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O objetivo da investigação é analisar criticamente os discursos e as práticas produzidos pela

filosofia da educação atual, que se propõe servir como meio de orientação para as atividades
educacionais nas escolas. Não estará em questão a importância da filosofia para a educação,
mas sim o uso que se faz de um determinado tipo de filosofia racionalista e iluminista da
modernidade. Utilizando principalmente as reflexões de Nobert Elias e Michel Foucault,
observa-se o esgotamento de um discurso filosófico, através da produção de uma ordem
discursiva circular, que tende a manter as atuais práticas pedagógicas marcadamente vinculadas
as lógicas da modernidade. Sem pretender julgar sua efetividade, o que se pretende analisar,
através de análises de documentos e de entrevistas, os efeitos dos discursos filosóficos para os
processos de escolarização das crianças e jovens na contemporaneidade.

É de caráter quase consensual que a filosofia da educação geralmente tem por objetivo, amiúde,
orientar direcionar, legitimar, criticar, conduzir, pensar ou avaliar as propostas pedagógicas que
uma escola pretende utilizar para o planejamento, organização e implementação das atividades
cotidianas de ensino e de aprendizagem na instituição. Em termos gerais, é necessário que a
organização escolar e todos os procedimentos educativos sejam continuamente pensados, e
para isso é imprescindível passar por uma discussão de base filosófica. Nessa perspectiva a
filosofia deveria se ocupar de alargar o campo de possibilidades para a resolução dos problemas
específicos, que vão se constituindo no decurso de uma dada ação prática.

Levando em consideração que os processos de escolarização atuais são muito recentes


remetendo-os mais ou menos ao século XX, não podemos esquecer que a fundação da escola
moderna está apoiada sobre os pilares da filosofia racionalista do século XVI, que gradualmente
substituía a teologia cristã pelo racionalismo das ciências emergentes nesse período. Deus vai
dando lugar a razão como princípio explicativo e orientador da vida social, onde se inventarão
novas tecnologias de controle, disciplinamento, orientação e i9nstrumentalização específicas
para a configuração de uma nova sociedade.

Para atender as aspirações e necessidades objetivas da modernidade uma série de dispositivos


de disciplinamento e controle emergem de forma inexorável, através das intituições como as
escolas e os colégios, pensadas, estruturadas, organizadas e planejadas

.::- :1 .) forma de socialização privilegiada das crianças e jovens. A efetiva co11solidação da

~;5C<.,_s~. ização pública e obrigatória a partir de meados do século XIX, carrego11 um.
con.}unto ~ -

-~E ~ 1:1losofias'', que proctiravam interpretar e institt1ir a nova sociedade e o novo homerr1.
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~l ~-~ ie Descartes, passa11do _por Erc1smo ~ !vlonta~gn,~., Cc)1nenius, Hobbes Roussea11 e


Kant,

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·~r ~-1:: r,utros, o projeto ilugi.iiust.a da escola foi se constituindo como fonte de formação,

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11~ i .. uçào, educação, moralização, socialização, discipliname11to e controle. Ivfas não parou
por

i i lC0111orou -na c-.ontemporaneidade novas funções co1no a produção da liberdade


indivic±ual - - .

:<- ~- ~1tonoll_!ia, da demoqatização, da emancJpa_ção, da cidadania e da igualda~e. Com


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,: "' ~ ~ atributos, a escola é hoje um lugar privilegiado de p1·odução e reprodução civilizatória


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