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CONSERVATÓRIO DE MÚSICA DE BARCELOS

A Registação do órgão no século XVIII

Prova de Aptidão Artística

Barcelos, 2018/2019

Discente: Inês da Silva Ferreira

Turma: 8ºS
1
Orientador: Professor Daniel Ribeiro
CONSERVATÓRIO DE MÚSICA DE BARCELOS

Prova de Aptidão Artística

Curso Secundário de Música,


variante instrumental de
Órgão

Barcelos, 2018/2019

Discente: Inês da Silva Ferreira

Turma: 8ºS
2
Orientador: Professor Daniel Ribeiro
Agradecimentos,

Aos meus pais e irmão, pelo apoio que me deram em todas as fases da minha vida,
que se revelou crucial para a elaboração desta Prova de Aptidão Artística. Agradeço-
lhes a sua compreensão e a habitual motivação com que pude contar ao longo deste
trabalho.

Ao meu orientador, Prof. Daniel Ribeiro, por todo o apoio e paciência que teve
comigo. Agradeço-lhe pela sua boa disposição, compreensão, conselhos e total
disponibilidade que revelou em todas as fases do trabalho e, acima de tudo, pela
confiança que depositou em mim.

3
Índice

I – Introdução -------------------------------------------------------------------------------------- 8
II – Desenvolvimento --------------------------------------------------------------------------- 10
1. História do órgão ------------------------------------------------------------------- 10
2. Aspetos fundamentais do funcionamento do órgão ---------------------------- 11
3. Medidas dos tubos ----------------------------------------------------------------- 13
4. Tipos básicos de tubos: labiais e de palheta ----------------------------------- 14
4.1 Tubos labiais -------------------------------------------------------------------- 15
4.1.1 Características dos tubos labiais ------------------------------------ 15
4.1.2 Família dos Principais ----------------------------------------------- 17
4.1.3 Família das Flautas --------------------------------------------------- 18
4.1.4 Família das Cordas --------------------------------------------------- 18
4.1.5 Família dos Híbridos ------------------------------------------------- 19
4.2 Tubos de palheta --------------------------------------------------------------- 19
4.2.1 Características dos tubos de palheta -------------------------------- 19
4.2.2 Palhetas corais --------------------------------------------------------- 20
4.2.3 Palhetas solísticas ----------------------------------------------------- 21
5. Registação nas diferentes escolas ------------------------------------------------ 23
5.1 Alemanha ------------------------------------------------------------------------- 23
5.1.1 Os órgãos -------------------------------------------------------------- 23
5.1.1.1. Norte e Centro da Alemanha ------------------------------ 23
5.1.1.2. Sul da Alemanha -------------------------------------------- 24
5.1.2. Prática de Registação -------------------------------------------------- 25
5.1.2.1. O Plenum ----------------------------------------------------- 25
5.1.2.2. Registação e textura musical ------------------------------- 26
5.1.2.3. Acoplamentos ------------------------------------------------ 29
5.2 Inglaterra -------------------------------------------------------------------------- 30
1.2.1. Os órgãos --------------------------------------------------------------- 30
1.2.2. Prática de registação -------------------------------------------------- 31
1.2.2.1. Full Organ Voluntaries ------------------------------------ 31
1.2.2.2. Solo Voluntaries -------------------------------------------- 31
5.3 França ----------------------------------------------------------------------------- 32
5.3.1. Os órgãos ------------------------------------------------------------------ 33

4
5.3.2. Prática de Registação ---------------------------------------------------- 33
5.3.2.1. Tipos de peças ----------------------------------------------- 34
5.4 Itália ------------------------------------------------------------------------------- 36
5.4.1. Os órgãos ------------------------------------------------------------------ 36
5.4.2. Prática de Registação ---------------------------------------------------- 37
5.4.2.1. Ripieno -------------------------------------------------------- 37
5.4.2.2. Mezzo-ripieno ------------------------------------------------ 37
5.4.2.3. O Principale e a Voce Umana ----------------------------- 38
5.4.2.4. Registos da família das flautas ---------------------------- 38
5.4.2.5. Palhetas e efeitos especiais --------------------------------- 39
5.5 Península Ibérica ----------------------------------------------------------------- 39
6. A registação no meu reportório atual ------------------------------------------- 41
6.1. Toccata per l’Elevatione de Frescobaldi ------------------------------------ 41
6.2. Praeludium et Fuga in c, BWV 549, J. S. Bach --------------------------- 41
6.3. Wachet auf, ruft uns die Stimme, BWV 645, J. S. Bach ------------------ 41
6.4. O Mensch, bewein’ dein’ Sünde groβ, BWV 622, J. S. Bach ------------ 42

III – Conclusão ----------------------------------------------------------------------------------- 43

IV - Bibliografia e Webgrafia ------------------------------------------------------------------ 46


1. Bibliografia ------------------------------------------------------------------------------ 46
2. Webgrafia -------------------------------------------------------------------------------- 47

V – Anexos --------------------------------------------------------------------------------------- 48

5
Índice de Figuras

Figura 1 – Mecanismo do hydraulos ----------------------------------------------------------- 9

Figura 2 – Esboço do mecanismo de funcionamento do órgão ---------------------------- 11

Figura 3 – Puxadores de registos -------------------------------------------------------------- 13

Figura 4 - Tubo labial --------------------------------------------------------------------------- 14

Figura 5 – Tubo de palheta --------------------------------------------------------------------- 18

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Índice de Anexos

Anexo 1 – Características do órgão de St. Michael’s Church, Hamburg (Arp Schnitger,


1712-15) ------------------------------------------------------------------------------------------ 49

Anexo 2 – Fotografias do Ógão de St. Michael’s Church, Hamburg (Arp Schnitger,


1712-15) ------------------------------------------------------------------------------------------ 50

Anexo 3 – Características do órgão de Castle Church, Altenburg (Tobias Heinrich


Gottfried Trost, 1735-39) ---------------------------------------------------------------------- 51

Anexo 4 – Fotografiaa do Órgão de Castle Church, Altenburg (Tobias Heinrich


Gottfried Trost, 1735-39) ---------------------------------------------------------------------- 52

Anexo 5 – Características do Órgão de Franziskanerkirche, Viena (Johann Weckerl,


1642) ---------------------------------------------------------------------------------------------- 53

Anexo 6 – Fotografias do Órgão de Franziskanerkirche, Viena (Johann Weckerl, 1642) -


------------------------------------------------------------------------------------------------------ 54

Anexo 7 – Características do órgão da Igreja de St. George, Hanover Square, Londres


(Gerard Smith, 1725) ---------------------------------------------------------------------------- 55

Anexo 8 – Fotografia do Órgão da Igreja de St. George, Hanover Square, Londres


(Gerard Smith, 1725) ---------------------------------------------------------------------------- 56

Anexo 9 – Características do Órgão da Igreja de Saint-Gervais, Paris (M. Langhedul,


1601) ---------------------------------------------------------------------------------------------- 57

Anexo 10 – Fotografia do Órgão da Igreja de Saint-Gervais, Paris (M. Langhedul, 1601)


------------------------------------------------------------------------------------------------------ 58

Anexo11 – Características do órgão da igreja de Santa Maria della Grazie, Pistoia


(Tronci, 1755) ------------------------------------------------------------------------------------ 59

Anexo 12 – Características do Órgão do Evangelho da Sé de Braga --------------------- 60

Anexo 13 – Fotografias do Órgão do Evangelho da Sé de Braga ------------------------ 61

7
I – Introdução
O presente documento constitui a prova de aptidão artística, produzida no âmbito
da conclusão do Curso Secundário de Música.

O órgão de foles surgiu no século IV a partir da evolução do órgão hidráulico


(inventado no século III a. C. na Grécia Antiga). Classifica-se como sendo um
instrumento de sopro, um aerofone, porque é constituído por tubos e simultaneamente,
um instrumento de teclas. Este aerofone possui várias cores sonoras às quais damos o
nome de registos, o que permite que seja um instrumento com uma enorme
multiplicidade tímbrica – característica que o torna único. Enquanto o piano ou o
violino, por exemplo, têm sempre o mesmo timbre independentemente de como são
tocados, o órgão permite que o organista escolha a cor sonora que pretende para o seu
reportório.

Ao longo dos tempos a forma como a registação foi utilizada teve influência no
reportório organistico que varia ao longo das diferentes épocas e regiões. Numa fase
inicial, o órgão tinha apenas um som. A partir do século XV, os processos de construção
permitiram uma diferente utilização do seu timbre, na medida em que proporcionavam a
utilização de diferentes registos. Este desenvolvimento teve o seu apogeu no século
XVIII, altura em que o reportório para o instrumento atingiu a sua maior maturidade a
nível de quantidade e qualidade. O que resultou no aparecimento de uma multiplicidade
de diferentes escolas de órgão, cada uma com especificidades do ponto de vista da
registação.

Sendo esta uma época nuclear para o reportório organístico decidi restringir o
âmbito deste trabalho ao século XVIII, uma vez que representa o culminar da era da
música para órgão ao longo dos tempos e consequentemente a utilização de registos.

Até ao século XIX o órgão era essencialmente um instrumento de igreja e servia a


liturgia. A partir do século XIX devido à revolução francesa e à perda de poder da igreja
(conjuntura social, política e económica em toda a Europa), a música para órgão
conheceu um período de grande declínio que só nos finais do século foi contrariado.

Tendo em conta a elevada importância da registação para a performance do


instrumento, o principal objetivo deste trabalho é aprofundar os conhecimentos das

8
principais características das escolas de órgão na Europa no século XVIII e conhecer as
suas especificidades, de forma a fazer uma escolha mais consciente e informada da
registação que utilizo nas obras que vou executando e estudando ao longo do meu
percurso académico.

Através de uma pesquisa bibliográfica procuro sintetizar as principais


características das diferentes escolas de órgão e pôr em prática os conhecimentos
adquiridos através da análise de partituras.

Espero com este trabalho enriquecer o meu percurso escolar e conhecer melhor o
meu instrumento e a sua história. A história é muito importante na execução de qualquer
instrumento e, em específico no órgão, é imprescindível.

9
II – Desenvolvimento
1. História do órgão

A aplicação de um mecanismo que permite introduzir ar à pressão nos tubos é


geralmente atribuída ao grego Ktesibos de Alexandria, cerca de 250 a. C. por ter sido
ele o inventor do órgão hidráulico (hydraulos), representado na figura 1. O instrumento
usou-se até ao século V, altura em que foi substituído pelo órgão pneumático. Ambos os
instrumentos tinham um “teclado” muito rudimentar constituído por uma série de
linguetas ou régua perfuradas que se puxavam para dar a nota e empurravam para a
terminar. Assim, eram necessárias várias pessoas, para manejar não só os foles mas
também o teclado. Estes instrumentos seriam obviamente adequados apenas à execução
de música monódica com notas longas. (Henrique, 2004, p. 648)

Figura 1 – Mecanismo do hydraulos

10
2. Aspetos fundamentais do funcionamento do órgão

O órgão de foles surgiu no século IV a partir da evolução do órgão hidráulico


(inventado no século III a. C. na Grécia Antiga). Classifica-se como sendo um
instrumento de sopro, um aerofone, porque é constituído por tubos e simultaneamente,
um instrumento de teclas.

O ar é emitido no órgão através de um fole, que, durante muito tempo era


acionado por foleiros (homens) hoje substituídos por motores elétricos. O ar vai para
um reservatório, criado de forma a estabilizar a pressão (pode também possuir um
manómetro para a medir).

De seguida o ar é conduzido por tubagens apropriadas para uma caixa fechada (o


secreto). Por cima desta está colocado o someiro (uma grande caixa de madeira)
dividido em canais alongados (as gravuras).

No secreto existe uma série de sopapos (válvulas) que quando abrem deixam
passar o ar para cada uma das gravuras. Estas têm várias aberturas ao longo do seu
comprimento; no entanto, o ar não passa por elas por estarem tapadas pelas réguas dos
registos.

Por sua vez, as réguas dos registos também têm orifícios, mas estes encontram-se
desalinhados com os das gravuras. Quando se puxa um registo, estes orifícios passam a
coincidir e o ar pode por fim entrar nos tubos que correspondem a esse registo; mas para
que isso aconteça é necessário carregar numa tecla pois é esta que comanda a abertura
do sopapo correspondente à nota desejada.

Os tubos são mantidos na vertical por dois pontos de fixação: logo por cima dos
registos entram numa tábua perfurada, e mais acima passam também pelos orifícios de
uma outra placa (o contra-someiro). (Henrique, 2004, p.646)

Ao conjunto formado por estes dispositivos de captação, retenção e envio do ar


comprimido à tubaria, bem como a regulação da sua pressão, dá-se o nome de
pneumática. (Reis, 2017, p.7)

11
Figura 2 – Esboço do mecanismo de funcionamento do órgão

12
3. Medida dos tubos
Chamamos de “pés” à unidade de medida utilizada para medir o comprimento dos
tubos. Um “pé” equivale a 30,5 centímetros. Um registo rotulado de 8 pés (8’) soa à
altura real do texto musical. Os registos de 8’ constituem a base sonora do órgão,
podendo depois se misturar com outros registos para enriquecer o timbre. Um registo de
4’ soa uma oitava acima do texto musical (um de 2’ soa duas oitavas a cima, um de 16’
uma oitava a baixo, e por aí fora).
É importante ter este conhecimento porque o som produzido pelo órgão varia
com o comprimento do tubo. O número apresentado dá-nos a conhecer o tamanho do
maior tubo do registo selecionado e a oitava em que se insere. Por exemplo, o maior
tubo (Dó grave) de um registo do tipo Principal 8’ tem uma altura de 8 pés (em
abreviatura, 8’) - cerca de 2 metros e meio. O tubo do Dó imediatamente acima já só
tem metade da altura. Este atributo relativo aos “pés” indica-nos, à partida, apenas a
altura a que soa o registo.
Os jogos habituais são de 32’, 16’, 8’, 4’, 2’ e 1’, contudo pode-se encontrar
registos de 64’ na pedaleira dos maiores órgãos do mundo. Deste modo o tamanho dos
tubos pode variar entre 19 metros (64’) e 1 centímetro (tubo mais pequeno de um jogo
de 1’).
Os nomes dos registos derivam do som, da forma, da altura sonora ou da
localização dos tubos. Alguns registos têm o nome dos instrumentos que pretendem
imitar, como a trompete ou o oboé (no entanto estes registos não imitam
necessariamente os instrumentos modernos da orquestra sinfónica, pois o seu timbre é
muito anterior a eles). (Henrique, 2004, p. 642)

13
4. Tipos básicos de tubos: labiais e de palheta

Por cada cor sonora que um órgão dispõe, está associado um tubo que por sua vez
está associado a uma tecla. Podem existir entre uma a mais de cem cores sonoras em
grandes órgãos – é como ter cem instrumentos diferentes à disposição. Na caixa do
órgão, os tubos organizam-se em filas de acordo com estas cores sonoras. Para colocar
em funcionamento estas filas, o organista aciona um puxador ou interruptor, chamando
os correspondentes “registos” ou “vozes”.

Figura 3 – Puxadores de registos

No órgão há dois tipos fundamentais de tubos a saber: tubos labiais e tubos de


palheta. Os primeiros baseiam-se no princípio da flauta de bisel, enquanto os segundos
se baseiam no princípio fundamental dos instrumentos de sopro de palheta, como o
oboé. Para marcar esta distinção, o nome dos registos de palheta está escrito a vermelho
nos botões/puxadores (ou a cor diferente dos labiais). Em termos tímbricos, importa
salientar que os tubos de palheta são invariavelmente mais ricos, ou seja, possuem mais
harmónicos1. (Mota, 2000, p.5)

1
Uma única nota no violino tem várias e diferentes frequências dentro dela. Não só a fundamental que
ouvimos. (…) Chamamos a estas frequências escondidas, harmónicos. Pode demonstrar-se que uma corda
soa simultaneamente na frequência fundamental e em todas as suas frequências múltiplas inteiras. Cada
uma dessas frequências é um harmónico.

14
4.1. Tubos labiais

4.1.1. Características dos tubos labiais

Dá-se o nome de tubos labiais (ou flautados) aos tubos que na sua constituição
não apresentam partes móveis. Têm o nome de “labiais” porque são parecidos com
lábios. Este tipo de tubo produz o som apenas pela vibração, o mesmo que acontece
com a flauta de bisel.

Corpo do tubo

Lábio superior
Boca Lábio inferior

Calcanhar

Figura 4 – Tubo labial

Os tubos labiais são constituídos por: calcanhar, pé, lábio inferior, boca, lábio
superior e corpo. O calcanhar é onde o tubo assenta no someiro. É por aí que recebe o
ar, devidamente pressurizado, a partir do fole e respetivo regulador de pressão. Nas
zonas laterais da boca podem existir, na vertical, umas placas denominadas orelhas e
também sobre a zona dos lábios pode haver um rolete ou barba. Servem ambos para
estabilizar a produção de som dos tubos mais graves do espectro sonoro. No interior do
tubo, em frente à zona da boca, existe uma placa denominada alma que dirige o fluxo de
ar para fora do tubo, em direção ao lábio superior. Mas a alma, ao fazer uma forte
restrição ao fluxo de ar dentro do tubo, aumenta a velocidade do ar, baixando
drasticamente a sua pressão, abaixo dos níveis da pressão atmosférica. Assim, o ar, na
boca do tubo, é empurrado novamente para dentro do tubo, criando-se a partir da boca
um campo de pressões dentro do tubo, ao longo do seu corpo. É, pois, devido ao
fenómeno vibratório criado nesta zona que se obtém som, sendo pois que a boca e alma
são peças-chave nesta questão. (Mota, 2000, p.6)

15
O ar dos foles é conduzido até à abertura e é enviado contra o lábio do tubo. Este
fluxo de ar cria ondas de alta e baixa pressão dentro da coluna de ar do tubo que, ao se
juntarem, formam a nota.

Dependendo da construção (material, tamanho e forma) do tubo, o som produzido


pelo mesmo varia. Ou seja, diferentes registos têm diferentes características de tubos.
Os tubos labiais podem ser de madeira ou de metal (liga de estanho e chumbo), abertos,
tapados ou meio-tapados.

O facto de se tapar a extremidade de um tubo labial faz com que o som obtido soe
uma oitava abaixo do que soaria num tubo aberto com o mesmo comprimento. Isto
permite construir órgãos mais pequenos e económicos. Os tubos dos registos graves da
pedaleira são por vezes tapados, pois em vez de medir 16’ (5 metros) medem metade, o
que facilita a construção do instrumento. Contudo, uma característica acústica de
qualquer tubo tapado é que apenas pode produzir harmónicos de ordem ímpar (1º, 3º, 5º,
etc.), pelo que um tubo fechado será sempre menos brilhante por natureza do que um
tubo aberto. Característica que permite aumentar a variedade tímbrica possível no
órgão.

Devido a serem mais facilmente construídos, os tubos de metal possuem por


norma uma secção redonda, seja constante (tubo cilíndrico) ou variável (tubo cónico
normal – tubo que estreita para o topo - ou cónico invertido – tubo que abre em
pavilhão). Mas também podem existir em formato prismático, piramidal, entre outros.
Nos primórdios, o metal ideal era o chumbo “puro” contudo posteriormente no século
XVIII testaram o estanho “puro”. Atualmente é utilizada uma liga de chumbo-estanho
na constituição dos tubos de metal.

Os tubos de madeira são normalmente retangulares com os quatro lados com a


mesma largura. No entanto, podem alargar ou estreitar ao longo do corpo. Geralmente
são feitos de madeiras mais duras mas a secção inferior é feita de madeira mais
flexíveis.

Tanto os tubos de metal como os de madeira podem ser não só do tipo aberto e
tapado mas também do tipo meio-tapado (ou meio-aberto), possuindo, neste caso, uma
chaminé no seu topo. Na nomenclatura germânica, qualquer registo com prefixo ”Rohr”
no nome é deste tipo, como por exemplo, Rohrflöte 8’. Noutras nomenclaturas, faz-se

16
na designação do registo uma alusão direta à chaminé, como por exemplo, Flauta de
Chaminé.

Os tubos labiais são agrupados por diversas famílias de acordo com as suas
características básicas em termos da cor sonora. As famílias dos tubos labiais são três:
Principais, Flautas e Cordas.

As famílias distinguem-se pelas características de timbre. Uma vez definido o


material do tubo; se é aberto, tapado ou meio-tapado; e qual a forma geral do seu corpo;
o timbre é radicalmente alterado em função da medida do tubo. A medida de um tubo é
a relação entre o comprimento do seu corpo e o seu diâmetro. Quanto maior a medida
do tubo, mais doce e suave é o som e, por outro lado, quanto menor essa medida, mais
harmónicos soam (o que torna o timbre mais brilhante). Deste modo, dois tubos com as
mesmas características de produção e com a mesma liga de composição (por exemplo,
metálico cilíndrico aberto) podem apresentar características de timbre completamente
diferentes dependendo da sua medida e se são abertos ou tapados. Não podemos deixar
de ter em atenção que o timbre pode ainda ser regulado por modificações na boca do
tubo, na pressão do ar, etc…

4.1.2. Família dos Principais

A família dos Principais têm uma sonoridade forte e um timbre claro, sendo os
verdadeiros representantes do som do órgão (porque não têm como objetivo imitar um
instrumento já existente). Estes registos são muitas vezes utilizados para a liturgia. São
sempre tubos abertos, por norma de metal, mas em órgãos antigos podemos encontrar
Principais de madeira, como é o caso do registo Open Diapason. Esta família possui
tubos de todas as alturas, (desde 32’ a 1’) e é também nela que estão agrupados todos os
registos do tipo mistura (exceto o Cornet e a Sesquialtera) e alguns do tipo mutação.
São exemplos de registos desta família os seguintes:

Principais (8’ ou 16’): - Principal/Diapasão/Monte/Flautado

Principais (4’ e 2’): - Principal 4’/Oitava/Prestant


- Principal 2’/Doublette/Quinzena/Superoktave

17
Principais (misturas e mutações): - Quinta 2+2/3’
- Mixtur VI
- Simbala III

4.1.3. Família das Flautas

A família das Flautas inclui tubos de medida laga e tubos tapados. Esta é a família
normalmente mais abundante no órgão. Possui uma sonoridade menos rica em
harmónicos do que os Principais, o que torna o seu timbre parecido com o de uma
flauta. A amplitude sonora desta família é menos forte que a dos Principais.

Os tubos dos registos desta família podem ser de madeira ou de metal e existem
também numa grande variedade de alturas. Quase todos os registos com o nome “
Flauta” (ou com um prefixo, como por exemplo Hohflöte) são tubos abertos; os registos
Stopped Diapason e Quintalhão são exemplos de tubos tapados de metal; o registo
Bordão (Tapado em português, ou Gedackt em alemão) é um exemplo de tubos tapados
de madeira. São exemplos de registos desta família os seguintes: Flauta de Chaminé;
Flauta tapada; Pommer 8’; Bordão; Nazard, Larigot, Tierce.

4.1.4. Família das Cordas

A família das Cordas inclui tubos de medida estreita o que torna o timbre dos
registos pertencentes a esta família muito mais rico em harmónicos que os Principais.
Em termos de amplitude sonora encontram-se ao nível das Flautas, ou seja, menos
“fortes” que os Principais. Apesar destes registos não tentarem imitar a 100% as cordas
orquestrais, possuem na mesma uma sonoridade “quente” e expressiva. Como estas
características são maioritariamente do órgão romântico, é nestes instrumentos que
podemos encontrar a maior variedade deste tipo de registos. Ao contrário das outras
famílias, esta existe numa diversidade limitada de alturas, normalmente apenas 8’ e 4’ e
raramente 16’. São exemplos de registos desta família os seguintes: Viola; Viola de
Gamba; Dulciana; Salicional; Voz Celeste.

18
4.1.5. Família dos Híbridos

Apesar de não ter sido enumerada anteriormente, esta família existe com o
objetivo de agrupar todos os registos que não se enquadram nem nas características da
família das Flautas nem das Cordas e que se encontram a nível tímbrico entre estas,
como por exemplo Gemshorn (ou Flauta cónica) e o Erzähler. Estes registos existem
frequentemente em versão Celeste.

Qualquer registo com o nome Celeste pode ser de fila única ou de duas filas (2
tubos por nota) caso esteja escrito “II” no puxador/botão. Quando o registo é apenas de
uma fila, os tubos são afinados um pouco acima dos restantes tubos do órgão com o
intuito de se utilizado juntamente com outro registo e provocando uma sensação de
ondulação, tal como interessava aos românticos.

4.2. Tubos de Palheta

4.2.1. Características dos tubos de palheta

Dá-se o nome de “tubos de palheta” aos tubos que possuem partes móveis na sua
constituição.

Figura 5 – Tubo de Palheta

19
Os tubos de palheta têm uma lingueta ou palheta metálica que vibra contra um
corpo também metálico chamado chalota ou cânula. A palheta é presa contra a chalota
por um cunhete. A chalota é ligada a uma peça denominada bloco, que comunica as
vibrações do conjunto palheta/chalota ao corpo ressoador. A palheta, chalota, cunhete e
bloco encontram-se prendidos a um tubo de forma cilíndrica denominado pé. A afinação
do tubo faz-se através de uma vareta (guiador ou estrângulo) solidária com o cunhete e
também em alguns casos por pequenas modificações no pavilhão do corpo ressoador,
através de uma cortina rolante. A forma da palheta é que determina em grande parte as
características de altura, intensidade e timbre. O facto de existir um elemento móvel
neste tipo de tubos – a palheta – explica o brilhantismo tímbrico obtido pelos mesmos,
comparado com os labiais.

O corpo ressoador, que pode ser aberto ou fechado, de metal ou de madeira, não
tem boca e serve “apenas” para amplificar o som, tendo em conta que as suas dimensões
e forma influenciam muito o timbre e qualidade do som produzido.

Sendo que a espessura da palheta e o comprimento da secção vibrante determinam


o número de vibrações produzidas pela mesma, a altitude do registo não depende do
tamanho do corpo ressoador (o acontece com os tubos labiais). Assim, podem existir
tubos de palheta de 16’ que medem pouco mais de um palmo de comprimento. A força
do som depende por sua vez da espessura da palheta e da pressão do ar a que o tubo
opera. Em qualquer um dos casos, o corpo ressoador, que pode surgir numa infinidade
de formas e tamanhos, seja em madeira ou metal, interfere muito no timbre final. Tal
como os tubos labiais, os tubos de palheta podem ser agrupados em duas grandes
“famílias”: as palhetas Corais e Solísticas. Esta organização é feita consoante a sua
utilização, ou seja, se têm como objetivo reforçar o “órgão pleno” ou serem utilizados
para solos. Contudo, esta divisão é ambígua e muitos registos podem desempenhar
ambas as funções.

4.2.2. Palhetas Corais

As palhetas Corais pertencem maioritariamente à família das Trompetes. São


exemplos de registos desta família os seguintes: Trompete; Trompa, Trombone; Tuba,
Clairon 4’; Trompete Harmónico; Posaune, Bombarde. Apesar dos nomes destes

20
registos sugerirem instrumentos de metal já existentes, a sonoridade a si associada não é
exatamente a mesma.

Estes tubos caracterizam-se por possuir ressoadores cónicos aproximadamente do


tamanho de um equivalente labial e são frequentemente montados “em chamada”
(horizontalmente, fora da caixa do órgão). Este tipo de palhetas tem o objetivo de
reforçar a sonoridade de “cheio”. Apesar de serem palhetas corais, estes registos podem
também ser utilizados em solos, caso a linha melódica não seja demasiado estática.
Usadas quer solística quer polifonicamente, a combinação de um Trompete com um
Cornet é comum, de forma a suavizar o timbre.

4.2.3. Palhetas Solísticas

Apesar de algumas palhetas Solísticas poderem também servir para sustentar o


cheio, estes registos destinam-se a solos, sendo usual combiná-los com um fundo de
Flauta. Os ressoadores das palhetas Solísticas são bastante mais curtos que os das
palhetas Corais. Dentro das palhetas solísticas existe uma divisão possível por famílias:
as famílias dos Oboés, dos Clarinetes e tipo orquestral.

Os tubos da família dos Oboés apresentam ressoadores cónicos estreitos, e, em


termos tímbricos assemelham-se aos trompetes, mas mais suaves. Oboé; Shalmei e
Fagote são exemplos de registos desta família.

No que toca à família dos Clarinetes os ressoadores são cilíndricos. Como já referi
anteriormente, o tamanho do ressoador interfere muito no timbre do tubo e, nesta
família em particular, existe uma grande distinção de timbres, como por exemplo o
Regal que, ao possuir um ressoador muito mais curto, tem uma sonoridade rústica e
penetrante. Os registos Clarinete, Cromorno e Dulciana (que também existe em
“versão” de tubo labial) são exemplos de registos desta família com ressoador dito
“normal” e, quando se encurta o tamanho do ressoador podemos ter registos como
Ranket, Regal e Zink.

A última família, a família das palhetas Orquestrais, aparece em órgãos mais


recentes e visa imitar os sons da orquestra moderna. O facto da palheta de certos

21
registos vibrar sem bater na cânula, confere um timbre muito mais doce. São exemplos
desta família os seguintes: Corne Inglês, Oboé de Orquestra e Clarinete de Orquestra.

22
5. Registação nas diferentes escolas

Como referi anteriormente, o desenvolvimento da registação teve o seu apogeu no


século XVIII, altura em que o reportório para Órgão atingiu a sua maior maturidade a
nível de quantidade e qualidade. O que resultou no aparecimento de uma multiplicidade
de diferentes escolas de órgão, cada uma com especificidades do ponto de vista da
registação.

5.1. Alemanha

5.1.1 Os órgãos

5.1.1.1. Norte e Centro da Alemanha

Hamburgo tornou-se, em 1700, a cidade mais importante na construção do órgão


nórdico alemão, devido à “Escola de Hamburgo” onde se encontrava o maior organeiro
da época Arp Schnitger. Este importante organeiro Holandês esteve ativo entre 1670 e
1719. Os seus órgãos encontram-se essencialmente concentrados nas redondezas de
Hamburgo, Bremen e Groningen. Apesar das mudanças significativas no estilo que se
registaram noutras partes da Alemanha, aquando da morte de Schnitger, a influência do
“Órgão de Hamburgo” manteve-se por cerca de meio século no Norte Centro da
Alemanha. O Órgão da igreja de St. Michael´s (Anexos 1 e 2) é um dos exemplos dos
órgãos construídos por este organeiro e um bom exemplo de um órgão do Norte da
Alemanha. (OWEN, 1999, p. 141)

Os órgãos do Norte da Alemanha caracterizam-se por possuírem 3 manuais


(Hauptwerk, Rückpositiv, Brustwerk) e pedaleira. Como podemos observar nas
características do Órgão da igreja de St. Michael´s (representadas no anexo 1) é notório
o organo pleno em cada teclado e a utilização de uma estranha variedade de flautas,
palhetas e mutações - registos que permitem combinações de solo brilhantes.

Em comparação com os órgãos do Norte da Alemanha, os da Alemanha Central


possuem algumas diferenças, especialmente depois de 1700. Possuem apenas algumas
palhetas, principalmente nos manuais; as misturas possuem, por norma, três filas; e o
Rückpositiv, apesar de não ser desconhecido, era menos utilizado. Existia um desejo de
23
gravidade e solenidade no órgão que era normalmente conseguido através da utilização
de registos de 32’ e 16’ na pedaleira. Havia também um interesse por registos imitativos
de 8’ e 4’ - flautas como a Querflöte e a Flöte douce e cordas como a Viola de Gamba e
a Salizional – que eram utilizados simultaneamente e/ou com outro registo de 8’ e 4’
para produzir combinações coloridas.

O órgão de Castle Church em Altenburg do organeiro Tobias Heinrich Gottfried


Trost (Anexos 3 e 4) tem várias das características dos órgãos da Alemanha Central
mencionadas anteriormente. J. S. Bach tocou neste órgão pouco depois da sua
construção e gostou bastante do mesmo. (BROCK, 2002, p.132)

5.1.1.2. Sul da Alemanha

Os órgãos da Áustria e do Sul da Alemanha são um pouco mais modestos em


relação aos do Norte e podem ir de um Positiv com apenas cinco ou seis registos a,
ocasionalmente, três manuais. O instrumento mais comum tem cerca de vinte registos:
um Hauptwerk baseado no Principal 8’ (sem um registo de 16’), um Rückpositiv
baseado num Principal 4’, suportado por um Gedackt 8’ chamado “Copel” (também
“Koppel”, ou “Copula”), e uma pedaleira baseada num Principal 16’ ou 8’. A pedaleira
tinha uma amplitude muito curta e era utilizada para reforçar o teclado nas notas longas
e cadências. Os únicos registos de palheta do órgão encontrava-se normalmente na
pedaleira e eram de 16’ e/ou 8’, e serviam para reforçar o baixo.

O órgão da igreja Franciscana de Viena (Anexos 5 e 6), construído durante o


período de atividade de Froberger 2, é um exemplo de um órgão desta região da
Alemanha.

O conceito geral dos órgãos desta zona mudou muito pouco até ao século XIX,
contudo, depois de 1700, começaram a aparecer algumas características semelhantes às
dos órgãos da Alemanha central, principalmente a busca por uma variedade de registos
de 8’ e 4’ e um baixo mais graves. Os órgãos foram incluindo registos como Viol di
Gamba, Salizional e Dulziana.

2
Johann Jacob Froberger foi um compositor e organista alemão do Barroco, nascido a 18 ou 19 de maio
de 1616 em Stuttgart e falecido a 6 ou 7 de maio de 1667.

24
5.1.2. Prática da Registação

Ao contrário dos seus contemporâneos em França, os organistas alemães


deixaram pouca informação acerca da registação. Existem várias razões para isso:
dentro do estilo de construção dos órgãos alemães existiam numerosas diferenças de um
órgão para o outro e de uma região para a outra, o que fez com que não existisse apenas
um modelo de órgão para servir como referência, ao contrário do que acontecia em
França, Inglaterra e Itália. Além disso, a arte da registação do órgão parece ser, em
grande parte, uma tradição oral passada de professor para aluno. Muitas das instruções
de registação escritas existentes parecem ser sugestões de combinações de registos
específicas para um órgão em particular, escritas para benefício do organista, e que
apenas dão algumas dicas sobre que tipos de peças podem ter sido tocados com
combinações de registos específicas. É necessário também relembrar que a maior parte
da música organística era improvisada, situações nas quais o organista utilizava os
registos como lhe aprazia. Felizmente todas as evidências disponíveis juntas geram
algumas pistas sobre a forma como os órgãos eram utilizados.

Fundamentalmente a registação era dividida em dois tipos: o Plenum e as


restantes combinações de registação mais pequenas.

5.1.2.1. O Plenum

O Plenum (no plural “plena”), também chamado organo pleno e das volle Werk,
era análogo ao Plein jeu francês, ao Ripieno italiano, e ao Full Organ inglês. No
teclado, o Plenum consistia em todos os registos Principais, Octavas, Quintas e
Misturas. Se numa divisão não existisse nenhum Principal de 16’ ou 8’, um registo de
flauta era utilizado como base. O Plenum também incluía Sesquialteras e outros registos
em que soam as terceiras. Cada teclado tinha a sua registação de Plenum, e a registação
de Plenum do Hauptwerk podia ser aumentada recorrendo ao acoplamento do Plenum
de outra divisão.

Na pedaleira, o Plenum incluía todos os registos de Principais, Octavas, Quintas e


Misturas, com palhetas, especialmente de 32’, 16’, e 8’.

25
As palhetas germânicas tendem a combinar bem com outros registos, e, por isso,
eram aceites ocasionalmente em adição ao Plenum.

Além de ser usado para o acompanhamento de canto congregacional, o Organo


Plenum era associado às performances de peças livres, como Prelúdios, Toccatas,
Passacaglias, Chaconnes, Fantasias, e Fugas. A estrutura seccional de alguns dos
prelúdios do Norte da Alemanha ofereceu oportunidades para contrastar o Plenum das
diferentes secções do órgão. Muitos dos prelúdios de Bach têm a indicação “pro organo
pleno”, em contraste com a obra do Norte da Alemanha, estas obras de Bach tendem a
ser tocadas com a mesma registação do início ao fim, uma vez que não apresentam a
estrutura seccionada e contrastante dos seus conterrâneos da Alemanha do Norte.

Além do Plenum, os órgãos germânicos incluíam também registos de Flauta e


Palhetas. Estes registos podiam ser combinados em quase uma infinidade de
possibilidades, limitadas apenas pela imaginação e bom gosto do organista. As Flautas e
as Palhetas podiam ser combinadas umas com as outras ou com Principais. As
combinações mais pequenas de apenas dois a quatro registos seriam as mais utilizadas.

5.1.2.2. Registação e textura musical

As registações que combinavam Flautas, Palhetas e Principais eram associadas a


performances de vários tipos de peças baseadas em corais, peças em trio e peças
contrapontísticas mais pequenas como a Canzona. Quando se considera a possibilidade
de não utilizar Organo Plenum devemos ter em consideração a textura da composição.

1. Todas as vozes num manual. Para uma peça em apenas um teclado,


independentemente no número de vozes, as possibilidades de registação são quase
infinitas, desde um único registo (Principal 8’, Regal 8’, ou Spitzflöte 4’ sozinhos, por
exemplo), a uma simples combinação de dois, três, ou quatro registos constituídos por
Palhetas, Flautas ou Principais, a um Plenum completo. Texturas fortemente polifónicas
geralmente lucram com a utilização de um ou mais Principais que clarificam as linhas
polifónicas.

26
Muitas peças podem ser bem registadas de mais de uma maneira diferente. Em
“Harmonische Seelenust” George Kaufmann3 regista várias peças com mais do que uma
registação possível, como por exemplo, uma peça pode ser registada com apenas
Principal 8’ e 4’ ou Organo Plenum.

2. Solo e acompanhamento. Existem muitas peças baseadas em corais com


melodia solo na mão direita e acompanhamento na mão esquerda e pedaleira. Um
exemplo típico do Norte da Alemanha pediria uma combinação de solo no Rückpositiv,
muitas vezes indicado como “R”, e acompanhamento numa das outras divisões do
instrumento.

As combinações para o solo são mais nítidas e brilhantes do que o


acompanhamento. As possibilidades incluem:

- Combinações incluindo uma Mistura, como uma Quintadena ou Gedackt 8’,


Principal ou Gedackt 4’, Mixtur ou Zimbel;

-Combinações que incluem Quintas e Terças, por exemplo 8’, 4’, e uma
Sesquialtera, ou 8’, 4’, 2’ e 1-1/3’

- Registações de Flautas com espaço entre elas como 8’ e 2-2/3’, 8’ e 2’, ou 8’, 4’
e 1’, o que torna o som mais destacado.

- Registações com registos de Palheta como por exemplo Trompete 8’ e Zink 8’,
Flöte 4’, Nassat 2-2/3’ e Gomshorn 2’.

A registação do acompanhamento deveria incluir Flautas, Principais ou uma


combinação destas:

- Gedack 8’, Spitzflöte 8’ ou Principal 8’, sozinho;

- Gedack 8’ + Flöte 4’ ou Principal 4’;

- Principal 8’ + Octave 4’.

3
Georg Friedrich Kauffmann foi um compositor e organista barroco do Centro-Norte da Alemanha, que
compôs principalmente obras sa para órgão e voz. Nasceu a 14 de fevereiro de 1679 em Turíngia e
faleceu a 24 de março de 1735.

27
Regal e registos como a Viola de Gamba também são utilizados nos
acompanhamentos.

A registação da pedaleira no acompanhamento é por norma baseada em registos


de 16’ (como Principal, Subbass, ou Violone 16’) com um registo de 8’ (como
Octavbass) que é adicionado para uma maior clareza. Contudo uma registação baseada
em 8’ pode também ser utilizada quando os manuais estão com uma registação mais
delicada, isto é, mais simples.

3. Cantus firmus com uma voz intermédia. Quando o cantus firmus está no
tenor ou no alto pode ser eficazmente posto em evidência com um registo de Palheta
(sozinho ou combinado com registos de Flauta) ou um ou mais registos de Palheta.

4. Duas vozes (“bicinium”). É possível tocar muitas peças para duas vozes em
apenas um teclado, mas muitas vezes fica mais interessante dar a cada voz a sua
registação e cor. É necessário ter em consideração o carácter das vozes na altura de
escolher a registação. Um cantus firmus com uma linha melódica com pouco
movimento deve ser executado com uma registação mais simples (Regal 8’ + Flöte 4’),
enquanto outras linhas melodias com movimentos rápidos podem ser eficazes com
combinações brilhantes, até mesmo com uma registação desfasada. Aparentemente, era
comum utilizar na linha melódica do baixo uma registação que incluía uma Palheta de
16’, por exemplo, um Trompete 16’ + Spitzflöte 8’ + Octave 4’.

5. Trio. Existem duas maneiras de abordar a registação de um trio: (a) com um


contraste entre as duas vozes superiores, e (b) com cores semelhantes nas duas vozes de
superiores. Agricola4 indicou que as registações desfasadas (que têm uma lacuna
sonora) como 8’ + 2’ podem ser usadas para uma voz de um trio, eventualmente
suportando a primeira abordagem (a). (Agricola, 1757)

Kaufmann dá imensas registações bastante interessantes a trios, incluindo


algumas com um contraste entre as duas vozes superiores conseguido através do uso de
um registo de Palheta numa voz e um Principal noutra. Ele também faz a seguinte
registação, na qual as vozes têm uma cor semelhante:

4
J. F. Agricola foi um compositor, organista, cantor e pedagogo alemão nascido a 4 de janeiro de 1720
e falecido a 2 de dezembro de 1774.

28
Mão direita – Hauptwerk: Principal 8’
Mão esquerda – Rückpositiv: Principal 4’ (tocado uma oitava a baixo em relação ao
escrito)
Pedaleira – Subbass 16’, Octavbass 8’

Esta registação permite que a mão esquerda esteja confortável a tocar notas que
originalmente estão numa região desconfortável.

A procura da Alemanha Central pela solenidade no som do órgão conduziu à


inclusão de registos de 16’ no baixo dos trios. Esta prática aplica-se na obra de Bach e
nos seus alunos e contemporâneos; mas muitos trios podem, mesmo assim, ser tocados
efetivamente com registos de 8’ na pedaleira, desde que a voz do baixo nunca se cruze
com nenhuma das vozes dos manuais.

5.1.2.3. Acoplamentos

Nos órgãos modernos, a possibilidade de poder acoplar os manuais ou os manuais


à pedaleira é, geralmente, tomada por garantida. Nos órgãos dos séculos XVII e XVIII
nem sempre isto acontecia. Na maior parte dos órgãos alemães era possível acoplar um
manual ao Hauptwerk, mas não necessariamente todos os manuais se existisse mais do
que um. O acoplamento entre manuais secundários (Brustwerk para o Rückpositiv, por
exemplo) não era comum, contudo existia. Se a pedaleira tivesse um Plenum completo,
por norma o órgão não possuía acoplamento a nenhum manual, ou, na melhor das
hipóteses a um. Claro que em órgãos com poucos registos na pedaleira, o Hauptwerk
tinha que ser acoplado para produzir um Plenum e possivelmente levar a um maior
equilíbrio entre o teclado e a pedaleira, sempre que possível. Os acoplamentos surgiram
inicialmente para obter um Plenum mais massivo quando desejado.

O vasto número de combinações possíveis e a quase inexistência de informação


escrita sobre a prática da registação pelos organistas alemães, dificulta a sua
aprendizagem e sumarização. A melhor forma de a estudar é lendo bastante acerca do
assunto, e, acima de tudo, ouvir muitas gravações com registações utilizadas na época.
A oportunidade de tocar em instrumentos autênticos (instrumentos que não sofreram
alterações ao longo do tempo) permite-nos também ter uma noção mais real das

29
possibilidades de registação e experimentar combinações diferentes. Felizmente,
existem muitos órgãos recentes feitos ao estilo dos séculos XVII e XVIII e esses
oferecem aulas disponíveis acerca de registação.

5.2.Inglaterra

5.2.1. Os órgãos

Os órgãos da Inglaterra construídos entre 1730 e 1820 eram bastante


padronizados. Possuíam normalmente três teclados: Great, Choir, e Swell, que por
vezes era chamado de Echo. Existia, por vezes, um teclado de uma oitava ou uma oitava
e meia na pedaleira. Esta estaria permanentemente acoplada à primeira oitava do Great e
raramente possuía registos independentes. Não existiam acoplamentos entre os teclados.

O órgão da igreja de St. George, em Londres (Anexos 7 e 8) é um exemplo


bastante típico.

Além das características acima mencionadas, existem várias outras particulares


que devemos ter em consideração.

- O nome de cada registo tem o nível de altura do registo implícito, ou seja,


termos como 8’ e 4’ não eram necessários. Diapason significava “registo de 8 pés”,
existiam dois tipos de Diapason o Open Diapason que era um registo da família dos
principais, e o Stopped Diapason que era uma flauta um tanto parecida com o Gedeckt
alemão. O Principal e Flute eram sempre de 4’. O Twelfth e Fifteenth, como está
implícito nos seus nomes, são sempre 2-2/3’ e 2’ 5.

- Os registos utilizados para os solos eram: o Cornet6, os registos de palheta, e,


por vezes, o Flute (Flauta).

- A Sesquialtera era basicamente um registo de mistura e não um registo solista


como nos órgãos alemães, contudo era por vezes incluído um registo de terceira.

5
Sobre mutações ver pág. 17
6
O Cornet é uma mistura ou mutação composta que pode ter até 5 filas. Pode ser de 8’, 4’, 2+2/3’, 2’, e
1+3/5’.

30
- São encontrados outros registos como Dulciana (8’), Cremona (8’), e Bassoon
(8’), que estavam mais vezes no Choir, e o Horn ou French Horn.

5.2.2. Prática de registação

Tal como os órgãos ingleses, também os tipos de peças e as práticas de registação


eram padronizados.

5.2.2.1.Full Organ Voluntaries

O “Full Organ Voluntary” normalmente consiste num movimento introdutório


lento ou imponente seguido de uma fuga um pouco mais rápida. De seguida é
apresentado um exemplo dos registos que poderiam ser utilizados neste tipo de obras:

 Stopped Diapason (que poderia ser usado sozinho)


 Open Diapason
 Principal
 Fifteenth
 Twelfth
 Sesquialtera ou Mixture

Estes registos juntos constituem a registação do Full Organ (equivalente ao


Plenum alemão), que normalmente não incluía registos de solo, como o Tumpet e
Cornet.

Alguns compositores admitiam a hipótese de tocar o movimento introdutório lento


de um Full Organ Voluntary com apenas um Diapasons, adicionando a restante
registação na fuga. Outra variação de registação permitia que o organista reservasse os
últimos registos do Full Organ (i.e. a Mixture ou Sesquialtera) para serem adicionados
entre os dois últimos movimentos. Nos órgãos modernos e noutros que não sejam ao
estilo inglês, tem que ser usada alguma contenção ao registar peças em Full Organ, por
exemplo, evitar registos de 16’ no teclado, registos de palheta e misturas demasiado
fortes.

31
5.2.2.2. Solo Voluntaries

O Solo Voluntary consiste num movimento introdutório lento, tocado com um


Diapasons, e um ou mais movimentos mais rápidos, onde o registo solo da mão direita é
combinado com uma registação mais simples na mão esquerda. Os movimentos solistas
incluem muitas vezes ecos da linha do solo. O acompanhamento era tocado no Great
com os Diapasons; no Choir com Diapason (8’) e Principal (4’); Diapasons e
Dulciana; ou Diapason sozinho se fosse suficiente para equilibrar a linha do solo.
Existem Voluntaries para solo de Trumpet, Cornet, Vox Humana, Bassoon, Cremona e
Flute.

Tumpet: Um solo para Trumpet do Great Organ, (com a opção de adicionar o


Clarion, se presente) com o Diapason. Os ecos do Trumpet teriam sido tocados com o
Tumpet e Diapasons do Swell.

Cornet: Um solo para Cornet do Great Organ, que consistia numa escala de
flautas (8’), 4’, 2’. 2-2/3’, 2’, e 1-3/5’. O Diapason era também pensado com o Cornet.
Os ecos eram tocados nos Diapasons e Cornet do Swell.

Vox Humana, Bassoon, Cremona: A Vox Humana, Basson, e Cremona eram


registos de palheta que eram normalmente encontrados no Choir. Os Stopped Diapason
(e o Open Diapason, quando presente) eram, presumivelmente, utilizados com eles.

Flute: Ao contrário do Stopped Diapason, a Flute (4’) normalmente encontrada no


Choir, era o único registo regularmente utilizado sozinho – como um registo de solo que
imitava a flauta de bísel.

5.3. França

A Escola Clássica de órgão de França expandiu-se entre 1650 e a última década


do século XVIII. O estilo é caracterizado por um sistema bastante elaborado de
ornamentação e por um largo número de subtis formas de execução.

32
5.3.1. Os órgãos

Os órgãos do período clássico francês demonstram uma grande padronização. A


lista de registos do órgão da Igreja de Saint-Gervais (Anexos 9 e 10), em Paris, um
órgão tocado por várias gerações da família Couperin, é um bom exemplo deste tipo de
instrumento. Os tubos das diferentes secções do instrumento (Grand Orgue, Récit, e
Pédale) estavam na parte principal da caixa do órgão. O Positif estava numa caixa
separada mais pequena atrás do organista (como o Rückpositiv alemão).

5.3.2. Prática de Registação

Os organistas franceses dos séculos XVII e XVIII estavam familiarizados com um


número mais ou menos padronizado de registos que era aplicado com alguma
regularidade em alguns géneros de peças.

As registações mais comuns eram as seguistes:

Plein jeu (análogo ao Plenum alemão, ao Ripieno italiano, e ao Full Organ inglês)

Grand Orgue: Montre 16’, Bourdon 16’, Montre 8’, Bourdon 8’, Prestant 4’,
Doublette 2’, Fourniture, Cymbale

Positif: Monre 8’, Bourdon 8’ Prestant 4’, Doublette 2’, Fourniture, Cymbale

Positif acoplado ao Grand Orgue

Pédale: Tompette 8’, Clairon 4’

Grand plein jeu ou Plein jeu indica o som do Grand Orgue acoplado ao do
Positif. Petit plein jeu indica o som apenas do Positif. A registação da pedaleira com
Trompetes (e Clairon) é usada apenas quando existe um cantus firmus com noas longas
na pedaleira ou quando o compositor o pede especificamente.

Grand jeu

Grand Orgue: Tumpette 8’, Clairon 4’, Cornet, Bourdon 8’, Prestant 4’

Positif: Cromorne 8’, Bourdon 8’, Prestant 4’ (Nasard 2-2/3’, Tierce 1-3/5’)

Positif acoplado ao Grand Orgue


33
Récit: Cornet

Grand jeu ou Grands jeux indica o som do Grand Orgue e do Positif acoplados.
Petit jeu (“pequena” registação) indica o som apenas do positivo. O Cornet do Récit,
também chamado de Cornet Separé (um registo que consiste na junção das filas de 8’,
4’. 2-2/3’, e 1-3/5’) é usado em duos com o Positif, ou em efeitos de diálogos entre o
Positif e o Grand Orgue, e é por normalmente indicado na partitura como Cornet. A
indicação “récit” na partitura normalmente designa uma passagem em solo com o Grand
jeu nos agudos e nos graves com as vozes acompanhantes no Positif (Petit jeu). A
pedaleira não é normalmente requerida nos Grands jeux, mas as palhetas da pedaleira
devem ser utilizadas em passagens com notas pedal e nas cadências. Alguns Offertories
para o Grand Jeu incluem secções em trio que requerem a Flûte 8’ na pedaleira.

Jeux doux (registação leve, utilizada para acompanhamentos)

Positif: (a) Bourdon 8’, Prestant 4’; (b) Montre 8’, Bourdon 8’; (c) Montre 8’,
Bourdon 8’, Prestant 4’

Grand Orgue: Montre 16’; Bourdon 16’; Montre 8’; Bourdon 8’, Bourdon 8’;
Prestant 4’

Jeu de tierce (registação utilizando registos com harmónicos de terceira)

Grand Orgue ou Positif: Bourdon 8’; Prestant (ou Flûte) 4’; Nasard 2-2/3’,
Doublette (ou Quarte de nasard) 2’, Tierce 1-3/5’, (Larigot 2-2/3’ opcional)

5.3.2.1. Tipos de peças

O repertório organístico francês incluía Missas para Órgão e Suites. Consistindo


em movimentos relativamente pequenos que eram tocados alternadamente com partes
cantadas da missa (Kyrie, Gloria, Sanctus, Agnus Dei). Os movimentos são
normalmente bastante padronizados, cada um associado a um tipo particular de
registação que é muitas vezes parte do título. Os tipos de peças comuns são os seguistes.

Prélude ou Plein jeu: Normalmente é o primeiro movimento da Suite ou Missa.

34
Movimentos tocados com o Grand plein jeu sem pedaleira, normalmente
intitulados “Prelude” ou “Plein jeu”.

1. Movimentos tocados com o Grand plein jeu com a pedaleira a tocar cantus
firmus com notas longas no baixo ou no tenor. (Ocasionalmente partes que
não são do cantus firmus são indicadas para a pedaleira).

2. Diálogos entre o Petit plein jeu e o Grand plein jeu.

3. Movimentos tocados com o Petit plein jeu, termo que geralmente serve como
título. O Petit plein jeu muitas vezes conclui uma Missa ou uma Suite.

Fuga: Existem dois tipos, a fugue grave, que, como o título sugere, é séria e lenta,
e a fugue de mouvement, que é mais viva. Ambos os tipos são normalmente tocados
com, Trompette, Cromorne, ou registações do Jeu de tierce, ou uma combinação destes.

Peças para o Grand jeu: Muitos tipos de peças são especificamente para o Grand
jeu, mas os mais comuns são os Diálogos, Offertoires, e Noëls. Estas são as peças mais
brilhantes e virtuosas do repertório francês. Nelas figuram os ecos, ritmos de dança
vivos, ritmos pontuados, secções imitativas, e uma estrutura lenta-rápida-lenta. O Grand
jeu era tradicionalmente usado no Ofertorio da Missa, que era a única oportunidade do
organista tocar uma peça extensa.

Duo: O duo surge normalmente depois de uma dança viva como a Gigue, o
Bourée ou a Gavotte. Existe um número de possibilidades de registação, como:

(a) MD: Jeu de tierce, Trompette, ou Cromorne


ME: Grand jeu de tierce

(b) MD: Cornet ou Jeu de tierce


ME: Trompette ou Cromorne

(c) Ambas as mãos com Jeu de tierce

(d) Ambas as mãos com Trompette

Trio: Como o Duo, o Trio e normalmente baseado num ritmo de uma dança, mas
por vezes mais moderado como o de um Minueto ou Chaconne. Existem dois tipos:

35
(a) Trio em dois teclados: registação semelhante à do Duo;
(b) Trio em três teclados:
MD: Cornet
ME: Cromorne
Pedaleira: Flûte 8’ (+ Flûte 4’)

Récits: Os Récits são solos para registações variadas como o Cornet, Jeu de
tierce, Trompette, Cromorne, Voix humaine, e Nasard. A cor sonora do solo é
especificada no título, por exemplo, Récit de cromorne. A voz solista deve estar no
soprano (en dessus), no baixo (en basse), ou no tenor (en taille), ou en dialogue entre o
baixo e o soprano, ou entre duas registações como o Cromorne e Cornet. As vozes
acompanhadoras são tocadas com o Jeu doux.

No Récit de tierce en taille (solo para o Jeu de tierce no tenor) e no Récit de


cromorne en taille (solo para Cromorne no tenor), a voz solista é tocada pela mão
esquerda com registação específica, as vozes acompanhadoras são tocadas pela mão
direita com o Jeu doux ou o Fond d’orgue, e o baixo é tocado na pedaleira com uma
Flûte 8’ (e 4’ opcional). Quando a mão direita é tocada com o Fond d’orgue (que inclui
registos de 16’) as suas notas mais graves soa abaixo da linha melódica do baixo, a não
ser que a pedaleira também inclua registos de 16’. As pedaleiras francesas normalmente
não incluíam registos de 16’, mas alguns órgãos tinham acoplamento do Grand Orgue
ao Pédal o que permitia que a registação de Fond d’orgue fosse acoplada à pedaleira.

5.4. Itália

5.4.1. Os órgãos

O órgão de Santa Maria della Grazie em Pistoia (Anexos 11) é um exemplo dos
órgãos italianos dos séculos XVII e XVIII. Estes órgãos já apresentavam registos de
palheta e registos compostos (influências dos órgãos do Norte que apenas chegaram a
Itália nos séculos XVII e XVIII).

Alguns dos órgãos do barroco tardio tinham dois teclados, onde o segundo era
basicamente uma duplicação do primeiro em menor escala, e outros registos de palheta,
especialmente Regals como Cornamusa e Tromboncini.

36
5.4.2. Prática da Registação

A registação nos órgãos italianos dependia do género de peça e da função que


desempenhava na missa. As diretrizes gerais podem ser deduzidas de fontes históricas
como a L’Arte organica do organeiro Costanzo Antegnati (1608). (BROCK, 2002, p.
156)

5.4.2.1. Ripieno
A registação mais importante no órgão italiano é o Ripieno (análogo ao Organo
Pleno alemão, ao Plein jeu francês e ao Full Organ inglês) que consistia em todos os
registos principais. As Flautas, a Voce umana, e todos os registos de palheta eram
excluídos desta registação. O Ripieno era utilizado em peças com um estilo de
improvisação, como Toccatas e Intonazione, e também podia ser utilizado para
Ricercare – peças escritas em textura polifónica – especialmente quando eles continham
elementos parecidos com os da Toccata. O Ripieno era utilizado no início e no final da
missa, no ofertório e noutras partes quando peças ao estilo da Toccata eram tocadas.

5.4.2.2. Mezzo-ripieno

O Mezzo-ripieno consistia numa utilização parcial dos registos do ripieno. De


seguida são apresentadas algumas possibilidades de registar o mezzo-ripieno (os
registos que estão entre parênteses são opcionais).

1- Principale 8’, Ottava 4’, (Flauto in ottava 4’), Vigesimanona 1/2', Trigesimaterza
1/3’
2- Principale 8’, Ottava 4’, (Flauto in ottava 4’), Vigesimaseconda 1’, Vigesimasesta
2/3’
3- Principale 8’, Decimaquinta 2’
4- Principale 8’, Ottava 4’, (Flauto in ottava 4’), Decimaquinta 2’
5- Principale 8’, Ottava 4’, (Flauto in ottava 4’)
6- Ottava 4’, (Flauto in ottava 4’), Decimaquinta 2’

37
7- Ottava 4’, Decimaquinta 2’, Vigesimaseconda 1’

As registações espaceadas como a 1º, 2º e 3º apresentadas anteriormente podem


ser utilizados em Ricercare e Canzone mais brilhantes com alguma atividade rítmica. As
registações sem espaço como os números 4 e 5, podiam ser utilizados em composições
que encarnavam o espírito ‘da polifonia vocal. As registações baseadas em registos de
4’ como as dos números 6 e 7 não eram incomuns, é possível que estas registações
fossem tocadas uma oitava abaixo com o intuito de produzir uma registação de 8’.

5.4.2.3. O Principale e a Voce Umana


O registo Principale inspirado na voz era utilizado sozinho ou combinado com a
Voce Umana (literalmente “voz humana”) para a especial função de tocar na
consagração da Missa. A Voce Umana, também chamada de Piffaro (e não deve ser
confundida com a Vox humana e Voix humaine, registos de palheta descobertos nos
órgãos alemães, ingleses e franceses), era um registo de Principal que tocava apenas no
na região aguda do teclado e possuía uma afinação ligeiramente mais alta, de forma a
obter um efeito ondulante quando usado com o Principale. Os tipos de composição
mais comuns para esta registação são a Toccata para a Elevation e a Toccata di durezze
e ligature, uma peça caracterizada pela enfatização das suspensões e as dissonâncias

5.4.2.4. Registos da família das flautas


Uma vez que os órgãos de Itália não tinham nenhum registo flautado de 8’, o
Principal desempenhava o papel de base para os registos da família das flautas e para o
Ripieno. A combinação do Principale 8’ e do Flauto in ottava 4’ eram comuns. Eram
utilizados para movimentos do género da canzona, para acompanhamentos, e em
transcrições para teclado de peças vocais como motetos e canzone alla francese.
Outras possibilidades de registação incluíam:
1- Flauto in otava 4’
2- Ottava 4’, Flauto in ottava 4’
3- Principale 8’, Flauto in duodecima 2-2/3’
4- Principale 8’, Flauto in decimaquinta 2’

38
Estas registações são eficazes nos movimentos vivos da Canzona. Temos também
que ter em conta que não era comum utilizar mais do que um registo da família das
flautas ao mesmo tempo numa combinação de registos.
5.4.2.5. Palhetas e efeitos especiais
Como mencionado anteriormente, os órgãos italianos do século XVIII,
influenciados pelo Norte da Europa, incluíam muitas vezes registos de palheta. Os
registos de palheta combinados com o Principale 8’. A Tromba e Cornetto podiam ser
adicionado ao Ripieno para formar o chamado organo aperto – literalmente “aberto”, ou
“full organ”. Esta registação era muitas vezes utilizada nas peças do Ofertório, tal como
era usual tocar com ripieno ou organo aperto no Ofertório. Os registos que produziam
uma nota pedal (Zampogna, Cornamusa) e os registos que imitam tambores (Tamburo,
Timpano, Banda militare) podiam ser utilizados em composições do género das
marchas. (BROCK, 2002, p. 157)

5.5. Península ibérica

Tal como os órgãos dos outros países, os órgãos ibéricos distinguem-se a partir da
sua identidade sonora. As características que distinguem o órgão ibérico aplicam-se a
um modelo de órgão desenvolvido na península ibérica, sobretudo durante os séculos
XVII e XVIII. Estes órgãos distinguem-se dos referidos anteriormente pela sua
organização mecânica e qualidade acústica. No que toca á organização mecânica, são
órgãos normalmente com apenas um teclado (o órgão do Evangelho, na Sé de Braga
(Anexos 12 e 13), é um dos poucos exemplares com dois manuais) e sem pedaleira. O
que distingue, à partida, as características sonoras, pois toda a sonoridade é situada na
zona média e aguda, não dando tanta importância aos graves como acontece na
Alemanha. Por sua vez, os manuais, apesar de serem em número limitado, possuem
registros partidos, isto é, que só correspondem ou à parte inferior ou à parte superior do
teclado. Isso permite tocar com uma sonoridade numa parte do teclado e com outra
sonoridade na outra parte, servindo-se de cada teclado como se fossem dois (ou seja, o
referido órgão do Evangelho teria, na prática, quatro teclados diferentes). Quanto à
organização dos registros, podemos constatar que, no campo dos sons fundamentais,
que são aqueles que mais se assemelham ao som de uma flauta, o órgão ibérico segue
um esquema semelhante ao dos outros órgãos: parte de um som básico, de sonoridade

39
mais escura e simples, a que vai somando oitavas, quintas, e terceiras superiores
(correspondentes aos harmónicos do som fundamental), até chegar mesmo a uma
mistura, obtendo-se assim um som cada vez mais brilhante e luminoso. O órgão ibérico
possui uma grande variedade e qualidade sonora dentro da família das flautas, o que
talvez tenha acontecido devido ao foco em registos mais agudos e à ausência da
pedaleira. O referido órgão da Sé de Braga é um dos melhores exemplos dessa
variedade. (Duque, 2006, p. 161)

Alguns desses registos de flauta possuem mesmo características de solistas e


podem ser tocados sobre um fundo de acompanhamento mais neutro. As peças que
recorrem aos meios registos são as que tiram maior partido não só da divisão de
teclados mas também da qualidade sonora de certos registos solistas, ou de
determinadas combinações de registos

Uma das características que distingue os órgãos ibéricos, além da abundância de


pormenor, é a grandiosidade concebida pelos registos de palheta, desde os mais leves,
que parecem imitar oboés ou instrumentos análogos, até às sonoras trombetas e aos
agressivos clarins, colocados horizontalmente – em chamada – e que, sobretudo os
órgãos maiores como o da Sé de Braga, constituem uma autêntica bateria de sons
penetrantes e mesmo estridentes. As peças que melhor tiram partido dessa possibilidade
são as batalhas. De resto, sobra a combinação de todos estes níveis sonoros de mil e um
modos possíveis, segundo a criatividade do compositor e do organista. O repertório
escrito na Península Ibérica foi composto especialmente para este instrumento e isso faz
com que os órgãos do resto do mundo não consigam executar o repertório da mesma
forma por falta de recursos a nível de registação. A variedade sonora destes órgãos abre
um leque de possibilidades que permite neles realizar música contemporânea, com
características essencialmente sinfónicas. (Duque, 2006, p. 162)

40
6. A Registação no meu repertório atual
Como referi na introdução, um dos objetivos desta Prova de Aptidão Artística é
conseguir aplicar os conhecimentos adquiridos neste trabalho no repertório que vou
estudando ao longo da minha vida académica. Neste capítulo irei analisar as minha
obras e registá-las.

6.1. Toccata per l’Elevatione de Frescobaldi

Como podemos ler na página 37, as Toccatas compostas para o momento da


consagração poderiam ser tocadas com apenas um Principale ou com uma combinação
do mesmo com a Voce Umana. Posto isto, toco, normalmente, esta peça com apenas um
Principal 8’ para conseguir uma maior clareza da obra e uma maior enfatização das suas
dissonâncias.

6.2. Praeludium et Fuga in c, BWV 549, J. S. Bach

Na página 25 refiro que em peças livres como Prelúdios e Fugas, o Plenum era
bastante utilizado, e é precisamente essa registação a que recorro na performance desta
obra. O Organo Pleno é construído pelos Principais de 8’, 4’ e 2’ e mistura no teclado
principal suportados por Principais de 16’, 8’ e uma palheta na pedaleira, esta acoplada
ao teclado.

Utilizo uma palheta de 8’ na pedaleira devido ao solo inicial de pedaleira que


precisa de algum ênfase. Apesar de, por vezes, a registação poder ser aliviada na fuga,
opto por não o fazer com esta com o intuito de marcar o tema que aparece
posteriormente na pedaleira no clímax da peça.

6.3. Wachet auf, ruft uns die Stimme, BWV 645, J. S. Bach

Este coral em Trio requer uma atenção especial devido ao cantus firmus presente
no tenor. Tal como refiro na página 27, existem duas formas de registar um Trio, neste
caso em específico utilizo a (a), isto é, com um contraste tímbrico entre as duas vozes

41
superiores. Deste modo, utilizo uma palheta no tenor (com o intuito de destacar o cantus
firmus) suportada por uma base constituída por Principais 8’ e 4’ no manual (mão
direita) e 16’ e 8’ na pedaleira.

6.4. O Mensch, bewein’ dein’ Sünde groβ, BWV 622, J. S. Bach

Este coral, ao contrário do anterior, apresenta, além uma base polifónica, uma
base harmónica, e, assim, a registação também precisa de funcionar como uma junção
de todas as vozes. Desta forma, recorro a um fundo de flautas 8’ e 4’ na mão esquerda e
uma Sesquialtera combinada com um Principal 8’ na mão direita. Na pedaleira os
Principais 16’ e 8’ suportam as restantes vozes.

42
III – Conclusão

O órgão é um dos instrumentos mais complexos e a sua mecânica não é muito


fácil de entender. Contudo, neste trabalho está sintetizado toda a sua evolução e o seu
mecanismo.

Depois de uma longa “história de vida” bastante longínqua da nossa, o órgão


evoluiu para um instrumento de sopros e teclas. Apesar de ser inicialmente utilizado
exclusivamente para a liturgia, desenvolveu o seu repertório para o instrumento solo e,
por conseguinte, foram melhoradas a sua construção e características. Resumidamente,
o órgão soa quando o ar, depois de percorrer várias estruturas, passa no tubo
correspondente à tecla e ao registo acionados.

Os vários timbres do órgão (registos) são conseguidos através de diferenças nos


tubos a eles correspondentes. Existem dois tipos de tubos: os labiais, e os de palheta. O
som por eles emitido depende não só do material de construção, do tamanho ou da
forma, mas também se é aberto ou tapado. Ao contrário dos tubos de palheta – que têm
uma palheta móvel -, os tubos labiais não possuem partes móveis, o que lhes atribui
uma sonoridade mais suave e próxima do timbre da flauta de bisel em comparação com
os de palheta. Registos das famílias dos Principais, Flautas e Cordas são constituídos
por tubos labiais e registos como Trompete ou Trompa são constituídos por tubos de
Palheta.

A evolução do repertório, do mecanismo e do leque de registos teve o seu apogeu


no século XVIII. Nesta altura, várias escolas europeias diferenciaram-se e destacaram-
se a nível organístico.

A Alemanha era o berço dos maiores organeiros e, por conseguinte, do grande


desenvolvimento da organologia. Os órgãos germânicos podem ser considerados os
mais completos e elaborados. Contudo, dento do mesmo país existe uma distinção entre
as escolas do Norte e Centro e as escolas do Sul. Enquanto no Norte o órgão possuía
quase sempre três teclados e uma Pedaleira extensa, no Sul essa característica é rara e
podiam chegar a existir órgãos com apenas um Positiv com cinco ou seis registos, e,
quando existia uma Pedaleira a sua amplitude era muito curta. Apesar de se conhecer
hoje em dia algumas das práticas relativamente à registação da época, não foram

43
deixadas muitas informações e, nem os órgãos nem as práticas de registação, foram, em
algum momento, padronizados. O Plenum, utilizado em peças de carácter livre, era
composto por todos os Principais, Octavas, Quintas e Misturas dos teclados e todos os
Principais, Octavas, Quintas, Misturas e Palhetas especialmente de 32’, 16’ e 8’ na
pedaleira.

Em Inglaterra vivia-se ma realidade completamente diferente da vivida na


Alemanha. Tal como os órgãos franceses, os ingleses foram bastante padronizados e,
deste modo, podiam também o ser as práticas de registação. A registação estava pré
definida de acordo com a peça em questão. Os órgãos ingleses possuíam três teclados e
uma pedaleira com uma oitava ou uma oitava e meia permanentemente acoplada ao
baixo do Grande Órgão.

Como referido anteriormente, tanto os órgãos como as práticas de registação


francesas eram bastante padronizadas. Os órgãos tinham normalmente quatro teclados e
Pedaleira e a registação, tal como na Inglaterra, a registação é padronizada de acordo
com a peça executada.

Os órgãos italianos são mais pequenos do que os dos outros países, normalmente
tinham apenas um teclado e uma pedaleira curta permanentemente acoplada ao teclado e
apenas um registo adicional: Contrabassi 16’. O Ripieno, o Mezzo-ripieno, o Princiale,
a Voce Umana e os registos de flauta são utilizados em determinadas peças específicas.

Os órgãos da Península Ibérica são talvez os mais característicos de todas as


escolas. Os registos de palheta e a ornamentação são bastante importantes na música
ibérica. Os tubos de palheta estão muitas vezes colocados “em chamada”, característica
única destes órgãos.

Este trabalho superou as minhas expectativas. Através dele conheci o meu


instrumento e a sua história como nunca antes tinha tido oportunidade. Depois de todo
este trabalho de pesquisa posso afirmar que escolho a registação das peças que executo
de acordo com a informação que li e retive. O momento da atribuição da registação
passou a ser mais uma oportunidade de escolha e interpretação e não apenas algo
previamente imposto. A registação tem que ser vista pelos alunos como um momento de
liberdade de expressão; deve ser algo pensado e informado e, por vezes o tempo de aula
não chega para todos estes conhecimentos. Assim, achei crucial a elaboração desta

44
Prova de Aptidão Artística para a minha formação académica. Estou agora mais
consciente e preparada para registar o meu repertório.

45
IV - Bibliografia e Webgrafia

1. Bibliografia

BROCK, J., (2002)“Introduction to Organ Playing in 17th and 18th Century


Style”, Wayne Leupold Editions
DUQUE J. (2006), “Órgão Ibérico”, Braga, Universidade Católica Portuguesa.
Faculdade de Teologia-Braga,
FAULKNER Q. (1993), “Information on Organ Registration From a Student of
J.S. Bach”, Nebraska, University of Nebraska – Lincoln

HENRIQUE L. (2004), “Instrumentos musicais”, Fundação Calouste Gulbenkian,

MOTA A. (2000), “Tudo o que você queria saber sobre o órgão, e teve medo de
perguntar…” Novembro

OWEN B. (1999), “The Registration of Baroque Organ Music”, Indiana


University Press,

REIS M. (2017), “Registação e Mecânica do Órgão”,– Relatório de estágio


inserido na disciplina Prática de Ensino Supervisionada, orientada pela Professora
Celina Martins e pelo professor António Mota, inserida no Mestrado em Ensino da
Música da Universidade de Aveiro.

VALENÇA P., (1987), “O Órgão na História e na Arte”, Braga, Editorial


Franciscana

46
2. Webgrafia

2.1. Informação

http://nersp.nerdc.ufl.edu/~bodinew [27/12/2018, às 19h35]

https://www.die-orgelseite.de/fusszahlen_e.htm [03/02/2019, às 15h30]

https://forum.musicasacra.com/forum/discussion/16134/vox-humana-the-american-
organist-/p1?fbclid=IwAR0zZDDBh9spvpbobfpDQ-
QKOJjaadzeZVeXXSJc6gN68tVACpzwxlg4w8g [05/03/2019, às 10h04]

https://www.agohq.org/ [15/03/2019, às 11h27]

2.2. Fotografias

http://www.arpschnitger.nl/shamb19.html?fbclid=IwAR1AIOvwgqqmxAdzqgYCBR-
DyjKYFFlG0yHyM6ZvkaVCT7ztf5fpz24pX2k [16/03/2019, às 11h03]

https://en.wikipedia.org/wiki/Schnitger_organ_(Hamburg)?fbclid=IwAR0l5qCHNlfBK
TP-IWIqpD9-LZhjjZODC4RkKfdieQ3I3EWpe6wHtm0T25k [16/03/2019, às 11h05]

https://www.organartmedia.com/de/heinrich-gottfried-
trost?fbclid=IwAR25uZEm1_L2sphSaGHbzBZWRmh-
JrROFJZT9ZH7fp45_izB6uWqISW8PbE [16/03/2019, às 11h07]

https://www.tripadvisor.com.br/LocationPhotoDirectLink-g190454-d6536349-
i132119297-Franziskanerkirche-Vienna.html [16/03/2019, às 11h14]

https://www.meisterdrucke.pt/impressoes-artisticas-sofisticadas/Austrian-
School/98450/Vista-do-%C3%B3rg%C3%A3o-em-Franziskanerkirche,-Viena,-1643-
(m%C3%ADdia-
mista).html?fbclid=IwAR25y6vQrrT1MI7b8OwycCGwueAJK_Cnlcqtwsw42EwWuevf
y56241_c4UI [16/03/2019, às 11h20]

https://www.tripadvisor.com.br/LocationPhotoDirectLink-g190454-d6536349-
i175712595-Franziskanerkirche-Vienna.html [17/03/2019, às 16h48]

https://www.tripadvisor.pt/Attraction_Review-g186338-d6154920-Reviews-
St_George_s_Church-
London_England.html#photos;aggregationId=101&albumid=101&filter=7&ff=324815
104 [17/03/2019, às 16h52]

https://www.tripadvisor.com.br/LocationPhotoDirectLink-g187147-d191242-
i159209455-Eglise_Saint_Gervais_Saint_Protais-Paris_Ile_de_France.html
[17/03/2019, às 16h55]

47
V - Anexos

48
Anexo 1 – Características do órgão de St. Michael’s Church, Hamburg (Arp Schnitger,
1712-15)

Hauptwerk Rückpositiv
 Principal 16’  Principal 8’
 Quintadena 16’  Gedackt 8’
 Octav Principal 8’  Quintadena 8’
 Rohrflöte 8’  Octava 4’
 Octava 4’  Flute douce 4’
 Spitzflöte 4’  Gedackte Quinta 2 2/3’
 Nasat 2 2/3’  Octava 2’
 Super Octava 2’  Spitzflöte 2’
 Rauschpfeiffe II  Quinta 1 1/3’
 Mixtura IV-VI  Sesquialtera II
 Cymbel III  Scharff IV-VI
 Trompeta 16’  Dulcian 16’
 Trompeta 8’  Hautbois 8’
 Vox Humana 8’

Pedal Brustwerk
 Principal 16’  Flute douce 8’
 Subbass 16’  Octava 4’
 Rohr-Quinta 10 2/3’  Rohrflöte 4’
 Octava 8’  Quinta 2 2/3’
 Octava 4’  Octava 2’
 Nachthorn 2’  Waldflöte 2’
 Rauschpfeiffe III  Stifflet 1 1/3’
 Mixtura VI  Tertian II
 Gross-Posaune 32’  Scharff IV
 Posaune 16’  Trichter Regal 8’
 Trompeta 8’  Schallmey 4’
 Trompeta 4’
 Cornet 2’

Registos Acessórios
 Tremulants para Hauptwerk, Rückpositiv, Pedal
 Cymbelsterns in Hauptwerk an Rückpositiv
 Tympani
 Vogelsang (bird)
 3 Acoplamentos
 4 Sperrventils

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Anexo 2 – Fotografias do Ógão de St. Michael’s Church, Hamburg (Arp Schnitger,
1712-15)

50
Anexo 3 – Características do órgão de Castle Church, Altenburg (Tobias Heinrich
Gottfried Trost, 1735-39)

Hauptwerk Oberwerk
 Gross-Quintadena 16’  Geigenprincipal 8’
 Flauto Traverso 16’  Lieblich Gedackt 8’
 Principal 8’  Fugara 8’
 Bourdon 8’  Quintadena 8’
 Spitzflöte 8’  Hohlflöte 8’
 Violdigamba 8’  Gemshorn 4’
 Rohrflöte 8’  Flaute douce II 4’
 Octava 4’  Nasat 3’
 Klein-Gedackt 4’  Superoctava 2’
 Quinta 3’  Waldflöte 2’
 Superoctava 2’  Mixtur V
 Blockflöte 2’  Cornet V
 Sesquialtera II  Vox humana 8’
 Mixtur VI-IX
 Trompete 8’
 Glockenspiel

Pedal
 Principalbass 16’
 Violonbass 16’
 Subbass 16’
 Quintadenabass 16’
 Flauto-traverso-Bass 16’
 Oktavbass 8’
 Bourdonbass 8’
 Octavbass 4’
 Mixturbass VI-VII
 Posaunenbass 32’
 Posaunenbass 16’
 Trompetenbass 8’

Acoplamentos
 Hauptwerk para a pedaleira
 Oberwerk para Hauptwerk

Registos acessórios
Hauptwerk Tremulant
Oberwerk Tremulant

51
Anexo 4 – Fotografias do Órgão de Castle Church, Altenburg (Tobias Heinrich
Gottfried Trost, 1735-39)

52
Anexo 5 – Características do Órgão de Franziskanerkirche, Viena (Johann Weckerl,
1642)

Hauptwerk Positiv
 Prinzipal 8’  Koppel 8’
 Gedackt 8’  Prinzipal 4’
 Quintadena 8’  Spitzflöte 4’
 Oktave 4’  Oktave 2’
 Flöte 4’  Sedez 1’
 Quint 2-2/3’  Mixtur III
 Superoktave 2’ 
 Mixtur VI

Pedal
 Bordun (open) 16’
 Violon 8’
 Oktave 4’
 Quint 2-2/3’
 Mixtur VI
 Posaune 8’

Acoplamentos
 Hauptwerk para a pedaleira
 Positiv para Hauptwerk

53
Anexo 6 – Fotografias do Órgão de Franziskanerkirche, Viena (Johann Weckerl, 1642)

54
Anexo 7 – Características do órgão da Igreja de St. George, Hanover Square, Londres
(Gerard Smith, 1725)

Great
 Open Diapason 8’
 Stop Diapason 8’
 Principal 4’
 Twelfth 2-2/3’
 Fifteenth 2’
 Sesquialtera IV
 Cornet V
 Trumpet 8’
 Clarion 4’

Choir
 Stop Diapason 8’
 Principal 4’
 Flute 4’
 Fifteenth 2’
 Vox Humana 8’

Echo (Swell)
 Open Diapason 8’
 Stop Diapason 8’
 Cornet III
 Hautboy 8’
 Trumpet 8’
 Cremona 8’

55
Anexo 8 – Fotografia do Órgão da Igreja de St. George, Hanover Square, Londres
(Gerard Smith, 1725)

56
Anexo 9 – Características do Órgão da Igreja de Saint-Gervais, Paris (M. Langhedul,
1601)

Grand Orgue Récit


 Montre 16’  Cornet V
 Bourdon 16’  Trompette 8’
 Montre 8’
 Bourdon 8’
 Prestant 4’ Écho
 Flûte 4’  Bourdon 8’
 Nasard 2-2/3’  Prestant 4’
 Doublette 2’  Nasard 2-2/3’
 Quarte de nasard 2’  Doublette 2’
 Tierce 1-3/5’  Tiere 1-3/5’
 Fourniture IV  Cymbale III
 Cymbale III  Chromorne 8’
 Cornet (table) V
 Trompette 8’
 Clairon 4’ Pédale
 Voix humaine  Flûte 8’
 Flûte 4’
 Trompette 8’
Positif
 Bourdon 8’
 Montre 4’ Acoplamentos
 Flûte 4’  Positif ao Grand Orgue
 Nasard 2-2/3’  Grand Orgue ao Pédale
 Doublette 2’
 Tierce 1-3/5’
Tremblant fort
 Larigot 1-1/3’
Tremblant doux
 Fourniture III
 Cymbale III
 Chromorne 8’

57
Anexo 10 – Fotografia do Órgão da Igreja de Saint-Gervais, Paris (M. Langhedul, 1601)

58
Anexo11 – Características do órgão da igreja de Santa Maria della Grazie, Pistoia
(Tronci, 1755)

Manual

 Principale 8’
 Ottava 4’
 Quintadecima 2’
 Decimanona 1-1/3’
 Vigwsmaseconda e Vigesimasesta 1’+2/3’
 Voce umana (treble) 8’
 Flauto in ottava 4’
 Cornetto (treble) 2-2/3’+2’
 Trombe 8’

Pedaleira (permanentemente acoplada ao manual)


 Contrabassi 16’

59
Anexo 12 – Características do Órgão do Evangelho da Sé de Braga

 Quatro Flautados de 24 com diferenças


 Três Flautados de 12 com diferenças
 Duas Oitavas reais com diferenças
 Dozena
 Corneta real
 Duas Compostas de 22ª com diferenças
 Dois Nasardos com diferenças
 Quatro Símbalas com diferenças
 Duas Resímbalas com diferenças
 Duas Trempetas reais com diferenças
 Baixãozinho
 Trompeta Magna
 Clarim de Batalha
 Clarim
 Duas Dulçainas com diferenças
 Aboâs
 Flautado de Violão
 Flautado de 6 de Eco
 Flautado de 12 de Eco
 Flauta Doce
 Quinzena
 Corneta real de Eco
 Dois Clarom com diferenças
 Tenor
 Cheremia
 Trompeta Bastarda
 Clarim de Eco
 Flautado de 6

60
Anexo 13 – Fotografias do Órgão do Evangelho da Sé de Braga

61