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GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA CIVIL

UNIVERSIDADE PARANAENSE, CAMPUS DE TOLEDO/PR

TRABALHO FINAL DE CURSO - TFC

ANÁLISE DE LOCAÇÃO DE OBRA PELO MÉTODO CONVENCIONAL E


TOPOGRÁFICO

Euler Junior Piranha1


Felipe Gustavo Isernhagen2

RESUMO

Este artigo fundamenta-se na pesquisa e análise de comparação de duas maneiras de se locar


uma obra, sendo elas: locação convencional (trena, mangueira e demais itens básicos) e
locação por equipamento topográfico (estação total da marca LEICA). Devido ao grande
avanço tecnológico e a grande demanda de obras na construção civil, com obras de grande
porte e cada vez mais complexas, se torna fundamental o uso de aparelhos topográficos para a
minimização de erros, aumento de agilidade e produtividade. O método convencional ainda é
bastante utilizado, e tem sua eficácia comprovada ao longo dos anos. O objetivo deste
trabalho será estabelecer a comparação entre ambos os métodos à partir de estacas de
fundação, e demonstrar qual deles é menos suscetível a erros para execução de uma locação,
levando em conta o quesito maior, aproximação ao requisitado em projeto. A pesquisa foi
baseada em uma construção multifamiliar de 2 pavimentos, situada na Cidade de Toledo no
Oeste do Paraná, onde primeiramente a mesma foi locada de forma convencional, seguido de
um levantamento topográfico dos pontos demarcados e piquetes de divisa, por último feito a
locação topográfica, sendo possível compará-las fazendo-se o uso do software Autocad®,
resultando em um melhor desempenho do método topográfico.
Palavras-chave: Locação de Obra. Agilidade. Minimização de Erros. Equipamento
Topográfico.

ABSTRACT

This article is based on the research and analysis of the comparison of two ways of locating a
work, being: conventional lease (measure tape, hose and other basic items) and leasing by
topographic equipment (Total Station of the LEICA brand). Due to the great technological
advance and the great demand of works in the civil construction, with large and increasingly
complex works, it becomes fundamental the use of topographic devices to minimize errors,
increase agility and productivity. The conventional method is still widely used, and has
proven its effectiveness over the years. The objective of this thesis will be to establish the
comparison between both methods from foundation stakes, and to demonstrate which one is
less susceptible to errors for the execution of a location, taking into account the greater
approximation to what is requested in the project. The research was based on a multifamily
two-story building, located in the City of Toledo in the west of Paraná, where it was first
leased in a conventional way, followed by a topographic survey of the demarcated points and
the pickets of currency, and finally the topographic location, thus making it possible to
compare the two forms, using the Autocad® software, resulting in a better performance of the
topographic method.
Keywords: Leasing. Agility. Minimization of Errors. Topographic Equipment..

1
Euler Junior Piranha de Engenharia Civil, da Universidade Paranaense, Campus Toledo. E-mail:
eulerejp@gmail.com
2
Felipe Gustavo Isernhagen, Engenheiro Civil, do curso de Engenharia Civil, da Universidade
Paranaense, Campus Toledo. E-mail: felipeiser@prof.unipar.br
1
1 INTRODUÇÃO

A locação de obra, baseia-se em transportar o projeto elaborado pelo engenheiro para o


terreno, aderindo assim todas as medidas impostas pelo profissional, como recuos,
afastamentos, alicerces, paredes e aberturas. Esta é uma etapa que traz consigo fundamental
importância dentro da construção, onde evidencia a total materialização do projeto. (SILVA,
2015).
A obtenção de bons resultados na locação de obra é dependente de levantamentos
topográficos, implantações de marcos e poligonais de apoio, elaborações de projetos, entre
outras, executados com exímio rigor, resultando em obras bem executadas e a certeza de um
trabalho de qualidade prestado. (HILLESHEIM, 2015).
Afirma Silva (2015), que uma forma de locar uma obra é utilizando o método
convencional, com a utilização de tábuas corridas para gabarito, este é o mais antigo e
também o mais utilizado ainda pela maioria das empresas construtoras. Sua utilização se
fundamenta em marcar os eixos provenientes do projeto em tábuas de madeira, com auxílio de
linhas, pregos e martelo por meio de referências, que assim permanecem posicionadas no
contorno do canteiro e da locação da fundação (estacas), somente após os eixos principais
serem transmitidos para a estrutura é liberada a sua retirada, sendo a mesma responsável por
servir de referência para locar as vedações verticais (paredes).
Segundo Hillesheim (2015), para a execução de grandes obras o volume do trabalho
exercido obriga o uso de meios mais avançados, como a topografia. A topografia coopera
muito para a execução de projetos e obras, desde a obtenção de dados (levantamento de dados
cadastrais) até a sua execução (demarcação de pontos). Na locação de obras seu emprego já é
amplo, tornando o serviço mais preciso e confiável.
A topografia tem como maior objetivo o estudo dos instrumentos e métodos
empregados para obter uma amostra gráfica de uma porção do terreno sobre uma extensão
plana (DOUBEK, 1989). Segundo Domingues (1979), a topografia traz como principais
finalidades a definição do contorno, dimensão e posição relativa em uma pequena porção da
superfície terrestre, relaciona-se ainda à topografia, a locação no terreno, de projetos
efetuados de engenharia. O autor Domingues (1979), ainda complementa que o uso da
topografia é de suma importância para qualquer obra envolvendo a engenharia, como projetos
viários, locação de obras em geral, planejamento, urbanismo, redes de água e esgoto etc., que

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desenvolve-se em serventia ao terreno que se assentam.
O grande avanço tecnológico nas últimas décadas tem favorecido e muito os serviços
de topografia, incorporando a medição ao registro de informações coletadas em uma
superfície terrestre. O profissional ainda hoje utiliza a trena de aço para medição de
distâncias, mas em menor proporção, o teodolito para obtenção de ângulos, e níveis de
exatidão para determinar altitudes. Os equipamentos mais tecnológicos hoje usados, são
totalmente eletrônicos, conciliando os mesmos ao uso do computador, facilita a obtenção dos
dados levantados em campo e a produção de mapas em um período de tempo muito curto.
Além da topografia cooperar com quase todos os tipos de obras, ela é quem compreende os
cálculos efetuados para dimensionar e encontrar áreas, volumes e também na execução de
mapas e diagramas (MCCORMAC, 2007).
De acordo com Silva (2015), a locação de uma obra utilizando o método
convencional, executada na maioria das vezes pelos mestres de obra das construtoras, é
realizada somente com a utilização do conhecimento empírico da engenharia, linha, gabarito e
trena de aço, sem o devido acompanhamento do responsável técnico da obra e sem um
aparelho para realizar as tais conferências das locações por ele imposta, podendo resultar em
falhas que serão transpassadas para toda estrutura que compete.
Contudo, vale salientar que quando a locação é mal executada, principalmente na parte
de fundações, como a colocação das estacas, por exemplo, o arranjo de carga é distribuída ao
terreno, causando assim a sobrecarga em uma estaca mais elevada que em outra, dentro de um
mesmo bloco. Também pode acarretar na diminuição das dimensões de ambientes dentro de
projetos arquitetônicos, invasões de divisas e desalinhamento entre pilares, acarretando assim
possíveis complicações jurídicas e até mesmo a demolição de tal parte da obra (SILVA,
2015).

1.1 JUSTIFICATIVA

A grande necessidade de materializar corretamente o projeto elaborado pelo


engenheiro, torna a locação de obra uma etapa crucial para a implantação no terreno, onde
suas medidas devem ser respeitadas rigorosamente e sem falhas. As maneiras de se locar uma
obra são duas: a convencional e a com equipamento topográfico. Vale salientar que a grande
demanda nos dias atuais dentro da construção civil e o avanço tecnológico, requer trabalho
mais ágil e preciso, que reduza problemas futuros com divisas ou espaços de uso útil,
acarretando problemas jurídicos e possíveis processos ao profissional. Para tanto é

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recomendado o uso de equipamentos de precisão, como a estação total, com a finalidade de
gerar pontos mais precisos e evitar problemas futuros.

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.1 Locação de obra

Conta Meirelles (1996), que a intuição do homem em relação ao perigo e o instinto de


conservação, o levaram a procurar um local de resguardo em meio à natureza. Após isto, com
a habilidade de escavar rochas, o mesmo habitou a caverna, construiu choupanas com a
derrubada de árvores, lapidou a pedra e construiu sua casa, com o emprego da areia,
argamassou e construiu o palácio, do ferro forjado resultou um arranha céu, em processo lento
porém perdurável, desenvolveu a técnica de construir, onde surge a engenharia e a arquitetura.
A locação de obra, é a etapa que viabiliza o início da construção. Depois da montagem
do sistema de locação de obra, é dado início aos serviços de execução das fundações, em
seguida de forma e concretagem da estrutura, a construir e posteriormente a demarcação e
elevação de paredes. Conforme a ordem, a construção irá progredindo e tomando o aspecto
almejado pela arquitetura (SILVA, 2015).
Afirma Corrêa (2006), que a locação de obra é a implantação do projeto no terreno, sendo
indispensável para o êxito da obra, sua perfeita demarcação assim como também um bom
projeto e levantamento.
Precedentemente, a demarcação da locação vale destacar o serviço de levantamento
topográfico, que é executado antes de qualquer trabalho na área a construir. O levantamento é
evidenciado pela Norma Brasileira Regulamentadora Número 13.133/1994, que trata dos
levantamentos do terreno, como as dimensões, limites, marcos existente para melhor auxílio
de demarcações do mesmo, e também complementando e colaborando com o serviço de
planialtimétrico, aonde irá se obter informações de distâncias e angulações horizontais do
relevo do terreno, auxiliando na elaboração do projeto e serviços de terraplanagens.
Conforme Borges (2013), muitas vezes é encontrado alguma dificuldade na locação, isto
pode ocorrer devido ao erro no levantamento executado no terreno, passando ao engenheiro
projetista dados que não coincidem com a dimensão real do terreno a construir.
Os detalhes provenientes de um projeto sobre uma área a construir é feito conforme as
paredes que apresenta-se na planta. Contudo, se a obra a executar tem necessidade de
estaqueamento, deverá ser primeiramente demarcado as mesmas (estacas). A locação de
estacas é oriunda de uma planta deste detalhe, conforme a Figura 1. Somente após executada a

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locação das estacas será feita das paredes. Lembrando que o bate-estaca (máquina de
perfuração) sendo muito pesada, que é movida de arrasto pelo terreno iria demolir a locação
feita das paredes. Em obras de estrutura de concreto, fica como encargo do escritório calcular
e fornecer a planta para a locação. No canteiro de obras, será confeccionado um gabarito, que
nada mais é que um retângulo provido de tábuas em volta da área que será construída.
Figura 1 – Planta de detalhe de estacas

Fonte: Borges, 2013.

2.2 Método Convencional de locação de estacas

A locação de obra pode ser feita, em casos em que a mesma seja de pequeno porte
utilizando de métodos simples, sem o auxílio de aparelhos topográficos, que nos garantem
certa precisão. Embora seja conveniente o seu uso em construções de maior dimensão para
evitar acúmulos de erros (MCCORMAC, 2007).
Azeredo (1997), expõe que este método de locação de convencional é aquele
executado com auxílio de uma trena de aço, prumo de centro, marreta, piquete e linha.
O método mais utilizado e seguro são por tábuas corridas, onde as marcações
realizadas mantêm-se por um período de tempo maior, ficando disponível a conferência para
o profissional encarregado durante o progresso da obra (MILITO 2009).
Inicializando os preparos para a execução da locação da obra, deverá previamente já
estar definido um ponto de origem, para os eixos de coordenadas ortogonais e fundamentado,
neste ponto todas as distâncias que forem demarcadas serão de modo acumulativo.
Respeitando o projeto e o cálculo efetuado pelo engenheiro projetista no escritório, deverá ser
executado o gabarito (armação de madeira) envolvendo toda a área que será construída, assim

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tomando uma forma retangular, no devido esquadro e nível, conforme a Figura 2 (CORRÊA,
2006).
Figura 2 – Gabarito de tábuas corridas

Fonte: Azeredo, 1997.

Côrrea (2006), ressalta que a confecção do gabarito deverá estar cerca de 1,50 metros
afastada da área real da construção, permitindo a passagem dos trabalhadores e das máquinas
bate-estacas. Para a locação da armação do gabarito devem ser cravadas estacas de madeira
3”x3” in loco, devendo estar 0,60 metros abaixo do solo para uma fixação ideal e com
espaçamento de 2,50 metros, assim obtendo resistência nos vãos das tábuas a serem pregadas.
Sobre as tábua, é efetuado as medidas e demarcações existentes no projeto. Para melhor
demarcação dos pontos, são usados pregos em ambos os lados do retângulo (gabarito), sendo
assim necessária a marcação de quatro pontos para finalmente ser cravado o ponto sobre o
terreno, conforme a Figura 3.
Figura 3 – Interseção de pontos para demarcação de estaca, utilizando o gabarito

Fonte: Corrêa, 2006.

Fundamenta Azeredo (1997), que a locação pode ser efetuada pelos eixos, face de
parede e centro de estacas. Assim após a confecção do gabarito com as linhas e as medidas

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fixadas nas cotas, é repassada a interseção ao local de obra com o auxílio de um prumo de
centro. Efetuando o ponto amparado pelo prumo, será cravado um pontalete de madeira com
seção de 2,5 x 2,5 cm e 15 cm de comprimento com auxílio de uma marreta. Evidencia
Borges (2013), após o piquete de marcação de centro de estaca ser demarcado, o mesmo
deverá ser pintado com uma cor que chame atenção (vermelho) para ser visualizado melhor
posteriormente. O piquete deverá ser fincado rente ao chão, para evitar que o bate-estaca não
cause danos ao ponto demarcado quando for fazer as demais perfurações.
Outro método bastante utilizado para demarcação de forma convencional, é o método
do cavalete, o mesmo baseia-se em montar a estrutura utilizada de marcação pelo alinhamento
dos elementos que serão demarcados, conforme a Figura 4. Seu uso é por conta de não ser
possível utilizar o método de tábuas corridas no contorno da obra, ou também quando a obra
obtém trechos espaçados de construção e não for necessário contar com os devidos eixos
traçados, que não será de utilidade para locação de algum elemento da obra. Tomando como
exemplo a locação de um galpão, para o mesmo é apenas necessário obter a locação no
alinhamento da fundação executada, coibindo qualquer distribuição de marcação de eixos pela
periferia do canteiro de obra (SILVA, 2015).
Figura 4 – Figura ilustrativa do método de locação por cavaletes.

Fonte: Silva, 2015.

Afirma ainda Silva (2015), que para a locação com o método dos cavaletes é
necessário estar isolada a região dos mesmos, no momento da demarcação dos eixos e da
locação da obra, pois os mesmo são muito frágeis e qualquer esbarro ou pontapé poderá
alterar a posição original.

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2.2 Método Topográfico de locação de estacas
A topografia tem raiz do termo Grego Topos, que significa “lugar” e Graphen, que
tem o significado de “descrição”, assim resumindo sucintamente “descrição do local”
(VEIGA et al., 2014).
Desde os primórdios, a expansão territorial exigiu do homem sua evolução, a fonte de
coleta de alimento, construir seu abrigo e também delimitar e marcar o mesmo como sua
posição, sendo esse um processo de início de uso da topografia. Os primeiros povos a
constituírem os instrumentos e a aderirem o uso da topografia foram os egípcios e
mesopotâmicos, depois os chineses, hebreus, romanos e gregos. Com a evolução e o passar
das gerações, a busca por aperfeiçoamento técnico e dos aparelhos topográficos, tornaram a
topografia mais usual e amigável para o trabalho, proporcionando mais recursos para o
topógrafo operador, minimizando os erros e ficando cada vez mais perto da precisão requerida
(COELHO JUNIOR et al., 2014).
O autor Júnior (2003), define topografia como a ciência que detêm como principais
objetivos: conhecer, descrever e representar graficamente a respeito de uma superfície plana,
partes da superfície terrestre. A topografia tem como principais triunfos, se diferenciando das
demais ciências, medir e calcular distâncias horizontais e verticais e calcular ângulos
horizontais e verticais com altíssima acurácia.
Conforme Zimmermann (2015), na execução de obras é praticamente indispensável o
trabalho profissional de um topógrafo, onde o mesmo irá delimitar as devidas marcações para
fins de reconhecer os limites dentro de um terreno, nivelamento, demarcação de esquadro,
locação para fins de sondagem, estacas para fundação, pilares entre outras atividades que
necessitem de maior exatidão.
A locação de uma obra por equipamento topográfico, normalmente é provido do uso
de uma estação total, que se constitui de uma luneta com facilidade de movimentos
horizontais e verticais, dois discos graduados, sendo um aparelho totalmente eletrônico e o
outro digital, capaz de fazer cálculos de distâncias e armazenar dados que podem ser
facilmente repassados a um computador, podendo assim elaborar cálculos e projetos
supremos (DAIBERT, 2014).
Conforme Coelho Junior et al (2014), para se iniciar o devido procedimento com o
aparelho topográfico, se faz necessário a obtenção de um ponto base, dotado de um piquete ou
prego como referência, onde a estação ocupada estará como suporte acima de um tripé de
alumínio, para sua melhor orientação e no sistema de coordenadas servindo como
norteamento é localizado um ponto conhecido, chamado de RÉ, onde com o prisma em

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conjunto com um bastão provido de bolha de nível é aprumado em um local de coordenada
conhecida (X,Y,Z), podendo ser executado também o procedimento de zerar o aparelho,
atribuindo o azimute = 0° ou um valor de azimute verdadeiro e conhecido.
Após a execução do procedimento acima citado, o profissional estará livre para
realizar as medições, gravar e locar qualquer ponto de sua escolha dentro da obra, e se acaso
houver a necessidade de mudança de estação devido há algum obstáculo a frente, se faz por
necessário o reconhecimento de dois pontos já medidos pelo aparelho. É de suma importância
também levar em conta o valor do azimute apenas para a primeira estação base, após isso nas
demais estações é aderido os valores já obtidos e incluído as suas coordenadas (COELHO
JUNIOR et al., 2014).
Afirma Silva (2015), que a estação total no trabalho de locação repassa os pontos a
serem demarcados na obra por meio de ângulos e distâncias ou coordenadas. A estação total
por ser definida como a combinação de um teodolito, medidor de distância, e um
microprocessador que mede e calcula estas grandezas já dando seu resultado em um visor
(tela), de acordo com a Figura 5. O instrumento calcula através da posição do prisma, a
magnitude e a direção onde o mesmo se encontra, assim captando o local desejado.
Figura 5– Estação total dotada de visor de cristal liquida colorido

Fonte: O autor, 2018.

A operação da estação em campo será feita em base nas duas seguintes etapas:
alinhamento do ângulo horizontal até zero, partindo de um ponto base conhecido com as
devidas coordenadas salvas na estação total, ou seja, o ângulo horizontal será zero partindo de
um ponto conhecido, assim estabelecendo o alinhamento do ponto que será demarcado e a
distância da estação total até o prisma refletor, que é uma etapa que necessita de muito
sincronismo entre o operador da estação e o operador do bastão portado do prisma, que com o

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clique “distance” no microprocessador da estação será dada a distância entre a mesma e o
prisma, sendo que se a distância em tela for negativa, o operador do prisma deverá afastar-se
da estação e se for positiva, aproximar-se, conforme a Figura 6. Esta é uma etapa que requer
muita paciência, pois poderá ser feita inúmeras tentativas até se alcançar o ponto desejado.
(SILVA, 2015).
Figura 6 – Ilustração de como é feita a locação planimétrica de um determinado ponto,
utilizando uma estação total

Fonte: Silva, 2015, apud Souza, 2001.

Conforme a ABNT 13.133 (1994), as estações totais são classificadas quanto ao seu
desvio padrão, levando em consideração sua precisão angular e linear, conforme a Tabela 1.
Para manter o nível de precisão sempre dentro do padrão as mesmas deverão passar por uma
etapa de calibragem dentro de um período de dois anos.

Tabela 1 - Classificação das estações totais segundo a ABNT NBR 13133/1994


Classe de estações totais Precisão angular Precisão linear
Baixa precisão ≤ ± 30” ± 5 mm + 10 ppm
Média precisão ≤ ± 07” ± 5 mm + 5 ppm
Alta precisão ≤ ± 02” ± 3 mm + 3 ppm
Fonte: Adaptado da NBR 13133/1994

De acordo com McCormac (2007), as estações totais possuem alguns elementos de


suporte ao serviço no campo, sendo eles, um bastão dotado de bolha niveladora, prisma
refletor (usa como suporte no bastão) e o tripé de alumínio que é usado como suporte para
estação total, conforme as Figuras 7 e 8 respectivamente.

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Figura 7 – Prisma Refletor Acoplado como suporte em bastão dotado de bolha de nível

Fonte: O autor, 2018.

Figura 8 – Estação total sobre tripé de alumínio.

Fonte: O autor, 2018.

2.4 Possíveis erros no método convencional


Conforme McCormac (2007), a locação executada através de uma trena pode acarretar
nos seguintes erros: alteração do comprimento da trena devido as variação de temperatura,
catenária (tensão) e medição incorreta quanto à horizontalidade da trena (inclinação).
A variação de temperatura pode ocasionar sérios riscos a trabalhos que exigem
precisão. Uma alteração por volta de 5 °C acarretará uma oscilação no comprimento de mais

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ou menos 0,002 m em uma trena de 30 m. Se é utilizada uma trena em um ambiente à 9°C
para encontrar uma distância de 1000 metros e se conferirmos a mesma distânca no verão
seguinte, fazendo o uso da mesma trena com a temperatura à 38°C, será notado uma
desigualdade em comprimento de 0,34 metros. No entanto, as trenas de aço tendem a esticar
quando ocorre uma elevação de temperatura e encolher quando a temperatura diminui
(MCCORMAC 2007).
O erro de catenária acontece quando a trena segurada somente por suas extremidades,
se curva formando uma espécie de barriga, de acordo com a Figura 9, assim ocasionando uma
distância horizontal maior entre as extremidades, quanto a mesma apoiada inteiramente ao
terreno e devendo sempre mante-la tensionada para evitar o erro (MCCORMAC 2007).

Figura 9 – Erro de Catenária

Fonte: Coelho Junior et al, 2014.

O erro quanto à inclinação é quando se falta horizontalidade entre a distância


horizontal medida conforme a Figura 10, devendo se levar em conta a inclinação do terreno
medido, de acordo com a Figura 11.
Figura 10 – Erro ocasionado pela falta de horizontalidade.

Fonte: Coelho Junior et al, 2014.

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Figura 11 – Medição de distância levando em consideração a inclinação do terreno.

Fonte: Veiga et al., 2012.

2.4 Possíveis erros no método com equipamento topográfico

Exalta McCormac (2007), que os aparelhos de medição eletrônica não estão livres de
possíveis falhas, as mesmas são classificadas em operacionais, naturais e instrumentais, ou
também chamadas de sistemáticas operacionais. Denomina-se erro operacional quando o
mesmo é mal instalado pelo operador, erros no nivelamento sobre os pontos desejados,
infrações na hora da medição de altura dos instrumentos e da condição que se encontra o
tempo no momento do trabalho. Para maior acurácia dentro da medição de uma distância
requerida é necessário aprumar o instrumento com perfeição, segundo a Figura 12, e
centralizar o refletor sobre os pontos extremos do alinhamento e também fazer o devido uso
do prumo óptico para diminuição dos erros no estacionamento do aparelho.

Figura 12 – Diferença conforme verticalidade

Fonte: Coelho Junior et al, 2014.

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Os erros naturais são providos das intempéries e variações que estamos sujeitos no
campo de obra, em relação à temperatura, umidade e pressão. A neblina e a poeira são os
principais agentes naturais que prejudicam uma medição (MCCORMAC, 2007).
Finalmente, os erros instrumentais se dão pelo centro elétrico do instrumento não
coincidir plenamente com o prumo óptico embutido na estação, que se localiza no centro da
mesma, muito menos o do prisma refletor sobre ponto de desejo aprumado. O centro efetivo
localiza-se atrás dos prismas e a distância se dá pela subtração dos valores que foram medidos
(MCCORMAC, 2007).

3 METODOLOGIA

O estudo do presente artigo, foi desenvolvido na cidade de Toledo no estado do


Paraná, tendo como base uma construção multifamiliar de 2 pavimentos com 3 unidades, onde
os mesmos foram locados primeiramente a partir do método convencional e posteriormente
com o equipamento topográfico para obtermos a diferença in loco de cada tipo de locação.
Foi analisado o total de 17 pilares, onde foi tomado como base para locação o centro
de cada um em ambos os métodos, assim, para perfuração das estacas, conforme o projeto de
fundação.
Com o fornecimento da planta de locação, deu-se início a locação de obra pelo
método convencional, utilizando como auxílio o gabarito, linhas, marreta, piquetes, prumo de
centro e trena. Conforme a Figura 13, pode-se ver a locação feita convencionalmente,
utilizando-se dos utensílios acima citados e com o objeto de estudo já coberto por areia, para
facilitar e não perder o ponto demarcado.

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Figura 13 – Locação Convencional de pilares

Fonte: O autor, 2018.

Após a locação convencional, foi escolhido um ponto de partida fora do perímetro de


obra para a fixação do aparelho, fazendo-se uso de um tripé de alumínio, estação total
(modelo TC407, da marca LEICA), bastão de alumínio provido de um prisma refletor para ser
possível a leitura com o aparelho. O levantamento foi iniciado com um profissional da área,
operando a estação total e um auxiliar no posicionamento do bastão sobre os pontos de
interesse já demarcados, como mostra a Figura 14, e também dos piquetes de extremidade do
lote para ser possível termos os quatro cantos.

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Figura 14 – Levantamento dos pontos demarcados convencionalmente pela estação
total.

Fonte: O autor, 2018.

Com os dados do levantamento em campo armazenados na estação total, e se fazendo


o uso do software AutoCAD 2015 ®, foi realizada a conferência de possíveis diferenças de
medidas no momento da locação dos pilares, sobrepondo os pontos levantados na planta de
locação. Contudo, determinaram-se as distâncias em metros obtendo-se erros, causando
diferenças de medidas entre os eixos dos pilares.
A locação topográfica foi executada no dia seguinte, no mesmo local e partindo do
mesmo projeto, sobre o que já fora demarcado, para assim destacar a diferença no local
também. Novamente foi estacionado o aparelho em nosso ponto de partida escolhido fora do
perímetro da obra, e partindo das referências (piquetes de determinação de limite do lote) que
atribuiu-se como ponto de ré, ou seja, ponto conhecido no local, de modo a evitar a
propagação de erros nos demais pontos. Com o comando de ângulo e distância do operador da
estação total, o auxiliar que fez o uso do bastão dotado de prisma pode locar cada centro de
pilar com uma estaca de madeira, como segue a Figura 15.

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Figura 15 – Locação Topográfica de pilares sobre a convencional.

Fonte: O autor, 2018

Após a locação topográfica ser feita, foram registrados os pontos demarcados pelo
aparelho, a comparação dos dados foram levantados para observar as diferenças entre cada
modo de locação.

4 RESULTADO E DISCUSSÃO
Conforme analisado o projeto, a locação convencional e a locação topográfica foram
realizados sobreposição de dados. Utilizando-se do Software AutoCad 2015 ® e da estação
total para levantamento topográfico dos pontos demarcados in loco, foram descarregados os
dados implantados na obra e com isso verificados as diferenças. O Quadro 1, demonstra a real
diferença entre cada pilar demarcado de ambas as formas, destacando que os valores são
estimados, comparados com as informações sobre o centro de pilar.

Quadro 1 – Análise das diferenças entre centro a centro de pilar demarcada


convencionalmente e com equipamento topográfico.

CONVENCIONAL TOPOGRÁFICA

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PILAR NOR SU LES OES RESU NOR SUL LESTE OESTE RESULT
TE L TE TE LTAN TE (Y) (X) (X) ANTE
(Y) (Y) (X) (X) TE (Y)
M M M M M M M M M M
P04 - - 0,020 0,024 - 0,006 - 0,007 0,010
0,014
P05 0,010 - - 0,023 0,026 0,000 - 0,002 - 0,002
P06 - 0,00 0,031 - 0,031 - 0,006 - 0,000 0,006
4
P07 - 0,01 0,007 - 0,013 - 0,010 - 0,005 0,011
1
P08 0,021 - 0,030 - 0,037 0,003 - - 0,002 0,004
P11 0,001 - 0,003 - 0,012 - 0,002 0,005 - 0,005
P12 0,016 - - 0,014 0,022 - 0,002 0,000 - 0,002
P17 - 0,03 0,032 - 0,050 0,007 - 0,007 - 0,010
6
P18 - 0,23 - 0,030 0,036 0,002 - 0,001 - 0,002
P19 - 0,08 0,060 - 0,098 - 0,011 0,006 - 0,012
0
P22 0,066 - 0,050 - 0,082 0,002 - - 0,003 0,003
P25 0,005 - 0,036 - 0,036 0,000 - - 0,003 0,003
P28 0,004 - 0,016 - 0,017 - 0,002 0,010 - 0,018
P32 0,003 - - 0,020 0,021 - 0,004 - 0,006 0,008
P33 - 0,14 - 0,005 0,142 - 0,002 - 0,008 0,008
2
P34 0,008 - 0,060 - 0,060 0,000 - 0,007 - 0,007
P35 - 0,07 0,064 - 0,096 0,000 - 0,000 - 0,000
Fonte: O autor, 2018.

18
Figura 16 – Ilustração explicativa do Quadro 1.

Fonte: O autor, 2018.

A Figura 16, tem por intuito facilitar o entendimento do Quadro 1, em relação ao


norteamento, que seriam as direções adotadas conforme o software utilizado, quanto ao
posicionamento dos pilares levantados com o aparelho topográfico, sendo o centro real de
projeto nada mais que a interseção das linhas X e Y. As figuras 17 e 18, nos mostram a
grande diferença encontrada em ambas formas de locação no Pilar 33.

19
Figura 17 – Locação topográfica.

Fonte: O autor, 2018

Figura 18 – Locação Convencional.

Fonte: O autor, 2018

Analisando as diferenças de medidas encontradas entre a locação convencional e a


topográfica, é possível observar uma média de 4,7 centímetros ou 47 milímetros de erro nas
demarcações convencionais, e de 0,00658 centímetros ou 0,0658 milímetros com a
topográfica, levando em consideração a resultante, que seria a distância de uma linha traçada
centro a centro de pilar. Observa-se que o pilar 33, apresentou diferenças consideráveis entre
as formas de locações, onde a locação convencional está com uma resultante de 0,142 cm
(14,20 centímetros) e a convencional com 0,001 cm (1 milímetro).

20
Gráfico 2 – Diferença entre ambas locações de pilares.

50
45
40
35
30
25
20 Locação Convencional
15
Locação Topográfica
10
5
0
Pilares com aumento de Diferença em
7.142%, no total de centímetros entre o pior
resultantes em resultado encontrado em
milímetros. ambas formas, existinto
uma porcentagem de
788.88% de diferença.

Fonte: O autor, 2018

Analisando o gráfico acima, e levando em consideração em sua primeira parte a


medida em milímetros, houve um aumento de sete mil, cento e quarenta e dois porcento
(7.142%), na locação convencional dos pilares em relação a topográfica (estação total)
analisando a média das estacas analisadas, e quando comparado em centímetros onde ocorreu
maior distância do centro (interseção linhas X e Y) pela resultante entre as duas formas,
tomando o pilar 33 para o método convencional e o pilar 28 para o topográfico, temos um
aumento de setecentos e oitenta e oito porcento (788%) na convencional.
Perante os tais resultados, fica visível que há diferenças entre ambas as formas de se
locar uma obra, destacando a importância em analisar as diferenças para escolher bem o
método para a locação das edificações. Os problemas que surgiram na construção, como o
mal locada e divergência de medidas serão de modo progressivo, com isto, o mesmo poderá
piorar e agravar cada vez mais e elevando o valor de gasto para fazer o reparo requerido.
A locação de uma estaca em posição errada compartilha o arranjo de cargas onde é
distribuído ao terreno, acabando por sobrecarregar uma estaca mais que a outra. O erro pode
percorrer na etapa de montagem das estruturas, onde se é posicionado as formas de pilares,
vigas e lajes, onde os mesmos são dimensionados para resistirem à determinada carga e a
locação deve ser exata, isto é de grande importância. O mesmo rigor em materializar o projeto
deve ser levado para a marcação de alvenarias, pois se a mesma for locada de forma errada

21
acarretará na diminuição da dimensão de um cômodo existente em projeto, diminuindo a
comodidade do proprietário e também problemas jurídicos aos encarregados (SILVA,2015).

4 CONCLUSÃO
Destaca-se a importância em perceber o conjunto de questões que envolvem a locação de
um projeto de fundação, uma vez que eliminam possíveis patologias futuras na edificação.
Dentre os equipamentos topográficos, no caso a estação total, se mostrou muito mais
confiável e eficiente conforme demonstrado no comparativo com a locação convencional.
No trabalho de locação executada pela estação total, também ocorreram irregularidades,
contudo muito menos expressivas do que as feita convencionalmente. No modo de locação
convencional utilizando trena, foi possível encontrar mais erros nos 17 pilares analisados,
chegando a 14,2 centímetros de distância do eixo requerido, em compensação a locação
topográfica que mostrou um maior valor de distância do centro 1,8 centímetros.
Portanto, a utilização da topografia e seus equipamentos para qualquer dimensão de
edificação é de essencial importância.
Conclui-se que, entre os dois métodos analisados, convencional e topográfico, o
topográfico se mostrou mais eficiente e precisa que a convencional.

22
REFERÊNCIAS

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levantamento topográfico. Rio de Janeiro, 1994.

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23
ANEXOS/APÊNDICES

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