativos emanados do poder público, visto tratar-se de prerrogativa
jurisdicional atribuída, exclusivamente, ao plenário dos tribunais ou ao
órgão especial, onde houver.
O princípio da reserva de plenário (CF, art. 97) exige que a declaração de
inconstitucionalidade seja feita pela maioria absoluta dos votos do plenário do
tribunal, ou de seu órgão especial, se houver.
Sendo assim, os órgãos fracionários (turmas, câmaras) não podem declarar a
inconstitucionalidade de lei ou ato normativo. Portanto, correta a questão.
Alguns detalhes sobre a reserva de plenário:
I) se já houver decisão do plenário, do órgão especial ou mesmo do STF sobre a
inconstitucionalidade da lei cria-se, digamos, um precedente; e não precisará
mais o tribunal respeitar a reserva de plenário, sendo possível que seja apenas
seguida aquela decisão anterior (é dizer, a reserva de plenário é aplicável
apenas à primeira análise sobre a inconstitucionalidade de uma norma);
II) a reserva de plenário é regra aplicável à declaração de
inconstitucionalidade, ou seja, não obriga as decisões sobre a recepção ou
revogação do direito pré-constitucional;

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III) por fim, cabe observar que a reserva de plenário aplica-se aos tribunais
(tanto no controle abstrato, quanto no incidental, e se aplica também aos
tribunais de contas); portanto, não veda que um juiz que atue na primeira
instância declare incidentalmente a inconstitucionalidade de uma lei.
Item certo.

Por hoje é só! No próximo artigo, veremos alguns detalhes bastante avançados
sobre esse assunto.
Abraços e bons estudos!
Frederico Dias

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