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ESCOLA MUNICIPAL "PROFESSOR DORIOL BEATO”

Texto Complementar

Capítulo 5: O continente africano

Aspectos Físicos

A África é o mais tropical dos


continentes. Essa afirmação é muito
importante para entendermos esse
continente. Cortadas ao meio pelo equador,
ao norte pelo trópico de Câncer e ao sul
pelo trópico de Capricórnio, as terras
africanas são geralmente quentes, bastante
tropicais. Os índices de chuva, contudo, não
são elevados: são maiores nas proximidades
do equador, onde se localizam as bacias do
rio Congo e a floresta do Congo, e
diminuem tanto para o norte quanto para o
sul.
Há dois imensos desertos nesse
continente: o Saara e o Kalahari. O Saara é o
maior deserto do mundo, com uma área
superior a do Brasil. Localiza-se na porção
norte do continente africano, ocupando
terras de vários países. O deserto de
Kalahari fica ao sul, e sua área é de 600 mil
quilômetros quadrados.
A origem dos desertos é explicada pela presença de montanhas no litoral, que agem como barreiras que
dificultam a penetração de nuvens carregadas de umidade no interior. No caso dos desertos africanos, há um
elemento a mais: ao longo do trópico de Câncer, que corta o Saara, existe uma zona de permanente alta pressão
atmosférica. Esse fenômeno dispersa os ventos, em vez de atraí-los.
Quanto ao relevo africano, como podemos observar o mapa físico da África, existe altitudes baixas (em
depressões e vales fluviais), médias e elevadas (mais de mil metros). A maior parte do relevo africano é de
planaltos de médias ou elevadas altitudes que não possuem variações significativas de modelagem. Por serem
formações muito antigas, sofreram a ação erosiva diversos elementos. Em algumas porções do continente-
trechos do norte e vastas áreas ao sul-, porém, é visível a influência de processos tectônicos recentes ligados,
principalmente, a atividades vulcânicas, o que contribui para a formação de altas montanhas.
Costuma-se dividir o relevo africano em três imensos planaltos: setentrional, centro-meridional e oriental.
O planalto setentrional localiza-se ao norte do continente. Nele situa-se o imenso deserto do Saara. A oeste desse
planalto surge a planície costeira setentrional, região de terras agricultáveis que inclui a cadeia do Atlas, formação
que se estende desde o litoral de Marrocos até a Tunísia, passando pela Argélia.
O planalto centro-meridional, que se prolonga do centro ao sul do continente, tem altitudes médias mais
altas que o planalto setentrional. Ele começa na bacia do Congo e vai até o extremo sul da África, incluindo o
deserto de Kalahari, que na verdade é uma grande depressão situada dentro desse planalto.
E o planalto oriental, na parte centro-leste do continente, é de origem vulcânica e possui altitudes
elevadas justamente com depressões ou fossas tectônicas que deram origem a extenso lagos, como o Tanganica, o
Vitória e o Niassa.
Quanto a vegetação natural, na África encontramos diversos tipos de flora, adaptados às variações
climáticas, como a floresta do congo (mata equatorial), as raras plantas desérticas, as estepes e a vegetação
mediterrânea. Mas são as savanas o tio de vegetação mais característico do continente, e que chegou a ser
divulgado por filmes e histórias em quadrinhos de conteúdo colonialista, como Tarzan e Fantasma. As savanas são
semelhantes ao cerrado do Brasil Central.

África: colonização e descolonização


A dominação europeia na África teve início no século XV, com a expansão marítimo-comercial
empreendida pelos países europeus. Esse fato é importantíssimo para entendermos a África, pois a colonização
deixou marcas que persistem até os dias de hoje. Por exemplo: a enorme diversidade étnico-cultural da maioria
dos países africanos com os frequentes conflitos daí resultantes, as suas fronteiras arbitrárias, as enormes
desigualdades sociais internas e até mesmo, em parte, o atraso ou subdesenvolvimento atual do continente só
podem ser entendidos pelas grandes modificações introduzidas pelos colonizadores europeus. De fato, um dos
grandes problemas africanos é a pesada herança colonial.
A Europa começou a colonizar a África no século XIX. Assim, nações europeias importantes na época
ocuparam e dividiram entre si o continente africano. Essa divisão ou partilha não foi tranquila nem definitiva:
houve guerras e conflitos, e muitas vezes terras de uma metrópole foram tomadas por outras. Na Conferência de
Berlim, doze países europeus decidiram o destino dos povos africanos traçando de forma arbitrária um novo
mapa político do continente. Sem levar em conta os interesses dos povos que viviam nas áreas, as metrópoles
europeias dividiram entre si a África que ficou compartimentada em dezenas de colônias. Dessa forma, parentes
ficaram divididos por fronteiras que antes não existiam, e grupos étnicos inimigos foram juntados num mesmo
território. O único fator que pesava nesse processo de dominação era o poderio militar das potências europeias.
Com a Primeira Guerra Mundial e principalmente com a Segunda (1939 – 1945), ocorreu um
enfraquecimento das potências europeias e o fortalecimento das novas superpotências mundiais: os Estados
Unidos e a antiga União Soviética. Com isso, a partir da Segunda Guerra, a África e a Ásia passaram por um
processo de descolonização.

As consequências da colonização

Os colonizadores impuseram aos africanos um modelo de economia e sociedade típico dos povos
europeus e, com isso, destruíram a organização social original desses povos.
Uma das consequências da dominação colonial é a economia dependente, subordinada ao mercado
internacional. Antes da colonização, a economia desses povos era autossuficiente, ou seja, eles produziam
praticamente tudo àquilo que precisavam e quase não recorriam a trocas comerciais. Os colonizadores destruíram
essas economias e, no seu lugar, implantaram uma economia comercial, tanto agrícola quanto mineral, voltada
para o mercado externo, isto é, para atender as necessidades dos países desenvolvidos.
Para estabelecer essa economia comercial, os colonizadores organizaram grandes plantações, onde se
cultivava apenas gênero agrícola. Esse tipo de exploração recebeu o nome de plantation.
Os melhores solos, como é óbvio, foram utilizados para essas grandes plantações coloniais, ficando os
piores para o cultivo de alimentos para a população local. Essa prática acabou perdurando mesmo depois da
independência dos países africanos, pois suas economias já estavam voltadas para a exportação de produtos
agrícolas. Com exceção de poucos países, os problemas de fome e subnutrição são notórios nesse continente.

Fronteiras arbitrárias ou geodésicas


Antes da colonização, não existiam
países ou Estados-nações na África, mas sim
povos diversificados, cada um vivendo num
território sem fronteiras definidas ou
migrando de uma terra para outra, de
acordo com as necessidades de caça, de
novos solos, etc.
Nessa partilha, uniram forças povos
diferenciados e desuniram outros que
viviam juntos. Assim, famílias que
pertenciam a um mesmo grupo, acabaram
separadas pelas fronteiras coloniais.

A pobreza na África subsaariana

Nos dias atuais, a queda do padrão


de vida na África é visível em vários
segmentos da sociedade: as salas de aula,
apesar da diminuição da frequência, ficam
superlotadas, com até 120 alunos; os hospitais, infestados de moscas, sofrem com a falta de remédios, e os
pacientes são recusados ou sofrem por não poder pagar o tratamento; favelas cercam as capitais; populações
inteiras moram em barracos sem janelas, com esgoto a céu aberto e pilhas de lixo.
Os países do sul do Saara vêm apresentando a mais de uma década mau desempenho econômico. A África
subsaariana é a única imensa região do globo onde grande parte, as pessoas ficam mais pobres com o passar do
tempo e onde a saúde e a educação se deterioram. Mais de 4 milhões de crianças nascidas a cada ano morrerão
antes de completar 5 anos de idade. Quase um terço das crianças sofre de desnutrição grave, e uma em cada três
não recebe instrução primária.

África Setentrional

A África Branca, do norte ou setentrional é formada por Estados onde predominam os povos caucasoides,
isto é, com a cor de pele mais clara. Com exceção do Sudão, em geral os povos que habitam essa parte da África
são de origem árabe. E mesmo no Sudão a etnia predominante é chamada de árabe-sudanesa, ou seja, são
descendentes de árabes, especialmente
egípcios, que dominaram o país durante
séculos. A religião mulçumana ou islâmica
predomina em toda essa região africana.
Existe cerca de 200 milhões de
habitantes na África Branca, o que equivale
a mais ou menos 20% do total da população
do continente africano. O norte da África
praticamente representa uma continuação
do Oriente Médio, que fica na Ásia, do outro
lado do Canal de Suez, construído entre os
continentes africano e asiático para ligar o
mar Mediterrâneo ao Vermelho.

África Subsaariana

Abrangendo a maior parte do


continente e também de sua população, a
África subsaariana é constituída por 47
Estados independentes. É a “verdadeira
África”, nos dizeres de alguns especialistas. É
a África dos povos de cor da pele negra, dos
Estados construídos de cima para baixo, de forma arbitrária (ou seja, onde normalmente existem várias etnias
num mesmo território nacional, cada uma com um idioma e uma cultura específicos, sem haver uma verdadeira
nação).
Comprada à parte norte do continente, a África subsaariana é bem mais heterogênea, isto é, apresenta as
maiores diversidades do continente. Existem ali maiores diferenças econômicas, culturais, étnicas e até mesmo
naturais. Há paisagens desérticas, onde as condições de vida são extremamente precárias, mas também existem
paisagens tropicais exuberantes, que permitem a agricultura e a pecuária.

O Apartheid

O apartheid foi implantado na África do Sul após sua independência completa do Reino Unido, em 1961.
Antes disso já havia enormes desigualdades entre brancos e negros, pois uma das bases do colonialismo é
exatamente a divulgação, pelos colonizadores, de sua “superioridade” racial em relação aos colonizados. Quem
mais defendeu o apartheid foi a população branca de origem holandesa, chamada de africânder, muito mais
radical no seu racismo que a de origem inglesa.
Na África do Sul, o novo governo, representante da minoria branca, achou que era necessário oficializar as
diferenças étnicas para manter os privilégios dos brancos e evitar uma maior participação dos negros nas
decisões. Nas décadas de 1960 e 1970, o apartheid foi aperfeiçoado, tornando-se mais radical. As diferenças entre
brancos e negros se ampliaram.
Algumas leis rigorosas foram criadas, estabelecendo, por exemplo, que nenhum negro tinha o direito de
adquirir terras; que era proibido o casamento de brancos com pessoas de outra etnia; que era proibido o acesso
de negros a certos hotéis, restaurantes de luxo, etc.; que nenhum negro podia hospedar ninguém, nem mesmo
parentes, por mais de 72 horas em sua casa. Tudo isso representou uma tentativa de controlar melhor a maioria
negra, de evitar que ela se organizasse e lutasse contra o regime imposto pela minoria branca.
Depois de um boicote internacional, liderado pela ONU, contra o sistema oficial de racismo na África do
Sul, o governo do país percebeu que a situação estava insustentável e resolveu eliminar gradativamente o
apartheid. No início ele queria somente abrandar esse regime para aplacar o boicote internacional, mas com o
tempo e grandes manifestações de grupos africanos, se viu obrigado a promover eleições e permitir a presença de
partidos políticos e candidatos negros.
A partir de 1994, com a realização das primeiras eleições livres e multirraciais na África do Sul para os
cargos de legislativos e para a presidência da República, desapareceu oficialmente o apartheid. Uma nova
Constituição foi promulgada, tornando iguais os direitos de todas as pessoas, qualquer que seja sua etnia ou cor
da pele, e, além disso, várias línguas dos povos africanos foram oficializadas no país.
Nelson Mandela, um famoso ex-preso político da África do Sul, tornou-se o primeiro presidente negro da
história do país. Ele tentou organizar uma união nacional, com a participação no seu governo de negros e brancos,
representados por seus partidos políticos.