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Na Alemanha, a ausência de democracia contribuiu para preservação da independência de

artistas e intelectuais no século XIX. Os governos fascistas e o capitalismo moderno promoveram


certo pessimismo na obra dos pensadores de Frankfurt. Na Dialética do Esclarecimento, Adorno e
Horkheimer empreendem uma crítica pontual à filosofia kantiana no que diz respeito ao conceito de
“Aufklärung”. Em nome de um “desencantamento” do mundo, proposto pela modernidade, o “saber”
e o “conhecer” tornaram-se perigosos e passíveis de manipulação. Assim, o esclarecimento, que
prometia operar um casamento feliz do entendimento humano com a natureza das coisas, subjugou
os indivíduos em nome do poder e do capital.
A razão instrumental é o próprio exercício da racionalidade científica, típica do positivismo,
que visa à dominação da natureza para fins lucrativos, colocando a ciência e a técnica a serviço do
capital. A indústria cultural “vende” cultura. Ora, de acordo com as regras do mercado capitalista e
da ideologia da indústria cultural, até as artes são mercadorias, como tudo que existe no capitalismo;
ou seja, massificou-se para o consumo rápido no mercado da moda e nos meios de comunicação de
massa, transformando-se em propaganda e publicidade, sinal de status social, prestígio político e
controle cultural. A indústria cultural padroniza e nivela a subjetividade e o gosto de seus
consumidores. Ao nome da Escola de Frankfurt está associada à expressão “indústria cultural”,
cunhada por Theodor Adorno e Max Horkheimer para indicar o consumo imediato de “produtos
culturais” fabricados em série nas sociedades contemporâneas. Entre as consequências da “indústria
cultural”, apontadas por Adorno e Horkheimer, figuram: oferta abundante de obras culturais
“baratas” e “inferiores” às grandes massas; vulgarização das artes e do conhecimento, com a
finalidade de distrair um público pouco exigente e informado; perda de sentimento de revolta e
indignação com o capitalismo por parte da classe trabalhadora, através da inserção desta no
mercado de consumo; permanência das diferenças culturais entre as camadas ou classes altas e
baixas da sociedade.
“O segmento sobre a ‘indústria cultural’ mostra a regressão do esclarecimento à ideologia,
que encontra no cinema e no rádio sua expressão mais influente. O esclarecimento consiste aí,
sobretudo, no cálculo da eficácia e na técnica de produção e difusão. Em conformidade com seu
verdadeiro conteúdo, a ideologia se esgota na idolatria daquilo que existe e do poder pelo qual a
técnica é controlada”. Nesta obra, Dialética do Esclarecimento (1985),Adorno & Horkheimer,
autores influentes da chamada Escola de Frankfurt, examinam com detalhe as regras do capitalismo
e a ideologia da indústria cultural. Adorno e Max Horkheimer indicam uma cultura baseada na ideia
e na prática do consumo de “produtos culturais” fabricados em série. De fundo, o problema está na
reprodução e na distribuição das obras feitas por empresas capitalistas, visando ao lucro e não à
democratização das obras.
A teoria crítica da sociedade é a designação dada ao conjunto de elaborações desenvolvidas
pela Escola de Frankfurt. O nome da teoria não é apenas um nome fantasia sem sentido, porém uma
referência ao atributo que a distinguiria dos trabalhos da sociologia empírica americana. Embora os
frankfurtianos tenham recusado a ortodoxia marxista, trata-se de uma teoria crítica cujo esforço foi
reatualizar a transformação operada por Karl Marx.